Prévia do material em texto
Ausência (arts. 22 á 39 CC) Seminário de direito civil Universidade Tiradentes-Unit Curso de bacharelado em Direito Seminário sobre Ausência Docente: Me. JULIANE STRADA Discentes: Carla Gabrielly Dos Santos Nunes Izes Pereira Fontes Nascimento Magaly Cruz Santos Tácio Bezerra De Jesus Junior Victor Antônio Brandão Da Cruz Introdução Conceitos introdutórios. Histórico da ausência no código civil brasileiro A ausência já era assunto no Código Civil de 1916, mas só ganhou importância e destaque em 2002, com um capítulo só seu no Novo Código Civil. Sofreu alterações importantes, saindo do Direito de Família e passando à Parte Geral do Novo Código. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador. (CC, art. 22). O que é ausência? Para Clóvis Beviláqua (1908, p. 599), “ausente é todo aquele que está fora de seu domicílio, mas no sentido em que agora toma o vocábulo, é aquela pessoa cuja habitação se ignora ou de cuja existência se duvida, e cujos bens ficaram ao desamparo”. O que é ausência? Ludwig Ennecerus (1984, p. 337) afirma ser “indispensável na ausência a falta de notícias há tanto tempo a ponto de tornar incerta a existência da pessoa”. O que é ausência? Portanto, a ausência ocorre quando alguém desaparece, estando em lugar incerto e não sabido, por longo período de tempo e após incessantes buscas. (https://pm1.narvii.com/6561/75151851b1c06a400ccde854547cbc4205a579f9_hq.jpg) (https://pm1.narvii.com/6661/39a9ff8850c0b499d22d6e5e773c8f75c3e2bec0_hq.jpg) Lembrar de falar que o Doutor (o cara que sumiu) deixou uma mensagem falando que iria se ausentar, mas, ele disse que só ia comprar um cigarro, então não tem justificativa dele demorar dois anos kkk se ele tivesse falado "vou dar a volta ao mundo e não sei quando volto" NÃO seria justificada a ausência Nesse caso aí já estaria na sucessão provisória, já que o David (o cara que sumiu kk) NÃO deixou representante P.S.: Veja Doctor who Para que serve a ausência? Observa Silvio Rodrigues que o ordenamento jurídico, em face da ausência, procura, “de início, preservar os bens deixados pelo ausente, para a hipótese de seu eventual retorno; ao depois, transcorrido um período de tempo, sem que o ausente regresse, o legislador, desacoroçoado de esperar sua volta, passa a cuidar do interesse de seus herdeiros” Para que serve a ausência? Levando-se em conta a preocupação do legislador com os bens do ausente de se destacar que não há porque declarar a ausência de alguém que desaparece sem deixar patrimônio. Capacidade dos ausentes O Código Civil de 1916 colocou os ausentes no rol dos absolutamente incapazes (art. 5º, IV), tendo sido por isso bastante criticado. Capacidade dos ausentes A ausência deixa de ser prevista como incapacidade, passando a matéria a ser tratada na Parte Geral, “como continuidade lógica das questões atinentes à pessoa” (REALE, 1986, p. 88). Capacidade dos ausentes O ausente poderá perfeitamente realizar contratos, se casar (desde que já não o seja), inexistindo qualquer impedimento público ou privado a esse respeito. Serão atos ou negócios jurídicos perfeitamente válidos. Fases do instituto de ausência 1- curadoria dos bens 2- sucessão provisória 3- Sucessão definitiva Fases do instituto de ausência As fases da ausência vão se sucedendo através do decurso do tempo. Contadas a partir da data de declaração da ausência, as fases cuidam de fazer a transição dos direitos do ausente, em relação ao seu patrimônio, em favor de seus sucessores. Linha do Tempo 0 1 3 10 20 Anos Curatela dos bens do ausente (Com representante) Sucessão provisória e curatela dos bens (3 á 10 anos) Sucessão definitiva (10 anos em diante...) Curatela dos bens do ausente (Sem representante) Linha do tempo do instituto da ausência Durante o primeiro ano da ausência temos a fase da curadoria, após este período inicial, os interessados poderão requerer a abertura da sucessão provisória, contudo somente após 10 anos da