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TEOR DE ÁGUA DOS
GRÃOS
Profa. Roberta J. A. Rigueira
Departamento de Engenharia Agrícola e Meio
Ambiente
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NDICE
TEOR DE ÁGUA
- Cálculo do Teor de Umidade
- Mudança de Base
- Umidade Segura
- Conversão de Umidade
- Métodos de Determinação de Umidade
- Método Direto
- Método Indireto
UMIDADE DE EQUILÍBRIO
- Pressão de Vapor x Umidade de Equilíbrio
- Determinação da Umidade de Equilíbrio
Í
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eor de Água
Como materiais higroscópicos, os grãos contêm água em estado líquido,
que está em contato direto com a estrutura celular, porém é facilmente
evaporada na presença de calor. Essa água é conhecida como "água livre".
Uma outra porção de água, denominada água de constituição, também
compondo a estrutura celular, está quimicamente presa ao material.
A quantidade de água, ou o teor de água dos grãos, é expressa pela
relação entre as quantidades de água e matéria seca que compõem o
produto.
O teor de umidade é o fator de maior importância na prevenção da
deterioração do grão durante o armazenamento. Mantendo-se baixo o teor
de umidade e a temperatura do grão, a infestação por microrganismos e a
respiração terão seus efeitos minimizados.
T
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eor de Água
O ideal é que se determine o teor de umidade dos grãos
antes do processamento.
Caso o produto esteja com excesso de umidade, deve-se
secá-lo até um teor de umidade ideal para cada processo.
No caso de um produto muito seco, o operador deve usar
silos com sistema de ventilação para aerar o produto à noite, de
forma que este absorva água até atingir o teor de umidade
desejado.
T
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álculo do Teor de Água
Há dois modos de expressar a umidade contida num produto, ou
seja, base úmida (b.u.) e base seca (b.s.).
A umidade contida nos grãos em base úmida é a razão entre o
peso da água (Pa) presente na amostra e o peso total (Pt) desta
amostra:
U = 100 (Pa / (Pt)
Pt = (Pms + Pa) = peso total
em que,
U = teor de umidade , % b.u.
Pa = peso da água;
Pt = peso total da amostra; e
Pms = peso da matéria seca.
C
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álculo do Teor de Água
A porcentagem de umidade em base seca é determinada
pela razão entre o peso da água (Pa) e o peso da matéria seca
(Pms):
U’ = 100 ( Pa / Pms)
em que,
U’= teor de umidade, % b.s.
C
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álculo do Teor de Água
Geralmente a porcentagem em base úmida é usada em
designações comerciais e no estabelecimento de preços. Por
outro lado, o teor de umidade em base seca (decimal) é
comumente usado em trabalhos de pesquisa e em cálculos
específicos.
Convém lembrar que se o teor de umidade em base seca for
dado em porcentagem, esse valor poderá ultrapassar 100%,
deixando o leitor um pouco confuso com o valor. Por exemplo,
se um produto apresentar um valor de 60% em base úmida,
esse valor corresponderá 150% em base seca.
C
Importância do Teor de água
• Armazenagem,
• Germinação etc.
Representação
» Base Seca (bs)
» Base Úmida (bu)
peso
total
água
matéria
seca
100*%
100*%
PmsPa
Pa
bu
Pms
Pa
bs
Pa
Pms
Pt
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RELAÇÃO ÁGUA – MATÉRIA SECA
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udança de Base
Uma tabela de conversão é muito útil e precisa quando se
deseja passar da base seca para a base úmida e vice-versa,
podendo ser construída por meio das seguintes equações:
a) Passar de b.u. para b.s.
U' = [U / (100-U)].100
em que,
U = % b.u. e U'= % b.s.
Exemplo: se U = 13% b.u., qual será o valor de U' ?
U' = [13 / (100-13)].100 =14.9% ou 0,149 b.s.
M
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udança de Base
b) Passar de b.s. para b.u.
U=[U'/(100+U')].100
Exemplo: se U' = 0,13 ou 13% b.s. , qual será o
valor de U ?
U = [13 / (100 +13)].100 = 11,5% b.u.
