Prévia do material em texto
O que é a atenção dividida? A atenção dividida poderia ser definida como a capacidade de nosso cérebro para prestar atenção a dois estímulos ao mesmo tempo, e responder às múltiplas necessidades apresentadas em seu entorno. A atenção dividida é um tipo de atenção simultânea que nos permite processar diferentes fontes de informação e realizar com sucesso várias tarefas ao mesmo tempo. Estas habilidades cognitivas são muito importantes, pois nos permitem ser mais eficientes em nossa vida cotidiana. Nossa capacidade para prestar atenção a múltiplos estímulos e realizar várias tarefas ao mesmo tempo tem um limite. Quando você divide a sua atenção, a eficiência com a que você realiza essas ações diminui e provavelmente seu desempenho vai ser escasso. Interferência é o termo usado para descrever quando uma pessoa tem dificuldade para prestar atenção a dois estímulos ao mesmo tempo. Percebemos a interferência quando o cérebro só é capaz de processar uma determinada quantidade de informação. Porém, um treinamento cognitivo pode ajudar a melhorar a atenção dividida, e, em consequência, permite realizar mais de uma atividade ao mesmo tempo. Exemplos de atenção dividida A atenção dividida é um fator importante no ambiente acadêmico. Ser capaz de entender o que o professor está dizendo enquanto você lê o quadro e faz anotações são tarefas essenciais para aprender adequadamente. É possível que essa seja uma das razões pelas quais as pessoas que sofrem de transtornos (como o TDAH) tenham pouco rendimento na escola. Um caminhoneiro está dirigindo na estrada e começa a adiantar a alguém. À medida que adianta, observa uma sinalização de saída. Se o caminhoneiro não for capaz de adiantar os outros carros com segurança e prestar atenção aos sinais de trânsito, é possível que perca informações importantes ou até cause um acidente. A atenção dividida é muito importante para dirigir com segurança e de forma eficaz. Um garçom deve usar a sua atenção dividida ao servir uma mesa. Ele deve lembrar o que o senhor da mesa 4 queria, escrever o pedido da mesa e ter cuidado para equilibrar os pratos de comida em suas mãos. Se um cliente pergunta quais são as promoções ao pagar no caixa, a pessoa do caixa deve cobrar e colocar os itens em uma sacola enquanto pensa na resposta para a pergunta. Quando você está comendo e conversando ao mesmo tempo, ou assisntindo televisão e falando no telefone, você está usando a atenção dividida. Transtornos ou patologias associados à atenção dividida A atenção dividida pode estar afetada em vários transtornos, por problemas com a atenção dividida em si ou com outros subprocessos de atenção. Para uma pessoa com uma atenção dividida deficiente, qualquer interferência pode alterar a tarefa que realiza simultaneamente. Se a sua atenção dividida estiver afetada, você vai ter mais dificuldade para entrar em uma interseção e falar ao mesmo tempo, tendo um risco maior de sofrer um acidente. Se a capacidade de excitação estiver afetada (o nível de ativação ou estado de atenção geral) e você estiver em um estado de coma, você também vai ser incapaz de falar e dirigir ao mesmo tempo. É possível que a atenção dividida possa estar afetada por condições psiquiátricas, como a esquizofrenia ou vários transtornos como o Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), afetando maiormente à atenção geral. Também é muito comum sofrer de problemas de atenção por causa de um traumatismo cranioencefálico (em inglês, TBI) ou um derrame. Nesses casos, a alteração da atenção e de seus subcomponentes podem variar, dependendo das áreas do cérebro afetadas. A atenção dividida estará provavelmente afetada em qualquer transtorno que altera os processos de atenção. Se um paciente sofre de heminegligência contralateral (incapacidade para prestar atenção ao campo visual em sentido oposto à lesão), hipoprosexia (distração), hiperprosexia (concentração intensa em um único estímulo) ou aprosexia (incapacidade para se concentrar), será difícil ou quase impossível que o paciente possa realizar tarefas que precisam da atenção dividida. Como é possível medir a atenção dividida? A atenção dividida é uma habilidade cognitiva muito importante em nossas vidas cotidianas, porque nos permite realizar tarefas de forma mais rápida e eficiente. Realizar tarefas corretamente implica o