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PROVA 1 - NEUROLOGIA Síndromes neurológicas - A integridade do sistema motor é essencial para a execução do movimento normal, coordenação e controle de movimentos finos. Tanto sistema nervoso central quanto periferico participam desses processos. O último nível da atividade de movimento é a unidade motora, que consiste no conjunto do 2 neurônio motor, seu axonio e as fibras por ele inervadas. Fazendo sinapse com o segundo neurônio, no corno anterior da medula, está o primeiro neuronioo motor, que se origina do giro pre central do córtex e compõe o sistema piramidal ou corticoespinhal. Ainda, atividade extrapiramidal e do sistema cerebelar modulam a atividade do primeiro neurônio. - Todos esses níveis podem ser acometidos por patologias, que compõem as síndromes neurológicas nomeadas a depender do nível topográfico acometido. Junção neuromuscular - A junção neuromuscular transmite um potencial de ação do neurônio motor para as fibras musculares efetoras, processo que converte estímulos elétricos em contração muscular. A junção neuromuscular é composta por uma região pré-sináptica, composta pela terminação nervosa do segundo neurônio motor, a fenda sinaptica e a região pós-sináptica da fibra muscular. - A porção terminal do neurônio motor contem o botão terminal, de intensa atividade metabólica e repleto de vesículas de acetilcolina. O estimulo do neurônio motor, gera potencial de acao, que gera despolarização da membrana neuronal. Na membrana pré-sináptica, à chegada da onda de despolarizacao, canais de cálcio voltagem dependente se abrem, permitindo grande influxo desse íon, processo que culmina com exocitose das vesículas de acetilcolina na fenda sináptica. - As moléculas de acetilcolina, entao, se ligam aos receptores nicotínicos de acetilcolina da membrana pós sínaptica (placa motora). A ligação de duas moléculas de acetilcolina a um receptor cursa com abertura de canais ionicos na membrana da fibra muscular e despolarização localizada (potencial da placa terminal em miniatura). Esse processo acontece em diversos pontos da membrana, com diversos potenciais em miniatura somados dando origem a potencial de placa terminal. Estes, por sua vez, somados, chegam ao limiar para inicio Diagnostico Topografico Patologias Fibra muscular Miopatias Junção neuromuscular Síndromes miastenicas Nervo periférico Síndromes de 2 neurônio motor Primeiro neurônio motor Síndromes piramidais Córtex ou cerebelo Síndromes extrapiramidais da contração muscular. Quando há propagação do potencial de ação pela fibra muscular, cálcio é liberado e se acopla à troponina, gerando alterações conformacionais na miosina, actina e tropomiosina (proteinas miofibrilares), o que realiza a contração muscular. - Após o fechamento do receptor de ACh, a acetilcolina volta à fenda, onde é hidrolizaca em acetato e colina pela enzima acetilcolinesterase. Colina é reabsorvida pela membrana pré- sinóptica para participar do processo de formação de mais ACh. - A integridade da junção neuromuscular é mantida por muitas proteinas, que incluem a agrina, LRP4, a tirosina quinase especifica do musculo (MuSK). • A agrina é liberada do nervo motor e interage com LRP4 (pós-sinaptico) que, por sua vez, ativa o MuSK, que regula o numero, distribuição e agregação de AChR. Miastenia gravis - Doença imunológica autoimune com falha na transmissão neuromuscular por defeito na porção pós sináptica da junção neuromuscular. - As síndromes miastenicas podem ser clinicamente separadas pelo curso da doença (ocular, orofaringea ou generalizada), idade de inicio dos sintomas (antes da puberdade, antes dos 50 ou apos os 50 anos), especificidade autoimune (anti-AChR, anti-MusK, anti-LRP4 ou seronegativa), acometimento do timo. - Pode ter inicio em qualquer idade, mas, em mulheres é mais comum antes dos 40 anos e, nos homens, entre 40 e 60. - A miastenia graves envolve ataque autoimune a proteinas da junção neuromuscular. Mais comumente, é causada por anticorpos contra o receptor de acetilcolina - anti-AChR, mas também pode ser gerada por anticorpos direcionados ao MuSK, LPR4 ou agrina. • O anticorpo anti-AChR age de formas que prejudicam a transmissão neuromuscular: (1) ativa o complemento, gerando complexo de ataque à membrana e ativação da cascata inflamatória; (2) aumento da taxa de endocitose dos AChR; (3) ocupação do sitio de ligação do receptor. • Anti-MuSK não ativam o complemento, mas inibem MuSK, o que diminui a densidade dos AChR na membrana e altera a conformação da junção neuromuscular. • Os testes sorologicos são positivos 80-90% dos casos para o anticorpo anti-AChR. Dos pacientes soronegativos, 40% tem positividade para anti-MuSK. - A atividade autoimune prejudica, portanto, a eficiência na transmissão neuromuscular, causa exaustão pré-sinóptica e resulta em ativação de numero cada vez menor de fibras musculares pelos impulsos nervosos, processo que explica a característica primordial da doença: fraqueza ou fatigabilidade miastenica. - Anomalias do timo são comuns na MG, sendo que 70% dos pacientes tem hiperplasia de folículos linfoides (mais comum em mulheres) e 10-15% tem timomas (mais comum em homens). A participação do timo na etiologia da doença nao foi esclarecida, mas sabe-se que o timo contem células musculares com receptores de ACh, que seriam fonte de antígenos para a produção de autoanticorpos. - QUADRO CLÍNICO - A característica principal da MG é a fatigabilidade da musculatura esquelética que acontece após esforço físico e melhora com o repouso, fraqueza muscular flutuante, que pode estar ausente ao despertar e ter inicio ao final da tarde. - 2/3 dos pacientes se apresentam com sintoma inicial de ptose ou diplopia. Geralmente o comprometimento é assimétrico e alternante. - 15% dos pacientes se apresentam com disfunção da musculatura bulbar - músculos orofaringeos e faciais - dificuldade para mastigar, engolir, falar: disartria (distúrbio da articulação da fala), distagia, voz anasalada e de baixa intensidade, sorriso retificado. O paciente pode ter que segurar a boca com as maos. - 5% apresentam inicialmente fraqueza de musculatura proximal dos membros, acometendo mais MMSS. - Normalmente o acometimento inicial é ocular, seguido pelo orofaringeo em 90% dos pacientes dentro dos primeiros 2 anos do inicio. A fraqueza pode, entao, atingir os membros (generalizada). - A doença segue curso variável, podendo haver períodos de exacerbação e remissao. A remissao, porem, raramente é permanente e o curso natural é de progressão para piora com redução dos períodos assintomaticos/ oligossintomaticos durante o dia e manutenção da característica de flutuação dos sintomas. - Os sintomas podem ser piorados por diversos fatores, como infecções sistêmicas, alterações da tireoide, período do ciclo menstrual, gestação, temperatura, estresse emocional, medicamentos. - Ainda, infecções (principalmente respiratórias), estressores (cirurgias, distúrbios hidroeletroliticos), drogas (quinolonas, aminoglicosideos, macrolideos, litio), podem deflagrar quadro agudo de crise miastênica, em que há fraqueza em musculatura bulbar, dispneia com diminuição da capacidade vital, atelectasias e microaspiracoes. A crise miastênica corresponde à apresentação mais grave da MG e indica instalação de insuficiência respiratória aguda. O quadro pode evoluir com insuficiência respiratória que Ptose palpebral Dispneia Diplopia Fraqueza em musculatura proximal simétrica Disfagia Reflexos osteotendineos preservados Disfonia Cabeça caída (fraqueza da m. extensora) Disartria Segurar a mandíbula enquanto fala Voz anasalada Fascies miastênica Sorriso retificado Fatigabilidade Fatigabilidade - padrao típico de fraqueza que piora à medida em que se usa a musculatura. necessita deventilação mecanica. A crise pode ser também espontanea, sem causa identificavel. - A doença pode se relacionar com outras comorbidades, como doenças autoimunes (tireoidite, artrite reumatoide e lúpus), doenças inflamatórias musculares (risco de miocardite é aumentado), atém das consequências próprias da fraqueza muscular (dor, apneia obstrutiva do sangue). - CLASSIFICACAO - NGFA - DIAGNOSTICO - O diagnóstico da MG baseia-se em dados clínicos, laboratoriais e eletrofisiológicos. • Exame físico - diplopia, ptose, capacidade vital diminuída e ausência de outros sinais neurológicos. A forca muscular deverá ser testada. • Testes clínicos - Teste do gelo - aplicação de bolsa de gelo sobre a pálpebra por alguns minutos induz melhora na abertura ocular em, no mínimo 2 milimetros. CLASSE CARACTERISTICA I Comprometimento ocular sem acometimento de outros grupos musculares II Fraqueza LEVE de outra musculatura alem da ocular A. menor acometimento da musculatura orofaringea, predominando membros ou musculatura axial B. maior acometimento da musculatura orofaringea em relação à axial e membros III Fraqueza MODERADA de outra musculatura alem da ocular A. menor acometimento da musculatura orofaringea, predominando membros ou musculatura axial B. maior acometimento da musculatura orofaringea em relação à axial e membros IV Fraqueza SEVERA de outra musculatura alem da ocular A. menor acometimento da musculatura orofaringea, predominando membros ou musculatura axial B. maior acometimento da musculatura orofaringea em relação à axial e membros V Crise miastênica com necessidade de intubação Testes de forca e resistência à fatigabilidade Contagem até 50 - avalia-se a voz. Diminuição do volume, voz anasalada e sussurro. Teste de bater asas Verifica-se diminuição progressiva na amplitude Teste de olhar sustentado para cima Ao olhar rapidamente para cima 10 vezes, observa-se ptose progressiva E importantíssimo solicitar a dosagem dos hormônios tireoidianos, pois há alta correlação entre doenças autoimunes e possível causa de exacerbação da MG pelo hipertireoidismo. - Teste do edrofonio - utiliza-se inibidor da enzima acetilcolinesterase verificando-se melhora dos sintomas em pacientes miastenicos. Melhora da abertura ocular ou da forca em grupo muscular isolado após 60 segundos da administracao. Essa melhora dura de 5 a 10 minutos. Efeitos colaterais (salivacao, sudorese, náusea, vomito, hipotensão, bradicardia) podem suspender o teste. • Testes laboratoriais - Dosagem serica de anti-AChR e, se soronegativo, dosar anti-MuSK ou anti-LRP4. - Dosagem de hormônios tireoidianos • Eletroneuromiografia - Na estimulação repetitiva. Se houver fatigabilidade anormal, a amplitude do potencial muscular d iminui progressivamente do pr imeiro ao quarto est ímulo, estabilizando-se posteriormente. Se houver queda da amplitude maior que 10%, o teste é considerado anormal. - No de fibra única há variabilidade (latencia) entre as fibras musculares de uma mesma unidade motora. Permite o estudo seletivo de uma única fibra muscular e avalia a variabilidade no tempo de transmissão neuromuscular, que encontra-se aumentada em pacientes com MG • TC deve ser realizada em todos os pacientes para rastrear a presença de timoma. Cerca de 10% a 15% dos miastênicos apresentem esse tumor. - TRATAMENTO • O tratamento visa manter o paciente capaz de exercer suas atividades diárias e funções motoras com poucas limitações. • Sintomático - droga inibidora de acetilcolinesterase (PIRIDOSTIGMINA), prolonga o tempo de ação do neurotransmissor, melhorando a forca muscular. Dose de inicio 30mg, 3x ao dia. Efeitos colaterais: cólicas abdominais, diarreia, sialorreia, aumento de secreção bronquica, bradicardia, nauseas, sudorese, crise colinergica. • Imunossupressores - inicialmente, corticoide (prednisona), pois tem efeito mais rápido, objetivando, contudo, o desmame do corticoide com o tempo e manutenção da azatrioprina ou micofenolato (ciclosporina, ciclofosfamida, metotrexate) - imunossupressores não esteroidais, por tempo indeterminado. Usar rituximabe em anti- MuSK positivos. • Imunoterapia de rápido inicio de ação - plasmaferese (3-5 sessoes) ou imunoglobulina IV (2g/kg divididos em 5 dias) - normalmente são utilizadas em casos graves (crises miastenicas), no pre-operatório de timectomia ou refratariedade ao tratamento com drogas imunossupressoras. Efeitos colaterais da imunoglobulina: mal- A Eletroneuromiografia é utilizada para confirmar um defeito na transmissão