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Prévia do material em texto

. 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prefeitura de Macaíba-RN 
 
Compreensão e interpretação de textos: situação comunicativa, pressuposição, inferência, 
ambiguidade, ironia, figurativização, polissemia, intertextualidade, linguagem não-verbal ....................... 1 
Tipos e gêneros textuais: narrativo, descritivo, expositivo, argumentativo, instrucionais, propaganda, 
editorial, cartaz, anúncio, artigo de opinião, artigo de divulgação científica, ofício, carta ........................ 46 
Estrutura Textual: Progressão temática, parágrafo, frase, oração, período, enunciado, pontuação, 
coesão e coerência ................................................................................................................................ 71 
Variedade linguística, formalidade e informalidade, formas de tratamento, propriedade lexical, 
adequação comunicativa ...................................................................................................................... 127 
Língua padrão: ortografia, acentuação, emprego do sinal indicativo de crase ................................. 144 
Pontuação ....................................................................................................................................... 174 
Formação de palavras, prefixo, sufixo, classes de palavras ............................................................. 174 
Regência ......................................................................................................................................... 232 
Concordância nominal e verbal ........................................................................................................ 242 
Flexão verbal e nominal ................................................................................................................... 258 
Sintaxe de colocação ....................................................................................................................... 264 
Produção Textual ............................................................................................................................. 271 
Semântica: sentido e emprego dos vocábulos; campos semânticos; emprego de tempos e modos dos 
verbos em português ............................................................................................................................ 284 
Morfologia: reconhecimento, emprego e sentido das classes gramaticais. Termos da oração; 
processos de coordenação e subordinação; transitividade e regência de nomes e verbos; padrões gerais 
de colocação pronominal no português ................................................................................................ 293 
Estilística: figuras de linguagem ....................................................................................................... 293 
Reescrita de frases: substituição, deslocamento, paralelismo. Norma culta..................................... 304 
 
 
Candidatos ao Concurso Público, 
O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas 
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom 
desempenho na prova. 
As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar 
em contato, informe: 
- Apostila (concurso e cargo); 
- Disciplina (matéria); 
- Número da página onde se encontra a dúvida; e 
- Qual a dúvida. 
Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O 
professor terá até cinco dias úteis para respondê-la. 
Bons estudos! 
 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 1 
 
 
Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante 
todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica 
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida 
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente 
para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores@maxieduca.com.br 
 
COMPREENSÃO DO TEXTO 
 
Há duas operações diferentes no entendimento de um texto. A primeira é a apreensão, que é a 
captação das relações que cada parte mantém com as outras no interior do texto. No entanto, ela não é 
suficiente para entender o sentido integral. 
Uma pessoa que conhecesse todas as palavras do texto, mas não conhecesse o universo dos 
discursos, não entenderia o significado do mesmo. Por isso, é preciso colocar o texto dentro do universo 
discursivo a que ele pertence e no interior do qual ganha sentido. 
Alguns teóricos chamam o universo discursivo de “conhecimento de mundo”, mas chamaremos essa 
operação de compreensão. 
E assim teremos: 
 
Apreensão + Compreensão = Entendimento do texto 
 
Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis de leitura: informativa e de 
reconhecimento. 
A primeira deve ser feita cuidadosamente por ser o primeiro contato com o texto, extraindo-se 
informações e se preparando para a leitura interpretativa. Durante a interpretação grife palavras-chave, 
passagens importantes; tente ligar uma palavra à ideia central de cada parágrafo. 
A última fase de interpretação concentra-se nas perguntas e opções de respostas. Marque palavras 
como não, exceto, respectivamente, etc., pois fazem diferença na escolha adequada. 
Retorne ao texto mesmo que pareça ser perda de tempo. Leia a frase anterior e posterior para ter ideia 
do sentido global proposto pelo autor. 
Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias seletas e organizadas, através dos parágrafos 
que é composto pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão do texto. 
A alusão histórica serve para dividir o texto em pontos menores, tendo em vista os diversos enfoques. 
Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da mudança de linha e um espaçamento da margem 
esquerda. 
Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico frasal, ou seja, a ideia central extraída de maneira 
clara e resumida. 
Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo, asseguramos um caminho que nos levará à 
compreensão do texto. 
Produzir um texto é semelhante à arte de produzir um tecido. O fio deve ser trabalhado com muito 
cuidado para que o trabalho não se perca. O mesmo acontece com o texto. O ato de escrever toma de 
empréstimo uma série de palavras e expressões amarrando, conectando uma palavra uma oração, uma 
ideia à outra. O texto precisa ser coeso e coerente. 
 
Coesão 
 
É a amarração entre as várias partes do texto. Os principais elementos de coesão são os conectivos, 
vocábulos gramaticais, que estabelecem conexão entre palavras ou partes de uma frase. O texto deve 
ser organizado por nexos adequados, com sequência de ideias encadeadas logicamente, evitando frases 
e períodos desconexos. 
Para perceber a falta de coesão, a melhor atitude é ler atentamente o seu texto, procurando 
estabelecer as possíveis relações entre palavras que formam a oração e as orações que formam o 
período e, finalmente, entre os vários períodos que formam o texto. Um texto bem trabalhado sintática e 
semanticamente resultam num texto coeso. 
Compreensão e interpretação de textos: situação comunicativa, 
pressuposição, inferência, ambiguidade, ironia, figurativização, polissemia, 
intertextualidade, linguagem não-verbal 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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Coerência 
 
A coerência está diretamente ligada à possibilidade de estabelecer um sentido para o texto, ou seja, 
ela é que faz com que o texto tenha sentido para quem lê. Na avaliação da coerência será levado em 
conta o tipo detexto. 
Em um texto dissertativo, será avaliada a capacidade de relacionar os argumentos e de organizá-los 
de forma a extrair deles conclusões apropriadas; num texto narrativo, será avaliada sua capacidade de 
construir personagens e de relacionar ações e motivações. 
 
Tipos de Composição 
 
Descrição 
É representar verbalmente um objeto, uma pessoa, um lugar, mediante a indicação de aspectos 
característicos, de pormenores individualizantes. Requer observação cuidadosa, para tornar aquilo que 
vai ser descrito um modelo inconfundível. 
Não se trata de enumerar uma série de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir uma 
impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é muito mais que fotografar. É pintar, é criar. Por 
isso, impõe-se o uso de palavras específicas, exatas. 
 
Narração 
É um relato organizado de acontecimentos reais ou imaginários. São seus elementos constitutivos: 
personagens, circunstâncias, ação; o seu núcleo é o incidente, o episódio, e o que a distingue da 
descrição é a presença de personagens atuantes, que estão quase sempre em conflito. 
 
Dissertação 
É apresentar ideias, analisá-las, é estabelecer um ponto de vista baseado em argumentos lógicos; é 
estabelecer relações de causa e efeito. Aqui não basta expor, narrar ou descrever, é necessário explanar 
e explicar. O raciocínio é que deve imperar neste tipo de composição, e quanto maior a fundamentação 
argumentativa, mais brilhante será o desempenho. 
 
Sentidos dos Textos 
 
Sentidos Próprio e Figurado 
Geralmente os exemplos de tais ocorrências são metáforas. Assim, em “Maria é uma flor” diz-se que 
“flor” tem um sentido próprio e um sentido figurado. 
O sentido próprio é o mesmo do enunciado: “parte do vegetal que gera a semente”. 
O sentido figurado é o mesmo de “Maria, mulher bela, etc.” 
O sentido próprio, na acepção tradicional não é próprio ao contexto, mas ao termo. 
O sentido tradicionalmente dito próprio sempre corresponde ao que definimos aqui como sentido 
imediato do enunciado. Além disso, alguns autores o julgam como sendo o sentido preferencial, o que 
comumente ocorre. 
O sentido dito figurado é o do enunciado que substitui a metáfora, e que em leitura imediata leva à 
mesma mensagem que se obtém pela decifração da metáfora. 
 
Sentido Imediato 
É o que resulta de uma leitura imediata que, com certa reserva, poderia ser chamada de leitura ingênua 
ou leitura de máquina de ler. É aquela em que se supõe a existência de uma série de premissas que 
restringem a decodificação, tais como: 
- as frases seguem modelos completos de oração da língua; 
- discurso lógico; 
- se a forma usada no discurso é a mesma usada para estabelecer identidades lógicas ou atribuições, 
então, tem-se, respectivamente, identidade lógica e atribuição; 
- significados encontrados no dicionário; 
- existe concordância entre termos sintáticos; 
- abstrai-se a conotação; 
- supõe-se que não há anomalias linguísticas; 
- abstrai-se o gestual, o entoativo e editorial enquanto modificadores do código linguístico; 
- supõe-se pertinência ao contexto; 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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- abstrai-se icônicas (é a associação harmoniosa entre os efeitos suscitados pela observação do 
significante e seu significado. Essa associação pode derivar de uma relação de semelhança ou de 
contiguidade); 
- abstrai-se alegorias, ironias, paráfrases, trocadilhos, etc.; 
- não se concebe a existência de locuções e frases feitas; 
- supõe-se que o uso do discurso é comunicativo; 
- abstrai-se o uso expressivo, cerimonial. 
 
Admitindo essas premissas, o discurso será indecifrável, ininteligível ou compreendido parcialmente. 
Na verdade, não existe o leitor absolutamente ingênuo, que se comporte como uma máquina de ler, o 
que faz do conceito de leitura imediata apenas um pressuposto metodológico. 
O que existe são ocorrências eventuais que se aproximam de uma leitura imediata, como quando 
alguém toma o sentido literal pelo figurado, quando não capta uma ironia ou fica perplexo diante de um 
oxímoro. 
Há quem chame o discurso que admite leitura imediata de grau zero da escritura, identificando-a como 
uma forma mais primitiva de expressão. Esse grau zero não tem realidade, é apenas um pressuposto. Os 
recursos de retórica são anteriores a ele. 
 
Sentido Preferencial 
Para compreender o sentido preferencial é preciso conceber o enunciado descontextualizado ou em 
contexto de dicionário. Quando um enunciado é realizado em contexto muito rarefeito, como é o contexto 
em que se encontra uma palavra no dicionário, dizemos que ela está descontextualizada. 
Nesta situação, o sentido preferencial é o que, na média, primeiro se impõe para o enunciado. Óbvio, 
o sentido que primeiro se impõe para um receptor pode não ser o mesmo para outro. Por isso a definição 
tem de considerar o resultado médio, o que não impede que pela necessidade momentânea 
consideremos o significado preferencial para dado indivíduo. 
Algumas regularidades podem ser observadas nos significados preferenciais. Por exemplo: o sentido 
preferencial da palavra porco costuma ser: “animal criado em granja para abate”, e nunca o de “indivíduo 
sem higiene”. 
Em outras palavras, geralmente o sentido que admite leitura imediata se impõe sobre o que teve origem 
em processos metafóricos, alegóricos, metonímicos. Mas esta regra não é geral. Vejamos o seguinte 
exemplo: “Um caminhão de cimento”. O sentido preferencial para a frase dada é o mesmo de “caminhão 
carregado com cimento” e não o de “caminhão construído com cimento”. 
Neste caso o sentido preferencial é o metonímico, o que contrapõe a tese que diz que o sentido 
“figurado” não é o “primeiro significado da palavra”. Também é comum o sentido mais usado se impor 
sobre o menos usado. 
Para certos termos é difícil estabelecer o sentido preferencial. Um exemplo: Qual o sentido preferencial 
de manga? O de fruto ou de uma parte da roupa? 
 
Questões 
 
01. (TRF 5ª Região - Técnico Judiciário - FCC) Há falta de coesão e de coerência na frase: 
(A) Nem sempre os livros mais vendidos são, efetivamente, os mais lidos: há quem os compre para 
exibi-los na estante. 
(B) Aquele romance, apesar de ter sido premiado pela academia e bem recebido pelo público, não 
chegou a impressionar os críticos dos jornais. 
(C) Se o sucesso daquele romance deveu-se, sobretudo, à resposta do público, razão pela qual a 
maior parte dos críticos também o teriam apreciado. 
(D) Há livros que compramos não porque nos sejam imediatamente úteis, mas porque imaginamos o 
quanto poderão nos valer num futuro próximo. 
(E) A distribuição dos livros numa biblioteca frequentemente indica aqueles pelos quais o dono tem 
predileção. 
 
02. (ALERJ - Especialista Legislativo - FGV/2017) 
 
Comunicação Política na Suíça 
 
Os cidadãos suíços são convocados a se pronunciar periodicamente, de quatro a cinco vezes por ano 
aproximadamente, sobre um total de quinze temas da atualidade política. Além de cada uma dessas 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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votações populares, os cidadãos são convidados a dar suas opiniões (votando simplesmente sim ou não) 
sobre três ou quatro problemas de interesse nacional, aos quais se acrescentam alguns tópicos especiais 
dos cantões e das comunas. Esse sistema repousa sobre a iniciativa popular e sobre o referendum, que 
permitem a uma minoria, respectivamente 100.000 cidadãos, no caso da iniciativa popular, e 50.000, no 
caso do referendum, obrigar o conjunto do país a se interessar sobre o que a preocupa. 
(Argumentação, Hermès. Paris: CNRS Edições. 2011, p. 58) 
 
O texto abaixo que carece de coerência é: 
(A) “Democracia é como nadar. Aprende-se praticando”. (Abdel-Hadi) 
(B) “Todo político em busca de reeleiçãoé um animal perigoso”. (Sanguinetti) 
(C) “A maior contribuição que alguns políticos podem dar ao país é perder as eleições”. (Ciro Pellicano) 
(D) “A ânsia de salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para a ânsia de governá-la”. 
(Mencken) 
(E) “Um político honesto é aquele que, quando comprado, permanece comprado”. (Simon Cameron) 
 
03. (Pref. de Teresina/PI - Professor Português - NUCEPE/2016) 
 
SCHULZ, Charles M. Ser cachorro é um trabalho 
De tempo integral. São Paulo, Conrad, 2004. 
 
O quarto quadrinho do texto apresenta o conectivo mas, que normalmente opõe duas ideias contrárias. 
Esse recurso linguístico como fator de textualidade realiza uma 
(A) coesão referencial. 
(B) coerência argumentativa. 
(C) coesão sequencial. 
(D) coerência narrativa. 
(E) contiguidade. 
 
04. (TJ/SP - Agente de Fiscalização Judiciária - VUNESP) No fim da década de 90, atormentado 
pelos chás de cadeira que enfrentou no Brasil, Levine resolveu fazer um levantamento em grandes 
cidades de 31 países para descobrir como diferentes culturas lidam com a questão do tempo. A conclusão 
foi que os brasileiros estão entre os povos mais atrasados - do ponto de vista temporal, bem entendido - 
do mundo. Foram analisadas a velocidade com que as pessoas percorrem determinada distância a pé no 
centro da cidade, o número de relógios corretamente ajustados e a eficiência dos correios. Os brasileiros 
pontuaram muito mal nos dois primeiros quesitos. No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro lugar. 
O país dos relógios é, portanto, o que tem o povo mais pontual. Já as oito últimas posições no ranking 
são ocupadas por países pobres. 
O estudo de Robert Levine associa a administração do tempo aos traços culturais de um país. "Nos 
Estados Unidos, por exemplo, a ideia de que tempo é dinheiro tem um alto valor cultural. Os brasileiros, 
em comparação, dão mais importância às relações sociais e são mais dispostos a perdoar atrasos", diz 
o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por exemplo, revelou que a maioria considera 
aceitável que um convidado chegue mais de duas horas depois do combinado a uma festa de aniversário. 
Pode-se argumentar que os brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários porque a 
infraestrutura não ajuda. Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no 
transporte público? 
(Veja, 02.12.2009) 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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Há emprego do sentido figurado das palavras em: 
(A) os brasileiros estão entre os povos mais atrasados. 
(B) No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro lugar. 
(C) Os brasileiros dão mais importância às relações sociais. 
(D) Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo. 
(E) não se pode confiar no serviço público? 
 
 05. (IF/GO - Auxiliar em Administração - CS/UFG) 
 
Sua excelência, o leitor 
 
Os livros vivem fechados, capa contra capa, esmagados na estante, às vezes durante décadas - é 
preciso arrancá-los de lá e abri-los para ver o que têm dentro [...]. Já o jornal são folhas escancaradas ao 
mundo, que gritam para ser lidas desde a primeira página. As mãos do texto puxam o leitor pelo colarinho 
em cada linha, porque tudo é feito diretamente para ele. O jornal do dia sabe que tem vida curta e ofegante 
e depende desse arisco, indócil, que segura as páginas amassando-as, dobrando-as, às vezes 
indiferente, passando adiante, largando no chão cadernos inteiros, às vezes recortando com a tesoura 
alguma coisa que o agrada ou o anúncio classificado. Súbito diz em voz alta, ao ler uma notícia grave, 
"Que absurdo!", como quem conversa. O jornal se retalha entre dois, três, quatro leitores, cada um com 
um caderno, já de olho no outro, enquanto bebem café. Nas salas de espera, o jornal é cruelmente 
dilacerado. Ao contrário do escritor, que se esconde, o cronista vive numa agitada reunião social entre 
textos - todos falam em voz alta ao mesmo tempo, disputam ávidos o olhar do leitor, que logo vira a 
página, e silenciamos no papel. Renascemos amanhã. 
TEZZA, Cristóvão. Disponível em:imagem-010.jpg Acesso em: 19 fev. 2014. (Adaptado). 
 
Qual das expressões abaixo está empregada em sentido figurado? 
(A) “gritam para ser lidas” 
(B) “capa contra capa” 
(C) “logo viram a página” 
(D) “enquanto bebem café” 
 
Gabarito 
 
01.C / 02.E / 03.C / 04.D /05.A 
 
Comentários 
 
01. Resposta: C 
É possível a construção da frase com o “então” substituindo, “razão pela qual”, dando um caráter de 
conclusão na frase e não apenas uma justificativa. 
 
02. Resposta. E 
Um político sendo comprado, já é indício que ele não é honesto. Faltou a coerência neste argumento. 
 
03. Resposta: C 
A coesão sequencial sempre estabelece por meio dos conectivos uma relação entre as frases e seus 
sentidos, ligando-as. 
 
04. Resposta: D 
A alternativa D foi utilizada uma metáfora. Linguagem conotativa, o seu significado foi ampliado para 
sugerir que o trânsito é algo difícil a ponto de ser um pesadelo. 
 
05. Resposta: A 
A alternativa tem a frase “gritam para ser lidas” associada as folhas de jornais. A linguagem é figurada 
devido ao fato de as folhas de jornal gritarem, folhas de jornais não gritam e nem falam. A característica 
da figura de linguagem pode ser também algo anormal ao senso comum. 
 
 
 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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INTERPRETAÇÃO 
 
Cada vez mais, é comprovada a dificuldade dos estudantes, de qualquer idade, e para qualquer 
finalidade de compreender o que se pede em textos, e também dos enunciados. Qual a importância de 
entender um texto? 
Para se compreender um texto precisa entender o que um texto não é conforme diz Platão e Fiorin: 
 
“Não é amontoando os ingredientes que se prepara uma receita; assim também não é superpondo 
frases que se constrói um texto”.1 
 
Ou seja, um texto não é um aglomerado de frases, ele tem um começo, meio, fim, uma mensagem a 
transmitir, tem coerência, e cada frase faz parte de um todo. 
Na verdade, o texto pode ser a questão em si, a leitura que fazemos antes de resolver o exercício. E 
como é possível cometer um erro numa simples leitura de enunciado? Mais fácil de acontecer do que se 
imagina. Se na hora da leitura, deixamos de prestar atenção numa só palavra, como um “não”, já muda 
a interpretação. Veja a diferença: 
Qual opção abaixo não pertence ao grupo? 
Qual opção abaixo pertence ao grupo? 
 
Isso já muda totalmente a questão, e se o leitor está desatento, vai marcar a primeira opção que 
encontrar correta. Pode parecer exagero pelo exemplo dado, mas tenha certeza que isso acontece mais 
do que imaginamos, ainda mais na pressão da prova, tempo curto e muitas questões. 
Partindo desse princípio, se podemos errar num simples enunciado, que é um texto curto, imagine os 
erros que podemos cometer ao ler um texto maior, sem prestar devida atenção aos detalhes. É por isso 
que é preciso melhorar a capacidade de leitura e compreensão. 
 
Texto: conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si, formando um todo significativo capaz 
de produzir interação comunicativa (capacidade de codificar e decodificar). 
 
Contexto: um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma delas, há certa informação que a 
faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo a ser 
transmitido. A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as frases 
é tão grande, que se uma frase for retirada de seu contexto original e analisada separadamente, poderá 
ter um significado diferente daquele inicial. O contexto pode ser entendido como unidade linguística maior 
onde se encaixa uma unidade linguística menor.2 
 
Intertexto: quando um texto retoma outro, constrói-se com base em outro.Intertextualidade: é exatamente a relação entre dois textos. 
 
Interpretação de Texto: o primeiro objetivo de uma interpretação de texto é a identificação de sua 
ideia principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as argumentações 
ou explicações que levem ao esclarecimento das questões apresentadas na prova. 
 
Normalmente, numa prova o candidato é convidado a: 
Identificar: reconhecer os elementos fundamentais de uma argumentação, de um processo, de uma 
época (neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo). 
Comparar: descobrir as relações de semelhança ou de diferenças entre as situações do texto. 
Comentar: relacionar o conteúdo apresentado com uma realidade, opinando a respeito. 
Resumir: concentrar as ideias centrais e/ou secundárias em um só parágrafo. 
Parafrasear: reescrever o texto com outras palavras. Exemplo: 
 
 
 
 
 
 
1 PLATÃO, Fiorin, Lições sobre o texto. Ática 2011. 
2 PLATÂO, Fiorin, Para entender o texto, Ática, 1990. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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Título do Texto Paráfrases 
 
“O Homem Unido” 
A integração do mundo. 
A integração da humanidade. 
A união do homem. 
Homem + Homem = Mundo. 
A macacada se uniu. (sátira) 
 
Condições Básicas para Interpretar 
 
Faz-se necessário: 
- Conhecimento histórico/literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática. 
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e semântico. Na semântica (significado 
das palavras) incluem-se: homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e antonímia, 
polissemia, figuras de linguagem, entre outros. 
- Capacidade de observação e de síntese. 
- Capacidade de raciocínio. 
 
Interpretar X Compreender 
 
Interpretar significa Compreender significa 
Explicar, comentar, julgar, tirar 
conclusões, deduzir. 
Tipos de enunciados: 
- através do texto, infere-se que... 
- é possível deduzir que... 
- o autor permite concluir que... 
- qual é a intenção do autor ao afirmar 
que... 
Intelecção, entendimento, atenção ao que 
realmente está escrito. 
Tipos de enunciados: 
- o texto diz que... 
- é sugerido pelo autor que... 
- de acordo com o texto, é correta ou errada 
a afirmação... 
- o narrador afirma... 
 
Erros de Interpretação 
 
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de erros de interpretação. Os mais frequentes 
são: 
Extrapolação (viagem): ocorre quando se sai do contexto, acrescentando ideias que não estão no 
texto, quer por conhecimento prévio do tema quer pela imaginação. 
Redução: é o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas a um aspecto, esquecendo que o texto 
é um conjunto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema desenvolvido. 
Contradição: não raro, o texto apresenta ideias contrárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões 
equivocadas e, consequentemente, errando a questão. 
 
Atenção: Muitos pensam que há a ótica do escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas 
numa prova de concurso o que deve ser levado em consideração é o que o autor diz e nada mais. 
 
Coesão 
É o emprego de mecanismo de sintaxe que relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre 
si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo, uma conjunção (nexos), 
ou um pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito. 
São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e do 
pronome oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode 
esquecer também de que os pronomes relativos têm, cada um, um valor semântico, por isso a 
necessidade de adequação ao antecedente. 
 
Vícios de Linguagem 
Há os vícios de linguagem clássicos (barbarismo, solecismo, cacofonia); no dia a dia, porém, existem 
expressões que são mal empregadas, e por força desse hábito cometem-se erros graves como: 
- “Ele correu risco de vida”, quando a verdade o risco era de morte. 
- “Senhor professor, eu lhe vi ontem”. Neste caso, o pronome oblíquo átono correto é “o”. 
- “No bar: me vê um café”. Erro de posição do pronome, que deveria vir após o verbo (vê-me). 
 
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Algumas dicas para Interpretar um Texto 
 
- Leia bastante textos de diversas áreas, assuntos distintos nos trazem diferentes formas de pensar. 
Leia textos de bom nível. 
- Pratique com exercícios de interpretação. Questões simples, mas que nos ajuda a ter certeza que 
estamos prestando atenção na leitura. 
- Cuidado com o “olho ninja”, aquele que quando damos conta, já está no final da página, e nem 
lembramos o que lemos no meio dela. Talvez seja hora de descansar um pouco, ou voltar a leitura num 
ponto que estávamos prestando atenção, e reler. 
- Ative seu conhecimento prévio antes de iniciar o texto. Qualquer informação, mínima que seja, nos 
ajuda a compreender melhor o assunto do texto. 
- Faça uma primeira leitura superficial, para identificar a ideia central do texto, e assim, levantar 
hipóteses e saber sobre o que se fala. 
- Leia as questões antes de fazer uma segunda leitura mais detalhada. Assim, você economiza tempo 
se no meio da leitura identificar uma possível resposta. 
- Preste atenção nas informações não verbais. Tudo que vem junto com o texto, é para ser usado ao 
seu favor. Por isso, imagens, gráficos, tabelas, etc., servem para facilitar nossa leitura. 
- Use o texto. Rabisque, anote, grife, circule... enfim, procure a melhor forma para você, pois cada um 
tem seu jeito de resumir e pontuar melhor os assuntos de um texto. 
 
Além dessas dicas importantes, você também pode grifar palavras novas, e procurar seu significado 
para aumentar seu vocabulário, fazer atividades como caça-palavras, ou cruzadinhas são uma distração, 
mas também um aprendizado. 
Não se esqueça, além da prática da leitura aprimorar a compreensão do texto e ajudar a aprovação, 
ela também estimula nossa imaginação, distrai, relaxa, informa, educa, atualiza, melhora nosso foco, cria 
perspectivas, nos torna reflexivos, pensantes, além de melhorar nossa habilidade de fala, de escrita e de 
memória. 
 
Organização do Texto e Ideia Central 
Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias seletas e organizadas, através dos 
parágrafos, composto pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão do texto. 
Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da mudança de linha e um espaçamento da 
margem esquerda. Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico frasal, ou seja, a ideia central 
extraída de maneira clara e resumida. Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo, 
asseguramos um caminho que nos levará à compreensão do texto. 
 
Exemplos: 
Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos 
latifúndios coloniais. Os antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos colaboradores da 
indústria extrativa, na caça, na pesca, em determinados ofícios mecânicos e na criação do gado. 
Dificilmente se acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige a exploração dos 
canaviais. Sua tendência espontânea era para as atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-
se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos. 
(Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes) 
 
Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram: 
(A) os portugueses. 
(B) os negros. 
(C) os índios. 
(D) tanto os índios quanto aos negros. 
(E) a miscigenação de portugueses e índios. 
(Aquino, Renato. Interpretação de textos, 2ª edição. Rio de Janeiro:Impetus, 2003.) 
 
Resposta “C”. Apesar do autor não ter citado o nome dos índios, é possível concluir pelas 
características apresentadas no texto. Essa resposta exige conhecimento que extrapola o texto. 
 
- Tome cuidado com as vírgulas. Veja por exemplo a diferença de sentido nas frases a seguir: 
(1) Só, o Diego da M110 fez o trabalho de artes. 
(2) Só o Diego da M110 fez o trabalho de artes. 
(3) Os alunos dedicados passaram no vestibular. 
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(4) Os alunos, dedicados, passaram no vestibular. 
(5) Marcão, canta Garçom, de Reginaldo Rossi. 
(6) Marcão canta Garçom, de Reginaldo Rossi. 
 
Explicações: 
(1) Diego fez sozinho o trabalho de artes. 
(2) Apenas o Diego fez o trabalho de artes. 
(3) Havia, nesse caso, alunos dedicados e não dedicados e passaram no vestibular somente os que 
se dedicaram, restringindo o grupo de alunos. 
(4) Nesse outro caso, todos os alunos eram dedicados. 
(5) Marcão é chamado para cantar. 
(6) Marcão pratica a ação de cantar. 
 
Leia o trecho e analise a afirmação que foi feita sobre ele: 
“Sempre fez parte do desafio do magistério administrar adolescentes com hormônios em ebulição e 
com o desejo natural da idade de desafiar as regras. A diferença é que, hoje, em muitos casos, a relação 
comercial entre a escola e os pais se sobrepõe à autoridade do professor.” 
 
Frase para análise. 
Desafiar as regras é uma atitude própria do adolescente das escolas privadas. E esse é o grande 
desafio do professor moderno. 
 
- Não é mencionado que a escola seja da rede privada. 
- O desafio não é apenas do professor atual, mas sempre fez parte do desafio do magistério. Outra 
questão é que o grande desafio não é só administrar os desafios às regras, isso é parte do desafio, há 
também os hormônios em ebulição que fazem parte do desafio do magistério. 
 
- Atenção ao uso da paráfrase (reescrita do texto sem prejuízo do sentido original). 
- A paráfrase pode ser construída de várias formas, veja algumas delas: substituição de locuções por 
palavras; uso de sinônimos; mudança de discurso direto por indireto e vice-versa; converter a voz ativa 
para a passiva; emprego de antonomásias ou perífrases (Rui Barbosa = A águia de Haia; o povo lusitano 
= portugueses). 
 
Observe a mudança de posição de palavras ou de expressões nas frases. Exemplos: 
- Certos alunos no Brasil não convivem com a falta de professores. 
- Alunos certos no Brasil não convivem com a falta de professores. 
- Os alunos determinados pediram ajuda aos professores. 
- Determinados alunos pediram ajuda aos professores. 
 
Explicações: 
- Certos alunos = qualquer aluno. 
- Alunos certos = aluno correto. 
- Alunos determinados = alunos decididos. 
- Determinados alunos = qualquer aluno. 
 
Questões 
 
01. (TRE/GO - Analista Judiciário - CESPE) A ciência moderna teve de lutar com um inimigo 
poderoso: os monopólios de interpretação, fossem eles a religião, o estado, a família ou o partido. Foi 
uma luta travada com enorme êxito e cujos resultados positivos vão ser indispensáveis para criar um 
conhecimento emancipatório pós-moderno. O fim dos monopólios de interpretação é um bem absoluto da 
humanidade. 
No entanto, como a ciência moderna colonizou as outras formas de racionalidade, destruindo assim, 
o equilíbrio dinâmico entre regulação e emancipação, em detrimento desta, o êxito da luta contra os 
monopólios de interpretação acabou por dar lugar a um novo inimigo, tão temível quanto o anterior, e que 
a ciência moderna não podia senão ignorar: a renúncia à interpretação, paradigmaticamente patente no 
utopismo automático da tecnologia e também na ideologia e na prática consumistas. 
 
 
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Depreende-se da argumentação do texto que 
(A) a criação de um conhecimento pós-moderno apoia-se na utopia da ideologia e da prática 
consumista. 
(B) tanto uma interpretação monopolizada quanto a falta de interpretação são prejudiciais à 
humanidade. 
(C) tanto a ciência moderna quanto outras formas de racionalidade prejudicaram a luta contra os 
monopólios de interpretação. 
(D) o fim dos monopólios de interpretação teve como uma de suas consequências o enfraquecimento 
da religião, do Estado, da família e dos partidos. 
 
02. (CFP - Técnico em Informática - Quadrix) 
 
 
 
Sobre a interpretação dos quadrinhos, assinale a alternativa correta. 
(A) Os quadrinhos não causariam o riso, independentemente do perfil do leitor e da leitura realizada. 
(B) Depois de o marido afirmar ser estéril, não seria possível de maneira alguma a mulher estar grávida. 
(C) Na verdade, pode-se concluir que a mulher mentiu para o marido em relação à gravidez, querendo 
apenas assustá-lo. 
(D) As imagens em nada se relacionam ao texto dos quadrinhos. 
(E) No primeiro quadrinho, a maneira de falar e as imagens mostram que a mulher imaginou que daria 
uma boa notícia ao marido. 
 
03. (MPE/ES - Promotor de Justiça Substituto - FAPEC) 
 
A arte de ser feliz 
Cecília Meireles 
 
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. 
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. 
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. 
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas 
gotas de água sobre as plantas. 
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, pra que o jardim não morresse. 
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros 
e meu coração ficava completamente feliz. 
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. 
Outras vezes encontro nuvens espessas. 
Avisto crianças que vão para a escola. 
Pardais que pulam pelo muro. 
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. 
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. 
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. 
Às vezes, um galo canta. 
Às vezes, um avião passa. 
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. 
E eu me sinto completamente feliz. 
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que 
essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é 
preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim. 
Glossário: Félix Lope de Vega y Carpio 
 
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A partir da leitura e interpretação do texto acima, assinale a alternativa correta: 
(A) O texto apresenta o modo descritivo-narrativo, trazendo como uma de suas mensagens a ideia de 
que o ser humano precisa aprender a ver com olhos conscientes para poder captar a realidade em sua 
plenitude. 
(B) O texto apresenta o modo dissertativo-argumentativo, porque está baseado na defesa de uma ideia 
visando convencer o leitor de que as pessoas precisam enxergar as coisas e fatos mais singelos do 
cotidiano para alcançar a felicidade. 
(C) O texto apresenta somente o modo narrativo, trazendo a ideia de que todos devem ter uma só 
visão sobre o mundo. 
(D) O texto apresenta somente o modo injuntivo ou instrucional, pois objetiva, sobretudo, trazer 
explicações sobre a visão do ser humano, sem a finalidade de convencer o leitor por meio de argumentos. 
(E) O texto apresenta somente o modo descritivo ao fazer o retrato minucioso escrito de um lugar, uma 
cena, uma pessoa e alguns animais, identificados como “pequenas felicidades certas”. 
 
04. (Pref. São José/PR - Agente Administrativo - FAUEL/2017) 
 
Cassini faz primeiro mergulho entre Saturno e seus anéis; cientistas esperam dados de 
qualidade inédita. 
 
Após 13 anos em órbita, a sonda CassiniHuygensjá está enviando informações para a Terra após ter 
feito seu primeiro “mergulho” entre os anéis de Saturno - são 22 planejados para os próximos cinco 
meses. 
A Cassini começou a executar a manobra - considerada difícil e delicada - na última quarta-feira e 
restabeleceu contato com a Nasa (agência espacial americana) na manhã desta quinta. A sonda se 
movimenta a 110 mil km/h, tão rapidamente que qualquer colisão com outros objetos - mesmo partículas 
de terra ou gelo - poderia provocar danos. 
Um objetivo central é determinar a massa e, portanto, a idade dos anéis - formados, acredita-se, por 
gelo e água. Quanto maior a massa, mais velhos eles podem ser, talvez tão antigos quanto Saturno. Os 
cientistas pretendem descobrir isso ao estudar como a velocidade da sonda é alterada enquanto ela voa 
entre os campos gravitacionais gerados pelo planeta e pelas faixas de gelo que giram em torno dele. 
Fragmento do texto publicado no site da BBC Brasil, por Jonathan Amos, correspondente de Ciência da BBC, dia 27 de abril de 2017. 
 
Quanto ao gênero e interpretação do texto, é CORRETO afirmar que se trata de um trecho de: 
(A) uma biografia dos cientistas Cassini e Huygens. 
(B) uma notícia sobre um avanço científico. 
(C) uma reportagem política sobre a Nasa. 
(D) um artigo científico sobre velocidade. 
(E) um texto acadêmico sobre a Via Láctea. 
 
05. (CREF 12ª Região - Assistente Administrativo - QUADRIX) 
 
 
 
 
 
 
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. 12 
A interpretação da tirinha, de uma maneira global, permite compreender que: 
(A) As razões pelas quais Ágatha troca Gaturro por um novo namorado são puramente sentimentais. 
(B) Ágatha não consegue apresentar quaisquer razões para ter trocado de namorado. 
(C) Ágatha e Gaturro continuam sendo namorados, apesar de ela afirmar o contrário. 
(D) À medida que Ágatha apresenta suas razões, Gaturro se sente mais e mais humilhado, sentimento 
que tem seu ápice nos dois últimos quadrinhos. 
(E) A relação entre Ágatha e Gaturro sempre foi conturbada, o que se pode comprovar pelas feições 
alternadas de Gato Viga ao longo do desenrolar dos fatos. 
 
Gabarito 
 
01.B / 02.E / 03.A / 04.B / 05.D 
 
Comentários 
 
01. Resposta: B 
O texto argumenta a dificuldade que a ciência moderna teve em relação a quebrar paradigmas 
estabelecidos, que existe um monopólio de interpretação e que este somente pode ser prejudicial não 
permitindo outras formas de interpretação. 
 
02. Resposta: E 
Em relação as quadrinhos é necessário para uma boa interpretação, prestar atenção nos desenhos e 
na linguagem. No primeiro quadrinho a esposa realmente com um rosto feliz pensa que sua fala será 
impactante e alegre para o seu marido. 
 
03. Resposta: A 
O modo descritivo-narrativo se apresenta no texto, uma vez que existe a descrição de um personagem 
que molha as plantas, e uma narrativa ao mesmo tempo, a descrição é bem sucinta, ou seja, bem rápida 
e leve. 
 
04. Resposta: B 
O texto expõe claramente um tema sobre avanço científico, sobre a sonda que faz 13 anos está em 
órbita enviando informações para a terra. 
 
05. Resposta: D 
Sim, à medida que Ágatha vai mencionando partes do corpo do seu novo namorado, o Gaturro chega 
à conclusão que é melhor inverter o discurso, para não precisar ouvir mais qualidades do seu novo 
namorado, e suas expressões evidenciam isso claramente. 
 
RECONHECIMENTO DO PROPÓSITO COMUNICATIVO DOMINANTE 
 
Todo aquele3 que se comunica (falando, pintando, escrevendo, dançando, etc.) tem uma intenção 
comunicativa. Ele, locutor, não está apenas querendo transmitir uma mensagem, passar uma informação, 
mas interagir com outra pessoa que se vai tornar o locutário. Ou seja, o locutor tem um objetivo em mente 
ao construir o seu texto e, normalmente, esse objetivo se relaciona com alguma ação. Toda palavra faz 
parte de um movimento maior em torno de uma ação social. 
Por exemplo, uma bula de remédios. Ela pode ser lida a qualquer momento e pelos mais variados 
motivos. Ainda que a maioria considerasse absurdo, eu poderia ler uma bula de remédios antes de dormir, 
para relaxar um pouco. Mas, a intenção comunicativa de uma bula de remédios é outra. Ela existe na 
sociedade para que o leitor conheça adequadamente o remédio e saiba como usá-lo. O conhecimento e 
a aplicação das informações da bula de remédios pode significar o restabelecimento da saúde. 
Assim, uma pessoa pode até ler uma bula de remédio para se distrair porque não tem o que outra 
coisa que fazer, contudo passar o tempo não é a intenção comunicativa da bula de remédios. É um uso 
para a bula, mas não atende à intenção comunicativa desse gênero discursivo. Quem escreve esse texto 
não o faz para que os outros passem um momento agradável de diversão. 
É justamente o caso contrário do que ocorre com o filme de aventuras que alguém se assiste no 
cinema, domingo à tarde, com os seus amigos. Voltados para essa necessidade, existem muitos filmes 
 
3 http://landeira-educablog.blogspot.com.br/2009/07/intencao-comunicativa.html 
http://professorvallim.blogspot.com.br/2010/05/comunicacao-intencao-comunicativa.html 
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de aventuras cuja intenção comunicativa é apenas fazer os locutários se distraírem e passar um bom 
momento. Mas não existem apenas filmes de aventuras em circulação na sociedade. Outros filmes 
ultrapassam esse objetivo e procuram, também, discutir valores ou criticar aspectos da identidade 
humana, por exemplo. 
O primeiro e, sem dúvidas, um dos maiores desafios de quem produz um texto é fazer o locutário 
cooperar com a intenção comunicativa do texto produzido. Em outras palavras, fazer com que o locutário 
esteja disposto a interpretar o texto de acordo com a intenção comunicativa do locutor. 
Ou seja, de má vontade, sem querer participar, sem se envolver, o locutário não vai fazer o seu papel 
no processo de interação comunicativa. O locutário poderá então não compreender o texto ou fazer uma 
interpretação que foge aos objetivos desse texto. Ele vai ler, mas não vai interpretar adequadamente, 
nem agir de acordo. 
Mas por que o locutário não atenderia à intenção comunicativa do texto que lê? Isso pode acontecer 
porque aquele que assume o papel de locutário não sabe (ou não deseja) realizar o trabalho de 
envolvimento com o texto necessário para interpretá-lo. Assim, é muito importante ao interpretarmos um 
texto, identificarmos a intenção comunicativa. 
 
Algumas perguntas podem nos ajudar: 
- Para que serve esse texto na sociedade? 
- O que esse texto revela sobre o locutor? 
- O que se espera que eu faça depois de ler esse texto? 
 
Compreendendo a intenção comunicativa do texto, podemos também escolher até que ponto 
desejamos participar no processo comunicativo. Isto é, podemos envolvermo-nos mais ou menos, de 
acordo com nossas necessidades, possibilidades, desejos, etc. 
A escola, como instituição, no entanto, tem sido muito eficiente em 'matar' as intenções comunicativas 
dos textos. Em todas os componentes curriculares. Seja por reduzir os textos a intenções distorcidas 
daquelas para as que foram produzidos; seja por simplesmente ignorar o processo social que deu origem 
a tais textos. 
 
Assim surgem enunciados que vão ficando famosos - em todas as disciplinas -: "Sublinhe os adjetivos 
no texto a seguir" e "No texto aparece o termo 'reação bioquímica'. Defina-o". 
 
Intenção Comunicativa 
 
O objetivo maior da Literatura é o ato da comunicação, ou seja, a troca de informações, mensagens. 
Isto se dá através de uma conversa, leitura, mensagem visual ou escrita. Podemos definir como intenção 
comunicativa todo e qualquer ato ou pensamento que leve a uma comunicação. 
Para que hajauma comunicação são necessários os elementos básicos: emissor, receptor, canal e 
código. 
 
Emissor: ser que emite uma mensagem seja ela escrita ou falada, ponto de partida da comunicação. 
Ex.: Escritor de um livro, falante de uma conversa, autor de uma redação. 
Receptor: ser que recebe uma mensagem, seja ela escrita ou falada. Ex.: leitor de um livro, ouvinte 
em uma conversa. 
Canal: meio pelo qual à mensagem é enviada. Ex.: Livro, carta, e-mail, voz. 
Código: conteúdo de uma mensagem escrita ou falada. Ex.: Assunto de uma conversa, livro ou carta. 
 
Função Comunicativa 
 
Sempre que elaboramos uma mensagem escolhemos um modo para tal, a isso damos o nome de 
função comunicativa, a escolha de como elaborar uma mensagem escrita ou falada. Existem as seguintes 
maneiras ou funções: 
 
Função Comunicativa: sempre que elaboramos uma mensagem escolhemos um modo para tal, a 
isso damos o nome de função comunicativa, a escolha de como elaborar uma mensagem escrita ou 
falada. Existem as seguintes maneiras ou funções: 
 
Função Emotiva: toda comunicação elaborada com uso opinativo, linguagem lírica. 
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Ex.: redações, poesias, biografias, tudo que envolve uma linguagem onde afloram opiniões ou 
sentimentos. 
 
Função Conotativa: essa talvez a mais usada diariamente. Definida pela adaptação da mensagem 
pelo emissor ao receptor, receptores. Ex.: Um médico dialogando com seu paciente e com outros 
médicos, mesmo que o assunto seja o mesmo, a maneira as palavras serão diferentes devido à 
capacidade do paciente em entender termos médicos; um advogado em júri ou falando com seu cliente; 
político em plenária e falando ao povo em comício. 
 
Função Metalinguística: função que estuda à gramática ou aspectos ligados a uma Língua. Ex.: 
Gramática, dicionário, questões de interpretação textuais. 
 
Função Fática: função que apresenta uma comunicação. Ex.: Introdução de uma redação, prefácio 
de uma obra literária, início de um diálogo. 
 
Questões 
 
01. (ALERJ - Assessoramento - CEPERJ) 
 
A velha guerra 
 
Goethe teve um romance passageiro com a Revolução Francesa, que liberou mais demônios do que 
ele estava disposto a aceitar. Vem daí sua famosa declaração de que preferia a injustiça à desordem. 
Goya foi um entusiasta de primeira hora de Napoleão mas horrorizou-se cm as atrocidades da guerra da 
Espanha, que retratou com ácido e asco na sua série de gravuras “Desastres de la Guerra”. Acabou 
desencantado também. 
Mas o desencanto de Goethe e Goya não é o mesmo dos que lamentaram o fim da velha ordem, para 
os quais a Revolução Francesa significou não a derrota do nepotismo e da injustiça mas um crime contra 
a natureza do homem. Confundir ordem e normalidade com seus próprios privilégios é um velho hábito 
de castas dominantes. 
(Veríssimo, Jornal O Globo, 15 de setembro de 2011) 
 
No texto, a linguagem conotativa não foi empregada no segmento: 
(A) “Goethe teve um romance passageiro...” (l. 1) 
(B) “...que liberou mais demônios do que...” (l. 2) 
(C) “...um entusiasta de primeira hora...” (l. 4) 
(D) “...retratou com ácido e asco...” (l. 6) 
(E) “Confundir ordem e normalidade com seus próprios privilégios...” (l. 11/12) 
 
02. (TJ/AP - Analista Judiciário - FCC) 
 
 
 
 
 
 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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Identifica-se linguagem conotativa no que se encontra transcrito em: 
(A) ... uma posição decididamente subversiva. 
(B) É de 1796 o famoso esboço de um novo sistema filosófico... 
(C) ... acondicionado no algodão do destino... 
(D) ... a omissão da historiografia literária alemã acadêmica... 
(E) Hölderlin permaneceu leal aos ideais da juventude... 
 
03. (UFMT - Técnico em Contabilidade - UFMT) 
 
 
 
Assinale a alternativa que NÃO apresenta linguagem conotativa. 
(A) bastou-lhe apenas soltar na rua, nas asas desse retângulo de papel que normalmente ninguém 
joga fora, a sua dura queixa. 
(B) Quis condenar Marilúcia a andar pelo mundo num dinheirinho pobre. 
(C) Quanto dinheiro com rabiscos já nos passou pelas mãos! 
(D) faça lá com seus pensamentos as ponderações mais íntimas e queime no fogo mais ardente e 
purificador tão irresponsável documento? 
 
