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1 TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO Prof. Dr. Robinson Henrique Scholz 2 TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO PROF. DR. ROBINSON HENRIQUE SCHOLZ 3 Diretor Geral: Prof. Esp. Valdir Henrique Valério Diretor Executivo: Prof. Dr. William José Ferreira Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Profa Esp. Cristiane Lelis dos Santos Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Profa. Esp. Imperatriz da Penha Matos Revisão Gramatical e Ortográfica: Profª. Bruna Salles Revisão técnica: Profª. Ana Cristina Ferreira Revisão/Diagramação/Estruturação: Clarice Virgilio Gomes Prof. Esp. Guilherme Prado Lorena Oliveira Silva Portugal Design: Bárbara Carla Amorim O. Silva Daniel Guadalupe Reis Élen Cristina Teixeira Oliveira Maria Eliza P. Campos Victor Lucas dos Reis Lopes © 2022, Faculdade Única. Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autoriza- ção escrita do Editor. Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920. 4 TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO 1° edição Ipatinga, MG Faculdade Única 2022 5 Doutor em Ciências Sociais pela Universi- dade do Rio dos Sinos. Mestre em Ciências So- ciais e Bacharel em Administração: Hab. Recur- sos Humanos ambos pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Especialista em Docência Uni- versitária na Contemporaneidade, pela Univer- sidade de Caxias do Sul. Professor universitário nas áreas de Administração e de Ciências So- ciais. Estágio de Pós-doutoramento (2021-2021) em Memória Social e Bens Culturais na Univer- sidade La Salle. Professor conteudista EaD, com larga experiência como professor formador e produtor de conteúdo. Possui certificação Goo- gle for Education - Nível I e II. Pesquisador no Grupo de Pesquisa Tecnologias Sociais, Inova- ção e Desenvolvimento - TESSIDO, potenciali- zando os estudos sobre liderança em organiza- ções autogestionárias. Tem experiência na área de administração e gestão social, atuando prin- cipalmente nos seguintes temas: empreende- dorismo, economia solidária, administração, sociologia, cultura, autogestão, memória social, gestão de pessoas, liderança e gestão socioam- biental. ROBINSON H. SCHOLZ Para saber mais sobre a autora desta obra e suas quali- ficações, acesse seu Curriculo Lattes pelo link : http://lattes.cnpq.br/3396340286949330 Ou aponte uma câmera para o QRCODE ao lado. 6 LEGENDA DE Ícones Trata-se dos conceitos, definições e informações importantes nas quais você precisa ficar atento. Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a seguir: São opções de links de vídeos, artigos, sites ou livros da biblioteca virtual, relacionados ao conteúdo apresentado no livro. Espaço para reflexão sobre questões citadas em cada unidade, associando-os a suas ações. Atividades de multipla escolha para ajudar na fixação dos conteúdos abordados no livro. Apresentação dos significados de um determinado termo ou palavras mostradas no decorrer do livro. FIQUE ATENTO BUSQUE POR MAIS VAMOS PENSAR? FIXANDO O CONTEÚDO GLOSSÁRIO 7 UNIDADE 1 UNIDADE 2 UNIDADE 3 UNIDADE 4 SUMÁRIO 1.1 Introdução à Teoria Geral da Administração ..............................................................................................................................................................................................................10 1.2 Administração Científica .........................................................................................................................................................................................................................................................10 1.3 Teoria Clássica ..................................................................................................................................................................................................................................................................................13 1.4 Fordismo .............................................................................................................................................................................................................................................................................................16 FIXANDO O CONTEÚDO .................................................................................................................................................................................................................................................................19 2.1 Teoria das Relações Humanas .............................................................................................................................................................................................................................................23 2.2 Teoria da Motivação de Maslow ........................................................................................................................................................................................................................................25 2.3 Teoria Comportamental de Herzberg ...........................................................................................................................................................................................................................27 FIXANDO O CONTEÚDO .................................................................................................................................................................................................................................................................31 3.1 Teoria da Burocracia ...................................................................................................................................................................................................................................................................36 3.2 Poder, Estrutura e Organização ........................................................................................................................................................................................................................................38 3.3 Teoria Estruturalista ....................................................................................................................................................................................................................................................................41 FIXANDO O CONTEÚDO ...............................................................................................................................................................................................................................................................44 ABORDAGEM CIENTÍFICA ABORDAGEM HUMANÍSTICA ABORDAGEM ESTRUTURALISTA 4.1 Conceitos de Sistemas .............................................................................................................................................................................................................................................................49 4.2 Parâmetros dos Sistemas .......................................................................................................................................................................................................................................................514.3 Teoria Geral Dos Sistemas .....................................................................................................................................................................................................................................................53 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................................................................................................................................................................................................56 ABORDAGEM SISTÊMICA 5.1 Características da Abordagem Contingencial .........................................................................................................................................................................................................60 5.2 Forças Externas .............................................................................................................................................................................................................................................................................62 5.2.1 Fatores Econômicos ................................................................................................................................................................................................................................................................63 5.2.2 Fatores Sociais/Culturais .......................................................................................................................................................................................................................................................63 5.2.3 Forças Tecnológicas ...............................................................................................................................................................................................................................................................64 5.2.4 Forças Políticas/Legais ..........................................................................................................................................................................................................................................................64 5.2.5 Forças Demográficas .............................................................................................................................................................................................................................................................65 5.2.6 Forças Ecológicas ....................................................................................................................................................................................................................................................................65 5.3 Contribuições à Administração .........................................................................................................................................................................................................................................66 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................................................................................................................................................................................................69 ABORDAGEM CONTINGENCIAL UNIDADE 5 6.1 ESG .........................................................................................................................................................................................................................................................................................................74 6.2 Big Data .............................................................................................................................................................................................................................................................................................76 6.3 Trabalho Remoto e Jornada Híbrida .............................................................................................................................................................................................................................78 FIXANDO O CONTEÚDO.................................................................................................................................................................................................................................................................82 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO........................................................................................................................................................................................................................87 REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................................................................................................................................................................88 TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS UNIDADE 6 8 O N FI R A N O L I C V R O UNIDADE 1 A Unidade I apresenta uma breve introdução à administração, bem como ressalta a importância dos estudos da Administração Científica, da Teoria Clássica e do Fordismo, sendo estudos precursores nas teorias organizacionais. UNIDADE 2 A Unidade II explora os conteúdos teóricos relacionados à abordagem humanística na administração, tendo como foco os estudos da Teoria das Relações Humanas, a Teoria da Motivação desenvolvida por Maslow e a Teoria Comportamental difundida por Herzberg. UNIDADE 3 A Unidade III analisa as bases teóricas da Abordagem Estruturalista, que enfatiza a importância da organização e da estrutura organizacional, com o desenvolvimento da Teoria da Burocracia, o uso do poder nas relações de comando e de trabalho, além dos estudos da Teoria Estruturalista. UNIDADE 4 A Unidade IV concentra os estudos da Teoria Geral dos Sistemas, analisando a importância dos parâmetros que orientam os processos sistêmicos de gestão, bem como os principais conceitos e potencialidades de aplicação nas organizações. UNIDADE 5 A Unidade V discorre sobre a Abordagem Contingencial nas organizações, a qual dá ênfase às forças externas que impactam o desempenho das empresas, além de suas contribuições utilizadas até hoje na gestão contemporânea. UNIDADE 6 A Unidade VI analisa as tendências contemporâneas aplicadas à administração de empresas, apresentando conteúdos relativos ao investimento ESG e suas relações com a sustentabilidade, a contribuição do Big Data na gestão de dados e, por fim, o modelo de trabalho remoto e a jornada híbrida nas empresas. 9 ABORDAGEM CIENTÍFICA 10 1.1 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO 1.2 ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA Os estudos organizacionais são recentes, historicamente, se em comparação com a medicina ou a matemática. A importância de se desenvolver pesquisas e processos gerenciais nas instituições tomam maior força e necessidade com o surgimento da moeda, as revoluções francesa e industrial, como também a expansão da urbanização na Europa e nos Estados Unidos. Desta forma, pensar em soluções práticas para as indústrias, foco das primeiras pesquisas realizadas sobre a administração de empresas, foi uma necessidade do mercado, não apenas um desejo ou vontade de se modelar novos negócios. A carência de controle sobre a produção, qualidade no serviço prestado, gestão de conflitos entre os trabalhadores e, claro, a demanda do mercado, foram alvo das primeiras teorias da administração, dando origem à Teoria Geral da Administração. Assim, vamos começar nossos estudos compreendendo o cenário em que a Administração Científica se desenvolve, sendo a primeira teoria da administração a ser sistematizada, validada e que ainda é utilizada, em muitos casos, em diferentes tipos de organizações.A Administração Científica foi iniciada pelos estudos do engenheiro Frederick Winslow Taylor (1856- 1915) nos Estados Unidos. A ênfase dada nesses estudos estava centrada em resultados e, portanto, no aumento da produtividade. Em outras palavras, a responsabilidade dos administradores era focar nos objetivos organizacionais no sentido de potencializar ao máximo os resultados. Ao desenvolver suas pesquisas sobre o processo fabril, Taylor observou algumas situações recorrentes que afetavam o desenvolvimento do trabalho, tanto por parte dos operários, quanto por parte dos proprietários das indústrias. As situações observadas foram (CHIAVENATO, 2002): • Os trabalhadores das empresas, de forma geral, mantinham pouca comunicação e interação entre si; • Ausência de incentivos aos operários pelo trabalho desenvolvido, os quais não tinham clareza de metas a serem alcançadas; • Os operários desenvolviam o seu trabalho até o limite de seus esforços, produzindo apenas o necessário para não perderem os seus empregos. A partir disso, Taylor propõem um método de trabalho nos processos produtivos, que consistia em dividir as atividades ao máximo, decompondo cada etapa produtiva, para que cada uma delas pudesse ser monitorada a partir do tempo necessário para a sua execução. Dessa forma, gerenciar o tempo e movimento de cada tarefa era possível eram processos que objetivavam a eficiência produtiva. 11 Mas, não foi somente isso. Taylor propôs em seu método de trabalho a divisão das tarefas e responsabilidades aos operários, em que cada um deles era especialista em uma atividade, no sentido de aumentar a sua capacidade de operação diária. Com isso, cada trabalhador recebia pela produção diária executada, e não somente pelo tempo disponibilizado à empresa. Este incentivo ampliava a alienação do operário ao trabalho; mas, por outro lado, disponibilizada maiores ganhos no seu salário. Ao empregar técnicas de observação, análise crítica e pensamento lógico, Taylor, pela primeira vez, trouxe à atividade laboral uma conotação mais científica. Estava surgindo aí o movimento que hoje conhecemos como Administração Científica, corrente que propôs ideias um tanto revolucionárias para a época. Continuando, a teoria da Administração Científica (ou Taylorismo) propõe quatro princípios básicos que orientam o desenvolvimento das organizações, que são (MAXIMIANO, 2012): 1. Princípio de Planejamento: examinar cada tarefa cientificamente para determinar a “melhor maneira” de realizar o trabalho. Essa é uma mudança fundamental em relação ao “método” anterior, por meio do qual os trabalhadores definiam suas próprias maneiras de fazer o trabalho. 2. Princípio de Preparo: contratar os trabalhadores certos para cada trabalho e treiná- los para trabalhar com eficiência máxima. 3. Princípio de Controle: monitorar o desempenho do trabalhador, fornecendo orientações e treinamento quando necessário; 4. Princípio de Execução: dividir o trabalho entre a gerência e a produção para que a gerência possa planejar e treinar os trabalhadores. Figura 1: Frederick Winslow Taylor Fonte: Disponível em: https://bit.ly/36bRE4h. Acesso em: 20 nov. 2022. Ao dividir responsabilidades, Taylor acreditava que, caso a produtividade resultante do trabalho executado pelos trabalhadores não fosse o almejado, eles não eram responsa- bilizados. Isso porque quem definia as instruções e as próprias tarefas eram os adminis- tradores. FIQUE ATENTO 12 Em relação aos Princípios da Administração Científica, a preocupação era em racionalizar, padronizar e prescrever normas de conduta. Os gestores deveriam ser os responsáveis pelo controle das principais atividades gerenciais da organização (CHIAVENATO, 2002). Na Administração Científica, a busca pela substituição de métodos empíricos e rudimentares pelos métodos científicos em todas as etapas dos processos recebeu o nome de Organização Racional do Trabalho (ORT). Veja os principais aspectos da ORT no quadro a seguir: Para que você possa estudar mais sobre o assunto, acesse no livro Teoria Geral da Administração, o subcapítulo 2.1 – Administração Científica, na página 56 e amplie os seus conhecimentos. Disponível no link: https://bit.ly/3I4Vv02. Acesso em: 22 nov. 2021 BUSQUE POR MAIS Característica Descrição Análise do Trabalho e Estudo dos tempos e movimentos Tarefas foram estudadas para verificar quais movimentos eram necessários para sua execução, bem como qual o tempo médio para a sua realização. Assim, Taylor buscou simplificar esses movimentos a fim de diminuir o seu tempo de duração, devendo esses movimentos serem seguidos pelos demais funcionários. Estudo da fadiga humana Taylor observou que a execução de movimento repetitivo levava o funcionário ao cansaço prematuro, repercutin- do na diminuição da produtividade. Assim, por meio da organização das tarefas e do local de trabalho, acreditava na redução do esforço laboral (fadiga). Divisão do trabalho e espe- cialização do operário Para qualificar os funcionários, Taylor dividiu as tarefas em pequenas etapas. Isso oportunizou aos seus funcio- nários se especializarem rapidamente, repercutindo no aumento de produtividade. Desenho de cargos e tarefas Taylor tinha grande preocupação com produtividade, e, por isso, centrava-se nos Cargos e Tarefas. Tarefa sendo a atividade a ser realizada e Cargo o conjunto de tarefas. Assim os cargos eram criados com base nas tarefas, que deveriam ser simplificadas para que seus funcionários a realizassem com especialização e maior produtividade. Incentivos salariais e prêmios de produção O trabalhador, ao realizar suas tarefas, poderia ser incen- tivado a aumentar a sua produtividade através de incen- tivos financeiros. Conceito de homo economicus O pensamento da época era que o homem trabalhava pelo ganho financeiro exclusivamente. Não havia a ideia de que o colaborador gostasse da sua atividade profis- sional. 13 Para muitos pesquisadores, Taylor foi um visionário em sua época. Foi inegável sua preocupação com a prosperidade tanto do patrão quanto dos trabalhadores. Porém, como qualquer filosofia, a sua aplicabilidade foi relacionada aos problemas organizacionais da época, que se direcionavam a técnicas de execução dos processos. Ele não levou em consideração o bem-estar dos colaboradores a longo prazo. No entanto, como uma ciência, foi analisada, avaliada e criticada, oportunizando novos pensamentos e ideias a respeito dos problemas organizacionais que foram surgindo posteriormente. De forma geral, os esforços centravam-se na tarefa, no sentido de mensurar os tempos e movimentos de cada etapa do processo, a eficiência e a eficácia nos resultados (CHIAVENATO, 2002), bem como a distribuição das atividades em cargos que pudessem estar sob supervisão constante em uma estrutura organizacional, dando origem à Teoria Clássica. Condições ambientais de trabalho Taylor, em seus estudos, percebeu que não bastava somente condições humanas no ambiente de trabalho. Havia necessidade de organização para aumento de eficiência tais como: equipamentos, localização das má- quinas, iluminação, ventilação, entre outros, referentes a estrutura física de uma organização. Padronização de métodos de trabalho e ferramentas Taylor buscou unificar tarefas, padronizar máquinas, ferramentas, matérias-primas entre outros itens necessá- rios na produção. Supervisão funcional Para Taylor as tarefas deveriam ser supervisionadas nas mais diversas áreas por pessoas especializadas naquela tarefa. Assim como cada trabalhador deveria realizar pe- quenas etapas de um processo, deveria haver supervisão para cada uma delas. Quadro 1: Características da Organização Racional do Trabalho (ORT) Fonte: Chiavenato (2002). 