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Aula 09
Direito Tributário p/ OAB 1ª Fase XXIII Exame - Com videoaulas
Professor: Fábio Dutra
07841137931 - luana
Direito Tributário para XXIII Exame da OAB 
Curso de Teoria e Questões 
Prof. Fábio Dutra- Aula 09 
 
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AULA 09: Suspensão, Extinção e Exclusão do 
Crédito Tributário 
 
 
SUMÁRIO PÁGINA 
Observações sobre a aula 01 
Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário 02 
Extinção do Crédito Tributário 19 
Exclusão do Crédito Tributário 59 
Gabarito das Questões Comentadas em Aula 69 
 
Observações sobre a Aula 
 
Olá amigo (a), tudo bem? 
 É com muita satisfação que chegamos até aqui! Nosso curso já está 
praticamente na reta final! Posso afirmar que se você chegou até aqui, é um 
grande vencedor! Muitas pessoas desistem e não chegam até o final do curso. 
Embora não pareça tão complicado para você, e esse é o nosso grande 
desafio como professor, o conteúdo estudado neste curso é extremamente 
complexo e muito ricos em detalhes, os quais devem ser memorizados! 
 Em relação à aula de hoje, o tema é bastante relevante para a prova! 
Trata-se da suspensão, extinção e exclusão do crédito tributário. Como são 
assuntos intimamente relacionados, vamos estudar tudo de uma vez só! A 
assimilação certamente será maior! É claro que isso faz com que o volume de 
páginas seja um pouco superior, mas não é nada assim tão grande! - 
 Cabe destacar que este é o tema com maior incidência nas provas 
da FGV, aplicadas no Exame de Ordem!!! Portanto, meu amigo, minha 
amiga, atenção total a partir de agora, porque é muito provável que pelo 
menos uma questão caia sobre este tema! 
 Vamos começar! 
 
 
 
07841137931
07841137931 - luana
Direito Tributário para XXIII Exame da OAB 
Curso de Teoria e Questões 
Prof. Fábio Dutra- Aula 09 
 
Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 2 de 69 
1 - SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 
 Nós já aprendemos que a obrigação tributária se torna exigível com a 
constituição do crédito tributário, e que isso ocorre por meio do lançamento. 
Correto? 
 Portanto, com a notificação ao sujeito passivo do lançamento efetuado, 
este pode pagar ou impugnar. Mas o que ocorre caso o sujeito passivo não 
pague ou mesmo se não lograr êxito na impugnação (decisão desfavorável) e 
deixar de pagar? 
 Da mesma forma que um comerciante não pode obrigar o seu cliente a 
pagar o carnê vencido, a Fisco também não pode forçar a cobrança. Nesse 
caso, a Fazenda Pública deve buscar o adimplemento da obrigação nas vias do 
Poder Judiciário, com base na ação de execução fiscal. 
Observação: Para o ajuizamento de uma ação de execução fiscal, é 
necessário que o crédito tributário tenha sido inscrito em dívida ativa. Trata-
se de tema que ainda será estudado em outra aula. 
 No entanto, em alguns casos a Fazenda fica impedida de levar a cabo os 
atos de cobrança. Isso se dá, pois o CTN estabeleceu algumas hipóteses, 
GHQRPLQDGDV�³Suspensão do Crédito Tributário´�SHOR�&yGLJR��$�PDLRULD�GRV�
autores prefere denominar suspensão da exigibilidade do crédito 
tributário. Tanto faz, pois na prova isso não muda nada. 
 As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário são as 
seguintes: 
Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: 
I - moratória; 
II - o depósito do seu montante integral; 
III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do 
processo tributário administrativo; 
IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. 
V ± a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras 
espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) 
VI ± o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) 
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Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento 
das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo 
crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. 
 Antes de estudarmos cada uma das modalidades de suspensão do 
crédito tributário, temos de associar ao assunto de hoje algo que vimos na 
aula sobre interpretação e integração da legislação tributária. 
 Estudamos em aula anterior que a legislação tributária que disponha 
sobre suspensão do crédito tributário deve ser interpretada 
literalmente. Com essa aula, você será capaz de responder com maior 
segurança as questões sobre interpretação da legislação tributária. 
 Nessa linha de entendimento, o art. 141 do CTN estabeleceu que o 
crédito tributário regularmente constituído só pode ter sua 
exigibilidade suspensa nos casos previstos no próprio CTN. 
 Ademais, também deve ser destacado que o par. único do art. 151 
assevera que a suspensão do crédito não implica dispensa de cumprimento das 
obrigações acessórias. Logo, ainda que não seja exigida do contribuinte a 
obrigação tributária principal, deve continuar cumprindo com as obrigações 
acessórias estabelecidas na legislação tributária. 
 
Tanto as pessoas imunes ou isentas, como aquelas que 
venham a ter a exigibilidade do crédito tributário 
suspensa, devem continuar cumprindo com as 
obrigações acessórias. Guarde isso! 
 Por fim, outro ponto relevante é a discussão acerca da possibilidade de o 
contribuinte tomar alguma medida, buscando a suspensão da exigibilidade do 
crédito tributário, antes mesmo da sua constituição. 
 Nesse caso, deve ser lembrado que o que se suspende é a 
exigibilidade do crédito tributário, e não o dever de lançar. Portanto, a 
autoridade constitui o crédito, mas fica impedida de realizar a 
cobrança do tributo ou penalidade. 
 Isso é bem lógico, pois se o Fisco ficasse impedido de efetuar o 
lançamento, correria o risco de ser atingido pela decadência, perdendo o 
direito de constituir o crédito tributário. 
 Guarde assim: 
Suspensão antes do lançamento Æ É possível constituir o lançamento, mas 
não pode ser feita a exigibilidade. 
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Suspensão depois do lançamento Æ A exigibilidade se suspende. 
 
Observação: Quando a causa suspensiva ocorre antes do lançamento, fica 
estranho suspender algo que nem chegou a ser exigido. Portanto, na sua 
prova, pode ser dito que quando a causa suspensiva ocorre antes do 
lançamento, a exigibilidade do crédito tributário fica impedida de 
ocorrer. 
 Vamos esquematizar as hipóteses da seguinte forma para facilitar a 
memorização: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Espero que com esse mnemônico não fique difícil memorizar as 
hipóteses. É claro que decorar por completo cada hipótese só é possível se 
você souber o que significa. E é exatamente isso que iremos fazer de 
agora em diante. 
 Vamos lá! 
1.1 - Moratória 
 A moratória consiste em nada mais do que a dilatação do prazo para 
cumprimento da obrigação. Ou seja, altera-se o prazo para pagamento do 
tributo ou penalidade. 
 Com efeito, se houve a dilatação do prazo para pagamento das 
obrigações, há suspensão temporária da exigibilidade do crédito tributário. 
Deve, então, a Fazenda Pública aguardar o prazo previsto na lei que concedeu 
a moratória para promover a exigência. 
MOR 
MORDER e LIMPAR 
MORatória 
DEpósitodo montante integral DE 
Reclamações e Recursos administrativos R 
LIM LIMinares em M.S. ou Liminar ou tutela antecipada em outras ações 
PAR PARcelamento 
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 Uma leitura do art. 152 do CTN permite inferir que há dois tipos de 
moratória: individual e geral. Em qualquer caso, é necessária a edição de 
lei. 
 A moratória concedida em caráter individual ocorre quando o 
benefício é restrito a determinadas pessoas, que preencham os 
requisitos estabelecidos pela lei. Dessa forma, para que as pessoas gozem 
da moratória, é necessário que comprovem à autoridade administrativa que 
estão entre aquelas às quais a lei restringiu. Fica, então, a moratória 
concedida pelo despacho da autoridade. 
 A moratória concedida em caráter geral, por outro lado, ocorre 
quando a lei generaliza os sujeitos passivos que serão beneficiados. Não há, 
portanto, necessidade de comprovação, nem despacho individual por 
parte da autoridade administrativa. 
 Em relação à moratória geral, podemos dividi-la em dois tipos: 
moratória autônoma (ou autonômica) e moratória heterônoma. 
 A moratória autônoma é aquela concedida pelo ente que detém a 
competência tributária para instituir o tributo objeto do benefício. Por 
exemplo: o Município de São Paulo concede moratória sobre o IPTU referente 
aos imóveis situados em seu território. 
 A moratória heterônoma, por seu turno, é aquela concedida pela 
União, quanto aos tributos de competência dos Estados, do Distrito 
Federal ou dos Municípios. Por exemplo: a União concede moratória sobre o 
IPTU referente aos imóveis situados no território do Município de São Paulo. 
 Há forte controvérsia doutrinária sobre a moratória heterônoma, sob a 
alegação, em alguns casos, de que tal medida afetaria a autonomia dos entes 
federativos. Frise-se que não há registros de que a moratória heterônoma 
tenha sido concedida até hoje. 
 Um dos motivos que podem ter levado à União não conceder a moratória 
heterênoma é a forte restrição contida no art. 152, I, b, o qual estabelece que 
se tal benefício for criado, deve ser concedido simultaneamente: 
x Aos tributos de competência da União (todos os que ela já instituiu); 
x Às obrigações de direito privado (contratos civis, empresariais e 
trabalhistas). 
 Diante do exposto, percebe-se a natureza excepcionalíssima da 
moratória heterênoma. A União só utilizaria dessa moratória em situações de 
extrema relevância nacional. 
 (QILP��YRFr�Mi�GHYH�HVWDU�VH�SHUJXQWDQGR��³e como eu faço na prova?´ 
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 O aluno deve ter em mente que há estudiosos do Direito defendendo e 
atacando a moratória heterônoma. Nesse sentido, poderia surgir uma questão 
dissertando sobre a existência da controvérsia doutrinária, o que está correto. 
Por outro lado, não há posicionamento dos tribunais sobre o tema. Por último, 
FDLQGR�D�WtSLFD�TXHVWmR�³VHJXQGR�R�&71���´��YRFr�SRGH�FRQVLGHUDU�FRUUHWD�� 
 
O mais importante é guardar as duas exigências 
que foram feitas à União. 
 Cumpre-nos destacar, ainda, que o CTN trouxe uma regra que, de certa 
forma, restringe os créditos que serão abrangidos pela moratória. Vejamos: 
Art. 154. Salvo disposição de lei em contrário, a moratória 
somente abrange os créditos definitivamente constituídos à data 
da lei ou do despacho que a conceder, ou cujo lançamento já 
tenha sido iniciado àquela data por ato regularmente notificado 
ao sujeito passivo. 
Parágrafo único. A moratória não aproveita aos casos de dolo, 
fraude ou simulação do sujeito passivo ou do terceiro em 
benefício daquele. 
 Em suma, o que se quis dizer no caput do art. 154 foi que a moratória 
somente abrange os créditos tributários constituídos (após o lançamento) 
e aqueles que já estão em fase de lançamento, mas ainda não concluídos. É 
claro que, como está estampado no referido dispositivo, tudo isso ocorre 
³salvo disposição de lei em contrário´�� 
 Portanto, é possível, por exemplo, que a lei preveja que a moratória 
abrange também os fatos geradores ocorridos a pós a data da lei concessória, 
mas que ainda não tenham sido objeto de lançamento. 
 Para finalizar, indo ao encontro dos objetivos da moratória, que é ajudar 
quem realmente precisa, o CTN inibiu a extensão da benesse aos casos 
de dolo, fraude ou simulação de sujeito passivo ou terceiros em 
benefício daquele. 
 
 
 
 
MORATÓRIA 
Salvo 
disposição de 
lei em contrário Créditos em fase de lançamento 
Créditos lançados 
Não aproveita dolo, fraude 
ou simulação 
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1.1.1 ± Requisitos para concessão da moratória e moratória parcelada 
 No art. 153, o legislador estabeleceu os requisitos que devem estar 
contidos na lei que venha a conceder a moratória. Perceba que é uma norma 
direcionada ao legislador. Vejamos: 
 Art. 153. A lei que conceda moratória em caráter geral ou autorize sua 
 concessão em caráter individual especificará, sem prejuízo de outros 
 requisitos: 
 I - o prazo de duração do favor; 
 II - as condições da concessão do favor em caráter individual; 
 III - sendo caso: 
 a) os tributos a que se aplica; 
 b) o número de prestações e seus vencimentos, dentro do prazo a 
que se refere o inciso I, podendo atribuir a fixação de uns e de outros à 
 autoridade administrativa, para cada caso de concessão em caráter 
 individual; 
 c) as garantias que devem ser fornecidas pelo beneficiado no caso de 
 concessão em caráter individual. 
 Os requisitos se referem basicamente aos prazos, tributos a que se 
aplica, e condições e garantias em se tratando de concessão em caráter 
individual. 
 
Na concessão da moratória em caráter individual 
podem ser exigidas garantidas do sujeito passivo. 
 3HUFHED� TXH� QD� DOtQHD� ³E´�� GR� LQFLVR� ,,,�� IRL� PHQFLRQDGR� R� Q~PHUR� GH�
prestações e seus vencimentos. Trata-se da moratória parcelada, que 
consiste na quitação da dívida tributária em parcelas. 
 Alguns entendem que esse é o texto que permite a concessão do 
parcelamento, como suspensão do crédito tributário. No entanto, veja que o 
parcelamento foi inserido, em 2001, como uma modalidade autônoma de 
suspensão da exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, VI). Portanto, 
no inciso I, temos a previsão da moratória, e no inciso VI, a previsão do 
parcelamento. 
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 Portanto, em termos mais simples, a moratória parcelada não se 
confunde com o parcelamento. 
 Os institutos possuem algumas distinções, como o caráter excepcional 
da moratória, concedida como medida reparatória de desastres naturais ou 
mesmo fatores econômicos e sociais. O parcelamento, por sua vez, é medida 
comum, destinada aos contribuintes que se encontram inadimplentes 
(com dívidas vencidas). 
 Além disso, o parcelamento, salvo disposição de lei em contrário 
(SDC), não exclui a incidência de juros e multas,algo que não condiz com 
a natureza da moratória, que é concedida em função de fatos alheios à 
vontade do contribuinte. Destaque-se que o próprio CTN não mencionou a 
cobrança de juros na moratória, como o fez com o parcelamento. 
 Segue abaixo um quadro que sintetiza o que acabamos de ver: 
MORATÓRIA PARCELADA PARCELAMENTO 
Medida Excepcional Medida comum 
Beneficia aqueles que sofrem com os 
efeitos de algum fenômeno natural, 
econômico ou social. 
Beneficia contribuintes inadimplentes, 
com objetivo de receber as dívidas, ainda 
que parceladamente. 
Não há incidência de juros e multas SDC, não exclui juros e multas 
1.1.2 ± Moratória individual 
 Acabamos de estudar os aspectos gerais da moratória. Vimos que existe 
a moratória concedida em caráter individual e aquela concedida em caráter 
geral. 
 Para a concessão da moratória em caráter individual, como já foi dito, é 
necessário que beneficiário preencha as condições e os requisitos estabelecidos 
pela lei. Caso não sejam cumpridos ou o deixem de ser, as consequências 
foram previstas no art. 155 do CTN, cuja redação é a seguinte: 
Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera 
direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o 
beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou 
não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a 
concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de 
mora: 
I - com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação 
do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; 
II - sem imposição de penalidade, nos demais casos. 
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Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido 
entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para 
efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II 
deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido 
direito. 
Observação: O art. 155 também se aplica a outros benefícios fiscais 
previstos no CTN, quando concedidos de modo individual. São eles: 
parcelamento (art. 155-A, § 2º), remissão (art. 172, par. único), isenção 
(art. 179, § 2º) e anistia (art. 182, par. único). Todos serão estudados 
em momento oportuno. 
Grave o mnemônico: M (Moratória), A (Anistia), R (Remissão), I (Isenção) 
e PA ( Parcelamento) = MARIPA 
 
