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FACULDADE VENDA NOVA DO IMIGRANTE 
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 
NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO – FAVENI 
 
 
 
 
COMPREENDENDO A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: 
CONSTRUINDO CAMINHOS PARA INCLUSÃO. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Orientador: ______________________ 
 
 
 
 
RIO DE JANEIRO 
 2017 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado para o Curso de Pós-Graduação 
Lato Sensu em Neuropsicopedagogia, Educação 
Especial e Inclusiva, Núcleo de Pós-Graduação 
e Extensão – FAVENI. 
 
 
MARIA ALÍNIZA DA SILVA 
 
 
 
 
 
 
COMPREENDENDO A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: 
CONSTRUINDO CAMINHOS PARA INCLUSÃO. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BANCA EXAMINADORA: 
 
_____________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
Rio de Janeiro 
 2017 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado para o Curso de Pós-Graduação 
Lato Sensu em Neuropsicopedagogia, Educação 
Especial e Inclusiva, Núcleo de Pós-Graduação 
e Extensão – FAVENI. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico este Trabalho de Conclusão de 
Curso, a minha mãe Maria José, ao meu pai 
Luiz Santos e aos meus irmãos Pedro Júnior, 
Lucas Luiz, José Luan e a Esther que mesmo 
longe, acreditaram em mim a todo o momento, 
sempre me desafiando a ser melhor, e 
acreditando no meu sonho demonstrando 
orgulho pelas minhas conquistas. 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
A Deus pela saúde, força e superação de vários obstáculos. Obrigada Senhor! 
 
Gratidão ao universo por conspirar ao meu favor me fazendo diariamente 
reconhecer a palavra amor, dedicação e gratidão pela vida do outro. 
 
Aos verdadeiros amigos, que juntos torceram e vibraram com minhas vitórias ao 
longo desta trajetória, especialmente ao meu noivo Mauri Antunes de Carvalho 
Junior, pelas palavras de incentivos nas horas difíceis. 
 
As minhas amigas pela paciência, compreensão e que me apoiaram e 
indiretamente contribuíram para esse trabalho se realizasse. 
 
In, memória a minha eterna amiga Liliane Marques, pessoa que me incentivou 
ao longo dos estudos, que me proporcionou momentos incríveis de troca de 
conhecimentos e risadas ao longo do curso. 
 
Enfim, agradeço a todos as pessoas que fizeram parte dessa etapa decisiva da 
minha vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"Nós não devemos deixar que as 
incapacidades das pessoas nos impossibilitem 
de reconhecer as suas habilidades." 
 (Hallahan e Kaufman, 1994) 
 
RESUMO 
 
 Este trabalho realiza um estudo da compreensão da deficiência 
intelectual, tendo como ponto de partida a construção de caminhos para 
inclusão, fazendo uma reflexão crítica com base nos paradigmas da educação 
inclusiva já fixados em ampla legislação vigente, com destaque a Convenção 
dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas 
(ONU) ratificadas em nosso país pelo Decreto Legislativo de nº 186/2008. Busca-
se principalmente identificar o processo inclusivo educacional compreendendo 
como é o mundo das pessoas com deficiência intelectual (PcDI), identificar os 
meios que possa possibilitar o processo inclusivo, a partir de uma proposta 
pedagógica sustentada por salas especiais, usufruindo de tecnologia assistida 
(TA) em oposição ao paradigma da educação inclusiva. E, enfim, uma reflexão 
que deseja provocar um amplo debate ao que se remete a compreensão da 
deficiência intelectual. 
Palavras Chaves: Deficiência intelectual, tecnologia assistiva, 
educação inclusiva 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
 
This work carries out a study of the understanding of intellectual disability, 
starting with the construction of paths for inclusion, making a critical reflection 
based on the paradigms of inclusive education already established in broad 
legislation, highlighting the Convention on the Rights of Persons with Disabilities. 
Of the United Nations (ONU) ratified in our country by Legislative Decree no. 
186/2008. 
The main goal is to identify the inclusive educational process, including the world 
of people with intellectual disabilities (PcDI), to identify the means that can make 
possible the inclusive process, based on a pedagogical proposal supported by 
special rooms, using Assistive Technology. As opposed to the inclusive 
education paradigm. And, finally, a reflection that wants to provoke a broad 
debate to which the understanding of intellectual deficiency is referred. 
Key words: Intellectual disability, assistive technology, inclusive 
education 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1- Introdução ........................................................................................... 9 
2 - História da educação inclusiva no Brasil ............................................12 
3 - Deficiência ......................................................................................... 16 
 3.1- Deficiência intelectual ........................................................... 17 
4 - Processo de inclusão e aprendizagem DI.......................................... 22 
5 - Acesso à tecnologia assistida como um alicerce para inclusão......... 24 
6 - Considerações Finais ........................................................................ 30 
7- Referência Bibliográfica ..................................................................... 32 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
 
Introdução: 
 
O conceito do que é normal varia muito de um indivíduo para outro. 
Portanto ser normal é está dentro da média. Por isso o conceito de normalidade 
é relativo. 
A existência de uma cultura da “normalidade”, da padronização, leva ao 
não reconhecimento das diferenças e singularidades. As diferenças são 
peculiares à espécie humana. A subjetividade dos sujeitos, ainda não totalmente 
desvendada pelas ciências, se expressa singularmente, não seguindo a normas 
nem a padrões. As relações sociais que são estabelecidas entre as pessoas 
acompanham aquele padrão de normalidade, no qual os que se enquadram 
estão dentro e os que não se enquadram estão fora e, portanto, excluídos da 
sociedade. 
A inclusão educacional vem se desenvolvendo no mundo inteiro como um 
fenômeno social complexo, consequência de lutas das pessoas com 
necessidades especiais diversas, seus familiares e de movimentos sociais, pelas 
transformações nas atitudes preconceituosas e segregacionistas que foram se 
estabelecendo ao longo da história, em relação ao tratamento dado a elas e pela 
busca de seus direitos na sociedade. Vivemos assim, uma contradição, pois, a 
mesma sociedade que inclui pela igualdade, exclui pelas diferenças. 
No decorrer da história da humanidade, os indivíduos com necessidades 
especiais, vivenciaram a sua negação perante asociedade, ficaram alheios a 
tudo por um processo de exclusão social, educacional, total do que seria 
concernente a eles, por um direito humano: educação, participação na vida 
social, dignidade, enfim pertencimento à sociedade como qualquer outro 
cidadão. Na verdade, até o século XX, para a pessoa com necessidades 
especiais, principalmente com deficiência, restava o descaso, o abandono, a 
indulgência, a certeza da incapacidade. 
No sistema educacional brasileiro sempre ocorreram discussões sobre a 
inclusão de pessoas com necessidades especiais, mas há pouco tempo que vem 
sendo implantada com maior ênfase nas escolas. A garantia de uma educação 
de qualidade para todos implica, dentre outros fatores, um redimensionamento 
da escola no que consiste não somente na aceitação, mas também na 
valorização das diferenças. 
10 
 
