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Apostila Funções Mentais

Apostila do curso de Urgências Psiquiátricas (Internato do Hospital Espírita de Pelotas, 29–31/08/2007) com resumos adaptados das palestras e comentários; aborda exame do estado mental (consciência, atenção, memória, pensamento, linguagem), diagnóstico de psicose e manejo de crises (suicídio, agitação, dependência, bipolaridade, esquizofrenia, ocorrências internas).

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HOSPITAL ESPÍRITA DE PELOTAS 
INTERNATO DE PSIQUIATRIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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APOSTILA DO CURSO DE 
URGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS 
 
 
 
 
 
(resumo das palestras do curso de Urgências Psiquiátricas 
realizado pelo internato do Hospital Espírita de Pelotas nos dias 
29, 30 e 31 de agosto de 2007). 
 
 
 
 
 
Introdução 
 
 
 
Esta apostila foi organizada a partir das palestras do curso de Urgências 
Psiquiátricas realizado em agosto de 2007. Assim, os textos aqui contidos 
consistem em uma adaptação das apresentações em power point que os 
palestrantes utilizaram no evento. Tomei a liberdade de adicionar a esse 
conteúdo, em alguns trechos, comentários na cor vinho, os quais foram 
introduzidos para esclarecer os conceitos dos tópicos que apenas foram 
citados sem explicação. 
O objetivo da criação desse material é registrar os conteúdos abordados 
no curso, tão importantes na rotina do plantão do HEP, de forma a poderem ser 
consultados posteriormente. Também criamos esta apostila no intuito de 
auxiliar o estudo dos interessados em realizar a prova para ingresso no pré-
internato, que tem como base o conteúdo do curso. 
Pretendemos, futuramente, de acordo com nossas possibilidades, 
desenvolver esses tópicos, com o auxílio dos palestrantes, e criar um livro, de 
forma a aprimorar esses conhecimentos e estender a experiência da equipe 
hepeniana no manejo de urgências psiquiátricas a todos que possam ter 
interesse no assunto. 
Esperamos, sinceramente, que nosso singelo esforço possa contribuir 
de alguma forma para construção de uma melhor qualidade de atendimento de 
nossos serviços, nunca esquecendo que, por trás de cada paciente que chega 
na urgência, existe um ser humano que merece tudo o que de melhor lhe 
possamos ofertar para minimizar seu sofrimento. 
 
 
 
 
Atenciosamente, 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gisele Bartz de Ávila 
Representante do Internato de Psiquiatria (segundo semestre de 2007) 
 
 
 
 
 
 
HOSPITAL ESPÍRITA DE PELOTAS 
CURSO DE URGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS 
(29, 30 e 31 de agosto de 2007) 
 
 
Dia 29 de setembro (quarta-feira): 
 
Primeira Palestra: Avaliação da Consciência, Linguagem, Afeto e Conduta 
Palestrante: Eduardo Méndez 
 
 
Segunda Palestra: Avaliação do Pensamento, Memória e Inteligência 
Palestrante: Rogério do Amaral 
 
Terceira Palestra: Diagnóstico Diferencial entre Psicose Orgânica e Não-
orgânica 
Palestrante: Carlos Alberto Bandeira 
 
Quarta Palestra: Avaliação da Atenção, Sensopercepção e Orientação 
Palestrante: José Menna 
 
Dia 30 de setembro ( quinta-feira): 
 
Primeira Palestra: Avaliação do Paciente com Ideação Suicida 
Palestrante: Diogo Machado 
 
Segunda Palestra: Manejo das Situações de Alteração de Consciência 
Palestrante: Magda Regina Bernadi 
 
Terceira Palestra: Manejo da Dependência Química 
Palestrante: Luís Felipe Ustárroz 
 
Quarta Palestra: Manejo do Paciente com Transtorno Afetivo Bipolar 
Pedro Magallhães 
 
Dia 31 de setembro (sexta-feira): 
 
Primeira Palestra: Manejo do Paciente Esquizofrênico 
Palestrante: Laura Pio Almeida 
 
 
 
Segunda Palestra: Manejo do Paciente com Agitação Psicomotora 
Palestrante: Pablo Pereira 
 
Terceira Palestra: Manejo das Ocorrências Internas do Hospital Espírita de 
Pelotas- Luís Felipe Ustárroz 
 
 
 
 
Dia 29 de agosto (quarta-feira) 
 
Primeira Palestra: Avaliação da Consciência, 
Linguagem, Afeto e Conduta 
Palestrante: Eduardo Méndez 
 
 
Obs.: Essa palestra foi realizada oralmente e com auxílio de um quadro negro, não 
havendo, pois, utilização de apresentação em power point. Dessa forma, iremos citar 
aqui um breve resumo do assunto, o qual, embora possa conter alguns aspectos 
citados pelo autor, NÃO se trata de um resumo da palestra efetuada por Eduardo 
Méndez. O texto a seguir é inspirado no livro “O Exame do Estado Mental”, de José 
Menna de Oliveira e Roberto Pierobom. Melhores detalhes e um texto mais elaborado 
estão contidos nessa obra. 
 
 
 
O EXAME DO ESTADO MENTAL 
 
As alterações psíquicas do indivíduo, envolvidas nas patologias de 
estudo da psiquiatria, podem ser identificadas através do exame do estado 
mental. 
Na prática, os diferentes aspectos da vida mental da pessoa funcionam 
altamente interligados entre si, e não de forma isolada. Contudo, para melhor 
compreensão didática e facilitação da avaliação, os diversos autores dividem 
as funções mentais em um número variado, sendo que, aqui, iremos dividi-las 
em dez, as quais são: 
 
Consciência 
Atenção 
Sensopercepção 
Orientação 
Memória 
Inteligência 
Afeto 
Pensamento 
Conduta 
Linguagem 
 
 
 
Alterações nas primeiras cinco estão relacionadas, geralmente, com distúrbios 
de causa orgânica. Alterações nas cinco últimas funções em geral relacionam-
se às alterações funcionais do indivíduo, sendo encontradas, principalmente, 
nos transtornos psiquiátricos. 
Este texto tem como objetivo abordar a consciência, linguagem, afeto e 
conduta. 
 
CONSCIÊNCIA 
 
a) O que é? 
 
“Atividade Integradora dos fenômenos psíquicos, (...), o todo momentâneo que 
possibilita que se tome conhecimento da realidade num dado instante.” Jasper, 
citado em Oliveira e Pierobom, Esse mesmo autor faz a seguinte analogia: se a 
mente fosse uma peça de teatro; a consciência seria o palco. 
Alterações na consciência podem intervir nas outras funções mentais, sendo, 
por esse motivo, importante perceber, na avaliação psiquiátrica, as alterações 
nessa função mental. 
 
Obs. Elementos da consciência: 
Campo: extensão da consciência; 
Foco: porção da consciência mais “iluminada“; 
Limiar: região situada na orla do campo. 
 
b) Como posso avaliar? 
 
Em geral, é feita através de uma observação grosseira do paciente, dando 
principal atenção à resposta aos diversos estímulos. Pode-se sistematizar 
essa avaliação observando: 
1) Percepção: paciente responde à ordens escritas ou verbais, localiza-se 
no tempo e espaço, etc. 
2) Reatividade inespecífica: observa-se a presença de reação de 
orientação (paciente de olhos abertos direciona os olhos para o lado de 
um súbito estímulo sonoro) ou de reação de alerta (indivíduo de olhos 
fechados abre os olhos diante de um estímulo sonoro). Ambas as 
reações estão relacionadas com o tronco cerebral. 
3) Reatividade à dor: resposta diante de um estímulo doloroso. Observar 
resposta mímica, reação de alerta e resposta motora. A ausência dessas 
reações, nessa ordem, indica a gravidade. 
4) Reatividade Vegetativa: diante de um estímulo doloroso, observar 
alterações respiratórias, cardíacas, pupilares, rubor ou sudorese, etc. 
 
c) Quais são as alterações da consciência? 
 
QUANTITATIVAS: São também chamadas de alterações verticais. 
Há escalas, como a escala de glasgow, que medem alterações 
quantitativas. Na clínica psiquiátrica, de modo grosseiro, costuma-se avaliar 
a consciência, quantitativamente, da seguinte forma: 
Campo 
Foco 
Limiar 
 
 
1) Lucidez: estado normal de consciência. 
2) Obnubilação: entre lucidez e sonolência. Pacientes embriagados são um 
exemplo. 
3) Sonolência: paciente tem facilidade para dormir, mas acorda facilmente 
com estimulação, cooperando com o exame quando solicitada sua 
atenção. 
4) Estupor ou torpor: só desperta com estímulos dolorosos intensos. Pode 
responder perguntas simples, mas, logo após cessada a estimulação, 
dorme novamente. 
5) Coma: Não desperta sob quaisquer estímulos externos. 
 
QUANTITATIVAS: também chamadas de dimensão horizontal ou 
estreitamento na consciência. São alterações no foco ou no campo da 
consciência. Exemplo é o lutador de boxe, que mantém-se obstinado na luta, 
dando golpes e defendendo-se,embora não consiga sair sozinho do ringue 
quando termina o hould. 
a) Estados Crepusculares (oníricos, fuga): raros; epilepsia, histeria, 
situações traumáticas. Pode-se acompanhar de alucinações, 
delírios. Geralmente, após retornar à consciência, não recorda de 
nada, ou recorda como se fosse um sonho. 
b) Estupor Depressivo ou Catatônico: na ausência de alteração 
quantitativa, o paciente mostra-se desconectado, com redução dos 
conteúdos de consciência. Ocorre em depressões, esquizofrenia 
catatônica. 
 
ALTERAÇÕES MISTAS: turvação, embotamento ou entorpecimento; 
alteração quantitativa e qualitativa. Ocorre diminuição dos níveis de 
consciência + delírios e/ou alucinações. Ocorre no delirium (estado confusional 
agudo), caracterizado por hipo/hiperatividade motora, alucinações e ilusões 
desorientação, prejuízo de memória. Essa síndrome geralmente está associada 
ao uso de substâncias ou a alterações metabólicas. 
 
