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Gestão de Projetos Públicos Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Ms. Rodrigo de Souza Marin Revisão Textual: Prof. Esp. Kelciane da Rocha Campos Encerramento • Encerrando um projeto • Encerramento do contrato • Tipos de contratos • Avaliação de desempenho • Documentação • Avaliação interna pós-projeto • Feedback do cliente • Lições aprendidas · Nesta unidade, abordaremos como devemos proceder no encerramento de um projeto, quais as etapas desse processo e qual a documentação suporte que devemos ter. OBJETIVO DE APRENDIZADO Caro(a) aluno(a), Esta unidade tem por objetivo apresentar as características que compõem o encerramento de um projeto. Abordaremos os detalhes do encerramento de um projeto, os tipos de contratos normalmente utilizados, mudanças nesses contratos e também os riscos associados aos tipos de contratos. Também analisaremos e demonstraremos a documentação suporte, as avaliações de desempenho e a avaliação interna pós- projeto. Será de extrema importância essa parte da matéria, e demonstraremos que, assim como as outras etapas, esta é de suma importância. Para que você possa complementar seus estudos, não deixe de acessar os Materiais Complementares e anotar as dúvidas que surgirem para apresentá- las ao professor. ORIENTAÇÕES Encerramento UNIDADE Encerramento Contextualização O encerramento do projeto é uma etapa tão importante quanto qualquer etapa do projeto, e temos que dar muita atenção a ela. Para um encerramento de forma correta, devemos nos reunir com o cliente e fazer uma análise se tudo que foi solicitado e acordado foi cumprido, e para isso vamos analisar a documentação do projeto, revisitar o contrato assinado e as entregas que tivemos ao longo do projeto; isso nos mostrará a qualidade do projeto e a satisfação do cliente. Encerrar um projeto não é uma atividade rápida e simples, temos inúmeros detalhes a serem levados em conta, desde a entrega técnica até a parte financeira. A fase do encerramento nos leva a pensar em tudo que fizemos, nossos erros e nossos acertos, e, infelizmente, muitas vezes é ignorada pelo gestor do projeto e também pela equipe que está já analisando qual será o próximo projeto, mas devemos conter nosso ímpeto e fazer essa análise para o futuro. Nesta unidade, vamos mostrar como encerrar o seu projeto de forma correta e com todos os passos pertinentes. 6 7 Encerrando um projeto Após um longo período de atividades, muitas vezes por horas e horas, meses, e até anos, é chegada a hora de encerrar um projeto. O que fazer, quais passos seguir, como fazer esse encerramento amarrando todas as pontas e não deixando nada de fora? A seguir vamos falar de alguns itens de suma importância. Encerramento do contrato O encerramento por si só já é uma atividade extremamente complexa e que requer um longo tempo e trabalho. Devemos nos atentar a uma infinidade de detalhes, técnicos e financeiros principalmente. A não atenção a qualquer desses itens pode fazer com que tenhamos um atraso na entrega do encerramento do projeto. Um item extremamente importante é o encerramento do contrato, analisar se o que foi acordado, contratado, foi entregue para o cliente; devemos fazer uma análise se a qualidade foi satisfatória e criar um documento formal de encerramento. O encerramento não é necessário somente quando o projeto é entregue finalizado, ele deve ser feito mesmo quando o projeto não é finalizado por qualquer que seja o problema; isso fará com que as partes recorram ao contrato para saber quais serão as sanções (KANABAR e WABURTON, 2012). Segundo (Kanabar e Warburton, 2012: 103), o encerramento do contrato geralmente inclui o seguinte: · reuniões de balanço (de briefings) com as partes interessadas; · documentação do encerramento do contrato; · auditorias das aquisições; · apresentação das entregas; · aceitação final e pagamento. Uma parte extremamente valiosa, que tem ganhado muita importância nos últimos tempos, é uma análise das lições aprendidas, você olhar para trás e com um olhar crítico ver os acertos e erros que foram cometidos no projeto, o porquê do seu sucesso ou insucesso. Com isso, pessoas que venham a analisar esse processo no futuro terão documentação e base para fazer uma análise coerente e real da problemática. Essa análise também é importante para o feedback para a equipe, com isso sabemos quem trabalhou com maior qualidade, quem errou mais, e podemos fazer uma avaliação precisa de desempenho (KANABAR e WABURTON, 2012). Segundo Kanabar e Warburton (2012: 103 & 104), projetos também podem terminar por outras razões, por exemplo: 7 UNIDADE Encerramento · Uma fusão