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FACULDADE VENDA NOVA DO IMIGRANTE CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO – FAVENI COMPREENDENDO A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: CONSTRUINDO CAMINHOS PARA INCLUSÃO. Orientador: ______________________ RIO DE JANEIRO 2017 Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para o Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Neuropsicopedagogia, Educação Especial e Inclusiva, Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI. MARIA ALÍNIZA DA SILVA COMPREENDENDO A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: CONSTRUINDO CAMINHOS PARA INCLUSÃO. BANCA EXAMINADORA: _____________________________________________________ Rio de Janeiro 2017 Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para o Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Neuropsicopedagogia, Educação Especial e Inclusiva, Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI. Dedico este Trabalho de Conclusão de Curso, a minha mãe Maria José, ao meu pai Luiz Santos e aos meus irmãos Pedro Júnior, Lucas Luiz, José Luan e a Esther que mesmo longe, acreditaram em mim a todo o momento, sempre me desafiando a ser melhor, e acreditando no meu sonho demonstrando orgulho pelas minhas conquistas. AGRADECIMENTOS A Deus pela saúde, força e superação de vários obstáculos. Obrigada Senhor! Gratidão ao universo por conspirar ao meu favor me fazendo diariamente reconhecer a palavra amor, dedicação e gratidão pela vida do outro. Aos verdadeiros amigos, que juntos torceram e vibraram com minhas vitórias ao longo desta trajetória, especialmente ao meu noivo Mauri Antunes de Carvalho Junior, pelas palavras de incentivos nas horas difíceis. As minhas amigas pela paciência, compreensão e que me apoiaram e indiretamente contribuíram para esse trabalho se realizasse. In, memória a minha eterna amiga Liliane Marques, pessoa que me incentivou ao longo dos estudos, que me proporcionou momentos incríveis de troca de conhecimentos e risadas ao longo do curso. Enfim, agradeço a todos as pessoas que fizeram parte dessa etapa decisiva da minha vida. "Nós não devemos deixar que as incapacidades das pessoas nos impossibilitem de reconhecer as suas habilidades." (Hallahan e Kaufman, 1994) RESUMO Este trabalho realiza um estudo da compreensão da deficiência intelectual, tendo como ponto de partida a construção de caminhos para inclusão, fazendo uma reflexão crítica com base nos paradigmas da educação inclusiva já fixados em ampla legislação vigente, com destaque a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) ratificadas em nosso país pelo Decreto Legislativo de nº 186/2008. Busca- se principalmente identificar o processo inclusivo educacional compreendendo como é o mundo das pessoas com deficiência intelectual (PcDI), identificar os meios que possa possibilitar o processo inclusivo, a partir de uma proposta pedagógica sustentada por salas especiais, usufruindo de tecnologia assistida (TA) em oposição ao paradigma da educação inclusiva. E, enfim, uma reflexão que deseja provocar um amplo debate ao que se remete a compreensão da deficiência intelectual. Palavras Chaves: Deficiência intelectual, tecnologia assistiva, educação inclusiva ABSTRACT This work carries out a study of the understanding of intellectual disability, starting with the construction of paths for inclusion, making a critical reflection based on the paradigms of inclusive education already established in broad legislation, highlighting the Convention on the Rights of Persons with Disabilities. Of the United Nations (ONU) ratified in our country by Legislative Decree no. 186/2008. The main goal is to identify the inclusive educational process, including the world of people with intellectual disabilities (PcDI), to identify the means that can make possible the inclusive process, based on a pedagogical proposal supported by special rooms, using Assistive Technology. As opposed to the inclusive education paradigm. And, finally, a reflection that wants to provoke a broad debate to which the understanding of intellectual deficiency is referred. Key words: Intellectual disability, assistive technology, inclusive education SUMÁRIO 1- Introdução ........................................................................................... 9 2 - História da educação inclusiva no Brasil ............................................12 3 - Deficiência ......................................................................................... 16 3.1- Deficiência intelectual ........................................................... 17 4 - Processo de inclusão e aprendizagem DI.......................................... 22 5 - Acesso à tecnologia assistida como um alicerce para inclusão......... 24 6 - Considerações Finais ........................................................................ 30 7- Referência Bibliográfica ..................................................................... 