 
Moratória em caráter individual: não gera direito 
adquirido. 
Moratória em caráter geral: gera direito adquirido. 
 Você deve saber que a moratória individual não gera direito 
adquirido. Por isso, em alguns casos, basta que o sujeito passivo comprove 
que faz parte do rol daqueles alcançados pela moratória. Em outros, no 
entanto, o sujeito passivo pode ter que comprovar sua regularidade durante o 
prazo em que gozar do benefício (manter as prestações da moratória parcelada 
³HP�GLD´�� 
 De qualquer modo, não estando satisfeitos os requisitos ou as condições, 
a moratória é revogada, ficando o sujeito passivo obrigado a pagar o 
crédito tributário acrescido de juros de mora. Caso seja constatado que 
houve dolo ou simulação do beneficiado ou de terceiro para se beneficiar 
ilicitamente da moratória, haverá, ainda, imposição de penalidade. 
 Cabe ressaltar também que há outra consequência em se tratando da 
revogação da moratória: a contagem do prazo de prescrição. Se houve dolo ou 
simulação, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação 
não é contado para fins de prescrição. Por outro lado, se não houve dolo ou 
simulação, a revogação da moratória só pode ocorrer antes de findar o prazo 
prescricional. 
Observação: O prazo prescricional é aquele que a Fazenda tem, após a 
constituição definitiva do crédito tributário, para propor a ação de execução 
fiscal, a fim de receber o valor devido, caso não haja pagamento por parte do 
sujeito passivo. O tema ainda será estudado no curso. 
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1.2 - Parcelamento 
 Nós vimos que no tópico anterior que o parcelamento não se confunde 
com a moratória parcelada. O parcelamento é uma medida criada para 
que os devedores inadimplentes tenham condições de cumprir com as 
obrigações tributárias. 
 Com o advento da Lei Complementar 104/2001, foi incluído o art. 155-A 
ao CTN, o qual sofreu alterações com a LC 118/2005. Vamos explicar tudo isso 
a partir de agora. Vejamos a redação do dispositivo citado: 
Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição 
estabelecidas em lei específica. (Incluído pela Lcp nº 104, de 
10.1.2001) 
§ 1o Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do 
crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas. 
(Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) 
§ 2o Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta 
Lei, relativas à moratória. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) 
§ 3o Lei específica disporá sobre as condições de parcelamento 
dos créditos tributários do devedor em recuperação judicial. 
(Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) 
§ 4o A inexistência da lei específica a que se refere o § 3o deste artigo 
importa na aplicação das leis gerais de parcelamento do ente da 
Federação ao devedor em recuperação judicial, não podendo, neste 
caso, ser o prazo de parcelamento inferior ao concedido pela lei 
federal específica. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) 
 Em primeiro lugar, deve-se ter em mente que o parcelamento só pode 
ser concedido com base em lei específica. Portanto, se o Estado da Bahia 
desejar conceder parcelamento para os créditos tributários relativos ao IPVA, 
deve disciplinar o assunto em lei específica estadual, obedecidas as normas 
gerais do CTN. 
 Além disso, por se tratar de situação corriqueira (não é excepcional, 
como a moratória), o parcelamento do crédito tributário, salvo disposição de 
lei em contrário, não exclui a incidência de juros e multas. 
Observação: Lembre-se que o STJ já decidiu que o parcelamento não 
equivale ao pagamento do tributo, não sendo suficiente para configurar a 
denúncia espontânea. 
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 Destaque-se também que ao parcelamento aplicam-se as disposições do 
CTN, relativas à moratória. Tendo em vista a semelhança entre os dois 
institutos, faz muito sentido o legislador não repetir tudo o que disse em 
relação à moratória. Lembre-se do mnemônico MARIPA! 
 Outro aspecto a ser estudado sobre o parcelamento é a previsão contida 
no § 3º do art. 155, do CTN, para que cada ente federativo venha criar uma 
³VHJXQGD� OHL� HVSHFtILFD´� dispondo sobre as condições de parcelamento 
dos créditos tributários do devedor em recuperação judicial. O objetivo 
é criar meios diferenciados para que a empresa supere a crise econômico-
financeira pela qual está passando. 
 Desse modo, cada ente terá duas leis específicas, uma versando sobre 
as regras genéricas do parcelamento, e outra definindo regras especiais para o 
parcelamento da dívida tributária das empresas em recuperação judicial. 
 Se, porventura, o ente não possuir a lei sobre o parcelamento dos 
débitos do devedor em recuperação judicial, prevê o § 4º, do art.155, 
aplicam-se as regras genéricas de parcelamento daquele ente, não podendo 
esta ter prazo de parcelamento inferior à lei específica sobre 
parcelamento em recuperação judicial. 
 Vamos exemplificar: imaginemos que o Município de Curitiba não tenha 
editado lei específica sobre o parcelamento de crédito tributário para 
devedores em recuperação judicial. Considere também as seguintes 
informações: 
Prazo máximo de parcelamento da lei geral de parcelamento de Curitiba: 60 
meses. 
Prazo máximo de parcelamento da lei geral de parcelamento da União: 48 
meses. 
Prazo máximo de parcelamento da lei específica de parcelamento para 
devedores em recuperação judicial da União: 72 meses. 
 Pergunta-se: qual o prazo deve ser aplicado ao parcelamento de tributo 
municipal, quando o devedor se encontra em recuperação judicial? 72 meses. 
1.3 ± Reclamações e recursos no âmbito do processo administrativo 
fiscal 
 Diante de lançamento efetuado com o qual não concorda, o sujeito 
passivo pode impugná-lo tanto na via administrativa como na via judicial. Ao 
optar pela via administrativa, o sujeito passivo goza de algumas vantagens, 
dentre as quais se destaca a suspensão da exigibilidade do crédito 
tributário. 
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Palavras que podem ser cobradas na prova como causas 
de suspensão do crédito tributário: impugnação, 
processo administrativo, reclamação e recursos 
administrativos. 
 Como ainda será explicado, na via judicial, o mero ajuizamento da ação 
não suspende, por si só, a exigência do crédito tributário, sendo necessário 
que o sujeito passivo tome medidas como o depósito do montante exigido pelo 
fisco. Diferentemente, no âmbito administrativo, instaurado o processo 
administrativo, a exigência do crédito tributário fica suspensa. 
 Vale salientar que, anteriormente, o STF possuía o entendimento de ser 
possível a exigência de depósito como condição de procedibilidade para recurso 
interposto em processo administrativo fiscal. Entretanto, esse entendimento 
mudou, culminando na edição da seguinte súmula vinculante: 
Súmula Vinculante 21 - É inconstitucional a exigência de depósito ou 
arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso 
administrativo. 
 Ademais, cabe destacar que esse também é o entendimento do STJ: 
Súmula STJ 373 - É ilegítima a exigência de depósito prévio para 
admissibilidade de recurso administrativo. 
 Por fim, deve-se ter em mente que a suspensão do crédito tributária, em 
se tratando de instauração de processo administrativo fiscal, é temporária, 
ocorrendo apenas durante o litígio. Com a decisão administrativa final 
favorável ao sujeito passivo, o crédito tributário fica extinto (CTN, art. 
156, IX). Por outro lado, se a decisão for desfavorável, o crédito volta a 
se tornar exigível. 
 Vale ressaltar também que, no caso de decisão desfavorável ao sujeito 
passivo na órbita administrativa, sempre será possível ingressar com ação 
judicial, tendo em vista o princípio da inafastabilidade de jurisdição 
(CF/88, art. 5º, XXXV). 
 
Se a decisão final do processo administrativo for 
desfavorável ao contribuinte, este deverá arcar 
também com os encargos moratórios porventura 
devidos. 
 
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1.4 ± Liminar em mandado de segurança ou liminares (ou tutela 
antecipada) em outras ações judiciais 
 O CTN estabelece duas modalidades de suspensão da exigibilidade do 
crédito tributário, originadas de decisões proferidas no âmbito do Poder 
Judiciário: 
x Concessão de medida liminar em mandado de segurança (Art. 151, IV); 
x Concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies 
de ação (Art. 151, V). 
 Inicialmente, deve-se entender, a grosso modo, o que vem a ser o 
mandado de segurança. Trata-se de uma ação judicial, que tem por objetivo 
defender direito líquido e certo ameaçado, na seara do Direito Tributário, 
pela autoridade fiscal. O direito líquido e certo é aquele que pode ser provado 
sem a necessidade de produção de provas em juízo. 
 Ocorre que em alguns casos, o juiz entende que deve ser tomada 
alguma medida contra o ato praticado pela autoridade fiscal, para que 
suspendê-lo até que se decida o mérito da ação judicial. Fica, então, 
concedida a medida liminar no mandado de segurança. 
 Destaque-se que para a concessão da medida liminar são necessários 
dois requisitos essenciais: o perigo da demora ou periculum in mora e a 
relevância do fundamento ou fumus boni juris. Portanto, o juiz somente 
deve conceder liminar se ficar claro que o decorrer do tempo pode prejudicar a 
eficácia da ação, caso seja concedida no mérito da ação, e se houver 
fundamento relevante. 
 Finalmente, concedida a liminar em sede de mandado de segurança, a 
exigibilidade do crédito tributário fica suspensa até a decisão. Isso não significa 
que o contribuinte deixará de pagar o tributo. Caso o juiz venha decidir que o 
ato da autoridade administrativa (lançamento, neste caso específico) não 
descumpriu a lei, o sujeito passivo deve pagar o tributo. Por outro lado, caso a 
decisão judicial final seja em favor do contribuinte, o crédito tributário 
fica extinto. 
 
Crédito tributário fica suspenso até a decisão final, 
que pode ser: 
Em favor do contribuinte: extingue-se o crédito 
tributário. 
Em favor da Fazenda Pública: volta a ser exigível. 
 Um típico exemplo que justifica a concessão de medida liminar, deixando 
clara a existência do fumus bonis juris e do periculum in mora (vamos nos 
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acostumando com esses termos) ocorre quando o contribuinte é alvo de 
cobrança ilegal de um tributo, ficando impedido de participar de licitações 
públicas, por estar em débito com o fisco. Se a medida liminar não for 
concedida, e, ao final da ação, ficar comprovado que a exigência era mesmo 
ilegal, de nada adiantou a ação judicial. Ficou claro? 
 Deve-se destacar também o entendimento do STJ (RMS 3.881/SP), no 
sentido de que, se o juiz condiciona a concessão da medida liminar à 
realização do depósito do montante integral (causa suspensiva a ser 
estudada ainda nesta aula), está, na realidade, indeferindo a liminar. A 
justificativa para esse entendimento é que o depósito pode ser feito em 
qualquer caso, sendo direito do contribuinte. Se a liminar fica condicionada ao 
depósito, o contribuinte está suspendendo o crédito tributário por outra via. 
 A respeito do mandado de segurança, você deve ter percebido que há 
algumas restrições, como, por exemplo, a necessidade de comprovar a 
existência de direito líquido e certo. Ademais, a ação só pode ser impetrada 
dentro de 120 dias, a contar da ciência do interessado do ato praticado pela 
autoridade (notificação do lançamento, por exemplo). 
 ³(�VH�R�FRQWULEXLQWH�SHUGHU�R�SUD]R��SRU�H[HPSOR��R�TXH�GHYH�ID]HU�SDUD�
LPSXJQDU�MXGLFLDOPHQWH�R�DWR�LOHJDO"´� 
 Nesse caso, é possível recorrer a outras espécies de ações judiciais 
diversas do mandado de segurança, obtendo liminares ou tutelas antecipadas, 
que, da mesma forma como a liminar no mandado de segurança, suspendem a 
exigibilidade do créditotributário. 
Observação: A tutela antecipada é semelhante à medida liminar, com a 
diferença de que, naquela, o juiz antecipa a decisão de mérito. Por esse 
motivo, os requisitos para sua concessão são mais rigorosos. 
1.5 ± Depósito do montante integral 
 O depósito do montante integral é direito subjetivo do 
contribuinte, podendo ser realizado tanto na via judicial quanto na 
administrativa, embora nesta seja bastante atípico. 
 
O depósito deve ser do valor exigido pela Fazenda. 
 Como você já deve ter visto, não se inclui nas modalidades de 
suspensão da exigibilidade do crédito tributário o ajuizamento de ação 
judicial. Portanto, se o contribuinte ingressa com uma ação judicial com o 
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intuito de discutir a legitimidade da cobrança que está sendo feita, nada 
impede que o fisco, durante o curso da ação, entre com outra ação de 
execução fiscal. 
 Surgem, então, duas opções para o sujeito passivo: tentar obter 
liminar ou tutela antecipada (CTN, art. 151, IV e V) ou realizar o depósito 
do montante integral (CTN, art. 151, II). Como a concessão de uma liminar 
está condicionada à comprovação do perigo da demora e da relevância do 
fundamento, nem sempre resta outra saída para o sujeito passivo a não ser o 
depósito do montante integral. 
 Cabe destacar que o depósito é facultativo, ou seja, mesmo que não 
efetue o depósito do montante integral, o sujeito passivo tem o direito de 
contestar o lançamento no Judiciário. A única diferença, neste caso, é que 
não haverá suspensão da exigibilidade do crédito. Vejamos o que diz a 
Súmula Vinculante 28 do STF: 
Súmula Vinculante 28 - É inconstitucional a exigência de depósito prévio 
como requisito de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda 
discutir a exigibilidade de crédito tributário. 
 
 É interessante destacar que esta jurisprudência do STF tem por objetivo 
impedir a adoção do princípio solve et repete��TXH�VLJQLILFD�³SDJXH�H�GHSRLV�
UHFODPH´��3RUWDQWR��REVHUYH�TXH�se o sujeito passivo desejar contestar a 
exigibilidade do crédito tributário, tem o direito de fazê-lo 
independentemente de depósito prévio. 
 
 
Ainda que a liminar seja concedida, o sujeito 
passivo pode efetuar o depósito, com o objetivo de 
impedir a fluência dos juros de mora, caso o crédito 
volte a ser exigível posteriormente, se a decisão de 
mérito for favorável à Fazenda Pública. 
 Sobre o depósito integral, o STJ entende que para suspender o crédito 
tributário deve ser feito integralmente e em dinheiro: 
Súmula STJ 112 - O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito 
tributário se for integral e em dinheiro. 
 Até aí, tudo bem. Mas o que ocorre posteriormente, no final da decisão 
judicial? 
 Sendo a decisão favorável à Fazenda Pública, ou seja, se o 
lançamento for legítimo, o depósito é convertido em renda (ver CTN, 
art. 156, VI), e o crédito tributário é extinto. Nessa linha, de acordo com o 
STJ (EREsp 767.328/RS), em relação aos tributos lançados por 
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homologação, o depósito judicial em dinheiro equivale ao recolhimento da 
exação tributária, ocorrendo o lançamento tácito. Não há que se falar, 
portanto, em decadência. 
 Por outro lado, se a decisão de mérito for favorável ao sujeito 
passivo, ou seja, se o lançamento ou o valor lançado for ilegítimo, 
caberá ao sujeito passivo proceder o levantamento do depósito realizado. 
Observação: Levantamento significa resgatar o valor depositado em juízo. 
 No que se refere ao depósito do montante na via administrativa, a 
própria instauração do processo administrativo fiscal tem o condão de 
suspender a exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, III). O 
depósito integral do montante exigido pelo fisco, no âmbito administrativo, 
tem como única finalidade evitar a fluência dos juros de mora. 
 
Objetivos do depósito do montante integral: 
Via Judicial Æ suspender exigibilidade do crédito 
tributário. 
Via Administrativa Æ evitar fluência dos juros de mora. 
 
Questão 01 ± FGV/IV Exame de Ordem Unificado/2011 
 
A redação da Súmula Vinculante 28 ("É inconstitucional a exigência de 
depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial na qual se 
pretenda discutir a exigibilidade do crédito tributário") tem por escopo impedir 
a adoção de que princípio jurídico? 
A) Venire Contra Factum Proprium. 
B) Exceção de contrato não cumprido. 
C) Solve et Repete. 
D) Contraditório e ampla defesa. 
 
Comentário: Vimos durante a aula que a redação da Súmula Vinculante 28 do 
STF tem por objetivo impedir a adoção do princípio solve et repete. 
 
Gabarito: Letra C 
 
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Questão 02 ± FGV/IV Exame de Ordem Unificado/2011 
 
José dos Anjos ajuíza ação anulatória de débito fiscal após realizar depósito do 
montante integral do crédito que busca a anulação. Nesse sentido, é correto 
afirmar que 
A) o depósito prévio do montante integral é requisito de admissibilidade da 
ação ajuizada por José dos Anjos. 
B) o depósito do montante objeto de discussão judicial poderá ser levantado 
caso José dos Santos tenha seu pedido julgado procedente perante o juízo de 
primeiro grau. 
C) o depósito prévio do montante integral produz os efeitos de impedir a 
propositura da execução fiscal, bem como evita a fluência dos juros e a 
imposição de multa. 
D) caso o contribuinte saia vencido, caberá à Fazenda promover execução 
fiscal para fins de receber o crédito que lhe é devido. 
 
Comentário: Sabemos que o depósito do montante integral, conforme prevê o 
art. 151, I, do CTN, possui o efeito de suspender a exigibilidade do crédito 
tributário. Assim sendo, tal medida realizada pelo sujeito passivo impede a 
propositura da ação de execução fiscal, evitando também a fluência dos juros e 
multa. 
 
Gabarito: Letra C 
 
Questão 03 ± FGV/VI Exame de Ordem Unificado/2012 
 
Determinado contribuinte, devedor de tributo, obtém o seu parcelamento e 
vem efetuando o pagamento conforme deferido. Apesar disso, sofre processo 
de execução fiscal para a cobrança do referido tributo. 
Nos embargos de devedor, o contribuinte poderá alegar 
A) a carência da execução fiscal, em face da novação da dívida, que teria 
perdido a sua natureza tributária pelo seu parcelamento. 
B) a improcedência da execução fiscal, por iliquidez do título exequendo, pelo 
fato de que parte da dívida já foi paga. 
C) o reconhecimento do direito apenas parcial à execução fiscal, por parte do 
Fisco, em face da existência de saldo devedor do parcelamento. 
D) a carência da execução fiscal em face da suspensão da exigibilidade do 
crédito tributário. 
 
Comentário: A concessão de parcelamento possui como efeito a suspensão da 
exigibilidade do crédito tributário, conforme estabelece o art. 151, VI, do CTN. 
Nesse sentido, está a Fazenda Pública impedida de propor ação de execução 
fiscal contra o contribuinte. Assim sendo, nos embargos de devedor, o 
contribuinte poderá alegar a carência da execução fiscal em face da suspensão 
da exigibilidade do crédito tributário. 
 
