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PROCESSAMENTO DIGITAL DE
SINAIS
AULA 2
Profª Viviana Raquel Zurro.
2
CONVERSA INICIAL
Caro aluno, este é um guia de estudos. Material de estudo, exemplos e
exercícios resolvidos estão disponíveis no livro texto e no material de leitura
obrigatória disponibilizados na aula.
Podemos dizer que a transformada z é para sistemas discretos o que a
transformada de Laplace representa para sistemas contínuos. Em sistemas
contínuos, é comum trabalhar com a variável complexa s. Em sistemas discretos,
a transformada z converte sinais em tempo discreto, compostos por uma
sequência de números reais ou complexos, em uma representação complexa no
domínio da frequência.
A transformada z é considerada uma generalização da transformada de
Fourier. Esta última apresenta limitações em relação à convergência, enquanto
a primeira abrange uma gama mais ampla de sinais. Outra desvantagem da
transformada de Fourier é que a notação é mais complexa que a da transformada
z. Ela tem grande importância em processamento digital de sinais, em processos
de amostragem e em análises de sistemas de controle discreto. Tanto a resposta
em frequência quanto a estabilidade e a causalidade do sistema podem ser
determinadas fazendo 𝑧 = ⅇ𝑗𝜔 e determinando polos e zeros do sistema. Trata-
se também de uma ferramenta que, usada em conjunto com a transformada
discreta de Fourier, pode determinar espectro de sinais discretos.
TEMA 1 – DEFINIÇÃO E REGIÃO DE CONVERGÊNCIA
Na Aula 1, equação (24), a transformada de Fourier foi definida como:
𝑋(ⅇ𝑗⍵) = ∑ 𝑥(𝑛)ⅇ−𝑗⍵𝑛
∞
𝑛=−∞
(1)
Considerando a sequência infinita 𝑥(𝑛) como:
𝑥(𝑛)|𝑛=0,±1,±2,… (2)
Podemos definir a transformada z como uma série de potências
representada pela equação (3):
𝑋(𝑧) = ∑ 𝑥(𝑛)𝑧−𝑛
∞
𝑛=−∞
(3)
𝑋(𝑧) é o operador da transformada e pode ser definido como:e
3
𝑍{𝑥(𝑛)} = ∑ 𝑥(𝑛)𝑧−𝑛
∞
𝑛=−∞
= 𝑋(𝑧) (4)
Analisando as equações (1) e (3), é possível ver que há semelhança entre
as duas; portanto, podemos afirmar que substituindo a exponencial ⅇ𝑗⍵ pela
varável complexa z, as transformadas de Fourier e z são semelhantes.
A variável complexa z pode ser definida da seguinte forma:
𝑧 = 𝑟ⅇ𝑗⍵
Onde 𝑟 é o módulo da variável e ⍵ é o ângulo de fase. Substituindo na
equação (3):
𝑋(𝑟ⅇ𝑗⍵) = ∑ 𝑥(𝑛)(𝑟ⅇ𝑗⍵)
−𝑛
∞
𝑛=−∞
Logo:
𝑋(𝑟ⅇ𝑗⍵) = ∑ (𝑥(𝑛)𝑟−𝑛)ⅇ−𝑗⍵n
∞
𝑛=−∞
(5)
Para 𝑟 = 1, 𝑧 = ⅇ𝑗⍵. Assim, a equação (5) se transforma na equação (1).
Como z é uma variável complexa, para interpretar a transformada é conveniente
usar um plano complexo. A Figura 1 mostra o plano z com a circunferência
unitária.
Figura 1 – Plano complexo z e círculo de raio unitário
O ângulo de fase do vetor z (⍵) é o ângulo entre o eixo real do plano e a
posição do vetor. Podemos observar que, partindo de ⍵=0 (z=1) até ⍵=π (z=-1),
4
teremos a transformada de Fourier de x(n) para 0 ≤ ⍵ ≤ - π. Se continuarmos o
giro no sentido anti-horário, chegaremos novamente ao ponto inicial z=1 para
⍵=2π. Podemos dizer então que a transformada de Fourier é periódica porque,
se repetirmos o processo, a partir de 2π os cálculos se repetem. O período da
transformada é de 2π porque o vetor faz voltas inteiras no círculo, chegando
sempre ao ponto de partida (Oppenheim; Schafer, 2012).
1.1 Região de convergência
Assim como a transformada de Fourier não é convergente para todas as
sequências (a soma infinita pode não ser finita), a transformada z também não
converge para todas as sequências ou valores de z. Por definição, a região de
convergência (RDC) é aquela região na qual a série de potências da
transformada z converge, ou seja, onde 𝑋(𝑧) é finita.
|𝑋(𝑧)| = | ∑ 𝑥(𝑛)𝑧−𝑛
∞
𝑛=−∞
| < ∞ (6)
Como a RDC é muito importante, ela deve ser indicada junto com a
transformada z. Vejamos alguns exemplos. Para as sequências finitas a seguir,
determine a transformada z e a RDC. O valor em vermelho indica o valor em
n=o.
𝑥(𝑛) = {…𝑥(−3), 𝑥(−2), 𝑥(−1), 𝑥(0), 𝑥(1), 𝑥(3), 𝑥(3)… }
1 𝑥(𝑛) = {−2,1,0,3,4,2}: sequência infinita.
