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Universidade Estadual de Montes Claros- UNIMONTES
Curso De Direito- 5° Período
Direito Penal IV
Professor: Leonardo de Oliveira Lopes
Acadêmica: Vitória Dreide 
RESUMO DAS AULAS DE PENAL
ROUBO
O art. 157 é um crime complexo porque se origina da união de dois ou mais crimes/tipos penais para a corrente minoritária o roubo decorre do furto (art.155), constrangimento ilegal (art.146) e lesão corporal leve (129, caput), já para a corrente majoritária o roubo é a união do furto mais constrangimento ilegal. 
O objeto jurídico protegido é tanto o patrimônio quanto a integridade física e a liberdade individual.
O objeto material protegido é a coisa alheia móvel e a pessoa.
Sujeito Ativo: qualquer pessoa pode ser autora do crime salvo a própria dona da coisa que se encontrar na posse legítima de um terceiro que respondera pelo crime de exercício arbitrário das próprias razões (art.345 e 346 CP).
Sujeito Passivo: qualquer pessoa física ou jurídica proprietária, possuidora ou detentora legitima da coisa subtraída bem como a pessoa que sofre a violência ou grave ameaça resultando em ofensa a sua liberdade individual ou integridade física ou psíquica.
Conduta: o crime de roubo admite 2 formas: o roubo próprio (caput) e o improprio/ por aproximação (§ 1).
ROUBO PRÓPRIO: é aquele em que o agente antes ou durante a subtração da coisa emprega a violência, a grave ameaça ou por qualquer meio impossibilita a vítima de se defender.
Nutt diz que a violência “ é a força física empregada contra a vitima causando lesão leve ou vias de fato porque se for grave ou causar morte qualificam o crime e restam absorvidas pelo art. 157, §3.
Grave ameaça “ é a violência moral, a coação psicológica, a promessa de causar um mal injusto, grave (idôneo à aterrorizar a vítima), possível e iminente (diferente da ameaça como crime autônomo do art. 147 que ocorre a promessa de mal futuro)”. O mal pode ser dirigido a própria vítima ou a terceiro desde que tenham ligação próxima a vítima. O porte ostensivo de arma, a arma desmuniciada, defeituosa, de brinquedo ou a simulação do porte caracterizam a grave ameaça. Para o STF e STJ o número de autores ou supremacia numérica de agentes não caracterizam necessariamente a grave ameaça podendo o autor responder pelo furto qualificado pelo concurso de duas ou mais pessoas. Ou qualquer outro meio capaz de impossibilitar a vítima de resistir ou defender-se. Ex: Emprego de drogas ou soníferos como boa noite cinderela, hipnose ou embriagues alcoolica. Quando a própria vitima voluntariamente se coloca em condição que não permite defender-se o autor da ação não responde pelo roubo e sim pelo furto.
ROUBO IMPROPRIO/POR APROXIMAÇÃO (§1): Ocorre quando o autor após subtrair a coisa constrange a vítima mediante violência ou grave ameaça com objetivo de assegurar impunidade do crime ou obtenção da coisa para si ou para terceiros.
Inicia-se como um furto que se transforma em roubo durante a pratica criminosa quando após a subtração o autor se vê levado a praticar a violência ou grave ameaça. A demora entre a subtração da coisa e o emprego da violência ou grave ameaça pode levar ao autor responder por furto em concurso material com o crime contra a pessoa praticada.
Para parte da doutrina configura o roubo improprio quando há o prévio apoderamento da coisa porque se antes de apodera-se da coisa emprega-se violência ou grave ameaça apenas com o objetivo de fugir o agente responde pelo crime contra a pessoa praticada.
PRINCÍPIO DA INSIGINIFICANCIA, ROUBO DE USO, ESTADO DE NECESSIDADE E O FURTO PRIVILEGIADO (ART. 152, §2):
Para a maioria da doutrina e jurisprudência tais institutos não tem aplicação ao crime de roubo, porque esse tipo penal protege não só o patrimônio como também a liberdade individual e a integridade pessoal da vítima que são violados coma violência ou grave ameaça.
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
§ 2º - A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade:
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior;
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.                 
VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego.                 
§ 2º-A - A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços):                 
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo;                
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum.                
§ 3º- Se da violência resulta:                 
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa;                 
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa.
- Princípio da Insignificância, roubo de uso, estado de necessidade e o Furto Privilegiado (art. 155, §2º, CP): 
OBS: o “uso” preenchidos os requisitos do furto de uso exclui-se o furto, respondendo o autor apenas pelo constrangimento ilegal.
- Roubo de coisa comum: 
- O valor do bem ultrapassa a sua cota: haverá o crime de roubo.
- O valor do bem não ultrapassa a sua cota: fato atípico.
Tipo Subjetivo:
- É o dolo, consistente na vontade consciente de subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel, mediante violência, grave ameaça ou qualquer outro meio que diminua a resistência da vítima, além do especial fim de agir que é a obtenção da coisa para si ou para outrem.
Não basta subtrair tem que ter a vontade de apoderar.
Consumação e Tentativa:
- Roubo próprio: consuma-se com a subtração da coisa, após o emprego de violência ou grave ameaça, independentemente de ter a posse mansa e pacífica (duradoura) ou desvigiada da coisa. Antes ou durante a violência.
- Tentativa: é possível. Ex.: quando, iniciando a violência ou grave ameaça e a busca pela subtração da coisa é impedido por terceiro.
No roubo próprio a consumação ocorre com a subtração da coisa logo após a violência ou grave ameaça. Tentativa é possível.
- Roubo impróprio ou por aproximação: consuma-se com o emprego da violência ou grave ameaça à pessoa, logo após a subtração.
No roubo improprio o crime se consuma com emprego da violência ou grave ameaça logo após a subtração da coisa. Para a maioria da doutrina e jurisprudência a tentativa é possível quando o autor subtrai a coisa e tenta praticar violência ou grave ameaça.
- Tentativa: a maioria da doutrina admite a tentativa. Ex.: quando o agente, após a subtração, tenta iniciar a violência ou grave ameaça, mas é impedido por terceiros.
- Concurso formal de crimes (art. 70, CP):
Ocorre quando o autor através de uma única ação pratica roubo contra mais de uma pessoa aplicando-se a pena de um dos crimes se idêntica ou a mais grave se diversas aumentando de 1/6 até a metade. 
Ex: subtração em ponto de ônibus (único contexto fático).
- Crime continuado (art. 71, CP): 
Também chamado de continuidade delitiva ocorre quando o autor através de mais de uma ação pratica o roubo contra mais de uma vitima, mais de um crime, pelas circunstancias de tempo, lugar e modo operandi, pressupõe que os crimes posteriores foram continuação do primeiro, Aplicando-se a pena de um deles, acrescida de 1/6 a 2/3.
- Habitualidade criminosa (art. 69): 
Consiste no criminoso que pratica o roubo de maneira habitual tendo a pratica do roubo como espécie de profissão.
- STF, HCnº. 104.593/SP responde pela forma tentada:
Nessa decisão especifica o STF entendeu que se a polícia acompanhar toda a conduta do roubo efetuando a prisão do autor antes de sua fuga mesmo que já tenha a posse mansa e pacífica da coisa essa não era desvigiada respondendo por crime tentado. 
Ação Penal:
- Ação penal pública incondicionada.
- Competência:	
- Justiça Comum Estadual.
-Processamento:
- Rito Comum Ordinário.
Roubo Majorado (art. 157, §2º, CP – aumento de 1/3 até a metade):
§ 2º – A pena (do caput e do § 1) aumenta-se de um terço até metade:
II – se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância;
IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior;
V – se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
- As cinco majorantes são aplicáveis tanto ao roubo próprio (caput) quanto ao impróprio (§1º), mas não às formas qualificadas do §3º, seja por questão topográfica, seja pela severidade com que este delito do §3º já é tratado:
II – se há o concurso de duas ou mais pessoas:
Incide a majorante ainda que dentro do número de dois ou mais pessoas estejam inimputáveis ou pessoas não qualificadas ou identificadas. 
Para Nelson Hungria todas as pessoas devem estar presentes na cena do crime. Ao passo que para Nutt e Mirabette a presença deles é dispensável para a aplicação da majorante desde que comprove-se a co-autoria ou participação.
Apesar de divergências doutrinarias vem se entendendo que não configura “bis in idem” a condenação pelo roubo em concurso de pessoas art.157, § 2, II em concurso com associação criminosa art.288 porque são crimes diversos e tutelam também bens jurídicos distintos o patrimônio e a paz publica respectivamente.
Ex: A pessoa que esta como motorista e vigia no crime responde.
