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FUNDAMENTOS
DE FILOSOFIA
Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
CEAD
Faculdades São José-FSJ
Reitor: Prof. Antônio José Zaib
Diretor Geral: Prof. Antônio Charbel José Zaib
Diretor Geral de Ensino: Prof. Dr. Armando Hayassy
Coordenação Geral de EaD: Profª Drª Rita de Cássia Borges de Magalhães Amaral
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Faculdade São José
 GUIMARÃES, Ana Lúcia
 
 Fundamentos de Filosofia, 2015.
 p. 144
 Centro de Educação a Distância – CEAD
 ISBN 
 CDD
PRODUÇÃO EDITORIAL - CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – FACULDADES SÃO JOSÉ 
Coordenação de Produção: Rita de Cássia B M Amaral
Editor: CEAD - Centro de Educação a Distância
Projeto Gráfico: Luiz Fernando Pires Machado
FSJ 2015 CEAD: Centro de Educação a Distância – FSJ
 Todos os direitos reservados. É probida a reprodução, mesmo parcial, por 
qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e detentor dos direitos autorais.
Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
FSJ
Faculdades São José
Rio de Janeiro
2015
Sobre o Autor
Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Possui graduação, bacharelado e licenciatura, em Ciências Sociais pela Universidade Federal, 
Pós Graduação Lato em Sociologia Urbana UERJ e História Contemporânea UFF Mestrado 
em Ciências Sociais Estudos Urbanos UERJ e Sociologia UFRJ. Doutorado em antropologia 
pelo PPGSA-UFRJ.
Ao longo de 15 anos vem atuando em diversas instituições de ensino públicas e privadas, 
desde o Ensino Médio até o Curso Superior e Pós Graduação. Atuou como Dirigente Sindi-
cal no SINPRO-RIO de 2004 até 2014. É Coordenadora de Projetos na Rede FAETEC RJ. É 
Pesquisadora Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Leopoldina do CNPq. Exerce 
forte atuação no campo de estudos, pesquisas e intervenções do empreendedorismo so-
cial. Sócia efetiva da ABA- Associação Brasileira de Antropologia.
Currículo Lattes: 
http://lattes.cnpq.br/8922824801406378
Pág. 24 a 30
Pág. 66 a 73
Pág. 107 a 112
Pág. 48 a 53
Pág. 88 a 94
Pág. 125 a 131
Pág. 138 a 143
Pág. 16 a 23
Pág. 60 a 65
Pág. 101 a 106
Pág. 39 a 47
Pág. 80 a 87
Pág. 119 a 124
Pág. 132 a 137
Pág. 10 a 15 Aula 01 - O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO
Aula 11 - FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS
Aula 03 - CONTRIBUIÇÃO DE SÓCRATES E PLATÃO PARA O PENSAMENTO...
Aula 13 - ÁAMPLIANDO O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE: AMBIENTAL E...
Aula 05 - RACIONALISMO E CONHECIMENTO
Aula 15 - SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO?
Aula 07 - EPISTEMOLOGIA
Aula 17 - TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS
Aula 09 - CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER NO PENSAMENTO FILOSÓFICO
Aula 19 - TEMAS ATUAIS DE FILOSOFIA: DIREITOS HUMANOS E...
Aula 02 - HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES 
Aula 12 - AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA E EDUCAÇÃO...
Aula 04 - A CONTRIBUIÇÃO DE ARISTÓTELES PARA O PENSAMENTO FILOSÓFICO
Aula 14 - TRABALHO E ALIENAÇÃO
Aula 06 - O MUNDO DOS VALORES: ÉTICA E MORAL
Aula 16 - DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICORACIAL: O CASO DA ESCRAVIDÃO...
Aula 08 - FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA
Aula 18 - FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
Aula 10 - ESTÉTICA E FILOSOFIA
Aula 20 - FILOSOFIA E PENSAMENTO CRÍTICO
Pág. 54 a 59
Pág. 95 a 100
Pág. 31 a 38
Pág. 74 a 79
Pág. 113 a 118
ÍNDICE
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
Prezados alunos e alunas, desvendaremos juntos os “mistérios” da filosofia. No 
entanto, é preciso conhecer um pouquinho da História para que possamos nos situar 
na realidade de hoje. Esse “passeio” pela História nos mostrará a passagem da mente 
humana simples para uma mente humana mais complexa. Somos, hoje, fruto daquilo 
que iniciou, em Filosofia, há mais ou menos no século VI a.C. (Antes de Cristo).
Como vocês poderão perceber, dissemos que se iniciou no Séc. VI a.C., porém, como 
tudo que acontece na sociedade é um processo histórico, a Filosofia não foge à essa 
“regra”, quem de nós, simples mortais, ousaria negar que antes dessa data e lugares 
– Séc. VI a.C em Jônia e Magna Grécia- o pensamento filosófico não existia? 
Será que não seria uma tendência do mundo Ocidental de “Ocidentalizar” tudo, 
atribuindo ao Ocidente tudo de bom que vem acontecendo com a Humanidade?
 
Vós que estais em busca de conhecimento e mais autonomia intelectual, inquietais 
com essas afirmações, duvidai e buscai. 
Este é o nosso grande objetivo!!! 
PROGRAMA DA DISCIPLINA
Ementa
História da Filosofia e Filosofia na História: do mito à filosofia. Filosofia Clássica, 
Medieval e Moderna. Consciência Crítica, Filosofia e Conhecimento: Desenvolvimento 
da Consciência e Conhecimento. Filosofia Moral e Política: Ética, Poder e Estado. 
Cultura: o caso humano – trabalho: liberdade e submissão. Filosofia e educação 
ambiental; Filosofia da pluralidade racial.
Objetivo Geral
Capacitar o aluno a perceber a importância da Filosofia na formação da grande 
tradição do Pensamento Ocidental.
Objetivos Específicos
• Formar consciência crítica, cidadã e possibilitar que o aluno vislumbre o mundo e a 
sociedade com um olhar mais amplo. 
• Vislumbrar a história do pensamento e o pensamento na história, apontando para a 
tolerância com pensamentos diferentes. 
• Mostrar o papel histórico do Estado, suas vicissitudes e críticas.
• Dar ao aluno a possibilidade de ampliar seu capital cultural, ampliando a leitura 
crítica da sociedade através de autores fundamentais na história do Ocidente.
PROGRAMA DA DISCIPLINA
Conteúdo Programático
UNIDADE I: HISTÓRIA DA FILOSOFIA E FILOSOFIA NA HISTÓRIA.
1.1 A Aurora da Filosofia: os pré-socráticos ao helenismo;
1.2- O pensamento cristão: a patrística e a escolástica;
1.3- Filosofia Moderna: a nova ciência e o racionalismo.
UNIDADE II: CONSCIÊNCIA CRÍTICA, FILOSOFIA E CONHECIMENTO.
2.1- O Conhecimento;
2.2 - Possibilidades de Conhecimento;
2.3 – Conhecimento da história e cultura afro-brasileira.
UNIDADE III: FILOSOFIA MORAL E POLÍTICA
3.1- Filosofia e Poder;
3.2- Estado: origem, função, relações com a sociedade civil e regimes políticos.
3.3- Filosofia e educação ambiental.
3.4- Direitos Humanos e Multiculturalismo.
UNIDADE IV: TRABALHO: LIBERDADE E SUBMISSÃO 
4.1. Trabalho – os diferentes papéis do trabalho – processo de alienação
4.2. Exploração étnico-racial: o caso da escravidão no Brasil.
4.3. Lógica capitalista – perspectivas – sociedade do tempo livre ou do desemprego 
PROGRAMA DA DISCIPLINA
Bibliografia Básica
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à filosofia. 
3 ed. SP: Moderna. 2003
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2005. 
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da filosofia. História e Grandes Temas.16 ed. São Paulo: Saraiva, 
2006. 
SACAVINO, S; CANDAU, V.M ( Orgs). Educação em Direitos Humanos – Temas, questões e 
propostas. Petrópolis ( RJ): DP et Alli Editora, 2008.
SATO, M.; CARVALHO,I. Educação ambiental – Pesquisa e desafios. RS: Artmed, 2008.
SEMENTE, M. ( Org). Educação em Direitos Humanos e Diversidade. Recife: Ed. Universitária, 
2012
Bibliografia Complementar
 
COTRIM, G. Filosofia temática. São Paulo: Saraiva, 2008. 
DELEUZE, G. GUATARI, F. O que é filosofia? 2. ed. SP: editora 34, 2004. 
FONSECA, M, N ,S. Brasil Afrobrasileiro. BH: Editora Autentica, 2010. 
REZENDE, A. Curso de filosofia: para professores e alunos dos cursos de segundo grau e de 
graduação. 14 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2008.OLIVEIRA, Marta Kohl.Vigotsky - 
Aprendizado e Desenvolvimento. São Paulo: Scipione,2010
STERNBERG, R. J. Psicologia cognitiva. 4. ed.. Porto Alegre: Artmed,2008.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA01
 O SURGIMENTO DA FILOSOFIA 
 E SEU SIGNIFICADO
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Caro aluno, esta é a sua chance de aprender um pouquinho 
sobre Filosofia, um verdadeiro caminho para a reflexão e a 
construção de novos saberes. 
Sejam bem-vindos e aproveitem para reter os seguintes pontos 
desta aula:
1- O que é filosofia.
2- Qual o seu significado enquanto disciplina científica.
3- A Origem do pensamento filosófico na Grécia Antiga
4- Os pré-socráticos e seus pensamentos.
Objetivos da aula 01
• Entender o conceito de Filosofia como disciplina acadêmica 
fundamental para formar conhecimento sobre qualquer 
campo de saber.
• Conhecer a origem da filosofia.
• Conhecer o contexto e o pensamento dos principais expoentes 
da Filosofia
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você o conceito de Filosofia, 
como surgiu este campo de estudos, bem como sua origem e 
também os principais clássicos do pensamento filosófico.
A primeira questão que vocês alunos devem ter em mente 
é o que significa estudar Filosofia? Por que a filosofia é uma 
disciplina acadêmica? E como ela surgiu através dos tempos ?
Com esta aula demonstraremos seu conceito e sua trajetória 
de evolução enquanto uma ciência importante no cenário das 
Ciências Sociais.
 
Filosofia vem do grego e em sua etimologia: philos ou philia 
quer dizer amor ou amizade; e sophia, significa sabedoria; ou 
seja, literalmente significa amor ou amizade pela sabedoria.
Estudar Filosofia remete-nos a compreensão das inquietações e 
problemas da existência humana, dos valores morais, estéticos, 
do conhecimento em suas diversas formas e conceitos, visando 
à verdade, que não deve ser entendida como a verdade 
absoluta. 
Desta forma, a filosofia pode ser definida como a análise 
racional do significado da existência humana, individual e 
coletivamente, com base na compreensão do ser.
 
Ela se distingue de outros campos de conhecimento como 
a religião e a própria mitologia grega. Já que ela através do 
pensamento racional, busca explicar os fenômenos e questões 
humanas. 
Também não podemos reduzir sua definição no que se refere 
a metodologia e à sua concepção de ciência a outros campos 
de saberes que contam com pesquisa empírica e experimentos 
práticos como fundamentos, já que a Filosofia não se prende 
a experimentos. Mas então quais são os métodos dos estudos 
filosóficos? Eles estão apoiados na análise do pensamento, 
experiências práticas e da mente, na lógica e na análise 
conceitual.
Além do desenvolvimento da filosofia como uma disciplina, 
a filosofia é intrínseca à condição humana, não é um 
conhecimento, mas uma atitude do homem em relação ao 
universo e seu próprio ser. 
A filosofia volta-se para questões da existência humana, mas 
diferentemente da religião, não é baseada na revelação divina 
ou na fé e sim na razão. Apesar de algumas semelhanças com 
a ciência, muitas das perguntas da filosofia não podem ser 
respondidas pelo empirismo experimental.
O SURGIMENTO DA FILOSOFIA
A Filosofia surgiu na Grécia Antiga, por volta do século VI a.C. 
Naquela altura, a Grécia era um centro cultural importante 
e recebia influências de várias partes do mundo. Assim, o 
pensamento crítico começou a florescer e muitos indivíduos 
começaram a procurar respostas fora da mitologia grega. Essa 
atitude de reflexão que busca o conhecimento significou o 
nascimento da Filosofia.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 01 | O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO
PÁG. 02
Antes de surgir o termo filosofia, Heródoto já usava o verbo 
filosofar e Heráclito usava o substantivo filósofo. No entanto, 
vários autores indicam que Tales de Mileto foi o primeiro 
filósofo (sem se descrever como tal) e Pitágoras foi o primeiro 
que se classificou como filósofo ou amante da sabedoria.
Observemos pelas fotos dos filósofos acima que eram 
indivíduos que realmente se dedicavam a atividade do pensar, 
do questionar a existência das coisas, do mundo sensível, este 
que podemos tocar e materializar.
Assim, devemos destacar:
A FILOSOFIA É UMA CIÊNCIA QUE BUSCA CONHECER DE 
FORMA CLARA E RACIONAL A NATUREZA, O SER HUMANO 
E O UNIVERSO QUE NOS RODEIA E AS TRANSFORMAÇÕES 
QUE NELAS ACONTECEM.
Sobre sua Origem:
A FILOSOFIA SE ORIGINOU NO SÉCULO VII A.C. EM 
COLÔNIAS GREGAS LOCALIZADAS NA CIDADE DE MILETO 
QUANDO ALGUNS HOMENS PERCEBERAM QUE TUDO 
PODIA SER CONHECIDO ATRAVÉS DA RAZÃO HUMANA E 
QUE O CONHECIMENTO NÃO SE LIMITAVA APENAS PARA 
DEUSES. PITÁGORAS FOI QUEM CRIOU O TERMO FILOSOFIA 
QUE SIGNIFICA “AMIZADE PELA SABEDORIA”. O TERMO 
FOI CRIADO QUANDO PITÁGORAS VIU QUE OS DEUSES 
POSSUÍAM TODO O CONHECIMENTO E SABEDORIA QUE 
EXISTIA, PASSANDO ASSIM A PERCEBER QUE O HOMEM 
PODERIA DESEJAR E BUSCAR TAL SABEDORIA PLENA POR 
MEIO DA FILOSOFIA.
OS PRÉ-SOCRÁTICOS
 
Os Pré-Socráticos foram os primeiros Filósofos Gregos que 
viveram entre os séculos VII a V a.C. Habitaram a cidade de 
Atenas antes dos sofistas e nomeadamente antes de Sócrates. 
Há semelhança de Sócrates conhecem-se apenas notícias e 
fragmentos das suas obras, que só chegaram até nós porque 
foram citados ou copiados em obras de Filósofos posteriores. 
Esta aula retrata, duma forma geral, os Filósofos pré-Socráticos 
e as ideias que defendiam.
Tales de Mileto (624-548 a.C): 
 Tales tem uma vasta colaboração para o pensamento filosófico 
ocidental: era matemático e entre suas várias viagens, uma 
delas ao Egito, elaborou uma teoria de como se davam as 
cheias do rio Nilo.
Também observou as pirâmides, através de um cálculo 
elaborado a partir da proporção entre cumprimento da sombra 
projetada pela pirâmide e sua altura, o que ainda hoje é um 
importante método geométrico para se medir áreas, o teorema 
de Tales. Mas como monista/naturalista, Tales também cria que 
todas as coisas derivariam de um único elemento. Para ele, a 
origem, o ‘arché’ das coisas, estava na água.
 
Anaxímenes de Mileto (588-524 a.C): 
Também era monista, e acreditava que todas as coisas 
derivavam do vapor ou o próprio ar em si. Contestando a teoria 
da água de Tales, Anaxímenes buscou a origem da água e 
chegou ao vapor e, através dessa linha de raciocínio identificou 
no ar a origem do universo. O arché, para Anaxímenes, era o 
“pneuma” (ou ar).
 
Anaximandro de Mileto (611-547 a.C):
 
 Discípulo e sucessor de Tales, Anaximandro era matemático, 
filósofo, político e também monista. Ele cria que a origem de 
todas as coisas estaria no “áperion” (ou infinito), ou seja, uma 
substância indeterminada e infindável que gerava todos os 
outros elementos e coisas do universo.
Heráclito de Éfeso: 
 Tinha uma característica altiva e melancólica, reconhecido por 
ser um pensador genial; porém, arrogante, que desprezava a 
plebe. Não se têm dados exatos sobre nascimento e morte, 
mas sabe-se que o florescimento de seu pensamento se deu 
em 504 -500 a.C. 
 
Heráclito cria que a origem das coisas não estava num único 
elemento, mas sim, em uma cadeia de fenômenos que gerava 
a mutabilidade constante das formas naturais e dos elementos. 
Era tido, por essa linha de pensamento, como um dos mais 
evidentes e geniais pensadores pré-socráticos.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 01 | O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO
PÁG. 03
Pitágoras de Samos: 
 
Um dos maiores matemáticos da história, por suas teorias de 
cálculo como o teorema de Pitágoras, era também um filósofo 
exímio que buscava a origem de todas as coisas, como bom 
matemático, no número, ou melhor dizendo, nas relações 
matemáticas. 
 
Pouco se sabe a fundo sobre a doutrina e a vida de Pitágoras, 
além das fundações que ele instituiu, o êxodo para Itália e a 
Escola Pitagórica fazem parte disso. Além de influenciar numa 
reforma educacional e política na Itália.
APRENDENDO UM POUCOMAIS...
Assista o Vídeo: O Barato de Pitágoras
Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=kHlZxwgpNLs
Zenão de Eléia: 
Diferentemente de Heráclito, Zenão via na política, e no 
envolvimento do povo nessas questões uma importante 
chave para o avanço de uma sociedade e do conhecimento. 
Escrevia suas obras em prosa, mesmo quando elas se tratavam 
de assuntos extremamente acadêmicos. Seguia uma linha 
diferente da dos pitagóricos. 
A característica principal de Zelão foi a dialética, método 
que consistia em se questionar pessoas até se chegar a uma 
resposta satisfatória, porém, não definitiva.
Chegamos ao final da aula 01 e espero que você tenha atingido 
os objetivos propostos...
Vamos em frente e rumo a aula 02.
Até lá, caro(a) aluno(a)
SÍNTESE DA AULA:
Nesta aula compreendemos que a filosofia é uma disciplina 
acdêmica que nos ajuda a questionar e pensar sobre as coisas 
que existem. Ajuda-nos a construir o pensamento crítico e 
também a iniciar uma atividade de produção de conhecimento, 
portanto, a Filosofia é mais do que uma disciplina acdêmica, é 
um método de analise do mundo social. Vimos também que 
sua origem na Grécia antiga nos remonta um contexto em 
que as pessoas queriam entender mais sobre sua existência 
social, seus valores e princípios de convivência. Além disso, 
apresentamos também as contribuições fundamentai que 
pensadores gregos ofereceram para o avanço da filosofia.
 
Agora que você já conhece os pré-socráticos, entenda um 
pouco mais de filosofia com este vídeo e vamos a tutoria on 
line: 
Vamos assistis ao vídeo O Mundo de Sofia
https://www.youtube.com/watch?v=EGjEUiC0C6s 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 01 | O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO
PÁG. 04
ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Escolha dois dos Pré-Socráticos e compare suas idéias.
Gabarito: O aluno deverá escolher dois dos filósofos 
apresentados e abordar suas ideias.
Qual a mensagem que fica sobre o vídeo O Mundo de Sofia?
Gabarito: O aluno deve refletir que Sofia era uma menina de 
quase quinze anos que morava com sua mãe pois o trabalho 
de seu pai o deixava ausente boa parte do tempo. Em um dia 
belo, quando voltava da escola, encontrou com dois pequenos 
envelopes brancos, não simultaneamente. Cada um deles 
continha uma indagação e elas levaram Sofia a refletir sobre 
a vida e a origem do mundo. Também recebeu um cartão-
postal que deveria ser entregue a uma pessoa que ela nem 
conhecia e a qual o nome era Hilde. E com isso, desenvolver 
seu pensamento filosófico.Sofia foi pensar e refletir sobre os 
envelopes em um esconderijo no jardim de sua casa. Para ela, 
ele representava um mundo à parte, um paraíso particular, 
como o jardim do Éden mencionado na Bíblia.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 01 | O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO
PÁG. 05
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 01 | O SURGIMENTO DA FILOSOFIA E SEU SIGNIFICADO
PÁG. 06
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA02
 HISTÓRIA DA FILOSOFIA 
 E SUAS FRASES
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
O que você conhece sobre?
A história da Filosofia e suas fases?
 
Nesta aula iremos apresentar a você como a filosofia se construiu 
através dos tempos como uma disciplina eminentemente 
voltada para a concepção do pensamento crítico e como se 
consolidou em diferentes períodos históricos.
 
 Vamos entender e conhecer mais um pouco sobre a História e 
evolução do pensamento filosófico. Abordaremos também as 
fases da filosofia através dos tempos. 
 
Sejam bem-vindos e aproveitem para reter os seguintes pontos 
desta aula:
1- História da Filosofia: fases do pensamento filosófico: Antiga, 
Medieval, Moderna e Contemporânea.
2- Qual a ênfase do pensamento filosófico em cada contexto 
histórico
3- A importância do olhar filosófico através dos tempos
Objetivos da aula 02
• Entender a história da Filosofia e seus principais expoentes de 
pensamento
• Conhecer a Filosofia através dos tempos
• Conhecer o contexto e o pensamento dos principais expoentes 
da Filosofia nas diferentes fases da mesma
Nesta aula iremos apresentar a você como a filosofia se construiu 
através dos tempos como uma disciplina eminentemente 
voltada para a concepção do pensamento crítico e como se 
consolidou em diferentes períodos históricos.
INICIANDO... 
 
Os primeiros filósofos gregos tentaram entender o mundo 
com o uso da razão, sem recorrer à religião, à revelação, à 
autoridade ou à tradição. Eles eram considerados professores 
que ensinavam seus discípulos a usar a razão e a pensar por si 
mesmos. 
Tendo vivido entre o século VI a.C e princípios do século V a.C., 
esses filósofos mais antigos, dos quais poucos conhecimentos 
foram conservados através dos tempos, são também chamados 
de pré-socráticos, por que antecederam Sócrates, o primeiro 
filósofo cujo método de pensar, bastante sistemático, foi 
efetivamente preservado para a posteridade. Vimos sobre eles 
na aula passada.
Filosofia Antiga - (século VI a.C. ao V d.C.)
A Filosofia Antiga vai perguntar sempre sobre o princípio 
de todas as coisas e seu objeto de estudos é a totalidade da 
realidade e do ser.
 Para alcançar tal intento, ela vai perscrutar sobre o primeiro 
princípio de todas as coisas, o porquê anterior a todas as 
causas, a causa não causada. Os gregos chamam este princípio 
de Physis (a essência de tudo). 
Inicialmente os pensadores chamados pré-socráticos, como 
vimos, vão procurar a Physis na natureza, no mundo que existe 
antes mesmo dos seres humanos. Por isso, são chamados de 
Físicos.
 
O método da Filosofia Antiga é a compreensão racional da 
totalidade do ser. Isto quer dizer que, diferentemente das 
explicações míticas ou religiosas, os filósofos devem fundar suas 
pesquisas e argumentos sobre o raciocínio lógico, buscando as 
causas dos fenômenos. 
Enquanto o mito e a religião buscam compreender o mundo 
através da crença e da narrativa, a Filosofia vai fundamentar 
suas explicações na Razão (Lógos). Este é o seu método, que, 
aliás, foi herdado por quase todas as ciências que conhecemos 
hoje.
O OBJETIVO DA FILOSOFIA ANTIGA É BASTANTE 
PRETENSIOSO: CONHECER E CONTEMPLAR A VERDADE.
Para os gregos, contemplar (Theorein) significa conhecer 
racionalmente sem se envolver com o objeto conhecido. Do 
verbo Theorein é que deriva a nossa palavra Teoria. Tal sentido 
está ainda muito presente nas ciências atuais, que acreditam 
na possibilidade de um conhecimento realmente objetivo, 
neutro e imparcial da realidade.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES
PÁG. 02
Esta crença é uma herança forte da Filosofia grega, que 
se propôs um objetivo arquimediano: olhar e conhecer a 
realidade a partir de um ponto-de-vista abstrato, fora do real, 
de onde apenas os deuses (e os demônios) podiam contemplar 
o mundo. Esta é a marca fundamental da Filosofia Antiga que 
condicionou indelevelmente o Ocidente.
Podemos dizer que a Filosofia Antiga compreende o período 
Pré-socrático e o Pós-socrático. Corresponde ao período 
compreendido entre os séculos VI e V a.C. 
SUAS FIGURAS DE DESTAQUE SÃO PLATÃO E ARISTÓTELES.
OUTROS, DE QUEM SE SABE MENOS, COMO TALES, 
ANAXIMANDRO, ANAXÍMENES, HERÁCLITO, PARMÊNIDES, 
EMPÉDOCLES E DEMÓCRITO.
Sobre Sócrates e Platão falaremos na próxima aula, no entanto 
sobre estes outros vamos dar a diretriz de seu pensamento, 
para que você saiba o que diziam. E os Pré-socráticos também 
já vimos na aula 01.
Filosofia Medieval
A Filosofia Medieval desenvolveu-seno período que vai do 
século VIII ao século XIV. Seus espaços foram, principalmente, 
os mosteiros e ordens religiosas européias, onde a Igreja 
Católica tinha hegemonia.
 
Entretanto, houve manifestações filosóficas fora do mundo 
cristão, em especial no mundo árabe e judeu. A Filosofia 
desse período foi uma das responsáveis pela criação das 
universidades. 
SUA PRINCIPAL DISCUSSÃO: A RELAÇÃO ENTRE FÉ E RAZÃO, 
OU SEJA, A TENTATIVA DE SEPARAR O QUE PERTENCERIA A 
DEUS (A TEOLOGIA) E O QUE PERTENCERIA AOS HOMENS.
Ela está principalmente subordinada à Igreja Católica, e seus 
representantes capitais são Santo Agostinho e São Tomás de 
Aquino.
• Santo Agostinho => desenvolveu uma abordagem original 
à filosofia e teologia, acreditando que a graça de Cristo era 
indispensável para a liberdade humana, ajudou a formular a 
doutrina do pecado original e deu contribuições seminais ao 
desenvolvimento da teoria da guerra justa.
 
• São Tomás de Aquino=> formulou um amplo sistema 
filosófico que conciliava a fé cristã com o pensamento do grego 
Aristóteles (384-332 a. C.). 
Segundo ele, cabe à razão ordenar e classificar o mundo para 
entendê-lo. Está aí o princípio operacional do pensamento 
tomista, adjetivo pelo qual passou para a história sua filosofia 
inaugurada. 
Filosofia Moderna
Iniciada no século XIV, a Filosofia Moderna se entende até o final 
do século XVIII, no continente europeu. Nessa época, a Europa 
foi palco do desenvolvimento do capitalismo, da formação dos 
Estados Nacionais, das grandes navegações e dos processos de 
colonização e formação dos impérios.
 
A Igreja Católica per¬deu a hegemonia para o protestantismo 
e para as ideias que incentivavam a liberdade do homem frente 
à religião. 
SUA PRINCIPAL CARACTERÍSTICA: A PREOCUPAÇÃO COM 
O HOMEM RACIONAL E LIVRE, COM AS MUDANÇAS NA 
POLÍTICA E COM A ESPERANÇA NAS CIÊNCIAS EMPÍRICAS.
 
No período moderno a filosofia passou a ter uma divisão 
melhor de seu foco de estudo. No início ainda era comum 
vermos questões no que dizia respeito a provar a existência de 
Deus e a imortalidade da alma. 
 
Muitos filósofos deste período pareciam estar usando a filosofia 
para abrir caminhos que pudessem ajudar a fundamentar 
algum tipo de concepção, de ideia. Era como se tentassem 
encontrar uma forma de provar aquilo que tentavam passar.
 
Principais expoentes:
• Descartes: Buscava conseguir algum fundamento para 
explicar uma determinada concepção científica;
• John Locke: Buscava preparar o território para que fosse mais 
fácil a ciência tomar um rumo e agir de maneira mais direta;
• Berkeley: Buscava competir com alguma conclusão científica, 
contrapondo-se aos métodos utilizados pela ciência.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES
PÁG. 03
Com o passar dos tempos a filosofia moderna foi sofrendo 
algumas alterações, deixando de ter seu foco diretamente 
relacionado ao conhecimento material e a descoberta de 
todas as verdade, deixando esse papel para que as ciências 
buscassem descobrir, como também deixando um pouco de 
lado as questões de tentar justificar as crenças religiosas, tão 
abordadas no período filosófico anterior.
 
A fase moderna está organizada em subfases de produção 
filosófica, como veremos a seguir:
Renascimento
 
Consideramos de Renascença o período da filosofia que está 
entre a Idade média e o Iluminismo na Europa, o que inclui o 
século XV. Segundo alguns estudiosos, podemos estender esse 
período até o início dos anos de 1350, até os últimos anos do 
século XVI ou até mesmo o começo do século XVII, depois de 
Cristo.
 
Chamamos de Renascença porque ela se dá como um 
renascimento da filosofia, sendo contrário as reformas 
religiosas, renovando o aprendizado no que diz respeito a 
civilização clássica. 
 
Tendo iniciado na Itália, com o Renascimento Italiano, ela 
logo tomou proporções mais amplas se espalhando por toda 
a Europa. Um nome importante para o renascimento inglês, 
por exemplo, em se tratando da expansão pela Europa, é 
William Shakespeare, que se tornou um dos mais importantes 
pensadores da época sendo lembrado até os dias de hoje.
 
Sua importância para o século XVI foi enorme, o que não 
impediu que ela viesse a sofrer várias divisões. No final de 
seu período ela passou pelas Reformas e contra reformas, 
verdadeiros marcos na história da Renascença, conforme citam 
alguns historiadores, enquanto outros veem apenas como um 
período extenso, sem tanto significado assim.
Filosofia do século XVII
 
Considerada como uma forma de ver o princípio da filosofia 
moderna, se distanciando da forma de pensar do pensamento 
medieval, é comum vermos essa filosofia sendo chamada 
de “idade da razão”, já que ela é tida por muitos como uma 
sucessora da renascença, precedente do iluminismo. É comum 
vermos esta filosofia como uma prévia da visão iluminista.
Século XVII
 
Também conhecida como Iluminismo, foi um movimento 
filosófico que aconteceu na Europa e em alguns países do 
continente americano, que também inclui em seus diferentes 
períodos a idade da razão. Podemos fazer uma ligação do termo 
com a base primária da autoridade, que defendia a razão, um 
movimento intelectual do iluminismo. Este período se encerra 
geralmente entre os anos de 1800.
Século XIX
 
Neste século os filósofos do Iluminismo tinham como referência 
o trabalho de filósofos como Immanuel Kant e Jean-Jacques 
Rousseau, o que contribuiu para influenciar uma nova geração 
de pensadores. Aconteceram nesse período fortes revoluções 
e turbulências decorrentes das pressões do Igualitarismo, que 
viriam a provocar mudanças bem visíveis na filosofia.
Para Saber Mais:
Conheça algumas frases dos filósofos Immanuel Kant e Jean 
Jacques Rousseu
 
O contexto filosófico
 
A partir de então quem passava a ser o fim para a realização 
das coisas é o homem, ao contrário da filosofia antiga, que via 
o homem como um meio pelo qual se chegava a alguma coisa, 
tendo essa análise do ponto de vista político, podemos dizer 
que ele tem ligação com o individualismo e a valorização da 
ideia do trabalho. 
 
Esse individualismo nada mais era que uma consequência da 
igualdade entre as pessoas. Sobre o trabalho, ele é visto com 
uma forma do homem realizar a sua missão na terra, ajudando 
a construir o mundo, uma visão bem diferente de antigamente, 
quando se achava que o trabalho era um defeito, e por isso 
deveria ser direcionado apenas aos escravos.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES
PÁG. 04
Filosofia Contemporânea
 
A Filosofia Contemporânea estende-se do final do século 
XVIII até os nossos dias. É possível dizer que seus problemas 
inspiram-se na Revolução Francesa e na Revolução Industrial, 
com a crescente desumanização do processo social de 
produção. Seu espaço central ainda é a Europa, mas cada vez 
mais atinge outros espaços, como, por exemplo, os Estados 
Unidos.
 
Ela pode ser vista como resultado da crise do pensamento 
moderno no século XIX. O questionamento ao projeto moderno 
se faz nos termos de um ataque à centralidade atribuída à 
noção de subjetividade nas tentativas de fundamentação do 
conhecimento empreendidas pelas teorias racionalistas e 
empiristas. 
 
A linguagem surge então como alternativa de explicação 
de nossa relação com a realidade enquanto relação de 
significação. A questão sobre a natureza da linguagem, sobre 
como a linguagem fala do real, torna-se um problema central 
na filosofia e em outras áreas do saber na passagem do século 
XIX para o século XX.
Alguns Grandes Expoentes:
George Wihelm Friedrich Hegel (1770 – 1831), alemão. Seu 
sistema metafísico era racionalista, historicista e absolutista, 
baseado na doutrina de que “o pensamento e o ser são o 
mesmo”, e que a natureza é a manifestação de um “Espírito 
Absoluto”. 
ArthurSchopenhauer (1788 –1860). Idealista alemão que 
atribuiu à vontade um lugar de destaque em sua metafísica. 
Principal expoente do pessimismo, e rejeitava o idealismo 
absoluto e pregava que a única atitude sustentável está na 
completa indiferença a um mundo irracional. Afirmava que o 
ideal maior era a negação do querer-viver. 
Auguste Comte (1798 - 1857), francês, fundador do positivismo, 
um sistema que negava a metafísica transcendente e afirmava 
que a “Divindade e o homem eram um só”; que o altruísmo é o 
dever maior do homem e que os princípios científicos explicam 
todos os fenômenos. 
Ludwig Feuerbach (1804 –1872), alemão. Argumentava que 
a religião era uma projeção da natureza humana. Influenciou 
Marx. 
John Stuart Mill (1806 –73) . Expoente inglês do utilitarismo; 
diferenciava-se de Bentham ao reconhecer diferenças na 
qualidade e quantidade de prazer. Sobre a “Liberdade” é seu 
mais famoso trabalho (1859). 
Karl Marx (1818 – 83). Pensador revolucionário alemão que, 
juntamente com “Friedrich Engels”, fundou o comunismo 
moderno. Marx também foi importante seguidor de “Hegel”. 
Herbert Spencer (1820 - 1903). Evolucionista inglês cuja sua 
“Filosofia Sintética” interpretava todos os fenômenos de acordo 
com o princípio do progresso evolucionário. (O ser humano 
teria que, evoluir e respeitar as leis, dentro de uma sociedade 
e, de acordo com a necessidade exigida pela maior parte da 
sociedade). 
Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 – 1900). Alemão. Ele 
afirmava que a “vontade de poder” é básica na vida e, que o 
espontâneo é preferível ao metódico. Atacou o “Cristianismo”, 
principalmente, por ser um sistema que apoiava os fracos, 
enquanto o valor maior pertence ao “além-do-homem”. 
Nietzsche – Foi um extraordinário poeta e romancista e um 
dos mais influentes filósofos modernos. Por motivos de saúde, 
renunciou a um cargo em uma Universidade na Suíça em 1879 
e passou a década seguinte escrevendo suas principais obras, 
no ritmo de um livro por ano. Sua existência criativa terminou 
num colapso mental em 1889. Após sua morte, em 1900, sua 
irmã Elizabeth Foerster deliberadamente desvirtuou seus 
pensamentos com objetivos nacionalistas e anti-semitas. 
John Dewey (1859 – 1952). Pragmatista, norte-americano, que 
desenvolveu um sistema conhecido como “instrumentalismo”. 
Considerava o homem em continuidade com a natureza, mas 
distinto dela. 
Edmund Husserl (1859 – 1938), alemão. Fundador da 
“fenomenologia”. Procurava fundamentar o conhecimento na 
experiência pura sem pressupostos.
Martin Heidegger (1889 – 1973). Discípulo alemão de Husserl, 
que deu continuidade ao desenvolvimento da “fenomenologia” 
e muito influenciou os existencialistas ateístas. 
Ludwig Wittgenstein (1889 –1973), austríaco. O mais influente 
filósofo do séc. XX; Ludwig desenvolveu dois sistemas filosóficos 
altamente originais, porém incompatíveis, dominados pela 
preocupação com as relações entre o mundo e a linguagem. 
Herbert Marcuse (1898 – 1979). Filósofo teuto-americano 
que tentou combinar existencialismo e psicanálise com um 
marxismo libertário que era crítico do comunismo. 
Sir Karl Popper (1902 – 1994). Racionalista crítico britânico; 
defendia que a verdade das leis científicas nunca será provada 
e que o máximo que se pode supor é que elas sobrevivam às 
tentativas de refutá-las. 
Theodor Adorno (1903 – 1969). Filósofo alemão que combinava 
marxismo com estética vanguardista. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES
PÁG. 05
Jean-Paul Sartre (1905 – 1980). Influente filósofo francês que 
desenvolveu o pensamento existencialista de Heidegger. 
Defensor ateísta de uma existência humana irracional e 
subjetiva, seu lema era “a existência é anterior à essência”.
Maurice Merleau-Ponty (1907 – 1961). Fenomenólogo francês 
que insistia no papel do corpo humano em nossa experiência 
do mundo.
Simone de Beauvoir (1908 1986). Existencialista francesa que 
fundou a filosofia feminista moderna. 
Claude Lévi-Strauss (nasc.; em 1908). Antropólogo francês e 
defensor do estruturalismo, seus trabalhos investigam a relação 
entre a cultura (um atributo da humanidade) e natureza com 
base na característica distinta do homem – a capacidade de se 
comunicar numa língua. 
Juergen Habermas (nasc.; em 1929), alemão. Crítico marxista 
com fortes tendências Kantianas e liberais. 
Jacques Derrida (nasc.; em 1930), francês. Fundador do 
desconstrutivismo, uma evolução da técnica de Heidegger 
de interpretar filósofos tradicionais com muito cuidado para 
revelar sua constante incoerência.
Bem! Chegamos ao final da aula 02 e espero que você tenha 
compreendido as questões que concernem a Filosofia.
Vamos em frente.
SINTESE DA AULA
 
Nesta aula conhecemos um pouco mais da Filosofia e também 
suas fases históricas, bem como os pensadores e suas ideias 
filosóficas em cada contexto vivido. Entendemos assim, que 
o fazer filosófico pressupões questões de seu tempo, de sua 
experiência. Inquietações que geram questionamentos e 
reflexões a ponto de produzir explicações racionais mas que 
pertencem a um universo social, político e econômico no qual 
são produzidas.
 
