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INSTITUTO MACAPAENSE DO MELHOR ENSINO SUPERIOR SEPSE Macapá 2019 ELOIZA SARMENTO AMORAS LORENA CRISTINA ARAUJO DA SILVA MARCOS PAULO ARAÚJO DA SILVA SILVIA BENDELAC OLIVEIRA SEPSE Trabalho apresentado a Disciplina Patologia da nutrição e dieto I para obtenção de nota parcial da segunda avaliação semestral, do Curso de Nutrição do IMMES, sob a regência da Prof. Daise Lima. Macapá 2019 Sumário 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 1 2.DEFINIÇÃO ............................................................................................................................ 2 3.EPIDEMIOLOGIA DA SEPSE .............................................................................................. 2 4.FISIOPATOLOGIA.................................................................................................................2 4.1 Sepse ................................................................................................................................. 3 4.2 Sepse grave ....................................................................................................................... 4 4.3 Choque Séptico ................................................................................................................. 4 4.4. Resposta do organismo a infecção .................................................................................. 5 5.POPULAÇÃO E FATORES DE RISCOS .............................................................................. 6 6.SITOMAS ................................................................................................................................ 7 7.DIAGNOSTICO ...................................................................................................................... 8 8. TRATAMENTO ..................................................................................................................... 8 9.TERAPIA NUTRICIONAL NA SEPSE ............................................................................... 10 9.1 Vias de administração ..................................................................................................... 10 9.2 Etapas da Terapia Nutricional ........................................................................................ 10 9.3 Monitoramento da Terapia Nutricional .......................................................................... 13 11.CONCLUSAO ..................................................................................................................... 14 12.REFERENCIAS .................................................................................................................. 15 1 INTRODUÇÃO O trabalho tem por finalidade o tema Sepse caracterizado como uma doença constante nas unidades de terapia intensiva (UTI) brasileiras e mundiais. Será descrito a definição da doença, epidemiologia e aspectos primordiais que diz respeito a sua fisiopatologia, ressaltando a ligação entre infecção e o surgimento da mesma, citando também a população que apresenta fator de risco para adquirir esta doença, seus sintomas, diagnostico, suas formas de tratamento e a terapia nutricional aplicada a doença. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica. 2.DEFINIÇÃO Sepse pode ser definida como a resposta sistêmica a uma doença infecciosa, seja ela causada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários. Manifestando-se como diferentes estágios clínicos de um mesmo processo fisiopatológico, conhecida anteriormente como infecção generalizada. Apesar de seu antigo nome, ela não se trata de uma infecção que se espalha pelo corpo, e sim de uma resposta inflamatória sistêmica que ocorre em decorrência de infecção. Esse processo inflamatório é grave e pode comprometer o funcionamento adequado do organismo do paciente, levando-o à morte. Em outras palavras a sepse é uma manifestação inadequada do organismo diante de uma infecção. Inicia-se com uma infecção local e que provoca uma infecção sanguínea mais grave, pois o corpo, ao tentar combater a primeira, acaba comprometendo o funcionamento de todos os órgãos. Dessa forma, se torna letal, pois a pessoa acometida pela inflamação pode não suportar devido a uma disfunção ou falência de múltiplos órgãos. No Brasil, a doença atinge cerca de 400 mil pessoas por ano e é fatal para metade delas. 