Linguagem 
 
O que é? 
Sistema de sinais usados para comunicação. 
 
Quais as alterações? 
 
Na Linguagem Oral: 
 
1) Disartrias: perturbações na fala por alteração no sistema nervoso. Ex: 
englolar silábico do paciente alcooiizado. Grau extremo: anatria. 
2) Disfonias: perturbações da fala decorrentes de alterações do aparelho 
fonador ou de distúrbios respiratórios durante a fala 
3) Disfasias: dificuldade para falar por perda da memória dos sinais. Ex. 
Afasia de Wernicke (sensitiva) e de Broca (motora) e Afasia mista 
(motora e sensitiva). 
 
4) Dislalias: dificuldade na fala por defeito dos órgãos da fala, 
principalmente a língua. Manifestam-se, principalmente, na fala das 
letras R, L, S. 
5) Disfemias: alterações na fala decorrente do estado emocional. Destaca-
se aqui a TARTAMUDEZ (gagueira, disritmia da fala ou espamofemia). 
6) Bradilalia: diminuição na velocidade da fala. Ocorre na depressão e 
diminuição dos níveis de consciência. 
7) Taquilalia (agitolalia, verborréia): aceleração da fala. Ocorre em 
síndromes maníacas, intoxicação por estimulantes do SNC. 
8) Mutismo: ausência da fala sem causas orgânicas. 
9) Mussitação: discurso repetitivo, em tom baixo e monótono, realizado 
sem quase movimentar os lábios. 
10) Ecolalia: repetição da última (s) palavra(s) que o paciente escuta. 
11) Verbigeração: repetição de uma palavra, sílaba ou som, de forma 
estereotipada, automática e monótona. 
12) Neologismos ativos: emprego voluntário de palavras inexistentes no 
vocabulário, que tem, para o paciente, um significado. 
13) Neologismos passivos: emprego de palavras existentes, mas com um 
sentido diferente do original. 
14) Solilóquio: falar sozinho. 
15) Jargonofasia: expressão, na linguagem, da desagregação do 
pensamento. Salada de palavras. 
16) Coprolalia: uso de palavras obscenas, palavrões. 
17) Pararresposta: resposta inadequada à pergunta, mas relacionada à 
esta. Ex. Em que dia vc nasceu? 
 Quando nasci estava chovendo. 
 
Na linguagem Mímica: 
 
1) Hipermimia: aumento de movimentos (amplitude e intensidade) 
2) Taquimimia: movimentação muito rápida. 
3) Hipomimia: diminuição da mímica. 
4) Bradimimia: lentificação da mímica. 
5) Paramimia: discordância entre a expressão motora e as vivências 
afetivas. 
6) Mímica Pueril: expressão fisionômica infantilizada em adultos. 
7) Patomímia: alterações da mímica intencionais, para simular patologia. 
8) Ecomímia: repetição dos movimentos do interlocurtor, como se fosse 
um espelho. 
9) Automatismos, tiques, mímica compulsiva: são movimentos mímicos 
bruscos característicos. 
Automatismos: inconscientes e involuntários 
Tiques: conscientes e involuntários. 
Compulsões: conscientes e voluntários. 
 
Afeto 
 
É a capacidade de experimentar emoções e sentimentos diante das 
situações. Afeto é a experiência emocional imediata; humor é uma disposição 
 
subjetiva, relacionada ao temperamento do indivíduo. Fazendo uma analogia: 
se o afeto fosse o estado climático de um dia, humor seria o estado climático 
de uma estação. 
Eutimia: afeto normal 
 
Alterações: 
 
Distimia: hoje, é considerada um diagnóstico. O termo em si quer dizer 
alteração não específica do humor. Pode ser distimia hipertímica (euforia) ou 
hipotímica (depressão) 
Euforia: alegria exagerada, patológica. Característica da síndrome maníaca. 
Dentro desse grupo de distimias, existe a seguinte gradação de afetos 
prazerosos, em ordem crescente de intensidade: euforia, júbilo, exaltação e 
êxtase. Moria é um tipo de euforia relacionado ao puerilismo dos deficientes 
mentais, dos quadros demenciais ou das afecções do lobo frontal. 
Depressão: tristeza acentuada, patológica, com lentificação dos processos 
mentais. 
Labilidade Afetiva: facilidade para mudar o estado afetivo. 
Ansiedade: sentimento de apreensão, desconforto, podendo estar 
acompanhado de inquietação e sintomas somáticos (tremores, taquicardia, 
sudorese). É temor decorrente da antecipação de um perigo não localizável. 
Pânico é um grau acentuado de ansiedade, um estado agudo e extremo desse 
temor, acompanhado de uma grande descarga autônoma. 
Embotamento Afetivo: diminuição da modulação afetiva. O paciente não 
demonstra, na mímica facial e na expressão corporal, seus sentimentos, ou 
demonstra em uma intensidade prejudicada (afeto hipomodulado). O grau 
extremo é chamado de Rigidez Afetiva. Característico da esquizofrenia. 
Ambivalência Afetiva: presença de estados afetivos coexistentes e 
inconciliáveis em um mesmo momento, em relação a um determinado objeto. 
Mais comum na esquizofrenia. É comum que indivíduos saudáveis 
mentalmente ou neuróticos tenham ambigüidade de sentimentos (exemplo de 
ambigüidade estaria presente no transtorno obsessivo compulsivo, em que o 
indivíduo vê-se obrigado a pensar e realizar compulsões que, pelo sofrimento 
que lhe causam, deseja não realizar). Na ambivalência, não existe 
ambigüidade, mas sim cisão dos sentimentos; o indivíduo consegue amar e 
odiar um mesmo objeto ao mesmo tempo, querer e não querer algo. 
Inadequação Afetiva (paratimia, dissociação afetiva ou sentimentos 
inadequados): incoerência entre o afeto e o estímulo. (ex. indiferença com a 
morte de algum familiar e choro diante do descontentamento com o almoço). 
Neotimia: sentimentos novos, desagradáveis geralmente, desconhecidos e 
indefinidos. Surgem geralmente no início da esquizofrenia. 
Frieza Afetiva: sensação de ausência de sentimento ou de comoção e 
preocupação com o próximo. Embotamento para aspectos morais. É 
característico de sociopatas. 
Indiferença Afetiva: descrição exagerada e dramatizada pelo paciente de seu 
estado afetivo, ao mesmo tempo em que o entrevistador não consegue ter a 
sensação de que a pessoa realmente está vivenciando o que está dizendo. O 
entrevistador sente como a descrição do paciente como uma encenação. 
Irritabilidade Patológica: respostas afetivas intensas diante de pequenos 
estímulos sem importância. 
 
Puerilismo: Afeto infantilizado, com pouca resistência às frustrações. 
Sugestibilidade Afetiva: dificuldade de resistir às sugestões afetivas 
exteriores. Comum na histeria, senilidade, alcoolismo, dependência química, 
deficiência mental e psicoses afetivas. 
Incontinência Emocional: dificuldade de conter as emoções, que sempre são 
exageradas. 
Disforia: significa mal-estar; trata-se de ânimo depressivo aliado com mau 
humor, agressividade, amargura, desânimo ou mesmo agressividade. A disforia 
pode ser hipotímica (quando o humor está inibido) e hipertímica (quando 
exaltado). 
Anedonia: incapacidade de sentir prazer. 
Tenacidade Afetiva: persistência anormal de sentimentos desagradáveis. 
Podem ocorrer no transtorno obsessivo-compulsivo, na depressão, na epilepsia 
e na esquizofrenia. 
Sentimento de Falta de Sentimento: paciente tem a sensação de que não 
consegue ter nenhum tipo de sentimento. 
Despersonalizaçãoe Desrealização: sentimento de estranheza, novidade, 
mudança da realidade, relacionado a sim próprio (despersonificação) ou ao 
mundo à sua volta (desrealização). Há preservação do juízo crítico, de modo 
que o paciente consegue se reconhecer e reconhecer o meio, embora esses 
lhe causem sensação de estranheza. 
 
Conduta 
 
Existem variados tipos de condutas associadas com patologias 
psiquiátricas. Podemos registrar, no prontuário do paciente, essas condutas 
descrevendo-as, ou então utilizar termos relacionados a elas. As mais 
importantes são listadas a seguir: 
 
Hiperbulia: aumento na vontade. 
Hipobulia: diminuição na vontade. 
Impulsos: atitude sem intervalo entre a vontade e a ação. O indivíduo não 
toma consciência da inadequação de sua atitude. Ex. impulso de esbofetear 
alguém. Frangofilia: destruição impulsiva de objetos à volta. 
Compulsões: geralmente estão associadas à pensamentos obsessivos. São 
atos que o indivíduo é compelido a realizar com o intuito de minimizar o 
desconforto subjetivo. O paciente tem consciência da irracionalidade e do 
absurdo de sua conduta. Isso faz com que tente controlar essas compulsões, o 
que lhe provoca aumento na ansiedade. Compulsões simples: comer, 
masturbar-se, etc. Rituais compulsivos: conferir, exageradamente, portas e 
janelas antes de sair, lavar excessivamente as mãos, etc. 
Tipos de compulsões: 
Bulimia: compulsão de comer. 
Cleptomania: compulsão de roubar. 
Compulsão a comprar 
Compulsão à mentira 
Dipsomania: compulsão a ingerir bebidas alcoólicas 
Piromania: compulsão à atear fogo. 
Potomania :compulsão a beber água e outros líquidos. 
Tricotilomania: compulsão a arrancar os cabelos. 
 
Perversões Sexuais: 
Coprofilia: obtenção de prazer através dos excrementos 
Exibicionismo: obtenção de prazer pelo ato de mostrar os órgãos genitais 
Fetichismo: desejo sexual concentrado ou restrito a partes do corpo ou da vestimenta 
do parceiro. 
Gerontofilia: desejo sexual direcionado a pessoas de idade. 
Necrofilia: desejo sexual direcionado a cadáveres, ou tendência mórbida a estar na 
presença de cadáveres. 
Pederastia: desejo sexual direcionado a crianças ou púberes mesmo sexo ou 
homossexualismo masculino. 
Pedofilia: desejo sexual direcionado a crianças ou púberes do sexo oposto. 
Urolagnia: obtenção de prazer sexual pela observação de pessoas urinando. 
Voyerismo: obtenção de prazer sexual pela observação de pessoas praticando sexo 
ou despindo-se. 
Zoofilia ou bestialismo: desejo sexual dirigido a animais. 
 
