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UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br CENTRO UNIVERSITÁRIO DE LAVRAS CURSO DE GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO PORTFÓLIO ACADÊMICO COMPLEXO ESPORTIVO, CULTURAL E DE LAZER PARA A CIDADE DE LAVRAS-MG ANA CAROLINA PEREIRA GOTTGTROY LAVRAS-MG 2018 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br ANA CAROLINA PEREIRA GOTTGTROY COMPLETO ESPORTIVO, CULTURAL E DE LAZER PARA A CIDADE DE LAVRAS-MG Portfólio Acadêmico apresentado ao Centro Universitário de Lavras, como parte das exigências da disciplina Metodologia da Pesquisa II, curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo. PROFESSORA Profª. Drª. Luciana Aparecida Gonçalves Oliveira ORIENTADOR Prof. Esp. Rodolfo Rosa Alvarenga LAVRAS-MG 2018 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br ANA CAROLINA PEREIRA GOTTGTROY COMPLEXO ESPORTIVO, CULTURAL E DE LAZER PARA A CIDADE DE LAVRAS-MG Portfólio Acadêmico apresentado ao Centro Universitário de Lavras, como parte das exigências da disciplina Metodologia da Pesquisa II, curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo. Aprovado em ___/___/___ PROFESSORA Profª. Drª. Luciana Aparecida Gonçalves Oliveira ORIENTADOR Prof. Esp. Rodolfo Rosa Alvarenga LAVRAS-MG 2018 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br À minha preciosa filha Laura e à minha mamãe Nazaré. Por vocês, todo o meu amor na construção de um mundo melhor para acolher passado, presente e futuro. DEDICO. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br AGRADECIMENTOS Na felicidade por findar este trabalho, encerro um ciclo de intensa resistência e luta, fortalecimento de um senso crítico e um olhar mais humilde e amoroso sobre o mundo e sobre mim mesma. O sentimento que paira sobre esse momento é o de imensa gratidão, que torna os agradecimentos um fato singular à cada valioso acréscimo na construção desta pesquisa. Em primeiro lugar, agradeço à Deus pela graça da vida, pelas oportunidades, coragem e resiliência desde o primeiro dia de escola. Á minha preciosa filha Laura, por ser a principal motivação para que meu trabalho sempre vise a melhora do mundo e da vida. Você é a minha vida! À minha mamãe, Nazaré, pelo amor desmedido e apoio incondicional, por me proporcionar uma vida tão amável, feliz e me dar todos os dias a certeza de que dias maravilhosos sempre virão, minha gratidão será sempre imensa! Ao meu papai, Adilson, por ser o grande incentivador da insistência na vida acadêmica, pelo também imenso apoio e amor, a mais sincera gratidão. À UNILAVRAS, pelos anos de excelente suporte pedagógico, aos funcionários da Instituição, em especial aos porteiros e ao Ademir, por compartilhar tantos ensinamentos ao longo da graduação. Aos professores do curso de Arquitetura & Urbanismo e Engenharia Civil, em especial Tatiana Leal, grande inspiração profissional e humana, e Luciana Oliveira, pela oportunidade de amadurecimento ímpar e ajuda na construção de uma análise impecável. Ao meu orientador e professor Rodolfo Alvarenga, cuja paciência, amizade e discussões ricas foram essenciais para o sucesso deste trabalho. Ao meu marido Bruno, por me proporcionar dias felizes e divertidos, por dividir uma família maravilhosa comigo, ser meu companheiro, parte do meu crescimento e do êxito desta pesquisa. Pelas longas conversas enriquecedoras e um abraço que acalma tempestades. Aos amigos da Engenharia Florestal e Ciências Biológicas da Universidade Federal de Lavras pelas contribuições tão ricas e relevantes às soluções propostas. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br Ao meu tio Ubiratan dos Montes por acreditar que eu chegaria até aqui e posso ir mais além. À família Pereira, por toda uma vida de muito amor e muitos bons exemplos. Ao senhor Décio Fernandes, pelo incentivo nos primeiros passos. Aos amigos conquistados ao longo do curso, de todos os períodos, em especial às turmas de 2017 e 2018. Juliana Sartori, Caique Borges e Gabrielle Pires, obrigada por me proporcionarem anos sensacionais de felicidade, conhecimento e parceria, vocês estão no meu coração. À família Taj Mahal, moradores e agregados, pelo companheirismo sem tamanho e pelo imenso prazer de conviver com pessoas tão sensacionais. À todos que colaboraram direta ou indiretamente com este trabalho, minha eterna gratidão. Sem vocês, nada disso seria possível. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br ‘Se vi mais longe, foi por estar de pé sobre os ombros de gigantes.’ (Isaac Newton, 1975) UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br RESUMO A carência de áreas públicas arborizadas, principalmente suportadas por equipamentos esportivos é uma falha grave na gestão do espaço urbano cujos reflexos são facilmente observáveis, como a degradação da paisagem e da qualidade de vida da população. O presente trabalho tem por objetivo propor uma nova concepção e reconstrução de um espaço degradado e mal suportado de equipamentos, trazendo identidade, qualidade da paisagem e vida para o local. Palavras-chave: Áreas-Verdes - Esporte - Paisagem - Urbanismo - Identidade; UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br ABSTRACT The lack of wooded public areas, mainly supported by sports equipment, is a serious fault in the management of the urban space whose reflections are easily observable, such as the degradation of the landscape and the quality of life of the population. The present work aims to propose a new conception and reconstruction of a degraded and poorly supported space of equipment, bringing identity, landscape quality and life to the place. Keywords: Green Areas - Sport - Landscape - Urbanism - Identity; UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br LISTA DE IMAGENS IMAGEM 1: Parque do Ibirapuera, São Paulo/SP - Brasil IMAGEM 2: Praça do Japão, Curitiba/Paraná - Brasil IMAGEM 3: Avenida Presidente Getúlio Vargas, Curitiba/Paraná - Brasil IMAGEM 4: Fluxograma de classificação do verde urbano IMAGEM 5: Praça do Campidoglio, Roma - Michelângelo IMAGEM 6: Piazza San Pietro, Roma - Bernini IMAGEM 7: Localização de Lavras no estado de Minas Gerais IMAGEM 8: Município de Lavras em 1927 IMAGEM 9: Vista aérea de Lavras em 1950 IMAGEM 10: Vista panorâmicade Lavras IMAGEM 11: Limites urbanos da cidade de Lavras-MG, suas áreas verdes públicas e seus respectivos raios de influência IMAGEM 12: Praça Dr. Augusto Silva IMAGEM 13: Vista aérea do Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito IMAGEM 14: Vista aérea do Campus da Universidade Federal de Lavras IMAGEM 15: Praça Monsenhor Domingos Pinheiros IMAGEM 16: Praça Doutor Jorge IMAGEM 17: Praça Doutor José Esteves e a locomotiva Baldwin IMAGEM 18: Vista aérea da SELT IMAGEM 19: Entrada da SELT IMAGEM 20: Time do Hymalaia em 1915 IMAGEM 21: Time do Fabril Esporte Clube em 1932 IMAGEM 22: Time da Associação Olímpica de Lavras em 1940 IMAGEM 23: Pista de atletismo da UFLA IMAGEM 24: Projeto de Parque Municipal na Várzea do Ibirapuera IMAGEM 25: Revisão do Projeto do Parque do Ibirapuera IMAGEM 26: Proposta de Werner Hecker para o Parque Ibirapuera IMAGEM 27: Proposta de Christiano Stockler para o Parque Ibirapuera IMAGEM 28: Plano de Conjunto IMAGEM 29: Maquete do primeiro projeto para o Parque do Ibirapuera UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br IMAGEM 30: Mapa atual do Parque do Ibirapuera IMAGEM 31: Implantação atual do Parque do Ibirapuera IMAGEM 32: Implantação do Complexo Penitenciário do Carandiru IMAGEM 33: Parque Central e Parque Esportivo em construção IMAGEM 34: Parque da Juventude em implantação atual IMAGEM 35: Setorização do Parque da Juventude IMAGEM 36: Vista noturna do Complexo Esportivo de Wroclaw IMAGEM 37: Detalhe externo do Complexo Esportivo de Wroclaw IMAGEM 38: Plantas baixas e fachada principal do Complexo Esportivo de Wroclaw IMAGEM 39: Buraco no chão da SELT devido à falta de manutenção na manilha IMAGEM 40: Reforma não isolada na SELT IMAGEM 41: Falta de manutenção no Jardim Sensorial IMAGEM 42: Entulhos na SELT IMAGEM 43: Quadra poliesportiva da SELT IMAGEM 44: Espaço livre, equipamentos e arborização carentes UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br LISTA DE TABELAS TABELA 1: Influência positiva das áreas verdes no meio urbano TABELA 2: Classificação das áreas de lazer UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br LISTA DE SIGLAS IAV - Índice de Área Verde SELT - Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo UFLA - Universidade Federal de Lavras FAU - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo OMS - Organização Mundial da Saúde IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística UFOM - Estrada de Ferro Oeste de Minas SAL - Sociedade Amigos de Lavras ESAL - Escola Superior de Agricultura de Lavras CENAV - Centro de Apoio às Necessidades Áudio Visuais APAE - Associação de Pais e Amigos de Excepcionais ETEC - Escola Técnica UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br SUMÁRIO INTRODUÇÃO...........................................................................................................15 CAPÍTULO I - REVISÃO DE LITERATURA..............................................................18 1.1 Áreas verdes públicas........................................................................................18 1.1.1 Definições e breve histórico........................................................................18 1.1.2 Funções e tipologias...................................................................................25 1.2 Parques Urbanos................................................................................................27 1.2.1 Aspectos legislativos e sociais do lazer......................................................27 1.2.2 Urbanismo do esporte.................................................................................28 1.3 A cidade..............................................................................................................28 1.3.1 Lavras..........................................................................................................28 1.3.2 Principais áreas verdes da cidade de Lavras..............................................33 1.3.3 Lavras e o esporte.......................................................................................41 CAPÍTULO II - ESTUDOS DE CASO........................................................................45 2.1 Parque do Ibirapuera.........................................................................................45 2.2 Parque da Juventude........................................................................................51 2.3 Complexo Esportivo em Wroclaw......................................................................56 CAPÍTULO III - PROBLEMÁTICA.............................................................................60 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................66 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 15 INTRODUÇÃO A cidade de Lavras sofreu uma transição urbano-rural muito expressiva nos últimos anos, marcada por uma intensa expansão em suas áreas edificadas em detrimento das áreas verdes. Segundo Furtini et al (2010), ‘existem em Lavras 3,54 ha de áreas consideradas ‘áreas verdes’ ou com potencial para tal.’ Em conformidade a esse dado, de acordo com a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU, 1996), o IAV sugerido é de 15 m²/hab. Em 2010, Lavras apresenta um IAV de 0,38 m²/hab., o que, segundo Furtini (2010), ‘está muito aquém do valor ideal.’ Como pontuam Bezerra et al. (2016), ‘o meio ambiente nessa visão é valorado para se chegar ao melhor padrão para o ser humano e não pelo entendimento de que se vive em um sistema único e interdependente.’ A paisagem cultural substituiu a paisagem natural. O crescimento urbano, sob a égide da economia capitalista, significou uma instituição publica a serviço do interesse particular, com a destruição de todas as características naturais. (SANTOS, 1998). Para Niemeyer (2000), ‘discussões acerca da melhoria dos espaços livres voltados ao lazer das massas se darão sobre um cenário de críticas à urbanização moderna decorrente do industrialismo e do progressismo dos anos 20 e 30.’ A região em que a cidade está inserida é fortemente conhecida por seus atrativos naturais diretamente ligados à identidade cultural da população e pela disseminação do turismo natural e esportivo. Análises da malha urbana revelaram carências relativas à oferta desses espaços, de acordo com Sarmiento e Morato (2010), ‘a distribuição da vegetação no referido município não ocorre de maneira homogênea, abrangendo apenas algumas áreas e/ou regiões.’ Dentre os locais levantados, apenas três oferecem suporte ao livre contato com a natureza, a práticas de atividades físicas e promoção de bem-estar social, sendo eles o Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito, a SELT e o Campus da UFLA, sendo o último considerado impróprio por não ser equipado para tal fim. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 16 O Parque Ecológico também não foi considerado um local adequado para atender à demanda em questão devido à sua localização, distante do meio urbano, então inacessível à boa parte da população. Por ser parte de uma iniciativa privada,também restringe seu público alvo em mais esse aspecto. Finalmente a SELT, tema desde trabalho, é o único local avaliado como próprio para atender às expectativas já citadas, possuindo equipamentos esportivos e arborização não muito adequados, mal distribuídos e administrados. Nela são ofertadas diversas oficinas e atividades voltadas para os mais diferentes públicos e faixas etárias, porém suas instalações não oferecem o suporte necessário para o bom desenvolvimento destas atividades. A unidade leva o nome da secretaria de política pública que a administra e suas limitadas fronteiras são resultado do equivocado estudo de parcelamento do solo que privilegiou a expansão demográfica em detrimento da conservação e manutenção das áreas verdes. Essa leviandade causou e ainda causa impactos negativos muito fortes tanto no cotidiano dos indivíduos quanto nos ciclos biológicos que garantem qualidade de vida dos mesmos. Colaborando com essa constatação, Coelho (2001) menciona que não há como fazer uma separação entre impacto bio-físico e impacto social, pois os dois se entrelaçam na qualificação da vida na cidade.’ Privilegiada por sua localização no mapa, incluída em bairro residencial em crescente valorização, próxima ao centro da cidade, de universidades, escolas e via coletora importante para a mobilidade da mesma, a SELT encontra-se cada vez mais degradada e afetada pelo excesso de uso aliado à falta de manutenção. A mesma apresenta grande potencial para tornar-se referência em lazer e saúde, devolver a identidade natural e esportiva da cidade e ser respiro para o organismo ofegante que Lavras se tornou. A viabilidade da reconstrução da unidade dá-se de forma em que se deseja oferecer uma solução para as problemáticas expostas melhorando também a paisagem urbana local, utilizando-se de meios para melhor aproveitar a captação de água, além de criar espaços propícios e planejados para a prática de diversas atividades físicas com qualidade, conforto e segurança, a mesma garantida por iluminação e posicionamento de equipamentos projetados de forma adequada à garantir aproveitamento e contemplação do espaço à qualquer momento. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 17 O primeiro capítulo tratará de revisar a literatura sobre o tema, esclarecendo sobre os aspectos que permeiam o conceito dos parques e sua importância, além de situar e informar sobre a cidade em que se pretende implantar o projeto e também sobre o objeto de estudo em si, analisando a área à ser manipulada. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 18 CAPÍTULO I - REVISÃO DE LITERATURA 1.1 Áreas verdes públicas 1.1.1 Definições e breve histórico Há de se considerar, primeiramente, a distinção conceitual entre áreas verdes e espaços livres. Lima et al (1994) define as seguintes expressões para simplificar o entendimento da dicotomia: Espaço livre: É o conceito mais abrangente, que integra os demais, contrapondo-se dos espaços construídos em áreas urbanas. Área verde: Área onde há a predominância de vegetação arbórea, que englobam as praças, os jardins públicos e os parques urbanos. Lllardent (1982) aprofunda os conceitos com as seguintes definições: Sistemas de espaços livres: Conjunto de espaços urbanos ao ar livre destinados ao pedestre para o descanso, o passeio, a prática esportiva e, em geral, o recreio e entretenimento em sua hora de ócio. Espaço livre: Quaisquer das distintas áreas verdes que formam o sistema de espaços livres. Zonas verdes, espaços verdes, áreas verdes, equipamento verde: Qualquer espaço livre no qual predominam as áreas plantadas de vegetação, correspondendo, em geral, o que se conhece como parques, jardins ou praças. Lima et al (1994), após tratadas as definições, exemplifica os tipos de áreas verdes: Parque urbano: Enquadra-se como uma área verde, com função ecológica, estética e de lazer, no entanto com uma extensão maior que as praças e jardins públicos. Praça: Enquadra-se como um espaço livre público cuja principal função é o lazer. Quando não existe a vegetação e a mesma se encontra impermeabilizada não é considerada uma área verde. Arborização urbana: Representa elementos vegetais de porte arbóreo dentro da cidade. Nesse enfoque, as árvores plantadas em calçadas fazem parte da arborização urbana, porém não integram o sistema de áreas verdes. Neste enfoque, segundo as árvores plantadas em calçadas fazem parte da arborização urbana, porém não integram o sistema de áreas verdes. As imagens a seguir ilustram perfeitamente os exemplos acima descritos, e o Parque do Ibirapuera, ilustrado pela imagem 1 é o primeiro espaço que vem à mente quando se trata de Parque Urbano: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 19 IMAGEM 1: Parque do Ibirapuera, São Paulo/SP - Brasil Fonte: Catraca Livre, 2015 Segundo Christiano Stockler (1951), arquiteto, político paulista e fundador da FAU Mackenzie, o Parque do Ibirapuera deveria prestar-se, além de seu sentido simbólico para a cidade de São Paulo, como espaço de recreação belo e agradável à contemplação humana, como arte urbana. Coloca-se contra a inserção de um centro de esportes e de um parque de diversões. (NEVES, 1951). A praça faz parte do desenho e da elaboração teórica da nova cidade, mas desempenha um papel, sobretudo de lugar de passagem, voltado para o embelezamento e o ordenamento urbano. (CALDEIRA, 2007). A respeito do exemplo de praças, tem-se a Praça do Japão, em Curitiba, como espaço destinado à passagem, descanso e contemplação da paisagem. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 20 Logo, a imagem 2 ilustra bem a definição de praça: IMAGEM 2: Praça do Japão, Curitiba/Paraná - Brasil Fonte: Tribuna PR, 2018 Finalmente, a respeito de arborização urbana, a cidade de Curitiba, no Paraná, é referência no assunto e a imagem 3 a seguir é exemplo claro: IMAGEM 3: Avenida Presidente Getúlio Vargas, Curitiba/Paraná - Brasil Fonte: Prefeitura de Curitiba, 2018 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 21 O verde urbano reflete um alto grau cultural da sociedade quando esta entende que a vegetação, assim como o solo, o ar e a água, é uma necessidade do cenário urbano. (BONAMETTI, 2001). Bargos e Matias (2011) propõem, adaptando Cavalheiro et al. (1999), o seguinte organograma, representado pela imagem 4, traz entendimento da classificação do verde urbano: IMAGEM 4: Fluxograma de classificação do verde urbano Fonte: Bargos e Matias, 2011. Adaptado de Cavalheiro et al, 1999 Acerca dessas conceituações, Bargos e Matias (2011) consideram que as áreas verdes urbanas devem apresentar-se basicamente compostas por vegetação arbórea e arbustiva, com solo livre de edificações ou coberturas impermeabilizantes em, pelo menos, 70% das áreas. Devem também ser de acesso público ou não e exercer minimamente funções ecológicas (como reguladoras térmicas, controladoras da qualidade do ar e do som, captadoras de águas pluviais e mantenedoras da fauna e da flora), estéticas (como valorizadoras e diversificadoras da paisagem), e de lazer (destinadas à recreação). UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 22 Osjardins não devem ser considerados como áreas verdes pois, devido ao fato de suas áreas serem reduzidas, as funções ecológico-ambiental, de lazer e estético ficam comprometidas. (CARVALHO, 2001). Lima e Amorim (2007) consideram o ambiente urbano formado pelo sistema natural, que correspondem aos meios físicos e biológicos, e pelo sistema antrópico, que diz respeito à sociedade e suas atividades. No entanto, como reforça Bezerra et al. (2016), o mesmo não funciona como um ambiente fechado, mas estabelece forte inter-relações com o meio ambiente. Segundo os primeiros autores, a ocupação e utilização de forma não planejada e principalmente a retirada de cobertura verde para construção de estradas e edificações sem o cuidado com os bens naturais (corpos d’água, revelo e nascentes) causam alterações no meio natural que podem ocasionar enchentes, deslizamentos e diversos danos que prejudicam os residentes locais. Ainda sobre a má administração do espaço natural, outro fator que acentuam essas alterações é a falta de infraestrutura básica como galerias para escoamento de águas pluviais, falta de rede coletora de esgoto e tratamento de resíduos, que finalmente são lançados indevidamente nos corpos d’água da cidade. Somado a esses fatores, a falta de áreas verdes arborizadas e espaços públicos destinados ao lazer e à recreação da população também interferem na qualidade do ambiente nos meios urbanos e na qualidade de vida da população. Dentre as diversas transformações ocorridas no espaço urbano, a supressão da cobertura vegetal é uma das que contribui para alterar o clima da cidade, através de mudanças nos seus elementos meteorológicos (FEITOSA et al., 2011). Em concordância, Sorre (2006) ao discorrer sobre as mudanças climáticas causadas pela urbanização, atribui à cidade a responsabilidade pelo seu próprio aquecimento devido à supressão da cobertura verde para dar espaço às edificações, o que causa diminuição da umidade relativa do ar causada pela drenagem e impermeabilização das áreas úmidas. Como precursora das praças em sua representação física mais conhecida e reproduzida atualmente, Mumford (1982) descreve a Ágora, espaço concebido pelos romanos como área de uso comum com função de aglomeração, manifestações políticas e comerciais. Na Idade Média, com a diminuição de intensidade da vida urbana, as praças passariam a acumular funções urbanas específicas: praça UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 23 religiosa, praça cívica, praças de mercado etc. (FERREIRA, 2007). Segundo o mesmo autor, assim surgiram os espaços de uso alternado, utilizados tanto como ponto de encontro, local de celebrações e atividades coletivas. A Praça do Campidoglio, em Roma, representada pela imagem 5, exemplifica sobre a ágora romana: IMAGEM 5: Praça do Campidoglio, Roma - Michelângelo Fonte: Wikiarchitectura.com, 2018 Ainda segundo Ferreira (2007), nas cidades hispânicas e hispânico- americanas, a praça maior é tida como elemento central, que funcionava como organizadora do traçado das vias e abrigava as grandes reuniões, os jogos, os mercados e os teatros. Dando seguimento, Giedion (1961) afirma que o Renascimento agregou função estética a esses espaços, já que as técnicas de perspectivas viriam a influencias a concepção dos projetos dos mesmos, que ainda incorporavam elementos definidores como obeliscos, fontes e pórticos. Posteriormente, a praça barroca viria a assumir por si só um papel monumental, geralmente compondo o 'cenário barroco' e dando destaque a palácios, igrejas, habitações. (Ferreira, 2007). A Piazza San Pietro, ilustrada pela imagem 6, também em Roma, é exemplo claro de praça barroca: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 24 IMAGEM 6: Piazza San Pietro, Roma - Bernini Fonte: http://artedadrikkinha.blogspot.com.br Ferreira (2007) ainda pontua que nessa visão as praças passar a servir como palco da vida social aristocrática nos centros urbanos. A Revolução Industrial, a consequente explosão demográfica e as políticas higienistas, os espaços livres ganham importância, incorporando sistemas de áreas livres destinados à recreação e ao ócio das classes mais abastadas. O mesmo autor esclarece que surgem na Inglaterra, no século XIXI os primeiros grandes parques públicos destinados ao lazer das massas, cuja influência reflete os parques criados no Brasil no século seguinte. Por fim, Elias e Pequeno (2007) afirmam que o processo de urbanização no Brasil se intensificou a partir dos anos 1950, caracterizando-se pela crescente concentração da população e das atividades econômicas em poucas cidades que se tornaram metrópoles com a chegada das novas formas de produção e consumo, aliadas aos novos padrões econômicos e culturais. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 25 1.1.2 Funções e tipologias A área verde destina-se ao convívio social e manutenção da qualidade da paisagem biológica e urbana, e segundo Balza (1998), estabelece oito funções, sendo elas estética, contemplativa, planejadora de opiniões, social, cultural, além de uso orgânico, ecológico e estruturante. Ainda considerando as funções do espaço verde público, Guzzo (1999) ‘considera três principais: ecológica, estética e de lazer.’. Diz Loboda e Angelis (2005) que ‘a função social está diretamente relacionada à oferta de espaços para o lazer da população.’