III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância:
1)Valores não são apenas moeda corrente, mas também qualquer bem ou produto que tenha valor econômico e que estejam sendo transportados por empresas de transporte de valores ou até mesmo representantes comerciais, viajantes ou funcionários dos correios. 
2)O autor necessariamente deve conhecer a circunstancia da vitima. 
IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior:
Para a maioria da doutrina e jurisprudência o Distrito Federal. 
V – se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade:
1) O agente restringe a liberdade da vitima apenas durante o tempo necessário para efetuar o crime ou garantir a fuga. 
2) Se a privação de liberdade for por um período prolongado o autor responderá pelo roubo em concurso material com o sequestro. 
VI- Se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego.
Roubo Qualificado pelo Resultado (art. 157, §3º, CP):
§ 3º- Se da violência resulta:                 
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa;                 
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa.
- O resultado deve decorrer da violência empregada durante (fato tempo) e em razão (fator nexo causal) do roubo. Ausente qualquer desses dois pressupostos, o agente responde por homicídio doloso ou lesão grave em concurso material com o roubo.
- O resultado (morte ou lesão grave) pode ter sido causado de forma dolosa (dolo direto ou eventual) ou culposa.
- Pode ser dividido em duas partes:
1) Resultado lesão de natureza grave:
É um crime complexo que se origina do roubo mais lesão grave ou gravíssimo. Não é considerado hediondo consumasse com a subtração da coisa e com a produção do resultado lesão grave. A tentativa é possível se o resultado agravador “lesão grave” tiver sido produzido a título doloso porque o crime culposo não admite tentativa.
Resultado morte:
É um crime complexo que se origina do roubo + homicídio é considerado um crime hediondo (art.1, II, da lei 8.072/90) é denominado pela doutrina de latrocínio que é o crime em que a vontade do agente é dirigida ao patrimônio da vítima valendo-se da morte para atingir esse objetivo seja apoderar-se da coisa, assegurar sua posse ou garantir a impunidade do crime.
 todos respondem pelo latrocínio em caso de concurso de pessoas se tem conhecimento que alguém está armada.
Para o STF o coautor que participa do roubo armado responde pelo latrocínio mesmo que o disparo fatal tenha sido efetuado por único comparsa ainda que não identificado respondendo todos pelo mesmo fato porque no mínimo agiram com dolo eventual ao assumirem um risco do resultado morte ao aderirem ao roubo armado. 
- Consumação:
- Latrocínio consumado (Enunciado de Súmula nº. 610 do STF):
 - Morte e Subtração consumadas.
- Morte consumada e Subtração tentada.
- Latrocínio tentado:
- Morte e Subtração tentadas.
- Morte tentada e Subtração consumada.
Segundo o enunciado de súmula do STF a consumação do latrocínio apesar de ser um crime contra o patrimônio ocorre com a morte da vítima e não com a subtração da coisa. A tentativa é possível quando a morte fica na forma tentada independentemente da consumação da subtração.
 - CASOS HIPOTÉTICOS/PRÁTICOS:
1) A intenção inicial do agente era apenas a morte da vítima, mas, após a consumação do homicídio, resolve subtrair bens da vítima. Qual crime?	
O autor responde por homicídio em concurso material com o furto.
2)Um dos assaltantes mata o outro, para ficar com todo o dinheiro subtraído, ainda que a morte ocorra durante o assalto (=roubo). Quais crimes?
Roubo em relação a vitima da subtração e homicídio em relação ao seu comparsa porque o resultado morte atingiu o próprio autor do roubo e não a vitima da subtração.
3)O agente efetua um disparo para matar a vítima, mas, por erro de pontaria, acaba atingindo e matando seu comparsa. Qual crime?
Responde pelo latrocínio porque houve a figura do aberratio ictus (art.73) em que o agente responde como se tivesse atingido a própria vitima almejada/desejada.
4) Pluralidade de vítimas numa só subtração:
Para parcela da doutrina e STF sendo latrocínio crime complexo a pluralidade de vitimas fatais não implica pluralidade de latrocínios o que será configurado através da quantidade de subtrações porque o numero de vitimas fatais serve apenas na fixação da pena aplicando-se as regras do concurso formal próprio (art. 70, primeira parte).
OBS: No latrocínio o resultado pode ser doloso ou culposo.
LEI Nº 13.654, DE 23 DE ABRIL DE 2018.
	 
ROUBO ENVOLVENDO EXPLOSÃO DE CAIXAS ELETRÔNICOS
Roubo
§ 2º-A  A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços):
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo;
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. (Incluído pela Lei nº. 13.654/18)
§ 3º  Se da violência resulta:
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa;
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa.” (Incluído pela Lei nº. 13.654/18)
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além de multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa.
3) MUDANÇA NO ROUBO MAJORADO POR EMPREGO DE ARMA.
O art. 157, § 2º, I, previa o seguinte:
Art. 157 (...)
§ 2º A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
O aumento se justificava por haver maior risco à integridade física e à vida do ofendido e de outras pessoas e pela facilitação na execução do crime.
O que podia ser considerado “arma” para os fins do art. 157, § 2º, I, do CP?
- A jurisprudência possuía uma interpretação ampla sobre o tema, abrangendo tanto a arma própria quanto aarma imprópria.
A Lei nº 13.654/2018 revogou o inciso I do § 2º do art. 157 do CP.
Isso significa que houve abolitio criminis?
NÃO. A Lei nº 13.654/2018 acrescentou o §2º-A ao art. 157 prevendo duas novas hipóteses de roubo majorado, com pena maior. 
Art. 157 (...)
§ 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços):
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo;
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum.
O roubo com emprego de arma de fogo deixou de ser previsto no inciso I do §2º, mas continua a ser punido agora no inciso I do §2º-A.
Desse modo, quanto à arma de fogo não houve abolitio criminis, mas sim continuidade normativo-típica.
Logo, para as pessoas que foram condenadas por roubo com emprego de arma de fogo antes da Lei nº 13.654/2018, nada muda.
Novatio legis in mellius para roubo com emprego de arma que não seja de fogo.
Porém, o roubo “com emprego de arma” deixou de ser uma hipótese de roubo majorado no art. 157, § 2º, tratando-se, em princípio, de roubo simples (art. 157, caput, CP).
Assim, a Lei nº 13.654/2018 deixou de punir com mais rigor o agente que pratica o roubo com arma branca. Pode-se, portanto, dizer que a Lei nº 13.654/2018, neste ponto, é mais benéfica. Isso significa que ela, neste tema, irá retroagir para atingir todos os roubos praticados mediante arma branca.
Tabela comparativa.
	ROUBO MEDIANTE EMPREGO DE ARMA
	Antes da Lei 13.654/2018
	Depois da Lei 13.654/2018 (atualmente)
	Tanto a arma de fogo como a arma branca eram causas de aumento de pena de 1/3 a 1/2.
	Apenas o emprego de arma de fogo é causa de aumento de pena, mas agora de 2/3.
O emprego de arma branca deixou de ser causa de aumento de pena, assim, a Lei nº. 13.654/18 é mais benéfica e ira retroagir neste ponto.
Discrepância em relação à extorsão.
O roubo e a extorsão são figuras penais muito parecidas e, por conseqüência, possuem tratamento semelhante no Código Penal. A pena básica dos dois crimes é, inclusive, a mesma: de 4 a 10 anos.
Com a mudança promovida pela Lei nº 13.654/2018, existe agora uma grande diferença entre esses dois delitos no que tange ao emprego de arma:
	Emprego de arma branca
	Emprego de arma de fogo
	Roubo simples
Extorsão majorada (aumento de 1/3 a 1/2)
	Roubo majorado (aumento de 2/3)
Extorsão majorada (aumento de 1/3 a 1/2)
4) ROUBO MAJORADO EM CASO DE SUBTRAÇÃO DE SUBSTÂNCIAS EXPLOSIVAS OU DE ACESSÓRIOS.
A Lei nº 13.654/2018 acrescentou uma nova hipótese de roubo majorado no inciso VI. 
Art. 157 (...)
§ 2º A pena aumenta-se de um terço até metade:
(...)
VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego.
O agente, mediante violência ou grave ameaça, subtrai substância explosiva ou acessório que, conjunta ou isoladamente, possibilite a sua fabricação, montagem ou emprego. Ex: sujeito que, mediante violência ou grave ameaça, subtrai uma banana de dinamite.
5) ROUBO MAJORADO COM DESTRUIÇÃO OU ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO MEDIANTE EXPLOSIVO OU ARTEFATO ANÁLOGO.
A Lei nº 13.654/2018 acrescentou um novo parágrafo ao art. 157 prevendo duas novas hipóteses de roubo majorado, com pena maior.
