Prévia do material em texto
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA Profª Drª Ana Lúcia Guimarães CEAD Faculdades São José-FSJ Reitor: Prof. Antônio José Zaib Diretor Geral: Prof. Antônio Charbel José Zaib Diretor Geral de Ensino: Prof. Dr. Armando Hayassy Coordenação Geral de EaD: Profª Drª Rita de Cássia Borges de Magalhães Amaral Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Faculdade São José GUIMARÃES, Ana Lúcia Fundamentos de Filosofia, 2015. p. 144 Centro de Educação a Distância – CEAD ISBN CDD PRODUÇÃO EDITORIAL - CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – FACULDADES SÃO JOSÉ Coordenação de Produção: Rita de Cássia B M Amaral Editor: CEAD - Centro de Educação a Distância Projeto Gráfico: Luiz Fernando Pires Machado FSJ 2015 CEAD: Centro de Educação a Distância – FSJ Todos os direitos reservados. É probida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e detentor dos direitos autorais. Profª Drª Ana Lúcia Guimarães FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA FSJ Faculdades São José Rio de Janeiro 2015 Sobre o Autor Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Possui graduação, bacharelado e licenciatura, em Ciências Sociais pela Universidade Federal, Pós Graduação Lato em Sociologia Urbana UERJ e História Contemporânea UFF Mestrado em Ciências Sociais Estudos Urbanos UERJ e Sociologia UFRJ. Doutorado em antropologia pelo PPGSA-UFRJ. Ao longo de 15 anos vem atuando em diversas instituições de ensino públicas e privadas, desde o Ensino Médio até o Curso Superior e Pós Graduação. Atuou como Dirigente Sindi- cal no SINPRO-RIO de 2004 até 2014. É Coordenadora de Projetos na Rede FAETEC RJ. É Pesquisadora Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Leopoldina do CNPq. Exerce forte atuação no campo de estudos, pesquisas e intervenções do empreendedorismo so- cial. Sócia efetiva da ABA- Associação Brasileira de Antropologia. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8922824801406378 Pág. 24 a 30 Pág. 66 a 73 Pág. 107 a 112 Pág. 48 a 53 Pág. 88 a 94 Pág. 125 a 131 Pág. 138 a 143 Pág. 16 a 23 Pág. 60 a 65 Pág. 101 a 106 Pág. 39 a 47 Pág. 80 a 87 Pág. 119 a 124 Pág. 132 a 137 Pág. 10 a 15 Aula 01 - O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO Aula 11 - FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS Aula 03 - CONTRIBUIÇÃO DE SÓCRATES E PLATÃO PARA O PENSAMENTO... Aula 13 - ÁAMPLIANDO O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE: AMBIENTAL E... Aula 05 - RACIONALISMO E CONHECIMENTO Aula 15 - SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO? Aula 07 - EPISTEMOLOGIA Aula 17 - TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS Aula 09 - CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO PENSAMENTO FILOSÓFICO Aula 19 - TEMAS ATUAIS DE FILOSOFIA: DIREITOS HUMANOS E... Aula 02 - HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES Aula 12 - AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA E EDUCAÇÃO... Aula 04 - A CONTRIBUIÇÃO DE ARISTÓTELES PARA O PENSAMENTO FILOSÓFICO Aula 14 - TRABALHO E ALIENAÇÃO Aula 06 - O MUNDO DOS VALORES: ÉTICA E MORAL Aula 16 - DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICORACIAL: O CASO DA ESCRAVIDÃO... Aula 08 - FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA Aula 18 - FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL Aula 10 - ESTÉTICA E FILOSOFIA Aula 20 - FILOSOFIA E PENSAMENTO CRÍTICO Pág. 54 a 59 Pág. 95 a 100 Pág. 31 a 38 Pág. 74 a 79 Pág. 113 a 118 ÍNDICE APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Prezados alunos e alunas, desvendaremos juntos os “mistérios” da filosofia. No entanto, é preciso conhecer um pouquinho da História para que possamos nos situar na realidade de hoje. Esse “passeio” pela História nos mostrará a passagem da mente humana simples para uma mente humana mais complexa. Somos, hoje, fruto daquilo que iniciou, em Filosofia, há mais ou menos no século VI a.C. (Antes de Cristo). Como vocês poderão perceber, dissemos que se iniciou no Séc. VI a.C., porém, como tudo que acontece na sociedade é um processo histórico, a Filosofia não foge à essa “regra”, quem de nós, simples mortais, ousaria negar que antes dessa data e lugares – Séc. VI a.C em Jônia e Magna Grécia- o pensamento filosófico não existia? Será que não seria uma tendência do mundo Ocidental de “Ocidentalizar” tudo, atribuindo ao Ocidente tudo de bom que vem acontecendo com a Humanidade? Vós que estais em busca de conhecimento e mais autonomia intelectual, inquietais com essas afirmações, duvidai e buscai. Este é o nosso grande objetivo!!! PROGRAMA DA DISCIPLINA Ementa História da Filosofia e Filosofia na História: do mito à filosofia. Filosofia Clássica, Medieval e Moderna. Consciência Crítica, Filosofia e Conhecimento: Desenvolvimento da Consciência e Conhecimento. Filosofia Moral e Política: Ética, Poder e Estado. Cultura: o caso humano – trabalho: liberdade e submissão. Filosofia e educação ambiental; Filosofia da pluralidade racial. Objetivo Geral Capacitar o aluno a perceber a importância da Filosofia na formação da grande tradição do Pensamento Ocidental. Objetivos Específicos • Formar consciência crítica, cidadã e possibilitar que o aluno vislumbre o mundo e a sociedade com um olhar mais amplo. • Vislumbrar a história do pensamento e o pensamento na história, apontando para a tolerância com pensamentos diferentes. • Mostrar o papel histórico do Estado, suas vicissitudes e críticas. • Dar ao aluno a possibilidade de ampliar seu capital cultural, ampliando a leitura crítica da sociedade através de autores fundamentais na história do Ocidente. PROGRAMA DA DISCIPLINA Conteúdo Programático UNIDADE I: HISTÓRIA DA FILOSOFIA E FILOSOFIA NA HISTÓRIA. 1.1 A Aurora da Filosofia: os pré-socráticos ao helenismo; 1.2- O pensamento cristão: a patrística e a escolástica; 1.3- Filosofia Moderna: a nova ciência e o racionalismo. UNIDADE II: CONSCIÊNCIA CRÍTICA, FILOSOFIA E CONHECIMENTO. 2.1- O Conhecimento; 2.2 - Possibilidades de Conhecimento; 2.3 – Conhecimento da história e cultura afro-brasileira. UNIDADE III: FILOSOFIA MORAL E POLÍTICA 3.1- Filosofia e Poder; 3.2- Estado: origem, função, relações com a sociedade civil e regimes políticos. 3.3- Filosofia e educação ambiental. 3.4- Direitos Humanos e Multiculturalismo. UNIDADE IV: TRABALHO: LIBERDADE E SUBMISSÃO 4.1. Trabalho – os diferentes papéis do trabalho – processo de alienação 4.2. Exploração étnico-racial: o caso da escravidão no Brasil. 4.3. Lógica capitalista – perspectivas – sociedade do tempo livre ou do desemprego PROGRAMA DA DISCIPLINA Bibliografia Básica ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à filosofia. 3 ed. SP: Moderna. 2003 CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2005. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da filosofia. História e Grandes Temas.16 ed. São Paulo: Saraiva, 2006. SACAVINO, S; CANDAU, V.M ( Orgs). Educação em Direitos Humanos – Temas, questões e propostas. Petrópolis ( RJ): DP et Alli Editora, 2008. SATO, M.; CARVALHO,I. Educação ambiental – Pesquisa e desafios. RS: Artmed, 2008. SEMENTE, M. ( Org). Educação em Direitos Humanos e Diversidade. Recife: Ed. Universitária, 2012 Bibliografia Complementar COTRIM, G. Filosofia temática. São Paulo: Saraiva, 2008. DELEUZE, G. GUATARI, F. O que é filosofia? 2. ed. SP: editora 34, 2004. FONSECA, M, N ,S. Brasil Afrobrasileiro. BH: Editora Autentica, 2010. REZENDE, A. Curso de filosofia: para professores e alunos dos cursos de segundo grau e de graduação. 14 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2008.OLIVEIRA, Marta Kohl.Vigotsky - Aprendizado e Desenvolvimento. São Paulo: Scipione,2010 STERNBERG, R. J. Psicologia cognitiva. 4. ed.. Porto Alegre: Artmed,2008. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA01 O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Caro aluno, esta é a sua chance de aprender um pouquinho sobre Filosofia, um verdadeiro caminho para a reflexão e a construção de novos saberes. Sejam bem-vindos e aproveitem para reter os seguintes pontos desta aula: 1- O que é filosofia. 2- Qual o seu significado enquanto disciplina científica. 3- A Origem do pensamento filosófico na Grécia Antiga 4- Os pré-socráticos e seus pensamentos. Objetivos da aula 01 • Entender o conceito de Filosofia como disciplina acadêmica fundamental para formar conhecimento sobre qualquer campo de saber. • Conhecer a origem da filosofia. • Conhecer o contexto e o pensamento dos principais expoentes da Filosofia O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você o conceito de Filosofia, como surgiu este campo de estudos, bem como sua origem e também os principais clássicos do pensamento filosófico. A primeira questão que vocês alunos devem ter em mente é o que significa estudar Filosofia? Por que a filosofia é uma disciplina acadêmica? E como ela surgiu através dos tempos ? Com esta aula demonstraremos seu conceito e sua trajetória de evolução enquanto uma ciência importante no cenário das Ciências Sociais. Filosofia vem do grego e em sua etimologia: philos ou philia quer dizer amor ou amizade; e sophia, significa sabedoria; ou seja, literalmente significa amor ou amizade pela sabedoria. Estudar Filosofia remete-nos a compreensão das inquietações e problemas da existência humana, dos valores morais, estéticos, do conhecimento em suas diversas formas e conceitos, visando à verdade, que não deve ser entendida como a verdade absoluta. Desta forma, a filosofia pode ser definida como a análise racional do significado da existência humana, individual e coletivamente, com base na compreensão do ser. Ela se distingue de outros campos de conhecimento como a religião e a própria mitologia grega. Já que ela através do pensamento racional, busca explicar os fenômenos e questões humanas. Também não podemos reduzir sua definição no que se refere a metodologia e à sua concepção de ciência a outros campos de saberes que contam com pesquisa empírica e experimentos práticos como fundamentos, já que a Filosofia não se prende a experimentos. Mas então quais são os métodos dos estudos filosóficos? Eles estão apoiados na análise do pensamento, experiências práticas e da mente, na lógica e na análise conceitual. Além do desenvolvimento da filosofia como uma disciplina, a filosofia é intrínseca à condição humana, não é um conhecimento, mas uma atitude do homem em relação ao universo e seu próprio ser. A filosofia volta-se para questões da existência humana, mas diferentemente da religião, não é baseada na revelação divina ou na fé e sim na razão. Apesar de algumas semelhanças com a ciência, muitas das perguntas da filosofia não podem ser respondidas pelo empirismo experimental. O SURGIMENTO DA FILOSOFIA A Filosofia surgiu na Grécia Antiga, por volta do século VI a.C. Naquela altura, a Grécia era um centro cultural importante e recebia influências de várias partes do mundo. Assim, o pensamento crítico começou a florescer e muitos indivíduos começaram a procurar respostas fora da mitologia grega. Essa atitude de reflexão que busca o conhecimento significou o nascimento da Filosofia. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 01 | O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO PÁG. 02 Antes de surgir o termo filosofia, Heródoto já usava o verbo filosofar e Heráclito usava o substantivo filósofo. No entanto, vários autores indicam que Tales de Mileto foi o primeiro filósofo (sem se descrever como tal) e Pitágoras foi o primeiro que se classificou como filósofo ou amante da sabedoria. Observemos pelas fotos dos filósofos acima que eram indivíduos que realmente se dedicavam a atividade do pensar, do questionar a existência das coisas, do mundo sensível, este que podemos tocar e materializar. Assim, devemos destacar: A FILOSOFIA É UMA CIÊNCIA QUE BUSCA CONHECER DE FORMA CLARA E RACIONAL A NATUREZA, O SER HUMANO E O UNIVERSO QUE NOS RODEIA E AS TRANSFORMAÇÕES QUE NELAS ACONTECEM. Sobre sua Origem: A FILOSOFIA SE ORIGINOU NO SÉCULO VII A.C. EM COLÔNIAS GREGAS LOCALIZADAS NA CIDADE DE MILETO QUANDO ALGUNS HOMENS PERCEBERAM QUE TUDO PODIA SER CONHECIDO ATRAVÉS DA RAZÃO HUMANA E QUE O CONHECIMENTO NÃO SE LIMITAVA APENAS PARA DEUSES. PITÁGORAS FOI QUEM CRIOU O TERMO FILOSOFIA QUE SIGNIFICA “AMIZADE PELA SABEDORIA”. O TERMO FOI CRIADO QUANDO PITÁGORAS VIU QUE OS DEUSES POSSUÍAM TODO O CONHECIMENTO E SABEDORIA QUE EXISTIA, PASSANDO ASSIM A PERCEBER QUE O HOMEM PODERIA DESEJAR E BUSCAR TAL SABEDORIA PLENA POR MEIO DA FILOSOFIA. OS PRÉ-SOCRÁTICOS Os Pré-Socráticos foram os primeiros Filósofos Gregos que viveram entre os séculos VII a V a.C. Habitaram a cidade de Atenas antes dos sofistas e nomeadamente antes de Sócrates. Há semelhança de Sócrates conhecem-se apenas notícias e fragmentos das suas obras, que só chegaram até nós porque foram citados ou copiados em obras de Filósofos posteriores. Esta aula retrata, duma forma geral, os Filósofos pré-Socráticos e as ideias que defendiam. Tales de Mileto (624-548 a.C): Tales tem uma vasta colaboração para o pensamento filosófico ocidental: era matemático e entre suas várias viagens, uma delas ao Egito, elaborou uma teoria de como se davam as cheias do rio Nilo. Também observou as pirâmides, através de um cálculo elaborado a partir da proporção entre cumprimento da sombra projetada pela pirâmide e sua altura, o que ainda hoje é um importante método geométrico para se medir áreas, o teorema de Tales. Mas como monista/naturalista, Tales também cria que todas as coisas derivariam de um único elemento. Para ele, a origem, o ‘arché’ das coisas, estava na água. Anaxímenes de Mileto (588-524 a.C): Também era monista, e acreditava que todas as coisas derivavam do vapor ou o próprio ar em si. Contestando a teoria da água de Tales, Anaxímenes buscou a origem da água e chegou ao vapor e, através dessa linha de raciocínio identificou no ar a origem do universo. O arché, para Anaxímenes, era o “pneuma” (ou ar). Anaximandro de Mileto (611-547 a.C): Discípulo e sucessor de Tales, Anaximandro era matemático, filósofo, político e também monista. Ele cria que a origem de todas as coisas estaria no “áperion” (ou infinito), ou seja, uma substância indeterminada e infindável que gerava todos os outros elementos e coisas do universo. Heráclito de Éfeso: Tinha uma característica altiva e melancólica, reconhecido por ser um pensador genial; porém, arrogante, que desprezava a plebe. Não se têm dados exatos sobre nascimento e morte, mas sabe-se que o florescimento de seu pensamento se deu em 504 -500 a.C. Heráclito cria que a origem das coisas não estava num único elemento, mas sim, em uma cadeia de fenômenos que gerava a mutabilidade constante das formas naturais e dos elementos. Era tido, por essa linha de pensamento, como um dos mais evidentes e geniais pensadores pré-socráticos. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 01 | O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO PÁG. 03 Pitágoras de Samos: Um dos maiores matemáticos da história, por suas teorias de cálculo como o teorema de Pitágoras, era também um filósofo exímio que buscava a origem de todas as coisas, como bom matemático, no número, ou melhor dizendo, nas relações matemáticas. Pouco se sabe a fundo sobre a doutrina e a vida de Pitágoras, além das fundações que ele instituiu, o êxodo para Itália e a Escola Pitagórica fazem parte disso. Além de influenciar numa reforma educacional e política na Itália. APRENDENDO UM POUCOMAIS... Assista o Vídeo: O Barato de Pitágoras Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=kHlZxwgpNLs Zenão de Eléia: Diferentemente de Heráclito, Zenão via na política, e no envolvimento do povo nessas questões uma importante chave para o avanço de uma sociedade e do conhecimento. Escrevia suas obras em prosa, mesmo quando elas se tratavam de assuntos extremamente acadêmicos. Seguia uma linha diferente da dos pitagóricos. A característica principal de Zelão foi a dialética, método que consistia em se questionar pessoas até se chegar a uma resposta satisfatória, porém, não definitiva. Chegamos ao final da aula 01 e espero que você tenha atingido os objetivos propostos... Vamos em frente e rumo a aula 02. Até lá, caro(a) aluno(a) SÍNTESE DA AULA: Nesta aula compreendemos que a filosofia é uma disciplina acdêmica que nos ajuda a questionar e pensar sobre as coisas que existem. Ajuda-nos a construir o pensamento crítico e também a iniciar uma atividade de produção de conhecimento, portanto, a Filosofia é mais do que uma disciplina acdêmica, é um método de analise do mundo social. Vimos também que sua origem na Grécia antiga nos remonta um contexto em que as pessoas queriam entender mais sobre sua existência social, seus valores e princípios de convivência. Além disso, apresentamos também as contribuições fundamentai que pensadores gregos ofereceram para o avanço da filosofia. Agora que você já conhece os pré-socráticos, entenda um pouco mais de filosofia com este vídeo e vamos a tutoria on line: Vamos assistis ao vídeo O Mundo de Sofia https://www.youtube.com/watch?v=EGjEUiC0C6s FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 01 | O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Escolha dois dos Pré-Socráticos e compare suas idéias. Gabarito: O aluno deverá escolher dois dos filósofos apresentados e abordar suas ideias. Qual a mensagem que fica sobre o vídeo O Mundo de Sofia? Gabarito: O aluno deve refletir que Sofia era uma menina de quase quinze anos que morava com sua mãe pois o trabalho de seu pai o deixava ausente boa parte do tempo. Em um dia belo, quando voltava da escola, encontrou com dois pequenos envelopes brancos, não simultaneamente. Cada um deles continha uma indagação e elas levaram Sofia a refletir sobre a vida e a origem do mundo. Também recebeu um cartão- postal que deveria ser entregue a uma pessoa que ela nem conhecia e a qual o nome era Hilde. E com isso, desenvolver seu pensamento filosófico.Sofia foi pensar e refletir sobre os envelopes em um esconderijo no jardim de sua casa. Para ela, ele representava um mundo à parte, um paraíso particular, como o jardim do Éden mencionado na Bíblia. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 01 | O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO PÁG. 05 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 01 | O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO PÁG. 06 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA02 HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES Profª Drª Ana Lúcia Guimarães O que você conhece sobre? A história da Filosofia e suas fases? Nesta aula iremos apresentar a você como a filosofia se construiu através dos tempos como uma disciplina eminentemente voltada para a concepção do pensamento crítico e como se consolidou em diferentes períodos históricos. Vamos entender e conhecer mais um pouco sobre a História e evolução do pensamento filosófico. Abordaremos também as fases da filosofia através dos tempos. Sejam bem-vindos e aproveitem para reter os seguintes pontos desta aula: 1- História da Filosofia: fases do pensamento filosófico: Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea. 2- Qual a ênfase do pensamento filosófico em cada contexto histórico 3- A importância do olhar filosófico através dos tempos Objetivos da aula 02 • Entender a história da Filosofia e seus principais expoentes de pensamento • Conhecer a Filosofia através dos tempos • Conhecer o contexto e o pensamento dos principais expoentes da Filosofia nas diferentes fases da mesma Nesta aula iremos apresentar a você como a filosofia se construiu através dos tempos como uma disciplina eminentemente voltada para a concepção do pensamento crítico e como se consolidou em diferentes períodos históricos. INICIANDO... Os primeiros filósofos gregos tentaram entender o mundo com o uso da razão, sem recorrer à religião, à revelação, à autoridade ou à tradição. Eles eram considerados professores que ensinavam seus discípulos a usar a razão e a pensar por si mesmos. Tendo vivido entre o século VI a.C e princípios do século V a.C., esses filósofos mais antigos, dos quais poucos conhecimentos foram conservados através dos tempos, são também chamados de pré-socráticos, por que antecederam Sócrates, o primeiro filósofo cujo método de pensar, bastante sistemático, foi efetivamente preservado para a posteridade. Vimos sobre eles na aula passada. Filosofia Antiga - (século VI a.C. ao V d.C.) A Filosofia Antiga vai perguntar sempre sobre o princípio de todas as coisas e seu objeto de estudos é a totalidade da realidade e do ser. Para alcançar tal intento, ela vai perscrutar sobre o primeiro princípio de todas as coisas, o porquê anterior a todas as causas, a causa não causada. Os gregos chamam este princípio de Physis (a essência de tudo). Inicialmente os pensadores chamados pré-socráticos, como vimos, vão procurar a Physis na natureza, no mundo que existe antes mesmo dos seres humanos. Por isso, são chamados de Físicos. O método da Filosofia Antiga é a compreensão racional da totalidade do ser. Isto quer dizer que, diferentemente das explicações míticas ou religiosas, os filósofos devem fundar suas pesquisas e argumentos sobre o raciocínio lógico, buscando as causas dos fenômenos. Enquanto o mito e a religião buscam compreender o mundo através da crença e da narrativa, a Filosofia vai fundamentar suas explicações na Razão (Lógos). Este é o seu método, que, aliás, foi herdado por quase todas as ciências que conhecemos hoje. O OBJETIVO DA FILOSOFIA ANTIGA É BASTANTE PRETENSIOSO: CONHECER E CONTEMPLAR A VERDADE. Para os gregos, contemplar (Theorein) significa conhecer racionalmente sem se envolver com o objeto conhecido. Do verbo Theorein é que deriva a nossa palavra Teoria. Tal sentido está ainda muito presente nas ciências atuais, que acreditam na possibilidade de um conhecimento realmente objetivo, neutro e imparcial da realidade. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES PÁG. 02 Esta crença é uma herança forte da Filosofia grega, que se propôs um objetivo arquimediano: olhar e conhecer a realidade a partir de um ponto-de-vista abstrato, fora do real, de onde apenas os deuses (e os demônios) podiam contemplar o mundo. Esta é a marca fundamental da Filosofia Antiga que condicionou indelevelmente o Ocidente. Podemos dizer que a Filosofia Antiga compreende o período Pré-socrático e o Pós-socrático. Corresponde ao período compreendido entre os séculos VI e V a.C. SUAS FIGURAS DE DESTAQUE SÃO PLATÃO E ARISTÓTELES. OUTROS, DE QUEM SE SABE MENOS, COMO TALES, ANAXIMANDRO, ANAXÍMENES, HERÁCLITO, PARMÊNIDES, EMPÉDOCLES E DEMÓCRITO. Sobre Sócrates e Platão falaremos na próxima aula, no entanto sobre estes outros vamos dar a diretriz de seu pensamento, para que você saiba o que diziam. E os Pré-socráticos também já vimos na aula 01. Filosofia Medieval A Filosofia Medieval desenvolveu-seno período que vai do século VIII ao século XIV. Seus espaços foram, principalmente, os mosteiros e ordens religiosas européias, onde a Igreja Católica tinha hegemonia. Entretanto, houve manifestações filosóficas fora do mundo cristão, em especial no mundo árabe e judeu. A Filosofia desse período foi uma das responsáveis pela criação das universidades. SUA PRINCIPAL DISCUSSÃO: A RELAÇÃO ENTRE FÉ E RAZÃO, OU SEJA, A TENTATIVA DE SEPARAR O QUE PERTENCERIA A DEUS (A TEOLOGIA) E O QUE PERTENCERIA AOS HOMENS. Ela está principalmente subordinada à Igreja Católica, e seus representantes capitais são Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. • Santo Agostinho => desenvolveu uma abordagem original à filosofia e teologia, acreditando que a graça de Cristo era indispensável para a liberdade humana, ajudou a formular a doutrina do pecado original e deu contribuições seminais ao desenvolvimento da teoria da guerra justa. • São Tomás de Aquino=> formulou um amplo sistema filosófico que conciliava a fé cristã com o pensamento do grego Aristóteles (384-332 a. C.). Segundo ele, cabe à razão ordenar e classificar o mundo para entendê-lo. Está aí o princípio operacional do pensamento tomista, adjetivo pelo qual passou para a história sua filosofia inaugurada. Filosofia Moderna Iniciada no século XIV, a Filosofia Moderna se entende até o final do século XVIII, no continente europeu. Nessa época, a Europa foi palco do desenvolvimento do capitalismo, da formação dos Estados Nacionais, das grandes navegações e dos processos de colonização e formação dos impérios. A Igreja Católica per¬deu a hegemonia para o protestantismo e para as ideias que incentivavam a liberdade do homem frente à religião. SUA PRINCIPAL CARACTERÍSTICA: A PREOCUPAÇÃO COM O HOMEM RACIONAL E LIVRE, COM AS MUDANÇAS NA POLÍTICA E COM A ESPERANÇA NAS CIÊNCIAS EMPÍRICAS. No período moderno a filosofia passou a ter uma divisão melhor de seu foco de estudo. No início ainda era comum vermos questões no que dizia respeito a provar a existência de Deus e a imortalidade da alma. Muitos filósofos deste período pareciam estar usando a filosofia para abrir caminhos que pudessem ajudar a fundamentar algum tipo de concepção, de ideia. Era como se tentassem encontrar uma forma de provar aquilo que tentavam passar. Principais expoentes: • Descartes: Buscava conseguir algum fundamento para explicar uma determinada concepção científica; • John Locke: Buscava preparar o território para que fosse mais fácil a ciência tomar um rumo e agir de maneira mais direta; • Berkeley: Buscava competir com alguma conclusão científica, contrapondo-se aos métodos utilizados pela ciência. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES PÁG. 03 Com o passar dos tempos a filosofia moderna foi sofrendo algumas alterações, deixando de ter seu foco diretamente relacionado ao conhecimento material e a descoberta de todas as verdade, deixando esse papel para que as ciências buscassem descobrir, como também deixando um pouco de lado as questões de tentar justificar as crenças religiosas, tão abordadas no período filosófico anterior. A fase moderna está organizada em subfases de produção filosófica, como veremos a seguir: Renascimento Consideramos de Renascença o período da filosofia que está entre a Idade média e o Iluminismo na Europa, o que inclui o século XV. Segundo alguns estudiosos, podemos estender esse período até o início dos anos de 1350, até os últimos anos do século XVI ou até mesmo o começo do século XVII, depois de Cristo. Chamamos de Renascença porque ela se dá como um renascimento da filosofia, sendo contrário as reformas religiosas, renovando o aprendizado no que diz respeito a civilização clássica. Tendo iniciado na Itália, com o Renascimento Italiano, ela logo tomou proporções mais amplas se espalhando por toda a Europa. Um nome importante para o renascimento inglês, por exemplo, em se tratando da expansão pela Europa, é William Shakespeare, que se tornou um dos mais importantes pensadores da época sendo lembrado até os dias de hoje. Sua importância para o século XVI foi enorme, o que não impediu que ela viesse a sofrer várias divisões. No final de seu período ela passou pelas Reformas e contra reformas, verdadeiros marcos na história da Renascença, conforme citam alguns historiadores, enquanto outros veem apenas como um período extenso, sem tanto significado assim. Filosofia do século XVII Considerada como uma forma de ver o princípio da filosofia moderna, se distanciando da forma de pensar do pensamento medieval, é comum vermos essa filosofia sendo chamada de “idade da razão”, já que ela é tida por muitos como uma sucessora da renascença, precedente do iluminismo. É comum vermos esta filosofia como uma prévia da visão iluminista. Século XVII Também conhecida como Iluminismo, foi um movimento filosófico que aconteceu na Europa e em alguns países do continente americano, que também inclui em seus diferentes períodos a idade da razão. Podemos fazer uma ligação do termo com a base primária da autoridade, que defendia a razão, um movimento intelectual do iluminismo. Este período se encerra geralmente entre os anos de 1800. Século XIX Neste século os filósofos do Iluminismo tinham como referência o trabalho de filósofos como Immanuel Kant e Jean-Jacques Rousseau, o que contribuiu para influenciar uma nova geração de pensadores. Aconteceram nesse período fortes revoluções e turbulências decorrentes das pressões do Igualitarismo, que viriam a provocar mudanças bem visíveis na filosofia. Para Saber Mais: Conheça algumas frases dos filósofos Immanuel Kant e Jean Jacques Rousseu O contexto filosófico A partir de então quem passava a ser o fim para a realização das coisas é o homem, ao contrário da filosofia antiga, que via o homem como um meio pelo qual se chegava a alguma coisa, tendo essa análise do ponto de vista político, podemos dizer que ele tem ligação com o individualismo e a valorização da ideia do trabalho. Esse individualismo nada mais era que uma consequência da igualdade entre as pessoas. Sobre o trabalho, ele é visto com uma forma do homem realizar a sua missão na terra, ajudando a construir o mundo, uma visão bem diferente de antigamente, quando se achava que o trabalho era um defeito, e por isso deveria ser direcionado apenas aos escravos. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES PÁG. 04 Filosofia Contemporânea A Filosofia Contemporânea estende-se do final do século XVIII até os nossos dias. É possível dizer que seus problemas inspiram-se na Revolução Francesa e na Revolução Industrial, com a crescente desumanização do processo social de produção. Seu espaço central ainda é a Europa, mas cada vez mais atinge outros espaços, como, por exemplo, os Estados Unidos. Ela pode ser vista como resultado da crise do pensamento moderno no século XIX. O questionamento ao projeto moderno se faz nos termos de um ataque à centralidade atribuída à noção de subjetividade nas tentativas de fundamentação do conhecimento empreendidas pelas teorias racionalistas e empiristas. A linguagem surge então como alternativa de explicação de nossa relação com a realidade enquanto relação de significação. A questão sobre a natureza da linguagem, sobre como a linguagem fala do real, torna-se um problema central na filosofia e em outras áreas do saber na passagem do século XIX para o século XX. Alguns Grandes Expoentes: George Wihelm Friedrich Hegel (1770 – 1831), alemão. Seu sistema metafísico era racionalista, historicista e absolutista, baseado na doutrina de que “o pensamento e o ser são o mesmo”, e que a natureza é a manifestação de um “Espírito Absoluto”. ArthurSchopenhauer (1788 –1860). Idealista alemão que atribuiu à vontade um lugar de destaque em sua metafísica. Principal expoente do pessimismo, e rejeitava o idealismo absoluto e pregava que a única atitude sustentável está na completa indiferença a um mundo irracional. Afirmava que o ideal maior era a negação do querer-viver. Auguste Comte (1798 - 1857), francês, fundador do positivismo, um sistema que negava a metafísica transcendente e afirmava que a “Divindade e o homem eram um só”; que o altruísmo é o dever maior do homem e que os princípios científicos explicam todos os fenômenos. Ludwig Feuerbach (1804 –1872), alemão. Argumentava que a religião era uma projeção da natureza humana. Influenciou Marx. John Stuart Mill (1806 –73) . Expoente inglês do utilitarismo; diferenciava-se de Bentham ao reconhecer diferenças na qualidade e quantidade de prazer. Sobre a “Liberdade” é seu mais famoso trabalho (1859). Karl Marx (1818 – 83). Pensador revolucionário alemão que, juntamente com “Friedrich Engels”, fundou o comunismo moderno. Marx também foi importante seguidor de “Hegel”. Herbert Spencer (1820 - 1903). Evolucionista inglês cuja sua “Filosofia Sintética” interpretava todos os fenômenos de acordo com o princípio do progresso evolucionário. (O ser humano teria que, evoluir e respeitar as leis, dentro de uma sociedade e, de acordo com a necessidade exigida pela maior parte da sociedade). Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 – 1900). Alemão. Ele afirmava que a “vontade de poder” é básica na vida e, que o espontâneo é preferível ao metódico. Atacou o “Cristianismo”, principalmente, por ser um sistema que apoiava os fracos, enquanto o valor maior pertence ao “além-do-homem”. Nietzsche – Foi um extraordinário poeta e romancista e um dos mais influentes filósofos modernos. Por motivos de saúde, renunciou a um cargo em uma Universidade na Suíça em 1879 e passou a década seguinte escrevendo suas principais obras, no ritmo de um livro por ano. Sua existência criativa terminou num colapso mental em 1889. Após sua morte, em 1900, sua irmã Elizabeth Foerster deliberadamente desvirtuou seus pensamentos com objetivos nacionalistas e anti-semitas. John Dewey (1859 – 1952). Pragmatista, norte-americano, que desenvolveu um sistema conhecido como “instrumentalismo”. Considerava o homem em continuidade com a natureza, mas distinto dela. Edmund Husserl (1859 – 1938), alemão. Fundador da “fenomenologia”. Procurava fundamentar o conhecimento na experiência pura sem pressupostos. Martin Heidegger (1889 – 1973). Discípulo alemão de Husserl, que deu continuidade ao desenvolvimento da “fenomenologia” e muito influenciou os existencialistas ateístas. Ludwig Wittgenstein (1889 –1973), austríaco. O mais influente filósofo do séc. XX; Ludwig desenvolveu dois sistemas filosóficos altamente originais, porém incompatíveis, dominados pela preocupação com as relações entre o mundo e a linguagem. Herbert Marcuse (1898 – 1979). Filósofo teuto-americano que tentou combinar existencialismo e psicanálise com um marxismo libertário que era crítico do comunismo. Sir Karl Popper (1902 – 1994). Racionalista crítico britânico; defendia que a verdade das leis científicas nunca será provada e que o máximo que se pode supor é que elas sobrevivam às tentativas de refutá-las. Theodor Adorno (1903 – 1969). Filósofo alemão que combinava marxismo com estética vanguardista. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES PÁG. 05 Jean-Paul Sartre (1905 – 1980). Influente filósofo francês que desenvolveu o pensamento existencialista de Heidegger. Defensor ateísta de uma existência humana irracional e subjetiva, seu lema era “a existência é anterior à essência”. Maurice Merleau-Ponty (1907 – 1961). Fenomenólogo francês que insistia no papel do corpo humano em nossa experiência do mundo. Simone de Beauvoir (1908 1986). Existencialista francesa que fundou a filosofia feminista moderna. Claude Lévi-Strauss (nasc.; em 1908). Antropólogo francês e defensor do estruturalismo, seus trabalhos investigam a relação entre a cultura (um atributo da humanidade) e natureza com base na característica distinta do homem – a capacidade de se comunicar numa língua. Juergen Habermas (nasc.; em 1929), alemão. Crítico marxista com fortes tendências Kantianas e liberais. Jacques Derrida (nasc.; em 1930), francês. Fundador do desconstrutivismo, uma evolução da técnica de Heidegger de interpretar filósofos tradicionais com muito cuidado para revelar sua constante incoerência. Bem! Chegamos ao final da aula 02 e espero que você tenha compreendido as questões que concernem a Filosofia. Vamos em frente. SINTESE DA AULA Nesta aula conhecemos um pouco mais da Filosofia e também suas fases históricas, bem como os pensadores e suas ideias filosóficas em cada contexto vivido. Entendemos assim, que o fazer filosófico pressupões questões de seu tempo, de sua experiência. Inquietações que geram questionamentos e reflexões a ponto de produzir explicações racionais mas que pertencem a um universo social, político e econômico no qual são produzidas. Agora que você aprendeu um pouco mais sobre a história da Filosofia, assista a este vídeo e reflita esta história. Assista ao vídeo Da Servidão Moderna O objetivo principal deste filme é de por em dia a condição do escravo moderno dentro do sistema totalitário mercante e de evidenciar as formas de mistificação que ocultam esta condição subserviente. Assista e o relacione aos conteúdos aqui abordados. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=i7KaNFWJBG4 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES PÁG. 06 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Tendo assistido ao Vídeo, disserte sobre a principal reflexão filosófica que o vídeo apresenta na atualidade. A principal ideia do filme SERVIDÃO MODERNA, é nos mostrar quanto e como ainda continuamos escravos no mundo capitalista e comerciário, apesar de tentarempor muitas maneiras nos ludibriar dessa ideia, indubitavelmente não passamos de modernos escravos. O Sistema econômico só existe devido o trabalho humano e este se torna contínuo em consequência damão de obra que o rege, procurar sempre se atualizar, aperfeiçoar com recursos tecnológicos, já que em um mundo comercial como o nosso, para talvez, sermos reconhecidos e bem pagos, temos que produzirmelhor e mais e isso, se dá com tecnologias e informações adquiridas, talvez, esta seja a única diferença entre o escravo moderno e o escravo da época da chibata, é que o reconhecimento se vem dainformação, do intelecto, pois é isso o que mais escravizamos, as nossas ideias, nossa mente, nossas informações e experiências adquiridas com o tempo e não somente os trabalhos braçais são suficientes,não somente nossa força física, hoje nossos Senhores também querem nosso esgotamento mental. Apresente as fases históricas da Filosofia e sua principais diretrizes de pensamento. A Filosofia Antiga vai perguntar sempre sobre o princípio de todas as coisas e seu objeto de estudos é a totalidade da realidade e do ser. Filosofia Medieval está principalmente subordinada à Igreja Católica, e seus representantes capitais são Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Filosofia Moderna a filosofia passou a ter uma divisão melhor de seu foco de estudo. No início ainda era comum vermos questões no que dizia respeito a provar a existência de Deus e a imortalidade da alma. Muitos filósofos deste período pareciam estar usando a filosofia para abrir caminhos que pudessem ajudar a fundamentar algum tipo de concepção, de ideia. Filosofia contemporânea pode ser vista como resultado da crise do pensamento moderno no século XIX. O questionamento ao projeto moderno se faz nos termos de um ataque à centralidadeatribuída à noção de subjetividade nas tentativas de fundamentação do conhecimento empreendidas pelas teorias racionalistas e empiristas. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES PÁG. 07 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES PÁG. 08 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA03 CONTRIBUIÇÃO DE SÓCRATES E PLATÃO PARA O PENSAMENTO FILOSÓFICO Profª Drª Ana Lúcia Guimarães O QUE VOCÊ SABE SOBRE DE SÓCRATES E PLATÃO? Nesta aula entenderemos melhor quais as principais contribuições de dois grandes expoentes do pensamento filosófico: Sócrates e Platão. Com isto, reforçaremos também a ideia de porque a Filosofia consiste em uma disciplina que permite a formação do pensamento crítico. OBJETIVOS • Entender quem foram Sócrates e Platão; • Apresentar o pensamento filosófico desses pensadores; • Mostrar que a Filosofia se desenvolve de acordo com as questões de seu contexto de origem. SÓCRATES E PLATÃO NO PENSAMENTO FILOSÓFICO Sócrates (470-399 a.C.) tomou como ponto de partida o princípio básico da doutrina sofista. “O homem é a medida de todas as coisas”. Para ele, se o homem é a medida de todas as coisas é a obrigação de todo homem procurar conhecer a si mesmo. Para Sócrates o homem deveria procurar conhecer a si mesmo, também deveria procurar os elementos determinantes da finalidade da vida e da educação. Porém a consciência individual deveria deixar de se fundamentar por simples opiniões para poder guiar-se por idéias de valor universal. Sócrates nada deixou escrito e tiveram suas idéias divulgadas por dois de seus principais discípulos, Xenofonte e Platão. Evidentemente devido ao brilho deles é de se supor que nem sempre tenham sido realmente fieis ao pensamento do mestre. Nos diálogos de Platão, Sócrates figura como principal interlocutor. Ainda que muitas vezes seja incluído entre os sofistas recusa tal classificação opondo-se a eles de forma critica. Sócrates se indispôs com os poderosos do seu tempo que o acusaram de não crer nos deuses da cidade e de corromper a mocidade e por isso o condenaram a morte. Costumava conversar com todos, fossem velhos ou moças, pobres ou escravos, investigando por meio de seu método de conhecimento. A partir do pressuposto “só sei que nada sei”, que consiste justamente na sabedoria de reconhecer a própria ignorância, inicia a busca do saber. Sócrates não foi muito bem aceito por parte da aristocracia grega, pois defendia algumas ideias contrárias ao funcionamento da sociedade grega. Criticou muitos aspectos da cultura grega, afirmando que muitas tradições, crenças religiosas e costumes não ajudavam no desenvolvimento intelectual dos cidadãos gregos. FRASES CLÁSSICAS ATRIBUÍDAS A SÓCRATES A vida que não passamos em revista não vale a pena viver. A palavra é o fio de ouro do pensamento. Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância. É melhor fazer pouco e bem, do que muito e mal. Alcançar o sucesso pelos próprios méritos. Vitoriosos os que assim procedem. A ociosidade é que envelhece, não o trabalho. O início da sabedoria é a admissão da própria ignorância. Chamo de preguiçoso o homem que podia estar melhor empregado. Há sabedoria em não crer saber aquilo que tu não sabes. Não penses mal dos que procedem mal; pense somente que estão equivocados. O amor é filho de dois deuses, a carência e a astúcia. A verdade não está com os homens, mas entre os homens. Quatro características deve ter um juiz: ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente. Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir. Sob a direção de um forte general, não haverá jamais soldados fracos. Todo o meu saber consiste em saber que nada sei. Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo de Deus. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 03 | CONTRIBUIÇÃO DE SÓCRATES E PLATÃO PARA O... PÁG. 02 Sócrates andava pelas ruas de Atenas fazendo aos atenienses algumas perguntas: “O que é isso em que você acredita?”, “O que é isso que você está dizendo?”, “O que é isso que você está fazendo?”. Os atenienses achavam, por exemplo, que sabiam o que era a justiça. Sócrates lhes fazia perguntas de tal maneira sobre a justiça que, embaraçados e confusos, chegavam à conclusão de que não sabiam o que ela significava. Os atenienses acreditavam que sabiam o que era a coragem. Com suas perguntas incansáveis, Sócrates os fazia concluir que não sabiam o que significava a coragem. Os atenienses acreditavam também que sabiam o que eram a bondade, a beleza, a verdade, mas um prolongado diálogo com Sócrates os fazia perceber que não sabiam o que era aquilo em que acreditavam. A pergunta “O que é?” era o questionamento sobre a realidade essencial e profunda de uma coisa para além das aparências e contra as aparências. Com essa pergunta, Sócrates levava os atenienses a descobrir a diferença entre parecer e ser, entre mera crença ou opinião e verdade. Sócrates propunha que, antes de querer conhecer a natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria, primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. Como vimos na Introdução, a expressão “Conhece-te a ti mesmo”, ou o oráculo que estava gravado no pórtico do templo de Apoio, em Delfos, deus da luz e da sabedoria, foi o centro das preocupações e investigações de Sócrates. Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros é que se diz que o período socrático é antropológico, isto é, voltado para o conhecimento do homem (em grego, ántropos), particularmente de seu espírito e de sua capacidade para conhecer a verdade. Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado perante a assembléia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno - a cicuta - e obrigado a suicidar-se. Ele fazia a juventude pensar. Agora, vamos conhecer um pouco de outro grande filósofo, Platão. Me acompanhe caríssimo(a) aluno(a)... Nasceu em Atenas, em 428/7 a.C. Portanto, seu nascimento ocorreu logo após a morte de Péricles, com quem Atenas chegara ao apogeu de sua democracia, e o falecimento cerca de dez anos antes da batalha de Queronéia, que efetivou o domínio de Filipe da Macedônia sobre a Grécia. Platão viveu entre a fase áurea da democracia ateniense e o final do período helênico. Esse contexto histórico determinaria o caráter essencialmente político de sua filosofia como estabelecimento das condições para um estado político perfeito, o filósofo como o dirigente político ideal. O interesse pela política estava ainda mais intimamente ligado a Platão por ele pertencer a uma família aristocrata que tinha participação efetiva nos destinos políticos da Grécia. Contudo, o acontecimento que mais marcou foi seu encontro com Sócrates, mestre que, sem escola e sem livros, usando apenas o diálogo, levava seus discípulos ao conhecimento de si mesmos, do bem e das virtudes, ao mesmo tempo em que demolia preconceitos e abalava falsos valores e reputações. Já restaurada a democracia, Sócrates, acusado de corromper os jovens, foi condenado à morte. Ao elaborar a teoria das idéias, Platão ao mesmo tempo reformula a dialética socrática, transformando-a numa construçãoteorética. Para Sócrates, o diálogo constituía um confronto de opiniões que era, na verdade, a ocasião para o dramático embate entre consciências e oportunidade para produzir- se o conhecimento de si mesmo: em Platão, a dialética vai perdendo progressivamente seu caráter pessoal e dramático para tornar-se um método impessoal e teórico que visa os próprios problemas, e não apenas à sondagem da consciência dos interlocutores. A nova dialética articula-se, de início, em uma forma ascendente: do mundo das idéias. No plano sensível, a constatação de existência dos seres, dá-se através dos sentidos, o conhecimento não ultrapassando a esfera da opinião (doxa). FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 03 | CONTRIBUIÇÃO DE SÓCRATES E PLATÃO PARA O... PÁG. 03 A superação da doxa tem início com a passagem ao plano inteligível, através do conhecimento discursivo e mediatizador (diânoia): esse primeiro nível de conhecimento inteligível estabelece ligações racionais (como ocorre na matemática), mas o conhecimento inteligível só chega à plenitude ao conseguir a evidência puramente intelectual (noêsis) das idéias. As várias etapas do conhecimento estão metaforizadas na República através da alegoria da caverna : o homem saindo da caverna onde estivera prisioneiro por diversos graus de sombra e luz, que simbolizam os diversos graus de conhecimento , até olhar diretamente o sol , fonte de toda luz, símbolo do último da ascensão e dialética. PARA SABER MAIS SOBRE DIALÉTICA... CONSULTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dial%C3%A9tica Fundamentado na Teoria das Idéias e nas possibilidades apresentadas pelos indivíduos para realizar a ascensão dialética. Platão cria um sistema político apresentado primeiramente na República e posteriormente reformulado nas Leis. A base fundamental postulada para o Estado é a justiça, virtude que seria conseguida na medida em que cada parte da alma (a razão, a coragem, e o instinto) estivesse preenchendo suas funções. Assim,o governo da cidade seria composto por três classes, formando um todo harmonioso: os magistrados – filósofos , representando a razão; os guerreiros, a coragem; e os trabalhadores, encarregados da satisfação das necessidades materiais. A realização de tal modelo de sociedade resultaria da adoção de determinado sistema educacional: os cidadãos, homens e mulheres, em igualdade de condições, seriam encaminhados desde pequenos para as funções que poderiam desempenhar com mais aptidão. Visando a prevenir as divisões políticas, Platão propõe a participação comum dos cidadãos nos bens materiais e também a supressão da família. As Leis introduzem modificações no modelo político de Platão: suprime-se a comunidade de bens, mulheres e crianças, havendo uma espécie de conciliação entre a monarquia constitucional e a democracia. Consciente da complexidade de seu sistema político assentado na teoria das idéias, Platão previa as dificuldades que grande parte da população da polis teria para entende-lo. Assim o Estado concebido por ele seria governado por magistrados- filósofos, pois só estes seriam capazes de compreender e por em prática a virtude da justiça. Platão defende no homem uma alma imortal, racional, livre, espiritual. Admite a metempsicose. Em ética: toda felicidade consiste na contemplação das idéias e, sobretudo, da idéia suprema do bem. Mas, o que é metempsicose? Metempsicose (do grego: meta: mudança + en: em + psiquê: alma) é o termo genérico para transmigração da alma, de um corpo para outro, seja este do mesmo tipo de ser vivo ou não. Essa crença não se restringe à reencarnação humana, mas abrange a possibilidade da alma humana encarnar em animais ou vegetais. Metempsicose diz respeito à transferência de almas Fonte: http://www.dicionarioinformal.com.br/metempsicose/ Continuando... Seu conceito político (Estado totalitário, igualdade social dos sexos, supressão da família, educação nacional da juventude) ele próprio rejeitou mais tarde, desde que os governados são seres humanos, não deuses. Sua doutrina, em geral, é tão elevada que informou até a mística católica. Assim como há um rigoroso paralelismo entre a psicologia platônica e sua ética,há também uma perfeita correspondência entre sua ética e a sua política. A morte de Sócrates e suas experiências políticas na Sicília levaram Platão a verificar que não é possível ser justo na cidade injusta, e que a realização da filosofia implica não só a educação do homem, mas a reforma da sociedade e do Estado. A pedagogia platônica, que incluía não só a formação intelectual, mas também os exercícios físicos, a disciplina do corpo,revelam-se, assim, uma propedêutica da política, pois sua razão de ser é a formação do homem de acordo com a Paidéia (modelo ou ideal de cultura) e sua preparação para a vida na cidade. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 03 | CONTRIBUIÇÃO DE SÓCRATES E PLATÃO PARA O... PÁG. 04 Para ilustrar melhor a Pedagogia Platônica... vamos assistir o vídeo abaixo e refletirmos um pouco mais sobre essa idéia? Acesse: https://www.youtube.com/playlist?list=PL129944938F FB0E35 Continuando... Assim, como o amor é um demônio, um intermediário entre os deuses e os homens, assim também o filósofo é um mediador entre o sábio e o ignorante. O sábio não precisa filosofar porque já tem a sabedoria, e o ignorante porque não a tem e não experimenta a necessidade de tê-la. Só pode filosofar aquele que, não sabendo, tem consciência de que não sabe e, por isso mesmo, quer saber. Amor da sabedoria, e não sabedoria propriamente, a filosofia é o caminho que nos deve conduzir do mundo das aparências ao mundo da realidade, da contemplação das sombras à visão das idéias, imutáveis e eternas, iluminadas pela idéia suprema do Bem. A REPÚBLICA PRINCIPAL OBRA DE PLATÃO A República, discute a questão do conhecimento. Qual a visão que as pessoas tem sobre as coisas. Vejam um importante texto que abre as portas para o conhecimento humano. O Mito da Caverna O Mito da Caverna, também conhecido como “Alegoria da Caverna” é uma passagem do livro “A República” do filósofo grego Platão. O mito fala sobre prisioneiros (desde o nascimento) que vivem presos em correntes numa caverna e que passam todo tempo olhando para a parede do fundo que é iluminada pela luz gerada por uma fogueira. Nesta parede são projetadas sombras de estátuas representando pessoas, animais, plantas e objetos, mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Os prisioneiros ficam dando nomes às imagens (sombras), analisando e julgando as situações. Vamos imaginar que um dos prisioneiros fosse forçado a sair das correntes para poder explorar o interior da caverna e o mundo externo. Entraria em contato com a realidade e perceberia que passou a vida toda analisando e julgando apenas imagens projetadas por estátuas. Ao sair da caverna e entrar em contato com o mundo real ficaria encantado com os seres de verdade, com a natureza, com os animais e etc. Voltaria para a caverna para passar todo conhecimento adquirido fora da caverna para seus colegas ainda presos. Porém, seria ridicularizado ao contar tudo o que viu e sentiu, pois seus colegas só conseguem acreditar na realidade que enxergam na parede iluminada da caverna. Os prisioneiros vão o chamar de louco, ameaçando-o de morte caso não pare de falar daquelas idéias consideradas absurdas. O que Platão quis dizer ? Os seres humanos tem uma visão distorcida da realidade. No mito, os prisioneiros somos nós que enxergamos e acreditamos apenas em imagens criadas pela cultura, conceitos e informações que recebemos durante a vida. A caverna simboliza o mundo, pois nos apresenta imagens que não representam a realidade. Só é possível conhecer a realidade, quando nos libertamos destas influências culturaise sociais, ou seja, quando saímos da caverna. SINTESE DA AULA Nesta aula conhecemos um pouco mais do pensamento Filosófico de dois expoentes da filosofia Sócrates e Platão. Sócrates nasceu em Atenas e tornou-se um dos principais pensadores da Grécia Antiga. Podemos afirmar que Sócrates fundou o que conhecemos hoje por filosofia ocidental. Foi influenciado pelo conhecimento de um outro importante filósofo grego: Anaxágoras. Seus primeiros estudos e pensamentos discorrem sobre a essência da natureza da alma humana. Sócrates era considerado pelos seus contemporâneos um dos homens mais sábios e inteligentes. Já Platão, discípulo de Sócrates, nasceu também em Atenas e é considerado um dos principais pensadores gregos, pois influenciou profundamente a filosofia ocidental. Suas idéias baseiam-se na diferenciação do mundo entre as coisas sensíveis (mundo das idéias e a inteligência) e as coisas visíveis (seres vivos e a matéria). FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 03 | CONTRIBUIÇÃO DE SÓCRATES E PLATÃO PARA O... PÁG. 05 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Assista este vídeo: www.youtube.com/watch?v=LAu-nAVl9H4 e faça uma pesquisa na web para escrever um resumo das principais ideias de Sócrates RESPOSTA: O ALUNO DEVE PESQUISAR E IDENTIFICAR Amor No Simpósio, de Platão, Sócrates revela que foi a sacerdotisa Diotima de Mantinea que o iniciou nos conhecimentos e na genealogia do amor. As idéias de Diotima estão na origem do conceito socrático-platônico do amor. Conhecimento Sócrates sempre dizia que sua sabedoria era limitada à sua própria ignorância (Só sei que nada sei.). Ele acreditava que os atos errados eram conseqüências da própria ignorância. Nunca proclamou ser sábio. A intenção de Sócrates era levar as pessoas a se sentirem ignorantes de tanto perguntar, problematização sobre conceitos que as pessoas tinham dogmas, verdades. De tanto questionar, principalmente os sábios, começou arrebanhar inimigos. Virtude Sócrates acreditava que o melhor modo para as pessoas viverem era se concentrando no próprio desenvolvimento ao invés de buscar a riqueza material. Convidava outros a se concentrarem na amizade e em um sentido de comunidade, pois acreditava que esse era o melhor modo de se crescer como uma população. Suas ações são provas disso: ao fim de sua vida, aceitou sua sentença de morte quando todos acreditavam que fugiria de Atenas, pois acreditava que não podia fugir de sua comunidade. Acreditava que os seres humanos possuíam certas virtudes, tanto filosóficas quanto intelectuais. Dizia que a virtude era a mais importante de todas as coisas 2- Analise o texto Mito das Cavernas de Platão procurando identificar sua mensagem sobre o conhecimento. RESPOSTA: Platão referia-se aos seus contemporâneos, com suas crenças e superstições. O filósofo era qual um fugitivo capaz de fugir das amarras que prendem o homem comum às suas falsas crenças e, partindo na busca da verdade, consegue apreender um mundo mais amplo. Ao falar destas verdades para os homens afeitos às suas impressões, não apenas não seria compreendido, como tomado por mentiroso, um corruptor da ordem vigente. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 03 | CONTRIBUIÇÃO DE SÓCRATES E PLATÃO PARA O... PÁG. 06 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 03 | CONTRIBUIÇÃO DE SÓCRATES E PLATÃO PARA O... PÁG. 07 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA04 A CONTRIBUIÇÃO DE ARISTÓTELES PARA O PENSAMENTO FILOSÓFICO Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Nesta aula 04 vamos entender e conhecer sobre a vida e obra de aristóteles, grande filósofo grego. Qual foi sua contribuição para as discussões e reflexões filosóficas. 1- Quem foi Aristóteles e em que contexto produziu suas ideias. 2- Vida e Obra de Aristóteles. 3- Principais contribuições OBJETIVOS • Entender o pensamento de Aristóteles e o valor do mesmo para a filosofia; • Conhecer o pensamento filosófico e político de Aristóteles; • Conhecer o contexto em que suas ideias são produzidas O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você quem foi Aristóteles, seu contexto de produção das ideias e reflexões e que legado ele deixa para a história da Filosofia e mesmo, da política, na qual tem forte contribuição. Aristóteles (384-322 a. C.) foi aluno de Platão e estudou na academia do mestre durante 20 anos, até a morte de Platão, em 347 a. C. Portanto conhecia a fundo as teses platônicas sobre o conhecimento. Sabemos que o pensamento de Platão girava em torno da dualidade mundo-sensível e mundo inteligível, e que a matemática era uma exigência elementar para aqueles que queriam progredir na investigação filosófica. Aristóteles foi influenciado em muitos aspectos por Platão, porém soube distanciar-se do pensamento do mestre a ponto de inaugurar uma filosofia própria. Aristóteles foi essencialmente um homem de cultura, de estudo, de pesquisas, de pensamento, que se foi isolando da vida prática, social e política, para se dedicar à investigação científica. A atividade literária de Aristóteles foi vasta e intensa, como a sua cultura e seu gênio universal. “Assimilou Aristóteles escreve magistralmente Leonel Franca todos os conhecimentos anteriores e acrescentou-lhes o trabalho próprio, fruto de muita observação e de profundas meditações. Escreveu sobre todas as ciências, constituindo algumas desde os primeiros fundamentos, organizando outras em corpo coerente de doutrinas e sobre todas espalhando as luzes de sua admirável inteligência. Não lhe faltou nenhum dos dotes e requisitos que constituem o verdadeiro filósofo: profundidade e firmeza de inteligência, agudeza de penetração, vigor de raciocínio, poder admirável de síntese, faculdade de criação e invenção aliadas a uma vasta erudição histórica e universalidade de conhecimentos científicos. O grande estagirita explorou o mundo do pensamento em todas as suas direções. Pelo elenco dos principais escritos que dele ainda nos restam, poder-se-á avaliar a sua prodigiosa atividade literária”. Espere... Vamos conhecer o significado da palavra estagirita? Acesse: http://www.dicionarioweb.com.br/estagirita/ A primeira edição completa das obras de Aristóteles é a de Andronico de Rodes pela metade do último século a.C. substancialmente autêntica, salvo uns apócrifos e umas interpolações. Aqui classificamos as obras doutrinais de Aristóteles do modo seguinte, tendo presente a edição de Andronico de Rodes. I. Escritos lógicos: cujo conjunto foi denominado Órganon mais tarde, não por Aristóteles. O nome, entretanto, corresponde muito bem à intenção do autor, que considerava a lógica instrumento da ciência. II. Escritos sobre a física: abrangendo a hodierna cosmologia e a antropologia, e pertencentes à filosofia teorética, juntamente com a metafísica. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 04 | A CONTRIBUIÇÃO DE ARISTÓTELES PARA O... PÁG. 02 III. Escritos metafísicos: a Metafísica famosa, em catorze livros. É uma compilação feita depois da morte de Aristóteles mediante seus apontamentos manuscritos, referentes à metafísica geral e à teologia. O nome de metafísica é devido ao lugar que ela ocupa na coleção de Andrônico, que a colocou depois da física. IV. Escritos morais e políticos: a Ética a Nicômaco, em dez livros, provavelmente publicada por Nicômaco, seu filho, ao qual é dedicada; a Ética a Eudemo, inacabada, refazimento da ética de Aristóteles, devido a Eudemo; a Grande Ética, compêndio das duas precedentes,em especial da segunda; a Política, em oito livros, incompleta. V. Escritos retóricos e poéticos: a Retórica, em três livros; a Poética, em dois livros, que, no seu estado atual, é apenas uma parte da obra de Aristóteles. As obras de Aristóteles as doutrinas que nos restam - manifestam um grande rigor científico, sem enfeites míticos ou poéticos, exposição e expressão breve e aguda, clara e ordenada, perfeição maravilhosa da terminologia filosófica, de que foi ele o criador. O Pensamento: A Gnosiologia Segundo Aristóteles, a filosofia é essencialmente teorética: deve decifrar o enigma do universo, em face do qual a atitude inicial do espírito é o assombro do mistério. O seu problema fundamental é o problema do ser, não o problema da vida. O objeto próprio da filosofia, em que está a solução do seu problema, são as essências imutáveis e a razão última das coisas, isto é, o universal e o necessário, as formas e suas relações. Entretanto, as formas são imanentes na experiência, nos indivíduos, de que constituem a essência. A filosofia aristotélica é, portanto, conceptual como a de Platão mas parte da experiência; é dedutiva, mas o ponto de partida da dedução é tirado - mediante o intelecto da experiência. A filosofia, pois, segundo Aristóteles, dividir-se-ia em teorética, prática e poética, abrangendo, destarte, todo o saber humano, racional. A teorética, por sua vez, divide-se em física, matemática e filosofia primeira (metafísica e teologia); a filosofia prática divide-se em ética e política; a poética em estética e técnica. Aristóteles é o criador da lógica, como ciência especial, sobre a base socrático-platônica; é denominada por ele analítica e representa a metodologia científica. Trata Aristóteles os problemas lógicos e gnosiológicos no conjunto daqueles escritos que tomaram mais tarde o nome de Órganon. Limitar-nos-emos mais especialmente aos problemas gerais da lógica de Aristóteles, porque aí está a sua gnosiologia. IMPORTANTE: Outra palavra para conhecermos o seu significado. Acesse: http://www.significados.com.br/gnosiologia/ Continuando... Foi dito que, em geral, a ciência, a filosofia - conforme Aristóteles, bem como segundo Platão - tem como objeto o universal e o necessário; pois não pode haver ciência em torno do individual e do contingente, conhecidos sensivelmente. Sob o ponto de vista metafísico, o objeto da ciência aristotélica é a forma, como idéia era o objeto da ciência platônica. A ciência platônica e aristotélica são, portanto, ambas objetivas, realistas: tudo que se pode aprender precede a sensação e é independente dela. No sentido estrito, a filosofia aristotélica é dedução do particular pelo universal, explicação do condicionado mediante a condição, porquanto o primeiro elemento depende do segundo. Também aqui se segue a ordem da realidade, onde o fenômeno particular depende da lei universal e o efeito da causa. Objeto essencial da lógica aristotélica é precisamente este processo de derivação ideal, que corresponde a uma derivação real. Seu problema fundamental é o problema do ser, não o problema da vida Ora, em termos de influência, Aristóteles herdou e levou adiante a noção de que o conhecimento envolve explicação, uma busca das causas das coisas. Na Academia de Platão também se discutia ciências naturais e se estudava retórica e lógica, disciplinas a que Aristóteles vai se dedicar com grande empenho. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 04 | A CONTRIBUIÇÃO DE ARISTÓTELES PARA O... PÁG. 03 - Porém, ele rompe com o mestre naquilo que é a base da filosofia platônica: não aceita a existência dos dois mundos de Platão. À procura da essência das coisas, para Aristóteles não é preciso pensar as propriedades essenciais dos objetos separado desses mesmos objetos. Ou seja, podemos falar do mundo sensível a partir dele mesmo. Os conceitos que criamos são obra de nosso pensamento, e não entidades que desfrutam que uma existência em separado. Aristóteles e Platão: diferenças e proximidades Se Platão foi um genuíno racionalista, Aristóteles foi o que podemos chamar de um empirista. Porque ele apostou na sensibilidade, no mundo dos fenômenos, naquilo que nós vemos, percebemos e que, para ele, constituíam a matéria- prima de nosso pensar. E ele fez isso nos esboços da Ética a Nicômaco, ao trabalhar o conceito de Mímesis e em outras diferentes disciplinas. Quer dizer: ele toma o mundo sensível como ponto de partida, sem aquele preconceito, sem o desprezo que Platão nutria por ele, o qual aparece bem evidente na Alegoria da Caverna. ARISTÓTELES E A POLÍTICA O homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas é também o pior de todos quando afastado da lei e da justiça, pois a injustiça é mais perniciosa quando armada, e o homem nasce dotado de armas para serem bem usadas pela inteligência e pelo talento, mas podem sê-lo em sentido inteiramente oposto. Logo, quando destituído de qualidades morais, o homem é o mais impiedoso e selvagem dos animais, e o pior em relação ao sexo e à gula” Aristóteles - “Política”, 1252 b. A “Política” (Politéia) divide-se em oito livros, que tratam: da composição da cidade, da escravidão, da família, das riquezas, bem como de uma crítica às teorias de Platão. Analisa também as constituições de outras cidades, num notável exercício comparativo, descrevendo-lhes os regimes políticos. Aristóteles, por sua vez, não foge da tentação de também idealizar qual o modo de vida mais desejável para as cidades e os indivíduos, mas dedica a isso bem menos tempo do que seu mestre. Finaliza a obra com os objetivos da educação e a importância das matérias a serem ensinadas. Segundo ele, governo e constituição significam a mesma coisa, sendo que o governo pode ser exercido de três maneiras diferentes; por um só, por poucos ou por muitos. Se tais governos têm como objetivo o bem comum, podemos dizer que são constituições retas, ou puras. Por outro lado, se os poderes forem exercidos para satisfazer o interesse privado de um só, de um grupo ou de apenas uma classe social, essa constituição está desvirtuada, depravou-se. Nota-se aqui o claro confronto ressaltado por ele entre a busca do bem comum e o interesse privado ou de classe. Quando um regime se inclina para o último, para algum tipo de exclusivismo, voltando as costas ao coletivo, é porque perverteu-se. O governo deve buscar realizar o bem comum. Por isso constrói uma tipologia de governo fundada na questão do tipo puro, como sendo o governo do bem comum e o impuro, as formas de governo que se degeneraram. Observe: Formas de governo Formas puras Monarquia: governo de um só homem, de caráter hereditário ou perpétuo, que visa o bem comum, como a obediência as leis e às tradições Aristocracia: governo dos melhor homens da república, selecionados pelo consenso dos seus cidadãos e que governa a cidade procurando o beneficio de toda a coletividade Politia: governo do povo, da maioria, que exerce o respeito às leis e que beneficia todos os cidadãos indistintamente, sem fazer nenhum tipo de discriminação. Formas pervertidas Tirania: governo de um só homem que ascende ao poder por meios ilegais, violentos e ilegítimos e que governa pela intimidação, manipulação ou pela aberta repressão, infringindo constantemente as leis e a tradição Oligarquia: governo de um grupo economicamente poderoso que rege os destinos da cidade, procurando favorecer a facção que se encontra no poder em detrimento dos demais Democracia: governo do povo, da maioria, que exerce o poder favorecendo preferencialmente os pobres, causando sistemático constrangimento aos ricos. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 04 | A CONTRIBUIÇÃO DE ARISTÓTELES PARA O... PÁG. 04 SINTESE DA AULA Nesta aula conhecemos um pouco mais do pensamentode Aristóteles e vimos que podemos encontrá-lo investigando o “ser enquanto ser”. Tal investigação sobre o que são e como são as coisas é fundamental para poder compreender o mundo. Nesse sentido, a sua metafísica discorre sobre princípios que garantam a realidade das coisas, como: o princípio de identidade, da não contradição e do terceiro excluído. Além dos princípios, Aristóteles aponta quatro causas que fazem as coisas serem o que são: material, formal, eficiente e final. Em ética, Aristóteles discorda da ideia platônica que via as paixões humanas como negativas e que precisavam ser controladas pela razão. Para ele, as paixões humanas não são nem boas e nem ruins. Ruim é quando as paixões são viciosas, isto é, quando estão em excesso ou em falta. Ter raiva de alguém não é ruim, por exemplo, pois ruim é aplicar em determinada situação mais raiva do que o necessário ou menos raiva do que o necessário. Nesse sentido, Aristóteles pensa que virtude é encontrar uma justa medida entre o excesso e a falta das paixões. Agir corretamente é um treino constante de dosar corretamente as paixões. No campo político, Aristóteles se preocupou menos com hipóteses de uma sociedade ideal e mais com um estudo dos sistemas políticos e leis existentes em sua época. Assim, diferente de Platão, que teorizou uma cidade ideal, Aristóteles pensou uma sociedade que não fosse nem totalmente democrática e nem totalmente aristocrática: a política permitiria que os conflitos entre ricos e pobres pudessem ser amenizados. Estimados alunos, chegamos ao final de mais uma aula e esperamos que você tenha atingido o objetivo proposto. Para ilustrarmos melhor as nossas discussões selecionamos um vídeo para que vocês possam assistir e refletirem sobre a temática: Acessem: https://www.youtube.com/watch?v=2lH0pgZ-2AA FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 04 | A CONTRIBUIÇÃO DE ARISTÓTELES PARA O... PÁG. 05 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: 1- Quais as principais ideias de Aristóteles? RESPOSTA: O ALUNO DEVE IDENTIFICAR Sua metafísica discorre sobre princípios que garantam a realidade das coisas, como: o princípio de identidade, da não contradição e do terceiro excluído. Além dos princípios, Aristóteles aponta quatro causas que fazem as coisas serem o que são: material, formal, eficiente e final. Em ética, Aristóteles discorda da ideia platônica que via as paixões humanas como negativas e que precisavam ser controladas pela razão. Para ele, as paixões humanas não são nem boas e nem ruins. Ruim é quando as paixões são viciosas, isto é, quando estão em excesso ou em falta. Ter raiva de alguém não é ruim, por exemplo, pois ruim é aplicar em determinada situação mais raiva do que o necessário ou menos raiva do que o necessário. Nesse sentido, Aristóteles pensa que virtude é encontrar uma justa medida entre o excesso e a falta das paixões. Agir corretamente é um treino constante de dosar corretamente as paixões. No campo político, Aristóteles se preocupou menos com hipóteses de uma sociedade ideal e mais com um estudo dos sistemas políticos e leis existentes em sua época. Assim, diferente de Platão, que teorizou uma cidade ideal, Aristóteles pensou uma sociedade que não fosse nem totalmente democrática e nem totalmente aristocrática: a política permitiria que os conflitos entre ricos e pobres pudessem ser amenizados. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 04 | A CONTRIBUIÇÃO DE ARISTÓTELES PARA O... PÁG. 06 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: 2- Construa a tipologia de governo pautada nos conceitos de puro e impuro para Aristóteles. RESPOSTA: Formas puras Monarquia: governo de um só homem, de caráter hereditário ou perpétuo, que visa o bem comum, como a obediência as leis e às tradições Aristocracia: governo dos melhor homens da república, selecionados pelo consenso dos seus cidadãos e que governa a cidade procurando o beneficio de toda a coletividade Politia: governo do povo, da maioria, que exerce o respeito às leis e que beneficia todos os cidadãos indistintamente, sem fazer nenhum tipo de discriminação. Formas pervertidas Tirania: governo de um só homem que ascende ao poder por meios ilegais, violentos e ilegítimos e que governa pela intimidação, manipulação ou pela aberta repressão, infringindo constantemente as leis e a tradição Oligarquia: governo de um grupo economicamente poderoso que rege os destinos da cidade, procurando favorecer a facção que se encontra no poder em detrimento dos demais Democracia: governo do povo, da maioria, que exerce o poder favorecendo preferencialmente os pobres, causando sistemático constrangimento aos ricos. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 04 | A CONTRIBUIÇÃO DE ARISTÓTELES PARA O... PÁG. 07 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 04 | A CONTRIBUIÇÃO DE ARISTÓTELES PARA O... PÁG. 08 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA05 RACIONALISMO E CONHECIMENTO Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Estimados Alunos, Nesta aula 05 vamos entender e conhecer mais um pouco sobre o Racionalismo e Conhecimento. Abordaremos esses conceitos e sua importância para os fundamentos do estudo da Filosofia. 1- Conceito de Racionalismo 2- Racionalismo e Empirismo: o pensamento de Descartes e Jonh Locke 3- O que é conhecimento e suas teorias através da história 4- Tipos de conhecimento Objetivos da aula 05 • Entender os conceitos de racionalismo e conhecimento • Conhecer os pensadores que definiram seus fundamentos • Identificar os tipos de conhecimento. O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você como a importância do entendimento do racionalismo e do conhecimento, bem como os grandes pensadores que definiram suas teorias. Além disso, apresentaremos os tipos de conhecimento. Racionalismo e Conhecimento Os conceitos de Racionalismo e Conhecimento estão relacionados a própria história da origem do conhecimento que toma como grande fundamentação as duas correntes filosóficas: Empirismo e Racionalismo através de seus pensadores principais, Locke e Descartes respectivamente. Assim, precisamos conhecer um pouco de cada conceito e seus fundamentos para entender o valor que a Filosofia concebe ao pensamento racional e mesmo o desenvolvimento do pensamento crítico. Conceito de Racionalismo O racionalismo é a corrente filosófica que iniciou com a definição do raciocínio que é a operação mental, discursiva e lógica. Este usa uma ou mais proposições para extrair conclusões se uma ou outra proposição é verdadeira, falsa ou provável. Essa era a idéia central comum ao conjunto de doutrinas conhecidas tradicionalmente como racionalismo. Ele tem como método recapitular a “cadeia de raciocínio” para se estar certo de que não há omissões, tratar o preceito da análise (dividir as dificuldades que se apresentem em tantas parcelas quantas sejam necessárias para serem resolvidas). Considerar a com ordem os pensamentos, começando dos objetos mais simples e mais fáceis de serem conhecidos, para depois tentar gradativamente o conhecimento dos mais complexos. • Racionalismo e Empirismo: o pensamento de Descartes e Jonh Locke René Descartes (1596 – 1650) René Descartes é considerado universalmente o pai da filosofia moderna. Também conhecido como Cartesius, foi um filósofo, um físico e matemático francês. Notabilizou-se sobretudo pelo seu trabalho revolucionário da Filosofia, tendo também sido famoso por ser o inventor do sistema de coordenadas cartesiano,que influenciou o desenvolvimento do Cálculo moderno. A maior parte da obra de Descartes é consagrada às ciências (domínios da matemática e da ótica) mas, o que ele mais quer é conseguir um modo de chegar a verdades concretas. As idéias em geral são incertas e instáveis, sujeitas à imperfeição dos sentidos. A PRIMEIRA IDÉIA QUE DESCARTES EXAMINA É A DO PRÓPRIO EU. DESTA IDÉIA, DIZ ÊLE QUE NÃO PODE DUVIDAR. É A IDÉIA DO PRÓPRIO EU PENSANTE, ENQUANTO PENSANTE. E ENTÃO CONCLUI COM SUA CÉLEBRE FRASE: “PENSO, LOGO EXISTO”. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO PÁG. 02 John Locke (1632-1704) John Locke está entre os filósofos empiristas, assim chamados devido a abrirem espaço para a ciência junto à filosofia, valorizando a experiência como fonte de conhecimento. Empirismo Em termos gerais, empirismo é a atitude de quem: 1) vê na experiência o critério ultimo da verdade; 2) assume a percepção como base de todo o saber, na idéia de que a partir da sensação se possa explicar também elevadas funções da mente (memória, fantasia, inteligência), mas não vice-versa. TEORIA DATABULA RASA - A MENTE COMO FOLHA EM BRANCO NO MOMENTO DO NASCIMENTO DO INDIVIDUO, SEMELHANTE PRECISAMENTE A UMA TABULA RASA, OU SEJA, UMA PAGINA EM BRANCO AINDA A SER ESCRITA . O que é conhecimento e suas teorias através da história Conhecimento é o ato de compreender algo usando o raciocínio. É fundado com base na fé, na razão, na cultura ética e moral, na estética e na experimentação. Pode ser compreendido pelo sujeito que conhece, pelo objeto a ser conhecido e pela imagem. Tipos de conhecimento: Conhecimento Empírico que é o modo comum de se conhecer sem que haja procura ou reflexão Conhecimento Científico que se preocupa em analisar e sintetizar explicações e soluções Conhecimento Filosófico que é adquirido quando se procura respostas para interrogações e questionamentos Conhecimento Teológico que é adquirido como revelação divina pela fé. I - Teoria do Conhecimento na Antigüidade: Podemos perceber que os Filósofos gregos deixaram algumas contribuições para a construção da noção de conhecimento: a. Estabeleceram a diferença entre conhecimento sensível e conhecimento intelectual b. Estabeleceram diferença entre aparência e essência. c. Estabeleceram diferença entre opinião e saber d. Estabeleceram regras da lógica pra se chegar à verdade II -Teoria do Conhecimento na Idade Média: 1. Na Patrística - Temos a tendência da conciliação do pensamento cristão ao pensamento platônico, sendo seu grande expoente Santo Agostinho. 2. Na Escolásticas - Temos a anexação da Filosofia aristotélica ao pensamento cristão, com o estreitamento da relação Fé e razão, sendo seu grande expoente São Tomás de Aquino. 3. Nominalismo - Temos o final do domínio do Pensamento Medieval, com a separação da Filosofia da teologia através do esvaziamento dos conceitos. Sendo seus expoentes Duns Scotto e Guilherme de Oclkam. III - Teoria do Conhecimento na Idade Moderna: A primeira Revolução Científica trouxe várias mudanças para o pensamento, dentre as quais podemos destacar a mudança da visão teocentrista (Deus é o centro do conhecimento), para visão antropocentrista (o homem é o centro do conhecimento). 1. O racionalismo de. René Descartes - O discurso do Método: A máxima do cartesianismo “Cogito ergo sun”. 2. O empirismo: a. John Lock - a experiência b. David Hume - a Crença 3. O criticismo kantiano: O conhecimento a priori: Universal e necessário. 4. A herança iluminista: A razão. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO PÁG. 03 IV - Teoria do Conhecimento na Idade Contem- porânea: A Crise da Razão. O novo iluminismo de Habermas A razão crítica precisa: a. Fazer a crítica dos limites b. Estabelecer princípios éticos c. Vincular construção a raízes sociais. SINTESE DA AULA Nesta aula conhecemos os conceitos de racionalismo e conhecimento. Identificamos os pensadores que desenvolveram fundamentos principais e aprendemos os tipos de conhecimento. Agora que você aprendeu sobre conhecimento e sua tipologia, leia o texto abaixo sobre Descartes escrito pela Filósofa Marilena Chauí e depois responda as questões que seguem: Descartes Marilena Chauí PENSAMENTO As idéias. A maior parte da obra de Descartes é consagrada às ciências (domínios da matemática e da ótica) mas o que ele mais quer é conseguir um modo de chegar a verdades concretas. Sua filosofia, exposta principalmente em o “Discurso sobre o Método”, o mais amplamente lido de todos os seus trabalhos, é a proposta de meios para tal. Descartes parte da dúvida chamada metódica, porque ela é proposta como uma via para se chegar à certeza e não é dúvida sistemática, sem outro fim que o próprio duvidar, como para os céticos. Argumenta que as idéias em geral são incertas e instáveis, sujeitas à imperfeição dos sentidos. Algumas, porém, se apresentam ao espírito com nitidez e estabilidade, e ocorrem a todas as pessoas da mesma maneira, independentes das experiências dos sentidos, e isto significa que residem na mente de todas as pessoas e são inatas. Descartes vai, por etapas, nomear as idéias que ele inclui nessa categoria de claras, distintas, e inatas e vai demonstrar que essas são idéias verdadeiras, não podem ser idéias falsas. A primeira idéia que examina é a do próprio Eu. Desta idéia, diz êle que não pode duvidar. É a idéia do próprio Eu pensante, enquanto pensante. E então conclui com sua célebre frase: “Penso, logo existo”. Este dito, talvez o mais famoso na história da filosofia, aparece primeiro na quarta seção do “Discurso sobre o método”, de 1637, em francês, Je pense donc je suis, e depois na primeira parte do “Princípios de Filosofia” (1644) que é praticamente a versão latina do “Discurso”, Cogito ergo sum. Mas, de todo esse raciocínio Descartes saiu com apenas uma única verdade, a de que ele existe, e isto não basta para encontrar a verdade sobre o universo. O mundo existe ou é uma ilusão, apenas imaginação? Tenho várias idéias com grande nitidez e estabilidade, e delas compartilho com muitas pessoas, mas nada me garante que não estejamos todos enganados. Uma delas é a idéia da “extensão”. Esta é uma idéia que Descartes considera inata, clara e evidente, e que é exigida pelo mundo físico. Essa idéia existe no espírito humano como a idéia de algo dotado de grandeza e forma: é fundamental à geometria e torna provável a existência dos corpos, a existência dos objetos e do mundo. Porém, apesar de clara e distinta, a idéia de extensão não é garantia de que os objetos correspondam às idéias que deles fazemos. Deus verdadeiro. O problema está em encontrar uma garantia de que a tais idéias de objetos correspondam efetivamente algo real.. Tenho também a idéia de Deus. Mas agora sim, tenho uma garantia. Não é a mesma garantia que me dá o pensar, do qual concluo que se penso, então existo com certeza. A garantia que Descartes dá para a existência de Deus é que nenhum ser imperfeito ou finito, sendo igual ao homem, poderia ter produzido a idéia de um ser infinito e perfeito; somente Deus poderia ter revelado isto ao homem, como “a marca do artista impressa em sua obra”. Portanto, conclui no “Discurso sobre o Método”, a idéia de Deus implica a real existência de Deus. Voltemos então à idéia clara, distinta e inata da extensão. Se a percepção que tenho da extensão não correspondesse a uma realidade extensa, isso significaria que o espírito humano estaria sempre errado, e então essa idéia de extensão seria obra de um gênio maligno, incompatível com a idéia de um Deus bom e verdadeiro. Se Deus existe como ser perfeitíssimo, Ele é bom e verdadeiro; não pode permitir o erro sistemático doespírito humano. Porque Deus é perfeito, Ele é bom, e então a imagem do mundo exterior não é uma ficção. Eu tenho a certeza de que penso, e de que indubitavelmente existo porque sou essa coisa que pensa e Deus é a garantia de que aquilo que penso deveras existe como coisa física. Portanto, as idéias claras e distintas correspondem de fato à realidade - elas não são a armadilha de um gênio enganador e perverso Dualismo. Outro aspecto importante da filosofia de Descartes é sua concepção do homem em uma dualidade corpo-espírito. O universo consiste de duas diferentes substâncias: as mentes, ou substância pensante, e a matéria, a última sendo basicamente quantitativa, teoreticamente explicável em leis científicas e fórmulas matemáticas. Só no homem as duas substâncias se juntaram em uma união substancial, unidas porém delimitadas, e assim Descartes inaugura um dualismo radical, oposto da consubstancialidade ensinada pela escolástica tomista. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO PÁG. 04 Ele também rejeita a visão escolástica de que existe uma distinção entre vários tipos de conhecimento baseados na diversidade dos objetos conhecíveis, cada um com seu conceito fixo. Para ele o “poder de conhecer” é sempre o mesmo, qualquer que seja o objeto ao qual seja aplicado. Bem aplicado pode chegar à verdade e à certeza, mal aplicado vai cair no erro ou dúvida. A mente, em muitas de suas atividades, é dependente do corpo: a paixão, ou seja, aquilo que é sentido, é uma ação sobre o corpo. Fisiologicamente, Descartes colocou o centro da interação entre as duas substâncias na glândula pineal, convencido de que o aspecto geométrico de sua posição anatômica, - um pequeno corpo localizado centralmente na base do cérebro -, indicava uma função nobre, porém sem nada saber de sua atividade fisiológica por muito tempo desconhecida pela ciência. Alguns dão a Descartes a distinção de haver fundado a psicologia fisiológica, porque foi ele que explicou o comportamento de animais inteiramente em bases de funções mecânicas do sistema nervoso, negando que tivessem “almas”. Ele também propôs uma teoria que explicava a percepção visual de distancia, forma e tamanho, em termos de indicações secundárias. Ética. Descartes reconhece o corpo humano como a mais perfeita das máquinas; trabalha por impulsos naturais, - o que é hoje chamado reflexos condicionados -, mas os efeitos destes instintos automáticos e desejos podem ser controlados ou modificados pela mente, pelo poder da vontade racional. A higiene do corpo é importante, mas há igualmente a necessidade de uma higiene mental, a qual é baseada no conhecimento verdadeiro dos fatores psicológicos que condicionam o comportamento. A mente necessita do treinamento do “bom senso” e a aquisição de sabedoria, o que por sua vez depende do conhecimento das verdades da metafísica a qual, a metafísica, por seu turno, inclui o conhecimento de Deus. Descartes assim conclui que a atividade moral está baseada no conhecimento verdadeiro dos valores, ou seja, em idéias claras e distintas garantidas por Deus, do valor relativo das coisas. O método. O seu Método para o raciocínio correto é principalmente “nunca aceitar qualquer coisa como verdade se essa coisa não pode ser vista clara e distintamente como tal. Descartes assim implica a rejeição de todas as idéias e opiniões aceitas, a determinação a duvidar até ser convencido do contrario por fatos auto evidentes. Outro preceito é “Conduzir os pensamentos em ordem, começando com os objetos que são os mais simples e fáceis de saber e assim procedendo, gradualmente, ao conhecimento dos mais complexos. Recomenda recapitular a “cadeia de raciocínio” para se estar certo de que não há omissões. Propõe também preceitos metodológicos complementares ou preparatórios da evidência: o preceito da análise (dividir as dificuldades que se apresentem em tantas parcelas quantas sejam necessárias para serem resolvidas), o da síntese (conduzir com ordem os pensamentos, começando dos objetos mais simples e mais fáceis de serem conhecidos, para depois tentar gradativamente o conhecimento dos mais complexos) e o da enumeração (realizar enumerações de modo a verificar que nada foi omitido). Revolução científica. Quanto à filosofia e à ciência, Descartes viveu no início da revolução científica. Seu importante trabalho, Meditações sobre a Filosofia Primeira, foi publicado em 1641, o ano anterior a morte de Galileu e nascimento de Newton. Deste período é a obra de Francis Bacon Instauratio Magna, publicada em 1623; é a “A Cidade do Sol”, de Campanella, publicada em 1623, é Il Sagiatore Celeste, de Galileu, em 1623, são as obras de Kepler e de vários outros cientistas, filósofos e matemáticos, com suas invenções e descobertas. A grande preocupação na virada do século XVI para o século XVII: encontrar um caminho novo. “As múltiplas opiniões eram caminhos vários e inseguros que não levavam a qualquer meta definitiva e estável. “Precisava-se achar o método para a ciência. Francis Bacon (156l-1626) e Galileu haviam deixado bem claro o novo caminho do método experimental, indutivo, que formularia suas leis, partindo da consideração dos casos particulares.. Alguns, como eles próprios, Bacon e Galileu, enfrentam a hegemonia do pensamento lógico dedutivo dos aristotélicos até então predominante e apoiado pelas forças do Estado e da Igreja. Constituem com Hobbes, Locke, Berkeley e Hume a chamada corrente empirista, que, de um golpe irá devastar o território da alquimia, da astrologia, da cabala, e constrói pacientemente a ciência moderna. Outros reconhecem o valor do método indutivo, mas compreendem que ele é apenas o complemento novo que possibilitou a descoberta do método experimental e que o único instrumento com respeito às causas e aos fins últimos inatingíveis pela experimentação, será sempre a dedução lógica, e se arrojam por essa estrada. Formam a corrente racionalista moderna: Campanella, Descartes, Malebranche, Spinoza, Leibniz, e Kant. Classificação das ciências. No “Princípios da Filosofia”, Descartes classifica as ciências quanto à sabedoria ou grau de clareza e nitidez de idéias que é possível atingir em cada uma. A ciência, ele diz, pode ser comparada a uma árvore; a metafísica é a raiz, a física é o tronco, e os três principais ramos são a mecânica, a medicina, e a moral, estes formando as três aplicações do nosso conhecimento, que são, o mundo externo, o corpo humano, e a conduta da vida. Mas os conhecimentos científicos não bastam a si mesmos: o tronco da física sustenta- se em raízes metafísicas. É o Bom Deus quem garante o conhecimento científico, porque garante as idéias claras. A física cartesiana resulta, assim, de deduções racionais abstratas: Deus existe e serve de apoio para retirar do domínio da dúvida o conhecimento que é claro e evidente. O mundo físico está de antemão provado por uma idéia inata, a de extensão, que é a essência da corporeidade. Deus garante que idéias claras da realidade têm correspondência na realidade, Deus torna os objetos inteligíveis e os sujeitos capazes de intelecção, mas há que vencer a imperfeição do homem, cujas impressões sensíveis vem de fora e são deformadas. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO PÁG. 05 Geometria. O La Géométrie é a parte mais importante do “Discurso”. Ele representa o primeiro passo para uma teoria dos invariantes, que em estágios posteriores desrelativisa o sistema de referencia e remove arbitrariedades; a álgebra faz possível reconhecer os problemas típicos na geometria e trazer junto os problemas que na roupagem geométrica não pareceriam de nenhum modo estarem relacionados. A álgebra introduz na geometria os princípios mais naturais da divisão e a mais naturalhierarquia do método. Com ela as questões de solvabilidade e possibilidade geométricas podem ser resolvidas elegantemente, rapidamente e inteiramente da álgebra paralela; e sem ela não podem ser decididas de modo algum. Realmente, o grande avanço feito por Descartes foi criar uma fórmula algébrica para representar o fato trivial e então já conhecido de que um ponto em uma folha de papel retangular está infalivelmente, como é evidente, onde as duas linhas de suas duas distancias medidas perpendicularmente a duas margens adjacentes da folha, se encontram. Em linguagem geométrica, isto quer dizer que um ponto em um plano pode ser representado pelos valores (hoje chamados “coordenadas cartesianas”) das suas duas distâncias (x, y) tomadas perpendicularmente a dois eixos que se cruzam em ângulo reto nesse plano, com a convenção de lado positivo e negativo para um e outro lado do ponto de cruzamento dos eixos. Então uma equação f(x,y)=0 pode ser satisfeita por um infinito número de valores de x e y. O importante é que esses valores de x e y podem representar as coordenadas de vários pontos de uma curva, da qual a equação f(x,y)=0 expressa alguma propriedade geométrica, isto é, a propriedade verdadeira da curva em cada ponto dela. Por exemplo, o gráfico da função f(x)=x2 consiste de todos os pares (x, y) tais que y=x2, ou seja, é a coleção de todos os pares (x, x2), como (1,1), (2, 4), (-1, 1), (-3, 9), etc. A curva resulta ser uma parábola. Qualquer propriedade particular desta curva pode ser deduzida da equação, sem necessidade de se fazer o desenho da curva para encontrar os pontos graficamente, e duas ou mais curvas podem ser referidas a um e mesmo sistema de coordenadas; o ponto no qual duas curvas intersectam é determinado pela raiz comum às suas duas equações. E isto é geometria analítica, sua invenção. Um de seus críticos diz que algumas idéias no La Géométrie podem ter vindo de um trabalho anterior de Oresme mas reconhece que no trabalho de Oresme não há nenhuma evidência de ligar a álgebra e a geometria. Wallis, um contemporâneo de Descartes, argumenta em sua “Álgebra” (1685) que as idéias do La Géométrie foram copiadas do trabalho de Harriot sobre equações. Isto é considerado possível pelos historiadores da matemática, apesar de que Descartes sempre alegou que nada em sua obra era influência do trabalho de outros. Ótica e Universo. Dos dois restantes apêndices do Discours um era devotado à ótica, outro a natureza. Seu maior interesse está nas leis da refração, coincidentes no entanto com os achados de Snell, cujos experimentos originais Descartes deve ter repetido em Paris, em 1626 e 1627, e provavelmente se esqueceu de mencionar. Grande parte da ótica está dedicada a determinar a melhor forma para as lentes de um telescópio, mas as dificuldades mecânicas para polir uma superfície de vidro até uma forma requerida eram tão grandes naquela época que tornavam essas pesquisas de pouca utilidade prática. Mas revelam que Descartes estava em dúvida se os raios de luz procediam do olho e tocavam os objetos, como supunham os gregos, ou se, ao contrário, procediam do objeto e afetavam o olho. Porém, como ele considerava a velocidade da luz ser infinita, ele não considerou esse ponto particularmente importante. No Meteoros Descartes discute numerosos fenômenos atmosféricos, inclusive o arco-íris, que não explica corretamente por ignorar fatos importantes relativos ao índice de refração das substâncias para diferentes cores de luz.. Sua física do universo, de base metafísica, reunindo muito do que havia preparado para o não publicado Le Monde, encontra-se exposta no seu Principia, de 1644. Descartes não acredita em ação à distância. Conseqüentemente, não podia admitir haver vácuo em torno da terra e sim alguma matéria que seria o meio pelo qual as forças poderiam ser transferidas. A mecânica de Descartes supõe o universo cheio com a matéria que, devido a algum movimento inicial, se estabeleceu como um sistema de vórtices que carregam o sol, as estrelas, os planetas e seus satélites, e os cometas em seus trajetos. Por muitas razões a teoria de Descartes, é mais satisfatória do que o efeito misterioso da gravidade agindo a distância. Ele assume que a matéria do universo tem que estar em movimento, e que o movimento deve resultar em diversos vórtices. Sustenta que o sol está no centro de um imenso redemoinho de matéria, no qual os planetas flutuam e são arrastados em círculo como palhas em um redemoinho de água. Supõe que cada planeta está, por sua vez, no centro de um redemoinho secundário no qual os seus satélites são carregados em órbita. Estes redemoinhos secundários supostamente produzem variações de densidade no meio que os circunda e assim afetam o redemoinho primário principal, fazendo os planetas se moverem em elipses e não em círculos. De acordo com essa concepção o sol estaria no centro das elipses planetárias e não em um de seus focos, como Kepler havia demonstrado. Newton, em 1687, examinou sua teoria e verificou que não apenas estava em desacordo com as leis de Kepler mas também com as leis fundamentais da mecânica. No entanto, apesar de seus defeitos, a teoria dos vórtices marca um momento na astronomia, porque foi uma tentativa feita, antes de Newton, de explicar todo o universo por leis mecânicas conhecidas na terra e não milagres do céu. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO PÁG. 06 More perguntou a Descartes: “Por que os seus vórtices não são em forma de coluna ou cilindro (como um ciclone) em vez de elipses, desde que, tanto quanto eu entendo, qualquer ponto do eixo de um vortex é como se fosse o centro do qual a matéria celestial se afasta com um ímpeto inteiramente constante?” Mas Descartes não lhe deu resposta. Apesar dos problemas com a teoria dos vórtices, ela dominou na França por quase cem anos, mesmo depois que Newton mostrou que ela era impossível como um sistema dinâmico. Embora não aplicável ao sistema planetário, provou ser verdadeira quando se descobriu a forma das galáxias que revolvem ao redor de um buraco negro que é um vórtice. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO PÁG. 07 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Tendo lido o texto, identifique: a) A que se destinam como objetivo as ideias de Descartes? RESPOSTA A maior parte da obra de Descartes é consagrada às ciências (domínios da matemática e da ótica) mas o que ele mais quer é conseguir um modo de chegar a verdades concretas. b) Como descartes classifica as Ciências? Explique. RESPOSTA Descartes classifica as ciências quanto à sabedoria ou grau de clareza e nitidez de idéias que é possível atingir em cada uma. A ciência, ele diz, pode ser comparada a uma árvore; a metafísica é a raiz, a física é o tronco, e os três principais ramos são a mecânica, a medicina, e a moral, estes formando as três aplicações do nosso conhecimento, que são, o mundo externo, o corpo humano, e a conduta da vida. Mas os conhecimentos científicos não bastam a si mesmos: o tronco da física sustenta-se em raízes metafísicas. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO PÁG. 08 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO PÁG. 09 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA06 O MUNDO DOS VALORES: ÉTICA E MORAL Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Nesta aula, vamos aprender sobre o mundo dos valores Éticae Moral. Vamos entender porque fazemos julgamentos e emitimos opiniões sobre coisas e fenômenos no mundo. 1- Conceito de Ética e Moral 2- Diferenças entre os dois conceito 3- Importância de valores Objetivos da aula 06 • Entender os conceitos de valores, ética e moral • Conhecer os seus fundamentos • Ser capaz de refletir culturas e valores morais na atualidade. O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você a conceituação e o debate sobre valores, ética e moral que nos dias atuais está muito presente. Os Valores Desde o nascimento nos é ensinado o que é certo e errado e a partir disso reproduzimos os valores impostos pela sociedade. Antes de mais nada, valor moral pode ser definido como “respeito à vida”, não apenas a vida individual mas sim a vida coletiva, já que vivemos coletivamente, dependendo uns dos outros. Mas por que os valores morais são tão importantes na sociedade? Ora, eles são os responsáveis pela manutenção da ordem entre as pessoas, sendo inclusive ensinados desde o berço. É fácil imaginar em que situação o mundo se encontraria atualmente caso o homem ignorasse as leis formuladas a partir dos conceitos de ética e moralidade. É certo que o homem possui o direito de ter sua liberdade de expressão e escolha, porém tudo é passivo de limites. Caso contrário, diante de quaisquer adversidades que surgissem em nosso caminho, retornaríamos ao nosso estado primitivo e resolveríamos todos os problemas de maneira antiquada, desprovida de ética e moral, como fazem os criminosos, notadamente não seguidores dos valores morais. Em síntese, valor moral além de ser um instrumento indispensável para o bom funcionamento da sociedade e integração dos indivíduos nela, também significa respeito à vida. À nossa vida e à vida das pessoas ao nosso redor. A Ética A ética está em todos os discursos. A propósito de qualquer acontecimento, levantam-se as vozes dos moralistas a invocar a ne¬cessidade de reforço ético. Ética, infelizmente, é moeda em curso até para os que não costumam se portar eticamente. Por isso, com¬preensível que muitos já não acreditem no termo ética. A Ética é a “vida pensada”, pois, reflete criticamente o que a moral estabelece. A moral é o conjunto de regras concretas. A ética é a disciplina filosófica onde refleti criticamente a moral, para assim por em pratica se for o correto. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana, ética é o que todos temos só falta desenvolver e acreditar no bem, a ética orienta-nos e ajuda-nos para uma vida boa. Mas boa em que sentido? No sentido do bem, fazer o bem para com as pessoas, ajudar, orientar e pensar em outros e pensar neles também para podermos ser felizes, atingir a felicidade está também em atingir a felicidade do outro. A ética é praticada sem nenhum tipo de determinação vem de dentro, do consciente. A Moral Afinal o que é a moral? A moral é o conjunto de regras, normas de uma sociedade ou região, é importante porque há muitas pessoas que desrespeitam as leis e são de um instinto mal. A moral é importante por que não temos piloto automático e a nossa sociedade é muito cruel. A moral é um conjunto de conduta, A moral é o ” TU DEVES”. A Moral e a Ética são temporais, ou seja, ao longo do tempo vão-se modificando, evoluindo, por que estão abertos a novos conceitos e críticas. A moral não pensa na Liberdade e na dignidade do indivíduo, e a ética tem como ponto de partida esses dois valores. Moral é o conjunto de condutas e normas que tu, eu e alguns dos que nos rodeiam costumamos aceitar como válidas; «ética» é a reflexão sobre o porquê de as considerarmos válidas, bem como a sua comparação com as outras «morais», assumidas por pessoas diferentes.” FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 06 | O MUNDO DOS VALORES: ÉTICA E MORAL PÁG. 02 Diferença entre ética e moral: 1. Ética é o princípio 2. Moral são aspectos de condutas específicas; 3. Ética é temporal, 4. Moral é temporária; 5. Ética é universal, 6. Moral é cultural; 7. Ética é a Teoria, 8. Moral é a prática. ÉTICA ESTÁ RELACIONADA À OPÇÃO, AO DESEJO DE REALIZAR A VIDA, MANTENDO COM OS OUTROS RELAÇÕES JUSTAS. NORMALMENTE, ESTÁ RELACIONADA ÀS IDÉIAS DE BEM E VIRTUDE, ENQUANTO VALORES PERSEGUIDOS POR TODO SER HUMANO E CUJO ALCANCE SE TRADUZ NUMA CO-EXISTÊNCIA PLENA E FELIZ. ONTOLOGIA: VEM DO GREGO “ONTOS” E “LOGOS” SER E ESTUDO, ASSIM ESTUDO DO SER EM SUA ESSÊNCIA. DEONTOLOGIA: VEM DO GREGO “DEONTOS” E “LOGOS”, SIGNIFICANDO RESPECTIVAMENTE, “O QUE É OBRIGATÓRIO, NECESSÁRIO E ESTUDO. A ética, então, pode ser o regimento, a lei do que seja ato moral, o controle de qualidade da moral. Daí os códigos de ética que servem para as diferentes micro-sociedades dentro do sistema maior. A moral por sua vez, de acordo com Kant, “é aquilo que precisa ser feito, independentemente das vantagens ou prejuízos que possa trazer”. Assim, quando praticamos um ato moral, poderemos até sofrer conseqüências negativas, pois o que é moral para uns pode ser amoral ou imoral para outros. Veja o exemplo. A família do Sr. João tem o costume de tomar banho junta. Pai, mãe e filhos (meninas e meninos) sempre tomaram banho juntos. É cultural, dentro da casa, a exposição do corpo nu entre eles sem que haja conotações de sexualidade ou de promiscuidade. No entanto, seus vizinhos, regidos por uma cultura totalmente avessa a esse tipo de comportamento, quando ficaram sabendo do banho coletivo familiar daquela família, passaram a denomina-la de imoral. Esse simples e pequeno exemplo, pode justificar o que foi afirmado acima: que ações morais, para uns, podem ser imorais para outros. Não há como definir quem está “certo” ou quem está “errado”, é uma questão cultural familiar, de uma micro-sociedade. Duas pessoas podem ter valores diferenciados a respeito do que seja ato moral ou imoral, é uma questão de consciência pessoal. Daí o conceito do Kant sobre “aquilo que precisa ser feito”. Assim, vemos que no Brasil precisamos pensar sobre esses conceitos com firmeza, pois na SOCIEDADE CAPITALISTA... em que vivemos num mundo marcado pela cultura do capital, que conseguiu impor a sua lógica e os seus interesses. São cerca de 400 famílias no mundo que possuem mais de 70% da riqueza mundial. Essa situação configura uma grave ofensa Ética, em relação aos demais seres humanos, à natureza e ao mundo. Vivemos uma Ética individualista, consumista, utilitarista. VAMOS REFLETIR: “No Brasil, a cada minuto e meio, morre uma criança em conseqüência da fome ou das doenças provocadas pela fome.” “Isso acontece em um país que é o 2º maior exportador de grãos e alimentos do mundo.” “Essa situação configura uma grave crise Ética. Não nos tratamos de forma humana, somos cruéis e sem piedade uns com os outros” (Frei Beto) FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 06 | O MUNDO DOS VALORES: ÉTICA E MORAL PÁG. 03 ÉTICA DA SENSIBILIDADE Betinho dizia que o maior crime da humanidade não é produzir armas atômicas ou ter uma guerra civil, mas, sim, não termos sensibilidade, não sentirmos o outro, sendo tão cruéis. Portanto, a Ética surge quando diante de nós aparece o outro e, assim, surgem várias atitudes possíveis. Posso sentir medo do outro, excluí-lo e submetê-lo. Ou posso vê-lo como um semelhante, que possa fazer uma aliança de vida. Vamos conhecer um pouco deste grande sociólogo “Betinho” - Herbert José de Souza Acesse: http://educacao.uol.com.br/biografias/herbert-jose- de-sousa-betinho.jhtm CONTINUANDO... ÉTICA DO CUIDADO Outro elemento importante da Ética, além da sensibilidade, é o cuidado de uns para com os outros. Cuidado é sentir-se envolvido com o outro, é preocupar-se com o destino do outro. ÉTICA DA RESPONSABILIDADE Uma novaÉtica de urgência é a da responsabilidade. Dar-se conta e controlar as conseqüências que as minhas ações, a minha palavra, o meu gesto tem sobre o outro. SINTESE DA AULA Nesta aula entendemos o que são valores e como é importante compreender culturalmente as ideias de Ética e Moral, bem como saber diferenciá-las. Agora que você refletiu e pode pensar sobre ética e moral, vamos assistir um vídeo As rígidas normas que devem seguir as Mulheres Muçulmanas... e desenvolver uma reflexão sobre ele. https://www.youtube.com/watch?v=V5lt56FjQrY FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 06 | O MUNDO DOS VALORES: ÉTICA E MORAL PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Assista o vídeo e elabore uma reflexão sobre ele diferenciando ética e moral. RESPOSTA As mulheres de melhores condições financeiras são mais livres, o véu é delicado, vestem-se com roupas modernas, frequentam lojas, restaurantes caros, inclusive só com as amigas. Já vi outras, e estas a maioria, só andam com o marido, carregadas de filhos, eles quase sempre não ajudam; cheias de roupas, panos escuros num calor horrível, sinceramente deu dó! Não vi nenhuma com um olhar de felicidade, percebe-se uma tristeza profunda em seus rostos, é deprimente. Deus é amor, Ele não faz acepção de pessoas, e é terrível usarem o nome Dele, em vão, para justificar maus tratos e desrespeito a outros seres humanos (ou não). FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 06 | O MUNDO DOS VALORES: ÉTICA E MORAL PÁG. 05 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 06 | O MUNDO DOS VALORES: ÉTICA E MORAL PÁG. 06 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA07 EPISTEMOLOGIA Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Nesta aula 07 precisamos definir epistemologia e sua importância para as discussões da Filosofia. Ela é ainda um dos principais ramos da filosofia, talvez mesmo aquele que mais se destaca, e os seus problemas compreendem a questão da possibilidade do conhecimento, que nos coloca a dúvida se o ser humano conseguirá algum dia atingir realmente o conhecimento total e genuíno, fazendo-nos oscilar entre uma resposta dogmática ou empirista. 