1.3 TEORIA CLÁSSICA Os estudos de Jules Henri Fayol (1841-1925) foram desenvolvidos na Europa, dando origem à Teoria Clássica. Uma característica dessa teoria é a ênfase na estrutura organizacional, sendo um importante auxílio aosadministradores na distribuição das atividades em cargos e funções. Figura 2: Jules Henri Fayol Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3vX6qXa. Acesso em: 22 nov. 2021. 14 Mas você deve estar se perguntando: como Fayol chegou a pensar no organograma e na estrutura organizacional? Pois bem, na Teoria Clássica, a função administrativa era a mais importante de todas as possíveis funções exercidas por uma organização. Fayol definiu cada um dos seus componentes, conforme detalha Maximiano (2012): • planejamento: relacionado à previsão. Tinha como propósito examinar o futuro e desenvolver um plano de ação de médio e longo prazo; • organização: relacionado ao desenvolvimento de uma estrutura humana e material responsável pela realização do empreendimento (objetivo: fim do negócio); Fayol desenvolveu os seus estudos sobre o método científico aplicado à administração de empresas ao longo de sua vida. Ao comparar os estudos de Fayol com os de Taylor, é possível percebermos que Fayol desenvolveu seus estudos de forma contrária à daquele estudioso. Os estudos de Taylor, por um lado, se iniciam a partir da visão fragmentada da tarefa, enquanto Fayol progrediu a sua compreensão sobre a estrutura organizacional, do topo da pirâmide até a sua base durante as suas pesquisas. Como havia um grande número de trabalhadores especialistas na execução de tarefas nas indústrias, reflexo do Taylorismo, os pesquisadores desenvolvem os estudos sobre a racionalidade limitada, ou seja, cada trabalhador possui conhecimentos e responsabilidades específicas de sua função, sob o monitoramento de seu supervisor direto (CHIAVENATO, 2002). De modo específico, Fayol sugere que a Administração precisa ser desenvolvida como uma função à parte nas organizações e identifica uma lista de seis funções principais da gestão. Você quer saber quais são essas seis funções? Acompanhe: • Técnicas: relacionadas à manufatura e produção de bens; • Comerciais: relacionadas com as transações de compra, venda e troca; • Financeiras: direcionadas à busca pelo bom uso do capital; • De segurança: relacionadas à proteção das pessoas e dos bens materiais; • Contábeis: vinculadas ao controle e registro das despesas da organização; • Administrativas: relacionadas à previsão, comando, controle, organização e coordenação. É importante destacar que a sexta função (administrativa), segundo Fayol, funciona como uma espécie de agrupamento das demais funções. Dessa forma, ela se propõe a integrar todas as operações da organização, a partir da coordenação e sincronização das cinco funções anteriores (SILVA, 2013). Fayol argumentava que esta função é a mais relevante de todas, sendo alvo de concentração de poder e comando de decisão. Neste sentido, Fayol defende a constituição da estrutura organizacional, a qual promove a organização das tarefas executadas em cargos e estes, em áreas, e estas são distribuídas no organograma de acordo com as responsabilidades sobre a gestão da empresa. Quer saber mais sobre a Teoria Clássica? Ótimo! Acesse o livro Teoria Geral da Administração, o capítulo 5 – “A Teoria Clássica da Administração de Fayol” e amplie os seus conhecimentos. Disponível no link: https://bit.ly/3tKgujD. Acesso em: 22 nov. 2021. BUSQUE POR MAIS 15 • comando: relacionado ao propósito de manter os trabalhadores em atividade em toda a organização; • coordenação: relacionado ao propósito de reunir, sintetizar e harmonizar tarefas, esforços e funções ao alcance das atividades fins; e, • controle: vigiar para que se realizem as atividades de acordo com o planejado e as ordens. Assim, os estudos de planejamento, direção, execução e controle são ampliados, qualificados e organizados em processos, com a necessidade de supervisão constante e, por isso, a necessidade da estrutura organizacional (MAXIMIANO, 2012). A partir dessa estrutura, a organização pode definir os cargos e as responsabilidades de cada trabalhador a parte do seu grau de responsabilidades e de autoridade dentro da estrutura pensada em departamentos (ou as áreas funcionais, como hoje é muito utilizado). A estrutura é organizada de forma vertical, a partir da autoridade e responsabilidade de cada área e seus profissionais com seus cargos, bem como de forma horizontal, de acordo com as especificidades da área funcional (finanças, produção etc.). Por isso, muito usualmente, entendemos a estrutura organizacional em forma de pirâmide, em cujo topo está a alta direção, no centro as áreas táticas de gestão e, na base, a operação das tarefas. Além disso, Fayol propõe 14 princípios a serem aplicados na Administração das Empresas, no sentido de poder ampliar os resultados gerados e a produtividade. No século XXI, na era da contemporaneidade em que vivemos, os componentes da função administração ainda são empregados? Em que medida? VAMOS PENSAR? Princípio Definição Divisão do Trabalho Especialização dos colaboradores e gerentes para au- mentar a eficiência. Implica na separação dos poderes. Autoridade e Responsabilidade A autoridade pode ser estatutária, inerente à função e/ ou pessoal, derivada da inteligência, do saber e da expe- riência do chefe. A autoridade implica em responsabili- dade, devendo haver sanção (recompensa ou penalida- de) no exercício do poder. Disciplina Respeito às convenções estabelecidas entre a organiza- ção e seus empregados (convenções devem ser claras e equitativas para que as sanções sejam aplicadas). Unidade de Comando O empregado deve receber ordens de apenas um supe- rior. Princípio da autoridade única. Unidade de Direção Deve haver um só chefe e um só plano para um grupo de atividades que tenha o mesmo objetivo. Interesse Geral Subordinação dos interesses individuais aos interesses gerais. Remuneração do Pessoal A remuneração deve ser justa e garantir a satisfação para os empregados e empregador. 16 Para Fayol, os princípios orientam a atuação dos administradores e contribuem para o alcance dos objetivos do negócio. Agora, se você observar bem, os princípios ainda são utilizados nas empresas, em maior ou menor grau, dependendo do perfil e do contexto da organização, não é mesmo? Como Fayol foi um precursor dos estudos de Taylor, podemos considerar que também Fayol traz em seus estudos uma abordagem prescritiva e normativa (as empresas são tratadas de forma igualitária). Ele considerava a função administrativa como uma ciência que se baseia em leis ou princípios globalmente aplicáveis a todas as organizações de forma semelhante. Como principais críticas recebidas pelos estudiosos que analisaram seus estudos, destacam-se: a empresa como um sistema fechado; obsessão pelo comando; manipulação dos trabalhadores; a inexistência de fundamentação científica; abordagem apenas da organização formal; e visão mecanicista do trabalho (CHIAVENATO, 2002). A seguir, vamos tratar de outra teoria, o Fordismo, que teve uma grande contribuição aos estudos da administração em todo o mundo. Centralização Concentração da autoridade. Nos pequenos negócios, em que as ordens do chefe vão diretamente aos agen- tes inferiores, a centralização é absoluta; nas grandes empresas o chefe está separado dos empregados su- balternos por longa hierarquia havendo intermediários obrigatórios. Hierarquia ou Cadeia Escalar Linha de autoridade do escalão superior ao inferior. As comunicações dão-se através de uma via hierárquica. Ordem Material: há um lugar para cada coisa e cada coisa deve estar em seu lugar. E ordem social: há um lugar para cada pessoa e cada pessoa deve estar em seu lugar. Equidade Justiça, não excluindo a energia e o rigor quando ne- cessário. Estabilidade e Duração do Pessoal A rotatividade tem um impacto negativo sobre a efici- ência da organização (empresa). Iniciativa Capacidade de montar um plano e assegurar seu su- cesso. União do Pessoal ou Espírito de Equipe O bom relacionamento entre as pessoas fortalece a organização. Entretanto, é indispensável observar a uni- dade de comando.Quadro 2: Princípios da Teoria Clássica Fonte: Chiavenato (2002, p. 108-109) 1.4 FORDISMO O fordismo é um sistema de organização do trabalho que se configura como uma evolução do Taylorismo. No Fordismo, a mecanização da produção e o preparo da gerência, característicos do sistema anterior, foram mantidos, mas foi incrementada uma nova tecnologia para acelerar a produção: a esteira rolante. Em 1914, Henry Ford, fundador da indústria Ford de veículos automotivos, criou o termo fordismo para descrever o modelo de produção capitalista empregado na sua empresa, caracterizado pelo conjunto de mudanças no processo de trabalho e pela 17 Figura 3: Henry Ford Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3hYW3du. Acesso em: 22 nov. 2021 introdução da primeira linha de montagem, revolucionando a indústria automobilística e constituindo o mercado de consumo em massa para os automóveis. Uma curiosidade: Ford nomeou os primeiros modelos de seus veículos em ordem alfabética, de A a S. O modelo de maior sucesso ficaria conhecido como “Ford T”. No início da trajetória da Ford, cada carro era produzido por equipes que, trabalhando em conjunto, levavam mais de 12 horas para concluir cada unidade. Ford tinha em sua concepção que desenvolver um único modelo de automóvel, com a mesma cor, tamanho, qualidade e capacidade de motor, aumentaria a sua rotina produtiva, a distribuição das tarefas, o fluxo produtivo, a simplicidade e o custo produtivos. Para Andrade e Amboni (2018, p. 61), três eram as premissas básicas desta metodologia de Ford: “o processo de produção deveria ser planejado, ordenado e contínuo; os trabalhadores deveriam receber o trabalho a ser feito; e os fluxos de operações deveriam ser avaliados de forma contínua, para evitar desperdícios e incrementar os níveis de eficiência”. Ou seja, os princípios de Ford eram a intensificação da produção; economicidade e produtividade em linha de montagem. O sistema americano conhecido como fordismo demonstrou a sua eficiência na condição de forma de extração de mais-valia, à medida que, a partir das suas relações de produção e das novas formas de organização do processo produtivo, foram concebidos e veiculados novos modos de vida, de comportamento, de valores ideológicos, na forma de buscar um consenso por meio da veiculação de uma nova concepção de mundo, de interesse do capital. Para que o operário fosse “fordizado”, foi preciso aliar ao plano científico do processo produtivo os novos mecanismos de adaptação ideológica “na” e “da” vida privada. Portanto, o sistema capitalista se consolidou de maneira global, reproduzindo as relações de dominação e exploração que separavam o capital do trabalho. Você pode compreender um pouco mais sobre as teorias até aqui apresentadas, bem como aprofundar-se nos conceitos do Fordismo, assistindo ao vídeo “O que é Fordismo?”, Disponível em: https://bit.ly/3pRibL2. Acesso em: 22 nov. 2021. BUSQUE POR MAIS 18 Esse modelo de fabricação se embasa na produção industrial em massa no sentido de se obter maior produtividade sobre o trabalho desenvolvido pelos operários nas indústrias. As tarefas eram fragmentadas e realizadas por etapas no processo produtivo de automóveis, potencializando a padronização da produção. Como um dos pontos fortes do Fordismo, podemos citar a inclusão das esteiras rolantes, as quais acarretavam a minimização dos custos e o aumento da produtividade; assim, os preços diminuíam. Porém, esse método acabava por desqualificar os funcionários. Por outro lado, no Fordismo, a jornada de trabalho foi limitada a 8 horas diárias, bem como o pagamento justo e melhor de salários aos operários. São características de produção no fordismo: • a padronização dos produtos; • a produção em grande escala; • o uso de linhas de montagem; e • a divisão do trabalho em pequenas tarefas. Assim, se observa as grandes contribuições de Ford à gestão da produção, oportunizando maior controle e produtividade às indústrias até os dias de hoje. 19 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (ENADE ADMINISTRAÇÃO - 2015). Uma organização é um sistema de recursos que procura alcançar objetivos. Cada pessoa e cada grupo de pessoas têm atribuições específicas que contribuem para isso. As funções organizacionais são as tarefas especializadas que as pessoas e os grupos executam para que a organização atinja seus objetivos. O princípio que permite superar as limitações individuais por meio da especialização é denominado: a) formalização. b) hierarquização. c) divisão do trabalho. d) amplitude de controle. e) processos de transformação. 2. (ENADE TEC. GESTÃO PÚBLICA- 2015). Apesar de afirmações teóricas de que a mudança é reconhecida como um processo emergente, substantivo, fluido e dinâmico, assentado nas pessoas, é fato também que os membros das organizações insistem em levá-la à prática segundo parâmetros de pensamento mecaniscistas, ou seja, de inspiração, de inspiração taylorista. Os modelos mantais que permeiam a gestão pública são um dos responsáveis por esse fenômeno. BERGUES, S. T. Gestão estratégica de pessoas no setor público. São Paulo: Atlas, 2014 (adaptado). No contexto apresentado, o pensamento mecanicista: I. baseia-se na estrutura organizacional. II. permite flexibilidade no processo de mudança. III. compreende a mudança como um processo linear. É correto o que se afirma em: a) II, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) I e III, apenas. e) I, II e III. 3. (CEBRASPE- 2021). Há um conceito, proposto pela administração científica, que aumenta a eficiência e contribui para diminuir custos de produção. Nesse contexto, cada departamento ou posto de trabalho executa as mesmas tarefas, de forma repetitiva, e, assim, o trabalhador se torna especialista na execução de suas atividades, com mais rapidez e maior produtividade. Para as organizações formais modernas, essas são características referentes ao conceito de: 20 a) divisão do trabalho. b) hierarquia. c) distribuição da autoridade e da responsabilidade. d) racionalismo. e) especialização. 4. (ADMINISTRAÇÃO- 2017). Frederick Taylor consolidou conceitos como a organização racional do trabalho, a divisão das tarefas e a especialização do trabalho, entre muitos outros que delinearam as estratégias produtivas utilizadas na época e que perduram até hoje. Acerca do conceito de divisão do trabalho, é correto afirmar que: I. Taylor estudou cada tarefa realizada no chão de fábrica e propôs a divisão delas. II. depois de divididas, cada operário faria uma parte do processo. III. esse operário teria domínio sobre toda a operação e o processo como um conjunto. IV. as tarefas da divisão do trabalho são colocadas em linha, resultando no material, ao final. Avaliando as assertivas, é possível AFIRMAR que: a) as afirmativas III e IV estão incorretas. b) a afirmativas II e III estão corretas. c) somente a afirmativa IV está incorreta. d) as afirmativas I e III estão corretas. e) somente a afirmativa III está incorreta. 5. (SUGEP- 2019). Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso dos recursos organizacionais para alcançar determinados objetivos de maneira eficiente e eficaz. A teoria administrativa que trata da Administração Científica tem como principal enfoque a racionalização do trabalho no nível operacional. Essa teoria tem como ênfase: a) as pessoas. b) as estruturas. c) as tarefas. d) o ambiente. e) a competitividade. 6. (CESGRANRIO- 2019). Um funcionário do curso de Administração de uma universidade comentou que o chefe de seu departamento conseguiu melhorar a produtividade do trabalho dos funcionários, utilizando técnicas de estudo de tempos e movimentos em que as tarefas foram divididas em seus movimentos básicos, e os diferentes gestos foram cronometrados para se determinar o modo mais eficiente de se completar cada uma delas. Com base nessa descrição, constata-se que a gestão desse chefe foi embasada na abordagem: 21 a) comportamental. b) contingencial. c) burocrática.d) da Administração Científica. e) da Administração Quantitativa. 7. (FGV – 2019). Administração Científica constituiu uma escola pioneira do pensamento administrativo, cujo principal expoente é Frederick Taylor. Um dos principais focos de atenção de Taylor foi a organização racional do trabalho, com vistas à eliminação do desperdício, da ociosidade e à redução dos custos de produção. Dentre as principais contribuições da Administração Científica, encontra-se: a) Proposição das funções administrativas: planejamento, organização, direção e controle. b) Formulação dos princípios gerais de organização. c) Introdução dos estudos sobre liderança, associada à supervisão. d) Introdução das primeiras normas de segurança do trabalho. e) Introdução da remuneração associada à produtividade do trabalhador frente a padrão de desempenho. 8. (CESPE- 2019). A teoria da administração científica, formulada por Frederick W. Taylor e outros, entre 1890 e 1930, buscava determinar cientificamente os melhores métodos de se realizar qualquer tarefa e para selecionar, treinar e motivar os empregados das organizações. Acerca dessa teoria, assinale a opção correta. a) Taylor desenvolveu um plano de três posições em que um empregado poderia, ao mesmo tempo, fazer suas tarefas atuais, preparar-se para um trabalho imediatamente superior e treinar seu sucessor. b) Um dos princípios no qual Taylor fundamentou sua teoria consiste na ideia de que a seleção de empregados deveria se dar com base em métodos científicos para que uma tarefa a ser realizada ficasse a cargo de alguém mais bem habilitado. c)Visando acompanhar o progresso de cada empregado, planejar e rever formalmente os custos e o andamento da produção, Taylor criou um sistema de gráficos para a programação da produção. d) Taylor investigou e sistematizou o comportamento do administrador em funções organizacionais e na organização como um todo. e) Taylor estabeleceu sua doutrina de administração com ênfase na visão do ser humano racional e social, motivado pelos ganhos financeiros e pelas relações sociais estabelecidas no ambiente de trabalho. 22 ABORDAGEM HUMANÍSTICA 23 Os estudos que centram o comportamento e o desempenho dos trabalhadores nas empresas ganham notoriedade a partir de 1930, com a Experiência de Hawthorne, na cidade Chicago, EUA. Elton Mayo (1880–1949) foi o pesquisador que aplicou quatro fases no processo produtivo da Fábrica da Western Electric Company. Para que você possa entender, Mayo queria testar o comportamento dos trabalhadores e os efeitos de produtividade por meio de incitações geradas no espaço e no processo de trabalho. Foram selecionados dois grupos, um grupo experimental, que recebeu alterações na rotina e no ambiente de trabalho (iluminação, ventilação, tempo de descanso entre turnos etc.) e um grupo controle, que mantinha a sua rotina de trabalho (CHIAVENATO, 2002). O experimento ocorreu no período de 1927 a 1933, na primeira fase, e durou até 1947, na segunda fase. Acompanhe cada uma das fases: 2.1 TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Figura 4: Exemplo de estruturas análogas Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3KEqiCv. Acesso em: 20 nov. 2022. Quadro 3: Fases da Experiência de Hawthorne Fonte: Chiavenato (2002) Fases Características 1ªFase Foram estudados dois grupos de trabalho que, operando em condições idênticas, tiveram sua produção constantemente avaliada. Um grupo teve suas condições ambientais mantidas e outro teve sua iluminação intensifica- da. Nesta fase não foram identificadas variações significativas de produção. 2ª Fase Foram selecionadas e convidadas seis moças de nível médio, constituindo- -se o grupo experimental. Das garotas, cinco delas montavam relés e a sexta apenas fornecia as peças necessárias. O grupo de controle era constituído pelo restante do departamento. Após diversas variações nas condições de trabalho, obtiveram resultados crescentes de produtividade. 3ª Fase Programa de entrevistas buscando mais conhecimentos sobre as atitudes e sentimentos do trabalhador (foram entrevistados 21.126 operários). Desco- briu-se a existência da organização informal (grupos informais). 4ª Fase Separação de um pequeno grupo experimental para avaliação de sua in- terferência no comportamento do grupo maior. Percebeu-se claramente o sistema de recompensa e punição dos grupos informais. 24 O estudo é considerado a origem da Escola das Relações Humanas. Isso se justifica pela geração do resultado ter demonstrado que entre os fatores mais importantes no desempenho individual de uma pessoa em seu ambiente de trabalho, estão as relações pessoais com os colegas e os administradores. Relacionando esse estudo com os conceitos predominantes da teoria da Escola Clássica, que não admitia relacionamentos informais, podemos imaginar o impacto do resultado da pesquisa: a introdução de um novo conceito à teoria da administração, que inseriu as relações informais, e sua influência nos objetivos organizacionais formais. A partir da experiência realizada por Mayo, houve algumas conclusões, que são: 1. Integração Social: as pessoas geram mais resultado quando se percebem como grupo e desenvolvem relações sociais entre si. 2. Trabalho em Grupo: as pessoas desenvolvem comportamentos apoiados no grupo de trabalho. 3. Grupos Informais: as pessoas se associam em grupos informais, não somente na equipe formal de trabalho. 4. Relações Humanas: são as práticas desenvolvidas por meio dos contatos sociais entre pessoas e grupos. 5. O conteúdo do cargo afeta a moral do trabalhador: trocas de cargos e funções aumentam a moral dos trabalhadores, evitando a monotonia da especialização em um cargo. 