. Os mesmos autores ainda explicitam que as áreas verdes são de extrema importância para a manutenção da qualidade de vida urbana, agindo diretamente sobre os aspectos físicos e mentais humanos, ao passo em que absorvem ruídos, atenuam o calor e o sentimento de opressão, contribuem para o melhoramento do senso estético, entre tantos outros benefícios. A tabela 1 demonstra a influência positiva das áreas verdes no ambiente urbano: TABELA 1: Influência positiva das áreas verdes no ambiente urbano. Fonte: Adaptado de Carvalho, 2001 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 26 As vantagens de um bom planejamento das áreas verdes urbanas e rurais baseiam-se nas contribuições para a melhoria dos aspectos estético e ambiental do ambiente urbano, atenuando os impactos ocasionados a população e ao meio ambiente, em decorrência desse desenvolvimento. (MARTINS et al., 2014). Para os mesmos autores, as áreas verdes possuem grande importância para o ambiente urbano, já que possuem como principal objetivo a preservação do meio ambiente. Segundo Loboda e Angelis (2005) a princípio as áreas verdes tinham a função de dar prazer à vista e ao olfato. Somente no século XIX é que assumem uma função utilitária, sobretudo nas zonas urbanas densamente povoadas. Os autores ainda acrescentam que certos conhecimentos desenvolvidos e aprimorados na Idade Média quando surgiram os jardins botânicos, os quais davam ênfase ao cultivo e manutenção de espécies medicinais. Com o advento do Renascimento, o homem passou a cultivar uma grande variedade de espécies vegetais de diferentes regiões, que eram colecionadas e expostas em jardins botânicos do Velho Mundo. Na tabela 2, Magnoli e Kliass (1993) classificam os espaços de lazer da seguinte forma: TABELA 2: Classificação dos espaços de lazer. Fonte: Adaptado de Magnoli e Kliass, 1993 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 27 1.2 Parques Urbanos 1.2.1 Aspectos legislativos e sociais do lazer O lazer é um dos direitos sociais (ConstituiçãoFederal - art.6º, 1988). Refere- se às atividades exercidas no tempo que sobra após o cumprimento das obrigações, sendo as mesmas prazerosas tanto para o corpo quanto para a mente. Como direito fundamental, é dever do Poder Público propiciar e facilitar o acesso da população a esse bem. A OMS estabelece um índice de 12 m² de área verde por habitante. (HARDER et al., 2005). O direito ao lazer garante, desde sempre, manutenção do bom desenvolvimento do meio urbano, seja melhorando a paisagem ou a qualidade de vida dos moradores, e, segundo afirma Parker (1978) apud Câmara (2015), o lazer surge pela necessidade de descanso, já que as classes operárias nas sociedades industriais se encontravam em estado de exploração e consequente esgotamento do trabalho. Com isso, se fazia necessário um tempo de folga após períodos de trabalho. O lazer passa, nesse sentido à ser considerado e exigido pelos trabalhadores como um direito básico. A respeito do processo de industrialização urbana, Marcellino et al (2007) aponta que o processo de urbanização influencia na democratização ou na carência/ausência de espaços e equipamentos de lazer nas cidades. Segundo o mesmo autor, (2002), ‘o espaço para o lazer é o espaço urbano’. Le Corbusier (1989) na Carta de Atenas reflete que ‘ao longo dos séculos foram sendo acrescentados anéis urbanos, substituindo a vegetação pela pedra e destruindo as superfícies verdes, pulmões da cidade. Nessas condições, as altas densidades significam o mal-estar e a doença em estado permanente.’ Já segundo Loboda e Angelis (2005), a qualidade de vida urbana está diretamente atrelada a vários fatores que estão reunidos na infraestrutura, no desenvolvimento econômico-social e àqueles ligados à questão ambiental.’ Também pontua que ‘no caso do ambiente, as áreas verdes públicas constituem-se elementos imprescindíveis para o bem estar da população, pois influencia diretamente a saúde física e mental da população.’ Henke-Oliveira (1996) afirma que ‘o estilo de vida urbano e a estrutura cultural das cidades são elementos associados UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 28 à tendência ao sedentarismo, aumentando a demanda por áreas verdes e espaços para recreação. ’ 1.2.2 Urbanismo do esporte Para Garcia (1997), independentemente do tipo ou modelo de espaço público adotado pelas cidades, o projeto de modernização do espaço urbano quase sempre incorpora como valor a ética e a estética do lazer. Atualmente, as praças ou áreas verdes, têm fundamental importância em uma cidade, sendo utilizadas por pessoas de todas as idades e classes sociais, com a função de promover uma qualidade de vida melhor para população, fornecendo aos seus usuários recreação, lazer e uma vida mais saudável. (SILVA et al., 2008) Para uma atividade física ser classificada como esporte, ela deve ocorrer sob um conjunto particular de circunstâncias. (BARBANTI, 2006). 1.3 A cidade 1.3.1 Lavras A cidade de Lavras localiza-se na mesorregião do Campo das Vertentes, no estado de Minas Gerais, há cerca de 247km de Belo Horizonte, capital do estado, segundo o IBGE. O município de Lavras, após as separações político- administrativos de 1938, 1943, 1948 e início dos anos 1960, foi perdendo seus distritos para municípios vizinhos recém-criados, sendo atualmente composto por distrito único, contando apenas com a aglomeração urbana da sede. (PREFEITURA MUNICIPAL DE LAVRAS, 2017, apud IBGE, 2017) Segundo Garcia (2017), Lavras tem uma extensão territorial total de 564,7 km², sendo que destes 54,6 km² são considerados território urbano. Para o mesmo autor, a cidade possui uma área total somente urbana de 41 km². A Prefeitura de Lavras (2017) estipula que sua população conforme o censo de 2010 era de 92.200 habitantes, e na estimativa de 2017 era de 102.124 habitantes. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 29 A imagem 7 a seguir mostra a localização geográfica da cidade no território nacional: IMAGEM 7: Localização de Lavras no estado de Minas Gerais Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lavras O estabelecimento oficial de Lavras dá-se com a emissão da Carta de Sesmaria, enviada do governador da capitania de Minas Gerais aos primeiros colonizadores e expedida em 15 de janeiro de 1737. As sesmarias eram instrumentos jurídicos portugueses que normatizavam a distribuição de terras destinadas à produção agrícola. Ao receber o direito de explorar as novas terras, os sesmeiros tinham, em contrapartida, de fazê-lo dentro de determinado prazo, além de pagar os impostos devidos. (PREFEITURA MUNICIPAL DE LAVRAS, 2017). Na Carta, os sesmeiros afirmavam ‘ter posses e benfeitorias há mais de sete anos no Funil do Rio, que somente começou a crescer alguns anos depois, quando se instalaram as primeiras famílias. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 30 O ‘funil’ deve-se ao fato de existir uma garganta no Rio Grande, onde existia a Ponte do Funil. (SILVA, 2013). Németh-Torres (2011) afirma que um decreto de 13 de outubro de 1831 elevou a povoação do arraial à condição de vila e este fato representou a emancipação política através da criação de uma Câmara Municipal própria. Em 20 de julho de 1868, através de uma lei provincial, a vila foi elevada à categoria de cidade e passou a se chamar apenas Lavras. O mesmo autor ainda pontua que Maurício Pádua, prefeito da cidade à época, nos preparativos para as comemorações do Sesquicentenário de Lavras, definiu o 13 de outubro como aniversário da mesma. Segundo o mesmo autor, o primeiro núcleo habitacional da microrregião de Lavras surgira em Carrancas por volta de 1715, quando sua extensão total englobava diversas regiões que hoje são cidades independentes, como Carrancas e Luminárias. O primeiro arraial a ocupar a zona urbana de Lavras surgiu, segundo Németh-Torres (2010), e algum momento entre 1729 e 1751, quando o bispado local recebera um pedido dos moradores para construir a capela de Sant’Ana, hoje Igreja de Nossa Senhora do Rosário, e por volta de 1754, segundo Costa (1911), o mesmo já possuía 43 casas. Os primeiros moradores do núcleo urbano Lavrense foram bandeirantes paulistas que vieram de Santana do Parnaíba, município de São Paulo, e fundariam anos depois o Arraial dos Campos de Sant’Ana das Lavras do Funil. (COSTA, 1911). Segundo Németh-Torres (2012), figura ilustre à cidade é Francisco Bueno da Fonseca, líder de uma revolta com um desembargador português em São Paulo, por volta de 1912. Para o mesmo autor, o revolucionário estabeleceu-se na região entre os anos de 1920 e 1921. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 31 A imagem 8 ilustra a altimetria da cidade no final dos anos 20: IMAGEM 8: Município de Lavras em 1927 Fonte: Acervo pessoal - Renato Libeck, 2017 Lavras possui uma estreita relação com a valorização do espaço urbano muito mais dedicado a priorizar a circulação de veículos e o adensamento construtivo. Para levar seus passageiros através da longa subida para a cidade, a EFOM construiu uma linha de bonde elétrico em 1910 e adquiriu dois carros de 11 bancadas de 2 eixos da Waggonfabrik Falkenried, de Hamburgo, Alemanha. (PREFEITURA DE LAVRAS, 2017). De acordo com Vilela (2007), a cidade passou por expoente crescimento demográfico e populacional com ênfase nos anos 50, muito ricos em cultura, arte e esporte, valorizados pela formação de umabiblioteca pública e de um museu municipal. Segundo a Pró-Reitora de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Lavras (PROEC/UFLA, 2018), O Museu Bi Moreira, começou a tomar forma em 1949 por iniciativa da SAL e foi oficialmente inaugurado em 1980 durante as celebrações de 75º aniversário da ESAL. A imagem 9 mostra a cidade nos anos de 1980: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 32 IMAGEM 9: Vista aérea de Lavras em 1950 Fonte: Acervo pessoal - Renato Libeck, 2017 A cidade é regionalmente conhecida como ‘Terra dos Ipês e das Escolas’, devido à grande concentração e variedade da árvore no meio urbano e nas imediações, e também à vasta oferta de instituições de ensino públicas e privadas nos mais diversos graus e modalidades. A imagem 10 a seguir mostra uma vista aérea panorâmica de parte do meio urbano Lavrense: IMAGEM 10: Vista panorâmica de Lavras Fonte: Lavras 24 Horas, 2017 Lavras possui grande potencial turístico, ambiental e educacional, atraindo principalmente estudantes e jovens que buscam desfrutar de suas potencialidades. A cidade é provida de grande beleza natural e também cercada de pequenas outras cidades cujos movimentos culturais influenciam a população local. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 33 1.3.2 Principais áreas verdes da cidade de Lavras Lavras possui diversas áreas verdes nas mais diversas tipologias, como praças de bairros, grandes áreas loteadas e não edificadas, grandes glebas de terras particulares com alto valor agregado, áreas institucionais, alguns pequenos clubes e jardins residenciais. A cidade de Lavras, assim como muitas outras cidades brasileiras necessitam de uma reestruturação em suas secretarias municipais. (GARCIA, 2017). A imagem 12 a seguir mostra a distribuição e área de abrangência das áreas verdes disponíveis dentro dos limites urbanos de Lavras: IMAGEM 11: Limites urbanos da cidade de Lavras-MG, suas áreas verdes públicas e seus respectivos raios de influência. Fonte: Retirado de Garcia, 2017 Observa-se que apesar de haver uma quantidade significativa de áreas verdes espalhadas pela malha urbana da cidade, a mesma não é suficiente para UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 34 atender a população de forma uniforme. Considerando-se todas as áreas verdes públicas da cidade, ou seja, 45 praças, tem-se um total de 75.534 m². Porém, apenas 30 praças apresentaram características que permitem ser consideradas áreas verdes públicas, totalizando então 59.363 m². (GARCIA, 2017). A cidade conta com algumas áreas verdes muito frequentemente usadas com ponto de referência, sejam como ponto de encontro ou marcos histórico-ambientais. Como foco da vida pública Lavrense, a Praça Dr. Augusto Silva é a maior praça da cidade e localiza-se na região central da cidade. Além de concentrar o comércio e ser agradável local de descanso, contemplação e manifestações populares, também serve como divisora do fluxo de trânsito do bairro e ainda é pontuada com diversas pequenas homenagens às personalidades célebres da cidade. Foi palco de muitos encontros políticos e celebrações relevantes na década de 40, e continua contribuindo de maneira fundamental para o embelezamento e melhor qualidade de vida dos seus usuários, promovendo encontros, feira de artesanato aos domingos, área de reflexão e contato com a natureza, além de outros eventos sociais. (SILVA. et al, 2008). Ainda citando Silva (2008), a mesma já possuiu outros nomes, como Largo da Matriz e Jardim Municipal, está situada na parte central da cidade e possui uma área total de 9.594,37 m2, incluindo a Praça Leonardo Venerando Pereira, segundo levantamento planimétrico realizado. Silva et al. (2008) afirma que a mesma foi inaugurada em 29 de novembro de 1908, 277 anos após a fundação da cidade e que o nome é uma homenagem ao médico Lavrense Dr. Augusto José da Silva. Atualmente a Praça é suportada de bancos e lixeiras, além de iluminação bem situada por toda sua extensão. Abriga diversas espécies arbóreas tradicionais da cidade, como a Tipuana, o Ipê e o Pau Ferro, dois pontos de taxi e recebe dominicalmente a feira de artesanato e um pequeno playground móvel para crianças, além de feiras de livros e apresentações culturais diversas. A imagem 13 mostra o busto do Doutor Augusto José da Silva e, ao fundo, a fonte que compõe o jardim central: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 35 IMAGEM 12: Praça Dr. Augusto Silva Fonte: Rádio Cultura de Lavras, 2017 Nota-se a abundância e variedade de vegetação, além do cuidado com o jardim e o conforto que as áreas sombreadas trazem. Também possui um Parque, o Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito localizado a 9 km da cidade, não havendo parques públicos urbanos. (BOLDRIN et al., 2016). O Parque, oficialmente denominado Parque Municipal Florestal Abraham Kasinski, é uma propriedade particular aberta ao público localizada no município de Lavras, estado de Minas Gerais, no Brasil. (Site Oficial do Parque, 2018). Foi criado em 1976 através da aplicação da Lei Municipal nº 1042 e possui uma área de 235.000m² com remanescentes da Mata Atlântica da serra da Bocaina. Constitui a maior área verde pertencente à Lavras e abriga grande variedade de fauna e flora importantes à pesquisa científica e que funcionam como suporte para esportes como arvorismo e trilhas. Também possui infraestrutura voltada ao lazer, como piscinas, cachoeira, restaurante, mirante, playground e lago com pedalinhos. Encontra-se distante cerca de 16km do centro urbano da cidade e como já dito, por ser de iniciativa privada, torna o acesso restrito à parcela da população que pode pagar para frequentar. A seguir, a imagem 14 mostra uma vista aérea da área do Parque: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 36 IMAGEM 13: Vista aérea do Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito Fonte: Acervo pessoal - Flávio Vilela, 2010 Já a UFLA com seus 6.000.000m² de área total e 250.000m² de campus construído, é outro forte ponto de referência para a cidade de Lavras, devido à qualidade dos cursos oferecidos e à deslumbrante área verde em que está inserida. Fundada em 1908 sob o lema do Instituto Gammon ‘Dedicado à glória de Deus e ao Progresso Humano’, a Escola Agrícola de Lavras passou a ser chamada Escola Superior de Agricultura de Lavras, em 1938. (UFLA, 2018). As imediações da Instituição são comumente usadas pela população da cidade para a prática de diversas atividades físicas e culturais, visto que a mesma possui um Centro Esportivo e uma pista de atletismo. O intenso fluxo de praticantes em conflito com o fluxo de estudantes que utilizam o mesmo espaço para ambas atividades reflete num trânsito de veículos muitas vezes congestionado, divido por ônibus, carros e bicicletas de discentes e praticantes. A imagem 15 a seguir mostra uma vista aérea da UFLA: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 37 IMAGEM 14: Vista aérea do Campus da Universidade Federal de Lavras Fonte: TVU Lavras, 2017 A Praça Monsenhor Domingos Pinheiros, também conhecida como Praça das Mercês, foi construída em 1819 por um grupo de moradores da vila de Lavras. A Igreja das Mercês foi consagrada em 1849 e, posteriormente teve seu nome mudado para o atual à fim de homenagear o fundador da consagração das Irmãs de NossaSenhora da Piedade. A imagem 16 a seguir mostra a Igreja das Mercês e parte do paisagismo da Praça: IMAGEM 15: Praça Monsenhor Domingos Pinheiros Fonte: Mapio.net, 2010 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 38 No mesmo sentido do fluxo urbano do centro da cidade, a Praça Dr. Jorge é de suma importância por se relacionar com as origens históricas e paisagísticas de Lavras e por contribuir com o equilíbrio do conforto ambiental. Mantém o mesmo traçado original de formas rígidas retilíneas. Divide-se em dois momentos, sendo o primeiro a praça propriamente dita e o segundo, um pequeno adendo em forma de rotatória. Para Silva et al. (2016): A Praça Dr. Jorge é um dos marcos mais antigos da cidade de Lavras, assim denominada em homenagem à memória do notável mineiro Dr. José Jorge da Silva (nasceu em 1810 e faleceu em 1880), residiu em Lavras por muitos anos e também foi deputado provincial de 1835 a 1837, sendo reeleito em 1838 a 1839. Registros da década de 1920 relatam que a praça teve seu início em 1899, pois nesta época o espaço já fazia parte do povoado. Ainda segundo Silva (2016), atualmente a praça ocupa uma área de 2.347,82m² na região central da cidade, fazendo a divisão entre as vias que ligam a zona norte à zona sul. Abriga espécies frondosas como Ipê Roxo e Alfeneiro do Japão, uma banca de jornal, um ponto de taxi e é palco da feira livre semanal. A imagem 17 a seguir mostra a beleza do Ipê Rosa num entardecer na Praça Dr. Jorge: IMAGEM 16: Praça Doutor Jorge Fonte: Lavras 24 Horas, 2016 Marco da zona norte e parte da história ferroviária da cidade, a Praça Doutor José Esteves, popularmente conhecida como Praça da Estação foi construída à UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 39 frente do primeiro prédio da Estação Ferroviária de Lavras, projetada para receber e despachar passageiros. Abriga uma locomotiva modelo Baldwin que ‘operou de 1929 até 1969 e com o passar do tempo foi abandonada e destruída por vândalos.’ (ESTADO DE MINAS, 2013). O prédio era formado por uma única edificação com diversos adornos que marcaram a história do século XIX. A praça recebeu sua denominação através do decreto de 10 de dezembro de 1939. Sobre o Dr. José Esteves de Andrade Botelho, este nasceu em Lavras no dia 18 de abril de 1855 e formou-se em medicina no ano de 1879. (PREFEITURA DE LAVRAS, 2018). A imagem 18 mostra parte da Praça Dr. José Esteves e a da locomotiva: IMAGEM 17: Praça Doutor José Esteves e a locomotiva Baldwin Fonte: Prefeitura Municipal de Lavras, 2017 Garcia (2017) ainda aponta que das áreas públicas existentes em Lavras, apenas 30 possuem características aceitáveis para serem consideradas áreas verdes públicas e conclui que distribuição das áreas verdes públicas na malha urbana se dá de forma heterogênica, a maioria das regiões e bairros de Lavras não possuem praças como também nenhum acesso a uma próxima. Finalmente, a Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo (SELT), espaço verde público destinado ao lazer e ao esporte que leva o nome da repartição pública que o UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 40 administra, carece de referências bibliográficas, mas apresenta-se como área destinada à prática de atividades físicas dentro do centro urbano da cidade. É usado pela população de diversas faixas etárias e para diversos fins, desde descanso à encontros, reuniões, oficinas e demais atividades coletivas. A SELT recebe semanalmente diversos grupos que desenvolvem atividades importantes junto à sociedade, sendo eles o Projeto Conquista, voltado para pessoas portadoras de necessidades especiais, o CENAV, o Grupo Alegria de Viver, voltado para o público da 3ª idade e atividades juntamente com a APAE. A imagem 19 a seguir mostra uma vista da SELT, destacada pela área colorida: IMAGEM 18: Vista aérea da SELT Fonte: Google Earth, 2018 O local encontra-se, por observação, ligeiramente malcuidado, carente de iluminação adequada e diversos equipamentos e mobiliários urbanos como mostra a imagem 20: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 41 IMAGEM 19: Entrada da SELT Fonte: André Luis Fontes, 2016 O espaço é muito utilizado por toda a população da cidade, principalmente do entorno que é mais constituído por residências e instituições de ensino. 1.3.3 Lavras e o esporte Em Lavras, o futebol foi introduzido no Ginásio de Lavras (atual Instituto Presbiteriano Gammon) em 1905 pelo Dr. Knight, que trouxera a primeira bola de couro e uma luva de baseball de seu país natal, os Estados Unidos. (TORRES, 2011). O mesmo autor ainda lembra que um dos primeiros futebolistas da cidade foi Getúlio de Oliveira, e junto à Jonas Soeiro fundaram o Lavras Sport Clube em 1913. Ainda na década de 10 nasceu também o primeiro clássico futebolístico local, o Lavras versus Sport Club Hymalaia. Segundo dados da Prefeitura Municipal de Lavras (2017), a Liga Esportiva de Desportos de Lavras (LEDL), fundada em 1943 deu início à uma organização no futebol, auxiliada pela Associação Olímpica de Lavras, fundada em 1937, pela Associação Atlética Ferroviária, fundada em 1944 e pelo Ferroviário Esporte Clube Ribeirense. Juntos fundaram o primeiro Campeonato Municipal de Lavras, em 1945, como mostra a imagem 21 a seguir: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 42 IMAGEM 20: Time do Hymalaia em 1915 Fonte: Németh Torres, 2011 Em 1953, o Fabril Esporte Clube, fundada em 1932, juntou-se à Liga, e a imagem 22 mostra os jogadores nos anos 30: IMAGEM 21: Time do Fabril Esporte Clube em 1932 Fonte: História do Futebol, 2018 A seguir, a imagem 23 retrata o time da Associação Olímpica de Lavras, em 1940: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 43 IMAGEM 22: Time da Associação Olímpica de Lavras em 1940 Fonte: Acervo pessoal - Renato Libeck, 2018 A cidade possui também dois antigos clubes advindos de sociedades desportivas, o Lavras Tênis Club, fundado em 1933, e o Clube Campestre Celso Baptista Dias, fundado em 1973. Também possui diversas equipes desportivas em colégios e na Universidade Federal de Lavras, com disputas no vôlei, handball, basquete, natação, rugby e atletismo, como mostra a imagem 24: IMAGEM 23: Pista de atletismo da UFLA Fonte: Eventos UFLA, 2017 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 44 Torres (2011) acrescenta que a cidade tem importantes marcos competitivos contra times de São João Del Rey, em 1914 e contra o famoso Clube Atlético Mineiro, em 1929. Sendo assim, Lavras mostra uma brilhante trajetória no cenário esportivo, sendo até hoje palco para diversas atividades como vôlei, basquete, escalada, ciclismo, corrida e muitos outros. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 45 CAPÍTULO II - ESTUDOS DE CASO 2.1 Parque do Ibirapuera Ficha Técnica Arquitetura: Oscar Niemeyer, Hélio Uchoa, Zenon Lotufo, Eduardo Kneese de Melo, Ícaro de Castro Melo Colaboradores: Gauss Estelita e Carlos Lemos Paisagismo: Otávio Augusto Teixeira Mendes Localização: São Paulo, Brasil Área: 1.584.000m² ou 158ha Ano do projeto: 1954Segundo Barone e Sampaio (2007), o Ibirapuera é o primeiro parque urbano de São Paulo. Sua idealização deu-se a partir da necessidade da criação de um parque que atendesse à toda a população de São Paulo na década de 20. Projeto de Oscar Niemeyer e colaboradores, conta com 1.584.000m² de área verde pública e foi concebido para ser palco da comemoração do IV Centenário da Fundação de São Paulo, em 1954, momento de grande crescimento urbano em que a cidade se elevava à condição de ‘metrópole moderna’. O espaço fora também projetado para abrigar edificações destinadas a exposições comemorativas, muitas delas dos famosos arquitetos Oscar Niemeyer e Rosa Kliass. Advindas de terras devolutas (que passam ao poder da Prefeitura local em caso de morte do proprietário e ausência de herdeiros), no final do século XIX, por volta de 1890, e situada numa área de várzea muito preservada e que correspondia à um gigantesco vazio urbano, foi aos poucos viabilizada para a execução do Parque. Foi na gestão de José Pires do Rio na Prefeitura de São Paulo que se pensa pela primeira vez na construção de um grande parque público ‘útil à higiene da população urbana (ANDRADE, 2004). Para o mesmo autor, Pires do Rio foi o responsável pela ampliação das áreas do parque através da incorporação de terras UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 46 ao poder público. Uma das ações mais importantes de uma permuta em 1927, que, transferência do viveiro de plantas municipais localizado do terreno permutado para o terreno do Parque, que resultou no início do mesmo. O viveiro ainda cuida da drenagem do Parque desde 1928. A imagem 25 ilusta a primeira proposta paisagista para o Parque, de autoria de Reinaldo Dierberger, de 1929, que se preocupava com o embelezamento da cidade e manutenção da saúde pública da cidade: IMAGEM 24: Projeto de Parque Municipal na Várzea do Ibirapuera Fonte: Reinaldo Dierberger - 1929 O projeto concentra-se na disposição de atividades de esporte, diversão e cultura, dentro do conjunto de logradouros, bosque, passeios, ruas, caminhos, lagos e avenidas, deixando clara a instalação do Hipódromo da Moóca. (ANDRADE, 2004). Ainda na gestão de Pires do Rio, o engenheiro Prestes Maia, então Secretário de Viação e Obras Públicas, apresentou seu Plano de Avenidas e nele inseriu uma proposta para o futuro parque. (ANDRADE, 2004) Ainda citando Andrade, em maio de 1933 a Repartição de Águas e Esgoto de São Paulo não havia concordado com o projeto de Dierberger pelo mesmo dispensar previsões sobre esgoto e águas pluviais. Esse fato levou à elaboração de um novo projeto para o Parque intitulado Revisão do Projeto do Parque do Ibirapuera cujo memorial foi assinado pelo engenheiro Marcial Fleury de Oliveira, como ilustra a imagem 26: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 47 IMAGEM 25: Revisão do Projeto do Parque do Ibirapuera Fonte: Marcial Fleury de Oliveira - 1933 Devido à intenção de incorporar a área do Parque à área do Hipódromo da Mooca, o engenheiro Werner Hecker, em 1935 elabora a seguinte proposta, que representada pela imagem 27, acrescenta uma ‘alça’ à praça circular e direciona à uma nova concepção do espaço: IMAGEM 26: Proposta de Werner Hecker para o Parque Ibirapuera Fonte: Werner Hecker - 1948 Em 1948, membros internos da Prefeitura em 1951, o arquiteto engenheiro Christiano Stockler das Neves propõe