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INDIVIDUALIZAÇÃO DA PESSOA NATURAL
É essencial que os sujeitos das diversas relações sejam individualizados, perfeitamente identificados como titulares de direitos e deveres na ordem civil. Essa identificação interessa não só a eles mas também ao Estado e a terceiros, para maior segurança dos negócios e da convivência familiar e social.
Os principais elementos individualizadores da pessoa natural são:
■ Nome, designação que a distingue das demais e a identifica no seio da sociedade.
■ Estado, que indica a sua posição na família e na sociedade política.
■ Domicílio, que é a sua sede jurídica.
- Nome:
O vocábulo nome, como elemento individualizador da pessoa natural, é empregado em sentido amplo, indicando o nome completo. Integra a personalidade, individualiza a pessoa, não só durante a sua vida como também após a sua morte, e indica a sua procedência familiar.
Preceitua, com efeito, o art. 16 do Código Civil que “toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome”, abrangendo o direito de usá-lo e de defendê-lo contra usurpação, como no caso de direito autoral, e contra exposição ao ridículo. O uso desses direitos é protegido mediante ações, que podem ser propostas independentemente da ocorrência de dano material, bastando haver interesse moral.
■ Conceito: nome é a designação pela qual a pessoa se identifica no seio da família e da sociedade.
Destacam -se, no estudo do nome, um aspecto público e um aspecto individual.
■ O aspecto público decorre do fato de o Estado ter interesse em que as pessoas sejam perfeita e corretamente identificadas na sociedade pelo nome e, por essa razão, disciplina o seu uso na Lei dos Registros Públicos (Lei n. 6.015/73).
■ O aspecto individual consiste no direito ao nome, no poder reconhecido ao seu possuidor de por ele designar -se e de reprimir abusos cometidos por terceiros.
- Pseudônimo: 
Nome fictício usado, em geral, por escritores e artistas. Quando adotado para atividades lícitas, goza da proteção que se dá ao nome (CC, art. 19).
Os literatos e os artistas, muitas vezes, identificam -se pelo pseudônimo ou codinome, um nome fictício adotado, diferente do seu nome civil verdadeiro (p. ex.: George Sand, El Grecco, Gabriela Mistral, Di Cavalcanti, Mark Twain, José Sarney etc.), que se assemelha ao heterônimo (nome imaginário que um criador identifica como o autor de obras suas e que, à diferença do pseudônimo, designa alguém com qualidades e tendências diferentes das desse criador, como os diversos heterônimos usados por Fernando Pessoa – Alberto Caieiro, Alvaro de Campos e Ricardo Reis). 
A tutela do nome, destarte, alcança o pseudônimo (art. 19), propiciando direito à indenização em caso de má utilização, inclusive em propaganda comercial, ou com o intuito de obter proveito político, artístico, eleitoral ou religioso.
■ Natureza jurídica: é direito da personalidade (CC, arts. 16 a 18).
■ Elementos do nome: 
Proclama o art. 16 do Código Civil que “toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome”. O nome completo compõe -se, pois, de dois elementos:
■ Prenome (antigamente denominado nome de batismo); é o nome próprio de cada pessoa e serve para distinguir membros da mesma família. Pode ser simples (José, João) ou composto. Este pode ser duplo (José Roberto, João Carlos, p. ex.), triplo ou
quádruplo, como ocorre em algumas famílias reais (p. ex.: Caroline Louise Marguerite, princesa de Mônaco). Irmãos não podem ter o mesmo prenome, a não ser que seja duplo, estabelecendo a distinção.
O prenome pode ser livremente escolhido pelos pais, desde que não exponha o filho ao ridículo.
Prescreve o art. 55, parágrafo único, da Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que “os oficiais do registro civil não registrarão nomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores. Quando os pais não se conformarem com a recusa do oficial, este submeterá por escrito o caso, independente da cobrança de quaisquer emolumentos, à decisão do juiz competente”. Essa regra aplica -se também aos apelidos populares, que o art. 58 da mencionada lei, com a redação determinada pela Lei n. 9.708, de 18 de novembro de 1998, denomina apelidos públicos notórios e que podem substituir o prenome oficial.