 
A Educação Inclusiva, diferentemente da Educação Tradicional, na qual 
todos os alunos é que precisavam se adaptar a ela, chega estabelecendo um 
novo modelo onde a escola é que se precisa se adaptar às necessidades e 
especificidades do aluno, buscando além de sua permanência na escola, o seu 
máximo desenvolvimento. Ou seja, na educação inclusiva, a uma escola deve 
se preparar para enfrentar o desafio de oferecer uma educação com qualidade 
para todos os seus alunos. 
 A educação é o alicerce para o desenvolvimento de qualquer cidadão, e 
que incluir o aluno com necessidades educacionais especiais, é também, uma 
forma de respeitá-lo e garantir a possibilidade de seu crescimento. Colocar o 
aluno em sala regular e não atender o que realmente ele necessita, não é 
inclusão. A instituição tem que incluir, sustentar, acompanhar, apoiar, enriquecer 
e oferecer tudo o que essa pessoa necessita em sua singularidade para ter êxito 
no objetivo educativo de integrar.” 
 Inclusão social é o processo pelo qual a sociedade e o portador de 
deficiência procuram adaptar-se mutuamente tendo em vista a equiparação de 
oportunidades e, consequentemente, uma sociedade para todos”. (Sassaki, 
1999, p. 167). A inclusão beneficia todas as pessoas e não só as com deficiência, 
porque a verdadeira inclusão é para todos e não só para os excluídos que 
provarem estar aptos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Inclusão e participação são essenciais à dignidade humana e ao 
desfrutamento e exercício dos direitos humanos. Dentro do campo da 
educação, isto se reflete no desenvolvimento de estratégias que procuram 
promover a genuína equalização de oportunidades (...). Ao mesmo tempo 
em que as escolas inclusivas preveem um ambiente favorável à aquisição 
da igualdade de oportunidades e participação total, o sucesso delas requer 
um esforço claro, não somente por parte dos professores e dos profissionais 
na escola, mas também por parte dos colegas, pais, família, voluntários. A 
reforma das instituições sociais não constitui somente uma tarefa técnica, 
ela depende, acima de tudo, de convicções, compromisso e disposição dos 
indivíduos que compõem a sociedade (UNESCO, 1994, p. 5). 
11 
 
 
Esta pesquisa enfim, deseja provocar reflexão e um amplo debate sobre 
a construção da educação inclusiva das Pessoas com Deficiência Intelectual 
(PcDI), possa favorecer a inclusão dessas pessoas, como preconiza o 
paradigma da educação inclusiva. 
A partir dessa pesquisa, esperamos quebrar alguns tabus que cercam a 
educação inclusão em relação a esse assunto, pois a inclusão requer um 
movimento de adesão e participação ativa da família e escola, não somente a 
uma proposta coletiva, mas também, um movimento interno, da ordem da 
subjetividade e dos relacionamentos interpessoais. Criando meios e caminhos 
que estimulem o respeito à diferença, o conhecimento e o preparo para lidar com 
as potencialidades e limitações de cada pessoa envolvida no processo de 
inclusão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
 
2 - História da educação inclusiva no Brasil: 
 
No Brasil, até a década de 50, praticamente não se falava em Educação 
Especial. Foi a partir de 1970, que a educação especial passou a ser discutida, 
tornando-se preocupação dos governos com a criação de instituições públicas e 
privadas, órgãos normativos federais e estaduais e de classes especiais. Antes 
disso, as pessoas com deficiências eram consideradas inválidas, ou incapazes 
de realizar algo produtivo na sociedade. 
Educação Especial desde os seus primórdios até a atualidade, para que 
se perceba que as escolas especiais são as principais responsáveis pelos 
avanços da inclusão, longe de serem responsáveis pela negação do direito das 
pessoas com necessidades educacionais especiais, de terem acesso à 
educação. Evidencia -se que a inclusão ou a exclusão das pessoas com 
deficiência estão intimamente ligadas às questões culturais. 
Enquanto, conforme (SASSAKI, 1997, p.1) “algumas culturas 
simplesmente eliminavam as pessoas deficientes, outras adotaram a prática de 
interná-las em grandes instituições de caridade, junto com doentes e idosos.” 
 A educação inclusiva é o processo que garante a matricula de todas as 
crianças, portadoras ou não portadoras de necessidades educacionais 
especiais, na rede regular de ensino (International Disability and Development 
Consortium, 1998). Devido, as grandes mudanças que ocorreram na 
estruturação da educação, após muitos anos, as escolas passam a mudar suas 
políticas pedagógicas, graças a grandes lutas. 
Tem-se a Declaração de Salamanca (1994) como marco e início da 
caminhada para a Educação Inclusiva. A inclusão é um processo educacional 
através do qual todos os alunos, incluído, com deficiência, devem ser educados 
juntos, com o apoio necessário, na idade adequada e em escola de ensino 
regular. 
A educação especial surgiu com muitas lutas, organizações e leis 
favoráveis aos deficientes e a educação inclusiva começou a ganhar força a 
partir da Declaração de Salamanca (1994), a partir da aprovação da constituição 
de 1988 e da LDB 1996, as transformações tem se processado nos âmbitos do 
financiamento, do currículo, da gestão, da avaliação, da organização 
13 
 