Alterações quantitativas: 
Ninfomania: aumento patológico do desejo sexual na mulher. 
Satiríase: aumento patológico do desejo sexual no homem. 
 
Coprofagia (escatofagia ou ripofagia): ingestão de excrementos. 
Colecionismo: acumulação patológica de objetos. 
Dromomania (ecdemomania): comportamento de andar a esmo, vaguear, 
necessidade imperiosa de deslocar-se. 
Inapetência: falta de apetite. 
Hiperfagia: ingesta excessiva de comida. 
Mericismo: regurgitação voluntária do bolo alimentar após a deglutição, 
deglutindo-a a seguir novamente, semelhante ao ruminar dos animais. 
Pica: ingestão de substâncias não comestíveis (terra, barro, reboco de parede, 
argamassa, pregos, etc.) 
Tricofagia: comer cabelos. 
Onicofagia: roer unhas. 
Hiperatividade: aumento da atividade de modo geral. Ocorre em quadros 
maníacos, agitação catatônica, ansiedade extrema. 
Hipoatividade: diminuição da atividade. Ocorre em depressão, estupores, 
alguns tipos de esquizofrenias. 
Insônia: falta de sono. 
Hipersonia: excesso de sono. 
Estereotipias: repetição, persistência. 
Paracinética: repetição de movimentos sem objetivo. 
Acinética: persistência, ao longo do tempo, em determinado lugar (estereotipia 
de lugar) ou manutenção prolongada de determinada postura (catalepsia). As 
estereotipias estão mais relacionadas com transtornos esquizofreniformes. 
Catalepsia: constante imobilidade numa posição qualquer, flexibilidade cérea 
(as articulações podem ser movimentadas por alguém e oferecem uma 
resistência semelhante a da cera). Presente na esquizofrenia catatônica. 
Estereotipias com repetição de um único padrão motor são chamadas de 
monotipias. 
Maneirismos: relacionado à esfera dos movimentos expressivos. Ex. face em 
máscara do paciente com Parkinson. 
Tiques: são movimentos repetitivos e mais elementares que as estereotipias. 
Ex.: movimentos espasmódicos em determinados grupos musculares. Estão 
 
mais relacionadas com transtornos neuróticos, como o obsessivo-compulsivo, 
ou então à síndrome de Gilles la tourette. 
Negativismo: o paciente recusa-se a fazer o que se lhe pede. Passiva: nega-
se a fazer o solicitado. Ativa: quando executa o oposto ao que se lhe pede. 
Obediência automática: executa prontamente a ordem dada. 
Ecopraxia: repetição automática dos atos de outra pessoa. 
Parapraxia (ato falho): um ato voluntário é realizado de modo distinto do 
desejado (ex.: trocar, sem querer, o nome da namorada/o; colocar o relógio 
para despertar na hora errada). 
Autismo: voltar-se para dentro de si mesmo. Não consegue perceber a 
realidade externa, portanto não a leva em conta, como se nada além de si 
existisse (esquizofrenia). 
Apragmatismo: incapacidade de realizar tarefas elementares, como cuidar da 
higiene pessoal, lidas da casa, etc. Alguns autores usam os termos hiper e 
hipopragmatismo como significando, respectivamente, aumento ou diminuição 
da capacidade volitiva. 
Auto-agressividade: agressão a si próprio, manifestada como automutilação 
ou, num grau extremo, ação suicida. 
Heteroagressividade: agressão para com os outros. Ação homicida: quando 
põem em risco a vida de alguém ou intentam faze-lo. 
Enurese: eliminação involuntária de urina. 
Encoprese: defecação fora do vaso, após 3 ou 4 anos, não causadas por 
lesões no SNC. 
Bruxismo: ranger os dentes à noite. 
Isolacionismo: manter-se isolado de outras pessoas. 
Conduta(s) bizarra(s): fazer coisas muito estranhas. Conceito de difícil 
descrição, de um julgamento subjetivo. Ex.: paciente que, para masturbar-se, 
colocou uma agulha de tricô na uretra. Paciente que dança em frente à parede, 
benzendo-se, por horas. 
Conduta Regressiva: São atos coerentes com um estágio de desenvolvimento 
primitivo. Ex. Paciente adulto que não cuida de si e defeca nas próprias vestes, 
como criança. 
Conduta Sedutora: o paciente, com esse tipo de conduta, tenta envolver o 
médico de modo a ganhar a simpatia deste, ou mesmo desperta-lhe desejo 
sexual. 
Conduta Dramática: caracteriza-se por exagero e teatralidade. Comum em 
pacientes histéricos. 
Disbasia histérica: total incapacidade para levantar-se e andar, na ausência 
de causa orgânica; hemiplegia histérica (arrastar o pé “paralisado”), 
camptocoria (ato de caminhar com o tronco fletido para frente). 
Risos Imotivados: risos sem motivo aparente. 
Choro Imotivado: choro sem motivo aparente. 
Promiscuidade: comportamento de manter relações sexuais indiscriminadas e 
casuais com grande número de parceiros. 
Sonambulismo: andar ou realizar atos complexos dormindo. 
Ambitendência: conduta que é conseqüente da ambivalência afetiva. Ex.: 
menino psicótico que cuspia no profissional que o atendia, ao mesmo tempo 
que colocava a mão na frente para que o cuspe não o atingisse. 
Outros: consumo de álcool, substâncias psicoativas, etc 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Segunda Palestra: Inteligência, Memória E Pensamento 
Foco Nas Urgências 
Palestrante: Rogério Amaral 
 
EXAME DO ESTADO MENTAL : 
• Consciência 
• Atenção 
• Sensopercepção 
• Orientação 
• Memória 
• Inteligência 
• Afeto 
• Pensamento 
• Conduta 
• Linguagem 
 
Exame do Estado Mental: 
Entrevista 
 
• Com paciente 
• Com familiar 
• Dados Atuais 
 
 Psiquiatra: “perito do campo das relações interpessoais”, ou seja, “perito em 
realizar entrevistas”. 
 
 Somando-se a essa “habilidade” outros conhecimentos:Psicoterapia, 
Psicopatologia, Psicofarmacologia, Clínica Médica etc. 
 
AS TRÊS REGRAS DE OURO DA ENTREVISTA PSIQUIÁTRICA 
 
1ª) Pacientes organizados (mentalmente), com inteligência normal, com 
escolaridade boa ou razoável, fora de um “estado psicótico”, devem ser 
entrevistados de forma mais aberta, permitindo-se que falem e se expressem 
de forma mais fluente e espontânea. O entrevistador fala pouco, fazendo 
algumas pontuações para que o paciente “conte sua história”. 
 
 
2ª) Pacientes desorganizados, com nível intelectual baixo, em estado psicótico 
ou paranóide, “travados” por um alto nível de ansiedade, devem ser 
entrevistados de forma mais estruturada. Neste caso. o entrevistador fala mais, 
faz perguntas mais simples e dirigidas ( perguntas fáceis de serem 
compreendidas e respondidas). 
 
3ª) Nos primeiros contatos com pacientes muito tímidos, ansiosos ou 
paranóides, fazer primeiro perguntas neutras (nome, onde mora, profissão, 
estado civil, nome de familiares, etc) para apenas gradativamente começar a 
formular perguntas “mais quentes” (ás vezes, constrangedoras para o 
paciente), como “qual seu problema?”, “por que foi trazido ao hospital?”,” o que 
aconteceu que você agrediu seus familiares?” etc. Vale a sabedoria popular 
que diz:” O mingau quente se come pela beirada”. 
 
INTELIGÊNCIA 
 
Conceito difícil 
 “O que é inteligência? ora inteligência é aquilo que os meus testes 
medem...” (David Wechsler) 
 A inteligência é um construto, um modo de ver e estudar uma dimensão do 
funcionamento mental construída historicamente pela pedagogia, psicologia 
e medicina. 
 É a capacidade de identificar e resolver problemas novos, de reconhecer 
adequadamente as situações vivenciais cambiantes e encontrar soluções - as 
mais satisfatórias possíveis, para si e para o ambiente, respondendo à 
exigência de adaptação biológica e sócio-cultural. 
TESTES ESPECÍFICOS: 
 Escalas de Inteligência de Wechsler (wppsi, wisc, waiss) 
 Escala Standford-Binet Revisada 
 Teste Pictórico de vocabulário de Peabody 
 
Na prática clínica obtém-se apenas uma estimativa um tanto grosseira da 
inteligência. 
Vocabulário 
Tipo de informações que o paciente dispõe 
Nível de escolaridade 
Função laborativa 
Capacidade de abstração 
 
CAPACIDADE DE ABSTRAÇÃO: 
 Usar provérbios, solicitando ao paciente seu significado. 
 Ex: água mole em pedra dura tanto bate até que fura. 
 
 Perguntar sobre diferenças ou semelhanças. 
 Ex: entre um pássaro e um avião 
 
LIMITAÇÕES: 
 Pode estar avaliando a memória e não a inteligência 
 Estado psicológico no momento da avaliação (ansioso, deprimido, 
mania) 
 
 Uso de medicações (por ex. haloperidol) 
 
ALTERAÇÕES DA INTELIGÊNCIA: 
 
 Demências: déficit intelectual é involutivo, instala-se após o paciente já 
ter alcançado um nível determinado de doença. Ex. demência vascular, 
demência de Alzheimer. 
 Retardo Mental: paciente nunca alcança o nível satisfatório de 
inteligência. 
 
