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SEMANA 22 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
 
 
AVISO IMPORTANTE 
O material será disponibilizado com os dados pessoais do participante, em área de acesso restrita. O 
compartilhamento indevido de materiais da PREPARAÇÃO EXTENSIVA DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
ensejará a interrupção imediata do serviço, bem como adoção das medidas cabíveis. 
 
Qual a duração do curso? 
 
A PREPARAÇÃO EXTENSIVA DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 é dividida em 30 semanas. 
 
Qual o principal material da preparação e quando ele é enviado? 
 
O principal material da nossa preparação é o e-book dividido em metas com doutrina e questões 
sobre o tema. Este material será disponibilizado na nossa plataforma sempre aos finais de semana para que 
vocês possam utilizá-lo ao longo da semana. 
 
Quais materiais serão disponibilizados neste curso? 
 
1- E-book de doutrina e questões - Este e-book é dividido em metas, que correspondem aos 
dias da semana em que o aluno deve cumprir. No início de cada meta, disponibilizamos os artigos 
relacionados ao tema, ao passo que no final disponibilizamos questões de concursos anteriores para 
treinamento (disponibilizado semanalmente); 
2- E-book de Súmulas por assunto - Este e-book visa orientar nosso aluno, a partir de um 
cronograma, a realizar uma leitura das principais súmulas dos Tribunais Superiores (disponibilizado 
integralmente no início do curso); 
3- E-book de Lei Seca - Compilamos as principais leis, que possuem grande incidência em 
concursos de Delegado de Polícia e que são específicas para o seu concurso. Esse e-book visa, através de um 
cronograma elaborado por nossa equipe, organizar o estudo tão importante da lei seca (disponibilizados 
semanalmente). 
4- E-book de Jurisprudência - Selecionamos os principais julgados mais recentes para facilitar o 
seu estudo. Com o cronograma criado pela nossa equipe, você estudará os principais informativos de uma 
maneira constante e leve (disponibilizados semanalmente). 
5- E-book de Revisão (ciclos de revisão) – Com o objetivo de sedimentar o estudo realizado ao 
longo do curso, utilizaremos o nosso método de revisão 5x1, ou seja, a cada 5 semanas de conteúdo, teremos 
uma semana de revisão. 
 
Como eu devo me guiar com este material? 
 
Isto é bem intuitivo. No E-book principal (doutrina e questões), cada meta se refere a um dia 
da semana (Meta 1, Segunda-feira; Meta 2, terça-feira, etc). 
Acreditamos que o melhor método de estudo é a partir da edificação de uma base de 
conhecimento pautada no tripé doutrina – lei seca – jurisprudência, aliada à constante resolução de questões 
objetivas. 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
 
 
Por isso, aconselhamos que se inicie o dia estudando a meta do dia (E-book principal doutrina 
e questões). No momento do estudo não tente resumir a matéria, pois nossas metas diárias já suprirão esta 
necessidade. O ideal é que tome notas inteligentes em post-its e façam grifos para a revisão. Notas 
inteligente são aquelas que sem precisar esgotar o tema faz com que você relembre os principais pontos. A 
organização das suas anotações é crucial para sua aprovação. 
 
Atendendo sugestões, explicaremos melhor como vocês devem se guiar com esse material: 
 
Passamos a indicar no Caderno de Doutrina, antes de iniciar a meta, os artigos correspondentes, 
além dos dispositivos que reputamos mais relevantes e com maior probabilidade de estar na sua prova. 
A leitura desses dispositivos fará parte do ciclo de revisão semanal proposto pelo curso (método 
5x1). 
Encerrado o estudo da doutrina passe para a resolução dos exercícios e súmulas selecionadas. 
Até aqui foi feito o mais importante. 
Após tudo isso, se sobrar tempo, é hora de ler a lei seca do caderno de leis. Essa tarefa de 
repetição de leitura de artigos não demandará muito tempo por dia e é essencial para a sua aprovação. 
Lembramos que os artigos indicados nos cadernos de Lei seca não correspondem à meta 
justamente para que vocês sempre leiam mais vezes a letra da lei, independentemente de ter estudado o 
tema ou não. 
 
Estamos abertos a críticas e sugestões. Este é um processo coletivo no qual a participação de 
vocês é fundamental para que a preparação para a prova seja potencializada. Evite a possibilidade de ter 
a sua posse impedida em razão compartilhamento ilegal e indevido do material deste material sem 
autorização. 
 
Vamos Juntos! 
 
Equipe Dedicação Delta. 
 
 
Prezado(a) aluno(a), 
 
Caso possua alguma dúvida jurídica sobre o conteúdo disponibilizado no curso, pedimos que utilize a sua 
área do aluno. Há um campo específico para enviar dúvidas. 
 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
 
 
Sumário 
META 1 .............................................................................................................................................................. 9 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL: NORMAS GERAIS, JURISDIÇÃO, AÇÃO E COMPETÊNCIA ..................................... 9 
1. NORMAS FUNDAMENTAIS DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL .......................................................................... 9 
2. DA JURISDIÇÃO E DA AÇÃO ......................................................................................................................... 16 
2.1 Jurisdição ................................................................................................................................................................ 16 
2.1.1 Conceito ........................................................................................................................................................... 16 
2.1.2 Equivalentes Jurisdicionais .............................................................................................................................. 16 
2.1.3 Características principais da jurisdição ............................................................................................................ 18 
2.1.4 Princípios da jurisdição .................................................................................................................................... 19 
2.1.5 Jurisdição contenciosa e voluntária ................................................................................................................. 20 
2.2 Ação ........................................................................................................................................................................ 21 
2.2.1 Conceito ........................................................................................................................................................... 21 
2.2.2 Teorias da Ação ................................................................................................................................................ 21 
2.2.3 Elementos da Ação .......................................................................................................................................... 22 
2.2.4 Requisitos de admissibilidade do processo ..................................................................................................... 23 
2.2.5 Pressupostos Processuais ................................................................................................................................ 24 
3. COMPETÊNCIA ............................................................................................................................................. 25 
3.1 Generalidades ........................................................................................................................................................ 25 
3.2 Critérios Determinativos Da Competência ............................................................................................................. 26 
3.3. Competêncianacional, a competência internacional da justiça 
brasileira e a competência territorial do foro do local do imóvel são consideradas, respectivamente, como: 
A-) exclusiva e absoluta. 
B-) exclusiva e relativa. 
C-) concorrente e absoluta. 
D-) concorrente e relativa. 
Gabarito6 
 
IMPORTANTE: 
TRASLATIO IUDICI: Art. 64, §4º: 
É o instituto ou princípio que permite a transferência do juízo incompetente para o competente, 
conservando os efeitos das decisões proferidas pelo juízo incompetente até posterior decisão em contrário 
do juízo competente. 
 
 
 
 
 
 
6A 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
31 
 
QUESTÕES PROPOSTAS 
 
1 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 
2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil 
 
Acerca da modificação da competência, prevista no Código de 
Processo Civil, assinale a alternativa correta. 
 
A-Reputam-se conexas duas ou mais ações quando houver 
identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido 
de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais. 
B-A competência determinada em razão da matéria, da 
pessoa ou da função é inderrogável por convenção das 
partes. 
C-A reunião das ações propostas em separado far-se-á no 
juízo prevento, onde serão decididas sucessivamente. 
D-Dá-se a continência entre duas ou mais ações quando lhes 
for comum o pedido ou a causa de pedir. 
E-Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que 
possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou 
contraditórias, caso decididos separadamente, salvo se não 
houver conexão entre eles. 
 
2 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 
2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil 
 
De acordo com o Código de Processo Civil, as causas cíveis 
serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua 
competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo 
arbitral, na forma da lei. Quanto a esse tema, é correto 
afirmar que 
 
A-determina-se a competência no momento do registro ou da 
distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as 
modificações do estado de fato ou de direito ocorridas 
posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou 
alterarem a competência absoluta. 
B-a competência, obedecidos os limites estabelecidos pela 
Constituição Federal, é determinada pelas normas previstas 
no Código de Processo Civil ou em legislação especial, pelas 
normas de organização judiciária, mas não pelas constituições 
dos Estados. 
C-a ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre 
bens móveis será proposta, em regra, no foro em que se 
encontra o bem. 
D-a ação em que o ausente for réu será proposta no foro de 
seu último domicílio, mas este não será competente para a 
arrecadação, o inventário, a partilha e o cumprimento de 
disposições testamentárias. 
E-é incompetente o foro de domicílio do réu para as causas 
em que seja autora a União. 
 
3 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 
2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil 
 
Sobre a competência no processo civil, assinale a alternativa 
correta. 
 
A-A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre 
bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do 
autor. 
B-Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis, é 
competente o foro de situação da coisa. O autor pode optar 
pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o 
litígio recair sobre direito de propriedade, vizinhança, 
servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de 
obra nova. 
C-Após a citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, 
pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que 
determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio 
do réu. 
D-É competente o foro de domicílio do autor ou do local do 
fato, para a ação de reparação de dano sofrido em razão de 
delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves. 
E-É competente o foro onde a obrigação deve ser satisfeita 
para as causas em que seja autora a União. 
 
4 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / 
CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia 
Federal 
 
A respeito da jurisdição, da competência e do poder geral de 
cautela no processo civil, julgue o item subsequente. 
No curso de processo de ação de acidente de trabalho que 
tramite na justiça estadual, se a União intervier como 
interessada, o juiz deverá efetuar a remessa dos autos para a 
justiça federal. 
 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
32 
 
Certo 
Errado 
 
5 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / 
CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia 
Federal 
 
A respeito da jurisdição, da competência e do poder geral de 
cautela no processo civil, julgue o item subsequente. 
As características da jurisdição incluem substituir, no caso 
concreto, a vontade das partes pela vontade do juiz, o que, 
por sua vez, resolve a lide e promove a pacificação social. 
 
Certo 
Errado 
 
6 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE - 2018 - PC-SE 
- Delegado de Polícia 
 
A empresa Soluções Indústria de Eletrônicos Ltda. veiculou 
propaganda considerada enganosa relativa a determinado 
produto: as especificações eram distintas das indicadas no 
material publicitário. Em razão do anúncio, cerca de duzentos 
mil consumidores compraram o produto. Diante desse fato, 
uma associação de defesa do consumidor constituída havia 
dois anos ajuizou ação civil pública com vistas a obter 
indenização para todos os lesados. 
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item 
seguinte. 
 
Na hipótese de existir outra ação com idêntica causa de pedir 
da ação civil pública proposta e de tal ação ter sido 
sentenciada por outro juízo, o fenômeno da conexão exigirá 
que as duas demandas sejam reunidas. 
 
Certo 
Errado 
 
7 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE - 2018 - PC-SE 
- Delegado de Polícia 
 
Túlio, cidadão idoso, natural de Aracaju ‒ SE e domiciliado em 
São Paulo ‒ SP, caminhava na calçada em frente a um edifício 
em sua cidade natal quando, da janela de um apartamento, 
caiu uma garrafa de refrigerante cheia, que lhe atingiu o 
ombro e provocou a fratura de sua clavícula e de seu braço. 
Em razão do incidente, Túlio permaneceu por dois meses com 
o membro imobilizado, o que impossibilitou seu retorno a São 
Paulo para trabalhar. Por essas razões, Túlio decidiu ajuizar 
ação de indenização por danos materiais. Apesar da tentativa, 
ele não descobriu de qual apartamento caiu ou foi lançada a 
garrafa. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item que se 
segue. 
 
Em relação à ação de dano por acidente proposta por Túlio, o 
foro de São Paulo tem competência absoluta em razão da 
pessoa, haja vista a condição de idoso de Túlio. 
 
Certo 
Errado 
 
8 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE - 2018 - PC-SE 
- Delegado de Polícia 
 
Túlio, cidadão idoso, natural de Aracaju ‒ SE e domiciliado em 
São Paulo ‒ SP, caminhava na calçada em frente a um edifício 
em sua cidade natal quando, da janela de um apartamento, 
caiu uma garrafa de refrigerante cheia, que lhe atingiu o 
ombro e provocou a fratura de sua clavícula e de seu braço. 
Em razão do incidente, Túlio permaneceu por dois meses com 
o membro imobilizado, o que impossibilitou seu retorno a São 
Paulo para trabalhar. Por essas razões, Túlio decidiu ajuizar 
ação de indenização por danos materiais. Apesar da tentativa, 
ele não descobriu de qual apartamento caiu ou foi lançada a 
garrafa. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item que se 
segue. 
A ação de reparação de danos materiais deverá ser ajuizada 
por Túlio na capital paulista, conforme a previsão do Código 
de Processo Civil de que, em situações como a descrita, o foro 
competente para o julgamento da ação é o do domicíliodo 
autor. 
 
Certo 
Errado 
 
9 - 2018 - VUNESP - PC-BA - VUNESP - 2018 - PC-BA - 
Delegado de Polícia 
 
A respeito dos critérios para a modificação da competência 
do juízo cível, é correto afirmar que 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
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A-a competência absoluta poderá modificar-se pela conexão 
ou pela continência. 
B-reputam-se continentes 2 (duas) ou mais ações quando lhes 
for comum o pedido ou a causa de pedir. 
C-antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, 
pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que 
determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio 
do réu. 
D-se dá a conexão entre 2 (duas) ou mais ações quando 
houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o 
pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais. 
E-a citação do réu torna prevento o juízo. 
 
10 - 2018 - VUNESP - PC-BA - VUNESP - 2018 - PC-BA - 
Delegado de Polícia 
 
As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos 
limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de 
instituir juízo arbitral, na forma da lei. A respeito do instituto 
da competência, é correto afirmar que 
 
A-as suas regras são exclusivamente determinadas pelas 
normas previstas no Código de Processo Civil ou em legislação 
especial. 
B-tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão 
remetidos ao juízo federal competente se nele intervier a 
União, excluindo-se dessa regra, dentre outras, as ações de 
insolvência civil. 
C-a ação possessória imobiliária será proposta no foro de 
situação da coisa, cujo juízo tem competência relativa para 
sua análise. 
D-se o autor da herança não possuía domicílio certo, é 
competente o foro do domicílio do inventariante para análise 
do inventário. 
E-a ação em que o incapaz for réu será proposta no foro de 
seu domicílio. 
 
 
Respostas7 
 
 
 
 
7 1: B 2: A 3: D 4: E 5: E 6: E 7: E 8: E 9: C 10: B 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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META 2 
 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL: TUTELA DE URGÊNCIA 
 
1. TUTELA PROVISÓRIA 
 
São fundadas em cognição sumária, não definitivas. 
Segundo Daniel Amorim Assumpção Neves, a tutela provisória é proferida mediante cognição 
sumária, ou seja, o juiz, ao concedê-la, ainda não tem acesso a todos os elementos de convicção a respeito 
da controvérsia jurídica. Excepcionalmente, entretanto, essa espécie de tutela poderá ser concedida 
mediante cognição exauriente, quando o juiz a concede em sentença. 
 
“Tutelas provisórias são tutelas jurisdicionais não definitivas, fundadas em cognição 
sumária (isto é, fundadas em um exame menos profundo da causa, capaz de levar 
à prolação de decisões baseadas em juízo de probabilidade e não de certeza). 
Podem fundar-se em urgência ou em evidência (daí por que se falar em tutela de 
urgência e em tutela da evidência).” (CÂMARA, 2017, p. 172). 
 
