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INSTITUTO MACAPAENSE DO MELHOR ENSINO SUPERIOR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEPSE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Macapá 
2019 
 
 
 
 
ELOIZA SARMENTO AMORAS 
LORENA CRISTINA ARAUJO DA SILVA 
MARCOS PAULO ARAÚJO DA SILVA 
SILVIA BENDELAC OLIVEIRA 
 
 
 
 
 
SEPSE 
 
 
 
 
Trabalho apresentado a Disciplina Patologia da 
nutrição e dieto I para obtenção de nota parcial da 
segunda avaliação semestral, do Curso de 
Nutrição do IMMES, sob a regência da Prof. Daise 
Lima. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Macapá 
2019 
 
 
 
 
 Sumário 
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 1 
2.DEFINIÇÃO ............................................................................................................................ 2 
3.EPIDEMIOLOGIA DA SEPSE .............................................................................................. 2 
4.FISIOPATOLOGIA.................................................................................................................2 
4.1 Sepse ................................................................................................................................. 3 
4.2 Sepse grave ....................................................................................................................... 4 
4.3 Choque Séptico ................................................................................................................. 4 
4.4. Resposta do organismo a infecção .................................................................................. 5 
5.POPULAÇÃO E FATORES DE RISCOS .............................................................................. 6 
6.SITOMAS ................................................................................................................................ 7 
7.DIAGNOSTICO ...................................................................................................................... 8 
8. TRATAMENTO ..................................................................................................................... 8 
9.TERAPIA NUTRICIONAL NA SEPSE ............................................................................... 10 
9.1 Vias de administração ..................................................................................................... 10 
9.2 Etapas da Terapia Nutricional ........................................................................................ 10 
9.3 Monitoramento da Terapia Nutricional .......................................................................... 13 
11.CONCLUSAO ..................................................................................................................... 14 
12.REFERENCIAS .................................................................................................................. 15 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 O trabalho tem por finalidade o tema Sepse caracterizado como uma doença constante nas 
unidades de terapia intensiva (UTI) brasileiras e mundiais. Será descrito a definição da 
doença, epidemiologia e aspectos primordiais que diz respeito a sua fisiopatologia, 
ressaltando a ligação entre infecção e o surgimento da mesma, citando também a população 
que apresenta fator de risco para adquirir esta doença, seus sintomas, diagnostico, suas formas 
de tratamento e a terapia nutricional aplicada a doença. A metodologia utilizada foi a pesquisa 
bibliográfica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.DEFINIÇÃO 
 Sepse pode ser definida como a resposta sistêmica a uma doença infecciosa, seja ela 
causada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários. Manifestando-se como diferentes 
estágios clínicos de um mesmo processo fisiopatológico, conhecida anteriormente 
como infecção generalizada. Apesar de seu antigo nome, ela não se trata de uma infecção que 
se espalha pelo corpo, e sim de uma resposta inflamatória sistêmica que ocorre em 
decorrência de infecção. Esse processo inflamatório é grave e pode comprometer o 
funcionamento adequado do organismo do paciente, levando-o à morte. 
 Em outras palavras a sepse é uma manifestação inadequada do organismo diante de uma 
infecção. Inicia-se com uma infecção local e que provoca uma infecção sanguínea mais grave, 
pois o corpo, ao tentar combater a primeira, acaba comprometendo o funcionamento de todos 
os órgãos. Dessa forma, se torna letal, pois a pessoa acometida pela inflamação pode não 
suportar devido a uma disfunção ou falência de múltiplos órgãos. No Brasil, a doença atinge 
cerca de 400 mil pessoas por ano e é fatal para metade delas. 
3.EPIDEMIOLOGIA DA SEPSE 
 A disfunção ou falência de múltiplos órgãos é responsável por 25% da ocupação de leitos 
em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Brasil. Atualmente a sepse é a principal causa de 
morte nas UTIs e uma das principais causas de mortalidade hospitalar tardia, superando o 
infarto do miocárdio e o câncer. Tem alta mortalidade no país, chegando a quase 60% dos 
casos, enquanto a média mundial está em torno de 30%. Segundo um levantamento feito pelo 
estudo mundial conhecido como Progress, a mortalidade da sepse no Brasil é maior que a de 
países como a Índia e a Argentina. 
 A doença é a principal geradora de custos nos setores público e privado. Isto é devido à 
necessidade de utilizar equipamentos sofisticados, medicamentos caros e exigir muito 
trabalho da equipe médica 
 4.FISIOPATOLOGIA 
 O mais comum é o foco infeccioso inicial instalar-se nos seguintes 
órgãos: pulmões (ex: pneumonia), abdômen (ex: apendicite, peritonite, infecções biliares e 
hepáticas, que recebem o nome de sepse abdominal), rins e bexiga(ex: infecções urinárias e 
 