uso de mais de uma atividade perceptiva, motora ou cognitiva ao mesmo tempo, dependendo diretamente de nossa atenção dividida. Analisar a atenção dividida pode ser útil em áreas profissionais, onde a atenção dividida é essencial (motoristas, atletas, etc.). Também pode ajudar em áreas acadêmicas (se um aluno precisa de mais tempo para fazer anotações ou concluir determinadas tarefas), ou em áreas clínicas (talvez um paciente precisa de mais tempo para reunir a informação adequada). É possível que em todas essas áreas uma avaliação cognitiva ajude diretamente ao usuário a entender a sua vida cotidiana em um contexto mais profundo. CogniFit criou as suas tarefas para avaliar a atenção dividida com base no clássico Teste Stroop. O teste de simultaneidade não avalia apenas a atenção dividida, pois ele também ajuda a analisar a flexibilidade cognitiva e a coordenação óculo-manual. Teste de simultaneidade DIAT-SHIF: O usuário deve seguir a bola com o cursor e prestar atenção às palavras que aparecem no meio da tela. Quando a palavra exibida no meio da tela corresponder com a cor que está escrita, o usuário deve dar a resposta adequada (prestando atenção a ambos estímulos ao mesmo tempo). Nesta atividade, o usuário deve mudar as estratégias, criar novas respostas e controlar a capacidade motora e as habilidades visuais ao mesmo tempo. Como você pode melhorar a sua capacidade de atenção dividida? A atenção dividida, tal como acontece com outras habilidades cognitivas, pode ser aprendida, treinada e melhorada. CogniFit possibilita isso com uma ferramenta profissional que ajuda a melhorar a rapidez com que o usuário pode alternar a sua atenção entre várias tarefas, que quantidade de recursos cerebrais ele usa ao prestar atenção a múltiplos estímulos ao mesmo tempo e melhorar a capacidade para processar informações complexas. O programa de reabilitação para a atenção dividida está baseado na ciência da neuroplasticidade. CogniFit possui uma bateria completa de exercícios clínicos desenhados para ajudar a reabilitar a atenção dividida e outras habilidades cognitivas, possível graças à plasticidade cerebral. O cérebro e as suas conexões neurais podem ser fortalecidas e melhoradas através da prática. Ao treinar a atenção dividida, as ações frequentes serão automatizadas, permitindo ao usuário ser mais eficiente. A equipe científica de profissionais de Cognifit especializados em plasticidade sináptica e neurogênese criaram um programa personalizado de estimulação cognitiva para ajudar a cada usuário a melhorar as suas habilidades cognitivas mais deficientes. O programa começa avaliando a atenção dividida e várias outras habilidades cognitivas essenciais. Depois, o programa de estimulação cognitiva cria um programa de treinamento cerebral personalizado, baseado nos resultados da avaliação inicial. Usar os resultados dessa avaliação ajuda a garantir que o programa de treinamento cerebral é o mais exato possível e exercitará as habilidades mais deficientes do usuário. Para melhorar a atenção dividida é essencial realizar um treinamento constante. CogniFit possui ferramentas de avaliação e reabilitação para potencializar esta e outras funções cognitivas. Esta habilidade deveria ser exercitada cerca de 15 minutos por dia, de 2 a 3 vezes por semana. Você pode acessar online o programa de estimulação cognitiva de CogniFit. Existem um número de jogos cerebrais e atividades que podem ser executados online, em tablet ou celular. Após cada sessão, o usuário poderá ver um gráfico detalhado com o seu progresso cognitivo O que é Esquizofrenia? A esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico em que uma alteração cerebral dificulta o correto julgamento sobre a realidade, aprodução de pensamentos simbólicos e abstratos e a elaboração de respostas emocionais complexas. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a esquizofrenia não é um distúrbio de múltiplas personalidades. É uma doença crônica, complexa e que exige tratamento por toda a vida. A esquizofrenia é uma doença mental que acomete aproximadamente 1% da população mundial. Normalmente, o transtorno aparece entre o final da adolescência e começo da vida adulta. O transtorno foi um termo cunhado pelo psiquiatra suíço E. Bleuler, no início do século XX e tem origem nas raízes gregas schizo (cindir, dividir) e phren (mente), no sentido de que as funções mentais se encontrariam divididas nesses pacientes. Tipos Existem alguns tipos de esquizofrenia: Esquizofrenia paranoide: com predomínio de alucinações e delírios Esquizofrenia desorganizada ou heberfrênica: com predominante pensamento e discurso desconexo Esquizofrenia catatônica: em que o paciente apresente mais alterações posturais, com posições bizarras mantidas por longos períodos e resistência passiva e ativa a tentativas de mudar a posição do indivíduo Esquizofrenia simples: em que a pessoa, sem ter delírios, alucinações ou outras alterações mais floridas, progressivamente ia perdendo sua afetividade, capacidade de interagir com pessoas, ocorrendo um progressivo prejuízo de seu desempenho social e ocupacional, por vezes levando os indivíduos afetados a uma vida de sem-teto e vagando pelas ruas. Causas Ainda não se conhecem todos os mecanismos cerebrais que promovem os sintomas relacionados à esquizofrenia, mas hoje sabe-se que se trata de uma doença química cerebral decorrente de alterações em vários sistemas bioquímicos (neurotransmissores) e vias neuronais cerebrais. Vários genes em combinação são responsáveis por estas alterações cerebrais. O ambiente, ou seja, as relações vitais que a pessoa estabelece funcionam como fatores estressores que contribuem para que estes genes ligados se ativarem e a doença apareça. Não existem fatores psicológicos ou ambientais que causam a esquizofrenia, mas sim fatores de vida que são gatilhos para o início das alterações cerebrais da doença. Várias substâncias químicas, denominadas de neurotransmissores, estão alteradas no cérebro do esquizofrênico, principalmente dopamina e glutamato. Estudos recentes mostram diferenças na estrutura do cérebro e do sistema nervoso central das pessoas com esquizofrenia em comparação aos de pessoas saudáveis. Fatores de risco Sabe-se que alguns fatores são gatilhos importantes para o início das alterações neuroquímicas cerebrais e para o posterior aparecimento dos sintomas da doença no comportamento do indivíduo: História familiar de esquizofrenia: as chances são de 10% se tiver um irmão com esquizofrenia, 18% se tiver um irmão gêmeo não-idêntico com esquizofrenia, 50% se tiver um irmão gêmeo idêntico com esquizofrenia e 80% se os dois pais forem afetados por esquizofrenia Ser exposto a toxinas, vírus e à má nutrição dentro do útero da mãe, especialmente nos dois primeiros trimestres da gestação Problemas no parto como falta de oxigênio (hipóxia neonatal) Ter um pai com idade mais avançada Uso de maconha Tabagismo. Sintomas de Esquizofrenia Os sintomas de esquizofrenia no sexo masculino costumam aparecer entre os 15 e 20 anos. Já em mulheres, os sinais da doença são mais comuns beirando os 30 anos de idade. Embora seja raro, também é possível o aparecimento da esquizofrenia em crianças e adultos com mais de 50 anos. A esquizofrenia é a principal doença de um grupo de transtornos psiquiátricos denominados de transtornos psicóticos. Psicose é quando uma pessoa tem alterações na apreensão e no juízo sobre a realidade (delírios) e na sensopercepção (alucinações). Além da psicose, que geralmente ocorre no momento de crise da doença, é comum o paciente apresentar alterações comportamentais decorrentes das lesões cerebrais que este quadro agudo provocou como por exemplo distúrbios cognitivos (pensamento, atenção, tomada de decisão, raciocínio abstrato, linguagem, etc) e emocionais (apatia, falta de motivação, falta de prazer, depressão, etc). Delírios São alterações decorrentes da forma como o cérebro está captando a realidade e produzindo a crítica sobre a mesma. As alterações nestas áreas do cérebro produzem crenças convictas em fatos e percepções que não são compartilhadas pelas outras pessoas. Uma pessoa delirante tem certeza que está sendo prejudicada de alguma forma ou capta sinais em coisas que estão acontecendo à sua volta e chega a conclusões que não são racionais (por exemplo, achar que os sinais de trânsito estão vermelhos porque são um sinal de uma emboscada que está sendo armada para ele ou mesmo acreditar que mensagens subliminares estão sendo enviadas a ela através de apresentadores de TV a partir da forma como eles estão se comportando no programa). A pessoa com esquizofrenia pode acreditar também que seu pensamento está sendo controlado por algo ou alguém que está