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Planejamento Estratégico na Gestão Pública e Marketing Governamental Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Ms. Marcelo Bernardino Araújo Revisão Textual: Profa. Esp. Márcia Ota Aplicação de ferramentas de marketing no setor público • Aplicação de Ferramentas de Marketing no Setor Público • Desenvolvimento e aperfeiçoamento de serviços públicos • Estabelecimento de preços motivadores • Otimização de canais de distribuição • Criação de identidade de marca para os programas públicos • Comunicação eficaz com públicos-chave • A melhoria dos serviços e a satisfação dos cidadãos · Esta unidade tem como objetivo conhecer quais são as ferramentas de marketing aplicáveis aos serviços públicos. OBJETIVO DE APRENDIZADO Nesta Unidade, vamos aprender um pouco mais sobre um importante tema: a aplicação de ferramentas de marketing no setor público. Então, procure ler, com atenção, o conteúdo disponibilizado e o material complementar. Não esqueça! A leitura é um momento oportuno para registrar suas dúvidas; por isso, não deixe de registrá-las e transmiti-las ao professor-tutor. Além disso, para que a sua aprendizagem ocorra num ambiente mais interativo possível, na pasta de atividades, você também encontrará as atividades de Avaliação, uma Atividade Reflexiva e a Videoaula. Cada material disponibilizado é mais um elemento para seu aprendizado, por favor, estude todos com atenção! É importante também respeitar os prazos estabelecidos no cronograma. Bons estudos! ORIENTAÇÕES Aplicação de ferramentas de marketing no setor público UNIDADE Aplicação de ferramentas de marketing no setor público Contextualização A Administração Pública é responsável pela execução de planos e ações governamentais, visando ao atendimento das necessidades básicas da sociedade, através de serviços essenciais, como: educação, cultura, segurança, saúde, água, eletricidade, dentre outros, cujas despesas orçamentárias dependem de autorização legislativa para sua realização. Os tributos a serem arrecadados nas esferas de governo são estabelecidos na Lei Magna e determina as transferências obrigatórias de recursos da União para Estados, Distrito Federal e Municípios. Uma dotação (crédito orçamentário) pode ser descentralizada? A Administração Pública Federal, muitas vezes, delega a responsabilidade pela execução de ações ou programas de sua competência aos municípios; estados; Distrito Federal; órgãos da administração pública direta; autárquica ou fundacional; empresas públicas ou sociedades de economia mista, de qualquer esfera de governo ou organização particular. A descentralização de créditos é a figura pela qual uma unidade orçamentária ou administrativa transfere a outras unidades orçamentárias ou administrativas o poder de utilizar créditos que lhes forem dotados. A descentralização de créditos permite mais flexibilidade e dinamicidade na execução dos projetos e atividades, podendo ser: · Descentralização Interna de Crédito ou Provisão: é a transferência de créditos entre unidades gestoras de um mesmo órgão ou entidade; e · Descentralização Externa de Crédito ou Destaque: é a transferência de créditos entre unidades gestoras de órgãos de estruturas administrativas diferentes, de um órgão para outro. 6 7 Aplicação de Ferramentas de Marketing no Setor Público Começamos esta unidade com uma pergunta. Você sabe quais são as principais ferramentas de marketing? Não? Vamos conhecê-las? As principais ferramentas de Marketing são: o benchmarking, a SERVQUAL, o CRM (Customer Relationship Management), a análise SWOT (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças), a segmentação de mercado, o SIM (sistemas de informação de marketing), as pesquisas de marketing e o plano de marketing. O benchmarking é uma técnica que faz comparações e procurar imitar as organizações, sejam elas concorrentes ou não, sejam do mesmo ramo de negócios ou de outros, que façam algo de maneira particularmente bem-feita (MAXIMIANO, 2000). A essência do benchmarking é a busca das melhores práticas de gestão, como forma de ganhar vantagens competitivas. O SERVQUAL é uma escala de múltiplos itens, em que vinte e duas variáveis são agrupadas em cinco dimensões, a saber: tangibilidade (a aparência física das instalações, equipamentos e pessoas); confiabilidade (habilidade em prestar o serviço confiável e corretamente); presteza (disposição em ajudar os consumidores e proporcionar com presteza o serviço); segurança (conhecimento e cortesia dos empregados e sua capacidade de inspirar confiança ao consumidor) e empatia (a atenção e o carinho individualizados proporcionados aos clientes) (PARASURAMAN, ZEITHAML e BERRY, 1988). O Customer Relationship Management (CRM), ou Gerenciamento do Relacionamento com o Cliente em português, é uma ferramenta de marketing de esforço corporativo contínuo, de longo prazo, que deve envolver todos os níveis da empresa. Trata-se de uma quebra de paradigma, pois para sua implantação é necessária uma mudança cultural, que é a passagem da visão de produto para a visão do cliente. Seu objetivo é melhorar o relacionamento da empresa com seu público-alvo, promovendo benefícios para ambas as partes (ZANONE, 2007). A análise SWOT é uma das ferramentas de marketing para suporte ao planejamento estratégico. SWOT significa: Strenghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças). Ela se divide em dois ambientes: o ambiente externo à organização (oportunidades e ameaças) e o ambiente interno (pontos fortes e pontos fracos). O ambiente externo, ou seja, fora da organização, não podemos controlar, o que ocorre também para os meus concorrentes e, portanto, representam oportunidades ou ameaças iguais para todos, cuja probabilidade de impacto deve ser tratada por cada entidade separadamente. Já o ambiente interno, ou seja, dentro da organização, é aquele que pode ser controlado e, portanto, é diretamente sensível às estratégias formuladas pela administração (ANSOFF & MCDONNELL, 1990). 7 UNIDADE Aplicação de ferramentas de marketing no setor público A segmentação de mercado, segundo Cobra (2009, p. 123), “é a ação de iden- tificar e classificar grupos distintos de compradores que apresentam comportamento de compra relativamente homogêneo”. Essa técnica permite que as empresas aloquem recursos estratégicos de marketing para cada segmento, conseguindo, com isso, racionalizar custos e facilitar o acompanhamento dos resultados obtidos. Assim, na segmentação de mercado, os consumidores devem ser agrupados por suas características individuais e também por tipo de consumo similar. Já um sistema de informação em marketing (SIM) é definido por Cobra (2009, p. 54) “como uma estrutura da interação entre pessoas, equipamentos, métodos e controles, estabelecidos para criar um fluxo de informações capaz de prover as bases para tomada de decisão em marketing”. Dessa forma, a informação, por si só não gera a tomada de decisão. Então, é preciso selecionar um curso de ação que auxilie a identificar não apenas os problemas e as oportunidades, mas também indique caminhos que reduzam as incertezas e os riscos. Na era da informação, também nos deparamos, cada vez mais, com as pesquisas de marketing. A pesquisa de marketing é uma ferramenta para a descoberta de informações precisas sobre o público-alvo, as quais auxiliam no relacionamento de variáveis de marketing com o ambiente e os grupos de clientes, bem como removem incertezas as incertezas ao oferecer informações relevantes respeito das variáveis de marketing, do ambiente e dos consumidores (MALHOTRA, 2012). Às vezes, o possível cliente, que faz parte do público-alvo das pesquisas é até remunerado, pois ele deve ser o mais honesto e sincero em suas respostas. Emalguns casos, uma empresa contrata outra que é especializada na realização dessas pesquisas. Em alguns casos, uma empresa contrata outra que é especializada na realização dessas pesquisas, as quais também podem ser aplicadas na forma de fóruns, enquetes. Por fim, conforme Cobra (2009), o plano de marketing é uma ferramenta que, quando utilizada, precisa apresentar programas detalhados de ação, recursos e serem alocados por área de atividade e região. O plano de marketing ainda deve conter indicadores de desempenho e se apresentar de forma clara, focada e realista. São pressupostos do plano de marketing: a consistência entre os recursos e o plano traçado, a responsabilidade de cada área da empresa, a comunicação entre as áreas nas diversas etapas do planejamento e a implantação e acompanhamento do que foi planejado. Direta ou indiretamente, essas ferramentas de marketing também devem ser exploradas no serviço público, tendo em vista o cumprimento dos princípios da administração pública, em especial, os da publicidade e da eficiência. Você se lembra dos 4 “Ps” do marketing? São eles: Produto, Preço, Praça e Promoção. Nas próximas seções, você verá a aplicação deles no setor público. 