04. (CODENI/RJ - Analista de Sistemas - MSCONCURSOS) 
 
 
 
Em relação ao enunciado: " No meio do caminho tinha uma pedra..." que aparece tanto no anúncio 
como no poema, está CORRETO afirmar que há o uso da linguagem: 
 
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(A) Metafórica em ambos. 
(B) Referencial em ambos. 
(C) Denotativa e conotativa, respectivamente. 
(D) Conotativa e denotativa, respectivamente. 
 
05. (PC/MG - Técnico Assistente da Polícia Civil - FUMARC) A eficácia do texto é resultado da 
habilidade do emissor em: 
(A) separar dados de informações. 
(B) utilizar a informática de forma racional. 
(C) produzir uma comunicação que alcance seu objetivo 
(D) traduzir corretamente os recursos do manual administrativo. 
 
Gabarito 
 
01.E / 02.C / 03.C / 04.C / 05.C 
 
Comentários 
 
01. Resposta: E 
Única frase das alternativas que foi empregada de forma denotativa é a alternativa E, todas as outras 
alternativas foram empregadas de forma figurada. 
 
02. Resposta: C 
Na frase “acondicionado no algodão do destino” tem linha de linguagem conotativa. 
 
03. Resposta: C 
Não apresenta linguagem conotativa, então aparece a denotativa que é a linguagem de dicionário, 
literal. Neste caso a alternativa C. 
 
04. Resposta: C 
Denotativa é a palavra no sentido original, sentido de dicionário. Aparece no primeiro texto. 
Conotativo é o emprego da palavra no sentido figurado. No segundo texto, uma vez que se trata de 
um poema de Carlos Drummond de Andrade, que tem uma linguagem altamente conotativa. 
 
05. Resposta: C 
Sim, a eficácia do emissor é produzir uma comunicação que alcance seu objetivo, que tenha um 
resultado. 
 
INFORMAÇÕES EXPLÍCITAS E IMPLÍCITAS 
 
Texto: 
 
“Neto ainda está longe de se igualar a qualquer um desses craques (Rivelino, Ademir da Guia, Pedro 
Rocha e Pelé), mas ainda tem um longo caminho a trilhar (...).” 
(Veja São Paulo,1990) 
 
Esse texto diz explicitamente que: 
- Rivelino, Ademir da Guia, Pedro Rocha e Pelé são craques; 
- Neto não tem o mesmo nível desses craques; 
- Neto tem muito tempo de carreira pela frente. 
 
O texto deixa implícito que: 
- Existe a possibilidade de Neto um dia aproximar-se dos craques citados; 
- Esses craques são referência de alto nível em sua especialidade esportiva; 
- Há uma oposição entre Neto e esses craques no que diz respeito ao tempo disponível para evoluir. 
 
Todos os textos transmitem explicitamente certas informações, enquanto deixam outras implícitas. Por 
exemplo, o texto acima não explicita que existe a possibilidade de Neto se equiparar aos quatro 
futebolistas, mas a inclusão do advérbio “ainda” estabelece esse implícito. Não diz também com 
explicitude que há oposição entre Neto e os outros jogadores, sob o ponto de vista de contar com tempo 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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para evoluir. A escolha do conector “mas”, entre a segunda e a primeira oração, só é possível levando 
em conta esse dado implícito. Como se vê, há mais significados num texto do que aqueles que aparecem 
explícitos na sua superfície. Leitura proficiente é aquela capaz de depreender tanto um tipo de significado 
quanto o outro, o que, em outras palavras, significa ler nas entrelinhas. Sem essa habilidade, o leitor 
passará por cima de significados importantes ou, o que é bem pior, concordará com ideias e pontos de 
vista que rejeitaria se os percebesse. 
Os significados implícitos costumamser classificados em duas categorias: os pressupostos e os 
subentendidos. 
 
Pressupostos 
 
São ideias implícitas que estão implicadas logicamente no sentido de certas palavras ou expressões 
explicitadas na superfície da frase. Exemplo: 
 
“André tornou-se um antitabagista convicto.” 
 
A informação explícita é que hoje André é um antitabagista convicto. Do sentido do verbo tornar-se, 
que significa "vir a ser", decorre logicamente que antes André não era antitabagista convicto. Essa 
informação está pressuposta. Ninguém se torna algo que já era antes. Seria muito estranho dizer que a 
palmeira tornou-se um vegetal. 
 
“Eu ainda não conheço a Europa.” 
 
A informação explícita é que o enunciador não tem conhecimento do continente europeu. O advérbio 
“ainda” deixa pressuposta a possibilidade de ele um dia conhecê-la. 
As informações explícitas podem ser questionadas pelo receptor, que pode ou não concordar com 
elas. Os pressupostos, porém, devem ser verdadeiros ou, pelo menos, admitidos como tais, porque esta 
é uma condição para garantir a continuidade do diálogo e também para fornecer fundamento às 
afirmações explícitas. Isso significa que, se o pressuposto é falso, a informação explícita não tem 
cabimento. Assim, por exemplo, se Maria não falta nunca a aula nenhuma, não tem o menor sentido dizer 
“Até Maria compareceu à aula de hoje”. “Até” estabelece o pressuposto da inclusão de um elemento 
inesperado. 
Na leitura, é muito importante detectar os pressupostos, pois eles são um recurso argumentativo que 
visa a levar o receptor a aceitar a orientação argumentativa do emissor. Ao introduzir uma ideia sob a 
forma de pressuposto, o enunciador pretende transformar seu interlocutor em cúmplice, pois a ideia 
implícita não é posta em discussão, e todos os argumentos explícitos só contribuem para confirmá-la. O 
pressusposto aprisiona o receptor no sistema de pensamento montado pelo enunciador. 
A demonstração disso pode ser feita com as “verdades incontestáveis” que estão na base de muitos 
discursos políticos, como o que segue: 
“Quando o curso do rio São Francisco for mudado, será resolvido o problema da seca no Nordeste.” 
 
O enunciador estabelece o pressuposto de que é certa a mudança do curso do São Francisco e, por 
consequência, a solução do problema da seca no Nordeste. O diálogo não teria continuidade se um 
interlocutor não admitisse ou colocasse sob suspeita essa certeza. Em outros termos, haveria quebra da 
continuidade do diálogo se alguém interviesse com uma pergunta deste tipo: 
 
“Mas quem disse que é certa a mudança do curso do rio?” 
 
A aceitação do pressuposto estabelecido pelo emissor permite levar adiante o debate; sua negação 
compromete o diálogo, uma vez que destrói a base sobre a qual se constrói a argumentação, e daí 
nenhum argumento tem mais importância ou razão de ser. Com pressupostos distintos, o diálogo não é 
possível ou não tem sentido. 
A mesma pergunta, feita para pessoas diferentes, pode ser embaraçosa ou não, dependendo do que 
está pressuposto em cada situação. Para alguém que não faz segredo sobre a mudança de emprego, 
não causa o menor embaraço uma pergunta como esta: 
 
“Como vai você no seu novo emprego?” 
 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 18 
O efeito da mesma pergunta seria catastrófico se ela se dirigisse a uma pessoa que conseguiu um 
segundo emprego e quer manter sigilo até decidir se abandona o anterior. O adjetivo “novo” estabelece 
o pressuposto de que o interrogado tem um emprego diferente do anterior. 
 
Marcadores de Pressupostos 
- Adjetivos ou palavras similares modificadoras do substantivo 
Ex.: Julinha foi minha primeira filha. 
“Primeira” pressupõe que tenho outras filhas e que as outras nasceram depois de Julinha. 
 
Ex.: Destruíram a outra igreja do povoado. 
“Outra” pressupõe a existência de pelo menos uma igreja além da usada como referência. 
 
- Certos verbos 
Ex.: Renato continua doente. 
O verbo “continua” indica que Renato já estava doente no momento anterior ao presente. 
 
Ex.: Nossos dicionários já aportuguesaram a palavra copydesk. 
O verbo “aportuguesar” estabelece o pressuposto de que copidesque não existia em português. 
 
- Certos advérbios 
Ex.: A produção automobilística brasileira está totalmente nas mãos das multinacionais. 
O advérbio “totalmente” pressupõe que não há no Brasil indústria automobilística nacional. 
 
Ex.: - Você conferiu o resultado da loteria? 
- Hoje não. 
A negação precedida de um advérbio de tempo de âmbito limitado estabelece o pressuposto de que 
apenas nesse intervalo (hoje) é que o interrogado não praticou o ato de conferir o resultado da loteria. 
 
- Orações adjetivas 
Ex.: Os brasileiros, que não se importam com a coletividade, só se preocupam com seu bem-estar e, 
por isso, jogam lixo na rua, fecham os cruzamentos, etc. 
O pressuposto é que “todos” os brasileiros não se importam com a coletividade. 
 
Ex.: Os brasileiros que não se importam com a coletividade só se preocupam com seu bem-estar e, 
por isso, jogam lixo na rua, fecham os cruzamentos, etc. 
Nesse caso, o pressuposto é outro: “alguns” brasileiros não se importam com a coletividade. 
 
No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é restritiva. As explicativas pressupõem que o 
que elas expressam se refere à totalidade dos elementos de um conjunto; as restritivas, que o que elas 
dizem concerne apenas a parte dos elementos de um conjunto. O produtor do texto escreverá uma 
restritiva ou uma explicativa segundo o pressuposto que quiser comunicar. 
 
Subentendidos 
Os subentendidos são mensagens implícitas deduzidas subjetivamente pelo interlocutor. 
Justamente por essa ideia de dedução, os subentendidos de uma declaração podem não ser 
verdadeiros. Vejamos três exemplos de subentendido, o qual normalmente surge em contextos sociais: 
Ex.: Ana - Vamos ao cinema? 
Carlos - Mas está chovendo... 
Possível subentendido: Carlos sugere que não quer ir ao cinema. 
 
Ex.: Amigo do Mário - É da casa do Mário? 
Mãe do Mário - Ele teve de sair, mas já volta. 
Possível subentendido: A mãe do Mário entende que o amigo do filho queria falar com ele. 
 
Ex.: Marido - Está muito frio lá fora! 
Esposa - Tudo bem, eu já vou fechar a janela. 
Possível subentendido: A esposa entende que o marido fez um pedido. 
 
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. 19 
Para finalizar, segundo Platão e Fiorin, uma informação importante: “Os subentendidos são as 
insinuações escondidas por trás de uma afirmação. Quando um transeunte com o cigarro na mão 
pergunta: Você tem fogo?, acharia muito estranho se você dissesse: Tenho e não lhe acendesse o cigarro. 
Na verdade, por trás da pergunta subentende-se: Acenda-me o cigarro por favor.4”. 
 
Questões 
 
01. (SPTRANS - Advogado - VUNESP) 
Na era da internet, com seus “rsrsrs" e as “longas" mensagens de 140 caracteres do Twitter, que lugar 
haveria para a retórica, a invenção dos gregos clássicos para permitir que nas democracias o bom cidadão 
pudesse defender seus pontos de vista falando bem? Na semana passada, o julgamento do mensalão no 
STF pôs em evidência os advogados dos réus. Eles foram lá exercitar sua retórica, uma vez que as peças 
de defesa já haviam sido escritas e enviadas aos ministros do tribunal. Os defensores, com raras 
exceções, saíram-se muito mal no quesito da retórica – que não é blá-blá-blá. Quando assumiu o posto 
de presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, Earl Warren perguntou a um colega mais antigo 
em quem confiava plenamente o que ele deveria ler para conseguir escrever suas sentenças no alto nível 
que as circunstâncias exigiam. O colega de Warren, Hugo Black, respondeu: “Basta ler Retórica, de 
Aristóteles". Sábio conselho. Com a democracia, os gregos criaram esse mecanismode sustentação oral 
baseado na lógica e na honestidade de pensamento a que chamaram de retórica. Os cidadãos eram 
frequentemente obrigados a defender em público não apenas ideias, mas sua propriedade e até a própria 
liberdade. Aristóteles ensinou que persuadir uma audiência nada tem a ver com eloquência. Isso é 
sofisma. O que separa um cidadão grego dotado da retórica de um mero sofista? A retórica vencedora 
não depende do dom da oratória, mas do valor moral do orador. 
 (Otávio Cabral e Carolina Melo. A retórica não é blá-blá-blá. Veja.2012) 
 
Na frase final do primeiro parágrafo está implícito que, em sua maioria, os defensores dos réus do 
mensalão 
(A) praticaram a retórica somente como oratória vazia. 
(B) restringiram sua defesa a peças escritas. 
(C) foram convincentes em suas manifestações escrita e oral. 
(D) renunciaram ao recurso da sustentação oral. 
(E) falaram livremente, como deve ocorrer nas democracias. 
 
02. (TRT 20ª Região - Técnico Judiciário - FCC) 
O Brasil é hoje um dos líderes mundiais do comércio agrícola, ocupando a primeira posição nos 
embarques de açúcar e de carne bovina e a segunda, nas vendas de soja e de carnes de aves. Já era o 
maior exportador mundial de café, mas até há uns 20 anos a maior parte de sua produção agropecuária 
era menos competitiva que a das principais potências produtoras. 
Esse quadro mudou, graças a um persistente esforço de modernização do setor. Um levantamento da 
Organização Mundial do Comércio (OMC) conta uma parte dessa história, mostrando o aumento da 
presença brasileira nas exportações globais ente 1999 e 2007. Uma história mais completa incluiria 
também um detalhe ignorado pelos brasileiros mais jovens: o suprimento do mercado interno tornou-se 
muito melhor quando o país se transformou numa potência exportadora e as crises de abastecimento 
deixaram de ocorrer. 
 Essa coincidência não ocorreu por acaso. A prosperidade mundial e o ingresso de centenas de 
milhões de pessoas no mercado de consumo, em grandes economias emergentes, favoreceram a 
expansão do comércio de produtos agropecuários nas duas últimas décadas. Mas, apesar das condições 
favoráveis criadas pela demanda em rápida expansão, houve uma dura concorrência entre os grandes 
produtores. A competição foi distorcida pelos subsídios e pelos mecanismos de proteção adotados no 
mundo rico e, em menor proporção, em algumas economias emergentes. 
A transformação do Brasil num dos líderes mundiais de exportação agropecuária foi possibilitada por 
uma combinação de ações políticas e empresariais. Um dos fatores mais importantes foi o trabalho das 
instituições de pesquisa, amplamente reforçado a partir da criação da Embrapa, nos anos 70. A ocupação 
do cerrado por agricultores provenientes de outras áreas - principalmente do Sul - intensificou-se nessa 
mesma época. 
 Nos anos 80, rotulados por economistas como "década perdida", a agropecuária exibiu dinamismo e 
modernizou-se, graças ao investimento em novas tecnologias e à adoção de melhores práticas de 
produção. O avanço tecnológico foi particularmente notável, nessa época, na criação de gado de corte e 
 
4 PESTANA, Fernando, A gramática para concursos, 2013, Elsevier Editora Ltda. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 20 
na produção de aves. Isso explica, em boa parte, o sucesso comercial dos dois setores nos anos 
seguintes. Com o abandono do controle de preços, a transformação da agropecuária acelerou-se nos 
anos 90 e o Brasil pôde firmar sua posição como grande exportador. A magnitude da transformação fica 
evidente quando se observam os ganhos de produtividade. 
As colheitas cresceram muito mais do que a área ocupada pelas lavouras. Aumentou a produção de 
carne bovina, indicando uma pecuária muito mais eficiente. No setor de aves, o volume produzido 
expandiu-se consideravelmente. Isso permitiu não só um grande avanço no mercado externo, mas 
também um enorme aumento do consumo por habitante no mercado interno. Proteínas animais tornaram-
se muito baratas, refletindo-se nas condições de vida de milhões de brasileiros. 
(O Estado de S. Paulo, Notas & Informações, A3, 29 de novembro de 2009) 
 
Está implícito no texto o fato de que 
(A) a década de 80 foi corretamente rotulada de "década perdida", em razão dos escassos 
investimentos na produção agropecuária brasileira. 
(B) os mecanismos de proteção adotados por algumas nações permitiram um considerável aumento 
na oferta mundial de produtos agropecuários. 
(C) a modernização ocorrida no setor cafeeiro colocou o Brasil entre os principais exportadores de 
produtos agrícolas no mercado internacional. 
(D) o setor agrícola brasileiro, por ter produtividade inferior à dos demais países, foi um obstáculo à 
presença do país no mercado internacional. 
(E) os exportadores brasileiros enfrentaram barreiras comerciais impostas por outros países 
produtores para ampliar sua participação nas exportações mundiais. 
 
03. (AL/SP - Agente Legislativo - FCC) 
O reflorestamento tem o papel de conservar a biodiversidade da Mata Atlântica e retomar as funções 
ecológicas que a tornam tão importante. Mas é possível fazer com que uma floresta secundária avance 
para a condição de floresta nativa? Segundo a diretora de restauração florestal da SOS Mata Atlântica, 
as florestas secundárias geralmente não conseguem atingir as mesmas condições ecológicas que as 
primárias, mas têm o seu valor. "Uma floresta estabelecida, ainda que secundária, absorve água e forma 
um reservatório natural, impede o assoreamento dos rios e gera emprego e renda para quem atua na 
restauração." 
A manutenção de funções ecológicas na floresta secundária depende de seu desenvolvimento. "Se 
ela atingir determinado tamanho, diversidade e microclima adequado, poderá ter funções semelhantes às 
da mata nativa", diz ela. Também a capacidade de absorver carbono é uma das diferenças entre as duas 
florestas. A mata secundária sequestra muito mais carbono, mas isso não a torna melhor do que a 
primária, ela explica. 
O grau de biodiversidade é um dos principais fatores que diferenciam florestas primárias e secundárias. 
Esse grau depende de vários aspectos, especialmente a idade e a existência de mata nativa nas 
proximidades. As florestas secundárias são definitivamente mais vulneráveis do que a primária, 
principalmente em relação ao fogo. Na Amazônia, a idade média de uma floresta secundária é de seis ou 
sete anos, já que muitas delas são queimadas mais de uma vez. 
A diretora avalia ainda que a perda de espécies na mata secundária está relacionada ao ambiente 
mais aberto. Intervenções como corte de cipó e plantio de espécies que funcionem como uma barreira 
podem contribuir para a restauração e a conservação das florestas. 
(Ana Bizzotto. O Estado de S. Paulo, Especial Sustentabilidade, 
H6, 30 de janeiro de 2009) 
 
Está implícito no texto, como resposta à questão colocada no Imagem 01º parágrafo, que 
(A) as áreas de florestas replantadas podem ter as mesmas funções ecológicas, porém apresentam 
menor diversidade em relação às florestas nativas. 
(B) as condições ecológicas de uma floresta secundária são inferiores às da floresta nativa, o que 
determina diferenças em suas funções. 
(C) a dificuldade de comparar os dois tipos de florestas é muito grande, considerando-se as enormes 
diferenças entre elas. 
(D) a absorção de carbono, função essencial exercida pelas florestas, comprova a semelhança entre 
as nativas e as secundárias. 
(E) o plantio de espécies diferentes na mata secundária pode torná-la até mesmo mais resistente a 
intempéries do que a mata nativa. 
 
 
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. 21 
Gabarito 
 
01.A / 02.E / 03.A 
 
Comentários 
 
01. Resposta: A 
O blá-blá-blá,no texto refere-se a uma fala vazia, sem sustância ou conteúdo interessante ao receptor. 
 
02. Resposta: E 
Não está escrito e explícito no texto, mas pela interpretação é possível verificar as barreias comerciais 
impostas por outros países, a leitura atenta permite ver esta afirmação como algo implícito. 
 
03. Resposta: A 
Está implícito no texto, a alternativa A, “as áreas de florestas replantadas podem ter as mesmas 
funções ecológicas, porém apresentam menor diversidade em relação às florestas nativas”. Uma vez que 
o texto começa com perguntas, que a florestas as florestas secundárias tem o seu valor e cumpre 
determinada especificações. 
 
INFERÊNCIA 
 
Inferir significa concluir, deduzir pelo raciocínio apoiado apenas em indícios.Com o surgimento das 
novas tecnologias, novas formas de interpretar, novos significados e dimensões, o exercício da leitura 
ganhou cada vez mais o posicionamento de hipóteses, comparações, associações e inferências. 
No contexto de interpretação de textos, a inferência enquadra-se na ação de analisar as informações 
implícitas e explícitas com o intuito de alcançar conclusões. 
Segue abaixo uma ilustração para análise exemplificação: 
 
 
 
Na imagem há uma combinação de linguagem verbal e não verbal, juntas elas fornecem o insumo 
necessário para o bom entendimento e compreensão da temática. 
Em uma leitura superficial, uma leitura sem inferências, o leitor poderia cair no erro de não perceber a 
intenção real do autor, a denúncia sobre a violência. Portanto, para realizar uma boa interpretação é 
necessário atentar-se aos detalhes e fazer certos questionamentos como: 
- Por que o Cristo Redentor sente-se “incomodado” e “exposto a riscos”? 
- O que significam as balas que o cercam por todos os lados? 
- Por que o Cristo Redentor está usando colete à prova de balas? 
 
A partir de questionamentos como os citados acima é possível adentrar no contexto social, Rio de 
Janeiro violento, que instaura críticas e denúncias a determinada realidade. 
Portanto, ao inferir, o leitor é capaz de constatar os detalhes ocultos que transformam a leitura simples 
em uma leitura reflexiva. 
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. 22 
Questões 
 
01. (IF/GO - Assistente em Administração - CS/UFG) 
 
Dizem as paredes - 2 
 
Em Buenos Aires, na ponte da Boca: Todos prometem e ninguém cumpre. 
Vote em ninguém. 
Em Caracas, em tempos de crise, na entrada de um dos bairros mais pobres: 
Bem-vinda, classe média. 
Em Bogotá, pertinho da Universidade Nacional: 
Deus vive. Embaixo, com outra letra: 
Só por milagre. 
E também em Bogotá: 
Proletários de todos os países, uni-vos! 
Embaixo, com outra letra: 
(Último aviso.) 
 
(GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Trad. Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM, 2002.) 
 
Nas frases “Em Caracas, em tempos de crise, na entrada de um dos bairros mais pobres:/ Bem-vinda, 
classe média”, o sentido de “crise” é entendido como o de “crise econômica”. O recurso linguístico que 
possibilita a recuperação desse sentido no texto é a 
(A) ambiguidade. 
(B) pressuposição. 
(C) inferência. 
(D) polissemia. 
 
02. (CFC - Técnico em Contabilidade - CFC) 
 
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. 23 
Conforme o texto, a inferência INCORRETA é: 
(A) A captação líquida de 2012 é a maior em dezessete anos da série histórica do Banco Central. 
(B) A vinculação dos juros da poupança à Selic teve o objetivo de preservar o interesse por outras 
aplicações de renda fixa. 
(C) O bom resultado corresponde a recorde apenas no mês de dezembro de 2012, incluindo os 
recursos destinados ao financiamento imobiliário e à poupança rural. 
(D) Nem mesmo a alteração da remuneração mudou a imagem positiva da poupança em 2012, de 
acordo com as informações do Banco Central. 
 
03. (TRT 12ª Região - Técnico Judiciário - FGV/2017) 
 
Um artigo da revista Domingo dizia o seguinte: 
 
Acusam a TV de ser responsável pela violência. É preciso debater essa questão. A TV não inventou a 
violência. Em todas as épocas, houve assassinatos, roubos e vítimas. Durante a Ditadura Militar a vida 
era mais violenta que hoje. No romance Os Três Mosqueteiros as lutas e as mortes são frequentes e, no 
entanto, não criticam a literatura por sua violência. Finalmente, países onde os televisores são em 
pequeno número, como na Índia ou no Zaire, também há guerras... Logo, não podem acusar a TV de ser 
responsável por tudo. 
 
O autor do texto declara que, apesar de a literatura conter cenas de violência, ninguém a acusa de ser 
responsável pela violência. 
 
Nesse caso, a argumentação se apoia numa: 
(A) analogia; 
(B) inferência; 
(C) redundância; 
(D) metáfora; 
(E) metonímia. 
 
04. (DNIT - Analista Administrativo - ESAF) 
 
 
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. 24 
Há elementos no texto que permitem a seguinte inferência: 
(A) a memória de fatos relacionados à vida privada é irrelevante na dinâmica da sociedade. 
(B) o ser humano é o único animal dotado de memória. 
(C) mais do que obrigação, o trabalho representa castigo. 
(D) o hábito pode, momentaneamente, ser relegado a segundo plano em favor da invenção, e vice-
versa. 
(E) aspectos pragmáticos e rotinas são priorizados em todas as sociedades. 
 
05. (FUNAI - Conhecimentos Gerais - ESAF/2016) 
 
 
Há elementos no texto que permitem a seguinte inferência: 
(A) o patrimônio natural do Brasil é superior ao patrimônio cultural das demais nações do planeta. 
(B) a exaltação da natureza e o nacionalismo preencheram, no Romantismo brasileiro, a lacuna de 
uma nação sem passado glorioso. 
(C) a apologia de um passado glorioso e bélico cedeu lugar, no Romantismo brasileiro, à incipiente 
consciência ecológica diante do patrimônio natural brasileiro. 
(D) os temas universais foram rejeitados pelos escritores românticos, que subestimavam a matriz 
étnica do povo brasileiro. 
(E) o patriotismo exacerbado dos escritores românticos estava principalmente alicerçado na 
mentalidade escravocrata. 
Gabarito 
 
01.C / 02.C / 03.A / 04.D /05.B 
 
Comentários 
01. Resposta: C 
O recurso permitido é a inferência, inferir significa deduzir, como o texto cita pobres e classe média 
ambas distinguidas na maioria das vezes pelo poder aquisitivo, a palavra crise tem a conotação de 
econômica. 
 
02. Resposta: C 
Não, o texto se refere aos depósitos do ano de 2012 e não se limita somente ao mês de dezembro, 
fazendo menção também aos anos anteriores. 
 
03.Resposta: A 
Uma analogia significa uma relação de semelhança estabelecida entre duas ou mais entidades 
distintas. O “analogia” significa “proporção”. No texto o autor faz uma analogia da violência atual que foi 
atribuída a TV como culpada e influenciadora, no entanto, não faz uma inferência que apenas deduz 
alguma coisa a partir de indícios. 
 
04. Resposta: D 
De acordo com o texto é possível deduzir, “inventado(invenção) e nesse momento o hábito(rotineiro) 
pode ser deixado de lado”. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 25 
05. Resposta: B 
No começo do texto. “No Brasil, não tinha havido batalhas memoráveis, nem catedrais, nem 
divinas comédias” antes do Romantismo Brasileiro não ocorreu momentos ou eventos gloriosos. 
 
IRONIA 
 
Consiste em declarar o oposto do que do que se pensa ao do que se é realmente, apresentando tom 
de deboche, na maioria das vezes. Exemplo: 
 
– Ela é ótima pessoa, afinal vive judiando das crianças. 
– Que motorista excelente você, quase me atropelou. 
– Professor, olha como meu boletim está excelente, só há uma nota acima da média. 
 
Atenção: As aspas muitas vezes marcam uma ironia: Quando a “linda” funcionáriaentrava na 
empresa, começavam os risos sarcásticos.5 
 
Na Literatura, a ironia é a arte de gozar com alguém ou de alguma coisa, com vista a obter uma reação 
do leitor, ouvinte ou interlocutor. 
Ela pode ser utilizada, entre outras formas, com o objetivo de denunciar, de criticar ou de censurar 
algo. Para tal, o locutor descreve a realidade com termos aparentemente valorizantes, mas com a 
finalidade de desvalorizar. A ironia convida o leitor ou o ouvinte, a ser ativo durante a leitura, para refletir 
sobre o tema e escolher uma determinada posição. 
 
Tipos de Ironia 
 
A maior parte das teorias de retórica distingue três tipos de ironia: oral, dramática e de situação. 
 
Ironia oral: é a diferença entre a expressão e a intenção: quando um locutor diz uma coisa, mas 
pretende expressar outra, ou então quando um significado literal é contrário para atingir o efeito desejado. 
 
Ironia dramática ao satira: é a diferença entre a expressão e a compreensão/cognição: quando uma 
palavra ou uma ação põe uma questão em jogo e a plateia entende o significado da situação, mas a 
personagem não. 
 
Ironia de situação: é a diferença existente entre a intenção e o resultado: quando o resultado de uma 
ação é contrário ao desejo ou efeito esperado. Da mesma maneira, a ironia infinita é a diferença entre o 
desejo humano e as duras realidades do mundo externo. 
 
Exemplo: 
__Você está intolerante hoje. 
__Não diga, meu amor! 
 
É também um estilo de linguagem caracterizado por subverter o símbolo que, a princípio, representa. 
A ironia utiliza-se como uma forma de linguagem pré-estabelecida para, a partir e de dentro dela, contestá-
la. Foi utilizada por Sócrates, na Grécia Antiga, como ferramenta para fazer os seus interlocutures 
entrarem em contradição, no seu método socrático. 
 
Leia este trecho escrito por Murilo Mendes: 
“Uma moça nossa vizinha dedilhava admiravelmente mal ao piano alguns estudos de Litz”. 
 
Observe que a expressão “admiravelmente” é exatamente o oposto do adjetivo posterior “mal”, 
deixando bastante clara a presença da ironia ou antífrase, figura de linguagem que expressa um sentido 
contrário ao significado habitual. 
 
Segundo Pires, expõe outros três tipos de ironia: 
 
a) Asteísmo: quando louva; 
 
5 PESTANA, Fernando, A Gramática para Concursos. Elsevier Editora Ltda. 2013. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 26 
b) Sarcasmo: quando zomba; 
 
c) Antífrase: quando engrandece ideias funestas, erradas, fora de propósito e quando se faz uso 
carinhoso de termos ofensivos. 
 
Veja exemplos na literatura: 
“Moça linda bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta: um amor!” (Mário de Andrade) 
 
“A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças”. (Monteiro Lobato) 
 
Exemplo em textos falados: 
“Quem foi o inteligente que usou o computador e apagou tudo o que estava gravado?” 
“Essa cômoda está tão limpinha que dá para escrever com o dedo.” 
“João é tão experto que travou o carro com a chave dentro.” 
 
O contexto é de fundamental importância para a compreensão da ironia, pois, inserindo a situação 
onde a fala foi produzida e a entonação do falante, determinamos em que sentido as palavras estão 
empregadas. Veja estes exemplos: 
“Olá, Carlos. Como você está em forma!” 
“Meus parabéns pelo seu belo serviço!” 
 
As duas frases só podem ser compreendidas ironicamente se a entonação da voz se der nas palavras 
“forma” e “belo”. Entretanto, isso não seria necessário se inseríssemos essas afirmações nos seguintes 
contextos: 
Frase 1 – Carlos está pesando atualmente 140 quilos. 
Frase 2 – O funcionário elogiado é um segurança que dormiu em serviço e, por isso, não viu o meliante 
que roubou todo o dinheiro da empresa. 
 
Não seria necessário inserir o contexto na frase 1, se a reformularmos da seguinte maneira: 
“Olá, Carlos! Como você está em forma… de baleia!” 
 
Portanto, definimos como ironia a figura de linguagem que afirma o contrário do que se quer dizer. 
Outra forma de ver a ironia dentro dos textos, é o fato de domínio do contexto/situação para que possa 
haver uma melhor compreensão da ideia. 
 
Questões 
 
01. (Pref. de Angra dos Reis/RJ - Professor - CEPERJ) 
 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 27 
O recurso da ironia não foi utilizado no trecho: 
(A) “...os seus eufemismos, os seus mistérios...” 
(B) “...se o doente sofrer uma reação...” 
(C) “e as partes melhores são sempre...” 
(D) “Vejam esta maravilha...” 
(E) “Qual o poeta...capaz de eufemizar...”? 
 
02. (UFRJ - Assistente em Administração - UFRJ/2017) 
 
O trecho adiante é um fragmento do romance Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima 
Barreto (1881-1922). Leia-o e responda às questões propostas a seguir: 
“(...) De manhã, pus-me a recapitular todos esses episódios; e sobre todos pairava a figura inflada, 
mescla de suíno e de símio, do célebre jornalista Raul Gusmão. O próprio Oliveira, tão parvo e tão besta, 
tinha alguma coisa dele, do seu fingimento de superioridade, dos seus gestos fabricados, da sua procura 
de frases de efeito, de seu galope para o espanto e para a surpresa. Era já o genial, com quem viria travar 
conhecimento mais tarde, que me assombrava com o seu maquinismo de pose e me colhia nos alçapões 
de apanhar os simples. E senti também que o espantoso Gusmão e o bobo Oliveira me tinham desviado 
da observação meticulosa a que vinha submetendo o padeiro de Itaporanga. Achava extraordinário que 
um varejista de um vilarejo longínquo cultivasse e mantivesse amizades tão fora do seu círculo; não se 
explicava bem aquele seu norteio para os jornalistas, a especial admiração com que os cercava, o carinho 
com que tratava todos. (...)” 
 
Assinale a alternativa com o trecho que expressa ironia. 
(A) E senti também que o espantoso Gusmão e o bobo Oliveira me tinham desviado... 
(B) ...a figura inflada, mescla de suíno e de símio, do célebre jornalista Raul Gusmão. 
(C) O próprio Oliveira, tão parvo e tão besta... 
(D) ...me assombrava com o seu maquinismo de pose... 
(E) ...da sua procura de frases de efeito… 
 
03. (TJ/BA - Analista Judiciário - FGV) 
 
Texto 4 
O cigarro é um dos produtos de consumo mais vendidos no mundo. Comanda legiões de compradores 
leais e tem um mercado em mais rápida expansão. Satisfeitíssimos, os fabricantes orgulham-se de ter 
lucros impressionantes, influência política e prestígio. O único problema é que seus melhores clientes 
morrem um a um. 
A revista The Economist comenta: “Os cigarros estão entre os produtos de consumo mais lucrativos 
do mundo. São também os únicos produtos (legais) que, usados como manda o figurino, viciam a maioria 
dos consumidores e muitas vezes os matam.” Isso dá grandes lucros para a indústria do tabaco, e 
enormes prejuízos para os clientes. 
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos Estados Unidos, a vida dos fumantes 
americanos é reduzida, coletivamente, todo ano, em uns cinco milhões de anos, cerca de um minuto de 
vida a menos para cada minuto gasto fumando. “O fumo mata 420.000 americanos por ano”, diz a revista 
Newsweek. “Isso equivale a 50 vezes mais mortes do que as causadas pelas drogas ilegais”. 
 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 28 
O segmento do texto 4 que pode ser visto como ironia é: 
(A) “O cigarro é um dos produtos de consumo mais vendidos no mundo”; 
(B) “Comanda legiões de compradores leais e tem um mercado em mais rápida expansão”; 
(C) “Satisfeitíssimos, os fabricantes orgulham-se de ter lucros impressionantes, influência política e 
prestígio”; 
(D) “O único problema é que seus melhores clientes morrem um a um”; 
(E) “A revista The Economist comenta:“Os cigarros estão entre os produtos de consumo mais 
lucrativos do mundo”. 
 
04. (CREA/PA - Auxiliar Técnico - FADESP) 
 
 
 
 
Em “os homens inventam a mais fantástica de todas as invenções: eles inventam o ‘andar a pé “P” 
(linhas 23 e 24), o autor expressa uma certa 
(A) ironia. 
(B) incerteza. 
(C) esperança. 
(D) descrença. 
 
05. (COPASA - Analista de Saneamento - FUMARC/2018) 
 
Seja feliz, tome remédios 
 
A felicidade é um produto engarrafado que se adquire no supermercado da esquina? É o que sugere 
o neoliberalismo, criticado pelo clássico romance de Aldous Huxley, “Admirável Mundo Novo” (1932). A 
narrativa propõe construir uma sociedade saudável através da ingestão de medicamentos. 
Aos deprimidos se distribui um narcótico intitulado “soma”, de modo a superarem seus sofrimentos e 
alcançar a felicidade pelo controle de suas emoções. Assim, a sociedade não estaria ameaçada por gente 
como o atirador de Las Vegas. 
Huxley declarou mais tarde que a realidade havia confirmado muito de sua ficção. De fato, hoje a nossa 
subjetividade é controlada por medicamentos. São ingeridos comprimidos para dormir, acordar, ir ao 
banheiro, abrir o apetite, estimular o cérebro, fazer funcionar melhor as glândulas, reduzir o colesterol, 
emagrecer, adquirir vitalidade, obter energia etc. O que explica encontrar uma farmácia em cada esquina 
e, quase sempre, repleta de consumidores. 
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. 29 
O neoliberalismo rechaça a nossa condição de seres pensantes e cidadãos. Seu paradigma se resume 
na sociedade consumista. A felicidade, adverte o sistema, consiste em comprar, comprar, comprar. Fora 
do mercado não há salvação. E dentro dele feliz é quem sabe empreender com sucesso, manter-se 
perenemente jovem, brilhar aos olhos alheios. A receita está prescrita nos livros de autoajuda que 
encabeçam a lista da biblioterapia. 
Se você não corresponde ao figurino neoliberal é porque sofre de algum transtorno. As doenças estão 
em moda. Respiramos a cultura da medicalização. Não nos perguntamos por que há tantas enfermidades 
e enfermos. Esta indagação não convém à indústria farmacêutica nem ao sistema cujo objetivo primordial 
é a apropriação privada da riqueza. 
Estão em moda a síndrome de pânico e o transtorno bipolar. Já em 1985, Freud havia diagnosticado 
a síndrome de pânico sob o nome de neurose de angústia. O transtorno bipolar era conhecido como 
psicose maníaco-depressiva. Muitas pessoas sofrem, de fato, dessas enfermidades, e precisam ser 
tratadas e medicadas. Há profissionais que se sentem afetados por elas devido à cultura excessivamente 
competitiva e à exigência de demonstrar altíssimos rendimentos no trabalho segundo os atléticos 
parâmetros do mercado. 
Em relação às crianças se constata o aumento do Transtorno por Déficit de Atenção e Hiperatividade 
(TDAH). Ora, é preciso cuidado no diagnóstico. Hiperatividade e impulsividade são características da 
infância, às vezes rebaixadas à categoria de transtorno neurobiológico, de desordem do cérebro. 
Submeta seu filho a um diagnóstico precoce. 
Quando um suposto diagnóstico científico arvora-se em quantificar nosso grau de tristeza e frustração, 
de hiperatividade e alegria, é sinal de que não somos nós os doentes, e sim a sociedade que, submissa 
ao paradigma do mercado, pretende reduzir todos nós a meros objetos mecânicos, cujos funcionamentos 
podem ser decompostos em suas diferenças peças facilmente azeitadas por quilos de medicamentos. 
(Carlos Alberto Libânio Christo, ou Frei Betto, é um frade dominicano e escritor brasileiro). 
 
Atente para o título da crônica - “Seja feliz, tome remédios”. Considerando a argumentação de Frei 
Betto, a leitura do título evidencia a existência de um(a): 
(A) antítese. 
(B) hipérbole. 
(C) ironia. 
(D) pleonasmo 
 
Gabarito 
 
01.B / 02.B / 03.D / 04.A /05.C 
 
Comentários 
 
01. Resposta: B 
O texto está abordando os eufemismos usados nas bulas de remédio, fica evidente o caráter irônico 
do texto em algumas partes, porém quando se refere “se o doente sofrer uma reação”, está destituído de 
ironia ou figuras de linguagem. 
 
02. Resposta: B 
Os adjetivos no sentido pejorativos caracterizam a ironia no texto, principalmente na assertiva B. 
 
03. Resposta: D 
A ironia da frase reside no fato de os fabricantes serem responsáveis pela morte de seus próprios 
clientes. Os clientes geram riquezas, porém morrem por causa do consumo. 
 
04. Resposta: A 
A ironia da frase devido o homem ter inventado várias coisas para se locomover rapidamente, por 
último coloca a invenção de andar a pé, que é algo mais lento, porém saudável. 
 
05. Resposta: C 
A ironia se evidencia no título do texto, “Seja feliz, tome remédios”, compreendemos que ninguém toma 
remédio para ser feliz, uma vez que remédios está associado a doenças. E o texto no decorrer da leitura 
aponta uma ironia dentro do sistema consumista. 
 
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. 30 
Polissemia 
 
A palavra polissêmica é aquela que, dependendo do contexto, muda de sentido. Por exemplo, veja os 
sentidos de “peça”: “peça de automóvel”, “peça de teatro”, “peça de bronze”, “és uma boa peça”, “uma 
peça de carne” etc. 
Agora, observe mais estes exemplos: 
Desculpe o bolo que te dei ontem. 
Comemos um bolo delicioso na casa da Jéssica. 
Tenho um bolo de revistas lá em casa.6 
 
Monossemia é o oposto de polissemia, ou seja, quando a palavra tem um único significado. 
 
É possível perceber que alguns desses contextos passaram a fazer sentido por questões sociais, 
culturais ou históricas adquiridas ao longo do tempo. Vale ressaltar, no entanto, que o sentido original 
descrito no dicionário é o que prevalece, sendo os demais atribuídos pela analise contextual. 
 
Polissemia e Homonímia 
Não confunda polissemia e homonímia. Polissemia remete a uma palavra que apresenta diversos 
significados que se encaixam em diversos contextos, enquanto homonímia refere-se as duas ou mais 
palavras que apresentam origens e significados distintos, mas possuem grafia e fonologia idênticas. 
Por exemplo, “manga” é uma palavra que representa um caso de homonímia. O termo designa tanto 
uma fruta quanto uma parte da camisa. Não se trata de uma polissemia por que os dois significados são 
próprios da palavra e têm origens diferentes. Por esse motivo, muitos especialistas defendem que a 
palavra “manga” deveria possuir duas entradas distintas no dicionário. 
 
Polissemia e Ambiguidade 
Tanto a polissemia quanto a ambiguidade são elementos da linguagem que podem provocar confusões 
na interpretação de frases. No caso da ambiguidade, geralmente, o enunciado apresenta uma construção 
de palavras que permite mais de uma interpretação para a frase em questão. 
Nem sempre se trata de uma palavra que tenha mais de um significado, mas de como as palavras 
estão dispostas na frase, permitindo que as informações sejam interpretadas de mais de uma maneira. 
Ex. Jorge criticou severamente a prima de sua amiga, que frequentava o mesmo clube que ele. Nesse 
caso, o pronome que pode estar referindo-se a amiga ou a prima. 
Já no caso da polissemia, por uma mesma palavra possuir mais de um significado, ela pode fazer com 
que as pessoas não compreendam o sentido usado no primeiro contato com a frase e interpretem o 
enunciado de uma maneira diferente do que ele era intencionado. Neste caso, para que isso não ocorra, 
é importante que fique claro qual é o contexto em que a palavra foi usada. 
 
Questão 
 
01. (SANEAGO/GO - Agente de Saneamento - CS/2018) 
 
Predestinação 
 
Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago. 
Pois chamava-se Mário Lago. 
Viu a luz sob o signo de Piscis. 
Brilhava no céu a constelação de Aquário. 
Veio morar no Rio.Quando discutia, sempre levava um banho. 
Pois era um temperamento transbordante. 
Sua arte preferida: água-forte. 
Seu provérbio predileto: "Quem tem capa, escapa". 
Sua piada favorita: "Ser como o rio: 
seguir o curso sem deixar o leito". 
Pois estudava: engenharia hidráulica. 
Quando conheceu uma moça de primeira água. 
 
6 PESTANA, Fernando. A gramática para concursos. Elsevier. 2013. 
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. 31 
Foi na onda. 
Teve que desistir dos estudos quando 
já estava na bica para se formar. 
Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes. 
Donde desceu até ser leiteiro. 
Encarregado de pôr água no leite. 
Ficou noivo e deu à moça uma água-marinha. 
Mas ela o traiu com um escafandrista. 
E fugiu sem dizer água vai. 
Foi aquela água. 
Desde então ele só vivia na chuva 
Virou pau de água. 
Portanto, com hidrofobia. 
Foi morar numa água-furtada. 
Deu-lhe água no pulmão. 
Rim flutuante. 
Água no joelho. 
Hidropsia. 
Bolha d’água. 
Gota. 
Catarata. 
Morreu afogado. 
FERNANDES, Millôr. Trinta anos de mim mesmo. Editora Círculo do Livro: São Paulo, 1975. 
 
O humor do texto é construído por meio do jogo entre palavras denotativas e conotativas. O principal 
recurso de sentido usado, portanto, foi a: 
(A) polissemia. 
(B) ironia. 
(C) intertextualidade. 
(D) ambiguidade. 
 
02. (SEDUC/PI - Professor Temporário - Língua Portuguesa - NUCEPE/2018) 
 
 
 
O efeito de humor, na tirinha, é explorado pelo recurso semântico da: 
(A) Sinonímia. 
(B) Polissemia 
(C) Contradição. 
(D) Antonímia. 
(E) Ambiguidade. 
 
03. (SAMAE de Caxias do Sul/RS - Assistente de Planejamento - OBJETIVA/2017) 
 
 
 
Considerando-se a representação semântica da palavra “vendo” no contexto da tirinha abaixo, é 
CORRETO afirmar que ocorre: 
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. 32 
(A) Denotação. 
(B) Conotação. 
(C) Homonímia. 
(D) Homofonia. 
(E) Sinonímia. 
 
04. (Pref. Videira/SC - Agente Administrativo - ASSCONPP/2016) Observe as frases abaixo: 
I. A mãe vela pelo sono do filho doente. 
II. O barco à vela foi movido pelo vento. 
 
A palavra vela presenta vários sentidos, esta propriedade das palavras é denominada: 
(A) Homonímia; 
(B) Polissemia; 
(C) Sinonímia; 
(D) Antonímia; 
(E) Nenhuma das alternativas anteriores. 
 
05. (Pref. Fronteira/MG - Contador - MÁXIMA/2016) 
 
 
 
A mensagem dessa tirinha apoia-se no duplo sentido de uma palavra através de um recurso: 
(A) Vida - homonímia; 
(B) Balanço - polissemia; 
(C) Balanço - sinonímia; 
(D) Vida - polissemia. 
 
Gabarito 
 
01.D / 02.B / 03.C / 04.B / 05.B 
 
Comentários 
 
01. Resposta: D 
Não é possível identificar os valores denotativos ou conotativos nas frases, nisto consiste a 
ambiguidade do texto. 
 
02. Resposta: B 
Polissemia - multiplicidade de sentidos de uma palavra. 
Pardal - pássaro ou pardal de semáforo 
 
03. Resposta: C 
A grafia e som são iguais, porém com significados diferentes. A expressão “Vendo o pôr do sol” tem 
duas ações verbais Ver e Vender, porém mesma escrita e pronúncia. 
 
04. Resposta: B 
Caso de polissemia, a palavra vela na primeira frase tem significado de a mãe aguardar o sono do 
filho, como verbo. Enquanto na segunda frase, o significado de um instrumento utilizado no barco para 
andar, como substantivo devido a crase, uma vez que não se usa crase antes dos verbos. 
 
