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Capítulo 8 – Periodontite
A periodontite é uma doença inflamatória crónica do periodonto induzida por bactérias. A
destruição do periodonto que daí resulta é a principal causa mundial de perda de dentes. A
periodontite severa afeta 10-15% dos adultos com mais de 30 anos em todo o mundo. De
acordo com a OMS é uma das piores doenças dos dentes que afeta o mundo.
A etiologia primária da periodontite é a adesão e crescimento de bactérias na superfície do
dente formando a placa dentária. Se a acumulação de biofilme na linha da gengiva
prosseguir sem qualquer ação preventiva, a placa calcifica para formar o tártaro que depois
leva a inflamação crónica dos tecidos periodontais, podendo provocar desaparecimento do
tecido conjuntivo e osso periodontal.
A periodontite tem sido caracterizada como uma microbial-shift disease devido à alteração
substancial da microflora durante a transição de um periodonto saudável para a
periodontite - passa-se de um predomínio de Gram-positivos para um predomínio de Gram
negativos. É, portanto, uma doença que resulta da disbiose da microbiota do periodonto.
Este tipo de fenómeno também ocorre em doenças tão comuns como a obesidade, asma,
artrite reumatoide, diabetes tipo I, diarreias associadas ao uso de antibióticos, e colite
pseudomembranosa (inflamação do colon que pode levar à morte).
Espécies bacterianas associadas à periodontite
As bactérias mais associadas com periodontite são as espécies pertencentes ao designado
complexo vermelho —Porphyromonas gingivalis (BG-), Tannerella forsythia (BG-) e
Treponema denticola (G+). Outras bactérias Gram (-) associadas são Prevotella intermedia,
Fusobacterium nucleatum, Eubacterium sp., Aggregatibacter actinomycetemcomitans,
Campylobacter rectus, e Eikenella corrodens.
Há fortes associações entre o tipo de comunidade polimicrobiana existente em justaposição
ao tecido gengival e o estado das defesas inatas do hospedeiro. Um desequilíbrio ou rutura
na expressão de mediadores de inflamação devido à placa bacteriana local contribui
fortemente para a destruição dos tecidos e osso que suportam as estruturas da raiz do
dente.
Fatores de risco da periodontite
O principal factor de risco de periodontite é a falta de higiene oral que leva ao controlo
inadequado da placa dentária. O tabagismo é também um factor de risco uma vez que o
tabaco afeta negativamente os tecidos periodontais.
Outros fatores de risco são a suscetibilidade genética, má nutrição, e a idade em que a
maior taxa de periodontite ocorre entre os 50 e os 60 anos de idade.
A infeção com HIV e SIDA aumenta a suscetibilidade a formas agressivas de periodontite,
especialmente periodontite ulcerativa necrosante que é um sinal de imunossupressão
severa.
Diagnóstico e monitorização da progressão da periodontite
O diagnóstico e monitorização da periodontite é estabelecido pelo exame clínico dos
tecidos moles da gengiva e pelo exame radiográfico para determinar a quantidade de osso
perdido ao redor do dente.
A monitorização da progressão da doença é efetuada medindo a profundidade da bolsa
gengival e o índex de sangramento quando se introduz uma sonda no espaço localizado
entre as gengivas e o dente até abaixo da linha do dente. Bolsas com profundidade superior
a 3 mm são consideradas indicadores de doença periodontal;
O sangramento quando se introduz a sonda é considerado um sinal de doença ativa; se os
doentes tiverem bolsas gengivais com uma profundidade ≥7 mm correm o risco de perder
os dentes.
Classificação clínica das periodontites
As doenças periodontais podem ser classificadas genericamente como agressivas ou
crónicas, começando com gengivite.
A gengivite em si não afeta as estruturas de suporte do dente e é reversível; no entanto,
nalgumas pessoas, a gengivite progride originando a destruição das fibras gengivais e do
tecido conectivo. Este processo causa a separação dos tecidos da gengiva do dente criando
uma bolsa periodontal e perda do suporte ósseo.
A periodontite crónica é caracterizada pelo inchaço das gengivas e pelo sangramento
durante a análise médica (introdução de sondas), recessão das gengivas e presença de
bolsas profundas entre os dentes e as gengivas que levam ao enfraquecimento dos dentes
(dentes soltos) e, finalmente, à queda dos dentes.
A perspetiva do hospedeiro
Pattern recognition receptors (PRRs) presentes nas células imunitárias do hospedeiro
detetam pathogen-associated molecular patterns (PAMPs) nos microrganismos tais como o
LPS.
A ligação aos PAMPs provoca uma rápida indução da resposta imunitária que, por sua vez,
facilita a ativação e recrutamento de componentes essenciais do sistema imunitário via a
produção de citocinas e quimiocinas. A deteção destes produtos microbianos permite a
manutenção e vigilância da colonização microbiana e assim a microbiota oral do hospedeiro
mantem um equilíbrio homeostático com o sistema imunitário do hospedeiro.
Da mesma forma, péptidos antimicrobianos (AMPs) secretados pela mucosa oral e as
proteínas do complemento do sistema imune do hospedeiro também atuam para controlar
a colonização microbiana e limitar a sua multiplicação. No entanto, certos componentes do
complemento podem também promover o recrutamento células polimorfonucleares
Periodontide moderada
Cálculo acumulado
Perda óssea
Bolsas periodontais com 4-
5mm
Periodontite avançada:
Raíz dentária exposta
Perda óssea avançada
Bolsa periodontais ≥ 6mm
Nota: bolsa periodontal normal =
1-3 mm
Gengivite ligeira
Eritema localizado e discreto e edema pouco relevante.