Dividida em: 
 
• Tutelas de urgência 
◦ Antecipadas: Possuem cunho satisfativo; 
◦ Cautelares: meramente preventivas. 
• Tutelas de evidência. 
 
a) Efetivação da tutela provisória: O Juiz poderá determinar as medidas que considerar adequadas para a 
efetivação da tutela provisória. Segundo o art. 297, do NCPC, a efetivação da tutela provisória é realizada 
pelo cumprimento provisório de sentença. 
 
b) Provisoriedade: Segundo o art. 297, do CPC, o Juiz poderá determinar as medidas que considerar 
adequadas para a efetivação da tutela provisória. Ademais, deve ser confirmada, se concedida 
provisoriamente. Se em sentença não houver manifestação expressa, o status da tutela provisória dependerá 
do conteúdo da sentença: 
• Se procedente o pedido do autor: A tutela provisória terá sido implicitamente confirmada; 
• Se improcedente o pleito autoral, ou extinto o processo sem resolução do mérito: revogação implícita 
da tutela antecipada. 
 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
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c) Tutela provisória e agravo de instrumento: Se deferida ou indeferida tutela provisória por decisão 
interlocutória agravada, diante da superveniência de sentença, entende Daniel Assumpção que o recurso 
perde o objeto com a sentença, ainda que o julgamento do agravo de instrumento seja superveniente à 
sentença. 
 
d) Competência: 
 
Art. 299. A tutela provisória será requerida ao juízo da causa e, quando 
antecedente, ao juízo competente para conhecer do pedido principal. 
Parágrafo único. Ressalvada disposição especial, na ação de competência originária 
de tribunal e nos recursos a tutela provisória será requerida ao órgão jurisdicional 
competente para apreciar o mérito. 
 
2. TUTELAS DE URGENCIA 
 
2.1. Requisitos 
 
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que 
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado 
útil do processo. 
 
• Probabilidade do DIREITO; 
• Perigo de dano ou resultado útil ao processo. 
 
2.2. Algumas regras 
 
• A tutela antecipada NÃO pode ser concedida se houver risco de irreversibilidade dos efeitos da 
decisão. 
• Pode ser exigida a caução do autor em qualquer das tutelas de urgência. 
 
2.3. Tutela antecipada genérica 
 
a) Requisito Negativo – Irreversibilidade: NÃO se concederá a antecipação de tutela se houver perigo de 
irreversibilidade dos efeitos da decisão. 
 
ATENÇÃO! 
 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
36 
 
Enunciado 419 do FPPC: Não é absoluta a regra que proíbe a tutela provisória com 
efeitos irreversíveis. 
“(...) a vedação à concessão de tutela de urgência satisfativa irreversível resulta da 
necessidade de impedir que uma decisão provisória produza efeitos definitivos. 
Casos há, porém, em que se estará diante da situação conhecida como de 
irreversibilidade recíproca. Consiste isso na hipótese em que o juiz verifica que a 
concessão da medida produziria efeitos irreversíveis, mas sua denegação também 
teria efeitos irreversíveis” (CÂMARA, 2017, p. 175). 
 
b) Legitimação: 
 
• Se houver pedido de tutela antecipada em caráter antecedente: o legitimado é o autor do pedido; 
• Se pedido incidental, no curso do processo: autor e réu podem formular o pedido. 
 
I. Tutela antecipada em caráter antecedente 
 
a) Procedimento: Conforme art. 303 do NCPC, quando a urgência for contemporânea à propositura da ação, 
a petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido de tutela final, 
com exposição da lide. NÃO se trata de uma petição inicial, mas de um requerimento inicial voltado 
exclusivamente à tutela de urgência pretendida: 
 
Art. 303. Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da ação, a 
petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação 
do pedido de tutela final, com a exposição da lide, do direito que se busca realizar 
e do perigo de dano ou do risco ao resultado útil do processo. 
 
ATENÇÃO: 
 
Note que o autor deverá indicar na petição inicial que pretende se valer do benefício do art. 303 (art. 303, 
§5º, NCPC). 
 
A partir daí, abrem-se duas possibilidades: 
 
• Se indeferido o pedido: caberá ao autor emendar a petição inicial em até 05 (cinco) dias, sob pena 
de ser indeferida e o processo ser extinto sem resolução do mérito; 
• Se a tutela antecipada for concedida: o autor deverá aditar a petição inicial, com complementação 
da sua argumentação, juntada de novos documentos e confirmação do pedido de tutela final, em 15 
(quinze) dias: 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
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Art. 303, § 1o. Concedida a tutela antecipada a que se refere o caput deste artigo: 
I - o autor deverá aditar a petição inicial, com a complementação de sua 
argumentação,a juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de 
tutela final, em 15 (quinze) dias ou em outro prazo maior que o juiz fixar; 
II - o réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de mediação na 
forma do art. 334; 
III - não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na forma 
do art. 335. 
§ 2o Não realizado o aditamento a que se refere o inciso I do § 1o deste artigo, o 
processo será extinto sem resolução do mérito. 
§ 3o O aditamento a que se refere o inciso I do § 1o deste artigo dar-se-á nos 
mesmos autos, sem incidência de novas custas processuais. 
 
b) Estabilização da tutela: Conforme art. 304, do NCPC, a tutela antecipada concedida de forma antecedente 
se estabiliza se não for interposto pelo réu recurso contra a decisão concessiva da tutela antecipada. 
 
Art. 304. A tutela antecipada, concedida nos termos do art. 303, torna-se estável se 
da decisão que a conceder não for interposto o respectivo recurso. 
§ 1º No caso previsto no caput, o processo será extinto. 
§ 2º Qualquer das partes poderá demandar a outra com o intuito de rever, reformar 
ou invalidar a tutela antecipada estabilizada nos termos do caput. 
§ 3º A tutela antecipada conservará seus efeitos enquanto não revista, reformada 
ou invalidada por decisão de mérito proferida na ação de que trata o § 2o. 
§ 4º Qualquer das partes poderá requerer o desarquivamento dos autos em que foi 
concedida a medida, para instruir a petição inicial da ação a que se refere o § 2o, 
prevento o juízo em que a tutela antecipada foi concedida. 
§ 5º O direito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada, previsto no § 2º 
deste artigo, extingue-se após 2 (dois) anos, contados da ciência da decisão que 
extinguiu o processo, nos termos do § 1º. 
§ 6º A decisão que concede a tutela não fará coisa julgada, mas a estabilidade dos 
respectivos efeitos só será afastada por decisão que a revir, reformar ou invalidar, 
proferida em ação ajuizada por uma das partes, nos termos do § 2o deste artigo.
 
 
Com a estabilização da tutela, o processo será extinto sem resolução do mérito (art. 304, §1º, 
NCPC), e a tutela outrora concedida continua produzindo efeitos enquanto não revista, reformada ou 
invalidada. Essa reforma pode ocorrer mediante uma ação autônoma com pedido de revisão, reforma ou 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
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invalidação da decisão estabilizada, a ser demandada no prazo decadencial de 02 (dois) anos por qualquer 
das partes prejudicadas (art. 304, §2º, NCPC). 
 
ATENÇÃO! 
 
Decisões relevantes do STJ sobre o tema: 
 
A contestação tem força de impedir a estabilização da tutela antecipada 
antecedente (art. 303 do CPC) ou somente a interposição de recurso, conforme 
prevê a redação do art. 304? Há divergência entre a 1ª e a 3ª Turma: 
 
PROCESSUAL CIVIL. ESTABILIZAÇÃO DA TUTELA ANTECIPADA CONCEDIDA EM 
CARÁTER ANTECEDENTE. ARTS. 303 E 304 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. 
NÃO INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO 
DE CONTESTAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. 
I - Nos termos do disposto no art. 304 do Código de Processo Civil de 2015, a tutela 
antecipada, deferida em caráter antecedente (art. 
303), estabilizar-se-á, quando não interposto o respectivo recurso. 
II - Os meios de defesa possuem finalidades específicas: a contestação demonstra 
resistência em relação à tutela exauriente, enquanto o agravo de instrumento 
possibilita a revisão da decisão proferida em cognição sumária. Institutos 
inconfundíveis. 
III - A ausência de impugnação da decisão mediante a qual deferida a antecipação 
da tutela em caráter antecedente, tornará, indubitavelmente, preclusa a 
possibilidade de sua revisão. 
IV - A apresentação de contestação não tem o condão de afastar a preclusão 
decorrente da não utilização do instrumento proessual adequado - o agravo de 
instrumento. 
V - Recurso especial provido. 
(REsp 1797365/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Rel. p/ Acórdão Ministra REGINA 
HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/10/2019, DJe 22/10/2019) 
 
RECURSO ESPECIAL. PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA REQUERIDA EM CARÁTER 
ANTECEDENTE. ARTS. 303 E 304 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. JUÍZO DE 
PRIMEIRO GRAU QUE REVOGOU A DECISÃO CONCESSIVA DA TUTELA, APÓS A 
APRESENTAÇÃO DA CONTESTAÇÃO PELO RÉU, A DESPEITO DA AUSÊNCIA DE 
INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRETENDIDA ESTABILIZAÇÃO DA 
 
 
 
 
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TUTELA ANTECIPADA. IMPOSSIBILIDADE. EFETIVA IMPUGNAÇÃO DO RÉU. 
NECESSIDADE DE PROSSEGUIMENTO DO FEITO. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 
1. A controvérsia discutida neste recurso especial consiste em saber se poderia o 
Juízo de primeiro grau, após analisar as razões apresentadas na contestação, 
reconsiderar a decisão que havia deferido o pedido de tutela antecipada requerida 
em caráter antecedente, nos termos dos arts. 303 e 304 do CPC/2015, a despeito 
da ausência de interposição de recurso pela parte ré no momento oportuno. 
2. O Código de Processo Civil de 2015 inovou na ordem jurídica ao trazer, além das 
hipóteses até então previstas no CPC/1973, a possibilidade de concessão de tutela 
antecipada requerida em caráter antecedente, a teor do que dispõe o seu art. 303, 
o qual estabelece que, nos casos em que a urgência for contemporânea à 
propositura da ação, a petição inicial poderá se limitar ao requerimento da tutela 
antecipada e à indicação do pedido de tutela final, com a exposição da lide, do 
direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao resultado útil do 
processo. 
2.1. Por essa nova sistemática, entendendo o juiz que não estão presentes os 
requisitos para a concessão da tutela antecipada, o autor será intimado para aditar 
a inicial, no prazo de até 5 (cinco) dias, sob pena de ser extinto o processo sem 
resolução de mérito. 
Caso concedida a tutela, o autor será intimado para aditar a petição inicial, a fim de 
complementar sua argumentação, juntar novos documentos e confirmar o pedido 
de tutela final. O réu, por sua vez, será citado e intimado para a audiência de 
conciliação ou mediação, na forma prevista no art. 334 do CPC/2015. E, não 
havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na forma do art. 
335 do referido diploma processual. 
3. Uma das grandes novidades trazidas pelo novo Código de Processo Civil é a 
possibilidade de estabilização da tutela antecipada requerida em caráter 
antecedente, instituto inspirado no référé do Direito francês, que serve para 
abarcar aquelas situações em que ambas as partes se contentam com a simples 
tutela antecipada, não havendo necessidade, portanto, de se prosseguir com o 
processo até uma decisão final (sentença), nos termos do que estabelece o art. 
304, §§ 1º a 6º, do CPC/2015. 
3.1. Segundo os dispositivos legais correspondentes, não havendo recurso do 
deferimento da tutela antecipada requerida em caráter antecedente, a referida 
decisão será estabilizada e o processo será extinto, sem resolução de mérito. No 
prazo de 2 (dois) anos, porém, contado da ciência da decisão que extinguiu o 
processo, as partes poderão pleitear, perante o mesmo Juízo que proferiu a 
 
 
 
 
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decisão, a revisão, reforma ou invalidação da tutela antecipada estabilizada, 
devendo se valer de ação autônoma para esse fim. 
3.2. É de se observar, porém, que, embora o caput do art. 304 do CPC/2015 
determine que "a tutela antecipada, concedida nos termos do art. 303, torna-se 
estável se da decisão que a conceder não for interposto o respectivo recurso", a 
leitura que deve ser feita do dispositivo legal, tomando como base uma 
interpretação sistemática e teleológica do instituto, é que a estabilização somente 
ocorrerá se não houver qualquer tipo de impugnaçãopela parte contrária, sob pena 
de se estimular a interposição de agravos de instrumento, sobrecarregando 
desnecessariamente os Tribunais, além do ajuizamento da ação autônoma, prevista 
no art. 304, § 2º, do CPC/2015, a fim de rever, reformar ou invalidar a tutela 
antecipada estabilizada. 
4. Na hipótese dos autos, conquanto não tenha havido a interposição de agravo de 
instrumento contra a decisão que deferiu o pedido de antecipação dos efeitos da 
tutela requerida em caráter antecedente, na forma do art. 303 do CPC/2015, a ré 
se antecipou e apresentou contestação, na qual pleiteou, inclusive, a revogação da 
tutela provisória concedida, sob o argumento de ser impossível o seu cumprimento, 
razão pela qual não há que se falar em estabilização da tutela antecipada, devendo, 
por isso, o feito prosseguir normalmente até a prolação da sentença. 
5. Recurso especial desprovido. 
(REsp 1760966/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, 
julgado em 04/12/2018, DJe 07/12/2018) 
 
II. Tutela antecipada em caráter incidental: Pode ser concedida a qualquer momento do processo, inclusive 
antes mesmo da citação do réu (inaudita altera parte). 
 
É possível conceder a tutela antecipada em sentença, desde que haja prévio requerimento da parte. 
A concessão da tutela antecipada em sentença se revela útil, sobretudo nos casos que desafiam recurso SEM 
efeito suspensivo. Se concedida a tutela antecipada em sentença, o art. 1.013, §5º, do NCPC prevê 
expressamente que o capítulo de sentença que confirma, concede ou revoga a tutela antecipada é 
impugnável por apelação. 
 
ATENÇÃO! 
 