A recusa do oficial em proceder ao registro, por dever de ofício, não deve limitar -se ao prenome, mas, sim, estender -se às combinações de todo o nome quando es-drúxulas e ridículas, pois outra não pode ter sido a intenção do legislador, que deve ser sempre perquirida pelo intérprete.
■ sobrenome ou apelido familiar (também denominado patronímico, nome de família ou simplesmente nome).
Sobrenome é o sinal que identifica a procedência da pessoa, indicando a sua filiação ou estirpe.
Enquanto o prenome é a designação do indivíduo, o sobrenome é o característico de sua família, transmissível por sucessão. É também conhecido como patronímico, sendo ainda chamado de apelido familiar, como se observa no art. 56 da Lei n. 6.015/73. Este dispositivo impede, como regra, a sua alteração. Há exceções, porém, a essa proibição, como se verá adiante.
As pessoas já nascem com o sobrenome herdado dos pais, não sendo, pois, escolhido por estes, como ocorre com o prenome. Adquirem-no, assim, com o nascimento. Dispõe, com efeito, o art. 55 da referida lei que, se “o declarante não indicar o nome completo, o oficial lançará adiante do prenome escolhido o nome do pai, e, na falta, o da mãe, se forem conhecidos e não o impedir a condição de ilegitimidade, salvo reconhecimento no ato”. Verifica -se, assim, que mesmo na hipótese de a criança ser registrada somente com prenome, o sobrenome faz parte, por lei, de seu nome completo, podendo o escrivão lançá-lo de ofício adiante do prenome escolhido pelos pais. Por conseguinte, o registro, com indicação do sobrenome, tem caráter puramente declaratório.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou, no dia 17 de fevereiro de 2012, o Provimento 16, que permite às mães, mesmo sem a presença do homem, registrar seus filhos. Além de mães, pessoas maiores de 18 anos, que não têm o nome do pai no registro civil, poderão procurar os cartórios e indicar o nome do genitor. Após a indicação, o juiz escutará a mãe e notificará o pai. Se o reconhecimento não for espontâneo, o Ministério Público ou a Defensoria Pública irá propor a ação de investigação de paternidade.
No mesmo sentido a Lei n. 13.112, de 30 de março de 2015, que autoriza a mulher a registrar nascimento do filho em igualdade de condições com o homem. A referida lei alterou a Lei dos Registros Públicos, que garantia ao pai a iniciativa de registrar o filho nos primeiros 15 dias de vida. Só em caso de omissão ou impedimento do pai depois desse período a mãe poderia substituí-lo e registrar o recém-nascido.
Atualmente, portanto, o pai ou a mãe, isoladamente ou em conjunto, devem proceder ao registro no prazo de 15 dias. Se um dos dois não cumprir a exigência dentro desse período, o outro terá 45 dias para realizar a declaração.
Algumas pessoas têm o agnome, sinal que distingue pessoas de uma mesma família (Júnior, Neto). O prenome pode ser livremente escolhido pelos pais, desde que não exponha o filho ao ridículo (LRP, art. 55, parágrafo único). O sobrenome indica a origem familiar da pessoa.
■ Agnome epitético: indicativo de alguma característica do seu portador, mas sem valia jurídica, por exemplo: Fulano de tal, “o velho”, ou “o moço”, ou o “calvo” etc.
■ Axiônimo: designação que se dá à forma cortês de tratamento ou à expressão de reverência, como Exmo. Sr., Vossa Santidade etc.
■ Hipocorístico: diminutivo do nome, muitas vezes, mediante o emprego dos sufixos “inho” e “inha”, que denota intimidade familiar, como Zezinho (José), Ronaldinho (Ronaldo), Mariazinha (Maria), Beto (Roberto), Gabi (Gabriela), Tião (Sebastião) etc.
■ Alcunha: apelido, por vezes, depreciativo, que se põe em alguém, geralmente tirado de alguma particularidade física ou moral, como, v.g., Aleijadinho, Tiradentes etc.
■ Cognome: palavra quequalifica pessoa ou coisa, em regra usada como sinônima de alcunha.
