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Celso Lucas – Med 76 STREPTOCOCCUS São cocos Gram-positivos Estão organizados em cadeias ou pares São catalase-negativos Existem algumas espécies que só crescem em concentrações aumentadas de CO2 (crescimento capnofílico) A maioria das espécies e anaeróbia facultativa Podem ser classificados quanto o tipo de hemólise: Alfa-hemolíticos: formam uma zona verde ao redor de suas colônias, devido hemólise incompleta das hemácias no ágar. EX: S.pneumoniae e do grupo viridans. Beta-hemolíticos: formam uma zona clara ao redor das suas colônias. A hemólise decorre da produção de enzimas: hemolisinas – estreptolisina O e estreptolisina S. EX: S.pyogenes e agalactiae Gama-hemolíticos: não provocam hemólise, logo, não promovem alteração de cor ao redor de sus colônias. EX: Enterococcus faecalis e faecium Resumo das alterações, de acordo com o tipo de hemólise, e sensibilidade: Os estreptococos B-hemolíticos possuem dois importantes antígenos: 1 Carboidrato C: determina o grupo dos estreptococos. Situa-se na parede celular e sua especificidade é determinada por um amino- açúcar. É um dímero de N-acetilglicosamina e ramnose. 2 Proteína M: • Consiste em duas cadeias polipeptídicas, complexadas em uma alfa-hélice. • Encontra-se ancorada à membrana citoplasmática, projetando-se para cima da superfície bacteriana. • É composta por duas partes principais: um terminal carboxil, ancorado à membrana (esse é comum a todos os streptococcus do grupo A) e um terminal amino, que se estende acima da superfície celular (esse é o responsável pela variabilidade antigênica). • Função: ✓ tem efeito biológico de adesina ✓ medeia a internalização pelas células hospedeiras ✓ antifagocitária ✓ degrada C3b do complemento Celso Lucas – Med 76 • Classificação: são subdivididas em moléculas de classes I e II: Classe I: compartilham antígenos expostos Classe II: não tem antígenos expostos compartilhados IMPORTANTE: somente bactérias com proteínas M da classe I causam febre reumática! Classificação dos Streptococcus 1. Streptococcus beta-hemolíticos: • São organizados em grupos de A-U (classificação de Lancefield), com base nas diferenças antigênicas do carboidrato C. • Grupo A = S. pyogenes (sensíveis à Bacitracina) • Grupo B = S. agalactiae (são resistentes à Bacitracina e clivam hipurato) • Grupo D = inclui os Enterococcus e os não Enterococcus (ex. S.bovis) OBS: A reação hemolítica do grupo D é variável; a maioria é alfa- hemolítico, mas temos também beta e até mesmo gama-hemolíticos. O que os une nesse grupo é a característica do carboidrato C. OBS: os Enterococcus são capazes de crescer em solução salina hipertônica (6,5%) e em bile e não são mortos por penicilina G. OBS: os não-enterococcus são mais sensíveis, sendo inibidos por NaCl 6,5% e mortos por penicilina G. 2. Streptococcus não beta-hemolíticos: • Alfa-hemolíticos: S.pneumoniae (é bile-solúvel e sensível a optoquina) e S. do grupo viridan (não são bile-solúveis e são resistentes a optoquina) • Gama-hemolíticos: Enterococcus e S. do grupo viridans podem ocasionalmente serem não-hemolíticos. 3. Peptostreptococos: • É um gênero de bactéria anaeróbia ou microaerofílica, Gram-positiva e não-formadora de esporos. • As células são pequenas, esféricas e podem ocorrer em pequenas cadeias, em pares ou individualmente • Produzem hemólise variável Considerações sobre S. pyogenes • Crescimento é ótimo em meio enriquecido com sangue; • Crescimento é inibido se o meio tem altas concentrações de glicose; • Após 24 h de incubação: observa-se colônias brancas, com grandes zonas hemólise; • Parede celular: esqueleto básico é a camada de peptidioglicana (semelhante às outras bactérias Gram-positivas). • Na parede celular: estão