32 9 Introdução: O conceito do que é normal varia muito de um indivíduo para outro. Portanto ser normal é está dentro da média. Por isso o conceito de normalidade é relativo. A existência de uma cultura da “normalidade”, da padronização, leva ao não reconhecimento das diferenças e singularidades. As diferenças são peculiares à espécie humana. A subjetividade dos sujeitos, ainda não totalmente desvendada pelas ciências, se expressa singularmente, não seguindo a normas nem a padrões. As relações sociais que são estabelecidas entre as pessoas acompanham aquele padrão de normalidade, no qual os que se enquadram estão dentro e os que não se enquadram estão fora e, portanto, excluídos da sociedade. A inclusão educacional vem se desenvolvendo no mundo inteiro como um fenômeno social complexo, consequência de lutas das pessoas com necessidades especiais diversas, seus familiares e de movimentos sociais, pelas transformações nas atitudes preconceituosas e segregacionistas que foram se estabelecendo ao longo da história, em relação ao tratamento dado a elas e pela busca de seus direitos na sociedade. Vivemos assim, uma contradição, pois, a mesma sociedade que inclui pela igualdade, exclui pelas diferenças. No decorrer da história da humanidade, os indivíduos com necessidades especiais, vivenciaram a sua negação perante asociedade, ficaram alheios a tudo por um processo de exclusão social, educacional, total do que seria concernente a eles, por um direito humano: educação, participação na vida social, dignidade, enfim pertencimento à sociedade como qualquer outro cidadão. Na verdade, até o século XX, para a pessoa com necessidades especiais, principalmente com deficiência, restava o descaso, o abandono, a indulgência, a certeza da incapacidade. No sistema educacional brasileiro sempre ocorreram discussões sobre a inclusão de pessoas com necessidades especiais, mas há pouco tempo que vem sendo implantada com maior ênfase nas escolas. A garantia de uma educação de qualidade para todos implica, dentre outros fatores, um redimensionamento da escola no que consiste não somente na aceitação, mas também na valorização das diferenças. 10 A Educação Inclusiva, diferentemente da Educação Tradicional, na qual todos os alunos é que precisavam se adaptar a ela, chega estabelecendo um novo modelo onde a escola é que se precisa se adaptar às necessidades e especificidades do aluno, buscando além de sua permanência na escola, o seu máximo desenvolvimento. Ou seja, na educação inclusiva, a uma escola deve se preparar para enfrentar o desafio de oferecer uma educação com qualidade para todos os seus alunos. A educação é o alicerce para o desenvolvimento de qualquer cidadão, e que incluir o aluno com necessidades educacionais especiais, é também, uma forma de respeitá-lo e garantir a possibilidade de seu crescimento. Colocar o aluno em sala regular e não atender o que realmente ele necessita, não é inclusão. A instituição tem que incluir, sustentar, acompanhar, apoiar, enriquecer e oferecer tudo o que essa pessoa necessita em sua singularidade para ter êxito no objetivo educativo de integrar.” Inclusão social é o processo pelo qual a sociedade e o portador de deficiência procuram adaptar-se mutuamente tendo em vista a equiparação de oportunidades e, consequentemente, uma sociedade para todos”. (Sassaki, 1999, p. 167). A inclusão beneficia todas as pessoas e não só as com deficiência, porque a verdadeira inclusão é para todos e não só para os excluídos que provarem estar aptos. Inclusão e participação são essenciais à dignidade humana e ao desfrutamento e exercício dos direitos humanos. Dentro do campo da educação, isto se reflete no desenvolvimento de estratégias que procuram promover a genuína equalização de oportunidades (...). Ao mesmo tempo em que as escolas inclusivas preveem um ambiente favorável à aquisição da igualdade de oportunidades e participação total, o sucesso delas requer um esforço claro, não somente por parte dos professores e dos profissionais na escola, mas também por parte dos colegas, pais, família, voluntários. A reforma das instituições sociais não constitui somente uma tarefa técnica, ela depende, acima de tudo, de convicções, compromisso e disposição dos indivíduos que compõem a sociedade (UNESCO, 1994, p. 5). 11 Esta pesquisa enfim, deseja provocar reflexão e um amplo debate sobre a construção da educação inclusiva das Pessoas com Deficiência Intelectual (PcDI), possa favorecer a inclusão dessas pessoas, como preconiza o paradigma da educação inclusiva. A partir dessa pesquisa, esperamos quebrar alguns tabus que cercam a educação inclusão em relação a esse assunto, pois a inclusão requer um movimento de adesão e participação ativa da família e escola, não somente a uma proposta coletiva, mas também, um movimento interno, da ordem da subjetividade e dos relacionamentos interpessoais. Criando meios e caminhos que estimulem o respeito à diferença, o conhecimento e o preparo para lidar com as potencialidades e limitações de cada pessoa envolvida no processo de inclusão. 12 2 - História da educação inclusiva no Brasil: No Brasil, até a década de 50, praticamente não se falava em Educação Especial. Foi a partir de 1970, que a educação especial passou a ser discutida, tornando-se preocupação dos governos com a criação de instituições públicas e privadas, órgãos normativos federais e estaduais e de classes especiais. Antes disso, as pessoas com deficiências eram consideradas inválidas, ou incapazes de realizar algo produtivo na sociedade. Educação Especial desde os seus primórdios até a atualidade, para que se perceba que as escolas especiais são as principais responsáveis pelos avanços da inclusão, longe de serem responsáveis pela negação do direito das pessoas com necessidades educacionais especiais, de terem acesso à educação. Evidencia -se que a inclusão ou a exclusão das pessoas com deficiência estão intimamente ligadas às questões culturais. Enquanto, conforme (SASSAKI, 1997, p.1) “algumas culturas simplesmente eliminavam as pessoas deficientes, outras adotaram a prática de interná-las em grandes instituições de caridade, junto com doentes e idosos.” A educação inclusiva é o processo que garante a matricula de todas as crianças, portadoras ou não portadoras de necessidades educacionais especiais, na rede regular de ensino (International Disability and Development Consortium, 1998). Devido, as grandes mudanças que