𝑋(𝑧) = −2𝑧3 + 𝑧2 + 3 + 4𝑧−1 + 2𝑧−2
Em 𝑧 = ∞, 𝑋(𝑧) = ∞, os termos 𝑥(−3) e 𝑥(−2) seriam multiplicados por
∞, portanto 𝑋(𝑧) = ∞.
Em 𝑧 = 0, 𝑋(𝑧) = ∞, os termos 𝑥(1) e 𝑥(2) seriam divididos por 0, portanto
𝑋(𝑧) = ∞.
RDC: todo o plano z, exceto em 𝑧 = 0 e 𝑧 = ∞.
2 𝑥(𝑛) = {−3,−1,3,7,1,4}: sequência lateral esquerda.
𝑋(𝑧) = −3𝑧5 − 𝑧4 + 3𝑧3 + 7𝑧2 + 𝑧 + 4
RDC: todo o plano z, exceto em 𝑧 = ∞.
3 𝑥(𝑛) = 2𝑛 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑛 ≥ 0: sequência lateral direita.
5
𝑥(𝑛) = 𝑥(0,1,2,3,4,5) = {0,2,4,8,16,32}
𝑋(𝑧) = 2𝑧−1 + 4𝑧−2 + 8𝑧−3 + 16𝑧−4 + 32𝑧−5
RDC: todo o plano z, exceto em 𝑧 = 0.
Considerando os exemplos, é possível verificar que a região de
convergência da transformada z cobre praticamente todo o plano z, com exceção
de 𝑧 = 0 e 𝑧 = ∞. Além disso, o expoente de z determina a localização temporal
das amostras. Portanto, 𝑧−𝑘 pode ser interpretado como um operador de
deslocamento com um atraso de 𝑘𝑇𝑎 segundos (sendo 𝑇𝑎 o período de
amostragem).
A região de convergência para uma sequência infinita é dada pela
equação (7):
|𝑋(𝑧)| ≤ ∑ |𝑥(𝑛)𝑟−𝑛|
−1
𝑛=−∞
+∑|𝑥(𝑛)𝑟−𝑛|
∞
𝑛=0
(7)
Fazendo mudança de variável:
|𝑋(𝑧)| ≤ ∑|𝑥(−𝑛)𝑟𝑛|
∞
𝑛=0
+∑|𝑥(𝑛)𝑟−𝑛|
∞
𝑛=0
(8)
As equações (7) e (8) são iguais. Na equação (8), o primeiro termo
representa uma sequência lateral esquerda. A RDC desta sequência é a parte
interna de um círculo com raio 𝑅𝐻 < ∞. O segundo termo representa uma
sequência lateral direita cuja RDC é a parte externa de um círculo de raio 𝑅𝐿 >
0. Então, a RDC de uma sequência infinita será um anel correspondente à
interseção das RDC de sequências laterais esquerdas e direitas.
A Figura (2) mostra diferentes regiões de convergência.
Figura 2 – Região de convergência de sequências: (a) lateral esquerda
(a) (b) (c)
𝑅𝐻 < ∞, (b) lateral direita 𝑅𝐿 > 0, (c) infinita 𝑅𝐿 < |𝑧| < 𝑅𝐻.
6
Vejamos as propriedades da RDC. Primeiramente, é um anel centrado
na origem:
0 ≤ 𝑅𝐿 < |𝑧| < 𝑅𝐻
Se a região de convergência contém o raio unitário, a transformada de
Fourier da sequência converge absolutamente porque 𝑧 = ⅇ𝑗⍵ pertence ao
círculo unitário. Além disso (Albuquerque, 2000):
não existem polos na RDC;
para sequências de duração finita, a região de convergência se estende
por todo o plano z, com exceção de 𝑧 = 0 e 𝑧 = ∞;
para sequências laterais esquerdas, se estende desde zero até o polo
mais próximo (mais interno);
para sequências laterais direitas, se estende a partir do polo mais externo
para fora, incluindo provavelmente 𝑧 = ∞;
no caso das sequências bilaterais infinitas, a RDC tem forma de anel e
não contém polos;
a transformada de Fourier da sequência converge se, e somente se, a
transformada z da mesma contiver o círculo unitário.
A Tabela 1 mostra algumas transformadas z básicas.
7
Tabela 1 – pares comuns de transformadas z
Fonte: Oppenheim; Schafer, 2012.
A Figura 3 mostra diferentes RDC de quatro transformadas z
correspondentes a sequências diferentes com os mesmos polos e zeros.
Figura 3 – (a) Sequência lateral direita. (b) Sequência lateral esquerda. (c) e (d)
Sequências bilaterais
8
Fonte: Oppenheim; Schafer, 2012.
TEMA 2 – TRANSFORMADA Z INVERSA
No processamento de sinais em tempo discreto, a transformada z pode
ser usadapara trabalhar e processar certas sequências no plano z com alguma
finalidade. No entanto, vezes é necessário levar novamente essas sequências
do plano z para o domínio do tempo, uma vez processadas. Para isso, utiliza-se
a transformada inversa.
Os polos e zeros são parâmetros muito importantes na análise e na
inversão das transformadas z. Os zeros são determinados pelos valores que
zeram a função (zeros no numerador) e os polos são determinados pelos valores
que levam a amplitude da função a infinito (zeros no denominador). Portanto,
podemos concluir que a região de convergência de uma transformada não pode
conter polos.
