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R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 1 R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 2 FEBRE A Temperatura corporal sofre aumento e diminuição de acordo com variáveis do meio interno e externo. ● Temperatura periférica: temperatura de superfície determinada pela capacidade de troca de calor com o ambiente ● Temperatura central: Determinada no hipotálamo, sofrendo alterações por agentes pirógenos endógenos. O equilíbrio se da pela equação PRODUÇÃO/PERDA de calor. PRODUÇÃO DE CALOR: produção de calor supeior a velocidade de perda. Os mecanismos de produção são: ● Metabolismo: basal e extrabasal ● Extra metabolismo: atividade muscular ● Metabolismo extra: tiroxina, adrenalina noradrenalina e estimulação simpática. Atividade química celular, gasto de ATP, inflamação, digestão, etc. PERDA DE CALOR: Grande parte do calor é gerado nos órgãos profundos (fígado, cérebro, coração, musculo esquelético) onde a seguir é transferido por condução para sangue e pele. Essa condução ocorre por manutenção de mecanismos de vasoconstricção e vasodilatação. Entao, a perda para o meio ambiente pode ocorrer por: ● Condução ● Evaporação-25% ● Convecção- 15% ● Irradiação- 60% ESTIMULAÇÃO CENTRAL A estimulação térmica por excesso de calor ou elétrica estimula a AREA PRÉ-OPTICA do hipotálamo anterior (neurônios sensíveis ao calor e apenas 1/3 de neurônios sensíveis ao frio), que ativam gânglios para- simpaticos estimulando sudorese e perda de calor. Os neurônios sensíveis ao calor aumentam a frenquencia de disparos em resposta a um aumento de 10°C Inicia-se sudorese profusa em todo corpo com vasodilatação e perda de calor até que a temperatura retorne aos níveis normais. Qualquer excesso de produção de calor é inibido DETECÇÃO POR RECEPTORES NA PELE E NOS TECIDOS CORPORAIS PROFUNDOS Os receptores periféricos também podem desencadear mecanismos reflexos independentes do hipotálamo, principalmente para estímulos frio (maior parte dos receptores), quando a pele é resfriada no corpo inteiro reflexos imediatos são evocados aumentando a temperatura corporal ● Estimulo para calafrios; aumentando a taxa de produção de calor buscando encontrar um ponto de ajuste térmico. Bactérias no sangue também liberam fatores que elevam o setpoint e podem causar calafrios. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 3 ● Inibição da sudorese; efeito simpático ● Vasoconstricção e inibição da perda de calor ● Piloereção e aumento da termogênese. Então, no hipotálamo posterior, aproximadamente nos corpos mamilares ocorre a integração de sinais sensoriais da temperatura central e periférica: sinais da área pré-optica – sinais de outros locais do corpo são combinados integrados, controlando a produção e conservação de calor do corpo. CALAFRIOS: Os calafrios ocorrem por estímulos hipotalâmicos, nos núcleos dorso-mediais do hipotálamo posterior (centro-motor primário para os calafrios) ativado quando a temperatura corporal cai abaixo de um nível critico. Assim, os sinais são transmitidos para a medula espinhal e aos neurônios motores que causam os calafrios, porem não são sinais rítmicos e não causam real contração muscular; aumentam o tônus dos músculos esqueléticos facilitando a atividade de neurônios motores, quando os tônus se elevam acima de um nível critico iniciam-se os calafrios. Assim então, definimos a temperatura central por 37.1°C onde: ● Temperatura periférica acima: ocorrem mecanismos de perda de calor ● Temperatura periférica abaixo: ocorrem mecanismo de ganho de calor FEBRE E HIPERTERMIA HIPERTERMIA: define-se pela dificuldade de perder calor de forma eficiente desencadeada por fatores extra metabólicos: ● Ingestão de formulas concentradas ● Excesso de roupa ● Produção exagerada de calor Não há alteração do ponto termorregulador. Observa-se: ● Elevação da temperatura corporal ● Extremidades aquecidas (vasodilatação periférica) ● Aumento da sudorese ● Sensação objetiva de calor ● Ausência de tremores Temperatura central e cutânea: a temperatura nos tecidos profundos varia apenas cerca de 0,6ºC em situações normais, com exceção de situações de doença febril. Uma pessoa nua pode ser exposta a temperaturas que variam de 13º a 60º no ar seco e ainda manter sua temperatura central quase constante. Em condições de exercício físico intenso pode atingir 40º, e em frio intenso, menos de 36,6º. FEBRE; ocorre por elevação do set point do centro termo-regulador desencadeando mecanismos que visam elevar a temperatura corporal ● Há elevação da temperatura corporal ● As extremidades mentem-se frias (vasoconstrição periférica) ● Ausência de sudorese R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 4 ● Sensação objetiva de frio ● Taquicardia e taquipnéia ● Calafrios/tremores eventuais ALTERAÇOES FISIOLOGICAS E METABOLICAS PIROGENOS EXOGENOS: são agentes infecciosos (vírus, bactérias, fungos, toxinas) ou não infecciosos (complexos AGs-ACs). Em contato com macrófagos teciduais induzem síntese de RNA_m e proteínas pelos monócitos (citocinas) com propriedades de ativação do centro termorregulador. PIROGENO ENDOGENO: (TNF_a e Interleucinas), produtos da liberação das célula inflamatórias que alteram a temperatura do set point, mediadas por serotonina e PGE (prostaglandina E). Essa ativação é constantemente modulada pela liberação de: ● ADH (antidiurético) ● Glicocorticoides e ACTH ● TNF_A Mantendo padrões inflamatorios e limitando as reações. BENEFICIOS DO AUMENTO DA TEMEPERATURA; quando a temperatura aumenta no set point o organismo visam conservar um padrão termico acima do normal, promovendo: ● Aceleraçao da atividade enzimática com aumento da atividade metabólica de todas as células ● Leucócitos migram mais rapidamente aos tecidos ● Há desestabilização da membrana lisossomal, potencializando a atividade bactericida dos macrófagos ● Alterações metabólicas do ferro sérico por inibição intestinal e aumento da receptação hepática; acentuada por maior destruição de hemaceas no baços; diminuindo ferro e hemoglobina serica. O ferro é fundamental para o metabolismo bacteriano, assim essas alterações retardam a proliferação). Em escolares a Hb pode chegar até 3 g/dl, recuperando-se em 2- 4semanas. Recem nascidos, principalmente prematuros e idosos, podem não ter febre, por diminuição da capacidade de síntese de proteínas e interleucinas Bactérias ou produtos da degradação das bactérias são fagocitados pelos macrófagos teciduais, leucócitos do sangue e grandes linfócitos exterminadores granulares, digerindo-as e liberando IL-1 (pirogênio de leucócito/endógeno). Ao atingir o hipotálamo e promovendo aumento de temperatura em até 8-10 minutos. A IL-1 promove a formação de PGE2. CONDIÇÕES FEBRIS ● Calafrios; ● Crise ou rubor; R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 5 ● Intermação: Ocorre quando a temperatura corporalexcede o limite máximo entre 40,5ºC e 42,2ºC. Inclui sintomas de desorientação, desconforto abdominal, delírios e perda de consciência. É exacerbado por choque circulatório ou perda de líquidos e eletrólitos através do suor. A hiperpirexia causa hemorragias locais e degeneração parenquimatosa de células de todo o corpo, especialmente no cérebro, além de lesões no fígado, rins e outros órgãos. EXPOSIÇÃO AO FRIO: Em temperaturas abaixo de 34,4ºC a capacidade do organismo em regular a temperatura encontra-se deficiente, deixando de ocorrer abaixo de 29,4ºC. Essas alterações ocorrem em virtude da diminuição da produção química de calor em cada celular. SEMIOLOGIA AXILAR: 35.5 – 37°C BUCAL: 36-37,4°C RETAL 36-37.5°C ● INICIO: súbito ou gradual. O inicio súbito é um sinal de alerta, podendo indicar pneumonias, malária, dengue, etc. ● INTENSIDADE: leve até 37,5°C – Moderada 37,6-38,5°C – Alta > 38,6°C. ● DURAÇÃO: Prolongada > 1semana ou não prolongada ● MODO DE EVOLUÇÃO: o CONTINUA: sempre acima do normal com variação de +- 1°C o IRREGULAR ou séptica: picos muito altos intercalados por baixas o REMITENTE: períodos de hipertermia >1°C seguido de temperatura normal, EX: febre matinal/tarde normal- pneumonia, tuberculose. o INTERMITENTE: diária com variação > 1°C sem períodos de apirexia o RECORRENTE OU ONDULANTE: períodos de temperatura normal (dias/semanas) seguidos de temperatura elevada. EX: febre terçã, quartã, quinta... o FEBRE INDETERMINDA: > 2 semanas em temp. > 38,5°C em varias ocasiões sem definição após 3 dias de investigação o FEBRE MALIGNA: síndrome hipermetabolica em indivíduos suscetíveis desencadeada por anestésicos gerais, relaxantes musculares, estress... ● TERMINO: o CRISE: desaparece subitamente, causando sudorese e prostração (cansaço/fraqueza) o LISE: desaparece gradualmente TERAPÊUTICA Classificando a etiologia da febre, logo existem indicações precisas para o uso de antitérmicos: ● Pacientes portadores de cardiopatias, pois a cada 1ºC há aumento na frequência em 15 bpm, sobrecarregando o trabalho do coração potencializando o risco de descompensação cardíaca. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 6 ● Pacientes portadores de pneumonias ou com características restritivas, pois há aumento do consumo de oxigênio e possibilidade de insuficiência respiratória. ● Pacientes com temperatura axilar igual ou superior a 39º em virtude da possibilidade de comprometimento enzimático. ● Paciente com exagerada desconforto físico. ● Deve-se sempre ser feito o diagnóstico diferencial entre febre e Hipertermia. ● Nos quadros febris não está indicada a utilização de meios físicos para diminuir a temperatura, pois não há alteração no ponto de termorregulação, existindo a possibilidade de efeito rebote com maior elevação da temperatura corporal e vasoconstrição mais acentuada, elevando a possibilidade de um quadro convulsivo em virtude da produção de um pico de temperatura. 1. Ácido acetilsalicílico: de 10 a 15 mg/kg a cada 4 ou 6 horas – antipirético, analgésico e antiinflamatório. 2. Acetaminofeno: de 7 a 15 mg/kg a cada 4 ou 6 horas – antipirético e analgésico. 3. Dipirona: de 10 a 15 mg/kg a cada 6 horas – antipirético e analgésico. 4. Ibuprofeno: de 4 a 10 mg/kg a cada 4 ou 6 horas – antipirético, analgésico e antiinflamatório. FEBRE SEM FOCO APARENTE; Duração de 24 a 72 horas. Sinais clínicos: tipo de choro, reação à estimulação durante o exame físico, presença de palidez ou cianose e atitude geral. Lactentes apáticos, gementes, pálidos, cianóticos ou que demonstrem pouca resposta de desconforto ao exame físico, sendo esses sinais de alerta para quadro grave e, se infeccioso, provavelmente bacteriano. Exames complementares: • Hemograma com contagem total de leucócitos superiores a 15.000/mL ou inferiores a 5.000/mL. VHS > 30 mm/h. PCR > 40mg/L. • Exame quimiocitológico do liquor. • Hemocultura: tem sido preconizada como rotina em lactentes com idade inferior a três meses (segundo alguns autores, seis meses), conquanto não serve para nortear tratamentos em casos agudos em virtude do tempo do resultado (48 a 72 horas). • Radiografia de tórax em caso de ausculta com sinais de comprometimento pulmonar. ANTIBIOTICOS BETALACTAMICOS: fármacos bactericidas representado pelos grupos: • Penincilinas • Cefalosporinas • Monobactamicos • Carbapenemos R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 7 PENINCILINAS: inibe a síntese da parede celular ativando o sistema auto-lítico endógeno bacteriano. Através de ligação cruzada, o fármaco inibe cadeias de peptidiosglicanos da membrana. Através da união do anel beta- lactamico do farmaco, um substrato para uma ou mais transpeptidases bacteriana, ocorre inibição bacteriana tornando-a incapaz de clivagem pela formação de um complexo beta_lactamico na sua parede constituindo uma “extremidade morta”. Assim são mais efetivas se a bactérias estiver em crescimento EFEITOS COLATERAIS: hipersensibilidade ao fármaco, náuseas, vômitos, alterações paquerarias. Quanto ao seu espectro, classificam-se em largo e curto espectro devido a sua solubilidade • Hidrofilicos (solúveis em agua) – largo espectro. EX: amoxicilina, ampicilina • Hdrofobicos (não solúveis em agua) – estreito expectro. EX; oxacilina, penincilina G, nafcilina, etc. RESISTENCIA ANTIBIOTICA: mutações cromossômicas adquiridas de genes codificadores e betalactamases anulam a capacidade da enzima de ligar-se a determinados anéis beta_lactamicos. Quando houver resistência: • A famílias de B_lactamicos estruturais menos suscetíveis a clivagem pelas beta_lactamases • Co-administrar B_lactamicos com inibidores da B-lactamase (moléculas semelhantes aos B_lactamicos: Sulbactam, Tazobactam) GRUPOS DE PENINCILINAS 1° GRUPO: Penincilina G (E.V), penincilina V (oral): são amplamente utilizados porem podem apresentar tolerância. Eficacia: gram+. Ineficaz conta S. AUREUS. 2º GRUPO: Penincilinas anti- stafilococus: oxacilina, meticilina. Resistentes as beta_lactamases, hidrofóbicas (eficaz para Gram+), mais usados para S. AUREUS. 3º GRUPO: Amplo espectro (gram+ e Gram-); ampicilina e amoxicilina, porem limitados por sensibilidade B_lactamase. Utilizadas em inflamações não complicadas. 4º GRUPO: amplo espectro e resistentes a algumas B_lactamases; Carboxipenincilinas. 5º GRUPO: amplo espectro, mais potentes e menos sensíveis: Ureidopenincilinas (para Klebsielas) CEFALOSPORINA GLICOPEPTIDIOS São inibidores da síntese dos polimers de Mureina: ● VANCOMICINA (EV) ● TEICOPLAMINA (ORAL) Bactericidas contra bacilos e cocos. A transglicosidase bloqueia a adição de mureina (glicopeptideo) bacteriana, por ligação firma D_ALA_D_ALA, similar ao anel b_lactamico. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 8 Seu principio de indicação é somente quando as infecções forem resistentes a outros fármacos devido a sua elevada toxicidade EFEITOS ADVERSOS: rubor cutâneo (síndrome do homem vermelho) nefrotoxicidadee ototoxicidade. Existem relatos de resistência de micróbios a ligação D_ALA_D_ALA, não se ligando dipeptidio+alanina, criando bactérias “super-resistentes” que também são resistentes a outros grupos. INFECÇÃO NEONATAL: uma das principais causas de morbi-mortalidade neste período. A incidência de sepse varia de 0,1 a 1% dos casos de nascidos vivos, com letalidade de 13 a 45%, sendo alterada sua influência no organismo de acordo com o organismo causador, a idade de aparecimento dos sintomas e do peso ao nascer. • Precoce: entre o 3º e 7º dias de vida, sendo geralmente de caráter multissistêmico. Geralmente causada por microorganismos que colonizam ou infectam o trato genital materno. • Tardia: após a 1ª semana de vida, sendo mais prolongada, focal e pode estar associada a meningite. Costuma estar associada a infecção hospitalar. Os recém-nascidos são colonizados principalmente por: • Streptococcus B_hemolítico • Staphylococcus coagulase-negativo (pele, mucosa respiratória alta, coto umbilical) • Lactobacilos • Outros anaeróbios e E.Coli (trato gastrintestinal). • Candida albicans (trato gastrintestinal, vagina, área perineal) e por Staphylococcus aureus (pele e superfícies mucosas). A presença de biota composta por microorganismos pouco virulentos protege o organismo contra agentes potencialmente patogênicos, como bacilos gram-negativos. PREVENÇÃO: Lavagem das mãos antes e depois do contato Numero adequeado de pessoas por alojamento conjunto Técnicas de higiene com o ambiente físico e materiais para exame Cuidados com a pele e o coto umbilical Controle de pessoas com condições potencialmente contaminantes. FEBRE POR BAIXA INGESTÂO DE LEITE Mais frequente em RN a termo em PIG, GIG, sem fatores de risco para infecção e sem outras alterações ao exame físico. • Surge entre o 2º e 5º dia de vida. • Sem história sugestiva de infecção. • Parto cesárea. • Mães com dificuldade de amamentação. • RN suga pouco ou mal. • Hemograma normal. • Desidratação associada a hipernatremia. RN COM INFECÇÃO BACTERIANA R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 9 Fatores de risco maternos, manifestação clínica do RN e exames laboratoriais. Fatores de risco: • Amniorrexe prematura. • Febre materna. • Corioamnionite. • Taquicardia fetal. • Prematuridade. • Qualquer infecção materna. O RN, em caso de infecção bacteriana: febre, hipotermia, apatia, hipotonia, choro fraco, sucção débil, perfusão capilar > 3 seg., apnéias, etc. Pode apresentar infecção severa sem surgimento de febre. Na suspeita de sepse deve-se solicitar: hemograma, PCR, hemocultura, Rx de tórax e abdômen e, se necessário, punção lombar e supra- púbica. PNEUMONIA VIRAL: (vírus sincicial respiratório). Congestão nasal, olhos vermelhos. Pode evoluir com febre, tosse, crepitações e sibilos. HERPES VIRUS: 1-3 semana de vida (incubação de cinco a 21 dias). SEPSE INFLAMAÇAO: aguda até 3-7 dias, crônica alastra por semanas, meses ou anos. As inflamações crônicas ou contaminadas são as que apresentam maior probabilidade de sepse. A partir da cascata do acido araquidônico há liberação de mediadores inflamatorios prostaglandinas e leucotrienos, que ativam o metabolismo de leucócitos e plaquetas. A partir desse principio, as reações podem limitar-se a manter processos inflamatorios com reações locais ou exacerbação sistêmica. Quando a capacidade de homeostasia local é superada, por magnitude do agressor ou por insuficiência dos mecanismo locais; temas a resposta sistêmica. Inicialmente, TGF_b (fator de crescimento fibroblastico) atrai monócitos e neutrófilos para o local da lesão. Monócitos e Macrofagos secretam citocinas da família TNF_a e IL_1 que atuam na matriz tecidual: de fibroblastos e endotélio liberando um 2° conjunto de citocinas Na segunda parte, há liberação de TNF_a, IL_1, IL_6 e IL_8 e proteínas inflamatórias MIP_1 e quimiotaticas MCP de macrófagos. O TGF_b atrai mais monócitos e neutrófilos para o local da lesão secretando os mesmos