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Argamassas Prof. Rafaella Silva de Lima MKT-MDL-02 Versão 00 Argamassas • Na construção civil conceitua-se argamassa como um material complexo, constituído essencialmente de materiais inertes de baixa granulometria – agregado miúdo – e de uma pasta com propriedade aglomerantes. • Esta pasta é composta de aglomerantes minerais e água. Eventualmente, fazem parte de sua composição produtos especiais, denominados aditivos MKT-MDL-02 Versão 00 Argamassas Argamassas • As argamassas distinguem-se por apresentarem características plásticas, e adesivas quando de sua aplicação e por tornarem-se rígidas e resistentes após um certo período de tempo. Estes fatos determinam seus principais empregos na construção civil. • Assim, as argamassas se prestam para a moldagem de elementos, para a aderência de outros elementos, para a proteção física e mecânica de componentes, etc. Argamassas • No Brasil, tradicionalmente são utilizados como agregados inertes: • areia silicosa e quartzoza (lavada, lavadinha, de rio); • areia siltosa e argilosa (de caca, de mina, de barranco); • pedriscos (“areia artificial” originária de rochas britadas). • E em argamassas especiais, diversos outros (carbetos de sílico, micas, pó de pedra, pó de mármore, argilas refratárias, etc). Argamassas • Os aglomerantes mais empregados são: • a cal aérea (cal hidratada ou então a cal extinta em obra), • o cimento Portland (comum, branco) e • o gesso. • Está sendo introduzido no mercado o cimento para alvenaria (“masonry cement”) de larga utilização em outros países como aglomerante específico para argamassas. Argamassas • Resulta das reações químicas do cimento com a água. Quando há água em excesso, denomina-se nata. Definição • São misturas íntimas de um ou mais aglomerantes, agregados miúdos e água. Além dos componentes essenciais da argamassa, podem vir adicionados outros, com o fim de conferir ou melhorar determinadas propriedades. • PASTAS: São misturas de aglomerantes mais água. As pastas são pouco usadas, devido ao seu preço elevado, e aos efeitos secundários causados pela retração. As pastas são pouco usadas devido ao seu alto custo e aos efeitos secundários causados pela retração. Argamassas • A adição do agregado miúdo à pasta, no caso das argamassas de cimento, barateia o produto e elimina em parte as modificações de volume; no caso das argamassas de cal, a presença da areia, alem de oferecer as vantagens acima apontadas, ainda facilita a passagem de anidrido carbônico do ar, que produz a recarbonatação do hidróxido de cálcio. Classificação Propriedades • De um modo geral, as argamassas devem satisfazer as seguintes condições, dependendo de sua finalidade: • Trabalhabilidade; • Resistência mecânica; • Compacidade; • Impermeabilidade; • Constância de volume; • Aderência; • Durabilidade. Propriedades - Trabalhabilidade • A determinação do traço e consequentemente da quantidade de cal que deve entrar na composição de uma argamassa deve estar orientada tendo em vista o aspecto da mistura. • As argamassas para revestimentos deverão apresentar-se como uma massa coesa que possui uma trabalhabilidade apropriada. • As argamassas de cal são muito mais coesas do que as de cimento de mesmo traço, pois elas necessitam de menos aglomerantes que as de cimento tornam-se mais trabalháveis pela adição de cal. As argamassas de cal retém por mais tempo a água de amassamento. Propriedades • Resistência Mecânica: As argamassas de cal são pouco resistentes, sua resistência à compressão aos vinte e oito dias varia de 0,2 a 0,6 Mpa podendo-se tomar um valor médio de 0,4 Mpa. • Retração: As argamassa de cal apresentam redução de volume que será maior se as porcentagens de água e cal forem elevadas. A ocorrência de fissura nas argamassas de cal recém-colocadas é devido à secagem muito rápida pela ação do sol e do vento. As fissuras surgirão também quando a retração da argamassa endurecida for impedida. Patologias das Argamassas Patologias em Argamassas • Diversos fatores podem afetar o desempenho das argamassas de revestimento e provocar patologias, trazendo prejuízos às edificações. • Quando isso ocorre, as argamassas deixam de cumprir suas funções, entre elas a de proteção das alvenarias contra intempéries, resistência à umidade e isolamento térmico e acústico. Patologias em Argamassas • As causas de patologias vão desde a qualidade dos agregados e aglomerantes utilizados até problemas com o traço, má execução do revestimento e agentes externos como umidade, movimentação higrotérmica do revestimento, tintas e outros. Patologias das Argamassas 1. Eflorescência 2. Bolor 3. Vesículas 4. Descolamento com empolamento 5. Descolamento em placas duras 6. Descolamento em placas quebradiças 7. Descolamento com pulverulência 8. Fissuras horizontais 9. Fissuras mapeadas 10. Fissuras geométricas Eflorescência Eflorescência Processos Biológicos Deslocamentos Pulverulência - Deslocamento Deslocamento http://www.homedecore.com.br/wp-content/uploads/2016/08/revestfachada1.jpg Fissuras horizontais Manchas Crateras / Espumação Descamação Preparo das Argamassas • Coeficiente de Rendimento: volume