Gengivite moderada
Eritema e edema evidentes; hemorragia provocada por
Exame do sulco
Gengivite severa
Vermelhidão intensa, edema e inchaço hiperplásico
Ulceração interdentária
Hemorragia espontânea
(neutrófilos) para aumentar a resposta inflamatória. Uma vez que os neutrófilos tecidulares
e os macrófagos residentes respondem rapidamente a lesões no tecido epitelial, a lesão da
barreira mucósica é um evento muito imunogénico.
Recetores Toll-Like
Estes receptores existem na superfície (TLR1, 2, 4, 5, 6) ou em vesículas intracelulares
(TLR3,7,8,9) de células do sistema imunitário como, por exemplo, células NK, monócitos e
macrófagos, células dendríticas (mieloides e plasmocitoides),e linfócitos B.
Existem ainda em hepatócitos, células da bexiga, do rim, do intestino, etc.
Os TLRs ligam-se aos seus ligandos e isso dá origem a uma cascata de sinalização mediada
pelo adaptador MyD88 (ou outro) que resulta na transcrição de citocinas como por
exemplo o IFN-γ, IFN-γ e granulocyte macrophage colony-stimulating factor (GMCSF),
citocinas necessárias para combater as infeções mas que podem também contribuir para
uma inflamação excessiva se forem produzidas em quantidades excessivas
Embora as respostas imunitárias induzidas contribuam para manter a homeostase com os
microrganismos comensais, quando estas respostas estão localizadas nos tecidos são
lesivas tal como é o caso da periodontite na qual as lesões iniciais periodontais
desencadeiam o recrutamento de neutrófilos para as regiões afetadas.
Adicionalmente, a desgranulação dos neutrófilos origina a libertação de protéases e outras
enzimas líticas que podem ajudar a eliminar os microrganismos mas também causam mais
danos locais para os tecidos do hospedeiro através da destruição das fibras dos tecidos
conjuntivos. Adicionalmente, a ativação dos neutrófilos origina a produção de citocinas
pró-inflamatórias tais como a IL-1 e TNF-α que agravam a inflamação.
Em infeções normais, o envolvimento do sistema imunitário adaptativo é suficiente para
eliminar o patogénico mas na cavidade oral os sinais que emanam continuamentedos
microrganismos da placa impedem que o sistema imune controle a infeção e a inflamação
persiste causando danos na gengiva.
Para além das lesões tecidulares alguns mediadores relacionados com os osteoclastos
atuam sobre o osso alveolar causando a reabsorção óssea e a desmineralização o que
origina a destruição óssea.
Assim, embora o desencadeador inicial da inflamação das gengivas seja microbiano, as
lesões do tecido do hospedeiro são na sua maioria causadas pela resposta imunitária. De
salientar no entanto que ainda há muita coisa que se desconhece sobre como é que a
modulação bacteriana da resposta imune do hospedeiro pode levar à periodontite
destrutiva.
Resposta imunitária inata no tecido periodontal
Devido à sua justaposição com o tecido periodontal, a placa dentária constitui um desafio
constante para o sistema imunitário inato do hospedeiro. Em regiões saudáveis, este
desafio pode ser benéfico resultando em resistência à colonização por
periodontopatogénios. Contudo, em regiões afetadas esta agressão microbiana dá origem a
alterações dos mecanismos de defesa normais do periodonto.
Os tecidos periodontais e intestinais usam duas estratégias completamente diferentes para
lidar com a estimulação permanente pelos microrganismos com que contactam. Ao
contrário do intestino, os tecidos periodontais não possuem uma camada de muco extensa
que impeça o contacto da comunidade microbiana com as células epiteliais de superfície.
Por outro lado, o epitélio intestinal é formado por uma camada única de células ligadas por
tight junctions que direcionam as bactérias e os seus componentes para as placas de Peyer
onde uma lâmina própria localizada pode reconhecer os microrganismos e responder
adequadamente. Pelo contrário, o epitélio gengival (em particular, o epitélio de junção) é
muito poroso e por ele passam facilmente tanto as bactérias como os seus produtos (por
ex., LPS).
A expressão de mediadores do sistema imunitário inato no periodonto é fundamental para
o fluxo de neutrófilos em direcção ao sulco gengival
Para lidar com a constante estimulação microbiana o periodonto tem uma expressão bem
regulada de mediadores das defesas do sistema imunitário inato. A expressão coordenada
de e-selectina, intercelular adhesion molecules (ICAMs) e interleucina-8 (IL-8) promove o
fluxo de neutrófilos do tecido gengival altamente vascularizado para o sulco gengival, onde
formam uma parede virtual entre o tecido do hospedeiro e a placa dentária. A arquitetura
do tecido do epitélio juncional facilita o fluxo destas e de outras células do sistema
imunitário. Calcula-se que cerca de 30.000 neutrófilos transitem através do tecido
periodontal em cada minuto e isto deve-se à presença das bactérias comensais e
periopatogénicas da placa.
Indivíduos com deficit congénito no número ou fluxo de neutrófilos (deficiências
designadas leukocyte adhesion deficiency tipo 1 (LAD 1) e tipo 2 (LAD 2)) desenvolvem
sempre periodontite. Estas observações mostram que este tipo de resposta imune inata
nos tecidos saudáveis é muito importante para a saúde do periodonto.
No tecido periodontal também existem numerosos outros mediadores da resposta imune
inata tais como:
– β-defensinas humana [tipo 1 (BD1), 2 (BD2) e 3 (BD3)]
– CD14 (forma solúvel e ligada à membrana celular)
– LPS-binding protein (LBP).
