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TEORIAS ADMINISTRATIVAS Prof. Me. Daniel Sá Freire Lamarca Reitor Márcio Mesquita Serva Vice-reitora Profª. Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva Pró-Reitor Acadêmico Prof. José Roberto Marques de Castro Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária Profª. Drª. Fernanda Mesquita Serva Pró-reitor Administrativo Marco Antonio Teixeira Direção do Núcleo de Educação a Distância Paulo Pardo Coordenadora Pedagógica do Curso Ana Livia Cazane do Nascimento Designer Educacional Juliana Spadoto Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico B42 Design *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Universidade de Marília Avenida Hygino Muzzy Filho, 1001 CEP 17.525–902- Marília-SP Imagens, ícones e capa: ©envato, ©pexels, ©pixabay, ©Twenty20 e ©wikimedia L215t Lamarca, Daniel Sá Freire Teorias administrativas [livro eletrônico] / Daniel Sá Freire Lamarca. Ana Livia Cazane do Nascimento (coord.) - Marília: Unimar, 2019. PDF (140 p.) : il. color. ISBN 978-85-86860-12-6 1. Administração de Empresas 2. Administração – História 3. Administração – Teorias I. Título. CDD – 658 005 Aula 01: 010 Aula 02: 018 Aula 03: 029 Aula 04: 038 Aula 05: 047 Aula 06: 056 Aula 07: 066 Aula 08: 078 Aula 09: 086 Aula 10: 092 Aula 11: 099 Aula 12: 105 Aula 13: 112 Aula 14: 119 Aula 15: 127 Aula 16: Introdução aos Conceitos de Administração História da Administração e Escolas do Pensamento Administrativo Administração Científica Teoria da Burocracia Fordismo, Toyotismo e Volvismo Teoria Clássica Teoria das Relações Humanas – 1 Teoria das Relações Humanas – 2 Teoria Estruturalista Tecnologia e Administração Teoria de Sistemas Teoria Neoclássica Teoria Comportamental Teoria de Desenvolvimento Organizacional Teoria da Contingência Perspectivas Contemporâneas da Administração 002 Introdução Olá, caro(a) aluno(a), A Administração, em muitos casos tratada também como Gestão, tem um papel importante no que tange à sociedade humana. Existe atualmente no mundo uma quantidade numerosa de organizações, sejam elas do primeiro setor (público), segundo setor (privado) ou terceiro setor (ONGs, fundações, entidades filantrópicas, etc.). Todos esses tipos de organizações envolvem pessoas e, elas, por sua vez, são intimamente ligadas à organização. A execução da prática de uma boa Administração faz com que uma organi- zação obtenha bons resultados para todos os envolvidos. Para isso, é neces- sário que o administrador ou profissional envolvido com gestão entenda e visualize claramente os campos em que a Administração atua nos dias de hoje e como foi construído o conhecimento dessa área. O termo “administrador” possui diversos significados dependendo do con- texto em que está inserido. Porém, dentre os significados, existem alguns de perfil genérico, tais como: “aquele que administra, governa ou dirige” (DICIO, 2019). Outros consideram também que administrador é aquele responsável por tomadas de decisões no ambiente em que atua. Dessa maneira, seguindo essa linha de raciocínio em que o administrador é aquele que administra, governa, dirige e toma decisões, é possível afirmar que o ato de administrar está entre as áreas de conhecimento mais antigas do mundo. Tal fato se mostra verídico quando observamos durante a histó- ria do planeta, desde os seus primórdios, a presença de reis, faraós, líderes religiosos, entre outras pessoas que exerciam o processo de governar e tomar decisões. Todavia, quando se trata da administração como uma ciência que busca a partir de métodos científicos realizar o processo de tomada de decisão, tem-se que é uma área do conhecimento muito recente, e seu principal marco histórico é o livro de Frederick Taylor, publicado em 1911, intitulado “Os Princípios de Administração Científica”. A partir de então, dá-se origem a todos os estudos posteriores no campo da Administração. 003 Assim, a primeira aula deste material fala sobre a História da Administração e a divisão das Escolas do Pensamento Administrativo. Por conseguinte, será descrito sobre Taylor e os Princípios de Administração Científica, além de um conglomerado de Teorias Administrativas que se sucederam após o trabalho de Taylor. Dentre as Teorias Administrativas que serão abordadas neste livro, estão: Administração Científica, Teoria da Burocracia, Fordismo, Toyotismo, Vol- vismo, Teoria Clássica, Teoria das Relações Humanas, Teoria Estruturalista, Tecnologia e Administração, Teoria de Sistemas, Teoria Neoclássica, Teo- ria Comportamental, Teoria do Desenvolvimento Organizacional, Teoria da Contingência e, por fim, as Perspectivas Contemporâneas da Administração. Ressalta-se que cada uma dessas teorias possuía uma abordagem diferen- te. Entre os primeiros estudos administrativos, tinha-se ênfase nas tarefas exercidas pelos operários e outros na estrutura da organização. Após alguns anos da evolução do pensamento administrativo como uma ciência, surgi- ram estudos sobre a importância das pessoas que ocupavam a organização. Um pouco mais adiante, houve teorias que aprofundaram os estudos com destaque no ambiente da organização. Considerando o vasto campo de estudos das teorias administrativas, ainda existem trabalhos que abordam outros tipos de ênfases no processo administrativo, mas que não serão tratados nesta disciplina. Ademais, destaca-se que essas teorias não são totalmente excludentes entre elas, sendo muitas vezes complementares. Em outras palavras, boa parte das teorias durante o decorrer dos anos foi surgindo no sentido de complementar os pontos que as teorias antecessoras não analisaram ou consideraram. No entanto, em alguns casos, houve teorias que surgiram no contraponto da antecessora, construindo sua base teórica a partir das críticas feitas para outra teoria. Portanto, caro(a) aluno(a), este material tem como objetivo apresentar uma visão geral dos principais pontos de cada uma das principais Teorias Admi- nistrativas e como se sucederam durante todo o século XX, bem como as tendências atuais. Bons estudos! 004 01 Introdução aos Conceitos de Administração 005 Caro(a) aluno(a), nesta primeira aula veremos uma breve introdução aos conceitos iniciais da Administração. O objetivo desta aula é adentrar o mundo da administração, iniciando pelos termos básicos do ambiente das organizações. Dentre os conceitos, estão: Tipos de Setores, Níveis Hierárquicos da Organização, Produto e Prestação de Serviço, Papéis do Administrador, diferença entre Produção e Produtividade e, por �m, estudaremos a diferença entre os termos E�cácia, E�ciência e Efetividade. Tipos de Setores O primeiro tópico é uma apresentação sobre a organização com relação aos diferentes setores aos quais ela pode pertencer dentro da sociedade. Entre os diferentes setores, segundo Madeira e Biancardi (2003), estão: Primeiro setor: organizações em que a origem e a destinação dos recursos são públicas, isto é, esse tipo de organização é constituída pelo Estado; Segundo setor: organizações que são formadas por recursos privados, cujo investimento dos recursos é revertido para benefício próprio; Terceiro setor: organizações que atuam na esfera pública não estatal, constituída por recursos privados de forma voluntária e sem �ns lucrativos. Produto e Prestação de Serviço Qual a diferença entre produto e prestação de serviço? Produto: qualquer bem móvel ou imóvel (TANAKA, 2002). Exemplos: casa, apartamento, terreno, computador, telefone, carro, sapato, caneta, geladeira, entre outros. Prestação de Serviço: qualquer trabalho remunerado, realizado por um fornecedor (TANAKA, 2002).Exemplos: serviços médicos, serviços odontológicos, serviços de advogados, serviços mecânicos, entre outros. 006 Papéis do Administrador Os papéis do administrador fazem referência às atividades que ele deve cumprir para atingir suas funções: planejar, organizar, dirigir e controlar (CHIAVENATO, 2014). Ainda de acordo com Chiavenato (2014), os papéis do administrador podem ser divididos em três: Papéis interpessoais: referem-se ao relacionamento do administrador para com outras pessoas. É como o administrador faz a interação e se relaciona com sua própria equipe; Papéis informacionais: representam as atividades que realizam para manter e desenvolver sua rede de informações. É como ele faz a troca e processa a informação; Papéis decisórios: trata-se das conjunturas e ocorrências em que o administrador necessita fazer escolhas, ou seja, tomar decisões. É como ele faz uso das informações nos processos de decisão. Produção e Produtividade Os termos “produção” e “produtividade” são bem comuns nos meios organizacionais. No entanto, existem diferenças de signi�cado entre essas duas palavras: Produção: tudo aquilo que é produzido pela natureza, homem ou máquina. Exemplo 1: Produção de tomate, produção de carros, produção de sapatos, etc. Exemplo 2 (quantidade de produção): Nesta safra, foram produzidas ao total cinco toneladas de laranja. Produtividade: é a relação entre a quantidade produzida e a qualidade ou o valor de insumos aplicados à produção. Exemplo: Nesta safra, houve uma produtividade de duas caixas por metro quadrado. 007 Eficácia, Eficiência e Efetividade Assim como “produção” e “produtividade”, os termos “e�ciência”, “e�cácia” e “efetividade” também são frequentemente tratados nas organizações. A seguir, o signi�cado e exemplos para cada termo: E�cácia: é atingir o resultado ou objetivo proposto inicialmente. Exemplo: Felipe foi e�caz ao produzir o lote de sapatos. Nesse caso, Felipe conseguiu atingir o objetivo proposto inicialmente que era produzir o lote de sapatos. E�ciência: é realizar a atividade com um bom nível de produtividade, ou seja, com uma boa relação de custo-benefício. Exemplo: Felipe conseguiu produzir uma quantidade de sapatos acima da média neste mês, que é considerada a quantidade normal pela fábrica sem perda de qualidade do produto. Nesse caso, Felipe foi e�ciente, pois conseguiu produzir uma quantidade de sapatos acima do padrão e sem perda de qualidade. Efetividade: é atingir um impacto positivo a partir do resultado. Exemplo: A fábrica de sapatos vendeu todos os sapatos produzidos no mês e os clientes se sentiram satisfeitos. Acesse o link: Disponível aqui Veja no site um exemplo de uma organização do terceiro setor que atua no processo de conservação da natureza. 008 https://www.wwf.org.br/ A notícia pode ser lida no link: Disponível aqui Veja um exemplo sobre pontos de produtividade do setor do Agronegócio. Trata-se de uma notícia publicada no “Diário do Comércio” sobre Adubação Foliar. Caro(a) aluno(a), não se preocupe com os termos técnicos do setor do Agronegócio, mas atente-se principalmente para os pontos que falam do termo produtividade. A notícia cita algumas vezes o aumento da produtividade em relação aos bovinos e à produtividade das pastagens. Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: Tipos de Setores. Diferença entre Produto e Prestação de Serviço. Diferença entre Produção e Produtividade. Diferença entre E�ciência, E�cácia e Efetividade. 009 https://diariodocomercio.com.br/sitenovo/adubacao-foliar-aperfeicoa-nivel-da-pastagem/ 02 História da Administração e Escolas do Pensamento Administrativo 010 A Administração, considerada o ato de realizar “tomadas de decisão”, ou ainda, o ato de “governar” ou “dirigir”, ocorre desde os primórdios da humanidade. Existem registros históricos em diferentes culturas e regiões do planeta, evidenciando a ocorrência de eventos com características administrativas. A seguir, no Quadro 1, é possível visualizar algumas dessas ocorrências ao longo da história. Quadro 1 - Ordem cronológica dos principais eventos ligados à Administração | Fonte: Adaptado de Chiavenato (2014). Ano Autores Eventos 4000 a.C. Egípcios Necessidade de planejar, organizar e controlar 2600 a.C. Egípcios Descentralização na organização 1800 a.C. Hamurabi (Babilônia) Uso de controle escrito e testemunhal Estabelecimento do salário mínimo 1491 a.C. Hebreus Conceito de organização Princípio escalar 600 a.C. Nabucodonosor (Babilônia) Controle de produção e incentivos salariais 400 a.C. Sócrates (Grécia) Enunciado da universalidade da administração Arranjo físico e manuseio de materiais 400 a.C. Platão (Grécia) Princípio da especialização 175 a.C. Cato (Roma) Descrição das funções 1436 Arsenal de Veneza Contabilidade de Custos Balanços Contábeis 1776 Adam Smith (Inglaterra) Princípio de especialização dos operários Conceito de controle 011 Seguindo uma linha histórica, a Administração é tratada como uma ciência que visa, por meio de métodos cientí�cos, aumentar a e�ciência das organizações. Nesse sentido, a Administração é uma área considerada de estudo muito recente. Frederick Winslow Taylor (1856-1915) é considerado o precursor dessa linha, devido aos seus estudos publicados no início do século XX. Após Taylor, decorreu-se uma sequência de outros autores e teorias no campo da Administração durante o século XX. Tais teorias, conhecidas também como Escolas do Pensamento Administrativo, foram responsáveis por tecerem as ideias e evolução da atual Administração. Escolas do Pensamento Administrativo Uma breve descrição das principais características de cada uma das teorias: Administração Cientí�ca: surgiu nos Estados Unidos no começo do século XX com Frederick W. Taylor (1856-1915) e é considerada precursora no estudo cientí�co da Administração, tendo como ênfase de seus estudos as tarefas exercidas pelos operários; Teoria da Burocracia: surgiu com Max Weber (1864-1920), também no começo do século XX, tendo como ênfase de seus estudos a estrutura da organização; Teoria Clássica: surgiu com Jules Henri Fayol (1841-1925) na Europa, também no começo do século XX, tendo como ênfase de seus estudos a estrutura da organização; Teoria das Relações Humanas: surgiu em 1932 por consequência do Experimento de Hawthorne, gerenciada por Elton Mayo (1880-1949). Os estudos dessa teoria possuem ênfase nas pessoas; Teoria Estruturalista: surge a partir de con�itos teóricos entre a Teoria Clássica (ênfase na estrutura) e a Teoria das Relações Humanas (ênfase nas pessoas), em um contexto em que a Teoria da Burocracia (ênfase na estrutura) não possuía base teórica su�ciente para resolver. Os estudos dessa teoria possuem ênfase na estrutura da organização; Tecnologia e Administração: desde a Primeira Revolução Industrial, a tecnologia tem modi�cado fortemente a sociedade. Após 1949o surgimento da telefonia e a seguida evolução dos meios de comunicação alteraram consideravelmente os 012 modos de comunicação e consequentemente as maneiras de gestão nas organizações. Logo, esta linha de estudos possui ênfase na tecnologia; Teoria de Sistemas: provém de uma teoria mais abrangente denominada Teoria Geral dos Sistemas (TGS), que teve início na área da biologia. Uma das principais contribuições dessa teoria são as classi�cações quanto à natureza das organizações em Sistema Aberto (interage com o ambiente) e Sistema Fechado (não interage com o ambiente). Os estudos dessa teoria possuem ênfase no ambiente; Teoria Neoclássica: Essa teoria não forma uma Escola Administrativa bem de�nida, pois apresenta diferentes autores com diferentes linhas teóricas. A Teoria Neoclássica representa um agregado de autores e trabalhos heterogêneos e possui várias denominações, tais como Escola Operacional ou Escola do Processo Administrativo. O termo “teoria” é utilizado com o intuito de facilitar a aprendizagem didática desse conteúdo (CHIAVENATO, 2014).O grande pensador dessa teoria e também considerado o pai da administração moderna foi Peter Drucker (1909-2005). Os estudos dessa teoria possuem ênfase na estrutura da organização; Teoria Comportamental: surgiu apresentando críticas e fazendo oposição à Teoria Clássica e à Teoria da Burocracia e parcialmente à Teoria das Relações Humanas. É formada por um agregado de teorias que contribuíram para essa corrente teórica. O precursor dessa teoria é Herbert A. Simon (1916-2001), e os estudos dessa teoria possuem ênfase nas pessoas; Teoria do Desenvolvimento Organizacional: surgiu a partir de 1962, na sequência da Teoria Comportamental, tendo por objetivo o crescimento e o desenvolvimento das organizações. Nesse contexto, foi levado em consideração um conglomerado de teorias a respeito do trabalhador, da empresa e do ambiente (CHIAVENATO, 2014). Os estudos dessa teoria possuem ênfase nas pessoas; Teoria da Contingência: essa teoria aponta que não existe nada absoluto no contexto das organizações. Em outros termos, segundo essa teoria, tudo depende. A Teoria da Contingência a�rma que para atingir os objetivos da organização, há uma relação entre as condições presentes no ambiente e as técnicas administrativas utilizadas (CHIAVENATO, 2014). Os estudos dessa teoria possuem ênfase no ambiente e na tecnologia; Perspectivas Contemporâneas da Administração: conhecidas também como “Novas Abordagens da Administração”, trata de diversos tópicos ligados à competitividade das organizações no mercado. Os estudos dessa teoria possuem ênfase na competitividade. 013 Figura 1 - Variáveis básicas que compõem a Administração | Fonte: Chiavenato (2014). Durante a evolução dos estudos das teorias administrativas, veri�ca-se que cada teoria, em função dos problemas que os pesquisadores observavam em sua época, possuía uma ênfase de estudo diferente. Essas ênfases representam as variáveis básicas que envolvem uma organização, conforme aponta Chiavenato (2014). No Quadro 2, apresenta-se cada uma das principais teorias administrativas com sua respectiva ênfase. 014 Quadro 2 - Teorias Administrativas e suas respectivas ênfases | Fonte: Elaborado pelo autor baseado em Chiavenato (2014). Teoria Ênfase Administração Cientí�ca Nas tarefas Teoria da Burocracia Na estrutura Teoria Clássica Na estrutura Teoria das Relações Humanas Nas pessoas Teoria Estruturalista Na estrutura e no ambiente Tecnologia e Administração Na tecnologia Teoria de Sistemas No ambiente Teoria Neoclássica Na estrutura Teoria Comportamental Nas pessoas Teoria do Desenvolvimento Organizacional Nas pessoas Teoria da Contingência No ambiente e na tecnologia Novas Abordagens da Administração Na competitividade Idalberto Chiavenato, nas diferentes edições de seus livros sobre “Introdução à Teoria Geral da Administração”, quando trata das Teorias Administrativas, agrupa essas teorias em Abordagens da Administração. A seguir, é apresentado um quadro com as Abordagens e as respectivas teorias que contemplam cada abordagem. 015 Quadro 3 - Abordagens da Administração | Fonte: Elaborado pelo autor baseado em Chiavenato (2014). Abordagem Teoria Abordagem Clássica da Administração Administração Cientí�ca Teoria Clássica Abordagem Humanística da Administração Teoria das Relações Humanas Abordagem Neoclássica da Administração Teoria Neoclássica Abordagem Estruturalista da Administração Teoria da Burocracia Teoria Estruturalista Abordagem Comportamental da Administração Teoria Comportamental Teoria do Desenvolvimento Organizacional Abordagem Sistêmica da Administração Tecnologia e Administração Teoria de Sistemas Abordagem Contingencial da Administração Teoria da Contingência 016 Acesse o link: Disponível aqui Recomendo o artigo “O cotidiano e a história: construindo novos olhares na administração” como forma de complementar o conteúdo desta aula. O artigo foi publicado na Revista de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no ano de 2015 e pode ser encontrado em: Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: Escolas do Pensamento Administrativo. Teorias Administrativas e suas respectivas ênfases. Diferentes Abordagens da Administração e suas respectivas teorias. 