Art. 157 (...)
§ 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços):
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo;
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum.
Inciso I
O inciso I já foi analisado. 
Inciso II
O inciso II traz uma hipótese nova.
Para que se caracterize esta causa de aumento de pena é necessário o preenchimento de dois requisitos:
a) o roubo resultou em destruição ou rompimento de obstáculo;
b) essa destruição ou rompimento foi causado pelo fato de o agente ter utilizado explosivo ou artefato análogo que cause perigo comum.
6) NOVA REDAÇÃO DO ROUBO QUE RESULTA LESÃO CORPORAL GRAVE OU MORTE.
A Lei nº 13.654/2018 alterou a redação do § 3º do art. 157 do Código Penal.
Duas mudanças foram verificadas:
1) melhorou a redação dividindo os dois tipos penais em incisos diferentes.
2) aumentou a pena do roubo com resultado lesão corporal grave. Antes era de 7 a 15 anos. Agora é de 7 a 18 anos.
Tabela comparativa:
	Antes da Lei 13.654/2018
	Depois da Lei 13.654/2018 (atualmente)
	Art. 157 (...)
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa.
	Art. 157 (...)
§ 3º Se da violência resulta:
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa;
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa.
Neste ponto, a Lei nº 13.654/2018 é mais gravosa e, portanto, irretroativa.
EXTORSÃO
Art. 158 – Constranger (tem a participação efetiva da vítima. Pode ser móvel ou imóvel a vantagem) alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º – Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço até metade.
§ 2º – Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no §3º do Latrocínio.
§ 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159 (pena + alta do CP, crime que se origina de 3 crimes), §§ 2º e 3º, respectivamente.
OBS: o roubo não precisa da vítima.
Objetividade Jurídica:
- Protege-se o patrimônio e, secundariamente, a integridade física, integridade psíquica e a liberdade da vítima.
Sujeito Ativo:
- O crime pode ser praticado por qualquer pessoa.
- Caso a exigência indevida seja feita por funcionário público, em razão da função, o crime poderá ser de concussão (art. 316, do CP), que é um delito contra a administração pública.
Sujeito Passivo:
- A vítima será tanto aquela que sofre a violência ou grave ameaça quanto a titular do bem atacado, podendo ser a mesma pessoa ou pessoas diversas.
Ex: Falso sequestro de ligação.
Conduta:
A conduta de constranger significa coagir, forçar, exigir, obrigar alguém a fazer algo, tolerar que se faça ou deixar de fazer mediante violência ou grave ameaça.
Ex.: “A” exige que “B” assine um cheque em branco em seu favor, senão contará a todos que “B” possui um caso extraconjugal.
Ex.: Golpe do falso sequestro via celular. “A” liga para “B” e afirma que sua filha foi sequestrada exigindo, por meio de ameaças, depósito bancário em dinheiro.
Roubo – Art. 157:	
1)No roubo o autor subtrai a coisa mediante violência ou grave ameaça (verbo subtrai).
2) A participação/colaboração da vítima é dispensável porque se ela não quiser fazer o agente consegue fazer sozinho.
3)A vantagem pretendida é imediata “presente”.
4)A vantagem econômica pretendida pode ser somente de coisa móvel.
Extorsão – Art. 158: 	
1)O agente faz através do constrangimento com que a vitima entregue a coisa (verbo constranger).
2)A colaboração da vitima é indispensável porque se ela não quiser fazê-la o autor não realiza o crime sozinho.
3)A vantagem é indevida é mediata “futura”.
4)A vantagem econômica pretendida pode ser coisa móvel ou imóvel.
Roubo + Extorsão no mesmo contexto fático delituoso:
- Doutrina e jurisprudência majoritárias:
Havendo duas condutas com desígnios autônomos poderá haver a extorsão em concurso material com o roubo. 
Ex: entra na casa e subtrai algo (núcleo do roubo) e além disso constrange a vítima a entregar senha do cofre (núcleo da extorsão).
- Doutrina e jurisprudênciaminoritárias:
O crime de extorsão porque tutela o mesmo bem jurídico do roubo por este será absorvido respondendo o agente apenas pelo art. 157 (roubo).
Continuidade Delitiva:
- Não é possível a continuidade delitiva entre o crime de roubo e extorsão, porque não são crimes da mesma espécie, já que presentes em tipos penais diversos (art. 71, CP).
Tipo Subjetivo:
- O crime é punível somente a título de dolo, consistente no constrangimento, mais o especial fim de agir de obtenção indevida de vantagem econômica, para si ou para outrem.
- Se a vantagem for de natureza moral: Art. 146 constrangimento ilegal.
- Se a vantagem for de natureza sexual: Art. 213 crime de estupro.
- Se a vantagem for devida: Art. 345 e 346 exercício arbitrário das próprias ações.
Consumação e Tentativa:
- Como se trata de crime formal, a extorsão se consuma no momento em que a vítima, depois de sofrer a violência ou grave ameaça, realiza o comportamento desejado pelo criminoso, independentemente da obtenção da vantagem, que se constitui em mero exaurimento do crime.
Consumação = constrangimento + realização do comportamento pela vítima
Resumindo as etapas do crime:
	Se o agente constrange a vítima, mas ela não faz o que foi exigido.
	Tentativa
	Se o agente constrange a vítima e ela faz o que foi exigido, mas não se consegue a vantagem econômica.
	Consumado
	Se o agente constrange a vítima, ela faz o que foi exigido e se consegue a vantagem econômica.
	Consumado
(a obtenção da vantagem é mero exaurimento do delito)
OBS: mero exaurimento do delito= consumou todas as etapas do crime.
- A tentativa é possível.
Ação Penal:
- Ação penal pública incondicionada.
Rito ou procedimento:
- Rito Comum Ordinário.
Extorsão Majorada (§1º - aumento de 1/3 até 1/2):
§ 1º – Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço até metade.
- Crime cometido por duas ou mais pessoas:
Para a maioria da doutrina e jurisprudência majora o crime de extorsão quando houver no mínimo duas ou mais pessoas praticando diretamente atos de execução realizando o verbo constranger não incluindo-se eventuais participes.
- Crime cometido mediante o emprego de arma:
Prevalece na doutrina e jurisprudência que a arma interpretada em seu sentido amplo abrange arma própria e imprópria. No caso de arma de brinquedo, desmuniciada, defeituosa ou simular estar armado vide antigo art. 157, §2º, I.
Extorsão Qualificada (§2º - art. 157, §3º):
§ 2º – Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no §3º do artigo anterior.
Aplicam-se as regras do art.157, §3 (latrocínio), inclusive quando ocorrer o resultado morte que será considerado hediondo. 
Para Nutt aplica-se essa qualificadora apenas se a extorsão for praticada mediante a violência física porque se for através da grave ameaça como não há previsão expressa nesse §2 o agente responderá por extorsão + lesão grave ou extorsão + morte.
Sequestro Relâmpago (§3º):
§ 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2º e 3º, respectivamente.
Sequestro relâmpago é um tipo de extorsão qualificada. A expressão sequestro relâmpago é definida pela doutrina e jurisprudência. Para o STJ é possível aplicar as majorantes do §1 ao §3. O objetivo principal é a extorsão e a única forma de consumação é a restrição da liberdade por tempo suficiente para configurá-lo.
No Sequestro relâmpago a restrição de liberdade da vítima é apenas a condição necessária para obtenção da vantagem econômica.
- Ex: 1) a vítima é obrigada a acompanhar o agente a um caixa eletrônico a fim de que possa efetuar o saque de toda a importância disponível em sua conta bancária.
2) A vítima é obrigada a dirigir-se até a sua residência, a fim de entregar-lhe todas as jóias existentes no seu cofre, que somente poderá ser aberto mediante a apresentação das digitais do seu proprietário.
- Se do seqüestro relâmpago resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§2º e 3º.
- O Sequestro Relâmpago com resultado morte é considerado crime hediondo?
- Nucci:
Segundo Nucci, como não esta previsto claramente na lei de hediondos, e pela proibição de analogia in malum partem, o sequestro relâmpago não é considerado, nem equiparado a crime hediondo. 
- Sanches: 
Embora não esteja previsto expressamente na lei de crimes hediondos porque não criou um delito novo, mas apenas disciplinou uma nova forma da extorsão com morte (§2) que é hediondo o sequestro relâmpago com resultado morte também será por meio de interpretação extensiva que apenas estende o alcance da norma, a vontade inequívoca do legislador.
Extorsão Mediante Sequestro 
OBS: crime complexo: a) direito de ir, vir e permanecer e b) direito a integridade física e psíquica.