Níveis mais elevados de CD14 solúvel (sCD14) no fluido gengival estão associados com
menos bolsas periodontais e bolsas menos profundas. As células epiteliais da gengiva são
uma fonte de LBP (também se produz no fígado como parte da resposta de fase aguda). A
LBP é mais expressa em tecidos gengivais saudáveis do que em tecidos doentes. Estes
estudos implicam fortemente o sCD14 e a LBP na clearance das bactérias e seus
componentes e sugerem que ao reduzirem as interações bacterianas com o epitélio atuam
de uma forma semelhante à camada de muco do intestino.
Os Toll-like receptors (TLRs) podem ser importantes para a indução da resposta
inflamatória destrutiva dos tecidos pelas bactérias da placa
Os Toll-like receptors (TLRs) do tipo 2 e 4 estão presentes em células do periodonto. Os TLR
reconhecem componentes microbianos: DNA, flagelos e fimbrias partilhados por bactérias
comensais e patogénicas da boca, peptidoglicano e ácido lipoteicoico em bactérias Gram-
positivas e LPS em bactérias Gram-negativas ativando a resposta imunitária inata.
Quando a composição da placa subgengival se altera pode haver maior produção de
citocinas pró-inflamatórias e destruidoras dos tecidos (IL-1β e TNF-α e outras) o que
contribui de forma decisiva para a periodontite.
Não é possível identificar de forma inequívoca as espécies bacterianas que
contribuem para a modulação disfuncional da resposta imune inata uma vez que há
inúmeras bactérias no espaço subgengival e que os TLRs (Toll-like receptors)
reconhecem tanto bactérias comensais como bactérias patogénicas
A resposta do hospedeiro à placa bacteriana tem um papel importante na perda de osso
alveolar observada na periodontite.
Uma vez que a perda de osso alveolar é uma consequência direta do aumento da
concentração de mediadores de inflamação, o hospedeiro contribui diretamente para a
destruição tecidular e perda de osso alveolar característicos da periodontite. O principal
mecanismo que regula as actividades de reabsorção e deposição óssea que ocorrem
durante a remodelação do osso é o rácio de RANKL (receptor–activator of nuclear factor-κB
ligand; também conhecido como TNFSF11) - responsável pela perda de osso - para OPG
(osteoprotegrin; também conhecido como TNFRSF11b) - responsável pela formação de
novo osso.
As comunidades bacterianas da placa podem alterar o rácio RANKL/OPG e levar à perda de
osso alveolar.
O RANKL está presente em vários tipos de células e liga-se ao recetor RANK (também
conhecido por TNFRSF11A) existente nos percursores dos osteoclastos, causando a sua
diferenciação em células ativas tipo macrófago que secretam enzimas que degradam o
osso. O OPG é um recetor solúvel de RANKL que compete com o recetor RANK e assim
impede a interação RANK–RANKL. Quando em concentrações elevadas, o OPG impede a
ligação do RANKL aos percursores dos osteoclastos e a perda de osso é revertida, ou seja,
forma-se novo osso.
Os níveis de OPG são regulados por transforming growth factor-β-related bone
morphogenic proteins, enquanto a síntese de RANKL é induzida por citocinas pro-
inflamatórias como a IL-1β e TNF. Deste modo, aumentos na concentração de citocinas pró-
inflamatórias em resposta à presença/alterações da placa dentária podem contribuir para a
perda de osso alveolar por aumentarem o rácio RANKL/OPG.
Inibição da resposta imunitária pelas bactérias do complexo vermelho
As bactérias periopatogénicas do complexo vermelho - Porphyromonas gingivalis,
Tannerela forsythia e Treponema denticola - que estão muitas vezes associadas umas com
as outras e com periodontos lesados, podem também inibir a resposta imune inata e com
isso contribuir para o desencadear ou progressão da periodontite.
A inibição da IL-8 por P. gingivalis pode facilitar a infecção por outras bactérias
periopatogénicas
A P. gingivalis pode inibir a secreção gengival de IL-8 que é induzida por outras bactérias
orais através de uma fosfoserina fosfatase (SerB). Este fenómeno, designado ‘local
chemokine paralysis’, parece ser um mecanismo de virulência uma vez que pode
comprometer o gradiente de IL-8 existente no tecido saudável que promove a
direccionalidade do fluxo dos neutrófilos da vasculatura existente no tecido periodontal
para o sulco gengival. As bactérias comensais parecem contribuir para este gradiente, uma
vez que a concentração de IL-8 é maior no tecido gengival mais próximo daplaca dentária e
as células gengivais epiteliais secretam IL-8 em resposta a várias espécies bacterianas orais.
O lípido A de P. gingivalis e outras bactérias periopatogénicas do complexo vermelho pode
regular a sinalização pelo TLR-4
As bactérias do complexo vermelho podem ainda inibir as defesas inatas do hospedeiro
através do lípido A, que pode atuar como um antagonista do TLR4. Tal como acontece com
outras bactérias Gram negativas, a estrutura do lípido A na P. gingivalis é heterogénea. A
estrutura 5-acilmonofosfato é um agonista fraco do TLR4 enquanto a estrutura 4-acil
monofosfato atua como antagonista - a expressão das duas estruturas do lípido A é
regulada pela concentração de hemina no meio de cultura através de fosfatases do lípido A.
O antagonismo do TLR4 diminui a expressão de β-defensinas e interrompe a via de
sinalização dependente do epidermal growth factor (EGF) que está envolvida na
remodelação da matriz tecidular do periodonto. Assim, P. gingivalis pode alterar a
homeostase tecidular através de vias de sinalização do hospedeiro que são partilhadas pela
resposta imune inata e pelas vias de remodelação tecidular.