neuromuscular e excluir outros defeitos na unidade motora. Dois tipos de testes podem ser realizados: estudo da estimulação elétrica repetitiva e eletroneuromiografia de fibra única. estar, cefaleia, reação alergica, sintomas de hipervolemia. Plasmaferese tem como efeitos colaterais: hipotensao, distúrbios hidroeletroliticos, infeccoes. Usar plasmaferese em anti-MuSK positivos. • Timectomia esta indicada nos casos de (1) timoma; (2) 3-5 anos apos o inicio da doença em paciente de 60-65 anos; miastenia generalizada com anti-AChR positivo; (3) refrataria a tratamento clínico, mesmo que apenas ocular. - DIAGNOSTICO DIFERENCIAL • Síndrome miastênica de Eaton-Lambert - desordem autoimune da transmissão neuromuscular em que não há liberação adequada de ACh por ataque aos canais de cálcio voltagem dependentes na membrana pré-sináptica. Acomete igualmente homens e mulheres aos 40 anos e apresenta associação com neoplasia pulmonar (carcinoma de pequenas células). O quadro clinico se distingue bastante da MG. A dificuldade na marcha é usualmente o sintoma inicial, evoluindo de forma distal-proximal e os músculos oculares e bulhares na maioria dos casos são poupados. Quando há ptose palpebral, é bilateral. Ao contrario da MG, a fraqueza ao acordar é pior, havendo melhora ao longo do dia. Reflexos profundos podem estar diminuídos ou ausentes, podendo ser melhorados com o estimulo repetitivo ao tendão. Manifestações de desautonomia são comuns (hipotensao postural, xeroftalmia, disfunção eretil, visto turva). O diagnostico é firmado com a tríade clássica do estudo eletrofisiologico: (1) amplitude baixa do potencial de ação do músculo com aumento dramático após o exercício; (2) decremento maior que 10% com estimulação repetitiva lenta; (3) incremento em estimulação repâtitiva rápida. Positividade para anticorpos anti-VDCG • Botulismo - toxina botulínica se liga aos receptores pré-sinápticos dos neuronios motores de maneira irreversível e impedido a liberação da ACh. O quadro clínico difere da MG, pois há progressão mais rápida, sem a característica de flutuacao, o padrao de fraqueza é descendente e pode evoluir para insuficiência respiratória. No botulismo infantil (que não vai cair na prova, mas a luiza quer muito saber) o choro e a sucção são débeis, expressões faciais estão reduzidas, há hipotonia e hiporreflexia, ptose, oftalmoparesia e o reflexo fotomotor está alterado no botulismo, lentificado. • Miopatias sao afecções e doenças musculares em que as fibras musculares não funcionam adequadamente, o que resulta em fraqueza muscular. Podem ter causas genéticas ou adquiridas. Entre as geneticas, as mais frequentes são as distrofias musculares, miopatias congenitas, síndromes miotonicas e miopatias metabólicas, que se manifestam no primeiro ano de vida ou em adultos jovens. As adquiridas podem ser secundarias a drogas (sinvastatina, corticoides, penicilina, quinolona), doenças sistêmicas (dengue, zyka), doenças inflamatórias ou autoimunes (polimiosite, dermatomiosite), endócrinas (tireoideopatias), toxicas (alcool, cocaína). • Quadro clínico: fraqueza com fadiga, acometimento proximal maior que o distal, pode acometer musculatura bulbar (dispneia, disfagia), exame físico com redução da forca, inabilidadede subir escadas, levantar do chao. • Distrofias tipos de miopatia geneticamente causadas e que cursam com alteração do complexo distrofina (glicoproteina que liga o citoesqueleto da fibra muscular à matriz extracelular). Caracterizam-se por CPK elevado. Exemplos mais comum são Ducheinne e Becker (herancas recessivas ligadas ao X, diferem em gravidade, idade de inicio e taxa de progressao). Nessa herança há deficiência da proteína distrofina, que resulta em deterioração e necrose muscular, substituição do tecido muscular por gordura e tecido conjuntivo. Anatomia do sistema nervoso periférico - Sistema nervoso periférico em anatomia consiste na parte do sistema nervoso em que os neuronios estão relacionados às células satélites periféricas (Celulas de Schwann) e é composto por: nervos cranianos (exceto olfatorio e óptico), raízes espinhais, gânglios da raiz dorsal, nervos periféricos e suas ramificações terminais, plexos nervosos e o SNA. - Nervos são estruturas semelhantes a cordões esbranquiçados constituídos por feixes de fibras nervosas reforçadas por tecido conjuntivo que unem o SNC aos órgãos perifericos. Podem ser classificados em espinhais ou cranianos, a depender do tipo de união, com a medula espinhal ou com o encefalo, respectivamente. - Axonios podem ter cobertura mielínica ou não e cada um deles é recoberto por endoneuro (tecido conjuntivo frouxo). O conjunto de feixes de fibras nervosas, fascículo nervoso, é envolto por perineuro e pode conter tanto axonios mielinizados quanto não mielinizados. O epineuro, ricamente vascularizado pela vasa nervorum, envolve todo o conjunto de fasciculos, nervo, enviando septos ao seu interior. Ducheinne Fraqueza na primeira infância Piora rápida Habilidades motoras atrasadas (sentar, caminhar) Marcha anserina, postura hiperlordótica e ao levantar-se (levantar de Gowers) Pseudo-hipertrofia das panturrilhas (pelo tecido fibroso e gorduroso) Becker Sinais e sintomas mais leves e mais variados Fraqueza muscular mais evidente tardiamente (infancia ou adolescência) Piora mais lenta, pacientes mantém deambulação Pseudo-hipertrofia das panturrilhas (pelo tecido fibroso e gorduroso) - São 12 pares de nervos cranianos, 31 pares de nervos espinhais e 4 plexos (cervical, braquial, torácico e lombar). Os nervos espinhais resultam da junção entre as raízes dorsais (sensitivas, aferentes) e ventrais (motoras, eferentes) medulares. - As células de Schwann enrolam-se em torno dos axonios, formando as bainhas isolantes de mielina dos neuronios, um invólucro lipídico que facilita a transmissão do impulso nervoso, de natureza saltatoria. Entre uma célula de Schwann e outra existe uma região de descontinuidade da bainha de mielina, denominada nódulo de Ranvier. A parte celular da bainha de mielina, onde estão o citoplasma e o núcleo da célula de Schwann, constitui o neurilema. - As fibras nervosas podem ser distinguidas pela presença ou não de bainha de mielina, sua espessura, que determina a velocidade de condução do impulso nervoso. Os principais tipos de fibra são: Aα, Aβ, Aδ (delta), C. Neuropatias periféricas - Sao desordens comuns relacionadas a ampla gama de patologias sistêmicas (principalmente Diabetes mellitus e hanseniase) ou próprias do SNP. Essas patologias podem ou não se associar a afeccoes do SNC e, ainda, acometer qualquer das porções dos nervos perifericos, desde as raízes nervosas até ramos terminais dos axonios. - Cada nervo periférico é composto de grande número de fibras nervosas mielinizadas e não mielinizadas de variados diâmetros. Um paciente com neuropatia periférica pode apresentar ampla gama sintomas, sendo que a principal forma de apresentacao é com alterações distais, ascendentes e simétricas. O acometimento é inicialmente em MMII (botas), seguido de MMSS (luvas). Fibras aferentes Somáticas Estereoceptivas Receptores de superfície cutânea, tato, pressao, calor, dor. Proprioceptivas Sensações relacionadas ao sistema musculoesqueleticos: posicao, tensao, contração Viscerais Em maioria, impulsos que não se tornam conscientes ao contrário da somática, controle da tensão arterial e taxa de oxigênio no sangue. Alguns se tornam conscientes: fome, sede, enchimento gástrico. Fibras eferentes Somáticas Fibras esqueléticas, dirigem-se aos músculos esqueléticos e são responsáveis pela motricidade. Viscerais Sistema nervoso autonomo, inerva os órgãos internos pelos sistemas simpático e parassimpatico e é responsável pela homeostasia. Aα Mielinizadas, grossas, alta velocidade de conducao. Aferencia do sistema neuromuscular (Tato fino, pressao, sensibilidade vibratória e propriocepcao). Eferencia muscular e esqueletica. Aβ Aδ Mielinizada, fina, intermediaria velocidade de conduçãoAferente de dor e temperatura C Não mielinizada, velocidade de condução baixaTato grosseiro, dor cronica O acometimento inicia-se na parte distal dos nervos mais calibrosos e longos, progredindo em direção ao corpo celular, pois há lesão primaria do corpo celular com diminuição da síntese proteica e do suprimento para a porção distal dos axonios. Avaliação das neuropatias periféricas (1) Para averiguação do tipo de fibra nervosa acometida a predominância de sintomas e sinais clínicos. Os sintomas tem correlação com o acometimento, se motor, sensitivo ou autonomico. • Sintomas motores podem ser positivos ou negativos. Positivos são: fasciculacoes (contracoes musculares espontâneas visíveis), caibras (contracoes persistentes dolorosas) e tremores. Negativos são: fraqueza e atrofia. - Sao neuropatias com predominância motora as decorrentes de quadros inflamatórios autoimunes (Sindrome de Guillain-Barré), polirradiculopatia diabetica, polineuropatia desmielinizante cronica. • Sintomas sensitivos podem ser positivos ou negativos. Positivos são: dor neuropática, parestesia, alodinia, hiperalgesia. Negativos podem ser de fibras grossas ou finas. - Os sintomas negativos associados ao acometimento das fibras grossas incluem ataxia proprioceptiva e perda da noção de posição segmentar, sinal de romberg, marcha talonante e alteração das provas de coordenação. hipoestesia, anestesia. Reflexos tendinosos reduzidos ou ausentes. Exemplos: DM, amiloidose e síndrome paraneoplasica. - Os sintomas negativos associados ao acometimento das fibras finas incluem dor, temperatura, tato. Forca e reflexos são normais. Associa-se a alterações autonomicas. Exemplos: neuropatias toxicas (alcool e medicamentos), distúrbios metabolicos, hereditários e infecciosos. • Sintomas autonômicos hipotensão postural, gastroparesia, disfunção eretil, disfunções intestinais e urinarias, alterações da sudorese, boca seca. Amiloidose é a principal causa. (2) O padrao anatômico do acometimento pode ser de uma neuronopatia, radiculopatia, plexopatia, mononeuropatia, mononeuropatia múltipla, polineuropatia ou polirradiculopatia. 1 Tipo de fibra nervosa envolvida - motora, sensitiva, autonomica 2 Distribuição do acometimento - aspectos anatomicos 3 Evolução - tempo, forma de inicio, forma de evolução 4 Avaliação neurofisiologica 5 Historia familiar 6 Sintomas e patologias associadas 7 Exposição a substancias toxicas e medicacoes 8 Tratamentos realizados e resposta atingida 9 Investigação complementar • Neuronopatias são patologias em que há acometimento dos corpos celulares dos neuronios motores ou sensitivos, sendo que as neuronopatias sensitivas são denominadas ganglionopatias sensitivas, afinal, o corpo do neurônio sensitivo esta no ganglio. • Radiculopatias envolvem comprometimento de raízes sensitivas ou motoras de forma isolada, associada ou multipla. Podem ser causadas por compressão radicular por hérnia discal, radiculites inflamatórias (CMV ou herpes zoster). •Plexopatias consistem no comprometimento dos plexos - principalmente lombar e braquial- são plexites inflamatórias / infecciosas e lesões traumáticas • Mononeuropatias são caracterizadas pelo acometimento isolado de um único nervo em todas as suas funções. Exemplos: sindrome do túnel do carpo e compressão do nervo ulnar do cotovelo. • Mononeuropatias multiplas resultam do acometimento de dois ou mais nervos periféricos de forma isolada, surgimento independente e com intensidades diferentes. Podem ser causadas por vasculites, diabetes, hanseniase. • Polineuropatias envolvem acometimento simultâneo de vários nervos, normalmente simétrico, com predomínio distal, iniciando o quadro em MMII e, entao, MMSS. Causas incluem doenças metabólicas, como DM, IRC; causas toxicas, como álcool e medicamentos; causas carenciais, por deficiência de vitaminas do complexo B e acido fólico; causas hereditárias, como amiloidose, doença de Charcot-Marie-Tooth; causas infecciosas, vasculites e paraneoplasicas. (3) Os padrões de surgimento e evolução também são cruciais para o diagnostico das neuropatias. • Aguda sintomas iniciados há menos de 4 semanas. Principalmente Guillain-Barré ou agudizacao de neuropatia cronica, carenciais, toxicas. • Subaguda sintomas iniciados de 4 a 8 semanas. Exemplos incluem as vasculites, DM, vasculites, síndromes