 
 
 
renais), na pele (ex: feridas, celulite, erisipela, aberturas para introdução de cateteres e sondas, 
abscessos) e no sistema nervoso central (ex: meningite). 
 De acordo com o grau de evolução, a síndrome pode ser classificada em três diferentes 
níveis: 
 Sepse – a resposta inflamatória provocada pela infecção está associada a pelo menos 
mais dois sinais. Por exemplo, febre, calafrios e falta de ar etc; 
 Sepse grave – quando há comprometimento funcional de um ou mais órgãos; 
 Choque séptico – queda drástica de pressão arterial que não responde à administração 
de líquidos por via intravenosa. 
4.1 Sepse 
 A infecção local atinge a corrente sanguínea e causa inflamação em todo o corpo. A SIRS 
pode se manter no organismo mesmo depois dessa infecção inicial não existir mais. Apresenta 
alguns sintomas usuais da infecção comum, então podem ocorrer situações em que os 
sintomas da infecção só apareçam quando ela já se tornou sepse. Eles são: 
 Hipertermia (febre alta); 
 Calafrios; 
 Náusea e vômitos; 
 Prostração (debilidade física, fraqueza); 
 Anorexia; 
 Mialgia; 
 Letargia; 
 Irritabilidade; 
 Dificuldade para respirar. 
 
 
 
 
 
4.2 Sepse grave 
 É caracterizada pela anormalidade na perfusão tecidual (introdução de substâncias 
líquidas nos tecidos) e pela disfunção orgânica. Os mediadores químicos inflamatórios 
provocam um aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos, facilitando o extravasamento 
de líquido para alguns órgãos, como pele e pulmões. Diante disso, o paciente pode apresentar: 
 Hipoperfusão (baixa irrigação sanguínea)orgânica; 
 Hipotensão; 
 Hiperbilirrubinemia (quantidade anormal de bilirrubina no sangue); 
 Alteração no nível de consciência; 
 Alteração na coagulação; 
 Oligúria (produção reduzida de urina); 
 Evidência de perfuração visceral (principalmente na cavidade abdominal) 
ou peritonite; 
 Acidose lática; 
 Inchaço (edema) e água nos pulmões. 
4.3 Choque Séptico 
 A coagulação intravascular disseminada (CID), resultante da sepse grave, impede que 
oxigênio e nutrientes cheguem aos órgãos vitais. Com isso, a homeostase (equilíbrio das 
funções e composições químicas do corpo) não consegue ser mantida sem intervenção, não há 
resposta à administração de líquidos por via intravenosa e a pressão sanguínea cai 
drasticamente. Como consequência desses fatores, pode acontecer: 
 Tromboses e hemorragias; 
 Formação de microtrombos (coágulos que se formam no coração e nos pequenos 
vasos); 
 Hipovolemia (diminuição anormal do volume de sangue); 
 Hipóxia tissular (baixo teor de oxigênio nos tecidos); 
 Necrose gangrenosa (morte dos tecidos) de braços, pernas, mãos e pés; 
 Falência múltipla dos órgãos; 
 Morte. 
 Em algumas pessoas os sintomas podem ser atípicos, como: 
 
 
 