sentença de sucessão provisória, é que poderá ser declarada a sucessão definitiva, última fase do instituto da ausência. E porque tanta demora? O motivo de toda esta espera, é para proteger os direitos do ausente sobre o seu patrimônio. Pois, como na ausência, nunca há certeza sobre a vida ou a falta dela, sempre será melhor deixar que o próprio tempo se encarregue da tarefa de demonstrar que o ausente não regressará. Resumindo, à medida que o instituto da ausência vai evoluindo através das fases, vai também reduzindo a probabilidade de que o ausente retorne. O ordenamento passa a se preocupar, então, com os sucessores do ausente e o exercício de seus direitos. Curadoria dos bens do ausente O que é um curador? Curador é uma pessoa encarregada, por lei, da administração dos bens de um menor emancipado, de um ausente, ou de um alienado internado. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador. (CC, art. 22). 22 Curadoria dos bens do ausente Também se declarará a ausência, e se nomeará curador, quando o ausente deixar mandatário que não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato, ou se os seus poderes forem insuficientes. Curadoria dos bens do ausente O juiz, que nomear o curador, fixar-lhe-á os poderes e obrigações, conforme as circunstâncias, observando, no que for aplicável, o disposto a respeito dos tutores e curadores. 24 Curadoria dos bens do ausente Comunicada a ausência ao juiz, este determinará a arrecadação dos bens do ausente e os entregará à administração do curador nomeado. A curadoria dos bens do ausente prolonga-se pelo período de um ano, durante o qual serão publicados editais, de dois em dois meses, convocando o ausente a reaparecer (CPC, art.1.161). Quem será nomeado curador? O cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência, será o seu legítimo curador. Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente incumbe aos pais ou aos descendentes, nesta ordem, não havendo impedimento que os iniba de exercer o cargo. Quem será nomeado curador? Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos. Na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador. Quando acaba a curadoria? Cessa a curadoria: pelo comparecimento do ausente, do seu procurador ou de quem o represente. pela certeza da morte do ausente. pela sucessão provisória. A abertura desta, com a partilha dos bens, faz cessar, portanto, a curadoria do ausente. Sucessão Provisória Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou representante ou procurador, em se passando três anos, poderão os interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão. (Art.26, CC) Quem pode requerer a sucessão provisória? Presentes os pressupostos exigidos no art. 26 do Código Civil, legitimam-se para requerer a abertura da sucessão provisória: o cônjuge não separado judicialmente; os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários; os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte, como os legatários, v.g.; os credores de obrigações vencidas e não pagas (CC, art. 27). Quem pode requerer a sucessão provisória? P.S.: Apesar da omissão do Código, não se pode negar à companheira esse direito, em face do art. 227, § 6º, da Constituição Federal e de sua eventual condição de herdeira Art. 1.790. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigênciada união estável, nas condições seguintes: (Vide Recurso Extraordinário nº 646.721) (Vide Recurso Extraordinário nº 878.694) I - se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II - se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; IV - não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança. Por que a sucessão é inicialmente provisória? A sucessão, inicialmente, é provisória em vista de três fatos que podem alterar a situação jurídica dos sucessores: retorno do ausente; descoberta de que está vivo (CC, art. 36); descoberta da data exata da sua morte (CC, art. 35). Por que a sucessão é inicialmente provisória? Nos dois primeiros casos, a situação provisória se desfaz porque não se verificou o fim da pessoa natural do desaparecido. No terceiro caso, a sucessão provisória pode desfazer-se, caso sejam diversos os sucessores na data da sua abertura e na da morte da pessoa declarada ausente. 