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Gabarito: Letra D 
 
Questão 04 ± FGV/VI Exame de Ordem Unificado/2012 
 
A empresa ABC ingressou com medida judicial destinada a questionar a 
incidência da contribuição social sobre o lucro. Em sede de exame liminar, o 
juiz concedeu a medida liminar para que a empresa não recolhesse a 
contribuição. Durante a vigência da medida judicial, a Receita Federal iniciou 
procedimento de fiscalização visando à cobrança da contribuição social sobre o 
lucro não recolhida naquele período. 
Com base no relatado acima, assinale a alternativa correta. 
A) A Receita Federal não pode lavrar auto de infração, em virtude da liminar 
concedida na medida judicial em questão. 
B) A Receita Federal pode lavrar auto de infração, mas somente com a 
exigibilidade suspensa para prevenir a decadência. 
C) A empresa ABC, diante da abertura do procedimento de fiscalização, pode 
solicitar ao juiz nova medida liminar, a fim de que determine o encerramento 
de tal procedimento. 
D) A Receita Federal pode lavrar auto de infração, já que a medida liminar 
possui caráter provisório. 
 
Comentário: Primeiramente, o aluno deve ter conhecimento de que a medida 
liminar concedida pelo juiz suspende a exigibilidade da referida contribuição 
social. Assim sendo, a União fica, a partir de então, impedida de propor ação 
de execução fiscal. Contudo, a medida suspensiva não impede a constituição 
do crédito tributário pelo lançamento, com o objetivo de prevenir a 
decadência. 
 
Gabarito: Letra B 
 
Questão 05 ± FGV/XV Exame de Ordem Unificado/2014 
 
2�)LVFR�GR�HVWDGR�³;´�ODYURX�DXWR�GH�LQIUDomR�FRQWUD�D�SHVVRD MXUtGLFD�³<´�SDUD�
cobrar ICMS sobre a remessa de mercadorias entre a matriz e a filial dessa 
empresa, ambas UHIHULGR�HVWDGR��$�HPSUHVD�³<´�LPSHWURX��HQWmR��PDQGDGR�GH 
segurança objetivando ver reconhecido seu direito líquido e certo ao não 
recolhimento do ICMS naquela operação. Pleiteou também medida liminar. 
Assinale a opção que pode, validamente, ser objeto do pedido de liminar 
formulado pela pessoa jurídica Y. 
A) Extinção do crédito tributário. 
B) Exclusão de crédito tributário. 
C) Constituição do crédito tributário. 
D) Suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 
 
Comentário: No pedido de medida liminar formulado pela pessoa jurídica Y, é 
cabível a solicitação de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até 
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que ocorra a decisão de mérito da referida ação judicial, nos termos do art. 
151, IV, do CTN. 
 
Gabarito: Letra D 
 
2 ± EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 
 O art. 156 do CTN estabelece como causas de extinção do crédito 
tributário as seguintes: 
Art. 156. Extinguem o crédito tributário: 
I - o pagamento; 
II - a compensação; 
III - a transação; 
IV - remissão; 
V - a prescrição e a decadência; 
VI - a conversão de depósito em renda; 
VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos 
termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; 
VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do 
artigo 164; 
IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva 
na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação 
anulatória; 
X - a decisão judicial passada em julgado. 
XI ± a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições 
estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) 
Observação: Dação em pagamento não se confunde com pagamento. Aquela 
ocorre quando o credor aceita receber a obrigação de forma diversa do que 
foi estabelecido inicialmente. Como as obrigações tributárias são pecuniárias 
(em dinheiro), pagar com bens imóveis é uma forma de dação em 
pagamento. 
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 Para o ilustre professor Leandro Paulsen, o crédito tributário se extingue 
quando for (grifamos): 
Satisfeito mediante pagamento, pagamento seguido de homologação no caso 
dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, compensação, conversão 
em renda de valores depositados ou consignados ou dação em pagamento de 
bens imóveis na forma e condições estabelecidas por lei (incisos I, II, VI, 
VII, VIII e XI), ainda que mediante transação (inciso III); 
Desconstituído por decisão administrativa ou judicial (incisos IX e X); 
Perdoado (inciso IV: remissão); 
Precluso o direito do Fisco de lançar ou de cobrar o crédito judicialmente 
(inciso V: decadência e prescrição). 
 
(PAUSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário Completo. 6ª Edição. 2014. 
Pág. 268) 
 
Observação: Preclusão significa perda de direito de se manifestar no 
processo, por ter esgotado o prazo. No Direito Tributário, a decadência é 
perda do prazo para lançar; a prescrição, perda do prazo para propor ação de 
cobrança. 
 Uma questão muito discutida e controvertida é se a lista do art. 156 é 
taxativa (ou exaustiva) ou se é exemplificativa. 
 O melhor entendimento a ser considerado é o de que as causas 
extintivas previstas no art. 156 do CTN são exaustivas, tendo em vista que no 
art. 141 do CTN, o próprio legislador estabelece que o crédito tributário 
somente se extingue nos casos previstos no próprio CTN. 
 
 
Para a prova, guarde o seguinte: 
Não se permite dação em pagamento em bens MÓVEIS 
(apenas imóveis); 
O crédito se extingue apenas nas hipóteses previstas no 
CTN. 
2.1 - Pagamento 
 O pagamento é a principal forma de extinção do crédito 
tributário. Isso também ocorre nas demais obrigações, como as civis, 
trabalhistas ou empresariais. 
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 Por esse motivo, o CTN estabeleceu diversas regras específicas ao Direito 
Tributário, no que se refere ao pagamento. Algumas delas serão estudadas 
em tópicos específicos. As demais são explicadas a seguir. 
 Com o fito de deixar nosso curso sempre mais didático, alteramos a 
ordem seguida pela legislador, sendo que, de início, vamos tratar das formas 
em que o pagamento pode ser efetuado. 
 A regra geral, prevista no art. 162 do CTN, I, é a de que o pagamento 
seja efetuado em moeda corrente, cheque ou vale postal. 
Observação: O vale postal é uma ordem de pagamento, realizada por 
intermédio da empresa de correios. 
 Também é possível que o pagamento seja efetuado em estampilha, 
papel selado ou processo mecânico, apenas nos casos estabelecidos em 
lei. 
Observação: 
Estampilha e Papel selado: São selos adquiridos do fisco, após entrega de 
dinheiro, para comprovar a quitação da dívida tributária. 
 
Processo mecânico: É a autenticação fiscal que atesta pagamento de 
tributo. 
 De todo modo, em qualquer dessas modalidades, o pagamento acaba 
sendo feito em dinheiro. No que se refere ao cheque e ao vale postal, percebe-
se que são instrumentos de transferência de valores. Já em relação à 
estampilha, papel selado e ao processo mecânico trata-se de mecanismos de 
comprovação de que o pagamento foi realizado, em dinheiro. 
 A seguir, veremosalgumas regras sobre as modalidades de pagamento. 
São assuntos que não costumam ser cobrados em prova, mas o conhecimento 
da literalidade do CTN nunca é demais para enfrentar a FGV. 
 Primeiramente, destacamos que a legislação tributária pode determinar 
que o contribuinte preste garantias para efetuar o pagamento por cheque ou 
vale postal. Contudo, tais exigências não podem tornar o pagamento 
impossível ou mais oneroso do que o pagamento em moeda (CTN, art. 
162, § 1º). Na prática, o dispositivo quer dizer que o fisco pode até tentar se 
SURWHJHU� FRQWUD� R� ³cheque sem fundo´�� PDV� QmR� SRGH�� FRP� HVVH� REMHWLYR��
onerar o contribuinte ou impossibilitar o pagamento. 
 Ainda no que se refere ao pagamento por cheque, a extinção do crédito 
tributário não ocorre com a entrega do cheque, mas apenas com o resgate 
deste pelo sacado, que é basicamente a compensação bancária CTN, art. 
162, § 2º). 
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 No que concerne ao pagamento feito em estampilha, a extinção do 
crédito tributário ocorre com a inutilização regular daquela (CTN, art. 162, § 
�ž��� 3RU� H[HPSOR�� R� ³VHOR-SHGiJLR´� �XPD� HVSpFLH� GH� HVWDPSLOKD��� TXDQGR�
afixado no para-brisa do automóvel (inutilização regular), era utilizado para 
comprovar o pagamento do pedágio (era considerado taxa, neste caso 
específico). 
Observação: O § 3º do art. 162 excetua o disposto no art. 150 (referente ao 
lançamento por homologação). A exceção é bastante óbvia, tendo em vista 
que nesta modalidade de lançamento o pagamento fica sujeito à posterior 
homologação da autoridade fiscal. 
 Contudo, se houver a perda ou destruição da estampilha, ou mesmo erro 
no pagamento por esta modalidade, não há qualquer restituição ao 
contribuinte, salvo nos casos previstos na legislação tributária ou 
quando o erro seja imputável à autoridade administrativa (CTN, art. 
162, § 4º). Ora, se o servidor público errar, o contribuinte não pode ser punido 
por isso. 
 Prescreve o § 5º do mesmo artigo que o pagamento em papel selado ou 
por processo mecânico equipara-se ao pagamento em estampilha. Como 
havíamos dito, todos eles são semelhantes, e têm por objetivo comprovar 
pagamento já realizado. 
 Dando continuidade ao estudo do pagamento ± e o que veremos a 
partir de agora é importante -, veja o que diz o art. 157 do CTN: 
Art. 157. A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do 
crédito tributário. 
 O que o dispositivo estabelece é que a imposição de multa se acumula 
com o pagamento do tributo, ou seja, se o contribuinte é multado, não deixa 
de continuar obrigado ao cumprimento da obrigação tributária relativa 
ao tributo. Bastante óbvio, não? 
 Acrescente-se que em Direito tributário não há presunção de 
pagamento. Logo, se o sujeito passivo paga a última prestação de um crédito 
tributário, não se presume que as demais foram pagas. Do mesmo modo, ao 
pagar um tributo, não se presume que outros créditos relativos ao 
mesmo ou a outro tributo tenha sido pago. 
 Como exemplo, se o contribuinte possui dois apartamentos na cidade do 
Rio de Janeiro, ao quitar o IPTU de um dos apartamentos, não se presume que 
o IPTU relativo ao outro imóvel tenha sido pago. Tudo isso em consonância 
com o art. 158, I e II, do CTN. 
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 No tocante ao local do pagamento do tributo, se a legislação tributária 
não dispuser nada a respeito, deve ser feito na repartição competente do 
domicílio do sujeito passivo (CTN, art. 159). Contudo, na prática atual, o 
pagamento é feito em rede bancária, credenciada pelo Fisco. 
 
A obrigação de pagar tributo é portável, ou seja, o 
devedor deve procurar o credor paga efetuar o 
pagamento. 
 
Observação: O recolhimento do tributo pelo estabelecimento bancário 
(pessoa jurídica de direito privado) encontra respaldo no art. 7º, § 3º, do 
CTN, já que isso não se confunde com a capacidade tributária ativa. 
 Quanto ao prazo de pagamento do tributo, em regra, é o próprio ente 
instituidor que o define. No entanto, se não houver disposição a respeito, o 
prazo é de 30 dias, a contar da notificação do lançamento ao sujeito 
passivo. 
Observação: Não se esqueça de que, com a notificação, o sujeito passivo 
tem a opção de pagar ou impugnar o lançamento. 
 &XPSUH� UHVVDOWDU� TXH� D� UHJUD� GRV� ³��� GLDV´� QmR� p� DSOLFiYHO� DR�
lançamento por homologação. O motivo é bastante óbvio: como nessa 
modalidade o contribuinte deve antecipar o pagamento, não há notificação de 
lançamento. Sendo assim, cabe à legislação tributária definir o prazo 
para pagamento dos tributos lançados por homologação. 
 
Lembre-se: de acordo com o STF (RE 195.218/MG), a 
definição do prazo para recolhimento do tributo 
não se sujeita ao princípio da legalidade. 
 Se o pagamento for efetuado antecipadamente, a legislação tributária 
pode conceder desconto, respeitadas as condições. O mais correto seria que o 
legislador tivesse dito lei em vez de legislação tributária, já que, como visto, 
esta compreende também os atos infralegais, e a concessão de desconto 
deve somente pode ser feita por lei em sentido estrito. 
2.1.1 ± Efeitos da mora 
 Quando o sujeito passivo não efetua o pagamento do tributo até a data 
de vencimento, começam a surtir os efeitos da mora automaticamente. 
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No Direito Tributário, os efeitos da mora ocorrem 
automaticamente (mora ex re). 
 Vamos ver o que diz o art. 161 do CTN: 
Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é 
acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da 
falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da 
aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei 
ou em lei tributária. 
§ 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são 
calculados à taxa de um por cento ao mês. 
 Repare que além dos juros de mora, o contribuinte também se sujeita 
ao pagamento de penalidades. Trata-se da multa moratória, que é a sanção 
pelo não cumprimento da obrigação tributária no tempo previsto na legislação 
tributária. 
 Se a lei não definir a taxa que servirá de base para o cálculo dos juros de 
mora, estes serão calculados à taxa de 1% ao mês, conforme prevê o § 1º, 
do art. 161, do CTN. 
 Nesse sentido, o STJ já decidiu que a taxa SELIC é composta da taxa de 
juros e da correção monetária, não podendo, portanto, ser cumulada com 
outro índice de correção: 
"(...) A taxa SELIC é composta de taxa de juros e taxa de correção 
monetária, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice de 
correção. (...)" 
(STJ, REsp 447.690/PR, Segunda Turma, Rel. Min Eliana Calmon, Julgamento 
em 05/06/2003) 
2.1.2 ± Consulta tributária 
 A consulta tributária é um procedimento administrativo com o objetivo 
de que o contribuinte satisfaça suas dúvidas relativas à legislação 
tributária. Vamos repetir novamente o texto do art. 161 do CTN, acrescido do 
seu § 2º: 
Art. 161: (...): 
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§ 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta 
formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do 
crédito. 
 Sendo assim, se o contribuinte formula consulta tributária, dentro do 
prazo legal para pagamento do tributo, não há fluência de juros de mora 
nem mesmo aplicação de multa moratória. 
 Embora não se possam cobrar juros de mora, deve ficar claro que não 
estamos falando em mais um caso de suspensão do crédito tributário, 
já que a exigibilidade não fica suspensa. Além disso, não se trata de uma 
hipótese prevista no art. 151 do CTN. 
2.1.3 ± Imputação em pagamento 
 A imputação em pagamento ocorre quando um mesmo sujeito passivo 
deve dois ou mais créditos tributários a uma mesma Fazenda Pública. Nesse 
caso, o recebimento deve ser feito obedecendo a ordem prevista no art. 163 
do CTN. 
Observação: Como atualmente os pagamentos são feitos diretamente na 
rede bancária, não há supervisão da autoridade administrativa para 
determinar a ordem em que os créditos devem ser pagos. Contudo, para fins 
de prova, tudo isso que será visto adiante é plenamente válido. 
Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do 
mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de 
direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou 
provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade 
administrativa competente para receber o pagamento 
determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, 
na ordem em que enumeradas: 
I - em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo 
lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; 
II - primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por 
fim aos impostos; 
III - na ordem crescente dos prazos de prescrição; 
IV - na ordem decrescente dos montantes. 
 Os incisos do art. 163 devem ser seguidos de forma hierárquica. Assim, 
em primeiro lugar, deve-se dar prioridade aos débitos em que o 
contribuinte figura como contribuinte, e só depois àqueles pelos quais é 
responsável. 
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 Não sendo possível tal distinção, ou seja, digamos que em todos os 
débitos o sujeito passivo seja contribuinte. Neste caso, o segundo critérios diz 
respeito ao caráter contraprestacional do tributo. Assim, deve-se dar 
prioridade àqueles que são ³mais vinculados´ (contribuições de 
melhoria), e só depois receber os débitos que são ³menos vinculados´, até que 
se chegue aos impostos (tributos não vinculados). 
 Se ainda assim persistirem as dúvidas, o próximo critério é o prazo 
prescricional. A autoridade administrativa deve dar prioridade àqueles cuja 
data de prescrição esteja mais curta. Faz todo o sentido, já que se não 
forem cobrados, há o risco de serem extintos pelas prescrição (como ainda 
vamos estudar). 
 Por último, caso os prazos de prescrição coincidam, a prioridade gira em 
torno do valor dos créditos. Nessa linha, têm prioridade os créditos 
tributários de maior valor. 
 Deve-se, então, seguir essa ordem, avançando para o próximo critério 
apenas se os dois créditos empatarem na primeira etapa, e assim 
sucessivamente até que se consiga estabelecer uma ordem de prioridade aos 
créditos objetos de pagamento. 
 Vamos esquematizar: 
CRITÉRIO PRIORIDADE + Æ - 
Pessoal Contribuinte/Responsável 
Vinculação do Fato Gerador Contribuição de Melhoria/Taxas/Impostos 
Prescrição Prazo mais curto/mais longo 
Valor do Crédito Valor maior/Valor menor 
 