 
pedagógica, dos materiais didáticos, da presença dos instrumentos de 
comunicação na escola. 
A Constituição Federal de 1988 tem como objetivo “promover o bem de 
todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras 
formas de discriminação”. “Educação para todos” (art.3º inciso IV). Em 1994, as 
diretrizes apontadas pelo Conselho Nacional de Educação, leis, decretos e 
resoluções instituem as ações básicas para a implementação das propostas de 
educação inclusiva. Para definição de uma política nacional para educação, as 
ações governamentais buscam estratégias efetivas para a garantia dessas 
ações em nível federal, estadual e municipal. (MEC/SEESP, 2007) 
O sistema público direciona políticas orientando-se pela inclusão, 
enquanto as instituições de ensino comprometem-se a mudar em seus projetos 
políticos pedagógicos, os quais necessitam dessas mudanças para incluir e não 
excluir os alunos inclusos. Na mesma direção, o Ministério da Educação e a 
Secretaria de Educação do Governo Federal estabelecem cidades-pólo para 
multiplicar e agilizar suas ações na área de Educação Especial. (MEC/SEESP 
2007). 
Em 2008, implementa-se também as salas de recursos multifuncionais, 
com equipamentos que ampliama oferta do atendimento especializado. A 
educação especial no Brasil tem avançado de forma significativa, mas há ainda 
muito para ser conquistado, muito para ser melhorado. 
 
O princípio básico da inclusão escolar consiste em que as 
escolas reconheçam diversas necessidades dos alunos e a elas 
respondam, assegurando-lhes uma educação de qualidade, que 
lhes proporcione aprendizagem por meio de currículo apropriado 
e promova modificações organizacionais, estratégias de ensino 
e uso de recursos, dentre outros quesitos. (UNESCO apud 
MENDES,2002) 
 
De acordo o autor Voivodic (2007), a inclusão, historicamente, também 
está ligada a movimentos de pais de crianças com deficiência, as famílias dos 
deficientes colaboraram e ainda colaboram muito para as conquistas e direitos 
dos deficientes, e mesmo os deficientes hoje sabem seus direitos e brigam por 
eles. 
No decorrer de sua história a inclusão escolar obteve avanços 
significativos, porem há a necessidade de envolvimento político, institucional e 
14 
 
 
familiar para que esses avanços continuem ocorrendo e pensando sempre na 
criança especial, pois estamos lidando com pessoas, seres únicos, que possuem 
sentimentos e expectativas e de forma alguma podemos desprezar os 
sentimentos dessas pessoas tão especiais. 
 O processo de ensino/aprendizagem requer o entendimento de que 
ensinar e aprender não significa acumular informações memorizadas, mas sim 
fazer o aluno buscar novas alternativas, fazer escolhas frente a novas situações 
apresentadas. 
 A inclusão beneficia todas as pessoas e não só as com deficiência, 
porque a verdadeira inclusão é para todos e não só para os excluídos que 
provarem estar aptos. Em resumo a tudo que foi mencionado segue abaixo de forma 
explicita os aspectos legais da inclusão: 
 O que diz a Constituição Federal? 
A nossa Constituição Federal elegeu como fundamentos da República a 
cidadania e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inc. II e III), e como um dos 
seus objetivos fundamentais a promoção do bem de todos, sem preconceitos 
de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação 
(art. 3º, inc. IV). 
 A LDBEN, a Educação Especial e o Atendimento Educacional 
Especializado. 
Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDBEN (art. 
58 e seguintes), o atendimento educacional especializado será feito em 
classes, escolas, ou serviços especializados, sempre que, em função das 
condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas 
classes comuns do ensino regular (art. 59, ß 2º). 
 A LDBEN e as inovações trazidas pelo Decreto 3.956/2001 
(Convenção da Guatemala) 
Posterior a LDBEN, surgiu uma nova legislação, que como toda lei nova, 
revoga as disposições anteriores que lhes são contrárias ou complementa 
eventuais omissões. Trata-se da Convenção Interamericana para a Eliminação 
de Todas as Formas de Discriminação, contra a Pessoa Portadora de 
deficiência, celebrada na Guatemala. 
15 
 
 
A Convenção da Guatemala deixa clara a impossibilidade de tratamento 
desigual com base na deficiência, definindo a discriminação como toda 
diferenciação, exclusão ou restrição, baseada em deficiência, antecedente de 
deficiência, consequência de deficiência anterior ou percepção de deficiência 
presente ou passada, que tenha o efeito ou propósito de impedir ou anular o 
reconhecimento, gozo ou exercício por parte das pessoas portadoras de 
deficiência de seus direitos humanos e suas liberdades fundamentais (art. 1º, 
nº 2, ‘’a’’). 
 
 A declaração de Salamanca 
 
Princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças 
devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de 
quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter. Escolas inclusivas 
devem reconhecer e responder às necessidades diversas de seus alunos, 
acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma 
educação de qualidade a todos através de um currículo apropriado, arranjos 
organizacionais, estratégias de ensino, uso de recurso e parceria com as 
comunidades. Na verdade, deveria existir uma continuidade de serviços e apoio 
proporcional ao contínuo de necessidades especiais encontradas dentro da 
escola. 
A ideia de que simplesmente é um direito incluir um aluno com NEE 
(Necessidades Educacionais Especiais), na escola regular, não significa que 
este estará incluído. Ser matriculado é apenas o primeiro passo, a seguir virão 
outros que dependerão tanto do indivíduo com NEE, como dos profissionais 
envolvidos e os colegas. Incluir sem excluir, no processo ensino aprendizagem, 
significa contemplar a todos, sem excluir de nenhuma forma os elementos do 
processo. 
 