Segundo decidiu o STJ, o ressarcimento dos prejuízos advindos com o deferimento da tutela 
provisória posteriormente revogada por sentença que extingue o processo sem resolução de mérito, 
sempre que possível, deverá ser liquidado nos próprios autos: 
 
 
 
 
 
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RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. DESISTÊNCIA DA DEMANDA 
APÓS A CONCESSÃO DA TUTELA PROVISÓRIA. EXTINÇÃO DO FEITO, SEM 
RESOLUÇÃO DE MÉRITO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA FORMULADO PELA PARTE 
RÉ PLEITEANDO O RESSARCIMENTO DOS VALORES DESPENDIDOS EM RAZÃO DO 
DEFERIMENTO DA TUTELA PROVISÓRIA. CABIMENTO. DESNECESSIDADE DE 
PRONUNCIAMENTO JUDICIAL PRÉVIO NESSE SENTIDO. OBRIGAÇÃO EX LEGE. 
INDENIZAÇÃO QUE DEVERÁ SER LIQUIDADA NOS PRÓPRIOS AUTOS. ARTS. 302, 
CAPUT, INCISO III E PARÁGRAFO ÚNICO, E 309, INCISO III, DO CÓDIGO DE PROCESSO 
CIVIL DE 2015. REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SE IMPÕE. RECURSO 
PROVIDO. 
1. A questão jurídica discutida consiste em definir se é possível proceder à 
execução, nos próprios autos, objetivando o ressarcimento de valores despendidos 
a título de tutela antecipada, posteriormente revogada em virtude de sentença que 
extingue o processo, sem resolução de mérito, por haver a autora desistido da ação. 
2. O Código de Processo Civil de 2015, seguindo a mesma linha do CPC/1973, 
adotou a teoria do risco-proveito, ao estabelecer que o beneficiado com o 
deferimento da tutela provisória deverá arcar com os prejuízos causados à parte 
adversa, sempre que: i) a sentença lhe for desfavorável; ii) a parte requerente não 
fornecer meios para a citação do requerido no prazo de 5 (cinco) dias, caso a tutela 
seja deferida liminarmente; iii) ocorrer a cessação da eficácia da medida em 
qualquer hipótese legal; ou iv) o juiz acolher a decadência ou prescrição da 
pretensão do autor (CPC/2015, art. 302, caput e incisos I a IV). 
3. Em relação à forma de se buscar o ressarcimento dos prejuízos advindos com o 
deferimento da tutela provisória, o parágrafo único do art. 302 do CPC/2015 é claro 
ao estabelecer que "a indenização será liquidada nos autos em que a medida tiver 
sido concedida, sempre que possível", dispensando-se, assim, o ajuizamento de 
ação autônoma para esse fim. 
4. Com efeito, a obrigação de indenizar a parte adversa dos prejuízos advindos com 
o deferimento da tutela provisória posteriormente revogada é decorrência ex lege 
da sentença de improcedência ou de extinção do feito sem resolução de mérito, 
como no caso, sendo dispensável, portanto, pronunciamento judicial a esse 
respeito, devendo o respectivo valor ser liquidado nos próprios autos em que a 
medida tiver sido concedida, em obediência, inclusive, aos princípios da celeridade 
e economia processual. 
5. Recurso especial provido. 
(REsp 1770124/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, 
julgado em 21/05/2019, DJe 24/05/2019) 
 
 
 
 
 
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2.4. Tutela antecipada contra a Fazenda Pública: 
 
É possível a concessão de tutela antecipada contra a Fazenda Pública. Inclusive, mesmo nas obrigações 
de pagar quantia certa, excepcionalmente o STJ tem admitido a tutela antecipada em caso de fornecimento 
de medicamentos não entregues pelo Estado, inclusive com bloqueio de verbas públicas. 
Em algumas hipóteses, são vedadas as tutelas antecipadas contra a Fazenda Pública, a saber: 
 
• Lei nº 9.494/97: Prevê uma série de restrições para a concessão de liminares e cautelares. 
Não podem ser deferidas: 
 
◦ Concessão de liminares e cautelares em mandado de segurança contra a Fazenda 
Pública; 
◦ Reclassificação ou equiparação de servidores públicos, ou concessão de aumentos 
ou extensão de vantagens para pagamentos de vencimentos e vantagens pecuniárias. 
 
• Lei nº 8.437/97: 
 
Art. 1° Não será cabível medida liminar contra atos do Poder Público, no 
procedimento cautelar ou em quaisquer outras ações de natureza cautelar ou 
preventiva, toda vez que providência semelhante não puder ser concedida em 
ações de mandado de segurança, em virtude de vedação legal. 
§ 1° Não será cabível, no juízo de primeiro grau, medida cautelar inominada ou a 
sua liminar, quando impugnado ato de autoridade sujeita, na via de mandado de 
segurança, à competência originária de tribunal. 
§ 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica aos processos de ação popular 
e de ação civil pública. 
§ 3° Não será cabível medida liminar que esgote, no todo ou em qualquer parte, o 
objeto da ação. 
§ 4° Nos casos em que cabível medida liminar, sem prejuízo da comunicação ao 
dirigente do órgão ou entidade, o respectivo representante judicial dela será 
imediatamente intimado. 
§5oNão será cabível medida liminar que defira compensação de créditos tributários 
ou previdenciários. 
 
• Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de segurança): 
 
 
 
 
 
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Art. 7º, § 2o
 
Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a 
compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens 
provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e 
a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer 
natureza. 
 
2.5. Tutela antecipada cautelar 
 
No NCPC, ocorreu a extinção do processo cautelar AUTÔNOMO, tanto que o art. 308, §1º, do NCPC 
expressamente admite que o pedido principal seja formulado conjuntamente com o pedido de tutela 
cautelar. 
 
“As medidas cautelares são deferidas com base em um poder cautelar geral do juiz, 
não havendo no CPC (diferentemente do que se via na tradição do direito brasileiro 
desde suas origens lusitanas) a previsão de medidas cautelares específicas mas, tão 
somente, do poder genericamente atribuído ao magistrado de deferir medidas 
cautelares. É o que se verifica pela interpretação do art. 301, segundo o qual “[a] 
tutela de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada mediante [qualquer 
medida] idônea para asseguração do direito” (rectius, da efetividade do processo).” 
(CÂMARA, Alexandre de Freitas). 
 
a) Algumas características da tutela cautelar: 
 
• Sumariedade: 
 
◦ Formal: É procedimentosumarizado aplicável ao processo cautelar; 
◦ Material: Suficiência da cognição sumária desenvolvida pelo juiz para a concessão da tutela cautelar. 
 
A tutela cautelar é concedida mediante cognição sumária, diante da mera probabilidade de o direito 
material existir. Trata-se da exigência decorrente da própria urgência da tutela cautelar. O art. 300, do NCPC 
prevê os mesmos requisitos para as duas espécies de tutelas de urgência (antecedente e cautelar), o que não 
impede de utilizar, para o processo cautelar, a terminologia antiga do fumus boni iuris para explicar a 
probabilidade de o direito alegado existir para a concessão de tutela cautelar, segundo defende Daniel 
Assumpção. 
 
• Instrumentalidade: Tal espécie de tutela serve como instrumento apto a garantir que o resultado 
final do processo seja eficaz, para que o resultado tenha condições materiais para gerar os efeitos 
 
 
 
 
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práticos normalmente esperados. 
 
b) Tutela cautelar em caráter antecedente: Sendo o pedido cautelar formulado de forma antecedente, o 
procedimento a ser observado dependerá do acolhimento ou rejeição do pedido: 
• Se acolhido o pedido e efetivada a medida cautelar: O autor terá o prazo de 30 dias para aditar a 
petição inicial elaborando o seu pedido principal, sendo adotado a partir desse momento o 
procedimento comum; 
• Se rejeitado o pedido: A conversão do processo cautelar em processo principal é uma mera 
faculdade do autor, e justamente para a possibilidade de o autor continuar com sua pretensão 
cautelar o NCPC prevê um procedimento cautelar. 
 
I) Procedimento: 
 
Petição inicial: A petição inicial deverá indicar a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito que 
visa assegurar e o perigo da demora da prestação da tutela jurisdicional. 
 
Resposta do réu: Segundo o art. 306, do NCPC, o réu será citado no prazo de 5 dias para contestar o pedido, 
sendo aplicável o prazo em dobro quando o réu for a Fazenda Pública, Ministério Público, Defensoria Pública 
e quando houver no polo passivo litisconsórcio com patronos distintos de diferentes sociedades de 
advogados. Se não for contestado o pedido, os fatos alegados pelo autor serão presumidos verdadeiros. 
 
Instrução probatória: Embora no processo cautelar exista uma sumariedade, tal situação NÃO dispensa a 
necessidade de instrução probatória, razão pela qual todos os meios de prova admitidos em direito podem 
ser produzidos no processo cautelar. 
 
Sentença: Se deferido o pedido de tutela cautelar formulado em caráter antecedente, há duas situações: 
 
• Se efetivada a tutela: O autor terá o prazo de 30 dias para formular o pedido principal por emenda à 
petição inicial (art. 308, NCPC). Caso o autor não deduza o pedido principal dentro do prazo legal, 
cessa a eficácia da medida cautelar. 
 
Art. 308. Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal terá de ser formulado pelo 
autor no prazo de 30 (trinta) dias, caso em que será apresentado nos mesmos autos 
em que deduzido o pedido de tutela cautelar, não dependendo do adiantamento 
de novas custas processuais. 
§ 1o O pedido principal pode ser formulado conjuntamente com o pedido de tutela 
cautelar. 
 
 
 
 
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§ 2o A causa de pedir poderá ser aditada no momento de formulação do pedido 
principal. 
§ 3o Apresentado o pedido principal, as partes serão intimadas para a audiência de 
conciliação ou de mediação, na forma do art. 334, por seus advogados ou 
pessoalmente, sem necessidade de nova citação do réu. 
§ 4o Não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na 
forma do art. 335. 
 
• Se indeferido o pedido de tutela cautelar: O processo seguirá nos termos dos arts. 305 a 307 do 
NCPC, ou seja, seguirá como processo cautelar até ser sentenciado. 
 
Art. 305. A petição inicial da ação que visa à prestação de tutela cautelar em caráter 
antecedente indicará a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito que 
se objetiva assegurar e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. 
Parágrafo único. Caso entenda que o pedido a que se refere o caput tem natureza 
antecipada, o juiz observará o disposto no art. 303. 
Art. 306. O réu será citado para, no prazo de 5 (cinco) dias, contestar o pedido e 
indicar as provas que pretende produzir. 
Art. 307. Não sendo contestado o pedido, os fatos alegados pelo autor presumir-
se-ão aceitos pelo réu como ocorridos, caso em que o juiz decidirá dentro de 5 
(cinco) dias. 
Parágrafo único. Contestado o pedido no prazo legal, observar-se-á o 
procedimento comum. 
 
Coisa julgada material: Segundo entendimento do STJ e de parte da doutrina, há coisa julgada 
material no processo cautelar. Segundo Daniel Assumpção, a existência de coisa julgada material na sentença 
cautelar viria confirmada pelo art. 309, do NCPC, que impede a parte de repetir o pedido, salvo por novo 
fundamento, se por qualquer motivo cessar a medida cautelar. 
 
II) Cessação da eficácia da tutela cautelar: 
 
Art. 309. Cessa a eficácia da tutela concedida em caráter antecedente, se: 
I - o autor não deduzir o pedido principal no prazo legal; 
II - não for efetivada dentro de 30 (trinta) dias; 
III - o juiz julgar improcedente o pedido principal formulado pelo autor ou extinguir 
o processo sem resolução de mérito. 
Parágrafo único. Se por qualquer motivo cessar a eficácia da tutela cautelar, é 
vedado à parte renovar o pedido, salvo sob novo fundamento. 
 
 
 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm%2523art303
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3. TUTELA DE EVIDÊNCIA 
 
Já constava no art. 273, II, do CPC/73 e art. 1.102-a do CPC/73, mas ganhou projeção no NCPC. Trata-
se de tutela provisória, de natureza satisfativa, independente da urgência, sendo aplicada para os casos 
em que se mostra evidente a existência do direito. 
 
Enunciado 418 do FPPC: As tutelas provisórias de urgência e de evidência são 
admissíveis no sistema dos Juizados Especiais. 
Enunciado 422 do FPPC: A tutela de evidência é compatível com os procedimentos 
especiais. 
Enunciado 423 do FPPC: Cabe tutela de evidência recursal. 
 
3.1. Hipóteses de cabimento 
 
Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da 
demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando: 
I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito 
protelatório da parte; 
II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e 
houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; 
 
Enunciado 30 da ENFAM: É possível a concessão da tutela de evidência prevista no 
art. 311, II, do CPC/2015 quando a pretensão autoral estiver de acordo com 
orientação firmada pelo STF em sede de controle de constitucionalidade ou com 
tese prevista em súmula dos tribunais, independentemente de caráter vinculante. 
 
III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada 
do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto 
custodiado, sob cominação de multa; 
IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos 
constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar 
dúvida razoável. 
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir 
liminarmente. 
 
ATENÇÃO 
 
 
 
 
 
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Tutela de evidência atípica: O art. 311 do NCPC NÃO consegue contemplar todas as hipóteses de 
cabimento da tutela de evidência, sendo criada pelo legislador a tutela de evidência atípica, prevista de forma 
esparsa pelo ordenamentolegal, a exemplo da concessão da liminar possessória (art. 561, NCPC), conforme 
defende Daniel Assumpção. 
 
4. PROCEDIMENTOS CAUTELARES DO CPC/73 ADAPTADOS AO CPC/2015 
 
Alguns procedimentos cautelares nominados, originariamente previstos no CPC/73, foram suprimidos 
pelo CPC/2015. Para explicar melhor o assunto, segue texto de aprofundamento, ao falar sobre arresto, 
sequestro e caução. 
 
4.1. Protesto, notificação e interpelação 
 
4.1.1. Definição 
 
Segundo define Marinoni, “protestos, notificações e interpelações são instrumentos de comunicação 
da vontade, podendo fazer-se judicialmente ou não. Normalmente, essas medidas ostentam claro caráter de 
jurisdição voluntária, em que o Judiciário é utilizado apenas como o veículo para a manifestação da intenção 
do requerente. Eventualmente, porém, esses procedimentos podem assumir natureza contenciosa, impondo 
o estabelecimento de contraditório e efetiva análise judicial “de mérito”. 
 
• Notificação (art. 726 do CPC): Quem tiver interesse em manifestar formalmente sua vontade a 
outrem sobre assunto juridicamente relevante poderá notificar pessoas participantes da mesma 
relação jurídica para dar-lhes ciência de seu propósito. 
Se a pretensão for a de dar conhecimento geral ao público, mediante edital, o juiz só a deferirá se a 
tiver por fundada e necessária ao resguardo de direito. 
• Interpelação: Também poderá o interessado interpelar o requerido, no caso do art. 726, para que 
faça ou deixe de fazer o que o requerente entenda ser de seu direito. 
• Protesto: objetiva dar ciência à outra parte de que algum ato por ela praticado não é aprovado pela 
parte protestante. 
 
4.1.2. Procedimento 
 
Art. 728. O requerido será previamente ouvido antes do deferimento da 
notificação ou do respectivo edital: 
I - se houver suspeita de que o requerente, por meio da notificação ou do edital, 
pretende alcançar fim ilícito; 
II - se tiver sido requerida a averbação da notificação em registro público. 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art726
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Art. 729. Deferida e realizada a notificação ou interpelação, os autos serão 
entregues ao requerente. 
 
4.2. Arresto, sequestro e caução 
 
Embora tenham sido previstos no CPC/73 como medidas cautelares nominadas, o CPC/2015 promover 
algumas alterações. Sobre o tema, trazemos o artigo: 
 
O novo Código de Processo Civil, instituído pela lei 13.105, de 16 de março de 2015, 
entrou em vigor em 18 de março de 2016, de acordo com decisão do Plenário do 
Superior Tribunal de Justiça, consoante interpretação do artigo 1.045 do novo 
Código: "Este Código entra em vigor após decorrido 1 (um) ano da data de sua 
publicação oficial". 
 
Em relação à disciplina das medidas cautelares, o novo Código eliminou o Livro III – 
Do Processo Cautelar (artigos 796 a 889 do CPC de 1973) e redistribuiu algumas 
medidas cautelares ao longo do Código. 
 
Nesse sentido, foram extintos o procedimento cautelar incidental (artigo 796, 2ª 
previsão, do CPC de 1973); a figura do apensamento dos autos do procedimento 
cautelar aos do principal (artigo 809 do CPC de 1973); a possibilidade de concessão 
de medidas cautelares de ofício pelo juiz (artigo 797 do CPC de 1973); e as figuras 
nominadas do arresto, sequestro, caução, exibição, alimentos provisionais e 
arrolamento, enquanto procedimentos cautelares específicos (artigos 813 a 845 e 
852 a 860, do CPC de 1973); a exigência de prova literal de dívida líquida e certa 
para a concessão de medida cautelar de arresto (artigo 814, I, do CPC de 1973); a 
produção antecipada de provas e o atentado, enquanto medidas cautelares (artigos 
846 a 851 e 879 a 881, do CPC de 1973); os procedimentos de justificação, dos 
protestos, notificações e interpelações, homologação do penhor legal e posse em 
nome de nascituro, como procedimentos cautelares autônomos (artigos 861 a 878 
do CPC de 1973); o procedimento do protesto e apreensão de títulos (art. 882 a 
887, do CPC de 1973); as medidas provisionais, como medidas cautelares típicas, 
submetidas ao procedimento cautelar comum (art. 888 do CPC de 1973). 
Mediante tais alterações, a novel legislação evidenciou a tendência consistente na 
retirada da autonomia do processo cautelar, transformando sua concessão em uma 
técnica processual destinada à preservação do resultado útil do processo, desde 
que atendidos os requisitos legalmente previstos para tanto. 
 