3.EPIDEMIOLOGIA DA SEPSE A disfunção ou falência de múltiplos órgãos é responsável por 25% da ocupação de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Brasil. Atualmente a sepse é a principal causa de morte nas UTIs e uma das principais causas de mortalidade hospitalar tardia, superando o infarto do miocárdio e o câncer. Tem alta mortalidade no país, chegando a quase 60% dos casos, enquanto a média mundial está em torno de 30%. Segundo um levantamento feito pelo estudo mundial conhecido como Progress, a mortalidade da sepse no Brasil é maior que a de países como a Índia e a Argentina. A doença é a principal geradora de custos nos setores público e privado. Isto é devido à necessidade de utilizar equipamentos sofisticados, medicamentos caros e exigir muito trabalho da equipe médica 4.FISIOPATOLOGIA O mais comum é o foco infeccioso inicial instalar-se nos seguintes órgãos: pulmões (ex: pneumonia), abdômen (ex: apendicite, peritonite, infecções biliares e hepáticas, que recebem o nome de sepse abdominal), rins e bexiga(ex: infecções urinárias e renais), na pele (ex: feridas, celulite, erisipela, aberturas para introdução de cateteres e sondas, abscessos) e no sistema nervoso central (ex: meningite). De acordo com o grau de evolução, a síndrome pode ser classificada em três diferentes níveis: Sepse – a resposta inflamatória provocada pela infecção está associada a pelo menos mais dois sinais. Por exemplo, febre, calafrios e falta de ar etc; Sepse grave – quando há comprometimento funcional de um ou mais órgãos; Choque séptico – queda drástica de pressão arterial que não responde à administração de líquidos por via intravenosa. 4.1 Sepse A infecção local atinge a corrente sanguínea e causa inflamação em todo o corpo. A SIRS pode se manter no organismo mesmo depois dessa infecção inicial não existir mais. Apresenta alguns sintomas usuais da infecção comum, então podem ocorrer situações em que os sintomas da infecção só apareçam quando ela já se tornou sepse. Eles são: Hipertermia (febre alta); Calafrios; Náusea e vômitos; Prostração (debilidade física, fraqueza); Anorexia; Mialgia; Letargia; Irritabilidade; Dificuldade para respirar. 4.2 Sepse grave É caracterizada pela anormalidade na perfusão tecidual (introdução de substâncias líquidas nos tecidos) e pela disfunção orgânica. Os mediadores químicos inflamatórios provocam um aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos, facilitando o extravasamento de líquido para alguns órgãos, como pele e pulmões. Diante disso, o paciente pode apresentar: Hipoperfusão (baixa irrigação sanguínea)orgânica; Hipotensão; Hiperbilirrubinemia (quantidade anormal de bilirrubina no sangue); Alteração no nível de consciência; Alteração na coagulação; Oligúria (produção reduzida de urina); Evidência de perfuração visceral (principalmente na cavidade abdominal) ou peritonite; Acidose lática; Inchaço (edema) e água nos pulmões. 4.3 Choque Séptico A coagulação intravascular disseminada (CID), resultante da sepse grave, impede que oxigênio e nutrientes cheguem aos órgãos vitais. Com isso, a homeostase (equilíbrio das funções e composições químicas do corpo) não consegue ser mantida sem intervenção, não há resposta à administração de líquidos por via intravenosa e a pressão sanguínea cai drasticamente. Como consequência desses fatores, pode acontecer: Tromboses e hemorragias; Formação de microtrombos (coágulos que se formam no coração e nos pequenos vasos); Hipovolemia (diminuição anormal do volume de sangue); Hipóxia tissular (baixo teor de oxigênio nos tecidos); Necrose gangrenosa (morte dos tecidos) de braços, pernas, mãos e pés; Falência múltipla dos órgãos; Morte. Em algumas pessoas os sintomas podem ser atípicos, como: Hipotermia; Taquicardia; Hiperventilação; Petéquias (pontos vermelhos no corpo causados por uma pequena hemorragia de vasos sanguíneos); Aumento na contagem dos leucócitos e queda no número de plaquetas; Hipermetabolismo (com aumento da glicogenólise, da glicogenólise hepática, da lipólise e do catabolismo proteico muscular, intestinal e do tecido conjuntivo). 