8 9 Desenvolvimento e aperfeiçoamento de serviços públicos Administrações públicas devem simultaneamente promover os serviços públicos, definir políticas e atuar como o principal canal através do qual são fornecidos os serviços básicos, particularmente educação, habitação e serviços sociais. Percebe-se, hoje, que os cidadãos possuem um papel ativo em relação à prestação de serviços públicos que têm um impacto direto sobre eles. Quanto mais um serviço envolve os usuários, mais importante se torna a ampliação dos níveis de participação. O fi lme Cidadão Kane dirigido por Orson Welles conta a ascensão de um mito da imprensa americana. De garoto pobre no interior a magnata de um império do jornalismo e da publicidade mundial. Inspirado na vida do milionário William Randolph Hearst. Ex pl or Mesmo com o princípio da igualdade nem sempre sendo respeitado na distribuição de certos bens e serviços, o mercado e o marketing podem ter urna importante função na eleição das provisões através das indicações de quais bens e demandas são maiores ou mais esperados, revolucionando o modo de o Estado e as administrações reverem seus papéis, colocando-se também como clientes e alterando, com isso, todo o sistema de inter-relacionamento com usuários, concessionários e prestadores de serviços. Certamente, o marketing deve ser aplicado na obtenção e manutenção desses bens, ajudando a clarear as escolhas viáveis e exequíveis; por exemplo, entre poluição e desenvolvimento econômico. Além disso, divulgação e promoção são partes integrantes do desenvolvimento de atitudes coletivas e valores aplicados aos bens públicos, bem como do efetivo controle da qualidade desses serviços. E, sem dúvida, é importante deixar claro e aparente o conjunto de benefícios diretos e indiretos decorrentes da gestão dos bens públicos. Sua invisibilidade faz desses bens elementos fáceis de ignorar, a não ser quando expostos a situações de avaliação pela sociedade, quando são, muitas vezes, duramente julgados (CONFORTO, 1998). O termo “Produto” é o primeiro P do marketing. Não é familiar a muitos que, provavelmente, associam a palavra a mercadorias tangíveis no setor privado, como arroz e feijão. Entretanto, na teoria de marketing, esse termo deve ser interpretado de maneira ampla e refere-se a qualquer coisa que possa ser oferecida a um mercado, por uma organização ou por um indivíduo, para satisfazer uma vontade ou necessidade (KOTLER & LEE, 2008). Inclui bens físicos e serviços, mas refere- se, também, a uma série de ofertas organizacionais adicionais sendo “vendidas”, eventos, pessoas, lugares, a organização em si, informações e ideias. 9 UNIDADE Aplicação de ferramentas de marketing no setor público São exemplos de “produtos” no setor público na Tabela 1: Tabela 1: Produtos no setor público Tipo de produto Exemplo Bem físico A emissão de um passaporte Serviço A realização de um exame no SUS Evento O desfile de 7 de setembro Personalidade O Ministro de Estado da Fazenda Lugar Parque Nacional da Tijuca Entidade Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Fonte: Adaptado de Kotler e Lee (2008). Estabelecimento de preços motivadores Se você pudesse escutar o que se fala nos gabinetes, nos elevadores ou até mesmo numa conversa entre gerentes, poderia ouvir as mesmas preocupações e os mesmos dilemas relativos ao estabelecimento de preços no setor público. Lembre-se que, no Brasil, temos entidades públicas de direito público (sem finalidade lucrativa) e de direito privado (com finalidade lucrativa). O papel que os profissionais de marketing assumem é de interesse específico em casos como esses, em que multas e leis existentes não parecem estar motivando o público-alvo, pois sabem administrar a percepção da população. Provavelmente, eles conhecem as penalidades por não cumprir a legislação ou não acreditam que poderão ser pegos ou que não poderão ser realmente multados. Importante! Uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) é um título fornecido pelo Ministério da Justiça do