6. Ênfase nos aspectos emocionais: os comportamentos emocionais das pessoas merecem atenção nas organizações. De modo geral, Mayo passaria a concluir que os trabalhadores eram mais impactados pelos fatores sociais do que pelos fatores físicos do ambiente, e que o aumento na performance dos trabalhadores estava relacionado a um conjunto de variáveis complexas. Mayo também havia notado que os trabalhadores selecionados para o estudo haviam desenvolvido um senso de orgulho e de pertencimento que geraram maior produtividade, além de expressarem maior engajamento no desenvolvimento de suas funções. Além disso, os colaboradores que haviam recebido maior atenção e algum grau de autonomia por parte de seus supervisores também apresentaram níveis ainda maiores de participação e, consequentemente, de produtividade. O grupo de pesquisadores chamou esse aumento da motivação e da produtividade de “Efeito Hawthorne”. Além disso, a Escola das Relações Humanas também é hoje conhecida pelo entendimento do indivíduo enquanto homem social. Efeito Hawthorne: a ideia de que os trabalhadores terão melhor desempenho quando se sentirem prestigiados/importantes ou entenderem que a gerência está preocupada com o seu bem-estar. FIQUE ATENTO 25 A partir dos resultados da pesquisa de Mayo, a Teoria das Relações Humanas oportunizou que o ambiente de trabalho começasse também a ser estruturado de forma mais adequada, para que o convívio entre os trabalhadores e a prática do trabalho desempenhado pudessem ter resultados mais positivos, aumentando a competitividade e lucratividade. Portanto, esta é a maior contribuição dessa escola para os estudos em gestão de pessoas: a valorização do ser humano nas instituições, levando em consideração que as pessoas é que movimentam as empresas e que há a necessidade de compreender os fatores psicológicos e sociais que circulam entre elas. É interessante destacar que esses resultados propiciaram políticas de gestão de pessoas nas empresas, levando em consideração a valorização dos profissionais, o comportamento humano, a motivação, a liderança, o grupo de trabalho, as relações humanas e a comunicação. A motivação é como o resultado da interação do indivíduo com a situação que o envolve. A mesma pessoa pode ter diferentes níveis de motivação quevão variando de tempo em tempo, ou seja, em um momento. essa motivação pode estar mais presente e, em outra situação, ela pode estar menos motivada (CHIAVENATO, 2002, p. 163). FIQUE ATENTO Homem social é “um ser complexo cujo comportamento não pode ser reduzido a um esquema simples e mecanicista, como fez Taylor. Esse homem é, ao mesmo tempo, con- dicionado pelos sistemas sociais em que se insere e motivado a agir por necessidades de ordem biológica e psicossocial” (ANDRADE; AMBONI, 2018, p. 108). GLOSSÁRIO Em se tratando de motivação, o que te motiva a estudar, trabalhar ou, simplesmente viver? Pois bem, essas indagações também foram feitas por diversos pesquisadores, no sentido de compreender o comportamento humano e suas motivações. Para começar, vamos entender o que é a motivação. Segundo Maximiliano (2012, p. 190), “a palavra motivação deriva do latim motivus, movere, que significa mover”. Seguindo o pensamento do autor, em seu sentido original, esta palavra indica um processo no qual o comportamento humano é “estimulado, incentivado ou energizado por alguma razão ou motivo e também por um estado de disposição, interesse ou desejo de perseguir, realizar uma tarefa ou uma meta” (MAXIMIANO, 2012, p. 191). Assim, você pode entender que uma pessoa que está motivada apresenta positividade na realização de suas obrigações. Agora, em se tratando dos estudos realizados sobre a motivação, conforme Gil (2010), no ano de 1954, o psicólogo Abraham Maslow desenvolveu a Teoria das 2.2 TEORIA DA MOTIVAÇÃO DE MASLOW 26 Necessidades, também reconhecida como a Teoria da Motivação de Maslow. Seu estudo sobre as necessidades humanas as relacionou a diferentes níveis de motivação. Maslow concluiu que há, de fato, uma hierarquia de necessidades humanas, ou seja, algumas seriam mais importantes do que outras. A partir da observação da sequência hierárquica das necessidades humanas, os administradores passaram a compreender melhor como as pessoas “funcionam” e, assim, buscaram formas de preencher essas necessidades com o intuito de melhorar os níveis de desempenho delas (MAXIMIANO, 2012; OLIVEIRA, 2009). Para você entender, Maslow constata em sua pesquisa que as necessidades humanas apresentam diferentes níveis de força e, nesse sentido, se estabeleceu uma hierarquia de necessidades, as quais são divididas em cinco grupos: Primeiro nível: necessidades fisiológicas. São aquelas básicas para a manutenção da vida. Isso inclui fome, sede, comer, descansar, ter o que vestir, onde morar. Segundo nível: necessidade de segurança. Se refere à preocupação para com o futuro, estar livre de perigos e das necessidades básicas, estabilidade no emprego e nos relacionamentos. Terceiro nível: necessidade social. Inclui “afeição, aceitação, amizade e sensação de pertencer a um grupo, relações humanas harmônicas como família, relações amorosas” (PEREIRA, 2012, p, 11). Quarto nível: necessidade de estima. Está ligada ao reconhecimento de nossas capacidades, assim como ao reconhecimento delas por outrem. Está vinculada à necessidade do ser humano de ser respeitado, admirado, gerando nele uma sensação de dignidade. Quinto nível: necessidade de autorrealização. Refere-se à “intenção de tornar-se tudo aquilo que se é capaz de ser; inclui crescimento, alcance do seu próprio potencial e autodesenvolvimento superação de desafios, independência e realização de sonhos e autocontrole” (PEREIRA, 2012, p. 11). Os níveis são representados por meio de uma pirâmide, conforme ilustra a figura 5, cuja interpretação se inicia por meio da base da pirâmide (primeiro nível) até o topo dela (quinto nível). Figura 5: Pirâmide das Necessidades Básicas Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3J6ebhg. Acesso em: 20 nov. 2022. 27 A pirâmide de Maslow é desmembrada em 2 patamares: as necessidades de nível inferior, compostas pelas necessidades fisiológicas e de segurança, as quais são satisfeitas externamente; e as necessidades de nível superior, que são satisfeitas internamente, como as sociais, de estima e de autorrealização (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010). Para Maslow, segundo Chiavenato (2002, p. 185), “quando uma necessidade é relativamente satisfeita, a próxima necessidade mais elevada torna-se dominante no comportamento da pessoa”. As necessidades mais elevadas somente interferem no comportamento quando as necessidades mais baixas estão relativamente satisfeitas. Assim, o que você deve fazer primeiro para motivar uma pessoa é saber em qual nível da hierarquia ela está para, assim, conseguir satisfazer aquela necessidade específica. Segundo Robbins, Judge e Sobral (2010), a Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow, apesar de não ter sido totalmente finalizada, crê que um nível da pirâmide totalmente satisfeito não motiva mais, pois, no momento em que uma é atendida, a seguinte torna-se superior. Ou seja, entende-se que, para motivar alguém, é preciso saber em qual nível a pessoa se encontra na pirâmide para analisar a satisfação que está naquele nível para conseguir atingir sua necessidade subsequente. Spector (2012) relata que esta teoria tem desfrutado de um resultado positivo nas organizações, pois permanece sendo utilizada na preparação dos futuros gerentes, ressaltando a importância de motivar e satisfazer as necessidades dos colaboradores no ambiente de trabalho. A motivação é uma temática abrangente no contexto das ciências e, para que você possa se apropriar mais do assunto, acesse o livro Motivação: do querer ao fazer, e faça uma pesquisa mais profunda sobre a motivação. O livro está dispo- nível em: https://bit.ly/3CxuxgF. Acesso em: 24 nov. 2021. BUSQUE POR MAIS O comportamento dos indivíduos pode ser interpretado pela situação em que cada um está, no que se refere à satisfação, motivação, emoções, entre outras. Assim, Frederick Herzberg, psicólogo americano, desenvolveu a Teoria dos Dois Fatores. Nesta teoria, Herzberg buscou explicar o comportamento humano no ambiente de trabalho. Para iniciarmos, podemos entender que há diferentes possibilidades quando se busca compreender a ligação de uma pessoa com o seu trabalho, ou até você mesmo, pois há momentos em que uma pessoa pode estar extremamente satisfeita e, em outros, conduzida à insatisfação. Conforme Robbins, Judge e Sobral (2010), a Teoria dos Dois Fatores é a que define os fatores intrínsecos que estão relacionados à satisfação no trabalho (como a responsabilidade, a realização e o progresso do indivíduo) à medida em que os fatores extrínsecos estão ligados à insatisfação (como a política da empresa, condições de trabalho, remuneração, entre outros). Observe a figura 6 sobre os estudos da teoria de Herzberg. 2.3 TEORIA COMPORTAMENTAL DE HERZBERG 28 Complementando, Spector (2012) orienta que a Teoria dos Dois Fatores está relacionada à motivação da natureza do trabalho em si, e não de recompensas ou de condições de trabalho. Nesta teoria, as necessidades humanas são divididas em duas categorias: os fatores higiênicos (ou extrínsecos) e os fatores motivacionais (ou intrínsecos). Os fatores higiênicos (ou extrínsecos) estão relacionados à natureza animal dos seres humanos, como habilidade, nível elevado, necessidades físicas e crescimento psicológico, no qual incluem: salário, supervisão, políticas organizacionais e companheiros de trabalho. Na prática, continuam os fatores tradicionalmente utilizados pelas organizações para obter motivação das pessoas, porém, eles são limitados à capacidade de influenciá-las. A expressão higiene: Esta categoria impede a insatisfação, mas não influencia no desenvolvimento do indivíduo. Já os fatores motivacionais (ou intrínsecos) estão ligados com o trabalho em si, tais como a realização, reconhecimento, responsabilidades e crescimento do indivíduo, entre outros; produzem efeito duradouro de satisfação e de aumento de produtividade. Mas, quando estes fatores são atingidos, são diretamente levados à satisfação (SPECTOR, 2012). Combase nessas informações, percebe-se que a motivação está relacionada ao modo como se configura a política da empresa, desde o momento que o funcionário é contratado, sua trajetória, oportunidades de crescimento profissional, coleguismo, benefícios, reconhecimento e responsabilidades que o indivíduo vai desenvolver ao longo do processo, contribuindo para o elevado índice de satisfação. Dessa forma, podemos sugerir que, primeiramente, o trabalhador se preocuparia com a questão de sua remuneração (até para que satisfaça as suas necessidades fisiológicas básicas, como, por exemplo, se alimentar) e, apenas depois disso, poderia Figura 6: Teoria dos Dois Fatores Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3KAgv0y. Acesso em: 20 nov. 2022. serve para refletir teu caráter preventivo e para mostrar que quando são excelentes, esses fatores apenas evi- tam a insatisfação, uma vez que sua influência sobre o comportamento não consegue elevar substancial e du- radouramente a satisfação das pessoas (MAXIMIANO, 2012, p. 138). 29 passar a se preocupar com um ambiente de trabalho seguro, confortável e no qual as ações da chefia sejam relativamente previsíveis. O mesmo aconteceria, portanto, com todas as demais camadas de necessidades e seus respectivos exemplos. Agora, você precisa saber que Frederick Herzberg afirmava que satisfação e desempenho elevados no cargo estão ligados ao atendimento das necessidades motivacionais do funcionário. A insatisfação e a satisfação não são extremidades de um contínuo, são conceitos diferentes. A insatisfação é provocada pelo atendimento insuficiente dos fatores higiênicos, que se manifestam no ambiente de trabalho e abrangem a qualidade da coordenação, as relações interpessoais, o ambiente físico e as condições de trabalho, as políticas e a gestão da organização, os benefícios e a segurança na função. Quando os fatores higiênicos estão atendidos, as pessoas não apresentam elevado grau de insatisfação. Ao contrário, a insatisfação das pessoas é esperada se esses fatores não forem atendidos (KINICKI; KREITNER, 2006). Para te ajudar a entender as diferenças entre as teorias de Maslow e de Herzberg, conforme Chiavenato (2002), as teorias de Maslow e de Herzberg apresentam pontos comuns. Os fatores higiênicos de Herzberg podem ser relacionados às necessidades primárias de Maslow. Por sua vez, os fatores motivacionais de Herzberg podem ser relacionados às necessidades secundárias de Maslow. Portanto, podemos verificar que A Teoria de Herzberg, em certa medida, complementa os estudos de Maslow, uma vez que quanto mais o indivíduo ascende na hierarquia das necessidades, maior é a relevância dos fatores motivacionais. Da mesma A motivação pelo trabalho é diferente da satisfação que o trabalhador possui com o seu ambiente de trabalho. Por isso, o trabalho atende a diferentes necessidades que não são supridas somente com um ambiente de trabalho adequado. FIQUE ATENTO Você pode estar pensando que estudar a motivação pode te levar a entender melhor o que te move na sua vida e na sua carreira profissional, não é mesmo? Portanto, você pode fazer uma pesquisa no livro Motivação nas Organizações, para saber como trabalhar o comportamento humano no ambiente profissio- nal. Disponível em: https://bit.ly/3MBbiqW. Acesso em: 24 nov. 2021. Bons estudos! BUSQUE POR MAIS A partir dos estudos sobre a motivação, qual decisão você tomaria: permanecer no seu atual emprego, com sua segurança e situação confortável ou partir para uma nova opor- tunidade de trabalho, com novos desafios e possibilidades de crescimento profissional? VAMOS PENSAR? 30 forma, quanto mais se desce na hierarquia de Maslow, mais importantes se tornam os fatores higiênicos de Herzberg (MAXIMIANO, 2012). 31 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (ENADE TEC. DA QUALIDADE- 2018). Com a globalização e o consequente aumento da competitividade empresarial, as organizações buscam a qualidade e a melhoria contínua de seus processos, de forma a atender às expectativas dos clientes e às exigências do mercado, assim como alcançar os objetivos organizacionais. Para tanto, é necessário que se reconheça a importância da gestão de pessoas, que deve contribuir com a melhoria contínua das condições e do ambiente de trabalho, que envolvem aspectos sociais e culturais, com vistas a elevar a qualidade de vida no trabalho e o nível de satisfação do trabalhador. Considerando o tema tratado no texto, avalie as afirmações a seguir. I. A motivação do trabalhador está associada, entre outros fatores, às características do trabalho, que são as demandas de suas tarefas no dia a dia. II. As características individuais dos trabalhadores, que envolvem atitudes, interesses, necessidades e expectativas, impactam a sua motivação. III. As políticas de pessoal, de recompensa, do clima organizacional bem como as atitudes da liderança determinam a motivação do trabalhador. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 2. (ENADE TEC. DA QUALIDADE- 2018). Os líderes são os motivadores dos profissionais, e estes, motivados, propiciam a formação de equipes de trabalho de alta performance – a mais relevante entre todas as atividades de responsabilidade do líder. Os técnicos esportivos, por exemplo, procuram os melhores atletas, aqueles que apresentam condições físicas adequadas ao perfil do esporte que vão praticar e que tenham facilidade de integrar-se aos demais atletas, principalmente se a modalidade for coletiva. TEIXEIRA, J. M. B.; RIBEIRO, M. T. F. Gestão de pessoas na administração pública: teorias e conceitos. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2017 (adaptado). A partir das informações do texto apresentado, avalie as afirmações a seguir. I. A liderança é uma competência inata do indivíduo, ou seja, não é adquirida ao longo do exercício profissional. II. O feedback, essencial para uma boa atuação na gestão de pessoas, deve ser dado aos subordinados em público, de modo a desafiá-los a promoverem alterações positivas em seu comportamento. 32 III. O exercício da liderança como forma de influenciar o comportamento de equipes de trabalho permite direcioná-las aos objetivos estabelecidos pela organização. IV. A motivação dos membros do grupo é um dos fatores que influenciam na produtividade da equipe. É correto apenas o que se afirma em: a) I e II. b) I e III. c) III e IV. d) I, II e IV. e) II, III e IV. 3. (ENADE TEC. GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS- 2018). Os primeiros experimentos de Hawthorne, realizados entre 1924 e 1933, para analisar o clima interno das organizações, já apontavam que a simples atenção para com as condições de trabalho foi suficiente para gerar motivação e sentimentos positivos dos empregados em relação à organização. As pessoas são os elementos mais importantes, pois partem delas as iniciativas para as práticas sociais e são também criadoras dos objetivos e das inovações que almeja qualquer segmento que envolve atividade humana. BEGNAMI, M. L. V.; ZORZO, A. Clima organizacional: percepções e aplicabilidade. Revista Científica da FHO|Uniararas, v. 1, n. 2, 2013 (adaptado). Nesse contexto, avalie as afirmações a seguir. I. O clima organizacional abre novas perspectivas para a gestão de pessoas, na medida em que se buscam argumentos e compreensão para o desempenho do trabalho humano, que está relacionado a outros aspectos relevantes do cotidiano, como liderança, satisfação, ética, motivação, desempenho e rotatividade. II. O conjunto das normas informais que orientam o comportamento dos membros de uma organização no dia a dia define o seu clima organizacional. III. O clima organizacional está ligado à autoestima e à satisfação, ou insatisfação, das necessidades dos colaboradores de uma organização. É correto o que se afirma em: a) II, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) I e III, apenas. e) I, II e III. 4. (ENADE TEC. DA QUALIDADE -2015). O gerente de projetos é o centro em torno do qualgiram todas as atividades; o elo entre os stakeholders internos e externos, ou seja, das partes interessadas internas e externas ao projeto; o regulador e progresso, velocidade, 33 qualidade e custo; o comunicador, motivador e negociador do projeto; o controlador de finanças e outros recursos. Os projetos não dispõem de tempo ilimitado, logo o gerente não pode ser desenvolvido no cargo. FONTE: KEELLING, R. Gestão de Projetos: uma abordagem global. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2008 (adaptado). A partir do texto acima e considerando a Teoria X e a Teoria Y de Douglas McGregor, assinale a alternativa CORRETA acerca do estilo de gestão que o gerente de projetos deve adotar, desconsideradas as características de personalidade. a) Estilo controlador: sem alinhamento à Teoria X e à Teoria Y, mas justificado pelos trade- offs do projeto, ou seja, das decisões que compreendem o lado positivo e o negativo das escolhas que o gestor tem de fazer. b) Estilo participativo: alinhado à Teoria Y e aos pressupostos do conceito de homem social, da Teoria das Relações Humanas, e justificado pela necessidade de qualificação dos membros que compõem a equipe de projetos, o que permite o compartilhamento de autoridades e responsabilidades. c) Estilo consultivo: alinhado à Teoria Y, com restrições aos pressupostos do conceito de homem social, da Teoria das Relações Humanas, e justificado pelos conhecimentos e experiência do gestor. d) Estilo autoritário benevolente: alinhado à Teoria X, porém, mais condescendente e menos rígido, e aos pressupostos do conceito de Homo Economicus, da Teoria Clássica da Administração, justificado pela necessidade de se negociar com a equipe e as partes interessadas externas ao projeto. e) Estilo participativo: alinhado à Teoria Y e aos pressupostos do conceito de homem social, da Teoria das Relações Humanas, e justificado pela necessidade de qualificação dos membros que compõem a equipe de projetos, o que permite o compartilhamento de autoridades e responsabilidades. 5. (FCC- 2018). Entre as teorias mais divulgadas acerca da motivação, insere-se a desenvolvida por Abraham Maslow, conhecida como hierarquia das necessidades humanas, a qual, em linhas gerais, sustenta que: a) O indivíduo somente vai se sentir estimulado a buscar a satisfação de necessidades mais elevadas, como de autorrealização, se outras básicas, como de subsistência, já estiverem satisfeitas. b) O homem médio não gosta do trabalho e precisa ser forçado ao seu desempenho, havendo, contudo, uma hierarquia natural entre indivíduos que respondem mais prontamente a estímulos motivacionais. c) A maioria das pessoas tem uma motivação intrínseca para o trabalho, sendo desnecessário o estabelecimento de recompensas, porém, é imprescindível o atendimento de necessidades básicas. d) O que motiva o indivíduo para a realização de uma tarefa é a correlação entre o resultado obtido e o esforço empregado (valência), devendo as tarefas ser hierarquizadas em função dessa relação. e) O reforço positivo é mais efetivo para a fixação de uma motivação permanente, porém, o reforço negativo é necessário para induzir determinados grupos mais refratários. 34 6. (FCC- 2018). De acordo com a Teoria Bifatorial, desenvolvida por Herzberg para buscar explicar os elementos que envolvem a satisfação no trabalho, os denominados fatores higiênicos: a) estão relacionados à insatisfação no trabalho, sendo administrados pela empresa e extrínsecos à motivação do funcionário. b) são intrínsecos à satisfação dos indivíduos em geral, induzindo o processo de motivação no trabalho. c) não repercutem na satisfação ou insatisfação do indivíduo, sendo neutros do ponto de vista da motivação. d) são fatores indutores do processo motivacional, correspondendo às recompensas diretas por comportamentos ou ações desejadas. e) representam forças antagônicas à motivação, devendo ser neutralizados pelo reforço positivo e evitados mediante punição. 7. (FCC – 2019). Considere que o novo dirigente de uma entidade integrante da Administração indireta do Município tenha estabelecido como principal foco de sua atuação fomentar a motivação dos servidores no ambiente de trabalho. Como embasamento teórico, o referido dirigente valeu-se dos preceitos da Teoria ERC (ou ERG, como é conhecida internacionalmente), desenvolvida por Clayton Alderfer, o que significa pressupor que: a) apenas o atendimento às necessidades mais básicas, ligadas à subsistência do indivíduo, constituem fonte para a motivação no trabalho. b) há uma hierarquia entre as necessidades dos indivíduos, cujo atendimento na ordem correta é pressuposto para gerar motivação. c) existem três necessidades essenciais a serem satisfeitas para a motivação dos indivíduos: existência; de relacionamento e de crescimento. d) o que gera a motivação genuína, capaz de assegurar o envolvimento e comprometimento do indivíduo com os objetivos da entidade, é apenas o atendimento das necessidades de estima e apreciação social. e) O homem médio não gosta do trabalho e o evita, sendo que a motivação para a realização das tarefas advém exclusivamente de recompensas financeiras. 8. (UFG- 2018). A hierarquia das necessidades de Maslow é usada em diversas áreas da administração como ferramenta para a compreensão do comportamento do trabalhador nas organizações. Conforme essa hierarquia, o desenvolvimento dos empregados, as boas condições de trabalho, os planos de aposentadoria, a poupança, a pensão etc. são exemplos da categoria: a) de necessidades de autorrealização. b) de necessidades de segurança. c) de necessidades fisiológicas. d) de necessidades sociais. e) de necessidades de estima. 