ocorreram na estruturação da educação, após muitos anos, as escolas passam a mudar suas políticas pedagógicas, graças a grandes lutas. Tem-se a Declaração de Salamanca (1994) como marco e início da caminhada para a Educação Inclusiva. A inclusão é um processo educacional através do qual todos os alunos, incluído, com deficiência, devem ser educados juntos, com o apoio necessário, na idade adequada e em escola de ensino regular. A educação especial surgiu com muitas lutas, organizações e leis favoráveis aos deficientes e a educação inclusiva começou a ganhar força a partir da Declaração de Salamanca (1994), a partir da aprovação da constituição de 1988 e da LDB 1996, as transformações tem se processado nos âmbitos do financiamento, do currículo, da gestão, da avaliação, da organização 13 pedagógica, dos materiais didáticos, da presença dos instrumentos de comunicação na escola. A Constituição Federal de 1988 tem como objetivo “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. “Educação para todos” (art.3º inciso IV). Em 1994, as diretrizes apontadas pelo Conselho Nacional de Educação, leis, decretos e resoluções instituem as ações básicas para a implementação das propostas de educação inclusiva. Para definição de uma política nacional para educação, as ações governamentais buscam estratégias efetivas para a garantia dessas ações em nível federal, estadual e municipal. (MEC/SEESP, 2007) O sistema público direciona políticas orientando-se pela inclusão, enquanto as instituições de ensino comprometem-se a mudar em seus projetos políticos pedagógicos, os quais necessitam dessas mudanças para incluir e não excluir os alunos inclusos. Na mesma direção, o Ministério da Educação e a Secretaria de Educação do Governo Federal estabelecem cidades-pólo para multiplicar e agilizar suas ações na área de Educação Especial. (MEC/SEESP 2007). Em 2008, implementa-se também as salas de recursos multifuncionais, com equipamentos que ampliama oferta do atendimento especializado. A educação especial no Brasil tem avançado de forma significativa, mas há ainda muito para ser conquistado, muito para ser melhorado. O princípio básico da inclusão escolar consiste em que as escolas reconheçam diversas necessidades dos alunos e a elas respondam, assegurando-lhes uma educação de qualidade, que lhes proporcione aprendizagem por meio de currículo apropriado e promova modificações organizacionais, estratégias de ensino e uso de recursos, dentre outros quesitos. (UNESCO apud MENDES,2002) De acordo o autor Voivodic (2007), a inclusão, historicamente, também está ligada a movimentos de pais de crianças com deficiência, as famílias dos deficientes colaboraram e ainda colaboram muito para as conquistas e direitos dos deficientes, e mesmo os deficientes hoje sabem seus direitos e brigam por eles. No decorrer de sua história a inclusão escolar obteve avanços significativos, porem há a necessidade de envolvimento político, institucional e 14 familiar para que esses avanços continuem ocorrendo e pensando sempre na criança especial, pois estamos lidando com pessoas, seres únicos, que possuem sentimentos e expectativas e de forma alguma podemos desprezar os sentimentos dessas pessoas tão especiais. O processo de ensino/aprendizagem requer o entendimento de que ensinar e aprender não significa acumular informações memorizadas, mas sim fazer o aluno buscar novas alternativas, fazer escolhas frente a novas situações apresentadas. A inclusão beneficia todas as pessoas e não só as com deficiência, porque a verdadeira inclusão é para todos e não só para os excluídos que provarem estar aptos. Em resumo a tudo que foi mencionado segue abaixo de forma explicita os aspectos legais da inclusão: O que diz a Constituição Federal? A nossa Constituição Federal elegeu como fundamentos da República a cidadania e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inc. II e III), e como um dos seus objetivos fundamentais a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º, inc. IV). A LDBEN, a Educação Especial e o Atendimento Educacional Especializado. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDBEN (art. 58 e seguintes), o atendimento educacional especializado será feito em classes, escolas, ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns do ensino regular (art. 59, ß 2º). A LDBEN e as inovações trazidas pelo Decreto 3.956/2001 (Convenção da Guatemala) Posterior a LDBEN, surgiu uma nova legislação, que como toda lei nova, revoga as disposições anteriores que lhes são contrárias ou complementa eventuais omissões. Trata-se da Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação, contra a Pessoa Portadora de deficiência, celebrada na Guatemala. 15 A Convenção da Guatemala deixa clara a impossibilidade de tratamento desigual com base na deficiência, definindo a discriminação como toda diferenciação, exclusão ou restrição, baseada em deficiência, antecedente de deficiência, consequência de deficiência anterior ou percepção de deficiência presente ou passada, que tenha o efeito ou propósito de impedir ou anular o reconhecimento, gozo ou exercício por parte das pessoas portadoras de deficiência de seus direitos humanos e suas liberdades fundamentais (art. 1º, nº 2, ‘’a’’). A declaração de Salamanca Princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter. Escolas inclusivas devem reconhecer e responder às necessidades diversas de seus alunos, acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade a todos através de um currículo apropriado, arranjos organizacionais, estratégias de ensino, uso de recurso e parceria com as comunidades. Na verdade, deveria existir uma continuidade de serviços e apoio proporcional ao contínuo de necessidades especiais encontradas dentro da escola. A ideia de que simplesmente é um direito incluir um aluno com NEE (Necessidades Educacionais Especiais), na escola regular, não significa que este estará incluído. Ser matriculado é apenas o primeiro passo, a seguir virão outros que dependerão tanto do indivíduo com NEE, como dos profissionais envolvidos e os colegas. Incluir sem excluir, no processo ensino aprendizagem, significa contemplar a todos, sem excluir de nenhuma forma os elementos do processo. 