017 https://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rae/article/view/47666/44865 03 Administração Científica 018 Frederick Winslow Taylor (1856-1915) | Fonte: Disponível aqui Nesta aula, vamos continuar falando sobre Teorias Administrativas e conhecer os primeiros passos do pensamento administrativo: a Administração Cientí�ca. Essa teoria surgiu no começo do século XX, tratando pela primeira vez a administração como uma ciência. Tal nome surgiu tendo em vista a aplicação de conceitos cientí�cos em problemas na área administrativa a �m de obter ganhos de e�ciência. Para os problemas da área de administração, os métodos cientí�cos utilizados foram a observação e a mensuração (CHIAVENATO, 2014). Os primeiros trabalhos sobre o assunto, conhecidos como Escola da Administração Cientí�ca, tinham como objetivo o estudo das tarefas dos operários. O precursor dessa teoria foi Frederick Winslow Taylor (1856-1915), considerado Pai da Administração Cientí�ca, ou também Pai da Organização Cientí�ca do Trabalho. Suas teorias �caram conhecidas como Taylorismo. Taylor nasceu e faleceu na Filadél�a, no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Sua formação foi em engenharia mecânica. Entre as suas obras, o livro com maior destaque é “Os Princípios de Administração Cientí�ca”, publicado em 1911. Ao longo de sua carreira como engenheiro e trabalhando diretamente na indústria, adquiriu uma vasta experiência. Taylor defendia a ideia de que a administração da organização necessita ser tratada como uma ciência e não de maneira empírica. Em outras 019 https://commons.wikimedia.org/wiki/Frederick_Winslow_Taylor#/media/File:Frederick_Winslow_Taylor.JPG palavras, apontava que a administração da organização deveria ser feita de modo a estudar o trabalho do operário no desenvolvimento de suas funções e não apenas na experiência adquirida no decorrer dos anos. Nesse contexto, esse pensador tinha como objetivo melhorar a e�ciência da organização, e seus estudos enfatizavam as tarefas dos operários por meio da racionalização do trabalho. Nessa época, Taylor realizou diversos estudos sobre a Organização Racional do Trabalho (ORT). Organização Racional do Trabalho (ORT) Taylor iniciou seus estudos no “chão de fábrica” da indústria, analisando individualmente cada operário, separando os movimentos e processos que eles executavam com o objetivo de otimizar e racionalizar suas atividades. Sua obra mais relevante sobre esse tema foi “Shop Management”, livro publicado em 1903 que abordava as técnicas de racionalização do trabalho a partir de análises sobre tempos e movimentos gastos pelos operários no desenvolvimento das atividades (CHIAVENATO, 2014). Por ter sido o primeiro a realizar um estudo completo do trabalho, considerando diversos pontos importantes como, por exemplo, tempos e movimentos, padrões de execução, treinamento dos operários, especialização do pessoal, entre outros pontos, fez com que Taylor ganhasse um alto nível de reconhecimento (WAHRLICH, 1971). Veri�cando o trabalho dos operários, Taylor constatou que eles aprendiam a execução das atividades/tarefas através da observação do trabalho do operário vizinho, visualizando o modo como é realizada a atividade e replicando a sua execução. No entanto, tal realidade presenciada por Taylor apresentava diversos problemas, pois cada operário realizava as tarefas de uma maneira diferente e utilizando ferramentas diferentes, gerando um baixo nível de produtividade. Dessa maneira, buscou-se, por meio de métodos cientí�cos, fazendo uso do estudo de tempos e movimentos, identi�car a maneira mais rápida com a ferramenta mais adequada para se produzir. Em um momento posterior seria transmitido aos 020 operários as técnicas de produção.Além disso, outro ponto importante era a seleção de modo cientí�co do trabalhador para a execução de cada tarefa. A substituição do modo empírico pelo modo cientí�co foi denominada como Organização Racional do Trabalho (ORT). De acordo com Chiavenato (2014), a ORT se fundamenta nos seguintes aspectos: Análise do trabalho e do estudo de tempos e movimentos: A ferramenta essencial para a racionalização do trabalho era o estudo de tempos e movimentos. Tal estudo era feito a partir dos movimentos realizados pelos operários para a execução de suas tarefas. O objetivo era alcançar uma sequência de movimentos padronizados e simples, buscando maior e�ciência. Os movimentos desnecessários eram descartados, enquanto buscava-se simpli�car e racionalizar os movimentos necessários. Nesse tópico, além de Taylor, o engenheiro Frank B. Gilbreth, também colaborou com importantes contribuições. Estudo da fadiga humana: Frank B. Gilbreth observou em seus estudos que a fadiga humana era fator de diminuição da e�ciência da organização, pois sujeita “o trabalhador para: diminuição de produtividade e qualidade do trabalho; perda de tempo; aumento da rotatividade de pessoal; doenças e acidentes e diminuição da capacidade de esforço (CHIAVENATO, 2014, p. 62)”. A partir disso, tinha-se como intuito racionalizar os movimentos, removendo os movimentos que geram fadiga e aqueles que não possuem ligação direta com a tarefa. Divisão do trabalho e especialização do operário: Nos estudos realizados sobre tempos e movimentos, foi observado que a divisão de uma grande tarefa em várias outras pequenas tarefas, junto com uma especialização do operário na atividade que desempenha, geraria uma maior produtividade do operário. A partir de então, o operário passou a ser responsável por apenas uma tarefa, atendendo aos padrões e normas daquela atividade. Desenho de cargos e tarefas: Na Administração Cientí�ca foi quando surgiu a tentativa de forma racional para se desenhar cargos e tarefas. Nesse sentido, cargo é o agrupamento de tarefas efetuadas de modo repetitivo e tarefa é todo serviço/atividade feito pelo funcionário em uma empresa, sendo a menor parte de execução possível na organização. Segundo Chiavenato (2014, p. 64): A simpli�cação no desenho dos cargos permite as seguintes vantagens: 1. Admissão de empregados com quali�cações mínimas e salários menores, reduzindo os custos de produção; 2. Minimização dos custos de treinamento; 3. Redução de erros na execução, diminuindo os refugos e as rejeições; 4. Facilidade de supervisão, permitindo que cada supervisor controle um número maior de subordinados; 5. Aumento da e�ciência do trabalhador, permitindo maior produtividade. 021 Incentivos salariais e prêmios de produção: Após de�nida a melhor maneira de execução da tarefa do operário (tempo e padronização), escolha cientí�ca do operário e treinamento do mesmo, era necessário que o operário conseguisse atingir os padrões de tempos previstos. Taylor junto a outros pensadores que os seguiam, elaboraram mecanismos de incentivos salariais e prêmios de produção. O intuito era deixar de remunerar os trabalhadores em função do tempo que trabalhavam (salário por mês, dia ou hora) e remunerar em função da produção de cada trabalhador (ex. salário pela quantidade de produtos produzidos pelo operário). Dessa forma, aquele operário que obtiver maior produção ganha mais e aquele que obtiver menor produção ganha menos, atendendo expectativas da indústria e dos operários. Conceito de homo economicus: Este conceito “homo economicus”, no qual a Administração Cientí�ca se baseou, signi�ca “homem econômico”. Tal conceito aponta que as pessoas são in�uenciadas somente por recompensas �nanceiras. Desse modo, o homem busca o trabalho, pois necessita trabalhar para sobreviver. Portanto, fatores como prêmios de produção levam ao trabalhador explorar sua capacidade física máxima no desenvolvimento das atividades. Condições ambientais de trabalho: Além dos estudos sobre o método de trabalho e do incentivo salarial para alcançar maior e�ciência, percebeu-se que as condições do ambiente de trabalho eram um ponto elementar, pois afetava o bem-estar físico do operário e também a fadiga humana. Para Chiavenato (2014, p. 66): As condições de trabalho que mais preocuparam a Administração Cientí�ca foram: 1. Adequação de instrumentos e ferramentas de trabalho e de equipamentos de produção para minimizar o esforço do operador e a perda de tempo na execução da tarefa; 2. Arranjo físico das máquinas e dos equipamentos para racionalizar o �uxo da produção; 3. Melhoria no ambiente físico de trabalho de maneira que o ruído, a ventilação, a iluminação e o conforto no trabalho não reduzam a e�ciência do trabalhador; 4. Projeto de instrumentos e equipamentos especiais, como transportadores, seguidores, contadores e utensílios para reduzir movimentos inúteis. Padronização: A Organização Racional do Trabalho (ORT) não se preocupou apenas com os tópicos citados e descritos anteriormente, mas também com a padronização dos diferentes fatores que envolviam o processo de produção. Dentre esses fatores, é possível citar, por exemplo: métodos de trabalho, ferramentas e instrumentos, máquinas e equipamentos, matérias-primas e componentes. A padronização tinha por objetivo diminuir a variabilidade e diversidade durante a produção, podendo assim, buscar a diminuição do desperdício e o aumento de e�ciência. 022 Caro(a) aluno(a), podemos observar até o momento, os pontos sob os quais a Organização Racional do Trabalho (ORT) se fundamenta. Agora, vamos estudar sobre os Princípios de Administração Cientí�ca de Taylor, os quais são de grande importância dentre as teorias cunhadas pelo pensador. Princípios de Administração Científica de Taylor Após diversas observações sobre o trabalho dos operários e com o objetivo de racionalizar suas tarefas, Taylor propõe, conforme aponta Chiavenato (2014), quatro princípios que uma gerência deve seguir: planejamento, preparo, controle e execução. Princípio de Planejamento “Substituir, no trabalho, o critério individual do operário, a improvisação e a atuação empírica-prática por métodos baseados em procedimentos cientí�cos; substituir a improvisação pela ciência por meio do planejamento do método de trabalho. (CHIAVENATO, 2014, p. 67).” Princípio de Preparo “Seleção e aperfeiçoamento cientí�co do trabalhador, que é estudado, instruído, treinado e, pode-se dizer, experimentado, em vez de escolher ele os processos e aperfeiçoar-se por acaso (TAYLOR, 1990, p. 81).” 023 Princípio do Controle “Controlar o trabalho, para se certi�car de que ele está sendo executado de acordo com as normas estabelecidas, em base cientí�ca (MOITINHO, 1969, p. 551.12).” Princípio da Execução “Distribuir atribuições e responsabilidades para que a execução do trabalho seja disciplinada (CHIAVENATO, 2014, p. 68).” Outros pensadores da Administração Científica Na Administração Cientí�ca também houve outros importantes pensadores além de Taylor. A seguir, no Quadro 4 estão listados os principais autores que contribuíram para corrente desse pensamento administrativo. 024 Quadro 4 – Principais pensadores da Administração Cientí�ca | Fonte: elaborado pelo autor. Autor Ano de nascimento – Ano de Falecimento Frederick Winslow Taylor 1856 – 1915 Harrington Emerson 1853 – 1931 Carl Barth 1860 – 1939 Henry Laurence Gantt 1861 – 1919 Henry Ford 1863 – 1947 Frank Bunker Gilbreth 1868 – 1924 Lillian Moller Gilbreth 1878 – 1961 Além de Taylor, pensadores como Harrington Emerson (1853-1931) e Henry Ford (1863-1947) também adotavam diferentes princípios ligados às atividades da indústria. Ambos os autores, procuraram seguir na direção de explorar fatores relacionados a ganhos de e�ciência na produção. Para melhor visualizarmos o que foi discutido neste capítulo, a seguir, na Figura 2, é apresentado um �uxograma ilustrando a abordagem da Administração Cientí�ca. 025 Figura 2 – Abordagem microscópica e mecanicista da Administração Cientí�ca | Fonte: CHIAVENATO(2014). Caro(a) aluno(a), nesta terceira aula do seu material foi possível estudar e visualizar os principais pontos da Administração Cientí�ca e os principais apontamentos cunhados por Frederick Wislow Taylor. É muito importante destacar que essa foi a primeira das Teorias Administrativas ao longo da história, sendo a pioneira na visão da Administração como uma ciência e provendo subsídio para as teorias subsequentes. Link para o �lme: Disponível aqui Recomendo a visualização do clássico �lme “Tempos Modernos”, estreado por Charlie Chaplin, em 1936. Esse �lme retrata alguns pontos da produção nas indústrias da época. A partir disso, é possível observar em alguns trechos do �lme fatos ocorridos na Administração Cientí�ca. 026 https://www.youtube.com/watch?v=ZUtZ8q_vkKY O artigo está na íntegra: Disponível aqui Para visualizar uma aplicação prática dos conceitos vistos nesta aula, é possível observarmos um estudo de caso publicado no formato de artigo cientí�co. O estudo intitula-se: “O estudo de tempos e movimentos na eliminação de desperdícios: uma aplicação prática na área de limpeza industrial mecanizada”, publicado em 2017 pela revista Exacta. Nesse trabalho, os autores tratam acerca de como o estudo de tempos e movimentos poderia contribuir na maximização produtiva do processo de limpeza industrial mecanizada. A pesquisa foi realizada em uma indústria no município de São Luís, no estado do Maranhão. Os resultados do trabalho apontaram para diversos ganhos na empresa e também para redução de perdas. 027 http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=81052980004 Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: A Teoria da Administração Cientí�ca foi a pioneira no estudo da Administração como uma ciência. Principal pensador e pioneiro da Administração Cientí�ca: Frederick Wislow Taylor. A Administração Cientí�ca possui ênfase nas tarefas. A Organização Racional do Trabalho (ORT) estudava as tarefas realizadas pelos operários, visando substituir os métodos empíricos presentes por métodos cientí�cos. 028 04 Teoria da Burocracia 029 Maximilian Karl Emil Weber (1864-1920). Esta aula aborda a Teoria da Burocracia, e já se destaca que ela possui ênfase na estrutura da organização, e que o termo “burocracia” possui diversos signi�cados ao longo da história e de acordo com o contexto. Porém, muitas de�nições desse termo estão ligadas à administração e mais especi�camente à administração pública. Além disso, esse termo, por várias vezes, é sinônimo de processo lento no âmbito da organização pública. Para esta aula, o termo “burocracia” vem no sentido oposto, composta por regras e procedimentos que tornam a organização mais e�ciente. O termo “burocracia” é antigo, mas o primeiro a tratá-lo como teoria foi Maximilian Karl Emil Weber (1864-1920), conhecido também como Max Weber. Max Weber nasceu no Reino da Prússia e morreu na Alemanha. Durante a sua carreira, foi considerado um grande intelectual. Era economista, jurista e também está entre os fundadores da sociologia. Segundo Chiavenato (2014), Weber classi�cava a sociedade em três tipos: Tradicional, Carismática e Legal, Racional ou Burocrática. A Tradicional é aquela sociedade caracterizada pela presença de patriarcas, como ocorre nas famílias. A sociedade Carismática é composta por características místicas, arbitrárias e personalísticas como, por exemplo, partidos políticos e grupos revolucionários, entre outros. Já a sociedade Legal, Racional ou Burocrática se caracteriza pelas normas e regras para a 030 escolha de meios e �ns, como acontece em grandes organizações. Portanto, para Weber, a burocracia acontecia nas empresas onde havia a necessidade da presença de regras para a execução das atividades. Para Weber, existem as autoridades decorrentes dos tipos de sociedade – logo, existem autoridades do tipo Tradicional, Carismática e Legal, Racional ou Burocrática. Considera-se, para tanto, a autoridade como a representação de poder de modo institucional e o�cial. Em cada um dos tipos de autoridade, existe uma relação entre o indivíduo que possui a autoridade e o restante das pessoas. Nessa linha de raciocínio, ter autoridade signi�ca ter poder. Por outra vertente, o inverso não necessariamente ocorre, pois a autoridade tem como característica a legitimidade para governar (CHIAVENATO, 2014). Fazendo uso de outros termos, signi�ca que a autoridade é adquirida pela subserviência do arbítrio de um grupo de indivíduos para um indivíduo exercer o processo de comando. Para descrever de maneira sintética os tipos de sociedade e os tipos de autoridade descritos, o Quadro 5, a seguir, apresenta as características de cada um deles. 031 Quadro 5 – Tipologias de sociedade e autoridade e suas características, segundo Weber | Fonte: Adaptado de Chiavenato (2014). Tipo de sociedade Características Exemplos Tradicional Patriarcal e patrimonialista Conservantismo Clã, tribo, família e sociedade medieval Carismática Personalista; mística e arbitrária Revolucionária Grupos revolucionários, partidos políticos, nações em revolução Legal, racional ou burocrática Racionalidade dos meios e dos objetivos Estados modernos, grandes empresas e exércitos Tipos de autoridade Características Legitimação Aparato Administrativo Tradicional Não é racional Poder herdado ou delegado Baseada no “senhor” Tradição, hábitos, usos e costumes Forma patrimonial e forma feudal Carismática Não é racional, nem herdada e nem delegável Baseada no “carisma” Características pessoais (heroísmo, magia e poder mental) carismáticas do líder Inconstante e instável Escolhido pela lealdade e pela devoção ao líder, e não por quali�cações técnicas Legal, racional ou burocrática Legal, racional, impessoal formal Meritocrática Justiça da lei Promulgação e regulamentação de normas legais previamente de�nidas Burocracia 032 Características da Burocracia De acordo com Chiavenato (2014), para Max Weber, a burocracia possui as seguintes características: Caráter legal das normas e regulamentos: A burocracia é feita a partir de regulamentos e normas registradas previamente em papel. Assim, tem-se uma legislação própria para as organizações, sejam organizações públicas (Leis Federais, Leis Estaduais, Leis Municipais) ou privadas (Estatuto da Empresa). Tais mecanismos são formulados para determinar como a organização burocrática deverá funcionar. De forma geral, essas burocracias são exaustivas, pois compreendem as mais diversas áreas da organização e, assim, há uma quantidade relativamente grande de normas e regulamentos para que seja possível o alcance total da empresa. Caráter formal das comunicações: O processo de comunicação é essencial na organização burocrática. Contudo, é preciso que seja estritamente formal, utilizando-se para isso procedimentos por escrito. No período de Weber, tal apontamento do pensador remetia exclusivamente à documentação por papéis. Em um mundo com inovações tecnológicas como o atual, é possível englobar nessa denominação, além dos papéis, o uso do e-mail. Tal ponto se faz importante, tendo em vista registrar todos os eventos que acontecem no ambiente da organização. Também ocorre a criação de rotinas nos processos de comunicação nas organizações burocráticas, visto a presença de diversas tarefas repetitivas, com o intuito, portanto, de aprimorar a execução das atividades. Caráter racional e divisão do trabalho: A organização burocrática possui uma divisão sistemática do trabalho, e há racionalidade nessa divisão com o intuito de atingir o objetivo da organização – que é a e�ciência. Ocorre também uma divisão de modo sistemático do poder, distribuindo para cada membro da organização, a partir de uma hierarquia, funções especí�cas para serem executadas dentro de uma esfera de competência e responsabilidade. Impessoalidade nas relações: Na estrutura da organização, deve existir uma divisão bem de�nida de cargos e funções, sendo que a pessoa ocupante do cargoserá responsável pela execução das funções destinadas para o cargo determinado. Em outras palavras, independentemente da pessoa que ocupar o cargo, ela terá as mesmas funções para realizar. Na organização burocrática, essa relação não pode sofrer variação de acordo com cada pessoa, mas sim de acordo com cada cargo ocupado. A mesma impessoalidade deve acontecer nas relações entre superior e subordinado, fazendo com que a relação de comando aconteça devido às funções de cada cargo e não devido às pessoas que ocupam os cargos. 033 Hierarquia da autoridade: Os cargos são estabelecidos seguindo um princípio de divisão hierárquica, em que cada cargo deve possuir um superior que lhe confere controle e supervisão. Ressalta-se que todos os cargos devem possuir controle ou supervisão. Nesse contexto, a organização burocrática é uma estrutura social hierarquicamente organizada. Rotinas e procedimentos padronizados: Para cada cargo, um conjunto de regras e normas técnicas é designado, e se torna rotina e procedimentos padronizados a serem desempenhados pelo ocupante do cargo. Nesse sentido, a pessoa ocupante do cargo não realiza as atividades que deseja, mas sim as atividades (rotinas) determinadas para aquele cargo. São determinados os padrões para a realização das atividades, que estão alinhados com os objetivos da organização. Tais padrões colaboram para medir e avaliar o desempenho de cada trabalhador na execução das tarefas destinadas para o cargo. Competência técnica e meritocracia: É necessário, no ambiente da organização burocrática, que a escolha das pessoas para ocupar os cargos seja baseada em competência técnica e mérito. Na burocracia, não pode haver decisões pautadas em critérios de escolha livre e com interesses particulares que não estejam alinhados com o objetivo da organização. Justi�ca-se, portanto, em grande parte das organizações, a aplicação de exames, concursos, testes e títulos para preenchimento do cargo. Especialização da administração: No processo administrativo de uma organização burocrática, existe a divisão entre o dono do capital e aquele que administra a organização. Faz-se necessário que o gestor da organização tenha conhecimentos técnicos de ordem administrativa. Contudo, torna-se possível, em alguns casos, que seja a mesma pessoa, desde que o dono do capital tenha especialidade administrativa para exercer tal função. O trabalhador (especialista em administração, não o dono do capital) que exerce a função administrativa não pode vender, comprar ou herdar seu cargo, pois o papel do cargo estabelecido é apenas de gestão. Pro�ssionalização dos participantes: A organização burocrática é caracterizada pela pro�ssionalização dos participantes. Nesse tipo de organização, cada trabalhador é considerado um pro�ssional pelas seguintes características: especialista, assalariado, ocupante de cargo nomeado pelo superior hierárquico, mandato por tempo indeterminado, possui plano de carreira, não é proprietário dos meios de produção, administra a organização e �delidade ao cargo e aos objetivos da empresa. O administrador da organização possui uma tendência de gerenciar continuamente as burocracias. Completa previsibilidade do funcionamento: Para buscar o nível máximo de e�ciência que a organização possa atingir, torna-se importante que seja possível prever o comportamento de seus participantes. Desse modo, os trabalhadores devem ter um comportamento padronizado com as regras e normas da organização, podendo antecipar os acontecimentos e tomar decisões programadas para cada situação diferente. 034 No Brasil, as relações entre o setor privado para com o setor público são marcadas pela presença do modelo burocrático, assim como acontece em todos os outros países. Contudo, comumente em diversos setores de relacionamento com o governo brasileiro é presenciado um nível exagerado da burocracia quando comparado com outros países. Tal fato faz com que as empresas tenham maior di�culdade em executar determinadas atividades, ou ainda levem mais tempo para entregar um produto ou serviço para o seu cliente. Nos últimos anos, após grande avanço dos meios de comunicação, principalmente a internet, gerou-se uma agilidade nos processos, o que pode ser considerado como uma “desburocratização” dessa relação. Portanto, a burocracia é indispensável nas organizações (públicas ou privadas) e na relação entre elas, pois como aponta Max Weber, seu uso se faz necessário para que a organização busque maior e�ciência. Por outro lado, destaca-se que é necessário fazer uma utilização moderada da burocracia, buscando a e�ciência dos processos e da organização e o uso exagerado da mesma pode levar à ine�ciência da organização. 