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Cap.8- O que é Filosofia? 1. Introdução: procurando pelos jovens, passava hora discutindo na praça pública. Interpelava os transeuntes, dizendo-se ignorante, e fazia perguntas aos que julgavam entender determinado assunto. Colocava em tal situação que não havia saída se não reconhecer a própria ignorância. O interessante é que a segunda parte do seu método, que se seguiu à destruição da ilusão do conhecimento, nem sempre chegava de fato a uma conclusão efetiva. A partir do que foi dito temos algumas observações: Sócrates não está em seu “gabinete” contemplando “o próprio umbigo”, e se na praça pública. A relação estabelecida com as pessoas não é puramente intelectual nem alheia às emoções. Seu conhecimento não é livresco, mas vivo em processo de se fazer; o conteúdo é a experiência cotidiana. Guia-se pelo princípio de que nada sabe e, desta perplexidade primeira, incide a interrogação e o questionamento do que é familiar. Ao criticar o saber dogmático, não quer com isso dizer que ele próprio é detentor de um saber. Despertar as consciências adormecidas, mas não se considera um “farol” que ilumina; o caminho novo deve ser construído pela discussão; que é intersubjetiva, e pela busca criativa das soluções. Portanto, Sócrates é um “subversivo” porque “desnorteia”, “perturba” a “ordem” do conhecer e do fazer e, portanto, deve morrer. 2. Atitude filosófica: quando se dá a passagem da consciência mítica para o racional, aparecem os primeiros sábios, um deles, chamado Pitágoras que também era matemático, usou pela primeira vez a palavra filosofia que significa “amor à sabedoria”. É bom observar que a própria etimologia mostra que a filosofia não é puro logos, pura razão: ela é à procura amorosa da verdade. Para Platão, a primeira virtude do filósofo é admirar- se. A admiração é a condição de onde deriva a capacidade de problematizar, o que marca a filosofia não como posse da verdade, mas como sua busca. Para Kant, filósofo alemão do século XVIII, “não há filosofia que se possa aprender; só se pode aprender a filosofar”. Isso significa que a filosofia inicia a caminhada a partir dos problemas da existência, mas precisa se afastar deles para melhor compreendê-los, retomando depois a fim de dar subsídios para as mudanças. 3. A filosofia e a ciência: o seu começo, a ciência estava ligada à filosofia, sendo filósofo o sábio que refletia sobre todos os setores da indagação humana. A partir do século XVII, a revolução mitológica iniciada por Galileu promoveu a autonomia da ciência e o seu desligamento da filosofia. Pouco a pouco, desse período até o século XX, apareceram as chamadas ciências particulares (física, astronomia, química, biologia, psicologia, sociologia, etc.); à física cabe investigar, o movimento dos corpos; à biologia, a natureza dos seres vivos; à química, as transformações substanciais, e assim por diante. Além da delimitação do objeto da ciência, se acrescenta o aperfeiçoamento do método científico, fundado sobretudo na experimentação e matematização. A filosofia continua tratando da mesma realidade apropriada pelas ciências. Apesar que as ciências se especializam e observam “recortes” do real, enquanto a filosofia jamais renuncia a considerar o seu objeto do ponto de vista da totalidade. A visão da filosofia é de conjunto, ou seja, o problema tratando nunca examinado de modo parcial, mas sempre sob uma perspectiva de conjunto. A filosofia ainda se distingue da ciência pelo modo como aborta pelo objeto: em todos os setores de conhecimento e da ação, a filosofia está presente como reflexão crítica e respeito dos fundamentos desses conhecimentos e desse agir. (Ex.: se a física ou a química se determinam ciências e usam determinado método, não é da alçada do próprio físico do químico saber o que é ciência, o que distingue esse conhecimento de outros, que é o método, qual é a sua validade, e assim por diante). Portanto, a filosofia não faz juízo de realidade, como a ciência, mas juízos de valor. O filósofo parte da experiência de vida do homem trabalhando nas linhas de montagem, repetindo sempre o mesmo gesto. Julga o valor da ação, sai busca do significado dela. Filosofar e dar sentido à experiência. 4. O processo do filosofar: Filosofia de vida: como seria o caminhar do filósofo? Na medida em que somos seres racionais e sensíveis, estamos sempre dando sentido às coisas. Ao “filosofar” espontâneo do homem comum, costumamos chamar de filosofia de vida. Segundo Gramsci “ não se pode pensar em nenhum homem que não seja também filósofo, que não pense, precisamente porque pensar é próprio do homem como tal”. Isso significa que todas as questões filosóficas fazem parte do cotidiano de todos nós. A filosofia propriamente dita: a filosofia propriamente dita tem condições de surgir no momento em que o pensar é posto em causa, tornando-se objeto de reflexão. Mas não qualquer reflexão, como vimos, o homem comum, no cotidiano da vida, é levado no momento de parada, a fim de retomar o significado de seus atos e pensamentos e nesta hora é solicitado a refletir. Entretanto, ainda não é filosofia rigorosa o que ele faz. É ainda Gramsci quem diz: “o filósofo profissional o técnico não só ‘pensa’ como maior rigor lógico, com maior coerência, com maior espírito de sistema do que outros homens, mas conhece toda a história do pensamento, sabe explicar o desenvolvimento que o pensamento teve até ele e é capaz de retomar os problemas a partir do ponto em que se encontram, depois de terem sofrido as mais variedades tentativas de solução”. Segundo o professor Demerval Saviani a reflexão filosófica é radical, rigorosa e de conjunto. Radical: a palavra latina radix, radicis significa “raiz”, e no sentido figurado, “fundamento, base”. Portanto, a filosofia é radical não no sentido corriqueiro de ser inflexível (nesse caso seria a antifilosofia), mas enquanto busca explicar os conceitos fundamentais usados em todos os campos de pensamento e do agir. Por exemplo a filosofia das ciências examina os pressupostos do saber científico, do mesmo modo que, diante da decisão de um vereador em aprovar determinado projeto, a filosofia política investiga as “raízes” (os princípios políticos) que orientam suas ações. Rigorosa: enquanto a “filosofia de vida” não levo as conclusões até as últimas consequências, e nem sempre é capaz de examinar os fundamentos delas, o filósofo deve dispor de um método claramente explicitado a fim de proceder o rigor, garantindo a coerência e o exercicio crítica. Mesmo porque o filósofo não faz afirmação apenas, precisa justificá-las com argumentos. Para tanto usa de linguagem rigorosa, que evita a ambiguidade das expressões cotidianas e lhes permite discutir com outros filósofos a partir de conceito claramente definidos. É por isso que o filósofo sempre “inventa conceitos”, ou cria expressões novas (quando fizemos isto os gregos) ou altera e específica o sentido da palavra usuais. De conjunto: enquanto as ciências são particulares, porque abordam “recortes” da realidade se distingue de outras formas de conhecimento, e a ação humana se expressa nas mais variedades forma, a filosofia globalizante, porque examina os problemas sobre a perspectiva de conjuntos, relacionando os diversos aspectos entre si. Nesse sentido, além de considerarmos que o objeto da filosofia e tudo (por que nada escapa de seu interesse), completamos que a filosofia visa ao todo à totalidade. Daí a função de interdisciplinaridade da filosofia, estabelecendo um elo entre as diversas formas de saber e agir humano. 5. Qual é a utilidade da filosofia? Para responder à questão, precisamos saber primeiro o que entendemos por utilidade. Finalmente, a filosofia exige coragem. Filosofar não é um exercíciopuramente intelectual. Descobrir a verdade é ter coragem enfrentar as formas estagnado do poder que tentam manter o status quo, é aceitar desafio da mudança. Saber para transformar. 6. Filosofia: nem dogmatismo nem ceticismo: enquanto dogmático se apega à certeza de uma doutrina, o cético conclui pela impossibilidade de toda certeza e, nesse sentido, considere inútil a busca que não leva a lugar nenhum. Comparando as duas posições antagônicas, podemos perceber que elas têm em comum a visão imobilista do mundo: o dogmatismo atingir uma certeza e nela permanece; o cético anseia pela certeza e decidi que ela é inalcançável. Como disse Jasper, filósofo alemão contemporâneo, concluindo que “fazer filosofia é estar a caminho; as perguntas em filosofia são mais essenciais que as respostas e cada resposta transforma-se em uma nova pergunta”. O que é o conhecimento? Unidade 2 Capítulo 3 Formas de conhecer: Intuição: Mas nós aprendemos o real também pela intuição, que a forma de conhecimento imediato, isto é, feito sem intermediários, um pensamento presente ao espírito. Intuição é uma visão súbita. Enquanto o raciocínio é discursivo e se faz por meio de palavras, a intenção é inefável, inexprimível: como poderíamos explicar em que consiste a sensação do vermelho? A intuição é importante para ser o ponto de partida do conhecimento, a possibilidade da invenção, da descoberta, dos grandes “saltos” do saber humano. Partindo de uma divisão muito simplificada, a intuição pode ser de vários tipos: intuição sensível: é um conhecimento imediato que nos é dado pelos órgãos de sentido sentimos que faz calor; vemos que a blusa vermelha; e ouvimos o som