 
Guarde o Mnemônico, pois já caiu no Exame de Ordem: 
Pe-Vi-Pre-Va 
2.1.4 ± Pagamento indevido e restituição 
 Em Direito Tributário, não há vontade das partes para surgimento 
da obrigação. Ocorrendo o fato gerador, surge a obrigação tributária. Do 
mesmo modo, se o cumprimento da obrigação (pagamento) foi maior do que o 
devido ou se é indevido, não há qualquer discussão acerca da devolução: o 
sujeito passivo possui o direito ser restituído. Nas palavras do legislador 
do CTN, o direito à restituição surge independentemente de prévio 
protesto. 
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Não importa quem calculou o montante devido, se 
foi o Fisco ou o sujeito passivo. 
 e�FRPXP�HQFRQWUDUPRV�TXHVW}HV�GH�SURYDV�TXH�PHQFLRQHP�³repetição 
do indébito tributário´�� 1mR� VH� DVVXVWH�� SRLV� VH� UHIHUH� ~QLFD� H�
exclusivamente ao direito do contribuinte de pleitear a restituição do que foi 
pago indevidamente. 
 Vamos ver o que diz o art. 165 do CTN: 
Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio 
protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a 
modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do 
artigo 162, nos seguintes casos: 
I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que 
o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou 
circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 
II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota 
aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou 
conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 
III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. 
Observação: O disposto no § 4º do art. 162 se refere à perda ou destruição 
da estampilha, ou o erro no pagamento por esta modalidade. Não há 
restituição neste caso. 
 As três hipóteses previstas no art. 165 do CTN se resumem basicamente 
em duas: restituição sem instauração de litígio (incisos I e II) e 
restituição com instauração de litígio (inciso III). Mais à frente, você 
entenderá o porquê de tal divisão, quando estudarmos os prazos que o sujeito 
passivo possui para pleitear a restituição. 
2.1.5 ± Restituição de tributo indireto 
 Lembre-se, inicialmente, que os tributos indiretos são aqueles em que o 
contribuinte de direito é efetua apenas o recolhimento da obrigação tributária, 
mas quem realmente arca com o ônus tributário é o contribuinte de fato. 
Assim, ao realizar, por exemplo, a venda de mercadorias, o comerciante inclui 
o valor do tributo nos preço da mercadoria. 
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 Nosso foco neste momento está em verificar como é feita a restituição 
dos tributos indiretos. Vamos recorrer, como sempre, ao CTN: 
Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, 
transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita 
a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de 
tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente 
autorizado a recebê-la. 
 Percebe-se, portanto, que a restituição somente será feita em duas 
situações: 
x Se o contribuinte de direito comprovar ter assumido o encardo do tributo, 
isto é, não o ter transferido; 
x Se o contribuinte de fato autorizar expressamente o contribuinte de direito 
a receber a restituição. 
 Em síntese, o contribuinte de direito (quem efetuou o recolhimento) deve 
comprovar que não houve transferência do ônus tributário a terceiro. Se 
houver transferido, que o contribuinte de fato o autorize apleitear a 
restituição. Caso contrário, não haverá restituição. 
 O entendimento do STF tem seguido essa linha, conforme fica 
demonstrado na seguinte súmula: 
Súmula STF 546 - Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, 
quando reconhecido por decisão, que o contribuinte "de jure" não recuperou 
do contribuinte "de facto" o "quantum" respectivo. 
 Deve-se destacar também que o entendimento do STJ (REsp 
903.394/AL) é no sentido de que o contribuinte de fato não possui 
legitimidade para pleitear a restituição do que foi pago indevidamente, 
no que se refere aos tributos indiretos. 
 
Somente o contribuinte de direito pode pleitear a 
restituição de tributo indireto. 
2.1.6 ± Restituição de juros e multas 
 Ao pleitear a restituição do tributo pago indevidamente, o sujeito passivo 
também possui direito à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora 
e da multa moratória paga a maior. 
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 Vamos ver um exemplo: Geraldo deve R$ 100,00, a título de tributo. A 
multa e os juros por atraso de pagamento são calculados pelas respectivas 
taxas de 10% e 5%. Supondo que Geraldo, por equívoco, entendeu que o 
tributo devido era de R$ 200,00 e efetuou o pagamento com atraso, acabou 
recolhendo o valor total de R$ 230,00. 
 No entanto, ao tomar conta de que o pagamento foi efetuado a maior, 
Geraldo tem direito de ser restituído em R$ 115,00 (R$ 100,00 de tributo, R$ 
10,00 de juros e R$ 5,00 de multa moratória). 
 Vejamos, então, o que diz o caput art. 167 do CTN: 
Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, 
na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades 
pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não 
prejudicadas pela causa da restituição. 
 Com relação às infrações de caráter formal, ou seja, multas punitivas, 
não há qualquer restituição, pois não decorrem do atraso do pagamento. 
2.1.7 ± Juros de mora e correção monetária na restituição 
 No tópico anterior, nós estudamos a restituição das multas e juros pagos 
indevidamente, em função do recolhimento do valor incorreto do tributo. 
Portanto, não se confunde com o que veremos a partir de agora: correção 
monetária e juros devidos sobre o valor a ser restituído. O que seria isso? 
 Da mesma forma que o contribuinte, ao recolher o tributo em atraso, 
deve arcar com os encargos financeiros, o Fisco também está sujeito ao 
pagamento de juros e correção monetária sobre o valor a ser restituído 
ao sujeito passivo. Vamos, então, neste tópico, estudar o termo inicial da 
fluência dos juros de mora e da correção monetária. 
 No que se refere aos juros de mora, o par. único do art. 167 estabelece 
que eles incidem sobre o valor da restituição, a partir do trânsito em julgado 
da decisão definitiva que determinar a restituição: 
Art. 167. (...): 
Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir 
do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. 
Observação: Juros não capitalizáveis são os juros simples. 
 Destaque-se que a jurisprudência mais recente do STJ tem caminhado 
no sentido de que, após a edição da Lei 9.250/1995, aplica-se a taxa SELIC 
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desde o recolhimento indevido, não podendo ser cumulada com 
qualquer outro índice de juros ou atualização monetária. 
2.1.8 ± Prazo para pleitear a restituição 
 Você se lembra quando estudamos o art. 165 do CTN? Naquele 
momento, eu havia dito que os incisos desse artigo se referem, basicamente, a 
duas situações distintas: restituição sem instauração de litígio (incisos I e 
II) e restituição com instauração de litígio (inciso III). 
 Pois bem, a partir de agora, estudaremos os prazos para pleitear a 
restituição nas duas situações. O que você deve saber, de antemão, é que o 
prazo é sempre de 5 anos, variando apenas o termo inicial da contagem 
desse prazo. 
 Os incisos I e II do art. 165 do CTN querem dizer a mesma coisa. 
Podemos dizer que se referem as mais diversas situações que levam o 
contribuinte a realizar o pagamento indevidamente, com exceção da hipótese 
prevista no inciso III do mesmo artigo, referente ao pagamento indevido 
realizado no curso de processo administrativo ou judicial. 
 Seguindo o raciocínio esposado acima, o art. 168, I, determina que o 
prazo para pleitear a restituição nas hipóteses tratadas nos incisos I e II do 
art. 165 é de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário. 
 Uma observação deve ser feita neste ponto: na sistemática do 
lançamento de ofício e por declaração, o pagamento extingue de imediato o 
crédito tributário. Contudo, no lançamento por homologação, não é bem assim 
que acontece. 
 Quando o tributo é lançado por homologação, o sujeito passivo tem o 
dever de efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, 
de sorte que a extinção definitiva do crédito tributário só ocorre com a 
homologação. 
 Como sabemos que o prazo que a autoridade possui para homologar é 
de 5 anos, e que muitas vezes a homologação ocorre tacitamente (automática, 
após o curso do prazo quinquenal), na prática, o sujeito passivo teria o prazo 
de 10 anos para pleitear a restituição. 
 Explique-se melhor: se a autoridade administrativa deixar ocorrer a 
homologação tácita, a extinção definitiva do crédito tributário ocorre 5 anos 
após a data do fato gerador. A partir daí, inicia-se a contagem do prazo para o 
contribuinte pleitear a restituição. Foi com base nesse raciocínio que o STJ 
VXVWHQWRX�D�WHVH�GRV�³���´� 
 Contudo, com o advento da LC 118/05, foi estabelecida a seguinte regra: 
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Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 
5.172, de 25 de outubro de 1966 ± Código Tributário Nacional, a 
extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a 
lançamento por homologação, no momento do pagamento 
antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. 
 Com base no dispositivo acima citado, podemos afirmar que o prazo 
estabelecido no art. 168, I, é contado a partir do momento do pagamento 
antecipado, nos tributos que seguem a sistemática do lançamento por 
homologação. Desse modo, o prazo de 5 anos conta-se do pagamento, da 
mesma forma como ocorre com as outras modalidades de lançamento. 
 
Pode-se afirmar que o prazo para buscar restituição, com 
base no art. 168, I, é de 5 anos, contados do 
pagamento indevido. 
 
Observação: O art. 4º, da LC 118/05, determinou que o art. 3º produz 
efeitos retroativos. O raciocínio do legislador era de que a norma era 
meramente interpretativa (CTN, art. 106, I). 
Contudo, a jurisprudência do STF e STJ já se encontra pacífica no 
sentido de que o citado art. 3º produz efeitos prospectivos. Sendo 
assim, todas as ações ajuizadas após a vigência da LC 118/05 estão 
submetidas ao novo prazo (apenas 5 anos), ainda que se refiram a 
pagamentos anteriores à vigência da referida LC. 
 Finalizado o estudo do inciso I, do art. 168, vamos avançar para o inciso 
II deste artigo, que se refere ao prazo para pleitear restituição de pagamento 
indevido, realizadono curso de processo administrativo ou judicial, em que se 
discute a legitimidade do lançamento. 
 Trata-se de situação de difícil verificação prática, que consiste no 
seguinte: o sujeito passivo ao obter uma decisão desfavorável, seja ela 
administrativa ou judicial, paga o tributo, oferecendo, em seguida, recurso 
contra a decisão condenatória. 
 Na realidade, o que é mais comum de acontecer é o não pagamento no 
âmbito do processo administrativo, pois as reclamações e os recursos 
nessa esfera têm o condão de suspender a exigibilidade do crédito 
tributário. No que se refere ao processo judicial, o sujeito passivo 
normalmente efetua o depósito do montante integral, que também 
suspende o crédito tributário, em vez de pagar o tributo. 
 O que se quis dizer na redação do dispositivo foi que o pagamento foi 
efetuado diante de decisão condenatória contra a qual cabia recurso. No 
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julgamento desse recurso, o sujeito passivo obteve anulação da decisão 
anterior, obtendo decisão favorável. É nesse momento que se inicia a 
contagem do prazo de 5 anos para pleitear a restituição. 
 Por último, ressalte-se que a contagem do prazo limite para pleitear 
a restituição não é afetada se o tributo, ou melhor, a lei instituidora do 
tributo for declarada inconstitucional. Guarde isso! 
2.1.9 - Prazo para anular decisão administrativa denegatória 
 Após a realização do pagamento indevido, o sujeito passivo pode pleitear 
a restituição tanto no âmbito administrativo como no Judiciário. Em qualquer 
caso, o prazo é de 5 anos. 
 Havendo opção pela via administrativa, tendo obtido decisão final 
desfavorável, o contribuinte tem o direito de acionar o Poder Judiciário, 
com vistas a anular a decisão administrativa que denegou a restituição 
do tributo pago indevidamente. 
 Vejamos o que diz o art. 169 do CTN: 
Art. 169. Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão 
administrativa que denegar a restituição. 
Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo início da 
ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data 
da intimação validamente feita ao representante judicial da Fazenda 
Pública interessada. 
 Repare que o dispositivo cria um evidente privilégio ao Fisco, devedor da 
ação de restituição proposta pelo sujeito passivo: o prazo exíguo de 2 anos. 
 O dispositivo também prescreve que ocorre a interrupção do prazo 
prescricional pelo início da ação judicial, que ocorre com a distribuição da 
ação. 
 Ademais, em vez de devolver o prazo integralmente, como é típico do 
fenômeno da interrupção, optou-se por recomeçar o prazo da metade, a partir 
da data da intimação (ou citação) feita ao representante judicial da Fazenda 
Pública. Trata-se de mais um privilégio, que impede que o prazo de 2 anos 
seja estendido. 
 Destaque-se que se o prazo for interrompido com 2 meses, por exemplo, 
o seu curso não será reiniciado pela metade, já que não se pode reduzir o 
prazo, para torná-lo inferior a 2 anos. No caso exemplificado, será reiniciada a 
contagem de mais 1 ano e 10 meses. 
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 A regra se refere à prescrição intercorrente, que ocorre caso o 
processo judicial não se conclua no prazo fixado. É claro que esse prazo só se 
exaure se o autor da ação (sujeito passivo) for o responsável pela paralisação 
do processo. 
 Embora possa parecer complexo, saiba que, nas questões objetivas, o 
assunto costuma ser cobrado pela literalidade do art. 169, o que torna a 
resolução das questões muito simples. 
2.2 - Compensação 
 A essência da compensação ocorre quando duas pessoas são devedoras 
e credoras uma da outra, simultaneamente. Por exemplo: Sebastião deve ao 
Município de Salvador R$ 250,00, e este deve a Sebastião R$ 100,00. As 
dívidas podem ser extintas até o montante em que se compensarem. No 
exemplo citado, Sebastião continuará devendo à Fazenda Municipal o valor de 
R$ 150,00. 
 Nesse sentido, o art. 170 do CTN estabelece o seguinte: 
Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou 
cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, 
autorizar a compensação de créditos tributários com créditos 
líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo 
contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) 
Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei 
determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, 
não podendo, porém, cominar redução maior que a 
correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a 
decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. 
 De início, cumpre-nos destacar que o art. 170 traz apenas as regras 
gerais acerca do instituto da compensação. Os detalhes devem ser 
estabelecidos na lei do ente federativo com o qual o contribuinte deseja 
realizar a compensação. Nesse ponto, vale frisar: a compensação somente 
se faz possível se houver lei autorizativa, estipulando quais os créditos 
que podem ser compensados. 
 
Não é suficiente a previsão no CTN para realizar a 
compensação. Cada ente federativo deve editar lei 
versando sobre a matéria. 
 Dito isso, vamos entender o dispositivo! 
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 Os créditos tributários são aqueles devidos pelo sujeito passivo, ou 
seja, são créditos da Fazenda Pública, mas representam débitos para o sujeito 
passivo. No que se refere aos créditos do sujeito passivo contra a 
Fazenda, a situação é oposta e bastante óbvia: o sujeito passivo é o credor, e 
a Fazenda, devedora. 
Observação: Os créditos do sujeito passivo não necessariamente 
possuem natureza tributária. 
 Os créditos tributários devem sempre estar vencidos, ou seja, quando o 
legislador permite que a compensação pode ter como objeto créditos vencidos 
ou vincendos, diz respeito aos créditos do sujeito passivo contra a 
Fazenda Pública. 
 Nessa esteira, se os créditos do sujeito passivo forem vincendos, ou seja, 
ainda estiverem por vencer, serão reduzidos (ajustados a valor presente) 
conforme os critérios definidos na lei autorizativa, desde que a redação não 
seja superior ao juro de 1% ao mês. 
 Os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda também devem 
ser certos (quanto à existência) e líquidos (quanto ao valor). Para 
ilustrar essa regra, vamos ver um exemplo prático de compensação: imagine 
que a lei tenha autorizado a compensação de créditos gerados por pagamento 
indevidos a título de tributo. Em vez de pleitear a restituição, seria muito mais 
simples ao sujeito passivo compensar com os créditos tributários que deve a 
Fazenda, correto? 
 Entretanto, como vimos em tópicos anteriores, a discussão da 
legitimidade de valor já pago ao Fisco indevidamente. Até que ocorra o trânsito 
em julgado da decisão judicial, o crédito do sujeito passivo não é certo (na 
decisão final, pode ser julgado que ele não existe), não podendo se 
tornar objeto de compensação, até que a decisão se torne irrecorrível. 
 Com base nesse raciocínio, a LC 104/2001 incluiu a seguinte regra no 
CTN: 
Art. 170-A. É vedada a compensação mediante oaproveitamento 
de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do 
trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 
 Ora, se não se pode compensar antes do trânsito em julgado, 
obviamente também não é possível realizar a compensação com base em 
medida liminar: 
Súmula STJ 212 - A compensação de créditos tributários não pode ser 
deferida por medida liminar. 
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Não caia em pegadinhas! Não é possível compensar 
créditos objetos de decisão judicial recorrível, 
medidas cautelares ou liminares ou, ainda, tutela 
antecipada. 
 Não obstante a proibição da compensação com base em liminar em 
mandado de segurança, a jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que o 
mandado de segurança constitui ação adequada para declarar direito à 
compensação tributária: 
Súmula STJ 213 - O mandado de segurança constitui ação adequada para a 
declaração do direito à compensação tributária. 
2.3 - Transação 
 No âmbito do Direito Tributário, a transação tem por objetivo por fim a 
um litígio ± administrativo ou judicial - instaurado entre o sujeito passivo e a 
Fazenda Pública. 
 Trata-se de uma forma alternativa para solucionar os conflitos entre as 
partes, mediante concessões mútuas, ou seja, cada parte cede parte de seu 
direito, a fim de que se chegue a um consenso. 
 