distante ou que ela própria consiga controlar o pensamento das outras pessoas. Os delírios mais comuns são os de estarem sendo vigiados ou perseguidos por alguém, mas existem delírios de vários outros tipos como por exemplo: de estarem controlando os outros, de estarem sendo controlados, de terem criado fui inventado algo, de estarem sendo traídos, de serem culpados por alguma catástrofe ou de estarem sendo infestados por parasitas dentro do corpo. Alucinações São alterações na forma como o cérebro percebe os estímulos do meio e se caracterizam pela percepção de estímulos que não existem ou que não estão sendo percebidos pelas outras pessoas como por exemplo ver coisas que só ela vê ou ouvir coisas que apenas ela escuta. No entanto, para a pessoa com esquizofrenia, essas coisas têm toda a força e o impacto de uma experiência normal. As alucinações podem estar em qualquer um dos sentidos, mas ouvir vozes é a alucinação mais comum de todas. A pessoa pode também falar sozinha interagindo com vozes que esteja ouvindo ou com imagens ou pessoas que esteja vendo. Pensamento desorganizado Esse sintoma pode ser refletido na fala, que também sai desorganizada e com pouco ou nenhum nexo. A ideia de que pensamento desorganizado é um sintoma da esquizofrenia surgiu a partir do discurso desorganizado de alguns pacientes. Para os médicos, os problemas na fala só podem estar relacionadas à incapacidade de a pessoa formar uma linha de pensamento coerente. Neste sentido, a comunicação eficaz de uma pessoa portadora de esquizofrenia pode ser prejudicada por causa deste problema, e as respostas às perguntas feitas podem ser parcial ou completamente alheias e desconexas. Habilidade motora desorganizada ou anormal O comportamento de uma pessoa com esse tipo de disfunção não é focado em um objetivo, o que torna difícil para ela executar tarefas. Comportamento motor anormal pode incluir resistência a instruções, postura inadequada e bizarra ou uma série de movimentos inúteis e excessivos. Sintomas em adolescentes Os sintomas de esquizofrenia nos adolescentes são semelhantes aos dos adultos, mas a condição pode ser mais difícil de reconhecer. Isso pode ser em parte porque alguns dos primeiros sintomas da esquizofrenia nos adolescentes são comuns para o desenvolvimento típico durante a adolescência, como: Pouca socialização com amigos e familiares Queda no desempenho na escola Problemas para dormir Irritabilidade ou humor deprimido Falta de motivação. Em comparação com sintomas de esquizofrenia em adultos, os adolescentes podem ser: Menos propensos a ter delírios, Mais propensos a ter alucinações visuais. Outros sintomas Além dos sinais citados, outros parecem estar relacionados com a esquizofrenia. Uma pessoa com a doença pode: Não aparentar emoções ou apresentar apatia emocional (indiferença afetiva) Não alterar as expressões faciais Ter fala monótona e sem adição de quaisquer movimentos que normalmente dão ênfase emocional ao discurso Diminuição da fala e prejuízo da linguagem Negligênciana higiene pessoal Perda de interesse em atividades cotidianas Isolamento social Incapacidade de conseguir sentir prazer. Buscando ajuda médica A pessoa com esquizofrenia em virtude dos sintomas da própria doença não apresentará crítica acerca do seu quadro, já que a principal característica da psicose é a apreensão incorreta da realidade. Neste caso, um familiar que identifique o problema deve saber que muitas vezes será difícil convencer a pessoa sobre os sintomas já que a própria natureza do quadro leva a pessoa a estar convicta de que o que está dizendo é a verdade sobre a realidade. Por isso, muitas vezes algum parente ou amigo próximo deve ser responsável por levar a pessoa doente a um especialista ou para a internação se for o caso. O que é TDAH O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH é um problema crônico que afeta as funções cerebrais. Tem início cedo na infância, podendo acompanhar a pessoa durante toda a vida. Pode se apresentar de múltiplas formas, em diferentes graus de intensidade. Segundo estimativas internacionais, entre 3% a 7% das crianças e adolescentes em idade escolar são afetadas. Destas, até 50% irão apresentar o transtorno na vida adulta. Por tais características, é importante ser bem diagnosticado e tratado o quando antes. 