Brasil, a partir da edição da Lei nº 9.790/1999. A criação de uma OSCIP tem como finalidade facilitar o aparecimento de parcerias e convênios com todos os níveis de governo e órgãos públicos (federal, estadual e municipal) e permite que doações realizadas por empresas possam ser descontadas no imposto de renda das pessoas jurídicas a recolher. OSCIPs são ONGs criadas pela iniciativa privada, que obtêm um certificado emitido pelo poder público desde que comprovado o cumprimento de determinados requisitos, especialmente aqueles derivados de normas de governança e transparência administrativas. Em contrapartida, podem celebrar com o poder público, por meio de Termos de Parceria, que são uma alternativa aos Convênios. Você Sabia? 10 11 O termo “Preço” é o segundo P do marketing. No setor público, ele não está apenas relacionado a tarifas para produtos, programas e serviços, mas está refletido também nos desincentivos financeiros, como multas e renúncias fiscais (KOTLER & LEE, 2008). São exemplos de estratégias de adequação de preço na Tabela 2: Tabela 2: Estratégias de preço Estratégia Descrição Exemplo Preço com desconto ou concessão Redução de preços através do uso de cupons de descontos, preços reduzidos para grandes volumes de compra, abatimentos ou outros. Um IPVA menor para carros híbridos. Preço segmentado Adequação de preços considerando as diferenças de clientes, produtos ou localidade. Um ingresso mais barato para idosos em um Museu. Preço psicológico Adequação de preços em função de efeito psicológico. Uma prefeitura que aplica uma multa cara para quem urinar em local público. Preço promocional Redução temporária de preços para aumento das vendas a curto prazo. Reduzir a alíquota 0% um tributo para incentivar a importação de um produto em falta no mercado interno Preço geográfico Adequação de preços, considerando a localização geográfica dos clientes. A mudança do valor do pátio por apreensão de veículo, conforme a região, se pátio municipal, estadual, federal, de um para o outro. Fonte: Adaptado de Kotler e Lee (2008). Otimização de canais de distribuição Se o governo federal não pode estar presente em todo o território nacional, ele precisa de parcerias, seja com o setor público, seja com o setor privado. Por exemplo, o Ministério da Saúde, prevendo a possibilidade de epidemia de uma determinada doença, realiza uma campanha nacional de vacinação em parceria com estados e municípios para que o maior número possível de pessoas seja imunizado. Mas como divulgar?Em quais meios de comunicação? Publicar em jornais de grande circulação, televisão, rádio, internet? O termo “Praça”, ou seja, o local, é o terceiro P do marketing. No setor público, os canais de distribuição, resumidamente, são meios que você utiliza para entregar ofertas e meios que os cidadãos possuem para acessá -las. No composto (mix) de marketing, o “P” Praça ou local é considerado uma das decisões mais difíceis que a administração enfrenta (KOTLER & LEE, 2008). Vários são os meios possíveis de se prestar serviços de interesse público para a população, isto é, diversos canais de distribuição. São exemplos de canais de distribuição de serviços públicos: local físico (repartição), unidades móveis (ônibus), telefone (190, 193, 0800 etc.), correio (divulgação de campanhas), internet (constituição ou encerramento de empresas), entregas em domicílio (Programa Saúde da Família). 11 UNIDADE Aplicação de ferramentas de marketing no setor público Em outras palavras, você, como gestor público, deve utilizar os canais mais econômicos e eficientes, evitando longas filas e insatisfação dos usuários. Mas, lembre-se: nem todos utilizam ou têm acesso à internet. Ainda que o canal seja esse meio de comunicação, tome o cuidado de disponibilizar um local físico com pessoal treinado para auxiliar esses usuários desse serviço público. Site do Ministério das Comunicações, criado pelo Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, tem como suas áreas de competência os serviços de radiodifusão, postais e de telecomunicações e é responsável por formular e propor as políticas nacionais para estas áreas, bem como a política nacional de inclusão digital. O ministério também é responsável, entre outras funções, por outorgar e fiscalizar serviços de radiodifusão e supervisionar suas entidades