16 3- Deficiência: Segundo o CIDID (Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens), 1989: Deficiência- perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. Representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio orgânico, uma perturbação no órgão. Incapacidade- restrição, resultante de uma deficiência, da habilidade para desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano. Surge como consequência direta ou é resposta do indivíduo a uma deficiência psicológica, física, sensorial, ou outra. Representa a objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas atividades e comportamentos essenciais à vida diária. Desvantagens- prejuízo para o indivíduo, resultante de uma deficiência ou uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo com a idade, sexo, fatores sociais e culturais. Caracteriza-se por uma discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do indivíduo ou do seu grupo social. Representa a socialização da deficiência e relaciona-se às dificuldades nas habilidades de sobrevivência. Quem pode ser considerado deficiente? A expressão “pessoa com deficiência” pode ser atribuída a pessoas portadoras de qualquer tipo (s) de deficiência. Porém, em termos legais, esta mesma expressão é aplicada de um modo mais restrito e refere-se a pessoas que se encontram sob o amparo de determinada legislação. É designado “deficiente” todo aquele que tem um ou mais problemas de funcionamento ou falta de parte anatômica, embargando com isto dificuldades a vários níveis: de locomoção, percepção, pensamento ou relação social. Até bem recentemente, o termo “deficiente” era vulgarmente aplicado a pessoas portadoras de deficiência (s). Porém, esta expressão embarga consigo uma forte carga negativa depreciativa da pessoa, pelo que foi, ao longo dos anos, cada vez mais rejeitada pelos especialistas da área e, em especial, pelos próprios portadores. 17 Atualmente, a palavra é considerada como inadequada e estimuladora do preconceito a respeito do valor integral da pessoa. Deste modo, a substitui-la surge a expressão: “pessoa especial”. A pessoa especial pode ser portadora de deficiênciaúnica ou de deficiência múltipla (Associação de uma ou mais deficiências). As várias deficiências podem agrupar-se em conjuntos distintos, sendo eles: • Deficiência visual; • Deficiência motora; • Deficiência mental; • Deficiência auditiva; • Deficiência Intelectual; O mundo sempre esteve fechado para mudanças, em relação a essas pessoas, porém, a partir de 1981, a ONU (Organização das Nações Unidas) criou um decreto tornando tal ano como o Ano Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiências (AIPPD), época em que passou-se a perceber que as pessoas portadoras de alguma necessidade especial eram também merecedoras dos mesmos direitos que os outros cidadãos. As diferenças se fazem iguais quando essas pessoas são colocadas em um grupo que as aceite, pois nos acrescentam valores morais e de respeito ao próximo, com todos tendo os mesmos direitos e recebendo as mesmas oportunidades diante da vida. 3.1 - Deficiência Intelectual: A D.I. (deficiência intelectual) já foi tida com várias outras nomeações como retardo mental, excepcional, retardado, deficiente, entre outros. Nos dias atuais a maior dúvida para classificar essa deficiência encontra-se entre deficiência mental (D.M.) e deficiência intelectual (D.I.). Ao longo dos anos, a Deficiência Intelectual (DI) passou por diversas definições e terminologias para caracterizá-la, tais como: Oligofrenia, Retardo 18 mental, Atraso mental, Deficiência mental, etc. Segundo o conceito da Associação Americana de Deficiência Mental (AAMR) (1992): “Deficiência Intelectual ou deficiência mental (DM - como não é mais chamado) é o estado de redução notável do funcionamento intelectual, significativamente abaixo da média, oriundo no período de desenvolvimento (antes dos 18 anos), e associado às limitações de pelo menos dois aspectos do funcionamento adaptativo ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente as demandas da sociedade em comunicação, cuidados pessoais, competências domésticas, habilidades sociais, utilização dos recursos comunitários, autonomia, saúde e segurança, aptidões escolares, lazer e trabalho.” Nos dias atuais a maior dúvida para classificar essa deficiência encontra- se entre deficiência mental (D.M.) e deficiência intelectual (D.I.). Mas através de modificações de documentos (Declaração de Salamanca) e nomes de associações influentes (American Association of Mental Retardation (AAMR) para American Association on Intellectual and Developmental Disabilities (AAIDD), percebe-se que hoje o termo correto a ser utilizado é “pessoa com deficiência”, para qualquer deficiência, e no caso da deficiência cognitiva o termo correto a ser utilizado é “pessoa com deficiência intelectual”. A deficiência intelectual não é considerada uma doença ou um transtorno psiquiátrico, e sim um ou mais fatores que causam prejuízo das funções cognitivas que acompanham o desenvolvimento diferente do cérebro. (HONORA & FRIZANCO, 2008, p. 103) D.I. é uma das deficiências mais encontrada em crianças e adolescentes, atingindo 1% da população jovem (VANCONCELOS, 2004). Caracterizada pela redução no desenvolvimento cognitivo, ou seja, no QI, normalmente abaixo do esperado para a idade cronológica da criança ou adulto, acarretando muitas vezes um desenvolvimento mais lento na fala, no desenvolvimento neuropsicomotor e em outras habilidades. De acordo com Carvalho, 2003. O diagnóstico de deficiência mental está a cargo de médicos e psicólogos clínicos, realizando-se em consultórios, hospitais, centros de reabilitação e clínicas. Equipes interdisciplinares de instituições educacionais também o realizam. De um modo geral, a demanda atende propósitos educacionais, ocupacionais, profissionais e de intervenção. 