Prévia do material em texto
1 F128 - Exercícios Resolvidos - Cap. 10B Exercício 1 A figura mostra um disco uniforme que pode girar em torno do centro, como um carrossel. O disco tem um raio de 2, 0cm e uma massa de 20, 0 gramas e está inicialmente em repouso. A partir do instante t = 0, duas forças devem ser aplicadas tangencialmente à borda do disco para que, no instante t = 1, 25s, o disco tenha uma velocidade angular de 250rad/s no sentido anti-horário. A força F1 tem módulo de 0, 1N . Qual é o módulo de F2? Vamos escolher o sentido de rotação horário como sendo positivo. Isto implica que o eixo de rotação associado a uma rotação positiva está entrando no plano, de acordo com a regra da mão direita. Como o disco roda no sentido anti-horário sua velocidade angular é negativa. Como a aceleração é constante podemos escrever: ωf = ω0 + αt −250 = 0 + α (1, 25) α = −200rad/s2 O torque que causa esta aceleração é o torque resultante: τR = τ1 + τ2 Onde τ1 é causado pela força F1 e τ2 pela força F2. Como as forças são tangentes à periferia do disco, cada uma delas está em uma direção perpendicular à do vetor que sai do eixo de rotação e vai até o ponto em que a força é aplicada. Desta forma, para a força F1 que ajuda o disco a rodar no sentido horário temos: F1 = RF1sen90o = RF1 Positivo, pois o produto vetorial ( ~R× ~F1 ) obedece a regra da mão direita e o vetor torque resultante estaria entrando no plano (isso é o mesmo que dizer que a força F1 faz o disco rodar no sentido horário). O torque causado pela força F2 sai do plano, logo: c©2015 Douglas D. Souza. Para aulas na Unicamp: delgadosouza@gmail.com. Conheça a iniciativa www.daumhelp.com 2 τ2 = −RF2 E temos: τR = RF1 −RF2 Como queremos relacionar torques com a rotação do disco devemo usar a segunda lei de Newton para rotações: τR = Iα Precisamos, portanto, calcular o momento de inércia de um disco uniforme de raio R e massa m. O momento de inércia de um disco é calculado facilmente quando decompomos o disco em diversos anéis concêntricos (como uma fatia de cebola). Cada pequeno elemento de massa de cada anel está à mesma distância do eixo de rotação. Se cada anel tem massa total dm, o momento de inécia de cada anel é dado por: dI = r2dm Cada anel é tão fino que pode ser "cortado e esticado" sem que a sua área sofra alterações. A área dessa fita será dada por: dA = (2pir) dr E a massa de cada anel está relacionada com a sua área através de: dm = σdA = ( m piR2 ) (2pirdr) = 2m R2 rdr Onde σ é a densidade superficial de massa do disco. Queremos agora somar o momento de inércia de cada anel fino: I = ˆ R 0 dI = ˆ R 0 r2 2m R2 rdr = 2m R2 ˆ R 0 r3dr = 2m R2 R4 4 = mR 2 2 Numericamente temos I = 4× 10−6kgm2. c©2015 Douglas D. Souza. Para aulas na Unicamp: delgadosouza@gmail.com. Conheça a iniciativa www.daumhelp.com 3 Para que um disco com momento de inércia I = 4 × 10−6kgm2 desenvolva uma aceleração angular α = −200rad/s2, o torque aplicado deve ser: τR = Iα = −8× 10−4Nm E assim obtemos a força F2: τR = RF1 −RF2 −8× 10−4 = 0, 002− 0, 02F2 F2 = 0, 14N Exercício 2 Um disco uniforme de massa M = 2, 5kg e raio R = 0, 20m é montado sobre um eixo horizontal fixo, sem atrito. Uma corda de massa desprezível enrolada na borda do disco suporta um bloco de massa 1, 2kg. Supondo que o disco partiu do repouso, calcule: a) a aceleração linear do bloco em