O lípido A de P. gingivalis compete com o lípido A de outras bactérias e assim diminui a
ativação do TLR4 contra todas as bactérias e diminui o influxo de neutrófilos no tecido
gengival, P. gingivalis contribui para o aumento da dimensão e complexidade da placa
dentária que está na génese da periodontite.
A P. gingivalis pode ainda modular a resposta inata através da sequestração de mediadores
em lipid Rafts.
A P. gingivalis liberta LPS na forma de vesículas que podem penetrar no tecido gengival e
através do lípido A e TLR4 diminuir a resposta imunitária desenvolvida contra todas as
bactérias orais. Na P. gingivalis, o quorum sensing através de LuxS contribui para a
formação de biofilme e regula a expressão de genes de resposta de stress (ex. htrA) que
contribuem para a invasão das células epiteliais pelas bactérias e para a sobrevivência das
bactérias em modelos murinos de infeção.
Adicionalmente, o contacto direto entre bactérias regula a expressão do gene fima que é
fundamental para produção de pilis comuns pela P. gingivalis. Os pilis comuns de P.
gingivalis induzem a formação de lipid rafts contendo TLR2 e CXCchemokine receptor 4
(CXCR4) que depois se envolvem um com o outro em vez de exercerem o seu papel
protetor. Deste modo, diminui a resposta bactericida imune contra P. gingivalis.
Bacilos Periodontopatogénicos
- Gram (-) anaeróbios estritos –
Porphyromonas gingivalis (risco elevado)
Prevotella intermedia (risco moderado)
Tannerella forsythia (risco elevado)
Fusobacterium nucleatum (risco moderado)
- Gram (-) anaeróbios facultativos –
Aggregatibacter actinomycetemcomitans (risco elevado)
Wolinella recta
Eikenella corrodens (risco moderado)
Enterobactérias
- Gram (+) anaeróbios estritos –
Eubacterium spp.(risco moderado)
Cocos Periodontopatogénicos espiroquetas e leveduras
- Gram (+) anaeróbios estritos –
Peptostreptococcus micros (risco moderado)
- Gram (+) anaeróbios facultativos –
Estreptococos hemolíticos
Estafilococos
- Espiroquetas –
Treponema denticola (risco elevado)
- Leveduras –
Candida albicans
Porphyromonas spp.
Fazem parte da flora oral normal; características gerais:
Pleomórficas: bacilos ou cocobacilos
Anaeróbios estritos, relativamente aerotolerantes
Proteolíticos, embora o seu crescimento não seja afetado pela presença no meio de
carbohidratos
Sensíveis à bílis a 20%
Em laboratório crescem em atmosfera de anaerobiose, com formação de colónias de
pigmentação escura em meios contendo sangue lisado
São responsáveis por doença periodontal e por isso são considerados microrganismos
periodontopatogénios. As espécies patogénicas mais importantes são a Porphyromonas
gingivalis e a Porphyromonas endodontalis.
Porphyromonas gingivalis
Características mais importantes:
Pleiomorfismo - bacilos e cocos
Colónias negras
Relativamente aerotolerantes
O seu local major de colonização é o sulco gengival
Apresenta grande agressividade na doença periodontal, contribuindo para grandes
alterações destes tecidos
Fatores de virulência
Elementos estruturais: pilis comuns, hemaglutininas e cápsula
Enzimas: associadas à destruição tecidular (colagenases, fosfatases e tripticases),
associadas à alteração dos fatores de defesa do hospedeiro (proteases, superóxido
dismutases e peroxidases)
Metabólitos: ácidos gordos de cadeia curta (ácido fórmico, ácido acético, ácido
butírico, ácido isobutírico, ácido propiónico, ácido valérico e ácido isovalérico)
Porphyromonas endodontalis
Apresenta menor carga enzimática em relação a Porphyromonas gingivalis, o que limita a
sua virulência. No entanto, dispõe de colagenases e proteases.
É isolada de canais dentários e da bolsa periodontal. Há uma grande probabilidade de estar
implicada nos abcessos endodônticos.
A prevalência desta espécie é desconhecida, sendo subestimada devido à sua difícil
multiplicação.
Género Tannerella
Espécie: Tannerella forsythia.
É um bacilo Gram negativo, imóvel, sendo pleiomórfica (frequentemente aparece como a
forma de fuso).
O seu metabolismo é sacarolítico, desenvolvendo-se em anaerobiose – por vezes necessita
até 14 dias para se obter um crescimento visível.
Habita o sulco gengival e as bolsas periodontais profundas. Por fim, está fortemente
implicado na doença periodontal humana progressiva.
Género Treponema
São bactérias Gram positivas móveis de forma helicoidal.
Apresentam um flagelo periplasmático. São anaeróbios estritos ou microaerófilas. Porém,
todas as espécies orais são anaeróbias.
Espécies que causam patologia humana:
Treponema pallidum – Sífilis
Treponema endemicum- sífilis não venérea
Treponema carateum – Pinta
Treponemas isolados na cavidade oral
Obtêm a sua energia através da metabolização de aminoácidos:
– Treponema denticola - suspeito de ser patogénio periodontal. Há relação entre o número
de treponemas e doença periodontal (marcador de periodontite).
– Treponema vicentii - coloniza a cavidade oral mas não foi definido como patogénio oral.
– Treponema scoloiodontum
Obtêm a sua energia por fermentação dos carbohidratos:
– Treponema pectinovorum - utiliza a pectina como substrato. Não fermenta a glucose; foi
isolado de locais sub-gengivais de jovens e adultos com doença periodontal.