19 Seu diagnóstico necessita do envolvimento de grupos de fatores biomédicos, etiológicos, comportamentais, sociais e educacionais. As causas da D.I. são desconhecidas de 30 a 50% dos casos. Estas podem ser genéticas, congênitas ou adquiridas. Dentre as quais as mais conhecidas são: Síndrome de Down, Síndrome alcoólica fetal, Intoxicação por chumbo, Síndromes neurocutâneas, Síndrome de Rett, Síndrome do X-frágil, Malformações cerebrais e Desnutrição proteico-calórica. As principais características são, segundo Rodrigues, 2010: Falta de concentração. Entraves na comunicação e na interação. Menor capacidade para entender a lógica de funcionamento das línguas, por não compreender a representação escrita ou necessitar de um sistema de aprendizado diferente. De acordo com a Cartilha das Pessoas com Deficiências (PREFEITURA DE CAXIAS DO SUL, 2010), podemos dividir os sinais apresentados pelas pessoas com deficiência intelectual em quatro áreas: Área motora: Se a deficiência intelectual for leve, o aluno apresentará apenas algumas alterações na motricidade fina; já em casos mais graves, pode apresentar dificuldades no equilíbrio, coordenação, locomoção e em manipular objetos. Área cognitiva: O aluno possui mais dificuldades para se concentrar, para memorizar e para solucionar problemas. O processo de aprendizagem será mais lento que os colegas sem deficiências, mas pode atingir os mesmos objetivos escolares. Área da comunicação: Apresenta dificuldades para falar e ser compreendido, mas este fator pode ocorrer por falta de estímulos ambientais. Área socioeducacional: A diferença entre idade mental e cronológica faz com que a capacidade de interagir socialmente diminua. Esse fato piora quando o aluno é colocado em turmas com igual idade mental, mas é por meio da interação com pessoas com idade cronológica 20 igual que se desenvolverá mais, adquirindo valores, comportamentos e atitudes de seu grupo. Conforme o autor (ALMEIDA, 2010), a deficiência intelectual ou atraso cognitivo diagnostica-se, observando duas coisas: Funcionamento cognitivo ou intelectual: Capacidade do cérebro da pessoa para aprender, pensar, resolver problemas, encontrar um sentido no mundo. Funcionamento ou comportamento adaptativo: Competência necessária para viver com autonomia e independência na comunidade em que se insere. O respeito está em primeiro lugar e só existe quando há troca de ideias, informações e vontades. Por maior que seja a deficiência, lembre-se da eficiência da pessoa que ali está. Deficiência intelectual não deve ser confundida com doença mental. A inclusão de pessoas com deficiência intelectual é possível desde que a escola se prepare para recebê-las e tenha espaço adequado para elas, possuindo rampas, banheiros e espaço físico adaptado (no caso de cadeirantes). É necessário também ter conhecimentos acerca das possibilidades de aprendizagem que elas possuem, adequando o currículo para as necessidades dos alunos, sem excluir ninguém. Segundo Rodrigues (2010), alunos que apresentam dificuldade de concentração precisam de um espaço organizado, uma rotina, atividades lógicas e regras. Meios de interagir e provocar um interesse na aprendizagem dos portadores de DI usar; jogos de tabuleiro, quebra-cabeça, jogo da memória e imitações de sons ou movimentos do professor ou dos colegas. Também é importante adequar a proposta à idade e, principalmente, aos assuntos trabalhados em classe. Conforme o autor (RODRIGUES, 2010) “a tarefa deve começar tão fácil quanto seja necessário para que ele perceba que consegue executá-la, mas sempre com algum desafio.” OD.I. necessita sim de apoio pedagógico, de atenção especializada, de adequações curriculares, mas não podemos esquecer que eles possuem 21 capacidades, e o que eles mais necessitam além das intervenções, é que, nós acreditemos neles. Merecem um olhar individualizado levando-se em consideração suas limitações, suas necessidades, mas não somente o que ainda não consegue realizar com autonomia, mas levar em consideração a bagagem que essas crianças possuem e o que já possuem de autonomia para realizar sozinhas. 22 4 - Processo de inclusão e aprendizagem DI: Todo o indivíduo tem direito a ser incluído na escola e na sociedade, pois na atualidade as diferenças são bem mais aceitas do que no início da história da humanidade, onde ter um deficiente na família era vergonhoso e até mesmo considerado um castigo divino. Hoje incluir é acima de tudo aceitar. A inclusão depende de mudança de valores sociais e a vivência de um novo paradigma, levando em conta as diferenças. Bueno (1999) acrescenta que devemos pensar que para a inclusão se dar realmente, não basta apenas estar garantido na legislação, mas requer profundas modificações, gradativas, planejadas e contínuas para garantir uma educação de qualidade. Tarefa esta que exige da escola uma reorganização e reestruturação, metodologias e recursos pedagógicos adequados e, o principal, conscientizar e capacitar os profissionais a esse novo desafio. Segundo o autor Stainback (1999), consideram que cabe ao