Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

receba o informativo | sobre | instagram
vitruvius | pt|es|en
Curtir 39 mil busca ok
pesquisa
guia de livros
jornal
revistas
em vitruvius
arquitextos | arquiteturismo | drops | minha cidade | entrevista | projetos | resenhas online
246.01 personagem ano 21, nov. 2020
revistas
buscar em arquitextos ok
arquivo | expediente | normas
arquitextos ISSN 1809-6298
Flávio Villaça
Uma trajetória dedicada ao planejamento urbano brasileiro
Sergio Luís Abrahão e Silvana Maria Zioni
Flávio Villaça na série Primeiras Aulas
Imagem divulgação [TV Unesp]
Por quase três décadas o professor Flávio Villaça reuniu-se
quinzenalmente com seus orientandos e ex-orientandos para leituras
críticas de livros, artigos, textos, leis e projetos de lei, que
abordassem questões voltadas ao espaço urbano, em suas dimensões teórico-
conceituais, político-administrativas e socioespaciais. As discussões,
que tinham lugar nesses encontros, revelavam seu desprendimento e
generosidade nas trocas de conhecimento e ideias e deixavam transparecer
a seriedade e a coerência com que conduzia sua carreira acadêmica e
profissional de planejador urbano, sempre pautadas no rigor de suas
investigações e de suas inúmeras e relevantes publicações.
Este artigo busca descrever aspectos do processo de formação profissional
e do pensamento do arquiteto e urbanista Flávio Villaça, que revelam uma
experiência importante na história da constituição do campo e da prática
do planejamento brasileiro. Sempre marcada por constante inquietação
intelectual, a trajetória deste pesquisador nato, especialmente voltado
ao tema do espaço urbano, está vinculada tanto a suas práticas
profissionais quanto a sua trajetória acadêmica, antes mesmo de seu
ingresso como docente na Universidade de São Paulo.
Retomam-se as discussões que tiveram lugar em uma das sessões temáticas
do último Encontro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em
Arquitetura e Urbanismo – Enanparq, realizado em 2018, quando se
apresentou uma sistematização crítica de suas reflexões em torno da renda
da terra, da estruturação socioespacial das metrópoles brasileiras e da
produção dos centros dessas metrópoles. Também foram divulgados os
primeiros resultados de uma investigação sobre os aportes teóricos
seminais, na formação de seu pensamento urbanístico. Agora, são
focalizados os elementos centrais da contribuição de Villaça aos estudos
e teorias da organização espacial intraurbana em que sempre se observa a
preocupação com a abordagem interdisciplinar e a combinação de teoria e
prática para a constituição do planejamento urbano.
Villaça nos ensinou que fazer a “história, enquanto estudo das mudanças,
deve ser realizada do presente para o passado, pois ao contrário seria
escolher arbitrariamente o início do processo e admitir, erroneamente,
que a partir desse início o percurso histórico só poderia ter sido aquele
que efetivamente ocorreu” (1). Seguindo esta lógica, estruturado em três
partes, além desta introdução e das considerações finais, este artigo
inicia-se percorrendo sua trajetória de formação acadêmica e de
246.01 personagem
sinopses
como citar
idiomas
original: português
compartilhe
 
246
246.00 regionalismo e
gênero
Da habitação popular à
paisagem do Nordeste
Uma reflexão sobre
regionalismo e gênero
Guilah Naslavsky e Ana
Rita Sá Carneiro
246.02 ativismo
comunitário
Participação
comunitária e projeto
urbano em favelas
A realidade e a
percepção dos moradores
na Favela da Rocinha,
Rio de Janeiro
Rachel Coutinho Marques
da Silva e Tatiana
Medeiros Veloso
246.03 participação
Uma experiência
psicogeográfica em
Parque das Missões,
Duque de Caxias
Maria Eugenia Nico e
Rafael Soares Gonçalves
246.04 moradia popular
Relatos de uma viagem
Hutongs de Pequim e
lilongs de Xangai
Heitor Frúgoli Jr.
246.05
Sobre o desenhar
Uma revisão crítica,
metodológica e
experimental do estudo
do desenho pelo
desenhar
Artur Simões
Rozestraten
246.06 arquitetura
moderna
Os edifícios de
apartamentos de
Vilanova Artigas
Especulações entre a
exceção e a regra
jornal
notícias
agenda cultural
rabiscos
eventos
concursos
seleção
em vitruvius
12/12/2024, 20:22 arquitextos 246.01 personagem: Flávio Villaça | vitruvius
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952 1/10
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjsvyyaEGllOmfAqmx35V5nz3OJ5h5EepaPWnKeXRvzboAcxiEefUbmQG-a9LohM1UVAb-X8iBrLPH8ejLxhSgeqz9clKXg2M56vm3p8ZCE6sAVZtTy_bLVPduYsCJTmafCNOU4YmUQ-EPD5MQk0TLqiTLY8TyFPNOUoKu5wljZKFifuDJWZAllej1N2552Tef0xmuhacxOclW0uwYd4dQPuqjuNyeJ1zzTDUhiuylJEEOPkVG_H7gEkM9kvbpBKkRLFDn3DZT2wQV-RbMgljRrTOFnKf835Xx3gYhLqFeHJkIZAtTvWbgtc63aBr603m7sRo7M5D_7Xz40kDXxWXo4STvyUfSgbtgHxBLxg26iV2X528RiEsexS2fgvj2OVwVlar8bVJ&sai=AMfl-YSpSZaukNiWrfAa-yDSWMq4Pvwkgeo16_IviwH1ntDPkQd-gYkigWzM2w5hgVVszRO734KMrkXsWmKs_2S8GdwPebdbqwmTk4UBDX55au3gEIO02ZGEJkS9iMHVlS-CAFntHg&sig=Cg0ArKJSzGvRhMrjcKQ2&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=http://revistainvi.uchile.cl/index.php/INVI
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjsvyyaEGllOmfAqmx35V5nz3OJ5h5EepaPWnKeXRvzboAcxiEefUbmQG-a9LohM1UVAb-X8iBrLPH8ejLxhSgeqz9clKXg2M56vm3p8ZCE6sAVZtTy_bLVPduYsCJTmafCNOU4YmUQ-EPD5MQk0TLqiTLY8TyFPNOUoKu5wljZKFifuDJWZAllej1N2552Tef0xmuhacxOclW0uwYd4dQPuqjuNyeJ1zzTDUhiuylJEEOPkVG_H7gEkM9kvbpBKkRLFDn3DZT2wQV-RbMgljRrTOFnKf835Xx3gYhLqFeHJkIZAtTvWbgtc63aBr603m7sRo7M5D_7Xz40kDXxWXo4STvyUfSgbtgHxBLxg26iV2X528RiEsexS2fgvj2OVwVlar8bVJ&sai=AMfl-YSpSZaukNiWrfAa-yDSWMq4Pvwkgeo16_IviwH1ntDPkQd-gYkigWzM2w5hgVVszRO734KMrkXsWmKs_2S8GdwPebdbqwmTk4UBDX55au3gEIO02ZGEJkS9iMHVlS-CAFntHg&sig=Cg0ArKJSzGvRhMrjcKQ2&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=http://revistainvi.uchile.cl/index.php/INVI
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjsuWEeafSH1461uoL6-ffz38DdVmzNX8GkX02Z2iQRS02Jo3wfiRrPEBzIYrl_7WSlMGHF2nW1AXRM5yznrgxmBkXSvVasGaNF-k0tdVNIvjsqD8KJFAId64azJshZhrPExd0RQgWobljV-XP3YLOSH9a3M52krZPXgnUQHvu3iy5HZxx-ZAHft4EuSMoUMzn3WWjf3w3983ZwfsKAqeaUPJS6dZLZvZTsLVncjfcn4FhuRF_Jrvyw0JJGN0o4v7sfq4RvkuozG42Aw1qnEJX5VnWQYOJjumQ-LPiK04UVEUfn7XvMBMcboXXv8wsL0LUw3g0Rg92oPhOscdEs6AcTLFOK5QkAdKmfn4E_jTHcucjbRAnv7rCsMClVNhMN1oKfc&sai=AMfl-YQtruuLR7GQaPJ-yV2_E07lq8AA8Q5DLFtUsesYGA31BitZA-dqvH8FXnb8r7fM3-lyqGTUZJJugf-dPavbBylzM17trEhfzQtA48mfXwUaYdQw6Ed7YMX1qwGBoUc9oKrUuw&sig=Cg0ArKJSzGgAM35FU82V&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=http://www.romanoguerra.com.br/pd-92cc3e-cultura-pau-brasil.html%3Fct%3D%26p%3D1%26s%3D1