05. Resposta: B 
Balanço – Polissemia, vários significados desta palavra. Pode ser substituída por avalia-la, reflexão, 
todas teriam sentido dentro da frase. 
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. 33 
Sentido Próprio e Sentido Figurado 
 
As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido figurado. Exemplos: 
- Construí um muro de pedra. (Sentido próprio). 
- Ênio tem um coração de pedra. (Sentido figurado). 
- As águas pingavam da torneira. (Sentido próprio). 
- As horas iam pingando lentamente. (Sentido figurado). 
 
INTERTEXTUALIDADE 
 
A Intertextualidade pode ser definida como um diálogo entre dois textos. Observe os dois textos abaixo 
e note como Murilo Mendes (século XX) faz referência ao texto de Gonçalves Dias (século XIX): 
 
Canção do Exílio 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá. 
 
Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores. 
 
Em cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
 
Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar - sozinho, à noite - 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
 
Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que desfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu’inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá." 
(Gonçalves Dias) 
 
Canção do Exílio 
Minha terra tem macieiras da Califórnia 
onde cantam gaturamos de Veneza. 
Os poetas da minha terra 
são pretos que vivem em torres de ametista, 
os sargentos do exército são monistas, cubistas, 
os filósofos são polacos vendendo a prestações. 
gente não pode dormir 
com os oradores e os pernilongos. 
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda 
Eu morro sufocado 
em terra estrangeira. 
Nossas flores são mais bonitas 
nossas frutas mais gostosas 
mas custam cem mil réis a dúzia. 
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. 34 
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade 
e ouvir um sabiá com certidão de idade! 
(Murilo Mendes) 
 
Nota-se que há correspondência entre os dois textos. A paródia-piadista de Murilo Mendes é um 
exemplo de intertextualidade, uma vez que seu texto foi criado tomando como ponto de partida o texto de 
Gonçalves Dias. 
Na literatura, e até mesmo nas artes, a intertextualidade é persistente. Sabemos que todo texto, seja 
ele literário ou não, é oriundo de outro, seja direta ou indiretamente. Qualquer texto que se refere a 
assuntos abordados em outros textos é exemplo de intertextualização. 
A intertextualidade está presente também em outras áreas, como na pintura, veja as várias versões 
da famosa pintura de Leonardo da Vinci, Mona Lisa: 
 
(I) (II) (III) (IV) 
 
 
(I) Mona Lisa, Leonardo da Vinci. Óleo sobre tela, 1503. 
(II) Mona Lisa, Marcel Duchamp, 1919. 
(III) Mona Lisa, Fernando Botero, 1978. 
(IV) Mona Lisa, propaganda publicitária. 
 
Pode-se definir, então, a intertextualidade como sendo a criação de um texto a partir de outro texto já 
existente. Dependendo da situação, a intertextualidade tem funções diferentes que dependem muito dos 
textos/contextos em que ela é inserida. 
Evidentemente, o fenômeno da intertextualidade está ligado ao "conhecimento do mundo", que deve 
ser compartilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos. O diálogo pode ocorrer em 
diversas áreas do conhecimento, não se restringindo única e exclusivamente a textos literários. 
Na pintura tem-se, por exemplo, o quadro do pintor barroco italiano Caravaggio e a fotografia da 
americana Cindy Sherman, na qual quem posa é ela mesma. O quadro de Caravaggio foi pintado no final 
do século XVI, já o trabalho fotográfico de Cindy Sherman foi produzido quase quatrocentos anos mais 
tarde. Na foto, Sherman cria o mesmo ambiente e a mesma atmosfera sensual da pintura, reunindo um 
conjunto de elementos: a coroa de flores na cabeça, o contraste entre claro e escuro, a sensualidade do 
ombro nu etc. A foto de Sherman é uma recriação do quadrode Caravaggio e, portanto, é um tipo de 
intertextualidade na pintura. 
Na publicidade, por exemplo, a que vimos sobre anúncios do Bom Bril, o ator se veste e se posiciona 
como se fosse a Mona Lisa de Leonardo da Vinci e cujo slogan era "Mon Bijou deixa sua roupa uma 
perfeita obra-prima". Esse enunciado sugere ao leitor que o produto anunciado deixa a roupa bem macia 
e mais perfumada, ou seja, uma verdadeira obra-prima (se referindo ao quadro de Da Vinci). Nesse caso 
pode-se dizer que a intertextualidade assume a função de não só persuadir o leitor como também de 
difundir a cultura, uma vez que se trata de uma relação com a arte (pintura, escultura, literatura etc). 
Intertextualidade é a relação entre dois textos caracterizada por um citar o outro. 
 
Tipos de Intertextualidade 
Pode-se destacar sete tipos de intertextualidade: 
- Epígrafe: constitui uma escrita introdutória. 
- Citação: é uma transcrição do texto alheio, marcada por aspas. 
- Paráfrase: é a reprodução do texto do outro com a palavra do autor. Ela não se confunde com o 
plágio, pois o autor deixa claro sua intenção e a fonte. 
- Paródia: é uma forma de apropriação que, em lugar de endossar o modelo retomado, rompe com ele, 
sutil ou abertamente. Ela perverte o texto anterior, visando à ironia ou a crítica. 
- Pastiche: uma recorrência a um gênero. 
- Tradução: está no campo da intertextualidade porque implica a recriação de um texto. 
- Referência e alusão. 
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. 35 
Para ampliar esse conhecimento, vale trazer um exemplo de intertextualidade na literatura. Às vezes, 
a superposição de um texto sobre outro pode provocar certa atualização ou modernização do primeiro 
texto. Nota-se isso no livro “Mensagem”, de Fernando Pessoa, que retoma, por exemplo, com seu poema 
“O Monstrengo” o episódio do Gigante Adamastor de “Os Lusíadas” de Camões. Ocorre como que um 
diálogo entre os dois textos. Em alguns casos, aproxima-se da paródia (canto paralelo), como o poema 
“Madrigal Melancólico” de Manuel Bandeira, do livro “Ritmo Dissoluto”, que seguramente serviu de 
inspiração e assim se refletiu no seguinte poema: 
 
Assim como Bandeira 
O que amo em ti 
não são esses olhos doces 
delicados 
nem esse riso de anjo adolescente. 
 
O que amo em ti 
não é só essa pele acetinada 
sempre pronta para a carícia renovada 
nem esse seio róseo e atrevido 
a desenhar-se sob o tecido. 
 
O que amo em ti 
não é essa pressa louca 
de viver cada vão momento 
nem a falta de memória para a dor. 
 
O que amo em ti 
não é apenas essa voz leve 
que me envolve e me consome 
nem o que deseja todo homem 
flor definida e definitiva 
a abrir-se como boca ou ferida 
nem mesmo essa juventude assim perdida. 
 
O que amo em ti 
enigmática e solidária: 
É a Vida! 
(Geraldo Chacon, Meu Caderno de Poesia, Flâmula, 2004) 
 
Madrigal Melancólico 
O que eu adoro em ti 
não é a tua beleza. 
A beleza, é em nós que ela existe. 
A beleza é um conceito. 
E a beleza é triste. 
Não é triste em si, 
mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza. 
 
(...) 
 
O que eu adoro em tua natureza, 
não é o profundo instinto maternal 
em teu flanco aberto como uma ferida. 
nem a tua pureza. Nem a tua impureza. 
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me! 
O que eu adoro em ti, é a vida. 
(Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira, José Olympio, 1980,) 
 
A relação intertextual é estabelecida, por exemplo, no texto de Oswald de Andrade, escrito no século 
XX, "Meus oito anos", quando este cita o poema , do século XIX, de Casimiro de Abreu, de mesmo nome. 
 
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Meus oito anos 
Oh! Que saudade que tenho 
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida 
Que os anos não trazem mais 
Que amor, que sonhos, que flores 
Naquelas tardes fagueiras 
À sombra das bananeiras 
Debaixo dos laranjais! 
 (Casimiro de Abreu) 
 
Meus oito anos 
Oh! Que saudade que tenho 
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida 
Que os anos não trazem mais 
Naquele quintal de terra 
Da rua São Antonio 
Debaixo da bananeira 
Sem nenhum laranjais! 
 (Oswald de Andade) 
 
A intertextualidade acontece quando há uma referência explícita ou implícita de um texto em outro. 
Também pode ocorrer com outras formas além do texto, música, pintura, filme, novela etc. Toda vez que 
uma obra fizer alusão à outra ocorre a intertextualidade. 
Apresenta-se explicitamente quando o autor informa o objeto de sua citação. Num texto científico, por 
exemplo, o autor do texto citado é indicado, já na forma implícita, a indicação é oculta. Por isso é 
importante para o leitor o conhecimento de mundo, um saber prévio, para reconhecer e identificar quando 
há um diálogo entre os textos. A intertextualidade pode ocorrer afirmando as mesmas ideias da obra 
citada ou contestando-as. Vejamos duas das formas: a Paráfrase e a Paródia. 
 
Na paráfrase as palavras são mudadas, porém a ideia do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão 
ocorre para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos do texto citado. É dizer com outras palavras 
o que já foi dito. Temos um exemplo citado por Affonso Romano Sant’Anna em seu livro “Paródia, 
paráfrase & Cia”: 
 
Texto Original 
Minha terra tem palmeiras 
Onde canta o sabiá, 
As aves que aqui gorjeiam 
Não gorjeiam como lá. 
 (Gonçalves Dias, “Canção do exílio”) 
 
Paráfrase 
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos 
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’. 
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’? 
Eu tão esquecido de minha terra… 
Ai terra que tem palmeiras 
Onde canta o sabiá! 
 (Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”) 
 
Este texto de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é muito utilizado como exemplo de paráfrase e de 
paródia, aqui o poeta Carlos Drummond de Andrade retoma o texto primitivo conservando suas ideias, 
não há mudança do sentido principal do texto que é a saudade da terra natal. 
 
A paródia é uma forma de contestar ou ridicularizar outros textos, há uma ruptura com as ideologias 
impostas e por isso é objeto de interesse para os estudiosos da língua e das artes. Ocorre, aqui, um 
choque de interpretação, a voz do texto original é retomada para transformar seu sentido, leva o leitor a 
uma reflexão crítica de suas verdades incontestadas anteriormente, com esse processo há uma 
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indagação sobre os dogmas estabelecidos e uma busca pela verdade real, concebida através do 
raciocínio e da crítica. Os programas humorísticos fazem uso contínuo dessa arte, frequentemente os 
discursos de políticos são abordados de maneira cômica e contestadora, provocando risos e também 
reflexão a respeito da demagogia praticada pela classe dominante. Com o mesmo texto utilizado 
anteriormente, teremos, agora, uma paródia. 
 
Texto Original 
Minha terra tem palmeiras 
Onde canta o sabiá, 
As aves que aqui gorjeiam 
Não gorjeiam como lá. 
 (Gonçalves Dias, “Canção do exílio”) 
 
Paródia 
Minha terra tem palmares 
onde gorjeia o mar 
os passarinhos daqui 
não cantam como os de lá. 
 (Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”) 
 
O nome “Palmares”, escrito com letra minúscula, substitui a palavra palmeiras, há um contexto 
histórico, social e racial neste texto, Palmares é o quilombo liderado por Zumbi, foi dizimado em 1695,há 
uma inversão do sentido do texto primitivo que foi substituído pela crítica à escravidão existente no Brasil. 
Na literatura relativa à Linguística Textual, é frequente apontar-se como um dos fatores de textualidade 
a referência - explícita ou implícita - a outros textos, tomados estes num sentido bem amplo (orais, 
escritos, visuais - artes plásticas, cinema , música, propaganda etc.) A esse “diálogo”entre textos dá-se o 
nome de intertextualidade. 
Evidentemente, a intertextualidade está ligada ao “conhecimento de mundo”, que deve ser 
compartilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos. 
A intertextualidade pressupõe um universo cultural muito amplo e complexo, pois implica a 
identificação / o reconhecimento de remissões a obras ou a textos / trechos mais, ou menos conhecidos, 
além de exigir do interlocutor a capacidade de interpretar a função daquela citação ou alusão em questão. 
Entre os variadíssimos tipos de referências, há provérbios, ditos populares, frases bíblicas ou obras / 
trechos de obras constantemente citados, literalmente ou modificados, cujo reconhecimento é facilmente 
perceptível pelos interlocutores em geral. Por exemplo, uma revista brasileira adotou o slogan: “Dize-me 
o que lês e dir-te-ei quem és”. Voltada fundamentalmente para um público de uma determinada classe 
sociocultural, o produtor do mencionado anúncio espera que os leitores reconheçam a frase da Bíblia 
(“Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és”). Ao adaptar a sentença, a intenção da propaganda é, 
evidentemente, angariar a confiança do leitor (e, consequentemente, a credibilidade das informações 
contidas naquele periódico), pois a Bíblia costuma ser tomada como um livro de pensamentos e 
ensinamentos considerados como “verdades” universalmente assentadas e aceitas por diversas 
comunidades. Outro tipo comum de intertextualidade é a introdução em textos de provérbios ou ditos 
populares, que também inspiram confiança, pois costumam conter mensagens reconhecidas como 
verdadeiras. São aproveitados não só em propaganda, mas ainda em variados textos orais ou escritos, 
literários e não-literários. Por exemplo, ao iniciar o poema “Tecendo a manhã”, João Cabral de Melo Neto 
defende uma ideia: “Um galo sozinho não tece uma manhã”. Não é necessário muito esforço para 
reconhecer que por detrás dessas palavras está o ditado “Uma andorinha só não faz verão”. O verso 
inicial funciona, pois, como uma espécie de “tese”, que o texto irá tentar comprovar através de 
argumentação poética. 
Há, no entanto, certos tipos de citações (literais ou construídas) e de alusões muito sutis que só são 
compartilhadas por um pequeno número de pessoas. É o caso de referências utilizadas em textos 
científicos ou jornalísticos (Seções de Economia, de Informática, por exemplo) e em obras literárias, prosa 
ou poesia, que às vezes remetem a uma forma e/ou a um conteúdo bastante específico(s), percebido(s) 
apenas por um leitor/interlocutor muito bem informado e/ou altamente letrado. Na literatura, podem-se 
citar, entre muitos outros, autores estrangeiros, como James Joyce, T.S. Eliot, Umberto Eco. 
A remissão a textos e paratextos do circuito cultural (mídia, propaganda, outdoors, nomes de marcas 
de produtos etc.) é especialmente recorrente em autores chamados pós-modernos. Para ilustrar, pode-
se mencionar, entre outros escritores brasileiros, Ana Cristina Cesar, poetisa carioca, que usa e “abusa” 
da intertextualidade em seus textos, a tal ponto que, sem a identificação das referências, o poema se 
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. 38 
torna, constantemente, ininteligível e chega a ser considerado por algumas pessoas como um 
“amontoado aleatório de enunciados”, sem coerência e, portanto, desprovido de sentido. 
Os teóricos costumam identificar tipos de intertextualidade, entre os quais se destacam: 
- a que se liga ao conteúdo (por exemplo, matérias jornalísticas que se reportam a notícias veiculadas 
anteriormente na imprensa falada e/ou escrita: textos literários ou não-literários que se referem a temas 
ou assuntos contidos em outros textos etc.). Podem ser explícitas (citações entre aspas, com ou sem 
indicação da fonte) ou implícitas (paráfrases, paródias etc.); 
- a que se associa ao caráter formal, que pode ou não estar ligado à tipologia textual como, por 
exemplo, textos que “imitam” a linguagem bíblica, jurídica, linguagem de relatório etc. ou que procuram 
imitar o estilo de um autor, em que comenta o seriado da TV Globo, baseado no livro de Guimarães Rosa, 
procurando manter a linguagem e o estilo do escritor); 
- a que remete a tipos textuais, ligados a modelos cognitivos globais, às estruturas e superestruturas 
ou a aspectos formais de caráter linguístico próprios de cada tipo de discurso e/ou a cada tipo de texto: 
tipologias ligadas a estilos de época. Por superestrutura entendem-se, entre outras, estruturas 
argumentativas (Tese anterior), premissas - argumentos (contra-argumentos - síntese), conclusão (nova 
tese), estruturas narrativas (situação - complicação - ação ou avaliação – resolução), moral ou estado 
final etc.; 
Outro aspecto que é mencionado muito superficialmente é o da intertextualidade linguística. Ela está 
ligada ao que o linguista romeno, Eugenio Coseriu, chama de formas do “discurso repetido”: 
- “textemas” ou “unidades de textos”: provérbios, ditados populares; citações de vários tipos, 
consagradas pela tradição cultural de uma comunidade etc.; 
- “sintagmas estereotipados”: equivalentes a expressões idiomáticas; 
- “perífrases léxicas”: unidades multivocabulares, empregadas frequentemente, mas ainda não 
lexicalizadas (ex. “gravemente doente”, “dia útil”, “fazer misérias” etc.). 
 A intertextualidade tem funções diferentes, dependendo dos textos/contextos em que as referências 
(linguísticas ou culturais) estão inseridas. Chamamos isso “graus das funções da intertextualidade”. 
Didaticamente pode-se dizer que a referência cultural e/ou linguística pode servir apenas de pretexto, 
é o caso de “epígrafes” longinquamente vinculadas a um trabalho e/ou a um texto. Sem dizer com isso 
que todas as epígrafes funcionem apenas como pretextos. Em geral, o produtor do texto elege algo 
pertinente e condizente com a temática de que trata. Existem algumas, todavia, que estão ali apenas para 
mostrar “conhecimento” de frases famosas e/ou para servir de “decoração” no texto. Neste caso, o 
“intertexto” não tem um papel específico nem na construção nem na camada semântica do texto. 
Outras vezes, o autor parte de uma frase ou de um verso que ocorreu a ele repentinamente (texto “A 
última crônica”, em que o autor confessa estar sem assunto e tem de escrever). Afirma então: 
 
“Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete 
na lembrança: assim eu quereria meu último poema.” 
 
Descreve então uma cena passada em um botequim, em que um casal comemora modestamente o 
aniversário da filha, com um pedaço de bolo, uma coca cola e três velinhas brancas. O pai parecia 
satisfeito com o sucesso da celebração, até que fica perturbado por ter sido observado, mas acaba por 
sustentar a satisfação e se abre num sorriso. O autor termina a crônica, parafraseando o verso de Manuel 
Bandeira: “Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso”. O verso de 
Bandeira não pode ser considerado, nessa crônica, um mero pretexto. A intertextualidade desempenha 
o papel de conferir certa “literariedade” à crônica, além de explicar o título e servir de “fecho de ouro” para 
um texto que se inicia sem um conteúdo previamente escolhido. Não é, contudo, imprescindível à 
compreensão do texto. 
O que parece importante é que não se encare a intertextualidade apenas como a “identificação” da 
fonte e, sim, que se procure estudá-la como um enriquecimentoda leitura e da produção de textos e, 
sobretudo, que se tente mostrar a função da sua presença na construção e no(s) sentido(s) dos textos. 
Como afirmam Koch & Travaglia, “todas as questões ligadas à intertextualidade influenciam tanto o 
processo de produção como o de compreensão de textos”. 
Considerada por alguns autores como uma das condições para a existência de um texto, a 
intertextualidade se destaca por relacionar um texto concreto com a memória textual coletiva, a memória 
de um grupo ou de um indivíduo específico. 
Trata-se da possibilidade de os textos serem criados a partir de outros textos. As obras de caráter 
científico remetem explicitamente a autores reconhecidos, garantindo, assim, a veracidade das 
afirmações. Nossas conversas são entrelaçadas de alusões a inúmeras considerações armazenadas em 
nossas mentes. O jornal está repleto de referências já supostamente conhecidas pelo leitor. A leitura de 
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. 39 
um romance, de um conto, novela, enfim, de qualquer obra literária, nos aponta para outras obras, muitas 
vezes de forma implícita. 
A nossa compreensão de textos (considerados aqui da forma mais abrangente) muito dependerá da 
nossa experiência de vida, das nossas vivências, das nossas leituras. Determinadas obras só se revelam 
através do conhecimento de outras. Ao visitar um museu, por exemplo, o nosso conhecimento prévio 
muito nos auxilia ao nos depararmos com certas obras. 
A noção de intertextualidade, da presença contínua de outros textos em determinado texto, nos leva a 
refletir a respeito da individualidade e da coletividade em termos de criação. Já vimos anteriormente que 
a citação de outros textos se faz de forma implícita ou explícita. Mas, com que objetivo? 
Um texto remete a outro para defender as ideias nele contidas ou para contestar tais ideias. Assim, 
para se definir diante de determinado assunto, o autor do texto leva em consideração as ideias de outros 
"autores" e com eles dialoga no seu texto. 
Ainda ressaltando a importância da intertextualidade, remetemos às considerações de Vigner: "Afirma-
se aqui a importância do fenômeno da intertextualidade como fator essencial à legibilidade do texto 
literário, e, a nosso ver, de todos os outros textos. O texto não é mais considerado só nas suas relações 
com um referente extra-textual, mas primeiro na relação estabelecida com outros textos". 
 
Como exemplo, temos um texto "Questão da Objetividade" e uma crônica de Zuenir Ventura, "Em vez 
das células, as cédulas" para concretizar um pouco mais o conceito de intertextualidade. 
 
Questão da Objetividade 
 
As Ciências Humanas invadem hoje todo o nosso espaço mental. Até parece que nossa cultura 
assinou um contrato com tais disciplinas, estipulando que lhes compete resolver tecnicamente boa parte 
dos conflitos gerados pela aceleração das atuais mudanças sociais. É em nome do conhecimento objetivo 
que elas se julgam no direito de explicar os fenômenos humanos e de propor soluções de ordem ética, 
política, ideológica ou simplesmente humanitária, sem se darem conta de que, fazendo isso, podem 
facilmente converter-se em "comodidades teóricas" para seus autores e em "comodidades práticas" para 
sua clientela. Também é em nome do rigor científico que tentam construir todo o seu campo teórico do 
fenômeno humano, mas através da ideia que gostariam de ter dele, visto terem renunciado aos seus 
apelos e às suas significações. O equívoco olhar de Narciso, fascinado por sua própria beleza, estaria 
substituído por um olhar frio, objetivo, escrupuloso, calculista e calculador: e as disciplinas humanas 
seriam científicas! 
(Introdução às Ciências Humanas. Hilton Japiassu. São Paulo, Letras e Letras, 1994) 
 
Comentário: Neste texto, temos um bom exemplo do que se define como intertextualidade. As relações 
entre textos, a citação de um texto por outro, enfim, o diálogo entre textos. Muitas vezes, para entender 
um texto na sua totalidade, é preciso conhecer o(s) texto(s) que nele fora(m) citado(s). 
No trecho, por exemplo, em que se discute o papel das Ciências Humanas nos tempos atuais e o 
espaço que estão ocupando, é trazido à tona o mito de Narciso. É preciso, então, dispor do conhecimento 
de que Narciso, jovem dotado de grande beleza, apaixonou-se por sua própria imagem quando a viu 
refletida na água de uma fonte onde foi matar a sede. Suas tentativas de alcançar a bela imagem 
acabaram em desespero e morte. 
O último parágrafo, em que o mito de Narciso é citado, demonstra que, dado o modo como as Ciências 
Humanas são vistas hoje, até o olhar de Narciso, antes "fascinado por sua própria beleza", seria 
substituído por um "olhar frio, objetivo, escrupuloso, calculista e calculador", ou seja, o olhar de Narciso 
perderia o seu tom de encantamento para se transformar em algo material, sem sentimentos. A 
comparação se estende às Ciências Humanas, que, de humanas, nada mais teriam, transformando-se 
em disciplinas científicas. 
 
Em vez das células, as cédulas 
 
Nesses tempos de clonagem, recomenda-se assistir ao documentário Arquitetura da destruição, de 
Peter Cohen. A fantástica história de Dolly, a ovelha, parece saída do filme, que conta a aventura demente 
do nazismo, com seus sonhos de beleza e suas fantasias genéticas, seus experimentos de eugenia e 
purificação da raça. 
Os cientistas são engraçados: bons para inventar e péssimos para prever. Primeiro, descobrem; depois 
se assustam com o risco da descoberta e aí então passam a gritar "cuidado, perigo". Fizeram isso com 
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quase todos os inventos, inclusive com a fissão nuclear, espantando-se quando "o átomo para a paz" 
tornou-se uma mortífera arma de guerra. E estão fazendo o mesmo agora. 
(...) Desde muito tempo se discute o quanto a ciência, ao procurar o bem, pode provocar 
involuntariamente o mal. O que a Arquitetura da destruição mostra é como a arte e a estética são capazes 
de fazer o mesmo, isto é, como a beleza pode servir à morte, à crueldade e à destruição. 
Hitler julgava-se "o maior ator da Europa" e acreditava ser alguma coisa como um "tirano-artista" 
nietzschiano ou um "ditador de gênio" wagneriano. Para ele, "a vida era arte," e o mundo, uma grandiosa 
ópera da qual era diretor e protagonista. 
O documentário mostra como os rituais coletivos, os grandes espetáculos de massa, as tochas acesas 
(...) tudo isso constituía um culto estético - ainda que redundante (...) E o pior - todo esse aparato era 
posto a serviço da perversa utopia de Hitler: a manipulação genética, a possibilidade de purificação racial 
e de eliminação das imperfeições, principalmente as físicas. Não importava que os mais ilustres 
exemplares nazistas, eles próprios, desmoralizassem o que pregavam em termos de eugenia. 
O que importava é que as pessoas queriam acreditar na insensatez apesar dos insensatos, como ainda 
há quem continue acreditando. No Brasil, felizmente, Dolly provoca mais piada do que ameaça. Já se 
atribui isso ao fato de que a nossa arquitetura da destruição é a corrupção. Somos craques mesmo é em 
clonagem financeira. O que seriam nossos laranjas e fantasmas senão clones e replicantes virtuais? Aqui, 
em vez de células, estamos interessados é em manipular cédulas. 
(Zuenir Ventura, JB, 1997) 
 
Comentário: Tendo como ponto de partida a alusão ao documentário Arquitetura da destruição, o texto 
mantém sua unidade de sentido na relação que estabelece com outros textos, com dados da História. 
Nesta crônica, duas propriedades do texto são facilmente perceptíveis: a intertextualidade e a inserção 
histórica. 
O texto se constrói, à medida que retoma fatos já conhecidos. Nesse sentido, quanto mais amplo for o 
repertório do leitor, o seu acervo de conhecimentos,maior será a sua competência para perceber como 
os textos "dialogam uns com os outros" por meio de referências, alusões e citações. 
Para perceber as intenções do autor desta crônica, ou seja, a sua intencionalidade, é preciso que o 
leitor tenha conhecimento de fatos atuais, como as referências ao documentário recém lançado no circuito 
cinematográfico, à ovelha clonada Dolly, aos "laranjas" e "fantasmas", termos que dizem respeito aos 
envolvidos em transações econômicas duvidosas. É preciso que conheça também o que foi o nazismo, a 
figura de Hitler e sua obsessão pela raça pura, e ainda tenha conhecimento da existência do filósofo 
Nietzsche e do compositor Wagner. 
O vocabulário utilizado aponta para campos semânticos relacionados à clonagem, à raça pura, aos 
binômios arte/beleza, arte/destruição, corrupção. 
- Clonagem: experimentos, avanços genéticos, ovelhas, cientistas, inventos, células, clones 
replicantes, manipulação genética, descoberta. 
- Raça Pura: aventura, demente do nazismo, fantasias genéticas, experimentos de eugenia, utopia 
perversa, manipulação genética, imperfeições físicas, eugenia. 
- Arte/Beleza - Arte/Destruição: estética, sonhos de beleza, crueldade, tirano artista 
ditador de gênio, nietzschiano, wagneriano, grandiosa ópera, diretor, protagonista, espetáculos de massa 
e tochas acesas. 
- Corrupção: laranjas, clonagem financeira, cédulas, fantasmas. 
 
Esses campos semânticos se entrecruzam, porque englobam referências múltiplas dentro do texto. 
 
Questão 
 
01. Texto I 
 
“Mulher, Irmã, escuta-me: não ames, 
Quando a teus pés um homem terno e curvo 
jurar amor; chorar pranto de sangue, 
Não creias, não, mulher: ele te engana! 
as lágrimas são gotas de mentira 
E o juramento manto da perfídia”. 
 Joaquim Manoel de Macedo 
 
 
 
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. 41 
Texto II 
 
“Teresa, se algum sujeito bancar o 
sentimental em cima de você 
E te jurar uma paixão do tamanho de um 
bonde 
Se ele chorar 
Se ele ajoelhar 
Se ele se rasgar todo 
Não acredite não Teresa 
É lágrima de cinema 
É tapeação 
Mentira 
CAI FORA 
 Manuel Bandeira 
 
Os autores, ao fazerem alusão às imagens da lágrima, sugerem que: 
(A) Há um tratamento idealizado da relação homem/mulher. 
(B) Há um tratamento realista da relação homem/mulher. 
(C) A relação familiar é idealizada. 
(D) A mulher é superior ao homem. 
(E) A mulher é igual ao homem. 
 
Gabarito 
 
01.B 
 
LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL 
 
Linguagem é a capacidade que possuímos de expressar nossos pensamentos, ideias, opiniões e 
sentimentos. Está relacionada a fenômenos comunicativos; onde há comunicação, há linguagem. 
Podemos usar inúmeros tipos de linguagens para estabelecermos atos de comunicação, tais como: 
sinais, símbolos, sons, gestos e regras com sinais convencionais (linguagem escrita e linguagem mímica, 
por exemplo). Num sentido mais genérico, a linguagem pode ser classificada como qualquer sistema de 
sinais que se valem os indivíduos para comunicar-se e pode ser dividida em: 
 
- Linguagem Verbal: aquela que faz uso das palavras para comunicar algo. 
 
 
 
As figuras acima nos comunicam sua mensagem através da linguagem verbal (usa palavras para 
transmitir a informação). 
 
- Não Verbal: aquela que utiliza outros métodos de comunicação, que não são as palavras. Dentre 
elas estão: a linguagem de sinais, as placas e sinais de trânsito, a linguagem corporal, uma figura, a 
expressão facial, gestos, entre outros. 
 
 
 
Essas figuras fazem uso apenas de imagens para comunicar o que representam. 
 
 
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. 42 
Língua 
 
A Língua é um instrumento de comunicação, compostos por regras gramaticais que possibilitam 
determinado grupo de falantes a produzir e compreender enunciados, como por exemplo, os falantes da 
língua portuguesa. 
A língua possui um caráter social, pertence a todo um conjunto de pessoas, as quais podem agir sobre 
ela. Cada membro da comunidade pode optar por esta ou aquela forma de expressão. Por outro lado, 
não é possível criar uma língua particular e exigir que outros falantes a compreendam. Dessa forma, cada 
indivíduo pode usar de maneira particular a língua comunitária, originando a fala. A fala está sempre 
condicionada pelas regras socialmente estabelecidas da língua, mas é suficientemente ampla para 
permitir um exercício criativo da comunicação. 
Um indivíduo pode pronunciar um enunciado da seguinte maneira: 
 
A família de Regina era paupérrima; ou A família de Regina era muito pobre. 
 
As diferenças e semelhanças constatadas devem-se às diversas manifestações da fala de cada um. 
Note, além disso, que essas manifestações devem obedecer às regras gerais da língua portuguesa, para 
não correrem o risco de produzir enunciados incompreensíveis como: 
 
Família a paupérrima de era Regina. 
 
Não devemos confundir língua com escrita, pois são dois meios de comunicação distintos. A escrita 
representa um estágio posterior de uma língua. A língua falada é mais espontânea, abrange a 
comunicação linguística em toda sua totalidade. Além disso, é acompanhada pelo tom de voz, algumas 
vezes por mímicas, incluindo-se fisionomias. A língua escrita não é apenas a representação da língua 
falada, mas sim um sistema mais disciplinado e rígido, uma vez que não conta com o jogo fisionômico, 
as mímicas e o tom de voz do falante. 
No Brasil, por exemplo, todos falam a língua portuguesa, mas existem usos diferentes da língua devido 
a diversos fatores. Dentre eles, destacam-se: 
Fatores Regionais: se refere a variação de linguagem de região para região. É possível, por exemplo, 
notar a diferença do português falado por um habitante da região nordeste comparado a um da região 
sudeste do Brasil. Dentro de uma mesma região, também existem variações no uso da língua, no estado 
do Rio Grande do Sul, por exemplo, há diferenças entre a língua utilizada por um cidadão que vive na 
capital e um que mora no interior do estado; 
Fatores Culturais: o grau de escolarização e a formação cultural de um indivíduo também são fatores 
que colaboram para os diferentes usos da língua. Uma pessoa escolarizada utiliza a língua de maneira 
diferente da pessoa que não teve acesso à escola; 
Fatores Contextuais: nosso modo de falar varia de acordo com a situação em que nos encontramos, 
pois quando conversamos com nossos amigos, não usamos os termos que usaríamos se estivéssemos 
discursando em uma solenidade de formatura; 
Fatores Profissionais: o exercício de algumas atividades requer o domínio de certas formas de língua 
chamadas línguas técnicas. Abundantes em termos específicos, essas formas têm uso praticamente 
restrito ao intercâmbio técnico de engenheiros, químicos, profissionais da área de direito e da informática, 
biólogos, médicos, linguistas e outros especialistas; e 
Fatores Naturais: o uso da língua pelos falantes sofre influência de fatores naturais, como idade e 
sexo. Uma criança, por exemplo, não utiliza a língua da mesma maneira que um adulto, daí falar-se em 
linguagem infantil e linguagem adulta. 
 
Fala 
 
É a utilização oral da língua pelo indivíduo. É um ato individual, pois cada indivíduo, para a 
manifestação da fala, pode escolher os elementos da língua que lhe convém, conforme seu gosto e sua 
necessidade, de acordo com a situação, o contexto, sua personalidade, o ambiente sociocultural em que 
vive, etc. Desse modo, dentro da unidade da língua, há uma grande diversificação nos mais variados 
níveis da fala. Cada indivíduo, além de conhecer o que fala, conhece também o que os outros falam; é 
por isso que somos capazes de dialogarcom pessoas dos mais variados graus de cultura, embora nem 
sempre a linguagem delas seja exatamente como a nossa. 
Devido ao caráter individual da fala, é possível observar alguns níveis: 
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- Nível Coloquial-Popular: é a fala que a maioria das pessoas utiliza no seu dia a dia, principalmente 
em situações informais. Esse nível da fala é mais espontâneo, ao utilizá-lo, não nos preocupamos em 
saber se falamos de acordo ou não com as regras formais estabelecidas pela língua. 
- Nível Formal-Culto: é o nível da fala normalmente utilizado pelas pessoas em situações formais. 
Caracteriza-se por um cuidado maior com o vocabulário e pela obediência às regras gramaticais 
estabelecidas pela língua. 
 
Signo 
 
É um elemento representativo que apresenta dois aspectos: o significado e o significante. Ao escutar 
a palavra “cachorro”, reconhecemos a sequência de sons que formam essa palavra. Esses sons se 
identificam com a lembrança deles que está em nossa memória. Essa lembrança constitui uma real 
imagem sonora, armazenada em nosso cérebro que é o significante do signo “cachorro”. Quando 
escutamos essa palavra, logo pensamos em um animal irracional de quatro patas, com pelos, olhos, 
orelhas, etc. Esse conceito que nos vem à mente é o significado do signo “cachorro” e também se 
encontra armazenado em nossa memória. 
Ao empregar os signos que formam a nossa língua, devemos obedecer às regras gramaticais 
convencionadas pela própria língua. Desse modo, por exemplo, é possível colocar o artigo indefinido “um” 
diante do signo “cachorro”, formando a sequência “um cachorro”, o mesmo não seria possível se 
quiséssemos colocar o artigo “uma” diante do signo “cachorro”. A sequência “uma cachorro” contraria 
uma regra de concordância da língua portuguesa, o que faz com que essa sentença seja rejeitada. Os 
signos que constituem a língua obedecem a padrões determinados de organização. O conhecimento de 
uma língua engloba tanto a identificação de seus signos, como também o uso adequado de suas regras 
combinatórias. 
 
Signo: elemento representativo que possui duas partes indissolúveis: significado e significante. 
Significado (é o conceito, a ideia transmitida pelo signo, a parte abstrata do signo) + Significante (é a 
imagem sonora, a forma, a parte concreta do signo, suas letras e seus fonemas). 
 
Língua: conjunto de sinais baseado em palavras que obedecem às regras gramaticais. 
 
Fala: uso individual da língua, aberto à criatividade e ao desenvolvimento da liberdade de expressão 
e compreensão. 
 
Textos Não Verbais: Leituras de Imagens 
 
Existem diversas formas de discursos e textos, para cada um deles há características específicas e 
diferentes formas de interpretação. Os textos imagéticos, construídos por imagens e algumas vezes por 
imagens e palavras, ganharam grande destaque nas últimas décadas e têm sido cada vez mais utilizados. 
A simbologia é uma forma de comunicação não verbal que consegue, por meio de símbolos gráficos 
populares, transmitir mensagens e exprimir ideias e conceitos em uma linguagem figurativa ou abstrata. 
A capacidade de reconhecimento e interpretação das imagens/símbolos é determinada pelo 
conhecimento de cada pessoa. 
Três exemplos de símbolos cotidianamente utilizados são: logotipos, ícones e sinalizações. Segue 
alguns exemplos: 
 
- ÍCONES 
 
WIFI ALIMENTAÇÃO RECICLAGEM 
 
- LOGOTIPOS 
 
Apple WWF McDonald’s Windows 
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- SINALIZAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
Questões 
 
01. (ENEM) Através da linguagem não verbal, o artista gráfico polonês Pawla Kuczynskiego aborda a 
triste realidade do trabalho infantil 
 
 
O artista gráfico polonês Pawla Kuczynskiego nasceu em 1976 e recebeu diversos prêmios por suas 
ilustrações. Nessa obra, ao abordar o trabalho infantil, Kuczynskiego usa sua arte para 
(A) difundir a origem de marcantes diferenças sociais. 
(B) estabelecer uma postura proativa da sociedade. 
(C) provocar a reflexão sobre essa realidade. 
(D) propor alternativas para solucionar esse problema. 
(E) retratar como a questão é enfrentada em vários países do mundo. 
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02. (ENEM) 
 
(Cartum de Caulos) 
 
A linguagem não verbal pode produzir efeitos interessantes, dispensando assim o uso da palavra. 
 
O cartum faz uma crítica social. A figura destacada está em oposição às outras e representa a 
(A) opressão das minorias sociais. 
(B) carência de recursos tecnológicos. 
(C) falta de liberdade de expressão. 
(D) defesa da qualificação profissional. 
(E) reação ao controle do pensamento coletivo. 
 
03. 
 
Ao aliar linguagem verbal e não verbal, o cartunista constrói um interessante texto com elementos da 
intertextualidade 
 
Sobre o cartum de Caulos, assinale a proposição correta: 
I. A linguagem verbal é desnecessária para o entendimento do texto; 
II. Linguagem verbal e não verbal são necessárias para a construção dos sentidos pretendidos pelo 
cartunista; 
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. 46 
III. O cartunista estabelece uma relação de intertextualidade com o poema “No meio do caminho”, de 
Carlos Drummond de Andrade; 
IV. O cartum é uma crítica ao poema de Carlos Drummond de Andrade, já que o cartunista considera 
o poeta pouco prático. 
 
(A) Apenas I está correta. 
(B) II e III estão corretas. 
(C) I e IV estão corretas. 
(D) II e IV estão corretas. 
 
04. Sobre as linguagens verbal e não verbal, estão corretas, exceto: 
(A) a linguagem não verbal é composta por signos sonoros ou visuais, como placas, imagens, vídeos 
etc. 
(B) a linguagem verbal diz respeito aos signos que são formados por palavras. Eles podem ser sinais 
visuais e sonoros. 
(C) a linguagem verbal, por dispor de elementos linguísticos concretos, pode ser considerada superior 
à linguagem não verbal. 
(D) linguagem verbal e não verbal são importantes, e o sucesso na comunicação depende delas, ou 
seja, quando um interlocutor recebe e compreende uma mensagem adequadamente. 
 
Gabarito 
 
01.C / 02.E / 03.B / 04.C 
 
Comentários 
 
01. Resposta: C 
A imagem tem como objetivo, através do uso da linguagem não verbal, provocar uma reflexão sobre a 
realidade do trabalho infantil, que submete crianças pobres a uma dura rotina. Enquanto algumas crianças 
trabalham, outras, mais protegidas, brincam. 
 
02. Resposta: E 
No cartum, os homens são representados por bonecos de corda que andam para uma mesma direção, 
uma metáfora que critica o comportamento subserviente adotado por muitas pessoas. Há apenas um 
boneco que representa o pensamento contrário, que não é movido por corda e que caminha rumo à outra 
direção: esse seria responsável pela escolha de seu próprio caminho, aquele que reage ao controle do 
pensamento coletivo. 
 
03. Resposta: B 
 
04. Resposta: C 
Ambas as linguagens, verbal e não verbal, são importantes para a construção de sentidos de uma 
mensagem. 
 
 
 
TIPOLOGIA TEXTUAL 
 
Para escrever um texto, necessitamos de técnicas que implicam no domínio de capacidades 
linguísticas. Temos dois momentos: o de formular pensamentos (o que se quer dizer) e o de expressá-
los por escrito (o escrever propriamente dito). 
Fazer um texto, seja ele de que tipo for, não significa apenas escrever de forma correta, mas sim, 
organizar ideias sobre determinado assunto. 
Existe uma variedade enorme de entendimentos sobre a forma correta de definir os tipos de texto. 
Embora haja uma discordância entre várias fontes sobre a quantidade exata de tipos textuais, vamos 
trabalhar aqui com 4 tipos essenciais: 
Tipose gêneros textuais: narrativo, descritivo, expositivo, argumentativo, 
instrucionais, propaganda, editorial, cartaz, anúncio, artigo de opinião, artigo 
de divulgação científica, ofício, carta 
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- Texto descritivo; 
- Texto narrativo; 
- Texto dissertativo; 
- Texto injuntivo. 
 
Texto Descritivo 
 
É a representação com palavras de um objeto, lugar, situação ou coisa, onde procuramos mostrar os 
traços mais particulares ou individuais do que se descreve. É qualquer elemento que seja apreendido 
pelos sentidos e transformado, com palavras, em imagens. 
Sempre que se expõe com detalhes um objeto, uma pessoa ou uma paisagem a alguém, está fazendo 
uso da descrição. Não é necessário que seja perfeita, uma vez que o ponto de vista do observador varia 
de acordo com seu grau de percepção. Dessa forma, o que será importante ser analisado para um, não 
será para outro. 
A vivência de quem descreve também influencia na hora de transmitir a impressão alcançada sobre 
determinado objeto, pessoa, animal, cena, ambiente, emoção vivida ou sentimento. 
 
Exemplo: 
Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas 
horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos; vencia com o tempo o que 
não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara 
doente; raramente estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais 
severo com ele do que conosco. 
(Machado de Assis. "Conto de escola". Contos. 3ed. São Paulo, Ática, 1974) 
 
Esse texto traça o perfil de Raimundo, o filho do professor da escola que o escritor frequentava. 
Deve-se notar: 
- que todas as frases expõem ocorrências simultâneas (ao mesmo tempo que gastava duas horas para 
reter aquilo que os outros levavam trinta ou cinquenta minutos, Raimundo tinha grande medo ao pai); 
- por isso, não existe uma ocorrência que possa ser considerada cronologicamente anterior a outra do 
ponto de vista do relato (no nível dos acontecimentos, entrar na escola é cronologicamente anterior a 
retirar-se dela; no nível do relato, porém, a ordem dessas duas ocorrências é indiferente: o que o escritor 
quer é explicitar uma característica do menino, e não traçar a cronologia de suas ações); 
- ainda que se fale de ações (como entrava, retirava-se), todas elas estão no pretérito imperfeito, que 
indica concomitância em relação a um marco temporal instalado no texto (no caso, o ano de 1840, em 
que o escritor frequentava a escola da Rua da Costa) e, portanto, não denota nenhuma transformação de 
estado; 
- se invertêssemos a sequência dos enunciados, não correríamos o risco de alterar nenhuma relação 
cronológica - poderíamos mesmo colocar o últímo período em primeiro lugar e ler o texto do fim para o 
começo: O mestre era mais severo com ele do que conosco. Entrava na escola depois do pai e retirava-
se antes... 
 
Características 
- Ao fazer a descrição enumeramos características, comparações e inúmeros elementos sensoriais; 
- As personagens podem ser caracterizadas física e psicologicamente, ou pelas ações; 
- A descrição pode ser considerada um dos elementos constitutivos da dissertação e da argumentação; 
- É impossível separar narração de descrição; 
- O que se espera não é tanto a riqueza de detalhes, mas sim a capacidade de observação que deve 
revelar aquele que a realiza; 
- Utilizam, preferencialmente, verbos de ligação. Exemplo: “(...) Ângela tinha cerca de vinte anos; 
parecia mais velha pelo desenvolvimento das proporções. Grande, carnuda, sanguínea e fogosa, era um 
desses exemplares excessivos do sexo que parecem conformados expressamente para esposas da 
multidão (...)” (Raul Pompéia – O Ateneu); 
- Como na descrição o que se reproduz é simultâneo, não existe relação de anterioridade e 
posterioridade entre seus enunciados; 
- Devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível, que se usem então as formas nominais, o 
presente e o pretério imperfeito do indicativo, dando-se sempre preferência aos verbos que indiquem 
estado ou fenômeno. 
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- Todavia deve predominar o emprego das comparações, dos adjetivos e dos advérbios, que conferem 
colorido ao texto. 
 
A característica fundamental de um texto descritivo é essa inexistência de progressão temporal. 
Pode-se apresentar, numa descrição, até mesmo ação ou movimento, desde que eles sejam sempre 
simultâneos, não indicando progressão de uma situação anterior para outra posterior. 
Tanto é que uma das marcas linguísticas da descrição é o predomínio de verbos no presente ou no 
pretérito imperfeito do indicativo: o primeiro expressa concomitância em relação ao momento da fala; o 
segundo, em relação a um marco temporal pretérito instalado no texto. 
Para transformar uma descrição numa narração, bastaria introduzir um enunciado que indicasse a 
passagem de um estado anterior para um posterior. No caso do texto inicial, para transformá-lo em 
narração, bastaria dizer: Reunia a isso grande medo do pai. Mais tarde, Iibertou-se desse medo... 
 