conjuntos iniciais, retro-alimentando a reação A hipófise ativa o eixo ACTH e produz glicocorticoide (anti- inflamatorio) a partir da supre renal, equilibrando o processo inflamatório, impedindo a exacerbação com consequências lesivas e choque circulatório. Assim, a febre tem um papel importante na aceleração da quimiotaxia, estimulação da sensibilidade de Macrofagos, células T e NK, com aumento de atividade IFN e redução da disponibilidade de ferro serico. DEFINIÇÕES: R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 10 ● INFECÇÃO: fenômeno microbiano caracterizado por inflamação em invasão de tecidos estéreis ● BACTEREMIA: presença de bactéria na corrente sanguínea ● SINDROME DA RESPOSTA INFLAMATORIA SISTEMICA (SIRS): é uma resposta inflamatória a uma grande variedade de condições clínicas severas. Essa resposta é manifestada por duas ou mais das seguintes condições: o Temperatura > 38oC ou < 36oC; o Freqüência cardíaca > 90 bpm; o Freqüência respiratória > 20 ipm ou pCO2 < 32 mmHg; o Contagem de glóbulos brancos > 12.000/ mm3 ou < 4.000/mm3 ou bastonetes > 10%; ● SEPSE: resposta inflamatória à infecção manifestada por 2 ou mais destas condições: o Temp. > 38°C ou < 36°C o FC >90 o FR> 20 ou Pco2 < 32mmHg o Leucocitos >12.000/mm³ ou < 4000 ou bastonetes > 10% SEPSE GRAVE: ocorre associada a: o Hipoperfusao ou hipotensão o Acidose láctica o Oliguria o Alteração do nível de consciencia ● CHOQUE SEPTICO: paciente com anormalidades da perfusão mesmo apesar da adequada reposição volêmica. Na sepse, como já mencionado, há uma excessiva produção de mediadores inflamatorios, por excessiva sensibilização e ativação, levando a uma “anarquia metabólica” sem controle do organismo, levando complicações como insuficiência orgânica e choque. A principal terapia é bloquear a resposta inflamatória. Para o local da inflamação ocorre um efeito benéfico, porem a nível sistêmico: maléfico As principais alterações se devem as alterações de homeostasia das células endoteliais (responsável pela fibronolise, vasodilatação, vasoconstricção e inibição plaquetaria). Quando ativada por Endotoxinas ou citocinas adquire função coagulante, pró-trobotica e ativadora de plaquetas (PAF). R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 11 A destruição do endotélio pela aderência de PLMN aumenta a permeabilidade e edema intersticial, ampliando a reposta inflamatória principalmente nos pulmões, rins e extremidades capilares. A microcirculação torna-se sitio débil, aumentando a fertilidade para o crescimento bacteriano devido ao “shunt” (desvio) arterio-venoso por perda de plasma para o interstício aumento da viscosidade sanguínea e estagnação das hemaceas. Assim: ● Há redução do suporte metabólico e de O2 ● Queda da P.A ● Diminuiçao do Debito cardíaco. VARIAVEIS ● Estado de saúde antes da instalação ● Idosos, imunossuprimidos, diabéticos, cirróticos, neoplasias, doenças renal e cardíaca ● Tempo de doença ● Variação inata do pacienteOs sinais de sepse em RN podem ser mínimos ou inespecíficos. Critérios para o diagnóstico na ausência de microorganismos em exames de cultura, sendo considerado sinal clínico da infecção a presença de um ou mais sinais de, pelo menos, três categorias referidas a seguir ou de duas dessas categorias associados a um ou mais fatores de risco materno. FATORES DE RISCO DO RN ● Instabilidade térmica, considerando-se normalidade entre 36,5ºC e 37,5ºC. ● Dispnéia ou qualquer alteração na respiração, taquipnéia acima de 60 rpm ou pausas, quando o intervalo for inferior a 30 bpm. ● Hipotonia e convulsões. ● Instabilidade e letargia. ● Sintomas gastrintestinais. ● Icterícia idiopática. ● Palidez cutânea, pele frio e sudorética, hipotensão e perfusão capilar superior a três segundos. ● Hemorragia com sinais de coagulação intravascular disseminada. ● Avaliação subjetiva: RN que parece não estar bem. FATORES RISCO MATERNO 1- Temp. > 37,5°C Leucocitos > 20.000 Secreçao/liquido amniótico fétido R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 12 2- Ruptura de membrana > 18 horas 3-Ig < 37 sem 4 infecção urinaria vigente, tratada ou não 5. Colonização por E. agalactiae, EGB 6. Filho anterio com doença por E. b_hemolitico grupo B ● Hemocultura: é o padrão-ouro, conquanto apresenta baixa sensibilidade, dependendo do meio de cultura e do agente etiológico. Muito utilizado como método diferencial entre SGB e Lysteria. Apresenta baixa sensibilidade (50- 80%, com interferência caso a mãe tenha feito uso de antibióticos) e especificidade, conquanto em caso de suspeita de sepse devem ser colhidas, sempre que possível, mais de uma amostra em momentos distintos. ● PCR: sintetizada pelo fígado de quatro a seis horas após estímulo, com pico máximo em 48 horas. ● VHS; : só possui valor clínico quando maior que 15 mm na primeira hora ou maior que 10 mm em até 48-72 horas. ● Leucograma: nas primeiras 24 horas de vida e em RN com asfixia grave ocorre aumento de leucócitos, enquanto que leucopenia pode ocorrer em caso de hipertensão amterna e pós- asfixia, sendo importante a neutropenia, que indica a gravidade da infecção (quanto mais neutrófilos jovens, pior o quadro). ● Cultura de líquor: pode ocorrer meningite em até 30% dos pacientes com sepse tardia. ● Cultura de urina: preferência por punção suprapúbica. São consideradas infecções de origem materna as que ocorrem em até 48 horas após o nascimento e hospitalares e comunitárias, após 48 horas. Na sepse precoce são mais prevalentes as bactérias do trato genital feminino, como as gram- negativas E.coli Streptococcus do grupo B e Listeria monocytogenes. Na sepse tardia são mais prevalentes os gram-positivos Sthaphylococcus aureus e epidermidis e os gram-negativos E.coli e Klebsiella. TRATAMENTO 1- CONTROLE DEFINITIVO DO FOCO: Drenagem do foco purulento ● Sepse precoce: - Ampicilina: - Gentamicina: ● Sepse tardia: associação de ampicilina e gentamicina também é a opção inicial. Vancomicina: para Sthaphyloccocus epidermiditis coagulase-negativo associado a um aminoglicosídeo (gentamicina ou amicacina). Pode associar um terceiro antibiótico, como cefalosporina em caso de meningite concomitante. O tratamento deve ser realizado por 10 dias, com exceção das situações com meningite, que deve ocorrer entre 14 e 21 dias. Em caso de suspeita fúngica utilizar anfotericina B e fluconazol. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 13 2- REPOSIÇÃO VOLEMICA; aumentar perfusão tecidual; hidratação EV rápida e agressiva. Coloide e cristaloide. 3- DROGAS IONOTROPICAS: após 30 min de hidratação sem resposta até obter-se 90 mmHg sistólico em até 60 min. (dopamina/noradrenalina) 4- SUPORTE NUTRICIONAL: pode haver grande perda de massa corpórea e balanço nitrogenado negativo DIETA: hipercalórica-proteica dentro das primeiras 72hrs. Avaliar viabilidade enteral/parenteral. Amino ácidos: 2-3g/kg/dia e lipídios MEDIDAS DE SUPORTE: Na UTI com monitoração de: ● Controle térmico; ● FR e FC; ● PA; ● Saturação de Hb; ● Diurese; ● Glicemia; ● Equilíbrio eletrolítico e ácido-base; - Suporte nutricional para evitar catabolismo protéico excessivo e lipólise. SINDROMES EXANTEMATICAS CLASSIFICAÇÃO DO EXANTEMA 1. MACULOPAPULAR: manifestação mais comum das doenças infecciosas sistêmicas. Mais comum nas doenças virais, possuindo sub- classificaçoes: o MORBILIFORME: pequenas maculo-papulas eritematosas (3 a 10 mm) típico do Sarampo, porem pode se apresentar em outras doenças (rubéola, enteroviroses, dengue, hepatite viral, leptospirose, interações medicamentosas e etc) o ESCARLATINIFORME: eritema difuso, puntiforme, poupando região peri-oral. Textura áspera (lixa). Típico da Escarlatina mas pode se observar em outras doenças assim como em interações medicamentosas. o RUBEOLIFORME: semelhante ao morbiliforme, porem rosáceo com pápulas um pouco menores. Típico da Rubeola, viroses enterorespiratorias e micoplasma. o URTICANTE: errupção papulo- eritematosa, de contornos irregulares e pruriginosa. Típico de alergias, mononucleose e malária. 2. EXANTEMA PAPULOVESICULAR: pápulas e vesículas (de conteudo liquido), é comum a transição papula – vesícula – pústula – crosta; localizada; típico da herpes. Generalizada; típico da varicela, TB, impetigo, candidíase sistêmica. 3. EXANTEMA PETEQUIAL OU PURPURICO: alterações vasculares com ou sem distúrbios de plaquetas. Associados a infecções graves: septicemia, meningococcemia, febre purpurica, R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 14 febre maculosa, citomegalovírus, Dengue. COLETA DE MATERIAL FASE AGUDA: até 7 dias do inicio do exantema FASE CONVALESCENTE: 3-4 dias após inicio do exantema o SUSPEITA DE RUBEOLA: Sangue da fase aguda a partir do 5º dia o SUSPEITA DENGUE: sangue da fase aguda a partir do 6º dia o FEBRE MACULOSA: sangue da fase aguda a partir do 7º dia I. RUBEOLA ETIOLOGIA E TRANSMISSÃO: RubVirus (família togaviridae). Transmissao: contato com secreção naso-faringea, na gestação pode ser transmitida ao feto. Grupo etário: todos, principalmente crianças e adultos jovens. QUADRO CLINICO: incubação 14-23 dias. Nas crianças não há pródromo (sintomas de inicio). No adulto; febre baixa, cefaleia e mal estar 5 dias antes. Distribuição Craniocaudal em até no máximo o 2º dia, desaparecendo no 6º dia. A transmissão pode ocorrer 7 dias antes e 7 dias após os exantemas. DIAGNOSTICO: sorologia IGm na fase aguda ou crescente IGg em fase convalescente. TRATAMENTO: Vacinação para profilaxia e suporte clinico em doença. II. ERITEMA INFECCIOSO (PARVOVIROSE) ETIOLOGIA E TRANSMISSÃO: parvovirus humano B19 (parvoviridae) transmitido por contato com secreção respiratória ou placenta infectada. Atinge principalmente criança após 1º ano de vida QUADRO CLINICO: incubação variável (4-20 dias) sem pródromo, podendo ocorrer sintomas inespecíficos: cansaço, febre, mialgia, cefaleia de7-10 dias antes dos exantemas. EXANTEMA: na face, em forma de asa de borboleta, distribuindo-se nos membros e tronco. Pode reaparer com exposição ao sol. Transmissibilidade máxima antes do aparecimento dos exantemas. DIAGNOSTICO: IgM com reagente ELISA, em amostra de sangue de fase aguda ou incremento de IgG em fase convalescente. TRATAMENTO: evitar exposição a indivíduos infectados. Não há vacina. O tratamento é clinico e sintomatológico. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 15 III. EXANTEMA SUBITO: ROSEOLA INFANTIL Herpes vírus humano em criança menores de 4-6 anos. O período de incubação é de 2-10 dias QUADRO CLINICO: febre alta > 39,5 e irritação. O exantema inicia-se no tronco logo após o desaparecimento da febre. DIAGNOSTICO: imunofluorescencia indireta, IgM e IgG TRATAMENTO: Suporte clinico e sintomatológico IV.SARAMPO Morbilivirus (família paramoxiviridae), transmitido por aerossóis respiratórios em todas as faixas etárias QUADRO CLINICO: incubação 8-12 dias. Pródromo de 3-5 dias; febre alta, tosse, conjuntivite. Aparecem, precedendo o exantema, manchas esbranquiçadas na mucosa oral (SINAL DE KOPLIC). O exantema aparece entre 3º-7º dia atrás das orelhas e depois no corpo todo sem acometer palma das mãos e sola dos pés. DIAGNOSTICO: IgM e IgG TRATAMENTO: vacinação e suporte clinico. V. ESCARLATINA Estreptococos Pyogens e bacilo hemolítico do grupo A. transmissão por secreção respiratória. Faixa etária: geralmente 2-10 anos. QUADRO CLINICO: incubação 2-5 dias. Febre alta, mal estar, exantema puntiforme, pele áspera, palidez peribucal (SINAL FILATOU), língua em framboesa e descamação intensa de mãos e pés. COMPLICAÇOES: 1-5 semana: glomérulo nefrite e febre reumatoide. DIAGNOSTICO: teste rápido de aglomeração do látex TRATAMENTO: Penicilina B ou C – 10 dias. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 16 VI. MONONUCLEOSE Virus Epstein-Barr e HerpesVirus, transmitido por saliva e beijo. Comum da faixa etária; criança e adolescente. QUADRO CLINICO: em 50% dos casos a infecção é assintomática/sub-clinica. Em paciente sintomáticos/clínicos o pródromo é discreto ou ausente. O quadro típico é febre, linfadenopatia, amigdalite membranosa e esplenomegalia. Pode apresentar exantema variável e inconstante associado ao uso de antibióticos. Incubação 4-6 semanas. Período de transmissão 1 ano ou mais. DIAGNOSTICO: IgM anti-capside viral (anti-VCA), em sangue de fase aguda e IgG anti-antigeno nuclear (anti-EBNA) em sangue de fase convalescente. TRATAMENTO: Não há vacina. Suporte clinico e orientação. VII. REAÇÃO MEDICAMENTOSA ETIOLOGIA: hipersensibilidade tipo I após exposição a drogas (quinino, atropina, alopurinol, salvarsan, penincilinas e etc) ou intoxicação por mercúrio, ouro ou arsênio. Após uso de imunobiologicos pode ocorrer a doença do soro. Qualquer faixa etaria QUADRO CLINICO: não há pródromo, podendo ocorrer febre, mialgia e prurido. Exantema macular, maculo- papular, urticante. Podem ser confundidas com exantema do sarampo ou escarlatina. Adenopatia, hepatoesplenomegalia e toxicidade intensa podem ocorrer. DIAGNOSTICO: clinico com exames laboratoriais para excluírem outras causas infecciosas. VIII. DOENÇA DE KAWAZAKI ETIOLOGIA: Desconhecida. Crianças de 1-4 anos. QUADRO CLINICO: Pródromos de 3-4 dias de febre alta, adenopatia cervical, irritabilidade e hiperemia conjuntival bilateral. Exantema polimórfico, escarlatiniforme ou purpúrico, com início no tronco e descamação lamelar. Há alterações de mucosa oral, com hiperemia, edema e ressecamento de lábios com fissuras e edema duro de dedos de mãos e pés, com hiperemia palmoplantar. Não são raros comprometimento articular intenso e R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 17 complicações cardiovasculares, com aneurisma de coronária e infarto do miocárdio (20% doscasos). DIAGNOSTICO: clinico, não há exame confirmatorio TRATAMENTO:: Não responde a antibióticos. Paciente deve ser internado para monitoramento de complicações. Na doença aguda utiliza- se imunoglobulina intravenosa para suprimir a resposta inflamatória. IX. FEBRE MACULOSA BRASILEIRA ETIOLOGIA: Rickettsia rickettsii, transmitida pelo carrapato “estrela”, principalmente o pré-escolar e escolar. QUADRO CLINICO Incubação de 3-14 dias. Pródromos de 3-4 dias de febre, cefaléia e mialgias. O exantema é purpúrico, ascendente, iniciando-se nos membros inferiores que se encontram edemaciados, não respeitando palmas de mãos ou planta de pés. DIAGNOSTICO: Identificação de anticorpos por imunofluorescência indireta em amostras colhidas a partir do 7º dia do início dos sintomas. TRATAMENTO: Suporte clinico e administração de antibióticos (tetraciclina ou cloranfenicol). X. FEBRE TIFOIDE ETIOLOGIA: Bacteria Salmonella. Transmissão ocorre por ingestão de alimentos contaminados, tem se apresentado em forma de surtos em qualquer idade, desde que expostas à fonte de contágio. QUADRO CLINICO Início insidioso de febre, cefaléia, anorexia, dores abdominais, hepato-esplenomegalia e exantema. Em crianças o início pode ser abrupto, com pródromos de apenas 2-4 dias. Obstipação intestinal inicial é seguida de diarréia. O exantema ocorre em 10-15% das crianças, é característico (roséola tifoídica) e aparece na segunda semana da doença. São lesões róseas máculo-papulares de 2-3 mm de diâmetro, em número de 10-20, que clareiam sob pressão, predominam no tronco e geralmente desaparecem dentro de 3-4 dias. DIAGNOSTICO: Salmonella typhi em hemoculturas. Sorologia de fase aguda e convalescente. TRATAMENTO: Terapia de suporte, antibióticos específicos. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 18 XI. ADENOVIROSE ETIOLOGIA: Adenovírus (mais de 51 serotipos). Transmissão através de contato com secreções respiratórias. Incidência maior no final do inverno, primavera e início do verão. Principalmente pré-escolares, especialmente crianças de 6 meses a 2 anos que freqüentam creche. QUADRO CLINICO: Incubação de 2-14 dias. Sintomas respiratórios, otite média, e conjuntivite acompanhado de febre. Exantema máculo-papular pode ocorrer, geralmente confundível com alergia à antibióticos. Infecções assintomáticas são freqüentes e reinfecção pode ocorrer. DIAGNOSTICO: Isolamento viral à partir de amostras de orofaringe colhidas nos primeiros 5 dias após o aparecimento do exantema. Material deve ser mantido a 4°C. Exame de neutralização é realizado em sangue (fase aguda e convalescente). TRATAMENTO: de suporte. Não há vacina. XII. TOXOPLAMOSE ETIOLOGIA: Protozoário Toxoplasma gondii. Infeccção ocorre por ingestão de carne mal passada (bovina, suína ou ovina) contendo cistos do Toxoplasma ou por ingestão acidental de oocistos do solo ou alimentos contaminados. Infecção durante a gestação pode acometer o feto, causando infecção congênita. QUADRO CLINICO: Infeccção após o nascimento é geralmente assintomática. Períodode incubação médio de 7 dias. Sintomas geralmente são inespecíficos, incluindo febre, mialgia, dor de garganta e cansaço. Ocasionalmente caracteriza-se como um síndrome mononucleose-like, com exantema macular e hepato- esplenomegalia. Recém-nascidos com toxoplasmose congênita podem apresentar exantema máculo-papular, linfadenopatia generalizada, hepato- esplenomegalia, icterícia e trombocitopenia. DIAGNOSTICO: Sorologia com IgM reagente (ELISA ou imunofluorescência indireta) em amostras de sangue de fase aguda ou incremento de títulos de IgG em sorologias de amostras pareadas (fase aguda e convalescente). TRATAMENTO: Curso clínico autolimitado e benigno. XIII. DENGUE Dengue vírus 1,2,3,4 e 5 transmitido pela femea do Aedes Aegipty à qualquer faixa etária. Incubação 3-14 dias QUADRO CLINICO; Pródromo 1-5 dias; febre alta 39, 5°C, astenia, cefaleia, dor retro-ocular, epígastralgia, dor articular e muscular intensa e fotofobia. Exantema, quando presente, maculo- R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 19 papular iniciando-se no tronco e espalhando-se para a face e membros . Entre 3-7º dia, quando ocorre o declínio da febre, podem surgir sintomas como vômitos, dor abdominal, hepatomegalia dolorosa, sonolência e irritabilidade excessiva., hipotermia, sangramento de mucosas, diminuição de sudorese e derrames cavitários. Os sinais de ALARME anunciam perda de plasma e eminencia de choque. O período de extravasamento plasmático e choque levam de 24-48 horas, devendo o medico estar atento as rápidas alterações hemodinâmicas. SINAIS DE ALARME: ● Epistaxe ● Gengivorragia ● Metrorragia ● Hematêmese ● Melena ● Hematúria ● Queda abruta de plaquetas ● Dor abdominal e vomito ● Hipotensão postural ● Sonolencia e irritabilidade ● Diminuição da diurese ● Hipotermia ● Desconforto respiratório ● Aumento repentino de hematócrito e queda de plaquetas Pacientes assintomáticos podem evoluir para o choque, reforçando que o fator determinante das formas graves da dengue são as alterações do endotélio vascular, com extravasamento de plasma e choque por hemoconcentração, hipoalbuminemia e derrames cavitários. Podem manifestar-se disfunções de órgãos ● Coração; ICC, miocardite, depressão miocárdica, redução de ejeção e choque cardiogênico. ● Pulmão; SARA (síndrome da angustia respiratória), pneumonite e insulficiencia respiratória. ● Rins; glomérulo nefrite ● Fígado: elevação de enzimas e insulficiencia hepática associada a icterícia, coagulopatias e encefalopatias. ● SNC; meningite, encefalite, depressão, irritabilidade, psicose, etc. TRANSMISSÃO: Mosquito infectado contamina o homem susceptível→ homem infectado; o homem infectado contamina o mosquito não infectado. A transmissão para o vetor ocorre no período de VIREMIA. Este período começa um dia antes do aparecimento da febre e vai até o 6º dia da doença. Após a Inoculação pela picada do mosquito; o vírus se replica nas células musculares e fibroblasto, infectando o sistema posteriormente, alojando-se nos macrófagos e linfócitos, durante a replicação nos monócitos ocorre o R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 20 período da viremia; fase febril. Onde o vírus se aloja no fígado. QUADRO CLINICO ● FASE FEBRIL – Desidratação; febre alta que pode causar convulsões em crianças; distúrbios neurológicos. ● FASE CRITICA – Choque pelo escape de fluidos, hemorragia severa, dano dos órgãos nobres (Fígado, SNC, Rins e Coração). ● FASE DE RECUPERAÇÃO – Hipervolemia (quando a reposição de fluidos EV foi excessiva ou se prolongou além do necessário). CASO SUSPEITO: todo paciente com doença febril aguda, tendo estado nos últimos 15 dias em área com transmissão de dengue ou com presença do aedes aegyti. DIAGNOSTICO: acentuada leucopenia com neutropenia, confirmado com IgM reagente a partir do 6º dia. Fenômeno de pinçamento ou PA Convergente (diferença entre a pressão arterial sistólica e a diastólica será menor ou igual a 20 mmHg) sinal de choque da dengue. PROVA DO LAÇO: Método inespecífico para comprovar lesão vascular; A Prova do laço deve ser realizada na triagem, obrigatoriamente, em todo paciente com suspeita de dengue e que não apresente sangramento espontâneo; EXECUÇÃO: ● Calcular (PAS +PAD)/2; ● Insuflar o manguito até o valor médio e manter durante cinco minutos nos adultos e três minutos em crianças; ● Desenhar um quadrado com 2,5 cm de lado no antebraço e contar o número de petéquias formadas dentro dele; a prova será positiva se houver 20 ou mais petéquias em adultos e dez ou mais em crianças; APARELHO CARDIOPULMONAR: INSPEÇÃO: (sinais clínicos de desconforto respiratório)- taquipneia, dispneia, tiragens subcostais, intercostais, supra claviculares, de fúrcula esternal, batimentos de asa de nariz, gemidos, estridor e sibilos. AUSCULTA: (sinais de derrame cavitários- pleural e pericárdico) estertores crepitantes; SINAIS DE ICC: taquicardia, dispneia, ortopneia, turgência jugular, estertorarão e hepatomegalia e edema de membros inferiores; R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 21 SINAIS DE TAMPONAMENTO CARDÍACO: (abafamento de bulhas, turgência jugular e síndrome de baixo debito cardíaco). CLASSIFICAÇÃO DE RISCO; serve para estadiar e reduzir o tempo de espera. ● AZUL - GRUPO A; atendimento de acordo com horário de chegada ● VERDE - GRUPO B; prioridade não- urgente ● AMARELO - GRUPO C; urgência, atendimento o mais rápido possivel ● VERMELHO - GRUPO D; emergência, paciente com necessidade de atendimento imediato R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 22 GRUPO A Febre por ate sete dias, acompanhada de pelo menos dois sinais e sintomas inespecíficos (cefaléia, prostração, dor retro-orbitaria, exantema, mialgias e artralgias) + história epidemiológica compatível (lactentes - irritabilidade e choro- sintomas de cefaléia e ou algias); Ausência de sinais de alarme; Prova do laço negativo e ausência de manifestações hemorrágicas espontâneas. Sem co-morbidades, grupo de risco ou condições clinicas especiais. CONDUTA: EXAMES ESPECÍFICOS: Isolamento viral/sorologia (situação epidemiológica): ● Períodos não-epidêmicos, solicitar o exame de todos os casos suspeitos; ● Períodos epidêmicos, solicitar o exame em paciente grave e grupos especiais e/ou risco social ou com duvidas no diagnostico. Hemograma completo: ● Coleta no momento do atendimento, com liberação do resultado em tempo hábil (mesmo dia); ● Leucograma é variável (leucopenia pode indicar outra infecção viral e a leucocitose não afasta a doença); ● Grupo A não há ↓ Plaquetas e nem ↑ Ht; ● Plaquetopenia não constitui necessariamente fator de risco para sangramento em pacientes com suspeita de dengue, mas, ↓ Plaqueta→ acentuada um sinal de alarme. ● Principal Ht, para identificação de hemoconcentração (extravasamento plasmático), também defini a necessidade dehidratação. ↓ Ht sugeri hemorragias. TERAPEUTICA: Acompanhamento ambulatorial: Repouso, notificação e retorno. Retorno imediato (c/sinais de alarme) e retorno normal (s/sinais de alarme) entre o 3º e o 6º dia. ● HIDRATAÇÃO ORAL: Adultos: 80 ml/kg/dia (1/3 SRO + 2/3 - água, suco de frutas, soro caseiro, chás, água de coco) dividido em CRIANÇAS: 30ml/Kg/dia A alimentação não deve ser interrompida durante a hidratação. TRATAMENTO SINTOMATICO: ANALGÉSICOS DIPIRONA SÓDICA • Adultos: 20 gotas ou 1 comprimido (500mg) até 6/6 horas. • Crianças: 10 mg/kg/dose até de 6/6 horas. PARACETAMOL • Adultos: 40-55 gotas ou 1 comprimido (500 a 750mg) ate de 6/6 horas. • Crianças: 10 mg/kg/dose até seis em seis horas. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 23 ANTIEMÉTICOS: METOCLOPRAMIDA: • Adultos: 1 comprimido de 10mg até de 8/8 horas. • Crianças:< 6 anos: 0,1 mg/kg/dose ate três doses diárias; • > 6 anos: 0,5 mg/kg/dose ate três doses diárias (não ultrapassar 15 mg/dia); • BROMOPRIDA: • Adultos: 1 comprimido de 10mg ate de 8/8 horas. • Crianças: Gotas: 0,5 a 1 mg/kg/dia em três doses diárias. ANTIPRURIGINOSO: (Pode mascarar rebaixamento do SNC) Repouso Notificar o caso Retorno ● Retorno de imediato na presenca de sinais de alarme ou a criterio medico. O desaparecimento da febre (entre o terceiro e sexto dia de doença) marca o inicio da fase critica. Portanto, reavaliar o paciente sempre que possivel nesse periodo. Orientacoes aos pacientes e familiares: ● O Cartão de acompanhamento de paciente com suspeita de dengue deve ser entregue ao paciente ou responsavel, o paciente deve estar de posse do cartao em todos os retornos as unidades de atendimento; ● Informar claramente ao paciente ou responsavel sobre os sinais de alarme e a importancia de retornar imediatamente a uma unidade de saude, na ocorrencia destes; ● Orientar retorno para reavaliacao clinica entre o terceiro e sexto dia da doenca (fase critica). GRUPO B 1- Febre por ate sete dias, acompanhada de pelo menos dois sinais e sintomas inespecificos (cefaleia, prostracao, dor retroorbitaria, exantema, mialgias, artralgias) e historia epidemiologica compatível AUSÊNCIA DE SINAIS DE ALARME 2- Sangramento cutâneo espontâneo (petéquias) ou induzido pela prova do laço 3- Condições clínicas especiais e/ou de risco social ou comorbidades: lactentes (menores de 2 anos), gestantes, adultos com idade acima de 65 anos, com hipertensão arterial ou outras doenças cardiovasculares graves, diabetes mellitus, DPOC, doenças hematológicas crônicas (principalmente anemia falciforme e púrpuras), doença renal crônica, doença ácido péptica, hepatopatias e doenças auto-imunes. CONDUTA DIAGNOSTICA; Exames Específicos: OBRIGATÓRIO Exames inespecíficos: • Hemograma completo e com resultados em menos de 4h para avaliação da hemoconcentração. CONDUTA TERAPEUTICA: Acompanhamento dos resultados Hidratação semelhante ao grupo A Tratamento sintomatológico VIDE anterior. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 24 Repouso, notificação e retorno. ● Retorno imediato (c/sinais de alarme) e retorno normal (s/sinais de alarme) entre o 3º e o 6º dia. Reavaliação após resultados dos exames • Paciente com hematócrito normal: tratamento ambulatorial • Paciente com hematócrito aumentado em mais de 10% do valor basal ou, na ausência deste, seguindo os valores: CRIANÇA: >42%; MULHER: >44%; HOMEM: >50%. Tratamento em Observação: Reavaliação Clínica e de hematócrito de 4/4h ● HEMOCONCENTRAÇÃO ou SINAIS DE ALARME: GRUPO C ● HEMOCONCENTRAÇÃO ou SINAIS DE ALARME ou PLAQUETOPENIA < 20MIL mm³: internação e reavaliação clínica e laboratorial a cada 12h SINAIS DE ALARME GRUPO C CARACTERIZAÇÃO: Conforme outros Grupos Presença de algum sinal de alarme. Manifestações hemorrágicas presentes ou ausentes. Atendimento inicial em qualquer nível de complexidade, com hidratação EV rápida obrigatória, inclusive durante eventual transferência para uma unidade de referencia. CONDUTA DIAGNOSTICA Exames inespecíficos: Obrigatórios. • Hemograma completo. • Dosagem de Albumina sérica e Transaminases. • Exames de imagem: Rx de tórax (PA, perfil e de Laurell) e USG de abdome. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 25 • Outros S/N: Glicose, Uréia, Creatinina, Eletrólitos, Gasometria, TPAE e Ecocardiograma. Exames específicos (sorologia/ isolamento viral): Obrigatório • Acompanhamento: Internação por período mínimo de 48h. • Reposição volêmica: ● TRATAMENTO SINTOMATOLOGICO: (Conforme anterior). ● Notificar imediatamente o caso. ● Retorno após a alta. ● Apos preencher critérios de alta, o retorno para reavaliação clinica e laboratorial ● Segue orientação conforme Grupo B. GRUPO D ● CARACTERIZAÇÃO: Conforme outros Grupos ● PRESENÇA DE SINAIS DE CHOQUE, DESCONFORTO RESPIRATÓRIO ou DISFUNÇÃO GRAVE DE ORGÃOS ● Manifestação hemorrágica presente ou ausente CONDUTA DIAGNOSTICA: ● Igual ao grupo C CONDUTA TERAPEUTICA: ● Acompanhamento em leito de terapia INTENSIVA ● NOTIFICAÇÃO IMEDIATA ● Reposição volêmica (adultos e crianças) • Reposição imediata parenteral com solução isotônica 20ml/kg em até 20min • Repetir até 3x se for necessário • Reavaliação clínica a cada 15-30 min e de hematócrito a cada 2h Se melhorar: retornar para a FASE DE EXPANSÃO DO GRUPO C Em caso de piora: Avaliar a hemoconcentração • hematócrito em ascensão e choque, após reposição volêmica adequada – utilizar expansores plasmáticos: (albumina 0,5-1 g/kg); preparar solução de albumina a 5%: para cada 100 ml desta solução, usar 25 ml de albumina a 20% e 75 R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 26 ml de SF a 0,9%); na falta desta, usar colóides sintéticos – 10 ml/kg/hora; • hematócrito em queda e choque – investigar hemorragias e coagulopatia de consumo: • se hemorragia, transfundir o concentrado de hemácias (10 a 15 ml/kg/dia); • se coagulopatia, avaliar. • investigar coagulopatias de consumo e avaliar necessidade de uso de plasma (10 ml/Kg), vitamina K e Crioprecipitado (1 U para cada 5-10 kg); • Se o HEMATÓCRITO CAIR • Se instável, investigar hipervolemia, insuficiência cardíaca congestiva e tratar com diminuição da infusão de líquido, diuréticos e inotrópicos, quando necessário; • Se estável, melhora clínica; • Reavaliação clínica e laboratorial contínua. Considerações importantes para os Grupos C e D ● Oferecer O2 em todas as situacoes de choque (cateter, mascara, Cpap nasal, ventilacao nao-invasiva, ventilacao mecanica), definindo a escolha em função da tolerancia e da gravidade. ● Pacientes dos Grupos C e D podem apresentar edema subcutaneo generalizado e derrames cavitarios, pela perda capilar, que nao significa, a principio, hiperhidratacao, e que pode aumentar apos hidratacao satisfatoria; o acompanhamentoda reposicao volemica e feita pelo hematocrito, diurese e sinais vitais. ● Evitar procedimentos invasivos desnecessarios, toracocentese, paracentese, pericardiocentese; no tratamento do choque compensado, e aceitavel cateter periferico de grande calibre, nas formas iniciais de reanimacao, o acesso venoso deve ser obtido o mais rapidamente possivel. ● A via intraossea em criancas pode ser escolha para administracao de líquidos e medicamentos durante a RCP ou tratamento do choque descompensado ,se o acesso vascular nao for rapidamente conseguido; no contexto de parada cardiaca ou respiratoria, quando nao se estabelece a via aerea por intubação orotraqueal, por excessivo sangramento de vias aereas, o uso de mascara laríngea pode ser uma alternativa efetiva. ● Monitoracao hemodinamica minimamente invasiva, como oximetria de pulso, e desejavel, mas em pacientes graves, descompensados, de dificil manuseio, os beneficios de monitoracao invasiva como PAM, R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 27 PVC, Svc02 podem suplantar os riscos. ● O choque com disfuncao miocardica pode necessitar de inotropicos; tanto na fase de extravasamento como na fase de reabsorcao plasmatica, lembrar que, na primeira fase, necessita reposicao hidrica e, na segunda fase, ha restrição hidrica. INDICAÇOES DE INTERNAÇÃO HOSPITALAR ● Presenca de sinais de alarme. ● Recusa na ingestao de alimentos e liquidos. ● Comprometimento respiratorio: dor toracica, dificuldade respiratoria, diminuição do murmurio vesicular ou outros sinais de gravidade. ● Plaquetas <20.000/mm3, independentemente de manifestacoes hemorragicas. ● Impossibilidade de seguimento ou retorno a unidade de saude. ● Co-morbidades descompensadas como diabetes mellitus, hipertensao arterial, insuficiencia cardiaca, uso de dicumarinicos, crise asmatica etc. ● Outras situacoes a criterio clinico. CRITERIOS DE ALTA HOSPITALAR Os pacientes precisam preencher todos os seis criterios a seguir: • estabilizacao hemodinamica durante 48 horas; • ausencia de febre por 48 horas; • melhora visivel do quadro clinico; • hematocrito normal e estavel por 24 horas; • plaquetas em elevacao e acima de 50.000/mm3. CLASSIFICAÇAO DE CASO Caso confirmado de dengue clássica: E o caso suspeito, confirmado laboratorialmente. Durante uma epidemia, a confirmação pode ser feita pelos critérios clinico-epidemiológicos, exceto nos primeiros casos da área, os quais deverão ter confirmação laboratorial. DENGUE HEMORAGICA: deve ter todos; a) febre ou historia de febre recente de sete dias; b) trombocitopenia (≤100.000/mm3); c)tendencias hemorragicas evidenciadas por um ou mais dos seguintes sinais: prova do laco positiva, petequias, equimoses ou purpuras, sangramentos de mucosas do trato gastrintestinal e outros; d) extravasamento de plasma devido ao aumento de permeabilidade capilar, manifestado por: • hematocrito apresentando aumento de 20% sobre o basal na admissao; • queda do hematocrito em 20%, apos o tratamento adequado; • presenca de derrame pleural, ascite ou hipoproteinemia. NA CRIANÇA: o quadro pode ser confundido com infecções virais e passar despercebido. Sendo a forma grave identificada como primeira manifestação clinica. Assim o agravo ocorre subitamente R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 28 NA GESTANTE: deve ser tratada de acordo com o estadiamento clinico. Monitorando aumento de sangramento obstétrico e alterações na fisiologia da gravidez. Elevando o risco de aborto e baixo peso ao nascer. INFLAMAÇÃO CRONICA É a resposta inflamatória que perdura por semanas ou meses ativando simultaneamente: o DESTRUIÇÃO CELULAR o TENTATIVA DE REPARO Geralmente causada por vírus, agentes ambientais e auto-imunes, com polarização de resposta mononuclear (linfócitos, macrófagos e plasmócitos). Com neoformação de vasos e proliferação de fibroblastos. Pode ser continuação de uma inflamação aguda ou se instalar de forma insidiosa e assintomática: causando dano tecidual em doenças debilitantes. Geralmente são causas de: ● Infecções persistentes: bacilo da Tb, treponema pallidum (sífilis), etc. esses organismo apresentam baixa toxicidade e evocam uma resposta inflamatória chamada hipersensibilidade tardia. ● Exposição prolongada a agentes tóxicos potenciais. Ex: aterosclerose (exposição prolongada à endógenos; lipidios tóxicos ao plasma). ● Auto-imunes desenvolve-se reações imunológicas contra tecidos próprios; formando auto- anticorpos com reação imune perpetuada e lesão tecidual. EX: artrite reumatoide, lúpus. Caracterizam-se por alterações vasculares, edema e infiltrado celular com monócitos, macrófagos, plasmócitos, processo cicatricial, angiogênese e fibrose. Os macrófagos são predominantes, derivados dos monócitos, ativados por citocinas (TNF, IFN, ETC), na inflamação crônica há proliferação local de macrófagos; liberação de proteases e citocinas que estimulam a proliferação e deposição de colágeno e angiogênese por liberação de fatores de crescimento. Os macrófagos apresentam AGS cruzados para os linfócitos, linfócitos são ativados pela liberação de TNF_a e IL_1 dos macrófagos. O Linfocito T-CD8 ativado produz IFN_y e leva a uma resposta citolitica. Já os Linfocitos B induzem diferenciação de plasmócitos e formação de anticorpos tissulares Os eosinófilos encontram-se abundantes nas reações anafilaxicas mediadas por IgE e parasitoses. Já os mastócitos, encontram-se amplamente distribuídos no tecido conjuntivo possuindo em sua membrana receptores que se ligam a Fc de imunoglobulinas. Assim, ao reconhecer AGS; sofrem degranulaçao liberando histamina e produtos do acido araquidônico. O tecido necrótico ativa cininas trans-membrana, coagulação e leucócitos-PLMN. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 29 R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 30 FATOR REUMATÓIDE: Compõe-se de uma família de anticorpos que se ligam a IgG e reconhecem constantemente sua porção Fc, reagindo com determinantes antigênicos que são mais provavelmente conformacionais. Os FRs IgM são mais abundantes e fáceis de medir. Ocorrem em 80% dos pacientes com AR e representam critério de diagnóstico. Níveis elevados estão associados a pior prognóstico e ocorrência de erosão avaliada por raios X e à deformidade. Podem ocorrer também no soro de pacientes com doenças inflamatórias ou autoimunes, bem como e indivíduos normais, especialmente idosos. Pode ser detectado pelo Elisa. ANTICORPOS ANTIPROTEÍNAS CITRULINADAS: Representam outro conjunto de especificidades autoanticorpos importantes no diagnóstico de AR. A citrulina é uma modificação pos-transcricional de um aminoácido arginina que resulta em deiminação. Pode afetar varias proteínas, como queratina e fibrinogênio, criando sítios antigênicos. Pode ser detectado por WB, Elisa ou imunoflorescência. Os anticorpos dirigidos contra os antígenos formados sãoos anti-CCP. Estão fortemente associados a AR, ocorrendo em 60-70% dos pacientes com a doença e raramente em outras formas de artrite inflamatória DOENÇAS REUMATOIDES ARTRITE REUMATOIDE Doença inflamatoria sistêmica crônica dos tecidos sinoviais de etiologia desconhecida. Altera a qualidade de vida podendo acompanhar-se de fadiga, febre baixa, anemia e elevação dos regentes de fase aguda (VHS, PCR). Os tecidos sinoviais proliferam descontroladamente, resultando em produção excessiva de liquido e erosão do osso circunscrito com danos de tendões e ligamentos. Pode ser encontrada em 1% da população mundial, com incidência 2/1 nas mulheres. A AR ocorre em associação de AGS leucocitários, determinados pela genética do paciente, onde podem ser sensibilizados por fatores ambientais (tabagismo, bactérias e vírus) e desencadear o processo autoimune por “epitopo compartilhado” R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 31 Há ativação do sistema humoral e celular com perpetuação e AR. As células T do tipo Th1 predominam nos tecidos sinoviais ativadas por AGS desconhecido apresentado pelos macrófagos. As células B ou sinoviocitos secretam citocinas que estimulam ainda mais a proliferação sinovial, pepetuaando-se por auto- antigenos. As TNF_a e IL_1 desempenham papel central no processo inflamatório O fator reumatoide é encontrado, ativando o complemento que libera enzimas lisossomais, cininas e radicais livres. DIAGNOSTICO: Não existe achado patognomonico, sendo o diagnostico clinico (anamnese + e. físico) Geralmente cursa com início insidioso de dor, rigidez e/ou edema de articulações no curso de semanas a meses. Raramente ocorrem sintomas extra- articulares antes de surgirem os problemas nas articulações. Tipicamente os sintomas iniciam-se nas articulações das mãos (interfalangianas proximais – IFP) e nos pododáctilos (metatarsofalangianas – MTF), comumente poupando IFD e pequenas articulações dos pododáctilos. Posteriormente move-se para articulações maiores, como punhos, joelhos, cotovelos, tornozelos, quadris e ombros. Se achado comprometimento IFD proeminente, considerar diagnóstico diferencial para OA ou artrite psoriásica. A presença de AR exige, além da dor, a presença de sinais flogísticos, como edema e/ou calor. Pode afetar qualquer articulação sinovial (diartroses) Assim, doenças agudas resultantes de trauma ou infecção, se não tratadas, apresentam-se como artrite crônica. Doenças autoimunes (DAI) sistêmicas, como a artrite reumatoide (AR) e o lúpus eritematoso sistêmico (LES), podemse manifestar de modo agudo e/ou monoarticular, e a gota, como poliartrite aguda. Finalmente, as espondiloartropatias, além da sacroiliíte, geralmente se apresentam como oligoartrites assimétricas, acometendo grandes articulações dos membros inferiores (MMII) na espondilite anquilosante (EA) e na síndrome de Reiter, e as articulações interfalangianas distais das mãos na artrite psoriásica. MANIFESTAÇOES: Articulaçoes sinoviais, mãos, pes, joelhos, cotovelos, porção superior da cervical e risco de osteoporose (o risco deve ser abordado) R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 32 MAOS: facilmente observam-se edema de falanges e carpos: desvio ulnar e hiperextensão das IFP (“pescoço de ganso”) na doença tardia, se houver progressão a função da mão se deteriora progressivamente com ruptura de tendões. Podem ainda ocorrer alterações pulmonares, cardíacas, oftalmológicas e neurologicas O liquido sinovial é caracterizado por contagem de leucócitos 5.000-100.000/mm³ com 2/3 PLMN, porem sem achado patognomonico. TRATAMENTO: AINES e corticoides, variáveis de acordo com a clinica do paciente. TERAPIA MARMD: celecoxib e rofecoxibe: aintiinflamatorios eficazes na AR. Lúpus Eritematoso Sistêmico O LES, multissistêmico de origem auto- imune, caracterizada por uma impressionante gama de auto- R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 33 anticorpos, particularmente anticorpos antinucleares (ANAs). É uma doença aguda ou insidiosa em seu inicio, apresentando- se de forma crônica, remitente e recorrente, frequentemente febril, caracterizada principalmente por lesões na pele, articulações, rins e membranas serosas. O LES é uma doença consideravelmente comum, com uma predominância que pode chegar a 1 em cada 2.500 indivíduos em uma dada população. PATOGENESE: A causa do LES permanece desconhecida, mas a existência de um numero aparentemente ilimitado de anticorpos contra constituintes próprios nesses pacientes indica que o problema fundamental no LES é um defeito nos mecanismos que mantêm a auto-tolerância. Os ANAs são direcionados contra diversos antígenos nucleares e podem ser agrupados em 4 categorias: 1. Anticorpos contra DNA, 2. Anticorpos contra histonas, 3. Anticorpos contra proteínas não-histonas ligadas ao RNA, e 4. Anticorpos contra antígenos nucleolares. Clinicamente, o método mais comum utilizado é a imunofluorescencia indireta, que detecta uma variedade de antígenos nucleares, incluindo aqueles de DNA, RNA e proteínas (chamados coletivamente de ANAs genéricos). O padrao de fluorescência nuclear sugere o tipo de anticorpo presente no plasma do paciente. Quatro padrões básicos são reconhecidos: ● A coloração homogênea ou nuclear difusa geralmente reflete anticorpos contra cromatina, histonas e, ocasionalmente, DNA de dupla-fita. ● A coloração periférica ou de borda é o indicador mais comumente usado para anticorpos contra DNA de dupla-fita. Padrão salpicado se refere à presença de pontilhados uniformes ou de tamanhos variados. Este é um dos padrões mais comuns de imunofluorescencia, sendo, portanto, o menos especifico. Ele reflete a presença de anticorpos contra constituintes nucleares O teste de imunofluorescência para ANAs é positivo em praticamente todos os pacientes com LES; logo, este teste é sensível, mas não é especifico, porque pacientes com outras doenças auto- imunes também obtêm resultados positivos com freqüência. Além disso, aproximadamente 5 a 15% dos indivíduos normais possuem títulos baixos desses anticorpos. A incidência aumenta com a idade.Anticorpos contra DNA de dupla-fita e os antígenos chamados Smith (Sm) são essencialmente patognomônicos para LES. Os pacientes têm complicações associadas a hipercoagulação. Eles apresentam tromboses venosas e arteriais, que podem estar R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 34 associadas a abortos espontâneos recorrentes e isquemia focal cerebral ou ocular. Essa miríade de aspectos clínicos, em associação ao lúpus, é chamada síndrome dos anticorpos antifosfolipídios secundaria. FATORES GENETICOS: O LES é uma característica genética complexa, da qual participam genes do MHC e diversos genes não-MHC. FATORES AMBIENTAIS: O exemplo mais claro vem da observação de que drogas como a hidralazina, procainamida e D-penicilamina podem induzir uma resposta semelhanteao lúpus em humanos. A exposição à luz ultravioleta é um outro fator ambiental que exacerba a doença em muitos indivíduos. Não está inteiramente claro como a luz ultravioleta atua, mas suspeita-se que ocorra a modulação da resposta imune. Hormônios sexuais parecem exercer uma influencia importante na ocorrência e manifestações do LES. Durante os anos férteis, a freqüência de LES é 10 vezes maior em mulheres do que em homens, e foi observada a exacerbação da doença durante menstruações normais e gravidez. FATORES IMUNOLOGICOS; Parece que a produção de anticorpos que lesionam tecidos é comandada por antígenos próprios e resulta de uma resposta de células B dependente de células T auxiliares antígeno-especificas, com muitas das características de respostas a antígenos estranhos. Estas observações reverteram a responsabilidade pela indução da resposta imune para as células T auxiliares. Outros fatores que contribuem são a eliminação defeituosa das células apoptoticas, mencionada anteriormente, e a desregulação das citocinas, particularmente interferons. O LES é, no entanto, uma doença heterogênea, e, a produção de diferentes auto-anticorpos é regulada por fatores genéticos distintos. Portanto, pode de fato haver distúrbios imunorregulatórios em pacientes com diferentes contextos genéticos e perfis de auto-anticorpos. Independentemente da sequencia exata de formação dos auto- anticorpos, eles atuam como mediadores definitivos da lesão tecidual. A maior parte das lesões viscerais é mediada por imunocomplexos (hipersensibilidade tipo III). Os auto-anticorpos contra celular vermelhas, leucócitos e plaquetas opsonizam essas células e promovem sua fagocitose e lise. Assim o LES é uma doença complexa de origem multifatorial, resultante da interação de fatores genéticos, hormonais e ambientais, que atuam em conjunto para causar a ativação das células T auxiliares e células B, resultando na secreção de diversos tipos de auto-anticorpos. Nessa intrincada rede, cada fator pode ser necessário, porem individualmente não suficiente, para a expressão clinica da doença; a importância relativa de R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 35 diversos fatores pode variar de um individuo para outro. Rash na face, febre, dor em uma ou mais articulações periféricas, porem sem apresentar de deformidades (pés, tornozelos, joelhos, quadris, dedos, punhos, cotovelos, ombros), dor torácica pleurítica e fotossensibilidade. Em muitos pacientes, no entanto, a apresentação do LES é sutil e confusa, assumindo formas como doença febril de origem desconhecida, achados urinários anormais ou doenças nas articulações mascaradas como artrite reumatóide ou febre reumática. Anticorpos contra DNA de dupla-fita e antígenos Sm são praticamente determinantes no diagnóstico de LES. Uma variedade de achados clínicos pode apontar para comprometimento renal, incluindo hematúria, cilindros hemáticos, proteinúria e, em alguns casos, síndrome nefrótica clássica. Anemia ou trombocitopenia podem ser a manifestação apresentada, assim como o problema clinico dominante. Em outros casos ainda, distúrbios mentais, incluindo psicose ou convulsões, ou doença arterial coronariana, podem ser problemas clínicos de destaque. Pacientes com LES também são propensos a infecções, possivelmente por causa de sua disfunção imune subjacente e de seu tratamento com drogas imunossupressoras. O curso da doença é variável e imprevisível. Durante os episódios agudos, a formação elevada de imunocomplexos e a ativação do complemento associada com freqüência resultam em hipocomplementemia. Exacerbações da doença são comumente tratadas com corticosteróides ou outras drogas imunossupressoras. As causas mais comuns de óbito são por falência renal e infecções. GOTA E ARTRITE GOTOSA Os depósitos articulares de cristais estão associados a uma variedade de distúrbios articulares agudos e crônicos. Os cristais endógenos conhecidamente patogênicos incluem o R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 36 urato monossódico (gota), diidrato pirofosfato de cálcio e o fosfato cálcico básico (hidroxipatita). Cristais exógenos como os cristais de ésteres de corticoesteróides, talco, polietileno e metilmetacrilato, também podem induzir doença articular. O silicone, polietileno e metilmetacrilato são utilizados em articulações protéicas, e seus detritos, que se acumulam com o uso e desgaste, podem levar à artrite e à falha da prótese. Cristais endógenos e exógenos produzem doença por desencadear a cascata que resulta na destruição cartilaginosa mediada por citocinas. A gota é o ponto terminal comum de um grupo de distúrbios que produzem hiperuricemia. Ela é marcada por ataques transitórios de artrite aguda iniciados pela cristalização dos uratos dentro e ao redor das articulações, eventualmente levando a uma artrite gotosa crônica e à deposição de massas de uratos nas articulações e em outros sítios, criando tofos. Os tofos consistem em grandes agregados de cristais de urato cercados por reação inflamatória. A maioria dos pacientes, mas nem todos, com gota crônica também desenvolve neuropatia pelo urato. Apesar de a hiperuricemia ser uma condição para o desenvolvimento da gora, ela não é o único determinante. Níveis plasmáticos de urato acima de 7 mg/dl são considerados elevados por exceder o valor de saturação para o urato em temperatura corporal e pH normais. PATOGENES: O acido úrico é o produto final do metabolismo das purinas. Duas vias são envolvidas na síntese das purinas: I. A via na qual as purinas são sintetizadas a partir de precursores não-purínicos e; II. Uma via de salvação na qual as bases livres de purina derivadas da degradação dos ácidos nucléicos de origem exógena ou endógena são recapturadas (salvas). A enzima hipoxantina guanina fosforibosil transferase (HGFRT) está envolvida na via de salvação. Uma deficiência desta enzima leva a um aumento da síntese dos nucleotídeos da purina através de uma via de novo e consequentemente aumento da produção de acido úrico. A grande maioria dos casos de gota é primária, na qual o defeito metabólico por trás dos níveis elevados de ácido úrico é desconhecido. A hiperuricemia não leva necessariamente a gota. Muitos fatores contribuem para a conversão de uma hiperuricemia assintomática em gota primária, incluindo os abaixo: ● A idade do indivíduo e a duração da hiperuricemia. A gota raramente aparece antes de 20 a 30 anos de hiperuricemia; R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 37 ● A predisposição genética é outro fator. Além das bem definidas anormalidades ligadas ao X do HGFRT, a gota primária segue uma hereditariedade multifatorial e ocorre em famílias; ● O consumo elevado de álcool predispõe a ataques de artrite gotosa; ● A obesidade aumenta o risco de gota assintomática; ● Certas drogas predispõem ao desenvolvimento da gota; ● Toxicidade pelo chumbo aumenta a tendência para desenvolver gota saturnina. O centro para a patogênese da artrite éa precipitação dos cristais de urato monossódico nas articulações. O liquido sinovial é um solvente inadequado para o urato monossódico quando comporado ao plasma, e consequentemente na hiperuricemia, os uratos no liquido articular ficam supersaturados, particularmente nas articulações periféricas, que podem apresentar temperaturas inferiores a 20ºC. Com a hiperuricemia prolongada, os cristais e os microtofos de urato surgem na sinóvia e na cartilagem articular. Algum evento desconhecido, possivelmente trauma, inicia a liberação dos cristais para o líquido sinovial, o que inicia uma cascata de eventos. Os cristais liberados são quimiotáticos para os leucócitos e também ativam o complemento, com a geração de C3a e C5a, levando ao acumulo de neutrófilos e macrófagos nas articulações e membranas sinoviais. A fagocitose dos cristais induz à liberação de radicais livres tóxicos e leucotrienos (LTB). Os neutrófilos ativados liberam enzimas lisossomais destrutivas e os macrófagos e sinoviócitos secretam uma variedade de mediadores, que intensificam ainda mais a reação inflamatória e aumentam a lesão nas estruturas articulares. A artrite crônica e à formação de tofos nas membranas sinoviais inflamadas no tecido periarticular e outros locais. Com o tempo, se desenvolve um dano severo da cartilagem, gerando uma diminuição da função articular. Não se sabe porque a artrite crônica é assintomática durante intervalo de dias a meses, mesmo na presença abundante de cristais sinoviais na articulação. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 38 CURSO CLINICO: 1. Hiperuricemia assintomática; 2. Artrite gotosa aguda; 3. Gota intercrises; e 4. Gota tofácea crônica FEBRE REUMATICA Após algum episódio de faringite por estreptococos do grupo A. A cardite reumática aguda presente durante a fase ativa da FR pode progredir para cardiopatia reumática (CR) crônica. A conseqüência mais importante da FR é a deformidade crônica das valvas, caracterizada principalmente pela doença valvular fibrotica deformante (particularmente estenose mitral), que produz disfunção permanente e problemas cardíacos graves, às vezes fatais, décadas mais tarde. PATOGENES: estreptococos do grupo A, porém a patogênese exata permanece incerta. Acredita-se que os anticorpos dirigidos contra as proteínas M de certas cepas de estreptocos reagem cruzadamente com antígenos glicoprotéicos do coração, das articulações e de outros tecidos. O inicio dos sintomas 2 a 3 semanas após a infecção e a ausência de estreptococos nas lesões corroboram a idéia de que a FR resulta de uma resposta imune contra as bactérias responsáveis pela infecção, desencadeando uma resposta auto- imune contra auto-antígenos. As seqüelas crônicas resultam da fibrose progressiva decorrente tanto da cicatrização das lesões inflamatórias agudas quanto da turbulência induzida pelas deformidades valvulares. CARACTERISTICAS: ● A poliartrite migratória das grandes articulações; ● A cardite; ● Os nódulos subcutâneos; ● O eritema marginado da pele; e ● A coréia de Sydenham, um distúrbio neurológico caracterizado por movimentos rápidos, despropositados e involuntários. As manifestações clinicas predominantes são as da artrite e da cardite. A artrite é bem mais comum nos adultos do que nas crianças. Geralmente principia com poliartrite migratória acompanhada de febre, que se caracteriza pelo acometimento sucessivo das grandes articulações, as quais se tornam dolorosas e inchadas durante alguns dias. Após essa fase, a poliartrite desaparece espontaneamente, sem deixar nenhuma incapacidade residual. A cardite aguda incluem atrito pericárdico, sons cardíacos fracos, taquicardia e arritmias. Após o ataque inicial, os pacientes tornam-se mais vulneráveis à reativação da doença após novas infecções faríngeas, e é provável que apareçam as mesmas manifestações em cada ataque recorrente. FRIBROMIALGIA É uma síndrome reumatológica não articular, caracterizada por dores R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 39 difusas do aparelho locomotor, de curso crônico, superior a 3 meses, predominando em mulheres, com pontos dolorosos em locais anatômicos previamente estabelecidos na literatura médica, e que costumam cursar com rigidez matinal, distúrbio do sono, irritabilidade do cólon e fadiga. Pacientes podem referir outros sintomas subjetivos, como dificuldades cognitivas, distúrbios vestibulares, precordialgia, síndromes uretrais, cefaléia, alterações afetivas, artralgias, sensação de edema em mãos, parestesia distal, fenômeno de Raynaurd-símile, etc. Fibromialgia, osteoartrose e artrite reumatóide são as 3 enfermidades mais freqüentes da clinica reumatológica. Os pontos dolorosos são nove pares simétricos, perfazendo total de 18 pontos. Considera-se teste positivo para fibromialgia a presença mínima de 11 pontos. Estabeleceram-se os seguintes pares de áreas dolorosas: PATOGENESE: A etiologia é desconhecida. É aceito que a doença se instale em indivíduos predispostos, submetidos à ação de fatores ambientais, como trauma físico, infecções, distúrbios psicossociais, alterações endocrinológicas e doenças auto-imunes. Hipótese – a patogênese possa ser disfunção do SNC, sugerida pela secreção anômala dos hormônios do eixo neuroendrócrnio e distúrbio autonômico. Anormalidades no processamento sensorial tem sido observadas, como a menor sensibilidade do doente com fibromialgia aos estímulos elétricos, térmicos e pressores, em relação aos indivíduos normais. Há hiperestimulaçao de substancia P e ativação de mecanismo de sensibilização central. OSTEOARTRITE (ARTROSE) A osteoartrite, doença articular degenerativa, artrose ou osteoartrose, como ainda é conhecida no nosso meio, é a doença reumática mais prevalente entre indivíduos com mais de 65 anos de idade. É uma afecção dolorosa das articulações que ocorre por insuficiência da cartilagem, ocasionada por um desequilíbrio entre a formação e a destruição dos seus principais elementos, associada a uma variedade de condições como: sobrecarga mecânica, alterações bioquímicas da cartilagem e membrana sinovial e fatores genéticos. É uma doença crônica, multifatorial, que leva a uma incapacidade funcional progressiva. DOENÇAS FEBRIS FEBRE DE ORIGEM DESCONHECIDA CLASSICA >= 37,8°C em varias ocasiões > 3 semanas Ausência de diagnostico após 3 dias de investigação hospitalar ou 3 consultas ambulatoriais. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 40 NOSOCOMAIL- hospitalar Paciente internado Febre >= 37,8°C em varias ocasiões Ausência de infecção ou doença incubada a admissão Ausência de diagnostico após 3 dias de investigação, incluindo cultura microbiologica FEBRE NO PACIENTE NEUTROPENICO Neutrófilos , 500/mm³ Febre >= 37,8°C em varias ocasiões Ausência de diagnostico após 3 dias de investigação, incluindo cultura microbiológica FEBRE ASSOCIADA AO HIV Infecção HIV confirmada Febre >= 37,8°C em varias ocasiões Duração >= 4 semanas (ambulatorial) ou > e diasem internados com ausência de diagnostico após 3 dias apesar de investigação adequada incluindo cultura microbiológica. CAUSAS: ● 43% infecciosas (TB, salmonelose, esquistossomose, endocardite, abscesso, malária, toxoplasmose) ● 18% miscelania ● 17% neoplasias; adenocarcinoma, leucemia, linfoma, metástase ● 14% colagenoses ● 8% não diagnosticada SISTEMATIZAR: 1. Certifique-se que o paciente tem febre 2. Exame clinico sistematizado e minucioso: historia completa, hábitos, animais, viagens, hábitos sexuais, uso de drogas, comparação de curva térmica, etc. 3. Excluir doenças graves tratáveis: Tb, endocardite, abscesso sub-frenico, colecistíte, salmonelose prolongada. 4. Excluir febre prolongada por medicamentos 5. Excluir imunodepressão; solicitar exames complementares p/ diagnostico diferencial; anti-hiv e etc. 6. Pensar em associação de doenças 7. Definir critérios de indicação terapêutica 8. Manter boa relação medico- paciente. SUGEREM OU AFASTAM INFECÇÃO: ● Maior Duração da febre < probabilidade infecciosa ● Doenças infecciosas; diagnostico no 1º trimestre ● PCR > 100mg/dl; infecção bacteriana ● Leucocitose com desvio a esquerda; infecção bacteriana SUGEREM OU AFASTAM NEOPLASIA: ● Mialgia e artralgia falam contra neoplasia ● Teste do naproxeno+ sugere febre de neoplasia R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 41 ● Perda > 1kg/sem sugere neoplasia ● Eosinofilia sugere helmintose (principalmente esquistossomose) ou neoplasia (doença de hodkin/linfonodos) INFECÇOES: BRUCELOSE: alimentos não pasteurizados contaminados com placenta de animais infectados. Febre insidiosa intermitente, noturna com cefaleia, anorexia e artralgia, com fadiga as esforços e linfadenomegalia cervical e axilar FEBRE TIFOIDE: infecção por salmonela Typi, retrata ma condições de saneamento; contaminçao oral-fecal.. 1-7 dias de febre escalonada, dor abdominal, náuseas, vômitos e anorexia. Em 2 semanas os sintomas intensificam-se com > comprometimento neurológico podendo evoluir para coma. ROSEOLA TIFICAS: maculas no tronco de complicação; hemorragia por perfuração intestinal (formas graves). HEPATITE AGUDA VIRAL: mal esta, nause, vomito, febrícula, hepatoesplenomegalia dolorosa, alterações ALT/AST, colestase e hiperbilirrubinemia LESHMANIOSE: Infecção dos sistema reticulo- endotelial: leshmania donovani(visceral)/chagasi(tegumentar. Vetor: Lutzomia; mosquito birigui, palha. Cão: hospedeiro intermediário. BIOLOGIA: é um intra-celular obrigatório dos macrófagos, a forma PROMASTIGOTA (flagelada) encontra- se no intestino da femea do mosquito, ao ser inoculado com a picada, invade os macrófagos e assume a forma AMASTIGOTA (arredondada), aderindo ao macrófago e sofrendo fagocitose do flagelo, iniciando sua fase replicativa, cada macrófago infectado origina dezenas de parasitas até ser destruído e iniciar a “viremia”, os parasitas livres são novamente fagocitados e iniciam novo ciclo. Afeta o fígado, baço e medula óssea Hemograma: leucopenia progressiva com linfocitose e monocitose, plaquetopenia e anemia. Proteinas totais elevadas: Hipergamaglobulinemia. Albumina <3g/dl. DIAGNOSTICO: aspirado de medula ossea com forma amastigota ou isolamento do parasita. TRATAMENTO: Deve-se considerar a faixa etária, presença de gravidez e co- morbidades. ● ANTIMONIAL PENTAVALENTE: pode ser administrado no nível ambulatorial ● ANFOTENICINA B: indicada para gestantes ou pacientes com co- morbidades e toxicidade aos antimoniais. É o fármaco mais potente. o DESOXICOLATO DE ANFOTENICINA o ANFOTENICINA B LIPOSSOMAL R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 42 CONTRA-INDICAÇOES: Antimonato de meglumina - insuficiência renal; - insuficiência hepática; - insuficiência cardíaca; - uso concomitante de medicamentos que alteram o intervalo QT corrigido com duração maior que 450 ms; - gravidez; - idade maior de 50 anos; - hipersensibilidade aos componentes da formulação. Anfotericina B desoxicolato - insuficiência renal; - hipersensibilidade aos componentes da formulação. Anfotericina B lipossomal - hipersensibilidade aos componentes da formulação. ANTIMONIATO: ampola 5ml; atua contra amastigotas inibindo atividade glicolitica e via oxidativa dos a. graxos; inibindo metabolismo energético do parasita. LIMITES: 2-3ampolas/dia (20-40 dias) Embora não existam evidências para escolha do tratamento em pacientes com mais de 50 anos de idade, transplantados renais, cardíacos e hepáticos, o comitê assessor sugere que tais pacientes sejam tratados com a anfotericina B lipossomal. A solicitação da anfotericina B lipossomal deverá ser feita por meio da ficha específica de solicitação R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 43 PARA PROFILAXIA: ● Crianças ● Neutrofilos < 500MM³ Nessa situação, o antibiótico poderá ser suspenso de três a cinco dias, depois que os neutrófilos ultrapassarem o número de 500 células/mm3 no sangue periférico, desde que as culturas tenham sido negativas e o paciente esteja clinicamente estável Assim como quadros de pneumonia, impetigo, celulite, otite e infecção do trato urinário, e para pacientes que apresentem sinais de toxemia.: pacientes com alteração da perfusão de órgãos, com má perfusão periférica, alteração do estado de consciência, taquipneia, taquicardia, hipotensão, oligúria ou distúrbios da coagulação sanguínea devem receber o diagnóstico presuntivo de sepse e a antibioticoterapia empírica deve ser iniciada. ESQUEMA: inclui a ceftriaxona isoladamente ou, em casos de infecção de pele ou tecido celular subcutâneo, ceftriaxona associada à oxacilina • Ceftriaxona: • Criança: 75 a 100 mg/kg/dia, em uma ou duas doses diárias, por via endovenosa. • Adulto: 2 g/dia, em uma ou duas doses diárias, por via endovenosa. • Oxacilina: • Criança: 100 a 200 mg/kg/dia, divididos em quatro doses diárias, por via endovenosa. • Adulto: 8 a 12 g/dia, divididos em quatro doses diárias, por via endovenosa EFEITOS COLATERAIS ● antimoniato-N-metil glucamina cardiovascular; distúrbios de repolarização (inversão e achatamento da onda T e aumento do intervalo QTC. Após o 20.º dia de tratamento, deve-se realizar eletrocardiograma semanal e uma cuidadosa ausculta cardíaca, diariamente, até o término do mesmo, sempre antes de cada infusão, com o objetivo de se detectar arritmias. Em caso de arritmias o medicamento deve ser imediatamente suspenso e o paciente tratado com drogas alternativas. OUTROS: artralgias; adinamia; anorexia; dor no local da aplicação (IM) e aumento da diurese por perda transitória da capacidade de concentração urinária. Em geral, observa-se alteração dos níveis de amilase sem repercussão clínica que não requer suspensão do tratamento. Deve ser interrompido se ocorrer um aumento, em relação aos níveis normais, superior a 4 vezes para amilase e 15 vezes para lípase. CRITERIOS DE CURA R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 20 1 4 Página 44 CLINICOS: inespecíficos: ● Melhora do apetite e do estado geral ● Desaparecimento da febre (2-5dias após tx) ● Ganho ponderal e redução do volume do baço e do fígado nas primeiras semanas ● Melhora dos parâmetros hematogenicos ● Se evolução clinica favorável: controle parasitológico dispensavel O paciente deve ser acompanhado durante 6 meses, ao final desse período, se o paciente permanecer estável; considera-se clinicamente curado. Se houver sintomatologia em ate 12 meses, sera considerada recidiva. ESTADIAMENTO: para formas graves leva-se em conta: ● Idade > 40 anos ● Sangramentos em mais de 2 sitios ● AIDS ● Leucócitos < 1.500, plaquetas < 50.000 e insulficiencia renal (edema) e AST/ALT > 100 HIV INFECÇÃO: a maioria das infecções ocorre através da mucosa genital e retal durante o ato sexual. Nas primeiras horas o vírus se estabelece na mucosa contaminando células dendriticas, macrófagos e linfócitos CD4; um único foco faz com que a imunidade inata envie linfócitos Treg; CD4 que são infectados, a partir de então os vírus começam a se replicar – a imunidade inata envia mais CD4 acentuando ainda mais a infecção, disseminando para linfonodos locais e depois linfonodos sistêmicos: estabelecendo e mantendo a produção de vírus nos tecidos linfoides e reservatório viral em LT CD4 de memoria, ocorrendo replicação viral e livre circulação na corrente sanguínea com pico da viremia em 21-28 dias e declineo acentuado de CD4+. Após a infecção, há um perido de aproximadamente 10 dias chamada fase ECLIPSE; de latência viral antes que o RNA seja detectável no plasma (janela imunológica). Inicialmente ocorre certa resposta de CD8 com controle parcial da infecção (antes da sosroconversao que leva a formação de ACS) mas não suficiente para impedir a lenta e progressiva redução de CD4 e progressão para AIDS A resposta celular débil leva ao predomínio da resposta humoral com formação de ACS e controlando a viremia ate certo ponto. Assim a produção de ACS ocorre contra glicoproteínas do envelope ● GP120 ● GP41 ● P24 IgM e IgG, no entantanto a IgM não se restringe somente a fase aguda, podendo apresentar-se em vários momentos ● IgG anti-HIV: elevada por anos ● IgM: intermitente ou desaparece R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 45 Com essa base, as reações de afinidade AGS/ACS as´a base dos testes de identificação de fase aguda/crônica. TRIAGEM: atualmente se faze ensaios de 3ª e 4ª geração. Os mais sensíveis são western blot, imunoblot ou imunoblot rápido; empregados em infecção crônica. Os ensaios de 4ª geração detectam tanto Ags (p24) e acs específicos (gp41 e gp120) Para fase aguda, os teste moleculares são os mais empregados e adequados. Em exceção, indivíduos de elite (que mantem o valor da carga viral baixa por maior tempo) mantem viremia indetectável em teste moleculares, assim testes confirmatórios (WB, IB e IBR) são os indicados. FASE AGUDA: ● teste de triagem sanguínea IE (3ª e 4ª geração) ● Teste molecular confirmatório (PCR) FASE CRONICA: (95% dos diagnósticos) ● IE de triagem sanguínea ● Western blot confirmatorio SITUAÇOES COMUNS DE SOLICITAÇÃO ● Triagem de soro de sangue doado ● Hemoderivados e órgãos p/ transplante; vigilância ● Realizar diagnostico de infecção por HIV RECOMENDAÇOES DE TESTES RAPIDOS: ● Populaçao flutuante ● Paciente em pronto socorro ● Violência sexual ● Parturiente sem pré-natal ● Acidente biológico ● População vulnerável, etc. FARMACOLOGIA O HIV é um retrovírus, de genoma RNA dentro de um capsídeo circundado por envelope lipídico clivado de glicoproteínas O capsídeo contem algumas enzimas: ● TRANSCRIPTASE REVERSA: transcreve o RNA viral em DNA de fita dupla ao entrar na célula, logo após isso a RNA_polimerase e as INTEGRASES transcreve de volta o RNA viral produzindo: RNA VIRAL GENOMICO e RNA_m viral que codifica proteínas virais, formando genoma e infectando novas celulas. ● PROTEASES: cliva proteínas virais durante a montagem e maturação na fase de latência AZT(AZIDOTIMIDINA)-ZIDOVUDINA; consiste em um açúcar + base timina. Formando sequencia obrigatória de terminação de cadeia. Acumula-se em todas as celulas, seu alvo é inibição da transcriptase reversa e integrases. Sua toxicidade causa supressão da medula óssea; neutropenia e anemia. INIBIDORES NUCLEOSIDIOS DA DNA POLIMERASE: ● LAMIVUDINA ou 3TC; te ausência de certa toxicidade e inibição relativamente fraca da DNA_polimerase mitocondrial, assim torna-se um inibidor potente da transcriptase reversa. Entretanto R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 46 desenvolve rápida resistência em paientes tratados com fármaco sem assciaçao. ● ENTRICITABINA (FTC); vantagem; pode ser ADM 1xdia, com efeito e aço similar ao 3TC INIBIDORES NÃO-NUCLEOSIDIOS DA DNA_POLIMERASE: ● FOSCARNET (PFA), inibe a replicação celular, porem apresenta baixa biodisponibilidade oral e alta toxicidade renal INIBIDORES NÃO-NUCLEOSIDIOS DA TRANSCRIPTASE REVERSA; ● EFAVIRENS ● NEVIRAPINA ● DELAVIRDINA Inibem o alvo diretamente sem necessidade de modificação química, com boa biodisponibilidade oral. EFEITO ADVERSO: exantema e resistência ao fármaco. INIBIDORES DE PROTEASE: inibem a maturação viral, os efeitos adversos são relacionados ao sistema metabólico: LIPODISTROFIA; lipoatrofia ou lipohipertrofia ● NELFNAVIR ● LOPINAVIR ● DRVNAVIR ● RITONAVIR (mais usado) INIBIDORES DE FUSÃO: bloqueiam a ligação do virion com a célula humana; retardando a progessao do HIV ● ENFUVIRTIDE ● MARAVIROC ● IBALIZUMAB QUANDO INICAR A TARV A instituição da terapia antirretroviral (TARV) não tem o objetivo de erradicar a infecção pelo HIV, mas diminuir sua morbidade e mortalidade, melhorando a qualidade e a expectativa de vida das pessoas que vivem com HIV/aids (PVHA). Observa que pessoas com reconstituição imune, em uso de TARV, que mantêm contagens de LT-CD4+ acima de 500 células/mm3 e carga viral indetectável atingem expectativa de vida semelhante à da população geral. Ressalta-se que, quando o tratamento é iniciado precocemente, aumentam-se as chances de se alcançar níveis elevados de LT-CD4+. Todavia, deve-se considerar a importância da adesão e o risco de efeitos adversos no longo prazo. A TARV está indicada para todos os indivíduos sintomáticos, Imunodeficiência ● Avançada (doença definidora de aids) ● Moderada • Manifestações clínicas atribuídas diretamente ao HIV: o Nefropatia