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Modelos de Gestão Relatório do Caso Hovey and Beard Licenciatura de Economia UC: Introdução à Gestão Turma: EA1 17 Outubro de 2013 Bárbara Ferreira, nº 65213 Bruno Costa, nº 37955 Joana Lamas Rosalino, nº 54303 Leonor Carvalho, nº 65385 1 Modelos de Gestão – Relatório Caso Hovey and Beard Índice Introdução..………………………………………………………………………………………………………………………….…………….2 A empresa Hovey and Beard……………………………………………………………..…….……………………………2 Caso Hovey & Beard – Resposta às Questões Questão 1 ................................................................................................................................................. 3 Questão 2 ................................................................................................................................................. 3 Modelo Racional………….…………………………………………………………………………………………………………….3 Modelo dos Processos Internos…..…………………………………………………………………………………………….4 Modelo das Relações Humanas..……………………………………………………………………………………………….5 Modelo de Sistemas Abertos……………………………………………….…………………………………………………….5 Conclusão .............................................................................................................................................. 6 Bibliografia. ........................................................................................................................................... 6 2 Modelos de Gestão – Relatório Caso Hovey and Beard Introdução Vivemos num Mundo complexo. Simplificando a realidade e focalizando-se nos elementos essenciais e nas suas relações, os modelos ajudam a compreender esta complexidade, oferecendo um leque de perspectivas e reflectindo o contexto em que se desenvolvem. Têm o objectivo de identificar as principais variáveis de determinada área de estudo, bem como estudar a relação entre elas: quanto maior a exactidão, mais úteis são esses modelos. Alan Fox (figura 1) distinguiu as diferenças entre as perspectivas unitária, pluralista e crítica/radical: Perspectiva unitária: As organizações visam desenvolver maneiras racionais para atingir interesses comuns de todos os envolventes, sejam eles gestores ou subordinados. Perspectiva pluralista: A complexa divisão do trabalho nas organizações modernas cria grupos com diferentes interesses, o que leva a conflitos internos. Perspectiva crítica/radical: As perspectivas unitária e pluralista ignoram o facto da divisão vertical e horizontal do trabalho sustenta relações sociais de desigualdade dentro das sociedades capitalistas. Enquanto existirem gestores e trabalhadores haverão conflitos. Empresa Hovey & Beard No âmbito da disciplina de Introdução à Gestão foi-nos proposto estudar o caso da empresa “Hovey and Beard, de forma a entender a problemática da aplicação dos modelos de gestão nesta organização. Este é um caso modelo, já que não se encontram evidências da sua existência na vida real. Consiste numa empresa de fabrico de brinquedos de madeira (figura 2) onde o maior foco cai sobre a secção de pintura, processo este marcado pelo alto absenteísmo, rotatividade de pessoal, baixa moral, descontentamento e stress. Devido a estes problemas foi feita uma reorganização do processo da pintura onde foram calculadas a velocidade média de trabalho e o tempo médio de formar um pintor e atribuído bónus de produção e formação. Os pintores continuaram a queixar-se das más condições de trabalho (velocidade dos ganchos elevadas, calor na secção de pintura e local de trabalho muito sujo). Foram então criadas reuniões entre pintores, engenheiros e administradores e concluiu-se que deveriam ser comprados três ventiladores gigantes para arrefecimento do local de trabalho dos pintores. Após implementação dos ventiladores, tanto os pintores como os administradores ficaram satisfeitos com os resultados: a produção e a produtividade aumentaram. Mais tarde foram adaptadas novas velocidades para resolver o problema inicial das velocidades mal calculadas dos ganchos, medida que levou a um ainda maior aumento de produtividade. Figura 1- Alan Fox (1920-2000) Figura 2 - Brinquedo de madeira 3 Modelos de Gestão – Relatório Caso Hovey and Beard Caso Hovey and Beard – Resposta às Questões Questão 1 De que maneira irão reagir os outros departamentos aos resultados da experiência no sector da