Agora que você aprendeu um pouco mais sobre a história da 
Filosofia, assista a este vídeo e reflita esta história.
 
Assista ao vídeo Da Servidão Moderna
O objetivo principal deste filme é de por em dia a condição 
do escravo moderno dentro do sistema totalitário mercante 
e de evidenciar as formas de mistificação que ocultam esta 
condição subserviente. Assista e o relacione aos conteúdos 
aqui abordados.
Acesse: 
https://www.youtube.com/watch?v=i7KaNFWJBG4
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Tendo assistido ao Vídeo, disserte sobre a principal reflexão 
filosófica que o vídeo apresenta na atualidade.
 
A principal ideia do filme SERVIDÃO MODERNA, é nos mostrar 
quanto e como ainda continuamos escravos no mundo 
capitalista e comerciário, apesar de tentarempor muitas maneiras 
nos ludibriar dessa ideia, indubitavelmente não passamos de 
modernos escravos.
O Sistema econômico só existe devido o trabalho humano 
e este se torna contínuo em consequência damão de obra 
que o rege, procurar sempre se atualizar, aperfeiçoar com 
recursos tecnológicos, já que em um mundo comercial como 
o nosso, para talvez, sermos reconhecidos e bem pagos, temos 
que produzirmelhor e mais e isso, se dá com tecnologias e 
informações adquiridas, talvez, esta seja a única diferença entre 
o escravo moderno e o escravo da época da chibata, é que o 
reconhecimento se vem dainformação, do intelecto, pois é 
isso o que mais escravizamos, as nossas ideias, nossa mente, 
nossas informações e experiências adquiridas com o tempo e 
não somente os trabalhos braçais são suficientes,não somente 
nossa força física, hoje nossos Senhores também querem nosso 
esgotamento mental.
Apresente as fases históricas da Filosofia e sua principais 
diretrizes de pensamento.
A Filosofia Antiga vai perguntar sempre sobre o princípio 
de todas as coisas e seu objeto de estudos é a totalidade da 
realidade e do ser.
Filosofia Medieval está principalmente subordinada à Igreja 
Católica, e seus representantes capitais são Santo Agostinho e 
São Tomás de Aquino.
Filosofia Moderna a filosofia passou a ter uma divisão melhor 
de seu foco de estudo. No início ainda era comum vermos 
questões no que dizia respeito a provar a existência de Deus e 
a imortalidade da alma. Muitos filósofos deste período pareciam 
estar usando a filosofia para abrir caminhos que pudessem 
ajudar a fundamentar algum tipo de concepção, de ideia.
Filosofia contemporânea pode ser vista como resultado da crise 
do pensamento moderno no século XIX. O questionamento ao 
projeto moderno se faz nos termos de um ataque à centralidadeatribuída à noção de subjetividade nas tentativas de 
fundamentação do conhecimento empreendidas pelas teorias 
racionalistas e empiristas.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 02 | HISTÓRIA DA FILOSOFIA E SUAS FRASES
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA03
 CONTRIBUIÇÃO DE SÓCRATES E 
 PLATÃO PARA O PENSAMENTO 
 FILOSÓFICO
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
O QUE VOCÊ SABE SOBRE DE SÓCRATES 
E PLATÃO?
Nesta aula entenderemos melhor quais as principais 
contribuições de dois grandes expoentes do pensamento 
filosófico: Sócrates e Platão. Com isto, reforçaremos também 
a ideia de porque a Filosofia consiste em uma disciplina que 
permite a formação do pensamento crítico.
OBJETIVOS
• Entender quem foram Sócrates e Platão;
• Apresentar o pensamento filosófico desses pensadores;
• Mostrar que a Filosofia se desenvolve de acordo com as 
questões de seu contexto de origem.
SÓCRATES E PLATÃO NO PENSAMENTO 
FILOSÓFICO
Sócrates (470-399 a.C.) tomou como ponto de partida o 
princípio básico da doutrina sofista. “O homem é a medida de 
todas as coisas”. Para ele, se o homem é a medida de todas as 
coisas é a obrigação de todo homem procurar conhecer a si 
mesmo. 
Para Sócrates o homem deveria procurar conhecer a si mesmo, 
também deveria procurar os elementos determinantes 
da finalidade da vida e da educação. Porém a consciência 
individual deveria deixar de se fundamentar por simples 
opiniões para poder guiar-se por idéias de valor universal. 
Sócrates nada deixou escrito e tiveram suas idéias divulgadas 
por dois de seus principais discípulos, Xenofonte e Platão. 
Evidentemente devido ao brilho deles é de se supor que 
nem sempre tenham sido realmente fieis ao pensamento 
do mestre. Nos diálogos de Platão, Sócrates figura como 
principal interlocutor. Ainda que muitas vezes seja incluído 
entre os sofistas recusa tal classificação opondo-se a eles de 
forma critica. Sócrates se indispôs com os poderosos do seu 
tempo que o acusaram de não crer nos deuses da cidade e de 
corromper a mocidade e por isso o condenaram a morte. 
 
Costumava conversar com todos, fossem velhos ou moças, 
pobres ou escravos, investigando por meio de seu método de 
conhecimento. 
 
A partir do pressuposto “só sei que nada sei”, que consiste 
justamente na sabedoria de reconhecer a própria ignorância, 
inicia a busca do saber.
 
Sócrates não foi muito bem aceito por parte da aristocracia grega, 
pois defendia algumas ideias contrárias ao funcionamento da 
sociedade grega. Criticou muitos aspectos da cultura grega, 
afirmando que muitas tradições, crenças religiosas e costumes 
não ajudavam no desenvolvimento intelectual dos cidadãos 
gregos.
FRASES CLÁSSICAS ATRIBUÍDAS A SÓCRATES
A vida que não passamos em revista não vale a pena viver.
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.
É melhor fazer pouco e bem, do que muito e mal.
Alcançar o sucesso pelos próprios méritos. Vitoriosos os que 
assim procedem.
A ociosidade é que envelhece, não o trabalho.
O início da sabedoria é a admissão da própria ignorância.
Chamo de preguiçoso o homem que podia estar melhor 
empregado.
Há sabedoria em não crer saber aquilo que tu não sabes.
Não penses mal dos que procedem mal; pense somente que 
estão equivocados.
O amor é filho de dois deuses, a carência e a astúcia.
A verdade não está com os homens, mas entre os homens.
Quatro características deve ter um juiz: ouvir cortesmente, 
responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir 
imparcialmente.
Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir.
Sob a direção de um forte general, não haverá jamais soldados 
fracos.
Todo o meu saber consiste em saber que nada sei.
Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo de Deus.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 03 | CONTRIBUIÇÃO DE SÓCRATES E PLATÃO PARA O... 
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Sócrates andava pelas ruas de Atenas fazendo aos atenienses 
algumas perguntas: “O que é isso em que você acredita?”, “O 
que é isso que você está dizendo?”, “O que é isso que você está 
fazendo?”. Os atenienses achavam, por exemplo, que sabiam o 
que era a justiça. Sócrates lhes fazia perguntas de tal maneira 
sobre a justiça que, embaraçados e confusos, chegavam à 
conclusão de que não sabiam o que ela significava. 
 
Os atenienses acreditavam que sabiam o que era a coragem. 
Com suas perguntas incansáveis, Sócrates os fazia concluir 
que não sabiam o que significava a coragem. Os atenienses 
acreditavam também que sabiam o que eram a bondade, a 
beleza, a verdade, mas um prolongado diálogo com Sócrates 
os fazia perceber que não sabiam o que era aquilo em que 
acreditavam. 
 
A pergunta “O que é?” era o questionamento sobre a realidade 
essencial e profunda de uma coisa para além das aparências 
e contra as aparências. Com essa pergunta, Sócrates levava os 
atenienses a descobrir a diferença entre parecer e ser, entre 
mera crença ou opinião e verdade.
 
Sócrates propunha que, antes de querer conhecer a natureza e 
antes de querer persuadir os outros, cada um deveria, primeiro 
e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. Como vimos na 
Introdução, a expressão “Conhece-te a ti mesmo”, ou o oráculo 
que estava gravado no pórtico do templo de Apoio, em Delfos, 
deus da luz e da sabedoria, foi o centro das preocupações e 
investigações de Sócrates. 
 
Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que 
os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros 
conhecimentos verdadeiros é que se diz que o período 
socrático é antropológico, isto é, voltado para o conhecimento 
do homem (em grego, ántropos), particularmente de seu 
espírito e de sua capacidade para conhecer a verdade.
 
Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, 
pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de 
desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. 
Levado perante a assembléia, Sócrates não se defendeu e 
foi condenado a tomar um veneno - a cicuta - e obrigado a 
suicidar-se. Ele fazia a juventude pensar.
 
Agora, vamos conhecer um pouco de outro grande filósofo, 
Platão. 
Me acompanhe caríssimo(a) aluno(a)...
Nasceu em Atenas, em 428/7 a.C. Portanto, seu nascimento 
ocorreu logo após a morte de Péricles, com quem Atenas 
chegara ao apogeu de sua democracia, e o falecimento cerca 
de dez anos antes da batalha de Queronéia, que efetivou o 
domínio de Filipe da Macedônia sobre a Grécia. 
 
Platão viveu entre a fase áurea da democracia ateniense e o 
final do período helênico. Esse contexto histórico determinaria 
o caráter essencialmente político de sua filosofia como 
estabelecimento das condições para um estado político 
perfeito, o filósofo como o dirigente político ideal. 
O interesse pela política estava ainda mais intimamente ligado 
a Platão por ele pertencer a uma família aristocrata que tinha 
participação efetiva nos destinos políticos da Grécia. 
Contudo, o acontecimento que mais marcou foi seu encontro 
com Sócrates, mestre que, sem escola e sem livros, usando 
apenas o diálogo, levava seus discípulos ao conhecimento de 
si mesmos, do bem e das virtudes, ao mesmo tempo em que 
demolia preconceitos e abalava falsos valores e reputações. Já 
restaurada a democracia, Sócrates, acusado de corromper os 
jovens, foi condenado à morte.
Ao elaborar a teoria das idéias, Platão ao mesmo tempo 
reformula a dialética socrática, transformando-a numa 
construçãoteorética. 
Para Sócrates, o diálogo constituía um confronto de 
opiniões que era, na verdade, a ocasião para o dramático 
embate entre consciências e oportunidade para produzir-
se o conhecimento de si mesmo: em Platão, a dialética vai 
perdendo progressivamente seu caráter pessoal e dramático 
para tornar-se um método impessoal e teórico que visa os 
próprios problemas, e não apenas à sondagem da consciência 
dos interlocutores. 
A nova dialética articula-se, de início, em uma forma 
ascendente: do mundo das idéias. No plano sensível, a 
constatação de existência dos seres, dá-se através dos sentidos, 
o conhecimento não ultrapassando a esfera da opinião (doxa).
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 03 | CONTRIBUIÇÃO DE SÓCRATES E PLATÃO PARA O... 
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A superação da doxa tem início com a passagem ao plano 
inteligível, através do conhecimento discursivo e mediatizador 
(diânoia): esse primeiro nível de conhecimento inteligível 
estabelece ligações racionais (como ocorre na matemática), 
mas o conhecimento inteligível só chega à plenitude ao 
conseguir a evidência puramente intelectual (noêsis) das idéias. 
As várias etapas do conhecimento estão metaforizadas na 
República através da alegoria da caverna : o homem saindo da 
caverna onde estivera prisioneiro por diversos graus de sombra 
e luz, que simbolizam os diversos graus de conhecimento , até 
olhar diretamente o sol , fonte de toda luz, símbolo do último 
da ascensão e dialética.
PARA SABER MAIS SOBRE DIALÉTICA... 
CONSULTE:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dial%C3%A9tica
Fundamentado na Teoria das Idéias e nas possibilidades 
apresentadas pelos indivíduos para realizar a ascensão dialética. 
Platão cria um sistema político apresentado primeiramente na 
República e posteriormente reformulado nas Leis.
A base fundamental postulada para o Estado é a justiça, virtude 
que seria conseguida na medida em que cada parte da alma 
(a razão, a coragem, e o instinto) estivesse preenchendo suas 
funções. 
Assim,o governo da cidade seria composto por três classes, 
formando um todo harmonioso: os magistrados – filósofos 
, representando a razão; os guerreiros, a coragem; e os 
trabalhadores, encarregados da satisfação das necessidades 
materiais. 
A realização de tal modelo de sociedade resultaria da adoção 
de determinado sistema educacional: os cidadãos, homens e 
mulheres, em igualdade de condições, seriam encaminhados 
desde pequenos para as funções que poderiam desempenhar 
com mais aptidão. Visando a prevenir as divisões políticas, 
Platão propõe a participação comum dos cidadãos nos bens 
materiais e também a supressão da família.
As Leis introduzem modificações no modelo político de Platão: 
suprime-se a comunidade de bens, mulheres e crianças, 
havendo uma espécie de conciliação entre a monarquia 
constitucional e a democracia.
Consciente da complexidade de seu sistema político assentado 
na teoria das idéias, Platão previa as dificuldades que grande 
parte da população da polis teria para entende-lo. Assim o 
Estado concebido por ele seria governado por magistrados-
filósofos, pois só estes seriam capazes de compreender e por 
em prática a virtude da justiça.
Platão defende no homem uma alma imortal, racional, livre, 
espiritual. Admite a metempsicose. Em ética: toda felicidade 
consiste na contemplação das idéias e, sobretudo, da idéia 
suprema do bem. 
Mas, o que é metempsicose?
Metempsicose (do grego: meta: mudança + en: em + psiquê: 
alma) é o termo genérico para transmigração da alma, de um 
corpo para outro, seja este do mesmo tipo de ser vivo ou não. 
Essa crença não se restringe à reencarnação humana, mas 
abrange a possibilidade da alma humana encarnar em animais 
ou vegetais.
Metempsicose diz respeito à transferência de almas
Fonte: http://www.dicionarioinformal.com.br/metempsicose/
Continuando...
Seu conceito político (Estado totalitário, igualdade social dos 
sexos, supressão da família, educação nacional da juventude) 
ele próprio rejeitou mais tarde, desde que os governados são 
seres humanos, não deuses. Sua doutrina, em geral, é tão 
elevada que informou até a mística católica. 
Assim como há um rigoroso paralelismo entre a psicologia 
platônica e sua ética,há também uma perfeita correspondência 
entre sua ética e a sua política. A morte de Sócrates e suas 
experiências políticas na Sicília levaram Platão a verificar que 
não é possível ser justo na cidade injusta, e que a realização da 
filosofia implica não só a educação do homem, mas a reforma 
da sociedade e do Estado.
A pedagogia platônica, que incluía não só a formação 
intelectual, mas também os exercícios físicos, a disciplina do 
corpo,revelam-se, assim, uma propedêutica da política, pois 
sua razão de ser é a formação do homem de acordo com a 
Paidéia (modelo ou ideal de cultura) e sua preparação para a 
vida na cidade.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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Para ilustrar melhor a Pedagogia Platônica... vamos assistir o 
vídeo abaixo e refletirmos um pouco mais sobre essa idéia?
Acesse: https://www.youtube.com/playlist?list=PL129944938F
FB0E35
Continuando...
Assim, como o amor é um demônio, um intermediário entre os 
deuses e os homens, assim também o filósofo é um mediador 
entre o sábio e o ignorante. O sábio não precisa filosofar 
porque já tem a sabedoria, e o ignorante porque não a tem e 
não experimenta a necessidade de tê-la. 
Só pode filosofar aquele que, não sabendo, tem consciência de 
que não sabe e, por isso mesmo, quer saber. 
Amor da sabedoria, e não sabedoria propriamente, a filosofia 
é o caminho que nos deve conduzir do mundo das aparências 
ao mundo da realidade, da contemplação das sombras à visão 
das idéias, imutáveis e eternas, iluminadas pela idéia suprema 
do Bem.
A REPÚBLICA PRINCIPAL OBRA DE PLATÃO
A República, discute a questão 
do conhecimento. 
Qual a visão que as pessoas tem sobre 
as coisas.
Vejam um importante texto que abre as portas para o 
conhecimento humano.
O Mito da Caverna
 
O Mito da Caverna, também conhecido como “Alegoria 
da Caverna” é uma passagem do livro “A República” do 
filósofo grego Platão. O mito fala sobre prisioneiros (desde o 
nascimento) que vivem presos em correntes numa caverna e 
que passam todo tempo olhando para a parede do fundo que 
é iluminada pela luz gerada por uma fogueira. 
 
Nesta parede são projetadas sombras de estátuas representando 
pessoas, animais, plantas e objetos, mostrando cenas e 
situações do dia-a-dia. Os prisioneiros ficam dando nomes às 
imagens (sombras), analisando e julgando as situações.
Vamos imaginar que um dos prisioneiros fosse forçado a sair das 
correntes para poder explorar o interior da caverna e o mundo 
externo. Entraria em contato com a realidade e perceberia que 
passou a vida toda analisando e julgando apenas imagens 
projetadas por estátuas. 
 
Ao sair da caverna e entrar em contato com o mundo real 
ficaria encantado com os seres de verdade, com a natureza, 
com os animais e etc. Voltaria para a caverna para passar todo 
conhecimento adquirido fora da caverna para seus colegas 
ainda presos. 
 
Porém, seria ridicularizado ao contar tudo o que viu e sentiu, 
pois seus colegas só conseguem acreditar na realidade que 
enxergam na parede iluminada da caverna. Os prisioneiros vão 
o chamar de louco, ameaçando-o de morte caso não pare de 
falar daquelas idéias consideradas absurdas.
O que Platão quis dizer ?
 
Os seres humanos tem uma visão distorcida da realidade. No 
mito, os prisioneiros somos nós que enxergamos e acreditamos 
apenas em imagens criadas pela cultura, conceitos e 
informações que recebemos durante a vida. 
 
A caverna simboliza o mundo, pois nos apresenta imagens 
que não representam a realidade. Só é possível conhecer a 
realidade, quando nos libertamos destas influências culturaise 
sociais, ou seja, quando saímos da caverna.
 
SINTESE DA AULA
Nesta aula conhecemos um pouco mais do pensamento 
Filosófico de dois expoentes da filosofia Sócrates e Platão. 
Sócrates nasceu em Atenas e tornou-se um dos principais 
pensadores da Grécia Antiga. Podemos afirmar que Sócrates 
fundou o que conhecemos hoje por filosofia ocidental. Foi 
influenciado pelo conhecimento de um outro importante 
filósofo grego: Anaxágoras. Seus primeiros estudos e 
pensamentos discorrem sobre a essência da natureza da alma 
humana.
Sócrates era considerado pelos seus contemporâneos um 
dos homens mais sábios e inteligentes. Já Platão, discípulo de 
Sócrates, nasceu também em Atenas e é considerado um dos 
principais pensadores gregos, pois influenciou profundamente 
a filosofia ocidental. Suas idéias baseiam-se na diferenciação 
do mundo entre as coisas sensíveis (mundo das idéias e a 
inteligência) e as coisas visíveis (seres vivos e a matéria).
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Assista este vídeo: www.youtube.com/watch?v=LAu-nAVl9H4 
e faça uma pesquisa na web para escrever um resumo das 
principais ideias de Sócrates
RESPOSTA: 
O ALUNO DEVE PESQUISAR E IDENTIFICAR
Amor 
No Simpósio, de Platão, Sócrates revela que foi a sacerdotisa 
Diotima de Mantinea que o iniciou nos conhecimentos e na 
genealogia do amor. As idéias de Diotima estão na origem do 
conceito socrático-platônico do amor. 
Conhecimento 
Sócrates sempre dizia que sua sabedoria era limitada à sua 
própria ignorância (Só sei que nada sei.). Ele acreditava que os 
atos errados eram conseqüências da própria ignorância. Nunca 
proclamou ser sábio. A intenção de Sócrates era levar as pessoas 
a se sentirem ignorantes de tanto perguntar, problematização 
sobre conceitos que as pessoas tinham dogmas, verdades. De 
tanto questionar, principalmente os sábios, começou arrebanhar 
inimigos. 
Virtude 
Sócrates acreditava que o melhor modo para as pessoas viverem 
era se concentrando no próprio desenvolvimento ao invés de 
buscar a riqueza material. Convidava outros a se concentrarem 
na amizade e em um sentido de comunidade, pois acreditava 
que esse era o melhor modo de se crescer como uma população. 
Suas ações são provas disso: ao fim de sua vida, aceitou sua 
sentença de morte quando todos acreditavam que fugiria de 
Atenas, pois acreditava que não podia fugir de sua comunidade. 
Acreditava que os seres humanos possuíam certas virtudes, 
tanto filosóficas quanto intelectuais. Dizia que a virtude era a 
mais importante de todas as coisas
2- Analise o texto Mito das Cavernas de Platão procurando 
identificar sua mensagem sobre o conhecimento.
RESPOSTA: 
Platão referia-se aos seus contemporâneos, com suas crenças e 
superstições. O filósofo era qual um fugitivo capaz de fugir das 
amarras que prendem o homem comum às suas falsas crenças e, 
partindo na busca da verdade, consegue apreender um mundo 
mais amplo. Ao falar destas verdades para os homens afeitos às 
suas impressões, não apenas não seria compreendido, como 
tomado por mentiroso, um corruptor da ordem vigente.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios.
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA04
 A CONTRIBUIÇÃO DE ARISTÓTELES 
 PARA O PENSAMENTO FILOSÓFICO
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Nesta aula 04 vamos entender e conhecer sobre a vida e obra 
de aristóteles, grande filósofo grego. Qual foi sua contribuição 
para as discussões e reflexões filosóficas.
1- Quem foi Aristóteles e em que contexto produziu suas ideias.
2- Vida e Obra de Aristóteles.
3- Principais contribuições
OBJETIVOS
• Entender o pensamento de Aristóteles e o valor do mesmo 
para a filosofia;
• Conhecer o pensamento filosófico e político de Aristóteles;
• Conhecer o contexto em que suas ideias são produzidas
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você quem foi Aristóteles, seu 
contexto de produção das ideias e reflexões e que legado ele 
deixa para a história da Filosofia e mesmo, da política, na qual 
tem forte contribuição.
Aristóteles (384-322 a. C.) foi aluno de Platão e estudou na 
academia do mestre durante 20 anos, até a morte de Platão, em 
347 a. C. Portanto conhecia a fundo as teses platônicas sobre o 
conhecimento. Sabemos que o pensamento de Platão girava 
em torno da dualidade mundo-sensível e mundo inteligível, e 
que a matemática era uma exigência elementar para aqueles 
que queriam progredir na investigação filosófica. Aristóteles 
foi influenciado em muitos aspectos por Platão, porém soube 
distanciar-se do pensamento do mestre a ponto de inaugurar 
uma filosofia própria. 
 
Aristóteles foi essencialmente um homem de cultura, de 
estudo, de pesquisas, de pensamento, que se foi isolando da 
vida prática, social e política, para se dedicar à investigação 
científica. A atividade literária de Aristóteles foi vasta e intensa, 
como a sua cultura e seu gênio universal. “Assimilou Aristóteles 
escreve magistralmente Leonel Franca todos os conhecimentos 
anteriores e acrescentou-lhes o trabalho próprio, fruto de muita 
observação e de profundas meditações. 
 
Escreveu sobre todas as ciências, constituindo algumas desde 
os primeiros fundamentos, organizando outras em corpo 
coerente de doutrinas e sobre todas espalhando as luzes de 
sua admirável inteligência. Não lhe faltou nenhum dos dotes e 
requisitos que constituem o verdadeiro filósofo: profundidade 
e firmeza de inteligência, agudeza de penetração, vigor de 
raciocínio, poder admirável de síntese, faculdade de criação e 
invenção aliadas a uma vasta erudição histórica e universalidade 
de conhecimentos científicos.
 
O grande estagirita explorou o mundo do pensamento em 
todas as suas direções. Pelo elenco dos principais escritos que 
dele ainda nos restam, poder-se-á avaliar a sua prodigiosa 
atividade literária”.
Espere... Vamos conhecer o significado da palavra estagirita?
Acesse: http://www.dicionarioweb.com.br/estagirita/
 
A primeira edição completa das obras de Aristóteles é a 
de Andronico de Rodes pela metade do último século a.C. 
substancialmente autêntica, salvo uns apócrifos e umas 
interpolações. Aqui classificamos as obras doutrinais de 
Aristóteles do modo seguinte, tendo presente a edição de 
Andronico de Rodes.
I. Escritos lógicos: cujo conjunto foi denominado Órganon mais 
tarde, não por Aristóteles. O nome, entretanto, corresponde 
muito bem à intenção do autor, que considerava a lógica 
instrumento da ciência.
II. Escritos sobre a física: abrangendo a hodierna cosmologia e 
a antropologia, e pertencentes à filosofia teorética, juntamente 
com a metafísica.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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III. Escritos metafísicos: a Metafísica famosa, em catorze livros. É 
uma compilação feita depois da morte de Aristóteles mediante 
seus apontamentos manuscritos, referentes à metafísica geral 
e à teologia. O nome de metafísica é devido ao lugar que ela 
ocupa na coleção de Andrônico, que a colocou depois da física.
IV. Escritos morais e políticos: a Ética a Nicômaco, em dez livros, 
provavelmente publicada por Nicômaco, seu filho, ao qual é 
dedicada; a Ética a Eudemo, inacabada, refazimento da ética de 
Aristóteles, devido a Eudemo; a Grande Ética, compêndio das 
duas precedentes,em especial da segunda; a Política, em oito 
livros, incompleta.
V. Escritos retóricos e poéticos: a Retórica, em três livros; a 
Poética, em dois livros, que, no seu estado atual, é apenas uma 
parte da obra de Aristóteles. As obras de Aristóteles as doutrinas 
que nos restam - manifestam um grande rigor científico, sem 
enfeites míticos ou poéticos, exposição e expressão breve e 
aguda, clara e ordenada, perfeição maravilhosa da terminologia 
filosófica, de que foi ele o criador.
O Pensamento: A Gnosiologia
Segundo Aristóteles, a filosofia é essencialmente teorética: 
deve decifrar o enigma do universo, em face do qual a atitude 
inicial do espírito é o assombro do mistério. O seu problema 
fundamental é o problema do ser, não o problema da vida. 
O objeto próprio da filosofia, em que está a solução do seu 
problema, são as essências imutáveis e a razão última das 
coisas, isto é, o universal e o necessário, as formas e suas 
relações. Entretanto, as formas são imanentes na experiência, 
nos indivíduos, de que constituem a essência. 
A filosofia aristotélica é, portanto, conceptual como a de Platão 
mas parte da experiência; é dedutiva, mas o ponto de partida 
da dedução é tirado - mediante o intelecto da experiência. A 
filosofia, pois, segundo Aristóteles, dividir-se-ia em teorética, 
prática e poética, abrangendo, destarte, todo o saber humano, 
racional. 
A teorética, por sua vez, divide-se em física, matemática e 
filosofia primeira (metafísica e teologia); a filosofia prática 
divide-se em ética e política; a poética em estética e técnica. 
Aristóteles é o criador da lógica, como ciência especial, sobre 
a base socrático-platônica; é denominada por ele analítica 
e representa a metodologia científica. Trata Aristóteles os 
problemas lógicos e gnosiológicos no conjunto daqueles 
escritos que tomaram mais tarde o nome de Órganon. 
Limitar-nos-emos mais especialmente aos problemas gerais da 
lógica de Aristóteles, porque aí está a sua gnosiologia. 
 
IMPORTANTE: Outra palavra para conhecermos o seu 
significado.
Acesse: http://www.significados.com.br/gnosiologia/
Continuando...
Foi dito que, em geral, a ciência, a filosofia - conforme Aristóteles, 
bem como segundo Platão - tem como objeto o universal e o 
necessário; pois não pode haver ciência em torno do individual 
e do contingente, conhecidos sensivelmente. Sob o ponto de 
vista metafísico, o objeto da ciência aristotélica é a forma, como 
idéia era o objeto da ciência platônica. 
A ciência platônica e aristotélica são, portanto, ambas 
objetivas, realistas: tudo que se pode aprender precede a 
sensação e é independente dela. No sentido estrito, a filosofia 
aristotélica é dedução do particular pelo universal, explicação 
do condicionado mediante a condição, porquanto o primeiro 
elemento depende do segundo. 
Também aqui se segue a ordem da realidade, onde o fenômeno 
particular depende da lei universal e o efeito da causa. Objeto 
essencial da lógica aristotélica é precisamente este processo de 
derivação ideal, que corresponde a uma derivação real.
Seu problema fundamental é o problema do 
ser, não o problema da vida
Ora, em termos de influência, Aristóteles herdou e levou 
adiante a noção de que o conhecimento envolve explicação, 
uma busca das causas das coisas. Na Academia de Platão 
também se discutia ciências naturais e se estudava retórica e 
lógica, disciplinas a que Aristóteles vai se dedicar com grande 
empenho.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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- Porém, ele rompe com o mestre naquilo que é a base da 
filosofia platônica: não aceita a existência dos dois mundos 
de Platão. À procura da essência das coisas, para Aristóteles 
não é preciso pensar as propriedades essenciais dos objetos 
separado desses mesmos objetos. Ou seja, podemos falar do 
mundo sensível a partir dele mesmo. Os conceitos que criamos 
são obra de nosso pensamento, e não entidades que desfrutam 
que uma existência em separado. 
 
Aristóteles e Platão: diferenças e proximidades
 
Se Platão foi um genuíno racionalista, Aristóteles foi o que 
podemos chamar de um empirista. Porque ele apostou na 
sensibilidade, no mundo dos fenômenos, naquilo que nós 
vemos, percebemos e que, para ele, constituíam a matéria-
prima de nosso pensar. E ele fez isso nos esboços da Ética a 
Nicômaco, ao trabalhar o conceito de Mímesis e em outras 
diferentes disciplinas.
Quer dizer: ele toma o mundo sensível como ponto de partida, 
sem aquele preconceito, sem o desprezo que Platão nutria por 
ele, o qual aparece bem evidente na Alegoria da Caverna.
ARISTÓTELES E A POLÍTICA
O homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas é também 
o pior de todos quando afastado da lei e da justiça, pois a injustiça 
é mais perniciosa quando armada, e o homem nasce dotado de 
armas para serem bem usadas pela inteligência e pelo talento, 
mas podem sê-lo em sentido inteiramente oposto. Logo, quando 
destituído de qualidades morais, o homem é o mais impiedoso e 
selvagem dos animais, e o pior em relação ao sexo e à gula” 
Aristóteles - “Política”, 1252 b. 
 
A “Política” (Politéia) divide-se em oito livros, que tratam: 
da composição da cidade, da escravidão, da família, das 
riquezas, bem como de uma crítica às teorias de Platão. Analisa 
também as constituições de outras cidades, num notável 
exercício comparativo, descrevendo-lhes os regimes políticos. 
Aristóteles, por sua vez, não foge da tentação de também 
idealizar qual o modo de vida mais desejável para as cidades 
e os indivíduos, mas dedica a isso bem menos tempo do que 
seu mestre. Finaliza a obra com os objetivos da educação e a 
importância das matérias a serem ensinadas.
Segundo ele, governo e constituição significam a mesma 
coisa, sendo que o governo pode ser exercido de três maneiras 
diferentes; por um só, por poucos ou por muitos. Se tais 
governos têm como objetivo o bem comum, podemos dizer 
que são constituições retas, ou puras. Por outro lado, se os 
poderes forem exercidos para satisfazer o interesse privado 
de um só, de um grupo ou de apenas uma classe social, essa 
constituição está desvirtuada, depravou-se.
Nota-se aqui o claro confronto ressaltado por ele entre a busca 
do bem comum e o interesse privado ou de classe. Quando um 
regime se inclina para o último, para algum tipo de exclusivismo, 
voltando as costas ao coletivo, é porque perverteu-se.
 
O governo deve buscar realizar o bem comum. Por isso constrói 
uma tipologia de governo fundada na questão do tipo puro, 
como sendo o governo do bem comum e o impuro, as formas 
de governo que se degeneraram. Observe:
Formas de governo
Formas puras 
Monarquia: governo de um só homem, de caráter hereditário 
ou perpétuo, que visa o bem comum, como a obediência as 
leis e às tradições 
Aristocracia: governo dos melhor homens da república, 
selecionados pelo consenso dos seus cidadãos e que governa 
a cidade procurando o beneficio de toda a coletividade 
Politia: governo do povo, da maioria, que exerce o respeito às 
leis e que beneficia todos os cidadãos indistintamente, sem 
fazer nenhum tipo de discriminação. 
Formas pervertidas
Tirania: governo de um só homem que ascende ao poder 
por meios ilegais, violentos e ilegítimos e que governa pela 
intimidação, manipulação ou pela aberta repressão, infringindo 
constantemente as leis e a tradição 
Oligarquia: governo de um grupo economicamente poderoso 
que rege os destinos da cidade, procurando favorecer a facção 
que se encontra no poder em detrimento dos demais 
Democracia: governo do povo, da maioria, que exerce o 
poder favorecendo preferencialmente os pobres, causando 
sistemático constrangimento aos ricos. 
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SINTESE DA AULA
Nesta aula conhecemos um pouco mais do pensamentode 
Aristóteles e vimos que podemos encontrá-lo investigando o 
“ser enquanto ser”. Tal investigação sobre o que são e como são 
as coisas é fundamental para poder compreender o mundo. 
Nesse sentido, a sua metafísica discorre sobre princípios 
que garantam a realidade das coisas, como: o princípio de 
identidade, da não contradição e do terceiro excluído. Além 
dos princípios, Aristóteles aponta quatro causas que fazem as 
coisas serem o que são: material, formal, eficiente e final.
 
Em ética, Aristóteles discorda da ideia platônica que via as 
paixões humanas como negativas e que precisavam ser 
controladas pela razão. Para ele, as paixões humanas não 
são nem boas e nem ruins. Ruim é quando as paixões são 
viciosas, isto é, quando estão em excesso ou em falta. Ter raiva 
de alguém não é ruim, por exemplo, pois ruim é aplicar em 
determinada situação mais raiva do que o necessário ou menos 
raiva do que o necessário. Nesse sentido, Aristóteles pensa que 
virtude é encontrar uma justa medida entre o excesso e a falta 
das paixões. Agir corretamente é um treino constante de dosar 
corretamente as paixões.
 