4.4. Resposta do organismo a infecção Toda a vez que o nosso corpo é invadido por microrganismos, o nosso sistema imunológico é ativado para que possamos combater o agente invasor. Uma das formas usadas pelas nossas células de defesa para atacar agentes infecciosos é através da liberação de mediadores químicos que provocam uma resposta inflamatória. A inflamação que surge em locais infectados não é provocada pela bactéria, mas sim pela resposta imunológica do corpo. Criar um processo inflamatório é uma forma de defesa do organismo. A vermelhidão, a dor, o calor e o pus característicos de feridas infectadas são o resultado da batalha entre o sistema imunológico e os germes invasores A inflamação é uma resposta normal do hospedeiro contra agentes infecciosos. Sepse e SIRS são caracterizadas pela produção excessiva de mediadores inflamatórios e pela excessiva ativação de células inflamatórias, resultando numa anarquia metabólica, na qual “o próprio organismo não consegue controlar o que ele próprio criou”. A principal consequência desta resposta inflamatória é o comprometimento de muitos órgãos e o quadro de choque com evolução para a síndrome da insuficiência de múltiplos órgãos, que é acompanhada de alta mortalidade. Para ser efetiva, a terapia farmacológica na sepse e SIRS deve mimetizar e compensar a defesa natural do organismo, com o objetivo de bloquear a resposta inflamatória tão logo quanto possível. Quando a infecção ou bacteremia ocorre, a primeira linha de defesa do hospedeiro é realizada por células fagocitárias (macrófagos, monócitos e granu-lócitos polimorfonucleares) e pela via alternativa do complemento, agindo de maneira não específica. Logo após, as imunoglobulinas e as células imunocompetentes iniciam uma resposta imune específica. Os componentes da parede bacteriana são os principais ativadores desta resposta do hospedeiro: as endotoxinas dos microorganismos Gram-negativos (principalmente o lipídio A) e o ácido teicóico dos microorganismos Gram-positivos.Estes componentes desencadeiam uma cascata inflamatória, sendo, inicialmente, liberados o Fator de Necrose Tumoral alfa(TNF∝) e a Interleucina-1 (IL-1), que estimulam uma intensa resposta celular, com liberação de mediadores secundários, quimiotaxia e ativação de granulócitos Os mediadores secundários são responsáveis pela reativação das células fagocitárias e da cascata inflamatória, formando um ciclo vicioso inflamatório. As consequências da sepse grave O processo inflamatório difuso da sepse grave causa uma dilatação dos vasos sanguíneos, provocando uma queda da pressão arterial, que, em casos graves, pode levar a um estado de choque circulatório (chamado choque séptico). Os mediadores químicos inflamatórios também provocam um aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos, facilitando o extravasamento de líquidos para órgãos como pele e pulmões. O paciente séptico pode ficar todo edemaciado (inchado) e com água nos pulmões. Essas alterações da permeabilidade dos vasos sanguíneos e da pressão arterial provocam uma redução do aporte de oxigênio e nutrientes aos tecidos, levando à hipóxia (falta de oxigênio) e falência dos mesmos. O sistema de coagulação também pode ser afetado. Um dos eventos mais dramáticos da sepse é a coagulação intravascular disseminada (CIVD), um processo no qual o sistema da coagulação fica descontrolado, ocorrendo simultaneamente