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Auditoria Contábil
Auditoria Contábil
Organizado por Universidade Luterana do Brasil
Universidade Luterana do Brasil – ULBRA
Canoas, RS
2017
Williams Meirelles
Conselho Editorial EAD
Ana Patricia Barbosa
Andréa de Azevedo Eick
Astomiro Romais
Claudiane Furtado
Italo Ogliari
Juliane Maria Puhl Gomes
Lourdes da Silva Gil
Luiz Carlos Specht Filho
Maria Cleidia Klein Oliveira
Rafael da Silva Valada
Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil. 
Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores 
a emissão de conceitos.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida 
por qualquer meio ou forma sem prévia autorização da 
ULBRA.
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei 
nº 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal.
ISBN: 978-85-5639-273-2
Dados técnicos do livro
Diagramação: Marcelo Ferreira
Revisão: Igor Campos Dutra
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 
 
Setor Biblioteca EAD ULBRA Canoas 
 
 
 
 
 
 M499c Meirelles, Williams 
 Auditoria Contábil [online] / Williams Meirelles..[organizado por] 
Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). – Canoas: [S.n.], 2017. 
 153 p. : il. 
 
 Versão online disponibilizada em 2018. 
 
1. Contabilidade. I. Universidade Luterana do Brasil. 
II.Título. 
 
 
 
 
 CDU 657 
 
Prezados Alunos, após estudarmos as normas profissionais e técnicas de auditoria no semestre anterior, nossa disciplina de Auditoria Contábil 
terá como objeto de estudo os programas e procedimentos de auditoria 
contábil para os principais grupos de contas do Balanço Patrimonial e do 
Resultado, complementando assim nosso aprendizado sobre os trabalhos 
realizados pelos auditores.
O objetivo proposto para o estudo desta disciplina é buscar demons-
trar, de uma maneira mais prática, como são estruturados os programas 
de auditoria e também quais são os principais procedimentos e como estes 
são aplicados durante um trabalho de auditoria.
Quanto à estrutura deste livro, ela é formatada em dez capítulos. Em 
cada capítulo, é apresentada uma introdução, na qual se busca dar ao lei-
tor um indicativo inicial do que é conceituado no desenvolvimento teórico. 
Ainda são subdivididos em tópicos e subtópicos para que se tenha conheci-
mento mais profundo de alguns conteúdos relevantes para o entendimento 
da atividade de auditoria. Após o desenvolvimento dos conceitos teóricos, 
também é apresentado um resumo de cada capítulo, titulado como recapi-
tulando, no intuito de que se tenha uma síntese geral. Por fim, são elenca-
das as referências e obras consultadas, as quais serviram de aporte teórico 
com a visão dos autores que discutem a atividade de auditoria, bem como 
Leis e Normas pertinentes a essa atividade. Ao final, ainda são apresen-
tadas atividades que devem ser resolvidas com o propósito da fixação do 
conhecimento adquirido.
Recomenda-se que os(as) alunos(as) não se limitem ao material di-
dático apresentado, mas que se despertem à busca de leituras adjacentes 
que ampliem a bagagem teórica que é relevante e necessária à prática da 
profissão da contabilidade e auditoria.
Apresentação
 1 Planejamento e Programas de Auditoria ................................1
 2 Auditoria nas Disponibilidades ............................................19
 3 Auditoria nas Contas a Receber ..........................................33
 4 Auditoria nos Estoques ........................................................48
 5 Auditoria no Imobilizado .....................................................71
 6 Auditoria em Contas de Passivo ..........................................83
 7 Auditoria no PL ...................................................................96
 8 Auditoria nas Contas de Resultado ....................................108
 9 Eventos Subsequentes .......................................................118
 10 Emissão do Relatório de Auditoria .....................................131
Sumário
Williams Meirelles1
Capítulo 1
Planejamento e 
Programas de Auditoria
1 Williams Meirelles é especialista em Controladoria e Gestão da Informação Con-
tábil pelo Centro Universitário Lasalle (UNILASALLE-Canoas, RS), possui graduação 
em Ciências Contábeis e Administração de Empresas pela Universidade Luterana 
do Brasil (ULBRA-Canoas, RS). Tem vasta experiência em Auditoria Contábil, tendo 
atuado por anos em uma “Big Four”. Atualmente, é professor dos cursos de Ciên-
cias Contábeis e Administração de Empresas da ULBRA, presencial e EaD. 
2 Auditoria Contábil
Introdução
Neste primeiro capítulo, vamos revisar alguns temas já estuda-
mos na disciplina de Auditoria – Normas e Controle Interno, 
principalmente com relação à etapa do planejamento do tra-
balho, que serão importantes para o entendimento dos pro-
gramas e consequentes procedimentos de auditoria que serão 
abordados ao longo dos demais capítulos deste livro.
Bem-Vindos à Disciplina e bom estudo a todos!
1.1 Objetivos da auditoria independente
A auditoria independente tem por objetivo “aumentar o grau 
de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos usuá-
rios. Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião 
pelo auditor sobre se as demonstrações contábeis foram ela-
boradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade 
com uma estrutura de relatório financeiro aplicável” (NBC TA 
200).
Portanto, temos como objetivo do auditor independente a 
emissão de uma opinião sobre as demonstrações financeiras 
examinadas, cujas peças contábeis são:
 Â Balanço Patrimonial
 Â Demonstração do Resultado do Exercício
 Â Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
Capítulo 1 Planejamento e Programas de Auditoria 3
 Â Demonstração do Fluxo de Caixa
 Â Demonstração do Valor Adicionado
 Â Notas Explicativas
Para atingir esse objetivo, o auditor independente necessita 
planejar adequadamente seu trabalho, avaliar o sistema de 
controles interno relacionado com a parte contábil e proceder 
à revisão analítica das contas do ativo, passivo, receitas e des-
pesas, a fim de estabelecer a natureza, época e extensão dos 
procedimentos de auditoria, colher as evidências comprobató-
rias das informações das demonstrações financeiras e avaliar 
essas evidências.
Nesse contexto, o maior problema do auditor é a maneira 
de determinar a natureza, época e extensão dos procedimen-
tos que serão executados, ou seja, até onde ele deve chegar, 
quanto será preciso investigar, quais as variáveis a serem con-
sideradas, para se ter certeza de que as condições testadas 
(amostra) se referem também às que não foram (população) 
e, com isso, formar uma opinião definitiva sobre as áreas au-
ditadas.
Os procedimentos de auditoria são o conjunto de técnicas 
que permitem ao auditor obter evidências ou provas suficientes 
e adequadas para fundamentar sua opinião sobre as demons-
trações contábeis auditadas e abrangem os testes de controle 
e os testes substantivos. Tratam-se das ferramentas que o audi-
tor dispõe para cumprir seus testes de auditoria (o que fazer).
Já os testes em auditoria constituem o processo pelo qual 
o auditor reúne seus elementos comprobatórios. Os testes po-
4 Auditoria Contábil
dem ser aplicados em todas as transações ou em uma amostra 
representativa adequada. Tratam-se das ferramentas a serem 
utilizadas para a aplicação dos procedimentos (como fazer).
Exemplo:se o objetivo da ação é determinar a existência de 
um bem (procedimento), o caminho a seguir é inspecioná-lo 
fisicamente (teste), buscando uma prova material satisfatória.
Ao contrário das normas de auditoria – as quais se aplicam 
a todas as auditorias de demonstrações contábeis – os proce-
dimentos podem variar de Entidade para Entidade, conforme 
seu tamanho, natureza, complexidade das operações e outras 
características específicas.
A aplicação dos procedimentos de auditoria deve ser rea-
lizada, em razão da complexidade e volume das operações, 
por meio de provas seletivas, testes e amostragens, cabendo 
ao auditor, com base na análise de riscos de auditoria e outros 
elementos de que dispuser, determinar a amplitude dos exa-
mes necessários à obtenção dos elementos de convicção que 
sejam válidos para o todo.
Na realização do seu trabalho, o auditor deve considerar 
os seguintes procedimentos técnicos básicos:
a. Inspeção: exame de registros, documentos e de ativos 
tangíveis.
b. Observação: acompanhamento de processo ou pro-
cedimento quando de sua execução.
Capítulo 1 Planejamento e Programas de Auditoria 5
c. Investigação e Confirmação: obtenção de informa-
ções junto a pessoas ou entidades conhecedoras da 
transação, dentro ou fora da entidade.
d. Cálculo: conferência da exatidão aritmética de do-
cumentos comprobatórios, registros e demonstrações 
contábeis e outras circunstâncias.
e. Revisão Analítica: verificação do comportamento de 
valores significativos, mediante índices, quocientes, 
quantidades absolutas ou outros meios, com vistas à 
identificação de situação ou tendências atípicas.
1.2 Etapas do trabalho de auditoria
As principais etapas da auditoria são consideradas um roteiro 
para a sua realização, a seguir estão as seguintes etapas:
1.2.1 Etapa preliminar
O trabalho de auditoria já começa em uma fase de pré-audi-
toria, com a elaboração de um documento onde a administra-
ção concorda com os termos do trabalho.
Esse documento é um papel de trabalho e deve ser formu-
lado pelo auditor independente endereçado à administração 
da auditada.
6 Auditoria Contábil
Seria a abrangência do trabalho, a sua extensão, incluindo 
uma estimativa de horas por parte do auditor e também seus 
honorários.
O que está envolvido durante esses dimensionamentos são: 
tipo e tamanho da entidade; o ramo de atividade (setor da 
economia) e produtos/serviços; quantidade de funcionários; 
unidades de negócios existentes e locais de armazenagem (es-
tocagem); volume de faturamento e clientes existentes; estatuto 
social e organogramas; volume de lançamentos contábeis e 
das principais operações da entidade; sistema contábil existen-
te (nível de informatização); principais aspectos dos controles 
internos mantidos – ambiente de controle.
A reunião de informações através do dimensionamento ser-
ve para elaborar essa concordância com os termos do traba-
lho.
1.2.2 Planejamento
O planejamento da auditoria envolve a definição de estratégia 
global para o trabalho e o desenvolvimento do plano de audi-
toria. Compreende os exames preliminares das áreas, ativida-
des, produtos e processos. Com base nesse exame, define-se a 
abrangência e a época do trabalho a ser realizado, de acordo 
com as diretrizes e metas estabelecidas pela Administração.
O planejamento deve ser detalhadamente documentado 
e o plano de auditoria formalmente preparado em termos de 
natureza, oportunidade, extensão, equipe técnica e uso de es-
pecialistas.
Capítulo 1 Planejamento e Programas de Auditoria 7
O auditor deve atualizar e alterar a estratégia global de 
auditoria e o plano de auditoria sempre que necessário no 
curso da auditoria.
É na fase de planejamento que são elaborados os pro-
gramas de auditoria, que devem ser estruturados de forma a 
servir como guia e meio de controle de execução do trabalho, 
devendo ser revisados e atualizados sempre que necessário.
De uma maneira bem resumida, o auditor avalia os ris-
cos (estudados na disciplina anterior), determina um valor de 
Materialidade, que está diretamente ligada à relevância que 
um determinado fato tem em relação ao Relatório Financeiro 
Aplicável.
A materialidade, o montante fixado pelo auditor, inferior ao 
considerado relevante para as demonstrações contábeis como 
um todo, “para adequadamente reduzir a um nível baixo a 
probabilidade de que as distorções não corrigidas e não de-
tectadas em conjunto, excedam a materialidade para as de-
monstrações contábeis como um todo”.
A determinação de materialidade pelo auditor é uma ques-
tão de julgamento profissional e é afetada pela percepção do 
auditor das necessidades de informações financeiras dos usuá-
rios das demonstrações contábeis. Ela pode ser definida em 
nível global e em nível de conta individual.
Apesar de ser determinada na fase de planejamento, ela 
pode ser revista durante todo o curso dos trabalhos de audito-
ria, em decorrência de mudança nas circunstâncias que ocor-
reram durante a auditoria (por exemplo, decisão de alienar 
8 Auditoria Contábil
grande parte dos negócios da entidade), novas informações, 
ou mudança no entendimento do auditor sobre a entidade e 
suas operações em decorrência da execução de procedimen-
tos adicionais de auditoria.
Definido o valor da Materialidade, o auditor avalia no Ba-
lanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício 
da empresa que está sendo auditada, quais as contas são con-
sideras significativas e consequentemente serão auditadas. As 
contas podem ser consideradas significativas, quer pela ma-
terialidade, ou também pelo volume de transações ou risco 
da conta. Exemplo: as contas de disponibilidades mesmo não 
possuindo valores relevantes, são consideradas significativas 
devido fato de ser o meio pelo qual a empresa recebe e paga 
suas contas (volume e importância das transações.
Tendo identificado as contas significativas, serão elabora-
dos os programas de trabalho para cada uma dessas contas 
ou grupo de contas, e o auditor partirá para a fase de execu-
ção desses programas.
1.2.3 Execução
É na fase de execução que serão testados os Controles Inter-
nos e também os Saldos Contábeis.
Inicialmente, o ambiente de controles internos será testado, 
através dos Testes de Observações dos controles. Esses testes 
irão auxiliar o auditor na identificação dos riscos e consequen-
temente irão influenciar na quantidade dos testes substantivos 
que serão executados.
Capítulo 1 Planejamento e Programas de Auditoria 9
Relembrando que quanto maior a confiança deposita-
da nos controles internos, menor será a quantidade de testes 
substantivos realizados, e vice-versa.
Após testados os controles, os próximos e mais importantes 
testes serão os testes substantivos, que visam descobrir se os 
saldos registrados na contabilidade da empresa auditada real-
mente estão corretos.
Nos próximos capítulos deste livro, vamos verificar por 
áreas do Balanço Patrimonial e Resultado quais são os pon-
tos de atenção do auditor com relação aos controles internos 
dessas áreas e também quais são os principais procedimentos 
aplicados para os testes substantivos (de saldos) das mesmas.
1.2.4 Emissão do relatório
É o momento final do trabalho, consiste na avaliação das evi-
dências obtidas durante toda a auditoria para a emissão do 
Relatório contendo a opinião do auditor. Por vezes, também 
são emitidos relatórios contendo recomendações a respeito do 
ambiente de controles internos e ambiente de negócios da em-
presa auditada.
No Capítulo 10 deste livro, vamos relembrar os tipos de 
relatórios que podem ser emitidos em consonância com as 
normas técnicas de auditoria, visto que estudamos os mesmo 
na disciplina anterior de Auditoria: Normas e Controle Interno 
e também iremos reforçar a estrutura desse relatório e faremosa leitura de um exemplo prático.
10 Auditoria Contábil
1.3 Programas de auditoria: contas do 
ativo e passivo
O ativo é o grupo patrimonial em que se evidenciam as apli-
cações de recursos das empresas, seus bens e direitos. Para 
elaboração e aplicação dos programas de auditoria em contas 
do Ativo, devemos sempre estar atentos aos objetivos a serem 
atingidos. Embora os objetivos de auditoria possam variar um 
pouco conforme o tipo do ativo que estará sendo avaliado, de 
maneira geral, esses objetivos acabam se aplicando a todos os 
tipos de ativos, vejamos:
 Â Existência: verificar se o ativo realmente existe no pa-
trimônio da empresa, este deverá ser descrito que foi 
confirmado, em alguns casos deverá contratar uma em-
presa para fazer uma averiguação, verificando se ele 
realmente existe, tais como, diamante e produtos quími-
cos exóticos.
 Â Avaliação: verificar a valoração desses ativos, nos ca-
sos, os que são mais comuns são os estoques, contas a 
receber e investimentos.
 Â Autorização: verificar, através dos controles internos se 
há dentro da empresa uma organização em relação à 
autorização de compra, de crédito, de controle de esto-
que.
 Â Propriedade: verificar o título de propriedade do bem, 
como, por exemplo, um contrato e uma nota.
Capítulo 1 Planejamento e Programas de Auditoria 11
 Â Restrições: verificar se o ativo não está em comodato ou 
alienado.
 Â Exatidão dos valores: verificar se estes são exatos. Uti-
lidade: tirar conclusões a respeito do uso potencial da 
propriedade, verificando se os ativos não estão obsole-
tos, como estoques antigos, bens que saíram de linha.
 Â Apresentação nas demonstrações: verificar se os ativos 
estão corretamente apresentados nas demonstrações.
As obrigações, que correspondem às fontes de recursos da 
empresa obtidos com terceiros, devem ser testadas para verifi-
car se todas as dívidas estão registradas contabilmente e se de 
fato estão devidamente comprovadas. Portanto, os programas 
específicos para as contas de Passivos têm a finalidade de:
 Â determinar se são pertencentes à empresa;
 Â determinar se foram utilizados os princípios de contabili-
dade geralmente aceitos, em bases uniformes;
 Â determinar a existência de ativos dados em garantia ou 
vinculações aos passivos;
 Â determinar se estão corretamente classificados nas de-
monstrações financeiras.
Após aprendermos os objetivos principais dos programas 
para as contas de Ativos e Passivos, apresento, a seguir, como 
exemplo, um papel de trabalho contendo um programa de 
auditoria, para verificarmos na prática como o mesmo é estru-
turado, para nos próximos capítulos estudarmos esses progra-
mas em diversas áreas das demonstrações contábeis.
12 Auditoria Contábil
Quadro 1 Exemplo de Programa de Auditoria
Exemplo de Programa de Auditoria Caixa e Bancos 
 
Empresa: Data base:
Descrição do teste: Data:
Elaborado por: Data:
Revisado por: 
Área: 
 
AUDITORIA EM CAIXA E BANCOS REF. CB
 
Procedimentos de Auditoria Sim Não N/A Observações
 
Objetivos: 
Verificar se os saldos, movimentos e 
procedimentos: 
1 – Seguiram os princípios contábeis quanto 
aos aspectos de escrituração; 
2 – Estão representados por moeda nacio-
nal; 
3 – Não representam ativo fictício, ou omis-
são de receitas; 
4 – São comprovados por meio de docu-
mentação e controles internos; 
5 – São passíveis de atualização e remune-
ração, bem como se as retenções de IRRF 
estão adequadas; 
6 – Atendem às exigências de segregação 
de funções; 
 
Capítulo 1 Planejamento e Programas de Auditoria 13
Procedimentos: 
1 – Efetuar a contagem em caixa, verifi-
cando quem assina e elabora o Boletim de 
Caixa, confrontando o mesmo com o razão 
contábil; 
2 – Revisar documentos (por amostragem) 
do período auditado, averiguando os as-
pectos fiscais e operacionais, e se condizem 
com a atividade fim da empresa; 
3 – Verificar como são controladas e trata-
das as pequenas despesas; 
4 – Averiguar a existência, nos cofres da 
empresa, de vales, vale-refeição, vale-
-transporte, cheques pré-datados e forma 
de contabilização, assim como a guarda 
segura de numerários; 
5 – Averiguar a existência de cheques a 
compensar no passivo; 
6 – Efetuar e revisar a conciliação bancária, 
correlacionando o extrato com o razão 
contábil; 
7 – Averiguar (por amostragem) se os lan-
çamentos efetuados nas contas de bancos 
conta corrente e caixa atendem à legislação 
vigente, escrituração e aspectos fiscal, 
contábil e societário; 
8 – Verificar se a escrituração está devida-
mente fundamentada em documentação 
inidônea e autorizada por pessoa compe-
tente; 
9 – Verificar o saldo contábil das aplicações 
financeiras, as apropriações dos rendimen-
tos e IRRF a compensar, correlacionando 
com os extratos; 
10 – Demonstrar o saldo médio bancário 
referente ao período auditado e averiguar 
possíveis distorções com a realidade econô-
mica da empresa; 
14 Auditoria Contábil
11 – Obter a composição das principais 
despesas bancárias, averiguando as suas 
origens; 
12 – Verificar a existência de procuração, 
poderes, quem assina, certificando-se da 
vigência; 
13 – Avaliar os meios de pagamentos 
eletrônicos, suas responsabilidades e “auto-
rização e sistemas de segurança”; 
14 – Verificar a existência de carta de fiança 
do responsável da área; 
15 – Solicitar circularização externa dos 
principais saldos bancários; 
16 – Avaliar se os responsáveis pelo setor 
financeiro possuem influência no Contas a 
Receber e a Pagar; 
17 – Verificar a existência de manual de 
procedimentos; 
 
Controles Internos: 
1 – Boletim de Caixa; 
2 – Extratos Bancários; 
 
Links (Leis, Normas, Pronunciamentos 
etc.): 
 
