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Enfermagem Cirúrgica
Assistência de Enfermagem na Cirurgia Gastrointestinal
Enfª MIRIAN DE SOUZA RIBEIRO
Trato Gastrointestinal
É um trajeto com 6,9 a 7,8 metros de comprimento que se estende desde a boca, passando pelo esôfago, estômago, intestinos delgado e grosso e reto, até a estrutura terminal, o ânus
A Cirurgia gastrintestinal é a parte do processo terapêutico em que o cirurgião realiza uma intervenção manual ou instrumental no estômago e/ou no intestino uma vez que gastrintestinal é relativo a estômago e ao intestino. 
As principais cirurgias são:
Gastrectomias;
Ostomia;
Hernioplastias;
Apendicectomias e 
Hemorroidectomia
Cirurgia Gastrointestinal
Geralmente pacientes em período pós cirurgia gastrintestinal precisam de assistência em UTI devido às múltiplas complicações potenciais que possam ocorrer pela complexidade da cirurgia e dos fatores de risco inerentes ao paciente 
Algumas complicações imediatas são:
 Distensão abdominal;
 Obstrução intestinal;
 Hemorragias e outras. 
Cirurgia Gastrointestinal
Principais Cirurgias do Sistema Gastrintestinal
Gastrectomia
	Consiste na retirada total ou parcial do estômago resultando em conseqüências nutricionais, agudas ou crônicas, perfeitamente prognosticáveis, mas nem sempre ponderadas na terapia pós-operatória. O objetivo é rever as participações mecânicas e químicas do estômago no aproveitamento do nutriente dietético, e as conseqüências nutricionais da gastrectomia.
	
Principais Cirurgias do Sistema Gastrintestinal
Gastrectomia
	A deficiência energética, com conseqüente perda de peso, acompanha inversamente o volume gástrico remanescente e o tempo pós-operatório; tem a anorexia e diarréia (má absorção) como principais causas, sendo a primeira decorrente de fatores emocionais ou de mediadores químicos de ação hipotalâmica. 
	A diarréia pode ser decorrente da maior motilidade ou do supercrescimento bacteriano intestinal, com o agravante da insuficiência pancreática exócrina e maior esvaziamento da vesícula biliar.
Principais Cirurgias do Sistema Gastrintestinal
Gastrectomia
	As contraindicações mais comuns são: 
Função cardiopulmonar comprometida;
Desnutrição severa;
Invasão pelo tumor de grandes vasos sangüíneos;
Doença metastática à distância.
Gastrectomia
Procedimento
	A via de acesso ao estômago pode ser feita através de videolaparoscopia (cirurgia realizada através de pequenos orifícios com o auxílio de uma câmera de vídeo e instrumentos especiais) ou cirurgia aberta. Esse procedimento dura em média de 3 a 4 horas.
Recuperação pós-operatória:
 No período pós-operatório imediato o paciente deve ficar na sala de recuperação anestésica, quando bem acordado retorna para o quarto. 
 Após uma gastrectomia subtotal, a dieta é iniciada por boca no 3º dia após a cirurgia, se o intestino estiver funcionando. 
 No caso de uma gastrectomia total, entre o 7º e 10º dia. 
 Se uma sonda nasoenteral tiver sido introduzida, a alimentação pela sonda é iniciada no 2º dia após a cirurgia
 Inicialmente o paciente começa ingerindo alimentos líquidos, progredindo para alimentos pastosos e sólidos. 
 Antes do início da dieta é realizado um exame onde o paciente ingere um contraste para verificação de possíveis vazamentos
Gastrectomia
Tempo médio de internação:
 O tempo médio de internação varia de 5 a 7dias nos casos de gastrectomia subtotal e de 7 a 10 dias nos casos de gastrectomia total.
Complicações mais freqüentes: 
 Clínicas (trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar);
 Cirúrgicas (sangramento, pancreatite aguda / fístula pancreática, vazamento na anastomose gastrojejunal (emenda feita entre o estômago e o jejuno), vazamento do coto duodenal (o duodeno é fechado na sua parte proximal, nesta cirurgia), dumping (esvaziamento gástrico rápido, provocando diarréia).
Gastrectomia
Alterações no estilo de vida:
Devido à perda da capacidade de armazenamento do estômago, a quantidade de alimentos que o paciente é capaz de ingerir não é mais a mesma. 
Geralmente é necessária uma adaptação do hábito alimentar, onde menores porções de comida são ingeridas mais freqüentemente. 