cadenciais e paraneoplasicas. Cadenciais ou toxicas. • Cronica evolução superior a 8 semanas. Causadas principalmente por doenças hereditarias, polineuropatia desmielinizante cronica. • A evolução pode ser monofásica (Guillain-Barré), recorrente (toxicas), ou progressiva (amiloidose). (4) Estudo eletrofisiologico (Eletroneuromiografia) divide‑se em duas partes: a eletromiografia (EMG) e o estudo da condução nervosa. define o padrao de acometimento, se motor, sensitivo ou de ambas as funções; verifica, ainda, se o padrao é axonal ou desmielinizante ou de desnervacao muscular; alem de auxiliar nos diagnosticos diferencias. • Estudo miográfico com agulha - avaliação funcional da atividade muscular (potenciais de ação das fibras musculares) convencional ou de fibra unica. Diferencia patologias da fibras musculares de patologias das fibras nervosas. • Estudo de neurocondução - registro da transmissão dos impulsos nervosos sensitivos ou motores pelas fibras que permite diferenciar neuropatias agonias de neuropatias desmielinizantes. • Neuropatia axonal - diminuição da amplitude dos potenciais sensitivos e/ou motores, pouca ou nenhuma alteração das latências ou velocidade de condução. • Neuropatias desmielinizantes - aumento das latências, diminuição da velocidade de condução, mas amplitude pode estar mantidas. Dispersão temporal pode estar presente se a patologia for desmielinizante heterogenea. - (5) (6) (7) e (8) Historia familiar, patologias associadas, uso de medicação e exposição a substancias toxicas. • Historia familiar - familiares acometidos, consangüinidade e definição do padrao de herança genetica. • Patologias associadas - HIV, DM, alcoolismo, hanseniase, IRC. • Medicações - amiodarona (antiarritmico), quimioterápicos, isoniazida (TB), nitrofurantoina (macrodantina), dapsona (hanseniase). • Substancias toxicas - arsênico e chumbo. • Carências alimentares - deficiência de vitaminas B1 e B12. • Historia pregressa - mesma sintomatologia e resposta a medicações utilizadas (corticoides, imunossupressores). - (9) Investigação complementar • Hemograma, VHS, glicemia de jejum e TTGO, hormônios tireoidianos (TSH, T4L), dosagem de B12 e acido folico, sorologias para HIV, HB, HC, função hepática, função renal, marcadores tumorais, marcadores de doenças reumatológicas. • Exames de imagem - TC, PET para investigação de síndrome paraneoplasica. • Exames para investigação de doenças neurológicas: • Analise do liquor • Biopsia do nervo - o nervo escolhido deve estar comprometido clinicamente e na eletroneuromiografia, não é um exame de rotina, devendo ser realizado apenas quando todas as outras investigações diagnosticas tiverem esgotado. • RNM de nervos ou plexos nervosos Dispersão temporal (DT) é a consequência de uma desmielinização segmentar, isto é, da desmielinização em diferentes segmentos das fibras nervosas, de modo não uniforme levando a uma dispersão dos potenciais das unidades motoras pela diferença do tempo de condução entre elas. Quando há grande redução das velocidades condução sem DT, a desmielinizacao é uniforme. • Marcadores imunológicos específicos para neuropatias - Anti-GM1 (guillain barre), anti-GQ1B (Muller Fisher). • Analise do DNA para neuropatias hereditárias • Dosagem de atividades enzimáticas. Síndrome de Guillain - Barré - Definida como uma polineuropatia inflamatória pós infecciosa autoimune de característica patológica desmielinizante ou axonal, caracterizada clinicamente por paratisia flácida com arreflexia, comprometimento sensitivo variável e elevação proteica no LCR. - Com a eliminação da poliomielite, a síndrome de Guillain-Barré passou a ser a causa mais comum de paralisia flácida aguda no cenário de prontosocorro, sendo uma importante emergência neurológica. - Com base em aspectos histológicos, eletrofisiológicos e clínicos, há variantes clínicas distintas da síndrome de Guillain-Barré: • Polirradiculoneuropatia inflamatória desmielinizante aguda: forma mais comum. • Neuropatia axonal aguda: forma mais grave, com lesão em axônio. Ocorre evolução mais rápida da fraqueza muscular. Pode ser associada a perda sensitiva. • Síndrome de Miller-Fisher: paciente apresenta oftalmoplegia, ataxia associadas à arreflexia com fraqueza muscular menos pronunciada. Pode haver ptose palpebral e a função pupilar é normal. • Variante faringeobulbar: é uma forma de acometimento localizado que atinge a musculatura orofaringea, do pescoco, ombros. - O processo fisiopatológico da síndrome de Guillain-Barré ainda não foi completamente esclarecido, porem em 2/3 dos casos há correlação com infecção precedente, principalmente do trato respiratório ou gastrointestinal em até 3 semanas antes do inicio dos sintomas. Aparentemente existe um mimetismo molecular entre lipopolissacarídeos dos agentes patológicos e gangliosídeos axonais, o que deflagra processo de autoimunidade humoral. Os principais patógenos envolvidos são Campylobacter jejuni, Micoplasma pneumoniae, CMV, agentes de arboviroses, Epstein-barr, Haemophilus influenzae. Infecções com citomegalovírus e o vírus Epstein-Barr estão associadas à forma desmielinizante enquanto que as infecções Indicações de biopsia de nervo Neuropatia cronica idiopatica progressiva Mononeuropatia múltipla Polineuropatia assimetrica Suspeita de neuropatia infecciosa (hanseniase) Suspeita de neoplasia Diagnostico diferencial das Polineuropatia Inflamatória Desmielinizante Crônica com o Campylobacter jejuns se relacionam com as formas axonais e Miller-Fisher. Fatores geneticos, ambientais e de suscetibilidade individual ainda não foram claramente identificados. • Os gangliosídeos são componentes importantes das raízes nervosas e nervos periféricos motores e sensoriais e têm uma participação relevante na etiopatogênese da doença. Na forma desmielinizante, anticorpos IgG se ligam à membrana externa das células de Schwann e induzem ativação do sistema complemento. Esta ativação forma o complexo de ataque à membrana, que acarreta vesiculação da mielina. Após cerca de 1 semana da lesão mielínica, há invasão de macrófagos para fagocitose. • Na forma axonal, há importante participação de 4 subtipos de gangliosídeos: GM1, GT1A, GD1A e GQ1B. Dependendo de qual antígeno é atacado, ocorre um padrão clínico distinto. Estes gangliosídeos estão localizados no axolema das fibras motoras. Quando anticorpos se ligam a eles, forma complexo de ataque à membrana e há,consequentemente, destruição axonal Os anticorpos anti-GM1, anti-GT1A e anti-GD1A estão associados à forma axonal aguda do Guillain-Barré, já o anti-GQ1B está associado à forma de Miller-Fisher, visto que esta substância está presente no axolema dos nervos oculomotores e nos fusos neuromusculares. - O quadro clínico é caracterizado por parestesia, seguida de 7-10 dias por fraqueza bilateral e relativamente simétrica dos membros, que progride em um período entre 12 horas e 28 dias até alcançar um platô (nadir), tendo um caráter ascendente na maioria dos casos. - Hiporreflexia e arreflexia podem ocorrer após 1 semana do inicio dos sintomas. - Em cerca de 50% dos pacientes, ocorre diplegia facial (paralisia bilateral). - Os pacientes podem cursar com parestesias distais e lombociatalgia, dor radicular, dores musculares. - Há comprometimento autonômico em cerca de 65% dos casos, com acometimento dos sistemas simpático e parassimpático. Sudorese, rubor, flutuações da pressão arterial, hipotensão postural intensa, crises hipertensivas espontaneas, arritmias cardíacas, bradicardia, disfunção gastrointestinal e vesical. - A musculatura bulbar pode ser acometida, levando a disfagia e disfonia. - Sonhos vívidos e alucinações ou psicose por acometimento de SNC. - Cerca de 25% dos pacientes podem evoluir com insuficiência respiratória, necessitando de intubação orotraqueal. - Diagnostico é eminentemente clínico - considera características necessarias sintomas adicionais. Estudos de condução nervosa podem ser uteis, mas não são absolutamente necessários. Há também características que aumentam a dúvida quanto ao diagnostico. Características necessarias Fraqueza progressiva nos MMII e MMSS Arreflexia ou hiporreflexia nos membros acometidos Sintomas adicionais Fase progressiva (2-4 semanas) Simetria relativa Sinais e sintomas sensoriais leves Envolvimento dos nervos cranianos, em especial fraqueza bilateral dos músculos faciais Disfunção autonomica Dor Fatores que fazem questionar a hipótese de Guillain-Barre LCR com celularidade aumentada Disfunção pulmonar severa sem fraqueza muscular associada Sinais sensoriais severos sem fraqueza muscular associada Disfunção vesical sem fraqueza muscular associada Febre ao inicio dos sintomas Alteração sensorial com nível bem delimitado à medula Fraqueza assimetrica Inicio ou persistência das alterações esfincterianas • LCR - aumento da concentração de proteína com celularidade normal (dissociacao citoproteica), atinge valor máximo em 4 semanas. O numero de células no liquor deve ser menor que 10/mm3. Se esse numero for aumentado, devem ser consideradas outras patologias de base infecciosas, principalmente o HIV. • Os padrões verificados nos exames de condução nervosa dependem do padrao de acometimento (desmielinizante, axonal ou misto). - Complicações mais comumente associadas durante a progressão da síndrome são relacionadas a falência respiratória e necessidade de ventilação mecânica (pneumonia, sepse, TEP), disautonomias (arritmias, bradicardias, parada cardíaca, hipo ou hipertensão extremas), bem como flutuações associadas ao tratamento. - Diagnostico diferencial inclui paralisia periódica hipocalemica, vasculites, intoxicação por metais pesados, deficiência de tiamina, porfíria, neuropatia por HIV, poliomielite, miastenia gravis. - Tratamento inclui medidas de cuidados gerais, profilaxia de TEP e imunoterapia. • Plasmaferese tem como possíveis consequências a infecção no local do cateter, plaquetopenia, deplecao de fatores de coagulacao, anemia e hipotensao. • Imunoglobulina pode ter efeitos de febre, mialgia, hipertensao, nauseas, vomitos, cefaleias, neutropenia. • Indicações de intubacao orotraqueal são dividas em 1 critério maior preenchido ou 2 critérios menores. Cuidados gerais Internação em UTI Monitorização cardíaca ECG, PA, FC Monitoradas respiratória Oximetria de pulso, gasometria arterial e capacidade vital Avaliação da capacidade de deglutição. Sonda nasogastrica se necessário Prevenção de escaras Função vesical e intestinal Cateterismo vesical e uso de laxativos se necessário Manejo da dor Carbamazepina, opioides Avaliação de 2-4h antes do platô (se progressão rápida) Avaliação de 6-12h em paciente pós platô (estável) Evitar ulceras de córnea em acometimento de nervo facial Suporte psicologico Profilaxia de TEP/TVP Heparina subcutânea em dose profilática Meias compressivas Imunoterapia Iniciar em até 2-4 semanas do inicio dos sintomas. Plasmaferese - acesso venoso, 3 a 5 sessões em período de 7-14 dias. Imunoglobulina - endovenosa, 2g/kg/dia divido em 5 dias. - Prognostico - mesmo com melhor tratamento disponível, ainda há possibilidade de evolução para orbito ou de persistência de sequelas. Em geral, há maior necessidade de suporte ventilatorio de urgência nos tipos desmielinizantes, mesmo que esse seja o tipo com melhor prognostico. Pacientes com polineuropatia axonal tendem a ter recuperação mais lenta ou, ate mesmo, incompleta. Cerca de 65% dos pacientes persistem com sintomas e sinais menores (pe caido ou parestesias distais). Em 5-10% pode haver deficit motor permanente acometendo membros inferiores. • Idade maior que 40 anos ou crianças pre-escolares, diarreia precedente (Campilobacter) e alta incapacidade ao nadir são fatores de pior prognostico. Para essa avaliacao, existem escores de predição de prognostico. Meninges - O tecido do SNC é delicado e apresenta um elaborado sistema de proteção composto por: crânio, meninges, líquido cerebrospinal (liquor) e barreira hematoencefálica. - As membranas conjuntivas que envolvem o sistema nervoso se chamam meninges, são elas: dura-máter, aracnoide e pia-máter. • Dura-máter é a meninge mais superficial, espessa e resistente, formada por tecido conjuntivo muito rico em fibras colágenas, contendo nervos e vasos. Tem dois folhetos: um externo e um interno. O