associada ao HIV (NAHIV): o Alterações neurológicas atribuídas ao o Cardiomiopatia associada ao HIV. Recomenda-se iniciar TARV para todas as PVHA com TB ativa, independentemente da forma clínica e contagem de LT-CD4+. Seu início deve R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 47 ser precoce, entre a 2ª e 8ª semana após o início do tratamento da tuberculose. DOENÇAS DEFINIDORAS DE SIDA; com sorologia positiva ● perda involuntária > 10% do peso normal, mais diarreiacrónica (fezes moles duas vezes por dia durante 30 dias) ou astenia crónica e febre sem explicação documentada durante 30 dias ● Candidíase esofágica, traqueal, brônquica ou pulmonar ● Coccidiomicose disseminada ou extrapulmonar ● Criptococose extra-pulmonar ● Criptosporidiose intestinal crónica (diarreia superior a um mês) ● Cytomegalovirus de qualquer orgão que não o fígado, baço ou ganglionar ● Demência associada ao VIH: disfunção cognitiva incapacitante, disfunção motora interferindo com as actividades da vida diária, ou ambas ● Encefalopatia relacionada com VIH ● Encefalite por toxoplasma ● Herpes simplex crónico (úlcera mucocutânea com mais de um mês, ou bronquite, pneumonite ou esofagite) ● Histoplasmose disseminada ou extra-pulmonar ● Linfoma de Burkitt imunoblástico ou primário do cérebro ● Linfoma não-Hodgkin, de células B ou de fenótipo imunológico desconhecido, e histologia mostrando linfoma de células pequenas não divididas ou sarcoma imunoblástico. ● Mycobacterium avium complex (MAC) ou Mycobacterium kansasii disseminado ● Outra Micobacteriose disseminada ou extrapulmonar ● Pneumonia por Pneumocystis jiroveci (ex Pneumocystis carinii) ● Pneumonia bacteriana recorrente (pelo menos dois episódios em 12 meses) ● Retinite por Cytomegalovirus ● Sarcoma de Kaposi em doente com menos de 60 anos (ou acima dos 60 ● Septicemia recorrente por Salmonella (não tifoide) ● Strongiloidíase extra-intestinal ● Toxoplasmose de orgão interno [cerebral] ● Tuberculose pulmonar ou extra- pulmonar TARV E INDIVIDUOS ASSINTOMATICOS: • LT-CD4+ menor ou igual a 500 células/mm3 • LT-CD4+ acima de 500 células/mm3 na coinfecção pelo vírus da hepatite B (HBV) A progressão da hepatite B é mais rápida em coinfectados pelo HIV e pelo HBV do que entre os monoinfectados pelo HBV, e o risco de morte por complicações decorrentes de doença hepática é superior em indivíduos com LT-CD4 < 500 células/mm3. Pacientes com indicação de tratamento para hepatite B, e para os quais o interferon não esteja R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 48 recomendado, devem iniciar mais precocemente a TARV. Considerar o início de TARV nas seguintes situações: • LT-CD4+ acima de 500 células/mm3 o Doença cardiovascular estabelecida ou risco cardiovascular elevado (acima de 20%, No estudo SMART, os pacientes que suspenderam TARV tiveram maior frequência de evento cardiovascular e óbito quando comparados ao grupo de tratamento supressivo. Pacientes que iniciam TARV melhoram significativamente a função das células endoteliais, ainda que ocorra uma piora metabólica, o que pode aumentar o risco cardiovascular. A durabilidade da melhora da função das células endoteliais é transitória, pois mesmo os pacientes com carga viral indetectável continuam a ter marcadores inflamatórios alterados quando comparados aos pacientes HIV negativos, ou seja, mantêm o quadro de inflamação. A depleção do LT-CD4+ do tecido linfoide associado ao trato gastrointestinal (GALT) parece ser precoce, o que representaria um facilitador de translocação antigênica e manutenção da ativação imune e do risco cardiovascular. Nessas situações, deve-se individualizar a conduta sobre o início mais precoce de TARV. o Neoplasias não definidoras de aids com indicação de quimioterapia ou radioterapia. Em pessoas que iniciarão tratamento potencialmente imunossupressor, pode-se considerar o início mais precoce de TARV. Início de TARV em gestantes Está recomendado o início de TARV para todas as gestantes, independentemente da presença de sintomas ou da contagem de LT-CD4+. Recomenda-se também a manutenção da terapia antirretroviral após o parto, independentemente do nível de LT- CD4+ no momento do início. Início de TARV para pessoas vivendo com HIV em parcerias sorodiscordantes R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 49 RECOMENDAÇOES PARA TERAPEUTICA, • Inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeos e nucleotídeos (ITRN/ITRNt); • Inibidores da transcriptase reversa não análogos de nucleosídeos (ITRNN); • Inibidores da protease reforçados com ritonavir (IP/r). A terapia inicial deve sempre incluir combinações de três antirretrovirais, sendo dois ITRN/ITRNt associados a um ITRNN ou IP/r ALERTAR: risco de osteoporose e aterosclerose; iniciar suplementação de cálcio 1g/dia e vit D. TESTE DE GENOTIPAGEM Recomenda-se o exame de genotipagem para o HIV, disponível no SUS para detecção de resistência aos antirretrovirais. O teste de genotipagem otimiza a escolha do esquema de resgate, reduzindo a chance de acúmulo progressivo de mutações e de ampla resistência a antirretrovirais. Critérios para realização do teste de genotipagem pela Renageno: 1. Falha virológica confirmada em coleta consecutiva de carga viral após intervalo de quatro semanas; 2. Carga viral superior a 1.000 cópias/mL; 3. Uso regular de TARV por pelo menos seis meses. TRANSMISSÃO VERTICAL Entre os exames essenciais do pré-natal inclui-se a obrigatoriedade da oferta do teste anti-HIV a todas às gestantes, com aconselhamento pré e pós-teste. O diagnóstico precoce permite o controle da doença materna e a prevenção da transmissão vertical do HIV. PREVENÇÃO E CONTROLE • TARV instituída de acordo com criteriosa avaliação clínica e laboratorial da gestante. • Via de parto indicada de acordo com os níveis da carga viral materna, aferida no final da gestação (34ª semana). • Quimioprofilaxia instituída com o AZT injetável na parturiente, no início do trabalho de parto, permanecendo até o clampeamento do cordão umbilical. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 50 • Quimioprofilaxia instituída com o AZT em solução oral no recém-nascido, logo após seu nascimento, permanecendo em uso por 42 dias. • Criança alimentada, exclusivamente, com a fórmula infantil. DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÕNICA – DPOC Obstrução lenta e progressiva das vias aéreas, geralmente associada ao tabagismo, Não reversível, não secundaria a outra causa especifica. Com graus variados de 3 processos: ● Bronquite crônica ● Obstrução de vias aéreas pequenas ● Efisema A obstrução e o enfisema podem não ser notáveis como na bronquite, podendo melhorar com tratamento, mesmo com descompensaçao por infecções agudas ou exposição a fatores agravantes. EPIDEMIOLOGIA: historia de tabagismo. Os índices mais utilizados para avaliar a obstrução das vias aéreas é o volume expiratório forçado em 1 segunda VEF, paciente com queda de até 100ml/ano desenvolvem DPOC com incapacidade por dispneia. A interrupção do habito de fumar pode prevenir o inicio da doença grave. PATOGENESE: ● BRONQUITE CRONICA: tosse e produção de escarro crônico por pelo menos 3 meses em pelo menos 2 anos consecutivos na ausência de outra doença. Há hipertrofia das glândulas secretoras de muco, com inflamação neutrofilica de baixo grau e aumento dos músculos lisos das vias aéreas ● DOENÇA DAS VIAS PERIFERICAS: ocorre aumento na resistência do fluxo aéreo nos brônquios por fibrose,espessamento das paredes e estreitamento da luz. ● ENFISEMA: há dilatação dos espações aéreos distais de condição (bronquíolo respiratório e alvéolo), secundário a destruição das paredes. o CENTROLOBAR: brônquios respiratórios com alvéolos respiratório normais o PANACINAR: toda porção distal, distorcendo e destruindo os alvéolos e bronquíolos respiratorios Assim a DPOC caracteriza-se por hiperinsuflação pulmonar, com perda da retração e limitação do volume expiratório, e a capacidade de difusão do CO2 esta reduzida no efisema devido a perda de superfície alveolar, com hipoxemia artéria DISPNEIA: principal causa da incapacidade na DPOC, surgindo de um esforço muscular aumentado em relação ao nível de ventilação atingido. Incapacidade de músculos inspiratórios e limitação de fluxo expiratório. EXAME FISICO: aumento da FR acima de 20 IRPM, tórax em tonel, diafragma baixo e bulhas cardíaca hipofoneticas. Pacientes graves R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 51 utilizam musculatura infra-hioidea acessoria. EXAMES RADIOLOGICOS: em casos avançados; diafragma retificado, espaço retro-esternal aumentado e um coração aparentemente pequeno, plenitude do hilo pulmonar e evidencias de C.A de pulmão como diagnostico diferencial. PARACOCIDIOIDO MICOSE Paracoccidioides Brasiliensis. No adulto predomina forma crônica enquanto nas crianças e adolesce; forma aguda e sub- aguda. Se não tratada, pode levar a forma graves e letais com rápido e progressivo envolvimento dos pulnoes, tegumento, gânglio, baço, fígado e órgãos linfoides no tubo digestivo. Uma proporção pequena de indivíduos expostos desenvolve alguma manifestação clinica da micose. Podendo provocar morte prematura em gestantes, acometendo indivíduos 30-50 anos sendo 90% dos casos no sexo masculino, de maior incidência em zona rural e com desmatamento. CONTAMINAÇÃO: o fungo apresenta filamentos contendo propágulos infectantes (conídios). Quando inalados darão origem a forma leveduriforme (forma parasitaria). As profissão relacionadas ao manejo de solo contaminado com o fungo é fator etiológico. IMUNOPATOGENIA: o controle depende de resposta imune celular efetiva, tipo TH1; com ativação de macrófagos, APC- Linfocitos CD4 e ativação de linfócitos TCD8 resultando na formação de granulomas compactos, controlando a replicação do fungo. Pacientes que evoluem para doença apresentam depressão de resposta TH1 com predomínio de resposta TH2 e ativação de linfócitos B, hipergaglobulinemia e títulos de ACS específicos com disseminação da doença e agravamento do quadro. A queda do numero de CD4 nos pacientes também corrobora com estas formas graves. Classificação das formas clínicas da PCM ● Paracoccidioidomicose infecção ● Paracoccidioidomicose doença ● Forma aguda/subaguda: 3-5% dos casos, evolução rápida onde o paciente procura atendimento entre 4-12 semanas, apresentando linfadenomegalia, manifestações digestivas, hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas e osteo-articular. ● Forma crônica: 90%, entre 30-60 anos, predominando no sexo masculino, lenta e silenciosa até sei diagnostico podendo acometer vários orgaos (geralmente pulmão e mucosas) ● Unifocal ● Multifocal ● Forma residual ou sequelar: grau de cicatrizes AVALIAÇÃO DE PACIENTE AGUDO: pesquisar envolvimento de múltiplas cadeias de linfonodos e complicações: icterícia por compressão de colédoco, oclusao intestinal, sindorme de R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 52 compressão de veia cava, diarreia, síndrome de má absorção e ascite. Hepatoesplenomegalia, lesoe de pele, osteoarticulares, envolvimento adrenal (astenia, emagrecimento, hipotensão arterial, hiperpigmentaçao, dor abdominal) e SNC (cefaleia, déficit motor, convulsões e alterações do nível de consciência). EXAMES: Raio X simples de tórax (PA e Perfil) o Ultrassonografia abdominal o Hemograma completo o Velocidade de hemossedimentação o Provas bioquímicas hepáticas: ALT, AST, gGT, fosfatase alcalina o Eletroforese de proteínas o Avaliação renal e metabólica: creatinina, Na e K AVALIAÇÃO DO PACIENTE CRONICO: Obrigatoriamente pesquisar sinais e sintomas de envolvimento pulmonar, tegumentar e laríngeo (tosse, dispneia, expectoração, muco, lesões ulceradas de pele e mucosa, adenomegalia, adrenal, SNC. EXAMES LABORATORIAIS: Raio X simples de tórax (PA e Perfil) o Hemograma completo o Velocidade de hemossedimentação (VHS) o Provas bioquímicas hepáticas: ALT, AST, gGT, fosfatase alcalina o Avaliação renal e metabólica: creatinina, Na e K EXAMES LABORATORIAIS PARA DIAGNOSTICO ESPECIFICO: o padrão ouro é o encontro de elementos fungicos sugestivos em exame a fresco de escarro, raspado de lesão ou aspirado de linfonodo ou biopsia de órgão suspeito. Para fins de notificação: 1. Caso suspeito: paciente com uma ou mais das seguintes manifestações, durante pelo menos quatro semanas, excluída a tuberculose e outras doenças que cursam com quadro semelhante: 1.1. Tosse com ou sem expectoração e dispnéia 1.2. Sialorréia, odinofagia, rouquidão 1.3. Lesão (ulcerada) na mucosa nasal ou oral 1.4. Lesões cutâneas (úlceras, vegetações, nódulos, placas etc) 1.5. Adenomegalia cervical ou generalizada, com ou sem supuração e fistulização. 1.6. Criança ou adulto jovem com hepatoesplenomegalia e/ou tumoração abdominal. 2 - Caso provável: paciente com manifestações clínicas compatíveis com PCM e títulos de anticorpos séricos anti-P.brasiliensis realizado preferencialmente por imunodifusão quantitativa. A técnica de ELISA não deve ser empregada pela sua inespecificidade na PCM. 3 - Caso confirmado: Paciente com manifestações clínicas compatíveis com PCM em cuja secreção, fluido corporal ou material de lesão foi observado a presença de P. brasiliensis, por exame micológico direto, cultura ou exame histopatológico. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 53 Recursos adicionais para o sorodiagnóstico são encontrados apenas em centros de referência e/ou de pesquisa. O ELISA representa um método alternativo para o sorodiagnóstico da PCM, mais rápido e mais apropriado para exame de grande número de soros. É técnica mais sensível, porém sua especificidade é menor do que a da ID, exigindo cuidadosa padronização e interpretação dos resultados positivos. A reação de imunoblot permite especificar os tipos de anticorpos séricos contra os diversos determinantes antigênicos do fungo. Outra abordagem diagnóstica consiste na demonstração de anticorpos ou antígenos em outros fluídos, incluindo líquido cefalorraquiano, lavado bronco- alveolar e urina. RETORNO AMBULATORIAIS: consultas médicas mensais nos 3 primeiros meses, para otimizar a adesão do paciente ao regime terapêutico instituído, avaliar a tolerabilidade ao medicamento e certificar-se de que houve boa resposta clínica. Reposta positiva: consultas trimestrais até o final do tratamento. Após 90 dias de seguimento, em caso de resposta clínica satisfatória, os pacientes realizarão: ● hemograma e provasbioquímicas a cada 3 meses. ● Exames radiológicos e a sorologia deverão ser solicitados a cada 6 meses, ou em período menor se não houver resposta clínica satisfatória ou aparecerem alterações laboratoriais indicativas de atividade. ● A redução dos títulos de anticorpos específicos 6-10 meses após o tratamento, devendo negativar ou estabilizar em títulos baixos, após 10 meses. ● Após a interrupção do tratamento, uma vez observados os critérios de cura, os pacientes devem ser acompanhados ambulatorialmente, em consulta semestrais, ao longo do primeiro ano. ● Apos este período, permanecendo o paciente com critérios de cura: alta e orientações. ● De acordo com a forma de apresentação clínica da PCM deverão ser solicitados exames de acompanhamento específicos, tais como ultra-som (ex. para avaliar a evolução de massas ganglionares ou imagens nodulares em órgãos PESQUISAR CO-MORBIDADES ● AIDS ● CANCER, hodlin ● DPOC ● INFECCIOSAS: TB, HISTO PLASMOSE, LESHMANIOSE, ETC.. O paciente apresenta resposta clinica insatisfatória. CONDUTAS EM SUSPEITA DE CO- MORBIDADES: 1. Solicitar pesquisa de BAAR em 3 amostras de escarro em pacientes com quadro de PCM pulmonar, particularmente naqueles com febre e sudorese noturna; R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 54 2. Investigar a possível infecção por HIV em pacientes com epidemiologia sugestiva, bem como em casos de PCM com formas disseminadas graves; 3. Fazer acompanhamento otorrinolaringológico de pacientes com lesão laríngea e que persistam com disfonia, para diagnóstico diferencial com tuberculose ou malignização; 4. Em pacientes com envolvimento pulmonar e piora da função respiratória, apesar do tratamento adequado, devese considerar a possibilidade de infecção bacteriana e/ou tabagismo, TB ou neoplasia associados ou evolução para forma sequelar. TRATAMENTO FORMAS GRAVES: devem preferencialmente realizar o tratamento em regime hospitalar: ● Anfotericina B, na dose de 1mg/kg/dia ou solução intravenosa de sulfametoxazol/trimetoprim, na dose de duas ampolas cada 8h até melhora clínica do paciente que permita a introdução da medicação antifúngica oral. O voriconazol, um novo antifúngico triazólico de segunda geração, disponível em apresentações oral e intravenosa, apresenta uso potencial em PCM. Sua boa penetração no sistema nervoso central aponta para seu uso na terapêutica da neuroPCM. PCM E GRAVIDEZ: As alterações imunológicas próprias da gestação podem agravar a historia natural de micoses sistêmicas e doenças causadas por patógenos intracelulares. Há aumento de ocorrência de abortos e natimortos em gestantes com paracoccidioidomicose, placentite e intervilosite com trombose nos vasos da placenta de gestantes com PCM, podendo resultar em imaturidade e óbito fetal. O alto risco de óbito materno e fetal sugere um manejo mais agressivo nesses casos. As opções terapêuticas são a Anfotericina B, com a qual não há relatos de efeito teratogenico e a associação sulfametoxazoltrimetoprim, seguro após as 4 primeiras semanas da gestação, devendo ser suspensa pelo menos uma semana antes do parto para evitar a ocorrência de kernicterus. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 55 Os azólicos não devem ser utilizados pela conhecida ação teratogênica. CRITERIOS DE CURA ● CLINICO: Desaparecimento dos sinais e sintomas da doença, incluindo a cicatrização das lesões tegumentares, involução das linfoadenopatias e recuperação do peso corporal. Freqüentemente, persistem sintomas residuais, decorrentes das sequelas da PCM, especialmente respiratórias, linfático-abdominais, cutâneas, adrenais e neurológicas. Estes sintomas não representam atividade da doença. ● RADIOLOGICO: Estabilização do padrão das imagens cicatriciais radiológicas pulmonares em duas teleradiografias registradas com intervalo de três meses. ● IMUNOLOGICOS Negativação dos títulos de imunodifusão dupla ou estabilização do título em valores baixos, menores ou iguais a 1:2, observadas em duas amostras de soro coletadas com intervalo de seis meses, após o período de tratamento recomendado para itraconazol ou sulfametoxazol/ trimetoprim. INFECÇOES CONGENITAS São infecções peri-natais, resumidas pela sigla TORSH, que podem levar a mortalidade fetal e má formações, assim como sequelas e prejuízos para feto/RN, podendo ocorrer em até 10% de todos os nascidos vivos. Podendo adquirir infecções por vírus, bactérias, protozoários e fungos; intra-utero, durante o parto ou no pos-parto. INTRA UTERO: hematogenica transplacentaria, após infecção materna, assim as ifecçoes adquiridas pelo feto denominam-se infecções congênitas. ● Quanto mais tardia – mais “permeável” a passagem de agentes microbianos. Após 20-25 semanas gestacionais o feto já pode armar resposta imunológica especifica, apesar de imatura, e ainda conta com a imunidade passiva (igG materna da segunda metade) ● A infecção fetal na primeira metade da gestação, apesar de menos frequente, maior é a probabilidade de morte do embrião. Portanto os resultados são: aborto, natimorto, anomalias, prematuridade, doença aguda aparente ou infecção assintomática com ou sem persistência e desenvolvimento de sequelas tardias. A maioria dos RN são assintomáticos no período neonatal, causando doença tardia. INFECÇOES DURANTE O PARTO E NO PERIODO POS NATAL: até 3 semanas pós-natais; infecções perinatais. Durante trabalho de parto, transfusão materno-fetal, ascensão microbiana na cavidade amniótica, contato das mucosas gástrica e periocular com R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 56 secreção ou fezes: VHB, HIV, HERPES_SIMPLEX, CMV, enterovirus. A via mamaria, por lesões cutâneas também pode transmitir: HIV, CMV, HTLV-1 Podendo causar doença sistêmica aguda, infecção persistente com sequelas tardias ou doença auto- limitada sem dano evidêncial ou ainda infecção assintomática. TORCH T- toxoplasmose O- outras (HIV, HBV, sífilis) R- rubéola C- citomegalovírus H- herpes simples. ASPECTOS GERAIS DA EPIDEMIOLOGIA: ● Praticas sexuais e drogadição (sífilis, Hepatite B, HIV, CMV, Herpes_simplex. ● Nivel sócio-economico e condições de habitação e saneamento (falicitam disseminação do CMV, sífilis, toxoplasmose e infecções bacterianas) ● Estado de imunização (rubéola) ● Habitos de higiene (toxoplasmose, toxoplasma gondii) ● Atividade profissional materna (rubéola, parvovirose, herpes, varicela, hepatite A e B) ● Complicaçoes obstétricas perinatais (infecções bacterianas) DIAGNOSTICO: o diagnostico pode passar despercebido, devido a isso, o melhor método é a triagem no pré- natal ou logo após o nascimento. TRIAGEM MATERNA Outros exames podem ser acrescentados a esta rotina em algumas situações especiais: TRIAGEM NEO-NATAL: ● TESTE DO PEZINHO (hipotireoidismo congênito, R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 57 hemoglobinopatias,fenilcetonuria e fibrose cística). ● TESTE DA ORELHINHA (detecção precoce de deficiências auditivas). ● TESTE DO OLHINHO: (detecção precoce de doenças que comprometam a visão; catarata congênita, glaucoma congênito, má formações, traumas de parto, infecções e inflamações). ● TESTE DO CORAÇÃOZINHO: (alterações cardíacas congênitas). Devem ser feitos em 48 hrs do parto, após a primeira mamada. Registrar resultados na caderneta REAÇOES SOROLOGICA: o IgG materno (contra infecções de memoria materna), passam ativamente a parti da segunda metade gestacional. Declinando após o nascimento até 18- 24 meses de idade. Podendo este ser detectado pelo menos 2 vezes superiores aos maternos nas infecções. IgA, IgM ou IgE específicos auxiliam no diagnostico perinatal, já que não atravessam a barreira placentária. Porem hoje em dia utiliza- se a Reação da polimerase em cadeia – PCR, amplificando genomas virais de fase aguda. SIFILIS É uma infecção que pode ser prevenida e tratada intra-utero, com devido diagnostico e tratamento. Estimativa: 5 casos de sífilis/1000 nascidos vivos no pais. TRANSMISSÃO VERTICAL: T. pallidum por disseminação placentária ou lesão genital materna. O aleitamento não resulta em transmissão desde que não haja lesão na mama. Quanto maior a duração da infecção materna; menor o risco de infecção fetal. Porem em qualquer fase é risco de prematuridade, morte perinatal e infecção congênita. DIAGNOSTICO E TERAPEUTICA NA CRIANÇA COM SUSPEITA DE SIFILIS CONGENITA: a infecção no 1º ou 2º trimestre gestacional pode causar morbidade significante. Porem, infecção no 3º trimestre; 60% nascem assintomáticas. Em casos sintomáticos: ● PRECOCE- ate 1 ano de idade: semelhante a sífilis secundaria: lesões de mucosas, osseas, hepato- esplenomegalia, lesões pulmonares e renal. ● TARDIA- > 1 ano de idade: lesões osseas, articulares, dentarias, neurológicas e oculares que progressivamente prejudicam o desenvolvimento. DIAGNOSTICO: treponema em lesões, secreções, tecidos, placenta ou cordão umbilical. Alterações no LCR serve para diagnostico de neuro-sifilis. Outras alterações: anemia, leucopenia, trombocitopenia, enzimas hepáticas. TRATAMENTO: OBRIGATORIO!!! Suspeita de neuro-sifilis: Peninclina crstalina. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 58 JOVENS ASSINTOMATICOS: PCR ouco acessível e desempenho insatisfatório de FTA Abs-IgM pouco sensível. Assim; assintomáticos cujo a mãe não tenha sido tratada ou tenha sido tratada inadequadamente (regime não- penincilinico, doses insulficiente, mês antecedente ao parto, evidencias de re- infecçao; elevação de 4Xtitulo VDRL) é considerado portador de sífilis congênita. É baixa a probabilidade de diagnostico por alterações radiológicas e liquoricas em crianças, porem recomewnda-se em toda suspeita exames: ● Radiologico do osso longo ● LCR ● VDRL e RPR- 4x maior que o materno SEGUIMENTO: toda criança mesmo que tratada deve ser acompanhada mensalmente para avaliação clinica. A cada 2-3 meses para VDRL/RPR até detecção de 2 testes negativos para cura ou não infecção e realizar FTA- Abs/TPHA com 12 e 18 meses. Recomenda-se exame de LCR a cada 6 meses até normalização dos casos e avaliação neurológica, auditiva e ocular a cada ano. HEPATITE B Problema de saúde publica, mesmo com a vacinação, sendo que a infecção na infância pode ser sintamatico em menos de 10% das crianças, a infecção crônica tem um risco maior, 70-90%, em crianças no período perinatal. Pode ocorrer transmissão vertical, porem a exposição ao sangue materno é o modo mais eficiente responsável por 95% dos casos. É determinado pela presença de antígeno viral (HBeAg) ou presença de DNA. PREVENÇÃO DA TRANSMISSÃO MÃE- FILHO: uso combinado de imunoglobulina humana hiperimune contra o VHB e da vacina apresentando eficácia protetora de 85-95%, mesmo quando a mãe é portadora do ags Hb e não possui acs anti-HB A triagem sorológica rotineira em gestantes no pré-natal identifica ags de superfície VHB (HbsAg). MEDIDAS PARA RN EXPOSTO: o parto cesáreo não é indicado já que não há evidencias de proteção comparado-se ao normal. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 59 ● Evitar medidas invasivas como amniocentese e cordocentese. ● O aleitamento materno não é contra-indicado. ● Submeter o RN de mães infectadas ao esquema a seguir: CRITERIO DE CURA: testar a criança para HbsAg e quantificar anticorpos anti-HbsAg 1 a 9 meses (antes de 18 meses de idade) após completada a seria primaria de 3 doses, para verificação da necessidade de revacinação. Avaliar comprometimento hepático e sistêmico. VIRUS DA IMUNODEFICIENCIA - HIV Transmissão vertical e prevenção: as taxas de transmissão variam de 14- 40%, podendo ocorrer intra0utero, intra-parto e pós-parto. Sendo a maior parte; durante ou próximo do nascimento FATORES ASSOCIADOS: ● FATORES MATERNOS: doença materna avançada durante ou após gestação, deterioração imunológica com baixos níveis de CD4 e baixos níveis de Vit A durante gestação; aumentam o risco de transmissão. Mão com elevada carga viral-RNA, a redução da carga viral materna mostrou-se eficaz com uso da ZIDOVIDINA prevenindo transmissão. ● FATORES PLACENTARIOS: lesões da barreira placentária e mistura de células materno-fetais, corioamnionite, DST’s, tabagismo e uso de drogas ilícitas ● FATORES INTRA-PARTO; o vírus pode ser 4-5 vezes superior nas secreções genitais, assim a exposição peri-parto representa via de transmissão, assim como; amniocentese, parto prematuro, hemorragia peri-parto, L.A hemorrágico e rotura prolongada de membranas. A cessaria eletiva mostou-se eficaz em cerca de 50% da redução de transmissão. ● FATORES NEONATAIS: a imunidade mediada por células do feto pode desempenhar papel importante na proteção ● ALEITAMENTO MATERNO: 1/3 a ½ da transmissão vertical ao redor do mundo é devido ao aleitamento e deficiência de vitamina A PROFILAXIA: ZIDUVUDINA (AZT), a partir de 14 semanas gestacionais (100 mg 5x/dia, VO), no parto (EV- d. ataque 2mg/kg, infusão continua de 1mg/kg/hr até o parto.) e no RN (xarope-VO, 2 mg/kg/6- 6h, 1-6semanas de 8-12 horas após nascimento) – reduz o risco de 25,5 para 8%. DIAGNOSTICO: pode ser assintomático ou sintomático grave de imunodeficiência. A maioria dos sinais e sintomas se iniciam no 1º ano de vida (hepatoesplenomegalia, adenomegalia, baixo desenvolvimento ponderal e moniliase oral). R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 60 Os teste convencional detectem IgG anti-HIV maternos na criança até 15-18 meses. Assim os mais uteis para a detecção viral é a PCR. CITOMEGALOVIRUS – CMV Frequentes porem doença clinica rara. Disseminada pela secreção respiratória, saliva, sangue, urina, secreção do colo uterino, esperma, colostro e leite, no período pre-natal, perinatal ou pos natal. Podendo permanecer latente e reativados em decorrência de depressão de imunidade celular. IDENTIFICAÇÃO: a maioria é assintomática a primo-infecçao. A detecção do vírusna urina ou amostra não define diagnostico de infecção recente por CMV, não tendo valor positivo em relação a transmissão placentária. A IgM anti-CMV sugere infecção precoce, porem com altos índices de falsos-positivos. INFECÇÂO CONGENITA POR CMV: é o agente mais comum de infecção congênita, resultante de infecção primaira materna (transmissão 40-50%) e recorrente (transmissão 0,5-2%), porem quase exclusivas de mães com infecções primarias na gestação. 10% das crianças infectadas intra-utero terão sintomas ao nascer: retardo do crescimento intra-utero, prematuridade, icterícia colestatica, hepatoesplenomegalia, purpura, plaquetopenia, pneumonite e manifestações neurológicas (microcefalia, calcificações, convulsões) e deficiência visual-auditiva. CONFIRMAÇÂO DE DIAGNOSTICO: exclusão de outras infecções congênitas e detecção de vírus na urina ou outra amostra durante as 3 primeiras semanas de vida. DIAGNOSTICO LABORATORIAL: isolamento de vírus em cultura de fibroblastos, reação viral na urina, PCR. Detecção de IgM e IgG são métodos limitados. AVALIAÇÃO E TRATAMENTO: avaliar extensão da doença ao SNC por meio de US e TC de crânio, hemograma completo, contagem de plaquetas e avaliação de função hepática. TERAPIA: Ganciclovir em formas graves com imunodeficiência; reduz sequelas neurológicas, surdez, alterações oculares e retardo DNPM. PROGNOSTICO: 30% dos sintomáticos evoluem para óbito se não tratados, 95% dos sobreviventes terão sequelas (microcefalia, retardo DNPM, corioretinite e calcificação cerebral), das assintomáticas; 10-15% terão surdez tardia. INFECÇAO: exposição da criança a secreção cervical ou ao leite materno nas primeiras semanas de vida. TOXOSPLASMOSE Toxoplasma Gondii, protozoário intra- celular que infecta a placenta e o feto. O feto só se infecta quando a mãe adquire infecção aguda durante a gestação (exceto em portadoras de imunodeficiência). 80-90% dos portadores são sintomáticos IDENTIFICAÇÃO: Triagem pré- natal. IgG elevada correlaciona-se com infecção recente porem indivíduos infectados há mais de 1 ano podem permanecer com IgG elevada. A R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 61 detecção de IgM sugere infecção primaria porem podendo persistir por meses ou anos, além de índices de falos-positivos. Detecçao de IgA e IgE anti-toxoplasma auxiliam no diagnostico de infecção aguda, por menor período; deve-se utilizar combinação de 2 testes para confirmar a doença. DIAGNOSTICO ● FETO: amniocentese e PCR ● RN: lesões oculares, calcificação intra-craniana, microcefalia ou hidrocefalia, retardo de crescimento intra útero e hepatoesplenomegalia. Porem 90% dos infectados são assintomáticos ao nascer. TRATAMENTO DA GESTANTE AGUDA: ESPIRAMICINA (quando o feto não esta infectado ou não avaliado). SULFADIAZINA e OIRIMETAMINA em gestantes superior a 16-21 semanas cujo feto tem infecção confirmada ou muito provável. TRATAMENTO DA CRIANÇA COM TOXO CONGENITA: sintomática ou assintomática, fazer precocemente até 1 ano de idade, melhorando o prognostico: ESPIRAMICINA com SULFADIAZINA e PIRIMETAMINA por 1 ano. RUBEOLA: Manifestaçoes sintomáticas congênitas: macro/microcefalia, má formação cardíaca, catarata, hepatoesplenomegalia e sangramentos. Podendo trazer inumera sequelas. TRATAMENTO: sintomático + suporte clinico. HEPATITE C: pouco comum CHAGAS: causa alterações do miocárdio, linfadenopatia. Não há tratamento durante a gestação, trata- se após o nascimento. HTLV: deve-se suspender a amamentação TUBERCULOSE Bacilo Gram+; Mycobacterium tuberculose. Maior incidência no gênero masculino, 45-59 anos A probabilidade de infecção evoluir para doença tuberculosa é regida por características do bacilo e fatores imunológicos do organismo. A resistência adquirida é produto de infecção tuberculosa anterior ou imunização, onde a estrutura antigênica do bacilo passa a ser conhecida pelo sist.. imune, capacitando-o a agir de forma rápida e eficaz. INFECÇÃO: inalatória; o individuo doente pode emitir carga bacilar diluída num aerossol no ar ambiente, passiveis da atingirem o pulmão de pessoas no ambiente. Se ocorre a inalação; os indivíduos passa a ser chamados infectados (comprovado pelo teste PPD positivo após 2- 10semanas). A probabilidade de doença depende de fatores imunes e carga, sendo o risco maior nos 2 primeiros anos de infecção. Assim o foco devem ser os portadores de doença cavitaria fonte de infecção e disseminação: R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 62 ● bacilíferos (B+) - a baciloscopia do escarro é positiva. Nestes casos, o doente elimina uma quantidade de bacilos superior a 5.000 por ml de escarro; ● não-bacilíferos - a baciloscopia do escarro é negativa. A cultura pode ser positiva (C+) ou negativa (C-). Em 3-4 semanas, pode surgir o foco pulmonar, em geral único, pequeno e arredondado, com 1 a 2 mm de diâmetro. A partir do foco (foco de Gohn), há uma disseminação linfática até o gânglio satélite (foco ganglionar), de onde poderá haver uma disseminação hematogênica para todo o organismo. Formando um complexo (complexo de Ranke), podendo vir a causar formas extrapulmonares da doença. Dado o pulmão ser o primeiro órgão a ser atingido e possuir condições ideais para o crescimento bacteriano, em cerca de 90% das vezes a doença localizar-se-á nele. O processo infeccioso evolui com aqueles bacilos que passaram pelas defesas inespecíficas do trato respiratório. Nos primeiros dias o organismo ainda não desenvolveu uma resposta imunológica específica que possa bloquear o processo. Uma produção de TGF_b dininui a ativação de macrófagos e linfócitos T; diminuindo a respota citolitica e reduz as defesas contra o bacilo levando produção de il_4, IL_6, IL_8 que ativam o linfócito T CD4 para desenvolvimento de resposta TH2 e a formação de ACS. FATORES QUE REDUZEM PROBABILIDADE DE PARTICULAS INFECTANTES: ● Correntes de ar; dispersando partículas no ambiente ● Luz ultra-violeta (sol) ● Radiação gama (destruição do bacilo) FORMAS: 1. PRIMO-INFECÇÃO: formas em que as defesas imunes são vencidas após a primeira infecção e o paciente adoece, de forma insidiosa e lenta. A forma mais grave são: ● TUBERCULOSE MILIAR de disseminação hematogenica, atingindo vários órgãos. ● MENINGO-ENCEFALITE TUBERCULOSA que acomete o SNC Nessa forma, o paciente, comumente uma criança, apresenta-se irritadiço, com febre baixa, sudorese noturna, inapetência e exame físico inexpressivo. Quando é conseqüente à disseminação hematogênica, geralmente a doença é grave. 