Características Linguísticas 
O enunciado narrativo, por ter a representação de um acontecimento, fazer-transformador, é marcado 
pela temporalidade, na relação situação inicial e situação final, enquanto que o enunciado descritivo, não 
tendo transformação, é atemporal. 
Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintático-semânticas encontradas no texto que vão 
facilitar a compreensão: 
- Predominância de verbos de estado, situação ou indicadores de propriedades, atitudes, qualidades, 
usados principalmente no presente e no pretérito imperfeito do indicativo (ser, estar, haver, situar-se, 
existir, ficar). 
- Ênfase na adjetivação para melhor caracterizar o que é descrito. Exemplo: 
 
"Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito. O rosto aguçado 
no queixo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, um pouco amolgado no alto; tingia os cabelos que 
de uma orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele preto lustroso dava, pelo contraste, 
mais brilho à calva; mas não tingia o bigode; tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos da boca. Era muito 
pálido; nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito 
despegadas do crânio." 
(Eça de Queiroz - O Primo Basílio) 
 
- Emprego de figuras (metáforas, metonímias, comparações, sinestesias). Exemplo: 
 
"Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não muito gordo, mas rolho e bojudo como um vaso 
chinês. Apesar de seu corpo rechonchudo, tinha certa vivacidade buliçosa e saltitante que lhe dava 
petulância de rapaz e casava perfeitamente com os olhinhos de azougue." 
(José de Alencar - Senhora) 
 
- Uso de advérbios de localização espacial. Exemplo: 
 
"Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha, e essa casa era assim: na frente, uma grade 
de ferro; depois você entrava tinha um jardinzinho; no final tinha uma escadinha que devia ter uns cinco 
degraus; aí você entrava na sala da frente; dali tinha um corredor comprido de onde saíam três portas; 
no final do corredor tinha a cozinha, depois tinha uma escadinha que ia dar no quintal e atrás ainda tinha 
um galpão, que era o lugar da bagunça..." 
(Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ) 
 
Recursos: 
- Usar impressões cromáticas (cores) e sensações térmicas. Ex.: O dia transcorria amarelo, frio, 
ausente do calor alegre do sol. 
- Usar o vigor e relevo de palavras fortes, próprias, exatas, concretas. Ex.: As criaturas humanas 
transpareciam um céu sereno, uma pureza de cristal. 
- As sensações de movimento e cor embelezam o poderda natureza e a figura do homem. Ex.: Era 
um verde transparente que deslumbrava e enlouquecia qualquer um. 
- A frase curta e penetrante dá um sentido de rapidez do texto. Ex.: Vida simples. Roupa simples. Tudo 
simples. O pessoal, muito crente. 
 
A descrição pode ser apresentada sob duas formas: 
 
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Descrição Objetiva: quando o objeto, o ser, a cena, a passagem é apresentada como realmente é, 
concretamente. Ex.: "Sua altura é 1,85m. Seu peso, 70 kg. Aparência atlética, ombros largos, pele 
bronzeada. Moreno, olhos negros, cabelos negros e lisos". 
Não se dá qualquer tipo de opinião ou julgamento. Ex.: “A casa velha era enorme, toda em largura, 
com porta central que se alcançava por três degraus de pedra e quatro janelas de guilhotina para cada 
lado. Era feita de pau-a-pique barreado, dentro de uma estrutura de cantos e apoios de madeira-de-lei. 
Telhado de quatro águas. Pintada de roxo-claro. Devia ser mais velha que Juiz de Fora, provavelmente 
sede de alguma fazenda que tivesse ficado, capricho da sorte, na linha de passagem da variante do 
Caminho Novo que veio a ser a Rua Principal, depois a Rua Direita – sobre a qual ela se punha um pouco 
de esguelha e fugindo ligeiramente do alinhamento (...).” (Pedro Nava – Baú de Ossos) 
 
Descrição Subjetiva: quando há maior participação da emoção, ou seja, quando o objeto, o ser, a 
cena, a paisagem é transfigurada pela emoção de quem escreve, podendo opinar ou expressar seus 
sentimentos. Ex.: "Nas ocasiões de aparato é que se podia tomar pulso ao homem. Não só as 
condecorações gritavam-lhe no peito como uma couraça de grilos. Ateneu! Ateneu! Aristarco todo era um 
anúncio; os gestos, calmos, soberanos, calmos, eram de um rei..." ("O Ateneu", Raul Pompéia) 
 
Os efeitos de sentido criados pela disposição dos elementos descritivos: 
 
Do ponto de vista da progressão temporal, a ordem dos enunciados na descrição é indiferente, uma 
vez que eles indicam propriedades ou características que ocorrem simultaneamente. No entanto, ela não 
é indiferente do ponto de vista dos efeitos de sentido: descrever de cima para baixo ou vice-versa, do 
detalhe para o todo ou do todo para o detalhe cria efeitos de sentido distintos. 
Observe os dois quartetos do soneto “Retrato Próprio", de Bocage: 
 
Magro, de olhos azuis, carão moreno, 
bem servido de pés, meão de altura, 
triste de facha, o mesmo de figura, 
nariz alto no meio, e não pequeno. 
 
Incapaz de assistir num só terreno, 
mais propenso ao furor do que à ternura; 
bebendo em níveas mãos por taça escura 
de zelos infernais letal veneno. 
 Obras de Bocage. Porto, Lello & Irmão,1968. 
 
O poeta descreve-se das características físicas para as características morais. Se fizesse o inverso, o 
sentido não seria o mesmo, pois as características físicas perderiam qualquer relevo. 
O objetivo de um texto descritivo é levar o leitor a visualizar uma cena. É como traçar com palavras o 
retrato de um objeto, lugar, pessoa etc., apontando suas características exteriores, facilmente 
identificáveis (descrição objetiva), ou suas características psicológicas e até emocionais (descrição 
subjetiva). 
Uma descrição deve privilegiar o uso frequente de adjetivos, também denominado adjetivação. Para 
facilitar o aprendizado desta técnica, sugere-se que o concursando, após escrever seu texto, sublinhe 
todos os substantivos, acrescentando antes ou depois deste um adjetivo ou uma locução adjetiva. 
 
Descrição de objetos constituídos de uma só parte: 
- Introdução: observações de caráter geral referentes à procedência ou localização do objeto descrito. 
- Desenvolvimento: detalhes (lª parte) - formato (comparação com figuras geométricas e com objetos 
semelhantes); dimensões (largura, comprimento, altura, diâmetro etc.) 
- Desenvolvimento: detalhes (2ª parte) - material, peso, cor/brilho, textura. 
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua utilidade ou qualquer outro comentário 
que envolva o objeto como um todo. 
 
Descrição de objetos constituídos por várias partes: 
- Introdução: observações de caráter geral referentes à procedência ou localização do objeto descrito. 
- Desenvolvimento: enumeração e rápidos comentários das partes que compõem o objeto, 
associados à explicação de como as partes se agrupam para formar o todo. 
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- Desenvolvimento: detalhes do objeto visto como um todo (externamente) - formato, dimensões, 
material, peso, textura, cor e brilho. 
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua utilidade ou qualquer outro comentário 
que envolva o objeto em sua totalidade. 
 
Descrição de ambientes: 
- Introdução: comentário de caráter geral. 
- Desenvolvimento: detalhes referentes à estrutura global do ambiente: paredes, janelas, portas, 
chão, teto, luminosidade e aroma (se houver). 
- Desenvolvimento: detalhes específicos em relação a objetos lá existentes: móveis, 
eletrodomésticos, quadros, esculturas ou quaisquer outros objetos. 
- Conclusão: observações sobre a atmosfera que paira no ambiente. 
 
Descrição de paisagens: 
- Introdução: comentário sobre sua localização ou qualquer outra referência de caráter geral. 
- Desenvolvimento: observação do plano de fundo (explicação do que se vê ao longe). 
- Desenvolvimento: observação dos elementos mais próximos do observador - explicação detalhada 
dos elementos que compõem a paisagem, de acordo com determinada ordem. 
- Conclusão: comentários de caráter geral, concluindo acerca da impressão que a paisagem causa 
em quem a contempla. 
 
Descrição de pessoas: 
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de qualquer aspecto de caráter geral. 
- Desenvolvimento: características físicas (altura, peso, cor da pele, idade, cabelos, olhos, nariz, 
boca, voz, roupas). 
- Desenvolvimento: características psicológicas (personalidade, temperamento, caráter, preferências, 
inclinações, postura, objetivos). 
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de caráter geral. 
 
A descrição, ao contrário da narrativa, não supõe ação. É uma estrutura pictórica, em que os aspectos 
sensoriais predominam. Porque toda técnica descritiva implica contemplação e apreensão de algo 
objetivo ou subjetivo, o redator, ao descrever, precisa possuir certo grau de sensibilidade. Assim como o 
pintor capta o mundo exterior ou interior em suas telas, o autor de uma descrição focaliza cenas ou 
imagens, conforme o permita sua sensibilidade. 
 
Texto Narrativo 
 
A Narração é um tipo de texto que relata uma história real, fictícia ou mescla dados reais e imaginários. 
O texto narrativo apresenta personagens que atuam em um tempo e em um espaço, organizados por 
uma narração feita por um narrador. 
É uma série de fatos situados em um espaço e no tempo, tendo mudança de um estado para outro, 
segundo relações de sequencialidade e causalidade, e não simultâneos como na descrição. Expressa as 
relações entre os indivíduos, os conflitos e as ligações afetivas entre esses indivíduos e o mundo, 
utilizando situações que contêm essa vivência. 
Todas as vezes que uma história é contada (é narrada), o narrador acaba sempre contando onde, 
quando, como e com quem ocorreu o episódio. É por isso que numa narração predomina a ação: o texto 
narrativo é um conjunto de ações; assim sendo, a maioria dos verbos que compõem esse tipo de texto 
são os verbos de ação. O conjunto de ações que compõem o texto narrativo, ou seja, a história que é 
contada nesse tipo de texto recebe o nome de enredo. 
As ações contidas no texto narrativo são praticadas pelas personagens, que são justamente as 
pessoas envolvidas no episódio que está sendo contado. As personagens são identificadas (nomeadas) 
no texto narrativo pelos substantivospróprios. 
Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mesmo sem querer) ele acaba contando "onde" (em 
que lugar) as ações do enredo foram realizadas pelas personagens. O lugar onde ocorre uma ação ou 
ações é chamado de espaço, representado no texto pelos advérbios de lugar. 
Além de contar onde, o narrador também pode esclarecer "quando" ocorreram as ações da história. 
Esse elemento da narrativa é o tempo, representado no texto narrativo através dos tempos verbais, mas 
principalmente pelos advérbios de tempo. É o tempo que ordena as ações no texto narrativo: é ele que 
indica ao leitor "como" o fato narrado aconteceu. 
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A história contada, por isso, passa por uma introdução (parte inicial da história, também chamada de 
prólogo), pelo desenvolvimento do enredo (é a história propriamente dita, o meio, o "miolo" da narrativa, 
também chamada de trama) e termina com a conclusão da história (é o final ou epílogo). 
Aquele que conta a história é o narrador, que pode ser pessoal (narra em 1ª pessoa: Eu) ou 
impessoal (narra em 3ª pessoa: Ele). 
Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por verbos de ação, por advérbios de tempo, por 
advérbios de lugar e pelos substantivos que nomeiam as personagens, que são os agentes do texto, ou 
seja, aquelas pessoas que fazem as ações expressas pelos verbos, formando uma rede: a própria história 
contada. 
Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que conta a história. 
 
Elementos Estruturais (I): 
- Enredo: desenrolar dos acontecimentos. 
- Personagens: são seres que se movimentam, se relacionam e dão lugar à trama que se estabelece 
na ação. Revelam-se por meio de características físicas ou psicológicas. Os personagens podem ser 
lineares (previsíveis), complexos, tipos sociais (trabalhador, estudante, burguês etc.) ou tipos humanos 
(o medroso, o tímido, o avarento etc.), heróis ou anti-heróis, protagonistas ou antagonistas. 
- Narrador: é quem conta a história. 
- Espaço: local da ação. Pode ser físico ou psicológico. 
- Tempo: época em que se passa a ação. 
- Cronológico: o tempo convencional (horas, dias, meses); 
- Psicológico: o tempo interior, subjetivo. 
 
Elementos Estruturais (II): 
Personagens - Quem? Protagonista/Antagonista 
Acontecimento - O quê? Fato 
Tempo - Quando? Época em que ocorreu o fato 
Espaço - Onde? Lugar onde ocorreu o fato 
Modo - Como? De que forma ocorreu o fato 
Causa - Por quê? Motivo pelo qual ocorreu o fato 
Resultado - previsível ou imprevisível. 
Final - Fechado ou Aberto. 
 
Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-se de tal forma, que não é possível 
compreendê-los isoladamente, como simples exemplos de uma narração. Há uma relação de implicação 
mútua entre eles, para garantir coerência e verossimilhança à história narrada. 
Quanto aos elementos da narrativa, esses não estão, obrigatoriamente sempre presentes no discurso, 
exceto as personagens ou o fato a ser narrado. 
 
Tipos de Foco Narrativo 
- Narrador-personagem: é aquele que conta a história na qual é participante. Nesse caso ele é 
narrador e personagem ao mesmo tempo, a história é contada em 1ª pessoa. 
- Narrador-observador: é aquele que conta a história como alguém que observa tudo que acontece 
e transmite ao leitor, a história é contada em 3ª pessoa. 
- Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o enredo e as personagens, revelando seus 
pensamentos e sentimentos íntimos. Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas vezes, aparece misturada 
com pensamentos dos personagens (discurso indireto livre). 
 
Estrutura: 
 
- Apresentação: é a parte do texto em que são apresentados alguns personagens e expostas algumas 
circunstâncias da história, como o momento e o lugar onde a ação se desenvolverá. 
- Complicação: é a parte do texto em que se inicia propriamente a ação. Encadeados, os episódios 
se sucedem, conduzindo ao clímax. 
- Clímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge seu momento crítico, tornando o desfecho 
inevitável. 
- Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas ações dos personagens. 
 
 
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Tipos de Personagens: 
Os personagens têm muita importância na construção de um texto narrativo, são elementos vitais. 
Podem ser principais ou secundários, conforme o papel que desempenham no enredo, podem ser 
apresentados direta ou indiretamente. 
A apresentação direta acontece quando o personagem aparece de forma clara no texto, retratando 
suas características físicas e/ou psicológicas, já a apresentação indireta se dá quando os personagens 
aparecem aos poucos e o leitor vai construindo a sua imagem com o desenrolar do enredo, ou seja, a 
partir de suas ações, do que ela vai fazendo e do modo como vai fazendo. 
 
- Em 1ª pessoa: 
 
Personagem Principal: há um “eu” participante que conta a história e é o protagonista. Exemplo: 
 
“Parei na varanda, ia tonto, atordoado, as pernas bambas, o coração parecendo querer sair-me pela 
boca fora. Não me atrevia a descer à chácara, e passar ao quintal vizinho. Comecei a andar de um lado 
para outro, estacando para amparar-me, e andava outra vez e estacava.” 
(Machado de Assis. Dom Casmurro) 
 
Observador: é como se dissesse: É verdade, pode acreditar, eu estava lá e vi. Exemplo: 
 
“Batia nos noventa anos o corpo magro, mas sempre teso do Jango Jorge, um que foi capitão duma 
maloca de contrabandista que fez cancha nos banhados do Brocai. 
Esse gaúcho desamotinado levou a existência inteira a cruzar os campos da fronteira; à luz do Sol, no 
desmaiado da Lua, na escuridão das noites, na cerração das madrugadas...; ainda que chovesse reiúnos 
acolherados ou que ventasse como por alma de padre, nunca errou vau, nunca perdeu atalho, nunca 
desandou cruzada! ... 
(...) 
Aqui há poucos - coitado! - pousei no arranchamento dele. Casado ou doutro jeito, afamilhado. Não 
nos víamos desde muito tempo. (...) 
Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório na matança dos leitões e no tiramento dos assados 
com couro.” 
(J. Simões Lopes Neto – Contrabandista) 
 
- Em 3ª pessoa: 
 
Onisciente: não há um eu que conta; é uma terceira pessoa. Exemplo: 
 
“Devia andar lá pelos cinco anos e meio quando a fantasiaram de borboleta. Por isso não pôde 
defender-se. E saiu à rua com ar menos carnavalesco deste mundo, morrendo de vergonha da malha de 
cetim, das asas e das antenas e, mais ainda, da cara à mostra, sem máscara piedosa para disfarçar o 
sentimento impreciso de ridículo.” 
(Ilka Laurito. Sal do Lírico) 
 
Narrador Objetivo: não se envolve, conta a história como sendo vista por uma câmara ou filmadora. 
 
Sequência Narrativa 
Uma narrativa não tem uma única mudança, mas várias: uma coordena-se a outra, uma implica a 
outra, uma subordina-se a outra. A narrativa típica tem quatro mudanças de situação: 
- uma em que uma personagem passa a ter um querer ou um dever (um desejo ou uma necessidade 
de fazer algo); 
- uma em que ela adquire um saber ou um poder (uma competência para fazer algo); 
- uma em que a personagem executa aquilo que queria ou devia fazer (é a mudança principal da 
narrativa); 
- uma em que se constata que uma transformação se deu e em que se podem atribuir prêmios ou 
castigos às personagens (geralmente os prêmios são para os bons, e os castigos, para os maus). 
 
Toda narrativa tem essas quatro mudanças, pois elas se pressupõem logicamente. Com efeito, quando 
se constata a realização de uma mudança é porque ela se verificou, e ela efetua-se porque quem a realiza 
pode, sabe, quer ou deve fazê-la. 
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Tomemos, por exemplo, o ato de comprar um apartamento: quando se assina a escritura, realiza-seo 
ato de compra; para isso, é necessário poder (ter dinheiro) e querer ou dever comprar (respectivamente, 
querer deixar de pagar aluguel ou ter necessidade de mudar, por ter sido despejado, por exemplo). 
Algumas mudanças são necessárias para que outras se deem. Assim, para apanhar uma fruta, é 
necessário apanhar um bambu ou outro instrumento para derrubá-la. Para ter um carro, é preciso antes 
conseguir o dinheiro. 
 
Narrativa e Narração 
Existe alguma diferença entre as duas? Sim. A narratividade é um componente narrativo que pode 
existir em textos que não são narrações. A narrativa é a transformação de situações. Por exemplo, quando 
se diz “Depois da abolição, incentivou-se a imigração de europeus”, temos um texto dissertativo, que, no 
entanto, apresenta um componente narrativo, pois contém uma mudança de situação: do não incentivo 
ao incentivo da imigração europeia. 
Se a narrativa está presente em quase todos os tipos de texto, o que é narração? 
A narração é um tipo de narrativa. Tem ela três características: 
- é um conjunto de transformações de situação; 
- é um texto figurativo, isto é, opera com personagens e fatos concretos; 
- as mudanças relatadas estão organizadas de maneira tal que, entre elas, existe sempre uma relação 
de anterioridade e posterioridade. 
 
Essa relação de anterioridade e posterioridade é sempre pertinente num texto narrativo, mesmo que a 
sequência linear da temporalidade apareça alterada. Assim, por exemplo, no romance machadiano 
Memórias póstumas de Brás Cubas, quando o narrador começa contando sua morte para em seguida 
relatar sua vida, a sequência temporal foi modificada. No entanto, o leitor reconstitui, ao longo da leitura, 
as relações de anterioridade e de posterioridade. 
 
Resumindo: na narração, as três características explicadas acima (transformação de situações, fi-
guratividade e relações de anterioridade e posterioridade entre os episódios relatados) devem estar 
presentes conjuntamente. Um texto que tenha só uma ou duas dessas características não é uma 
narração. 
 
Exemplo - Personagens 
 
"Aboletado na varanda, lendo Graciliano Ramos, O Dr. Amâncio não viu a mulher chegar. 
- Não quer que se carpa o quintal, moço? 
Estava um caco: mal vestida, cheirando a fumaça, a face escalavrada. Mas os olhos... (sempre 
guardam alguma coisa do passado, os olhos)." 
(Kiefer, Charles. A dentadura postiça. Porto Alegre: Mercado Aberto) 
 
Exemplo - Espaço 
 
Considerarei longamente meu pequeno deserto, a redondeza escura e uniforme dos seixos. Seria o 
leito seco de algum rio. Não havia, em todo o caso, como negar-lhe a insipidez." 
(Linda, Ieda. As amazonas segundo tio Hermann. Porto Alegre: Movimento, 1981) 
 
Exemplo - Tempo 
 
“Sete da manhã. Honorato Madeira acorda e lembra-se: a mulher lhe pediu que a chamasse cedo." 
(Veríssimo, Érico. Caminhos Cruzados) 
 
Texto Dissertativo 
 
A dissertação é uma exposição, discussão ou interpretação de uma determinada ideia. É, sobretudo, 
analisar algum tema. Pressupõe um exame crítico do assunto, lógica, raciocínio, clareza, coerência, 
objetividade na exposição, um planejamento de trabalho e uma habilidade de expressão. 
É em função da capacidade crítica que se questionam pontos da realidade social, histórica e 
psicológica do mundo e dos semelhantes. Vemos também, que a dissertação no seu significado diz 
respeito a um tipo de texto em que a exposição de uma ideia, através de argumentos, é feita com a 
finalidade de desenvolver um conteúdo científico, doutrinário ou artístico. 
 
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Características 
- ao contrário do texto narrativo e do descritivo, ele é temático; 
- como o texto narrativo, ele mostra mudanças de situação; 
- ao contrário do texto narrativo, nele as relações de anterioridade e de posterioridade dos enunciados 
não têm maior importância - o que importa são suas relações lógicas: analogia, pertinência, causalidade, 
coexistência, correspondência, implicação, etc. 
- a estética e a gramática são comuns a todos os tipos de redação. Já a estrutura, o conteúdo e a 
estilística possuem características próprias a cada tipo de texto. 
 
Dissertação Expositiva e Argumentativa 
A dissertação expositiva é voltada para aqueles fatos que estão sendo focados e discutidos pela 
grande mídia. É um tipo de acontecimento inquestionável, mesmo porque todos os detalhes já foram 
expostos na televisão, rádio e novas mídias. 
Já o texto dissertativo argumentativo vai fazer uma reflexão maior sobre os temas. Os pontos de 
vista devem ser declarados em terceira pessoa, há interações entre os fatos que se aborda. Tais fatos 
precisam ser esclarecidos para que o leitor se sinta convencido por tal escrita. Quem escreve uma 
dissertação argumentativa deve saber persuadir a partir de sua crítica de determinado assunto. A 
linguagem jamais poderá deixar de ser objetiva, com fatos reais, evidências e concretudes. 
 
São partes da dissertação: Introdução / Desenvolvimento / Conclusão. 
 
Introdução 
Em que se apresenta o assunto; se apresenta a ideia principal, sem, no entanto, antecipar seu 
desenvolvimento. Tipos: 
 
- Divisão: quando há dois ou mais termos a serem discutidos. Ex.: “Cada criatura humana traz duas 
almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro...” 
- Alusão Histórica: um fato passado que se relaciona a um fato presente. Ex.: “A crise econômica que 
teve início no começo dos anos 80, com os conhecidos altos índices de inflação que a década colecionou, 
agravou vários dos históricos problemas sociais do país. Entre eles, a violência, principalmente a urbana, 
cuja escalada tem sido facilmente identificada pela população brasileira.” 
- Proposição: o autor explicita seus objetivos. 
- Convite: proposta ao leitor para que participe de alguma coisa apresentada no texto. Ex.: Você quer 
estar “na sua”? Quer se sentir seguro, ter o sucesso pretendido? Não entre pelo cano! Faça parte desse 
time de vencedores desde a escolha desse momento! 
- Contestação: contestar uma ideia ou uma situação. Ex.: “É importante que o cidadão saiba que 
portar arma de fogo não é a solução no combate à insegurança.” 
- Características: caracterização de espaços ou aspectos. 
- Estatísticas: apresentação de dados estatísticos. Ex.: “Em 1982, eram 15,8 milhões os domicílios 
brasileiros com televisores. Hoje, são 34 milhões (o sexto maior parque de aparelhos receptores 
instalados do mundo). Ao todo, existem no país 257 emissoras (aquelas capazes de gerar programas) e 
2.624 repetidoras (que apenas retransmitem sinais recebidos). (...)” 
- Declaração Inicial: emitir um conceito sobre um fato. 
- Citação: opinião de alguém de destaque sobre o assunto do texto. Ex.: “A principal característica do 
déspota encontra-se no fato de ser ele o autor único e exclusivo das normas e das regras que definem a 
vida familiar, isto é, o espaço privado. Seu poder, escreve Aristóteles, é arbitrário, pois decorre 
exclusivamente de sua vontade, de seu prazer e de suas necessidades.” 
- Definição: desenvolve-se pela explicação dos termos que compõem o texto. 
- Interrogação: questionamento. Ex.: “Volta e meia se faz a pergunta de praxe: afinal de contas, todo 
esse entusiasmo pelo futebol não é uma prova de alienação?” 
- Suspense: alguma informação que faça aumentar a curiosidade do leitor. 
- Comparação: social e geográfica. 
- Enumeração: enumerar as informações. Ex.: “Ação à distância, velocidade, comunicação, linha de 
montagem, triunfo das massas, holocausto: através das metáforas e das realidades que marcaram esses 
100 últimos anos, aparece a verdadeira doença do século...” 
- Narração: narrar um fato. 
 
Deve conter a ideia principal a ser desenvolvida (geralmente um ou dois parágrafos). É a abertura dotexto, por isso é fundamental. Deve ser clara e chamar a atenção para dois itens básicos: os objetivos do 
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texto e o plano do desenvolvimento. Contém a proposição do tema, seus limites, ângulo de análise e a 
hipótese ou a tese a ser defendida. 
 
Desenvolvimento 
É a argumentação da ideia inicial, de forma organizada e progressiva. É a parte maior e mais 
importante do texto. Podem ser desenvolvidas de várias formas: 
- Trajetória Histórica: cultura geral é o que se prova com este tipo de abordagem. 
- Definição: não basta citar, mas é preciso desdobrar a ideia principal ao máximo, esclarecendo o 
conceito ou a definição. 
- Comparação: estabelecer analogias, confrontar situações distintas. 
- Bilateralidade: quando o tema proposto apresenta pontos favoráveis e desfavoráveis. 
- Ilustração Narrativa ou Descritiva: narrar um fato ou descrever uma cena. 
- Cifras e Dados Estatísticos: citar cifras e dados estatísticos. 
- Hipótese: antecipa uma previsão, apontando para prováveis resultados. 
- Interrogação: toda sucessão de interrogações deve apresentar questionamento e reflexão. 
- Refutação: questiona-se praticamente tudo: conceitos, valores, juízos. 
- Causa e Consequência: estruturar o texto através dos porquês de uma determinada situação. 
- Oposição: abordar um assunto de forma dialética. 
- Exemplificação: dar exemplos. 
 
Exposição de elementos que vão fundamentar a ideia principal que pode vir especificada através da 
argumentação, de pormenores, da ilustração, da causa e da consequência, das definições, dos dados 
estatísticos, da ordenação cronológica, da interrogação e da citação. No desenvolvimento são usados 
tantos parágrafos quantos forem necessários para a completa exposição da ideia. 
 
Conclusão 
É uma avaliação final do assunto, um fechamento integrado de tudo que se argumentou. Para ela 
convergem todas as ideias anteriormente desenvolvidas. 
- Conclusão Fechada: recupera a ideia da tese. 
- Conclusão Aberta: levanta uma hipótese, projeta um pensamento ou faz uma proposta, incentivando 
a reflexão de quem lê. 
 
É a retomada da ideia principal, que agora deve aparecer de forma muito mais convincente, uma vez 
que já foi fundamentada durante o desenvolvimento da dissertação (um parágrafo). Deve, pois, conter de 
forma sintética, o objetivo proposto na instrução, a confirmação da hipótese ou da tese, acrescida da 
argumentação básica empregada no desenvolvimento. 
 
Exemplo: 
 
Direito de Trabalho 
 
Com a queda do feudalismo no século XV, nasce um novo modelo econômico: o capitalismo, que até 
o século XX agia por meio da inclusão de trabalhadores e hoje passou a agir por meio da exclusão. (A) 
A tendência do mundo contemporâneo é tornar todo o trabalho automático, devido à evolução 
tecnológica e a necessidade de qualificação cada vez maior, o que provoca o desemprego. Outro fator 
que também leva ao desemprego de um sem número de trabalhadores é a contenção de despesas, de 
gastos. (B) 
Segundo a Constituição, “preocupada” com essa crise social que provém dessa automatização e 
qualificação, obriga que seja feita uma lei, em que será dada absoluta garantia aos trabalhadores, de que, 
mesmo que as empresas sejam automatizadas, não perderão eles seu mercado de trabalho. (C) 
Não é uma utopia?! 
Um exemplo vivo são os boias-frias que trabalham na colheita da cana de açúcar que devido ao avanço 
tecnológico e a lei do governador Geraldo Alkmin, defendendo o meio ambiente, proibindo a queima da 
cana-de-açúcar para a colheita e substituindo-os então pelas máquinas, desemprega milhares deles. (D) 
Em troca os sindicatos dos trabalhadores rurais dão cursos de cabelereiro, marcenaria, eletricista, para 
não perderem o mercado de trabalho, aumentando, com isso, a classe de trabalhos informais. 
Como ficam então aqueles trabalhadores que passaram à vida estudando, se especializando, para se 
diferenciarem e ainda estão desempregados? Como vimos no último concurso da prefeitura do Rio de 
Janeiro para “gari”, havia até advogado na fila de inscrição. (E) 
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. 56 
Já que a Constituição dita seu valor ao social que todos têm o direito de trabalho, cabe aos governantes 
desse país, que almeja um futuro brilhante, deter, com urgência esse processo de desníveis gritantes e 
criar soluções eficazes para combater a crise generalizada (F), pois a uma nação doente, miserável e 
desigual, não compete a tão sonhada modernidade. (G) 
 
1º Parágrafo – Introdução 
 
A. Tema: Desemprego no Brasil. 
Contextualização: decorrência de um processo histórico problemático. 
 
2º ao 6º Parágrafo – Desenvolvimento 
 
B. Argumento 1: Exploram-se dados da realidade que remetem a uma análise do tema em questão. 
C. Argumento 2: Considerações a respeito de outro dado da realidade. 
D. Argumento 3: Coloca-se sob suspeita a sinceridade de quem propõe soluções. 
E. Argumento 4: Uso do raciocínio lógico de oposição. 
 
7º Parágrafo: Conclusão 
F. Uma possível solução é apresentada. 
G. O texto conclui que desigualdade não se casa com modernidade. 
 
É bom lembrarmos que é praticamente impossível opinar sobre o que não se conhece. A leitura de 
bons textos é um dos recursos que permite uma segurança maior no momento de dissertar sobre algum 
assunto. Debater e pesquisar são atitudes que favorecem o senso crítico, essencial no desenvolvimento 
de um texto dissertativo. 
 
Ainda temos: 
 
Tema: compreende o assunto proposto para discussão, o assunto que vai ser abordado. 
Título: palavra ou expressão que sintetiza o conteúdo discutido. 
Argumentação: é um conjunto de procedimentos linguísticos com os quais a pessoa que escreve 
sustenta suas opiniões, de forma a torná-las aceitáveis pelo leitor. É fornecer argumentos, ou seja, razões 
a favor ou contra uma determinada tese. 
 
Pontos Essenciais 
 
- toda dissertação é uma demonstração, daí a necessidade de pleno domínio do assunto e habilidade 
de argumentação; 
- em consequência disso, impõem-se à fidelidade ao tema; 
- a coerência é tida como regra de ouro da dissertação; 
- impõem-se sempre o raciocínio lógico; 
- a linguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer ambiguidade pode ser um ponto vulnerável na 
demonstração do que se quer expor. Deve ser clara, precisa, natural, original, nobre, correta 
gramaticalmente. O discurso deve ser impessoal (evitar-se o uso da primeira pessoa). 
 
Texto Injuntivo 
 
Os textos injuntivos têm por finalidade instruir o interlocutor, utilizando verbos no imperativo para atingir 
seu intuito. Os gêneros que se apropriam da estrutura injuntiva são: manual de instruções, receitas 
culinárias, bulas, regulamentos, editais etc. 
Exemplos: 
 
Manual de instruções de um computador 
 
“[...] Não instale nem use o computador em locais muito quentes, frios, empoeirados, úmidos ou que 
estejam sujeitos a vibrações. Não exponha o computador a choques, pancadas ou vibrações, e evite que 
ele caia, para não prejudicar as peças internas [...]”. 
 
 
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Bula 
 
“[...] Manter o medicamento em temperatura ambiente (15º C a 30º C). Proteger da luz e da umidade. 
O prazo de validade do produto é de 24 meses. Não utilizar medicamentos com prazo de validade vencido. 
Deve-se evitar o uso do produto durante a gravidez e o período de lactação. Informe ao seu médico a 
ocorrência de gravidez na vigência do tratamento ou após o seu término. Informe ao médico se está 
amamentando. 
Recomenda-se observar cuidadosamente as orientações do médico. Siga a orientação do seu médico, 
respeitando sempre os horários, as doses e a duração do tratamento. Não interromper o tratamento sem 
o conhecimento doseu médico. BUTAZONA CÁLCICA é um medicamento potente e deverá ser usado 
por uma semana no máximo.” [...] 
 
Questões 
 
01. (Câmara Santa Rosa/RS - Procurador Jurídico - INST.EXCELENCIA/2017) 
 
Retrato 
Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, 
nem o lábio amargo. 
 
Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração 
que nem se mostra. 
 
Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil: 
- Em que espelho ficou perdida 
a minha face? 
MEIRELES, Cecília. Obra Poética de Cecília Meireles. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958. 
 
Para expressar as mudanças físicas de seu corpo e como o mesmo se encontra depois delas, o eu 
lírico utiliza predominantemente os recursos da: 
(A) Narração. 
(B) Descrição. 
(C) Dissertação. 
(D) Nenhuma das alternativas. 
 
02. (UTFPR - Técnico de Laboratório - 2018) “Requerimento é o instrumento por meio do qual o 
signatário pede, a uma autoridade pública, algo que lhe pareça justo ou legal. O requerimento pode ser 
usado por qualquer pessoa que tenha interesse no serviço público, seja, ou não, servidor público. Deve 
ser dirigido à autoridade competente para receber, apreciar e solucionar o caso, podendo ser manuscrito 
ou digitado/datilografado. Uma vez que o requerimento é veículo de solicitação sob o amparo da lei, 
somente pode ser dirigido a autoridades públicas. Pedidos a entidades particulares fazem-se por carta 
ou, quando provenientes de órgão público, por ofício. Podem-se, no entanto, dirigir requerimentos a 
colégios particulares. Esses, com efeito, exercem, por uma espécie de delegação, atividades próprias do 
poder público, pelo qual têm seus serviços rigidamente regulados e fiscalizados”. 
 (Adalberto J. Kaspary – Redação Oficial – Normas e Modelos) 
 
O texto em questão pertence, predominantemente, à tipologia textual: 
(A) narração. 
(B) dissertação. 
(C) descrição. 
(D) injunção. 
(E) exposição. 
 
03. (Pref. Cruzeiro/SP - Professor Língua Portuguesa - INST.EXCELENCIA/2016) São várias as 
situações comunicativas cotidianas, sejam elas orais ou escritas. O dinamismo da comunicação é 
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. 58 
responsável pela criação dos diversos gêneros textuais, mas, antes deles, existem os tipos textuais, 
estruturas nas quais os gêneros se apoiam. Os aspectos constitutivos de um texto divergem mediante a 
finalidade do texto: contar, descrever, argumentar, informar, etc. Um único texto pode apresentar 
passagens de vários tipos de texto. A tipologia textual apresenta características intrínsecas, como 
vocabulário, relações lógicas, tempos verbais, construções frasais e outras peculiaridades inscritas em, 
basicamente, cinco tipos. 
 
Assinale a alternativa CORRETA. 
(A) Narração; Dissertação; Descrição; Exposição; Injunção. 
(B) Conjunção; Dissertação; Descrição; Exposição; Comunicação. 
(C) Comunicação; Conjunção; Dissertação; Descrição; Exposição. 
(D) Narração; Descrição; Injunção; Exposição; Coesão; Dissertação. 
 
04. (João Pessoa/PB - Técnico Controle Interno - CESPE/2018) 
 
 
 
Acerca das propriedades linguísticas do texto precedente, julgue o item subsequente. 
O texto apresentado combina elementos das tipologias expositiva e injuntiva. 
( ) Certo ( ) Errado 
 
05. (PC/RJ - Papiloscopista Policial - IBFC) 
 
Notícia de Jornal 
(Fernando Sabino) 
 
Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, 30 anos 
presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, 
permanecendo deitado na calçada durante 72 horas, para finalmente morrer de fome. 
Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos e comentários, uma ambulância do Pronto Socorro e 
uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo 
de fome. 
Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de 
fome) era da alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o 
homem morreu de fome. 
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Anatômico sem ser identificado. Nada 
se sabe dele, senão que morreu de fome. 
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Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um 
bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um 
bicho, uma coisa - não é um homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o 
de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um 
olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum. Passam, e o homem 
continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão. 
Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da 
minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome. 
E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o 
jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às 
autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar 
que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que 
morresse de fome. 
E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição, tombado em plena rua, no centro mais 
movimentado da cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, um homem morreu de fome. 
 
 (Disponível em http://www.fotolog.com.br/spokesman_/70276847/: Acesso em 10/09/14) 
 
Em um texto narrativo, as falas dos personagens podem figurar em destaque, marcadas por uma 
pontuação adequada, ou ser parafraseadas pelo narrador. Há também casos nos quais não é possível 
delimitar as falas de narrador e personagem. Com base nessas informações, assinale a alternativa que 
apresenta a correta classificação do tipo de discurso utilizado no trecho a seguir: 
 
“Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um 
bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um 
bicho, uma coisa - não é um homem.” (5º§) 
 
(A) Discurso direto livre 
(B) Discurso direto 
(C) Discurso indireto livre 
(D) Discurso indireto 
(E) Discurso direto e indireto 
Gabarito 
 
01.B / 02.E / 03.A / 04.CERTO / 05.C 
 
Comentários 
 
01. Resposta: B 
Por mais que o texto é um poema, a descrição é uma das características deste texto. 
 
02. Resposta: E 
O texto é uma simples exposição de fatos, por isso a alternativa E correta. 
 
03. Resposta: A 
Narração contar uma história, dissertação ideias são desenvolvidas, descrição sempre descrevendo 
alguma coisa, exposição ligado ao expor fatos, e injunção são textos que instruem e orientam o leitor. 
 
04. Resposta: CERTO 
Expositivo porque expõe fatos correntes do Brasil sobre a ética, as marcas injuntivas, por exemplo: 
“Diga não”. 
 
05. Resposta: C 
Uma das características do discurso indireto livre, a fala das personagens e do narrador se misturam. 
 
GÊNEROS TEXTUAIS 
 
O gênero textual é a forma como a língua é empregada nos textos em suas diversas situações de 
comunicação, de acordo com o seu uso temos gêneros textuais diferentes. É importante lembrar que um 
texto não precisa ter apenas um gênero textual, porém há apenas um que se sobressai. 
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Os textos, tanto orais quanto escritos, que têm o objetivo de estabelecer algum tipo de comunicação, 
possuem algumascaracterísticas básicas que fazem com que possamos saber em qual gênero textual o 
texto se encaixa. 
Algumas dessas características são: o tipo de assunto abordado, quem está falando, para quem está 
falando, qual a finalidade do texto, qual o tipo do texto (narrativo, argumentativo, instrucional, etc.). 
 
Distinguindo 
 
É essencial saber distinguir o que é gênero textual, gênero literário e tipo textual. Cada uma dessas 
classificações é referente aos textos, porém é preciso ter atenção, cada uma possui um significado 
totalmente diferente da outra. Veja uma breve descrição do que é um gênero literário e um tipo textual: 
 
Gênero Literário - é classificado de acordo com a sua forma, podendo ser do gênero líricos, dramático, 
épico, narrativo e etc. 
 
Tipo Textual - este é a forma como o texto se apresenta, podendo ser classificado como narrativo, 
argumentativo, dissertativo, descritivo, informativo ou injuntivo. Cada uma dessas classificações varia de 
acordo como o texto se apresenta e com a finalidade para o qual foi escrito. 
 
Gêneros textuais pertencentes aos textos narrativos 
 
Romance 
É um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos e de caráter 
mais aceitável. Também conta as façanhas de um herói, mas principalmente uma história de amor vivida 
por ele e uma mulher, muitas vezes, “proibida” para ele. 
Apesar dos obstáculos que o separam, o casal vive sua paixão proibida, física, adúltera, pecaminosa 
e, por isso, costuma ser punido no final. É o tipo de narrativa mais comum na Idade Média. Ex.: Tristão e 
Isolda. 
 
Conto 
É um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa, que conta situações rotineiras, anedotas 
e até folclores. Inicialmente, fazia parte da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a reproduzi-lo de forma 
escrita com a publicação de Decamerão. 
Diversos tipos do gênero textual conto surgiram na tipologia textual narrativa: conto de fadas, que 
envolve personagens do mundo da fantasia; contos de aventura, que envolvem personagens em um 
contexto mais próximo da realidade; contos folclóricos (conto popular); contos de terror ou assombração, 
que se desenrolam em um contexto sombrio e objetivam causar medo no expectador; contos de mistério, 
que envolvem o suspense e a solução de um mistério. 
 
Fábula 
É um texto de caráter fantástico que busca ser inverossímil. As personagens principais são não 
humanos e a finalidade é transmitir alguma lição de moral. 
 
Novela 
É um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevidade do romance e a brevidade do conto. 
Como exemplos de novelas, podem ser citadas as obras O Alienista, de Machado de Assis, e A 
Metamorfose, de Kafka. 
 
Crônica 
É uma narrativa informal, breve, ligada à vida cotidiana, com linguagem coloquial. Pode ter um tom 
humorístico ou um toque de crítica indireta, especialmente, quando aparece em seção ou artigo de jornal, 
revistas e programas da TV. 
 
Gêneros textuais pertencentes aos textos descritivos 
 
Diário 
É escrito em linguagem informal, sempre consta a data e não há um destinatário específico, 
geralmente, é para a própria pessoa que está escrevendo, é um relato dos acontecimentos do dia. O 
objetivo desse tipo de texto é guardar as lembranças e em alguns momentos desabafar. Veja um exemplo: 
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“Domingo, 14 de junho de 1942 
Vou começar a partir do momento em que ganhei você, quando o vi na mesa, no meio dos meus outros 
presentes de aniversário. (Eu estava junto quando você foi comprado, e com isso eu não contava.) 
 
Na sexta-feira, 12 de junho, acordei às seis horas, o que não é de espantar; afinal, era meu aniversário. 
Mas não me deixam levantar a essa hora; por isso, tive de controlar minha curiosidade até quinze para 
as sete. Quando não dava mais para esperar, fui até a sala de jantar, onde Moortje (a gata) me deu as 
boas-vindas, esfregando-se em minhas pernas.” 
Trecho retirado do livro “Diário de Anne Frank”. 
 
Outros exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos descritivos são: relatos de viagens; 
folhetos turísticos; cardápios de restaurantes; classificados; etc. 
 
Gêneros textuais pertencentes aos textos expositivos 
 
Resumos e Resenhas 
O autor faz uma descrição breve sobre a obra (pode ser cinematográfica, musical, teatral ou literária) 
a fim de divulgar este trabalho de forma resumida. 
Na verdade resumo e/ou resenha é uma análise sobre a obra, com uma linguagem mais ou menos 
formal, geralmente os resenhistas são pessoas da área devido o vocabulário específico, são estudiosos 
do assunto, e podem influenciar a venda do produto devido a suas críticas ou elogios. 
 
Outros exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos expositivos são: jornais; enciclopédias; 
resumos escolares; verbetes de dicionário; etc. 
 
Gêneros textuais pertencentes aos textos argumentativos 
 
Artigo de Opinião 
É comum7 encontrar circulando no rádio, na TV, nas revistas, nos jornais, temas polêmicos que exigem 
uma posição por parte dos ouvintes, espectadores e leitores, por isso, o autor geralmente apresenta seu 
ponto de vista sobre o tema em questão através do artigo de opinião. 
Nos gêneros argumentativos, o autor geralmente tem a intenção de convencer seus interlocutores e, 
para isso, precisa apresentar bons argumentos, que consistem em verdades e opiniões. 
O artigo de opinião é fundamentado em impressões pessoais do autor do texto e, por isso, são fáceis 
de contestar. 
 
Outros exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos argumentativos são: abaixo-assinados; 
manifestos; sermões; etc. 
 
Gêneros textuais pertencentes aos textos injuntivos 
 
Exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos injuntivos são: receitas culinárias; manuais de 
instruções; bula de remédio; etc. 
 
Gêneros textuais pertencentes aos textos prescritivos 
 
Exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos prescritivos são: leis; cláusulas contratuais; 
edital de concursos públicos; etc. 
 
Outros Exemplos 
 
Carta 
Esta, dependendo do destinatário pode ser informal, quando é destinada a algum amigo ou pessoa 
com quem se tem intimidade. E formal quando destinada a alguém mais culto ou que não se tenha 
intimidade. 
Dependendo do objetivo da carta a mesma terá diferentes estilos de escrita, podendo ser dissertativa, 
narrativa ou descritiva. As cartas se iniciam com a data, em seguida vem a saudação, o corpo da carta e 
para finalizar a despedida. 
 
7 http://www.odiarioonline.com.br/noticia/43077/VENDEDOR-BRASILEIRO-ESTA-MENOS-SIMPATICO 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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Propaganda 
Este gênero geralmente aparece na forma oral, diferente da maioria dos outros gêneros. Suas 
principais características são a linguagem argumentativa e expositiva, pois a intenção da propaganda é 
fazer com que o destinatário se interesse pelo produto da propaganda. O texto pode conter algum tipo de 
descrição e sempre é claro e objetivo. 
 
Notícia 
Este é um dos tipos de texto que é mais fácil de identificar. Sua linguagem é narrativa e descritiva e o 
objetivo desse texto é informar algo que aconteceu. 
A notícia é um dos principais tipos de textos jornalísticos existentes e tem como intenção nos informar 
acerca de determinada ocorrência. Bastante recorrente nos meios de comunicação em geral, seja na 
televisão, em sites pela internet ou impresso em jornais ou revistas. 
Caracteriza-se por apresentar uma linguagem simples, clara, objetiva e precisa, pautando-se no relato 
de fatos que interessam ao público em geral. A linguagem é clara, precisa e objetiva, uma vez que se 
trata de uma informação. 
 