Diferentemente do Direito Civil, no Direito Tributário, a 
transação é terminativa (guarde essa palavra), ou seja, 
só existe diante de um litígio. 
 Não obstante a autorização da transação seja feita pela autoridade 
competente, nos termos do par. único do art. 171, a transação só pode 
ocorrer mediante lei autorizativa. 
 Como exemplo, a lei pode autorizar a Fazenda a deixar de receber parte 
do crédito tributário, com a condição de que o sujeito passivo desista do litígio 
e pague a parcela restante do crédito tributário dentro do prazo previsto. 
Observação: Veja que a extinção do crédito tributário pode ocorrer de forma 
combinada. No exemplo acima, uma parte foi extinta pela transação e a 
outra, pelo pagamento. 
 
 
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2.4 - Remissão 
 A remissão é conceituada como o perdão da dívida. Por se tratar de 
benefício fiscal, deve ser regulada em lei específica, conforme estabelece o 
art. 150, § 6º, da CF/88. 
Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a 
conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial 
do crédito tributário, atendendo: 
I - à situação econômica do sujeito passivo; 
II - ao erro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto a 
matéria de fato; 
III - à diminuta importância do crédito tributário; 
IV - a considerações de equidade, em relação com as características 
pessoais ou materiais do caso; 
V - a condições peculiares a determinada região do território da entidade 
tributante. 
Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito 
adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. 
 Observe que o art. 172 do CTN traz regras direcionadas ao legislador. Ou 
seja, ao editar a lei específica concessora da remissão, o legislador deve seguir 
as diretrizes estabelecidas na norma acima. 
 Uma observação a ser feita é que não há conflito entre o que está 
previsto no art. 108, § 2º, do CTN, com o art. 172, IV. Quando estudamos as 
técnicas de integração, vimos que o aplicador da lei não pode utilizar da 
equidade como forma de dispensa do pagamento de tributo devido. 
Diferentemente disso, o art. 172, IV, permite que o legislador conceda 
remissão, considerando as características pessoais o materiais do caso, com 
base na equidade. 
 Destaque-se que a remissão pode se referir ao perdão tanto de 
tributo como de multas, desde que já tenha sido constituído o crédito 
tributário. Se, por outro lado, ainda não tiver havido o lançamento, o 
benefício será concedido sob a forma de isenção (para tributos) ou anistia 
(para multas), hipóteses de exclusão do crédito tributário, que são estudadas 
em tópico próprio. 
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Se o crédito tributário está constituído = Remissão 
(tributo ou multa) 
Se o crédito tributário não está constituído = Isenção 
(tributo) ou Anistia (multa) 
 Por fim, vamos relembrar do mnemônico MARIPA. Aplicam-se as regras 
da moratória concedida em caráter individual (CTN, art. 155) à remissão, 
quando também estiver sendo concedida individualmente. 
 Vamos, então, relembrar como funciona: você deve saber que a 
remissão individual não gera direito adquirido. Por isso, em alguns casos, 
basta que o sujeito passivo comprove que faz parte do rol daqueles alcançados 
pela remissão. 
 De qualquer modo, não estando satisfeitos os requisitos ou as condições, 
a remissão é revogada, ficando o sujeito passivo obrigado a pagar o 
crédito tributário acrescido de juros de mora. Caso seja constatado que 
houve dolo ou simulação do beneficiado ou de terceiro para se beneficiar 
ilicitamente da remissão, haverá, ainda, imposição de penalidade. 
 Cabe ressaltar também que há outra consequência, em se tratando da 
revogação da remissão: a contagem do prazo de prescrição. Se houve dolo ou 
simulação, o tempo decorrido entre a concessão da remissão e sua revogação 
não é contado para fins de prescrição. Por outro lado, se não houve dolo ou 
simulação, a revogação da remissão só pode ocorrer antes de findar o prazo 
prescricional. 
2.5 - Decadência 
 Sabe-se que, com a ocorrência do fato gerador, surge a obrigação 
tributária. No entanto, a dívida somente se torna exigível com o lançamento, 
que é o procedimento administrativo que constitui o crédito tributário. O prazo 
decadencial é justamente o prazo que a autoridade administrativa 
possui para promover o lançamento. No fim do prazo decadencial, ocorre a 
decadência. 
 Já o prazo prescricional é aquele que a Fazenda Pública possui, 
após o lançamento definitivo do tributo, para promover a ação de 
execução fiscal, com o objetivo de satisfazer o crédito tributário. No fim do 
prazo prescricional, ocorre a prescrição. 
 Veja, então, que, antes do lançamento corre prazo decadencial, e após o 
lançamento, prazo prescricional. Pode-se dizer, a grosso modo, que o 
lançamento é marco que divide o prazo decadencial do prazo 
prescricional. 
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 Nesse ponto do nosso estudo, alguns detalhes devem ser frisados: 
x Tanto o prazo decadencial como o prescricional são de 5 anos (a distinção 
ocorre na fixação do termo inicial de contagem); 
x Tanto a decadência como a prescrição são causas de extinção do crédito 
tributário (art. 156, V). 
x O lançamento é o marco que divide o prazo decadencial do prazo 
prescricional. 
 Conforme o entendimento da jurisprudência e da doutrina, extinto o 
crédito, seja pela decadência ou pela prescrição, não há qualquer direito da 
FazendaPública em receber o crédito. Portanto, se o contribuinte paga 
crédito prescrito ou decaído, faz jus à restituição. 
 Deve-se destacar que, de acordo com o art. 146, III, b, da CF/88, cabe 
à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de 
prescrição e decadência tributárias. Sendo assim, não poderia, por 
exemplo, uma lei ordinária estabelecer prazos diferentes do que foi previsto no 
CTN (norma recepcionada com status de lei complementar). 
 Foi nessa linha que a Súmula Vinculante nº 8 do STF declarou 
inconstitucionais os dispositivos que previam prazo decadencial e 
prescricional de 10 anos, contrariando o disposto no CTN. 
 Além desse conhecimento básico acerca do instituto da decadência, é 
necessário conhecer as diferentes formas de contagem do prazo de 5 anos. 
Vamos, a partir deste momento, estudar cada uma delas. 
2.5.1 ± Regra geral de contagem 
 A regra geral de contagem do prazo decadencial está prevista no art. 
173, I, do CTN. De acordo com esse dispositivo, o direito de a Fazenda Pública 
constituir o crédito tributário (decadência) extingue-se em 5 anos, contados 
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento 
poderia ter sido efetuado. 
 Em tese, o lançamento pode ser efetuado logo após a ocorrência 
do fato gerador. Portanto, o início da contagem do lapso temporal de 5 anos 
ocorre no dia 1º de janeiro do ano seguinte em relação à data de ocorrência do 
fato gerador. 
 A título de exemplo, imagine que o fato gerador de determinado tributo 
ocorra no dia 10 de janeiro de 2014. Nesse caso, o prazo decadencial começa 
a ser contado a partir de 01 de janeiro de 2015. A decadência, então, se 
consome no dia 01 de janeiro de 2020, exatamente 5 anos depois. 
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 É muito importante que você perceba que, muito embora o prazo seja de 
5 anos, as regras de contagem podem fazer com que o prazo chegue 
praticamente aos 6 anos, se o fato gerador tiver ocorrido no dia 01 de janeiro, 
por exemplo. 
 Cumpre-nos destacar que a regra geral não se aplica aos tributos 
lançados por homologação. A contagem do prazo decadencial nos tributos 
em que se aplica tal modalidade de lançamento recebeu tratamento específico, 
o qual será estudado mais adiante. 
 
O prazo decadencial possui regras específicas para os 
tributos lançados por homologação. 
2.5.2 ± Regra da antecipação da contagem 
 A regra da antecipação da contagem do prazo decadencial está prevista 
no par. único do art. 173, do CTN, que estabelece o seguinte: 
Art. 173 - (...): 
Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se 
definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data 
em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário 
pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida 
preparatória indispensável ao lançamento. 
 Nós vimos que a regra geral é que o prazo decadencial seja contado a 
partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento 
poderia ter sido efetuado, correto? 
 Ocorre que, se nesse intervalo (entre a data do fato gerador e o primeiro 
dia do exercício seguinte) a autoridade fiscal notificar o sujeito passivo de 
alguma medida indispensável ao lançamento, como o início de um 
procedimento de fiscalização, por exemplo, haverá antecipação da 
contagem do prazo decadencial para a data em que o sujeito passivo 
toma ciência do termo de início de fiscalização. 
 
Se a notificação do início de procedimento fiscal ocorrer 
DSyV�R�³SULPHLUR�GLD�GR�H[HUFtFLR�VHJXLQWH´��não haverá 
impacto sobre o curso do prazo decadencial. 
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2.5.3 ± Regra da anulação do lançamento por vício formal 
 Consoante o disposto no art. 173, II, do CTN, o direito de a Fazenda 
Pública constituir o crédito tributário extingue-se após o prazo de 5 anos, 
contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver 
anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. 
 Trata-se de uma regra bastante tranquila de se entender. Vamos ver um 
exemplo prático: 
 Determinado sujeito passivo é notificado do lançamento de um tributo 
contra ele efetuado. Discordando de alguns aspectos descritos na notificação, o 
sujeito passivo impugna o lançamento. Ao final do litígio, chega-se à conclusão 
que, embora o fato gerador tenha ocorrido, a autoridade que promoveu o 
lançamento não possuía competência para o ato. A consequência disso é a 
anulação do lançamento. 
 De acordo com o que estudamos até o momento, se houve lançamento, 
não há mais contagem de prazo decadencial, e sim prescricional. Contudo, 
veja que o lançamento foi anulado em decorrência de vício formal. 
Observação: 
Vício formal: diz respeito aos requisitos burocráticos. 
Exemplo: competência da autoridade. 
 
Vício material: diz respeito à obrigação tributária. 
Exemplo: não ocorrência do fato gerador. 
 Em decorrência da anulação, a Fazenda Pública deverá promover novo 
lançamento, corrigindo os erros formais ocorridos no lançamento anterior. Para 
isso, ela possui novamente à sua disposição o prazo de 5 anos, contados da 
data da decisão definitiva que anulou o lançamento. 
 
A devolução do prazo decadencial ocorre integralmente, 
ou seja, mais 5 anos para a Fazenda realizar novamente 
o lançamento. Contudo, a regra somente se aplica 
quando o o vício do lançamento é formal. 
 A devolução integral do prazo decadencial é denominada 
interrupção de prazo decadencial. Esse é o entendimento de parte da 
doutrina, e que já foi encampado pelo CESPE. Há quem entenda também que 
se trata de novo prazo decadencial, não havendo interrupção. 
Observação: 
A interrupção de um prazo, seja ele decadencial ou prescricional, indica 
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que o prazo antigo é abandonado e novo prazo começar a ser contado 
novamente. Ou seja, o prazo é integralmente devolvido. 
 
A suspensão de um prazo indica que a contagem é suspensa, retornando, 
quando legalmente determinado, do momento em que havia parado. 
2.5.4 ± Prazo decadencial nos tributos lançados por homologação 
 Na modalidade de lançamento por homologação, o sujeito passivo efetua 
o pagamento antecipado, sem prévio exame da autoridade administrativa. 
Posteriormente, esta homologa o lançamento, extinguindo o crédito tributário. 
 O prazo para homologação, como já foi visto no nosso curso, é de 5 
anos, contados da data da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, § 
4˾). Se a homologação não ocorrer dentro do prazo, haverá a homologação 
tácita, ou seja, considera-se que o procedimento levado a cabo pelo 
contribuinte estava correto. 
 O curso desse prazo também possui outra função, que é a possibilidade 
de a Fazenda Pública constatar eventuais diferenças que deixaram de 
ser pagas e constituir de ofício tais valores, com base no art. 149, V, do 
CTN. 
 Portanto, o prazo de 5 anos, contados da data da ocorrência do 
fato gerador é o prazo decadencial que a Fazenda possui para homologar a 
atividade do sujeito passivo e, sendo o caso, efetuar lançamento suplementar. 
 Contudo, nem sempre o prazo quinquenal é contado a partirda 
data de ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, § 4º). Há algumas 
exceções que serão vista a partir de agora. 
 Nos casos em que o sujeito passivo não declara nem paga qualquer 
valor até a data do vencimento, aplica-se a regra geral das demais 
modalidades de lançamento, ou seja, o prazo de 5 anos é contado a partir 
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter 
sido efetuado (CTN, art. 173, I). 
 Por outro lado, se o sujeito passivo declara e paga o crédito 
tributário apenas de forma parcial, a regra é aquela típica dos tributos 
lançados por homologação, ou seja, conta-se 5 anos a partir da data do 
fato gerador (CTN, art. 150, § 4º). 
Observação: Neste caso, como já foi dito, eventuais diferenças ficam 
sujeitas ao lançamento suplementar, realizado de ofício, com base no art. 
149, V, do CTN. 
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 Cabe destacar que o próprio § 4º, do art. 150, do CTN, excetua da regra 
dos tributos lançados por homologação quando for comprovada a 
ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Diante da inexistência de regra 
específica sobre o assunto, aplica-se também nesta situação a regra geral 
da decadência, prevista no art. 173, I, do CTN. 
 Por último, temos também a situação em que o contribuinte presta a 
declaração, mas não efetua o pagamento devido no vencimento. Nesse 
caso, entende o STJ que a declaração do sujeito passivo é suficiente para 
constituir o crédito tributário (sem o respectivo lançamento), 
correndo, a partir da data de vencimento do tributo, o prazo 
prescricional. 
 Nesse sentido, veja a Súmula 436, lavrada pelo STJ: 
Súmula STJ 436 - A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo 
débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra 
providência por parte do fisco. 
 Vejamos um exemplo prático: a Declaração de Débitos e Créditos 
Tributários Federais (DCTF) é uma declaração obrigatória para pessoas 
jurídicas em geral, referindo-se a diversos impostos e contribuições federais. O 
objetivo é informar o fisco sobre os tributos apurados pela empresa. A entrega 
dessa declaração constitui o crédito tributário, dispensando as providências do 
fisco nesse sentido. 
 Há que se destacar que, prestando a declaração desacompanhada de 
pagamento no vencimento, o sujeito ativo da obrigação tributária pode 
inscrever o sujeito passivo em dívida ativa, atividade preparatória para 
promover a ação de execução fiscal. Esquematizando: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Contribuinte 
declara e 
paga 
DECADÊNCIA ± Lançamento por Homologação 
Art. 150, § 4º Conta-se da data do fato gerador 
Contribuinte 
não declara 
nada 
Art. 173, I Conta-se do 1º dia do ano seguinte 
Dolo, fraude 
ou 
simulação 
Art. 173, I Conta-se do 1º dia do ano seguinte 
Contribuinte 
declara e 
não paga 
Ocorre a constituição do crédito tributário (sem lançamento). 
 
Inicia-se o prazo prescricional, a partir da data de vencimento 
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Observação: Para entender melhor o nosso esquema, lembre-se que o prazo 
é sempre de 5 anos, alterando apenas a data a partir da qual se conta o 
referido prazo. 
2.6 ± Prescrição 
 Como já foi dito, opera-se a prescrição quando não há propositura de 
ação de execução fiscal dentro do prazo estabelecido no CTN, com o 
objetivo de cobrar do sujeito passivo o crédito tributário na via judicial. 
 O prazo para que se promova a ação de execução fiscal é de 5 anos, 
contados da data da constituição definitiva do crédito tributário. 
Dissemos anteriormente que, após o lançamento, o prazo era prescricional, e 
de fato é. Contudo, tal prazo só começa a ser contado a partir do dia em que 
não mais se discute a legitimidade do lançamento, ou seja, a partir do dia 
em que o crédito tributário é considerado definitivamente constituído. 
 Importa-nos saber quando ocorre a constituição definitiva do crédito. 
Novamente, vamos nos lembrar: ao ser notificado do lançamento, o sujeito 
passivo tem um prazo fixado em lei para pagar ou impugnar o lançamento. 
 Caso o sujeito passivo cumpra com a obrigação tributária, pagando o 
tributo contra ele lançado, o crédito tributário é extinto pelo próprio 
pagamento (CTN, art. 156, I). 
 Se, por outro lado, o sujeito passivo impugnar o lançamento, instaura-se 
um litígio entre a Fazenda Pública e o contribuinte ou responsável, em que se 
discute o crédito tributário. Ao final, caso a decisão seja desfavorável ao 
sujeito passivo, mantendo o crédito lançado, ocorre a constituição 
definitiva do crédito tributário. 
 Imaginemos, ainda, que o sujeito passivo, notificado do lançamento, não 
tome qualquer medida para efetuar o pagamento ou impugnar o lançamento. 
Nesse caso, também haverá a constituição definitiva do crédito tributário. 
 Perceba, então, que a constituição definitiva está relacionada ao fato de 
o lançamento não poder mais ser discutido. Afinal de contas, se o prazo 
prescricional é o prazo para a Fazenda promover a execução fiscal do sujeito 
passivo, não faz sentido algum executar algo que não se sabe ao certo 
se continuará existindo (a impugnação pode resultar na anulação do 
cancelamento). 
 
