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Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 1 Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II Professora Viviane C Lima Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 2 SUMÁRIO 1 - Farelo/ Gérmen/ Farelo humano e Remoídos – SUBPRODUTOS DA MOAGEM 3 1.1 - FARELO DE TRIGO 3 1.2 - GERME DE TRIGO 4 1.3 - FARELO HUMANO 5 1.4 - REMOIDO 7 ANEXO “A” 12 ANEXO “B” 13 ANEXO “C” 14 ANEXO “D” 14 ANEXO “E” 15 ANEXO “F” 16 ANEXO “G” 17 ANEXO “H” 17 ANEXO “I” 18 ANEXO “J” 18 2. Importância do armazenamento sobre as propriedades das farinhas de trigo 19 2.1. ASSOCIAÇÃO ENTRE FUNGOS E INSETOS NO ARMAZENAMENTO DE SEMENTES DE TRIGO. 19 2.1.1. Incidência de pragas nas sementes armazenadas 19 2.1.2. Controle químico das pragas no armazenamento das sementes 21 2.1.3 Incidência de fungos nas sementes armazenadas 22 3. BOLORES NO ARMAZEMANTO DA FARINHA DE TRIGO 24 3.1. FATORES IMPORTANTES PARA A MULTIPLICAÇÃO DE FUNGOS E PRODUÇÃO DE MICOTOXINAS 25 3.1.1. ATIVIDADE DE ÁGUA 25 3.1.2.TEMPERATURA 26 3.1.3. POTENCIAL HIDROGENIÔNICO 27 3.1.4 POTENCIAL DE OXIRREDUÇÃO 27 3.1.5 COMPOSIÇÃO DO SUBSTRATO 27 3.1.6 ADITIVOS 28 4. Controle de micotoxinas em farinhas 32 4.1. O que são micotoxinas? 32 4.2. Micotoxinas relacionadas com alimentos 33 4.3. Ecologia do fungo e produção de micotoxina no alimento 34 4.4. Prevenção e controle de micotoxinas em grãos e sementes armazenados 36 4.5. Detecção de micotoxlnas 40 4.6. Técnicas para a determinação de Toxinas 40 4.7. SISTEMA DE AMOSTRAGEM 42 4.8. Legislação sobre Micotoxinas 45 5. Mais informações 53 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 53 Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 3 1 - FARELO/ GÉRMEN/ FARELO HUMANO E REMOÍDOS – SUBPRODUTOS DA MOAGEM Farelo: Produto elaborado com grãos de trigo (Triticum aestivum L) ou outras espécies de trigo do gênero Triticum, ou combinações por meio de trituração ou moagem e outras tecnologias ou processos. O presente Regulamento não se aplica às Farinhas elaboradas com grãos de trigo da espécie Triticum durum Germe: Produto elaborado à base de farinha de trigo adicionado de outros produtos vegetais. Farelo Humano: Ou outras espécies de trigo do gênero Triticum , ou combinações por meio de trituração ou moagem e outras tecnologias ou processos a partir do processamento completo do grão limpo, contendo ou não o gérmen. Remoídos: É uma mistura de farelo, gérmen e farinha de trigo resultantes do processamento do grão de trigo. Um produto que pode conter ingredientes, aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia, apropriados para a produção de pães, bolos, tortas, massas, empadas, quitutes, pizzas ou outros produtos típicos de confeitaria, que com adição de água ou fermento ou ovos ou gordura ou outros ingredientes, e preparado segundo as instruções presentes na embalagem, deve produzir o produto típico designado na rotulagem, sem a necessidade de adição de outros aditivos alimentares. 1.1 - FARELO DE TRIGO A fibra ou farelo de trigo é a película externa da parte comes tível do grão de trigo, que não é digerida pelo organismo humano. Porém, a fibra tem uma função muito importante: ela absorve água e forma o bolo alimentar, aumentando a ação muscular dos intestinos. Uma dieta rica em fibras evita, também, altas taxas de colesterol e de açúcar no sangue. Desta forma, regulariza as funções gastrointestinais, contribuindo para o bem estar geral do organismo. Pode ser utilizada no preparo de biscoitos, pães, iogurtes, sopas, bolos, tortas, vitaminas, sucos, feijão, leite, etc, sem alterações de sabor. Elimina toxinas do organismo, aumenta o período de saciedade e conseqüente controle de peso. Na sua composição são encontrados diversos minerais, inclusive o cromo, que possue funções na manutenção do metabolismo dos carboidratos e gorduras. Dica: para um melhor aproveitamento nutricional das fibras é importante aumentar o consumo de água Informação nutricional Por 100g Porção 10g %VD(*) Valor Energético 180 kcal 20 kcal 1 Carboidratos 64 g 7 g 2 Proteínas 17 g 2 g 3 Gorduras totais 5 g 0,5 g 1 Gorduras saturadas 0 g 0 g 0 Gorduras Trans 0 g 0 g 0 Colesterol 0 mg 0 mg 0 Fibra alimentar 46 g 5 g 20 Cálcio 0 mg 0 mg 0 Ferro 5 mg 0,5 mg 3 Sódio 0 mg 0 mg 0 *Valores diários de referência com base em uma dieta de 2000 kcal. O subproduto mais utilizado é o farelo de trigo, subproduto do processo de confecção da farinha. Durante o beneficiamento, a casca precisa ser separada do albúmen e é exatamente essa porção mais externa que forma o farelo de trigo. Por conter uma porção muito pequena de albúmen, atinge teores de fibra bruta de 10-15% e não forma massas pegajosas com tanta facilidade. Porém, devido ao aumento da superfície disponível, fixa umidade com facilidade e é vulnerável ao crescimento de fungos. Outro problema é o desequilíbrio de minerais. Enquanto a relação cálcio-fósforo, que deveria ser 2:1, não chega a 1:1 (podendo causar hiperparatireiodismo nutricional secundário), a grande quantidade de magnésio e fósforo predispõe à formação de enterólitos. Deve ser dado junto com outros alimentos ou molhados, para evitar inchar no estômago, não ultrapassando 30% da composição da Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 4 dieta. Embora muitos acreditem que o farelo de trigo atue como laxante benéfico, não há comprovação científica. Fonte: http://www.gege.agrarias.ufpr.br/Portugues/equideo/concentrados.html 1.2 - GERME DE TRIGO O gérmen de trigo ou germe de trigo é a parte mais nobre do grão de trigo - é o seu embrião, de onde a nova planta começa a brotar. Na alimentação infantil, pode fazer parte de todas as papas. Os gérmens de trigo fazem chegar ao organismo em desenvolvimento, elementos nutritivos e vitais, protegendo-o contra doenças. Estudos consideram eficaz o emprego da vitamina B1 nos diabéticos, por produzir efeitos semelhantes aos da insulina. Não pode, decerto, substituir a insulina, mas é provável que facilite em alto grau o acesso da insulina às células orgânicas. Também a vitamina E exerce o efeito de reduzir a quantidade de açúcar no sangue, como se demonstrou experimentalmente, embora ainda não esteja totalmente explicado o mecanismo de ação. Como os gérmens de trigo constituem uma combinação natural destas matérias ativas, o seu valor dietético para a diabetes é extraordinário. Com um consumo diário de quatro a cinco colheres cheias de gérmens de trigo, reduz-se nitidamente o excesso de açúcar presente no sangue e na urina. Por conseguinte, o gérmen de trigo atua no diabetes leve e médio como complemento medicinal, poupando a insulina e normalizando o metabolismo dos diabéticos. Normalmente encontrado em grãos ou comprimidos de óleo, recomenda-se consumir o germe de trigo misturado a sucos porque seu gosto é um pouco amargo. Também pode ser consumido com sucos verdes, ricos em clorofila, altamente oxigenadores, os chamados sucos vivos. Pesquisas realizadas na PUC do Rio de Janeiro com a “alimentação viva”. Recentemente, em Campos do Jordão, o Sistema Único de Saúde, através do Dr. Alberto Gonzales também vem tratando pacientes com resultados impressionantes para a população local. O Dr. Gonzales vem desenvolvendo um projeto chamado Oficina da Semente, que divulga as práticas de cultivo de grãos e germes e de preparo de alimentos vivos, que contêm a totalidade de sua energia natural para benefício do ser humano. O germe de trigo é uma parte muito pequena da semente do trigo. A palavra germe não tem relação alguma com uma bactéria, simplesmente refere-se a germinação. O germe é a parte reprodutiva que germina e forma agrama do trigo. O germe de trigo é muito rico em proteínas. Ele contém cerca de 28% do nutriente, superando a maioria dos produtos de carne. O ser humano precisa de proteínas para reparar e construir músculos, além de ajudar os nutrientes a alcançar as células. quantidade de nutrientes contidos no germe de trigo parece interminável. Ele contém mais ferro e potássio do que qualquer outro tipo de alimento. Outros nutrientes encontrados em grandes quantidades são: riboflavina, cálcio, zinco, magnésio e vitaminas A, B1 e B3. Outra importante vitamina encontrada no germe de trigo é a vitamina E, que é útil na para combater o envelhecimento e prevenir doenças cardíacas. Essa Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 5 vitamina também ajuda a prevenir coágulos sanguíneos e fortalece o sistema imunológico. Germe Aproximadamente 2,5% do peso do grão de trigo, O germe é o embrião da semente, usualmente separado devida à quantidade limite de gordura que interfere na qualidade de conservação da farinha de trigo. Dos nutrientes no grão de trigo inteiro, o germe contém mínimas quantidades de proteínas, mas grande parte das vitaminas e traços de minerais. O germe de trigo pode ser obtido separadamente, ou incluída na farinha de trigo integral. 1.3 - FARELO HUMANO As propriedades do ingredientes 1) Fibra de trigo combate a anemia 2) Extrato de soja ameniza os sintomas da menopausa 3) Farelo de aveia ajuda a reduzir o colesterol 4) Cacau em pó dá prazer e tira a contade de comer doce 5) Aveia em flocos ideal para regular o intestino 6) Gergelim com casca reduz efeitos do estresse 7) Gérmen de trigo aumenta a imunidade do corpo 8) Gelatina sem sabor melhora a tonificação muscular e combate a flacidez 9) Guaraná em pó aumenta as defesas do sistema nervoso 10) Levedo de cerveja acelera o metabolismo e facilita o emagrecimento 11) Linhaça marrom reduz dores reumáticas, musculares e articulares 12) Açúcar mascavo dá mais energia para fazer exercícios físicos 13) Quinua em flocos serve para aumentar as fibras musculares 14) Farinha de maracujá atua no corpo bloqueando a absorção de gorduras Nos últimos dias, os programas na televisão tem falado muito da Ração Humana e do bem que ela pode fazer ao organismo, principalmente o emagrecimento, mas você sabe exatamente o que é a Ração Humana e os ingredientes exatos para fazer você mesmo a sua? Bem, a ração humana é um suplemento à base de cereais integrais criada inicialmente pela terapeuta natural Liça Takagui Dias e pelo nutricionista Daniel Boarim, a ração acelera o metabolismo, estimula a digestão, desintoxica o corpo, ajuda no controle do colesterol e do diabetes, sacia a fome, nutre, melhora a pele, regula o intestino e inibe a absorção de gorduras pelo organismo. Talvez você já tenha visto a ração humana pronta para vender em algum lugar na sua cidade e deve estar pensando o motivo de fazer em casa, já que é mais simples comprar pronta, o problema é que comprando pronta você não sabe quais os ingredientes que estão na mistura e nem a quantidade, já que pela internet existem muitas receitas diferentes, mudando ingredientes e quantidades, além de perder suas propriedades dependendo da forma como é armazenado. Vamos então aos ingredientes. Ingredientes: » Linhaça Marrom (50 g) » Gérmen de Trigo (250 g) » Leite de Soja em Pó sem Açúcar (500 g) » Farelo de Trigo (500 g) » Flocos de Aveia (250 g) » Semente de Gergelim com Casca (100 g) » Açúcar Mascavo (100 g) ou Cacau em Pó (50 g) » Levedo de Cerveja em Pó (50 g) » Guaraná em Pó (50 g) » Quinua (100 g) Modo de Fazer: Para preparar a ração humana não existe segredo algum, basta colocar todos os ingredientes num recipiente e misturar, pode ser com as mãos ou com colher. Misture bem e quando estiver pronto coloque em potes, lembrando Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 6 que os potes devem ser escuros (como aqueles de sorvete) e precisam ser guardados na geladeira, para preservar ao máximo todos os ingredientes. A Ração Humana dura até 2 meses na geladeira. Modo de Consumo: Você pode misturar no leite, no suco, colocar no cereal, sobre frutas, por cima da comida e de qualquer outra forma que você imaginar, só nunca esqueça que o limite diário de ingestão é de 2 colheres de sopa e que preferencialmente devem ser consumidos no café da manhã ou no lanche da tarde, lembre-se também de nunca substituir refeições pela ração, ela deve apenas complementar sua alimentação. Outro detalhe importante é que você deve tomar bastante água para ajudar na absorção das fibras, senão o efeito pode ser ao contrário e você ficar ainda com o intestino preso. Farelo Humano ( Para aquelas que precisam ingerir fibras) *100gr de aveia *50gr de farelo de trigo *50 gr de extrato de soja *50 gr de linhaça - Bata tudo no liquidificador e reserve. Coquitel Laxativo *01 fatia de mamão *03 unidades de ameixa sem caroço *01 copo de 200mg de leite desnatado * 01 colher de sopa de farelo humano Adoce a gosto. Fonte: http://terapeutavdm.blogspot.com.br/2010_03_24_archive.html Fonte: http://condicionamentoesaude.blogspot.com.br/2010/10/racao-humana.html A ração humana contém uma grande quantidade de nutrientes em sua fórmula, além disso, estimula a sensação de saciedade e ajuda a reduzir a fome. Pode ser consumida através de sucos, acrescentando leite-desnatado e frutas. Além disso, a Ração Humana tem mais uma série de benefícios: » Auxilia no funcionamento e regularização intestinal. » Aumenta o coeficiente metabólico e a eficácia na produção de energia » Lubrifica e regenera a flora intestinal. » Excelente para a redução de peso, dos níveis de colesterol (LDL), redução dos níveis de triglicerídeos e aumento do colesterol bom (HDL). » Ideal para prisão de ventre e acidez estomacal. » Diminui os riscos de doenças cardiovasculares e arterioesclerose. » Seu consumo regular favorece o controle dos níveis de açúcar no sangue Os principais benefícios dos ingredientes são: Fibra de Trigo: Ajudam a baixar o nível de colesterol e açúcar no sangue. Acelera o trânsito gastro-intestinal, ajuda a prevenir o câncer de colo, constipação intestinal, obesidade e muitos problemas de saúde. Linhaça: É rica em proteínas e ferro, protege contra tumores. Associado com a proteína da soja aumenta a Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 7 atividade do sistema imunológico. Rica em ômega 3, tem efeito antiespamódico, analgésico, antiinflamatório do aparelho gastro-intestinal. Leite de Soja: Reduz o colesterol, rica em proteína e em sais minerais, é de fácil digestão. Rica em hormônios e aumenta os níveis de estrogênio nas mulheres na menopausa. Farelo de Aveia: Contêm uma espécie de goma que envolve as moléculas gordurosas dificultando sua absorção pelo organismo, assim o seu poder anticolesterol é capaz de reduzir a gordura circulante no sangue. Levedo de Cerveja: Suplemento alimentar muito rico, pois nele se encontram cerca de 17 vitaminas, 16 aminoácidos e 18 minerais. É a maior fonte natural de vitaminas do complexo B. É tônico para os nervos, aumenta a resistência física, embeleza a pele, tem a ação antiinfecciosa e desintoxicante. Gergelim: É um alimento muito rico. Rico repositor de cálcio. Germem de Trigo: Contêm vitaminas do grupo A, B, D, K e principalmente E, que regenera os tecidos, combate também doenças dos tipos reumáticas, como a ciática, torcicolo, traumatismo muscular e nervoso, doenças cardíacas e circulatórias. Guaraná: Previne a arteriosclerose, favorece a intelectualidade. Eficaz no esgotamentofísico e mental. Gelatina Natural em Pó: Enrijece os tecidos, aumenta a elasticidade da pele, combate a flacidez e a celulite, previne rugas, fortifica unhas e combate a queda de cabelo. Açúcar Mascavo: É o açúcar da cana integral, não passa pelos processos de refino e industrialização. Rico em cálcio, ferro, potássio, e diversas vitaminas que não são encontradas no açúcar refinado. 1.4 - REMOIDO “Mistura à Base de Farelo de Trigo” http://noticias.uol.com.br/saude/album/2012/07/26/veja-os-principais- alimentos-que-ajudam-a-desintoxicar-o-organismo.htm Como o remoído nada mais é do que uma mistura de farelo, gérmen e farinha de trigo resultantes do processamento do grão de trigo. Segue abaixo o Regulamento Técnico para fixação de identidade e qualidade de mistura a base de farelo de cereais e a Portaria nº 19, de 15 de março de 1995 para que sejam atendidos os critérios para os produtos fabricados a partir dos remoídos. REGULAMENTO TÉCNICO PARA FIXAÇÃO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DE MISTURA À BASE DE FARELO DE CEREAIS 1. ALCANCE 1.1. Objetivo: fixar a identidade e as características mínimas de qualidade a que deve obedecer a Mistura à Base de Farelo de Cereais. 1.2. Âmbito de Aplicação: o presente Regulamento Técnico aplica-se à Mistura à Base de Farelo de Cereais, conforme definida no item 2.1. 2. DESCRIÇÃO 2.1. Definição: Mistura à Base de Farelo de Cereais é o produto obtido pela secagem, torragem, moagem e mistura de ingredientes de origem vegetal, podendo ser adicionada de leite em pó. 2.2. Designação:o produto é designado de Mistura à Base de Farelo de Cereais. Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 8 3. REFERÊNCIAS 3.1. BRASIL. Lei no 8.543/92, de 23/12/92. Determina a impressão de advertência em rótulos e embalagens de alimentos industrializados que contenham glúten. Diário Oficial da União, Brasília, 24 de dezembro de 1992. Seção 1, pt.1. 3.2. BRASIL. Portaria nº1428, de 26/11/93. Aprova Regulamento Técnico para Inspeção Sanitária de Alimentos, Diretrizes para o Estabelecimento de Boas Práticas de Produção e de Prestação de Serviços na Área de Alimentos e Regulamento Técnico para o Estabelecimento de Padrão de Identidade e Qualidade para Serviços e Produtos na Área de Alimentos. Diário Oficial da União, Brasília, 02 de dezembro de 1993. Seção 1, pt.1. 3.3. BRASIL. Portaria SVS/MS no 326, de 30/07/1997. Regulamento Técnico sobre as condições higiênico- sanitárias e de boas práticas de fabricação para estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos. Diário Oficial da União, Brasília, 01 de agosto de 1997. Seção 1, pt.1. 3.4. BRASIL. Portaria SVS/MS no 451, de 19/09/97. Princípios Gerais para Estabelecimento de Critérios e Padrões Microbiológicos para Alimentos. Diário Oficial da União, Brasília, 02 de julho de 1998. Seção 1, pt.1. 3.5. BRASIL. Portaria SVS/MS no 42/98, de 14/01/98. Regulamento Técnico para Rotulagem de Alimentos Embalados. Diário Oficial da União, Brasília, 16 de janeiro de 1998. Seção 1, pt.1. 3.6. BRASIL. Portaria SVS/MS no 41/98, de 14/01/98. Regulamento Técnico para Rotulagem Nutricional de Alimentos Embalados. Diário Oficial da União, Brasília, 21 de janeiro de 1998. Seção 1, pt.1. 3.7. BRASIL. Portaria SVS/MS no 27/98, de 14/01/98. Regulamento Técnico referente à Informação Nutricional Complementar. Diário Oficial da União, Brasília, 16 de janeiro de 1998. Seção 1, pt.1. 3.8. BRASIL. Resolução ANVS/MS nº16, de 30/04/1999. Regulamento Técnico de procedimentos para registro de alimentos e ou novos ingredientes. Diário Oficial da União, Brasília, 03 de maio de 1999. Seção 1, pt.1. 3.9. BRASIL. Resolução ANVS/MS nº17, de 30/04/1999. Regulamento Técnico que estabelece as diretrizes básicas para avaliação de risco e segurança dos alimentos. Diário Oficial da União, Brasília, 03 de maio de 1999. Seção 1, pt.1. 3.10. BRASIL. Resolução ANVS/MS nº18, de 30/04/1999. Regulamento Técnico que estabelece as diretrizes básicas para análise e comprovação de propriedades funcionais e ou de saúde alegadas em rotulagem de alimento. Diário Oficial da União, Brasília, 03 de maio de 1999. Seção 1, pt.1. 3.11. BRASIL. Resolução ANVS/MS nº19, de 30/04/1999. Regulamento de procedimentos para registro de alimento com alegação de propriedades funcionais e ou de saúde em sua rotulagem. Diário Oficial da União, Brasília, 03 de maio de 1999. Seção 1, pt.1. COMPOSIÇÃO E REQUISITOS 4.1. Composição 4.1.1. Ingredientes obrigatórios: farelos torrados de trigo ou de arroz ou de milho e ou aveia, em quantidade mínima de 70% (g/100g) e pó de folha de mandioca, batata doce, abóbora e ou chuchu. A utilização de outros farelos e ou outras folhas de vegetais poderá ser autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, desde que sejam apresentados estudos conclusivos de avaliação de risco e segurança de acordo com legislação específica. 