9
2.1 Integral de contorno
A transformada inversa é definida pela seguinte integral de contorno,
sendo C a região de contorno em sentido anti-horário que inclui a origem:
𝑥(𝑛) =
1
2𝜋𝑗
∮ 𝑋(𝑧)𝑧𝑛−1𝑑𝑧
𝐶
(9)
Segundo a integral de Cauchy:
1
2𝜋𝑗
∮ 𝑧−𝑘𝑑𝑧
𝐶
= {
1, 𝑘 = 1
0, 𝑘 ≠ 1
(10)
A equação (9) pode ser deduzida trabalhando com as equações (3) e (10).
Se a RDC incluir o círculo unitário, a região de contorno estará limitada por |𝑧| =
1; se nesse caso substituirmos z por ⅇ𝑗⍵, teremos a transformada de Fourier,
cujo contorno está entre ±𝜋. Mas a equação (9) é difícil de trabalhar, motivo pelo
qual não é muito usada.
2.2 Método de inspeção
Este é um método simples que permite calcular a transformada inversa,
reconhecendo pares conhecidos da transformada z, como os mostrados na
Tabela 1. Por exemplo, dada a transformada z, determine o sinal causal à qual
essa transformada pertence:
𝑋(𝑧) =
−1
1 − 0,5𝑧−1
+
2
1 − 𝑧−1
(11)
Sendo o sinal causal por definição, a RDC é lateral direita, portanto |𝑧| >
𝑅𝐻 = 1. Observando a Tabela 1, substituindo o primeiro termo pelo par da linha
5 e o segundo termo pelo par da linha 2, temos que a sequência x(n) vai ser dada
por:
𝑥(𝑛) = −
1
2
𝑢(𝑛) + 2𝑢(𝑛) (12)
2.3 Expansão por frações parciais
No caso da transformada ser dada pela razão de dois polinômios, este
método é adequado:
𝑋(𝑧) =
𝑁(𝑧)
𝐷(𝑧)
=
∑ 𝑏𝑘𝑧
−𝑘𝑀
𝑘=0
∑ 𝑎𝑘𝑧−𝑘
𝑁
𝑘=0
(13)
10
O polinômio deve ser decomposto em polinômios de ordem menor (no
geral de primeira ordem). A seguir, identifica-se na Tabela 1 a sequência
temporal correspondente. A transformada z é a soma das sequências.
Primeiramente, é necessário identificar os polos e zeros da função
expressando X(z) em função do produtório.
𝑋(𝑧) =
𝑏0
𝑎0
∏ (1 − 𝑐𝑘𝑧
−1)𝑀𝑘=1
∏ (1 − 𝑑𝑘𝑧−1)
𝑁
𝑘=1
(14)
Onde 𝑐𝑘 são os zeros não nulos e 𝑑𝑘 são os polos não nulos de X(z).
Vejamos o primeiro caso. M<N e todos os polos de primeira ordem.
𝑋(𝑧) = ∑
𝐴𝑘
1 − 𝑑𝑘𝑧−1
𝑁
𝑘=1
(15)
Os parâmetros Ak serão calculados de acordo com a equação a seguir:
𝐴𝑘 = (1 − 𝑑𝑘𝑧
−1)𝑋(𝑧)|𝑧=𝑑𝑘 (16)
Vejamos o segundo caso. M≥N e todos os polos de primeira ordem.
𝑋(𝑧) = ∑ 𝐵𝑘
𝑀−𝑁
𝑘=0
𝑧−𝑘 +∑
𝐴𝑘
1 − 𝑑𝑘𝑧−1
𝑁
𝑘=1
(17)
Os parâmetros Ak são calculados de acordo com a equação (16) e os Bk
pela divisão longa entre numerador e denominador.
Vejamos agora o terceiro caso. M≥N e um polo dj de ordem múltipla L>1.
𝑋(𝑧) = ∑ 𝐵𝑘
𝑀−𝑁
𝑘=0
𝑧−𝑘 +∑
𝐴𝑘
1 − 𝑑𝑘𝑧−1
𝑁
𝑘=1
𝑘≠𝑗
+∑
𝐶𝑙
(1 − 𝑑𝑗𝑧−1)
𝑙
𝐿
𝑙=1
(18)
L é a ordem do polo e os parâmetros Ak e Bk são calculados, como
explicado anteriormente. Os parâmetros Cl serão calculados com a seguinte
fórmula:
𝐶𝑙 =
1
(𝐿 − 𝑙)! (−𝑑𝑗)
𝐿−1 [
𝑑𝐿−1
𝑑𝑧𝐿−1
(1 − 𝑑𝑗𝑧
−1)
𝐿
𝑋(𝑧)]
𝑧=𝑑𝑗
(19)
2.4 Expansão por série de potências
Neste caso, a transformada seria dada pela série de Laurent, em que os
valores da sequência são os coeficientes de z-n.
𝑋(𝑧) = ∑ 𝑥(𝑛)𝑧−𝑛
∞
𝑛=−∞
= ⋯+ 𝑥(−1)𝑧1 + 𝑥(0) + 𝑥(1)𝑧−1 +⋯ (20)
Calcula-se posteriormente x(n) por inspeção.
11
2.5 Divisão longa
Este método é aplicado quando a transformada z é o quociente entre dois
polinômios. Nesse caso, o valor encontrado para z-n é o valor x(n) da sequência.
É necessário ter cuidados especiais ao aplicar o método de inversão, porque o
jeito como a divisão é feita depende da RDC.