pintura? Com as mudanças na secção de pintura da empresa Hovey and Beard, os outros trabalhadores sentir-se-ão injustiçados, uma vez que, os pintores têm acesso a um conjunto de benefícios e vantagens a que eles não tiveram direito, que permitiu aumentar a produtividade da empresa. Destes benefícios deve-se evidenciar a reorganização do processo de pintura, a melhoria das condições de trabalho, nomeadamente a nível da temperatura da sala de pintura. Os pintores tiveram ainda acesso a remunerações durante o período de formação e a um bónus de acordo com o total de brinquedos que produziam, caso a produção fosse acima da média estabelecida. Perante este descontentamento, a administração reduzir-se-ia a duas soluções possíveis: a primeira seria aplicar um novo modelo de produção na montagem de brinquedos e, procurar melhorar as condições de trabalho dos outros trabalhadores, com o objectivo de aumentar a produtividade; a segunda opção consistiria em por fim à reorganização do processo de pintura, voltando as duas secções a estar em igualdade. Questão 2 Analise o caso de acordo com as diferentes perspectivas/abordagens/teorias da gestão. Modelo Racional Frederick Taylor (figura 3) defendia que o principal objectivo de gestão deveria ser garantir que os trabalhadores atingissem a eficiência máxima de modo a obter o maior lucro possível. Os gestores deveriam concentrar-se em perceber os sistemas de produção e usá-los para especificar todos os aspectos da operação. Através destes princípios, Taylor surgiu com o Modelo Racional da Gestão, cujo critério de eficiência baseia-se em aumentar a produtividade e a eficiência fabril de modo a garantir o mais lucro possível para a empresa. Assim, o caso Hovey and Beard, encontra-se intimamente ligado a este Modelo da Gestão Científica de Taylor. Primeiramente, a companhia Hovey and Beard utiliza métodos científicos para encontrar a Figura 3 - Frederick Taylor (1856-1915) 4 Modelos de Gestão – Relatório Caso Hovey and Beard melhor maneira (“one best way”) de executar uma tarefa. Para além disso, a empresa oferecia formação a todos os trabalhadores e incentivos financeiros (bónus) aos trabalhadores cujas performances fossem superiores à esperada (outros dois dos princípios de gestão de Taylor). Também o princípio da divisão do trabalho que o Economista Adam Smith trata na sua obra Riqueza das Nações e na qual Taylor se baseava está presente na companhia Hovey and Beard, na medida em as fases do processo de produção dos brinquedos estão divididas pelos trabalhadores. O planeamento, a execução e controle do trabalho dos operários por parte dos gestores são outras das características do modelo associado ao Homem Máquina presentes no caso. Por último, o absentismo, as tarefas rotineiras e repetitivas que alienam as pessoas, as baixas condições de HST (higiene e segurança no trabalho) e a focalização no indivíduo como trabalhador, ignorando as suas necessidades sociais, também são percetíveis no caso em estudo e são outros pontos abordados do modelo de Frederick Taylor. Modelo dos Processos Internos O caso da companhia Hovey and Beard pode ser analisado também à luz dos modelos dos processos internos. Alguns dos 14 princípios enunciados por Henry Fayol (figura 4) enquanto princípiosde gestão são claramente visíveis nesta empresa, como é o caso dos princípios da divisão do trabalho, da unidade de direção, da cadeia hierárquica e de espírito de equipa: Princípio da divisão do trabalho: Nesta organização, a produção de brinquedos era faseada, e como tal cada setor era responsável por uma parte da sua produção (desenho, construção, pintura, etc.). Deste modo, os trabalhadores melhoram a sua capacidade de realização das suas tarefas desempenhando-as de maneira mais eficiente. Princípio da unidade de direção: Esta empresa era orientada para um objetivo comum, a maximização da produção. Princípio da cadeia hierárquica: existiam também linhas de autoridade na organização, estando o superintendente, o supervisor, o consultor e os engenheiros no seu topo e os trabalhadores na sua base. Princípio do espírito de equipa: Os seus gestores encararam os trabalhadores como parte da sua equipa, incluindo-os nas reuniões e ouvindo as suas opiniões relativamente às possíveis soluções para os problemas encontrados na organização. Figura 4 - Henry