1. O Cérebro no TDAH O TDAH – Déficit de Atenção é considerado um transtorno de “base orgânica”. Em sua origem, estão alterações no funcionamento normalmente esperado de uma parte muito especial do organismo: o cérebro. E por serem estes problemas tão prejudiciais, recebem a classificação de “Transtorno”. As alterações cerebrais características do TDAH – Déficit de Atenção correspondem a uma “lentificação” de áreas específicas, predominantemente o Lobo Pré-Frontal. Como resultado desta lentificação aparecem os sintomas mais conhecidos do transtorno. A saber, as dificuldades em prestar atenção, com memória, controle do impulso e do excesso de agitação motora. Daí originam-se os sintomas de desatenção / déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade. Lentificação do funcionamento cerebral O cérebro não funciona da mesma maneira todo o tempo. Pelo contrário, ele adapta seu nível de ativação às atividades e demandas de cada momento. Por exemplo, estudo e leitura exigem maiores níveis de ativação – que o cérebro “trabalhe mais intensamente”. Como resultado, a maior ativação acontece sempre que é preciso prestar atenção ou manter o foco. Igualmente, quando precisamos trabalhar em ambientes barulhentos e cheios de distrações. Ou então em atividades chatas, cansativas e pouco estimulantes. Para manter a atenção concentrada, o cérebro se torna mais ativo – os neurônios emitem pulsos elétricos mais vezes por segundo. Desta forma, ocorre o bloqueio das distrações e a ativação necessária, por exemplo, para a elaboração das idéias ao estudar ou resolução de um problema. Contudo, nos casos típicos do transtorno, a característica psicofisiológica mais comum é a hipofunção / hipoativação de áreas cerebrais. Em especial, o córtex pré-frontal é afetado. Como resultado, parcelas significativas dos neurônios nestas áreas tem sua atividade lentificada – “trabalham mais devagar” que o esperado. Além disto, a lentificação não é aleatória. Pelo contrário, ela é mais intensa justamente durante as atividades que demandam maior esforço mental. Ou seja, o cérebro fica mais lento quando precisaria trabalhar com maior intensidade. Daí aparece o déficit de atenção. Diversas pesquisas já mostraram comparações em imagens funcionais do cérebro, entre pessoas comuns (normotípicas) e pessoas com TDAH. É importante ressaltar que a pessoa com TDAH sofre especialmente quando tenta se concentrar ou fazer um esforço mental. Esta ativação elétrica dos neurônios, é diretamente relacionada à ação de substâncias químicas naturais do cérebro. São os neurotransmissores. Por este motivo se fala tanto em medicações que atuam no metabolismo do neurotransmissor dopamina. Igualmente, marcadores de hereditariedade são relacionados ao funcionamento dos neurotransmissores. Atraso no amadurecimento Crianças e adolescentes com TDAH são costumeiramente consideradas mais imaturos que as outros da mesma idade. Tal observação parecer ter sido confirmada numa pesquisa, que encontrou evidências que o cérebro amadurece em taxas diferentes no caso das crianças com o transtorno. Segundo estes pesquisadores, as áreas que controlam os movimentos – o córtex motor amadureceria mais cedo. Tal resultado poderia explicar porque as crianças hiperativas são capazes de andar, correr, escalar, sair do berço ou até mesmo falar muito mais cedo que outras crianças. Por outro lado, áreas do córtex frontal, que permitem prestar atenção, regular o comportamento (auto-controle) e a própria motricidade amadureceriam com cerca de três anos de atraso. Como consequência, as crianças podem mostrar déficit de atenção e a agitação excessiva, que é a hiperatividade. Importante ressaltar que, com o passar dos anos, o mesmo grau de amadurecimento cerebral foi alcançado. Tal fato parece estar relacionado com a redução da hiperatividade, que costumeiramente é observada com o passar dos anos. Falha nos sistemas motivacionais e de controle da atenção Há dois processos neuropsicológicos básicos envolvidos na regulação da atenção. A atenção é um processo fluido, que ao mesmo tempo sofre a influência de muitos fatores externos e internos. O primeiro caminho de regulação da atenção é chamado BOTTOM-UP, por serem estas regiões evolucionariamente primitivas do cérebro. Por estarem estruturalmente localizadas em sua parte “de baixo”, são chamadas “bottom”. São regiões que controlam basicamente os centros do medo e