4.1.2. Ingredientes opcionais: pó de sementes torradas de abóbora, girassol, melão e ou gergelim; nozes; castanhas; farinhas e amidos torrados de cereais, raízes e ou tubérculos; leite em pó; germe de trigo e outros ingredientes que não descaracterizem o produto. A utilização de pó de outros sementes, cascas de vegetais, cascas de ovos de aves e novos ingredientes poderá ser autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, desde que sejam apresentados estudos conclusivos de avaliação de risco e segurança de acordo com Regulamento Técnico específico. 4.1.3. Todos os ingredientes utilizados, incluindo os farelos, folhas e pós de sementes, devem ser específicos para o consumo humano. 4.2. Requisitos 4.2.1. Características sensoriais: Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 9 4.2.1.1. Aspecto: característico 4.2.1.2. Cor: característica 4.2.1.3. Odor: característico 4.2.1.4. Sabor: característico 4.2.2. Características físicas e químicas: 4.2.2.1. Umidade e substâncias voláteis a 105ºC, g/100g...........máximo 6,0% 4.2.2.2. Resíduo mineral fixo, g/100........................ mínimo 5,5% 4.2.2.3. Fibra bruta, g/100.................................... mínimo 8,0% 4.2.2.4. Acidez em solução N, ml/100g.................... máximo 5,0% 4.2.2.5. Ácido cianídrico, mg/kg......................... máximo 4 ppm 4.2.2.6. Ácido fítico, g/100g ................... máximo 0,1% 4.2.3. Acondicionamento: O produto deve ser acondicionado em embalagens adequadas às condições previstas de transporte e armazenamento e que confiram ao produto a proteção necessária. 5. ADITIVOS INTENCIONAIS E COADJUVANTES DE TECNOLOGIA DE FABRICAÇÃO Não é permitida a utilização de aditivos intencionais e coadjuvantes de tecnologia. 6. CONTAMINANTES Devem estar em consonância com os níveis toleráveis na matéria–prima empregada, estabelecidos em Regulamento Técnico específico. 7. HIGIENE 7.1. Considerações Gerais: os produtos devem ser processados, manipulados, acondicionados, armazenados, conservados e transportados conforme as Boas Práticas de Fabricação, atendendo à legislação específica. 7.2. Características macroscópicas: devem obedecer à legislação específica. 7.3. Características microscópicas: devem obedecer à legislação específica. 7.4. Características microbiológicas: devem obedecer à legislação específica. 8. PESOS E MEDIDAS Devem obedecer à legislação específica. 9. ROTULAGEM 9.1. Deve obedecer o Regulamento Técnico sobre Rotulagem de Alimentos Embalados, e, obrigatoriamente, apresentar: 9.1.1. quantidade recomendada para cada estado fisiológico e faixa etária; 9.1.2. as seguintes advertências: “ Este produto não poderá ser consumidocomo única fonte de alimento” e “Este produto não deve ser utilizado na alimentação de crianças nos primeiros doze meses de vida”; 9.1.3. modo de preparo/ uso, armazenamento e conservação. 9.2. É vedada na embalagem e ou rótulo a utilização de ilustração, fotos ou imagens de bebês ou outras formas que possam sugerir a utilização do produto como sendo o ideal para alimentação do lactente, bem como utilização da frase “ quando não for possível ...” ou similares que possam por em dúvida a capacidade das mães de amamentarem seus filhos. 9.3. É vedado mencionar na rotulagem a indicação do produto para suprir deficiências nutricionais. 9.4. Quando qualquer Informação Nutricional Complementar for utilizada, atender ao Regulamento Técnico específico. 9.5 Deve constar no rótulo a seguinte informação : O Ministério da Saúde adverte: não existem evidências científicas comprovadas de que este alimento previna, trate ou cure doenças. 10. MÉTODOS DE ANÁLISE/AMOSTRAGEM A avaliação da identidade e qualidade deverá ser realizada de acordo com os planos de amostragem e métodos de análise adotados e ou recomendados pela Association of Analytical Chemists (AOAC), pela Organização Internacional de Normalização (ISO), pelo Instituto Adolfo Lutz, pelo Food Chemicals Codex, pela American Public Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 10 Health Association (APHA), pelo Bacteriological Analytical Manual (BAM) e pela comissão do Codex Alimentarius e seus comitês específicos, até que venham a ser aprovados planos de amostragem e métodos de análises pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária Portaria nº 19, de 15 de março de 1995 DOU DE 16/03/95 O secretário de vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, no uso de suas atribuições legais, e: -Considerando a necessidade de normatizar o uso de Complemento Nutricional no País; -Considerando a demanda de registro de produtos dessa categoria na área de alimentos e a necessidade de um controle efetivo para a sua comercialização; -Considerando que os nutrientes destinados a complementar uma dieta normal devem ser reconhecidos como alimento comum, tendo em vista que não são destinados a fins dietéticos específicos; -Considerando que os complementos nutricionais não estão destinados a tratar deficiências nutricionais e tampouco modificar funções corporais e/ou mentais; -Considerando que os complementos nutricionais não podem ter indicações medicamentosas, resolve: Art 1° - Aprovar a seguinte Norma Técnica para Complemento Nutricional. 1- DEFINIÇÃO Complemento Nutricional é um produto elaborado com a finalidade de complementar a dieta cotidiana de uma pessoa saudável, que deseja compensar um possível déficit de nutrientes, a fim de alcançar os valores da Dose Diária Recomendada (DDR). O Complemento Nutricional não substitui o alimento, não podendo ser utilizado como dieta exclusiva. Nota: O temo Complemento Nutricional passa a substituir os termos Complemento Alimentar, Suplemento Alimentar e Suplemento Nutricional. 2- ÂMBITO DE APLICAÇÃO A presente Norma se aplica aos Complementos Nutricionais tais como definidos no item 3. Excluem-se desta categoria: - alimentos para fins especiais, alimentos enriquecidos ou alimentos fortificados; - produtos de origem animal que sejam fontes de hormônios; - produtos com teor alcóolico acima de 0,5%; - produtos que contenham substâncias medicamentosas ou indicações terapêuticas; - aminoácidos de forma isolada ou combinada; - produtos fitoterápicos isolados associados de ação terapêutica. 3- CLASSIFICAÇÃO Classificam-se como Complemento Nutricional: 3.1 - Vitaminas de forma isolada ou combinada; 3.2 - Minerais e oligoelementos de forma isolada ou combinada; 3.3 - Associação de vitaminas e minerais; 3.4 - Produtos obtidos de fontes naturais de vitaminas e/ou minerais. 3.5 - Óleo de fígado de bacalhau; 3.6 - Óleo de fígado de cação; 3.7 - Óleo de germe de trigo; 3.8 - Extratos de ácidos graxos polinsaturados (óleo de peixe rico em ácido eicosapentanoico e dexahexanoico); 3.9 - Lecitina de soja; 3.10 - Spirulina; 3.11 - Levedo ou levedura de cerveja; 3.12 - Gelatina; 3.13 - Complemento a base de fibras (celulose, hemicelulose, lignina, pectina, mucilagens, gomas e polissacarídeos das algas); Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 11 3.14 - Outros produtos com peculiaridades nutritivas que possam caracterizá-los como complemento nutricional desde que venham a ser legalmente regulamentados por Padrões de Identidade e Qualidade (PIQ) específicos. NOTA: Os Padrões de Identidade e Qualidade dos produtos referidos nos itens 3.5 a 3.13 encontram-se na forma dos anexos “A”,”B”,”C”,”D”,”E”,”F”,”G”,”H”,e “I”. 4 - FATORES ESSENCIAIS DE COMPOSIÇÃO E QUALIDADE 4.1.1 - Os Complementos Nutricionais devem conter no mínimo 25% e no máximo 100% das Doses Diárias Recomendadas, para cada nutriente, na porção diária indicada pelo fabricante. NOTA: As DDR’s das vitaminas e minerais que poderão estar contidos nos Complementos Nutricionais encontram-se na tabela constante do Anexo “j”. 4.1.2 - Nas combinações de nutrientes deverão ser consideradas as interações negativas (por exemplo: cálcio, ferro e zinco) e incompatibilidade tecnológicas. 4.1.3 - A combinação de nutrientes deverá levar em conta aspectos fisiológicos e as doses destes devem manter as percentagens relativas dos valores de referência. 4.2 - Aditivos e Coadjuvantes de Tecnologia de Fabricação. Será permitido o uso dos aditivos e coadjuvantes de tecnologia de fabricação para alimentos, desde que justificadas as necessidades tecnológicas e observados os seus limites legais. 4.3 - Contaminantes Resíduos de agrotóxicos e outros contaminantes serão tolerados, desde que respeitados os seus limites fixados pela legislação vigente para os componentes da formulação, observadas suas respectivas quantidades. 5 - HIGIENE O produto deverá ser preparado conforme as Boas Práticas de Fabricação, atendendo aos requisitos da Portaria MS 1428, de 26 de novembro de 1993, e aos padrões sanitários, microbiológicos, microscópicos e físico- químicos estabelecidos pela legislação vigente. 6 - FORMAS DE APRESENTAÇÃO O produto poderá ser apresentado em diversas formas, tais como: tabletes, drágeas, pós, cápsulas, granulados, pastilhas mastigáveis e líquidos. O produto deverá ser acondicionado em embalagem adequada à manutenção de suas características até o final do prazo de validade. Os Complementos Nutricionais somente poderão ser vendidos em unidades pré-embaladas não sendo permitida a venda fracionada. 7 - ROTULAGEM 7.1 - Será proibida toda e qualquer expressão de natureza medicamentosa. 7.2 - Os rótulos dos Complementos Nutricionais deverão observar a legislação vigente para alimentos, no que couber, além dos itens abaixo descriminados: Painel Principal Frontal: 7.2.1 - A designação do produto deve ser Complemento Nacional de.......(especificar os nutrientes básicos) ou de acordo com o Padrão de Identidade e Qualidade(PIQ) especifico para o produto. Painel Principal: 7.2.2 - Informações e advertências sobre os riscos do consumo excessivo, prolongado ou inadequado. 7.2.3 - Advertência: “Consumir preferencialmente sob orientação profissional”. Painel Secundário: 7.2.4 - Indicação da porção diária recomendada e modo de preparo, quando for o caso. 7.2.5- Composição do produto na porção indicada pelo fabricante em comparação a dose diária recomendada. 7.2.6 - Instruções de conservação, armazenamento e transporte. 7.3 - Os rótulos dos ComplementosNutricionais deverão ainda conter as seguintes declarações: 7.3.1 - “Este produto consumido acima da dose recomendada traz riscos á saúde”. Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 12 7.3.2 - “Este produto não deve ser consumido por gestantes, lactentes e crianças de (zero)(três) anos”. 8 - REGISTRO 8.1 - Os Complementos Nutricionais estarão sujeitos aos mesmos procedimentos administrativos de registro de alimentos. 8.2 - Para fins de registro, o interessado deve apresentar ao órgão competente do Ministério da Saúde: 8.2.1 - Documentação técnica cientifica justificando a finalidade do produto e seu valor nutricional. 8.2.2 - Metodologia analítica para identificação, quantificação e controle do produto. 8.2.3 - Documentação que comprove a adequação da empresa à Portaria MS 1428/93. 8.2.4- Laudo de Análise Prévia expedido por laboratório credenciado. Art 2° -As empresas terão 180(cento e oitenta)dias para se adequarem a esta Norma. Art 3° -Fica estabelecido o prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da presente Portaria, para a apresentação de possíveis questionamentos, os quais deverão ser devidamente fundamentados, visando o aprimoramento da mesma. Art 4° -Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. ELISALDO DE ARAÚJO CARLINI ANEXO “A” EXTRATO DE ÁCIDOS GRAXOS POLINSATURADOS MARINHOS 1. DEFINIÇÃO: É o produto rico em triglicerídeos, obtido a partir de óleo de peixe de águas frias cuja finalidade nutricional é o suprimento dos ácido graxos polinsaturados; ácido eicosapentanóico e ácido decosahexanóico. 2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional” 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS: o produto deverá ser apresentado em forma pura, acondicionado em cápsula composta de gelatina de glicerina. É permitido o uso de antioxidante tocoferol. 4. ROTULAGEM: Além dos dizeres constantes do item 7 desta Portaria deverá conter: 4.1. NOME DO PRODUTO: “Extrato de Ácidos Graxos Polinsaturados Marinhos”. 4.2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional”. 4.3. COMPOSIÇÃO: “Cada cápsula de ...mg de extrato de ácidos graxos polinsaturados marinhos contém:Ácido eicosapentanóico ...mg Ácido decosahexanóico ...mg 4.4. INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA: na ausência de dados confirmatórios sobre a quantidade mínima e máxima de ácidos graxos tipo omega 3 recomendada, fica adotada provisoriamente a quantidade mínima de 500 mg/dia de ácido eicosapentanóico, utilizando expressão do seguinte teor: “Sugere-se a ingestão de 1 a 2 cápsulas (de 1000mg) nas principais refeições do dia”. 4.5. FINALIDADE DE USO: “Complemento Nutricional de Ácidos Graxos Polinsaturados tipo omega 3”(opcional). 4.6. PRAZO DE VALIDADE 4.7. LOTE E DATA DE FABRICAÇÃO 4.8. CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO: “Conservar ao abrigo da luz, do calor e da umidade”. 4.9. “Contém Antioxidante Tocoferol”, quando for o caso. 4.10. ADVERTÊNCIA: “Pessoas com alteração na coagulação sanguínea e mulheres grávidas ou em fase de amamentação devem consultar seu médico antes de usar o produto”. Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 13 5. OBSERVAÇÕES 5.1. É vedado o emprego de indicações ou textos que, direta ou indiretamente, se relacionem aos efeitos terapêuticos ou fisiológicos, além daqueles mencionados no item 3.1. da Res.12/78 CTA. 5.2. As disposições anteriores se aplicam aos textos e materiais de propaganda do produto, qualquer que seja o veículo utilizado para sua divulgação (Artigo 23, do Decreto-Lei 986/69) ANEXO “B” ÓLEO DE FÍGADO DE BACALHAU 1. DEFINIÇÃO: Óleo fixo, parcialmente desestearizado, obtido de fígados frescos do Gadus morrhuase, linné; do Gadus callarias linné e do Gadus aefléfinus, linné, da família Gadidae; refinado, clarificado e filtrado em temperatura inferior a 0°C. O óleo de fígado de bacalhau contém em cada grama, no mínimo, 255mg (850 U.I.)de Vitamina A e, no mínimo, 2,125mcg (85 U.I.)de Vitamina D. 2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional”. 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS: o produto deverá ser apresentado de forma pura, como um óleo límpido, amarelo pálido, de cheiro e sabor característicos de peixe, não rançoso, nem pútrido; acondicionado em cápsulas compostas de gelatina e de glicerina. 4. ESPECIFICAÇÕES 4.1. Solubilidade: praticamente insolúvel em álcool; solúvel em clorofórmio; éter, dissulfeto de carbono, acetato de etila e éter de petróleo. 4.2. Densidade relativa a 25°C:0,91,8 a 0,927. 4.3. Índice de Refração a 40°C:1,4705 a 1,4745. 4.4. Índice de Saponificação(mg KOH/g):no mínimo 180 no máximo 192. 4.5. Índice de lodo (Wijs):no mínimo 145 e no máximo 180. 4.6. Índice de Acidez: máximo de 1,2. 5. ROTULAGEM: Além dos dizeres constantes do item 7 desta Portaria, deverá conter: 5.1. NOME DO PRODUTO: “Óleo de Fígado de Bacalhau”. 5.2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional”. 5.3. COMPISIÇÃO: “Cada cápsula gelatinosa contém: Óleo de Fígado de Bacalhau...mg”. 5.4. TEOR DE VITAMINA A E D POR CÁPSULA: “Cada cápsula contém: Vitamina A......mg Vitamina D......mg 5.5. INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA: “a ingestão diária de ........ cápsulas (correspondente a 1 grama de óleo de fígado de bacalhau) fornece...U.I. de Vitamina A e ...U.I. de Vitamina D, o que atende a......% da dose diária recomendada destas vitaminas, em adultos”. 5.6. FINALIDADE DE USO: “Complemento Nutricional de Vitamina A e D”. 5.7. PRAZO DE VALIDADE 5.8. LOTE E DATA DE FABRICAÇÃO 5.9. CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO: “Conservar ao abrigo da luz, do calor e da umidade”. 6. OBSERVAÇÕES 6.1. É vedado o emprego de indicações ou textos que, direta ou indiretamente, se relacionem aos efeitos terapêuticos ou fisiológicos, além daqueles mencionados no item 3.1 da Res. 12/78 CTA. 6.2. As disposições anteriores se aplicam aos textos e materiais de propaganda do produto, qualquer que seja o veículo utilizado para sua divulgação (Artigo 23, do Decreto-Lei 986/69). Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 14 ANEXO “C” ÓLEO DE FÍGADO DE CAÇÃO 1. DEFINIÇÃO: Óleo fixo, parcialmente desestearizado, obtidos de fígados frescos ou convenientemente conservados de diferentes espécies de peixe da classe Chon drichthyes(Elasmobranchii,Selachii) ordem Pleurotremata, particularmente das famílias das Lamidae, Galeidae, Squalidae, por expressão e aquecimento, filtrado em baixa temperatura. Deve conter por grama, no mínimo, 3.000 U.I. de Vitamina A e 85 U.I. de Vitamina D. 2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional” 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS: O produto deve ser apresentado de forma pura, como um óleo límpido amarelo ou amarelo-avermelhado, de odor e sabor característico de peixe, não rançoso, nem pútrido; acondicionado em cápsulas compostas de gelatina e de glicerina. 4. ESPECIFICAÇÕES: 4.1. Solubilidade: francamente solúvel em álcool; solúvel em éter, clorofórmio, sulfeto de carbono, acetato de etila, benzeno e dióxido de carbono. 4.2. Densidade Relativa a 25°C: 0,908 a 0,927. 4.3. Índice de Refração a 40°C: 1,4704 a 1,4745. 4.4. Índice de Saponificação (mg KOH/g): 170 a 195. 4.5. Índice de iodo (Hanus): 140 a 205. 4.6. Índice de Acidez: máximo de 2,8. 5. ROTULAGEM: Além dos dizeres constantes do item 7 desta Portaria deverá conter: 5.1. NOME DO PRODUTO: “Óleo de Fígado de Cação”. 5.2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional”. 5.3. COMPOSIÇÃO: “Cada cápsula gelatinosa contém: Óleo de Fígado de Cação ....mg 5.4.TEOR DE VITAMINA A E D POR CÁPSULA: “Cada cápsula contém: Vitamina A ...mg Vitamina D ...mg 5.5. INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA: “a ingestão diária de .......... cápsulas(correspondente a 1 grama de óleo de fígado de cação)fornece....U.I.de Vitamina A e....U.I. de Vitamina D,o que atende a ...% da Dose Diária Recomendada destas vitaminas, em adultos”. 5.6. FINALIDADE DE USO: “Complemento Nutricional de Vitamina A e D”. 5.7. PRAZO DE VALIDADE 5.8. LOTE E DATA DE FABRICAÇÃO 5.9. CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO: “Conservar ao abrigo da luz, do calor e da umidade”. 6. OBSERVAÇÕES 6.1. É vedado o emprego de indicações ou textos que, direta ou indiretamente, se relacionem aos efeitos terapêuticos ou fisiológicos, além daqueles mencionados no item 3.1. da Res.12/78 CTA. 6.2. As disposições anteriores se aplicam aos textos e materiais de propaganda do produto, qualquer que seja o veículo utilizado para sua divulgação(Artigo 23, do Decreto-Lei 986/69). ANEXO “D” COMPLEMENTO À BASE DE FIBRAS ALIMENTARES 1. DEFINIÇÕES: 1.1. Suplemento á Base de Fibras Alimentares: É o produto constituído principalmente por fibras, que se destina a suplementar a alimentação. 1.2. Fibra Alimentar ou Fibra Dietética: É a parte comestível dos vegetais algas que resiste à hidrólise pelas enzimas digestivas humanas. Incluem-se entre essas fibras: Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 15 Celulose, Hemicelulose, ligninas, pectinas, Mucilagem, Gomas e Polissacarídeos das Algas. 1.3. Fibra Bruta ou Fibra Crua: É o resíduo orgânico dos alimentos obtidos em certas condições especificas de extração com éter, ácidos e álcalis. É constituído em grande parte por celulose, que pode ser acompanhada por lignina e hemicelulose. 2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional” 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS: Os produtos devem ser elaborados a partir de matérias-primas sãs, limpas, isentas de matéria terrosa, de parasitos, de detritos animais, e em perfeito estado de conservação. 4. ROTULAGEM: Além dos dizeres constantes do item 7 desta Portaria deverá conter: 4.1. NOME DO PRODUTO: Ex: “Farelo de Trigo”, “Mistura à Base de Farelo de Trigo”, etc. 4.2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional” 4.3. A quantidade de energia em 100g, 100ml ou por porções do produto pronto para o consumo, expressa em calorias (Kcal). 4.4. A quantidade de gramas de proteínas, carboidratos e lipídeos em 100g, 100ml ou porção do produto pronto para o consumo. 4.5. A quantidade de gramas de fibra dietética e/ou bruta em 100g, ou 100ml ou por porção do produto pronto para o consumo. 