Art. 159 - Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate:  
Pena - reclusão, de oito a quinze anos.  
§ 1o Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o sequestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha.  
Pena - reclusão, de doze a vinte anos.  
§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: 
 Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos.  
§ 3º - Se resulta a morte: 
 Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos.  
§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços.  (É A COLABORAÇÃO PREMIADA)
Breves Comentários:
A forma simples (caput) e as formas qualificadas (§§1º a 3º) são consideradas crime hediondo.
Objetividade Jurídica:
Crime complexo: extorsão (art. 158) + sequestro ou cárcere privado (art. 148).
Protege-se o patrimônio e a liberdade de locomoção da vítima, bem como sua integridade física e psíquica.
Sujeito Ativo:
O crime pode ser praticado por qualquer pessoa (crime comum).
Responderá aquele que sequestra, comunica o evento e exige o pagamento de resgate, negocia, vigia e cuida do refém e dos demais criminosos, vai apanhar o resgate etc.
Sujeito Passivo:
A vítima será tanto aquela que teve sua liberdade tolhida (sequestro ou cárcere privado – art. 148, CP), quanto aquela que sofreu lesão patrimonial (extorsão – art. 158, CP). Ex: tolhida= vitima e lesão patrimonial= família.
- Pessoa Jurídica:
Para Rogerio Greco a pessoa jurídica pode ser vítima da extorsão mediante sequestro quando um dos seus sócios é privado de sua liberdade para que se efetue o pagamento do resgate através do patrimônio da própria Pessoa Jurídica a que ele pertenceu.
- Restrição da liberdade de um animal:
Quando o animal tiver sua liberdade cerceada e o agente exigir o pagamento de uma quantia em dinheiro como condição para a sua libertação, ele responderá apenas pela extorsão do art.158 porque o animal não pode ser vítima do sequestro/ cárcere privado (art. 148).
Conduta/Tipo Objetivo:
Consiste em sequestrar (espaço maior de privação de liberdade) abrangendo também o cárcere privado (espaço menor de privação de liberdade) isto é privar a vítima da sua liberdade de locomoção, mas a finalidade especifica de obtenção de indevida vantagem econômica para si ou para outrem com condição ou preço de resgate. O direito de ir e vir pode ser cerceado por qualquer meio seja violência, grave ameaça (forma de praticar) etc. Apesar do art.159 falar em “qualquer vantagem” a maioria da doutrina e jurisprudência entende que a vantagem deve ser econômica porque trata de delito patrimonial.
- Ex.: vítima mantida acorrentada e amarrada, por várias horas, sendo que os agentes têm o propósito de receber vantagem financeira como condição de resgate.
- Caso a vantagem seja devida,haverá o crime de exercício arbitrário das próprias razões (art. 345, CP) em concurso formal com o de sequestro (art. 148).
- Haverá o crime ainda que a vítima não seja removida para outro local.
- Ex.: privação da liberdade ocorrida dentro da própria residência, desde que ocorra com o fim de obter qualquer vantagem econômica, como condição ou preço do resgate para que possa voltar a exercer o seu direito de ir, vir e permanecer.
- Modalidades comissiva e omissiva:
- Comissiva:
O autor priva a vítima de sua liberdade com a finalidade de obtenção de pagamento de resgate como condição de sua libertação. Restringe e exige pagamento.
- Omissiva:
O autor deixa de colocar a vítima em liberdade sendo essa a sua obrigação só o fazendo mediante pagamento de uma quantia em dinheiro. Já tem a liberdade restringida e o autor para soltar pede pagamento de resgate.
Ex: O agente penitenciário que cobra para soltar quando já houve alvará.
Tipo Subjetivo:
- O crime é punível somente a título de dolo, consistente na vontade consciente de privar a vítima de sua liberdade, aliada à finalidade de obter vantagem econômica ilícita em troca de sua soltura (elemento subjetivo específico do tipo).
Consumação e Tentativa:
Como se trata de crime formal consuma-se com a privação de liberdade da vítima com objetivo da vantagem econômica indevida sendo essa apenas exaurimento do crime que caso ocorra o juiz levará em consideração ao fixar na pena.
Formal= não exige a obtenção da vantagem econômica que seria exaurimento do crime, basta a privação e intenção de extorquir.
- Como se trata de crime permanente (quando busca sequestrar e não receber), admite flagrante a qualquer tempo da privação da liberdade (art. 302, I, CP) e a prescrição começa a correr depois de liberada a vítima (art. 111, III, CP).
- A tentativa é possível, por se tratar de crime plurissubsistente (admite ou não o fracionamento da conduta criminosa).
- Ex.: o agente não consegue privar a vítima de sua liberdade de locomoção por circunstâncias alheias à sua vontade, provada a sua intenção específica de obter vantagem econômica.
- Período de privação da liberdade:
- O período de privação de liberdade da vítima, ainda que breve, não descaracteriza o crime, podendo influenciar na fixação da pena.
OBS: não analisa tempo apenas a finalidade.
OBS: acima de 24h é qualificadora.
Ação Penal:
- Ação penal pública incondicionada.
Rito ou procedimento (determinado pela quantidade de tempo fixado):
- Rito comum ordinário.
Extorsão Mediante Sequestro
Art. 159 - Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate:  
Pena - reclusão, de oito a quinze anos.  
Extorsão mediante Sequestro Qualificada (art. 159, §1º, CP):
§ 1o Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o seqüestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha.  
Pena - reclusão, de doze a vinte anos.  
- Privação da liberdade da vítima ultrapassa o período de 24hs:
É uma circunstancia objetiva.
O prazo é contado em horas.
É certo que a privação da liberdade é uma consequência material e natural do crime, mas também é certo que o tempo de privação da liberdade tem ligação direta com o maior/menor sofrimento da vitima e de seus familiares.
- Sequestrado é menor de 18 ou maior de 60 anos:
É uma circunstancia objetiva.
A idade da vitima deve ser do conhecimento do autor, para se evitar responsabilização objetiva.
A exposição de motivos do CP diz que a qualificadora leva em consideração que a vitima nesta idade oferece, em regra , menor resistência, além de trazer maior sofrimento para os seus familiares e a própria vitima.
-Crime cometido por bando ou quadrilha:
A lei 12.850/13 alterou o art.288 do CP modificando o nome “iuris” de “formações de quadrilhas ou bando” para “ associação criminosa” e o numero de integrantes de 4 para 3, mas não houve “abolitio criminis”, aplicando-se o principio da continuidade normativa típica.
Para o STF, é possível a condenação do autor pela extorçãomediante sequestro qualificado pelo concurso de agentes em concurso com a associação criminosa sem que configures “bis in idem”, porque são crimes autônomos que tutelam bens jurídicos diversos: o patrimônio e a paz publica respectivamente.
A qualificadora se justifica, porque os autores demonstram maior periculosidade.
Extorsão mediante Sequestro Qualificada (art. 159, §§2º e 3º, CP):
§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: 
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos.  
§ 3º - Se resulta a morte: 
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos.  
- Lesão grave ou morte:
Os resultados podem ocorrer a títulos de dolo ou culpa e podem ser justificados tanto na vítima da extorsão quanto na vitima da privação de liberdade.
Causa Especial de Redução de Pena (art. 159, §4º, CP – redução de 1/3 a 2/3):
§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços.  
- Delação Premiada ou eficaz:
- Requisitos:
Que o crime seja cometido em concurso de pessoas.
Que um dos concorrentes denuncie/delate a autoridade (juiz, MP, delegado de polícia).
Eficácia da delação (libertação da vítima).
Para aplicação da delação exige-se apenas a presença dos requisitos e não a espontaneidade e nem o pagamento do resgate.
EXTORSÃO INDIRETA
Art. 160 – Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém, documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro.  
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.  
Objetividade Jurídica:
Protege-se o patrimônio e a liberdade individual nas relações entre credores e devedores.
Sujeito Ativo:
O crime pode ser praticado por qualquer pessoa (crime comum).
Sujeito Passivo:
A vítima será tanto aquela que entrega o documento, quanto, eventualmente, terceira pessoa que possa ser prejudicada pelo documento que foi dado em garantia.
O autor deve “abusar” do momento de desespero da vitima aproveitando-se da sua extrema necessidade para extorquir garantias ilícitas em troca de prestação econômica.
Conduta/Tipo Objetivo:
- Consubstancia-se nos verbos:
- exigir: reclamar, como garantia de dívida, documento que possa dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou terceiro;
- receber: aceitar, como garantia de dívida, documento que possa dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou terceiro, fornecido por iniciativa da própria vítima.