TEMA 3 – PROPRIEDADES E TEOREMAS
As propriedades da transformada z são similares às da transformada de
Fourier. É conveniente conhecer essas propriedades, porque elas podem ser
usadas em conjunto com as técnicas explicadas anteriormente, para resolver as
transformadas inversas de expressões complicadas (Oppenheim; Schafer,
1975).
𝑥(𝑛)
𝑍
↔𝑋(𝑧), 𝑅𝐷𝐶 = 𝑅𝑥
3.1 Linearidade
Duas séries diferentes com suas transformadas correspondentes:
𝑎𝑥1(𝑛) + 𝑏𝑥2(𝑛)
𝑍
↔𝑎𝑋1(𝑧) + 𝑏𝑋2(𝑧)
𝑅𝐷𝐶: 𝑅𝑋1 ∩ 𝑅𝑋2
(21)
A região de convergência é a interseção das regiões de convergência de
𝑋1 e 𝑋2.
3.2 Deslocamento no tempo
Neste caso, n0 é um número inteiro. Se for positivo, a sequência será
deslocada para a direita, e se for negativo será para a esquerda. A RDC pode
ser modificada porque poderá haver alteração no número de polos em z=0 ou
z=∞.
𝑥(𝑛 − 𝑛0)
𝑍
↔𝑧−𝑛0𝑋(𝑧)
𝑅𝐷𝐶: 𝑅𝑋 ⅇ𝑥𝑐ⅇ𝑡𝑜 ⅇ𝑚 𝑧 = 0 ⅇ/𝑜𝑢 𝑧 = ∞
(22)
3.3 Multiplicação por uma sequência exponencial
A RDC é igual à região de convergência da sequência x(n) multiplicada
pelo módulo de a.
12
𝑎𝑛𝑥(𝑛)
𝑍
↔𝑋(𝑎−1𝑧)
𝑅𝐷𝐶: |𝑎|𝑅𝑋
(23)
3.4 Diferenciação de X(z)
𝑛𝑥(𝑛)
𝑍
↔− 𝑧
𝑑𝑋(𝑧)
𝑑𝑧
𝑅𝐷𝐶: 𝑅𝑋 ⅇ𝑥𝑐ⅇ𝑡𝑜 ⅇ𝑚 𝑧 = 0 ⅇ/𝑜𝑢 𝑧 = ∞
(24)
3.5 Conjugação de uma sequência complexa
𝑥∗(𝑛)
𝑍
↔𝑋∗(𝑧∗)
𝑅𝐷𝐶: 𝑅𝑋
(25)
3.6 Reflexão no tempo
𝑥(−𝑛)
𝑍
↔𝑋(𝑧−1)
𝑅𝐷𝐶: 1 𝑅𝑋⁄
(26)
3.7 Convolução de sequências
𝑥(𝑛) ∗ 𝑦(𝑛)
𝑍
↔𝑋(𝑧)𝑌(𝑧)
𝑅𝐷𝐶: 𝑅𝑋 ∩ 𝑅𝑌
(27)
3.8 Teorema do valor inicial
Se x(n)=0 para n<0:
𝑥(0) = lim
𝑧→∞
𝑋(𝑧) (28)
Neste caso, x(n) é uma sequência causal.
3.9 Teorema do valor final
lim
𝑛→∞
𝑥(𝑛) = lim
𝑧→1
(1 − 𝑧−1)𝑋(𝑧) (29)
3.10 Teorema da convolução complexa
Na equação (27), verificamos que a transformada da convolução de duas
sequências é igual ao produto das transformadas das sequências individuais.
13
Sabemos que, para sinais em tempo contínuo e transformada de Fourier, existe
uma dualidade entre domínio do tempo e domínio da frequência. Em tempo
contínuo, a convolução das funções leva ao produto das transformadas, e a
convolução das transformadas leva ao produto das funções no tempo. No caso
das sequências, essa dualidade não é tão exata, devido ao fato de que as
sequências são discretas, enquanto suas transformadas são contínuas. Mas é
possível obter uma relação em que a transformada z de um produto de
sequências seja similar à convolução.
Sendo 𝑦(𝑛) = 𝑥1(𝑛)𝑥2(𝑛)
𝑌(𝑧) =
1
2𝜋𝑗
∮ 𝑋1
𝐶1
(𝑣)𝑋2 (
𝑧
𝑣
) 𝑣−1𝑑𝑣
𝑜𝑢 𝑌(𝑧) =
1
2𝜋𝑗
∮ 𝑋1 (
𝑧
𝑣
)𝑋2
𝐶2
(𝑣)𝑣−1𝑑𝑣
𝑅𝐷𝐶: (𝑅𝑋1𝑅𝑋2)𝐿 < |𝑧| < (𝑅𝑋1𝑅𝑋2)𝐻
(30)
Se C1 conter o círculo unitário, a transformada de Fourier existe:
𝑌(ⅇ𝑗⍵) =
1
2𝜋
∫ 𝑋1(ⅇ
𝑗⍵)𝑋2(ⅇ
𝑗(⍵−𝜃))
𝜋
−𝜋
𝑑𝜃 (31)
Este teorema é a base do método de janelamento para o projeto de filtros
digitais não recursivos (Aula 5).