entre empresas pode requerer a consolidação de projetos. · O produto pode torna-se tecnicamente obsoleto antes da conclusão do projeto. · A justificativa ruim pode resultar em cancelamento do projeto devido a atraso e aumento excessivo dos custos ou a baixa qualidade do produto. Quando não encerramos o projeto de forma correta, podemos gerar insatisfação, e da mesma forma que abrimos o projeto com festa, também devemos encerrá-lo com satisfação, e devemos utilizar esse momento para declarar a todos os nossos feitos e realizações (KANABAR e WABURTON, 2012). Tipos de contratos Vamos falar um pouco sobre os tipos de contratos mais comuns para projetos: · Preço Fixo. · Custos Reembolsáveis (CMRF & CMRI). · Tempo e Material. Preço Fixo Esse contrato, como o nome já diz, é o contrato em que devemos entregar o projeto pronto e finalizado pelo preço acordado no início do mesmo, sem alterações; é um dos mais difíceis de acontecer, visto que os projetos normalmente têm muitas mudanças e podem impactar a entrega final. Uma das maneiras de a empresa ou contratante não ficar na mão do contratado é estipular incentivos pela entrega antes do prazo e penalidades para entregas que extrapolem o prazo acordado, isso porque as empresas, em sua maioria, não conseguirão tocar o projeto caso o contratado simplesmente pare (KANABAR e WABURTON, 2012). Custos reembolsáveis Nesse caso, os donos do projeto são pagos pela relação custos incorridos mais uma remuneração previamente acordada entre as partes. Esses custos podem ser classificados como diretos e indiretos. Os diretos são, normalmente, os salários, equipamentos e viagens, e os indiretos são aluguel, aquecimento, eletricidade, entre outros. Os tipos mais comuns de contratos a custos reembolsáveis são CMRF (Custo Mais Remuneração Fixa) e o CMRI (Custo Mais Remuneração de Incentivo) (KANABAR e WABURTON, 2012). 8 9 Contratos de Tempo e Material (T&M) Segundo Kanabar e Warburton (2012: 109 & 1110): Este tipo de contrato contém características tanto do contrato de preço fixo como do contrato de custo reembolsável. Em um contrato T&M, o cliente compra os serviços de um fornecedor e concorda em pagar pelo número de horas trabalhadas a uma tarifa definida. Como um contrato de custos reembolsáveis, um contrato T&M é aberto, e assim, pode crescer. No entanto, contratos T&M assemelham-se a contratos de preço fixo no sentido de que as tarifas para o serviço são fixadas no momento da assinatura do contrato. Abaixo as tabelas comparativas dos 3 tipos de contratos com os riscos para cada parte, segundo Kanabar e Warburton (2012: 107, 109 e 110). Riscos de um contrato de preço fi xo RISCOS DO CLIENTE RISCOS DO CONTRATADO • O contrato é caro porque o desenvolvimento da especificação é demorado. • Uma especificação incompleta leva a mudanças no contrato. • Fica nas mãos de um único contratado no caso de acréscimos no projeto. • Tendências de que o contratado use materiais mais baratos. • Requer estimativa cuidadosa do custo. • Requer estimativa cuidadosa do cronograma.• Um aumento dos custos pode levar a projetos não lucrativos. Riscos de um contrato CMRF RISCOS DO CLIENTE RISCOS DO CONTRATADO • Especificação ruim leva a mais custos. • Conta com a boa vontade do contratado para controlar os custos. • Uma especificação incompleta leva a mudanças no contrato. • Fica nas mãos de um único contratado no caso de acréscimos no projeto. • Custo final desconhecido. • Porcentagem da remuneração declina conforme os custos sobem. • Custos crescentes podem prejudicar a relação com o cliente. Riscos de um contrato T&M RISCOS DO CLIENTE RISCOS DO CONTRATADO • Não há especificação. • Aberto. • Fica nas mãos de um único contratado no caso de acréscimos no projeto. • Tarifas fixas. • Não há tarefas definidas. Escritório de projetos. Encerramento. Disponível em: https://goo.gl/zzfonr Ex pl or 9 UNIDADE Encerramento Avaliação de desempenho A avaliação de desempenho deve se preocupar com três características básicas para saber se ele foi bem-sucedido ou não; são fatores que foram incluídos no seu termo de abertura e em suas emendas. São eles: (LUECKE, 2010) · objetivos ou produtos; · cronograma; · custo. Conforme Luecke (2010: 177 & 178), a definição desses itens é a seguinte: Objetivos ou produtos: Todos os objetivos foram cumpridos? Os produtos do projeto atenderam às especificações exigidas? Por exemplo, se o termo de abertura exigia o fornecimento de um plano completo para explorar um novo mercado, inclusive informações sobre o porte do setor, uma lista de produtos e preços concorrentes e assim por diante, o plano apresentado pelo projeto deve ser avaliado tendo-se como