- Documento: o documento entregue pela vítima deve ser suficiente a instauração de procedimento criminal, sob pena de não haver crime.
- Exemplos de documentos: cheque sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado ou em branco, certidão casamento (bigamia 235, CP), termo de confissão de crime.
- Requisitos da Extorsão Indireta:
Exigência ou recebimento de documento apto a instauração de procedimento criminal contra a vítima.
Abuso da situação de necessidade da vitima.
Objetivo de obter de maneira ameaçadora uma garantia de dívida.
Tipo Subjetivo:
- O crime é punível somente a título de dolo, mais o elemento subjetivo do tipo, que a obtenção do documento sirva como garantia para o pagamento de dívida.
O crime se consumo, independentemente, de ser instaurado procedimento criminal contra a vitima, sorteando que o documento seja apto.
Consumação e Tentativa:
- Exigir 	– 	crime formal (consuma-se com a simples exigência).
– Tentativa admissível na forma escrita.
- Receber 	– 	crime material (consuma-se com o efetivo recebimento).
 – Tentativa admissível.
Concurso de crimes:
A doutrina e a jurisprudência, admitem o concurso material de ciúmes de extorsão indireta com a denunciação caluniosa (399 CP) se o autor da extorsão após obter o documento der causa à instauração de procedimento criminal sabendo que a vitima da extorsão é inocente sob os fundamentos deque protegem bens jurídicos diversos: o patrimônio e a administração da justiça. Além de possuírem momentos de consumação diversos.
Ação Penal: 	
- Ação penal pública incondicionada.
Rito ou procedimento:
- Rito comum sumário.
DA USURPAÇÃO
Alteração de limites
Art. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, para apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem:
Usurpação de águas
I - desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, águas alheias;
Esbulho possessório
II - invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.
§ 2º - Se o agente usa de violência, incorre também na pena a esta cominada.
§ 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.
Objetividade Jurídica:	
- A maioria da doutrina entende que é tutelada de forma direta a posse, e indireta, a propriedade dos bens imóveis.
Sujeito Ativo:
- A doutrina é divergente:
- Magalhães de Noronha:
Entende de forma mais ampla podendo ser autor do crime até mesmo o futuro comprador que pratica a alteração ampliando a área que ainda vai adquirir.
- Mirabete:
Pode ser autor: O possuidor/proprietário do imóvel que devem ser necessariamente vizinhos contíguos.
 
- Damásio:
O autor do crime será somente o proprietário do imóvel vizinho.
Sujeito Passivo:
- Será o proprietário ou possuidor do bem imóvel, cuja área é alterada em suas divisas.
Conduta:
- Crime de ação múltipla ou conteúdo variável, cujos núcleos são suprimir: apagar e deslocar: transferir para outro local, a linha divisória da propriedade, que pode ser praticado através de tapume (cercas de arame, de madeira, ou muro de pedra, tijolos), marco (árvores, pedras, postes, tocos de madeira) ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória (cursos d’água, estrada, vala).
Tipo Subjetivo:
- O crime é punível somente a título de dolo, consistente na vontade consciente de suprimir ou deslocar o marco divisório, exigindo-se ainda a finalidade especial: intenção de apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia, ocupando ou invadindo.
Consumação e Tentativa:
Por ser um crime formal consuma-se com a supressão ou deslocamento da linha divisória independentemente do aponderamento da coisa.
A tentativa é possível. 
Ação Penal (art. 161, §3º, CP):
- A ação penal será pública incondicionada, salvo se a propriedade for particular e não ocorrer o emprego de violência, quando a ação penal será privada.
Rito ou procedimento:
- Rito comum sumário.
Usurpação de Águas (art. 161, §1º, I, CP):
§ 1º - Na mesma pena incorre quem:
Usurpação de águas
I - desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, águas alheias;
- Desviar água: 
Significa mudar o curso normal da água.
- Represar água: Impedir o curso normal da água.
- Água: Bem imóvel público e de uso comum do pro (uso racional) enquanto não for destacada do leito natural do rio.
A água quando captada, normalizada e represada pela empresa concessionária passará a ser de sua propriedade.
Ingressando no reservatório particular passará a ser da sua propriedade.
Quem subtrair água particular responderá pelo furto.
Esbulho Possessório (art. 161, §1º, II, CP): A lei exige para o esbulho atos de violência, grave ameaça, durante a invasão ou que o esbulho seja praticado mediante o mínimo de 4 pessoas porque a norma fala em mais de 2 pessoas, além do próprio agente.
Não se trata de agravante e nem de qualificadora do tipo, servindo apenas de elementar indicativa de ‘modus operand’
§ 1º - Na mesma pena incorre quem:
Esbulho possessório
II - invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.
- Concurso de Agentes: Para a maioria da doutrina haverá concurso material, se da violência empregada configurar quaisquer dos crimes contra a pessoa (crime de alteração + crime contra a pessoa). 
- Esbulho cometido contra imóveis vinculados ao Sistema Financeiro da Habitação: Aplica-se o art. 9 da lei 5471/71.
- Esbulho cometido contra terras da União, dos Estados e dos Municípios, ou de órgãos ou entidades federais, estaduais ou municipais, destinadas à Reforma Agrária: Aplica-se o art.20 da lei 4947/66
- Consuma-se com a invasão (violenta ou mediante o concurso de mais de duas pessoas).
- Havendo, na prática do esbulho, alteração de limites, esta ficará absorvida.
- Tentativa: admite-se a tentativa, por se tratar de crime plurissubsistente.
Concurso de Crimes (art. 161, §2º, CP):
§ 2º - Se o agente usa de violência, incorre também na pena a esta cominada.
Ação Penal (art. 161, §3º, CP):
§ 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.
Rito ou Procedimento:
- Rito comum sumaríssimo.
SUPRESSÃO OU ALTERAÇÃO DE MARCA EM ANIMAIS
Art. 162 – Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de propriedade:  
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa.  
A conduta deve recair apenas sobre um animal já identificado (marcado) porque se recair sobre animal sem identificação pode configurar os crimes de furto (art.155) ou dano (art. 163).
Objetividade Jurídica:
- Objeto jurídico: 
Protege a posse e a propriedade dos semoventes considerados coisa móvel para fins penais.
- Objeto material: 
Reses: bovinos, suíno, caprino, ovino e etc.
Sujeito Ativo:
- O crime pode ser praticado por qualquer pessoa, exceto pelo proprietário do animal.
Sujeito Passivo:
- A vítima será o proprietário do animal.
Conduta/Tipo Objetivo:
- Consubstancia-se nos verbos (crime de ação múltipla):
- Suprimir: 
Eliminar a marca ou sinal anteriormente existente. Ex: tirar marca.
- Alterar:
Modificar a marca ou sinal tornando-o irreconhecível.
- Marca: 
É o assinalamento a ferro quente ou embebido em alguma substancia química como o ácido. 
- Sinal: 
Qualquer forma de identificação diferente da marca sendo um distintivo artificial como adereços, argolas ou chips.
- Gado: singular.
- Rebanho: plural. 
Configura o crime ainda que a conduta recaia sobre um único animal porque quando a norma fala em gado ou rebanho alheio diz apenas a respeito da propriedade.
Tipo Subjetivo:
- O crime é punível somente a título de dolo, mais o elemento subjetivo do tipo:
- Magalhães Noronha:
É apoderar-se dos animais. 
- Mirabete:
Estabelecer dúvidas acerca da propriedade para facilitar uma apropriação futura.
Consumação e Tentativa:
Consuma-se com a efetiva supressão ou alteração da marca ou sinal ainda que em um único animal não se exigindo o seu aponderamento. A tentativa é possível. Caso o autor se apodere do animal a alteração antecedente ou subsequente será absolvido pelo crime de furto-princípio da consulção (art. 155). Ex: furta e altera marca já com posse.
Ação Penal:	
- Ação penal pública incondicionada.			
Rito:		
- Rito comum sumário.
DO DANO
Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Dano qualificado
Parágrafo único - Se o crime é cometido:
I - com violência à pessoa ou grave ameaça;
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave;
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos; 
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
OBS: Preso que foge e causa prejuízo responde por dano.
Objetividade Jurídica:
- Tutela-se o patrimônio e a posse alheios (móveisou imóveis, público ou privado).
Basta que seja alheia.
Sujeito Ativo:
- É crime comum, que pode ser praticado por qualquer pessoa.
- E se o agente for o proprietário da coisa?
Não responderá pelo art.163, mas se destruir coisa própria que se encontrar em poder de terceiro por determinação judicial ou por convenção das partes responderá pelo art. 346 (exercício arbitrário das próprias razões). 
- E o condômino pode ser sujeito ativo do crime de dano?