4.6. Origem da fibra utilizada e a porcentagem, no caso de mais de uma fonte. 4.7. MODO DE PREPARO OU CONSUMO 4.8. INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA: “Sugere-se o consumo de ........ gramas/ tabletes/ envelopes/ pó, ao dia, ás refeições; o consumo de mais de 12g de fibras por dia é prejudicial à saúde. 4.9. ESCLARECIMENTO SOBRE O PRODUTO OU FINALIDADE DE USO: “A fibra é a parte dos vegetais e algas que não é digerida pelas enzimas humanas, portanto, não é absorvível constituindo-se ,assim, em importante componentes dos alimentos, que colabora para a adequada atividade intestinal”. 4.10. PRAZO DE VALIDADE 4.11. LOTE E DATA DE FABRICAÇÃO 4.12. CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO: “Conservar ao abrigo da luz, do calor e da umidade”. 5. OBSERVAÇÕES: 5.1. É vedado o emprego de indicações ou textos que, direta ou indiretamente, se relacionem aos efeitos terapêuticos ou fisiológicos, além daqueles mencionados no item 3.1. da Res.12/78 CTA. 5.2. As disposições anteriores se aplicam aos textos e materiais de propaganda do produto, qualquer que seja o veículo utilizado para sua divulgação (Artigo 23, do Decreto-Lei 986/69). ANEXO “E” GELATINA 1. DEFINIÇÃO: A gelatina é um produto obtido pela hidrólise parcial do colágeno, extraído geralmente da pele e dos ossos de certos animais. O produto deverá conter não menos que 15% de nitrogênio e não mais que 2% de cinzas. 2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional” 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS: A gelatina deverá ser de qualidade alimentar e apresentada de forma pura, sem aditivos, acondicionada em cápsulas compostas de gelatina e de glicerina. 4. ROTULAGEM: Além dos dizeres constantes do item 7 desta Portaria deverá conter: Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 16 4.1. NOME DO PRODUTO: “Gelatina”. 4.2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional”. 4.3. COMPOSIÇÃO: “Cada cápsula contém ...mg de gelatina” 4.4. INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA: não está definida cientificamente, no entanto poderá haver a sugestão do uso de ...cápsulas, às refeições. 4.5. ESCLARECIMENTO SOBRE O PRODUTO: “A gelatina é o produto obtido a partir dos tecidos animais ricos em colágeno, constituído por proteínas do tipo incompleto, em cuja composição se destaca a presença do aminoácido essencial lisina”. 4.6. PRAZO DE VALIDADE 4.7. LOTE E DATA DE FABRICAÇÃO 4.8. CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO: “Conservar ao abrigo da luz, do calor e da umidade. 5. OBSERVAÇÕES: 5.1. É vedado o emprego de indicações ou textos, que direta ou indiretamente, se relacionem a efeitos terapêuticos ou fisiológicos, além daqueles mencionados no item 3.1 da Res. nº 12/78 CTA. 5.2. As disposições anteriores se aplicam aos textos de propaganda do produto, qualquer que seja o veículo utilizado para sua divulgação (Artigo 23 do Decreto-Lei nº 986/69). ANEXO “F” ÓLEO DE GERME DE TRIGO 1. DEFINIÇÃO: Óleo amarelo de odor e sabor característicos, rico em tocoferóis (1,34 mg de vitamina E (alfa tocoferol)por grama de óleo), obtido por expressão ou extraído por solvente do embrião do trigo (Triticum aestivum (Graminaeae). 2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional” 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS: O produto deverá ser apresentado em forma pura, sem aditivos, acondicionado em cápsulas compostas de gelatina e de glicerina. 4. ROTULAGEM: Além dos dizeres constantes do item 7 desta Portaria deverá conter: 4.1. NOME DO PRODUTO: “Óleo de Germe de Trigo”. 4.2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional” 4.3. COMPOSIÇÃO: “Cada cápsula gelatinosa contém: Óleo de Germe de Trigo....mg”. 4.4. TEOR DE VITAMINA E POR CÁPSULA OU UNIDADE DE APRESENTAÇÃO: “Cada cápsula contém: Vitamina E (alfa-tocoferol)....mg” 4.5. INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA: “A ingestão de ...cápsulas fornece ...mg de vitamina E, o que atende.......% da dose diária recomendada de Vitamina E para adulto”. 4.6. FINALIDADE DE USO: “Complemento Nutricional, Fonte Natural de Vitamina E e de ácidos graxos polinsaturados essenciais”. 4.7. PRAZO DE VALIDADE 4.8. LOTE E DATA DE FABRICAÇÃO 4.9. CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO: “Conservar ao abrigo da luz, do calor e da umidade”. 5. OBSERVAÇÕES: 5.1. É vedado o emprego de indicações ou textos que, direta ou indiretamente, se relacionem aos efeitos terapêuticos e fisiológicos, além daqueles mencionados no item 3.1. da Res. 12/78 CTA. 5.2. As disposições anteriores se aplicam aos textos e matérias de propaganda do produto, qualquer que seja o veículo utilizado para sua divulgação (Art. 23 do Decreto-Lei 986/69). Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 17 ANEXO “G” LECITINA DE SOJA 1. DEFINIÇÃO: A lecitina de soja é o produto obtido do grão de soja, apresentando um alto conteúdo de fosfolipídeos; fosfatidilcolina (lecitina), fosfatidil- etanolamina (cefaína) e fosfatidil-inositol, combinado com quantidades variáveis de outras substâncias, tais como: triglicerídeos, ácidos graxos e carboidratos. O produto contém não menos que 50% de insolúveis em acetona. 2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional” 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS: O produto deverá ser de qualidade alimentar, sem aditivo e acondicionado em cápsulas compostas de gelatina e de glicerina. Poderá ser utilizado ingrediente com finalidade de coadjuvante de tecnologia e fabricação, quando utilizada cápsula gelatinosa dura.4. ROTULAGEM: Além dos dizeres constantes do item 7 desta Portaria deverá conter: Lecitina de Soja .....mg”. 4.4. INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA: Não está definida cientificamente portanto, deverá vir somente frase do tipo: “Sugere-se o consumo de ...cápsulas ao dia, às refeições”. 4.5. FINALIDADES DE USO: “Complemento Nutricional de Lecitina de Soja”. 4.6. PRAZO DE VALIDADE 4.7. LOTE E DATA DE FABRICAÇÃO 4.8. CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO: “Conservar ao abrigo da luz, do calor e da umidade”. 5. OBSERVAÇÕES: 5.1. É vedado o emprego de indicações ou textos que direta ou indiretamente, se relacionem aos efeitos terapêuticos ou fisiológicos, além daqueles mencionados no item 3.1. da Res. 12/78 CTA. 5.2. As disposições anteriores se aplicam aos textos e materiais de propaganda do produto, qualquer que seja o veículo utilizado para sua divulgação (Artigo 23 do Decreto-Lei 986/69). ANEXO “H” LEVEDO OU LEVEDURA DE CERVEJA 1. DEFINIÇÃO: São células inteiras e secas de Saccharomices cerevisiae Meyen; Saccharomycetaceae. O produto deve conter, no mínimo, 40% de proteínas, e em cada grama, o equivalente de, no mínimo, 0,12mg de cloridrato de tiamina, 0,04mg de riboflavina e 0,25mg de niacina. Deve ser inativo em poder fermentativo. 2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional” 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS: O produto deverá ser apresentado em forma pura, sem a presença de aditivos. Quando na forma de comprimidos coadjuvantes de tecnologia de fabricação previstos na legislação. 4.ROTULAGEM: Além dos dizeres constantes do item 7 desta Portaria deverá conter: 4.1. NOME DO PRODUTO: “Levedo ou Levedura de Cerveja”. 4.2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional” 4.3. COMPOSIÇÃO: “Cada 100g do pó ou cada comprimido de ....mg de levedura de cerveja contém: Proteínas ...g Vitamina B1 ...mg Vitamina B2 ...mg Niacina...mg”. 4.4. INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA: “Sugere-se o uso de 6 a 8g diárias do pó, para adulto ou o equivalente em comprimidos”. 4.5. FINALIDADE DE USO: “Complemento Nutricional de proteínas e vitaminas do complexo B (B1, B2 e Niacina)”. 4.6. PRAZO DE VALIDADE 4.7. LOTE E DATA DE FABRICAÇÃO Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 18 4.8. CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO: “Conservar ao abrigo da luz, do calor e da umidade”. 5. OBSERVAÇÕES: 5.1. É vedado o emprego de indicações ou textos que direta, ou indiretamente, se relacionem aos efeitos terapêuticos ou fisiológicos, além daqueles mencionados no item 3.1. da Res. 12/78 CTA. 5.2. As disposições anteriores se aplicam aos textos e matérias de propaganda do produto qualquer que seja o veículo utilizado para sua divulgação (Artigo 23 do Decreto-Lei nº 986/69). ANEXO “I” SPIRULINA 1. DEFINIÇÃO: São microalças do grupo das cianosquizofiteas (Algas Azuis) marinhas ou dulcequíolas, cujas espécies comestíveis do gênero compreendem: platensis e máxima. Apresentam alto conteúdo de proteínas combinado com quantidades variáveis de vitaminas do complexo B, especialmente B12, pró-vitaminas K,E e PP/A, e minerais como o cálcio, fósforo, ferro, sódio, potássio e magnésio. O produto deverá conter no mínimo 55% de proteínas e não exceder a ingestão diária de 50 gramas (2 g/dia de ácidos nucleicos) 2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional” 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS: O produto deverá ser apresentado em forma pura, sem a presença de aditivos e acondicionado em cápsulas compostas de gelatina e de glicerina. Poderá ser utilizado ingrediente com finalidade de coadjuvante de tecnologia de fabricação, quando utilizada cápsula gelatinosa dura. 4. ROTULAGEM: Além dos dizeres constantes do item 7 desta Portaria deverá conter: 4.1. NOME DO PRODUTO: “Spirulina”. 4.2. CATEGORIA: “Complemento Nutricional”. 4.3. COMPOSIÇÃO: “Cada cápsula gelatinosa contém: Spirulina platensis ou máxima .....mg 4.4. INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA: “Sugere-se o consumo de ...cápsulas ao dia, às refeições”. 4.5. FINALIDADE DE USO: “Complemento Nutricional de proteínas e vitaminas”. 4.6. PRAZO DE VALIDADE 4.7. LOTE E DATA DE FABRICAÇÃO 4.8. CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO: “Conservar ao abrigo da luz, do calor e da umidade”. 5. OBSERVAÇÕES 5.1. É vedado o emprego de indicações ou textos que, direta ou indiretamente, se relacionem aos efeitos terapêuticos ou fisiológicos, além daqueles mencionados no item 3.1. da Res. 12/78 CTA. 5.2. Às disposições anteriores se aplicam aos textos e matérias de propaganda do produto, qualquer que seja o veículo utilizado para a divulgação (Artigo 23 do Decreto- Lei 986/69). ANEXO “J” Doses Diárias Recomendadas (DDR’s) NUTRIENTE DDR Vitamina A 2687-3333 Vitamina D 5 mg Vitamina B1 (Tiamina) 1,0-1,5 mg Vitamina B2 (Riboflavina) 1,2-1,7 mg Niacina 15-19mg NE Ácido Pantoténico 4-7 mg Vitamina B6(Piridoxina) 1,6-2,0 mg Vitamina B12 2 mg Vitamina C 60 mg Vitamina E 8-10 mg TE Biotina 30-100 mg Ácido Fólico 180-200mg Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 19 Vitamina K 65-80 mg Cálcio 800 mg Fósforo 800 mg Magnésio 280-350mg Ferro 10-15mg Flúor 1,5-4,0mg Zinco 12-15mg Cobre 1,5-3,0mg Iodo 150mg Selênio 55-70mg Molibdênio 75-250mg Cromo 50-200mg Manganês 2,0-5,0mg *Fonte: NATIONAL RESEARSH COUNCIL. Recommended Dietary Allowances. Washington DC. 1989. ÓLEO DE GERME DE TRIGO O Óleo de Germen de Trigo é uma excelente fonte de ácidos gordos essenciais e de Vitamina E natural. Na sua composição encontramos os seguintes ácidos gordos: Ácido Linolénico 56%, Àcido Oleico 17%, Ácido Palmítico 16%, Ácido Linoleico 7%. O óleo de Germen de Trigo considera-se a fonte mais natural de Vitamina E. O seu conteúdo em Vitamina E varia entre 300-450 mg/100gr. Logicamente o elevado conteúdo em Vitamina E fundamenta a maior parte das propriedades do óleo.A Vitamina E era considerada a vitamina da fertilidade pelo que a sua ausência pode provocar diversas perturbações tanto na mulher como no homem.Mesmo assim devido às propriedades antioxidantes da vitamina E protege a gordura da pele da acção dos radicais livres. Tem também um conteúdo em provitamina A,Vitamina F,Lecitina e Estearina.O seu grande conteúdo em substâncias biologicamente activas deve-se à sua origem embrionária. Devido ao seu alto conteúdo em ácidos gordos essenciais e em Vitamina E é um suplemento nutricional, muito importante, na sua dieta diária devido à sua marcada acção como antioxidante celular com uma acção anti- radicais livres, que causam envelhecimento prematuro. O Óleo de Germen de Trigo suvizará a pele hidratando-a e dando-lhe maior eleasticidade, fazendo também a prevenção da formação de estrias. É muito recomendável em peles oleosas, com pontos negros e cútis, com as chamadas manchas de idade. Do mesmo modo, pelas suas propriedades humectantes, nutre e dá vigor ao cabelo, uma vez que combate a caspa. MODO DE EMPREGO: Guardar num local seco, fresco e ausente de luz. Guardar no frigorífico depois de aberto. INGREDIENTES: Óleo de germen de trigo 100% puro. VALORES NUTRICIONAIS Valor energético: 900Kcal/100gr (3762Kj/100gr) Proteínas: 0% Glúcidos: 0% Gorduras: 100% 2. IMPORTÂNCIA DO ARMAZENAMENTO SOBRE AS PROPRIEDADES DAS FARINHAS DE TRIGO 2.1. ASSOCIAÇÃO ENTRE FUNGOS E INSETOS NO ARMAZENAMENTO DE SEMENTES DE TRIGO. 2.1.1. Incidência de pragas nas sementes armazenadas O armazenamento de sementes de trigo deve ser conduzido de maneira extremamente cuidadosa, para possibilitar a preservação da qualidade, minimizando o Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 20 processo de deterioração das sementes, causada pelo ataque de insetos.No Brasil, as perdas de grãos podem variar entre 0,2 e 30 % da produção total, em função das condições precárias de armazenamento no meio rural e de condições climáticas favoráveis ao crescimento da população de pragas. As principais pragas de armazenamento de sementes e da farinha de trigo, de acordo com PUZZI (1986), são: Plodia interpunctella (traça da farinha), Rhyzopertha dominica (besouro), Sitophilus granarius (gorgulho do trigo), Sitophilus oryzae (gorgulho do trigo), Sitophilus spp. (gorgulho), Sitotroga cerealella (traça dos cereais) e Tribolium castaneum (besouro castanho). Nota: As fotos de cada inseto estão no capítulo: ESTOCAGEM O TRIGO – no MÓDULO I – pág. 27 e 28. Estes insetos são vistos como parte de um ecossistema único, pois as diferentes espécies estão associadas a nichos ecológicos, nos quais, tanto as sementes sadias quanto o material quebrado e infectado por fungos podem ser o substrato para desenvolvimento e multiplicação dos insetos. A capacidade de atacar grãos inteiros e sadios caracteriza os insetos primários; são considerados secundários aqueles que são capazes de infestar apenas sementes quebradas e farinha. Dentre os insetos primários, destacam-se aqueles da ordem Coleoptera e Lepidoptera, sendo a temperatura e a umidade do ar condicionantes da severidade dos danos. Os Sitophilus spp., da Ordem Coleóptera, apresentam grande importância econômica devido à alta agressividade; porém, também foi observado que estes insetos apresentam aparatos bucais especializados em se alimentar de sementes inteiras e sadias e não conseguem se multiplicar em sementes trituradas ou em farinha. Estes gorgulhos ovipositam dentro das sementes, onde suas larvas ápodes completam o desenvolvimento. A oviposição não ocorre em sementes trituradas e mesmo quando os ovos são postos, o desenvolvimento da larva é prejudicado. O S. oryzae é atraído por substâncias voláteis, características de grãos frescos de trigo (valeraldeído, maltol e vanilina). Este comportamento reflete seu nicho ecológico de atuação. Raramente, insetos como gorgulhos ou traças são ativos em sementes com teores de água inferiores a 8% e temperaturas entre 18 e 20 ºC. O desenvolvimento e crescimento desses insetos são favorecidos em sementes com teores de água entre 12 a 15% e temperaturas entre 23 e 35ºC. No entanto, tais pragas estão adaptadas a uma dieta a base de material vegetal seco e muitas delas possuem características especiais que lhes permitem a sobrevivência em condições de baixa disponibilidade de água. No entanto, temperaturas baixas provocam desenvolvimento lento após a oviposição e grande redução das taxas de desenvolvimento e crescimento dos insetos. Ao armazenar sementes de trigo com teores de água de 11,2 a 13,7% a temperaturas de 15 a 35ºC, durante 10 meses. Observou-se que o Sitophilus oryzae não sobreviveu nas sementes armazenadas a 15°C, sendo que a 20°C, sobreviveu apenas nas sementes com teor de água de 13,7%. Nas sementes com teor de água de 11,2%, a progênie foi considerável apenas na temperatura de 35ºC e no décimo mês. A progênie desenvolvida nas sementes que apresentavam teor de água de 13,7% foi no mínimo 4 vezes maior do que nas sementes com teor de água de 12,1%. Nas sementes com teor de água de 13,7%, armazenadas a 25, 30 e 35ºC a progênie atingiu os valores máximos após o sexto mês, variando entre 430 e 633 insetos nesses tratamentos, até o décimo mês. Estudando o desenvolvimento da progênie de Rhizopertha dominica em sementes, com teor de água de 13%, também observaramque os fatores ambientais influenciaram o desenvolvimento da progênie. Demorou 17 dias a mais para a emergência de 50% da progênie a 27ºC em comparação com 34ºC. Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 21 Na Índia, investigaram o efeito de diferentes níveis de infestação inicial de Sitophilus oryzae sobre danos em grãos de trigo armazenados e constataram que os danos causados nos grãos e a perda de viabilidade das sementes aumentaram significativamente com o aumento do nível de infestação e período de armazenamento. A dureza do grão pode influenciar fortemente a habilidade de Sitophilus oryzae em se reproduzir no trigo armazenado. Por isso, sementes de culturas diferentes apresentam diferentes níveis de resistência a insetos de armazenamento. As culturas mais suscetíveis ao ataque de Sitophilus oryzae são os que apresentam menores valores para características que indicam dureza da semente. Também foi observada uma correlação direta entre infestação por Sitophilus oryzae e a presença de ácido úrico e ácidos graxos livres nas sementes. Por outro lado, a dureza da semente não influenciou significativamente a taxa de multiplicação de gorgulhos, principalmente a do S. granarius. 