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Estudo Radiográfico do Tórax Importância -Auxílio diagnóstico. -Sugere o prognóstico (distribuição das alterações pulmonares). -Orienta a terapêutica (difere os tipos de enfermidades). -Acompanhamento da evolução das enfermidades. -Avalia o tórax de forma panorâmica. Anatomia Topográfica Silhueta cardíaca e grandes vasos A: porção cranial do lobo pulmonar cranial esquerdo. B: lobos pulmonares craniais sobrepostos. C: traquéia. D: origem do brônquio lobar cranial direito. E: silhueta cardíaca. F: ápice do coração G: veia cava caudal. H: aorta descendente. I: seio diafragmático direito. J: seio diafragmático esquerdo. K: parede do estômago. L: cápsula diafragmática M: fígado Radiografia laterolateral esquerda do tórax.Fonte: TICER, 1987. A: porção cranial do lobo pulmonar cranial esquerdo. B: lobos pulmonares craniais sobrepostos. C: traquéia. D: origem do brônquio lobar cranial direito. E: silhueta cardíaca. F: ápice do coração G: veia cava caudal. H: aorta descendente. I: seio diafragmático direito. J: seio diafragmático esquerdo. K: parede do estômago. L: cápsula diafragmática M: fígado Radiografia laterolateral direita do tórax.Fonte: TICER, 1987 A: lobos pulmonares craniais B: porção cranial do mediastino C: face ventral do lobo pulmonar cranial direito D: face ventral da parte cranial do mediastino E: silhueta cardíaca. F: artérias lobares pulmonares caudais G: veia cava caudal. H: face dorsal da porção caudal do mediastino I: cúpula diafragmática J: fundo do estômago cheio de ar. Radiografia dorsoventral do tórax.Fonte: TICER, 1987 Técnica Radiográfica Deve-se ter no mínimo duas projeções perpendiculares e três projeções no caso de pesquisa de metástases. PROJEÇÕES: Laterolateral:deve aparecer cranialmente a articulação do ombro, os membros torácicos devem ser tracionados em sentido cranial, visualização das vértebras torácicas dorsalmente e o esterno ventralmente, definição do músculo diafragma. Ventrodorsal/Dorsoventral: as vértebras torácicas devem ser visíveis através da silhueta cardíaca e ficarem sobrepostas ao osso esterno. RESPIRAÇÃO (INSPIRAÇÃO E EXPIRAÇÃO) . Radiografia laterolateral demonstrando inspiração (A) e expiração (B),notar a sobreposição do músculo diafragma e da borda caudal da silhueta cardíaca que acontece durante a expiração.Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. Inspiração: as costelas estão mais separadas e os campos pulmonares mais radiolucentes,maiores detalhes vasculares são visualizados e uma maior porção da área do lobo pulmonar acessório pode ser visualizada (seta branca). Estudo Radiográfico da Traquéia Traquéia É uma estrutura tubular que se estende a partir das cartilagens da laringe até a altura da 5ª vértebra torácica, onde se bifurca nos brônquios principais sobre a base do coração. É composta por uma série de anéis cartilaginosos incompletos, sendo que o teto é formado pelo músculo traqueal.O ápice da divisão entre as aberturas dos brônquios principais (troncos) é denominado carina e é visualizado em radiografias com uma área arredondada radioluscente dorsal a base do coração. É facilmente visualizada ao exame radiográfico, devendo-se observar seu trajeto e lúmen, por projeção latero-lateral, pois por projeção ventro-dorsal há sobreposição com as vértebras da região torácica. Projeções oblíquas facilitam a observação da traquéia sem sobreposição das vértebras e do esterno como ocorre na projeção ventro-dorsal. Deve-se ter cuidado para não rotacionar o tórax em projeções laterais o que provocaria o aparente deslocamento da traquéia. O pescoço deve ser confortavelmente estendido. A superextensão gera um pseudoestreitamento na entrada do tórax, enquanto a flexão da cabeça ou do pescoço faz com que a traquéia seja desviada no tórax cranial. Diâmetro normal Para avaliação do diâmetro traqueal utiliza-se o índice traqueotoracico,mensurado a partir da relação entre o diâmetro da traquéia na entrada do tórax e a distancia entre a borda ventral da primeira vértebra toracica e a borda dorsal do manúbrio, o valor normal