O STF já decidiu que sim, salvo se a coisa for fungível (pode ser substituído) ou o prejuízo não exceder o valor da cota parte a que tem direito o autor do fato.
Sujeito Passivo:
- Será o proprietário ou possuidor da coisa danificada.
Conduta:
- Crime de ação múltipla ou conteúdo variável, cujos núcleos são: 
- destruir: 
Significa eliminar, desfazer ou desmanchar a coisa alheia.
- inutilizar:	
Tirar a utilidade natural da coisa.
- deteriorar: 
Estragar, reduzir o valor da coisa.
- Admitem-se as formas comissiva e omissiva.
Condutas que não responderam pelo art. 163:
- Ato de pichação: 
O autor responderá pelo art. 65 da lei 9.605/98.
- Deteriorar objetos destinados ao culto religioso: 
O autor responderá pelo art. 208 do Código Penal.
- Danificar sepultura: 
Não responde pelo dano geral, mas pelo dano especifico do art.210 do Código Penal.
- Dano sobre documento público ou particular, em benefício próprio ou alheio ou em prejuízo de terceiro: 
O autor do crime responderá pelo art.305 do Código Penal.
- Dano praticado por militar: 
O auto do crime responderá pelo art. 259 do Código Penal Militar.
- Advogado que inutiliza ou deixa de restituir autos ou qualquer documento probatório: 
O autor do crime responderá pelo art. 356 do Código Penal. Ex: perca de um cheque. 
Tipo Subjetivo:	
- O crime é punível somente a título de dolo, consistente na vontade livre de destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia.
- Elemento subjetivo específico (desejo de causar prejuízo):
- Nelson Hungria: 
É indispensável para ele a presença do elemento subjetivo específico.
- Ex.: “não poderia ser considerado agente de crime de dano o meu amigo que, sem ânimo hostil, tenha cortado, para pregar-me uma peça, os fios da campainha elétrica de minha casa”.
- Magalhães Noronha: 
Não há elemento subjetivo especifico porque a ação de prejudicar já esta compreendida na própria ação criminosa porque destruir, inutilizar ou deteriorar são resultados do crime e inseparáveis do prejuízo.
- Posição adotada pelo STF no HC nº. 73.189/MS, em 23/02/1996:
Quando entendeu que comete o crime de dano qualificado art. 163, paragrafo único, III o preso que durante a fuga danificada o estabelecimento prisional independentemente do desejo de causar dano.
Consumação e Tentativa:
Consuma-se com a destruição total ou parcial da coisa não exigindo que o autor afira lucro.
Tentativa é possível.
Ação Penal:
- Art. 163, caput e parágrafo único, inciso IV: Ação Penal será Privada.
- Art. 163, parágrafo único, incisos I, II e III: Ação Penal Incondicionada.
Rito:
- Caput: rito comum sumaríssimo.
- Parágrafo único: rito comum sumário.
DO DANO 
Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Dano qualificado
Parágrafo único - Se o crime é cometido:
I - com violência à pessoa ou grave ameaça;
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave;
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos; 
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
Dano Qualificado (art. 163, parágrafo único, CP):
- São quatro circunstâncias que qualificam o crime de dano:
I – se o crime é praticado com violência à pessoa ou grave ameaça:
A violência pode ser física ou moral e deve ser anterior ou concomitante ao dano sob pena do autor responder pelo dano simples (caput) em concurso material com o crime contra a pessoa.
II – Se o crime é praticado com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave:
Trata-se de infração subsidiaria e terá aplicação somente se o fato não configurar crime mais grave, ou seja, se não constituir um dos crimes contra a incolumidade pública prevista nos art. 250 a 285 do CP.
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos:
Engloba todos os bens públicos exceto os bens particulares alugados pelo poder público. Ex: delegacia da polícia civil.
Para o STF não se permite a aplicação do principio da insignificância se o dono atingir um bem de relevância para a população.
IV – Se o crime é praticado por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:
- Motivo egoístico: 
É a expectativa de um proveito posterior, pessoal, indireto seja econômico ou moral. Prejuízo deve ter cunho econômico.
- Prejuízo considerável para a vítima: 
Deve ser aferido de acordo com a situação econômica da vítima.
INTRODUÇÃO OU ABANDONO DE ANIMAIS EM PROPRIEDADE ALHEIA
Art. 164 – Introduzir ou deixar animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que o fato resulte prejuízo:  
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, ou multa.  
Objetividade Jurídica:
Protege a posse e a propriedade de bem imóvel seja urbana ou rural.
É também chamado de pastoreio ilegítimo ou pastagem indevida.
Os animais podem ser quadrupedes ou bípedes.
Sujeito Ativo:
O crime pode ser praticado por qualquer pessoa (crime comum).
- O proprietário do imóvel pode ser agente do crime?
A) Magalhães Noronha: 
Entende-se possível nos casos em que o imóvel estiver na posse legítima de terceiro interpretando-se o termo propriedade como imóvel.
B) Nelson Hungria: 
Entende que não pode ser autor do crime apontando a exigência legal da propriedade ser alheia.
Sujeito Passivo:
A vítima será o proprietário ou possuidor do imóvel que recebe os animais.
Conduta/Tipo Objetivo:
O crime admite a forma comissiva no verbo introduzir e também a forma omissiva no verbo deixar. Neste último caso o dono do animal o deixa em propriedade alheia sabendo que deveria tirá-lo mesmo que a entrada tenha sido lícita.
Elementos Normativos:
1°) Ausência de consentimento do dono do imóvel.
2°) Que do fato resulte prejuízo a vítima.
Ingresso de apenas um animal:
A doutrina entende que configura o crime mesmo que o ingresso ou permanência seja de um único animal porque o termo animal presente no caput deve ser interpretado como qualquer espécie de animal e não como uma única espécie no plural.
- Rogério Greco:
 1) Caso a conduta do agente de introduzir ou deixar o animal no imóvel alheio for com o único objetivo de danificar a propriedade ele responde pelo art. 163. 
2) Caso o autor tenha a finalidade ao introduzir/deixar os animais para que eles se alimentem do pasto ele responderá pelo art. 155 (furto).
Tipo Subjetivo:
O crime é punível somente a título de dolo, consubstanciado na vontade consciente de introduzir ou deixar animais em propriedade alheia, sem o consentimento do proprietário ou possuidor.
Consumação e Tentativa:
Por ser crime material consuma-se com a introdução ou permanência do animal com a ocorrência do dano e o consequente prejuízo material ou econômico da vítima sob pena de indiferente penal. 
A tentativa não é possível porque ou ocorre a introdução ou permanência do animal e o efetivo prejuízo consumando-se o crime ou ainda que ocorra a introdução ou abandono não havendo prejuízo o fato será atípico. 
Ação Penal: Ação penal privada (art. 167, CP).
Rito ou procedimento: Procedimento comum sumaríssimo.
DANO EM COISA DE VALOR ARTÍSTICO, ARQUEOLÓGICOOU HISTÓRICO
Art. 165 – Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
OBS: Quando previsto no CP tratava-se apenas da forma dolosa.
Breves Comentários:
- O delito foi tacitamente revogado pelo art. 62, I, da Lei nº 9.605/98 (Lei de Crimes ambientais), porque regulou inteiramente a matéria originalmente cuidada pelo Código Penal.
- Previu a forma culposa e aumentou a pena para um a três anos de reclusão, assim, em que pese a revogação tácita da norma do art. 165, esta teria aplicação nos casos ocorridos durante sua vigência, por se tratar de lei melhor, devendo, portanto, ser ultra-ativa, haja vista que a lei posterior recrudesceu as penas.
OBS: Se ainda praticada na vigência do 165 aplicará essa.
ALTERAÇÃO DE LOCAL ESPECIALMENTE PROTEGIDO
Art. 166 – Alterar, sem licença de autoridade competente, o aspecto de local especialmente protegido por lei:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Breves Comentários:
- O delito foi tacitamente revogado pelo art. 63, da Lei nº. 9.605/98, porque regulou inteiramente a matéria originalmente cuidada pelo Código Penal.
- Aumentou a pena para um a três anos de reclusão, assim, em que pese a revogação tácita da norma do art. 166, esta teria aplicação nos casos ocorridos durante sua vigência, por se tratar de lei melhor, devendo, portanto, ser ultra-ativa, haja vista que a lei posterior recrudesceu as penas.
OBS: No caso de crime praticado em vigência do art.166 aplica-se ele, no caso contrário será aplicado o art. 63 da lei 9.505/98.
AÇÃO PENAL
Art. 167 – Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu parágrafo único e do art. 164, somente se procede mediante queixa Ação Penal Privada.
