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Microbiologia uma ciência para a vida Introdução à Microbiologia É a ciência que estuda os microrganismos ◦ O que são os microrganismos? Seres vivos extremamente pequenos invisíveis a olho nú Podemos incluir neste grupo: Bactérias, fungos, microalgas, protozoários, helmintos (vermes chatos e cilíndricos) Vírus (não são considerados seres vivos) Archaea – procariotos Bactérias-procariotos Fungos – eucariotos Protozoários-eucariotos Microalgas-eucariotos Vírus - parasitas celulares obrigatórios Subdivisões da Microbiologia Bactérias (Bacteriologia) - organismos procarióticos; Fungos (Micologia) - organismos eucarióticos; Vírus (Virologia) - parasitas intracelulares obrigatórios; Protozoários (Parasitologia) - organismos eucarióticos; Microalgas (Ficologia) - algas procarióticas e algas eucarióticas; Tipos Celulares Procariotos x Eucariotos Microrganismos no ambiente • Micróbios são encontrados por todo o planeta e afetam todos os aspectos de nossas vidas Micróbios no solo MEV de bactérias associadas a raízes • Essenciais para o ciclo dos nutrientes •Fixação de nitrogênio •Produção de enzimas digestivas Microrganismos marinhos • Muitos peixes de profundezas têm órgãos que brilham no escuro • Esse brilho é devido a uma relação simbiótica com uma bactéria bioluminescente Bactéria marinha bioluminescente Micróbios no lar Bactéria de uma maçaneta do banheiro Comunidade microbiana em uma tábua de cortar (cozinha) Micróbios e humanos •Existe uma grande comunidade microbiana em nossa pele e trato digestório Entre os dedos dos pés Uma tosse S G M A rc h iv e A pele •A pele carrega entre 100 – 10.000 bactérias por cm² cera do ouvido Meias usadas Secreção nasal S G M A rc h iv e S G M A rc h iv e S G M A rc h iv e Dente • Os dentes possuem uma comunidade microbiana complexa • As placas são um biofilme produzidos por bactérias que produzem substâncias pegajosas para colar a bactéria à superfície dentária Microrganismos e Saúde • Uma minoria dos micróbios podem causar doenças em humanos, plantas e animais • para cada bactéria patogênica para o homem existem pelo menos 10 espécies inofensivas Modelo de um vírus de língua Planta infectada com o vírus mosaico do couve-flor R . F ra se r Salmonella repicada em uma placa com ágar C . R ee s Exemplos de doenças infecciosas Exemplos de doenças infecciosas Efeitos benéficos dos microrganismos Ciclagem de nutrientes; Fotossíntese; Decomposição e biodegradação; Fixação de Nitrogênio atmosférico; Microbiota natural de outros organismos; Produção de alimentos e combustível; Produção de antibióticos, toxinas e vacinas; Biotecnologia; Pesquisa básica. Efeitos benéficos dos microrganismos E fe ito s b e n é fic o s d o s m ic ro rg a n is m o s Biotecnologia • antibióticos e outros remédios, enzimas e igredientes alimentícios Estação de tratamento de esgoto • Os efluentes são quebrados e reciclados por bactérias e protozoários no tratamento de água e esgoto HISTÓRICO DA MICROBIOLOGIA Histórico da Microbiologia Os microrganismos foram os primeiros seres vivos do nosso planeta Por que o homem só descobriu a existência dessas criaturas a partir do século XVII? Porque somente a partir do advento do microscópio foi possível observar estes seres minúsculos O inglês Robert Hooke foi o primeiro a observar minúsculas lacunas presentes em uma fatia de rolha de cortiça, o que ele chamou de células O alemão Antoni Van Leeuwenhoek foi o primeiro a observar microrganismos vivos através de microscópio rudimentar (conjunto de lentes de aumento) no século XVII Leeuwenhoek fez desenhos do que ele chamou de “animáculos” presentes em fluidos como água da chuva, dentes e saliva. Histórico da Microbiologia Antoni van Leeuwenhoek (1684) “Primeiro a observar microrganismos na saliva e na água através de lentes de aumento (300x)” - animáculos Histórico da Microbiologia Imagens captadas pelo microscópio de Leeuwenhoek (1673 – Royal Society of London) Microscópio Leeuwenhoek (1632-1723) Relatou as suas observações numa série de cartas dirigidas à Royal Society of London Debate sobre a geração espontânea Até a segunda metade do século XVII muitos cientistas acreditavam que formas de vida poderiam aparecer espontaneamente da matéria morta Esse processo foi chamado de Geração Espontânea A pouco mais de 100 anos as pessoas acreditavam facilmente que: ◦ Sapos e cobras poderiam nascer de solos úmidos ◦ Moscas poderiam nascer a partir de estrume ◦ Insetos nasciam de animais em decomposição Idéias contrárias à Ger. Esp. Francesco Redi (1668) – demonstrou que larvas de insetos não surgiam espontaneamente de carne apodrecida: Encheu três jarras com carne em decomposição e lacrou-as fortemente; Encheu outras três jarras com carne em decomposição e deixou-as abertas ◦ Resultado: As larvas apareceram nas jarras abertas Debate sobre a geração espontânea Problema: alguns pensadores disseram que o ar fresco era necessário para geração espontânea Redi então encheu três jarras com carne em decomposição e as cobriu com uma fina rede, ao invés de lacrá-la ◦ Resultado: As larvas apareciam somente se fosse permitido que moscas deixassem seus ovos sobre a carne! Experimento de Francesco Redi Debate sobre a geração espontânea Problema: muitos cientistas ainda acreditavam que pequenos organismos como os animáculos de Leeuwnhoek eram simples o bastante para serem gerados a partir de materiais não-vivos Debate sobre a geração espontânea O inglês John Needham (1745) – aqueceu caldos nutritivos e, antes de colocá-los em frascos cobertos, estes caldos eram resfriados. Needham observou o crescimento microbiano após o resfriamento e considerou que os microrganismos desenvolviam-se espontaneamente a partir dos caldos Lazzaro Spallanzani (1765) – sugeriu que os microrganismos do ar poderiam ter contaminado o caldo nutritivo de Needham após a fervura; Experimento de John Needham Debate sobre a geração espontânea Spallanzani demonstrou que caldos nutritivos aquecidos após terem sido primeiramente lacrados em um frasco não desenvolviam crescimento microbiano Needham respondeu que a “força vital” necessária para a geração espontânea tinha sido destruída pelo calor Em 1858, o alemão Ruldolf Virchow criou o conceito da Biogênese = Novas células formam-se pela reprodução de outras células pre-existentes, por meio da divisão celular. "Omnis cellula ex cellula“. Debate sobre a geração espontânea O famoso cientista francês Louis Pasteur demonstrou que os microrganismos estavam presentes no ar e podiam contaminar soluções estéreis, embora o próprio ar, por si só, não criasse micróbios O experimento de Louis Pasteur O experimento de Louis Pasteur O experimento de Louis Pasteur continuação... O experimento de Louis Pasteur O experimento de Pasteur Pasteur demonstrou que os micróbios podem estar presentes na matéria não-vivasobre sólidos, dentro de líquidos e no ar; Demonstrou que a vida microbiana pode ser destruída pelo calor; Elaborou técnicas para evitar contaminação de soluções nutritivas pelos microrganismos do ar; Essas descobertas formam a base das Técnicas de assepsia, que impedem a contaminação por microrganismos e que são até hoje utilizadas Mais contribuições de Pasteur Por que as bebidas azedam quando armazenadas por longos períodos? ◦ Fermentação: microrganismos denominados leveduras convertiam açúcares em álcool na ausência do ar. Solução: ferver as bebidas antes de armazenar Esse processo foi chamado de pasteurização Por que as doenças acontecem na população? Por que as doenças acontecem na população? Punição divina? The plague at ashdod – Nicolas Poussin - 1630 The Plague – Arnold Boecklin, 1898 Contribuições de Joseph Lister (1867) Lister publicou um trabalho que revolucionou a cirurgia: a antissepsia cirúrgica. O sistema de antissepsia baseava-se na esterilização pelo calor dos instrumentos cirúrgicos, e na pulverização de um agente antiséptico, o fenol ou ácido carbólico, sobre a área e roupas cirúrgicas. O