1- O que é Epistemologia. 2- Qual a sua importância na Filosofia 3- Como ela está dividida. 4- A Epistemologia Genética e Jean Piaget Objetivos da aula 07 • Entender o que é Epistemologia. • Conhecer a questão da possibilidade do conhecimento • Identificar os tipos de epistemologia. • Apresentar a Epistemologia genética de Jean Piaget O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você que a epistemologia é o ramo da filosofia que estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento (daí também se designar por filosofia do conhecimento). A palavra epistemologia não é encontrada na literatura grega antiga. Apesar do problema do conhecimento fazer parte das questões da Filosofia desde os gregos antigos, o termo epistemologia começou a ocupar maior espaço na literatura filosófica apenas na modernidade. Não obstante, o termo grego que origina a expressão (epistêmê) é mais comum de ser lido na literatura do período clássico. Este termo aparece 594 vezes em Platão e 322 em Aristóteles. A ocorrência mais remota é em Sófocles (495-406 a.C.). Esse termo não aparece em Homero e Hesíodo, que correspondem ao período arcaico. Isso nos leva a pensar que epistêmê tornou-se uma preocupação do pensamento grego apenas no período histórico clássico, ou seja, em torno do século V a.C. E sabemos que esse período marca o auge da polis grega e da busca filosófica pelo princípio único que explicasse a physis. Podemos afirmar, portanto, com certa segurança, que a epistêmê torna-se uma preocupação filosófica junto com outras de ordem política, uma vez que elas estão contextualizadas com a polis grega. O substantivo epistêmê, ligado ao verbo epistamai, significa, em termos gerais, familiaridade com um assunto, habilidade, experiência (como em arquearia ou na guerra, por exemplo); é uma forma de conhecimento prático. Provavelmente é formado pela conjugação de epi (preposição que significa sobre) e histêmi, que significa: a) colocar em pé, erguer, fixar, colocar firme. Podemos dizer que epistêmê traz a idéia de algo que sobre o quê se pode sustentar firmemente. O que diz epistêmê? O verbo que lhe corresponde é epistasthai, colocar-se diante de alguma coisa, ali permanecer e deparar- se, a fim de que ela se mostre em sua visão. Epistasis significa também permanecer diante de algo, dar atenção a alguma coisa. Esse estar diante de algo numa permanência atenta, epistêmê, propicia e encerra em si o fato de nós nos tornarmos e sermos cientes daquilo diante do que assim nos colocamos. Sendo cientes podemos, portanto, tender para (vorstehen) a coisa em causa, diante da qual e na qual permanecemos na atenção. Poder tender para a coisa significa entender-se com ela. Traduzimos epistêmê, por “entender-se com-alguma-coisa”. (1994:204) EPISTEMOLOGIA SIGNIFICA CIÊNCIA, CONHECIMENTO, É O ESTUDO CIENTÍFICO QUE TRATA DOS PROBLEMAS RELACIONADOS COM A CRENÇA E O CONHECIMENTO, SUA NATUREZA E LIMITAÇÕES . FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 07 | EPISTEMOLOGIA PÁG. 02 É uma palavra que vem do grego. A epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento, e também é conhecida como teoria do conhecimento e relaciona-se com a metafísica, a lógica e a filosofia da ciência. É uma das principais áreas da filosofia, compreende a possibilidade do conhecimento, ou seja, se é possível o ser humano alcançar o conhecimento total e genuíno, e da origem do conhecimento. A epistemologia também pode ser vista como a filosofia da ciência. A epistemologia trata da natureza, da origem e validade do conhecimento, e estuda também o grau de certeza do conhecimento cientifico nas suas diferentes áreas, com o objetivo principal de estimar a sua importância para o espírito humano. A epistemologia surgiu com Platão, onde ele se opunha à crença ou opinião ao conhecimento. A crença é um ponto de vista subjetivo e o conhecimento é crença verdadeira e justificada. A teoria de Platão diz que conhecimento é o conjunto de todas as informações que descrevem e explicam o mundo natural e social que nos rodeia. A epistemologia provoca duas posições, uma empirista que diz que o conhecimento deve ser baseado na experiência, ou seja, no que for apreendido durante a vida, e a posição racionalista, que prega que a fonte do conhecimento se encontra na razão, e não na experiência. Epistemologia genética A Epistemologia Genética consiste em uma teoria elaborada pelo psicólogo e filósofo Jean Piaget. A epistemologia genética é um resumo de duas teorias existentes, o apriorismo e o empirismo. Para Piaget, o conhecimento não é algo inato dentro de um indivíduo, como afirma o apriorismo. De igual forma o conhecimento não é exclusivamente alcançado através da observação do meio envolvente, como declara o empirismo. PAUSA PARA REFLEXÃO E MAIS CONHECIMENTO... Você conhece Jean Piaget? Vamos conhecê-lo? Jean Piaget... nasceu na Suíça, na cidade de Neuchâtel, em 1896. Considerado uma criança precoce, desde cedo demonstrou interesse pela observação da natureza e pela organização sistematizada dos dados coletados, tanto que aos onze anos publicou um pequeno artigo científico a respeito de suas observações de um pássaro albino. Durante sua adolescência, trabalhou como assistente do diretor do Museu de História Natural de Neuchâtel,onde se interessou e estudou malacologia, chegando a publicar vários artigos sobre o tema, os quais tiveram notório reconhecimento pela comunidade científica. Ainda na adolescência, influenciado pelo padrinho, que era professor de filosofia, iniciou os estudos, especialmente interessado pelas questões epistemológicas, que o acompanhariam por todo o seu trabalho como pesquisador. Entretanto, precisou escolher entre a biologia e a filosofia aos 18 anos, para definir a sua profissão. Optou pela formação universitária em biologia e aos 20 anos doutorou-se em malacologia. Mas qual o significado de malacologia? Acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Malacologia FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 07 | EPISTEMOLOGIA PÁG. 03 CONTINUANDO... Piaget, desde a adolescência, desejou criar uma teoria biológica do conhecimento, e, perseguindo esse ideal, acabou buscando na psicologia da inteligência o meio termo para os seus interesses biológicos e epistemológicos. A psicologia é a ciência que investiga o comportamento humano e, portanto, investiga como o ser humano aprende e se apropria do conhecimento. Especialmente, admite o método experimental de pesquisa, fato que chamou a atenção de Piaget. Inicialmente, é importante explicar o nome da teoria de Jean Piaget. As questões epistemológicas interessaram a Piaget desde sua juventude. A epistemologia é utilizada comumente para designar o que chamamos a teoria do conhecimento. O objetivo da pesquisa de Piaget foi definir, a partir da perspectiva da biologia, como o sujeito passaria de um conhecimento menor anterior para um nível de maior conhecimento. O problema que buscou solucionar durante toda a sua vida de pesquisador e que fez dele um teórico e autor conhecido e respeitado mundialmente, foi o da construção do conhecimento pelo sujeito, o que o fez, partindo da biologia, estudar filosofia, epistemologia, lógica, matemática, física, psicologia, entre outras ciências. PIAGET: O CONHECIMENTO É PRODUZIDO GRAÇAS A UMA INTERAÇÃO DO INDIVÍDUO COM O SEU MEIO, DE ACORDO COM ESTRUTURAS QUE FAZEM PARTE DO PRÓPRIO INDIVÍDUO . SINTESE DA AULA Nesta aula conhecemos que toda a reflexão epistemológica que pretenda um esclarecimento sobre problemas relacionados com o estatuto das várias ciências, as suas metodologias, os âmbitos e limites dos vários saberes, a sua objectividade, universalidade e validade, requer uma investigação prévia sobre o próprio conhecimento: um conhecimento do conhecimento e uma defesa do seu próprio estatuto e da sua fiabilidade. Esta tarefa consiste numa crítica, que deverá assumir uma certa atitude transcendental, orientada para a reconstrução – e não descontrução – do processo cognitivo desde os seus fundamentos. Conhecemos também um pouco do pensamento de Jean Piaget sobre a Epistemologia Genética. APRENDENDO UM POUCO MAIS: Pedagogia Construtivista Inspirado nas idéias do suíço Jean Piaget (1896-1980), o método procura instigar a curiosidade, já que o aluno é levado a encontrar as respostas a partir de seus próprios conhecimentos e de sua interação com a realidade e com os colegas. Uma aluna de Piaget, Emilia Ferrero, ampliou a teoria para o campo da leitura e da escrita e concluiu que a criança pode se alfabetizar sozinha, desde que esteja em ambiente que estimule o contato com letras e textos. O construtivismo propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estimulo a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. A partir de sua ação, vai estabelecendo as propriedades dos objetos e construindo as características do mundo. Para Piaget, a inteligência lógica tem um mecanismo auto- regulador evolutivo, noções como proporção, quantidade, causalidade, volume e outras, surgem da própria interação da criança com o meio em que vive. Vão sendo formados esquemas que lhe permitem agir sobre a realidade de um modo muito mais complexo do que podia fazer com seus reflexos iniciais, e sua conduta vai enriquecendo-se constantemente. Assim, constrói um mundo de objetos e de pessoas onde começa a ser capaz de fazer antecipações sobre o que irá acontecer. O método enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. A teoria condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno. As disciplinas estão voltadas para a reflexão e auto-avaliação, portanto a escola não é considerada rígida. As idéias de Piaget mostram aos psicólogos que havia um mecanismo natural de aprendizagem e que a escola deveria acompanhar a curiosidade da criança, propondo atividades com temas que a interessassem naquele momento, sem se prender a um currículo rígido. O russo Lev Vygotsky, contemporâneo de Piaget, desenvolveu uma psicologia também chamada construtivista, mas considerando as atividades interpessoais da criança e a história social. Existem várias escolas utilizando este método. Mais do que uma linha pedagógica, o construtivismo é uma teoria psicológica que busca explicar como se modificam as estratégias de conhecimento do individuo no decorrer de sua vida. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 07 | EPISTEMOLOGIA PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Assista ao vídeo abaixo e aproveite o que aprendeu sobre as ideias epistemológicas de Piaget e construa um texto dissertativo de dez linhas analisando os fundamentos de sua epistemologia genética. https://www.youtube.com/watch?v=n0UZT1UCzec FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 07 | EPISTEMOLOGIA PÁG. 05 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 07 | EPISTEMOLOGIA PÁG. 06 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA08 FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Nesta aula, vamos proceder a análise dos fazeres humanos identificando aspectos éticos, estéticos, morais, políticos e econômicos envolvidos na produção científica e tecnológica, bem como sua utilização é uma competência necessária, diretamente vinculados a questão da cultura afro brasileira. A construção do sujeito de relações e de comunicação, a construção do sujeito histórico, ético, consciente e de responsabilidade social, que assegure ao aluno a formação indispensável para o exercício da cidadania. FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA 1- Aspectos históricos da cultura afrobrasileira 2- Reflexões sobre os avanços desta questão na realidade brasileira 3- A filosofia e a cultura afrobrasileira Objetivos da aula 08 • Conhecer a história da cultura afrobrasileira. • Entender os trações e valores dessa cultura para a formação brasileira. • Conhecer algumas manifestações culturais, demonstrando atitudes de interesse, respeito e participação frente a elas e valorizando a diversidade; • Relacionar Filosofia e o debate da cultura afrobrasileira O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você repertórios histórico– cultural que lhes permitam localizar acontecimentos, respeitando o modo de vida de diferentes grupos, reconhecendo mudanças e permanências de vivências humanas, questionando sua realidade, valorizando o patrimônio sócio-cultural e respeitando a diversidade, além de conhecer realidades históricas singulares, distinguindo diferentes modos de convivência nelas existentes. FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA O estudo do negrobrasileiro envolve muitos temas a serem explorados. Existe a necessidade de conceituação de colonialismo, neocolonialismo e imperialismo; precisa- se destacar as Conferências de Berlim e de Bandung, em 1885 e 1955 respectivamente, importantes à história africana; os processos de emancipação; as diferentes lutas pela independência etc. Todos esses assuntos precisam ser relacionados com suas reais conseqüências para o mundo e em especial para o Brasil. A principal etnia trazida para o Brasil foi a dos Bantos, povo que durante o período colonial brasileiro ocupava a maior parte do continente africano situado ao sul do equador, na região onde hoje está localizado o Congo, a República Democrática do Congo, Angola e Moçambique, entre outros. Assim que chegavam ao Brasil, os africanos escravizados eram logo submetidos à aculturação portuguesa, traduzida principalmente na catequese católica: eram batizados e recebiam um nome “cristão”, pelo qual seriam conhecidos a partir daquele momento. A cultura Afro-brasileira está presente em toda a nossa trajetória de formação de nação. O Brasil foi o país que mais recebeu escravos africanos e, após a abolição, a luta pelo reconhecimento na sociedade tem sido incessante. Falar em uma cultura Afro-brasileira implica abordar as lutas sociais, a miscigenação, a discriminação, o sincretismo e a contribuição cultural de um modo geral. O cuidado para não generalizar superficialmente a cultura Afro-brasileira deve ser constante. Os objetos, a língua e o ritmo musical são definidos como africanos, não através de uma pesquisa cuidadosa, que ainda é rara, e sim, muitas vezes, por uma associação superficial, por semelhança ou por observação. “Parecer africano” ou “soar como africano” é, na verdade, o que torna algo “africano”. Traços fortes da cultura africana podem ser encontrados hoje em variados aspectos da cultura brasileira, como a música popular, a religião, a culinária, o folclore e as festividades populares. Os estados do Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul foram os mais influenciados pela cultura de origem africana, tanto pela quantidade de escravos recebidos durante a época do tráfico como pela migração interna dos escravos após o fim do ciclo da cana-de-açúcar na região Nordeste. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 08 | FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA PÁG. 02 De maneira geral, tanto na época colonial como durante o século XIX a matriz cultural de origem europeia foi a mais valorizada no Brasil, enquanto que as manifestações culturais afro-brasileiras foram muitas vezes desprezadas, desestimuladas e até proibidas. Assim, as religiões afro-brasileiras e a arte marcial da capoeira foram frequentemente perseguidas pelas autoridades. Por outro lado, algumas manifestações de origem folclórico, como as congadas, assim como expressões musicais como o lundu, foram toleradas e até estimuladas. A partir de meados do século XX, as expressões culturais afro-brasileiras começaram a ser gradualmente mais aceitas e admiradas pelas elites brasileiras como expressões artísticas genuinamente nacionais. Nem todas as manifestações culturais foram aceitas ao mesmo tempo. O samba foi uma das primeiras expressões da cultura afro-brasileira a ser admirada quando ocupou posição de destaque na música popular, no início do século XX. O interesse pela cultura afro-brasileira manifesta-se pelos muitos estudos nos campos da sociologia, antropologia, etnologia, música e linguística, entre outros, centrados na expressão e evolução histórica da cultura afro-brasileira, inclusive em nossa disciplina de Fundamentos Sócio Antropológicos também são abordados estes temas sob o prisma da Sociologia e da Antropologia. CONTINUANDO... Os negros trazidos da África como escravos geralmente eram imediatamente batizados e obrigados a seguir o Catolicismo. A conversão era apenas superficial e as religiões de origem africana conseguiram permanecer através de prática secreta ou o sincretismo com o catolicismo. Algumas religiões afro-brasileiras ainda mantém quase que totalmente suas raízes africanas, como é o caso do Candomblé e do Xangô do Nordeste; Outras formaram-se através do sincretismo religioso, como o Batuque, o Xambá e a Umbanda. Em maior ou menor grau, as religiões afro-brasileiras mostram influências do Catolicismo e da encataria europeia, assim como da pajelança ameríndia. PARA SABER MAIS SOBRE ENCATARIA EUROPÉIA.. Acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Encantaria TROCANDO EM MIÚDOS... O sincretismo manifesta-se igualmente na tradição do batismo dos filhos e o casamento na Igreja Católica, mesmo quando os fiéis seguem abertamente uma religião afro-brasileira. No Brasil colonial os negros e mulatos, escravos ou forros, muitas vezes associavam-se em irmandades religiosas católicas. A Irmandade da Boa Morte e a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foram das mais importantes, servindo também como ligação entre o catolicismo e as religiões afro-brasileiras. A própria prática do catolicismo tradicional sofreu influência africana no culto de santos de origem africana como São Benedito, Santo Elesbão, Santa Efigênia e Santo Antônio de Noto (Santo Antônio do Categeró ou Santo Antônio Etíope); no culto preferencial de santos facilmente associados com os orixás africanos como São Cosme e Damião, São Jorge (Ogum no Rio de Janeiro), Santa Bárbara (Iansã); na criação de novos santos populares como a Escrava Anastácia; e em ladainhas, rezas e festas religiosas (como a Lavagem do Bonfim onde as escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim em Salvador, Bahia são lavadas com água de cheiro pelas filhas-de-santo do candomblé). FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 08 | FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA PÁG. 03 As igrejas pentencostais do Brasil, que combatem as religiões de origem africana, na realidade têm várias influências destas como se nota em práticas como o batismo do Espírito Santo e crenças como a de incorporação de entidades espirituais (vistas como maléficas). Enquanto o Catolicismo nega a existência de orixás e guias, as igrejas pentencostais acreditam na sua existência, mas como demônios. O sincretismo religioso existente na umbanda dá-se devido a fatores histórico-culturais presentes na história do Brasil. Durante o período de Brasil Colônia, os índios e negros mantidos com o trabalho escravo eram proibidos de expressar, cultuar ou fazer ritos de acordo com suas próprias crenças religiosas por conta dos preconceitos (e medos) dos seus senhores, e tinham que fingir e “aceitar” a imposição da religião Católica, pois a missão Jesuíta era impor isso a eles, para que todas as impurezas de espírito fossem retiradas dos “não-civilizados”. Muitos deles, ao demonstrarem essa não-aceitação ao catolicismo, acabavam sendo severamente castigados. Em fim, as primeiras décadas depois da abolição da escravatura,em 1888, e a proclamação da República, em 1889, foram decisivas para o futuro da população negra no Brasil. Nesse sentido, a medida foi o reconhecimento legal de algo que já existia de fato. O que significava ser livre para a população afrodescendente em diáspora no Brasil? Ter autodeterminação; ser dona de seu próprio destino. Para a população negra, nesse contexto deveras adverso, ser cidadão significava ter direitos iguais e não ser vista como inferior. Porém, diante da inclusão marginal e das práticas de discriminação racial e tratamento diferenciado em relação à população branca, a cidadania plena continuava sendo um sonho. Para transformá-lo em realidade, um grupo das “pessoas de cor” logo percebeu que era necessário unir-se e lutar coletivamente, por meio de reivindicações e projetos,pela conquista de respeito, dignidade, reconhecimento, empoderamento, participação política, emprego, educação, terra, etc. Se a Abolição não resolveu muitas das necessidades sociais, políticas, econômicas e culturais do negro, ela lhe abriu a possibilidade de organizar-se em condições diferentes daquelas da escravidão, com graus significativamente diferentes de liberdade. Segundo as estatísticas, a existência de um preconceito racial contra negros e mulatos foi constatada. As opiniões variam grandemente da tolerância relativa a intolerância relativa; a liberdade de atividades e, num grau menor, a de comportamento, são relativamente grandes; as normas sociais são antes diretivas que compulsórias. A igualdade de oportunidades é largamente tolerada, entretanto, as ligações íntimas com pessoas de cor não são vistas com bons olhos. Os mulatos sofrem geralmente menor discriminação que os negros, mas também são discriminados. O SISTEMA DE COTAS RACIAIS FOI APROVADO NO STF (SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL), COMO SENDO CONSTITUCIONAL NO DIA 26 DE ABRIL DE 2012. A mídia se pronunciou, com a indagação da folha on-line (06/05/2012): “O STF ( Supremo Tribunal Federal) acertou ao aprovar as cotas raciais em Universidades Públicas?”. Trazendo polêmica e mostrando que o assunto que acabamos de abordar ainda é objeto de grandes trabalhos acadêmicos. O que na verdade concluímos no que foi discutido e com este exemplo é que deveria acontecer era uma grande comemoração em torno desta ação histórica de inclusão social, e não uma dúvida preconceituosa. O preconceito racial impera de forma absurda no nosso país. Tivemos avanços é claro, mas ainda há muito que se fazer para amenizar os efeitos da escravidão em nosso país. SINTESE DA AULA Nesta aula procuramos demonstrar que a Filosofia está presente na reflexão da cultura afrobrasileira na medida em que se propõe a racionalizar e questionar sempre os avanços e retrocessos da realidade das contribuições e inserções sociais dos grupos afrobrasileiros. Acreditamos que a educação é a maneira mais atuante de transformação de atitudes e pensamentos de uma sociedade. E que uma das formas de efetivar esta transformação é através da escola, onde organizamos, socializamos e sistematizamos os conhecimentos construídos pelo ser humano ao longo dos séculos. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 08 | FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Assista ao vídeo abaixo e escreva um texto identificando três contribuições culturais afrobrasileiras. https://www.youtube.com/watch?v=2odST57MmH4 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 08 | FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA PÁG. 05 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. AZEVEDO, Thales. Democracia racial.Petropolis: Vozes, 1975. Introdução, caps 1,2 e 3 CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. RS: Artmed, 2005. SOUZA, Ricardo Luiz. Pensamento social brasileiro. Uberlândia: EDUFU, 2011. Caps IV e V. RAMOS, Arthur. O negro brasileiro. Rio: Graphia, 2011 (1934). 5ª ed. Introdução e cap. IV, V, IX, FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 08 | FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA PÁG. 06 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA09 CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO PENSAMENTO FILOSÓFICO Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Estimado(a) Aluno(a), Nesta aula, vamos aprender sobre concepções de política e poder relacionados as visões filosóficas de pensadores clássicos. Nesse sentido, a Filosofia conduz para os livros de Ciência Política a discussão de proposições respeitantes à origem, à essência, à justificação e aos fins do Estado, como das demais instituições sociais geradoras do fenômeno do poder. Prontos para essa etapa? Ótimo... Me acompanhem nessa reflexão!! Estudaremos: 1-Conceito de Política e poder ; 2-Filosofia e pensamento político 3-Pensamento filosófico e fundamentos políticos Objetivos da aula 09 • Conhecer desenvolver um conceito de política e poder em suas relações com o meio, nas formas como se comunica, em suas descobertas; • Desenvolver uma proposta filosófica na qual a dimensão política seja valorizada como princípio das relações humanas. • Contribuir para a compreensão dos elementos que interferem no processo social das relações de poder através da busca do esclarecimento dos universos que tecem a existência humana: trabalho, relações sociais e cultura simbólica. O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você que a Filosofia mostra-se como o estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade, no sentido de apreendê-la na sua totalidade, quer pela busca da realidade, quer pela definição do instrumento capaz de apreender a realidade. A Ciência Política inserida neste contexto apresenta-se, em sentido lato, tendo por objeto o estudo dos acontecimentos, das instituições e das idéias políticas, tanto em sentido teórico (doutrina) como em sentido prático (arte), referido ao passado, ao presente e às possibilidades futuras. CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO PENSAMENTO FILOSÓFICO O conceito de poder varia no tempo e em função da corrente de pensamento abraçada pelos diferentes autores. A fim de exemplificar a complexidade de que se reveste o conceito, são referidos, a seguir, alguns posicionamentos que inspiraram toda uma série de teorias em ciência política. A palavra política é originária do grego pólis (politikós), e se refere ao que é urbano, civil, público, enfim, ao que é da cidade (da pólis). É uma forma de atividade humana relacionada ao exercício do poder. Na Idade Moderna surgiram as doutrinas democráticas, que conferem ao povo ou à nação o poder soberano. Estas teorias tornaram-se conhecidas a partir das obras de Thomas Hobbes (1588-1679), John Locke (1632-1704) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Para Thomas Hobbes, a humanidade, antes de criar a vida em sociedade, vivia em anarquia e violência, no chamado estado de natureza, no qual inexistia qualquer hierarquia entre os indivíduos. Essa vida “solitária, sórdida e brutal” terminou quando a humanidade criou, por meio de um contrato, a sociedade política. A soberania, que estava dispersa, residindo em cada indivíduo, passou a ser exercida pela autoridade criada em razão daquele contrato político. Hobbes entendia que o contrato que criou o Estado não poderá ser jamais revogado, sob pena de a humanidade retroceder ao estado de natureza. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 09 | CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO... PÁG. 02 O ponto de partida de John Locke difere do de Hobbes. No estado de natureza não teria havido caos, mas ordem e razão. Ele concorda com Hobbes que um contrato entre os indivíduos criou a sociedade política, mas o Estado surgiu para assegurar a lei natural, bem como para manter a harmonia entre os homens. Neste sentido, diz Locke, inexiste qualquer cessão dos direitos naturais ao Estado. Por isso, este deve ser exercido pela maioria, bem como respeitar os naturais direitos à vida, à liberdade, à propriedade. Foi Locke quem primeiro mencionou os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário como três funções essenciais do Estado. Em termos de preferência, Locke defendia a democracia como forma de governo, aceitando como boa a monarquia na qual a o Poder Legislativo, órgão supremo do Estado, fosse independente do rei. Jean Jacques Rousseau também partiu do princípio de que houve um estado de natureza. Este, porém, não era nem o caos de Hobbes e nem apenas ordeiro eracional, como queria Locke. Mais do que isso, no estado de natureza os homens eram livres e felizes. Foi o progresso da civilização, com a divisão do trabalho e da propriedade que criaram ricos e pobres, poderosos e fracos. Assim, a sociedade política surgiu como um mal necessário, para manter a ordem e evitar o recrudescimento das desigualdades. Ao criar o Estado, mediante um contrato social, o indivíduo cedeu parte de seus direitos naturais para que fosse criada uma entidade superior a todos, detentora de uma vontade geral. Ao participar das decisões tomadas pelo Estado, porém, o indivíduo recupera a parcela de soberania que transferiu por força do contrato social que formou a sociedade política. PARA ROUSSEAU, O TITULAR DO PODER DE ESTADO É O POVO As teorias de Hobbes, Locke e Rousseau exerceram grande influência, não só em suas. Hobbes inspirou o poder absoluto dos reis. Locke teve suas idéias aplicadas nas declarações de independência e nas Constituições dos Estados Americanos, bem como na formação do pensamento democrático e individualista. Rousseau deu o fermento ideológico da fase radical da Revolução Francesa. A História nos ensina que, nas sociedades primitivas, o poder de Estado concentrava-se em uma pessoa ou em um grupo. As atividades eram exercidas por intermédio de um só órgão supremo, que cuidava da defesa externa, da ordem interna, do controle dos bens e serviços de caráter coletivo, inclusive das funções religiosas. A extensão territorial e a diversificação crescente das atividades, dentre outros fatores, exigiu uma desconcentração do poder, cujo exercício começou a ser dividido entre várias pessoas. Desde a antigüidade, a função de julgar foi sendo delegada a funcionários do rei. Ao longo da Idade Média, outras funções foram se especializando, e órgãos especiais surgiram para desempenhar essas funções. O caso da Inglaterra é exemplar. A função legislativa, por um processo de negociação e lutas, passou das mãos do rei para uma representação autônoma dos cidadãos: o Parlamento. Aristóteles, discorrendo sobre a organização do Estado, ressaltou três funções principais: a deliberante, exercida pela assembléia dos cidadãos, que ele reputava como o verdadeiro poder soberano; a da magistratura, exercida por cidadãos designados pela assembléia para realizar determinadas tarefas; e a judiciária. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 09 | CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO... PÁG. 03 O tema passou despercebido por outros escritores, até que, no século XVIII, Locke o retomou, fornecendo os elementos de que se serviria Montesquieu, mais tarde, para elaborar sua famosa teoria que dividiu os Poderes em Legislativo, Executivo e Judiciário. Em seu processo histórico de desenvolvimento, os Estados modernos se formaram a partir da integração, cada vez maior, das duas doutrinas. A idéia é a de que tudo o que o cidadão puder decidir por si deve ser determinado por sua própria vontade. E o que depender de regulação coletiva deve contar com a participação do cidadão, a fim de assegurar que a decisão tomada represente, em alguma medida, a expressão da vontade individual. SINTESE DA AULA Nesta aula procuramos levar o aluno a questionar sua realidade, apartir da conceituação de política poder e reflexão filosófica, pois assim, ele pode analisar, comparar, decidir, planejar e expor idéias, bem como ouvir e respeitar as de outrem configurando um sujeito crítico e criativo. O poder é uma força a serviço de uma idéia. É uma força nascida da vontade social, destinada a conduzir o povo na obtenção do bem comum, e capaz, sendo necessário, de impor aos indivíduos a atitude que ela determinar. O Estado é o poder e por isso seus atos obrigam, mas ele é poder abstrato e por isso não é afetado pelas modificações que atingem seus agentes. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 09 | CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO... PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Com base nos ensinamentos da aula e em pesquisas na web desenvolva o pensamento político dos seguintes filósofos: • Hobbes • Locke • Rousseau- FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 09 | CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO... PÁG. 05 RESPOSTAS • Hobbes- Para o inglês Thomas Hobbes (1588-1679), o homem vive inicialmente em “estado de natureza” (estado PRIMITIVO de DESORDEM, pois não tem suas ações reprimidas nem pela razão nem pela presença de instituições políticas eficientes). • O estado de natureza é uma permanente ameaça que pesa sobre a sociedade, pois pode irromper sempre que a PAIXÃO SILENCIAR A RAZÃO ou A AUTORIDADE FRACASSAR. • Os homens, no estado de natureza, são egoístas, luxuriosos, inclinados a agredir os outros e insaciáveis. • Há no homem um desejo de destruição e de manter o domínio sobre o seu semelhante (competição constante, estado de guerra - “guerra de todos contra todos”). • Por isso, torna-se necessário existir um poder que esteja acima das pessoas individualmente para que o estado de guerra seja controlado, isto é, para que o instinto destrutivo do homem seja dominado. • Nesse sentido, o Estado surge como forma de controlar os “instintos de lobo” (“o homem é o lobo do próprio homem”) que existem no ser humano e, assim, garantir a preservação da vida das pessoas. • Apesar de suas paixões más, o homem é um ser racional e descobre os princípios que deve seguir para superar o estado de natureza e estabelecer o estado social. • Segundo Hobbes, para que isso aconteça, é necessário que o soberano tenha amplos poderes sobre os súditos. • Os cidadãos devem transferir o seu poder ao governante, que irá agir como soberano absoluto a fim de manter a ordem. • Em sua obra Leviatã, Hobbes atribui legitimidade ao poder político absoluto, baseando-se na concepção de uma natureza humana competitiva e destrutiva para qual somente um poder forte do Estado teria condições de fazer frente. • Por último, Hobbes entende que mesmo um MAU GOVERNO é melhor do que o ESTADO DE NATUREZA. • Locke John Locke (1632-1704) parte do princípio de que o Estado existe não porque o homem é o lobo do homem, mas em função da necessidade de existir uma instância acima do julgamento parcial de cada cidadão, de acordo com os seus interesses. • Cada qual sendo juiz de sua própria causa, leva ao surgimento de problemas nas relações entre os homens. • Assim, os cidadãos livremente escolhem o seu governante, delegando-lhe poder para conduzir o Estado, a fim de garantir os direitos essenciais expressos no pacto social. • O Estado deve preservar o direito à liberdade e à propriedade privada. • As leis devem ser expressão da vontade da assembléia e não fruto da vontade de um soberano. • Locke é um opositor ferrenho da tirania e do absolutismo (defendido por Hobbes), colocando-se contra toda tese que defenda a idéia de um poder inato dos governantes (por exemplo, a monarquia). FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 09 | CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO... PÁG. 06 • Rousseau- o suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) considera que o ser humano é essencialmente bom, porém, a sociedade o corrompe. • Ele considera que o povo tem a soberania. • Daí, conclui que todo o poder emana (tem sua origem) do povo e, em seu nome, deve ser exercido. • O governante nada mais é do que o representante do povo, ou seja, recebe uma delegação para exercer o poder em nome do povo. • Rousseau defende que o Estado se origina de um pacto formado entre os cidadãos livres que renunciam à sua vontade individual para garantir a realização da vontade geral. • Denuncia a propriedade como uma das causas da origem da desigualdade.