035 Acesse o link: Disponível aqui Recomendo a visita ao site eSocial do Governo Federal, trata-se de uma plataforma digital cujo objetivo é a transmissão eletrônica de dados entre as empresas e o Governo, facilitando o trâmite de documentações entre as partes. Veja que nessa situação o conceito de burocracia permanece, porém, foi possível, por meio da utilização de tecnologia da informação, otimizar os processos entre o órgão público e o privado, deixando-os mais e�ciente. O artigo pode ser visualizado no link: Disponível aqui Leiam um estudo de caso intitulado: “Análise do processo de licenciamento ambiental: um estudo de caso na cidade de Sobral – CE”, publicado em 2017, pela Revista de Educação, Ciência e Tecnologia do IFRS. Nesse estudo é abordado sobre os princípios do modelo burocrático Max Weber no processo de licenciamento ambiental na cidade de Sobral, Ceará. 036 https://login.esocial.gov.br/login.aspx https://periodicos.ifrs.edu.br/index.php/ScientiaTec/article/view/2092/pdf Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: Burocracia não é sinônimo de lentidão dos processos, mas sim de regras e procedimentos que buscam fazer a organização mais e�ciente. As características da Burocracia: Caráter legal das normas e regulamentos, Caráter formal das comunicações, Caráter racional e divisão do trabalho, Impessoalidade nas relações, Hierarquia da autoridade, Rotinas e procedimentos padronizados, Competência técnica e meritocracia, Especialização da administração, Pro�ssionalização dos participantes, Completa previsibilidade do funcionamento. 037 05 Fordismo, Toyotismo e Volvismo 038 Nesta aula, serão estudados três diferentes sistemas de produção: Fordismo, Toyotismo e Volvismo, que são de grande importância nas contribuições geradas para as Teorias Administrativas ao longo da história. Ressalta-se que cada sistema está diretamente ligado às respectivas marcas automobilísticas Ford, Toyota e Volvo. A seguir, será aprofundada cada uma dessas três importantes teorias. Fordismo O precursor dessa teoria foi Henry Ford (1863 – 1947), engenheiro mecânico e fundador da Ford Motor Company. Foi responsável pela construção e comercialização do veículo Ford Modelo T em 1908, modelo que transformou radicalmente o transporte e a indústria dos Estados Unidos. O modelo apresentou diversas mudanças na sua estrutura quando comparado aos outros veículos da época e, além disso, apresentava preços acessíveis, facilitando a aquisição por parte da população. Após alguns anos, em 1926, devido à queda de vendas do Modelo T, Henry Ford lançou o Modelo A. Entretanto, o sucesso empresarial de Henry Ford não se deu apenas pela comercialização dos seus veículos, mas também no modo como os veículos passaram a ser fabricados. Em 1913, ainda durante a fabricação do Modelo T, Ford introduziu o sistema de linha de montagem (esteiras) na produção de seus veículos, o que permitiu um grande avanço na produtividade dos trabalhadores e da indústria. 039 Henry Ford (1863 – 1947). Ford Modelo T. Tal sistema fez com que os operários da indústria de Ford trabalhassem no ritmo e na velocidade da esteira da linha de montagem. Dessa maneira, todos os operários trabalhavam de igual modo, e nenhum operário despendia de mais energiaque o 040 outro na execução das tarefas. Outro ponto importante foi a especialização do trabalho dos operários, pois cada trabalhador executava sempre a mesma tarefa dentro do sistema. Assim, exempli�cando de modo simples, um operário que era responsável pela instalação da porta do veículo durante a sua construção sempre iria executar essa mesma atividade. Isso levou cada operário se especializar na função pela qual era responsável, gerando também maior produtividade na execução da tarefa. Ainda, tal modelo de produção tinha como característica a padronização dos produtos, ou seja, não havia uma variedade de modelos de produtos para o mercado consumidor. Nesse contexto, há uma frase muito emblemática de Henry Ford que diz: “O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto”. Destaca-se que pouco tempo depois esse sistema de produção, o qual �cou conhecido por “Fordismo” foi transplantando para vários outros setores industriais da época. Para aquele momento da história, tal mudança foi revolucionária, pois transformou bruscamente os processos de produção da indústria. O modelo produtivo tinha como objetivo uma produção em massa, buscando atingir também um consumo em massa e, para isso, também necessitava de grandes estoques. Você deve ter percebido uma forte semelhança entre as ações executadas por Henry Ford no comando de sua indústria e diversos pontos propostos na Escola da Administração Cientí�ca. De acordo com Chiavenato (2004), Henry Ford é incluído entre os pensadores da Administração Cientí�ca devido à aplicação dos princípios em seus negócios. Toyotismo Em outra vertente, com um direcionamento diferente do fordismo, surge o modelo produtivo que �cou conhecido como “Toyotismo” ou também como Sistema Toyota de Produção. Esse modelo, considerado pós-fordismo, apareceu no Japão após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e difundiu-se pelo mundo após 1970. O modelo foi criado pelo engenheiro mecânico Taiichi Ohno (1912-1990) junto com Eiji Toyoda (1913-2013) e aplicado na fábrica da Toyota. 041 O Toyotismo nasceu em um momento em que o Japão se reconstruía após a Segunda Guerra Mundial. Diferentemente do Fordismo, que tinha como foco a produção em massa para o consumo em massa e contava com grandes estoques, o Toyotismo tinha como premissa a produção enxuta, ou seja, produzindo somente o necessário. Tal situação deu-se devido às condições de reconstrução pós-guerra que o país estava vivendo naquele momento. A produção em função basicamente da demanda existente e sem grandes estoques gerou o termo em inglês “Just in Time” que poderia ser traduzido para o português como “Na Hora Certa” ou “No Momento Certo”, o que signi�ca, em termos práticos, realizar a produção no momento ideal. Exempli�cando essa situação, o modelo “Just in Time” (JIT) procura realizar a produção somente quando o estoque do produto chega em um nível demarcado pela gerência, sem gerar estoques desnecessários. Denota-se que grandes estoques geram necessidade de maior custo com infraestrutura (instalações, mais pessoas para gerenciar o estoque, entre outros) e, além disso, torna-se um capital imobilizado. Nessa linha de raciocínio, para os dias atuais, considerando principalmente o mercado virtual, é possível em muitos casos que as empresas trabalhem com estoque zero e realizem a fabricação do produto somente após o pedido do cliente ser expedido pelo sistema. De acordo com Chiavenato (2014), nesse sistema, Taiichi Ohno realizou mudanças a �m de introduzir técnicas que alteravam de modo rápido as máquinas e possibilitavam a �exibilização dos processos, mas utilizando algumas regras. Para o criador desse modelo, tudo aquilo que não geraria valor para o produto �nal era entendido como desperdício e deveria ser eliminado. Ohno classi�cou sete tipos de desperdícios (CHIAVENATO, 2014): 1. Tempo perdido para consertos ou refugos; 2. Produção maior do que a necessária ou antes do necessário; 3. Operações desnecessárias no processo de manufatura; 4. Transporte; 5. Estoque; 6. Movimentação humana e 7. Tempo de Espera. A partir disso, segundo Chiavenato (2014), foi criado o modelo de produção Toyota, composto por: Automatização: uso de máquinas que param de funcionar automaticamente caso ocorram problemas, além da ppossibilidade de o operário manusear máquinas diferentes, diminuindo assim a quantidade de trabalhadores; 042 Just in Time (JIT): produção da demanda após efetivação da venda, mantendo um �uxo de produção contínuo; Trabalho em equipe: objetivo de racionalizar o uso de mão de obra. Para isso, tem-se um líder que coordena a equipe e faça a substituição daqueles que estão ociosos. O foco é eliminar o tempo ocioso (morto) entre os operários visando reduzir o número de trabalhadores sem diminuir a produção; Administração por estresse: em função do trabalho em equipe, existe uma pressão sofrida pelo trabalhador para que desempenhe seu serviço com qualidade, havendo a possibilidade de ser rejeitado pela equipe; Flexibilização da mão de obra: possibilidade de o trabalhador saber realizar múltiplas funções, com o objetivo de ocupar qualquer função quando necessário. Isso permite que a empresa tenha uma quantidade menor de trabalhadores. É importante destacar que é preciso uma mão de obra mais quali�cada para que seja possível a aplicação dessa �exibilização; Gestão participativa: consideram-se os trabalhadores como parceiros da organização, pois começam a ser responsáveis pela produção e paralelamente realizam o controle de qualidade; Controle de qualidade: o controle de qualidade é feito de modo descentralizado, passando a responsabilidade para os trabalhadores; Subcontratação ou terceirização: tudo aquilo que não se remete às atividades essenciais da empresa deve ser repassado para outras organizações que realizam os mesmos procedimentos de forma melhor e mais barata. O Sistema Toyota de Produção ainda contava com algumas ferramentas para auxiliar na execução das tarefas e cumprir o objetivo de produção enxuta. Dentre elas, estavam o método Kanban, Kaizen e o Poka Yoke. O método Kanban é responsável pela realização do controle de produção a partir da utilização de cartões coloridos, facilitando a organização das atividades. O Kaizen é um processo de melhoria contínua, em que todas as etapas do processo de produção devem sempre buscar melhorar o sistema. O Poka Yoke, por sua vez, é um sistema de inspeção que tem como objetivo prevenir riscos de possíveis erros humanos e corrigir falhas dos processos, sempre utilizando métodos simples para isso. 043 Volvismo O modelo produtivo Volvismo, conhecido também como Sistema Re�exivo de Produção, também é um modelo pós-fordista e foi introduzido pelas fábricas da Volvo na Suécia em torno dos anos de 1980. Esse modelo, diferentemente dos anteriores abordados, não utilizava o sistema de linha de montagem para a fabricação de seus veículos. Conforme aponta Chiavenato (2014), foi em Kalmar, na Suécia, o primeiro experimento de substituição da clássica linha de montagem por células de produção para fabricação dos veículos. Tal fato de substituição no modo de fabricação ocorreu no contexto da sociedade sueca daquele período. Havia mão de obra altamente quali�cada e forte presença dos sindicatos trabalhistas. Nesse contexto, os trabalhadores, principalmente os mais jovens, não tinham interesse em trabalhar nas indústrias, pois iriam trabalhar como um auxiliar das máquinas na fabricação dos produtos. Necessitou-se, portanto, uma alteração no modelo de gestão com o objetivo de atrair mais pessoas para trabalhar nas indústrias. A Volvo propôs um modelo de produção caracterizado como sociotécnico, que buscava uma melhor relação entre as técnicas do trabalho executado e o comportamento humano. Em outras palavras, esse modelo não se preocupava apenas com a produção dos produtos, como acontecia no Fordismo e no Toyotismo, mas sim com o trabalhador e sua relação com o processo de produção. Destaca-se também que tal modelo possuía um elevado grau de experimentação,o que possibilitou diversas mudanças ao longo dos anos na empresa. Nesse sistema, o operário possuía a capacidade necessária para atuar em qualquer fase do processo de montagem. Além disso, os trabalhadores também participavam do processo de planejamento das atividades, além de poder propor alterações do ritmo de trabalho e eleição dos supervisores por democracia. Percebe-se uma diferença clara entre os modelos anteriores e esse modelo. No Volvismo, havia uma forte preocupação com o trabalhador, caso que não ocorria no Fordismo e no Toyotismo. Por conta disso, a Volvo passou a obter resultados positivos no processo fabril com menos faltas dos trabalhadores, diminuição da rotatividade do pessoal e minimização de custos, entre outras. Contudo, esse sistema entrou em declínio devido a uma crise pela qual a Volvo passou. Somado aos recordes de produtividades que paralelamente o modelo do Toyotismo estava apresentando, uma fusão entre a Volvo e a Renault também favoreceu o processo de declínio do Volvismo. 044 Acesse o vídeo: Disponível aqui Recomendo assistir ao trecho do documentário “Os Gigantes da Indústria” para você entender melhor a história de Henry Ford e sua contribuição para as Teorias Administrativas: Acesse o vídeo: Disponível aqui Dentre os pontos abordados nesta aula, para visualizar uma abordagem prática da linha de montagem proposta por Henry Ford, é indicado o vídeo do processo de fabricação do Modelo T, disponível em: 045 https://www.youtube.com/watch?v=QCPXslJlG3U https://www.youtube.com/watch?v=jFKR0fQYUmg Acesse o vídeo: Disponível aqui Como complemento, indico outro vídeo, sobre o processo de fabricação atual de veículos, ainda fazendo uso da estrutura de linha de montagem, mas com tecnologia avançada: Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: Fordismo: Linha de montagem para produção em massa e consumo em massa. Toyotismo: Produção enxuta, produzindo apenas o necessário, quando necessário, evitando níveis altos de estoques. Volvismo: Produção em células, sem utilização de linha de montagem, visando um tipo de produção sociotécnico e forte preocupação com o trabalhador. 046 https://www.youtube.com/watch?v=TXHnAvli3Ck 06 Teoria Clássica 047 Jules Henri Fayol (1841-1925) Nesta sexta aula, será abordada a Teoria Clássica da Administração. O fundador dessa teoria foi Jules Henri Fayol (1841-1925), engenheiro de minas, nascido em Constantinopla (atualmente Istambul, Turquia) e falecido na França, onde viveu a maior parte da vida. Sua contribuição na fase inicial do pensamento administrativo foi extensa. Dentre suas colaborações com maior destaque, estão: Funções básicas da Empresa, Processos Administrativos (em alguns livros encontra-se também como “Funções do Administrador”) e os 14 Princípios Gerais da Administração. Suas teorias �caram conhecidas por Fayolismo. Assim como Taylor, Fayol tinha como objetivo a melhoria da e�ciência das organizações de sua época. Por outro lado, ao contrário de Taylor, seus estudos tinham ênfase na estrutura organizacional e não ênfase nas tarefas realizadas pelos operários. Portanto, Fayol analisava a empresa em um sentido vertical de “cima para baixo”, ou seja, pensando a estrutura da organização do nível estratégico para o nível operacional. Destaca-se que as Escolas do Pensamento Administrativo estudadas por Taylor e por Fayol são classi�cadas como escolas de Sistema Fechado, pois abordavam somente os limites internos da organização. Em outras palavras, esses pensadores não consideravam fatores externos da organização em seus trabalhos e somente estudavam seu ambiente interno. 048 Funções Básicas da Empresa De acordo com Chiavenato (2014), para Fayol toda empresa possui seis funções básicas: Quadro 6 – Funções Básicas de uma empresa para Fayol | Fonte: Elaborado pelo autor com base em Chiavenato (2014). Técnicas Funções/Atividades que estão ligadas à produção de bens ou serviços. Comerciais Funções/Atividades que estão ligadas à compra, venda e permutação. Financeiras Funções/Atividades que estão ligadas à procura e gerência de capitais. Seguranças Funções/Atividades que estão ligadas à proteção e preservação dos bens e das pessoas. Contábeis Funções/Atividades que estão ligadas a inventários, registros, balanços, custos e estatísticas. Administrativas Funções/Atividades que são responsáveis pela integração e gerenciamento das outras cinco funções anteriores, sempre no nível de observação acima, com o objetivo de coordenar e sincronizar tais funções. Segundo Chiavenato (2014, p. 85): “A visão de Fayol sobre as funções básicas da empresa está ultrapassada. Hoje, as funções recebem o nome de áreas da administração; assim, as funções administrativas são a área da administração geral [...]”. Porém, pode-se a�rmar que Fayol teve um papel muito importante como precursor que propôs uma divisão de áreas no ambiente das organizações. 049 Processo Administrativo A partir da última função apontada (função administrativa), foi constituído o Processo Administrativo, composto pelas atividades do administrador que, segundo Fayol, são: I) Prever; II) Organizar; III) Comandar; IV) Coordenar e V) Controlar, conhecida também como POC A seguir, no Quadro 7, estão apontadas as de�nições de cada atividade. Quadro 7 – Funções do Administrador que formam o Processo Administrativo | Fonte: Adaptado de Chiavenato (2014). Função De�nição Previsão Avalia o futuro e o aprovisionamento dos recursos em função dele. Organização Proporciona tudo o que é útil ao funcionamento da empresa e pode ser dividida em organização material e organização social. Comando Leva a organização a funcionar. Seu objetivo é alcançar o máximo retorno de todos os empregados no interesse dos aspectos globais do negócio. Coordenação Harmoniza todas as atividades do negócio, facilitando seu trabalho e sucesso. Sincroniza coisas e ações em proporções certas e adapta meios aos �ns visados. Controle É a veri�cação que certi�ca se tudo ocorre em conformidade com o plano adotado, as instruções transmitidas e os princípios estabelecidos. O objetivo é localizar fraquezas e erros no intuito de reti�cá-los e prevenir a recorrência. 050 Figura 3 – Seis Funções Básicas da empresa para Fayol | Fonte: Adaptado de Chiavenato (2014). Com o intuito de melhor visualização de tal abordagem, a ilustração da Figura 3, a seguir, mostra a relação entre as seis Funções Básicas da Empresa junto aos Processos Administrativos, proposto por Fayol. Após breve observação das Funções Básicas da Empresa e dos Processos Administrativos, será estudada a seguir outra importante teoria cunhada por Henri Fayol: Os 14 Princípios Gerais da Administração. Os 14 Princípios Gerais da Administração de Fayol Dentre os 14 Princípios Gerais da Administração apontados por Fayol, estão: Divisão do trabalho, Autoridade e responsabilidade, Disciplina, Unidade de comando, Unidade de direção, Subordinação dos interesses individuais aos gerais, Remuneração do pessoal, Centralização, Cadeia escalar, Ordem, Equidade, Estabilidade do pessoal, Iniciativa e Espírito de equipe. A seguir, baseado em Maximiano (2000) e Chiavenato (2014), estão descritos de modo mais detalhado todos esses princípios. Divisão do trabalho: se refere à determinação de tarefas especí�cas para cada trabalhador, levando o trabalhador a se especializar na sua função. 051 Autoridade e responsabilidade: Autoridade é o direito dos superiores de ordenar e esperar obediência. Responsabilidade é cumprir com as ordens recebidas. Disciplina: corresponde à obediência, aplicação, energia, comportamento e respeito dos acordos feitos entre a empresa e seus trabalhadores. Unidade de comando: cada trabalhador deve possuir apenas um superior, que vai lhe determinar suas tarefas. Unidade de direção: para um conjunto de operações que possuem o mesmo objetivo, deverá haver apenas um chefe e apenas um programa de execução. Subordinação dos interessesindividuais aos gerais: os interesses gerais da organização devem estar em um patamar superior aos interesses particulares de cada indivíduo. Remuneração do pessoal: de modo justo, deve haver satisfação pela remuneração tanto do trabalhador quanto da organização. Centralização: as decisões realizadas dentro da organização devem ser feitas de forma centralizada por meio de autoridades. Cadeia escalar: refere-se à linha de autoridade ou hierarquia da organização, perpassando desde o alto escalão até o nível mais baixo, respeitando o princípio de comando. Ordem: diz respeito à organização da empresa quanto às questões materiais e humanas, sendo que deve haver um lugar para cada coisa/pessoa e cada coisa/pessoa deve estar em seu lugar. Equidade: a igualdade e a justiça devem estar presentes dentro da organização. Estabilidade do pessoal: diminuir a rotatividade de trabalhadores na organização, pois quanto mais tempo o trabalhador permanecer no mesmo cargo, melhor será para a organização. Iniciativa: é a capacidade de visualizar e iniciar uma atividade e executá-la até o �nal. Espírito de equipe: a união e a harmonia entre os trabalhadores é um ponto positivo para a organização. A seguir, na Figura 4, ao visualizar alguns dos Princípios Gerais da Administração propostos por Fayol, é possível identi�car algumas das situações descritas acima. 052 Figura 4 – Cadeia de comando e cadeia escalar de Fayol | Fonte: Chiavenato, 2014. Na Figura 4, nesse exemplo de estrutura hierárquica de uma organização, podemos identi�car os princípios de Divisão do trabalho, Unidade de comando, Unidade de direção, Centralização, Cadeia escalar e Ordem. Nota-se, portanto, a importância das contribuições feitas por Fayol para a evolução dos modelos de administração ao longo dos anos. Estimados(as), nesta aula, foi abordada a Teoria Clássica da Administração sob o viés das linhas de estudo feitas pelo seu fundador, Henri Fayol. Foi visualizado sobre três teorias: Funções Básicas da Empresa, Processo Administrativo e 14 Princípios Gerais da Administração. Apesar das grandes contribuições feitas por Fayol, como apontado anteriormente, essas não são unicamente su�cientes para as organizações do mundo atual. Pode-se concluir que essas teorias possuem grande importância para a evolução do pensamento administrativo, mas no decorrer da história foram necessárias outras evoluções em função das mudanças das próprias organizações e da identi�cação de outros fatores que também afetam a gestão das empresas. 