34 Prazo para o início da sucessão A declaração de abertura de sucessão provisória só produz efeitos depois de transcorridos cento e oitenta dias da sua publicação. Isto é, enquanto não transposto esse marco temporal, embora já autorize a lei determinadas providências no pressuposto da permanência da situação de fato, a sucessão somente se dará quando decorrido aquele prazo. 35 Após o juiz declarar aberta a sucessão provisória, os interessados devem requerer, nos trinta dias seguintes, o inventário. Se o ausente havia deixado testamento, proceder-se-á também à sua abertura. Para que serve a sucessão provisória? O principal efeito da sucessão provisória é a imissão na posse dos bens pertencentes ao ausente pelos seus presumíveis sucessores Vale destacar que durante a etapa provisória da sucessão do ausente não se transmite a propriedade dos seus bens. Estes continuam pertencendo ao ausente. 36 Proteção dos bens do ausente Durante a fase da sucessão provisória, nenhum bem imóvel do ausente pode ser, como regra, alienado ou hipotecado. O objetivo da proibição da lei é impedir a perda dos bens. 37 Proteção dos bens do ausente Há duas exceções, contudo: o imóvel pode ser desapropriado ou pode ser alienado ou hipotecado, mediante autorização judicial, para evitar sua ruína. Em relação aos bens móveis, quando sujeitos a deterioração ou a extravio, o juiz pode ordenar sua venda e posterior emprego do valor obtido em investimento de perfil conservador. 38 O que busca o investidor do Perfil Conservador? Você que é investidor de perfil conservador, procura investimentos que substituam com maior rentabilidade os seus investimentos em Poupança ou CDB">, mas que possuam o mesmo ou menor risco que a poupança ou o CDB’s. Para alcançar rentabilidades superiores a esses investimentos, o investidor abre mão de investir em fundos de prazo de resgate mais curto em uma parcela de sua carteira, e investe esta parcela em fundos com um , o desafio nesta carteira é procurar por Fundos Referênciados DI de alta qualidade, que vão trazer o desempenho próximo ou acima do CDI. Quando acaba a sucessão provisória? Cessará a sucessão provisória pelo comparecimento do ausente e converter-se-á em definitiva: Quando houver certeza da morte do ausente; Dez anos depois de passada em julgado a sentença de abertura da sucessão provisória; Quando o ausente contar oitenta anos de idade e houverem decorridos cinco anos das últimas notícias suas 39 (CPC, art. 1.167, III; CC, arts. 37 e 38). Sucessão definitiva Quando começa a sucessão definitiva? Depois de decorridos dez anos da abertura da sucessão provisória da pessoa declarada ausente, os interessados podem requerer ao juiz que abra a definitiva. Trata-se, normalmente, da etapa final que o desaparecimento de uma pessoa desencadeia. 41 Quando começa a sucessão definitiva? A sucessão definitiva, contudo, pode ser aberta independentemente de prévia abertura da sucessão provisória quando o desaparecido conta com 80 anos de idade e há pelo menos cinco anos não há notícias dele. 42 (CC, art. 38). Essa presunção leva em conta a expectativa média de vida do brasileiro, em torno dos setenta anos. Como funciona a sucessão definitiva? A abertura da sucessão definitiva importa a presunção da morte do ausente ou desaparecido. Processa-se, portanto, como a sucessão de qualquer outra pessoa falecida. Pagam-se as dívidas pendentes, se ainda houver, e transmitem-se os bens à propriedade dos sucessores 43 . Com a partilha, o antigo titular do direito de posse provisória não é mais administrador de bens alheios. Cada sucessor torna-se, para todos os efeitos, dono dos bens correspondentes aos seus quinhões. Quanto a postura do legislador Observa-se que o prolongado período de ausência modifica a postura do legislador, que abandona a posição de preocupação com o interesse do ausente, para atentar precipuamente para o interesse de seus sucessores. 