2.1.2. Controle químico das pragas no armazenamento das sementes O expurgo é uma prática bastante difundida no Brasil para eliminar focos de infestação de pragas já existentes em grãos e sementes armazenadas de diversas espécies de cereais, leguminosas e gramíneas forrageiras. Atualmente, a fosfina (ALPH3), com o nome comercial de Gastoxin, é o fumigante mais empregado, devido à sua eficiência, facilidade de aplicação e disponibilidade no mercado. Também já é amplamente conhecido que a fosfina não prejudica a germinação das sementes. Já foi constatado que três expurgos com fosfina, em intervalos mensais, na dosagem de 10 comprimidos de gastoxin por metro (o dobro da dosagem recomendada), não prejudicaram o poder germinativo de sementes de três cultivares de sorgo e duas de milho. O vigor, avaliado pelos testes de envelhecimento artificial e índice de velocidade de emergência, também não foi prejudicado. A ação da fosfina pode ser mais efetiva pela elevação da dosagem e do período de exposição; porém, a variação na eficiência do tratamento está associada ao local de origem do foco de infestação, refletindo uma característica de resistência da praga, foi necessário aumentar as dosagens de fosfina de 1g para 2g/ 20 sacos e o período de exposição de 72 horas para 96 horas para controlar o gorgulho (Sitophilus ssp.) em sementes de milho, em face da eficiência limitada da fosfina no controle das formas imaturas do gorgulho. Devido ao expurgo com fosfina não ser capaz de proteger as sementes contra novas infestações, o método mais utilizado para o controle de pragas em sementes e grãos armazenados é o controle preventivo com inseticidas, por não ser caro, possuir ação rápida e apresentar persistência aceitável. Diversos inseticidas de contato são empregados na proteção de sementes e de grãos armazenados. Os inseticidas, que devem atender a critérios de eficiência e segurança, são efetivos durante meses ou anos. Entretanto, problemas como de população de pragas resistente aos inseticidas e a degradação dos mesmos, também devem preocupar a pesquisa sobre proteção de sementes armazenadas, pois as comunidades de artrópodes podem se estabelecer gradativamente nos grãos armazenados, à medida que os resíduos decrescem e as pragas invadem os grãos. Fatores que afetam a degradação do inseticida, após a aplicação em sementes de cereais, incluem temperatura, conteúdo de água da semente, tipo de inseticida e formulação, além de propriedades físicas e fisiológicas das sementes e da atividade de fungos. Em 1988 observou que os inseticidas organofosforados clorpirifós metil, pirimifós metil e malathion não sofreram degradação durante oito meses, tanto em sementes de trigo recém-colhidas quanto em envelhecidas (com 2anos) e armazenadas nas condições do Canadá, em temperaturas que flutuaram entre –15ºC e 27ºC. Apenas após 10 a 12 meses, quando as temperaturas do ambiente foram mais elevadas, o decréscimo de resíduos dos inseticidas foi refletido pelo decréscimo na Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 22 mortalidade dos insetos Tribolium castaneum. À medida que os inseticidas foram perdendo o efeito, a quantidade de insetos desorientados passou a ser superior à mortalidade. Por outro lado, também pode-se observar que o inseticida clorpirifós metil perdeu o poder residual em sementes de trigo armazenadas por 10 meses, desde os primeiros meses, formando uma curva assintótica. A degradação dos resíduos também foi maior à medida que se aumentou a temperatura do ar de 15 para 35ºC e o teor de água das sementes de 11,2 para 13,7%. A progênie de S. oryzae e a porcentagem de sementes danificadas pelos insetos se correlacionaram positivamente com a sobrevivência dos insetos e negativamente com os níveis de resíduo. Em sementes de trigo, com teores de água entre 12,2 e 15,1%, tratadas com clorpirifós metil e armazenadas por 18 meses em temperaturas que flutuaram entre –20ºC e 30ºC, no Canadá. O inseticida se degradou com o tempo, mas ofereceu controle efetivo de Tribolium castaneum (>90%) por 10 meses, na dosagem de 4,6ppm. A germinação das sementes não foi afetada pelo inseticida. Considerando a qualidade fisiológica das sementes de trigo tratadas com diversos inseticidas e estudando a eficácia residual de cinco inseticidas: Deltametrina (3ppm), Fluvinate (10ppm), Clorpirifós metil (30ppm), Etrimfós (10ppm) e Malathion (40ppm), como protetores na semente de trigo contra S. oryzae13 e S. granarium, constatou-se que nenhum deles afetou a germinação das sementes durante o armazenamento. Porém, ao avaliar os efeitos do período de armazenamento e do tratamento de sementes de diferentes cultivares de trigo com diferentes inseticidas (Aldrin 30EC, Endosulfan 35EC, Formothion 20EC e Clorpirifós 20EC) e constatou-se que dependendo do cultivar e do inseticida, a viabilidade e o vigor das sementes foram afetados. Formothion 20CE afetou todos os parâmetros de viabilidade e vigor para a maioria dos cultivares e Endosulfan forneceu resultados semelhantes à testemunha. O tratamento com Malathion (8ppm) proporcionou o controle efetivo de raças resistentes de T. Castaneum em sementes de trigo; porém, favoreceu o crescimento do fungo Aspergillus glaucus, que pode ter metabolizado o inseticida e o utilizado como fonte de fósforo e carbono. Nas sementes não tratadas, a presença de insetos pode ter inibido o crescimento dos fungos. O inseticida fenitrothion (Fenitrothion 500CE) é especialmente formulado para o tratamento de sementes. Após dois dias do tratamento de sementes de trigo com fenitrothion, na concentração de 2ppm, a mortalidade Sitophilus oryzae foi completa. Este produto, na concentração de 8ppm, permaneceu tóxico aos insetos durante 6 meses e não afetou os valores de germinação das sementes. Na dosagem de 15ml/t, o fenitrothion (Fenitrothion 500CE) também se mostrou eficiente no controle S. oryzae, até 60 dias após a aplicação, em trigo acondicionado em sacos de ráfia e armazenado à temperatura de 25ºC. Já a eficiência do tratamento de sementes de trigo, que apresentavam teores de água de 10, 12 ou 14%, com fenitrothion, no controle de Sitophilus oryzae durante quatro meses. Verificaram também que o recipiente (de madeira,de cimento, latas ou sacos de juta), em que foram acondicionadas as sementes, interferiu na velocidade de degradação do inseticida. A degradação foi mais rápida nas sementes com teores de água de 12 e 14%, acondicionadas em sacos de juta ou em caixas de cimento. 2.1.3 Incidência de fungos nas sementes armazenadas Vários patógenos podem estar associados às sementes de trigo, sendo a maioria deles de origem fúngica, a presença de fungos pode reduzir a capacidade germinativa de um lote de sementes, além de causar problemas na interpretação dos resultados dos testes de germinação, conduzidos em condições de laboratório. Dentre os fungos mais importantes, merecem destaque os gêneros Alternaria, Bipolaris, Drechslera, Fusarium, Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 23 Pyricularia, Septoria, Tilletia e Ustilago, que invadem as sementes ainda no campo, e necessitam para o seu crescimento de umidade relativa em torno de 90 a 95% que, representa um teor de água de 25% nas sementes amilácias, como as de trigo. Quando há redução neste teor de água, ocorre paralisação no desenvolvimento desses fungos e não ocorrem novas invasões. A sobrevivência dos fungos de campo nas sementes depende da habilidade em se manterem viáveis nas condições de temperatura e umidade relativa do armazém, do grau de infecção e do teor de água das sementes. Por outro lado, os fungos do gênero Aspergillus e Penicillium estão presentes nas sementes recém-colhidas, em porcentagens muito baixas e são capazes de sobreviver em ambientes com baixa umidade, proliferando-se em sucessão aos fungos de campo e causando a deterioração das sementes, culminando com a perda da viabilidade e do valor comercial das sementes. Os fungos de campo predominaram inicialmente em 13,5 t de sementes de trigo que foram armazenadas por cinco anos a granel, com teor de água inicial de 13,5%. A temperatura do ambiente variou entre –15ºC e 30ºC, neste período. Depois de dois anos, surgiu uma zona quente de 49ºC, resultando na redução imediata de Alternaria alternata e no aumento dos fungos de armazenamento, primeiro Penicillium, seguido por uma sucessão de Aspergillus. A incidência desses fungos também declinou, de forma que depois de 5 anos o fungo predominante foi o saprófito Chaetomim dolichotrichum. Há uma correlação positiva entre a infecção de A. alternata e viabilidade das sementes; porém, durante 4 anos a incidência deste fungo decresceu de 91 para 1% e a germinação continuou elevada na superfície da massa de grãos. O decréscimo na germinação ocorreu após cinco anos, coincidente com aumento no teor de água para 14,5% e acréscimos na incidência de fungos de armazenamento. Embora os fungos de armazenamento se caracterizem por crescerem sem água livre costumam apresentar maior incidência em sementes colhidas em anos mais úmidos. Além disso, estes fungos não crescem em sementes com teores de água em equilíbrio com umidades relativas do ar inferiores a 68%; portanto, não podem ser responsabilizados pela deterioração. Penicillium spp. não são tão comuns como as espécies de Aspergillus; mas são encontrados às vezes em sementes de cereais, particularmente em lotes com teor de água superior a 16% e armazenados a temperaturas relativamente baixas. O crescimento de fungos é visível em sementes armazenadas com teor de água de 19 % a temperaturas entre 20 e 35ºC, apenas após a germinação das sementes ter caído abaixo de 90%. Por outro lado, raramente há crescimento de fungos em sementes armazenadas a 10 ou 15ºC, mesmo após a porcentagem de germinação ter decrescido para 70 %. Sob condições favoráveis ao crescimento, estes fungos diferem quanto à habilidade de invadir e deteriorar sementes. Por exemplo, durante os primeiros dias do armazenamento de sementes de trigo com teor de água de 19 %, os níveis de infecção de Aspergillus glaucus e A. flavus foram elevados a 35 ºC, de A. candidus a 30 e 25ºC e de A. candidus e de Penicillium spp a 20ºC. Em períodos posteriores do armazenamento, o nível de infecçãode A. glaucus permaneceu elevado a 35ºC, de .A. candidus a 30 e 20ºC e de A. candidus e de A. glaucus a 25ºC. Na literatura há diversos trabalhos que explicam o envolvimento destes fungos no processo de deterioração das sementes de trigo. Aspergillus spp. e Penicillium spp. ocorrem de forma generalizada em todas as partes do mundo, contaminando grãos e sementes, invadindo preferencialmente o embrião e, consequentemente, reduzindo o potencial de germinação da semente. Experimentalmente, sementes de trigo inoculadas com diferentes isolados de Aspergillus (A. ruber, A. chevaliere e A. restrictus) resultaram em altíssima redução de germinação, que inicialmente era de 97% de germinação foi reduzida em 25% por todos os isolados e 50% dos embriões foram invadidos, se tornaram escurecidos e adquiriram consistência gelatinosa, Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 24 Além da redução da germinação, estes fungos também causaram a redução no crescimento das plântulas, provavelmente devido à produção de substâncias tóxicas. Os fungos testados também foram capazes de produzir amilase extracelular, de forma que as sementes perderam quantidades consideráveis de carboidratos, que foram degradados pela atividade metabólica dos fungos e utilizados para crescimento e desenvolvimento destes. O aumento de quitina, verificado após 15 dias da incubação, revelou invasão e crescimento dos fungos no interior das sementes. O fungo que mais cresceu, A flavus, também foi o que produziu maior teor de quitina. Aspergillus glaucus é capaz de deteriorar o sistema de membranas de sementes de trigo, alterando sua permeabilidade. Os fosfolipídios são os principais constituintes da membrana plasmática e à medida que aumenta o nível de infecção pelos fungos de armazenamento, aumenta o teor de ácidos graxos livres, resultante da degradação de lipídios por estes fungos. 3. BOLORES NO ARMAZEMANTO DA FARINHA DE TRIGO Fonte: Espécies Aspergillus spp., Penicillium spp. e Fusarium spp. Durante muito tempo os fungos foram considerados vegetais. A partir de 1960 passaram a ser classificados como reino à parte - Fungi. Os fungos são seres vivos eucarióticos unicelulares como as leveduras, ou pluricelulares como os fungos filamentosos ou bolores e os cogumelos. Os fungos não sintetizam clorofila nem qualquer pigmento fotossintético. Os esporos dos fungos são abundantes e amplamente encontrados na natureza, germinam rapidamente no solo, em plantas, em alimentos, em papel e até em vidros. Os alimentos armazenados representam excelente campo para a proliferação dos fungos, principalmente quando os princípios básicos de secagem adequada e armazenamento correto são desconhecidos ou desprezados. Aspergillus é um gênero de fungos que apresenta coloração branca amarelada com formação de pedúnculos e uma ponta colorida. As substâncias denominadas aflatoxinas são produzidas por espécies de fungos, essencialmente por Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus. O gênero Aspergillus pertence ao grupo dos Hyphomycetos que se caracteriza pela formação de conidióforos, ou seja, hifas especializadas e produtoras de conídios com formas e arquitetura variáveis. A contaminação e a deterioração dos alimentos causadas por fungos são mais comuns que as originadas por qualquer outro grupo de microrganismos. A contaminação por fungos é importante não apenas sob o ponto de vista sensorial, mas também pelo perigo que a produção de micotoxinas representa para o consumidor. Os fungos podem promover prejuízos significativos aos alimentos. Quando presentes em sementes ocasionam perda do poder germinativo. Podem, ainda, alterar as condições físicas dos produtos, reduzir o valor nutritivo, alterar o aspecto externo, produzir aflatoxinas e favorecer a ação de outros agentes de deterioração, como leveduras, bactérias e insetos. Os trópicos estão situados na parte do globo entre as latitudes de aproximadamente 23º norte e 23º sul. Nem todas as áreas compreendidas nessa faixa são quentes e úmidas, mas em sua maioria as condições atmosféricas são muito favoráveis (70 a 100% de umidade e mais de 25 ºC) para rápida proliferação dos fungos. A pesquisa de aflatoxina teve início em 1960, na Inglaterra, quando ocorreu intoxicação de aves tratadas com rações à base de amendoim provenientes do Brasil e da África. Tal fato ficou conhecido como “Doença X” e, na época, causou Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 25 a morte de milhares de animais. A aflatoxina tem recebido grande atenção em comparação com as demais micotoxinas, devido aos efeitos carcinogênicos que podem provocar em animais e o efeito agudo tóxico em seres humanos. As aflatoxinas representam o grupo de micotoxinas com mais resultados positivos em alimentos já relatados. Em termos de maior e menor susceptibilidade, a contaminação dos alimentos por fungos, tendo em vista sua natureza, composição e uso, ocorre na seguinte ordem: cereais, subprodutos de cereais (essencialmente o trigo), subprodutos de matadouros de aves, farinhas de alfafa, mandioca, soja integral, girassol integral, algodão, farinha de soja, farinha de girassol, glúten de arroz e outros, além de produtos submetidos a peletização. O objetivo geral desta revisão consistiu em levantar dados sobre as condições de crescimento dos fungos toxigênicos A. flavus e A.parasiticus em alimentos e sua importância em saúde pública. 3.1. FATORES IMPORTANTES PARA A MULTIPLICAÇÃO DE FUNGOS E PRODUÇÃO DE MICOTOXINAS Os principais fatores que determinam a deterioração dos alimentos são a atividade de água, a concentração hidrogeniônica, a temperatura (processamento e estocagem), o potencial de oxirredução, a consistência, os nutrientes, o efeito específico do soluto e os preservativos. 3.1.1. ATIVIDADE DE ÁGUA A produção de aflatoxina resulta da tripla combinação de espécie fúngica, do substrato e do meio ambiente. Os fatores que afetam a produção de aflatoxina podem ser divididos em 3 categorias, ou seja, física, nutricional e biológica. A atividade de água requerida para o crescimento do A. flavus é de 0,80 a >0,99 (ótimo 0,98). Para a produção da aflatoxina os valores são de 0,82 a >0,99 e a atividade de água considerada mais favorável é de 0,95 a 0,99. A umidade relativa de equilíbrio corresponde à umidade de que dispõem os microrganismos, uma vez alcançados o equilíbrio entre a umidade livre do produto e o vapor de água existente no meio ambiente. A umidade relativa de equilíbrio é expressa em porcentagem e varia de alimento para alimento, pois depende de sua composição em glicídios e gorduras. De forma geral, a umidade relativa de equilíbrio refere-se à atmosfera em equilíbrio com o produto e a atividade de água do próprio produto. Foi avaliado o crescimento de A. flavus, A. parasiticus e A. nomius, em temperaturas de 25, 30 e 37 ºC e diferentes atividades de água (entre 0,75 a 0,996). Foram utilizadas glicose e frutose para o controle da atividade de água no meio, sendo que a relação atividade de água entre as espécies mostrou-se similar. O mínimo de atividade de água para germinação e crescimento das espécies estudadas foi de 0,82 a 25 ºC, 0,81 a 30 ºC e 0,80 a 37 ºC. O Aspergillus nomius foi ligeiramente menos xerofílico que as demais espécies. A umidade do substrato e a umidade relativa constituem pontos críticos na produção da aflatoxina. A produção máxima de aflatoxina, em grão de cereal, ocorre em umidade de 25% a 30 ºC. A umidade relativa mínima exigida é de 83 a 88%. Tais autores observaram,também, aumento na produção de aflatoxina com o acréscimo da umidade relativa para 99%. A influência da atividade de água foi analisada em amendoim, variedade ”Tatu vermelho“, quanto ao crescimento de fungos e à produção de aflatoxina. Observou-se que nos primeiros 15 dias em atividade de água de 0,75 a 0,86 o crescimento do fungo foi lento, sendo mantido o mesmo nível durante 60 dias, em todas as atividades de água testadas (0,75; 0,83; 0,86; 0,93 e 0,97). A produção ótima de aflatoxina ocorreu em atividade de água de 0,93 e, em 0,86 não houve formação de aflatoxina por 120 dias. Amostras de trigo com microbiota fúngica natural ou amostra estéril inoculada com uma espécie de fungo ou misto de fungos (A. flavus, A. niger, P. purpurogenum e F. moniliforme) foram estocadas em diferentes concentrações Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 26 de umidade. O tempo inicial para moldagem da população fúngica e a produção de aflatoxina B1 foram avaliados. A população fúngica do arroz naturalmente contaminado e com umidade de 13% diminuiu significativamente durante a estocagem. Com 17 e 20% de umidade ocorreu aumento, atingindo o máximo de log107 (UFCg-1). As amostras com umidade maior ou igual a 20% apresentaram níveis elevados (>20 ppb) de aflatoxina B1. A síntese de aflatoxina em umidade de 25% aumentou a incorporação de maior quantidade de inóculo de A. flavus, não ocorrendo o mesmo quando da utilização de miscelânea de fungos. O inóculo de A. flavus e P. purpurogenum apresentou baixa produção de aflatoxina e a síntese máxima ocorreu apenas mediante o inóculo de A. flavus. 3.1.2.TEMPERATURA Em alimentos refrigerados e não-refrigerados, estocados em residências, foi observado que a microbiota fúngica era representada por Penicillium (49%) e por Aspergillus (38%). Destes, 10,7% foram capazes de produzir micotoxinas, incluindo aflatoxinas, ocratoxina A e patulina. Verificou-se, ainda, que a produção de aflatoxina foi mais comum nos alimentos não-refrigerados. A temperatura ótima para a produção de aflatoxina é influenciada pelo tipo de substrato. No amendoim, em solução nutriente, a temperatura ótima para a produção de aflatoxina por Aspergillus flavus foi 25 ºC, em período de incubação de 7 a 9 dias. Elevados índices de aflatoxina foram produzidos em amendoim a 25 e 30 ºC, durante 7 e 15 dias de incubação, ocorrendo o mesmo no meio líquido. A produção de aflatoxina por Aspegillus parasiticus atingiu maior nível nas temperaturas de 20, 25 e 30 ºC, no período de 5 a 21 dias. Os níveis mais elevados foram observados aos 25 e 30 ºC, com 7 e 15 dias de incubação. A temperatura ótima para a produção de aflatoxina em arroz foi de 28 ºC, não sendo detectada a toxina em temperatura abaixo de 8 ºC ou a partir de 37 ºC. A temperatura ótima para a produção de aflatoxina geralmente encontra-se entre 25 a 28 ºC (13). Ao avaliar o crescimento de uma cepa de Aspergillus produtora de aflatoxina, na temperatura de 8 ºC, durante 504 horas e não observaram crescimento durante este período. De acordo com o ICMSF os limites de crescimento do Aspergillus flavus variam de 10 a 43 ºC e a temperatura considerada ótima é de 33 ºC. A temperatura para a produção de aflatoxina é de 13 a 37 ºC, tendo como ótimo temperaturas entre 16 a 31 ºC. Para o Aspergillus parasiticus a temperatura varia de 12 a 42 ºC, tendo como temperatura mais favorável 32 ºC. Já a produção da aflatoxina ocorre entre 12 a 42 ºC e a temperatura considerada ótima é de 25 ºC. A produção de aflatoxina foi analisada em várias temperaturas pelo período de 5 dias em meio Wort. A produção máxima de aflatoxina foi observada a 24 ºC e o crescimento máximo do A. flavus ocorreu nas temperaturas de 29 e 35 ºC. Durante 5 dias não houve produção de aflatoxina em temperatura abaixo de 18 ºC e acima de 35 ºC (36). O efeito do congelamento em amostras naturalmente contaminadas com AFM1 e armazenadas a -18 ºC apresentou baixa degradação e o processo ocorreu lentamente. Os resultados demonstraram que aos 53 dias não houve redução, sendo verificada pequena variação aos 68 dias. Aos 120 dias houve perda de 45% da AFM1. A influência da temperatura e da atividade de água foi avaliada quanto à produção de aflatoxina por A. flavus em feijão cowpea, farinha e farinha com cebola. Temperaturas de 21 e 30 ºC produziram elevada quantidade de aflatoxina, sendo a maior quantidade obtida em farinha contendo cebola, com atividade de água de 0,98 e incubação a 21 ºC, após 20 dias. Amostras de farinhas de trigo inoculadas com cepas de A. flavus toxigênico foram incubadas a 15 ºC, 25 ºC e 40 ºC em umidade relativa (UR) entre 61% e 99%, pelo período de 10, 20 e 30 dias. A melhor produção de aflatoxina foi obtida a 25 ºC, em UR de 85% e 98%, após 10 dias da incubação. Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 27 Pouca diferença foi encontrada no nível de infecção total aos 60 dias de armazenamento, exceto para a espécie A. glaucus, a qual predominou em relação às demais. Aumento gradual na infecção fúngica ocorreu durante os 30 dias de estocagem. Houve variação no crescimento dos fungos nos diferentes recipientes. A capacidade dos fungos toxigênicos invadirem as sacarias foi determinada usando inóculos, os quais incluíam as espécies A. flavus, P. martensi e P. viridicatum. No entanto, nenhuma espécie inoculada afetou as amostras durante a estocagem. 3.1.3. POTENCIAL HIDROGENIÔNICO O efeito do pH depende da composição do meio. Assim, o pH inicial ótimo para a produção da aflatoxina será determinado pelo meio que será empregado para o crescimento do fungo. Ainda em relação ao potencial hidrogeniônico (pH), maior produção de aflatoxina foi observada em pH entre 4 e 6 (14). Sabe-se que pH menor que 6 favorece a produção da AFB1 e AFB2 e pH maior que 6, a produção de AFG1 e AFG2. O pH ótimo para o desenvolvimento de A. flavus e A. parasiticus situa-se entre 5 e 8, mas os mesmos podem crescer em ampla faixa de pH (2 a >11). O pH para produção de aflatoxina por A. parasiticus varia de 2 a >8, sendo 6 o pH mais favorável. 3.1.4 POTENCIAL DE OXIRREDUÇÃO O grau de oxigenação assume importante papel no crescimento dos fungos e na produção da aflatoxina, pois ambos são processos aeróbicos. A produção de aflatoxina é inibida mediante aumento gradual da concentração de dióxido de carbono de 20 para 100%. O crescimento de fungos e a produção de aflatoxinas são inibidos em concentração de CO2 de 40 a 60%, a 25 ºC e 86% de UR. Em concentração de 20% de CO2 ocorre o crescimento do fungo, porém não há formação da micotoxina. Em concentrações de 100% de CO2 ocorre total inibição do crescimento do fungo, bem como da formação da micotoxina. Amendoim comestível foi submetido a aquecimento de 210 ºC em fluxo contínuo de N2, CO2 e O2 a 1,3 L/min, assim como amostra controle sem aeração, durante 0, 10, 18 e 25 minutos. Foi observado que significância maior ou menor em relação à mudança de cor ocorreu em atmosfera de O2 e CO2, respectivamente. Melhor sabor apresentou o amendoim assado por 18 minutos em atmosfera de N2 e CO2. A redução total dos conteúdos de -amino nitrogênio, glicose, sacarose, conarachin e atividade lipoxigenase dependeu da extensão do tratamento térmico. O crescimento de A. flavus, a produção de aflatoxina e de ácidos graxos livres foram avaliados pela presença de dióxido de carbono em combinação com umidade relativa e temperatura. O fungo desenvolveu-se nas seguintes condições: umidade 86%, CO2 - 20% e temperatura 27 ºCe/ou umidade 60%, CO2 - 40% e temperatura de 25 ºC, mas a produção de aflatoxina e ácidos graxos livres foi inibida. Foi observado, ainda, que os níveis de aflatoxinas e ácidos graxos livres diminuíram com a redução da umidade relativa de 99% para 92% e 86%. O requerimento de oxigênio e as condições antioxidantes de cepas de A. parasiticus toxigênicos e não-toxigênicos para a produção de aflatoxinas foram avaliados. As exigências de oxigênio das cepas não-toxigênicas permaneceram praticamente inalteradas durante as várias fases de crescimento. As cepas toxigênicas apresentaram acentuada demanda de oxigênio na fase relativa à produção de aflatoxina. 3.1.5 COMPOSIÇÃO DO SUBSTRATO O meio de cultura Aspergillus Diferencial (ADM) para rápida detecção das espécies aflatoxigênicas de Aspergillus flavus e A. parasiticus foi descrito por BOTHAST e FENNELL. O componente essencial deste meio é o citrato férrico, o qual promove intensa coloração amarelo-laranja na parte inversa da colônia. Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 28 O experimento realizado por PITT et al. demonstrou que, no meio ADM, dois compostos foram essenciais para produção da cor (importante fator na identificação do fungo): nitrogênio orgânico e íons férricos. A fonte de íons férricos utilizada foi o citrato férrico amoniacal a 0,05% e a de nitrogênio orgânico, o extrato de levedura. Extrato de levedura usado como fonte de nitrogênio orgânico mostrou-se mais efetivo na produção da cor do fungo que a triptona. No entanto, a triptona pode substituir a peptona bacteriológica, pois apresenta menor custo e eficiência idêntica à da peptona. O teor de proteína e de carboidrato constitui importante fator na produção de fungos e micotoxinas. O A. parasiticus, mediante elevado teor de proteínas e baixo teor de carboidratos, não produz altos níveis de aflatoxina, embora possa ocorrer extensiva produção de fungos e esporulados. Já o Aspergillus flavus, submetido a baixos teores de carboidratos, é capaz de produzir quantidade substancial de aflatoxina. Elevado rendimento na produção de aflatoxina por A. parasiticus, em meio extrato de levedura, aconteceu quando a sacarose foi usada como carboidrato. Moderada produção foi verificada diante dos carboidratos glicose, maltose e frutose. No entanto, a lactose foi incapaz de promover a formação da aflatoxina (9). A produção máxima de aflatoxina ocorreu no meio com 30% de glicose e o crescimento máximo em 10% de glicose. Para LUCHESE e HARRIGAN glicose e frutose são excelentes fontes de crescimento, esporulação e produção de aflatoxina, tanto para A. flavus quanto para A. parasiticus. O catabolismo dos carboidratos mostra-se valioso na regulação da síntese de aflatoxina. O Aspergillus no meio PMS (peptona, sal mineral) não produz aflatoxina, no entanto, pode-se observar síntese de aflatoxina ao transferi-lo para o meio GMS (glicose, sal mineral), ou ainda se o meio PMS for acrescido de glicose. A melhor fórmula para a rápida detecção de Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus é composta por extrato de levedura, 20 g; peptona bacteriológica, 10 g; citrato férrico amoniacal, 0,5 g; cloranfenicol, 0,1 g; dicloran - solução estoque (0,2% em etanol), 1 mL; ágar, 15 g; e água destilada, 1 L. Este meio, denominado Ágar A. flavus e parasiticus (AFPA), pode ser autoclavado e a incubação deve ocorrer a 30 ºC ± 1 ºC por 42h. A interação entre microrganismos demonstra que a presença de outros microrganismos, seja bactéria ou outro fungo, altera o crescimento de fungos e a produção de micotoxinas. Os fungos, como as bactérias, competem entre si por nutrientes disponíveis, fato que pode influenciar a produção de micotoxinas. Para AHREMED e HOBSON, em condições experimentais, os níveis de aflatoxina em extrato dependem da quantidade dos carboidratos glicose e frutose em solução. Os mesmos testaram extratos de 12 variedades de tamareira (Phoenix dactylifera L.) e observaram que todas as variedades foram capazes de propiciar o crescimento do micélio e a síntese de aflatoxina. Verificaram o crescimento de fungo toxigênico como A. parasiticus na superfície de extratos de frutas e afirmaram que pode ocorrer também a síntese de aflatoxina. 3.1.6 ADITIVOS Os efeitos de diferentes concentrações de ácido acético e propiônico, em meio extrato de levedura-glicose e sal, em pH 4,5 e 5,5 foram avaliadosquanto ao crescimento de Aspergillus flavus NRRL 2999 e à produção de aflatoxina. As concentrações máximas de ácido acético e ácido propiônico que permitiram crescimento em pH inicial de 5,5 foram 1%, após 7 dias de incubação, e 0,25% depois de 3 dias de incubação, respectivamente. No mesmo meio, com pH inicial de 4,5, as concentrações máximas de ácido acético ou propiônico que permitiram o crescimento do fungo foram 0,25% e 0,1%, respectivamente. Em relação à quantidade de micélio (peso seco) não houve diferença significativa (p>0,05) quanto às concentrações de 0,0%, 0,25%, 0,50% e 0,75% de ácido acético. A produção de aflatoxina B1 e G1 diminuiu com o aumento da concentração dos ácidos acético e propiônico (34). Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 29 O crescimento de Aspergillus flavus em meio líquido SMKY, com diferentes concentrações de cloreto de sódio e pH 4,5, mostrou que o aumento da salinidade exerceu efeito sobre o crescimento e pronunciado efeito inibitório em relação à produção de aflatoxina. PREVIDI avaliou o crescimento do Aspergillus flavus e a síntese de aflatoxina em meio contendo sacarose e meio extrato de carne, acrescidos de cloreto de sódio (de 0 a 12%) e incubação de 5, 15, 25 ºC. No meio de cultura com sacarose, a quantidade de aflatoxina produzida a 25 ºC foi significativa em todas as concentrações de sal. Na temperatura de 15 ºC houve crescimento do fungo em todas as concentrações de sal. A produção da aflatoxina ocorreu até 8% de sal, sendo a maior produção a 2%. Na temperatura de 5 ºC o fungo cresceu, no entanto, não houve produção de aflatoxina. No meio extrato de carne, a quantidade de aflatoxina a 25 ºC foi mil vezes menor que no meio com sacarose. A 15 ºC, tanto a redução do crescimento do fungo quanto à síntese da aflatoxina foram consideráveis. Na temperatura de 5 ºC não houve crescimento do fungo em nenhuma concentração salina. A utilização de sulfato de cálcio (CaSO4) em diferentes concentrações, como suplemento em uma plantação de amendoim foi avaliada. Depois da colheita, os amendoins foram inoculados com 1x 107 de A. parasiticus (NRRL5139) e as amostras mantidas a 25 ºC por 14 dias. A avaliação da biomassa do fungo e a produção da aflatoxina revelaram redução em ambas. É um dos fungos responsáveis pela produção de micotoxinas (aflatoxina) em grãos armazenados (grãos ardidos). As perdas qualitativas por grãos ardidos são motivos de desvalorização do produto e uma ameaça à saúde dos rebanhos e humana. Como padrão de qualidade tem-se, em algumas agroindústrias, a tolerância máxima de 6% para grãos ardidos em lotes comerciais de grãos. Danos: As micotoxinas em grãos armazenados podem ser produzidas a baixas temperaturas, significando que a produção de toxinas ocorre mesmo sob o efeito de choque térmico, como no caso de alternância das temperaturas, principalmente a diurna e a noturna. Controle: A prevenção contra a infecção dos grãos por fungos promotores de grãos ardidos deve levar em consideração um conjunto de medidas: a) utilizar cultivares mais resistentes aos fungos do gênero Aspergillus; b) realizar rotação de culturascom espécies de plantas não suscetíveis aos fungos do gênero Aspergillus; c) interromper o monocultivo; d) usar sementes de alta qualidade sanitária; e) evitar altas densidades de plantio; f) No caso do milho, utilizar cultivares com espigas decumbentes; g) evitar colher espigas atacadas por insetos e pássaros; h) não colher espigas de plantas acamadas; i) não retardar a colheita; j) realizar o enterrio de restos culturais de milho infectados com o fungo . A aplicação de fungicidas para tratamento de grãos deve ser realizada conforme orientação técnica. Penicillium spp - Fungo de armazenamento podridão de sementes e a grãos são causadas por patógenos de váiros gêneros, incluindo Penicillium. Este patógenos podem sobreviver no solo ou no interior das sementes e grãos, podendo causar problemas e intoxicações em seres humanos e animais. O gênero Penicillium ataca diversas culturas de importância econômica, como algodão, amendoim, arroz, café, cebola, cevada, citros, ervilha, feijão, milho, soja, sorgo e trigo Danos: Estes fungos provocam descolorações nas sementes, redução na germinação, perda da matéria seca, produção de micotoxinas e alteração do valor nutricional. Controle: Recomenda-se não deixar passar o prazo de colheita, e essa operação deve ser realizada assim que o teor de umidade dos grãos permitir. Os equipamentos de Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 30 colheita devem estar regulados de maneira a evitar danos mecânicos, e as instalações, silos e graneleiros devem ser sempre limpos. As impurezas, grãos danificados e finos e materiais estranhos devem ser removidos, e quando necessário submeter o produto à secagem para reduzir o teor de umidade a níveis que não permitam o desenvolvimento do fungo. A temperatura da massa dos grãos e a aeração devem ser monitoradas. Recomenda-se também a adoção de medidas para o controle de insetos e roedores, pois geralmente a proliferação dos fungos está associada ao ataque dessas pragas. Fusarium é um género de fungo que se apresenta como uma mancha branca, rente ao substrato, formando pontos aglomerados (de reprodução). Segundo Alexopolus et al, 1996; fazem parte da clase Pyrenomycetes. A forma anamórfica de Fusarium sp. pertence ao Reino Fungi, Divisão Deuteromycotina, classe dos Hyphomycetes, ordem Moniliales, família Tuberculariaceae. O gênero é representado por 1414 espécies, 348 variedades e 140 formae speciales descritas em literatura. (Index Fungorum, 2010). Mais de mil espécies foram descritas para o gênero, muitas delas indevidamente. Diversos sistemas de classificação foram propostos. Os mais usados são o de Booth, que reconhece 51 espécies distribuídas em 12 seções e o proposto por Snyder & Hansen, com 9 amplas espécies. Formae speciales constituem grupos dentro das espécies distinguíveis apenas pela especificidade de hospedeiros. (portal patologia de sementes, 2010). A identificação de espécies de Fusarium sp. é baseada na morfologia dos macro e microconidios, conidióforos, clamidosporos e na disposição dos conidios no conidióforo. Marcante é o fato das características morfológicas sofrerem influência do ambiente e das condições nutricionais do substrato. Especialistas no gênero utilizam meios de cultura e condições padronizadas para identificação. (Portal patologia de sementes, 2010). Foi relatada a presença das várias espécies de Fusarium sp. associadas a várias espécies de plantas, no Brasil, como: Abacate (persea sp. mill) , abacaxi (ananas comosus), alface (lactuga sativa), algodão (gossypium herbaceum l), alho (allium sativum), bananeira (musa paradisiaca l), angico (anadenathera peregrina speg), arroz (oryza sativa l), dendê (elaeis guineensis), manga (mangifera indica), milho (zea mays), quibo (hibiscus esculentus), uva (vitis vinifera l), trigo (triticum aestivum), soja (glycine max), ervilha (pisum sativum l),.(Mendes & Urben, 2010). O gênero Fusarium sp. Apresenta como sinonímias Fusarium spartinae Ellis & Everh., J. Mycol. 8(1): 14 (1902), Fusarium speiranthae Henn., Verh. bot. Ver. Prov. Brandenb. 40: 174 (1898) [1899], Fusarium sporotrichioides var. tricinctum (Corda) Raillo, Fungi of the Genus Fusarium: 197 (1950, Fusarium sporotrichiella var. tricinctum (Corda) Bilaĭ,: 87 (1953), Fusarium splendens Matuo & Takah. Kobay., Trans. Mycol. Soc. Japan 2(4): 13 (1960). (index fungorum, 2010) Algumas, mas não todas as espécies de Fusarium sp., produzem esporodóquios, são patógenos de humanos, insetos, plantas e são abundantes no ar e no solo. É fácil identificar os isolados do gênero devido à sua característica. No entanto a variabilidade enorme no tamanho dos conídios microconídios e macroconídios, torna difícil para a especiação. (Barnett & Hunter, 1998). Espécies de Fusarium sp. incluem importantes fitopatógenos, causadores de murchas, podridões, morte de plântulas, aborto de flores, podridões de armazenamento e outras doenças. De ocorrência cosmopolita, freqüentemente estão associados com sementes. Algumas espécies são produtoras de importantes micotoxinas (Portal patologia de sementes, 2010). A presença de insetos pode aumentar a infecção dos cereais por Fusarium sp. através dos seguintes mecanismos: comprometer a proteção externa dos grãos e os tecidos da planta, permitindo que as hifas do fungo penetrem e tenham acesso aos grãos divulgando os esporos do fungo nos grãos (JOUANY, 2007). Como a maioria dos cereais, as variedades locais de milho podem ser afetadas por fungos Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 31 e seus metabólitos secundários, as micotoxinas. Fusarium sp. é um dos principais fungos que afetam a cultura e é responsável pela produção da micotoxina zearalenona. (Edwards, 2004). A contaminação por fungos e suas micotoxinas podem causar uma espécie de problemas relacionados com a saúde, elas podem causar intoxicação em humanos e animais, que vão desde gastrenterite ao câncer,e a económia, tais como as perdas de produtos agrícolas, de baixa produtividade e morte de animais e à rejeição do produto pelo mercado consumidor (Diniz, 2002). Segundo Murillo Lobo Junior, (2008). Entre as principais mudanças tecnológicas que proporcionaram o aumento de produtividade do feijoeiro comum estão a disponibilização de novas cultivares, a semeadura direta, os plantios em safrinha, os novos insumos e os cultivos irrigados. As mudanças nos sistemas produtivos são aparentemente irreversíveis e, conforme os plantios foram intensificados, doenças de importância secundária adquiriram importância epidemiológica, como as podridões radiculares (Fusarium solani e Rhizoctonia solani) e o mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum). Este breve relato apresenta o panorama atual das doenças do feijoeiro comum causadas por patógenos habitantes do solo. O mal do panamá é a doença mais disseminada em todo o mundo e a mais destrutiva da bananeira. Após a infecção ela evolui até causar a morte da planta. Esta doença é causada pelo fungo Fusarium oxysporum Schlet.: Fr. Fusarium sp. cubense Snyder & Hans. (Albuquerque et al.,2003) A murcha ou gomose é causada pelo fungo Fusarium moliforme Sheld. var.subglutinans Wr.& Rg.(sinônimo: Fusarium subglutinans f. sp. annais) (Ventura et al., 1993), pertecente á classe dos Deuteromicetos, á ordem Moniliales e á familia Tuberculariaceae. A espécie apresenta microconideos em polifiálides, e não em cadeias. Os macroconídios são menores (Booth,1971). O fungo sobrevive no solo por mais de um ano, nos restos da cultura, e a forma mais comum dessa disseminação é por meio de mudascontaminadas (Kimati, 1980). A podridão-parda é causada por Penicillium e Fusarium sp.