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PLANO DE AULA SUPERAMIGOS Queria ler algum livro para as crianças em que o tema fosse amizade para continuar estreitando os laços do meu novo grupo. Procurei no acervo do Pnaic e achei um interessante: Superamigos, de Fiona Rempt e Noëlle Smit, Manati Produções Editoriais. Li o livro (Ah, sim, professor tem que ler o livro antes de usá-lo com a turma. Não vale pegar qualquer um, de última hora) e gostei. O livro conta a história de um caracol que possui um grupo de amigos (sapo, pato, formiga, toupeira, castor e esquilo). Eles sempre brincam juntos, mas o caracol nunca consegue brincar porque anda muito devagar. No dia do aniversário do caracol, há uma festa e cada bicho dá um presente estranho para o aniversariante. Ao terminar a entrega dos presentes, eles colocam a "mão na massa” e constroem um carro para ele.. O caracol fica muito emocionado e consegue brincar como nunca! Todas as crianças perceberam o valor da amizade, de fazer o bem ao próximo. "Eles são amigos de verdade!" Refletimos o que amigos de verdade fazem uns pelos outros e concluímos que precisamos seguir o exemplo e como é bom saber que as pessoas se preocupam conosco e conhecem nossos desejos. A leitura desse livro aconteceu no segundo dia de aula. Os alunos gostaram tanto que vi uma oportunidade para explorar o livro. Resolvi aproveitar os personagens para reflexão da letra inicial. Como estávamos na primeira semana de aula, resolvi arriscar, pois não sabia qual seria o resultado. Comecei a perguntar a letra inicial de cada bicho. Quase todos os alunos acertaram os nomes das letras. Percebi que poderia ir em frente. A sensação mesmo foi o caracol! Todos gostaram muito dele, foi o preferido numa votação. As crianças o desenharam e ordenaram as letras para formar seu nome, mas antes, fizemos oralmente a reflexão de como essa palavra é escrita. Analisando os sons que saem da nossa boca ao emitir a palavra. Continua... Superamigos Parte 2 Como citei no post anterior, as crianças gostaram e se identificaram bastante com o livro Superamigos. Aproveitei a oportunidade para desenvolver atividades que os alunos pudessem pensar sobre os nomes, as letras iniciais, as letras finais e muito mais. Veja algumas dessas atividades. As crianças receberam as letras juntas. Tiveram que recortar e pensar na letra inicial de cada animal. Enquanto cortavam eu ia passeando pelas mesas para perguntar aos alunos o nome das iniciais. Desde o início trabalho sempre com todas as letras. Neste caso, a lista dos animais da história ajuda muito, pois eram conhecidos pelos alunos. Aqui o objetivo era o mesmo, mas com um nível maior de desafio, pois tinham que identificá-las em meio a outras letras. Como as crianças já identificam as iniciais é totalmente viável reconhecer os nomes. Nesta circunstância ainda podemos fazer perguntas do tipo: Quais animais possuem 4 letras? Se caracol e castor começam de forma igual, como podemos identificar corretamente seus nomes? Colocamos as imagens dos animais no quadro de letras. Coletivamente criamos uma frase para cada animal. No dia seguinte, levei as palavras e as colei no quadro. Fomos relembrando cada frase. Eu dizia a palavra e os alunos tinham que identificá-la no quadro. Quem conseguia achar, levantava e mostrava onde estava para o grupo. As frases foram coladas no blocão. Cada criança também leu em sua própria folha, além de circular os nomes dos animais. Reflexão sobre as letras finais Faltando letras Cada criança recebeu uma folha de cartolina com os nomes dos animais. Ao lado um espaço vazio. Eles tiveram que identificar o nome do animal e desenhá-lo ao lado. Após esse trabalho, todos pintaram e recortaram. Esse material se transformou em um jogo de memória (figura/palavra). Eles brincaram na sala de aula e levaram para casa para jogar com os familiares. Ler o nome do animal e desenhá-lo Superamigos Parte 3 Superamigos página 8 Um ponto alto do livro Superamigos é a hora do bolo, quando o caracol assopra as velas. Vimos que na festa das crianças isso também é importante. Todos os alunos da turma já tiveram a oportunidade de ter uma festa de aniversário. Percebi que poderia fazer algumas relações entre a história e vida das crianças. O que não pode faltar de jeito nenhum em uma