APROPRIAÇÃO INDÉBITA
Art. 168 – Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:  
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.  
Aumento de Pena
§1º - A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa:
I – em depósito necessário;
II – na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário judicial;
III – em razão de ofício, emprego ou profissão.
Objetividade Jurídica: 
Proteção da propriedade alheia
Sujeito Ativo:
- O crime pode ser praticado por qualquer pessoa (crime comum), desde que tenha a posse ou detenção lícitas de coisa alheia móvel.
Se o autor for funcionário público apropriando-se de coisa alheia móvel pública ou particular, mas em razão da função, não responderá pelo 168, mas sim pelo crime de peculato art.312.
Sujeito Passivo:
- A vítima pode ser pessoa física ou jurídica, desde que proprietária da coisa móvel indevidamente apropriada.
Conduta/Tipo Objetivo:
- O agente detém, de forma desvigiada, a posse ou detenção legitimamente, que lhe são entregues livre e conscientemente pelo proprietário do bem, mas, em momento posterior, abusando da condição de possuidor ou detentor lícitos, inverte o animus, o título, apropriando-se da coisa, agindo arbitrariamente como se dono fosse.
Requisitos da apropriação indébita:
- posse ou detenção desvigiada: é aquela confiada sem qualquer vigilância. 
- posse ou detenção legítima: é aquela que ocorre com a concordância expressa ou tácita do proprietário.
- coisa alheia móvel: Coisa móvel para fins penais é aquela que pode ser transportada de um local para outro.
- inversão do ânimo da posse: Inversão do título, ele deixa de ser apenas detentor, para se tornar dono. O autor após adquirir de forma lícita à posse ou detenção da coisa inverte o animus, ou seja, transforma a posse ou detenção em propriedade agindo como se fosse dono. 
- Ela pode ser praticada nas modalidades comissiva e omissiva:
- Modalidade comissiva: O autor se desfaz da coisa alheia móvel agindo como se fosse dono através de venda, permuta de uma doação. 
- Modalidade omissiva: O autor deixa de devolver a coisa ao verdadeiro dono quando deveria fazê-lo ainda que a posse e detenção sejam legítimas. 
- Exemplos de posse: locação, usufruto, mandato etc.
- Exemplos de detenção desvigiada: caixeiro viajante.
- Detenção vigiada: funcionário de uma loja (pode caracterizar o furto).
Tipo Subjetivo:
- É o dolo, subsequente à posse da coisa, representado pela vontade consciente de se apropriar de objeto alheio móvel.
1-) Quem subtrai com a intenção única de uso, configura apropriação indébita? 
Não, uma vez que não há intenção de apropriação definitiva da coisa, não ocorrendo a inversão do animus.
2-) A apropriação indébita para uso configura o crime do art. 168, do CP?
Não se configura porque não há intenção de apropriação definitiva da coisa. 
3-) Haverá crime de estelionato ou de apropriação indébita, na conduta daquele que faz um contrato de locação como artifício para se locupletar com a apropriação do bem locado?
Haverá o crime de estelionato porque o dolo antecedeu a posse ou detenção da coisa.
4-) Aquele que transporta malote lacrado ou com cadeado para outrem, que durante o transporte, inverte o animus da posse e rompe o lacre ou cadeado para apropriar-se de valor que há lá dentro, comete furto com rompimento de obstáculo ou apropriação indébita?
Comete furto com rompimento de obstáculo por quem exerce a posse a posse ou detenção de malote ou cofre lacrado ou com cadeado para outrem exercem a posse legítima do continente, mas não do conteúdo.
5-) Quem subtrai coisa alheia móvel contra a vontade da vítima responde por qual crime?
Responde por furto ou roubo 
6-) Quem emprega fraude para obter a posse ou detenção do bem responde por qual crime?
Estelionato em regra.
Consumação e Tentativa: 
Como se trata de crime material consuma-se com a exteriorização da inversão do animus de posse ou detenção para propriedade transformando-a em domínio, ou seja, quando resolve desfazer do bem ou deixa de devolvê-lo quando deveria. Tentativa é possível.
- Ex.: Office boy de escritório que deposita na sua conta bancária, em proveito próprio, cheque de terceiro destinado a custear o registro de escritura pública, mas que não foi compensado em face da sustação efetuada pelo emitente.
Princípio da Insignificância e Privilégio do art. 155, §2º, CP.
Para maioria da doutrina e jurisprudência presentes os requisitos, permite-se a aplicação do princípio da insignificância e do privilégio do art. 155 § 2° na apropriação indébita. 
Ação Penal:
- Em regra, a ação penal será pública incondicionada.
- Mas será pública condicionada à representação, exceto quando a vítima for idosa, o crime cometido em prejuízo (arts. 182 e 183, III, CP):
- do cônjuge judicialmente separado;
- de irmão;
- de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.
Rito:
- Rito comum ordinário.
Causas de Aumento de Pena (art. 168, §1º, CP):
I – Se o agente recebeu a coisa em depósito necessário:
- o depósito necessário está disciplinado no art. 647 do Código Civil:
“Art. 647. É depósito necessário:
I - o que se faz em desempenho de obrigação legal; (depósito legal)
II - “o que se efetua por ocasião de alguma calamidade, como o incêndio, a inundação, o naufrágio ou o saque”. (depósito miserável: único que aplica o art.168 §1°) 
Segundo a maioria da doutrina essa majorante aplica somente no caso do depósito miserável do art 647 II, porque o depósito legal do 647 I o depositário é sempre funcionário público no exercício de suas funções que responderá por peculato e não o art. 168 majorante.
II – Se o agente recebeu a coisa na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário judicial:
- É a figura do particular nomeado pelo Juiz como depositário.
- É um rol taxativo.
- Tutor: Quem cuida do menor.
- Curador: Quem cuida do incapaz não incluindo o menor.
- Síndico: Atualmente é chamado de administrador judicial e é responsável pelos processos de falência e recuperação judicial.
- Liquidatário: Figura abolida era responsável pela dissolução e liquidaçãoda empresa.
- Inventariante: Aquele a quem compete à administração da herança.
- Testamenteiro: Quem tem a função de cumprir as disposições de ultima vontade do de cujus. 
- Depositário judicial: é o encarregado de guardar e conservar os bens penhorados, sequestrados, arrestados ou arrecadados.
- Particular: Responde pelo art. 168 § 1° II
- Funcionário Público: Peculato
III – Se o agente recebeu a coisa em razão de ofício, emprego ou profissão:
- A pena é aumentada se o agente recebeu a coisa em razão da atividade que desempenha. 
- Ofício: Qualquer atividade habitual e remunerada, consistente em regra na prestação de serviços manuais. 
- Emprego: Toda ocupação particular desde que exista relação de dependência ou hierarquia entre locador e locatório.
- Profissão: Qualquer atividade habitual e remunerado sendo gênero das espécies de ofício e emprego.
- Ex.: funcionária de banco que, por meios de informática, mas sem fraude, transfere valores das contas de seus clientes, por ela administradas, para a sua conta bancária.
Apropriação Indébita Previdenciária
Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.  
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de:  
I - recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público;
II - recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços;
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social.
§ 2o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal.
§ 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: 
I - tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou 
II - o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.
§ 4o  A faculdade prevista no § 3o deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento de contribuições cujo valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele estabelecido, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. 
 
Objetividade Jurídica:
Protege essa espécie de apropriação, o patrimônio de todos aqueles que fazem parte do sistema de seguridade social mais especificadamente o previdenciário.
Parte minoritária da doutrina defende a inconstitucionalidade deste dispositivo por ferir o art. 5° LXVII que proíbe a prisão civil por dívida salvo os casos de devedor de obrigação alimentar e depositário infiel, esse último foi considerado inconstitucional pelo STF.
As doutrinas majoritárias e o STF sustentam a constituição porque é um tipo penal que respeita todos os elementos para sua constituição válida. 
Sujeito Ativo:
- Será o responsável tributário, ou seja, aquele que, por lei, está obrigado a repassar a contribuição recolhida dos contribuintes ao INSS (Substituto tributário – representantes legais da PJ).
- Art. 15, I, da Lei nº. 8.212/91: o ente público é considerado empresa para efeitos previdenciários, logo, o Chefe do Executivo, o Secretário da Fazenda ou outro servidor com atribuição para efetuar os recolhimentos e repasses legalmente previstos podem responder pelo crime.
Sujeito Passivo:
- A vítima é a Previdência Social, além dos próprios segurados lesados pelo comportamento do agente.
Conduta/Tipo Objetivo: Para maioria da doutrina o crime é omissivo porque o núcleo do tipo é deixar de repassar na previdência social os valores recolhidos dos contribuintes nos prazos na forma legal. 