053 O artigo está na íntegra: Disponível aqui Recomendo o estudo de caso publicado no formato de artigo cientí�co intitulado: “Uma análise da teoria clássica da administração e sua aplicabilidade em uma cooperativa: Um estudo na COTRISEL”, publicado em 2017 na Revista Sociais & Humanas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Dentre as teorias descritas por Henri Fayol em sua época, muitas delas foram os primeiros “pilares” da atual administração. Um exemplo prático disso é o fato de como as grandes organizações são divididas nos dias de hoje. Ao visualizar os diferentes departamentos dentro das empresas (comercial, �nanceiro, contábil, recursos humanos, marketing e jurídico, entre outros), têm-se como precursoras dessa divisão as teorias propostas por Fayol no ambiente das organizações. Obviamente, tais divisões não correspondem exatamente à mesma divisão que as funções da empresa atual, porém, podem ser consideradas o ponto de partida na história da administração para esse processo de divisão. 054 https://periodicos.ufsm.br/sociaisehumanas/article/view/25293 Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: A Teoria Clássica possui ênfase na Funções Básicas da Empresa: Técnicas, Comerciais, Financeiras, Segurança, Contábeis e Administrativas. Processo Administrativo: Previsão, Organização, Comando, Coordenação e Controle. 14 Princípios Gerais da Administração de Fayol: Divisão do trabalho, Autoridade e responsabilidade, Disciplina, Unidade de comando, Unidade de direção, Subordinação dos interesses individuais aos gerais, Remuneração do pessoal, Centralização, Cadeia escalar, Ordem, Equidade, Estabilidade do pessoal, Iniciativa e Espírito de equipe. 055 07 Teoria das Relações Humanas – 1 056 George Elton Mayo (1880-1949). Na sétima aula, será abordada a Teoria das Relações Humanas, conhecida também no campo da Administração como Escola das Relações Humanas. Essa teoria surgiu após diversas críticas aos modelos da Administração Cientí�ca e da Teoria Clássica. Considerando que a primeira teoria possuía ênfase nas tarefas e a segunda ênfase na estrutura, observa-se que o trabalhador neste contexto era visto como uma parte mecânica do processo de produção. Portanto, a Teoria das Relações Humanas apresenta um contraponto para tais teorias, tendo os estudos com ênfase nas pessoas. A Teoria das Relações Humanas foi formada por diversos cientistas sociais, sendo George Elton Mayo (1880-1949) considerado seu pioneiro. Mayo nasceu na Austrália, viveu grande parte da vida nos Estados Unidos e faleceu na Inglaterra. Foi cientista social e professor de sociologia. Além disso, também atuava como pesquisador nas organizações. Trabalhou em renomadas instituições de ensino, como a Universidade de Harvard, Universidade de Queensland e Universidade da Pensilvânia. Foi responsável pela supervisão do Experimento de Hawthorne, realizado em 1927, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos. Tal trabalho pode ser considerado o estopim dos estudos da Teoria das Relações Humanas. Posteriormente, os avanços dessa teoria trouxeram termos para a Administração tais como Motivação, Liderança, Comunicação, Organização Informal e Dinâmica de Grupo, entre outros. 057 Experiência de Hawthorne Esse experimento foi realizado em uma fábrica da Western Electric Company, situada no bairro de Hawthorne, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, em 1927. O experimento tinha como objetivo �nal comparar diferentes intensidades de iluminação em relação à produtividade dos trabalhadores. O estudo foi supervisionado por Elton Mayo e expandido também para análise de outros pontos importantes tais como rotatividade de trabalhadores, acidentes no trabalho e estudo da fadiga. Os resultados dos estudos apresentaram falhas devido à in�uência do fator psicológico dos trabalhadores ao saberem que estavam sendo analisados. Em outros termos, os operários da fábrica submetidos ao experimento estavam apresentando resultados indiferentes ao tipo de iluminação. O Experimento de Hawthorne foi realizado em quatro diferentes fases: Primeira Fase de Hawthorne Neste primeiro momento, foram selecionados dois grupos de trabalhadores para a realização do experimento. O primeiro grupo era denominado “grupo de observação”, pois possuía variação na intensidade de luz, observando-se o rendimento dos trabalhadores em função da intensidade. O segundo grupo era denominado “grupo controle”, e a intensidade de luz sobre ele era constante. Os resultados obtidos não mostraram correlação direta em função das variáveis analisadas, e os pesquisadores identi�caram que os trabalhadores estavam sendo in�uenciados pelo fator psicológico. 058 Fábrica de Hawthorne | Fonte: Disponível aqui Ocorria que os operários, sabendo que estavam sendo analisados e, a partir disso, utilizando de suposições pessoais, julgavam que era necessário produzir mais quando a intensidade de luz era mais forte, e o contrário também se fazia verdadeiro. Nesse contexto, percebeu-se que o fator psicológico era preponderante sobre o �siológico. No primeiro momento, os pesquisadores consideravam o fator psicológico mostrado nos resultados como negativo para a pesquisa e, portanto, buscaram eliminar essa variável do estudo (CHIAVENATO, 2014). Segunda Fase de Hawthorne Na segunda fase do estudo, assim como na primeira, existiam dois grupos: o “grupo de observação” (com modi�cações no ambiente) e o “grupo controle” (sem modi�caçõesno ambiente). Desta vez, os grupos eram formados por operárias que montavam relés. O grupo de observação continha cinco mulheres fazendo o processo de montagem enquanto outra mulher repunha as peças. Entre os dois grupos, havia apenas uma divisão de madeira, e os equipamentos de trabalho eram exatamente iguais. A análise dos resultados se deu pela comparação do nível de produção entre os grupos. As mulheres eram informadas de que estavam participando do estudo e que seriam feitas algumas alterações nas condições de trabalho como, por exemplo, períodos de descanso, lanches, redução no horário de trabalho, entre outras (CHIAVENATO, 2014). Ainda segundo Chiavenato (2014), esta fase foi dividida em doze períodos: 059 https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Hawthorne,_Illinois_Works_of_the_Western_Electric_Company,_1925.jpg 1º período: foi mantido o nível de produção normal da fábrica de 2.400 unidades por semana, durante duas semanas. Este período foi utilizado para ser comparado com os períodos subsequentes. 2º período: o grupo de observação (experimental) foi colocado para trabalhar na sala de provas (local em que �cava o grupo controle) durante cinco semanas. Foram mantidos os horários e as condições de trabalho, observando-se apenas o ritmo de trabalho. O intuito desta etapa foi veri�car apenas a in�uência da alteração do local de produção. 3º período: nesta etapa, que durou oito semanas, alterou-se o método de pagamento dos grupos. Para o grupo controle, que contava com cerca de cem mulheres, o método de remuneração foi feito em grupo. Neste procedimento, mesmo se algumas operárias produzissem acima da média, tal fato não aumentaria o salário delas proporcionalmente à produção, mas aumentaria em relação à produção total do grupo. Já para o grupo de observação, foi realizado um processo de remuneração em função do esforço individual, ou seja, para aquelas operárias que produzissem mais, a remuneração seria equivalente à sua produção. Neste período, foi observado um aumento da produção. 4º período: a partir deste período, começam a surgir alterações no trabalho. Havia um espaço de cinco minutos de descanso na parte da manhã e cinco minutos de descanso na parte da tarde. Novamente, observou-se um aumento na produção. 5º período: aumentou-se o espaço de descanso para dez minutos em ambos os períodos (manhã e tarde), e observou-se novamente aumento na produção. 6º período: seguindo a linha de estudo de espaços para descanso das operárias, foram inseridos três intervalos de cinco minutos no período da manhã e igualmente no período da tarde. Desta vez não houve aumento na produção, além de resultar em não aprovação pelas trabalhadoras devido à parada do ritmo de trabalho. 7º período: optou-se por realizar dois intervalos de dez minutos, como era feito anteriormente, quando as operárias recebiam um lanche leve. A produção voltou a crescer. 8º período: mantiveram-se os mesmos padrões do período anterior, alterando o horário de saída apenas do grupo de observação. Este grupo �nalizava suas tarefas às 16h30, enquanto o grupo controle �nalizava as tarefas às 17h. Percebeu-se mais uma vez aumento na produção. 060 9º período: a jornada de tarefas para o grupo de observação foi alterada para trabalhar até as 16h. Não houve aumento na produção. 10º período: a jornada de tarefas para o grupo de observação voltou a ser realizada até as 17h, igualmente ao sétimo período. Houve novamente aumento da produção. 11º período: houve a diminuição da quantidade de dias de trabalho para cinco, deixando-se o sábado para descanso. Observou-se aumento na produção diária no grupo de observação. 12º período: no último período, que durou doze semanas, os padrões de trabalho foram iguais ao terceiro período, mas todos os benefícios colocados anteriormente foram retirados. Com grande surpresa, os níveis de produção alcançaram recordes, e cada operária produziu três mil unidades de peças por semana. Portanto, na Segunda Fase de Hawthorne, os pesquisadores perceberam que novamente, assim como na Primeira Fase, havia a in�uência do fator psicológico. De acordo com Chiavenato (2014), esta fase permitiu chegar às seguintes conclusões: I) as operárias do grupo de observação gostavam do local de trabalho, denominado sala de provas, pois era possível uma maior interatividade e um nível mais baixo de ansiedade. Isso não ocorria no grupo controle, que era fortemente gerenciado, sendo que se tratava da própria linha de produção; II) o ambiente de trabalho era mais leve (menor pressão) e havia a permissão de diálogo, aumentando o contentamento pelo trabalho; III) não existia medo do supervisor, tendo em vista que ele atuava como um orientador; IV) o grupo de observação se desenvolveu do ponto de vista social, gerando amizades entre as operárias e criando uma equipe entre elas e V) surgiram objetivos comuns entre as trabalhadoras como, por exemplo, de alavancar a velocidade de produção, mesmo que inicialmente foi pedido para que trabalhassem normalmente. 061 Terceira Fase de Hawthorne Observando-se as diferenças dos resultados apresentados entre o grupo de observação e o grupo controle, os pesquisadores mudaram a rota em relação ao objetivo do estudo, que era averiguar as condições físicas de trabalho. A partir desse momento, aproximaram-se para um estudo das relações humanas no ambiente da organização. Nesse contexto, visualizaram que no grupo controle havia uma insatisfação por parte das operárias por conta da supervisão do trabalho, e que a organização onde o estudo foi realizado tinha pouca informação sobre o posicionamento das trabalhadoras em relação à supervisão, aos equipamentos de trabalho e também à empresa em si (CHIAVENATO, 2014). Após esta constatação, a empresa passou a realizar um programa de entrevistas com os operários com o objetivo de melhor conhecer os sentimentos, atitudes, pontos de vistas, tratamento que lhes eram oferecidos e sugestões sobre o treino realizado pelos supervisores. Tal programa foi recebido de forma positiva pelos supervisores e trabalhadores - e com bons resultados, levando à abertura da Divisão de Pesquisa Industriais a �m de expandir o método de entrevista para todos os trabalhadores da organização. Assim, foram entrevistados 21.126 trabalhadores entre 1928 e 1930 (HOMANS, 1971 apud CHIAVENATO, 2014). Nesse momento, é identi�cada a presença da Organização Informal, assunto que será tratado com mais profundidade na próxima aula. De forma breve, neste tipo de organização os trabalhadores passam a agrupar-se entre eles e surgem níveis de produção de um trabalhador padrão, líder não formal que busca manter o grupo unido e práticas informais que punem socialmente aqueles trabalhadores que produzem acima do padrão estipulado, entre outros pontos que afetam o sistema da organização formal (HOMANS, 1971 apud CHIAVENATO, 2014). Para tanto, identi�cada a presença da Organização Informal, que gera diferentes tipos de problemas para a empresa, os pesquisadores levaram o estudo para uma quarta fase. 062 Quarta Fase de Hawthorne A quarta fase do Experimento de Hawthorne possuía um grupo de observação (experimental) que �cava em uma sala separada, mas com iguais condições de trabalho ao restante dos operários. Dentro desta sala, havia um observador e fora da sala existia um pesquisador que entrevistava o grupo. Tal mecanismo ocorria desta forma com o objetivo de averiguar a presença da Organização Informal entre os trabalhadores (CHIAVENATO, 2014). O método de pagamento era feito com base na produção total realizada pelo grupo, fazendo com que os salários dos trabalhadores só aumentassem se a produção total também aumentasse. Havendo a presença do observador no ambiente interno da sala, ele passou a perceber alguns pontos: I) após realizado um certo nível de produção considerado normal pelo grupo, ocorria uma queda na velocidade de produção; II) os trabalhadores possuíam um mesmo modo de apresentar sentimentos e solidariedade ao grupo e III) o grupo de trabalhadores criouferramentas para punir o trabalhador que não agisse de acordo com os interesses e com os combinados durante o processo de produção (CHIAVENATO, 2014). A última fase do Experimento de Hawthorne possibilitou uma análise da organização formal e da organização informal, mas em 1932, o experimento foi interrompido por falta de recursos �nanceiros. Contudo, sua contribuição para a Teoria das Relações Humanas foi muito importante (CHIAVENATO, 2014). Conclusão do Experimento de Hawthorne Por �m, tem-se que o Experimento de Hawthorne pode ser considerado o primeiro passo para o estudo da Teoria das Relações Humanas. De acordo com Chiavenato (2014), as conclusões para o estudo realizado em Hawthorne foram: 063 O nível de produção é resultante da integração social: o volume de produção do trabalhador não é gerado pela sua capacidade física, mas sim pelo nível de integração social que o trabalhador possui. Comportamento social dos empregados: a ação dos trabalhadores não é realizada de maneira individual e sim em grupos. Caso haja uma variação do indivíduo em relação às decisões do grupo, o mesmo é punido pelo grupo. Recompensas e sanções sociais: os trabalhadores agem seguindo normas e padrões sociais. Aqueles trabalhadores que não seguirem os padrões estabelecidos são punidos socialmente pelos colegas de grupo. Portanto, de acordo com o comportamento do trabalhador dentro da organização perante os padrões estabelecidos pelo grupo, o trabalhador poderá ter ou não boas relações de amizades com os colegas. Grupos informais: a organização possui grupos sociais informais que nem sempre seguem a mesma estrutura formal da organização. Tais grupos de�nem suas próprias normas de funcionamento e de relacionamento. Relações humanas: nos grupos sociais, são realizadas diversas interações entre os indivíduos. Essas interações contendo as ações e atitudes dos indivíduos são denominadas relações humanas. Importância do conteúdo do cargo: o alto nível de especialização do cargo não é o modo mais produtivo de divisão do trabalho, pois a execução da mesma atividade em excesso pode gerar a insatisfação do trabalhador e diminuir sua produtividade. O uso da troca de cargos pode ser bené�co para o trabalhador, já que evita a repetição da mesma tarefa inúmeras vezes, gerando maior satisfação durante o desempenho de função. Ênfase nos aspectos emocionais: pontos de origem emocional que não são planejados no contexto do comportamento humano devem ser tratados pela Teoria das Relações Humanas. Acesse o link Disponível aqui Recomendo a leitura do artigo intitulado “A Evolução da área de Recursos Humanos frente ao ambiente de Mudanças Organizacionais”, publicado no portal administradores.com, disponível em: 064 https://administradores.com.br/artigos/a-evolucao-da-area-de-recursos-humanos-frente-ao-ambiente-de-mudancas-organizacionais A presença da Organização Informal dentro do ambiente da organização foi apresentada na Teoria das Relações Humanas. Nos dias atuais, devido ao avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), surgiram as redes sociais digitais, a exemplo do Facebook, Instagram, WhatsApp, Twitter, entre outras. O surgimento dessas redes pode levar a um aumento das redes informais dentro da organização. Tal ponto torna-se importante para que o gestor �que atento às in�uências que isso pode acarretar para a organização. Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: A Teoria das Relações Humanas surge a partir das críticas já existentes à Administração Cientí�ca (ênfase nas tarefas) e à Teoria Clássica (ênfase na estrutura). A Teoria das Relações Humanas possui ênfase nas pessoas. O que foi o Experimento de Hawthorne, suas Quatro Fases e a sua importância no contexto do surgimento da Teoria das Relações Humanas. 065 08 Teoria das Relações Humanas – 2 066 Em decorrência dos fatos apresentados na aula anterior, houve uma série de avanços ao longo dos anos no estudo dessa teoria. No campo da Administração, passou-se a utilizar novos termos tais como Liderança, Comunicação, Organização Informal e Dinâmica de Grupo, entre outros (CHIAVENATO, 2014). Nesta aula, portanto, será dada continuidade à Teoria das Relações Humanas, porém, tratando sobre esses novos termos, que são frequentemente discutidos nas organizações do mundo atual. Caro(a) aluno(a), antes da discussão desses termos, é importante que você tenha conhecimento de alguns pontos de grande relevância no âmbito da Teoria das Relações Humanas. Dentre eles, é pertinente tratar brevemente sobre: Conceito de Homem Social In�uência da Motivação Humana Necessidades Humanas Básicas Ciclo Motivacional Frustração e Compensação Moral e Clima Organizacional Conceito de Homem Social Na Escola da Administração Cientí�ca, era feito o uso do termo homo economicus, que signi�cava que o homem explorava mais a sua capacidade física se houvesse uma recompensa �nanceira, pois necessitava do dinheiro para sobreviver. Na Escola da Teoria das Relações Humanas, surge o conceito de Homem Social, que é aquele que necessita participar de atividades dos grupos e ter a aceitação e o reconhecimento deles. Nesse conceito, a teoria que o homem é motivado por recompensas �nanceiras é secundária. Influência da Motivação Humana A motivação busca descrever a causa do comportamento das pessoas. Como tratado no tópico anterior, existe o conceito homo economicus, que aponta que a motivação do homem acontece por meio de recompensas �nanceiras; e o conceito de homem social, que a�rma que o homem precisa de reconhecimento e participação social para se 067 motivar. A partir da observação dos resultados das diferentes fases da Experiência de Hawthorne, foi possível visualizar que o fator �nanceiro não é o único pelo qual o homem se motiva. Necessidades Humanas Básicas Para poder entender os fatores de motivação humana, é preciso entender as necessidades humanas básicas. O comportamento humano é gerado por necessidades. Em função disso, a motivação do homem gira em torno de satisfazer a sua necessidade. Quando uma necessidade é satisfeita, logo em seguida aparece outra necessidade no lugar e assim por diante. Segundo Chiavenato (2014), as necessidades podem ser de três tipos ou estágios: Necessidades �siológicas: é o primeiro estágio das necessidades do ser humano. Entre as principais necessidades �siológicas estão: alimentação, sono, atividade física, sexo, abrigo, proteção contra os elementos e segurança física. Tais necessidades, se forem antecipadas, ou seja, se satisfeitas antes que ocorra a necessidade, pode deixar de ser um fator que in�uencie no comportamento humano. Necessidades psicológicas: é o segundo estágio das necessidades do ser humano, adquiridas ao longo da vida e em um nível mais alto de complexidade das necessidades. Destaca-se como as principais necessidades psicológicas: segurança íntima (autodefesa), participação (aprovação social e participar de grupos), autocon�ança (con�ança em si mesmo) e afeição (oferecer e ganhar afeto, carinho e amor). Necessidade de autorrealização: está no último e mais alto estágio das necessidades do ser humano. Di�cilmente é obtida, tendo em vista que o ser humano busca suas satisfações em objetivos cada vez maiores. Está ligada à busca contínua por autodesenvolvimento. Ciclo Motivacional O comportamento do ser humano ocorre em função de suas motivações. Nesse contexto, o ciclo motivacional se inicia com o ser humano estando em um equilíbrio psicológico até que este seja alterado por conta de um estímulo, o qual em um segundo momento transforma-se em uma necessidade. Tal necessidade torna-se um 068 tipo de tensão que o leva a um comportamento no objetivo de alcançar a necessidade. Após esta etapa, ocorre a satisfação do indivíduo, que volta ao seu estado de equilíbrio psicológico inicial e espera pela ocorrência de um novo estímulo. Frustração e Compensação No ciclo motivacional, quando não ocorre a satisfação do indivíduo devidoà existência de algum tipo de barreira, há uma frustração em relação ao preenchimento de sua necessidade. Assim, o indivíduo não consegue liberar a tensão contida nele e para isso busca uma forma de compensação dessa necessidade não alcançada. Dessa forma, inicia o processo de tentar satisfazer uma diferente necessidade, que pode ser considerada como substitutiva ou complementar. Quando o indivíduo não satisfaz as suas necessidades, a motivação para o seu comportamento é alterada por conta disso. A seguir, na Figura 5 e na Figura 6, estão ilustrados, respectivamente, o Ciclo Motivacional que resulta em satisfação e o Ciclo Motivacional que resulta em frustração ou compensação. 