 
Fonte: próprio autor.
Capítulo 1 Planejamento e Programas de Auditoria 15
Recapitulando
Neste capítulo, estudamos o fluxo do trabalho de auditoria, 
onde é importante relembrar que durante a etapa do plane-
jamento são analisados os riscos, definido o valor da mate-
rialidade e elaborados os programas de auditoria, contendo 
todos os procedimentos que serão realizados. Lembrando que 
os procedimentos executados permitem ao auditor obter evi-
dências ou provas suficientes e adequadas para fundamentar 
sua opinião sobre as demonstrações contábeis.
Referências
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC 
nº 1.203, de 18 de março de 2011.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil – Teoria e 
Prática. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
Atividades
 1) NÃO é objetivo de um programa de auditoria:
a) traçar o roteiro de execução de um ponto de auditoria;
b) conduzir o auditor na aplicação dos procedimentos 
técnicos de auditoria;
16 Auditoria Contábil
c) propiciar o controle e progresso a ser alcançado no 
decorrer da execução das tarefas de auditoria;
d) evitar que alguma tarefa de auditoria deixe de ser exe-
cutada;
e) estimar o tempo necessário para realização da audito-
ria.
 2) O conjunto de técnicas que permitem ao auditor obter 
evidências ou provas suficientes e adequadas para funda-
mentar sua opinião, no caso da auditoria das demonstra-
ções contábeis, refere-se ao(s):
a) programas de trabalho;
b) procedimentos de auditoria;
c) procedimentos periciais;
d) escopo de auditoria;
e) rastro de auditoria.
 3) Os procedimentos de auditoriasão os instrumentos utiliza-
dos pelo auditor para a obtenção de evidências ou provas 
de auditoria que contribuem para fundamentar a opinião 
do auditor. Assinale a alternativa que apresenta um desses 
procedimentos.
a) Procedimentos específicos.
b) Plano de auditoria.
c) Documentação de auditoria.
Capítulo 1 Planejamento e Programas de Auditoria 17
d) Programa de auditoria.
e) Procedimentos analíticos.
 4) Um dos objetivos do planejamento da Auditoria é:
a) verificar se o Comitê de Auditoria Interna está agindo 
de forma competente para coibir fraudes e corrigir as 
deficiências da administração;
b) adquirir conhecimento sobre a natureza das opera-
ções, dos negócios e da forma de organização da em-
presa;
c) avaliar se ocorreu mudança no controle acionário da 
empresa nos dois períodos anteriores à realização da 
auditoria;
d) investigar a composição dos inventários de estoques e 
do ativo imobilizado, e se estão adequadamente clas-
sificados;
e) envidar esforços para ampliar a lucratividade da em-
presa, aconselhando sobre a otimização dos produtos 
e serviços oferecidos.
 5) A execução dos trabalhos de auditoria é dividida em fases. 
O conhecimento detalhado da política e dos instrumentos 
de gestão de riscos do ente auditado é elemento que deve 
ser verificado na fase de:
a) testes de auditoria;
b) conclusão dos trabalhos de auditoria;
18 Auditoria Contábil
c) planejamento de auditoria;
d) etapa preliminar
e) execução.
Williams Meirelles1
Capítulo 2
Auditoria nas 
Disponibilidades
1 Williams Meirelles é especialista em Controladoria e Gestão da Informação Con-
tábil pelo Centro Universitário Lasalle (UNILASALLE-Canoas, RS), possui graduação 
em Ciências Contábeis e Administração de Empresas pela Universidade Luterana 
do Brasil (ULBRA-Canoas, RS). Tem vasta experiência em Auditoria Contábil, tendo 
atuado por anos em uma “Big Four”. Atualmente, é professor dos cursos de Ciên-
cias Contábeis e Administração de Empresas da ULBRA, presencial e EaD. 
20 Auditoria Contábil
Introdução
As disponibilidades são recursos financeiros que se encontram 
à disposição imediata da entidade, podendo estar no próprio 
caixa da entidade ou em bancos (depósitos bancários à vista 
ou aplicações de liquidez imediata).
O exame de auditoria efetuado nas disponibilidades tem 
por finalidade confirmar sua existência, determinar se foram 
utilizados os princípios fundamentais de contabilidade geral-
mente aceitos e se este está corretamente classificado nas de-
monstrações financeiras.
2.1 Objetivos
A auditoria das disponibilidades tem como principais finalida-
des, as seguintes:
a. Determinar sua existência, que poderá estar na própria 
entidade, em bancos ou com terceiros.
A entidade, por meio de seu Balanço Patrimonial, informa 
aos usuários que possui determinado valor em seu Ativo Dis-
ponível. O auditor então deverá certificar-se de que essas in-
formações estão corretas. Dessa forma, a verificação da exis-
tência de qualquer item do Ativo deve ser o objetivo primordial 
da auditoria.
A existência na própria entidade seria o numerário em 
caixa (a conta CAIXA); em bancos, refere-se aos recursos em 
Capítulo 2 Auditoria nas Disponibilidades 21
conta corrente de livre movimentação ou aqueles aplicados, 
mas cuja liquidez seja imediata (resgatável em até 90 dias); e 
com terceiros, os recursos destinados à manutenção do caixa 
tipo fundos rotativos ou fundo fixo. Terceiros, nesse caso, são 
funcionários aos quais a entidade confiou recursos destinados 
a pagamentos de despesas de pequeno valor.
b. Determinar se os recursos disponíveis são pertencentes 
à entidade que se está auditando.
Apesar de fundamental, convencer-se apenas quanto à 
existência não basta. O auditor precisa certificar-se de que os 
recursos, cuja existência ficou comprovada, pertencem efetiva-
mente à entidade.
c. Determinar se as Normas Brasileiras de Contabilidade 
e outras normas aplicáveis (legislação específica) fo-
ram obedecidas.
As contas do Disponível, por compreenderem recursos lí-
quidos (dinheiro), praticamente não apresentam dificuldades 
no que se refere à avaliação. O que precisa ser observado é 
que os valores em bancos sejam efetivamente disponíveis, não 
vinculados a alguma obrigação da entidade; que não existam 
saldos credores em algumas contas “Bancos contas movimen-
to”, caso em que tais saldos deveriam ser reclassificados para 
o passivo; e que as aplicações financeiras incluam os rendi-
mentos até a data do Balanço Patrimonial.
d. Determinar a existência de restrições de uso ou de vin-
culações em garantia.
22 Auditoria Contábil
Primeiro, determinar a existência dos recursos, depois se 
são de propriedade da entidade auditada. Satisfeito isso, ver 
se existem algumas restrições de uso, que poderão determinar 
a necessidade de reclassificação para outro grupo de contas, 
tanto do Ativo quanto do Passivo, conforme já comentado no 
item anterior a este.
e. Determinar se está corretamente classificado nas De-
monstrações Contábeis e se as divulgações cabíveis 
foram expostas em Notas Explicativas.
Obedecendo a ordem de classificação das contas do Ativo, 
pelo grau crescente de liquidez, as disponibilidades compreen-
dem o primeiro grupo de contas. Basicamente, duas situações 
devem ser observadas e podem determinar a reclassificação 
para outro grupo de contas: Restrições de uso, por estarem 
vinculados a alguma obrigação da entidade, não podem ser 
considerados valores disponíveis e devem ser reclassificados; 
e saldos credores em contas banco, que devem ser conside-
rados como empréstimo e, como tal, devem ser classificados 
no Passivo.
A legislação não prevê notas explicativas para as contas 
das disponibilidades, mas, como a intenção é de informar um 
assunto, seria de comunicar que as contas da aplicação estão 
atualizadas com os rendimentos até a data do Balanço Patri-
monial.
Capítulo 2 Auditoria nas Disponibilidades 23
2.2 Revisão dos controles internos
Entre vários tipos de controle, podemos citar alguns que ser-
vem de fortalecimento de controle interno para a área do dis-
ponível e que podem ser utilizados de forma quase padrão 
pelas diversas empresas:
 Â segregação de funções entre a custódia de valores e a 
contabilização;
 Â sistema de autorização e aprovação para pagamento;
 Â conciliações bancárias periódicas e revisadas por pes-
soa independentemente da sua preparação;
 Â utilização de fichas de razão individuais para as diversas 
contas do disponível;
 Â utilização de duas pessoas independentes para a assina-
tura de cheque;
 Â abertura de contas bancárias pela administração;
 Â sistema de fundo fixo para valores mantido em mãos;
 Â arquivamento de documentação comprobatória após o 
pagamento;
 Â controle de pagamentos para evitar atrasos e, conse-
quentemente, multas ou juros de mora; e controle diário 
dos recebimentos e acompanhamento entre o valor de-
positado e o efetivamente recebido.
24 Auditoria Contábil
2.3 Procedimentos de auditoria
Os procedimentos correspondem às ferramentas das quais o 
auditor dispõe para atingir os objetivos da auditoria e a época 
de aplicação obedece ao plano previamente elaborado com 
base na avaliação dos controles internos da empresa. A época 
de aplicação dos procedimentos denomina-se “Data Base”.
Todos os procedimentos a serem aplicados e a forma como 
isso se dará, deverão estar em sintonia com o “Programa de 
Trabalho” e estar adequadamente documentados.
2.3.1 Contagem do caixa
A contagem do caixa destina-se a atingir o objetivo da audito-
ria da existência do numerário, mas é também de extrema im-
portância para fins de controle interno, dado que o caixa, por 
envolver dinheiro e um volume muito grande de transações, 
está bastantesuscetível a sofrer a prática de irregularidades, 
especialmente fraudes.
Na contagem do caixa, alguns pontos devem ser observa-
dos:
 Â Caso exista mais de um caixa, definir qual deles será 
contado. Caso o auditor decidir pela contagem de to-
dos, deverá planejar para que o trabalho seja realizado 
de forma concomitante.
 Â Para evitar possíveis manipulações ou encobertas de 
fraudes, a contagem deve revestir-se do caráter de sur-
presa, sempre que possível.
Capítulo 2 Auditoria nas Disponibilidades 25
 Â Para evitar problemas, a presença do responsável pelo 
caixa durante a contagem é obrigatória. Ao final da 
contagem, o auditor deverá exigir uma declaração do 
responsável pelo caixa de que todo o dinheiro e outros 
bens colocados à disposição da auditoria foram devol-
vidos ao caixa.
 Â Registrar a contagem em documento de auditoria do 
qual constarão, entre outras as seguintes informações: 
i) nome do fundo ou do caixa; ii) nome do responsável 
pelo numerário; iii) data e hora da realização da conta-
gem; e iv) listagem de todos os itens constantes do caixa, 
tais como: dinheiro, cheques, recibos, e outros; v) recibo 
(declaração) de devolução dos itens contados, conforme 
comentado anteriormente.
 Â Atentar para sinais que indiquem possíveis dissimulações 
de numerários, tais como: i) descontos de cheques de 
terceiros; ii) empréstimos temporários; iii) comprovantes 
de pagamentos com sinais de falsificações; e iv) cheques 
de realização duvidosa. Para esses casos, o auditor de-
verá obter as explicações de imediato e acompanhar a 
solução.
2.3.2 Confirmação externa
Conhecida como “circularização”, esse procedimento consis-
te no envio de correspondência aos bancos com os quais a 
empresa mantém transações, com o objetivo de certificar-se 
quanto à existência dos valores em banco, conforme foram 
informados pela empresa ao auditor.
26 Auditoria Contábil
Todos os pedidos de confirmação devem ser assinados por 
pessoa da empresa, que possua autorização para tal. No caso 
dos bancos isso, fica ainda mais evidente em face do sigilo a 
que devem observar.
Em caso de desconfiança, o auditor pode solicitar a confir-
mação junto a outros bancos que não aparecem na contabili-
dade da empresa.
Geralmente, o auditor aproveita um único pedido para 
confirmar outras transações possivelmente existentes entre a 
empresa e o banco, tais como: contas bancárias vinculadas; 
aplicações financeiras; títulos descontados; títulos em cobran-
ça; empréstimos e/ou financiamentos; e custódia de bens e 
valores.
2.3.3 Testes de pagamentos e de recebimentos
Com base em demonstrativos emitidos pela empresa, o auditor 
selecionará um determinado número de pagamentos e recebi-
mentos ocorridos no período sob exame e aplicará uma série 
de testes com o objetivo de se certificar de que as transações 
registradas se referem a operações normais da empresa. Des-
sa forma, poderá concluir que o numerário em caixa e o saldo 
bancário, cuja existência restou comprovada pela contagem e 
confirmação, efetivamente pertence à empresa auditada.
Os demonstrativos a serem utilizados pelo auditor como 
base para a seleção dos itens e serem testados costumam ser 
os boletins diários de caixa, razão da conta caixa e dos ban-
cos, extratos bancários etc. Tanto essa base, a definição da 
quantidade de itens e a forma de como estes foram seleciona-
Capítulo 2 Auditoria nas Disponibilidades 27
dos devem estar registrados pelo auditor em seus documentos 
de auditoria.
2.3.4 Cutoff de cheques
O cutoff de cheque é feito com o objetivo de se certificar de 
que os cheques estão sendo registrados no período de sua 
competência e que as conciliações bancárias não contêm item 
errôneo ou se compensando com outro item.
Para isso, efetue os seguintes procedimentos de auditoria:
 Â obter uma relação do último cheque emitido e dos che-
ques em branco para a data do exame.
 Â preparar um papel de trabalho indicando o nome da 
empresa, data do exame, título do papel de trabalho, 
nome do banco, o último cheque emitido, data, número 
e valor, e os cheques em branco, do primeiro ao último;
 Â inspecionar os talões de cheques para confirmar as in-
formações mencionadas no tópico anterior e examine 
todos os cheques em branco.
Deve-se verificar, também, se não foi lançado nenhum che-
que de número posterior ao do cutoff nos registros do razão 
analítico de banco, antes da data do exame, e do extrato ban-
cário, também antes da data do exame.
Verificar se isso também não ocorreu no razão analítico do 
banco ou registro de caixa, com pagamento após a data do 
exame, e no extrato bancário após a data do exame, que não 
esteja também pendente na conciliação bancária.
28 Auditoria Contábil
2.3.5 Reconciliações bancárias
Geralmente, as empresas preparam em base mensal as con-
ciliações bancárias. Essas representam uma reconciliação do 
saldo da conta corrente bancária pelo extrato, que representa 
os registros do banco, com o saldo pelo razão analítico, que 
representa os registros da empresa.
As conciliações demonstram as transações registradas pelo 
banco e não pela empresa e as contabilizadas pela empresa e 
não pelo banco.
Na prática, a reconciliação é elaborada tomando como 
base o último dia do mês, e consiste em eliminar as transações 
que aparecem em ambos os registros. As transações que so-
bram representam itens pendentes.
O auditor, por seu lado, fará o exame de tal conciliação – 
a Reconciliação, para certificar-se de que está correto e se as 
pendências são decorrentes de operações normais da entida-
de e se existe a necessidade de proceder aos ajustes visando 
à correta apresentação de contas do ativo, passivo, receitas e 
despesas.
2.3.6 Verificação das aplicações financeiras
A verificação do auditor para as aplicações financeiras é qua-
se idêntica à do caixa, devendo prever os procedimentos de 
auditoria aplicáveis às circunstâncias que podem ser contagem 
física ou de confirmação com os custodiantes, exame da docu-
mentação comprobatória das aplicações e resgates, diferen-
ciando-se apenas quanto à apuração da receita (rendimentos 
Capítulo 2 Auditoria nas Disponibilidades 29
das aplicações) pertinente ao exercício auditado, que deve ser 
contabilizada em seu período de competência.
Recapitulando
Para a testarmos os registros realizados nas disponibilidades 
das entidades, temos que realizar testes para superavaliação. 
Para chegarmos à certeza desses valores, temos de inspecionar 
documentos, verificar os valores dos documentos nos registros 
iniciais da contabilidade, conferir cálculos, somas e inclusões 
no registro geral.
Ainda para a continuidade dos exames, contamos com 
ferramentas importantíssimas como: contagem física, confir-
mações com terceiros, conferências de cálculos, inspeções de 
documentos, cutoff de cheques, conciliações bancárias, verifi-
cações de aplicações financeiras, dentre outros.
Referências
ARAÚJO, Inaldo da Paixão Santos; ARRUDA, Daniel Gomes. 
Fundamentos da Auditoria. São Paulo: Saraiva 2012.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil – Teoria e 
Prática. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
30 Auditoria Contábil
Atividades
 1) Assinale a alternativa que não corresponde a um procedi-
mento de auditoria nas disponibilidades:
a) confirmação de assinaturas autorizadas;
b) cutoff de cheques;
c) contagem de caixa;
d) confirmação de contas bancárias paralisadas;
e) verificação de contas incobráveis.
 2) Um cheque emitido e contabilizado pela empresa, mas 
não apresentado no extrato bancário, seria demonstrado 
da seguinte forma na reconciliação bancária:
a) aumento do saldo do razão analítico;
b) redução do saldo do razão analítico;
c) aumento do saldo do extrato;
d) redução do saldo do extrato;
e) não haverá alterações.3) No encerramento do exercício, o balanço patrimonial de 
determinada empresa apresentou o saldo de “caixa” como 
credor. Identifique a opção que pode justificar essa situa-
ção:
a) pagamentos a fornecedores não contabilizados;
Capítulo 2 Auditoria nas Disponibilidades 31
b) empréstimos concedidos não contabilizados;
c) recebimentos de numerários não contabilizados;
d) adiantamentos recebidos de clientes;
e) rendimentos de numerários não contabilizados.
 4) Os principais testes de auditoria para os saldos de caixa 
são, respectivamente:
a) subavaliação e inspeção física;
b) superavaliação e inspeção documental;
c) subavaliação e inspeção documental;
d) superavaliação e inspeção física;
e) superavaliação e observação.
 5) Uma empresa estabelece em seus controles internos de 
tesouraria, que todos os pagamentos devem ser efetuados 
mediante emissão de cheques, assinados por um diretor 
e um gerente de tesouraria. O auditor, ao entrar na sala 
do gerente de tesouraria, percebe dois talões de cheques, 
sem preenchimento de valores, já assinados pelo diretor 
financeiro para serem utilizados pelo tesoureiro. É possível 
afirmar que:
a) a empresa não possui controles internos para os pro-
cessos de tesouraria;
b) os controles internos de tesouraria são eficazes para 
qualquer tipo de desvio financeiro;
32 Auditoria Contábil
c) o tesoureiro é uma pessoa de confiança, não sendo 
necessária a segregação de funções;
d) é uma ocorrência normal, devido a viagens frequentes 
do diretor financeiro;
e) não há conformidade entre os controles internos defi-
nidos e sua ocorrência no processo.
Williams Meirelles1
Capítulo 3
Auditoria nas Contas a 
Receber
1 Williams Meirelles é especialista em Controladoria e Gestão da Informação Con-
tábil pelo Centro Universitário Lasalle (UNILASALLE-Canoas, RS), possui graduação 
em Ciências Contábeis e Administração de Empresas pela Universidade Luterana 
do Brasil (ULBRA-Canoas, RS). Tem vasta experiência em Auditoria Contábil, tendo 
atuado por anos em uma “Big Four”. Atualmente, é professor dos cursos de Ciên-
cias Contábeis e Administração de Empresas da ULBRA, presencial e EaD. 
34 Auditoria Contábil
Introdução
As Contas a Receber referem-se, basicamente, a dois casos: 
(i) créditos provenientes do exercício da atividade operacional 
da empresa, relativos à venda a prazo de bens e serviços; e 
(ii) outros créditos oriundos de transações que, embora não 
representem o objeto principal da atividade empresarial, são 
inerentes às operações normais da empresa.
Portanto, na apresentação das demonstrações contábeis, 
as Contas a Receber que são geradas a partir das vendas a 
prazo de bens e serviços que constituem o objeto principal do 
negócio devem ser agrupadas sob a rubrica CLIENTES e os 
demais valores a receber, agrupados como OUTROS CRÉDI-
TOS.
Neste capítulo, iremos estudar sobre os principais objeti-
vos, revisão dos controles internos e procedimentos de audito-
ria aplicados nos exames das contas a receber.
3.1 Objetivos
Os principais objetivos do auditor quando do exame de Con-
tas a Receber podem ser resumidos nos seguintes:
 Â Determinar se o sistema de controle interno é satisfató-
rio;
 Â Determinar se os valores indicados como Contas a Re-
ceber representam legítimos valores a receber;
Capítulo 3 Auditoria nas Contas a Receber 35
 Â Determinar a exatidão dos valores e se não estão super 
ou subavaliados;
 Â Certificar-se de que nenhuma parcela das Contas a Re-
ceber foi emprenhada, descontada, cedida ou negocia-
da, com exceção daquelas que estão assim claramente 
indicadas nas demonstrações contábeis;
 Â Determinar se as Contas a Receber estão apresentadas 
de maneira adequada nas demonstrações contábeis;
 Â Determinar a probabilidade de realização dos créditos;
 Â Formar opinião acerca da adequação e razoabilidade 
da previsão constituída para perdas julgadas prováveis 
na realização dos créditos.
3.2 Revisão dos controles internos
É conveniente, uma segregação entre as funções de escritura-
ção de contas a receber, controles de duplicatas e recebimen-
tos por caixa. Alguns aspectos que devem ser considerados 
nessa área são os seguintes:
 Â Existência de um controle de duplicatas quanto a sua 
localização física (em carteira, em bancos, com cobra-
dores etc.);
 Â Controles das duplicatas em poder de cobradores por 
meio de borderôs;
36 Auditoria Contábil
 Â Prestação de contas diárias, se possível, por parte dos 
cobradores externos;
 Â Confronto periódico entre o razão analítico de contas 
a receber e o razão social, e com a existência física de 
duplicatas;
 Â Envio de extratos de contas aos clientes por elemento 