A perda de peso é freqüente. O dumping melhora com o tempo." 
Gastrectomia
Ostomias
 É obtida por meio de uma intervenção cirúrgica que permite criar uma comunicação entre um órgão interno e o exterior com a finalidade de eliminar os dejetos do organismo por impossibilidade de fazê-lo pelas vias normais. 
 A nova abertura que se cria com o exterior através da ostomia chama-se "ostoma", que significa boca. 
 Comumente, se conhece pelo nome de "ânus; contrário a natureza". 
Principais Cirurgias do Sistema Gastrintestinal
Ostomias
As ostomias que afetam o aparelho digestivo chamam-se ostomias digestivas e o conteúdo ou produto eliminado para o exterior são as fezes.
As ostomias urinárias são aquelas que afetam o aparelho urinário e o conteúdo eliminado para o exterior é a urina. 
As ostomias podem ser permanentes ou temporárias. 
Tipos de Ostomias Gastrointestinal
Ileostomia
 A ileostomia é um tipo de ostomia intestinal que faz a comunicação do íleo, que é a parte final e mais larga do intestino delgado, com o exterior.
As ileostomias podem ser também pemanentes ou temporárias, obedecendo ao mesmo critério que as colostomias. 
As ileostomias localizam-se sempre no lado inferior direito do abdômen. 
Ileostomia
Colostomia
A colostomia é um tipo de ostomia intestinal que faz a comunicação do cólon com o exterior.
 Uma colostomia é feita quando a parte inferior do intestino grosso, o reto ou o ânus está impossibilitada de funcionar normalmente ou quando necessita de um período de repouso para as suas funções normais.
Tipos de Ostomias Gastrointestinal
Colostomia
Os ostomizados:
 Os ostomizados são pessoas como qualquer outra. A ostomia serve para solucionar algum tipo de alteração ou problemas oriundos de causas diversas. 
 Os ostomizados utilizam um dispositivo, geralmente uma bolsa, que permite recolher o conteúdo a ser eliminado para o exterior através do ostoma.
 O fato de ser portador de um "ostoma" faz com que os ostomizados tenham que se adaptar a esta nova situação, porém uma vez superada a etapa inicial, podem levar uma vida normal no seu trabalho, junto aos seus amigos, com a família, etc.
Equipamentos usados na ostomia
BOLSAS DE OSTOMIA
OSTOMIA URINÁRIA
CURATIVO
Hernioplastia
Hérnia é, por definição, ruptura; 
Protrusão de um órgão ou parte de um órgão ou de uma estrutura através da parede da cavidade que normalmente o contém. 
As hérnias abdominais caracterizam-se pelo defeito congênito ou adquirido de camadas da parede abdominal que permitem a protrusão de conteúdo intra-abdominal por entre as camadas, podendo gerar abaulamentos na silhueta do abdome.
Principais Cirurgias do Sistema Gastrintestinal
Tipos de Hérnias
As hérnias abdominais são classificadas de acordo com a sua localização e origem. Os tipos mais comuns são as hérnias inguinais, as umbilicais, as epigástricas e as incisionais. 
HÉRNIA INGUINAL
Ocorrem na região da virilha, e correspondem a 75% das hérnias abdominais;
É 25 vezes mais comum em homens do que em mulheres;
São divididas em diretas e indiretas;
Seu tratamento é apenas cirúrgico.
 Hérnia Inguinal Direta
Decorrentes da fraqueza da parede do canal inguinal, e são mais comuns em pessoas mais velhas e que se submetem a um grande esforço abdominal (profissionais, esporte, tosse crônica, constipação, obesidade).
Hérnia Inguinal Indireta
ocorrem devido a uma falha congênita da região inguinal, e por isso são mais comuns em crianças e adultos jovens.
 HÉRNIA UMBILICAL
Causada por um defeito no fechamento da cicatriz umbilical, que pode ser congênito ou adquirido durante a vida. 
Nas crianças, em geral a hérnia umbilical se fecha até os dois anos, mas caso persista até os cinco anos, será necessário o tratamento cirúrgico. 
O exame abdominal revela a presença de abaulamento umbilical, principalmentequando o paciente faz força com o abdome. 
 HÉRNIA EPIGÁSTRICA
As hérnias epigástricas são as que acometem a linha mediana do abdome, tanto acima (mais comum) quanto abaixo da cicatriz umbilical. 