Editorial 
O editorial é um tipode texto jornalístico que geralmente aparece no início das colunas. Diferente dos 
outros textos que compõem um jornal, de caráter informativo, os editoriais são textos opinativos. 
Embora sejam textos de caráter subjetivo, podem apresentar certa objetividade. Isso porque são os 
editoriais que apresentam os assuntos que serão abordados em cada seção do jornal, ou seja, Política, 
Economia, Cultura, Esporte, Turismo, País, Cidade, Classificados, entre outros. 
Os textos são organizados pelos editorialistas, que expressam as opiniões da equipe e, por isso, não 
recebem a assinatura do autor. No geral, eles apresentam a opinião do meio de comunicação (revista, 
jornal, rádio, etc.). 
Tanto nos jornais como nas revistas podemos encontrar os editoriais intitulados como “Carta ao Leitor” 
ou “Carta do Editor”. 
Em relação ao discurso apresentado, esse costuma se apoiar em fatos polêmicos ligados ao cotidiano 
social. E quando falamos em discurso, logo nos atemos à questão da linguagem que, mesmo em se 
tratando de impressões pessoais, o predomínio do padrão formal, fazendo com que prevaleça o emprego 
da 3ª pessoa do singular, ocupa lugar de destaque. 
 
Reportagem 
Reportagem é um texto jornalístico amplamente divulgado nos meios de comunicação de massa. A 
reportagem informa, de modo mais aprofundado, fatos de interesse público. Ela situa-se no 
questionamento de causa e efeito, na interpretação e no impacto, somando as diferentes versões de um 
mesmo acontecimento. 
A reportagem não possui uma estrutura rígida, mas geralmente costuma estabelecer conexões com o 
fato central, anunciado no que chamamos de lead. A partir daí, desenvolve-se a narrativa do fato principal, 
ampliada e composta por meio de citações, trechos de entrevistas, depoimentos, dados estatísticos, 
pequenos resumos, dentre outros recursos. É sempre iniciada por um título, como todo texto jornalístico. 
O objetivo de uma reportagem é apresentar ao leitor várias versões para um mesmo fato, informando-
o, orientando-o e contribuindo para formar sua opinião. 
A linguagem utilizada nesse tipo de texto é objetiva, dinâmica e clara, ajustada ao padrão linguístico 
divulgado nos meios de comunicação de massa, que se caracteriza como uma linguagem acessível a 
todos os públicos, mas pode variar de formal para mais informal dependendo do público a que se destina. 
Embora seja impessoal, às vezes é possível perceber a opinião do repórter sobre os fatos ou sua 
interpretação.8 
 
Gêneros Textuais e Gêneros Literários 
 
Conforme o próprio nome indica, os gêneros textuais se referem a qualquer tipo de texto, enquanto os 
gêneros literários se referem apenas aos textos literários. 
Os gêneros literários são divisões feitas segundo características formais comuns em obras literárias, 
agrupando-as conforme critérios estruturais, contextuais e semânticos, entre outros. 
- Gênero lírico; 
- Gênero épico ou narrativo; 
 
8 CEREJA, William Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar. Texto e interação. São Paulo, Atual Editora, 2000 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 63 
- Gênero dramático. 
 
Gênero Lírico 
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no poema e que nem sempre corresponde à 
do autor) exprime suas emoções, ideias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente os 
pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva da linguagem. 
 
Elegia 
Um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a morte é elevada como o ponto máximo do 
texto. O emissor expressa tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema 
melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e Yufa, de William Shakespeare. 
 
Epitalâmia 
Um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites românticas com poemas e cantigas. Um 
bom exemplo de epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais. 
 
Ode (ou hino) 
É o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à pátria (e aos seus símbolos), às divindades, 
à mulher amada, ou a alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode com acompanhamento 
musical. 
 
Idílio (ou écloga) 
Poema lírico em que o emissor expressa uma homenagem à natureza, às belezas e às riquezas que 
ela dá ao homem. É o poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de tais belezas e 
riquezas ao lado da amada (pastora), que enriquece ainda mais a paisagem, espaço ideal para a paixão. 
A écloga é um idílio com diálogos (muito rara). 
 
Sátira 
É o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém ou a algo, em tom sério ou irônico. Tem 
um forte sarcasmo, pode abordar críticas sociais, a costumes de determinada época, assuntos políticos, 
ou pessoas de relevância social. 
 
Acalanto 
Canção de ninar. 
 
Acróstico 
Composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso formam uma palavra ou frase. Ex.: 
 
Amigos são 
Muitas vezes os 
Irmãos que escolhemos. 
Zelosos, eles nos 
Ajudam e 
Dedicam-se por nós, para que nossa relação seja verdadeira e 
Eterna 
https://www.todamateria.com.br/acrostico/ 
Balada 
Uma das mais primitivas manifestações poéticas, são cantigas de amigo (elegias) com ritmo 
característico e refrão vocal que se destinam à dança. 
 
Canção (ou Cantiga, Trova) 
Poema oral com acompanhamento musical. 
 
Gazal (ou Gazel) 
Poesia amorosa dos persas e árabes; odes do oriente médio. 
 
Soneto 
É um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois quartetos e dois tercetos. 
 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 64 
Vilancete 
São as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de escárnio e de maldizer); satíricas, portanto. 
 
Gênero Épico ou Narrativo 
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o 
dramático. Com o passar dos anos, o gênero épico passou a ser considerado apenas uma variante do 
gênero literário narrativo, devido ao surgimento de concepções de prosa com características diferentes: 
o romance, a novela, o conto, a crônica, a fábula. 
 
Épico (ou Epopeia) 
Os textos épicos são geralmente longos e narram histórias de um povo ou de uma nação, envolvem 
aventuras, guerras, viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente apresentam um tom de exaltação, isto é, 
de valorização de seus heróis e seus feitos. Dois exemplos são Os Lusíadas, de Luís de Camões, 
e Odisseia, de Homero. 
 
Ensaio 
É um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões 
morais e filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. 
Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, 
filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental, etc.), sem que se paute em formalidades como 
documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter científico. Exemplo: Ensaio sobre a tolerância, 
de John Locke. 
 
Gênero Dramático 
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse tipo de texto, não há um narrador 
contando a história. Ela “acontece” no palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os papéis 
das personagens nas cenas. 
 
Tragédia 
É a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava 
que a tragédia era "uma representação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem 
figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror". Ex.: Romeu e Julieta, de Shakespeare. 
 
Farsa 
A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao emprego de processos como o absurdo, as 
incongruências, os equívocos, a caricatura, o humor primário, as situações ridículas e, em especial, o 
engano. 
 
Comédia 
É a representação de um fato inspirado navida e no sentimento comum, de riso fácil. Sua origem 
grega está ligada às festas populares. 
 
Tragicomédia 
Modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômicos. Originalmente, significava a mistura 
do real com o imaginário. 
 
Poesia de cordel 
Texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com forte apelo linguístico e cultural nordestinos, fatos 
diversos da sociedade e da realidade vivida por este povo. 
 
Questões 
 
01. (TRT 1ª Região - Técnico Judiciário - INST.AOCP/2018) 
 
A indústria do espírito 
JORDI SOLER 
 
O filósofo Daniel Dennett propõe uma fórmula para alcançar a felicidade: “Procure algo mais importante 
que você e dedique sua vida a isso”. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 65 
Essa fórmula vai na contracorrente do que propõe a indústria do espírito no século XXI, que nos diz 
que não há felicidade maior do que essa que sai de dentro de si mesmo, o que pode ser verdade no caso 
de um monge tibetano, mas não para quem é o objeto da indústria do espírito, o atribulado cidadão comum 
do Ocidente que costuma encontrar a felicidade do lado de fora, em outra pessoa, no seu entorno familiar 
e social, em seu trabalho, em um passatempo, etc. [...] 
A indústria do espírito, uma das operações mercantis mais bem-sucedidas de nosso tempo, cresceu 
exponencialmente nos últimos anos, é só ver a quantidade de instrutores e pupilos de mindfulness e de 
ioga que existem ao nosso redor. Mindfulness e ioga em sua versão pop para o Ocidente, não 
precisamente as antigas disciplinas praticadas pelos mestres orientais, mas um produto prático e de 
rápida aprendizagem que conserva sua estética, seu merchandising e suas toxinas culturais. [...] 
Frente ao argumento de que a humanidade, finalmente, tomou consciência de sua vida interior, por 
que demoramos tanto em alcançar esse degrau evolutivo ?, proporia que, mais exatamente, a burguesia 
ocidental é o objetivo de uma grande operação mercantil que tem mais a ver com a economia do que com 
o espírito, a saúde e a felicidade da espécie humana. [...] 
A indústria do espírito é um produto das sociedades industrializadas em que as pessoas já têm muito 
bem resolvidas as necessidades básicas, da moradia à comida até o Netflix e o Spotify. Uma vez instalada 
no angustiante vazio produzido pelas necessidades resolvidas, a pessoa se movimenta para participar de 
um grupo que lhe procure outra necessidade. 
Esse crescente coletivo de pessoas que cavam em si mesmas buscando a felicidade já conseguiu 
instalar um novo narcisismo, um egocentrismo new age, um egoísmo raivosamente autorreferencial que, 
pelo caminho, veio alterar o famoso equilíbrio latino de mens sana in corpore sano, desviando-o 
descaradamente para o corpo. [...] 
Esse inovador egocentrismo new age encaixa divinamente nessa compulsão contemporânea de 
cultivar o físico, não importa a idade, de se antepor o corpore à mens. Ao longo da história da humanidade 
o objetivo havia sido tornar-se mais inteligente à medida que se envelhecia; os idosos eram sábios, esse 
era seu valor, mas agora vemos sua claudicação: os idosos já não querem ser sábios, preferem estar 
robustos e musculosos, e deixam a sabedoria nas mãos do primeiro iluminado que se preste a dar cursos. 
[...] 
Parece que o requisito para se salvar no século XXI é inscrever-se em um curso, pagar a alguém que 
nos diga o que fazer com nós mesmos e os passos que se deve seguir para viver cada instante com plena 
consciência. Seria saudável não perder de vista que o objetivo principal dessas sessões pagas não é 
tanto salvar a si mesmo, mas manter estável a economia do espírito que, sem seus milhões de 
subscritores, regressaria ao nível que tinha no século XX, aquela época dourada do hedonismo suicida, 
em que o mindfulness era patrimônio dos monges, a ioga era praticada por quatro gatos pingados e o 
espírito era cultivado lendo livros em gratificante solidão. 
(Adaptado de: <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/26/opinion/1506452714_976157.html>. Acesso em 27 mar. 2018) 
 
Sobre tipologia e gêneros textuais, assinale a alternativa correta. 
(A) O texto “A indústria do espírito” apresenta, majoritariamente, a tipologia narrativa, a qual 
tipicamente emprega verbos no pretérito, como é possível notar neste excerto: “A indústria do espírito, 
uma das operações mercantis mais bem-sucedidas de nosso tempo, cresceu exponencialmente nos 
últimos anos [...]”. 
(B) Não há um número definido de tipologias textuais, uma vez que elas surgem e desaparecem 
conforme as necessidades sociodiscursivas de determinada comunidade. 
(C) O segundo parágrafo do texto “A indústria do espírito” é composto por períodos simples, típicos da 
tipologia injuntiva. 
(D) A maneira com que o texto “A indústria do espírito” se inicia, utilizando uma citação, é comum no 
gênero textual carta aberta. 
(E) O texto “A indústria do espírito” é um exemplar do gênero textual artigo de opinião. 
 
02. (IF/SC - Professor de Língua Portuguesa - 2017) De acordo com Bakhtin, os usos da língua são 
tão variados quanto as possibilidades de interação humana. Assim, enunciados específicos para 
determinadas situações sociais, constituídos historicamente, configuram aquilo que esse autor chama 
de______. 
Assinale a alternativa que preenche CORRETAMENTE a lacuna do texto acima. 
(A) Textos 
(B) Tipos textuais 
(C) Gêneros 
(D) Discursos 
(E) Contextos 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 66 
03. (Pref. Teresina/PI - Professor de Língua Portuguesa - NUCEPE/2016) Ainda sobre gênero, é 
correto afirmar que uma característica predominante nos gêneros textuais é a: 
(A) forma linguística. 
(B) clareza das ideias. 
(C) função sociocomunicativa. 
(D) assunto temático. 
(E) correção gramatical. 
 
04. (SEE/PE - Professor - FGV/2016) Os diversos gêneros textuais destacam uma qualificação 
predominante para cada enunciador; em um texto informativo, por exemplo, o enunciador tem como 
marca específica 
(A) o interesse de convencimento. 
(B) o domínio de um conhecimento. 
(C) a necessidade de expressão de uma emoção. 
(D) a condição de prever conhecimentos futuros. 
(E) o objetivo de ensinar procedimentos. 
 
05. (MPE/GO - Secretário Auxiliar - 2018) 
 
A Outra Noite 
 
Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. 
Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá 
em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de Lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a 
cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal. 
Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou um sinal fechado para voltar-se para 
mim: 
– O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima? 
Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e 
linda. 
– Mas, que coisa... 
Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando 
mais lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa. 
– Ora, sim senhor... 
E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão 
sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei. 
(Rubem Braga, Ai, Copacabana, disponível em http://biscoitocafeenovela.blogspot.com.br/2014/09/sessao-leitura-outra-noite-rubembraga.html. Acesso em 
14/01/2018) 
 
Quanto ao gênero, o texto sob análise apresenta características de: 
(A) Uma crônica. 
(B) Uma fábula. 
(C) Um artigo. 
(D) Um ensaio. 
(E) Nenhuma das alternativas. 
Gabarito 
 
01.E / 02.C / 03.C / 04.B / 05.A 
 
Comentários 
 
01. Resposta: E 
Artigo deopinião é um texto onde o autor apresenta uma opinião ou ponto de vista, neste texto, o autor 
começa propondo ou afirmando uma fórmula mágica para encontrar a felicidade. A frase inicial “Dennett 
propõe uma fórmula para alcançar a felicidade: Procure algo mais importante que você e dedique sua 
vida a isso”, deixa claro uma opinião ou afirmação onde as pessoas podem encontrar a felicidade. 
 
2. Resposta: C 
De acordo com Bakhtin, os usos da língua tão variados dá-se o nome de gêneros. 
 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 67 
3. Resposta: C 
Todos os gêneros textuais têm a característica sociocomunicativa, por mais que divergem quanto ao 
conteúdo e forma, todos têm a finalidade da comunicação. Ou seja, a função sociocomunicativa. 
 
04. Resposta: B 
A característica principal de um texto informativo é a informação clara e objetiva, e determinado 
domínio e conhecimento do assunto falado, uma vez que tem a necessidade de transmitir algo preciso, 
claro e correto. 
 
05. Resposta: A 
A crônica é um tipo de texto em que o autor desenvolve suas ideias baseando-se em fatos ocorridos 
no dia a dia, ou sobre qualquer outro assunto considerado comum em nosso meio, ligados à política, ao 
mundo artístico, esporte e à sociedade de uma forma geral. 
 
Aviso e Ofício (Comunicação Externa) 
 
São modalidades de comunicação oficial praticamente idênticas. A única diferença entre eles é que o 
aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao 
passo que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades. Ambos têm como finalidade o tratamento 
de assuntos oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e, no caso do ofício, também com 
particulares. 
Quanto a sua forma, Aviso e Ofício seguem o modelo do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, 
que invoca o destinatário, seguido de vírgula. Ex. 
Excelentíssimo Senhor Presidente da República, 
Senhora Ministra, 
Senhor Chefe de Gabinete, 
 
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as seguintes informações do remetente: 
- nome do órgão ou setor; 
- endereço postal; 
- telefone e endereço de correio eletrônico. 
 
Carta 
 
É a forma de correspondência emitida por particular, ou autoridade com objetivo particular, não se 
confundindo com o memorando (correspondência interna) ou o ofício (correspondência externa), nos 
quais a autoridade que assina expressa uma opinião ou dá uma informação não sua, mas, sim, do órgão 
pelo qual responde. Em grande parte dos casos da correspondência enviada por deputados, deve-se usar 
a carta, não o memorando ou ofício, por estar o parlamentar emitindo parecer, opinião ou informação de 
sua responsabilidade, e não especificamente da Câmara dos Deputados. O parlamentar deverá assinar 
memorando ou ofício apenas como titular de função oficial específica (presidente de comissão ou membro 
da Mesa, por exemplo). Estrutura: 
- Local e data. 
- Endereçamento, com forma de tratamento, destinatário, cargo e endereço. 
- Vocativo. 
- Texto. 
- Fecho. 
- Assinatura: nome e, quando necessário, função ou cargo. 
 
Se o gabinete usar cartas com frequência, poderá numerá-las. Nesse caso, a numeração poderá 
apoiar-se no padrão básico de diagramação. 
O fecho da carta segue, em geral, o padrão da correspondência oficial, mas outros fechos podem ser 
usados, a exemplo de “Cordialmente”, quando se deseja indicar relação de proximidade ou igualdade de 
posição entre os correspondentes. 
 
 
 
 
 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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TEXTO CIENTÍFICO 
 
De acordo com Duarte9, segundo a ABNT, o artigo científico pode ser definido como a “publicação com 
autoria declarada, que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas 
áreas do conhecimento”. 
Mediante tal definição, um questionamento que se mostra relevante faz referência à diferença 
demarcada entre um artigo e uma monografia. Em consonância a esta pergunta, respostas poderão 
surgir, tais como a de que o artigo possui uma forma mais simplificada que a monografia. 
O artigo científico, como o próprio nome já nos revela, caracteriza-se por um texto científico cuja 
função é relatar os resultados, sendo esses calcados de originalidade, provenientes de uma dada 
pesquisa. Dessa maneira, ele, materializado sob a forma de um relato acerca dos resultados originais de 
um estudo realizado, torna-se publicamente conhecido por meio de revistas científicas, as quais possuem 
uma seção destinada a esse fim. Assim assevera Santos10, “são geralmente utilizados como publicações 
em revistas especializadas, a fim de divulgar conhecimentos, de comunicar resultados ou novidades a 
respeito de um assunto, ou ainda de contestar, refutar ou apresentar outras soluções de uma situação 
convertida”. 
Como antes citado, há a hipótese de que a concisão seja a característica que demarca a diferença 
entre a monografia e o artigo. Assim, precisamos compreender acerca de alguns pressupostos, a fim de 
que possamos confirmar ou não se tal hipótese é verdadeira. 
O primeiro passo é compreendermos que enquanto na monografia existe a possibilidade de se 
esmiuçar um determinado assunto, estendendo-o em vários capítulos, no artigo científico tal aspecto não 
prevalece. 
Como se trata de um texto que prima pela concisão dos dados apresentados, ele precisa passar por 
um critério rigoroso de correção, no sentido de verificar a estruturação dos parágrafos e frases, garantir 
a clareza e objetividade retratadas pela linguagem, entre outros. Não deixando de mencionar que num 
artigo, o revisor precisa estar livre para se posicionar frente ao objeto de análise, levando em consideração 
alguns aspectos voltados para a análise dos argumentos apresentados, checagem do valor científico 
atribuído ao texto em questão, verificação da possibilidade de se tornar público (estar disponível a outras 
pessoas), confirmação da possibilidade de abertura a possíveis reavaliações em função de novas 
descobertas e, consequentemente, apresentação de melhores resultados, etc. 
Quanto ao conteúdo abordado no artigo, ele pode apresentar distintos aspectos, como também pode 
cumprir outras tarefas, conforme nos revelavam Marconi e Lakatos11: 
a) versar sobre um estudo pessoal, uma descoberta, ou dar um enfoque contrário ao já conhecido; 
b) oferecer soluções a questões controvertidas; 
c) levar ao conhecimento do público intelectual ou especializado no assunto novas ideias, para 
sondagem de opiniões ou atualização de informes. 
d) abordar aspectos secundários, levantados em alguma pesquisa, mas que não seriam utilizados na 
mesma. 
 
Mediante tais postulados, pode parecer um tanto quanto complicado ao autor elaborar seu artigo, mas 
o que na verdade ocorre é que, frente a tal incumbência, ele descobrirá pontos relevantes que o permitirão 
desenvolver habilidades, tais como: 
- a de sintetizar suas ideias frente ao contexto científico, 
- a de selecionar de forma concisa e ao mesmo tempo precisa as fontes bibliográficas que lhe servirão 
de apoio, 
- bem como a de avaliar melhor os dados coletados e 
- apresentar os resultados obtidos, entre outros aspectos. 
 
Com base em tais postulados, obtém-se a conclusão de que atualmente é crescente o número de 
instituições que requisitam a produção do artigo em vez da monografia. Lembrando que essa produção 
pode ser realizada de forma provisória, por meio de um projeto de pesquisa, o qual delimitará 
anteriormente as bases que fundamentarão o trabalho a ser realizado. 
 
 
 
 
9 DUARTE, Vânia Maria do Nascimento. https://monografias.brasilescola.uol.com.br/regras-abnt/artigo-cientifico.htm 
10 SANTOS, I.E. dos. Manual de Métodos e técnicas de pesquisa científica.Experiências e Diálogos A Serviço da Educação, Rio de Janeiro, 2001. 
11 LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 69 
O texto científico e as normas da ABNT12 
 
O artigo científico tem por finalidade apresentar publicamente os resultados originais de uma dada 
pesquisa. 
Segundo a ABNT, o artigo científico pode ser definido como a “publicação com autoria declarada, que 
apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do 
conhecimento”. 
Mediante tal definição, um questionamento que se mostra relevante faz referência à diferença 
demarcada entre um artigo e uma monografia. Em consonância a esta pergunta, respostas poderão 
surgir, tais como a de que o artigo possui uma forma mais simplificada que a monografia. Sendo assim, 
veremos algumas elucidações, a fim de que possíveis dúvidas possam ser esclarecidas acerca do tema 
em questão. 
O artigo científico, como o próprio nome já nos revela, caracteriza-se por um texto científico cuja função 
é relatar os resultados, sendo esses calcados de originalidade, provenientes de uma dada pesquisa. 
Dessa maneira, ele, materializado sob a forma de um relato acerca dos resultados originais de um estudo 
realizado, torna-se publicamente conhecido por meio de revistas científicas, as quais possuem uma seção 
destinada a esse fim. 
Como antes citado, há a hipótese de que a concisão seja a característica que demarca a diferença 
entre a monografia e o artigo. Assim, precisamos compreender acerca de alguns pressupostos, a fim de 
que possamos confirmar ou não se tal hipótese é verdadeira. 
O primeiro passo é compreendermos que enquanto na monografia existe a possibilidade de se 
esmiuçar um determinado assunto, estendendo-o em vários capítulos, no artigo científico tal aspecto não 
prevalece. 
Como se trata de um texto que prima pela concisão dos dados apresentados, ele precisa passar por 
um critério rigoroso de correção, no sentido de verificar a estruturação dos parágrafos e frases, garantir 
a clareza e objetividade retratadas pela linguagem, entre outros. Não deixando de mencionar que num 
artigo, o revisor precisa estar livre para se posicionar frente ao objeto de análise, levando em consideração 
alguns aspectos voltados para a análise dos argumentos apresentados, checagem do valor científico 
atribuído ao texto em questão, verificação da possibilidade de se tornar público (estar disponível a outras 
pessoas), confirmação da possibilidade de abertura a possíveis reavaliações em função de novas 
descobertas e, consequentemente, apresentação de melhores resultados, etc. 
Quanto ao conteúdo abordado no artigo, ele pode apresentar distintos aspectos, como também pode 
cumprir outras tarefas como: 
a) versar sobre um estudo pessoal, uma descoberta, ou dar um enfoque contrário ao já conhecido; 
b) oferecer soluções a questões controvertidas; 
c) levar ao conhecimento do público intelectual ou especializado no assunto novas ideias, para 
sondagem de opiniões ou atualização de informes. 
d) abordar aspectos secundários, levantados em alguma pesquisa, mas que não seriam utilizados na 
mesma. 
 
Mediante tais postulados, pode parecer um tanto quanto complicado ao autor elaborar seu artigo, mas 
o que na verdade ocorre é que, frente a tal incumbência, ele descobrirá pontos relevantes que o permitirão 
desenvolver habilidades, tais como: a de sintetizar suas ideias frente ao contexto científico, a de 
selecionar de forma concisa e ao mesmo tempo precisa as fontes bibliográficas que lhe servirão de apoio, 
bem como a de avaliar melhor os dados coletados e apresentar os resultados obtidos, entre outros 
aspectos. 
Com base em tais postulados, obtém-se a conclusão de que atualmente é crescente o número de 
instituições que requisitam a produção do artigo em vez da monografia. Lembrando que essa produção 
pode ser realizada de forma provisória, por meio de um projeto de pesquisa, o qual delimitará 
anteriormente as bases que fundamentarão o trabalho a ser realizado. 
 
Questões 
 
01. (TJ/BA – Analista Judiciário – FGV) 
 
O fumo não produz câncer 
 
 
12 https://monografias.brasilescola.uol.com.br/regras-abnt/artigo-cientifico.htm 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 70 
Os cientistas soviéticos afirmam que chegaram à conclusão de que não há nenhuma relação entre o 
tabagismo e o câncer. Informam que depois de minuciosas experiências com aplicação de tabaco nos 
lábios e na pele de ratos, não conseguiram produzir o câncer. 'É possível, contudo, esclarecem, que o 
nosso tabaco georgiano não contenha cancerígenos'. 
Os norte-americanos, entretanto, na pessoa do Dr. Cuyler Hammond, diretor de Pesquisas Estatísticas 
da Sociedade Americana de Câncer e professor de biometria da Universidade de Yale, declaram que o 
cigarro é responsável por numerosos casos de câncer, nos Estados Unidos. [...] 'O Estudo não deixou 
dúvida alguma - prossegue - que o tipo de câncer que mais aumenta nos Estados Unidos, o câncer de 
pulmão masculino, é mais comum entre os fumantes do que entre os não fumantes'[...] 
 (IV Congresso Internacional do Câncer) 
 
As características do discurso científico desses dois trechos do texto só NÃO incluem: 
(A) informações sobre as conclusões das pesquisas; 
(B) qualificação de alguns cientistas responsáveis pelos estudos; 
(C) detalhamento de alguns processos da pesquisa; 
(D) afirmações no nível de certezas e não de opiniões; 
(E) quantificação de dados das pesquisas. 
 
02. (UFRBP – Contador – FUNRIO) 
 
Magistra publica novos números 
 
 A revista Magistra do Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB) da Universidade 
Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) publicou no último mês os Números 3 e 4 do Volume 26 do 
periódico. A edição de Número 3 apresenta artigos e comunicações científicas nas áreas de Ciências do 
Solo; Ciência e Tecnologia de Alimentos; Engenharia Agrícola; Fitotecnia; Fitossanidade; e Engenharia e 
Recursos Florestais. Já o Número 4 contém artigos nas áreas de Biologia Celular e Molecular; 
Desenvolvimento Rural; Fitotecnia; Melhoramento dos Recursos Genéticos Vegetais; e Zootecnia. 
Com tiragem trimestral, a Magistra divulga artigos e comunicações científicas. Filiada à Associação 
Brasileira de Editores Científicos, pode ainda ter conteúdos publicados na sessão Fórum, a convite do 
Conselho Editorial. A publicação conta com um editor-geral da UFRB, além de editores adjuntos e 
associados, muitas vezes de outras instituições, como a Embrapa, por exemplo. 
Submissões - A Magistra está recebendo novas submissões por meio do sistema SEER (Open Journal 
Systems), e os interessados podem submeter seus manuscritos na página eletrônica da revista. Todo o 
conteúdo encontra-se em formato PDF e está disponível para download. 
http://www.ufrb.edu.br/agencia/pesquisa-academica/.3853-revista.. 
magistra-publica-novos-numeros. 
 
Uma pessoa que não conhece bem qual o perfil das revistas acadêmicas universitárias poderá, ao ler 
o trecho “divulga artigos e comunicações científicas”, imaginar que a revista Magistra publica artigos: 
 
(A) científicos, exclusivamente. 
(B) científicos e não científicos. 
(C) especializados, exclusivamente. 
(D) apenas da área em questão. 
(E) apenas fora da área em questão. 
 
Gabarito 
 
01.E / 02.B 
 
Comentários 
 
01. Resposta: E 
As características do discurso científico desses dois trechos do texto 6 só NÃO incluem: 
a) informações sobre as conclusões das pesquisas; ERRADA, porque há no texto: ''chegaram à 
conclusão de que não há nenhuma relação entre o tabagismo e o câncer.'' 
b) qualificação de algunscientistas responsáveis pelos estudos, também há.''Dr. Cuyler Hammond, 
diretor de Pesquisas Estatísticas da Sociedade Americana de Câncer e professor de biometria da 
Universidade de Yale.'' 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 71 
c) detalhamento de alguns processos da pesquisa; ''depois de minuciosas experiências com aplicação 
de tabaco nos lábios e na pele de ratos, não conseguiram produzir o câncer.'' Fez parte do processo da 
pesquisa. 
d) afirmações no nível de certezas e não de opiniões;''O Estudo não deixou dúvida alguma...'' 
e) quantificação de dados das pesquisas. Correta. Apesar do ''é mais comum entre os fumantes do 
que entre os não fumantes'[...]'' não há QUANTIFICAÇÃO nenhuma, não mencionaram números. 
 
02. Resposta: B 
Científicas concorda com artigos e comunicações ou apenas comunicações, então pode ser: 
Artigos (qualquer um) e comunicações científicas ou Artigos (científicos) e comunicações científicas. 
 
 
 
ESTRUTURAÇÃO DOS TEXTOS E PARÁGRAFOS 
 
“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase leva-nos a refletir sobre a organização13 das 
ideias em um texto. 
A eficácia do texto dependerá da forma pela qual estas ideias se apresentarão mediante o transcorrer 
do discurso. Partindo deste pressuposto, temos a noção de quão importante é a estruturação dos 
parágrafos, que permitem que o pensamento seja distribuído de forma lógica e precisa, com vistas a 
permitir uma efetiva interação entre os interlocutores. 
Obviamente que outros fatores relacionados à competência linguística do emissor participam deste 
processo, entre estes: pontuação adequada, utilização correta dos elementos coesivos, de modo a 
estabelecer uma relação harmônica entre uma ideia e outra, dentre outros. 
 
Estruturação 
 
Os elementos essenciais para a composição de um texto são: introdução, desenvolvimento e 
conclusão14. 
Analisemos cada uma das partes separadamente: 
 
Introdução 
Apresentação direta e objetiva da ideia central do texto. 
Caracteriza-se por ser o parágrafo inicial. 
 
Desenvolvimento 
Estruturalmente, é a maior parte contida no texto. 
O desenvolvimento estabelece uma relação entre a introdução e a conclusão, pois é nesta etapa que 
as ideias, argumentos e posicionamento do autor vão sendo formados e desenvolvidos com o intuito de 
dirigir a atenção do leitor para a conclusão. 
Em um bom desenvolvimento as ideias devem ser claras e capazes de fazer com que o leitor anteceda 
a conclusão. 
 
Os três principais erros cometidos durante a elaboração da estrutura do texto são: 
1. Distanciamento do texto em relação à discussão inicial. 
2. Concentrar-se em apenas um tópico do tema e esquecer os demais. 
3. Tecer muitas ideias ou informações e não conseguir organizá-las ou relacioná-las, dificultando, 
assim, a linha de entendimento do leitor. 
 
Conclusão 
É o ponto de chegada de todas as argumentações elencadas no desenvolvimento, ou seja, é o 
fechamento do texto e dos questionamentos propostos pelo autor. 
Na elaboração da conclusão deve-se evitar as construções padrões como: “Portanto, como já 
dissemos antes...”, “Concluindo...”, “Em conclusão, ...”. 
 
13 http://ricardovigna.wordpress.com/2009/02/02/estudos-de-linguagem-1-estrutura-frasal-e-pontuacao/ 
14 https://www.algosobre.com.br/redacao/a-unidade-basica-do-texto-estrutura-do-paragrafo.html 
Estrutura Textual: Progressão temática, parágrafo, frase, oração, período, 
enunciado, pontuação, coesão e coerência 
 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 72 
Sequência Lógica 
 
O texto deve ter uma sequência lógica, que são exatamente as ideias bem estruturadas que vão levar 
ao leitor compreender o sentido do texto; ou seja, o que se pretende transmitir. Por isso, não pode haver 
ideias ambíguas (duplo sentido) e nem contraditórias (expressando oposição) do que já fora declarado 
no texto; também não pode conter frases inacabadas, incompletas ou sem sentido. 
Após a definição da ideia, o parágrafo é o ponto de partida para uma boa redação. Não se faz um bom 
texto sem um bom parágrafo para sustentar as ideias principais e secundárias. Chegou a hora de 
fundamentar sua ideia. 
 
Parágrafo 
 
Parágrafo é cada unidade de informação construída ou formada no texto, a partir de um tópico frasal 
(ideia central ou principal do parágrafo – é a “puxada do assunto”). O parágrafo é um dos mais importantes 
componentes do texto. Ele sempre deverá ser desenvolvido a partir de uma ideia-núcleo, responsável por 
nortear as ideias secundárias. 
 
Parágrafo-padrão: é uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período, em que 
se desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente 
relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela. 
 
Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para leitores de pouca formação 
cultural. A notícia possui parágrafos curtos em colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter 
parágrafos mais longos. O parágrafo curto também é empregado para movimentar o texto, no meio de 
longos parágrafos, ou para enfatizar uma ideia. 
 
Parágrafos médios: comuns em revistas e livros didáticos destinados a um leitor de nível médio. Cada 
parágrafo médio construído com três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras. 
 
Parágrafos longos: em geral, as obras científicas e acadêmicas possuem longos parágrafos, por três 
razões: os textos são grandes e consomem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem 
várias ideias e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade e fôlego para 
acompanhá-los. 
 
Esteticamente, o parágrafo se caracteriza como um sutil recuo em relação à margem esquerda da 
folha; conceitualmente, o parágrafo completo deve dispor de introdução, desenvolvimento e conclusão. 
Introdução – também denominada de tópico frasal, constitui-se pela apresentação da ideia principal, 
feita de maneira sintética de acordo com os objetivos do autor... 
Desenvolvimento – fundamenta-se na ampliação do tópico frasal, atribuído pelas ideias secundárias, 
com vistas a reforçar e conferir credibilidade na discussão. 
Conclusão – caracteriza-se pela retomada da ideia central associando-a aos pressupostos 
mencionados no desenvolvimento, procurando arrematá-los. 
 
Vejamos um exemplo de um parágrafo bem estruturado (com introdução, desenvolvimento e 
conclusão): 
 
(Ideia-núcleo) A poluição que se verifica principalmente nas capitais do país é um problema relevante, 
para cuja solução é necessária uma ação conjunta de toda a sociedade. 
(Ideia secundária) O governo, por exemplo, deve rever sua legislação de proteção ao meio ambiente, 
ou fazer valer as leis em vigor; o empresário pode dar sua contribuição, instalando filtro de controle dos 
gases e líquidos expelidos, e a população, utilizando menos o transporte individual e aderindo aos 
programas de rodízio de automóveis e caminhões, como já ocorre em São Paulo. 
(Conclusão) Medidas que venham a excluir qualquer um desses três setores da sociedade tendem a 
ser inócuas no combate à poluição e apenas onerar as contas públicas. 
 
Quanto aos textos narrativos, os parágrafos costumam ser caracterizados pelo predomínio dos verbos 
de ação, retratando o posicionamento dos personagens mediante o desenrolar do enredo, bem como 
pela indicação de elementos circunstanciais referentes à trama: quando, por que e com que ocorreram 
os fatos. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 73 
Nesta modalidade, a ocorrência dos parágrafos também se atribui à transcrição do discurso direto, em 
especial às falas dos personagens. 
 
Referindo-se aos textos descritivos,sua utilização está relacionada pela minuciosa exposição dos 
detalhes acerca do objeto descrito, representado por uma pessoa, objeto, animal, lugar, uma obra de arte, 
dentre outros, de modo a permitir que o leitor crie o cenário em sua mente. 
Colaborando na concretização destes propósitos, sobretudo pela finalidade discursiva – visando à 
caracterização de algo –, há o predomínio de verbos de ligação, bem como do uso de adjetivos e de 
orações coordenadas ou justapostas. 
 
Questões 
 
01. (Câmara de Salvador/BA - Analista Legislativo Municipal – FGV/2018) 
 
Quem protege os cidadãos do Estado? 
Renato Mocellin & Rosiane de Camargo, História em Debate 
 
O conjunto de leis nacionais, assim como de tratados e declarações internacionais ratificadas pelos 
países, busca garantir aos cidadãos o acesso pleno aos direitos conquistados. Há, no entanto, inúmeras 
situações em que o Estado coloca a população em risco, estabelecendo políticas públicas autoritárias, 
investindo poucos recursos nos serviços públicos essenciais e envolvendo civis em conflitos armados, 
por exemplo. 
Existem diversas organizações internacionais que atuam de forma a evitar que haja risco para a vida 
das pessoas nesses casos, como a Anistia Internacional, a Cruz Vermelha e os Médicos sem Fronteiras. 
Por meio de acordos internacionais, essas instituições conseguem atuar em regiões de conflito onde há 
perigo para a população. 
Os Médicos sem Fronteiras, por exemplo, nasceram de uma experiência de voluntariado em uma 
guerra civil nigeriana, no fim dos anos 1960. Um grupo de médicos e jornalistas decidiu criar uma 
organização que pudesse oferecer atendimento médico a toda população envolvida em conflitos e 
guerras, sem que essa ação fosse entendida como uma posição política favorável ou contrária aos lados 
envolvidos. Assim, seus membros conseguem chegar a regiões remotas e/ou sob forte bombardeio para 
atender os que estão feridos e sob risco de vida. 
Para que a imparcialidade dos Médicos sem Fronteiras seja possível, é preciso que as partes 
envolvidas no conflito respeitem os direitos dos pacientes atendidos. Assim, a organização informa a 
localização de suas bases e o tipo de atendimento que deve ocorrer ali; o objetivo é proporcionar uma 
atuação transparente, que sublinhe o caráter humanitário da ação dos profissionais da organização. 
 
Sobre a estruturação geral do texto, é correto afirmar que: 
 
(A) o final do primeiro parágrafo cita todos os casos em que o Estado interfere com a segurança e 
tranquilidade da população; 
(B) o segundo período do primeiro parágrafo se opõe à ideia central do primeiro período do mesmo 
parágrafo; 
(C) o terceiro e o quarto parágrafos contemplam particularmente as organizações citadas no segundo 
parágrafo; 
(D) o último parágrafo indica um projeto futuro da organização Médicos sem Fronteiras; 
(E) entre o primeiro e o segundo parágrafos há uma relação lógica de causa/consequência. 
 
02. (TRT - 1ª Região - Técnico Judiciário Instituto AOCP/2018) 
 
“Eu era piloto… 
 
Quando ainda estava no sétimo ano, um avião chegou à nossa cidade. Isso naqueles anos, imagine, 
em 1936. Na época, era uma coisa rara. E então veio um chamado: ‘Meninas e meninos, entrem no 
avião!’. Eu, como era komsomolka*, estava nas primeiras filas, claro. Na mesma hora me inscrevi no 
aeroclube. Só que meu pai era categoricamente contra. Até então, todos em nossa família eram 
metalúrgicos, várias gerações de metalúrgicos e operadores de altos-fornos. E meu pai achava que 
metalurgia era um trabalho de mulher, mas piloto não. O chefe do aeroclube ficou sabendo disso e me 
autorizou a dar uma volta de avião com meu pai. Fiz isso. Eu e meu pai decolamos, e, desde aquele dia, 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 74 
ele parou de falar nisso. Gostou. Terminei o aeroclube com as melhores notas, saltava bem de 
paraquedas. Antes da guerra, ainda tive tempo de me casar e ter uma filha. 
Desde os primeiros dias da guerra, começaram a reestruturar nosso aeroclube: os homens foram 
enviados para combater; no lugar deles, ficamos nós, as mulheres. Ensinávamos os alunos. Havia muito 
trabalho, da manhã à noite. Meu marido foi um dos primeiros a ir para o front. Só me restou uma fotografia: 
eu e ele de pé ao lado de um avião, com capacete de aviador… Agora vivia junto com minha filha, 
passamos quase o tempo todo em acampamentos. E como vivíamos? Eu a trancava, deixava mingau 
para ela, e, às quatro da manhã, já estávamos voando. Voltava de tarde, e se ela comia eu não sei, mas 
estava sempre coberta daquele mingau. Já nem chorava, só olhava para mim. Os olhos dela são grandes 
como os do meu marido… 
No fim de 1941, me mandaram uma notificação de óbito: meu marido tinha morrido perto de Moscou. 
Era comandante de voo. Eu amava minha filha, mas a mandei para ficar com os parentes dele. E comecei 
a pedir para ir para o front… 
Na última noite… Passei a noite inteira de joelhos ao lado do berço…” 
Antonina Grigórievna Bondareva, tenente da guarda, piloto 
 
* komsomolka: a jovem que fazia parte do Komsomol, Juventude do Partido Comunista da União 
Soviética. 
(Disponível em: ALEKSIÉVITCH, Svetlana. A guerra não tem rosto de mulher. Tradução de Cecília Rosas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.) 
 
Referente à estruturação do texto II, é correto afirmar que 
(A) o segundo parágrafo está centrado no relato do casamento da narradora e no fato de que ela teve 
uma filha antes da guerra. 
(B) o tipo de narrador presente no texto é o narrador-onisciente, que tem acesso aos pensamentos e 
sentimentos de todas as personagens e a todas as informações do enredo. 
(C) é possível dividir a narrativa em três grandes momentos: como a narradora se tornou piloto; o 
trabalho da narradora durante a guerra; o fim da guerra, em 1941. 
(D) o questionamento “E como vivíamos?”, levantado pela narradora, é uma pergunta retórica, recurso 
argumentativo que consiste em apresentar uma pergunta e não respondê-la, estimulando, assim, que os 
leitores reflitam sobre possíveis respostas. 
(E) todos os parágrafos, com exceção do primeiro, iniciam-se com expressões que têm como função 
localizar temporalmente os eventos narrados. 
 
Gabarito 
 
01.B / 02.E 
 
Comentários 
 
01. Resposta: B 
a) É aquela alternativa que não tem lógica se você ler o texto, até porque ao final do primeiro parágrafo 
diz que o Estado põe em risco a população, e não que interfere com segurança e tranquilidade. 
b) Gabarito, realmente o segundo período se opõe ao primeiro, sendo que o primeiro diz que o Estado 
busca garantir aos cidadãos acesso pleno aos direitos, e logo após no segundo período diz que o próprio 
Estado põe em risco a população com políticas públicas autoritárias, pouco investimento etc. 
c) o 2º parágrafo cita 3 organizações (anistia internacional / cruz vermelha / médicos sem fronteiras), 
nos 3º e 4º parágrafos fala somente do médico sem fronteiras; 
d) não é um projeto futuro, é a realidade que acontece, é algo presente. 
e) Não há relação de causa e consequência. 
 
02. Resposta: E 
O narrador-onisciente conta a história em 3ª pessoa e, às vezes, permite certas intromissões narrando 
em 1ª pessoa. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo, sabe o que passa no íntimo 
das personagens, conhece suas emoções e pensamentos. 
 
ANÁLISE SINTÁTICA 
 
A análise sintática examina a estrutura do período, divide e classifica as orações que o constituem e 
reconhece a função sintática dos termos de cada oração. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 75 
Daremos uma ideia do que seja frase, oração, período, termo, função sintática e núcleo de um termo 
da oração. 
As palavras, tanto na expressão escrita como na oral, são reunidas e ordenadas em frases.Pela frase 
é que se alcança o objetivo do discurso, ou seja, da atividade linguística: a comunicação com o ouvinte 
ou o leitor. 
Frase, Oração e Período são fatores constituintes de qualquer texto escrito em prosa, pois o mesmo 
compõe-se de uma sequência lógica de ideias, todas organizadas e dispostas em parágrafos 
minuciosamente construídos. 
 
Frase 
 
É todo enunciado capaz de transmitir, a quem nos ouve ou lê, tudo o que pensamos, queremos ou 
sentimos. Pode revestir as mais variadas formas, desde a simples palavra até o período mais complexo, 
elaborado segundo os padrões sintáticos do idioma. São exemplos de frases: 
 
Socorro! 
Muito obrigado! 
Cada um por si e Deus por todos. 
 “As luzes da cidade estavam amortecidas.” (Érico Veríssimo) 
 
Muitas frases, principalmente as que se desviam do esquema sujeito + predicado, só podem ser 
entendidas dentro do contexto (= o escrito em que figuram) e na situação (= o ambiente, as circunstâncias) 
em que o falante se encontra. 
 
Chamam-se frases nominais as que se apresentam sem o verbo. Exemplo: Tudo parado e morto. 
 
Quanto ao sentido, as frases podem ser: 
 
Declarativas: aquela através da qual se enuncia algo, de forma afirmativa ou negativa. Encerram a 
declaração ou enunciação de um juízo acerca de alguém ou de alguma coisa: 
Paulo parece inteligente. (afirmativa) 
Neli não quis montar o cavalo velho, de pelo ruço. (negativa) 
 
Interrogativas: aquela da qual se pergunta algo, direta (com ponto de interrogação) ou indiretamente 
(sem ponto de interrogação). 
 “Por que faço eu sempre o que não queria.” (Fernando Pessoa) 
“Não sabe, ao menos, o nome do pequeno?” (Machado de Assis) 
 
Imperativas: aquela através da qual expressamos uma ordem, pedido ou súplica, de forma afirmativa 
ou negativa. Contêm uma ordem, proibição, exortação ou pedido: 
“Cale-se! Respeite este templo.” (afirmativa) 
Não cometa imprudências. (negativa) 
 
Exclamativas: aquela através da qual externamos uma admiração. Traduzem admiração, surpresa, 
arrependimento, etc.: 
Como eles são audaciosos! 
 “Uma senhora instruída meter-se nestas bibocas!” (Graciliano Ramos) 
 
Optativas: É aquela através da qual se exprime um desejo: 
Bons ventos o levem! 
 “E queira Deus que te não enganes, menino!” (Carlos de Laet) 
 
Imprecativas: Encerram uma imprecação (praga, maldição): 
“Esta luz me falte, se eu minto, senhor!” (Camilo Castelo Branco) 
 “Maldito seja quem arme ciladas no seu caminho!” (Domingos Carvalho da Silva) 
 
A mesma frase pode assumir sentidos diferentes, conforme o tom com que a proferimos. Observe: 
Olavo esteve aqui. 
Olavo esteve aqui? 
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. 76 
Olavo esteve aqui?! 
Olavo esteve aqui! 
 
Questões 
 
01. Marque apenas as frases nominais: 
(A) Que voz estranha! 
(B) A lanterna produzia boa claridade. 
(C) As risadas não eram normais. 
(D) Luisinho, não! 
 