 
 
 
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Sobre o tema, Daniel Amorim Assumpção Neves afirma que: 
 
"O processo autônomo cautelar desaparece, e, como nunca houve um processo 
autônomo de tutela antecipada, é possível afirmar que deixa de existir o processo 
autônomo de tutela de urgência. Há tratamento diverso quanto à natureza da 
tutela de urgência pretendida quando o pedido for feito de forma antecedente". 
 
A disciplina trazida pelo atual Código instituiu o regime das tutelas provisórias em 
livro próprio de número V, as quais contam com disposições gerais comuns 
previstas nos artigos 294 a 299; tutela de urgência prevista nos artigos 300 a 310; e 
tutela de evidência prevista no artigo 311, todos do referido diploma. 
 
A leitura de referidos artigos evidencia, de plano, a existência de alteração 
referente à desnecessidade de requerimento expresso da parte para que sejam 
concedidas as denominadas tutelas provisórias. 
 
Nesse particular, destaca-se o posicionamento de Daniel Amorim Assumpção 
Neves que, em cotejo com o Código de Processo Civil revogado, afirma que: 
 
"No Novo Código de Processo Civil não há previsão expressa condicionando a 
concessão de tutela provisória de urgência a pedido expresso da parte, afastando-
se, assim, da tradição do art. 273, caput, do CPC/73. Por outro lado, também não 
existe um artigo que expressamente permita a sua concessão de ofício, ainda que 
em situações excepcionais, como ocorria no CPC/1973 com o art. 797". 
 
As tutelas provisórias se dividem em tutela de evidência e tutela de urgência, as 
quais, por sua vez, podem ser requeridas em caráter antecedente ou incidental 
(artigo 294, parágrafo único do Código de Processo Civil vigente). Portanto, a assim 
denominada tutela provisória é gênero, do qual a tutela de urgência e a tutela de 
evidência são espécies. 
 
Sob esse aspecto, cabe mencionar, que no Código de Processo Civil revogado, havia 
uma divisão em relação às cautelares, tanto no que diz respeito à sua 
instrumentalização como em relação às suas espécies. 
 
 
 
 
 
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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50 
 
Vale dizer, no Código revogado, as cautelares poderiam ser autônomas ou 
incidentais e nominadas (p.ex. arresto, sequestro, busca e apreensão, etc.) ou 
inominadas (poder geral de cautela). 
 
Em outros dizeres, na disciplina do Código anterior, havia procedimentos cautelares 
específicos (tais como arresto, sequestro, busca e apreensão, como já mencionados 
acima) e o procedimento cautelar genérico – que se manifestava através do 
denominado poder geral de cautela e que abarcava as cautelares atípicas, ou seja, 
as inominadas. 
 
Todavia, entende-se que, no Código de Processo Civil vigente, essa dicotomia 
acabou, além de não mais serem admitidas na forma de processo autônomo, as 
cautelares continuaram existindo, tendo sido, contudo, extintos os procedimentos 
próprios destinados ao seu requerimento e concessão. Assim, o objetivo do Código 
vigente foi unificar o regramento, criando um regime único para os casos de tutela 
provisória e, em particular, para as tutelas de urgência e de evidencia. 
 
4.3. Busca e apreensão: 
 
O CPC/2015 também suprimiu expressamente o procedimento cautelar de busca e apreensão. No CPC 
constam as seguintes previsões:Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação 
de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a 
efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático 
equivalente, determinar as medidas necessárias à satisfação do exequente. 
§ 1o Para atender ao disposto no caput, o juiz poderá determinar, entre outras 
medidas, a imposição de multa, a busca e apreensão, a remoção de pessoas e 
coisas, o desfazimento de obras e o impedimento de atividade nociva, podendo, 
caso necessário, requisitar o auxílio de força policial. 
§ 2o O mandado de busca e apreensão de pessoas e coisas será cumprido por 2 
(dois) oficiais de justiça, observando-se o disposto no art. 846, §§ 1o a 4o, se houver 
necessidade de arrombamento. 
§ 3o O executado incidirá nas penas de litigância de má-fé quando 
injustificadamente descumprir a ordem judicial, sem prejuízo de sua 
responsabilização por crime de desobediência. 
§ 4o No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de 
fazer ou de não fazer, aplica-se o art. 525, no que couber. 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art846%C2%A71
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art525
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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51 
 
§ 5o O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao cumprimento de sentença 
que reconheça deveres de fazer e de não fazer de natureza não obrigacional. 
 
Art. 846. Se o executado fechar as portas da casa a fim de obstar a penhora dos 
bens, o oficial de justiça comunicará o fato ao juiz, solicitando-lhe ordem de 
arrombamento. 
§ 1o Deferido o pedido, 2 (dois) oficiais de justiça cumprirão o mandado, 
arrombando cômodos e móveis em que se presuma estarem os bens, e lavrarão de 
tudo auto circunstanciado, que será assinado por 2 (duas) testemunhas presentes 
à diligência. 
§ 2o Sempre que necessário, o juiz requisitará força policial, a fim de auxiliar os 
oficiais de justiça na penhora dos bens. 
§ 3o Os oficiais de justiça lavrarão em duplicata o auto da ocorrência, entregando 
uma via ao escrivão ou ao chefe de secretaria, para ser juntada aos autos, e a outra 
à autoridade policial a quem couber a apuração criminal dos eventuais delitos de 
desobediência ou de resistência. 
§ 4o Do auto da ocorrência constará o rol de testemunhas, com a respectiva 
qualificação. 
 
4.4. Exibição de documentos 
 
A exibição de documento ou coisa pode ser formulada por uma das partes contra a outra, bem como 
determinada de ofício pelo juiz, caso este entenda necessário, a fim de constituir prova a favor de uma das 
partes. 
 
4.4.1. Pedido formulado pela parte: 
 
Art. 397. O pedido formulado pela parte conterá: 
I - a individuação, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa; 
II - a finalidade da prova, indicando os fatos que se relacionam com o documento 
ou com a coisa; 
III - as circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento 
ou a coisa existe e se acha em poder da parte contrária. 
Art. 398. O requerido dará sua resposta nos 5 (cinco) dias subsequentes à sua 
intimação. 
Parágrafo único. Se o requerido afirmar que não possui o documento ou a coisa, o 
juiz permitirá que o requerente prove, por qualquer meio, que a declaração não 
corresponde à verdade. 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
52 
 
 
4.4.2. Documento ou coisa em poder de terceiro 
 
Quando o documento ou a coisa estiver em poder de terceiro, o juiz ordenará sua citação para 
responder no prazo de 15 (quinze) dias. 
Se o terceiro negar a obrigação de exibir ou a posse do documento ou da coisa, o juiz designará 
audiência especial, tomando-lhe o depoimento, bem como o das partes e, se necessário, o de testemunhas, 
e em seguida proferirá decisão. 
Se o terceiro, sem justo motivo, se recusar a efetuar a exibição, o juiz ordenar-lhe-á que proceda ao 
respectivo depósito em cartório ou em outro lugar designado, no prazo de 5 (cinco) dias, impondo ao 
requerente que o ressarça pelas despesas que tiver. 
Se o terceiro descumprir a ordem, o juiz expedirá mandado de apreensão, requisitando, se 
necessário, força policial, sem prejuízo da responsabilidade por crime de desobediência, pagamento de multa 
e outras medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar a 
efetivação da decisão. 
 
4.4.3. Hipóteses em que pode haver recusa em exibir os documentos: 
 
Art. 404. A parte e o terceiro se escusam de exibir, em juízo, o documento ou a 
coisa se: 
I - concernente a negócios da própria vida da família; 
II - sua apresentação puder violar dever de honra; 
III - sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus 
parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau, ou lhes representar perigo de 
ação penal; 
IV - sua exibição acarretar a divulgação de fatos a cujo respeito, por estado ou 
profissão, devam guardar segredo; 
V - subsistirem outros motivos graves que, segundo o prudente arbítrio do juiz, 
justifiquem a recusa da exibição; 
VI - houver disposição legal que justifique a recusa da exibição. 
Parágrafo único. Se os motivos de que tratam os incisos I a VI do caput disserem 
respeito a apenas uma parcela do documento, a parte ou o terceiro exibirá a outra 
em cartório, para dela ser extraída cópia reprográfica, de tudo sendo lavrado auto 
circunstanciado. 
 
 
 
 
 
 
 
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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4.4.4. Julgamento 
 
Julgando procedente o pedido de exibição, o juiz admitirá como verdadeiros os fatos que, por meio 
do documento ou da coisa, a parte pretendia provar (art. 400 do CPC), mediante decisão interlocutória, 
recorrível por agravo de instrumento (art. 1.015, VI, CPC/2015). 
 
4.4.5. Medidas adotadas pelo juiz para forçar a exibição 
 
Sendo necessário, o juiz pode adotar medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-
rogatórias para que o documento seja exibido. 
 
4.5. Justificação 
 
É uma medida probatória não contenciosa, que se destina a justificar um fato ou uma relação jurídica, 
que devem ser especificadas na petição inicial (CPC/15, art. 381, § 5º). O resultado da justificação servirá 
como simples documento ou como prova em processo judicial ou administrativo. 
 
 
 
 
Referências Bibliográficas: 
Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil. 
Mozart Borba. Diálogos sobre o novo CPC. 
Alexandre Freitas Câmara. O Novo Processo Civil Brasileiro. 
 
 
 
 
 
 
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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QUESTÕES PROPOSTAS 
 
1 - 2021 -INSTITUTO AOCP -PC-PA - INSTITUTO AOCP - 2021 
- PC-PA - Delegado de Polícia Civil 
 
Maria recebeu uma notificação de inscrição de seu nome no 
cadastro de inadimplentes, em razão de uma dívida que 
nunca contraiu. Contudo, mesmo após diversos contatos com 
a empresa para resolver o problema, não obteve retorno. Por 
esse motivo, Maria ingressou com ação judicial de obrigação 
de fazer para o cancelamento do apontamento, cumulada 
com reparação de danos em razão dos danos morais, 
formulando pedido em caráter liminar para o cancelamento 
do registro no cadastro de inadimplentes. O juiz analisou o 
pedido e deferiu a medida em caráter liminar. Considerando 
a situação hipotética apresentada, assinale a alternativa 
correta. 
 
A-A liminar tem caráter de tutela provisória de evidência, que 
exige a demonstração do perigo de dano ou de risco ao 
resultado útil do processo. 
B-Houve, no caso, a concessão de tutela cautelar de urgência, 
que pode ser concedida independentemente da 
demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil 
do processo, quando as alegações de fato puderemser 
comprovadas apenas documentalmente e houver tese 
firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula 
vinculante. 
C-Foi concedida a tutela provisória antecipada de urgência, 
em caráter incidental. 
D-Considerando que o pedido da ação não foi somente o 
cancelamento da inscrição, a medida não tem caráter de 
tutela antecipada. 
E-Foi concedida a tutela provisória antecipada de urgência em 
caráter antecedente, em razão da presença dos elementos 
que evidenciaram a probabilidade do direito e o perigo de 
dano ou o risco ao resultado útil do processo. 
 
2 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / 
CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia 
Federal 
 
A respeito da jurisdição, da competência e do poder geral de 
cautela no processo civil, julgue o item subsequente. 
 
Caso haja fundado receio de que no curso da lide uma parte 
cause ao direito do réu lesão grave e de difícil reparação, o 
juiz poderá determinar medida provisória que julgue 
adequada. 
 
Certo 
Errado 
 
3 - 2020 - FGV - TJ-RS - Oficial de Justiça 
 
Atropelado por um carro que invadira a calçada onde se 
encontrava, José sofreu graves lesões, o que o levou a 
intentar ação indenizatória em face de Luiz, proprietário e 
condutor do veículo. Em sua petição inicial, José pleiteou a 
condenação de Luiz a lhe pagar verbas reparatórias dos danos 
morais e ressarcitórias dos danos materiais, incluindo as 
despesas com os tratamentos médicos e hospitalares que se 
faziam necessários. 
Alegando não ter condições financeiras de arcar com tais 
tratamentos, e que estes não poderiam ser interrompidos, o 
autor requereu, também, a concessão de tutela inaudita 
altera parte, consubstanciada na determinação para que o 
réu imediatamente custeasse essas despesas, até o 
julgamento do mérito do processo. 
Reputando, à luz de uma cognição sumária, satisfatoriamente 
comprovadas as alegações de José, o magistrado, sem 
prejuízo do juízo positivo de admissibilidade da ação, deferiu 
a medida requerida, que tem a natureza de tutela: 
 
a)de urgência cautelar; 
b)de urgência antecipada; 
c)da evidência; 
d)definitiva; 
e)executiva. 
 
4 - 2020 - VUNESP - Prefeitura de São Roque - SP - Advogado 
 
Foi decretada, liminarmente, a ordem de entrega do objeto 
custodiado, sob cominação de multa, em ação 
reipersecutória fundada em prova documental adequada de 
contrato de depósito. Essa decisão liminar tem natureza de 
 
a)tutela antecipada incidente. 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
55 
 
b)tutela antecipada antecedente. 
c)tutela de evidência. 
d)tutela cautelar antecedente. 
e)tutela cautelar incidente. 
 
5 - 2020 - FCC - TJ-MS - Juiz de Direito 
 
A tutela provisória 
 
a)da evidência será concedida sempre e unicamente quando 
caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto 
propósito protelatório da parte. 
b)observará o rol taxativo previsto na norma processual. 
c)conserva sua eficácia na pendência do processo, mas pode 
a qualquer tempo ser modificada, embora não revogada. 
d)de urgência de natureza antecipada só poderá ser 
concedida após justificação prévia. 
e)de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada 
mediante arresto, sequestro, arrolamento de bens, registro 
de protesto contra alienação de bem e qualquer outra 
medida idônea para asseguração do direito. 
 
6 - 2019 - JBO - Câmara de Aparecida D' Oeste - SP - 
Procurador Jurídico 
 
“Trata-se do mecanismo que permite à parte obter um 
provimento acautelatório que preserve o direito material 
almejado. Em outras palavras, as tutelas de urgência 
cautelares têm caráter instrumental. Elas não recaem sobre o 
mérito em si, mas sobre os instrumentos que asseguram a 
efetividade do mérito e do processo. É o caso, por exemplo, 
do provimento jurisdicional que confere à parte o direito de 
acesso a provas documentais necessárias à discussão de 
mérito que estejam em poder de terceiros.” 
Nessa descrição podemos concluir que está falando de: 
 
a)Tutela de evidência 
b)Tutela provisória de urgência antecipada 
c)Tutela de urgência cautelar 
d)Tutela provisória de urgência 
 
7 - 2019 - JBO - Câmara de Aparecida D' Oeste - SP - 
Procurador Jurídico 
 
O pedido da tutela provisória incidental pode ser cumulado 
com o pedido principal, (art.308 § 1º do CPC). Segundo Fredie 
Didier Jr(11),nesse caso, o requerimento pode ser formulado, 
EXCETO: 
 
a)na petição final (contestação, petição de ingresso do 
terceiro ou de manifestação do Ministério Público); 
b)em petição simples; 
c)oralmente, em mesa de audiência ou durante a sessão de 
julgamento no tribunal - quando deve ser reduzido a termo; 
d)no bojo da petição recursal. 
 