não relacionado com recebimento de valores;
 Â Conciliação e análise das divergências, no caso de ma-
nifestações do cliente;
 Â Controle numérico das Notas de Crédito e aprovação 
das mesmas por elemento autorizado não relacionado 
com vendas ou recebimentos à vista de documentos 
comprobatórios que assegurem a procedência de sua 
emissão;
 Â Contabilização de adiantamentos recebidos de clientes, 
para entrega futura de mercadorias em contas distintas 
das de contas a receber;
 Â Preparação periódica de relação de contas a receber 
por idade, investigando-se os valores em atraso;
 Â Baixa de valores considerados incobráveis mediante 
aprovação por escrito de funcionário autorizado pela 
diretoria.
Capítulo 3 Auditoria nas Contas a Receber 37
3.3 Procedimentos de auditoria
Por serem de natureza intangível, as contas a receber podem 
passar por procedimentos de auditoria diferentes daqueles 
usados na auditoria de Caixa e Bancos.
O auditor, ao fazer a avaliação de contas a receber, deve 
aplicar critérios de julgamento quantitativos e também quali-
tativos, usando, na maior parte do tempo, evidência indiretas, 
em vez de diretas.
Os procedimentos de auditoria geralmente utilizados no 
exame das contas a receber, serão apresentados a seguir.
3.3.1 “CUTOFF” das operações
Chamamos a especial atenção para este procedimento. Ne-
nhum exame, salvo exceção, na área de Contas a Receber, po-
derá ser desenvolvido, com total segurança, sem que antes se 
faça o CORTE das operações, mediante o exame das últimas 
entradas e saídas. Poderemos afirmar que o “cutoff” é o ponto 
de partida dos demais exames.
3.3.2 Exame da movimentação das contas e 
flutuações significativas
É importante o exame da movimentação das contas e análi-
se dos saldos finais analíticos de duplicatas e outras contas 
a receber. Em qualquer das contas, os possíveis lançamentos 
anormais e flutuações significativas deverão ser investigadas.
38 Auditoria Contábil
3.3.3 Circularização de duplicatas e contas a 
receber
Selecionada a data base para a circularização, feito o “cutoff” 
das operações, far-se-á a seleção dos clientes (e/ou devedores 
outros) para circularização.
Essa circularização poderá ser positiva (no corpo da car-
ta circular, será solicitado ao devedor qualquer manifestação 
“confirmando” ou “contestando”) ou negativa (em parágrafo 
específico no corpo da carta circular constará que a não res-
posta caracterizará “confirmação do débito”).
É considerado de melhor qualidade a evidência obtida por 
meio dos pedidos de confirmação positivos, pois caso haja 
algum equívoco na conta, o devedor apresenta o erro ao au-
ditor. Em geral, os auditores utilizam os dois tipos simultanea-
mente. Selecionando uma amostra para confirmação positiva 
(provavelmente aqueles com maiores saldos) e o restante que 
incluir na amostra com valores menores podem ser exigidas 
apenas a confirmação negativa.
Há de se observar que tudo é feito pelo próprio Auditor, 
desde a seleção do devedor, remessa das circulares (primeiro 
e quando necessário também o segundopedido), até o exame 
final de tudo. É importante lembrar que, sobre todos os saldos 
circularizados, temos obrigatoriamente que chegar a alguma 
conclusão.
Capítulo 3 Auditoria nas Contas a Receber 39
3.3.4 Levantamentos físicos
É também um dos exames importantes, integrante do objeto de 
controle de DEVEDORES.
Feito o “cutoff” das operações na data base e o exame das 
operações ocorridas até a data, o Auditor poderá então fazer 
o levantamento físico das contas a receber em carteira.
O Auditor, nesse exame, assim como em qualquer levan-
tamento físico, deverá dedicar atenção a três quantidades ou 
cifras: i) o que o auditor encontrou; ii) o que os controles in-
formam existir; iii) o que efetivamente deveria existir (caso não 
houvesse os ERROS, FRAUDES e OMISSÕES que foram en-
contrados).
3.3.5 Exame das contas a receber por idade dos 
saldos “aging-list”
O “aging-list” é um demonstrativo preparado pela própria En-
tidade, onde é facilmente identificada a idade (vencido/a ven-
cer/etc.) das contas a receber.
O Auditor deverá dedicar atenção especial a dois aspec-
tos: i) a exatidão do relatório; ii) as variações ocorridas para 
melhor ou pior (em valor e porcentagem) e possibilidade/ex-
pectativa de realização das contas vencidas.
40 Auditoria Contábil
3.3.6 Dias de vendas contidos no total de 
duplicata a receber
As importâncias, propriamente ditas, isoladamente, não ofere-
cerão dados para avaliação. O objetivo nesse exame é iden-
tificar dias de vendas contidos no montante de duplicatas a 
receber em determinada data base. A quantidade de dias en-
contrada deverá ser referenciada com cálculos idênticos efe-
tuados em datas bases anteriores (trimestres, e/ou semestres, 
e/ou exercício anterior). As variações em DIAS, que deverão 
ser obrigatoriamente explicadas, identificarão (confirmando 
as conclusões que obtivermos no exame “aging-list”) as mu-
danças na política de PRAZOS a clientes, melhoras ou então 
quedas na eficiência do Departamento de CRÉDITO, ou do 
Departamento de COBRANÇA etc.
3.3.7 Exame dos eventos subsequentes
No fechamento periódico de contas, o Auditor jamais poderá 
emitir opinião/conclusão sobre DEVEDORES, sem antes efe-
tuar o exame do que aconteceu com as Contas a Receber 
nos dias subsequentes à data base do exame. Devoluções de 
vendas, abatimentos, descontos etc., anormais, exigirão inves-
tigação, bem como Recebimentos em montante inferior às ex-
pectativas.
3.3.8 Exame das outras contas a receber
Da mesma forma que dedicamos atenção às duplicatas a re-
ceber, dedicaremos as demais contas a receber. Não raro, isso 
implicará exame de contratos, guias de depósitos compulsó-
Capítulo 3 Auditoria nas Contas a Receber 41
rios autenticados pelo órgão arrecadador etc. Podemos afir-
mar, sem dúvidas, de que, tudo o que foi apresentado anterior-
mente se aplicará também no exame dessas contas.
3.3.9 Exame das provisões constituídas e/ou 
necessárias
Obrigatoriamente, antes de se efetuar exame da existência/
suficiência dos valores provisionados, teremos que dedicar 
atenção à movimentação de todas as contas (a receber e as 
retificadoras) no período anterior à data e também aos qua-
dros disponíveis (“aging-list” etc.).
Quando do exame da conta Provisão para Créditos de Li-
quidação Duvidosa, deveremos, em base de teste, examinar os 
comprovantes hábeis dos débitos contabilizados. Os aspectos 
fiscais (IR) e as normas da Entidade deverão ser levadas em 
consideração na realização do exame.
Caso a Entidade ofereça aos seus clientes descontos subs-
tanciais (descontos que interessam ao cliente) para pagamento 
antecipado das duplicatas (exemplo: vencimento em 30 dias 
com 10% de desconto ou 60 dias líquido), o Auditor deverá 
examinar a necessidade de se constituir uma Provisão para 
possíveis descontos a serem concedidos (base de cálculo – to-
tal de duplicatas com possibilidade de liquidação ainda com 
o desconto).
42 Auditoria Contábil
3.3.10 Exame da demonstração e classificação 
das contas a receber nas demonstrações 
contábeis
As contas a receber vencidas e as a vencer até 360 dias se-
rão classificadas e demonstradas no Realizável em Curto Prazo 
(Ativo Circulante). As demais (a vencer após 360 dias) serão 
demonstrados no Realizável em Longo Prazo.
As contas retificadoras (provisão para Devedores Duvido-
sos etc.) serão classificadas e demonstradas, destacadamente, 
deduzindo os valores originais:
O montante de duplicatas/contas a receber, descontadas 
em banco, será demonstrado e classificado no ativo, destaca-
damente, diminuindo os valores originais.
Os ônus que pesam sobre as contas a receber (contas/
duplicatas dadas em garantia) deverão ser identificados nas 
Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis.
3.3.11 Teste de Ajuste a Valor Presente
Para determinar o valor presente do Fluxo de Caixa Futuro, 
são requeridos: o valor do fluxo futuro, a data do referido fluxo 
futuro e a taxa de desconto aplicável a cada operação.
Cabe ao auditor validar a estimativa do valor corrente de 
um fluxo de caixa futuro, no curso normal de operações da 
entidade.
A partir da Lei nº 11.638/07, convalidada pela Lei nº 
11.941/09, foi acrescido ao artigo 183, o item VIII, que es-
Capítulo 3 Auditoria nas Contas a Receber 43
tabelece a obrigatoriedade de ajustar a valor presente os ele-
mentos de ativo decorrentes de operações de longo prazo, 
sendo os demais créditos ajustados quando houver efeito re-
levante.
Para regulamentar a obrigatoriedade desse procedimento 
no Brasil, instituiu-se o CPC 12 – Ajuste a Valor Presente, cuja 
meta a ser alcançada, ao se aplicar o conceito de valor pre-
sente, deve-se associar à mensuração de ativos e passivos, 
levando-se em consideração o valor do dinheiro no tempo e 
as incertezas a eles associados.
Os riscos e incertezas são determinantes para a taxa de 
desconto, a ser utilizada a partir da data da operação. Nessa 
oportunidade, ocorre a redução da receita de vendas, e com 
o passar dos dias os ajustes das reversões são contabilizados 
como receitas financeiras.
3.3.12 Teste de Vendas: o auditor, nessa área, 
trabalhará suportado nos seguintes 
objetivos básicos
 Â Certificar-se de que as normas refletem as exigências da 
entidade e que estão sendo seguidas;
 Â Certificar-se que os aspectos fiscais envolvidos estão 
sendo integralmente observados. O universo de aspec-
tos, situações, responsabilidades etc., faz com que esse 
objeto de controle se transforme, para o Auditor, em um 
dos mais complexos exames a realizar.
44 Auditoria Contábil
Recapitulando
Neste capítulo, estudamos sobre os principais procedimentos 
de auditoria aplicados na análise dos saldos das Contas a 
Receber, importante darmos ênfase no procedimento de cir-
cularização, onde o auditor obtém evidência diretamente do 
devedor, podendo essa circularização ser através de carta em 
positivo ou negativo. Também vamos relembrar a importância 
nos procedimentos aplicados sobre a provisão para devedores 
duvidosos que, por tratar-se de uma conta de estimativa, me-
rece bastante atenção por parte do auditor.
Referências
ARAÚJO, Inaldo da Paixão Santos; ARRUDA, Daniel Gomes. 
Fundamentos da Auditoria. São Paulo: Saraiva 2012.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil – Teoria e 
Prática. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
Atividades
 1) Assinale qual dos procedimentos a seguir não faz parte 
dos exames efetuados na área de Contas a Receber:
a) conferir as listas dos saldos das contas a receber com 
os razões individuais; b) circularizar os principais clien-
tes;
Capítulo 3 Auditoria nas Contas a Receber 45
c) efetuar a contagem do caixa para confirmação dos 
valores recebidos dos clientes;
d) testar a movimentação das contas no período;
e) Conferir os cálculos de ajustea valor presente dos cré-
ditos, as suas taxas aplicadas e a contabilização na 
data da operação e, posteriormente, até o vencimento 
final.
 2) Analise as informações a seguir e responda quais deve-
riam constar papéis de trabalho.
I – Explicações sobre motivos de flutuações nas contas em 
comparação com o período anterior.
II – Relação das explicações acima com: vendas e esto-
ques.
III – Os testes de ajustes a valor presente, em substituição 
às explicações sobre a provisão para créditos de liqui-
dação duvidosa.
a) Apenas informação I.
b) Apenas informação II.
c) Apenas informação III.
d) Informações I e II.
e) Todas as informações.
 3) Assinale V ou F: O resumo das duplicatas a receber, por 
vencimento (“aging”), ajuda-nos a julgar se há adequação 
da provisão para devedores duvidosos.
46 Auditoria Contábil
 4) Com referências a provisão para devedores duvidosos, as-
sinale a alternativa que não corresponde a informações 
que devem contar nos papéis de trabalho de auditoria:
a) uma apreciação do “aging” dos fornecedores e com-
paração com o do ano anterior;
b) comentários do auditado sobre o esperado sucesso 
com relação às cobranças ou contas a receber em 
atraso;
c) testes efetuados sobre contas perdidas durante o exer-
cício;
d) indicação dos clientes concordatários, falidos, desa-
parecidos etc., ou cobranças difíceis que se encontram 
sob a responsabilidade dos advogados.
e) recálculo da provisão realizada pelo auditor.
 5) Analise as afirmativas a seguir sobre o ajuste a valor pre-
sente:
I – Deve ser contabilizado em conta retificadora do ativo.
II – Deve ser contabilizado a crédito de receita de vendas 
quando referir-se à venda de produtos.
III – Deve ser contabilizado a débito da receita de vendas, 
quando referir-se à venda de produtos.
IV – Com o passar do tempo, a diferença entre o valor 
presente e o valor que será recebido é apropriado ao 
resultado do exercício como receita financeira.
Capítulo 3 Auditoria nas Contas a Receber 47
a) Apenas I está correta.
b) Apenas I, II e III estão corretas.
c) Apenas I, III e IV estão corretas.
d) Nenhuma está correta.
e) Todas estão corretas.
Williams Meirelles1
Capítulo 4
Auditoria nos Estoques
1 Williams Meirelles é especialista em Controladoria e Gestão da Informação Con-
tábil pelo Centro Universitário Lasalle (UNILASALLE-Canoas, RS), possui graduação 
em Ciências Contábeis e Administração de Empresas pela Universidade Luterana 
do Brasil (ULBRA-Canoas, RS). Tem vasta experiência em Auditoria Contábil, tendo 
atuado por anos em uma “Big Four”. Atualmente, é professor dos cursos de Ciên-
cias Contábeis e Administração de Empresas da ULBRA, presencial e EaD. 
Capítulo 4 Auditoria nos Estoques 49
Introdução
Os Estoques representam itens de extrema relevância nas 
Demonstrações Contábeis da maioria das entidades. Como 
a natureza dos estoques pode variar significativamente entre 
entidades comerciais e industriais, não é possível se estabele-
cer procedimentos padrão de auditoria para os estoques. O 
escopo da auditoria pode ser determinado somente conside-
rando-se as circunstâncias específicas de cada caso. Como 
em outras fases do trabalho, isso requer, entre outras coisas, a 
revisão dos procedimentos contábeis e do grau da eficiência 
do sistema de controle interno.
Neste capítulo, vamos discutir os principais objetivos e pro-
cedimentos que geralmente são aplicáveis à auditoria nos es-
toques.
4.1 Objetivos
Os objetivos de auditoria dos estoques são verificar se:
a. os bens registrados como estoques existem fisicamen-
te;
b. os valores registrados no estoque representam verda-
deiramente bens realizáveis da organização;
c. os valores registrados no estoque estão adequada-
mente classificados;
50 Auditoria Contábil
d. os valores registrados no estoque estão adequada-
mente avaliados;
e. as divulgações relativas ao estoque foram devidamen-
te realizadas;
f. não há gravames ou riscos sobre o estoque;
g. a legislação correspondente foi seguida;
h. todo o estoque de propriedade da organização foi de-
vidamente apresentado;
i. os Princípios Fundamentais de Contabilidade foram 
devidamente aplicados.
4.2 Revisão do controle interno
Um memorando compreensivo dos procedimentos contábeis e 
controle interno do cliente deve ser preparado. Recomenda-se 
também que nesse memorando aponte os procedimentos de 
controle de produção (no caso de uma indústria). Fluxogramas 
mostrando os principais procedimentos nas compras, produ-
ção e ciclo de vendas, juntamente com cópias dos principais 
formulários contábeis e de estoques auxiliarão neste sentido.
Os principais assuntos que devem ser incluídos no memo-
rando de estoques são os seguintes:
a. produtos e processos de fabricação, itens incluídos em 
estoques e localização;
Capítulo 4 Auditoria nos Estoques 51
b. controle sobre quantidades físicas e procedimentos 
para inventários físicos periódicos;
c. controle sobre custos, incluindo um esboço do sistema 
do custeio, suplementado por fluxograma, operação 
das contas de controle contábil dos estoques e bases 
para valorizar o inventário;
d. procedimentos para determinação de estoques moro-
sos e obsoletos, estoques em armazéns gerais e cober-
tura de seguros.
4.3 Conhecimento do tipo de negócio e 
seus produtos
Antes que quaisquer passos específicos sejam tomados para 
verificar os estoques, o auditor deve adquirir um conhecimento 
das características do ramo, a posição que tem na indústria, 
a companhia sob exame e a natureza dos diversos produtos e 
processos de fabricação.
Esse conhecimento é importante na compreensão das ten-
dências gerais nos estoques e custos, e na orientação do rumo 
apropriado para a auditoria.
Dados operacionais e financeiros sobre as principais com-
panhias, no ramo em questão, deveriam ser estudados para 
que se possa determinar a posição que a companhia sob exa-
me ocupa. É de boa prática a leitura de revistas e jornais de-
dicados ao ramo.
52 Auditoria Contábil
Alguns negócios são afetados por fatores importantes de 
obsolescência, tais como mudanças de estilo e modelo, procu-
ra sazonal, perecibilidade de produtos etc.; esses fatores irão 
influenciar a extensão da análise da obsolescência. Outra ca-
racterística a ser considerada é o efeito da pesquisa e aperfei-
çoamento de produtos e métodos.
Um conhecimento global dos processos de produção do 
cliente, materiais e maquinários empregados, operações de 
mão de obra, ciclos de produção, devem ser obtidos através 
da observação, discussão com o pessoal de operações.
4.4 Observação dos estoques
É comum uma porção relevante dos estoques estar nas fábri-
cas ou armazéns da companhia, a observação desses esto-
ques representa um procedimento de auditoria importante na 
verificação das quantidades dos estoques.
Estoques mantidos fora da entidade, e inventários mantidos 
com terceiros, geralmente são verificados por meio de con-
firmações diretas ou outros procedimentos de auditoria. Nos 
casos em que estoques significativos são guardados em ar-
mazém de terceiros, é desejável que o auditor faça testes de 
contagem física nesses depósitos.
Capítulo 4 Auditoria nos Estoques 53
4.5 Observação dos procedimentos 
contagem física
O auditor não é responsável pelo levantamento ou supervisão 
do levantamento físico do estoque. A direção da entidade é 
responsável pela tomada dos inventários, bem como pela ava-
liação e apuração do inventário.
As atividades do auditor com respeito aos inventários físi-
cos consistem-se, principalmente, em observar os procedimen-
tos seguidos na contagem e anotação das quantidades, na 
execução apropriada de testes para determinar se os proce-
dimentos estão sendo seguidos adequadamente e que seestá 
realizando um inventário físico satisfatório.
As instruções da entidade para os inventários físicos devem 
ser revisadas previamente pelo auditor para certificar-se de 
que os procedimentos planejados são adequados.
Pela informação obtida na revisão dos controles internos e 
na inspeção dos estoques, o auditor deve estar em posição de 
planejar e programar seu trabalho de auditoria. A programa-
ção é importante para que, uma vez completada a contagem, 
não haja demoras indevidas, nem se faça a entidade esperar 
que o auditor conclua os seus testes.
Importante salientar que, se uma entidade tem um bom 
controle interno sobre estoques, seus inventários físicos podem 
ser tomados em uma data anterior ao balanço.
Se a entidade usa procedimentos de contagem rotativa 
para verificar a exatidão dos registros do estoque, o auditor 
54 Auditoria Contábil
pode fazer testes de contagens e observar os procedimentos 
de contagem periodicamente no decorrer do ano como uma 
base para formar sua opinião com respeito às quantidades de 
estoque no fim do ano.
Por outro lado, se uma entidade não tem um sistema de 
custos ou fichas adequadas de quantidades, mas depende in-
teiramente de um inventário físico no fim do ano contábil, as 
observações do auditor e seus testes de contagem devem, ne-
cessariamente, ser feitos na data do balanço.
Durante a observação, deve-se dirigir atenção particular 
para determinar se:
a. os itens de estoques estão bem arrumados, de forma a 
facilitar contagens precisas;
b. os funcionários que executam a contagem compreen-
dem, e seguem, as instruções escritas;
c. as contagens e descrições estão sendo anotadas com 
precisão e com os detalhes necessários;
d. a supervisão dos procedimentos do inventário e verifi-
cação das contagens pela companhia são adequadas; 
e
e. são boas as práticas usadas para segregar entradas 
e saídas entre antes e após o inventário, reconhecer 
itens morosos, de baixa rotação etc.
Capítulo 4 Auditoria nos Estoques 55
4.6 Testes de contagens de estoque
Testes de contagem de estoques são feitos com o propósito 
primordial de:
a. testar a exatidão e aceitação dos procedimentos da 
entidade para contagem do estoque físico; e
b. testar os procedimentos da entidade para compilação 
e anotação das quantidades identificadas fisicamente 
como sendo disponíveis na data do inventário. Pro-
cedimentos de contagem de estoques são verificados 
através de testes selecionados de contagens.
Procedimentos de compilação de estoques são verificados 
através da comparação das contagens anotadas nos papéis 
de trabalho com os resumos feitos pela entidade.
Ao testar os procedimentos da contagem física da entida-
de, o auditor deverá fazer contagens corretas de itens selecio-
nados.
Ao testar as anotações de quantidades físicas das etiquetas 
de contagem, as quantidades exatas dos itens que o auditor 
anotou deverão ser localizadas nos resumos das quantidades 
contadas. Testes de contagem que devem ser localizados nos 
resumos devem incluir uma descrição completa dos itens para 
facilitar sua identificação (nome, número de item, departa-
mento onde está localizado, prateleira etc., estágio estimado 