 
 
 
 
 
16 
 
 
3- Deficiência: 
 
Segundo o CIDID (Classificação Internacional de Deficiências, 
Incapacidades e Desvantagens), 1989: 
 
Deficiência- perda ou anormalidade de estrutura ou função 
psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. 
Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de 
um membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive 
das funções mentais. Representa a exteriorização de um estado 
patológico, refletindo um distúrbio orgânico, uma perturbação no órgão. 
Incapacidade- restrição, resultante de uma deficiência, da 
habilidade para desempenhar uma atividade considerada normal para o 
ser humano. Surge como consequência direta ou é resposta do indivíduo 
a uma deficiência psicológica, física, sensorial, ou outra. Representa a 
objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas 
atividades e comportamentos essenciais à vida diária. 
Desvantagens- prejuízo para o indivíduo, resultante de uma 
deficiência ou uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho 
de papéis de acordo com a idade, sexo, fatores sociais e culturais. 
Caracteriza-se por uma discordância entre a capacidade individual de 
realização e as expectativas do indivíduo ou do seu grupo social. 
Representa a socialização da deficiência e relaciona-se às dificuldades 
nas habilidades de sobrevivência. 
 
 
Quem pode ser considerado deficiente? A expressão “pessoa com 
deficiência” pode ser atribuída a pessoas portadoras de qualquer tipo (s) de 
deficiência. Porém, em termos legais, esta mesma expressão é aplicada de um 
modo mais restrito e refere-se a pessoas que se encontram sob o amparo de 
determinada legislação. 
É designado “deficiente” todo aquele que tem um ou mais problemas de 
funcionamento ou falta de parte anatômica, embargando com isto dificuldades a 
vários níveis: de locomoção, percepção, pensamento ou relação social. 
Até bem recentemente, o termo “deficiente” era vulgarmente aplicado a 
pessoas portadoras de deficiência (s). Porém, esta expressão embarga consigo 
uma forte carga negativa depreciativa da pessoa, pelo que foi, ao longo dos 
anos, cada vez mais rejeitada pelos especialistas da área e, em especial, pelos 
próprios portadores. 
17 
 
 
 Atualmente, a palavra é considerada como inadequada e estimuladora 
do preconceito a respeito do valor integral da pessoa. Deste modo, a substitui-la 
surge a expressão: “pessoa especial”. 
 
A pessoa especial pode ser portadora de deficiênciaúnica ou de 
deficiência múltipla (Associação de uma ou mais deficiências). As várias 
deficiências podem agrupar-se em conjuntos distintos, sendo eles: 
 
• Deficiência visual; 
• Deficiência motora; 
• Deficiência mental; 
• Deficiência auditiva; 
• Deficiência Intelectual; 
 
O mundo sempre esteve fechado para mudanças, em relação a essas 
pessoas, porém, a partir de 1981, a ONU (Organização das Nações Unidas) 
criou um decreto tornando tal ano como o Ano Internacional das Pessoas 
Portadoras de Deficiências (AIPPD), época em que passou-se a perceber que 
as pessoas portadoras de alguma necessidade especial eram também 
merecedoras dos mesmos direitos que os outros cidadãos. 
As diferenças se fazem iguais quando essas pessoas são colocadas em 
um grupo que as aceite, pois nos acrescentam valores morais e de respeito ao 
próximo, com todos tendo os mesmos direitos e recebendo as mesmas 
oportunidades diante da vida. 
 
3.1 - Deficiência Intelectual: 
 
A D.I. (deficiência intelectual) já foi tida com várias outras nomeações 
como retardo mental, excepcional, retardado, deficiente, entre outros. Nos dias 
atuais a maior dúvida para classificar essa deficiência encontra-se entre 
deficiência mental (D.M.) e deficiência intelectual (D.I.). 
Ao longo dos anos, a Deficiência Intelectual (DI) passou por diversas 
definições e terminologias para caracterizá-la, tais como: Oligofrenia, Retardo 
18 
 
 
mental, Atraso mental, Deficiência mental, etc. Segundo o conceito da 
Associação Americana de Deficiência Mental (AAMR) (1992): 
“Deficiência Intelectual ou deficiência mental (DM - como 
não é mais chamado) é o estado de redução notável do 
funcionamento intelectual, significativamente abaixo da média, 
oriundo no período de desenvolvimento (antes dos 18 anos), e 
associado às limitações de pelo menos dois aspectos do 
funcionamento adaptativo ou da capacidade do indivíduo em 
responder adequadamente as demandas da sociedade em 
comunicação, cuidados pessoais, competências domésticas, 
habilidades sociais, utilização dos recursos comunitários, 
autonomia, saúde e segurança, aptidões escolares, lazer e 
trabalho.” 
Nos dias atuais a maior dúvida para classificar essa deficiência encontra-
se entre deficiência mental (D.M.) e deficiência intelectual (D.I.). 
Mas através de modificações de documentos (Declaração de Salamanca) 
e nomes de associações influentes (American Association of Mental Retardation 
(AAMR) para American Association on Intellectual and Developmental 
Disabilities (AAIDD), percebe-se que hoje o termo correto a ser utilizado é 
“pessoa com deficiência”, para qualquer deficiência, e no caso da deficiência 
cognitiva o termo correto a ser utilizado é “pessoa com deficiência intelectual”. 
 