8 - 2019 - VUNESP - Câmara de Mauá - SP - Procurador 
Legislativo 
 
A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou 
evidência. A respeito do tema, é correto afirmar que 
 
a)a tutela provisória de urgência cautelar será concedida em 
caráter antecedente ou incidental e a tutela de urgência 
antecipada será concedida apenas em caráter incidental. 
b)a tutela provisória requerida em caráter antecedente 
independe do pagamento de custas. 
c)na petição inicial que se limita ao requerimento da tutela 
antecipada antecedente não há necessidade de indicação do 
valor da causa. 
d)qualquer das partes poderá invalidar a tutela antecipada 
antecedente estabilizada por meio de ação rescisória a ser 
proposta em até dois anos, contados da ciência da decisão 
que extinguiu o processo. 
e)efetivada a tutela cautelar requerida em caráter 
antecedente, o pedido principal terá de ser apresentado pelo 
autor em 30 (trinta) dias nos mesmos autos, não dependendo 
do adiantamento de novas custas processuais. 
 
9 - 2019 - FCC - DPE-AM - Analista Jurídico 
 
São modalidades de tutela: 
 
 I. da urgência. 
 II. da evidência. 
 III. antecedente. 
 IV. incidental. 
 
 De acordo com o atual Código de Processo Civil, a 
estabilização da tutela provisória se aplica às tutelas previstas 
nos itens: 
 
 
 
 
 
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
56 
 
a)I, II e III, apenas. 
b)I, II, III e IV. 
c) II e IV, apenas. 
d)I e III, apenas. 
e)II, III e IV, apenas. 
 
10 - 2019 - FAUEL - Prefeitura de Jandaia do Sul - PR - 
Assessor Jurídico 
 
Assinale a alternativa CORRETA a respeito da tutela 
antecipada requerida em caráter antecedente, conforme o 
Código de Processo Civil. 
 
a)A decisão que concedeu a tutela antecipada requerida em 
caráter antecedente torna-se estável se não for oferecida a 
contestação no prazo legal. 
b)Concedida a tutela antecipada o autor deverá aditar a 
petição inicial, com a complementação de sua argumentação, 
a juntada de novos documentos e a confirmação do pedido 
de tutela final, em 10 (dez) dias ou em outro prazo maior que 
o juiz fixar. 
c)Na petição inicial, o autor terá de indicar o valor da causa, 
que não deve levar em consideração, entretanto, o pedido de 
tutela final. 
d)Caso entenda que não há elementos para a concessão de 
tutela antecipada, o órgão jurisdicional determinará a 
emenda da petição inicial em até 5 (cinco) dias, sob pena de 
ser indeferida e de o processo ser extinto sem resolução de 
mérito. 
 
11 - 2019 - VUNESP - Prefeitura de São José dos Campos - SP 
- Procurador 
 
O fenômeno da estabilização da tutela provisória ocorre 
 
a)na tutela de evidência, caso a decisão que a deferiu não seja 
objeto de recurso. 
b)na tutela antecipada requerida em caráter incidente, caso 
a decisão que a deferiu não seja objeto de recurso. 
c)na tutela cautelar requerida em caráter antecedente, caso 
a decisão que a deferiu não seja objeto de recurso ou não 
tenha sido apresentada contestação. 
d)na tutela de evidência e na tutela de urgência, caso a 
decisão que a deferiu não seja objetode recurso ou não tenha 
sido apresentada contestação. 
e)na tutela antecipada requerida em caráter antecedente, 
caso a decisão que a deferiu não seja objeto de recurso ou 
não tenha sido apresentada contestação. 
 
12 - 2019 - FUNDEP (Gestão de Concursos) - MPE-MG - 
Promotor de Justiça 
 
Assinale a alternativa incorreta: 
 
a)Nos casos em que a urgência for contemporânea à 
propositura da ação, a petição inicial pode limitar-se ao 
requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido 
de tutela final, com a exposição da lide, do direito que se 
busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao resultado 
útil do processo. 
b)A petição inicial da ação que visa à prestação de tutela 
cautelar em caráter antecedente indicará a lide e seu 
fundamento, a exposição sumária do direito que se objetiva 
assegurar e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do 
processo. 
c)Desde que demonstrado o perigo de dano ou de risco ao 
resultado útil do processo, a tutela da evidência será 
concedida, quando: I - ficar caracterizado o abuso do direito 
de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte; II - 
as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas 
documentalmente e houver tese firmada em julgamento de 
casos repetitivos ou em súmula vinculante; III - se tratar de 
pedido reipersecutório fundado em prova documental 
adequada do contrato de depósito, caso em que será 
decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob 
cominação de multa. 
d)Durante a suspensão é vedado praticar qualquer ato 
processual, podendo o juiz, todavia, determinar a realização 
de atos urgentes a fim de evitar dano irreparável, salvo no 
caso de arguição de impedimento e de suspeição. 
 
13 - 2019 - FGV - MPE-RJ - Oficial do MP - Serviços Diversos 
 
Sobre as tutelas provisórias, é correto afirmar que: 
 
a)a tutela de urgência será concedida quando houver 
elementos que evidenciem a probabilidade do direito ou o 
perigo de dano e o risco ao resultado útil do processo; 
b)efetivada a tutela cautelar, o pedido principal terá de ser 
formulado pelo autor no prazo de 60 (sessenta) dias, devendo 
ser formulado nos mesmos autos; 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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57 
 
c)se por qualquer motivo cessar a eficácia da tutela cautelar, 
poderá a parte renovar o pedido, independentemente de 
novo fundamento; 
d)a tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou 
após justificação prévia; 
e)a tutela de evidência pode ser concedida de ofício. 
 
14 - 2019 - IBFC - Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho - PE 
- Procurador Municipal 
 
O procedimento da tutela cautelar requerida em caráter 
antecedente possui peculiaridades estabelecidas pelo Código 
de Processo Civil. Sobre o assunto, analise as afirmativas 
abaixo e dê valores de Verdadeiro (V) ou Falso (F). 
 
( ) Se for cessada a eficácia da tutela cautelar, o pedido 
poderá ser renovado apenas mais uma vez sob o mesmo 
fundamento, dependendo do pagamento de custas. 
( ) Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal terá de ser 
formulado pelo autor no prazo de 30 (trinta) dias. 
( ) O pedido principal pode ser formulado conjuntamente 
com o pedido de tutela cautelar. 
 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de 
cima para baixo. 
 
a)V, V, V 
b)V, F, F 
c)F, V, V 
d)F, V, F 
 
15 - 2019 - MPE-GO - MPE-GO - Promotor de Justiça 
 
Sobre a tutela provisória, de acordo com o Código de 
Processo Civil, é incorreto afirmar que: 
 
a)Concedida a tutela antecipada requerida em caráter 
antecedente, o autor deverá aditar a petição inicial, com a 
complementação de sua argumentação, a juntada de novos 
documentos e a confirmação do pedido de tutela final, em 15 
(quinze) dias ou em outro prazo maior que o juiz fixar. 
b)No procedimento da tutela cautelar requerida em caráter 
antecedente, o réu será citado para, no prazo de 5 (cinco) 
dias, contestar o pedido e indicar as provas que pretende 
produzir. 
c)Nem todas as hipóteses da tutela da evidência comportam 
apreciação liminar pela autoridade judiciária. 
d)O direito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada 
estabilizada, extingue-se após dois anos, contados da 
concessão da tutela de urgência. 
 
16 - 2019 - IBFC - Emdec - Advogado 
 
A Tutela Provisória é um importante instituto do Direito 
Processual Civil e abordado com detalhes pelo Código de 
Processo Civil. Acerca desse assunto, assinale a alternativa 
correta. 
 
a) Para o requerimento de tutela antecipada incidental 
deverá haver o pagamento de custas 
b)Caso seja concedida na fase de conhecimento, a tutela 
provisória só poderá ser revogada ou modificada na fase de 
execução do processo 
c)O juiz poderá determinar as medidas que considerar 
adequadas para efetivação da tutela provisória 
d)A tutela provisória será distribuída livremente, mesmo 
quando incidental 
 
17 - 2019 - CESPE - TJ-AM - Assistente Jurídico 
 
Rodrigo deixou de cumprir sua parte em obrigação de fazer 
firmada com Vinícius. Para assegurar seu direito, Vinícius 
ajuizou ação em desfavor de Rodrigo. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item 
subsequente. 
Na hipótese de Vinícius requerer tutela provisória incidental, 
esta dependerá do pagamento de custas referentes ao feito. 
 
( ) Certo ( ) Errado 
 
18 - 2019 - CESPE - TJ-AM - Analista Judiciário - Direito 
 
Caio ajuizou ação contra determinada sociedade empresária 
e apresentou pedido único de repetição de valor decorrente 
de cobrança indevida, requerendo, ainda, a concessão de 
tutela de urgência. Após a apresentação de defesa pela ré, o 
juiz prolatou sentença em que concedeu a tutela provisória e, 
no mesmo pronunciamento, julgou o pedido procedente de 
forma definitiva. A sociedade empresária interpôs recurso de 
apelação requerendo a reforma total da sentença. 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
58 
 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item 
seguinte. 
O juiz está autorizado pelo ordenamento processual a 
conceder a tutela provisória no momento de prolação de sua 
sentença. 
 
( ) Certo ( ) Errado 
 
19 - 2019 - FCC - TJ-AL - Juiz de Direito 
 
A tutela da evidência 
 
a)em nenhuma hipótese admite concessão de liminar judicial. 
b)depende de demonstração de perigo de dano iminente. 
c)depende de demonstração de risco ao resultado útil do 
processo. 
d)não pode ser concedida se dependente de prova 
documental dos fatos constitutivos do direito do autor, ainda 
que o réu não oponha objeção capaz de gerar dúvida 
razoável. 
e)será concedida, entre outras hipóteses, se se tratar de 
pedido reipersecutório fundado em prova documental 
adequada do contrato de depósito, caso em que será 
decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob 
cominação de multa. 
 
20 - 2019 - Quadrix - CREA-GO - Analista - Advocacia 
 
No que diz respeito ao direito processual civil, julgue o item. 
Para a concessão da tutela de evidência, o autor deverá 
demonstrar o perigo de dano e o risco ao resultado útil do 
processo. 
 
( ) Certo ( ) Errado 
 
 
Respostas8 
 
8 1: C 2: E 3: B 4: C 5: E 6: C 7: A 8: E 9: D 10: D 11: E 12: C 13: D 14: C 15: D 16: C 17: E 18: C 19: E 20: E 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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META 3 
 
DIREITO TRIBUTÁRIO: CRÉDITO TRIBUTÁRIO (PARTE I) 
 
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA 
CTN 
⦁ Art. 139 a 193 
 
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER! 
CTN 
⦁ Art. 139 a 145 
⦁ Art. 151 (muito importante) 
⦁ Art. 156 (muito importante) 
⦁ Art. 157 e 158 
⦁ Art. 174 a 182 
⦁ Art. 186 e 187 
 
1. CONCEITOS INICIAIS 
 
a) Obrigação tributária: Quando verificada, no mundo dos fatos, situação definida em lei como fato 
gerador de tributo, nascea obrigação tributária. 
b) Lançamento tributário: É o instrumento que confere a exigibilidade à obrigação tributária, 
quantificando-a e qualificando-a. 
c) Crédito tributário: É o momento de exigibilidade da relação jurídico- tributária, e nasce com o 
lançamento tributário (“obrigação tributária em estado ativo”). Em outras palavras: é a obrigação 
tributária tornada líquida e certa em razão do lançamento. 
 
* ATENÇÃO: O crédito tributário NÃO surge com o fato gerador, mas é constituído com o lançamento, 
procedimento oficial para declarar formalmente a ocorrência do fato gerador, definir os elementos materiais 
da obrigação tributária (alíquota e base de cálculo), calcular o montante devido e indicar o sujeito passivo. 
Portanto, são pré-requisitos para a existência do crédito tributário: 
✓ Previsão em lei 
✓ Ocorrência de um fato gerador 
✓ Lançamento tributário 
 
* ATENÇÃO: Não existe crédito tributário sem obrigação tributária, mas pode existir obrigação tributária sem 
crédito tributário. 
 
 
 
 
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ATENÇÃO: 
Hipótese de Incidência + Fato Gerador = Obrigação Tributária 
Obrigação Tributária + Lançamento = Crédito Tributário 
 
ATENÇÃO – Crédito tributário: 
O crédito só se torna exigível após o decurso do prazo para pagamento do tributo lançado. E 
só se torna exequível senão tendo sido adimplido, ocorrer sua inscrição em dívida ativa. 
 
Crédito exequível (exequibilidade): Pode ser executado em juízo, desde que inscrito em 
dívida ativa; 
Crédito exigível (exigibilidade): Pode ser exigido administrativamente do contribuinte, a 
partir do lançamento. 
 
2. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO 
 
Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito 
tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo 
tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, 
determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar 
o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 
Parágrafo Único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e 
obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 
 
2.1 Funções do lançamento 
 
• Verificar a ocorrência do fato gerador: Verificar se há adequação do fato em análise com a lei, ou 
seja, se há subsunção entre o fato gerador concreto e à hipótese de incidência normativa. 
• Determinar a matéria tributável (aferição do na debeatur): é determinar a incidência tributária no 
caso concreto. 
• Calcular o montante do tributo devido (na debeatur): Torna o crédito tributário líquido e exigível 
• Identificar o sujeito passivo: consiste na indicação da PF ou PJ que deve arcar com o ônus tributário 
• Aplicação da penalidade cabível (se for o caso): o descumprimento da obrigação principal acarreta 
a imposição de penas pecuniárias. 
 
2.2 Natureza Jurídica do Lançamento 
 
 
 
 
 
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• 1ª C – Natureza Declaratória: Aplicável para aqueles que entendem que o surgimento do crédito 
tributário ocorre no exato momento do fato gerador, e o lançamento apenas tornaria líquido e certo 
um crédito já existente. 
• 2ª C – Natureza Constitutiva: Não existe crédito tributário antes do lançamento. (Prevalece) 
 
Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito 
tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo 
tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, 
determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar 
o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 
 
CONCLUSÃO: Considerando que, pelo disposto em lei, a obrigação tributária já existe, cabendo ao 
lançamento apenas constituir o crédito tributário, é certo dizer que o lançamento possui natureza 
jurídica constitutiva em relação ao crédito tributário, e natureza declaratória em relação à 
obrigação tributária. 
 
2.3 Lançamento é procedimento ou ato administrativo? 
 
• 1ª C (lei seca) - Para o art. 142 do CTN: O lançamento é um PROCEDIMENTO administrativo. Utilizar 
a interpretação literal para provas objetivas! 
• 2º C (doutrina majoritária) - Maioria da doutrina: Entende que o lançamento é um ato 
administrativo, embora seja resultante de um procedimento administrativo. 
 
2.4 Competência privativa 
 
Segundo o art. 142 do CTN, a competência para lançar é PRIVATIVA (exclusiva) da autoridade 
administrativa, sendo tal competência indelegável e insuscetível de avocação. 
• A exclusividade da competência vincula até mesmo o juiz, que NÃO pode lançar e nem corrigir 
lançamento realizado pela autoridade administrativa! 
• O STJ tem considerado válidas as previsões legais de que a elaboração de declaração pelo sujeito 
passivo, informando um débito, importa, por si só a constituição do crédito tributário, ainda que não 
haja o pagamento pelo devedor, independente de outra providência da administração. 
 