do violino. Intuição inventiva: é a do sábio, do artista, do cientista, quando repetidamente descobre uma nova hipótese, um tema original. Também na vida diária, enfrentamos situações que exigem soluções criativas, verdadeiras invenções súbitas. Intuição intelectual: é que se esforça por captar diretamente a essência do objeto. Por exemplo, a descoberta de Descartes do cogito (eu pensante) enquanto primeira verdade indubitável. Conhecimento discursivo: Chamamos conhecimento discursivo ao conhecimento mediato, isto é, aquele que se dá por meio de conceitos. É o pensamento que opera por etapas, por um escaneamento de ideias, juízos e raciocínios que levam à determinada conclusão. Teoria do conhecimento: a teoria do conhecimento é uma disciplina filosófica que investiga as quais são os problemas decorrentes da relação entre o sujeito e o objeto de conhecimento, bem como as condições do conhecimento verdadeiro. A partir de Descartes, Locke e Hume, e combinando com a grande crítica da razão levada a efeito por Kant. O esquema a seguir indica os principais problemas do conhecimento: quanto ao critério da verdade: o que permite reconhecer o verdadeiro? (Ex.: a evidência, a utilidade prática.); quanto à possibilidade do conhecimento: pode o sujeito apreender o objeto? (Ex.: de dogmatismo, ceticismo.); quanto ao âmbito do conhecimento: abrange a totalidade do real, ou se restringe o sujeito que conhece? (Ex.: realismo, idealismo.); quanto à origem do conhecimento: qual é a fonte do conhecimento? (Ex.: racionalismo, empirismo). A verdade: todo conhecimento coloca o problema da verdade. Pois quando conhecemos, sempre nos perguntamos se o enunciado corresponde ou não à realidade. Começamos distinguindo verdade e realidade. Na linguagem cotidiana, frequentemente os dois conceitos são confundidos. Isso porque a falsidade ou veracidade não estão na coisa mesma, mas no juízo, e, portanto, no valor das nossas afirmações. Há verdade ou não dependendo de como a coisa aparece para sujeito que conhece. Por isso dizemos que algo é verdadeiro quando é o que parece ser. Para os escolásticos, filósofos medievais, “a verdade é a adequação do nosso pensamento às coisas”. Isso nos remete para discussão respeito do critério da verdade. Qual o sinal que permite reconhecer a verdade é distingui- la do erro? Não pretendemos analisar o passo-a-passo das discordâncias dos autores a respeito do assunto, devido à complexidade e à necessidade de aprofundamento da questão. Para descartes o critério da verdade é a evidência. Evidente toda a ideia clara e distinta, que se impõe imediatamente e por si só o espírito. Trata-se de uma evidência resultante da intuição intelectual. Para Nietzsche é verdadeiro tudo o que contribui para aumentar a vida da espécie e falso tudo que é obstáculo ao seu desenvolvimento. Para o pragmatismo (William James, Dewey, Pierce), a prática é o critério da verdade. Nesse caso, a verdade de uma posição se estabelece a partir de seus efeitos, dos resultados práticos. A verdade pode ainda ser entendida como o resultado do consenso, enquanto conjunto de crenças aceita pelos indivíduos em determinado tempo e lugar e que nos ajuda a compreender o real e agir sobre ele. Possibilidade do conhecimento: uma das discussões em torno do problema do conhecimento diz respeito à possibilidade ou não de um espírito humano atingir a certeza. Distinguimos inicialmente duas tendências principais: o ceticismo e dogmatismo. Ceticismo: “não existe. Mesmo se existisse alguma coisa, não poderíamos conhecê-la; conhecido que algo existe e que podemos conhecer, não podemos comunicar aos outros”. Essas três proposições, atribuídas a Górgias, um dos representantes da sofistica, exemplifica uma postura conhecida como ceticismo. O ceticismo radical se contradiz ao afirmar, pois conclui que “toda certeza é impossível e a verdade inacessível” não deixa de ser uma certeza, em nenhum valor de verdade. Dogmatismo: dogmatikós, em grego, significa “que se funda em princípio” ou “relativo a uma doutrina”. Dogmatismo é doutrina segundo a qual o homem pode atingir a certeza. Filosoficamente é atitude que consiste em admitir que a razão humana tem a possibilidade de conhecer a realidade. Para quê filosofia? As evidências do cotidiano: em nossa vida cotidiana, afirmamos, negamos, desejamos, aceitamos ou recusamos coisas, pessoas, situações. Fazemos pergunta como “ Que horas são? ”, ou “ Que dia é hoje? ”. Dizemos frases como “ ele está sonhando”, ou “ela ficou maluca”. Fazemos afirmações como “ onde há fumaça há fogo”, ou “ não saia na chuva para não se resfriar”. Avaliamos coisas e pessoas, dizendo, por exemplo, “ Esta casa é mais bonita do que a outra” e “ Maria está mais jovem do que Glorinha”. Atitude filosófica: imaginemos, agora, alguém que tomasse uma decisão muito estranha e começasse a fazer perguntas inesperadas. Em vez de “ que horas são? ” Ou “que dia é hoje? ”, perguntasse: O que é o tempo? Se essa pessoa fosse substituindo sucessivamente as suas perguntas, suas afirmações por outras: “ onde há fumaça, há fogo” ou “ não saia na chuva para não ficar resfriado”, por: O que é a causa? O que é efeito? “ Seja objetivo”, ou “ Eles são muito subjetivos”, por: O que é a objetividade? O que é subjetividade? “ Esta casa é mais bonita que a outra”, por: O que é “mais”? O que é” menos”? O que é belo? Alguém que tomasse essa decisão estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesmo, teria passado a indagar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam, silenciosamente, nossa existência. Ao tomar essa distância, estaria interrogando a si mesmo, desejando conhecer porque cremos no que cremos, porque sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. Esse alguém estaria começando a adotar o que chamamos de atitude filosófica. Assim, uma primeira resposta à pergunta “ O que é filosofia? ” Poderia ser: a decisão de não aceitar como óbvias e evidente as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existênciacotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido. Perguntaram, certa vez, a um filósofo: “ Para quê filosofia? ”. E ele respondeu: “Para não darmos Nossa aceitação imediata as coisas, sem maiores considerações”. A atitude crítica: a primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não ao senso comum, os pré-conceitos, aos pré-juízos, aos fatos e às ideias da experiência cotidiana, ao que “ do mundo diz o que pensa”, ao estabelecido. A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. A face negativa e a face positiva da atitude filosófica constituem o que chamamos de atitude crítica e pensamento crítico. A filosofia começa dizendo não as crenças e aos preconceitos do senso comum e, portanto, começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber; por isso, o patrono da filosofia, o Grego Sócrates, afirmava que a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer: “ Sei que nada sei”. Para o discípulo de Sócrates, o filosofo grego Platão, a filosofia começa com a admiração; já o discípulo de Platão, o filósofo Aristóteles, acreditava que a filosofia começa com o espanto. Admiração e espanto significam: tomar uma distância do nosso mundo costumeiro, através de nossos pensamentos, olhando-o como se nunca tivéssemos visto antes, como se não tivéssemos tido família, amigos, professores, livros e outros meios de comunicação que eu tivesse dito o que o mundo é; como se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos e precisamos perguntar o que é, porque é e como é o mundo, e precisássemos perguntar também o que somos, porque somos e como somos. Atitude filosófica: indagar; a atitude filosófica possui algumas características que são as mesmas, independente do conteúdo investigado; essas características são: • perguntar o que a coisa, ou o valor, ou a ideia, é. A filosofia pergunta qual é a realidade ou natureza e qual é a significação de alguma coisa, não importa qual; • perguntar como a coisa, a ideia ou o valor, é. A filosofia e da água Qual é a estrutura e quais são as relações que constituem uma coisa, uma ideia ou um valor; • perguntar por que a coisa, a ideia o valor, existe e é como é. A filosofia pergunta pela origem ou pela causa de uma coisa, de uma ideia, de um valor. A reflexão filosófica: Reflexão significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando assim mesmo. A reflexão filosófica é radical porque o movimento de volta do pensamento para si mesmo para conhecer-se a si mesmo, para indagar como é possível o próprio pensamento. A reflexão filosófica organiza- se em torno de três grandes conjuntos de perguntas ou questões: 1. Porque pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que fazemos? Isto é, quais os motivos, as razões e as causas para pensarmos o que pensamos, dizermos o que dizemos, fazemos o que fazemos?; 2. O que queremos pensar quando pensamos, o que queremos dizer quando falamos, o que queremos fazer quando agimos? Isto é, qual é o conteúdo ou o sentido do que pensamos, dizemos ou fazemos?; 3. Para que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos, fazemos o que fazemos? Isto é, qual é a intenção ou a finalidade do que pensamos, dizemos e fazemos? Como vimos, a atitude filosófica inicia-se indagando: O que é? Como é? Por que é? dirigindo-se ao mundo que nos rodeia e aos seres humanos que nele vivem e com ele se relacionam. São perguntas sobre a essência, a significação ou a estrutura e a origem de todas as coisas. Já a reflexão filosófica indaga: Por que? O que? Para que? Dirigindo-se ao pensamento, aos seres humanos no ato da reflexão. São perguntas sobre a capacidade e a finalidade humana para conhecer e agir. Filosofia: um pensamento sistemático; as indagações filosóficas se realizam de modo sistemático. Que significa isso? Significa que a filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos, encadeamento lógico entre os enunciados, opera com conceito ou ideias obtidos por procedimentos demonstrações e provas, exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado. Em busca de uma definição da filosofia: quando começamos a estudar filosofia descobrimos que existem várias definições para filosofia, uma primeira aproximação nos mostra pelo menos quatro definições gerais do que seria a filosofia: 1. Visão de mundo de um povo, de uma civilização ou de uma cultura. Filosofia corresponde, de modo vago geral, ao conjunto de ideias, valores e práticas pelos quais uma sociedade aprende e compreende o mundo e a si mesma, definido para si o tempo e o espaço, o sagrado e o profano, o bom e o mal, o justo e o injusto, o belo e o feio, o verdadeiro e falso, o possível e o impossível, o contingente e o necessário. 