de fabricação e medida unitária).
Os testes de contagem do auditor devem ser representa-
tivos dos itens que integram o estoque. Os itens devem ser 
56 Auditoria Contábil
selecionados de cada departamento principal ou localização 
e devem incluir tanto itens de alto como de baixo valor. Onde 
dois ou mais indivíduos ou equipes da entidade são usados 
na execução de contagens de estoques, deve-se fazer testes 
sobre a exatidão e cuidado com que cada indivíduo ou equipe 
desempenha sua tarefa.
Cada teste de contagem, feito pelo auditor, deve concordar 
com a contagem mostrada na etiqueta do estoque. Quando 
as contagens não concordam, a contagem do auditor deve ser 
reconferida. Se a contagem da entidade for incorreta, deve-se 
pedir que o cliente faça uma recontagem, e a contagem final 
de ambos, isto é, a do cliente e a do auditor devem ser regis-
tradas.
Erros frequentes nas contagens ou nas descrições, reve-
lados pelos testes do auditor, podem indicar deficiências de 
procedimento ou negligência na contagem, e dever-se-á dar 
consideração à expansão dos testes de auditoria. Se tais erros 
parecem ser em larga escala, o assunto deve ser levado à 
pessoa responsável pelo levantamento do estoque e deve-se 
considerar a necessidade de recontar as áreas afetadas.
Deve-se observar o estado dos itens que estão sendo con-
tados, e qualquer indicação de obsolescência, estoques ex-
cessivos, ou deterioração física deverá ser investigada. Poeira, 
ferrugem, etiquetas antigas etc., podem indicar estoques de 
baixo giro ou obsoletos. Tais itens, preferivelmente, devem ser 
segregados fisicamente para contagem e valorização em se-
parado.
Capítulo 4 Auditoria nos Estoques 57
Quando a contagem estiver terminada em um departa-
mento ou seção, o auditor deve dar uma volta pelas diversas 
dependências para observar se todos os itens foram contados. 
Quando etiquetas tenham sido usadas, o auditor deverá revi-
sar os procedimentos da entidade para dar conta de todas as 
etiquetas.
Os resultados dos testes de contagens de estoque devem 
ser evidenciados pelo auditor em seus papéis de trabalho.
4.7 Cutoff de entradas e saídas “antes” e 
“após” o inventário
As entidades deverão ter procedimentos estabelecidos para 
que os estoques conforme os livros possam estar em concor-
dância com as contagens físicas para fins de ajustes. O objeti-
vo da auditoria na verificação da segregação de recebimentos 
é o de assegurar que todos os materiais entrados até a data 
do inventário foram incluídos no inventário físico, e que os 
respectivos custos segundo as faturas foram registrados como 
passivos até a data do inventário. O objetivo da auditoria na 
verificação da segregação de saídas é idêntico – assegurar 
que todos os materiais remetidos até a data do inventário fo-
ram excluídos do inventário físico e que os faturamentos foram 
registrados até a data de inventário.
Durante o inventário físico, os departamentos de recepção 
e expedição deverão ser visitados e os procedimentos da enti-
58 Auditoria Contábil
dade para adequada segregação de entradas e saídas, deve-
rão ser observados.
Devido à importância da segregação de entradas e saídas 
na coordenação entre o movimento do inventário físico e os 
respectivos custos contábeis, deve-se preparar um breve me-
morando, delineando os procedimentos da entidade, os pas-
sos de auditoria tomados para comprovar tais procedimentos, 
e os resultados e conclusões do auditor. Se for feito um inven-
tário físico em uma data intermédia do ano, a exatidão da 
segregação deve ser testada em ambas as datas: a intermédia 
e a do balanço.
4.8 Teste de avaliação – custo
O primeiro passo na auditoria de estoques deve ser a revisão 
dos memorandos descrevendo sistema de custo e a base para 
avaliar os estoques.
Os procedimentos de auditoria, adotados para testar cus-
tos unitários devem ser baseados em uma boa compreensão 
do sistema de custo. Um procedimento importantíssimo de 
auditoria na revisão de qualquer sistema de custo é o de de-
terminar que os custos lançados nas contas de estoque serão 
creditados apropriadamente quando os produtos forem com-
pletados. Isso é essencial quando os inventários físicos são to-
mados em datas intermediárias do ano e as transações nas 
contas de controle de estoque tenham sido revisadas até a 
data do balanço.
Capítulo 4 Auditoria nos Estoques 59
Procedimentos de auditoria deverão ser estabelecidos para 
tirar vantagem dos aspectos de controle interno de determi-
nado sistema de custos, e deverão levar em consideração a 
extensão até a qual a avaliação de inventários estásujeita à 
revisão dentro da entidade. Como um exemplo, as contas de 
variação utilizadas em um sistema de custo padrão deverão 
ser revisadas para determinar quão perto os custos “padrões” 
estão dos custos reais incorridos; registro e investigação ade-
quada de tais variações, em uma frequência regular dentro da 
entidade, podem servir para reduzir a extensão dos testes de 
auditoria.
No próximo parágrafo, os testes de avaliação que serão 
comentados pressupõem a utilização do PEPS – primeiro que 
entra, primeiro que sai – para determinar o fluxo de custos de 
inventários. Os procedimentos de auditoria necessários para 
os inventários, determinados outras bases (UEPS/CM), variam 
um pouco, mas o principal objetivo de auditoria, geralmente, 
é comprovar, através de testes apropriados, que os inventários 
estão avaliados ao “preço de custo ou mercado, prevalecen-
do o mais baixo” em uma base invariável de ano para ano, e 
que o “custo” empregado e comprovado através da inspeção 
e testes de faturas de fornecedores, fichas de custo ou outros 
dados.
Matérias-primas – A revisão da avaliação de estoques de-
verá começar com testes de preços de matérias-primas, peças 
compradas etc. que posteriormente se tornam uma parte com-
ponente dos estoques de produtos em processo e produtos 
acabados (ou que podem ser vendidos diretamente no caso 
de entidades mercantis ou distribuidores de produtos). O teste 
60 Auditoria Contábil
no caso do fluxo de custos, baseado no “primeiro a entrar, 
primeiro a sair”, consiste na comparação do preço do estoque 
com os preços das compras mais recentes feitas pela entidade. 
Diversos itens representativos deveriam ser selecionados das 
fichas de registro permanente (ou das listas de estoques se o 
teste é feito após a compilação do inventário físico), para se-
rem feitos testes detalhados.
É desejável que, para cada item testado, sejam listadas e 
examinadas suficientes faturas de fornecedores, de forma a 
cobrir aproximadamente o total do estoque; em uma base de 
“primeiro a entrar, primeiro a sair”, isso pode ser feito selecio-
nando-se inicialmente as faturas mais recentes e depois avan-
çando em ordem cronológica retroativa no arquivo de faturas.
Se a quantidade comprada durante o ano corrente for infe-
rior à quantidade no estoque e se tornar necessário retroceder 
a faturas de compras de anos anteriores a fim de achar o pre-
ço de inventário em uma base de “primeiro a entrar, primeiro 
a sair”, o preço da quantidade que falta deverá ser o custo 
de inventário do ano anterior. Entretanto, essa situação pode 
indicar que existe um problema de obsoletismo e que se torna 
necessária uma redução no custo.
Se as diferenças entre os preços que estão nos estoques e 
os preços que estão nas faturas mais recentes são significati-
vas quanto aos itens testados, outros itens adicionais de esto-
que poderão ter que ser listados e testados, para determinar 
até que ponto o estoque está errado e se e necessário fazer 
ajustes. Quando os custos unitários de matérias-primas são 
também usados para avaliar produtos em processo ou aca-
Capítulo 4 Auditoria nos Estoques 61
bados, o efeito das diferenças de preços de matérias-primas 
em tais estoques pode ser estimado considerando se, em uma 
base global, o conteúdo proporcional de matérias-primas nos 
mesmos.
Generalizações amplas, como a do efeito de erros de ava-
liação encontrados, ao estoque inteiro, são raramente justi-
ficadas. Normalmente, o estoque não deve ser ajustado em 
base de tais cômputos globais. Testes e investigações adicio-
nais, se necessários em face das conclusões do auditor, geral-
mente, podem ser feitos pelo pessoal do cliente e revisados 
pelo auditor.
Produtos em Processo no Sistema de “Ordens de Serviço” – 
A auditoria de custos de estoques, quando é usado um sistema 
de custeio por ordens de serviço, focaliza, principalmente: (a) 
revisão do fluxo de custos através das contas de controle de 
estoques de produtos em fabricação, e (b) testes de materiais, 
mão de obra e custos indiretos de fabricação debitadas as 
ordens de fabricação na data do inventário.
Um balancete das ordens de serviço no fim do período, 
conforme é mostrado pelos cartões detalhados de custeio e 
outros registros, deverá ser obtido e reconciliado com a conta 
de controle de estoque dos produtos em fabricação no razão 
geral. Se os custos das ordens de serviço são acumulados pe-
los principais elementos de custo, o balancete deverá consistir 
de totais para cada ordem por material, mão de obra e cus-
tos indiretos de fabricação, de forma tal que se possa fazer 
uma revisão geral da inter-relação dos elementos de custo. 
Por exemplo, a revisão geralmente deverá mostrar que todas 
62 Auditoria Contábil
as ordens de fabricação foram debitadas com alguns custos de 
mão de obra e uma parcela proporcional de custos indiretos 
de fabricação.
Diversas ordens de produção representativas deverão ser 
selecionadas do balancete para testes detalhados e se deverá 
obter sumários dos custos acumulados. Usar-se-á, possivel-
mente, cópias dos cartões de custeio das ordens de produção 
para essa finalidade.
Custos de materiais deverão ser conferidos através de testes 
examinando-se faturas de materiais e requisições de quantida-
des para matérias-primas, peças etc., debitadas ao serviço. 
Os preços deverão ser localizados nas fichas de custo unitário.
Horas de mão de obra direta e valores debitados por pe-
ríodos de pagamento de salários (geralmente mensais) deve-
rão ser revisados quanto à continuidade e semelhança dos 
procedimentos, e se deverá obter informações para quaisquer 
variações fora do comum. (Por exemplo, em alguns casos, dé-
bitos de mão de obra às ordens de serviço são relativamente 
pequenos nas fases iniciais, mas crescem até um determinado 
nível à proporção que o trabalho progride e, depois, diminuem 
progressivamente à medida que o serviço se aproxima do fim).
A base de distribuição de custos indiretos às ordens de ser-
viço deverá ser revisada para constatar se produz uma dis-
tribuição razoável. O cálculo de taxas pré-determinadas de 
custos indiretos de fabricação deverá ser verificado através 
de testes para comprovar a exatidão aritmética; as despesas 
de fabricação incluídas no conjunto de custos sujeitos à distri-
buição deverão ser examinadas para notar se estão em con-
Capítulo 4 Auditoria nos Estoques 63
cordância com os papéis de trabalho de auditoria relativos 
às contas de despesas. Com relação às ordens selecionadas 
para testes detalhados de custos, devem-se fazer testes para 
determinar que os custos indiretos de fabricação foram apli-
cados na base correta e nas taxas apropriadas. A consistência 
na base de aplicação dos custos indiretos de fabricação e de 
particular importância devido ao efeito que mudanças da base 
podem ter sobre o lucro líquido.
Produtos em Processo em um Sistema de Processo Contí-
nuo de Fabricação – como no caso dos custos por ordem de 
serviço, a auditoria de custos no sistema de custeio por proces-
so contínuo compreende: (a) revisão do fluxo de custos através 
dos centros de custo por processo quanto a produtos selecio-
nados e (b) testes dos custos debitados a tais centros de custo.
A exatidão de custos debitados a centros de custo por pro-
cesso para o período analisado em detalhe deverá estar su-
jeita a testes adequados de verificação. As matérias-primas 
postas em processamento ou adicionadas durante o processo 
deverão sofrer testes de verificação em relação a relatórios de 
consumo ou requisições; preços deverão ser localizados nas 
fichas de custos unitários.
Custos de mão de obra direta e indireta de fabricação são 
verificados de forma análoga às usadas quando o sistema é de 
custos por ordem de serviço, exceto que os débitos são feitos 
a centros de custo por processo ea produtos ao invés de às 
ordens de produção. Na auditoria de custos por processos, 
deve-se dar atenção especial ao método de contabilização de 
sucata e outras perdas de quantidades durante a produção.
64 Auditoria Contábil
Produtos em Processo em um Sistema de Custo Padrão – 
Quando o funcionamento de um sistema de custos padrões é 
compreendido claramente pelo auditor, e as características de 
controle do sistema são vantajosamente usadas, a auditoria 
de custos de estoques em um sistema de custos padrões ge-
ralmente é menos complexa que sob os sistemas de custo por 
processo ou por ordem de serviço. Quando se empregam cus-
tos padrões, a ênfase da auditoria é dirigida, para: (a) testar a 
estrutura dos custos padrões quanto a um número representa-
tivo de produtos ou peças para constatar que todos os elemen-
tos próprios estão incluídos no custo padrão, (b) revisar contas 
de variação como um meio para medir com que aproximação 
os custos padrões se situam perante os custos reais e (c) deter-
minar que os custos padrões usados para calcular variações 
são os mesmos empregados na avaliação de estoques.
Produtos Acabados – Procedimentos para testar a avalia-
ção dos estoques dos produtos acabados dependem de ser o 
produto comprado completo para revender ou ser fabricado 
e/ou montado pelo cliente. Os custos dos estoques de pro-
dutos acabados comprados devem ser conferidos da mesma 
forma que os custos de matérias-primas. O exame dos preços 
de produtos acabados fabricados deverá ser coordenado com 
os testes de avaliação dos estoques de produtos em processo.
Quando os estoques de produtos em processo são rela-
tivamente pequenos, como no caso de maioria dos produtos 
do tipo de processo contínuo, o teste de procedimentos de 
custo serve como uma verificação dos preços dos estoques de 
produtos acabados. Se forem empregados custos padrões ou 
por ordem de serviço, os custos dos estoques devem ser com-
Capítulo 4 Auditoria nos Estoques 65
parados com os registros de ordens de produção terminadas 
ou com registros de sustos padrões.
4.9 Teste de avaliação: custo ou valor 
realizável líquido
A importância dos estoques na determinação do lucro para 
a maioria das entidades fez com que a maioria das adminis-
trações percebesse as necessidades de eliminar dos estoques 
custos irrecuperáveis. Em resultado, muitas entidades estabe-
leceram procedimentos para determinar se os preços dos esto-
ques excedem o valor de realização.
A revisão de faturas dos fornecedores referentes a maté-
rias-primas, peças etc. compradas depois da data da auditoria 
indicarão se os preços dos estoques excedem os preços de 
reposição.
Preços constantes de relatórios de ordens de produção 
subsequentes à data da auditoria devem ser revisados como 
uma verificação de que os custos de reprodução de produtos 
acabados e produtos em processo não excedem os preços de 
estoques de tais itens.
As razões para variações significativas devem ser determi-
nadas pelas discussões com o pessoal dos departamentos de 
custeio e de produção, como uma base para julgar se os cus-
tos de estoques na data do balanço devem ser ajustados.
66 Auditoria Contábil
Valor líquido realizável geralmente significa o preço líquido 
esperado de venda menos os custos estimados para completar 
e vender um item do estoque. Os preços de venda considera-
dos em tais determinações podem ser comparados, por testes, 
com listas de preços ou com faturamentos anteriores de itens 
semelhantes e devem ser reduzidos pelos habituais descontos 
comerciais e de quantidade.
Uma percentagem global dos custos de venda, em propor-
ção às vendas líquidas, pode ser calculada para verificação do 
custo estimado pelo cliente para vender a mercadoria.
Recapitulando
Neste capítulo, estudamos procedimentos aplicados pelo au-
ditor na área de estoques e o cuidado com a contrapartida 
nas contas de custeio. Vale relembrar que os procedimentos 
adotados nessa importante área do balanço, dependem do 
tipo de negócio da entidade que está sendo auditada, poden-
do ser mais “simples” no caso de um comércio e muito mais 
“complexo” quando se tratar de uma indústria.
Muito importante não esquecermos que os estoques devem 
estar mensurados no Balanço, pelo menor valor entre o Valor 
de Custo e o Valor Realizável Líquido, este último sendo o valor 
esperado de venda menos os custos estimados para completar 
e vender um item do estoque.
Capítulo 4 Auditoria nos Estoques 67
Referências
ARAÚJO, Inaldo da Paixão Santos; ARRUDA, Daniel Gomes. 
Fundamentos da Auditoria. São Paulo: Saraiva 2012.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil – Teoria e 
Prática. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
Atividades
 1) Ao acompanhar o levantamento físico dos estoques na 
data do encerramento do exercício social, o auditor cons-
tatou a existência de um lote significativo de produtos já fa-
turados, segregados fisicamente do restante dos estoques. 
Esses produtos não foram incluídos na listagem final do 
inventário, uma vez que a receita e correspondentes custos 
já haviam sido apropriados ao resultado do exercício. In-
dique a alternativa que descreve o procedimento correto a 
ser adotado pelo auditor.
a) Verificar se as mercadorias foram despachadas no 
prazo de três dias, a contar da data do balanço.
b) Recomendar o cancelamento das notas fiscais, faturas 
e o estorno contábil da receita e correspondentes cus-
tos.
c) Aguardar a apresentação das demonstrações contá-
beis finais e, face à materialidade dos valores envolvi-
dos, emitir parecer com ressalva.
68 Auditoria Contábil
d) Examinar as condições da venda e a saída subsequen-
te da mercadoria.
e) Registrar detalhes nos papéis de trabalho para emis-
são de ponto específico no parecer.
 2) Com relação ao inventário físico dos estoques, pode-se 
afirmar que:
a) é de competência do auditor a preparação das instru-
ções para a realização dos inventários;
b) a qualidade do sistema de controles internos não deve 
influenciar na quantidade de testes de auditoria neces-
sários;
c) as diferenças relevantes, entre o resultado do inven-
tário e os saldos contábeis, devem ser criteriosamente 
analisadas;
d) não há necessidade de identificar, durante as conta-
gens, os materiais obsoletos e sem condições de uso 
ou revenda;
e) há necessidade de paralisar a produção durante as 
contagens, se houver participação dos supervisores da 
fábrica nas equipes de contagens.
 3) Qual dos procedimentos a seguir é incompatível com a 
conta de estoques?
a) Inventário físico.
b) Teste de compras.
Capítulo 4 Auditoria nos Estoques 69
c) Teste de importações.
d) Teste do custo de produção.
e) Análise de ônus sobre imóveis.
 4) Relativo ao assunto Auditoria de Estoques, assinale a alter-
nativa incorreta.
a) Certificar-se de que os estoques demonstrados nos re-
gistros contábeis existem efetivamente e fazer a conta-
gem física dos mesmos são objetivos básicos do audi-
tor.
b) O auditor, quando designado para acompanhar a 
contagem física de estoque no cliente, deve anotar nos 
papéis de trabalho os procedimentos adotados pelo 
cliente durante a contagem.
c) Os produtos acabados faturados e não entregues de-
vem ser incluídos das listagens finais do inventário físi-
co.
d) O exame documental das notas fiscais por compra e 
pagamentos e a confirmação de estoque com terceiros 
são procedimentos utilizados durante a execução dos 
trabalhos de auditoria.
e) É recomendável que os registros de controle perma-
nente dos estoques sejam feitos pelo pessoal do almo-
xarifado.
70 Auditoria Contábil
 5) Conforme o CPC 16 – Estoques, os estoques devem ser 
mensurados no Balanço através do menor valor entre o 
valor de custo e o:
a) Custo Histórico;
b) Valor Realizável;
c) Custo Corrente;d) Valor Justo;
e) Valor Presente.
Williams Meirelles1
Capítulo 5
Auditoria no 
Imobilizado
1 Williams Meirelles é especialista em Controladoria e Gestão da Informação Con-
tábil pelo Centro Universitário Lasalle (UNILASALLE-Canoas, RS), possui graduação 
em Ciências Contábeis e Administração de Empresas pela Universidade Luterana 
do Brasil (ULBRA-Canoas, RS). Tem vasta experiência em Auditoria Contábil, tendo 
atuado por anos em uma “Big Four”. Atualmente, é professor dos cursos de Ciên-
cias Contábeis e Administração de Empresas da ULBRA, presencial e EaD. 
72 Auditoria Contábil
Introdução
No Ativo Imobilizado, de acordo com o CPC 27, serão re-
gistrados os direitos que tenham por objeto bens corpóreos 
destinados à manutenção das atividades da companhia ou da 
entidade ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decor-
rentes de operações que transfiram à companhia os benefí-
cios, riscos e controle desses bens.
Os direitos classificados no imobilizado serão avaliados 
pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva con-
ta de depreciação, amortização ou exaustão e possíveis per-
das no valor recuperável desses ativos (impairment).
Vamos estudar os principais objetivos, pontos de controles 
internos e procedimentos de auditoria utilizados na análise do 
Imobilizado.
5.1 Objetivos
Os objetivos de auditoria do imobilizado são verificar se:
a. os bens registrados como imobilizado existem fisica-
mente;
b. os valores registrados no imobilizado representam ver-