No campo político, Aristóteles se preocupou menos com 
hipóteses de uma sociedade ideal e mais com um estudo 
dos sistemas políticos e leis existentes em sua época. Assim, 
diferente de Platão, que teorizou uma cidade ideal, Aristóteles 
pensou uma sociedade que não fosse nem totalmente 
democrática e nem totalmente aristocrática: a política 
permitiria que os conflitos entre ricos e pobres pudessem ser 
amenizados.
Estimados alunos, chegamos ao final de mais uma aula e 
esperamos que você tenha atingido o objetivo proposto.
 
Para ilustrarmos melhor as nossas discussões selecionamos 
um vídeo para que vocês possam assistir e refletirem sobre a 
temática:
Acessem: https://www.youtube.com/watch?v=2lH0pgZ-2AA
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
1- Quais as principais ideias de Aristóteles? 
RESPOSTA: 
O ALUNO DEVE IDENTIFICAR
Sua metafísica discorre sobre princípios que garantam a realidade 
das coisas, como: o princípio de identidade, da não contradição e 
do terceiro excluído. Além dos princípios, Aristóteles aponta quatro 
causas que fazem as coisas serem o que são: material, formal, 
eficiente e final.
 
Em ética, Aristóteles discorda da ideia platônica que via as paixões 
humanas como negativas e que precisavam ser controladas pela 
razão. Para ele, as paixões humanas não são nem boas e nem ruins. 
Ruim é quando as paixões são viciosas, isto é, quando estão em 
excesso ou em falta. Ter raiva de alguém não é ruim, por exemplo, 
pois ruim é aplicar em determinada situação mais raiva do que 
o necessário ou menos raiva do que o necessário. Nesse sentido, 
Aristóteles pensa que virtude é encontrar uma justa medida entre 
o excesso e a falta das paixões. Agir corretamente é um treino 
constante de dosar corretamente as paixões.
 
No campo político, Aristóteles se preocupou menos com hipóteses 
de uma sociedade ideal e mais com um estudo dos sistemas 
políticos e leis existentes em sua época. Assim, diferente de Platão, 
que teorizou uma cidade ideal, Aristóteles pensou uma sociedade 
que não fosse nem totalmente democrática e nem totalmente 
aristocrática: a política permitiria que os conflitos entre ricos e 
pobres pudessem ser amenizados.
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
2- Construa a tipologia de governo pautada nos conceitos de 
puro e impuro para Aristóteles.
RESPOSTA: 
Formas puras 
Monarquia: governo de um só homem, de caráter hereditário ou 
perpétuo, que visa o bem comum, como a obediência as leis e às 
tradições 
Aristocracia: governo dos melhor homens da república, 
selecionados pelo consenso dos seus cidadãos e que governa a 
cidade procurando o beneficio de toda a coletividade 
Politia: governo do povo, da maioria, que exerce o respeito às leis e 
que beneficia todos os cidadãos indistintamente, sem fazer nenhum 
tipo de discriminação. 
Formas pervertidas
Tirania: governo de um só homem que ascende ao poder por meios 
ilegais, violentos e ilegítimos e que governa pela intimidação, 
manipulação ou pela aberta repressão, infringindo constantemente 
as leis e a tradição 
Oligarquia: governo de um grupo economicamente poderoso que 
rege os destinos da cidade, procurando favorecer a facção que se 
encontra no poder em detrimento dos demais 
Democracia: governo do povo, da maioria, que exerce o poder 
favorecendo preferencialmente os pobres, causando sistemático 
constrangimento aos ricos. 
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA05
 RACIONALISMO E CONHECIMENTO
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Estimados Alunos,
Nesta aula 05 vamos entender e conhecer mais um pouco sobre 
o Racionalismo e Conhecimento. Abordaremos esses conceitos 
e sua importância para os fundamentos do estudo da Filosofia.
1- Conceito de Racionalismo
2- Racionalismo e Empirismo: o pensamento de Descartes e 
Jonh Locke
3- O que é conhecimento e suas teorias através da história
4- Tipos de conhecimento
Objetivos da aula 05
• Entender os conceitos de racionalismo e conhecimento
• Conhecer os pensadores que definiram seus fundamentos
• Identificar os tipos de conhecimento.
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você como a importância do 
entendimento do racionalismo e do conhecimento, bem como 
os grandes pensadores que definiram suas teorias. Além disso, 
apresentaremos os tipos de conhecimento.
Racionalismo e Conhecimento
 
Os conceitos de Racionalismo e Conhecimento estão 
relacionados a própria história da origem do conhecimento 
que toma como grande fundamentação as duas correntes 
filosóficas: Empirismo e Racionalismo através de seus 
pensadores principais, Locke e Descartes respectivamente.
Assim, precisamos conhecer um pouco de cada conceito e seus 
fundamentos para entender o valor que a Filosofia concebe 
ao pensamento racional e mesmo o desenvolvimento do 
pensamento crítico.
Conceito de Racionalismo
 
O racionalismo é a corrente filosófica que iniciou com a definição 
do raciocínio que é a operação mental, discursiva e lógica. Este 
usa uma ou mais proposições para extrair conclusões se uma 
ou outra proposição é verdadeira, falsa ou provável. 
Essa era a idéia central comum ao conjunto de doutrinas 
conhecidas tradicionalmente como racionalismo.
Ele tem como método recapitular a “cadeia de raciocínio” para 
se estar certo de que não há omissões, tratar o preceito da 
análise (dividir as dificuldades que se apresentem em tantas 
parcelas quantas sejam necessárias para serem resolvidas). 
Considerar a com ordem os pensamentos, começando dos 
objetos mais simples e mais fáceis de serem conhecidos, 
para depois tentar gradativamente o conhecimento dos mais 
complexos.
• Racionalismo e Empirismo: o pensamento de Descartes e 
Jonh Locke
René Descartes (1596 – 1650)
 
René Descartes é considerado universalmente o pai da filosofia 
moderna. Também conhecido como Cartesius, foi um filósofo, 
um físico e matemático francês. Notabilizou-se sobretudo 
pelo seu trabalho revolucionário da Filosofia, tendo também 
sido famoso por ser o inventor do sistema de coordenadas 
cartesiano,que influenciou o desenvolvimento do Cálculo 
moderno. 
A maior parte da obra de Descartes é consagrada às ciências 
(domínios da matemática e da ótica) mas, o que ele mais quer é 
conseguir um modo de chegar a verdades concretas. As idéias 
em geral são incertas e instáveis, sujeitas à imperfeição dos 
sentidos. 
A PRIMEIRA IDÉIA QUE DESCARTES EXAMINA É A DO 
PRÓPRIO EU. DESTA IDÉIA, DIZ ÊLE QUE NÃO PODE 
DUVIDAR. É A IDÉIA DO PRÓPRIO EU PENSANTE, ENQUANTO 
PENSANTE. E ENTÃO CONCLUI COM SUA CÉLEBRE FRASE: 
“PENSO, LOGO EXISTO”.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO
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John Locke (1632-1704)
 
John Locke está entre os filósofos empiristas, assim chamados 
devido a abrirem espaço para a ciência junto à filosofia, 
valorizando a experiência como fonte de conhecimento.
Empirismo
 
Em termos gerais, empirismo é a atitude de quem: 
1) vê na experiência o critério ultimo da verdade; 
2) assume a percepção como base de todo o saber, na idéia de 
que a partir da sensação se possa explicar também elevadas 
funções da mente (memória, fantasia, inteligência), mas não 
vice-versa. 
 
TEORIA DATABULA RASA - A MENTE COMO FOLHA EM BRANCO
NO MOMENTO DO NASCIMENTO DO INDIVIDUO, 
SEMELHANTE PRECISAMENTE A UMA TABULA RASA, OU 
SEJA, UMA PAGINA EM BRANCO AINDA A SER ESCRITA .
O que é conhecimento e suas teorias através 
da história
 
Conhecimento é o ato de compreender algo usando o 
raciocínio. É fundado com base na fé, na razão, na cultura 
ética e moral, na estética e na experimentação. Pode ser 
compreendido pelo sujeito que conhece, pelo objeto a ser 
conhecido e pela imagem. 
Tipos de conhecimento: 
Conhecimento Empírico que é o modo comum de se conhecer 
sem que haja procura ou reflexão 
Conhecimento Científico que se preocupa em analisar e 
sintetizar explicações e soluções 
Conhecimento Filosófico que é adquirido quando se procura 
respostas para interrogações e questionamentos 
Conhecimento Teológico que é adquirido como revelação 
divina pela fé.
I - Teoria do Conhecimento na Antigüidade: 
 
Podemos perceber que os Filósofos gregos deixaram algumas 
contribuições para a construção da noção de conhecimento: 
a. Estabeleceram a diferença entre conhecimento sensível e 
conhecimento intelectual
b. Estabeleceram diferença entre aparência e essência.
c. Estabeleceram diferença entre opinião e saber
d. Estabeleceram regras da lógica pra se chegar à verdade 
II -Teoria do Conhecimento na Idade Média: 
1. Na Patrística - Temos a tendência da conciliação do 
pensamento cristão ao pensamento platônico, sendo seu 
grande expoente Santo Agostinho.
2. Na Escolásticas - Temos a anexação da Filosofia aristotélica ao 
pensamento cristão, com o estreitamento da relação Fé e razão, 
sendo seu grande expoente São Tomás de Aquino.
3. Nominalismo - Temos o final do domínio do Pensamento 
Medieval, com a separação da Filosofia da teologia através 
do esvaziamento dos conceitos. Sendo seus expoentes Duns 
Scotto e Guilherme de Oclkam. 
III - Teoria do Conhecimento na Idade 
Moderna: 
 
A primeira Revolução Científica trouxe várias mudanças para 
o pensamento, dentre as quais podemos destacar a mudança 
da visão teocentrista (Deus é o centro do conhecimento), para 
visão antropocentrista (o homem é o centro do conhecimento). 
1. O racionalismo de. René Descartes - O discurso do Método: A 
máxima do cartesianismo “Cogito ergo sun”.
2. O empirismo:
a. John Lock - a experiência
b. David Hume - a Crença
3. O criticismo kantiano: O conhecimento a priori: Universal e 
necessário.
4. A herança iluminista: A razão. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO
PÁG. 03
IV - Teoria do Conhecimento na Idade Contem-
porânea: A Crise da Razão. 
O novo iluminismo de Habermas 
A razão crítica precisa: 
a. Fazer a crítica dos limites
b. Estabelecer princípios éticos
c. Vincular construção a raízes sociais. 
SINTESE DA AULA
Nesta aula conhecemos os conceitos de racionalismo 
e conhecimento. Identificamos os pensadores que 
desenvolveram fundamentos principais e aprendemos os tipos 
de conhecimento.
 
Agora que você aprendeu sobre conhecimento e sua tipologia, 
leia o texto abaixo sobre Descartes escrito pela Filósofa 
Marilena Chauí e depois responda as questões que seguem:
Descartes
Marilena Chauí
PENSAMENTO 
As idéias. A maior parte da obra de Descartes é consagrada 
às ciências (domínios da matemática e da ótica) mas o que 
ele mais quer é conseguir um modo de chegar a verdades 
concretas. Sua filosofia, exposta principalmente em o “Discurso 
sobre o Método”, o mais amplamente lido de todos os seus 
trabalhos, é a proposta de meios para tal. 
Descartes parte da dúvida chamada metódica, porque ela 
é proposta como uma via para se chegar à certeza e não é 
dúvida sistemática, sem outro fim que o próprio duvidar, como 
para os céticos. Argumenta que as idéias em geral são incertas 
e instáveis, sujeitas à imperfeição dos sentidos. Algumas, 
porém, se apresentam ao espírito com nitidez e estabilidade, e 
ocorrem a todas as pessoas da mesma maneira, independentes 
das experiências dos sentidos, e isto significa que residem na 
mente de todas as pessoas e são inatas. Descartes vai, por 
etapas, nomear as idéias que ele inclui nessa categoria de 
claras, distintas, e inatas e vai demonstrar que essas são idéias 
verdadeiras, não podem ser idéias falsas. 
A primeira idéia que examina é a do próprio Eu. Desta idéia, 
diz êle que não pode duvidar. É a idéia do próprio Eu pensante, 
enquanto pensante. E então conclui com sua célebre frase: 
“Penso, logo existo”. Este dito, talvez o mais famoso na história
da filosofia, aparece primeiro na quarta seção do “Discurso 
sobre o método”, de 1637, em francês, Je pense donc je suis, e 
depois na primeira parte do “Princípios de Filosofia” (1644) que 
é praticamente a versão latina do “Discurso”, Cogito ergo sum. 
Mas, de todo esse raciocínio Descartes saiu com apenas uma 
única verdade, a de que ele existe, e isto não basta para encontrar 
a verdade sobre o universo. O mundo existe ou é uma ilusão, 
apenas imaginação? Tenho várias idéias com grande nitidez 
e estabilidade, e delas compartilho com muitas pessoas, mas 
nada me garante que não estejamos todos enganados. Uma 
delas é a idéia da “extensão”. Esta é uma idéia que Descartes 
considera inata, clara e evidente, e que é exigida pelo mundo 
físico. Essa idéia existe no espírito humano como a idéia de 
algo dotado de grandeza e forma: é fundamental à geometria 
e torna provável a existência dos corpos, a existência dos 
objetos e do mundo. Porém, apesar de clara e distinta, a idéia 
de extensão não é garantia de que os objetos correspondam às 
idéias que deles fazemos. 
Deus verdadeiro. O problema está em encontrar uma garantia 
de que a tais idéias de objetos correspondam efetivamente 
algo real.. Tenho também a idéia de Deus. Mas agora sim, tenho 
uma garantia. Não é a mesma garantia que me dá o pensar, do 
qual concluo que se penso, então existo com certeza. A garantia 
que Descartes dá para a existência de Deus é que nenhum 
ser imperfeito ou finito, sendo igual ao homem, poderia ter 
produzido a idéia de um ser infinito e perfeito; somente Deus 
poderia ter revelado isto ao homem, como “a marca do artista 
impressa em sua obra”. Portanto, conclui no “Discurso sobre o 
Método”, a idéia de Deus implica a real existência de Deus. 
Voltemos então à idéia clara, distinta e inata da extensão. Se 
a percepção que tenho da extensão não correspondesse a 
uma realidade extensa, isso significaria que o espírito humano 
estaria sempre errado, e então essa idéia de extensão seria obra 
de um gênio maligno, incompatível com a idéia de um Deus 
bom e verdadeiro. Se Deus existe como ser perfeitíssimo, Ele 
é bom e verdadeiro; não pode permitir o erro sistemático doespírito humano. Porque Deus é perfeito, Ele é bom, e então 
a imagem do mundo exterior não é uma ficção. Eu tenho 
a certeza de que penso, e de que indubitavelmente existo 
porque sou essa coisa que pensa e Deus é a garantia de que 
aquilo que penso deveras existe como coisa física. Portanto, as 
idéias claras e distintas correspondem de fato à realidade - elas 
não são a armadilha de um gênio enganador e perverso 
Dualismo. Outro aspecto importante da filosofia de Descartes é 
sua concepção do homem em uma dualidade corpo-espírito. O 
universo consiste de duas diferentes substâncias: as mentes, ou 
substância pensante, e a matéria, a última sendo basicamente 
quantitativa, teoreticamente explicável em leis científicas e 
fórmulas matemáticas. Só no homem as duas substâncias se 
juntaram em uma união substancial, unidas porém delimitadas, 
e assim Descartes inaugura um dualismo radical, oposto da 
consubstancialidade ensinada pela escolástica tomista. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO
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Ele também rejeita a visão escolástica de que existe uma 
distinção entre vários tipos de conhecimento baseados 
na diversidade dos objetos conhecíveis, cada um com seu 
conceito fixo. Para ele o “poder de conhecer” é sempre o 
mesmo, qualquer que seja o objeto ao qual seja aplicado. Bem 
aplicado pode chegar à verdade e à certeza, mal aplicado vai 
cair no erro ou dúvida. A mente, em muitas de suas atividades, 
é dependente do corpo: a paixão, ou seja, aquilo que é sentido, 
é uma ação sobre o corpo. Fisiologicamente, Descartes 
colocou o centro da interação entre as duas substâncias na 
glândula pineal, convencido de que o aspecto geométrico 
de sua posição anatômica, - um pequeno corpo localizado 
centralmente na base do cérebro -, indicava uma função nobre, 
porém sem nada saber de sua atividade fisiológica por muito 
tempo desconhecida pela ciência. 
Alguns dão a Descartes a distinção de haver fundado 
a psicologia fisiológica, porque foi ele que explicou o 
comportamento de animais inteiramente em bases de funções 
mecânicas do sistema nervoso, negando que tivessem “almas”. 
Ele também propôs uma teoria que explicava a percepção 
visual de distancia, forma e tamanho, em termos de indicações 
secundárias. 
Ética. Descartes reconhece o corpo humano como a mais 
perfeita das máquinas; trabalha por impulsos naturais, - o 
que é hoje chamado reflexos condicionados -, mas os efeitos 
destes instintos automáticos e desejos podem ser controlados 
ou modificados pela mente, pelo poder da vontade racional. A 
higiene do corpo é importante, mas há igualmente a necessidade 
de uma higiene mental, a qual é baseada no conhecimento 
verdadeiro dos fatores psicológicos que condicionam o 
comportamento. A mente necessita do treinamento do “bom 
senso” e a aquisição de sabedoria, o que por sua vez depende do 
conhecimento das verdades da metafísica a qual, a metafísica, 
por seu turno, inclui o conhecimento de Deus. Descartes assim 
conclui que a atividade moral está baseada no conhecimento 
verdadeiro dos valores, ou seja, em idéias claras e distintas 
garantidas por Deus, do valor relativo das coisas. 
O método. O seu Método para o raciocínio correto é 
principalmente “nunca aceitar qualquer coisa como verdade se 
essa coisa não pode ser vista clara e distintamente como tal. 
Descartes assim implica a rejeição de todas as idéias e opiniões 
aceitas, a determinação a duvidar até ser convencido do 
contrario por fatos auto evidentes. Outro preceito é “Conduzir 
os pensamentos em ordem, começando com os objetos que 
são os mais simples e fáceis de saber e assim procedendo, 
gradualmente, ao conhecimento dos mais complexos. 
Recomenda recapitular a “cadeia de raciocínio” para se estar 
certo de que não há omissões. Propõe também preceitos 
metodológicos complementares ou preparatórios da evidência: 
o preceito da análise (dividir as dificuldades que se apresentem 
em tantas parcelas quantas sejam necessárias para serem 
resolvidas), o da síntese (conduzir com ordem os pensamentos, 
começando dos objetos mais simples e mais
fáceis de serem conhecidos, para depois tentar gradativamente 
o conhecimento dos mais complexos) e o da enumeração 
(realizar enumerações de modo a verificar que nada foi 
omitido). 
Revolução científica. Quanto à filosofia e à ciência, Descartes 
viveu no início da revolução científica. Seu importante trabalho, 
Meditações sobre a Filosofia Primeira, foi publicado em 1641, o 
ano anterior a morte de Galileu e nascimento de Newton. Deste 
período é a obra de Francis Bacon Instauratio Magna, publicada 
em 1623; é a “A Cidade do Sol”, de Campanella, publicada em 
1623, é Il Sagiatore Celeste, de Galileu, em 1623, são as obras 
de Kepler e de vários outros cientistas, filósofos e matemáticos, 
com suas invenções e descobertas. A grande preocupação 
na virada do século XVI para o século XVII: encontrar um 
caminho novo. “As múltiplas opiniões eram caminhos vários 
e inseguros que não levavam a qualquer meta definitiva e 
estável. “Precisava-se achar o método para a ciência. Francis 
Bacon (156l-1626) e Galileu haviam deixado bem claro o novo 
caminho do método experimental, indutivo, que formularia 
suas leis, partindo da consideração dos casos particulares.. 
Alguns, como eles próprios, Bacon e Galileu, enfrentam a 
hegemonia do pensamento lógico dedutivo dos aristotélicos 
até então predominante e apoiado pelas forças do Estado e 
da Igreja. Constituem com Hobbes, Locke, Berkeley e Hume 
a chamada corrente empirista, que, de um golpe irá devastar 
o território da alquimia, da astrologia, da cabala, e constrói 
pacientemente a ciência moderna. Outros reconhecem o valor 
do método indutivo, mas compreendem que ele é apenas o 
complemento novo que possibilitou a descoberta do método 
experimental e que o único instrumento com respeito às 
causas e aos fins últimos inatingíveis pela experimentação, 
será sempre a dedução lógica, e se arrojam por essa estrada. 
Formam a corrente racionalista moderna: Campanella, 
Descartes, Malebranche, Spinoza, Leibniz, e Kant. 
Classificação das ciências. No “Princípios da Filosofia”, 
Descartes classifica as ciências quanto à sabedoria ou grau 
de clareza e nitidez de idéias que é possível atingir em cada 
uma. A ciência, ele diz, pode ser comparada a uma árvore; a 
metafísica é a raiz, a física é o tronco, e os três principais ramos 
são a mecânica, a medicina, e a moral, estes formando as três 
aplicações do nosso conhecimento, que são, o mundo externo, 
o corpo humano, e a conduta da vida. Mas os conhecimentos 
científicos não bastam a si mesmos: o tronco da física sustenta-
se em raízes metafísicas. É o Bom Deus quem garante o 
conhecimento científico, porque garante as idéias claras. A 
física cartesiana resulta, assim, de deduções racionais abstratas: 
Deus existe e serve de apoio para retirar do domínio da dúvida 
o conhecimento que é claro e evidente. O mundo físico está 
de antemão provado por uma idéia inata, a de extensão, que 
é a essência da corporeidade. Deus garante que idéias claras 
da realidade têm correspondência na realidade, Deus torna 
os objetos inteligíveis e os sujeitos capazes de intelecção, mas 
há que vencer a imperfeição do homem, cujas impressões 
sensíveis vem de fora e são deformadas. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO
PÁG. 05
Geometria. O La Géométrie é a parte mais importante do 
“Discurso”. Ele representa o primeiro passo para uma teoria 
dos invariantes, que em estágios posteriores desrelativisa 
o sistema de referencia e remove arbitrariedades; a álgebra 
faz possível reconhecer os problemas típicos na geometria e 
trazer junto os problemas que na roupagem geométrica não 
pareceriam de nenhum modo estarem relacionados. A álgebra 
introduz na geometria os princípios mais naturais da divisão 
e a mais naturalhierarquia do método. Com ela as questões 
de solvabilidade e possibilidade geométricas podem ser 
resolvidas elegantemente, rapidamente e inteiramente da 
álgebra paralela; e sem ela não podem ser decididas de modo 
algum. 
Realmente, o grande avanço feito por Descartes foi criar uma 
fórmula algébrica para representar o fato trivial e então já 
conhecido de que um ponto em uma folha de papel retangular 
está infalivelmente, como é evidente, onde as duas linhas de 
suas duas distancias medidas perpendicularmente a duas 
margens adjacentes da folha, se encontram. Em linguagem 
geométrica, isto quer dizer que um ponto em um plano pode 
ser representado pelos valores (hoje chamados “coordenadas 
cartesianas”) das suas duas distâncias (x, y) tomadas 
perpendicularmente a dois eixos que se cruzam em ângulo reto 
nesse plano, com a convenção de lado positivo e negativo para 
um e outro lado do ponto de cruzamento dos eixos. Então uma 
equação f(x,y)=0 pode ser satisfeita por um infinito número 
de valores de x e y. O importante é que esses valores de x e y 
podem representar as coordenadas de vários pontos de uma 
curva, da qual a equação f(x,y)=0 expressa alguma propriedade
geométrica, isto é, a propriedade verdadeira da curva em cada 
ponto dela. Por exemplo, o gráfico da função f(x)=x2 consiste 
de todos os pares (x, y) tais que y=x2, ou seja, é a coleção de 
todos os pares (x, x2), como (1,1), (2, 4), (-1, 1), (-3, 9), etc. A curva 
resulta ser uma parábola. Qualquer propriedade particular 
desta curva pode ser deduzida da equação, sem necessidade 
de se fazer o desenho da curva para encontrar os pontos 
graficamente, e duas ou mais curvas podem ser referidas a 
um e mesmo sistema de coordenadas; o ponto no qual duas 
curvas intersectam é determinado pela raiz comum às suas 
duas equações. E isto é geometria analítica, sua invenção.
Um de seus críticos diz que algumas idéias no La Géométrie 
podem ter vindo de um trabalho anterior de Oresme mas 
reconhece que no trabalho de Oresme não há nenhuma 
evidência de ligar a álgebra e a geometria. Wallis, um 
contemporâneo de Descartes, argumenta em sua “Álgebra” 
(1685) que as idéias do La Géométrie foram copiadas do 
trabalho de Harriot sobre equações. Isto é considerado possível 
pelos historiadores da matemática, apesar de que Descartes 
sempre alegou que nada em sua obra era influência do trabalho 
de outros. 
Ótica e Universo. Dos dois restantes apêndices do Discours um 
era devotado à ótica, outro a natureza. Seu maior interesse está 
nas leis da refração, coincidentes no entanto com os
achados de Snell, cujos experimentos originais Descartes deve 
ter repetido em Paris, em 1626 e 1627, e provavelmente se 
esqueceu de mencionar. Grande parte da ótica está dedicada 
a determinar a melhor forma para as lentes de um telescópio, 
mas as dificuldades mecânicas para polir uma superfície de 
vidro até uma forma requerida eram tão grandes naquela época 
que tornavam essas pesquisas de pouca utilidade prática. Mas 
revelam que Descartes estava em dúvida se os raios de luz 
procediam do olho e tocavam os objetos, como supunham os 
gregos, ou se, ao contrário, procediam do objeto e afetavam 
o olho. Porém, como ele considerava a velocidade da luz 
ser infinita, ele não considerou esse ponto particularmente 
importante. 
No Meteoros Descartes discute numerosos fenômenos 
atmosféricos, inclusive o arco-íris, que não explica corretamente 
por ignorar fatos importantes relativos ao índice de refração das 
substâncias para diferentes cores de luz.. Sua física do universo, 
de base metafísica, reunindo muito do que havia preparado 
para o não publicado Le Monde, encontra-se exposta no seu 
Principia, de 1644. 
Descartes não acredita em ação à distância. Conseqüentemente, 
não podia admitir haver vácuo em torno da terra e sim alguma 
matéria que seria o meio pelo qual as forças poderiam ser 
transferidas. A mecânica de Descartes supõe o universo cheio 
com a matéria que, devido a algum movimento inicial, se 
estabeleceu como um sistema de vórtices que carregam o sol, 
as estrelas, os planetas e seus satélites, e os cometas em seus 
trajetos. 
Por muitas razões a teoria de Descartes, é mais satisfatória 
do que o efeito misterioso da gravidade agindo a distância. 
Ele assume que a matéria do universo tem que estar em 
movimento, e que o movimento deve resultar em diversos 
vórtices. Sustenta que o sol está no centro de um imenso 
redemoinho de matéria, no qual os planetas flutuam e são 
arrastados em círculo como palhas em um redemoinho de 
água. Supõe que cada planeta está, por sua vez, no centro 
de um redemoinho secundário no qual os seus satélites 
são carregados em órbita. Estes redemoinhos secundários 
supostamente produzem variações de densidade no meio que 
os circunda e assim afetam o redemoinho primário principal, 
fazendo os planetas se moverem em elipses e não em círculos. 
De acordo com essa concepção o sol estaria no centro das 
elipses planetárias e não em um de seus focos, como Kepler 
havia demonstrado. Newton, em 1687, examinou sua teoria e 
verificou que não apenas estava em desacordo com as leis de 
Kepler mas também com as leis fundamentais da mecânica. No 
entanto, apesar de seus defeitos, a teoria dos vórtices marca um 
momento na astronomia, porque foi uma tentativa feita, antes 
de Newton, de explicar todo o universo por leis mecânicas 
conhecidas na terra e não milagres do céu.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO
PÁG. 06
More perguntou a Descartes: “Por que os seus vórtices não são 
em forma de coluna ou cilindro (como um ciclone) em vez de 
elipses, desde que, tanto quanto eu entendo, qualquer ponto 
do eixo de um vortex é como se fosse o centro do qual a matéria 
celestial se afasta com um ímpeto inteiramente constante?” 
Mas Descartes não lhe deu resposta. 
Apesar dos problemas com a teoria dos vórtices, ela dominou 
na França por quase cem anos, mesmo depois que Newton 
mostrou que ela era impossível como um sistema dinâmico. 
Embora não aplicável ao sistema planetário, provou ser 
verdadeira quando se descobriu a forma das galáxias que 
revolvem ao redor de um buraco negro que é um vórtice. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Tendo lido o texto, identifique:
a) A que se destinam como objetivo as ideias de Descartes?
RESPOSTA 
A maior parte da obra de Descartes é consagrada às ciências 
(domínios da matemática e da ótica) mas o que ele mais quer é 
conseguir um modo de chegar a verdades concretas.
b) Como descartes classifica as Ciências? Explique.
RESPOSTA
Descartes classifica as ciências quanto à sabedoria ou grau de 
clareza e nitidez de idéias que é possível atingir em cada uma. A 
ciência, ele diz, pode ser comparada a uma árvore; a metafísica é 
a raiz, a física é o tronco, e os três principais ramos são a mecânica, 
a medicina, e a moral, estes formando as três aplicações do nosso 
conhecimento, que são, o mundo externo, o corpo humano, e a 
conduta da vida. Mas os conhecimentos científicos não bastam 
a si mesmos: o tronco da física sustenta-se em raízes metafísicas.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 05 | RACIONALISMO E CONHECIMENTO
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA06
 O MUNDO DOS VALORES: 
 ÉTICA E MORAL
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Nesta aula, vamos aprender sobre o mundo dos valores Éticae Moral. Vamos entender porque fazemos julgamentos e 
emitimos opiniões sobre coisas e fenômenos no mundo. 
1- Conceito de Ética e Moral
2- Diferenças entre os dois conceito
3- Importância de valores
Objetivos da aula 06
• Entender os conceitos de valores, ética e moral
• Conhecer os seus fundamentos
• Ser capaz de refletir culturas e valores morais na atualidade.
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você a conceituação e o debate 
sobre valores, ética e moral que nos dias atuais está muito 
presente.
 
Os Valores
 
Desde o nascimento nos é ensinado o que é certo e errado e a 
partir disso reproduzimos os valores impostos pela sociedade. 
Antes de mais nada, valor moral pode ser definido como 
“respeito à vida”, não apenas a vida individual mas sim a vida 
coletiva, já que vivemos coletivamente, dependendo uns dos 
outros.
Mas por que os valores morais são tão importantes na 
sociedade? Ora, eles são os responsáveis pela manutenção da 
ordem entre as pessoas, sendo inclusive ensinados desde o 
berço. 
 
É fácil imaginar em que situação o mundo se encontraria 
atualmente caso o homem ignorasse as leis formuladas a partir 
dos conceitos de ética e moralidade. 
 
É certo que o homem possui o direito de ter sua liberdade de 
expressão e escolha, porém tudo é passivo de limites. Caso 
contrário, diante de quaisquer adversidades que surgissem 
em nosso caminho, retornaríamos ao nosso estado primitivo 
e resolveríamos todos os problemas de maneira antiquada, 
desprovida de ética e moral, como fazem os criminosos, 
notadamente não seguidores dos valores morais.
Em síntese, valor moral além de ser um instrumento 
indispensável para o bom funcionamento da sociedade e 
integração dos indivíduos nela, também significa respeito à 
vida. À nossa vida e à vida das pessoas ao nosso redor.
A Ética
 
A ética está em todos os discursos. A propósito de qualquer 
acontecimento, levantam-se as vozes dos moralistas a invocar a 
ne¬cessidade de reforço ético. Ética, infelizmente, é moeda em 
curso até para os que não costumam se portar eticamente. Por 
isso, com¬preensível que muitos já não acreditem no termo 
ética.
A Ética é a “vida pensada”, pois, reflete criticamente o que a 
moral estabelece. A moral é o conjunto de regras concretas.
A ética é a disciplina filosófica onde refleti criticamente a moral, 
para assim por em pratica se for o correto.
A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade 
humana, ética é o que todos temos só falta desenvolver e 
acreditar no bem, a ética orienta-nos e ajuda-nos para uma 
vida boa. 
Mas boa em que sentido? 
No sentido do bem, fazer o bem para com as pessoas, ajudar, 
orientar e pensar em outros e pensar neles também para 
podermos ser felizes, atingir a felicidade está também em 
atingir a felicidade do outro. A ética é praticada sem nenhum 
tipo de determinação vem de dentro, do consciente.
A Moral
 
Afinal o que é a moral? 
A moral é o conjunto de regras, normas de uma sociedade 
ou região, é importante porque há muitas pessoas que 
desrespeitam as leis e são de um instinto mal.
A moral é importante por que não temos piloto automático 
e a nossa sociedade é muito cruel. A moral é um conjunto de 
conduta, A moral é o ” TU DEVES”.
 
A Moral e a Ética são temporais, ou seja, ao longo do tempo 
vão-se modificando, evoluindo, por que estão abertos a novos 
conceitos e críticas.
A moral não pensa na Liberdade e na dignidade do indivíduo, e 
a ética tem como ponto de partida esses dois valores.
Moral é o conjunto de condutas e normas que tu, eu e alguns 
dos que nos rodeiam costumamos aceitar como válidas; «ética» 
é a reflexão sobre o porquê de as considerarmos válidas, bem 
como a sua comparação com as outras «morais», assumidas 
por pessoas diferentes.”
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 06 | O MUNDO DOS VALORES: ÉTICA E MORAL
PÁG. 02
Diferença entre ética e moral:
1. Ética é o princípio
2. Moral são aspectos de condutas específicas; 
3. Ética é temporal, 
4. Moral é temporária; 
5. Ética é universal,
6. Moral é cultural; 
7. Ética é a Teoria,
8. Moral é a prática. 
ÉTICA ESTÁ RELACIONADA À OPÇÃO, AO DESEJO DE 
REALIZAR A VIDA, MANTENDO COM OS OUTROS RELAÇÕES 
JUSTAS. NORMALMENTE, ESTÁ RELACIONADA ÀS IDÉIAS 
DE BEM E VIRTUDE, ENQUANTO VALORES PERSEGUIDOS 
POR TODO SER HUMANO E CUJO ALCANCE SE TRADUZ 
NUMA CO-EXISTÊNCIA PLENA E FELIZ.
ONTOLOGIA: VEM DO GREGO “ONTOS” E “LOGOS” SER E 
ESTUDO, ASSIM ESTUDO DO SER EM SUA ESSÊNCIA.
DEONTOLOGIA: VEM DO GREGO “DEONTOS” E 
“LOGOS”, SIGNIFICANDO RESPECTIVAMENTE, “O QUE É 
OBRIGATÓRIO, NECESSÁRIO E ESTUDO.
A ética, então, pode ser o regimento, a lei do que seja ato moral, 
o controle de qualidade da moral. Daí os códigos de ética que 
servem para as diferentes micro-sociedades dentro do sistema 
maior. A moral por sua vez, de acordo com Kant, “é aquilo 
que precisa ser feito, independentemente das vantagens ou 
prejuízos que possa trazer”.
Assim, quando praticamos um ato moral, poderemos até sofrer 
conseqüências negativas, pois o que é moral para uns pode ser 
amoral ou imoral para outros. 
Veja o exemplo.
A família do Sr. João tem o costume de tomar banho junta. 
Pai, mãe e filhos (meninas e meninos) sempre tomaram banho 
juntos. É cultural, dentro da casa, a exposição do corpo nu 
entre eles sem que haja conotações de sexualidade ou de 
promiscuidade. No entanto, seus vizinhos, regidos por uma 
cultura totalmente avessa a esse tipo de comportamento, 
quando ficaram sabendo do banho coletivo familiar daquela 
família, passaram a denomina-la de imoral. Esse simples e 
pequeno exemplo, pode justificar o que foi afirmado acima: 
que ações morais, para uns, podem ser imorais para outros. 
Não há como definir quem está “certo” ou quem está “errado”, 
é uma questão cultural familiar, de uma micro-sociedade. Duas 
pessoas podem ter valores diferenciados a respeito do que seja 
ato moral ou imoral, é uma questão de consciência pessoal. Daí 
o conceito do Kant sobre “aquilo que precisa ser feito”.
 