2. Sabedoria de vida aqui, a filosofia é identificada com definição e ação de algumas pessoas que pensam sobre a vida moral, dedicando-se à contemplação do mundo para aprender com ele a controlar e dirigir suas vidas de modo ético e sábio. 3. Esforço racional para conceber o universo como a totalidade ordenada e dotada de sentido neste caso, começa-se distinguindo entre filosofia e religião e até mesmo opondo uma à outra, pois ambas possuem o mesmo objeto (compreender o Universo), mas a primeira a faz através do esforço racional, enquanto a segunda, por confiança (fé) numa revelação divina. 4. Fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das práticas a filosofia, cada vez mais, ocupa-se com as condições e os princípios do conhecimento que pretenda ser racional e verdadeiro; com a origem, a forma e o conteúdo dos valores éticos, e políticos, artísticos e culturais; com a compreensão das causas e das formas da ilusão e do preconceito no plano individual e coletivo; com as transformações históricas dos conceitos, das ideias e dos valores. Inútil? Útil? O primeiro ensinamento filosófico e perguntar: O que é útil? Para quê e para quem algo é útil? O que é inútil? Por quê e para quem algo é inútil? O senso comum da nossa sociedade considera útil o que dá prestígio, poder, fama e riqueza. Julga o útil pelos resultados visíveis das coisas e das ações, identificando a utilidade e a famosa expressão “levar vantagem em tudo”. Desse ponto de vista, a filosofia é inteiramente inútil e defende o direito de ser inútil. Não poderíamos, porém, definir útil de outra maneira? Platão define a filosofia como um saber verdadeiro que deve ser usado em benefício dos seres humanos. Descarte dizia que a filosofia é o estudo da sabedoria, conhecimento perfeito de todas as coisas que os humanos podem alcançar para o uso da vida, a conservação da saúde e a invenção das técnicas e das artes. Kant afirmou que a filosofia é um conhecimento que a razão adquire de si mesma para saber o que pode conhecer e o que pode fazer, tendo como finalidade a felicidade humana. Max declarou que a filosofia havia passado muito tempo apenas contemplando o mundo e que se tratava, agora, de conhecê-lo para transformá-lo, transformação que traria justiça, abundância e felicidade para todos. Merleau-Ponty escreveu que a filosofia é um despertar para ver e mudar nosso mundo. Espinosa afirmou que a filosofia é um caminho árduo e difícil, mas que pode ser percorrido por todos, se desejarem a liberdade e a felicidade. (Unidade 3 a verdade) __ Capítulo 8 ignorância e verdade. A verdade como um valor: “ não se aprende Filosofia, mas a filosofar”, já disse Kant. A filosofia não é um conjunto de ideias e sistemas que possamos aprender automaticamente, não é um passeio turístico pelas paisagensintelectuais, faz uma decisão ou deliberação orientada por um valor: a verdade. É o desejo do verdadeiro que move filosofia e suscita filosofias. Afirmar que é verdade é um valor significa: o verdadeiro confere as coisas aos seres humanos ao mundo o sentido que não teriam se fossem considerados indiferentes a verdade e a falsidade. Ignorância, incerteza e insegurança: ignorar é não saber alguma coisa. A ignorância pode ser tão profunda que nem sequer percebemos ou a sentimos, isto é, não sabemos que não sabemos, não sabemos que ignoramos. Em geral, o estado de ignorância se mantém em nós encontra as crenças e opiniões que possuímos para viver e agir no mundo como se conservam como eficaz e úteis, de modo que não temos nenhum motivo para duvidar delas, nenhum motivo para desconfiar delas e, consequentemente, achamos que sabemos de tudo que há para saber. A incerteza é diferente da ignorância porque, na incerteza, descobrimos que somos ignorantes, que nossas crenças e opiniões parecem não dar conta da realidade, que há falhas naquilo em que acreditamos e que, durante muito tempo, nos serviu como referência para pensar e agir. Na incerteza não sabemos o que pensar, o que dizer o que fazer em certas situações ou diante de certas coisas, pessoas, fatos, etc. Temos dúvidas, ficamos cheios de perplexidade e somos tomados pela insegurança. Outras vezes estamos confiantes e seguros e, de repente vemos ou vimos alguma coisa que nos enche de espanto e admiração, não sabemos o que pensar o que fazer com a novidade do que vimos ou ouvimos porque as crenças, opiniões e ideias que possuímos não dão conta de novo. O espanto e admiração, assim como antes dúvida e a perplexidade, nos fazem querer saber o que não sabemos, nos fazem querer sair do estado de insegurança ou de encantamento, nos fazem perceber nossa ignorância e criar o desejo de superar a incerteza. Quando isso acontece, estamos na disposição de espírito chamada Busca da Verdade. Dificuldades para a busca da verdade: em nossa sociedade, é muito difícil despertar nas pessoas o desejo de buscar a verdade. Pode parecer paradoxal que assim seja, pois parecemos viver numa sociedade que acredita na ciência, que luta por escolas que recebem durante 24 horas diárias informações vindas de jornais, rádios e televisões, que possui editoras, livrarias, biblioteca, museus, sala de cinema e de teatro, vídeos, fotografias e computadores. Uma outra dificuldade para fazer surgir o desejo da busca da verdade, em nossa sociedade vem da propaganda. Ela trata todas as pessoas -crianças, jovens, adultos, idosos -como crianças extremamente ingênua e crédulas. O mundo é sempre o mundo “de faz de conta”. Uma outra dificuldade para desejo da busca da verdade venda atitude dos políticos nos quais as pessoas confiam, ouvindo seus programas, suas propostas, seus projetos, enfim, dando-lhes o voto e vende-se, depois, ludibriadas, não só porque não são cumpridas as promessas, mas também porque há corrupção, mau uso do dinheiro público, crescimento das desigualdades e das injustiças, da miséria e da violência. No entanto, essas dificuldades podem ter o efeito oposto, isto é, suscitar em muitas pessoas dúvidas, incerteza, desconfiança e desilusões que as façam desejar conhecer a realidade, a sociedade, a ciência, as artes, a política. Muitos começam a não aceitar o que lhes é dito. Muitos começam a não acreditar no que lhes é mostrado. E, como Sócrates em Atenas, começam a fazer perguntas, a indagar sobre fatos e pessoas, coisas e situações, a exigir explicações, a exigir liberdade de pensamento e de conhecimento. Para essas pessoas, surge o desejo e a necessidade da busca da verdade. Essa busca nasce não só na dúvida e da incerteza, mas também da ação deliberada contra os preconceitos, contra as ideias e opiniões estabelecidas, contra crenças que paralisam a capacidade de pensar e agir livremente. Podemos, dessa maneira, distinguir dois tipos de Busca da Verdade. O primeiro é o que nasce da decepção, da Incerteza e da insegurança e, por si mesmo, exige que saímos de tal situação e adquirindo certezas. O segundo é o que nasce da deliberação ou decisão de não aceitar as certezas e crenças estabelecidas, de ir além delas e de encontrar explicações, interpretações e significados para a realidade que nos cerca. Esse segundo tipo é a busca da verdade na atitude filosófica. Podemos oferecer dois exemplos célebres dessa busca filosófica. Já falamos do Primeiro: Sócrates andando pela rua e praças de Atenas indagando aos atenienses o que era as coisas e ideias em que acreditavam. O segundo exemplo é o do filósofo Descartes que começou a sua obra filosófica fazendo um balanço de tudo o que sabia: o que lhe foram ensinados pelos preceptores e professores, pelos livros, pelas viagens, pelo convívio com outras pessoas. Ao final, concluir que tudo quanto aprender a, tudo quando sabia e tudo quanto conhecer a pela experiência era duvidoso e incerto. Decide, então, não aceitar nenhum desses conhecimentos, a menos que pudesse provar racionalmente que eram certos e dignos de confiança. Para isso, submete todos os conhecimentos existentes em sua época e os seus próprios a um exame crítico conhecido como dúvida metódica, declarando que só aceitar a um conhecimento, uma ideia, um fato ou uma opinião se, passados pelo crivo da dúvida, revelarem-se indubitáveis para