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Histopatologia da Doença Periodontal 1 Histopatologia da Doença Periodontal Patogênese periodontal Patogênese é definida como “a origem e o desenvolvimento de uma doença”. Genesis “geração ou criação” Em termos gerais, a patogênese de uma doença é o mecanismo pelo qual um ou mais fatores causadores produz a doença. Nosso conhecimento da patogênese periodontal evoluiu ao longo dos anos e tratamento também mudaram em paralelo com o aumento da nossa compreensão dos processos da doença. Tecidos gengivais clinicamente saudáveis é essencial conhecer a aparência histológica dos tecidos clinicamente saudáveis e também dos tecidos gengivais e periodontais inflamados. aspecto róseo, sem edema, desinflamado e bem preso ao dente e osso subjacentes, com sangramento mínimo à sondagem. A junção dentogengival é uma característica anatômica exclusiva que funciona na inserção da gengiva no dente. Ela compreende uma parte epitelial e uma parte de tecido conjuntivo, ambas fundamentais para a patogênese periodontal. 1. Epitélio gengival oral Contínuo com o epitélio sulcular na crista gengival/margem gengival Cobre a gengiva e forma os tecidos gengivais visíveis clinicamente Cobre os tecidos gengivais livre e inserido 2.Epitélio sulcular Epitélio escamoso estratificado Não queratinizado Histopatologia da Doença Periodontal 2 De frente para a superfície do dente, mas não aderido à mesma Forma o revestimento de tecido mole do sulco gengival ou da bolsa periodontal 3.Epitélio juncional Forma a adesão epitelial entre a gengiva e o dente Não queratinizado Forma o assoalho do sulco/bolsa Envolve o dente como um colar no estado de saúde acompanhando a morfologia da junção cemento-esmalte Mais amplo no assoalho do sulco (i.e., 15 a 30 células de espessura) e afunilado na direção apical para 3 a 4 células de espessura Consiste em camadas de células escamosas achatadas, orientadas em paralelo com a superfície do dente As células de superfície aderem à superfície do dente via hemidesmossomos - junção intercelular Lâmina basal diferente das outras lâminas basais que se opõem ao tecido conjuntivo em que o colágeno tipo IV está ausente Hospedeiro O hospedeiro tem uma sofisticada gama de defesas fornecidas pelas divisões inata e adaptativa do sistema imune; a principal função é proteger os tecidos contra colonização e invasão microbianas. Ele está ativamente envolvido nas trocas com sua microbiota residente para manter efetivamente uma relação construtiva. O hospedeiro consegue detectar os microrganismos e tem sistemas evoluídos para possibilitá-lo a tolerar os microrganismos residentes sem iniciar uma reação inflamatória danosa, enquanto também é capaz de montar uma defesa eficiente contra os patógenos. Habitat Quente e úmida Virus, mycoplasma, bactérias, archaea, fungos e protozoários Biofilmes Histopatologia da Doença Periodontal 3 Biofilme 1. Transporte para a Superfície (1)formação da película sobre a superfície do dente; 2. Ligação reversível e mais estável (2) adesão/fixação inicial de bactérias; 3. Coadesão 4. Maturação da placa (3) maturação colonização/placa. Formação do filme de condicionamento Segundos após a erupção ou depois da limpeza, as superfícies dentárias se tornam cobertas com um filme de condicionamento de moléculas O filme de condicionamento altera as propriedades biológicas e químicas da superfície, e a composição da película influencia diretamente o padrão da colonização microbiana subsequente. Os microrganismos interagem diretamente com esse filme de condicionamento Ligação reversível e mais estável somente um número limitado de espécies bacterianas consegue se ligar ao filme de condicionamento; Primeiros colonizadores: somente um número limitado de espécies bacterianas consegue se ligar ao filme de condicionamento. Adesinas > receptores complementares na película adquirida > ligação mais forte Coadesão Uma vez ligados, os colonizadores pioneiros começam a se multiplicar. Modifica o ambiente local tornando-o anaeróbico Sucessão microbiana Conforme o biofilme se desenvolve, as adesinas na superfície celular dos colonizadores secundários mais exigentes, como os anaeróbios obrigatórios, Histopatologia da Doença