M
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roblema
Para uma tonelada de milho, inicialmente com
25% b.u. (U0 = 0,25 b.u.), encontrar a
quantidade de água a ser removida durante a
secagem para 14% b.u.
P
13
olução 1 – Base Úmida
Quantidade de água inicial = 0,25 x 1.000 kg = 250 kg
U = Pa/Pt =Pa/(Pa +Pms)
Como a matéria seca permanece constante durante a secagem, tem-se:
Pms = Pt - Pa = 1000 – 250 = 750 kg
Portanto,
0,14 = Pa / (Pa + 750) ou Pa = 122 kg
Peso final do produto (Pt):
Pt = Pms + Pa = 750 + 122 = 872 kg
Peso de água a ser removido:
Pa final = 250 – 122=128 kg
Este resultado poderá ser obtido pela seguinte equação:
Pf = Pms [100 / (100 - Uf)]
Pms = 1000 - 250 = 750 kg
Pf = 750 [100 / (100 - 14)]= 872 kg
logo, (1000 - 872) kg =128 kg de água a serem removidos em 1.000 kg de grãos.
S
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olução 2 – Base Seca
Primeiramente, faz-se a mudança de base, isto é, 25% b.u. e 14%
b.u. correspondem, respectivamente, a 33,33% b.s. e 16,28% b.s. A
quantidade de água a ser removida é igual ao peso da matéria seca,
multiplicado pela diferença entre a umidade inicial e final em base
seca, dividida por 100, ou seja:
Água Removida (AR) = [750 (33,33 - 16,28)] / 100 = 128 kg
É interessante mostrar a importância do conhecimento correto do
teor de umidade na comercialização dos produtos agrícolas, uma vez
que vultosas somas em dinheiro podem estar envolvidas.
S
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midade Segura
Valores médios de umidade para colheita e armazenagem.
U
Produto
Máximo
para
Colheita
Ótimo
para
Colheita
Comum
após
Secagem
Armazenagem
segura
1 Ano 5 Anos
Cevada 23 15-17 9 11 10
Milho 23 20-22 11 11 9-10
Arroz 21 17-19 11 11-12 9-10
Soja - - - 11-12 9-10
Sorgo 26 23-26 9 11-12 9-10
Trigo 23 15-17 8 12-13 10-11
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onversão de Umidade
Base úmida (%) para base seca (decimal)
C
b.u. (%) b.s. b.u. (%) b.s. b.u. (%) b.s.
8 0,087 15 0,176 22 0,282
9 0,099 16 0,190 23 0,299
10 0,11 17 0,200 24 0,316
11 0,1230 18 0,220 25 0,333
12 1,136 19 0,234 26 0,351
13 0,150 20 0,250 27 0,370
14 0,163 21 0,265 28 0,389
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étodos de Determinação de Umidade
Há dois grupos de métodos para determinação do
teor de umidade de grãos:
a) diretos ou básicos - estufa, destilação,
evaporação, radiação infravermelha;
b) Indiretos - métodos elétricos, calibrados de
acordo com o método-padrão de estufa ou outro
método direto.
M
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étodo Direto
Pelos métodos diretos, a massa de água extraída do produto é
relacionada com a massa de matéria seca (teor de umidade, base
seca) ou com a massa total do material original (teor de umidade,
base úmida).
Apesar de serem considerados métodos-padrão, os métodos
diretos exigem muito tempo e trabalho meticuloso para sua
execução.
São normalmente usados em laboratórios de análise de controle
de qualidade.
Os principais são os métodos:
1.Estufa,
2. Destilação, e
3. Infravermelho.
M
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stufa
A determinação do teor de umidade dos grãos pelo método
da estufa (sob pressão atmosférica ou a vácuo) é feita com
base na secagem de uma amostra de grãos, de massa
conhecida, calculando-se o teor de umidade através da massa
perdida na operação de secagem.
A razão entre a perda de massa da amostra retirada da
estufa e sua massa original, multiplicada por 100, fornece o
teor de umidade em porcentagem, base úmida.