do prazer, intimamente ligados aos mecanismos básicos e instintivos de manutenção da vida. Como são regiões muito poderosas para a sobrevivência, por meio de suas conexões neuronais, elas alcançam as áreas mais superiores e evolucionariamente evoluídas, interferindo e direcionando o foco da atenção consciente. O segundo caminho de regulação da atenção é chamado TOP-DOWN. Refere-se à capacidade das áreas mais evoluídas racionalmente controlarem o foco voluntário da atenção. Contudo, normalmente há um “conflito de interesses” entre o que é sinalizado como prioridade, originando o déficit de atenção. Quando há TDAH, os processos de controle TOP-DOWN estão prejudicados. Justamente por isto, passa haver falhas na inibição seletiva das distrações, no fluxo dos pensamentos e da capacidade em focar naquilo que a pessoa sabe ser importante. Prevalece o controle pelo que é mais interessante, atraente, estimulante. Ou seja, está consolidado o déficit de atenção. Por esta razão, pessoas com o déficit de atenção tem dificuldade em focar nas “coisas chatas”. Por outro lado, para elas é fácil entrar em hiperfoco quando “tem interesse”. Igualmente, sob pressão dos prazos se concentra mais facilmente. A pressão dos prazos, o medo do fracasso ativa os centros primitivos, ajudando a manter a atenção mesmo nas atividades que num momento anterior era simplesmente deixada de lado. Portanto, a marca neurobiológica do TDAH – Déficit de Atenção (com ou sem hiperatividade) é, essencialmente, uma disfunção nas áreas de controle inibitório da atenção e dos processos motivacionais – as Funções Executivas. Em resumo, no TDAH, as áreas que deveriam controlar os processos de atenção TOP-DOWN estão hipofuncionantes. Simultaneamente, as áreas que controlam os processos BOTTOM-UP permanecem intocadas. Como dito anteriormente, esta é a origem neuropsicológica do déficit atencional. As implicações são profundas e esclarecedoras para as maiores contradições do TDAH: a acusação que “só se tem atenção naquilo que interessa”. Quem sofre com TDA – Déficit de Atenção presta sim atenção, desde que ela seja capturada por alguma fonte de estimulação poderosa. Ao mesmo tempo, terá bastante dificuldade em exercer controle voluntário sobre o foco, especialmente diante de estímulos mais fortes e poderosos. E, naturalmente, os mais poderososterão sempre vantagem… Então, quais estímulos são mais poderosos? Aqueles mais prazerosos, que atingem as áreas mais primitivas do cérebro, ligadas a experiências de prazer ou medo. Por isto é tão difícil se manter em tarefas chatas… Para ninguém é fácil, mas no TDAH pode ser demasiado difícil… quase impossível! Por outro lado, quando a situação é prazerosa, estimulante ou, por alguma razão, os mecanismos BOTTOM-UP são acionados. Por isto, que tem déficit de atenção tantas vezes oscila entre distração e HIPERFOCO. Sintomas – Tipos de TDAH A sigla TDAH pode ser enganosa. Como significa Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, as pessoas leigas acabam concluindo que, na ausência da hiperatividade, não seria um caso de transtorno. O TDAH é um transtorno que pode se manifestar em combinações diferentes de sintomas, a depender da pessoa. As classificações mais reconhecidas definem três tipos principais, a partir de combinações dos sintomas básicos de distração – déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade. Sob a perspectiva clínica e não apenas classificatória, os profissionais da área sabem das variadas combinações de sintomas. Ainda mais quando há comorbidades. O Dr. Daniel Amen, renomado neurologista americano, desenvolveu um sistema próprio de classificação, no qual descreve cinco tipos de TDAH. Estes tipos são muito similares às combinações mais frequentes do déficit de atenção e comorbidades. Contudo, mais que apenas inventar novos nomes, vale a pena ressaltar o resultado prático desta tipologia, uma vez que o Dr. Amen recomenda tratamentos variados para cada tipo. Três tipos principais de TDAH (DSM) A classificação mais conhecida do transtorno é baseada nos critérios do DSM, que é um manual para diagnóstico de transtornos mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), desde 2013 em sua quinta edição. Os sintomas são agrupados em dois grandes blocos: Distração e Hiperatividade / Impulsividade, que posteriormente resultam em três tipos de combinações.