2. REINFECÇÃO ENDOGENA: Defesas eficazes com detenção e foco latente. Formando cavitações e fibroses em ápices devido a maior concentração tecidual de O2, formando necrose caseosa e caverna tuberculosa. FORMAS EXTRA-PULMONARES: regiões/órgãos com maior suprimento sanguíneo e O2. ● Córtex renal e cerebral ● Ossos longos ● Vértebras e as adrenais ● Pleura ● Sistema linfático As formas extrapulmonares são resultado da disseminação do BK pelo R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A: M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 63 organismo através de quatro vias possíveis: ● via linfohematogênica - maioria uma vez que é o caminho natural do bacilo após sua entrada no organismo ● via hematogênica - ruptura da lesão diretamente no vaso, podendo ocasionar formas dis- seminadas agudas da doença ● por contigüidade - responsável pelas formas pleural, a partir do pulmão; pericárdica, a partir de gânglios mediastinais; peritoneal, a partir de gânglios mesentéricos, alças intestinais ou trompas (por ruptura de pequenos divertículos) ● intra-canalicular - comprometimento de diferentes locais do pulmão, através da árvore brônquica; trato urinário inferior e sistema genital masculino, a partir do rim; endométrio e peritôneo, a partir das trompas. DIAGNOSTICO: ● Radiografia de tórax: PRIMARIA: opacidade do parênquima; unifocal, tuberculomas circulares e calcificação de lifonodos. Linfonodomegalia, atelectasia, padrão miliar; pequenas opacidade 1-3mm, derrame pleural em forma tardia POS-PRIMARIA: alterações parenquimatosas tênues, nodulares, agrupadas, em ápices. Cavidade única ou múltiplas que após a cura tornan-se fibroticas e calcificadas. ● Pesquisa BAAR no escarro. Deve ser coletada 2 amostras (uma pela manha e outra no momento da procura pelo serviço) A cultura em meio sólido tem como limitação o tempo do resultado (2-8 semanas). Por isso, quando possível, deve ser utilizado o meio líquido através de sistemas automatizados não radiométricos (resultados em 10-40 dias). Indicações da realização de cultura: • Suspeita clínica de TB e pesquisa negativa de BAAR • Suspeita de TB pulmonar na radiografia de tórax • Casos de retratamento • Pacientes HIV positivos • Populações vulneráveis (detentos, profissionais da área de saúde, moradores de rua e populações institucionalizadas em albergues, hospitais psiquiátricos e asilos) • Suspeitos de resistência • Suspeita de TB extrapulmonar PROVA TUBERCULINA E INFECÇÃO LATENTE Consiste na inoculacao intradermica de um derivado proteico do M. tuberculosis para medir a resposta imune celular a estes antigenos em adultos e criancas, para o diagnostico de infeccao latente pelo M. tuberculosis (ILTB). Na crianca tambem e muito importante como método coadjuvante para o diagnostico da TB doença TECNICA: No Brasil, a tuberculina usada e o PPD-RT, aplicada por via intradermica no terco medio da face R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 64 anterior do antebraco esquerdo, na dose de 0,1ml, que contem 2UT – unidades de tuberculina. A solucao da tuberculina deve ser conservada em temperatura entre 2-8°C e não deve ser exposta a luz solar direta. ● A leitura deve ser feita por profissionais treinados ● A leitura deve ser realizada 48 a 72 horas apos a aplicacao, podendo ser estendido para 96 horas caso o paciente falte a leitura na data agendada. ● O maior diametro transverso da area do endurado palpavel deve ser medido com regua milimetrada transparente e o resultado, registrado em milimetros. O resultado da PT deve ser registrado em milímetros. A classificação isolada da PT em: não reator, reator fraco e reator forte não está mais recomendada, pois a interpretação do teste e seus valores de corte podem variar de acordo com a população e o risco de adoecimento. Reacoes falso-positivas podem ocorrer em individuos infectados por outras micobactérias ou vacinados com a BCG, principalmente se vacinados (ou revacinados) após o primeiro ano de vida, quando o BCG produz reacoes maiores e mais duradouras. A interpretacao e a conduta diante do resultado da PT depende de: • probabilidade de infeccao latente pelo M. tuberculosis (ILTB) – criterio epidemiologico; • risco de adoecimento por TB; • tamanho do endurado; e • idade. Reacoes falso-negativas (individuo com ILTB e PT negativa) podem ocorrer nas seguintes circunstancias INDICAÇÕES: • na investigacao de infeccao latente no adulto. • na investigacao de infeccao latente e de TB doenca em criancas. O tamanho da enduração cutânea do TT com o PPD orienta a necessidade de tratamento da TBL nos diferentes contextos epidemiológicos. Um estudo recente em nosso meio demonstrou que contatos recentes com idade ≥ 12 anos, HIV negativos e com TT ≥ 5 mm tem um risco seis vezes maior de apresentar TBL do que contatos com TT <5 mm; além disso, os autores demonstraram que o ponto de corte do TT de 5 mm R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 65 pode ser utilizado mesmo em regiões com alta prevalência de TB. Pacientes imunodeprimidos, pacientes curados da doença sem tratamento com medicamentos, pacientes com indicação de cirurgia pulmonar com suspeita ou evidência de doença anterior ou candidatos a transplantes devem ser incluídos nesse grupo. O tratamento da TBL em grávidas e em populações indígenas obedece às mesmas regras. • a repetição periódica do TT nos indivíduos com TT inicial negativo deve ser feita nos grupos de risco (por exemplo, pacientes em uso de drogas anti-TNF-α ou com infecção pelo HIV). ● contatos recentes que apresentem TT negativo (< 5 mm) devem ser submetidos a um novo teste após 6- 12 semanas para avaliação de viragem (conversão) tuberculínica. • candidatos ao uso de bloqueadores de TNF-α devem completar pelo menos um mês de tratamento para TBL antes do início da terapia. • a proteção do tratamento da TBL nos contatos se estende por praticamente toda a vida (exceto em caso de reinfecção), embora seja mais marcante nos primeiros anos. BIOSSEGURANÇA Já foi demonstrada a elevada taxa de transmissão de TB em ambientes fechados em países desenvolvidos e em desenvolvimento e, em razão disso, a OMS propôs que medidas de controle da transmissão da TB sejam adotadas nos chamados “ambientes de risco” (Unidades de Saúde ou não) Apesar do perfil da TB no Brasil ser mais de transmissão comunitária, elevadas taxas de transmissão de TB foram observadas em escolas médicas, hospitais universitários, serviços de emergência, prisões e casas de saúde psiquiátricas As medidas de controle da transmissão de TB devem levar em conta o tipo de instituição e são divididas em três grupos: ● Administrativas: investigação, diagnóstico e tratamento precoces; isolamento dos casos suspeitos; plano escrito para o controle de infecção ● Ambientais (ou de engenharia): quartos de isolamento com ventilação natural, quartos com pressão negativa, uso de filtro HEPA ● De proteção respiratória: uso de máscaras cirúrgicas pelos pacientes e de respiradores N95 pela equipe de saúde R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 66 INFECÇÃO CONGENITA: no feto, pode resultar da disseminação hematogénea transplacentária directamente da circulação materna ou após lesão caseosa da placenta; da aspiração ou deglutição de líquido amniótico infectado; do contacto directo, durante o parto, com lesões genitais da mãe. Na via de infecção transplacentária, a infecção primária tem lugar no fígado do feto, mas também pode ocorrer nopulmão se houver desvio circulatório através do ductus venoso; se houve ingestão de líquido amniótico, o complexo primário tem sede no fígado e nos gânglios da zona da veia porta. Se houve aspiração, o complexo primário ocorre no pulmão. No momento do parto a criança pode ser contagiada por aspiração de material infectado a partir de uma endometrite materna, bem como por contato com sangue da mãe numa fase de disseminação hematogénea. RATREAMENTO: Durante a gravidez deve ser avaliado o grau de risco para a TB da grávida. ● Alto risco: diagnóstico recente de TB doença ou infecção nos familiares ou conviventes; grávidas que viajaram por ou imigrantes de países de alta prevalência; doenças intercorrentes com efeito imunosupressor; infecção a VIH. R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 67 ● Se necessário, proceder à realização de prova tuberculínica = reacção de Mantoux. GRÁVIDA COM TB INFECÇÃO ● viragem tuberculínica ● Tratar com a) Hidrazida(H) + Rifampicina (R) – 4 meses = 4HR ou só com H – 6 meses = 6H ● Se HIV+ - tratar 12 meses ● Sempre com piridoxina - 25 a 50mg/dia ● Juntar Vit. K se o tratamento ocorrer no 1º trimestre Todos os familiares e conviventes da grávida devem ser rastreados. Exame morfológico e histológico da placenta. O RN deve ser rastreado para o diagnóstico de TB congénita. TB CONGÉNITA Clínica: hepato- esplenomegália, dificuldade respiratória, dificuldade na alimentação, febre, linfoadenopatias, distensão abdominal, letargia ou irritabilidade, otorreia e lesões dérmicas papulares por ordem de frequência. ● Diagnóstico: Critérios de Cantwell. o Terapêutica inicio imediato, sem esperar pelo resultado dos exames pedidos, incluindo a prova tuberculínica; esta é quase sempre negativa mas pode ser positiva mais tarde. o Esquema terapêutico 2HRZS + 7 ou 10 HR H – 5 a10 mg/k/dia, R – 10 a 20 mg/k/dia Z – 20 a 30 mg/k/dia S – 30 mg/k/dia piridoxina – 25 a 50 mg/k/dia. Reforço dos suplementos vitamínicos habituais. Seguimento: Vigilância clínica quinzenal no 1º mês e depois mensal. CALENDARIO VACINAL CRIANÇA E ATRASO R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 68 CALENDARIO EM ATRASO 1 Vacina Hepatite B O esquema vacinal deve ser de 0-2-6 meses, sendo 16 semanas o intervalo mínimo entre a dose 1 e a dose 3. Até o momento não se recomenda uma quarta dose de reforço. Caso exista necessidade de vacinar para hepatite A e B, pode-se utilizar vacina combinada 2 Vacina Dupla Adulto (dT) e vacina Tríplice Bacteriana acelular para adolescentes e adultos (dTpa) ● Se a vacinação básica (série primária com cinco doses) for completa, os reforços devem obedecer o intervalo de 10 em 10 anos e podem ser realizados com a vacina dT. ● Se a vacinação básica do adolescente for incompleta (inferior a três doses), deve-se completar o esquema até 3 doses, sendo apenas uma delas dTpa. Seguir fazendo os reforços nos intervalos recomendados. ● Se o adolescente nunca tiver sido vacinado ou desconhecer seu estado vacinal, um esquema de 3 doses deve ser indicado, sendo a primeira delas com dTpa, seguida por 2 doses de dT. O intervalo entre a dose 1 e a dose 2 deve ser de, no mínimo, 4 semanas e entre a dose 2 e a dose 3 deve ser de, no mínimo, 6 meses. É altamente recomendável que a vacina dTpa substitua uma dose das três nesta série. GESTANTES: Recomenda-se a administração da vacina dTpa para as gestantes, a partir de 20 semanas de idade gestacional. A imunização na gestação confere proteção à mãe, além de proporcionar a passagem de anticorpos, passivamente, ao feto, permitindo a proteção do lactente nos primeiros meses de vida. Obs - A vacina dTpa deve, ainda, ser aplicada para todos os comunicantes domiciliares que convivem com lactente com idade inferior a 6 meses R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 69 3 Vacina Poliomielite inativada (VIP) Adolescentes que receberam primovacinação adequada com VOP ou VIP não necessitam doses de reforço de rotina para esta vacina. Indivíduos com idade superior a 7 anos não vacinados com a série primária de OPV, podem ser vacinados com três doses de VIP, respeitando-se o intervalo de 4 semanas entre as doses. 4 Vacina Tríplice Viral (SCR) ● Os indivíduos que receberam apenas uma dose da vacina, depois de um ano de idade, devem receber uma segunda dose completando o esquema vacinal indicado. ● Indivíduos não vacinados devem receber duas doses da vacina Tríplice Viral, com intervalo mínimo de 30 dias. 5 Vacina Varicela Adolescentes susceptíveis devem receber duas doses da vacina, com 4 semanas de intervalo entre as doses. 6 Vacina Hepatite A Indivíduos susceptíveis devem receber duas doses da vacina com intervalo de 6 meses entre a dose 1 e a dose 2. Aqueles que receberam apenas uma primeira dose da vacina devem completar o esquema vacinal 7 Vacina Meningocócica Aplicadas em dose única, naqueles indivíduos não vacinados na série primária de vacinação. 8 Vacina Papilomavírus Humano (HPV): A vacina bivalente (16, 18) está indicada para meninas de 10 a 25 anos, em três doses. A segunda dose deve ser feita um mês após a primeira e a terceira dose 6 meses após a primeira. A vacina quadrivalente (6, 11, 16, 18) está indicada para meninos e meninas de 9 a 26 anos, em três doses. A segunda dose deve ser feita dois meses após a primeira e a terceira dose 6 meses após a primeira. 9 Vacina Influenza É indicada em dose única, anualmente, para indivíduos que façam parte dos grupos de risco, ou que convivem intimamente com pessoas com fatores de risco, independente de terem feito o esquema básico de vacinação contra influenza no primeiro ano de vida ou de seguirem recebendo a vacina anualmente. A vacina deve ser aplicada antes do início da estação de Influenza Gestantes: Em razão da severidade da gripe quando acomete gestantes, especialmente no segundo e terceiro trimestres da gestação, a vacina influenza está indicada para as gestantes, independente da idade gestacional, na temporada de circulação do vírus influenza. Esta estratégia, além de proteger a gestante contra as complicações da doença, oferece a possibilidade proteção potencial para o lactente nos primeiros meses de vida. 10 Vacina Haemophilus influenzae tipo b (Hib) Deve ser aplicada em dose única nos indivíduos que pertençam aos grupos R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 70 de alto risco para doenças invasivas causadas pelo Hib, como aqueles com asplenia funcional ou anatômica, imunossuprimidos (particularmente, pessoas com deficiências nas subclasses de IgE), imunossuprimidos devido a tratamento quimioterápico para câncer, indivíduos infectados pelo HIV]. 11 Vacina Pneumocócica polissacarídica 23-valente Aplicada em dose única nos indivíduos que têm indicação para essa vacina (grupos de risco para a doença pneumocócica, como as pessoas com doenças crônicas - cardiopatas, pneumopatas,diabetes mellitus, alcoolismo, cirrose, fistula liquórica-; indivíduos acima de 60 anos; pessoas imunossuprimidas -asplenia funcional ou anatômica, Doença de Hodgkin, linfoma, mieloma múltiplo, falência renal crônica, síndrome nefrótica ou transplantados, ou outras condições que levem à imunossupressão-;pessoas infectadas pelo HIV assintomáticas ou sintomáticas), e que não receberam vacinação primária com PC7V. Aplicar uma segunda dose da vacina 5 anos após a primeira em imunocomprometidos ou acima de 60 anos de idade, quando vacinados com uma dose antes dessa faixa etária. 11 Vacina Pneumocócica conjugada 13 valente Crianças e adolescentes com risco aumentado para doença pneumocócica invasiva (DPI) entre 2 e 18 anos devem receber uma dose da vacina 13 valente. 12 Vacina Febre Amarela Em dose única, para todos que habitam áreas endêmicas. Viajantes para áreas endêmicas recomendadas (em território nacional ou internacional), lembrando que os reforços são feitos a cada 10 anos. A vacina não deve ser aplicada em nutrizes pelo risco de transmissão do vírus vacinal para os lactentes. COMPLEMENTOS/ ADENDO SOROLOGIA PARA HEPATITE B: HBsAg – é o antígeno de superfície do vírus. Aparece no sangue de 1 a 10 semanas após a exposição ao vírus, antes do aparecimento dos sintomas da infecção. Em pessoas que se recuperam da doença este antígeno desaparece após 4 a 6 meses e nas pessoas que desenvolvem a hepatite crônica este antígeno permanecerá. Anti-HBs – anticorpo para combater o antígeno (HBsAg). Está normalmente presente em pessoas que se recuperaram ou que foram vacinadas contra a hepatite B. As pessoas com esta proteína (anticorpo) geralmente são imune à hepatite B. Anti-HBc – Anticorpo contra o corion, ele irá ajudar no combate ao vírus. Este anticorpo está presente durante a infecção e R O D R I G O S . A U G U S T O – M E D I C I N A : M Ó D U L O F E B R E 2 0 1 4 Página 71 permanecerá em caso de recuperação da doença. Pessoas com este anticorpo tem a doença ou tiveram contato com o vírus da hepatite B. HBeAg – é o antígeno (proteína) que mostra a replicação do vírus, indicando o aumento da carga viral no paciente portador da hepatite e uma maior chance de transmissão da doença. Anti-HBe – é o anticorpo (proteína) que ajuda o ataque do sistema imunológico ao vírus da hepatite B. Geralmente seu aparecimento mostra que a replicação do vírus diminuiu. HBV DNA – é o material genético encontrado no vírus da hepatite B, desaparecendo do sangue após a cura da doença. Indica a concentração de vírus circulante no sangue (carga viral), é útil para o acompanhamento do tratamento com os antivirais. Existem outros exames que podem refletir a saúde do fígado, mas não são específicos para a hepatite B. Exemplos incluem testes de enzimas hepáticas (ALT e AST), bilirrubina, fosfatase alcalina, albumina, tempo de protrombina e contagem de plaquetas. A biópsia hepática não é rotineiramente necessária para diagnosticar a hepatite B. A biópsia hepática é usada para monitorar danos no fígado e em pessoas com hepatite crônica, ajuda a decidir o tratamento e encontrar sinais de cirrose ou câncer de fígado. ________________________________ RESPOSTA FISIOPATOLOGICA DENGUE: O vírus faz a primeira replicação nas celulas musculares, fibroblastos e linfonodos, seguindo com a viremia e disseminação para o organismo podendo circular livres ou no interior de monócitos (tropismo). Os sintomas coincidem com a viremia e níveis séricos elevados de citocinas dos macrogagos interagindo com LT_helper (IL_2, IFN_y, IFN_a, TNF_a, IL_1B, PAF) Os anticorpos ligam-se aos epitopos da proteína E, promovendo lise do envelope ou bloqueio com neutralização viral, assim o epitopo define a produção de acs específicos. A ativação de resposta T citolitica é reponsavel pelo quadro sintomatológico, com lise das celulas infectadas e resolução. Porem, os epitopos virais em segundas infecções levam a infecções complicadas (primo infecção em < 1 ano/ segunda infecção em > 2 anos), os ACS formados não são capazes de neutralizar os vírus, levando a um processo conhecidocomo transporte facilitado por ACS na penetração de macrófagos, com ativação maciça de Linfocitos T e liberação de citocinas responsáveis por alterações endoteliais e o dengue hemorrágico. (TNF, citocinas inflatorias, PAF, IL-6, IL-8, histamina) com destruição endotelial e extravasamento de liquido.