nova implantação para a área do Parque, de acordo com a imagem 28: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 48 IMAGEM 27: Proposta de Christiano Stockler para o Parque Ibirapuera Fonte: Christiano Stockler das Neves - 1951 Em 1951, Cicillo Matarazzo, atual presidente da Comissão do IV Centenário da cidade de São Paulo convoca diversos colaboradores, inclusive o arquiteto Oscar Niemeyer e os mesmos propõem um projeto completamente contrário às suposições de Stockler que direcionam à um novo olhar do urbanismo para o local, como ilustra a imagem 29 abaixo: IMAGEM 28: Plano de Conjunto Fonte: Oscar Niemeyer e colaboradores, 1951 A equipe do arquiteto Oscar Niemeyer era composta por Zenon Lotufo, Eduardo Kneese de Mello e Hélio Cavalcanti, com colaboração de Gauss Estelita e Carlos Lemos (ANDRADE, 2004). A maquete da proposta da equipe é ilustrada UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 49 através do rompimento com as propostas anteriores através da elaboração de diversas marquises que ligariam os completos entre si, através de um traçado orgânico e delicado que conversa com a vegetação do entorno. A proposta mostra- se posteriormente inviável pela dúvida gerada em torno do destino das marquises após o término das comemorações do Centenário e do alto custo de uma possível demolição. A imagem 30 mostra a situação anteriormente descrita: IMAGEM 29: Maquete do primeiro projeto para o Parque do Ibirapuera Fonte: Oscar Niemeyer e colaboradores - 1952 Desta maneira, finalmente o projeto foi aprovado com a restrição do excesso de marquises, restringindo-as à singelas passarelas entre o Pavilhão da Agricultura, o Pavilhão das Indústrias, o Pavilhão das Nações, o Pavilhão dos Estados e o Pavilhão de Exposição. Andrade (2004) ainda conclui que o Parque foi oficialmente inaugurado, em 21 de agosto de 1954, e concebido como um projeto de espaço de arte e cultura, de recreação e esportes. Segundo Barone (2007), a criação de um Parque suportado de edificações para exposições de bens culturais, industriais e científicos estava muito atrelada à uma dimensão de ‘missão civilizatória.’ A plástica adotada por Oscar Niemeyer completava assim um percurso no qual a cidade podia enxergar-se como a imagem do próprio país – capitaneando-o no presente, no futuro, e integrando-o a uma esfera global. (MARINS, 1999). UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 50 A imagem 31 abaixo ilustra o mapa atual das instalações do Parque: IMAGEM 30: Mapa atual do Parque do Ibirapuera Fonte: Parque Ibirapuera Conservação, 2018 Analisando o mapa, é possível observar que o Parque se divide em dois momentos através do lago que separa as áreas edificadas das áreas verdes livres. O Ibirapuera representa para a cidade de São Paulo a expressão urbanística da contra-mão. Ao passo em que a cidade caminha para um modelo de urbanização que prioriza a densidade construtiva, o Parque contrapõe-se como local de respiro e oferece conforto térmico, lazer, cultura e educação para a população. Já a imagem 32 a seguir mostra a atual implantação do Parque no meio urbano paulista: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 51 IMAGEM 31: Implantação atual do Parque do Ibirapuera Fonte: The Urban Earth, 2010 Observa-se facilmente que o Parque atende a população numa grande área de abrangência muito adensada. Tem ação térmica, regulando a temperatura e melhorando o clima local, terapêutica enquanto serve de respiro e local de lazer e contemplação, e de valorizador da paisagem urbana. 2.2 Parque da Juventude Ficha Técnica Arquitetura: Aflalo & Gasperini Arquitetos Localização: São Paulo, Brasil Área do terreno: 240.000m² ou 24ha Área construída: 34.360m² ou Ano do projeto: 2007 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 52 O Parque da Juventudemudou a paisagem da zona norte da cidade de São Paulo ao substituir o Complexo Penitenciário Carandiru por uma área de lazer e entretenimento ao ar livre. (Governo de São Paulo, 2018). Como afirma Torres (1982 apud Bianchini, 2018), o bairro o qual está inserido o Parque pertence à prefeitura regional de Santana e o mesmo é fruto de uma ocupação tardia ao norte do Rio Tietê e intensificou-se com a implantação da mini-estrada de ferro Tramway Cantareira. O presídio, que chegou a ser o maior da América Latina nos anos 90, após ser palco do massacre de 111 presos, hoje dá lugar a um complexo esportivo de 24 hectares. Com projeto aprovado em 1999 através de um concurso público do Governo de São Paulo, foi concluído em 2007 e é referência histórica na zona norte de São Paulo. É um complexo cultural que abriga atividades voltadas à saúde, educação, lazer, esporte, cultura e turismo. Presta grande serviço à sociedade e ao meio ambiente ao ser transformador do meio em que está inserido, antes degradado e marcado pela morte - do espaço e das pessoas -, ao passo em que se apresenta como uma manobra no passado, rumo à construção de uma sociedade menos marcada pela violência. Faz parte de um plano de despoluição e renaturalização do Córrego Carajás que, canalizado, corta a área do Parque e desagua no Rio Tietê. Para Martignoni (2006, apud Hannes, 2014), o Parque da Juventude reciclou esse espaço e o reintegrou a cidade, fez a população local ‘respirar aliviada’, trazendo de volta ao bairro de Santana um pouco do clima bucólico e tranquilidade. A imagem 33 mostra a região do Complexo Penitenciário antes de sua demolição. Nota-se uma edificação rígida e intimidadora que não dialoga com o entorno, o adoece e desvaloriza. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 53 IMAGEM 32: Implantação do Complexo Penitenciário do Carandiru Disponível em: http://aflalogasperini.com.br/blog/project/parque-da-juventude/ A partir da execução dos primeiros projetos pós demolição, o entorno já demonstra vitalidade e cor ao passo em que chama os moradores e transeuntes à utilizar o local. A edificações do antigo Complexo são gradativamente substituídas pelo verde, como mostra a imagem 34: IMAGEM 33: Parque Central e Parque Esportivo em construção Disponível em: http://aflalogasperini.com.br/blog/project/parque-da-juventude/ UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 54 É suporte para o bom desenvolvimento da vida de jovens e crianças, que, dispondo de um local saudável onde praticar atividades que tragam felicidade e bom convívio social, tem a oportunidade de participar e modificar positivamente o espaço em que vivem. As edificações que antes transmitiam medo e repulsa, hoje compõem uma área cheia de vida e oportunidades, conforme ilustra a imagem 35: IMAGEM 34: Parque da Juventude em implantação atual Disponível em: http://aflalogasperini.com.br/blog/project/parque-da-juventude/ O projeto manteve a maioria das edificações existentes e setorizou-se em três momentos: o Parque Institucional, com os edifícios da antiga da detenção, o Parque Central, que concentra toda a área verde e o Parque Esportivo que possui pista de skate, dez quadras poliesportivas e circuito de arvorismo. O mesmo conta com projeto paisagístico coordenado pelo escritório de Rosa Grena Kliass. Pereira (2017) explica esses três momentos: O primeiro, Parque Esportivo, inaugurado em 2003, conta com 35 mil metros quadrados de área destinada ao lazer, com quadras poliesportivas e pistas de skate. O paisagismo de Kliass valorizou o desenho usando planos de tetos e piso tornando o espaço agradável a trilhas sombreadas. O segundo momento definido como Parque Central, dispondo de 90 mil metros quadrados e inaugurado em 2004 foi pensado como área de contemplação e para isso dispõe apenas de bancos ao longo de seu trajeto. E num terceiro momento, o Parque Institucional concluindo a obra em 2007 é brindado com edificações dos arquitetos do escritório Aflalo e Gasperini, onde funcionam a UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 55 Biblioteca e ETEC. A ligação do Parque com a linha de metrô torna o espaço acessível aos moradores locais e de outras regiões. Para Hannes (2014, p. 46): É indiscutível o ganho obtido com a implantação do Parque da Juventude. A paisagem é outra, o clima é outro, as vibrações são outras. O projeto do parque transforma e revitaliza a paisagem e a qualidade urbana do bairro, restaurando não só a dignidade da vizinhança como lhe devolvendo a qualidade de vida que já não se via desde o início do século passado. Rodrigues (2008) ressalta, sobre a modificação urbana e histórica do Parque, que o mesmo enquadra-se na concepção de Quatremère de Quincy sobre as obras arquitetônicas: ‘designa um edifício construído para eternizar a lembrança de coisas memoráveis, ou concebido, erguido ou disposto de modo que se torne um fator de embelezamento e de magnificência nas cidades. ’ A imagem 36 a seguir ilustra o modo com que o Parque está implantado na malha urbana paulista atualmente: IMAGEM 35: Setorização do Parque da Juventude Disponível em: http://aflalogasperini.com.br/blog/project/parque-da-juventude/ Bianchini (2018) conclui que a sensação de tristeza e vergonha que o local passava à população deu lugar à uma área para diversão, bons momentos e UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 56 aprendizado, onde os antigos muros do complexo penitenciário dão hoje espaço a grandes gramados com vegetação densa. O projeto permite ao usuário diversas experiências sensoriais, transforma e recria os espaços auxiliando no apagamento das memórias negativas. O autor ainda pontua que a intervenção urbanística gerada pela implantação do Parque cria um ambiente de integração e substitui o espaço que antes dedicava-se à exclusão, deixando cair no esquecimento o triste massacre ocorrido no início dos anos 90. 