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjsuWEeafSH1461uoL6-ffz38DdVmzNX8GkX02Z2iQRS02Jo3wfiRrPEBzIYrl_7WSlMGHF2nW1AXRM5yznrgxmBkXSvVasGaNF-k0tdVNIvjsqD8KJFAId64azJshZhrPExd0RQgWobljV-XP3YLOSH9a3M52krZPXgnUQHvu3iy5HZxx-ZAHft4EuSMoUMzn3WWjf3w3983ZwfsKAqeaUPJS6dZLZvZTsLVncjfcn4FhuRF_Jrvyw0JJGN0o4v7sfq4RvkuozG42Aw1qnEJX5VnWQYOJjumQ-LPiK04UVEUfn7XvMBMcboXXv8wsL0LUw3g0Rg92oPhOscdEs6AcTLFOK5QkAdKmfn4E_jTHcucjbRAnv7rCsMClVNhMN1oKfc&sai=AMfl-YQtruuLR7GQaPJ-yV2_E07lq8AA8Q5DLFtUsesYGA31BitZA-dqvH8FXnb8r7fM3-lyqGTUZJJugf-dPavbBylzM17trEhfzQtA48mfXwUaYdQw6Ed7YMX1qwGBoUc9oKrUuw&sig=Cg0ArKJSzGgAM35FU82V&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=http://www.romanoguerra.com.br/pd-92cc3e-cultura-pau-brasil.html%3Fct%3D%26p%3D1%26s%3D1
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjsuL6l9t1FZGC3Yr2RszZHQ8ibT66ZT6F__DxW1QDD4iMzbifx9BC6PmC8e6BCHXHN6_GlgQUH1Ta8apZIdlv8ySHXLouRazHiHUfAafWmmFl70c77N0AIHLwMTatv-HXopaYV9uFQneseydRaq7vi1tfD3A3PPV952etQ48NTD5LduUARM-kjkJrbGuAiZMtPlg8pPm-6xIy4XCs-KuT971FzQBvWaMrkmWGI7pNIktABsqKnJowIZixDU8YsyGRLHvvH-v3fvmXtmjL5EbGt6ofEBWJhQckDj7ISHxbREZbvIn2S6lJjV2MbpO9XzOslXOH7yciwjwz8DTwIWAwjd_V0NgVGuFtbRpS3PQH9a8ycSj59PV6smGtnwgVnlIQtOkbEY&sai=AMfl-YTuX6VBp6B4tUCS0qyTLS8KK6UuEkUCzwoRx99a-c0pjsz3vz659TTHIZh9kWSwR5Z9TOcIjB4OQoQ-hkIObieC11aLm_-yBLGfoB3f4OV_0fsEWtq5LUUgEYV-N7AMMWRJfA&sig=Cg0ArKJSzN_Cjq3RJAdw&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=http://www.revista.edu.uy
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjsuL6l9t1FZGC3Yr2RszZHQ8ibT66ZT6F__DxW1QDD4iMzbifx9BC6PmC8e6BCHXHN6_GlgQUH1Ta8apZIdlv8ySHXLouRazHiHUfAafWmmFl70c77N0AIHLwMTatv-HXopaYV9uFQneseydRaq7vi1tfD3A3PPV952etQ48NTD5LduUARM-kjkJrbGuAiZMtPlg8pPm-6xIy4XCs-KuT971FzQBvWaMrkmWGI7pNIktABsqKnJowIZixDU8YsyGRLHvvH-v3fvmXtmjL5EbGt6ofEBWJhQckDj7ISHxbREZbvIn2S6lJjV2MbpO9XzOslXOH7yciwjwz8DTwIWAwjd_V0NgVGuFtbRpS3PQH9a8ycSj59PV6smGtnwgVnlIQtOkbEY&sai=AMfl-YTuX6VBp6B4tUCS0qyTLS8KK6UuEkUCzwoRx99a-c0pjsz3vz659TTHIZh9kWSwR5Z9TOcIjB4OQoQ-hkIObieC11aLm_-yBLGfoB3f4OV_0fsEWtq5LUUgEYV-N7AMMWRJfA&sig=Cg0ArKJSzN_Cjq3RJAdw&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=http://www.revista.edu.uyhttps://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjsvJTT-UplTyQehqvydo2Ahgi0vg75XcVUn1Z1i69rr2f1vYNL8vsH-wT40NXltwhFgiB0cP_OUp5nOsXd3x6DDEoyazu237KnB-I5Xgz8WHfo8nDi1Pf1vDow2AdElbIwQDzgDuQO8DyyixphIDQBwdR57rznI22x8pNfgBhRwk7TQK3QiFh6cbcq3eopJ8s-XsxxxO1XgfZlx59mmS1mxmXigIlsKnnm_ir8QunrjqiRssVlUOhtfsc8s-WOSzkLRZoY526nFslT_WMB-ouKdA3EX-IpkMfM1oX-WWd4BKYtA4fgx_tUf2BaYRxrNabd3gvXbEBCLdPX9yNX2oMqu4v33CHt4FX3NhFjLjdTuExRS2rg9TX9FyRPmfETOcFvinkV8hm9-OOA&sai=AMfl-YTQvhzqblZWS8jf9JxjaSCumvjHY0XCAhvltK8hJmOO760daSOEwZed06IGheTQ-u2tn_6Q-2rWiWNuOvowXMHKJw8t_N19K0lqd7wDBxJcjsIzRbtFVD2Ma1C7IIh1yI0GRQ&sig=Cg0ArKJSzEI8OkuF4Ond&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=http://ppct.caicyt.gov.ar/index.php/dana
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjsvJTT-UplTyQehqvydo2Ahgi0vg75XcVUn1Z1i69rr2f1vYNL8vsH-wT40NXltwhFgiB0cP_OUp5nOsXd3x6DDEoyazu237KnB-I5Xgz8WHfo8nDi1Pf1vDow2AdElbIwQDzgDuQO8DyyixphIDQBwdR57rznI22x8pNfgBhRwk7TQK3QiFh6cbcq3eopJ8s-XsxxxO1XgfZlx59mmS1mxmXigIlsKnnm_ir8QunrjqiRssVlUOhtfsc8s-WOSzkLRZoY526nFslT_WMB-ouKdA3EX-IpkMfM1oX-WWd4BKYtA4fgx_tUf2BaYRxrNabd3gvXbEBCLdPX9yNX2oMqu4v33CHt4FX3NhFjLjdTuExRS2rg9TX9FyRPmfETOcFvinkV8hm9-OOA&sai=AMfl-YTQvhzqblZWS8jf9JxjaSCumvjHY0XCAhvltK8hJmOO760daSOEwZed06IGheTQ-u2tn_6Q-2rWiWNuOvowXMHKJw8t_N19K0lqd7wDBxJcjsIzRbtFVD2Ma1C7IIh1yI0GRQ&sig=Cg0ArKJSzEI8OkuF4Ond&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=http://ppct.caicyt.gov.ar/index.php/dana
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjssMEvn9uSZxwfZeiIipiswkMqO0skdeWygK4OQjDaP3WfisLnf0m_zIbWUTJ64VLm_ulSWMCeWk8cIvYB8rw--w4FYZ4oSLoZPjf1nkTHUAABzt2zTB0nKA3OWpNITYufFsqhgWACD1yRjeh7RMOL2FRivOwO_2pv-Ls7ChcRMjhYvzXt71ZMwvBHfdw37X4b8oiAU2O4wg6_W6Cw27kfBIf3_aeA7Z5_kAk7uvegtYsJVxYmF3OYEbi9L-Y0xhxboqUDrBEMvPpmCHdfOnWBgIwMwFxpn96bmYpW7X7Zd7l_mcSdWM6HGsO8zi6CFgd_7ebQftMef8POMbWrvrGBYYLxP--GydccLS65VV_GqoR1HeP5vt7mnIyeXHAXeLzJo5njTqGzFiFw&sai=AMfl-YRL_Tk-S0fbHagGcGwSrF42W5g-qTzj6qik2Y6JUqOdDjjhhkxltP3xCZBesxA16IT4FpI1Unrs0L51UOkV0WrCuCGHPBWiGJSVQZjiaIvWZeZ_GuUR5YMSqLs1DFgIBrl2og&sig=Cg0ArKJSzIXyWnFrxuCy&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=http://www.arquitectura.uady.mx/revista.php
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjssMEvn9uSZxwfZeiIipiswkMqO0skdeWygK4OQjDaP3WfisLnf0m_zIbWUTJ64VLm_ulSWMCeWk8cIvYB8rw--w4FYZ4oSLoZPjf1nkTHUAABzt2zTB0nKA3OWpNITYufFsqhgWACD1yRjeh7RMOL2FRivOwO_2pv-Ls7ChcRMjhYvzXt71ZMwvBHfdw37X4b8oiAU2O4wg6_W6Cw27kfBIf3_aeA7Z5_kAk7uvegtYsJVxYmF3OYEbi9L-Y0xhxboqUDrBEMvPpmCHdfOnWBgIwMwFxpn96bmYpW7X7Zd7l_mcSdWM6HGsO8zi6CFgd_7ebQftMef8POMbWrvrGBYYLxP--GydccLS65VV_GqoR1HeP5vt7mnIyeXHAXeLzJo5njTqGzFiFw&sai=AMfl-YRL_Tk-S0fbHagGcGwSrF42W5g-qTzj6qik2Y6JUqOdDjjhhkxltP3xCZBesxA16IT4FpI1Unrs0L51UOkV0WrCuCGHPBWiGJSVQZjiaIvWZeZ_GuUR5YMSqLs1DFgIBrl2og&sig=Cg0ArKJSzIXyWnFrxuCy&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=http://www.arquitectura.uady.mx/revista.php
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjss5O957tSKREjvz9ZsgzFP8gTXk07cxmK5WQrmngFXi8fE6PIcpzPxtB3OmFOnZSwfMo9tgdnQxuRBrO9RFCrHoHezDaSr-07hAvdLUfcmlCoEdqjXORR54BuUMy5bC3W5-yEXTMd-0IgQ29CdL2SYTdmctMR0_eD_3Ls6yYjFLKY3oiusD8m3pkXAqZpUkOLis8OcdjbRbyVFTlt7V0lwNC1lWEs1P2-c69vT5RNoWw-b-hnCIddGfdVfrtgaVBH9Mia5YKMtdPqPujiPvp53kf32yq1aY9Rzu15Ny1cFgqlC5Bux8MCapiyf1KXi4KVuoWHetAj_43iL0ZFxxei6raXLNXLuBdNPie_YoAI7ERdONATpXEyA2MhVeNJj6mi20yW4i6w798Q&sai=AMfl-YRYRSSQHp6oapqjLWpANjEDyn_Av20cuyuwHWrGCrxxmLNAZMoUKvheCIEXSox892NEfDYVGxnQdPQxxx7z6yYaqAXJnnRg68Ev2RkhOj7eA_u2FD-z1W0Ees0PgvlI1ar6NQ&sig=Cg0ArKJSzKGUygINTkOo&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=http://revistas.ubiobio.cl/index.php/RU&nm=1
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjss5O957tSKREjvz9ZsgzFP8gTXk07cxmK5WQrmngFXi8fE6PIcpzPxtB3OmFOnZSwfMo9tgdnQxuRBrO9RFCrHoHezDaSr-07hAvdLUfcmlCoEdqjXORR54BuUMy5bC3W5-yEXTMd-0IgQ29CdL2SYTdmctMR0_eD_3Ls6yYjFLKY3oiusD8m3pkXAqZpUkOLis8OcdjbRbyVFTlt7V0lwNC1lWEs1P2-c69vT5RNoWw-b-hnCIddGfdVfrtgaVBH9Mia5YKMtdPqPujiPvp53kf32yq1aY9Rzu15Ny1cFgqlC5Bux8MCapiyf1KXi4KVuoWHetAj_43iL0ZFxxei6raXLNXLuBdNPie_YoAI7ERdONATpXEyA2MhVeNJj6mi20yW4i6w798Q&sai=AMfl-YRYRSSQHp6oapqjLWpANjEDyn_Av20cuyuwHWrGCrxxmLNAZMoUKvheCIEXSox892NEfDYVGxnQdPQxxx7z6yYaqAXJnnRg68Ev2RkhOj7eA_u2FD-z1W0Ees0PgvlI1ar6NQ&sig=Cg0ArKJSzKGUygINTkOo&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=http://revistas.ubiobio.cl/index.php/RU&nm=1