dadeiramente bens e direitos que estão sendo utiliza-
dos nas operações da organização;
c. os valores registrados no imobilizado estão adequada-
mente classificados;
Capítulo 5 Auditoria no Imobilizado 73
d. as divulgações relativas ao imobilizado foram devida-
mente realizadas;
e. não há gravames ou riscos sobre o imobilizado;
f. a legislação correspondente foi seguida;
g. todo o imobilizado de propriedade da organização foi 
devidamente apresentado;
h. os Princípios Fundamentais de Contabilidade foram 
devidamente aplicados.
5.2 Controles internos
Do ponto de vista de controles internos, os seguintes aspectos 
merecem destaque:
5.2.1 Política de capitalização, manutenção e 
reparos
Muitos critérios contábeis podem ser aplicados quando se 
classificam as despesas procurando distinguir aquelas que são 
capitalizáveis, geralmente o critério mais racional baseia-se 
nos seguintes aspectos:
1 – durabilidade do bem;
2 – possibilidade de controle;
3 – materialidade.
74 Auditoria Contábil
Para exemplificar, vamos pensar em uma máquina, que vai 
durar 10 anos e, consequentemente, vai beneficiar 10 perío-
dos consecutivos. Deve ser capitalizada porque existe a con-
dição da “durabilidade”. Certamente, o custo dessa máquina 
representa um gasto significativo – materialidade – e a sua 
natureza física é suscetíve de ser controlada. Outro item, por 
exemplo, uma régua, tem a condição de “durabilidade quase 
indefinida”, porém seu custo não representa “materialidade”, 
portanto não deverá ser capitalizado.
Com relação aos gastos com manutenção e reparos, sem-
pre que a vida útil do bem for prolongada, beneficiando vá-
rios períodos, ou houver aumento da capacidade produtiva 
do bem, o desembolso deve ser capitalizado, caso contrário o 
gasto deverá ser reconhecido como despesa.
5.2.2 Arrendamento mercantil financeiro
O auditor deve ter conhecimento sobre sua existência e, de 
acordo com o CPC 06, os mesmos deverão estar reconhe-
cidos no imobilizado para os contratos vigentes na data de 
transição e datas de contratação seguintes.
5.2.3 Métodos de Depreciação
Existem vários métodos de depreciação, baseados, geralmen-
te, em dois fatores: “tempo” ou “produção”. Os métodos mais 
comuns são:
 1. método em linha reta;
 2. método com base nas unidades produzidas;
Capítulo 5 Auditoria no Imobilizado 75
 3. método de redução progressiva (métodos dos saldos de-
crescentes).
5.2.4 Questionário sobre adições
Sugere-se que o auditor aplique as seguintes questões, com 
relação à adição de ativos imobilizados, para um maior enten-
dimento e avaliação do sistema de controles internos, muitas 
vezes essas questões são abordadas no mapeamento do pro-
cesso de compras.
 1. Os procedimentos da companhia estabelecem que os de-
sembolsos com a aquisição de ativo fixo e com a manu-
tenção e reparos sejam previamente autorizados por um 
funcionário de categoria ou uma comissão designada?
 2. O total dos gastos incorridos é comparado com as verbas 
autorizadas?
 3. Os procedimentos da companhia asseguram que efetiva-
mente os materiais e serviços foram entregues ou presta-
dos?
 4. Se os trabalhos de construção ou instalação foram contra-
tados com terceiros, os funcionários da companhia estão 
autorizados a revisarem os custos durante o período de 
execução da obra?
 5. Os procedimentos da companhia estabelecem uma polí-
tica adequada para a distinção entre os gastos capitalizá-
veis e gastos de manutenção e reparos?
76 Auditoria Contábil
 6. Os gastos com manutenção e reparos são periodicamente 
analisados na conta de construção em andamento para 
serem transferidos às contas de despesa?
 7. Os bens destinados à manutenção da atividade da entida-
de ou exercidos com essa finalidade, abrangendo benefí-
cios e riscos, mesmo que não sejam de sua propriedade 
estão reconhecidos no imobilizado (leasing financeiro)?
5.2.5 Questionário sobre baixas
Da mesma forma que as adições, as baixas por vendas ou 
retiradas também devem ser mais bem compreendidas com os 
seguintes questionamentos:
 1. Os procedimentos da companhia exigem autorizações for-
mais no caso de itens do ativo fixo serem devolvidos; reti-
rados de serviços; reduzidos à sucata; ou inutilizados?
 2. Uma cópia da autorização é enviada diretamente à conta-
bilidade pela pessoa responsável pela aprovação?
 3. As autorizações para compra de equipamentos etc., indi-
cam quando se trata de reposição?
 4. A contabilidade utiliza as informações contidas nas autori-
zações como base para baixar os itens de ativo fixo?
 5. Os procedimentos estabelecem que sejam devidamente 
reportadas e registradas as transações de vendas, baixas 
ou retiradas de ativo fixo?
Capítulo 5 Auditoria no Imobilizado 77
5.2.6 Questionário sobre registros e controles
Para os demais controles e registros, sugere atenção aos ques-
tionamentos a seguir:
 1. Existem controles subsidiários adequados para os itens 
componentes do ativo fixo?
 2. Os controles subsidiários são mantidos por pessoas não 
responsáveis pela guarda e uso dos bens?
 3. Os registros subsidiários são confrontados periodicamente 
com as contas de controle do razão geral?
 4. Periodicamente, são efetuados inventários físicos sob a 
supervisão de outros empregados não responsáveis pelo 
controle, guarda e uso dos equipamentos?
 5. As divergências significativas entre os controles subsidiá-
rios e os inventários físicos são devidamente reportadas à 
administração e investigadas?
5.3 Procedimentos
Os principais procedimentos de auditoria do imobilizado são:
a. análise do movimento das contas durante o ano;
b. exame das adições, baixas e transferências;
c. inventário físico;
d. recálculo das depreciações;
78 Auditoria Contábil
e. exame das despesas com reparos e manutenção;
f. identificação e bens hipotecados ou penhorados, 
coordenada com o exame de passivos;
g. teste de recuperabilidade dos bens do imobilizado, 
conforme o CPC 01.
Recapitulando
Conforme estudamos, o imobilizado deverá ser reconhecido 
pelo seu valor de custo, sendo reduzido através da deprecia-
ção, amortização ou exaustão acumulada, e outro importan-
te ponto é que a companhia deverá efetuar, periodicamente, 
análise sobre a recuperação dos valoresregistrados no imo-
bilizado a fim de que sejam registradas as perdas de valor 
de capital quando comprovado que não poderão produzir re-
sultados suficientes para recuperação desse valor, conforme 
determinado pelo CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de 
Ativos.
Na condução da auditoria, o auditor deverá estar atento a 
esses pontos para emitir uma opinião correta sobre os valores 
apresentados pela companhia auditada.
Capítulo 5 Auditoria no Imobilizado 79
Referências
ARAÚJO, Inaldo da Paixão Santos; ARRUDA, Daniel Gomes. 
Fundamentos da Auditoria. São Paulo: Saraiva 2012.
COMITÊ DOS PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS – CPC. 
Pronunciamento Técnico CPC 27: Ativo Imobilizado. 
Disponível em: <http://www.cpc.org.br>. Acesso em: 30 
mar. 2017.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil – Teoria e 
Prática. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
Atividades
 1) Os Ativos classificados no subgrupo Imobilizado são:
a) bens e direitos que serão realizados em dinheiro em 
um curto período de tempo;
b) participações não destinadas à venda em outras socie-
dades;
c) bens corpóreos que objetivam a manutenção da ope-
ração da empresa;
d) obrigações que serão liquidadas em um longo período 
de tempo;
e) bens e direitos que serão vendidos pela empresa.
80 Auditoria Contábil
 2) Nos termos do definido no CPC-27 “Ativo Imobilizado”, 
assinale a opção correta.
a) Os custos para implantação de um Ativo Imobilizado 
devem ser lançados a título de despesas operacionais.
b) Ativos Imobilizados não se submetem a teste de im-
pairment.
c) Custos com mão de obra para manutenção corretiva 
de Ativos Imobilizados devem ser agregados ao seu 
valor contábil.
d) Os custos decorrentes de paradas programadas, pre-
vistas pelo fabricante para a manutenção operacional 
de um Ativo Imobilizado, devem ser agregados ao seu 
valor contábil.
e) O preço de aquisição de um Ativo Imobilizado deve 
ser deduzido dos valores correspondentes a impostos 
não recuperáveis, que devem ser segregados e conta-
bilizados na conta “Despesas com Tributos”.
 3) Nos procedimentos de auditoria, um dos objetivos da ins-
peção física de itens registrados no ativo imobilizado é ve-
rificar:
a) a existência de bens obsoletos ou deteriorados;
b) a coerência na definição do valor residual;
c) a necessidade de reconhecimento de perdas;
d) a conformidade com o valor de mercado;
Capítulo 5 Auditoria no Imobilizado 81
e) o registro adequado das despesas de depreciação.
 4) Em muitas entidades, o Imobilizado representa um dos 
grupos de contas mais relevantes do Ativo e, como está 
sujeito a registros sistemáticos durante o exercício, deve 
passar por procedimentos específicos no exame de audito-
ria. Dos objetivos apresentados, o que não está associado 
à auditoria do Imobilizado é:
a) avaliação dos bens, inclusive quanto à correção mo-
netária;
b) especificação do custo de reposição dos bens;
c) detecção de eventual existência de ônus;
d) identificação de critérios e extensões das depreciações;
e) verificação de existência, propriedade e posse.
 5) No processo de auditoria do ativo imobilizado da empresa 
ABC S.A. o auditor evidenciou que havia uma perda de 
valor recuperável de R$ 100.000,00; na principal unidade 
de negócios da empresa, o lançamento para escrituração 
a ser recomendado pela auditoria é:
a) D: Ativo Imobilizado
 C: Receita com Valor Recuperável
b)	 D:	Despesa	−	Perda	de	Valor	Recuperável
	 C:	Ativo	Imobilizado	−	Perda	de	Valor	Recuperável
c)	 D:	Ativo	Imobilizado	−	Perda	de	Valor	Recuperável
82 Auditoria Contábil
 C: Receita com Valor Recuperável
d)	 D:	 Patrimônio	 Líquido	−	 Reserva	 de	 Reavaliação	−	
Perda de Valor Recuperável Ativo Imobilizado
	 C:	Ativo	Imobilizado	−	Reavaliação	−	Perda	de	Valor	
Recuperável
e)	 D:	Ativo	Imobilizado	−	Reavaliação	−	Perda	de	Valor	
Recuperáveis
	 C:	 Patrimônio	 Líquido	−	 Reserva	 de	 Reavaliação	−	
Perda de Valor Recuperável
Williams Meirelles1
Capítulo 6
Auditoria em Contas de 
Passivo
1 Williams Meirelles é especialista em Controladoria e Gestão da Informação Con-
tábil pelo Centro Universitário Lasalle (UNILASALLE-Canoas, RS), possui graduação 
em Ciências Contábeis e Administração de Empresas pela Universidade Luterana 
do Brasil (ULBRA-Canoas, RS). Tem vasta experiência em Auditoria Contábil, tendo 
atuado por anos em uma “Big Four”. Atualmente, é professor dos cursos de Ciên-
cias Contábeis e Administração de Empresas da ULBRA, presencial e EaD. 
84 Auditoria Contábil
Introdução
As obrigações representam fontes de recursos e reivindicações 
de terceiros contra os ativos da empresa. O auditor estabelece 
a importância das contas passivas a serem testadas, verifican-
do se todas as dívidas da empresa foram devidamente regis-
tradas na contabilidade.
Portanto, neste capítulo, estudaremos o programa de au-
ditoria para as contas de Passivos, passando pelos principais 
objetivos ao auditar tais contas, quais os cuidados do auditor 
durante a revisão dos controles internos e os principais proce-
dimentos aplicados em contas de passivos.
6.1 Objetivos da auditoria nas contas de 
passivos
O exame de auditoria na área de passivos tem por finalidade 
atingir os objetivos previamente determinados. Dessa forma, o 
programa de auditoria deve ser desenhado com o intuito de 
evitar trabalhos desnecessários ou que não atendam aos ob-
jetivos definidos. Uma vez definido o programa de auditoria, 
durante a execução do trabalho, o auditor deve estar aler-
ta para evitar possíveis trabalhos desnecessários ou deixar de 
realizar trabalhos não programados, porém importantes. Caso 
isso venha a ocorrer, o programa deverá ser modificado para 
atender a eventuais trabalhos não programados.
Capítulo 6 Auditoria em Contas de Passivo 85
A seleção e a data da aplicação dos procedimentos de au-
ditoria devem ser definidas visando à efetividade do controle 
interno e a materialidade envolvida e, assim sendo, uma vez 
que o controle tenha sido julgado como adequado, os exames 
de auditoria poderão ser realizados em data intermediária à 
do encerramento, bastando, para isso, que o auditor execute 
procedimentos alternativos que atestem o valor do encerra-
mento. Em caso contrário, a preferência deve recair para a 
data de encerramento.
A terminologia de passivos é utilizada em sentido amplo, 
uma vez que inclui todos os valores a pagar da companhia, 
que podem ser, entre outros:
 Â duplicatas a pagar por compras;
 Â adiantamentos de terceiros;
 Â impostos a recolher;
 Â salários a pagar;
 Â encargos trabalhistas a recolher;
 Â empréstimos a pagar;
 Â juros e encargos a pagar;
 Â provisões diversas;
 Â outros passivos.
A determinação dos procedimentos de auditoria, em cada 
um dos casos, deverá ser feita de tal forma que se obtenha o 
resultado satisfatório de acordo com cada uma das circunstân-
86 Auditoria Contábil
cias. Dessa forma, dependendo da materialidade envolvida, 
o auditor poderá utilizar-se de procedimentos específicos em 
cada uma das naturezas das contas a pagar e decidir seus 
exames em função do procedimento que lhe traga maiores 
benefícios.
6.2 Revisão do controle interno
A revisão do controle interno tem a finalidade de determinar 
a confiabilidade depositada pelo auditor para a determinação 
dos procedimentos de auditoria, a extensão dos trabalhos e o 
momento de sua aplicabilidade. Muito embora o controle in-
terno seja variável de companhia para companhia, é recomen-
dável que a administração estabeleça pontos fores de controle 
que lhe concedam segurança. A título de exemplo, seguem 
abaixo alguns itens de controle interno comumente encontra-
do na área de passivos:
 Â segregação de funções entre o setor de contas a pagar 
e tesouraria;
 Â segregação defunções entre o setor de contas a pagar 
e o setor de compras;
 Â sistema de autorização e aprovação para compras e pa-
gamentos;
 Â balanceamento periódico entre o setor de contas a pa-
gar e a contabilidade;
Capítulo 6 Auditoria em Contas de Passivo 87
 Â arquivamento da documentação comprobatória após o 
pagamento;
 Â atualização constante dos passivos a pagar sujeitos à 
variação do poder aquisitivo da moeda;
 Â controle de pagamentos para evitar atrasos e conse-
quente multa ou juros de mora;
Deve-se levar em consideração que os itens dispostos são 
apenas alguns exemplos, não sendo os únicos. Quando o 
auditor avaliar o controle interno, atenção especial deve ser 
dada quanto à existência de pontos fortes de controle interno 
e de sua efetiva obediência, para que possa medir os riscos 
envolvidos e os procedimentos de auditoria praticáveis para a 
obtenção de sua opinião.
6.3 Procedimentos de auditoria para 
contas de passivos
Os procedimentos de auditoria a serem utilizados pelo auditor 
para a obtenção dos objetivos são dependentes da avaliação 
do controle interno e da materialidade envolvida. Para exem-
plificar os mais comuns, seguem alguns procedimentos que 
poderão ser utilizados durante a execução dos trabalhos de 
auditoria nas Contas de Passivos:
a. Exame físico:
 Â contagem das Contas a Pagar;
88 Auditoria Contábil
 Â contagem dos Títulos a Pagar.
b. Confirmação:
 Â confirmação do saldo de fornecedores;
 Â confirmação do saldo dos empréstimos a pagar;
 Â confirmação do saldo de outras contas a pagar.
c. Documentos Originais:
 Â exame documental de notas fiscais;
 Â exame documental de contratos de empréstimos;
 Â exame de atas e assembleias;
 Â exame documental das guias de recolhimento dos im-
postos.
d. Cálculos:
 Â cálculo dos impostos a pagar;
 Â cálculo da variação monetária dos empréstimos;
 Â cálculo dos juros a pagar;
 Â cálculo das provisões de férias, 13° salário;
 Â cálculo de royalties, dividendos e participações a pagar;
 Â soma da composição dos fornecedores e outras contas 
a pagar.
e. Escrituração:
Capítulo 6 Auditoria em Contas de Passivo 89
 Â exame do razão de fornecedores;
 Â exame do razão de outras contas a pagar;
 Â exame de contabilização dentro do período de compe-
tência.
f. Investigação:
 Â exame minucioso da documentação de compras;
 Â exame minucioso dos passivos com saldos devedores;
 Â exame minucioso das aprovações de compras;
 Â exame minucioso das aprovações dos pagamentos.
g. Inquérito:
 Â variação do saldo dos passivos;
 Â inquisição sobre a existência de passivos não registra-
dos;
 Â inquérito quanto a ativos dados em garantia.
h. Registros auxiliares:
 Â exame do relatório auxiliar de fornecedores;
 Â exame dos livros de apuração dos impostos;
 Â exame das planilhas de amortização dos impostos.
i. Correlação:
 Â correlação entre estoques e fornecedores;
90 Auditoria Contábil
 Â correlação entre salários a pagar com o resultado;
 Â correlação entre os impostos a pagar com o resultado.
j. Observação:
 Â classificação adequada das contas;
 Â observação quanto aos princípios de contabilidade.
6.3.1 Procedimento de circularização
Este procedimento é um dos mais utilizados para a determina-
ção de que o passivo decorrente de contas a pagar é real e 
pertencente à companhia. Uma vez determinada a utilização 
do procedimento de circularização para as contas a pagar, 
deve-se levar em consideração a data base da confirmação e 
a amplitude do teste.
As considerações referentes à data-base e à amplitude do 
teste de circularização são dependentes da avaliação e efetivi-
dade dos controles internos. O pedido de confirmação empre-
gado usualmente é o da forma positiva branca que traz maio-
res subsídios quanto à existência de passivos não registrados. 
Com respeito à confirmação positiva, o auditor deve carrear 
todos os esforços para obtenção de uma resposta utilizando o 
primeiro pedido de confirmação, o segundo pedido de confir-
mação ou a confirmação pessoal junto ao credor.
Entretanto, nem sempre todos os pedidos de confirmação 
serão efetivamente recebidos, uma vez que envolvem compa-
nhias externas àquela auditada. Depois de esgotados os recur-
sos disponíveis para a obtenção da resposta, o auditor, depen-
Capítulo 6 Auditoria em Contas de Passivo 91
dendo do resultado obtido daquelas efetivamente recebidas, 
pode proceder ao exame alternativo, que engloba:
a. Exame documental que comprove a existência de con-
ta a pagar. Exemplo: nota fiscal de compra.
b. Exame documental que comprove por parte do credor 
seu crédito junto à companhia. Exemplo: fatura/dupli-
cata.
c. Exame documental de realização da conta a pagar. 
Exemplo: aviso bancário de pagamento, duplicata qui-
tada.
A utilização dos testes alternativos é uma das formas com 
que o auditor comprova eficazmente as contas a pagar, porém 
só após esgotados todos os recursos disponíveis para a obten-
ção de resposta. É dependente do resultado obtido das res-
postas efetivamente recebidas, pois a utilização dessa prática 
somente envolve documentação interna que é de propriedade 
da companhia. Ao executar essa prática, o auditor está utili-
zando nada mais do que outros procedimentos de auditoria. 
Com relação às respostas recebidas, o auditor deve estar aten-
to para quaisquer informações apostas nas confirmações pe-
los credores. Essas informações denominadas como gratuitas 
devem ser minuciosamente examinadas, pois podem revelar a 
existência de desvios, apropriações indébitas, contas a pagar 
irreal ou incorreções.
92 Auditoria Contábil
6.3.2 Atenção aos passivos contingentes
As normas de auditoria determinam que devem ser adotados 
procedimentos adequados para assegurar que as contingên-
cias ativas e passivas relevantes (decorrentes de processos judi-
ciais e extrajudiciais, reivindicações e reclamações, bem como 
de lançamentos de tributos e de contribuições em disputa) fo-
ram identificadas e são do conhecimento da administração da 
entidade.
O CPC 25 (Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Con-
tingentes) traz os conceitos de:
Provisão: é um passivo de prazo ou de valor incertos.
Passivo contingente é:
a. uma obrigação possível que resulta de eventos pas-
sados e cuja existência será confirmada apenas pela 
ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros in-
certos não totalmente sob controle da entidade; ou
b. uma obrigação presente que resulta de eventos passa-
dos, mas que não é reconhecida porque:
 1. não é provável que uma saída de recursos seja exigida 
para liquidar a obrigação; ou
 2. o valor da obrigação não pode ser mensurado com sufi-
ciente confiabilidade.
Portanto, o auditor deve ter cuidado ao analisar tanto os 
passivos e provisões, quanto a correta divulgação dos passivos 
contingentes nas notas explicativas.
Capítulo 6 Auditoria em Contas de Passivo 93
Recapitulando
Neste capítulo, estudamos os principais procedimentos utiliza-
dos pelo auditor para as contas de Passivos, os cuidados refe-
rentes ao ambiente de controles de internos, para aumentar a 
confiança de que os valores registrados como Passivos foram 
devidamente contabilizados.
Vale ressaltar, aqui, que a principal preocupação do Au-
ditor, ao auditar contas de Passivo, é de que o mesmo esteja 
“subavaliado”, ou seja, buscando esconder uma situação de 
dificuldade financeira, fraudar o fisco ou ludibriar credores e 
sócios.
Referências
ARAÚJO, Inaldo da Paixão Santos; ARRUDA, Daniel Gomes. 
Fundamentos da Auditoria. São Paulo: Saraiva 2012.
COMITÊ DOS PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS – CPC. 
Pronunciamento Técnico CPC 25: Provisões, Passi-
vos Contingentes e Ativos Contingentes. Disponível em: 
<http://www.cpc.org.br> Acesso em: 30 mar.2017.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil – Teoria e 