desse índice é igual ou superior a 0,16 para a maioria das raças caninas. Alterações Deslocamento, colapso, hipoplasia, estenose, neoplasia, calcificação, ruptura, obstrução e traqueíte. Aspecto radiográfico normal O ar presente em seu interior funciona como contraste, diferenciando-se da opacidade de tecido mole dos músculos do pescoço e das estruturas no interior do mediastino. A traquéia, no mediastino cranial, repousa a direita da linha média passando a ser centralmente localizada em sua bifurcação. Em uma projeção lateral, forma um ângulo agudo com a linha de vértebras torácicas. Radiografia lateral direita do tórax de cão da raça Yorkshire Terrier, mostrando área selecionada (traços interrompidos) para mensuração do índice traqueotoracico. B: Região cranial do tórax ampliada, mostrando os pontos para mensuração do diâmetro da traquéia (linha vermelha) e da distancia da entrada do tórax (seta amarela). Esse animal apresenta índice traqueotoracico igual a 0,19. Fonte: Castro, 2010 Alterações em Traquéia 01-COLAPSO TRAQUEAL Tipos Pode ser congênito ou adquirido, sendo mais comum em animais adultos (meia idade ou idosos) de raças de pequeno porte. A forma congênita manifesta-se em fases mais tardias da vida. Já que o tipo comum de colapso ocorre no plano dorsoventral, as radiografias laterais são as mais informativas. Posicionamento Radiografias em inspiração ou expiração do comprimento total da traqueia devem ser obtidas com os membros torácicos em ângulo reto em relação a coluna vertebral. A projeção horizontal ou tangencial da entrada do tórax, com o cão em decúbito esternal e em extensão dorsal da cabeça e do pescoço é ocasionalmente útil. Deve-se ter cuidado, pois tal posicionamento pode exacerbar os sinais clínicos. Colapso traqueal cervical ocorre durante a inspiração. Colapso traqueal torácico ocorre durante a expiração. ALTERAÇÕES RADIOGRÁFICAS O lúmen da traquéia é significativamente reduzido, a margem dorsal apresenta contorno indistinto, dada a inversão do músculo traqueal dorsal, a porção cervical, torácica ou ambas podem ser acometidas. Caso o colapso ocorra na traquéia cervical é observado à inspiração, se o colapso for intratorácico, ocorre durante a expiração e pode acometer o brônquio principal e a indução de tosse por pressão na traquéia na entrada do tórax ou por oclusão das narinas, pode ajudar a tornar o colapso mais aparente. Radiografia torácica em projeção laterolateral demonstrando colapso traqueal Fonte: Coulson&Lewis, 2002. 02-RUPTURA DE TRAQUEIA Alterações Radiográficas Caso a traquéia seja perfurada, o ar escapa para os tecidos peritraqueais e o enfisema subcutâneo pode ser reconhecido nas radiografias como opacidades aéreas abaixo da pele. Pode haver a formação de pneumomediastino caso a ruptura ocorra no interior do tórax. O ar também pode seguir para o mediastino a partir de uma ruptura extratorácica. Danos aos anéis traqueais podem resultar em estreitamento do lúmen e por fim, estenose. Radiografia laterolateral demonstrando aumento de área radioluscente em região de traquéia e áreas de radioluscencia embaixo da pele (enfisema subcutâneo- setas).Fonte: Arquivo Setor de Radiologia Veterinária – UFSM. ALTERAÇÕES NO DIAFRAGMA -Congênitas: hérnias diafragmáticas (peritônio-pericárdica e peritôniomediastinal). A hérnia diafragmática é uma protrusão de qualquer conteúdo abdominal para o tórax através de uma abertura no diafragma. A hérnia pode ser congênita, o que é incomum, principalmente em cães. -Adquiridas: rupturas diafragmáticas resultado de traumatismos. Não apresentamsaco herniário, sendo descritas como rupturas e sua protrusão se dá através de uma abertura anormal e não anatômica. De modo geral há histórico de traumatismo. ALTERAÇÕES RADIOGRÁFICAS Sinais primários: - verifica-se porções do trato gastrointestinal (estômago, intestino delgado ou cólon) podem estar deslocados cranialmente até o tórax. São facilmente reconhecidas quando preenchidas por gás. -Há aumento da radiopacidade no interior do tórax. -A cúpula diafragmática não é visibilizada. Dependendo da localização da ruptura