35 ABORDAGEM ESTRUTURALISTA 36 A palavra burocracia tem origem nos componentes linguísticos franceses: bureaucratie, bureau que significa escritório, e do grego krátos que significa poder. Portanto, a palavra burocracia dá a ideia do exercício do poder e da autoridade por meio dos espaços administrativos e das repartições públicas. De forma geral, a sociedade remete à interpretação de que a burocracia gera processos lentos de controle que impedem as soluções rápidas e dinâmicas. Esta é uma visão reducionista frente à complexidade dos processos da burocracia (MAXIMIANO, 2012). Para entendermos o surgimento da burocracia, vamos recordar que a Teoria Clássica demandava atividades processuais em uma estrutura organizacional, a qual exigia supervisão e controle. Isso repercutiu em uma maior burocracia, fortalecendo a Teoria da Burocracia. Ela mantinha como foco o controle dos processos e dos resultados (CHIAVENATO, 2002). Essa teoria surgiu em 1940, frente aos problemas que a Teoria Clássica e a das Relações Humanas enfrentavam diante de uma abordagem global de problemas organizacionais. Neste contexto, surgiu a necessidade de uma teoria que abarcasse toda a estrutura organizacional, suas variáveis, departamentos e pessoas, pois não era apenas para a fábrica, mas sim para todas as formas de organizações humanas e principalmente para as empresas. Com o crescimento do tamanho e a complexidade das empresas, era necessário um modelo organizacional mais adaptado para esta situação. Os principais autores deste modelo foram Max Weber, Robert K. Merton, Philip Selznick, Alvin W. Gouldner, Richard H. Hall e Nicos Mouzelis. A partir dos estudos de Weber, surgiu a Sociologia da Burocracia, em que ele defende que um homem é remunerado para assumir um certo comportamento preestabelecido, explicado minuciosamente, e nunca permitir que as emoções interfiram no seu desempenho. O favorecimento dessa teoria se deu para Weber, segundo Chiavenato (2002, p. 420), pelos seguintes motivos: • O desenvolvimento de uma economia monetária, a moeda assume o papel da remuneração para o funcionário, centralizando e fortalecendo, assim, a administração 3.1 TEORIA DA BUROCRACIA Figura 7: Max Weber Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3J8c8tk. Acesso em: 20 nov. 2022. 37 burocrática;• O crescimento quantitativo e qualitativo do Estado Moderno; • A superioridade técnica em termos de eficiência no tipo de administração burocrática. As práticas gerenciais nas indústrias demandaram maior ênfase na necessidade de ações burocráticas que permitissem a análise do trabalho, otimização de recursos, maximização de resultados e geração da produtividade (CHIAVENATO, 2002). Assim, a disciplina no ambiente de trabalho era requerida aos trabalhadores por meio de uma estrutura linear e centralizada de comando, no sentido de poder estabelecer a ordem e o cumprimento dos objetivos da empresa. A Teoria da Burocracia, defendida pelo sociológico alemão Max Weber (1864-1920), reforça as teorias da Administração Científica e da Teoria Clássica, já que havia o interesse de se ter uma racionalidade organizacional para o controle das responsabilidades no trabalho. As regras e o controle precisam ser definidos de acordo com a estrutura hierárquica da organização e a racionalidade nas atividades administrativas. Agora, para que você possa entender mais sobre o assunto, a burocracia é uma forma de organização baseada na racionalidade, isto é, “na adequação dos meios aos fins pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência possível no alcance dos objetivos” (CHIAVENATO, 2002, p. 422). Na burocracia, o detalhamento de tudo deve ser feito antecipadamente, para que o controle possa ser assertivo. Os trabalhadores deverão subordinar-se de acordo com as orientações, regras e normas da instituição para que esta atinja a máxima eficiência possível. Além disso, caracteriza-se por: • Divisão do trabalho: funções específicas. Isso evita conflitos na atribuição de competências, todos têm o conhecimento exato dos seus deveres e nas suas obrigações quanto ao que deve ser feito e suas tarefas preestabelecidas; • Hierarquia: sistema organizado em pirâmide permite melhor desempenho do sistema; • Impessoalidade: os trabalhadores compõem o sistema e executam suas atividades, os quais podem ser substituídos por outras pessoas, uma vez que o sistema, como está estruturado, funcionará com uma ou outra pessoa, sem perder o fluxo dos processos; • Meritocracia: a definição pela escolha de um trabalhador se dá pelo seu mérito, anulando as possibilidades de nepotismo; • Separação entre propriedade e administração: os burocratas focam a administração dos meios de produção e não os possuem; e • Profissionalização dos funcionários. Contudo, cabe ressaltar que a Teoria da Burocracia também preconiza que o ambiente de trabalho deve ser profissional e impessoal. Nesse sentido, nas relações de trabalho, as amizades são fortemente desencorajadas. O ambiente impessoal caracterizado O dever de obediência está embasado em uma hierarquia de cargos, em que os subor- dinados obedecem a seus superiores e cumprem com as suas ordens e exigências, ex- pressando a burocracia e suas características, como hierarquização do trabalho rotineiro predominante e progressivo, centralizado nos cargos. FIQUE ATENTO 38 Fácil de se entender, não é mesmo? Contudo, para ajudá-lo em seus estudos, atente-se para o fato de que o poder em uma organização: pela burocracia é projetado para promover a tomada de decisões que se baseia exclusivamente em fatos, em registros e no pensamento racional. Previne, assim, por exemplo, as influências políticas e os insights de pessoas externas à organização. Estudar o poder, suas implicações e formas de apresentação nas relações humanas e na sociedade é um desafio para todos nós. Muito se discute sobre quem detém e/ ou exerce o poder, o comando sobre outra pessoa ou grupo de pessoas, portador da máxima de transformar as condições e a realidade, como também nas práticas de gestão, negociação e liderança. Você também pode pensar no poder existente nas instituições reguladoras e normatizadoras (como o caso dos governos, empresas detentoras de uma grande fatia de atuação no mercado, as religiões etc.), no âmbito das quais os sujeitos que pertencem a cada uma delas cumprem suas obrigações de acordo com o poder normativo exercido pelas instituições sobre eles e diversos tipos de estruturas organizacionais, de acordo com cada contexto (MAXIMIANO, 2012). Essa atuação é percebida, muitas vezes, nas dinâmicas políticas, estatais e autoritárias, que regem nas pessoas a manifestação das vontades e ordens impostas pelo seu líder, presidente, chefe de estado, líder religioso etc. Nesse sentido, Foucault (2002, p. 33) pondera que se estude o poder, de certo modo, “do lado de sua face externa, no ponto em que ele está em relação direta e imediata com o que se pode denominar, muito provisoriamente, seu objeto, seu alvo, seu campo de aplicação, no ponto, em outras palavras, em que ele se implanta e produz seus efeitos reais”. Para que possamos compreender o que é o poder, iniciamos pela teorização de que “não existe algo unitário e global chamado poder, mas unicamente formas díspares, heterogêneas, em constante transformação” (MACHADO, 2005, p. XI). De acordo com Michel Foucault, “o poder não é um objeto natural, uma coisa; é uma prática social e, como tal, constituída historicamente” (MACHADO, 2005, p. XI). O poder não é algo palpável, que se possa usar, como se utiliza e manipula um objeto. O poder está nas ações, nas relações entre os indivíduos na sociedade, em grupos de pessoas, na negociação e tomada de decisão, em um espaço público ou privado. Assim, o indivíduo é “um efeito do poder e é, na mesma medida que é um efeito seu, seu intermediário: o poder transita pelo indivíduo que ele constituiu” (FOUCAULT, 2002, p. 35). 3.2 PODER, ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO Como você trabalha o uso do poder e da autoridade no seu dia a dia? De que maneira você reage ao receber alguma orientação ou ordem a ser realizada? E, por fim, como você con- sidera as relações de poder nas organizações? VAMOS PENSAR? 39 É importante lembrar que o poder está na interação entre as pessoas, bem como nas relações estabelecidas em uma estrutura organizacional. Assim, todas as empresas, sejam elas quais forem, demandam de uma estrutura que possibilite o desenvolvimento Do ponto de vista tradicional, a autoridade apresenta três características principais (CHIAVENATO, 2002, p. 359): Todavia, a autoridade pode ser entendida como uma prática de liderança, não no sentido da força; mas, sim, no da legitimidade exercida pelos líderes aos liderados. O líder engaja seus liderados não somente pela sua ocupação de comando, mas também pelas suas competências e características pessoais. (MAXIMIANO, 2012). A responsabilidade faz parte do processo da autoridade, uma vez que ela é o dever de realizar a atividade pelo trabalhador, independente do cargo que ele ocupa. Quando os gestores possuem responsabilidade pelos resultados gerados pelo seu trabalho, “mas pouca autoridade, o trabalho é possível, mas difícil, pois repousa na persuasão e sorte. Quando os administradores têm autoridade que excede a responsabilidade, eles se tornam tiranos, usando autoridade para resultados frívolos” (CHIAVENATO, 2002, p. 359). é a capacidade de afetar e controlar as ações e decisões das outras pessoas, mesmo quando elas possam resis- tir. Uma pessoa que ocupa uma alta posição em uma organização tem poder porque sua posição apresenta o que chamamos de poder de posição. Autoridade é o di- reito formal e legítimo de tomar decisões, dar ordens e alocar recursos para alcançar objetivos organizacionais desejados. A cadeia de comando reflete a hierarquia de autoridade que existe na organização (CHIAVENATO, 2002, p. 359). Autoridade é decorrente de uma posição organizacio- nal, e não de pessoas. Os administradores possuem au- toridade em função da posição ocupada, e os que têm posição semelhante devem ter a mesma autoridade. Autoridade deve ser aceita pelos subordinados. Embora a autoridade flua do topo para a base da hierarquia, os subordinados a aceitam porque acreditam que os ad- ministradores têm odireito legítimo de dar ordens. A autoridade flui abaixo pela hierarquia vertical. As posi- ções do topo da hierarquia são investidas com mais au- toridade formal do que as posições abaixo delas. Você deve ter em mente que o poder também tem a ver com autoridade, e tanto poder quanto autoridade são meios de se influenciar as pessoas. Em outras palavras, algumas pessoas usam de poder para influenciar outras pessoas, ou, ainda, para conseguirem aquilo que querem. De forma simples, podemos entender poder como a capacidade de controlar e influenciar pessoas, fatos ou recursos e conseguir aquilo que se quer, mesmo que haja obstáculos ou vontades contrárias (KWASNICKA, 2012; LACOMBE, 2009). FIQUE ATENTO 40 dos processos de trabalho. Uma espécie de coluna vertebral que integre as áreas, os sistemas, as pessoas e suas responsabilidades, no sentido de manter a integração das informações (MAXIMIANO, 2012). As empresas enfrentam alguns dilemas de como se organizar da melhor forma possível e, por isso, a necessidade de mudanças e adaptações para atender às oscilações do mercado. A partir do entendimento de que as empresas são organismos vivos, pois recebem recursos do ambiente e geram resultados ao ambiente (seja interno ou externo), as organizações nascem, crescem, se desenvolvem e podem, se não bem gerenciadas, morrerem (acarretando fechamento, falência etc.), por isso demandam cuidados e gerenciamento (CHIAVENATO, 2002). Cada qual à sua maneira, todas as organizações precisam estruturar-se e organizar- se internamente para funcionar adequadamente. Como a atividade organizacional é complexa e envolve uma diversidade de tarefas diferentes que precisam ser coordenadas e integradas, a estrutura assume uma importância fundamental. O sucesso da empresa vai depender de como ela desenvolve a sua gestão e controla seus resultados. A organização (do grego, organon = ferramenta) significa “o arranjo e disposição dos recursos organizacionais para alcançar objetivos estratégicos” (CHIAVENATO, 2002, p. 367). Esse arranjo está na base da divisão do trabalho em áreas funcionais, como setores ou departamentos, os quais possuem seus cargos e as orientações das linhas de autoridade e coordenação das responsabilidades da área (líderes e liderados). A reorganização sempre se torna necessária para ajustar-se a essas mudanças. Reorganização significa a ação de alterar a estrutura organizacional para ajustá-la às novas condições ambientais. Muitas organizações estão se reestruturando continuamente para se tornarem mais ágeis, simples, eficientes e mais eficazes e competitivas em um ambiente global de forte e acirrada concorrência. A organização é uma função administrativa distribuída entre todos os níveis organizacionais. Assim, quando falamos de organização, queremos dizer que o nível institucional estabelece o seu desenho organizacional, o nível intermediário estabelece o desenho departamental para cada uma das unidades organizacionais; e o nível operacional estabelece o desenho dos cargos e das tarefas de cada atividade, cada qual dentro de sua área de competência. Contudo, o processo é exatamente o mesmo para todos: estruturar as diferentes atividades que conduzem aos objetivos da organização. A organização é uma importante função administrativa e deve servir como base fundamental para a estratégia organizacional. A estratégia define o que fazer, enquan- to a organização define o como fazer. A estrutura orga- nizacional é uma ferramenta para o administrador utili- zar no sentido de harmonizar os recursos, de modo que tudo seja feita através da estratégia estabelecida (CHIA- VENATO, 2002, p. 361). 41 Cada administrador em seu nível organizacional coordena o trabalho de várias pessoas e estrutura equipes para processar a produção do trabalho. A partir dos estudos até aqui apresentados, vamos, a seguir, estudar a Teoria Estruturalista e suas contribuições ao contexto da administração de empresas. A tarefa básica da organização é estabelecer a estrutu- ra organizacional. Existem dois caminhos para abordar a estrutura organizacional: a especialização vertical e a especialização horizontal. A primeira conduz aos níveis de hierarquia, e a segunda, a áreas de departamenta- lização ou divisionalização (CHIAVENATO, 2002, p. 366). Compreender os modelos de estrutura organizacional pode nos ajudar a conhe- cer mais sobre como as empresas desenvolvem o seu trabalho e seus processos administrativos. Para saber mais sobre o assunto, acesse o livro Estrutura Orga- nizacional: uma abordagem para resultados e competitividade, disponível em: https://bit.ly/3vZqGrl. Acesso em: 24 nov. 2021. BUSQUE POR MAIS A Teoria Estruturalista foi considerada um desdobramento da Teoria Burocrática que, por sua vez, buscou conciliar as teorias propostas pelas abordagens Clássicas e pela Teoria das Relações Humanas. Conforme Maximiano (2012), uma grande contribuição à Teoria Estruturalista, foi, sem dúvida, de Amitai Etzioni. Nascido na Alemanha em 1929, Etzioni estudou as teorias anteriores e escreveu uma série de livros fundamentais para a Administração. Entre eles, destacam-se as obras Organizações modernas (1964) e Análise Comparativa de Organizações Complexas (1961). Em seus textos, Etzioni destaca a tendência que as organizações têm de se adaptarem ao meio no qual estão inseridas. Insatisfeito com as descobertas de outros pesquisadores sobre a abordagem das relações humanas, ele as considerou insuficientes para esclarecer as relações entre o homem e a organização. Por isso, desenvolveu um trabalho em que criou uma classificação sobre as organizações levando em consideração diferentes tipologias. Para 3.3 TEORIA ESTRUTURALISTA Figura 8: Amitai Etzioni Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3KA9EEb. Acesso em: 20 nov. 2022. 42 Quadro 4: Classificação das organizações Fonte: Maximiano (2012, p. 228) isso, ele utilizou a análise comparativa do controle e da autoridade. O quadro a seguir apresenta a classificação das três diferentes categorias identificadas por Etzioni em seus estudos. Ribeiro (2016) comenta que o Estruturalismo passa a enxergar a empresa como uma organização complexa, e ressalta que grupos diferentes (por exemplo: a sociedade) interagem fortemente com a organização, apresentando, por vezes, objetivos distintos dela. A corrente teórica que constitui objeto desta nossa seção leva fortemente em conta as estruturas, e vê os indivíduos como muito dependentes delas. Para o Estruturalismo, o ser humano depende das organizações para nascer, crescer, viver e morrer. Além disso, por essa ótica, as organizações são vistas de modo mais integral, e interagindo intensamente com o seu meio externo. O meio externo, para o Estruturalismo, aprende com a organização, e vice-versa. Continuando nosso estudo sobre a Teoria Estruturalista, Etzioni defende que as organizações possuíam as seguintes características (CHIAVENATO, 2002, p. 356): • Divisão de trabalho e atribuição de poder e responsabilidades: de acordo com um plano intencional para a realização de objetivos específicos. • Centros de poder: controlam os esforços combinados da organização e os dirigem para seus objetivos: esses centros de poder precisam também reexaminar continuamente a realização da organização e, quando necessário, reordenar sua estrutura, a fim de aumentar sua eficiência. • Substituição do pessoal: as pessoas podem ser demitidas ou substituídas por outras pessoas para as suas tarefas. A organização pode recombinar seu pessoal através de transferências e promoções. Organizações com as características mencionadas reveem constantemente os Tipo Definição Organizações Especializadas Atividades de alto nível de especialização. Predominância da autoridade técnica. Organizações Não Especializadas Organizações envolvidas com atividades de produção de bens. Organizações em que há possibilidade de definir objetivos específicos e controle de metas. Organizações de ServiçosO próprio nome já define a sua atividade. A característica diferenciadora dessas organizações é que as pessoas não são vin- culadas à sua organização, tendo uma atividade temporária defi- nida pela Tarefa Específica de Assessoria ou pesquisa. A vinculação dá-se por contrato. Os estruturalistas compreendem que a organização está sempre em movimento e com interações constantes com o ambiente em que ela está inserida. FIQUE ATENTO 43 seus resultados e se reorganizam para atender a esses resultados almejados. Portanto, possuem unidades sociais que controlam seus membros e são tidas como mais complexas que as unidades sociais naturais, tais como a família e alguma comunidade, entre outras possíveis. Por essa razão, recompensas e sansões são impostas como forma de controle dos resultados. Agora, as contribuições da Teoria Estruturalista vão para além dos estudos sobre as características, tipos de controle e a relação entre os indivíduos e as organizações. Para Chiavenato (2002, p. 258-259), a tipologia de controle de Etzioni classifica as organizações com base no uso e significado da obediência sobre as pessoas, a saber: Você pode compreender que a tipologia de Etzioni dá visibilidade aos sistemas psicossociais das empresas e apresenta como desvantagem a sua omissão à estrutura, à tecnologia e ao ambiente. É considerada ainda uma tipologia simples, unidimensional e baseada exclusivamente nos tipos de controle. O estruturalismo representou um método que analisa as relações e as funções dos diferentes elementos que constituem uma organização. Ele se inicia da linguística e da psicologia no começo do século XX, e vai até a antropologia estrutural em meados dos anos 1960. Segundo Andrade e Amboni (2011, p. 140), “o estruturalismo é um método analítico e comparativo que estuda os elementos ou fenômenos em sua totalidade, salientando seu valor de posição”. Organizações coercitivas: o poder é imposto por força ou controlado por prêmios ou punições. O envolvimen- to dos participantes tende a ser alienativo em relação aos objetivos organizacionais. Exemplo: as prisões. Organizações utilitárias: o poder baseia-se no controle por meio de incentivos econômicos. Utilizam a remu- neração como base principal de controle. As pessoas contribuem para a organização com um envolvimento calculativo, baseado nos benefícios que esperam obter. Exemplo: as empresas. Organizações normativas: o poder baseia-se no con- senso sobre objetivos e métodos da organização. Utili- zam o controle moral para influenciar os participantes devido ao elevado envolvimento moral. Exemplo: a Igre- ja, as universidades, os hospitais, as organizações políti- cas e sociais. Os estudos sobre as estruturas organizacionais são vastos e dependem muito do tipo de empresa, da quantidade de funcionários, bem como o que será ofe- recido aos clientes. Dessa forma, você pode pesquisar mais sobre o assunto no livro Organizações: estruturas, processos e resultados, disponível em: https://bit. ly/3tP7xFR. Acesso em: 21 nov. 2021. BUSQUE POR MAIS 44 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (ENADE TEC. GESTÃO PÚBLICA – 2018). A Administração Pública burocrática foi solidificada com o advento do Estado moderno, desenhando suas marcas em contraposição ao modelo patrimonialista. A burocracia, conforme análise clássica de Max Weber, foi o tipo de Administração Pública mais puro e apropriado à emergência da sociedade capitalista de base industrial, firmando-se como a conhecemos atualmente. Entre as suas principais características, estão o fim da lealdade pessoal e da tradição como fonte de autoridade. A lei, as regras escritas e impessoais passam a definir as relações de mando e obediência. A nova gestão pública, também conhecida como modelo gerencialista, veio no bojo das mudanças socioeconômicas a partir dos anos 1970, contrapondo-se ao modelo burocrático, tomado este como ineficiente e incapaz para lidar com demandas da sociedade contemporânea. Sua plataforma básica pretende buscar a transformação da Administração Pública, por meio da adoção de princípios de gestão até então exclusivos do setor privado da economia. JUNQUILHO, G. S. Teorias da Administração Pública. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração / UFSC; [Brasília]: CAPES: UAB, 2010 (adaptado). Considerando o texto, avalie as afirmações a seguir. I. A Administração Pública gerencialista tem como foco a implementação de um modelo de gestão pública que se inspira nas recomendações e nos desenhos sugeridos pelos que advogam a favor da reforma do Estado para que se atinja mais eficiência no setor público, especialmente no campo econômico-financeiro. II. O gerencialismo descarta a Escola de Administração Científica, também chamada de Teoria Clássica da Administração, que foi idealizada por Henri Fayol, bem como a Teoria da Burocracia. III. A Administração Pública burocrática enfatiza a formalização, a divisão do trabalho, a hierarquia, a impessoalidade e a competência técnica dos funcionários, que devem ser promovidos e escolhidos por critérios de mérito e competência. É correto o que se afirma em: a) II, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) I e III, apenas. e) I, II e III. 2. (ENADE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – 2018). O modelo da Administração Pública Burocrática, surgido na segunda metade do século XIX, teve como princípios orientadores do seu desenvolvimento a profissionalização, a ideia de carreira, a hierarquia funcional, a impessoalidade, o formalismo – em síntese, o poder racional-legal. 