2.3 Complexo Esportivo de Wroclaw Ficha Técnica Arquitetura: Major Architekci e Colaboradores Localização: Polônia Área construída: 2.800m² ou 0,28ha Ano do projeto: 2010 O projeto que ganhou o primeiro prêmio em um concurso internacional, concebido pela Major Architekci e localizado no centro da cidade de Wroclaw, também conhecida como Breslávia, na Polônia, tem por objetivo unir duas edificações escolares do século 19. Espaços multifuncionais e alto padrão de materiais foram as principais premissas do projeto. A imagem 37 a seguir mostra a fachada leste da edificação: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 57 IMAGEM 36: Vista noturna do Complexo Esportivo de Wroclaw Fonte: ArchDaily, 2011 Unindo os halls de ambas edificações e considerando o esporte o lazer como funções naturais do espaço, foi sugerido uma parede translúcida e perfurada que unifica as mesmas. Essa parede é confeccionada em aço corten, material comumente utilizado em estruturas e composições exteriores devido à sua grande resistência à intempéries e corrosões e pelo seu alto apelo estético, variando sua tonalidade com o passar do tempo, que combina com a parede de tijolos da escola ao lado. A imagem 38 a seguir ilustra os detalhes anteriormente citados: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 58 IMAGEM 37: Detalhe externo do Complexo Esportivo de Wroclaw Fonte: ArchDaily, 2011Essa técnica construtiva permite que a insolação seja filtrada e chegue na medida certa dentro da quadra externa, proporcionando conforto e certa privacidade para seus usuários. A imagem 39 a seguir ilustra as plantas baixas que detalham como a edificação se comporta: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 59 IMAGEM 38: Plantas baixas e fachada principal do Complexo Esportivo de Wroclaw Fonte: ArchDaily, 2011 O desenho estilo industrial reforça essas características e, com discrição dialoga com as edificações já existentes. UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 60 CAPÍTULO III - PROBLEMÁTICA Considerando-se todas as áreas verdes públicas da cidade, ou seja, 45 praças, tem-se um total de 75.534m². Porém, apenas 30 praças apresentaram características que permitem ser consideradas áreas verdes públicas, totalizando então 59.363m² (GARCIA, 2017). Ainda para Garcia (2017), a falta de áreas verdes públicas suficientes na cidade de Lavras faz com que a população busque alternativas e com isso, as áreas da Universidade Federal estão sendo utilizadas pela população da cidade, passando assim a assumir o papel de um parque municipal. Esse fato deve ser analisado com cuidado, visto que o local não é próprio para atividades normalmente desenvolvidas num parque. Os usuários habituais da Universidade, discentes e docentes dividem espaço com pessoas que buscam local para práticas esportivas e contemplativas. Como já mencionado, o Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito localiza-se há cerca de 9km do centro da cidade, e, o fato do mesmo ser administrado por iniciativa privada também é um limitador de uma maior frequência de acesso da população. As demais áreas verdes da cidade são praças Após releitura do histórico da relação entre Lavras, suas áreas verdes e o esporte, percebe-se facilmente que, ao longo do rápido desenvolvimento urbano da cidade poucas glebas se destinaram ao lazer e à recreação no parcelamento do solo, fruto de um planejamento que não considerou uma ocupação ordenada e uma divisão justa dos espaços. As poucas áreas disponíveis a atividades recreativas apresentam sérias restrições e, a única realmente planejada para tal fim, a SELT, encontra-se negligenciada e mal suportada de equipamentos urbanos e esportivos. Por localizar-se num fundo de vale, sob a SELT corre um pequeno braço de um ribeirão que corta o meio urbano de Lavras. Esse braço encontra-se canalizado, mas quando o limite pluviométrico da cidade extrapola a capacidade da manilha, a mesma costuma romper em seu ponto mais frágil. O ponto, dentro dos limites da SELT oferece grande risco quando se dá seu desabamento que inunda todo o espaço. Na imagem 39 pode-se observar um momento em que a manilha rompeu-se após um dia de intensa chuva na cidade no ano de 2016: UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 61 IMAGEM 39: Buraco no chão da SELT devido à falta de manutenção na manilha Fonte: Jornal de Lavras, 2016 Embora esteja em fase de reforma, conforme mostra a imagem 40, o espaço ainda carece de cuidados e espaços melhores dimensionados e projetados para fins e públicos específicos. A obra não encontra-se devidamente isolada, oferecendo risco à crianças e pessoas que utilizam o espaço. IMAGEM 40: Reforma não isolada na SELT Fonte: Acervo pessoal - Autora, 2018 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 62 O Jardim Sensorial, muito útil para os grupos que necessitam de um melhor desenvolvimento motor encontra-se desativado e cada vez mais degradado, conforme a figura 41: IMAGEM 41: Jardim Sensorial desativado Fonte: Acervo pessoal - Autora, 2018 Observa-se facilmente que o Jardim carece de manutenção e cuidados. Muito lixo, pintura desgastada e canteiros subutilizados são alguns dos problemas do local, conforme mostra a figura 41: IMAGEM 41: Falta de manutenção no Jardim Sensorial Fonte: Acervo pessoal - Autora, 201 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 63 Há também a presença de muitos entulhos que podem ser foco de animais peçonhentos e doenças, conforme mostra a imagem 42: IMAGEM 42: Entulhos na SELT Fonte: Acervo pessoal - Autora, 2018 A quadra poliesportiva, conforme mostra a imagem 43, apesar de conservada, tem potencial para se tornar um espaço mais arejado e amplo para receber disputas e um público mais generoso de maneira mais confortável e acessível. IMAGEM 43: Quadra poliesportiva da SELT Fonte: Acervo pessoal - Autora, 2018 UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 64 Através de entrevistas feitas com usuários do local, foi possível identificar as carências e também as potencialidades do mesmo. As reformas recentes melhoraram as instalações, mas não resolveram o problema do mau dimensionamento dos espaços. A falta de iluminação do entorno e cuidados adequados torna o local soturno e deserto à noite, o que traz sensação de insegurança. Também carece de arborização e equipamentos públicos adequados, como bebedouros e bancos melhores dimensionados, conforme mostra a imagem 44: IMAGEM 44: Espaço livre, equipamentos e arborização carentes Fonte: Acervo pessoal - Autora, 2018 Diversos grupos voltados ao desenvolvimento de atividades que beneficiam várias faixas etárias e utilizam-se da área da SELT, mas não dispõem de locais específicos para o bom andamento de seus projetos. Idosos, crianças e pessoas excepcionais necessitam de acomodações diferenciadas para prática de suas atividades e a área analisada sofre um déficit de adaptações para atender melhor esse público. Diante disso, faz-se necessária a análise e questionamentos destes pontos à fim de inferir propostas para sanar tanto a questão da falta de oferta de locais apropriados a práticas esportiva, quanto a questão do mau planejamento e UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 65 gerenciamento do espaço. Dada a importância e o potencial da SELT para a cidade de Lavras, é possível transformar um espaço reduzido e mal dimensionado em uma área multifuncional e acessível? UNILAVRAS Centro Universitário de Lavras www.unilavras.edu.br 66 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, M. M.; O parque do Ibirapuera: 1890 a 1954. Arquitextos, São Paulo, ano 05, n.051.01, Vitruvius, set. 2004. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/05.051/553. Acesso em: 10 abr. 2018. ANDRADE, M. M.; O processo de formação do Parque do Ibirapuera. In: Revista do Arquivo Municipal, São Paulo. 192 fl. p.49-67. 2006. Acesso em: 10 abr. 2018. 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