folheto externo adere intimamente aos ossos do crânio, o que faz com que não exista no crânio, um espaço epidural como na medula. No encéfalo, a principal artéria que irriga a dura-máter é a artéria meníngea média, ramo da artéria maxilar. É ricamente inervada, diferentemente das outras meninges. Como o encéfalo não possui terminações nervosas sensitivas, toda ou qualquer sensibilidade intracraniana se localiza na dura-máter, que é responsável pela maioria das dores de cabeça. Em algumas áreas o folheto interno da dura-máter destaca-se do externo para formar pregas que dividem a cavidade craniana em compartimentos que se comunicam amplamente. As principais pregas são a foice (que separa os dois hemisférios cerebrais), a tenda (septo entre os lobos occipitais e o cerebelo), foice do cerebelo (entre os hemisférios cerebelares), diafragma da sela (fecha superiormente a sela túrcica). A dura, ainda, separa seus folhetos em determinadas regiões do cérebro, onde são formadas cavidades. • Aracnóide é uma membrana muito delgada, justaposta à dura-máter, da qual se separa por um espaço virtual, o espaço subdural, contendo uma pequena quantidade de líquido necessário á lubrificação das superfícies de contato das membranas. A aracnoide Critérios maiores Hipercapnia (pCO2 > 48mmHg) Hipoxemia (pO2 < 56mmHg) Capacidade vital pulmonar < 15mL/Kg Critérios menores Tosse ineficiente Deglutição prejudicada Atelectasias pulmonares separa-se da pia-máter pelo espaço subaracnoideo que contem liquor, havendo grande comunicação entre os espaços subaracnoideos do encéfalo e da medula. Considera-se também como pertencendo à aracnoide, as delicadas trabéculas que atravessam o espaço para ligar à pia-máter, e que são denominados de trabéculas aracnoides. Estas trabéculas lembram, um aspecto de teias de aranha donde vemo nome aracnoide. • O espaço subaracnoideo em alguns pontos se dilata, formando as cisternas subaracnoideas, que contém grande quantidade de liquor. As cisternas mais importantes são a magna, pontina, interpeduncular, quiasmatica, superior e da fossa lateral do cerebro. • Em alguns pontos, a aracnóide forma tufos que penetram nos seios da dura-mater, são as chamadas granulações aracnoides, abundantes no seio sagital superior. Essas estruturas realizam absorção do liquor, que vai para o sangue. • Pia-máter é a mais interna das meninges, aderindo intimamente à superfície do encéfalo e da medula e conferindo resistência aos órgãos nervosos, pois o tecido nervoso é de consistência muito mole. Líquor - É um fluido aquoso e incolor que ocupa o espaço subaracnoideo e as cavidades ventriculares, cuja função primordial é proteção mecânica do sistema nervoso central. - É produzido nos plexos corioides dos ventrículos, sendo que os ventrículos laterais contribuem com maior contingente liquórico, que passa ao III ventrículo através dos forames interventriculares e daí para o IV ventrículo através do aqueduto cerebral. Através das aberturas medianas e laterais do IV ventrículo, o liquor passa para o espaço subaracnoideo, sendo reabsorvido principalmente pelas granulações aracnoideas. - Um esquema básico da circulação do liquor é: Meningites - Sao processos infecciosos que acometem as meninges e o espaço subaracnoideo, delimitado por essas membranas e que contem o líquido cefalorraquidiano. - É uma emergencia infecciosa que acompanha intensa reação inflamatória do SNC, que é manifestada por rebaixamento do nível de consciencia, convulsões, aumento da pressão intracraniana e eventos isquemicos. Tem alta incidência em crianças e pode deixar sequelas neurologicas. - O processo pode ser gerado por uma diversidade de agentes patológicos caracterizando infecções bacterianas, infecções virais, micobacterianas, fúngicas, neurossífilis, infecção pelo HIV e tuberculose. - As meningites virais são as mais frequentes, geralmente benignas e autolimitadas, enquanto que as bacteriana tem alta mortalidade. No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica, deste modo, casos da doença são esperados ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais, sendo mais comum a ocorrência das meningites bacterianas no inverno e das virais no verão. - A fisiopatologia da meningite bacteriana envolve colonização inicial das vias aéreas superiores, geralmente por pneumococo, meningococo ou haemophilus tipo B, seguida de invasão do epitelio e disseminação para a corrente sanguinea, tudo a depender das defesas do hospedeiro, bem como da patogenicidade do agente. Ao alcançarem o plexo coroide, os organismos invadem o espaço subaracnoide e, entao, iniciam multiplicação no liquor. Por apresentar baixa concentração de elementos imunes, como imunoglobulinas e complemento, se faz um bom meio para essa replicaçao bacteriana. Além da via hematogenica, a chegada de microorganismos ao sítio de infecção meninges pode, ainda, ser em decorrência de foco infeccioso próximo, como nas otites, mastoidites, sinusites, osteomielite de cranio. • Lise bacteriana, com liberação de conteúdo intracelular (LPS) induz inflamacao intensa das meninges por produção de citocinas (IL-1 e TNFa) por leucocitos, células da microglia e células endoteliais. Há, pela ação das citocinas, aumento da permeabilidade capilar, alterando as propriedades da barreira hematoencefalica, o que pode cursar com edema cerebral do tipo vasogênico, com extravasamento de proteinas e leucócitos para o liquor. As citocinas, por aumentar a expressão de selectinas, favorecem a migração leucocitaria para o liquor. • A composição liquórica fica alterada, formando exsudato espesso, pode causar bloqueio da reabsorção liquorica pelas granulações aracnoideas, acumulando liquor, o que pode culminar com hidrocefalia e edema cerebral intersticial. • A circulação sangüínea cerebral fica prejudicada em decorrência de todo o processo inflamatório. A regulação da pressão arterial está comprometida - não há vasoconstricao em resposta a aumento da pressão arterial, protegendo contra o hiperfluxo; e também não há vasodilatação com a queda da pressão arterial, protegendo contra o hipofluxo. Em consequência, há alta suscetibilidade a isquemia em casos de hipotensão e a aumento de edema cerebral com aumentos da pressão arterial. • No espaço subaracnoideo, por continuidade, o processo inflamatório pode gerar vasculite, trombose e infarto cerebral isquemico, com edema citotoxico e favorecimento da migração encefálica do processo infeccioso. - A etiologia da doença depende da faixa etaria. Idade Agente em ordem de freqüência Recém nascido e lactente até 3 meses Streptococcus agalactiae Listeria monocitogenes Bactérias gram negativas entéricas (E. coli, enterobacter, klebsiela) 3 meses a 18 anos Neisseria meningitides (meningococo) Streptococos pneumoniae (pneumococo) Haemophilus influenzae 18 - 50 anos Streptococos pneumoniae (pneumococo) Neisseria meningitides (meningococo) Haemophilus influenzae > 50 anos Streptococos pneumoniae (pneumococo) Listeria monocitogenes Bactérias gram negativas entéricas (E. coli, enterobacter, klebsiela) Idade - Fatores de risco se relacionam ao agente envolvido: • Pneumococo - pneumonias, sinusite, otite media, etilismo, DM. • Meningococo - lesões fisicas, tabagismo, infecções virais. • Haemophilus - otite media, bronquite, pneumonia. • Nisteria monocitogenes - idosos, imunossuprimidos, gestantes. • Staphilococcus aureus e epidermitis - procedimentos cirúrgicos e punção lombar • Bactérias gram negativas - idosos, etilismo. - Características dos agentes - Quadro clínico é classicamente apresentado pela tríade de síndrome de hipertensão intracraniana, síndrome toxemica e síndrome de irritação meningea, sendo que a presença de duas delas é muito sugestiva do diagnostico. Imunodeprimidos, DM, etilismo, hepatopatas Haemophilus influenzae Maior gravidade Pneumococo Agente em ordem de freqüênciaIdade Pneumococo Quadro clínico de maior gravidade Meningococo Chances de obito menores Raramente deixam sequelas Haemophilus Mortalidade menor Possibilidade de sequelas (surdez neurossensorial) Síndrome de hipertensão intracraniana Cefaleia holocraniana intensa Nauseas, vomitos. Vômitos em jatos sem náuseas precedentes - sinal clássico. Fotofobia Confusão mental Crises convulsivas Não há papiledema, geralmente. Síndrome toxêmica Febre alta Mal estar, prostracao Delírio e agitação psicomotora Sinal de Faget - dissociacao entre pulso e temperatura, muita febre para pouca taquicardia Rash cutâneo hemorrágico - petequias e equimoses disseminadas (dano endotelial, principalmente meningococo) • Em crianças não é comum a queixa de cefaleia. Alem disso os sinais de irritação meningea podem estar ausentes ou difíceis de reconhecer. Achados mais frequentes são febre, irritabilidade, prostracao, vomitos, convulsoes, recusa alimentar, choro intenso e, eventualmente, abaulamento de fontanela. • Nos idosos, febre e cefaleia menos frequentes, bem como sinais de irritação meningea. Alterações no estado mental ocorrem em 80% dos casos. Rigidez de nuca pode ser encontrada em ate 2/3 de pacientes saudáveis nessa faixa etária, sendo também presente à rotação lateral. - Diagnostico Laboratorial • Hemograma, hemocultura, proteína C reativa, TC. • A punção liquorica é mandatária em todos os pacientes com suspeita de meningite bacteriana. - Para a puncao lombar é necessaria a técnica adequada, orientação do paciente quanto às possíveis repercussões após o exame, termo de consentimento, posicionamento adequado, assepsia e antissepsia, anestesia local(xilocaina sem vaso). A introdução da agulha é feita a 15 graus (bisel para cima a fim de divulsionar entre uma raiz e outra) pelo espaço entre a 2ª e 3ª ou entre a 3ª e 4ª vértebras lombares. A sequencia de camadas atravessadas pela agulha é: tecido cutaneo, subcutaneo, ligamento supraespinhal, ligamento interespinhal, ligamento amarelo, espaço epidural, dura mater e aracnóide. Ao chegar no espaço subaracnoideo há parda da resistência à agulha e saída de liquor. Aferição da pressão de abertura pode ser realizada com manguito que afere a pressão intracraniana e também coleta do material. Síndrome de irritação meningea Rigidez de nuca - dificuldade na manobra de flexão anterior da cabeça em decúbito horizontal por contratura reflexa da musculatura cervical posterior. Sinal de Kernig - em decubito, dor à extensão da perna sobre a coxa fletida. Isso tudo devido a estado de contratura reflexa das extremidades Sinal de Brudzinski - flexão da coxa e perna à elevação do pescoco Sinal do desconforto lombar - em decúbito dorsal, desconforto lombar ao proceder à extensão contrarresistencia da perna. - A tomografia computadorizada de crânio (vista acima) deve ser realizada antes da punção lombar em todos os pacientes com história clínica, sinais ou sintomas de aumento da pressão intracraniana. O aumento da pressão intracraniana pode ser decorrente de lesão expansiva, hemorragia ou edema importante. Os pacientes com aumento da pressão intracraniana podem apresentar edema de papila, detectável no exame de fundo de olho. Os sintomas mais comuns sugestivos de aumento da pressão intracraniana são vômitos, anisocoria, cefaleia de forte intensidade, alterações do estado mental. - Indicações para a realização de tomografia computadorizada do crânio antes de fazer a punção lombar nos pacientes com suspeita de meningite: - Pacientes com mais de 60 anos - Pacientes imunodeprimidos - Pacientes com lesões conhecidas no sistema nervoso central - Pacientes com história de convulsão há menos de uma semana - Pacientes com nível de consciência alterado - Pacientes com sinais focais no exame neurológico - Pacientes com papiledema ao exame físico e suspeita clínica de aumento da pressão intracraniana - As contraindicações absolutas de punção lombar são a presença de infecção cutânea no local de penetração da agulha e a diferença de pressão entre os compartimentos supratentorial e infratentorial. Esta diferença pode ser inferida por achados típicos na tomografia (desvio da linha média). - Complicacoes (quanto maior o diametro da agulha, maior a chance) – dor local, herniacao, cefaleia (por hipotensão liquorica, dói quando levanta), sangramento, infecção, formação de cisto epidermoide, fistula. Analise do LCR Normal Meningite bacteriana Pressão