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjsvtgWn4P2ykntkmcg_H0n2JReIaPjpuTXAvscdM5B4UDPVKViw7UVy6WY4wtrzIfwRVMLkH99EesmxuHvWZJv3FTrKQv9lQO7An7iUw4ByYVBCXvXYWtErnXxuyb9Au3dOHe_oUxdH-_XLS4P680Nr6bpXrQwZrgoa_jiCRDJGPoie8Qcl7Wl_TWNBoWI3BGOSGkKh7wem9G0oN9vv_KcV5-lQdQj-tDtNup0eHmW80Esa6ogdNbXEpUAmlexSAJPbYRqzCdnuRX_L9DcgGhnD_HLHyjR7FigQS8IoSMDJ4FQakeCXU18eBvNj-7LU0FWr4ELDbkwTU1j2KeFr4tBpqbwFlDCHgXi3dD7rJBwZxh5dehPKh6Enkaoec4xe2fx6MXVNw2U7UKg&sai=AMfl-YSxjr9MdVuhsLiyxjmMOT-BUSdQCGKdiWa3NMXrG_X5Azw0AbXObMjBqFPxf3-Mcbwg8T-jGevfwF7UsAtznAfw_cTqF-jCbi-YN7AnaX74snrD_Xb-kBuZU6gdJJaXaSgKdA&sig=Cg0ArKJSzIOGMzXFceQP&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=https://aaamag.com.do/
https://googleads.g.doubleclick.net/pcs/click?xai=AKAOjsvtgWn4P2ykntkmcg_H0n2JReIaPjpuTXAvscdM5B4UDPVKViw7UVy6WY4wtrzIfwRVMLkH99EesmxuHvWZJv3FTrKQv9lQO7An7iUw4ByYVBCXvXYWtErnXxuyb9Au3dOHe_oUxdH-_XLS4P680Nr6bpXrQwZrgoa_jiCRDJGPoie8Qcl7Wl_TWNBoWI3BGOSGkKh7wem9G0oN9vv_KcV5-lQdQj-tDtNup0eHmW80Esa6ogdNbXEpUAmlexSAJPbYRqzCdnuRX_L9DcgGhnD_HLHyjR7FigQS8IoSMDJ4FQakeCXU18eBvNj-7LU0FWr4ELDbkwTU1j2KeFr4tBpqbwFlDCHgXi3dD7rJBwZxh5dehPKh6Enkaoec4xe2fx6MXVNw2U7UKg&sai=AMfl-YSxjr9MdVuhsLiyxjmMOT-BUSdQCGKdiWa3NMXrG_X5Azw0AbXObMjBqFPxf3-Mcbwg8T-jGevfwF7UsAtznAfw_cTqF-jCbi-YN7AnaX74snrD_Xb-kBuZU6gdJJaXaSgKdA&sig=Cg0ArKJSzIOGMzXFceQP&fbs_aeid=%5Bgw_fbsaeid%5D&adurl=https://aaamag.com.do/
https://vitruvius.com.br/institucional/assinantes-informativo
https://vitruvius.com.br/institucional/contact
https://www.instagram.com/portalvitruvius
https://vitruvius.com.br/
https://vitruvius.com.br/language/setlocale/es
https://vitruvius.com.br/language/setlocale/en
javascript://
https://vitruvius.com.br/pesquisa
https://vitruvius.com.br/pesquisa
https://vitruvius.com.br/pesquisa
https://vitruvius.com.br/pesquisa/guiadelivros
https://vitruvius.com.br/pesquisa/jornal
https://vitruvius.com.br/pesquisa/revistas
https://vitruvius.com.br/pesquisa/vitruvius/search
https://vitruvius.com.br/revistas/browse/arquitextos
https://vitruvius.com.br/revistas/browse/arquiteturismo
https://vitruvius.com.br/revistas/browse/drops
https://vitruvius.com.br/revistas/browse/minhacidade
https://vitruvius.com.br/revistas/browse/entrevista
https://vitruvius.com.br/revistas/browse/projetos
https://vitruvius.com.br/revistas/browse/resenhasonline
https://vitruvius.com.br/revistas
https://vitruvius.com.br/revistas
https://vitruvius.com.br/revistas
https://vitruvius.com.br/revistas/browse/arquitextos
https://vitruvius.com.br/revistas/browse/arquitextos
javascript://
https://vitruvius.com.br/revistas/search/arquitextos
https://vitruvius.com.br/revistas/expedient/arquitextos
https://vitruvius.com.br/revistas/norms#arquitextos
javascript://
javascript://
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952
https://api.addthis.com/oexchange/0.8/forward/facebook/offer?url=https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952&username=vitruvius
https://api.addthis.com/oexchange/0.8/forward/facebook/offer?url=https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952&username=vitruvius
https://api.addthis.com/oexchange/0.8/forward/twitter/offer?url=https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952&username=vitruvius
https://api.addthis.com/oexchange/0.8/forward/twitter/offer?url=https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952&username=vitruvius
https://api.addthis.com/oexchange/0.8/forward/delicious/offer?url=https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952&username=vitruvius
https://api.addthis.com/oexchange/0.8/forward/delicious/offer?url=https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952&username=vitruvius
https://api.addthis.com/oexchange/0.8/forward/email/offer?url=https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952&username=vitruvius
https://api.addthis.com/oexchange/0.8/forward/email/offer?url=https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952&username=vitruviushttps://api.addthis.com/oexchange/0.8/forward/cleanprint/offer?url=https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952&username=vitruvius
https://api.addthis.com/oexchange/0.8/forward/cleanprint/offer?url=https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952&username=vitruvius
https://vitruvius.com.br/revistas/browse/arquitextos/21.246
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7951
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7951
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7953
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7953
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7953
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7954
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7954
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7954
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7954
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7955
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7956
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7957
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7957
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7957
https://vitruvius.com.br/jornal
https://vitruvius.com.br/jornal
https://vitruvius.com.br/jornal
https://vitruvius.com.br/jornal/noticias
https://vitruvius.com.br/jornal/agendacultural
https://vitruvius.com.br/jornal/charges
https://vitruvius.com.br/jornal/eventos
https://vitruvius.com.br/jornal/concursos
https://vitruvius.com.br/jornal/selections
profissional do planejamento. Estabelece o modo indissociável como ele
moldou suas práticas, enquanto profissional liberal ou funcionário
público em órgãos municipais ou estaduais de planejamento, com o
conhecimento adquirido através de intensos e sistemáticos os estudos e
pesquisas desenvolvidos na construção de sua vida acadêmica. Esta seção
revela, também, a visão de interdisciplinaridade que ele entende ser
necessária para os estudos e a compreensão da organização socioespacial
do espaço intraurbano.