A deficiência intelectual não é considerada uma doença ou 
um transtorno psiquiátrico, e sim um ou mais fatores que 
causam prejuízo das funções cognitivas que acompanham 
o desenvolvimento diferente do cérebro. (HONORA & 
FRIZANCO, 2008, p. 103) 
 
D.I. é uma das deficiências mais encontrada em crianças e adolescentes, 
atingindo 1% da população jovem (VANCONCELOS, 2004). Caracterizada pela 
redução no desenvolvimento cognitivo, ou seja, no QI, normalmente abaixo do 
esperado para a idade cronológica da criança ou adulto, acarretando muitas 
vezes um desenvolvimento mais lento na fala, no desenvolvimento 
neuropsicomotor e em outras habilidades. 
De acordo com Carvalho, 2003. O diagnóstico de deficiência mental está 
a cargo de médicos e psicólogos clínicos, realizando-se em consultórios, 
hospitais, centros de reabilitação e clínicas. Equipes interdisciplinares de 
instituições educacionais também o realizam. De um modo geral, a demanda 
atende propósitos educacionais, ocupacionais, profissionais e de intervenção. 
19 
 
 
Seu diagnóstico necessita do envolvimento de grupos de fatores 
biomédicos, etiológicos, comportamentais, sociais e educacionais. 
As causas da D.I. são desconhecidas de 30 a 50% dos casos. Estas 
podem ser genéticas, congênitas ou adquiridas. Dentre as quais as mais 
conhecidas são: Síndrome de Down, Síndrome alcoólica fetal, Intoxicação por 
chumbo, Síndromes neurocutâneas, Síndrome de Rett, Síndrome do X-frágil, 
Malformações cerebrais e Desnutrição proteico-calórica. 
 
As principais características são, segundo Rodrigues, 2010: 
 
 Falta de concentração. 
 Entraves na comunicação e na interação. 
 Menor capacidade para entender a lógica de funcionamento das 
línguas, por não compreender a representação escrita ou necessitar 
de um sistema de aprendizado diferente. De acordo com a Cartilha 
das Pessoas com Deficiências (PREFEITURA DE CAXIAS DO SUL, 
2010), podemos dividir os sinais apresentados pelas pessoas com 
deficiência intelectual em quatro áreas: 
 Área motora: Se a deficiência intelectual for leve, o aluno apresentará 
apenas algumas alterações na motricidade fina; já em casos mais 
graves, pode apresentar dificuldades no equilíbrio, coordenação, 
locomoção e em manipular objetos. 
 Área cognitiva: O aluno possui mais dificuldades para se concentrar, 
para memorizar e para solucionar problemas. O processo de 
aprendizagem será mais lento que os colegas sem deficiências, mas 
pode atingir os mesmos objetivos escolares. 
 Área da comunicação: Apresenta dificuldades para falar e ser 
compreendido, mas este fator pode ocorrer por falta de estímulos 
ambientais. 
 Área socioeducacional: A diferença entre idade mental e cronológica 
faz com que a capacidade de interagir socialmente diminua. Esse fato 
piora quando o aluno é colocado em turmas com igual idade mental, 
mas é por meio da interação com pessoas com idade cronológica 
20 
 
 
igual que se desenvolverá mais, adquirindo valores, comportamentos 
e atitudes de seu grupo. 
Conforme o autor (ALMEIDA, 2010), a deficiência intelectual ou atraso 
cognitivo diagnostica-se, observando duas coisas: 
 Funcionamento cognitivo ou intelectual: Capacidade do cérebro da 
pessoa para aprender, pensar, resolver problemas, encontrar um 
sentido no mundo. 
 Funcionamento ou comportamento adaptativo: Competência 
necessária para viver com autonomia e independência na 
comunidade em que se insere. 
O respeito está em primeiro lugar e só existe quando há troca de ideias, 
informações e vontades. Por maior que seja a deficiência, lembre-se da 
eficiência da pessoa que ali está. Deficiência intelectual não deve ser confundida 
com doença mental. 
A inclusão de pessoas com deficiência intelectual é possível desde que a 
escola se prepare para recebê-las e tenha espaço adequado para elas, 
possuindo rampas, banheiros e espaço físico adaptado (no caso de cadeirantes). 
É necessário também ter conhecimentos acerca das possibilidades de 
aprendizagem que elas possuem, adequando o currículo para as necessidades 
dos alunos, sem excluir ninguém. 
Segundo Rodrigues (2010), alunos que apresentam dificuldade de 
concentração precisam de um espaço organizado, uma rotina, atividades lógicas 
e regras. 
Meios de interagir e provocar um interesse na aprendizagem dos 
portadores de DI usar; jogos de tabuleiro, quebra-cabeça, jogo da memória e 
imitações de sons ou movimentos do professor ou dos colegas. Também é 
importante adequar a proposta à idade e, principalmente, aos assuntos 
trabalhados em classe. 
Conforme o autor (RODRIGUES, 2010) “a tarefa deve começar tão fácil 
quanto seja necessário para que ele perceba que consegue executá-la, mas 
sempre com algum desafio.” 
OD.I. necessita sim de apoio pedagógico, de atenção especializada, de 
adequações curriculares, mas não podemos esquecer que eles possuem 
21 
 
 
capacidades, e o que eles mais necessitam além das intervenções, é que, nós 
acreditemos neles. 
Merecem um olhar individualizado levando-se em consideração suas 
limitações, suas necessidades, mas não somente o que ainda não consegue 
realizar com autonomia, mas levar em consideração a bagagem que essas 
crianças possuem e o que já possuem de autonomia para realizar sozinhas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
 
4 - Processo de inclusão e aprendizagem DI: 
 