de abertura < 18 cmH2O > 18 cmH2O Aumento sugere quebra da barreira hematoencefalica e maior gravidade Coloracao Límpido e translúcido Turvo e de aspecto purulento ou xantocromico Aumento de elementos figurados (celulas) causam a turvação em intensidade dependente do tipo e quantidade dos elementos. Neutrofilos degenerados dao aspecto purulento. Contagem de celulas Até 4 células/mm3 linfocitos e monocitos > 500 células com predomínio de neutrófilos Pleiocitose é achado comum, mas pode estar ausente em imunodeprimidos, RN e prematuros. Linfocitos são mais indicativos de infecção viral Glicose > 2/3 da sérica < 40 mg/dL ou < 40% do serico Hipoglicorraquia pronunciada na bacteriana, não tao baixa na viral Proteinas < 30 mg/dL Elevaçao Hiperproteinorraquia por quebra da barreira hematoencefatico. Complemento e anticorpos estão presentes. Pode estar normal na infecção viral Analise do LCR - Aparências anormais do liquor são descritas como turvo, leitoso, xantocrômico (de coloração melhor descrita como rosada, laranja ou amarela) ou sanguinolento (hemorrágico). No caso de líquor hemorrágico, deve-se diferenciar o acidente de punção e a hemorragia intracraniana. A xantocromia verdadeira ocorre associada a hemorragia subaracnoidea (apos a centrifugação, o LCR não se torna límpido, pois a alteração da cor é causada por lise das hemacias). No acidente de punção, inicialmente o liquor é xantocromico, mas torna-se límpido após a centrifugação. - Tratamento deve ser iniciado em muitos casos só com a suspeita, se não for possível realizar a punção lombar, por ser uma emergencia médica. Nesses casos a escolha é empirica, de acordo com a faixa etária e outros dados. A melhora é comumente rápida e a persistência dos sintomas sugere descartar eventuais complicacoes. • Antibioticoterapia EV de 7-14 dias empírica. Se houver alta resistência à penicilina na regiao, acrescentar Vancomicina 1g 2x dia aos esquemas. • Corticoterapia: iniciada 15-30 minutos antes da antibioticoterapia ou, no maximo, concomitantemente. - Adulto: dexametasona 40mg/dia EV 4 dias. - Criança: dexametasona 0,60mg/kg/dia EV 4 dias. • Adicionar Rifampicina se suspeita de pneumococo resistente a penicilina • Sintomáticos: Dipirona, paracetamol, metoclopramida, bromoprida, diazepam, manitol. • Isolamento respiratório nas primeiras 24h • Hidratação com solução isoosmolar (se necessario) Lactato 9-19 mg/dL Elevação Aumento do lactato se relaciona à diminuicao da glicose Normal na infecção viral Bacterioscopia pelo GRAM ausente Presença de bacterias Mais rápida que a cultura, baixa sensibilidade e resultados negativos não excluem a presença de microrganismos que podem crescer posteriormente na cultura. As bactérias são caracterizadas com base no tamanho, morfologia, agrupamento e comportamento em relação aos corantes. Cultura bacteriana negativa Presença de bactérias Isolamento do agente - positiva em 85% das meningites bacterianas, 50% nas virais, 25-50% nas infecções fungicas e nas meningites tuberculosas, de 50-80%. Normal Meningite bacterianaAnalise do LCR < 3 meses Ampicilina + ceftriaxone > 3 meses Ceftriaxone 2g 2x dia > 50 anos Etilismo Doença debilitante Ampicilina + ceftriaxone - Profilaxia dos contactantes deve ser feita em contactantes intimos, que morem no mesmo domicilio com o caso de meningite, colegas da mesma classe, berçário, contactantes com relação intima e prolongada, profissionais de saúde expostos (sobretudo antes, ou no inicio da ATB). • Rifampicina 600mg VO por dia em 4 doses (meningococo em 12/12h, haemophilus de 24/24h). - Complicações: coma, choque septico, comprometimento dos pares cranianos (VII e VIII), secreção inapropriada de ADH, hidrocefalia, surdez, empiema subdural, ventriculite. - Sequelas: surdez, epilepsia, cegueira, retardo psicomotor, deficit intelectual. - Diagnostico diferencial • Causa viral - é o tipo mais comum, relacionada ao CMV, mononucleose infecciosa, cocsakie, vírus da caxumba, HIV, epstein-Barr. Inicio agudo com nauseas, vomitos, cefaleia, diarreia, rash maculo papular (em enteroviroses). IVAS pode preceder o quadro. Aumento das parotidas pode estar presente. • Causa fúngica - observada, principalmente, em pacientes imunocomprometidos. Variáveis apresentações clínica, sua evolução insidiosa, semelhante neurotuberculose, freqüente o surgimento de hipertensão intracraniana. • Tuberculosa - forma mais grave e mais comum da tuberculose extrapulmonar. Maior freqüência e gravidade em imunossuprimidos (HIV). Desproporção entre os sinais objetivos de infeccao, que são discretos, e a persistência de febre, irritabilidade, letargia. Assemelha-se à bacteriana, nas fases iniciais, mas tende à cronicidade. Comum apresentar-se com sinais de acometimento de pares cranianos, especialmente, do VI par. • Neurossífilis: provocada pelo Treponema pallidum, que invade o SN de 3 a 18 meses após a infecção inicial. Quando há manifestaçõesclínicas, o quadro é semelhante aos das meningites benignas do tipo viral. Há duas formas clínicas típicas meningovascular e parenquimatosa. Normal Bacteriana Viral Tuberculosa Fúngica Aspecto Límpido Turvo Claro Opalescente Claro Celularidade < 4 > 500 4 - 500 < 500 < 500 Polimorfonucleares 0 > 70%neutrofilos < 34% < 34% < 34% Linfocitos 100% < 34% > 66% > 66% > 66% Proteinas < 40 > 40 20 - 80 > 100 > 40 Glicose > 40 < 40 Normal < 40 Normal ou baixa Bacterioscopia Negativa Positiva Negativa Positiva ou negativa Negativa Cultura Negativa Positiva Negativa Positiva ou negativa Positiva - Na forma meningovascular, as menifestacoes ocorrem em um período de 10 meses a 6 anos após a infecção (crônico), e as manifestações clínicas depende das artérias afetadas e as respectiva região irrigada. - Na forma parenquimatosa, há quatro subtipos de manifestações clinicas (paralisia geral progressiva, tabes dorsalis, atrofia óptica e sífilis espinhal) que geralmente se apresentam de forma isolada, mas podem acontecer associadas (for mista). - Paralisia geral progressiva: caracterizada por progressiva demencia, disartria, abalos mioclonicos, tremor de ação, convulsoes, hiperreflexia e sinal de Babinski presente, com aleteracoes de marcha, fraqueza e hipotonia muscular. O paciente perde a crítica em relação a si e em relação as normas morais (alteracoes comportamentais), podem apresentar também alterações de memória, comprometimento do raciocinio. - Tabes dorsalis: caracterizada por ataxia de tipo sensitivo (perda de equilíbrio e sinal de Romberg positivo), dores intensas, incontinencia urinária e lesões articulares. - Atrofia óptica: perda progressiva da visão de início unilateral, acometendo ambos olhos posteriormente. Há contração progressiva do campo visual e escotomas. - Sífilis espinhal: rara, acomete fibras mielinizadas do trato córtice-espinhal com acometimento da motricidade voluntária. - O diagnóstico é feito através do exame do líquor, pelos testes treponêmicos (VDRL teste Wasserman) e não treponêmicos (FTAA-Abs e hemaglutinacao). No exame do líquor haverá celularidade ligeiramente elevada (até 50 cél.) com perfil tipo crônico (predomínio linfocitário), proteínas aumentadas (entre 40 e 200mg/ dl), principalmente globulinas gama. Haverá positividade nos testes treponêmicos e não treponêmicos, com a presença de anticorpos no LCR. - Tratamento é com penicilina cristalina EV 18 a 24 milhões de UI/dia durante 14 a 21 dias Coma e rebaixamento de nível da consciência - Consciência é definida como a capacidade do indivíduo de reconhecer a si mesmo e aos estímulos do ambiente. As alterações da consciência podem ser tanto do nível, quanto do conteúdo de consciência. O nível de consciência é tido como o grau de alerta comportamental apresentado pelo indivíduo, de acordo com a integridade ou não dos hemisférios cerebrais ou tronco encefálico. As alterações do nível de consciência podem variar entre dois extremos, desde a lucidez, passando por desorientação têmporo-espacial até um estado de coma profundo. - O conteúdo de consciência é dependente da função do córtex cerebral, logo, lesões restritas ao córtex levam a distúrbios restritos ao conteúdo da consciencia. O nível de consciencia, por outro lado, depende da interação entre a formação reticular ativadora ascendente (FRAA) do tronco encefálico e o córtex como um todo. - Alterações do nível de consciência podem ser classificadas como • Agudas - coma, abulia, síndrome afetiva cognitiva cerebelar, estados confusionais agudos • Subagudas ou Crônicas - estado vegetativo, morte encefálica, estado minimamente consciente • Falsas alterações do nível de consciência - locked-in e catatonia Conteúdo de consciencia Nível de consciencia Lucidez - orientação no tempo e espaço e discurso conexo Vigilia - alerta, olhos abertos espontaneamente Confusão mental - reduzida compreensão e raciocinio, perda do nexo do discurso, sequencia de pensamentos alterada, alucinações ou ilusões podem estar relacionadas Sonolência - olhos fechados e abertura fácil com estímulos verbais. Volta a fechar os olhos ao fim do estímulo. Letargia - olhos fechados e abertura fácil com estímulos táteis. Volta a fechar os olhos ao fim do estímulo. Deliriam - disfunção cerebral aguda com alteração na atenção e orientacao, tende a flutuar Obnublação - acorda com estímulos táteis vigorosos e volta a fechar os olhos com a parada do estimulo Demencia - declínio global das funções cognitivas, com evolução cronica e irreversível Torpor - acorda com estímulos dolorosos vigorosos e contínuos. Fecha os olhos com a parada do estimulo. Coma - inconsciência de si mesmo e do ambiente, mesmo após estímulos de diversas modalidades e intensidades, em que o paciente permanece de olhos fechados. A catatonia (retirada psicossocial) é estado de mutismo, estereotipias e automatismo, negativismo, manifestações motoras, rigidez. Pode ser associado a quadros psiquiátricos ou transtorno neurológico ou, ainda, distúrbio metabólico e patologias toxicas. A síndrome de Locked-in (estado de deaferentação) descreve um quadro em que ocorre lesão de fibras motoras provenientes do córtex na porção ventral da ponte. O paciente apresenta incapacidade de movimentação dos membros, afonia, disfagia e limitação da movimentação horizontal dos olhos. Pacientes estão acordados e algumas vezes conseguem se comunicar através de piscamentos, evidenciando que não houve alteração da consciência. Quadro associado a trombose da artéria basilar e infarto isquêmico da base da ponte. Diagnostico diferencial inclui o coma, polineuropatias agudas, miastenia gravis e uso de bloqueadores neuromusculares. - As estruturas capazes de manter o indivíduo alerta ou desperto, estão localizadas na formação reticular e outras estruturas entre a região pontomesencefálica e o diencéfalo (tálamo e hipotálamo). Essa estrutura é chamada de sistema ativador reticular ascendente (SARA). - Lesões que envolvam essa estrutura (SARA) ou que acometam os hemisférios cerebrais de forma difusa ou multifocal podem levar a alterações do nível de consciência ou até mesmo o coma. - As causas que podem levar a alterações do nível de consciência ou coma podem ser classificadas entre (1) alterações difusas geradas por hipoxia, intoxicacoes, uso de drogas, distúrbios metabolicos, infeccoes, doenças sistêmicas; (2) alterações focais. - Alterações focais podem ser classificadas de acordo com o sitio lesional e, para isso, se utiliza o tentório como ponto de referencia. Assim, as principais causas de coma ou distúrbios de consciência são classificadas em supratentoriais e infratentoriais. O estado vegetativo persistente é descrito como um estado que pode emergir em pacientes que sofreram lesões graves ao sistema nervoso central, muitas vezes ficando em coma por algum período, em que há um retorno do estado de alerta, mas o paciente permanece com uma incapacidade de reagir ou interagir com estímulos ambientais. Há retorno do padrão de sono-vigília e manutenção das funções vegetativas, mas com quase completa ausência de funções cognitivas. Morte encefálica ocorre quando o dano encefálico é tão extenso que não há potencial para recuperação estrutural e funcional do encéfalo e o mesmo não pode manter a homeostase interna, ou seja, não há possibilidade de controle das funções cardiovasculares, respiratórias, gastrointestinais