Classificação dos retardos mentais – 
CID-10 
 
 Leve: QI de 50 a 69, estão presentes capacidade para linguagem, 
cuidados pessoais e até tarefas laborativas simples. 
 Moderado: QI de 35 a 49, com maior déficit, mas geralmente estão 
presentes capacidades para uma conversação simples ou o 
estabelecimento de uma comunicação por sinais. 
 Grave: QI de 20 a 34, com maior comprometimento, ás vezes com grau 
marcante de comprometimento motor. 
 Profundo: QI inferior a 20, com déficit motor importante ou imobilidade, 
acompanhado pelas formas mais rudimentares de comunicação. 
 
No Exame do Estado Mental: 
 Inteligência aparentemente na média clínica ou 
 
 Inteligência aparentemente abaixo da média clínica 
 
MEMÓRIA 
 
 É a capacidade de adquirir, reter e utilizar secundariamente uma 
experiência. 
 
FASES DA MEMÓRIA 
 
 Fixação e Conservação: A vivência é armazenada e mantida no 
psiquismo. 
 Evocação: A Vivência é rememorada. 
 Reconhecimento: A memória é identificada como tal, vivida 
diferentemente de uma experiência atual. 
 
TIPOS DE MEMÓRIA: 
 
 Imediata: É a memória de poucos segundos, que permite a 
compreensão de uma frase, mantendo na memória suas palavras iniciais. 
 Recente: Permite a retenção de informações de alguns minutos a 
algumas semanas. 
 Remota: Estão registradas informações antigas, referentes à infância 
ou ao passado de vários anos. 
 
 
 
FATORES PSICOLÓGICOS DO PROCESSO DE FIXAÇÃO: 
 
 FIXAÇÃO (depende): 
 
 Do nível de consciência e estado geral do organismo (o indivíduo deve 
estar desperto, não muito cansado, bem nutrido, calmo etc.). 
 Da atenção global e da capacidade de manutenção da concentração 
sobre o conteúdo a ser fixado. 
 Da sensopercepção preservada. 
 
 
 Do interesse e colorido emocional relacionados aos conteúdos 
mnêmicos, assim como o empenho do indivíduo em aprender (vontade e 
afetividade). 
 De conhecimento anterior (elementos já conhecidos ajudam a adquirir 
novos) 
 Da capacidade de compreender o conteúdo a ser fixado. 
 Da organização temporal das repetições. 
 Dos canais sensoperceptivos envolvidos na percepção, já que quanto 
maior o número de canais mais eficiente a fixação. 
 
 CONSERVAÇÃO (RETENÇÃO): 
 
 Repetição (pois, de modo geral, quanto mais se repete um conteúdo, 
mais facilmente este se conserva). 
 Associação com outros elementos. 
 
ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS DA MEMÓRIA: 
 
 Amnésia retrógrada: incapacidade para recordar fatos ocorridos antes 
de um ponto determinado no tempo (Prejuízo na evocação). 
 Ex: casos de acidente, traumatismo craniano, eletroconvulsoterapia 
 
 Amnésia anterógrada: incapacidade para memorizar fatos que 
ocorreram após um evento determinado. 
 Ex: Demência no idoso 
 
 Amnésia lacunar: incapacidade de recordar o que aconteceu num 
intervalo de tempo determinado. Ex: embriaguez alcoólica. 
 
ALTERAÇÕES QUALITATIVAS DA MEMÓRIA: 
 Confabulação: É o fenômeno em que lacunas de memória são 
preenchidas com elementos de caráter imaginário. Ex: síndromes 
demenciais, síndrome de korsakoff. 
 Ilusões de memória: Há acréscimo de elementos falsos a um núcleo 
verdadeiro de memória. 
 Ex. “tive uma centena de filhos com minha mulher” (de fato teve alguns) 
 
 Alucinações de memória: São verdadeiras criações imaginativas com 
a aparência de lembranças. “A memória que nunca existiu, aparece” 
(representações delirantes). 
 Pseudologia Fantástica: Relato falso e incontrolado de histórias 
fantasiadas nas quais o próprio sujeito passa a acreditar. 
 
AVALIAÇÃO DE MEMÓRIA 
 
 Testes psicométricos 
 Testes neuropsicológicos 
 
 Memória de longo prazo: fatos passados, infância, casamento, filhos etc. 
 Memória imediata e de curto prazo: Teste dos cinco objetos 
 
PENSAMENTO 
 
 É o processo que permite ao psiquismo assimilar, formular e manejar 
idéias, articulando-as em seqüência, ao redor de um propósito, de modo 
a conduzir à formação de novas idéias. 
 Fio associativo: É o elo existente entre uma e outra idéia. 
 
DIVISÃO DO PENSAMENTO 
 Produção: Diz respeito ao pensamento como um todo, à sua natureza. 
 Curso: o modo como as idéias se articulam, avaliando a maior ou menor 
integridade do fio associativo. 
 Conteúdo: Analisamos o tema e a natureza das idéias. 
 
DIVISÃO DO PENSAMENTO: 
 
PRODUÇÃO: 
 Pensamento Lógico: respeita as noções de causalidade, temporalidade 
e espaço, destinando-se à compreensão da realidade. 
 Pensamento mágico: Não há respeito às leis de tempo e espaço, as 
idéias se constroem ao sabor da vontade e necessidade interna do 
indivíduo. 
 
CURSO: 
 Fio associativo preservado 
 Inibição do Pensamento: lentificação de todos os processos psíquicos. Aceleração do pensamento: idéias sucedendo-se numa velocidade 
maior que o normal. 
 Fuga de idéias: As associações são tão rápidas que o raciocínio fica 
incompleto. 
 Desagregação: Idéias se sucedem sem conexão alguma uma com a 
outra. 
 Bloqueio: Interrupção súbita do que estava pensando, retomando em 
seguida para o mesmo ou outro assunto. 
 
CONTEÚDO: 
 Idéias delirantes 
 
 Obsessões 
 Fobias 
 Ideação suicida 
 Ideação homicida 
 
 Delírio: É uma crença errônea, da qual o paciente tem extrema 
convicção e que é irremovível e ininfluenciável pela experiência do 
indivíduo. 
 
 Idéias delirantes persecutórias: Julga-se perseguido por alguém que 
quer fazer-lhe mal fisicamente. 
 Idéias delirantes de prejuízo: Julga-se perseguido por alguém que quer 
fazer-lhe o mal de outra forma, que não o mal físico. 
 Idéias delirantes de referência: Idéia de que acontecimentos externos se 
dirigem ao indivíduo. 
 Idéia delirante de grandeza: O paciente afirma ser especial, superior às 
outras pessoas. 
 Idéias delirantes de desvalia: O paciente diz de si que não possui 
valores, afirma que é incapaz, defeituoso, feio. 
 Idéias delirantes de influência: Forças externas estão o controlando. 
 Idéia delirante de influência ativa: julga-se capaz de influenciar o meio 
externo. 
 Idéia delirante de ruína: Paciente acredita-se num estado de pobreza, 
isso não correspondendo à realidade. 
 
 Obsessões: idéias e pensamentos que surgem repentinamente na 
consciência gerando grande ansiedade. 
 Não é reconhecida 
 Não é desejada 
 Não pode ser afastada. 
 
 Fobias: São medos irracionais de determinadas situações ou coisas que 
despertam grande ansiedade. 
 
 Ideações suicida e homicida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quarta Palestra: Avaliação da Atenção, 
Sensopercepção e Orientação 
Palestrante: José Menna 
josemenna@terra.com.br 
 
 
 
Por que psiquiatria é tão interessante? 
 
 lida com o mais humano do ser-humano 
 
 
 
 
 
 
 é uma das áreas em que há mais pesquisa 
 
 é uma das áreas em que menos se sabe 
 
Por exemplo, todo referencial médico baseia-se em dados anátomo-físio-patológicos. No entanto, 
muitos destes parâmetros são ainda desconhecidos na psiquiatria. Um bom exemplo disso é o 
conhecimento científico que dispomos acerca da depressão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Existem muitos estudos sobre esse assunto, mas poucas conclusões definitivas. A 
psiquiatria talvez seja a área da medicina em que, apesar dos inúmeros pesquisas, têm-se 
poucas certezas. Portanto, o profissional dessa área que defender, irredutivelmente, qualquer 
posicionamento ou teoria de forma estática, estará demonstrando a grande limitação dos seus 
conhecimentos. 
 
The farther one travels 
The less one knows 
the inner light 
George Harrison 
Eu... eu não sou mais o mesmo... não 
sei o que tá havendo... não consigo 
mais fazer minhas coisas... tou 
largando o emprego... só consigo me 
concentrar num... processo... com um 
esforço muito grande... tou sem 
esperança... nem chorar consigo mais. 
Em todas as áreas da medicina, o indivíduo com uma 
determinada patologia continua sendo ele mesmo. A pessoa 
com um transtorno psiquiátrico, contudo, fica afetada na sua 
essência, apresentando alterações na sua capacidade de sentir 
e lidar com a realidade. 
 
Referencial médico: 
ANÁTOMO – FISIO – PATOLÓGICO 
 
Mas qual a anatomia, a fisiologia e a patologia da DEPRESSÃO ? 
 
 
 
 
ATENÇÃO 
 
Capacidade de “concentrar” a atividade psíquica sobre estímulos. 
 
 Tenacidade: capacidade do indivíduo em permanecer ”ligado” a um determinado 
estímulo. 
 Vigilância: capacidade em perceber estímulos novos. 
 
 
 Tenacidade 
 Hipo Vigilância 
 
 
 
 Tenacidade 
 Hiper Vigilância 
 
 
 
Exemplos: 
 
Eu não consigo me deter nos processos...” 
Hipotenacidade 
 
“Ele não sai do mesmo assunto...” 
Hipertenacidade 
 
“Parece muito desconfiado. Qualquer estímulo chama a sua atenção...” 
Hipervigilância 
 
“Para que ele me perceba tenho de chamar várias vezes.” 
Hipovigilância 
 
Na maioria das vezes, quando a vigilância está aumentada, a tenacidade tende a 
diminuir, e vice-versa. Contudo, essa não é uma regra. Um exemplo claro disso são as 
lanhouses, onde as pessoas ficam, ao mesmo tempo, hipertenazes e hipervigis quando estão 
jogando (vigilantes à qualquer ameaça do jogo e tenazes às manobras que estão realizando). À 
associação de hipertenacidade com hipervigilância nós denominados de 
Hiperprosexia 
 
 
SENSOPERCEPÇÃO 
 
Relacionada aos “sentidos”. 
VISÃO – AUDIÇÃO – TATO – OLFATO – PALADAR – PROPRIOCEPÇÃO 
 
ALTERAÇÕES 
 
 Quantitativas 
 HIPER PERCEPÇÃO . “Tudo fica mais intenso...” 
Exemplos: Quadros de mania; uso de maconha (aumenta a sensibilidade gustativa, de 
acordo com estudos com ratos. Talvez seja a causa da “Larica”, que é a fome pós efeito da 
maconha.) 
 