vinculadas: Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel); Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebrás). http://www.mc.gov.br/ Ex pl or No Poder Executivo do governo federal, a regulamentação das ações de Comunicação se deu pelo Decreto nº 6.555/2008. As ações de comunicação do Poder Executivo Federal serão desenvolvidas e executadas de acordo com o disposto nesse Decreto e terão como objetivos principais: I. Dar amplo conhecimento à sociedade das políticas e programas do Poder Executivo Federal; II. Divulgar os direitos do cidadão e serviços colocados à sua disposição; III. Estimular a participação da sociedade no debate e na formulação de políticas públicas; IV. Disseminar informações sobre assuntos de interesse público dos diferentes segmentos sociais; e V. Promover o Brasil no exterior. As ações de comunicação do Poder Executivo Federal compreendem as seguin- tes áreas: I. Comunicação Digital; II. Comunicação Pública; III. Promoção; IV. Patrocínio; V. Publicidade, que se classifica em: a) publicidade de utilidade pública; b) publicidade institucional; c) publicidade mercadológica; e d) publicidade legal; VI. Relações com a Imprensa; e VII. Relações Públicas. 12 13 Grande parte dessas atribuições está a cargo da Secretaria de Comunicação Social (SECOM) da Presidência da República, que coordena as ações de comunicação governamental, as quais obedecem aos critérios de sobriedade e transparência, efi ciência e racionalidade da aplicação dos recursos, além de supervisionar a adequação das mensagens aos públicos. Para conhecer melhor as ações da SECOM, acesse: http://www.secom.gov.br/ . Ex pl or Criação de identidade de marca para os programas públicos Para Kotler (2000, p. 426), marca “é um nome, termo, símbolo, desenho – ou uma combinação desses elementos – que deve identificar os bens e serviços de uma empresa ou grupo de empresas e diferenciá-las da concorrência”. A construção de imagem é um fenômeno de representação individual, cada repartição deve ter a sua. Uma imagem depende de um estímulo externo e de conhecimentos e padrões de pensamento adquiridos social e culturalmente. Então, a imagem é um conceito de recepção. Estudos de Kotler (2000) têm incidido sobre a maneira como determinados públicos imaginam um produto, uma marca, um homem político, uma empresa, um país. Procura-se, acima de tudo, perceber como se pode traduzir a “imagem pretendida” (aquela que interessa ao emissor) em “imagem percebida” (aquela que foi construída pelo receptor). Esta tradução faz-se por processos comunicativos, intencionais ou acidentais, que conduzirão a um dado estímulo percebido. A imagem é sempre o resultado de um processo construtivo, que tem origem na fonte, sendo transferida pela comunicação, e resultando numa percepção pessoal do usuário (RUÃO & FARHANGMEHR, 2000). Durante muito tempo, as pesquisas sobre marca deram mais importância para o estudo do comportamento do consumidor, mas não conseguiram esclarecer com profundidade o fenômeno. A sua redução à dimensão de nome de marca foi uma limitação, só compensável pela introdução posterior do conceito de identidade (CEGARRA, 1991). A identidade da marca deveria integrar todo o conjunto de características que lhe são específicas, resultantes da sua história, dos seus valores, das suas propriedades, do seu aspecto físico, do clima de relação que mantém com o público, do seu reflexo (KAPFERER, 1991). Resumidamente, fariam parte da identidade todas as características tangíveis e intangíveis que a entidade atribuiu à sua marca e que procura comunicar ao consumidor. Definidos esses elementos, seria possível determinar o núcleo da identidade de uma marca: o seu posicionamento e a sua personalidade (UPSHAW, 1995). O posicionamento da empresa a identificará e irá diferenciá-la. A personalidade constitui uma proposta metafórica de existência física e psicológica. 