 
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Estando o crédito tributário prescrito, ao fim do prazo quinquenal 
previsto no CTN, o que ocorre se a Fazenda Pública ainda assim 
executar o sujeito passivo? 
Neste caso, vale a Súmula 409 do STJ, cuja redação é a seguinte: ³(P�
execução fiscal, a prescrição ocorrida antes da propositura da ação pode ser 
GHFUHWDGD�GH�RItFLR��DUW�������†��ž��GR�&3&��´ 
Veja que a prescrição será decretada de ofício pelo juiz, e isso pode se dar 
mesmo sem a oitiva da Fazenda Pública, conforme demonstra a 
jurisprudência do STJ, na ementa do julgamento do REsp 733.286-RS. 
 Por fim, vale lembrar que o art. 146, III, b, da CF/88, determina que 
cabe à lei complementar definir normas gerais acerca da decadência e 
prescrição tributária. Portanto, somente outra lei complementar poderia 
alterar os prazos ou criar outras regras e restrições. 
2.6.1 ± Interrupção do prazo prescricional 
 O legislador do CTN estabeleceu algumas situações que interrompem o 
prazo prescricional. Interromper significa que o prazo é integralmente 
GHYROYLGR��FRQWDGR�GR�³]HUR´�QRYDPHQWH� 
 Vejamos, então, o que diz o art. 174 do CTN: 
Art. 174 - (...): 
Parágrafo único. A prescrição se interrompe: 
I ± pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; 
(Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) 
II - pelo protesto judicial; 
III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; 
IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que 
importe em reconhecimento do débito pelo devedor. 
 São quatro hipóteses de interrupção do prazo prescricional. Nas três 
primeiras, a interrupção é consequência de ato judicial. Apenas a última se 
refere à possibilidade de o ato ser realizado na órbita administrativa 
(extrajudicial). 
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Observação: O inciso IV traz também a única hipótese em que ocorre 
interrupção da prescrição por iniciativa do devedor. 
 
 
Se cair na prova uma questão afirmando a 
possibilidade de o prazo prescricional ser 
interrompido por iniciativa do devedor, a assertiva 
estará correta! 
 O art. 174, I, traz como hipótese interruptiva do prazo prescricional o 
despacho do juiz que ordena citação em execução fiscal. Vamos 
entender o que vem a ser isso! 
 Ao admitir a ação de execução fiscal, o juiz realiza o despacho que 
ordena a citação do devedor, e é esse despacho que faz com que se 
interrompa a prescrição, devolvendo integralmente o prazo de 5 anos à 
Fazenda Pública. 
 Tome muito cuidado, pois antes da LC 118/05, a redação desse inciso 
HUD�³SHOD�FLWDomR�SHVVRDO�IHLWD�DR�GHYHGRU´��2X�VHMD��QmR�HUD�R�GHVSDFKR��PDV�
a notificação pessoal ao devedor. Na prática, o devedor poderia ³IXJLU´��H�QmR�
ser notificado. Por esse motivo, alterou-se para o momento do despacho 
que ordena a citação. 
 
O que interrompe a prescrição é o despacho, e não a 
citação pessoal! Guarde muito bem isso! 
 No tocante ao protesto judicial, previsto no art. 174, II, do CTN, trata-
se de medida judicial intentada pelo credor (Fazenda Pública), com o objetivo 
de manifestar sua intenção de ver satisfeito o seu direito. 
 De acordo com Eduardo Sabbag, 
À luz do crédito tributário, o protesto judicial somente se justifica na 
hipótese de a Fazenda estar impossibilitada de ajuizar a execução fiscal, 
diante da iminência do término do prazo prescricional. 
(SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. 5ª Edição. 2013. 
Pág. 829) 
 Em relação aos atos judiciais que constituam em mora o devedor 
(CTN, art. 174, III), deve-se destacar que são as notificações, intimações ou 
interpelações judiciais, com a finalidade de manifestar a intenção do credor em 
receber a dívida. Podemos afirmar, então, que o protesto judicial, disposto no 
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inciso anterior, está contido entre os atos judiciais que constituam em mora o 
devedor. 
 Por último, quando o art. 174, IV, mencionou ato do devedor, ainda 
que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito, não quis 
dizer nada além da conhecida confissão de dívida, que pode ocorrer tanto 
na esfera administrativa como na judicial. 
 Imagine que a autoridade administrativa tenha realizado o lançamento 
de algum tributo e notificou o devedor. Considere ainda que o contribuinte 
manteve-se inerte, ou seja, não pagou nem impugnou o lançamento dentro do 
prazo previsto na legislação do respectivo ente federativo. Ocorrida a 
constituição definitiva do crédito tributário, tem início o prazo prescricional, 
para que se promova a ação de execução fiscal. 
 Passados dois anos, o devedor solicita à Fazenda o parcelamento de 
referido débito. Obviamente, o sujeito passivo está nesse momento 
reconhecendo que possui uma dívida com o Fisco. Interrompe-se, então, 
a prescrição, fazendo com que o Fisco tenha novamente 5 anos para promover 
a execução fiscal. 
 
São exemplos típicos de confissão de dívida: pedido de 
parcelamento e pedido de compensação de débito. 
 Por fim, é importante ressaltar que a consulta administrativa não é 
modo de interrupção de prescrição. Guarde muito bem isso, pois esse é o 
entendimento do STJ (EDcl no REsp 87.840/BA). 
2.6.2 ± Suspensão do prazo prescricional 
 Distintamente do que ocorre com a interrupção da prescrição, na 
suspensão, o prazo deixa de ser contado, até que se encerre a situação 
o que suspendeu. Após esse evento, continua-se o curso do prazo 
prescricional do ponto onde havia parado. Ou seja, não há devolução 
integral do prazo, mas apenas suspensão temporária. 
 O CTN não dispôs expressamente sobre a suspensão da 
prescrição, mas a doutrina e a jurisprudência reconhecem hipóteses de 
prescrição, previstas indiretamente no CTN, em decorrência da lógica de 
aplicação dos dispositivos ali prescritos. 
 Em primeiro lugar, vamos nos lembrar das hipóteses de suspensão do 
crédito tributário. Vimos que o que se suspende não é o direito de lançar, mas 
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sim a exigibilidade do crédito, impedindo a Fazenda Pública de promover 
a ação de execução fiscal. 
Observação: A execução fiscal é disciplinada pela Lei 6.830/1980, a 
conhecida Lei de Execuções Fiscais, ou simplesmente LEF. 
 Nessa esteira, se a Fazenda está impedida de promover a ação de 
execução fiscal, não há lógica alguma em correr o prazo prescricional, que tem 
como objetivo justamente punir o sujeito ativo, por se manter inerte em 
relação ao seu direito de exigir a dívida tributária, por meio da execução fiscal. 
 Dessa forma, devemos memorizar que, se há suspensão da 
exigibilidade do crédito tributário, também estará suspenso o curso do 
prazo prescricional. 
 
A suspensão do prazo prescricional permanecerá até que 
o crédito se torne exigível. 
 Cabe destacar também que quando a moratória em caráter individual 
for obtida fraudulentamente (dolo ou simulação), o tempo decorrido entre 
a sua concessão e a revogação não é contado para fins de prescrição, 
conforme consta no par. único do art. 155. Sendo assim, pode-se 
visualizar mais uma hipótese de suspensão do prazo prescricional. 
 Como o art. 155 também se aplica aos outros benefícios fiscais 
(MARIPA) previstos no CTN, quando concedidos de modo individual, podemos 
dizer que também haverá suspensão da prescrição, se houver situação 
semelhante à qual acabamos de estudar, ou seja, a obtenção fraudulenta de 
moratória, anistia, remissão, isenção e parcelamento. 
 A título de exemplo, caso o sujeito passivo se passe por outra pessoa 
para fazer jus à isenção de caráter individual no ano de 2013, e o Fisco 
descubra a fraude perpetrada em 2015, revogando-a, esses dois anos (entre a 
concessão e a revogação) não são contados para fins de prescrição. Portanto, 
houve suspensão do prazo prescricional por dois anos. 
 Outro caso de suspensão da prescrição é o disposto no art. 2º, § 3º, da 
Lei 6.830/1980 (LEF), cuja redação é a seguinte: 
§ 3º - A inscrição, que se constitui no ato de controle administrativo da 
legalidade, será feita pelo órgão competente para apurar a liquidez e 
certeza do crédito e suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de 
direito, por 180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se 
esta ocorrer antes de findo aquele prazo. 
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 Como funciona isso? Lembre-se de que, com o lançamento, a dívida se 
torna exigível, mas é somente após a inscrição do crédito tributário em 
dívida ativa que este se torna exequível, isto é, passível de execução 
judicial. Portanto, para promover a ação de execução fiscal, é necessário que a 
Fazenda Pública inscreva o crédito tributário em dívida ativa. 
Observação: No âmbito federal, essa tarefa cabe à Procuradoria-Geral da 
Fazenda Nacional (PGFN), responsável por efetuar o exame de legalidade, 
certeza e liquidez.Desse modo, a LEF definiu que a inscrição do crédito tributário em dívida 
ativa suspende a prescrição por 180 dias, ou até a distribuição da execução 
fiscal, se esta ocorrer antes daquele prazo. 
 Isso significa que, inscrito o crédito, a Fazenda Pública tem um 
acréscimo de até 180 dias para promover a ação de execução fiscal, até que 
esta seja distribuída. Depois disso, o prazo volta a fluir, mas logo a seguir, com 
o despacho do juiz ordenando a citação (CTN, art. 174, I), ocorre a interrupção 
da prescrição, o que faz com que o prazo de 5 anos seja integralmente 
restituído. 
 A grande discussão doutrinária e jurisprudencial é que a LEF não poderia 
tratar de prescrição tributária, por ser tema cuja regulamentação compete 
exclusivamente à lei complementar, nos termos do art. 146, III, b, da CF/88. 
Nesse sentido, para o STJ (REsp 249.262/DF), a LEF não pode estipular 
causa de suspensão do prazo prescricional não prevista no CTN. Sendo assim, 
o art. 2º, § 3º, da LEF, não pode ser aplicado para execuções fiscais de 
dívida ativa de natureza tributária. 
Há, na LEF, mais uma previsão de suspensão do prazo prescricional. 
Trata-se dos casos em que, no curso da ação de execução fiscal, não for 
localizado o devedor ou encontrados bens sobre os quais possa recair a 
penhora (LEF, art. 40). 
 Em tais casos, admite-se a suspensão da prescrição pelo prazo máximo 
de um ano. Se, até, então, não for localizado o devedor ou encontrados bens 
penhoráveis, o juiz ordenará o arquivamento dos autos (LEF, art. 40, § 2º). 
 Nesse sentido, o STJ editou a seguinte súmula: 
Súmula STJ 314 ± Em execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, 
suspende-se o processo por um ano, findo o qual se inicia o prazo da 
prescrição quinquenal intercorrente. 
 Sintetizando: 
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x Suspende-se o prazo prescricional enquanto o crédito tiver sua 
exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 (moratória, depósito do 
montante integral, reclamações e recursos administrativos, liminares ou 
tutelas antecipadas e parcelamento). 
x Suspende-se o prazo prescricional quando a moratória for concedida 
individualmente, em decorrência de artifício doloso, até que ocorra 
a revogação do benefício. Tal regra também se aplica aos seguintes 
benefícios fiscais: anistia, remissão, isenção e parcelamento. 
x Suspende-se o prazo prescricional com a inscrição do crédito 
tributário em dívida ativa por 180 dias, ou até a distribuição da execução 
fiscal, se esta se der primeiro. 
x Suspende-se por até um ano o prazo prescricional, quando não for 
localizado o devedor ou encontrados bens penhoráveis, no curso do 
processo de execução fiscal. 
2.7 ± Consignação em pagamento 
 A consignação em pagamento tem tudo a ver com a forma de extinção 
³SDJDPHQWR´�� WDQWR�p�TXH�R�SUySULR�&71�D� LQFOXLX�GHQWUR�GD�VHomR�TXH�FXLGD�
daquela modalidade de extinção do crédito tributário. 
 A ação de consignação em pagamento é movida no âmbito do 
Poder Judiciário, com o objetivo de que o sujeito passivo exerça o seu 
direito de pagar e quitar a obrigação tributária, quando se encontra 
impedido pelo próprio credor. 
 ³&RPR� DVVLP�� SURIHVVRU"´� e� LVVR� PHVPR� R� TXH� YRFr� RXYLX�� SRGH�
acontecer, entre outras situações possíveis, de o credor recusar o pagamento 
do tributo, condicionando-o ao pagamento de outra obrigação. 
 Vamos ver as hipóteses que foram previstas no art. 164 do CTN: 
Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada 
judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: 
I - de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao 
pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento 
de obrigação acessória; 
II - de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências 
administrativas sem fundamento legal; 
III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito 
público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador. 
§ 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o 
consignante se propõe pagar. 
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§ 2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa 
efetuado e a importância consignada é convertida em renda; 
julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobra-
se o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das 
penalidades cabíveis. 
 As hipóteses elencadas nos incisos I e II são os casos em que a Fazenda 
credora impõe condições absurdas ao contribuinte que não tem outra saída 
senão socorrer ao Judiciário. 
 Isso se deve ao fato de que, não pagando, o contribuinte fica sujeito 
também aos encargos moratórios (juros e multa), além da ação de 
execução fiscal, já que, se nenhuma medida for tomada, o crédito 
tributária continua plenamente exigível. 
 Imagine agora a situação prevista no inciso III: o contribuinte possui um 
apartamento no Município de Guarulhos, e recebe notificações de lançamento 
de IPTU tanto do Município de São Paulo como do Município de Guarulhos. 
Trata-se de bitributação. O que fazer se não se sabe exatamente quem é 
credor da obrigação? Move-se, então, uma ação judicial de consignação em 
pagamento. 
 Destaque-se que, de acordo com o § 1º do art. 164, a consignação 
somente pode versar sobre o crédito que o consignante (sujeito passivo) se 
propõe a pagar. Portanto, o sujeito passivo deve depositar o valor que 
entende devido. 
 Embora seja discutível no âmbito da doutrina e da jurisprudência qual 
valor deve ser depositado, se aquele exigido pelo fisco ou o que o sujeito 
passivo entende devido, devemos levar para a prova a literalidade do CTN, 
que parece se referir a este. 
 Ao término da ação, julgada procedente a consignação proposta pelo 
sujeito passivo, o pagamento tem-se por efetuado e o valor que foi 
consignado judicialmente é convertido em renda. 
Observação: Converter-se em renda significa transferir para o credor, com o 
objetivo de quitar o tributo devido. 
 Por outro lado, se a consignação for julgada improcedente, deve-se 
proceder ao pagamento da diferença devida, bem como dos acréscimos 
legais (juros de mora e penalidades cabíveis). 
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A extinção do crédito tributário não ocorre com a ação de 
consignação em pagamento, mas sim quando estiver 
julgada procedente. 
 Por último, deve ser salientada a distinção entre o depósito do montante 
integral e a ação de consignação em pagamento. Embora haja depósito do 
sujeito passivo em ambos os casos, o depósito do montante integral se refere 
a um ato isolado do sujeito passivo, podendo ocorrer tanto na via 
administrativa quando na judicial, com o objetivo de suspender o crédito 
tributário. 
 Por outro lado, a ação de consignação em pagamento consiste em um 
processo judicial, cujo objetivo é exercer o direito de pagar o crédito que tenha 
sido obstado pelo Fisco ou que tenha suscitado dúvida quanto ao real credor. 
Neste caso, o objetivo é pagar e extinguir o crédito. 
 