3.11 Teorema de Parseval
∑ 𝑥1(𝑛)𝑥2
∗(𝑛)
∞
𝑛=−∞
=
1
2𝜋𝑗
∮ 𝑋1(𝑣)𝑋2
∗ (
1
𝑣∗
) 𝑣−1𝑑𝑣
𝐶
(32)
Se a RDC conter o círculo unitário, a transformada de Fourier existe:
∑ 𝑥1(𝑛)𝑥2
∗(𝑛)
∞
𝑛=−∞
=
1
2𝜋
∫ 𝑋1(ⅇ
𝑗⍵)𝑋2
∗(ⅇ𝑗⍵)𝑑⍵
𝜋
−𝜋(33)
Caso particular, se 𝑥(𝑛) = 𝑥1(𝑛) = 𝑥2(𝑛):
∑ |𝑥(𝑛)|2
∞
𝑛=−∞
=
1
2𝜋
∫ |𝑋(ⅇ𝑗⍵)|
2
𝑑⍵
𝜋
−𝜋
(34)
É possível calcular a equação (34) tanto no domínio da frequência quanto
no domínio do tempo, e representando a energia de x(n).
Na Tabela 2, podemos observar algumas propriedades da transformada
z (Oppenheim; Schafer, 2012).
14
Tabela 2 – Propriedades da transformada z
TEMA 4 – SISTEMAS LINEARES
Devido a suas propriedades e características, a transformada z é uma
ferramenta matemática muito importante para trabalhar com sistemas LIT. A
aplicação mais comum da transformada z é para verificar resposta em
frequência, além da causalidade e da estabilidade de um sistema.
De acordo com o que apresentamos na Aula 1, a saída de um sistema LIT
y(n) é igual à convolução entre a sequência de entrada x(n) e a resposta à função
amostra unitária h(n).
𝑦(𝑛) = 𝑥(𝑛) ∗ ℎ(𝑛) (35)
Considerando a propriedade de convolução da equação (27), temos que:
𝑌(𝑧) = 𝑋(𝑧)𝐻(𝑧) (36)
X(z) e H(z) são as transformadas de x(n) e h(n), respectivamente. H(z) é
chamada de função de transferência ou função do sistema; é a relação entre
saída e entrada do sistema LIT, cuja resposta ao impulso é h(n). Para analisar o
sistema no domínio da frequência, basta estabelecer 𝑧 = ⅇ𝑗𝜔.
Vejamos um exemplo. Considerando duas sequências de comprimento
infinito ℎ(𝑛) = 𝑎𝑛𝑢(𝑛) e 𝑥(𝑛) = 𝐴𝑢(𝑛), calcular a saída do sistema usando a
transformada z. Vamos passar para a resolução. A saída do sistema é dada pela
15
convolução de x(n) com h(n): 𝑦(𝑛) = 𝑥(𝑛) ∗ ℎ(𝑛). O primeiro a ser feito é calcular
a transformada das duas sequências.
𝐻(𝑧) = ∑𝑎𝑛𝑧−𝑛
∞
𝑛=0
=
1
1 − 𝑎𝑧−1
|𝑧| > |𝑎|
𝑋(𝑧) = ∑𝐴𝑧−𝑛
∞
𝑛=0
=
𝐴
1 − 𝑧−1
|𝑧| > 1
Sendo |𝑎| < 1, transformada da convolução é:
𝑌(𝑧) =
𝐴
(1 − 𝑎𝑧−1)(1 − 𝑧−)1
=
𝐴𝑧2
(𝑧 − 𝑎) ⋅ (𝑧 − 1)
|𝑧| > 1
Fazendo expansão por frações parciais:
𝑌(𝑧) =
𝐴
1 − 𝑎
(
1
1 − 𝑧−1
−
𝑎
1 − 𝑎𝑧−1
) |𝑧| > 1
Como y(n) é a transformada inversa de Y(z):
𝑦(𝑛) =
𝐴
1 − 𝑎
(1 − 𝑎𝑛+1)𝑢(𝑛)
Na Figura 4, podemos observar que a transformada da convolução
dessas duas sequências de comprimento infinito tem um zero duplo na origem e
polos em a e em 1. A RDC da convolução é dada pela superposição das RDCs
individuais.
Figura 4 – Polos, zeros e RDC da transformada Y(z) da convolução de
sequências de comprimento infinito
4.1 Função de transferência a partir de uma equação de diferenças
Na Aula 1, já vimos que a equação de diferenças é definida por:
16
𝑦(𝑛) = −∑(
𝑎𝑘
𝑎0
) 𝑦(𝑛 − 𝑘)
𝑁
𝑘=1
+∑(
𝑏𝑘
𝑎0
) 𝑥(𝑛 − 𝑘)
𝑀
𝑘=0
(37)
A transformada z é muito útil para trabalhar com equações de diferença.
Essas equações, quando a entrada é nula para 𝑛 ≤ 0, comportam-se como
sistemas causais. Para conhecer a função do sistema, aplicaremos à equação
(37) as propriedades de linearidade e deslocamento no tempo. Na maioria dos
casos, se estabelece que 𝑎0 = 1.