 
 Hipotermia; 
 Taquicardia; 
 Hiperventilação; 
 Petéquias (pontos vermelhos no corpo causados por uma pequena hemorragia de vasos 
sanguíneos); 
 Aumento na contagem dos leucócitos e queda no número de plaquetas; 
 Hipermetabolismo (com aumento da glicogenólise, da glicogenólise hepática, da 
lipólise e do catabolismo proteico muscular, intestinal e do tecido conjuntivo). 
4.4. Resposta do organismo a infecção 
 Toda a vez que o nosso corpo é invadido por microrganismos, o nosso sistema 
imunológico é ativado para que possamos combater o agente invasor. Uma das formas usadas 
pelas nossas células de defesa para atacar agentes infecciosos é através da liberação de 
mediadores químicos que provocam uma resposta inflamatória. A inflamação que surge em 
locais infectados não é provocada pela bactéria, mas sim pela resposta imunológica do corpo. 
Criar um processo inflamatório é uma forma de defesa do organismo. A vermelhidão, a dor, o 
calor e o pus característicos de feridas infectadas são o resultado da batalha entre o sistema 
imunológico e os germes invasores 
 A inflamação é uma resposta normal do hospedeiro contra agentes infecciosos. Sepse e 
SIRS são caracterizadas pela produção excessiva de mediadores inflamatórios e pela 
excessiva ativação de células inflamatórias, resultando numa anarquia metabólica, na qual “o 
próprio organismo não consegue controlar o que ele próprio criou”. 
 A principal consequência desta resposta inflamatória é o comprometimento de muitos 
órgãos e o quadro de choque com evolução para a síndrome da insuficiência de múltiplos 
órgãos, que é acompanhada de alta mortalidade. Para ser efetiva, a terapia farmacológica na 
sepse e SIRS deve mimetizar e compensar a defesa natural do organismo, com o objetivo de 
bloquear a resposta inflamatória tão logo quanto possível. 
 Quando a infecção ou bacteremia ocorre, a primeira linha de defesa do hospedeiro é 
realizada por células fagocitárias (macrófagos, monócitos e granu-lócitos polimorfonucleares) 
e pela via alternativa do complemento, agindo de maneira não específica. Logo após, as 
imunoglobulinas e as células imunocompetentes iniciam uma resposta imune específica. 
Os componentes da parede bacteriana são os principais ativadores desta resposta do 
hospedeiro: as endotoxinas dos microorganismos Gram-negativos (principalmente o lipídio 
A) e o ácido teicóico dos microorganismos Gram-positivos.Estes componentes desencadeiam 
 
 
 
 
uma cascata inflamatória, sendo, inicialmente, liberados o Fator de Necrose Tumoral 
alfa(TNF∝) e a Interleucina-1 (IL-1), que estimulam uma intensa resposta celular, com 
liberação de mediadores secundários, quimiotaxia e ativação de granulócitos 
 Os mediadores secundários são responsáveis pela reativação das células fagocitárias e 
da cascata inflamatória, formando um ciclo vicioso inflamatório. 
As consequências da sepse grave 
 O processo inflamatório difuso da sepse grave causa uma dilatação dos vasos sanguíneos, 
provocando uma queda da pressão arterial, que, em casos graves, pode levar a um estado de 
choque circulatório (chamado choque séptico). Os mediadores químicos inflamatórios 
também provocam um aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos, facilitando o 
extravasamento de líquidos para órgãos como pele e pulmões. O paciente séptico pode ficar 
todo edemaciado (inchado) e com água nos pulmões. 
 Essas alterações da permeabilidade dos vasos sanguíneos e da pressão arterial provocam 
uma redução do aporte de oxigênio e nutrientes aos tecidos, levando à hipóxia (falta de 
oxigênio) e falência dos mesmos. O sistema de coagulação também pode ser afetado. Um dos 
eventos mais dramáticos da sepse é a coagulação intravascular disseminada (CIVD), um 
processo no qual o sistema da coagulação fica descontrolado, ocorrendo simultaneamente 
tromboses e hemorragias. 
 Quando a sepse é grave, os rins e o fígado param de funcionar, o coração fica mais fraco, 
o cérebro funciona mal e os pulmões ficam cheios de água. O paciente pode, então, apresentar 
a temida falência de múltiplos órgãos 
5.POPULAÇÃO E FATORES DE RISCOS 
 Estão mais sujeitas a desenvolver sepse as pessoas hospitalizadas, com predisposição 
genética e sistema imunológico debilitado; indivíduos com Desnutrição energético-protéica; 
os portadores de doenças crônicas como insuficiência cardíaca, renal e diabetes e os usuários 
de álcool e outras drogas. São também considerados fatores de risco áreas extensas de 
queimaduras e ferimentos provocados por arma de fogo ou por acidentes automobilísticos. 
 Qualquer pessoa, não importa a idade, pode desenvolver uma resposta inflamatória que 
toma conta do corpo todo. No entanto, bebês prematuros, crianças com menos de um ano e 
 