45 BRASIL. Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado. Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. Brasília: Imprensa Nacional, 1995 (adaptado). Considerando o modelo de administração pública abordado no texto, bem como o modelo de Administração Pública Gerencial, avalie as afirmações a seguir. I. No modelo da Administração Pública Burocrática visa-se controlar os atos administrativos, evitando-se, assim, a corrupção e o mau uso da máquina pública. II. O modelo da Administração Pública Burocrática antecedeu o modelo da Administração Pública Gerencial. III. O modelo da Administração Pública Gerencial objetiva reduzir custos e aumentar a qualidade dos serviços públicos, priorizando o cidadão como beneficiário desse serviço. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 3. (FGV – 2018). Um empresário do setor de commodities, após participar de um workshop sobre gestão, decide aplicar uma política salarial em sua empresa pela qual todos receberiam um salário base mais uma comissão em função da produtividade, pautando-se na ideia de que os esforços são exclusivamente relacionados aos incentivos financeiros. Esse entendimento do empresário tem influência da: a) abordagem clássica, remetendo ao conceito do homo economicus. b) abordagem sistêmica, a qual considera a interação do homem com os fatores extrínsecos. c) abordagem contingencial, enfatizando a dependência entre a estrutura organizacional e o ambiente no qual está inserida. d) abordagem estruturalista, priorizando a eficácia à forma. e) abordagem humanística, ressaltando as necessidades básicas do ser humano associadas às finanças. 4. (CESPE – 2018). De acordo com as concepções iniciais de Max Weber, são características da burocracia. a) O excesso de regras, a subjetividade e o mecanicismo. b) O individualismo, os registros escritos e a estrutura orgânica. c) A racionalidade, o compromisso profissional e a hierarquia de autoridade. d) A divisão do trabalho, a flexibilidade organizacional e a previsibilidade. e) A informalidade das comunicações, a impessoalidade e o profissionalismo. 46 5. (UFPR – 2018). Uma das facetas de uma organização burocrática é considerar o poder empregado pelos superiores para controlar os subordinados e a orientação dos subordinados com relação a esse poder. Com relação aos tipos de organizações burocráticas e aos mecanismos de controle, identifiquecomo verdadeiras ou falsas as seguintes afirmativas. ( ) Uma organização burocrática coercitiva usa o poder das regras como principal meio de controle dos participantes dos níveis mais baixos. ( ) Uma organização burocrática utilitária adota a remuneração como principal meio de controle dos participantes dos níveis mais baixos. ( ) Uma organização burocrática normativa permite que o gerente escolha o principal meio de controle dos participantes dos níveis mais baixos. ( ) Uma organização burocrática híbrida adota mais de um meio de controle dos participantes dos níveis mais baixos. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. a) F – V – V – V. b) F – V – F – V. c) V – F – V – F. d) F – F – V – V. e) V – V – F – F. 6. (FGV – 2021). A Teoria Estruturalista representou uma inovação no mundo da gestão por contribuir para mitigar a dicotomia que vigorava entre os princípios e fundamentos utilizados pelas teorias administrativas da época, trazendo um conceito de abordagem interdisciplinar que sintetizava diferentes abordagens. Assinale a opção que apresenta um dos principais conceitos trazidos à tona pela Teoria Estruturalista. a) A ideia de homem organizacional. b) A forma de controle proveniente da dominação racional-legal. c) O uso de recompensas sociais e simbólicas. d) O foco no comportamento dos grupos informais. e) A organização por meio de um sistema de hierarquia funcional. 7. (FCC – 2015). Para Etzioni, há três tipos de organizações que são definidas pelo tipo de poder exercido sobre as pessoas. O tipo de organização e o tipo de poder estão corretamente relacionados em: a) manipulativa (reativa) x coercitivo: baseado em punições. b) impessoal x normativo: baseado em crenças e símbolos. c) normativa x impessoal: baseado em regras preestabelecidas. d) coercitiva x premiações: baseado em recompensas. e) utilitária x manipulativo (remunerativo): baseado em recompensas. 47 8. (COPESE – 2020). Leia as afirmações abaixo: I. A burocracia não considera as pessoas como pessoas, mas como ocupantes de cargo. II. Na burocracia, a escolha das pessoas se baseia no mérito e na competência técnica e não em preferências pessoais. III. O ocupante de cargo na burocracia, não faz o que quer, mas o que a burocracia impõe a ele. IV. Cada funcionário da burocracia tem mandato por tempo indeterminado e segue carreira na organização. V. Regras, decisões e ações administrativas são formuladas por escrito. Analise as características da burocracia abaixo: a) rotinas e procedimentos padronizados. b) profissionalização dos participantes. c) impessoalidade nas relações. d) caráter formal das comunicações. e) competência técnica e meritocracia. Marque a opção que apresenta a correspondência CORRETA entre as afirmações e as características da burocracia. a) I-E; II-B; III-A; IV-C; V-D. b) I-B; II-C; III-D; IV-A; V-E. c) I-C; II-A; III-B; IV-D; V-E. d) I-B; II-E; III-A; IV-C; V-D. e) I-C; II-E; III-A; IV-B; V-D. 48 ABORDAGEM SISTÊMICA 49 Quando falamos de sistemas, logo vem à nossa mente os sistemas de computadores ou de internet, não é mesmo? Mas, podemos ir mais próximos de nós mesmos e pensar nos sistemas do nosso corpo, que nos mantém vivos. Agora, podemos pensar ainda em outro tipo de sistema, o sistema econômico de um país, ou até mesmo o sistema eleitoral. Enfim, podemos entender que quando falamos em sistemas, eles podem fazer parte de diferentes contextos e perspectivas além de poderem conectar coisas e pessoas, tendo objetivos comuns, similares ou distintos. Assim, para que você possa começar a entender melhor, O’Brien (2006, p. 17) define sistemas como “um grupo de componentes inter-relacionados que trabalham rumo a uma meta comum, recebendo insumos e produzindo resultados em um processo organizado de transformação”. A discussão sobre os sistemas teve seu ponto de partida após a Segunda Guerra Mundial, a qual apresentou para todos os continentes e seus países que eram mutuamente dependentes e que, na verdade, faziam parte de um ecossistema integrado mundialmente, com suas diversidades e características próprias. Dessa maneira, você pode entender que as modificações realizadas em uma das partes do sistema refletem nas outras partes em sua totalidade. Desta forma, segundo Maximiano (2012, p. 342), o “sistema global (a totalidade dos países) era composto de partes diferenciadas, mas interdependentes e, em certa medida, integradas por políticas econômicas mundiais, regras, leis, instituições, comércio e por fenômenos sociais de influência mútua”. Essa conscientização provocada pela guerra refletiu-se nas concepções de conhecimento e ciência. Nota-se a importância de se desenvolver ciência nas mais variadas áreas, observando mudanças de comportamento, tendências evolutivas, práticas distintas das que eram antes praticadas, potencializando nossos rumos para o desenvolvimento mundial. Com isso, a interdisciplinaridade nas pesquisas científicas torna-se necessária, tendo em vista as complexas conexões entre as variáveis pesquisadas, como o comportamento da sociedade, a cura de doenças, investimentos no mercado, como também na comunicação de informações de estudos já realizados. Dessa maneira, os cientistas observaram que havia uma grande possibilidade de se conectarem e trabalharem de forma conjunta, dados os fatos e o contexto histórico da época (SILVA, 2013). Conforme nos esclarece Chiavenato (2002), o conceito de sistema foi desenvolvido a partir do estudo da cibernética proposto inicialmente pelo cientista Nobert Wiener. A cibernética “é uma teoria dos sistemas de controle baseada na comunicação (transferência 4.1 CONCEITOS DE SISTEMAS A Teoria Geral dos Sistemas pode ser aplicada em diferentes contextos e analisa- da por meio de variadas teorias, no sentido de compreender uma determinada realidade. Assim, convido você a ler o artigo “Análise organizacional sob a ótica da teoria da complexidade: proposição e aplicação de um modelo”, disponível em: https://bit.ly/3J9hPqM. Acesso em: 24 nov. 2021. BUSQUE POR MAIS 50 de informação) entre o sistema e o meio e dentro do sistema e do controle (retroação) da função dos sistemas com respeito ao ambiente”. (CHIAVENATO, 2002, p. 416). Assim, por meio da comunicação, é possível tornar os sistemas integrados de forma coerente, o que repercute na regulação do comportamento, buscando um equilíbrio sistêmico e dinâmico que permite o autocontrole sobre as operações do sistema. Para Chiavenato (2002, p. 545), “a cibernética permitiu o desenvolvimento e a operacionalização das ideias que convergiam para uma teoria de sistemas aplicado à administração”. Além desses estudos, podemos compreender que a expansão da tecnologia, da inovação nas sociedades do mundo todo, e claro, a necessidade de geração de novos negócios, oportunizaram o pensamento sistêmico, ou seja, um pensamento distinto da visão especialista e fragmentada, “em que o todo é muito maior que a soma das partes” (CHIAVENATO, 2002, p. 544). Assim, um conjunto de partes que interagem e funcionam como um todo é um sistema (LACOMBE, 2009). Agora, para que você possa entender melhor, uma situação precisa ser analisada por diferentes ângulos, pontos de vistas, bem como os elementos que estão envolvidos. E isso também ocorre em uma empresa, tendo em vista as interações existentes sobre um fenômeno, processo ou prática administrativa. Portanto, podemos dizer que tudo está interligado em uma empresa, sejam informações, funcionários, produtos, máquinas etc. Cada elemento é interdependente de outros para o seu funcionamento. Neste sentido, emergem duas características (CHIAVENATO, 2002, p. 552): A grande contribuição dos sistemas à sociedade é a sua aplicabilidade e visão sistêmica ao mundo real, ou seja, para a percepção das conexões possíveis entre os elementos e suas formas de transformações que permitem a evolução da ciência e da humanidade. Para o seu entendimento, os sistemassão divididos com base na sua constituição e na sua natureza. (CHIAVENATO, 2002). Em relação à sua natureza, temos: a) Sistema fechado: não há interação com o ambiente externo, o que leva à desintegração e à morte. Os estudos teóricos anteriores focam na tarefa e suas operações, o que permitia até então a percepção interna se seu funcionamento e sem menção ao Propósito ou objetivo (funcionalismo): todo sistema tem um propósito ou objetivo. As unidades ou elementos, bem como os relacionamentos definem um arranjo que visa sempre um objetivo ou finalidade a alcançar; Globalismo ou totalidade: todo sistema tem uma natu- reza orgânica, pela qual uma ação que produza mudan- ça em uma das unidades do sistema deverá produzir mudanças em todas as suas outras unidades. O efeito total dessas mudanças proporcionará um ajustamento de todo o sistema. Sistema: conjunto de elementos interagentes e interdependentes relacionados cada um ao seu ambiente de modo a formar um todo organizado (SILVA, 2013, p. 330). GLOSSÁRIO 51 Agora que sabemos sobre os sistemas, vamos estudar os seus parâmetros, conceitos e características. I. objetivos: são partes ou elementos do conjunto. De- pende da natureza do sistema. Podem ser físicos ou abstratos; II. atributos: são qualidades ou propriedades do sistema e de seus objetos; III. relações de interdependência: um sistema deve pos- suir relações internas com seus objetos. Essa é uma qualidade definidora crucial dos sistemas. Uma relação entre objetos implica um efeito mútuo ou interdepen- dência. IV. meio ambiente: os sistemas não existem no vácuo, pois são afetados pelo seu meio circundante. ambiente externo, levando ao entendimento de um sistema fechado. b) Sistema aberto: neste sistema ocorre o intercâmbio de matéria e energia entre o meio interno e o externo. Considerando a perspectiva de um sistema aberto, eles apresentam quatro elementos básicos (CHIAVENATO, 2002, p. 559): Vamos começar falando do biólogo alemão Ludwig von Bertalanffy (1901-1972) e seus estudos que, por volta da década de 1950, deram origem à Teoria Geral dos Sistemas (TGS). Na sua visão analítica e científica sobre os seres vivos, ele defende que os sistemas devem ser entendidos na sua plenitude e não sendo observados isoladamente ou de forma fragmentada. É a interdependência dos elementos que compõe o todo, como o caso das ciências, da sociedade, das empresas e dos seres vivos, o seu ponto de partida sobre os sistemas que os constituem. Na abordagem sistêmica, as organizações são entendidas e interpretadas como sistemas abertos, os quais interagem com diversos sistemas, trocando dados. (MAXIMIANO, 2012). 4.2 PARÂMETROS DOS SISTEMAS Figura 9: Ludwig von Bertalanffy Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3CBHTIH. Acesso em: 27 dez 2022. 52 Os principais parâmetros são visualizados na figura 2 e descritos a seguir. Para a sua compreensão sobre o sistema apresentado, acompanhe: • Objetivos: são definidos pela organização. • Dados de Entrada (inputs): são compostos por informação, energia ou matéria, que são provenientes do ambiente externo e entram no sistema. Segundo Chiavenato (2002, p. 568), as entradas “são os recursos físicos e abstratos de que o sistema é feito, incluindo todas as influências e recursos recebidos do meio ambiente”. • Processo de transformação: são os processos de gestão e produção, em que os dados provenientes da entrada são processados para a geração de resultados. As melhorias e as perdas podem ocorrer no processo. • Dados de Saída (outputs): são os resultados gerados pelo processo de transformação, que podem ser informação, energia ou matéria. Os dados de saída contribuem para a avaliação sobre o processo realizado. • Controle e Avaliação: monitoramento dos resultados gerados por meio de indicadores da empresa que monitoram os resultados gerados pelo processamento, com base nos dados de saída. • Retroalimentação (feedback): com base na avaliação dos resultados dos dados de saída, as informações retornam aos dados de entrada de forma a ajustar e controlar o funcionamento do sistema, aperfeiçoando-o. O entendimento sobre a Teoria dos Sistemas de que todos os elementos de uma empresa estão interligados contribui para a visão sistêmica da empresa e para a percepção de todo o funcionamento do negócio (MAXIMIANO, 2012). Em relação ao ambiente, todo o sistema está integrado a ele. Por sua vez, ele é formado por outros sistemas que importam energia desse ambiente e, após processamento e transformação, devolvem energia para outros sistemas. De acordo com Maximiano (2012), na análise do sistema se torna relevante entender seu ambiente Figura 10: Parâmetros do Sistema Fonte: Maximiano (2012) Os sistemas são compostos, obrigatoriamente, pelos quatro parâmetros principais, que são: entrada, processamento, saída e retroalimentação. FIQUE ATENTO 53 e o papel do sistema nesse ambiente, focalizando a missão do sistema para com outros sistemas. Portanto, podemos compreender, a partir disso, que as organizações podem ser consideradas sistemas formados por diferentes sistemas. Integrados, podem se tornar novos sistemas e esses novos sistemas, muitas vezes, não têm uma gerência ou coordenação comum. Dessa forma, é impossível estudar ou gerenciar um sistema sem levar em consideração os outros sistemas, entendendo-os em três níveis: subsistema (parte estruturada); sistema (o que está sendo considerado); ecossistema (o todo interligado) uma vez que a visão sistêmica propõe uma visão integrada (LACOMBE, 2009). Observando o comportamento dos sistemas nas organizações, podemos investigar uma pouco mais sobre a Teoria Geral dos Sistemas, suas características e contribuições aos estudos organizacionais. Vamos saber mais sobre o assunto? Ótimo, então acesse o livro Teoria Geral dos Sistemas, de Dante Pinheiro Martinelli e pesquise sobre as aplicações da teoria no cotidiano das empresas. Disponível em: https://bit.ly/3vZsAZc. Acesso em: 24 nov. 2021. BUSQUE POR MAIS Os estudos de Bertalanffy foram muito promissores aos estudos dos sistemas complexos, no sentido de que esta complexidade é a normalidade cotidiana, uma vez que a interação dos elementos e suas variáveis são diversas. Assim, o autor toma como ponto de partida a complexidade posta por desafios, problemas e situações complexas para o desenvolver o enfoque sistêmico. Assim, você pode levar em consideração que tudo está interligado e que não vivemos em um sistema fechado ou isolados em uma ilha. As abordagens sistêmicas nas organizações são percebidas como sistemas sociotécnicos estruturados. Nessa abordagem, as organizações são analisadas como sistemas abertos, mantendo relacionamentos com outros sistemas, com os quais trocam informações. São ainda considerados sistemas dinâmicos, em constante adaptação e mudança, buscando o equilíbrio, ou seja, a homeostase. Como sistemas, as empresas estão sujeitas a receberem insumos (inputs), analisá-los e liberá-los através de resultados (produtos/serviços – outputs). Em função dos seus resultados, o sistema organizacional é então retroalimentado (por feedback) segundo suas necessidades (MAXIMIANO, 2012). Teoria Geral dos Sistemas tem um importante papel dentro da formação do profissional de Administração, pois com ela identificamos os sistemas de ambientes, sejam eles abertos, com a troca de informações, ou fechados (LACOMBE, 2009). Muito importante no modelo de interpretação dos sistemas, o entendimento da TGS leva ao conhecimento de que a maioria das teorias estudadas entendia uma organização como um sistema fechado, focada no estudo do ambiente interno, sem preocupação com a influência dos fornecedores, acionistas e todos aqueles que hoje 4.3 TEORIA GERAL DOS SISTEMAS 54 estão representados como stakeholders. Portanto, se verifica que a abordagem dos sistemas aplicada à Administração esteja dentro do modelo de sistema aberto, para sua interação e sobrevivência, ao interagirem comclientes, fornecedores, que fazem parte da organização desse sistema aberto. Conforme Martinelli e Ventura (2006), a Abordagem Sistêmica nas organizações tem o poder da resolução efetiva de problemas, uma vez que analisa o todo, e não uma ou outra parte dele, sempre em interação com o ambiente, o que gera análises mais complexas – e completas. Neste sentido, pode-se atuar diretamente com aspectos de gestão, controle e tomada de decisões. Contudo, para que se possa atuar efetivamente sob essa abordagem, é preciso antes considerar seus alicerces. Agora, com base nos estudos de Maximiano (2012), os sistemas podem estabelecer estruturas distintas, bem como funcionalidades diversas a partir da necessidade da empresa e de seu objetivo enquanto negócios. Para isso, você precisa conhecer as classificações de sistemas e suas aplicações, para que possa ter maior clareza sobre o assunto, fomentar novos negócios e possibilitar o crescimento da empresa. Como podemos compreender o desenvolvimento de serviços, como de um escritório de ad- vocacia, a partir da Teoria Geral dos Sistemas? VAMOS PENSAR? Sistemas Definição Sistemas Naturais Dizem respeito à natureza, como a organização das galáxias e do reino animal. Sistema de Atividade Humana São sistemas formados pelas ações humanas, em torno de alguma intenção ou propósito comum, de forma ordenada. Sistemas Físicos São produtos da intenção e da ação humana, como máquinas, equipamentos e obras. Sistemas Não Físicos São sistemas abstratos, como as áreas de conhecimento. Sistema Aberto Este tipo de sistema importa recursos do ambiente, processa, trans- formando-os, e depois exporta o que foi transformado para o am- biente. Assim sendo, ele requer interação e interdependência. Sistema Fechado Neste tipo de sistema, não há qualquer interação com o ambiente, ou seja, ele é considerado autossuficiente. Neste sentido, entram em um processo de entropia. Sistema Mecânico É uma forma de organização caracterizada por atividades funcio- nais diferenciadas e especializadas, definição de direitos e deveres de cada papel funcional, reforço de hierarquia, disciplina e obediên- cia. Sistema Orgânico É uma forma de organização marcada por baixa hierarquia, co- municação vertical e horizontal, maior inovação e flexibilidade dos papéis. Quadro 5: Classificação de Sistemas Fonte: Maximiano (2012) 55 Os sistemas acima descritos demonstram a potencialidade de aplicação da teoria na administração de empresas, e, evidentemente, a sabedoria de gerenciar da melhor forma possível os recursos no sistema. De todas as teorias administrativas, a Teoria dos Sistemas é a menos criticada. Isso se deve ao fato de que ela vai ao encontro dos interesses das indústrias capitalistas que objetivam um maior lucro através da sua interação com o seu meio. No entanto, há críticas relativas ao uso do conceito para transformar a administração em pequenos sistemas ou processos. Neles, os gestores poderiam perder a noção das interações entre esses pequenos sistemas que formam a empresa, o que poderia reduzir a visão do todo organizacional, além de poucas análises sobre as condições internas das empresas e o elevado grau de paralelismo e seus excessos. (CHIAVENATO, 2000). Você pode compreender um pouco mais sobre as teorias até aqui apresentadas, bem como aprofundar nos conceitos da Teoria dos Sistemas, assistindo ao vídeo disponível neste link: https://bit.ly/3MIh22h. Acesso em: 22 nov. 2021. BUSQUE POR MAIS 56 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (PUC/PR – 2017). “A falta de demanda por parte de indústrias e varejistas por soja certificada tem sido o gargalo para a expansão do setor, segundo a Mesa Redonda para a Soja Sustentável (RTRS). O custo maior do grão, devido à certificação e ao prêmio pago ao produtor, mantém a produção mundial da soja certificada oscilando entre 2 milhões a 3 milhões de toneladas. A associação pretende anunciar até o fim do ano novos modelos a fim de tornar o selo mais acessível -- sem reduzir exigências para a certificação --, a partir de observações feitas pelos próprios membros da RTRS”. Barros, Betina. Falta de demanda limita crescimento do mercado de soja sustentável. Valor Econômico. 