diafragmática, o contorno de apenas uma cúpula pode ser visível. Há desvio cranial do fígado que resulta em um efeito de massa na porção caudal do tórax, com deslocamento do pulmão. Em projeção ventrodorsal ou dorsoventral, o efeito de massa pode estender- se através do tórax ou estar localizado na linha média, à direita ou à esquerda da linha média, dependendo da localização da ruptura. O estômago pode ser deslocado cranialmente, caso parte do fígado ou todo o órgão esteja herniado para o tórax. O baço pode estar herniado para dentro do tórax. O contorno do baço pode ser visível dependendo da quantidade de líquido pleural e de tecido adiposo do omento desviado com o órgão. A ruptura diafragmática aguda pode resultar em acúmulo de líquido pleural, dada a ocorrência de hemorragia. Em hérnias diafragmáticas muito crônicas, o volume de líquido pleural é moderado ou grande, devido ao encarceramento dos órgãos deslocados, causando congestão venosa e depois efusão pleural. Caso as vísceras herniadas estejam contidas apenas no interior do hemitórax esquerdo ou direito, pode haver um deslocamento das estruturas mediastinais para aregião contralateral. Sinais secundários: Órgãos abdominais como o estômago ou o baço, podem não ser visibilizados no abdômen. - Fraturas de múltiplas costelas, recentes ou antigas, podem ser observadas. - Contusões pulmonares e pneumotórax podem ser observados em casos de ruptura aguda e traumática. - O ângulo cardiofrênico mostra-se obliterado em posições dorsoventrais e ventrodorsais. Pode-se suspeitar de ruptura diafragmática se houver deslocamento cranial de órgãos abdominais. O pulmão do lado acometido pode estar comprimido ou colapsado, não sendo possível a visualização da vascularização pulmonar normal. Radiografia laterolateral demonstrando diferentes hérnias diafragmáticas. A- exame simples e B- exame contrastado (sulfato de bário). Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. Alterações em Pleuras 01-EFUSÃO PLEURAL Definição Presença de líquido pleural no espaço pleural. Tipos Transudatos, hemorrágicos (hemotórax), linfáticos (quilotórax) ou exsudatos (piotórax). *Apenas o piotórax é distinguido radiograficamente. Projeções -Laterolateral: opacidade homogênea no tórax ventral, margens pulmonares separadas, fissuras interlobares e lobo caudal com aspecto de folha. -Ventrodorsal: detecta melhor pequenas quantidades de líquido e permite visualização de fissuras interlobares. Alterações Radiográficas Há um aumento difuso de radiopacidade água no tórax, cujo grau depende do volume de líquido presente. Á projeção lateral observa-se uma opacificação homogênena no tórax ventral. Essa opacidade geralmente aparece ondulada, devido ao delineamento das bordas pulmonares pelo líquido. As fissuras interlobares passam a ser visíveis como bandas curvilíneas de radiopacidade água entre os lobos pulmonares. São largas na periferia e estreitas em direção ao hilo. A B A silhueta cardíaca pode não ser visualizada, ou é visualizada parcialmente.Em casos graves a traquéia pode ser deslocada dorsalmente, à medida que os pulmões “flutuam” no líquido. A cúpula diafragmática pode não ser visualizada. O líquido pode acumular-se entre o diafragma e as bordas pulmonares, formando umpseudo contorno diafragmático. A distribuição atípica ou assimétrica de líquido pode indicar a presença de uma massa. O líquido pleural pode ter distribuição unilateral, principalmente em casos de piotórax em gatos, indicando a presença de um processo inflamatório. Tumores pulmonares e da parede torácica além de quilotórax podem também causar acúmulo unilateral de líquido. A distribuição assimétrica pode também ser observada em rupturas diafragmáticas, em doenças pleurais ou da parede torácica. Radiografia torácica demonstrando efusão pleural. A presença de líquido obliterou a sombra cardíaca e alguns detalhes pulmonares caudais podem ser visualizados. Notar lobo caudal em formato de folha (seta azul), no posicionamento VD que esta rotacionado, o líquido pode ser visaulizado separando as margens pulmonares da parede do tórax, particularmente no lado esquerdo (setas pretas). Paciente era um gato siamês de 3 anos de idade com dispnéia. Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. 02-Pneumotórax Definição Presença de ar livre na cavidade pleural, etiologia geralmente traumática, pode ser espontâneo por ruptura de cisto ou iatrogênico. Sinais Clínicos Verifica-se dispneia e intolerância a exercícios. Projeções -Laterolateral: há deslocamento dorsal do ápice cardíaco, hipertransparência pulmonar entre as fissuras interlobares e retração dos lobos pulmonares. -Ventrodorsal: observa-se retração da pleura visceral e hipertransparência pulmonar. Radiografia torácica demonstrando pneumotórax, notar distanciamento dorsal do ápice do coração em relação ao esterno, a margem pulmonar (seta) pode ser visualizada separada da coluna vertebral e do diafragma, a área do lobo pulmonar caudal possui uma opacidade aumentada devido a um colapso parcial. Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. RADIOLOGIA DO ESÔFAGO Esofagograma : administração de substância com densidade diferente do órgão. São elas sulfato de bário (rotina) e soluções iodadas (casos de suspeita de ruptura) na dose de 2 a 6 ml / Kg de peso . A radiografia simples deve preceder sempre a contrastada. Posicionamento : região cervical o esôfago é dorsal à traquéia, na entrada do tórax encontra-se lateralmente à traquéia e na altura da base do coração encontra-se dorsal à traquéia trajeto : diâmetro do lúmen, preenchimento do lúmen pelo contraste, superfície mucosa e progressão da coluna de bário tempo : 5 a 15 minutos (início do trato digestório) Esofagograma normal em um cão Rotineiramente o diâmetro esofágico é uniforme em toda sua extensão, podendo ocorrer ondulações (peristaltismo) Estrias longitudinais - normalmente aparecem na espécie canina no esôfago até a base do coração Em felinos estas estrias são transversais na porção caudal. Densidades anormais em radiografia simples superpondo-se ao trajeto esofágico : radiopacos - corpo estranho, partículas alimentares, neoplasias radiotransparentes - coleções gasosas (aerofagia) em animais anestesiados Alteração de topografia ou densidade de estruturas adjacentes como a traquéia são indícios de alteração esofágica Trajeto em radiografia contrastada diâmetro diminuição (estenose), aumento ou dilatação pode ser segmentar, circunscrita (divertículo) ou total (megaesôfago) Preenchimento do lúmen Superfície mucosa Progressão da coluna de contraste Ruptura - extravasamento de contraste para a cavidade Processos obstrutivos Corpos estranhos : no caso de c.e. radiopaco, a radiografia contrastada é utilizada somente para diagnosticar ruptura; o c.e.radiotransparente (ex.: cartilagem) necessita de contraste Pocais de eleição para parada de corpo estranho : entrada do tórax, base do coração e cárdia Posicionamento : lateral e ventro dorsal . Radiografia Laterolateral demonstrando corpo estranho radiopaco (anzol) em esofágo em região de base do coração. Alterações AnelaresVasculares - persistência de arco aórtico direito : ocorre geralmente em cães pastores na idade de 3 a 6 meses e o principal sintoma é regurgitação SINAIS RADIOGRÁFICOS : dilatação segmentar situada cranialmente à base do coração (localização do arco comprimindo o esôfago nesta região), com deslocamento ventral da traquéia devido a dilatação esofágica Exame simples e contrastado (esofagografia) do esofago onde se observa dilatação parcial, característico de persistência de anel vascular. MEGAESÔFAGO IDIOPÁTICO : alteração de plexos nervosos da parede esofágica ocasionando dilatação progressiva desde a orofaringe até o cárdia - dilatação total Megaesôfago Congênito ou Adquirido : a dilatação congênita aparece na mesma idade de animais com persistência de arco aórtico, a diferença é a dilatação total. É obrigatório o esofagograma. SINAIS RADIOGRÁFICOS : hipertransparência em região esofágica e dilatação em toda a sua extensão na radiografia simples A dilatação total pode ocorrer também em animais anestesiados e em determinadas viroses (como a cinomose) além de outras afecções como a miastenia gravis e o hipotireoidismo Radiografia laterolateral do tórax onde observa-se esofago dilatado com gás identificado por setas pretas e confirmado pelo esofagografia. Ruptura esofágica : Deverá se utilizado solução iodada para o exame contrastado; há extravasamento de contraste para a cavidade e alteração na progressão da coluna de contraste Exame Esofagografia onde observa-se extravasamento de contraste na região cervical caudal. ESTUDO RADIOGRÁFICO DOS PULMÕES PADRÕES PULMONARES PADRÃO ALVEOLAR. PADRÃO INTERSTICIAL. PADRÃO BRONQUIAL. PADRÃO VASCULAR. PADRÃO MISTO. 