parâmetro cada um desses detalhes. Cronograma: O projeto concluiu o trabalho no prazo? Se não, a equipe de projeto deve fazer duas coisas: estimar o custo do atraso para a empresa e determinar a causa do atraso no cronograma e como poderia ter sido evitado. Custo: Quanto foi gasto para concluir o projeto? O custo estava dentro das res- trições do orçamento? Se o projeto estourou o orçamento, a equipe deve determi- nar as causas do excesso de gastos e como essa variância poderia ter sido evitada. O ideal é que uma parte independente, capaz de fazer uma avaliação objetiva, participe na avaliação pós-projeto. Documentação Sempre é necessário se preocupar com a documentação; a documentação de todas as fases do projeto deve ser arquivada e guardada para futura consulta. Sempre devemos nos preocupar em arquivar tudo, minutas de reunião, dados de orçamento, avaliação de desempenho do encerramento e tudo que possa ser útil (LUECKE, 2010). 10 11 Avaliação interna pós-projeto Sempre devemos fazer duas reuniões: uma individual com cada membro da equipe e outra com o grupo todo. As pessoas devem ser avisadas com antecedência para que se preparem para a reunião. O gestor nas reuniões individuais deve escutar a opinião dos membros da equipe sobre o desenvolvimento do projeto, o seu desempenho e apontamentos para melhoras a serem implantadas. As pessoas do projeto devem ter total confiança no gestor, para que possam assim falar tudo realmente, sem medos e sem preocupações se sofrerão sanções posteriores. Quando da reunião em grupo, o Gestor deve pontuar tudo que ocorreu durante o projeto e identificar as recomendações para aperfeiçoamento (GIDO e CLEMENTS, 2007). Abaixo um modelo de avaliação pós-projeto: AVALIÇÃO PÓS-PROJETO Reunião de Equipe Agenda = Pauta 1. Desempenho Técnico Escopo Qualidade Gestão de mudanças 2. Desempenho de Custos 3. Desempenho de Cronograma 4. Controle e Planejamento do Projeto 5. Relacionamento com o cliente 6. Relacionamento entre membros da equipe 7. Comunicações 8. Identifi cação e resolução de problemas 9. Recomendações para projetos futuros A seguir (GIDO e CLEMENTS, 2007: 87 & 88) discorre-se sobre cada um dos itens: 1. Desempenho técnico – Como ficou o escopo final do trabalho comparado ao escopo do trabalho no início do projeto? Houve muitas mudanças no escopo do trabalho? As mudanças foram conduzidas de maneira apropriada em termos de aprovações e documentação? Que impacto as mudanças tiveram nos custos e no cronograma do projeto? O escopo do trabalho foi totalmente cumprido? O trabalho e deliverables do projeto foram concluídos com qualidade e atenderam às expectativas do cliente? 11 UNIDADE Encerramento 2. Desempenho de custos – Quais foram os custos finais do projeto, comparando-se o orçamento original com o orçamento final, o qual incluiu todas as mudanças relevantes no escopo do projeto? Se houve um contrato de preço global, ele foi lucrativo ou a organização do projeto perdeu dinheiro? Se houve um contrato por administração, o projeto foi concluído dentro do orçamento do cliente? Houve algum pacote de trabalho em particular que ficou acima ou abaixo de seu orçamento em mais de 10%? Em caso afirmativo, por quê? Quais foram as causas dos excedentes de custos? As estimativas de custos foram realistas? 3. Desempenho do cronograma – Como foi o cronograma real do projeto comparado ao cronograma original? Se o projeto atrasou, quais foram as causas? Como foi o desempenho do cronograma associado a cada pacote de trabalho? As estimativas de duração das atividades foram realistas? 4. Planejamento e controle de projeto – O projeto foi planejado com um nível suficiente de detalhe? Os planos para incorporar mudanças foram atualizados a tempo? O desempenho real foi comparado ao desempenho planejado regularmente? Os dados do desempenho real foram precisos e coletados a tempo? O sistema de planejamento e controle foi usado regularmente pela equipe do projeto? Ele foi utilizado para a tomada de decisões? 5. Relacionamento com o cliente – Foram feitos todos os esforços para fazer o cliente um participante do sucesso do projeto? Foi lhe perguntado regularmente seu nível de satisfação com relação ao progresso do projeto? Houve, com regularidade, reuniões pessoais agendadas com o cliente? Ele foi informado dos problemas em potencial a tempo e lhe foi perguntado seu interesse em participar do processo de resolução de problemas? 6. Relacionamento entre membros da equipe – Houve um sentimento de “equipe” e um compromisso com o sucesso do projeto? Ocorreu alguma situação que impediu o trabalho em equipe? 