2.5. Atividade vinculada e obrigatória 
 
Art. 142.Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e 
obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 
 
 
 
 
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• Atividade vinculada – é aquela que respeita estritamente os pressupostos da legalidade, tanto no 
que diz respeito à forma como ao conteúdo do ato administrativo 
• Atividade obrigatória – não há discricionariedade, pois os agentes fiscais possuem o dever de 
proceder ao lançamento do crédito tributário quando verificarem a existência de fatos geradores, 
sob pena de serem responsabilizados administrativa, funcional e penalmente. 
 
2.6 Taxa de câmbio aplicável ao lançamento 
 
 Roberval Rocha explica: “Muitas vezes, a base de cálculo do tributo é expressa em moeda estrangeira, 
como é praxe na importação de mercadorias ou serviços do exterior, cujo preço, normalmente, é ditado em 
modela de curso internacional, como o dólar e o euro. Nesses casos, há de ser feita a conversão cambial para 
que o crédito tributário seja lançado. 
 Note que o dispositivo se inicia com “salvo disposição de lei em contrário”, o que indica o caráter 
supletivo da norma. Isso significa que lei ordinária pode dispor livremente em sentido contrário. 
 
Art. 143. Salvo disposição de lei em contrário, quando o valor tributário esteja 
expresso em moeda estrangeira, no lançamento far-se-á sua conversão em moeda 
nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação. 
 
CESPE/2019 (Adaptada) - A secretaria de fazenda de determinado estado da Federação realizará o 
lançamento de tributo de sua competência na importação de mercadoria; o valor tributário está expresso 
em moeda estrangeira e discriminado em documento idôneo. Nesse caso, de acordo com o CTN, o 
lançamento será feito por conversão em moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da 
obrigação. Item correto. 
 
 
2.5 Legislação aplicável ao lançamento 
 
a) Legislação material relativa ao tributo: 
 Aplica-se a lei que estava em vigor no momento da ocorrência do fato gerador, mesmo que tal 
legislação já tenha sido modificada ou revogada, ou seja desfavorável ao contribuinte. Portanto, é da lei de 
regência do fato gerador que se extraem as consequências jurídicas, as bases de cálculo, alíquotas, etc. 
 Ex.: Imagine que Luiz teve rendimentos tributáveis de R$ 100.000,00 em 2016, quando a alíquota 
vigente era de 20%. Suponha que, em 2020, a legislação tributária foi alterada, para aumentar a alíquota 
máxima do IRPF para 30%. Em 2021, a Receita Federal identificou que Luiz omitiu a totalidade da renda 
auferida em 2016, tendo efetuado o lançamento de ofício. Como o lançamento deve se reportar à dataConcorrente – Novo CPC ................................................................................................................. 29 
3.4 -Competência Exclusiva – Novo CPC .................................................................................................................... 29 
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................... 31 
META 2 ............................................................................................................................................................ 34 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL: TUTELA DE URGÊNCIA ....................................................................................... 34 
1. TUTELA PROVISÓRIA .................................................................................................................................... 34 
2. TUTELAS DE URGENCIA ............................................................................................................................... 35 
2.1. Requisitos .............................................................................................................................................................. 35 
2.2. Algumas regras ...................................................................................................................................................... 35 
2.3. Tutela antecipada genérica ................................................................................................................................... 35 
2.4. Tutela antecipada contra a Fazenda Pública: ........................................................................................................ 42 
2.5. Tutela antecipada cautelar .................................................................................................................................... 43 
3. TUTELA DE EVIDÊNCIA ................................................................................................................................. 46 
3.1. Hipóteses de cabimento ........................................................................................................................................ 46 
4. PROCEDIMENTOS CAUTELARES DO CPC/73 ADAPTADOS AO CPC/2015 .................................................... 47 
4.1. Protesto, notificação e interpelação ..................................................................................................................... 47 
4.1.1. Definição ......................................................................................................................................................... 47 
4.1.2. Procedimento ................................................................................................................................................. 47 
4.2. Arresto, sequestro e caução .................................................................................................................................. 48 
4.3. Busca e apreensão: ................................................................................................................................................ 50 
4.4. Exibição de documentos ....................................................................................................................................... 51 
4.4.1. Pedido formulado pela parte: ......................................................................................................................... 51 
 
 
 
 
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4.4.2. Documento ou coisa em poder de terceiro .................................................................................................... 52 
4.4.3. Hipóteses em que pode haver recusa em exibir os documentos: .................................................................. 52 
4.4.4. Julgamento ..................................................................................................................................................... 53 
4.4.5. Medidas adotadas pelo juiz para forçar a exibição ........................................................................................ 53 
4.5. Justificação ............................................................................................................................................................ 53 
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................... 54 
META 3 ............................................................................................................................................................ 59 
DIREITO TRIBUTÁRIO: CRÉDITO TRIBUTÁRIO (PARTE I) .................................................................................. 59 
1. CONCEITOS INICIAIS .................................................................................................................................... 59 
2. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO ........................................................................................................................ 60 
2.1 Funções do lançamento ......................................................................................................................................... 60 
2.2 Natureza Jurídica do Lançamento .......................................................................................................................... 60 
2.3 Lançamento é procedimento ou ato administrativo? ............................................................................................ 61 
2.4 Competência privativa ............................................................................................................................................ 61 
2.6 Taxa de câmbio aplicável ao lançamento ............................................................................................................... 62 
2.5 Legislação aplicável ao lançamento ................................................................................................................ 62 
2.7 Alteração do lançamento ....................................................................................................................................... 64 
2.8 Erro de direito x Erro de fato e alteração de lançamento ...................................................................................... 65 
2.9 Modalidade de lançamento ................................................................................................................................... 67 
3. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO........................................................................................................ 74 
3.1 Suspensão da exigibilidade do crédito tributário e lançamento ............................................................................ 74 
3.2 Causas de suspensão .............................................................................................................................................. 75 
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................... 85 
META 4 ............................................................................................................................................................ 88 
DIREITO TRIBUTÁRIO: CRÉDITO TRIBUTÁRIO (PARTE II) ................................................................................. 88 
4. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: ......................................................................................................... 91 
5. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ........................................................................................................ 114 
5.1 Isenção ..........................................................................................................................................................da 
 
 
 
 
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obrigação tributária, a alíquota que deve ser utilizada nesse caso é aquela do ano de 2016, ou seja, a alíquota 
de 20% - e não de 30%. 
Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da 
obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada 
ou revogada. 
 
Súmula 112 do STF - A alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão [fato 
gerador] é a que deve ser aplicada para o cálculo do imposto 
 
Súmula 113 do STF - O valor dos bens quando da sua avaliação é que deve ser 
empregado para a quantificação do imposto 
 
DD EXPLICA: O imposto de transmissão “causamortis” é calculado sobre o valor dos 
bens na data da avaliação. 
 
 Obs.: A legislação aplicada às penalidades/multas é diferente: No caso de penalidades, parece o 
princípio da retroatividade benigna, estipulado no art. 106 do CTN. Assim, aplica-se ao lançamento a lei mais 
favorável ao infrator, dentre aquelas que tiveram vigência entre a data do fato gerador e a data do 
lançamento, garantindo-se ao contribuinte o direito de aplicar legislação mais favorável surgida 
posteriormente, desde que não haja coisa julgada ou extinção do crédito. 
 
Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 
I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a 
aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 
II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: 
a) quando deixe de defini-lo como infração; 
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou 
omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de 
pagamento de tributo; 
 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao 
tempo da sua prática. 
 
b) Legislação formal: 
 É um conjunto de regras que determina o procedimento para lançar (competência, modo de 
documentar, prazos etc.). Quanto a esse tipo de norma, são aplicáveis ao lançamento as que estiverem em 
vigor no momento da realização do procedimento de lançamento (tempus regit actum). 
 Em outras palavras: a legislação formal se aplica aos fatos geradores passados, pois o que importa é 
a legislação vigente na data do lançamento (pode haver alteração após o fato gerador). 
 
 
 
 
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 Exemplos de aplicação da legislação superveniente ao fato gerador: 
 Instituição de novos critérios de apuração ou processos de fiscalização 
 Ampliação dos poderes de investigação das autoridades administrativas (ex.: art. 5º, LC 
105/01) 
 Outorga de maiores garantias ou privilégios ao crédito tributário, vedada a atribuição 
superveniente de responsabilidade tributária a terceiros. 
 
Art. 144, § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à 
ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de 
apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das 
autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou 
privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade 
tributária a terceiros. 
 
CESPE/2018 (Adaptada) - Considere que lei tributária tenha instituído novos critérios de apuração de tributo 
municipal e que tenha ampliado os poderes de investigação do auditor. Com relação a esse caso, é correto 
afirmar, com base nos dispositivos normativos do Código Tributário Nacional (CTN), que será aplicada ao 
lançamento lei nova vigente após a ocorrência do fato gerador e vigente também ao tempo do lançamento. 
Item correto. 
 
DICA: 
Aspectos formais – Aplica-se a lei vigente na data do lançamento 
Aspectos materiais – Aplica-se lei vigente na data do fato gerador 
 
2.7 Alteração do lançamento 
 
Após a formalização do lançamento, a autoridade administrativa deve comunicar oficialmente o 
sujeito passivo para que este pague ou impugne. É a comunicação ao contribuinte que confere efeitos ao 
lançamento. 
 No entanto, é possível alterá-lo nas seguintes hipóteses [rol taxativo]: 
1) Impugnação do sujeito passivo – o sujeito passivo pode não concordar com o lançamento 
tributário, impugnando-o. Nesse caso, se o órgão julgador der provimento à impugnação, irá 
alterar ou extinguir o lançamento. 
 
2) Recurso de ofício – Incide nas hipóteses em que a própria legislação estabelece que a decisão da 
autoridade administrativa não é definitiva, devendo ser submetida de ofício a uma autoridade 
superior, que pode confirmá-la ou alterá-la. 
 
 
 
 
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3) Iniciativa de ofício da autoridade administrativa nos casos do art. 149 do CTN – São, 
basicamente, as hipóteses de fraude, dolo e simulação 
 Sobre o tema, é importante ressaltar que, conforme decide o STJ, a revisão do lançamento 
nessas hipóteses deve observar o prazo decadencial para a constituição do crédito 
tributário (Resp 1.405.517). Assim, passado o prazo decadencial, NÃO se pode rever o 
lançamento, mesmo nos casos de fraude ou simulação. 
 
Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser 
alterado em virtude de: 
I - Impugnação do sujeito passivo; 
II - recurso de ofício; 
III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 
149. 
 
2.8 Erro de direito x Erro de fato e alteração de lançamento 
 
Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão 
administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade 
administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação 
a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua 
introdução. 
 
 A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de 
direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: 
 
O comando dispõe sobre a apreciação de fato não conhecido ou não provado à 
época do lançamento anterior. Diz-se que este lançamento teria sido perpetrado 
com erro de fato, ou seja, defeito que não depende de interpretação normativa 
para sua verificação. Frise-se que não se trata de qualquer 'fato', mas aquele que 
não foi considerado por puro desconhecimento de sua existência. Não é, portanto, 
aquele fato, já de conhecimento do Fisco, em sua inteireza, e, por reputá-lo despido 
de relevância, tenha-o deixado de lado, no momento do lançamento. Se o Fisco 
passa, em momento ulterior, a dar a um fato conhecido uma 'relevância jurídica', a 
qual não lhe havia dado, em momento pretérito, não será caso de apreciação de 
fato novo, mas de pura modificação do critério jurídico adotado no lançamento 
anterior, com fulcro no artigo 146, do CTN, (...). Neste art. 146, do CTN, prevê-se 
um 'erro' de valoração jurídica do fato (o tal 'erro de direito'), que impõe a 
 
 
 
 
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modificação quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua ocorrência. 
Não perca de vista, aliás, que inexiste previsão de erro de direito, entre as hipóteses 
do art. 149, como causa permissiva de revisão de lançamento anterior." (Eduardo 
Sabbag, in "Manual de Direito Tributário", 1ª ed., Ed. Saraiva, pág. 707) 
 
 
 A expressão "erro de fato" (art. 149, VIII, CTN) refere-se ao incorreto enquadramento das 
circunstâncias objetivas, que não dependem de interpretação normativa para sua verificação. Assim, se 
houve importação de dez toneladas de trigo e o lançamento foi feito como se houvessem sido importadas 
apenas oito toneladas, está configurado erro de fato. O erro de fato pode - e deve - indiscutivelmente 
justificar a revisão de lançamento já realizado. 
 Por outro lado, “o erro dedireito” decorre da escolha de uma norma inservível ou não mais aplicável 
à questão que está sendo juridicamente considerada. O erro de direito não é necessariamente erro, podendo 
ser uma mudança de entendimento. Assim, se a administração tributária vinha aceitando como correta a 
adoção de determinada interpretação, não pode, posteriormente, com base em novos critérios, alterar o 
entendimento de forma retroativa para a revisão de lançamentos já efetuados. 
Tenta-se proteger o princípio da segurança jurídica e o seu corolário em matéria tributária, o 
princípio da não surpresa, de forma a garantir que as mudanças nos critérios jurídicos adotados pela 
Administração Tributária, no exercício da atividade do lançamento, só terão efeitos ex nunc, sendo aplicáveis 
somente aos casos futuros. 
 
STJ - (...) 5. Assim é que a revisão do lançamento tributário por erro de 
fato (artigo 149, inciso VIII, do CTN) reclama o desconhecimento de sua 
existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição 
do crédito tributário. 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na 
valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revela-
se imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à 
confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o 
qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão 
administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela 
autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, 
em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido 
posteriormente à sua introdução". RECURSO ESPECIAL Nº 1.130.545 – RJ 
 
Revisão quanto à tipologia do imóvel: erro de direito. Considera-se erro de direito 
quando a autoridade fiscal realiza o lançamento original com a tipologia 
(classificação do imóvel) quanto à sua característica construtiva. No caso, houve a 
existência da instauração de processo administrativo de revisão de lançamento 
 
 
 
 
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tendente a modificar a classificação do imóvel em razão da inadequada tipologia 
normativa considerada quando do lançamento original de IPTU – de "não-
residencial, galpão" para "não residencial, prédios próprios para indústrias –, o que 
resultaria na aplicação de uma alíquota maior e, por conseguinte, na cobrança 
dessa complementação de crédito do imposto. Dessa forma, a revisão desse claro 
equívoco de critério jurídico somente pode surtir efeitos para fatos geradores 
futuros, consoante o que reza o art. 146 do CTN. STJ. 1ª Turma. REsp 1.905.365-RJ, 
Rel. Min. Gurgel de Farias, julgado em 23/02/2021 
 
 
CONCLUSÃO 
ERRO DE FATO – enseja a revisão do lançamento 
ERRO DE DIREITO – não autoriza a revisão do lançamento 
 
 
2.9 Modalidade de lançamento 
 
 Autonomia acerca do lançamento: Não há qualquer norma geral no direito brasileiro que determine 
que tributos específicos sejam necessariamente lançados de oficio, por declaração ou por homologação, 
sendo possível que determinado ente preveja na legislação local a realização dos lançamentos dos seus 
tributos na modalidade que eventualmente entender mais conveniente. 
 
I) LANÇAMENTO DE OFÍCIO OU DIRETO: 
 É o lançamento realizado pelas autoridades administrativas, sem a colaboração do sujeito passivo. 
Assim, a autoridade fiscal diretamente procede ao lançamento do tributo, sem colaboração relevante do 
devedor. Ex.: IPVA e IPTU. Em ambos os casos, o lançamento é feito diretamente pelos entes políticos (Estado 
e Município, respectivamente). 
 