■ Epíteto: pode ser aposto ao nome como designação qualificativa, como D. Pedro, “o justiceiro”,por exemplo.
■ Títulos de nobreza: conde, comendador e outros, usados em alguns países, completam o nome da pessoa, servindo para sua identificação. Por essa razão, integram-no para todos os efeitos.
■ Títulos acadêmicos, eclesiásticos ou qualificações de dignidade oficial, como professor, doutor, monsenhor, desembargador etc.: são, algumas vezes, acrescentados ao nome.
■ Nome vocatório: abreviação do nome, pela qual a pessoa é conhecida. Por exemplo: PC (Paulo César Farias), Olavo Bilac (Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac) etc.
■ As partículas de, do, da, di (De Santi, Di Cavalcanti, v.g.) e seus correspondentes em idiomas estrangeiros: integram também o nome e são consideradas sinal de nobreza em certos países.
Retificação de prenome
A imutabilidade do prenome é salutar, devendo ser afastada somente em caso de necessidade comprovada, e não simplesmente porque ele não agrada ao seu portador. A facilitação da mudança pode ser realmente nociva aos interesses sociais.
A Lei n. 9.708, de 18 de novembro de 1998, deu ao art. 58 da Lei dos Registros Públicos a seguinte redação: “O prenome será definitivo, admitindo-se, todavia, a sua substituição por apelidos públicos notórios”. Na primeira parte, a redação segue, em princípio, a regra anterior, segundo a qual o prenome era imutável, ao prescrever que o prenome será definitivo, de modo a evitar eventuais alterações indesejáveis para a segurança das relações jurídicas. O critério adotado é, portanto, o da inalterabilidade relativa do prenome. 
Os apelidos públicos notórios somente eram acrescentados entre o prenome, que era imutável, e o sobrenome, como aconteceu com Luiz Inácio “Lula” da Silva e Maria da Graça “Xuxa” Meneghel. Agora, no entanto, podem eles substituir o prenome se quiserem. Se o desejar, Edson Arantes do Nascimento poderá passar a chamar-se Pelé Arantes do Nascimento, por exemplo.
Por sua vez, a Lei n. 9.807, de 13 de julho de 1999, deu nova redação ao parágrafo único do referido artigo, prescrevendo que a “substituição do prenome será ainda admitida em razão de fundada coação ou ameaça decorrente da colaboração com a apuração de crime, por determinação, em sentença, de juiz competente, ouvido o Ministério Público”. Desse modo, as testemunhas de crimes que se encontram sob coação ou ameaça e necessitam, pois, de proteção, podem pleitear não só a alteração de seu prenome como ainda a alteração do nome completo (Lei n. 9.807/99, arts. 7º e 9º).
Apesar da nova redação dada ao mencionado art. 58, é possível obter -se, ainda, a retificação do prenome em caso de evidente erro gráfico, como prevê o art. 110 da Lei dos Registros Públicos, bem como em caso de exposição de seu portador ao ridículo, com base no parágrafo único do art. 55 da mesma lei, que proíbe o registro de nomes extravagantes.
- Visão Geral das exceções ao princípio da inalterabilidade do nome:
A lei prevê as seguintes:
a) substituição do prenome por apelidos públicos notórios;
b) correção de evidente erro gráfico;
c) retificação de nome que possa expor o seu portador ao ridículo;
d) substituição do prenome ou do nome completo como medida de proteção à testemunha de crime que corre risco de vida;
e) atribuição ao adotado do sobrenome do adotante;
f) adição intermediária de apelidos notórios ou de sobrenome materno, especialmente para evitar homonímia;
g) inclusão do nome de família do padrasto ou madrasta, havendo motivo ponderável;
h) acréscimo ao seu do sobrenome do outro cônjuge, por qualquer dos nubentes;
i) renúncia pelo cônjuge, no divórcio, do nome de casado;
j) direito ao uso, pelo filho, do sobrenome do genitor ou genitora que o reconheceu;
k) direito ao uso, pelo companheiro ou companheira, do patronímico de seu companheiro ou companheira.