Na segunda parte, busca-se apontar suas inquietações de com o empirismo
positivista da sociologia, da economia e principalmente da geografia
urbana norte-americanas e como sua adesão ao materialismo histórico e
dialético configurou um período de importante inflexão teórica, que
pavimentou caminho para suas produções mais profícuas. Tal inflexão
ocorre em um ambiente de emergência dos principais debates e trabalhos
realizados por intelectuais marxistas em torno da construção de uma
teoria da urbanização na periferia do capitalismo e das questões urbanas,
onde se destacam as contribuições de Francisco de Oliveira, Paul Singer e
Lúcio Kowarick. Tanto a primeira parte como a segunda estão fortemente
calcadas no Relatório de Pesquisa – Regime de Turno Completo e no
memorial para obtenção de título de livre-docência.
Na terceira parte são apontados aspectos de suas principais obras, que as
fazem exemplares de uma contribuição muito peculiar. Destacam-se traços
de sua personalidade, como autor que bebe de várias fontes, preocupado na
construção de argumentações didática, e do estudioso que não dispensa
diálogo e crítica.
A trajetória de formação do planejador urbano e do pesquisador
Desde o período de sua graduação, em meados dos anos 1950, aos nossos
dias foram décadas de intensa dedicação à prática profissional, ao ensino
e à pesquisa, conjugando sempre sua atuação profissional, em instituições
públicas e privadas, com as atividades acadêmicas que desenvolveu tanto
como professor da graduação e pós-graduação, quanto como pesquisador
incansável na área do planejamento e da produção socioespacial urbana, o
que marcaria fortemente a trajetória e a qualidade de sua produção
intelectual.
Motivado em ampliar suas reflexões e mecanismos para enfrentar eventuais
problemas que poderiam surgir com Brasília, então em construção, Villaça
realiza entre 1956 a 1958, no Georgia Institute of Technology (Estados
Unidos), seu programa de Master of City Planning com a dissertação The
Experience of Planning And Building of New Towns And Its Applications To
Brazil’s New Capital City. Neste curso procurou estudar e identificar
princípios e problemas comuns nas experiências com as Cidades Novas (New
Towns), que haviam sido planejadas em outros países, mas considerando, a
priori, as diferentes realidades e contextos que as fizeram surgir.
No período em que esteve fazendo seu mestrado Villaça também desenvolveu
estudos e análises de mercado e de zonas de influência que, nos Estados
Unidos, costumavam preceder a localização e a construção de
empreendimentos de grande porte como, por exemplo, os shopping centers.
Esses estudos iriam embasar as análises que realizou em torno da pesquisa
executada pela Sociedade para Análise Gráfica e Mecanográfica Aplicada
aos Complexos Sociais – Sagmacs (2), para a Grande São Paulo, assim que
reassumiu o Departamento de Urbanismo da Prefeitura Municipal de São
Paulo, em seu retorno ao país. O resultado desse esforço aludiu seu
artigo “A nucleação comercial”, publicado, em junho de 1960, na Revista
de Engenharia Municipal n. 17 (3), onde transpõe os estudos de zonas de
influência, para as zonas comerciais da metrópole ao sistematizar os
dados das unidades territoriais da pesquisa do Sagmacs. Surgem daí os
elementos analíticos das estruturas urbanas, fruto de estudos de forte
caráter empírico, que vão se refletir em suas pesquisas acadêmicas,
fundamentalmente em seu trabalho de doutorado e, posteriormente,
aprimoradas no seu livro Espaço Intraurbano no Brasil.
Destacam-se também, neste período, a publicação dos artigos “A
implantação urbana de São Bernardo do Campo” (4), resultado de pesquisa
em torno do uso do solo, com vistas a contribuir com uma tabela de uso do
solo para cada cidade brasileira; “Grande São Paulo, Desafio Ano 2000”
(5), em que inicia a compreensão do espaço metropolitano através dos
núcleos urbanos, da localização das atividades, da expansão territorial
da indústria e a expansão territorial dos bairros residenciais; além dos
textos “Metrópole e Desenvolvimento” (6); “Uso do Solo Urbano” (7) e “A
Organização do Espaço na áreas Metropolitanas Brasileiras” (8), em que se
buscava descobrir se certos processos territoriais que aconteciam em São
Paulo também ocorriam em outras cidades brasileiras.
Escritos num período em que suas atividades como pesquisador ainda não
estavam circunscritas à universidade e sua prática profissional era
dominada por planos diretores, estes artigos evidenciam sua inquietação
em entender e explicar a organização espacial das grandes cidades
brasileiras – o tema central de seu doutoramento (9).
De fato, de 1963 a 1965 Villaça foi contratado pela Sagmacs, onde
desenvolveu, dentre outros, estudos para a política habitacional da
Companhia Ferro e Aço de Vitória e para a Usiminas, Plano Diretor de
Barretos e o Plano para o Sistema Viário e Tráfego do Município de Belo
Horizonte.
Thiago Turchi e Eduardo
Pierrotti Rossetti
246.07 teoria do
restauro
A questão do uso e do
reuso em alguns juízos
teórico-críticos sobre
o restauro
Ana Veronica Cook
Fernandes e Rodrigo
Espinha Baeta
12/12/2024, 20:22 arquitextos 246.01 personagem: Flávio Villaça | vitruvius
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952 2/10
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7958
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7958
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7958
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7958
Já em seus anos de Hidroservice (1965 a 1970), Villaça coordena o plano
diretor de Santarém PA, participou dos planos preliminares de Fortaleza e
Belo Horizonte, das análises demográficas e físico-territoriais para os
estudos de viabilidade técnica e econômica para a pavimentação da Rodovia
Belém Brasília, além de dirigir durante três anos, até 2000, estudos e
previsões do crescimento demográfico e territorial da Grande SãoPaulo,
envolvendo investigações históricas, demográficas econômicas e
geomorfológicas da Região Metropolitana de São Paulo. Nos anos 1970
Villaça atuou na Fundação Faria Lima-Cepam, e na Coordenadoria Geral de
Planejamento de São Paulo, onde retornou mais tarde para trabalhar na
coordenação do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano.
Um ano após seu ingresso como professor colaborador no Departamento de
Projetos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade São
Paulo, Villaça inicia, em 1975, seu doutorado. Seu interesse em entender
a distribuição territorial dos fenômenos econômicos e sociais no espaço
intraurbano o conduziu ao Departamento de Geografia da Universidade de
São Paulo – USP, culminando com a defesa da tese A estrutura territorial
da metrópole sul brasileira: áreas comerciais e residenciais, em 1979
(10).
Villaça percebe as investigações do espaço intraurbano como campo
interdisciplinar da economia, da sociologia, da geografia e do urbanismo
que, a seu ver, chegam a se confundir em suas especificidades, como
mostram certos trabalhos de geógrafos sociais que não se diferenciam de
alguns estudos de sociólogos analíticos, de economistas espaciais e de
geógrafos econômicos.