𝑌(𝑧) = −∑(
𝑎𝑘
𝑎0
) 𝑧−𝑘𝑌(𝑧)
𝑁
𝑘=1
+∑(
𝑏𝑘
𝑎0
) 𝑧−𝑘𝑋(𝑧)
𝑀
𝑘=0
(38)
Deixando Y(z) em função de X(z):
𝑌(𝑧) = (
∑ 𝑏𝑘𝑧
−𝑘𝑀
𝑘=0
∑ 𝑎𝑘𝑧−𝑘
𝑁
𝑘=0
)𝑋(𝑧) (39)
Desta última equação, podemos deduzir que a função de transferência
será:
𝐻(𝑧) =
𝑌(𝑧)
𝑋(𝑧)
=
∑ 𝑏𝑘𝑧
−𝑘𝑀
𝑘=0
∑ 𝑎𝑘𝑧−𝑘
𝑁
𝑘=0
(40)
Como o sistema é causal, a RDC deverá ser |𝑧| > 𝑟𝑅. Como a RDC não
pode conter polos, 𝑟𝑅 é o polo de H(z) mais distante da origem. Os zeros do
numerador determinam o zero de H(z), e os zeros do denominador determinam
os polos de H(z). A equação (40) pode ser escrita em função do seus polos e
zeros da seguinte maneira:
𝐻(𝑧) =
𝑏0
𝑎0
(1 − 𝑐1𝑧
−1)(1 − 𝑐2𝑧
−1)…
(1 − 𝑑1𝑧−1)(1 − 𝑑2𝑧−1)…
=
𝑏0
𝑎0
∏ (1 − 𝑐𝑘𝑧
−1)
𝑀
𝑘=1
∏ (1 − 𝑑𝑘𝑧−1)
𝑁
𝑘=1
(41)
Cada fator (1 − 𝑐𝑘𝑧
−1) corresponde a um zero em 𝑧 = 𝑐𝑘, e cada fator
(1 − 𝑑𝑘𝑧
−1) corresponde a um polo em 𝑧 = 𝑑𝑘 e um zero na origem.
Vejamos um exemplo. Um determinado sistema causal é determinado
pela seguinte equação de diferenças:
𝑦(𝑛) =
1
2
𝑦(𝑛 − 1) + 𝑥(𝑛)
Qual é a função do sistema H(z)? Calcule os polos e zeros do sistema e
faça o gráfico do módulo e da fase de H(z). Vejamos a resolução:
𝑌(𝑧) = 0,5z−1𝑌(𝑧) + 𝑋(𝑧)
(1 − 0,5𝑧−1)𝑌(𝑧) = 𝑋(𝑧)
17
𝐻(𝑧) =
𝑌(𝑧)
𝑋(𝑧)
=
1
1 − 0,5𝑧−1
: |𝑧| > 0,5
H(z) tem um polo em 𝑧 = 0,5 e um zero na origem. Como o polo está
localizado dentro do círculo unitário, H(z) converge para 𝑧 = ⅇ𝑗𝜔 . Vejamos a
resposta em frequência:
𝐻(ⅇ𝑗𝜔) =
1
1 − 0,5ⅇ−𝑗𝜔
Cálculo do módulo de 𝐻(ⅇ𝑗𝜔):
|𝐻(ⅇ𝑗𝜔)| = √𝐻(ⅇ𝑗𝜔)𝐻∗(ⅇ𝑗𝜔) = √
1
1 − 0,5ⅇ−𝑗𝜔
⋅
1
1 − 0,5ⅇ𝑗𝜔
Resolvendo o denominador:
𝐷 = (1 − 0,5ⅇ−𝑗𝜔) ⋅ (1 − 0,5ⅇ𝑗𝜔) =
1 − 0,5ⅇ𝑗𝜔 − 0,5ⅇ−𝑗𝜔 + 0, 52ⅇ−𝑗𝜔ⅇ𝑗𝜔 =
1,25 − 0,5(ⅇ𝑗𝜔 + ⅇ−𝑗𝜔)
Considerando a fórmula de Euler:
𝑐𝑜𝑠(𝜔) =
ⅇ𝑗𝜔 + ⅇ−𝑗𝜔
2
⟹ ⅇ𝑗𝜔 + ⅇ−𝑗𝜔 = 2𝑐𝑜𝑠(𝜔)
A equação do denominador fica:
𝐷 = 1,25 − 𝑐𝑜𝑠(𝜔)
Portanto:
|𝐻(ⅇ𝑗𝜔)| = √
1
1,25 − 𝑐𝑜𝑠(𝜔)
Cálculo da fase:
𝐻(ⅇ𝑗𝜔) = 𝐻(ⅇ𝑗𝜔)
𝐻∗(ⅇ𝑗𝜔)
𝐻∗(ⅇ𝑗𝜔)
=
1
1 − 0,5ⅇ−𝑗𝜔
.
1 − 0,5ⅇ𝑗𝜔
1 − 0,5ⅇ𝑗𝜔
=
𝐻(ⅇ𝑗𝜔) =
1 − 0,5 𝑐𝑜𝑠(𝜔) − 𝑗0,5𝑠ⅇ𝑛(𝜔)
1,25 − 𝑐𝑜𝑠(𝜔)
Então a fase pode ser definida como:
∡𝐻(ⅇ𝑗𝜔) = 𝑡𝑎𝑛−1 {
𝐼𝑚[𝐻(ⅇ𝑗𝜔)]
𝑅ⅇ[𝐻(ⅇ𝑗𝜔)]
} = 𝑡𝑎𝑛−1 (
−0,5𝑠ⅇ𝑛(𝜔)
1 − 0,5 𝑐𝑜𝑠(𝜔)
)
A Figura 5 mostra a amplitude e a fase da função do sistema.