Periodontal 4 ligam-se aos receptores das bactérias já conectadas > microrganismo com funções metabólicas complementares Microbiota nativa Um dos principais benefícios da existência de uma microbiota residente em um local é a capacidade de prevenir a colonização por microrganismos exógenos (e geralmente patogênicos). Essa propriedade, denominada “resistência à colonização” (Van der Waaij et al., 1971), deve-se a várias propriedades dos micróbios residentes, incluindo 1. união mais efetiva aos receptores do hospedeiro, 2. competição por nutrientes endógenos, 3. criação de condições de crescimento desfavoráveis à união e multiplicação sem estímulo dos microrganismos invasores, e 4. produção de substâncias antagônicas (peróxido de hidrogênio, bacteriocinas etc.). Cálculo dental O cálculo dental, ou tártaro, representa a placa bacteriana mineralizada O cálculo supragengival localiza-se de modo coronal à margem gengival (Figura 9.1 A) Enquanto o cálculo subgengival é encontrado apical à margem gengival (Figura 9.1 B). Formação do cálculo Supragengival: precipitação dos sais minerais existentes na saliva Histopatologia da Doença Periodontal 5 Subgengival: sais minerais no exsudato inflamatório que passa através da bolsa periodontal: representa um produto secundário da infecção, não a causa principal do periodonto Calculo supragengival Pode ser reconhecido como uma massa de consistência moderada; Coloração varia de branco amarelado a amarelo-escuro ou até mesmo marrom. O grau de formação do cálculo depende não apenas da quantidade de placa bacteriana, mas também da secreção das glândulas salivares; São encontrados, predominantemente, adjacentes aos ductos excretores das glândulas salivares maiores; Encontrado somente por exploração tátil Complexo microbiano supragengival Histopatologia da Doença Periodontal 6 Colonização da cavidade bucal Placa supragengival Cocos e bastonetes curtos Gram-positivos predominam na superfície do dente, enquanto bastonetes e filamentosos Gram- negativos, bem como espiroquetas, predominam na superfície externa da massa da placa madura. Placa subgengival Difere em composição da placa supragengival, principalmente por causa da disponibilidade local de produtos derivados do sangue e um potencial de baixa oxirredução (redox), que caracteriza o ambiente anaeróbio. Placa cervical banhado(s) pelo fluxo do fluido gengival (FCO) substancias que podem ser utilizadas peles bactérias como nutrientes As células inflamatórias e mediadores do hospedeiro provavelmente influenciam consideravelmente, o estabelecimento e o crescimento de bactérias na região subgengival Essa placa apresenta predominância de bastonetes e cocos Gram- positivos, incluindo S. mitis, S. sanguinis, Actinomyces oris, A. naeslundii e Eubacterium spp. Fundo da bolsa Os organismos filamentosos tornam-se menores em número; na porção apical, eles parecem estar praticamente ausentes. Histopatologia da Doença Periodontal 7 Placa associado ao tecido mole Maior concentração de bastonetes Gram-negativos A composição da placa subgengival depende da profundidade da bolsa. A parte apical é mais dominada por espiroquetas, cocos e bastonates, enquanto na porção coronal são observados mais filamentos Placas associada ao tecido mole não possuem uma matriz intermicrobiana definitiva contêm principalmente cocos e bastonetes Gram-negativos, bem como um grande número de filamentos, bastonetes flagelados e espiroquetas. predominância de espécies como: S. oralis, S. intermedius, Parvimonas micra P. gingivalis, P. intermedia, T. forsythia e F. nucleatum. Topografia da placa supragengival 1. Crescimento inicial ao longo da margem gengivale a partir dos espaços interdentais (ou seja, áreas protegidas de forças de cisalhamento); 2. Extensão no sentido coronário; 3. Microrugosidade da superfície Histopatologia da Doença Periodontal 8 Variáveis individuais que afetam a formação da placa 1. Saliva - Diferença no crescimento da placa entre formadores pesados (rápidos) e Leves (lentos) 2. Dentição - maxila x mandíbula e vestibular x palatina 3. Inflamação gengival prévia 4. Idade do paciente aumento da suscetibilidade Critérios pelos quais microrganismos podem ser considerados potenciais patógenos. 