o pensamento puro. Ele o submete a análise, a dedução, a indução, ao raciocínio e conclui que, até o momento, há uma única verdade indubitável que poderá ser aceita e que deverá ser o ponto de partida para a reconstrução do edifício do saber. Essa é a única verdade é: “penso, logo existo”, pois, se eu duvidar de que estou pensando, ainda estou pensando, visto que duvidar é uma maneira de pensar. A consequência do pensamento aparece, assim, como a primeira verdade indubitável que será o alicerce para todos os conhecimentos futuros. Capítulo 9 as concepções da verdade Grego, latim e hebraico: nossa ideia da verdade foi construída ao longo dos séculos, a partir de três concepções diferentes, vindas da língua grega, da Latina vírgula hebraica. Em grego, verdade que se diz aletheia, significado não-oculto, não-escondido, não-dissimulado. O verdadeiro é o que se manifesta aos olhos do corpo e do espírito; a verdade é a manifestação daquilo que é ou existe tal como é. o verdadeiro se opõe ao falso, pseudos, que é um encoberto, o escondido, o dissimulado, o que parece ser e não é o que parece. O verdadeiro é o evidente ou plenamente visível para razão. Assim, a verdade é uma qualidade das próprias coisas e o verdadeiro está nas próprias coisas. Conhecer e ver e dizer a verdade que está na própria realidade e, portanto, a verdade depende de que a realidade se manifeste, enquanto a falsidade depende de que ela se esconda ou se dissimule em aparências. Em latim, verdade se diz veritas e se refere à precisão, a rigor e à exatidão de um relato, no qual se diz com detalhes, por menores e fidelidade que aconteceu. Verdadeiro se refere, portanto, a linguagem em qual narrativa de fatos acontecidos, refere-se a enunciados que dizem fielmente as coisas tais como foram ou aconteceram. Um relato é veraz o dotado de veracidade quanto a linguagem enuncia os fatos reais. Na verdade, depende, de um lado, da veracidade, da memória e da acuidade mental de quem fala e, de outro, de que o enunciado corresponde aos fatos acontecidos. As verdades não se referem às próprias coisas e aos próprios fatos (como acontece com a aletheia), mas ao relato e ao enunciado, à linguagem. Seu oposto, portanto, é a mentira ou a falsificação. As coisas e os fatos ou são reais ou imaginários; os relatos enunciados sobre eles é o que são verdadeiros ou falsos. Em hebraico a verdade sediz emunah e significa confiança. Agora são as pessoas e é Deus quem são verdadeiros. Um Deus verdadeiro ou um amigo verdadeiro são aqueles que cumpre o que promete, são fiéis a palavra dada ou a um pacto feito; enfim, não traem a confiança. A verdade se relaciona com a presença, com a espera de que aquilo que foi prometido ou pactuadas irá cumprir-se ou acontecer. Emunah é uma palavra da mesma origem que amém, que significa assim seja. A verdade é uma crença fundada na esperança e na confiança, referidas ao futuro, ao que será ou virá. Sua forma mais elevada é a revelação divina e sua expressão mais perfeita é a profecia. Aletheia se refere ao que as coisas são; veritas se refere aos fatos que foram; emunah se refere as ações e as coisas que serão. A nossa concepção da Verdade é uma síntese dessas três fontes e por isso se refere as coisas presentes (como na aletheia), aos fatos passados e à linguagem (como na veritas), e às coisas futuras (como na emunah). Também se refere à própria realidade (como na aletheia), à linguagem (como na veritas) e à confiança-esperança (como na emunah). Diferentes teorias sobre a verdade: existem diferentes concepções filosóficas sobre a natureza do conhecimento verdadeiro dependendo de qual das três ideias originais da verdade predominante do pensamento de um ou de alguns filósofos. Assim, quando predomina a aletheia, considera-se que a verdade está nas próprias coisas ou na própria realidade e o conhecimento verdadeiro é a percepção intelectual e racional dessa verdade. A marca do conhecimento verdadeiro é a evidência, isto é, a visão intelectual racional da realidade tal como é em si mesma e alcançada pelas operações de nossa razão ou de nosso intelecto. Uma ideia é verdadeira quando corresponde à coisa que é seu conteúdo e que existe fora do nosso espírito ou de nosso pensamento. A teoria da evidência e da correspondência afirmar que o critério da verdade é a adequação do nosso intelecto à coisa ou da coisa do nosso intelecto. Quando predomina a veritas, considera-se que a verdade depende do rigor e da precisão na criação e no uso de regras de linguagem, e que devem exprimir, ao mesmo tempo, nosso pensamento ou nossas ideias e os acontecimentos ou fatos exteriores e nós e que nossas ideias relatam ou não em nossa mente. Agora, não se diz que uma coisa não se diz que uma coisa é verdadeira porque corresponde a uma realidade externa, mas se diz que ela corresponde à realidade externa porque é verdadeira. O critério da verdade é dado pela coerência interna ou pela coerência lógica das ideias e das cadeias de ideias que formam um raciocínio, coerência que depende da obediência às regras e leis dos enunciados corretos. A marca do verdadeiro é a validade lógica de seus agrupamentos. Finalmente, quando predomina a emunah, considera-se que a verdade depende de um acordo ou de um pacto de confiança entre os pesquisadores, que definem o conjunto de convenções universais sobre o conhecimento verdadeiro e que devem sempre ser respeitada por todos. Na verdade, se funda, portanto, no consenso e na confiança recíproca entre os membros de uma comunidade de pesquisadores e estudiosos. O concerto se estabelece baseado em três princípios que são seres respeitados: 1. O que somos seres racionais e nossos pensamentos obedece aos quatros princípios da razão; 2. Que somos seres dotados de linguagem e que ela funciona segundo regras lógicas convencionados e aceitas por uma comunidade; 3. Que os resultados de uma investigação devem ser submetidos à discussão e avaliação pelos membros da comunidade de investigadores que lhe atribuíram ou não valor de verdade. Existe ainda uma quarta teoria da verdade se distingue das anteriores porque define o conhecimento verdadeiro para um critério que não é teórico, e sim prático. Trata-se da teoria pragmática para qual o conhecimento é verdadeiro por seus resultados e sua aplicação prática, sendo verificado pela experimentação e pela experiência. A marca do verdadeiro é a verificabilidade dos resultados. Na primeira teoria (correspondência), as coisas e as ideias são consideradas verdadeiras ou falsas; na segunda (coerência) e na terceira (consenso), os enunciados, os agrupamentos e as ideias é que são julgados verdadeiros ou falsos, na quarta (pragmática) são os resultados que recebem a denominação de verdadeiros ou falso. Na primeira e na quarta teoria, a verdade é o acordo entre o pensamento e a realidade. Na segunda e na terceira teoria a verdade ela gordo do pensamento e da linguagem consigo mesmo, a partir de regras e princípios que o pensamento e a linguagem deram a si mesmo, em conformidade com a sua natureza própria, que é a mesma para todos os seres humanos (ou definida com a mesma para todos por um consenso). Exigências fundamentais da Verdade: se examinarmos as diferentes concepções da verdade, notaremos que algumas exigências fundamentais são conservadas em todas e elas e continuem com Campo da busca do verdadeiro: 1. Compreender as causas da diferença entre parecer e o ser das coisas ou dos erros; 2. Compreender as causas da existência e das formas de existência dos seres; 3. Compreender os princípios necessários e universais do conhecimento racional; 4. Compreender as causas e os princípios da transformação dos próprios conhecimentos; 5. Separar preconceitos e hábitos do senso comum da atitude crítica do conhecimento; 6. Explicar com todos os detalhes os procedimentos empregados para o conhecimento e os critérios de sua realização; 7. Liberdade de pensamento para investigar o sentido ou a significação da realidade que nos circunda a qual fazemos parte; 8. Comunicabilidade, os critérios, os princípios, os procedimentos, os percursos realizados, os resultados obtidos devem poder ser conhecidos e compreendidos por todos os seres racionais. Como escreve o filósofo Espinosa, o bem verdadeiro é aquele capaz de comunicar-se a todos e ser compartilhados por todos; 9. Transmissibilidade, isto é, os critérios, os princípios, procedimentos, percursos e resultados do conhecimento devem poder ser ensinados e discutidos em públicos. Como diz Kant, temos o direito ao uso público da razão; 10. Velocidade, isto é, o conhecimento não pode ser ideologia, ou em outras palavras não pode ser máscara e véu para dissimular e ocultar a realidade, servindo aos interesses da exploração e da dominação entre os homens. Assim como a verdade exige a liberdade de pensamento para o conhecimento, também exige que seus frutos propiciem a liberdade todos e a emancipação de todos; 11. A verdade deve ser objetiva, isto é, deve ser compreendida e aceitar Universal e necessariamente vírgula sem que isso significa que ela seja “neutra” ou “Imparcial”, pois o sujeito do conhecimento está vitalmente envolvido na atividade do conhecimento e o conhecimento adquirido pode resultar em mudanças que afetam a realidade natural, social e cultural. Como disseram os filósofos Sartre e Merleau-Ponty, somos “seres em situações” e a verdade está sempre situada nas condições objetivas em que foi