tromboses e hemorragias. Quando a sepse é grave, os rins e o fígado param de funcionar, o coração fica mais fraco, o cérebro funciona mal e os pulmões ficam cheios de água. O paciente pode, então, apresentar a temida falência de múltiplos órgãos 5.POPULAÇÃO E FATORES DE RISCOS Estão mais sujeitas a desenvolver sepse as pessoas hospitalizadas, com predisposição genética e sistema imunológico debilitado; indivíduos com Desnutrição energético-protéica; os portadores de doenças crônicas como insuficiência cardíaca, renal e diabetes e os usuários de álcool e outras drogas. São também considerados fatores de risco áreas extensas de queimaduras e ferimentos provocados por arma de fogo ou por acidentes automobilísticos. Qualquer pessoa, não importa a idade, pode desenvolver uma resposta inflamatória que toma conta do corpo todo. No entanto, bebês prematuros, crianças com menos de um ano e idosos acima de 65 anos constituem o grupo de risco mais suscetível ao aparecimento da síndrome. 6.SITOMAS Os sintomas de sepse variam de acordo com o grau de evolução do quadro clínico. Os mais comuns são: febre alta ou hipotermia, calafrios, baixa produção de urina, respiração acelerada dificuldade para respirar, ritmo cardíaco acelerado, agitação e confusão mental. Outros sinais possíveis da síndrome são o aumento na contagem dos leucócitos e a queda no número de plaquetas. Qualquer infecção pode levar à sepse. Muitos de vocês provavelmente já tiveram uma sepse em estágio inicial. Para se caracterizar uma sepse basta apresentar uma infecção e 2 dos 4 sinais e sintomas descritos a seguir: – Temperatura corporal maior que 38ºC ou menor que 35ºC. – Frequência cardíaca maior que 90 batimentos por minuto. – Frequência respiratória maior que 20 incursões por minutos. – No hemograma: leucócitos acima de 12,000 ou abaixo 4000 cel/mm3 . Na verdade, até uma gripe mais forte pode fazer com que o paciente apresente critérios para sepse. Ter critérios para sepse não significa que o paciente esteja muito grave ou que vá morrer. Esses critérios são sinais de alerta para os médicos, indicando que o paciente deve ser bem tratado para que o quadro não evolua de forma desfavorável. Você pode ter uma amigdalite e ter critérios para sepse, mas basta tratar a infecção adequadamente que a maioria das pessoas irá se recuperar. Por outro lado, se o paciente for negligente e não procurar atendimento médico, a infecção, que inicialmente estava restrita à garganta, pode se espalharpelo sangue e ficar muito mais difícil de ser controlada. Uma sepse branda pode virar uma sepse grave. Um paciente com um quadro de infecção com febre alta e calafrios, que começa a ficar mais cansado, mais prostrado, perde o apetite e não consegue sair da cama, apresenta sinais de uma sepse que está se agravando. Idosos com bactérias no sangue podem não ter febre, mas costumam apresentar grande prostração, desorientação e confusão mental. A avaliação médica e o tratamento com antibiótico são importantes para evitar que o quadro evolua de forma catastrófica. 7.DIAGNOSTICO O diagnóstico da sepse depende de avaliação clínica e laboratorial criteriosa para identificar e tratar a doença subjacente que deu origem ao processo infeccioso. Com esse objetivo são realizados exames de sangue, como o hemograma e a hemocultura, exames de urina e, se necessário, a cultura das secreções respiratórias e das lesões cutâneas pré-existentes. Exames de imagem, como raios X, ultrassonagrafia, tomografia e ressonância magnética, podem ser úteis para esclarecer o diagnóstico. 