Fayol (1841- 1925) 5 Modelos de Gestão – Relatório Caso Hovey and Beard Também alguns dos princípios de gestão enunciados por Max Weber são aplicáveis ao caso em estudo, como a divisão do trabalhado, a hierarquia, a racionalidade e o mérito. Princípio da racionalidade: Todas as reuniões que foram realizadas tinham como objetivo a reflexão acerca dos meios mais eficientes para atingir os seus objetivos. Princípio de mérito: Na companhia Hovey and Beard os trabalhadores da secção da pintura com uma produtividade acima da esperada receberiam bónus (incentivos financeiros). Existia, então, com o intuito de recompensar os melhores. Modelo das Relações Humanas Na companhia Hovey and Beard houve uma grande preocupação com os trabalhadores e as suas condições de trabalho. Isto ocorreu porque os gestores perceberam que para atingirem o seu maior objetivo, a maximização da produção, teriam de ouvir os trabalhadores e satisfazer as suas necessidades, para que se sentissem satisfeitos e, consequentemente, aumentassem a produtividade. Assim, as velocidades dos ganchos foram recalculadas e os ventiladores foram instalados, tal como tinha sido sugerido pelos trabalhadores. Com estas adaptações a produção aumentou de forma significativa. Tudo isto vai de encontro não só às conclusões que Elton Mayo (figura 5) retirou das experiências realizadas em Hawthorne, mas também à ideia de rede de grupos e de unidade integrativa defendidas por Mary Parker Follett. Podemos ainda referir a Teoria da Aceitação da Autoridade de Chester Barnard aplicada a este caso. De facto, a autoridade exercida pelos gestores da companhia Hovey and Beard dependeu deles, na medida em que foi necessário garantir a capacitação dos trabalhadores, a qualidade da comunicação entre gestores e trabalhadores, mas também dependeu da voluntariedade dos trabalhadores. Modelo de Sistemas Abertos Por último temos o modelo dos sistemas abertos. Este sistema introduz a ideia de organização enquanto um conjunto de partes interdependentes que interagem entre sim e o seu exterior e que tem sempre em mente o mesmo fim. Podemos então estabelecer uma ligação com o caso visto que é evidenciada um melhoria na qualidade das condições de trabalho da secção dos pintores, pelo que as outras secções também deviam ter direito as mesmas condições de trabalho para manter a coerência da empresa, uma vez que uma empresa é constituída por vários subconjuntos e todos têm de trabalhar para o mesmo fim, neste caso para a construção de brinquedos de madeira. Figura 5 - Elton Mayo (1880- 1949) 6 Modelos de Gestão – Relatório Caso Hovey and Beard Conclusão As boas teorias de gestão ajudam a identificar as variáveis e relações, servindo como uma ferramenta mental (toolkit) para lidar conscientemente com a situação em causa. A perspectiva que tomamos reflecte as assunções que usamos para interpretar, organizar e lidar com o acontecimento. A maior parte dos problemas de gestão só podem ser compreendidos quando os analisamos através de várias perspectivas, pelo que nenhum modelo oferece uma solução completa. Assim sendo, os diversos modelos de gestão, agrupados de acordo com quatro filosofias – modelo racional, burocrático, relações humanas e sistemas abertos, mais do que se contradizerem, complementam-se. Os gestores agem de acordo com o modelo que seguem, ou consoante a situação. Uma alteração numa das variáveis do modelo irá afectar as restantes variáveis do modelo. O Caso Hovey and Beard é uma excelente forma de comprovarmos tudo isto. Conforme foram surgindo problemas, os gestores foram tomando diferentes posturas, opiniões e adaptando-se a um modelo próprio se seria a melhor solução para o problema da empresa. Passámos de um modelo que tinha como único objectivo a obtenção de maior lucro possível, independentemente de tudo o resto, para um modelo que tem em consideração as necessidades não apenas básicas dos trabalhadores como os próprios sentimentos morais. Ainda assim, e uma vez que cada caso é um caso, muitos gestores mais experientes duvidam do valor destas teorias da gestão apresentadas, ainda que haja quem diga que tudo no Mundo precisa de um modelo e/ou base teórica para o compreendermos melhor. Bibliografia Boddy, David, Management: An Introduction, 2008, 5th Edition, Prentice Hall Edition; PowerPoints das aulas teóricas.