■ A jurisprudência admite, ainda, as seguintes exceções:
a) substituição do prenome oficial pelo prenome de uso;
b) tradução de nomes estrangeiros;
c) retificação do nome e do sexo de transexuais;
d) exclusão do sobrenome paterno em virtude de abandono do filho pelo genitor.
■ Outras hipóteses:
O nome completo pode também sofrer alterações:
a) no casamento;
b) na separação judicial e no divórcio;
c) na adoção;
d) no reconhecimento de filho;
e) na união estável; e
f) no caso de transexualismo.
- Estado
A palavra “estado” provém do latim status, empregada pelos romanos para designar os vários predicados integrantes da personalidade. Constitui, assim, a soma das qualificações da pessoa na sociedade, hábeis a produzir efeitos jurídicos. Segundo Clóvis, é o modo particular de existir. É uma situação jurídica resultante de certas qualidades inerentes à pessoa.
■ Aspectos:Estado
a) individual ou físico, que é o modo de ser da pessoa quanto à idade, sexo, cor, altura, saúde (são ou insano e incapaz) etc. 
Diz respeito a aspectos ou particularidades de sua constituição orgânica que exercem influência sobre a capacidade civil (homem, mulher, maioridade, menoridade etc.).
b) familiar é o que indica a sua situação na família, em relação ao matrimônio (solteiro, casado, viúvo, divorciado) e ao parentesco, por consanguinidade ou afinidade (pai, filho, irmão, sogro, cunhado etc.). Malgrado os autores em geral não considerem o estado de companheiro, a união estável é reconhecida como entidade familiar pela Constituição Federal. 
Trata -se de situação que produz efeitos jurídicos, conferindo a quem nela se encontra direito a alimentos, a meação, a benefícios previdenciários etc. Trata -se, pois, de qualidade jurídica a que não se pode negar a condição de estado familiar.
c) político, qualidade que advém da posição do indivíduo na sociedade política, podendo ser nacional (nato ou naturalizado) ou estrangeiro, como explicita o art. 12 da Constituição Federal.
A Lei n. 6.815, de 19 de agosto de 1980, que define a situação jurídica do estrangeiro no Brasil, por sua vez dispõe, no art. 95, que “o estrangeiro residente no Brasil goza de todos os direitos reconhecidos aos brasileiros, nos termos da Constituição e das leis”.
Cumpre distinguir nacionalidade de cidadania, adverte Washington de Barros Monteiro. Em nosso sistema legislativo, segundo afirmam Espínola e Espínola Filho, o conceito de cidadania está reservado à qualidade de possuir e exercer direitos políticos. Cidadão e eleitor são, pois, palavras sinônimas em nossa Constituição. Quem não é eleitor, não é cidadão, posto tenha a nacionalidade brasileira.
- Características:
O estado liga -se intimamente à pessoa e, por isso, constitui a sua imagem jurídica. E a imagem está mais próxima de nós do que a nossa própria sombra. As principais características ou atributos do estado são:
a) indivisibilidade — Assim como não podemos ter mais de uma personalidade, do mesmo modo não nos é possível possuir mais de um estado. Por essa razão, diz -se que ele é uno e indivisível, não obstante composto de elementos plúrimos. Ninguém pode ser, simultaneamente, casado e solteiro, maior e menor, brasileiro e estrangeiro. A obtenção de dupla nacionalidade constitui exceção à regra.
b) indisponibilidade — O estado civil, como visto, é um reflexo de nossa personalidade e, por essa razão, constitui relação fora de comércio: é inalienável e irrenunciável, em consequência. Isso não impede a sua mutação, diante de determinados fatos estranhos à vontade humana ou como emanação dela, preenchidos os requisitos legais. Assim, menor pode tornar -se maior, solteiro pode passar a casado, este pode tornar -se viúvo etc. Modificam -se, nesses casos, os elementos que o integram, sem prejuízo da unidade substancial, que é inalterável.
c) imprescritibilidade — Não se perde nem se adquire o estado pela prescrição. O estado é elemento integrante da personalidade e, assim, nasce com a pessoa e com ela desaparece. Por isso, as ações de estado são imprescritíveis. Se, por um lado, não se perde um estado pelaprescrição, por outro, não se pode obtê-lo por usucapião.
