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Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 225 MED RESUMOS 2011 NETTO, Arlindo Ugulino. HEMATOLOGIA LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA (Professora Angelina Cartaxo) A leucemia linfoctica crnica (LLC) uma doena clonal que, geralmente, envolve linfcitos B e se caracteriza pelo acmulo destes linfcitos maduros no sangue perifrico, medula e tecidos linfides. A LLC parece ser idntica ao Linfoma Linfoctico de Pequenas Clulas (LLPC), um tipo de linfoma no-Hodgkin. A Organizao Mundial de Sade considera a LLC e o LLPC como espectros da mesma doena, no devendo ser separados em entidades diferentes. A LLC uma doena tpica do adulto. No deve ser confundida com a leucemia linfide aguda (LLA), um tipo de leucemia altamente agressivo que mais comum em crianas. A maioria das pessoas diagnosticadas com LLC tem mais de 50 anos e so do sexo masculino. DADOS EPIDEMIOLGICOS Corresponde 20 a 30% de todas as leucemias mais comum no oriente ( rara no mundo ocidental), apresentando incidncia de 2,5% no Japo mais comum em indivduos acima de 50 anos de idade (acomete pessoas com menos de 50 em menos de 20% dos casos) Sexo (♂2:1♀): 3,9 por 100.000 masculino e 2,0 por 100.000 feminino ETIOLOGIA E FATORES DE RISCO Diferentemente das demais formas de leucemia, no foram relatadas associa es entre a LLC e a exposio a irradiao e a substncias citotxicas. Acredita-se que o seu principal fator de risco gentico, pois, quase sempre, acomete mais de um membro da famlia e, em mais da metade dos casos, existem anormalidades cromossmicas associadas. QUADRO CLNICO Muitos pacientes (30%) so assintomticos. O diagnstico muitas vezes feito em decorrncia da investigao de linfocitose de causa indeterminada presente no hemograma. Quando presentes, os sinais e sintomas no so especficos e podem ocorrer: Fadiga Febre vespertina Sudorese noturna Emagrecimento Linfoadenomegalia Esplenomegalia Hepatomegalia Infec es OBS1: Síndrome de Richter uma rara complicao da leucemia linfide crnica (LLC). Na sndrome de Ricthe, a LLC transforma-se em uma forma agressiva onde as clulas B crescem repidamente. Ela acomete cerca de 2% a 8% dos pacientes com LLC. Os sintomas da transformao na Sndrome de Richter inclui febre, perda de peso e massa muscular, e aumento dos linfonodos. O tumor se acelera em um ou mais linfonodos e atinge outros rgos como fgado, pele, osso e trato gastrointestinal. Esta sndrome pode aparecer repentinamente, at em pacientes que no estejam em remisso. Geralmente o prognstico ruim. DADOS LABORATORIAIS Hemograma: nmero de leuccitos aumentados, com grande nmero de linfcitos aparentemente maduros (mais de 70% dos leuccitos totais, o que caracterizaria um padro normalmente visto em crianas com menos de 2 anos). Pode tambm ocorrer a visualizao de restos celulares no sangue perifrico (chamados de "Smudge Cells" ou "manchas de Gumprecth") que nada mais so do que artefatos produzidos por danos aos linfcitos durante a confeco do esfregao de sangue. Os principais achados do hemograma so: Leucocitose as custas de uma linfocitose (ver OBS1) Anemia normoctica e normocrmica Reticulctios normais, diminudos ou aumentados (pode haver anemia hemoltica em 20% dos casos) Plaquetopenia em mais da metade dos pacientes Mielograma: a medula ssea apresenta-se infiltrada de linfcitos pequenos e bem diferenciados. Clulas mielides e eritrides apresentam-se em nmero diminudo. Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 226 Imunofenotipagem: apresenta um papel importante por diferenciar a LLC de outras leucemias células B e das leucemias células T. A LLC usual é uma proliferação de linfócitos B (CD19+, CD20+, CD22+ e CD 23+) e ainda apresentam coexpressão de um marcador linfóide T , o CD5+. O CD5+ é comum em células T e em um subgrupo de células B. A LLC apresenta um antígeno de superfície (sIg) fraco. Biópsia de medula óssea: para avaliação do padrão de infiltração que, para alguns autores, configura uma forma de avaliar o prognóstico do paciente. OBS1: Depois da análise do hemograma que caracteriza as mais variadas formas de leucemias, podemos concluir o seguinte: A neutrofilia associada ao desvio a esquerda sem a presença de blastos fala a favor de infecção grave, principalmente na presença de um quadro clínico infeccioso exuberante. A neutrofilia com a presença de desvio a esquerda associada à presença de blastos sugere uma leucemia mielóide crônica. A clínica e a fosfatase alcalina diminuída auxiliam a afastar a hipótese de infecção. A presença de blastos na circulação periférica (sem que haja desvio a esquerda), sugere uma leucemia aguda, seja mielóide ou linfóide. A diferenciação entre as duas deve ser feita através da análise clínica ou do mielograma, e não pela proporção entre neutrófilos e linfócitos (uma vez que, por ser um quadro agudo, pode não ter dado tempo para formação das células predominantes). A clínica do paciente pode ajudar a excluir uma eventual hipótese de infecção (que deve ser remota, diante do achado de blastos sem desvio a esquerda). Além disso, pode-se fazer a reação do Periódico de Schif (PAS), positivo na LLA e negativo na LMA. A imunofenotipagem também auxilia no diagnóstico diferencial. A linfocitose com predomínio sobre os neutrófilos pode sugerir: (1) um leucograma de criança, se a contagem geral de leucócitos for normal; (2) uma leucemia linfóide crônica em adultos. CRITRIOS DIAGNSTICOS Linfocitose >5000 u/l em sangue periférico Mielograma > 30% linfócitos maduros CLASSIFICAO E PROGNSTICO Os principais fatores de prognóstico da LLC são: estadiamento clínico, mutação genética e achados na FISH (fluorescent in situ hybridization). O estadiamento clínico do LLC pode ser estabelecido através de dois parâmetros diferentes, que seguem: TRATAMENTO Embora geralmente considerada incurável, a LLC progride lentamente na maioria dos casos. Muitas pessoas com LLC levam uma vida normal e ativa por muitos anos e em alguns casos por décadas. Por causa da evolução lenta, no estágio prematuro geralmente a doença não é tratada desde que a intervenção nestes casos não tragam uma sobrevida maior e nem melhorem a qualidade de vida. Ao invés disto, o monitoramento da condição da doença é feita para detectar qualquer mudança no padrão da doença. O tratamento da LLC é focado no controle da doença e seus sintomas ao invés da cura. LLC é tratada pela quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, ou transplante de medula óssea. Os sintomas são as vezes tratados cirurgicamente por exemplo no caso do aumento do baço (pode-se fazer a esplenectomia). O estagiamento da doença pela classificação RAI e Binet podem auxiliar na determinação de quando e como tratar o paciente. Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 227 De uma forma geral, temos: Clorambucil Fludarabina: melhor resposta parcial de 50% e resposta completa em 30 a 40% Cladribina (2CDA) Compath (anti-CD52) R-FC (Rituximab, Fludarabina, Ciclofosfamida): é bastante eficaz, apresentado as melhores respostas em 71% (remissão parcial) e 95% (remissão completa).