Prática. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
94 Auditoria Contábil
Atividades
 1) Por que o exame do passivo é considerado como de gran-
de risco para a Auditoria?
 2) Assinale qual dos procedimentos a seguir é utilizado du-
rante a auditoria no grupo de contas de fornecedores:
a) confirmação de saldos;
b) inspeção física;
c) conferência de cálculos;
d) inspeção de notas fiscais de venda.
 3) Em se tratando das obrigações com salários, o auditor 
deve se certificar de que eles foram registrados:
a) no mês do pagamento dos salários;
b) no mês em que o empregado trabalhou;
c) no mês do pagamento dos encargos sociais;
d) no mês do recolhimento dos descontos.
 4) Nos trabalhos de auditoria externa, o profissional encarre-
gado de revisar as contas a pagar da Cia. ABC verificou a 
existência de várias duplicatas quitadas, emitidas por for-
necedores da companhia, mas cuja baixa não tinha sido 
registrada na escrituração contábil. Esse fato constitui um 
indício de:
a) falta de origem para suprimentos de caixa;
Capítulo 6 Auditoria em Contas de Passivo 95
b) subestimação de passivos;
c) passivo fictício;
d) passivo real a descoberto;
e) passivo oculto.
 5) O auditor contábil independente observou, por ocasião da 
inspeção dos contratos de empréstimos, que os juros devi-
dos e não pagos, até a data de encerramento do exercício 
social, não foram provisionados. Esse é um tipo de teste de 
auditoria principal para:
a) superavaliação do ativo e secundário para subavalia-
ção de receita;
b) subavaliação do passivo e secundário para subavalia-
ção de despesa;
c) subavaliação do passivo e secundário para superava-
liação de despesa;
d) superavaliação do passivo e secundário para supera-
valiação de despesa;
e) subavaliação de despesas e secundário para subava-
liação do passivo.
Williams Meirelles1
Capítulo 7
Auditoria no PL
1 Williams Meirelles é especialista em Controladoria e Gestão da Informação Con-
tábil pelo Centro Universitário Lasalle (UNILASALLE-Canoas, RS), possui graduação 
em Ciências Contábeis e Administração de Empresas pela Universidade Luterana 
do Brasil (ULBRA-Canoas, RS). Tem vasta experiência em Auditoria Contábil, tendo 
atuado por anos em uma “Big Four”. Atualmente, é professor dos cursos de Ciên-
cias Contábeis e Administração de Empresas da ULBRA, presencial e EaD. 
Capítulo 7 Auditoria no PL 97
Introdução
O patrimônio líquido representa os ativos líquidos da entida-
de, pertencentes aos proprietários, ou seja, a diferença entre 
o ativo real e o passivo real em determinado momento. Se-
gundo a Lei 6.404/76, alterada pelas Leis nºs 11.638/07 e 
11.941/09, o patrimônio líquido é dividido em:
 Â capital social;
 Â reservas de capital;
 Â ajustes de avaliação patrimonial;
 Â reservas de lucros;
 Â ações em tesouraria;
 Â prejuízos acumulados.
Vamos então estudar como é realizada a auditoria no PL.
7.1 Aspectos contábeis
Vamos relembrar os aspectos contábeis das contas que com-
põem o PL, pois muitas vezes algumas acabam passando des-
percebidas.
7.1.1 Capital social
Compreende a soma dos bens investidos no negócio que cor-
responde à situação líquida inicial. Esse capital só será alte-
98 Auditoria Contábil
rado quando os proprietários realizarem novos investimentos 
adicionais ou desinvestimentos. Como a situação líquida tam-
bém é alterada pelos lucros ou prejuízos e reservas, muito ra-
ramente o capital social coincidirá com a situação líquida. Em 
resumo, as principais características do capital social de uma 
sociedade anônima são as seguintes:
 Â seu valor é fixado pelo estatuto e deverá ser expresso em 
moeda nacional;
 Â pode ser formado com contribuições em dinheiro ou em 
qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em 
dinheiro.
O capital social é representado por ações (sociedades anô-
nimas) ou quotas (outros tipos de sociedades). As principais 
características das ações são as seguintes:
 Â seu número será fixado pelo estatuto, que estabelecerá 
se as mesmas terão ou não valor nominal;
 Â podem ser ordinárias, preferenciais ou de fruição, con-
forme a natureza dos direitos ou vantagens que confi-
ram a seus titulares;
 Â podem ser nominativas, endossáveis ou ao portador.
7.1.2 Reservas de capital
Todas as reservas são constituídas por exigências legais. As 
reservas de capital são parte do capital próprio da entidade, 
que tem por fim fortalecer a integridade do capital social. São 
provenientes de:
Capítulo 7 Auditoria no PL 99
 Â ágio na subscrição do capital, inclusive nos casos de 
conversão em ações de debêntures ou partes beneficiá-
rias;
 Â resultado da correção monetária do capital realizado, 
enquanto não capitalizado.
Muito importante que as Reservas de Capital nunca sejam 
confundidas com as Reservas de Lucros.
7.1.3 Ajustes de avaliação patrimonial
Serão classificadas nesse grupo, enquanto não computadas 
no resultado do exercício em obediência ao regime de compe-
tência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor 
atribuído a elementos do ativo e do passivo, em decorrên-
cia da sua avaliação ao valor justo, apenas para aplicações 
em instrumentos financeiros disponíveis para venda; variação 
cambial de investimentos no exterior e diferenças de ativos e 
passivos avaliadas ao mercado em reorganizações societárias.
7.1.4 Reservas de lucros
Podem ser utilizadas para absorver prejuízos, distribuir dividen-
dos ou incorporar ao capital social. São provenientes da des-
tinação do Lucro, apurado na Demonstração do Resultado do 
Exercício, e são as seguintes:
 Â reserva legal;
 Â reserva estatutária;
100 Auditoria Contábil
 Â reserva para contingências;
 Â reserva de lucros a realizar;
 Â reserva para reinvestimento ou expansão;
 Â reserva de incentivos fiscais.
As reservas: legal, para contingências e de lucros a realizar, 
devem ser constituídas antes do cálculo do dividendo obriga-
tório. De modo geral, as reservas destinam-se a preservar o 
capital da entidade e possibilitar sua expansão.
O saldo de reserva de lucros, exceto as para contingências, 
de incentivos fiscais e de lucros a realizar, não poderá ultrapas-
sar o capital social. Atingido o limite, a Assembleia deliberará 
sobre a aplicação do excesso: aumento de capital ou distribui-
ção de dividendos.
7.1.5 Ações em tesouraria
As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço 
como dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a 
origem dos recursos aplicados na sua aquisição.
7.1.6 Prejuízos acumulados
Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer 
participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o 
imposto sobre a renda. O prejuízo líquido do exercício será 
obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas 
reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem.
Capítulo 7 Auditoria no PL 101
7.2 Objetivos
Os objetivos de auditoria do patrimônio líquido são verificar 
se:
a. determinar se as transações foram registradas de acor-
do com os requisitos legais e com as condições esta-
belecidas nos atos constitutivos e nas alterações subse-
quentes (estatutos, contratos sociais etc.);
b. determinar se todas as transações foram autorizadas 
pelos proprietários (acionistas etc.), bem como se um 
controle interno adequado é mantido sobre as caute-
las de ações, registros e transferências de ações, emis-
são de novas ações, ágio sobre emissões, dividendos 
não reclamados etc.;
c. determinar se as contas estão apresentadas com fide-
dignidade e de acordo com princípios contábeis ge-
ralmente aceitos e aplicados com uniformidade em 
relação ao exercício anterior;
d. verificar se as demonstrações contábeis e correspon-dentes notas explicativas contém todos os esclareci-
mentos julgados imprescindíveis para que o leitor bem 
compreenda a situação patrimonial da entidade;
e. verificar se a apresentação do balanço patrimonial 
de uma entidade inclui todos os detalhes importantes 
concernentes ao capital, e se essa apresentação segue 
os princípios de contabilidade geralmente aceitos apli-
cados de maneira consistente com o exercício anterior 
102 Auditoria Contábil
e está em conformidade com os estatutos da entidade, 
assim como se as correspondentes notas explicativas 
contém todos os esclarecimentos julgados imprescin-
díveis para que o leitor bem compreenda a situação 
patrimonial da entidade;
f. verificar o atendimento aos requisitos da legislação so-
cietária, fiscal e de órgãos reguladores.
7.3 Procedimentos
Os principais procedimentos de auditoria do patrimônio líqui-
do são:
7.3.1 Capital social
 Â avaliação dos controles internos relativos à impressão, 
numeração, guarda, emissão, assinatura e cancelamen-
to de cautelas e teste desses procedimentos para deter-
minar que o livro de registro de ações registra fidedigna-
mente o total de ações emitidas;
 Â determinação de que as exigências legais e estatutárias 
estão sendo cumpridas;
 Â exame da correta e atualizada escrituração dos livros 
obrigatórios;
 Â determinação de que a apresentação nas demonstra-
ções contábeis é adequada e que todos os esclareci-
Capítulo 7 Auditoria no PL 103
mentos julgados necessários nas circunstâncias constam 
nas peças contábeis ou das suas notas;
 Â exame da movimentação da conta, observando a apro-
vação por parte dos acionistas ou proprietários e tam-
bém a entrada em caixa ou em bancos dos valores cor-
respondentes às integralizações em dinheiro;
 Â laudo de avaliação dos peritos independentes, nos ca-
sos de integralização em bens, e a correta contabiliza-
ção no ativo dos bens recebidos como integralização;
 Â correto registro e distribuição das ações bonificadas de-
correntes da capitalização de reservas e lucros acumu-
lados.
7.3.2 Reservas
 Â exame da movimentação das contas para determinar 
que as reservas foram constituídas e utilizadas de acor-
do com as disposições legais, estatutárias e decisões dos 
acionistas ou sócios de sociedades de grande porte;
 Â conferência de cálculos.
7.3.3 Lucros ou prejuízos acumulados
 Â verificação da aprovação dos acionistas para a movi-
mentação havida na conta e a adequação dos lança-
mentos efetuados;
104 Auditoria Contábil
 Â verificação dos pagamentos de dividendos e juros de 
capital próprio com exame de cálculos e recibos;
 Â verificação dos ajustes de exercícios anteriores, que po-
derão ser feitos na conta de lucros ou prejuízos acumu-
lados.
Recapitulando
Neste capítulo, estudamos a composição do Patrimônio Líqui-
do através da definição de cada uma das contas que o com-
põem, os objetivos e principais procedimentos de auditoria 
aplicados a essas contas.
Importante relembrar que o PL representa um item muito 
importante nas demonstrações contábeis, tanto para os sócios 
da entidade quanto para os demais usuários. Para os sócios, o 
patrimônio líquido representa a situação líquida do seu inves-
timento, mostra como os recursos foram aplicados e como a 
administração está se portando no que diz respeito à estrutura 
de capital. Para os investidores, ele mostra o valor contábil da 
entidade. O investidor, ao aplicar seu dinheiro, pensa no re-
torno desse investimento, e a movimentação nas contas do pa-
trimônio líquido proporciona uma boa medida de como esse 
retorno será obtido.
Capítulo 7 Auditoria no PL 105
Referências
ARAÚJO, Inaldo da Paixão Santos; ARRUDA, Daniel Gomes. 
Fundamentos da Auditoria. São Paulo: Saraiva 2012.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil – Teoria e 
Prática. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
Atividades
 1) Patrimônio Líquido é:
a) o conjunto de bens, direitos e obrigações;
b) o somatório dos bens e direitos;
c) exclusivamente a conta Capital;
d) o valor residual dos ativos, deduzidos todos os seus 
passivos;
e) as receitas, subtraídas as despesas.
 2) A auditoria do ágio na subscrição do capital é realizada 
em qual área do balanço patrimonial?
a) Investimentos
b) Patrimônio Líquido
c) Contas a Pagar
d) Receitas e Despesas
106 Auditoria Contábil
e) Passivo
 3) Não é sinônimo de patrimônio líquido:
a) passivo não exigível;
b) situação líquida;
c) recursos de terceiros;
d) capital próprio;
e) recursos próprios.
 4) Qual dos demonstrativos a seguir o auditor deve ter mais 
cuidado em se tratando da auditoria do Patrimônio Líqui-
do?
a) DMPL
b) DRE
c) DVA
d) DLPA
e) DFC
 5) Os aspectos mais importantes que o auditor deve verificar 
nos testes das Contas do Patrimônio Líquido referem-se à 
observância dos formalismos legais e estatutários. Desse 
modo, deve o auditor:
a) identificar a divulgação de eventuais ônus sobre os 
investimentos;
Capítulo 7 Auditoria no PL 107
b) verificar a disponibilidade do PL quanto à sua distribui-
ção aos acionistas, quotistas e proprietários;
c) examinar os registros da empresa com a contagem de 
títulos;
d) confrontar os registros da empresa com a contagem 
de títulos;
e) proceder a exames e testes de confirmação quando há 
títulos envolvidos.
Williams Meirelles1
Capítulo 8
Auditoria nas Contas de 
Resultado
1 Williams Meirelles é especialista em Controladoria e Gestão da Informação Con-
tábil pelo Centro Universitário Lasalle (UNILASALLE-Canoas, RS), possui graduação 
em Ciências Contábeis e Administração de Empresas pela Universidade Luterana 
do Brasil (ULBRA-Canoas, RS). Tem vasta experiência em Auditoria Contábil, tendo 
atuado por anos em uma “Big Four”. Atualmente, é professor dos cursos de Ciên-
cias Contábeis e Administração de Empresas da ULBRA, presencial e EaD. 
Capítulo 8 Auditoria nas Contas de Resultado 109
Introdução
Neste capítulo, estudaremos sobre os procedimentos de audi-
toria aplicados nas contas de resultado. O resultado econô-
mico da entidade, espelhado na demonstração de resultados 
é de suma importância para a administração, acionistas, ban-
cos, fornecedores, funcionários, investidores e fornecedores 
em potencial e para o próprio governo.
8.1 Objetivos
Ao analisar o ciclo de operações da entidade e o seu resultado 
econômico, o auditor deve ter em mente que a simples verifi-
cação das rotinas de trabalho no que tange à existência de do-
cumentos comprobatórios das transações efetuadas e exatidão 
dos princípios contábeis adotados no seu registro não implica 
necessariamente que a entidade esteja operando nos moldes 
mais recomendáveis sob o ponto de vista de sua atividade pri-
mordial, ou seja, a obtenção de lucro.
Isso implica dizer que o auditor deve encarar o seu trabalho 
procurando atingir, entre outros, os seguintes objetivos gerais:
a. comparação dos resultados globais da entidade com 
os congêneres em seu ramo de atividade;
b. crescimento da entidade em termos de absorção de 
mercado;
110 Auditoria Contábil
c. comparação dos resultados com orçamentos e previ-
sões e determinação das causas que provocam as va-
riações;
d. estudo da rentabilidade por linhas de produto e apre-
ciação das variações e tendências, considerando a 
possibilidade de descontinuar linhas de produtos ou 
produtos de baixa rotação.
O exame de auditoria nas contas de receita tem como ob-
jetivo determinar a autenticidade das quantias registradas nas 
contas e refletidas nas demonstrações contábeis, resguardan-
do-se contra os seguintes pontos principais:
 Â aumento forçado nas vendas;
 Â diminuição do valor das vendas ou aumento dos abati-
mentos, visando cobrir quaisquer irregularidades;
 Â agrupamento dasreceitas operativas e de atividades 
não continuadas indevidamente;
 Â vendas ou receitas demonstradas pelo bruto (incluindo 
descontos, abatimentos, devoluções etc.);
 Â transposição das vendas ou receitas para o exercício se-
guinte, diminuindo o valor do ano;
 Â ausência de contabilização das contas de receitas rea-
lizadas.
Quanto ao exame das contas de despesas, os objetivos 
principais são:
Capítulo 8 Auditoria nas Contas de Resultado 111
 Â Assegurar-se de que todas as despesas referentes a ser-
viços e mercadorias vendidas no exercício estão atribuí-
das as correspondentes receitas;
 Â Assegurar-se de que todas as despesas que se refiram a 
exercícios futuros encontram-se nas contas de despesas 
do exercício seguinte;
 Â Assegurar-se de que todas as despesas estão adequada-
mente classificadas nas demonstrações contábeis e que 
as despesas ou prejuízos não operativos, bem como o 
resultado de atividades não continuadas, estão classifi-
cados e separados adequadamente.
8.2 Aspectos de controle interno
Para obtenção de um controle eficiente das operações, é fun-
damental a existência de registros adequados, destinados a 
conter as informações requeridas no final do exercício para 
justificar ou determinar os fatores que atuaram no resultado 
das operações efetuadas. Há, além disso, algumas normas de 
procedimentos, cuja adoção implica no aumento da eficiência 
dos controles, as quais podem ser relacionadas, conforme a 
seguir.
8.2.1 Quanto às receitas
a. manter a seção de faturamento separada dos departa-
mentos de cobrança e de expedição;
112 Auditoria Contábil
b. manter, na seção de custo ou contabilidade, controle 
das quantidades e valores para determinação do custo 
de mercadoria vendida e baixa do estoque;
c. controlar através de livro próprio ou boletins especiais 
os recebimentos feitos por vendedores ou cobradores;
d. estabelecer obrigatoriedade de autorização por escri-
to para qualquer crédito referente a descontos, abati-
mentos, devoluções etc.;
e. estabelecer que todos os documentos utilizados sejam 
pré-numerados tipograficamente;
f. manter rigoroso controle sobre dividendos, juros etc., 
a receber.
8.2.2 Quanto às despesas
Os controles sobre as despesas baseiam-se quase que ex-
clusivamente no princípio de segregação de funções. Todos 
os documentos devem ser rigorosamente inspecionados por 
seções independentes do caixa e cancelados por ocasião do 
pagamento, o qual somente deverá ser efetuado mediante a 
autorização de um titular responsável.
Os controles não devem restringir-se ao setor meramente 
físico da inspeção das despesas. Os saldos devem ser anali-
sados e comparados com exercícios anteriores ou com as pre-
visões orçamentárias. É preciso que todas as distorções sejam 
verificadas e explicadas convenientemente.
Capítulo 8 Auditoria nas Contas de Resultado 113
8.3 Procedimentos
Os principais procedimentos de auditoria aplicados nas contas 
de Receitas e Despesas podem se dividir basicamente em três 
categorias gerais, como veremos a seguir.
8.3.1 Revisões analíticas
Dizem respeito a uma série de técnicas usadas para submeter 
os saldos de contas individuais de receitas e despesas a exame 
rigoroso, amplo do ponto de vista geral.
Essas técnicas compreendem análise de índices, análise 
de tendências, verificação de flutuações nas séries de dados 
contábeis, análise de regressão, análises gráficas, compara-
ção em termos absolutos de saldos de contas, mês a mês e 
ano a ano e outros métodos estatísticos. Essas técnicas podem 
revelar a necessidade de testes posteriores mais aprofundados 
e dados que requerem explicações. Como principal exemplo, 
temos a análise vertical e horizontal das contas.
Os tipos de erros ou irregularidades mais facilmente detec-
táveis através dessa técnica são:
a. emissões ou diminuições nas contas;
b. erros de lançamento;
c. mudanças contábeis nos planos de contas;
d. mudanças de produtos, mercados, preços;
e. mudanças de política, que afetam as demonstrações;
114 Auditoria Contábil
f. outros disfarces embutidos nas contas.
8.3.2 Testes de transações
Envolvem a averiguação detalhada dos registros de transações 
escolhidos dentre os registros contábeis. Essa verificação pode 
consistir no exame de documentos originais, conferência de 
lançamentos e de cálculos, verificação de somas etc.
Esse procedimento dá ao auditor uma noção da segurança 
e eficácia dos controles internos, determinando-se através des-
sa avaliação a extensão dos testes das transações.
8.3.3 Análise detalhada das contas
Certas contas, além de serem submetidas a uma revisão ana-
lítica e testes de transações, devem ser analisadas detalhada-
mente, a fim de determinar a natureza e propriedade dos cré-
ditos e débitos individualmente. O procedimento empregado 
para analisar contas começa com o exame dos lançamentos 
registrados nas mesmas durante o período selecionado. Após 
a seleção, cada item é examinado através dos seguintes pro-
cedimentos:
a. comparação com documentos originais;
b. verificação da existência de aprovação;
c. verificação da existência de tratamento contábil ade-
quado;
Capítulo 8 Auditoria nas Contas de Resultado 115
d. verificação se o item é receita ou despesa adequada 
para a entidade (operação normal ao ramo de ativida-
des).
Recapitulando
Neste capítulo, estudamos sobre a auditoria das contas de re-
sultado, que visa confirmar se todas as receitas, custos e des-
pesas atribuídos no período estão devidamente comprovados 
e contabilizados. Também verificamos os procedimentos de 
auditoria aplicáveis nas contas de resultado, onde se destaca 
a revisão analítica que consiste em analisar as variações dos 
saldos das contas de receitas e despesas, objetivando a identi-
ficação de situações ou tendências atípicas.
Referências
ARAÚJO, Inaldo da Paixão Santos; ARRUDA, Daniel Gomes. 
Fundamentos da Auditoria. São Paulo: Saraiva 2012.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil – Teoria e 
Prática. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
116 Auditoria Contábil
Atividades
 1) Qual a despesa o auditor testará juntamente com a audi-
toria do imobilizado?
a) despesa com ágio amortizado;
b) despesa de manutenção e reparos;
c) despesa de variação cambial;
d) despesa de juros com debêntures;
e) despesa com folha de pagamento.
 2) Identificar se os controles internos e de vendas à vista con-