– Treponema socranskii - isolado de locais com doença periodontal.
Periodontite do Adulto (PA) = Periodontite Crónica
Pode ser localizada ou generalizada. A apresentação clínica da PA é determinada pelo
resultado da interação entre a microflora e o hospedeiro. Flora bacteriana:
Anaeróbios (90%)
Gram negativos (75%)
Espiroquetas (30%)
Periodontite Refratária (PR)
Verificou-se que após tratamento mecânico, 10% dos indivíduos com PA continuam a
mostrar sinais de perda de ligação do tecido periodontal – periodontite refratária. Flora
bacteriana na PR:
Fusobacterium nucleatum
Tannerella forsythia
Prevotella intermedia
A.actinomycetemcomitans
Peptostreptococcus micros
Periodontite Agressiva Localizada (PAL) = Periodontite Juvenil
É causada por Aggregatibacter actinomycetemcomitans.
Esta bactéria é um cocobacilo Gram negativo, imóvel, capnofílico. Pertence à família
Pasteurellaceae. Isolado inicialmente a partir de lesões actinomicóticas em associação com
Actinomyices israelli. Fermenta açúcares incluindo a glucose e a frutose, com produção de
ácidos.
Posteriormente, é isolado da placa dentária e espaços sub-gengivais. É considerado o
principal agente etiológicoda periodontite agressiva localizada (PAL) e patogénico major da
periodontite juvenil. Pode também estar implicado em otites, endocardite, abcesso
cerebral e abdominal.
Fatores de virulência:
– Lipolissacárido (endotoxina),
– Leucotoxinas,
– Colagenase
– Proteases
A A. actinomycetemcomitans da cavidade oral é classificada em seis serotipos (A-F)
caracterizados por antigénios O estrutural e antigenicamente distintos.
Os serotipos A-C são mais frequentes nos isolados orais do que os serotipos D e E
O serotipo B é o mais frequente em indivíduos com PAL
Os serotipos A e C são mais comuns em indivíduos diagnosticados com periodontite
crónica.
Nota:
Streptococcus gordonii produz L-lactato que é a fonte de carbono preferida de A.
actinomycetemcomitans. Contudo S. gordonii também produz peróxido de hidrogénio que
mata o A. actinomicetemcomitans
Nota (2):
A. actinomycetemcomitans produz uma catalase que lhe permite eliminar o peróxido de
hidrogénio de S. gordonii.
A. actinomycetemcomitans produz ainda uma enzima (dispersina B) que permite a sua
dispersão de forma a que fique a uma distância ótima (>4µm) de S. gordonii que reduz a
exposição a níveis inibitórios de peróxido de hidrogénio sem deixar de permitir o cross-
feeding (ou seja a utilização do lactato).
Assim, dois compostos produzidos por uma bactéria comensal contribuem para a maior
virulência de uma bactéria periopatogénica.
Os níveis de oxigénio controlam de forma oposta a produção de peróxido de hidrogénio por
S. gordonii e o catabolismo do L-lactato pelo A. actynomicetemcomitans.
Em regiões com elevada concentração de oxigénio o peróxido de hidrogénio é inibitório
para o A. actinomicetemcomitans e induz a destoxificação pela catalase (KatA) e dispersão
do biofilme pela dispersina B (DspB).
Em regiões com menor teor de
oxigénio, a catalase converte o
peróxido de hidrogénio em
oxigénio e permite o consumo de
L-lactato por A.
actinomycetemcomitans.
Em regiões sem oxigénio o L-
lactato é abundante mas
indisponível como fonte de
carbono para o A.
Actynomicetemcomitans
Periodontite em indivíduos imunodeficientes
Flora microbiana:
Actynomicetemcomitans
P. gingivalis
Prevotella intermedia
Fusobacterium spp.
Wolinella recta
Enterobactérias
Pseudomonas aeruginosa
Estafilococos
Leveduras
Outros organismos pouco vulgares neste tipo de doença
Tratamento da periodontite
O objetivo do tratamento da doença periodontal é restaurar a relação homeostática entre o
tecido periodontal e a comunidade microbiana da placa. O tratamento mais antigo, mais
usado e mais efetivo é a remoção física da placa por raspagem e alisamento radicular. O
relacionamento homeostático é restaurado através da recolonização local com
microrganismos orais comensais e através da cicatrização dos tecidos tal como detetado
pelos níveis de ligação ao dente, sangramento durante a sondagem e profundidade das
bolsas. A administração local ou sistémica de antibióticos e/ou agentes anti-inflamatórios,
juntamente com a remoção da placa, tem impacto positivo no resultado da terapêutica e
reversão dos parâmetros clínicos. O benefício clínico da administração local ou sistémica de
antibióticos ou agentes anti-inflamatórios sem remoção física da placa é muito limitado.
Antibioterapia e modulação da resposta inflamatória
Terapêutica sistémica - Incluem metronidazol, amoxicilina e tetraciclina. São
necessárias elevadas dosagens para combater a doença periodontal o que pode
facilitar o desenvolvimento de resistências.
Terapêutica local - Os antibióticos utilizados localmente são eficazes em doses mais
baixas e não têm estado implicados em resistências aos antibióticos. Pode usar-se:
doxiciclina aplicada em gel diretamente nas bolsas periodontais, hidrocloreto de
minociclina aplicado com seringa diretamente nas bolsas ou gluconato de
clorhexidina.