Figura 5 – (a) Resposta em frequência do módulo da função. (b) Resposta em
frequência da fase da função – ângulo em radianos
18
(a)
(b)
4.2 Estabilidade e causalidade
Para que H(z) represente a resposta em frequência do sistema, ela deve
incluir o círculo unitário. Portanto, 𝑧 = ⅇ𝑗𝜔. A condição necessária e suficiente
para um sistema LIT ser estável é que h(n) seja absolutamente somável, então:
∑ |ℎ(𝑛)|
∞
𝑛=−∞
< ∞ (42)
Para que a RDC inclua o círculo unitário:
|𝐻(𝑧)| = ∑ |ℎ(𝑛)𝑧−𝑛|
∞
𝑛=−∞
= ∑ |ℎ(𝑛)||𝑧−𝑛|
∞
𝑛=−∞
Então, quando |𝑧| = 1 (círculo de raio unitário):
|𝐻(𝑧)| = ∑ |ℎ(𝑛)|
∞
𝑛=−∞
(43)
Um sistema LIT é estável quando a região de convergência inclui o círculo
unitário (teorema da estabilidade no domínio da transformada z) (Oppenheim;
Schafer, 1975).
O sistema é causal se satisfaz a seguinte condição:
0
0,5
1
1,5
2
2,5
|H(e^jω )|
ω
-π π
-0,6
-0,4
-0,2
0
0,2
0,4
0,6
∠H(e^jω )
ω
-π π
19
ℎ(𝑛) = 0: 𝑛 < 0 (44)
Como podemos ver, h(n) é uma sequência lateral direita, sendo a RDC
para fora de um círculo cujo raio é determinado pelo polo de H(z) que está mais
longe da origem. Portanto, a estabilidade e causalidade de um sistema SLDI
(LIT) é verificada através da obtenção dos polos de sua função de transferência
e checando se todos eles têm módulo menor do que 1 (Albuquerque, 2000).
Vejamos os sistemas:
Sistema estável: A RDC inclui o círculo unitário, não contém polos e tem
forma de anel;
Sistema causal: A RDC é externa ao polo de módulo maior e não o inclui;
Sistema causal e estável: todos os polos se encontram dentro do círculo
de raio unitário.
4.3 Resposta em frequência a partir dos polos e zeros
Como visto na equação (41), a função do sistema pode ser expressa em
função dos seus polos e zeros. Ela podeser reescrita da seguinte maneira:
𝐻(𝑧) =
(𝑧 − 𝑐1)(𝑧 − 𝑐2)⋯ (𝑧 − 𝑐𝑀)
(𝑧 − 𝑑1)(𝑧 − 𝑑2)⋯ (𝑧 − 𝑑𝑁)
(45)
Os parâmetros c indicam os zeros e os d os polos. O módulo é calculado
pela equação (46):
|𝐻(𝑧)| =
|𝑧 − 𝑐1||𝑧 − 𝑐2|⋯ |𝑧 − 𝑐𝑀|
|𝑧 − 𝑑1||𝑧 − 𝑑2|⋯ |𝑧 − 𝑑𝑁|
(46)
Para a resposta em amplitude, usa-se 𝑧 = ⅇ𝑗𝜔 com ω variando entre ±π o
qual corresponde a calcular H(z) no círculo unitário. A resposta em amplitude do
sistema dependerá da posição de cada polo e zero no plano z. Se o polo estiver
perto de z=0, ele praticamente não terá muita influência na resposta. Mas se ele
estiver perto do círculo unitário, a resposta será bem pronunciada (aguda). No
caso dos zeros, se estiver perto de z=0, também não terão muita influência, mas
se estiverem perto do círculo unitário, a característica apresentará um vale nas
frequências próximas do zero.
TEMA 5 – TRANSFORMADA Z UNILATERAL
A equação (3) define a transformada z bilateral, ou seja, para os dois lados
de n=0. A diferença com a transformada unilateral da equação (47) é que, para
20
a transformada unilateral, independentemente dos valores de x(n) para n<0, o
limite inferior da soma é sempre fixado em zero.
𝑋(𝑧) = ∑𝑥(𝑛)𝑧−𝑛
∞
𝑛=0
(47)
No caso de x(n) ser igual a zero para todos os valores de n<0, as
transformadas unilateral e bilateral são iguais. Elas serão diferentes no caso de
x(n) ser diferente de zero para n<0.
Veja o exemplo da Figura 6.
Figura 6 – Transformada unilateral de uma função impulso. A equação 3.74 é a
equação (47)
Fonte: Oppenheim; Schafer, 2012.
Se considerarmos uma transformada bilateral de uma sequência lateral
direita, veremos que as propriedades da transformada unilateral são as mesmas
devido a que a transformada unilateral desconsidera todas as componentes
laterais esquerdas. Para todas as transformadas unilaterais, a RDC será |𝑧| >
𝑟𝑅, e para as transformadas unilaterais racionais, será definida pelo polo que está
mais afastado de z=0.
As equações de diferença da forma da equação (37) são usadas
geralmente considerando condições de repouso inicial. Mas, em outros casos,
as propriedades de deslocamento no tempo e de linearidade são ferramentas
fundamentais para a transformada z unilateral. Enquanto a propriedade de
linearidade é igual para as transformadas bi e unilateral, a propriedade de
deslocamento no tempo não é devido a que o limite inferior da transformada
unilateral é fixado em zero.