queda; Vamos escrever a segunda lei de Newton para o bloco e para o disco. Como o bloco desce vamos escolher o eixo para baixo: mg − T = ma (1) Escolhendo como positivo o sentido em que o disco gira temos: τ = TR = Iα (2) c©2015 Douglas D. Souza. Para aulas na Unicamp: delgadosouza@gmail.com. Conheça a iniciativa www.daumhelp.com 4 A aceleração do bloco é a mesmo da corda, que por sua vez é a mesma da periferia do disco, logo a = αR. Podemos escrever a (2) como: T = I R2 a (3) Somando a (1) com a (3) obtemos: mg = ma+ I R2 a = ( m+ I R2 ) a a = ( mR2 mR2 + I ) g = 2m2m+Mg ≈ 4, 9m/s 2 Onde usamos que o momento de inércia de um disco uniforme em torno do seu centro de massa é dado por I = MR22 . b) a tração na corda; Pela (3) temos: T = M2 a = m 2m+MMg = 6, 1N c) aceleração angular do disco; Temos: α = a R = 2m2m+M g R = 24, 5rad/s2 d) o trabalho realizado pelo torque aplicado ao disco em 2, 0s; O torque aplicado sobre o disco é constante e é dado por1: τ = TR ≈ 1, 224N.m Dentro de 2s o disco gira uma quantidade: ∆θ = α2 t 2 ≈ 49rad E o trabalho realizado pelo torque é dado por: W = ˆ ∆θ 0 τdθ = τ∆θ ≈ 60J e) o aumento da energia cinética de rotação do disco. 1Note que energia e torque possuem a mesma dimensão. Entretanto para distingui-los no resultado usamos N.m para a unidade de torque e J (Joule) para a unidade de energia. c©2015 Douglas D. Souza. Para aulas na Unicamp: delgadosouza@gmail.com. Conheça a iniciativa www.daumhelp.com 5 Pelo teorema do trabalho-energia cinética, todo o trabalho realizado pelo torque sobre o disco converteu-se em energia cinética, assim: ∆K = W ≈ 60J Exercício 3 Uma chaminé alta, de forma cilíndrica, cai se houver uma ruptura na sua base. Tratando a chaminé como um bastão fino de altura h, e usando θ como sendo o ângulo que a chaminé ela faz com a vertical num instante qualquer, expresse, em função deste ângulo: a) a velocidade angular da chaminé; Podemos resolver o exercício escrevendo o torque como função de θ′, obtendo a aceleração angular e a seguir integrando esta aceleração no tempo até um ângulo θ qualquer. Nesta resolução usaremos conservação de energia, o que torna o problema muito mais simples. Sabemos que a energia mecânica total é conservada, assim temos: ∆E = 0 ∆K + ∆Ug = 0 ∆K = −∆Ug (4) A variação da energia potencial gravitacional da chaminé pode ser obtida através do desloca- mento vertical do seu centro de massa: ∆Ug = mg h 2 cos θ −mg h 2 = mg h 2 (cos θ − 1) Queremos encontrar a velocidade angular da chaminé. Ao se inclinar de um ângulo θ a chaminé tem uma variação de energia cinética dada por: ∆K = I2 [ω (θ)] 2 O momento de inércia da chaminé é o momento de inércia de uma barra que gira ao redor de uma de suas extremidades e já foi calculado no exercício 3 da aula 10A, I = mh23 . Temos assim, pela (4): 1 2 ( mh2 3 ) ω2 = −mgh2 (cos θ − 1) ω (θ) = √ 3g h (1− cos θ) c©2015 Douglas D. Souza. Para aulas na Unicamp: delgadosouza@gmail.com. Conheça a iniciativa www.daumhelp.com 6 b) a aceleração radial do topo da chaminé; A aceleração radial no topo da chaminé é aquela necessária para que o movimento seja circular, ou seja é a aceleração centrípeta: aN = v2 h = ω2h = 3g (1− cos θ) c) a aceleração tangencial do topo; A partir da velocidade angular obtemos a aceleração angular e dela obtemos a aceleração tangencial em qualquer ponto. Para isso