alcançada e está sempre voltada para compreender e interpretar a situação na qual nasceu e à qual volta para trazer transformações. Não escolhemos o país, a data, a família e a classe social em que nascemos -isso é nossa situação -, mas podemos escolher o que fazer com isso, conhecendo nossa situação indagando se merece ou não ser mantida. A verdade é, ao mesmo tempo frágil e poderosa. Frágil porque os poderes estabelecidos podem destruí-la, assim como mudanças teóricas podem substituí-la por outra. Poderosa, porque à exigência do verdadeiro é o que dá sentido à existência humana. Capítulo 10__teoria do conhecimento Primeira parte teoria do conhecimento na antiguidade: 1. Introdução: costuma-sedividir a filosofia grega em três grandes períodos: • período pré-socráticos- abrange os filósofos da colônia grega (Jônia e Magna Grécia) que iniciaram o processo de desligamento entre a filosofia e o pensamento mítico. • período socrático ou clássico- o Central cultural passa a ser apenas desse período fazem parte o próprio Sócrates e o seu discípulo Platão, que posteriormente foi mestre de Aristóteles. O pensamento organizado e sistematizado de Platão e Aristóteles influenciaram durante séculos a cultura ocidental. Os sofistas são esses períodos e foram duramente criticados por seus contemporâneos. • período pós-socráticos- caracteriza-se pela expansão macedônica sobre os territórios gregos e formação do Império de Alexandre Magno, que se estendeu por regiões da Ásia e parte do norte da África. 2. Filosofia pré-socrática: o nascimento da filosofia na Grécia é marcado pela passagem da cosmogonia para a Cosmologia. A cosmogonia a típica do pensamento mítico, é descritiva e explica como do caos surge o cosmos, a partir da geração dos Deuses, identificado às forças da natureza. Na cosmologia, as explicações rompem com a religiosidade: a arché (princípio) não se encontra mais na hora e do tempo médico, mas significa princípio teórico, enquanto fundamento de todas as coisas. Heráclito: tudo flui- nasceu em Éfeso, na Jônia (atual Turquia). Tal como seus contemporâneos pré-socráticos, busca compreender a multiplicidade do real. Mas, ao contrário deles, não rejeita as contradições e quero aprender a realidade na sua mudança, no seu devir. Todas as coisas mudam sem cessar, e o que temos diante de nós em dado momento é diferente do que foi há pouco e do que será depois: “ nunca banhamos duas vezes no mesmo rio”, pois na segunda vez não somos os mesmos, e também o rio mudou. Para Heráclito o ser é múltiplo. Não no sentido apenas de que existe a multiplicidade das coisas, mas de que o ser é múltiplo por estar constituído de oposições internas. O que mantém o fluxo do movimento não é o simples aparecer de novos seres, mas a luta dos contrários, pois “a guerra é pai de todos, e rei de todos”. E essa luta que nasce a harmonia, como sentido contrário. Pode-se dizer que Heráclito teve a intuição da lógica dialética, a ser elaborada por Hegel e depois do Max no séc. XIX. Parmênides: o ser é imóvel- viveu em Eléia, cidade do sul da Magma Grécia (atual Itália) e o principal expoente da chamada escola eleática. Elaborou importantíssima teorias filosóficas na medida em que influenciou de forma decisiva o pensamento ocidental. Ocupou-se longamente em criticar a filosofia heraclitiana: ao “tudo flui” (panta rei) de Heráclito, contraposição a imobilidade do ser para pagamentos é absurdo e impensável considerar que uma coisa pode ser e não ser ao mesmo tempo. À contradição ou põe o princípio segundo o qual “ o ser é” e o “não senão é”. Mais tarde, os lógicos chamaram a isto princípio de identidade, mas de toda a construção metafísica posterior, Parmênides conclui, a partir do princípio, que o ser é único, imutável, infinito e imóvel. Segundo ele, porém, o movimento existe apenas no mundo sensível e a percepção pelos sentidos é ilusória. 3. Os sofistas: os pensadores do Período Clássico, embora ainda discutam questões referentes à natureza, desenvolve um enfoque antropológico, abrangendo a moral e a política. A palavra sofista, etimologicamente, vem de sonhos, que significa “sábio”, ou melhor, professor de sabedoria, ou seja, alguém que usa de raciocínio capcioso de má-fé, com intenção de enganar. Sóphisma significa “sutilezas dos sofistas”. os sofistas elaboraram o ideal teórico a democracia , valorizada pelos comerciantes em ascensão , cujos interesses se contrapõe aos aristocracia rural os melhores deles no entanto , buscaram aperfeiçoar os instrumentos da razão , ou seja , a coerência e o rigor da argumentação , porque não basta dizer o que se considera verdadeiro , é preciso demonstrá-lo pelo raciocínio Protágoras , um dos mais importantes sofistas diz que “o homem é a medida de todas as coisas”, esse fragmento deve ser entendido não como expressão do relativismo do conhecimento , mas enquanto a exaltação da capacidade de construir a verdade : o logos não mais é divino , mas decorre do exercício técnico da razão humana. 4. Sócrates: nada deixou escrito, e teve suas ideias divulgadas pelos dois de seus principais discípulos, Xenofonte e Platão. Ainda que muitas vezes seja incluído entre os sofistas, recusa a tal classificação, opondo-se a eles de forma crítica. Sócrates parte do pressuposto “só sei que nada sei”, que consiste justamente na sabedoria de reconhecer a própria ignorância, ponto de partida para a procura do saber. Por isso seu método começa pela parte considerada “destrutiva”, chamada ironia nas discussões afirmar inicialmente nada ser, diante do oponente que se diz conhecedor de determinado assunto como hábeis perguntas, desmonta a certeza até o outro reconhecer a ignorância parte então para segunda etapa do método, a maiêutica. Do esse nome em homenagem a sua mãe que era parteira, acrescentando o que, se ela fazia parte do corpo, ele “dava luz” ideias novas. 5. Platão: viveu em Atenas, onde fundou uma escola denominada academia ponto seu pensamento ilustrado pelo famoso “mito da caverna”. Platão imagina uma caverna onde estão acorrentados os homens desde a infância de tal forma que, não podendo se voltar para a entrada, apenas enxergam o fundo da caverna aí são projetadas as sombras das coisas que passam as suas costas, onde há uma fogueira se um desses homens conseguisse se soltar das correntes para contemplar a luz do dia os verdadeiros objetos quando regressasse, relatando o que viu os antigos companheiros, esse o tomariam por louco, senão acreditar em suas palavras. Análise do mito pode ser feita pelo menos sob dois pontos de vista: epistemológico (relativo ao conhecimento) e ao político (relativa ao poder). Segunda dimensão epistemológica, o mito da caverna é uma alegoria a respeito das duas principais formas de conhecimento: na teoria das ideias, Platão distingue o mundo sensível dos fenômenos, e o mundo inteligível das ideias. Platão tentam resolver a oposição entre Heráclito e Parmênides, buscando uma solução para a oposição entre as ideias de que tudo é movimento e de que isto é uma ilusão, pois a essência não muda para isso elaborou uma teoria gnosiológica, demonstrando preocupação com a validade da construção do conhecimento pensão na afirmação de Heráclito de que o que é impossível dizer que é uma árvore, uma vez que ela muda conforme cresce existem muitas espécies. Para ele a árvore muda porque não é apenas uma ideia, mais uma representação do pensamento, uma cópia imperfeita da realidade Platão. O Mito para explicar esse conceito supondo que, antes de nascer, a alma vivia em uma estrela, onde se localizavam as ideias. 6. Aristóteles: nasceu em Estagira no séc. 4 a.C. distingue seis graus de conhecimento: sensação, percepção, imaginação, memória, raciocínio e intuição a essência do homem é a racionalidade; os atributos acidentais não mudo o ser do homem em si! Investigando o saber: teoria do conhecimento A teoria do conhecimento pode ser definida como a investigação acerca das condições do acontecimento verdadeiro. Dentre as principais questões tematizadas na teoria do conhecimento podemos citar: Fontes primárias de todo conhecimento um ponto de partida; processo que faz com que os dados se transformam em juízo ou afirmações acerca de algo; maneira como é considerada a atividade do sujeito frente ao objeto a ser conhecido; âmbito do que pode ser conhecido segundo as regras da verdade, etc. Idade moderna: a partir desse período é que a teoria do conhecimentopassou a ser tratada como uma disciplina centrais da filosofia. Importante colaboração dos pensadores e suas obras na valorização da teoria do conhecimento como Descartes, Locke e Kant. Sujeito e objeto: elemento do processo de conhecer: quando o pensamento que o sujeito tem do objeto concorda com o objeto, dá-se o conhecimento sujeito - é consciência como atividade sensível e intelectual objeto - aquilo que vai ser conhecido. Realismo: de acordo com as teorias realistas do conhecimento, as percepções que temos dos objetos são reais, ou seja, correspondem de fato ás características presentes nesse objeto, na realidade. Por exemplo as formas e as cores que o sujeito percebe no pássaro são cores e formas que o pássaro realmente tem em si. Isto é, menos crítico o conhecimento ocorre apreensão imediata das características do objeto, ou seja, os objetos mostram como realmente são os ao sujeito que tu percebes, determinando o conhecimento que se estabelece. Há, no entanto, outras formas mais