E
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stufa
O tempo de secagem da amostra e a temperatura da estufa são
variáveis e dependem do tipo e das condições em que se encontra
o produto e da estufa utilizada. Para utilização do método-padrão,
o leitor deve consultar o manual “Regras para Análise de
Sementes”, editado pelo Ministério da Agricultura e Reforma
Agrária.
Na determinação do teor de umidade pelo método da estufa,
existem duas possibilidades de utilização:
1. estufa sob pressão atmosférica, e
2. estufa a vácuo,
sendo o primeiro muito utilizado para determinação da umidade de
grãos.
E
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iguras F
Estufa com circulação forçada de ar
Dessecador
Balança para
Laboratório
Recipientes para pesagem
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iguras F
Recipientes para pesagem
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stufa sob Pressão Atmosférica
Método em uma etapa: pesar pelo menos três amostras de 25 a 30 g
do produto em pesa-filtros e colocá-las em estufa a 105°C, por um
período de 48 horas. Retirar as amostras e colocá-las em um dessecador,
até que sua temperatura entre em equilíbrio com a temperatura ambiente,
pesando-as em seguida. A média das massas iniciais menos a média das
massas finais das amostras representa a massa média da água evaporada.
Para uma massa inicial média de 25 g de grãos e uma massa final média
de 20 g, Ter-se-á:
Ma = Mi – Mf = 25 - 20 = 5 g
% b.u. = (Ma/Mi )100 = (5/25)100 = 20% b.u.
O tempo de 48 horas, anteriormente mencionado, é um dado prático
que varia conforme o tipo de grão. Para maiores detalhes sobre o método,
recomenda-se novamente o manual oficial Regras para Análise de
Sementes.
E
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stufa sob Pressão Atmosférica
Método em duas etapas: é utilizado para grãos com teor de água acima de
13% b.u.:
1a etapa: colocar amostras com 25 a 30 g de grãos inteiros em estufa a 130
°C, até atingir teor de água em torno de 13% b.u. Na prática, essa operação
leva aproximadamente 16 horas. Pesada a amostra, segue-se a segunda etapa.
2a etapa: a amostra retirada na primeira etapa é moída e separada em
subamostras de 2 a 3g. Em seguida, as subamostras são mantidas em estufa a
130 °C durante uma hora e feita a pesagem conforme explicado
anteriormente.
Para demonstração, segue-se o exemplo:
- Peso inicial da amostra = 30 g.
Na primeira etapa o peso atingiu 24 g, isto é, foram retirados 6 g de água
(30 - 24 = 6 g).
O peso inicial da amostra devidamente moída é de 3 g para a segunda
etapa, e, no final da secagem, é de 2,5 g. Assim, a água extraída nesta etapa é
3 - 2,5 = 0,5 g.
E
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stufa sob Pressão Atmosférica
Tanto na primeira como na segunda etapa, é necessário levar as amostras para
o dessecador, para que atinjam a temperatura ambiente.
Verifica-se, portanto, que foi perdido 0,5 g para a amostra de 3 g,
correspondente a 24 g na primeira etapa.
Assim, os 24 g teriam perdido:
3 g ____ 0,5
24 g ____ X
X=(24 x 0,5 ) / 3= 4 g de água.
Portanto, da amostra inicial com 30 g, foram retirados 10 g de água, isto é, 6 g
na primeira e 4 g na segunda etapa. Daí, Ter-se-á:
% b.u. =(10 / 30 ) 100 = 33,3%
% b.s. = (10 / 20 ) 100 = 50%
E
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estilação
A umidade é removida pela fervura dos grãos em
banho de óleo vegetal ou em tolueno, cuja
temperatura de ebulição é muito superior à da água.
O vapor d'água oriundo da amostra é condensado,
recolhido, e seu peso ou volume determinado.
Há dois métodos de destilação para o caso de
grãos: Tolueno e Brown-Duvel.
D
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olueno
Inicialmente a amostra é moída, pesada (5 a 20 g)
e destilada em tolueno à temperatura de
aproximadamente 110 °C, até perder toda a água.
Na prática, essa operação dura cerca de duas horas.