02. Classifique as frases em declarativa, interrogativa, exclamativa, optativa ou imperativa. 
(A) Você está bem? 
(B) Não olhe; não olhe, Luisinho! 
(C) Que alívio! 
(D) Tomara que Luisinho não fique impressionado! 
(E) Você se machucou? 
(F) A luz jorrou na caverna. 
(G) Agora suma, seu monstro! 
(H) O túnel ficava cada vez mais escuro. 
 
03. Transforme a frase declarativa em imperativa. Siga o modelo: 
Luisinho ficou pra trás. (declarativa) 
Lusinho, fique para trás. (imperativa) 
 
(A) Eugênio e Marcelo caminhavam juntos. 
(B) Luisinho procurou os fósforos no bolso. 
(C) Os meninos olharam à sua volta. 
 
04. Sabemos que frases verbais são aquelas que têm verbos. Assinale, pois, as frases verbais: 
(A) Deus te guarde! 
(B) As risadas não eram normais. 
(C) Que ideia absurda! 
(D) O fósforo quebrou – se em três pedacinhos. 
(E) Tão preta como o túnel! 
(F) Quem bom! 
(G) As ovelhas são mansas e pacientes. 
(H) Que espírito irônico e livre! 
 
05. Escreva para cada frase o tipo a que pertence: declarativa, interrogativa, imperativa e exclamativa: 
(A) Que flores tão aromáticas! 
(B) Por que é que não vais ao teatro mais vezes? 
(C) Devemos manter a nossa escola limpa. 
(D) Respeitem os limites de velocidade. 
(E) Já alguma vez foste ao Museu da Ciência? 
(F) Atravessem a rua com cuidado. 
(G) Como é bom sentir a alegria de um dever cumprido! 
(H) Antes de tomar banho no mar, deve-se olhar para a cor da bandeira. 
(I) Não te quero ver mais aqui! 
(J) Hoje saímos mais cedo. 
Comentários 
 
01. Resposta: “A” e “D” 
 
02. Resposta: a) interrogativa; b) imperativa; c) exclamativa; d) optativa; e) interrogativa; f) declarativa; 
g) imperativa; h) declarativa. 
 
03. Resposta: a) Eugênio e Marcelo, caminhem juntos!; b) Luisinho, procure os fósforos no bolso!; c) 
Meninos, olhem à sua volta! 
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. 77 
04. Resposta: a = guarde / b = eram / d = quebrou / g = são 
 
05. Resposta: a) exclamativa; b) interrogativa; c) declarativa; d) imperativa; e) interrogativa; f) 
imperativa; g) exclamativa; h) declarativa; i) imperativa; j) declarativa. 
 
Oração 
 
É todo enunciado linguístico dotado de sentido, porém há, necessariamente, a presença do verbo. A 
oração encerra uma frase (ou segmento de frase), várias frases ou um período, completando um 
pensamento e concluindo o enunciado através de ponto final, interrogação, exclamação e, em alguns 
casos, através de reticências. 
Em toda oração há um verbo ou locução verbal (às vezes elípticos/ocultos). Nela as palavras estão 
relacionadas entre si, como partes de um conjunto harmônico: elas formam os termos ou as unidades 
sintáticas da oração. 
Núcleo de um termo é a palavra principal (geralmente um substantivo, pronome ou verbo), que encerra 
a essência de sua significação. Nos exemplos seguintes, as palavras amigo e revestiu são o núcleo do 
sujeito e do predicado, respectivamente: 
“O amigo retardatário do presidente prepara-se para desembarcar.” (Aníbal Machado) 
A avezinha revestiu o interior do ninho com macias plumas. 
 
Os termos da oração da língua portuguesa são classificados em três grandes níveis: 
- Termos Essenciais da Oração: Sujeito e Predicado. 
- Termos Integrantes da Oração: Complemento Nominal e Complementos Verbais (Objeto Direto, 
Objeto Indireto e Agente da Passiva). 
- Termos Acessórios da Oração: Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial, Aposto e Vocativo. 
 
Termos Essenciais da Oração 
São dois os termos essenciais (ou fundamentais) da oração: sujeito e predicado. Exemplos: 
 
Sujeito Predicado 
Pobreza não é vileza. 
Os sertanistas capturavam os índios. 
Um vento áspero sacudia as árvores. 
 
Sujeito: é equivocado dizer que o sujeito é aquele que pratica uma ação ou é aquele (ou aquilo) do 
qual se diz alguma coisa. Ao fazer tal afirmação estamos considerando o aspecto semântico do sujeito 
(agente de uma ação) ou o seu aspecto estilístico (o tópico da sentença). 
 
É aquele que estabelece concordância com o núcleo do predicado. Quando se trata de predicado 
verbal, o núcleo é sempre um verbo; sendo um predicado nominal, o núcleo é sempre um nome. Então 
têm por características básicas: 
- estabelecer concordância com o núcleo do predicado; 
- apresentar-se como elemento determinante em relação ao predicado; 
- constituir-se de um substantivo, ou pronome substantivo ou, ainda, qualquer palavra substantivada. 
 
Exemplos: 
 
A padaria está fechada hoje. 
a padaria: sujeito 
padaria: núcleo do sujeito - nome feminino singular 
está fechada hoje: predicado nominal 
fechada: nome adjetivo = núcleo do predicado 
 
Nós mentimos sobre nossa idade para você. 
nós: sujeito 
mentimos sobre nossa idade para você: predicado verbal 
mentimos: verbo = núcleo do predicado 
 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97. 78 
É possível, na língua portuguesa, uma sentença sem sujeito, mas nunca uma sentença sem predicado. 
Exemplos: 
 
As formigas invadiram minha casa. 
as formigas: sujeito = termo determinante 
invadiram minha casa: predicado = termo determinado 
 
Há formigas na minha casa. 
sujeito: inexistente 
há formigas na minha casa: predicado = termo determinado 
 
O núcleo do sujeito é sempre um nome. Quando esse nome se refere a objetos das primeira e segunda 
pessoas, o sujeito é representado por um pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele, etc.). Se o sujeito se 
refere a um objeto da terceira pessoa, sua representação pode ser feita através de um substantivo, de 
um pronome substantivo ou de qualquer conjunto de palavras, cujo núcleo funcione, na sentença, como 
um substantivo. 
Exemplos: 
 
Eu acompanho você até o guichê. 
eu: sujeito = pronome pessoal de primeira pessoa 
 
Vocês disseram alguma coisa? 
vocês: sujeito = pronome pessoal de segunda pessoa 
 
Marcos tem um fã-clube no seu bairro. 
Marcos: sujeito = substantivo próprio 
 
Ninguém entra na sala agora. 
ninguém: sujeito = pronome substantivo 
 
O andar deve ser uma atividade diária. 
o andar: sujeito = núcleo: verbo substantivado nessa oração 
 
Além dessas formas, o sujeito também pode se constituir de uma oração inteira. Nesse caso, a oração 
recebe o nome de oração substantiva subjetiva: 
 
É difícil optar por esse ou aquele doce... 
É difícil: oração principal 
optar por esse ou aquele doce: oração substantiva subjetiva 
 
O sujeito é constituído por um substantivo ou pronome, ou por uma palavra ou expressão 
substantivada. Exemplos: 
 
O sino era grande. 
Ela tem uma educação fina. 
Vossa Excelência agiu com imparcialidade. 
Isto não me agrada. 
 
O núcleo (isto é, a palavra base) do sujeito é, pois, um substantivo ou pronome. Em torno do núcleo 
podem aparecer palavras secundárias (artigos, adjetivos, locuções adjetivas, etc.). 
 Exemplo: 
 
“Todos os ligeiros rumores da mata tinham uma voz para a selvagem filha do sertão.” (José de 
Alencar) 
 
O sujeito pode ser: 
Simples: quando tem um só núcleo: As rosas têm espinhos; “Um bando de galinhas-d’angola 
atravessa a rua em fila indiana.” 
Composto: quando tem mais de um núcleo: “O burro e o cavalo nadavam ao lado da canoa.” 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 79 
Expresso: quando está explícito, enunciado: Eu viajarei amanhã. 
Oculto (ou elíptico): quando está implícito, isto é, quando não está expresso, mas se deduz do 
contexto: Viajarei amanhã. (sujeito: eu, que se deduz da desinência do verbo); “Um soldado saltou para 
a calçada e aproximou-se.” (o sujeito, soldado, está expresso na primeira oração e elíptico na segunda: 
e (ele) aproximou-se.); Crianças, guardem os brinquedos. (sujeito: vocês) 
Agente: se faz a ação expressa pelo verbo da voz ativa: O Nilo fertiliza o Egito. 
Paciente: quando sofre ou recebe os efeitos da ação expressa pelo verbo passivo: O criminoso é 
atormentado pelo remorso; Muitos sertanistas foram mortos pelos índios; Construíram-se açudes. (= 
Açudes foram construídos.) 
Agente e Paciente: quando o sujeito realiza a ação expressa por um verbo reflexivo e ele mesmo 
sofre ou recebe os efeitos dessa ação: O operário feriu-se durante o trabalho; Regina trancou-se no 
quarto. 
Indeterminado: quando não se indica o agente da ação verbal: Atropelaram uma senhora na esquina. 
(Quem atropelou a senhora? Não se diz, não se sabe quem a atropelou.); Come-se bem naquele 
restaurante. 
 
Observações: 
- Não confundir sujeito indeterminado com sujeito oculto. 
- Sujeito formado por pronome indefinido não é indeterminado, mas expresso: Alguém me ensinará o 
caminho. Ninguém lhe telefonou. 
- Assinala-se a indeterminação do sujeito usando-se o verbo na 3ª pessoa do plural, sem referência a 
qualquer agente já expresso nas orações anteriores: Na rua olhavam-no com admiração; “Bateram 
palmas no portãozinho da frente.”; “De qualquer modo, foi uma judiação matarem a moça.” 
- Assinala-se a indeterminação do sujeito com um verbo ativo na 3ª pessoa do singular, acompanhado 
do pronome se. O pronome se, neste caso, é índice de indeterminação do sujeito. Pode ser omitido junto 
de infinitivos. 
Aqui vive-se bem. 
Devagar se vai ao longe. 
Quando se é jovem, a memória é mais vivaz. 
Trata-se de fenômenos que nem a ciência sabe explicar. 
 
- Assinala-se a indeterminação do sujeito deixando-se o verbo no infinitivo impessoal: Era penoso 
carregar aqueles fardos enormes; É triste assistir a estas cenas repulsivas. 
 
Normalmente, o sujeito antecede o predicado; todavia, a posposição do sujeito ao verbo é fato 
corriqueiro em nossa língua. 
Exemplos: 
 
É fácil este problema! 
Vão-se os anéis, fiquem os dedos. 
“Breve desapareceram os dois guerreiros entre as árvores.” (José de Alencar) 
 
Sem Sujeito: o conteúdo verbal não é atribuído a nenhum ser. São construídas com os verbos 
impessoais, na 3ª pessoa do singular: Havia ratos no porão; Choveu durante o jogo. 
Observação: São verbos impessoais: Haver (nos sentidos de existir, acontecer, realizar-se, decorrer), 
Fazer, passar, ser e estar, com referência ao tempo e Chover, ventar, nevar, gear, relampejar, amanhecer, 
anoitecer e outros que exprimem fenômenos meteorológicos. 
 
Predicado: não é "aquilo que se diz do sujeito" como fazem certas gramáticas da língua portuguesa, 
mas sim estabelecer a importância do fenômeno da concordância entre esses dois termos essenciais da 
oração. Então têm por características básicas: apresentar-se como elemento determinado em relação ao 
sujeito; apontar um atributo ou acrescentar nova informação ao sujeito. 
Exemplos: 
 
Carolina conhece os índios da Amazônia. 
sujeito: Carolina = termo determinante 
predicado: conhece os índios da Amazônia = termo determinado 
 
Todos nós fazemos parte da quadrilha de São João. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 80 
sujeito: todos nós = termo determinante 
predicado: fazemos parte da quadrilha de São João = termo determinado 
 
Nesses exemplos podemos observar que a concordância é estabelecida entre algumas poucas 
palavras dos dois termos essenciais. No primeiro exemplo, entre "Carolina" e "conhece"; no segundo 
exemplo, entre "nós" e "fazemos". Isso se dá porque a concordância é centrada nas palavras que são 
núcleos, isto é, que são responsáveis pela principal informação naquele segmento. 
No predicado o núcleo pode ser de dois tipos: um nome, quase sempre um atributo que se refere ao 
sujeito da oração, ou um verbo (ou locução verbal). No primeiro caso, temos um predicado nominal (seu 
núcleo significativo é um nome, substantivo, adjetivo, pronome, ligado ao sujeito por um verbo de ligação) 
e no segundo um predicado verbal (seu núcleo é um verbo, seguido, ou não, de complemento(s) ou 
termos acessórios). 
Quando, num mesmo segmento o nome e o verbo são de igual importância, ambos constituem o núcleo 
do predicado e resultam no tipo de predicado verbo-nominal (tem dois núcleos significativos: um verbo 
e um nome). Exemplos: 
 
Minha empregada é desastrada. 
predicado: é desastrada 
núcleo do predicado: desastrada = atributo do sujeito 
tipo de predicado: nominal 
 
O núcleo do predicado nominal chama-se predicativo do sujeito, porque atribui ao sujeito uma 
qualidade ou característica. Os verbos de ligação (ser, estar, parecer, etc.) funcionam como um elo 
entre o sujeito e o predicado. 
 
A empreiteira demoliu nosso antigo prédio. 
predicado: demoliu nosso antigo prédio 
núcleo do predicado: demoliu = nova informação sobre o sujeito 
tipo de predicado: verbal 
 
Os manifestantes desciam a rua desesperados. 
predicado: desciam a rua desesperados 
núcleos do predicado: desciam = nova informação sobre o sujeito;desesperados = atributo do sujeito 
tipo de predicado: verbo-nominal 
 
Chama-se predicação verbal o modo pelo qual o verbo forma o predicado. 
Há verbos que, por natureza, tem sentido completo, podendo, por si mesmos, constituir o predicado: 
são os verbos de predicação completa denominados intransitivos. Exemplos: 
 
As flores murcharam. 
“Os inimigos de Moreiras rejubilaram.” (Graciliano Ramos) 
 
Outros verbos há, pelo contrário, que para integrarem o predicado necessitam de outros termos: são 
os verbos de predicação incompleta, denominados transitivos. Exemplos: 
João puxou a rede. 
“Não invejo os ricos, nem aspiro à riqueza.” (Oto Lara Resende) 
 
Observe que, sem os seus complementos, os verbos puxou, invejo e aspiro, não transmitiriam 
informações completas: puxou o quê? Não invejo a quem? Não aspiro a quê? 
Os verbos de predicação completa denominam-se intransitivos e os de predicação incompleta, 
transitivos. Os verbos transitivos subdividem-se em: transitivos diretos, transitivos indiretos e 
transitivos diretos e indiretos (bitransitivos). 
 
Além dos verbos transitivos e intransitivos, quem encerram uma noção definida, um conteúdo 
significativo, existem os de ligação, verbos que entram na formação do predicado nominal, relacionando 
o predicativo com o sujeito. 
 
Quanto à predicação classificam-se, pois os verbos em: 
- Intransitivos: são os que não precisam de complemento, pois têm sentido completo. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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“Três contos bastavam, insistiu ele.” (Machado de Assis) 
“Os guerreiros Tabajaras dormem.” (José de Alencar) 
 
Observações: Os verbos intransitivos podem vir acompanhados de um adjunto adverbial e mesmo de 
um predicativo (qualidade, características): Fui cedo; Passeamos pela cidade; Cheguei atrasado; Entrei 
em casa aborrecido. 
 
As orações formadas com verbos intransitivos não podem “transitar” (= passar) para a voz passiva. 
Verbos intransitivos passam, ocasionalmente, a transitivos quando construídos com o objeto direto ou 
indireto. 
- “Inutilmente a minha alma o chora!” (Cabral do Nascimento) 
- “Depois me deitei e dormi um sono pesado.” (Luís Jardim) 
 
- Transitivos Diretos: são os que pedem um objeto direto, isto é, um complemento sem preposição. 
Exemplos: 
Comprei um terreno e construí a casa. 
“Trabalho honesto produz riqueza honrada.” (Marquês de Maricá) 
 
Dentre os verbos transitivos diretos merecem destaque os que formam o predicado verbo nominal e 
se constrói com o complemento acompanhado de predicativo. Exemplos: 
Consideramos o caso extraordinário. 
Inês trazia as mãos sempre limpas. 
 
Observações: Os verbos transitivos diretos, em geral, podem ser usados também na voz passiva; 
Outra característica desses verbos é a de poderem receber como objeto direto, os pronomes o, a, os, as: 
convido-o, encontro-os, incomodo-a, conheço-as. 
 
- Transitivos Indiretos: são os que reclamam um complemento regido de preposição, chamado objeto 
indireto. Exemplos: 
“Ninguém perdoa ao quarentão que se apaixona por uma adolescente.” (Ciro dos Anjos) 
“Populares assistiam à cena aparentemente apáticos e neutros.” (Érico Veríssimo) 
 
Observações: Entre os verbos transitivos indiretos importa distinguir os que se constroem com os 
pronomes objetivos lhe, lhes. Em geral são verbos que exigem a preposição a: agradar-lhe, agradeço-
lhe, apraz-lhe, bate-lhe, desagrada-lhe, desobedecem-lhe, etc. 
Entre os verbos transitivos indiretos importa distinguir os que não admitem para objeto indireto as 
formas oblíquas lhe, lhes, construindo-se com os pronomes retos precedidos de preposição: aludir a ele, 
anuir a ele, assistir a ela, atentar nele, depender dele, investir contra ele, não ligar para ele, etc. 
Em princípio, verbos transitivos indiretos não comportam a forma passiva. Excetuam-se pagar, 
perdoar, obedecer, e pouco mais, usados também como transitivos diretos: João paga (perdoa, obedece) 
o médico. O médico é pago (perdoado, obedecido) por João. 
 
- Transitivos Diretos e Indiretos: são os que se usam com dois objetos: um direto, outro indireto, 
concomitantemente. Exemplos: 
No inverno, Dona Cléia dava roupas aos pobres. 
Oferecemos flores à noiva. 
 
- De Ligação: os que ligam ao sujeito uma palavra ou expressão chamada predicativo. Esses verbos, 
entram na formação do predicado nominal. Exemplos: 
A Terra é móvel. 
O moço anda (=está) triste. 
 
Observações: Os verbos de ligação não servem apenas de anexo, mas exprimem ainda os diversos 
aspectos sob os quais se considera a qualidade atribuída ao sujeito. 
 
Predicativo: Há o predicativo do sujeito e o predicativo do objeto. 
- Predicativo do Sujeito: é o termo que exprime um atributo, um estado ou modo de ser do sujeito, 
ao qual se prende por um verbo de ligação, no predicado nominal. Exemplos: 
A bandeira é o símbolo da Pátria. 
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A mesa era de mármore. 
O mar estava agitado. 
A ilha parecia um monstro. 
 
Além desse tipo de predicativo, outro existe que entra na constituição do predicado verbo-nominal. 
Exemplos: 
O trem chegou atrasado. (=O trem chegou e estava atrasado.) 
O menino abriu a porta ansioso. 
Todos partiram alegres. 
Marta entrou séria. 
 
Observações: O predicativo subjetivo às vezes está preposicionado; Pode o predicativo preceder o 
sujeito e até mesmo ao verbo: São horríveis essas coisas!; Que linda estava Amélia!; Completamente 
feliz ninguém é.; Raros são os verdadeiros líderes.; Quem são esses homens?; Lentos e tristes, os 
retirantes iam passando.; Novo ainda, eu não entendia certas coisas.; Onde está a criança que fui? 
 
- Predicativo do Objeto: é o termo que se refere ao objeto de um verbo transitivo. Exemplos: 
O juiz declarou o réu inocente. 
O povo elegeu-o deputado. 
 
Termos Integrantes da Oração 
Chamam-se termos integrantes da oração os que completam a significação transitiva dos verbos e 
nomes. Integram o sentido da oração, sendo por isso indispensável à compreensão do enunciado. São 
os seguintes: 
- Complemento Verbal (Objeto Direto e Objeto Indireto); 
- Complemento Nominal; 
- Agente da Passiva. 
 
Objeto Direto: é o complemento dos verbos de predicação incompleta, não regido, normalmente, de 
preposição. Exemplos: 
As plantas purificaram o ar. 
Procurei o livro, mas não o encontrei. 
 
O objeto direto tem as seguintes características: 
- Completa a significação dos verbos transitivos diretos; 
- Normalmente, não vem regido de preposição; 
- Traduz o ser sobre o qual recai a ação expressa por um verbo ativo: Caim matou Abel. 
- Torna-se sujeito da oração na voz passiva: Abel foi morto por Caim. 
 
O objeto direto pode ser constituído: 
- Por um substantivo ou expressão substantivada: O lavrador cultiva a terra.; Unimos o útil ao 
agradável. 
- Pelos pronomes oblíquos o, a, os, as, me, te, se, nos, vos: Espero-o na estação.; Estimo-os muito.; 
Sílvia olhou-se ao espelho.; Não me convidas?. 
- Por qualquer pronome substantivo: Não vi ninguém na loja.; A árvore que plantei floresceu. (que: 
objeto direto de plantei). 
 
Objeto Direto Preposicionado: há casos em que o objeto direto, isto é, o complemento de verbos 
transitivos diretos, vem precedido de preposição, geralmente a preposição “a”. Isto ocorre principalmente: 
 
- Quando o objeto direto é um pronome pessoal tônico: Deste modo, prejudicas a ti e a ela.; “Mas dona 
Carolina amava mais a ele do que aos outros filhos”. 
- Quando o objeto é o pronome relativo quem: “Pedro Severiano tinha um filho a quem idolatrava.”. 
- Quando precisamos assegurar a clareza da frase, evitando que o objeto direto seja tomado como 
sujeito, impedindo construções ambíguas: Convence, enfim, ao pai o filho amado.; “Vence o mal ao 
remédio.”. 
- Em expressõesde reciprocidade, para garantir a clareza e a eufonia da frase: “Os tigres despedaçam-
se uns aos outros.”; “As companheiras convidavam-se umas às outras.”. 
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- Com nomes próprios ou comuns, referentes a pessoas, principalmente na expressão dos sentimentos 
ou por amor da eufonia da frase: Judas traiu a Cristo.; Amemos a Deus sobre todas as coisas. 
- Em construções enfáticas, nas quais antecipamos o objeto direto para dar-lhe realce: A você é que 
não enganam!; Ao médico, confessor e letrado nunca enganes. 
- Sendo objeto direto o numeral ambos(as): “O aguaceiro caiu, molhou a ambos.”. 
- Com certos pronomes indefinidos, sobretudo referentes a pessoas: Se todos são teus irmãos, por 
que amas a uns e odeias a outros? 
- Em certas construções enfáticas, como puxar (ou arrancar) da espada, pegar da pena, cumprir com 
o dever, atirar com os livros sobre a mesa, etc.: “Arrancam das espadas de aço fino...”. 
 
Objeto Direto Pleonástico: quando queremos dar destaque ou ênfase à ideia contida no objeto direto, 
colocamo-lo no início da frase e depois o repetimos ou reforçamos por meio do pronome oblíquo. A esse 
objeto repetido sob forma pronominal chama-se pleonástico, enfático ou redundante. Exemplos: 
O dinheiro, Jaime o trazia escondido nas mangas da camisa. 
O bem, muitos o louvam, mas poucos o seguem. 
 
Objeto Indireto: é o complemento verbal regido de preposição necessária e sem valor circunstancial. 
Representa, ordinariamente, o ser a que se destina ou se refere à ação verbal: “Nunca desobedeci a meu 
pai”. O objeto indireto completa a significação dos verbos: 
 
- Transitivos Indiretos: Assisti ao jogo; Assistimos à missa e à festa. 
- Transitivos Diretos e Indiretos (na voz ativa ou passiva): Dou graças a Deus; Ceda o lugar aos 
mais velhos. 
 
O objeto indireto pode ainda acompanhar verbos de outras categorias, os quais, no caso, são 
considerados acidentalmente transitivos indiretos: A bom entendedor meia palavra basta; Sobram-lhe 
qualidades e recursos. (lhe=a ele). 
 
Observações: 
Há verbos que podem construir-se com dois objetos indiretos, regidos de preposições diferentes: 
Rogue a Deus por nós.; Ela queixou-se de mim a seu pai. 
Não confundir o objeto direto com o complemento nominal nem com o adjunto adverbial; Em frases 
como “Para mim tudo eram alegrias”, “Para ele nada é impossível”, os pronomes em destaque podem 
ser considerados adjuntos adverbiais. 
O objeto indireto é sempre regido de preposição, expressa ou implícita. A preposição está implícita nos 
pronomes objetivos indiretos (átonos) me, te, se, lhe, nos, vos, lhes. Exemplo: Obedece-me. (=Obedece 
a mim.). 
 
Objeto Indireto Pleonástico: à semelhança do objeto direto, o objeto indireto pode vir repetido ou 
reforçado, por ênfase. Exemplos: “A mim o que me deu foi pena.”; “Que me importa a mim o destino de 
uma mulher tísica...? 
 
Complemento Nominal: é o termo complementar reclamado pela significação transitiva, incompleta, 
de certos substantivos, adjetivos e advérbios. Vem sempre regido de preposição. Exemplos: A defesa da 
pátria; Assistência às aulas. 
Observações: 
O complemento nominal representa o recebedor, o paciente, o alvo da declaração expressa por um 
nome: amor a Deus, a condenação da violência, o medo de assaltos, a remessa de cartas, útil ao 
homem, compositor de músicas, etc. É regido pelas mesmas preposições usadas no objeto indireto. 
Difere deste apenas porque, em vez de complementar verbos, complementa nomes (substantivos, 
adjetivos) e alguns advérbios em –mente. 
 
Agente da Passiva: é o complemento de um verbo na voz passiva. Representa o ser que pratica a 
ação expressa pelo verbo passivo. Vem regido comumente pela preposição por, e menos frequentemente 
pela preposição de: Alfredo é estimado pelos colegas; “Era conhecida de todo mundo a fama de suas 
riquezas.” 
 
O agente da passiva pode ser expresso pelos substantivos ou pelos pronomes: 
As flores são umedecidas pelo orvalho. 
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A carta foi cuidadosamente corrigida por mim. 
 
O agente da passiva corresponde ao sujeito da oração na voz ativa: 
A rainha era chamada pela multidão. (voz passiva) 
A multidão aclamava a rainha. (voz ativa) 
 
Observações: Frase de forma passiva analítica sem complemento agente expresso, ao passar para a 
ativa, terá sujeito indeterminado e o verbo na 3ª pessoa do plural: Ele foi expulso da cidade. 
(Expulsaram-no da cidade.). 
 
Termos Acessórios da Oração 
Termos acessórios são os que desempenham na oração uma função secundária, qual seja a de 
caracterizar um ser, determinar os substantivos, exprimir alguma circunstância. São três os termos 
acessórios da oração: adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto. 
 
Adjunto Adnominal: é o termo que caracteriza ou determina os substantivos. Exemplo: Meu irmão 
veste roupas vistosas. (Meu determina o substantivo irmão: é um adjunto adnominal – vistosas 
caracteriza o substantivo roupas: é também adjunto adnominal). 
 
O adjunto adnominal pode ser expresso: pelos adjetivos, artigos, pronomes, numerais e locuções ou 
expressões adjetivas. 
 
Observações: 
Não confundir o adjunto adnominal formado por locução adjetiva com complemento nominal. Este 
representa o alvo da ação expressa por um nome transitivo: a eleição do presidente, aviso de perigo, 
etc. 
O adjunto adnominal formado por locução adjetiva representa o agente da ação, ou a origem, pertença, 
qualidade de alguém ou de alguma coisa: o discurso do presidente, aviso de amigo, declaração do 
ministro. 
 
Adjunto Adverbial: é o termo que exprime uma circunstância (de tempo, lugar, modo, etc.) ou, em 
outras palavras, que modifica o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio. Exemplo: “Meninas numa 
tarde brincavam de roda na praça”. 
O adjunto adverbial é expresso: pelos advérbios e locuções ou expressões adverbiais. 
 
Observações: 
Pode ocorrer a elipse da preposição antes de adjuntos adverbiais de tempo e modo: Aquela noite, 
não dormi. (=Naquela noite...); Domingo que vem não sairei. (=No domingo...). 
 
Aposto: É uma palavra ou expressão que explica ou esclarece, desenvolve ou resume outro termo da 
oração. Exemplo: D. Pedro II, imperador do Brasil, foi um monarca sábio. 
 
Os apostos em geral, destacam-se por pausas indicadas na escrita por vírgulas, dois pontos ou 
travessões. Não havendo pausa, não haverá vírgula, como nestes exemplos: 
Minha irmã Beatriz; o escritor João Ribeiro. 
O aposto pode preceder o termo a que se refere, o qual, às vezes, está elíptico. Exemplo: 
Rapaz impulsivo, Mário não se conteve. 
 
O aposto, às vezes, refere-se a toda uma oração. Exemplos: 
Nuvens escuras borravam os espaços silenciosos, sinal de tempestade iminente. 
O espaço é incomensurável, fato que me deixa atônito. 
Simão era muito espirituoso, o que me levava a preferir sua companhia. 
 
Um aposto pode referir-se a outro aposto: 
“Serafim Gonçalves casou-se com Lígia Tavares, filha do velho coronel Tavares, senhor de 
engenho.” (Ledo Ivo) 
 
O aposto que se refere a objeto indireto, complemento nominal ou adjunto adverbial vem precedido de 
preposição: 
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O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado. 
 
Vocativo: (do latim vocare = chamar) é o termo usado para chamar ou interpelar a pessoa, o animal 
ou a coisa personificada a que nos dirigimos: 
“Elesbão? Ó Elesbão! Venha ajudar-nos, por favor!” (Maria de Lourdes Teixeira) 
 
Observação: 
Profere-se o vocativo com entoação exclamativa. Na escrita é separado por vírgula(s). No exemplo, 
os pontos interrogativo e exclamativo indicam um chamado alto e prolongado. 
O vocativoé um tempo à parte. Não pertence à estrutura da oração, por isso não se anexa ao sujeito 
nem ao predicado. 
 
Questões 
 
01. (Pref. De Caucaia/CE – Agente de Suporte e Fiscalização – CETREDE/2016) 
 
Dos rituais 
 
No primeiro contato com os selvagens, que medo nos dá de infringir os rituais, de violar um tabu! 
É todo um meticuloso cerimonial, cuja infração eles não nos perdoam. 
Eu estava falando nos selvagens? Mas com os civilizados é o mesmo. Ou pior até. 
Quando você estiver metido entre grã-finos, é preciso ter muito, muito cuidado: eles são tão primitivos! 
Mário Quintana 
 
Em relação à oração “eles são tão primitivos!”, assinale o item INCORRETO. 
(A) Refere-se a grã-finos. 
(B) O sujeito é indeterminado. 
(C) O predicado é nominal. 
(D) Tem verbo de ligação 
(E) Apresenta predicativo do sujeito. 
 
02. (PC/SP – Investigador de Polícia – VUNESP/2018) Nos EUA, a psicanálise lembra um pouco 
certas seitas – as ideias do fundador são institucionalizadas e defendidas por discípulos ferrenhos, mas 
suas instituições parecem não responder às necessidades atuais da sociedade. Talvez porque o autor 
das ideias não esteja mais aqui para atualizá-las. 
Freud era um neurologista, e queria encontrar na Biologia as bases do comportamento. Como a 
tecnologia de então não lhe permitia avançar, passou a elaborar uma teoria, criando a psicanálise. 
Cientista que era, contudo, nunca se apaixonou por suas ideias, revisando sua obra ao longo da vida. Ele 
chegou a afirmar: “A Biologia é realmente um campo de possibilidades ilimitadas do qual podemos esperar 
as elucidações mais surpreendentes. Portanto, não podemos imaginar que respostas ela dará, em poucos 
decêndios, aos problemas que formulamos. Talvez essas respostas venham a ser tais que farão o edifício 
de nossas hipóteses colapsar”. Provavelmente, é sua frase menos citada. Por razões óbvias. 
(Galileu, novembro de 2017. Adaptado) 
 
Nos enunciados – … Talvez porque o autor das ideias não esteja mais aqui para atualizá-las. – e – 
Como a tecnologia de então não lhe permitia avançar… –, os termos destacados são: 
(A) acessórios da oração, ambos exercendo a função de adjunto adnominal. 
(B) integrantes da oração, ambos exercendo a função de objeto direto. 
(C) acessórios da oração: o primeiro é adjunto adnominal; o segundo, complemento nominal. 
(D) integrantes da oração: o primeiro é objeto direto; o segundo, indireto. 
(E) essenciais da oração, ambos exercendo a função de sujeito. 
 
03. (Câmara de Belo Horizonte – MG - Procurador – CONSULPLAN/2018) 
 
O menino de 13 anos que criou o Braille 
Sistema permaneceu insuperável por 200 anos. 
 
Aos 3 anos, Louis foi explorar a oficina de seu pai e, por acidente, machucou um dos olhos com uma 
navalha. A infecção atingiu ambos os olhos e, em poucos meses, o garoto estava completamente cego. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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O drama era pior do que parece hoje. Na época, início do século 19, ser cego significava incapacidade 
para aprender, estudar e ganhar a vida. Ou seja: ele estava condenado a depender da família ou da 
caridade dos outros. 
Porém, aos 7 anos, Louis já estava completamente familiarizado com a nova vida. Era tão esperto e 
interessado que chamou a atenção do professor da escola local que, contrariando o pensamento 
dominante (de que não valia a pena ensinar cegos), admitiu-o em uma das classes. 
Em pouco tempo, Louis se transformou em um dos melhores alunos da escola. Surpresos com o 
potencial, pai e professor tiveram a ideia de enviá-lo para uma escola destinada a crianças cegas em 
Paris – a primeira no mundo especializada na deficiência. 
Assim, aos 10 anos, o garoto estava matriculado no L’Institut Royal des Enfants Aveugles. Foi ali 
que Louis aperfeiçoou o sistema vigente de leitura para cegos e, aos 13 anos, apresentou sua própria 
criação: o Método Braille. Em algumas décadas, o sistema foi adotado oficialmente em todo o mundo. 
Apenas recentemente, com o surgimento de aplicativos como Be My Eyes, smart glasses e assistentes 
digitais como Siri e Alexa, os deficientes visuais estão tendo acesso à cultura e informação sem a 
necessidade do método criado há quase 2 séculos por um menino de 13 anos. 
(Carlos Domingos, 21 nov. 2017. Disponível em: https://exame.abril.com.br/blog/oportunidades-disfarcadas/o-menino-de-13-anos-que-criou-obraille/.) 
 
Tendo em vista aspectos sintáticos da língua, pode-se afirmar que em “[...] os deficientes visuais estão 
tendo acesso à cultura e informação sem a necessidade do método criado há quase 2 séculos por um 
menino de 13 anos.” (6º§) é possível observar 
(A) o predicado nominal, já que existe verbo de ligação seguido de predicativo do sujeito. 
(B) ocorrência de oração sem sujeito trazendo verbo impessoal que se apresenta na terceira pessoa 
do singular. 
(C) a ocorrência de um sujeito hipotético em “há quase 2 séculos” que retoma informações do período 
anterior. 
(D) que em “estão tendo”, o verbo impessoal acompanhado de auxiliar transmite a este sua 
impessoalidade, motivo de haver oração sem sujeito. 
 
04. (Câmara de Belo Horizonte/MG – Técnico de Segurança do Trabalho – CONSULPLAN/2018) 
 
 
 
Analise a frase: “Você acredita que nossos destinos são controlados pelas estrelas?” e as afirmativas 
a seguir. 
I. Podemos encontrar, no período, um verbo em voz ativa e outro em voz passiva. 
II. “Pelas estrelas” atua sintaticamente como complemento verbal. 
III. “nossos destinos” é um sujeito do tipo paciente. 
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s) 
(A) III. 
(B) I e II. 
(C) I e III. 
(D) II e III. 
 
05. (UFMG – Técnico em Arquivo – UFMG/2018) 
 
“Aos Treze” mostra que é impossível ser só legal e sobreviver 
NINA LEMOS - colunista da Folha 
 
Quais foram os últimos sacrifícios que você fez só para tentar ficar amigo de alguém? Provavelmente, 
você mentiu um pouquinho sobre o seu gosto musical. Se todo mundo gosta daquela banda, quem sou 
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eu para não gostar? Também deve ter mudado algumas vezes o seu jeito de se vestir. Porque, se você 
não acompanhar a moda, vai ser chamada de cafona. Existe acusação mais grave? 
Não se assuste. Todo mundo, alguns pouco, outros mais, faz esse tipo de coisa. Mas, às vezes, o 
buraco é mais embaixo. E nós acabamos fazendo coisas que realmente nos machucam só para “pegar 
bem” com a galera. Não, não tem nada a ver com aquele papo de mãe sobre o problema de andar com 
más companhias. Segundo os psicanalistas, nós fazemos isso para sermos aceitos. E, mais do que isso, 
para ter uma imagem boa diante dos outros. 
Isso porque a gente costuma usar os outros como espelho e, vez ou outra, cai no pensamento: “Se 
eles me acham legal, então eu sou legal”, “se eles me acham péssima, eu sou péssima”. Deu para 
entender? Isso vai ficar ainda mais claro se você for assistir ao filme “Aos Treze”, baseado na experiência 
de Nikki Reed, atriz e co-roteirista do filme. [...] 
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u37912.shtml. Acesso em: 25 jan.2018. 
 
Leia este trecho: Todo mundo, alguns pouco, outros mais, faz esse tipo de coisa. 
 
O termo destacado no texto classifica-se como 
(A) Objeto direto 
(B) Objeto indireto. 
(C) Predicativo do Sujeito. 
(D) Complemento Nominal. 
 
Gabarito 
 
01.B / 02.D / 03.B / 04.C / 05.A 
 
Comentários 
 
01. Reposta: B 
A - C=> Refere-se a grã-finos 
B - E => O sujeito é grã finos 
C - O predicado está ligado ao nome. 
D - Verbos de ligação: Ser, estar, parecer... 
E - Primitivos caracteriza o sujeito. 
 
02. Resposta: D 
Talvez porque o autor das ideias não esteja mais aqui para atualizá-las 
Talvez porque o autor das ideias não esteja mais aqui para atualizar as ideias ( OD )Como a tecnologia de então não lhe permitia avançar… 
Como a tecnologia de então não permitia a Freud avançar... ( OI ) 
 
03. Resposta: B 
Talvez a alternativa A tenha enganado algumas pessoas que, quando viram o verbo "estar", logo 
pensaram se tratar de um verbo de ligação e que, consequentemente, haveria na frase um predicativo do 
sujeito. 
Contudo, percebam que não se trata do verbo "estar" mas da locução verbal "estão tendo", em que o 
verbo principal é o "ter", que, no contexto, não é de ligação e pede um objeto direto. 
A resposta está na letra B, por conta do verbo "haver", impessoal. 
 
04. Resposta: C 
I-Correto. Podemos encontrar, no período, um verbo em voz ativa (acredita) e outro em voz passiva 
(controlados). 
II-Incorreto. “Pelas estrelas” atua sintaticamente como agente da passiva. 
III. Correto. “nossos destinos” é um sujeito do tipo paciente, pois sofre passivamente o controle, isto 
é, “nossos destinos são controlados”. 
 
05. Resposta: A 
Todo mundo faz(o quê?) Esse tipo de coisa. (O.D.) - devido à ausência de preposição. 
 
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Período 
 
Toda frase com uma ou mais orações constitui um período. Ele é simples quando só traz uma oração, 
chamada absoluta; o período é composto quando traz mais de uma oração. Exemplo: 
Pegou fogo no prédio. (Período simples, oração absoluta) 
Quero que você aprenda. (Período composto) 
 
Existe uma maneira prática de saber quantas orações há num período: é contar os verbos ou locuções 
verbais. Num período haverá tantas orações quantos forem os verbos ou as locuções verbais nele 
existentes. Exemplos: 
Pegou fogo no prédio. (um verbo, uma oração) 
Quero que você aprenda. (dois verbos, duas orações) 
Deves estudar para poderes vencer na vida. (duas locuções verbais, duas orações) 
 
Há três tipos de período composto: por coordenação, por subordinação e por coordenação e 
subordinação ao mesmo tempo (também chamada de misto). 
 
Período Composto por Coordenação – Orações Coordenadas 
Considere, por exemplo, este período composto: 
Passeamos pela praia, / brincamos, / recordamos os tempos de infância. 
1ª oração: Passeamos pela praia 
2ª oração: brincamos 
3ª oração: recordamos os tempos de infância 
 
As três orações que compõem esse período têm sentido próprio e não mantêm entre si nenhuma 
dependência sintática: elas são independentes. Há entre elas, é claro, uma relação de sentido, mas, como 
já dissemos, uma não depende da outra sintaticamente. 
As orações independentes de um período são chamadas de Orações Coordenadas (OC), e o período 
formado só de orações coordenadas é chamado de período composto por coordenação. 
As orações coordenadas são classificadas em assindéticas e sindéticas. 
 
- As orações coordenadas são assindéticas (OCA) quando não vêm introduzidas por conjunção. 
Exemplo: 
Os torcedores gritaram, / sofreram, / vibraram. 
 OCA OCA OCA 
 
- As orações coordenadas são sindéticas (OCS) quando vêm introduzidas por conjunção 
coordenativa. Exemplo: 
O homem saiu do carro / e entrou na casa. 
 OCA OCS 
 
As orações coordenadas sindéticas são classificadas de acordo com o sentido expresso pelas 
conjunções coordenativas que as introduzem. Pode ser: 
 
- Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não só... mas também, não só... mas ainda. 
Saí da escola / e fui à lanchonete. Conjunção que expressa ideia de acréscimo ou adição. 
 OCA OCS Aditiva 
- Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no 
entanto. Conjunção que expressa ideia de oposição. 
Estudei bastante / mas não passei no teste. 
 OCA OCS Adversativa 
 
- Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, por isso, pois, logo. Conjunção que 
expressa ideia de conclusão de um fato enunciado. 
Ele me ajudou muito, / portanto merece minha gratidão. 
 OCA OCS Conclusiva 
 
- Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou, ou... ou, ora... ora, seja... seja, quer... quer. 
Conjunção que estabelece uma relação de alternância ou escolha. 
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Seja mais educado / ou retire-se da reunião! 
 OCA OCS Alternativa 
 
- Orações coordenadas sindéticas explicativas: que, porque, pois, porquanto. Conjunção que 
expressa ideia de explicação, de justificativa. 
Vamos andar depressa / que estamos atrasados. 
 OCA OCS Explicativa 
 
Período Composto por Subordinação 
Observe os termos destacados em cada uma destas orações: 
Vi uma cena triste. (adjunto adnominal) 
Todos querem sua participação. (objeto direto) 
Não pude sair por causa da chuva. (adjunto adverbial de causa) 
 
Veja, agora, como podemos transformar esses termos em orações com a mesma função sintática: 
Vi uma cena / que me entristeceu. (oração subordinada com função de adjunto adnominal) 
Todos querem / que você participe. (oração subordinada com função de objeto direto) 
Não pude sair / porque estava chovendo. (oração subordinada com função de adjunto adverbial de 
causa) 
 
Em todos esses períodos, a segunda oração exerce uma certa função sintática em relação à primeira, 
sendo, portanto, subordinada a ela. Quando um período é constituído de pelo menos um conjunto de 
duas orações em que uma delas (a subordinada) depende sintaticamente da outra (principal), ele é 
classificado como período composto por subordinação. As orações subordinadas são classificadas de 
acordo com a função que exercem: adverbiais, substantivas e adjetivas. 
 
Orações Subordinadas Adverbiais 
As orações subordinadas adverbiais (OSA) são aquelas que exercem a função de adjunto adverbial 
da oração principal (OP). São classificadas de acordo com a conjunção subordinativa que as introduz: 
 
- Causais: Expressam a causa do fato enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como 
(= porque), pois que, visto que. 
Não fui à escola / porque fiquei doente. 
 OP OSA Causal 
 
- Condicionais: Expressam hipóteses ou condição para a ocorrência do que foi enunciado na principal. 
Conjunções: se, contanto que, a menos que, a não ser que, desde que. 
Irei à sua casa / se não chover. 
 OP OSA Condicional 
 
- Concessivas: Expressam ideia ou fato contrário ao da oração principal, sem, no entanto, impedir 
sua realização. Conjunções: embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais que, mesmo que. 
Ela saiu à noite / embora estivesse doente. 
 OP OSA Concessiva 
 
- Conformativas: Expressam a conformidade de um fato com outro. Conjunções: conforme, como 
(=conforme), segundo. 
O trabalho foi feito / conforme havíamos planejado. 
 OP OSA Conformativa 
 
- Temporais: Acrescentam uma circunstância de tempo ao que foi expresso na oração principal. 
Conjunções: quando, assim que, logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal (=assim que). 
Ele saiu da sala / assim que eu cheguei. 
 OP OSA Temporal 
 
- Finais: Expressam a finalidade ou o objetivo do que foi enunciado na oração principal. Conjunções: 
para que, a fim de que, porque (=para que), que. 
Abri a porta do salão / para que todos pudessem entrar. 
 OP OSA Final 
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- Consecutivas: Expressam a consequência do que foi enunciado na oração principal. Conjunções: 
porque, que, como (= porque), pois que, visto que. 
A chuva foi tão forte / que inundou a cidade.OP OSA Consecutiva 
 
- Comparativas: Expressam ideia de comparação com referência à oração principal. Conjunções: 
como, assim como, tal como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado com menos ou mais). 
Ela é bonita / como a mãe. 
 OP OSA Comparativa 
 
Obs.: As orações comparativas nem sempre apresentam claramente o verbo, como no exemplo acima, 
em que está subentendido o verbo ser (como a mãe é). 
 