Súmula STJ 397 - O contribuinte de IPTU é notificado do lançamento pelo envio do 
carnê ao seu endereço. 
 
CESPE/2021 - O envio do carnê de IPVA com instruções para efetivação do pagamento consiste em 
lançamento de ofício e constitui o crédito tributário. Item correto. 
 
 As hipóteses de lançamento de oficio são previstas taxativamente no art. 149 do CTN e têm como 
prazo máximo para a revisão do lançamento a extinção do direito da Fazenda Pública (§único). 
 
 
 
 
 
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Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade 
administrativa nos seguintes casos: 
I - quando a lei assim o determine; 
II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma 
da legislação tributária; 
III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos 
termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação 
tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, 
recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; 
IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento 
definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; 
V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente 
obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; 
VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro 
legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; 
VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, 
agiu com dolo, fraude ou simulação; 
VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião 
do lançamento anterior; 
IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta 
funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato 
ou formalidade especial. 
Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não 
extinto o direito da Fazenda Pública. [prazo decadencial] 
 
Entenda cada hipótese que admite o lançamento de ofício: 
 
∘ Inciso I – Por determinação de lei 
 
∘ Inciso II - Declaração fora do prazo ou da forma exigida - Ex.: Se o contribuinte que não prestar a 
declaração de ajuste anual do IRPF no prazo legal, a Receita Federal poderá suprir a omissão, 
efetuando o lançamento de ofício do IRPF que deveria ter sido declarado. 
 
∘ Inciso III – Recusa, não atendimento ou atendimento insatisfatório a pedido de esclarecimento de 
declaração pela autoridade administrativa - Ex.: O contribuinte, em declaração de IRPF, informou 
que teve que deduções com saúde no valor de R$ 3.000,00. Intimado para apresentar os recibos 
comprobatórios das despesas, permaneceu silente ou comprovou apenas parcialmente os 
pagamentos. Nessa hipótese, a Receita Federal pode excluir de ofício as deduções não comprovadas, 
 
 
 
 
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alargando a base de cálculo da exação. 
 
∘ Inciso IV – Falsidade, erro ou omissão em elemento de declaração obrigatória - Ex.: é o caso do 
contribuinte que apresenta recibos médicos falsos para justificar a dedução com despesas de saúde. 
∘ Inciso V - Omissão ou inexatidão na homologação do lançamento (hipótese ampla que abrange as 
situações anteriores. Pode ser aplicado de maneira subsidiária) 
 
∘ Inciso VI - Ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que importe 
aplicação de penalidade pecuniária - É com base nesse inciso que o fisco aplica multas pelo 
descumprimento de obrigações acessórias. 
 
∘ Inciso VII - Dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo, ou de terceiro em seu benefício – Ex.: pai 
deseja doar um imóvel ao seu filho, mas opta por simular um contrato de compra e venda por 
verificar que a alíquota do ITBI é menos elevada do que a alíquota do ITCMD 
 
∘ Inciso VIII - Fato não conhecido ou não provado no lançamento anterior – Autoriza a revisão de um 
lançamento anteriormente efetuado quando há um erro de fato 
 
∘ Inciso IX - Fraude, omissão ou falta funcional da autoridade que efetuou o lançamento anterior– 
esse inciso pode ser aplicado em benefício ou em prejuízo do contribuinte. 
 
Vamos esquematizar? 
LANÇAMENTO E REVISÃO DE OFÍCIO 
∘ Por determinação de lei 
∘ Declaração fora do prazo ou da forma exigida 
∘ Recusa, não atendimento ou atendimento insatisfatório a pedido de esclarecimento de declaração 
pela autoridade administrativa 
∘ Falsidade, erro ou omissão em elemento de declaração obrigatória 
∘ Omissão ou inexatidão na homologação do lançamento 
∘ Ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que importe aplicação 
de penalidade pecuniária 
∘ Dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo, ou de terceiro em seu benefício 
∘ Fato não conhecido ou não provado no lançamento anterior 
∘ Fraude, omissão ou falta funcional da autoridade que efetuou o lançamento anterior 
 
* ATENÇÃO: Todos os tributos podem vir a ser objeto de lançamento de ofício, quer por 
serem genuinamente, ou para se suprir alguma omissão ou incorreção. 
 
 
 
 
 
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 Para parte da doutrina, há, ainda, duas hipóteses que configuram o lançamento de ofício: o 
arbitramento e o auto de infração. 
 
a) Lançamento por auto de infração: O auto de infração pode se referir a duas situações: 
• Auto de aplicação de penalidades, pelo descumprimento de obrigações tributárias ou deveres 
instrumentais 
• Auto de aplicação de penalidades agregado ao auto de exigência de tributo devido e não 
recolhido em prazo regular. 
 
 Em ambos os casos, o auto de infração vem acompanhado da intimação para que o sujeito 
passivo recolha, dentro de certo prazo, o valor que a Administração entende devido. 
 Quando o auto de infração contiver a aplicação de penalidades e a exigência de tributos 
concomitantemente (situação 2), a parte que exigir tributo será ato de lançamento de ofício (e a 
parte que impuser penalidades será ato de aplicação de multa). 
 
b) Lançamento por arbitramento: 
 O arbitramento é utilizado para os casos em que o sujeito passivo não faz a declaração ou informa 
valores absolutamente irreais. Assim, na falta da informação prestada pelo sujeito passivo, a autoridade 
administrativa arbitra um valor prudente. 
O arbitramento é realizado ANTES do lançamento, permitindo que a Fazenda desconsidere valores 
declarados pelo sujeito passivo, adotando para o bem um valor de base de cálculo compatível com a prática 
do mercado. Ressalta-se que o arbitramento gera uma presunção relativa, devendo ser assegurado o 
contraditório e a ampla defesa para, ao final, a autoridade calcular o montante do tributo, realizar o 
lançamento e notificar o sujeito passivo. 
Hipóteses que o CTN admire o arbitramento: 
✓ Inidoneidade do valor declarado; 
✓ Omissão do valor declarado. 
 
Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o 
valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade 
lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre 
que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos 
prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro 
legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, 
administrativa ou judicial. 
 
Obs1.: Não é valor arbitrário, mas sim valor arbitrado. A autoridade administrativa deve deflagrar 
um procedimento para encontrar um valor que a experiência e o bom senso demonstrem ser o que 
 
 
 
 
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comumente se verifica. 
Obs2: Não se trata de uma nova modalidade de lançamento e nem de uma imposição de sanção, 
sendo apenas uma técnica utilizada para definir a base de cálculo para o lançamento. É um método 
substitutivo de apuração, consistente em fiscalização indireta/ aferição indireta. 
 
II) LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO OU MISTO: É efetuado com base em declaração do sujeito passivo ou 
de terceiro. A formulação de declarações configura obrigação tributária acessória. 
 
Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou 
de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à 
autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua 
efetivação. 
§ 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a 
reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que 
se funde, e antes de notificado o lançamento. 
§ 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados 
de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. 
 
• Retificação da declaração pelo contribuinte (§1º): O CTN admite a retificação da declaração por 
iniciativa do declarante, com o objetivo de reduzir ou de excluir tributo, desde que seja mediante: 
∘ Comprovação do erro em que se funde; e 
∘ Antes de notificado o lançamento ao sujeito passivo. 
 
Assim, NÃO é possível ao contribuinte alterar declaração para mudar uma opção que veio a se 
mostrar desfavorável. 
 
• Retificação da declaração pela Autoridade administrativa (§2º): Erros manifestos podem ser 
corrigidos de ofício pela Administração tributária: 
 
Art. 147 § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão 
retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão 
daquela. 
 
* Atenção: Cuidado para NÃO confundir lançamento por declaração com lançamento em cuja 
sistemática existe uma declaração (Ex: Imposto de renda – Lançamento por homologação). 
 
III) LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO: É também chamado de autolançamento, pois o sujeito passivo 
arca com toda a incumbência procedimental de verificar a ocorrência do fato gerador, calcular e recolher o 
 
 
 
 
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montante devido, restando ao sujeito ativo (administração) apenas a conferência dos dados e a posterior 
homologação do lançamento. Em outras palavras: O sujeito passivo antecipa o pagamento do tributo, e cabe 
ao FISCO homologar o que foi realizado. 
 
Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja 
legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio 
exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida 
autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, 
expressamente a homologa. 
 
 
a) A homologação pode ser: 
• Expressa: Quando o Fisco se manifestar expressamente no prazo de 5 anos contados da ocorrência 
do fato gerador; 
• Tácita: Quando o Fisco deixar escoar o prazo legal para a homologação expressa, hipótese em que o 
pagamento será considerado tacitamente homologado (salvo se comprovar dolo, fraude ou 
simulação). 
 
b) Extinção do crédito tributário: 
 É com a homologação, e não com o pagamento, que o crédito tributário se considera extinto. Logo, 
antes da homologação, o crédito tributário é extinto sob condição resolutória. 
 
Art. 150, § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo 
extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao 
lançamento. 
 
c) Atos anteriores à homologação 
 O CTN tenta assegurar que a definitividade da extinção do crédito somente ocorre com a 
homologação. Como o crédito decorre da obrigação, não seria possível legitimamente efetuar lançamento 
se a obrigação estivesse extinta. Por isso, o CTN assevera que não influem sobre a obrigação tributária 
quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção 
total ou parcial do crédito. A obrigação permanece intacta e, se o Fisco entender necessário lançar de ofício 
alguma diferença, poderá fazê-lo (ALEXANDRE, Ricardo. Direito tributário esquematizado. Rio de Janeiro:Forense, 2016, p. 392). 
 
§ 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à 
homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção 
total ou parcial do crédito. 
 
 
 
 
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§ 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na 
apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, 
ou sua graduação. 
 
CESPE/2020 - No caso de lançamento por homologação, não influem sobre a obrigação tributária quaisquer 
atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou 
parcial do crédito. Item correto. 
 
d) Prazo para homologar: 
 Se a lei específica não fixar outro prazo, ele será de cinco anos, contados do fato gerador e será 
considerado homologado após esse prazo, salvo a ocorrência de dolo, fraude ou simulação: 
 
§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da 
ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se 
tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente 
extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 
 
* ATENÇÃO: 
• STJ: NÃO é possível a constituição do crédito tributário com base em documento de confissão de 
dívida tributária apresentado, para fins de parcelamento, após o prazo decadencial do art. 173, I CTN. 
• STJ: É irregular a notificação de lançamento que vise a constituir crédito tributário em que NÃO 
conste o prazo para a apresentação de defesa administrativa. 
• Leandro Paulsen: Quando o contribuinte preenche o DARF e efetua o pagamento do tributo, ou 
quando preenche a guia de depósito administrativo ou judicial, buscando suspender a exigibilidade 
do tributo, está a formalizar a certeza, existência e liquidez do crédito, indicando tributo, 
competência e valor. Nesses casos, é desnecessário que haja lançamento de ofício quanto ao valor 
pago ou depositado, NÃO se falando em decadência de tais valores. 
• STJ: Quando compete ao contribuinte o pagamento antecipado do tributo e este não o faz, mas 
cumpre a obrigação tributária acessória de entrega da declaração reconhecendo o débito fiscal, 
haverá a constituição do crédito tributário, dispensada qualquer outra providência pelo FISCO => 
SÚMULA 436 STJ. 
 
S. 436, STJ - A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal 
constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do 
fisco. 
 
 
 
 
 
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CESPE/2017 - A declaração prestada pelo contribuinte nos tributos sujeitos a lançamento por homologação 
não constitui o crédito tributário, pois está sujeita a condição suspensiva de ulterior homologação pela 
administração tributária. Item incorreto 
 
 
3. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 
 
São casos onde a possibilidade de promoção de atos de cobrança por parte do fisco fica suspensa. 
 
Art. 151. SUSPENDEM a exigibilidade do crédito tributário: 
I - MORatória; 
II - o DEpósito do seu montante integral; 
III - as Reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo 
tributário administrativo; 
IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. 
V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de 
ação judicial; 
VI – o PARcelamento. 
Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das 
obrigações assessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja 
suspenso, ou dela consequentes. 
 
* Dica para decorar: MORDER LIMPAR 
 
 O rol do art. 151 é taxativo ou exemplificativo? 
 R.: É rol TAXATIVO. O art. 141 fala que o crédito tributário regularmente constituído só tem sua 
exigibilidade suspensa nos casos previstos no próprio CTN. E mais, o art. 111, I determina a aplicação de 
interpretação restritiva aos casos de suspensão de exigibilidade. 
 
 Qual a consequência prática da suspensão? 
 R.: A consequência prática dessa suspensão é o impedimento, ainda que temporário, da cobrança do 
crédito. Assim, o sujeito passivo com dívidas tributárias cuja exigibilidade esteja suspensa, tem direito a 
receber certidão positiva com efeito de negativa (art. 206, parte final, CTN). 
 
3.1 Suspensão da exigibilidade do crédito tributário e lançamento 
 
Perceba, inicialmente, que o que fica suspensa é a exigibilidade do crédito tributário – que, a rigor, 
surge com o decurso do prazo para adimplir o tributo - e não a possibilidade de constituir o crédito tributário. 
 
 
 
 
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Isso significa dizer que, mesmo com a exigibilidade suspensa, a administração tributária pode, e deve, sob 
pena de decadência, lançar e constituir o crédito tributário. 
 Dessa forma, ainda que ocorrida uma das hipóteses do artigo 151 do CTN, pode a Fazenda Pública 
efetuar o lançamento tributário para constituí-lo. Entretanto, uma vez constituído, não pode mais prosseguir 
na cobrança até que o crédito retome a exigibilidade. 
A jurisprudência também vem admitindo a realização do lançamento pela Administração ainda que 
exista causa suspensiva de exigibilidade do crédito tributário. O objetivo não é impedir a sua constituição, 
mas a própria execução fiscal, quanto à contagem da prescrição, enquanto sua exigibilidade encontrar-se 
suspensa. Com a constituição do crédito tributário, evita-se a ocorrência da decadência. 
Ressalta-se que a suspensão do crédito tributário NÃO implica a suspensão do cumprimento das 
obrigações acessórias. 
 
3.2 Causas de suspensão 
 
 Prezando pela didática, dividiremos as modalidades de suspensão da exigibilidade em dois grupos de 
acordo com a iniciativa: 
 
INICIATIVA DO SUJEITO ATIVO INICIATIVA DO SUJEITO PASSIVO 
1) Moratória 
2) Parcelamento 
1) Depósito do seu montante integral 
2) Reclamações e recursos no processo 
tributário administrativo 
3) Concessão de liminar em mandado de 
segurança 
4) Concessão de liminar ou de tutela antecipada 
em ações judiciais 
 
1) MORATÓRIA 
 
a) Introdução 
 Moratória consiste na dilação do prazo para pagamento do tributo. Trata-se de instituto por meio 
do qual o credor concede ao devedor um prazo adicional para o pagamento do crédito tributário. Até a data 
de pagamento, o crédito fica suspenso, impedindo o credor de realizar qualquer ato atinente à sua cobrança. 
A moratória aplica-se a créditos já definitivamente constituídos, ou cujo lançamento já tenha se 
iniciado. Se houver lei que discipline de modo contrário, no entanto, a moratória poderá alcançar tributos de 
lançamento direto, os de lançamento misto (por declaração) e os por homologação (autolançamento). 
 
STJ: Considera que a entrega de declaração pelo contribuinte (DCTF), com valores 
corretamente declarados, já se configura com exigibilidade bastante para a 
 
 
 
 
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imediata inscrição em dívida ativa e consequente propositura de execução fiscal, 
prescindindo de lançamento formal. Nesse caso, a aplicabilidade da moratória se 
torna imediata, NÃO havendo necessidade de a lei dispor de modo diverso quanto 
à sua aplicabilidade. 
 
b) Créditos abrangidos pela moratória: 
 Somente abrange créditos definitivamente constituídos ou cujo lançamento já tenha sido iniciado 
aquela data por ato regularmente notificado ao sujeito passivo. 
 