 
 
 
idosos acima de 65 anos constituem o grupo de risco mais suscetível ao aparecimento da 
síndrome. 
6.SITOMAS 
 Os sintomas de sepse variam de acordo com o grau de evolução do quadro clínico. Os 
mais comuns são: febre alta ou hipotermia, calafrios, baixa produção de urina, respiração 
acelerada dificuldade para respirar, ritmo cardíaco acelerado, agitação e confusão mental. 
 Outros sinais possíveis da síndrome são o aumento na contagem dos leucócitos e a queda 
no número de plaquetas. 
 Qualquer infecção pode levar à sepse. Muitos de vocês provavelmente já tiveram uma 
sepse em estágio inicial. Para se caracterizar uma sepse basta apresentar uma infecção e 2 dos 
4 sinais e sintomas descritos a seguir: 
– Temperatura corporal maior que 38ºC ou menor que 35ºC. 
– Frequência cardíaca maior que 90 batimentos por minuto. 
– Frequência respiratória maior que 20 incursões por minutos. 
– No hemograma: leucócitos acima de 12,000 ou abaixo 4000 cel/mm3 . 
 Na verdade, até uma gripe mais forte pode fazer com que o paciente apresente critérios 
para sepse. Ter critérios para sepse não significa que o paciente esteja muito grave ou que vá 
morrer. Esses critérios são sinais de alerta para os médicos, indicando que o paciente deve ser 
bem tratado para que o quadro não evolua de forma desfavorável. Você pode ter uma 
amigdalite e ter critérios para sepse, mas basta tratar a infecção adequadamente que a maioria 
das pessoas irá se recuperar. Por outro lado, se o paciente for negligente e não procurar 
atendimento médico, a infecção, que inicialmente estava restrita à garganta, pode se espalharpelo sangue e ficar muito mais difícil de ser controlada. Uma sepse branda pode virar uma 
sepse grave. 
 Um paciente com um quadro de infecção com febre alta e calafrios, que começa a ficar 
mais cansado, mais prostrado, perde o apetite e não consegue sair da cama, apresenta sinais de 
uma sepse que está se agravando. Idosos com bactérias no sangue podem não ter febre, mas 
costumam apresentar grande prostração, desorientação e confusão mental. A avaliação médica 
 
 
 
 
e o tratamento com antibiótico são importantes para evitar que o quadro evolua de forma 
catastrófica. 
7.DIAGNOSTICO 
 O diagnóstico da sepse depende de avaliação clínica e laboratorial criteriosa para 
identificar e tratar a doença subjacente que deu origem ao processo infeccioso. 
 Com esse objetivo são realizados exames de sangue, como o hemograma e a hemocultura, 
exames de urina e, se necessário, a cultura das secreções respiratórias e das lesões cutâneas 
pré-existentes. Exames de imagem, como raios X, ultrassonagrafia, tomografia e ressonância 
magnética, podem ser úteis para esclarecer o diagnóstico. 
8. TRATAMENTO 
 O tratamento inicial da sepse é com antibióticos para eliminar as bactérias no sangue e 
interromper o fator de estímulo ao processo inflamatório 
 Diagnóstico precoce e início imediato do tratamento são medidas fundamentais para o 
controle da sepse e suas complicações. Em geral, o acompanhamento é realizado em unidades 
de terapia intensiva. 
Antibióticos 
 Imediatamente após a suspeita de septicemia, é comum a prescrição de antibióticos de 
largo espectro por via endovenosa, por serem eficazes contra uma variedade maior de 
bactérias. Quando atingidas, elas são eliminadas do sangue e se interrompe o estímulo ao 
processo inflamatório. Porém, esses medicamentos não surtem efeito se a infecção não for de 
origem bacteriana. Portanto, quando o resultado das culturas estiver disponível, pode 
acontecer um reajuste do antibiótico utilizado. 
Reposição Volêmica e Vasopressores 
 Deve-se realizar a reposição volêmica, pois repõe o sangue perdido no caso de 
hipovolemia e evita os danos causados pela perfusão tissular inadequada. Se não surtir efeito, 
 
