Prévia do material em texto
CUIDADOS PALIATIVOS EM GERIATRIA Glenda Maria Santos Moreira C. Mangueira Médica geriatra titulada AMB / SBGG Especialista em Cuidados Paliativos pelo PALLIUM LATINO AMÉRICA / OXFORD Presidente da SPCP –Sociedade Piauiense de Cuidados Paliativos Medica Paliativista do PALLIARE. Nucleo de Atençao Paliativa Hospital São Marcos Medica assistente HU UFPI DEFINIÇÃO CUIDADOS PALIATIVOS ABORDAGEM QUE OBJETIVA A QUALIDADE DE VIDA O PACIENTE E SEUS FAMILIARES DIANTE DE UMA DOENÇA QUE AMEAÇA A VIDA, ATRAVÉS DA PREVENÇÃO E ALÍVIO DE SOFRIMENTOS; ATRAVÉS DA IDENTIFICAÇÃO PRECOCE E AVALIAÇÃO E TRATAMENTO IMPECÁVEL DA DOR E; OUTROS PROBLEMAS FÍSICOS, PSICOLÓGICOS E ESPIRITUAIS. OMS-2002 Aumento envelhecimento Diminuição nascimentos Diminuição da fertilidade Diminuição da mortalidade infantil Aumento expectativa de vida Aumento crescente doenças crônico – degenerativas / doenças oncológicas Necessidade de nova abordagem • População BR 27,5 milhões pessoas entre 1999-2009, • 26,7% leitos , • 947000 internamentos novos ano, • Aumento de longa permanência e atenção terciária e quaternária, • Doenças crônicas , sem cura. – Tavares et al. Cad. Saúde Pública 212. May ( 28) Peculiaridades do paciente oncológico • Sintoma total • Fisico / psíquico/ social / espiritual Caso índice • M.R , 23 anos • Mae de dois filhos • Mora me PR onde casou e tem emprego junto com o marido • Ca de mama localmente avançado • Mudança para sua cidade natal – THE – Motivo: família Avaliar .... • Situaçao social • Situaçao emocional • Situaçao física • Situaçao espiritual Necessidades DIMENSÃO NECESSIDADE Física Alívio de sintomas Psicológica Segurança Compreensão Auto-estima Sentimento de segurança; Explicação dos sintomas e da doença: oportunidade para conversar sobre o processo de morrer; Participação na tomada de decisões, sobretudo quando aumneta a dependência física dos outros;oportunidade para dar e receber. Social: aceitação, pertences e desprendimento Atitudes não condenatórias; sentir-se necessitado e conectado; oportunidae de despedida; transferir responsabilidades Espiritual: amor,reconciliação, auto-valorização e sentido Expressões de afeto;contato humano Perdão e cura; reconhecimento e valorização; sentimento de que a vida tem sentido e valorização Fatores que influenciam a esperança nos pacientes terminais Diminuição Aumento Sentir-se desvalorizado Sentir-se valorizado Abandono e isolamento “cerco do silêncio” “não há nada mais a se fazer” Relações significativas Recordaçoes Humor Falta de orientação , metas Metas realistas Dor e desconforto não controlados Alívio da dor e sintomas PROMOVER O ALÍVIO DA DOR E DE OUTROS SINTOMAS DESAGRADÁVEIS: Conhecimento especifico para uso de madicamentos; Ações não farmacológicas Trabalhar com o conceito de Sintoma TOTAL: Aspectos psicossociais e espirituais PRINCÍPIOS GERAIS DE CONTROLE DA DOR Existe um método desenvolvido pelo World Health Organization (WHO) que alivia a dor do câncer em ate 80 %.Este se divide em 6 princípios: o Pela boca: A via oral é a via de escolha para a administração de medicação analgésica (e outras), sempre que possível; o Pelo relógio: Medicação analgésica para dor de moderada a intensa, deve ser administrada a intervalos fixos de tempo; o Pela escada: A OMS desenvolveu uma escada analgésica de três degraus para guiar o uso seqüencial de drogas, no tratamento da dor de câncer. PRINCÍPIOS GERAIS DE CONTROLE DA DOR PRINCÍPIOS GERAIS DE CONTROLE DA DOR • Para o indivíduo :A dosagem e escolha do analgésico devem ser definidas de acordo com a característica da dor do paciente. • Uso de adjuvantes: Para aumentar a analgesia (corticosteróides,anticonvulsivantes),controlar efeitos adversos dos Opiáceos (antieméticos,laxativos), controlar sintomas que estão contribuindo para a dor do