Em muitos casos, o tolueno pode ser substituído
pelo xileno, cujo ponto de ebulição é de
aproximadamente 138 °C. Ambos, porém,
apresentam o inconveniente de serem inflamáveis.
T
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olueno T
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rown-Duvel
É um dos métodos-padrão nos Estados Unidos da América.
O aparelho pode ser constituído por vários módulos e a
umidade é determinada pelo processo de destilação. Não há
necessidade de moer a amostra. É muito semelhante ao
método do tolueno, porém possui um sistema termométrico
que desliga automaticamente a fonte de aquecimento.
O tamanho da amostra, a temperatura e o tempo de
exposição variam com o tipo de grão. É aconselhável,
portanto, consultar o manual do aparelho, antes de executar a
determinação de umidade.
B
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rown-Duvel
A água é removida pelo aquecimento, até o ponto de ebulição,
de uma mistura de grãos e óleo vegetal. A temperatura de ebulição
do óleo é muito superior à da água. O vapor d’água oriundo da
destilação da amostra é condensado e seu volume determinado.
Considerando a densidade da água como 1,0 g/cm3, a massa da
água retirada é igual ao volume medido por meio de uma proveta
graduada. O Brown Duvel comercial possui um sistema
termométrico que desliga automaticamente a fonte de aquecimento
quando o óleo atinge uma temperatura específica para cada tipo de
produto.
B
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rown-Duvel B
Esquema Equipamento industrial
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rown-Duvel B
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DABO (Evaporação Direta da água em banho de óleo)
Apesar dos vários tipos de determinadores de umidade
disponíveis no mercado, eles são, em geral, de custos
relativamente altos e muitas das vezes os fornecedores não
oferecem a devida assistência técnica.
Como necessitam de aferição ou calibração periódica, e
por causa das dificuldades de operação e custo de um
sistema-padrão, foi desenvolvido o método de determinação
EDABO (Evaporação Direta da Água em Banho de
Óleo), uma variação do método de destilação, de baixo custo
e de mesma precisão do método-padrão.
E
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DABO
Um modelo simplificado do método EDABO pode
ser construído com os recursos de uma carpintaria
simples.
Caso contrário, pode-se, com utensílios
domésticos ou de laboratório, termômetro e uma
balança com capacidade para pesar 500 g com
precisão de 0,5 g, ou melhor, montar um sistema
EDABO.
E
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iguras F
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iguras F
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omo usar o EDABO
1. Coletar amostra representativas do lote;
2. Pesar 100g do produto (± 0,5 g)
3. Colocar a amostra em recipiente apropriado (± 1,0 L) e inserir o
termômetro;
4. Adicionar óleo vegetal em quantidade suficiente para cobrir os 100 g
de produto;
5. Pesar o sistema (recipiente + produto + óleo + termômetro) e registrar
o peso inicial (Pi );
6. Aquecer o sistema (recipiente + produto + óleo + termômetro) de
acordo com a Tabela;
7. Pesar o sistema novamente e registrar o peso final (Pf );
8. Subtrair (Pf ) de (Pi ) e registrar o teor de umidade diretamente em %
base úmida.
Exemplo: Se Pi = 458,9 g e Pf = 445,4 g;
Pi - Pf ; = 13,5 g ou 13,5% b.u.
C
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abelade Temperaturas
PRODUTO TEMP. (°C) PRODUTO TEMP. (°C)
Arroz 200 Milho 195
Arroz
Beneficiado
195 Soja 173
Café Natural 200 Sorgo 195
Café
beneficiado
190 Trigo 190
Feijão 175
T
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UPEA
Determinação de Umidade por Equivalência em Água.
Constitui-se de uma balança de precisão simples em que a
diferença de peso ou o equilíbrio são determinados pela
adição de um volume conhecido de água. Usa-se 100 mL para
equilibrar os grão e determinado volume para equilibrar o
sistema (óleo, termômetro e copinho). A quantidade de água
evaporada deve ser reposta no copinho após o resfriamento do
sistema.
O Dupea foi o antecessor do Edabo.