de pasta obtido com uma unidade de volume deste aglomerante. • Densidades Aparentes (d): • Cimento solto: 1,22 • Cimento compacto: 2,70 • Cimento na obra: 1,42 • Cal Aérea em pedras: 1,00 • Gesso: 0,85 • Densidades Absolutas (D): • Cimento: 3,05 • Cal Aérea: 2,20 • Gesso: 2,50 • Quantidades Unitárias de Água (a): • Para o Cimento: 0,43 • Para a Cal: 1,20 • Para o Gesso: 0,52 Coeficiente de Rendimento • Cr = coeficiente de rendimento; • D – densidade absoluta do aglomerante; • d – densidade aparente do aglomerante. Cr – Interpretação • Isto quer dizer, que: a. 1 m³ de Cimento em pó, fornece 0,89 m³ de pasta de Cimento, quando se junta 430 ml de água; b. 1 m³ de Cal em pedras, fornece 1,65 m³ de pasta de Cal, (Nata), quando se junta 1200 ml de água; c. 1 m³ de pó de Gesso fornece 0,86 m³ de pasta de Gesso, quando se junta 520 ml de água. Cr - Interpretação • Ou seja, que quantidade de aglomerante é necessária para se gerar 1 m³ de pasta: Estudo dos Traços Estudo dos Traços • É a indicação da quantidade dos materiais que constituem as argamassas e os concretos: • Traço em volume de todos os materiais do concreto. • Traço em volume só dos agregados, sendo o cimento dado em massa. • Traço em massa de todos os materiais que constituem o concreto. Estudo dos Traços • O traço em volume de todos os materiais que constituem o concreto é o mais usado na prática, porém, o mais preciso, ainda é o traço em massa. • Os traços são indicados da seguinte maneira: 1:3:3, 1:3:4, 1:3:6, sendo que o 1º algarismo indica a quantidade de cimento a ser usado. • O 2º algarismo indica a quantidade de areia e o 3º algarismo a quantidade de brita. Assim temos para o traço 1:3:3, um volume de cimento para três volumes da areia e três de brita. Estudo dos Traços • A quantidade de água depende da umidade da areia, devendo-se lembrar que as argamassas e concretos com uma dosagem excessiva de água diminuem sua resistência. • De acordo com o traço temos diferentes resistências para os concretos: 150 kg por cm2, 250 kg por cm2, etc. Estudo dos Traços • Caso ocorra algum engano na forma de expressar o traço, o concreto produzido apresentará propriedades diferentes daquelas previstas na dosagem. A dosagemdo concreto sempre é feita com os materiais secos e medidos em massa, no entanto, para enviar o traço para a obra, este deve ser convertido adequadamente, observe o exemplo a seguir: Estudo dos Traços – Exemplo • Exemplo: Transformar o traço em massa (Tm) de materiais secos (1:2,8:3,2:0,45) para traço em volume de materiais secos (Tv) e para traço massa combinado com volume de materiais secos (Tmv). Apresente também o Tmv em relação a 1 saco de cimento. MV V M Estudo dos Traços • Traço referente a 1 saco de cimento: • Correção quanto ao inchamento 22,5:97:92,5:50 - Tmv 3 h s h 625,115 5,9225,1V V V I dmVh Estudo dos Traços • Correção quanto a umidade: • Quantidade de água presente na areia úmida: )1.( 100. M M - M h s sh hMM sh kgM M kgM h h s 56,144 )035,01(675,139 675,139 5,9251,1Ms Estudo dos Traços • Massa da água na areia úmida: • Quantidade de água a ser adicionada: • Traço corrigido: kg9,4M 675,13956,144M Oh Oh 2 2 kg6,17M 9,45,22M Oh Oh 2 2 17,6:97:115,625:50 Tmv Estudo dos Traços • Dimensionamento da Padiola: • Adotaremos duas medidas para a padiola e determinaremos a altura em função do volume dos agregados. Estudo dos Traços • Padiola de Areia • Para que a padiola não fique com altura e peso excessivo, divide-se a altura por dois e especifica-se duas padiolas, ou seja, duas padiolas com dimensões de 35x45x37cm por traço. cmH dmH H HCLVa 5,73 34,7 *5,45,3625,115 Estudo dos Traços • Padiola de Brita • Duas padiolas com dimensões de 35x45x31cm cmH dmH H HCLVb 6,61 16,6 *5,45,397 Estudo dos Traços • Resumo • Para a produção do traço dado para um saco de cimento, a especificação fica: 1 saco de cimento: 2 padiolas de areia: 2 padiolas de brita, ou seja, 1:2:2 Estudo dos Traços • Consumo do traço. 1dm3 = 1litro • Sempre que trabalhamos com concreto se faz necessário saber o consumo de material por metro cúbico de concreto. Essa determinação é feita através do cálculo do consumo de cimento por metro cúbico, a seguir: Estudo dos Traços • Fórmula: • Onde c, a e b são respectivamente, as massas específicas REAIS do cimento, da areia e da brita, e 1:a:b:x é o traço do concreto expresso em massa, e C é o consumo de cimento por metro cúbico de concreto, 1000 dm3. x ba C bac 1 1000 Estudo dos Traços – Exemplo • Determine as quantidades de materiais necessárias para a moldagem de 12 corpos de prova cilíndricos de concreto, com dimensões de 15x30 cm, sabendo que o traço utilizado será Tm 1:2,5:3,5:0,50. 3 3 3 /65,2 /63,2 /15,3 dmkg dmkg dmkg brita areia cimento Estudo dos Traços • Solução: • Para um cilindro: h=30 cm d = 15 cm 3 2 3,5 3 4 5,1 dmV V cil cil 5,0 65,2 5,3 63,2 5,2 15,3 1 3,5 C Estudo dos Traços • C = 1,716 kg de cimento • a = 1,716 * 2,5 a = 4,29 kg de areia • b = 1,716 * 3,5 b = 6,01 kg de brita • x = 1,716 * 0,5 x = 0,858 kg de água Estudo dos Traços • Aula de laboratório • Confeccionar o traço dado em sala para os grupos. • Apresentar relatório de resistência a compressão aos 7 e aos 28 dias.