e controle da temperatura corpórea. Abulia: grave apatia, com redução ou ausência de comportamento emocional ou mental, no qual o paciente não fala ou se movimente, mas está alerta e responde estímulos lentamente. Geralmente associada a lesão frontal bilateral. Local Tipo da lesão Causas SUPRATENTORIAL Isquemica ou destrutiva Infarto talamico Lesãoexpansiva Hemorragias, infarto, tumor, abcesso, trauma INFRATENTORIAL Isquemica ou destrutiva Hemorragias e infartos, tumores, abcessos cerebelares Compressiva Hemorragia, tumor, abcesso cerebelar, aneurisma basilar Coma - Coma é um estado que o indivíduo não tem consciência de si próprio e do ambiente, caracterizado pela ausência ou extrema dimunuicao do nível de consciencia, permanecendo não responsável a estamos internos e externos e com as olhos fechados. Não há evidencia de ciclos de vigília-sono do EEG. É uma grave representação clínica, indicando falência dos mecanismos de manutenção da consciencia. - Abordagem inicial do paciente com alteração de consciência: demanda investigação imediata, suporte simultâneo e tratamento definitivo; o objetivo é manter a viabilidade do sistema nervoso, buscando impedir que o paciente chegue ao estado de coma, o que aumenta a morbimortalidade Abordagem clínica do coma e rebaixamento de consciência - Exame inicial - Exame neurológico Condutas imediatas Avaliar possibilidade de traumatismo - despir o paciente e verificar sinais vitais Assegurar vias e oxigenação Circulação e acesso venoso (central ou periferico) Fazer ECG e colher exames laboratoriais: eletrólitos, glicose, escórias nitrogenadas, gasometria arterial, hemograma, lactato, função renal, função hepática, exame toxicológico. Coquetel do coma: dar tiamina (principalmente em suspeita de alcolismo), glicose hipertônica e considerar antídotos. Tratar convulsões (diazepam, hidantoína) Diminuir pressão intracraniana (manitol) Manter equilíbrio ácido básico e hidroeletrolítico Considerar infecções e tratá-las Para lembrar: - Coma é causado por desordens que acometem o sistema reticular ativador, localizado no tronco cerebral, ou que afetem ambos os hemisférios cerebrais; - As principais etiologias do rebaixamento do nível de consciência são doenças ou síndromes clínicas, de modo que é possível com anamnese, exame fisico e neurológico, alem de exames complementares básicos, elucidar sua causa. - Encefalopatias difusas geralmente são causadas por doenças clinicas, ao passo que as focais (independentemente se supra ou infratentoriais) são ocasionadas por doenças intracranianas. - Na abordagem do coma, sempre lembrar do ABCD e da glicemia capilar. - Se a causa do coma não for rapidamente reversivel, deve-se realizar intubacao precocemente. - As lesões supratentoriais raramente levam a coma, embora possam rebaixar o nível e comprometer o conteúdo da consciencia. - Lesões infratentoriais comprometem a consciência por ação direta sobre o sistema reticular ativador ou por compressão extrínseca das vias de consciencia. • Nível de consciência • Pupilas e fundo dos olhos • Motricidade ocular extrínseca • Padrão respiratório • Padrao motor • Escala FOUR - Exames complementares • Para causas toxicas, metabólicas, infecciosas ou sistêmicas • Para investigação de causa primariamente neurológica - Tomografia e ressonância - Punção liquorica - Eletroencefalograma de urgencia Avaliação do paciente com alteração do estado de consciência: - Anamnese: questionar aos acompanhantes sobre o cenário (trauma, queda), antecedentes psiquiátricos; sinais anteriores a perda de consciência (hemiparesia ou alteração na fala); quadro de inicio agudo, progressivo ou flutuante; doenças prévias; medicações em uso; possibilidade de intoxicação; acontecimentos prévios. Avaliar os documentos do pacientes. - Avaliação neurológica: consiste na avaliação do nível de consciência, pupilas e fundo e olho, movimentação ocular extrínseca, padrão de resposta motora e ritmo respiratório. - Nivel de consciência: deve englobar descrição do estado de alerta do paciente em resposta a estímulos verbais e dolorosos, para isso, deve ser feito de forma seriada conforme escalas padronizadas (escala de coma de Glasgow e escala de FOUR). Escala de coma de Glasgow 3-8 = Grave (necessidade de intubação imediata) Abertura ocular 4 Espontanea 3 Ao estímulo verbal 2 Ao estímulo doloroso 1 Ausente Resposta verbal 5 Sons apropriados, discurso orientado 4 Discurso confuso 3 Discurso inapropriado 2 Discurso incompreensivel 1 Ausente Escala de coma de Glasgow 3-8 = Grave (necessidade de intubação imediata) - Avaliação das pupilas e fundo de olho: avaliar o tamanho (3-3,4mm é o normal), a simetria e a reatividade pupilar (reflexo fotomotor consensual e direto). No fundo de olho, avaliar a presença de papilaedema, retinopatia e sinais de hemorragia. A reatividade pupila é dependente da ação dos neurônios simpáticos e parassimpáticos que inervam os músculos dilatadores e constritores. Resposta motora 6 Obedece a comandos 5 Localiza dor 4 Movimento de retirada 3 Flexão anormal (hipertonica) 2 Extensão anormal (hipertonica) 1 Ausente Escala de coma de Glasgow 3-8 = Grave (necessidade de intubação imediata) Escala de coma de Glasgow 3-8 = Grave (necessidade de intubação imediata) Escala de coma FOUR Full Outline of UnResponsiveness Resposta ocular 4 Pálpebras abertas, acompanha com o olhar, ou pisca ao comando 3 Pálpebras abertas mas não acompanha com o olhar 2 Olhos fechados mas abrem com estímulo auditivo forte (loud voice) 1 Olhos fechados mas abrem apenas com dor 0 Não há abertura ocular, mesmo à dor Resposta Motora 4 Faz sinal de OK com as mãos, fecha o punho, ou “sinal de paz” 3 Localiza a dor 2 Resposta em flexão à dor 1 Resposta em extensão à dor 0 Sem respostas à dor ou mioclonias generalizadas Reflexos de Tronco Cerebral 4 Presentes reflexos pupilares e corneanos 3 Uma pupila fixa e midriática 2 Reflexos corneanos ou pupilares ausentes 1 Ambos os reflexos corneanos e pupilares ausentes 0 Ausência de reflexos corneanos, pupilares ou de tosse Respiração 4 Não-entubado, com padrão resporatório regular, normal 3 Não-entubado, com padrão resporatório Cheyne-Stokes 2 Não-entubado, com padrão resporatório irregular 1 Respira com frequência respiratória acima do ventilador 0 Respira com a frequência respiratória do ventilador, ou apneia • O sistema simpático estimula os músculos dilatadores da pupila, determinando midríase. A via simpática tem origem no hipotálamo e apresenta fibras descendentes que atravessam o tronco encefálico até a medula espinhal cérvico-torácica (coluna intermédio lateral), então, fibras pré-ganglionares deixam a medula e fazem sinapse no gânglio cervical superior. As fibras pós-ganglionares penetram a cavidade intracraniana e órbita em íntima relação com a carótida interna, para inervar os músculos pupilodilatadores. • O sistema parassimpático estimula os músculos constritores, determinando miose. A via parassimpática aferente inicia-se nas células ganglionares retinianas, seguindo através do nervo e trato óptico (NC II) até chegarem na região pré-tectal (mesencéfalo), mandando informações para os núcleos pré-tectais bilateralmente e estimula os neurônios correspondentes do núcleo de Edinger-Westphal (EW). A via eferete, segue através do nervo oculomotor (NC III) a partir do núcleo de EW (localizado no mesencéfalo) e inerva os músculos pupilo constritores. - Movimentação ocular extrínseca: depende da ação dos nervos crânios oculomotor (III), troclear (IV) e abducente (VI). Os movimentos são conjugados graças a centros de integração no tronco. Deve ser analisado em cinco etapas: (1) observação do olhar primário em repouso e Tipos de pupilas Localização da lesão Caracteristicas Causas Pupila talâmica Região talâmica (hipotálamo) Lesao simpática Miótica (1 a 2,5mm) Fotorreagente Metabólicas Hidrocefalia Hemorragia talâmica Pupila de Claude- Bernard-Horner Lesao de um dos neurônios da via simpática Anisocoria - miose unilateralipsilateral a lesão Reflexos preservados Cefaleia vascular, tumores, traumas, infecções Pupilas médias e fixas Mesencéfalo (pré- tectal) Interrupção da via simpática e parassimpática Pupila média (4-5mm) Não fotorreagente Morte encefálica Sedativos hipnóticos Anticolinérgicos Pupila tectal ou hippus Teto do mesencéfalo Lesao parassimpática Midríase bilateral Reflexo fotomotor ausente Podem ocorrer flutuações no diâmetro da pupila após estímulo nocivo cutâneo facial Pupilas pontinas Ponte Lesao simpatica Pupilas mióticas bilateralmente (1-5mm) Fotorreagente Infarto ou hemorragia na ponte Opiáceos Pupila uncal Herniacao de lobo temporal com compressão do mesencéfalo e oculomotor Lesao do parassimpático Midríase ipsilateral a lesao Não foto reagente Hipertensao intracraniana Efeito de massa dos movimentos oculares espontâneos, (2) manobra dos olhos de boneca, (3) manobra oculovestibular, (4) reflexo córneo palpebral, e (5) observacao das pálpebras. (1) Olhar primário em repouso e movimentos oculares espontâneos (2) Manobra da boneca: antes de realiza-la, verificar se há lesão cervical traumática. A manobra consiste na movimentação da cabeça lateralmente, bem como sua flexão e extensão. Normalmente, os olhos desviam no sentido oposto ao da orientação do movimento em igual direção e velocidade. Caso os olhos seguiam na mesma direção da cabeca, o reflexo oculocefálico está alterado. (3) Manobra oculovestibular: teste calórico que consiste na estimulação das vias vestibuloculares através do uso de água morna ou fria aplicada no contudo auditivo. Ao inserir água fria, ocorre a hipofuncao do labirinto que causa desvio lento conjugado (tronco encefálico preservado) para o lado estimulado, seguida de movimento rápido corretivo para o lado oposto (córtex frontal preservado). Ao inserir água fria nos dois condutos, ocorre o movimento ocular lento para baixo. Isso tudo é o esperado em pacientes normais. Conforme o nível de consciência piora, a fase rápida OLHAR PRIMÁRIO EM REPOUSO Desvio conjugado horizontal Lesao irritava - desvio tônico do olhar contralateral a lesão Lesao destrutiva - desvio tônico do olhar ipsilateral a lesão Desvio conjugado para baixo Lesao no teto do mesencéfalo ou metabólica MOVIMENTOS OCULARES ESPONTANEOS MOVIMENTOS ERRÁTICOS olhos movimentam-se lentamente de um lado para o outro Indica lesao supratentorial difusa PINGUE-PONGUE desvio do olhar conjugado horizontal alternando em poucos segundos disfuncao cerebral bilateral ou encefalopatia metabólica BOBBING OCULAR movimentos abruptos dos olhos para baixo com retorno lento a posição mediana em associação a paralisia dos movimentos e reflexos oculares horizontais lesão severa em região central da ponte ou hemorragia cerebelar BOBBING REVERSO movimentos abruptos dos olhos para cima com retorno lento para a posição mediana. encefalopatiametabólica DIPPING OCULAR (BOBBING OCULAR INVERSO) desvio conjugado lento para baixo com retorno rápido para a posicao normal. lesao pontina DIPPING OCULAR REVERSO desvios oculares lentos para cima e volta rápida a posição normal. lesao pontina AIDS NISTAGMO ROTATÓRIO movimentos irregulares dos globos oculares em rotação lesao mesencefálica NISTAGMO VERTICAL (MIOCLONIA VERTICAL) oscilações verticais pendulares em 2-3Hz lesao pontina do nistagmo desaparece. Pacientes em inconscientes que tem apenas o movimento lento conjugado dos olhos para o lado estimulado, indica lesao supratentorial com tronco cerebral preservado. Caso o paciente inconsciente apresente resposta unilateral, temos indício de lesão estrutural do tronco cerebral. (4) Reflexo corneopalpebral: reflexo conjugado pelos nervos facial eferente (V) e trigëmio eferente (VII), localizados no bulbo e ponte. Produz-se estímulo na córnea com algodão ou lenco de papel e, como resposta, há fechamento do olhos e desvio dos olhos para cima. (5) Observação das pálpebras: pacientes em coma normalmente tem as pálpebras fechadas. Como com olhos abertos sugere lesão da ponte, quando há deficit de fechamento, a lesão pode estar no NC VII; semiptose palpebral indica lesão simpática; ptose completa indica lesão do NC III. - Padrão de resposta motora: deve-se fazer avaliação sistemática do padrão de resposta motora, que consiste na (1) observação da movimentação espontânea, seguido da (2) pesquisa de reflexos com atenção a simetria, (3) pesquisa de tônus e (4) resposta a estímulos dolorosos. A verios padrões de comportamento motor que sugerem níveis lesionais diferentes: • Desvio da cabeça e dos olhos para um lado associada a hemiparesia contraletral, indica lesão supratentorial. • Desvio da cabeça para o mesmo lado da hemiparesia pode indicar lesão infratentorial (lesao no tronco cerebral). • Rotação externa do membro inferior pode ser indicativa de hemiparesia. • Decorticacao: consiste em flexão dos cotovelos e punhos, adução dos ombros e extensão dos MMII. Indica lesões supratentoriais (acima do tronco encefálico). • Descerebracao: consiste em extensão bilateral dos membros inferiores, adução e rotação interna os ombros e extensão dos cotovelos e punhos. Geralmente indica lesão bilateral em mesencéfalo e ponte. - Padrão respiratório: a respiração normal depende da integração de dois componentes: o centro respiratório, localizado no tronco encefálico, responsável pela regulação da respiração e o balanço ácido-básico; e o componente prosencefálico, regula os aspectos comportamentais como a produção da fala. As vias aferentes captam a baixa de O2 no plasma através de quimiorreceptores mandando impulsos ao centro respiratório através de fibras viscerais do vago e trato solitário que emitem impulsos através de fibras eferentes para os motoneurônios relacionados aos músculos da respiração PADRÕES RESPIRATORIOS Cheyne-Stokes - oscilação lenta entre hiperventilação com progressiva diminuição da amplitude e hipoventilacao, intercalados por períodos de apneia. Causada por lesões hemisféricas bilaterais ou insultos diencefálicos. Pode ocorrer em insuficiência cardíaca e comas metabólicos. Hiperventilacao neurogenica central - consiste em hiperventilação rápida e sustentada com freqüência entre 40-70irpm Causada por lesões de tegumento pontino ou mesencéfalo inferior. Pode ocorrer na sepse, meningoencefalite, cetoacidose diabética. Respiração apneustica - períodos de inspiração rápida com parada respiratória profunda de dois a três segundos. Causada por lesão em nível pontino, principalmente por infarto secundário a oclusão da artéria basilar. Respiração atávica - ritmos completamente irregulares, alternando períodos de apneia com respiração superficial e profunda (nao mantém boa ventilacao, sendo indicado suporte ventilatório). Causada por lesões bulbares. Pode ocorrer na hipertensão intracraniana. Respiração em salvas (cluster) - movimentos respiratórios periódicos de amplitude e frequências irregulares intercalados por pausas respiratórias. Causada por lesões pontinas e bulbares. PADRÕES RESPIRATORIOS Diagnostico diferencial do coma e rebaixamento de consciência - O exame neurológico fornece dados que permitem diferenciar o coma tóxico-metabólico do coma relacionado a doença estrutural: - Nível de consciência: pacientes com quadros de encefalopatia difusa tóxico-metabólica habitualmente apresentam alterações mais brandas nível de consciência e com tendência a oscilação entre melhora e piora do quadro. Pacientes com lesões estruturais tendem a apresentar piora ou estabilização do nível de consciência com a evolução do quadro- Respiração: respiração profunda e freqüente é mais encontrada em pacientes com encefalopatia metabólica, embora raramente pode ser causada por lesões pontinas ou por edema agudo de pulmão neurogênico secundária a lesão estrutural aguda - Tamanho pupilar e reatividade pupilar: geralmente as pupilas de pacientes com alterações metabólicas são simétricas, pequenas e reativas a luz. Exceção nos quadros de intoxicação por drogas ou encefalopatia anóxica. A reatividade pupilar é um dos parâmetros de maior significado na diferenciação de causas de coma metabólicos e estruturais, já que esse reflexo, em geral, é resistente a insultos tóxicometabólicos - Motricidade ocular: assimetria ou desvios oculares são indicativos de dano estrutural. A presença de movimentos espontâneos oculares do tipo roving pode sugerir causa tóxico- metabólica. Os movimentos oculares reflexos geralmente estão intactos em pacientes com coma tóxico-metabólico. - Tônus muscular: assimetria de tônus pode ser indicativa de lesão estrutural - Posturas: posturas em decerebração ou decorticação podem ser indicativos de lesão estrutural ou indicar síndrome de herniação de tronco cerebral. Mioclônias podem sugerir encefalopatias metabólicas ou pós-anóxica - Fundo de olho: hemorragias vítreas ou subhialóideas podem indicar hemorragia subaracnóidea. Papiledema pode indicar hipertensão intracraniana ou encefalopatia hipertensiva Medula - A medula espinhal é uma massa cilindroide de tecido nervoso situada no canal vertebral. Limita-se superiormente pelo bulbo e inferiormente pela vértebra L2. O diâmetro não é uniforme, havendo duas dilatações (intumescencias cervical e lombossacral), que originam os plexos nervosos braquial e lombossacral. Há, ainda, um afinamento caudal, onde se forma o cone medular, que é continuado pelo filamento meningeo. O conjunto de raízes localizado junto ao filamento terminal forma a chamada cauda eqüina. Causas de coma toxico-metabólico Intoxicações (chumbo, tálio, metanol, monóxido de carbono), drogas (álcool, sedativos, barbitúricos, anfetaminas), distúbios metabólicos (hiponatremia, hipernatremia, hipoxia, hipercapnia, hipoglicemia, hiperglicemia, hipercalcemia, hipocalcemia, hipertermia, hipotermia, uremia, encefalopatia hepática), infecções (meningite, encefalite). - Os envoltórios da medula são as membranas meningeas: dura mater espinhal, aracnóide e pia mater espinhal. Existem entre as meninges espaços: um espaço epidural (tecido adiposo, plexo venoso vertebral), um espaço subdural (pequena quantidade de liquor) e um espaço subaracnoideo (grande quantidade de liquor). - Em seccao transversal, o que se ve na medula é um envoltório esbranquiçado formado por axonios em corte transversal (substancia branca) organizados em tratos e fascículos ascendentes e descendentes. Na região central, há substancia cinzenta em forma de H constituída por corpos neuronais. • A substancia cinzenta do H medular pode ser divida em regiões denominadas: corno anterior e corno posterior, unidas pela comissura cinzenta. Uma pequena coluna cinzenta denominada corno lateral está presente nos segmentos torácicos e lombares superiores. Os cornos anteriores contêm os neuronios motores inferiores, os cornos laterais contem os neurônios autonômicos, e nos cornos posteriores estão os neurônios sensitivos que fazem parte das vias aferentes. • A substancia branca contem tratos ascendentes e descendentes com diferentes funções • As fibras dos tratos descendentes se originam no córtex cerebral ou em áreas do tronco encefálico, fazendo sinapse com neuronios (motores) do corno anterior. São as vias motoras somáticas, que podem ser agrupadas em extrapiramidais ou piramidais (que passam pela pirâmide bulbar). - Ascendentes As fibras penetram pela raiz dorsal trazendo impulsos aferentes (sensitivos) periféricos. Tracto espinotalâmico lateral (cruza na medula) • Funículo lateral • Transmissão da sensação de dor e temperatura. Neuronios no gânglio dorsal fazem sinapse no corno posterior, cujos axonios cruzam a comissura branca e ascendem nesses tratos ate o tronco encefálico, onde se juntam, formando o lemnisco espinhal. O lemnisco espinhal ascende ao talamo, onde faz sinapse e se projeta ao córtex (area somestesica). Tracto espinotalâmico anterior (cruza na medula) • Funículo anterior • Transmissão da sensação de pressão e tato grosseiro. Fascículo grácil (cruza no bulbo) • Medialmente no funículo posterior • Transmite informações relacionadas à noção de posição articular (propriocepcao consciente), vibração e tato discriminativo (epicritico) da região sacral, MMII e metade inferior do tronco. Neu ron ios do gâng l i o do rsa l penetram o corno poster ior e ascendem de forma direta ate o bulbo ips i la tera lmente a te o núc leo cuneiforme e gracil. No bulbo fazem sinapse, cruzam e ascendem até o tálamo através do lemnisco medial. Fascículo cuneiforme (cruza no bulbo) • Localizado lateralmente no funículo posterior • Transmite informações noção de posição articular (propriocepcao consciente), vibração e tato discriminativo (epicritico) dos MMSS e metade superior do tronco. Síndromes medulares - As principais síndromes medulares (transecção medular completa, Brown-Séquard ou hemissecção medular, da substância cinzenta, cordonal posterior e do cone medular). - Transsecção completa da medula espinal: causada por lesões traumaticas, abcesso epidural, hemorragias e neoplasias. Como ocorre a transseccao completa, há interrupcao dos tratos sensitivos e motores com perda total da motricidade voluntaria e sensibilidade abaixo do nível da lesao. transversa). Quando ocorre de forma aguda, produz o chamado choque medular, caracterizado por paralisia flácida e perda de todas as modalidades de sensibilidade (superficial e profunda) abaixo do nível da lesão. Este nível é delimitado por um dermátomo (nível sensitivo), o que ajuda a localizar qual segmento medular está afetado. A borda superior do nível sensitivo frequentemente é demarcada por uma zona de hiperalgesia. Também há perda das funções autonomias (vesicais, intestinal e sexual). Após alguns dias a semanas, começam a aparecer os sinais de liberação piramidal (espasticidade, sinal de babinski, hiperreflexia, hipertonia). Quando a síndrome ocorre de forma gradual, não ocorre a fase de choque medular. - Hemissecção medular - Sidrome de Brown-Sequard: suas causas mais comuns são traumatismo penetrante (arma de fogo e arma branca) e hérnia de disco cervical. As vias que cruzam acima do nivel da lesão (fasciculo gracil, cuneiforme e trato corticoespinhal lateral) tem alterações ipsilaterais, ao passo que as vias que cruzam no nível da medula (espinotalamicos e corticoespinhal anterior) tem alterações contralaterais. - Síndrome medular central: também chamada Síndrome da substância cinzenta, pode ser causada por siringomielia (etiologia mais comum), hematomielia (hematoma central), tumores intramedulares ou neuromielite optica. Descendentes As fibras se originam no córtex cerebral ou em áreas do tronco encefálico, fazendo sinapse com neuronios (motores) do corno anterior. Tectoespinhal Rubroespinhal Vestíbuloespinhal Reticuloespinhal Tracto corticoespinhal lateral Piramidal Cruza na pirâmide Localizados no funículo lateral, é composto por fibras que se originam do córtex motor primário e fazem sinapse com interneuronios e neurônio motor inferior no corno anterior da medula. 