Assim, vemos que no Brasil precisamos pensar sobre esses 
conceitos com firmeza, pois na SOCIEDADE CAPITALISTA... em 
que vivemos num mundo marcado pela cultura do capital, que 
conseguiu impor a sua lógica e os seus interesses. São cerca de 
400 famílias no mundo que possuem mais de 70% da riqueza 
mundial. Essa situação configura uma grave ofensa Ética, em 
relação aos demais seres humanos, à natureza e ao mundo. 
Vivemos uma Ética individualista, consumista, utilitarista.
 
VAMOS REFLETIR:
“No Brasil, a cada minuto e meio, morre uma criança em 
conseqüência da fome ou das doenças provocadas pela fome.”
“Isso acontece em um país que é o 2º maior exportador de 
grãos e alimentos do mundo.”
“Essa situação configura uma grave crise Ética. Não nos 
tratamos de forma humana, somos cruéis e sem piedade uns 
com os outros”
(Frei Beto)
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 06 | O MUNDO DOS VALORES: ÉTICA E MORAL
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ÉTICA DA SENSIBILIDADE
Betinho dizia que o maior crime da humanidade não é produzir 
armas atômicas ou ter uma guerra civil, mas, sim, não termos 
sensibilidade, não sentirmos o outro, sendo tão cruéis. Portanto, 
a Ética surge quando diante de nós aparece o outro e, assim, 
surgem várias atitudes possíveis. Posso sentir medo do outro, 
excluí-lo e submetê-lo. Ou posso vê-lo como um semelhante, 
que possa fazer uma aliança de vida. 
 
Vamos conhecer um pouco deste grande sociólogo “Betinho” - 
Herbert José de Souza
Acesse: http://educacao.uol.com.br/biografias/herbert-jose-
de-sousa-betinho.jhtm
CONTINUANDO...
ÉTICA DO CUIDADO
 
Outro elemento importante da Ética, além da sensibilidade, 
é o cuidado de uns para com os outros. Cuidado é sentir-se 
envolvido com o outro, é preocupar-se com o destino do outro.
ÉTICA DA RESPONSABILIDADE
 
Uma novaÉtica de urgência é a da responsabilidade. Dar-se 
conta e controlar as conseqüências que as minhas ações, a 
minha palavra, o meu gesto tem sobre o outro.
SINTESE DA AULA
 
Nesta aula entendemos o que são valores e como é importante 
compreender culturalmente as ideias de Ética e Moral, bem 
como saber diferenciá-las.
 
Agora que você refletiu e pode pensar sobre ética e moral, 
vamos assistir um vídeo As rígidas normas que devem seguir as 
Mulheres Muçulmanas... e desenvolver uma reflexão sobre ele. 
https://www.youtube.com/watch?v=V5lt56FjQrY
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Assista o vídeo e elabore uma reflexão sobre ele 
diferenciando ética e moral.
RESPOSTA 
As mulheres de melhores condições financeiras são mais livres, 
o véu é delicado, vestem-se com roupas modernas, frequentam 
lojas, restaurantes caros, inclusive só com as amigas. Já vi outras, 
e estas a maioria, só andam com o marido, carregadas de filhos, 
eles quase sempre não ajudam; cheias de roupas, panos escuros 
num calor horrível, sinceramente deu dó! Não vi nenhuma com 
um olhar de felicidade, percebe-se uma tristeza profunda em seus 
rostos, é deprimente. Deus é amor, Ele não faz acepção de pessoas, 
e é terrível usarem o nome Dele, em vão, para justificar maus tratos 
e desrespeito a outros seres humanos (ou não).
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios.
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 AULA07
 EPISTEMOLOGIA
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Nesta aula 07 precisamos definir epistemologia e sua 
importância para as discussões da Filosofia. Ela é ainda um 
dos principais ramos da filosofia, talvez mesmo aquele que 
mais se destaca, e os seus problemas compreendem a questão 
da possibilidade do conhecimento, que nos coloca a dúvida 
se o ser humano conseguirá algum dia atingir realmente o 
conhecimento total e genuíno, fazendo-nos oscilar entre uma 
resposta dogmática ou empirista.
1- O que é Epistemologia.
2- Qual a sua importância na Filosofia 
3- Como ela está dividida.
4- A Epistemologia Genética e Jean Piaget
Objetivos da aula 07
• Entender o que é Epistemologia.
• Conhecer a questão da possibilidade do conhecimento
• Identificar os tipos de epistemologia.
• Apresentar a Epistemologia genética de Jean Piaget
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você que a epistemologia é o 
ramo da filosofia que estuda a origem, a estrutura, os métodos 
e a validade do conhecimento (daí também se designar por 
filosofia do conhecimento).
A palavra epistemologia não é encontrada na literatura grega 
antiga. Apesar do problema do conhecimento fazer parte 
das questões da Filosofia desde os gregos antigos, o termo 
epistemologia começou a ocupar maior espaço na literatura 
filosófica apenas na modernidade. 
Não obstante, o termo grego que origina a expressão (epistêmê) 
é mais comum de ser lido na literatura do período clássico. Este 
termo aparece 594 vezes em Platão e 322 em Aristóteles. A 
ocorrência mais remota é em Sófocles (495-406 a.C.). 
Esse termo não aparece em Homero e Hesíodo, que 
correspondem ao período arcaico. Isso nos leva a pensar que 
epistêmê tornou-se uma preocupação do pensamento grego 
apenas no período histórico clássico, ou seja, em torno do 
século V a.C. 
E sabemos que esse período marca o auge da polis grega 
e da busca filosófica pelo princípio único que explicasse a 
physis. Podemos afirmar, portanto, com certa segurança, que a 
epistêmê torna-se uma preocupação filosófica junto com outras 
de ordem política, uma vez que elas estão contextualizadas 
com a polis grega.
O substantivo epistêmê, ligado ao verbo epistamai, significa, 
em termos gerais, familiaridade com um assunto, habilidade, 
experiência (como em arquearia ou na guerra, por exemplo); é 
uma forma de conhecimento prático. 
 
Provavelmente é formado pela conjugação de epi (preposição 
que significa sobre) e histêmi, que significa: a) colocar em pé, 
erguer, fixar, colocar firme. Podemos dizer que epistêmê traz a 
idéia de algo que sobre o quê se pode sustentar firmemente.
O que diz epistêmê? O verbo que lhe corresponde é epistasthai, 
colocar-se diante de alguma coisa, ali permanecer e deparar-
se, a fim de que ela se mostre em sua visão. Epistasis significa 
também permanecer diante de algo, dar atenção a alguma coisa. 
Esse estar diante de algo numa permanência atenta, epistêmê, 
propicia e encerra em si o fato de nós nos tornarmos e sermos 
cientes daquilo diante do que assim nos colocamos. Sendo cientes 
podemos, portanto, tender para (vorstehen) a coisa em causa, 
diante da qual e na qual permanecemos na atenção. Poder tender 
para a coisa significa entender-se com ela. Traduzimos epistêmê, 
por “entender-se com-alguma-coisa”. (1994:204)
EPISTEMOLOGIA SIGNIFICA CIÊNCIA, CONHECIMENTO, 
É O ESTUDO CIENTÍFICO QUE TRATA DOS PROBLEMAS 
RELACIONADOS COM A CRENÇA E O CONHECIMENTO, SUA 
NATUREZA E LIMITAÇÕES .
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AULA 07 | EPISTEMOLOGIA
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É uma palavra que vem do grego. A epistemologia estuda a 
origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento, 
e também é conhecida como teoria do conhecimento e 
relaciona-se com a metafísica, a lógica e a filosofia da ciência. 
 
É uma das principais áreas da filosofia, compreende a 
possibilidade do conhecimento, ou seja, se é possível o ser 
humano alcançar o conhecimento total e genuíno, e da origem 
do conhecimento.
 
A epistemologia também pode ser vista como a filosofia 
da ciência. A epistemologia trata da natureza, da origem e 
validade do conhecimento, e estuda também o grau de certeza 
do conhecimento cientifico nas suas diferentes áreas, com o 
objetivo principal de estimar a sua importância para o espírito 
humano.
 
A epistemologia surgiu com Platão, onde ele se opunha à 
crença ou opinião ao conhecimento. A crença é um ponto 
de vista subjetivo e o conhecimento é crença verdadeira e 
justificada. 
 
A teoria de Platão diz que conhecimento é o conjunto de todas 
as informações que descrevem e explicam o mundo natural e 
social que nos rodeia.
A epistemologia provoca duas posições, uma empirista que diz 
que o conhecimento deve ser baseado na experiência, ou seja, 
no que for apreendido durante a vida, e a posição racionalista, 
que prega que a fonte do conhecimento se encontra na razão, 
e não na experiência.
 
Epistemologia genética
 
A Epistemologia Genética consiste em uma teoria elaborada 
pelo psicólogo e filósofo Jean Piaget. A epistemologia genética 
é um resumo de duas teorias existentes, o apriorismo e o 
empirismo. Para Piaget, o conhecimento não é algo inato 
dentro de um indivíduo, como afirma o apriorismo. De igual 
forma o conhecimento não é exclusivamente alcançado através 
da observação do meio envolvente, como declara o empirismo. 
PAUSA PARA REFLEXÃO E MAIS CONHECIMENTO...
Você conhece Jean Piaget?
Vamos conhecê-lo?
Jean Piaget... nasceu na Suíça, na cidade de Neuchâtel, 
em 1896. Considerado uma criança precoce, desde cedo 
demonstrou interesse pela observação da natureza e pela 
organização sistematizada dos dados coletados, tanto que aos 
onze anos publicou um pequeno artigo científico a respeito 
de suas observações de um pássaro albino. Durante sua 
adolescência, trabalhou como assistente do diretor do Museu 
de História Natural de Neuchâtel,onde se interessou e estudou 
malacologia, chegando a publicar vários artigos sobre o tema, 
os quais tiveram notório reconhecimento pela comunidade 
científica. 
Ainda na adolescência, influenciado pelo padrinho, que 
era professor de filosofia, iniciou os estudos, especialmente 
interessado pelas questões epistemológicas, que o 
acompanhariam por todo o seu trabalho como pesquisador. 
Entretanto, precisou escolher entre a biologia e a filosofia aos 
18 anos, para definir a sua profissão. Optou pela formação 
universitária em biologia e aos 20 anos doutorou-se em 
malacologia. 
Mas qual o significado de malacologia?
Acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Malacologia
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 07 | EPISTEMOLOGIA
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CONTINUANDO...
Piaget, desde a adolescência, desejou criar uma teoria 
biológica do conhecimento, e, perseguindo esse ideal, acabou 
buscando na psicologia da inteligência o meio termo para os 
seus interesses biológicos e epistemológicos. 
 
A psicologia é a ciência que investiga o comportamento 
humano e, portanto, investiga como o ser humano aprende 
e se apropria do conhecimento. Especialmente, admite o 
método experimental de pesquisa, fato que chamou a atenção 
de Piaget.
 
Inicialmente, é importante explicar o nome da teoria de Jean 
Piaget. As questões epistemológicas interessaram a Piaget 
desde sua juventude. A epistemologia é utilizada comumente 
para designar o que chamamos a teoria do conhecimento. 
 
O objetivo da pesquisa de Piaget foi definir, a partir da 
perspectiva da biologia, como o sujeito passaria de um 
conhecimento menor anterior para um nível de maior 
conhecimento. 
O problema que buscou solucionar durante toda a sua vida 
de pesquisador e que fez dele um teórico e autor conhecido 
e respeitado mundialmente, foi o da construção do 
conhecimento pelo sujeito, o que o fez, partindo da biologia, 
estudar filosofia, epistemologia, lógica, matemática, física, 
psicologia, entre outras ciências.
PIAGET: O CONHECIMENTO É PRODUZIDO GRAÇAS A UMA 
INTERAÇÃO DO INDIVÍDUO COM O SEU MEIO, DE ACORDO 
COM ESTRUTURAS QUE FAZEM PARTE DO PRÓPRIO 
INDIVÍDUO .
SINTESE DA AULA
 
Nesta aula conhecemos que toda a reflexão epistemológica que 
pretenda um esclarecimento sobre problemas relacionados 
com o estatuto das várias ciências, as suas metodologias, 
os âmbitos e limites dos vários saberes, a sua objectividade, 
universalidade e validade, requer uma investigação prévia 
sobre o próprio conhecimento: um conhecimento do 
conhecimento e uma defesa do seu próprio estatuto e da 
sua fiabilidade. Esta tarefa consiste numa crítica, que deverá 
assumir uma certa atitude transcendental, orientada para a 
reconstrução – e não descontrução – do processo cognitivo 
desde os seus fundamentos. Conhecemos também um pouco 
do pensamento de Jean Piaget sobre a Epistemologia Genética.
APRENDENDO UM POUCO MAIS:
Pedagogia Construtivista
Inspirado nas idéias do suíço Jean Piaget (1896-1980), o 
método procura instigar a curiosidade, já que o aluno é levado a 
encontrar as respostas a partir de seus próprios conhecimentos 
e de sua interação com a realidade e com os colegas. 
 
Uma aluna de Piaget, Emilia Ferrero, ampliou a teoria para o 
campo da leitura e da escrita e concluiu que a criança pode se 
alfabetizar sozinha, desde que esteja em ambiente que estimule 
o contato com letras e textos. O construtivismo propõe que o 
aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante 
a experimentação, a pesquisa em grupo, o estimulo a dúvida e 
o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. 
A partir de sua ação, vai estabelecendo as propriedades dos 
objetos e construindo as características do mundo. 
 
Para Piaget, a inteligência lógica tem um mecanismo auto-
regulador evolutivo, noções como proporção, quantidade, 
causalidade, volume e outras, surgem da própria interação da 
criança com o meio em que vive. Vão sendo formados esquemas 
que lhe permitem agir sobre a realidade de um modo muito 
mais complexo do que podia fazer com seus reflexos iniciais, 
e sua conduta vai enriquecendo-se constantemente. Assim, 
constrói um mundo de objetos e de pessoas onde começa a 
ser capaz de fazer antecipações sobre o que irá acontecer. 
O método enfatiza a importância do erro não como um 
tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. 
A teoria condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as 
avaliações padronizadas e a utilização de material didático 
demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno. As 
disciplinas estão voltadas para a reflexão e auto-avaliação, 
portanto a escola não é considerada rígida.
As idéias de Piaget mostram aos psicólogos que havia um 
mecanismo natural de aprendizagem e que a escola deveria 
acompanhar a curiosidade da criança, propondo atividades com 
temas que a interessassem naquele momento, sem se prender 
a um currículo rígido. O russo Lev Vygotsky, contemporâneo 
de Piaget, desenvolveu uma psicologia também chamada 
construtivista, mas considerando as atividades interpessoais da 
criança e a história social. Existem várias escolas utilizando este 
método. Mais do que uma linha pedagógica, o construtivismo é 
uma teoria psicológica que busca explicar como se modificam 
as estratégias de conhecimento do individuo no decorrer de 
sua vida.
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AULA 07 | EPISTEMOLOGIA
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Assista ao vídeo abaixo e aproveite o que aprendeu sobre 
as ideias epistemológicas de Piaget e construa um texto 
dissertativo de dez linhas analisando os fundamentos de sua 
epistemologia genética.
https://www.youtube.com/watch?v=n0UZT1UCzec
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios. 
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 AULA08
 FILOSOFIA E CULTURA 
 AFROBRASILEIRA
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Nesta aula, vamos proceder a análise dos fazeres humanos 
identificando aspectos éticos, estéticos, morais, políticos e 
econômicos envolvidos na produção científica e tecnológica, 
bem como sua utilização é uma competência necessária, 
diretamente vinculados a questão da cultura afro brasileira.
A construção do sujeito de relações e de comunicação, 
a construção do sujeito histórico, ético, consciente e de 
responsabilidade social, que assegure ao aluno a formação 
indispensável para o exercício da cidadania.
FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA
1- Aspectos históricos da cultura afrobrasileira
2- Reflexões sobre os avanços desta questão na realidade 
brasileira
3- A filosofia e a cultura afrobrasileira
Objetivos da aula 08
• Conhecer a história da cultura afrobrasileira.
• Entender os trações e valores dessa cultura para a formação 
brasileira.
• Conhecer algumas manifestações culturais, demonstrando 
atitudes de interesse, respeito e participação frente a elas e 
valorizando a diversidade;
• Relacionar Filosofia e o debate da cultura afrobrasileira
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você repertórios histórico–
cultural que lhes permitam localizar acontecimentos, 
respeitando o modo de vida de diferentes grupos, 
reconhecendo mudanças e permanências de vivências 
humanas, questionando sua realidade, valorizando o 
patrimônio sócio-cultural e respeitando a diversidade, além 
de conhecer realidades históricas singulares, distinguindo 
diferentes modos de convivência nelas existentes.
FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA
 
O estudo do negrobrasileiro envolve muitos temas a 
serem explorados. Existe a necessidade de conceituação 
de colonialismo, neocolonialismo e imperialismo; precisa-
se destacar as Conferências de Berlim e de Bandung, em 
1885 e 1955 respectivamente, importantes à história 
africana; os processos de emancipação; as diferentes lutas 
pela independência etc. Todos esses assuntos precisam ser 
relacionados com suas reais conseqüências para o mundo e em 
especial para o Brasil. 
A principal etnia trazida para o Brasil foi a dos Bantos, povo que 
durante o período colonial brasileiro ocupava a maior parte 
do continente africano situado ao sul do equador, na região 
onde hoje está localizado o Congo, a República Democrática 
do Congo, Angola e Moçambique, entre outros.
Assim que chegavam ao Brasil, os africanos escravizados 
eram logo submetidos à aculturação portuguesa, traduzida 
principalmente na catequese católica: eram batizados e 
recebiam um nome “cristão”, pelo qual seriam conhecidos a 
partir daquele momento. 
A cultura Afro-brasileira está presente em toda a nossa 
trajetória de formação de nação. O Brasil foi o país que mais 
recebeu escravos africanos e, após a abolição, a luta pelo 
reconhecimento na sociedade tem sido incessante. Falar em 
uma cultura Afro-brasileira implica abordar as lutas sociais, a 
miscigenação, a discriminação, o sincretismo e a contribuição 
cultural de um modo geral. 
O cuidado para não generalizar superficialmente a cultura 
Afro-brasileira deve ser constante.
Os objetos, a língua e o ritmo musical são definidos como 
africanos, não através de uma pesquisa cuidadosa, que ainda 
é rara, e sim, muitas vezes, por uma associação superficial, por 
semelhança ou por observação. “Parecer africano” ou “soar 
como africano” é, na verdade, o que torna algo “africano”. 
Traços fortes da cultura africana podem ser encontrados hoje 
em variados aspectos da cultura brasileira, como a música 
popular, a religião, a culinária, o folclore e as festividades 
populares. 
Os estados do Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas 
Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande 
do Sul foram os mais influenciados pela cultura de origem 
africana, tanto pela quantidade de escravos recebidos durante 
a época do tráfico como pela migração interna dos escravos 
após o fim do ciclo da cana-de-açúcar na região Nordeste.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 08 | FILOSOFIA E CULTURA AFROBRASILEIRA
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De maneira geral, tanto na época colonial como durante 
o século XIX a matriz cultural de origem europeia foi a 
mais valorizada no Brasil, enquanto que as manifestações 
culturais afro-brasileiras foram muitas vezes desprezadas, 
desestimuladas e até proibidas. 
Assim, as religiões afro-brasileiras e a arte marcial da capoeira 
foram frequentemente perseguidas pelas autoridades. Por 
outro lado, algumas manifestações de origem folclórico, como 
as congadas, assim como expressões musicais como o lundu, 
foram toleradas e até estimuladas.
 
A partir de meados do século XX, as expressões culturais 
afro-brasileiras começaram a ser gradualmente mais aceitas e 
admiradas pelas elites brasileiras como expressões artísticas 
genuinamente nacionais. 
Nem todas as manifestações culturais foram aceitas ao mesmo 
tempo. O samba foi uma das primeiras expressões da cultura 
afro-brasileira a ser admirada quando ocupou posição de 
destaque na música popular, no início do século XX.
O interesse pela cultura afro-brasileira manifesta-se pelos muitos 
estudos nos campos da sociologia, antropologia, etnologia, 
música e linguística, entre outros, centrados na expressão e 
evolução histórica da cultura afro-brasileira, inclusive em nossa 
disciplina de Fundamentos Sócio Antropológicos também 
são abordados estes temas sob o prisma da Sociologia e da 
Antropologia.
CONTINUANDO...
Os negros trazidos da África como escravos geralmente eram 
imediatamente batizados e obrigados a seguir o Catolicismo. 
A conversão era apenas superficial e as religiões de origem 
africana conseguiram permanecer através de prática secreta 
ou o sincretismo com o catolicismo.
Algumas religiões afro-brasileiras ainda mantém quase que 
totalmente suas raízes africanas, como é o caso do Candomblé 
e do Xangô do Nordeste; 
Outras formaram-se através do sincretismo religioso, como o 
Batuque, o Xambá e a Umbanda. Em maior ou menor grau, as 
religiões afro-brasileiras mostram influências do Catolicismo e 
da encataria europeia, assim como da pajelança ameríndia. 
PARA SABER MAIS SOBRE ENCATARIA EUROPÉIA..
Acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Encantaria
TROCANDO EM MIÚDOS...
O sincretismo manifesta-se igualmente na tradição do batismo 
dos filhos e o casamento na Igreja Católica, mesmo quando os 
fiéis seguem abertamente uma religião afro-brasileira.
No Brasil colonial os negros e mulatos, escravos ou forros, 
muitas vezes associavam-se em irmandades religiosas católicas. 
A Irmandade da Boa Morte e a Irmandade de Nossa Senhora 
do Rosário dos Homens Pretos foram das mais importantes, 
servindo também como ligação entre o catolicismo e as 
religiões afro-brasileiras. 
 
A própria prática do catolicismo tradicional sofreu influência 
africana no culto de santos de origem africana como São 
Benedito, Santo Elesbão, Santa Efigênia e Santo Antônio de 
Noto (Santo Antônio do Categeró ou Santo Antônio Etíope); 
no culto preferencial de santos facilmente associados com os 
orixás africanos como São Cosme e Damião, São Jorge (Ogum 
no Rio de Janeiro), Santa Bárbara (Iansã); na criação de novos 
santos populares como a Escrava Anastácia; e em ladainhas, 
rezas e festas religiosas (como a Lavagem do Bonfim onde as 
escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim em Salvador, 
Bahia são lavadas com água de cheiro pelas filhas-de-santo do 
candomblé).
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As igrejas pentencostais do Brasil, que combatem as religiões 
de origem africana, na realidade têm várias influências destas 
como se nota em práticas como o batismo do Espírito Santo e 
crenças como a de incorporação de entidades espirituais (vistas 
como maléficas). Enquanto o Catolicismo nega a existência 
de orixás e guias, as igrejas pentencostais acreditam na sua 
existência, mas como demônios. 
O sincretismo religioso existente na umbanda dá-se devido 
a fatores histórico-culturais presentes na história do Brasil. 
Durante o período de Brasil Colônia, os índios e negros mantidos 
com o trabalho escravo eram proibidos de expressar, cultuar 
ou fazer ritos de acordo com suas próprias crenças religiosas 
por conta dos preconceitos (e medos) dos seus senhores, e 
tinham que fingir e “aceitar” a imposição da religião Católica, 
pois a missão Jesuíta era impor isso a eles, para que todas as 
impurezas de espírito fossem retiradas dos “não-civilizados”.
 
Muitos deles, ao demonstrarem essa não-aceitação ao 
catolicismo, acabavam sendo severamente castigados. 
 
Em fim, as primeiras décadas depois da abolição da 
escravatura,em 1888, e a proclamação da República, em 1889, 
foram decisivas para o futuro da população negra no Brasil. 
Nesse sentido, a medida foi o reconhecimento legal de algo 
que já existia de fato.
O que significava ser livre para a população afrodescendente 
em diáspora no Brasil?
 Ter autodeterminação; ser dona de seu próprio destino. Para a 
população negra, nesse contexto deveras adverso, ser cidadão 
significava ter direitos iguais e não ser vista como inferior. 
Porém, diante da inclusão marginal e das práticas de 
discriminação racial e tratamento diferenciado em relação à 
população branca, a cidadania plena continuava sendo um 
sonho. 
Para transformá-lo em realidade, um grupo das “pessoas de cor” 
logo percebeu que era necessário unir-se e lutar coletivamente, 
por meio de reivindicações e projetos,pela conquista de 
respeito, dignidade, reconhecimento, empoderamento, 
participação política, emprego, educação, terra, etc.
Se a Abolição não resolveu muitas das necessidades sociais, 
políticas, econômicas e culturais do negro, ela lhe abriu a 
possibilidade de organizar-se em condições diferentes daquelas 
da escravidão, com graus significativamente diferentes de 
liberdade.
Segundo as estatísticas, a existência de um preconceito 
racial contra negros e mulatos foi constatada. As opiniões 
variam grandemente da tolerância relativa a intolerância 
relativa; a liberdade de atividades e, num grau menor, a de 
comportamento, são relativamente grandes; as normas sociais 
são antes diretivas que compulsórias. 
A igualdade de oportunidades é largamente tolerada, 
entretanto, as ligações íntimas com pessoas de cor não são 
vistas com bons olhos. Os mulatos sofrem geralmente menor 
discriminação que os negros, mas também são discriminados.
O SISTEMA DE COTAS RACIAIS FOI APROVADO NO 
STF (SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL), COMO SENDO 
CONSTITUCIONAL NO DIA 26 DE ABRIL DE 2012.
A mídia se pronunciou, com a indagação da folha on-line 
(06/05/2012): “O STF ( Supremo Tribunal Federal) acertou ao 
aprovar as cotas raciais em Universidades Públicas?”. 
Trazendo polêmica e mostrando que o assunto que acabamos 
de abordar ainda é objeto de grandes trabalhos acadêmicos. 
O que na verdade concluímos no que foi discutido e com 
este exemplo é que deveria acontecer era uma grande 
comemoração em torno desta ação histórica de inclusão social, 
e não uma dúvida preconceituosa. 
O preconceito racial impera de forma absurda no nosso país. 
Tivemos avanços é claro, mas ainda há muito que se fazer para 
amenizar os efeitos da escravidão em nosso país. 
SINTESE DA AULA
Nesta aula procuramos demonstrar que a Filosofia está 
presente na reflexão da cultura afrobrasileira na medida em 
que se propõe a racionalizar e questionar sempre os avanços 
e retrocessos da realidade das contribuições e inserções sociais 
dos grupos afrobrasileiros. Acreditamos que a educação 
é a maneira mais atuante de transformação de atitudes e 
pensamentos de uma sociedade. E que uma das formas 
de efetivar esta transformação é através da escola, onde 
organizamos, socializamos e sistematizamos os conhecimentos 
construídos pelo ser humano ao longo dos séculos.
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Assista ao vídeo abaixo e escreva um texto identificando três 
contribuições culturais afrobrasileiras.
https://www.youtube.com/watch?v=2odST57MmH4
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
AZEVEDO, Thales. Democracia racial.Petropolis: Vozes, 1975. 
Introdução, caps 1,2 e 3
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios. RS: Artmed, 2005.
SOUZA, Ricardo Luiz. Pensamento social brasileiro. 
Uberlândia: EDUFU, 2011. Caps IV e V.
RAMOS, Arthur. O negro brasileiro. Rio: Graphia, 2011 (1934). 
5ª ed. Introdução e cap. IV, V, IX,
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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PÁG. 06
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA09
 CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER 
 NO PENSAMENTO FILOSÓFICO
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Estimado(a) Aluno(a),
Nesta aula, vamos aprender sobre concepções de política 
e poder relacionados as visões filosóficas de pensadores 
clássicos. 
Nesse sentido, a Filosofia conduz para os livros de Ciência 
Política a discussão de proposições respeitantes à origem, à 
essência, à justificação e aos fins do Estado, como das demais 
instituições sociais geradoras do fenômeno do poder. 
Prontos para essa etapa?
Ótimo... Me acompanhem nessa reflexão!!
Estudaremos:
1-Conceito de Política e poder ;
2-Filosofia e pensamento político
3-Pensamento filosófico e fundamentos políticos
Objetivos da aula 09
• Conhecer desenvolver um conceito de política e poder em 
suas relações com o meio, nas formas como se comunica, em 
suas descobertas;
• Desenvolver uma proposta filosófica na qual a dimensão 
política seja valorizada como princípio das relações humanas.
• Contribuir para a compreensão dos elementos que interferem 
no processo social das relações de poder através da busca do 
esclarecimento dos universos que tecem a existência humana: 
trabalho, relações sociais e cultura simbólica.
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você que a Filosofia mostra-se 
como o estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar 
incessantemente a compreensão da realidade, no sentido de 
apreendê-la na sua totalidade, quer pela busca da realidade, 
quer pela definição do instrumento capaz de apreender a 
realidade. 
A Ciência Política inserida neste contexto apresenta-se, em 
sentido lato, tendo por objeto o estudo dos acontecimentos, 
das instituições e das idéias políticas, tanto em sentido teórico 
(doutrina) como em sentido prático (arte), referido ao passado, 
ao presente e às possibilidades futuras.
CONCEPÇÕES DE POLÍTICA E PODER 
NO PENSAMENTO FILOSÓFICO
 
O conceito de poder varia no tempo e em função da corrente 
de pensamento abraçada pelos diferentes autores. A fim de 
exemplificar a complexidade de que se reveste o conceito, são 
referidos, a seguir, alguns posicionamentos que inspiraram 
toda uma série de teorias em ciência política.
 
A palavra política é originária do grego pólis (politikós), e se 
refere ao que é urbano, civil, público, enfim, ao que é da cidade 
(da pólis). É uma forma de atividade humana relacionada ao 
exercício do poder. 
 
Na Idade Moderna surgiram as doutrinas democráticas, que 
conferem ao povo ou à nação o poder soberano. Estas teorias 
tornaram-se conhecidas a partir das obras de Thomas Hobbes 
(1588-1679), John Locke (1632-1704) e Jean-Jacques Rousseau 
(1712-1778).
 
Para Thomas Hobbes, a humanidade, antes de criar a vida em 
sociedade, vivia em anarquia e violência, no chamado estado 
de natureza, no qual inexistia qualquer hierarquia entre os 
indivíduos. 
 
Essa vida “solitária, sórdida e brutal” terminou quando a 
humanidade criou, por meio de um contrato, a sociedade 
política. 
 
A soberania, que estava dispersa, residindo em cada indivíduo, 
passou a ser exercida pela autoridade criada em razão daquele 
contrato político. Hobbes entendia que o contrato que criou 
o Estado não poderá ser jamais revogado, sob pena de a 
humanidade retroceder ao estado de natureza. 
 
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O ponto de partida de John Locke difere do de Hobbes. No 
estado de natureza não teria havido caos, mas ordem e razão. 
 
Ele concorda com Hobbes que um contrato entre os indivíduos 
criou a sociedade política, mas o Estado surgiu para assegurar 
a lei natural, bem como para manter a harmonia entre os 
homens. Neste sentido, diz Locke, inexiste qualquer cessão dos 
direitos naturais ao Estado. 
 
Por isso, este deve ser exercido pela maioria, bem como 
respeitar os naturais direitos à vida, à liberdade, à propriedade. 
 
Foi Locke quem primeiro mencionou os Poderes Executivo, 
Legislativo e Judiciário como três funções essenciais do Estado. 
Em termos de preferência, Locke defendia a democracia 
como forma de governo, aceitando como boa a monarquia 
na qual a o Poder Legislativo, órgão supremo do Estado, fosse 
independente do rei.
Jean Jacques Rousseau também partiu do princípio de que 
houve um estado de natureza. Este, porém, não era nem o caos 
de Hobbes e nem apenas ordeiro eracional, como queria Locke. 
 
Mais do que isso, no estado de natureza os homens eram 
livres e felizes. Foi o progresso da civilização, com a divisão 
do trabalho e da propriedade que criaram ricos e pobres, 
poderosos e fracos. 
 
Assim, a sociedade política surgiu como um mal necessário, para 
manter a ordem e evitar o recrudescimento das desigualdades. 
 
Ao criar o Estado, mediante um contrato social, o indivíduo 
cedeu parte de seus direitos naturais para que fosse criada uma 
entidade superior a todos, detentora de uma vontade geral. 
 
Ao participar das decisões tomadas pelo Estado, porém, o 
indivíduo recupera a parcela de soberania que transferiu por 
força do contrato social que formou a sociedade política.
PARA ROUSSEAU, O TITULAR DO PODER 
DE ESTADO É O POVO
As teorias de Hobbes, Locke e Rousseau exerceram grande 
influência, não só em suas. Hobbes inspirou o poder absoluto 
dos reis. Locke teve suas idéias aplicadas nas declarações de 
independência e nas Constituições dos Estados Americanos, 
bem como na formação do pensamento democrático e 
individualista. Rousseau deu o fermento ideológico da fase 
radical da Revolução Francesa.
 
A História nos ensina que, nas sociedades primitivas, o poder 
de Estado concentrava-se em uma pessoa ou em um grupo. 
As atividades eram exercidas por intermédio de um só órgão 
supremo, que cuidava da defesa externa, da ordem interna, do 
controle dos bens e serviços de caráter coletivo, inclusive das 
funções religiosas.
 
 A extensão territorial e a diversificação crescente das atividades, 
dentre outros fatores, exigiu uma desconcentração do poder, 
cujo exercício começou a ser dividido entre várias pessoas.
 
Desde a antigüidade, a função de julgar foi sendo delegada a 
funcionários do rei. Ao longo da Idade Média, outras funções 
foram se especializando, e órgãos especiais surgiram para 
desempenhar essas funções. O caso da Inglaterra é exemplar. 
A função legislativa, por um processo de negociação e lutas, 
passou das mãos do rei para uma representação autônoma dos 
cidadãos: o Parlamento.
Aristóteles, discorrendo sobre a organização do Estado, 
ressaltou três funções principais: a deliberante, exercida pela 
assembléia dos cidadãos, que ele reputava como o verdadeiro 
poder soberano; a da magistratura, exercida por cidadãos 
designados pela assembléia para realizar determinadas tarefas; 
e a judiciária.
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O tema passou despercebido por outros escritores, até que, 
no século XVIII, Locke o retomou, fornecendo os elementos 
de que se serviria Montesquieu, mais tarde, para elaborar sua 
famosa teoria que dividiu os Poderes em Legislativo, Executivo 
e Judiciário.
 
Em seu processo histórico de desenvolvimento, os Estados 
modernos se formaram a partir da integração, cada vez maior, 
das duas doutrinas. A idéia é a de que tudo o que o cidadão 
puder decidir por si deve ser determinado por sua própria 
vontade. 
 