Todo o indivíduo tem direito a ser incluído na escola e na sociedade, pois 
na atualidade as diferenças são bem mais aceitas do que no início da história da 
humanidade, onde ter um deficiente na família era vergonhoso e até mesmo 
considerado um castigo divino. Hoje incluir é acima de tudo aceitar. 
A inclusão depende de mudança de valores sociais e a vivência de um 
novo paradigma, levando em conta as diferenças. Bueno (1999) acrescenta que 
devemos pensar que para a inclusão se dar realmente, não basta apenas estar 
garantido na legislação, mas requer profundas modificações, gradativas, 
planejadas e contínuas para garantir uma educação de qualidade. Tarefa esta 
que exige da escola uma reorganização e reestruturação, metodologias e 
recursos pedagógicos adequados e, o principal, conscientizar e capacitar os 
profissionais a esse novo desafio. 
Segundo o autor Stainback (1999), consideram que cabe ao professor 
fazer a si mesmo questões sobre a capacidade dos alunos de participar de todas 
as atividades propostas da mesma forma dos demais, realizar as necessárias 
adequações e modificações, a fim de garantir a plena participação de todos e 
alcance dos objetivos. 
O trabalho docente deve sempre estar permeado por um processo de 
reflexão-ação-reflexão, tarefa cada vez mais exigente, pois o professor precisa 
preparar sua aula e refletir sobre ela, ter claro os objetivos que quer alcançar 
com as atividades. Realidade às vezes adversa nas escolas, pois infelizmente 
convive-se com educadores que não preparam atividades, apenas seguem um 
livro didático e não refletem sobre o que realmente querem alcançar com aquele 
conteúdo. 
Para incluir é preciso em primeiro lugar aceitar, amar e buscar 
desenvolver aquele aluno, respeitando suas limitações, mas sempre buscando 
integrá-lo. Tarefa que exige do educador um esforço extra, pois ele tem na 
maioria das vezes uma sala superlotada e deve trabalhar com todos de forma 
harmônica e eficaz, buscando a construção do conhecimento e a participação de 
forma ativa do processo de aprender a apreender. 
A educação inclusiva tem o objetivo de melhorar as condições de ensino 
e aprendizagem para que todos participem e consigam uma educação de 
23 
 
 
qualidade, onde a totalidade dos alunos seja atendida independente de suas 
capacidades. A escola exerce papel potencializador para o desenvolvimento, 
pois ela é um rico espaço interativo, mediado por diferenças, um local de 
interação social, onde as trocas de conhecimentos podem muitas vezes 
estimular o desenvolvimento do aluno especial; 
O aluno com deficiência intelectual tem dificuldade em construir seus 
conhecimentos, demonstrar suas capacidades cognitivas, principalmente se a 
escola possui metodologias conservadoras. Por isso, na realidade que se 
apresenta, a escola deve ser diferenciada para todos, isto é, se adequar as 
possibilidades e limitações de cada aluno, os auxiliando no processo de 
construção do conhecimento. 
O professor não necessita preparar uma aula diferenciada para aquele 
aluno, mas sim, diversificar atividades para atingir a todos, independentemente 
de suas possibilidades intelectuais. Conforme Padilha (2001, p. 135) salienta que 
“vencer as barreiras de sua deficiência, expandir possibilidades, diminuir limites, 
encontrar saídas para estar no mundo” devem ser metas no trabalho com o 
deficiente intelectual, pois ele dever ser educado visando sua emancipação. 
O portador de deficiência intelectual possui inúmeros fatores que 
prejudicam seu processo ensino-aprendizagem, estes vão desde a aceitação, 
até a dificuldade para realizar tarefas que para os demais são fáceis, a 
dificuldade de articular o pensamento e ação, a lentidão para realizar tarefas, a 
necessidade do apoio visual, a incapacidade de permanecer muito tempo na 
mesma atividade e, talvez, o mais agravante a baixa autoestima. 
 Então, para o deficiente intelectual ter sucesso em seu processo ensino-
aprendizagem ele deve ser estimulado, amado, aceito, tratado com igualdade, 
tendo o professor como mediador de suas aprendizagens, pois apesar de levar 
mais tempo para aprender é capaz de adquirir habilidades intelectuais e sociais. 
Portanto, a escola deve estar preparada para receber este aluno, estimulá-lo, 
buscando desenvolver suas inúmeras competências e habilidades. 
A inclusão enfrenta barreiras e tem um longo caminho a percorrer, mas o 
importante é que a escola seja um local onde as diferenças enriqueçam o 
trabalho, onde os limites e possibilidades de cada um sejam respeitados e 
valorizados. 
 
24 
 
 
5 - Acesso à tecnologia assistiva como um alicerce para inclusão: 
 
 O atendimento educacional especializado (AEE) é um serviço da 
educação especial que identifica, elabora, e organiza recursos pedagógicos e de 
acessibilidade, que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, 
considerando suas necessidades específicas" (SEESP/MEC, 2008). 
De acordo com a definição proposta pelo Comitê de Ajudas Técnicas 
(CAT), tecnologia assistiva "é uma área do conhecimento, de característica 
interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, 
práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à 
atividade e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou 
mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida 
e inclusão social. (CAT, 2007) 
Consideram-se ajudas técnicas, para efeitos deste decreto, os 
elementos que permitem compensar uma ou mais limitações 
funcionais motoras, sensoriais ou mentais da pessoa portadora 
de deficiência, com o objetivo de permitir-lhe superar as 
barreiras da comunicação e da mobilidade e de possibilitar sua 
plena inclusão social.(Brasil,1999) 
 A tecnologia assistiva é um recurso ou uma estratégia utilizada para 
ampliar ou possibilitar a execução de uma atividade necessária e pretendida por 
uma pessoa com deficiência. Na perspectiva da educação inclusiva, a tecnologia 
assistida é voltada a favorecer a participação do aluno com deficiência nas 
diversas atividades do cotidiano escolar, vinculadas aos objetivos educacionais 
comuns. 
São exemplos de tecnologia assistida na escola os materiais escolares e 
pedagógicos acessíveis, a comunicação alternativa, os recursos de 
acessibilidade ao computador, os recursos para mobilidade, localização, a 
sinalização, o mobiliário que atenda às necessidades posturais, entre outros. 
 No atendimento educacional especializado, o professor fará, junto com 
o aluno, a identificação das barreiras que ele enfrenta no contexto educacional 
comum e que o impedem ou o limitam de participar dos desafios de 
aprendizagem na escola. Identificando esses "problemas" e também25 
 