75-90% dessas fibras cruzam na pirâmide bulbar (trato corticoespinhal lateral) e os 10-25% restantes cruzam no nível da medula Sua função é a motricidade voluntária. Um hemisfério cerebral controla a motricidade voluntaria do hemicorpocontralateral. Tracto corticoespinhal anterior Piramidal Cruza na medula Cruzam no bulbo (acima da lesão) Fascículos grácil e cuneiforme Perda da sensibilidade vibratoria, propriocepcao consciente e tato epicritico ipsilateral Trato corticoepinhal lateral Perda da motricidade voluntaria ipsilateral Cruzam na medula (abaixo da lesao) Tracto espinotalâmico lateral Perda contralateral de dor e temperatura Tracto espinotalâmico anterior Perda contralateral de pressão e tato grosseiro A siringomielia consiste na formação de uma ou mais cavidades cheias de líquido na porção central da medula. Ocorrem mais comumente na medula cervical, podendo se estender para o bulbo (siringobulbia), podendo ser idiopática ou secundária. Esse tipo de lesão medular costuma atingir a comissura branca anterior da medula, local de cruzamento dos tratos espinotalamicos, o que leva a anestesia bilateral e simétrica apenas no nível da lesão (lesão suspensa). Outros sintomas podem ocorrer a depender da expansão da lesao central, como acometimento de segundo neurônio motor. - Síndrome medular posterior: processos patológicos que afetam os fascículos grácil e cuneiforme podem também envolver as raízes dorsais e as células do gânglio da raiz dorsal. Podem ser causadas por deficiência de vitamina B12, lesões medulares compressivas posteriores (estenose medular, por exemplo), esclerose multipla, tumores e neurossífilis (chamada, nestes casos de “tabes dorsalis”). Há perda da propriocepção consciente, tato discriminativo e da sensibilidade vibratória, a marcha é talonante, há ataxia sensitiva e o clássico sinal de Romberg. Sinal de Lhermitte presente (flexao passiva ou ativa do pescoço pode ocasionar sensação de choque que irradia para coluna e membros). - Síndrome medular anterior: causa principal é o acometimento pelo poliovirus e infarto de arterial espinhal anterior. Os tratos corticoespinhais e espinotalamico anterior com síndrome de 1 e 2 neurônio motor bilateral. No nível da lesão: Paralisia flacida, arreflexia, amiotrofia e fasciculados devido à lesão do 2 neurônio. Abaixo da lesão: paralisia espástica, hiperreflexia e sinal de babinski (devido à lesão do 1 neurônio motor). A lesão da comissura branca anterior faz com que haja perda da condução dos tratos espinotalamicos lateral e anterior com prejuízo à transmissão de Dor e temperatura, tato grosseiro e pressao. Os sintomas são de anestesia termica, dolorosa. - Síndrome do cone medular: decorre de lesões no cone medular, composto pelos segmentos S3, S4 e S5. Pode ser causada por tumores, traumas, CMP ou hérnias discais lombares maciças. O paciente apresenta retenção urinária (arreflexia do músculo detrusor), incontinência fecal, impotência sexual, perda do reflexo anal e anestesia em sela. Não há paresia em MM Vias opticas - O nervo óptico é uma via de fibras do sistema nervoso central que conecta a retina ao encefalo. Os receptores periféricos, na retina, são os cones e bastonetes, estimulados pelos raios luminosos. • Os bastonetes respondem a estímulos de baixa intensidade e medeiam a visão noturna, a visão periférica e a percepção de movimento. Não percebem cores. São mais numerosos, distribuídos difusamente na retina, ausentes na mácula. • Cones – presentes em toda retina, mas se concentram na mácula lútea (totalmente constituída de cones), ponto de fixação central e o local de maior acuidade visual e percepção de cores • Mácula é uma pequena depressão superficial da retina, onde há concentração de cones. Responsável pela discriminação de cores e pelos detalhes visuais finos. Forma o centro da retina e é o centro do campo visual (CV) clinico. • Fóvea central é uma depressão localizada no centro da mácula. Fovéola é uma depressão menor ainda localizada no centro óptico do olho. É o ponto de maior acuidade visual. • Disco óptico ou papila é parte intraocular do nervo óptico. Pode ser visualizada à oftalmoscopia. É o ponto cego fisiológico (não contém células receptoras, assim, não responde à estímulos visuais. - 90% das fibras do nervo óptico se originam na mácula, o restante nas demais áreas da retina. O nervo óptico, entao, se estende desde a retina até o quiasma óptico, onde ocorre decussacao parcial das fibras. - A captação de luz para formação da imagem visual pode ser compartimentada de acordo com a região da retina que é estimulada pelos raios solares. Campo visual Local de projeção na retina No quiasma Periférico / temporal Retina nasal Cruzam para o lado oposto Nasal / medial Retina temporal Continuam ipsilateralmente Superior Inferior - Inferior Superior - - Após o quiasma, as fibras formam os tratos ópticos direito e esquerdo, que seguem até o tálamo e, dali para o córtex visual (occipital). A ligação neuronal entre o corpo geniculado do tálamo e o córtex visual é chamada radiação óptica. - Considerando que as fibras provenientes da retina nasal (que refletem o campo visual periférico) cruzam o quiasma para o lado oposto, cada trato óptico tem fibras da retina temporal do seu próprio lado e fibras da retina nasal do olho do lado oposto. • Entao: o trato óptico direito tem fibras da retina temporal direita e da retina nasal esquerda e transmite imagens do campo visual medial direito e temporal esquerdo. Esclerose múltipla - Doença autoimune inflamatória desmielinizante cronica que acomete o sistema nervoso central. - Pode ser classificada em remitente-recorrente ou primariamente progressiva. • A remitente-recorrente é marcada por surtos de piora dos sintomas neurológicos por mais de 24h sem febre ou inflamações/infeccoes associadas. Os sintomas podem, entao, ceder ou remanescer em intensidade baixa constante. • A primariamente progressiva tem sintomas neurológicos que pioram ao longo do tempo e raramente apresentam surtos. • Caso o quadro se inicie com um surto e depois siga sem surtos e com piora progressiva, chama-se secundariamente progressiva. - A mais comum é a remitente-recorrente, em adultos jovens e mulheres. A primariamente progressiva acomete faixa etária mais alta (>40 anos) e homens e mulheres de igual maneira. Lesão Causa Alteracoes Retiniana Infecção, tumor, descolamento, isquemia. Geralmente unilateral Escotomas em ilhas Hemianopsia Nervo óptico Neurite, intoxicacoes, glaucomas, traumatismo. Cegueira completa do olho afetado Lesão do quiasma óptico Adenoma hipofisario Lesão mediana - hemianopsia heteronima bitemporal acometendo as fibras da retina nasal Aneurisma de carótida interna Lesão lateral - hemianopsia nasal unilateral, pois acomete as fibras retinianas temporais Lesão do trato optico Traumatismo, tumor, lesão do corpo geniculado Hemianopsia homônima contralateral às fibras lesadas. Arreflexia fotomotora Lesão da radiação optica Quadrantopsia homônima (mais comum) ou hemianopsia homônima congruente contralateral às fibras lesadas. Reflexo fotomotor normal Lesão do córtex visual occipital Isquemia Escotomas ou quadrantopsia em caso de lesão incompleta. Hemianopsia homônima em caso de lesão completa. Hemianopsia - perda da metade do campo visual. Heterônima ou homônima a depender se a perda é do mesmo campo visual (direita ou esquerda) em ambos os olhos. Anopsia - cegueira total Lesões congruentes - mais posteriores, acometem de forma mais uniforma os campos visuais. - A fisiopatologia envolve uma infecção primaria em indivíduo geneticamente predisposto que desencadeia a atividade autoimune. Atividade imune deflagrada faz com que haja intensa expressão de moléculas de adesão nos vasos, inclusive aqueles da barreira hematoencefalica. A diapedese de células inflamatórias e citocinas ao SNC possibilita a ativação e ataque de linfocitos T a antígenos da mielinae do soligodendrocitos. Alem disso, há ativação de células B com produção de autoanticorpos, ativação do complemento. Os diversos mecanismos de imunidade culminam com lesão da mielina ou, até, do axonio. • Se o dano se inicia tao grave que atinja (já no inicio) os axonios, o quadro deflagrado é da doença primariamente progressiva. • Danos mais leves, que se restrinjam às bainhas de mielina, cursam com quadro remitente-recorrente no qual, em meio a surtos, há recuperação parcial das bainhas e período de remissao. - Quadro clinico • A doença pode comprometer qualquer parte do sistema nervoso central e o local (ou locais) do acometimento refletirá na manifestação clínica da doença. • Sintomatologia clássica é de neurite optica, oftalmoplegia internuclear, nistagmo, escotomas, diplopia, redução da acuidade visual, ataxia cerebelar, comprometimento do equilibrio, mielopatia, alterações sensitivas secundarias a lesão cortical, sinal de Lhermitte, sinal de babinski, fraqueza assimétrica em membros intensa limitante, incontinencia vesical, disfunção erétil. • O quadro clinico da forma remitente-recorrente é marcado por neurite óptica e alterações sensitivas, enquanto que na primariamente progressiva há maior comprometimento motor (vias piramidais e cerebelar). - Critérios diagnósticos • O diagnóstico é primariamente clínico, no qual deve ser evidenciado comprometimento do sistema nervoso central disseminado no tempo e espaço. - Disseminação espacial: os surtos clínicos expressando episódios inflamatórios agudos acontecendo em áreas diversas do SNC; disseminação temporal: episódios acontecendo em momentos distintos na história da doença; afastar outras possibilidades que “melhor expliquem” os sintomas. • A ressonância magnética e outras provas, como líquor e potenciais evocados podem ser usados para se confirmar o comprometimento topográfico múltiplo, assim como exclusão de outros diagnósticos e doenças. • É importante completar que não bastam ter lesões na RM, mas que elas devem ser típicas de EM, pelo menos uma ou algumas delas periventriculares, ovaladas e com maior eixo perpendicular ao corpo caloso, com pelo menos 3 mm de extensão. • Ressonância magnética: integra os critérios diagnósticos para EM. As lesões de EM são caracterizadas por hipersinal de formato ovoide, com seu maior eixo perpendicular à superfície ventricular, aspecto este que ao corte sagital recebe o nome de dedos de Dawson. As lesões podem acometer qualquer local do SNC, porém envolvem preferencialmente a substância branca periventricular, o corpo caloso e a região justacortical com acometimento infratentorial. • Bandas oligoclonais (BOC): a presença de bandas oligoclonais no líquor e ausentes no sangue é um marcador de risco independente para o diagnóstico de EM após um primeiro evento de natureza desmielinizante e podem ser encontradas no líquor de pacientes de EM em algum momento da doença em 85% dos casos. No entanto, apesar de sensível, não é específico para EM. - Tratamento do surto • Corticoterapia - metilprednisolona 1g por 5 dias em pulsoterapia - Tratamento crônico • Primeira linha - imunomoduladores (interferon, rituximabe) • Segunda linha - imunossupressores (azatioprina, ciclofosfamida) ou anticorpos monoclonais • Tratamento sintomático de queixas. Neuromielite óptica - É também conhecida como doença de Devic, uma doença inflamatória e desmielinizante do sistema nervoso central que acomete principalmente os nervos ópticos e a medula espinal, ocasionando diminuição da visão e dificuldade para andar, dormência nos braços e nas pernas e alterações do controle da urina e do intestino. Nessa patologia há produção de autoanticorpos contra as aquoporinas da barreira hematoencefalica. - Predomina muito em mulheres (9:1) com inicio aos 40 anos, mais tardio que a EM. Não é incomum a associação com outras doenças autoimunes (como lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Sjogren, artrite reumatóide, vitiligo, psoríase, doenças da tireóide, diabetes). - A neuromielite óptica pode ocorrer com sintomas de perda de visão (neurite óptica) em um ou ambos os olhos, inicialmente, ou com sintomas de acometimento da medula (mielite). Ou, às vezes os sintomas e sinais visuais e medulares ocorrem simultaneamente. • Neurite óptica: acometimento bilateral, deficit visual, perda visual variável e com recuperação ruim. • Mielite: paraparesia, tetraparesia, comprometimento sensitivo e disfunção de esfíncteres. • Estes sintomas/sinais tendem a ocorrer em ataques, com recuperação completa ou parcial, após algumas semanas ou meses, mas recorrem no curso do tempo, na maioria dos pacientes. - Na ressonância magnética, as lesões são extensas, longitudinais às vértebras e, diferentemente da EM, mais extensas, ocupando até 3 vértebras de altura. O envolvimento é predominantemente na medula central. Lesões cerebrais são difusas e confluentes, formando aspecto em nuvem. - Bandas oligoclonais no liquor são incomuns. - Tratamento • Primeira linha: corticoterapia e imunossupressores (prednisona oral e azatioprina) • Segunda linha: metotrexato e ciclosporina NEURITE OPTICA Na esclerose multipla Na neuromielite Unilateral Recuperação boa da visao Bilateral Recuperação visual pobre Diagnostico MIASTENIA GRAVIS Sindrômico Síndrome Miastênica Topográfico Junção Neuromuscular Etiológico Autoimune Nosológico Miastenia gravis DISTROFIA MUSCULAR Sindrômico Síndrome Miopática Topográfico Fibra muscular Etiológico Genética Nosológico Doença de Duchenne ou Becker GUILLAIN BARRE Sindrômico Síndrome do 2 neurônio motor Topográfico Nervo periférico Etiológico Inflamatorio/Autoimune Nosológico Síndrome de Guillain Barre MENINGITE BACTERIANA Sindrômico Síndrome meningea ou Síndrome de alteração da consciencia Topográfico Meninges Etiológico Infeccioso Nosológico Meningite bacteriana ESCLEROSE MÚLTIPLA Sindrômico Síndrome do primeiro neurônio motor Síndrome do segundo nervo craniano Sindrome medular Topográfico Nervo óptico 1 neurônio motor Medula Etiológico AutoimuneInflamatória Nosológico Esclerose múltipla