 
 
 
entram em ação os medicamentos vasopressores, que ajudam a contrair os vasos e a 
estabilizar os níveis da pressão arterial. Se nem esses medicamentos forem suficientes, 
adrenalina (epinefrina) deve ser, então, adicionada ao tratamento. 
Ventilação mecânica e Hemodiálise 
 Casos de insuficiência respiratória exigem ventilação mecânica ou intubação traqueal 
eletiva e casos de insuficiência renal exigem hemodiálise. 
Controle Glicêmico 
 Deve ser realizado um controle glicêmico rigoroso para que sejam identificados casos 
de hipoglicemia e fazer com que, assim, o tratamento seja imediato. 
Suporte Nutricional 
 Como existem inúmeros obstáculos na alimentação via oral, vias alternativas devem ser 
consideradas, desde que o paciente não esteja com a circulação sanguínea instável. A nutrição 
enteral (por meio de sonda nasogástrica) é a mais utilizada frequentemente, pois mantém a 
integridade do trato digestivo, reduz a incidência de complicações e minimiza o risco de 
deslocar a bactéria. 
 A nutrição parental (diretamente na corrente sanguínea) é indicada quando a via enteral 
não atender as necessidades nutricionais estimadas ou quando o sistema gastrointestinal 
estiver impossibilitado. 
Esteroides 
 O uso de corticosteroides é recomendado para pacientes com choque séptico que, mesmo 
após a reposição volêmica e os medicamentos vasopressores, ainda mantenham um quadro 
de hipotensão. 
 
 
 
 
 
 
9.TERAPIA NUTRICIONAL NA SEPSE 
9.1 Vias de administração 
 O uso da via enteral como a preferencial apoia-se em várias premissas: 
De menor custo, fisiológica, segura, mantém a morfologia e função do trato gastrintestinal, 
prevenindo translocação bacteriana 
 Pacientes graves em nutrição enteral apresentam índices de infecção muito menores do 
que os que recebem nutrição parenteral. Além do controle da glicemia funcionaria melhor em 
pacientes com nutrição enteral, se comparados a pacientes com nutrição parenteral exclusiva. 
Diversos estudos comparativos foram realizados a cerca da diferença entre a nutrição enteral e 
parenteral, onde os mesmos mostraram um aumento significativo nos níveis glicêmicos do 
grupo que utilizava a nutrição parenteral. A nutrição enteral ganha força em relação à 
parenteral, devido a grande preocupação em manter os níveis de glicemia dentro da 
normalidade em pacientes críticos diminuindo, assim, as complicações sépticas, o tempo de 
permanência na UTI, a incidência das neuropatias no paciente crítico e também na 
mortalidade. 
 A nutrição enteral é ótima opção, pois ajuda na integridade da mucosa intestinal, onde a 
mesma cria uma espécie de barreira física, assim como também atua no local onde há a 
ativação de uma resposta imune aos patógenos que estão presentes no lúmen intestinal, o que 
acaba dificultando a disseminação da doença para a corrente sanguínea 
 A nutrição enteral relaciona-se a maior produção de colecistocinina(aumenta o Ca nos 
linfócitos, que é um co-fator para multiplicação dos linfócitos), regula produção de 
mediadores inflamatórios nos monócitos e aumenta produção de IgA intraluminar. 
 A falta de nutrientes na luz intestinal, como ocorre no suporte nutricional exclusivamente 
parenteral ou na administração de dietas elementares que são absorvidas no jejuno proximal, 
aumenta a expressão das adesinas, fazendo com que a aderência bacteriana. 
9.2 Etapas da Terapia Nutricional 
CÁLCULO DO APORTE CALÓRICO PARA ESSES PACIENTES É IMPORTANTE 
PARA EVITAR A HIPER OU HIPONUTRIÇÃO. 
 A desnutrição influencia negativamente o prognóstico de uma intervenção terapêutica. 
Esta se inicia no momento em que o paciente deixa de compensar seu gasto metabólico com o 
aporte proporcional de nutrientes. A resposta inflamatória sistêmica vem acompanhada de 
 