os grupos- e tipo-específicos. • Pertence ao grupo A de Lancefield • É Beta-hemolítico ✓ A proteína M é o mais importante fator antifagocitário ✓ Sua cápsula de ácido hialurônicos é também antifagocitária OBS: por que não são formados anticorpos contra a cápsula? Pois o AH é componente natural do nosso organismo, logo, não é reconhecido como um antígeno de fato. • Causam doença com base em 3 mecanismos, a saber: Inflamação piogênica – induzida localmente onde está o microrganismo Produção de exotoxinas – pode causar sintomas sistêmicos Imunológico – pode desencadear respostas autoimunes, como febre reumática • Produzem 5 importantes toxinas e hemolisinas: 1) Toxina eritrogênica (ou exotoxina pirogênica estreptocócica – Spe): • É semelhante à toxina produzida por Corynebacterium diphtheriae Celso Lucas – Med 76 • Atua como um superantígeno, semelhantemente à Toxina do Choque Tóxico. • Teste de Dick: injeção de uma dose de teste cutâneo da toxina em questão mostra se o indivíduo é sensível ou não (se tem antitoxina) 2) Estreptolisisna O: • Hemolisina lábil a O2 (inativada por oxidação) • Quando causa B-hemólise? -Apenas quando as colônias se desenvolvem abaixo da superfície de uma placa de Agar sangue. • É antigênica: o anticorpo contra ela é o ASO (anti-estreptolisina O), que se desenvolve após uma infecção. • O que faz? É capaz de lizar eritrócitos, leucócitos, etc 3) Estreptolisina S: • Não é antigênica • Não é lábil a O2 • É responsável pela beta-hemólise quando as colônias crescem na superfície de uma placa de Agar sangue. • Pode lizar eritrócitos, leucócitos e plaquetas 4) Exotoxina A piogênica: • Responsável pela maioria dos casos de Síndrome do Choque Tóxico por estreptococos • É um superantígeno 5) Exotoxina B: • Destroe rapidamente os tecidos – por isso os S.pyogenes são referidos como “carnívoros” OBS: S.pyogenes produzem também estreptoquinase (fibrinolisina), peptidase de C5a (impede o recrutamento de células fagocitárias), hialuronidase e DNAses (degradam DNA em exsudatos e tecidos necróticos). Testes para identificação de bactérias dos gêneros Streptococcus e Staphylococcus (não precisa decorar valores) Bacitracina A primeira prova presuntiva para identificação de estreptococos beta hemolíticos é a hemólise total (beta hemólise) em Ágar Sangue. Os estreptococos ß-hemolíticos que forem sensíveis à Bacitracina são considerados presuntivamente como pertencentes ao Grupo A de Lancefield. Interpretação Positivo (Sensível): Presença de qualquer halo ao redor do disco. Negativo (Resistente): ausência de halo ao redor do disco. Novobiocina Separa cepas de Staphylococcus saprophyticus (Novobiocina resistente) das demais cepas de Staphylococcus coagulase negativa de importância clínica; Staphylococcus saprophyticus é a única espécie isolada em humanos como causadora de infecções urinárias. Celso Lucas – Med 76 Interpretação Resistente: Ausência de halo de inibição ou halos <= 15 mm. Sensível: Presença de halo de inibição => a 16 mm. Optoquina A optoquina ou cloridrato de etil-hidrocupreína, um derivado da quinina, inibe seletivamente o crescimento de Streptococcus pneumoniae em concentrações muito baixas (5 µg/mL ou menos), podendo eventualmente inibir o crescimento de outros estreptococos alfa-hemolíticos, porém apenas em concentrações maiores. A prova de sensibilidade à optoquina é indicada para a diferenciação entre estreptococos alfa- hemolíticos e pneumococos (S. pneumoniae). Interpretação Positivo (Sensível): • Disco de 6 mm: halo de inibição de 14 mm ou mais.• Disco de 10 mm: halo de inibição de 16 mm ou mais. Negativo (Resistente): • Disco de 6 mm: halo de inibição inferior à 14 mm ou ausência de halo. • Disco de 10 mm: halo de inibição inferior à 16 mm ou ausência de halo.