• Na sua obra Do contrato social, procurou investigar não só a origem do poder político e se existe uma justificativa válida para os homens, originalmente livres, terem submetido sua liberdade ao poder político do Estado, mas também qual a condição necessária para que o poder político seja legítimo (o pacto social). “O homem nasce livre e, não obstante, está acorrentado em parte. Julga-se senhor dos demais seres sem deixar de ser tão escravo como eles. Como se tem realizado esta mutação? Ignoro-o. Que pode legitimá-la? Creio poder responder a esta questão. (...) A ordem social é um direito sagrado que serve de base a todos os outros. Tal direito, no entanto, não se origina da natureza, funda- se, portanto, em convenções.” ROUSSEAU, Jean-Jacques.Do contrato social, p. 37. • Um tema muito interessante no pensamento político de Rousseau é a questão da democracia direta e da democracia representativa. • A democracia direta supõe a participação de todo o povo na hora de tomar uma decisão. • A democracia representativa supõe a escolha de pessoas para agirem em nome de toda a população no processo de gerenciamento das atividades comuns do Estado. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 09 | CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO... PÁG. 07 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. AZEVEDO, Thales. Democracia racial.Petropolis: Vozes, 1975. Introdução, caps 1,2 e 3 CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. RS: Artmed, 2005. SOUZA, Ricardo Luiz. Pensamento social brasileiro. Uberlândia: EDUFU, 2011. Caps IV e V. RAMOS, Arthur. O negro brasileiro. Rio: Graphia, 2011 (1934). 5ª ed. Introdução e cap. IV, V, IX, FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 09 | CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO... PÁG. 08 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA10 ESTÉTICA E FILOSOFIA Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Nesta aula 10 vamos aprender sobre a relação entre Filosofia e Estética. A estética é uma ciência que remete para a beleza e também aborda o sentimento que alguma coisa bela desperta dentro de cada um de nós. Como está intimamente ligada ao conceito de beleza, existem vários centros ou clínicas de estética, onde pessoas podem fazer vários tratamentos com o objetivo de melhorar a sua aparência física. A filosofia acrescenta seu questionamento racional a este campo. 1- Conceito de estética 2- Relação Estética e Filosofia 3- Reflexões práticas sobre esta perspectiva Objetivos da aula 10 • Conhecer sobre o conceito de estética • Desenvolver uma proposta filosófica que oriente na definição de padrões de beleza relacionados a contextos culturais e valores sociais; • Contribuir para a compreensão dos elementos que interferem na relação estética percepção do mundo social. O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você que a filosofia não se propõe a dá respostas prontas, mas sim a fazer o ser humano pensar, questionar, criticar, duvidar, fazer com que o individuo não aceite tudo que lhe é imposto. Diante desta proposta da filosofia pretendemos levantar uma discussão em torno dos aspectos ligados a beleza sem nenhuma pretensão de definir o belo, mas sim expor de forma clara e concisa o pensamento filosófico sobre o tema. Por que nos atraímos pelo belo? Por que buscamos a beleza? Por que o belo nos causa prazer? a reflexão sobre a arte, a estética e o belo sempre estiveram presentes na filosofia, são temas recorrentes na obra de vários filósofos e hoje mais do que nunca despertam a curiosidade dos leitores devido á grande valorização da beleza nos dias atuais. FILOSOFIA E ESTÉTICA O culto ao belo remonta aos gregos que viam a beleza física como um reflexo da saúde do corpo, acreditavam que a estética e o físico eram tão importantes quanto o intelecto na busca pela perfeição, para eles a beleza do corpo não se resumia a estética, revelava o modo de vida do individuo. Nos dias atuais corpos magros e atléticos são sinônimos de perfeição, as pessoas se tornaram obcecadas pelo padrão vigente de beleza, no qual todos querem se inserir, o individuo tenta projetar em si o que é belo aos olhos da sociedade, ou seja, as pessoas se moldam aos padrões dominantes, estipulados e propagados pelo mundo capitalista, pela indústria da moda e mídia, procurando por meio disso a aceitação, auto- satisfação, auto- estima e a felicidade. O efeitos dessas super valorização do corpo e da beleza é observado com a crescente procura por centros estéticos, cirurgias plásticas, produtos de beleza cada vez mais sofisticados, salões de cabeleireiros, academias de ginástica, produtos com propostas milagrosos anunciados pela mídia, o culto exagerado pelo corpo, na busca da auto satisfação corpórea e de um padrão estético aceitável. Essa busca obsessiva pelo corpo perfeito e o culto a estética trouxeram serias conseqüências a nossa sociedade. Muitos em sua maioria adolescentes insatisfeitos com seu corpo, por não representarem os padrões socialmente aceitos fazem uso de medicamentos ou praticas que comprometem sua saúde na busca do tão sonhado corpo esbelto e bonito. Praticas essas que levaram a um crescente numero de casos de doenças como anorexia, bulimia e vigorexia (transtorno caracterizado pela pratica compulsiva de exercícios físicos) colocando sua vida, saúde em risco transformando- se em pessoas doentes na busca dessa adequação e auto- estima, onde ocorre uma banalização do corpo em detrimento da imagem. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 10 | ESTÉTICA E FILOSOFIA PÁG. 02 A ESTÉTICA TAMBÉM É CONHECIDA COMO A FILOSOFIA DO BELO E NA SUA ORIGEM ERA UMA PALAVRA QUE INDICAVA A TEORIA DO CONHECIMENTO SENSÍVEL (ESTESIOLOGIA) O significado que é atribuído atualmente à estético foi introduzido por A.G. Baumgarten, para descrever aquilo que na sua altura se chamava de “crítica do gosto”. Ao longo dos tempos, a filosofia sempre se interrogou a respeito da essência do belo, o tópico central da estética. Segundo Platão, o belo se identifica com o bom, e toda a estética idealista tem como origem essa noção platônica. No caso de Aristóteles, a estética tem como base dois princípios realistas: a teoria da imitação e a catarse. Você conhece esse teoria e a catarse? Vamos conhecer? Acesse: http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&link_ id=609:catarse&task=viewlink CONTINUANDO... No século XVIII a história da estética atinge o seu auge. Os ingleses analisaram a impressão estética e estabeleceram a diferença entre a beleza experimentada de forma imediata e a beleza relativa. Também foi feita a separação entre o belo e o “sublime” (E. Burke). Na estética contemporânea, é importante destacar duas tendências: a ontológica-metafísica, que muda radicalmente a categoria do belo, e a substitui pela vertente do verdadeiro ou do verídico; e a tendência histórico-sociológica, que contempla a obra de arte como um documento e como uma manifestação do trabalho do homem, analisada no seu próprio âmbito sócio- histórico. O sentir estético possui, pois, um carácter experiencial e não puramente conceptual. Não é só o nosso intelecto o destinatário dos objectos, mas é toda a nossa pessoa que é afetada por eles. Através do sentido estético chegamos ao desfrute da experiência estética. E através das experiências estéticas vamos desenvolvendo uma atitude estética. Estética significa aquilo que pode ser percebido pelos sentidos, ou aquele que é dotado de sensação. O juízo é oúltimo grau do gozo estético e com ele comprometemo-nos na valorização do objecto estético. O juízo estético manifesta a nossa intencionalidade de agirmos: valorar, ou a beleza natural, se se trata de um objecto estético da natureza, ou a beleza da obra de arte, se se trata de um objecto estético artificial. O juízo de gosto é uma avaliação, que distingue se uma coisa é ou não bela. Pelo juízo estético queremos captar a intenção do artista e participar na conversação a que ele nos convidou com a sua obra. O juízo de gosto não é portanto um juízo de conhecimento; por conseguinte não é lógico, mas estético; queremos dizer com isto que o seu princípio determinante não pode ser senão subjectivo. A arte põe em causa o indivíduo inteiro, com a sua constituição orgânica, com os seus sentimentos e as suas emoções, mas também com as suas ideias e as suas convicções, com a sua maneira de pensar e agir. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 09 | CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO... PÁG. 03 A arte deriva sem dúvida de um ato vital, pelo que assume um imediato aspecto lúdico, mas, ainda que exercício lúdico na origem, logo adquire responsabilidades, toma compromissos, transforma-se numa maneira de agir, pelo facto de jogar com a totalidade da vida e com as noções do indivíduo acerca dela. O artista vai ao encontro de toda a habituação dos olhos, dos ouvidos, e de toda uma mentalidade, de toda uma tradição cultural, a que acrescenta a sua achega e que ele próprio ajuda a modificar. A ciência define por meio de símbolos conceptuais, a arte sugere por meio de símbolos imagéticos. SINTESE DA AULA Nesta aula aprendemos que a Estética (do grego αισθητική ou aisthésis: percepção, sensação) é um ramo da filosofia que tem por objecto o estudo da natureza do belo e dos fundamentos da arte. Ela estuda o julgamento e a percepção do que é considerado belo, a produção das emoções pelos fenômenos estéticos, bem como as diferentes formas de arte e do trabalho artístico; a idéia de obra de arte e de criação; a relação entre matérias e formas nas artes. Por outro lado, a estética também pode ocupar-se da privação da beleza, ou seja, o que pode ser considerado feio, ou até mesmo ridículo. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 09 | CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO... PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Após assistir o vídeo abaixo que fala da entrevista com o autor clássico Humberto Eco sobre sua obra a História da Feiura,apresente uma reflexão entre estética e filosofia, levando em conta os ensinamentos da aula. https://www.youtube.com/watch?v=OOIOkc6fSuE FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 09 | CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO... PÁG. 05 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. AZEVEDO, Thales. Democracia racial.Petropolis: Vozes, 1975. Introdução, caps 1,2 e 3 CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. RS: Artmed, 2005. SOUZA, Ricardo Luiz. Pensamento social brasileiro. Uberlândia: EDUFU, 2011. Caps IV e V. RAMOS, Arthur. O negro brasileiro. Rio: Graphia, 2011 (1934). 5ª ed. Introdução e cap. IV, V, IX, FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 09 | CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO... PÁG. 06 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA11 FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Estimado(a) Aluno(a), Estamos iniciando mais uma aula e espero que esta possa proporcionar a você, grandes conhecimentos. Boa Caminhada!! Nesta aula, vamos aprender que apesar da afirmação de que “os homens nascem e são livres e iguais”, uma grande parte da humanidade permanecia excluída dos direitos. As várias declarações de direitos das colônias norte-americanas não consideravam os escravos como titulares de direitos tanto quanto os homens livres. A Declaração dos direitos do homem e do cidadão da Revolução Francesa não considerava as mulheres como sujeitas de direitos iguais aos dos homens. Em geral, em todas estas sociedades, o voto era censitário e só podiam votar os homens adultos e ricos; as mulheres, os pobres e os analfabetos não podiam participar da vida política. Devemos também lembrar que estes direitos não valiam nas relações internacionais. Com efeito, neste período na Europa, ao mesmo tempo em que proclamavam-se os direitos universais do homem, tomava um novo impulso o grande movimento de colonização e de exploração dos povos extra-europeus; assim, a grande parte da humanidade ficava excluída do gozo dos direitos. 1- O que são Direitos Humanos; 2- História do nascimento desta discussão e de suaspráticas; 3- A relação Direitos Humanos Filosofia Objetivos da aula 11 • Definir direitos Humanos; • Traçar um histórico das concepções e práticas de sua realidade; • Relacionar Filosofia e Direitos Humanos O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você que os direitos humanos implicam algo mais do que a mera dimensão jurídica, isto significa que é preciso que eles encontrem um respaldo na cultura, na história, na tradição, nos costumes de um povo e se tornem, de certa forma, parte do seu ethos coletivo, de sua identidade cultural e maneira de ser. Por isso que a realização dos direitos humanos é relativamente recente no Brasil e precisa de um certo tempo para se afirmar e por raízes no contexto brasileiro. INICIANDO.... A dignidade humana, na linguagem filosófica é um direito essencial. Atualmente, não se discute, há o reconhecimento de que toda pessoa tem direitos fundamentais, decorrendo daí a imprescindibilidade da sua proteção para preservação da dignidade humana. O conceito de Direitos Humanos é muito amplo. pode ser considerado sob dois aspectos: • constituindo um ideal comum para todos os povos • sistema de valores, enquanto produto de ação da coletividade humana, acompanha e reflete sua constante evolução e acolhe o clamor de justiça dos povos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em resolução da III Seção Ordinária da Assembléia Geral das Nações Unidas proclama: “A presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforcem, através do ensino e da educação, em promover o respeito a esses direitos e liberdades e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional.” O tema dos direitos humanos é de crescente relevância na caracterização da mentalidade jurídica do século XXI. Possui, ao mesmo tempo, um toque de passado e uma projeção de futuro. Mas o que são esses direitos? Quais seus fundamentos? Como surgiram? Para onde se dirigem? Perguntas como estas não são facilmente respondidas, necessitam de uma ampla análise histórico-filosófica, além de um profundo conhecimento jurídico. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS PÁG. 02 A doutrina apresenta distintos posicionamentos e ideologias que devem ser observados, visando ao mais completo entendimento da matéria. Inicialmente, pergunta-se qual o fundamento desses direitos e qual a sua fonte justificativa? Os teóricos se dividem em duas posições antagônicas, já muito trabalhadas pela Teoria Geral do Direito: o Positivismo e o Jusnaturalismo. A primeira, apresentada por Norberto Bobbio, afirma a inexistência de um direito absoluto para esses “direitos”, já que a dogmática jurídica se caracteriza pela historicidade, sendo o Direito passível de constantes modificações, advindas da sociedade, cultura, moral, economia,que se alteram dia após dia. Não se pode dar, assim, um fundamento eterno para algo que necessariamente sofrerá modificações. Atualmente, porém, há uma tendência à “positivação” dos direitos humanos, de forma a inseri-los nas Constituições Estatais, através da criação de novos mecanismos para garanti- los, além da difusão de sua regulação por meio de mecanismos internacionais, como os Tratados e Convenções Internacionais de Direitos Humanos. Com isso, já se pode falar num conceito positivo de “direitos humanos”, que seriam os “direitos fundamentais”, assegurados ao indivíduo através da regulamentação e aplicação desses direitos, tanto no campo estatal como no campo supra-estatal. Os direitos humanos seriam, assim, o conjunto de condições, garantias e comportamentos, capazes de assegurar a característica essencial do homem, a sua dignidade, de forma a conceder a todos, sempre, o cumprimento das necessidades inseridas em sua condição de pessoa humana. Dessa forma, esses direitos não são criados pelos homens ou pelos Estados, eles são preexistentes ao Direito, restando a este apenas “declará-lo”, nunca constituí-los. O direito não existe sem o homem e é nele que se fundamenta todo e qualquer direito, é na pessoa humana que o Direito encontra o seu valor. Há, pois, uma união dessas duas teorias na caracterização moderna dos direitos humanos. Ressalta-se o artigo 1.º, inciso III, CF/88, que afirma ser fundamento da República Federativa do Brasil a “dignidade humana”. Diz, em seu artigo 1.º, a Declaração Universal dos Direitos do Homem: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”. “A Declaração afirma que todos os homens nascem livres e iguais em dignidade (art. 1.º) e garante a todos eles os mesmos direitos, sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, nascimento ou qualquer outra condição (art. 2.º, I)”. A boa doutrina ressalta algumas características próprias desses direitos, sendo: • Universalidade: todo e qualquer ser humano é sujeito ativo desses direitos, independente de credo, raça, sexo, cor, nacionalidade, convicções; • Inviolabilidade: esses direitos não podem ser descumpridos por nenhuma pessoa ou autoridade; • Indisponibilidade: esses direitos não podem ser renunciados. Não cabe ao particular dispor dos direitos conforme a própria vontade, devem ser sempre seguidos; • Imprescribilidade: eles não sofrem alterações com o decurso do tempo, pois têm caráter eterno; • Complementaridade: os direitos humanos devem ser interpretados em conjunto, não havendo hierarquia entre eles. A EVOLUÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS Apesar da falta de historicidade inerente a esses direitos, é com a história e seus grandes pensadores que se observa a “evolução” da humanidade, no sentido de ampliar o conhecimento da essência humana, a fim de assegurar a cada pessoa seus direitos fundamentais. Podemos destacar que a noção de direitos humanos foi cunhada ao longo dos últimos três milênios da civilização. Em resumo, assinala que foi nesse período que nasceu a idéia de igualdade entre os seres humanos: “é a partir do período axial que o ser humano passa a ser considerado, pela primeira vez na História, em sua igualdade essencial, como ser dotado de liberdade e razão, não obstante as múltiplas diferenças de sexo, raça, religião ou costumes sociais. Na seqüência, podemos destacar o Cristianismo, que em muito contribuiu para o estabelecimento da igualdade entre os homens. O Cristianismo, sem dúvida, no plano divino, pregava a igualdade de todos os seres humanos, considerando-os filhos de Deus, apesar de, na prática, admitir desigualdades em contradição com a mensagem bíblica. Na Idade Média havia a noção de que os homens estavam submetidos a uma ordem superior, divina, e deviam obediência às suas regras. Era incipiente, todavia, o reconhecimento da dualidade Estado-indivíduo. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS PÁG. 03 A partir do século XIV, as transformações que ocorreram abalaram toda a estrutura concebida e que dava sustentação à organização social e política da época, culminando, tais mudanças, com o Iluminismo (período entre a Revolução Inglesa de 1688 e a Revolução Francesa de 1789). Foi durante o Iluminismo e o Jusnaturalismo desenvolvidos na Europa, entre os séculos XVII e XVIII, que a idéia de direitos humanos se inscreveu, inclusive estendendo-se aos ordenamentos jurídicos dos países. PARA SABER MAIS: Vamos conhecer o significado de Jusnaturalismo? Acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_natural A constatação ética da imperiosa necessidade de se resguardar certos direitos advém da fusão da doutrina Judaico-cristã com o Contratualismo. Para a primeira, o homem foi criado “à imagem e semelhança de Deus”, sendo a igualdade e liberdade características divinas presentes em toda as pessoas. No Iluminismo, o princípio da igualdade essencial dos seres humanos foi estabelecido sob o prisma de que todo homem tem direitos resultantes de sua própria natureza. A concepção, que espalhou-se pelos ordenamentos de vários países, era a de que os direitos individuais eram preexistentes, portanto, não eram criações do Estado e, assim sendo, deveriam ser respeitados, cabendo ao Estado zelar pela sua observância. A evolução da doutrina estóica, que alegava a supremacia da “natureza”, culminou no Contratualismo, que teve como seus maiores representantes Hobbes, Locke e Rousseau. Hobbes cria que o homem em seu estado de natureza sofria com a “guerra de todos contra todos”, sendo imperiosa a necessidade de um órgão que lhes garantisse a segurança. Assim, eles alienaram sua liberdade ao estado, detentor de todo o poder. Esse poder só seria retirado do governante se ele não assegurasse aos cidadãos a segurança desejada. Locke afirmava a existência de certos direitos fundamentais do homem, como a vida, a liberdade e a propriedade. No estado natural, o homem era bom. A liberdade individual só foi transferida ao Estado para que este melhor garantisse os direitos do indivíduo, podendo os cidadãos retirar o poder concedido ao governante, caso ele não atendesse aos anseios da comunidade, isto é, eles têm o direito de retomar a liberdade originária. Rousseau assevera que o homem natural seria instintivo. O Contrato Social foi criado, assim, como forma de garantir ao mesmo tempo a igualdade e a liberdadepor meio da soberania popular, pela qual os homens cediam parte de sua liberdade para a realização do bem comum. Pode-se inserir no contexto, ainda, a posição de Montesquieu que apresentava sua teoria da tripartição do poder como forma de garantir o bom governo e controlar os arbítrios. Essa união teológica e racionalista originou o conceito de direito natural, que culminou com a doutrina de Kant, para quem o Estado era um instrumento fixador de leis, criadas pelos cidadãos, e a liberdade era um imperativo categórico fundamental para se conceber a figura humana. A contribuição de Kant foi muito valiosa para a construção do princípio dos direitos universais da pessoa humana. Sua visão, complementando, é de que o ser humano não existe como meio para uma finalidade, mas existe como um fim em si mesmo, ou seja, todo homem tem como fim natural a realização de sua própria felicidade, daí resultando que todo homem tem dignidade. Isso implica, na sua concepção, que não basta ao homem o dever negativo de não prejudicar alguém, mas, também, e essencialmente, o dever positivo de trabalhar para a felicidade alheia. Pode-se falar em três ápices da evolução dos direitos humanos: o Iluminismo, a Revolução Francesa e o término daSegunda Guerra Mundial. Com o primeiro foi ressaltada a razão, o espírito crítico e a fé na ciência. Esse movimento procurou chegar às origens da humanidade, compreender a essência das coisas e das pessoas, observar o homem natural. A Revolução Francesa deu origem aos ideais representativos dos direitos humanos, a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Estes inspiraram os teóricos e transformaram todo o modo de pensar ocidental. Os homens tinham plena liberdade (apesar de empecilhos de ordem econômica, destacados, posteriormente, pelo Socialismo), eram iguais, ao menos em relação à lei, e deveriam ser fraternos, auxiliando uns aos outros. Por fim, com a barbárie da Segunda Grande Guerra, os homens se conscientizaram da necessidade de não se permitir que aquelas monstruosidades ocorressem novamente, de se prevenir os arbítrios dos Estados. Isto culminou na criação da Organização das Nações Unidas e na declaração de inúmeros Tratados Internacionais de Direitos Humanos, como “A Declaração Universal dos Direitos do Homem”, como ideal comum de todos os povos. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS PÁG. 04 Os documentos de proteção aos direitos humanos foram surgindo progressivamente. O antecedente mais remoto pode ser a Magna Carta, que submetia o governante a um corpo escrito de normas, que ressaltava a inexistência de arbitrariedades na cobrança de impostos. A execução de uma multa ou um aprisionamento ficavam submetidos à imperiosa necessidade de um julgamento justo. A Petition of Rights tentou incorporar novamente os direitos estabelecidos pela Magna Carta, por meio da necessidade de consentimento do Parlamento para a realização de inúmeros atos. O Habeas Corpus Act instituiu um dos mais importantes instrumentos de garantia de direitos criados. Bastante utilizado até os nossos dias, destaca o direito à liberdade de locomoção a todos os indivíduos. A Bill of Rights veio para assegurar a supremacia do Parlamento sobre a vontade do rei. A Declaração de Direitos do estado da Virgínia declara que “todos os homens são por natureza igualmente livres e independentes e têm certos direitos inatos de que, quando entram no estado de sociedade, não podem, por nenhuma forma, privar ou despojar de sua posteridade, nomeadamente o gozo da vida e da liberdade, com os meios de adquirir e possuir propriedade e procurar e obter felicidade e segurança”. Assegura, também, todo poder ao povo e o devido processo legal (julgamento justo para todos). A Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, assim como a Constituição Federal de 1787, consolidam barreiras contra o Estado, como tripartição do poder e a alegação que todo poder vem do povo; asseguram, ainda, alguns direitos fundamentais, como a igualdade entre os homens, a vida, a liberdade, a propriedade. As dez Emendas Constitucionais Americanas permanecem em vigor até hoje, demonstrando o caráter atemporal desses direitos fundamentais. Essas Emendas têm caráter apenas exemplificativo, já que, constantemente, novos direitos fundamentais podem ser declarados e incorporados à Lei Fundamental Americana. Com a Revolução Francesa, foi aprovada a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, que garante os direitos referentes à liberdade, propriedade, segurança e resistência à opressão. Destaca os princípio da legalidade e da igualdade de todos perante a lei, e da soberania popular. Aqui, o pressuposto é o valor absoluto da dignidade humana, a elaboração do conceito de pessoa abarcou a descoberta do mundo dos valores, sob o prisma de que a pessoa dá preferência, em sua vida, a valores que elege, que passam a ser fundamentais, daí porque os direitos humanos hão de ser identificados como os valores mais importantes eleitos pelos homens. A partir do século XX, a regulação dos direitos econômicos e sociais passaram a incorporar as Constituições Nacionais. A primeira Carta Magna, a revolucionar a positivação de tais direitos, foi a Constituição Mexicana de 1917, que versava, inclusive, sobre a função social da propriedade. A Constituição de Weimar de 1919, pelo seu capítulo sobre os direitos econômicos e sociais, foi o grande modelo seguido pelas novas Constituições Ocidentais. A partir da segunda metade do século XX, iniciou-se a real positivação dos direitos humanos, que cresceram em importância e em número, devido, principalmente, aos inúmeros acordos internacionais. O pensamento formulado nesse período acentua o caráter único e singular da personalidade de cada indivíduo, derivando daí que todo homem tem dignidade individual e, com isto, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu art. 6.º, afirma: “Todo homem tem direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei”. Atualmente não se pode discutir a existência desses direitos, já que, além de amplamente consagrados pela doutrina, estão presentes também na lei fundamental brasileira: A Constituição Federal. Mesmo os mais pessimistas, que alegam a falta de eficácia dos direitos fundamentais, não podem negar a rápida evolução, tanto no sentido normativo, como no sentido executivo, desses direitos, que já adquiriram um papel essencial na doutrina jurídica, apesar de apenas serem realmente reconhecidos por meio da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS PÁG. 05 Pode-se constatar, por estes apontamentos, que a evolução dos direitos humanos foi gradual; todavia, o pensamento moderno “é a convicção generalizada de que o verdadeiro fundamento da validade – do Direito em geral e dos direitos humanos em particular – já não deve ser procurado na esfera sobrenatural da revelação religiosa, nem tampouco numa abstração metafísica – a natureza como essência imutável de todos os entes do mundo. Se o direito é uma criação humana, o seu valor deriva, justamente, daquele que o criou. O que significa que esse fundamento não é outro, senão o próprio homem, considerado em sua dignidade substancial de pessoa SINTESE DA AULA Nesta aula aprendemos que o quadro de algumas questões que se apresentam no debate atual sobre os direitos do homem. A doutrina, ou melhor, as doutrinas dos direitos humanos, não constituem um campo consensual e pacífico como pode aparecer a uma análise superficial e os problemas mais dramáticos e urgentes da humanidade estão em jogo. Apesar da retórica oficial, a grande parte da humanidade continua, como sempre foi, excluída dos direitos mínimos fundamentais e a situação tende a se agravar continuamente. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS PÁG. 06 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Após assistir o vídeo abaixo elabore uma redação sobre Direitos humanos no Brasil. https://www.youtube.com/watch?v=ILMkfV6ZIHs FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS PÁG. 07 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. RS: Artmed, 2005. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS PÁG. 08 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA12 AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Nesta aula, vamos aprender que a filosofia exerce profunda contribuição no âmbito do estudo da educação ambiental, pois esta se constitui com base em propostas educativas oriundas de concepções teóricas e matrizes ideológicas distintas, sendoreconhecida como de inegável relevância para a construção de uma perspectiva ambientalista de sociedade. Tal fato é relativamente simples de compreender quando pensamos a Educação Ambiental e questionamos pela lente da Filosofia, o0s comportamentos e atitudes que os cidadãos desenvolvem para lidar com o meio ambiente que os envolve. 1- O que é educação ambiental 2- Como a filosofia contribui para este tema; 3- Comportamentos e Atitudes que colaboram para um fortalecimento do campo de estudos e práticas da Educação Ambiental Objetivos da aula 12 • Sensibilizar os indivíduos para a reflexão do modo como a Educação Ambiental é concebida e realizada; • Incentivar o desenvolvimento de aspectos específicos do “mundo da educação” que precisam ser discutidos para que as atividades tenham consequências concretas de transformação • Apresentar a contribuição da reflexão filosófica para o campo de estudos da educação ambiental O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você que a constituição da educação ambiental como prática social na dimensão da sustentabilidade e da cidadania no contexto brasileiro passa por importantes reflexões que a Filosofia contribui no encaminhamento de suas questões. A reflexão em torno dessa temática passa inicialmente por considerar os elementos explicativos da relação sociedade/ educação/meio ambiente, no sentido da educação ambiental, da cidadania e da sustentabilidade. Assim, nesse contexto de educação o conteúdo educativo resulta da construção do conhecimento da relação homem-natureza a partir de sua prática social revestida por valores - históricos, políticos, sociais, econômicos, éticos e culturais entre outras -, constituindo-se como processo de aprendizado na dimensão da sustentabilidade individual e coletiva. Vamos iniciar? Espero que vocês construam novos conhecimentos sobre a Filosofia e a educação ambiental. FILOSOFIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL Desde o seu nascimento, a Filosofia procurou, direta ou indiretamente, oferecer ao ser humano novas maneiras de pensar, de sentir, de agir e de produzir; isso fez com que ela se voltasse também para questões que dizem respeito ao modo como as gerações presentes poderiam aproveitar as vivências e as experiências das gerações passadas, a fim de que pudesse apropriar-se das mesmas de forma que delas pudessem servir- se e, posteriormente, incrementar as suas próprias vivências e experiências a serem transmitidas para as gerações futuras. A década de 70 marca o surgimento da educação ambiental como tema a ser considerado e como objeto de estudo a ser desenvolvido. Assim, como o conceito de meio ambiente, o conceito de educação ambiental é caracterizado pela escassez de trabalhos que aprofundem a compreensão dessa temática, em especial, no meio acadêmico. A educação ambiental pode ser tratada a partir de dois enfoques. Primeiro, aquela educação realizada por instituições e órgãos públicos, através da formalização de programas de educação ambiental. Nesse enfoque, também se considera a educação ambiental realizada por organizações não governamentais, através de ações ambientais educativas, em que o aprendizado de conteúdo ambiental é preestabelecido, constituindo-se como um curso ou programa de educação ambiental. O segundo enfoque considera a abordagem de educação ambiental, enquanto educação para a cidadania na dimensão ambiental, constituída a partir do contexto das relações produzidas no bojo da sociedade civil, diante do impacto gerado pela ação do poder público e as decorrentes políticas públicas. A educação ambiental nesta abordagem considera a prática social como elemento determinante do aprendizado autoconstruído no processo de participação. Nesse caminho devemos considerar que a reflexão filosófica exerce influência fundamental nas reflexões e ações de indivíduos que trabalham ou atuam com esta temática, pois é através da construção de qual a função e o papel social que cabe de forma crítica a cada indivíduo é que podemos avançar direcionando novas práticas e saberes sobre a mesma. Contextualizando um pouco mais... O RESULTADO DESTE APRENDIZADO VERIFICA-SE NA DIMENSÃO DAS RELAÇÕES POLÍTICAS, CONFIGURADO PELA QUALIDADE DA PRÁTICA SOCIAL; PELA QUALIDADE DAS AÇÕES POLÍTICAS PRODUZIDAS; PELA QUALIDADE DA ORGANIZAÇÃO SOCIAL, POLÍTICA E AMBIENTAL; PELA QUALIDADE DA PARTICIPAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA E PELOS RESULTADOS ADQUIRIDOS E CONQUISTADOS NA LUTA PELA CIDADANIA. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 12 | AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA... PÁG. 02 Trata-se da educação ambiental como possibilidade de motivar e sensibilizar o indivíduo a transformar as diferentes formas de participação em fatores potenciais para dinamizar a sociedade e ampliar o controle social sobre a coisa pública. SANTOS (2001, p. 41) considera que “vivemos numa sociedade intervalar, uma sociedade de transição paradigmática, vivendo simultaneamente excessos de determinismos e excessos de indeterminismos”. Para o autor, o paradigma da modernidade está baseado em dois modelos de conhecimento que devem estar articulados e em equilíbrio dinâmico: o conhecimento emancipação - a trajetória entre o colonialismo e a solidariedade - e o conhecimento regulação - a trajetória entre o caos e a ordem. A realização deste equilíbrio dinâmico, entre os dois modelos, foi confiada às três lógicas de racionalidade: a racionalidade moral-prática, a racionalidade estético-expressiva, e a racionalidade cognitivo-instrumental. Ainda para ele, constata-se que nos últimos duzentos anos a racionalidade cognitivo-instrumental da ciência e da tecnologia predominou sobre às demais. Com isto, o conhecimento- regulação conquistou a primazia sobre o conhecimento- emancipação: a ordem transformou-se na forma hegemônica de saber e o caos na forma hegemônica de ignorância. A FORMA DE USO PREDATÓRIO DA NATUREZA PELO HOMEM NÃO É RECENTE. A esse respeito, LEFF(2001) afirma que, a problemática ambiental é de caráter iminentemente social, gerada e atravessada por processos sociais surgidos nas ultimas décadas do século XX - como uma “crise de civilização” -, questionando a racionalidade econômica e tecnológica dominantes. Segundo o autor, esta crise tem sido explicada a partir de diversas perspectivas ideológicas: por um lado, percebida como resultado da pressão exercida pelo crescimento populacional sobre os recursos do planeta e por outro, entendida como resultante da acumulação de capital e maximização da taxa de juro em curto prazo. Assim, o debate sobre tais questões no âmbito da pedagogia, busca subsidiar a compreensão da temática de educação ambiental, na medida que a educação ambiental esta inserida como conteúdo curricular no contexto dos temas transversais no Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, sendo, portanto, um desafio pedagógico significativo a ser considerado na gestão da educação. Nesse sentido, a educação ambiental objetiva sensibilizar os indivíduos para a importância do nosso patrimônio histórico e ecológico, possibilitando-lhes acesso à aprendizagem através da vivência e do contato direto com a natureza. Procura-se estimular a mudança de atitudes e hábitos através da compreensão dos limites e potencialidades de cada um, bem como pelo desenvolvimento da consciência ética, que possibilita as pessoas entender e respeitar mais a si próprias e ao planeta como co-existentes e interdependentes. À medida que aumenta a importância de limpar o meio ambiente, no interesse da saúde e da qualidade de vida coletivas, cria-se um mercado de interesses econômicos em torno das oportunidades oferecidas. A questão ambiental passa a ser vista como imperativo do mercado, e além de ser preocupação ética, poética, romântica e de solidariedade social.Nesse quadro, quem produz precisa pensar na sua produção sem degradação ambiental, principalmente se quiser alcançar mercados internacionais. A ação autointeressada ainda prevalece em nossa sociedade. Se existem inúmeros problemas que dizem respeito ao ambiente, isto se devem em parte ao fato das pessoas não serem sensibilizadas para a compreensão do frágil equilíbrio da biosfera e dos problemas da gestão dos recursos naturais. Elas não estão e não foram preparadas para delimitar e resolver de um modo eficaz os problemas concretos do seu ambiente imediato, isto porque, a educação para o ambiente como abordagem didática ou pedagógica, apenas aparece nos anos 80. A partir de então os alunos têm a possibilidade de tomarem consciência das situações que acarretam problemas no seu ambiente próximo ou para a biosfera em geral, refletindo sobre as suas causas e determinarem os meios ou as ações apropriadas na tentativa de resolvê-los. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 12 | AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA... PÁG. 03 Comportamentos e Atitudes que colaboram para um fortalecimento do campo de estudos e práticas da Educação Ambiental Nunca o conhecimento e a educação foram tão importantes quanto no mundo atual. É evidente que para melhorar nossa qualidade de vida e crescer tanto material quanto moral e espiritualmente, temos que aprender a responder aos desafios que estão colocados nesse princípio de milênio. Nesse sentido, que a Educação Ambiental, segundo a lei n° 9.795, de 27 de abril de 1999, é um componente essencial e permanente da educação Nacional, devendo estar presente em todos os níveis e modalidades do processo educativo formal e não-formal. Por seu caráter humanista, holístico, interdisciplinar e participativo a Educação Ambiental pode contribuir muito para renovar o processo educativo, trazendo a permanente avaliação crítica, a adequação dos conteúdos à realidade local e o envolvimento dos indivíduos em ações concretas de transformação da realidade. Observe as orientações abaixo que fazem parte de como você se apresenta como um sujeito de reflexão filosófica sobre esta temática e quais as ações e atitudes possíveis de serem implementadas. • Leve uma sacola para fazer as compras do supermercado e da feira Levando sua própria embalagem - que pode ser uma mochila ou uma sacola de pano - você evita o desperdício de sacos plásticos e reduz a quantidade de lixo produzido na sua casa. • Prefira produtos naturais aos industrializados sempre que possível Para a fabricação de produtos, as indústrias consomem grandes quantidades de energia e jogam toneladas de CO2 na atmosfera. Produtos naturais já vêm prontos “de fábrica”, sem custos ambientais exorbitantes. • Valorize o trabalho de cooperativas agrícolas e artesanais As cooperativas de artesanato são outra boa opção de consumo consciente. Para decorar sua casa, visite lojas especializadas em artesanato regional. Há muitos artistas que trabalham com materiais naturais, reciclados ou reaproveitados, inclusive com a consultoria de designers renomados. • Feche a torneira ao lavar a louça Em 15 minutos, uma pessoa gasta mais de 240 litros de água na lavagem de louças. A dica é fechar a torneira, ensaboar as peças e só então abrir para enxaguá-las. Assim, o consumo cai para 20 litros de água. • Prefira eletrodomésticos com selo Procel O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) foi criado pelo governo para ajudar o consumidor a escolher os produtos que apresentam alta eficiência energética. Veja a lista de produtos com o selo Procel. Use a energia com responsabilidade. Sempre que possível, dê preferência às lâmpadas fluorescentes compactas. • Separe o lixo orgânico dos materiais que podem ser reciclados Em casa, bastam duas lixeiras para você colaborar com o planeta. Numa delas, coloque o lixo orgânico (restos de comida) e na outra, os materiais que podem ser destinados à reciclagem: plásticos, papéis, metais e vidros. • Na obra, dê preferência aos materiais ecológicos Para construir ou reformar sua casa, pense nas opções menos agressivas ao ambiente. Há vários tipos de produtos e até lojas especializadas no assunto. • Reutilize a água da chuva e da máquina de lavar Se você mora em casa, reaproveite a água da lavagem das roupas para limpar a garagem, a varanda e o quintal. • Plante árvores No quintal, em canteiros ou em vasos, as árvores têm o poder de “seqüestrar” carbono da atmosfera, evitando o acúmulo excessivo do gás e retardando os efeitos do aquecimento global. • Deixe o carro em casa mais vezes durante a semana Os combustíveis fósseis são um dos principais vilões do aquecimento global. Por isso, usar menos o carro é um excelente hábito ecológico que você adquirir. • Estabeleça princípios ambientalistas Estabeleça compromissos, padrões ambientais que incluam metas possíveis de serem alcançadas. • Faça uma investigação de recursos e processos Verifique os recursos utilizados e o resíduo gerado. Confira se há desperdício de matéria-prima e até mesmo de esforço humano. • Estabeleça uma política ecológica de compras Priorize a compra de produtos ambientalmente corretos. Existem certos produtos que não se degradam na natureza. Procure certificar-se, ao comprar estes produtos, de que são biodegradáveis. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 12 | AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA... PÁG. 04 Com todas estas reflexões filosóficas e mesmo de mudanças de atitudes podemos dizer que sua colaboração ajuda a implantar e participar da coleta seletiva de lixo. Dessa forma, você estará contribuindo para poupar os recursos naturais, aumentar a vida útil dos depósitos de lixo, diminuir a poluição. Investigue desperdício com energia e água. Localize e repare os vazamentos de torneiras. Desligue lâmpadas e equipamentos quando não estiver utilizando. Mantenha os filtros do sistema de ar-condicionado e ventilação sempre limpos para evitar desperdício de energia elétrica. Use os dois lados do papel, prefira o e-mail ao invés de imprimir cópias e guarde seus documentos em disquetes, substituindo o uso do papel ao máximo. Promova o uso de transporte alternativo ou solidário, como planejar um rodízio de automóveis para que as pessoas viajem juntas ou para que usem bicicletas, transporte público ou mesmo caminhem para o trabalho. Considere o trabalho à distância, quando apropriado, permitindo que funcionários trabalhem em suas casas pelo menos um dia na semana utilizando correio eletrônico, linhas extras de telefone e outras tecnologias de baixo custo para permitir que os funcionários se comuniquem de suas residências com o trabalho. Registre cuidadosamente suas metas ambientais e os resultados alcançados. Isso ajuda não só que você se mantenha estimulado como permite avaliar as vantagens das medidas ambientais adotadas. No caso de problemas que possam prejudicar seu vizinho ou outras pessoas, tome a iniciativa de informar em tempo hábil para que possam minimizar prejuízos. Busque manter uma atitude de diálogo com o outro. SINTESE DA AULA Nesta aula aprendemos que a Educação Ambiental objetiva sensibilizar os indivíduos para a importância do nosso patrimônio histórico e ecológico, possibilitando-lhes acesso à aprendizagem através da vivência e do contato direto com a natureza. Procura-se com as reflexões filosóficas, estimular a mudança de atitudes e hábitos através da compreensão dos limites e potencialidades de cada um, bem como pelo desenvolvimento da consciência ética, que possibilita as pessoas entender e respeitar mais a si próprias e ao planeta como co-existentes e interdependentes. No entanto, não adianta você ficar só estudando e conhecendo mais sobre a natureza. É preciso combinar estudoe reflexão com ação. Considere a possibilidade de dedicar uma parte do seu tempo, habilidade e talento para o trabalho voluntário ambiental a fim de fazer a diferença dando uma contribuição concreta e efetiva para a melhoria da vida do planeta. Você pode, por exemplo, cuidar de uma árvore, organizar e participar de mutirões ecológicos de limpeza e recuperação de ecossistemas e áreas de preservação degradados, resgatar e recuperar animais atingidos por acidentes ecológicos ou mesmo abandonados na rua, redigir um projeto que permita obter recursos para a manutenção de um parque ou mesmo para viabilizar uma solução para problema ambiental, fazer palestras em escolas, etc. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 12 | AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA... PÁG. 05 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Após assistir o vídeo abaixo apresente cinco reflexões e ações que colaboram pra educação ambiental. https://www.youtube.com/watch?v=Lfqv62K-Bxs 5 ações que você pode fazer - Educação Ambiental O aluno deve propor um projeto de cinco reflexões filosóficas de comportamentos e atitudes que podem redefinir sua relação com a temática do aprendizado da Educação ambiental FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 12 | AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA... PÁG. 06 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SANTOS, B. de S. A transição Paragmática da regulação á Emancipação. Porto: Oficina do Centro de Estudos Sociais, 1979. LEFF,E. Educação Ambiental e desenvolvimento Sustentável . in: REIGOTA,M. (org). Verde Cotidiano e o meio ambiente em discussão. São Paulo: DP e A, 1999. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 12 | AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA... PÁG. 07 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA13 AMPLIANDO O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE: AMBIENTAL E SOCIAL Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Nesta aula, vamos aprender que a questão da sustentabilidade ambiental e social está diretamente ligada à qualidade das relações que os indivíduos estabelecem e por seus produtos e serviços, esta será uma marca de expressão mundial, identificada com a comunidade das pessoas que se comprometem com a construção de um mundo melhor através da melhor relação consigo mesmas, com o outro, com a natureza da qual fazem parte e com o todo. Estudaremos: 1- O que é sustentabilidade 2- Como a filosofia se relaciona com este tema; 3- conceito de sustentabilidade: ambiental e social Objetivos da aula 12 • sensibilizar os indivíduos para a importância do conceito de sustentabilidade social e ambiental • estimular a mudança de atitudes e hábitos através da compreensão das necessidades de planejamento de avançoes econômicos e sociais. O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você, indivíduos e organizações devem ser capazes de incluir, em seus negócios e vidas, uma nova concepção de desenvolvimento, que ultrapasse e reformule o conceito de sobrevivência: sobreviver preocupada com a própria sobrevivência e com a sobrevivência das futuras gerações. Exige-se nova atitude nas empresas que deve ser compartilhada em toda sua cadeia produtiva, cuja cobrança e fiscalização alcançam dimensões planetárias. FILOSOFIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL O termo sustentável emerge no final da década de 1980, não mais como uma contestação isolada. Para alguns, este termo surge como uma adaptação do sistema contestado, buscando novo posicionamento e sua própria manutenção. O fato é que o sustentável, em geral corresponde, a uma maior objetividade nas proposições – em excesso, em alguns casos. Para entender o surgimento e a difusão do termo sustentabilidade, é válido fazer uma síntese do desenvolvimento do pensamento ecológico, que discute a evolução das idéias e percepções do homem sobre a natureza. Dois marcos iniciais desse pensamento foram a Proibição de Serrarias Hidráulicas e Proteção às Florestas, no século XIV, na França e Inglaterra e o Decreto das Águas e Florestas, em 1669, na França, onde a idéia do protecionismo é baseada unicamente nos interesses econômicos. O movimento vive uma segunda fase durante o Renascimento, quando se consolida a idéia de posição superior do Homem e que a natureza existe para prover suas necessidades. O final do século XIX é um período de forte expansão econômica e territorial da cristandade ocidental e de otimismo com as realizações da engenharia. Em 1864, George Perkins Marsh publica o livro “Man and Nature: physical geography as modified by human action”, dando um grito de alerta: “a atividade humana está desequilibrando a natureza, é preciso restaurar a harmonia!”. Porém, com a euforia pelos grandes projetos de engenharia, o livro de Marsh é praticamente ignorado, e suas idéias só seriam aplicadas mais de um século depois. Ao final do século XIX, a legitimação das intervenções humanas torna-se cada vez mais difícil. Emerge a noção de fatalidade: “A degradação da natureza é uma fatalidade ligada à necessidade de progresso”. O modelo econômico deturpa a idéia central do Darwinismo. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 13 | AMPLIANDO O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE:.. PÁG. 02 Até o fi nal do século XIX, todas as tentativas de preservação da natureza mostraram um caráter puramente de defesa do interesse econômico. A idéia do preservacionismo apenas para proteger o que restava de natureza surge então nos Estados Unidos, em 1872, com a criação do primeiro parque nacional do mundo: Yellowstone. Numa postura totalmente contrária à assumida pelos governos americanos no período pós-segunda guerra, como veremos a seguir. Em 1899, foram criados mais quatro parques nacionais nos Estados Unidos, porém essa idéia não foi absorvida imediatamente por muitos países. O Brasil criou seu primeiro parque em 1937 (Itatiaia) e a França apenas em 1963. A partir de então, a percepção cada vez mais clara dos problemas ambientais leva ao surgimento de um movimento internacional embrionário e à realização de diversos encontros, convenções, acordos e congressos, até que a Primeira Grande Guerra interrompe o processo de mundialização do movimento. Em 1923, o I Congresso Internacional para a Proteção da Natureza, em Paris, se torna o marco do nascimento do atual movimento preservacionista. Ao fi nal da década de 1930, a idéia de preservação da natureza recebeu uma solução pragmática: criar unidades de conservação. Com a crise de 1929 amplia-se o uso de tecnologias menos onerosas (mais lucrativas e poluidoras). Os Estados Unidos, desejando preservar seu crescimento industrial, propõem a expansão das Unidades de Conservação como política ambiental internacional. Após a Segunda Guerra, o movimento internacional fi nalmente se consolida. Outro marco literário é a obra de Rachel Carson, Primavera Silenciosa, de 1962, que mostra a vulnerabilidade da natureza à intervenção humana, pelo uso do inseticida DDT nas lavouras. O alerta de Carson era assustador demais para ser ignorado: a contaminação de alimentos, os riscos de câncer, de alteração genética, a morte de espécies inteiras... Pela primeira vez, a necessidade de regulamentar a produção industrial de modo a proteger o meio ambiente se tornou aceita. Vários outros encontros mundiais aconteceram desde então. A Conferência de Estocolmo, em 1972 se tornou um marco, pela criação de uma política mundial de Meio Ambiente. Foi dado um alerta de que a sobrevivência do planeta corria riscos com a crescente e irracional interferência do homem no meio ambiente. A conscientização de que as questões ambientais devem ser consideradasno processo de desenvolvimento, tanto governamental quanto organizacional, ganharam impulso com os grandes acidentes ambientais que marcaram as décadas de 60 a 80, como o da Baia de Minamata no Japão, o acidente de Bhopal na Índia, o acidente na usina nuclear de Chernobyl, na extinta União Soviética e o vazamento de petróleo da Exxon Valdez no Alaska, entre outros. A comoção internacional causada pelos acontecimentos reforçou o questionamento já expresso pela ONU ( Organização das Nações Unidas) na Conferência de Estocolmo, em 1972. A resposta da ONU sobre o comportamento predatório do desenvolvimento econômico foi consolidada com a publicação do relatório Nosso Futuro Comum, em 1987. Nele, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) criticava o modelo adotado pelos países desenvolvidos e defendia um novo tipo de desenvolvimento, capaz de manter o progresso em todo o planeta e de, no longo prazo, partilhá-lo entre países em desenvolvimento e desenvolvidos. Nascia, assim, o conceito de desenvolvimento sustentável ou sustentabilidade. Nesse documento, conhecido como Relatório Brundtland, o consenso foi alcançado e a expressão desenvolvimento sustentável foi inventada para incluir os processos de tomadas de decisão e políticas baseadas na interdependência e na complementaridade do crescimento econômico e da preservação ambiental. Apesar disso, o documento mostra a necessidade da reforma de instituições e leis no quadro da sustentabilidade a fi m de enfrentar os desafi os do futuro com a fi nalidade total da realização da equidade inter e intra geracional. Uma defi nição pioneira gerada pela comissão, e que ainda está em uso, considera “desenvolvimento sustentável aquele que satisfaz as necessidades da geração presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades”. (Nosso Futuro Comum, 1987, p.64). FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 13 | AMPLIANDO O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE:.. PÁG. 03 Essa definição contém dois conceitos-chave: - o conceito de “necessidades”, sobretudo as necessidades essenciais dos pobres do mundo, que devem receber a máxima prioridade; - a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõe ao meio ambiente, impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras. Esses conceitos tornam a definição de sustentabilidade altamente subjetiva e têm gerado vários debates em diversos campos acadêmicos, que vêm tentando adequar o conceito à sua própria área de conhecimento. Apesar dos esforços que feitos, ainda não se alcançou um conceito de sustentabilidade com total concordância. A idéia se popularizou nas conferências do Rio de Janeiro, em 1992, a Rio 92, e de Johanesburgo, em 2002, a Rio + 10. Desde então, o debate sobre desenvolvimento sustentável está presente na sociedade civil, governos, empresas, organismos internacionais, ONGs, entre outros. A participação do empresariado nesse debate tem crescido significativamente. Os empresários mais conscientes estão comprovando, com ações e resultados, que investir em sustentabilidade representa um excelente negócio, além de ser uma prática eticamente correta. Porém, a visão empresarial não consegue alcançar o objetivo principal do desenvolvimento sustentável (satisfazer as necessidades atuais sem comprometer as gerações futuras), atuando apenas dentro do campo do “economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto”. “A sustentabilidade corporativa deve incluir, entre seus objetivos, o cuidado com o meio ambiente. Ignorar essa realidade é condenar-se a ser expulso do jogo, m ais cedo ou mais tarde. A transformação em prol da sustentabilidade diz respeito a ampliar o sucesso, o valor e a flexibilidade da empresa em longo prazo. Para que as organizações sejam sustentáveis, é preciso que possuam um equilíbrio entre as três dimensões que balizam o conceito de sustentabilidade corporativa: a econômica, a ambiental e a social. Porém, estes princípios são muitas vezes vistos como conflitantes, frente à busca por resultados financeiros imediatos, aumento de fatias de mercado e competitividade. DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E CONSERVAÇÃO AMBIENTAL NÃO SÃO OBJETIVOS EXCLUDENTES. RESPEITAR OS LIMITES AMBIENTAIS Para que uma organização rume em direção à sustentabilidade, é preciso que utilize alguns princípios e métodos que as ajudem na condução desse objetivo. SINTESE DA AULA Nesta aula aprendemos que O mundo corporativo tem um papel fundamental na garantia de preservação do meio ambiente e na definição da qualidade de vida das comunidades de seus funcionários. Empresas socialmente responsáveis geram, sim, valor para quem está próximo. E, acima de tudo, conquistam resultados melhores para si próprias. A responsabilidade social deixou de ser uma opção para as empresas. É uma questão de visão, de estratégia e, muitas vezes, de sobrevivência. Os assuntos ambientais estão crescendo em importância para a comunidade de negócios em termos de responsabilidade social, do consumidor, desenvolvimento de produtos, passivos legais e considerações contábeis. A inclusão da proteção do ambiente entre os objetivos da administração amplia substancialmente todo o conceito de administração FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 13 | AMPLIANDO O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE:.. PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Após assistir o vídeo abaixo apresente três atitudes que podem ser aprendidas em educação ambiental. https://www.youtube.com/watch?v=G7_S0mMbKiw FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 13 | AMPLIANDO O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE:.. PÁG. 05 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. RS: Artmed, 2005. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 13 | AMPLIANDO O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE:.. PÁG. 06 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA14 TRABALHO E ALIENAÇÃO Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Estimado(a) Aluno(a), Vamos iniciar mais uma aula e nela aprender que o trabalho, em sua forma original, passou por séculos de transformação – das formas primitivas de artesanato e agricultura, até as corporações de ofício da Idade Média, chegando às modernas fábricas – até atingir o complexo sistema de exploração que hoje conhecemos. Se, num primeiro momento, ao vender sua força de trabalho para os patrões, aceitando apenas apertar sempre os mesmos parafusos da linha de produção, o trabalhador é alienado da sua capacidade de criação, da sua capacidade de inventar, depois, quando os mesmos patrões desejam aumentar a produção – ou à medida que os meios de produção se aperfeiçoam –, essa alienação é aprofundada e ampliada, ganhando inclusive contornos científicos. Trabalharemos os conceitos abaixo: 1- Conceito de trabalho 2- Pensamento de Karl Marx sobre trabalho na sociedade capitalista 3- Alienação e trabalho Objetivos da aula 14 • Entender os conceitos de trabalho e alienação; • Compreender a relação capital trabalho no mundo produtivo; • Refletir alternativas do trabalhador frente ao fenômeno da alienação. O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você Karl Max e suas ideias sobre trabalho e alienação, pois ele utilizou a palavra para designar o estranhamento do trabalhador com o produto do seu trabalho, ou seja, o trabalhador não mais dominando todas as etapas de fabricação e não possuindo os meios de produção para tal, acaba não se reconhecendo no produto produzido. TRABALHO E ALIENAÇÃO A palavratrabalho, em sentido estrito, está vinculada à execução de uma atividade remunerada e ao emprego, especialmente ao emprego formal. Em um sentido mais amplo, o trabalho diz respeito às tarefas que envolvem a transformação da natureza com a finalidade de suprir as necessidades relacionadas à produção e à reprodução da vida, por meio do emprego das capacidades físicas e intelectuais do homem. Uma imensa variedade de ações que o homem realiza no seu cotidiano pode ser descrita como trabalho. Desde a Antiguidade, as ideias sobre o trabalho o opuseram à liberdade do homem e revelaram a estratificação social, entre outros aspectos da organização interna e do funcionamento das sociedades. Como fenômeno social (e, consequentemente, como objeto da sociologia), o tema do trabalho está diretamente relacionado ao sistema econômico, assim como a outros fenômenos tais como o ócio e o lazer, a educação, as relações internacionais e a desigualdade social, entre outros. O chamado mundo do trabalho ensejou diversos estudos nos vários campos das ciências sociais, com destaque para a sociologia, a ciência política, a antropologia, a economia e a psicologia. Karl Marx, um cientista social, historiador e revolucionário, nasceu a 5 de maio de 1818 em Treves, capital da província alemã do Reno, cuja tradição remontava aos tempos de Roma. Treves desempenhava, no século XIX, importante papel na cultura dessa região, misturando o liberalismo revolucionário, vindo da França, com reação do Antigo Regime, liderada pela Prússia. Seu primeiro livro vem a ser “O Capital”, dedicado ao estudo do processo capitalista de produção. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 14 | TRABALHO E ALIENAÇÃO PÁG. 02 Nele, desenvolveu sua versão da teoria do Valor trabalho e suas concepções da Mais-Valia e da Exploração. O segundo e o terceiro livro de “O Capital” ainda não tinham sido terminados na década de 1860, e Marx trabalhou neles pelo resto de sua vida. O fundamento da alienação, para Marx, encontra-se na atividade humana prática: o trabalho. Segundo ele, o fato econômico é “o estranhamento entre o trabalhador e sua produção” e seu resultado é o “trabalho alienado, cindido” que se torna independente do produtor, hostil a ele, estranho, poderoso e que, ademais, pertence a outro homem que o subjuga (subjugar = ter sob domínio, conquistar, vencer). Marx sublinha três aspectos da alienação: 1) o trabalhador relaciona- se com o produto do seu trabalho como algo alheio a ele, que o domina e lhe é adverso (adverso = contrário, oposto, hostil), e relaciona-se da mesma forma com os objetos naturais do mundo externo; o trabalhador é alienado em relação às coisas; 2) a atividade do trabalhador tampouco está sob seu domínio, ele a percebe como estranha a si próprio, assim como sua vida pessoal e sua energia física e intelectual, sentidas como atividades que não lhe pertencem; o trabalhador é alienado em relação a si mesmo; 3) a vida genérica ou produtiva do ser humano torna-se apenas meio de vida para o trabalhador, ou seja, seu trabalho - que é sua atividade vital consciente e que o distingue dos animais - deixa de ser livre e passa a ser unicamente meio para que sobreviva. O operário não se reconhece no produto que criou, nem vê no trabalho qualquer finalidade que não seja a de garantir sua sobrevivência. A divisão capitalista do trabalho e mesmo a atividade profissional exercida atendem aos interesses particulares dos grupos dominantes e só eventualmente aos dos produtores. A ALIENAÇÃO É A DIMINUIÇÃO DA CAPACIDADE DOS INDIVÍDUOS EM PENSAR OU AGIR POR SI PRÓPRIOS. OS INDIVÍDUOS ALIENADOS NÃO TÊM INTERESSE EM OUVIR OPINIÕES ALHEIAS, E APENAS SE PREOCUPAM COM O QUE LHE INTERESSA, POR ISSO SÃO PESSOAS ALIENADAS. Isso quer dizer que as relações sociais aparecem aos olhos dos homens encantadas (fetiche) sob a forma de valor (ou dinheiro), como se este fosse uma propriedade natural das coisas. Através da forma valor-dinheiro, o caráter social dos trabalhos privados e as relações sociais entre os produtores se obscurecem (ou seja, não percebemos que por detrás de um preço existe uma produção social, isto é, homens, mulheres e, até mesmo crianças, sendo exploradas para produzir aquela mercadoria que depois aparecerá nas “bonitas” vitrines de lojas com uma marca, etiqueta e um preço). É como se um véu nublasse a percepção da vida social materializada na forma dos objetos, dos produtos do trabalho e de seu valor. A mecanização revoluciona o modo de produzir mercadorias, não só pelo fato de incorporar as habilidades dos trabalhadores, mas também porque os subordina a máquina. Eles devem apenas ligar a máquina, manuseá-la e regulá-la. A fonte de energia está fora deles. Há, então, uma separação muito clara entre a força entre a força motriz mecânica e a do homem. Este, agora, serve a máquina, ela o domina, dá- lhe o ritmo de trabalho. O trabalhador não necessita ter um conhecimento específico sobre algum ofício. Ele não precisa ter uma qualificação determinada. Sendo um operador de máquina eficiente, será um bom e produtivo trabalhador. É nesse contexto que se pode analisar com mais atenção a questão do conflito e da contradição entre trabalho e capital pois é aí que aparece claramente o processo de exploração do trabalhador. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 14 | TRABALHO E ALIENAÇÃO PÁG. 03 Aparentemente, o que vemos entre o trabalhador e o capitalista é uma relação entre iguais, isto é, uma relação entre proprietários de mercadorias, que se dá mediante a compra e venda da força de trabalho. O trabalhador, ao assinar um contrato para trabalhar numa determinada empresa, está dizendo ao seu proprietário que está disposto a trabalhar, por exemplo, oito horas diárias ou quarenta horas semanais, por um determinado salário. O capitalista passa, a partir daí, a ter o direito de utilizar essa força de trabalho no interior da fábrica. O que ocorre, na realidade, é que o trabalhador, em cinco ou seis horas de trabalho diárias, produz um valor que corresponde ao seu salário total, sendo o valor produzido nas horas restantes apropriados pelo capitalista; quer dizer, diariamente, o trabalhador trabalha duas horas de graça para o dono da empresa. O que se produz nessas duas horas a mais chama-se mais valia. São as horas trabalhadas e não pagas, acumuladas e reaplicadas no processo produtivo, vão fazer com que o capitalista enriqueça rapidamente. Uma parcela significativa do valor-trabalho produzido pelos trabalhadores é apropriada pelos capitalistas. Esse processo denomina-se apropriação de capital. Para obter mais lucros, os capitalistas aumentam as horas de trabalho, gerando aí a mais valia absoluta, ou, então, passam a utilizar equipamentos e diversas tecnologias para tornar o trabalho mais produtivo, decorrendo daí a mais valia relativa, ou seja, mais produção e mais lucro com o mesmo numero de trabalhadores, cujos salários continuam sendo os mesmos. Os conflitos entre os capitalistas e operários só começam quando os trabalhadores percebem que estão trabalhando mais e que, no entanto, estão cada dia mais miseráveis. Essa forma de analisar a questão do trabalho na sociedade capitalista foi desenvolvida por Karl Marx, no século XIX, que procurou demonstrar a existência de um conflito de classes entre trabalhadores e capitalistas, elemento este que é inerente á sociedade burguesa. Existe, entretanto, outro pensador, Émile Durkheim, que analisa as relações de trabalho na sociedade capitalista de forma diferente. Na sua obra, divisão social do trabalho escrita no final do século XIX, procura demonstrar que a crescente segmentação do trabalho, resultante da produção industrial moderna, trazia consigo uma forma superior de solidariedade: amecânica e a orgânica. A solidariedade mecânica deriva da aceitação de um conjunto de crenças e de tradições comuns. Nesse caso, o que une as pessoas não é o fato de uma depender do trabalho da outra, mas toda uma gama de sentimentos comuns. Quando a solidariedade mecânica está na base da coesão social, a consciência coletiva envolve completamente a consciência individual, tornando os indivíduos muito próximos pela identificação. Esse tipo de solidariedade era típico das sociedades nas quais a divisão social do trabalho era pouco desenvolvida, como as sociedades tribais, a graga ou a feudal. A orgânica ao contrário, pressupõe não a identidade, mas, antes, a diferença entre os indivíduos nas suas crenças e ações. O que os une é a interdependência das funções sociais, ou seja, a necessidade que uma pessoa tem da outra, em virtude da divisão do trabalho existente na sociedade. É nesse contexto que se pode analisar com mais atenção a questão do conflito e da contradição entre trabalho e capital, pois é aí que aparece claramente o processo de exploração do trabalhador. SINTESE DA AULA Nesta aula aprendemos que o trabalho na sociedade capitalista, é importante deixarmos claro que não existe uma única sociedade capitalista, mas muitas, que se constituíram nas mais diversas regiões do planeta. Entretanto, o que elas têm em comum é a forma como a produção material se desenvolve. Desse modo, o que as define como sociedades capitalistas é a propriedade privada, o trabalho assalariado, o sistema de troca e uma determinada divisão social do trabalho. Podemos afirmar que o trabalho se transforma em força de trabalho quando se torna uma mercadoria que pode ser comprada e vendida. E, para que ele se transforme em mercadoria, é necessário que o trabalho seja desvinculado de seus meios de produção, ficando apenas com a sua força de trabalho para vender. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 14 | TRABALHO E ALIENAÇÃO PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: TEXTO I – Os homens e a história A História não faz nada, não “possui uma enorme riqueza”, ela “não participa de nenhuma luta”. Quem faz tudo isso, quem participa das lutas, é o homem, o homem real ; não é a “História” que utiliza o homem como meio para realizar os seus fins – como se tratasse de uma pessoa individual – pois a História não é senão a atividade do homem que persegue os seus objetivos. (MARX, K. & ENGELS, F. La sagrada família. México, Grijalbo, 1967. p. 159.) QUESTÕES: Com base na leitura deste capítulo e neste texto procure responder: 1-O que é a história? 