E o que depender de regulação coletiva deve contar com a 
participação do cidadão, a fim de assegurar que a decisão 
tomada represente, em alguma medida, a expressão da 
vontade individual.
SINTESE DA AULA
Nesta aula procuramos levar o aluno a questionar sua realidade, 
apartir da conceituação de política poder e reflexão filosófica, 
pois assim, ele pode analisar, comparar, decidir, planejar 
e expor idéias, bem como ouvir e respeitar as de outrem 
configurando um sujeito crítico e criativo. O poder é uma força 
a serviço de uma idéia. É uma força nascida da vontade social, 
destinada a conduzir o povo na obtenção do bem comum, e 
capaz, sendo necessário, de impor aos indivíduos a atitude que 
ela determinar.
O Estado é o poder e por isso seus atos obrigam, mas ele é 
poder abstrato e por isso não é afetado pelas modificações que 
atingem seus agentes.
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Com base nos ensinamentos da aula e em pesquisas na web 
desenvolva o pensamento político dos seguintes filósofos:
•	 Hobbes
•	 Locke
•	 Rousseau-
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RESPOSTAS
•	 Hobbes-	 Para	 o	 inglês	 Thomas	 Hobbes	 (1588-1679),	
o	 homem	 vive	 inicialmente	 em	 “estado	 de	 natureza”	 (estado	
PRIMITIVO	 de	 DESORDEM,	 pois	 não	 tem	 suas	 ações	 reprimidas	
nem	 pela	 razão	 nem	 pela	 presença	 de	 instituições	 políticas	
eficientes).
•	 O	 estado	de	natureza	 é	uma	permanente	ameaça	que	
pesa	sobre	a	sociedade,	pois	pode	irromper	sempre	que	a	PAIXÃO	
SILENCIAR	A	RAZÃO	ou	A	AUTORIDADE	FRACASSAR.
•	 Os	 homens,	 no	 estado	 de	 natureza,	 são	 egoístas,	
luxuriosos,	inclinados	a	agredir	os	outros	e	insaciáveis.
•	 Há	no	homem	um	desejo	de	destruição	 e	 de	manter	 o	
domínio	sobre	o	seu	semelhante	 (competição	constante,	estado	
de	guerra	-	“guerra	de	todos	contra	todos”).	
•	 Por	isso,	torna-se	necessário	existir	um	poder	que	esteja	
acima	das	pessoas	individualmente	para	que	o	estado	de	guerra	
seja	controlado,	isto	é,	para	que	o	instinto	destrutivo	do	homem	
seja	dominado.	
•	 Nesse	sentido,	o	Estado	surge	como	forma	de	controlar	
os	“instintos	de	lobo”	(“o	homem	é	o	lobo	do	próprio	homem”)	que	
existem	no	ser	humano	e,	assim,	garantir	a	preservação	da	vida	
das	pessoas.	
•	 Apesar	de	suas	paixões	más,	o	homem	é	um	ser	racional	
e	descobre	os	princípios	que	deve	seguir	para	superar	o	estado	de	
natureza	e	estabelecer	o	estado	social.
•	 Segundo	Hobbes,	 para	que	 isso	aconteça,	 é	 necessário	
que	o	soberano	tenha	amplos	poderes	sobre	os	súditos.
•	 	Os	cidadãos	devem	transferir	o	seu	poder	ao	governante,	
que	irá	agir	como	soberano	absoluto	a	fim	de	manter	a	ordem.
•	 Em	 sua	 obra	 Leviatã,	 Hobbes	 atribui	 legitimidade	 ao	
poder	 político	 absoluto,	 baseando-se	 na	 concepção	 de	 uma	
natureza	humana	competitiva	e	destrutiva	para	qual	somente	um	
poder	forte	do	Estado	teria	condições	de	fazer	frente.
•	 Por	 último,	 Hobbes	 entende	 que	 mesmo	 um	 MAU	
GOVERNO	é	melhor	do	que	o	ESTADO	DE	NATUREZA.
•	 Locke	 John	 Locke	 (1632-1704)	 parte	 do	 princípio	 de	
que	o	 Estado	 existe	 não	porque	o	homem	é	o	 lobo	do	homem,	
mas	 em	 função	 da	 necessidade	 de	 existir	 uma	 instância	 acima	
do	 julgamento	parcial	de	cada	cidadão,	de	acordo	com	os	 seus	
interesses.
•	 Cada	 qual	 sendo	 juiz	 de	 sua	 própria	 causa,	 leva	 ao	
surgimento	de	problemas	nas	relações	entre	os	homens.	
•	 Assim,	 os	 cidadãos	 livremente	 escolhem	 o	 seu	
governante,	delegando-lhe	poder	para	conduzir	o	Estado,	a	fim	
de	garantir	os	direitos	essenciais	expressos	no	pacto	social.	
•	 O	 Estado	 deve	 preservar	 o	 direito	 à	 liberdade	 e	 à	
propriedade	privada.	
•	 As	leis	devem	ser	expressão	da	vontade	da	assembléia	e	
não	fruto	da	vontade	de	um	soberano.	
•	 Locke	é	um	opositor	ferrenho	da	tirania	e	do	absolutismo	
(defendido	 por	 Hobbes),	 colocando-se	 contra	 toda	 tese	 que	
defenda	a	idéia	de	um	poder	inato	dos	governantes	(por	exemplo,	
a	monarquia).
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•	 Rousseau-	 o	 suíço	 Jean-Jacques	 Rousseau	 (1712-1778)	
considera	 que	 o	 ser	 humano	 é	 essencialmente	 bom,	 porém,	 a	
sociedade	o	corrompe.	
•	 Ele	considera	que	o	povo	tem	a	soberania.	
•	 Daí,	conclui	que	todo	o	poder	emana	(tem	sua	origem)	
do	povo	e,	em	seu	nome,	deve	ser	exercido.	
•	 O	 governante	 nada	mais	 é	 do	 que	 o	 representante	 do	
povo,	 ou	 seja,	 recebe	 uma	 delegação	 para	 exercer	 o	 poder	 em	
nome	do	povo.	
•	 Rousseau	defende	que	o	Estado	se	origina	de	um	pacto	
formado	entre	os	 cidadãos	 livres	que	 renunciam	à	 sua	vontade	
individual	para	garantir	a	realização	da	vontade	geral.	
•	 Denuncia	 a	 propriedade	 como	 uma	 das	 causas	 da	
origem	da	desigualdade.•	 Na	 sua	 obra	 Do	 contrato	 social,	 procurou	 investigar	
não	 só	 a	 origem	 do	 poder	 político	 e	 se	 existe	 uma	 justificativa	
válida	 para	 os	 homens,	 originalmente	 livres,	 terem	 submetido	
sua	 liberdade	ao	poder	político	do	Estado,	mas	 também	qual	a	
condição	 necessária	 para	 que	 o	 poder	 político	 seja	 legítimo	 (o	
pacto	social).
“O	homem	nasce	livre	e,	não	obstante,	está	acorrentado	em	parte.	
Julga-se	 senhor	dos	demais	 seres	 sem	deixar	de	 ser	 tão	escravo	
como	eles.	Como	se	tem	realizado	esta	mutação?	 Ignoro-o.	Que	
pode	 legitimá-la?	 Creio	 poder	 responder	 a	 esta	 questão.	 (...)	 A	
ordem	social	é	um	direito	sagrado	que	serve	de	base	a	todos	os	
outros.	Tal	direito,	no	entanto,	não	se	origina	da	natureza,	funda-
se,	 portanto,	 em	 convenções.”	 	 ROUSSEAU,	 Jean-Jacques.Do	
contrato	social,	p.	37.
•	 Um	 tema	 muito	 interessante	 no	 pensamento	 político	
de	Rousseau	é	a	questão	da	democracia	direta	e	da	democracia	
representativa.	
•	 A	 democracia	 direta	 supõe	 a	 participação	 de	 todo	 o	
povo	na	hora	de	tomar	uma	decisão.	
•	 A	democracia	representativa	supõe	a	escolha	de	pessoas	
para	 agirem	 em	 nome	 de	 toda	 a	 população	 no	 processo	 de	
gerenciamento	das	atividades	comuns	do	Estado.	
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
AZEVEDO, Thales. Democracia racial.Petropolis: Vozes, 1975. 
Introdução, caps 1,2 e 3
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios. RS: Artmed, 2005.
SOUZA, Ricardo Luiz. Pensamento social brasileiro. 
Uberlândia: EDUFU, 2011. Caps IV e V.
RAMOS, Arthur. O negro brasileiro. Rio: Graphia, 2011 (1934). 
5ª ed. Introdução e cap. IV, V, IX,
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA10
 ESTÉTICA E FILOSOFIA
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Nesta aula 10 vamos aprender sobre a relação entre Filosofia 
e Estética. A estética é uma ciência que remete para a beleza e 
também aborda o sentimento que alguma coisa bela desperta 
dentro de cada um de nós. 
 
Como está intimamente ligada ao conceito de beleza, existem 
vários centros ou clínicas de estética, onde pessoas podem 
fazer vários tratamentos com o objetivo de melhorar a sua 
aparência física. A filosofia acrescenta seu questionamento 
racional a este campo.
1- Conceito de estética
2- Relação Estética e Filosofia
3- Reflexões práticas sobre esta perspectiva
Objetivos da aula 10
• Conhecer sobre o conceito de estética
• Desenvolver uma proposta filosófica que oriente na definição 
de padrões de beleza relacionados a contextos culturais e 
valores sociais;
• Contribuir para a compreensão dos elementos que interferem 
na relação estética percepção do mundo social.
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você que a filosofia não se 
propõe a dá respostas prontas, mas sim a fazer o ser humano 
pensar, questionar, criticar, duvidar, fazer com que o individuo 
não aceite tudo que lhe é imposto. Diante desta proposta da 
filosofia pretendemos levantar uma discussão em torno dos 
aspectos ligados a beleza sem nenhuma pretensão de definir 
o belo, mas sim expor de forma clara e concisa o pensamento 
filosófico sobre o tema.
Por que nos atraímos pelo belo? Por que buscamos a beleza? 
Por que o belo nos causa prazer? a reflexão sobre a arte, a 
estética e o belo sempre estiveram presentes na filosofia, 
são temas recorrentes na obra de vários filósofos e hoje mais 
do que nunca despertam a curiosidade dos leitores devido á 
grande valorização da beleza nos dias atuais.
 
 FILOSOFIA E ESTÉTICA
 
O culto ao belo remonta aos gregos que viam a beleza física 
como um reflexo da saúde do corpo, acreditavam que a estética 
e o físico eram tão importantes quanto o intelecto na busca 
pela perfeição, para eles a beleza do corpo não se resumia a 
estética, revelava o modo de vida do individuo. 
 
Nos dias atuais corpos magros e atléticos são sinônimos de 
perfeição, as pessoas se tornaram obcecadas pelo padrão 
vigente de beleza, no qual todos querem se inserir, o individuo 
tenta projetar em si o que é belo aos olhos da sociedade, ou seja, 
as pessoas se moldam aos padrões dominantes, estipulados e 
propagados pelo mundo capitalista, pela indústria da moda e 
mídia, procurando por meio disso a aceitação, auto- satisfação, 
auto- estima e a felicidade. 
 
O efeitos dessas super valorização do corpo e da beleza é 
observado com a crescente procura por centros estéticos, 
cirurgias plásticas, produtos de beleza cada vez mais 
sofisticados, salões de cabeleireiros, academias de ginástica, 
produtos com propostas milagrosos anunciados pela mídia, 
o culto exagerado pelo corpo, na busca da auto satisfação 
corpórea e de um padrão estético aceitável. 
 
Essa busca obsessiva pelo corpo perfeito e o culto a estética 
trouxeram serias conseqüências a nossa sociedade.
 
Muitos em sua maioria adolescentes insatisfeitos com seu 
corpo, por não representarem os padrões socialmente aceitos 
fazem uso de medicamentos ou praticas que comprometem 
sua saúde na busca do tão sonhado corpo esbelto e bonito.
 
Praticas essas que levaram a um crescente numero de casos 
de doenças como anorexia, bulimia e vigorexia (transtorno 
caracterizado pela pratica compulsiva de exercícios físicos) 
colocando sua vida, saúde em risco transformando- se em 
pessoas doentes na busca dessa adequação e auto- estima, 
onde ocorre uma banalização do corpo em detrimento da 
imagem.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 10 | ESTÉTICA E FILOSOFIA
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A ESTÉTICA TAMBÉM É CONHECIDA COMO 
A FILOSOFIA DO BELO E NA SUA ORIGEM ERA 
UMA PALAVRA QUE INDICAVA A TEORIA DO 
CONHECIMENTO SENSÍVEL (ESTESIOLOGIA)
 
 O significado que é atribuído atualmente à estético foi 
introduzido por A.G. Baumgarten, para descrever aquilo que 
na sua altura se chamava de “crítica do gosto”.
 
Ao longo dos tempos, a filosofia sempre se interrogou a 
respeito da essência do belo, o tópico central da estética. 
Segundo Platão, o belo se identifica com o bom, e toda a 
estética idealista tem como origem essa noção platônica. 
 
No caso de Aristóteles, a estética tem como base dois princípios 
realistas: a teoria da imitação e a catarse.
Você conhece esse teoria e a catarse?
Vamos conhecer? Acesse:
http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&link_
id=609:catarse&task=viewlink
CONTINUANDO...
No século XVIII a história da estética atinge o seu auge. Os 
ingleses analisaram a impressão estética e estabeleceram a 
diferença entre a beleza experimentada de forma imediata e 
a beleza relativa. Também foi feita a separação entre o belo e o 
“sublime” (E. Burke).
 
Na estética contemporânea, é importante destacar duas 
tendências: a ontológica-metafísica, que muda radicalmente a 
categoria do belo, e a substitui pela vertente do verdadeiro ou 
do verídico; e a tendência histórico-sociológica, que contempla 
a obra de arte como um documento e como uma manifestação 
do trabalho do homem, analisada no seu próprio âmbito sócio-
histórico.
 
O sentir estético possui, pois, um carácter experiencial e não 
puramente conceptual. 
Não é só o nosso intelecto o destinatário dos objectos, mas é 
toda a nossa pessoa que é afetada por eles. Através do sentido 
estético chegamos ao desfrute da experiência estética.
 
E através das experiências estéticas vamos desenvolvendo 
uma atitude estética. Estética significa aquilo que pode ser 
percebido pelos sentidos, ou aquele que é dotado de sensação. 
 
O juízo é oúltimo grau do gozo estético e com ele 
comprometemo-nos na valorização do objecto estético. O 
juízo estético manifesta a nossa intencionalidade de agirmos: 
valorar, ou a beleza natural, se se trata de um objecto estético 
da natureza, ou a beleza da obra de arte, se se trata de um 
objecto estético artificial.
 
O juízo de gosto é uma avaliação, que distingue se uma coisa 
é ou não bela. Pelo juízo estético queremos captar a intenção 
do artista e participar na conversação a que ele nos convidou 
com a sua obra.
 
O juízo de gosto não é portanto um juízo de conhecimento; 
por conseguinte não é lógico, mas estético; queremos dizer 
com isto que o seu princípio determinante não pode ser senão 
subjectivo.
 
A arte põe em causa o indivíduo inteiro, com a sua constituição 
orgânica, com os seus sentimentos e as suas emoções, mas 
também com as suas ideias e as suas convicções, com a sua 
maneira de pensar e agir.
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A arte deriva sem dúvida de um ato vital, pelo que assume um 
imediato aspecto lúdico, mas, ainda que exercício lúdico na 
origem, logo adquire responsabilidades, toma compromissos, 
transforma-se numa maneira de agir, pelo facto de jogar com 
a totalidade da vida e com as noções do indivíduo acerca dela.
 
O artista vai ao encontro de toda a habituação dos olhos, dos 
ouvidos, e de toda uma mentalidade, de toda uma tradição 
cultural, a que acrescenta a sua achega e que ele próprio ajuda 
a modificar. 
 
A ciência define por meio de símbolos conceptuais, a arte 
sugere por meio de símbolos imagéticos.
 
SINTESE DA AULA
Nesta aula aprendemos que a Estética (do grego αισθητική ou 
aisthésis: percepção, sensação) é um ramo da filosofia que tem 
por objecto o estudo da natureza do belo e dos fundamentos 
da arte. Ela estuda o julgamento e a percepção do que é 
considerado belo, a produção das emoções pelos fenômenos 
estéticos, bem como as diferentes formas de arte e do trabalho 
artístico; a idéia de obra de arte e de criação; a relação entre 
matérias e formas nas artes. Por outro lado, a estética também 
pode ocupar-se da privação da beleza, ou seja, o que pode ser 
considerado feio, ou até mesmo ridículo.
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Após assistir o vídeo abaixo que fala da entrevista com o 
autor clássico Humberto Eco sobre sua obra a História da 
Feiura,apresente uma reflexão entre estética e filosofia, levando 
em conta os ensinamentos da aula.
https://www.youtube.com/watch?v=OOIOkc6fSuE
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
AZEVEDO, Thales. Democracia racial.Petropolis: Vozes, 1975. 
Introdução, caps 1,2 e 3
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios. RS: Artmed, 2005.
SOUZA, Ricardo Luiz. Pensamento social brasileiro. 
Uberlândia: EDUFU, 2011. Caps IV e V.
RAMOS, Arthur. O negro brasileiro. Rio: Graphia, 2011 (1934). 
5ª ed. Introdução e cap. IV, V, IX,
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA11
 FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Estimado(a) Aluno(a),
Estamos iniciando mais uma aula e espero que esta possa 
proporcionar a você, grandes conhecimentos.
Boa Caminhada!!
 
Nesta aula, vamos aprender que apesar da afirmação de que 
“os homens nascem e são livres e iguais”, uma grande parte 
da humanidade permanecia excluída dos direitos. As várias 
declarações de direitos das colônias norte-americanas não 
consideravam os escravos como titulares de direitos tanto 
quanto os homens livres. A Declaração dos direitos do homem 
e do cidadão da Revolução Francesa não considerava as 
mulheres como sujeitas de direitos iguais aos dos homens. 
Em geral, em todas estas sociedades, o voto era censitário e 
só podiam votar os homens adultos e ricos; as mulheres, os 
pobres e os analfabetos não podiam participar da vida política. 
Devemos também lembrar que estes direitos não valiam nas 
relações internacionais. Com efeito, neste período na Europa, ao 
mesmo tempo em que proclamavam-se os direitos universais 
do homem, tomava um novo impulso o grande movimento de 
colonização e de exploração dos povos extra-europeus; assim, 
a grande parte da humanidade ficava excluída do gozo dos 
direitos.
1- O que são Direitos Humanos;
2- História do nascimento desta discussão e de suaspráticas;
3- A relação Direitos Humanos Filosofia
Objetivos da aula 11
• Definir direitos Humanos;
• Traçar um histórico das concepções e práticas de sua realidade;
• Relacionar Filosofia e Direitos Humanos
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você que os direitos humanos 
implicam algo mais do que a mera dimensão jurídica, isto 
significa que é preciso que eles encontrem um respaldo na 
cultura, na história, na tradição, nos costumes de um povo e 
se tornem, de certa forma, parte do seu ethos coletivo, de sua 
identidade cultural e maneira de ser. Por isso que a realização 
dos direitos humanos é relativamente recente no Brasil e 
precisa de um certo tempo para se afirmar e por raízes no 
contexto brasileiro.
INICIANDO....
 
A dignidade humana, na linguagem filosófica é um direito 
essencial. Atualmente, não se discute, há o reconhecimento 
de que toda pessoa tem direitos fundamentais, decorrendo 
daí a imprescindibilidade da sua proteção para preservação da 
dignidade humana.
O conceito de Direitos Humanos é muito amplo. pode ser 
considerado sob dois aspectos:
• constituindo um ideal comum para todos os povos 
• sistema de valores, enquanto produto de ação da coletividade 
humana, acompanha e reflete sua constante evolução e acolhe 
o clamor de justiça dos povos. 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada 
em resolução da III Seção Ordinária da Assembléia Geral das 
Nações Unidas proclama: 
“A presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como 
o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as 
nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão 
da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se 
esforcem, através do ensino e da educação, em promover o 
respeito a esses direitos e liberdades e, pela adoção de medidas 
progressivas de caráter nacional e internacional.”
O tema dos direitos humanos é de crescente relevância na 
caracterização da mentalidade jurídica do século XXI. 
Possui, ao mesmo tempo, um toque de passado e uma 
projeção de futuro. Mas o que são esses direitos? Quais 
seus fundamentos? Como surgiram? Para onde se dirigem? 
Perguntas como estas não são facilmente respondidas, 
necessitam de uma ampla análise histórico-filosófica, além de 
um profundo conhecimento jurídico. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS
PÁG. 02
A doutrina apresenta distintos posicionamentos e ideologias 
que devem ser observados, visando ao mais completo 
entendimento da matéria.
Inicialmente, pergunta-se qual o fundamento desses direitos e 
qual a sua fonte justificativa? Os teóricos se dividem em duas 
posições antagônicas, já muito trabalhadas pela Teoria Geral 
do Direito: o Positivismo e o Jusnaturalismo.
A primeira, apresentada por Norberto Bobbio, afirma a 
inexistência de um direito absoluto para esses “direitos”, já que 
a dogmática jurídica se caracteriza pela historicidade, sendo 
o Direito passível de constantes modificações, advindas da 
sociedade, cultura, moral, economia,que se alteram dia após 
dia. Não se pode dar, assim, um fundamento eterno para algo 
que necessariamente sofrerá modificações.
Atualmente, porém, há uma tendência à “positivação” dos 
direitos humanos, de forma a inseri-los nas Constituições 
Estatais, através da criação de novos mecanismos para garanti-
los, além da difusão de sua regulação por meio de mecanismos 
internacionais, como os Tratados e Convenções Internacionais 
de Direitos Humanos. 
Com isso, já se pode falar num conceito positivo de “direitos 
humanos”, que seriam os “direitos fundamentais”, assegurados 
ao indivíduo através da regulamentação e aplicação desses 
direitos, tanto no campo estatal como no campo supra-estatal.
Os direitos humanos seriam, assim, o conjunto de condições, 
garantias e comportamentos, capazes de assegurar a 
característica essencial do homem, a sua dignidade, de forma 
a conceder a todos, sempre, o cumprimento das necessidades 
inseridas em sua condição de pessoa humana.
Dessa forma, esses direitos não são criados pelos homens ou 
pelos Estados, eles são preexistentes ao Direito, restando a este 
apenas “declará-lo”, nunca constituí-los. O direito não existe 
sem o homem e é nele que se fundamenta todo e qualquer 
direito, é na pessoa humana que o Direito encontra o seu valor.
Há, pois, uma união dessas duas teorias na caracterização 
moderna dos direitos humanos. Ressalta-se o artigo 1.º, inciso 
III, CF/88, que afirma ser fundamento da República Federativa 
do Brasil a “dignidade humana”. 
Diz, em seu artigo 1.º, a Declaração Universal dos Direitos do 
Homem:
“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e 
direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em 
relação uns aos outros com espírito de fraternidade”.
“A Declaração afirma que todos os homens nascem livres e 
iguais em dignidade (art. 1.º) e garante a todos eles os mesmos 
direitos, sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, 
opinião política ou de outra natureza, nascimento ou qualquer 
outra condição (art. 2.º, I)”.
A boa doutrina ressalta algumas características próprias desses 
direitos, sendo:
• Universalidade: todo e qualquer ser humano é sujeito 
ativo desses direitos, independente de credo, raça, sexo, cor, 
nacionalidade, convicções;
• Inviolabilidade: esses direitos não podem ser descumpridos 
por nenhuma pessoa ou autoridade;
• Indisponibilidade: esses direitos não podem ser renunciados. 
Não cabe ao particular dispor dos direitos conforme a própria 
vontade, devem ser sempre seguidos;
• Imprescribilidade: eles não sofrem alterações com o decurso 
do tempo, pois têm caráter eterno;
• Complementaridade: os direitos humanos devem ser 
interpretados em conjunto, não havendo hierarquia entre eles.
A EVOLUÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
Apesar da falta de historicidade inerente a esses 
direitos, é com a história e seus grandes pensadores que se 
observa a “evolução” da humanidade, no sentido de ampliar o 
conhecimento da essência humana, a fim de assegurar a cada 
pessoa seus direitos fundamentais.
Podemos destacar que a noção de direitos humanos foi 
cunhada ao longo dos últimos três milênios da civilização.
Em resumo, assinala que foi nesse período que nasceu a idéia 
de igualdade entre os seres humanos: “é a partir do período 
axial que o ser humano passa a ser considerado, pela primeira 
vez na História, em sua igualdade essencial, como ser dotado 
de liberdade e razão, não obstante as múltiplas diferenças de 
sexo, raça, religião ou costumes sociais. 
Na seqüência, podemos destacar o Cristianismo, que em muito 
contribuiu para o estabelecimento da igualdade entre os 
homens. O Cristianismo, sem dúvida, no plano divino, pregava 
a igualdade de todos os seres humanos, considerando-os 
filhos de Deus, apesar de, na prática, admitir desigualdades em 
contradição com a mensagem bíblica.
Na Idade Média havia a noção de que os homens estavam 
submetidos a uma ordem superior, divina, e deviam obediência 
às suas regras. Era incipiente, todavia, o reconhecimento da 
dualidade Estado-indivíduo.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS
PÁG. 03
A partir do século XIV, as transformações que ocorreram 
abalaram toda a estrutura concebida e que dava sustentação 
à organização social e política da época, culminando, tais 
mudanças, com o Iluminismo (período entre a Revolução 
Inglesa de 1688 e a Revolução Francesa de 1789). 
Foi durante o Iluminismo e o Jusnaturalismo desenvolvidos 
na Europa, entre os séculos XVII e XVIII, que a idéia de 
direitos humanos se inscreveu, inclusive estendendo-se aos 
ordenamentos jurídicos dos países.
PARA SABER MAIS:
Vamos conhecer o significado de Jusnaturalismo?
Acesse:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_natural
A constatação ética da imperiosa necessidade de se resguardar 
certos direitos advém da fusão da doutrina Judaico-cristã 
com o Contratualismo. Para a primeira, o homem foi criado “à 
imagem e semelhança de Deus”, sendo a igualdade e liberdade 
características divinas presentes em toda as pessoas. 
No Iluminismo, o princípio da igualdade essencial dos seres 
humanos foi estabelecido sob o prisma de que todo homem 
tem direitos resultantes de sua própria natureza.
A concepção, que espalhou-se pelos ordenamentos de vários 
países, era a de que os direitos individuais eram preexistentes, 
portanto, não eram criações do Estado e, assim sendo, deveriam 
ser respeitados, cabendo ao Estado zelar pela sua observância.
A evolução da doutrina estóica, que alegava a supremacia da 
“natureza”, culminou no Contratualismo, que teve como seus 
maiores representantes Hobbes, Locke e Rousseau.
Hobbes cria que o homem em seu estado de natureza sofria 
com a “guerra de todos contra todos”, sendo imperiosa a 
necessidade de um órgão que lhes garantisse a segurança. 
Assim, eles alienaram sua liberdade ao estado, detentor de 
todo o poder. Esse poder só seria retirado do governante se ele 
não assegurasse aos cidadãos a segurança desejada.
Locke afirmava a existência de certos direitos fundamentais 
do homem, como a vida, a liberdade e a propriedade. No 
estado natural, o homem era bom. A liberdade individual só 
foi transferida ao Estado para que este melhor garantisse os 
direitos do indivíduo, podendo os cidadãos retirar o poder 
concedido ao governante, caso ele não atendesse aos anseios 
da comunidade, isto é, eles têm o direito de retomar a liberdade 
originária.
Rousseau assevera que o homem natural seria instintivo. O 
Contrato Social foi criado, assim, como forma de garantir ao 
mesmo tempo a igualdade e a liberdadepor meio da soberania 
popular, pela qual os homens cediam parte de sua liberdade 
para a realização do bem comum.
Pode-se inserir no contexto, ainda, a posição de Montesquieu 
que apresentava sua teoria da tripartição do poder como forma 
de garantir o bom governo e controlar os arbítrios.
Essa união teológica e racionalista originou o conceito de 
direito natural, que culminou com a doutrina de Kant, para 
quem o Estado era um instrumento fixador de leis, criadas 
pelos cidadãos, e a liberdade era um imperativo categórico 
fundamental para se conceber a figura humana.
A contribuição de Kant foi muito valiosa para a construção do 
princípio dos direitos universais da pessoa humana. 
Sua visão, complementando, é de que o ser humano não existe 
como meio para uma finalidade, mas existe como um fim em si 
mesmo, ou seja, todo homem tem como fim natural a realização 
de sua própria felicidade, daí resultando que todo homem 
tem dignidade. Isso implica, na sua concepção, que não basta 
ao homem o dever negativo de não prejudicar alguém, mas, 
também, e essencialmente, o dever positivo de trabalhar para 
a felicidade alheia.
Pode-se falar em três ápices da evolução dos direitos humanos: 
o Iluminismo, a Revolução Francesa e o término daSegunda 
Guerra Mundial.
Com o primeiro foi ressaltada a razão, o espírito crítico e a fé 
na ciência. Esse movimento procurou chegar às origens da 
humanidade, compreender a essência das coisas e das pessoas, 
observar o homem natural.
A Revolução Francesa deu origem aos ideais representativos 
dos direitos humanos, a liberdade, a igualdade e a fraternidade. 
Estes inspiraram os teóricos e transformaram todo o modo de 
pensar ocidental. 
Os homens tinham plena liberdade (apesar de empecilhos 
de ordem econômica, destacados, posteriormente, pelo 
Socialismo), eram iguais, ao menos em relação à lei, e deveriam 
ser fraternos, auxiliando uns aos outros.
Por fim, com a barbárie da Segunda Grande Guerra, os homens 
se conscientizaram da necessidade de não se permitir que 
aquelas monstruosidades ocorressem novamente, de se 
prevenir os arbítrios dos Estados. Isto culminou na criação 
da Organização das Nações Unidas e na declaração de 
inúmeros Tratados Internacionais de Direitos Humanos, como 
“A Declaração Universal dos Direitos do Homem”, como ideal 
comum de todos os povos.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS
PÁG. 04
Os documentos de proteção aos direitos humanos foram 
surgindo progressivamente. O antecedente mais remoto 
pode ser a Magna Carta, que submetia o governante a um 
corpo escrito de normas, que ressaltava a inexistência de 
arbitrariedades na cobrança de impostos. A execução de uma 
multa ou um aprisionamento ficavam submetidos à imperiosa 
necessidade de um julgamento justo.
A Petition of Rights tentou incorporar novamente os direitos 
estabelecidos pela Magna Carta, por meio da necessidade de 
consentimento do Parlamento para a realização de inúmeros 
atos.
O Habeas Corpus Act instituiu um dos mais importantes 
instrumentos de garantia de direitos criados. Bastante utilizado 
até os nossos dias, destaca o direito à liberdade de locomoção 
a todos os indivíduos.
A Bill of Rights veio para assegurar a supremacia do Parlamento 
sobre a vontade do rei.
A Declaração de Direitos do estado da Virgínia declara que 
“todos os homens são por natureza igualmente livres e 
independentes e têm certos direitos inatos de que, quando 
entram no estado de sociedade, não podem, por nenhuma 
forma, privar ou despojar de sua posteridade, nomeadamente 
o gozo da vida e da liberdade, com os meios de adquirir e 
possuir propriedade e procurar e obter felicidade e segurança”.
 Assegura, também, todo poder ao povo e o devido processo 
legal (julgamento justo para todos).
A Declaração de Independência dos Estados Unidos da 
América, assim como a Constituição Federal de 1787, 
consolidam barreiras contra o Estado, como tripartição do 
poder e a alegação que todo poder vem do povo; asseguram, 
ainda, alguns direitos fundamentais, como a igualdade entre os 
homens, a vida, a liberdade, a propriedade. 
As dez Emendas Constitucionais Americanas permanecem 
em vigor até hoje, demonstrando o caráter atemporal desses 
direitos fundamentais. Essas Emendas têm caráter apenas 
exemplificativo, já que, constantemente, novos direitos 
fundamentais podem ser declarados e incorporados à Lei 
Fundamental Americana.
Com a Revolução Francesa, foi aprovada a “Declaração dos 
Direitos do Homem e do Cidadão”, que garante os direitos 
referentes à liberdade, propriedade, segurança e resistência à 
opressão.
 Destaca os princípio da legalidade e da igualdade de todos 
perante a lei, e da soberania popular. Aqui, o pressuposto é o 
valor absoluto da dignidade humana, a elaboração do conceito 
de pessoa abarcou a descoberta do mundo dos valores, sob o 
prisma de que a pessoa dá preferência, em sua vida, a valores 
que elege, que passam a ser fundamentais, daí porque os 
direitos humanos hão de ser identificados como os valores 
mais importantes eleitos pelos homens.
A partir do século XX, a regulação dos direitos econômicos e 
sociais passaram a incorporar as Constituições Nacionais.
 A primeira Carta Magna, a revolucionar a positivação de tais 
direitos, foi a Constituição Mexicana de 1917, que versava, 
inclusive, sobre a função social da propriedade.
A Constituição de Weimar de 1919, pelo seu capítulo sobre os 
direitos econômicos e sociais, foi o grande modelo seguido 
pelas novas Constituições Ocidentais.
A partir da segunda metade do século XX, iniciou-se a 
real positivação dos direitos humanos, que cresceram em 
importância e em número, devido, principalmente, aos 
inúmeros acordos internacionais. 
O pensamento formulado nesse período acentua o caráter 
único e singular da personalidade de cada indivíduo, derivando 
daí que todo homem tem dignidade individual e, com isto, a 
Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu art. 6.º, 
afirma: “Todo homem tem direito de ser, em todos os lugares, 
reconhecido como pessoa perante a lei”.
Atualmente não se pode discutir a existência desses direitos, 
já que, além de amplamente consagrados pela doutrina, estão 
presentes também na lei fundamental brasileira: A Constituição 
Federal. 
Mesmo os mais pessimistas, que alegam a falta de eficácia dos 
direitos fundamentais, não podem negar a rápida evolução, 
tanto no sentido normativo, como no sentido executivo, desses 
direitos, que já adquiriram um papel essencial na doutrina 
jurídica, apesar de apenas serem realmente reconhecidos por 
meio da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS
PÁG. 05
Pode-se constatar, por estes apontamentos, que a evolução 
dos direitos humanos foi gradual; todavia, o pensamento 
moderno “é a convicção generalizada de que o verdadeiro 
fundamento da validade – do Direito em geral e dos direitos 
humanos em particular – já não deve ser procurado na esfera 
sobrenatural da revelação religiosa, nem tampouco numa 
abstração metafísica – a natureza como essência imutável de 
todos os entes do mundo.
Se o direito é uma criação humana, o seu valor deriva, 
justamente, daquele que o criou. O que significa que esse 
fundamento não é outro, senão o próprio homem, considerado 
em sua dignidade substancial de pessoa
 
SINTESE DA AULA
 
Nesta aula aprendemos que o quadro de algumas questões que 
se apresentam no debate atual sobre os direitos do homem. 
A doutrina, ou melhor, as doutrinas dos direitos humanos, 
não constituem um campo consensual e pacífico como 
pode aparecer a uma análise superficial e os problemas mais 
dramáticos e urgentes da humanidade estão em jogo. Apesar 
da retórica oficial, a grande parte da humanidade continua, 
como sempre foi, excluída dos direitos mínimos fundamentais 
e a situação tende a se agravar continuamente.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Após assistir o vídeo abaixo elabore uma redação sobre Direitos 
humanos no Brasil.
 https://www.youtube.com/watch?v=ILMkfV6ZIHs
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios. RS: Artmed, 2005.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 11 | FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA12
 AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE 
 FILOSOFIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Nesta aula, vamos aprender que a filosofia exerce profunda 
contribuição no âmbito do estudo da educação ambiental, pois 
esta se constitui com base em propostas educativas oriundas 
de concepções teóricas e matrizes ideológicas distintas, sendoreconhecida como de inegável relevância para a construção 
de uma perspectiva ambientalista de sociedade. Tal fato é 
relativamente simples de compreender quando pensamos a 
Educação Ambiental e questionamos pela lente da Filosofia, 
o0s comportamentos e atitudes que os cidadãos desenvolvem 
para lidar com o meio ambiente que os envolve.
1- O que é educação ambiental
2- Como a filosofia contribui para este tema;
3- Comportamentos e Atitudes que colaboram para um 
fortalecimento do campo de estudos e práticas da Educação 
Ambiental
Objetivos da aula 12
• Sensibilizar os indivíduos para a reflexão do modo como a 
Educação Ambiental é concebida e realizada;
• Incentivar o desenvolvimento de aspectos específicos do 
“mundo da educação” que precisam ser discutidos para que as 
atividades tenham consequências concretas de transformação
• Apresentar a contribuição da reflexão filosófica para o campo 
de estudos da educação ambiental
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você que a constituição 
da educação ambiental como prática social na dimensão 
da sustentabilidade e da cidadania no contexto brasileiro 
passa por importantes reflexões que a Filosofia contribui no 
encaminhamento de suas questões.
 
A reflexão em torno dessa temática passa inicialmente por 
considerar os elementos explicativos da relação sociedade/
educação/meio ambiente, no sentido da educação ambiental, 
da cidadania e da sustentabilidade. Assim, nesse contexto 
de educação o conteúdo educativo resulta da construção 
do conhecimento da relação homem-natureza a partir de 
sua prática social revestida por valores - históricos, políticos, 
sociais, econômicos, éticos e culturais entre outras -, 
constituindo-se como processo de aprendizado na dimensão 
da sustentabilidade individual e coletiva.
Vamos iniciar?
Espero que vocês construam novos conhecimentos sobre a 
Filosofia e a educação ambiental.
FILOSOFIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Desde o seu nascimento, a Filosofia procurou, direta ou 
indiretamente, oferecer ao ser humano novas maneiras de 
pensar, de sentir, de agir e de produzir; isso fez com que ela se 
voltasse também para questões que dizem respeito ao modo 
como as gerações presentes poderiam aproveitar as vivências 
e as experiências das gerações passadas, a fim de que pudesse 
apropriar-se das mesmas de forma que delas pudessem servir-
se e, posteriormente, incrementar as suas próprias vivências e 
experiências a serem transmitidas para as gerações futuras.
A década de 70 marca o surgimento da educação ambiental 
como tema a ser considerado e como objeto de estudo a ser 
desenvolvido. Assim, como o conceito de meio ambiente, o 
conceito de educação ambiental é caracterizado pela escassez 
de trabalhos que aprofundem a compreensão dessa temática, 
em especial, no meio acadêmico. 
 