13 UNIDADE Aplicação de ferramentas de marketing no setor público Segundo Ruão e Farhangmehr (2000), podemos afirmar que a comunicação de marca é o processo de transferência da identidade em imagem de marca. É o que permite à organização dar a conhecer os seus produtos ou serviços, fornecendo ao público os dados que este transformará em imagem. Isto porque a marca não existe como um fim em si, mas com o propósito de representar a oferta organizacional. Já a construção da imagem de qualquer marca supõe um processo de descodificação por parte dos receptores, que interpretam o conjunto de sinais transmitidos pela marca. E, como todo o processo de descodificação, a formação de imagem não é exceção, o receptor contribui decisivamente para o resultado final, isto é, há uma parte do resultado-imagem que não depende do estímulo objetivo, mas do processo conceitual do indivíduo. Comunicação eficaz com públicos-chave A comunicação ocorre por meio de processos entre as pessoas e os grupos que estão envolvidos em uma mesma situação. Isso exige uma organização para que a comunicação seja forte, tanto para se relacionar com seu público interno quanto com o público externo. Mas as relações públicas e o marketing têm funções diferentes? Sim, enquanto o marketing se preocupa com a conquista e a satisfação de mercados de consumidores, as Relações Públicas se ocupam de construir uma imagem positiva da entidade, bem como em estabelecer relacionamentos éticos e duradouros com os públicos ligados à empresa. Sobre o papel das relações públicas, Giacomini Filho (1991, p. 80) nos ensina que: [...] as relações públicas têm sido um instrumento cada vez mais presente nas estratégias das empresas dada a sua função administradora de conflitos entre o público interno/externo e o público externo/interno, além de agir no sentido de manter conceituação positiva para a empresa como um todo (...) Tem sido delegado às Relações Públicas a criação e condução dos departamentos de serviço aos consumidores, demandandouma formação profissional coerente com este novo papel de responsabilidade social. O setor ou departamento de Relações Públicas, na realização do trabalho de assessoria de imprensa, utiliza as seguintes técnicas e instrumentos de relacionamento: press release (um comunicado à imprensa), press-kit (pacote de imprensa, com brindes promocionais como amostras), coletiva de imprensa, clipping (seleção das principais notícias), contatos pessoais, visitas, eventos especiais, etc. Segundo Gonçalves (2014), as relações públicas possibilitam o desenvolvimento da comunicação, tanto ao nível interno, no que concerne à comunicação intrapartidária, como externo, naturalmente através das relações estabelecidas com 14 15 os jornalistas, mas também com os militantes, simpatizantes e cidadãos em geral. Portanto, na esfera política, tal como na esfera empresarial, apesar da importância da assessoria mediática, o contributo das relações públicas para o sucesso das organizações vai muito além dessa função essencialmente tática. Assim como no campo das relações públicas, muitos dos estudos sobre comunicação política e sobre marketing político se preocupam com o desenvolvimento de estratégias de comunicação direcionadas para diferentes públicos, específicos. A grande diferença entre as relações públicas políticas e a comunicação política está no fato de as relações públicas políticas procurarem construir e manter relações reciprocamente benéficas e a reputação junto dos seus públicos-chave para ajudar no apoio à sua missão e alcançarem os seus objetivos e, a comunicação política com os cidadãos enquanto eleitores (STRÖMBÄCK & KIOUSIS, 2011). Mas o que é relação pública política? Conforme Strömbäck e Kiousis (2011, p. 8), as relações públicas políticas são um processo de gestão da comunicação através do qual uma organização ou um ator individual, com fins políticos, procura, por meio da comunicação intencional, influenciar e estabelecer, construir e manter relações benéficas e reputações junto dos seus públicos-chave de forma a apoiar a sua missão e, assim, alcançar os seus objetivos. A Internet ocupa um lugar central para o desenvolvimento de estratégias de comunicação. As novas tecnologias de comunicação digital, em especial desde o surgimento da Web 2.0, tornaram-se um canal essencial à construção de relações entre as organizações e os seus públicos, tanto ao nível empresarial como político (SCOLARI, 2012). A Web 2.0 é um termo popularizado a partir de 2004 pela empresa americana O’Reilly Media para designar uma segunda geração de comunidades e serviços, tendo como conceito a “Web como plataforma”, ou seja, os softwares não precisam ser instalados no Computador, pois funcionam pela Internet. São exemplos de aplicações da Web 