professor fazer a si mesmo questões sobre a capacidade dos alunos de participar de todas as atividades propostas da mesma forma dos demais, realizar as necessárias adequações e modificações, a fim de garantir a plena participação de todos e alcance dos objetivos. O trabalho docente deve sempre estar permeado por um processo de reflexão-ação-reflexão, tarefa cada vez mais exigente, pois o professor precisa preparar sua aula e refletir sobre ela, ter claro os objetivos que quer alcançar com as atividades. Realidade às vezes adversa nas escolas, pois infelizmente convive-se com educadores que não preparam atividades, apenas seguem um livro didático e não refletem sobre o que realmente querem alcançar com aquele conteúdo. Para incluir é preciso em primeiro lugar aceitar, amar e buscar desenvolver aquele aluno, respeitando suas limitações, mas sempre buscando integrá-lo. Tarefa que exige do educador um esforço extra, pois ele tem na maioria das vezes uma sala superlotada e deve trabalhar com todos de forma harmônica e eficaz, buscando a construção do conhecimento e a participação de forma ativa do processo de aprender a apreender. A educação inclusiva tem o objetivo de melhorar as condições de ensino e aprendizagem para que todos participem e consigam uma educação de 23 qualidade, onde a totalidade dos alunos seja atendida independente de suas capacidades. A escola exerce papel potencializador para o desenvolvimento, pois ela é um rico espaço interativo, mediado por diferenças, um local de interação social, onde as trocas de conhecimentos podem muitas vezes estimular o desenvolvimento do aluno especial; O aluno com deficiência intelectual tem dificuldade em construir seus conhecimentos, demonstrar suas capacidades cognitivas, principalmente se a escola possui metodologias conservadoras. Por isso, na realidade que se apresenta, a escola deve ser diferenciada para todos, isto é, se adequar as possibilidades e limitações de cada aluno, os auxiliando no processo de construção do conhecimento. O professor não necessita preparar uma aula diferenciada para aquele aluno, mas sim, diversificar atividades para atingir a todos, independentemente de suas possibilidades intelectuais. Conforme Padilha (2001, p. 135) salienta que “vencer as barreiras de sua deficiência, expandir possibilidades, diminuir limites, encontrar saídas para estar no mundo” devem ser metas no trabalho com o deficiente intelectual, pois ele dever ser educado visando sua emancipação. O portador de deficiência intelectual possui inúmeros fatores que prejudicam seu processo ensino-aprendizagem, estes vão desde a aceitação, até a dificuldade para realizar tarefas que para os demais são fáceis, a dificuldade de articular o pensamento e ação, a lentidão para realizar tarefas, a necessidade do apoio visual, a incapacidade de permanecer muito tempo na mesma atividade e, talvez, o mais agravante a baixa autoestima. Então, para o deficiente intelectual ter sucesso em seu processo ensino- aprendizagem ele deve ser estimulado, amado, aceito, tratado com igualdade, tendo o professor como mediador de suas aprendizagens, pois apesar de levar mais tempo para aprender é capaz de adquirir habilidades intelectuais e sociais. Portanto, a escola deve estar preparada para receber este aluno, estimulá-lo, buscando desenvolver suas inúmeras competências e habilidades. A inclusão enfrenta barreiras e tem um longo caminho a percorrer, mas o importante é que a escola seja um local onde as diferenças enriqueçam o trabalho, onde os limites e possibilidades de cada um sejam respeitados e valorizados. 24 5 - Acesso à tecnologia assistiva como um alicerce para inclusão: O atendimento educacional especializado (AEE) é um serviço da educação especial que identifica, elabora, e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade, que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas" (SEESP/MEC, 2008). De acordo com a definição proposta pelo Comitê de Ajudas Técnicas (CAT), tecnologia assistiva "é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. (CAT, 2007) Consideram-se ajudas técnicas, para efeitos deste decreto, os elementos que permitem compensar uma ou mais limitações funcionais motoras, sensoriais ou mentais da pessoa portadora de deficiência, com o objetivo de permitir-lhe superar as barreiras da comunicação e da mobilidade e de possibilitar sua plena inclusão social.(Brasil,1999) A tecnologia assistiva é um recurso ou uma estratégia utilizada para ampliar ou possibilitar a execução de uma atividade necessária e pretendida por uma pessoa com deficiência. Na perspectiva da educação inclusiva, a tecnologia assistida é voltada a favorecer a participação do aluno com deficiência nas diversas atividades do cotidiano escolar, vinculadas aos objetivos educacionais comuns. São exemplos de tecnologia assistida na escola os materiais escolares e pedagógicos acessíveis, a comunicação alternativa, os recursos de acessibilidade ao computador, os recursos para mobilidade, localização, a sinalização, o mobiliário que atenda às necessidades posturais, entre outros. No atendimento educacional especializado, o professor fará, junto com o aluno, a identificação das barreiras que ele enfrenta no contexto educacional comum e que o impedem ou o limitam de participar dos desafios de aprendizagem na escola. Identificando esses "problemas" e também25 identificando as "habilidades do aluno", o professor pesquisará e implementará recursos ou estratégias que o auxiliarão, promovendo ou ampliando suas possibilidades de participação e atuação nas atividades, nas relações, na comunicação e nos espaços da escola. A tecnologia assistiva encontra sentido quando segue com o aluno, no contexto