19/09/2017. Disponível em: https://bit.ly/3I4477g Acesso em: 10 set. 2017. Embora a sociedade esteja cada vez mais preocupada com a sustentabilidade e demandando ações das empresas nesse sentido, a aquisição de produtos e serviços originados de processos sustentáveis tem apresentado ritmo lento para estimular maior evolução da produção. Essa situação reflete bem o que pesquisadores representantes da teoria dos sistemas constataram sobre a interdependência entre as organizações e seus sistemas. Sobre o entendimento dessa teoria, esse fato sobre a soja reforça o entendimento de que: a) As organizações, como sistemas abertos, recebem influências dos seus ambientes externos, tendo suas condições de expansão limitadas ou estimuladas por eles, embora tenham muito pouca capacidade de influenciá-los. b) As organizações são sujeitas ao que o ambiente em que estão inseridas lhes determina. c) As organizações, como sistemas abertos, são limitadas ou estimuladas à expansão e desenvolvimento a partir das demandas e recursos que os seus ambientes apresentam, mas também interferem neles, alterando seus comportamentos e recursos mediante as ações que elas adotam. d) As organizações são sistemas fechados e as influências ambientais são mera impressão dos seus decisores. e) As organizações estão em interação constante com o ambiente externo e sofrem influência das contingências externas, resistindo-as. 2. (SUGEP – 2019). A teoria sistêmica busca produzir teorias e formulações para aplicação nas organizações, através de conceitos de várias disciplinas. No que diz respeito aos insumos para a produção de bens e serviços, assinale “V” para os verdadeiros, ou “F” para os falsos. ( ) Matérias-primas. ( ) Recursos Humanos. ( ) Energia. ( ) Recursos Financeiros. 57 ( ) Informação. ( ) Equipamento. A sequência correta, de cima para baixo, é: a) F- F- V- V- V- F. b) V- V- V- V- V- V. c) V- V- F- V- V- V. d) F- V- V- F- F- V. e) F- V- F- F- V- F. 3. (SUGEP – 2019). “Analisando as organizações como organismos, consideramos as empresas como ambientes abertos, ou seja, que sofrem e influenciam o meio onde estão inseridas. Ver organizações pela metáfora do organismo é aceitar como verdade o ciclo de vida de todo ser vivo, que nasce, desenvolve-se, cresce e morre. Sendo assim, acredita-se que toda empresa deverá ter um fim.” Acerca desse ponto de vista, analise as proposições abaixo. I. Fazer a pessoa acreditar que o que ela produz é realmente necessário. Ela tem que estar engajada. II. Devem-se criar premissas para as pessoas quererem trabalhar, mexendo nas crenças de valores delas. III. O ser humano é limitado e precisa de grupos sociais para interagir. Deve-se fazer a cooperação dos grupos através de incentivos (status). IV. A autoridade não vem de cima, mas de baixo, da aceitação do subordinado. Estão corretas: a) I, II e III, apenas. b) III e IV, apenas. c) II, III e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 4. (FGV – 2013). Com base na Teoria Geral dos Sistemas, assinale a alternativa que apresenta os princípios da abordagem sistêmica. a) Expansionismo – Pensamento Sintético – Mecanicismo. b) Reducionismo – Pensamento Analítico – Mecanicismo. c) Expansionismo – Pensamento Sintético – Teleologia. d) Expansionismo – Pensamento Analítico – Teleologia. e) Reducionismo – Pensamento Sintético – Mecanicismo. 5. (FCC – 2019). As organizações são sistemas abertos que operam em constante interação com o ambiente externo, este que pode ser operacionalizado em dois estratos: o ambiente geral e o ambiente de tarefa. Fazem parte do ambiente de tarefa: 58 a) As Entidades reguladoras e os clientes. b) As Variáveis demográficas e tecnológicas. c) As Variáveis sociais e culturais. d) As Entidades políticas e legais.e) O Macroambiente e o microambiente. 6. (IFCC – 2018) Entre as teorias desenvolvidas ao longo do tempo acerca das estruturas organizacionais, insere-se a Abordagem Sistêmica: a) que, de acordo com o modelo predicado por Eric Trist, identifica dois subsistemas na organização: o técnico, compreendendo as demandas da tarefa, e o social, compreendendo as relações sociais dos encarregados da tarefa. b) desenvolvida a partir dos estudos do sociólogo George Homans em seu livro The human group, predicando a independência entre os sistemas interno e externo à organização, a qual se traduz em um ambiente fechado e impermeável a mutações. c) inspirada na Teoria dos Sistemas desenvolvida pelo biólogo Ludwig von Bertalanffy, predicando a autonomia das unidades de uma organização, como sistemas autônomos, denominados centros de resultado. d) baseada nos estudos de Mary Parker Follet, que propõe um enfoque holístico das relações entre os integrantes da organização de modo a fomentar a motivação e a produtividade. e) desenvolvida por Henri Fayol, sustentada pelo princípio da cadeia escalar e unidade de comando como pilares para a manutenção do sistema organizacional. 7. (FCC – 2018). Entre as diversas escolas que se sucederam no estudo das estruturas organizacionais, pode-se citar a abordagem sistêmica da administração, baseada nos conceitos desenvolvidos por Ludwig von Bertalanffy, que possui como foco: a) a função de staff, que centraliza a matriz de responsabilidades no sistema organizacional. b) a unidade de comando, buscando isolar a organização de fatores exógenos. c) a cadeia escalar, que representa a gradação de responsabilidades internas. d) os centros de resultado, que irradiam comandos para toda a organização. e) a interação da organização com o ambiente em que se insere, sendo por este influenciada. 8. (FGV – 2018). A Teoria dos Sistemas rompeu com os paradigmas das teorias administrativas anteriores e trouxe uma nova forma de interpretação das organizações. Assinale a opção que indica uma inovação proposta pela Teoria dos Sistemas. a) Os funcionários podem ser substituídos por máquinas para a otimização de tarefas específicas. b) A hierarquia de comando da organização deve ser separada entre as funções. c) O núcleo técnico deve estar ajustado ao núcleo estratégico. d) Os processos internos são suficientes para o sucesso competitivo. e) As organizações interagem continuamente com o ambiente externo. 59 ABORDAGEM CONTINGENCIAL 60 Durante a década de 1970, ocorreram muitos estudos que pesquisavam os fenômenos organizacionais por meio de uma outra forma de enxergar a realidade. Os pesquisadores das teorias da administração até a década supracitada discutiam e projetavam novas organizações, estruturas e processos, além de ações gerenciais mais apropriadas para contextos mais específicos. As questões da Teoria da Contingência “estavam baseadas no princípio de que nas organizações nada é absoluto, pois tudo é relativo e, portanto, depende de algo, que geralmente é incontrolável para a organização” (OLIVEIRA, 2009, p. 93). Podemos citar como os precursores da Teoria Contingencial: Joan Woodward, Alfred Chandler, Tom Burns, G. M. Stalker, Lawrence e Lorsch. Estes autores verificaram que métodos eficientes, dependendo do contexto, obtinham resultados diferentes. Por isso, a importância de se entender o contexto em que a empresa está inserida, suas relações com o ambiente externo, além de perceber as variáveis que afetam a organização. Dessa forma, após diversas pesquisas realizadas na Europa e nos Estados Unidos, os pesquisadores chegaram a uma conclusão: os resultados eram diferentes porque as situações eram diferentes. Contribuindo, na abordagem contingencial prevalece a análise das condições do ambiente externo e suas influências sobre a dinâmica organizacional. Em livro de 1985, Freemont Kast e James Rosenzweig (apud SILVA, 2013, p. 365) observaram que: Assim, você pode entender que uma contingência é uma incerteza, um fato que, na prática, pode ou não acontecer. Nesse mesmo entendimento, a Abordagem Contingencial da Administração defende que pode ou não existir uma solução “ideal” para os problemas administrativos, os quais, já sabemos, são bastante complexos e desafiadores. Para Ribeiro (2016, p. 150), a Teoria da Contingência considera “tudo como relativo”, ou seja, não há um só modelo que servirá para todas as situações, como de fato sugeriam as teorias que estudamos até o momento. Andrade e Amboni (2018), nessa mesma linha, comentam que a abordagem contingencial usou premissas das demais escolas, especialmente da Teoria dos Sistemas, e considera que as organizações são, sim, sistemas abertos e dinâmicos que interagem constantemente com o ambiente. É também por isso que a Teoria da Contingência aceita a adoção da melhor alternativa possível. Desse modo, essa teoria exibe um caráter pragmático, ou seja: a “solução” para o problema virá depois da análise da situação, e não antes. Conforme nos explica Chiavenato (2002), a Teoria Contingencial apresenta que a empresa é um sistema complexo composto de outros subsistemas intimamente ligados ao sistema ambiental considerado o sistema máster. Nesse sentido, “[...] a visão contingencial procura analisar as relações dentro e entre os subsistemas, bem como 5.1 CARACTERÍSTICAS DA ABORDAGEM CONTINGENCIAL A visão de contingência procura entender as relações dentro e dentre os subsistemas, bem como entre a or- ganização e seu ambiente, e procura definir padrões de relações ou configurações de variáveis. Essa visão enfa- tiza a natureza multivariada das organizações e tenta entender como as organizações operam sob condições variáveis e em circunstâncias específicas. 61 entre a organização e seu ambiente e definir padrões de relações ou configuração de variáveis” (CHIAVENATO, 2002, p. 583). A Teoria das Contingências veio como uma forma de evolução da Teoria dos Sistemas, porém, não foi considerada por muitos, como uma nova teoria, por não agregar novas formas de pensamento. Após muitas pesquisas, foram apresentadas duas variáveis principais, que são o ambiente e a tecnologia, que determinam a organização e os relacionamentos dentro da empresa. A Teoria das Contingências informa que as partes são diferentes e a forma de estruturá-las também deve ser, cada uma com suas características. Logo, sua função é direcionar a empresa, adequando os desenhos organizacionais e os sistemas gerenciais a cada situação específica. Pesquisador Foco Estudo Chandler Estratégia e Estrutura Este autor desenvolveu uma pesquisa histórica sobre os impactos das alterações estruturais de grandes empresas relacionando-as com o desenho estratégico de suas atuações no mercado. O autor pesquisou quatro grandes organizações americanas (DuPont, General Motors, Standard Oil e a Se- ars Roebuck). A conclusão de seu estudo foi que a estrutura organizacional dessas empresas foi gradativamente definida de acordo com sua estratégia mercadológica. Portanto, a estrutura organizacional correspondia ao desenho da em- presa. Isto é, correspondia à forma organizacional que cada empresa assumia para incorporar seus recursos, enquanto o posicionamento estratégico adotado correspondia ao plano sistêmico de distribuição e alocação dos recursos para aten- der às necessidades do seu ambiente. Burns e Stalker Organizações Estes pesquisadores, por meio do estudo de 20 indústrias inglesas, buscaram entender a dinâmica organizacional em relação ao ambiente externo das indústrias pesquisadas. Identificaram em seus resultados que as organizações adota- vam diferentes procedimentos administrativos. Dessa forma, classificaram esses procedimentos em dois tipos: mecanísti- cos e orgânicos. Sobre a forma mecanística de organização, definiram que é a forma mais apropriada para aquelas condi- ções ambientais estáveis. Quanto à forma orgânica, ela pode ser utilizada para ambientes com condições tecnológicas e de inovaçãocom elevado grau de mudanças. Portanto, iden- tificaram um imperativo ambiental, pois, para eles, é o am- biente que define a estrutura organizacional e a sua gestão. Lawrence e Lorsch Ambiente Realizaram uma pesquisa envolvendo 10 empresas em três diferentes segmentos industriais. A pesquisa buscou identifi- car características que as empresas deveriam ter para serem eficiências ao enfrentamento das condições tecnológicas e econômicas. A pesquisa marcou o desenvolvimento da Te- oria da Contingência, que inclusive recebeu o nome a partir desse estudo. Os pesquisadores concluíram que as principais dificuldades eram: a diferenciação e a integração. A diferen- ciação e integração referem-se a prognósticos do ambiente da empresa. Portanto, quanto mais a organização se apro- ximar das características requeridas pelo ambiente, mais chances de sucesso terá do que as empresas que se afastam da diferenciação e integração que o ambiente exige delas. 62 Joan Woodward Tecnologia Esta autora se debruçou em pesquisar o êxito do negócio de 100 empresas e verificar se os princípios da administração tinham alguma relação com elas. Sua pesquisa originou a classificação das empresas em três grupos orientados pela tecnologia de produção: “produção unitária ou oficina; pro- dução em massa ou mecanizada; e, produção em processo ou automatizada” (CHIAVENATO, 2002, p. 589). Assim, sua pesquisa definiu que a tecnologia utilizada pela empresa de- fine a sua estrutura organizacional e o seu comportamento. Quadro 6: Principais pesquisadores da Teoria da Contingência Fonte: Chiavenato (2002) Teoria da Contingência: “não existe uma única maneira de organizar, ao contrário, as organizações precisam ser sistematicamente ajustadas às condições ambientais” (CHIA- VENATO, 2002, p. 813). Com o avanço dos estudos sobre as forças externas, as teorias foram evoluindo no con- texto da gestão estratégica, em que os administradores se valem das forças externas para realizarem diagnósticos organizacionais por meio da análise PESTAL, que se trata de um termo que representa as letras iniciais das variáveis Políticas, Econômicas, Sociais, Tecnológicas, Ambientais e Legais, as quais devem ser estudadas e analisadas cuidado- samente. FIQUE ATENTO FIQUE ATENTO De acordo com os conceitos até aqui apresentados, você irá saber mais sobre o ambiente externo à luz da Abordagem Contingencial. A abordagem contingencial apresenta avanços nas teorias administrativas anteriores, no sentido de estabelecer conexão com o contexto do ambiente externo e suas condições, que contribuem ou obstaculizam o desenvolvimento empresarial. Assim, a abordagem contingencial “[...] procura analisar as relações dentro e entre os subsistemas, bem como entre a organização e seu ambiente e definir padrões de relações ou configuração de variáveis” (CHIAVENATO, 2002, p. 583). Essa abordagem apresenta as condições do meio externo como elementos importantes de análise, os quais influenciam a gestão das empresas. As condições podem ser de ordem política, legal, tecnológica, ecológica, social/cultural, demográfica e econômica. Todas elas são entendidas como contingências, em que a empresa não possui gerência e controle sobre suas mudanças. Para melhor entendimento, vamos estudar cada um dos fatores externos que podem impactar no desenvolvimento de uma empresa, tanto de forma favorável ao negócio, como prejudicial, oportunizando perdas ao negócio. Acompanhe como as 5.2 FORÇAS EXTERNAS 63 forças externas, que são contingenciais, são expressas. 5.2.1 Fatores econômicos As forças econômicas têm grande influência dentro das organizações, pois referem-se ao período em que a economia está, as influências tributárias, as taxas e os custos. E sabe-se que esses fatores são cruciais dentro de uma organização, pois todas as organizações existem com a finalidade de dar lucro. Segundo Chiavenato (2002), as forças econômicas estão relacionadas com o estágio em que está a economia, em depressão, recessão, recuperação ou prosperidade. Relaciona-se também com as tendências nos preços de bens e serviços (inflação ou deflação), as políticas fiscais e monetárias, ao balanço de pagamentos, entre outras. Conforme se configuram essas facetas, elas podem facilitar ou dificultar o atingimento dos objetivos das empresas, levando, subsequentemente, ao fracasso ou sucesso de sua estratégia. As forças econômicas impactam fortemente nos negócios, principalmente sobre a oscilação do mercado cambial, políticas fiscais, taxa de desemprego, no ajuste das taxas de juros etc. As mudanças e oscilações mencionadas acima podem representar oportunidades ou ameaças para os administradores estratégicos (WRIGHT; KROLL; PARNELL, 2010). Para Chiavenato e Sapiro (2010, p. 88), “o raciocínio está centrado no impacto da tecnologia sobre as pessoas em todo mundo”, em que diversos mercados se tornam pouco a pouco mais globais em sua excelência, por isso, nenhum negócio está imune à concorrência internacional. A tecnologia está sendo um facilitador para o acesso e a agilidade dos produtos, por meio do qual os potenciais clientes têm maior facilidade de saber de sua existência. Nos dias de hoje, há uma grande movimentação de mercados mundiais onde as economias de escala nos setores da produção, do marketing e da distribuição podem ser perseguidas e o resultado disto está concentrado na redução dos custos, gerando, então, problemas e dificuldades para os concorrentes que não desenvolvem suas ações globalizadas. 5.2.2 Fatores sociais/culturais As forças sociais/culturais são regidas pela sociedade, as questões de moda e tendências são fatores principais, pois eles movem as pessoas a desejarem outras formas de ter e ser. Assim, “as tendências sociais apresentam várias oportunidade e ameaças ou restrições para as empresas” (WRIGHT; KROLL; PARNELL, 2010, p. 55). Essas forças se tornam ameaças porque, muitas vezes, as organizações não prestam atenção nesses detalhes e não analisam o ambiente externo; então, quando a sociedade modifica essas forças, as empresas enfraquecem. Segundo Chiavenato e Sapiro (2010), a análise das tendências relacionadas com crenças, valores, normas e costumes está associada às dinâmicas do ambiente econômico, aos valores sociais que também estão sofrendo mudanças. Por outro lado, as organizações podem transformar essas forças sociais em novas oportunidades para crescer, criar novos produtos e desenvolver a empresa. Para Chiavenato (2002), os fatores sociais estão relacionados com os valores sociais e 64 as atitudes das pessoas, pois com a população desejando melhor qualidade de vida, melhores padrões de conforto e sendo cada vez mais exigente, entre outros, ela acaba influenciando os produtos e serviços ofertados pelas organizações, podendo afetar as estratégias das empresas. 5.2.3 Forças tecnológicas Com a modernização e os avanços que a humanidade empreendeu nos últimos anos, as forças tecnológicas também se desenvolveram, podendo ser uma ameaça ou uma oportunidade para as organizações. Chiavenato e Sapiro (2010, p. 91) definem o “ambiente tecnológico como a análise das tendências relacionadas com o conhecimento humano que podem provocar a utilização das matérias-primas e insumos ou então a adequação de processos operacionais ou gerenciais”. A tecnologia é uma benção confusa, pois, uma nova tecnologia pode melhorar nossas vidas em uma área gerando problemas ambientais e sociais em outra. A tecnologia aparentemente é um fator que favorece a sociedade, porém, as empresas podem analisar a tecnologia sobre o aspecto de sua contínua evolução, no entanto, é o que todas as empresas almejam, porém, para que isso ocorra é necessário capital para manter-se atual. Para Wright, Kroll e Parnell (2010, p. 54), as forças tecnológicas: Para os mesmos autores, alguns avanços tecnológicos disponibilizam grandes oportunidades de melhorias operacionais. Esses avanços são: microcomputadores, lasers, satélites,telefonia, automação etc. Analisando de outra forma, a mudança tecnológica pode dizimar empresas existentes e até mesmo setores inteiros, visto que a demanda passa de um produto para outro. Nos estudos da socióloga inglesa Joan Woodward (1916-1971), a tecnologia foi considerada como responsável por um fator tão ou mais significativo do que da estrutura e suas práticas nas organizações (MAXIMIANO, 2012). Assim, a tecnologia influencia na gestão, na produção e no desenvolvimento humano dos profissionais nas empresas. Segundo Chiavenato (2002), os fatores tecnológicos, compreendem os custos e as disponibilidades dos fatores produtivos usados nas organizações e as mudanças tecnológicas que envolvem e afetam esses fatores de produção. 5.2.4 Forças políticas/legais Em se tratando dessas forças, Chiavenato e Sapiro (2010, p. 89) comentam sobre o ambiente político e legal: [...] incluem melhorias e inovações científicas que ofe- recem oportunidades ou ameaças para as empresas. A intensidade de mudança tecnológica varia conside- ravelmente de um setor para outro. As mudanças na tecnologia afetam as operações de uma empresa, bem como seus produtos e serviços. Nos últimos anos, aflorou uma ênfase na importância do desenho institucional e legal para o adequado fun- cionamento dos mercados e das políticas públicas. A 65 Veremos a seguir as principais contribuições e críticas da teoria às organizações, as quais podem ajudar na intepretação das empresas na contemporaneidade. Além disso, podemos entender que o sistema político-legal de uma nação influencia muito “suas operações comerciais e o padrão de vida de seus cidadãos, historicamente, padrões de vida mais altos têm sido associados a nações cujos sistemas econômicos favorecem a realização de negócios” (WRIGHT; KROLL; PARNELL, 2010, p. 49). Para Chiavenato (2002), os fatores políticos estão relacionados às decisões governamentais nos níveis federal, estadual e municipal, e são passíveis de afetar as operações e atividades da organização. Já os fatores legais da legislação nos âmbitos federais, estaduais e municipais, acabam tornando a atividade empresarial sujeita a limitações e restrições legais. 5.2.5 Forças demográficas Quando falamos em demografia, estamos potencializando as informações pertinentes aos dados de uma determinada população, como as condições de vida e saúde, faixa etária, acesso à educação, raça, gênero, costumes religiosos, taxa de crescimento e demais informações relativas aos perfis da população. Segundo Chiavenato e Sapiro (2010), essas informações são importantes para se desenvolver estratégias de marketing e relacionamento com o cliente, no âmbito da gestão contemporânea nas organizações. 5.2.6 Forças ecológicas Para a abordagem contingencial, essa força deve ser tratada com muito cuidado em suas variadas possibilidades, muitas das quais são relativas aos fenômenos da natureza, tais como temporais, seca, oscilações no clima, desmatamento, crise hídrica e energética, poluição, dentre outros fenômenos naturais. De acordo com Maximiano (2012), as empresas devem criar um ecossistema de relações com o ambiente ecológico e natural, possibilitando ações seguras de desenvolvimento sustentável. aprovação do novo Código Civil Brasileiro e as discus- sões no plenário sobre reforma previdenciária, tributá- ria, entre outras, são consequência disso. A Abordagem Contingencial é muito ampla e requer um esforço de leitura e compreensão sobre suas variáveis e interpretações. Para isso, indicamos a leitu- ra do livro Introdução à Teoria Geral da Administração. Nele, você pode começar pela Parte VIII – Abordagem Contingencial da Administração, incluindo o capí- tulo 10 na sua leitura. O livro está disponível em: https://bit.ly/34AZGTH. Acesso em: 24 nov. 2021. BUSQUE POR MAIS 66 A abordagem contingencial atravessou décadas e hoje é profundamente estudada. Muitos autores consideram-na como teoria, e não abordagem, como os criadores do termo a consideravam. O fato é que a contingência, quer seja teoria, quer seja abordagem, atravessou o século, recebendo os mais variados estudos. Podemos citar, por exemplo, o artigo de Donaldson (1998), no qual ele estabelece as bases para teoria da contingência estrutural. Na verdade, a frequente quebra de paradigmas tem exigido das organizações constante procura para enfrentar novos padrões, novas normas de ação. Donaldson (1998, p. 113) esclarece a questão afirmando que “a teoria da contingência estabelece que não há uma estrutura organizacional única que seja altamente efetiva para todas as organizações [...]