- Proporcionais: Expressam uma ideia que se relaciona proporcionalmente ao que foi enunciado na 
principal. Conjunções: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto menos. 
Quanto mais reclamava / menos atenção recebia. 
 OSA Proporcional OP 
 
Orações Subordinadas Substantivas 
As orações subordinadas substantivas (OSS) são aquelas que, num período, exercem funções 
sintáticas próprias de substantivos, geralmente são introduzidas pelas conjunções integrantes que e se. 
Elas podem ser: 
 
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: É aquela que exerce a função de objeto direto 
do verbo da oração principal. Observe: O grupo quer a sua ajuda. (objeto direto) 
O grupo quer / que você ajude. 
 OP OSS Objetiva Direta 
 
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: É aquela que exerce a função de objeto 
indireto do verbo da oração principal. Observe: Necessito de sua ajuda. (objeto indireto) 
Necessito / de que você me ajude. 
 OP OSS Objetiva Indireta 
 
- Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: É aquela que exerce a função de sujeito do verbo da 
oração principal. Observe: É importante sua colaboração. (sujeito) 
É importante / que você colabore. 
 OP OSS Subjetiva 
 
A oração subjetiva geralmente vem: 
- depois de um verbo de ligação + predicativo, em construções do tipo é bom, é útil, é certo, é 
conveniente, etc. Ex.: É certo que ele voltará amanhã. 
- depois de expressões na voz passiva, como sabe-se, conta-se, diz-se, etc. Ex.: Sabe-se que ele saiu 
da cidade. 
- depois de verbos como convir, cumprir, constar, urgir, ocorrer, quando empregados na 3ª pessoa do 
singular e seguidos das conjunções que ou se. Ex.: Convém que todos participem da reunião. 
 
- Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: É aquela que exerce a função de 
complemento nominal de um termo da oração principal. Observe: Estou convencido de sua inocência. 
(complemento nominal) 
Estou convencido / de que ele é inocente. 
 OP OSS Completiva Nominal 
 
- Oração Subordinada Substantiva Predicativa: É aquela que exerce a função de predicativo do 
sujeito da oração principal, vindo sempre depois do verbo ser. Observe: O importante é sua felicidade. 
(predicativo) 
O importante é / que você seja feliz. 
 OP OSS Predicativa 
 
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- Oração Subordinada Substantiva Apositiva: É aquela que exerce a função de aposto de um termo 
da oração principal. Observe: Ele tinha um sonho: a união de todos em benefício do país. (aposto) 
Ele tinha um sonho / que todos se unissem em benefício do país. 
 OP OSS Apositiva 
 
As orações apositivas vêm geralmente antecedidas de dois-pontos. Podem vir, também, entre vírgulas, 
intercaladas à oração principal. Exemplo: Seu desejo, que o filho recuperasse a saúde, tornou-se 
realidade. 
 
Observação: Além das conjunções integrantes que e se, as orações substantivas podem ser 
introduzidas por outros conectivos, tais como quando, como, quanto, etc. Exemplos: 
Não sei quando ele chegou. 
Diga-me como resolver esse problema. 
 
Orações Subordinadas Adjetivas 
As orações subordinadas Adjetivas (OSA) exercem a função de adjunto adnominal de algum termo 
da oração principal. Observe como podemos transformar um adjunto adnominal em oração subordinada 
adjetiva: 
Desejamos uma paz duradoura. (adjunto adnominal) 
Desejamos uma paz / que dure. (oração subordinada adjetiva) 
 
As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas por um pronome relativo (que , qual, cujo, 
quem, etc.) e podem ser classificadas em: 
 
- Subordinadas Adjetivas Restritivas: São restritivas quando restringem ou especificam o sentido 
da palavra a que se referem. Exemplo: 
 
O público aplaudiu o cantor / que ganhou o 1º lugar. 
 OP OSA Restritiva 
 
Nesse exemplo, a oração que ganhou o 1º lugar especifica o sentido do substantivo cantor, indicando 
que o público não aplaudiu qualquer cantor mas sim aquele que ganhou o 1º lugar. 
 
- Subordinadas Adjetivas Explicativas: São explicativas quando apenas acrescentam uma 
qualidade à palavra a que se referem, esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem restringi-lo ou 
especificá-lo. Exemplo: 
O escritor Jorge Amado, / que mora na Bahia, / lançou um novo livro. 
 OP OSA Explicativa OP 
 
Orações Reduzidas 
As orações reduzidas são caracterizadas por possuírem o verbo nas formas de gerúndio, particípio 
ou infinitivo. Ao contrário das demais orações subordinadas, as orações reduzidas não são ligadas 
através dos conectivos 
 
Há três tipos de orações reduzidas: 
- Orações reduzidas de infinitivo 
- Orações reduzidas de gerúndio 
- Orações reduzidas de particípio 
 
Orações Reduzidas de Infinitivo: 
Infinitivo: terminações -ar, -er, -ir. 
 
Reduzida: É preciso comer frutas e legumes. 
Desenvolvida: É preciso que se coma frutas e legumes. (Oração Subordinada Substantiva Subjetiva) 
 
Reduzida: Meu desejo era ganhar uma viagem. 
Desenvolvida: Meu desejo era que eu ganhasse uma viagem. (Oração Subordinada Substantiva 
Predicativa) 
 
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Orações Reduzidas de Particípio: 
Particípio: terminações -ado, -ido. 
 
Reduzida: Temos apenas um filho, criado com muito amor. 
Desenvolvida: Temos apenas um filho, que criamos com muito amor. (Oração Subordinada Adjetiva 
Explicativa) 
 
Reduzida: A criança sequestrada foi resgatada. 
Desenvolvida: A criança que sequestraram foi resgatada. (Oração Subordinada Adjetiva Restritiva) 
 
Orações Reduzidas de Gerúndio: 
Gerúndio: terminação -ndo. 
 
Reduzida: Não enviando o relatório a tempo, perdeu a bolsa de estudos. 
Desenvolvida: Porque não enviou o relatório a tempo, perdeu a bolsa de estudos. (Oração 
Subordinada Adverbial Causal) 
 
Reduzida: Respeitando as normas, não terão problemas. 
Desenvolvida: Desde que respeitem as normas, não terão problemas. (Oração Subordinada Adverbial 
Condicional) 
 
O infinitivo, o gerúndio e o particípio não constituem orações reduzidas quando fazem parte de uma 
locução verbal. 
 
Exemplos: 
Preciso terminar este exercício. 
Ele está jantando na sala. 
 
Frases Fragmentadas 
 
Quando você pontua uma oração subordinada ou uma simples locução como se fosse uma frase 
completa, a argumentação fica comprometida pela quebra da linha de pensamento. 
Ora, se a oração é subordinada, deve estar atrelada a uma principal, sem a qual o leitor terá rompida 
a visualização do encadeamento das ideias. 
 
Exemplo: 
Eu estava perdida em São Paulo. (oração principal) Mesmo consultando o mapa da cidade. (oração 
subordinada fragmentada) Quando você me telefonou. (outra oração subordinada fragmentada) 
 
Correção: Eu estava perdida em São Paulo, mesmo consultando o mapa da cidade, (oração 
subordinada adverbial concessiva) quando você me telefonou. (oração subordinada adverbial 
temporal) 
 
Questões 
 
01. (SESAP/RN - Técnico em Enfermagem - COMPERVE/2018) Parentes de pacientes que foram 
diagnosticados com enfarte ou derrame tinham maiores[1] chancesde eles mesmos[2] apresentarem o 
quadro[3] durante sua vida. 
 
Há, no trecho, um período composto por 
(A) coordenação com três orações, sendo a última delas uma coordenada aditiva. 
(B) subordinação com duas orações, sendo a segunda delas uma adjetiva restritiva. 
(C) subordinação com três orações, sendo a última delas uma substantiva completiva nominal. 
(D) coordenação com duas orações, sendo a segunda delas uma coordenada alternativa assindética. 
 
02. (UFRJ - Analista de Tecnologia da Informação - UFRJ/2018) 
 
Tente passar pelo que estou passando 
Tente apagar este teu novo engano 
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Tente me amar, pois estou te amando 
Baby, te amo, nem sei se te amo 
 
Tente usar a roupa que estou usando 
Tente esquecer em que ano estamos 
Arranje algum sangue, escreva num pano 
Pérola Negra, te amo, te amo 
Pérola Negra, Luiz Melodia, 1973. 
 
Nos versos destacados em negrito, na letra da bela canção de Luiz Melodia; as vírgulas são 
empregadas, respectivamente, para separar 
(A) uma oração coordenada sindética; o vocativo; elementos da mesma função sintática; o vocativo; 
expressão repetida. 
(B) uma oração coordenada assindética; o aposto; termos que vêm em ordem inversa; o predicativo 
deslocado; uma expressão conclusiva. 
(C) uma oração subordinada; o predicativo deslocado; uma expressão de retificação; o aposto; um 
termo antecipado e repetido por pronome enfático. 
(D) uma oração coordenada sindética; o predicativo deslocado; uma expressão concessiva; o vocativo; 
uma expressão de retificação. 
(E) uma oração subordinada; o vocativo; uma expressão conclusiva; o predicativo deslocado; 
expressão repetida. 
 
03. (ANAC - Analista Administrativo - ESAF/2016) Assinale a opção que apresenta explicação 
correta para a inserção de "que é" antes do segmento grifado no texto. 
A Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República divulgou recentemente a pesquisa O Brasil 
que voa – Perfil dos Passageiros, Aeroportos e Rotas do Brasil, o mais completo levantamento sobre 
transporte aéreo de passageiros do País. Mais de 150 mil passageiros, ouvidos durante 2014 nos 65 
aeroportos responsáveis por 98% da movimentação aérea do País, revelaram um perfil inédito do setor. 
<http://www.anac.gov.br/Noticia.aspx?ttCD_CHAVE=1957&slCD_ ORIGEM=29>. (com adaptações). 
 
(A) Prejudica a correção gramatical do período, pois provoca truncamento sintático. 
(B) Transforma o aposto em oração subordinada adjetiva explicativa. 
(C) Altera a oração subordinada explicativa para oração restritiva. 
(D) Transforma o segmento grifado em oração principal do período. 
(E) Corrige erro de estrutura sintática inserido no período. 
 
04. (SESAP/RN - Técnico em Enfermagem - COMPERVE/2018) Depois, vários cientistas passaram 
a estudar a correlação dos riscos genéticos com os comportamentais, na tentativa de avaliar 
o peso[1] que[2] cada risco tinha na determinação do destino do coração dos indivíduos. 
 
O elemento linguístico [2] é 
(A) conjunção coordenada e introduz uma oração explicativa. 
(B) conjunção integrante e introduz uma oração substantiva. 
(C) pronome relativo e retoma “peso”. 
(D) pronome relativo e retoma “riscos genéticos”. 
05. (Câmara de Palmas/TO – Assistente Administrativo – COPESE/2018) 
 
 
 
No trecho: “Tô tentando me atualizar e mexer nessa tecnologia humana”, o elemento em destaque une 
duas frases, tornando a segunda oração: 
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(A) subordinada adverbial temporal, que traduz a ideia de tempo transcorrido entre a primeira oração 
e a segunda. 
(B) subordinada adverbial causal, pois o elemento ‘e’ estabelece relação de causa/consequência. 
(C) coordenada sindética explicativa, uma vez que, na segunda frase, “mexer nessa tecnologia 
humana”, há uma tentativa de explicação da primeira “Tô tentando me atualizar!” 
(D) coordenada sindética aditiva, pois transmite a ideia de adição do segundo trecho em relação ao 
primeiro. 
Gabarito 
 
01.C / 02.A / 03.B / 04.C / 05.D 
 
Comentários 
01. Resposta: C 
1) Oração principal; 
2) Oração subordinada adjetiva restritiva: restringe o sentido de "parentes de pacientes"; 
3) Oração subordinada completiva nominal: completa um nome (substantivo, adjetivo ou adverbio), 
no caso em tela é o complemento de "maiores chances" 
 
02. Resposta: A 
Tente me amar, pois estou te amando – pois é uma conjunção coordenativa explicativa - uma oração 
coordenada sindética(possui conjunção) 
Baby, te amo, nem sei se te amo - Baby é um vocativo 
Pérola Negra, te amo, te amo - Pérola é um vocativo 
 
03. Resposta: B 
Do modo como está, trata-se de um aposto explicativo, aquele que explica ou esclarece algo; no caso 
explicando o que é a pesquisa O Brasil que voa. 
Se colocarmos um QUE É antes, ficaria assim: A Secretaria de Aviação Civil da Presidência da 
República divulgou recentemente a pesquisa O Brasil que voa – Perfil dos Passageiros, Aeroportos e 
Rotas do Brasil, que é o mais completo levantamento sobre transporte aéreo de passageiros do 
País. 
Logo, a oração em destaque é uma oração subordinada adjetiva EXPLICATIVA, que é aquela isolada 
por vírgula e que tem valor de adjetivo. 
Outro exemplo: Meu irmão, que sempre aprontou, casou-se. 
 
04. Resposta: C 
O pronome que retoma a palavra peso, sendo substituível por "o qual", sendo assim, se trata de um 
pronome relativo. 
 
05. Resposta: D 
“Tô tentando me atualizar e mexer nessa tecnologia humana” - Perceba que a conjunção "e" na frase 
tem sentido aditivo, podendo até ser substituída por outra aditiva "bem como", veja: 
“Tô tentando me atualizar bem como mexer nessa tecnologia humana” 
Conjunções Aditivas: dão a ideia de adição, acréscimo, como: e, nem, mas também, mas ainda, senão 
também, como também, bem como. 
 
ENUNCIAÇÃO / ENUNCIADO 
 
O termo enunciação refere-se à atividade social e interacional por meio da qual a língua é colocada 
em funcionamento por um enunciador (aquele que fala ou escreve), tendo em vista um enunciatário 
(aquele para quem se fala ou se escreve). O produto da enunciação é chamado enunciado. 
Como produto da enunciação, o enunciado é um ato individual que pressupõe um sujeito. Alguém 
enuncia. Alguém produz um ato de fala. Alguém produz um discurso. Mas esse alguém não está sozinho. 
O enunciado constitui uma relação verbal entre dois sujeitos. Enunciar pressupõe dizer alguma coisa a 
alguém, dentro de uma competência linguística e discursiva. O discurso é uma relação verbal entre 
locutor/enunciador e alocutário/enunciatário. 
Assim, o enunciado deve constituir um sentido, como marca de realidade, e uma significação, ou seja, 
dizer alguma coisa a alguém, servir para a comunicação entre as pessoas. 
Bakhtin, Benveniste e Ducrot estão entre os autores mais citados relativamente a essa noção. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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Texto: 
Designa, grosso modo, a materialidade dos discursos/gêneros, o que envolve o escrito, o falado, o 
pictórico, as mídias eletrônicas etc. O texto assim entendido em termos materiais é meu objeto, mas não 
o texto como mera “textualidade”, isto é, fora de uma discursividade e de uma genericidade. 
 
Interdiscursividade: 
A interdiscursividade, para Fiorin, ocorre na medida em que há uma relação dialógica, estabelecendo 
uma relação de sentido. Na interdiscursividade há a incorporação de temas, ideias e figuras do outro, 
podendo negá-las ou aceita-las. 
Existem dois processos de interdiscursividade: 
1- Citação: quando um discurso repete temas e figuras de outro. 
2- Alusão: acontece quando há a incorporação de percursos temáticos e/ou figurativos de um discurso 
que servirá para a contextualização,possibilitando a compreensão. 
 
PONTUAÇÃO 
 
Para a elaboração de um texto escrito deve-se considerar o uso adequado dos sinais de pontuação 
como: espaços, pontos, vírgula, ponto e vírgula, dois pontos, travessão, parênteses, reticências, aspas 
etc. 
Tais sinais têm papéis variados no texto escrito e, se utilizados corretamente, facilitam a compreensão 
e entendimento do texto. 
 
Vírgula 
 
Algumas pessoas colocam vírgulas por causa de pausas feitas na fala.15 A vírgula, na escrita, não 
necessariamente é uma pausa na fala, tampouco é usada para pausar quando se lê um trecho virgulado. 
Assim, vale dizer que o importante é, primeiro, saber em que situações gerais não se usa a vírgula. 
 
Cuidado! 
Em orações substantivas com função de sujeito iniciadas por quem, a vírgula entre tal oração e o 
verbo da principal é facultativa, segundo Luiz A. Sacconi: “Quem lê sabe mais.” ou “Quem lê, sabe mais”. 
Os demais gramáticos nada falam sobre isso, logo deduzimos que não pode haver vírgula entre sujeito e 
verbo. 
 
Não se separa por vírgula: 
- sujeito de predicado; 
- objeto de verbo; 
- adjunto adnominal de nome; 
- complemento nominal de nome; 
- oração principal da subordinada substantiva (desde que esta não seja apositiva nem apareça na 
ordem inversa). 
 
Aplicação da Vírgula 
A vírgula marca uma breve pausa e é obrigatória nos seguintes casos: 
 
1° Inversão de Termos. Ex.: Ontem, à medida que eles corrigiam as questões, eu me preocupava 
com o resultado da prova. 
 
2° Intercalações de Termos. Ex.: A distância, que tudo apaga, há de me fazer esquecê-lo. 
 
3° Inspeção de Simples Juízo. Ex.: “Esse homem é suspeito”, dizia a vizinhança. 
 
4° Enumerações 
- sem gradação: Coleciono livros, revistas, jornais, discos.16 
- com gradação: Não compreendo o ciúme, a saudade, a dor da despedida. 
 
 
 
15 SCHOCAIR. Nelson M. Gramática do Português Instrumental. 2ª. ed Niteroi: Impetus, 2007. 
16 SCHOCAIR, Nelson M. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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5° Vocativos e Apostos 
- vocativos: Queridos ouvintes, nossa programação passará por pequenas mudanças. 
- apostos: É aqui, nesta querida escola, que nos encontramos. 
 
6° Omissões de Termos 
- elipse: A praça deserta, ninguém àquela hora na rua. (Omitiu-se o verbo “estava” após o vocábulo 
“ninguém”, ou seja, ocorreu elipse do verbo estava) 
- zeugma: Na classe, alguns alunos são interessados; outros, (são) relapsos. (Supressão do verbo 
“são” antes do vocábulo “relapsos”) 
 
7° Termos Repetidos. Ex.: Nada, nada há de me derrotar. 
 
8° Sequência de Adjuntos Adverbiais. Ex.: Saíram do museu, ontem, por voltas das 17h. 
 
Dois Pontos 
 
Os dois-pontos marcam uma supressão de voz em frase ainda não concluída. Em termos práticos, 
este sinal é usado para: 
 
- Antes de enumerações. Ex.: Compre três frutas hoje: maçã, uva e laranja. 
 
- Iniciando citações. Ex.: “Segundo o folclórico Vicente Mateus: ‘Quem está na chuva é para se 
queimar’”17. 
 
- Antes de orações que explicam o enunciado anterior. Ex.: Não foi explicado o que deveríamos 
fazer: o que nos deixa insatisfeitos. 
 
- Depois de verbos que introduzem a fala. Ex.: “(...) e disse: aqui não podemos ficar!” 
 
Ponto e Vírgula 
 
O ponto e vírgula é usado para marcar uma pausa maior do que a da vírgula. Seu objetivo é colaborar 
com a clareza do texto. Exemplos: 
 
Os dois rapazes estavam desesperados por dinheiro; Ernesto não tinha dinheiro nem crédito. (pausa 
longa) 
 
Sonhava em comprar todos os sapatos da loja; comprei, porém, apenas um par. (separação da oração 
adversativa na qual a conjunção - porém - aparece no meio da oração) 
 
Enumeração com explicitação - Comprei alguns livros: de matemática, para estudar para o concurso; 
um romance, para me distrair nas horas vagas; e um dicionário, para enriquecer meu vocabulário. 
 
Enumeração com ponto e vírgula, mas sem vírgula, para marcar distribuição - Comprei os 
produtos no supermercado: farinha para um bolo; tomates para o molho; e pão para o café da manhã. 
 
Parênteses 
 
Os parênteses, muito semelhantes aos travessões e às vírgulas, são empregados para: 
 
- Isolar datas. Ex.: Refiro-me aos soldados da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). 
 
- Isolar siglas. Ex.: A taxa de desemprego subiu para 5,3% da população economicamente ativa 
(PEA)... 
 
- Isolar explicações ou retificações. Ex.: Eu expliquei uma vez (ou duas vezes) o motivo de minha 
preocupação. 
 
17 SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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Reticências 
 
As reticências são empregadas para: 
 
- Indicar a interrupção de uma frase, deixando-a com sentido incompleto. Ex.: Não consegui falar 
com a Laura.... Quem sabe se eu ligar mais tarde... 
 
- Sugerir prolongamento de ideias. Ex.: “Sua tez, alva e pura como um floco de algodão, tingia-se 
nas faces duns longes cor-de-rosa...” (José de Alencar) 
 
- Indicar dúvida ou hesitação. Ex.: Não sei... Acho que... Não quero ir hoje. 
 
- Indicar omissão de palavras ou frases no período. Ex.: “Se o lindo semblante não se impregnasse 
constantemente, (...) ninguém veria nela a verdadeira fisionomia de Aurélia, e sim a máscara de alguma 
profunda decepção.” (José de Alencar) 
 
Travessão 
 
O travessão é um sinal bastante usado na narração, na descrição, na dissertação e no diálogo, 
portanto, figura repetida em qualquer prova; é um instrumento eficaz em uma redação. Pode vir em dupla, 
se vier intercalado na frase. Veja seus usos: 
 
- Nos diálogos, para marcar a fala das personagens. Ex.: As meninas gritaram: - Venham nos 
buscar! 
 
- No meio de sentenças, para dar ênfase em informações. Ex.: O garçom - creio que já lhe falei - 
está muito bem no novo serviço - é o que ouvi dizer. 
 
Ponto de Exclamação 
 
O ponto de exclamação é empregado para marcar o fim de qualquer frase com entonação exclamativa, 
indicando altissonância, exaltação de espírito. 
 
- Após vocativos. Ex.: Vem, Fabiano! 
 
- Após imperativos. Ex.: Corram! 
 
- Após interjeição. Ex.: Ai! / Ufa! 
 
- Após expressões ou frases de caráter emocional. Ex.: Quantas pessoas! 
 
Aspas 
 
As aspas são usadas comumente em citações, mas também há outras funções bem interessantes. 
Atualmente o negrito e o itálico vêm substituindo frequentemente o uso das aspas. Resumindo, elas são 
empregadas: 
- Isolam termos distantes da norma culta, como gírias, neologismos, arcaísmos, expressões 
populares entre outros. Ex.: Eles tocaram “flashback”, “tipo assim” anos 70 e 80. Foi um verdadeiro 
“show”. 
 
- Delimitam transcrições ou citações textuais. Ex.: Segundo Rui Barbosa: “A política afina o 
espírito.” 
 
- Isolam estrangeirismos. Ex.: Os restaurantes “fast food” têm reinado na cidade. 
 
 
 
 
 
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. 98 
Ponto 
 
Emprega-se o ponto, basicamente, para indicar o fim de uma frase declarativa de um período simples 
ou composto. Pode substituir a vírgula quando o autor quer realçar, enfatizar o que vem após (evita-se 
isso em linguagem formal). 
– Posso ouvir o vento assoprar com força. Derrubando tudo! 
 
O ponto é também usado em quase todas as abreviaturas: fev. = fevereiro, hab.= habitante, rod. = 
rodovia, etc. = etecetera. 
 
O ponto do etc. termina o período, logo não pode haver outro ponto: “..., feijão, arroz, etc..”. Absurdo 
também é usar etc. seguido de reticências: “... feijão, arroz, etc....”. 
 
Chama-seponto parágrafo aquele que encerra um período e a ele se segue outro período em linha 
diferente. Esse último ponto agora (antes do Esse) é chamado de ponto continuativo, pois a ele se segue 
outro período no mesmo parágrafo. Ponto final é este que virá agora. 
 
Obs.: Estilisticamente, podemos usar o ponto para, em períodos curtos, empregar dinamicidade, 
velocidade à leitura do texto: “Era um garoto pobre. Mas tinha vontade de crescer na vida. Estudou. Subiu. 
Foi subindo mais. Hoje é juiz do Supremo.”. Usa-se muito em narrações em geral. 
 
Ponto de Interrogação 
 
O ponto de interrogação marca uma entoação ascendente (elevação da voz) com tom questionador. 
Usa-se neste caso: 
 
- Em perguntas diretas: Como você se chama? 
- Às vezes, juntamente com o ponto de exclamação: Quem ganhou na loteria? Você. Eu?! 
 
Parágrafo 
 
Constitui cada uma das secções de frases de um escritor; começa por letra maiúscula, um pouco além 
do ponto em que começam as outras linhas. 
 
Colchetes 
 
Utilizados na linguagem científica. 
 
Asterisco 
 
Empregado para chamar a atenção do leitor para alguma nota (observação). 
 
Barra 
 
Aplicada nas abreviações das datas e em algumas abreviaturas. 
Hífen 
 
Usado para ligar elementos de palavras compostas e para unir pronomes átonos a verbos. Exemplo: 
guarda-roupa. 
 
Questões 
 
01. (IFTO - Auditor) Marque a alternativa em que a ausência de vírgula não altera o sentido do 
enunciado. 
(A) O professor espera um, sim. 
(B) Recebo, obrigada. 
(C) Não, vá ao estacionamento do campus. 
(D) Não, quero abandonar minhas funções no trabalho. 
(E) Hoje, podem ser adquiridas as impressoras licitadas. 
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02. (MPE/GO - Secretário Auxiliar) Assinale a alternativa correta quanto ao uso da pontuação. 
(A) Os motoristas, devem saber, que os carros podem ser uma extensão de nossa personalidade. 
(B) Os congestionamentos e o número de motoristas na rua, são as principais causas da ira de trânsito. 
(C) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; aumentar os níveis de estresse em alguns motoristas. 
(D) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, porque você está junto; com os outros motoristas 
cujos comportamentos, são desconhecidos. 
(E) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas circunstâncias, ceder à frustração para que a 
raiva seja aliviada. 
 
03. (SEGEP/MA - Analista Ambiental - FCC) A frase escrita com correção é: 
(A) Humberto de Campos, jornalista, critico, contista, e memorialista nasceu, em Miritiba, hoje 
Humberto de Campos no Maranhão, em 1886, e falesceu, no Rio de Janeiro em 1934. 
(B) O escritor Humberto de Campos, em 1933, publicou o livro que veio à ser considerado, o mais 
celebre de sua obra: Memórias, crônica dos começos de sua vida. 
(C) Em 1912, Humberto de Campos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, e entrou para O Imparcial, na 
fase em que ali encontrava-se um grupo de eximios escritores. 
(D) De infância pobre e orfão de pai aos seis anos; Humberto de Campos, começou a trabalhar cedo 
no comércio, como meio de subsistencia. 
(E) Humberto de Campos publicou seu primeiro livro em 1910, a coletânea de versos intitulada Poeira; 
em 1920, já membro da Academia Brasileira de Letras, foi eleito deputado federal pelo Maranhão. 
 
04. (TRT 2ª Região/SP - Analista Judiciário - FCC/2018) 
 
De cabeça pra baixo 
 
− Esse mundo está ficando de cabeça pra baixo! 
É uma conhecida frase, que sucessivas gerações vêm frequentando. Ela logo surge a propósito de 
qualquer coisa que se considere uma novidade despropositada, irritante: modelo de roupa mais ousada, 
último grande sucesso musical, aumento milionário no salário de um jogador de futebol, a longa estiagem 
na estação chuvosa, a avalanche de crimes no jornal... A ideia é sempre demonstrar que a vida e o mundo 
já foram muito melhores, que a passagem do tempo leva inexoravelmente à perversão ou ao 
desmoronamento dos valores autênticos, que uma geração construiu e que a seguinte apagou. 
Parece que na história da humanidade o fenômeno é comum e cíclico: as pessoas enaltecem seus 
hábitos passados e condenam os presentes. “Ah, no meu tempo...” é uma expressão que vale um suspiro 
e uma acusação. Algo de muito melhor ficou para trás e se perdeu. A missão dessa juventude de hoje é 
desviar-se da Civilização.... 
A ironia é que justamente nesses “desvios” e por conta deles a História caminha, ainda que não se 
saiba para onde. Fosse tudo uma repetição conservadora, nenhuma descoberta jamais se daria, sem 
contar que os mais velhos já não teriam do que se queixar e a quem imputar a culpa por todos os 
desassossegos que assaltam todas as gerações humanas, desde que existimos. 
(Romildo Pacheco, inédito) 
 
A supressão da vírgula altera significativamente o sentido da seguinte frase: 
(A) Frequentemente, as pessoas enaltecem seus hábitos passados. 
(B) As pessoas gostam de enaltecer seus hábitos antigos, quase sempre sem muita discrição. 
(C) Não se conhece a origem das frases feitas, nem por que adquiriram tanta força. 
(D) O autor do texto busca mostrar-se imparcial, diante desse tema controverso. 
(E) Trata-se aqui das pessoas mais velhas, que se apegam a seus hábitos passados. 
 
05. (MPE/AL - Analista do Ministério Público - FGV/2018) 
 
OPORTUNISMO À DIREITA E À ESQUERDA 
 
Numa democracia, é livre a expressão, estão garantidos o direito de reunião e de greve, entre outros, 
obedecidas leis e regras, lastreadas na Constituição. Em um regime de liberdades, há sempre o risco de 
excessos, a serem devidamente contidos e seus responsáveis, punidos, conforme estabelecido na 
legislação. 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos caminhoneiros, concluídas as investigações, por 
exemplo, da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados em se beneficiar do barateamento do 
combustível. 
Sempre há, também, o oportunismo político-ideológico para se aproveitar da crise. Inclusive, neste ano 
de eleição, com o objetivo de obter apoio a candidatos. Não faltam, também, os arautos do quanto pior, 
melhor, para desgastar governantes e reforçar seus projetos de poder, por mais delirantes que sejam. 
Também aqui vale o que está delimitado pelo estado democrático de direito, defendido pelos diversos 
instrumentos institucionais de que conta o Estado – Polícia, Justiça, Ministério Público, Forças Armadas 
etc. 
A greve atravessou vários sinais ao estrangular as vias de suprimento que mantêm o sistema produtivo 
funcionando, do qual depende a sobrevivência física da população. Isso não pode ser esquecido e serve 
de alerta para que as autoridades desenvolvam planos de contingência. 
O Globo, 31/05/2018. 
 
“Numa democracia, (1) é livre a expressão, estão garantidos o direito de reunião e de greve, (2) entre 
outros, obedecidas leis e regras, (3) lastreadas na Constituição. Em um regime de liberdades, (4) há 
sempre o risco de excessos, (5) a serem devidamente contidos e seus responsáveis, punidos, conforme 
estabelecido na legislação”. 
 
Nesse segmento inicial do texto, a vírgula que tem caráter optativo é a indicada pelo número 
(A) (1). 
(B) (2). 
(C) (3). 
(D) (4). 
(E) (5). 
 
06. (TCM/RJ - Técnico de Controle Externo - IBFC) Assinale a alternativa cuja frase está 
corretamente pontuada. 
(A) O bolo que estava sobre a mesa, sumiu. 
(B) Ele, apressadamente se retirou, quando ouviu um barulho estranho. 
(C) Confessou-lhe tudo; ciúme, ódio, inveja. 
(D) Paulo pretende cursar Medicina; Márcia, Odontologia. 
 
07. (MPE/GO - Secretário Auxiliar – MPE/GO) O período abaixo foi escrito por Machado de Assis em 
seu Conto de Escola. A alternativa que apresenta a pontuação de acordo com a norma culta é: 
(A)Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria 
a um meio que lhe pareceu útil: para escapar ao castigo do pai. 
(B) Compreende-se que o ponto da lição era difícil, e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria 
a um meio que lhe pareceu útil para escapar ao castigo do pai. 
(C) Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que o Raimundo não o tendo aprendido, recorria 
a um meio que lhe pareceu útil: para escapar ao castigo do pai. 
(D) Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que, o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria; 
a um meio que, lhe pareceu útil, para escapar ao castigo do pai. 
(E) Compreende-se que: o ponto da lição era difícil e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria; 
a um meio que lhe pareceu útil: para escapar ao castigo do pai. 
 
08. (UNEMAT - Técnico em Enfermagem - UNEMAT/2018) 
 
 
https://oglobo.globo.com/cultura/megazine/contestador-armandinhoganha-fama-no-facebook-8027174 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 101 
Em Pai, o que é “machismo”? e em Não se mete, Fê!, a vírgula foi usada para 
(A) marcar anteposição do predicativo. 
(B) separar elementos de uma enumeração. 
(C) separar o pleonasmo. 
(D) isolar o vocativo. 
(E) isolar expressões explicativas. 
 
09. (UFPR - Contador - 2018) 
 
A não menos nobre vírgula 
 
 [...] Jacob mandou esta questão: “Sempre aprendi que o advérbio deveria vir entre vírgulas, mesmo 
que, às vezes, a frase fique truncada. 
Quando vi que não colocou os advérbios entre vírgulas, senti que há uma esperança de me libertar 
dessas verdadeiras amarras dos tempos escolares. Como pontuar, afinal, nesses casos?”. 
O leitor acertou na mosca quando se referiu a “essas verdadeiras amarras escolares”. Tomemos como 
exemplo o próprio texto do leitor, que na passagem “...mesmo que, às vezes, a frase fique truncada” optou 
por pôr entre vírgulas a expressão adverbial “às vezes”, que vem entre a locução conjuntiva “mesmo que” 
e “a frase”, sujeito da oração introduzida por “mesmo que”. 
Vamos lá. Teria sido perfeitamente possível deixar “livre” a expressão adverbial “às vezes”, ou seja, 
teria sido possível não empregar as duas vírgulas (“...mesmo que às vezes a frase fique truncada”). É 
bom que se diga que, com as duas vírgulas, a expressão “às vezes” ganha ênfase, o que não ocorreria 
se não fossem empregadas as vírgulas. 
O que não se pode fazer de jeito nenhum nesses casos é empregar a chamada “vírgula solteira”, que 
é aquela que perde o par no meio do caminho. Tradução: ou se escreve “...mesmo que, às vezes, a frase 
fique truncada” ou se escreve “...mesmo que às vezes a frase fique truncada”. [...] 
(Pasquale Cipro Neto, publicado em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2016/11/1831039-a-nao-menos-nobre-virgula.shtml> . Acesso em 
24/03/18. Adaptado) 
 
As aspas ao longo texto são usadas para: 
1. Indicar a escrita de outra pessoa que não o autor do texto. 
2. Exemplificar o emprego incorreto da norma gramatical. 
3. Marcar o uso de termos em sentido figurado. 
4. Enfatizar a gravidade do problema de mau uso da vírgula. 
5. Indicar o uso metalinguístico (em que a língua aponta para si mesma). 
 
Estão corretos os itens: 
(A) 1 e 3 apenas. 
(B) 1, 2 e 4 apenas. 
(C) 1, 3 e 5 apenas. 
(D) 2, 3, 4 e 5 apenas. 
(E) 1, 2, 3, 4 e 5. 
 
10. (SEGEP/MA - Analista Ambiental - Pedagogo - FCC) Será que a internet está a matar a 
democracia? Vyacheslav W. Polonski, um acadêmico da Universidade de Oxford, faz essa pergunta na 
revista Newsweek. E oferece argumentos a respeito que desaguam em águas tenebrosas. 
A internet oferece palco político para os mais motivados (e despreparados). Antigamente, o cidadão 
revoltado podia ter as suas opiniões sobre os assuntos do mundo. Mas, tirando o boteco, ou o bairro, ou 
até o jornal do bairro, essas opiniões nasciam e morriam no anonimato. 
Hoje, é possível arregimentar dezenas, ou centenas, ou milhares de "seguidores" que rapidamente 
espalham a mensagem por dezenas, ou centenas, ou milhares de novos "seguidores". Quanto mais 
radical a mensagem, maior será o sucesso cibernauta. 
Mas a internet não é apenas um paraíso para os politicamente motivados (e despreparados). Ela tende 
a radicalizar qualquer opinião sobre qualquer assunto. 
A ideia de que as redes sociais são uma espécie de "ágora moderna", onde existem discussões mais 
flexíveis e pluralistas, não passa de uma fantasia. A internet não cria debate. Ela cria trincheiras entre 
exércitos inimigos. 
(Adaptado de: COUTINHO, João Pereira. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2016/08/1801611) 
 
 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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Atente para as afirmações abaixo a respeito do 1o parágrafo do texto. 
I. O ponto de interrogação pode ser excluído, sem prejuízo para a correção e o sentido, por se tratar 
de pergunta retórica. 
II. As vírgulas isolam o aposto. 
III. Na última frase do parágrafo, o pronome “que” retoma "argumentos". 
IV. No contexto, o verbo “desaguar” está empregado em sentido figurado. 
 
Está correto o que se afirma APENAS em: 
(A) I e II. 
(B) II, III e IV. 
(C) II e III. 
(D) I e IV. 
Gabarito 
 
01.E / 02.E / 03.E / 04.E / 05.A / 06.D / 07.B / 08.D / 09.C / 10.B 
 
Comentários 
 
01. Resposta: E 
a) O professor espera um, sim. O prof. esta esperando um algo, quando tiro a virgula ele fica 
''esperando um sim''. 
b) Recebo, obrigada. A pessoa recebe e diz obrigado, quando tiro a virgula ele passa a receber é um 
obrigado. 
c) Não, vá ao estacionamento do campus. ''Vá ao estacionamento'', quando tiro a virgula passa a ''não 
vá ao estacioname...'' 
d) Não, quero abandonar minha funções no trabalho. Eu quero abandonar, quando tiro a virgula fica 
negado ''não quero...'' 
Todas mudaram de sentido, menos a última. 
 
02. Resposta: E 
Conferindo as demais: 
a) Os motoristas, devem saber, que os carros podem ser uma extensão de nossa personalidade. 
Não se separa sujeito do predicado por vírgula. 
b) Os congestionamentos e o número de motoristas na rua, são as principais causas da ira de trânsito. 
Não se separa sujeito do predicado por vírgula. 
c) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; aumentar os níveis de estresse em alguns motoristas. 
Não se separa por vírgula verbo de seu complemento (no caso 'ocasionar' sendo VTD e 
acidentes OD) 
d) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, porque você está junto; com os outros motoristas 
cujos comportamentos, são desconhecidos. 
Não se separa por vírgula verbo de seu complemento 
e) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas circunstâncias, ceder à frustração para 
que a raiva seja aliviada. (Correta) 
 
03. Resposta: E 
a) Humberto de Campos, jornalista, critico, contista, e memorialista nasceu, em Miritiba, hoje Humberto 
de Campos no Maranhão, em 1886, e FALECEU, no Rio de Janeiro em 1934. 
b) O escritor Humberto de Campos, em 1933, publicou o livro que veio à ser considerado, o mais 
celebre de sua obra: Memórias, crônica DO COMEÇO de sua vida. 
c) Em 1912, Humberto de Campos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, e entrou para O Imparcial, na 
fase em que ali encontrava-se um grupo de exÍmios escritores. 
d) De infância pobre e orfão de pai aos seis anos; Humberto de Campos, começou a trabalhar cedo 
no comércio, como meio de subsistÊncia. 
 
04. Resposta: E 
Trata-se aqui das pessoas mais velhas, que se apegam a seus hábitos passados. --> Natureza 
EXPLICATIVA (Oração Subordinada Adjetiva Explicativa) 
Trata-se aqui das pessoas mais velhas que se apegam a seus hábitos passados. --> Natureza 
RESTRITIVA (Oração Subordinada Adjetiva Restritiva) 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97. 103 
05. Resposta: A 
Adjunto adverbial deslocado tradicional até três palavras, vírgula opcional 
 
06. Resposta: D 
a) A vírgula não pode separar o sujeito (o bolo...) do verbo (sumiu). Incorreta. 
b) Há vírgula entre o sujeito (ele) e o verbo (retirou). Incorreta. 
c) O ponto e vírgula está separando um aposto explicativo, quando na verdade deveria haver um sinal 
de dois-pontos. 
d) Essa é a vírgula que marca termo omitido (Zeugma). 
Paulo pretende cursar Medicina; Márcia, Odontologia. (Pretende cursar) 
 
07. Resposta: B 
A alternativa A tem dois pontos que não deveriam aparecer na oração. 
 
08. Resposta: D 
O vocativo é o termo que tem a função de chamar, invocar ou interpelar dentro da oração. 
 
09. Resposta: C 
1- “Sempre aprendi que o advérbio deveria vir entre vírgulas, mesmo que, às vezes, a frase fique 
truncada. 
Quando vi que não colocou os advérbios entre vírgulas, senti que há uma esperança de me libertar 
dessas verdadeiras amarras dos tempos escolares. Como pontuar, afinal, nesses casos?” 
3- “vírgula solteira” 
5- “...mesmo que, às vezes, a frase fique truncada” 
 
10. Resposta: B 
Item I = ERRADO. 
Caso o ponto de interrogação for excluído, a frase (Será que a internet está a matar a democracia?) 
perde o caráter de pergunta, de reflexão e passa a ser uma afirmação. A correção vai se prejudicar. 
Item II = CERTO. As vírgulas isolam o aposto. 
Aposto é um termo que se junta a outro de valor substantivo ou pronominal para explicá-lo ou 
especificá-lo melhor. Vem separado dos demais termos da oração por vírgula, dois-pontos ou travessão. 
O aposto se revela na seguinte passagem: Vyacheslav W. Polonski, um acadêmico da Universidade 
de Oxford, faz essa pergunta na revista Newsweek. 
Item III = CERTO. Na última frase do parágrafo, o pronome “que” retoma "argumentos". 
A finalidade do pronome relativo é evitar a repetição do termo antecedente na oração em que ocorre. 
Item IV = CERTO. No contexto, o verbo “desaguar” está empregado em sentido figurado. 
Desaguar = Drenar, Enxugar, Lançar as águas em (falando do curso dos rios). 
 
COESÃO 
 
Uma das propriedades que distinguem um texto de um amontoado de frases é a relação existente 
entre os elementos que os constituem. A coesão textual é a ligação entre palavras, expressões ou frases 
do texto. Ela manifesta-se por elementos gramaticais, que servem para estabelecer vínculos entre os 
componentes do texto. Observe: 
 
“O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações, que segurava na mão.” 
 
Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece conexão entre as duas orações. 
Se tivermos: “O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações e segurava na mão, 
retomando na segunda um dos termos da primeira: bloquinho. O pronome relativo é um elemento coesivo, 
e a conexão entre as duas orações, um fenômeno de coesão. Leia o texto que segue: 
 
Arroz-doce da infância 
 
Ingredientes 
1 litro de leite desnatado 
150g de arroz cru lavado 
1 pitada de sal 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
. 104 
4 colheres (sopa) de açúcar 
1 colher (sobremesa) de canela em pó 
 
Preparo 
Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada de sal e mexa sem parar até cozinhar o 
arroz. Adicione o açúcar e deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em um recipiente, polvilhe a 
canela. Sirva. 
Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4. São Paulo, InCor, agosto de 1999,. 
 
Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingredientes e modo de preparar. As informações 
apresentadas na primeira são retomadas na segunda. Nesta, os nomes mencionados pela primeira vez 
na lista de ingredientes vêm precedidos de artigo definido, o qual exerce, entre outras funções, a de 
indicar que o termo determinado por ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica já fizera 
menção. 
No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se adiciona o açúcar, o artigo relaciona ao açúcar 
citado na primeira parte. Se dissesse apenas adicione açúcar, deveria adicionar mais além do citado 
anteriormente, pois se trataria de outro açúcar, diverso daquele citado no rol dos ingredientes. 
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada ou antecipação de palavras, 
expressões ou frases e encadeamento de segmentos. 
 
Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra gramatical (pronome, verbos ou advérbios) 
 
“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há total igualdade entre homens e mulheres: estas 
ainda ganham menos do que aqueles em cargos equivalentes.” 
 
Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o termo mulheres, enquanto “aqueles” 
recupera a palavra homens. 
 
- Os termos que servem para retomar outros são denominados anafóricos; os que servem para 
anunciar, para antecipar outros são chamados catafóricos. No exemplo a seguir, desta antecipa 
abandonar a faculdade no último ano: 
“Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no último ano?” 
 
- São anafóricos ou catafóricos os pronomes demonstrativos, os pronomes relativos, certos advérbios 
ou locuções adverbiais (nesse momento, então, lá), o verbo fazer, o artigo definido, os pronomes pessoais 
de 3ª pessoa (ele, o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes indefinidos. Exemplos: 
 
- O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre. 
“Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na cátedra de Sociologia na Universidade 
de São Paulo.” 
 
- O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas; o pronome pessoal “o” retoma o nome 
Machado de Assis. 
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como um descrente do amor e da amizade.” 
 
- O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens. 
“Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando roupa escura.” 
 
- O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema. 
“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado com a fila.” 
 
- A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai inaugurar e seu complemento. 
“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos funcionários do palácio, e o fará para 
demonstrar seu apreço aos servidores.” 
 
- Em princípio, o termo a que “o” anafórico se refere deve estar presente no texto, senão a coesão fica 
comprometida, como neste exemplo: 
“André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários meses.” 
 
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A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafórico, pois não está retomando nenhuma 
das palavras citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica totalmente prejudicado: não há 
possibilidade de se depreender o sentido desse pronome. 
Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a nenhuma palavra citada anteriormente no 
interior do texto, mas que possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que se inscreve 
o texto. É o caso de um exemplo como este: 
“O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava desesperado, porque eram 21 horas e ela não 
havia comparecido.” 
 
Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome “ela” é um anafórico que só pode estar-se 
referindo à palavra noiva. Num casamento, estando presente o noivo, o desespero só pode ser pelo atraso 
da noiva (representada por “ela” no exemplo citado). 
 
- O artigo indefinido (um, uma, uns, umas) serve geralmente para introduzir informações novas ao 
texto. Quando elas forem retomadas, deverão ser precedidas do artigo definido (o, a, os, as), pois este é 
que tem a função de indicar que o termo por ele determinado é idêntico, em termos de valor referencial, 
a um termo já mencionado. 
“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala de espetáculos. Curiosamente, a carteira 
tinha muito dinheiro dentro, mas nem um documento sequer.”- Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a dois termos distintos, há uma ruptura de 
coesão, porque ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja escrito de tal forma que o 
leitor possa determinar exatamente qual é a palavra retomada pelo anafórico. 
 
- O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator quanto a diretor. 
“Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por causa da sua arrogância.” 
 
- Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo amiga ou a ex-namorado no exemplo 
abaixo. Permutando o anafórico “que” por “o qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita. 
“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que trabalha na mesma firma.” 
 
Retomada por palavra lexical - (substantivo, adjetivo ou verbo) 
 
Uma palavra pode ser retomada, quer por uma repetição, quer por uma substituição por sinônimo, 
hiperônimo, hipônimo ou antonomásia. 
Sinônimo: é o nome que se dá a uma palavra que possui o mesmo sentido que outra, ou sentido 
bastante aproximado: injúria e afronta, alegre e contente. 
Hiperônimo: é um termo que mantém com outro uma relação do tipo contém/está contido; 
Hipônimo: é uma palavra que mantém com outra uma relação do tipo está contido/contém. O 
significado do termo rosa está contido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois toda rosa é uma flor, 
mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois, hiperônimo de rosa, e esta palavra é hipônimo daquela. 
Antonomásia: é a substituição de um nome próprio por um nome comum ou de um comum por um 
próprio. Ela ocorre, principalmente, quando uma pessoa célebre é designada por uma característica 
notória ou quando o nome próprio de uma personagem famosa é usado para designar outras pessoas 
que possuam a mesma característica que a distingue: 
 
“O rei do futebol (=Pelé) só podia ser um brasileiro.” 
“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa recente minissérie de tevê.” 
*Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado pela liberdade na Europa e na América. 
 