 HIPO PERCEPÇÃO “Tudo tá cinza, sem graça...” 
 
Um exemplo típico que apresenta esse tipo de alteração é a depressão. 
 
 Qualitativas 
 ILUSÕES: distorção da percepção de um objeto real. O exemplo dado 
pelo palestrante seria a cena em que Dom quixote, ao ver um moinho (objeto real), interpreta-o 
como sendo um dragão, pondo-se a lutar com o mesmo. 
 ALUCINAÇÕES : percepção de algo que não existe na realidade 
(diferentemente da ilusão, não há objeto real a ser distorcido, mas sim a projeção de um 
conteúdo psíquico do indivíduo, a qual é tomada pelo mesmo como real. Nessa caso, não há 
critica entre a realidade e conteúdo interno). 
Tipos: 
 
VISUAIS 
 “Parece que tem uns vultos atrás de mim...” 
 
AUDITIVAS 
 “Eu ouço chamar meu nome e não tem ninguém...” 
 “Eles dizem: ele tá fazendo coisa prá se provalecer...” 
 
TÁTEIS 
 “Tem aranhas caminhando pelo meu corpo...” 
 
CINESTÉSICAS 
 “Meu braço tá se mexendo!” 
 
CENESTÉSICAS : refere-se à percepções e não reais dos órgãos internos (percepções 
viscerais), 
 “Eu sinto o meu estômago podre.” 
 
NEGATIVAS 
 “Eu não posso te enxergar.” 
Etc. 
 
 
 PSEUDO-ALUCINAÇÕES: Semelhantemente às alucinações, ocorre a 
percepção de algo que não existe, contudo, existe crítica entre a realidade e as sensações 
alucinatórias. 
 
“...eu ouço vozes, mas eu sei que é da minha cabeça.” 
 
 
ORIENTAÇÃO 
 
Refere-se à capacidade do indivíduo em reconhecer a situação real em 
que se encontra tanto com relação a si (saber quem é) quanto em relação ao 
meio em que está (saber onde está). 
 
 
Quem sou eu ? 
Onde estou ? 
 
 AUTO-PSÍQUICA: reconhecimento de si, de sua identidade, das suas condições mentais 
e físicas. Quanto a esse último aspecto, faz parte da orientação auto-psiquíca o reconhecimento 
pelo paciente de sua patologia. Assim, por exemplo, um etilista que não reconheça para si que é 
dependente do álcool e que necessita de tratamento estará com a orientação auto-psíquica 
comprometida nesse aspecto. 
Paciente Auto-psiquicamente orientado: sabe quem é, admite sua patologia. 
Paciente Auto-psiquicamente Desorientado 
 
a) Parcialmente: está com comprometimento de algum aspecto da orientação auto-psíquica, 
mas possui conhecimento real de algum (uns) outro (s) aspecto (s). 
Exemplo: 
1)Paciente sabe dizer o seu nome, a profissão, quem são seus familiares, etc., mas não admite 
que seja dependente de alguma droga, dizendo que pode parar quando quiser, quando as 
circunstâncias mostram ao entrevistador que ele não tem controle da situação. 
2) Paciente diz que é um anjo enviado de Deus para salvar a humanidade. Sabe o seu nome, a 
profissão, o nome de seus familiares,etc. 
.... 
b) Totalmente: O indivíduo não sabe quem é, o que faz, não tem conhecimento de nenhum 
aspecto referente a si mesmo 
 
 ALO-PSÍQUICA: refere-se ao conhecimento do tempo e espaço real em que se encontra. 
Se houver reconhecimento pelo paciente desses aspectos, dizemos que ele está orientado alo-
psiquicamente. 
Desorientação alo-psíquica: pode ser total (não sabe onde está E o dia, mês, ano em que se 
encontra) e parcial (não sabe OU o lugar em que se encontra, OU o tempo real). 
 
LITERATURA SUGERIDA 
 
Psicopatologia Geral. Karl Jaspers. 8ª ed. Atheneu, 1979. 
 
O Exame do Estado Mental. José Menna e Roberto Lima. UFPel, 2000. 
 
Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Paulo Dalgalarrondo. Artes Médicas, 2000. 
 
Curso de Psicopatologia. Isaías Paim. 11ª ed. Pedagógica e Universitária, 1996. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dia 30 de agosto (quinta-feira): 
 
 
Primeira Palestra: Avaliação E Manejo do Paciente Com 
Ideação Suicida 
Diogo Machado 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUANDO REALIZAR UMA AVALIAÇÂO DE RISCO DE SUICÍDIO? 
“A maneira inicial de avaliar um risco de suicídio iminente em um ambiente 
clínico é a comunicação verbal da intenção pelo paciente ou uma atitude 
claramente suicida na sua intenção” – GABBARD 
 
AVALIAÇÃO 
 
MITOS: 
 Questionar se o paciente pensa em suicídio pode induzi-lo 
 Quem se mata não avisa 
 Quando alguém deseja se matar ninguém impede 
 
ACHADOS DO SUICÍDIO 
 
2003 – 7.861 mortes por suicídio 
AVALIAÇÃO 
MANEJO 
RISCO IMEDIATO? 
POTENCIAL SUICIDA? 
QUAIS AS CONDIÇÔES DO MANEJO? 
HOSPITALIZAÇÂO? 
NECESSIDADE DE CUIDADOS MÊDICOS GERAIS ? 
INTERNAÇÂO DOMICILIAR ? 
TRATAMENTO AMBULATORIAL ? 
 
1% de todas as mortes 
Mulheres tentam mais (4x) 
Homens cometem mais (4x) 
15 aos 19 anos nas mulheres e 20 aos 29 anos em homens 
Extremos sociais 
Queda social 
Doença crônica 
 
 
 
 
 
 
ASPECTOS ASSOCIADOS COM MAIOR GRAVIDADE DO RISCO DE 
SUICÍDIO: 
 
 Abuso Sexual 
 Agitação Crescente 
 Alucinaçôes 
 Baixa Auto-Estima 
 Conduta Criminosa 
 Delírios 
 Desemprego 
 Desesperança 
 Doença 
 Epidemia de Suicídio 
 Divorciado, Separado e 
Solteiro 
 Estresse Crescente 
 Falta de Sono 
 Ganho Secundário 
 Hipocondria 
 História Familiar de Suicídio 
 Homicídio 
 Homossexualidade e 
Bissexualidade 
 Impulsividade 
 Insônia 
 Letalidade de Tentativa 
Anterior 
 Parto Recente 
 Patologia Familiar Grave 
 Separaçâo Precoce dos Pais 
 Perda Recente 
 Raça Branca 
 Protestante ou sem Religiâo 
 Repressão como Principal 
Defesa 
 Sanções Culturais em 
Relaçâo ao Suicìdio 
 Sexo Masculino 
 Sinais de Intenção de Morrer 
 Tentativas sérias Anteriores 
 Transmissâo de propriedade 
Pessoal 
 Transtorno psiquiátrico Grave 
 Viver sozinho 
 
 
 
Slaby, 1995 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FATORES DE RISCO A CURTO 
PRAZO 
 
ATAQUE DE PÂNICO 
ANSIEDADE 
PERDA DO PRAZER E INTERESSE 
RÁPIDA MUDANÇA DE HUMOR DA 
ANSIEDADE PARA DEPRESÂO 
E/OU RAIVA 
ABUSO DE ÁLCOOL 
CONCENTRAÇÂO DIMINUIDA 
INSÔNIA GLOBAL 
FATORES DE RISCO A LONGO 
PRAZO 
 
DESESPERANÇA 
IDEAÇÃO SUICIDA 
INTENÇÃO SUICIDA 
TENTATIVAS PRÉVIAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1) Ideação Suicida? 
 
 
Avaliar se a ideação Suicida é: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É imprescindível avaliar de forma cuidadosa os seguintes aspectos: 
 
 
 
 
2) Desesperança – importante sinal 
 
Porque tu desejas se matar ? 
Tu achas que tens condições de viver e nâo se matar ? 
Quais sâo os teus planos ? 
 