2.0: wikis (como a Wikipédia, onde qualquer pessoa pode dar sua contribuição), aplicativos baseados em folksonomia (tag ou metadado), redes sociais (como o Facebook e o Instagram), blogs etc. Já no âmbito da comunicação política, os partidos políticos podem ser considerados as organizações políticas mais relevantes, pois desempenham várias funções diferenciadas em relação a outras formas de organização política. Os partidos políticos simplificam as escolhas dos eleitores, mobilizam as pessoas para participar, recrutam e treinam candidatos políticos e líderes articulam/agregam interesses políticos e organizam o governo, assim como a oposição (STRÖMBÄCK & KIOUSIS, 2011). Você sabe qual é a diferença entre comunicação mercadológica, institucional, administrativa e endomarketing? 15 UNIDADE Aplicação de ferramentas de marketing no setor público A comunicação mercadológica tem como finalidade promover ações para o reforço da imagem de marcas, produtos e/ou serviços de uma entidade perante o seu consumidor. Para o desenvolvimento das ações mercadológicas, as empresas usam a publicidade e o marketing para direcionar suas ações. De acordo com Kunsch (2003, p. 163), “tradicionalmente, a publicidade/ propaganda foi a arma mais poderosa para a divulgação de produtos e serviços e a conquista de consumidores e mercados-alvo”. As ações utilizadas contribuem para a assimilação da mensagem utilizada pela publicidade e propaganda para despertar atração por vários tipos de produtos e serviços. A comunicação institucional é, de acordo com Kunsch (2003), um conjunto de procedimentos destinados a divulgar informações de interesse público sobre filosofias, as políticas, as práticas e os objetivos das organizações, de modo a tornar compreensíveis essas respostas. E, segundo Rego apud Kunsch (2003, p. 164), a comunicação institucional apresenta os seguintes objetivos: A comunicação institucional objetiva conquistar simpatia, credibilidade e confiança, realizando, como meta finalista, a influência político-social; utiliza, para tanto, estratégias de relações públicas, tanto no campo empresarial como no governamental, de imprensa, publicidade, até técnicas e práticas de lobby. A comunicação administrativa é a que processa os fluxos administrativos de operacionalização de informações nas organizações. Os fluxos de comunicação são feitos por instrumentos como reuniões, entrevistas, palestras, escritos, vídeos institucionais, clipes eletrônicos, correio eletrônico, contatos pessoais, telefone, memorandos, cartas, circulares, publicações, entre outros. Por fim, o endomarketing é definido por Brum (1998) “como um triângulo estratégico entre a empresa, funcionário e o cliente”. O endomarketing é o marketing voltado para dentro da empresa. De acordo com Brum (1998), o termo: Endomarketing é uma evolução do marketing, conceito de marketing: primeiro, o marketing só trabalhava o produto/serviço após a sua concepção; depois, o marketing passou a atuar dentro da fábrica, participando do processo e da concepção do produto/serviço (incluindo itens como tamanho, cor, embalagem, etc.); e, hoje, o marketing preocupa-se, também, com quem produz o produto ou presta o serviço: o ser humano. Comunicação eficaz tem relação com persuasão ou com convencimento? Ex pl or O termo “Promoção” é o quarto P do marketing. Promoção é a comunicação de marketing, que é utilizada para informar, educar e, geralmente, persuadir um mercado-alvo sobre um comportamento desejado. Segundo Kotler e Lee (2008), a palavra promoção é usada especificamente no sentido de comunicação persuasiva, 16 17 é uma ferramenta com a qual o gestor conta para assegurar que públicos-alvo a conheçam ou as suas ofertas, acreditem que experimentarão os benefícios prometidos e sejam inspirados a agir. No setor público, por exemplo, a comunicação no sentido de informar sobre os cuidados com o mosquito Aedes Aegypti; educar e persuadir, como em campanhas para incentivar o uso de preservativos e diminuir a incidência de doenças sexualmente transmissíveis diminuindo, assim, a procura na rede pública de saúde, para o tratamento delas. Dessa forma, a comunicação representa a voz da marca e é projetada e realizada para enfatizar sua oferta, determinada por decisões que você já tomou com relação ao: produto, preço e praça (local). A melhoria