D
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UPEA D
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ontes de Erro nos Métodos Diretos
Embora às vezes considerados padrões primários ou
secundários, os métodos diretos de determinação de umidade
estão sujeitos a grandes variações.
Entre as principais variações estão:
- secagem incompleta;
- oxidação do material;
- erros de amostragem;
- erros de pesagem; e
- erros de observação;
F
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ontes de Erro nos Métodos Diretos
A Figura mostra a variação de peso durante a determinação da umidade
por um método direto. Podem-se identificar três fases distintas para
ilustrar os dois primeiros tipos de erros. A primeira fase corresponde
àquela em que os grãos perdem água gradativamente, enquanto a segunda
é o fim da secagem, quando o peso permanece constante, porque toda a
“água livre” foi removida.
Prolongando-se o tempo além da segunda fase, novamente começa a
ocorrer uma queda de peso, ou seja, o material começa a oxidar. Se o
processo for interrompido na primeira ou na terceira fase, incorre-se em
erro. Portanto, a interrupção deve acontecer na segunda fase, isto é,
quando não há variação no peso da amostra.
F
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urva de secagem em estufa C
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ÉTODOS INDIRETOS
Incluem, principalmente, os métodos elétricos. Os equipamentos
classificados nesta categoria utilizam uma propriedade do grão
que varia com o seu teor de umidade e são sempre calibrados
segundo um método direto adotado como padrão oficial.
Em razão da rapidez na determinação do teor de umidade, os
determinadores elétricos ou eletrônicos são usados no controle da
secagem, da armazenagem e em transações comerciais.
Estes equipamentos fornecem o valor do teor de umidade em base
úmida, ou seja, mostra a relação percentual entre a quantidade de
água e a massa total da amostra.
M
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étodo da Resistência Elétrica
A condutividade elétrica de um material varia com o seu teor de umidade. No caso de grãos, o teor
de umidade (U) é inversamente proporcional ao logaritmo da resistência que estes oferecem à
passagem de uma corrente elétrica. Numa determinada faixa, a umidade contida numa amostra de
grãos pode ser dada pela seguinte equação.
U = K. (1 / log R)
em que
U = teor de umidade;
K = constante que depende do material; e
R = resistência elétrica.
O circuito básico usado nos determinadores de umidade com base na resistência elétrica e a
representação gráfica da relação entre teor de umidade dos grãos e resistência elétrica oferecida
por eles são mostrados na Figura.
Sabe-se que a resistência elétrica de um material varia de acordo com a temperatura e que, ao
contrário dos metais, um aumento na temperatura promove diminuição da resistência elétrica no
carbono. Como os grãos são constituídos basicamente desse material, o operador de um
determinador com base no princípio da resistência elétrica deve tomar alguns cuidados com a
temperatura das amostras. Temperaturas elevadas poderão induzir a erros (temperatura alta resulta
em uma baixa resistência elétrica, que por sua vez significa umidade elevada). Assim, torna-se
necessário fazer a correção da temperatura.
M
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igura F
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étodo da Resistência Elétrica
A resistência elétrica depende da pressão exercida pelos eletrodos sobre a amostra de grãos.
Quanto maior a pressão exercida sobre os grãos, menor será a resistência elétrica que poderá
influenciar o valor correto da umidade. Portanto, cada tipo de grão, num mesmo aparelho, deverá
ser submetido a uma pressão específica (ler o catálogo do equipamento).
Geralmente, os aparelhos comerciais (Figura) apresentam melhores resultados para amostras com
baixo teor de umidade (10 a 20% b. u.).
Ao usar um equipamento que funcione com base na resistividade elétrica, os seguintes pontos
devem ser observados:
1. Consultar o manual do equipamento.
2. As técnicas de amostragem devem ser seguidas.
3. Observar freqüentemente o estado de limpeza dos eletrodos.
4. Ajustar periodicamente o sistema de compressão.
5. As leituras, em caso de amostras retiradas quentes do secador, poderão ser irreais.
6. A leitura, em caso de grãos com superfície molhada por condensação ou que foram expostos à chuva,
mostrará um teor de umidade acima do real.
7. Os determinadores de umidade devem ser avaliados periodicamente e, se necessário, devem ser
novamente calibrados com a utilização de um método direto.