paciente,como ansiedade, depressão, insônia. • Atenção aos detalhes: dar ao paciente e cuidadores instruções precisas, • tanto escritas quanto orientadas verbalmente, sobre os nomes dos • medicamentos, sua indicação, dosagem, intervalo entre as tomadas e • possíveis efeitos colaterais. • Explorar a “Dor Total” do paciente, determinando o que o paciente • sabe sobre sua situação, seus medos e crenças. MENSURAÇÃO DA DOR • Mensurar um sintoma subjetivo é bastante difícil; • Vários métodos descritos; • A mais utilizada é a visual analógica-EVA. Escala Visual Analógica (E.V.A.): • Sem Dor ___________________________________Dor Máxima • Escala de Faces: • Escala Verbal: • 0 – Sem Dor • 1 – Dor Ligeira • 2 – Dor Moderada • 3 – Dor Intensa • 4 – Dor Máxima Peculiaridades do Cuidado Paliativo • Nada para deter a expansão X Nada a fazer • Paciente e família • Cuidado ativo e contínuo desde diagnóstico até fase de falecimento; • Qualidade de vida ao tempo AVALIAÇÃO DO PACIENTE COM DOR • Anamnese completa; • Exame clínico; • Investigação Laboratorial ou radiológica. • Dor é uma experiência única e pessoal! Peculiaridades da Geriatria • BIOGRAFIA • BIOLOGIA: – RESERVA FUNCIONAL – IATROGENIAS • MULTIMORBIDADES – DEMÊNCIAS , CANCÊR,INSF RENAL, INSF HEPÁTICA, INSUFICIÊNCIA CARDÍACA • FUNCIONALIDADE BISEP • Burden of Illness Score for Elderly Persons: Risk Adjustment Incorporating the Cumulative Impact of Diseases, Physiologic Abnormalities, and Functional Impairments Inouye, Sharon K. MD, et al » Medical Care: January 2003 V.41 - Issue 1 - pp 70-83 BISEP • COORTE 525 >70 A • MORTALIDADE GERAL APÓS 1 ANO : 29% • Bisep SCORE ( 0-7) – GRUPO I : 0-1- : 8% – GRUPO II: 2: 24% – GRUPO III: 3: 51% – GRUPO IV: >4: 74% – P=0,001 • FATORES DE RISCO : » DIAGNOSTICO DE ALTO RISCO , ALBUMINA < 3,5, CREATININA > 1,5, DEMÊNCIA,IMPEDIMENTO DE MARCHA. » CUIDADO PALIATIVO NÃO ONCOLÓGICO!!!! PALLIARE proteger, amparar... Perspectiva do CUIDAR E NÃO SOMENTE CURAR! Movimento HOSPICE Movimento HOSPICE Relato mais antigo século V: cuidados com peregrinos e doentes – Porto de Roma 1840 – França – peregrinos – caráter religioso. Confunde-se com instituições de caridade 1967 Cicely Saunders Inglesa / médica e humanista HOSPICES ( hospedarias) Saint Cristopher’s Hospice – londres Assistência, ensino e pesquisa 1970 Elisabeth Kluber – Ross EUA 1982 OMS Comitê do Cancêr cria grupo de trabalho / definir políticas do tipo HOSPICE Termo CUIDADO PALIATIVO ( dificuldade de tradução de HOSPICE BRASIL Hospice da USP= Campinas Coordenador Prof Dr Toshio Chiba Aproximadamente 40 iniciativas de serviços nacionais; Distanásia Açao, intervenção,ou procedimento médico que não atinge o objetivo de beneficiar a pessoa em fase terminal e que prolonga inutil e sofridamente o processo de morrer, procurando distanciar a morte. Obstinação terapêutica • : “Comportamento médico que consiste em utilizar procedimentos terapêuticos, cujos efeitos são mais nocivos do que o próprio mal a ser curado. Inúteis, pois a cura é impossível e os benefícios esperados são menores do que os inconvenientes provocados. Essa batalha fútil travada em nome do caráter sagrado da vida parece negar à própria vida humana àquilo que ela tem mais essencial que é a dignidade”. Ficha de avaliação psicossocial • Avalia a percepção psíquica do paciente, estado emocional,comportamento frente à doença,dinâmica familiar e dado sobre o cuidador. Via de administração subcutânea • Indicações: o Via oral ou venosa inadequadaspor náusea e vômitos intratáveis; o Disfagia; o Veias colapsadas, finas, frágeis, que se rompem facilmente ou nas últimas horas de vida. • Contra indicações: o Anasarca e trombocitopenia severa. Via de administração subcutânea • VANTAGENS DO MÉTODO: • Fácil administração por qualquer profissional ou cuidador