 
identificando as "habilidades do aluno", o professor pesquisará e implementará 
recursos ou estratégias que o auxiliarão, promovendo ou ampliando suas 
possibilidades de participação e atuação nas atividades, nas relações, na 
comunicação e nos espaços da escola. 
A tecnologia assistiva encontra sentido quando segue com o aluno, no 
contexto escolar comum, apoiando a sua escolarização. 
Portanto, o trabalho na sala se destina a avaliar a melhor alternativa de 
tecnologia assistiva, produzir material para o aluno e encaminhar estes recursos 
e materiais produzidos, para que eles sirvam ao aluno na escola comum, junto 
com a família e nos demais espaços que frequenta. 
 São focos importantes do trabalho de tecnologia assistida na 
perspectiva da educação inclusiva: 
 A tecnologia assistiva numa proposição de educação 
para autonomia, 
 A tecnologia assistiva como conhecimento aplicado 
para resolução de problemas funcionais enfrentados 
pelos alunos, e 
 A tecnologia assistiva promovendo a ruptura de 
barreiras que impedem ou limitam a participação 
destes alunos nos desafios educacionais. 
 As Tecnologias Assistivas são classificadas de acordo com os 
objetivos funcionais para as quais se destinam. Várias são estas classificações 
dependendo para o fim a que se destina. 
 A classificação descrita em 1998 por José Tonolli e Rita Bersch foi criada 
a partir de outras classificações utilizadas em bancos de dados de TA e também 
a partir da formação dos autores no Programa de Certificação em Aplicações da 
Tecnologia Assistiva. 
Esta classificação tem uma finalidade didática e em cada tópico considera 
a existência de recursos e serviços. 
1- Auxílios para a vida diária e vida prática - Materiais e produtos que 
favorecem desempenho autônomo e independente em tarefas 
rotineiras ou facilitam o cuidado de pessoas em situação de 
26 
 
 
dependência de auxílio, nas atividades como alimentar-se, cozinhar, 
vestir-se, tomar banho e executar necessidades pessoais. Exemplos: 
suportes para utensílios domésticos, roupas desenhadas para facilitar 
o vestir e despir, abotoadores, velcro, recursos para transferência, 
barras de apoio, etc. 
2- CAA - Comunicação Aumentativa e Alternativa - Destinada a atender 
pessoas sem fala ou escrita funcional ou em defasagem entre sua 
necessidade comunicativa e sua habilidade em falar e/ou escrever. 
Exemplos: pranchas de comunicação, softwares que facilitam a 
comunicação, etc. 
3- Recursos de acessibilidade ao computador - Conjunto de hardware e 
software especialmente idealizado para tornar o computador acessível 
a pessoas com privações sensoriais (visuais e auditivas), intelectuais 
e motoras. Exemplos: teclados virtuais com varredura, mouses 
especiais e acionadores diversos, software de reconhecimento de voz, 
dispositivos apontadores que valorizam movimento de cabeça, 
movimento de olhos, ondas cerebrais (pensamento), órteses e 
ponteiras para digitação, entre outros. 
4- Sistemas de controle de ambiente - Através de um controle remoto as 
pessoas com limitações motoras, podem ligar, desligar e ajustar 
aparelhos eletroeletrônicos como a luz, o som, televisores, 
ventiladores, executar a abertura e fechamento de portas e janelas, 
receber e fazer chamadas telefônicas, acionar sistemas de segurança, 
entre outros, localizados em seu quarto, sala, escritório, casa e 
arredores. Exemplo: controle remoto acionado por qualquer parte do 
corpo. 
5- Projetos arquitetônicos para acessibilidade - Projetos de edificação e 
urbanismo que garantem acesso, funcionalidade e mobilidade a todas 
as pessoas, independentemente de sua condição física e sensorial. 
Exemplos: rampas, elevadores, adaptações em banheiros entre 
outras. 
6- Órteses e próteses - são peças artificiais que substituem partes 
ausentes do corpo. Órteses são colocadas junto a um segmento corpo, 
garantindo-lhe um melhor posicionamento, estabilização e/ou função. 
27 
 
 
Auxiliam na mobilidade de funções manuais, correção postural entre 
outras. 
7- Adequação Postural - Um projeto de adequação postural diz respeito 
à seleção de recursos que garantam posturas alinhadas, estáveis, 
confortáveis e com boa distribuição do peso corporal. Exemplos: 
cadeiras adaptadas, estabilizadores ortostáticos, almofadas no leito, 
etc. 
8- Auxílios de mobilidade - A mobilidade pode ser auxiliada por bengalas, 
muletas, andadores, carrinhos, cadeiras de rodas manuais ou 
elétricas, scooters e qualquer outro veículo, equipamento ou estratégia 
utilizada na melhoria da mobilidade pessoal. 
9- Auxílios para qualificação da habilidade visual e recursos que ampliam 
a informação a pessoas com baixa visão ou cegas. São exemplos: 
Auxílios ópticos, lentes, lupas manuais e lupas eletrônicas; os 
softwares ampliadores de tela. Material gráfico com texturas e relevos, 
mapas e gráficos táteis, software OCR em celulares para identificação 
de texto informativo, etc. 
10- Auxílios para pessoas com surdez ou com déficit auditivo - Auxílios 
que incluem vários equipamentos (infravermelho, FM), aparelhos para 
surdez, telefones com teclado-teletipo (TTY), sistemas com alerta 
táctil-visual, celular com mensagens escritas e chamadas por 
vibração, software que favorece a comunicação ao telefone celular 
transformando em voz o texto digitado no celular e em texto a 
mensagem falada. Livros, textos e dicionários digitais em língua de 
sinais. Sistema de legendas (closecaption/subtitles). 
11- Mobilidade em veículos - Acessórios que possibilitam uma pessoa com 
deficiência física dirigir um automóvel, facilitadores de embarque e 
desembarque como elevadores para cadeiras de rodas (utilizados nos 
carros particulares ou de transporte coletivo), rampas para cadeiras de 
rodas, serviços de autoescola para pessoas com deficiência. 
12- Esporte e Lazer - Recursos que favorecem a prática de esporte e 
participação em atividades de lazer. 
28 
 