01-PADRÃO ALVEOLAR Definição Verifica-se alvéolos preenchidos por líquido, debris celulares (exsudato), infiltração neoplásica ou alvéolos colapsados. O líquido ou os fragmentos deslocam o ar nos alvéolos e sua contribuição para o contraste global é perdida. Aspectos Radiográficos -Enevoado (‘algodão doce’) e áreas com aumento de densidade que tendem a se unir. -Presença de broncogramas aéreos o qual é um sinal patognomônico de doença pulmonar de padrão alveolar. O líquido preenche a região alveolar, ao redor do brônquio, tornando o ar presente no lúmen bronquial visível e evidente (radioluscente). -Consolidação pulmonar. -Fissuras interlobares. -Perda da definição dos vasos sanguíneos. Enfermidades Pulmonares Causadoras do Padrão Edema, pneumonia, hemorragia, atelectasia, alergias, doenças alveolares,crônicas e granulomas. . Radiografia laterolateral demonstrando tipo de infiltração ‘algodão doce’característico de um padrão alveolar. Setas pretas indicam broncogramas aéreos.Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. Broncogramas aéreos . Desenho esquemático representando o broncograma aéreo.Rx torácico posição lateral de um cão evidenciando o broncograma aéreo (seas) Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. A: ‘a’ representa um grupo de alvéolos preenchidos com ar, ‘b’ é o brônquio e ‘v’ é o vaso pulmonar. O ar nos alvéolos e no brônquio fornecem um contraste para a opacidade tecido mole (opacidade líquida) do vaso. O brônquio não é visualizado já que possui a mesma radiopacidade dos alvéolos. B: os alvéolos foram infiltrados, agora possuem a mesma radiopacidade dos vasos e agora os brônquios podem ser visualizados, já que contrasta com a opacidade líquido dos vasos e alvéolos neste caso. 02-PADRÃO INTERSTICIAL Definição O interstício compreende o tecido que suporta e envolve os vasos sanguíneos, linfáticos, brônquios e alvéolos e o acúmulo de fluídos ou material celular neste tecido define o padrão intersticial. O interstício pode estar infiltrado pelo tecido fibroso, neoplasia ou líquido (não pode ser diferenciado de outra doença intersticial). *Mais difícil de avaliar que o padrão alveolar. Aspectos Radiográficos Não estruturado (linear ou curvilíneo): verifica-se diminuição generalizada do contraste, dificultada visualização dos vasos e silhueta cardíaca e padrão reticular (‘favo de mel’) pode ser encontrado, principalmente em cães velhos. As paredes dos brônquios podem parecer espessadas devido um aumento em seu componente intersticial. Estruturado (nodular): pode-se verificar opacidades nodulares de tamanhos variados. Miliares: entre 0,3 e 0,5 cm. Nódulos: entre 0,5 e 3,0 cm. Massas: acima de 3,0 cm. Enfermidades Pulmonares Causadoras do Padrão Pode ser causado por edema pulmonar, hemorragia, neoplasias, pneumonia (intersticial ou fúngica), granulomas, infestações parasitárias e fibrose pulmonar. *No edema pulmonar, pode haver infiltração líquida nos tecidos intersticiais antes que o líquido apareça nos alvéolos (padrão alveolar). Radiografia torácica demonstrando padrão intersticial (reticular – ‘favo de mel’)..Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. Figura 10. Radiografia torácica demonstrando padrão intersticial estruturado. (A) nodular e (B) miliar Fonte: arquivo setor de radiologia veterinária UFSM. A B 03-PADRÃO BRONQUIAL Definição O padrão bronquial pode ser visualizado quando há alterações em brônquios como alterações de densidade e espessura das paredes e também alterações no diâmetro do lúmen (bronquiectasia – dilatação). Alterações Radiográficas -Verifica-se a árvore brônquica mais evidente. -Calcificação das paredes brônquicas. -Dilatação (bronquiectasia) ou diminuição do lúmen dos brônquios. -Presença de linhas radiopacas no plano longitudinal. -Presença de anéis de paredes radiopacas no plano transversal (calcificação ou infiltrado peri- bronquiolar). Enfermidades Pulmonares Causadoras do Padrão Pode-se verificar em bronquite, bronquiectasia (inflamatória ou infecciosa) e asma em felinos. Radiografia demonstrando padrão bronquial. Numerosos brônquios são visualizados com infiltração peribronquial e há uma calcificação das paredes bronquiais. Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. 04-PADRÃO VASCULAR Definição O padrão vascular ocorre quando há alteração em vasos pulmonares como mudanças no tamanho, forma e contorno. Os vasos pulmonares são responsáveis por grande parte das estruturas radiograficamente visíveis no pulmão. Projeções Laterolateral: veias são ventrais e artérias são dorsais aos brônquios. Ventrodorsal: veias são mediais e artérias são laterais aos brônquios. Alterações Radiográficas Hipervascularização: aumento no tamanho e número de vasos visualizados. O resultado é uma opacidade pulmonar aumentada (congestão pulmonar). Causas: condições que causem aumento do débito cardíaco direito como: desvios cardíacos da esquerda para direita, estágios iniciais de inflamação ou insuficiência cardíaca. Dilatação e sinuosidade vascular: é características de algumas condições como: dirofilariose, fistulas arteriovenosas, hipoplasia ou agenesia pulmonar. *Vasos não visualizados normalmente, em particular as veias pulmonares, podem tornar-se proeminentes na insuficiência esquerda (Ex.: insuficiência mitral). Radiografia torácica posicionamento LL demonstrando padrão vascular com vasos dilatados e indistintos. O átrio esquerdo está dilatado. Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. 05-PADRÃO MISTO Definição Ocorre quando há a associação de mais de um tipo de padrão. Exemplo: intersticial associado ao bronquial e intersticial associado ao alveolar. Sinal da Silhueta Positivo: quando dois objetos de mesma opacidade estão em contato, suas margens não podem ser distinguidas uma da outra. Negativo: objeto de radiopacidade diferente de ambos for interposto entre eles, esse objeto irá fornecer contrastee as margens individuais poderão então ser identificadas. . A-sinal da silhueta positivo com perda do contorno caudal cardíaco resultante de edema. B-sinal da silhueta negativo com margem cardíaca causal e diafragma facilmente diferenciados e visualizados com uma massa intratorácica sobreposta. Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. ESTUDO RADIOGRÁFICO DO CORAÇÃO A: aorta torácica T: traquéia B: origem do brônquio do lobo pulmonar cranial esquerdo. C: origem do brônquio do lobo pulmonar cranial direito. PA: ramos da artéria pulmonar. RD: pilar diafragmático direito. LD: pilar diafragmático esquerdo. CVC: veia cava caudal H: coração RL: artéria e veia para o lobo pulmonar cranial direito. LL: artéria e veia para o lobo pulmonar esquerdo. CM: mediastino cranial. P: dobra da pleura. LC: porção cranial do lobo pulmonar cranial esquerdo. LA: átrio esquerdo. LV: ventrículo esquerdo. RA: átrio direito. RV: ventrículo direito. . Demonstração da anatomia radiográfica em projeção laterolateral do tórax.Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. Mensurações Laterolateral: o comprimento ápico-basilar deve ser de 2/3 da altura do tórax,passando pela carina e pelo ápice do coração e a largura deve ser de 2,5 a 3,5 espaçosintercostais. Dorsoventral: no seu ponto mais largo o coração deve ser aproximadamente 2/3da largura da cavidade e deve representar cerca de 1/3 do total da cavidade. VHS (Vertebral Heart Scale System) . VHS – mensuração do tamanho do coração. Fonte: O’BRIEN, 2003. Aumento das Câmaras Cardíacas 01-AUMENTO DE ÁTRIO DIREITO Raramente acontece de modo isolado e é difícil de ser determinado radiologicamente. Há em geral um aumento de tamanho do ventrículo direito associado. Alterações Radiográficas Projeção laterolateral: há elevação da traqueia (cranialmente a carina) e perda da cintura cardíaca cranial. A veia cava caudal pode estar aumentada. Projeção ventrodorsal: verifica-se saliência da silhueta cardíaca cranial direita e corresponde a posição 09 a 11 horas. 