069 Figura 5 – Etapas do ciclo motivacional resultando em satisfação da necessidade. 070 Figura 6 – Etapas do ciclo motivacional resultando em frustração ou compensação. Moral e Clima Organizacional Satisfazer os objetivos da organização requer satisfazer em paralelo os objetivos dos indivíduos que a compõem para que a motivação deles se alinhe com a organização. A moral é resultado da situação de motivação das pessoas, a partir da obtenção ou não das suas satisfações individuais. Para tanto, a moral de cada pessoa pode aumentar ou diminuir de acordo com suas satisfações dentro da organização. Decorrente da moral está o clima organizacional que se remete ao estado psicológico dos indivíduos que ocupam a organização. Quando o estado psicológico é positivo, tem-se um ambiente com clima amistoso e amigável, e quando o estado é negativo, tem-se o ambiente com o clima ruim para as relações humanas. Após breve descrição de pontos importantes no contexto da Teoria das Relações Humanas, serão apresentados os conceitos mais recentes discutidos nas organizações: Liderança, Comunicação, Organização Informal e Dinâmica de Grupo. 071 Liderança O termo “Liderança”, assim como vários outros, surgiu da Teoria das Relações Humanas. A liderança possui grande importância nas organizações, tendo em vista seu papel diante das relações entre as pessoas e como conduzi-las em diferentes situações. Esse termo vem sendo amplamente explorado nos últimos anos e possui diversas abordagens (teorias). Dentre elas, conforme aponta Chiavenato (2014), estão teorias sobre traço de personalidade, teorias sobre estilos de liderança e teorias situacionais da liderança. Teorias sobre traços de personalidade É o tipo de liderança ao qual se atribuem características (traços de personalidade) que diferenciam o líder das demais pessoas. Entre eles , estão traços físicos, intelectuais, sociais e relacionados com a tarefa. Físicos: altura, peso, características corporais; Intelectuais: níveis de adaptação, agressão, entusiasmo e con�ança própria; Sociais: trabalho em grupo, aptidão administrativa e de relacionamento interpessoal; Relacionados com a tarefa: proatividade e constância. Teorias sobre estilos de liderança Refere-se aos estilos de comportamento do líder com os demais membros do grupo. São divididos em três tipos: liderança autocrática, liderança liberal e liderança democrática. Liderança Autocrática: aquela em que ocorre centralização das escolhas por parte do líder e imposição das escolhas aos subordinados; 072 Liderança Liberal: aquela em que o líder libera ao grupo as tomadas de decisões e possui uma participação pequena; Liderança Democrática: aquela em que há uma participação democrática do grupo que está sendo liderado e o líder funciona como condutor e orientador do grupo. Teorias situacionais da liderança Diferentemente das duas anteriores, este tipo de liderança não possui padrões fechados de liderança. No tipo situacional, a liderança varia de acordo com a situação, ou seja, fazendo com que o líder escolha o tipo de comportamento para com seus subordinados em função do grupo que está liderando. Comunicação Segundo Chiavenato (2014), “Comunicação é a troca de informações entre pessoas. Signi�ca tornar comum uma mensagem ou informação. É um dos processos fundamentais da experiência humana e da organização social”. Ainda segundo o autor, existem algumas fases e elementos para a realização do processo de comunicação como, por exemplo: emissor (quem emite a mensagem), sinais (ondas sonoras, letras impressas, símbolos), canal (ar, �os, papel) e receptor (quem recebe a mensagem e a decodi�ca). Na Teoria das Relações Humanas, a Comunicação ganhou maior importância por ser um ponto relevante para o desenvolvimento da organização, pois é necessário que a comunicação tenha um �uxo contínuo entre o gestor e os subordinados e vice-versa. Quando isso ocorre, a organização tende a possuir constância na execução das atividades, pois cada trabalhador tem claramente delimitado as suas funções. No contexto das organizações, existem as denominadas “Redes de Comunicação”, que representam os caminhos pelos quais a mensagem irá caminhar desde o emissor até o receptor. Em um estudo, foram utilizados quatro tipos de Redes de Comunicação: 073 “Círculo”, “Cadeia”, “Y” e “Roda” (LEAVITT apud REIS, 1975). De acordo com Chiavenato (2014), segundo os estudos de Leavitt, cada tipo de Rede de Comunicação possui melhor desempenho dependendo da atividade que será realizada. Organização Informal A Organização Informal, citada algumas vezes na aula 07, e que acontece no ambiente da Organização Formal, trata do relacionamento informal entre as pessoas que trabalham na organização. Na Organização Informal, emergem as relações de caráter espontâneo das pessoas que a compõem e sem necessariamente um objetivo comum contido nessas relações. Segundo Chiavenato (2014), a Organização Informal apresenta as seguintes origens: I) Interesses comuns aglutinam as pessoas; II) Interação provocada pela própria organização informal; III) Flutuação do pessoal dentro da empresa e IV) Períodos de lazer. Ainda segundo Chiavenato (2014), a Organização Informal possui as seguintes características: Relação de coesão ou de antagonismo, Status, Colaboração espontânea, Possibilidade de oposição da organização informal, Padrões de relações e atitudes, Mudança de níveis e alterações dos grupos informais. A Organização Informal transcende a organização formal e os padrões de desempenho dos grupos informais. Dinâmica de Grupo Este conceito refere-se às dinâmicas (relações) dos indivíduos dentro do grupo, denominadas relações intrínsecas, bem como às dinâmicas entre os grupos, denominadas relações extrínsecas. O indivíduo, como ser social, necessita relacionar- 074 se com outras pessoas em seu ambiente. Essa interação gira em torno de objetivos comuns traçados pelo grupo, tendo uma estrutura dinâmica nas comunicações e coesão interna (CHIAVENATO, 2014). Tais relações estabelecidas partindo indivíduo para com o grupo em que ele participa in�uenciam consideravelmente seu comportamento, atitude, crenças e valores. Para o gestor, é de grande importância conhecer a dinâmica de grupo para que ele tenha tomada de decisões assertivas. Críticas à Teoria das Relações Humanas Após breve discussão da Teoria das Relações Humanas nestas duas últimas aulas, é importante apontar que apesar de apresentar uma visão diferente para a sua época, também possui diversas críticas quanto à sua linha teórica. Dentre as críticas, está, por exemplo, a concepção ingênua e romântica do operário, pois para esta teoria tinha-se um pensamento do trabalhador feliz, produtivo e integrado socialmente. Porém, pesquisas posteriores quebraram essa linha ao observar em seus resultados tanto trabalhadores felizes e não produtivos quanto trabalhadores infelizes, mas produtivos (CHIAVENATO, 2014). Além dessa exempli�cação, houve outras críticas, seguindo no sentido de proposições errôneas apontadas pela teoria que, de certa forma, eram limitadas porque não abrangiam diferentes instituições ou diferentes conglomerados dentro da própria organização. Por �m, tem-se que a Escola da Teoria das Relações Humanas teve importante contribuição entre as Teorias Administrativas no decorrer da história, mas assim comoas teorias antecedentes, apresentou limitações em seus resultados sobre o estudo da organização. 075 Saiba tudo sobre esse pro�ssional” em: Disponível aqui “Veja os 10 benefícios do coaching para sua empresa” em: Disponível aqui Você provavelmente já ouviu falar em coach. E em coaching? Você sabe a importância de coaching nas organizações? Para entender esses signi�cados, leia o artigo “O que signi�ca coach? E para saber sobre seus benefícios nas organizações, leia o artigo Link dos 5 Maiores Líderes da história mundial: Disponível aqui Dentre os assuntos abordados nesta aula, o termo Liderança tem grande destaque. Durante a história do mundo, principalmente nas organizações privadas, houve diversos líderes que geraram grande impacto na rota da humanidade. Con�ra alguns dos líderes no artigo publicado no Portal IBC, intitulado “Os 5 Maiores Líderes da História Mundial”. Obviamente, além dos líderes citados nesse artigo, houve vários outros que impactaram em nível mundial. A leitura desse artigo tem como objetivo apenas ilustrar a carreira de alguns deles. 076 http://www.contemporanearh.com.br/blog/2015/07/a-importancia-do-coaching-nas-organizacoes/ https://www.locusbc.com.br/10-beneficios-do-coaching/ https://www.ibccoaching.com.br/portal/5-maiores-lideres-historia-mundial/ Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: Liderança: Teorias sobre traços de personalidade, Teoria sobre estilos de liderança e Teorias situacionais da liderança. Comunicação: troca de informações entre as pessoas, em diferentes fases e elementos neste processo. Também é importante lembrar os tipos de Redes de Comunicação. Organização Informal: formada pelos trabalhadores e acontece no ambiente da Organização Formal, havendo a presença do caráter espontâneo dos indivíduos sem necessariamente haver um objetivo comum entre eles. Dinâmica de Grupo: relações entre os indivíduos de um grupo (relações intrínsecas) ou entre os grupos (relações extrínsecas) com objetivos em comum. 077 09 Teoria Estruturalista 078 Nesta aula, será abordada a Teoria Estruturalista e os diversos pontos acerca desta teoria, dentre eles Origens da Teoria Estruturalista, Todo Organizacional, Conceito de Homem Organizacional, Abordagem Múltipla, Objetivos Organizacionais, Ambiente Organizacional, Estratégia Organizacional, Con�itos Organizacionais e Críticas sobre a Teoria Estruturalista. A Teoria Estruturalista teve origem a partir de pontos con�ituosos entre a Teoria Clássica (ênfase na estrutura) e a Teoria das Relações Humanas (ênfase nas pessoas), em uma conjuntura que a Teoria da Burocracia (ênfase na estrutura), também não tinha base teórica su�ciente para resolver. Pode-se considerar que a Teoria Estruturalista é uma sequência da Teoria da Burocracia. Destaca-se que esta teoria possui ênfase na estrutura organizacional, nas pessoas e no ambiente (CHIAVENATO, 2014). Entende-se pela palavra “estrutura”, o signi�cado de “organização, disposição e ordem dos elementos essenciais que compõem um corpo (concreto ou abstrato)” (DICIONÁRIO GOOGLE, 2019). Nesse sentido, é possível compreender a organização como um corpo composto por diversos pontos essenciais para o seu funcionamento. De acordo com Viet (1967), ao dividir o todo em partes, tem-se que a soma das partes separadamente não representa o todo, devido às relações existentes entre as partes que só existem quando estas estão juntas. No contexto organizacional, signi�ca que o todo organizacional é maior do que a soma de suas partes de forma separada, tendo em vista as relações presentes na estrutura da organização. 079 Figura 7 - O todo organizacional é maior que a soma das partes| Fonte: Adaptado de Chiavenato (2014). Na Teoria Estruturalista, foca-se no termo de “Homem Organizacional”, assim como na Administração Cientí�ca, no termo de “homo economicus” ou “Homem Econômico” e, na Teoria das Relações Humanas o termo de “Homem Social”. O conceito de Homem Organizacional faz referência, conforme aponta Chiavenato (2014), àquele que realiza diferentes atividades em várias organizações simultaneamente como, por exemplo, na empresa, na universidade e na igreja, entre outros. Durante a Teoria Clássica foi estudada apenas a organização do tipo formal, enquanto na Teoria das Relações Humanas foi estudada apenas a organização do tipo informal. Já na Teoria Estruturalista houve uma abordagem múltipla, fazendo um estudo da relação entre esses dois tipos de organização. Portanto, essa teoria vai no sentido de equilibrar os fatores racionais e não racionais do comportamento humano (CHIAVENATO, 2014). Segundo Chiavenato (2014), os autores estruturalistas concebem a organização sob duas diferentes concepções: racional e natural. O modelo racional tem a organização como forma racional de atingir as metas, tendo como objetivo organizacional maximizar ganhos. Já o modelo natural tem a organização como um conglomerado de partes interdependentes que formam e se relacionam com o todo, tendo como objetivo a sobrevivência do sistema. 080 Conforme aponta Etzioni (1967), destaca-se que a partir dessa teoria no decorrer da história, no estudo da Administração não são consideradas apenas as fábricas, mas também diferentes tipos de organização, como organizações pequenas, médias e grandes no contexto público e privado e de diferentes tipos. Ainda segundo o autor, o nível de complexibilidade da organização aumenta de acordo com o seu próprio crescimento. As teorias administrativas anteriores eram classi�cadas como teorias de sistema fechado, pois só analisavam aspectos referentes ao ambiente interno da organização e deixavam de lado fatores externos. Nesse contexto, a Teoria Estruturalista é a precursora na realização de uma análise interorganizacional (GUETZKOW, 1966). Chiavenato (2014), nessa linha, aponta que “as organizações formais estão envolvidas em um ambiente composto por outras organizações e que é controlado por um complexo de normas, valores e coletividades de uma sociedade maior” e acrescenta “cada organização interage com o seu ambiente externo e com as demais organizações nele contidas”. Níveis Hierárquicos da Organização Desde os primórdios da humanidade, sempre houve nos processos de tomada de decisão uma relação de hierarquia, estando nos pontos mais altos aqueles que governavam ou dirigiam os demais. Grande parte das organizações nos dias atuais, sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor, tende a utilizar uma estrutura igual ou similar a hierarquia apresentada na Figura 8. 081 Figura 8 - Níveis Hierárquicos presentes nas Organizações. Estudar esta pirâmide torna-se importante para que seja possível entender as relações de tomada de decisão no ambiente de uma organização. Observe que o topo da pirâmide, onde está o nível estratégico, é a menor parte da organização, e na base da pirâmide está a maior parte, onde se encontra o nível operacional. O tamanho de cada parte está ligado diretamente com a quantidade de pessoas que ocupam esses níveis. Obviamente, dependendo do tamanho da organização, as dimensões podem ser alteradas, mas sempre tendem a seguir esta proporção. Cada um dos níveis possui habilidades e funções diferentes. Para isso, é preciso entender mais detalhadamente as características de cada um desses níveis: Nível Estratégico ou Institucional: conhecido também como “alta administração”, são aqueles que ocupam o nível mais alto da pirâmide, que geralmente é o presidente da organização e às vezes tem a presença também dos diretores. Neste nível, são necessárias habilidades conceituais e visão do funcionamento do todo da organização para apontar em que direção ela deverá seguir; Nível Tático ou Gerencial: trata-se do nível intermediário da organização, geralmente composta por diretores e/ou gerentes. Os ocupantes deste nível 082 devem possuir habilidades humanas, ou seja, habilidades de relacionamento com as pessoas para poder se relacionar com o nível operacional da organização;Nível Operacional ou Técnico: é o nível mais baixo da pirâmide, composto por aqueles que executam a atividade-�m da organização. Para este nível, são necessárias habilidades técnicas de execução das tarefas. Objetivos Organizacionais De acordo com Chiavenato (2014), as organizações buscam objetivos especí�cos, sendo estes os norteadores do rumo das organizações. Ainda segundo o autor, grande parte das organizações detém um órgão formal para formular esses objetivos, podendo ser acionistas, membros da assembleia ou pessoas que comandam a organização. Conforme aponta Perrow (1972), existem cinco categorias de objetivos organizacionais: Objetivos da sociedade: aqueles que estão ligados com a sociedade de forma geral, produzindo bens e serviços, cuja �nalidade é manter a ordem pública e atender às necessidades da sociedade; Objetivos de produção: aqueles que estão ligados ao atendimento da demanda por bens e serviços feita pelo consumidor; Objetivos de sistemas: aqueles que estão ligados ao modo de funcionar da organização, independentemente do tipo de bens e serviços que ela produz; Objetivos de produtos: aqueles que estão ligados às características dos bens e serviços produzidos; Objetivos derivados: aqueles que estão ligados à utilização que a organização faz do poder que foi lhe originado para a execução de outros objetivos. Como exemplo, é possível citar serviços comunitários, programas sociais e comunitários, metas políticas e políticas de investimento. A sociedade é constituída por várias organizações, e cada organização depende de diferentes outras organizações para alcançar seus objetivos. O contexto de interações entre as organizações forma o ambiente organizacional, que possui grande importância no estruturalismo. Os autores dessa linha não se preocupavam apenas com a análise organizacional, mas também com a interorganizacional, que trata das relações externas entre as organizações (CHIAVENATO, 2014). 083 A Teoria Estruturalista trata do termo “Estratégia Organizacional”, que tem como conceito o modo que a organização se relaciona com seu ambiente a �m de atingir seus objetivos. Nesse sentido, cada organização traça suas próprias estratégias. Segundo Chiavenato (2014, p. 301), a estratégia organizacional é “a maneira deliberada de fazer manobras no sentido de administrar suas trocas e relações com os diversos interesses afetados por suas ações”. Na abordagem estruturalista, existem estratégias de competição, ajuste ou negociação, cooptação e de coalizão. Nessa linha teórica, os autores discordam que exista uma relação harmônica entre supervisor e subordinado. Ainda, segundo autores dessa linha teórica, mesmo não sendo desejável, a presença de con�itos torna-se fator para gerar mudanças e inovação na organização (CHIAVENATO, 2014). Nesse contexto, pode haver con�itos entre autoridade do especialista (conhecimento) e autoridade administrativa (hierarquia), e segundo Etzioni (1967), podem existir três tipos de organização, considerando a forma de como organizam o conhecimento: Organizações especializadas: neste tipo de organização os administradores são responsáveis pelas atividades secundárias, fornecendo condições para os especialistas executarem as atividades principais da organização; Organizações não especializadas: faz com que os especialistas sejam subordinados aos administradores da organização. Neste caso, geralmente são organizações ligadas à produção e à venda, em que os administradores possuem maiores habilidades técnicas; Organizações de serviço: este tipo de organização exerce pouco controle em relação à produção, pois depende do especialista para a execução das atividades. Por �m, a Teoria Estruturalista trouxe contribuições relevantes para as Teorias Administrativas ao abordar teorias sobre os Níveis Hierárquicos da Organização, os Objetivos Organizacionais e também sobre os Con�itos Organizacionais. Destaca-se que nesta aula foi realizada uma breve apresentação sobre o conteúdo dessa teoria. É possível ainda que sejam explorados mais profundamente detalhes acerca da Teoria Estruturalista. 084 Acesse o link: Disponível aqui Este trabalho trata de uma proposta de nova estrutura organizacional em um hospital, baseando-se em estruturas funcionais, geográ�cas ou de produto sob a forma de gerência. É recomendada a leitura do artigo: “Estrutura Organizacional do Hospital Moderno”, publicado pela Revista de Administração de Empresas (RAE). Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: O conceito de estrutura e o signi�cado de que o todo organizacional é maior que a soma de suas partes. Níveis Hierárquicos da Organização. Objetivos Organizacionais. 