8. TRATAMENTO O tratamento inicial da sepse é com antibióticos para eliminar as bactérias no sangue e interromper o fator de estímulo ao processo inflamatório Diagnóstico precoce e início imediato do tratamento são medidas fundamentais para o controle da sepse e suas complicações. Em geral, o acompanhamento é realizado em unidades de terapia intensiva. Antibióticos Imediatamente após a suspeita de septicemia, é comum a prescrição de antibióticos de largo espectro por via endovenosa, por serem eficazes contra uma variedade maior de bactérias. Quando atingidas, elas são eliminadas do sangue e se interrompe o estímulo ao processo inflamatório. Porém, esses medicamentos não surtem efeito se a infecção não for de origem bacteriana. Portanto, quando o resultado das culturas estiver disponível, pode acontecer um reajuste do antibiótico utilizado. Reposição Volêmica e Vasopressores Deve-se realizar a reposição volêmica, pois repõe o sangue perdido no caso de hipovolemia e evita os danos causados pela perfusão tissular inadequada. Se não surtir efeito, entram em ação os medicamentos vasopressores, que ajudam a contrair os vasos e a estabilizar os níveis da pressão arterial. Se nem esses medicamentos forem suficientes, adrenalina (epinefrina) deve ser, então, adicionada ao tratamento. Ventilação mecânica e Hemodiálise Casos de insuficiência respiratória exigem ventilação mecânica ou intubação traqueal eletiva e casos de insuficiência renal exigem hemodiálise. Controle Glicêmico Deve ser realizado um controle glicêmico rigoroso para que sejam identificados casos de hipoglicemia e fazer com que, assim, o tratamento seja imediato. Suporte Nutricional Como existem inúmeros obstáculos na alimentação via oral, vias alternativas devem ser consideradas, desde que o paciente não esteja com a circulação sanguínea instável. A nutrição enteral (por meio de sonda nasogástrica) é a mais utilizada frequentemente, pois mantém a integridade do trato digestivo, reduz a incidência de complicações e minimiza o risco de deslocar a bactéria. A nutrição parental (diretamente na corrente sanguínea) é indicada quando a via enteral não atender as necessidades nutricionais estimadas ou quando o sistema gastrointestinal estiver impossibilitado. Esteroides O uso de corticosteroides é recomendado para pacientes com choque séptico que, mesmo após a reposição volêmica e os medicamentos vasopressores, ainda mantenham um quadro de hipotensão. 9.TERAPIA NUTRICIONAL NA SEPSE 9.1 Vias de administração O uso da via enteral como a preferencial apoia-se em várias premissas: De menor custo, fisiológica, segura, mantém a morfologia e função do trato gastrintestinal, prevenindo translocação bacteriana Pacientes graves em nutrição enteral apresentam índices de infecção muito menores do que os que recebem nutrição parenteral. Além do controle da glicemia funcionaria melhor em pacientes com nutrição enteral, se comparados a pacientes com nutrição parenteral exclusiva. Diversos estudos comparativos foram realizados a cerca da diferença entre a nutrição enteral e parenteral, onde os mesmos mostraram um aumento significativo nos níveis glicêmicos do grupo que utilizava a nutrição parenteral. A nutrição enteral ganha força em relação à parenteral, devido a grande preocupação em manter os níveis de glicemia dentro da normalidade em pacientes críticos diminuindo, assim, as complicações sépticas, o tempo de permanência na UTI, a incidência das neuropatias no paciente crítico e também na mortalidade. A nutrição enteral é ótima opção, pois ajuda na integridade da mucosa intestinal, onde a mesma cria uma espécie de barreira física, assim como também atua no local onde há a ativação de uma resposta imune aos patógenos que estão presentes no lúmen intestinal, o que acaba dificultando a disseminação da doença para a corrente sanguínea A nutrição enteral relaciona-se a maior produção de colecistocinina(aumenta o Ca nos linfócitos, que é um co-fator para multiplicação dos linfócitos), regula produção de mediadores inflamatórios nos monócitos e aumenta produção de IgA intraluminar. A falta de nutrientes na luz intestinal, como ocorre no suporte nutricional exclusivamente parenteral ou na administração de dietas elementares que são absorvidas no jejuno proximal, aumenta a expressão das adesinas, fazendo com que a aderência bacteriana. 