Na consignação, o sujeito passivo quer pagar. 
No depósito, o sujeito passivo quer discutir ou evitar o 
débito. 
2.8 ± Pagamento antecipado e a posterior homologação 
 Na sistemáticado lançamento por homologação, como já foi diversas 
vezes explicado no nosso curso, o sujeito passivo paga o tributo sem prévio 
exame da autoridade administrativa. 
 Após pelo pagamento do sujeito passivo, a autoridade administrativa 
possui determinado prazo para atestar a correção do procedimento e do valor 
recolhido, e só então homologa a atividade do contribuinte. 
 Nessa esteira, pode-se dizer a extinção definitiva do crédito tributário, no 
que se refere aos tributos lançados por homologação, apenas ocorre com a 
homologação do lançamento, ato que, como regra, pode levar até 5 anos, 
contados do fato gerador. 
 Note bem que, embora a extinção do crédito só se dê com a 
homologação do lançamento, para fins de definição do prazo inicial para 
pleitear a restituição, a LC 118/05 estabeleceu que é considerado extinto 
na data do pagamento. 
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O crédito lançado por homologação não é extinto na data 
do lançamento! Considera-se extinto apenas para 
fins de contagem de prazo para restituição. 
2.9 ± Conversão do depósito em renda 
 Com o depósito do montante integral, exigido pela Fazenda Pública, o 
sujeito passivo suspende a exigibilidade do crédito tributário. Havendo decisão 
em favor da Fazenda Pública, ocorre a conversão do depósito em renda do 
vencedor da ação. 
 Portanto, o crédito que anteriormente estava com a exigibilidade 
suspensa, com a decisão definitiva torna-se extinto. 
2.10 ± Decisão administrativa final 
 Ao ser notificado do lançamento contra ele efetuado, o sujeito passivo, 
como já foi visto, possui duas opções: pagar ou impugnar o lançamento. 
 Ao impugnar administrativamente o lançamento, o sujeito passivo dá 
início ao processo administrativo fiscal, seguindo as normas específicas do ente 
federativo que detém a competência tributária do tributo objeto de discussão. 
 Se a decisão final no âmbito administrativo for favorável ao 
sujeito passivo, o crédito tributário fica definitivamente extinto, com 
base no art. 156, IX. 
 ³(�VH�D�GHFLVmR�ILQDO�IRU�GHVIDYRUiYHO��SURIHVVRU"´� 
 Nesse caso, cabe ao contribuinte pagar o crédito tributário ou ajuizar 
ação judicial para discutir no Poder Judiciário a legitimidade do lançamento 
contra ele efetuado. 
2.11± Decisão judicial transitada em julgado 
 Dando continuidade ao que foi dito no tópico anterior, caso o contribuinte 
recorra ao Judiciário para discutir a procedência do lançamento, é a decisão 
transitada em julgado (contra a qual não cabe recurso) que determinará se o 
crédito tributário subsistirá ou não. 
 Caso a decisão seja favorável ao sujeito passivo, tem-se por 
extinto o crédito tributário. Se, por outro lado, a decisão for em favor da 
Fazenda Pública, não haverá outra opção ao sujeito passivo, senão o 
pagamento. 
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2.12 ± Dação em pagamento em bens imóveis 
 A dação em pagamento é instituto do direito privado, regulado pelos 
arts. 356 a 359 do Código Civil. Trata-se dH�³SDJDPHQWR´�HIHWXDGR�SRU�PHLR�GD�
entrega de bem ou direito que não seja moeda. 
 Na seara do Direito Tributário, a dação em pagamento somente passou a 
ser prevista como modalidade de extinção do crédito tributário com advento da 
LC 104/2001 . 
 Destacamos que a extinção só pode ser feita com bens imóveis. É 
muito comum as questões de prova armarem verdadeiras pegadinhas para 
fazer o aluno bem preparado tropeçar por descuido na rápida leitura da 
questão. Portanto, tome muito cuidado com isso. Repita-se: BENS IMÓVEIS. 
 0DV�FRPR� IXQFLRQD� LVVR"�2�FRQWULEXLQWH�SRGH�³VDLU´� WUDQVIHULQGR� LPyYHO�
para a Fazenda, como forma de quitar a obrigação tributária? Não é bem 
assim! 
 Para que seja feita a extinção do crédito tributário mediante dação em 
pagamento em bens imóveis é necessário que cada ente federado edite 
lei autorizativa para disciplinar como será feita essa transferência e em que 
hipóteses pode ser feita. 
 
A dação em pagamento depende de lei autorizativa, 
editada por cada esfera do Estado. 
 Há quem entenda que a previsão da dação em pagamento como forma 
de extinção do crédito tributário tenha promovido a derrogação (revogação 
parcial) do art. 3º do CTN, que disciplina que o tributo deve ser uma prestação 
³HP�PRHGD´� 
 O raciocínio esposado não merece prosperar, haja vista que o próprio 
DUW���ž�GR�&71�SHUPLWH�TXH�R�WULEXWR�SRGH�VHU�SUHVWDomR�³HP�PRHGD�ou cujo 
valor nela se possa exprimir´�� &RP� EDVH� QLVVR�� HX� WH� SHUJXQWR�� Rs bens 
imóveis inegavelmente podem ser expressos em moeda. É evidente que sim. 
 
 
 
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Questão 06 ± FGV/XX Exame de Ordem Unificado/2016 
 
Após verificar que realizou o pagamento indevido de Imposto sobre Circulação 
de Mercadorias e Serviços - ICMS, determinado contribuinte requer 
administrativamente a restituição do valor recolhido. O órgão administrativo 
competente denega o pedido de restituição. 
Qual o prazo, bem como o marco inicial, para o contribuinte ajuizar ação 
anulatória da decisão administrativa que denega a restituição? 
A) 2 (dois) anos contados da notificação do contribuinte da decisão 
administrativa. 
B) 5 (cinco) anos contados da notificação do contribuinte da decisão 
administrativa. 
C) 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao fato 
gerador. 
D) 1 (um) ano contado da data do julgamento. 
 
Comentário: Para acertar esta questão, basta que o candidato conheça a 
literalidade do art. 169, do CTN: prescreve em dois anos a ação anulatória da 
decisão administrativa que denegar a restituição. Evidentemente, o prazo só 
pode ser iniciando quando da notificação do contribuinte da decisão 
administrativa. 
 
Gabarito: Letra A 
 
Questão 07 ± FGV/XVI Exame de Ordem Unificado/2015 
 
Determinado contribuinte verificou a existência de débitos vencidos de Imposto 
sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e da taxa de coleta de 
lixo com o Município M. Os dois tributos são relativos ao ano-calendário de 
2012 e se referem ao imóvel onde reside. O contribuinte pagou ao Município M 
montante insuficiente para a quitação de ambos os tributos. Diante de tais 
débitos, a autoridade administrativa municipal que recebeu o pagamento 
A) determinará, primeiramente, a imputação do pagamento à taxa e, 
posteriormente, ao imposto. 
B) determinará o pagamento na ordem decrescente dos prazos prescricionais. 
C) determinará o pagamento na ordem crescente dos montantes. 
D) determinará, primeiramente, a imputação do pagamento ao imposto e, 
posteriormente, à taxa. 
 
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Comentário: A imputação em pagamento ocorre quando um mesmo sujeito 
passivo deve dois ou mais créditos tributários a uma mesma Fazenda Pública. 
Nesse caso, o recebimento deve ser feito obedecendo a ordem prevista no art. 
163 do CTN. 
Primeiramente, deve-se dar prioridade aos débitosem que o contribuinte 
figura como contribuinte, e só depois àqueles pelos quais é responsável. Não 
sendo possível tal distinção, ou seja, digamos que em todos os débitos o 
sujeito passivo seja contribuinte. Neste caso, o segundo critérios diz respeito 
ao caráter contraprestacional do tributo. Assim, deve-se dar prioridade àqueles 
TXH�VmR�³PDLV�YLQFXODGRV´��FRQWULEXLo}HV�GH�PHOKRULD���H�Vy�GHSRLV�UHFHEHU�RV�
GpELWRV�TXH�VmR�³PHQRV�YLQFXODGRV´��DWp�TXH�VH�FKHJXH�DRV�LPSRVWRV��WULEXWRV�
não vinculados). 
Dessa forma, apenas com base nesse conhecimento somo capazes de afirmar 
que a alternativa que responde esta questão é a Letra A: a autoridade 
administrativa municipal que recebeu o pagamento determinará, 
primeiramente, a imputação do pagamento à taxa e, posteriormente, ao 
imposto. 
Gabarito: Letra A 
 
Questão 08 ± FGV/XVI Exame de Ordem Unificado/2015 
 
Em 2007, a pessoa jurídica Y recebeu notificação para pagamento de débitos 
de Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Em 2014, 
diante da constatação de que a contribuinte não havia apresentado qualquer 
impugnação e nem realizado o pagamento, o Município X ajuizou execução 
fiscal para a cobrança destes créditos. 
Considerando os fatos narrados e as disposições da Lei nº 6.830/80, o juiz, ao 
analisar a inicial da execução fiscal proposta pelo Fisco, 
A) poderá, de ofício, reconhecer e decretar a prescrição somente depois de 
ouvida a Fazenda Pública. 
B) poderá, de ofício, reconhecer e decretar a prescrição somente depois de 
ouvida a Fazenda Pública e a contribuinte. 
C) poderá decretar a prescrição de ofício, independentemente da prévia oitiva 
da Fazenda Pública. 
D) só poderá decretar a prescrição se esta vier a ser suscitada pela 
contribuinte. 
Comentário: Veja que o contribuinte foi notificado do lançamento do IPTU em 
2007, não impugnando o crédito tributário lançado. Assim sendo, o prazo 
prescricional tem seu início ainda em 2007. Em 2014, portanto, já ocorreu o 
término do prazo prescricional, de forma que o IPTU devido pela pessoa 
jurídica já se encontra prescrito. 
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(PERUD�D�TXHVWmR�PHQFLRQH�D�³/HL�Qž���������´��HVWi�UHWUDWDQGR�QD�YHUGDGH�D�
competência do juiz para decretar de ofício a prescrição material, assim 
considerada aquela que se dá antes da execução fiscal (decurso do prazo de 
05 anos). A única prescrição prevista expressamente na Lei nº 6.830/80 é a 
intercorrente, aquela ocorrida após a suspensão da execução, na hipótese do 
artigo 40 da Lei 6830/80. 
Dessa forma, a resposta desta questão está baseada na Súmula 409, do STJ, 
que permite que o juiz decrete a prescrição de ofício, e também da própria 
jurisprudência do STJ, que prega que a prescrição pode ser decretada mesmo 
sem a oitiva da Fazenda Pública. 
Gabarito: Letra C 
 
Questão 09 ± FGV/XIII Exame de Ordem Unificado/2014 
 
A pessoa jurídica XYZ Participações S.A., ao verificar que havia recolhido a 
maior o Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas - IRPJ - dos últimos dois 
anos, peticionou administrativamente, requerendo a repetição do indébito. No 
entanto, a Receita Federal do Brasil negou o pedido administrativo. 
Sobre a hipótese, assinale a afirmativa correta. 
A) O prazo para o contribuinte ajuizar ação anulatória é de 2 (dois) anos, a 
contar da data da decisão administrativa que indeferiu o pedido de repetição. 
B) O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 10 
(dez) anos, contados do pagamento espontâneo de tributo a maior. 
C) Para que o contribuinte assegure seu direito à restituição do indébito 
tributário, é necessário o prévio protesto. 
D) O contribuinte somente poderá receber o indébito reconhecido por ação 
ordinária por meio de precatório, não sendo possível o recebimento via 
compensação tributária. 
 
Comentário: Em face de decisão administrativa denegatória da restituição do 
tributo recolhido indevidamente, cabe ao sujeito passivo ajuizar ação 
anulatória dentro do prazo de dois anos a contar da data da própria decisão 
administrativa. É o que define o art. 169, do CTN. Bastava saber isso para 
acertar a questão. 
 
A Letra D levanta um tema bastante específico e já discutido pelo STJ (REsp 
614.577/SC). De acordo com esta Corte, ³RFRUULGR� R� WUkQVLWR� HP� MXOgado da 
decisão que determinou a repetição do indébito, é facultado ao contribuinte 
manifestar a opção de receber o respectivo crédito por meio 
de precatório regular ou mediante compensação, uma vez que constituem, 
ambas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição 
GD�SDUWH�TXDQGR�SURFHGHQWH�D�DomR´. Por esse motivo, a alternativa foi dada 
como errada. 
 
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Gabarito: Letra A 
 
Questão 10 ± FGV/VII Exame de Ordem Unificado/2012 
 
A expiração do prazo legal para lançamento de um tributo, sem que a 
autoridade administrativa fiscal competente o tenha constituído, caracteriza 
hipótese de: 
A) remissão. 
B) prescrição. 
C) decadência. 
D) transação. 
 
Comentário: A decadência traduz-se na expiração do prazo legal para 
lançamento do tributo, considerada uma das hipóteses de extinção do crédito 
tributário, conforme previsão no art. 156, V. 
 
Gabarito: Letra C 
 
Questão 11 ± FGV/VIII Exame de Ordem Unificado/2012 
 
2�6U��$IUkQLR�GRV�6DQWRV��DGPLQLVWUDGRU�GD�HPSUHVD�³;´��TXH� �DWXD�QR� UDPR�
industrial, percebeu ter efetuado pagamento do IPI maior que o efetivamente 
devido, ao longo de certo período. Com base no cenário acima, para fins de 
aconselhar o administrador acerca da possibilidade de obtenção da restituição 
do montante recolhido a maior, assinale a afirmativa correta. 
A) Não é possível a restituição, pois o pagamento foi espontâneo, incidindo a 
Pi[LPD�³TXHP�SDJD�PDO�SDJD�GXDV�YH]HV´� 
B) Não é possível a restituição, pois, embora pago indevidamente, não cabe 
restituição de tributo indireto. 
C) Cabe apenas pedido administrativo de restituição, em razão do pagamento 
indevido. 
D) Cabe pedido judicial de repetição de indébito, desde que a empresa 
comprove ter assumido o referido encargo, sem têǦlo transferido a terceiro. 
Comentário: A questão trata da restituição de IPI pago indevidamente, 
tributo tipicamente indireto. Portanto, aplica-se ao caso o art. 166, do CTN, 
FXMD�UHGDomR�p�D�TXH�VH�VHJXH��³$�UHVWLWXLomR�GH�WULEXWRV�TXH�FRPSRUWHP��SRU�
sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será 
feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo 
transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-OD�´ 
Desta forma, pela análise das alternativas apresentadas na questão, a única 
que corresponde ao que foi estabelecido no CTN é a Letra D, ou seja, cabe 
pedido judicial de repetição de indébito, desde que a empresa comprove ter 
assumido o referido encargo, sem têͲlo transferido a terceiro. 
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Gabarito: Letra D 
 
Questão 12 ± FGV/IX Exame de Ordem Unificado/2012 
 
Concessionária de veículos se insurge contra aumento da alíquota do IPI sobre 
automóveis nacionais e, antes mesmo da ocorrência do lançamentodo tributo 
em questão, ajuíza ação declaratória e efetua o depósito judicial do montante 
do valor tributado que considera devido. Após cinco anos e oito meses, ocorre 
o trânsito em julgado da decisão judicial proferida em favor da Fazenda 
Pública, a qual entende como devido o IPI integral. 
Considerando que a Fazenda Pública não adotou qualquer providência quanto 
ao lançamento do imposto devido durante o trâmite da ação judicial, tem-se 
que 
A) o IPI é devido e coincide com o valor depositado. 
B) o IPI é devido no valor cobrado pela Fazenda Pública. 
C) o IPI não é devido, uma vez que ocorreu a prescrição. 
D) o IPI não é devido, em razão da decadência. 
 
Comentário: 
 
Antes de ocorrer o lançamento do tributo em questão (IPI é lançado por 
homologação), a empresa ajuizou a ação declaratória, efetuando o depósito 
judicial do valor que considera devido (desconsiderando o aumento da 
alíquota). Em relação ao valor depositado, não há que se falar em decadência 
ou prescrição, já que o STJ (EREsp 686.470/RJ) entende que o depósito 
realizado judicialmente constitui o crédito tributário. 
 
No que se refere à diferença do imposto resultante da majoração da sua 
alíquota, como não houve declaração do sujeito passivo (caso tivesse sido 
declarado, seriam dispensadas as providências pelo fisco, conforme Súmula 
436 do STJ), nem o correspondente lançamento de ofício dentro do prazo 
decadencial, este valor foi extinto por conta da decadência. 
 
Assim sendo, o IPI devido é aquele valor que coincide com o depositado, sendo 
o depósito judicial convertido em renda em favor da União. 
 
Gabarito: Letra A 
 
Questão 13 ± FGV/III Exame de Ordem Unificado/2011 
 
Segundo o Código Tributário Nacional, remissão é: 
A) uma modalidade de extinção dos créditos tributários e consiste na liberação 
da dívida por parte do credor, respaldada em lei autorizativa. 
B) a perda do direito de constituir o crédito tributário pelo decurso do prazo. 
C) uma modalidade de exclusão dos créditos tributários com a liberação das 
penalidades aplicadas ao sujeito passivo, respaldada em lei autorizativa. 
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D) uma modalidade de extinção dos créditos tributários em razão da 
compensação de créditos entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, respaldada 
em lei autorizativa. 
 
Comentário: De acordo com o art. 156, IV, do CTN, a remissão é uma 
modalidade de extinção do crédito tributário. A remissão consiste no perdão da 
dívida por parte do sujeito ativo (credor), sempre sendo concedida mediante 
edição de lei autorizativa. 
 
Gabarito: Letra A 
 
3 ± EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 
 Com a ocorrência do fato gerador, surge a obrigação tributária, sendo 
esta o liame ente o sujeito passivo e o fisco. Contudo, nem sempre a dívida 
chega a se tornar exigível pelo lançamento. Isso ocorre porque a exclusão 
do crédito tributário tem a função de impedir a sua constituição. 
 Nesse sentido, veja que o crédito tributário não chega a ser 
constituído. Ilustrando a situação, conforme a linha do tempo por nós 
disponibilizada em aulas anteriores, teríamos algo da seguinte forma: 
 
 
 
 
 Estudamos em aula anterior que a legislação tributária que disponha 
sobre exclusão do crédito tributário deve ser interpretada literalmente. 
Reforçamos que, com essa aula, você também será capaz de responder as 
questões sobre interpretação da legislação tributária. 
 Também é verdade que o art. 141 do CTN estabeleceu que o crédito 
tributário regularmente constituído só pode ter sua exigibilidade 
excluída nos casos previstos no próprio CTN. 
 Vale frisar que a exclusão do crédito tributário não dispensa o 
cumprimento das obrigações acessórias. Ou seja, ainda que se deixe de 
arcar com a obrigação principal, a obrigação acessória subsiste. 
 Ainda em relação à exclusão do crédito tributário, o CTN estipulou duas 
modalidades, quais sejam: a isenção e a anistia. 
Instituição 
do Tributo 
por lei 
Ocorrência da situação 
prevista em lei 
Lançamento 
Hipótese de 
Incidência 
Fato Gerador 
(Surge Obrigação Tribut.) 
Crédito 
Tributário 
EXCLUSÃO 
Isenção ou 
Anistia 
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 A distinção básica entre os institutos gira em torno da obrigação que está 
sendo excluída. Se a obrigação excluída se refere a um tributo, temos um 
caso de isenção; se a obrigação excluída se referir a uma multa, temos a 
anistia. 
 Nesse ponto, é importante citar o § 6º, do art. 150, da CF/88: 
Art. 150 - (...): 
§ 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, 
concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a 
impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante 
lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule 
exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente 
tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, 
g. 
 