. Há diversos fatores contingenciais: estratégia, incerteza com relação as tarefas e tecnologia [...]. Essas características refletem a influência do ambiente” e que é mutante. Os vários aspectos dos estudos organizacionais, incluindo a abordagem contingencial são úteis, pois estabelecem a relação evolutiva desde a fundamentação até a primeira transição do século XXI, passando pelos importantes estágios da reformulação, da transição do século XX e da integração. Categorizar os vários movimentos teóricos foi a forma encontrada para transmitir a relação de causa e efeito entre os postulados teóricos e os ganhos práticos advindos da consagração desses postulados. Poderíamos dizer que a evolução teórica é dada por denominação, ideologia, meios e resultante. Decorrente desse esforço, temos o reflexo na prática organizacional, que é dado pelos componentes: a) estrutural (estrutura física e organizacional); b) comportamental (pessoas e o comportamento organizacional); c) tecnológico (equipamentos e tecnologias utilizadas); d) estratégico e tecnológico (conhecimentos produzidos no, pelo e para o trabalho). Esses componentes pautam a ação moderna dos executivos quanto a estudos, análises e gestão das empresas (ARAÚJO, 2011). Assim, as organizações tendem a se adaptar ao ambiente em que sua cultura ou tecnologia se enquadra. É preciso saber que sempre ocorrem mudanças devido a tudo o que acontece fora da organização, e essas contingências podem vir do governo, da tecnologia, dos clientes, da concorrência etc. Para isso, é essencial que ocorram mudanças, tentado achar o melhor modo de se estabilizar e estar sempre a um passo à frente. As melhores empresas são as que conseguem se enquadrar diante do seu ambiente, conseguindo concretizar seus objetivos, alcançando resultados e a satisfação. Mas mudar não significa sucesso, pois mudanças repentinas não acham um tipo de padrão de trabalho que possibilite a avaliação eficiente dos resultados. Nesse entendimento, tudo que essa abordagem ensina acerca de tecnologia, ambiente, estrutura, tamanho e 5.3 CONTRIBUIÇÕES À ADMINISTRAÇÃO A qualidade de trabalho está intrinsecamente ligada à qualidade de vida de cada um e de todos. Se saudáveis, alimentados, abrigados, educados, com possibilidade de trocas afetivas, a responsabilidade e a eficiência se- rão naturais consequências. O trabalho, com efeito, será o brinquedo do adulto. O prazer genuíno de ajudar-se e ajudar o próximo (CARAVANTES, 2007, p. 354). 67 desenho é fundamental para se entender com mais detalhes das áreas de um todo que a teoria do sistema nos mostra, mas acho que não é novidade que sempre precisamos nos adaptar e mudar, evitando a acomodação. A abordagem incentiva a fazer escolhas, e que sempre há algo a fazer perante uma situação problemática, dando uma visão flexível e dinâmica para o administrador. Agora, podemos apontar como crítica à abordagem contingencial a ênfase excessiva à tecnologia, pois realmente está desatualizada. Mas por quê? Simples, porque a tecnologia está cada vez mais presente no mercado em que nos encontramos e se desenvolvendo cada vez mais, tornando-se foco nas decisões das organizações, e não somente uma necessidade de desenvolvimento para o sucesso, você não concorda? Portanto, os estudos que antecederam a formulação da Teoria da Contingência evidenciavam que não existiauma única maneira de melhor administrar uma organização. Ao invés de haver uma padronização, as organizações precisavam se adaptar às suas condições ambientais. É importante lembrar das características da abordagem contingencial (MAXIMIANO, 2012), para que você possa entender como ela se aplica nas organizações até os dias de hoje: • O papel do ambiente: as relações e os impactos gerados pelo ambiente externo às empresas são muito utilizados em análises de diagnóstico organizacional. • A supremacia do transitório: as empresas devem ser dinâmicas e adaptáveis, como o ambiente externo que está em constate mudança, podendo gerar oportunidades e desafios. • Fim do modelo ideal: não há um modelo único de administração, tudo vai depender do contexto em que se está inserido. Por isso a lógica do se... então... • Tecnologia: as empresas devem utilizar a tecnologia que melhor atende às suas necessidades, bem como de acordo com a sua estrutura organizacional. Dessa forma, a lógica se – então contribui para o entendimento de que para a composição e administração de uma empresa, para a abordagem contingencial, tudo depende das condições do ambiente em que ela está e a tecnologia disponível. A Teoria da Contingência apresenta os seguintes aspectos básicos: a organização tem uma natureza sistêmica e, assim, deve ser considerada um sistema aberto; as variáveis organizacionais apresentam um complexo inter-relacionamento entre si e com o am- biente (CHIAVENATO, 2002). FIQUE ATENTO Você quer saber mais sobre a abordagem contingencial? Ótimo! Para isso, in- dico a leitura do Capítulo 9 do livro Teorias da Administração, de Fábio Vizeu. Para te ajudar, você pode ir registrando os principais pontos da teoria, realizan- do uma sistematização das suas contribuições para os estudos organizacionais. Disponível em: https://bit.ly/3w08luf. Acesso em: 24 nov. 2021. Boa leitura! BUSQUE POR MAIS 68 Portanto, você deve saber que além da análise do ambiente, o reconhecimento das condições, o diagnóstico produzido e a adaptação à situação, é importante também que as relações funcionais com base nas condições ambientais e práticas administrativas, sejam revistas e ajustadas constantemente. O ambiente é tudo que está externamente à empresa, a qual pode ser considerada como um subsistema do ambiente externo. A origem da Teoria da Contingência ocorre a partir de pesquisas realizadas para verificar tipos de estruturas de empresas mais eficientes, tendo como referência as Teorias Clássicas (CHIAVENATO, 2002). Por fim, De acordo com Chiavenato (2002), os teóricos contingencialistas retiraram a responsabilidade de evolução e de desenvolvimento da organização, incidindo mais responsabilidade nas variáveis ambientais. Dessa forma, “responsabilizando-as pelas influências sobre as características organizacionais, quando na realidade, mesmo com situações adversas e ambientes não tão agradáveis para se trabalhar, é possível realizar um bom trabalho” (OLIVEIRA, 2009, p. 79). Portanto, as organizações não podem ficar somente condicionadas ao fator ambiente, é necessário levar em consideração o potencial evolutivo dos colaboradores e sua capacidade de adaptação e mudança Em se tratando da abordagem contingencial, quais os impactos que podem ocorrer a par- tir das oscilações de mercado e na economia de uma cidade? VAMOS PENSAR? 69 1. (ENADE – ADMINISTRAÇÃO – 2015). As organizações, enquanto fenômenos complexos, são influenciadas por alterações que ocorrem ao longo do tempo em função das demandas sociais, políticas, econômicas, culturais e, mais precisamente no contexto atual, tecnológicas. Essas mutações demandam entendimento dos processos que envolvem o ciclo de vida dessas entidades e as formar pelas quais elas devem ser gerenciadas, considerando a articulação entre os elementos de seu planejamento estratégico. Além de se tornar substancial para o fomento e a formulação de estratégias, compreender os aspectos históricos, econômicos, contextuais e políticos de uma organização é fator preponderante para o seu sucesso. (JUNQUEIRA, E.; FREZATTI, F. Perfil do sistema de controle gerencial das empresas brasileiras (adaptado). A partir das ideias apresentadas no texto, assinale a opção que descreve a corrente teórica mais adequada à interpretação do cenário apresentado. a) Escola burocrática, que postula a necessidade de modelos racionais, para a criação da estrutura organizacional, à luz do planejamento estratégico da organização. b) Abordagem das Relações Humanas, que postula que a estrutura da organização se fortalece com a criação de sistemas organizacionais interdependentes, cuja principal característica é a estrutura técnica. c) Escola Comportamentalista, que prevê a adaptação organizacional associada à classificação dos profissionais por aspectos relacionados à motivação, o que torna a mudança organizacional independente das pessoas. d) Escola Clássica da Administração, que propõe que a mudança organizacional se estabeleça por meio de métodos e técnicas que busquem a máxima eficiência das atividades organizacionais e, assim, se constitua como organização racional do trabalho. e) Abordagem Contingencial, que propõe a possibilidade de adaptação das organizações frente às alterações contextuais que as acometem, permitindo que possam utilizar modelos, ferramentas e instrumentos adequados às suas demandas. 2. (ENADE – ADMINISTRAÇÃO – 2018). Preocupado com a crise mundial na economia, o gerente comercial de uma empresa procurou mapear as contingências ambientais e os seus impactos na estratégia da organização para os próximos anos. Sua conclusão é a de que haverá uma redução na demanda por seu produto no mercado externo, com uma consequente redução nas exportações. Sendo assim, está prevendo que, no curto prazo, a empresa terá que se adaptar a essa realidade a partir das seguintes ações: (i) redução do quadro de funcionários; (ii) redirecionamento da produção para o mercado interno; e (iii) otimização dos custos empresariais. Considerando essa situação hipotética, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I. As previsões do gerente comercial apontam para o contingenciamento dos recursos FIXANDO O CONTEÚDO 70 organizacionais em face de uma nova configuração global. PORQUE II. Em períodos de tensionamento da situação econômica mundial, o mapeamento das contingências ambientais deve considerar a natureza cíclica e pré-determinada dos períodos de crise. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 3. (ENADE – TEC. DA QUALIDADE – 2018). As bases teóricas da Administração ainda estão em formação, tendo os estudos pioneiros de Taylor e Fayol, por exemplo, sido ampliados, de forma significativa, nos anos posteriores à sua publicação. No que se refere a essas bases teóricas, avalie as afirmações a seguir. I. No âmbito da burocracia, o trabalho realiza-se por meio de funcionários que ocupam cargos, os quais têm atribuições oficiais, fixas e ordenadas por meio de leis, normas e resoluções. II. No âmbito da administração científica, enfatizam-se o estudo das tarefas, a seleção e o treinamento de trabalhadores e a busca pela eficiência operacional. III. A reengenharia de processos prevê um esforço deliberado de se obter uma visão sistêmica da empresa, lastreado em estruturas organizacionais verticalizadas. IV. Sob o ponto de vista contingencial, procura-se analisar como as condições ambientais da empresa afetam as possibilidades de escolha nas decisões organizacionais. V. Segundo a abordagem comportamentalista, a eficácia organizacionalé promovida pela aplicação de análise quantitativa aos problemas e às decisões administrativas. É correto apenas o que se afirma em a) I e V. b) I, II e III. c) I, II e IV. d) III, IV e V. e) II, III, IV e V. 4. (FGV – 2019). Um importante marco na evolução do pensamento administrativo deu-se com o enfoque contingencial, cuja perspectiva pode ser resumida na frase “não existe uma única maneira indicada de administrar e organizar” (SOBRAL; PECI, 2013, 71 p. 81). Fortemente baseados em pesquisas empíricas, autores desse enfoque – como Woodward, Lawrence e Lorsch, Burns e Stalker e outros – identificaram fatores de contingência que influenciam a estrutura organizacional e que devem ser considerados pelos administradores, na busca por eficácia organizacional. São fatores de contingência que influenciam a estrutura: a) grau de centralização e tipo de processo produtivo. b) ambiente e fatia do mercado (market share). c) concentração do mercado e cultura organizacional. d) composição da mão de obra e estratégia. e) tecnologia e tamanho da organização. 5. (FGV – 2018). Sobre a Teoria Contingencial, analise as afirmativas a seguir. I. O sistema é composto por variáveis mutáveis. II. A organização deve focar em controlar variáveis independentes. III. Variáveis independentes devem servir como incentivo à adaptação. Está correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) I e III, apenas. 6. (UFG – 2017). A teoria administrativa que estabelece “não haver solução universal única para problemas da administração” e se distingue por “apresentar uma metodologia de solução de problema que se inicia com uma análise situacional e termina com a criação, avaliação, e recomendação de uma solução potencial para resolver o problema gerencial”, denomina-se: a) Teoria Estruturalista. b) Teoria das Contingências. c) Teoria dos Sistemas. d) Teoria Clássica. e) Teoria das Relações Humanas. 7. (IESES – TRT – 2014). Segundo a teoria Contingencial, a tecnologia contida em bens de capital e matérias-primas, constitui-se na chamada tecnologia: a) Tecnologia incorporada. b) Tecnologia não incorporada. c) Tecnologia obsoleta. d) Tecnologia inflexível. 72 e) Tecnologia flexível. 8. (FCC – 2020). A abordagem da administração orientada pelo entendimento de que as características ambientais condicionam as características organizacionais é baseada na teoria: a) clássica. b) das relações humanas. c) da burocracia. d) neoclássica. e) da contingência. 73 TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS 74 Você já ouviu falar em ESG? Você já trabalhou com métricas e ações sustentáveis no seu trabalho? Se a sua resposta é sim, você está no caminho da ESG. Mas, o que é ESG? Muito simples, ESG significa na tradução para a língua portuguesa: Ambiental, Social e Governança. O foco que devemos ter atenção é em relação aos investimentos realizados pela empresa, tendo em vista a tríade forma pela ESG. Cabe aqui dizer que as análises realizadas pelos administradores têm forte relação com a gestão financeira do negócio, levando em consideração os resultados gerados pelos investimentos efetivados (SIQUEIRA; RICHTER; MACHADO, 2022). Há estudos que apontam que a ESG é um método de investimento, chamando-o de investimento ESG. Dessa maneira, para que ele possa ser gerado, passa por uma divisão em três áreas, a saber: O processo de tomada de decisão realizado à luz dos critérios ESG (SIQUEIRA; RICHTER; MACHADO, 2022) refere-se aos seguintes fatores: • investimentos de impacto: são aqueles que objetivam promover práticas de governança que fomentem estratégias sustentáveis e promotoras de resultados de impacto econômico, social e ambiental ao negócio, interna e externamente; • investimentos socialmente responsáveis: são os programas, projetos e ações que viabilizam o desenvolvimento social e humano dos trabalhadores da empresa e da sociedade com a qual a empresa se relaciona; • investimentos sustentáveis: são as estratégias e suas ações internas e externas que priorizam o cuidado com o meio ambiente, o clima, a redução da poluição, o 6.1 ESG Primeiro, a integração ESG, na qual o objetivo principal é melhorar as características de risco-retorno de um por- tfólio. Em segundo lugar, o investimento baseado em valores, no qual o investidor busca alinhar seu portfólio com suas normas e crenças. Terceiro, investimento de impacto, no qual os investidores querem usar seu capi- tal para desencadear mudanças para fins sociais ou am- bientais, por exemplo, para acelerar a descarbonização da economia (GIESE et al., 2019, p. 69). Figura 11: ESG Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3MCsFI5. Acesso em: 24 nov. 2021 75 Com base no quadro acima, Siqueira, Richter e Machado (2022, p. 3) orientam que as organizações e seus administradores têm a “capacidade de responder aos desafios globais, sendo os atores principais, de forma mais proativa, ao repensar as estratégias corporativas para [...] a sustentabilidade futura global do sistema econômico, social e ambiental”. Agora, vamos tratar de outro assunto contemporâneo na administração de empresas, o Big Data, que está contribuindo em muito para o desenvolvimento dos negócios no século XXI. Quadro 7: Dimensões da ESG Fonte: Adaptado de Giese et al. (2019) tratamento e descarte sustentável de resíduos, entre outros fatores ambientais. Por meio dos critérios apresentados, a empresa pode planejar de forma mais assertiva suas estratégias, desenvolver diagnósticos focados no investimento ESG, além de construir a marca com base nessa diretriz, comunicando seus stakeholders sobre seu posicionamento institucional. Dessa forma, ela pode agregar valor ao seu produto e/ou serviço, fomentando novos negócios e investimentos ESG. No investimento ESG, são monitorados os resultados gerados com base em métricas administrativas de controle, haja vista a peculiaridade de as ações serem pautadas nas seguintes dimensões que orientam a gestão ESG: Dimensão Características Ambiental Objetiva os impactos ambientais gerados pela empresa, com base em seus indicadores ambientais de controle, tais como a redução do con- sumo de carbono, a utilização adequada dos recursos naturais, desde a matéria-prima até a entrega aos consumidores, bem como as ações de preservação ambiental. Social Preconiza as relações sociais e suas práticas, tanto na esfera institucional com seus trabalhadores, quanto na esfera externa, com seus fornecedo- res, clientes, moradores em torno, parceiros do negócio e a sociedade de forma mais ampla. Além disso, a gestão da diversidade é uma das carac- terísticas do investimento ESG, promovendo o respeito e a valorização humana em todos os sentidos, tanto no ambiente de trabalho como na atuação da marca e suas campanhas externas. Governança Prioriza a gestão ética e transparente das ações realizadas, bem como a prestação de contas do trabalho desenvolvimento pela empresa em prol da sociedade e do mercado em que atua. Por isso, a realização de audito- rias internas e externas são foco do investimento ESG, contribuindo para a administração da empresa e o alinhamento estratégico. O investimento ESG é um processo de integração holística de esforços no que diz respeito às dimensões ambientais, sociais e de governança. As análises econômicas e financeiras dos investimentos devem estar relacionadas com os impactos ambientais e sociais, de forma ética e sustentável (SIQUEIRA; RICHTER; MACHADO, 2022). FIQUE ATENTO 76 Você já se deparou com um alto volume de dados e informações acumuladas? Se sim, bem-vindo ao Big Data! Este termo está associado ao elevado número de informações disponíveis de forma on e offline. Diferentemente do Data Analytics, que possibilita a análise de um alto volume de dados que permite a visualização de tendências por meio de métricas analíticas, o Big Data (BD) tem a capacidade de armazenar um alto volume de dados, contribuindo para a gestão da informação (O’BRIEN; MARAKAS, 2007).Dessa maneira, os gestores podem buscar os dados de forma mais rápida e segura no Big Data, ao invés de buscar informações em diferentes sistemas, fazendo agrupamentos manualmente. Além disso, cabe ressaltar que o Big Data Analytics possibilita gerar análises sobre os dados armazenados pelo Big Data, tendo em vista as necessidades do negócio, tais como comportamento dos consumidores, tendências de mercado, oscilações mercadológicas, deficiências financeiras, investimentos realizados, taxa de crescimento, política cambial, dentre outros fatores pertinentes ao negócio (O’BRIEN; MARAKAS, 2007). Conforme você pode perceber, cada vez mais as empresas estão digitais e conectadas por meio da internet. Seja no sentido de sistemas de gestão financeira, relacionamento nas redes sociais com os consumidores, sistemas integrados de gestão, ERP, além de sistemas logísticos que possibilitem, em tempo real, saber como está o transporte das mercadorias, seja o recebimento de insumos, como na entrega de mercadorias aos clientes (LAUDON; LAUDON, 2007). Tudo isso é muito favorável ao negócio, desde que bem administradas as informações geradas pelo Big Data no sentido de oportunizar estratégias de desenvolvimento organizacional. No entanto, você considera que as empresas estão preparadas para utilizar o Big Data? Podemos dizer que sim, para aquelas que investem em tecnologia, automação de dados, treinamento dos funcionários e entendem a relevância da informação integrada ao negócio. Complementando, 6.2 BIG DATA Figura 12: Big Data Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3KBk1HP. Acesso em: 24 nov. 2021 a infraestrutura de tecnologia da informação (TI) desa- tualizada, a complexidade e o caos inerentes ao BD, o gerenciamento, a qualidade e a segurança de dados, a falta de habilidades de ciência de dados nas organiza- 77 Nesse sentido, você precisa saber que a empresa necessita desenvolver estratégias de gestão da informação aliada à gestão do conhecimento, tendo em vista o acúmulo de dados gerados pelo Big Data e o foco que ela terá com essas informações analisadas pelo Data Analytics. Esses dados processados e interpretados vão contribuir para o processo de tomada de decisão sobre as mudanças e adaptações que a empresa precisará desenvolver no sentido de se manter competitivas no mercado (LAUDON; LAUDON, 2007). Além disso, o Big Data demanda a atuação de profissionais qualificados em sistema de informações para realizar a manutenção, revisão, adequação e cruzamento de dados necessários ao negócio. Assim, se estabelece uma rede de apoio à tomada de decisão, com base nas análises geradas, com vistas a oportunizar que a empresa possa desenvolver sua gestão contemporânea (O’BRIEN; MARAKAS, 2007). É importante ressaltar que a gestão de dados não é puramente uma ação do Big Data, mas, sim, uma estratégia organizacional que deve ser fomentada e aprimorada constantemente, conforme orientam Medeiros, Maçada e Hoppen (2021, p. 4): Dessa forma, com o avanço da computação em nuvem, as redes sociais e a internet possibilitam que as empresas tenham dados dos seus clientes por meio de alguns cliques, isto é, quando o BD está operando de forma eficiente e com analistas competentes e orientados ao negócio. Complementado sobre os aspectos estruturais para a viabilidade e eficiência do Big Data, os autores Rech, Casalinho e Silveira (2020, p. 54) orientam que as organizações desenvolvam “líderes com visão de futuro em todos os setores devem começar a construir capacidades em suas organizações que permitam o uso do BD”. Para que possam equilibrar a criação de valor e a exposi- ção ao risco e alcançar a coordenação eficaz necessária para ter sucesso e manter a vantagem competitiva, as organizações precisam de um programa de governan- ça de dados [...]