O estado civil, como preleciona Maria Helena Diniz, “recebe proteção jurídica de ações de estado, que têm por escopo criar, modificar ou extinguir um estado, constituindo um novo, sendo, por isso, personalíssimas, intransmissíveis e imprescritíveis, requerendo, sempre, a intervenção estatal. É o que se dá com a interdição, separação judicial, divórcio, anulação de casamento etc., que resultam de sentença judicial”.
Domicílio
A noção de domicílio é de grande importância no direito. Como as relações jurídicas se formam entre pessoas, é necessário que estas tenham um local, livremente escolhido ou determinado pela lei, onde possam ser encontradas para responder por suas obrigações. Todos os sujeitos de direito devem ter, um lugar certo no espaço, de onde irradiem sua atividade jurídica. Esse ponto de referência é o seu domicílio (do latim domus, casa ou morada).
Domicílio da Pessoa Natural
■ Conceito: é a sede jurídica da pessoa, ou seja, o local onde responde por suas obrigações ou o local em que estabelece a sede principal de sua residência e de seus negócios. É, em última análise, a sede jurídica da pessoa, onde ela se presume presente para efeitos de direito e onde pratica habitualmente seus atos e negócios jurídicos.
Nas definições apontadas, sobressaem-se duas ideias: a de morada e a de centro de atividade. O Código Civil brasileiro, seguindo o modelo do suíço, define domicílio no art. 70, verbis:
“Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo.”
E, no art. 72, caput, concernente à atividade externa da pessoa, especialmente a de natureza profissional, dispõe:
“Art. 72. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida.”
O conceito de domicílio civil é composto, pois, de dois elementos:
■ Espécies:
a) quanto ao número: único e plúrimo (familiar e profissional);
Domicílio único e domicílio plúrimo: uma pessoa pode ter um só domicílio, onde vive com sua família, denominado domicílio único ou familiar, ou mais de um, pois o nosso Código admite a pluralidade domiciliar. Configura -se o domicílio plúrimo quando a pessoa natural tem diversas residências, onde alternadamente vive (CC, art. 71), ou, além do domicílio familiar, tem também domicílio profissional, que é o local em que exercita sua profissão. Se a exercitar em lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem (art. 72, parágrafo único).
b) quanto à existência: real e presumido (CC, art. 73 — pessoa sem residência habitual); as pessoas têm, em geral, residência fixa, considerada domicílio real. Algumas, todavia, passam a vida em viagens e hotéis, sem terem residência habitual. Neste caso, ter-se-á por domicílio o lugar onde forem encontradas (CC, art. 73), presumindo -se ser este o seu domicílio (domicílio presumido).
c) quanto à liberdade de escolha: necessário ou legal (determinado pela lei) e voluntário, que pode ser geral ou especial: o domicílio necessário ou legal é o determinado pela lei, em razão da condição ou situação de certas pessoas. Nesses casos, deixa de existir liberdade de escolha. O art. 76 do Código Civil relaciona tais pessoas, enquanto o parágrafo único indica os respectivos domicílios, conforme quadro a seguir:
Há outras hipóteses de domicílio necessário na lei civil:
■ o de cada cônjuge será o do casal (art. 1.569);
■ o agente diplomático do Brasil que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem designar onde tem, no país, o seu domicílio poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve (art. 77);
■ o viúvo sobrevivente conserva o domicílio conjugal enquanto, voluntariamente, não adquirir outro.
No sistema da pluralidade domiciliar acolhido pelo nosso direito, as pessoas não perdem automaticamente o domicílio que antes possuíam ao receberem, por imposição legal, o novo. Tal poderá ocorrer se porventura se estabelecerem com residência definitiva no local do domicílio legal. Caso, por exemplo, indivíduo domiciliado em cidade contígua a São Paulo seja aprovado em concurso nesta realizado e se torne servidor público, mas conserve o domicílio familiar, terá, na realidade, dois domicílios ou domicílio plúrimo, podendo ser procurado em qualquer um deles.
■ Mudança: muda-se o domicílio transferindo a residência com a intenção manifesta de o mudar (CC, art. 74).