2- São todos os homens que fazem a história ou são somente alguns “homens especiais” que a constroem? RESPOSTAS 1- A sociedade é comparada a um edifício no qual as fundações, a infra-estrutura, seriam representadas pelas forças econômicas, enquanto o edifício em si, a superestrutura, representaria as idéias, costumes, instituições (políticas, religiosas, jurídicas, etc). A história dos homens é o produto das suas relações de classe. 2- O homem é o produto do meio em que vive, o qual é construído a partir de suas relações sociais . Assim, é o homem que produz o seu próprio ambiente, porém, esta produção da condição de existência não é livremente escolhida, mas sim, previamente determinada. O homem pode fazer a sua História, contudo não pode fazer nas condições por ele escolhidas. O homem é determinado, historicamente, pelas condições, logo é responsável por todos os seus atos, pois ele é livre para escolher. Logo todas as teorias de Marx possuem o fundamento daquilo que é o homem, ou seja, o que é a sua existência. “O Homem é condenado a ser livre.” FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 14 | TRABALHO E ALIENAÇÃO PÁG. 05 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. RS: Artmed, 2005. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 14 | TRABALHO E ALIENAÇÃO PÁG. 06 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA15 SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO? Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Estimado(a) Aluno(a), Nesta 15 vamos aprender as mudanças por que tem passado o “mundo do trabalho”, com a redução visível do chamado proletariado industrial e o crescimento simultâneo da precarização das formas de trabalho e do subemprego, para não falar do desemprego estrutural, trazendo com ele a chegada triunfal do homem às portas do “mundo do ócio” ; e, finalmente , a caracterização da sociedade atual como “sociedade de consumo”, com suas feições e determinações próprias, todos esses são temas que , de um modo ou de outro, remetem a uma reflexão crítica sobre o trabalho, na contemporaneidade, que aqui será desenvolvida sob o viés das relações possíveis entre trabalho e emancipação humana. Vamos iniciar? 1- Conceito sociedade do tempo livre 2- Pensamento de transformações do mundo do trabalho, tempo livre e desemprego Objetivos da aula 15 • Entender os conceitos de sociedade do tempo livre • Relacionar tempo livre e desemprego • Refletir as mudanças no processo de produção que levam a organização e surgimento da sociedade da informação e do desemprego estrutural O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você como a Sociedade da informação e a Tecnologia levam a formação de um número considerável de indivíduos sem emprego ou que buscam no uso de seu tempo livre novas oportunidades de inserção no mundo do trabalho. TRABALHO E ALIENAÇÃO Existem diversas hipóteses sobre a origem da palavra trabalho. Uma delas é que se origina do latim tripalium, instrumento composto de três paus utilizado para tortura. É o homem em ação para sobreviver e realizar-se, criando instrumentos, e com esses, todo um novo universo cujas vinculações com a natureza, embora inegáveis, se tornam opacas. Considerado como uma atividade capaz de diferenciar os homens dos demais animais, o trabalho marca a passagem da cultura da caça e da pesca para a cultura agrária baseada na criação de animais e no plantio. Esta é subjetiva na medida em que o trabalhador a utiliza e a preparou. E é objetiva por estar objetivamente orientada em relação ao objeto do trabalho. Instrumentos da racionalidade do homem, expressam a sua vontade, e fazem de mediadores entre o homem e a natureza. E, assim, o trabalho é processo de transformação. À diferença do animal, que para satisfazer suas carências devora, destrói o objeto – a natureza -, o homem o trabalha e o transforma, antes de consumi-lo. Com o desenvolvimento das civilizações e a organização das sociedades tem início o sentido de propriedade e a relação de dependência daqueles que não possuem a terra. Mas as linhas principais das relações econômicas eram semelhantes: o excedente era consumido em parte para manter um aparato militar e em parte para sustentar o padrão de vida da classe ociosa. Do trabalho sobre a terra se origina a riqueza que vai incentivar o desenvolvimento do trabalho artesanal, ao mesmo tempo, se intensifica o comércio, uma vez que há excedentes tanto na agricultura como na criação de animais. E da primitiva troca em espécies passa-se ao comércio mediado pela moeda. A partir dos séculos XVIII e XIX com a acumulação de riquezas, a aplicação da ciência à produção e a expansão capitalista tem início a chamada Revolução Industrial. Com o surgimento da máquina a vapor, das máquinas têxteis e o uso da eletricidade, o desenvolvimento tecnológico começa a se incorporar ao dia a dia da humanidade. As mudanças nas relações de trabalho se intensificam. Fatores comoa urbanização, o crescimento demográfico, os avanços da ciência em relação à saúde contribuem de forma intensa para essas mudanças. Produzir em série e com o auxílio de máquinas significa produzir em centros onde estas máquinas sejam concentradas. O artesanato não exige a aglutinação dos trabalhadores do mesmo modo que o sistema industrial de produção. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 15 | SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO? PÁG. 02 O homem do campo se dirige à cidade em busca de emprego nesta produção moderna, que acena com promessas de um serviço menos arriscado e dependente da natureza do que o labor no campo, e com possibilidade de usufruir do bem- estar que as cidades se vangloriam de possuir, embora não o ofereçam a todos. O trabalho passa a ser exercido em fábricas com grande concentração de trabalhadores num mesmo local onde começa a surgir uma conscientização e um sentimento de revolta com a exploração que lhes é imposta. O estabelecimento de padrões de proteção ao trabalho entre países industrializados nasceu em conseqüência dos terríveis efeitos sociais da Revolução Industrial. No século XX, com a invenção do computador, acontece a terceira onda da Revolução Industrial caracterizada pela automação. Nesse momento o trabalho é um esforço planejado e coletivo num contexto industrial. Cada vez mais, grandes massas de contemporâneos passam a depender de organizações e grandes empresas para o seu trabalho. Cada vez mais deixamos o trabalho autônomo por um emprego na organização, ou mesmo pelo desemprego ante a organização. A partir de então, o trabalhador passa a viver um impasse. Se por um lado, precisa manter-se organizado e ativo para garantir a manutenção dos direitos trabalhistas adquiridos, por outro vê crescer a tendência da diminuição dos níveis de emprego. Não se trata mais do desemprego anterior, causado pela recessão que de um momento para o outro passavam. O crescimento do desemprego estrutural é um problema para o qual ainda não se encontrou solução. No final do século XIX, o filósofo alemão Karl Marx (2002), já havia apontado para a tendência de o capitalismo, com o aprimoramento do maquinário e o excesso de mercadorias, produzir desemprego. TECNOLOGIA E DESEMPREGO Em 1931, no auge da grande depressão americana iniciada em 1929, o economista inglês John Maynard Keynes criou o conceito de “Desemprego Tecnológico”. Mas afinal, as tecnologias são realmente responsáveis pelo desemprego? Tecnologias que entram em sociedades pouco educadas e com leis trabalhistas rígidas, mais destroem do que criam empregos. Tecnologias que entram em sociedades bem educadas e quadros legais flexíveis, mais geram do que destroem postos de trabalho. Uma tecnologia pode ter um impacto direto destrutivo e um impacto indireto construtivo – em outro setor da economia. Além disso, uma tecnologia pode destruir empregos hoje, e criar amanhã – na mesma empresa. Em suma, para se avaliar o efeito final das tecnologias não basta examinar a destruição líquida de emprego que geralmente ocorre nos locais em que entram, é preciso examinar os efeitos de deslocamento da mão-de-obra e de criação de novas atividades e postos de trabalho em outros setores e empresas. No mundo atual, não há a menor possibilidade das empresas competirem fora dos avanços tecnológicos. Se a situação do emprego é difícil com tecnologia, seria catastrófica sem ela. DESEMPREGO ESTRUTURAL - É UMA FORMA PARTICULARMENTE GENERALIZADA DE DESEMPREGO QUE OCORRE PELO DESEQUILÍBRIO ENTRE A OFERTA E A PROCURA DE COMPETÊNCIAS DE TRABALHO NUMA DADA ECONOMIA. É CAUSADO PELO FATO DA FORÇA DE TRABALHO DISPONÍVEL NÃO POSSUIR AS COMPETÊNCIAS QUE AS ORGANIZAÇÕES PROCURAM. Não tenhamos dúvidas de que, do ponto de vista do emprego, o progresso técnico (e seu ritmo) favorece a aceleração das transformações qualitativas do trabalho (mudança da divisão técnica do trabalho, da organização do trabalho, das qualificações, assim como da distribuição setorial do emprego (nascimento, expansão e declínio das atividades econômicas). É evidente também que o progresso técnico – sobretudo quando observado em uma empresa, setor ou região – pode se refletir em supressão de empregos. Esse resultado não precisa necessariamente ser mais desemprego. Pode ser mais emprego, consumo, tempo livre ou desemprego e essa é uma escolha social, historicamente determinada pelas formas de regulação do sistema produtivo e de distribuição dos ganhos de produtividade. Enquanto as primeiras tecnologias industriais substituíram a força física do trabalho humano, trocando a força muscular por máquinas, as tecnologias baseadas no computador prometem substituir a própria mente humana, colocando máquinas inteligentes no lugar dos seres humanos em toda a escala da atividade econômica. Máquinas automatizadas, robôs e computadores cada vez mais sofisticados podem desempenhar muitas, se não a maioria dessas tarefas. Os efeitos das tecnologias da info-comunicação sobre a desordem do mundo do trabalho podem parecer maiores do que efetivamente são, sobretudo quando ignoradas as atuais relações macroeconômicas, sociais e institucionais mais amplas. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 15 | SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO? PÁG. 03 Nos dias que correm, a redução da capacidade de gasto e regulação do Estado, a concentração dos ganhos de produtividade nas mãos do capital financeiro, a estagnação e até elevação do tempo de trabalho e, mão menos importante, o relativamente menor crescimento do produto, da demanda e do investimento são elementos determinantes no entendimento do desemprego e da precariedade das condições e relações de trabalho. Os atuais avanços tecnológicos e as iniciativas de reestruturação econômica parecem ter se abatido sobre nós sem se fazer anunciar. Subitamente, em todo o mundo, homens e mulheres perguntam se existe, para eles, algum papel que possam desempenhar no novo futuro que se abre para a economia global. Trabalhadores com anos de estudo, habilidades e experiência enfrentam a perspectiva muito real de serem declarados excedentes pelas novas forças da automação e informação. Atualmente, vemos à nossa volta a introdução de tecnologias surpreendentes capazes de feitos extraordinários. Fomos levados a acreditar que as maravilhas da moderna tecnologia seriam a nossa salvação. Milhões de pessoas colocaram suas esperanças de um futuro melhor no potencial libertador da revolução do computador. No entanto, a prosperidade econômica da maioria das pessoas continua a se deteriorar em meio ao constrangimento das riquezas tecnológicas. Bem! Finalizamos a nossa aula e esperamos que você tenha compreendido a questão relacionada ao Mundo do Trabalho. SINTESE DA AULA Nesta aula aprendemos que as transformações por que passaram as relações homem/trabalho, tanto nas sociedades pré-industriais como nas sociedades industriais, desembocando no momento atual, em que estamos frente a frente com uma nova “revolução”, que caracterizaria a passagem da sociedade industrial para a pós-industrial. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 15 | SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO? PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Assista ao vídeo abaixo e relacione tempo livre e desemprego em tempos atuais. O aluno deverá ser capaz de mostrar que as transformações no mundo do trabalho na era pós industrial e tecnológica kliberam mais tempo para os indivíduos porém geram falta de emprego e qualificação. Vamos assistir o vídeo para que possamos refletir sobre a nossa aula? Acessem: https://www.youtube.com/watch?v=S65XAh_SF2w Ocio e lazer tempo livre na sociedade-pós industrial. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 15 | SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO? PÁG. 05Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. RS: Artmed, 2005. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 15 | SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO? PÁG. 06 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA16 DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO- RACIAL: O CASO DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Nesta aula, debateremos um pouco mais sobre a temática étnico-racial na sociedade brasileira. A sociedade brasileira caracteriza-se por uma pluralidade étnica, sendo esta produto de um processo histórico que inseriu num mesmo cenário três grupos distintos: portugueses, índios e negros de origem africana. Esse contato favoreceu o intercurso dessas culturas, levando à construção de um país inegavelmente miscigenado, multifacetado, marcado pelo antagonismo. A escola, como instituição social, é responsável pelo processo de socialização dos sujeitos que a ela recorrem, a exemplo das crianças, e, nesse sentido, é através dela que se estabelecem relações com crianças de diferentes núcleos familiares e, inevitavelmente, de diferentes matrizes culturais. Esse contato entre diferentes poderá fazer da escola o primeiro espaço de vivência das tensões raciais. 1-A temática étnico-racial no Brasil; 2-A escravidão no Brasil; 3-Pluralidade e diversidade cultural na educação no Brasil; Objetivos da aula 16 • Debater a temática étnico-racial no Brasil; • Apresentar os fundamentos do período de Escravidão no Brasil; • Estimular a concepção de pluralidade e diversidade cultural na formação escolar Brasil. O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você a importância de combater o racismo, trabalhar pelo fim da desigualdade social e racial, empreender reeducação das relações étnico-raciais, não são tarefas exclusivas da escola. As formas de discriminação de qualquer natureza, não nascem na escola, porém o racismo, as desigualdades e as discriminações correntes na sociedade perpassam por ali. DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-RACIAL: O CASO DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL Um dos maiores desafio da humanidade no século XXI é promover o enfretamento dos conflitos originados das relações étnicas e raciais. Nos últimos vinte anos um cenário preocupante, relacionado ao crescimento de tais conflitos, tem nos chamado a atenção. Segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2004, cerca de 518 milhões de pessoas no mundo sofrem de algum tipo de discriminação ou segregação por razões religiosas, raciais ou étnicas. Em nosso país precisamos considerar que o debate merece uma atenção especial, pois, embora cada vez mais desacreditado, ainda vivemos sobre a égide do mito que concebe a sociedade brasileira como uma nação racialmente democrática. Uma análise mais apurada acerca das relações étnico-raciais estabelecidas no seio desta sociedade revela, no entanto, que estas não ocorrem de modo tão harmonioso, ao contrário do que julgam alguns. Neste contexto, as relações étnico-raciais tem se constituído tema recorrente nos debates acadêmicos e educacionais, entretanto, discuti-las, sobretudo na educação básica consiste, ainda, numa tarefa complexa e extremamente difícil e, embora o quantitativo de produções sobre esta temática tenha aumentado significativamente, não raro, professores trabalham o tema de maneira estereotipada ou simplista, assim como também tais produções são do conhecimento de um número muito reduzido de pessoas. Faz-se necessário, portanto, buscar novos caminhos para reparar o histórico de exclusão da temática afro brasileira do contexto de nossas salas de aulas. Uma das primeiras tarefas na escola que deseja trabalhar na perspectiva da diversidade é desconstruir o tão difundido mito da democracia racial, pois não há como se combater algo que não é concebido como um fato real e freqüente no nosso cotidiano. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 16 | DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-RACIAL:... PÁG. 02 O PROCESSO DE ESCRAVIDÃO NO BRASIL No século XVI, os portugueses foram protagonistas do primeiro grande fluxo migratório europeu para o Brasil. Trouxeram as tradições culturais e religiosas da península ibérica e, ao mesmo tempo, introduziram o Brasil no sistema colonial. O hediondo tráfico negreiro foi uma das conseqüências dessa situação. Comprados ou capturados na África, os escravos e as escravas eram tratados como simples mercadoria - “estoques” ou “peças” - e destinados a alimentar o comércio triangular entre Europa, África e Américas, comércio que enriqueceu apenas o primeiro dos três continentes. Estima-se que cerca de 4 milhões de escravos e escravas chegaram no Brasil, principalmente entre os séculos XVII e XIX. A “imigração” dos escravos e das escravas no Brasil foi forçada, compulsória. As condições das viagens eram terríveis, sendo freqüentes as mortes antes da chegada no lugar de destinação. Assim como os índios, eles perdiam o direito de ir e vir, confinados entre a senzala e o trabalho. A única mobilidade possível decorria da venda por parte dos amos, das perigosas fugas e das andanças dos negros libertos. Existem casos de escravos e escravas que, movidos pela profunda saudade da terra de origem, conseguiram voltar para África, onde ainda hoje conservam traços culturais adquiridos no Brasil. Apesar da escravidão e das políticas de embranquecimento, os africanos bantos e nagôs conseguiram fincar raízes no território brasileiro, contribuindo de maneira determinante à formação da atual sociedade pluricultural e plurireligosa. A abolição do regime de escravatura e a forte influência cultural, contudo, não significaram o fim da discriminação. Assim como os índios, também os afro-brasileiros tiveram que transformar a recuperada mobilidade espacial em mobilização social, gerando grupos de resistência, conscientização e reivindicação do direito à própria religião, história, cultura. A partir do século XIX até os dias de hoje, outras populações aportaram no Brasil, com prevalência de italianos, espanhóis, alemães e poloneses. Mas não pode ser esquecida também a imigração de outros grupos que contribuem para a variedade cultural e religiosa do nosso país, como os turcos, holandeses, japoneses, chineses, sul-coreanos, sírio-libaneses, judeus, latino-americanos, entre outros. Não é fácil avaliar as motivações de tal imigração. Em geral, foi determinante a combinação entre fatores de atração (especialmente a demanda de mão-de-obra barata para substituir o extinto sistema escravagista) e fatores de expulsão na terra de origem como, crises econômicas, conflitos internos, questões políticas e perseguições. Chegando para substituir a mão-de-obra escrava, os imigrantes, não sem sofrimento e provações, conseguiram encontrar o próprio espaço geográfico, social, econômico e político no interior do país. Nas primeiras décadas costumavam priorizar a preservação das próprias tradições culturais, conseguindo, desta forma, evitar o risco de assimilação. Com o tempo ocorreu uma integração progressiva que favoreceu o intercâmbio com as demais tradições culturais presentes no país. As intensas migrações internas das últimas décadas provocaram a difusão nacional de algumas das tradições culturais características desses grupos. DISCRIMINAÇÃO E PRECONCEITO RACIAL NO BRASIL Existe discriminação racial quando as pessoas não são avaliadas, selecionadas, admitidas, promovidas e remuneradas de acordo com as suas capacidades e competências, mas por critérios irrelevantes para o seu desempenho como cor da pele,tipo de cabelo, traços faciais e origem étnica. Numa sociedade complexa, diferenciada e competitiva, o combate a todas as formas de discriminação e de racismo consiste primordialmente em exigir a aplicação de critérios universalistas todas as vezes em que for necessário estabelecer uma seleção para qualquer emprego, cargo, função ou posição social e em exigir o respeito a padrões universais de respeito à dignidade das pessoas. A escola não vem cumprindo este papel. Manifestação de preconceito e discriminação, conscientes e às vezes inconscientes ocorrem entre alunos, funcionários e mesmo professores. O preconceito na escola é especialmente grave quando incide nas séries iniciais, com crianças que ainda não desenvolveram mecanismos de defesa contra a projeção de identidades negativas. Da parte dos professores, o que acontece com mais freqüência do que se imagina, é a pressuposição do fracasso, o que constitui um estímulo negativo particularmente destrutivo, pois leva as crianças a acreditarem que são incapazes de aprender, prejudicando assim todo o seu desenvolvimento escolar posterior. Não há, no Brasil, uma verdadeira democracia racial. Mas o fundamento para sua construção reside nos preceitos constitucionais que tornam, perante a lei, irrelevante a auto- classificação racial das pessoas e crime a discriminação. Se a aplicação da lei é falha, a solução não está em oficializar desigualdades, aplicando critérios legalmente diversos para negros e brancos. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 16 | DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-RACIAL:... PÁG. 03 O enfrentamento da questão é uma alternativa possível de lidar com este fenômeno, portanto temos que pensar sobre a convivência com a diferença na base do respeito e humildade. O primeiro aspecto para se obter uma identidade racial é verificar a necessidade de se ter uma identidade. O grupo que busca uma identidade é o grupo que está se percebendo esquecido, quando uma raça luta para não ser esquecida, quando uma raça luta pelo resgate de sua história, seus costumes, suas origens. Logo, este grupo começa por identificar a sua identidade. Os negros, ao contrário dos brancos no Brasil, reivindicam a identidade de um povo que não se pode esquecer. Pensar em identidade racial se torna abrangente numa realidade de segregação social, econômica e política, onde muitos negros e brancos vivem à margem da sociedade. É claro que não podemos ver negros e brancos como iguais porque isso seria negar os anos de sofrimentos desde a escravidão até aos dias atuais. É importante pensar numa identidade. Mas, qual identidade? A brasileira? Como chegar nessa identidade em meio a tantas misturas raciais? Alguns podem objetar ressaltando que a inter- racialidade é a identidade brasileira. Mas, de fato não explica já que não há igualdade nessa mistura. Para chegarmos a esta identificação como brasileiros, precisamos ver total igualdade, social, econômica e política. Assim, a escola deve incentivar a convivência com a diversidade e pluralidade cultural e étnica para a riqueza da formação do cidadão atual. SINTESE DA AULA Nesta aula aprendemos que no Brasil temos uma população miscigenada e culturalmente diversificada, porém isso não significa que sabemos conviver com as diferenças. A educação escolar, por exemplo, não trabalha para valorizar a diversidade, pois os conteúdos se baseiam no padrão de homem, branco e heterossexual. A escola deve incentivar a possibilidade da criança interpretar os vários papéis existentes na sociedade, tanto femininos quanto masculinos, construindo sua identidade de forma natural, entendendo as diferenças, porém sem gerar desigualdades diante da importância de cada ser. A discriminação no ambiente escolar reduz a auto-estima do aluno, refletindo no aprendizado. A valorização da diversidade deve começar pela conscientização do professor, que muitas vezes nega sua própria ascendência. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 16 | DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-RACIAL:... PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Assista ao vídeo abaixo escreva uma redação sobre a temática diversidade étnico-racial na sociedade brasileira hoje. Diversidade Étnico Racial Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=CAsXLfYKUhQ O aluno deve ser capaz de apresentar que . a escola deve incentivar a possibilidade da criança interpretar os vários papéis existentes na sociedade, tanto femininos quanto masculinos, construindo sua identidade de forma natural, entendendo as diferenças, porém sem gerar desigualdades diante da importância de cada ser. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 16 | DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-RACIAL:... PÁG. 05 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. RS: Artmed, 2005. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 16 | DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-RACIAL:... PÁG. 06 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA17 TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Nesta aula 17 apresentaremos quais são as discussões atuais da Filosofia contemporânea. Na atualidade, a acentuação dos riscos a que se vêem expostas as sociedades caracteriza-se em função de decisões políticas muitas vezes tomadas à sua revelia. Ademais, quando se fala de risco, refere-se à produção de danos que são conseqüências de decisões humanas (causadas por ações ou omissões ante a representação de um evento danoso), por oposição ao perigo que importa à produção de danos imputáveis a causas alheias ao próprio controle, externas à decisão e que afetam o entorno (humano ou natural). 1 - O risco como componente da sociedade contemporânea 2 - A gestão dos riscos em uma sociedade democrática; 3 - Distinção entre princípio da precaução e princípio da prevenção Objetivos da aula 17 • Debater o conceito de risco na sociedade contemporânea; • Apresentar os fundamentos da gestão do risco; • Estimular a concepção de princípio da precaução e princípio da prevenção O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você que a sociedade tem um direito indiscutível de conhecer a dimensão, as características e a natureza dos riscos que corre ante qualquer empreendimento, trazidos pela era da globalização. Conhecido o risco por meio da informação adequada e correta, deve ter a possibilidade de debater para finalmente impulsionar uma decisão política que implique uma eleição entre diversas alternativas. Neste terreno, fica a amarga impressão de que se está comprometendo o futuro das próximas gerações e que se sorteiam graves situações de incerteza no influxo das pressões dos mercados, sem que a sociedade esteja suficientemente informada nem que haja promovido um debate adulto. A gestão dos riscos ambientais deve ser assumida como constituindo uma das questões centrais. O RISCO COMO COMPONENTE DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA A incerteza e a ignorância desde sempre caracterizaram o conhecimento humano e a verdade é que hoje constituem o paradigma e elemento estruturante da nossa sociedade. O desenvolvimento tecnológico, que chega com a Globalização, fez-se acompanhar de um modelo de bem estar e conforto da gestação de riscos imprevisíveis e não contabilizáveis. O século XIX foi dominado pelo paradigma da responsabilidade. As incertezas e os imprevistos eram geridos pela adoção de uma conduta previdente a nível individual, ficando a solução, em último caso, nas mãos do destino ou de Deus. GLOBALIZAÇÃO CONJUNTO DE TRANSFORMAÇÕES NA ORDEM POLÍTICA E ECONÔMICA MUNDIAL VISÍVEIS DESDE O FINALDO SÉCULO XX. TRATA-SE DE UM FENÔMENO QUE CRIOU PONTOS EM COMUM NA VERTENTE ECONÔMICA, SOCIAL, CULTURAL E POLÍTICA, E QUE CONSEQUENTEMENTE TORNOU O MUNDO INTERLIGADO, UMA ALDEIA GLOBAL. Já o Estado Social do século XX foi dominado pelo paradigma da solidariedade e estruturou-se, em larga medida, em torno do eixo central da repartição social dos encargos e riscos, sociais ou profissionais e de prevenção (prevenção de doenças, de crimes, de acidentes, e da miséria). Apesar disso, ao longo das últimas décadas privilegiaram-se sistemas e tecnologias de produção que conduziram o planeta a uma situação limite (contaminação do ar, da água, erosão dos solos, esquentamento da Terra, diminuição da capa de ozônio, aumento das radiações e perda da diversidade biológica). Observa-se, porém, que isso não tem sido um obstáculo para continuar com este processo destrutivo da vida, leia- se a sucessão de uma série de catástrofes que puseram ao descobrimento da fragilidade dos mecanismos de seguridade para afrontar situações limites (Chernobyl, os acidentes químicos industriais de Minamata, Seveso e Bhopal). FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 17 | TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS PÁG. 02 O paradigma da segurança existencial, estruturado no progresso e na tecnologia, deu lugar ao medo do risco. Assiste- se a uma transição de uma sociedade industrial para uma sociedade de risco. No atual modelo econômico, as causas dos riscos e perigos possuem as mais diversas origens, o que lhe dá contornos de uma multidimensionalidade, circunstância que acentua as dificuldades das diversas instâncias de organização desse risco. A GESTÃO DOS RISCOS EM UMA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA O avanço da civilização tecnológica tem levado a uma maior difusão e proliferação dos riscos, a ponto de convertê-los em categoria social. Os riscos assim criados afetam, pois, a sociedade em seu conjunto, colocando de manifesto a crise que caracteriza a sociedade industrial. Os riscos que envolvem esta civilização são extremamente nocivos para o cidadão moderno, portanto, vivemos um dilema entre viver com as facilidades tecnológicas e também cuidar dos riscos que ela pode nos acarretar. A nova política de tratamento e aceitação dos riscos deve repousar sobre planos de prevenção destes, concebidos territorialmente em instâncias pluralistas. A análise custo benefício daria resultados muito diferentes ao ser aplicada dentro de concepções éticas distintas. A percepção social dos riscos afrontados, a análise de seus fundamentos e os critérios de avaliação dos dispositivos de proteção, finalmente adotados, devem ser resultado de transações entre dados científicos e técnicos e valores sociais dos atores implicados. DISTINÇÃO ENTRE PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO E PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO Para poder captar em toda sua riqueza a função que assume o princípio na evolução da ciência e técnica, é importante diferenciá-lo de outro princípio: o da prevenção. O princípio da prevenção é uma conduta racional frente a um mal que a ciência pode objetivar e mensurar, que se move dentro das certezas das ciências.A precaução, pelo contrário, enfrenta a outra natureza da incerteza: a incerteza dos saberes científicos em si mesmo. O princípio da prevenção refere-se ao perigo concreto e o princípio da precaução refere-se ao perigo abstrato. Sendo assim, pode-se mencionar que a prevenção atua no sentido de inibir o risco de dano potencial, ou seja, procura- se evitar que uma atividade sabidamente perigosa venha a produzir os efeitos indesejáveis. No princípio da precaução o perigo é potencial ou de periculosidade potencial que se quer prevenir. No da prevenção o perigo deixa de ser potencial, já é certo, tem-se os elementos seguros para afirmar ser a atividade, efetivamente, perigosa, de modo que não se pode mais pretender, nesta fase, a prevenção contra um perigo que deixou de ser simplesmente potencial, mas real e atual. Enfim, dessa comparação surge uma diferença que deve medular no debate social de nossos dias: enquanto a prevenção é um assunto de especialistas confiado em seus saberes, a precaução é um assunto que compete à sociedade em seu conjunto e deve ser gestionado em seu seio para orientar a tomada de decisões políticas sobre assuntos de relevância fundamental. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 17 | TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS PÁG. 03 SINTESE DA AULA Nesta aula aprendemos que em meio a convivência na sociedade do risco, o princípio da precaução resume-se na busca do afastamento, no tempo e espaço, do perigo, na busca também da proteção contra o próprio risco e na análise do potencial danoso oriundo do conjunto de atividades. Sua atuação faz-se sentir, mais apropriadamente, na formação de políticas públicas ambientais, em que a exigência de utilização da melhor tecnologia disponível é necessariamente um corolário. O princípio constitui-se, assim, em um instrumento fundamental para submeter a uma causa de racionalidade a aplicação de novas tecnologias e para possibilitar que o Estado, como expressão comum dos diversos setores sociais que o integram, possa cumprir em melhor forma um de seus objetivos básicos: o resguardo da seguridade coletiva. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 17 | TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Assista ao vídeo abaixo escreva uma redação sobre a sociedade do risco e suas possibilidades de precaução. Globalização e suas consequencias https://www.youtube.com/watch?v=EIw63BJop34 O aluno deve escrever sobre a sociedade vê o capitalismo apenas como um sistema que pode se beneficiar e não vê que enquanto isso a desigualdade social só aumenta. Se torna inevitável o preconceito e a violência em uma sociedade que cada vez aumenta mais o “abismo” entre a classe alta e baixa. A globalização é ótima, porém, ao se misturar com o pensamento capitalista da maioria dos seres humanos, criam-se grandes problemas sociais. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 17 | TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS PÁG. 05 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. DI GIORGI, Raffaele. ”O risco na sociedade contemporânea”, in Revista Seqüência. Revista do Curso de Pós-graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, jun.1994, n.28, ano 15. GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. São Paulo: Editora UNESP, 1991. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. Os Pensadores: Marx. São Paulo: Nova Cultura, 1999 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 17 | TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS PÁG. 06 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA18 FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Nesta aula 18 apresentaremos como a filosofia trabalha a questão da transformação social. A educação filosófica deve ser capaz - entre outros aspectos - de formar pessoas que exercitem um pensamento criterioso, que desenvolvam conceitos e ações solidários, que aprimorem a criatividade na inteligibilidade e intervenção sobre os eventos dos quais tomam parte, que saibam distinguir argumentos ponderando os diversos elementos neles envolvidos e sua articulação orgânica, fundamentar posições em bases conceituais mais sólidas e tomar decisões por conta própria nas diversas esferas do mundo da vida. 1 - Relação Filosofia e transformação social; 2 - Estrutura social e movimentos sociais 3 - Perspectivas filosóficas sobre transformação social Objetivos da aula 18 • Debater a relação Filosofia e transformação social; • Apresentaros movimentos sociais contemporâneos; • Estimular a mobilidade e o desenvolvimento da cidadania reflexiva para a mudança social O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você como está sendo construído um novo sujeito histórico que requer algumas condições básicas. Em primeiro lugar, é necessário elaborar uma consciência coletiva sustentada em uma análise apropriada da realidade e uma ética. Quanto à análise, trata-se de utilizar instrumentos capazes de estudar os mecanismos de funcionamento da sociedade e de entender suas lógicas, com critérios que permitam distinguir causas e efeitos, discursos e práticas. Com certeza a transformação social só pode acontecer com a reflexividade e mobilidade do novo sujeito social. FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL O ser humano brasileiro é alguém que pertence a dois grupos de sociedade, alguém que apresenta características de quem vive simultaneamente uma sociedade fechada e alguém que tenta vivenciar a situação de uma sociedade aberta. Quer dizer: o educando brasileiro é, de um lado, alguém que aceita ser um objeto, uma coisa facilmente controlada por uma elite que está longe dela, superposta a ela, que não apreende as suas dúvidas, os seus anseios, as suas angústias e as suas alegrias; é alguém que manifesta entusiasmo grandiloqüente seguido de expressões de desespero e expressões de auto- estima muito baixas. De outro lado, o educando brasileiro é alguém que começa a acreditar em si mesmo, que se sente capaz de propor e encaminhar transformações salutares e que, por isso mesmo nutre um otimismo crítico que lhe permite vislumbrar um amanhã promissor. Estrutura social e movimentos sociais Os movimentos sociais são os frutos de contradições que se globalizaram. São mais que uma simples revolta (as jacqueries camponesas) mais que um grupo de interesses (câmara de comércio), mais que uma iniciativa com autonomia do Estado (ONGs). Os movimentos nascem da percepção de objetivos como metas de ação, mas para existirem no tempo necessitam um processo de institucionalização. Criam-se papéis indispensáveis para sua reprodução social. Assim nasce uma permanente dialética entre metas e organização cujo perigo potencial sempre presente é a possibilidade de que a lógica de reprodução imponha-se sobre as exigências dos objetivos procurados. Um exemplo é o caso de muitos sindicatos operários e partidos de esquerda. Foram iniciativas dos trabalhadores em luta que com o tempo transformaram-se em burocracias que definiam suas tarefas em termos somente defensivos, quer dizer em função da agenda do adversário e não do projeto de transformação radical do sistema. No caso particular dos partidos políticos, é a lógica eleitoral que prepondera sobre o objetivo original e que define as práticas, o que significa uma lógica de reprodução e não uma perspectiva de mudança profunda revolucionária. Isso não impede a presença de muitos militantes autênticos nestas organizações, mas significa que estão encerrados em uma lógica que os ultrapassa. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 18 | FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL PÁG. 02 Entretanto, a realidade social não está predeterminada e pode- se atuar sobre os processos coletivos. Para que os movimentos sociais estejam em posição de construir o novo sujeito social há duas condições preliminares. Em primeiro lugar, ter a capacidade de uma crítica interna com o fim de institucionalizar as mudanças e assegurar uma referência permanente aos objetivos. Em segundo lugar, captar os desafios da globalização, que por sua vez são gerais e específicos ao campo de cada movimento: operário, camponês, de mulheres, populares, de povos nativos, de juventude, e em breve de todos os que são vítimas do neoliberalismo globalizado. Construir o novo sujeito histórico requer conceber e cimentar um vínculo com um campo político renovado. Nos primeiros tempos dos Fóruns Sociais existia um medo real para com os órgãos da política tradicional em parte por razões justas. Ao repúdio frente à instrumentalização eleitoreira e às maquinarias de partidos como mera ferramenta de poder somava-se uma atitude de princípio anti-estatal, especialmente em certas ONGs. Se afirmarmos que a transformação social exige muito mais que a tomada do poder político formal, executivo ou legislativo, esta perspectiva é plenamente aceitável, mas se significar que mudanças fundamentais como uma reforma agrária ou uma campanha de alfabetização podem ser realizadas sem o exercício do poder, é uma total ilusão. Assim, os movimentos sociais devem contribuir para a renovação do campo político. A perda de credibilidade dos partidos políticos é uma realidade mundial e é urgente encontrar a maneira de realizar uma reconstrução do campo. Um exemplo interessante é o da República Democrática do Congo (Kinshasa), onde os movimentos e organizações de base mobilizaram-se para a organização das eleições de julho 2006. Depois de 40 anos de ditadura e de guerras (nos últimos cinco anos houve mais de três milhões de vítimas), as forças populares da base da população afirmaram a necessidade de defender a integridade da nação e salvaram esta última de seu desmantelamento neutralizando todos os esforços feitos para fragmentar o país e assim poder controlar mais facilmente os recursos naturais. Adicionalmente, estes setores estão inventando formas de democracia participativa, conjuntamente com a democracia representativa. Milhares de organizações locais, de mulheres, de camponeses, de pequenos comerciantes, de jovens, de comunidades cristãs católicas e protestantes, mobilizaram-se para apresentar candidatos, ligados por pacto às comunidades (porta-vozes e não representantes como diz a lei de conselhos comunais da Venezuela), no nível local e estadual, com alguns em nível nacional, mas sem candidato à presidência, porque estimam que primeiro devem consolidar o processo de baixo. É uma verdadeira reconstrução de um campo político, quase completamente destruído pelas práticas (corrupção e tribalismo) dos partidos existentes. Finalmente, será muito importante para as convergências dos movimentos sociais encontrarem a maneira de aglutinar as numerosas iniciativas populares locais que não se transformam em movimentos organizados, apesar do fato de que representam uma parte importante das resistências (em nível de povos ou de regiões, contra uma represa, contra a privatização da água, da eletricidade, da saúde, contra a entrega de florestas a empresas transnacionais, etc.). Não podemos esquecer também que a pluralidade, dinâmica e complexidade dos movimentos sociais (multifacetários) contemporâneos trazem consigo, por óbvio, a necessidade de renovação dos modelos familiares até então existentes. Os casamentos, divórcios, recasamentos, adoções, inseminações artificiais, fertilização in vitro, clonagem, etc., impõem especulações sobre o surgimento de novos status familiares, novos papéis, novas relações sociais, jurídicas e afetivas. Perspectivas filosóficas sobre transformação social A maioria dos “filósofos” no Brasil assumem uma atitude intelectualista, dedicados à erudição, dificultam a elaboração de um pensamento rigoroso, radical, voltado para o conjunto da situação social vivida, suas reflexões são abstrações da vida e da história. Esse tipo de atitude diante da filosofia constrõe uma concepção alienante da própria filosofia, “neutra”, “abstrata”, que bem da verdade serve como instrumento de dominação, negando a própria filosofia que não se reduz a explicitações de conceitos de maneira abstrata e a-histórica. Toda filosofia que recusa seu caráter histórico, relativo, polêmico, transitório, para se fechar na especulação estéril, no saber comandado e submisso, serve apenaspara manter a hegemonia cultural burguesa. Estas são algumas questões que apontam para a necessidade de refletirmos sobre as condições do filosofar enquanto atividade crítica questionadora. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 18 | FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL PÁG. 03 GRAMSCI A POLÍTICA E A CULTURA O desafio dos movimentos sociais populares, que, em síntese, lutam pela efetivação de um projeto político transformador, que se baseia na construção e exercício da cidadania, é essencialmente um desafio político e cultural.Desafio que se coloca a uma prática bastante concreta: a ação desenvolvida pelos diversos movimentos sociais populares que se organizam na sociedade civil reivindicando saúde, moradia, saneamento, emprego e na esfera cultural opondo-se a todo tipo de discriminação (étnica, racial, sexual, etc.). Ação que constantemente se depara com a necessidade de sistematização de suas experiências, de reflexão acerca de sua eficácia, avaliando estratégias de luta, de articulação, de formação política e cultural. Apesar da especificidade de cada movimento social-popular, consideramos que todos com maior ou menor enfoque atuam, também, numa dimensão cultural, a medida que propõem novos valores opondo-se à uma ética individualista, de discriminação, segregação e exclusão. PARA REFLETIR E DISSERTAR: Em que medida a atividade filosófica pode contribuir para a práxis destes movimentos? Qual a contribuição destes movimentos para repensarmos a filosofia que “fazemos”? São questões que se articulam e que não se esgotam nesta fala. Resgatemos a contribuição de Gramsci para essas questões, explicitando uma atividade filosófica envolvida com a realidade histórica e cultural. A filosofia da práxis, aponta o caráter histórico de todas as filosofias e se apresenta como a “teoria das contradições” existentes na história e na sociedade, assume “todo o passado cultural, o Renascimento e a Reforma, a Filosofia Alemã e a Revolução Francesa, o calvinismo e a economia clássica inglesa, o liberalismo e o historicismo: em suma, o que está na base de toda concepção moderna de vida e é a crítica e a superação, é o coroamento de todo este movimento de reforma intelectual e moral, dialetizando no contraste entre cultura-popular e alta- cultura”(8), é a concepção de mundo das classes dominadas, expressão das suas lutas, dos seus sonhos, dos avanços e recuos na conquista da hegemonia, é a manifestação “de uma nova cultura em gestação, que se desenvolverá com o desenvolver- se das relações sociais” como uma atitude “crítica e polêmica, jamais dogmática”(9), mas realista, que considera “as razões do adversário” que pode ser todo o pensamento passado. Para saber mais sobre a Filosofia da Práxis.. Acesse: http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=642 No período de militância política, entre 1916 à 1920, Gramsci escreve artigos em jornais voltados para a classe trabalhadora, a coletânea destes artigos, são os chamados textos de juventude. Nestes artigos Gramsci polemiza com companheiros do movimento socialista (PSI, dos Conselhos de Fábrica e dos jornais) os encaminhamentos e estratégias da luta política. Em “A Questão Meridional”(10), texto inacabado, escrito em 1926, Gramsci faz uma profunda análise das relações entre o norte e o sul da Itália, conseqüência do modo como foi conduzido o processo de unificação italiana. O Estado italiano passou por um processo de unificação tardio, tendo fundamentado-se num Estado já existente, o Piemonte, que tinha como característica a força e a centralização. A unificação efetiva-se com o apoio da burguesia regional, classe desunida, com interesses corporativos, que direciona a unificação de forma conservadora, favorecendo apenas aos interesses dos grupos burgueses que buscavam fortalecer-se econômica e politicamente. Com a unificação o Estado se estabelece a partir do modelo da região setentrional, modelo que é imposto à toda a Itália sem considerar as grandes diferenças existentes entre as regiões norte e sul. O objetivo de introduzir a Itália no processo de “modernização” capitalista, sem considerar as diversidades culturais e econômicas entre essas regiões, trouxe conseqüências desastrosas para o sul devido a política centralizadora que só valorizava a região norte, industrializada. O norte da Itália tinha as condições necessárias para o desenvolvimento do capitalismo, da indústria. Enquanto que o sul possuía uma agricultura primitiva, no estilo feudal, o que correspondia, também, ao modo de pensar do camponês meridional. Assim, o novo Estado italiano se fundamenta reforçando as diferenças econômicas e culturais. O sul fica subordinado aos interesses da burguesia do norte, que controlava o governo e que também produzia um discurso ideológico definindo o sul como atrasado e preguiçoso sem considerar as condições históricas do camponês. Gramsci observa que este Estado que encaminha a unificação, se caracterizando como centralizador e despótico, reforçou a dicotomia, comum em países atrasados do ponto de vista capitalista, entre cidade e campo, entre operário e camponês e dificultou a organização partidária, os parlamentares defendiam interesses de determinados setores econômicos ou seus próprios interesses, manifestando uma política do tipo transformista, onde o discurso e a prática política se adapta as ocasiões e as vantagens que podem obter para si próprios ou para determinado grupo. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 18 | FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL PÁG. 04 SINTESE DA AULA Nesta aula aprendemos que com efeito, ao apostar na fecundidade da dúvida, ao questionar-se a si mesma, ao sublinhar suas próprias fraquezas, em síntese, ao criticar-se a si própria é que a filosofia se aproxima da democracia. O modo, pois, como o filósofo pode melhor contribuir com a cidadania, não é abdicando da elaboração conceitual que lhe é peculiar, mas exercitando-a na crítica conceitual dos temas fundamentais à construção e aperfeiçoamento da democracia. Ele, portanto, contribui com a cidadania sendo filósofo - uma vez que como cidadão, está imerso em uma sociedade repleta de conflitos e contradições, aos quais não tem como se furtar, necessitando refleti-los criticamente para exercer sua própria liberdade, historicamente situada nessas condições. Afinal, seria um paradoxo que um filósofo desse aulas na academia sobre ética e filosofia política, por exemplo, e agisse ética e politicamente, em seu dia a dia, seguindo o senso comum. A necessidade de considerar filosoficamente tais temas, advém da necessidade que ele próprio vivencia, como cidadão, de posicionar-se frente aos mesmos. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 18 | FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL PÁG. 05 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Assista ao vídeo abaixo e construa uma abstração – desenho- sobre a questão da transformação social “ Redes e Movimentos Sociais” https://www.youtube.com/watch?v=ouH1PU_Clm0 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 18 | FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL PÁG. 06 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. DI GIORGI, Raffaele. ”O risco na sociedade contemporânea”, in Revista Seqüência. Revista do Curso de Pós-graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, jun.1994, n.28, ano 15. GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. São Paulo: Editora UNESP, 1991. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. RS: Artmed, 2005. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 18 | FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL PÁG. 07 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIAAULA19 TEMAS ATUAIS DE FILOSOFIA: DIREITOS HUMANOS E MULTICULTURALISMO Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Nesta aula 19 apresentaremos a relação Filosofia, Direitos Humanos e Multiculturalismo. Os direitos humanos são, elemento da heterogeneidade na busca de novos parâmetros de reprodução social, no qual a perspectiva da inclusão se estenda para além de uma abordagem meramente formal, normativa, na qual o diálogo, angular, reforça o silêncio e pouca relação guarda com os processos de emancipação e autonomia, conforme propõe uma viabilidade pedagógica que se reafirma no multiculturalismo. 1 - o conceito de direitos humanos surge com a transição da sociedade mundial à modernidade 2 - o fenômeno do multiculturalismo ou pluriculturalismo 3 - Filosofia, Direitos Humanos e Multiculturalismo Objetivos da aula 19 • Debater a relação Filosofia, Direitos Humanos e Multiculturalismo; • Apresentar como o conceito de direitos humanos surge com a transição da sociedade mundial à modernidade O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você que a prática dos direitos humanos em um contexto de desordem informa o caráter dialógico dessa perspectiva visando à efetividade de direitos. A consideração de um discurso calcado na transversalidade, na formação de novas subjetividades requer algumas considerações acerca da modernidade, da crise desse paradigma e dos questionamentos daí decorrentes. A questão da fragmentação da subjetividade moderna traduz um vínculo com a humanização do direito a partir dos direitos humanos, conforme disse anteriormente. Aqui importa fazer uma conexão com o multiculturalismo e de que forma esse movimento, que indica a alteridade, a diferença. FILOSOFIA: DIREITOS HUMANOS E MULTICULTURALISMO A garantia da diferença, do multiculturalismo, é o diálogo. Portanto, trabalhar o direito em uma perspectiva de monólogo, é assumir o risco – reiterado - da não efetividade, já que os direitos humanos são construídos nos espaços da diferença da luta social, da desordem. Segundo escritos de Pensylvânia Silva Neves (2007), a inclusão excludente milita no sentido de induzir o outro ao mesmo, elidindo, assim, a diversidade, a possibilidade de alternativas. É o que se dá, por exemplo, com a leitura feita de movimentos sociais, novos movimentos, como o dos sem terra. A criminalização parece ser a saída de um direito que não consegue se desvencilhar de suas amarras instrumentais e identificar substanciais diferenças entre o sujeito de direito moderno e aquele que se forma na transmodernidade. O fato é que esse estado produzido pela modernidade escamoteia os problemas gerados nas contradições e embates sociais ao mesmo tempo em que impossibilita respostas efetivas que são satisfatoriamente construídas em transversalidade, no diálogo que permite a percepção dessa sistemática do incluir excluindo, da própria condição de excluído ou esquecido. Essa mediação traduz um consistente mecanismo de aprendizagem mediado pelo direito que traga como resultado a inclusão de fato. Assim como a exclusão exterioriza uma rede de discriminações, a inclusão é uma conquista transversal. Tem-se conduzido a análise sobre o multiculturalismo como a perspectiva da diferença efetivada consensualmente. Vejamos. a) O multiculturalismo é um movimento antieuropeu na promoção de valores de culturas inferiores; b) O multiculturalismo propiciaria a fragmentação da sociedade e da nação; c) O multiculturalismo vincula-se a minorias tendo um caráter de auto-estima; d) O multiculturalismo seria um “novo puritanismo” voltado para o totalitarismo. A despeito dessas questões mantenho aqui a consideração do multiculturalismo como elemento que indica a diferença em uma sociedade plural voltado para uma dinâmica inclusiva, concretamente materializada, oportunizando o diálogo na realização da igualdade de fato. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 19 | TEMAS ATUAIS DE FILOSOFIA: DIREITOS... PÁG. 02 A desordem, que tem um matiz consensual, permite a formação de subjetividades em face do diálogo transversal que se configura a partir de um panorama multicultural, na existência efetiva da alteridade. O elemento dinamizador nesse contexto, são os direitos humanos, cujo espaço de formação é o vazio das lutas sociais, o devir de tais direitos pela própria complexidade social. Falo em desordem sem remetê-la a qualquer antagonismo com a ordem ou subsumida ao caos. A prática de direitos na desordem é indicativa do descompasso do direito em referência às possibilidades de reprodução social. A efetividade de direitos não se garante via formalização apenas. Ao contrário, a garantia formal pode estar voltada à manutenção do status quo, à sofreguidão diante de uma ordem que já deu claros sinais de sucumbência, mas que aqui e ali se agarra a gravetos a boiar nas enchentes de mudança. A desordem exige uma reflexão acerca dos limites e possibilidades de ruptura com os pressupostos da modernidade, sem que se lance mão dos combalidos recursos da reforma e revolução, ordenadores. Por isso, estabelece uma íntima relação com os direitos humanos. A fragmentação do sujeito moderno – individual ou coletivo – permeia esse processo por novas configurações, já que a desordem propicia a formação de subjetividades, a partir do conflito positivo e do diálogo, qualificado pelo consenso construído. Na relação que se estabelece entre a desordem e os direitos humanos, insere-se o multiculturalismo que além de indicativo de diversidade cultural informa as possibilidades da diferença em uma sociedade eclética. Por isso, o diálogo que se estabelece nesse contexto é transversal. ( NEVES, 2007) A trajetória histórica do século passado, palco de duas grandes guerras em escala mundial, é demonstrativo da forma como o discurso dos direitos humanos, pelo seu caráter global e universal, deu margem à sistemática violação de tais direitos, como a justificar vis atrocidades, genocídios e totalitarismos. Segundo Chauí (1999:14-15) afirma que cidadania cultural significa, “antes de tudo, que a cultura deve ser pensada como um direito do cidadão – isto é, algo de que as classes populares não podem ser nem se sentir excluídas (como acontece na identificação popular entre cultura e instrução) e que a cultura não se reduz às belas-artes - como julga a classe dominante. (...) A Cidadania Cultural define o direito à cultura como: - direito de produzir ações culturais, isto é, de criar, ampliar, transformar símbolos, sem reduzir-se à criação nas belas artes; - direito de fruir os bens culturais, isto é, recusa da exclusão social e política; - direito à informação e à comunicação, pois a marca de uma sociedade democrática é que os cidadãos não só tenham o direito de receber todas as informações e de comunicar-se, mas têm principalmente o direito de produzir informações e comunicá-las. Portanto, a cidadania cultural põe em questão o monopólio da informação e da comunicação pelos classe média e o monopólio da produção e fruição das artes pela classe dominante; - direito à diferença, isto é, a exprimir a cultura de formas diferenciadas e sem uma hierarquia entre essas formas”. MULTICULTURALISMO E PERSPECTIVA INTERCULTURAL O multiculturalismo é um dado da realidade. A sociedade é multicultural. Pode haver várias maneiras de se lidar com esse dado, uma das quais é a interculturalidade. Esta acentua a relação entre os diferentes grupos sociais e culturais. ( CANDAU, 2007) Na nossa sociedade os fenômenos de apartheid social e também de apartheid cultural, em forte interrelação, se vêm multiplicando. Neste contexto, a perspectiva intercultural se contrapõe à guetificação e quer botar a ênfase nas relações entre diferentes grupos sociais e culturais. Quer estabelecerpontes. Não quer fechar as identidades culturais na afirmação das suas especificidades. Promove a interação entre pessoas e grupos pertencentes a diferentes universos culturais. PARA SABER MAIS SOBRE GUETIFICAÇÃO.. Acesse: h t t p : / / e m p o r i o - d o - d i r e i t o . j u s b r a s i l . c o m . b r / noticias/186241494/o-risco-da-guetificacao-no-processo- coletivo-breve-reflexao-sobre-a-legitimidade-defensorial- coletiva-o-ncpc-e-a-adi-n-3943 Para fecharmos essa aula, Candau (2007) sinaliza que a perspectiva intercultural não é ingênua. É consciente de que nessas relações existem não só diferenças, como também desigualdades, conflitos, assimetrias de poder. No entanto, parte do pressuposto de que, para se construir uma sociedade pluralista e democrática, o diálogo com o outro, os confrontos entre os diferentes grupos sociais e culturais são fundamentais e nos enriquecem a todos, pessoal e coletivamente, na nossa humanidade, nas nossas identidades, nas nossas maneiras de ver o mundo, a nossa sociedade e a vida em sua totalidade. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 19 | TEMAS ATUAIS DE FILOSOFIA: DIREITOS... PÁG. 03 SINTESE DA AULA Nesta aula aprendemos que o obstáculo ao reconhecimento dos direitos coletivos, especialmente no plano doutrinário, representado pelo receio de que esses direitos coletivos suplantem os direitos individuais, tal como concebido pela idéia do liberalismo conservador - temendo-se, em última análise, que em nome da supremacia coletiva proliferem a intolerância à diversidade e o retorno dos Estados nacionais nos moldes do nazismo - vem sendo atenuado pela própria renovação contemporânea das idéias liberais, aproximando-se do comunitarismo, de sorte a reconhecer-se, progressivamente, ao lado dos direitos individuais, os direitos dos povos e das minorias. Respeitam-se, assim, as minorias enquanto minorias. Mas não se reconhece ainda uma perspectiva mais global do multicuturalismo. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 19 | TEMAS ATUAIS DE FILOSOFIA: DIREITOS... PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Assista ao vídeo abaixo e apresente uma crítica à relação entre Direitos humanos, Filosofia e multiculturalismo. construa uma abstração – desenho- sobre a questão da transformação social https://www.youtube.com/watch?v=nJh1ngMNTPA Multiculturalismo e Qualidade de Vida. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 19 | TEMAS ATUAIS DE FILOSOFIA: DIREITOS... PÁG. 05 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CANDAU, V. M. e LEITE, M. S.) A Didática multi/intercultural em ação: construindo uma proposta. Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Chagas). , v.37, n.132, 2007. CANDAU, Vera Maria. Multiculturalismo e Direitos Humanos. Disponível em:http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/ veracandau/multicutaralismo.html. Acesso: 20 de maio de 2015. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. NEVES, Pensylvânia. A Desordem dos Direitos Humanos. Disponível em: www.unifacs.br/revistajuridica/arquivo/ edicao_junho2007/.../doc1.doc. Acesso: 20 de maio de 2015. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. RS: Artmed, 2005. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 19 | TEMAS ATUAIS DE FILOSOFIA: DIREITOS... PÁG. 06 FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA20 FILOSOFIA E PENSAMENTO CRÍTICO Profª Drª Ana Lúcia Guimarães Nesta aula 20 apresentaremos que o pensamento crítico envolve um juízo intencional, conforme refletir sobre em que se deve crer ou de como reagir a uma análise minuciosa, a uma vivência, a uma manifestação oral ou textual, e até mesmo a proposições alheias. Ele também está ligado à definição do conteúdo e do valor do objeto da observação. Que este é o fundamento principal da reflexão filosófica. 1 - Conceito de conhecimento crítico 2 - Relação Filosofia e pensamento critico; 3 - Importância do pensamento crítico para o pensamento filosófico. Objetivos da aula 20 • Definir conhecimento crítico; • Mostrar a importância do pensamento crítico para a Filosofia; O QUE VOCÊ SABE SOBRE? Nesta aula iremos apresentar a você que o pensamento crítico baseia-se no estudo pormenorizado e na estimativa substanciosa dos argumentos, particularmente aqueles que o grupo social acredita serem autênticos no cenário do dia- a-dia. Este parecer é concretizado especialmente por meio da reflexão, da vivência, da argumentação ou da metodologia adotada pela Ciência. Este pensamente demanda nitidez, exatidão, igualdade e indícios, uma vez que tem como meta impedir que se recorra às visões pessoais. Assim considerado, ele está ligado à dúvida permanente e à percepção das simulações Com esta prática o sujeito invoca os elementos cognitivos e o intelecto para atingir uma postura aceitável e compreensível acerca de uma dada proposição. Enfatizaremos que o pensamento crítico não tem a intenção de transmitir uma visão pessimista do contexto nem apresentar uma tendência a achar imperfeições e erros. Também não pretende modificar a mentalidade dos indivíduos ou ocupar o lugar reservado à afetividade e aos sentimentos. CONCEITO DE PENSAMENTO CRÍTICO E FILOSOFIA Pensar de forma crítica é saber defender as nossas opiniões com argumentos rigorosos, claros e sistemáticos. E é neste aspecto que a filosofia, encarada como uma forma de pensamento crítico, se aproxima da ciência. É que quer a ciência quer a filosofia, praticadas no seu melhor, são um apelo constante ao pensamento crítico, à argumentação — a diferença entre ambas repousa unicamente no tipo de argumentos exigidos. Não basta a um físico dizer que refutou a teoria de Einstein: ele terá de dizer rigorosamente que aspecto da teoria de Einstein ele afirma que refutou e terá de apresentar argumentos poderosos, alguns dos quais de caráter experimental, para sustentar a sua afirmação. l Do mesmo modo, em filosofia, não basta afirmar que “o homem é um ser situado”; é preciso começar por esclarecer o que quer tal coisa dizer realmente, e depois é preciso apresentar argumentos rigorosos, sistemáticos e claros que sustentem tal afirmação. Infelizmente, quem afirma este tipo de coisa em filosofia começa logo por nem esclarecer o que quer dizer a própria expressão de partida, pelo que nem vale a pena dar- lhes ouvidos. O PENSAMENTO CRÍTICO É O PENSAMENTO QUE SABE USAR OS INSTRUMENTOS ARGUMENTATIVOS À NOSSA DISPOSIÇÃO, QUE SÃO DISPONIBILIZADOS PELA LÓGICA FORMAL E INFORMAL. PENSAR CRITICAMENTE É SABER SUSTENTAR AS NOSSAS OPINIÕES COM ARGUMENTOS SÓLIDOS E NÃO COMETER FALÁCIAS NEM BASEAR AS NOSSAS OPINIÕES EM JOGOS DE PALAVRAS E EM MAUS ARGUMENTOS DE AUTORIDADE. A filosofia e o pensamento crítico são a nossa melhor defesa contra a superstição. Diante das afirmações temerárias dos astrólogos, dos líderes religiosos e dos nossos políticos, a filosofia e o pensamento crítico dão-nos instrumentos para refletir sistemática, rigorosa e claramente, de modo a determinarmos se isso que eles dizem é ou não realmente sustentável. A humanidade não irá sobreviver se for incapaz de encontrar soluções criativas e seguras para os problemas que enfrenta, e se substituir estas pelas soluções obscurantistas dos que defendem antes de mais a autoridade religiosa, a atitude acrítica perante a astrologia e outras pseudociências e a passividade perante as propostas tantas vezes absurdas dos nossos políticos. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 20 | FILOSOFIA E PENSAMENTO CRÍTICO PÁG. 02 E os desafios que teremos de enfrentar a longo prazo, como espécie, são muito maiores do que a generalidade das pessoas pensa, pelo que a necessidade de um pensamentolímpido e solidamente ancorado em bons argumentos é incontornável. A filosofia e o pensamento crítico permitirão conceber soluções criativas e sustentadas para os problemas que enfrentamos. Por exemplo, a tecnologia médica permite-nos hoje manter pessoas vivas, em estado vegetativo, durante anos. Isto representa um problema ético a que temos de dar uma resposta clara, baseada em argumentos claros e sólidos, em vez de darmos uma resposta baseada em pressupostos religiosos dúbios. A filosofia ajuda-nos a encontrar essas respostas, precisamente. Este é apenas um exemplo; há muitos mais, como os problemas relacionados com a pobreza no mundo, com os refugiados e com a ecologia. A filosofia e o pensamento crítico implicam a tolerância e o respeito, que tanta falta fazem no mundo contemporâneo. A filosofia e o pensamento crítico exigem uma postura de cordialidade atenta, pois temos de escutar cuidadosamente os argumentos das outras pessoas para, juntos, encontrarmos argumentos melhores e soluções mais adequadas. O nosso futuro como espécie depende em grande parte da capacidade que tivermos para cultivar o pensamento crítico — essa atitude que a ciência descobriu nos séculos XVII e XVIII e que a filosofia aprofundou nos séculos XIX e XX. Compete a cada um de nós, profissionais da ciência e da filosofia, divulgar não apenas os conteúdos próprios de cada uma das nossas áreas do conhecimento, mas também essa atitude que constitui o maior monumento alguma vez erguido por mão humana: o pensamento crítico e a inteligência clara. Apontamos algumas definições históricas1 do Pensamento Crítico: O Pensamento Crítico é o estudo activo, persistente e cuidado de uma crença ou de uma suposta forma de conhecimento através da análise dos fundamentos que a apoiam e das conclusões para que apontam. (John Dewey). O Pensamento Crítico é um pensamento razoável e reflectido, preocupado em ajudar-nos a decidir em que acreditar ou o que fazer. (Robert Ennis). O Pensamento Crítico é uma forma de pensamento – acerca de qualquer assunto ou problema – no qual o pensador melhora a qualidade dos seus raciocínios recorrendo a técnicas que lhe permitem captar as estruturas inerentes ao pensamento e impondo-lhes uma exigência intelectual elevada. (Richard Paul). O Pensamento Crítico é uma interpretação e avaliação activa e competente de observações, comunicações, informações e argumentações. (Michael Scriven). SINTESE DA AULA Nesta aula aprendemos que a Filosofia é, acima de tudo, o exercício crítico de examinar, “peneirar”, “pesar” as nossas crenças sobre nós próprios e sobre o mundo. Neste exame e justificação, os argumentos devem ser suportados pelos padrões de raciocínio e “argumentação sólida”. Se um argumento é formalmente válido e as suas premissas são, igualmente, verdadeiras, então podemos dizer que o argumento é sólido. É preciso tomar em atenção que esta “argumentação sólida” é de todo contrária ao modo falacioso de pensar e ao “pensamento fechado”. As falácias são argumentos que parecem razoáveis e, por isso, tendem a persuadir-nos, mas na realidade são maus argumentos. O “pensamento fechado” não admite alternativas nem qualquer argumento ou prova contraditória; conduz apenas ao dogmatismo acrítico. Se ficarmos pelo fechamento do pensamento os sistemas de crenças ficam estagnados, pondo, assim, em causa o desenvolvimento e expansão dos mesmos; ou seja, os sistemas tornam-se uma prisão. Você Pensa? - Uma Introdução ao Pensamento Crítico Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=nnApgJNsu2Q FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 20 | FILOSOFIA E PENSAMENTO CRÍTICO PÁG. 03 CONSIDERAÇÕES FINAIS DA DISCIPLINA Caro Aluno(a), Chegamos ao final de nossa disciplina, porém sinalizo que a abordagem filosófica é inesgotável, dado que se constrói, destrói e reconstrói, incessantemente. Embora tenhamos citado muitos filósofos, sem dúvida, muitos não foram abordados, mas, nem por isso são menos importantes. Se mil páginas eu tivesse, mesmo assim não conseguiríamos abordar toda a produção e obra dos inúmeros pensadores, que refletiram sobre o homem e o mundo à sua volta. A sociedade contemporânea, marcada pela saturação de informação, tem deixado pouco espaço para a reflexão em um cenário mecanizado, no qual tudo tem de ser rápido, mas é justamente esse contexto que pode provocar novas questões filosóficas. Este material didático é um dos materiais de apoio, mas de maneira alguma prescinde da leitura de outros materiais, bem como do acesso à plataforma para ampliar o conhecimento, seja enviando suas dúvidas e sugestões, seja desenvolvendo as atividades. Estude-o atentamente, agregue outros materiais e, sem dúvida, você sairá ganhando. Boa Sorte e Sucesso em seus estudos e carreira!! FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 20 | FILOSOFIA E PENSAMENTO CRÍTICO PÁG. 04 ATIVIDADE FUNDAMENTAL: Relacione Filosofia e pensamento crítico. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 20 | FILOSOFIA E PENSAMENTO CRÍTICO PÁG. 05 Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006. SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios. RS: Artmed, 2005. FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA AULA 20 | FILOSOFIA E PENSAMENTO CRÍTICO PÁG. 06 www.saojose.br | (21) 3107-8600 Av. Santa Cruz, 580 - Realengo - Rio de Janeiro