críticas de realismo que profetizam a relação sujeito-objeto, mas que mantém a ideia básica de que o objeto é determinante no processo de conhecimento. Idealismo: segundo as teorias idealistas do conhecimento, o sujeito é que predomina em relação ao objeto, isto é, a percepção da realidade é construída pelas nossas ideias, pela nossa consciência. Assim, os objetos serão “construídos” de acordo com a capacidade de percepção do sujeito. Por exemplo, as formas e as cores que o sujeito percebe nos pássaros são apenas ideias ou representações desse atributo; não entra em questão se elas realmente estão no pássaro. Também no idealismo, há posições mais ou menos radicais em relação à afirmação do sujeito como elemento determinante da relação do conhecimento. Empirismo: a palavra empirismo vem do grego empeirai, que significa “experiência”. O empirismo, ao contrário do racionalismo, enfatiza o papel da experiência sensível no processo do conhecimento. Bacon critica a lógica aristotélica, ocupando o ideal dedutivo vista a eficácia eficiência da indução como método de descoberta. Os ídolos da tribo estão fundados na própria natureza humana na própria tribo ou espécie humana. Os ídolos da caverna -são dos homens enquanto os indivíduos. Pois, cada um além da arrebentação as próprias da natureza em geral têm uma caverna uma cova que intercepta e corrompe a luz da natureza; seja devido à natureza próprio singular de cada um; seja devido à educação e conservação com os outros. Os ídolos do faro são os provenientes de certa forma das relações estabelecidas entre os homens devido o comércio “com efeito, os homens se associam graças ao discurso, e as palavras são cunhadas pelo vulgo. E as palavras, impostas de maneira imprópria e inepta, bloqueiam espontaneamente o intelecto. E os homens são, assim, arrastados a inúmeros e inúteis controvérsias e fantasias”. Os ídolos do teatro são os Ídolos que imigraram para o espírito do homem por meio de diversas doutrinas filosóficas e também pela regra viciosa da demonstração. Racionalismo: designa a doutrina que atribui exclusivamente a confiança na razão humana como instrumento capaz de conhecer a verdade segundo Descartes nunca nos devemos deixar persuadir senão pela razão. Para o racionalismo, os princípios lógicos fundamentais seriam inatos meu, isto é, eles já estão na mente do homem desde o seu nascimento cai por razão deve ser considerado como fonte básica do conhecimento. Graduação do conhecimento: o conhecimento vulgar e científico •conhecer: trazer para nossa consciência algo que supomos ou pressupomos fora de nós é uma conquista vírgula uma apreensão espiritual de algo. Mundo sensível: o que muda constantemente, puro devir, percebido pelos sentidos, onde se passam os fenômenos, sendo apenas uma cópia imperfeita da realidade Mundo inteligível ou das ideias: livro de mudanças e presente no pensamento, refletindo a verdadeira realidade, enxergando por trás das aparências •algo=objeto/•objeto =aquilo que se põe diante de nós. Conhecer a trazer o sujeito algo que se põe como objeto não é trazer Toda a realidade em si mesma é trazer sua representação a imagem todo trabalho científico está subordinada ao um esforço de apreensão do real de algo os homens conhecem de diferentes formas os mesmos homens pode conhecer algo de forma diversa. Conhecimento vulgar ou empírico (primeiro grau de conhecimento) conhecimento científico ou empírico de ordem científica segundo grau de conhecimento. No mundo jurídico conhecimento vulgar do rabula é o conhecimento que se adquire sem preocupações com os nexos casuais que se ligam os elementos de experiência jurídica se processo sem nexo de semelhança ou de constância dos fatos conhecimento científico outra atitude espiritual não se contenta com casos particulares buscar uniformização ou semelhança ou sentido há uma razão como as ciências somente existe quando elabora gêneros ou peça e o particular em sua essencialidade como se processo trabalho científico ? tório razão e classificatório necessariamente é sintético buscando os netos que os unem os fatos é metódico faz a ciência é coerente e unitário em seu juízo e sua adequação ao real enfim é o método que faz a ciência, ou seja, o conhecimento científico e aquele que obedece a um processo ordenatório da razão garante no certa margem de segurança quanto ao seu resultado o conhecimento científico é aquele que verifica os próprios resultados pela ordenação crítica de seu processo o conhecimento científico realiza sempre uma organização dos fenômenos ou então no sentido de generalidade objetiva estrutura do conhecimento tipos , leis e princípios: conhecimento científico implica certeza tipologia ou categorização tipos reúne qualidades comuns a uma série de fenômenos ou causas o direito é uma ciência tipológica. Penalista configurar tipos que possam determinar os fatos que envolvem a vida social exemplo crime que é igual tipo igual estelionato furto roubo homicídio culposo homicídio doloso e etc. Tipologia classificação de condutas. A função do advogado a identificar na lei e na doutrina o tipo correspondente ao caso. Tipos são formas de ordenação na realidade em Estrutura ou esquemas representativos da Essência dos fatos são modelos que identificam a conduta lícita ou ilícita tipos produzem na vida jurídica e a certeza e a e a segurança necessária exemplos ninguém pode ser responsabilizado por ato que não tenha sido proveniente classificada em lei como crime princípio do Direito Penal. Todos os ramos do direito pressupõem tipicidade que correlacionam uma data classe de ações a classe de sanções que lhe é próprio da ciência trabalham como elemento tipológicos e leis que para o jurista é uma espécie de regra ou norma. Para os juristas, as leis formuladas pelo Estado, produzem juízo normativo de conduta. Princípios são pressupostos, duas acepções: princípio moral –concepção ética e princípio lógico? O que é princípio? O que é logicamente, juízo? Quando formulamos um juízo? A partir da apreciação de algo, portanto, juízo é a ligação lógica de um predicado (valor) dado a algo, com pretensão de verdade, juízo é a molécula do conhecimento; o juízo se expressa verbalmente, pela proposição – é o produto do raciocínio. Raciocínio é o conjunto ordenado e coerente de juízos. A ciência implica sempre uma coerência entre juízos que se enunciam. Enunciado ciência de um juízo. “ Quando nosso pensamento opera sua redução certificada (produz certeza), até atingir juízos que não possam mais ser reduzidos a outros, dizemos que atingimos princípios. ” Os princípios são: de identidade, de não contradição, ou seja, se uma coisa pudesse ser ao mesmo tempo o seu contrário não haveria ciência. Toda ciência implica com a existênciade princípios que são: universais ou omnivalentes: comuns a todas as ciências; regionais ou plurivalentes: como montar um grupo de ciência; monovalentes: aqueles que servem ao único grupo de ciência. No direito os princípios são: de alcance Universal - lógica jurídica; para o “Campo” pesquisa - plano da lógica normativa e prática da advocacia. Lindb- aplicado em casos de lacuna da lei. O direito se fundamenta em princípios e não em normas Monovalentes dois pontos “ninguém se escusa alegando ignorar a lei”, base para toda atividade jurídica é um pressuposto princípio compreensivo no plano do Dever Ser Plurivalentes: como à jurisprudência e as demais ciências. Omnivalentes: inerentes a todas as formas de conhecimento Portanto, no direito e nas demais ciências do trabalho e da inteligência se desenvolve através de três ordenações tipos, leis e princípios. Do conhecimento quanto à origem: 1) Empirismo ou empiricismo: corrente que sustenta a origem única do conhecimento é dada pela experiência (sensorial), modernamente – empirismo – neopositivismo; conhecimento da experiência só é válido quando verificado através da metodologia (Russell e Locke); os conhecimentos seriam a posteriori, ou seja, depois da experiência. J. Locke: admite a existência de verdades cuja validade não se baseia na experiência – validade lógica a priori (ex.: juízos matemáticos). J. Stuart Mill: tudo depende da indução, inclusive a matemática. Neopositivistas: empirismo fisicalismo – Depende a subordinação de todo conhecimento aos dados empíricos, segundo o modelo da física. Para os empiristas haveria um único tipo de ciência porque existe uma única fonte para a verdade e para o conhecimento – a verificabilidade. Podem-se distinguir três tendências do empirismo: a) empirismo integral – reduz todo conhecimento à fonte empírica (Hume, Stuart Mill); b) empirismo moderado – o conhecimento parte da experiência, mas não reduz ela validade do conhecimento (Locke); c) empirismo científico – só admite como válidos o conhecimento oriundo da experiência. 2) Empirismo e direito: jusnaturlistas = direito positivo, ciências do direito – aporias – empiristas: De que maneira o direito se origina do fato? Será essa razão suficiente de sua gênese? 