 
 Tecnologia Assistiva se estiver suprindo a necessidade de uma pessoa 
em decorrência de sua deficiência. Uma Tecnologia Assistiva pode ser 
considerada no âmbito educacional segundo Bersch: 
Quando ela é utilizada por um aluno com deficiência e 
tem por objetivo romper barreiras sensoriais, motoras ou 
cognitivas que limitam/impedem seu acesso às informações ou 
limitam/impedem o registro e expressão sobre os conhecimentos 
adquiridos por ele; quando favorecem seu acesso e participação 
ativa e autônoma em projetos pedagógicos; quando possibilitam 
a manipulação de objetos de estudos; quando percebemos que 
sem este recurso tecnológico a participação ativa do aluno no 
desafio de aprendizagem seria restrito ou inexistente. (BERSCH, 
2013, p.12) 
As Tecnologias Assistivas foram inseridas nas escolas por meio das Salas 
de Recursos Multifuncionais (BRASIL, 2008) que foram implementadas com 
políticas públicas nos últimos anos. 
Porém, estas salas nem sempre são vistas como algo do domínio do 
professor e ainda temos como uma enorme barreira para a inclusão efetiva, o 
despreparo da comunidade escolar para lidar com o assunto. 
 A utilização das salas de recursos o de Tecnologia Assistiva, pode gerar 
alguma repulsa por parte de quem a utiliza ou até mesmo dos professores, por 
acharem desnecessária. 
Deve-se ter cuidado ao fazer a utilização da mesma, pois lembramos 17 
que o objetivo principal destes serviços e instrumentos são incluir, proporcionar 
autonomia, tornar acessível.O autor (Passerino, 2010) salienta a respeito de gerar preconceito e 
diferenciar. Isto deve ser levado e conta já que será utilizado algo diferente para 
tornar “igual”: 
Toda tecnologia deve ser utilizada com objetivo de promover a 
inclusão e não para gerar preconceito e diferenciação e 
fundamentalmente; toda tecnologia é provisória seja por motivos 
técnicos (novas gerações de tecnologias surgem a cada momento), por 
pessoais ou sociais, uma vez que o processo de desenvolvimento é 
dinâmico e dialético com o contexto sócio histórico dos indivíduos em 
interação. (PASSERINO,2010, p.10) 
Assim, a Tecnologia Assistiva torna-se um aliado do professor em 
promover processos de aprendizagem, possibilitando a inclusão e autonomia 
29 
 
 
àquele que a utiliza. Com isso os professores devem ser receptivos a novas 
experiências e também ao uso dessas novas tecnologias em sala de aula. 
Visando sempre o bem estar do aluno e tendo o cuidado de não enfatizar 
que o mesmo é deficiente por fazer uso de um instrumento diferente na sala. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
6 – Considerações Finais: 
 
O presente estudo teve como objetivo compreender a deficiência 
intelectual, construindo caminhos para inclusão. Mudanças foram feitas a partir 
do momento em que se entende que um aluno com deficiência também é um ser 
que pode aprender e ensinar. Só é possível aprender a estar na escola, estando 
em uma. Porém se encontrou muita resistência de professores e familiares nesta 
implementação da proposta de inclusão educacional. Esta resistência por parte 
dos professores vem da alegação de que nos cursos de formação não 
recebemos suporte suficiente para lidar com tal situação. 
Conforme o autor Carvalho(2005), “trabalhar com o novo, com o diferente 
nos possibilita novas experiências.” E como educadora acredito ser fundamental 
essa diversidade em sala de aula. Nenhum aluno é igual ao outro. Quando se 
fala a palavra inclusão, logo vem em mente alunos com deficiência. Mas estes, 
mesmo sendo protagonistas não são os únicos. Há também alunos com altas 
habilidades/superdotação, alunos afrodescendentes, alunos com dificuldade de 
aprendizagem, alunos em vulnerabilidade social, entre outros. Estes alunos 
muitas vezes passam despercebidos aos olhos dos educadores e não se 
encontra resistência em tê-los na sala de aula, ainda que incluídos fisicamente 
na turma, porém desconectados. 
Novamente me baseio nas palavras do autor Carvalho: 
As escolas inclusivas são escolas para todos, implicando num 
sistema educacional que reconheça e atenda às diferenças individuais, 
respeitando as necessidades de qualquer dos alunos. Sob essa ótica, 
não apenas portadores de deficiência seriam ajudados e sim todos os 
alunos que por inúmeras causas, endógenas e exógenas, temporárias 
ou permanentes, apresentam dificuldades de aprendizagem ou no 
desenvolvimento. (CARVALHO ,2005, pg.29) 
 
 Quando se trata de educação inclusiva não se espera que o professor 
seja um especialista numa determinada deficiência, mas sim especialista em 
aprendizes em geral. Com um olhar mais amplo, aguçado e enxergar seu aluno 
para além de suas características, e deficiências. 
31 
 
 
Usar a tecnologia assistiva não é apenas inserir um novo instrumento na 
rotina da criança. Isto é um processo de inclusão, um novo caminho a ser 
seguido, uma estratégia para desenvolver habilidades. A inclusão será 
promovida através deste cuidado, deste olhar amplo sobre o que é incluir. Esta 
promoção de inclusão ocorre em parceria, por isto a família, a comunidade 
escolar e o atendimento médico devem estar aliados, um complementando o 
outro. 
Desejar uma sociedade acessível a todos, e se empenhar pela sua 
construção dia após dia, traçando caminhos, estudando caso a caso conforme 
cada especialidade, visando sempre que não haja o impedimento de acesso das 
pessoas com deficiência aos serviços atualmente oferecidos pela sociedade, 
mas pelo contrário, mantendo o olhar no ideal, mas os pés na realidade de cada 
sujeito envolvido no processo de inclusão. 
Vale ressaltar que a inclusão envolve mudanças em todas as pessoas e 
é um trabalho longo, mas de visíveis resultados, e desafiador tanto para o 
portador de especialidade como para os envolvidos no processo. Igualdade de 
oportunidades é um desejo de muitas pessoas para um futuro, que esperamos, 
seja breve. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 
 
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