tribuem para evitar o subfaturamento das vendas, asse-
gurando-se de que todas as notas emitidas tenham sido 
efetivamente registradas no caixa é um dos objetivos:
a) dos Testes em Contas do Patrimônio Líquido;
b) dos Testes em Contas de Empréstimos e Financiamen-
tos;
c) da Auditoria na Conta de Receita;
d) da Auditoria do Imobilizado;
e) da Auditoria em Contas a Pagar.
 3) A auditoria de doações e subvenções para investimentos é 
realizada em qual área do balanço patrimonial?
a) Ativo
Capítulo 8 Auditoria nas Contas de Resultado 117
b) Patrimônio Líquido
c) Contas a Pagar
d) Receitas
e) Despesas
 4) Com relação a programas de auditoria em contas do ba-
lanço patrimonial e em contas da demonstração do resul-
tado, julgue o item seguinte como verdadeiro ou falso.
 Procedimentos de auditoria para contas correlatas, 
como vendas e contas a receber e compras e fornece-
dores a pagar, são indicados em auditorias destinadas 
a contas de resultado.
 5) Nos exames de auditoria das contas de resultado, os se-
guintes procedimentos não são usualmente aplicados pe-
los auditores:
a) inspeção e cálculo;
b) confirmação e observação;
c) conferência de cálculo e registros;
d) revisão analítica e inspeção;
e) exame documental.
Williams Meirelles1
Capítulo 9
Eventos Subsequentes
1 Williams Meirelles é especialista em Controladoriae Gestão da Informação Con-
tábil pelo Centro Universitário Lasalle (UNILASALLE-Canoas, RS), possui graduação 
em Ciências Contábeis e Administração de Empresas pela Universidade Luterana 
do Brasil (ULBRA-Canoas, RS). Tem vasta experiência em Auditoria Contábil, tendo 
atuado por anos em uma “Big Four”. Atualmente, é professor dos cursos de Ciên-
cias Contábeis e Administração de Empresas da ULBRA, presencial e EaD. 
Capítulo 9 Eventos Subsequentes 119
Introdução
Eventos subsequentes são fatos ocorridos após a data das de-
monstrações contábeis e conhecidos antes ou depois da data 
do Relatório de Auditoria. Apesar de a opinião do auditor inde-
pendente ser dada, geralmente sobre as demonstrações con-
tábeis que se destinam a apresentar a posição patrimonial em 
data determinada, e sobre o resultado das operações relativas 
ao período findo nessa data, o auditor tem a responsabilidade 
de avaliar o efeito de eventos subsequentes nas demonstra-
ções contábeis examinadas, e determinar a necessidade de:
 Â ajustes nas demonstrações contábeis;
 Â divulgações em notas explicativas;
 Â ênfase ou ressalva em seu relatório.
9.1 Informações sobre eventos 
subsequentes
Os eventos subsequentes encontram amparo para fins de au-
ditoria contábil nas seguintes fontes: CPC 24 – Evento Subse-
quente e CFC – Resolução nº 1225/09 – NBC TA 560 – Even-
tos Subsequentes.
Os eventos ou transações subsequentes tem efeito sobre 
o exame do auditor, especialmente pelos seguintes aspectos:
a. a opinião do auditor é emitida sobre as demonstrações 
contábeis que devem refletir a posição patrimonial e 
120 Auditoria Contábil
financeira, bem como sobre os resultados das opera-
ções relativas ao período findo em determinada data. 
Contudo, posteriormente, até a conclusão do exame 
pelo auditor, podem ocorrer eventos ou transações 
que, pela sua relevância, influem substancialmente na 
posição da entidade. É indispensável que esses fatos 
sejam considerados na apreciação das demonstrações 
examinadas;
b. parte considerável do exame é executada pelo auditor 
após a data do levantamento do balanço. Embora o 
auditor não tenha obrigação de estender todos os pro-
cedimentos de auditoria com a finalidade de cobrir, 
também, as transações do período subsequente, o seu 
programa de trabalho deve incluir certos procedimen-
tos executados normalmente nesse período;
c. o auditor deve levar em consideração os eventos sub-
sequentes e exigir, quando apropriado, os ajustes de 
contas ou a inclusão de notas explicativas sobre as-
suntos considerados indispensáveis à interpretação 
apropriada das demonstrações contábeis. Caso as de-
monstrações sejam omissas quanto ao efeito de even-
tos subsequentes, o auditor deverá fazer a correspon-
dente ressalva em seu relatório.
Diante do exposto, podemos afirmar que os eventos subse-
quentes à data do balanço são aqueles que ocorrem entre a 
data do balanço e a data na qual as demonstrações financei-
ras são publicadas. Há dois tipos de eventos que podem ser 
identificados:
Capítulo 9 Eventos Subsequentes 121
a. os que evidenciam condições que já existiam na data 
do balanço (eventos subsequentes à data do balanço 
que originam ajustes); e
b. os que são indicadores de condições que surgiram 
subsequentemente à data do balanço (eventos subse-
quentes à data do balanço que não originam ajustes).
9.2 Objetivos
O auditor, ao efetuar procedimentos relativos aos eventos sub-
sequentes, tem como objetivo estabelecer critérios e condições 
para a contabilização e divulgação desses eventos subsequen-
tes à data do balanço, determinando:
a. quando uma entidade deve ajustar suas demonstra-
ções contábeis com respeito a eventos subsequentes à 
data do balanço; e
b. as informações que uma entidade deve divulgar sobre 
a data em que é concedida a autorização para con-
clusão da elaboração das demonstrações contábeis e 
sobre os eventos subsequentes à data do balanço.
122 Auditoria Contábil
9.3 Eventos subsequentes à data do 
balanço que originam ajustes
Se o auditor encontrar evidências de que determinados eventos 
subsequentes são relativos a condições existentes até a dada 
do balanço, tais eventos subsequentes exigem que a entidade 
ajuste os valores reconhecidos em suas demonstrações con-
tábeis ou reconheça itens que não tenham sido previamente 
reconhecidos, como, por exemplo:
a. o pagamento ou a divulgação de uma decisão defini-
tiva relacionado(a) a um processo judicial, confirman-
do que a entidade já tinha uma obrigação presente 
na data do balanço. A entidade deve ajustar qualquer 
provisão relacionada ao processo ou registrar uma 
nova provisão, de acordo com as disposições contidas 
no CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos 
Contingentes;
b. a obtenção de informação indicando que um ativo es-
tava deteriorado na data do balanço ou que o mon-
tante de um prejuízo por deterioração previamente 
reconhecido em relação àquele ativo precisa ser ajus-
tado. Como, por exemplo: i) a falência ou a concorda-
ta de um cliente normalmente confirma que já existia 
potencialmente um prejuízo em uma conta a receber 
na data do balanço, e que a entidade precisa ajustar o 
valor contábil da conta a receber; ii) a venda de esto-
ques com prejuízo pode proporcionar evidência sobre 
o valor de realização líquido desses estoques na data 
do balanço;
Capítulo 9 Eventos Subsequentes 123
c. a determinação do custo de ativos comprados ou do 
valor de ativos recebidos em troca de ativos vendidos 
antes da data do balanço;
d. a determinação do valor referente ao pagamento de 
participação nos lucros ou referente a gratificações, 
no caso de a entidade ter, na data do balanço, uma 
obrigação presente legal não formalizada de fazer tais 
pagamentos em decorrência de eventos ocorridos an-
tes daquela data; e
e. a descoberta de fraude ou erros mostra que as de-
monstrações contábeis estavam incorretas.
9.4 Eventos subsequentes à data do 
balanço que não originaram ajustes
Mesmo não havendo necessidade de ajustes, alguns eventos 
subsequentes à data do balanço requerem divulgação, pois 
caso contrário poderiam influenciar as decisões econômicas 
a serem tomadas por usuários com base nas demonstrações 
contábeis.
Nesse caso, deverão ser divulgados em notas explicativas:
a. a natureza do evento; e
b. a estimativa de seu efeito financeiro ou uma declara-
ção de que tal estimativa não pôde ser feita e as razões 
da impossibilidade.
124 Auditoria Contábil
Exemplos de tipos de eventos subsequentes à data do ba-
lanço que não originam ajustes, os quais normalmente resul-
tam em divulgação:
a. combinação de negócios importantes após o período 
contábil (CPC 15);
b. anúncio de um plano para descontinuar uma opera-
ção;
c. compras importantes de ativos, classificação de ativos 
mantidos para venda (CPC 31);
d. destruição por incêndio, de uma instalação de produ-
ção importante;
e. anúncio ou início de uma reestruturação importante;
f. transações importantes, efetivas e potenciais, envol-
vendo ações ordinárias subsequentes ao período con-
tábil;
g. mudanças anormais (grandes e incomuns) nos preços 
dos ativos ou nas taxas de câmbio;
h. mudanças nas alíquotas de impostos ou na legislação 
tributária, promulgadas ou anunciadas, que tenham 
efeito significativo sobre os ativos e passivos fiscais 
correntes e diferidos (CPC 32);
i. assunção de compromissos ou de contingência passi-
va significativa, por exemplo, por meio da concessão 
de garantias significativas; e
Capítulo 9 Eventos Subsequentes 125
j. início de litígio importante, proveniente exclusivamente 
de eventos que aconteceram após a data do balanço.
9.5 Procedimentos de auditoria
Os procedimentos de auditoria para identificação de eventos 
subsequentes, referem-seao exame dos eventos ocorridos en-
tre a data das demonstrações contábeis e a data do relatório 
do auditor. Os procedimentos usuais de auditoria, para in-
vestigação da existência de eventos subsequentes, podem ser 
resumidos como segue:
 a. procedimentos normalmente incluídos no exame das diver-
sas contas:
 Â revisão dos registros de recebimentos e pagamentos;
 Â exame dos resultados das confirmações solicitadas;
 Â corte de vendas e compras;
 Â investigação de passivos não registrados.
 b. certos procedimentos gerais, normalmente executados até 
a data da conclusão do exame, para suportar o parecer 
sobre as demonstrações contábeis, tais como:
 Â leitura de atas de assembleias;
 Â leitura de atas de reuniões da Diretoria;
 Â revisão das últimas demonstrações contábeis interme-
diárias existentes;
126 Auditoria Contábil
 Â indagações com a administração.
Consequentemente, não seria necessário estender os pro-
cedimentos usuais para cobrir os eventos pré-relatório, porque 
a data do relatório coincidirá com a da conclusão do trabalho. 
Todavia, se o relatório for emitido com data posterior a da 
conclusão de todos os exames importantes de auditoria, é es-
sencial estender os procedimentos gerais antes mencionados, 
até a data da emissão do mesmo.
Recapitulando
Neste capítulo, estuamos sobre eventos subsequentes à data 
do balanço, que são aqueles eventos ocorridos entre a data 
base da auditoria (na maioria das empresas brasileiras 31/12) 
e a data da emissão do Relatório de Auditoria.
Tais eventos podem requerer ajustes nas demonstrações 
contábeis –caso os efeitos forem pré-existentes à data base da 
auditoria – ou podem requerer divulgações em notas explica-
tivas.
Referências
ARAÚJO, Inaldo da Paixão Santos; ARRUDA, Daniel Gomes. 
Fundamentos da Auditoria. São Paulo: Saraiva 2012.
Capítulo 9 Eventos Subsequentes 127
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil – Teoria e 
Prática. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
Atividades
 1) Assinale a alternativa que apresenta o momento em que 
ocorrem os eventos subsequentes.
a) Entre a data da publicação das demonstrações contá-
beis e a data do relatório do auditor independente se 
os fatos chegaram ao conhecimento do auditor inde-
pendente após a data do seu relatório.
b) Entre a data do relatório do auditor independente e a 
publicação das demonstrações contábeis se os fatos 
chegaram ao conhecimento do auditor independente 
antes da data do seu relatório.
c) Após a data em que o relatório do auditor indepen-
dente e as demonstrações contábeis auditadas estão 
disponibilizadas para terceiros.
d) Até a data do relatório do auditor independente sobre 
as demonstrações contábeis.
e) Após a aprovação das demonstrações contábeis pelo 
conselho de administração.
 2) A NBC TA 560 (R1) estabelece que o auditor independen-
te deve executar procedimentos de auditoria desenhados 
para obter evidência apropriada e suficiente de que todos 
128 Auditoria Contábil
os eventos ocorridos entre a data das demonstrações con-
tábeis e a data do relatório que precisam ser ajustados 
ou divulgados nas demonstrações contábeis foram identi-
ficados. Nesse caso, o que o auditor deve fazer para de-
terminar a natureza e extensão desses procedimentos de 
auditoria? 
a) Revisar os procedimentos de auditoria em relação às 
demonstrações contábeis, visando certificar a sua ade-
quada divulgação. 
b) Indicar que os procedimentos do auditor sobre os 
eventos subsequentes estão restritos às alterações das 
demonstrações contábeis.
c) Considerar a necessidade de representações formais 
que cubram determinados eventos subsequentes para 
corroborar as evidências. 
d) Indagar a administração sobre a ocorrência de even-
tos subsequentes que poderiam afetar as demonstra-
ções contábeis. 
 3) A utilização dos eventos subsequentes aplicados às contas 
de contas a pagar tem como objetivo:
a) verificar se os valores pagos após a data de encer-
ramento das demonstrações contábeis foram correta-
mente provisionados;
b) avaliar as alterações significativas no fluxo dos proce-
dimentos contábeis após o fechamento das demons-
trações contábeis;
Capítulo 9 Eventos Subsequentes 129
c) complementar ou subsidiar os procedimentos de au-
ditoria aplicados durante a avaliação dos saldos das 
demonstrações contábeis, a fim de concluir sobre a 
adequação do saldo da conta;
d) certificar se os valores pagos foram efetivamente debi-
tados em conta-corrente da empresa auditada;
e) certificar se a contabilização dessas contas estão cor-
retas.
 4) As seguintes opções constituem exemplos de transações e 
eventos subsequentes, exceto:
a) perda em contas a receber decorrente de falência do 
devedor;
b) alteração do controle societário;
c) aporte de recursos, inclusive como aumento de capi-
tal;
d) destruição de estoques em decorrência de sinistro;
e) variação sazonal dos custos com insumos.
 5) Em relação a eventos subsequentes, de acordo com a NBC 
TA 560, é correto afirmar que:
a) a aprovação final das demonstrações contábeis pelos 
acionistas é condição necessária, embora não sufi-
ciente, para o auditor independente concluir que foi 
obtida evidência de auditoria apropriada e suficiente 
para servir de base à sua opinião sobre as demonstra-
ções contábeis;
130 Auditoria Contábil
b) segundo a referida norma, a data do relatório do au-
ditor independente pode ser anterior à data de apro-
vação das demonstrações contábeis, desde que a 
administração ou os responsáveis pela governança 
corporativa da entidade não se oponham;
c) caso a administração tenha divulgado as demonstra-
ções contábeis apesar da notificação do auditor inde-
pendente para que não o fizesse devido à existência de 
eventos subsequentes significativos, não é considerado 
apropriado pela norma que o auditor busque assesso-
ria legal para a adoção de medidas a serem tomadas 
em função de seus direitos e das suas obrigações le-
gais;
d) o auditor independente deve solicitar à administra-
ção e, quando apropriado, aos responsáveis pela 
governança, uma representação formal de que todos 
os eventos subsequentes à data das demonstrações 
contábeis, que requerem ajuste ou divulgação, foram 
ajustados ou divulgados;
e) se eventos subsequentes que podem alterar seu rela-
tório chegarem ao conhecimento do auditor indepen-
dente após a data do seu relatório, ele está dispen-
sado, segundo a referida norma, de efetuar qualquer 
procedimento adicional de auditoria, mesmo que as 
demonstrações contábeis ainda não tenham sido di-
vulgadas.
Williams Meirelles1
Capítulo 10
Emissão do Relatório de 
Auditoria
1 Williams Meirelles é especialista em Controladoria e Gestão da Informação Con-
tábil pelo Centro Universitário Lasalle (UNILASALLE-Canoas, RS), possui graduação 
em Ciências Contábeis e Administração de Empresas pela Universidade Luterana 
do Brasil (ULBRA-Canoas, RS). Tem vasta experiência em Auditoria Contábil, tendo 
atuado por anos em uma “Big Four”. Atualmente, é professor dos cursos de Ciên-
cias Contábeis e Administração de Empresas da ULBRA, presencial e EaD. 
132 Auditoria Contábil
Introdução
Ao fim de todos os procedimentos realizados na auditoria, o 
auditor, obtendo evidências suficientes e adequadas, expressa 
uma opinião independente sobre se as Demonstrações Finan-
ceiras apresentam em todos os aspetos materialmente relevan-
tes uma imagem verdadeira e apropriada, de acordo com a 
estrutura de relato financeiro aplicável. Essa opinião é expres-
sa por escrito em um documento designado relatório de au-
ditoria. E esse será o assunto estudado neste último capítulo.
10.1 Novo relatório de auditoria
Tendo como fundamento que a finalidade da auditoria é au-
mentar a confiança dos utilizadores, por algum tempo, váriaspartes interessadas nas DF’s solicitavam que o relatório de au-
ditoria fosse mais informativo e fornecesse mais do que uma 
opinião de aprovação ou reprovação. Em resposta a essas 
solicitações, em 15 de janeiro de 2015, o International Au-
diting and Assurance Standards Board (IAASB) emitiu novos 
requerimentos sobre o relatório do auditor.
Sem alterar o escopo de uma auditoria independente, es-
ses requerimentos abriram a porta para o auditor fornecer 
aos usuários mais transparência sobre o seu trabalho, as suas 
responsabilidades e as responsabilidades da Administração e, 
para entidades listadas, mais compreensão sobre os princi-
pais assuntos da auditoria. Ao esclarecer como os assuntos 
de auditoria foram conduzidos, o novo relatório do auditor vai 
Capítulo 10 Emissão do Relatório de Auditoria 133
ajudar a melhorar a natureza da comunicação com as partes 
interessadas e permitir que os usuários reconheçam o valor da 
auditoria. 
Em 04/07/16, foram publicadas novas normas do CFC 
que promoveram alterações no Relatório do Auditor Indepen-
dente. Segundo o site do CFC (www.cfc.org.br), o Novo Rela-
tório do Auditor (NRA) é constituído por normas convergidas 
das International Standards on Auditing (ISAs), emitidas pela 
Federação Internacional de Contabilidade (IFAC, na sigla em 
inglês).
O trabalho do auditor consiste, em linhas gerais, na aplica-
ção de procedimentos de auditoria sobre o objeto auditado, a 
fim de obter evidências que sirvam de base para sua conclusão 
e consequente emissão de uma opinião sobre o tema.
Essa opinião será materializada em um documento deno-
minado Relatório do Auditor Independente, onde o auditor ex-
pressa a sua opinião sobre as demonstrações contábeis, com 
base na avaliação das evidências de auditoria obtidas.
Assim, o relatório constitui-se na forma pela qual os resul-
tados dos trabalhos são levados ao conhecimento dos usuá-
rios com a finalidade de apontar possibilidades de correção 
de falhas, fornecer dados para a tomada de decisão e atender 
interesses específicos.
Lembrando que estudamos na disciplina anterior de audito-
ria, que a opinião do auditor pode ser:
 Â opinião não modificada
134 Auditoria Contábil
 Â opinião modificada
o com ressalva
o adversa
o com abstenção de opinião
O Relatório representa o produto final dos trabalhos reali-
zados pelo auditor independente. A estrutura do Relatório deve 
conter:
Quadro 1 Relatório do Auditor
Fonte: Próprio Autor
10.2 Exemplo de relatório de auditoria
Relatório do auditor independente sobre as demonstrações fi-
nanceiras individuais e consolidadas.
Capítulo 10 Emissão do Relatório de Auditoria 135
Aos Administradores e Acionistas Gerdau S.A.
Opinião Examinamos as demonstrações financeiras indivi-
duais da Gerdau S.A. (a “Companhia”) que compreendem o 
balanço patrimonial em 31 de dezembro de 2016 e as respec-
tivas demonstrações do resultado, do resultado abrangente, 
das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para 
o exercício findo nessa data, assim como as demonstrações 
financeiras consolidadas da Gerdau S.A. e suas controladas 
(“Consolidado”), que compreendem o balanço patrimonial 
consolidado em 31 de dezembro de 2016 e as respectivas de-
monstrações consolidadas do resultado, do resultado abran-
gente, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de 
caixa para o exercício findo nessa data, bem como as corres-
pondentes notas explicativas, incluindo o resumo das princi-
pais políticas contábeis.
Em nossa opinião, as demonstrações financeiras acima 
referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos 
relevantes, a posição patrimonial e financeira da Gerdau S.A. 
e da Gerdau S.A. e suas controladas em 31 de dezembro de 
2016, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de 
caixa, bem como o desempenho consolidado de suas opera-
ções e os seus fluxos de caixa consolidados para o exercício 
findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adota-
das no Brasil e as normas internacionais de relatório financeiro 
(IFRS) emitidas pelo International Accounting Standards Board 
(IASB).
136 Auditoria Contábil
Base para opinião
Nossa auditoria foi conduzida de acordo com as normas bra-
sileiras e internacionais de auditoria. Nossas responsabilida-
des, em conformidade com tais normas, estão descritas na 
seção a seguir, intitulada “Responsabilidades do auditor pela 
auditoria das demonstrações financeiras individuais e conso-
lidadas”. Somos independentes em relação à Companhia e 
suas controladas, de acordo com os princípios éticos relevan-
tes previstos no Código de Ética Profissional do Contador e 
nas normas profissionais emitidas pelo Conselho Federal de 
Contabilidade, e cumprimos com as demais responsabilidades 
éticas conforme essas normas. Acreditamos que a evidência de 
auditoria obtida é suficiente e apropriada para fundamentar 
nossa opinião.
Principais assuntos de auditoria