1. estar associado à doença, tal como evidenciado pelo aumento no número de organismos em sítios doentes; 2. ser eliminado ou reduzido em locais que demonstrem uma resolução clínica da doença com tratamento; 3. induzir uma resposta do hospedeiro, sob a forma de uma alteração na resposta imune humoral ou celular do hospedeiro; 4. ser capaz de causar doença em modelos animais experimentais; 5. apresentar fatores de virulência responsáveis por capacitarem o microrganismo a causar a destruição dos tecidos periodontais. A Transição de Saúde para a Doença Ao comparar a microbiota entre condições de saúde, gengivite e periodontite, os seguintes desvios microbianos podem ser identificados com a saúde progredindo para a periodontite: de bactérias Gram-positivas para Gram-negativas; de cocos para bastonetes (e, em uma fase posterior, para espiroquetas); de organismos imóveis para organismos móveis; de anaeróbios facultativos para anaeróbios obrigatórios; de espécies fermentadoras para espécies proteolíticas. SAÚDE X DOENÇA PERIODONTAL Saúde periodontal Gengivite Periodontite Histopatologia da Doença Periodontal 9 Sem sinais clínicos de inflação Sem perda de inserção osseas Inflação restrita ao tecido mole Reversível após tratamento Perda progressiva da inserção e tecido ósseo Irreversível 3 caminhos após tratamento Histopatologia da DP boca dente periodonto sistema imune disbiose 3 fatores que determinam se a destruição periodontal ativa ocorrerá em um individuo: 1. um hospedeiro suscetível 2. a presença de espécies patogénicas 3. ausência ou pequena proporção das chamadas bactéria benéficas Suscetibilidade do hospedeiro A suscetibilidade do hospedeiro é determinada por fatores genéticos, bem como por fatores ambientais e comportamentais, como tabagismo, estresse e infecções virais. Recentemente, infecções virais foram adicionadas à lista de fatores que modificam a suscetibilidade do hospedeiro. HIV e herpes são frequentemente associados às infecções periodontais. Fatores raciais também foram implicados nas diferenças na prevalência de periodontite de início precoce e na frequência de detecção de periodontopatógenos. Bactérias patogênicas O segundo fator essencial para o início e a progressão da doença é a presença de um ou mais agentes patogênicos do tipo clonal apropriado e em números suficientes. Histopatologia da Doença Periodontal 10 Presença de um ou mais agentes patogénicos do tipo clonal apropriado e em números suficientes Patógenos-chave: A. actinomycetemcomitans, T forsythia, Treponema denticola P. gingivalis Evidência moderada: P. Intermedia, Prevotella nigrescens, C. rectus, Parvimonas micra, F nucleatum, Eubacterium nodatum e varias espiroquetas A maioria dos agentes periodontopatogénicos também pode ser detectada em Indivíduos saudáveis Bactérias benéficas Podem ser afetadas pelas bactérias patogênicas Gengivite Infiltração infiltração do tecido conjuntivo liberação extracelular de suas enzimas destrutivas Destruição do colágeno uma perturbação da anatomia normal do tecido conjuntivo destruição do colágeno proliferação do epitélio juncional. Vasodilatação maior permeabilidade vascular maior vazamento de fluido para fora dos vasos facilitam a passagem das células de defesa da vasculatura para os tecidos, resultando no aumento dos tecidos, que apresentam eritemas e edemas Periodontite Reabsorção óssea osteoclástica Perda de inserção Destruição do osso alveolar propriamente dito+ fibras do ligamento periodontal Mobilidade dentária e, talvez, perda dentária Histopatologia da Doença Periodontal 11 Existem dois fatores críticos que determinam se ocorre perda óssea: 1. a concentração de mediadores inflamatórios nos tecidos gengivais deve ser suficiente para ativar as vias que levam à reabsorção óssea; 2. os mediadores inflamatórios precisam penetrar o caso alveolar a uma distancia critica Os osteoclastos são células multinucleadas formadas a partir de células progenitoras de osteoclasto e macrófagos, e a reabsorção óssea osteoclástica é ativada por uma série de mediadores (p. ex., IL-1β, TNF-α, IL-6, PGE2) Outros mediadores que também estimulam a reabsorção óssea incluem o fator inibitório de leucemia, oncostatina M, bradicinina, trombina e várias quimiocinas.