treinado; • Facilita a alta hospitalar para pacientes desidratados ou em uso de medicação analgésica; • A infusão pode ser interrompida a qualquer hora, sem risco de trombose; • DESVANTAGENS DO MÉTODO: • Não são possíveis ajustes rápidos de doses; • Necessidade de supervisão para a possibilidade de inflamação; • No local da infusão. Via de administração subcutânea Drogas: • Morfina • Fentanil; • Tramadol; • Haloperidol; • Metroclopramida; • Dimenidrinato; • Midazolan; • Fenobarbital; • Prometazina; • Hidroxizina; • Atropina; • Escopolamina; • Dexametazona; • Anitidina; • Furosemida. • Obs: diazepam e clorpromazina Afirmar a vida e considerar a morte um processo normal da vida RESGATE DA POSSIBILIDADE DE MORTE COMO EVENTO NATURAL E ESPERADO NA PREENÇA DE DOENÇA AMEAÇADORA DA VIDA ÊNFASE NA VIDA QUE AINDA PODE SER VIVIDA Não acelerar nem adiar a morte: DIFERENTE EUTANÁSIA DIGNOSTICO OBJETIVO E BEM EMBASADO, CONHECIMENTO DA HISTORIA NATURAL DA DOENÇA ACOMPANHAMENTO ATIVO, ACOLHEDOR E RESPEITOSO RELAÇÃO EMPÁTICA PACIENTE E FAMÍLIA Integrar os aspectos psicológicos no cuidado ao paciente: MULTIPLAS PERDAS: Autonomia Auto imagem Segurança Capacidade física Respeito Perdas materias:emprego, poder aquisitivi, status social ANGÚSTIA DEPRESSÃO DESESPERANÇA INTERFERÊNCIA NEGATIVA EVOLUÇÃO DOENÇA E SINTOMAS Integrar os aspectos espirituais no cuidado ao paciente: 95% americanos creem em uma força superior 93% gostariam que seus médicos abordassem essas questões se ficassem muito doentes Abordagem pelo aspecto espirito= sopro , animo., dimensão oculta, imaterial, sobrenatural O espírito conecta o indivíduo a sua dimensão divina ou transcendente Oferecer um sistema de suporte que possibilite ao paciente viver tão ativamente qto. possivel até sua morte; • Problemas sociais; • Dificuldade de acesso a serviços, medicamentos e outros recursos; • Papel de facilitadores Oferecer sistema suporte para familiares durante doença e luto • Núcleo familiar e social do paciente adoece; • Família : célula de identidade do ser humano, única em seus aspectos culturais , muitas vezes muito distante do universo cultural de quem o assiste; • Família biológica e adquirida: parceira/colaboradora ( também no sofrimento) OFERECER ABORDAGEM MULTIPROFISSIONAL Integração para observar o paciente sob todas as suas dimensões; O sujeito da intervenção é sempre o paciente respeitado sua autonomia; Incluir a família no processo de cuidar estendendo o cuidado ao luto Melhorar a qualidade de vida e influenciar positivamente o curso da doença • Abordagem holistica • Aumentando a sobrevida; – Sintomas controlados – Respeito a desejos e necessidades; – Convivência com familiares; – Resgatando pendências. Iniciar precocemente os CP • Associado aos tratamentos de cura ou prolongamneto de vida (QT ou RDT); • Manter as investigações necessárias para compreender e controlar situações clínicas estressantes: – Beneficios x não maleficio Cuidados Precoces Aumento de sobrevida N ENGL J MED 363;8 NELM.ORG AUGUST19,2010 Cuidados Paliativos exclusivos evidência de progressão de doença degenerativa, terapia aplicada não pode aumentar a sobrevida de forma significativa. manejo do paciente nos últimos dias, semanas ou meses de vida, estado progressivo de declínio. os efeitos colaterais da terapêutica direcionada não devem acarretar uma piora na qualidade de vida do paciente, Paciente passa a ser o foco exclusivo do tratamento O verdadeiro sentido do cuidar... • “Tu me importas porque és tu. Importas ate o ultimo momento de tua vida. Queremos ajudar-te não somente a morrer em paz ,mas a viver o mais plenamente possivel ate o momento final” Cecily Saunders Sites de interesse www.inca.gov.br www.epec.net www.cuidadospaliativos.com.br WWW.CREMESP.ORG WWW.PALIATIVO.ORG.BR WWW.CREMESP.ORG.BR WWW.STCHISTOPHERS.ORG.UK