M
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igura F
MEDIDOR UNIVERSAL
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étodo do Dielétrico
As propriedades dielétricas dos materiais biológicos dependem,
principalmente, de seu teor de água. A capacidade de um
condensador é influenciada pelas propriedades dielétricas dos
materiais colocados entre suas armaduras ou placas. Assim,
determinando as variações da capacidade elétrica do
condensador, cujo dielétrico é representado por uma massa de
grãos, pode-se indiretamente determinar seu teor de umidade.
A variação da capacidade dielétrica (D) e o teor de umidade (U)
dos grãos são dados pela equação seguinte.
U = D x C
M
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étodo do Dielétrico
U = D x C
em que,
D = dielétrico;
C = constante que depende do aparelho, do material; e
U = teor de umidade.
Os equipamentos baseados neste princípio são rápidos e de fácil
operação. Ao contrário dos sistemas por resistência elétrica, não
danificam as amostras de grãos.
M
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étodo do Dielétrico
Para usar corretamente um aparelho com base no princípio do
dielétrico ou capacitivo, o operador deve seguir as seguintes
recomendações:
1. Como alguns aparelhos medem também uma pequena resistência
oferecida pelo material à passagem de corrente elétrica, eles são
considerados mais precisos na determinação de teores de umidade
mais baixos. Este método permite determinar o teor de água de
grãos recém-saídos do secador, porque o efeito da temperatura é
menor do que aquele observado no método da resistência elétrica.
2. As técnicas de amostragem devem ser seguidas.
3. A correção adequada da temperatura é necessária.
M
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étodo do Dielétrico
4. A queda da amostra na câmara, sempre que possível, deve ser
feita sempre a partir de uma mesma altura e com bastante
cuidado. Existem aparelhos que são fabricados com
dispositivos automáticos para pesagem e carga de amostras.
5. Flutuações de voltagem na linha de distribuição podem
prejudicar a determinação.Portanto, os equipamentos devem
ser padronizados frequentemente, de acordo com o manual
do equipamento.
6. Os determinadores de umidade devem ser avaliados
periodicamente e, se necessário, calibrados por meio de um
método direto.
7. Para cada tipo de grão existe uma tabela específica para
determinação do teor de umidade.
8. As instruções do fabricante devem ser seguidas corretamente.
M
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igura F
Princípio de
funcionamento
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MIDADE DE EQUILÍBRIO
O conceito de Umidade de Equilíbrio é importante porque está
diretamente relacionado à secagem e armazenagem dos
produtos agrícolas e é útil para determinar se o produto
ganhará ou perderá umidade, segundo as condições de
temperatura e umidade relativa do ar.
Quando a razão da perda de umidade do produto para o
ambiente é igual à razão do ganho de umidade, o produto está
em equilíbrio com o ar ambiente.
A umidade do produto, quando em equilíbrio com o ambiente,
é denominada umidade de equilíbrio ou equilíbrio
higroscópico.
U
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MIDADE DE EQUILÍBRIO
A umidade de equilíbrio é, portanto, a umidade que se
observa depois que os grãos são expostos por um período
de tempo prolongado a uma determinada condição
ambiental.
A umidade de equilíbrio de uma amostra de grãos
depende ou é função da temperatura, da umidade relativa
do ar, das condições físicas do grão e da direção na qual
ocorre a transferência de massa entre o grão e o
ambiente. Por exemplo, o café em coco, em pergaminho
e beneficiado apresenta umidades de equilíbrio
diferentes.
U
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MOVIMENTO DE ÁGUA
A perda ou ganho de umidade pelo grão depende das condições de pressão de
vapor do grão e do ar.
se Pg>Par (secagem) se Pg < Par (umedecimento) se Pg = Par (equilíbrio)
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MIDADE DE EQUILÍBRIO
A relação entre a umidade de determinado produto e a
correspondente umidade relativa de equilíbrio, para uma
dada temperatura, pode ser expressa por meio de curvas
(Figura).
São curvas denominadas "isotermas de equilíbrio",
porque os valores plotados para cada uma correspondem
à mesma temperatura.