Como exemplo, aponta o geógrafo David Harvey como autor de uma das mais
importantes obras da economia política (11) e também destaca o economista
Robert Muray pelo peso de suas contribuições para a teoria econômica da
distribuição territorial das atividades humanas a nível intraurbano, ao
interpretar, a organização espacial das atividades econômicas no centro
de Nova York nos anos 1920.
As principais reflexões, referencias e interlocuções
Villaça inicia seu doutorado procurando, com aportes teóricos calcados no
“empirismo positivista da sociologia, da economia e principalmente da
geografia urbana norte-americanas” (12), entender certa regularidade nos
processos territoriais de várias metrópoles brasileiras. Tais aportes, no
entanto, logo se revelariam insuficientes para entender os processos da
organização intraurbana, sobretudo, após sua aproximação intelectual com
Castells, quando então toma consciência que para explicar a organização
do espaço intraurbano das cidades brasileiras era inútil a busca da
regularidade pela regularidade, tornando-se imperativo investigar as
verdadeiras e determinantes causas dos fenômenos espaciais.
Adota como foco de investigação a “localização territorial das diversas
camadas sociais, principalmente na questão da localização central ou
periférica das elites dirigentes” (13), por entender serem as áreas
residenciais as únicas áreas funcionais urbanas claramente e facilmente
identificáveis.
No esforço de encontrar bases teóricas convincentes, frequentou
disciplinas de urbanismo, economia e sociologia, destacadamente as do
arquiteto professor Celso Lamparelli (em 1975) e as do sociólogo
professor Otávio Ianni (14) (em 1977), no curso de pós-graduação da
Pontifícia Universidade Católica. Essas aulas foram decisivas para sua
adesão ao materialismo histórico e dialético como postura teórica e
suporte de toda a sistematização e explicação da preciosa base empírica
que desenvolveu durante seu doutoramento e que seria fundamental para a
publicação, em 1998, do livro O espaço intra-urbano no Brasil (15).
Também em 1977 frequentou as aulas de Economia Urbana do professor Juarez
Rizzieri, na Faculdade de Economia e Administração da USP, ocasião em que
dialogou criticamente com a linha quantitativa e positivista presente no
pensamento do citado professor e do investigador em economia espacial, o
argentino-americano William Alonso, então conhecido por seus estudos
sobre renda da terra e a organização intraurbana. Esse autor foi o
primeiro economista urbano a investigar a localização intraurbana da
residência à luz da teoria econômica. Em “The Historical and the
structural theories of urban form: their implications for urban renewal”
(16), ele apresenta sua teoria estrutural e um resumo de sua teoria sobre
localização residencial.
O diálogo crítico de Villaça com as obras de Alonso está espelhado no
artigo “A Teoria de Alonso e a Cidade Brasileira” (17). Nele, questiona a
tese sobre a localização de pobres e ricos em cidades norte-americanas e,
mostrando a distância entre essa realidade e a brasileira, acaba por
indicar a teoria como inaplicável no Brasil.
Do ponto de vista da sociologia, Villaça reconhece a relevância dada por
esta disciplina à localização da residência nos estudos espaciais
intraurbano, em especial, a repercussão e a divulgação dos estudos dos
ecologistas da Escola de Chicago, destacadamente, Ernest Burgess, Robert
Park e Roderic McKenzie.
Em seu relatório de pesquisa para o exame de livre docência, Flávio
atribui aos elementos fundamentais da ecologia e das teorias econômicas,
notadamente o valor do tempo e o lucro, as bases teóricas mais
significativa para se analisar a estrutura intraurbana das metrópoles que
se desenvolveram sob a égide do modo de produção capitalista.
12/12/2024, 20:22 arquitextos 246.01 personagem: Flávio Villaça | vitruvius
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952 3/10
Das teorias econômicas, localiza sua importância no fato de se ater a
investigações com foco apenas na cidade, sem pretensões à universalidade,
para descobrir as razões pelas quais mostram “a organização interna que
apresentam” (18). Em sua bibliografia com enfoque predominantemente
econômico privilegia obras que abordam teorias locacionais, de economia
espacial urbana neoclássica, de história de teorias econômicas espaciais,
de análise estrutural. Sobre mercado e renda da terra, traz referências a
obras de economia neoclássica e de orientação marxista, como O Capital do
próprio Marx e estudos de Topalov e Lipietz, entre outros.
Na bibliografia com enfoque predominantemente na economia política ou
sociologia, prevalecem as referências de estudiosos fortemente impactados
por interpretações do marxismo – La Question Urbaine, de Manuel Castells;
Pensamento marxista e a cidade, de Henri Lefebvre; e Elements pour une
Théorie Scientifique de L’Urbanization Capitaliste, de Jean Lojkine (19)
– ao lado de estudiosos da teoria de ecologia urbana da Escola de
Chicago. Além desses dois conjuntos de obras, Villaça faz referência a
publicações sobre problemas urbanos, modelagens espaciais e das questões
afetas à distribuição populacional e segregação residencial.
Nos estudos dos ecologistas, Villaça reconhecia a relevância dos
trabalhos de observação e levantamento dos fenômenos, sua classificação e
a verificação de suas regularidades, bem como quantas dessas tarefas eram
incorporadas sinteticamente nos modelos por eles desenvolvidos: uma
síntese que representava um grande avanço em direção à interpretação. Na
crítica a esses ecologistas, Villaça se aproxima de Castells ao afirmar
que eles estavam mais preocupados em constatar que em explicar suas
causas, mesmo reconhecendo a importância dos conteúdos descritivos
daqueles trabalhos. Naqueles anos, Castells havia desenvolvido sua teoria
espacial intraurbana, em seu livro La Question urbaine (20), considerada
bastante abrangente por Villaça.
Um dos principais desdobramentos da aproximação de Villaça com o trabalho
de Castells foi o de se conscientizar que seu trabalho de doutoramento
estava incorrendo nos mesmos problemas que o sociólogo catalão havia
criticado no modelo de Burgess, ou seja, o de buscar inutilmente a
regularidade pela regularidade, ao não contar com uma investigação das
verdadeiras causas dos fenômenos espaciais e por relevar a importância da
determinação das condições de base. O trabalho de Castells integrava uma
linha teórica surgida nas décadas de 1960 e 1970, conhecida como escola
francesa de sociologia marxista, que pretendeu interpretar a estrutura
intraurbana a partir de processos sociais: uma forma de interpretar que
tinha, na visão de Villaça, validade universal por se aplicar a
diferentes culturas e períodos históricos. Esse grupo iria disseminar
entre os analistas das cidades a“premissa de que o Estado e a política
seriam epifenômenos de processos produzidos por atores e processos
situados na sociedade” (21). Ou seja, para entender as cidades, basta
observar os efeitos dos processos societais sobre as instituições
políticas.
Em uma análise retrospectiva desta etapa de sua vida acadêmica, Villaça
afirmou ter sido decisiva para lhe dar consciência de que “a localização
é produto do trabalho” e para o “papel da luta de classes na produção e
apropriação desse produto” (22), não obstante reconhecer que a questão da
luta de classes já se afigurava claramente em suas investigações
anteriores sobre a organização espacial urbano. Também reconheceu que “a
estrutura intraurbana não depende da base econômica da cidade e que a
estruturação do espaço urbano é determinada na esfera do consumo
(controle do tempo de deslocamento, reprodução da força de trabalho) e
não pela esfera da produção” (23).
É importante perceber que tais reflexões críticas de Villaça ocorrem em
um período de crises epistemológicas também transformadoras do campo dos
estudos urbanos (24), ou seja, em suas pesquisas ele também desafiava os
fundamentos teóricos de sua formação – as teorias convencionais da
sociologia urbana, ou das pesquisas quantitativas da política e geografia
urbana, que pautavam a atuação como planejador e suas análises sobre a
organização do espaço urbano.
Os anos que seguiram a seu doutoramento foram marcados pela completa
familiarização com o materialismo histórico e dialético, como também de
seu amadurecimento no tocante às reflexões sobre localização e suas
características (irreprodutibilidade, inesgotabilidade e
intransportabilidade) e sobre renda da terra e as três categorias de
renda da terra criadas por Marx. Contribuiu para o desenvolvimento desses
conceitos o estágio de pós-doutorado no Departamento de Geografia da
Universidade da Califórnia, em Berkeley, em 1985, quando então escreveu,
como uma das tarefas desse estágio, o artigo ”Land Location” (25) em que
faz um paralelo com as categorias terra-capital e terra-material de Karl
Marx.