Principais Assuntos de Auditoria (PAA) são aque-
les que, em nosso julgamento profissional, fo-
ram os mais significativos em nossa auditoria do 
exercício corrente. Esses assuntos foram tratados no con-
texto de nossa auditoria das demonstrações financeiras in-
dividuais e consolidadas como um todo e na formação de 
nossa opinião sobre essas demonstrações financeiras indi-
viduais e consolidadas e, portanto, não expressamos uma 
opinião separada sobre esses assuntos.
Capítulo 10 Emissão do Relatório de Auditoria 137
Porque é um PAA
Investigações e processos no âmbito da Operação Zelotes 
(Nota 17)
Certas sociedades controladas pela Companhia são par-
tes em processos administrativos e judiciais que discutem a 
dedutibilidade de ágio originado em reorganização societária 
e a tributação de lucros gerados no exterior. Para esses pro-
cessos, não foram constituídas provisões, tendo em vista que 
a avaliação de risco de perda foi classificada como “possível” 
pela administração da Companhia, a partir da análise de seus 
consultores jurídicos tributários.
Parte das decisões obtidas no Conselho Administrativo de 
Recursos Fiscais – CARF relacionada a esses processos, e ou-
tros temas envolvendo a Companhia no âmbito da denomina-
da Operação Zelotes, estão sendo investigadas por autorida-
des federais brasileiras, incluindo o Poder Judiciário, a fim de 
apurar supostos atos ilícitos. Internamente, em relação a esses 
temas, a Companhia contratou profissionais independentes 
para investigação. Tanto a investigação interna como as in-
vestigações das autoridades brasileiras, inclusive pelo Poder 
Judiciário, estão em andamento.
Em 26 de maio de 2016, adquirentes de certificados norte-
-americanos de depósitos de ações (ADRs – American Deposi-
tary Receipts) ajuizaram, na Corte Distrital dos Estados Unidos, 
ação coletiva (Class Action) contra a Companhia, e alguns 
de seus administradores e ex-administradores, demandando 
ressarcimento por perdas em decorrência das comunicações 
feitas em relação ao assunto descrito no parágrafo anterior, 
138 Auditoria Contábil
bem como em função de perdas em conexão com o assunto 
referente às aquisições de participações minoritárias da Com-
panhia, tratado no PAA a seguir.
Em razão dos estágios das investigações e da Class Action, 
a administração concluiu não ser possível estimar o desfecho e 
o montante de eventuais perdas e, por esse motivo, não cons-
tituiu provisão para perdas.
Consideramos esses temas como um dos principais assun-
tos de auditoria, tendo em vista o elevado grau de julgamento 
e a complexidade dos processos, bem como seus potenciais 
desdobramentos, inclusive no que diz respeito às eventuais 
sanções, penalidades e contingências, que podem trazer im-
pactos nas demonstrações financeiras da Companhia.
Como o assunto foi conduzido em nossa 
auditoria
Entre outros procedimentosde auditoria, para dar respostas a 
esses temas, destacamos a seguir os principais procedimentos 
de auditoria executados.
No que diz respeito aos riscos dos processos tributários, 
obtivemos cartas dos advogados patrocinadores das causas 
confirmando suas posições quanto às probabilidades de perda 
e quanto aos valores envolvidos. Também, obtivemos acesso a 
pareceres de outros assessores jurídicos tributários contratados 
pela administração para avaliação independente e, em con-
junto com nossos especialistas tributários, efetuamos a leitura 
das cartas e pareceres emitidos.
Capítulo 10 Emissão do Relatório de Auditoria 139
Em relação às alegações no âmbito da Operação Zelo-
tes, com o apoio de nossos especialistas forenses, efetuamos 
reuniões com os profissionais independentes contratados pela 
Companhia para a investigação interna, com o objetivo de 
entender o escopo, a extensão, a metodologia e os resultados 
dessa investigação até a presente data. Também, discutimos 
com membros da administração, do Comitê Especial da In-
vestigação e do Conselho de Administração sobre se a Com-
panhia cumpre os aspectos da legislação anticorrupção, à luz 
das evidências e informações disponíveis. Adicionalmente, ob-
tivemos carta de advogado que acompanha as investigações 
conduzidas pelas autoridades federais brasileiras, inclusive 
pelo Poder Judiciário.
No que diz respeito à Class Action, obtivemos confirmação 
de advogado que representa a Companhia e confirmamos sua 
manifestação quanto a não ser possível estimar, no momento, 
o desfecho e/ou a necessidade de provisões, considerando o 
atual estágio do processo.
Consideramos que as divulgações nas notas explicativas 
estão consistentes com as informações e representações ob-
tidas.
Porque é um PAA
Processo Administrativo Sancionador (CVM) (Nota 17)
A Companhia adquiriu participações societárias adicio-
nais em certas sociedades controladas de capital fechado, no 
exercício de 2015, no montante total de R$ 1.9 bilhão. Essa 
transação está sendo questionada em Processo Administrativo 
140 Auditoria Contábil
Sancionador movido pela Comissão de Valores Mobiliários – 
CVM.
A administração da Companhia considerou que, em fun-
ção do estágio das discussões, não há elementos suficientes 
para concluir quanto à existência de obrigações e, dessa for-
ma, não constituiu provisão para fazer frente a possíveis multas 
ou indenizações relacionadas a esse assunto.
Esse tema foi foco de nossa auditoria dada a relevância da 
transação e o elevado grau de julgamento no que diz respeito 
aos aspectos de cumprimento ou descumprimento das leis e 
dos regulamentos.
Como o assunto foi conduzido em nossa 
auditoria
Em relação a esse tema, executamos procedimentos de audi-
toria, considerando, entre outros, os descritos a seguir.
Solicitamos e obtivemos posição do consultor jurídico con-
tratado pela administração da Companhia, que avaliou o pro-
cesso decisório relacionado com essa transação à luz das nor-
mas regulatórias e da legislação societária brasileira.
Efetuamos a leitura do documento do consultor jurídico e 
discutimos com a administração e órgãos de governança, in-
cluindo as bases para determinar a não constituição de provi-
são para perdas.
Capítulo 10 Emissão do Relatório de Auditoria 141
Consideramos que as divulgações efetuadas nas notas ex-
plicativas são consistentes com os documentos inspecionados 
e as informações recebidas.
Porque é um PAA
Teste de impairment de ágio e ativo imobilizado (Nota 28)
Em 31 de dezembro de 2016, a Companhia registrou per-
das por impairment de ágio e ativo imobilizado, em controla-
das, no montante de R$ 2.9 bilhões.
Consideramos o risco de impairment de ágio e ativo imo-
bilizado como um dos principais assuntos de auditoria em fun-
ção da magnitude dos saldos de ágio e de ativo imobilizado e 
da complexidade envolvida nas análises de recuperabilidade 
desses ativos, uma vez que envolvem julgamentos significativos 
em relação à estimativa dos fluxos de caixa futuros desconta-
dos, que por sua vez consideram premissas e taxas de des-
contos que são afetadas por condições macroeconômicas e 
de mercado. Variações nesses julgamentos e premissas podem 
trazer impactos relevantes nas demonstrações financeiras.
Como o assunto foi conduzido em nossa 
auditoria
Nossos procedimentos de auditoria incluíram, dentre outros, o 
entendimento e avaliação da efetividade dos controles internos 
que suportam a avaliação de impairment de ativos de vida útil 
definida e indefinida; a verificação do modelo de mensuração 
adotado e testes dos cálculos; teste de reconciliação dos fluxos 
142 Auditoria Contábil
de caixa futuros com os planos de negócios aprovados pela 
administração da Companhia; avaliação da razoabilidade das 
principais premissas adotadas nas projeções, inclusive a ra-
zoabilidade das divulgações relacionadas com a sensibilidade 
das premissas significativas divulgadas nas notas explicativas.
Consideramos que as contabilizações efetuadas e as di-
vulgações nas notas explicativas são consistentes com docu-
mentos e informações obtidos em nossos procedimentos de 
auditoria.
Porque é um PAA
Recuperabilidade de tributos diferidos ativos (nota 8)
Em 31 de dezembro de 2016, a Companhia e suas contro-
ladas possuem registrado R$ 3.4 bilhões de créditos tributários 
(IRPJ e CSLL) diferidos reconhecidos em seu balanço patrimo-
nial.
Consideramos que esse foi um dos principais assuntos na 
nossa auditoria porque, além de relevante, a realização des-
ses créditos depende do êxito da administração em atingir os 
resultados projetados em cada empresa do Grupo, estimadas 
com base em premissas e previsões de condições macroeco-
nômicas futuras e de mercado e condicionantes a limitações 
das regras tributárias em cada jurisdição.
Capítulo 10 Emissão do Relatório de Auditoria 143
Como o assunto foi conduzido em nossa 
auditoria
Nossos procedimentos de auditoria, os quais foram realizados 
com apoio de especialistas tributários, incluíram, dentre ou-
tros, a avaliação da razoabilidade das premissas significativas, 
metodologia e dados utilizados nos estudos de recuperabili-
dade dos créditos tributários diferidos e da consistência dessas 
premissas com os planos de negócio aprovados pelo Con-
selho de Administração e testes dos cálculos inseridos nesses 
estudos, respeitando as limitações das regras tributárias em 
cada jurisdição.
A análise de recuperabilidade efetuada pela administra-
ção, bem como os dados e premissas utilizados, são consis-
tentes com as contabilizações e divulgações efetuadas.
Outros assuntos
Demonstrações do Valor Adicionado
As demonstrações individual e consolidada do valor adiciona-
do (DVA) referentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 
2016, elaboradas sob a responsabilidade da administração 
da Companhia e apresentadas como informação suplementar 
para fins de IFRS, foram submetidas a procedimentos de au-
ditoria executados em conjunto com a auditoria das demons-
trações financeiras da Companhia. Para a formação de nossa 
opinião, avaliamos se essas demonstrações estão conciliadas 
com as demonstrações financeiras e registros contábeis, con-
forme aplicável, e se a sua forma e conteúdo estão de acordo 
com os critérios definidos no Pronunciamento Técnico CPC 09 
144 Auditoria Contábil
– “Demonstração do Valor Adicionado”. Em nossa opinião, 
essas demonstrações do valor adicionado foram adequada-
mente elaboradas, em todos os aspectos relevantes, segundo 
os critérios definidos nesse Pronunciamento Técnico e são con-
sistentes em relação às demonstrações financeiras individuais 
e consolidadas tomadas em conjunto.
Outras informações que acompanham as 
demonstrações financeiras individuais e 
consolidadas e o relatório do auditor
A administraçãoda Companhia é responsável por essas outras 
informações que compreendem o Relatório da Administração.
Nossa opinião sobre as demonstrações financeiras indivi-
duais e consolidadas não abrange o Relatório da Administra-
ção e não expressamos qualquer forma de conclusão de audi-
toria sobre esse relatório.
Em conexão com a auditoria das demonstrações financei-
ras individuais e consolidadas, nossa responsabilidade é a de 
ler o Relatório da Administração e, ao fazê-lo, considerar se 
esse relatório está, de forma relevante, inconsistente com as 
demonstrações financeiras ou com nosso conhecimento obtido 
na auditoria ou, de outra forma, aparenta estar distorcido de 
forma relevante. Se, com base no trabalho realizado, concluir-
mos que há distorção relevante no Relatório da Administração, 
somos requeridos a comunicar esse fato. Não temos nada a 
relatar a este respeito.
Capítulo 10 Emissão do Relatório de Auditoria 145
Responsabilidades da administração e da 
governança pelas demonstrações financeiras 
individuais e consolidadas
A administração da Companhia é responsável pela elabora-
ção e adequada apresentação das demonstrações financeiras 
individuais e consolidadas de acordo com as práticas contá-
beis adotadas no Brasil e com as normas internacionais de 
relatório financeiro (IFRS), emitidas pelo International Accoun-
ting Standards Board (IASB), e pelos controles internos que ela 
determinou como necessários para permitir a elaboração de 
demonstrações financeiras livres de distorção relevante, inde-
pendentemente se causada por fraude ou erro.
Na elaboração das demonstrações financeiras individuais 
e consolidadas, a administração é responsável pela avaliação 
da capacidade de a Companhia continuar operando, divul-
gando, quando aplicável, os assuntos relacionados com a sua 
continuidade operacional e o uso dessa base contábil na ela-
boração das demonstrações financeiras, a não ser que a ad-
ministração pretenda liquidar a Companhia e suas controladas 
ou cessar suas operações, ou não tenha nenhuma alternativa 
realista para evitar o encerramento das operações.
Os responsáveis pela governança da Companhia e suas 
controladas são aqueles com responsabilidade pela supervi-
são do processo de elaboração das demonstrações financei-
ras.
146 Auditoria Contábil
Responsabilidade do auditor pela auditoria 
das demonstrações financeiras individuais e 
consolidadas
Nossos objetivos são obter segurança razoável de que as de-
monstrações financeiras individuais e consolidadas, tomadas 
em conjunto, estão livres de distorção relevante, independen-
temente se causada por fraude ou erro, e emitir relatório de 
auditoria contendo nossa opinião. Segurança razoável é um 
alto nível de segurança, mas não uma garantia de que a audi-
toria realizada de acordo com as normas brasileiras e interna-
cionais de auditoria sempre detectam as eventuais distorções 
relevantes existentes. As distorções podem ser decorrentes de 
fraude ou erro e são consideradas relevantes quando, indivi-
dualmente ou em conjunto, possam influenciar, dentro de uma 
perspectiva razoável, as decisões econômicas dos usuários to-
madas com base nas referidas demonstrações financeiras.
Como parte de uma auditoria realizada de acordo com 
as normas brasileiras e internacionais de auditoria, exercemos 
julgamento profissional e mantemos ceticismo profissional ao 
longo da auditoria. Além disso:
Identificamos e avaliamos os riscos de distorção relevan-
te nas demonstrações financeiras individuais e consolidadas, 
independentemente se causada por fraude ou erro, plane-
jamos e executamos procedimentos de auditoria em respos-
ta a tais riscos, bem como obtivemos evidência de auditoria 
apropriada e suficiente para fundamentar nossa opinião. O 
risco de não detecção de distorção relevante resultante de 
fraude é maior do que o proveniente de erro, já que a fraude 
pode envolver o ato de burlar os controles internos, conluio, 
Capítulo 10 Emissão do Relatório de Auditoria 147
falsificação, omissão ou representações falsas intencionais. 
Obtemos entendimento dos controles internos relevantes para 
a auditoria para planejarmos procedimentos de auditoria 
apropriados às circunstâncias, mas não com o objetivo de ex-
pressarmos opinião sobre a eficácia dos controles internos da 
Companhia e suas controladas.
Avaliamos a adequação das políticas contábeis utilizadas e 
a razoabilidade das estimativas contábeis e respectivas divul-
gações feitas pela administração.
Concluímos sobre a adequação do uso, pela administra-
ção, da base contábil de continuidade operacional e, com 
base nas evidências de auditoria obtidas, se existe incerteza 
relevante em relação a eventos ou condições que possam le-
vantar dúvida significativa em relação à capacidade de con-
tinuidade operacional da Companhia e suas controladas. Se 
concluirmos que existe incerteza relevante, devemos chamar 
atenção em nosso relatório de auditoria para as respectivas 
divulgações nas demonstrações financeiras individuais e con-
solidadas ou incluir modificação em nossa opinião, se as di-
vulgações forem inadequadas. Nossas conclusões estão fun-
damentadas nas evidências de auditoria obtidas até a data de 
nosso relatório. Todavia, eventos ou condições futuras podem 
levar a Companhia e suas controladas a não mais se mante-
rem em continuidade operacional.
Avaliamos a apresentação geral, a estrutura e o conteúdo 
das demonstrações financeiras, inclusive as divulgações e se 
as demonstrações financeiras individuais e consolidadas re-
148 Auditoria Contábil
presentam as correspondentes transações e os eventos de ma-
neira compatível com o objetivo de apresentação adequada.
Obtemos evidência de auditoria apropriada e suficiente 
referente às informações financeiras das entidades ou ativida-
des de negócio do grupo para expressar uma opinião sobre 
as demonstrações financeiras consolidadas. Somos respon-
sáveis pela direção, supervisão e desempenho da auditoria 
do grupo e, consequentemente, pela opinião de auditoria. 
Comunicamo-nos com os responsáveis pela governança a res-
peito, entre outros aspectos, do alcance planejado, da épo-
ca da auditoria e das constatações significativas de auditoria, 
inclusive as eventuais deficiências significativas nos controles 
internos que identificamos durante nossos trabalhos.
Fornecemos também aos responsáveis pela governança, 
declaração de que cumprimos com as exigências éticas rele-
vantes, incluindo os requisitos aplicáveis de independência, e 
comunicamos todos os eventuais relacionamentos ou assuntos 
que poderiam afetar, consideravelmente, nossa independên-
cia, incluindo, quando aplicável, as respectivas salvaguardas. 
Dos assuntos que foram objeto de comunicação com os res-
ponsáveis pela governança, determinamos aqueles que fo-
ram considerados como mais significativos na auditoria das 
demonstrações financeiras do exercício corrente e que, dessa 
maneira, constituem os principais assuntos de auditoria. Des-
crevemos esses assuntos em nosso relatório de auditoria, a 
menos que lei ou regulamento tenha proibido divulgação pú-
blica do assunto, ou quando, em circunstâncias extremamente 
raras, determinarmos que o assunto não deve ser comunicado 
em nosso relatório porque as consequências adversas de tal 
Capítulo 10 Emissão do Relatório de Auditoria 149
comunicação podem, dentro de uma perspectiva razoável, su-
perar os benefícios da comunicação para o interesse público.
Porto Alegre, 21 de fevereiro de 2017
PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes
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Adriano Machado
Contador CRC 1PR042584/O-7 “S” RJ
Recapitulando
Neste último capítulo, estudamos sobre o novo modelo do re-
latório de auditoria, relembramos quais são os tipos de opi-
nião e sobre a divulgação dos PAA’s – Principais Assuntosde 
Auditoria. Verificamos tudo isso na prática, através do exem-
plo do Relatório de Auditoria publicado pela Gerdau S.A em 
31/12/2016.
Espero que todos vocês tenham adquirido uma ótima car-
ga de conhecimento e tenham gostado da matéria. Eu me des-
peço e até uma próxima disciplina.
Referências
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil – Teoria e 
Prática. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
150 Auditoria Contábil
<http://ri.gerdau.com/ptb/7517/14.03.2017%20-%20Ger-
dau%20SA%20COMPLETO%202016%20-%20Valor%20
RJ.pdf>. Acesso em: 27 abr. 2017.
Atividades
 1) O produto final do trabalho de auditoria resume-se: “Em 
um instrumento técnico por meio do qual o auditor comu-
nica ou apresenta os resultados dos trabalhos realizados, 
suas conclusões, opiniões, recomendações e as providên-
cias necessárias que devem ser tomadas pela administra-
ção”. Identifique e assinale esse instrumento nas alternati-
vas disponibilizadas. 
a) Documentação de auditoria.
b) Parecer de auditoria.
c) Relatório de auditoria.
d) Programa de auditoria.
e) Opiniões e recomendações da auditoria.
 2) Dos elementos a seguir destacados, qual foi introduzido 
pela nova norma que trata do Relatório do Auditor?
a) Título.
b) Destinatário.
c) Opinião.
Capítulo 10 Emissão do Relatório de Auditoria 151
d) Responsabilidade da Administração.
e) Principais Assuntos de Auditoria.
 3) NÃO é requisito de qualidade dos relatórios de auditoria:
a) clareza;
b) convicção;
c) concisão;
d) anonimato;
e) tempestividade.
 4) O parágrafo introdutório do relatório do auditor contábil 
independente deve:
a) conter a opinião do auditor contábil independente;
b) incluir a responsabilidade do auditor sobre as demons-
trações contábeis;
c) conter os principais assuntos de auditoria;
d) afirmar que as demonstrações contábeis foram audita-
das;
e) especificar a responsabilidade da administração sobre 
as demonstrações contábeis.
 5) A opinião de um auditor no Relatório de Auditoria pode 
ser:
a) sem ressalva, quando não é possível obter evidência 
apropriada para suportar a opinião da auditoria;
152 Auditoria Contábil
b) com ressalva, quando as demonstrações contábeis es-
tão elaboradas de acordo com a estrutura do relatório 
financeiro;
c) com ressalva, quando as distorções existentes são re-
levantes e generalizadas para as demonstrações con-
tábeis;
d) adversa, quando não é possível obter evidência apro-
priada para suportar a opinião da auditoria;
e) adversa, quando as distorções existentes são relevan-
tes e generalizadas para as demonstrações contábeis.
Gabarito 153
Gabarito
Capítulo 1
 1) e, 2) b, 3) e, 4) b, 5) c.
Capítulo 2
 1) e, 2) d, 3) c, 4) d, 5) e.
Capítulo 3
 1) c, 2) d, 3) V, 4) a, 5) c.
Capítulo 4
 1) d, 2) c, 3) e, 4) e, 5) b.
Capítulo 5
 1) c, 2) d, 3) a, 4) b, 5) b.
Capítulo 6
 1) É considerado de grande risco, pois estando subavaliado, a empresa 
está tentando esconder uma situação de dificuldade financeira.
 2) a, 3) b, 4) c, 5) b.
Capítulo 7
 1) d, 2) b, 3) c, 4) a, 5) b.
Capítulo 8
 1) b, 2) c, 3) d, 4) V, 5) b.
Capítulo 9
 1) a, 2) d, 3) c, 4) e, 5) d.
Capítulo 10
 1) a, 2) e, 3) d, 4) a, 5) e.
Gabarito

Mais conteúdos dessa disciplina