-Domicílio da Pessoa Jurídica
■ Não possui residência, mas sede ou estabelecimento. 
Trata -se de domicílio especial, que pode ser livremente escolhido “no seu estatuto ou atos constitutivos”. Não o sendo, o seu domicílio será “o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações” (CC, art. 75, IV).
As pessoas jurídicas de direito público interno têm por domicílio a sede de seu governo. Assim, dispõe o art. 75 do Código Civil que o domicílio da União é o Distrito Federal; dos Estados, as respectivas capitais; e do Município, o lugar onde funcione a administração municipal.
Conforme dispõe o art. 51, caput, do Código de Processo Civil, em consonância com o art. 109, §§ 1º e 2º da Constituição Federal, “É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autora a União”. Se a União for a demandada, aduz o parágrafo único, “a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou no Distrito Federal”. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor Estado ou o Distrito Federal. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado (CPC, art. 52 e parágrafo único).
Atos do registro civil
Registro civil é a perpetuação, mediante anotação por agente autorizado, dos da dos pessoais dos membros da coletividade e dos fatos jurídicos de maior relevância em suas vidas, para fins de autenticidade, segurança e eficácia. Tem por base a publicidade, cuja função específica é provar a situação jurídica do registrado e torná-la conhecida de terceiros 212. No registro civil, efetivamente, pode-se encontrar a história civil da pessoa, por assim dizer, a biografia jurídica de cada cidadão.
A matéria é regida pelo Código Civil, que se limitou a determinar o registro dos fatos essenciais ligados ao estado das pessoas, e pela Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que dispõe sobre os Registros Públicos. O art. 9º do Código Civil, efetivamente, apenas indica os atos sujeitos a registro público:
“I — os nascimentos, casamentos e óbitos;
II — a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz;
III — a interdição por incapacidade absoluta ou relativa;
IV — a sentença declaratória de ausência e de morte presumida.”
O registro civil, por sua importância na vida das pessoas, interessa a todos: ao próprio registrado, a terceiros que com ele mantenham relações e ao Estado. Os principais fatos da vida humana, como o nascimento, o casamento, o óbito, a separação judicial e o divórcio, são ali retratados e fixados de forma perene.
São averbados em registro público: a) as sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do casamento, o divórcio, a separação judicial e o restabelecimento da sociedade conjugal; b) os atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação (CC, art. 10). A letra c do mencionado art. 10, que impunha a averbação dos atos judiciais ou extrajudiciais de adoção, foi revogada pela Lei Nacional da Adoção (Lei n. 12.010/2009). 
Averbação é qualquer anotação feita à margem do registro para indicar as alterações ocorridas no estado jurídico do registrado.
São obrigados a fazer a declaração de nascimento, pela ordem:
a) os pais;
b) o parente mais próximo;
c) os administradores de hospitais ou os médicose parteiras;
d) pessoa idônea da casa em que ocorrer o parto; e
e) as pessoas encarregadas da guarda do menor (LRP, art. 52).
A Lei n. 13.112, de 30 de março de 2015, autoriza a mulher a registrar nascimento do filho em igualdade de condições com o homem. A referida lei alterou a Lei dos Registros Públicos, que garantia ao pai a iniciativa de registrar o filho nos primeiros 15 dias de vida. Só em caso de omissão ou impedimento do pai depois desse período a mãe poderia substituí-lo e registrar o recém-nascido.
Atualmente, portanto, o pai ou a mãe, isoladamente ou em conjunto, devem proceder ao registro no prazo de 15 dias. Se um dos dois não cumprir a exigência dentro desse período, o outro terá 45 dias para realizar a declaração.
O Registro Civil está a cargo de pessoas que recebem delegação do poder público e são denominadas Oficiais do Registro Civil das Pessoas Naturais. Outras pessoas têm, também, competência para exercer essas funções, como o comandante de aeronaves, que pode lavrar certidão de nascimento e dos óbitos que ocorrerem a bordo (Código Brasileiro de Aeronáutica, art. 173), bem como as autoridades consulares (LINDB, art. 18).
Referência bibliográfica
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil esquematizado, volume I. São Paulo: Saraiva, 2016.

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