. No entanto, o desenvolvimento de me- canismos e políticas de governança e administração de dados (AD) é um dos desafios organizacionais contem- porâneos mais complexos. ções, as preocupações com a privacidade e as culturas organizacionais que não conduzem a operações orien- tadas a dados ou à tomada de decisão baseada em da- dos são as principais barreiras para a implementação eficaz de estratégias de BD (MEDEIROS; MAÇADA; HO- PPEN, 2021, p. 3). “A estratégia de Big Data é um recurso significativo para a competitividade, o desempe- nho, a agilidade e a inovação que está influenciando fortemente a formulação de estra- tégias de negócio, devido ao aumento de dados e capacidades analíticas” (MEDEIROS; MAÇADA; HOPPEN, 2021, p. 3). FIQUE ATENTO 78 Em uma empresa, quem detém o poder de produção: o empreendedor ou o funcionário que domina o processo de produção? VAMOS PENSAR? Por fim, você precisa saber que o Big Data também é orientado por 3 Vs (LOPES; SILVA, 2021), que dizem respeito ao: • Volume: se refere à quantidade de informações geradas diariamente que alimentam o banco de dados da organização. • Veracidade: tem relação com os formatos de dados recebidos, que podem ser brutos, semiestruturados e estruturados, tendo em vista a confirmação das análises produzidas. • Velocidade: tem como orientação a rapidez do processamento dos dados, de acordo com o volume de informações, a dimensão de variedade dos elementos recebidos e analisados. Estes pilares do Big Data oportunizam aos profissionais desenvolverem informações que podem produzir conteúdos significativos à empresa e à sociedade. Como exemplo disso, temos os dados relativos à pandemia da Covid-19, que diariamente são processados para gerar informações que permitem aos gestores tomadas de decisão referentes aos impactos da pandemia no mercado e na sociedade. Para finalizarmos esta unidade, vamos estudar o Trabalho Remoto e a Jornada Híbrida, que consistem em práticas de gestão contemporânea. Você quer saber mais sobre o Big Data e revolucionar a sua área de atuação pro- fissional? Legal! Então, recomendamos que você leia o livro Inteligência Compe- titiva em Tempos de Big Data, disponível em: https://bit.ly/3hYq0u2. Acesso em: 24 nov. 2021. BUSQUE POR MAIS Você certamente deve conhecer alguém que trabalhe em casa para alguma empresa ou que não precise estar fisicamente presente em uma empresa para desenvolver suas responsabilidades. Essa possibilidade de trabalhar fora dos muros da empresa é designada de trabalho remoto, o qual, com a pandemia da Covid-19, consistiu em uma estratégia significativa para muitas empresas e trabalhadores manterem suas ações e seus empregos, respectivamente. Frente à pandemia supracitada e com foco exclusivo no mundo do trabalho, os autores Rocha e Amador (2018) reforçam que novas demandas de prevenção à saúde surgiram e as pessoas foram aconselhadas a ficarem em casa. Com a crise suscitada por essa situação, muitas pessoas ficaram assustadas; mas, ao mesmo tempo em que se tinha medo de sair na rua, também existia o medo de ficar sem emprego. Atendendo-se, então, às novas normas e aderindo ao distanciamento social, 6.3 TRABALHO REMOTO E JORNADA HÍBRIDA 79 a principal medida tomada pelas empresas e funcionários foi o trabalho remoto, enquanto estratégia aplicada ao desenvolvimento do trabalho nas empresas desde 1970, “proporcionando mudança na forma de execução do trabalho, no qual as pessoas exercem suas atividades em casa, mantendo o vínculo com a organização” (HAUBRICH, D. B.; FROEHLICH, 2020, p. 169). O teletrabalho já era algo recorrente antes mesmo da pandemia, sendo um modelo de trabalho em que muitas pessoas desejam desenvolver, pois traz consigo uma ideia de conforto, autonomia, flexibilidade, em que não há uma preocupação com deslocamento, gastos com alimentos, risco de atrasos e controle excessivo da rotina. Dessa forma, o teletrabalho pode ser definido “como uma forma de organização de trabalho por meio da qual as atividades podem ser desenvolvidas parcial ou completamente fora do local de trabalho convencional da empresa, com o auxílio de ferramentas e serviços de telecomunicação”(VILARINHO; PASCHOAL; DEMO, 2021, p. 138). É importante lembrar que o teletrabalho não é algo recente e que não surgiu com a pandemia: Assim, por ser algo que já existia e funcionava em muitos segmentos de atuação, foi essa a medida adotada e que gerou resultados significativos durante a pandemia, os quais permanecem até hoje. O trabalho remoto oportunizou que o trabalhador fosse mantido em seu cargo, sem correr o risco do contato com outras pessoas e, ao mesmo tempo, a empresa manteve suas ações e ainda conseguiu suprimir algumas despesas em função de não precisar arcar com os gastos oriundos da presença do seu funcionário no posto de trabalho (BATISTA et al, 2021). O trabalho remoto é um dos grandes temas quando o assunto é trabalho do futuro. Esse assunto é relativamente recente no Brasil. Esse modelo de trabalho é muitas vezes adotado por profissionais independentes, autônomos ou empreendedores, bem como por modelos de organização que não demandam a necessidade de os trabalhadores estarem fisicamente na empresa, podendo trabalhar a distância ou online (VILARINHO; PASCHOAL; DEMO, 2021). O trabalho pode ser desempenhado em casa ou em ambientes diferenciados, compartilhados com outras pessoas, levando-se em conta o conforto para a realização das atividades. O trabalho remoto tende a trazer uma nova proposta de trabalho, alterando as formas de contratos vinculados ao trabalho formal, no sentido da prestação de serviços no contexto brasileiro e mundial. Além disso, é importante que: O teletrabalho, embora fruto da confluência dos siste- mas flexíveis e da revolução informacional do último quartel do século XX, não pode ser entendido separado das formas históricas de trabalho domiciliar (em casa, parcial, home office) que o precedem. No entanto, não se confunde com o trabalho em domicílio dos primór- dios da industrialização e que retornou com a reestru- turação produtiva e a externalização da produção, caso típico do segmento da confecção (DURÃES, B.; BRIDI, M. A. C.; DUTRA, 2021, p. 948). [...] é necessário distinguir entre as práticas oficialmente implementadas na organização e como os empregados as percebem. A simples introdução de novas formas 80 de trabalho pode não alcançar os resultados deseja- dos quando não considera uma cultura organizacional compatível que dê suporte a elas. Lewis (2013) também aponta a importância de questões culturais para a fun- cionalidade e a efetividade do teletrabalho, argumen- tando que na cultura francesa, por exemplo, em que as interações e comunicações cara a cara são muito valori- zadas, o teletrabalho encontra mais barreiras para se es- tabelecer (VILARINHO; PASCHOAL; DEMO, 2021, p. 140). Também é importante dizer que emerge desse contexto uma nova nomenclatura e podemos nos deparar com outros termos para se referir ao trabalho remoto, como teletrabalho, também por vezes referido como home office ou trabalho a distância (LEAL, 2015). Antes de mais nada: qual é o termo correto? Há diferença entre eles? Buscando responder à essa questão, Rocha e Amador (2018) mencionam que há, no mínimo, seis diferentes tipos de trabalho nesta perspectiva. Acompanhe no quadro a seguir: Cabe salientar que um dos maiores problemas do home office é a administração do tempo. É necessário que as atividades da empresa sejam realizadas sem que seja perdido o foco. E quando a empresa tem funcionários, sejam eles contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sejam terceirizados, é importante que estejam bem-definidas as atividades e os prazos para cada serviço prestado (BATISTA et al, 2021). Como uma alternativa a isso, muitas empresas e trabalhadores estão adotando a jornada híbrida de trabalho, que possibilita uma flexibilização entre o trabalho presencial Tipo Característica Trabalho em domicílio É o trabalho realizado na casa do trabalhador (home office). Trabalho em escritório satélite Os trabalhadores executam o trabalho em pequenas unida- des espalhadas de uma empresa central. Trabalho em telecentros O trabalho é realizado em estabelecimentos normalmente instalados próximo ao domicílio do trabalhador que ofere- cem postos de trabalho a empregados ou várias organiza- ções ou serviços telemáticos a clientes remotos. Trabalho móvel Fora do domicílio ou do centro principal de trabalho, com- preendendo viagens de negócios ou trabalho de campo ou em instalações do cliente. Trabalho em empresas remotas ou off-shore Call-centers ou telesserviços por meio dos quais as firmas instalam seus escritórios-satélite ou subcontratam empre- sas de telesserviços de outras zonas do globo com mão de obra mais barata. Trabalho informal ou teletrabalho misto Arranjo com o empregador para que se trabalhe algumas horas fora da empresa. Todas essas modalidades de teletra- balho têm em comum a flexibilização dos espaços de traba- lho e, muitas vezes, do tempo dedicado a ele, substituindo o deslocamento do trabalhador até a sede demandante pelo uso das ferramentas de informação e comunicação remota. Quadro 8: Possibilidades do Trabalho Remoto Fonte: Rocha e Amador (2018, p. 154) 81 e o trabalho remoto, em que, de comum acordo, são negociados os turnos que serão remotos e os que serão presenciais. A jornada híbrida favorece o processo de trabalho que demanda atividades presenciais no ambiente de trabalho e outras que podem muito bem ser desenvolvidas remotamente (DURÃES; BRIDI; DUTRA, 2021). Agora, quando você for adotar o trabalho remoto ou a jornada híbrida, é importante ressaltar que, para desenvolver esses modelos de trabalho, é necessário fazer um bom planejamento para avaliação das possibilidades desses formatos. (VILARINHO; PASCHOAL; DEMO, 2021). Pode-se criar uma linha de pensamento segundo a qual uma pessoa (empreendedora) pode fazer todo seu trabalho de forma remota, bem como ter uma equipe para contribuir com o trabalho, desde que haja a cultura para esse tipo de trabalho e o desenvolvimento de competências dos profissionais que atuam juntamente na equipe. Assim, é possível promover a gestão dos recursos, do tempo, das pessoas e avaliar, por meio dos resultados, a eficiência do trabalho desempenhado. Os estudos sobre o trabalho remoto e a jornada híbrida foram potencializados com a pandemia da Covid-19, trazendo dados interessantes para o nosso co- nhecimento e crescimento profissional. Um deles é o artigo intitulado “A Im- portância do Trabalho Remoto para Pessoas e Empresas durante a Pandemia”, disponível em: https://bit.ly/3Cy0IMU. Acesso em: 24 nov. 2021. BUSQUE POR MAIS 82 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (ENADE MARKETING – 2018). Uma grande empresa provedora de filmes e séries de televisão via streaming utiliza recursos de big data para armazenar os dados de seus consumidores. A empresa passou a utilizar também os recursos de marketing digital, de modo que fosse possível criar experiências positivas com os consumidores. Em uma das análises dos dados, revelou-se que os clientes demoravam, em média, 20 minutos para decidir ao que assistir. A partir de dados antigos de cada consumidor, a empresa passou a enviar mensagens e avisos relacionados aos filmes ou às séries que poderiam agradar aquele consumidor específico. Além disso, a empresa, com base nos dados atuais dos consumidores, busca prever as séries e os filmes que os clientes venham a assistir. Nesse contexto, avalie as afirmações a seguir. I. A primeira estratégia utilizada pela empresa pode ser descrita como segmentação, que, com a utilização do big data, foi realizada com dados específicos. II. Os dados captados por meio de big data possibilitam que a empresa direcione a escolha de filmes e séries de acordo com o seu interesse comercial. III. A empresa deve utilizar o big data com cautela, pois podem restringir a oferta de produtos, limitando a escolha do consumidor. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 2. (ENADE – ADMINISTRAÇÃO – 2018).A teoria matemática da Administração foi a que trouxe para os processos decisórios o foco no uso de métodos oriundos das ciências exatas, em especial a Matemática Aplicada, a Computação e a Estatística. Implementações de conhecimentos, tais como pesquisa operacional, teoria dos jogos, teoria das filas, teoria das probabilidades, programação linear e modelagem estatística preditiva, passaram a fazer parte do dia a dia de algumas áreas gerenciais. A evolução gerencial recente diz respeito ao uso de grandes volumes de dados, com permanente atualização e diferentes formatos (como numérico, textual e visual), que vêm associados ao conceito de Big Data. O novo cenário para as práticas de gestão viabiliza um conceito de decisão baseada em dados ou de gestão baseada em dados. ANDRADE, R.; AMBONI, N. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Elsevier Brasil, 2017 (adaptado). No que se refere à evolução recente comentada no texto, assinale a opção correta. 83 a) A gestão baseada em dados refere-se à prática de captação, manipulação e análise de dados para a tomada de decisão, utilizando, na atualidade, diferentes fontes, tipos e volumes de dados, além de ferramentas computacionais estatísticas mais sofisticadas e com aplicações complementares aos métodos convencionais de tomada de decisão. b) Os conceitos associados à inteligência de negócios e à ciência de dados sinalizam uma reorientação paradigmática da teoria matemática, que se distancia dos métodos efetivamente matemáticos, como a pesquisa operacional ou a teoria das filas, e se aproxima da área de Educação e Psicologia, pelos estudos de inteligência, e da área computacional, pelo estudo de dados. c) O uso dos diferentes tipos de dados citados sinaliza uma complementação de métodos de análise nos processos decisórios, com uso de métodos quantitativos convencionais, a exemplo das medidas estatísticas ou análise de regressão, e de métodos de análise da pesquisa qualitativa, a exemplo dos métodos etnográficos e projetivos. d) O conceito de decisão baseada em dados, ainda que não represente novidade no cenário gerencial, vem adquirindo novos contornos em função de sua aproximação com o conceito de Big Data, o qual substitui pequenos volumes de dados e dispensa os procedimentos convencionais de pesquisa com pequenas amostras, como métodos experimentais ou estudos por entrevistas. e) As tendências associadas ao Big Data, devido à utilização de grandes números e valores, atualizam a aproximação do conhecimento gerencial com a Matemática e a Estatística, com novas aplicações da teoria dos conjuntos infinitos e da lei estatística dos grandes números. 3. (ENADE – ADMINISTRAÇÃO – 2018). Texto 1: No esforço de gestão orientada à competitividade, a decisão baseada em informação é sempre uma referência de valor para gestores mais eficientes e visionários. No contexto de grandes volumes de dados e com produção continuada nos meios virtuais, associados ao conceito de Big Data, os gestores têm à disposição dados que permitem melhor conhecimento de concorrentes, consumidores, colaboradores, parceiros e outros agentes de influência e interação. No campo particular de marketing, essa realidade alcança o conceito de inteligência de marketing, com foco nas variáveis de mercado e em dados e informações, por exemplo, sobre consumidores e concorrentes. TURBAN, E. et al. Business intelligence: um enfoque gerencial para a inteligência do negócio. Porto Alegre: Bookman Editora, 2009 (adaptado). Texto 2: Um debate sobre questões legais e éticas a respeito do uso de dados de consumidores atualmente acessíveis a diferentes tecnologias de prospecção surgiu em decorrência da abundância de informações nas redes sociais. A venda de tais dados a empresas interessadas em melhor direcionar seus esforços de marketing, sem a autorização da pessoa, pode vir a criar os mais diversos transtornos. A constante novidade dessas ferramentas e práticas dificulta a existência de referências legais de gestão e controle. A 84 base de decisão ética parece ser a referência central para os gestores. Disponível em: https://bit.ly/3HXXXFK. Acesso em: 27 jul. 2017 (adaptado). Considerando os desenvolvimentos relativos à inteligência de marketing, avalie as afirmações a seguir. I. Diferentemente da inteligência competitiva, voltada a dados externos, a inteligência de marketing se operacionaliza por meio dos sistemas de processamentos de transações de dados internos da organização, de modo que, com o devido consentimento do cliente, são eliminados os problemas éticos no uso de tecnologias para melhorar as decisões de marketing com bases em seus pessoais. II. As redes sociais têm sido objeto de reflexão no debate contemporâneo porque as tecnologias disponíveis permitem extrapolar o interesse gerencial dos prestadores de serviços e gerar ações marketing que, em algumas situações, não seriam permitidas pelos consumidores caso soubessem do uso de seus dados. III. As ferramentas convencionais de inteligência competitiva, cuja aplicação abrange a inteligência de marketing, requerem cuidado e clareza no uso dos dados de mercado e dos clientes em potencial, sendo exemplos de práticas que minimizam problemas em um cenário de falta de referência legal. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 4. (ENADE – TEC. GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS – 2018). Um funcionário foi contratado por uma companhia no regime de teletrabalho, conforme a Lei n° 13.467/2017. Posteriormente, esse funcionário solicitou ao setor de recursos humanos que seu regime de trabalho fosse alterado para presencial, alegando que a empresa vinha demandando a realização de atividades específicas presenciais ao menos um dia na semana. Considerando essa situação hipotética, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I. A alteração para o regime presencial depende de mútuo acordo entre empresa e funcionário. PORQUE II. A presença recorrente do funcionário no estabelecimento da empresa descaracteriza o teletrabalho. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. 85 a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 5. (FCC – 2018). Trata-se de uma definição de responsabilidade social corporativa: a) recolhimento de todos os impostos devidos. b) promoção de trabalho voluntário não remunerado dos seus funcionários. c) ações articuladas que revertam benefício para alguma comunidade. d) financiamento de apresentações e espetáculos artísticos. e) doações em valores ou produtos para entidades assistenciais. 6. (VUNESP – 2019). João da Silva foi contratado como Assistente de Suporte de Vendas da empresa Cosméticos Luxo Ltda., e trabalha em regime de teletrabalho. Com relação ao seu contrato de trabalho, é correto afirmar que: a) deve conter cláusula específica sobre o regime de teletrabalho, especificando as atividades que devem ser realizadas pelo empregado. b) pode ser verbal e não há cláusulas específicas obrigatórias. c) deve conter cláusula específica abordando que não faz jus ao recebimento de horas extraordinárias. d) pode ser escrito ou verbal, desde que haja anotação expressa da modalidade na carteira profissional. e) deve ser escrito, mas a anotação do regime de teletrabalho não precisa constar no contrato, mas, sim, na carteira profissional. 7. (NU – UFPR – 2019). Acerca da jornada de trabalho e do teletrabalho, assinale a alternativa correta. a) O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, quando fornecido pelo empregador, será computado na jornadade trabalho, por ser tempo à disposição deste. b) A remuneração da hora extra será, pelo menos, 100% (cem por cento) superior à da hora normal. c) É lícito o regime de compensação de jornada estabelecido por acordo individual, tácito ou escrito, para a compensação no mesmo mês. d) O comparecimento às dependências do empregador para a realização de atividades específicas que exijam a presença do empregado no estabelecimento descaracteriza o regime de teletrabalho. e) A hora do trabalho noturno será computada como de cinquenta e quatro minutos e trinta segundos. 8. (FCC – 2018). Os sistemas de Big Data costumam ser caracterizados pelos chamados 3 Vs, sendo que o V de: 86 a) veracidade corresponde à rapidez na geração e obtenção de dados. b) valor corresponde à grande quantidade de dados acumulada. c) volume corresponde à rapidez na geração e obtenção de dados. d) velocidade corresponde à confiança na geração e obtenção dos dados. e) variedade corresponde ao grande número de tipos ou formas de dados. 87 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO UNIDADE 1 UNIDADE 3 UNIDADE 5 UNIDADE 2 UNIDADE 4 UNIDADE 6 QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 E QUESTÃO 5 C QUESTÃO 6 D QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 B QUESTÃO 1 E QUESTÃO 2 C QUESTÃO 3 D QUESTÃO 4 E QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 B QUESTÃO 1 D QUESTÃO 2 E QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 E QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 E QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 E QUESTÃO 8 E QUESTÃO 1 E QUESTÃO 2 C QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 E QUESTÃO 6 B QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 E QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 D QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 C QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 C QUESTÃO 8 E 88 ANDRADE, R. O. B.; AMBONI, N. Teoria geral da administração. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. ARAUJO, L. C. G. Organização, sistemas e métodos e as tecnologias de gestão organizacional. 5. ed., rev. e atual. São Paulo: Atlas, 2011. BATISTA, D. A. et al. Revisão sistemática sobre teletrabalho: a abordagem das recentes pesquisas. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 10, p. 99409-99421, 2021. CARAVANTES, G. R; KLOECKNER, M. C; PANNO, C. C. Administração: teorias e processo. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. CHIAVENATO, I.; SAPIRO, A. Planejamento estratégico: fundamentos e aplicações. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier: Campus, 2010. CHIAVENATO, I. Teoria geral da administração. 6. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Elsevier, 2002. DONALDSON, L. Teoria da contingência estrutural. In: CLEGG, S.; HARDY, C.; NORD, W. Handbook de estudos organizacionais: modelos de análise e novas questões em estudos organizacionais. São Paulo: Atlas, v1, p. 105-133, 1998. DURÃES, B.; BRIDI, M. A. 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