Tipo Subjetivo: Para o STF e parte do STJ basta o dolo genérico de deixar de repassar á previdência social com as contribuições descontadas, não se exigindo o dolo especifico de fraudar a previdência.
Consumação e Tentativa: Consuma-se no momento em que se exaure o prazo para o repasse das contribuições ao INSS independentemente da obtenção de vantagem pelo autor.
Ação Penal:
- A ação penal é pública incondicionada.
Competência:
- A competência é da justiça federal, nos termos do art. 109, I, CRFB/88, haja vista ser o INSS uma autarquia federal.
Rito:
- Rito comum ordinário.
Formas Assemelhadas (art. 168-A, §1º, CP): São condutas que incriminam o contribuinte empresário ou sócio desde que haja provas de que efetivamente contribuiu para a conduta criminosa sob pena de ocorrer a responsabilidade penal objetiva vetada pela constituição federal.
I – não repassar à Previdência os valores das contribuições devidas pelo segurado:
- Ex.: o proprietário da empresa está obrigado por lei a reter o valor que deveria ser recolhido pelo seu empregado, segurado da Previdência, porque recebeu o valor indevidamente e, posteriormente, repassá-los ao órgão governamental, mas, depois de reter o valor devido, não o repassa.
II – Não recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviço.
 O autor obtém uma dupla vantagem ao não recolher a contribuição devida e ainda recuperá-la no momento ligada a comercialização do produto ou a prestação de serviços. 
III – Não pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social:
São benefícios pagos pelo governo aos segurados como salário família ou salário maternidade e a conduta consiste em não repassar esses valores aos funcionários embora já recebidos pelo gestor.
Apropriação Indébita Previdenciária
Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.  
Extinção da Punibilidade (Art. 168-A, §2º, CP).
§ 2o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal.
O art. 168-A § 2° exige para extinção da punibilidade que o autor declare, confesse e efetue o pagamento do débito espontaneamente e antes do inicio da ação de execução fiscal, porém o STF com a entrada da lei 10684/03 passou a entender que o pagamento das condições previdenciárias realizada a qualquer tempo geraria a extinção da punibilidade art. 9° § 2°.
Perdão Judicial e Privilégio (Art. 168-A, §3º, CP).
§ 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: 
I - tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou 
II - o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.
- É facultado ao juiz perdoar ou aplicar somente pena pecuniária quando, primário e portador de bons antecedentes, o agente:
1° situação: Inciso I- Promove pagamento das contribuições previdenciárias após o inicio da ação fiscal, mas antes do oferecimento da denúncia, porém com o alcance dadopelo STF a lei 10.684/03 e 12.832/11 esse dispositivo do § 3° caiu praticamente em desuso.
2° situação: Inciso II- O agente se apropria de valor incapaz de movimentar a máquina administrativa para receber o débito, tendo em vista a onerosidade no procedimento judicial que o poder público fixa valores mínimos.
(observações referentes aos incisos)
- Portaria MF nº. 75/2012:
Determina como valor mínimo para inscrição da divida ativa da união débito superior a 1.000 reais. Determina o não ajuizamento da ação de execução fiscal se o débito consolidado de um único devedor for igual ou inferior a 20.000 reais.
- Princípio da Insignificância: 
O STJ interpretando a lei 10.522/02 alterada pela lei 11.033/04 permite a aplicação do princípio da insignificância quando o débito não for superior a 10.000 reais.
Limitações ao perdão judicial e ao privilégio/multa (Art. 168-A, §4º, CP).
§ 4o  A faculdade prevista no §3º deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento de contribuições cujo valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele estabelecido, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.    
APROPRIAÇÃO DE COISA HAVIDA POR ERRO, CASO FORTUITO OU FORÇA DA NATUREZA
Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre:
Apropriação de tesouro
I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em parte, da quota a que tem direito o proprietário do prédio;
Apropriação de coisa achada
II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de 15 (quinze) dias.
Objetividade Jurídica:
- É o patrimônio que, de alguma forma, se encontra fora da esfera de vigilância do seu proprietário ou possuidor. 
Sujeito Ativo:
- Qualquer pessoa, por se tratar de crime comum.
- O dever de restituição, nessas hipóteses, recai sobre todos os indivíduos, indistintamente (art. 1.233, CC).
“Art. 1.233. Quem quer que ache coisa alheia perdida há de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor.
Parágrafo único. Não o conhecendo, o descobridor fará por encontrá-lo, e, se não o encontrar, entregará a coisa achada à autoridade competente”.
Sujeito Passivo:
- É o proprietário ou possuidor do bem, que tem a coisa retirada de sua esfera de disponibilidade em virtude de erro (próprio ou de terceiro), caso fortuito ou força da natureza.
Conduta/Tipo Objetivo:
-O delito apropriar pode ser praticado comissiva ou omissivamente pelo agente.
-Comissiva: venda da coisa alheia apropriada.
-Omissiva: o agente se recusa a devolver a coisa embora solicitada pelo proprietário.
- Apropriação Indébita: O proprietário voluntariamente entrega a coisa ao autor. 
- Estelionato: O autor leva a vítima a erro para que ela entregue a coisa.
- O agente adquire a posse ou detenção por erro, caso fortuito ou força da natureza.
- Erro: 
Falsa percepção da realidade que pode recair sobre a pessoa (pagamento que é feito a A sendo B o credor) ou sobre a identidade (quando uma coisa é entregue por outra), a qualidade (uma pessoa vende a outra um imóvel ignorando haver em seu interior dinheiro de que o comprador se apropria) ou a quantidade da coisa (quando alguém entrega a outrem quantidade maior do que a devida).
- Caso Fortuito: 
É o evento acidental produzido por uma causa estranha não imputável as partes. Ex: Ave que alça voo e pousa no terreno do vizinho.
- Força da Natureza: são eventos climáticos. Ex: vendaval que desprende roupa no varal e faz cair na casa do vizinho.
Tipo Subjetivo:
- É o dolo que se consubstancia na vontade de, uma vez recebida a coisa por erro, caso fortuito ou força da natureza, dela se apropria, não desfazendo o erro.
Consumação e Tentativa:
- Consuma-se no momento em que o agente age como se dono fosse, transformando a posse em propriedade.
- A tentativa é possível.
Ação Penal:	
- A ação penal é pública incondicionada.						
Rito:
- Rito comum sumaríssimo.
Apropriação de Tesouro (Art. 169, parágrafo único, I, CP):
Parágrafo único - Na mesma pena incorre:
Apropriação de tesouro
I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em parte, da quota a que tem direito o proprietário do prédio;
-O conceito de tesouro encontra-se no art. 1.264 CC: O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido por igual entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente.
-Achar tesouro não é crime o que passará a ser a partir do momento que houver a recusa do descobridor/ inventor em dividir o achado com o dono do imóvel.
-Caso o descobridor não possua autorização do dono do imóvel e se aproprie do tesouro e coisa achada responderá pelo crime de furto.
Apropriação de Coisa Achada (Art. 169, parágrafo único, II, CP):
Parágrafo único - Na mesma pena incorre:
Apropriação de coisa achada
II - quem acha coisa alheia perdida (pertence a alguém) e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro do prazo de 15 (quinze) dias.
Responde pelo crime aquele que acha coisa perdida e não a devolve ao dono ou legítimo possuidor quando conhecidos ou a autoridade competente no prazo de 15 dias (crime a prazo).
- Coisa perdida: Aquela que se encontra em local público ou de acesso ao público estando fora da esfera de disponibilidade do dono ou legítimo possuidor, desde que não tenha sido abandonado por estes.
- Obs: A apropriação de coisa abandonada e da coisa de ninguém ou que nunca teve proprietário ou possuidor não constitui crime. 
Se o autor acreditar erroneamente que o objeto era abandonado incidira o erro de tipo exclui-se o dolo e consequentemente o crime.
- Consumação: Há dois momentos de consumação:
1) Quando o autor sabe quem é o dono ou legitimo possuidor das coisas o crime se consumo quando ele deixa de entrega-la com o objetivo de permanência em seu poder. 
2) Quando o agente desconhece quem seja o dono ou legitimo possuidor consuma-se com a fluência no prazo de 15 dias não entregando , ou seja, sem manifestação do autor ou para maioria da doutrina quando mesmo antes do fim do prazo ele começa agir como se fosse dono. Ex: vendendo, locando, permutando e doando.
Art. 170 – Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o disposto no art. 155, §2º.
Permite-se a aplicação do benefício do art. 155, §2 aos crimes do arts. 168, 168- A e 169.

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