Durante toda a década de 1980 é significativa a produção de textos
relevantes. Alguns deles para atender questões protocolares da Faculdade
de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU USP, outros
para revistas de arquitetura e urbanismo, além do capítulo de um livro e
trabalhos em Congresso. Todos espelham a familiarização com o
materialismo histórico e dialético e renda da terra. Destaca-se o
relatório para renovação de contrato junto ao Departamento de Projeto da
FAU USP, constituído de três textos: “A localização como mercadoria”, “O
objeto de estudo da chamada produção do espaço urbano” (em que aborda a
terra-localização e segregação, muito influenciado pelo “O pensamento
marxista e a cidade” de Lefebvre) e “A renda da localização”. E, ainda, o
12/12/2024, 20:22 arquitextos 246.01 personagem: Flávio Villaça | vitruvius
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952 4/10
texto “A estruturação do espaço intraurbano: considerações introdutórias
à disciplina”, redigido para os seus alunos da pós-graduação.
Interessante destacar que o texto “A localização como mercadoria” foi
originalmente redigido em 1980, como parte de um conjunto de tarefas
solicitada pela coordenação do Plano Diretor do Município de São Paulo.
Nesta versão o texto era constituído de duas partes: a primeira
eminentemente teórica e acadêmica, e a segunda, de caráter mais prático,
onde se sugeria uma política municipal para o espaço urbano. Na versão
destinada à FAU USP, a segunda parte foi suprimida, mas uma versão desse
estudo foi posteriormente publicada na Revista Espaço e Debates (26).
Desse período é o texto “A habitação e a cidade”, capítulo que integra o
livro O que todo cidadão precisa saber sobre habitação (27).
A sedimentação do aporte teórico marxista e as recorrentes reflexões
sobre localizações e suas determinantes no espaço intraurbano
pavimentaram o caminho para a publicação, em 1998, daquela que é sua obra
mais difundida e referenciada, resultado de um extenso e minucioso
trabalho empírico: Espaço Intra-Urbano no Brasil. Nela estão claramente
expostos os principais núcleos de ideias em que se debruçou para atender
seus objetivos de perceber as “localizações intraurbanas, a constituição
e os movimentos do espaço intraurbano das metrópoles brasileiras” (28),
quais sejam, a existência de traços e movimentos comuns nas estruturas
territoriais das metrópoles brasileiras, a articulação da estrutura
territorial com outras não territoriais (a econômica, a política e a
ideológica) e a relação entre os movimentos da estrutura territorial com
os das estruturas sociais.
A importância e abrangência da contribuição de Flávio Villaça
Sua mais recente obra, “Reflexões sobre as cidades brasileiras” (29), é
uma coletânea dos principais temas enfrentados ao longo de sua trajetória
de pesquisador, da essência de seus pensamentos e formulações. Tentando
fugir das abstrações da especulação intelectual, Villaça seleciona os
temas por importância e por terem sido transformados ao longo de mais de
duas décadas, destacando como principal a questão do “espaço urbano, como
produto produzido pelo trabalho humano” (30). Nomeia-se geógrafo,
admitindo que essa formação pode advir de vários campos, com a missão de
explicar a qualquer cidadão que “não existe transformação social sem a
participação do espaço, e não existe a transformação do espaço sem a
transformação social” (31).
Sua preocupação em estabelecer diálogo amplo com o cidadão, e não apenas
com os pares da academia, está presente seja no número expressivo de
artigos para jornais, seja na frequente recorrência a obras literárias e
da mídia como material de pesquisa, mantendo sempre, porém, o rigor e a
precisão na construção de textos e argumentos (como bem sabem seus
orientandos).
Em sua reflexão de abertura sobre as cidades brasileiras, concordando com
Oscar Niemeyer que afirmou “política importa mais do que arquitetura”
(32), Villaça prioriza a condição de cidadão em seus leitores, por ser
quem efetivamente tem poder e dever de agir politicamente sobre os
problemas, inclusive os urbanos.
É de 1986, período em que trabalhava na Secretaria de Planejamento de São
Paulo e na FAU USP, uma publicação que também representa a essência das
questões que à época instigavam Villaça. O que todo cidadão precisa saber
sobre habitação (33), trata do problema da habitação enquanto uma forma
de mercadoria, que foi se cristalizando com o surgimento do homem livre,
produzido pelo capitalismo e com as configurações históricas engendradas
por esse modo de produção, inclusive pelas especificidades da luta de
classes que sob ele ocorrem. Apoiado em citações de Lima Barreto em Clara
dos Anjos, Villaça mostra a dimensão histórica do processo de espoliação
urbana, conceito cunhado por Kowarick (34). “A tendência à dilapidação da
força de trabalho ... vem acompanhando-a desde sua formação no final do
século 19, permanecendo pelas décadas seguintes e atingindo seu apogeu
(esperamos) na década de [19]70” (35).
As referências literárias estão também presentes em sua obra mais
referenciada – “Espaço Intra-Urbano no Brasil”. Inspirado pelo poema
“Ouvir estrelas”, de Olavo Bilac, dedica o livro ao Rio de Janeiro:
“As cidades
são como as estrelas;
é preciso amá-las
para entendê-las (36).”
Como essa obra, outras tantas publicações vêm instigando novos estudos
urbanos e confrontando gerações de pesquisadores e de profissionais a
refletir sobre as experiências da gestão sobre as cidades brasileiras.
Villaça, além das aulas na graduação da FAU USP orientou mais de vinte
mestres e doutores. Por suas portas, sempre abertas para o diálogo muito
franco e objetivo, alguns autores, como David Harvey, Florestan
Fernandes, Mike Davis, Mark Gottdiner, dentre outros, passaram
alimentando as leituras críticas e debates de grupos de estudos de
alunos, pesquisadores e orientandos. Sob o mesmo crivo a que submetia à
discussão seus própriostextos.
Mas sua contribuição ao planejamento urbano vai muito além do que ensinou
sobre a sua história e como não se iludir com seus instrumentos e
estratégias. Esse recado está presente em duas obras fundamentais para o
campo do planejamento urbano: o capítulo “Uma contribuição para a
12/12/2024, 20:22 arquitextos 246.01 personagem: Flávio Villaça | vitruvius
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952 5/10
história do planejamento urbano no Brasil” (37) e o livro As ilusões do
Plano Diretor (38).
Se em O espaço intra-urbano no Brasil consolida o esforço contínuo e
persistente de reflexão teórica e de sistematizações empíricas sobre um
objeto pouco conhecido, em que Villaça, por meio de seus estudos e
pesquisas sobre a estrutura territorial das cidades brasileiras e as
localizações intraurbanas, vai revelar especialmente ser no “espaço
intraurbano, onde a presença do espaço nas relações sociais é marcante”
(39), em “Uma contribuição para a história do planejamento urbano no
Brasil” (40), Villaça abre uma nova perspectiva de pesquisa.
Trata-se de uma interpretação crítica da sociedade e do planejamento
urbano no Brasil, que supera a análise histórica dos marcos do urbanismo
brasileiro e que parece estar ao mesmo tempo comprometida com a
possibilidade de transformação das práticas do planejamento urbano.
Apresenta o ensaio de forma discreta – uma colaboração ao trabalho
coletivo, resgatando documentos e contribuições de vários pesquisadores,
submetidos porém a uma robusta preocupação teórica centrada na tese de
que a “produção do planejamento urbano no Brasil, desde meados do século
20, só pode ser entendida enquanto ideologia” (41). Aliás, o respeito à
produção coletiva e sua disposição ao debate são testemunhados por
Feldman (42) que relata ter Villaça, durante o 3º Seminário de História
da Cidade e do Urbanismo (1994), divulgado e distribuído cópias deste seu
ensaio, como também estão presentes em suas obras os agradecimentos aos
primeiros leitores e colaboradores das pesquisas.
Uma contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil (43)
revela as transformações históricas das práticas e dos discursos do
Estado sobre o planejamento urbano, e principalmente sobre o Plano
Diretor. Importante também é relacionar esse ensaio ao trabalho de
pesquisa que desenvolveu nos anos 1990, junto ao Programa de Pós-
Graduação da FAU USP com a disciplina Planejamento Urbano e Ideologia. O
objetivo da disciplina era examinar planos diretores de várias cidades
brasileiras de modo a explicar a “sobrevivência da ideia do plano diretor
na sociedade brasileira, [...] apesar da inoperância desse tipo de plano”
e como entender “que essa ideia se mantenha tão arraigada em nossa
sociedade” (44). E aí é que vamos encontrar as bases teóricas do livro As
ilusões do Plano Diretor (45), editado em 2005 em meio digital, em que
analisa a experiência paulistana de elaboração e debates públicos do
Plano Diretor Estratégico de São Paulo (durante o governo petista de 2001
a 2004), imediatamente após a aprovação do Estatuto da Cidade.