decréscimo acentuado das infecções bacterianas devido ao fenol, permitiu demonstrar indiretamente que os microrganismos provocavam doenças. Ferdinand J. Cohn (1875) Contribui para a fundação da bacteriologia. Publica uma classificação das bactérias, usando o nome Bacillus pela primeira vez. Dá início ao jornal: Biologie der Pflanten, onde Koch mais tarde publica alguns trabalhos. Heinrich Hermann Robert Koch Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1905. Descobertas dos agentes causadores: ◦ Carbúnculo ◦ Tuberculose ◦ Cólera ◦ Malária ◦ Entre outros estudos Robert Koch – Teoria do germe da doença (1876) Os postulados de Koch 1) O patógeno suspeito deve estar presente em todos os organismos doentes; 2) O patógeno deve ser isolado do hospedeiro e crescer em cultura pura; 3) O patógeno da cultura pura deve causar a doença quando inoculado em organismos sadios; 4) O isolado do último hospedeiro deve ser o mesmo patógeno do organismo inicial Postulados de Koch MICROBIOLOGIA X SAÚDE HUMANA Contribuições de Edward Jenner Médico rural inglês que nasceu em 1794. Jenner sabia que os chineses praticavam a inoculação profilática de varíola. Esta prática, introduzida na Inglaterra em 1717 por Lady Montagu, era bastante perigosa, porque se baseava na inoculação de pús varioloso. Jenner sabia que os aldeões que ordenhavam vacas com vacínia (varíola, bovina) contraíam a doença devido ao contato com as pústulas existentes nos úberes, mas não contraíam a varíola (humana). Com base nisso, concebeu um método de prevenção da varíola baseado na vacínia Contribuições de Edward Jenner Em 14 de Maio de 1796, Jenner extraiu o líquido das pústulas de uma vaca infectada e injetou esse líquido numa criança saudável (James Philips, 8 anos). A criança desenvolveu a pústula usual. Em 1 de Julho, Jenner inoculou o vírus da varíola e a criança não desenvolveu a doença. Contribuições de Louis Pasteur (1880) Desenvolveu um método para atenuar a virulência de um microrganismo patogênico, o agente da cólera da galinha, de forma a que pudesse ser utilizado para imunizar a galinha e não causar a doença. Com este trabalho, Pasteur estabelece: O conceito de que é possível proteger contra uma doença inoculando o hospedeiro com uma estirpe atenuada do agente causador dessa doença. Pasteur reconheceu que este conceito surgiu a partir do sucesso obtido por Edward Jenner na vacinação contra a varíola em 1798. Mais achados de Robert Koch (1881) Para ultrapassar as limitações dos meios líquidos, Koch desenvolveu meios sólidos para cultura de bactérias. Primeiro utilizou fatias de batata cozida cortadas assepticamente; Depois utilizou meios com gelatina como agente solidificante produzidos em placas de vidro de fundo achatado, desenvolvidas por Richard Petri. Nestes meios tornou-se possível isolar bactérias em cultura pura. Placas de petri Contribuições de Hesse (1882 +-) Introdução do agar-agar como agente solidificante dos meios de cultura permitindo ultrapassar os problemas relacionados como: As baixas temperaturas de fusão da gelatina Presença de enzimas proteolíticas em algumas bactérias (gelatinases). O nascimento da quimioterapia Após ter sido estabelecida a relação entre microrganismos e doenças, surgiu o interesse no descobrimento de substâncias que poderiam destruir um microrganismo patogênico sem prejudicar o hospedeiro Quimioterapia: tratamento de doenças utilizando substâncias químicas Drogas sintéticas: agentes quimioterápicos preparados de produtos químicos em laboratório Antibiótico: quimioterápico produzido naturalmente por um ser vivo (bactéria, fungo, molusco...) capaz de matar outros microrganismos A descoberta dos antibióticos A penicilina G é um antibiótico natural derivado de um fungo, o bolor do pão Penicillium chrysogenum (ou P. notatum). Descoberta em 15/09/1928, pelo médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming. Disponível como fármaco desde 1941, sendo o primeiro antibiótico a ser utilizado com sucesso. A descoberta