 
 
 
alterações do metabolismo intermediário, que determinam a perda de massa magra de modo 
expressivo, proporcional ao grau de estresse metabólico, resistente ao efeito anabólico do 
aporte nutricional. 
 Assim, considerando-se a evidência acima exposta de que o aporte nutricional tem 
implicação direta na morbidade dos pacientes, o cálculo das calorias a serem ofertadas é 
importante para se evitar os malefícios da hiponutrição ou da desnutrição. 
 Todos os pacientes sépticos devem ter o seu gasto energético metabólico avaliado de 
forma a evitar os malefícios da hipo e da hipernutrição. 
CÁLCULO DO GASTO ENERGÉTICO POR MEIO DA CALORIMETRIA INDIRETA 
APRESENTA VANTAGENS SOBRE AS TÉCNICAS CONVENCIONAIS PARA 
ADEQUAÇÃO DO APORTE CALÓRICO NO PACIENTE SÉPTICO. 
 As equações de gasto energético para pacientes sépticos não demonstram precisão e 
podem induzir à prática da hiper ou hiponutrição, ambas traduzindo-se em formas de 
desnutrição no paciente grave. As consequências do excesso de nutrientes numa fase de 
resposta inflamatória são a hiperglicemia, a esteatose hepática, a azotemia e o aumento do 
trabalho respiratório. Já a falta de nutrientes afetará paulatinamente a resposta imune-celular, 
a força muscular (musculatura respiratória, cardíaca, esquelética) e a atividade orgânica de 
modo geral, trazendo apatia e inatividade. 
 O cálculo das necessidades nutricionais que devemos ofertar é baseado nos estudos por 
calorimetria indireta, mas várias equações foram comparadas com esta metodologia, para 
diferentes populações, proporcionando estimativas de aporte energético a seremimplementadas ao indivíduo. 
 O cálculo do gasto energético metabólico nos pacientes sépticos idealmente deve ser feito 
por meio da calorimetria indireta, em razão da imprecisão das equações nesta população. Nos 
locais onde essa determinação não é possível, o aporte calórico deve ser estimado. 
 A calorimetria indireta é um método não-invasivo que determina as necessidades 
nutricionais e a taxa de utilização dos substratos energéticos a partir do consumo de oxigênio 
e da produção de gás carbônico obtidos por análise do ar inspirado e expirado pelos pulmões
. 
 
 
 
 
 
 
ADMINISTRAÇÃO DE NUTRIENTES 
ÁCIDOS GRAXOS POLINSATURADOS - Os ácidos graxos polinsaturados tipo ômega-6, 
levam a maior produção de ácido araquidônico, ativando a cascata que resulta na formação de 
mediadores inflamatórios que, além de imunossupressores, são muito ativos quanto a 
fenômenos inflamatórios. Utilização de fórmulas enterais enriquecidas com ácidos graxos 
ômega 3 e antioxidantes têm mostrado benefícios nos pacientes com lesão pulmonar aguda, 
reduzindo o processo inflamatório, o tempo sob ventilação mecânica e de internação na UTI e 
a incidência de falência de múltiplos órgãos. 
GLUTAMINA - A glutamina é o amino-ácido (aa) mais abundante do organismo. Pacientes 
de UTI que utilizaram Nutrição Parenteral (NPP) enriquecida com glutamina tiveram redução 
da mortalidade, custos e permanência hospitalar comparados aos pacientes pareados que 
receberam NPP sem glutamina. A via enteral é considerada adequada para administração de 
glutamina no paciente grave de UTI. A glutamina é muito instável em solução e sua 
administração por via parenteral se faz de maneira mais segura usando-se dipeptídeos como 
alanil-glutamina ou glicil-glutamina. 
NUCLEOTÍDEOS - Os nucleotídeos da dieta são considerados fatores importantes para a 
manutenção da imunidade normal. Dietas isentas de nucleotídeos levam à diminuição da 
hipersensibilidade tardia, supressão seletiva dos linfócitos T auxiliares, redução das enzimas 
necessárias à maturação dos linfócitos T e redução da barreira intestinal. 
ARGININA - A dose recomendada diária é de 2% da carga calórica total, aproximadamente 
30 g para uma adulto de 70 kg. Doses acima de 4% da carga calórica total levam à perda dos 
efeitos benéficos tanto imunológicos e de retenção nitrogenada, aumentando a mortalidade na 
sepse. 
ANTIOXIDANTES - Teoricamente, em situações em que há excessiva produção de 
oxidantes, a administração de agentes que os neutralizem ou repletem o organismo com 
defesas antioxidantes poderia conferir proteção contra a lesão tecidual e a disfunção orgânica. 
OLIGOELEMENTOS - Presume-se que a suplementação do Zinco seja importante pela ação 
na imunidade e cicatrização de feridas, alem disso Hormônio de Crescimento (GH) não age 
adequadamente em situações de baixas concentrações de Zn. A orientação empírica é que nos 
doentes catabólicos se reponha 7 a 10 mg/dia, a menos que haja grandes perdas sensíveis por 
fístulas digestivas ou sonda gástrica (repor 12 a 17 mg por litro de débito). 
 