A educação ambiental pode ser tratada a partir de dois enfoques. 
Primeiro, aquela educação realizada por instituições e órgãos 
públicos, através da formalização de programas de educação 
ambiental. Nesse enfoque, também se considera a educação 
ambiental realizada por organizações não governamentais, 
através de ações ambientais educativas, em que o aprendizado 
de conteúdo ambiental é preestabelecido, constituindo-se 
como um curso ou programa de educação ambiental. 
O segundo enfoque considera a abordagem de educação 
ambiental, enquanto educação para a cidadania na dimensão 
ambiental, constituída a partir do contexto das relações 
produzidas no bojo da sociedade civil, diante do impacto 
gerado pela ação do poder público e as decorrentes políticas 
públicas. 
A educação ambiental nesta abordagem considera a prática 
social como elemento determinante do aprendizado 
autoconstruído no processo de participação.
Nesse caminho devemos considerar que a reflexão filosófica 
exerce influência fundamental nas reflexões e ações de 
indivíduos que trabalham ou atuam com esta temática, pois é 
através da construção de qual a função e o papel social que 
cabe de forma crítica a cada indivíduo é que podemos avançar 
direcionando novas práticas e saberes sobre a mesma.
Contextualizando um pouco mais...
O RESULTADO DESTE APRENDIZADO VERIFICA-SE NA 
DIMENSÃO DAS RELAÇÕES POLÍTICAS, CONFIGURADO 
PELA QUALIDADE DA PRÁTICA SOCIAL; PELA QUALIDADE 
DAS AÇÕES POLÍTICAS PRODUZIDAS; PELA QUALIDADE 
DA ORGANIZAÇÃO SOCIAL, POLÍTICA E AMBIENTAL; PELA 
QUALIDADE DA PARTICIPAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA E PELOS 
RESULTADOS ADQUIRIDOS E CONQUISTADOS NA LUTA 
PELA CIDADANIA. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 12 | AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA... 
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Trata-se da educação ambiental como possibilidade de motivar 
e sensibilizar o indivíduo a transformar as diferentes formas de 
participação em fatores potenciais para dinamizar a sociedade 
e ampliar o controle social sobre a coisa pública.
SANTOS (2001, p. 41) considera que “vivemos numa sociedade 
intervalar, uma sociedade de transição paradigmática, vivendo 
simultaneamente excessos de determinismos e excessos de 
indeterminismos”. Para o autor, o paradigma da modernidade 
está baseado em dois modelos de conhecimento que devem 
estar articulados e em equilíbrio dinâmico: o conhecimento 
emancipação - a trajetória entre o colonialismo e a solidariedade 
- e o conhecimento regulação - a trajetória entre o caos e a 
ordem. 
A realização deste equilíbrio dinâmico, entre os dois modelos, 
foi confiada às três lógicas de racionalidade: a racionalidade 
moral-prática, a racionalidade estético-expressiva, e a 
racionalidade cognitivo-instrumental. 
Ainda para ele, constata-se que nos últimos duzentos anos a 
racionalidade cognitivo-instrumental da ciência e da tecnologia 
predominou sobre às demais. Com isto, o conhecimento-
regulação conquistou a primazia sobre o conhecimento-
emancipação: a ordem transformou-se na forma hegemônica 
de saber e o caos na forma hegemônica de ignorância. 
A FORMA DE USO PREDATÓRIO DA NATUREZA 
PELO HOMEM NÃO É RECENTE.
A esse respeito, LEFF(2001) afirma que, a problemática 
ambiental é de caráter iminentemente social, gerada e 
atravessada por processos sociais surgidos nas ultimas décadas 
do século XX - como uma “crise de civilização” -, questionando a 
racionalidade econômica e tecnológica dominantes. 
Segundo o autor, esta crise tem sido explicada a partir de 
diversas perspectivas ideológicas: por um lado, percebida como 
resultado da pressão exercida pelo crescimento populacional 
sobre os recursos do planeta e por outro, entendida como 
resultante da acumulação de capital e maximização da taxa de 
juro em curto prazo.
Assim, o debate sobre tais questões no âmbito da pedagogia, 
busca subsidiar a compreensão da temática de educação 
ambiental, na medida que a educação ambiental esta inserida 
como conteúdo curricular no contexto dos temas transversais 
no Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, sendo, portanto, 
um desafio pedagógico significativo a ser considerado na 
gestão da educação. 
Nesse sentido, a educação ambiental objetiva sensibilizar os 
indivíduos para a importância do nosso patrimônio histórico 
e ecológico, possibilitando-lhes acesso à aprendizagem 
através da vivência e do contato direto com a natureza. 
Procura-se estimular a mudança de atitudes e hábitos através 
da compreensão dos limites e potencialidades de cada um, 
bem como pelo desenvolvimento da consciência ética, que 
possibilita as pessoas entender e respeitar mais a si próprias e 
ao planeta como co-existentes e interdependentes. 
À medida que aumenta a importância de limpar o meio 
ambiente, no interesse da saúde e da qualidade de vida 
coletivas, cria-se um mercado de interesses econômicos em 
torno das oportunidades oferecidas. 
A questão ambiental passa a ser vista como imperativo do 
mercado, e além de ser preocupação ética, poética, romântica 
e de solidariedade social.Nesse quadro, quem produz 
precisa pensar na sua produção sem degradação ambiental, 
principalmente se quiser alcançar mercados internacionais. 
A ação autointeressada ainda prevalece em nossa sociedade.
Se existem inúmeros problemas que dizem respeito ao 
ambiente, isto se devem em parte ao fato das pessoas não 
serem sensibilizadas para a compreensão do frágil equilíbrio 
da biosfera e dos problemas da gestão dos recursos naturais. 
Elas não estão e não foram preparadas para delimitar e resolver 
de um modo eficaz os problemas concretos do seu ambiente 
imediato, isto porque, a educação para o ambiente como 
abordagem didática ou pedagógica, apenas aparece nos anos 
80. 
A partir de então os alunos têm a possibilidade de tomarem 
consciência das situações que acarretam problemas no seu 
ambiente próximo ou para a biosfera em geral, refletindo 
sobre as suas causas e determinarem os meios ou as ações 
apropriadas na tentativa de resolvê-los. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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Comportamentos e Atitudes que colaboram 
para um fortalecimento do campo de estudos e 
práticas da Educação Ambiental
Nunca o conhecimento e a educação foram tão importantes 
quanto no mundo atual. É evidente que para melhorar nossa 
qualidade de vida e crescer tanto material quanto moral e 
espiritualmente, temos que aprender a responder aos desafios 
que estão colocados nesse princípio de milênio.
Nesse sentido, que a Educação Ambiental, segundo a lei n° 
9.795, de 27 de abril de 1999, é um componente essencial e 
permanente da educação Nacional, devendo estar presente 
em todos os níveis e modalidades do processo educativo 
formal e não-formal. Por seu caráter humanista, holístico, 
interdisciplinar e participativo a Educação Ambiental pode 
contribuir muito para renovar o processo educativo, trazendo 
a permanente avaliação crítica, a adequação dos conteúdos 
à realidade local e o envolvimento dos indivíduos em ações 
concretas de transformação da realidade. 
 
Observe as orientações abaixo que fazem parte de como você 
se apresenta como um sujeito de reflexão filosófica sobre 
esta temática e quais as ações e atitudes possíveis de serem 
implementadas.
• Leve uma sacola para fazer as compras do supermercado e 
da feira
Levando sua própria embalagem - que pode ser uma mochila 
ou uma sacola de pano - você evita o desperdício de sacos 
plásticos e reduz a quantidade de lixo produzido na sua casa.
• Prefira produtos naturais aos industrializados sempre que 
possível
Para a fabricação de produtos, as indústrias consomem 
grandes quantidades de energia e jogam toneladas de CO2 na 
atmosfera. Produtos naturais já vêm prontos “de fábrica”, sem 
custos ambientais exorbitantes.
• Valorize o trabalho de cooperativas agrícolas e artesanais
As cooperativas de artesanato são outra boa opção de consumo 
consciente. Para decorar sua casa, visite lojas especializadas em 
artesanato regional. Há muitos artistas que trabalham com 
materiais naturais, reciclados ou reaproveitados, inclusive com 
a consultoria de designers renomados. 
• Feche a torneira ao lavar a louça
Em 15 minutos, uma pessoa gasta mais de 240 litros de água 
na lavagem de louças. A dica é fechar a torneira, ensaboar as 
peças e só então abrir para enxaguá-las. Assim, o consumo cai 
para 20 litros de água. 
• Prefira eletrodomésticos com selo Procel
O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica 
(Procel) foi criado pelo governo para ajudar o consumidor a 
escolher os produtos que apresentam alta eficiência energética. 
Veja a lista de produtos com o selo Procel. Use a energia com 
responsabilidade. Sempre que possível, dê preferência às 
lâmpadas fluorescentes compactas.
• Separe o lixo orgânico dos materiais que podem ser reciclados
Em casa, bastam duas lixeiras para você colaborar com o 
planeta. Numa delas, coloque o lixo orgânico (restos de 
comida) e na outra, os materiais que podem ser destinados à 
reciclagem: plásticos, papéis, metais e vidros. 
• Na obra, dê preferência aos materiais ecológicos
Para construir ou reformar sua casa, pense nas opções menos 
agressivas ao ambiente. Há vários tipos de produtos e até lojas 
especializadas no assunto. 
• Reutilize a água da chuva e da máquina de lavar
Se você mora em casa, reaproveite a água da lavagem das 
roupas para limpar a garagem, a varanda e o quintal. 
• Plante árvores
No quintal, em canteiros ou em vasos, as árvores têm o poder 
de “seqüestrar” carbono da atmosfera, evitando o acúmulo 
excessivo do gás e retardando os efeitos do aquecimento 
global.
• Deixe o carro em casa mais vezes durante a semana
Os combustíveis fósseis são um dos principais vilões do 
aquecimento global. Por isso, usar menos o carro é um 
excelente hábito ecológico que você adquirir. 
• Estabeleça princípios ambientalistas
Estabeleça compromissos, padrões ambientais que incluam 
metas possíveis de serem alcançadas.
• Faça uma investigação de recursos e processos
Verifique os recursos utilizados e o resíduo gerado. Confira 
se há desperdício de matéria-prima e até mesmo de esforço 
humano. 
• Estabeleça uma política ecológica de compras
Priorize a compra de produtos ambientalmente corretos. 
Existem certos produtos que não se degradam na natureza. 
Procure certificar-se, ao comprar estes produtos, de que são 
biodegradáveis. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 12 | AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA... 
PÁG. 04
Com todas estas reflexões filosóficas e mesmo de mudanças de 
atitudes podemos dizer que sua colaboração ajuda a implantar 
e participar da coleta seletiva de lixo. 
 
Dessa forma, você estará contribuindo para poupar os recursos 
naturais, aumentar a vida útil dos depósitos de lixo, diminuir a 
poluição. Investigue desperdício com energia e água. Localize 
e repare os vazamentos de torneiras. Desligue lâmpadas e 
equipamentos quando não estiver utilizando. 
 
Mantenha os filtros do sistema de ar-condicionado e ventilação 
sempre limpos para evitar desperdício de energia elétrica. Use 
os dois lados do papel, prefira o e-mail ao invés de imprimir 
cópias e guarde seus documentos em disquetes, substituindo 
o uso do papel ao máximo.
 
 Promova o uso de transporte alternativo ou solidário, como 
planejar um rodízio de automóveis para que as pessoas viajem 
juntas ou para que usem bicicletas, transporte público ou 
mesmo caminhem para o trabalho. 
 
Considere o trabalho à distância, quando apropriado, 
permitindo que funcionários trabalhem em suas casas pelo 
menos um dia na semana utilizando correio eletrônico, 
linhas extras de telefone e outras tecnologias de baixo custo 
para permitir que os funcionários se comuniquem de suas 
residências com o trabalho. Registre cuidadosamente suas 
metas ambientais e os resultados alcançados. Isso ajuda não 
só que você se mantenha estimulado como permite avaliar as 
vantagens das medidas ambientais adotadas.
No caso de problemas que possam prejudicar seu vizinho ou 
outras pessoas, tome a iniciativa de informar em tempo hábil 
para que possam minimizar prejuízos. Busque manter uma 
atitude de diálogo com o outro.
SINTESE DA AULA
 
Nesta aula aprendemos que a Educação Ambiental objetiva 
sensibilizar os indivíduos para a importância do nosso 
patrimônio histórico e ecológico, possibilitando-lhes acesso 
à aprendizagem através da vivência e do contato direto com 
a natureza. Procura-se com as reflexões filosóficas, estimular 
a mudança de atitudes e hábitos através da compreensão 
dos limites e potencialidades de cada um, bem como pelo 
desenvolvimento da consciência ética, que possibilita as 
pessoas entender e respeitar mais a si próprias e ao planeta 
como co-existentes e interdependentes. 
No entanto, não adianta você ficar só estudando e conhecendo 
mais sobre a natureza. É preciso combinar estudoe reflexão 
com ação. Considere a possibilidade de dedicar uma parte 
do seu tempo, habilidade e talento para o trabalho voluntário 
ambiental a fim de fazer a diferença dando uma contribuição 
concreta e efetiva para a melhoria da vida do planeta. 
Você pode, por exemplo, cuidar de uma árvore, organizar e 
participar de mutirões ecológicos de limpeza e recuperação 
de ecossistemas e áreas de preservação degradados, resgatar 
e recuperar animais atingidos por acidentes ecológicos ou 
mesmo abandonados na rua, redigir um projeto que permita 
obter recursos para a manutenção de um parque ou mesmo 
para viabilizar uma solução para problema ambiental, fazer 
palestras em escolas, etc.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 12 | AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA... 
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Após assistir o vídeo abaixo apresente cinco reflexões e ações que 
colaboram pra educação ambiental.
https://www.youtube.com/watch?v=Lfqv62K-Bxs
5 ações que você pode fazer - Educação Ambiental
O aluno deve propor um projeto de cinco reflexões filosóficas de 
comportamentos e atitudes que podem redefinir sua relação com 
a temática do aprendizado da Educação ambiental
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 12 | AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA... 
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SANTOS, B. de S. A transição Paragmática da regulação á 
Emancipação. Porto: Oficina do Centro de Estudos Sociais, 
1979.
LEFF,E. Educação Ambiental e desenvolvimento Sustentável 
. in: 
REIGOTA,M. (org). Verde Cotidiano e o meio ambiente em 
discussão. São Paulo: DP e A, 1999. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 12 | AMPLIANDO A COMPREENSÃO SOBRE FILOSOFIA... 
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA13
 AMPLIANDO O CONCEITO DE 
 SUSTENTABILIDADE: AMBIENTAL 
 E SOCIAL
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Nesta aula, vamos aprender que a questão da sustentabilidade 
ambiental e social está diretamente ligada à qualidade das 
relações que os indivíduos estabelecem e por seus produtos e 
serviços, esta será uma marca de expressão mundial, identificada 
com a comunidade das pessoas que se comprometem com a 
construção de um mundo melhor através da melhor relação 
consigo mesmas, com o outro, com a natureza da qual fazem 
parte e com o todo.
Estudaremos:
1- O que é sustentabilidade
2- Como a filosofia se relaciona com este tema;
3- conceito de sustentabilidade: ambiental e social
Objetivos da aula 12
• sensibilizar os indivíduos para a importância do conceito de 
sustentabilidade social e ambiental
• estimular a mudança de atitudes e hábitos através da 
compreensão das necessidades de planejamento de avançoes 
econômicos e sociais.
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você, indivíduos e organizações 
devem ser capazes de incluir, em seus negócios e vidas, 
uma nova concepção de desenvolvimento, que ultrapasse e 
reformule o conceito de sobrevivência: sobreviver preocupada 
com a própria sobrevivência e com a sobrevivência das futuras 
gerações. 
Exige-se nova atitude nas empresas que deve ser compartilhada 
em toda sua cadeia produtiva, cuja cobrança e fiscalização 
alcançam dimensões planetárias.
 FILOSOFIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL
 
O termo sustentável emerge no final da década de 1980, não 
mais como uma contestação isolada. Para alguns, este termo 
surge como uma adaptação do sistema contestado, buscando 
novo posicionamento e sua própria manutenção. O fato é que 
o sustentável, em geral corresponde, a uma maior objetividade 
nas proposições – em excesso, em alguns casos. 
Para entender o surgimento e a difusão do termo 
sustentabilidade, é válido fazer uma síntese do desenvolvimento 
do pensamento ecológico, que discute a evolução das idéias e 
percepções do homem sobre a natureza. 
Dois marcos iniciais desse pensamento foram a Proibição de 
Serrarias Hidráulicas e Proteção às Florestas, no século XIV, 
na França e Inglaterra e o Decreto das Águas e Florestas, em 
1669, na França, onde a idéia do protecionismo é baseada 
unicamente nos interesses econômicos.
O movimento vive uma segunda fase durante o Renascimento, 
quando se consolida a idéia de posição superior do Homem e 
que a natureza existe para prover suas necessidades.
O final do século XIX é um período de forte expansão 
econômica e territorial da cristandade ocidental e de otimismo 
com as realizações da engenharia. 
Em 1864, George Perkins Marsh publica o livro “Man and Nature: 
physical geography as modified by human action”, dando 
um grito de alerta: “a atividade humana está desequilibrando 
a natureza, é preciso restaurar a harmonia!”. Porém, com a 
euforia pelos grandes projetos de engenharia, o livro de Marsh 
é praticamente ignorado, e suas idéias só seriam aplicadas mais 
de um século depois.
Ao final do século XIX, a legitimação das intervenções humanas 
torna-se cada vez mais difícil. Emerge a noção de fatalidade: “A 
degradação da natureza é uma fatalidade ligada à necessidade 
de progresso”. O modelo econômico deturpa a idéia central do 
Darwinismo.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 13 | AMPLIANDO O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE:..
PÁG. 02
Até o fi nal do século XIX, todas as tentativas de preservação 
da natureza mostraram um caráter puramente de defesa do 
interesse econômico. A idéia do preservacionismo apenas para 
proteger o que restava de natureza surge então nos Estados 
Unidos, em 1872, com a criação do primeiro parque nacional 
do mundo: Yellowstone. 
Numa postura totalmente contrária à assumida pelos governos 
americanos no período pós-segunda guerra, como veremos a 
seguir. Em 1899, foram criados mais quatro parques nacionais 
nos Estados Unidos, porém essa idéia não foi absorvida 
imediatamente por muitos países. O Brasil criou seu primeiro 
parque em 1937 (Itatiaia) e a França apenas em 1963.
A partir de então, a percepção cada vez mais clara dos problemas 
ambientais leva ao surgimento de um movimento internacional 
embrionário e à realização de diversos encontros, convenções, 
acordos e congressos, até que a Primeira Grande Guerra 
interrompe o processo de mundialização do movimento. Em 
1923, o I Congresso Internacional para a Proteção da Natureza, 
em Paris, se torna o marco do nascimento do atual movimento 
preservacionista. Ao fi nal da década de 1930, a idéia de 
preservação da natureza recebeu uma solução pragmática: 
criar unidades de conservação. 
Com a crise de 1929 amplia-se o uso de tecnologias menos 
onerosas (mais lucrativas e poluidoras). Os Estados Unidos, 
desejando preservar seu crescimento industrial, propõem 
a expansão das Unidades de Conservação como política 
ambiental internacional.
Após a Segunda Guerra, o movimento internacional fi nalmente 
se consolida. Outro marco literário é a obra de Rachel Carson, 
Primavera Silenciosa, de 1962, que mostra a vulnerabilidade 
da natureza à intervenção humana, pelo uso do inseticida DDT 
nas lavouras. O alerta de Carson era assustador demais para ser 
ignorado: a contaminação de alimentos, os riscos de câncer, de 
alteração genética, a morte de espécies inteiras... Pela primeira 
vez, a necessidade de regulamentar a produção industrial de 
modo a proteger o meio ambiente se tornou aceita.
 Vários outros encontros mundiais aconteceram desde então. 
A Conferência de Estocolmo, em 1972 se tornou um marco, 
pela criação de uma política mundial de Meio Ambiente. Foi 
dado um alerta de que a sobrevivência do planeta corria riscos 
com a crescente e irracional interferência do homem no meio 
ambiente.
A conscientização de que as questões ambientais devem 
ser consideradasno processo de desenvolvimento, tanto 
governamental quanto organizacional, ganharam impulso com 
os grandes acidentes ambientais que marcaram as décadas de 
60 a 80, como o da Baia de Minamata no Japão, o acidente de 
Bhopal na Índia, o acidente na usina nuclear de Chernobyl, na 
extinta União Soviética e o vazamento de petróleo da Exxon 
Valdez no Alaska, entre outros. 
A comoção internacional causada pelos acontecimentos 
reforçou o questionamento já expresso pela ONU ( Organização 
das Nações Unidas) na Conferência de Estocolmo, em 1972. 
A resposta da ONU sobre o comportamento predatório do 
desenvolvimento econômico foi consolidada com a publicação 
do relatório Nosso Futuro Comum, em 1987. 
Nele, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e 
Desenvolvimento (CMMAD) criticava o modelo adotado 
pelos países desenvolvidos e defendia um novo tipo de 
desenvolvimento, capaz de manter o progresso em todo 
o planeta e de, no longo prazo, partilhá-lo entre países em 
desenvolvimento e desenvolvidos. 
Nascia, assim, o conceito de desenvolvimento sustentável ou 
sustentabilidade.
Nesse documento, conhecido como Relatório Brundtland, 
o consenso foi alcançado e a expressão desenvolvimento 
sustentável foi inventada para incluir os processos de tomadas 
de decisão e políticas baseadas na interdependência e 
na complementaridade do crescimento econômico e da 
preservação ambiental. 
Apesar disso, o documento mostra a necessidade da reforma 
de instituições e leis no quadro da sustentabilidade a fi m 
de enfrentar os desafi os do futuro com a fi nalidade total da 
realização da equidade inter e intra geracional. 
Uma defi nição pioneira gerada pela comissão, e que ainda está 
em uso, considera “desenvolvimento sustentável aquele que 
satisfaz as necessidades da geração presente sem comprometer 
a possibilidade das gerações futuras atenderem a suas próprias 
necessidades”. (Nosso Futuro Comum, 1987, p.64).
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 13 | AMPLIANDO O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE:..
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Essa definição contém dois conceitos-chave:
- o conceito de “necessidades”, sobretudo as necessidades 
essenciais dos pobres do mundo, que devem receber a máxima 
prioridade;
- a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da 
organização social impõe ao meio ambiente, impedindo-o de 
atender às necessidades presentes e futuras.
Esses conceitos tornam a definição de sustentabilidade 
altamente subjetiva e têm gerado vários debates em diversos 
campos acadêmicos, que vêm tentando adequar o conceito à 
sua própria área de conhecimento.
Apesar dos esforços que feitos, ainda não se alcançou um 
conceito de sustentabilidade com total concordância. A idéia 
se popularizou nas conferências do Rio de Janeiro, em 1992, a 
Rio 92, e de Johanesburgo, em 2002, a Rio + 10. 
Desde então, o debate sobre desenvolvimento sustentável está 
presente na sociedade civil, governos, empresas, organismos 
internacionais, ONGs, entre outros. 
A participação do empresariado nesse debate tem crescido 
significativamente. Os empresários mais conscientes estão 
comprovando, com ações e resultados, que investir em 
sustentabilidade representa um excelente negócio, além de ser 
uma prática eticamente correta. 
Porém, a visão empresarial não consegue alcançar o objetivo 
principal do desenvolvimento sustentável (satisfazer as 
necessidades atuais sem comprometer as gerações futuras), 
atuando apenas dentro do campo do “economicamente viável, 
socialmente justo e ambientalmente correto”.
 
“A sustentabilidade corporativa deve incluir, entre seus 
objetivos, o cuidado com o meio ambiente. Ignorar essa 
realidade é condenar-se a ser expulso do jogo, m ais cedo ou 
mais tarde.
A transformação em prol da sustentabilidade diz respeito 
a ampliar o sucesso, o valor e a flexibilidade da empresa em 
longo prazo.
Para que as organizações sejam sustentáveis, é preciso que 
possuam um equilíbrio entre as três dimensões que balizam 
o conceito de sustentabilidade corporativa: a econômica, a 
ambiental e a social.
Porém, estes princípios são muitas vezes vistos como 
conflitantes, frente à busca por resultados financeiros 
imediatos, aumento de fatias de mercado e competitividade. 
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E 
CONSERVAÇÃO AMBIENTAL NÃO SÃO 
OBJETIVOS EXCLUDENTES. RESPEITAR OS 
LIMITES AMBIENTAIS 
Para que uma organização rume em direção à sustentabilidade, 
é preciso que utilize alguns princípios e métodos que as ajudem 
na condução desse objetivo. 
SINTESE DA AULA
 
Nesta aula aprendemos que O mundo corporativo tem um papel 
fundamental na garantia de preservação do meio ambiente e 
na definição da qualidade de vida das comunidades de seus 
funcionários. Empresas socialmente responsáveis geram, sim, 
valor para quem está próximo. E, acima de tudo, conquistam 
resultados melhores para si próprias. A responsabilidade social 
deixou de ser uma opção para as empresas. É uma questão de 
visão, de estratégia e, muitas vezes, de sobrevivência.
Os assuntos ambientais estão crescendo em importância para 
a comunidade de negócios em termos de responsabilidade 
social, do consumidor, desenvolvimento de produtos, passivos 
legais e considerações contábeis. A inclusão da proteção 
do ambiente entre os objetivos da administração amplia 
substancialmente todo o conceito de administração 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 13 | AMPLIANDO O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE:..
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Após assistir o vídeo abaixo apresente três atitudes que podem ser 
aprendidas em educação ambiental.
https://www.youtube.com/watch?v=G7_S0mMbKiw
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios. RS: Artmed, 2005.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 13 | AMPLIANDO O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE:..
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA14
 TRABALHO E ALIENAÇÃO
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Estimado(a) Aluno(a),
Vamos iniciar mais uma aula e nela aprender que o trabalho, 
em sua forma original, passou por séculos de transformação 
– das formas primitivas de artesanato e agricultura, até as 
corporações de ofício da Idade Média, chegando às modernas 
fábricas – até atingir o complexo sistema de exploração que 
hoje conhecemos. 
Se, num primeiro momento, ao vender sua força de trabalho 
para os patrões, aceitando apenas apertar sempre os mesmos 
parafusos da linha de produção, o trabalhador é alienado da sua 
capacidade de criação, da sua capacidade de inventar, depois, 
quando os mesmos patrões desejam aumentar a produção 
– ou à medida que os meios de produção se aperfeiçoam –, 
essa alienação é aprofundada e ampliada, ganhando inclusive 
contornos científicos.
Trabalharemos os conceitos abaixo:
1- Conceito de trabalho
2- Pensamento de Karl Marx sobre trabalho na sociedade 
capitalista 
3- Alienação e trabalho
Objetivos da aula 14
• Entender os conceitos de trabalho e alienação;
• Compreender a relação capital trabalho no mundo produtivo;
• Refletir alternativas do trabalhador frente ao fenômeno da 
alienação.
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você Karl Max e suas ideias 
sobre trabalho e alienação, pois ele utilizou a palavra para 
designar o estranhamento do trabalhador com o produto do 
seu trabalho, ou seja, o trabalhador não mais dominando todas 
as etapas de fabricação e não possuindo os meios de produção 
para tal, acaba não se reconhecendo no produto produzido.
 
TRABALHO E ALIENAÇÃO
 
A palavratrabalho, em sentido estrito, está vinculada à execução 
de uma atividade remunerada e ao emprego, especialmente ao 
emprego formal. 
Em um sentido mais amplo, o trabalho diz respeito às tarefas 
que envolvem a transformação da natureza com a finalidade 
de suprir as necessidades relacionadas à produção e à 
reprodução da vida, por meio do emprego das capacidades 
físicas e intelectuais do homem. Uma imensa variedade de 
ações que o homem realiza no seu cotidiano pode ser descrita 
como trabalho.
 
Desde a Antiguidade, as ideias sobre o trabalho o opuseram à 
liberdade do homem e revelaram a estratificação social, entre 
outros aspectos da organização interna e do funcionamento 
das sociedades.
 
Como fenômeno social (e, consequentemente, como objeto da 
sociologia), o tema do trabalho está diretamente relacionado 
ao sistema econômico, assim como a outros fenômenos tais 
como o ócio e o lazer, a educação, as relações internacionais e a 
desigualdade social, entre outros.
 
O chamado mundo do trabalho ensejou diversos estudos 
nos vários campos das ciências sociais, com destaque para a 
sociologia, a ciência política, a antropologia, a economia e a 
psicologia.
 
Karl Marx, um cientista social, historiador e revolucionário, 
nasceu a 5 de maio de 1818 em Treves, capital da província 
alemã do Reno, cuja tradição remontava aos tempos de Roma. 
Treves desempenhava, no século XIX, importante papel na 
cultura dessa região, misturando o liberalismo revolucionário, 
vindo da França, com reação do Antigo Regime, liderada pela 
Prússia. Seu primeiro livro vem a ser “O Capital”, dedicado ao 
estudo do processo capitalista de produção. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 14 | TRABALHO E ALIENAÇÃO
PÁG. 02
Nele, desenvolveu sua versão da teoria do Valor trabalho e 
suas concepções da Mais-Valia e da Exploração. O segundo e o 
terceiro livro de “O Capital” ainda não tinham sido terminados 
na década de 1860, e Marx trabalhou neles pelo resto de sua 
vida.
 
O fundamento da alienação, para Marx, encontra-se na 
atividade humana prática: o trabalho. Segundo ele, o fato 
econômico é “o estranhamento entre o trabalhador e sua 
produção” e seu resultado é o “trabalho alienado, cindido” 
que se torna independente do produtor, hostil a ele, estranho, 
poderoso e que, ademais, pertence a outro homem que o 
subjuga (subjugar = ter sob domínio, conquistar, vencer). Marx 
sublinha três aspectos da alienação: 1) o trabalhador relaciona-
se com o produto do seu trabalho como algo alheio a ele, que 
o domina e lhe é adverso (adverso = contrário, oposto, hostil), 
e relaciona-se da mesma forma com os objetos naturais do 
mundo externo; o trabalhador é alienado em relação às coisas; 
2) a atividade do trabalhador tampouco está sob seu domínio, 
ele a percebe como estranha a si próprio, assim como sua 
vida pessoal e sua energia física e intelectual, sentidas como 
atividades que não lhe pertencem; o trabalhador é alienado 
em relação a si mesmo; 3) a vida genérica ou produtiva do 
ser humano torna-se apenas meio de vida para o trabalhador, 
ou seja, seu trabalho - que é sua atividade vital consciente e 
que o distingue dos animais - deixa de ser livre e passa a ser 
unicamente meio para que sobreviva.
O operário não se reconhece no produto que criou, nem vê 
no trabalho qualquer finalidade que não seja a de garantir sua 
sobrevivência. 
A divisão capitalista do trabalho e mesmo a atividade 
profissional exercida atendem aos interesses particulares dos 
grupos dominantes e só eventualmente aos dos produtores. 
 
A ALIENAÇÃO É A DIMINUIÇÃO DA 
CAPACIDADE DOS INDIVÍDUOS EM PENSAR OU 
AGIR POR SI PRÓPRIOS. OS INDIVÍDUOS 
ALIENADOS NÃO TÊM INTERESSE EM OUVIR 
OPINIÕES ALHEIAS, E APENAS SE PREOCUPAM 
COM O QUE LHE INTERESSA, POR ISSO SÃO 
PESSOAS ALIENADAS.
Isso quer dizer que as relações sociais aparecem aos olhos dos 
homens encantadas (fetiche) sob a forma de valor (ou dinheiro), 
como se este fosse uma propriedade natural das coisas. 
Através da forma valor-dinheiro, o caráter social dos trabalhos 
privados e as relações sociais entre os produtores se obscurecem 
(ou seja, não percebemos que por detrás de um preço existe 
uma produção social, isto é, homens, mulheres e, até mesmo 
crianças, sendo exploradas para produzir aquela mercadoria 
que depois aparecerá nas “bonitas” vitrines de lojas com uma 
marca, etiqueta e um preço). 
É como se um véu nublasse a percepção da vida social 
materializada na forma dos objetos, dos produtos do trabalho 
e de seu valor.
 
A mecanização revoluciona o modo de produzir mercadorias, 
não só pelo fato de incorporar as habilidades dos trabalhadores, 
mas também porque os subordina a máquina. Eles devem 
apenas ligar a máquina, manuseá-la e regulá-la. 
A fonte de energia está fora deles. Há, então, uma separação 
muito clara entre a força entre a força motriz mecânica e a 
do homem. Este, agora, serve a máquina, ela o domina, dá-
lhe o ritmo de trabalho. O trabalhador não necessita ter um 
conhecimento específico sobre algum ofício. Ele não precisa 
ter uma qualificação determinada.
Sendo um operador de máquina eficiente, será um bom e 
produtivo trabalhador. É nesse contexto que se pode analisar 
com mais atenção a questão do conflito e da contradição entre 
trabalho e capital pois é aí que aparece claramente o processo 
de exploração do trabalhador.
 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 14 | TRABALHO E ALIENAÇÃO
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Aparentemente, o que vemos entre o trabalhador e o 
capitalista é uma relação entre iguais, isto é, uma relação entre 
proprietários de mercadorias, que se dá mediante a compra e 
venda da força de trabalho.
 
O trabalhador, ao assinar um contrato para trabalhar numa 
determinada empresa, está dizendo ao seu proprietário que 
está disposto a trabalhar, por exemplo, oito horas diárias ou 
quarenta horas semanais, por um determinado salário.
 O capitalista passa, a partir daí, a ter o direito de utilizar essa 
força de trabalho no interior da fábrica. 
O que ocorre, na realidade, é que o trabalhador, em cinco 
ou seis horas de trabalho diárias, produz um valor que 
corresponde ao seu salário total, sendo o valor produzido 
nas horas restantes apropriados pelo capitalista; quer dizer, 
diariamente, o trabalhador trabalha duas horas de graça para 
o dono da empresa. 
O que se produz nessas duas horas a mais chama-se mais 
valia. São as horas trabalhadas e não pagas, acumuladas 
e reaplicadas no processo produtivo, vão fazer com que o 
capitalista enriqueça rapidamente. Uma parcela significativa 
do valor-trabalho produzido pelos trabalhadores é apropriada 
pelos capitalistas. Esse processo denomina-se apropriação de 
capital.
 
Para obter mais lucros, os capitalistas aumentam as horas de 
trabalho, gerando aí a mais valia absoluta, ou, então, passam 
a utilizar equipamentos e diversas tecnologias para tornar o 
trabalho mais produtivo, decorrendo daí a mais valia relativa, 
ou seja, mais produção e mais lucro com o mesmo numero de 
trabalhadores, cujos salários continuam sendo os mesmos. Os 
conflitos entre os capitalistas e operários só começam quando 
os trabalhadores percebem que estão trabalhando mais e que, 
no entanto, estão cada dia mais miseráveis.
Essa forma de analisar a questão do trabalho na sociedade 
capitalista foi desenvolvida por Karl Marx, no século XIX, que 
procurou demonstrar a existência de um conflito de classes 
entre trabalhadores e capitalistas, elemento este que é inerente 
á sociedade burguesa.
Existe, entretanto, outro pensador, Émile Durkheim, que 
analisa as relações de trabalho na sociedade capitalista de 
forma diferente. Na sua obra, divisão social do trabalho escrita 
no final do século XIX, procura demonstrar que a crescente 
segmentação do trabalho, resultante da produção industrial 
moderna, trazia consigo uma forma superior de solidariedade: 
amecânica e a orgânica. 
A solidariedade mecânica deriva da aceitação de um conjunto 
de crenças e de tradições comuns. Nesse caso, o que une as 
pessoas não é o fato de uma depender do trabalho da outra, 
mas toda uma gama de sentimentos comuns. Quando a 
solidariedade mecânica está na base da coesão social, a 
consciência coletiva envolve completamente a consciência 
individual, tornando os indivíduos muito próximos pela 
identificação.
 