44 , a quem confere a prerrogativa de pleitear a conversão da sucessão provisória em definitiva, levantando as cauções prestadas. Mas... E se o ausente voltar? E se o ausente voltar? Pode-se dizer, na realidade, que a sucessão definitiva, como diz Silvio Rodrigues, é quase definitiva, pois a lei ainda admite a hipótese, agora remotíssima, de retorno do ausente. 46 E se o retorno ocorrer durante a sucessão provisória? Se o retorno do ausente ocorrer durante o período da sucessão provisória, e ficar provado que o desaparecimento foi voluntário e injustificado, perderá ele, em favor dos sucessores, sua parte nos frutos e rendimentos (CC, art. 33, parágrafo único). 47 E se o retorno ocorrer durante a sucessão provisória? Caso contrário, cessarão imediatamente as vantagens dos sucessores imitidos na posse provisória, que terão de restituí-la ao que se encontrava desaparecido, bem como tomar as medidas assecuratórias precisas, até a entrega dos bens a este (art. 36). 48 Questões (TJSP/Juiz de Direito/178º Concurso/VUNESP/2006) Assinale a declaração FALSA: a) O excepcional, sem desenvolvimento mental completo, é relativamente incapaz. b) O recém-nascido é capaz de direitos e deveres na órbita civil. c) O menor de dezesseis anos é incapaz de exercer pessoalmente os atos da vida civil. d) A personalidade civil da pessoa natural cessa com a declaração de ausência. Só enfatizaremos o ponto D (Procurador da República/24º Concurso/2008) Considerando as seguintes assertivas: I. Na comoriência existe presunção legal do momento da morte, que admite prova contrária de premoriência, sendo o onus probandi interessado que pretende provar que a morte não foi simultânea. II. Pelo princípio do consenso afirmativo, toda a pessoa capaz deve manifestar sua vontade de submeter-se a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica, quando haja risco de vida. III. Poderá ser requerida pelos interessados a abertura da sucessão provisória do ausente, se ele deixou representante ou procurador, em se passando três anos da arrecadação de seus bens. Pode-se afirmar que: a) Todas estão corretas; b) Apenas I não está correta; c) Apenas II não está correta; d) Apenas III não está correta. Enfatizar que só analizaremos o ponto III Referências Bibliográficas: 😉 DireitoNet, Ausência. Disponível em: <https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/5039/Ausencia>. Acesso em: 23 de agosto de 2018 em.com.br, O que é a ausência no Código Civil?. Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/direito-e-justica/2017/01/31/interna_direito_e_justica,844028/o-que-e-a-ausencia-no-codigo-civil.shtml>. Acesso em 23 de agosto de 2018 Normas Legais, CURADORIA DOS BENS DO AUSENTE. Disponível em: <http://www.normaslegais.com.br/guia/curadoria-dos-bens-do-ausente.htm>. Acesso em 23 de agosto de 2018. Ordem Perfeita,Ausência e Morte Presumida. Disponível em: <https://www.ordemperfeita.com/direito-civil-das-pessoas-ausencia-e-morte-presumida/>.Acesso em 23 de agosto de 2018. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro – Parte Geral. São Paulo: Saraiva. COELHO, Fábio Ulhôa. Curso de Direito Civil. Vol I. São Paulo: Saraiva. ENNECERUS, L. et alli. Tratado de Derecho Civil. Parte General: introdución, derecho objetivo, derecho subjetivo, sujeto del derecho, objeto del derecho. Tomo I. V.1. Barcelona: Bosch, 1934) BEVILÁQUA, C. Direito de família. Recife: Livraria Contemporânea, 1908. REALE, M. O projeto de Código Civil: situação atual e seus problemas fundamentais. São Paulo: Saraiva, 1986. BRASIL. Código Civil, Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. 1a edição. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. Obrigado pela vossa atenção! Duvidas?