(Kimati, 1980) Segundo Urben, et al.,(2009), a murcha de Fusarium sp. ou Fusariose, é causada por: Fusarium oxysporium Fusarium sp.vasinfectum, tem o algodão como hospedeiro e os príncipais sintomas da doença são: Redução no crescimento e desenvolvimento, além da murcha das folhas e ramos. Os membros deste gênero Fusarium sp. Podem incidir diversas doenças em plantas, como já se foi citado e doenças em seres humanos. Segundo Vidotto, (2004) micetos do gênero Fusarium spp. são agentes comuns de ceratites, bem como possíveis agentes de infecção nas unhas (onimicose), das quais são isolados com certa frequência. As vezes estes são respónsaveis por graves oftalmias supurativas, de decurso em boa parte dos casos, dramaticamente rápido, com possivel perda de visão, em pouquissimos dias . As várias espécies de Fusarium sp. são consideradas patógenos emergentes na espécie humana. (Vidotto, 2004). Segundo laboratórios teuto (2010) O fungo Fusarium sp. Não é utilizado na indústria farmacêutica. Recentemente, várias técnicas analíticas envolvendo fisiologia e compatibilidade vegetativa têm sido utilizadas para estudar a taxonomia, filogenia e as relações patogênicas entre espécies de Fusarium sp. (Rosalee et. al., 1999). Em genética, os testes de compatibilidade vegetativa têm sido úteis para a caracterização da diversidade entre isolados, podendo diferenciar populações patogênicas e não-patogênicas (Rosalee et. al., 1999). A obtenção de mutantes que não utilizam nitrato é utilizada para demonstrar a formação de heterocariose entre isolados compatíveis, sendo utilizada para caracterização da diversidade genética entre isolados de Fusarium sp. Puhalla (1985) modificou um método desenvolvido por Cove (1976) para testar compatibilidade vegetativa em Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 32 Fusarium oxysporum (Schl.) Snyder & Hansen utilizando mutantes que não usam nitrato (nit-). Estes estudos demonstraram que pode haver uma correlação entre a compatibilidade vegetativa (VCG) e as formae speciales. Esta compatibilidade vegetativa é mediada por múltiplos loci de incompatibilidade denominados de genes vic ou het (Leslie, 1993). Quando dois isolados de um fungo são vegetativamente compatíveis, suas hifas podem fazer contato, fusão e formação de heterocariose que, em muitos casos, ocorre quando alelos idênticos existem em cada locus vic ou het (Anagnostakis, 1982). A heterocariose ou sua reação contrária de incompatibilidade já foi observada em muitos fungos (Puhalla et. al., 1985; Leslie, 1993) incluindo Fusarium oxysporum (Puhalla, 1985; Elmer & Stephens, 1986) onde a fase sexual não é conhecida e a troca de material genético se dá através de mecanismos parassexuais. Cladosporium é um género de fungo que se apresenta como manchas escuras, de cor marrom ou preta, tem aspecto aveludado e pode formar ramificações semelhantes à “arvorezinhas”. identificador: Cladosporium Sinonímia Mycosphaerella tassiana (de Not.) Johanson [Teleomorfo] Mycosphaerella tulasnei (Jacz.) Lindau Mycosphaerella schoenoprasi Cladosporium graminum Cladosporium cladosporioides (Fresen.) de Vries Cladosporium herbarum Fr. [Anamorfo] HOSPEDEIROS trigo, arroz, soja, algodão, feijão, milho, sorgo, cenoura, tomate, girassol, azevém, ervilha e cebola. OUTROS HOSPEDEIROS C. herbarum é considerado como patógeno, especialmente em pós-colheita, de Capsicum, Brassica, Cajanus, Citrus, Curcuma, Mangifera, Oryza, Persea, Phoenix, Prunus, Psidium, Pyrus, Tagetes, Triticum, Vicia, Zea, Ziziphus, Coffea, Lycopersicon, Helianthus, Ricinus, Taraxacum, Carica, Citrus x paradisi. IMPORTÂNCIA Espécies de Cladosporium ocorrem sobre inúmeras espécies vegetais, especialmente como componente da micoflora de sementes. Em cereais de grãos pequenos é, normalmente um dos componentes do complexo que produz descolorações em grãos. Algumas linhagens de C. herbarum aparentemente são transmitidas por sementes, permanecem sistemicamente no interior de plantas de trigo, atuando após a senescência na degradação dos tecidos. DETECÇÃO Substrato papel CARACTERÍSTICAS Conidióforos altos, escuros, eretos, ramificados irregularmente no ápice, dendróides. Conidios escuros, 0-3 septos, variável em forma e tamanho, formando cadeias freqüentemente ramificadas. Nota sobre taxonomia: Cerca de 500 espécies foram descritas para o gênero Cladosporium, muitas delas dubiamente. Cladosporium fulvum Cooke - um patógeno de folhas de tomateiro, foi transferido para o gênero Fulvia ( F. fulva (Cooke) Cif.) e posteriormente para Mycovellosiella fulva (Cooke) Arx, principalmente por apresentar coloração marrom amarelada no micélio aéreo, enquanto que Cladosporium apresenta colônias, cinza, oliva ou café. 4. CONTROLE DE MICOTOXINAS EM FARINHAS 4.1. O que são micotoxinas? Micotoxinas são compostos químicos venenosos produzidos por certos fungos. Há muitos desses compostos, mas apenas alguns deles são regularmente encontrados em alimentos e rações animais como grãos e sementes. Entretanto, aqueles que realmente são encontrados em alimentos têm grande importância para a saúde do ser humano e do gado. Já que são produzidas por fungos, as micotoxinas são associadas com sufras mortas ou mofadas, embora possa ser superficial a contaminação do Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 33 mofo visível. São graves os efeitos de algumas micotoxinas relacionadas c om alimentos, surgindo multo rapidamente sintomas de graves doenças. Outras micotoxinas que ocorrem em alimentos têm período mais longo de afeito crónico ou acumulativo sobre a saúde, incluindo principio de cânceres ou deficiência de imunidade. Informações sobre micotoxinas relacionadas com alimentos são ainda multo incompletas, mas há conhecimento bastante para identifica-las como um problema grave em multas partes do mundo, causador inclusive de pardas económicas significativas. Cabeça de Aspergillus flavus, arma das micotoxinas produtoras de fungos mais comuns nos trópicos. [Ampliação x300] Em condições apropriadas, A. flavus que cresce no milho, amendoim, e muitos outros produtos de base pode produzir aflatoxinas, compostos identificados pela Agencia Internacional de Pesquisa do Câncer como poderoso carcinógeno humano. 4.2. Micotoxinas relacionadas com alimentos Há cinco micotoxinas, ou grupos de micotoxinas, que ocorrem com bastante freqüência em alimentos: deoxinivalenol/nivalenol; zearalenona; ocratoxina; fumosinas; e aflatoxinas. A tabela 1 resume os produtos alimentícios básicos que elas afetam, as espécies de fungos que as produzem e os principais efeitos observados no ser humano e nos animais. A toxina T-2 encentra-se também numa variedade de grãos, mas a sua ocurrencia, até hoja, é menos frequente do que as cinco micotoxinas anteriores. As micotoxinas relacionadas com alimentos que tem a probabilidade de ser de grande significado para a saúde humana nos países tropicais em desenvolvimento, são as fumosinas e atiatoxinas. As fumosinas foram descobertas recentemente, em 1988. Por isso ha pouca informação sobre a sua toxicología. Atualmente há evidencia suficiente em experiencia com animais de carcinogenicidade de culturas de Fusarium moniliforme, que contém quantidades significativas de fumosinas. Experiencias com animais mostram pouca evidencia de carcinogenicidade da fumosina B1. F. moniliforme que cresce no milho pode produzir fumosina B1, suspeito carcinógeno humano. Igualmente a fumosina B1, é tóxica para parcos e aves domésticas,e é causa de leucoencepalomalacia (ELEM), doença fatal em cávalos. TABELA 1. Micotoxinas em graõs de primeira necessidade e sementes. Tabela 1. MICOTOXINAS EM GRÃOS DE PRIMEIRA NECESSIDADE E SEMENTES. Micotoxina Produto Fonte(s) Efeitos da ingestão deoxinivalenol/ nivalenol. trigo, milho, cevada Fusarium graminearum Fusarium culmorum Fusarium crookwellense Toxicose humana relatada na Índia, China, Japão, e Coréia. Tóxico para animais, especialmente porcos. zearalenona milho, trigo F. graminearum F. culmorum F. crookwellense Identificada pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (AIPC) como possível cancerígeno humano. Afeta sistema reprodutivo em porcas. ocratoxina A cevada, trigo e muitos outros produtos Aspergillus ochraceus Penicillium verrocosum Suspeita pela AIPC como cancerígeno humano. Cancerigeno em porcos e animais de laboratório. fumosina B1 milho Fusarium moniliforme em várias espécies menos comum Suspeita pela AIPC como cancerígeno humano. Tóxico para porcos e aves domésticas. Causa leucoencepalomalacia equina (ELEM), doença fatal em cavalos. aflatoxina B1, B2 milho, amendoim e muitos outros produtos Aspergilus flavus Aflatoxina B1, e misturas de aflatoxinas que ocorrem naturalmente, identificadas como cancerígeno pela AIPC. Efeitos diversos em vários animais , especialmente galinhas.B1.B2.G1.G2 milho, amendoim Aspergillus parasiticus Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 34 Fumosinas tem sido encontradas como um contaminante multo comum em alimentos e alimentação a base de milho e alimentos na África, China, França, Indonesia, Itália, Filipinas, América do Sal, Tailandia e Estados Unidos. Variedades de F. moniliforme de milho proveniente de todas as partes do mundo, incluindo a África, Argentina, Brasil, França, Indonesia, Itália, Filipinas, Polonia, Tailandia e Estados Unidos, produzem fumosinas. Atualmente corantes de F. moniliforme extraídos do sorgo são considerados fracos produtores de fumosinas. Fumosina B1 As aflatoxinas. foram descobertas há mais de 30 anos e tem sido assunto de multa pesquisa. são poderosos cancerígenos humanos e interferem no funcionamento do sistema de imunidade. Entre os animais, são particularmente tóxicos para as galinhas. Em 1993 a Agencia Internacional de Pesquisa do Câncer (AIPC) avaliou e classificou mistaras de atlatoxinas que ocorrem naturalmente como a principal classe de carcinógenos humanos. Descobriu-se que as aflatoxinas. B1, B2, G1 e G2 ocorrem em produtos de base nas Américas e na África, e tem sido detectadas em soros humanos. A AI PC concluiu que a afiatoxina B1, é a principal classe de cancerígeno humano. Residuos de aflatoxina B1, e/ou seus metabólitos e aflatoxina M1, podem acorrer em produtos animais, incluindo leite. A atlatoxina M1 podará encontrar-se também no leite humano se a mãe consumir alimentos que contên aflatoxina B1, A AIPC atribuiu a aflatoxina M1 arma taxa de afetação ao cáncer mais baixa do que a da aflatoxina B1. É claro que a exposição as aflatoxinas. é prejudicial a saúde humana. Por esta razão, muitos países têm leis que controlam as concentrações permissíveis de aflatoxina no alimento e na racão animal (veja página 10) A aflatoxina B1, a mais tóxica das aflatoxinas, causa arma variedade de efeitos adversos em diferentes animais domésticos. Efeitos em galinhas incluem doenças do figado, produtividade baixa e deficiencia reprodutiva, menor produção de ovos, qualidade inferior da casca do ovo, qualidade inferior da carcaça e-o mais importante do ponto de vista human-aumento da susceptibilidade a doenças. CH3 [CH2]3 CH CH CH CH2 CH CH2 CH [CH2]4 CH CH2 Ch CH CH3 CH3 CH3 OH OH OH NH2O O O C C O CH2 CH2 HOOC CH CH COOH HOOC CH2 CH2 COOH 4.3. Ecologia do fungo e produção de micotoxina no alimento Os fungos que produzem micotoxinas dividem-se, de modo geral, em dois grupos: aqueles que atacam antes da sufra, comumente chamadas fungos de campo, e aqueles que ocorrem somente após a colheita, chamadas fungos de armazenamento. Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 35 Há três tipos de fungos toxicogênicos de campo: » agentes patogénicos de plantas, como F. graminearum (deoxinivalenol, nivalenol) » fungos que crescem em plantas senescentes ou estressadas, como as F. moniliforme (fumosinas) e as vezas A. flavus aflatoxina » fungos que inicialmente surgem na planta antes da sufra e predispõem o produto a contaminação de micotoxina depois da colheita, como a P. verucossum (ocratoxina) e a A. flavus aflatoxina Em todos esses casos há arma associação mais ou menos bem definida entre os fungos e a planta hospedeira. As espécies Aspergillus e Fusarium são provavelmente os mais significativos fungos de campo, produtores de micotoxinas encontradas em países tropicais em desenvolvimento. http://www.not1.xpg.com.br/bolor-o-que-e-especie-de-fungo-fotos-e-caracteristicas/ presentes em grande número no ar, em qualquer ambiente, compondo, com outros tipos de partículas, a poeira. O apodrecimento da semente, causado pelo fusarium, é arma das mais importantes doenças da espiga do milho nas plantações de regiões quentes. Está associado com o calor, períodos de seca e/ou danos causado por insetos. Há arma forte relação entre danos causado por insetos e o apodrecimento da semente causado pelo fusarium. Descobriu-se, durante trabalho de pesquisa de campo, por exemplo, que a incidencia da broca do milho europea aumenta as doenças provocadas por F. moniliforme e as concentrações de fumosina. Milho infectado com semente podre de fusarium, uma das mais importantes doenças de espiga de milho em lavouras de regiões quentes. Os Bolores são fungos pluricelulares, que crescem sobre as mais diversas variadas substâncias, provocando- lhes a decomposição. As Hifas infiltram-se nas matérias orgânicas e suas células eliminam enzimas que as digerem. Resultam dessa digestão substâncias mais simples que ficam no meio, em solução, e assim podem ser absorvidas em toda a superfície das hifas. O micélio aumenta, crescendo sem orientação e em todas as direções. Quando bem desenvolvido, algumas hifas formam pequenas esferas geralmente escuras, visíveis a olho nu, cada uma com centenas de microscópicos esporos. Rompendo-se a membrana de uma dessas esferas, os esporos ficam dispersos no ar e caem em qualquer lugar. Onde houver alimento disponível e umidade, os esporos germinam e formam novos micélios. É por isso que se torna muito difícil a eliminação de bolores de certos lugares, Seus Esporos estão sempre Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 36 A intensidade da temperatura durante o período de crescimento da planta é também importante. Estados de ocorrência de fumosina em milho híbrido cultivado em toda a zona de plantação deste cereal nos Estados Unidos, na Europa e na África, indicam que o milho híbrido cultivado fora de sua faixa de adaptação de temperatura tem concentrações mais altas de fumosina. Depois da colheita, guando os grãos ou sementes ficam dormentes, como resultado do processo de secagem, desaparecem as associações entre os fungos e as plantas, e os fatores físicos determinam se membros do outro grupo os fungos de armazenamento criarão e/ou produzirão ou não micotoxinas. Os fatores primários que influenciam a criação de fungos em produtos alimentícios armazenados são o conteúdo de umidade (mais precisamente, a atividade da água) e a temperatura do produto. Na prática, nos trópicos, a temperatura é quase sempre boa parafungos de armazenamento. Por isso é a ação da água que se torna o principal determinante de invasão e crescimento de fungos. 4.4. Prevenção e controle de micotoxinas em grãos e sementes armazenados Seque o grão Fungos não podem crescer (ou micotoxinas ser produzidas) em alimentos devidamente secos. Por isso a secagem eficiente dos produtos e a sua conservação sem umidade é arma medida eficaz contra o crescimento de fungos e a produção de micotoxinas. Para reduzir ou prevenir a produção da maioria das micotoxinas, o processo de secagem deve ser feito logo após a colheita e o mais rápido possível. A quantidade critica de água para o armazenamento seguro corresponde à atividade da água (aw) de cerca de 0.7. A manutenção de alimentos abaixo de 0,7 aw é uma técnica eficaz usada mundialmente para controlar estragos provocados por fungos e produção de micotoxinas em alimentos. Problemas como a manutenção de arma aw adequadamente baixa ocorrem frequentemente nos trópicos, onde a elevada umidade ambiental dificulta o controle da umidade do produto. Onde o grão é guardado em sacos, métodos que empregam cuidadoso sistema de secagem e, subsequente armazenamento em folhas de plástico a prova de umidade poderão superar este problema. O modo correto de secagem é a melhor maneira de evitar crescimento de fungos e produção de micotoxinas em grãos após a colheita. Às vezes, quando a secagem ao sol não é possível ou viável, é necessário usar alguma forma de secagem mecânica. Secadores mecânicos não precisam ser caros. Este secador com capacidade de 1 tonelada, desenvolvido no Vietnã, num projeto GTZ-IRRI, custa apenas US$55 e os seus custos de funcionamento. Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 37 É possível controlar o crescimento de fungos em produtos armazenados através do controle ambiental ou uso de preservativos ou inibidores naturais, mas essas técnicas são sempre mais caras do que arma secagem eficaz, e são, portanto, raramente viáveis em países em desenvolvimento. Evite o estrago do grão Grão estragado tem mais tendência para invasão de fungos e, consequentemente, para contaminação de micotoxinas. Por isso é importante evitar estrago antes e durante o processo de secagem, bem como no armazenamento. A secagem do milho na espiga, antes de descascar, é arma prática multo boa. Insetos são arma das principais causas de estrago: pragas de insetos de campo e algumas espécies de armazenamento estragam o grão e estimula»., em ambiente úmido, o crescimento de fungos no grão em amadurecimento. No armazenamento, multas espécies de insetos atacam o grão, e a umidade que pode acumular oferece um meio ideal para fungos. E essencial que o grão armazenado seja conservado livre de insetos, do contrário são inevitáveis os problemas de umidade e mofo. Este se forma se faltar ao grão ventilação adequada e, particularmente, se forem usados contentares de metal. Garanta as condições apropriadas de armazenamento Nas regiões tropicais, pode ser difícil manter secos os produtos durante o armazenamento, mas nunca é demais enfatizar a importância do armazenamento seco. Em pequena escala, embalagens de polietileno são eficazes; em larga escala, o armazenamento seguro requer estruturas bem desenhadas com pisos e paredes impermeáveis contra umidade. A manutenção da umidade do armazém abaixo de 70% é crucial. Nas regiões tropicais, a umidade ao ar livre geralmente desce bem abaixo de 70% em dias ensolarados. A ventilação durante um período de tempo devidamente controlado, preferivelmente com ventilador, ajudará multo a manter baixa a umidade. O ideal seria que as áreas de armazenamento de grande escala fossem equipadas com instrumentos de controle de umidade. O armazenamento vedado em ambientes modificados para controle de insetos é também multo efetivo para controle do crescimento de fungos, desde que o grão seja devidamente seco antes do armazenamento e desde que sejam minimizadas as flutuações da temperatura diurna. Se for necessário armazenar os produtos antes da adequada secagem, isto deve ser feito por um período curto de no máximo, digamos, três dias. O uso de armazém vedado ou ambientes modificados prolongará este período de segurança, mas esses procedimentos são relativamente caros e em condições estanques. Torna-se necessário um sistema comprovado de gestão de stock, que leve em consideração as micotoxinas como parte integral desse sistema. Já existe arma variedade de sistemas de apoio para a tomada de decisões, que abrangem vários níveis de sofisticação e escala. No Brasil, a produção de cereais e oleaginosas representa uma das bases da economia. No entanto, 30 % da produção agrícola nacional são perdidos na lavoura, durante a colheita, transporte e armazenamento Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 38 inadequados. O excesso de umidade nos grãos representa um dos fatores que resultam na perda do produto, devido à sua associação a outros, como temperatura e o próprio grão, proporcionando substrato ideal à proliferação microbiana. Os macro e micro nutrientes, que compõem os produtos destinados à alimentação humana e animal, dependem da presença de água, que confere textura, disponibilidade orgânica, palatabilidade, estabilidade e maior peso. Entretanto, esta água pode ser o principal fator intrínseco na decomposição do produto. A melhor medida da concentração de água, em termos de propriedades físico-químicas, nos produtos, refere-se à medição de sua atividade (aw), ou seja, medição do teor de água livre no produto. A água pode ocorrer como água ligada e água livre, resultando em conteúdo total de água (umidade). Podendo-se apresentar-se intimamente ligada às moléculas constituintes do produto, não podendo ser removida ou utilizada para qualquer tipo de reação, onde o metabolismo dos microrganismos é paralisado, não havendo desenvolvimento ou reprodução; ou pode encontrar-se livre, estando disponível para as reações físicas (evaporação), químicas (escurecimento) e microbiológicas, tornando-se a principal responsável pela deterioração do produto. A velocidade das reações químicas, desejáveis ou não, depende da mobilidade e concentração dos compostos e enzimas envolvidos, que são conferidas pela quantidade de água livre. A determinação da atividade de água permite a inibição da reprodução microbiana, reações enzimáticas, oxidativas e hidrolíticas do produto, assegurando embalagem e condições de armazenamento adequado, valorizando o produto, economicamente. O produto com atividade de água estabelecida pode apresentar maior qualidade e rendimento, melhor preservação e tempo de vida determinado com maior rigor. A diferença entre umidade e presença de atividade de água num produto pode ser evidenciada através de uma força motriz, presente no produto, que proporciona o transporte da água livre de um ponto de atividade de água mais intensa, para outro ponto em que a atividade de água seja reduzida, embora, ambos os pontos encontrem- se com igual teor de umidade (que representa a água total = água combinada + água livre). Quando não existe água livre, a medida de atividade de água será igual à aw = 0,000, porém, se a amostra é constituída em sua totalidade por água pura, então aw = 1,000. Portanto, as medições de aw dos produtos estão compreendidas entre 0,000 e 1,000. O comportamento microbiano frente à aw é extremamente variável, sendo que as bactérias são mais exigentes, quanto à disponibilidade de água livre, em relação aos fungos e leveduras.Os substratos com aw inferior a 0,600 estão assegurados quanto à contaminação microbiana. Alimentos com alto teor de lipídeos, que apresentam atividade de água na faixa de 0,300 a 0,400 são mais estáveis à oxidação química e microbiana. A partir de aw 0,650 começa a ocorrer à proliferação de microrganismos específicos, sendo que, até aw 0,750, somente algumas bactérias halofílicas (de desenvolvimento em terrenos salgados), leveduras osmofílicas e fungos xerofílicos (de desenvolvimento em ambientes secos) podem se desenvolver. Na Tabela 1 é demonstrado o limite mínimo de aw para alguns fungos toxigênicos. TABELA 1 - Limite mínimo de aw para fungos toxigênicos. FUNGOS aw para CRESCIMENTO aw para PRODUÇÃO DE TOXINAS Aspergillus clavatus 0,85 0,99 (patulina) A. flavus 0,78 - 0,80 0,83 – 0,87 (aflatoxina) A. ochraceus 0,77 – 0,83 0,83 –0,87 (ocratoxina A) A. ochraceus 0,76 – 0,81 0,80 – 0,88 (ácido penicílico) A. parasiticus 0,82 0,87 (aflatoxina) Penicilliumm cyclopium 0,82 – 0,87 0,97 (ácido penicílico) P. cyclopium 0,81 – 0,85 0,87 – 0,90 (ocratoxina) P. expansum 0,83 – 0,85 0,99 (patulina) Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 39 FUNGOS aw para CRESCIMENTO aw para PRODUÇÃO DE TOXINAS P. isladicum 0,83 - P. martensii 0,79 – 0,83 0,99 (ácido penicílico) P. patulum 0,81 – 0,85 0,85 – 0,95 (patulina) P. veridicatum 0,83 0,83 – 0,86 (ocratoxina A) Trichotecium roseum 0,90 - Fonte: Adaptado de Boletim Técnico Informativo Braseq. BRASEQ (Brasileira de Equipamentos Ltda.), Campo Belo, São Paulo, SP. Brasil. 