Segundo Feldman (46), a obra de 2005 complementa o ensaio sobre a
história do planejamento urbano brasileiro, argumentando sobre aspectos
do Plano Diretor Estratégico (mais uma denominação inovadora) de São
Paulo, que reafirmam sua dimensão ideológica, visto o contexto de
desigual poder político da população que é chamada a debater e participar
de sua elaboração.
Em As ilusões do Plano Diretor (47), mesmo sabendo do “poder do atraso”
(48), e das frágeis perspectivas de avanço para o planejamento em direção
à “consciência de classe, da organização do poder político das classes
populares”, como advertia no ensaio de 1999 (49), Villaça revela suas
inquietações também sobre as reais perspectivas do planejamento
politizado (visualizado por ele a partir dos anos 1990), agora em um
cenário de mudança ou redução do papel do Estado. Sua preocupação, não
apenas com a estrutura dos órgãos públicos, mas com o perfil profissional
que fosse capaz de superar a dimensão eminentemente técnica (50), terá
lugar entre as reflexões de seu ensaio de 2012.
Deixando o otimismo de lado, Villaça passa então a manifestar sua crítica
mais contundente, assumindo o que ele define ser o maior desafio do
cientista social – o compromisso em não apenas buscar a verdade, mas
“diferenciar e selecionar as verdades” (51). Um bom exemplo desse seu
compromisso está presente em uma monografia sobre a responsabilidade do
poder público na produção de infraestrutura e na reprodução das
desigualdades, em que, partindo de seu referencial consagrado sobre
segregação socioespacial, demonstra que não é o atendimento da população
que demanda transporte de massa que preside a lógica de implantação das
linhas de metrô em São Paulo (52).
Foram muitas as palestras, conferências e aulas que Flávio Villaça fez
por cidades brasileiras, depurando a essência de seus saberes e
aprimorando sua didática em textos e falas cada vez mais concisos,
objetivos e originais, mesmo quando tratam de temas como renda da terra,
segregação urbana, centro urbano e plano diretor, que são retomados seu
livro Reflexões sobre as cidades brasileiras (53). Nele Villaça escreve e
reescreve textos que revelam os princípios fundamentais que orientam o
seu pensamento e obra. E mais uma vez, nessa busca incessante da verdade
e sobre “ideias que assumem autonomia e se descolam da realidade”,
Villaça encontra nos recursos da dramaturgia os meios para defender sua
tese de que “a sobrevivência do plano diretor só pode ser entendida como
ideologia” (54). Em “Brecht e o Plano Diretor” (55), um texto escrito em
2005 e reescrito em 2011, é ainda hoje muito oportuno. Baseia-se na peça
“A vida de Galileu” de Bertold Brecht (1978), sobre a descoberta de
Galileu e sua ameaça ao saber e poder oficial, por questionar a teoria de
ser a terra o centro do universo. Seja o sistema ptolomaico, seja o caso
dos problemas urbanos brasileiros, Villaça nos ensina que:
“A ideia dominante veiculada por meio do Plano Diretor é a de que
a falta deste – a falta de planejamento – é a maior causa de
nossos chamados ‘problemas urbanos’, e não a miséria, a
12/12/2024, 20:22 arquitextos 246.01 personagem: Flávio Villaça | vitruvius
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952 6/10
desigualdade e a injustiça sociais. Com isso, a classe dominante
se exime de responsabilidade por esses problemas, pois ela vive
alardeando a necessidade de planejamento, mas se recusa a aceitar
sua responsabilidade sobre a pobreza, a desigualdade e a
injustiça sociais. Este é o papel que a ideia do Plano Diretor
vem desempenhando há décadas” (56).
Os trabalhos de Flávio difundem conceitos e construções analíticas,
sempre sugeridas pela realidade ou prática profissional, atravessando
décadas de reflexão, ensaios, estudos e pesquisas antes de vir a público.
Sem dúvida alguma, uma contribuição inestimável na construção do
planejamento urbano brasileiro, especialmente hoje, quando segundo
Brenner e Schmid (57), o contexto de reestruturação urbana prenuncia uma
crise estrutural de longo alcance para os estudos urbanos, ainda mais
agravada pelas incertezas e ameaças climáticas que já estamos
enfrentando.
Mas, quando verificamos a expressiva produção de estudos e pesquisas
sobre o espaço urbano que combinam e compartilham, a partir de diferentes
campos do conhecimento, não sem alguns conflitos, os fundamentos
teóricos, que já estruturavam as inquietações presentes ao longo da
trajetória intelectual de Flávio Villaça, ficamos mais confiantes por
poder usufruir o legado de suas obras.
Considerais finais
A reconstituição da trajetória da vida profissional e do pensamento de
Flávio Villaça aponta para sua importância na construção da cultura do
planejamento urbano no Brasil. Coincide com a institucionalização deste
instrumento na segunda metade do século passado e nos mostra que, por
mais de cinquenta anos, não deixou de ser objeto de suas reflexões e
críticas.
Sempre disposto ao diálogo,sua inquietação intelectual se faz presente
na substância das publicações realizadas, em especial, na construção de
uma teoria de organização espacial intraurbana que resultou no livro
Espaço Intra-Urbano no Brasil, o que nos permite, de forma ainda não
contestada, entender a constituição e os movimentos do espaço intraurbano
das metrópoles brasileiras. A propriedade desta teoria, as análises e
críticas mais contundentes aos interesses e instrumentos urbanísticos,
por eles apropriados, na produção da localização urbana, apontam a força
dos debates sobre a natureza da “Questão Urbana” (58), que o instigou nos
anos 1970 a se enfileirar àqueles autores que propagam a ideia de espaço
social ser socialmente produzido (Lefebvre, Harvey, entre outros) (59).
Sua obstinação didática e reflexão crítica constante sobre os temas que
concernem às políticas urbanas contemporâneas, o reconhecimento dessas
qualidades em outros campos de conhecimento e o conjunto de sua obra
escrita, tornaram Flávio Villaça uma inevitável referência para
profissionais e interessados nos estudos urbanos e no campo do
planejamento.
Nesses tempos incertos, o que nos desafiou a explorar mais uma vez a
trajetória profissional e a reler os escritos de Villaça, não foi apenas
entender como ele estabelece os traços e liames da imbricada relação
entre as teorias do planejamento e a produção socioespacial urbana, mas
tentar aprender a selecionar as verdades e ter cuidado com as ilusões. O
testemunho de alguém que não cumpre apenas burocraticamente as tarefas
nas instituições técnicas e profissionais do planejamento, mas pratica a
pesquisa e a reflexão teórica, deve servir de exemplo para novas gerações
de pesquisadores e profissionais, mas de cidadãos pois, como ele sempre
afirma, a política importa mais que tudo.
notas
NA – Uma versão preliminar deste trabalho foi submetida ao XII Seminário
Internacional de Investigação em Urbanismo 2020, cuja realização foi adiadade
devido a pandemia de Covid-19.
1
VILLAÇA, Flávio. Uma contribuição para a história do planejamento urbano no
Brasil. In DEAK, Csaba; SCHIFFER, Sueli Ramos (Org.). O processo de urbanização
no Brasil. São Paulo, Fupam/Edusp, 1999, p. 176.
2
A Sagmacs foi uma instituição de planejamento urbano que teve destacada atuação
no Brasil, especialmente durante os anos 1950.
3
VILLAÇA, Flávio. A nucleação comercial. Revista de Engenharia Municipal, n. 17,
Rio de Janeiro, jun. 1960.
4
VILLAÇA, Flávio. A implantação urbana de São Bernardo do Campo. Folha de
S.Paulo, São Paulo, 1966.
5
VILLAÇA, Flávio. Grande São Paulo, Desafio Ano 2000. Folha de S.Paulo, São
Paulo, 1967.
6
VILLAÇA, Flávio. Metrópole e Desenvolvimento. Folha de S.Paulo, São Paulo,
12/12/2024, 20:22 arquitextos 246.01 personagem: Flávio Villaça | vitruvius
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952 7/10
1969.
7
VILLAÇA, Flávio. Uso do Solo Urbano. Simpósio sobre Desenvolvimento Urbano e
Seminário sobre Shopping Centers, Rio de Janeiro, 1973.
8
VILLAÇA, Flávio. A Organização do Espaço nas áreas Metropolitanas Brasileiras.
Simpósio sobre Desenvolvimento Urbano e Seminário sobre Shopping Centers, Rio
de Janeiro, 1973.
9
Em 1969 o Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB lhe confere o Prêmio Anual
IAB por seus trabalhos escritos sobre Planejamento Urbano.
