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Normalidade e anormalidade na adolescência (Cap XIII) Segundo Campos (2012), identificar os distúrbios psicológicos podem partir de comparações entre os padrões de comportamento observado e critérios explícitos de normalidade e anormalidade. Tendo despertado grandes variedades de opiniões, normalmente, sobre períodos de estabilidade ou instabilidade na adolescência. Sendo assim é apresentado, neste capítulo, uma visão normal da adolescência, considerada como um estado perturbado. Desta maneira, trata alguns dados que desafiam tal afirmação, mostrando três pontos distintos: incapacidade psicológica; desajustamento e não-ajustamento normativo; e, psicopatologia, não considerada superficialmente. A visão da adolescência normal como um estado de perturbação é descrita como um estado, geralmente, perturbado. Relacionando duas expectativas: a primeira visão, refere-se ao desenvolvimento do adolescente normal caracterizado por tensões, turbulências, pensamentos, sentimentos e ações imprevisíveis; e, segundo, como consequência de tal tempestade e stress os adolescentes, exibirão sintomas que, no adulto, sugeriria psicopatologia definitiva. Outras obras, como as de Anna Freud, Geleerd, Spiegel, Knobe e outros, ilustram a convicção da maioria dos clínicos psicanalíticos de que o adolescente normal, pelo menos transitoriamente, é uma pessoa perturbada e desajustada. Entretanto, para Josselyn, o adolescente normal é uma pessoa confusa, mas não no sentido de ser uma pessoa psicologicamente doente. Ela afirma que, a maioria dos adolescentes, apesar da aparência de instabilidade, tem força de personalidade para emergir de sua confusão como adultos relativamente saudáveis. Implicando, assim, que muitos padrões de comportamento aparentemente perturbados, semelhantes a psicopatologia adulta, são fenômenos benignos e transitórias na adolescência, não requerendo atenção profissional. A natureza adaptativa da adolescência normativa, contraria o primeiro caso, de que a adolescência normativamente é um estado perturbado, já que consideráveis pesquisas empíricas sugerem que o adolescente é um sujeito razoavelmente ajustado. Julgamentos de normalidade não podem ser completamente independentes do contexto no qual o comportamento ocorre, contudo, é possível considerar a relatividade sociocultural, na perspectiva de normalidade como saúde. Critério este que inclui adequada capacidade para interação social, implicando assim, que o indivíduo está em harmonia com sua sociedade imediata. Focalizando, ao mesmo tempo, a liberdade para sofrer dor e desconforto, evitando o erro de rotular como anormal o indivíduo que, calmamente, enfrenta a emergência de uma crise, perturbando a maioria dos que estão ao seu redor. Alguns estudiosos consideram os sintomas do adolescente como próprios da fase, ao invés de distúrbios de função já estabelecidos, mas enfatizam a importância de não incorrer na tendência errada de conclusões apressadas. Não ignorando assim, a expectativa de que o jovem se livrará dos sintomas com o tempo. Contudo, adolescentes saudáveis demonstravam consideração positiva para com seus pais e irmãos e seus conflitos intrafamiliares tendiam a centralizar-se em torno de problemas superficiais, como modo de vestir, hora de voltar para casa e namoro. Já os adolescentes classificados como psiquiatricamente doentes, por outro lado, se envolviam em constantes interações familiares não-satisfatória e não-gratificantes. Evidenciando os três principais argumentos de Materson: não há um quadro comum de turbulência adolescente; não há base para supor que um adolescente se curará da maioria das dificuldades de ajustamento que manifesta; e, a aplicação indiscriminada das noções de “turbulência adolescente” e “ele se libertará disso com a idade”. Por fim, entende-se que, qualquer anormalidade ocorrida durante i período de desenvolvimento é importante como indicador de instabilidade mental ou de uma tendência para se desviar da normalidade, que pode-se corrigir com educação adequada, mas que deixando sem correção, certamente, conduzirá a desastres futuros.