9.2 Etapas da Terapia Nutricional CÁLCULO DO APORTE CALÓRICO PARA ESSES PACIENTES É IMPORTANTE PARA EVITAR A HIPER OU HIPONUTRIÇÃO. A desnutrição influencia negativamente o prognóstico de uma intervenção terapêutica. Esta se inicia no momento em que o paciente deixa de compensar seu gasto metabólico com o aporte proporcional de nutrientes. A resposta inflamatória sistêmica vem acompanhada de alterações do metabolismo intermediário, que determinam a perda de massa magra de modo expressivo, proporcional ao grau de estresse metabólico, resistente ao efeito anabólico do aporte nutricional. Assim, considerando-se a evidência acima exposta de que o aporte nutricional tem implicação direta na morbidade dos pacientes, o cálculo das calorias a serem ofertadas é importante para se evitar os malefícios da hiponutrição ou da desnutrição. Todos os pacientes sépticos devem ter o seu gasto energético metabólico avaliado de forma a evitar os malefícios da hipo e da hipernutrição. CÁLCULO DO GASTO ENERGÉTICO POR MEIO DA CALORIMETRIA INDIRETA APRESENTA VANTAGENS SOBRE AS TÉCNICAS CONVENCIONAIS PARA ADEQUAÇÃO DO APORTE CALÓRICO NO PACIENTE SÉPTICO. As equações de gasto energético para pacientes sépticos não demonstram precisão e podem induzir à prática da hiper ou hiponutrição, ambas traduzindo-se em formas de desnutrição no paciente grave. As consequências do excesso de nutrientes numa fase de resposta inflamatória são a hiperglicemia, a esteatose hepática, a azotemia e o aumento do trabalho respiratório. Já a falta de nutrientes afetará paulatinamente a resposta imune-celular, a força muscular (musculatura respiratória, cardíaca, esquelética) e a atividade orgânica de modo geral, trazendo apatia e inatividade. O cálculo das necessidades nutricionais que devemos ofertar é baseado nos estudos por calorimetria indireta, mas várias equações foram comparadas com esta metodologia, para diferentes populações, proporcionando estimativas de aporte energético a seremimplementadas ao indivíduo. O cálculo do gasto energético metabólico nos pacientes sépticos idealmente deve ser feito por meio da calorimetria indireta, em razão da imprecisão das equações nesta população. Nos locais onde essa determinação não é possível, o aporte calórico deve ser estimado. A calorimetria indireta é um método não-invasivo que determina as necessidades nutricionais e a taxa de utilização dos substratos energéticos a partir do consumo de oxigênio e da produção de gás carbônico obtidos por análise do ar inspirado e expirado pelos pulmões . ADMINISTRAÇÃO DE NUTRIENTES ÁCIDOS GRAXOS POLINSATURADOS - Os ácidos graxos polinsaturados tipo ômega-6, levam a maior produção de ácido araquidônico, ativando a cascata que resulta na formação de mediadores inflamatórios que, além de imunossupressores, são muito ativos quanto a fenômenos inflamatórios. Utilização de fórmulas enterais enriquecidas com ácidos graxos ômega 3 e antioxidantes têm mostrado benefícios nos pacientes com lesão pulmonar aguda, reduzindo o processo inflamatório, o tempo sob ventilação mecânica e de internação na UTI e a incidência de falência de múltiplos órgãos. GLUTAMINA - A glutamina é o amino-ácido (aa) mais abundante do organismo. Pacientes de UTI que utilizaram Nutrição Parenteral (NPP) enriquecida com glutamina tiveram redução da mortalidade, custos e permanência hospitalar comparados aos pacientes pareados que receberam NPP sem glutamina. A via enteral é considerada adequada para administração de glutamina no paciente grave de UTI. A glutamina é muito instável em solução e sua administração por via parenteral se faz de maneira mais segura usando-se dipeptídeos como alanil-glutamina ou glicil-glutamina. NUCLEOTÍDEOS - Os nucleotídeos da dieta são considerados fatores importantes para a manutenção da imunidade normal. Dietas isentas de nucleotídeos levam à diminuição da hipersensibilidade tardia, supressão seletiva dos linfócitos T auxiliares, redução das enzimas necessárias à maturação dos