Modulação da resposta inflamatória - Utiliza-se doxiciclina para prevenir a destruição
do tecido conjuntivo (conectivo) e os estudos demonstram que também reduz a
profundidade das bolsas e a presença de mediadores de inflamação.
Prevenção
A prevenção da maior parte das doenças periodontais faz-se pela higiene dentária o que
inclui lavar os dentes duas vezes por dia e limpar os espaços interdentários com fio
dentário. Na ausência de higiene dentária a placa dentária instala-se e as gengivas ficam
irritadas e inflamadas e separam-se do dente o que facilita a colonização pelas bactérias
patogénicas. Estes patogénios vão aumentar a irritação das gengivas levando à gengivite e,
eventualmente, a doença periodontal.
Doenças sistémicas como a diabetes promovem um ambiente generalizado de inflamação
nas células e como resultado fica mais fácil para as bactérias periodontopatogénicas terem
acesso às bolsas periodontais e a periodontite ocorre com maior facilidade devido ao
ambiente hiperglicémico a que as células estão expostas. Assim, controlar a diabetes tem
um impacto muito positivo no controlo da progressão da doença periodontal.
Gengivite ulcerativa necrosante aguda (GUNA)
A gengivite ulcerativa necrosante aguda (GUNA) ou Angina de Vincent é uma doença
infeciosa periodontal bacteriana caracterizada por úlceras e necrose do tecido gengival sem
o envolvimento dos outros tecidos do periodonto. Se a doença avançar mais
profundamente nos tecidos periodontais, passa a designar-se "periodontite ulcerativa
necrosante" (PUN).
A doença periodontal necrosante é causada por infeção por Prevotella intermedia e
Fusobacterium spp., bactérias anaeróbias, e por espiroquetas (Treponemas spp.).
A GUNA ocorre em maior prevalência em doentes com SIDA e outras doenças que
comprometem o sistema imunitário.
Sinais e sintomas
Necrose e/ou ulceração das papilas interdentais ("papilas perfuradas") ou gengiva
marginal
Formação de uma pseudomembranosa
Gengiva marginal dolorida, com aspeto vermelho vivo, que sangra após uma
manipulação suave
Halitose
Fatores de predisposição podem incluir tabagismo e desnutrição especialmente para
aqueles que apresentam a periodontite ulcerativa necrosante.
Tratamento
Educação em higiene oral e uso de elixires bucais e analgésicos. O tratamento inclui a
irrigação e desbridamento das áreas necrosadas (áreas de tecido gengival morto ou
moribundo). Como esta doença está frequentemente associada a problemas médicos
sistémicos (imunodeficiências), é recomendado o controlo adequado das desordens
sistémicas.
Prognóstico
Se não tratada, a infeção pode levar à rápida destruição do periodonto e pode alastrar,
como a acontece com a estomatite necrosante ou noma, para os tecidos próximos,
bochechas, lábios, e ossos da mandíbula. A evolução da GUNA para a noma é possível em
indivíduos vulneráveis à desnutrição, sendo potencialmente desfigurante. Ressalta-se
também os potenciais problemas sistémicos como: endocardite bacteriana em pacientes
portadores de válvula cardíaca protética.
Noma, estomatite gangrenosa ou cancro oral
É uma infeção bacteriana destrutiva dos tecidos faciais e bucais que atinge mais
frequentemente pacientes debilitados e gravemente desnutridos, em particular crianças.
Ocorre quando as bactérias Fusobacterium necrophorum e Prevotella intermedia
encontram um organismo debilitado por:
Infeção por outras bactérias patogénicas (ex. Borrelia vincentii, Porphyromonas
gingivalis, Tannerella forsythia, Treponema denticola, Staphylococcus aureus e alguns
Streptococcus)
Desnutrição (especialmente falta de vitaminas A e B)
Desidratação
Falta de higiene oral
Consumo de água infetada
Proximidade com o gado
Imunodeficiência
Sinais e sintomas
Primeiro aparecem inflamações nas gengivas e bochechas quecomeçam a formar úlceras.
As úlceras desenvolvem um odor fétido na pele e mal hálito. A ulceração dolorosa da
gengiva ou mucosa jugal evolui rapidamente para necrose progressiva extensa da pele,
músculos e inclusive dos ossos. Também pode ocorrer nos genitais, uma variação conhecida
como noma pudendi.
Tratamento
É feito com doses elevadas de penicilina e outros antibióticos, água potável, dieta com
vitaminas A e complexo B e higiene oral diária. A deformação que causa é permanente e
pode ser necessário realizar cirurgia plástica reconstrutiva para reparar os danos. A cirurgia
deve ser adiada até a recuperação completa do paciente, que tipicamente se dá após um
ano do início do tratamento.
Diagnóstico microbiológico das periodontites
A colheita e análise microbiológica podem ser utilizadas:
No diagnóstico da periodontite agressiva localizada
Em situações agudas de periodontite
Para escolha dos antibióticos a usar
Na monitorização dos doentes com periodontite refratária
Colheita
A amostra deve ser retirada da placa subgengival (bolsas periodontais). Para selecionar os
locais de amostra, deve-se ter em conta os locais de amostra com maior número de
microrganismos patogénicos; as bolsas periodontais mais profundas estão associadas com a
recorrência. Para a identificação de microrganismos patogénicos devem ser colhidas
amostras em 4 bolsas periodontais com uma profundidade ≥6 mm.
Para esta colheita ser realizada, há que fazer preparação do doente: este não deve estar
sujeito a terapia antibiótica nos 3 meses antes. Depois, elabora-se a técnica dos cones de
papel:
Limpeza da placa supragengival com rolos de papel ou com ajuda de uma cureta
Introdução de 2 cones de papel em cada bolsa periodontal
Após 10 segundos, retirar com pinça estéril
Colocar um cone de papel no meio de transporte (VMGA-III) e o outro num
eppendorf vazio.