festa de aniversário? Willian logo respondeu: O bolo!!! O que estamos comemorando no dia do nosso aniversário? Maria Clara, muito sabichona e sem pestanejar disse: O dia que nós nascemos. Quem sabe o dia do seu nascimento? Um grupo na turma já sabia o dia do seu aniversário. Outros não. Como podemos saber? “Perguntando pra nossa mãe.” E tem algum outro jeito? “No documento!” Levei para a sala uma listagem com os nomes dos alunos e as datas de nascimentos. Dessa forma, todos puderam consultar. Quem já sabia se certificou e quem não sabia obteve a informação. Através desses dados, montamos o quadro de aniversariantes. Através desse painel, vários desafios puderam ser lançados: Quantos meses o ano possui? Qual o mês em que há maior quantidade de aniversariantes? Em qual mês estamos? Quantos meses já se passaram? Quantos meses faltam para terminar o ano? Tem algum mês em que não há aniversariantes? Olhando a tabela podemos descobrir quantas crianças há na turma? Neste dia, cada um foi dizendo a sua idade. Fui escrevendo no blocão. Refletimos muito sobre o traçado dos números 5, 6 e 7 com o intuito de escrevê-los corretamente. Completamos uma tabela com as idades de cada criança, mas ao invés de seguir os nomes na ordem, eu ia pedindo para procurarem: Onde está o nome da Samira? Resolvemos comemorar os aniversariantes de janeiro e fevereiro fazendo um bolo para o lanche da tarde. Como sempre acontece, as crianças ficam entusiasmadas. A receita é sempre bem vinda na sala de aula. Perguntei como se fazia um bolo. As crianças foram citando os ingredientes. Escrevi no quadro. Estavam todos certos, mas não disseram o quanto de cada ingrediente. Fui questionando... Quantos ovos? Quanto de margarina? Foi uma discussão, pois cada um falava uma coisa. Perguntei onde poderíamos saber essa informação com exatidão. Larissa citou o livro de receitas. Pra que serve a receita? Leonardo disse que era pra não esquecer. Mostrei os ingredientes de um pacote de mistura para bolo. Expliquei que no verso do pacote havia as instruções. Fui lendo e executando os passos. As crianças foram ajudando. Como Leonardo disse que a receita serve para não esquecermos, propus que copiassem para as mães. Todos aceitaram. Aproveitei para dizer que uma letra legível é importante, principalmente para o entendimento daquilo que está sendo lido. Também trabalhamos muito com a ideia de festa. O que há na festa? As crianças tinham o objetivo de buscar no banco de palavras os nomes corretos para as figuras. Já começamos a trabalhar com problemas desafiadores. O primeiro dava dicas sobre um animal, cuja resposta era caracol. As dicas eram características que havíamos trabalhado em sala de aula. Todos tinham que adivinhar o bicho, desenhá-lo e escrever, segundo suas hipóteses, o nome caracol. O segundo problema desafiador era... Quantas antenas possui 3 caracóis? Através do desenho, muitas crianças conseguiram sem ajuda. Na roda de conversas, observamos alguns convites e pedi que os alunos dissessem o que não poderia faltar em um convite. Eles foram listando: motivo da comemoração, dia, hora e local. Cada criança preencheu seu próprio convite, utilizando a data real do seu nascimento. Em determinado momento Leonardo pergunta: Mas o que o caracol come?! Hum... Continua... Superamigos Parte 4 Como citei no post anterior, enquanto falávamos sobre as festas de aniversários, Leonardo diz que gostaria de saber mesmo o que é que o caracol come. Achei muito interessante, pois no livro, os animais comem o bolo, mas Leonardo sabia que fora do mundo da fantasia,e isso é muito legal de se discutir com eles, os animais não comem bolo. Nesse momento, eu disse que seria uma ótima coisa para pesquisarmos e se quisessem perguntar para os pais em casa também valia! No dia seguinte, Maria Luiza, nos trouxe vários caracóis, que segundo ela, eram da horta de seu pai. Todos ficaram muito curiosos em observar os movimentos, nem tão lentos, dos caracóis. Ela fez questão de mostrá-los aos colegas. Eles nos acompanharam durante o dia. De vez em quando alguém ia pra caixa ver como estavam os bichinhos. Quando perguntei sobre a pesquisa, todos disseram ter esquecido. Falei então, que é por isso que anotamos as coisas, para não esquecermos. Como eu não esqueci, levei para todos um texto