dos antibióticos Em 1928, Fleming saiu de férias e esqueceu algumas placas com culturas de microrganismos em seu laboratório no Hospital St. Mary em Londres. Quando voltou, observou que algumas placas estavam contaminadas com mofo, fato relativamente frequente. Fleming colocou as placas contaminadas em uma bandeja para limpeza e esterilização. Penicilina: um afortunado acidente Neste momento entrou no laboratório um colega, Dr. Pryce, e lhe perguntou como iam suas pesquisas. Fleming apanhou novamente as placas para explicar alguns detalhes ao seu colega sobre as culturas de estafilococos que estava realizando, quando notou que havia, em uma das placas, um halo transparente em torno do mofo contaminante, o que parecia indicar que aquele fungo produzia uma substância bactericida. Halo de inibição de crescimento Penicilina: do acidente ao tratamento Fleming decidiu fazer culturas do fungo (Penicilium), de onde deriva o nome “penicilina” dado à substância por ele produzida Em 1940, Howard Florey e Ernst Chain, de Oxford, retomaram as pesquisas de Fleming (comprovaram as suas qualidades antibióticas em ratos infectados) e conseguiram produzir penicilina com fins terapêuticos em escala industrial, inaugurando uma nova era para a medicina - a era dos antibióticos Tecnologia do DNA recombinante Os microrganismos podem atualmente ser manipulados para produzir grandes quantidades de substâncias de interesse. Ex: hormônios Paul Berg demonstrou na década de 1960 que genes (fragmentos de DNA que codificam proteínas) de seres humanos ou de animais podem ser ligados ao DNA de uma bactéria A molécula híbrida resultante foi o primeiro exemplo de DNA recombinante Tecnologia do DNA recombinante Quando DNA recombinante é inserido ao genoma da bactéria, esta passa a traduzir esse DNA e produzir a proteína desejada em grande quantidade A tecnologia que utiliza a recombinação de fragmentos de DNA é chamada de Engenharia Genética ou Tecnologia do DNA recombinante Tecnologiado DNA recombinante Tecnologia do DNA recombinante CLASSIFICAÇÃO DOS SERES VIVOS SISTEMÁTICA E TAXONOMIA Taxonomia – classificação dos organismos em categorias, ou taxa (singular: táxon), para mostrar graus de similaridade entre eles. Essas similaridades se devem ao parentesco – todos os organismos são relacionados pela evolução. Sistemática, ou filogenia, é o estudo da história evolutiva dos organismos. A hierarquia dos taxa reflete relações de evolução ou filogenias. Evolução da Taxonomia e Sistemática Desde os tempos de Aristóteles, os organismos vivos eram classificados de duas maneiras, como plantas ou como animais. Em 1735, o botânico sueco Carolus Linnaeus apresentou um sistema formal de classificação dividindo os organismos vivos em dois reinos – Plantae e Animalia. Carl Linnaeus Como tudo começou? Classificação dos Organismos Lineu propôs o sistema binomial de nomenclatura, que consiste em dois nomes: gênero (primeiro nome) e epíteto específico (segundo nome) Os nomes científicos são escritos em Latim e podem descrever um organismo ou homenagear um pesquisador ◦ Ex.: Escherichia coli – O gênero é uma homenagem ao pesquisador Theodor Escherich, enquanto o epíteto específico “coli” faz referência ao habiat desta bactéria: o cólon ou intestino grosso. Categorias taxonômicas Carolus Linnaeus (século XVIII) Distribuiu os organismos vivos em 2 Reinos (Plantae e Animalia) Heackel- século XIX Propôs a criação de um 3o reino (Reino Protista) no qual seriam incluídos bactérias, algas e protozoários. Classificação dos Organismos Whittaker - século XX Propôs o sistema de 5 Reinos (Monera, Protista, Fungi, Animalia e Plantae): baseado na forma de nutrição (fotossíntese, absorção ou ingestão). Classificação dos seres vivos segundo Whittaker (1969) Classificação dos Organismos Woese- 1978 Propôs a classificaçao dos organismos em 3 Domínios (Bacteria, Archaea e Eucarya): baseado em estudos de rRNA. Classificação dos seres vivos “Carl R. Woese (1978)” A DESCOBERTA DOS TRÊS DOMÍNIOS