 
 
 
 
 
3 – Tentativa de Suicídio 
MÉTODO 
TENTATIVAS PRÉVIAS 
PARASSUICÍDIO 
 
 
4- presença de sintomas psicóticos 
 
 
 
 
 
 
Clark e Faucett, 1992 
AGUDA 
RECORRENTE 
CRÔNICA 
IDEAÇÂO SUICIDA ≠ DESEJO DE MORTE 
DESEJO, PLANO E FERRAMENTA 
PORQUE TU DESEJAS SE MATAR ? 
TU ACHAS QUE TENS CONDIÇÕES DE VIVER E NÂO SE MATAR ? 
QUAIS SÃO OS TEUS PLANOS ? 
DELÍRIOS - desvalia e niilistas por 
exemplo 
ALUCINAÇÔES – vozes de comando 
 
5- presença de diagnóstico psiquiátrico pré-existente 
 
DEPRESSÃO MAIOR – 50 a 75% da causa de suicídio 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6- características de personalidade 
 
 Impulsividade 
 Agressividade 
 Instabilidade 
 
7- fatores ambientais 
 Família 
 Acesso à Serviço de Saúde 
 Comprometimento do Paciente 
 
 
 
Resumindo: 
 
 
 
 
 
 
 
IDEAÇÂO SUICIDA 
DESESPERANÇA 
TENTATIVA DE SUICÍDIO 
SINTOMAS PSICÓTICOS 
DIAGNÓSTICO PSIQUIÁTRICO PRÉ-EXISTENTE 
PERSONALIDADE 
FATORES AMBIENTAIS 
 
 
MANEJO: 
 
1- HOSPITALIZAÇÂO 
 Voluntária se possível 
 
2- INTERNAÇÂO DOMICILIAR 
 
3- TRATAMENTO AMBULATORIAL 
TRANSTORNO BIPOLAR 
ESQUIZOFRENIA 
ALCOOLISMO E OUTRAS DEPENDÊNCIAS 
TRANSTORNOS DE ANSIEDADE (COMO TRANSTORNO DO 
PÂNICO E FOBIA SOCIAL) 
PERSONALIDADE BORDERLINE 
PERSONALIDADE ANTI-SOCIAL 
PERSONALIDADE HISTRIÔNICA 
AVALIAÇÂO 
MANEJO 
 
 
 
 
 
Exemplos de Situações: 
 
CASO 1: 
Paciente A, 32 anos, casada, desempregada. Vem ao plantão acompanhada 
de uma amiga, pois está muito angustiada, tem brigas com o marido e não 
consegue dormir. Investigando ativamente o RS ela diz que pensa em morrer, 
talvez cometa o suicídio tomando medicação, como já tentou antes há alguns 
anos. Ela está ansiosa, inquieta, falando sem parar e chorando. Tem 
dificuldades em conversar sobre o que é proposto, pois sempre desvia nosso 
assunto para descrever uma sensação que tem de que sua cabeça está aberta. 
Realiza tratamento em um CAPS e precisaria antecipar a consulta para não 
ficar sem um dos medicamentos que toma. 
 
CASO 2: 
Paciente B, 42 anos, comerciante, casado. Veio ao HEP trazido pela SAMU, 
pois havia tentado o suicídio usando medicação em dose excessiva e álcool. Já 
havia tentado suicídio uma vez e estava realizando tratamento para depressão. 
Há alguns dias falava em suicídio. No momento estava inconsciente, não 
respondendo a estímulos. Foi encaminhado ao PSM e foi combinado que ele 
deveria retornar ao HEP assim que liberado. Foi feito o mesmo acordo com a 
médica que iria atendê-lo. A esposa conta que ele estava muito deprimido, não 
conseguindo trabalhar direito, sentindo-se um inútil. Ela sentia-se culpada por 
não estar lhe dando atenção e apesar de saber que a tentativa de suicídio foi 
séria, não desejaria internar o marido, a não ser que ele achasse que seria 
necessário. Como não trabalhava, poderia cuidar dele até sua recuperação. 
 
CASO 3: 
 
Paciente C, mulher, 26 anos, casada, vendedora. Veio trazida por uma 
ambulância acompanhada pelo marido. Foi encaminhada pelo PSM devido a 
tentativa de suicídio. Ela é o marido estavam em uma festa e tiveram uma 
discussão. Decidiram ir embora e a paciente jogou-se do carro em movimento, 
apresentando leves escoriações nas mãos e braços. Conversando com eles, 
que estavam levemente alcoolizados, ela conta que não suporta o controle do 
marido e que fez aquilo para voltar para a festa, entretanto ele não parou o 
carro. Não iria fazer isso de novo, não pensava em se matar, nunca pensou em 
suicídio e tinha diversos planos, entre eles uma separação no futuro. Estava 
arrependida por ter feito isso pois estava dolorida e poderia ficar com alguma 
cicatriz. Se descrevia com “geniosa” e impulsiva. 
 
CASO 4: 
 
Paciente D, mulher, 45 anos, cozinheira. Há quinze dias a paciente começou a 
ficar mais quieta, isolada, atrapalhada no trabalho, tanto que os patrões lhe 
deram alguns dias de folga para buscar ajuda. Antes disso, há cerca de dois 
anos, consultou com um neurologista devido a “nervosismo” que lhe receitou 
USAR MEDICAÇÂO 
ECT 
 
um benzodiazepínicoe desde aquela época o filho notou que a mãe estava 
mais abatida. Nestes últimos dias a mãe começou a ficar inquieta, insone, 
inapetente, falando pouco e baixo. Passou a dizer que o marido estava morto e 
ficava conferindo se ele respirava. “Via vultos” dos netos e disse aos filhos que 
“tentou o suicídio”´há alguns dias, mas desistiu quando estava amarrando a 
corda no pescoço. 
Foi levada ao plantão do HEP. Era uma mulher agitada, magra, pálida, distante 
e lentificada. Perguntei se ela pensava em se matar e calmamente disse que 
não tinha escolha e que já deveria ter feito. Perguntei sobre planos e ela me 
devolveu a pergunta: “que planos?” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Segunda Palestra: Manejo das Situações de Alteração de 
Consciência 
(atenção e orientação) 
Palestrante: Magda R. Bernardi 
 
ALTERAÇÕES DA CONSCIÊNCIA 
 
CONSCIÊNCIA 
 
- estado de lucidez ou alerta 
 
-avaliada pela observação das reações do paciente frente a estímulos 
 
- não confundir com sentido moral ou psicodinâmico 
 
ALTERAÇÕES NA CONSCIÊNCIA: 
 
 
OBNUBILAÇÃO/SONOLÊNCIA 
 - está alterada a capacidade de pensar claramente, para perceber, responder e recordar 
os estímulos comuns. 
 
- tendência a cair no sono; é necessário falar alto ou tocar o paciente 
 
-TCE, processos infecciosos agudos, uso de álcool ou drogas. 
 
CONFUSÃO 
- dificuldade de compreensão, desorientação, pobreza ideativa, embora vigil; 
demora a responder aos estímulos ou ao no ambiente 
 
- é uma alteração qualitativa 
 
 - fase aguda da esquizofrenia, crise maníaca, intoxicações, TCE, epilepsia, situações 
de grande estresse emocional 
 COMA 
 
– abolição completa da consciência 
 
- comprometimento neurológico e/ou somático grave. 
 
HIPERALERTA 
 
 
 – ansiedade, hiperatividade autonômica, resposta aumentada aos estímulos. 
 
- uso de drogas, abstinência a BDZ, hipomania ou mania, ou no estress pós- 
traumático 
 
CRISES CONVERSIVAS (“Histéricas)”. 
 
– estado de agitação ou pós agitação. 
 - estrutura de personalidade frágil, em geral vivendo uma situação de crise, com fator 
desencadeante nas horas precedentes. 
 
MANEJO/ TRATAMENTO 
- identificação da causa 
- Correção de alterações sistêmicas 
- Ambiente o mais tranqüilo possível 
- Sedativos (antipsicóticos ou BDZ) se agitação psicomotora, agressividade ou 
intensa ansiedade. 
- EVITAR MEDICAÇÕES QUE PREJUDICAM O REBAIXAMENTO DA 
CONSCIÊNCIA 
- BDZ = ABSTINÊNCIA AO ÁLCOOL OU BDZ, CRISE CONVULSIVA, 
ACATISIA. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 1º SEM. 2002 1º SEM. 2007 
 
 Álcool 188 78% 126 41,3% 
 
 Drogas 53 22% 179 58,7% 
 
 Total 241 305 
 
 
 Fugas 15 82 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Terceira Palestra: Manejo do Paciente Dependente Químico 
Luís Felipe Ustárroz 
 
Dependência Química 
 
• Álcool e Drogas 
• Criminalidade 
• Acidentes 
• Suicídio 
• Violência 
• Conduta auto-destrutiva 
 
Hospitalizações no HEP (Hospital Espírita de Pelotas): 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dependência: 
 
• Característica humana 
• Dualidade instintiva (significados) 
– Raiva 
– Amor 
• Idealização 
 
 Dependente químico – 
 1) Os sintomas são a própria conduta 
 
 2) Permanência das características infantis levando a uma conduta 
inadequada 
 
 3) Falta de confiança básica 
 
 
Características infantis remanescentes 
 1) Exigência intensa – satisfação imediata 
 2) Pouca capacidade para tolerar frustrações 
 3) Egocentrismo 
 4) Sentimento de posse 
 5) Dificuldade de levar em conta a realidade 
 6) Idealização 
 
 
 Conduta inadequada 
 1) Raiva intensa 
 2) Dificuldade p/conter a Impulsividade 
 3) Manipulação (acting-out) 
 4) Dificuldade para estabelecer laços afetivos 
 5) Extrema dificuldade de aprender p/experiência 
 
 
• 1) Busca de sensação idealizada de prazer, bem estar, confiança e 
satisfação 
• 2) Drogas que ofereçam tais sensações 
• 3a) Família sem preparo para reconhecer sinais ou sintomas da 
dependência 
• 3b) Família que ao reconhecer não aceita (sensação de fracasso, 
vergonha ou culpa) 
 
CRACK 
 
 
• Droga de efeito muito intenso 
 
• Efeito rápido de 5 e 10 seg. para iniciar 
 
• Duração curta - média de 5 a 15 minutos 
 
• Repetição e dependência severa em muito pouco tempo 
 
• Fissura muito intensa 
 
• Perda total do controle 
 
• Impulsividade destrutiva 
 
• Vende tudo 
 
Família: 
 
• ) Desestruturação 
• 2) Pais dependentes 
• 3) Brigas e agressões 
 
• 4) Separação conjugal 
• 5) Julgamentos e condenações 
 
• Situações que despertam muita raiva 
• Conseqüentemente sentimento de culpa 
 
 
Quarta Palestra: Desafios para a detecção do 
transtorno bipolar do humor 
 
Os transtornos bipolares 
 
Característica 
Tipo I Depressão c/ mania 
Tipo I ½ Depressão c/ hipomania prolongada 
Tipo II Depressão c/ hipomania 
Tipo II ½ Depressão c/ ciclotimia 
Tipo III Hipomania associada a antidepressivo 
Tipo III ½ Mascarada/ revelada por abuso de substâncias 
Tipo IV Depressão hipertímica 
 
Apresentação: 
 
 Razão unipolar: bipolar 
 Bipolar tipo I 
 Bipolar tipo II 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2% 
98% 
Hipomania
Depressão
Depressão
Transtorno
bipolar
 
 
 
 
 
 
 
 
Então, o problema clínico é... 
 