1998 O acondicionamento de um líquido em ambiente fechado permite a evaporação deste até determinado ponto de equilíbrio, onde, a partir de então, passa a ocorrer o fenômeno de compensação, ou seja, para cada molécula de água que evapora há uma que se condensa, sendo denominado, este fenômeno, de pressão de vapor. A pressão de vapor de água do produto sobre a pressão de vapor da água pura, usualmente 1, determina a aw. aw = pressão de vapor da água no produto/ pressão de vapor da água pura Atualmente, a tecnologia permite o processamento de alimentos de forma a reduzir a aw aos níveis inferiores aos permissíveis para a proliferação microbiana, evitando-se sua biodegradação. Buscando proporcionar maior qualidade aos resultados das análises realizadas, o Laboratório de Análises Micotoxicológicas - LAMIC oferece mais este serviço, evidentemente, sem acréscimo de custos aos nossos clientes. Este Laboratório dispõe de um analisador de Atividade de Água, com capacidade de quantificar a água livre disponível ao metabolismo dos microrganismos. Este equipamento aplica o princípio do ponto de orvalho; em que a água é condensada em superfície espelhada e fria, e detectada por sensor infravermelho. Analisa em 5 minutos, após confirmar reprodutibilidade em três medições consecutivas. Risco Micotoxinas A avaliação dos resultados no processo de monitoramento de micotoxinas compreende, inicialmente, uma criteriosa observação de sua consistência epidemiológica. Além disso, torna-se muito importante comparar os resultados das avaliações realizadas no processo de monitoramento com os obtidos de bancos de dados externos existentes, ou da própria empresa. Com a adoção de uma amostragem adequada, observa-se a ocorrência de tendências de contaminação. Isso é relacionado ao fato de que os resultados normalmente assumem um padrão de apresentação como, por exemplo, a sazonalidade histórica de maior contaminação por aflatoxinas no primeiro semestre, observada nos 20 últimos anos. A avaliação dos resultados das análises de micotoxinas deverá ser conduzida com o intuito de interpretar a intensidade de ocorrência da contaminação em função da frequência com que o fenômeno ocorre. Os dados são organizados em um gráfico, em que na abscissa é representada a unidade de tempo (meses), enquanto na coordenada são colocados à positividade média (%), a concentração média (em ppb ou ppm) e o Risco Micotoxinas (RM), ou index (ver gráfico abaixo), que é calculado pela fórmula Index= (% x média) /10, para toxinas derivadas de fungos do gênero Fusarium divide-se por 1000. A interpretação necessita de um determinado tempo de ajuste dos índices obtidos para que se possam tomar as decisões com alto grau de certeza (ou com menor incerteza). O cruzamento dos dados de desempenho de campo com o período de produção/ingestão de alimento é de fundamental importância, auxiliando na retroalimentação e ajuste do sistema de monitoramento. Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 40 Cada unidade de produção de alimento deverá ser avaliada individualmente. Somente assim pode- se determinar o real impacto da contaminação sobre o desempenho da produção animal. Esta “sintonia fina” precisa de um período de adaptação variável, dependendo de alguns fatores como, por exemplo: — Seguimento do plano amostral; — Uniformidade relativa do fornecimento de matérias- primas; — Quantidade adequada de amostras analisadas; — Fluxo ininterrupto de amostras no período (para maiores informações sobre amostragem, acesse ao lado). As amostras enviadas ao LAMIC são automaticamente inseridas em um modelo de análise para o cálculo do coeficiente de risco. Para obter estas informações para sua empresa, basta acessar a área restrita no site do LAMIC, com seu login e senha. Caso não possua acesso, entre em contato conosco para obter essas informações. 4.5. Detecção de micotoxlnas As micotoxinas ocorrem e exercem seus efeitos tóxicos em quantidades extremamente pequenas nos alimentos. Por isso, a sua identificação e avaliação quantitativa geralmente requerem amostragem sofisticada, preparação de amostras, extração e técnicas de análise. Em condições práticas de armazenamento o objetivo seria a monitoração da ocorrência de fungos. Se não se podem detectar fungos, então é possível que não haja nenhuma contaminação de micotoxinas. A presença de fungos indica a possibilidade de produção de micotoxinas, e a necessidade de considerar o destino do lote de produtos afetados. Existem meios de descontaminar produtos afetados, mas são todos relativamente caros, e sua eficiência está ainda em discussão. Reconhece a necessidade de métodos de análise simples, rápidos e eficientes, de manuseio relativamente fácil por parte de trabalhadores não especializados. Já há algum progresso nesse sentido. O Serviço Federal de Inspeção de Grãos dos Estados Unidos (“U.S. Federal Grain Inspection Service - FGIS”) avaliou oito testes rápidos de aflatoxina em milho, disponiveis comercialmente. Os conjuntos de equipamentos (kits) aprovados pelo “FGIS” incluem “ELISA” rápido, cartucho de imuncafinidade, “ELISA” de fase sólida, e procedimentos seletivos adsorventes de coluna mínima. Permanece ainda a necessidade de métodos de amostragem e análise eficientes e de custos reais, que possam ser utilizados em laboratórios de países em desenvolvimento. Vários governos já estabeleceram limites regulamentares para micotoxina em alimentos e rações animais, para venda ou importação. Para aflatoxina as diretrizes estabelecem arma faixa de 4 a 50 µg/kg (partes por bilhões). Os limites regulamentares para fumosina estão sendo considerados. Para micotoxinas é provável que, à medida que avancem as técnicas de análise e o conhecimento das toxinas, baixem os limites permissíveis. A presença de micotoxinas em grãos e outros gêneros alimentícios de primeira necessidade têm sérias implicações para a saúde humana e animal. Muitos países já passaram leis estipulandoas quantidades máximas de micotoxinas permissíveis em alimentos e rações. A maioria dos países desenvolvidos não autorizarão importações de produtos contando quantidades de micotoxinas acima dos limites especificados. Por isso as micotoxinas têm também implicações para o comercio internacional. A prevenção da invasão de fungos nos produtos de base é de longa, o mais eficaz método para evitar problemas de micotoxinas. Considerações sobre micotoxinas deveriam ser parte essencial de um programa integrado de gestão de produtos de base, colocando em foco a manutenção da qualidade do produto, do campo ao consumidor. 4.6. Técnicas para a determinação de Toxinas Preparação das Amostras Devido à distribuição heterogênea das micotoxinas em produtos agrícolas granulados, há uma grande variabilidade Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 41 de procedimentos para amostragem. Estes procedimentos são regulamentados pela AOAC International (Associação Internacional Oficial de Química Analítica). A amostra deve ser representativa quanto ao lote a ser analisado. Usualmente na avaliação utiliza-se de 50 a 1000 gramas. Sugere-se que a amostragem seja feita, por exemplo, partindo-se de 20 toneladas: Quadro 1 – Tamanho da Amostra Amostragem Preparo de Amostra Lote Amostra Sub-amostra Amostra p/ Análise 20 ton 20 kg 1 kg 50 g Os parâmetros que devem orientar o tamanho da amostra ou seu peso dependem do: » Objetivo do estudo (pesquisa ou rotina) » Tamanho do lote » Natureza ou tipo do alimento » Custo » Natureza da embalagem » Condições de transporte até o laboratório Quadro 2 – Classificação dos alimentos quanto à distribuição de toxinas Tipo Descrição Tipo I Alimento onde se espera alto grau de heterogeneidade de Contaminação (grãos, sementes, nozes, frutas secas, grãos triturados). Tipo II Alimento onde é esperado exibir contaminação homogênea (líquidos pós). Tipo III Alimento que exibe heterogeneidade intermediária (farinhas, pastas, tortas de oleaginosas, cereal seco). Quando o material for granulado, é requerido determinado número de partículas para que a amostra se torne representativa. O tamanho da amostra deve aumentar com o tamanho da partícula, p.ex., trigo < milho < amendoim < castanha do Pará. Cada lote de 50 toneladas deve ser subdivido ao menos em 100 sub-amostras. Quadro 3 – Correlação entre tipo e tamanho da amostra Classe de Alimentos Tamanho Mínimo da Amostra (Kg). Tipo I – Grãos Grãos pequenos: trigo, cevada, arroz, soja - 5. Grãos intermediários: milho, semente de algodão - 10 Grãos grandes: amendoim, nozes - 20. Tipo II – Líquidos 0,5 Tipo III - Intermediários 3 Extração A etapa de extração é de relevante importância. Tem sido demonstrado que são necessários 16 minutos de agitação com uma mistura de acetonitrila-água (21:4) para extrair deoxinivalenol completamente de uma amostra de alimento naturalmente contaminado, comparado com 3 minutos de um alimento em espiga. Foi estabelecido como tempo de agitação 1 hora para extração de fumonisinas em alimentos de milho naturalmente contaminados, usando-se uma mistura de acetonitrila-água (1:1). Tem sido recomendado para a extração de aflatoxinas de amendoim e seus derivados uma mistura de metanol-água (55:45). Limpeza Os procedimentos principais empregados para a limpeza dos extratos das amostras são a partição líquido-líquido, a adição de sais de metais, a extração de fase sólida, a cromatografia de coluna, a cromatografia por permeação a gel, a coluna cromatográfica de imunoafinidade, e o uso de colunas de limpeza e purificação multifuncionais. Determinação – Métodos Cromatográficos Estes métodos são de grande utilidade dentre as técnicas anlíticas para a determinação de micotoxinas. Inúmeras variações das técnicas cromatográficas estão descritas na literatura, envolvendo uma larga gama de equipamentos e procedimentos, que variam em grau de complexidade e aplicabilidade. Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 42 TLC (Cromatografia em camada delgada) Este método continua a ser usado extensivamente na rotina da determinação preliminar das micotoxinas. TLC de alta resolução (HPTLC) com desenvolvimento bidirecional é um acurado e preciso procedimento para a determinação de aflatoxinas. A combinação de TLC com a espectrometria de massa (MS) é outra ferramenta útil a avaliação das micotoxinas. HPLC (Cromatografia líquida de alta eficiência) A cromatografia líquida de alta eficiência é o mais novo e mais importante método de determinação e quantificação de substâncias. É um tipo de cromatografia líquida que emprega pequenas colunas, recheadas de materiais especialmente preparados e uma fase móvel que é eluída sob alta pressão. Há cinco tipos diferentes de fases estacionárias, que implicam em cinco mecanismos diferentes de realizar a cromatografia em HPLC, que são os seguintes: » cromatografia líquido-sólido ou por adsorção, » cromatografia líquido-líquido ou por partição, » cromatografia líquida com fase ligada, » cromatografia por exclusão e cromatografia por troca iônica. A escolha adequada da técnica cromatográfica para a separação dos componentes de uma determinada amostra deve-se considerar as propriedades tais como massa molecular, solubilidade, estrutura etc. GC (Cromatografia gasosa) A separação por cromatografia gasosa baseia-se na diferente distribuição das substâncias da amostra entre uma fase estacionária, podendo ser sólida ou líquida, e uma fase móvel que é gasosa. A cromatografia gasosa é uma técnica com um poder de resolução excelente, tornando possível, muitas vezes a análise de dezenas de substâncias de uma mesma amostra. Apresenta um elevado grau de sensibilidade, chegando a detectar cerca de 10-12g. Pequena amostra do material a ser pesquisado torna-se suficiente para o emprego desta técnica. A cromatografia gasosa é uma técnica quantitativa excelente, sendo possível à obtenção de resultados quantitativos em concentrações que variam de picogramas a miligramas. A técnica de desenvolvimento mais usada em cromatografia gasosa é a eluição. Uma corrente de gás passa continuamente através da coluna e quando a amostra vaporizada é introduzida rapidamente nesta corrente de gás, ela é arrastada através da coluna. As substâncias presentes na amostra, depois de separadas, chegam ao detector, que gera um sinal para o registrador. Durante análise, a temperatura da coluna pode permanecer constante, denominado-se cromatografia gasosa isotérmica, ou sofrer uma variação linear ou não, chamada então de cromatografia gasosa com temperatura programada. A programação de temperatura é significativamente importante já que melhora a separação diminuindo o tempo de análise. Sendo de extrema utilidade quando a amostra é composta de substâncias com uma grande diferença em seus pontos de ebulição. A cromatografia gasosa é uma das técnicas mais utilizadas na identificação e quantificação de diversos produtos e substâncias. Tem sido uma ferramenta nas áreas de análise ambiental, nas indústrias químicas e farmacêuticas, na análise e controle de alimentos, na medicina, na toxicologia e na indústria petroquímica dentre outros. 4.7. SISTEMA DE AMOSTRAGEM Importância do Programa Amostral Diversos programas amostrais são empregados no processo de análise de micotoxinas. Todos possuem vantagens e desvantagens determinadas pela distribuição heterogênea dos grãos contaminados com micotoxinas na massa de cereais. Assim esta variável leva a inúmeras dificuldadesde interpretação das análises. Com anos de Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 43 experiência na implantação destes modelos em diversas empresas agropecuárias, nos levaram a optamos pelo sistema amostral adotado na União Européia. Assim, este programa que já foi experimentado e aperfeiçoado em diversas indústrias brasileiras, apresenta boa aplicabilidade, desde que seguido e controlado adequadamente. Qual a quantidade a ser retirada? Para calcular a quantidade que deve ser amostrada, basta saber o volume de produção da fábrica de ração durante um dia de produção, ou o tamanho do lote a ser amostrado. Acesse o site do LAMIC - LABORATÓRIO DE ANÁLISES MICOTOXICOLOGICAS no link: http://www.lamic.ufsm.br/web/?q=lamic_sistema_amostragem Como realizar a amostragem? Lote: é uma quantidade de matéria-prima ou alimento, do qual, pode ser aceito que possua as mesmas características quanto a homogeneidade, ou a produção diária de uma unidade de produção em um determinado tempo (Turno de produção). Incremento: sendo a quantidade retirada de uma localização do lote (normalmente 10 amostras de 100g para cada kg de amostra coletiva). Amostra Coletiva: resultado da soma dos incrementos. Amostra Coletiva Reduzida: é parte representativa da amostra coletiva, após redução da quantidade. Amostra Final: como resultado parcial da amostra coletiva reduzida ou da homogeneização da amostra coletiva. A quantidade calculada acima deve ser dividida durante um turno de trabalho. Por exemplo: caso a fábrica produza 45 toneladas de ração/turno (lote), deve ser coletado, ao final deste turno (8 horas de produção) 30 kg de ração (amostra coletiva). Deve ser coletado 3,75 kg de ração por hora (incrementos). Caso a empresa utilize o sistema “Furo na Rosca” LAMIC para amostragem, este sistema deve ser regulado para que a quantidade de ração coletada ao final do turno seja em torno de 30 kg. A amostragem é automática é muito prática e eficiente. Por isso, seu emprego esta amplamente difundido em diversas empresas. O uso de amostradores automáticos e outros sistemas muito mais simples, como a coleta de frações trituradas por intermédio de perfurações efetuadas nas tubulações (furo na rosca) de transporte do alimento, especialmente depois de ser moído, facilita significativamente o procedimento de amostragem. Sistema “Furo na Rosca” - LAMIC O fluxo da matéria-prima (ou ração) se dá de A para B em uma rosca sem-fim. A amostra é transportada por um tubo de PVC com diâmetro de 1 polegada ou mais (C), acoplado à rosca num ângulo de 45º (E) e armazenada em um container (D) de dimensões suficientes para recolher a quantidade de incrementos resultantes da fórmula. O furo Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 44 (E) onde é acoplado o tubo deve ter um diâmetro entre 5 e 15 mm, conforme a quantidade a ser coletada. A coleta da amostra é contínua, enquanto houver fluxo de matéria-prima ou ração através da rosca. O recipiente D deve ser esvaziado em outro recipiente maior para evitar parada do fluxo no tubo coletor C. Ao final do dia, toda matéria-prima ou ração coletada neste sistema deve ser homogeneizada e dela será extraída uma amostra para ser enviada ao LAMIC. Dependendo da quantidade de ração produzida pela fábrica, pode ser coletada uma amostra semanal. Neste caso, o procedimento para coleta da amostra é muito semelhante: toda matéria-prima ou ração coletada durante a semana deve ser homogeneizada e daí coletada a amostra. Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 45 4.8. Legislação sobre Micotoxinas Limites máximos (ppb) de MICOTOXINAS recomendados pelo LAMIC para animais de produção: AFLA FUMO OCRA A DON HT 2 T 2 ZEA DAS AVES Frangos Inicial 0 100 0 200 0 0 10 0 Frangos Crescim. 2 500 2 500 10 50 20 200 Frangos Final 5 500 5 1000 10 50 20 200 Poedeiras 10 1000 5 1000 20 100 50 500 Matrizes 10 1000 5 1000 20 100 50 500 SUÍNOS Inicial 0 100 0 0 0 0 5 0 Crescim. 1 100 2 100 5 20 5 100 Termin. 