fazemos a derivada temporal: α = dω (θ)dt Mas θ = θ (t) é uma função do tempo, ou seja, estamos derivando uma função composta em relação ao argumento mais interno. Para isso usamos a regra dacadeia: α = dω (θ (t))dt = dω (θ) dθ dθ (t) dt = dω (θ) dθ ω (t) Funcionalmente ω (t) e ω (θ) são diferentes, mas uma vez que estejamos falando de um dado θ que ocorre em um tempo t específico, o valor numérico deve ser o mesmo e apenas trocamos ω (t)→ ω (θ): α (θ) = dω (θ)dθ ω (θ) = √ 3g h 1 2 (−1) (−senθ)√ 1− cos θ √ 3g h (1− cos θ) α (θ) = 3g2hsenθ Ou seja, no topo temos: aT (θ) = α (θ)h = 3g 2 senθ d) em que ângulo a aceleração tangencial é igual a g? Queremos encontrar um θ′ para o qual aT (θ′) = g: 3g 2 senθ ′ = g senθ′ = 23 → θ ′ ≈ 41, 8o c©2015 Douglas D. Souza. Para aulas na Unicamp: delgadosouza@gmail.com. Conheça ainiciativa www.daumhelp.com 7 Exercício 4 Na figura, dois blocos estão ligados por uma corda de massa desprezível que passa por uma polia de 2, 4cm de raio e momento de inércia de 7, 4× 10−4kgm2. A corda não escorrega na polia; não se sabe se existe atrito entre a mesa e o bloco que escorrega; não há atrito no eixo da polia. Quando este sistema é liberado a partir do repouso, a polia gira 1, 3rad em 91ms e a aceleração dos blocos é constante. Considere a massa do bloco m2 = 6, 2kg e determine: a) o módulo da aceleração angular da polia; Usando a expressão análoga ao caso linear temos: θ = θ0 + ω0t+ α 2 t 2 ∆θ = α2 t 2 α = 2∆θ t2 = 2× 1, 3rad (91× 10−3s)2 ≈ 314rad/s 2 b) o módulo da aceleração de cada bloco; Como a corda não escorrega na polia a aceleração na periferia da polia é a aceleração da corda: a = αR ≈ 7, 54m/s2 Esta também é a aceleração de cada bloco. c) as tensões T1 e T2. O sistema é um misto de rotação e deslizamento. Como queremos calcular as trações (forças) e conhecemos as acelerações envolvidas podemos usar a segunda lei de Newton e a segunda lei de Newton para rotação. Não sabemos se existe atrito ou não. Por esta razão escrevemos a força de atrito, mas ela pode ser nula. Ao final notaremos que não nos importa o que ocorre com o bloco 1, todas as informações necessárias para o cálculo das trações, acelerações, etc já foram dados no enunciado. De fato, a partir destes dados podemos calcular se há atrito ou não e qual o valor desta força a partir da primeira equação que escreveremos abaixo. Para o bloco sobre a mesa temos: c©2015 Douglas D. Souza. Para aulas na Unicamp: delgadosouza@gmail.com. Conheça a iniciativa www.daumhelp.com 8 −Fat + T1 = m1a (5) Para o disco, adotando como positivo o sentido horário, a segunda lei de Newton fica: τ1 + τ2 = Iα −T1R + T2R = Iα (6) É necessário notar que quando a polia tem massa as trações de cada lado são diferentes. É como se um pouco da força transmitida pela corda fosse "gasta" para girar a polia. Para o bloco 2 pendurado temos: −T2 +mg = m2a (7) Onde escolhemos o eixo para baixo pois o bloco desce. Diretamente da equação (7) obtemos: T2 = m2 (g − a) ≈ 15, 3N Da equação (6), e lembrando que a = αR, escrevemos: T1 = T2 − I R2 a Note que o segundo termo é a força necessária para fazer a polia girar. Tudo se passa como se a polia fosse um objeto de massa I R2 movendo-se com aceleração a. Obtemos por fim: T1 = 5, 57N c©2015 Douglas D. Souza. Para aulas na Unicamp: delgadosouza@gmail.com. Conheça a iniciativa www.daumhelp.com