3) Racionalismo: reconhece que o fato é elemento indispensável como fonte do conhecer; fotos não são fotos de todos os conhecimentos e, portanto, por si só, nomes oferece condições de “ certeza”; distinguem a verdade de fatos de verdade de razão: Verdades de fato: são contingentes e particulares, implicando possibilidade de correção, portanto, válidas dentro de limites determinados – resultados provisórios. Verdades de razão: são princípios da identidade e de razão suficiente capaz de explicar a realidade empírica – resultados de universalidade e certeza. Para Descartes: possuímos ideias inatas, fundamento lógico a todos elementos que enriquecem a percepção e a representação; Para Leibniz: não existe ideias inatas, mas sim, capacidade para se atingir ideias fundamentais; 4) Intelectualismo – uma das formas do racionalismo: corrente que reconhece a existência de verdades de razão, atribuindo à inteligência a função positiva do ato de conhecer. A razão não contém, em si mesma, verdades universais como ideias inatas; Atinge-as partir dos fatos particulares que o intelecto coordena; O intelecto extrai os “conceitos” existente no real operando sobre as “ imagens” que o real oferece; “ À inteligência é um fator ative positivo capaz de subordinar a si os elementos empíricos, de maneira a captá-los na sua essência, atingindo-lhes os significados, ou formas universais, que se traduzem em conceitos”. 5) Racionalismo e direito: reconhece a existência do direito positivo; declara a existência de um direito ideal, racional ou natural, que subordina a si o outro, sendo fundamento da moral e do direito positivo. 6) Criticismo: latu sensu – estudo metódico prévio do ato de conhecer e dos modos de conhecimento; Kant – marcado pela determinação a priori das condições lógicas das ciências; o conhecimento precisa da experiência a qual fornece material cognoscível; defende que o conhecimento da realidade de base empírica precisa de elementos racionais, os quais adquirem validade Universal quando ordenados pela razão; “ os conceitos, sem as intuições (sensíveis), são vazios; as intuições sem conceitos são cegas” (Kant). “ Nem a intuição sensível e nem a atividade intelectiva podem, cada um de per si, atingir o plano do conhecimento. Conhecer é unir o elemento material de ordem empírica e intuitiva os elementos formais de ordem intelectual, elementos estes que são a priori em relação aos dados sensíveis, cuja ordenação possibilitam”. No ato de conhecer haverá sempre a marca da sua subjetividade em “ algo” que se torna “ objeto”; o conhecimento é sempre uma subordinação do real à medida do humano. 7) Juízos analíticos e sintéticos: Analíticos: são a priori, dotados de validade Universal e necessária, independente da experiência – seu valor é meramente explicativo. Sintéticos: são sempre a posteriori – sua validade é particular e contingência. Kant destaca uma terceira espécie: juízos sintéticos a priori: são aqueles que participam, ao mesmo tempo, da validade universal e a priori dos juízos analíticos, como também, da natureza produtiva dos juízos sintéticos. 8) Criticismo e direito: essa orientação vende cante provocando a renovação da filosofia do direito e colocando em discussão os problemas fundamentais da jurisprudência. Do conhecimento quanto à essência: cabe-nos, em síntese, da resposta a estas perguntas: “ Que é que, em última análise, se conhece do “mundo real”? Conhecemos as coisas como elas são, e elas são em si como nós as conhecemos? Essas questões pertencem ao plano da gnoseologia. O conhecimento é sempre uma relação ou um laço entre o sujeito que conhece e “algo” conhecido Que denominamos “objeto”. O sujeito e objeto são os termos os elementos essenciais de todo o conhecimento. Para que haja conhecimento, é necessário que o sujeito esteja em intencionalidade de conhecer, assim como é necessário que algo existe para que possa ser aprendido pelo sujeito. Surgem daí duas possibilidades: ou se exagera o papel do objeto no ato de conhecer, o se superestima a contribuição do sujeito no conhecimento. 1) Realismo: o emprego da palavra “realismo”, que diz respeito à “coisa” (res). O realismo é uma atitude natural do espírito humano, que pode ser: Realismo ingênuo: não questiona sobre o objeto; é pré-filosófico; senso comum. Realismo tradicional: quando indaga sobre os pensamentos e procura comprovação; é normal no espírito humano. Realismo crítico: acentua a verificação de seus pressupostos e conclui pela funcionalidade sujeito- objeto, destacando a capacidade criadora do Espírito humano. Distingue-se este por admitir que conhecer é sempre conhecer algo posto fora de nós; concebe o conhecimento como um processo no qual o sujeito cognoscente contribui criadoramente, transformando “algo” em “objeto”; os homens conhecem de forma diferente. 2) Idealismo: representa a posição marcante distintas, quem é considerado em sua expressão ontológica, ou platônica, ou em sua feição moderna, de cunho essencialmente gnoseológico. Os idealistas modernos Parque da afirmação de que as coisas não “ existem” por si mesma, mas na medida é enquanto são representadas ou pensadas, visto como só podemos falar aquilo que se insere no domínio de nosso espírito e não das coisas como tais, distintas de como as percebemos. Nada, em suma, pode ser, sem ser necessariamente percebido ou pensado. O homem, quando conhece, nãocopia uma realidade exterior a ele, já dada; ele cria segundo suas subjetividades em que “algo” gnosiologicamente – limitado ao plano do conhecimento – preexista ao “objeto” “ Idealismo é a doutrina ou corrente de pensamento que subordina ou reduz o conhecimento à representação ou ao processo do pensamento mesmo, por entender que a verdade das coisas está a menos nela do que em nós, em nossa consciência ou em nossa mente, no fato de serem “percebidas” ou “pensadas”. 3) Correlação com problema jurídico: o direito, como ciência positiva, implica uma atitude realista – analisa fato, estuda normas; conhece-se na experiência jurídica, a polaridade do ser e de dever ser; no idealismo o direito é formação projeção do pensamento ou da consciência identificando o direito natural e o direito positivo; o jurista pode considerar as leis positivas como “dadas” na medida em sua significação e utilidade nas circunstâncias. Kant e a filosofia crítica Contexto filosófico: o tempo de Kant, a filosofia era dominada por duas correntes: Racionalistas: única fonte de conhecimento verdadeiro é a razão – Platão, Agostinho de Hipona, Descartes... Empiristas: a única fonte de conhecimento verdadeiro é a experiência – Locke, Hume... Formas de conhecimento: para Kant Existem duas formas de conhecimento: Empírico ou a posteriori: aquele que se reduz aos dados fornecidos pela experiência sensível - não universal. Puro ou a priori: aquele que independe de qualquer experiência sensível – é necessário e universal; Essa distinção para Kant é essencial para distinguir os juízos sintéticos e analíticos. Tipos de juízos: Empiristas – juízos sintéticos: une o conceito expresso pelo predicado ao conceito de sujeito, isto é, no conceito de sujeito não se encontra contido ou predicado. São particulares, mas é crescente. (Ex.: “ a água sufoca”, “ a pedra é pesada”, “ todos os corpos se movem”). Racionalistas – juízos analíticos: o predicado está contido no sujeito e o juízo será um processo de análise do que já está contido nele. É universal, mas não avança. (Ex.: “ o corpo é extenso”, “ o animal é vivente”). É por isso que a filosofia não progrediu de modo seguro desde os gregos até Kant: Os racionalistas não podem afirmar nada de novo. Os empiristas não podem afirmar qualquer coisa de modo universal. Porém, as ciências matemáticas e a física têm evoluído e de modo seguro.... Mas por quê? Por que se utilizam de juízo... Sintéticos a priori: conhecimento não é fruto nem só do sujeito, nem só do objeto, mas de uma síntese entre sujeito e objeto. (Ex.: “ todo acontecimento tem uma causa”. É a priori porque vale universalmente, de modo necessário e não provém da experiência; é sintético porque no conceito de “ acontecimento” não está contido o conceito de “ causa”). O conhecimento humano não é uma reprodução passiva é um objeto por parte do sujeito, mas construção ativa do objeto por parte do sujeito. Mas, a metafísica pode fazer o uso de juízos sintéticos a priori? É necessário analisar a legitimidade da pretensão metafísica (filosófica): “ É necessário chamar a razão ao mais grave dos seus deveres, que é o conhecimento em si mesma; é necessário formar um tribunal que sustente as suas pretensões legítimas e condene as que não tem fundamento; este tribunal não pode ser outro senão a Crítica da Razão Pura” (Crítica da Razão Pura, A 11 – 12) Como? Analisando criticamente a atividade da mente humana como objetivo de descobrir o seu funcionamento e estabelecer o valor de suas pretensões. Existem três operações da mente humana: Apreensão (intuição: formação de ideias primárias); Juízo (unir afirmando e separar negando dois conceitos); Raciocínio (encadeamento lógico de juízo). a) O que é transcendental em Kant? Transcendental são as condições de possibilidades do conhecimento humano, ou seja, as formas (do sujeito) que modela uma matéria (proveniente do objeto) b) O que é transcendente em Kant? É o que está além do nosso conhecimento, não podendo entrar na formação de juízos sintéticos a priori: sujeito + objeto. Estética transcendental: Estética < Aesthesis (sensível, sensibilidade) A apreensão humana será construída como o conhecimento sensível, a partir da intuição. A única intuição possível é a sensível. Nós não podemos conhecer diretamente as coisas, mas só através dos sentidos. Objetivo: estudar como são possíveis a matemática e a geometria, baseadas na intuição. A matemática e a geometria são constituídas por conhecimento de caráter indutivo e universal. Juízo sintéticos a priori: 1) Forma (condições de possibilidade de conhecimento sensível): espaço (externa) e tempo (interna). 