21
5.1 Propriedade de deslocamento no tempo para a transformada z
unilateral
Para determinar essa propriedade, vamos considerar a sequência 𝑥(𝑛)
com transformada unilateral 𝑋(𝑛), e 𝑦(𝑛) = 𝑥(𝑛 − 1). Portanto:
𝑌(𝑧) = ∑𝑋(𝑛 − 1)𝑧−𝑛
∞
𝑛=0
(48)
Substituindo o índice 𝑛 por 𝑛 = 𝑚 − 1:
𝑌(𝑧) = ∑ 𝑥(𝑚)𝑧−(𝑚+1)
∞
𝑚=−1
= 𝑥(−1) + 𝑧−1 ∑ 𝑥(𝑚)𝑧−𝑚
∞
𝑚=0
(49)
Trabalhando com a equação (49):
𝑌(𝑧) = 𝑥(−1) + 𝑧−1 ⋅ 𝑋(𝑧) (50)
Para 𝑦(𝑛) = 𝑥(𝑛 − 𝑘) com 𝑘 = 0, a transformada ficará de acordo com a
equação (51).
𝑌(𝑧) = ∑ 𝑥(𝑚 − 𝑘 − 1)𝑧−𝑚+1
𝑘
𝑚=1
+ 𝑧−𝑘𝑋(𝑧) (51)
No exemplo a seguir, mostraremos o uso da transformada z unilateral para
calcular a saída de uma equação de diferença cujas condições iniciais são
diferentes de zero.
Vejamos um exemplo. A equação de diferenças representa um sistema
linear com coeficientes constantes. Considerando 𝑥(𝑛) = 0 para 𝑛 < 0 e a
condição inicial em 𝑛 = −1 equivale a 𝑦(−1).
𝑦(𝑛) − 𝑎𝑦(𝑛 − 1) = 𝑥(𝑛) (52)
𝑌(𝑧) − 𝑎𝑦(−1) − 𝑎𝑧−1𝑌(𝑧) = 𝑋(𝑧) (53)
Isolando 𝑌(𝑧):
𝑌(𝑧) =
𝑎𝑦(−1)
1 − 𝑎𝑧−1
+
1
1 − 𝑎𝑧−1
𝑋(𝑧) (54)
Se 𝑦(−1) = 0, sendo 𝑌(𝑧) = 𝐻(𝑧)𝑋(𝑧):
𝐻(𝑧) =
1
1 − 𝑎𝑧−1
|𝑧| > |𝑎| (55)
Esta função do sistema corresponde à equação de diferenças (52),
quando iterada com as condições de repouso inicial. Se 𝑥(𝑛) = 0 ∀ 𝑛:
𝑦(𝑛) = 𝑦(−1)𝑎𝑛+1 𝑛 ≥ −1
Portanto, se 𝑦(−1) ≠ 0, o sistema não terá um comportamento linear,
devido ao fato de que a propriedade de mudança de escala para sistemas
22
lineares diz que, quando a entrada for nula para todo n, a saída deverá ser nula
para todo n.
Por exemplo, considerando 𝑥(𝑛) = 𝐴𝑢(𝑛):
𝑋(𝑧) =
𝐴
1 − 𝑧−1
|𝑧| > 1
A equação para 𝑦(𝑛) com 𝑛 ≥ −1 fica:
𝑌(𝑧) =
𝑎𝑦(−1)
1 − 𝑎𝑧−1
+
𝐴
(1 − 𝑎𝑧−1)(1 − 𝑧−1)
(56)
Resolvendo a equação (56), chegamos à solução completa:
𝑦(𝑛) = {
𝑦(−1) 𝑛 = −1
𝑦(−1)𝑎𝑛+1⏟
𝑅𝐸𝑁
+
𝐴
1 − 𝑎
(1 − 𝑎𝑛+1)
⏟
𝑅𝐶𝐼𝑁
𝑛 ≥ 0 (57)
Como podemos ver na equação (57), a resposta do sistema é composta
de duas partes: REN (resposta à entrada nula) e RCIN (resposta a condições
iniciais nulas). A REN corresponde a A=0 e RCIN é a componente diretamente
proporcional à entrada (linearidade), e permanece quando 𝑦(−1) = 0.
FINALIZANDO
Nesta aula, estudamos o capítulo 3 do livro. Estudamos a transformada z
de uma sequência, mostrando que ela é uma generalização da transformada de
Fourier. Verificamos que a transformada z pode convergir onde a transformada
de Fourier não converge. O estudo concentrou-se na própria transformada z e
na transformada z inversa. Tivemos a oportunidade de trabalhar tanto no domínio
do tempo discreto quanto na frequência. Vimos propriedades fundamentais da
transformada z, assim como sua região de convergência; estudamos também as
técnicas de transformação inversa. Trabalhamos a relação entre domínio do
tempo e domínio da frequência para sequências, estudando a função do sistema,
também chamada de função de transferência. Uma parte importante desta aula
foi o estudo de algumas propriedades que facilitam a análise de sequências
(sinais) em tempo discreto.
Capítulo 3: Introdução – página 61
23
REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, M. P. D. Processamento de Sinais. Centro Brasileiro de
Pesquisas Físicas, 2000. Disponivel em:
<www.cbpf.br/cat/pdsi/pps/AulaDeMotivacao.pps>. Acesso em: 16 mar. 2018.
OPPENHEIM, A. V.; SCHAFER, R. W. Digital Signal Processing. New Jersey:
Prentice-Hall, 1975.
_____. Processamento em Tempo Discreto de Sinais. 3. ed. São Paulo:
Pearson Education do Brasil, 2012.