O paciente deprimido que vem à consulta tem ou não um transtorno bipolar? 
 
Conseqüências de um diagnóstico errôneo: 
 
Exposição a monoterapia com antidepressivos 
 
 
 
Internações hospitalares: Maior custo 
 
 
 
Pior qualidade de vida 
 
Antidepressivos: 
 Não previnem episódios 
 Episódios maníacos mais frequentes 
 Induzem ciclagem rápida 
 Aumentam risco de suicídio 
 
Diagnósticos errôneos são muito freqüentes: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
45% 
30% 
25% 
Outras doenças
Diagnóstico correto
Quatro diagnósticos
errados
 
 
1 ano 
 
 
 
 
 
 
 
 
 História não é investigada (37% dos episódios hipomaníacos anteriores 
são ignorados)... 
 Pacientes esquecem... negam... insight comprometido. 
 Resultado: tempo até diagnóstico correto: cerca de 8 anos 
 
Uma depressão diferente? 
 
 Características intraepisódicas 
► Idade (depressão bipolar: o primeiro episódio geralmente ocorre 
antes, ao redor dos 20 anos; na unipolar, o primeiro surto ocorre, 
em geral, mais tardiamente, ao redor dos 30 anos). 
► Sintomas atípicos (Aumento do apetite, Hipersonia, Humor 
instável. Sintomas opostos geralmente ocorrem na depressão 
unipolar) 
► Sintomas Psicóticos 
► Sintomas Psicomotores 
► Hipomaníacos associados (Aceleração do pensamento, 
Diminuição no sono, Irritabilidade). 
 
Aumentando detecção: 
 
 Fontes externas (familiares têm duas vezes mais chance de relatar 
sintomas de mania) 
 Consultar prontuários aumenta diagnóstico 
 História familiar 
 Curso da doença 
 Resposta a antidepressivos 
 
Avaliando história prévia de mania: 
 Referir-se a períodos em particular 
 Começar com perguntas sobre ativação é mais eficaz 
37% são 
ignorados 
8 anos 
 
 Percepção dos outros em relação ao paciente 
 
Investigar: 
 Ativação psicomotora 
 Aceleração de pensamentos/ pressão para falar 
 Humor eufórico/ irritável 
 Sono 
 Grandiosidade 
 Indiscrição 
 Distração 
 
Perguntas que podem ser utilizadas (sugeridas por alguns autores): 
“Precisou dormir menos que de costume?”“Ficou acordado a noite inteira trabalhando, telefonando para pessoas?” 
 
“O humor oposto de deprimido?” 
“Tão cheio de energia e irritável que se envolveu em discussões?” 
 
 
“Se sentiu autoconfiante como se pudesse conquistar o mundo? Nada daria 
errado?” 
“Idéias particularmente boas?” 
“Como se tivesse algum poder especial?” 
“Fez coisas que eram incomuns para você? Causaram problemas?” 
“Problemas para pensar? Coisas faziam com que se distraísse?” 
 
“Cabeça tão cheia de idéias que não consegue parar de pensar?” 
“Tantas idéias que mal conseguia acompanhá-las?” 
“Difícil parar de falar?” 
“Pessoas não conseguiam te interromper?” 
 
“Mais ativo que de costume?” 
“Muito mais energia que o normal?” 
“Tinha tanta energia que era difícil se acalmar?” 
 
Caso clínico 
 
 Episódio atual: tristeza diária havia 2 meses, anedonia, desvalia, 
despertar precoce, lentificação psicomotora, aumento de 10Kg, 
dificuldades na concentração. Prejuízo importante. 
 Múltiplos episódios, por vezes breves, a partir da adolescência. 
 Uso de fluoxetina, sem resposta. 
 Períodos “muito bons” de alguns dias, perceptíveis a outros 
 História familiar de “esquizofrenia” 
 Evidência insuficiente? Antidepressivo isolado! 
 Retorno com 1 semana de antidepressivo: falante, humor “melhorou 
muito”, pensamentos “voando”, menos de 5 horas de sono, trabalho 
excessivo. 
 Diagnóstico: transtorno bipolar tipo II 
 Começou lamotrigina (até 200 mg/d) 
 
 Remissão de sintomas até não mais aderir à medicação (2 anos após) 
 
Mas, sem bola de cristal... 
• Uma proporção de diagnósticos errados é inevitável 
• O padrão ouro é a avaliação longitudinal 
 
 
 
Primeira Palestra: Manejo do Paciente Esquizofrênico 
Palestrante: Laura Pio Almeida 
laspio@terra.com.br 
 
Esquizofrenia 
 Doença grave, curso progressivo, incapacitante 
 Crônica - incurável 
 Diagnóstico clínico: história psiquiátrica, exame do estado mental 
 1% da população mundial 
 Sem diferença entre sexos 
 Atinge pessoas de todas classes sociais 
 Inicia geralmente antes dos 25 anos 
 Nascidos no inverno e início da primavera 
 Exposição ao Influenza no 2º trim. de gestação 
 
Emil Kraepelin (1856-1926) 
 
 
 
 Demência precoce (dementia precox) 
 X 
 Psicose maníaca depressiva 
 
 
 
 
 
 
 
Eugen Bleuler (1857-1939) 
 
 
 
 Esquizofrenia: 
 Os quatro As 
 
 Associação 
 Afeto 
 Autismo 
 
 Ambivalência 
 
 
 
 
 
 
Etiologia 
 Etiopatogenia e fisiopatologia pouco conhecidas 
 Multifatorial 
 Hereditariedade 
 Anormalidades estruturais ou funcionais do SNC 
Sintomas da Esquizofrenia 
 
POSITIVOS 
 Alucinações 
 Delírios 
 Discurso desorganizado 
 Comportamento desorganizado 
 Emoções inapropriadas 
 
NEGATIVOS 
 Alogia 
 Embotamento afetivo 
 Anedonia 
 Avolição 
 Limitações da atenção 
 
Diagnóstico – Sintomas 
 
 Eco, inserção, roubo ou irradiação do pensamento 
 Delírios de controle, influência ou passividade – em relação ao corpo ou 
pensamentos específicos, ações ou sensações, percepção delirante 
 Vozes alucinatórias 
 Delírios persistentes 
 Alucinações persistentes 
 Intercepções ou interpolações do pensamento – discurso incoerente, 
neologismos 
 Comportamento catatônico – excitação, postura inadequada, mutismo, 
estupor 
 Sintomas “negativos” 
 
Classificação Da Esquizofrenia – CID 10 
 
 F20.0 Esquizofrenia paranóide 
 F20.1 Esquizofrenia hebefrênica 
 F20.2 Esquizofrenia catatônica 
 
 F20.3 Esquizofrenia indiferenciada 
 F20.4 Depressão pós-esquizofrênica 
 F20.5 Esquizofrenia residual 
 F20.6 Esquizofrenia simples 
 F20.7 Outra esquizofrenia 
 F20.8 Esquizofrenia NE 
 
Fases Clínicas da Esquizofrenia 
 Pródromos 
 Fase aguda (surto) 
 Estabilização 
 Manutenção 
 Pródromos 
 
Diagnóstico Diferencial 
 Doenças do SNC 
 Doenças Sistêmicas 
 Medicamentos 
 
 
 
 
 
 
 
Tratamento: 
 Psicofarmacoterapia eficaz 
Clorpromazina – década de 50 
Obs.: essa medicação, o AmplictilR, foi o primeiro tratamento farmacológico 
eficaz para a esquizofrenia. Foi descoberto por ........, o qual tinha como 
objetivo encontrar uma substância anestésica eficaz. O medicamento não deu 
certo para essa finalidade, mas observou-se que os pacientes psicóticos 
melhoravam bastante de seus sintomas quando usavam essa medicação. 
Antes do advento da clorpromazina, o “tratamento” que se dispunha para as 
doenças mentais era isolar em os pacientes nos manicômios. Também a partir 
de ......, passou-se a usar ECT (eletroconvulsoterapia, ou o conhecido 
eletrochoque), com o qual obtinha-se boas respostas em vários casos. Ainda 
hoje, em muitas circunstâncias, é a melhor escolha para o tratamento de vários 
tipos de transtornos psiquiátricos. Hoje, é um método bastante seguro e indolor 
(o procedimento é realizado em bloco cirúrgico, com o paciente sob anestesia). 
Hoje, dispomos de uma série de antipsicóticos, que são as principais 
medicações utilizadas no tratamento da esquizofrenia. 
 
 
 
 
 Transtornos psiquiátricos: 
 
Transt. Esquizofreniformes 
Transt. de Humor 
Transt. Delirantes 
Transt. Esquizoafetivo 
Transt. de Personalidade 
Farmacodependência/ Subst. Psicoativas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
nst. Delirantes 
Transt. Esquizoafetivo 
Transt. de Personalidade 
Farmacodependência/ Subst. Psicoativas 
 Típicos 
Clorpromazina 
Haloperidol 
Pimozida 
Levomepromazina 
Tioridazina 
Flufenazina 
 Atípicos 
Risperidona 
Olanzapina 
Quetiapina 
Ziprazidona 
Aripiprazol 
Amisulprida 
Sulpirida 
Clozapina 
 
 
 
 
Outras Medicações: 
 Carbonato de lítio 
 Anticonvulsivantes 
 Benzodiazepínicos 
 Anticolinérgicos 
 
 
Tratamentos Auxiliares: 
 ECT (eletroconvulsoterapia) 
 Psicoterapia de apoio/ grupos 
 Terapias ocupacionais 
 Associação de pacientes e familiares 
 
Risco de Suicídio! 
 50% tentam suicídio 
 15% cometem suicídio 
 
Loucura: é a falta de leitos psiquiátricos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Segunda Palestra: Manejo do Paciente com Agitação 
Psicomotora 
Palestrante: Pablo Pereira 
 
Definição: 
Estado de excitação mental e atividade motora excessiva, associada a um 
sentimento de tensão interna. A atividade geralmente é improdutiva, automática 
e repetitiva, como: caminhar a esmo, remexer-se, retorcer as mãos, puxar as 
roupas, quebrar objetos, agredir terceiros e incapacidade de ficar sentado 
quieto. Ocorre em diversas patologias e frequentemente antecede 
comportamentos violentos de auto ou heteroagressividade. 
 