085 http://www.scielo.br/pdf/rae/v38n1/a08v38n1.pdf 10 Tecnologia e Administração 086 Nesta aula, vamos discorrer sobre Tecnologia e Administração. Serão abordados diversos tópicos sobre o assunto, sendo eles: Conceito sobre sistema e os principais elementos que o compõem, Elementos importantes em tomadas de decisão, Teoria da Informação, Conceito de Informática, Consequência da Informática na Administração, Conceito de Homem Digital e as Críticas sobre Tecnologia e Administração. Em linhas gerais, o termo “tecnologia” possui como signi�cado “estudo de técnicas”. Tais técnicas podem ser empregadas em diferentes áreas da ciência. A tecnologia, principalmente desde a Primeira Revolução Industrial, a qual ocorreu entre os anos de 1760 e 1860, modi�cou consideravelmente a sociedade e as organizações. A partir deste período, houve um desdobramento de evoluções tecnológicas que modi�caram constantemente os modos de produção de bens e serviços na sociedade, bem como interações entre as pessoas. Nos últimos anos, destaca-se a grande evolução ocorrida no âmbito da Tecnologia da Informação e Comunicação, conhecida também como TIC. A invenção do telefone e posteriormente da televisão, celular e computador, entre outras, impactou fortemente a gestão das organizações. No contexto de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), estão presentes os Sistemas de Informação. Primeiramente, é importante entender o conceito de sistema. Conforme aponta Chiavenato (2014, p. 407): Sistema é um conjunto de elementos dinamicamente relacionados entre si, formando uma atividade para atingir um objetivo, operando sobre entradas (informação, energia ou matéria) e fornecendo saídas (informação, energia ou matéria). A seguir, de acordo com Chiavenato (2014), são descritos brevemente os principais conceitos que constituem um sistema: entrada, caixa negra, saída, retroação e homeostasia. Entrada (Input): refere-se aos elementos que são necessários para o sistema poder operar. Em outras palavras, é tudo aquilo que o sistema recebe ou importa do que está no seu exterior; Processamento (Caixa Negra): refere-se à etapa em que não é possível ser visualizada, sendo o local que está o processamento dos elementos que entraram no sistema. Também é responsável por aquilo que é expelido do sistema, ou seja, a saída; 087 Figura 9 – Representação de um sistema | Fonte: Adaptado de Chiavenato (2014). Saída (Output): refere-se aos elementos que saem do sistema. Em outros termos, é tudo aquilo que é resultado do processamento do sistema; Retroação (Feedback): refere-se ao processo em que uma parte dos elementos de saída volta para a entrada com o objetivo de modi�cá-la de algum modo, geralmente no sentido de otimizar ou melhorar a e�ciência do sistema; Homeostasia: refere-se ao equilíbrio que é dado pela autorregulação do sistema. Em outras palavras, trata-se do quão capaz o sistema é para manter as variáveis dentro de parâmetros aceitáveis que não extrapolem os limites da normalidade. A seguir, na Figura 9, veja um �uxograma com as etapas que compõem um sistema. Em outra vertente, agora não descrevendo o sistema, mas a informação, tem-se a informação como de grande importância em um processo de tomada de decisão. No ambiente da organização, quanto mais informaçõeso gestor possui acerca das variáveis que estão ao seu redor, maior será a probabilidade de ele tomar decisões assertivas. Nesse contexto, é importante que se tenha conhecimento de conceitos que estão ligados a estes processos: 088 Dado: remete aos valores, que podem ser numéricos ou não, de uma determinada pessoa, evento ou ocorrência. Exemplo: nome, idade, sexo, preço, volume, tamanho, etc. Informação: é um conglomerado de dados de maneira organizada. Exemplo: “30% dos pacientes do hospital eram do sexo masculino”. Comunicação: é o processo de envio da informação de um “ponto” para outro “ponto”. Dito de outra forma, “Comunicar signi�ca tornar comum a uma ou mais pessoas uma determinada informação” (CHIAVENATO, 2014, p. 413). Figura 10 - Processo de Comunicação | Fonte: Adaptado de Chiavenato (2014). Teoria da Informação Ainda na linha explicativa acerca da informação, tem-se a Teoria da Informação, que, por sua vez, surgiu em 1949 na área de telegra�a e telefonia. No âmbito dessa teoria, é descrito o sistema de comunicação, que, conforme Chiavenato (2014), é composto por seis componentes: Fonte: refere-se ao emissor ou fornecedor da mensagem do sistema e pode ser uma pessoa ou processo; Transmissor: refere-se ao equipamento que transmite a mensagem para o canal, este codi�ca a mensagem enviada; Canal: refere-se ao equipamento ou espaço presente entre o transmissor e o receptor; Receptor: refere-se ao equipamento que recebe a mensagem do canal, este decodi�ca a mensagem recebida; Destino: refere-se àquele que recebe a mensagem do sistema, e pode ser uma pessoa ou um processo; Ruído: refere-se a perturbações não desejáveis que possam alterar de modo imprevisível as mensagens transmitidas; 089 Portanto, Sistema de Informação é um processo no qual se encontra a realização de trocas de mensagens (informações) via algum tipo de sistema (telefone, computadores, tablets, etc.). Os Sistemas de Informação possuem grande importância no contexto administrativo porque auxiliam o gestor da organização nos processos de tomada de decisão. Outro importante conceito que surge no contexto de Tecnologia e Administração é a Informática. O termo “Informática” refere-se à obtenção da informação de maneira automática. Nesse sentido, conforme aponta Chiavenato (2014, p. 416), “a informática é um dos fundamentos da teoria e dos métodos que fornecem as regras para o tratamento da informação”. Consequências da Informática na Administração Foram diversas as consequências da Informática na Administração desde o seu surgimento. Dentre as principais consequências, segundo Chiavenato (2014), estão: Automação: é o resumo pelo qual as etapas de produção são realizadas com ultramecanização e super-racionalização e de forma contínua, com um controle automático, a partir do processo de retroação que é enviado para a máquina em relação ao seu próprio produto; Sistemas de Informação: na administração, os sistemas de informação auxiliam nos processos de tomada de decisão, já que as organizações possuem suas tomadas de decisões baseadas nas informações disponíveis. Nesse contexto, surgiram os denominados Sistemas de Informação Gerencial (SIG), responsáveis pela busca, coleta, armazenamento, classi�cação e tratamento das informações; Integração do Negócio: a informática encontra-se cada vez mais inserida no ambiente das organizações e passa pelos seus mais diferentes setores. Tal fato faz com que se tenha uma maior integração dos processos internos realizados pela organização e também na relação com seus clientes e fornecedores. Por meio dessa integração, são controlados os �uxos de entrada e saída de processos, produtos e serviços das organizações; E-business: também chamado em muitos tipos de negócios de “e-commerce”, diz respeito aos negócios realizados no âmbito do mundo da internet; 090 Nesta teoria, surge o conceito de “homo digitalis”, que faz menção ao homem digital que, por sua vez, é aquele inserido nas transações realizadas nos meios predominantemente eletrônicos, como o computador e a internet. Por �m, tem-se que a tecnologia no meio administrativo trouxe diversas contribuições e alterou drasticamente o modo de se gerenciar as organizações. De acordo com Chiavenato (2014), ela melhorou a vida do gestor, fornecendo de modo integrado, inteligente e em tempo real informações sobre todos os acontecimentos ocorridos no ambiente da organização. Acesse o link Disponível aqui Recomendo o vídeo: O que é ERP? (Enterprise Resource Planning). Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: Etapas que compõem um sistema. Processo de Comunicação. Consequências da Informática na Administração. 091 https://www.youtube.com/watch?v=GsshtMhb8b0 11 Teoria de Sistemas 092 Nesta décima primeira aula, será estudada a Teoria de Sistemas. Dentre os diferentes pontos que serão abordados, estão: Conceito de Sistemas, Sistema Aberto, Características das Organizações como Sistema Aberto e, por �m, as Críticas em relação à Teoria de Sistemas. Segundo Chiavenato (2014), a Teoria de Sistemas (TS) é considerada um eixo da Teoria Geral de Sistemas (TGS). A TGS teve início na área da biologia com trabalhos do alemão Ludwig von Bertalan�y. Ainda, segundo Chiavenato (2014, p. 462), os pressupostos básicos da TGS são: a) Existe uma tendência para a integração das ciências naturais e sociais; b) Essa integração parece orientar-se rumo a uma Teoria de Sistemas; c) A Teoria de Sistemas é o modo mais abrangente de estudar os campos não físicos do conhecimento cientí�co, como as ciências sociais; d) A Teoria de Sistemas desenvolve princípios uni�cadores que atravessam verticalmente os universos particulares das diversas ciências envolvidas, visando ao objetivo da unidade ciência. e) A Teoria de Sistemas conduz a uma integração na educação cientí�ca. Nesse sentido, a Teoria Geral de Sistemas aponta que os sistemas devem ser analisados e estudados de forma global, unindo as interdependências existentes entre suas partes. O autor precursor dessa teoria, Bertalan�y, aponta que é errônea a divisão do mundo em Física, Química, Biologia, Psicologia, Sociologia, entre outras. Essas são divisões fortemente de�nidas, sendo que na natureza, não existe a divisão dessas partes. A água não é igual ao hidrogênio e ao oxigênio que a formam (CHIAVENATO, 2014). A Teoria Geral de Sistemas, segundo Berrien (1968), se fundamenta em três premissas básicas: 1. Sistemas estão presentes dentro de outros sistemas: todo sistema possui subsistemas que o compõem e paralelamente é parte de outro sistema maior, denominado suprassistema; 2. Sistemas são abertos: todo sistema está em um ambiente em que estão presentes outros sistemas, havendo processos de trocas entre eles; 3. Funções de um sistema variam de acordo com a sua estrutura: todo sistema tem uma função, que é o seu papel na relação de troca com outros sistemas no ambiente. 093 Conceito de Sistemas São vários os conceitos de sistema. O Quadro 8 traz os diferentes conceitos existentes sobre sistema: Quadro 8 - Conceitos de Sistema | Fonte: Chiavenato (2014). Sistema é um conjunto de elementos em interação recíproca. Sistema é um conjunto de partes reunidas que se relacionam entre si formando uma totalidade. Sistema é um conjunto de elementos interdependentes, cujo resultado �nal é maior do que a soma dos resultados que esses elementos teriam caso operassem de maneira isolada. Sistema é um conjunto de elementos interdependentes e interagentes no sentido de alcançar um objetivo ou �nalidade. Sistema é um grupo de unidades combinadas que formam um todo organizado cujas características são diferentes das características das unidades. Sistema é um todo organizado ou complexo; um conjunto ou combinação de coisas ou partes, formando um todo complexo ou unitário orientado para uma �nalidade. Cada sistema possui suas próprias características. A água, por exemplo, tem características diferentes do hidrogênio e do oxigênioque a constitui. Os sistemas possuem duas características básicas: I) propósito ou objetivo e II) globalismo ou totalidade. A primeira refere-se ao conceito de que todo sistema possui um objetivo formado pelos relacionamentos entre os elementos. Já a segunda diz que todo sistema possui uma natureza orgânica, sendo que a presença de mudanças em um sistema deverá gerar por consequência mudanças em outros sistemas (CHIAVENATO, 2014). Nesse enquadramento de sistemas, também existem os diferentes tipos de sistemas que, segundo Chiavenato (2014), podem ser: 094 Com relação à sua formação: Sistemas físicos ou concretos: aqueles que são formados por objetos físicos ou reais; Sistemas abstratos ou conceituais: aqueles que são formados por conceitos, �loso�as e ideias, entre outros Com relação à sua natureza: Sistemas fechados: aqueles que não possuem relações de trocas com o ambiente que está em sua volta. Portanto, não são in�uenciados pelo ambiente e também não o in�uenciam; Sistemas abertos: aqueles que possuem relações de trocas com o ambiente que está em sua volta. Esses tipos de sistemas fazem trocas de forma regular com outros sistemas presentes no ambiente. Em relação aos elementos que compõem um sistema, são aqueles mesmos elementos já apresentados na aula 10 acerca de Tecnologia e Administração, que são: Entrada (Input), Processamento (Caixa Negra), Saída (Output) e Retroação (Feedback) junto ao Ambiente no qual se encontra. Sistema Aberto Os sistemas abertos, como conceituado anteriormente, trata daqueles que fazem trocas com outros sistemas em seu ambiente. Já os sistemas fechados são exatamente o inverso, que não realiza nenhum processo de troca com o ambiente. São exemplos de sistemas abertos: célula, planta, homem, organização e sociedade, e exemplos de sistemas fechados: sistemas físicos, relógio e máquinas. É importante destacar que existem diferenças fundamentais entre os sistemas abertos e os sistemas fechados. Segundo Chiavenato (2014), são elas: 1. O sistema fechado não possui nenhuma interação com o ambiente, enquanto o sistema aberto está sempre em um processo de troca com o ambiente; 2. O sistema fechado não possui capacidade de mudança, crescimento ou adaptação em relação ao ambiente, sendo o sistema aberto proveniente dessas capacidades; 095 3. O sistema fechado não compete com outros sistemas, enquanto o sistema aberto está em constante competição. Esses fundamentos sobre sistema podem ser aplicados nas organizações. No ambiente organizacional, existem diversas relações entre as organizações como, por exemplo: clientes, fornecedores e sindicatos, entre outros. Ademais, trata-se de um sistema que contempla diversas unidades que se relacionam entre si, tendo como foco o alcance dos seus objetivos (CHIAVENATO, 2014). Características das Organizações como Sistema Aberto As organizações, tais como um sistema aberto, possuem diferentes características. Conforme aponta Chiavenato (2014), as características das organizações como sistema aberto são: Comportamento probabilístico e não determinístico: os sistemas abertos são afetados pelas mudanças ocorridas no seu ambiente. A partir disso, as consequências geradas para a organização são probabilísticas e não determinísticas, sendo o seu comportamento nesse sentido não totalmente previsível; As organizações como partes de uma sociedade maior e constituídas de partes menores: cada organização é considerada como parte de um sistema maior no âmbito da sociedade, sendo esse o conceito de subsistema; Interdependência das partes: pode-se considerar que as partes de uma organização são independentes, contudo, inter-relacionadas. Nesse sentido, a alteração em uma das partes gera mudanças em outras partes por consequência; Homeostase ou “estado �rme”: para que a organização possa atingir um estado de equilíbrio, é preciso que ela tenha uma constância em sua direção (independentemente das alterações ocorridas no ambiente, a organização continua apresentando os mesmos resultados) e progresso (a organização continua mantendo um progresso em relação ao �m desejado); 096 Fronteiras ou limites: as organizações como sistemas possuem fronteiras que delimitam o que está dentro e o que está fora da organização. Entretanto, algumas vezes essas fronteiras se sobrepõem, pois, em alguns casos, por exemplo, pode-se ter uma mesma pessoa trabalhando em duas organizações paralelamente; Morfogênese: a organização possui a capacidade de se automodi�car quando preciso e pode fazer qualquer tipo de alteração conforme sua necessidade; Resiliência: trata-se da capacidade que a organização possui de superar problemas externos gerados pela sociedade sem que desapareça sua potencialidade de auto-organização. Segundo Motta (1973), a Teoria de Sistemas é a menos criticada dentro das Teorias Administrativas, pois seu pressuposto sistêmico vai ao encontro de uma busca estrutural-funcionalista presente nas ciências sociais dos países capitalistas na atualidade. Essa teoria trabalhou os conceitos estruturais e de comportamento da organização. Acesse o vídeo: Disponível aqui É recomendada a visualização do vídeo: O que é CRM? (Customer Relationship Management). Trata-se de um sistema para gerenciamento de clientes cujo objetivo é otimizar o relacionamento entre a organização e o cliente. 097 https://www.youtube.com/watch?v=twUu4d65LFw Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: Conceito de Sistema. Sistema Aberto. Características das Organizações como Sistema Aberto. 098 12 Teoria Neoclássica 099 Peter Ferdinand Drucker (1909-2005). Nesta aula, será estudada a Teoria Neoclássica. Essa teoria não forma uma Escola Administrativa bem de�nida, pois apresenta diferentes autores com diferentes linhas teóricas. A Teoria Neoclássica representa um agregado de autores e trabalhos heterogêneos que possuem diferentes denominações tais como: Escola Operacional ou Escola do Processo Administrativo. Com o intuito de facilitar a aprendizagem didática desse conteúdo, utiliza-se o termo “teoria”. (CHIAVENATO, 2014). Dentre os autores que compõem a Teoria Neoclássica, estão: Peter F. Drucker, Ernest Dale, Harold Koontz, Cyril O’ Donnell, Michael Jucius, William Newman, Ralph Davis, George Terry, Morris Hurley e Louis Allen. O autor considerado precursor dessa teoria é Peter Ferdinand Drucker (1909-2005), também considerado pai da administração moderna. Peter Ferdinand Drucker (1909-2005) nasceu na cidade de Viena, na Áustria, e morreu na cidade de Claremont, estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Foi professor e consultor administrativo e durante sua carreira publicou diversos livros sobre Administração. Também foi responsável pela criação do modelo de Administração por Objetivos (APO) no ano de 1954, com a publicação do livro “The Practice of Management”. 100 A seguir, serão apresentadas diferentes decorrências da Teoria Neoclássica, sendo divididos em: Tipos de Organização, Departamentalização e Administração por Objetivos. Tipos de Organização Os estudos da Teoria Clássica tinham como ênfase a estrutura da organização. Nessa linha, analisavam fatores formais da organização tais como divisão do trabalho, especialização, hierarquia, autoridade, responsabilidade e coordenação, entre outros. O contexto de fatores apresentados constitui a organização formal, que, por sua vez, trata das relações existentes entre os órgãos ou cargos, em uma estrutura organizacional com diretrizes, normas e regulamentos, tendo como foco atingir seus objetivos (CHIAVENATO, 2014). Destaca-se que a principal característica da organização formal é o racionalismo, que se refere ao conjunto de cargos distribuídos em uma hierarquia na organização, funcionando de maneira lógica (CHIAVENATO, 2014). Na sequência, conforme descreve Chiavenato (2014), serão apresentados três tipos diferentes de organização: linear, funcional e linha-sta�. Organização Linear: é o modo mais simples e antigo de organização.Esse modelo possui o formato piramidal, com linhas únicas de autoridade e responsabilidade entre quem toma as decisões e quem deve executá-la. Tal formato ocorre geralmente em pequenas empresas ou em empresas na fase inicial. Organização Funcional: esse tipo de organização possui como foco a funcionalidade. Em outros termos, a organização busca que a execução das tarefas e procedimentos em seu ambiente seja feita de modo prático, facilitando a �uidez dos processos. O subordinado possui mais de um superior, e cada superior é especialista em uma determinada atividade. Como exemplo, pode existir um superior para manutenção de equipamentos, outro para produção, outro para qualidade e assim por diante. Organização Linha-Sta�: esse último tipo de organização é um combinado entre os dois modelos anteriores, cujo objetivo é fazer uso das suas vantagens. Nesse tipo de organização, existem paralelamente órgãos de linha e órgãos de assessoria (sta�). Sendo assim, há aqueles que são responsáveis diretamente pela produção da organização e possuem uma hierarquia linear bem de�nida 101 (órgãos de linha) e aqueles que dão suporte, consultoria ou assessoria para o pessoal da produção (órgãos de sta�). As críticas com relação aos tipos de organização apontam que nessa linha de estudos não há nenhuma preocupação com o ambiente externo da organização, apenas com o ambiente interno. Além disso, as críticas apresentam também que existe uma falta de �exibilidade e são modelos consideravelmente engessados (CHIAVENATO, 2014). Departamentalização Na medida em que a organização cresce, é preciso que tenha uma divisão do trabalho. Nesse sentido, o processo de departamentalização signi�ca a divisão da organização em setores pelos quais haverá um gestor responsável para a coordenação das atividades. De acordo com Chiavenato (2014), dentre os principais tipos de departamento, estão: Departamentalização por funções: ocorre quando a divisão é feita de acordo com as atividades e tarefas no ambiente interno da organização. Exemplo: departamento de vendas, departamento de compras, departamento de produção, etc.; Departamentalização por produtos ou serviços: ocorre quando a divisão é feita de acordo com a atividade-�m da organização, ou seja, de acordo com seu tipo de produto ou serviço. Exemplo: Vendas --> departamento do produto A, departamento do produto B e departamento do produto C; Departamentalização geográ�ca: ocorre quando a divisão é feita de acordo com a região de atuação da organização. Exemplo: Vendas --> departamento da Região Sul, departamento da Região Centro e departamento da Região Norte; Departamentalização por clientela: ocorre quando a divisão é feita de acordo com as características dos clientes. Exemplo: loja de roupas --> departamento feminino, departamento masculino, departamento infantil; Departamentalização por processos: ocorre quando a divisão é feita de acordo com as fases do processo. Geralmente é realizado esse tipo de divisão no nível operacional da organização. Exemplo: indústria automobilística --> departamento para fabricação do motor, departamento para fabricação de acessórios, departamento para fabricação �nal do veículo, entre outros; Departamentalização por projetos: ocorre quando a divisão é feita de acordo com os projetos em execução da organização. Geralmente é realizado esse tipo 102 de divisão em empresas grandes, que tenham grandes projetos com longa duração e que necessita de grande quantidade de recursos. Exemplo: empresa de tecnologia --> departamento do projeto A; departamento do projeto B, etc. Administração por Objetivos (APO) O método de Administração por Objetivos (APO) surgiu em 1954 com o autor Peter Drucker, a partir da publicação do seu livro “The Practice of Management”. Esse método consiste, em um primeiro momento, no alinhamento de objetivos entre os gestores e os subordinados. Já em segundo momento, cada integrante tem suas responsabilidades de�nidas e trabalha em função do objetivo de�nido. Após a realização das atividades propostas, os resultados �nais podem ser comparados com os resultados esperados (CHIAVENATO, 2014). Conforme aponta Chiavenato (2014), a Administração por Objetivos proporciona a realização de avaliação do desempenho humano, remuneração �exível e alinhamento entre os objetivos da organização e os objetivos individuais de cada indivíduo pertencente à organização. Nesse contexto, a aplicação da APO, segundo Chiavenato (2014), aponta os seguintes passos: 1. Gestor e subordinado fazem uma reunião para delimitar os objetivos em conjunto, sendo consensual e participativo; 2. Depois de delimitados os objetivos, o gestor proporciona as condições necessárias para a execução das atividades e tarefas e pode cobrar o subordinado para a realização das mesmas; 3. O subordinado busca atingir os objetivos delimitados e pode cobrar as condições necessárias para a execução da sua função; 4. Gestor e subordinado se reúnem de tempos em tempos para avaliar em conjunto os resultados em função dos objetivos propostos inicialmente; 5. Após a avaliação de ambos, pode haver uma reciclagem; uma reavaliação dos objetivos e dos recursos requisitados para executá-los. 103 Acesse o vídeo no link: Disponível aqui Recomendo o vídeo: “Administração por Objetivos – Conceitos (APO)”. Trata-se de um complemento mais detalhado sobre o conteúdo de Administração por Objetivos (APO) visto neste capítulo. Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: Tipos de Organização: linear, funcional e linha-sta�. Tipos de Departamentalização: por funções, por produto ou serviço, geográ�ca, por clientela, por processos, por projetos. Administração por Objetivos (APO): passos para aplicação da APO. 104 https://www.youtube.com/watch?v=rU0fYZNODtU 13 Teoria Comportamental 105 A Teoria Comportamental surgiu como crítica e oposição à Teoria Clássica e à Teoria da Burocracia e parcialmente à Teoria das Relações Humanas. Destaca-se que a Teoria Comportamental é extensa, contendo um conglomerado de teorias e autores que contribuíram com tal corrente teórica. Nesta aula, vamos abordar brevemente as origens da teoria comportamental e novos apontamentos acerca da motivação humana. Em seguida, serão vistas a Pirâmide Hierárquica das Necessidades de Maslow, a Teoria dos Dois Fatores e a Teoria “X” e “Y”. Conhecido como o precursor da Teoria Comportamental, Herbert Alexander Simon nasceu e morreu nos Estados Unidos (1916-2001). Atuou como pesquisador e economista, gerando contribuições para diversas outras áreas. Em 1978, ganhou o Prêmio Nobel de Economia. Dentre as obras que escreveu, em 1947 publicou “Administrative Behavior”, em português, “Comportamento Administrativo”, livro que marcou o começo dos estudos da Teoria Comportamental. Nele, Simon aponta críticas à corrente da Teoria Clássica e, com ressalvas, apoia a Teoria das Relações Humanas. É nesse contexto de discordância entre Teoria Clássica e Teoria das Relações Humanas que emerge a Teoria Comportamental, que pode ser considerada o estágio seguinte da Teoria das Relações Humanas. Nessa linha, surgem estudos sobre o “Comportamento Organizacional”, que tem como base o comportamento de cada indivíduo. Para o estudo do comportamento individual, foi necessário o aprofundamento nos estudos da motivação humana, assunto que já contava com um considerável arcabouço teórico. Em se tratando do comportamento humano e da motivação humana, os autores da linha de estudo comportamental entendem que o administrador deve conhecer as necessidades humanas para utilizar isso a favor da organização (CHIAVENATO, 2014). Nesse ponto, o autor Abraham Harold Maslow (1908-1970) acrescentou uma importante contribuição a �m de entender a motivação humana baseada em suas necessidades. 106 Figura 11 – Pirâmide Hierárquica das Necessidades de Maslow | Fonte: Adaptado de ROBBINS (2002). Pirâmide Hierárquica das Necessidades de Maslow A teoria proposta por Maslow baseia-sena proposição de que o ser humano possui uma hierarquia de necessidades. No nível mais baixo dessa hierarquia, têm-se as necessidades mais básicas do indivíduo, que são as �siológicas, passando por outros tipos de necessidades, chegando até as necessidades de autorrealização. A seguir, temos a Pirâmide Hierárquica das Necessidades de Maslow, e na sequência é descrito mais detalhadamente cada um dos tipos de necessidade. 107 Segundo Maslow (1954), entre as necessidades do indivíduo estão: Necessidades Fisiológicas: alimentação, água, sono, sexo, entre outras necessidades de nível básico para qualquer indivíduo; Necessidades de Segurança: proteção, isolado de perigo e ameaças; Necessidades Sociais: família, amizades, relacionamentos, fazer parte de grupos aos quais se identi�ca; Necessidades de Estima: ser amado e respeitado, ser digno de amor, ter reconhecimento; Necessidades de Autorrealização: crescimento, autocontrole e desenvolvimento pessoal, entre outros fatores. É o nível mais alto de necessidades do indivíduo. Teoria dos Dois Fatores de Herzberg Além de Simon e Maslow, outro importante autor que contribuiu para a Teoria Comportamental foi Frederick Herzberg, que aponta que na organização existem dois fatores que determinam o comportamento dos indivíduos. São os fatores motivacionais e os fatores higiênicos. Os fatores motivacionais são aqueles relacionados ao conteúdo do cargo que o trabalhador exerce. Como exemplo, é possível citar desenvolvimento, crescimento e autorrealização. São classi�cados como motivacionais, pois estão diretamente ligados à satisfação que o trabalhador possui na execução de suas tarefas. Já os fatores higiênicos referem-se aos pontos do ambiente de serviço. Para exempli�car, podemos citar condições de trabalho, segurança e salário. Esses fatores são denominados higiênicos, pois têm como objetivo prevenir que ocorra a insatisfação dos trabalhadores dentro da organização. Destaca-se que os fatores motivacionais fazem referência ao processo de satisfação do indivíduo, e os fatores higiênicos fazem referência ao processo de insatisfação do indivíduo. Em outras palavras, signi�ca que as condições estabelecidas pelos fatores motivacionais podem gerar somente satisfação ao trabalhador, e nunca insatisfação - 108 enquanto ocorre o oposto com os fatores higiênicos, que podem gerar apenas insatisfação ao trabalhador e nunca satisfação. Exempli�cando, no fator higiênico, tem-se a segurança do trabalhador, que, por sua vez, somente poderá gerar a não insatisfação dele. Nesse exemplo, o trabalhador não vai ter satisfação pela presença da segurança, mas somente vai gerar uma não insatisfação. Teoria “X” e “Y” O autor da Teoria “X” e “Y” é Douglas McGregor, que nessa teoria compara dois tipos de gestão. O primeiro é descrito como Teoria “X” e está ligado a um modelo mais tradicional, enquanto o segundo é descrito como Teoria “Y” e está ligado a um modelo mais moderno. Na Teoria “X” há um modelo de gestão que vê as pessoas como recursos de produção, cuja teoria diz que os trabalhadores: I) são preguiçosos por natureza; II) não têm ambição; III) são resistentes a mudanças e; IV) as dependências os tornam incapazes de autocontrole e autodisciplina. Ressalta-se que essa teoria está mais próxima dos apontamentos das teorias presentes na Administração Cientí�ca, na Teoria Clássica e na Teoria da Burocracia em diferentes etapas (CHIAVENATO, 2014). Já a Teoria “Y”, que está mais próxima da Teoria Comportamental, propõe o oposto da Teoria “X”, em que os trabalhadores: I) não têm desprazer em trabalhar; II) não são resistentes às necessidades da empresa; III) possuem automotivação e potencial de desenvolvimento e; IV) aceitam e procuram assumir responsabilidades (CHIAVENATO, 2014). 109 Portanto, a partir das pressuposições apresentadas para a Teoria “X” e para a Teoria “Y”, observa-se que a primeira tende para um modo mais rudimentar de gestão e enxerga os trabalhadores apenas como recursos para a produção. Já a segunda detém um modelo mais participativo, considerando os trabalhadores como um ponto importante dentro do sistema produtivo. Acesse o link: Disponível aqui O estudo de caso intitulado: “Satisfação no trabalho: indicador de qualidade no gerenciamento de recursos humanos em enfermagem”, publicado na Revista de Escola de Enfermagem da USP. Esse estudo apresenta os fatores geradores de satisfação no trabalho de enfermeiros em um hospital da cidade de São Paulo. O intuito da pesquisa é identi�car os fatores geradores de satisfação para que, em um segundo momento, sejam elaborados indicadores para avaliar a qualidade do gerenciamento de recursos humanos na área de enfermagem. Tal trabalho faz menção à Teoria dos Dois Fatores de Herzberg apresentado nesta aula, e aprofunda ainda mais nas teorias e autores que tratam sobre a satisfação no trabalho. 110 http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46n1/v46n1a21.pdf Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: Níveis da Pirâmide Hierárquica das Necessidades de Maslow: necessidades �siológicas, necessidades de segurança, necessidades sociais, necessidades de estima e necessidades de autorrealização. Teoria dos Dois Fatores: diferenças entre os fatores motivacionais (ligados à satisfação dos indivíduos) e os fatores higiênicos (ligados à insatisfação dos indivíduos). Teoria “X” e “Y”: A Teoria “X” vê os trabalhadores como recurso de produção, enquanto a Teoria “Y” os vê como um ponto importante no sistema produtivo. 111 14 Teoria de Desenvolvimento Organizacional 112 A Teoria do Desenvolvimento Organizacional (DO) teve início a partir de 1962, na sequência da Teoria Comportamental, tendo como objetivo o crescimento e o desenvolvimento das organizações. Nesse contexto, foi levado em consideração um conglomerado de teorias a respeito do trabalhador, da empresa e do ambiente (CHIAVENATO, 2014). A Teoria do Desenvolvimento Organizacional é formada por um conjunto consideravelmente amplo de autores e teorias. Para tanto, nesta aula falaremos sobre mudança e organização, veri�cando o Conceito de Cultura Organizacional, Clima Organizacional e Mudança de Cultura e do Clima Organizacional. Em seguida, serão descritas as fases da organização e especi�camente O que é o Desenvolvimento Organizacional, seguidos dos objetivos, pressupostos, características e processos dessa teoria. Mudança e Organização O termo desenvolvimento organizacional está ligado ao termo mudança da organização e ao quanto a organização se adapta em relação às mudanças. Nesse sentido, surgiu uma nova acepção de organização e de cultura organizacional. A organização é entendida agora como uma relação organizada entre as ferramentas de produção, o ambiente e as pessoas (CHIAVENATO, 2014). As contribuições da Teoria das Relações Humanas e da Teoria Comportamental foram fundamentais para inserir o trabalhador como um ponto importante no sistema produtivo e entender o comportamento do mesmo diante do trabalho. No âmbito da organização, a seguir, serão descritos os conceitos sobre Cultura Organizacional, Clima Organizacional e Mudança da Cultura e do Clima Organizacional. O processo natural de uma organização é buscar crescimento e desenvolvimento interno e externo ao longo do tempo. Nessa linha, conforme aponta Chiavenato (2014), a organização passa por diferentes fases: pioneira, expansão, regulamentação, burocratização e re�exibilização; 113 Fase pioneira: quando a organização inicia suas atividades e então acontece um alto índice de inovação; Fase de expansão: quando a organização aumenta suas atividades e quantidade de participantes; Fase de regulamentação: quando é necessário estabelecer normas entre os setores da organização devido ao seu crescimento; Fase de burocratização: quando, devido ao seu tamanho, é necessário inserir regulamentações mais rígidas e maior nível de burocracia, fazendo com que a organização funcione dentro de padrões e de um sistemade regras; Fase de re�exibilização: quando a organização precisa se �exibilizar novamente e buscar a capacidade de inovação perdida durante as fases anteriores de crescimento. O que é Desenvolvimento Organizacional? Após a contextualização dos fatores de mudança, cultura e clima organizacional e também das fases da organização, chega-se ao objetivo desta aula, que é o Desenvolvimento Organizacional. Conhecido também como DO, o Desenvolvimento Organizacional é uma “abordagem baseada nas ciências comportamentais em um esforço conjugado para melhorar a capacidade de uma organização de confrontar-se com o ambiente externo e incrementar sua capacidade de resolver problemas” (CHIAVENATO, 2014, p. 400). Objetivos do Desenvolvimento Organizacional O Desenvolvimento Organizacional tem como objetivo melhorar a qualidade das relações entre as pessoas no trabalho por meio da mudança na cultura da organização. Em outros termos, o Desenvolvimento Organizacional é uma mudança organizacional planejada (CHIAVENATO, 2014). De acordo com Bauer (1999) apud Chiavenato (2014), um programa de Desenvolvimento Organizacional possui três objetivos comuns em qualquer organização: 114 1. Geração de um senso de identidade dos trabalhadores para com a organização; 2. Evolução do sentimento de espírito de equipe por meio da união dos trabalhadores; 3. Amadurecimento da visão sobre o ambiente externo, com o intuito de facilitar o processo de adaptação de toda a organização. Pressupostos do Desenvolvimento Organizacional De acordo com Chiavenato (2014), existem oito pressupostos para o Desenvolvimento Organizacional: Constante e rápida mutação do ambiente: deve haver uma rápida mudança do ambiente da organização a �m de acompanhar as rápidas mudanças do mundo moderno, pois elas podem impactar seu desenvolvimento; Necessidade de contínua adaptação: o indivíduo e a organização fazem parte de um sistema dinâmico e necessitam se adaptar em um ambiente de mudança contínua para poder sobreviver e se desenvolver; Interação entre indivíduo e organização: o ambiente em que o indivíduo exerce seu trabalho é um fator que pode motivá-lo ou desmotivá-lo no processo de explorar sua capacidade produtiva. Para o desenvolvimento da organização, é preciso que exista uma integração entre os objetivos da organização e os objetivos dos indivíduos que dela participam, tendo como foco tornar o ambiente favorável para a realização das atividades e, portanto, expandir a capacidade produtiva de cada um deles; A mudança organizacional deve ser planejada: esse é um procedimento contínuo e difícil, em que é preciso o envolvimento compromissado de todas as pessoas participantes da organização. É preciso que os líderes da organização coordenem o processo de mudança para haver uma atitude positiva em relação à mudança, e a comunicação deve ser feita de cima para baixo; A necessidade de participação e de comprometimento: uma mudança planejada é fruto dos esforços coletivos - e não individuais - realizados pelas pessoas. É normal que haja resistência no processo de mudança, principalmente em pontos ligados a atitudes, crenças, valores e comportamento, pois esses já estão sedimentados em cada pessoa; A melhoria da e�cácia organizacional e do bem-estar da organização: está ligada à utilização da aplicação das teorias sobre o comportamento do ser 115 humano. Dentre elas, está a aplicação das ciências do comportamento, que permite criar um ambiente favorável para se trabalhar; A variedade de modelos e estratégias de Desenvolvimento Organizacional: podem ser utilizados diferentes modelos ou estratégias de acordo com a situação; O Desenvolvimento Organizacional é uma resposta às mudanças: o Desenvolvimento Organizacional é um processo de esforço educacional para mudar atitudes, valores, comportamentos e estrutura da organização, tendo como foco atender às demandas do mercado existentes. Características do Desenvolvimento Organizacional Segundo Chiavenato (2014), são nove características que compõem o Desenvolvimento Organizacional: Focalização na organização como um todo: é necessária a participação da organização como um todo para que o Desenvolvimento Organizacional seja efetivo; Orientação sistêmica: o Desenvolvimento Organizacional tem como objetivo fazer as partes da organização trabalharem em conjunto com e�cácia; Agente de mudança: é preciso um agente de mudança para realizar o processo de estimular e coordenar as mudanças dentro da organização; Solução de problemas: realiza uma pesquisa e posteriormente um diagnóstico para solucionar os problemas na organização; Aprendizagem experiencial: aqueles que participam do Desenvolvimento Organizacional aprendem pela própria experiência vivida no trabalho e não se baseiam apenas em uma discussão teórica acerca do assunto; Retroação: trata-se do processo de retorno das informações obtidas para as pessoas, apresentando individualmente pontos sobre seu próprio comportamento para que seja possível tomar medidas para melhorar sua e�cácia; 116 Orientação contingencial: o Desenvolvimento Organizacional possui um per�l situacional e orientado em relação às contingências. O Desenvolvimento Organizacional se molda de acordo com as necessidades da organização, ou seja, não possui uma única maneira de tratar os problemas; Desenvolvimento de equipes: baseado em uma mudança planejada e realizado por meio de equipes, seu principal foro é a mudança da cultura da organização; Enfoque interativo: os processos de comunicações e interações na organização são importantes para que o Desenvolvimento Organizacional consiga realizar as mudanças necessárias. Processo de Desenvolvimento Organizacional O processo de Desenvolvimento Organizacional é formado por oito etapas que necessitam de uma quantidade de tempo considerável para realizar uma mudança na organização (CHIAVENATO, 2014). De acordo com Kotter (1978), essas etapas são: I) Decisão da direção da empresa de utilizar o Desenvolvimento Organizacional; II) Diagnóstico inicial; III) Coleta de dados; IV) Retroação de dados e confrontação; V) Planejamento de ação e solução de problemas; VI) Desenvolvimento de equipes; VII) Desenvolvimento intergrupal e VIII) Avaliação e acompanhamento. 117 Para assistir, acesse o link: Disponível aqui Recomendo um vídeo que exempli�ca, em forma de desenho animado, a Cultura Organizacional. Caro(a) aluno(a), para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos conceitos de cultura e de clima organizacional e seu processo de mudança. Lembre-se de que o Desenvolvimento Organizacional está diretamente ligado a esses fatores, cujo foco é melhorar a relação de trabalho entre as pessoas da organização, utilizando para isso uma mudança na cultura da organização. 118 https://www.youtube.com/watch?v=CAtRwDQKU8w 15 Teoria da Contingência 119 Nesta aula, veremos a Teoria da Contingência. Dentre os assuntos que serão tratados nesta aula, estão: aspectos da teoria, o ambiente com suas características e condições, conceito de homem complexo, modelo contingencial de motivação e, por �m, as ferramentas de estratégia organizacional. A Teoria da Contingência aponta que não existe nada absoluto no contexto das organizações. Em outros termos, segundo essa teoria, tudo depende. A Teoria da Contingência a�rma que para atingir os objetivos da organização há uma relação entre as condições presentes no ambiente e as técnicas administrativas utilizadas (CHIAVENATO, 2014). Desse modo, em termos práticos, essa teoria indica uma relação do tipo “se - então”, ou seja, se a condição do ambiente é “A”, então se utiliza a técnica “A”, mas se a condição do ambiente é “B”, então se utiliza a técnica “B” e, assim por diante. Segundo Chiavenato (2014), essa teoria teve início com diversos trabalhos de pesquisas realizados para identi�car modelos de estrutura organizacional que possuíam maior e�cácia de acordo com o tipo de organização. Dentre as diferentes pesquisas sobre o assunto,é possível citar: Pesquisa de Chandler sobre estratégia e estrutura, Pesquisa de Burns e Stalker sobre organizações, Pesquisa de Lawrence e Lorsch sobre o ambiente e a Pesquisa de Joan Woodward sobre a tecnologia. Ainda, segundo Chiavenato (2014), a partir dos resultados dessas pesquisas, os autores formaram a Teoria da Contingência, que aponta que não há apenas um modo de organizar e que organizações precisam se ajustar conforme as condições do ambiente. Chiavenato (2014, p. 497) aponta que a Teoria da Contingência possui três aspectos básicos: A organização é de natureza sistêmica, isto é, ela é um sistema aberto; 2. As características organizacionais apresentam uma interação entre si e com o ambiente. Isso explica a íntima relação entre as variáveis externas (como a certeza e a estabilidade do ambiente) e as características da organização (diferenciação e integração organizacionais); 3. As características ambientais funcionam como variáveis independentes, enquanto as características organizacionais são variáveis dependentes. 