7. Comunicações – A equipe manteve-se constantemente informada sobre o status do projeto e de seus problemas em potencial? O ambiente do projeto foi favorável a comunicações convenientes, honestas e abertas? As reuniões foram produtivas? As comunicações por escrito dentro da equipe e com o cliente foram suficientes, insuficientes ou demasiadas? 8. Resolução e identificação de problemas – Quais mecanismos foram usados antecipadamente pelos membros da equipe para identificar os problemas em potencial? A resolução do problema foi feita de maneira racional e completa? 9. Recomendações – Com base na discussão e na avaliação da equipe sobre os itens anteriores, quais recomendações específicas podem ser feitas para ajudar a melhorar o desempenho em projetos futuros? Após a reunião de avaliação, o gestor de projeto deve elaborar por escrito um breve relatório de gestão com um resumo do desempenho e recomendações do projeto. 12 13 Feedback do cliente Outro processo muito importante no pós-projeto é a reunião com o cliente. Nessa reunião, deverão estar todas as pessoas chaves do processo do projeto, gestor do projeto, membros principais da equipe, peça chave do cliente e pessoas que estiveram envolvidas no projeto e podem emitir opinião sobre o processo de conclusão. A reunião só pode ocorrer após o cliente conseguir analisar se o projeto que foi entregue realmente atingiu as suas expectativas. Podemos utilizar como exemplo a construção de umequipamento para retirar corais do casco de grandes navios. Esse processo demorará um tempo razoável para ser verificado, diferentemente de um projeto, por exemplo, para a criação de um banner para uma campanha publicitária, o qual poderá ser verificado quase que automaticamente após a entrega do mesmo. Nessa reunião também, o gestor do projeto tem que ser um bom propagandista ou vendedor; se o cliente estiver satisfeito, o gestor deve tentar vender novos projetos, pois com a satisfação do cliente será mais fácil fazer esse processo, muitas vezes até mesmo sem passar por uma concorrência, visto que o cliente confiará no trabalho e na entrega. Outra forma de avaliar o projeto é via uma pesquisa de satisfação com o cliente. Nessa pesquisa, serão feitas perguntas chaves que deverão ser respondidas de 1 a 10, sendo 1 o menor nível e 10 o maior nível. Algumas perguntas que devem ser feitas são referentes aos seguintes itens: · Completude do escopo do projeto. · Qualidade do trabalho. · Cumprimento do cronograma. · Cumprimento do orçamento. · Comunicações. · Relacionamento com o cliente. · Desempenho geral. Podemos também pedir para que o cliente relacione os benefícios quantitativos e qualitativos, além de pedir sugestões de melhora para processos futuros (GIDO e CLEMENTS, 2007). 13 UNIDADE Encerramento Lições aprendidas Após o encerramento do projeto, devemos fazer um relatório sobre os erros e acertos, e dessa maneira termos um histórico sobre como foi o projeto. Um exemplo muito interessante disso é o governo dos Estados Unidos, que tem um centro somente para isso, chamado de Centro para Lições Aprendidas. Nesse centro, eles mantêm os erros e acertos nas operações que realizaram, seja na Chechênia ou no Afeganistão; eles mantêm tudo arquivado e facilmente acessível para pesquisa (LUECKE, 2010). Quatro lições importantes: 1. Determine o custo com mais precisão. 2. Preveja e minimize o risco. 3. Avalie os terceiros. 4. Melhore o gerenciamento de projeto. E a pergunta final que devemos nos fazer: Se pudéssemos começar tudo de novo amanhã, o que mudaríamos? E se fizer todo o processo conforme descrevemos, provavelmente você como Gestor(a) do projeto estará logo após o encerramento em uma comemoração, sendo parabenizado pelo CEO do seu cliente. 14 15 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Leitura Dicas para encerrar um projeto https://goo.gl/qOkaf5 Os 7 passos https://goo.gl/SNbsc Encerrando o projeto https://goo.gl/JPjtxA Como encerrar um projeto nota 10 https://goo.gl/9i5WSg 15 UNIDADE Encerramento Referências GIDO, Jack; CLEMENTS, James P. Gestão de projetos. Tradução: Vertice Translate; revisão técnica de Silvio Burrattino Melhado. São Paulo: Cengage Learning, 2013. KANABAR, Vijay; WARBURTON, Roger D. Gestão de projetos. Tradução de Cecília Bartalotti. São Paulo: Saraiva, 2012. LUECKE, Richard. Gerenciando projetos grandes e pequenos. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Record, 2010. THIRY´CHERQUES, Hermano Roberto; PIMENTA, Roberto da Costa. Gestão de programas e projetos públicos. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2015. TRENTIM, Mário Henrique. Gerenciamento de projetos: guia para as certificações CAPM e PMP. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2014. 16