escolar comum, apoiando a sua escolarização. Portanto, o trabalho na sala se destina a avaliar a melhor alternativa de tecnologia assistiva, produzir material para o aluno e encaminhar estes recursos e materiais produzidos, para que eles sirvam ao aluno na escola comum, junto com a família e nos demais espaços que frequenta. São focos importantes do trabalho de tecnologia assistida na perspectiva da educação inclusiva: A tecnologia assistiva numa proposição de educação para autonomia, A tecnologia assistiva como conhecimento aplicado para resolução de problemas funcionais enfrentados pelos alunos, e A tecnologia assistiva promovendo a ruptura de barreiras que impedem ou limitam a participação destes alunos nos desafios educacionais. As Tecnologias Assistivas são classificadas de acordo com os objetivos funcionais para as quais se destinam. Várias são estas classificações dependendo para o fim a que se destina. A classificação descrita em 1998 por José Tonolli e Rita Bersch foi criada a partir de outras classificações utilizadas em bancos de dados de TA e também a partir da formação dos autores no Programa de Certificação em Aplicações da Tecnologia Assistiva. Esta classificação tem uma finalidade didática e em cada tópico considera a existência de recursos e serviços. 1- Auxílios para a vida diária e vida prática - Materiais e produtos que favorecem desempenho autônomo e independente em tarefas rotineiras ou facilitam o cuidado de pessoas em situação de 26 dependência de auxílio, nas atividades como alimentar-se, cozinhar, vestir-se, tomar banho e executar necessidades pessoais. Exemplos: suportes para utensílios domésticos, roupas desenhadas para facilitar o vestir e despir, abotoadores, velcro, recursos para transferência, barras de apoio, etc. 2- CAA - Comunicação Aumentativa e Alternativa - Destinada a atender pessoas sem fala ou escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade em falar e/ou escrever. Exemplos: pranchas de comunicação, softwares que facilitam a comunicação, etc. 3- Recursos de acessibilidade ao computador - Conjunto de hardware e software especialmente idealizado para tornar o computador acessível a pessoas com privações sensoriais (visuais e auditivas), intelectuais e motoras. Exemplos: teclados virtuais com varredura, mouses especiais e acionadores diversos, software de reconhecimento de voz, dispositivos apontadores que valorizam movimento de cabeça, movimento de olhos, ondas cerebrais (pensamento), órteses e ponteiras para digitação, entre outros. 4- Sistemas de controle de ambiente - Através de um controle remoto as pessoas com limitações motoras, podem ligar, desligar e ajustar aparelhos eletroeletrônicos como a luz, o som, televisores, ventiladores, executar a abertura e fechamento de portas e janelas, receber e fazer chamadas telefônicas, acionar sistemas de segurança, entre outros, localizados em seu quarto, sala, escritório, casa e arredores. Exemplo: controle remoto acionado por qualquer parte do corpo. 5- Projetos arquitetônicos para acessibilidade - Projetos de edificação e urbanismo que garantem acesso, funcionalidade e mobilidade a todas as pessoas, independentemente de sua condição física e sensorial. Exemplos: rampas, elevadores, adaptações em banheiros entre outras. 6- Órteses e próteses - são peças artificiais que substituem partes ausentes do corpo. Órteses são colocadas junto a um segmento corpo, garantindo-lhe um melhor posicionamento, estabilização e/ou função. 27 Auxiliam na mobilidade de funções manuais, correção postural entre outras. 7- Adequação Postural - Um projeto de adequação postural diz respeito à seleção de recursos que garantam posturas alinhadas, estáveis, confortáveis e com boa distribuição do peso corporal. Exemplos: cadeiras adaptadas, estabilizadores ortostáticos, almofadas no leito, etc. 8- Auxílios de mobilidade - A mobilidade pode ser auxiliada por bengalas, muletas, andadores, carrinhos, cadeiras de rodas manuais ou elétricas, scooters e qualquer outro veículo, equipamento ou estratégia utilizada na melhoria da mobilidade pessoal. 9- Auxílios para qualificação da habilidade visual e recursos que ampliam a informação a pessoas com baixa visão ou cegas. São exemplos: Auxílios ópticos, lentes, lupas manuais e lupas eletrônicas; os softwares ampliadores de tela. Material gráfico com texturas e relevos, mapas e gráficos táteis, software OCR em celulares para identificação de texto informativo, etc. 10- Auxílios para pessoas com surdez ou com déficit auditivo - Auxílios que incluem vários equipamentos (infravermelho, FM), aparelhos para surdez, telefones com teclado-teletipo (TTY), sistemas com alerta táctil-visual, celular com mensagens escritas e chamadas por vibração, software que favorece a comunicação ao telefone celular transformando em voz o texto digitado no celular e em texto a mensagem falada. Livros, textos e dicionários digitais em língua de sinais. Sistema de legendas (closecaption/subtitles). 11- Mobilidade em veículos - Acessórios que possibilitam uma pessoa com deficiência física dirigir um automóvel, facilitadores de embarque e desembarque como elevadores para cadeiras de rodas (utilizados nos carros particulares ou de transporte coletivo), rampas para cadeiras de rodas, serviços de autoescola para pessoas com deficiência. 12- Esporte e Lazer - Recursos que favorecem a prática de esporte e participação em atividades de lazer. 