“Ele é um Hércules.” (=um homem muito forte). 
*Referência à força física que caracteriza o herói grego Hércules. 
 
“Um presidente da República tem uma agenda de trabalho extremamente carregada. Deve receber 
ministros, embaixadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo o momento tomar graves 
decisões que afetam a vida de muitas pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e 
no mundo. Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e terminar sua jornada altas horas 
da noite.” 
 
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A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o último período e o que vem antes dele. 
 
“Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros sempre o atraíram.” 
 
Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros, que recupera os hipônimos estrelas, 
planetas, satélites. 
 
“Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do homem era regido por humores (fluidos 
orgânicos) que percorriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade em nosso corpo. Eram 
quatro os humores: o sangue, a fleuma (secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra. E eram 
também estes quatro fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido), 
ao Fogo (quente) e à Terra (frio), respectivamente.” 
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18. 
 
Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro períodos se faz pela repetição da palavra humores; 
entre o terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos. 
É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras, pois, se ela não for usada para criar um 
efeito de sentido de intensificação, constituirá uma falha de estilo. 
No trecho transcrito a seguir por exemplo, fica claro o uso da repetição da palavra vice e outras 
parecidas (vicissitudes, vicejam, viciem), com a evidente intenção de ridicularizar a condição secundária 
que um provável flamenguista atribui ao Vasco e ao seu Vice-presidente: 
 
“Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas sobre o pouco simpático Eurico Miranda. 
Faltam-me provas, mas tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.” 
 
Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-presidente do clube, vice-campeão carioca e bi-
vice-campeão mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Carioca de basquete, no 
Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que não viciem. 
 
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 2000. 
 
A elipse é o apagamento de um segmento de frase que pode ser facilmente recuperado pelo contexto. 
Também constitui um expediente de coesão, pois é o apagamento de um termo que seria repetido, e o 
preenchimento do vazio deixado pelo termo apagado (=elíptico) exige, necessariamente, que se faça 
correlação com outros termos presentes no contexto, ou referidos na situação em que se desenrola a 
fala. 
Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de Machado de Assis: 
 
(...) 
Mas a lua, fitando o sol, com azedume: 
 
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela 
Claridade imorta, que toda a luz resume!” 
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, VIII, 
 
Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas, 
fica subentendido, é omitido por ser facilmente presumível. 
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que, no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que 
vem elidido (ou apagado) antes de sentiu e parou: 
 
“Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada no peito e parou.” 
 
Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo que segue, aquela promoção é 
complemento tanto de querer quanto de desejar, no entanto aparece apenas depois do segundo verbo: 
 
“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preterido. Afinal, queria muito, desejava ardentemente 
aquela promoção.” 
 
Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm regência diferente, a coesão é 
rompida. Por exemplo, não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo conhecer rege 
complemento não introduzido por preposição, e a elipse retoma o complemento inteiro, portanto teríamos 
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uma preposição indevida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico e dispenso sem dó os 
estranhos palpiteiros”, diferentemente, no complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo 
verbo implicar. 
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é colocar o complemento junto ao primeiro 
verbo, respeitando sua regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, acrescentando a 
preposição devida (Conheço este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Implico com estranhos 
palpiteiros e os dispenso sem dó). 
 
Coesão por Conexão 
Há na língua uma série de palavras ou locuções que são responsáveis pela concatenação ou relação 
entre segmentos do texto. Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discursivos. Por 
exemplo: visto que, até, ora, no entanto, contudo, ou seja. 
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: estabelecem entre elas relações semânticas 
de diversos tipos, como contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, etc. Essas relações 
exercem função argumentativa no texto, por isso os operadores discursivos não podem ser usados 
indiscriminadamente. 
Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não alcançou a vitória”, por exemplo, o conector 
“mas” está adequadamente usado, pois ele liga dois segmentos com orientação argumentativa contrária. 
Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o resultado seria umparadoxo semântico, pois esse 
operador discursivo liga dois segmentos com a mesma orientação argumentativa, sendo o segmento 
introduzido por ele a conclusão do anterior. 
 
- Gradação: há operadores que marcam uma gradação numa série de argumentos orientados para 
uma mesma conclusão. Dividem-se eles, em dois subtipos: os que indicam o argumento mais forte de 
uma série: até, mesmo, até mesmo, inclusive, e os que subentendem uma escala com argumentos mais 
fortes: ao menos, pelo menos, no mínimo, no máximo, quando muito. 
 
“Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem articulado, conhece bem o assunto de que 
fala e é até sedutor.” 
 
Toda a série de qualidades está orientada no sentido de comprovar que ele é bom conferencista; 
dentro dessa série, ser sedutor é considerado o argumento mais forte. 
 
“Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho. Chegará a ser pelo menos diretor da 
empresa.” 
 
Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ser ambicioso e ter grande 
capacidade de trabalho; por outro lado, subentende que há argumentos mais fortes para comprovar que 
ele tem as qualidades requeridas dos que vão longe (por exemplo, ser presidente da empresa) e que se 
está usando o menos forte; ao menos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos de valor positivo. 
 
“Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segundo grau.” 
No máximo introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ter muita dificuldade de aprender; 
supõe que há uma escala argumentativa (por exemplo, fazer uma faculdade) e que se está usando o 
argumento menos forte da escala no sentido de provar a afirmação anterior; no máximo e quando muito 
estabelecem ligação entre argumentos de valor depreciativo. 
 
- Conjunção Argumentativa: há operadores que assinalam uma conjunção argumentativa, ou seja, 
ligam um conjunto de argumentos orientados em favor de uma dada conclusão: e, também, ainda, nem, 
não só... mas também, tanto... como, além de, a par de. 
 
“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor da escola, é muito respeitado pelos 
funcionários e também é muito querido pelos alunos.” 
 
Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o interlocutor quem pode tomar uma dada decisão. 
O último deles é introduzido por “e também”, que indica um argumento final na mesma direção 
argumentativa dos precedentes. 
Esses operadores introduzem novos argumentos; não significam, em hipótese nenhuma, a repetição 
do que já foi dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores de conjunção segmentos que 
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representam uma progressão discursiva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e 
continuou seu discurso”, porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da exposição. Não teria 
cabimento usar operadores desse tipo para ligar dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o 
assaltaram e escondeu o choro que tomou conta dele”. 
 
- Disjunção Argumentativa: há também operadores que indicam uma disjunção argumentativa, ou 
seja, fazem uma conexão entre segmentos que levam a conclusões opostas, que têm orientação 
argumentativa diferente: ou, ou então, quer... quer, seja... seja, caso contrário, ao contrário. 
 
“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a briga, para que ele não apanhasse.” 
 
O argumento introduzido por ao contrário é diretamente oposto àquele de que o falante teria agredido 
alguém. 
 
- Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão em relação ao que foi dito em dois ou 
mais enunciados anteriores (geralmente, uma das afirmações de que decorre a conclusão fica implícita, 
por manifestar uma voz geral, uma verdade universalmente aceita): logo, portanto, por conseguinte, pois 
(o pois é conclusivo quando não encabeça a oração). 
 
“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao controle dos fluxos mundiais de petróleo. Por 
conseguinte, não é moralmente defensável.” 
 
Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirmação exposta no primeiro período. 
 
- Comparação: outros importantes operadores discursivos são os que estabelecem uma comparação 
de igualdade, superioridade ou inferioridade entre dois elementos, com vistas a uma conclusão contrária 
ou favorável a certa ideia: tanto... quanto, tão... como, mais... (do) que. 
 
“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves quanto maior for a corrupção entre os 
agentes penitenciários.” 
 
O comparativo de igualdade tem no texto uma função argumentativa: mostrar que o problema da fuga 
de presos cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários; por isso, os 
segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do ponto de vista 
argumentativo, pois não há igualdade argumentativa proposta: 
 
“Tanto maior será a corrupção entre os agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da 
fuga de presos”. 
 
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o 
seguinte diálogo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de futebol: 
 
“__Precisamos promover atletas das divisões de base para reforçar nosso time. 
__Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os do time principal.” 
 
Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção, pois ele declara que qualquer atleta das 
divisões de base tem, pelo menos, o mesmo nível dos do time principal, o que significa que estes não 
primam exatamente pela excelência em relação aos outros. 
Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os segmentos na sua fala: 
 
“__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das divisões de base.” 
 
Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da promoção, pois ele estaria declarando que 
os atletas do time principal são tão bons quanto os das divisões de base. 
 
- Explicação ou Justificativa: há operadores que introduzem uma explicação ou uma justificativa em 
relação ao que foi dito anteriormente: porque, já que, que, pois. 
 
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“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autorização da ONU, devem arcar sozinhos com 
os custos da guerra.” 
 
Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a tese de que os Estados Unidos devam 
arcar sozinhos com o custo da guerra contra o Iraque. 
 
- Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam uma relação de contrajunção, isto é, que 
ligam enunciados com orientação argumentativa contrária, são as conjunções adversativas (mas, 
contudo, todavia, no entanto, entretanto, porém) e as concessivas (embora, apesar de, apesar de que, 
conquanto, ainda que, posto que, se bem que). 
Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas, se tanto umas como outras ligam 
enunciados com orientação argumentativa contrária? 
Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento introduzido pela conjunção. 
 
“O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta mais decidido a vencer.” 
 
Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão negativa sobre um processo ocorrido com o 
atleta, enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Essa segunda 
orientação é a mais forte. 
Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”. 
No primeiro caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza; no segundo, 
que a falta de beleza perde relevância diante da simpatia. Quando se usam as conjunções adversativas, 
introduz-se um argumento com vistas à determinada conclusão, para, em seguida, apresentar um 
argumento decisivo para uma conclusão contrária. 
Com as conjunções concessivas, a orientação argumentativaque predomina é a do segmento não 
introduzido pela conjunção. 
 
“Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramática, trata-se de capacidades diferentes.” 
 
A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação argumentativa no sentido de que saber 
escrever e saber gramática são duas coisas interligadas; a oração principal conduz à direção 
argumentativa contrária. 
Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia argumentativa é a de introduzir no texto um 
argumento que, embora tido como verdadeiro, será anulado por outro mais forte com orientação contrária. 
A diferença entre as adversativas e as concessivas, portanto, é de estratégia argumentativa. Compare 
os seguintes períodos: 
 
“Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argumento mais fraco), a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).” 
“O exército planejou minuciosamente a operação (argumento mais fraco), mas a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).” 
 
- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que introduzem um argumento decisivo para 
derrubar a argumentação contrária, mas apresentando-o como se fosse um acréscimo, como se fosse 
apenas algo mais numa série argumentativa: além do mais, além de tudo, além disso, ademais. 
 
“Ele está num período muito bom da vida: começou a namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido 
na empresa, recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além disso, ganhou uma bolada 
na loteria.” 
 
O operador discursivo introduz o que se considera a prova mais forte de que “Ele está num período 
muito bom da vida”; no entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma. 
 
- Generalização ou Amplificação: existem operadores que assinalam uma generalização ou uma 
amplificação do que foi dito antes: de fato, realmente, como aliás, também, é verdade que. 
 
“O problema da erradicação da pobreza passa pela geração de empregos. De fato, só o crescimento 
econômico leva ao aumento de renda da população.” 
 
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O conector introduz uma amplificação do que foi dito antes. 
 
“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que atualmente militam no nosso futebol. 
 
O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso 
futebol são retranqueiros. 
 
- Especificação ou Exemplificação: também há operadores que marcam uma especificação ou uma 
exemplificação do que foi afirmado anteriormente: por exemplo, como. 
 
“A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas entre as camadas mais pobres da 
população. Por exemplo, é crescente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em toda 
sorte de delitos, dos menos aos mais graves.” 
 
Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica, exemplifica a afirmação de que a violência 
não é um fenômeno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”. 
 
- Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma retificação, uma correção do que foi afirmado 
antes: ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras. 
 
“Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar a viver junto com minha namorada.” 
 
O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito antes. 
Esses operadores servem também para marcar um esclarecimento, um desenvolvimento, uma 
redefinição do conteúdo enunciado anteriormente. 
 
“A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato, 
os interesses dos fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.” 
 
O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito antes. 
Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço do conteúdo de verdade de um enunciado. 
 
“Quando a atual oposição estava no comando do país, não fez o que exige hoje que o governo faça. 
Ao contrário, suas políticas iam na direção contrária do que prega atualmente. 
 
O conector introduz um argumento que reforça o que foi dito antes. 
 
- Explicação: há operadores que desencadeiam uma explicação, uma confirmação, uma ilustração do 
que foi afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira. 
 
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se processavam as negociações, atacou de 
surpresa.” 
O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado antes. 
 
Coesão por Justaposição 
É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enunciados, marcada ou não com 
sequenciadores. 
 
- Sequenciadores Temporais: são os indicadores de anterioridade, concomitância ou posterioridade: 
dois meses depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são utilizados predominantemente 
nas narrações). 
 
“Uma semana antes de ser internado gravemente doente, ele esteve conosco. Estava alegre e cheio 
de planos para o futuro.” 
 
- Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição relativa no espaço: à esquerda, à direita, 
junto de, etc. (são usados principalmente nas descrições). 
 
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“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, representando o amor e a castidade, sustentam uma 
cúpula oval de forma ligeira, donde se desdobram até o pavimento bambolins de cassa finíssima. (...) Do 
outro lado, há uma lareira, não de fogo, que o dispensa nosso ameno clima fluminense, ainda na maior 
força do inverno.” 
José de Alencar. Senhora. São Paulo, FTD, 1992, p. 77. 
 
- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a ordem dos assuntos numa exposição: 
primeiramente, em segunda, a seguir, finalmente, etc. 
 
“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente, das agruras por que passam as populações 
civis; em seguida, discorrerei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; finalmente, exporei suas 
consequências para a economia mundial e, portanto, para a vida cotidiana de todos os habitantes do 
planeta.” 
 
- Sequenciadores para Introdução: são os que, na conversação principalmente, servem para 
introduzir um tema ou mudar de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao assunto, fazendo 
um parêntese, etc. 
 
“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pessoas. A propósito, era um homem que sabia 
agradar às mulheres.” 
 
- Operadores discursivos não explicitados: se o texto for construído sem marcadores de 
sequenciação, o leitor deverá inferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores discursivos não 
explicitados na superfície textual. Nesses casos, os lugares dos diferentes conectores estarão indicados, 
na escrita, pelos sinais de pontuação: ponto-final, vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos. 
 
“A reforma política é indispensável. Sem a existência da fidelidade partidária, cada parlamentar vota 
segundo seus interesses e não de acordo com um programa partidário. Assim, não há bases 
governamentais sólidas.” 
 
Esse texto contém três períodos. O segundo indica a causa de a reforma política ser indispensável. 
Portanto o ponto-final do primeiro período está no lugar de um porque. 
 
A língua tem um grande número de conectores e sequenciadores. Apresentamos os principais e 
explicamos sua função. É preciso ficar atento aos fenômenos de coesão. Mostramos que o uso 
inadequado dos conectores e a utilização inapropriada dos anafóricos ou catafóricos geram rupturas na 
coesão, o que leva o texto a não ter sentido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra falha 
comum no que tange a coesão é a falta de partes indispensáveis da oração ou do período. Analisemos 
este exemplo: 
 
“As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha de combate à fome que foi lançada pelo 
governo federal.” 
 
O período compõe-se de: 
- As empresas;- que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva da primeira oração); 
- que apoiariam a campanha de combate à fome (oração subordinada substantiva objetiva direta da 
segunda oração); 
- que foi lançada pelo governo federal (oração subordinada adjetiva restritiva da terceira oração). 
 
Observe-se que falta o predicado da primeira oração. Quem escreveu o período começou a encadear 
orações subordinadas e “esqueceu-se” de terminar a principal. 
Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em períodos longos. No entanto, mesmo quando se 
elaboram períodos curtos é preciso cuidar para que sejam sintaticamente completos e para que suas 
partes estejam bem conectadas entre si. 
Para que um conjunto de frases constitua um texto, não basta que elas estejam coesas: se não tiverem 
unidade de sentido, mesmo que aparentemente organizadas, elas não passarão de um amontoado 
injustificado. 
 
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“Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem excelentes restaurantes. Ela tem bairros muito 
pobres. Também o Rio de Janeiro tem favelas.” 
 
Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade retoma o substantivo São Paulo, estabelecendo 
uma relação entre o segundo e o primeiro períodos. O pronome “ela” recupera a palavra cidade, 
vinculando o terceiro ao segundo período. O operador também realiza uma conjunção argumentativa, 
relacionando o quarto período ao terceiro. No entanto, esse conjunto não é um texto, pois não apresenta 
unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A coesão, portanto, é condição necessária, mas não 
suficiente, para produzir um texto. 
 
Questões 
 
01. (CRP 2º Região PE - Assistente Administrativo - Quadrix/2018) 
 
 
 
No terceiro quadrinho, a palavra "isso" ajuda a estabelecer, no texto, um processo de 
 
(A) coesão sequencial. 
(B) coesão referencial anafórica. 
(C) coesão referencial catafórica. 
(D) coesão exofórica. 
(E) perda de coesão. 
 
02. (Pref. de Teresina/PI – Professor – Português – NUCEPE/2016) A coerência e a coesão são 
mecanismo da textualidade que se estabelecem no texto a partir da: 
(A) conectividade. 
(B) intencionalidade. 
(C) aceitabilidade. 
(D) intertextualidade. 
(E) informatividade. 
 
03. (TER/PI – Analista Judiciário – CESPE/2016) 
 
 
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Na história em quadrinhos, a coesão e a coerência textuais são estabelecidas por meio 
(A) da retomada do termo “informação”, no último quadrinho. 
(B) da explicitação das formas existentes no mundo que, em tese, poderiam equivaler a vida. 
(C) do questionamento acerca do que vem a ser vida. 
(D) da resposta ao próprio questionamento do indivíduo do primeiro quadrinho. 
(E) das formas alfabéticas do segundo quadrinho. 
 
04. (UFMS – Assistente em Administração – UFMS/2016) 
 
Concurso marca 400 anos da morte de Shakespeare 
Vídeos que melhor mostrarem a atualidade da obra do dramaturgo inglês serão premiados com viagem 
ao Reino Unido e vale-presente 
 
REDAÇÃO 5 de maio de 2016 
Passados 400 anos da sua morte, por que William Shakespeare continua atual? É essa a pergunta 
que embala o concurso cultural Shakespeare Hoje, promovido pelo British Council e parte da 
programação “Shakespeare Lives”, que vem celebrando por meio de uma série de eventos, que se 
estenderão ao longo do ano, os quatro séculos da morte do dramaturgo inglês. 
Destinado a professores e alunos de escolas públicas e particulares de todo o Brasil, o concurso pede 
para que os participantes produzam um vídeo que mostre a importância e atualidade da obra 
shakespeariana. 
As produções devem ter, no máximo, quatro minutos e podem ser feitas em grupos de até cinco alunos 
que estejam cursando o Ensino Fundamental II ou Médio e com a coordenação de um professor. 
O material deve abordar textos e personagens de Shakespeare e pode conter excertos de peças, 
adaptações ou conteúdos autorais que sejam inspirados pela obra do autor. 
Os melhores vídeos serão premiados com uma viagem para o Reino Unido e vales-presentes no valor 
de 1 mil reais. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 28 de outubro. 
 
(www.cartaeducacao.com.br/agenda/concurso-marca-400-anos-da-morte-de-shakespeare, 2016) 
 
Assinale a alternativa INCORRETA no que se refere à coesão e/ou à coerência do texto lido. 
(A) No estabelecimento de coesão lexical no texto, os nomes “vídeos”, “produções” e “material” são 
empregados em relação de sinonímia. 
(B) No trecho “É essa a pergunta que embala o concurso cultural Shakespeare Hoje[...]” (1º parágrafo), 
o pronome demonstrativo “essa” estabelece referência catafórica por se referir ao substantivo “pergunta”. 
(C) Em “Passados 400 anos da sua morte, por que William Shakespeare continua atual?” (1º 
parágrafo), a sequência formada pela preposição “por” e pelo pronome interrogativo “que” pode ser 
substituída, sem prejuízo de sentido, pela expressão “por qual motivo”. 
(D) Entre as marcas de coesão referencial do texto, está o uso dos pronomes “sua” em “Passados 400 
anos da sua morte” e “essa” em “É essa a pergunta que embala o concurso”. (1º parágrafo) 
(E) Entre as marcas de coesão lexical do texto, está o uso de “autor” (penúltimo parágrafo) e 
“dramaturgo inglês” (primeiro parágrafo) em referência a “William Shakespeare”. (1º parágrafo). 
05. (Pref. de Natal/RN – Psicólogo – IDECAN/2016) 
 
Conheça Aris, que se divide entre socorrer e fotografar náufragos 
Profissional da AFP diz que a experiência de documentar o sofrimento dos refugiados deixou-o mais 
rígido com as próprias filhas. 
 
O grego Aris Messinis é fotógrafo da agência AFP em Atenas. Cobriu guerras e os protestos da 
Primavera Árabe. Nos últimos meses, tem se dedicado a registrar a onda de refugiados na Europa. Ele 
conta em um blog da AFP, ilustrado com muitas fotos, como tem sido o trabalho na ilha de Lesbos, na 
Grécia, onde milhares de refugiados pisam pela primeira vez em território europeu. Mais de 700.000 
refugiados e imigrantes clandestinos já desembarcaram no litoral grego este ano. As autoridades locais 
estão sendo acusadas de não dar apoio suficiente aos que chegam pelo mar, e há até a ameaça de 
suspender o país do Acordo Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre os Estados-
membros. 
Messinis diz que o mais chocante do seu trabalho é retratar, em território pacífico, pessoas que trazem 
no rosto o sofrimento da guerra. “Só de saber que você não está em uma zona de guerra torna isso ainda 
mais emocional. E muito mais doloroso”, diz Messinis. Numa guerra, o fotógrafo também corre perigo, 
então, de certa forma, está em pé de igualdade com as pessoas que protagonizam as cenas que ele 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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documenta. Em Lesbos, não é assim. Ele está em absoluta segurança. As pessoas que chegam estão 
lutando por suas vidas. Não são poucas as que morrem de hipotermia mesmo depois de pisar em terra 
firme, por falta de atendimento médico. 
Exatamente por causa dessa assimetria entre o fotojornalista e os protagonistas de suas fotos, muitas 
vezes Messinis deixa a câmera de lado e põe-se a ajudá-los. Ele se impressiona e se preocupa muito 
com os bebês que chegam nos botes. Obviamente, são os mais vulneráveis aos perigos da 
travessia. Messinis fotografou os cadáveres de alguns deles nas pedras à beira-mar. 
O fotógrafo grego diz que a experiência de ver o sofrimento das crianças refugiadas deixou-o mais 
rígido com as próprias filhas. As maiores têm 9 e sete anos. A menor, 7 meses. Quando vê o que acontece 
com as crianças que chegam nos botes, Messinis pensa em como suas filhas têm sorte de estarem vivas, 
de terem onde morar e de viverem num país em paz. Elas nãotêm do que reclamar. 
(Por: Diogo Schelp 04/12/2015. 
Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/a-boa-e-velha-reportagem/conheca-aris-que-se-divide-entresocorrer-e-fotografar-naufragos/.) 
 
Na construção do texto, a coerência e a coesão são de fundamental importância para que sua 
compreensão não seja comprometida. Alguns elementos são empregados de forma efetiva e explícita 
com tal propósito. Nos trechos a seguir foram destacados alguns elementos cuja função anafórica 
contribui para a coesão textual, com EXCEÇÃO de: 
(A) “[...] pessoas que trazem no rosto o sofrimento da guerra.” (2º§) 
(B) “Ele conta em um blog da AFP, ilustrado com muitas fotos [...]” (1º§) 
(C) “O fotógrafo grego diz que a experiência de ver o sofrimento [...]” (4º§) 
(D) “[...] onde milhares de refugiados pisam pela primeira vez em território europeu.” (1º§) 
 
06. (Pref. de Niterói/RJ – Administrador – COSEAC/2016) 
 
O Brasil é minha morada 
 
1 Permita-me que lhes confesse que o Brasil é a minha morada. O meu teto quente, a minha sopa 
fumegante. É casa da minha carne e do meu espírito. O alojamento provisório dos meus mortos. A caixa 
mágica e inexplicável onde se abrigam e se consomem os dias essenciais da minha vida. 
2 É a terra onde nascem as bananas da minha infância e as palavras do meu sempre precário 
vocabulário. Neste país conheci emoções revestidas de opulenta carnalidade que nem sempre 
transportavam no pescoço o sinete da advertência, justificativa lógica para sua existência. 
3 Sem dúvida, o Brasil é o paraíso essencial da minha memória. O que a vida ali fez brotar com 
abundância, excedeu ao que eu sabia. Pois cada lembrança brasileira corresponde à memória do mundo, 
onde esteja o universo resguardado. Portanto, ao apresentar-me aqui como brasileira, automaticamente 
sou romana, sou egípcia, sou hebraica. Sou todas as civilizações que aportaram neste acampamento 
brasileiro. 
4 Nesta terra, onde plantando-se nascem a traição, a sordidez, a banalidade, também afloram a 
alegria, a ingenuidade, a esperança, a generosidade, atributos alimentados pelo feijão bem temperado, o 
arroz soltinho, o bolo de milho, o bife acebolado, e tantos outros anjos feitos com gema de ovo, que deita 
raízes no mundo árabe, no mundo luso. 
5 Deste país surgiram inesgotáveis sagas, narradores astutos, alegres mentirosos. Seres anônimos, 
heróis de si mesmos, poetas dos sonhos e do sarcasmo, senhores de máscaras venezianas, africanas, 
ora carnavalescas, ora mortuárias. Criaturas que, afinadas com a torpeza e as inquietudes do seu tempo, 
acomodam-se esplêndidas à sombra da mangueira só pelo prazer de dedilhar as cordas da guitarra e do 
coração. 
6 Neste litoral, que foi berço de heróis, de marinheiros, onde os saveiros da imaginação cruzavam as 
águas dos mares bravios em busca de peixes, de sereias e da proteção de Iemanjá, ali se instalaram 
civilizações feitas das sobras de outras tantas culturas. Cada qual fincando hábitos, expressões, loucas 
demências nos nossos peitos. 
7 Este Brasil que critico, examino, amo, do qual nasceu Machado de Assis, cujo determinismo falhou 
ao não prever a própria grandeza. Mas como poderia este mulato, este negro, este branco, esta alma 
miscigenada, sempre pessimista e feroz, acatar uma existência que contrariava regras, previsões, 
fatalidades? Como pôde ele, gênio das Américas, abraçar o Brasil, ser sua face, soçobrar com ele e 
revivê-lo ao mesmo tempo? 
8 Fomos portugueses, espanhóis e holandeses, até sermos brasileiros. Uma grei de etnias ávidas e 
belas, atraída pelas aventuras terrestres e marítimas. Inventora, cada qual, de uma nação foragida da 
realidade mesquinha, uma espécie de ficção compatível com uma fábula que nos habilite a frequentar 
com desenvoltura o teatro da história. 
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(PIÑON, Nélida. Aprendiz de Homero. Rio de Janeiro: Editora Record, 2008, p. 241-243, fragmento.) 
A leitura correta do texto indica que o elemento de coesão textual destacado em cada fragmento abaixo 
está ERRONEAMENTE informado na opção: 
(A) “justificativa lógica para SUA existência.” (2º §) / “emoções revestidas de opulenta carnalidade”. 
(B) “O que a vida ALI fez brotar com abundância, excedeu ao que eu sabia.” (3º §) / “o Brasil é o 
paraíso essencial da minha memória.” 
(C) “Criaturas que, afinadas com a torpeza e as inquietudes do SEU tempo, acomodam-se esplêndidas 
à sombra da mangueira”. (5º §) / “Criaturas”. 
(D) “CUJO determinismo falhou ao não prever a própria grandeza.” (7º §) / “Este Brasil”. 
(E) “Como pôde ele, gênio das Américas, abraçar o Brasil, ser sua face, soçobrar com ele e revivê-LO 
ao mesmo tempo?” (7º §) / “o Brasil”. 
 
07. (COMPESA – Analista de Gestão – FGV/2016) As opções a seguir apresentam pensamentos em 
que os pronomes sublinhados estabelecem coesão com elementos anteriores. 
Assinale a frase em que esse referente anterior é uma oração. 
(A) “Um diplomata é um sujeito que pensa duas vezes antes de não dizer nada”. 
(B) “A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca”. 
(C) “Não existe assunto desinteressante, o que existe são pessoas desinteressadas”. 
(D) “A dúvida é uma margarida que jamais termina de se despetalar”. 
(E) “Se você pensa que não tem falhas, isso já é uma”. 
 
08. (SEE-PE – Professor de Matemática – FGV/2016) “O único consolo que sinto ao pensar na 
inevitabilidade da minha morte é o mesmo que se sente quando o barco está em perigo: encontramo-nos 
todos na mesma situação.” 
(Tolstói) 
 
Alguns elementos do pensamento de Tolstói se referem a termos anteriores, o que dá coesão ao texto. 
Assinale a opção em que o termo cujo referente anterior está indicado incorretamente. 
(A) “que sinto” / consolo. 
(B) “o mesmo” / consolo. 
(C) “que se sente” / consolo. 
(D) “todos” / nos. 
(E) “na mesma situação” / inevitabilidade da morte. 
 
Gabarito 
 
01.B / 02.A / 03.A / 04.B / 05.C / 06.D / 07.E / 08.E 
 
Comentários 
 
01. Resposta: B 
Há função anafórica, isto é, alude ao que foi dito anteriormente. Quando Haroldo diz "isso", refere-se 
a uma fala anterior de Calvin. 
 
02. Resposta: A 
A coerência ou conectividade conceitual é a relação que se estabelece entre as partes de um texto, 
criando uma unidade de sentido. 
A coesão, ou conectividade sequencial, é a ligação, o nexo que se estabelece entre as partes de 
um texto, mesmo que não seja aparente. 
 
03. Resposta: A - A Senhora no quadrinho dá continuidade a "Tudo é apenas informação", e não 
responde "O que é a 'vida'?" 
 
04. Resposta: B 
A) CORRETA: todos esses nomes se referem aos vídeos produzidos por professores e alunos de 
escolas públicas e particulares sobre William Shakespeare (ver o 2° parágrafo). 
B) ERRADA: “[...] por que William Shakespeare continua atual? É essa a pergunta que embala o 
concurso cultural Shakespeare Hoje [...]” . “Essa” estabelece referência anafórica com a pergunta 
destacada. 
C) CORRETA. 
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D) CORRETA: “Passados 400 anos da sua morte, por que William Shakespeare continua atual? [...]” 
(referência catafórica); “[...] por que William Shakespeare continua atual? É essa a pergunta que embala 
o concurso cultural Shakespeare Hoje [...]” (referência anafórica). 
E) CORRETA. 
 
05. Resposta: C 
Pronomes relativos - são anafóricos; 
Conjunções - termos que ligam orações ou palavras do mesmo gênero - Jamais farão papel de 
termos anafóricos. 
 
06. Resposta: D 
Expressão referencial: cujo 
Referente: Machado de Assis 
Processo de Articulação: anáfora 
 
07. Resposta: E 
a) “Um diplomata é um sujeito que pensa duas vezes antes de não dizer nada”. (ERRADO) o "QUE" 
é Pronome Relativo (o qual) e refere-se a "sujeito". 
 b) “A minha vontade é forte, masa minha disposição de obedecer-lhe é fraca”. (ERRADO) o LHE faz 
referência a "a minha vontade", sendo objeto indireto. 
 c) “Não existe assunto desinteressante, o que existe são pessoas desinteressadas”. (ERRADO) o 
"que" não faz referência a nenhum termo da oração anterior. 
 d) “A dúvida é uma margarida que jamais termina de se despetalar”. (ERRADO) Assim como na letra 
A, o "QUE" é Pronome Relativo (a qual), referindo-se a "margarida" 
 e) “Se você pensa que não tem falhas, isso já é uma”. (CERTO) o ISSO faz referência a oração 
anterior. ISSO é uma falha...isso o que? você pensar que não tem falhas. 
08. Resposta: E 
Sinto que o único consolo é o mesmo que se sente. 
Na mesma situação refere-se a barco em perigo. 
 
COERÊNCIA 
 
Coerência é a característica daquilo que tem lógica e coesão, quando um conjunto de ideias apresenta 
nexo e uniformidade. Para que algo tenha coerência, este objeto precisa apresentar uma sequência que 
dê um sentido geral e lógico ao receptor, de forma que não haja contradições ou dúvidas acerca do 
assunto. 
 
Vamos ver um exemplo: 
Infância 
 
O camisolão 
O jarro 
O passarinho 
O oceano 
A vista na casa que a gente sentava no sofá 
 
Adolescência 
 
Aquele amor 
Nem me fale 
 
Maturidade 
 
O Sr. e a Sra. Amadeu 
Participam a V. Exa. 
O feliz nascimento 
De sua filha 
Gilberta 
Velhice 
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O netinho jogou os óculos 
Na latrina 
Oswaldo de Andrade. Poesias reunidas. 
4ª Ed. Rio de Janeiro 
Civilização Brasileira, 1974, p. 160-161. 
 
Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao menos à primeira vista, seja a ausência de 
elementos de coesão, quer retomando o que foi dito antes, quer encadeando segmentos textuais. No 
entanto, percebemos nele um sentido unitário, sobretudo se soubermos que o seu título é “As quatro 
gares”, ou seja, as quatro estações. 
Com essa informação, podemos imaginar que se trata de flashes de cada uma das quatro grandes 
fases da vida: a infância, a adolescência, a maturidade e a velhice. 
A primeira é caracterizada pelas descobertas (o oceano), por ações (o jarro, que certamente a criança 
quebrara; o passarinho que ela caçara) e por experiências marcantes (a visita que se percebia na sala 
apropriada e o camisolão que se usava para dormir); 
A segunda é caracterizada por amores perdidos, de que não se quer mais falar; 
A terceira, pela formalidade e pela responsabilidade indicadas pela participação formal do nascimento 
da filha; 
A quarta, pela condescendência para com a traquinagem do neto (a quem cabe a vez de assumir a 
ação). 
A primeira parte é uma sucessão de palavras; a segunda, uma frase em que falta um nexo sintático; a 
terceira, a participação do nascimento de uma filha; e a quarta, uma oração completa, porém 
aparentemente desgarrada das demais. 
Como se explica que sejamos capazes de entender esse poema em seus múltiplos sentidos, apesar 
da falta de marcadores de coesão entre as partes? 
 
A explicação está no fato de que ele tem uma qualidade indispensável para a existência de um texto: 
a coerência. 
 
Que é a unidade de sentido resultante da relação que se estabelece entre as partes do texto. Uma ideia 
ajuda a compreender a outra, produzindo um sentido global, à luz do qual cada uma das partes ganha 
sentido. 
 
No poema acima, os subtítulos “Infância”, “Adolescência”, “Maturidade” e “Velhice” garantem essa 
unidade. Colocar a participação formal do nascimento da filha, por exemplo, sob o título “Maturidade” dá 
a conotação da responsabilidade habitualmente associada ao indivíduo adulto e cria um sentido unitário. 
Esse texto, como outros do mesmo tipo, comprova que um conjunto de enunciados pode formar um 
todo coerente mesmo sem a presença de elementos coesivos, isto é, mesmo sem a presença explícita 
de marcadores de relação entre as diferentes unidades linguísticas. 
Em outros termos, a coesão funciona apenas como um mecanismo auxiliar na produção da unidade 
de sentido, pois esta depende, na verdade, das relações subjacentes ao texto, da não contradição entre 
as partes, da continuidade semântica, em síntese, da coerência. 
A coerência é um fator de interpretabilidade do texto, pois possibilita que todas as suas partes sejam 
englobadas num único significado que explique cada uma delas. Quando esse sentido não pode ser 
alcançado por faltar relação de sentido entre as partes, lemos um texto incoerente, como este: 
 
A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a mediocridade de uma vida que se acomoda e a 
grandeza de uma vida voltada para o aprimoramento intelectual. 
A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfrentam. De repente vejo que não sou mais uma 
“criancinha” dependente do “papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho que escolher uma profissão 
para me realizar e ser independente financeiramente. 
No país em que vivemos, que predomina o capitalismo, o mais rico sempre é quem vence! 
 
Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira (orgs). 
A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987, p. 53. 
 
Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de opção; adolescência e escolha profissional; relações 
sociais sob o capitalismo) que mantêm relações muito tênues entre si. Esse fato, prejudicando a 
continuidade semântica entre as partes, impede a apreensão do todo e, portanto, configura um texto 
incoerente. 
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Há no texto, vários tipos de relação entre as partes que o compõem, e, por isso, costuma-se falar em 
vários níveis de coerência. 
 
Coerência Narrativa 
Consiste no respeito às implicações lógicas entre as partes do relato. Por exemplo, para que um sujeito 
realize uma ação, é preciso que ele tenha competência para tanto, ou seja, que saiba e possa efetuá-la. 
Constitui, então, incoerência narrativa o seguinte exemplo: 
 
Lá dentro havia uma fumaça, e essa fumaça não deixava que nós víssemos qualquer pessoa, pois era 
muito intensa. 
Meu colega foi à cozinha me deixando sozinho, fiquei encostado na parede da sala e fiquei observando 
as pessoas que lá estavam. Na festa havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas, 
altas e baixas.18 
 
Nesse caso, a incoerência narrativa, é o fato de o sujeito não poder ver, porque a fumaça impedia, 
mas ele viu. 
 
Coerência Argumentativa 
Precisa ter muita atenção ao sustentar ideias e opiniões, para que não entremos em contradição. 
Coerência argumentativa é defender ponto de vista sem entrar em contradição. Ex.: Um determinado 
texto defende a ideia que todos são iguais perante à lei, posteriormente no final defende o privilégio de 
algumas pessoas não estarem obrigadas a pagar impostos. Nesse caso, ocorre uma incoerência nos 
argumentos. Apresenta um argumento e ao mesmo tempo vai contestá-lo. 
A coerência argumentativa diz respeito às relações de implicação ou de adequação entre premissas e 
conclusões ou entre afirmações e consequências. 
Não há coerência, por exemplo, num raciocínio como este: 
 
Há muitos servidores públicos no Brasil que são verdadeiros marajás. 
O candidato a governador é funcionário público. 
Portanto o candidato é um marajá. 
 
Segundo uma lei da lógica formal, não se pode concluir nada com certeza baseado em duas premissas 
particulares. Dizer que muitos servidores públicos são marajás não permite concluir que qualquer um 
seja. 
A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito anteriormente também constitui incoerência. É o 
que se vê neste diálogo: 
 
“__ Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento de pedágio para circular no centro da cidade? 
 
Coerência Figurativa 
Compreende a articulação harmônica das figuras do texto, com base na relaçãode significado que 
mantém entre si. As figuras devem pertencer ao mesmo tema e grupo de significado. 
Por exemplo, mostrar a vida no Polo Norte, as figuras serão: neve, rena, roupas de pele. Não caberia 
figuras como: palmeira, cactos, roupas de praia etc. 
 
Coerência Temporal 
Entende-se aquela que concerne à sucessão dos eventos e à compatibilidade dos enunciados do 
ponto de vista de sua localização no tempo. Não se poderia, por exemplo, dizer: “O assassino foi 
executado na câmara de gás e, depois, condenado à morte”. 
 
Coerência Espacial 
Diz respeito à compatibilidade dos enunciados do ponto de vista da localização no espaço. Seria 
incoerente, por exemplo, o seguinte texto: “O filme ‘A Marvada Carne’ mostra a mudança sofrida por um 
homem que vivia lá no interior e encanta-se com a agitação e a diversidade da vida na capital, pois aqui 
já não suportava mais a mesmice e o tédio”. 
Dizendo lá no interior, o enunciador dá a entender que seu pronunciamento está sendo feito de algum 
lugar distante do interior; portanto ele não poderia usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o 
 
18 FIORIN, platão, para entender o texto, Ática, 1992. 
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tédio” que caracterizavam a vida interiorana da personagem. Em síntese, não é coerente usar “lá” e “aqui” 
para indicar o mesmo lugar. 
 
Coerência do Nível de Linguagem Utilizado 
 
É aquela que concerne à compatibilidade do léxico e das estruturas morfossintáticas com a variante 
escolhida numa dada situação de comunicação. Ocorre incoerência relacionada ao nível de linguagem 
quando, por exemplo, o enunciador utiliza um termo chulo ou pertencente à linguagem informal num texto 
caracterizado pela norma culta formal. 
Tanto sabemos que isso não é permitido que, quando o fazemos, acrescentamos uma ressalva: com 
perdão da palavra, se me permitem dizer. Observe um exemplo de incoerência nesse nível: 
 
“Tendo recebido a notificação para pagamento da chamada taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª, 
senhora prefeita, para expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida, porque o IPTU foi 
aumentado no governo anterior, de 0,6% para 1% do valor venal do imóvel exatamente para cobrir as 
despesas da municipalidade com os gastos de coleta e destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos 
moradores de nossa cidade. Francamente, achei uma sacanagem esta armação da Prefeitura: jogar mais 
um gasto nas costas da gente.” 
 
Como se vê, o léxico usado no último período do texto destoa completamente do utilizado no período 
anterior. 
 
Ninguém há de negar a incoerência de um texto como este: Saltou para a rua, abriu a janela do 5º 
andar e deixou um bilhete no parapeito explicando a razão de seu suicídio, em que há evidente violação 
da lei sucessivamente dos eventos. 
Entretanto talvez nem todo mundo concorde que seja incoerente incluir guardanapos de papel no jantar 
do Itamarati descrito no item sobre coerência figurativa, alguém poderia objetivar que é preconceito 
considerá-los inadequados. Então, justifica-se perguntar: o que, afinal, determina se um texto é ou não 
coerente? 
A natureza da coerência está relacionada a dois conceitos básicos de verdade: adequação à realidade 
e conformidade lógica entre os enunciados. 
Vimos que temos diferentes níveis de coerência: narrativa, argumentativa, figurativa, etc. Em cada 
nível, temos duas espécies diversas de coerência: 
 
Extratextual 
Aquela que diz respeito à adequação entre o texto e uma “realidade” exterior a ele. 
Intratextual 
Aquela que diz respeito à compatibilidade, à adequação, à não contradição entre os enunciados do 
texto. 
 
A exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajustar-se pode ser: 
 
O conhecimento do mundo 
O conjunto de dados referentes ao mundo físico, à cultura de um povo, ao conteúdo das ciências, etc., 
que constitui o repertório com que se produzem e se entendem textos. O período “O homem olhou através 
das paredes e viu onde os bandidos escondiam a vítima que havia sido sequestrada” é incoerente, pois 
nosso conhecimento do mundo diz que homens não veem através das paredes. Temos, então, uma 
incoerência figurativa extratextual. 
 
Os mecanismos semânticos e gramaticais da língua 
O conjunto dos conhecimentos sobre o código linguístico necessário à codificação de mensagens 
decodificáveis por outros usuários da mesma língua. O texto seguinte, por exemplo, está absolutamente 
sem sentido por inobservância de mecanismos desse tipo: 
“Conscientizar alunos pré-sólidos ao ingresso de uma carreira universitária informações críticas a 
respeito da realidade profissional a ser optada. Deve ser ciado novos métodos criativos nos ensinos de 
primeiro e segundo grau: estimulando o aluno a formação crítica de suas ideias as quais, serão a 
praticidade cotidiana. Aptidões pessoais serão associadas a testes vocacionais sérios de maneira 
discursiva a analisar conceituações fundamentais.” 
Apud: J. A. Durigan et alii. Op. cit., p. 58. 
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Fatores de Coerência 
 
O Contexto 
Para uma dada unidade linguística, funciona como contexto a unidade linguística maior que ela: a 
sílaba é contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba; a oração, para a palavra; o período, para a 
oração; o texto, para o período, e assim por diante. 
 
“Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Napoli, cruzar a Ipiranga com a Avenida São João, 
o “Parmera”, o “Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de segurança.” 
 
À primeira vista, parece não haver nenhuma coerência na enumeração desses elementos. Quando 
ficamos sabendo, no entanto, que eles fazem parte de um texto intitulado “100 motivos para gostar de 
São Paulo”, o que aparentemente era caótico torna-se coerente: 
 
100 motivos para gostar de São Paulo 
 
1. Um chopps 
2. E dois pastel 
(...) 
5. O polpettone do Jardim de Napoli 
(...) 
30. Cruzar a Ipiranga com a av. São João 
(...) 
43. O “Parmera” 
(...) 
45. O “Curíntia” 
(...) 
59. Todo mundo estar usando cinto de segurança 
(...) 
 
O texto apresenta os traços culturais da cidade, e todos convergem para um único significado: a 
celebração da capital do estado de São Paulo no seu aniversário. Os dois primeiros itens de nosso 
exemplo referem-se a marcas linguísticas do falar paulistano; o terceiro, a um prato que tornou conhecido 
o restaurante chamado Jardim de Napoli; o quarto, a um verso da música “Sampa”, de Caetano Veloso; 
o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times mais populares da cidade são denominados na variante 
linguística popular; o último à obediência a uma lei que na época ainda não vigorava no resto do país. 
 
A Situação de Comunicação 
__A telefônica. 
__Era hoje? 
 
Esse diálogo não seria compreendido fora da situação de interlocução, porque deixa implícitos certos 
enunciados que, dentro dela, são perfeitamente compreendidos: 
 
__ O empregado da companhia telefônica que vinha consertar o telefone está aí. 
__ Era hoje que ele viria? 
 
O Conhecimento de Mundo 
31 de março / 1º de abril 
Dúvida Revolucionária 
 
Ontem foi hoje? 
Ou hoje é que foi ontem? 
 
Aparentemente, falta coerência temporal a esse poema: o que significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que 
foi ontem?”. No entanto, as duas datas colocadas no início do poema e o título remetem a um episódio 
da História do Brasil, o golpe militar de 1964, chamado Revolução de 1964. Esse fato deve fazer parte de 
Apostila gerada especialmente para: Felipe Thiago de Araujo 101.163.394-97
 
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nosso conhecimento de mundo, assim como o detalhe de que ele ocorreu no dia 1º de abril, mas sua 
comemoração foi mudada para 31 de março, para evitar relações entre o

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