Esse tipo de solidariedade era típico das sociedades nas 
quais a divisão social do trabalho era pouco desenvolvida, 
como as sociedades tribais, a graga ou a feudal. A orgânica ao 
contrário, pressupõe não a identidade, mas, antes, a diferença 
entre os indivíduos nas suas crenças e ações. O que os une é a 
interdependência das funções sociais, ou seja, a necessidade 
que uma pessoa tem da outra, em virtude da divisão do 
trabalho existente na sociedade. 
 
É nesse contexto que se pode analisar com mais atenção a 
questão do conflito e da contradição entre trabalho e capital, 
pois é aí que aparece claramente o processo de exploração do 
trabalhador.
SINTESE DA AULA
 
Nesta aula aprendemos que o trabalho na sociedade capitalista, 
é importante deixarmos claro que não existe uma única 
sociedade capitalista, mas muitas, que se constituíram nas 
mais diversas regiões do planeta. Entretanto, o que elas têm 
em comum é a forma como a produção material se desenvolve. 
Desse modo, o que as define como sociedades capitalistas é a 
propriedade privada, o trabalho assalariado, o sistema de troca 
e uma determinada divisão social do trabalho. 
Podemos afirmar que o trabalho se transforma em força 
de trabalho quando se torna uma mercadoria que pode 
ser comprada e vendida. E, para que ele se transforme em 
mercadoria, é necessário que o trabalho seja desvinculado de 
seus meios de produção, ficando apenas com a sua força de 
trabalho para vender.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 14 | TRABALHO E ALIENAÇÃO
PÁG. 04
ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
TEXTO I – Os homens e a história
A História não faz nada, não “possui uma enorme riqueza”, ela 
“não participa de nenhuma luta”. Quem faz tudo isso, quem 
participa das lutas, é o homem, o homem real ; não é a “História” 
que utiliza o homem como meio para realizar os seus fins – como 
se tratasse de uma pessoa individual – pois a História não é senão 
a atividade do homem que persegue os seus objetivos.
(MARX, K. & ENGELS, F. La sagrada família. México, Grijalbo, 1967. 
p. 159.) 
QUESTÕES:
Com base na leitura deste capítulo e neste texto procure responder:
1-O que é a história?
2- São todos os homens que fazem a história ou são somente 
alguns “homens especiais” que a constroem?
RESPOSTAS
1- A sociedade é comparada a um edifício no qual as fundações, 
a infra-estrutura, seriam representadas pelas forças econômicas, 
enquanto o edifício em si, a superestrutura, representaria as 
idéias, costumes, instituições (políticas, religiosas, jurídicas, etc). A 
história dos homens é o produto das suas relações de classe.
2- O homem é o produto do meio em que vive, o qual é construído 
a partir de suas relações sociais . Assim, é o homem que produz 
o seu próprio ambiente, porém, esta produção da condição de 
existência não é livremente escolhida, mas sim, previamente 
determinada. O homem pode fazer a sua História, contudo 
não pode fazer nas condições por ele escolhidas. O homem é 
determinado, historicamente, pelas condições, logo é responsável 
por todos os seus atos, pois ele é livre para escolher. Logo todas as 
teorias de Marx possuem o fundamento daquilo que é o homem, 
ou seja, o que é a sua existência. “O Homem é condenado a ser 
livre.”
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 14 | TRABALHO E ALIENAÇÃO
PÁG. 05
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios. RS: Artmed, 2005.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 14 | TRABALHO E ALIENAÇÃO
PÁG. 06
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA15
 SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE 
 OU DO DESEMPREGO?
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Estimado(a) Aluno(a),
Nesta 15 vamos aprender as mudanças por que tem passado 
o “mundo do trabalho”, com a redução visível do chamado 
proletariado industrial e o crescimento simultâneo da 
precarização das formas de trabalho e do subemprego, para não 
falar do desemprego estrutural, trazendo com ele a chegada 
triunfal do homem às portas do “mundo do ócio” ; e, finalmente 
, a caracterização da sociedade atual como “sociedade de 
consumo”, com suas feições e determinações próprias, todos 
esses são temas que , de um modo ou de outro, remetem a uma 
reflexão crítica sobre o trabalho, na contemporaneidade, que 
aqui será desenvolvida sob o viés das relações possíveis entre 
trabalho e emancipação humana.
Vamos iniciar?
1- Conceito sociedade do tempo livre
2- Pensamento de transformações do mundo do trabalho, 
tempo livre e desemprego
Objetivos da aula 15
• Entender os conceitos de sociedade do tempo livre
• Relacionar tempo livre e desemprego
• Refletir as mudanças no processo de produção que levam a 
organização e surgimento da sociedade da informação e do 
desemprego estrutural
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você como a Sociedade da 
informação e a Tecnologia levam a formação de um número 
considerável de indivíduos sem emprego ou que buscam no 
uso de seu tempo livre novas oportunidades de inserção no 
mundo do trabalho.
TRABALHO E ALIENAÇÃO
 
Existem diversas hipóteses sobre a origem da palavra trabalho. 
Uma delas é que se origina do latim tripalium, instrumento 
composto de três paus utilizado para tortura. É o homem em 
ação para sobreviver e realizar-se, criando instrumentos, e 
com esses, todo um novo universo cujas vinculações com a 
natureza, embora inegáveis, se tornam opacas.
Considerado como uma atividade capaz de diferenciar os 
homens dos demais animais, o trabalho marca a passagem da 
cultura da caça e da pesca para a cultura agrária baseada na 
criação de animais e no plantio.
Esta é subjetiva na medida em que o trabalhador a utiliza e a 
preparou. E é objetiva por estar objetivamente orientada em 
relação ao objeto do trabalho. Instrumentos da racionalidade 
do homem, expressam a sua vontade, e fazem de mediadores 
entre o homem e a natureza. 
E, assim, o trabalho é processo de transformação. À diferença 
do animal, que para satisfazer suas carências devora, destrói o 
objeto – a natureza -, o homem o trabalha e o transforma, antes 
de consumi-lo.
Com o desenvolvimento das civilizações e a organização das 
sociedades tem início o sentido de propriedade e a relação 
de dependência daqueles que não possuem a terra. Mas as 
linhas principais das relações econômicas eram semelhantes: 
o excedente era consumido em parte para manter um aparato 
militar e em parte para sustentar o padrão de vida da classe 
ociosa. 
Do trabalho sobre a terra se origina a riqueza que vai incentivar 
o desenvolvimento do trabalho artesanal, ao mesmo tempo, 
se intensifica o comércio, uma vez que há excedentes tanto na 
agricultura como na criação de animais. E da primitiva troca em 
espécies passa-se ao comércio mediado pela moeda. 
A partir dos séculos XVIII e XIX com a acumulação de riquezas, 
a aplicação da ciência à produção e a expansão capitalista tem 
início a chamada Revolução Industrial. Com o surgimento da 
máquina a vapor, das máquinas têxteis e o uso da eletricidade, 
o desenvolvimento tecnológico começa a se incorporar ao dia 
a dia da humanidade.
As mudanças nas relações de trabalho se intensificam. Fatores 
comoa urbanização, o crescimento demográfico, os avanços 
da ciência em relação à saúde contribuem de forma intensa 
para essas mudanças. Produzir em série e com o auxílio de 
máquinas significa produzir em centros onde estas máquinas 
sejam concentradas. O artesanato não exige a aglutinação dos 
trabalhadores do mesmo modo que o sistema industrial de 
produção.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 15 | SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO?
PÁG. 02
 O homem do campo se dirige à cidade em busca de emprego 
nesta produção moderna, que acena com promessas de um 
serviço menos arriscado e dependente da natureza do que 
o labor no campo, e com possibilidade de usufruir do bem-
estar que as cidades se vangloriam de possuir, embora não o 
ofereçam a todos.
O trabalho passa a ser exercido em fábricas com grande 
concentração de trabalhadores num mesmo local onde começa 
a surgir uma conscientização e um sentimento de revolta com a 
exploração que lhes é imposta. O estabelecimento de padrões 
de proteção ao trabalho entre países industrializados nasceu 
em conseqüência dos terríveis efeitos sociais da Revolução 
Industrial. 
No século XX, com a invenção do computador, acontece 
a terceira onda da Revolução Industrial caracterizada pela 
automação. Nesse momento o trabalho é um esforço planejado 
e coletivo num contexto industrial. 
Cada vez mais, grandes massas de contemporâneos passam 
a depender de organizações e grandes empresas para o seu 
trabalho. Cada vez mais deixamos o trabalho autônomo por 
um emprego na organização, ou mesmo pelo desemprego 
ante a organização.
A partir de então, o trabalhador passa a viver um impasse. Se 
por um lado, precisa manter-se organizado e ativo para garantir 
a manutenção dos direitos trabalhistas adquiridos, por outro 
vê crescer a tendência da diminuição dos níveis de emprego. 
Não se trata mais do desemprego anterior, causado pela 
recessão que de um momento para o outro passavam. O 
crescimento do desemprego estrutural é um problema para 
o qual ainda não se encontrou solução. No final do século 
XIX, o filósofo alemão Karl Marx (2002), já havia apontado 
para a tendência de o capitalismo, com o aprimoramento do 
maquinário e o excesso de mercadorias, produzir desemprego.
TECNOLOGIA E DESEMPREGO
 
Em 1931, no auge da grande depressão americana iniciada 
em 1929, o economista inglês John Maynard Keynes criou o 
conceito de “Desemprego Tecnológico”. 
Mas afinal, as tecnologias são realmente responsáveis pelo 
desemprego? Tecnologias que entram em sociedades pouco 
educadas e com leis trabalhistas rígidas, mais destroem do que 
criam empregos. 
Tecnologias que entram em sociedades bem educadas e 
quadros legais flexíveis, mais geram do que destroem postos 
de trabalho. Uma tecnologia pode ter um impacto direto 
destrutivo e um impacto indireto construtivo – em outro setor 
da economia. 
Além disso, uma tecnologia pode destruir empregos hoje, e 
criar amanhã – na mesma empresa. Em suma, para se avaliar 
o efeito final das tecnologias não basta examinar a destruição 
líquida de emprego que geralmente ocorre nos locais em que 
entram, é preciso examinar os efeitos de deslocamento da 
mão-de-obra e de criação de novas atividades e postos de 
trabalho em outros setores e empresas. 
No mundo atual, não há a menor possibilidade das empresas 
competirem fora dos avanços tecnológicos. Se a situação do 
emprego é difícil com tecnologia, seria catastrófica sem ela.
DESEMPREGO ESTRUTURAL - É UMA FORMA 
PARTICULARMENTE GENERALIZADA DE DESEMPREGO 
QUE OCORRE PELO DESEQUILÍBRIO ENTRE A OFERTA E 
A PROCURA DE COMPETÊNCIAS DE TRABALHO NUMA 
DADA ECONOMIA. É CAUSADO PELO FATO DA FORÇA DE 
TRABALHO DISPONÍVEL NÃO POSSUIR AS COMPETÊNCIAS 
QUE AS ORGANIZAÇÕES PROCURAM. 
Não tenhamos dúvidas de que, do ponto de vista do emprego, 
o progresso técnico (e seu ritmo) favorece a aceleração 
das transformações qualitativas do trabalho (mudança da 
divisão técnica do trabalho, da organização do trabalho, das 
qualificações, assim como da distribuição setorial do emprego 
(nascimento, expansão e declínio das atividades econômicas). 
É evidente também que o progresso técnico – sobretudo 
quando observado em uma empresa, setor ou região – pode se 
refletir em supressão de empregos. Esse resultado não precisa 
necessariamente ser mais desemprego. 
Pode ser mais emprego, consumo, tempo livre ou desemprego 
e essa é uma escolha social, historicamente determinada pelas 
formas de regulação do sistema produtivo e de distribuição 
dos ganhos de produtividade.
 
Enquanto as primeiras tecnologias industriais substituíram a 
força física do trabalho humano, trocando a força muscular por 
máquinas, as tecnologias baseadas no computador prometem 
substituir a própria mente humana, colocando máquinas 
inteligentes no lugar dos seres humanos em toda a escala da 
atividade econômica. 
Máquinas automatizadas, robôs e computadores cada vez mais 
sofisticados podem desempenhar muitas, se não a maioria 
dessas tarefas. 
Os efeitos das tecnologias da info-comunicação sobre a 
desordem do mundo do trabalho podem parecer maiores 
do que efetivamente são, sobretudo quando ignoradas as 
atuais relações macroeconômicas, sociais e institucionais mais 
amplas.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 15 | SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO?
PÁG. 03
Nos dias que correm, a redução da capacidade de gasto 
e regulação do Estado, a concentração dos ganhos de 
produtividade nas mãos do capital financeiro, a estagnação e 
até elevação do tempo de trabalho e, mão menos importante, o 
relativamente menor crescimento do produto, da demanda e do 
investimento são elementos determinantes no entendimento 
do desemprego e da precariedade das condições e relações de 
trabalho.
Os atuais avanços tecnológicos e as iniciativas de reestruturação 
econômica parecem ter se abatido sobre nós sem se fazer 
anunciar. Subitamente, em todo o mundo, homens e mulheres 
perguntam se existe, para eles, algum papel que possam 
desempenhar no novo futuro que se abre para a economia 
global. 
Trabalhadores com anos de estudo, habilidades e experiência 
enfrentam a perspectiva muito real de serem declarados 
excedentes pelas novas forças da automação e informação. 
 
Atualmente, vemos à nossa volta a introdução de tecnologias 
surpreendentes capazes de feitos extraordinários. Fomos 
levados a acreditar que as maravilhas da moderna tecnologia 
seriam a nossa salvação. Milhões de pessoas colocaram suas 
esperanças de um futuro melhor no potencial libertador 
da revolução do computador. No entanto, a prosperidade 
econômica da maioria das pessoas continua a se deteriorar em 
meio ao constrangimento das riquezas tecnológicas. 
Bem! Finalizamos a nossa aula e esperamos que você tenha 
compreendido a questão relacionada ao Mundo do Trabalho.
SINTESE DA AULA
 
Nesta aula aprendemos que as transformações por que 
passaram as relações homem/trabalho, tanto nas sociedades 
pré-industriais como nas sociedades industriais, desembocando 
no momento atual, em que estamos frente a frente com uma 
nova “revolução”, que caracterizaria a passagem da sociedade 
industrial para a pós-industrial. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 15 | SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO?
PÁG. 04
ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Assista ao vídeo abaixo e relacione tempo livre e desemprego em 
tempos atuais.
O aluno deverá ser capaz de mostrar que as transformações no 
mundo do trabalho na era pós industrial e tecnológica kliberam 
mais tempo para os indivíduos porém geram falta de emprego e 
qualificação.
 
Vamos assistir o vídeo para que possamos refletir sobre a nossa 
aula?
Acessem:
https://www.youtube.com/watch?v=S65XAh_SF2w
Ocio e lazer tempo livre na sociedade-pós industrial.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 15 | SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO?
PÁG. 05Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios. RS: Artmed, 2005.
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AULA 15 | SOCIEDADE DO TEMPO LIVRE OU DO DESEMPREGO?
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA16
 DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-
 RACIAL: O CASO DA ESCRAVIDÃO 
 NO BRASIL
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Nesta aula, debateremos um pouco mais sobre a temática 
étnico-racial na sociedade brasileira. A sociedade brasileira 
caracteriza-se por uma pluralidade étnica, sendo esta produto 
de um processo histórico que inseriu num mesmo cenário 
três grupos distintos: portugueses, índios e negros de origem 
africana. Esse contato favoreceu o intercurso dessas culturas, 
levando à construção de um país inegavelmente miscigenado, 
multifacetado, marcado pelo antagonismo.
 
A escola, como instituição social, é responsável pelo processo 
de socialização dos sujeitos que a ela recorrem, a exemplo das 
crianças, e, nesse sentido, é através dela que se estabelecem 
relações com crianças de diferentes núcleos familiares e, 
inevitavelmente, de diferentes matrizes culturais. Esse contato 
entre diferentes poderá fazer da escola o primeiro espaço de 
vivência das tensões raciais.
1-A temática étnico-racial no Brasil;
2-A escravidão no Brasil;
3-Pluralidade e diversidade cultural na educação no Brasil;
Objetivos da aula 16
• Debater a temática étnico-racial no Brasil;
• Apresentar os fundamentos do período de Escravidão no 
Brasil;
• Estimular a concepção de pluralidade e diversidade cultural 
na formação escolar Brasil.
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você a importância de combater 
o racismo, trabalhar pelo fim da desigualdade social e racial, 
empreender reeducação das relações étnico-raciais, não são 
tarefas exclusivas da escola. As formas de discriminação de 
qualquer natureza, não nascem na escola, porém o racismo, 
as desigualdades e as discriminações correntes na sociedade 
perpassam por ali.
DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-RACIAL: O 
CASO DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL
 
Um dos maiores desafio da humanidade no século XXI é 
promover o enfretamento dos conflitos originados das 
relações étnicas e raciais. Nos últimos vinte anos um cenário 
preocupante, relacionado ao crescimento de tais conflitos, tem 
nos chamado a atenção. 
Segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2004, 
cerca de 518 milhões de pessoas no mundo sofrem de algum 
tipo de discriminação ou segregação por razões religiosas, 
raciais ou étnicas. 
Em nosso país precisamos considerar que o debate merece uma 
atenção especial, pois, embora cada vez mais desacreditado, 
ainda vivemos sobre a égide do mito que concebe a sociedade 
brasileira como uma nação racialmente democrática. 
Uma análise mais apurada acerca das relações étnico-raciais 
estabelecidas no seio desta sociedade revela, no entanto, que 
estas não ocorrem de modo tão harmonioso, ao contrário do 
que julgam alguns.
Neste contexto, as relações étnico-raciais tem se constituído 
tema recorrente nos debates acadêmicos e educacionais, 
entretanto, discuti-las, sobretudo na educação básica 
consiste, ainda, numa tarefa complexa e extremamente difícil 
e, embora o quantitativo de produções sobre esta temática 
tenha aumentado significativamente, não raro, professores 
trabalham o tema de maneira estereotipada ou simplista, 
assim como também tais produções são do conhecimento 
de um número muito reduzido de pessoas. Faz-se necessário, 
portanto, buscar novos caminhos para reparar o histórico de 
exclusão da temática afro brasileira do contexto de nossas salas 
de aulas.
 
Uma das primeiras tarefas na escola que deseja trabalhar na 
perspectiva da diversidade é desconstruir o tão difundido 
mito da democracia racial, pois não há como se combater algo 
que não é concebido como um fato real e freqüente no nosso 
cotidiano.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 16 | DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-RACIAL:...
PÁG. 02
O PROCESSO DE ESCRAVIDÃO NO BRASIL
 
No século XVI, os portugueses foram protagonistas do primeiro 
grande fluxo migratório europeu para o Brasil. Trouxeram as 
tradições culturais e religiosas da península ibérica e, ao mesmo 
tempo, introduziram o Brasil no sistema colonial. 
O hediondo tráfico negreiro foi uma das conseqüências dessa 
situação. Comprados ou capturados na África, os escravos e as 
escravas eram tratados como simples mercadoria - “estoques” 
ou “peças” - e destinados a alimentar o comércio triangular 
entre Europa, África e Américas, comércio que enriqueceu 
apenas o primeiro dos três continentes. Estima-se que cerca 
de 4 milhões de escravos e escravas chegaram no Brasil, 
principalmente entre os séculos XVII e XIX. 
 
A “imigração” dos escravos e das escravas no Brasil foi forçada, 
compulsória. As condições das viagens eram terríveis, sendo 
freqüentes as mortes antes da chegada no lugar de destinação. 
Assim como os índios, eles perdiam o direito de ir e vir, 
confinados entre a senzala e o trabalho. 
A única mobilidade possível decorria da venda por parte dos 
amos, das perigosas fugas e das andanças dos negros libertos. 
Existem casos de escravos e escravas que, movidos pela 
profunda saudade da terra de origem, conseguiram voltar para 
África, onde ainda hoje conservam traços culturais adquiridos 
no Brasil.
Apesar da escravidão e das políticas de embranquecimento, os 
africanos bantos e nagôs conseguiram fincar raízes no território 
brasileiro, contribuindo de maneira determinante à formação 
da atual sociedade pluricultural e plurireligosa. A abolição do 
regime de escravatura e a forte influência cultural, contudo, 
não significaram o fim da discriminação.
 Assim como os índios, também os afro-brasileiros tiveram que 
transformar a recuperada mobilidade espacial em mobilização 
social, gerando grupos de resistência, conscientização e 
reivindicação do direito à própria religião, história, cultura.
A partir do século XIX até os dias de hoje, outras populações 
aportaram no Brasil, com prevalência de italianos, espanhóis, 
alemães e poloneses. Mas não pode ser esquecida também a 
imigração de outros grupos que contribuem para a variedade 
cultural e religiosa do nosso país, como os turcos, holandeses, 
japoneses, chineses, sul-coreanos, sírio-libaneses, judeus, 
latino-americanos, entre outros. 
Não é fácil avaliar as motivações de tal imigração. Em geral, 
foi determinante a combinação entre fatores de atração 
(especialmente a demanda de mão-de-obra barata para 
substituir o extinto sistema escravagista) e fatores de expulsão 
na terra de origem como, crises econômicas, conflitos internos, 
questões políticas e perseguições.
Chegando para substituir a mão-de-obra escrava, os imigrantes, 
não sem sofrimento e provações, conseguiram encontrar o 
próprio espaço geográfico, social, econômico e político no 
interior do país. Nas primeiras décadas costumavam priorizar 
a preservação das próprias tradições culturais, conseguindo, 
desta forma, evitar o risco de assimilação. 
Com o tempo ocorreu uma integração progressiva que 
favoreceu o intercâmbio com as demais tradições culturais 
presentes no país. As intensas migrações internas das últimas 
décadas provocaram a difusão nacional de algumas das 
tradições culturais características desses grupos.
DISCRIMINAÇÃO E PRECONCEITO RACIAL NO 
BRASIL
 
Existe discriminação racial quando as pessoas não são 
avaliadas, selecionadas, admitidas, promovidas e remuneradas 
de acordo com as suas capacidades e competências, mas por 
critérios irrelevantes para o seu desempenho como cor da pele,tipo de cabelo, traços faciais e origem étnica. Numa sociedade 
complexa, diferenciada e competitiva, o combate a todas as 
formas de discriminação e de racismo consiste primordialmente 
em exigir a aplicação de critérios universalistas todas as vezes 
em que for necessário estabelecer uma seleção para qualquer 
emprego, cargo, função ou posição social e em exigir o respeito 
a padrões universais de respeito à dignidade das pessoas.
A escola não vem cumprindo este papel. Manifestação 
de preconceito e discriminação, conscientes e às vezes 
inconscientes ocorrem entre alunos, funcionários e mesmo 
professores. 
O preconceito na escola é especialmente grave quando incide 
nas séries iniciais, com crianças que ainda não desenvolveram 
mecanismos de defesa contra a projeção de identidades 
negativas.
 Da parte dos professores, o que acontece com mais freqüência 
do que se imagina, é a pressuposição do fracasso, o que 
constitui um estímulo negativo particularmente destrutivo, 
pois leva as crianças a acreditarem que são incapazes de 
aprender, prejudicando assim todo o seu desenvolvimento 
escolar posterior.
 
Não há, no Brasil, uma verdadeira democracia racial. Mas 
o fundamento para sua construção reside nos preceitos 
constitucionais que tornam, perante a lei, irrelevante a auto-
classificação racial das pessoas e crime a discriminação. Se 
a aplicação da lei é falha, a solução não está em oficializar 
desigualdades, aplicando critérios legalmente diversos para 
negros e brancos.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 16 | DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-RACIAL:...
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O enfrentamento da questão é uma alternativa possível de 
lidar com este fenômeno, portanto temos que pensar sobre a 
convivência com a diferença na base do respeito e humildade.
 
O primeiro aspecto para se obter uma identidade racial é 
verificar a necessidade de se ter uma identidade. O grupo 
que busca uma identidade é o grupo que está se percebendo 
esquecido, quando uma raça luta para não ser esquecida, 
quando uma raça luta pelo resgate de sua história, seus 
costumes, suas origens. 
Logo, este grupo começa por identificar a sua identidade. 
Os negros, ao contrário dos brancos no Brasil, reivindicam a 
identidade de um povo que não se pode esquecer.
 
Pensar em identidade racial se torna abrangente numa 
realidade de segregação social, econômica e política, onde 
muitos negros e brancos vivem à margem da sociedade. É claro 
que não podemos ver negros e brancos como iguais porque 
isso seria negar os anos de sofrimentos desde a escravidão até 
aos dias atuais. É importante pensar numa identidade.
 
Mas, qual identidade? A brasileira? Como chegar nessa 
identidade em meio a tantas misturas raciais? Alguns podem 
objetar ressaltando que a inter- racialidade é a identidade 
brasileira. Mas, de fato não explica já que não há igualdade 
nessa mistura. Para chegarmos a esta identificação como 
brasileiros, precisamos ver total igualdade, social, econômica e 
política.
 
Assim, a escola deve incentivar a convivência com a diversidade 
e pluralidade cultural e étnica para a riqueza da formação do 
cidadão atual.
SINTESE DA AULA
 
Nesta aula aprendemos que no Brasil temos uma população 
miscigenada e culturalmente diversificada, porém isso não 
significa que sabemos conviver com as diferenças. A educação 
escolar, por exemplo, não trabalha para valorizar a diversidade, 
pois os conteúdos se baseiam no padrão de homem, branco 
e heterossexual. A escola deve incentivar a possibilidade da 
criança interpretar os vários papéis existentes na sociedade, 
tanto femininos quanto masculinos, construindo sua 
identidade de forma natural, entendendo as diferenças, porém 
sem gerar desigualdades diante da importância de cada ser.
 
A discriminação no ambiente escolar reduz a auto-estima do 
aluno, refletindo no aprendizado. A valorização da diversidade 
deve começar pela conscientização do professor, que muitas 
vezes nega sua própria ascendência.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 16 | DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-RACIAL:...
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Assista ao vídeo abaixo escreva uma redação sobre a temática 
diversidade étnico-racial na sociedade brasileira hoje.
Diversidade Étnico Racial
Acesse:
https://www.youtube.com/watch?v=CAsXLfYKUhQ
O aluno deve ser capaz de apresentar que . a escola deve incentivar 
a possibilidade da criança interpretar os vários papéis existentes 
na sociedade, tanto femininos quanto masculinos, construindo 
sua identidade de forma natural, entendendo as diferenças, 
porém sem gerar desigualdades diante da importância de cada 
ser.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 16 | DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-RACIAL:...
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios. RS: Artmed, 2005.
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AULA 16 | DEBATENDO A TEMÁTICA ÉTNICO-RACIAL:...
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA17
 TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS 
 CONTEMPORÂNEAS
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Nesta aula 17 apresentaremos quais são as discussões atuais 
da Filosofia contemporânea. Na atualidade, a acentuação dos 
riscos a que se vêem expostas as sociedades caracteriza-se em 
função de decisões políticas muitas vezes tomadas à sua revelia. 
Ademais, quando se fala de risco, refere-se à produção de 
danos que são conseqüências de decisões humanas (causadas 
por ações ou omissões ante a representação de um evento 
danoso), por oposição ao perigo que importa à produção de 
danos imputáveis a causas alheias ao próprio controle, externas 
à decisão e que afetam o entorno (humano ou natural).
1 - O risco como componente da sociedade contemporânea
2 - A gestão dos riscos em uma sociedade democrática;
3 - Distinção entre princípio da precaução e princípio da 
prevenção
Objetivos da aula 17
• Debater o conceito de risco na sociedade contemporânea;
• Apresentar os fundamentos da gestão do risco;
• Estimular a concepção de princípio da precaução e princípio 
da prevenção
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você que a sociedade tem um 
direito indiscutível de conhecer a dimensão, as características e 
a natureza dos riscos que corre ante qualquer empreendimento, 
trazidos pela era da globalização. Conhecido o risco por meio 
da informação adequada e correta, deve ter a possibilidade de 
debater para finalmente impulsionar uma decisão política que 
implique uma eleição entre diversas alternativas.
Neste terreno, fica a amarga impressão de que se está 
comprometendo o futuro das próximas gerações e que se 
sorteiam graves situações de incerteza no influxo das pressões 
dos mercados, sem que a sociedade esteja suficientemente 
informada nem que haja promovido um debate adulto. 
A gestão dos riscos ambientais deve ser assumida como 
constituindo uma das questões centrais.
O RISCO COMO COMPONENTE DA SOCIEDADE 
CONTEMPORÂNEA
 
 A incerteza e a ignorância desde sempre caracterizaram o 
conhecimento humano e a verdade é que hoje constituem o 
paradigma e elemento estruturante da nossa sociedade.
O desenvolvimento tecnológico, que chega com a Globalização, 
fez-se acompanhar de um modelo de bem estar e conforto da 
gestação de riscos imprevisíveis e não contabilizáveis. 
 
 O século XIX foi dominado pelo paradigma da responsabilidade. 
As incertezas e os imprevistos eram geridos pela adoção de 
uma conduta previdente a nível individual, ficando a solução, 
em último caso, nas mãos do destino ou de Deus. 
 GLOBALIZAÇÃO CONJUNTO DE TRANSFORMAÇÕES NA ORDEM 
POLÍTICA E ECONÔMICA MUNDIAL VISÍVEIS DESDE O FINALDO 
SÉCULO XX. TRATA-SE DE UM FENÔMENO QUE CRIOU PONTOS 
EM COMUM NA VERTENTE ECONÔMICA, SOCIAL, CULTURAL E 
POLÍTICA, E QUE CONSEQUENTEMENTE TORNOU O MUNDO 
INTERLIGADO, UMA ALDEIA GLOBAL.
 Já o Estado Social do século XX foi dominado pelo paradigma 
da solidariedade e estruturou-se, em larga medida, em torno 
do eixo central da repartição social dos encargos e riscos, 
sociais ou profissionais e de prevenção (prevenção de doenças, 
de crimes, de acidentes, e da miséria).
 Apesar disso, ao longo das últimas décadas privilegiaram-se 
sistemas e tecnologias de produção que conduziram o planeta 
a uma situação limite (contaminação do ar, da água, erosão dos 
solos, esquentamento da Terra, diminuição da capa de ozônio, 
aumento das radiações e perda da diversidade biológica). 
Observa-se, porém, que isso não tem sido um obstáculo 
para continuar com este processo destrutivo da vida, leia-
se a sucessão de uma série de catástrofes que puseram ao 
descobrimento da fragilidade dos mecanismos de seguridade 
para afrontar situações limites (Chernobyl, os acidentes 
químicos industriais de Minamata, Seveso e Bhopal).
 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 17 | TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS
PÁG. 02
O paradigma da segurança existencial, estruturado no 
progresso e na tecnologia, deu lugar ao medo do risco. Assiste-
se a uma transição de uma sociedade industrial para uma 
sociedade de risco. 
No atual modelo econômico, as causas dos riscos e perigos 
possuem as mais diversas origens, o que lhe dá contornos de 
uma multidimensionalidade, circunstância que acentua as 
dificuldades das diversas instâncias de organização desse risco.
A GESTÃO DOS RISCOS EM UMA SOCIEDADE 
DEMOCRÁTICA
 
O avanço da civilização tecnológica tem levado a uma maior 
difusão e proliferação dos riscos, a ponto de convertê-los 
em categoria social. Os riscos assim criados afetam, pois, a 
sociedade em seu conjunto, colocando de manifesto a crise 
que caracteriza a sociedade industrial.
 
Os riscos que envolvem esta civilização são extremamente 
nocivos para o cidadão moderno, portanto, vivemos um dilema 
entre viver com as facilidades tecnológicas e também cuidar 
dos riscos que ela pode nos acarretar.
 A nova política de tratamento e aceitação dos riscos deve 
repousar sobre planos de prevenção destes, concebidos 
territorialmente em instâncias pluralistas.
 
A análise custo benefício daria resultados muito diferentes ao 
ser aplicada dentro de concepções éticas distintas. A percepção 
social dos riscos afrontados, a análise de seus fundamentos e os 
critérios de avaliação dos dispositivos de proteção, finalmente 
adotados, devem ser resultado de transações entre dados 
científicos e técnicos e valores sociais dos atores implicados.
DISTINÇÃO ENTRE PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO E 
PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO
 
Para poder captar em toda sua riqueza a função que assume 
o princípio na evolução da ciência e técnica, é importante 
diferenciá-lo de outro princípio: o da prevenção.
 
O princípio da prevenção é uma conduta racional frente a um 
mal que a ciência pode objetivar e mensurar, que se move 
dentro das certezas das ciências.A precaução, pelo contrário, 
enfrenta a outra natureza da incerteza: a incerteza dos saberes 
científicos em si mesmo. O princípio da prevenção refere-se ao 
perigo concreto e o princípio da precaução refere-se ao perigo 
abstrato.
 
Sendo assim, pode-se mencionar que a prevenção atua no 
sentido de inibir o risco de dano potencial, ou seja, procura-
se evitar que uma atividade sabidamente perigosa venha a 
produzir os efeitos indesejáveis.
No princípio da precaução o perigo é potencial ou de 
periculosidade potencial que se quer prevenir. No da prevenção 
o perigo deixa de ser potencial, já é certo, tem-se os elementos 
seguros para afirmar ser a atividade, efetivamente, perigosa, de 
modo que não se pode mais pretender, nesta fase, a prevenção 
contra um perigo que deixou de ser simplesmente potencial, 
mas real e atual. 
 