dos serviços e a satisfação dos cidadãos A alta carga tributária, a ineficiência na prestação de serviços públicos de qualidade e escândalos de corrupção fazem com que, cada vez mais, a população vá às ruas para participar de manifestações populares. Dentro dos novos padrões de gestão exigidos pela população, os governos devem se envolver mais em relação a esses serviços, seja na construção do controle, seja na inspeção e no licenciamento. Uma premissa para realização dessa atividade é deixar claro quem é o cliente ou consumidor. Às vezes, será difícil identificar os beneficiários, pois, na maior parte dos casos, será a população como um todo. E é por causa da sua naturezagenérica que os serviços de normatização e controle precisam observar e pensar cuidadosamente sobre quem são seus consumidores e usuários e como o perfil dos serviços pode ser definido, pois esses serviços são aparentemente menos efetivos se o público tem pouca consciência sobre eles (CONFORTO, 1998). Da mesma forma que o governo, como detentor de poder de concessão, é responsável pela garantia da prestação do serviço público de qualidade para os usuários, a delegação desses serviços a um terceiro deve observar a exigência de padrões de qualidade e de alcance de metas, transformam-no em cliente, mesmo que não seja o usuário final. Os usuários são os clientes e os consumidores e, dessa maneira, assim como o governo, têm a responsabilidade de cobrar por serviços públicos de qualidade. Chegamos ao fim de mais uma unidade. O conhecimento depende de muito estudo. Leia e releia o material e realize todas as atividades propostas. Deixo aqui uma citação de John Kennedy, que disse: “A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro”. 17 UNIDADE Aplicação de ferramentas de marketing no setor público Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Leitura Revista Interdisciplinar de Marketing BORGES JR, Adilson Adão; FONSECA, Marcelo Jacques. O uso da pesquisa de satisfação do consumidor como instrumento de política pública: o potencial de uso no caso do transporte coletivo de Porto Alegre. Revista Interdisciplinar de Marketing, v. 1, n. 3, p. 38-50, 2015. http://goo.gl/3swnWD 10º Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento CLEMENTI, Juliana Augusto; DANDOLINI, Gertrudes Aparecida; SOUZA, João Artur. A gestão do conhecimento e o desenvolvimento territorial sustentável nos órgãos públicos: a contribuição das TIC, estratégias de comunicação e sistema de informação. In: 10º Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento. 2011. http://goo.gl/aYzpRV Revista Famecos GERZSON, Vera Regina Serezer; MÜLLER, Karla Maria. PROCAC/Canoas: comunicação pública e relacionamento com o cidadão. Revista Famecos, v. 1, n. 38, 2009. http://goo.gl/XfvD6V Turismo-Visão e Ação MINCIOTTI, Silvio Augusto; DA SILVA, Edson Coutinho. Marketing de localidades: uma abordagem ampliada sobre o desenvolvimento da cidade ou região. Turismo- Visão e Ação, v. 13, n. 3, p. 329-346, 2011. http://goo.gl/DdGVFq 18 19 Referências ANSOFF, H. Igor; MCDONNELL, Edward J. Implanting strategic management. New Jersey: Prentice hall, 1990. BRASIL. Decreto nº 6.555, de 8 de setembro de 2008. Dispõe sobre as ações de comunicação do Poder Executivo Federal e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 09 set. 2008. ___. Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999. Dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, institui e disciplina o Termo de Parceria, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 24 mar. 1999. BRUM, Analisa de Medeiros. Endomarketing como Estratégia de Gestão. Porto Alegre: L&PM, 1998. CEGARRA, Jean-Jack. L’identité nominale du produit. Reveu Française de Gestion, v. 84, p. 5-18, 1991. COBRA, Marcos. Administração de marketing no Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. CONFORTO, Gloria. Descentralização e regulação da gestão de serviços públicos. Revista de Administração Pública, v. 32, n. 1, p. 27-40, 1998. GIACOMINI FILHO, Gino. Consumidor versus propaganda. São Paulo: Summus, 1991. GONÇALVES, Gisela Marques Pereira. Relações Públicas Políticas: raízes, desafios e aplicações. Revista Comunicação e Sociedade, v. 26, p. 90-98, 2014. KAPFERER, Jean-Noël. As marcas, capital da empresa. 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