10
VILLAÇA, Flávio. Pesquisa bibliográfica e comentários sobre o tema “A
organização espacial intra-urbana”. In VILLAÇA, Flávio. Relatório de Pesquisa –
Regime de Turno Completo. São Paulo, Biblioteca FAU USP, 1979.
11
HARVEY, David. Social justice and the city. Athens, University of Georgia
Press, 2009.
12
VILLAÇA, Flávio. Sistematização crítica da obra escrita pelo professor Dr.
Flávio José Magalhães Villaça sobre espaço urbano. Texto submetido a concurso
público para obtenção de título de livre-docência junto à disciplina AUP-260,
Planejamento Urbano II. São Paulo, Biblioteca FAU USP, 1988, p. 17.
13
VILLAÇA, Flávio. Pesquisa bibliográfica e comentários sobre o tema “A
organização espacial intra-urbana” (op. cit.), p. 12.
14
Octávio Ianni integrou juntamente como Florestan Fernandes e Roger Bastide a
Escola de Sociologia Paulista, formada na década de 1940, voltada aos estudos
das relações raciais no Brasil.
15
VILLAÇA, Flávio. O espaço intra-urbano no Brasil. São Paulo, Studio Nobel
Editora, 1998, p. 373.
16
ALONSO, William. The Historic and the Structural Theories of Urban Form: Their
Implications for Urban Renewal. Land Economics, v. 40, n. 2, University of
Wisconsin Press, Madison, mai. 1964, p. 227-231.
17
VILLAÇA, Flávio. A teoria de Alonso e a cidade brasileira. Revista Brasileira
de Planejamento, n. 9/10, Porto Alegre, Instituto Brasileiro de Planejamento,
1978, p. 48-51.
18
VILLAÇA, Flávio. Pesquisa bibliográfica e comentários sobre o tema “A
organização espacial intra-urbana” (op. cit.), p. 11.
19
CASTELLS, Manuel. La Question urbaine. Paris, F. Maspero, 1972; LEFEBVRE,
Henri. Pensamento marxista e a cidade. Póvoa de Varzim, Ulissea, 1972; LOJKINE,
Jean. Elements pour une Théorie Scientifique de L’Urbanization Capitaliste.
20
CASTELLS, Manuel. Op. cit.
21
MARQUES, Eduardo. Notas sobre a política e as políticas do urbano no Brasil.
Texto para Discussão n. 018/2016. São Paulo, Centro de Estudos da Metrópole,
2016, p. 6.
22
VILLAÇA, Flávio. Sistematização crítica da obra escrita pelo professor Dr.
Flávio José Magalhães Villaça sobre espaço urbano (op. cit.), p. 29.
23
VILLAÇA, Flávio. Sistematização crítica da obra escrita pelo professor Dr.
Flávio José Magalhães Villaça sobre espaço urbano (op. cit.), p. 30
24
BRENNER, Neil, SCHMID, Christian. Towards a new epistemology of the urban?
City, vol. 19, n. 2-3, 2015, p. 151-182.
25
VILLAÇA, Flávio. A Terra como capital (ou a Terra-localização). Revista Espaço
& Debates, ano 5, n. 16, 1985, p. 5-14.
26
VILLAÇA, Flávio. A Terra como capital (ou a Terra-localização) (op. cit.).
27
VILLAÇA, Flávio. O que todo cidadão precisa saber sobre habitação. São Paulo,
Global Editora, 1986.
12/12/2024, 20:22 arquitextos 246.01 personagem: Flávio Villaça | vitruvius
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952 8/10
28
VILLAÇA, Flávio. O espaço intra-urbano no Brasil (op. cit.), p. 11.
29
VILLAÇA, Flávio. Reflexões sobre as cidades brasileiras. São Paulo, Studio
Nobel, 2012.
30
Idem, ibidem, p. 15.
31
Idem, ibidem, p. 16.
32
Idem, ibidem.
33
VILLAÇA, Flávio. O que todo cidadão precisa saber sobre habitação (op. cit.).
34
Kowarick, Lucio. A espoliação urbana. São Paulo, Paz e Terra, 1979.
35
VILLAÇA, Flávio. O que todo cidadão precisa saber sobre habitação (op. cit.),
p. 49.
36
VILLAÇA, Flávio. Dedicatória. O espaço intra-urbano no Brasil (op. cit.).
37
VILLAÇA, Flávio. Uma contribuição para a história do planejamento urbano no
Brasil (op. cit.).
38
VILLAÇA, Flávio. As ilusões do plano diretor. São Paulo, edição do autor, 2005
.
39
VILLAÇA, Flávio. O espaço intra-urbano no Brasil (op. cit.), p. 15
40
VILLAÇA, Flávio. Uma contribuição para a história do planejamento urbano no
Brasil (op. cit.).
41
Idem, ibidem, p. 182.
42
FELDMAN, Sarah. Plano Diretor e poder político. Resenha do livro As ilusões do
Plano Diretor. Revista da Pós. Programa de Pós-Graduação da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, FAU USP, n.
19, 2006, p. 260.
43
VILLAÇA, Flávio. Uma contribuição para a história do planejamento urbano no
Brasil (op. cit.), p. 169-244.
44
VILLAÇA, Flávio. Reflexões sobre as cidades brasileiras (op. cit.), p. 201.
45
VILLAÇA, Flávio. As ilusões do plano diretor (op. cit.).
46
FELDMAN, Sarah. Plano Diretor e poder político. Resenha do livro As ilusões do
Plano Diretor (op. cit.), p. 260-262.
47
VILLAÇA, Flávio. As ilusões do plano diretor (op. cit.).
48
Parafraseando a obra de José de Souza Martins (1994) O poder do atraso. São
Paulo, Hucitec.
49
VILLAÇA, Flávio. Uma contribuição para a históriado planejamento urbano no
Brasil (op. cit.), p. 241.
50
VILLAÇA, Flávio. As ilusões do plano diretor (op. cit.); FELDMAN, Sarah. Plano
Diretor e poder político. Resenha do livro As ilusões do Plano Diretor (op.
cit.), p. 260-262; ZIONI, Silvana; CASTRO, Luiz Guilherme Rivera de; KATO,
Volia Regina Costa; ALVIM; Angélica Aparecida Tanus Benatti. A questão das
escalas na avaliação de políticas públicas urbanas. XII Encontro da Associação
Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional.
Enanpur. Belém, Anpur, 2007 .
51
VILLAÇA, Flávio. Reflexões sobre as cidades brasileiras (op. cit.), p. 281.
52
VILLAÇA, Flávio. As ilusões do plano diretor (op. cit.); VILLAÇA, Flávio;
ZIONI, Silvana. O transporte sobre trilhos na Região Metropolitana de São
12/12/2024, 20:22 arquitextos 246.01 personagem: Flávio Villaça | vitruvius
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952 9/10
Paulo: o poder público acentuando a desigualdade. In CBTU (Org.). Concurso de
Monografias – CBTU 2005 A Cidade nos Trilhos. Rio de Janeiro, CBTU, 2005, p.
223-275.
53
VILLAÇA, Flávio. Reflexões sobre as cidades brasileiras (op. cit.).
54
Idem, ibidem.
55
Idem, ibidem, p. 201-214.
56
Idem, ibidem, p. 205.
57
BRENNER, Neil, SCHMID, Christian. Op. cit.
58
CASTELLS, Manuel. Op. cit.
59
VILLAÇA, Flávio. Reflexões sobre as cidades brasileiras (op. cit.), p. 289.
sobre os autores
Sergio Abrahão é arquiteto e urbanista (FAU Mackenzie, 1977), especialista em
Gestão Urbana (Inap Madrid, 1988); mestre (1999) e doutor (2005) pela FAU USP.
Atual professor e coordenador auxiliar da Unip, foi docente na graduação e pós-
graduação do Centro Universitário Fiam Faam (2010-2018). Trabalhou na
Prefeitura Municipal de São Paulo (1978-2014) e publicou Espaço Público: do
urbano ao político (Annablume/Fapesp, 2008).
Silvana Zioni é professora associada e vice coordenadora do Programa de Pós-
graduação em Planejamento e Gestão do Território da Universidade Federal do
ABC. Arquiteta e urbanista, mestre (1999) e doutora (2009) em Planejamento
Urbano e Regional pela FAU USP. Ex-docente da FAU Mackenzie (1991-2009), foi
vice coordenadora do bacharelado em Planejamento Territorial da UFABC.
comentários
© 2000–2024 Vitruvius
Todos os direitos reservados
As informações são sempre responsabilidade da fonte citada
12/12/2024, 20:22 arquitextos 246.01 personagem: Flávio Villaça | vitruvius
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.246/7952 10/10

Mais conteúdos dessa disciplina