28 Tecnologia Assistiva se estiver suprindo a necessidade de uma pessoa em decorrência de sua deficiência. Uma Tecnologia Assistiva pode ser considerada no âmbito educacional segundo Bersch: Quando ela é utilizada por um aluno com deficiência e tem por objetivo romper barreiras sensoriais, motoras ou cognitivas que limitam/impedem seu acesso às informações ou limitam/impedem o registro e expressão sobre os conhecimentos adquiridos por ele; quando favorecem seu acesso e participação ativa e autônoma em projetos pedagógicos; quando possibilitam a manipulação de objetos de estudos; quando percebemos que sem este recurso tecnológico a participação ativa do aluno no desafio de aprendizagem seria restrito ou inexistente. (BERSCH, 2013, p.12) As Tecnologias Assistivas foram inseridas nas escolas por meio das Salas de Recursos Multifuncionais (BRASIL, 2008) que foram implementadas com políticas públicas nos últimos anos. Porém, estas salas nem sempre são vistas como algo do domínio do professor e ainda temos como uma enorme barreira para a inclusão efetiva, o despreparo da comunidade escolar para lidar com o assunto. A utilização das salas de recursos o de Tecnologia Assistiva, pode gerar alguma repulsa por parte de quem a utiliza ou até mesmo dos professores, por acharem desnecessária. Deve-se ter cuidado ao fazer a utilização da mesma, pois lembramos 17 que o objetivo principal destes serviços e instrumentos são incluir, proporcionar autonomia, tornar acessível.O autor (Passerino, 2010) salienta a respeito de gerar preconceito e diferenciar. Isto deve ser levado e conta já que será utilizado algo diferente para tornar “igual”: Toda tecnologia deve ser utilizada com objetivo de promover a inclusão e não para gerar preconceito e diferenciação e fundamentalmente; toda tecnologia é provisória seja por motivos técnicos (novas gerações de tecnologias surgem a cada momento), por pessoais ou sociais, uma vez que o processo de desenvolvimento é dinâmico e dialético com o contexto sócio histórico dos indivíduos em interação. (PASSERINO,2010, p.10) Assim, a Tecnologia Assistiva torna-se um aliado do professor em promover processos de aprendizagem, possibilitando a inclusão e autonomia 29 àquele que a utiliza. Com isso os professores devem ser receptivos a novas experiências e também ao uso dessas novas tecnologias em sala de aula. Visando sempre o bem estar do aluno e tendo o cuidado de não enfatizar que o mesmo é deficiente por fazer uso de um instrumento diferente na sala. 30 6 – Considerações Finais: O presente estudo teve como objetivo compreender a deficiência intelectual, construindo caminhos para inclusão. Mudanças foram feitas a partir do momento em que se entende que um aluno com deficiência também é um ser que pode aprender e ensinar. Só é possível aprender a estar na escola, estando em uma. Porém se encontrou muita resistência de professores e familiares nesta implementação da proposta de inclusão educacional. Esta resistência por parte dos professores vem da alegação de que nos cursos de formação não recebemos suporte suficiente para lidar com tal situação. Conforme o autor Carvalho(2005), “trabalhar com o novo, com o diferente nos possibilita novas experiências.” E como educadora acredito ser fundamental essa diversidade em sala de aula. Nenhum aluno é igual ao outro. Quando se fala a palavra inclusão, logo vem em mente alunos com deficiência. Mas estes, mesmo sendo protagonistas não são os únicos. Há também alunos com altas habilidades/superdotação, alunos afrodescendentes, alunos com dificuldade de aprendizagem, alunos em vulnerabilidade social, entre outros. Estes alunos muitas vezes passam despercebidos aos olhos dos educadores e não se encontra resistência em tê-los na sala de aula, ainda que incluídos fisicamente na turma, porém desconectados. Novamente me baseio nas palavras do autor Carvalho: As escolas inclusivas são escolas para todos, implicando num sistema educacional que reconheça e atenda às diferenças individuais, respeitando as necessidades de qualquer dos alunos. Sob essa ótica, não apenas portadores de deficiência seriam ajudados e sim todos os alunos que por inúmeras causas, endógenas e exógenas, temporárias ou permanentes, apresentam dificuldades de aprendizagem ou no desenvolvimento. (CARVALHO ,2005, pg.29) Quando se trata de educação inclusiva não se espera que o professor seja um especialista numa determinada deficiência, mas sim especialista em aprendizes em geral. Com um olhar mais amplo, aguçado e enxergar seu aluno para além de suas características, e deficiências. 31 Usar a tecnologia assistiva não é apenas inserir um novo instrumento na rotina da criança. Isto é um processo de inclusão, um novo caminho a ser seguido, uma estratégia para desenvolver habilidades. A inclusão será promovida através deste cuidado, deste olhar amplo sobre o que é incluir. Esta promoção de inclusão ocorre em parceria, por isto a família, a comunidade escolar e o atendimento médico devem estar aliados, um complementando o outro. Desejar uma sociedade acessível a todos, e se empenhar pela sua construção dia após dia, traçando caminhos, estudando caso a caso conforme cada especialidade, visando sempre que não haja o impedimento de acesso das pessoas com deficiência aos serviços atualmente oferecidos pela sociedade, mas pelo contrário, mantendo o olhar no ideal, mas os pés na realidade de cada sujeito envolvido no processo de inclusão. Vale ressaltar que a inclusão envolve mudanças em todas as pessoas e é um trabalho longo, mas de visíveis resultados, e desafiador tanto para o portador de especialidade como para os envolvidos no processo. Igualdade de oportunidades é um desejo de muitas pessoas para um futuro, que esperamos, seja breve. 32 Referências Bibliográficas: BERSCH, R. Introdução à tecnologia assistiva. CEDI – Centro Especializado em Desenvolvimento Infantil. Porto Alegre: 20013. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Brasil. 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