adaptado do site Wikipédia. Eis o link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Caracol Através desse texto informativo, começamos a entender e conhecer um pouco mais sobre os caracóis. À medida que conheciam, os desenhos iam ficando cada vez melhores e mais detalhados. Como sabíamos várias características sobre ele, propus ao grupo que escrevêssemos uma carta aos amigos da Educação Infantil para contarmos as novidades. Na roda, discutimos o que seria importante conter na carta. Fui anotando tudo o que era dito. Ao término, li como havia ficado. Para eles estava bom, mas levantei a questão de que os assuntos estavam misturados. Alguns concordaram. Propus que separássemos os assuntos: como eles são, o que comem e onde vivem. Todos aceitaram e tivemos que classificar as frases escritas. Depois do texto pronto, foi digitado e ilustrado pelas crianças. O que os caracóis comem? Os alunos receberam uma tabela com diversas palavras escritas. Eram os alimentos que os caracóis comiam e deveriam desenhar. As crianças ainda não leem convencionalmente, mas pensam sobre o que é possível estar escrito. Dessa forma, fui perguntando: Quem pode me dizer uma coisa que o caracol come? Eles disseram, por exemplo, maçã. Isso! Aí na tabela tem a palavra maçã. Com que letra começa maçã? E assim, todos tinham elementos para “descobrir” onde a palavra estava escrita. Neste caso, encontraram três palavras que começavam com a letra M. Então, precisam buscar um novo elemento para descobrir. A letra final, melancia tem L, melancia “fala muito” (palavra grande), maçã tem til. Minhoca tem I. E assim vai! Tem sempre uma criança que levanta uma solução. Cartas prontas! Pra quem enviar? Como estou trabalhando com os nomes próprios, mostrei uma listagem digitada dos alunos da Educação Infantil. Cada criança foi escolhendo o amigo mais chegado. Depois da escolha, precisava ir até a listagem para reconhecer o nome do amigo. Depois de achado, nós circulávamos para sabermos que aquela criança já havia sido escolhida. Dessa forma, todas as crianças seriam contempladas com uma cartinha. Quando se trabalha com nomes próprios, não significa que devem ser somente os nomes da própria turma. Nomes dos colegas de outros grupos , das mães, dos pais, dos funcionários da escola. Dessa forma o desafio aumenta, pois chega uma hora em que os nomes dos colegas de classe já são tão conhecidos que podem ser escritos até de memória. É nesse momento que novos desafios precisam ser propostos, como por exemplo, quais objetos da sala começam com o MA de Maria? Segundo Carla, professora da Educação Infantil, as crianças gostaram da carta. Ela propôs uma resposta ao grupo do primeiro ano. Eles nos enviaram a poesia Borboletas, de Vinícius de Moraes. Penso que a parceria entre os profissionais da escola é o ponto central para que as propostas de trabalho aconteçam. Agradeço a professora Carla pela nossa parceria. Também exploramos outras duas poesias: Caracóis, de Denise Rochael e Longe de casa, de Sérgio Capparelli. Através dessas duas poesia, refletimos sobre as palavras CARACOL E CARAMUJO. Nas duas há uma mesma palavra escondida: CARA. Como se escreve CARA? O que sobra em cada palavra? Na roda, discutimos como seria interessante se cada um pudesse levar sua casa nas costas. Vimos os pontos positivos e negativos. Emanuel disse que seria bom poder pegar o que quisesse na hora que desejasse, pois com a casa nas costas, tudo estaria ao alcance das mãos. Larissa disse que não seria nada bom, pois uma casa é muito pesada e ficaríamos muito cansados em ter que carregar muito peso. Cada um contou um pouco sobre a sua casa, onde morava. Foi uma boa conversa. Com papéis coloridos, todas as crianças fizeram suas próprias casas e contaram para os colegas quantas pessoas moravam na casa, se tinham animal de estimação... O livro Superamigos nos proporcionou muitas atividades e explorações. Entretanto, tão importante foi a empolgação das crianças com a história, com o livro. Todos os dias eles pediam que eu a lesse e faziam comentários. Um bom livro nas mão de um professor certamente é um elemento facilitador para desenvolver e estimular o gosto pela leitura, além de ser um disparador da aprendizagem, o que vale muito a pena, afinal, aprender com prazer é muito melhor. Ana Antunes