Também se caracterizam por abaulamento da região abdominal.
As hérnias umbilicais e epigástricas apresentam baixo índice de recidiva.
 HÉRNIA INCISIONAIS
As hérnias incisionais ocorrem em locais do abdomen que já foram submetidos a uma incisão cirúrgica, e são resultantes da cicatrização inadequada dessas incisões. 
Este tipo de hérnia tem como característica apresentar altos índices de recidiva e de complicações. 
Os principais fatores que levam ao desenvolvimento de hérnias incisionais são: a infecção da ferida cirúrgica no pós-operatório, a obesidade, o tratamento com corticóides e quimioterapia, complicações respiratórias (tosse) no pós-operatório, má nutrição e idade avançada.
Apendicectomia
 É a remoção cirúrgica de um apêndice inflamado ou infeccionado (apendicite). 
 O apêndice é uma pequena bolsa de tecido intestinal em formato de dedo localizado entre o intestino delgado (ceco) e o intestino grosso (cólon). 
 Se o apêndice estiver infeccionado (apendicite), deve ser removido cirurgicamente, antes que apareça um buraco no apêndice (perfuração) e a infecção se espalhe para o espaço abdominal inteiro (peritonite).
 Os sintomas da apendicite aguda incluem dor abdominal no lado inferior direito, febre (temperatura elevada), diminuição do apetite (anorexia) e náusea, vômitos. 
Principais Cirurgias do Sistema Gastrintestinal
Hemorroidectomia
A doença hemorroidária representa uma das mais conhecidas afecções que afligem o ser humano
 Não há conhecimento médico preciso acerca da origem das hemorróidas 
parecem contribuir para a doença: Idade, necessidade de esforço evacuatório gravidez, herança genética. 
As hemorróidas resultam de um maior ou menor grau de degeneração (ou desgaste) da parede do reto inferior o que leva a um deslocamento dos vasos normais do reto no sentido distal e seu ingurgitamento. Não se conhece as causas exatas para esse processo.
Os sintomas mais frequentes são: Sangramento indolor às evacuações, prolapso, coceira e secreção nas vestes resultantes de mamilos volumosos exteriorizados.
Principais Cirurgias do Sistema Gastrintestinal
Hemorroidectomia
Assistência de Enfermagem no Pré-Operatório
Descrever o motivo e o tipo do procedimento cirúrgico, bem como os cuidados pós-operatórios 
Explicar os fundamentos da respiração profunda e ensinar ao paciente como virar-se tossir, respirar, usar o espirômetro de incentivo e mobilizar a incisão. Essas medidas minimizarão as complicações pós – operatórias
Administrar líquidos IV ou nutrição parenteral total (NPT) antes da cirurgia, conforme determinado para melhorar o equilíbrio hidroeletrolítico e o estado nutricional.
Assistência de Enfermagem no Pré-Operatório
Monitorar a ingestão e a eliminação.
Enviar amostras de sangue conforme prescrito para estudos laboratoriais pré-operatórios, e monitorar os resultados.
Informar que o preparo do intestino será iniciado 1 a 2 dias antes da cirurgia para uma melhor visualização.
Administrar antibióticos, conforme prescrito.
Explicar que o paciente estará em dieta zero após a meia noite da véspera da cirurgia
Assistência de Enfermagem no Pós-Operatório
Realizar um exame físico completo pelo menos uma vez por plantão ou mais freqüentemente, conforme indicado.
Manter drenos, acessos IV e todos os cateteres.
Manter a SNG, quando prescrito.
Aplicar meias elásticas.
Estimular e ajudar o paciente a virar-se, tossir, respirar profundamente e usar o espirômetro de incentivo a cada 2 Hs e conforme necessidade.
Assistência de Enfermagem no Pós-Operatório
Instruir sobre o uso de analgesia controlada pelo paciente ou fornecer conforto com outros analgésicos.
Mudar os curativos todos os dias ou quando necessário, mantendo uma técnica asséptica.
Aumentar a dieta conforme prescrito o retorno dos sons intestinais indica que o trato GI readquiriu a motilidade.
Orientar quanto aos hábitos dietéticos. 
Assistência de Enfermagem
Resumidamente as intervenções de enfermagem nas afecções gastrintestinais incluem: evitar a infecção, aliviar a dor, reduzir a ansiedade, proporcionando cuidados adicionais de enfermagem e promover a orientação perceptiva e psicológica.

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