 Tendência ou o conjunto de tendências que se refletem em atuações 
reais ou imaginárias de prejudicar, destruir, constranger ou humilhar 
alguém ou a si próprio. 
 O comportamento inflige dano físico a pessoas ou a objetos. 
 10% a 20% dos pacientes atendidos em Hospitais Psiquiátricos 
manifestaram comportamento violento para com outras pessoas antes 
da admissão. 
 19% dos atendimentos em emergências psiquiátricas norte- americanas 
 
Fatores de Risco 
 
• SOCIO-DEMOGRÁFICOS: 
– Sexo masculino 
– Faixa etária: 15-24 anos 
– Baixo nível sócio-educacional 
– Desempregado 
– Baixo nível social 
– Ausência desuporte social 
• História prévia: 
– Atos violentos 
– Atos homicidas 
– Assaltos 
– Vítima de violência na infância 
 
• PSICOLÓGICOS: 
– Baixa tolerância a frustrações 
– Baixa auto-estima 
 
– Tendência ao uso de mecanismos de dissociação e projeção 
• Atitude: 
– Fisionomia do paciente 
– Inquietação 
– Tom de voz 
– Conteúdo do pensamento 
– Humor irritável 
– Intoxicação ou abstinência 
 
Avaliação: 
 
Independente do diagnóstico, a violência representa, muitas vezes, um 
movimento defensivo contra sentimentos intoleráveis de fragilidade e 
desproteção. Assim, o tratamento mais efetivo é a intervenção verbal. 
 
ANAMNESE e EXAME FÍSICO 
• Nível de consciência 
• Proteger o paciente, outros pacientes e a equipe 
• Estabilizar a situação 
• Uso de mecanismos de contenção química e mecânica 
• Adequada avaliação do quadro clínico – etiologia 
• Potencial para violência num futuro próximo. 
 
• Entrevista: 
– Proporcionar a privacidade,mas não o isolamento 
– Sala com dois assentos e não deve haver móveis ou utensílios 
leves 
– Paciente sentado em uma poltrona 
– Cadeiras fixadas no chão 
– Porta aberta 
– Presença de outro membro da equipe 
 
• Atitude do entrevistador: 
– O paciente deve falar livremente 
– Não pressioná-lo com muitas perguntas 
– Evitar gestos bruscos 
– Evitar o confronto 
– Evitar o uso de brincos, correntes, óculos 
– Investigar o histórico de comportamentos agressivos e os fatores 
psicodinâmicos envolvidos nestas circunstâncias 
 
O médico deve ter atitude calma, respeitosa e direta, tratando o paciente com 
honestidade e dignidade. A comunicação deve transmitir um desejo consistente 
de auxiliar 
 
O comportamento do paciente durante a entrevista é o preditor mais importante 
de violência iminente. 
 
 paciente com as mãos fechadas 
 
 musculatura tensa 
 sentado na ponta da cadeira 
 inquieto 
 paciente que fala alto, de forma ameaçadora 
 paciente paranóide ou com humor irritado, exaltado ou eufórico 
 paciente intoxicado por álcool ou outras drogas 
 
 
Quadros Clínicos 
 
 Psicoses 
 
 Transtorno mental orgânico 
 
 Transtornos não-psicóticos não-orgânicos 
 
TRANSTORNOS PSICÓTICOS: 
 
 esquizofrenia (paranóide ou catatônica). 
 
 transtornos delirantes. 
 
 transtorno afetivo bipolar (fase maníaca ou misto). 
 
 psicoses no puerpério. 
 
TRANSTORNOS MENTAIS ORGÂNICOS: 
 
É muito importante a avaliação de uma causa orgânica como determinadora de 
agitação psicomotora. 
 
Devemos: 
 Controlar a violência 
 Tratar o distúrbio orgânico adjacente 
 
 
– Delirium: intoxicação ou abstinência de substâncias psicoativas, 
epilepsia. 
– Demências: alterações dos lobos frontal e temporal. 
– TCE (traumatismo Crânio-encefálico) 
– infecções do SNC (sistema nervoso central) 
– epilepsia 
– doenças metabólicas: hipoglicemia etc 
– Hipóxia 
– Tumor 
 
Sinais que indicam a presença de intoxicação por substâncias 
psicoativas: 
– Disartria 
– Ataxia 
 
– Nistagmo 
– Alterações das pupilas 
– 
Sinais que indicam transtornos mentais de origem orgânica: 
 
– Alteração da consciência 
– Desorientação 
– Exoftalmia 
– Paralisia ocular/anisocoria 
– Incontinência 
– Linfadenopatia 
– Tremores 
– Movimentos involuntários 
– Fácies 
– Odores característicos (alcoólico ou cetônico) 
 
TRANSTORNOS NÃO-PSICÓTICOS, NÃO-ORGÂNICOS. 
 
Este grupo inclui pacientes principalmente com transtornos de personalidade, 
que, freqüentemente, cedem à intervenção verbal sem isolamento e contenção. 
Estes pacientes tendem a agir, em vez de falar sobre seus conflitos. 
 
• Transtornos de personalidade: anti-social, paranóide, borderline. 
 
• ciúme patológico 
 
• simulação 
 
Contenção Mecânica 
 
 
• Deve ser realizada por uma equipe de cinco pessoas 
• Um profissional permanece conversando com o paciente, justificando os 
motivos da contenção e os passos do procedimento 
• Conter os quatro membros e às vezes é necessária uma quinta faixa na 
região torácica 
• Preferencialmente em decúbito dorsal e cabeça levemente levantada 
• Contratransferência e técnica (é necessário que os profissionais da 
equipe de contenção tenham em mente a necessidade de agir da forma 
mais profissional possível, entendendo que a manifestação de 
agressividade do paciente faz parte do quadro clínico dele. Essa 
informação deve ser utilizada para facilitar o controle dos sentimentos 
contratransferenciais que poderão surgir, como a raiva, a qual jamais 
deve prejudicar as condutas dos profissionais que estejam manejando a 
situação). 
• Posição do braço que facilite o acesso intravenoso 
• Paciente deve ser revistado 
• Após a contenção o paciente deve ser avaliado freqüentemente em 
relação ao nível de consciência e os sinais vitais 
 
• Os motivos e particularidades do procedimento devem ser registrados 
no prontuário, assim como as avaliações posteriores justificando a 
necessidade de permanência 
• Presença de um membro da equipe (perto do paciente enquanto ele 
estiver contido, para ele não sentir-se desamparado). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
/ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA AGITAÇÃO PSICOMOTORA 
Escolher a medicação levando em consideração os seguintes aspectos: 
• Início rápido 
• Efeitos colaterais mínimos 
• Diminuição da necessidade de contenção mecânica 
 
Contenção Química 
Tranqüilização Rápida 
 
• Antispicóticos de alta potência: 
– Haloperidol 5mg/IM de 30/30minutos (máximo 45mg/dia) 
• Antispicóticos de baixa potência: 
– Clorpromazina 25mg/IM 
• Antispicóticos de segunda geração: 
– Ziprasidona mesilato IM: 10mg/2h, dose máxima 40mg/dia 
– Olanzapina IM: 10mg, dose máxima 30mg/dia 
 
Prometazina: FenerganR - antihistamínico com ação sedativa (por ser uma 
fenotiazida, como a clorpromazina). É criticado por uns e defendido por outros 
para uso na agitação psicomotora. 
 
• Benzodiazepínicos: 
 
– Agitação secundária à quadros psicótico anticolinérgicos 
– Risco de depressão respiratória (principalmente em intoxicações) 
– Efeito paradoxal 
– Pacientes que não respondem à monoterapia com neuropléticos 
– Lorazepan 1-2mg ou diazepan 5-10mg a cada hora 
 
 Barbitúricos 
 
 
Continuação dos Cuidados: 
• Coleta de informações mais precisas com familiares 
• Observação da evolução do quadro clínico 
• Hipótese Diagnóstica 
• Início de um tratamento mais específico 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Terceira palestra: Manejo do Paciente Hospitalizado 
Palestrante: Luís Felipe Ustárroz 
 
Paciente hospitalizado 
• Tipo de doente: 
• 1) Transtorno psicótico – desorganização importante da personalidade 
com perda do juízo crítico ou juízo de realidade 
 
• 2) Dependente químico – permanência das características infantis que 
irão determinar uma conduta inadequada 
 
O paciente psicótico 
1) desorganização da personalidade – fragilidade para lidar com os conflitos 
2) falta de juízo crítico ou de realidade – impede diferenciar estímulos internos 
de externos 
3) ansiedade psicótica – irredutível 
4) percepções e pensamento sem base real 
 
Dependente químico 
 
1) Exigência intensa – satisfação imediata 
2) Falta de capacidade para tolerar frustrações 
3) Raiva intensa com impulsividade destrutiva 
4) Idealização, egocentrismo e egossintônico 
5) Extrema dificuldade de aprender pela experiência 
6) Manipulação na busca imediata do prazer 
 
OCORRÊNCIAS INTERNAS 
 
1) Tipo de paciente 
 
• a) paciente psicótico 
 
• b) paciente dependente químico 
 
2) Características a avaliar na queixa do paciente 
 
• a) existência de motivo real 
 
•b) expressão de ansiedade ou depressão 
 
 
• c) atuação para manipular o ambiente 
 
 
 Atuação (depend. químico) 
 Provocações 
 Discussões 
 Brigas e agressões 
 Roubos 
 Tentativas de fuga 
 Depredação 
 
CONDUTA: 
 
• 1) Manejo verbal 
 
• 2) Medicação 
 
• 3) Contenção 
 
MEDICAÇÃO: 
 
• Tranqüilizantes 
• Anti-psicóticos 
• Soníferos 
• Antidepressivos 
• Potencializadores 
 
CONTENÇÃO: 
• Proteção de si mesmo 
• Proteção dos outros

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