2) Matéria: o que do objeto interage conosco. Resultado: Fenômenos (síntese dos dados sensoriais sob a forma de espaço e tempo). Espaço (transcendental da sensibilidade externo): toda sensação a externa não atinge sobre a forma extensa. Tempo (transcendental da sensibilidade interno): as dimensões externas se transformam em ideias internas sobre a forma de sucessão. Obs.: espaço e tempo não existem se não no interior do sujeito. São condições de possibilidade do conhecimento sensível e não realidades ou substâncias. Pela consideração do espaço e do tempo, o conhecimento da sensível torna-se científico, ou seja, universal (valido sempre e para todos) e extensivo (acrescenta algo novo ao que já se sabe). Universalidade do conhecimento sensível: o espaço e o tempo são os transcendentais do conhecimento sensível válido para todo homem o espaço e o tempo são os transcendentais do conhecimento sensível, válido para todo homem. Extensividade (novidade): não é possível descobrir as proposições Matemáticas e geométricas pela simples análise dos conceitos, elas requerem o uso dos sentidos. Ex.: sem o uso dos dedos ou de outros artifícios qualquer, não há como aprender a proposição segundo a qual 7 + 5 são 12. Problema da ação humana Kant conclui pela impossibilidade de a metafísica se considera ciência, mas a ciência pretende conhecer as coisas em si mesma. Entra nesse contexto não apenas a dimensão teórica, mas também uma dimensão prática, que determina se um objeto mediante a ação. Moral e direito: aqui é a razão promove o mundo ético dotado de leis Morais e jurídicas; trata-se da investigação da ética. Moral e direito: Kant usa a expressão ética em dois sentidos: Em sentido amplo: como ciência das leis da Liberdade, leis éticas, que se dividem em Morais e jurídicas; Em sentido estrito: como teoria das virtudes, diferenciando-se do direito. Em sentido estrito direito e ética (moral) são formas particulares de uma legislação universal, cujos princípios, a ética em sentido amplo contém. Em sua obra Metafísica dos Costumes Kant aponta destaca como diferenças entre moral e direito: A que decorre da diferença entre moralidade e legalidade; A que decorre da diferença entre autonomia e heteronomia; A que decorre da diferença entre imperativo categórico é imperativo hipotético. Moralidade e legalidade: cuida dos motivos da ação e toma como base a nação de boa vontade; boa vontade não considera qualquer interesse, só o respeito e o dever; A moralidade pressupõe ação cumprida por dever; A legalidade pressupõe a ação cumprida em conformidade ao dever, mas segundo alguma inclinação ou interesse. (Ex.: comerciante que dá o troco correto a uma criança) Autonomia e heteronomia: implica separar moral e direito; autonomia – impõe leis a si mesmo; a vontade moral é autônoma; heteronomia – a vontade é determinada por outra vontade, a vontade jurídica. Agir conformea sua vontade traduza o terreno da moralidade (autonomia); agir em obediência à lei do Estado, traduz a legalidade (heteronomia); Imperativo categóricos e imperativo hipotético; categórico – imperativo que prescreve uma ação boa por si mesma. (Ex.: “você não deve mentir”); é declarado por um juízo categórico; hipotético – prescreve uma ação boa para alcançar determinado fim. (Ex.: “ se você quer evitar ser condenado por falsidade, você não deve mentir”); é declarado por meio de um juízo hipotético. Razão prática: ação humana despida de tudo que seja empírico; ação moralmente boa, obedecendo apenas a lei moral em si mesma; moral estabelecida pela razão livre (autonomia da vontade). A vontade é a própria razão pura prática, a capacidade do ser racional e agir segundo princípios. A ética Kantiana exige princípios universais; esses princípios universais devem ser a priori, ou seja, estão no próprio sujeito e ao mesmo tempo pertencem à ordem das sensações; a ação moral se resume em elevar o individual é subjetivo ao plano do universal e objetivo; a atividade humana também consiste em “consciência moral”. Essa consciência contém princípios que reagem a vida dos seres humanos; a razão prática é justamente esse conjunto de princípios da consciência moral, ou seja, trata-se da razão aplicada à ação, à prática, à moral! A única coisa boa ou má é a vontade humana! Boa vontade: para Kant a vontade é boa em si mesma, não estando submetida às determinações dos sentidos, nem contaminadas; uma ação boa é ditada pela razão prática; a boa vontade não é determinada por interesses, mas apenas pelo dever; portanto rejeita qualquer tipo de utilitarismo! Assim, a lei moral está voltada para a realidade das ações humanas e pode ser realizada considerando-se a liberdade como autonomia. Ser e Dever-ser: segundo Kant, enquanto o intelecto (razão teórica) se ocupa do ser, a vontade (razão prática) cria o dever-ser! Onde a razão prática, sem obstáculos do desejo, diria eu quero, uma razão prática, obstaculizada pelos desejo deve dizer eu devo; Assim, o dever-ser não pode ser deduzido do ser, não está na estrutura do fato, mas sim na racionalidade do subjetivo; Os fundamentos da ética (moral e direito) kantiana, são encontradas na esfera do dever-ser, tendo na norma sua expressão; O imperativo dever-ser não é subjetivo (da vontade particular), mas sim uma lei ditada pela razão pura , a priori, universalmente válida, objetiva; Portanto, em Kant a ideia de liberdade (autonomia) da vontade (que é por isso boa) fundamenta toda a ordem normativa. Liberdade e Dever-Ser: liberdade, em sentido positivo, é a capacidade e a vontade pura (razão prática) determina- se; dois conceitos de dever-ser: 1) Dever-ser como ideia, modelo, tem dica como deve ser a realidade, 2) Dever-ser restrição à ação moral, como imposição da lei moral, criada pela vontade livre; Assim, a norma jurídica positiva tem apenas a forma de um dever-ser, a ser observado, realizado, ou seja, assim a norma jurídica é um imperativo hipotético, que tem seu limite no imperativo categórico; O preceito tem origem no arbítrio do legislador e não na vontade livre como razão pura! O homem livre só pode viver em sociedade com outros seres que também sejam livres, se o seu arbítrio é limitado por regras, normas, por um DE dever-ser! Lei moral: Kant estabelece que o princípio é a representação de leis, segundo as quais um ser racional deve agir, ou seja, agir segundo a representação de uma lei introduzir no mundo o elemento vontade e, com isso, a liberdade! É um princípio universal! A priori! – Não decorrem de nenhum outro dado sensível; três são os princípios objetivos de ação, que determinam as máximas, por eles chamadas de princípios subjetivos: Princípio técnico: meio adequado para se alcançar o fim propósito; Princípio da Prudência: pelo qual se devem aspirar à própria felicidade; Princípio da moralidade: Vale incondicionalmente; A característica mais importante da lei é a universalidade, portanto, se a lei proíbe matar, se houver exceção esta deve alcançar a todos os racionais. Imperativos: Kant recorre ao juízo sintético a priori para explicar os imperativos – em especial ou categórico. Imperativos hipotéticos: são analíticos; Imperativos categóricos: são sintéticos a priori; Kant apresenta três fórmulas para expressar o imperativo categórico, a partir da fórmula geral: “ age apenas segundo a máxima, em virtude da qual possa querer que ela se torne lei universal”. Imperativo categórico: a fórmula da equiparação da máxima à universalidade da lei da natureza: Age de tal modo que a máxima de tua ação devesse tornar-se lei universal da natureza; fórmula da humanidade o da consideração da pessoa como fim em si mesma: Age de tal modo que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre e ao mesmo tempo, como fim e nunca como meio, simplesmente; como fórmula da Autonomia o da Liberdade positiva no reino dos fins: Age de tal modo que a tua vontade, através de suas máximas, se possa considerar como legisladora universal; o imperativo categórico prescreve o que deve acontecer e não descreve o que acontece! A ideia de liberdade na filosofia prática de Kant é o fundamento da ideia de Justiça; a ideia de justiça é fundamento do direito; o direito, como o Estado de Direito, garante a paz perpétua! Liberdade: Kant recebe de Rousseau a ideia de liberdade. Livre é ação que decorre exclusivamente da razão, sem a perturbação dos sentidos! Para que o homem seja livre, segundo Kant, é necessário: Que se mostre com absoluta espontaneidade; Que se submetem às leis da razão prática (ação moralmente boa) Liberdade direito: “ direito é o conjunto das condições, por meio das quais o arbítrio de um pode estar de acordo com o arbítrio de um outro segundo uma lei universal da liberdade”. (Metafísica dos costumes). Dever-se ter em conta, sempre, que o outro ser racional e também livre e deve ser tratado como um fim em si mesmo (pessoa) e nunca como meio (coisa). “O imperativo categórico será formulado de modo a criar uma ligação necessária entre a ética, como moral do indivíduo, e a política ou o direito, na medida em que prescreve que um indivíduo age de tal forma que a humanidade, que se encontra na pessoa de quem age, seja considerada, sempre e ao mesmo tempo, como fim em si mesma, de modo que se possa construir um reino dos fins a parte do reino da natureza”.