 
 
 
QUANDO INICIAR - Recomendação Havendo viabilidade do tubo digestivo, o suporte 
nutricional deve ser iniciado nas primeiras 48 horas do tratamento intensivo. 
9.3 Monitoramento da Terapia Nutricional 
 Devido ao hipercatabolismo gerado com o aparecimento da doença, é quase impossível 
evitar que os pacientes nesse estado mantenham a massa magra, pois tendem a perdê-la. 
Nesses casos, a técnica mais coerente é que se evite a hiperalimentação e a restrição proteica 
ao nível máximo. 
 A coleta da urina para a realização do balanço nitrogenado semanal é discutível, pois não 
há relação entre a diminuição da mortalidade com a diminuição desse balanço nitrogenado 
negativo. 
 O uso da balança para monitorar o peso do paciente na UTI não mostrou ser a melhor 
opção, pois a maior parte deles ganha peso líquido, de até 8L, depois das primeiras horas em 
que foram reestabelecidos os parâmetros hemodinâmicos. 
 O acompanhamento do paciente com os exames laboratoriais também é muito importante 
para verificar a dosagem de albumina, pré-albumina, transferrina, entre outros exames. 
10.Recomendações 
 O risco de contrair infecções que podem promover uma resposta inflamatória sistêmica 
será menor se forem respeitados os seguintes princípios básicos: 
 Lavar as mãos com frequência com água e sabão; 
 Manter o esquema de vacinação das crianças atualizado; 
 Evitar a automedicação e o uso indiscriminado de antibióticos; 
 Não interromper o tratamento antes do prazo prescrito pelo médico; 
 Lembrar sempre que a febre em crianças funciona como um sinal de alerta para procurar 
orientação a médica. 
 
 
 
 
11.CONCLUSAO 
 Pode-se concluir que qualquer tipo de infecção leve ou grave, pode evoluir para Sepse. 
Assim, quanto menor o tempo com a infecção menor a chance do surgimento da Sepse, 
contudo o tratamento rápido das infecções são muito importante. O tratamento da mesma 
inclui a equipe de profissional da saúde, incluindo o profissional de nutrição para que estes 
possa detectar a infecção ou o quadro de inflamação o mais rápido possível, levando a busca 
de medidas para melhoria da saúde do paciente. A nutrição é de suma importância para a 
recuperação do individuo, buscando saciar a demanda calórica levando em conta o seu 
período de internação e não ultrapassando a demanda de macro e micro nutrientes 
necessários, o profissional de nutrição não entra só na recuperação do paciente com sepse, 
mais também com medidas de formas de prevenção aos pacientes com grande risco de 
adquirir a doença. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12.REFERENCIAS 
PRADO,Beatriz. Papel da Nutrição na Sepse – Parte II. Disponivel em: 
<https://bianutri.com/artigo/papel-da-nutricao-na-sepse-parte-ii> Acesso em: 15 de maio de 
2019 
JUNIOR.P.A.G;MARSON.F;ABEID.M;OSTINI.M.F;SOUZA.H.S;FILHO.B.A. 
fisiopatologia da sepse e suas implicações terapêuticas. Disponivel em: < 
http://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/7681/9219> Acesso em: 15 de maio de 2019 
MINUTO SAUDAVEL,O que é Sepse?. Disponivel em: 
<https://minutosaudavel.com.br/sepse-septicemia-sintomas-tratamento-tipos-tem-cura/> 
Acesso em: 15 de maio de 2019 
DIAS,Maria. Diagnóstico e Tratamento Precoces da Sepse em Adulto. Disponivel em: 
<http://www.saudedireta.com.br/docsupload/1344434467protocolo-sepse.pdf/> Acesso em: 
15 de maio de 2019 
SANTOS,Marcelo.SEPSE. Disponivel em: <http://www.fmt.am.gov.br/manual/sepse.htm> 
Acesso em: 15 de maio de 2019 
VARELLA,Drauzio. Sepse (septicemia). Disponível em: 
<https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/sepse-septicemia//> Acesso em: 15 de 
maio de 2019 
PINHEIRO,Pedro. Sepse – Causas, Sintomas e Tratamento. Disponivel em: < 
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