U
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MIDADE DE EQUILÍBRIO
Na Figura, pode-se observar o fenômeno da histerese, em
que se verifica que os valores do teor de umidade de
equilíbrio são diferentes para quando os grãos ganham
água (adsorção) e quando perdem água (dessorção).
A velocidade de adsorção de água pelo grão é muito mais
lenta que a velocidade de dessorção, o que faz com que
ocorra o fenômeno de histerese entre a curva de secagem
e o reumidecimento do produto.
U
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midade de equilíbrio U
Isotermas de equilíbrio com T1>T2>T3. Fenômeno de histerese.
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MIDADE DE EQUILÍBRIO
A relação matemática mais empregada para representar as isotermas
de equilíbrio é dada pela equação 1:
1 - UR = exp(-C T (Ue)n) equação 1
em que,
UR - umidade relativa do ar, decimal;
exp - base do logaritmo neperiano = 2,718;
T - temperatura absoluta, K;
Ue - umidade de equilíbrio, % b.s.; e,
C e n - constantes que dependem do material.
U
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MIDADE DE EQUILÍBRIO
Pela equação e Figura das isotermas de equilíbrio, observa-se que:
- a umidade de equilíbrio é zero para umidade relativa igual a zero;
- a umidade relativa de equilíbrio aproxima-se de 100 % quando a
umidade do produto tende para 100%; e
- a declividade da curva tende para infinito quando a umidade tende para
100%.
A equação 1 permite traçar a curva de equilíbrio para um mínimo de
dois pontos.
As constantes (C e n) podem ser vistas na Tabela 1. Na Tabela 2, vê-
se valores de umidade de equilíbrio a 25°C.
U
abelas
Produto C n
Milho 1,98 x 10-5 1,9
Sorgo 6,12 x 10-6 2,31
Soja 5,76 x 10-5 1,52
Trigo 10,06 x 10-7 3,03
T
Produto
Umidade Relativa (%)
20 40 60
Café Beneficiado 7,0 10,0 12,0
Milho 7,1 10,0 12,4
Arroz em casca 6,5 9,4 12,2
Soja 5,3 6,9 9,7
Trigo (duro) 7,2 9,9 12,1
Tabela 2 –Teor de umidade de equilíbrio a 25°C
Tabela 1 – Constantes de Equilíbrio (equação 1)
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MIDADE DE EQUILÍBRIO
Os valores de umidades de equilíbrio podem ser determinados
utilizando-se as equações 2 e 3, para milho.
Ue =7,4776 UR 0,4584/lnTf para 0 < UR 52 %
equação 2
Ue =21,2198 exp(0,0146 UR)/lnTf para 52 UR <100 %
equação 3
em que,
Ue = umidade de equilíbrio do milho, % b.u.;
Tf = temperatura do grão, °F; e
UR = umidade relativa do ar, %.
U
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MIDADE DE EQUILÍBRIO
Os valores de umidades de equilíbrio podem ser determinados
utilizando-se as equações 4 e 5, para soja.
Ue = 3,96 UR 0,492 /lnTf para 0 < UR < 55%
equação 4
Ue = 6,21 exp(0,0274 UR)/ lnTf para 55 <UR <100 %
equação 5
em que,
Ue = umidade de equilíbrio da soja, % b.s.;
UR = umidade relativa do ar, %; e
Tf = temperatura do grão, °F.
U
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MIDADE DE EQUILÍBRIO
A relação entre o valor de Umidade de Equilíbrio (Ueq) e
as condições do ar pode ser também representada pela
seguinte equação:
Ue = a – b {ln [-(T+c) ln UR]}
em que,
a, b e c = constantes que dependem do produto (Tabela);
T = temperatura do ar (°C);
UR = umidade relativa (decimal); e
Ue = umidade de equilíbrio (decimal, b.s.).
U
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abela T
Produto a b c
Café 0,350 0,058 50,555
Milho 0,339 0,059 30,205
Arroz em casca 0,294 0,046 35,703
Soja 0,416 0,072 100,288
Trigo (duro) 0,356 0,057 50,998
Constantes a, b e c para o cálculo do teor de umidade de equilíbrio
de grãos.