3 500 3 200 10 50 0 200 Matrizes 5 1000 5 200 10 50 0 200 BOVINOS Terneiros 20 300 1000 400 400 250 400 Machos Adultos 20 300 1000 400 400 250 400 Lactação 0 500 2000 800 800 250 800 EQÜINOS 20 1000 PERUS até 21 dias 0 100 mais de 21 dias 5 500 AFLA FUMO OCRA A DON HT 2 T 2 ZEA DAS Níveis máximos de fusariotoxinas em produtos alimentícios aceitáveis na Comunidade Européia A legislação de níveis de micotoxinas da Comunidade Européia. Alimentos para consumo humano (BRASIL): Ministério da Saúde: Resolução RDC no 274, da ANVISA, de 15 de outubro de 2002, publicada no Diário Oficial da União, de 16/10/2002: -- Amendoim (com casca, descascado, crú ou tostado) pasta de amendoim (pasta de amendoim ou manteiga de amendoim): Aflatoxinas B1+B2+G1+G2 = 20 µg/kg (ppb) -- Milho em grão (inteiro, partido, amassado, moído, fariinhas e sêmolas): Aflatoxinas B1+B2+G1+G2 = 20 µg/kg (ppb) -- Leite flúido: Aflatoxina M1 = 0,5 µg/L (ppb) -- Leite em pó: Aflatoxina M1 = 5,0 µg/L (ppb) Ministério da Agricultura. Portaria MAARA No.183 de 21 de março de 1996, publicada no Diário Oficial da União de 25 de março de 1996, Seção I, página 4929: Aflatoxinas B1+B2+G1+G2 = 20 µg/kg µg/kg Obs: Esta Portaria internalizou as normas do MERCOSUL GMC/RES. No. 56/94 Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 46 Alimentos para consumo animal: matérias primas e rações (BRASIL): Ministério da Agricultura. Portaria MA/SNAD/ SFA No. 07, de 09/11/88 - publicada no Diário Oficial da União de 09 de novembro de 1988 - Seção I, página 21.968, 1988: -- Para qualquer matéria prima a ser utilizada diretamente ou como ingrediente para raçãoes destinadas ao consumo animal: Aflatoxinas (máximo) = 50 µg/kg Obs: O MA não especifica quais metabólitos mas, depreende-se que seja a somatória de B1+B2+G1+G2. O limite é valido para toda e qualquer produto, seja para alimentação direta ou como ingrediente para rações. A Portaria citada especifica quais os produtos nela enquadrados. MERCOSUL: Abaixo, legislaçao comum para todos os membros. GMC / RES. No.56/94 -- Leite fluido: AFM1 = 0,5 µg/L (ppb) -- Leite em pó: AFM1 = 5,0 µg/kg (ppb) -- Milho em grão: AFs B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Farelo de milho: AFs B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Amendoim em casca e descascado, cru ou torrado: AFs B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Pastas, cremes e manteiga de amendoim: AFs B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg AMÉRICAS: Abaixo, legislação adicional de cada país. ARGENTINA: -- Alimentos infantís: AFB1 = zero -- Amendoim, milho e subprodutos: B1 = 5 ppb; B1B2G1G2 = 20 µg/kg -- Farelo de soja = B1 = 30 µg/kg -- Leite flúido e em pó: M1 = 0,05 µg/kg -- Produtos lácteos: M1 = 0,5 µg/kg URUGUAI: Aflatoxinas B1,B2,G1,G2: -- Alimentos e especiarias = 20 µg/kg -- Produtos de soja, amendoim, frutas secas = 30 µg/kg -- Cacau em grão = 10 µg/kg; -- Alimentos infantís, industrializados = 3 µg/kg -- Leite e produtos lácteos: Aflatoxina M1 = 0,5 µg/kg -- Zearalenona: milho e cevada = 200 µg/kg -- Patulina: sucos de frutas = 50 µg/kg -- Ocratoxina A = arroz, cevada, porotos, café e milho = 50 µg/kg Toda a legislação, citada a seguir, foi compilada da publicação da FAO: WORLDWIDE REGULATIONS FOR MYCOTOXINS 1995 - A Compendium FAO Food and Nutrition Paper, No. 64, Roma, 1997. BAHAMAS: -- Todos alimentos e todos os grãos: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg BARBADOS: -- Todos alimentos: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Leite flúido: M1 = 0,05 µg/kg -- Rações: B1,B2,G1,G2 = 50 µg/kg BELIZE: -- Milho, amendoim: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg CANADÁ: -- Nozes e produtos: B1,B2,G1,G2 = 15 µg/kg -- Trigo mole: Deoxinivalenol= 2000 µg/kg -- Rações: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Rações para gado e aves: Deoxinivalenol = 5000 ppb; Toxina HT-2 = 100 µg/kg -- Rações para porcos, novilhas e animais em lactação: Deoxinivalenol = 1000 ppb; Toxina HT-2 = 25 µg/kg CHILE: -- Rações: B1 = 20 ppb; B1,B2,G1,G2 = 50 µg/kg Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 47 COLÔMBIA: -- Alimentos: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Cereais (sorgo, milheto): B1,B2,G1,G2 = 30 µg/kg -- Sementes oleaginosas: B1,B2,G1,G2 = 10 µg/kg -- Rações para gado: B1,B2,G1,G2 = 50 µg/kg -- Sementes de gergelim: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Alimentos para aves: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg COSTA RICA (1991): -- Milho, para alimentação humana: B1,B2,G1,G2 = 35 µg/kg -- Milho, para alimentação animal: B1,B2,G1,G2 = 50 µg/kg CUBA (1991): -- Alimentos em geral, cereais, amendoim: B1,B2,G1,G2 = 5 µg/kg -- Rações e ingredientes para rações: B1,B2,G1,G2 = 5 µg/kg EL SALVADOR (1991): -- Alimentos: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Rações em geral: B1 = 10 µg/kg -- Suplementos alimentares para porcos, gado leiteiro; rações para bovinos, caprinos, ovinos: B1 = 20 µg/kg ESTADOS UNIDOS: -- Alimentos: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Alimentos prontos de trigo: Deoxinivalenol = 1000 µg/kg -- Laticínios: M1 = 0,5 µg/kg GUATEMALA (1991): -- Milho, feijão, arroz, sorgo, amendoim, manteiga de amendoim: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Concentrados: para rações: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg HONDURAS: -- Todos alimentos: B2,G1,G2 = 1 µg/kg -- Milho (grão inteiro ou triturado): B1 = 1 µg/kg -- Alimentos infantís: B1,B2,G1,G2 = 0, 01 ppb; M1 = 0,02 µg/kg -- Leite e laticínios: M1 = 0,05 µg/kg -- Queijos = M1 = 0,25 µg/kg JAMAICA (1991): -- Alimentos e grãos: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg MÉXICO: -- Farinhas: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Cereais para bovinos e rações de engorda para suínos: B1,B2,G1,G2 = 200 µg/kg -- Raçoes para vacas leiteiras e aves: B1,B2,G1,G2 = 0 µg/kg PANAMÁ: Sem regulamentação PERU: -- Todos alimentos: B1,B2,G1,G2 = 10 µg/kg REPÚBLICA DOMINICANA (1991): -- Milho, e produtos, amendoim, soja, tomate e produtos: B1,G1 = 0 µg/kg -- Milho importado: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg SURINAME (1991): -- Milho: B1,B2,G1,G2 = 30 µg/kg -- Amendoim e produtos, legumes: B1 = 5 µg/kg -- Rações: B1,B2,G1,G2 = 30 µg/kg VENEZUELA: -- Farinha de arroz: B1,B2,G1,G2 = 5 µg/kg -- Rações: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg UNIÃO EUROPÉIA: Abaixo, legislaçao comum para todos os membros. -- Amendoim, nozes em geral e frutas sêcas para consumo direto ou como ingrediente de alimentos: Aflatoxina B1= 2 µg/kg; Totais (B1+B2+G1+G2) = 4 µg/kg Amendoim a ser submetido à seleção ou outro tratamento físico: B1=8 ppb; AFTotais=15 µg/kg -- Nozes e frutas sêcas a serem submetido à seleção ou outro tratamento físico: B1=5 ppb; AFTotais=10 µg/kg -- Cereais e produtos processados para consumo direto ou como ingrediente para alimentos: B1=2 µg/kg; AFTotais= 4 µg/kg Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 48 -- Leite in natura ou destinado para eleboração de produtos à base de leite, e leite tratado termicamente: Aflatoxina M1= 0,05 ng/L -- Especiarias e temperos: Aflatoxina B1 = 5 µg/kg; AFTotais = 10 µg/kg -- Cereais crús: Ocratoxina A = 5 µg/kg -- Produtos derivados de cereais para consumo direto: Ocratoxina A = 3 µg/kg -- Frutas secas: Ocratoxina A = 10 µg/kg -- Castanha-do-Brasil: Aflatoxinas = 4 µg/kg -- Alimentos infantís: Patulina = 10 µg/kg -- Matéria prima para rações: Aflatoxina B1 = 50 µg/kg -- Produtos de amendoim, copra, palma, algodão, babassu, milho: 20 µg/kg -- Ração pronta: Aflatoxina B1 = 10 µg/kg -- Rações completas para suínos e aves, exceto animais jovens: B1 = 20 µg/kg -- Rações completas para gado de engorda, ovinos, caprinos, exceto animais jovens: B1 = 50 µg/kg -- Rações completas para novilhos e cordeiros: B1 = 10 µg/kg -- Complementos de rações: B1 = 5 µg/kg -- Complementos de rações para porcos e aves: B1 = 30 µg/kg -- Complementos de rações para gado, ovinos e caprinos, exceto animais em lactação, novilhos, cordeiros, cabritinhos: B1 = 50 µg/kg -- Matérias primas - Produtos de amendoim, copra, palma, algodão, babassu, milho: B1 = µg/kg Legislação recente da Comunidade Européia (28 de Janeiro de 2003) Abaixo, legislação adicional de cada país: ALEMANHA: -- Alimentos: B1 = 2 ppb; B1,B2,G1,G2 = 4 µg/kg -- Preparações de enzimas para produção de alimentos: B1,B2,G1,G2 = 0,05 µg/kg -- Alimentos para crianças e jovens: B1,B2,G1,G2 = 0,05 µg/kg -- Leite: M1 = 0,05 µg/kg -- Alimentos para crianças e jovens: M1 = 0,01 µg/kg ÁUSTRIA: -- Desoxinivalenol em rações para porcos = 500 µg/kg -- Desoxinivalenol em rações para gado de corte, poedeiras e matrizes = 1000 µg/kg -- Aves para corte = 1500 µg/kg -- Rações para porcas matrizes = Zearalenona: 50 µg/kg BÉLGICA: -- Amendoim: B1 = 5 µg/kg -- Leite: M1 = 0,05 µg/kg DINAMARCA: -- Amendoim e produtos: Aflatoxina B1 = 2 µg/kg; B1,B2,G1,G2 = 4 µg/kg -- Castanha do Brasil, figo sêco: B1 = 2 µg/kg; B1,B2,G1,G2 = 4 µg/kg -- Rins de suínos: Ocratoxina A = 25 µg/kg -- Cereais e produtos: Ocratoxina A = 5 µg/kg ESPANHA: -- Todos alimentos: B1,B2,G1,G2 = 10 µg/kg; B1 = 5 µg/kg Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 49 FRANÇA: -- Todos alimentos: Aflatoxina B1 = 10 µg/kg -- Amendoim, pistache, amêndoas, oleaginosas, alimentos infantís: B1 = 1 µg/kg -- Farelo de trigo: B1 = 10 µg/kg -- Óleos vegetais, cereais: B1 = 5 µg/kg -- Suco de maçã (produtos): Patulina = 50 µg/kg -- Cereais, óleos vegetais: Zearalenona = 200 µg/kg -- Cereais: Ocratoxina A = 5 µg/kg -- Leite, leite em pó (calculado no produto reconstituído): Aflatoxina M1 = 0,05 µg/kg -- Leite, leite em pó, (crianças menores que 3 anos calc. no produto reconstituído): M1 = 0,03 µg/kg GRÉCIA: -- Amendoim, avalãs, nozes, castanha de caju, pistache, amêndoas, sementes de abóbora, sementes de girassol, sementes de pinus, sementes de damasco, milho, figo seco, damasco seco, ameixa seca, tâmaras, uva passas: B1,B2,G1,G2 = 10 µg/kg; B1 = 5 µg/kg -- Café cru, suco de maçã, produtos de maçã: Ocratoxina A = 20 µg/kg; Patulina = 50 µg/kg IRLANDA: -- Todos os alimentos: B1,B2,G1,G2 = 30 ppb; B1 = 5 µg/kg ITÁLIA: -- Alimentos: Aflatoxina B1 = 5 ppb; B1+B2+G1+G2 = 10 µg/kg -- Figos secos: Aflatoxina B1 = 5 ppb; B1+B2+G1+G2 = 10 µg/kg -- Especiarias: Aflatoxina B1 = 10 ppb; B1+B2+G1+G2 = 20 µg/kg -- Ervas para chás: Aflatoxina B1 = 5 ppb; B1+B2+G1+G2 = 10 µg/kg -- Alimentos para crianças (Baby foods): 0,1 ppb; Aflatoxina M1 = 0,01 ppb; Zearalenona = 20 µg/kg -- Café crú: Ocratoxina A = 8 ppb -- Café torrado e solúvel = 4 µg/kg -- Cacau e produtos derivados: Ocratoxina A = 0,5 µg/kg -- Carne de porco e derivados: Ocratoxina A = 1 µg/kg -- Cereais e produtos: Ocratoxina A = 3 ppb; Zearalenona = 100 µg/kg -- Cerveja: Ocratoxina A = 0,2 µg/kg -- Sucos de frutas: Patulina = 50 µg/kg LUXEMBURGO: -- Amendoim e seus produtos: B1 = 5 µg/kg NORUEGA: -- Todos alimentos: B1,B2,G1,G2 = 5 µg/kg -- Suco de maçã concentrado: Patulina = 50 µg/kg PORTUGAL: -- Todos alimentos: B1 = 20 µg/kg -- Amendoim: B1 = 25 µg/kg -- Alimentos infantis: B1 = 5 µg/kg SUÉCIA: -- Todos alimentos: B1,B2,G1,G2 = 5 µg/kg -- Bagas, frutas, sucos: Patulina = 50 µg/kg -- Produtos de leite líquidos: M1 = 0,05 µg/kg -- Ingredientes para ração: B1 = 50 µg/kg -- Ingredientes para ração para gado leiteiro: M1 = 10 µg/kg -- Grãos de cereais e forragens como ingrediente para ração de gado leiteiro: B1 = 1 µg/kg Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 50 -- Rações misturadas (exceto forragens) para gado leiteiro: B1 = 3 µg/kg -- Rações completas: B1 = 10 µg/kg-- Rações completas para gado de engorda, ovinos, caprinos, exceto gado leiteiro e animais jovens: B1 = 50 µg/kg -- Rações completas para porcos e aves, execto animais jovens: B1 = 20 µg/kg -- Rações completas para gado leiteiro, incluindo forragens: B1 = 1,5 µg/kg -- Rações completas para aves: Ocratoxina A = 200 µg/kg -- Rações completas para porcos: Ocratoxina A = 100 µg/kg EUROPA: Demais países BÓSNIA E HERZEGOVINA: -- Trigo, milho, arroz e cereais: B1,G1 = 1 µg/kg -- Feijões: B1,G1 = 5 µg/kg BULGÁRIA: -- Amendoim e produtos, amêndoas de cacau, manteiga de cacau, pó de cacau: B1,B2,G1,G2 = 5 µg/kg -- Grãos e seus produtos, cereais e seus produtos: B1,B2,G1,G2 = 2,5 µg/kg -- AFM1: Produtos de leite flúido = 0,5 µg/kg; Leite em pó = 0,1 ppb; Leite em pó para dietas e alimentos infantís = 0 µg/kg -- Queijo e produtos similares = 0,5 µg/kg FINLÂNDIA: -- Todos os alimentos: B1,B2,G1,G2 = 5 µg/kg -- Todos os alimentos: Patulina = 50 µg/kg HUNGRIA: -- Todos os alimentos: B1 = 5 µg/kg -- Amendoim (amêndoas): B1 = 30 µg/kg -- Alimentos preservados: Todas as micotoxinas: 0 µg/kg -- Amendoim (sic): B1,B2,G1,G2 = 5 µg/kg MACEDÔNIA (1981): -- Trigo, milho, cereais, arroz: B1,G1 = 1 µg/kg -- Feijão: B1,G1 = 5 µg/kg POLÔNIA: -- Todos os alimentos: B1 = 0 µg/kg -- Rações, ingredientes para rações, rações completas para gado, ovinos e caprinos: B1 = 50 µg/kg REPÚBLICA TCHECA: -- Todos os alimentos: B1 = 5 ppb; B2,G1,G2 = 10 µg/kg -- Alimentos infantís: B1 = 1 ppb; B2,G1,G2 = 2 µg/kg -- Todos os alimentos: Patulina = 50 ppb; Ocratoxina A = 20 µg/kg -- Alimentos para crianças: Patulina = 30 ppb; Ocratoxina A = 5 µg/kg -- Alimentos infantís: Patulina = 20 ppb; Ocratoxina A = 1 µg/kg -- Leite: M1 = 0,5 µg/kg -- Qualquer outro produto: M1 = 5 µg/kg -- Alimentos para crianças e infantís: M1 = 1 µg/kg -- Alimentos infantís na base de leite: M1 = 0,1 ppb; B1 = 0,1; B2,G1,G2 = 0,2 µg/kg ROMÊNIA (1987): -- Todos os alimentos: B1 = 0 µg/kg; Patulina = 50 µg/kg; Ocratoxina A = 5 µg/kg; Zearalenona = 30 µg/kg -- Leite e laticínios: M1 = 0 µg/kg -- Rações em geral: Patulina = 30 µg/kg; Ocratoxina A = 5 ppb; Deoxinivalenol = 5 µg/kg; Estaquibotriotoxina = 0 µg/kg; Quetomina = 0 µg/kg Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 51 RÚSSIA: -- Cereais, farinhas e farelos: B1 = 5 µg/kg -- Café: B1 = 5 µg/kg; Zearalenona = 1000 µg/kg; Toxina T2 = 100 µg/kg; Deoxinivalenol = 1000 µg/kg Outros alimentos: B1 = 5 µg/kg SÉRVIA (1981): -- Trigo, milho,arroz, cereais: B1,G1 = 1 µg/kg -- Feijões: B1, G1 = 5 µg/kg SUIÇA: -- Todos alimentos (exceto milho, cereais, ervas): B1 = 1 µg/kg; B2,G1,G2 = 5 µg/kg -- Milho, cereais: B1 = 2 ppb; B2,G1,G2 = 5 µg/kg -- Ervas: B1 = 5 ppb; B2,G1,G2 = 5 µg/kg -- Alimentos infantís: B1,B2,G1,G2 = 0,01 µg/kg -- Cereais: Ocratoxina = 2 µg/kg -- Café torrado/moído e solúvel: Ocratoxina A = 5 µg/kg -- Milho e produtos: Fumonisinas B1+B2 = 1000 µg/kg -- Suco de frutas: Patulina = 50 µg/kg -- Leite e produtos: M1 = 0,05 µg/kg -- Soro de leite e produtos: M1 = 0,025 µg/kg -- Queijos: M1 = 0,25 µg/kg -- Manteiga, alimentos infantís: M1 = 0,02 µg/kg OUTROS PAÍSES: ÁFRICA DO SUL: -- Todos os alimentos: B1 = 5 µg/kg; B1,B2,G1,G2 = 10 µg/kg AUSTRÁLIA: -- Todos alimentos: B1,B2,G1,G2 = 5 µg/kg; Fomopsina = 5 µg/kg -- Manteiga de amendoim, nozes em geral = 15 µg/kg -- Castanha-do-Brasil: aflatoxinas = 15 µg/kg CHINA: -- Arroz, óleos comestíveis: B1 = 10 µg/kg -- Trigo, cevada, aveia, feijão, sorgo, outros frãos e alimentos fermentados: B1 = 20 µg/kg -- Leite flúido e produtos lácteos (calculados na base de leite flúido): B1 = 0,5 µg/kg -- Ração para frangos: B1 = 10 µg/kg -- Ração para poedeiras e suínos de engorda: B1 = 20 µg/kg -- Milho, farelo de amendoim e outros resíduos de amendoim (para ração): B1 = 50 µg/kg CHIPRE (1992): -- Cereais, legumes,frutas secas, gergelim e alimentos produzidos exclusivamente com estes, sementes diversas, sementes de papoula, sementes usadas em produtos de panários e confeitos: B1,B2,G1,G2 = 5 µg/kg -- Leite e laticínios: todas micotoxinas: 0,5 µg/kg COSTA DO MARFIM (1997): -- Ingredientes para ração: B1,B2,G1,G2 = 100 µg/kg -- Rações prontas: B1,B2,G1,G2 = 10 µg/kg -- Rações prontas para porcos, aves (exceto animais jovens e marrecos): B1,B2,G1,G2 = 38 µg/kg -- Rações completas para gado, ovinos e caprinos: B1,B2,G1,G2 = 75 µg/kg -- Rações completas para gado leiteiro: B1,B2,G1,G2 = 50 µg/kg EGITO: -- Amendoim e produtos, sementes de oleaginosas e produtos: B1,B2,G1,G2 = 10 µg/kg -- Cereais e produtos: B1 = 5 µg/kg -- Milho: B1,B2,G1,G2 = 20 ppb; B1 = 10 µg/kg Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 52 -- Amido e derivados: B1,B2,G1,G2 = 0 µg/kg -- Leite e laticínios: G1,G2,M1,M2 = 0 µg/kg -- Alimentos para animais e aves: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg; B1 = 10 µg/kg FILIPINAS: -- Nozes e seus produtos: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Rações para aves: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg -- Rações para gado de engorda: B1,B2,G1,G2 = 50 µg/kg HONG KONG: -- Alimentos em geral: B1,B2,G1,G2,M1,M2, Aflatoxina P1, Aflatoxicol = 15 µg/kg -- Amendoim e produtos: B1,B2,G1,G2,M1,M2, Aflatoxina P1, Aflatoxicol = 20 µg/kg ÍNDIA (1987): -- Todos os alimentos: B1 = 30 µg/kg -- Farelo de amendoim (para exportação): B1 = 120 µg/kg INDONÉSIA: -- Copra em ração para vacas, porcos, marrecos, ovinos: B1,B2,G1,G2 = 1000 µg/kg -- Farelos de amemdoim, de gergelim e de colza: B1,B2,G1,G2 = 200 µg/kg -- Mandioca em ração de frangos: B1,B2,G1,G2 = 200 µg/kg ISRAEL: -- Nozes, amendoim, farelo de milho, figos e seus produtos: B1,B2,G1,G2 = 15 ppb; B1 = 5 µg/kg -- Suco de maçã: Patulina = 50 µg/kg -- Cereais e legumes e seus produtos: Ocratoxina A = 50 µg/kg -- Grãos para rações: B1 = 20 µg/kg; Ocratoxina A = 300 µg/kg; Toxina T-2 = 100 µg/kg; Diacetoxiscirpenol = 1000 µg/kg JAPÃO: -- Alimentos: Aflatoxina B1 = 10 µg/kg -- Rações: Aflatoxina B1 = 1000 µg/kg JORDÂNIA (1991): -- Amêndoas, cereais, milho, amendoim, pistache, nozes de pinheiros, arroz e rações: B1,B2,G1,G2 = 30 µg/kg; B1 = 15 µg/kg MALAWI (1987): -- Amendoim (para exportação): B1 = 5 µg/kg MALÁSIA (1987): -- Todos os alimentos: B1,B2,G1,G2 = 35 µg/kg MAURITIUS (1987): -- Todos os alimentos: B1,B2,G1,G2,M1,M2 = 10 µg/kg; B1 = 5 µg/kg -- Amendoim: B1,B2,G1,G2 = 15 µg/kg; B1 = 5 µg/kg NIGÉRIA (1987): -- Todos os alimentos: B1 = 5 µg/kg -- Alimentos infantís: B1 = 0 µg/kg -- Leite flúido: M1 = 1 µg/kg -- Rações: B1 = 50 µg/kg NOVA ZELÂNDIA (1987): -- Todos os alimentos: B1,B2,G1,G2 = 5 µg/kg -- Manteiga de amendoim, amendoim em grão, nozes: B1,B2,G1,G2 = 15 µg/kg OMÃ (1987): -- Rações completas: B1 = 10 µg/kg -- Rações completas para aves: B1 = 20 µg/kg QUÊNIA (1981): -- Amendoim e seus produtos; óleos vegetais: B1,B2,G1,G2 = 20 µg/kg SENEGAL (1987): - Produtos de amendoim como ração: B1 = 50 µg/kg - Produtos de amendoim como ingrediente para ração: 300 µg/kg Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 53 SINGAPURA (1987): -- Todos os alimentos: B1,B2,G1,G2 = 0 µg/kg SRI LANKA: -- Alimentos em geral: todas as aflatoxinas = 30 µg/kg -- Alimentos para crianças de até 3 anos de idade: todas as aflatoxinas = 1 µg/kg ZIMBABWE: -- Farinha de arroz: B1 = 5 µg/kg; G1 = 4 µg/kg -- Amendoim, milho, sorgo: B1 = 5 µg/kg G1 = 4 µg/kg -- Rações para aves: B1,G1 = 10 µg/kg 5. MAIS INFORMAÇÕES Mais informações e orientação sobre a detecção e controle de micotoxinas em grãos podem ser obtidas nas agência associadas da GASGA: - ACIAR-Australian Centre for Intemational Agricultural Research GPO Box 1571,Canherra, ACT, 2601, Australia. Fax: +61 6 217 0501 - CIRAD-Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développment Laboratoire de Technologie, CIRA-CA,BP 5035, 34032 Montpellier Cedex 1, France, Fax: +33 (0)4 67 61 44 44 - FAO-Food and Agriculture Organization of the United Nations Prevention of Post-Harvest Food Losses, Agricultural Services Division Room B-661, FAO, Via dalle Terme di Caracalla - 00100, Rome. Fax: +39 6 52 25 68 50 - GTZ - Deutsche Geselischaft für Technische Zusammenarbeit GmbH Postfach 5180, 65726 Eschborn, Germany. Fax: +49 61 96797173 - NRI - Natural Resources Institute, Uníversity of Greenwich NRI Food Storage Group, Central Avenue, Chatham Maritime, Chatham, Kent ME4 4TB, U.K. Fax: +44 1634 880 066 O boletim semestral da GASGA relata ocasionalmente sobre o progresso, temas de pesquisa e técnicas desenvolvidas para combater o problema de micotoxina. A lista de correspondências é grátis. Para filiar-se, envíe detalhes para um dos três membros do Secretariado Conjunto da GASGA: GTZ, NRI (veja endereços acima), e Mission de Coopération Phytosanitaire ZAC d’Alco, BP 7309, 34184 Montpellier Cedex 4, France (Fax: +33 (0)4 67 03 10 21). ACIAR publica um boletim trimestral, Australian Mycotoxin Newsletter (Boletim Australiano de Micotoxina), que contém comentario informativo e extratos dos últimos artigas da literatura mundial sobre fungos e micotoxinas em alimentos e rações. A ACIAR Postharvest Newsletter (Boletim Pós-Colheita da ACIAR), também publicado trimestralmente, relata os resultados de projetos sobre micotoxina, bem como as actas e resultados de conferências nesta área, e dá noticias antecipadas dos próximos e relevantes encontros. As listas de correspondêcia para esses boletins são grátis. Envíe detalhes para a ACIAR 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AHREMED, I. A.; ROBSON, R. K. The ability of date extracts to support the production of aflatoxins. Food Chemistry, v. 66, p. 307-312, 1999. ASEVEDO, I.G et al. Influence of temperature and relative humidity in the production of aflatoxins in samples of stored maize, artificially contamined with Aspergillus flavus (link). R. Microbiol., São Paulo, v. 24, n. 1, p. 32-37, 1993. BOTHAST, R. J.; FENNEL, D. I. A medium for rapid identification and enumeration of Aspergillus flavus and related organisms. Mycologia, v. 66, p.365-369, 1974. Tecnologia no Beneficiamento de Farinhas II 54 BUCHANAN JR, R. 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