02-AUMENTO DE VENTRÍCULO DIREITO Alterações Radiográficas Projeção laterolateral: há o aumento do contato com o esterno, aumento do diâmetro crânio-caudal do coração e perda da cintura cardíaca cranial. O ventrículo aumentado pode deslocar a traquéia (elevação), entretanto a curvatura ventral terminal permanece. Projeção ventrodorsal: a margem cardíaca direita esta mais arredondada e próxima da parede torácicas, aspecto de ‘D’ invertido (normal em Cocker Spaniel) e deslocamento do ápice para a esquerda. 03-AUMENTO DE ÁTRIO ESQUERDO Alterações Radiográficas Projeção laterolateral: verifica-se elevação da traquéia na porção terminal e perda da cintura cardíaca caudal e pode-se verificar o átrio como uma opacidade que se estende em direção ao interior dos campos pulmonares caudais (forma de cunha). Projeção ventrodorsal: verifica-se aumento da aurícula esquerda (saliência) correspondente a posição 02 a 03 horas. 04-AUMENTO DO VENTRÍCULO ESQUERDO Alterações Radiográficas Projeção laterolateral: verifica-se perda da cintura cardíaca cranial, margem caudal mais verticalizada (forma quase um ângulo reto com o esterno) e elevação traqueal (perda da curvatura ventral normal – permanece então horizontal). O diâmetro craniocaudal do coração geralmente não está aumentado como no aumento de ventrículo direito. Projeção ventrodorsal: verifica-se margem cardíaca esquerda arredondada e mais próxima da parede torácica e ápice arredondado e deslocado à direita. Radiografia laterolateral de tórax demonstrando aumento de coração direito (maior contato do coração com o esterno -setas azuis).Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. Radiografia laterolateral de tórax demonstrando aumento de coração esquerdo (átrio esquerdo se estende em direção ao interior dos campos pulmonares caudais- setas azuis). Fonte: KEALY e MCALLISTER, 2005. 05-CARDIOMEGALIA GENERALIZADA (DILATAÇÃO CARDÍACA) Verifica-se aumento pelo método VHS em que a variação normal é de 8,5 a 10,5 corpos vertebrais. O aumento pode ser por hipertrofia ou dilatação. O aumento generalizado pode ser o resultado de várias condições como: lesões valvulares, doença miocárdica, anemia crônica e doenças infecciosas e metabólicas. Alterações Radiográficas Projeção laterolateral: coração com contorno arredondado com perda da cintura cranial e caudal, o diâmentro craniocaudal está aumentado, o coração parece grande em relação a todo tórax, o coração direito está em maior contato com o esterno e o esquerdo está mais verticalizado, a traquéia e brônquios estão elevados (em casos graves a traquéia está paralelamente à coluna vertebral), o coração pode estar coberto pelo diafragma e a veia cava caudal está direcionada dorsocranialmente. Projeção dorsoventral: o diâmetro do coração está aumentado, há uma área menor de campos pulmonares, o ápice do coração está deslocado caudalmente e à esquerda, o diafragma pode estar comprimido ou sobreposto e pode haver irregularidades no contorno cardíaco. . Radiografia torácica em projeção laterolateral e ventrodorsal demonstrando cardiomegalia generalizada. Fonte: Arquivo Setor de Diagnóstico por Imagem - UFSM Referências Bibliográficas DONALD E. THRALL – Diagnóstico de Radiologia Veterinária –Editora Elsevier Brasil -2010, 859. KEALY J. K., MCALLISTER H. Radiologia e Ultrassonografia do Cão e do Gato. 3ª ed. Editora Manole, São Paulo, 2005. TICER, J. W. Técnicas Radiológicas na Prática Veterinária. 2 ed. São Paulo: Roca,1987. O’BRIEN R.T. Radiologia Torácica – para o Clínico de Pequenos Animais. 1 ed. São Paulo: Roca, 2003. STOLF, L.C. Diagnóstico por imagem. Disponível em www.veterinariandocs.com.br Acesso em 25 de maio de 2013. Radiologia do Esôfago Disponível em< http://www.playmagem.com.br/vet/rad_vet.pdf > Ac.esso em 20 de abril de 2015