120 Ambiente Tendo em vista que a Teoria da Contingência aponta que as características ambientais in�uenciam a organização, torna-se importante entender o que é Ambiente. Ambiente é o meio em que a organização se encontra, ou seja, o contexto em que a organização está inserida perante o todo externo. Como tratado na Teoria de Sistemas, considera-se a organização como um sistema aberto que está em constante realização de troca com o ambiente. Dentro desse contexto, encontra-se o Mapeamento Ambiental, a Seleção Ambiental e a Percepção Ambiental. O Mapeamento Ambiental trata do processo de mapear, no sentido de explorar e discernir o ambiente no qual a organização está inserida para diminuir as incertezas existentes. Esse processo de mapeamento é feito pelos dirigentes da organização (HALL, 1973). A Seleção Ambiental refere-se ao fato de a organização não conhecer e não compreender todas as condições que variam no ambiente. Simultaneamente, ela seleciona apenas algumas partes para serem visualizadas e entendidas. Já Percepção Ambiental signi�ca que a organização percebe de maneira subjetiva o ambiente conforme as suas expectativas, experiências, problemas, convicções e motivações (CHIAVENATO, 2014). Ainda, tem-se o que pode ser denominado de macroambiente, que é o ambiente comum e geral a todas as organizações. Esse tipo de ambiente, de acordo com Chiavenato (2014), pode afetar direta ou indiretamente as organizações e é formado por um conjunto de condições comuns para todas: Condições tecnológicas: as ferramentas tecnológicas presentes no ambiente geral necessitam ser rapidamente incorporadas pelas organizações, visando manter sua competitividade em relação às outras organizações; Condições legais: formam a legislação que auxilia ou impõe restrições à organização. São leis do tipo comercial, trabalhista, �scal e civil, entre outras; Condições políticas: são as decisões políticas feitas no nível federal, estadual ou municipal que afetam o ambiente em que está inserida a organização; Condições econômicas: trata-se do conglomerado de aspectos econômicos como, por exemplo, in�ação, balança de pagamento do país, distribuição de renda interna, entre outros, que in�uenciam o desenvolvimento ou a retração econômica, condicionando consideravelmente as organizações; 121 Condições demográ�cas: fatores demográ�cos (população, etnia, religião, distribuição geográ�ca, etc.) que formam as características do mercado presente e futuro das organizações; Condições ecológicas: são relacionadas a fatores demográ�cos que envolvem a organização. Nas organizações, tem-se a ecologia social, que, por sua vez, signi�ca que as organizações são in�uenciadas e in�uenciam em pontos tais como poluição, clima, transportes e meios de comunicação, entre outros; Condições culturais: são inseridas nas organizações a partir das expectativas de seus consumidores e participantes. Além do macroambiente com suas condições externas, existe o Ambiente de Tarefa, que é aquele mais próximo da organização, ligado à parte de operações e formado por fornecedores, clientes, concorrentes e entidades reguladoras (CHIAVENATO, 2014). Na Teoria da Contingência surge o conceito de Homem Complexo. Para Chiavenato (2014), o Homem Complexo é um sistema de características pessoais, percepções, valores e necessidades, resultado da junção entre os conceitos do homo economicus (Administração Cientí�ca), Homem Social (Teoria das Relações Humanas), Homem Organizacional (Teoria Estruturalista), Homem Administrativo (Teoria Comportamental) e Homem Funcional (Teoria de Sistemas). Modelo Contingencial de Motivação Nessa teoria, apresenta-se um modelo diferente para explicar o funcionamento da motivação humana, em que são reconhecidas as diferenças de cada indivíduo e a diferença de cada situação em que os indivíduos estão envolvidos. Explicado de outra forma, signi�ca que a motivação humana depende de indivíduo para indivíduo e também da situação em que ele se encontra. A seguir, na Figura 12, são apresentadas as três dimensões básicas da motivação. 122 Figura 12 - Três dimensões básicas da motivação | Fonte: Adaptado de Chiavenato (2014). Estratégia Organizacional Na Teoria da Contingência, a Estratégia Organizacional ganha um enfoque diferente, agora não mais em um processo estático para atingir o objetivo, mas variando de acordo com o evento e o ambiente em que a organização está inserida. Nessa linha, existem algumas escolas que buscam fazer uma abordagem contingencial acerca da Estratégia Organizacional. Dentre essas escolas, estão Escola Ambiental, Escola do Design e a Escola de Posicionamento (CHIAVENATO, 2014). Aqui falaremos apenas da Escola de Posicionamento, especi�camente as ferramentas do Modelo de Boston Consulting Group (BCG) e das Cinco Forças de Porter. Matriz BCG O modelo de Boston Consulting Group, conhecido também como Matriz BCG, é uma matriz que apresenta a posição estratégica de um produto no mercado perante o portfólio de produtos existentes na organização. A posição do produto pode ser de quatro tipos: Estrela, Ponto de Interrogação, Vaca de Leite ou Abacaxi. A seguir, na Figura 13, é ilustrada a Matriz BCG. 123 Figura 13 - Matriz BCG. Abacaxi: produto ou serviço que possui baixa participação no mercado e também baixo crescimento no mercado; Vaca de Leite: produto ou serviço que possui alta participação no mercado, mas baixo crescimento no mercado; Ponto de Interrogação: produto ou serviço que possui baixa participação no mercado, mas alto crescimento no mercado; Estrela: produto que possui alta participação no mercado e também alto crescimento no mercado. Cinco Forças de Porter Esse modelo apresenta cinco forças presentes no ambiente e que in�uenciam o processo de concorrência. Essas forças presentes no ambiente, segundo Chiavenato (2014), são: Ameaça de novos entrantes: para entrar em um novo mercado, uma organização possui uma quantidade considerável de barreiras (quantidade de capital, lealdade dos clientes em relação às marcas estabelecidas, requisitos legais do setor, etc.). Poucas barreiras em um determinado mercado facilita a entrada de concorrentes, enquanto muitas barreiras di�cultam a entrada de concorrentes; 124 Poder de barganha dos fornecedores: refere-se ao nível de poder de negociação em relação aos fornecedores. Esse nível de poder é maior para aquele que possui maior número de opções e/ou tem menos a perder caso a relação termine; Poder de barganha dos clientes: refere-se ao nível de poder de negociação em relação aos clientes. Nesse caso, os clientes desejam pagar menos ou ter maior qualidade na aquisição. Tais fatos só ocorrem se houver uma maior quantidade comprada e/ou o quanto os clientes estão bem informados e, ainda, se estão dispostos a experimentar outras opções; Ameaça de produtos substitutos: a organização está sujeita ao aparecimento de outros produtos ou serviços a partir de processos de inovação por organizações concorrentes; Intensidadeda rivalidade entre organizações concorrentes: os itens citados anteriormente podem gerar rivalidade entre as organizações, fazendo com que haja ataques entre elas. Também existe a possibilidade de existir uma diplomacia pací�ca, até com a formação de alianças entre as organizações. Por �m, a Teoria da Contingência é considerada a mais recente dentre as Teorias Administrativas. Sua abordagem é vasta e abrange diversos pontos. Nesta aula, estudamos sua contribuição para a organização a partir do estudo do Ambiente, Modelo Contingencial de Motivação e de Estratégia Organizacional. Aqui, foi realizada uma breve apresentação sobre a Teoria da Contingência, e ainda é possível fazer um aprofundamento nos detalhes dessa teoria. Acesse o vídeo no link: Disponível aqui Recomendo o vídeo: “Matriz BCG: o que é? Como funciona a Matriz BCG?” 125 https://www.youtube.com/watch?v=vH_CISVbkPg Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: Conjunto de condições do ambiente: tecnológicas, legais, políticas, econômicas, demográ�cas, ecológicas e culturais. Modelo Contingencial de Motivação. Estratégia Organizacional: Matriz BCG e Cinco Forças de Porter. 126 16 Perspectivas Contemporâneas da Administração 127 Nesta última aula, abordaremos as Perspectivas Contemporâneas da Administração, que podem ser tratadas como “Novas abordagens da Administração”. Portanto, serão diversos tópicos constantemente tratados na administração das organizações atualmente. Dentre os pontos que serão tratados, estão: Era da Informação, Tecnologia da Informação, Inovação, Melhoria Contínua, Qualidade Total, Benchmarking, Gestão de Projetos, Gestão de Conhecimento, Estratégia Organizacional, Sustentabilidade, Governança Corporativa, Surgimento de Comunidades Virtuais e, por �m, Planejamento, Organização, Direção e Controle. Destaca-se que esses tópicos estão intimamente relacionados ao aspecto de competitividade das organizações no mercado. Nesse sentido, essa teoria possui ênfase na competitividade das organizações. Era da Informação Desde 1990, o mundo entrou na Era da Informação quando, meio das novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), o modo de interação entre as pessoas na sociedade mudou drasticamente e continua mudando no decorrer dos anos. Nesse contexto, na Era da Informação também existe forte alteração na forma de gestão utilizada nas organizações devido à in�uência dessas tecnologias. Tecnologia da Informação Nos últimos anos, têm sido criados diferentes sistemas para otimizar a gestão tanto em grandes quanto em pequenas organizações. Tal fato se dá principalmente pela invenção dos computadores, dos celulares inteligentes (smartphones) e do grande avanço da internet. Entre tais sistemas, estão: controle de estoque e controle de clientes, controles �nanceiros, entre tantos outros. Além disso, destaca-se que a evolução da capacidade desses sistemas aumentou consideravelmente desde o seu surgimento. 128 Atualmente, a tecnologia, por meio da automação, dos sistemas de informação e do comércio eletrônico, entre outros fatores, tende a continuar impactando e transformando de modo robusto os modelos de gestão presentes nas empresas. Entre as grandes tendências nessa linha de tecnologia, está a Inteligência Arti�cial (IA), já presente em diversas organizações no mundo todo. Inovação O termo “inovação” tem como signi�cados: 1. Ato ou efeito de inovar; 2. Aquilo que constitui algo de novo; 3. Desenvolvimento e uso de novos produtos, métodos ou conceitos (DICIONÁRIO PRIBERAM, 2019). De acordo com Schumpeter (1975), em sua Teoria do Ciclo Econômico, com a inovação, tem-se o novo, e o velho é destruído porque �ca obsoleto. Ainda segundo o autor, a inovação é uma atitude empreendedora que busca obter lucro. Conforme aponta Chiavenato (2014), existem três tipos de inovação: inovação evolucionária (ocorre de modo gradativo), inovação revolucionária (em pouco tempo gera profundas mudanças) e inovação disruptiva (tecnologia ou produto inferior e mais barato que os líderes de mercado com o objetivo de atingir um espaço no mercado ainda não ocupado). Melhoria Contínua A melhoria contínua é uma ferramenta de mudança organizacional suave e contínua, focada nas atividades em grupo. Tem como objetivo a qualidade dos produtos e serviços em programas de longo prazo com um processo de melhoria gradual. É considerada uma abordagem incremental e participativa para alcançar o ponto ótimo de qualidade dos produtos (CHIAVENATO, 2014). 129 Qualidade Total É decorrente da Melhoria Contínua, sendo que a Melhoria Contínua é aplicável apenas para os produtos e serviços da organização, ou seja, somente no nível operacional. Já a Qualidade Total objetiva aplica o signi�cado de qualidade em toda a organização (CHIAVENATO, 2014). Nesse contexto, a palavra “qualidade” tem como sentido atender às exigências do cliente (OAKLAND, 1964). Conforme Chiavenato (2014), tanto a Melhoria Contínua quanto a Qualidade Total são ferramentas incrementais para desenvolvimento contínuo da qualidade de processos e produtos na organização e são formadas pelas seguintes etapas: 1) Escolha de uma área de melhoria; 2) De�nição de equipe de trabalho que tratará da melhoria; 3) Identi�cação dos benchmarks; 4) Análise do método atual; 5) Estudo piloto da melhoria e 6) Implementação das melhorias. Benchmarking Trata-se de uma ferramenta que tem por objetivo realizar uma avaliação contínua de produtos, serviços e práticas de organizações concorrentes que possuem alta participação no mercado (ROTHMAN, 1992). Essa ferramenta permite realizar um processo de melhoria nos produtos, serviços e processos da organização a partir da observação de seus concorrentes. 130 Gestão de Projetos Grande parte das organizações possui um rol de operações (trabalhos constantes) e projetos (trabalhos únicos e temporários) que muitas vezes estão relacionados. Os projetos são planejados, executados, controlados e compostos por pessoas e recursos limitados. A quantidade de tempo, pessoas e recursos varia em função de cada projeto, e projetos podem ser aplicados em qualquer organização e em qualquer nível da organização. Por �m, projeto equivale a algo que não foi realizado antes, o qual é único e singular (CHIAVENATO, 2014). Gestão do Conhecimento A Gestão do Conhecimento, conhecida em inglês como Knowledge Management, refere- se ao capital intelectual existente na organização. Nesse sentido, o conhecimento tem sido tratado como algo extremamente importante no contexto das organizações, sem o qual ela não conseguiria obter bons resultados. Portanto, tem sido necessário criar mecanismos para melhor gerir o conhecimento existente dentro da organização, de modo a obter melhores resultados. Destaca-se que o capital intelectual é um ativo intangível e deve ser mensurado no valor de uma organização. Estratégia Organizacional Segundo Chiavenato (2014), estratégia é o plano que reúne os objetivos da organização com as ações e políticas por ela feitas de forma coerente. Ainda, segundo o autor, a formulação de uma boa estratégia leva à possibilidade de a organização se antecipar às possíveis alterações no ambiente em que atua, e que quanto mais o ambiente é dinâmico e mutável, mais importante se torna o uso de estratégia para o alcance dos objetivos da organização. 131 Sustentabilidade O conceito de Sustentabilidade baseia-se em um tripé composto pelos pontos econômico, social e ambiental. Esse conceito signi�ca que a produção de bens e serviços pela sociedade deve ser feito de modo sustentável, ou seja, respeitando princípios econômicos, sociais e ambientais. Caso esse tripé não esteja equilibrado, a sociedade passa a sentir diferentes impactos negativos. Assim, é necessário que os sistemas produtivos respeitem tais pontos em busca de uma longa duração da execução de suas atividades. Governança Corporativa De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Governança Corporativaé [...] o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de �scalização e controle e demais partes interessadas. (IBGC, 2019). Segundo Chiavenato (2014), a Gestão Corporativa está cada vez mais forte devido a(o): 1. Separação entre propriedade e administração (entre quem é dono do capital e aquele pro�ssional que administra o capital); 2. Pulverização do capital (capital por meio de investimentos em diversas áreas); 3. Surgimento das sociedades anônimas (grande volume de acionistas); 4. Necessidade de transparência (apresentar os balanços e demonstrativos da organização); 5. Monitoramento da atividade administrativa e avaliação dos resultados (avaliação do retorno dos investimentos) e 6. In�uência de stakeholders (expectativa do público externo). 132 Planejamento, Organização, Direção e Controle No contexto administrativo das organizações, tem sido fundamental a utilização de ferramentas tais como Planejamento, Organização, Direção e Controle para o gerenciamento de suas operações e projetos. Contudo, conforme aponta Chiavenato (2014), nos últimos anos cada uma dessas ferramentas tem sofrido algumas mudanças: Planejamento: sempre teve como objetivo diminuir a incerteza nas organizações, contudo, atualmente, no planejamento, aceitam-se as situações de incerteza, e como forma de desa�á-las, criatividade e a inovação são utilizadas. Organização: sempre foi a plataforma que sustentou a organização, sendo que em um contexto de ambiente estável e previsível, é possível manter a realização de bons produtos e serviços. Entretanto, em ambientes instáveis é preciso que a organização se remodele, levando em consideração a desmisti�cação da ideia de controle central a partir do topo e rede�nição da relação de hierarquia (utilização do ambiente de redes). Direção: assim como os dois tópicos anteriores, a direção também passa por um processo de reformulação de conceitos, em que se entende que o modo de atuação dos administradores deve ser revisto e rede�nido. Os administradores não devem mais ser os únicos membros que possuem o papel de manter o espírito de equipe e de comandar a organização. Nessa linha, deve haver uma maior liberação de autonomia por parte dos administradores para o restante da organização. Controle: passou por mudanças no sentido de haver maior quantidade de restrições e limitações de seu uso para que seja possível a presença de autonomia das pessoas nas organizações. Nos últimos anos, ganhou destaque no processo de retroação do sistema. 133 Acesse o vídeo no link: Disponível aqui Recomendo um vídeo sobre “Criatividade e Inovação nas Empresas”. Acesse o vídeo no link: Disponível aqui Assista ao vídeo “Benchmarking na prática: 15 passos essenciais de sucesso”. Este vídeo tem como objetivo complementar o conteúdo visto sobre a importante ferramenta que é o Benchmarking, apresentando os tipos existentes e os passos necessários para a sua aplicação. 134 https://www.youtube.com/watch?v=lAshS8-1Xuc https://www.youtube.com/watch?v=V5bWEfAE_dE Para �nalizar esta aula e gabaritar o conteúdo desta disciplina, é importante que você se lembre dos seguintes pontos: Tecnologia da Informação Inovação Qualidade Total Benchmarking Gestão de Projetos Gestão do Conhecimento Sustentabilidade Governança Corporativa 135 Material Complementar Introdução à Teoria Geral da Administração Autor: Idalberto Chiavenato Ano: 2014 Editora: Manole Sinopse: Grande parte do conteúdo apresentado nas aulas encontra-se no livro de Introdução à Teoria Geral da Administração, do autor Idal- berto Chiavenato, que realiza uma abordagem profunda e detalhada sobre cada uma das Teorias Administrativas. LIVRO Steve Jobs Ano: 2015 Sinopse: O filme destaca momentos decisivos na vida de Steve Jobs, desde o lançamento do primeiro Macintosh, em 1984, e a criação da empresa NeXT Inc, doze anos depois e do iPod, no ano de 2001. Fatos da vida pessoal de Jobs também são revelados, especialmente o con- turbado relacionamento com sua primeira filha Lisa. Comentário: Esse filme apresenta vários pontos relacionados com a administração de uma organização, podendo observar diferentes fases desde a sua criação. Além disso, pode-se observar em diversos momen- tos o relacionamento entre o gestor e a sua equipe. Assim, é possível que você faça uma análise dos acontecimentos do filme a partir das diversas teorias estudadas neste curso. FILME No site Administradores.com e no site Sobre Administração, você vai encontrar diversas matérias sobre diferentes conteúdos relacionados ao campo da Administração: Empreendedorismo, Marketing, Recursos Humanos, Gestão de Projetos, entre outros. Administradores.com: <https://administradores.com.br/> Sobre Administração: <http://www.sobreadministracao.com/> O site rh.com.br tem o mesmo objetivo que os dois sites anteriores, porém, apenas com foco em Gestão de Pessoas: <http://rh.com.br/> WEB 136 Conclusão Caro(a) aluno(a), nesta disciplina, foi apresentada uma introdução aos con- ceitos iniciais de administração e, por conseguinte, diversas Teorias Ad- ministrativas presentes ao longo da história. Destaca-se que o objetivo da abordagem de cada aula neste livro foi apresentar uma visão geral sobre as teorias e, nesse sentido, torna-se possível um aprofundamento e um detalhamento maior de cada uma delas. Você absorveu que a construção do conhecimento administrativo como uma ciência foi sendo formada por diversos profissionais de diferentes áre- as do conhecimento. No primeiro momento, houve uma forte atuação de engenheiros, pois nessa fase buscava-se apenas o aumento da produção. Posteriormente, houve a participação de cientistas sociais no processo de compreender a motivação e o comportamento humano, investigando esses fatores no ambiente da organização. Ademais. o estudo administrativo das organizações também contou com a colaboração de economistas por ser uma área muito próxima à administração. Nesse emaranhado de Teorias Administrativas ao longo do século XX, foi possível perceber que em muitos casos uma teoria surgiu em função de possíveis falhas de outras teorias. Já em outros casos, houve teorias que surgiram no sentido de complementar e dar sequência na teoria anteces- sora. Portanto, verifica-se que assim se foi construindo o modelo de admi- nistração aplicado nas organizações atuais. Durante o estudo das Teorias Administrativas, é perceptível também que sua evolução se deu primeiramente com ênfase nas tarefas e na estrutura, seguido de uma preocupação nas pessoas. Também houve linhas de es- tudos que tinham ênfase no ambiente da organização, e existem estudos que abordam outros tipos de ênfase no processo administrativo, tendo em vista a existência de outras teorias do campo administrativo que não foram abordadas neste livro. 137 É interessante observar que a Administração como ciência, iniciada por Taylor em 1903 com a publicação do livro “Shop Management”, é relativa- mente recente quando comparamos com outras áreas do conhecimento como Física, Química, Direito e Economia. Porém, é inegável a contribuição das Teorias Administrativas apresentadas neste livro para o avanço da so- ciedade, tanto em termos de otimização das organizações quanto para a preocupação com o bem-estar do trabalhador. Por fim, espera-se que o estudo deste livro tenha contribuído para a sua formação e conhecimento sobre a Administração e a evolução do pensa- mento Administrativo. Sucesso, sempre! 138 Referências BAUER, R. 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Rio de Janeiro: FGV, 1971. 140 Sumário aula-01 aula-02 aula-03 aula-04 aula-05 aula-06 aula-07 aula-08 aula-09 aula-10 aula-11 aula-12 aula-13 aula-14 aula-15 aula-16