Concessão de subsídio, isenção, redução de base de 
cálculo, crédito presumido, anistia ou remissão deve 
ser feita somente por lei específica. 
 Daí, podemos concluir que se o Município deseja isentar certo 
contribuinte do pagamento do IPTU, deve editar lei específica, que regule 
exclusivamente sobre a isenção ou sobre o IPTU. O mesmo raciocínio deve ser 
aplicado aos tributos federais e estaduais e também às multas (anistia). 
 Feitas tais observações passemos ao estudo isolado da isenção e da 
anistia. 
3.1 - Isenção 
 Como foi visto, a isenção é a dispensa legal do pagamento de 
tributo devido, sendo considerada uma decisão política. Portanto, a isenção é 
um típico benefício ou incentivo fiscal. Lembre-se sempre de que a lei que 
concede isenção deve sempre ser específica. 
 De início, o CTN (art. 176, caput) assevera que a isenção, ainda 
quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as 
condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se 
aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. 
 O que nos chama atenção nesse momento é a isenção prevista em 
contrato. O que vem a ser isso? Trata-se dos casos em que o ente federado 
celebra contrato, com o intuito de conceder incentivos fiscais para atrair 
empresas para o seu território. 
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 No entanto, com base no art. 176, caput, do CTN e no art. 150, § 6º, da 
CF/88, a isenção deve ser concedida por lei. Nesse sentido, ainda que seja 
celebrado contrato, para o Direito Tributário a isenção deve estar prevista 
em lei. 
Observação: Nada impede que as regras contratuais sejam exigidas pela 
empresa no âmbito do Poder Judiciário, caso a lei não venha ser editada. 
Neste caso, não se trata da isenção. 
 Outro aspecto previsto no par. único do art. 176 é a possibilidade de a 
isenção ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, 
em função de condições a ela peculiares. 
 No que se refere à União, sabemos que, via de regra, é vedado instituir 
tributo que não seja uniforme em todo o território nacional, conforme 
preceitua o princípio da uniformidade geográfica. Contudo, devemos 
lembrar que o legisladorconstituinte permitiu que haja concessão de 
incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do 
desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País. 
 Portanto, no tocante à União, a isenção pode ser restrita a determinada 
região do País, desde que tenha como objetivo a promoção do equilíbrio do 
desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País. 
 Dando continuidade ao estudo da isenção, vejamos o que foi 
estabelecido no art. 177 do CTN: 
Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é 
extensiva: 
I - às taxas e às contribuições de melhoria; 
II - aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. 
 Como regra, a isenção não é aplicável às taxas e às contribuições de 
melhoria, por serem tributos de caráter contraprestacional, ou seja, há a 
realização de alguma atividade estatal que justifique a cobrança. Soaria 
estranho prestar o serviço e não tributá-lo. 
 No entanto, veja que tudo isso ocorre, salvo disposição de lei em 
contrário, o que torna perfeitamente possível a isenção de taxas, por 
exemplo, desde que a lei assim preveja. 
 A restrição do art. 177, II, do CTN, tem por objetivo evitar que a isenção 
se estenda a tributos que ainda não foram instituídos (não houve exercício da 
competência tributária). No entanto, cabe ressaltar que o dispositivo também é 
aplicável, salvo disposição de lei em contrário. 
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 Se cair em prova que a isenção nunca é extensiva aos 
tributos que ainda não foram instituídos, está errado! 
 Em relação à isenção, assim como ocorre com os demais incentivos 
fiscais, esta pode ser concedida em caráter individual ou em caráter geral. 
 A isenção concedida em caráter individual ocorre quando o 
benefício é restrito a determinadas pessoas, que preencham os 
requisitos estabelecidos pela lei. Dessa forma, para que as pessoas gozem 
da moratória, é necessário que comprovem à autoridade administrativa que 
estão entre aquelas às quais a lei restringiu. Fica, então, a isenção efetivada 
pelo despacho da autoridade (CTN, art. 179, caput). 
Exemplo: Isenção de IPI concedida aos deficientes físicos. Deve comprovar 
que é deficiente. 
 A isenção concedida em caráter geral, por outro lado, ocorre quando 
a lei generaliza os sujeitos passivos que serão beneficiados. Não há, 
portanto, necessidade de comprovação, nem despacho individual por 
parte da autoridade administrativa. 
Exemplo: Isenção de IPTU a todos os moradores do Município de Vitória da 
Conquista. Alcança todos proprietários de imóveis urbanos, 
independentemente de qualquer comprovação. 
 No que se refere à isenção concedida em caráter individual, quando se 
tratar de tributos lançados por período certo de tempo, o despacho que 
efetivou a isenção deve ser renovado antes da expiração de cada 
período. Se não o for, cessam os efeitos da isenção a partir do primeiro dia do 
período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do 
reconhecimento da isenção (CTN, art. 179, § 1º). 
 Nesse momento, é importante relembrar do mnemônico MARIPA. 
Aplicam-se as regras da moratória concedida em caráter individual (CTN, art. 
155) à isenção, quando também estiver sendo concedida individualmente. 
 Vamos, então, relembrar como funciona: você deve saber que a isenção 
individual não gera direito adquirido. Por isso, em alguns casos, basta que 
o sujeito passivo comprove que faz parte do rol daqueles alcançados pela 
isenção. Em outros, no entanto, o sujeito passivo pode ter que comprovar que 
continua sendo alcançado pela lei, ou seja, continua isento. 
 De qualquer modo, não estando satisfeitos os requisitos ou as condições, 
a isenção é revogada, ficando o sujeito passivo obrigado a pagar o 
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crédito tributário acrescido de juros de mora. Caso seja constatado que 
houve dolo ou simulação do beneficiado ou de terceiro para se beneficiar 
ilicitamente da isenção, haverá, ainda, imposição de penalidade. 
 Cabe ressaltar também que há outra consequência, em se tratando da 
revogação da isenção: a contagem do prazo de prescrição. Se houve dolo ou 
simulação, o tempo decorrido entre a concessão da isenção e sua revogação 
não é contado para fins de prescrição. Por outro lado, se não houve dolo ou 
simulação, a revogação da isenção só pode ocorrer antes de findar o prazo 
prescricional. 
 Por fim, vamos entender o que diz a texto do art. 178 do CTN, abaixo 
citado: 
Art. 178 - A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em 
função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada 
por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. 
 Nós vimos que a isenção decorre de opção política. Portanto, as isenções 
possuem caráter precário, permitindo que, a qualquer tempo, novas leis 
venham revogar as isenções anteriormente concedidas. Essa é a regra: 
precariedade. 
 No entanto, as denominadas isenções onerosas não podem ser 
livremente suprimidas. As isenções onerosas são aquelas concedidas com 
prazo certo e em função de determinadas condições. 
 As isenções possuem prazo certo quando a lei concessiva estabelece um 
período para fruição do benefício fiscal ( 5 anos, por exemplo). As isenções são 
concedidas em função de determinadas condições quando se exige do 
contribuinte uma contraprestação, como condição para que goze do incentivo 
fiscal (construção de uma escola, por exemplo). 
 Nesse sentido, quem cumpre com as determinações da lei para gozar da 
isenção, possui direito adquirido ao benefício, ainda que a lei 
concessória venha a ser revogada. 
 É nessa linha que o STF entendeu, ao editar a Súmula 544: 
Súmula STF 544 - Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, 
não podem ser livremente suprimidas. 
 
 
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Isenções onerosas: prazo certo e condições. 
Isenções onerosas: direito adquirido. 
3.2 - Anistia 
 Da mesma forma como ocorre com a isenção, por se causa de exclusão 
do crédito tributário, a anistia impede a constituição do crédito tributário. No 
entanto, neste caso, estamos tratando do perdão de infrações. 
 Ora, a multa é consequência de uma infração à legislação tributária, 
correto? Sendo assim, somente é possível conceder anistia em relação às 
infrações cometidas antes da vigência da lei que a concede. Caso 
contrário, se fosse possível perdoar uma infração que ainda poderia ser 
cometida, certamente seria um estímulo à sua prática, concorda? 
 É importante ressaltar que, em alguns casos, a anistia não se aplica. São 
eles (CTN, art. 180, I e II): 
x Aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, 
mesmo sem essa qualificação, sejam praticados com dolo, fraude ou 
simulação pelo sujeito passivo ou por terceiro em benefício daquele; 
x Salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de conluio entre 
duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas. 
 Veja que quando os ilícitos se configuram crimes ou contravenções não é 
possível conceder anistia, ou seja, quando, além de infringir a lei tributária, 
são caracterizados comodelitos penais. 
 Do mesmo modo, também não é possível anistiar os atos que, mesmo 
não sendo caracterizados como crimes ou contravenções, sejam praticados 
com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por terceiro em 
benefício daquele. 
 Destaque-se que as infrações resultantes do conluio entre duas ou mais 
pessoas, sejam elas naturais ou jurídicas, também não podem ser anistiadas, 
salvo disposição de lei em contrário. 
Observação: Conluio é o ajuste entre duas ou mais pessoas que praticam 
atos com o intuito de ludibriar a Fazenda Pública. 
 
 Observe que o legislador comete uma grave imprecisão. Vimos que as 
infrações cometidas com dolo (intencionais) não podem ser anistiadas. 
Contudo, as infrações resultantes de conluio são inegavelmente infrações 
dolosas. 
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 Da mesma forma que a isenção, o CTN também previu que a anistia 
pode ser concedida em caráter geral ou individual: 
Art. 181. A anistia pode ser concedida: 
I - em caráter geral; 
II - limitadamente: 
a) às infrações da legislação relativa a determinado tributo; 
b) às infrações punidas com penalidades pecuniárias até determinado 
montante, conjugadas ou não com penalidades de outra natureza; 
c) a determinada região do território da entidade tributante, em 
função de condições a ela peculiares; 
d) sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei 
que a conceder, ou cuja fixação seja atribuída pela mesma lei à 
autoridade administrativa. 
 Dessa forma, é possível que a anistia se restrinja às infrações relativas a 
GHWHUPLQDGR�WULEXWR��DOtQHD�³D´���FRPR�R�LPSRVWR�GH�UHQGD��7DPEpP�SRGHPRV�
ter perdão de infrações até certo montante �DOtQHD� ³E´��� DFLPD� GR� TXDO� RV�
infratores continuam obrigados a pagar. 
 A anistia pode se limitar a determinada região do território do ente 
WULEXWDQWH� �DOtQHD�³F´��RX�PHVPR�ILFDU�FRQGLFLRQDGD�DR�SDJDPHQWR�GR� WULEXWR�
dentro do prazo estabelecido pela lei ou pela autoridade administrativa se a ela 
D�OHL�DWULEXLU�WDO�GHYHU��DOtQHD�³G´�� 
 Ainda no que concerne à anistia concedida individualmente, lembre-se 
que, da mesma forma como ocorre com a isenção, o perdão é concedido por 
meio de despacho da autoridade administrativa, devendo o interessado 
comprovar que preenche as condições legais, formulando o requerimento 
(CTN, art. 182). 
 Lembra-se do mnemônico MARIPA? À anistia concedida individualmente 
aplicam-se as regras relativas à moratória (art. 155), quando concedida de 
forma semelhante. 
 Vamos, novamente, relembrar? Volte ao art. 155 e faça nova leitura, 
adaptando, é claro, o texto à anistia. 
DICA DE PROVA: Para acertar as questões que cobram hipóteses de 
suspensão, extinção e exclusão do crédito tributário, o mais simples é 
memorizar as modalidades de suspensão (MORDER e LIMPAR) e as de 
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exclusão, isenção e anistia. Feito isso, e tendo uma noção razoável das 
KLSyWHVHV�GH�H[WLQomR��VHUi�EHP�PDLV�VLPSOHV�³PDWDU´�D�TXHVWmR� 
 
Questão 14 ± FGV/XVIII Exame de Ordem Unificado/2015 
 
Prefeito de um determinado município resolveu conceder isenção de IPTU, por 
10 (dez) anos, a proprietários de imóveis que sejam portadores de deficiência 
e que realizem investimento nas condições de acessibilidade de suas 
propriedades. Com base na situação apresentada, assinale a afirmativa 
correta. 
A) É possível que o município institua a isenção por meio de decreto. 
B) Tal isenção constitui caso de suspensão da exigibilidade daqueles créditos 
tributários. 
C) Somente por meio de lei específica municipal pode ser concedida isenção de 
IPTU. 
D) A isenção concedida em função de determinadas condições, como é o caso, 
pode ser revogada a qualquer tempo. 
Comentário: 
Alternativa A: A isenção deve sempre ser concedida mediante lei específica 
municipal, conforme determina o art. 150, § 6°, da CF/88. Alternativa errada. 
Alternativa B: A isenção, de acordo com o art. 175, I, do CTN, constitui 
hipótese de exclusão do crédito tributário. Alternativa errada. 
Alternativa C: Conforme comentamos, somente por meio de lei específica 
municipal pode ser concedida isenção de IPTU. Alternativa correta. 
Alternativa D: Por se tratar de isenção onerosa (concedida por prazo certo e 
em função de determinada condição), não pode ser revogada a qualquer 
tempo, conforme dispõe o art. 178, do CTN. Alternativa errada. 
Gabarito: Letra C 
Questão 15 ± FGV/XVII Exame de Ordem Unificado/2015 
 
A pessoa jurídica X foi contemplada com isenção do Imposto sobre a 
Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) do imóvel utilizado para suas 
atividades comerciais. A referida isenção foi concedida pelo prazo de 5 (cinco) 
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anos e sob a condição de que o imóvel seja utilizado para a produção de 
artesanato regional. 
Com base no caso apresentado, sobre a referida isenção assinale a opção 
correta. 
A) Poderá ser suprimida por lei, a qualquer tempo, ainda que o contribuinte 
atenda à condição de utilizar o imóvel para a produção de artesanato regional. 
B) Não poderá ser suprimida no prazo de 5 (cinco) anos, caso o contribuinte 
cumpra a condição de utilizar o imóvel para a produção de artesanato regional. 
C) Não poderá ser suprimida no prazo de 5 (cinco) anos, ainda que o 
contribuinte utilize o imóvel para a realização de atividades comerciais diversas 
da produção de artesanato regional. 
D) Poderá ser suprimida por decreto, a qualquer tempo, ainda que o 
contribuinte cumpra a condição de utilizar o imóvel para a produção de 
artesanato regional. 
 
Comentário: A referida isenção concedida à pessoa jurídica X é considerada 
onerosa, pois foi concedida temporariamente e sob determinadas condições. 
Portanto, considerando o disposto no art. 178, do CTN, e a jurisprudência do 
STF sobre o tema, não se pode suprimir a isenção dentro do prazo em que foi 
concedida, caso o contribuinte cumpra a condição de utilizar o imóvel para a 
produção de artesanato regional. 
 
Gabarito: Letra B 
 
Questão 16 ± FGV/XVI Exame de Ordem Unificado/2015 
 
A União concedeu isenção, pelo prazo de cinco anos, da Contribuição para o 
Financiamento da Seguridade Social (COFINS) para as indústrias de veículos 
automotores terrestres que cumprissem determinadas condições. Sobre a 
isenção tributária, é possível afirmar que 
A) as indústrias de aviação podem requerer a benefício, pois a norma que 
concede isenção deve ser interpretada extensivamente. 
B) a União poderá, a qualquer tempo, revogar ou modificar a isenção 
concedida. 
C) a isenção da COFINS pode ser concedida mediante decreto, desde que a 
norma seja específica. 
D) as indústrias de veículos automotores terrestres não estão dispensadas do 
cumprimento das obrigações acessórias, pois elas são independentes da 
existência da obrigação principal. 
 
Comentário: 
 
Alternativa A: De acordo com o art. 111, II, do CTN, a legislação tributária 
que disponha sobre isenção deve ser interpretada literalmente. Assim, se a 
isenção se destina às indústrias de veículos automotores terrestres, as 
indústrias de aviação não podem requerer abenefício. Alternativa errada. 
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Alternativa B: Como se trata de isenção onerosa (por determinado período e 
em função de determinadas condições), o art. 178 impede que seja revogada 
ou modificada. Alternativa errada. 
 
Alternativa C: A isenção deve ser concedida mediante lei específica, conforme 
determina o art. 150, § 6º, da CF/88. Alternativa errada. 
 
Alternativa D: Conforme preceitua o art. 175, par. único, do CTN, a isenção 
não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da 
obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Alternativa 
correta. 
 
Gabarito: Letra D 
 
Chegamos ao final de mais uma aula! 
Um abraço e até a próxima! 
Prof. Fábio Dutra 
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4 ± GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS EM AULA 
 
 
 
1 LETRA C 7 LETRA A 13 LETRA A 
2 LETRA C 8 LETRA C 14 LETRA C 
3 LETRA D 9 LETRA A 15 LETRA B 
4 LETRA B 10 LETRA C 16 LETRA D 
5 LETRA D 11 LETRA D - - 
6 LETRA A 12 LETRA A - - 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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