linfócitos T e redução da barreira intestinal. ARGININA - A dose recomendada diária é de 2% da carga calórica total, aproximadamente 30 g para uma adulto de 70 kg. Doses acima de 4% da carga calórica total levam à perda dos efeitos benéficos tanto imunológicos e de retenção nitrogenada, aumentando a mortalidade na sepse. ANTIOXIDANTES - Teoricamente, em situações em que há excessiva produção de oxidantes, a administração de agentes que os neutralizem ou repletem o organismo com defesas antioxidantes poderia conferir proteção contra a lesão tecidual e a disfunção orgânica. OLIGOELEMENTOS - Presume-se que a suplementação do Zinco seja importante pela ação na imunidade e cicatrização de feridas, alem disso Hormônio de Crescimento (GH) não age adequadamente em situações de baixas concentrações de Zn. A orientação empírica é que nos doentes catabólicos se reponha 7 a 10 mg/dia, a menos que haja grandes perdas sensíveis por fístulas digestivas ou sonda gástrica (repor 12 a 17 mg por litro de débito). QUANDO INICIAR - Recomendação Havendo viabilidade do tubo digestivo, o suporte nutricional deve ser iniciado nas primeiras 48 horas do tratamento intensivo. 9.3 Monitoramento da Terapia Nutricional Devido ao hipercatabolismo gerado com o aparecimento da doença, é quase impossível evitar que os pacientes nesse estado mantenham a massa magra, pois tendem a perdê-la. Nesses casos, a técnica mais coerente é que se evite a hiperalimentação e a restrição proteica ao nível máximo. A coleta da urina para a realização do balanço nitrogenado semanal é discutível, pois não há relação entre a diminuição da mortalidade com a diminuição desse balanço nitrogenado negativo. O uso da balança para monitorar o peso do paciente na UTI não mostrou ser a melhor opção, pois a maior parte deles ganha peso líquido, de até 8L, depois das primeiras horas em que foram reestabelecidos os parâmetros hemodinâmicos. O acompanhamento do paciente com os exames laboratoriais também é muito importante para verificar a dosagem de albumina, pré-albumina, transferrina, entre outros exames. 10.Recomendações O risco de contrair infecções que podem promover uma resposta inflamatória sistêmica será menor se forem respeitados os seguintes princípios básicos: Lavar as mãos com frequência com água e sabão; Manter o esquema de vacinação das crianças atualizado; Evitar a automedicação e o uso indiscriminado de antibióticos; Não interromper o tratamento antes do prazo prescrito pelo médico; Lembrar sempre que a febre em crianças funciona como um sinal de alerta para procurar orientação a médica. 11.CONCLUSAO Pode-se concluir que qualquer tipo de infecção leve ou grave, pode evoluir para Sepse. Assim, quanto menor o tempo com a infecção menor a chance do surgimento da Sepse, contudo o tratamento rápido das infecções são muito importante. O tratamento da mesma inclui a equipe de profissional da saúde, incluindo o profissional de nutrição para que estes possa detectar a infecção ou o quadro de inflamação o mais rápido possível, levando a busca de medidas para melhoria da saúde do paciente. A nutrição é de suma importância para a recuperação do individuo, buscando saciar a demanda calórica levando em conta o seu período de internação e não ultrapassando a demanda de macro e micro nutrientes necessários, o profissional de nutrição não entra só na recuperação do paciente com sepse, mais também com medidas de formas de prevenção aos pacientes com grande risco de adquirir a doença. 12.REFERENCIAS PRADO,Beatriz. Papel da Nutrição na Sepse – Parte II. Disponivel em: <https://bianutri.com/artigo/papel-da-nutricao-na-sepse-parte-ii> Acesso em: 15 de maio de 2019 JUNIOR.P.A.G;MARSON.F;ABEID.M;OSTINI.M.F;SOUZA.H.S;FILHO.B.A. fisiopatologia da sepse e suas implicações terapêuticas. 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O que é sepse? .Disponível em: < https://brasilescola.uol.com.br/o-que- e/biologia/o-que-e-sepse.htm> Acesso em: 15 de maio de 2019