Exame
O exame direto serve para o estudo dos morfotipos, como a coloração de Gram, exame a
fresco e microscopia de fundo escuro.
O exame cultural deve passar por uma fase de processamento de amostra, em que há
dispersão - vortex da amostra durante 60 segundos – e diluição - efetuar diluições 1/10 em
séries de 5 num meio de diluição (ex. VMGA-I).
Leitura dos meios de cultura
A observação macroscópica das colónias,
assim como a sua contagem deverá ser
realizada através de lupa. Deverá haver, no
mínimo, 50 UFC (unidades formadoras de
colónias) para obter uma % de microflora
viável, com significado.
Identificação presuntiva
A identificação presuntiva é baseada na observação macroscópica e microscópica das
colónias com ajuda de testes bioquímicos rápidos, de que são exemplo:
Catalase
Oxidase (Aggregatibacter actinomycetemcomitans)
Fluorescência ao UV (Prevotella intermedia, Fusobacterium nucleatum)
Hidrólise do benzoyl-arginine naphthylamide (teste BANA) pela Treponema denticola
e/ou Bacteroides gingivalis presentes na placa periodontal
Sistemas de identificação de bactérias anaeróbias- rapid ID32A
Fatores genéticos do hospedeiro podem aumentar o risco de periodontite ou gengivite: o
exemplo do SNP
Um estudo de GWA (genome-wide association) efetuado em indivíduos de nacionalidade
alemã com periodontite agressiva identificou um SNP intrónico (rs1537415) no gene da
glicosiltransferase GLT6D1 (glicosiltransferase 6 domain containing 1), que é expresso na
gengiva, sobretudo no tecido conjuntivo (em vez do tecido epitelial) •
O alelo G deste variante, normalmente raro, é encontrado em mais 10% dos casos de
periodontite do que em controlos (48,4% nos doentes com periodontite vs 38,8% nos
controlos).
O fator de transcrição GATA-3 liga-se pior ao variante G do que aos outros variantes
indicando que este fator de transcrição é um fator importante na patogénese da
periodontite.
Perguntas
1 – Sobre as espiroquetas orais podemos afirmar que:
a) São isoladas em grandes quantidades num periodonto saudável
b) O T. denticola é sacarolitico e móvel por flagelação peritrica
c) O T. socranskii é sacrólito e estritamente anaeróbio
d) Todos os treponemas orais apresentam um metabolismo proteolitico
2 – As espiroquetas orais podem ser visualizadas por:
a) Microscopia ótica
b) Microscopia de fluorescência
c) Microscopia de fundo escuro
d) Não se conseguem visualizar ao microscópio
e) São corretas as alíneas b) e c)
f) São corretas as alíneas a) e c)
3 – O Treponema pallidum:
a) É um bacilo Gram negativo que coloniza o sulco gengival
b) É estritamente anaeróbio e não cultivável “in vitro”
c) É uma espiroqueta responsável pela sífilis
d) É uma espiroqueta responsável pela gengivite ulcerativa necrosante aguda (GUNA)
4 – Para as Porphyromonas sp. podemos afirmar que:
a) São bacilos Gram –, pigmentados e sacarolítico
b) São bacilos Gram –; pigmentados e assacarolíticos
c) A P. gingivalis é um patogénico importante nas perimplantites
d) A P. endoteliais apresenta mobilidade com flagelação polar
5 – Que significado pode retirar da presença dominante de espiroquetas numa amostra oral:
a) Tuberculose
b) Cárie dentária
c) Doença endodotal
d) Doença periodontal
6 – Sobre os Peptostreptococcus sp. Podemos firmar que:
a) São bacilos Gram –; anaeróbios e esporulados
b) O seu principal habitat é o tracto respiratório
c) São cocos Gram –; anaeróbios e não esporulados
d) São cocos Gram +; anaeróbios e algumas espécies têm sido associados a gengivite
7 – Sobre as Porphyromonas sp. Podemos afirmar que:
a) O maior local de colonização da P.gingivalis é o sulco gengival da cavidade oral humana
b) O maior local de colonização da P. endodontalis é a placa supragengival da cavidade oral humana
c) São bacilos fermentativos
d) São anaeróbios facultativos
8 – Escolha a afirmação verdadeira:
a) O Bifidobacterium dentium é um bacilo Gram + que coloniza as lesões provocadas pelas cáries
b) O Eubacterium yurii é assacarolitico
c) O género Clostridium tem como principal local de colonização a cavidade oral humana
d) Os Peptostreptococcus são bacilos Gram +; produtores de esporos
9 – Sobre o género Clostridium:
a) São bacilos Gram –; anaeróbios estritos esporulados
b) Colonizam o sulco gengival humano
c) O C. dificile é responsável pela colite pseudomembranosa
d) São bacilos Gram +; anaeróbios estritos esporulados
e) Todas as afirmações são verdadeiras
f) As respostas a e c) são verdadeiras
10 – Que significado pode retirar da presença de espiroquetas < 5% numa amostra oral:
a) Sífilis
b) Tuberculose
c) Periodontite
d) Gengivite
e) Periodonto saudável
11 – Que significado pode tirar da presença de espiroquetas> 30% numa amostra oral:
a) Tuberculose
b) GUNA
c) Periodontite juvenil localizada
d) Periodontite do adulto
e) Periodonto saudável
12 – Como principais patogénicos em doença periodontal:
a) S. mutans; S. aureus e P.gingivalis
b) P. gingivalis; P. intermédia e Leptotrichia buccalis
c) P. gingivalis; P. intermédia e A. Actinomycetemcomitans
d) P. intermedia, Bacteroides forsythus e T. pallidum
13 – Escolha a afirmação verdadeira:
a) O Bifidobacterium dentium é um bacilo Gram + que coloniza as lesões provocadas pelas cáries
b) O Eubacterium yurii é assacarolítico e imóvel
c) O género Clostridium tem como principal local de colonização a cavidade oral humana
d) Os Peptostreptococcus são bacilos Gram +, produtores de esporos
14 - Todos os microrganismos podem ser responsáveis por perimplantites exceto:
a) Wolinella recta
b) Candida albicans
c) S. pyogenes
d) Peptostreptococcus micros
15 - Quais as espécies mais implicadas na periodontite do adulto:
a)Actinomyces sp.