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ressão de Vapor x Umidade de Equilíbrio
Como no ar, o vapor d’água do grão exerce pressões no sentido
de ocupar todos os espaços vazios em seu interior.
De modo semelhante, a pressão de vapor d’água (dada em mbar,
Pa ou mmHg) do produto pode ser determinada pela superposição
dos dados de umidade de equilíbrio, no gráfico psicrométrico,
bastando para isto localizar o ponto na curva correspondente à
umidade do produto para a temperatura em questão e, em seguida,
fazer a leitura da pressão de vapor.
P
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ressão de Vapor x Umidade de Equilíbrio
Assim, a umidade de equilíbrio pode ser usada para determinação
da pressão de vapor.
Se a pressão de vapor d’água do grão for maior do que a pressão
de vapor no ar ambiente, a água será transferida do grão para o
ambiente (dessorção).
Inversamente, se a pressão de vapor d’água do grão for menor do
que a do ar ambiente, a água passará do ambiente para o grão
(absorção).
P
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ressão de Vapor x Umidade de Equilíbrio
Outro método para determinar a pressão de vapor do grão
consiste em localizar a umidade relativa de equilíbrio, para a
umidade do produto e temperatura em questão.
A umidade relativa de equilíbrio é definida como a razão
entre pressão de vapor da água do grão e a de vapor de
saturação para a temperatura especificada.
Portanto, pode-se determinar a pressão de vapor de água no
grão como o produto da umidade relativa de equilíbrio pela
pressão de vapor de saturação, para aquela temperatura.P
GRÁFICO
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RÁFICO PARA MILHO G
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eterminação da Umidade de Equilíbrio
A determinação da umidade de equilíbrio é feita pela manutenção
do produto em um ambiente (uma massa de ar) cujas características
psicrométricas são conhecidas ou preestabelecidas.
Dois métodos são usados para determinar a umidade de equilíbrio:
1. o método estático, em que o ar e o produto não sofrem
movimentação, e
2. o método dinâmico, em que o ar e o produto são movimentados
mecanicamente para acelerar o equilíbrio.
D
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eterminação da Umidade de Equilíbrio
Apesar de mais usado, o método
estático necessita de vários dias
ou semanas para que a umidade
do produto entre em equilíbrio
com o ambiente.
Neste método, pode-se usar
soluções salinas saturadas ou
soluções ácidas, a diferentes
concentrações, para manter a
umidade relativa desejada sob
determinada temperatura.
D
Esquema do método estático para
determinação da Ue.
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eterminação da Umidade de Equilíbrio
Usando o método dinâmico,
chega-se mais rapidamente ao
valor da Ue.
A velocidade com que o
equilíbrio é atingido vai
depender da quantidade de
trocas a serem feitas para um
produto em particular.
Neste método, o ar é
borbulhado através de uma
solução ácida ou uma solução
salina saturada, que controla a
umidade em torno do produto.
D
Esquema do método dinâmico para
determinação da Ue.
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IGURA F
Esquema do método estático para
determinação da Ue.
Esquema do método dinâmico para
determinação da Ue.
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EFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. BROOKER, D.B.; BAKKER-ARKEMA, F.W. & HALL, C.W. Drying and
storage of grains and oilseeds . Westport, The AVI Publishing Company, Inc.,
1992. 450 p.
2. PEREIRA, J.A.M. Água no grão, comportamento, disponibilidade e relação com
a tecnologia de armazenagem. Viçosa, CENTREINAR. 29 p.
3. PEREIRA, J.A.M.; QUEIROZ D.M. Higroscopia. Viçosa. CENTREINAR. 28 p.
4. PUZZI, D. Abastecimento e Armazenagem de Grãos.Campinas, Instituto
Campineiro de Ensino Agrícola, 1986. 603 p.
5. SILVA, J.S.; DONZELES, S.M. & AFONSO, A.D.L. Qualidade dos grãos. Viçosa,
Engenharia na Agricultura, 1992. 30 p. (Caderno Didático).
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