Enfim, dessa comparação surge uma diferença que deve 
medular no debate social de nossos dias: enquanto a prevenção 
é um assunto de especialistas confiado em seus saberes, a 
precaução é um assunto que compete à sociedade em seu 
conjunto e deve ser gestionado em seu seio para orientar a 
tomada de decisões políticas sobre assuntos de relevância 
fundamental.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 17 | TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS
PÁG. 03
SINTESE DA AULA
 
Nesta aula aprendemos que em meio a convivência na 
sociedade do risco, o princípio da precaução resume-se 
na busca do afastamento, no tempo e espaço, do perigo, na 
busca também da proteção contra o próprio risco e na análise 
do potencial danoso oriundo do conjunto de atividades. Sua 
atuação faz-se sentir, mais apropriadamente, na formação de 
políticas públicas ambientais, em que a exigência de utilização 
da melhor tecnologia disponível é necessariamente um 
corolário.
O princípio constitui-se, assim, em um instrumento fundamental 
para submeter a uma causa de racionalidade a aplicação de 
novas tecnologias e para possibilitar que o Estado, como 
expressão comum dos diversos setores sociais que o integram, 
possa cumprir em melhor forma um de seus objetivos básicos: 
o resguardo da seguridade coletiva.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 17 | TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
 Assista ao vídeo abaixo escreva uma redação sobre a sociedade 
do risco e suas possibilidades de precaução.
Globalização e suas consequencias
https://www.youtube.com/watch?v=EIw63BJop34
O aluno deve escrever sobre a sociedade vê o capitalismo apenas 
como um sistema que pode se beneficiar e não vê que enquanto 
isso a desigualdade social só aumenta. Se torna inevitável o 
preconceito e a violência em uma sociedade que cada vez aumenta 
mais o “abismo” entre a classe alta e baixa. A globalização é ótima, 
porém, ao se misturar com o pensamento capitalista da maioria 
dos seres humanos, criam-se grandes problemas sociais.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 17 | TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS
PÁG. 05
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
DI GIORGI, Raffaele. ”O risco na sociedade contemporânea”, 
in Revista Seqüência. Revista do Curso de Pós-graduação em 
Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, jun.1994, 
n.28, ano 15.
GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. São 
Paulo: Editora UNESP, 1991.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios.
Os Pensadores: Marx. São Paulo: Nova Cultura, 1999
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 17 | TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA18
 FILOSOFIA E 
 TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Nesta aula 18 apresentaremos como a filosofia trabalha a 
questão da transformação social. A educação filosófica deve 
ser capaz - entre outros aspectos - de formar pessoas que 
exercitem um pensamento criterioso, que desenvolvam 
conceitos e ações solidários, que aprimorem a criatividade 
na inteligibilidade e intervenção sobre os eventos dos quais 
tomam parte, que saibam distinguir argumentos ponderando 
os diversos elementos neles envolvidos e sua articulação 
orgânica, fundamentar posições em bases conceituais mais 
sólidas e tomar decisões por conta própria nas diversas esferas 
do mundo da vida.
1 - Relação Filosofia e transformação social;
2 - Estrutura social e movimentos sociais
3 - Perspectivas filosóficas sobre transformação social
Objetivos da aula 18
• Debater a relação Filosofia e transformação social;
• Apresentaros movimentos sociais contemporâneos;
• Estimular a mobilidade e o desenvolvimento da cidadania 
reflexiva para a mudança social
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você como está sendo 
construído um novo sujeito histórico que requer algumas 
condições básicas. Em primeiro lugar, é necessário elaborar uma 
consciência coletiva sustentada em uma análise apropriada da 
realidade e uma ética. 
Quanto à análise, trata-se de utilizar instrumentos capazes 
de estudar os mecanismos de funcionamento da sociedade 
e de entender suas lógicas, com critérios que permitam 
distinguir causas e efeitos, discursos e práticas. Com certeza a 
transformação social só pode acontecer com a reflexividade e 
mobilidade do novo sujeito social.
FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
 
O ser humano brasileiro é alguém que pertence a dois grupos 
de sociedade, alguém que apresenta características de quem 
vive simultaneamente uma sociedade fechada e alguém que 
tenta vivenciar a situação de uma sociedade aberta. 
Quer dizer: o educando brasileiro é, de um lado, alguém que 
aceita ser um objeto, uma coisa facilmente controlada por uma 
elite que está longe dela, superposta a ela, que não apreende 
as suas dúvidas, os seus anseios, as suas angústias e as suas 
alegrias; é alguém que manifesta entusiasmo grandiloqüente 
seguido de expressões de desespero e expressões de auto-
estima muito baixas. 
De outro lado, o educando brasileiro é alguém que começa 
a acreditar em si mesmo, que se sente capaz de propor e 
encaminhar transformações salutares e que, por isso mesmo 
nutre um otimismo crítico que lhe permite vislumbrar um 
amanhã promissor. 
Estrutura social e movimentos sociais
 
Os movimentos sociais são os frutos de contradições que se 
globalizaram. São mais que uma simples revolta (as jacqueries 
camponesas) mais que um grupo de interesses (câmara de 
comércio), mais que uma iniciativa com autonomia do Estado 
(ONGs). Os movimentos nascem da percepção de objetivos 
como metas de ação, mas para existirem no tempo necessitam 
um processo de institucionalização. 
Criam-se papéis indispensáveis para sua reprodução social. 
Assim nasce uma permanente dialética entre metas e 
organização cujo perigo potencial sempre presente é a 
possibilidade de que a lógica de reprodução imponha-se sobre 
as exigências dos objetivos procurados. 
Um exemplo é o caso de muitos sindicatos operários e partidos 
de esquerda. Foram iniciativas dos trabalhadores em luta 
que com o tempo transformaram-se em burocracias que 
definiam suas tarefas em termos somente defensivos, quer 
dizer em função da agenda do adversário e não do projeto de 
transformação radical do sistema. 
No caso particular dos partidos políticos, é a lógica eleitoral que 
prepondera sobre o objetivo original e que define as práticas, o 
que significa uma lógica de reprodução e não uma perspectiva 
de mudança profunda revolucionária. Isso não impede a 
presença de muitos militantes autênticos nestas organizações, 
mas significa que estão encerrados em uma lógica que os 
ultrapassa.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 18 | FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
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Entretanto, a realidade social não está predeterminada e pode-
se atuar sobre os processos coletivos. Para que os movimentos 
sociais estejam em posição de construir o novo sujeito social há 
duas condições preliminares. 
Em primeiro lugar, ter a capacidade de uma crítica interna 
com o fim de institucionalizar as mudanças e assegurar uma 
referência permanente aos objetivos. 
Em segundo lugar, captar os desafios da globalização, que por 
sua vez são gerais e específicos ao campo de cada movimento: 
operário, camponês, de mulheres, populares, de povos nativos, 
de juventude, e em breve de todos os que são vítimas do 
neoliberalismo globalizado.
Construir o novo sujeito histórico requer conceber e cimentar 
um vínculo com um campo político renovado. Nos primeiros 
tempos dos Fóruns Sociais existia um medo real para com os 
órgãos da política tradicional em parte por razões justas.
 
Ao repúdio frente à instrumentalização eleitoreira e às 
maquinarias de partidos como mera ferramenta de poder 
somava-se uma atitude de princípio anti-estatal, especialmente 
em certas ONGs. 
Se afirmarmos que a transformação social exige muito mais 
que a tomada do poder político formal, executivo ou legislativo, 
esta perspectiva é plenamente aceitável, mas se significar 
que mudanças fundamentais como uma reforma agrária ou 
uma campanha de alfabetização podem ser realizadas sem o 
exercício do poder, é uma total ilusão.
Assim, os movimentos sociais devem contribuir para a 
renovação do campo político. A perda de credibilidade dos 
partidos políticos é uma realidade mundial e é urgente 
encontrar a maneira de realizar uma reconstrução do campo. 
Um exemplo interessante é o da República Democrática do 
Congo (Kinshasa), onde os movimentos e organizações de 
base mobilizaram-se para a organização das eleições de julho 
2006. Depois de 40 anos de ditadura e de guerras (nos últimos 
cinco anos houve mais de três milhões de vítimas), as forças 
populares da base da população afirmaram a necessidade de 
defender a integridade da nação e salvaram esta última de seu 
desmantelamento neutralizando todos os esforços feitos para 
fragmentar o país e assim poder controlar mais facilmente os 
recursos naturais.
 
Adicionalmente, estes setores estão inventando formas de 
democracia participativa, conjuntamente com a democracia 
representativa.
 
 
Milhares de organizações locais, de mulheres, de camponeses, 
de pequenos comerciantes, de jovens, de comunidades cristãs 
católicas e protestantes, mobilizaram-se para apresentar 
candidatos, ligados por pacto às comunidades (porta-vozes 
e não representantes como diz a lei de conselhos comunais 
da Venezuela), no nível local e estadual, com alguns em nível 
nacional, mas sem candidato à presidência, porque estimam 
que primeiro devem consolidar o processo de baixo. 
É uma verdadeira reconstrução de um campo político, 
quase completamente destruído pelas práticas (corrupção e 
tribalismo) dos partidos existentes.
Finalmente, será muito importante para as convergências 
dos movimentos sociais encontrarem a maneira de aglutinar 
as numerosas iniciativas populares locais que não se 
transformam em movimentos organizados, apesar do fato 
de que representam uma parte importante das resistências 
(em nível de povos ou de regiões, contra uma represa, contra 
a privatização da água, da eletricidade, da saúde, contra a 
entrega de florestas a empresas transnacionais, etc.). 
Não podemos esquecer também que a pluralidade, dinâmica 
e complexidade dos movimentos sociais (multifacetários) 
contemporâneos trazem consigo, por óbvio, a necessidade de 
renovação dos modelos familiares até então existentes. 
 
Os casamentos, divórcios, recasamentos, adoções, 
inseminações artificiais, fertilização in vitro, clonagem, etc., 
impõem especulações sobre o surgimento de novos status 
familiares, novos papéis, novas relações sociais, jurídicas e 
afetivas.
Perspectivas filosóficas sobre 
transformação social
 
A maioria dos “filósofos” no Brasil assumem uma atitude 
intelectualista, dedicados à erudição, dificultam a elaboração 
de um pensamento rigoroso, radical, voltado para o conjunto 
da situação social vivida, suas reflexões são abstrações da vida 
e da história. 
Esse tipo de atitude diante da filosofia constrõe uma concepção 
alienante da própria filosofia, “neutra”, “abstrata”, que bem da 
verdade serve como instrumento de dominação, negando a 
própria filosofia que não se reduz a explicitações de conceitos 
de maneira abstrata e a-histórica.
 
Toda filosofia que recusa seu caráter histórico, relativo, 
polêmico, transitório, para se fechar na especulação estéril, 
no saber comandado e submisso, serve apenaspara manter a 
hegemonia cultural burguesa. Estas são algumas questões que 
apontam para a necessidade de refletirmos sobre as condições 
do filosofar enquanto atividade crítica questionadora. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 18 | FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
PÁG. 03
GRAMSCI A POLÍTICA E A CULTURA
 
O desafio dos movimentos sociais populares, que, em síntese, 
lutam pela efetivação de um projeto político transformador, 
que se baseia na construção e exercício da cidadania, é 
essencialmente um desafio político e cultural.Desafio que se 
coloca a uma prática bastante concreta: a ação desenvolvida 
pelos diversos movimentos sociais populares que se organizam 
na sociedade civil reivindicando saúde, moradia, saneamento, 
emprego e na esfera cultural opondo-se a todo tipo de 
discriminação (étnica, racial, sexual, etc.). 
Ação que constantemente se depara com a necessidade de 
sistematização de suas experiências, de reflexão acerca de 
sua eficácia, avaliando estratégias de luta, de articulação, de 
formação política e cultural. 
Apesar da especificidade de cada movimento social-popular, 
consideramos que todos com maior ou menor enfoque atuam, 
também, numa dimensão cultural, a medida que propõem 
novos valores opondo-se à uma ética individualista, de 
discriminação, segregação e exclusão.
PARA REFLETIR E DISSERTAR: 
Em que medida a atividade filosófica pode contribuir para 
a práxis destes movimentos? Qual a contribuição destes 
movimentos para repensarmos a filosofia que “fazemos”? São 
questões que se articulam e que não se esgotam nesta fala. 
 
Resgatemos a contribuição de Gramsci para essas questões, 
explicitando uma atividade filosófica envolvida com a realidade 
histórica e cultural.
 
A filosofia da práxis, aponta o caráter histórico de todas as 
filosofias e se apresenta como a “teoria das contradições” 
existentes na história e na sociedade, assume “todo o passado 
cultural, o Renascimento e a Reforma, a Filosofia Alemã e a 
Revolução Francesa, o calvinismo e a economia clássica inglesa, 
o liberalismo e o historicismo: em suma, o que está na base de 
toda concepção moderna de vida e é a crítica e a superação, é 
o coroamento de todo este movimento de reforma intelectual 
e moral, dialetizando no contraste entre cultura-popular e alta-
cultura”(8), é a concepção de mundo das classes dominadas, 
expressão das suas lutas, dos seus sonhos, dos avanços e recuos 
na conquista da hegemonia, é a manifestação “de uma nova 
cultura em gestação, que se desenvolverá com o desenvolver-
se das relações sociais” como uma atitude “crítica e polêmica, 
jamais dogmática”(9), mas realista, que considera “as razões do 
adversário” que pode ser todo o pensamento passado.
Para saber mais sobre a Filosofia da Práxis..
Acesse:
http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=642
No período de militância política, entre 1916 à 1920, Gramsci 
escreve artigos em jornais voltados para a classe trabalhadora, a 
coletânea destes artigos, são os chamados textos de juventude. 
Nestes artigos Gramsci polemiza com companheiros do 
movimento socialista (PSI, dos Conselhos de Fábrica e dos 
jornais) os encaminhamentos e estratégias da luta política. 
 
Em “A Questão Meridional”(10), texto inacabado, escrito em 
1926, Gramsci faz uma profunda análise das relações entre 
o norte e o sul da Itália, conseqüência do modo como foi 
conduzido o processo de unificação italiana.
 
O Estado italiano passou por um processo de unificação tardio, 
tendo fundamentado-se num Estado já existente, o Piemonte, 
que tinha como característica a força e a centralização.
A unificação efetiva-se com o apoio da burguesia regional, 
classe desunida, com interesses corporativos, que direciona 
a unificação de forma conservadora, favorecendo apenas aos 
interesses dos grupos burgueses que buscavam fortalecer-se 
econômica e politicamente.
Com a unificação o Estado se estabelece a partir do modelo 
da região setentrional, modelo que é imposto à toda a Itália 
sem considerar as grandes diferenças existentes entre 
as regiões norte e sul. O objetivo de introduzir a Itália no 
processo de “modernização” capitalista, sem considerar as 
diversidades culturais e econômicas entre essas regiões, 
trouxe conseqüências desastrosas para o sul devido a política 
centralizadora que só valorizava a região norte, industrializada.
O norte da Itália tinha as condições necessárias para o 
desenvolvimento do capitalismo, da indústria. Enquanto que 
o sul possuía uma agricultura primitiva, no estilo feudal, o 
que correspondia, também, ao modo de pensar do camponês 
meridional. Assim, o novo Estado italiano se fundamenta 
reforçando as diferenças econômicas e culturais. O sul fica 
subordinado aos interesses da burguesia do norte, que 
controlava o governo e que também produzia um discurso 
ideológico definindo o sul como atrasado e preguiçoso sem 
considerar as condições históricas do camponês.
 
Gramsci observa que este Estado que encaminha a unificação, 
se caracterizando como centralizador e despótico, reforçou 
a dicotomia, comum em países atrasados do ponto de vista 
capitalista, entre cidade e campo, entre operário e camponês 
e dificultou a organização partidária, os parlamentares 
defendiam interesses de determinados setores econômicos 
ou seus próprios interesses, manifestando uma política do tipo 
transformista, onde o discurso e a prática política se adapta as 
ocasiões e as vantagens que podem obter para si próprios ou 
para determinado grupo.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 18 | FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
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SINTESE DA AULA
 
Nesta aula aprendemos que com efeito, ao apostar na 
fecundidade da dúvida, ao questionar-se a si mesma, ao 
sublinhar suas próprias fraquezas, em síntese, ao criticar-se 
a si própria é que a filosofia se aproxima da democracia. O 
modo, pois, como o filósofo pode melhor contribuir com a 
cidadania, não é abdicando da elaboração conceitual que lhe 
é peculiar, mas exercitando-a na crítica conceitual dos temas 
fundamentais à construção e aperfeiçoamento da democracia. 
Ele, portanto, contribui com a cidadania sendo filósofo - uma 
vez que como cidadão, está imerso em uma sociedade repleta 
de conflitos e contradições, aos quais não tem como se furtar, 
necessitando refleti-los criticamente para exercer sua própria 
liberdade, historicamente situada nessas condições. Afinal, 
seria um paradoxo que um filósofo desse aulas na academia 
sobre ética e filosofia política, por exemplo, e agisse ética e 
politicamente, em seu dia a dia, seguindo o senso comum. A 
necessidade de considerar filosoficamente tais temas, advém 
da necessidade que ele próprio vivencia, como cidadão, de 
posicionar-se frente aos mesmos.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 18 | FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Assista ao vídeo abaixo e construa uma abstração – desenho- 
sobre a questão da transformação social
“ Redes e Movimentos Sociais”
https://www.youtube.com/watch?v=ouH1PU_Clm0
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 18 | FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
DI GIORGI, Raffaele. ”O risco na sociedade contemporânea”, 
in Revista Seqüência. Revista do Curso de Pós-graduação em 
Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, jun.1994, 
n.28, ano 15.
GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. São 
Paulo: Editora UNESP, 1991.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios. RS: Artmed, 2005.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 18 | FILOSOFIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIAAULA19
 TEMAS ATUAIS DE FILOSOFIA: 
 DIREITOS HUMANOS E 
 MULTICULTURALISMO
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Nesta aula 19 apresentaremos a relação Filosofia, Direitos 
Humanos e Multiculturalismo. Os direitos humanos são, 
elemento da heterogeneidade na busca de novos parâmetros 
de reprodução social, no qual a perspectiva da inclusão se 
estenda para além de uma abordagem meramente formal, 
normativa, na qual o diálogo, angular, reforça o silêncio e 
pouca relação guarda com os processos de emancipação e 
autonomia, conforme propõe uma viabilidade pedagógica que 
se reafirma no multiculturalismo.
1 - o conceito de direitos humanos surge com a transição da 
sociedade mundial à modernidade
2 - o fenômeno do multiculturalismo ou pluriculturalismo
3 - Filosofia, Direitos Humanos e Multiculturalismo
Objetivos da aula 19
• Debater a relação Filosofia, Direitos Humanos e 
Multiculturalismo;
• Apresentar como o conceito de direitos humanos surge com a 
transição da sociedade mundial à modernidade
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você que a prática dos direitos 
humanos em um contexto de desordem informa o caráter 
dialógico dessa perspectiva visando à efetividade de direitos. 
A consideração de um discurso calcado na transversalidade, 
na formação de novas subjetividades requer algumas 
considerações acerca da modernidade, da crise desse 
paradigma e dos questionamentos daí decorrentes.
A questão da fragmentação da subjetividade moderna traduz 
um vínculo com a humanização do direito a partir dos direitos 
humanos, conforme disse anteriormente. Aqui importa fazer 
uma conexão com o multiculturalismo e de que forma esse 
movimento, que indica a alteridade, a diferença.
FILOSOFIA: DIREITOS HUMANOS 
E MULTICULTURALISMO
 
A garantia da diferença, do multiculturalismo, é o diálogo. 
Portanto, trabalhar o direito em uma perspectiva de monólogo, 
é assumir o risco – reiterado - da não efetividade, já que os 
direitos humanos são construídos nos espaços da diferença da 
luta social, da desordem.
Segundo escritos de Pensylvânia Silva Neves (2007), a inclusão 
excludente milita no sentido de induzir o outro ao mesmo, 
elidindo, assim, a diversidade, a possibilidade de alternativas. 
É o que se dá, por exemplo, com a leitura feita de movimentos 
sociais, novos movimentos, como o dos sem terra.
A criminalização parece ser a saída de um direito que não 
consegue se desvencilhar de suas amarras instrumentais e 
identificar substanciais diferenças entre o sujeito de direito 
moderno e aquele que se forma na transmodernidade.
O fato é que esse estado produzido pela modernidade 
escamoteia os problemas gerados nas contradições e embates 
sociais ao mesmo tempo em que impossibilita respostas efetivas 
que são satisfatoriamente construídas em transversalidade, no 
diálogo que permite a percepção dessa sistemática do incluir 
excluindo, da própria condição de excluído ou esquecido.
Essa mediação traduz um consistente mecanismo de 
aprendizagem mediado pelo direito que traga como resultado 
a inclusão de fato. Assim como a exclusão exterioriza uma rede 
de discriminações, a inclusão é uma conquista transversal.
Tem-se conduzido a análise sobre o multiculturalismo como a 
perspectiva da diferença efetivada consensualmente. Vejamos.
a) O multiculturalismo é um movimento antieuropeu na 
promoção de valores de culturas inferiores;
b) O multiculturalismo propiciaria a fragmentação da sociedade 
e da nação;
c) O multiculturalismo vincula-se a minorias tendo um caráter 
de auto-estima;
d) O multiculturalismo seria um “novo puritanismo” voltado 
para o totalitarismo.
A despeito dessas questões mantenho aqui a consideração do 
multiculturalismo como elemento que indica a diferença em 
uma sociedade plural voltado para uma dinâmica inclusiva, 
concretamente materializada, oportunizando o diálogo na 
realização da igualdade de fato.
 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 19 | TEMAS ATUAIS DE FILOSOFIA: DIREITOS...
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A desordem, que tem um matiz consensual, permite a formação 
de subjetividades em face do diálogo transversal que se 
configura a partir de um panorama multicultural, na existência 
efetiva da alteridade.
O elemento dinamizador nesse contexto, são os direitos 
humanos, cujo espaço de formação é o vazio das lutas sociais, 
o devir de tais direitos pela própria complexidade social.
Falo em desordem sem remetê-la a qualquer antagonismo 
com a ordem ou subsumida ao caos. A prática de direitos 
na desordem é indicativa do descompasso do direito em 
referência às possibilidades de reprodução social.
A efetividade de direitos não se garante via formalização 
apenas. Ao contrário, a garantia formal pode estar voltada 
à manutenção do status quo, à sofreguidão diante de uma 
ordem que já deu claros sinais de sucumbência, mas que aqui 
e ali se agarra a gravetos a boiar nas enchentes de mudança.
A desordem exige uma reflexão acerca dos limites e 
possibilidades de ruptura com os pressupostos da 
modernidade, sem que se lance mão dos combalidos recursos 
da reforma e revolução, ordenadores. Por isso, estabelece uma 
íntima relação com os direitos humanos.
A fragmentação do sujeito moderno – individual ou coletivo 
– permeia esse processo por novas configurações, já que a 
desordem propicia a formação de subjetividades, a partir 
do conflito positivo e do diálogo, qualificado pelo consenso 
construído.
Na relação que se estabelece entre a desordem e os direitos 
humanos, insere-se o multiculturalismo que além de indicativo 
de diversidade cultural informa as possibilidades da diferença 
em uma sociedade eclética. Por isso, o diálogo que se estabelece 
nesse contexto é transversal. ( NEVES, 2007)
 
A trajetória histórica do século passado, palco de duas grandes 
guerras em escala mundial, é demonstrativo da forma como 
o discurso dos direitos humanos, pelo seu caráter global e 
universal, deu margem à sistemática violação de tais direitos, 
como a justificar vis atrocidades, genocídios e totalitarismos.
 
Segundo Chauí (1999:14-15) afirma que cidadania cultural 
significa, 
 “antes de tudo, que a cultura deve ser pensada como um 
direito do cidadão – isto é, algo de que as classes populares 
não podem ser nem se sentir excluídas (como acontece na 
identificação popular entre cultura e instrução) e que a cultura 
não se reduz às belas-artes - como julga a classe dominante. (...)
A Cidadania Cultural define o direito à cultura como: 
- direito de produzir ações culturais, isto é, de criar, ampliar, 
transformar símbolos, sem reduzir-se à criação nas belas artes; 
- direito de fruir os bens culturais, isto é, recusa da exclusão 
social e política; 
- direito à informação e à comunicação, pois a marca de uma 
sociedade democrática é que os cidadãos não só tenham o 
direito de receber todas as informações e de comunicar-se, 
mas têm principalmente o direito de produzir informações e 
comunicá-las. Portanto, a cidadania cultural põe em questão 
o monopólio da informação e da comunicação pelos classe 
média e o monopólio da produção e fruição das artes pela 
classe dominante; 
- direito à diferença, isto é, a exprimir a cultura de formas 
diferenciadas e sem uma hierarquia entre essas formas”. 
MULTICULTURALISMO E PERSPECTIVA 
INTERCULTURAL
 
O multiculturalismo é um dado da realidade. A sociedade é 
multicultural. Pode haver várias maneiras de se lidar com esse 
dado, uma das quais é a interculturalidade. Esta acentua a 
relação entre os diferentes grupos sociais e culturais. ( CANDAU, 
2007)
 
Na nossa sociedade os fenômenos de apartheid social e 
também de apartheid cultural, em forte interrelação, se vêm 
multiplicando. Neste contexto, a perspectiva intercultural se 
contrapõe à guetificação e quer botar a ênfase nas relações 
entre diferentes grupos sociais e culturais. Quer estabelecerpontes. 
 Não quer fechar as identidades culturais na afirmação das suas 
especificidades. Promove a interação entre pessoas e grupos 
pertencentes a diferentes universos culturais.
 PARA SABER MAIS SOBRE GUETIFICAÇÃO..
 
Acesse: 
h t t p : / / e m p o r i o - d o - d i r e i t o . j u s b r a s i l . c o m . b r /
noticias/186241494/o-risco-da-guetificacao-no-processo-
coletivo-breve-reflexao-sobre-a-legitimidade-defensorial-
coletiva-o-ncpc-e-a-adi-n-3943
Para fecharmos essa aula, Candau (2007) sinaliza que a 
perspectiva intercultural não é ingênua. É consciente de que 
nessas relações existem não só diferenças, como também 
desigualdades, conflitos, assimetrias de poder. No entanto, 
parte do pressuposto de que, para se construir uma sociedade 
pluralista e democrática, o diálogo com o outro, os confrontos 
entre os diferentes grupos sociais e culturais são fundamentais 
e nos enriquecem a todos, pessoal e coletivamente, na nossa 
humanidade, nas nossas identidades, nas nossas maneiras de 
ver o mundo, a nossa sociedade e a vida em sua totalidade. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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SINTESE DA AULA
 
Nesta aula aprendemos que o obstáculo ao reconhecimento 
dos direitos coletivos, especialmente no plano doutrinário, 
representado pelo receio de que esses direitos coletivos 
suplantem os direitos individuais, tal como concebido pela 
idéia do liberalismo conservador - temendo-se, em última 
análise, que em nome da supremacia coletiva proliferem a 
intolerância à diversidade e o retorno dos Estados nacionais 
nos moldes do nazismo - vem sendo atenuado pela própria 
renovação contemporânea das idéias liberais, aproximando-se 
do comunitarismo, de sorte a reconhecer-se, progressivamente, 
ao lado dos direitos individuais, os direitos dos povos e das 
minorias. Respeitam-se, assim, as minorias enquanto minorias. 
Mas não se reconhece ainda uma perspectiva mais global do 
multicuturalismo.
 
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Assista ao vídeo abaixo e apresente uma crítica à relação entre 
Direitos humanos, Filosofia e multiculturalismo. construa uma 
abstração – desenho- sobre a questão da transformação social
https://www.youtube.com/watch?v=nJh1ngMNTPA
Multiculturalismo e Qualidade de Vida.
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CANDAU, V. M. e LEITE, M. S.) A Didática multi/intercultural 
em ação: construindo uma proposta. Cadernos de Pesquisa 
(Fundação Carlos Chagas). , v.37, n.132, 2007.
CANDAU, Vera Maria. Multiculturalismo e Direitos Humanos. 
Disponível em:http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/
veracandau/multicutaralismo.html. Acesso: 20 de maio de 
2015.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
NEVES, Pensylvânia. A Desordem dos Direitos Humanos. 
Disponível em: www.unifacs.br/revistajuridica/arquivo/
edicao_junho2007/.../doc1.doc. Acesso: 20 de maio de 2015.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios. RS: Artmed, 2005.
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
 AULA20
 FILOSOFIA E PENSAMENTO CRÍTICO
 Profª Drª Ana Lúcia Guimarães
Nesta aula 20 apresentaremos que o pensamento crítico 
envolve um juízo intencional, conforme refletir sobre em que 
se deve crer ou de como reagir a uma análise minuciosa, a uma 
vivência, a uma manifestação oral ou textual, e até mesmo a 
proposições alheias. Ele também está ligado à definição do 
conteúdo e do valor do objeto da observação. Que este é o 
fundamento principal da reflexão filosófica.
1 - Conceito de conhecimento crítico
2 - Relação Filosofia e pensamento critico;
3 - Importância do pensamento crítico para o pensamento 
filosófico.
Objetivos da aula 20
• Definir conhecimento crítico;
• Mostrar a importância do pensamento crítico para a Filosofia;
O QUE VOCÊ SABE SOBRE?
Nesta aula iremos apresentar a você que o pensamento 
crítico baseia-se no estudo pormenorizado e na estimativa 
substanciosa dos argumentos, particularmente aqueles que 
o grupo social acredita serem autênticos no cenário do dia-
a-dia. Este parecer é concretizado especialmente por meio da 
reflexão, da vivência, da argumentação ou da metodologia 
adotada pela Ciência. 
 
Este pensamente demanda nitidez, exatidão, igualdade e 
indícios, uma vez que tem como meta impedir que se recorra 
às visões pessoais. Assim considerado, ele está ligado à dúvida 
permanente e à percepção das simulações
 
Com esta prática o sujeito invoca os elementos cognitivos e o 
intelecto para atingir uma postura aceitável e compreensível 
acerca de uma dada proposição.
 
Enfatizaremos que o pensamento crítico não tem a intenção de 
transmitir uma visão pessimista do contexto nem apresentar 
uma tendência a achar imperfeições e erros. Também não 
pretende modificar a mentalidade dos indivíduos ou ocupar o 
lugar reservado à afetividade e aos sentimentos.
CONCEITO DE PENSAMENTO CRÍTICO 
E FILOSOFIA
 
Pensar de forma crítica é saber defender as nossas opiniões com 
argumentos rigorosos, claros e sistemáticos. E é neste aspecto 
que a filosofia, encarada como uma forma de pensamento 
crítico, se aproxima da ciência. É que quer a ciência quer a 
filosofia, praticadas no seu melhor, são um apelo constante 
ao pensamento crítico, à argumentação — a diferença entre 
ambas repousa unicamente no tipo de argumentos exigidos. 
Não basta a um físico dizer que refutou a teoria de Einstein: ele 
terá de dizer rigorosamente que aspecto da teoria de Einstein 
ele afirma que refutou e terá de apresentar argumentos 
poderosos, alguns dos quais de caráter experimental, para 
sustentar a sua afirmação.
l 
Do mesmo modo, em filosofia, não basta afirmar que “o homem 
é um ser situado”; é preciso começar por esclarecer o que 
quer tal coisa dizer realmente, e depois é preciso apresentar 
argumentos rigorosos, sistemáticos e claros que sustentem 
tal afirmação. Infelizmente, quem afirma este tipo de coisa em 
filosofia começa logo por nem esclarecer o que quer dizer a 
própria expressão de partida, pelo que nem vale a pena dar-
lhes ouvidos. 
O PENSAMENTO CRÍTICO É O PENSAMENTO QUE SABE USAR OS 
INSTRUMENTOS ARGUMENTATIVOS À NOSSA DISPOSIÇÃO, QUE 
SÃO DISPONIBILIZADOS PELA LÓGICA FORMAL E INFORMAL. 
PENSAR CRITICAMENTE É SABER SUSTENTAR AS NOSSAS 
OPINIÕES COM ARGUMENTOS SÓLIDOS E NÃO COMETER 
FALÁCIAS NEM BASEAR AS NOSSAS OPINIÕES EM JOGOS DE 
PALAVRAS E EM MAUS ARGUMENTOS DE AUTORIDADE.
 
A filosofia e o pensamento crítico são a nossa melhor defesa 
contra a superstição. 
 
Diante das afirmações temerárias dos astrólogos, dos líderes 
religiosos e dos nossos políticos, a filosofia e o pensamento 
crítico dão-nos instrumentos para refletir sistemática, rigorosa 
e claramente, de modo a determinarmos se isso que eles dizem 
é ou não realmente sustentável.
 
A humanidade não irá sobreviver se for incapaz de encontrar 
soluções criativas e seguras para os problemas que enfrenta, 
e se substituir estas pelas soluções obscurantistas dos que 
defendem antes de mais a autoridade religiosa, a atitude 
acrítica perante a astrologia e outras pseudociências e a 
passividade perante as propostas tantas vezes absurdas dos 
nossos políticos. 
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 20 | FILOSOFIA E PENSAMENTO CRÍTICO
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E os desafios que teremos de enfrentar a longo prazo, como 
espécie, são muito maiores do que a generalidade das pessoas 
pensa, pelo que a necessidade de um pensamentolímpido e 
solidamente ancorado em bons argumentos é incontornável. 
 
A filosofia e o pensamento crítico permitirão conceber soluções 
criativas e sustentadas para os problemas que enfrentamos. 
 
Por exemplo, a tecnologia médica permite-nos hoje manter 
pessoas vivas, em estado vegetativo, durante anos. Isto 
representa um problema ético a que temos de dar uma 
resposta clara, baseada em argumentos claros e sólidos, em vez 
de darmos uma resposta baseada em pressupostos religiosos 
dúbios. 
 
A filosofia ajuda-nos a encontrar essas respostas, precisamente. 
Este é apenas um exemplo; há muitos mais, como os problemas 
relacionados com a pobreza no mundo, com os refugiados e 
com a ecologia. 
 
A filosofia e o pensamento crítico implicam a tolerância e o 
respeito, que tanta falta fazem no mundo contemporâneo. 
A filosofia e o pensamento crítico exigem uma postura de 
cordialidade atenta, pois temos de escutar cuidadosamente 
os argumentos das outras pessoas para, juntos, encontrarmos 
argumentos melhores e soluções mais adequadas. 
 
O nosso futuro como espécie depende em grande parte da 
capacidade que tivermos para cultivar o pensamento crítico — 
essa atitude que a ciência descobriu nos séculos XVII e XVIII e 
que a filosofia aprofundou nos séculos XIX e XX. 
 
Compete a cada um de nós, profissionais da ciência e da 
filosofia, divulgar não apenas os conteúdos próprios de cada 
uma das nossas áreas do conhecimento, mas também essa 
atitude que constitui o maior monumento alguma vez erguido 
por mão humana: o pensamento crítico e a inteligência clara.
Apontamos algumas definições históricas1 do Pensamento 
Crítico: 
O Pensamento Crítico é o estudo activo, persistente e cuidado 
de uma crença ou de uma suposta forma de conhecimento 
através da análise dos fundamentos que a apoiam e das 
conclusões para que apontam. (John Dewey).
 
O Pensamento Crítico é um pensamento razoável e reflectido, 
preocupado em ajudar-nos a decidir em que acreditar ou o que 
fazer. (Robert Ennis).
O Pensamento Crítico é uma forma de pensamento – acerca de 
qualquer assunto ou problema – no qual o pensador melhora 
a qualidade dos seus raciocínios recorrendo a técnicas que 
lhe permitem captar as estruturas inerentes ao pensamento 
e impondo-lhes uma exigência intelectual elevada. (Richard 
Paul).
O Pensamento Crítico é uma interpretação e avaliação activa 
e competente de observações, comunicações, informações e 
argumentações. (Michael Scriven).
SINTESE DA AULA
 
Nesta aula aprendemos que a Filosofia é, acima de tudo, o 
exercício crítico de examinar, “peneirar”, “pesar” as nossas 
crenças sobre nós próprios e sobre o mundo. Neste exame e 
justificação, os argumentos devem ser suportados pelos padrões 
de raciocínio e “argumentação sólida”. Se um argumento é 
formalmente válido e as suas premissas são, igualmente, 
verdadeiras, então podemos dizer que o argumento é sólido. É 
preciso tomar em atenção que esta “argumentação sólida” é de 
todo contrária ao modo falacioso de pensar e ao “pensamento 
fechado”. As falácias são argumentos que parecem razoáveis e, 
por isso, tendem a persuadir-nos, mas na realidade são maus 
argumentos. O “pensamento fechado” não admite alternativas 
nem qualquer argumento ou prova contraditória; conduz 
apenas ao dogmatismo acrítico. Se ficarmos pelo fechamento 
do pensamento os sistemas de crenças ficam estagnados, 
pondo, assim, em causa o desenvolvimento e expansão dos 
mesmos; ou seja, os sistemas tornam-se uma prisão.
Você Pensa? - Uma Introdução ao Pensamento 
Crítico 
Acesse: 
https://www.youtube.com/watch?v=nnApgJNsu2Q
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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CONSIDERAÇÕES FINAIS DA DISCIPLINA
Caro Aluno(a),
Chegamos ao final de nossa disciplina, porém sinalizo que 
a abordagem filosófica é inesgotável, dado que se constrói, 
destrói e reconstrói, incessantemente.
Embora tenhamos citado muitos filósofos, sem dúvida, 
muitos não foram abordados, mas, nem por isso são menos 
importantes. Se mil páginas eu tivesse, mesmo assim não 
conseguiríamos abordar toda a produção e obra dos inúmeros 
pensadores, que refletiram sobre o homem e o mundo à sua 
volta.
A sociedade contemporânea, marcada pela saturação de 
informação, tem deixado pouco espaço para a reflexão em um 
cenário mecanizado, no qual tudo tem de ser rápido, mas é 
justamente esse contexto que pode provocar novas questões 
filosóficas.
Este material didático é um dos materiais de apoio, mas de 
maneira alguma prescinde da leitura de outros materiais, bem 
como do acesso à plataforma para ampliar o conhecimento, 
seja enviando suas dúvidas e sugestões, seja desenvolvendo as 
atividades. Estude-o atentamente, agregue outros materiais e, 
sem dúvida, você sairá ganhando.
Boa Sorte e Sucesso em seus estudos e carreira!!
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
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ATIVIDADE FUNDAMENTAL:
Relacione Filosofia e pensamento crítico.
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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena P.. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e 
Grandes Temas. São Paulo: Saraiva,2006.
SATO,M. CARVALHO,I. Educação Ambiental – Pesquisa e 
Desafios. RS: Artmed, 2005.
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Av. Santa Cruz, 580 - Realengo - Rio de Janeiro

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