b) Porphyromonas gingivalis
c) Candida albicans
d) Peptostreptococcus nicros
16 - O actinobacillus actinomycetencomitans está fortemente associado a:
a) Gengivite ulcerativa necrosante aguda.
b) Periodontite do adulto.
c) Periodontite juvenil localizada.
d) Periimplantites.
17 - Na GUNA os microrganismos mais associados são:
a) Borrelia yincenti, Fusobacterium e P. intermédia.
b) Treponema denticola, Fusobacterium e P. gingivalis.
c) P. intermedia, P. gingivalis e Fusobacterium.
d) P. intermedia, Peptostreptococcus micors e Bacteroides forsythus.
18 - Sobre a periodontite refratária é falso:
a) Após o tratamento mecânico, estes indivíduos continuam a mostrar sinais de perda de ligação do tecido periodontal.
b) O Fusobacterium e a P. intermedia estão-lhe fortemente associados.
c) Torna-se necessário efetuar o antibiograma para a administração correta da antibioterapia.
d) Trata-se de uma infeção oportunista associada a Candida albicans.
19 - Os microrganismos periodontais podem evitar as defesas do hospedeiro dos seguintes modos:
a) Alterando os antigénios contra os quais os anticorpos são dirigidos.
b) Através da secreção bacteriana de lisozima.
c) Através da secreção bacteriana de lactoferrina.
d) Degradando as moléculas de imunoglobulinas.
20 - A gengivite é uma infeção que se caracteriza por:
a) Estar associada a uma boa higiene oral.
b) Estar associada a microrganismos oportunistas.
c) Ser uma infeção específica.
d) Todas as respostas estão corretas.
e) Nenhuma resposta é correta.
21 - A destruição direta dos tecidos periodontais pode ocorrer por:
a) Antagonismo e sinergismo bacteriano
b) Degradação enzimática do complemento
c) Acão da colagenase, hialuronidase e fosfatase ácida.
d) Estimulação das células supressoras dos linfócitos T.
22 - No processo de contaminação do tecido periodontal tem importância:
a) O antagonismo e sinergismo bacteriano.
b) A presença de cápsula.
c) A produção de exotoxinas.
d) A síntese de colagenase.
e) Todas as respostas estão corretas.
f) São verdadeiras as respostas a) e b).
23 - Um indivíduo infetado pelo VIH pode sofrer de periodontite causada principalmente por:
a) Streptococcus sp., Actinomyces sp., P. intermedia.
b) Wollinella recta, enterobactérias, Pseudomonas.
c) Staphylococcus sp., Candida albicans, Actinomyces sp.
d) P. intermedia, Wollinella recta, streptococcus sp.
24 - Escolha a afirmação correcta:
a) A periodontite juvenil está associada a grandes quantidades de placa microbiana.
b) A periodontite juvenil está associada a fatores familiares de ordem genética e a pouca placa bacteriana.
c) A gengivite crónica é uma infeção específica.
d) A periodontite do adulto é uma infeção que resulta do aumento da massa da placa bacteriana.
25 - Um título elevado de anticorpos contra Porphyromonas gengivalis significa que está em presença de:
a) Gengivite ulcerativa necrosante aguda.
b) Periodontite da pré-puberdade.
c) Periodontite juvenil localizada.
d) Periodontite do adulto.
26 - No processo de colonização do tecido periodontal tem importância:
a) O antagonismo e sinergismo bacteriano.
b) A presença de cápsula.
c) A produção de exotoxinas.
d) A síntese de colagenase.
e) Todas as respostas estão corretas.
f) São verdadeiras as respostas a) e b).
27 - A relação hospedeiro-bactéria observada na cavidade oral saudável é do tipo:
a) Simbiótica.
b) Comensal.
c) Anfibiótica.
d) Antibiótica.
28 - Pode-se afirmar para a placa supragengival que:
a) A placa recente tem muitas formas proteolíticas.
b) A placa madura tem predomínio de cocos, bacilos filamentares e espiroquetas.
c) As bactérias encontram-se firmemente aderentes à matriz da placa.
d) A placa recente tem predomínio de bactérias Gram negativas.
29 - Qual ou quais das placas são bem toleradas pelo hospedeiro:
a) Placa supragengival madura.
b) Placa supragengival recente.
c) Placa subgengival.
d) Placa mineralizada.
30 - Os fatores salivários que influenciam a formação da placa podem ser:
a) Leucócitos.
b) Proteínas do complemento.
c) Lactoperoxidase.
d) Lisozima.
31 - A produção de glucanos por algumas bactérias tem importância na:
a) Formação de estruturas de co-agregação.
b) Adesão bacteriana.
c) Na metabolização de carbohidratos.
d) Na metabolização de aminoácidos.