Art. 154. Salvo disposição de lei em contrário, a moratória somente abrange os 
créditos definitivamente constituídos à data da lei ou do despacho que a conceder, 
ou cujo lançamento já tenha sido iniciado àquela data por ato regularmente 
notificado ao sujeito passivo. 
Parágrafo único. A moratórianão aproveita aos casos de dolo, fraude ou simulação 
do sujeito passivo ou do terceiro em benefício daquele. 
 
Obs.: O §único do art. 154 proíbe o aproveitamento da moratória nas situações de dolo, fraude ou 
simulação! 
 
c) Espécies de moratória: 
• Em caráter geral 
• Em caráter individual 
 
Art. 152. A moratória somente pode ser concedida: 
I - em caráter geral: 
a) pela pessoa jurídica de direito público competente para instituir o tributo a que 
se refira; 
b) pela União, quanto a tributos de competência dos Estados, do Distrito Federal 
ou dos Municípios, quando simultaneamente concedida quanto aos tributos de 
competência federal e às obrigações de direito privado; 
 
II - em caráter individual, por despacho da autoridade administrativa, desde que 
autorizada por lei nas condições do inciso anterior. 
 
Parágrafo único. A lei concessiva de moratória pode circunscrever expressamente 
a sua aplicabilidade à determinada região do território da pessoa jurídica de direito 
público que a expedir, ou a determinada classe ou categoria de sujeitos passivos. 
 
 
 
 
 
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• Moratória em caráter geral: 
 A lei dilata o prazo para pagamento do tributo levando em consideração aspectos objetivos descritos 
pela lei instituidora. Por analisar aspetos objetivos, a moratória em caráter geral beneficia a generalidade 
dos sujeitos passivos, independentemente do preenchimento de requisitos específicos por parte do sujeito 
passivo. 
 Ex.: A legislação de alguns estados que autoriza que os lojistas paguem o ICMS incidente no mês de 
dezembro num prazo mais longo do que o normalmente estabelecido. Nesse caso, todos os lojistas são 
beneficiados pela moratória, independentemente do preenchimento de qualquer outra qualificação. 
 
 Esse tipo de moratória gera direito adquirido e pode ser dividida em: 
∘ Moratória autônoma: O próprio ente competente para a instituição do tributo dilata o 
prazo. É o caso quando, por exemplo, a União estabelece moratória para pagamento do IR, 
o Estado para o pagamento do IPVA e o município para pagamento do IPTU. 
 
OBS.: O CTN exige que a dilação do prazo de tributos estaduais e municipais seja 
acompanhada por medidas idênticas para tributos federais e até para obrigações 
de direito privado (contratos, inclusive entre particulares). 
 
∘ Moratória heterônoma: Quando a União concede moratória em relação a tributos de 
competência alheia (dos estados e municípios). Art. 152, I, “b” do CTN. 
 
OBS.: Há um consenso na doutrina de que as moratórias heterônomas não foram 
recepcionadas pela Constituição Federal, por representarem uma ofensa ao 
princípio federativo. 
 
• Moratória em caráter individual: (ou solene) 
 Na moratória individual, a lei estabelece que a fruição depende do atendimento de certos requisitos 
subjetivos, que devem ser auferidos pela autoridade administrativa. Ou seja: restringe-se a abrangência do 
benefício a pessoas que demonstrem preencher determinados requisitos. 
 Dessa forma, o gozo da moratória dependerá de pedido do sujeito passivo e de ato administrativo 
que declare que o sujeito passivo preenche os requisitos exigidos pela lei. 
 Esse tipo de moratória NÃO gera direito adquirido, podendo ser anulada caso se verifique que o 
beneficiário não cumpriu os requisitos para a concessão a seu favor. Nesse caso, terá como consequência, 
além da anulação, a cobrança do crédito acrescido de juros de mora com a imposição da penalidade cabível, 
nos casos de dolo ou simulação, ou sem a penalidade, nos demais casos. 
 
Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido 
e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou 
 
 
 
 
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deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os 
requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de 
mora: 
I - com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do 
beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; 
II - sem imposição de penalidade, nos demais casos. 
 
 Se o contribuinte não agiu com má-fé, a anulação da moratória só pode ser efetuada antes de 
decorrido o prazo prescricional para cobrança do crédito. Caso tenha havido dolo ou simulação, o tempo 
decorrido entre a moratória e a sua anulação não é computado para efeito de prescrição do direito à 
cobrança. 
 
Art. 155. Parágrafo único. No caso do inciso I (dolo ou simulação) deste artigo, o 
tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa 
para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste 
artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. 
 
ANULAÇÃO DA MORATÓRIA 
Em casos de dolo ou simulação Nos demais casos 
Há imposição de penalidade cabível Não há imposição de penalidade cabível 
O tempo decorrido entre a concessão da 
moratória e sua revogação não se computa 
para efeito da prescrição do direito à cobrança 
do crédito 
A revogação só pode ocorrer antes de 
prescrito o referido direito. 
 
CESPE/2019 (Adaptada) - Uma autoridade tributária, respaldada por lei, emitiu despacho concedendo 
moratória em caráter individual para determinado contribuinte e, assim, suspendeu a exigibilidade do crédito 
tributário. Posteriormente, o benefício foi revogado de ofício pelo fisco, em razão de ter sido comprovado 
que o beneficiário dolosamente simulou as condições para a sua fruição. Com esse fundamento, houve a 
imposição de penalidade ao contribuinte e a sua exclusão formal do programa em questão. Nessa situação 
hipotética, de acordo com o Código Tributário Nacional, o tempo decorrido entre a concessão do benefício 
e a sua revogação não é computado para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito. Item correto. 
 
d) Requisitos para a concessão da moratória: (art. 153 CTN): 
• Requisitos Obrigatórios: 
∘ Prazos 
∘ Condições 
 
 
 
 
 
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• Requisitos Facultativos: 
∘ Indicação dos tributos 
∘ Número de prestações e vencimentos 
∘ Garantias a serem oferecidas. 
 
 Art. 153. A lei que conceda moratória em caráter geral ou autorize sua concessão 
em caráter individual especificará, sem prejuízo de outros requisitos: 
I - o prazo de duração do favor; 
II - as condições da concessão do favor em caráter individual; 
III - sendo caso: 
a) os tributos a que se aplica; 
b) o número de prestações e seus vencimentos, dentro do prazo a que se refere o 
inciso I, podendo atribuir a fixação de uns e de outros à autoridade administrativa, 
para cada caso de concessão em caráter individual; 
c) as garantias que devem ser fornecidas pelo beneficiado no caso de concessão em 
caráter individual. 
 
2) PARCELAMENTO: 
 
a) Conceito 
 O parcelamento tributário consiste na oportunidade oferecida pelo Fisco para que o devedor possa 
pagar a sua dívida em prestações. Trata-se de uma decisão de política arrecadatória do ente, que “pensa” o 
seguinte: as pessoas estão sem condições de pagar à vista; é melhor eu aceitar receber parceladamente do 
que nunca conseguir a quitação. 
 Segundo o STJ, o parcelamento fiscal é causa suspensiva de exigibilidade do crédito tributário, 
condicionando os efeitos dessa suspensão à homologação expressa ou tácita do pedido formulado (Resp 
957.509, recurso repetitivo). 
 
Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em 
lei específica. 
§ 1o Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário não 
exclui a incidência de juros e multas 
§ 2o Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta Lei, 
relativas à moratória. 
§ 3o Lei específicadisporá sobre as condições de parcelamento dos créditos 
tributários do devedor em recuperação judicial. 
§ 4o A inexistência da lei específica a que se refere o § 3o deste artigo importa na 
aplicação das leis gerais de parcelamento do ente da Federação ao devedor em 
 
 
 
 
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recuperação judicial, não podendo, neste caso, ser o prazo de parcelamento 
inferior ao concedido pela lei federal específica. 
 
 OBS.1: O deferimento do pedido é ato discricionário da autoridade administrativa, subordinando ao 
exame de matéria fática. 
 
 OBS.2: O parcelamento fiscal interrompe o prazo prescricional, ainda que indeferido. Isso porque se 
configura "manifestação de reconhecimento do débito pelo devedor” 
 
(...) É firme o entendimento desta Corte de que o pedido de parcelamento fiscal 
interrompe o lapso da prescrição, ainda que indeferido, visto que configura 
confissão extrajudicial do débito, nos termos do art. 174, parág. único, IV do CTN. 
Logo após a formulação do pedido de parcelamento, o lapso temporal prescricional 
interrompido volta a fluir normalmente, podendo o Fisco cobrar o valor 
remanescente. Precedente da lavra da eminente Ministra Regina Helena Costa no 
AgInt no REsp.1.405.175-SE, DJE 12.5.2016, seguido pelo eminente Ministro Mauro 
Campbell Marques no AgInt no REsp. 1.587.677-PR, DJE 19.12.2016.Agravo Interno 
da Contribuinte a que se dá provimento. (AgInt no AgRg no REsp 1480908-RS, STJ, 
1ª T, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 05/05/2020, DJE 
12/05/2020) 
 
 
 OBS.3: Para o STJ, o parcelamento de ofício da dívida tributária não configura causa interruptiva da 
contagem da prescrição. 
 
O parcelamento de ofício da dívida tributária não configura causa interruptiva da 
contagem da prescrição, uma vez que o contribuinte não anuiu. STJ. 1ª Seção. REsp 
1.658.517-PA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/11/2018 
(recurso repetitivo) (Info 638). 
 
Não havendo adesão a qualquer hipótese de parcelamento por parte do 
contribuinte ou reconhecimento de débito, sua inércia não pode ser interpretada 
como adesão automática à moratória ou parcelamento, passível de suspender a 
exigibilidade do crédito tributário. O contribuinte não pode ser despido da 
autonomia de sua vontade, em decorrência de uma opção unilateral do Estado, que 
resolve lhe conceder a opção de efetuar o pagamento em cotas parceladas. Como 
modalidade de moratória, o parcelamento previsto no art. 151, VI do CTN, é ato 
que não prescinde da manifestação de vontade do devedor. Entender de forma 
 
 
 
 
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diversa, ou seja, no sentido de que o parcelamento de ofício, independentemente 
da vontade ou anuência do contribuinte, por meio de mera autorização legal (lei 
municipal), tem o condão de modificar a data a partir da qual tem início o prazo 
prescricional, resultaria em inconstitucional modificação, ainda que por via oblíqua, 
do prazo de prescrição do crédito tributário, matéria reservada à lei complementar, 
conforme preceitua o art. 146, III, b da CF. 
 
CESPE/2019 (Adaptada) - O crédito tributário pode ser parcelado de ofício pela administração tributária, nos 
termos da lei, mas esse parcelamento não interrompe nem suspende a prescrição. Item correto. 
 
 
b) Necessidade de lei específica 
 
 O art. 155-A do CTN prevê que “o parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas 
em lei específica”. 
 Essa lei específica deve ser editada por cada ente da Federação. Assim, por exemplo, a União deve 
editar uma lei para tratar sobre os débitos tributários federais, o Estado de São Paulo uma para dispor sobre 
o parcelamento dos tributos estaduais, o Município de Vitória (ES) para os tributos municipais e assim por 
diante. Ou seja: Cada ente político deve editar a sua própria lei, devendo, obviamente, respeitar as normas 
gerais que são previstas no CTN. 
 Vale ressaltar que a lei de que trata o caput do art. 155-A deverá estabelecer os requisitos para que 
o contribuinte possa aderir ao parcelamento, prevendo ainda o número máximo de parcelas em que a dívida 
pode ser dividida e os prazos para pagamento. 
 O art. 153 do CTN, que é aplicado subsidiariamente ao parcelamento, prevê que a lei deverá 
estabelecer os seguintes requisitos: 
∘ O prazo de duração do benefício; 
∘ As condições de concessão; 
∘ Os tributos a que se aplica; 
∘ O número de prestações e seus vencimentos; 
∘ As garantias que devem ser fornecidas pelo beneficiado. 
 Sobre esses requisitos, o STJ já entendeu que devem ser fixados em lei específica, de modo que atos 
infralegais não poderão impor condições não previstas nesta lei: 
 
As condições para a concessão de parcelamento tributário devem estrita 
observância ao princípio da legalidade e não há autorização para que atos 
infralegais tratem de condições não previstas na lei de regência do benefício.STJ. 
1ª Turma. REsp 1739641-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 21/06/2018 (Info 
629). 
 
 
 
 
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c) Consequências do parcelamento 
• Se o devedor descumprir as condições do parcelamento, este será revogado e o crédito tributário 
poderá ser cobrado. 
• Se o devedor cumprir integralmente as condições do parcelamento pagando toda a dívida, haverá a 
extinção do crédito tributário. 
 
d) Considerações importantes: 
• A concessão de parcelamento impede o encaminhamento, ao Ministério Público, de representação 
fiscal para fins penais relativos aos crimes contra a ordem tributária. 
• No momento em que o contribuinte adere ao parcelamento, ocorre a interrupção do prazo 
prescricional, a teor do que dispõe o artigo 174, §único, inciso IV. 
• Interrompida a prescrição, o prazo volta a ser contado do zero, e não transcorre até que o 
parcelamento seja rescindido, em razão de a adesão ao parcelamento implicar na suspensão do 
crédito tributário. 
 
Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, 
contados da data da sua constituição definitiva. 
IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em 
reconhecimento do débito pelo devedor. 
 
Jurisprudência pertinente sobre o tema: 
STF - É inconstitucional cláusula de parcelamento que determine a renúncia à 
discussão judicial dos débitos tributários. 
 
STJ - O parcelamento reveste-se de natureza de moratória. 
 
STJ - O parcelamento NÃO é forma de pagamento e, por isso, NÃO se aplica o 
benefício da denúncia espontânea. 
 
STJ - Não cabe a efetivação da penhora pelo sistema Bacen Jud após a adesão ao 
parcelamento tributário disposto na Lei 11.419/09, ainda que o pedido de bloqueio 
dos valores tenha sido deferido antes da referida adesão. (Info 537/STJ). 
 
STJ - A pessoa jurídica pode ser excluída do REFIS quando se demonstre a ineficácia 
do parcelamento, em razão de o valor das parcelas ser irrisório para a quitação do 
débito. (Info 542/STJ) Nessa oportunidade, o STJ adotou a tese da parcela ínfima, 
 
 
 
 
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segundo a qual a impossibilidade de quitar o débito em razão da pequenez da 
parcela (débito de 1 milhão e parcela de 1 mil) equipara-se ao inadimplemento, 
autorizando a exclusão do contribuinte do parcelamento. 
 
STJ - O simples requerimento de inclusão no parcelamento instituído pela Lei 
11.941/09 (REFIS), sem demonstração da correspondência dos débitos tributários 
sonegados com os débitos objetos do requerimento, não acarreta a suspensão da 
execução de pena aplicada por crime contra a ordem tributária. (Info 533/STJ). 
 
 
Vamos esquematizar? 
MORATÓRIA PARCELAMENTO 
É medida excepcional, que somente pode 
ser aplicada em hipóteses excepcionaisque 
dificultem o correto adimplemento dos 
tributos. 
É medida corriqueira, opção de política 
tributária que visa recuperar créditos de 
contribuintes inadimplentes. 
 
Livra o sujeito de qualquer penalidade 
pecuniária, até mesmo juros. 
Incidem juros e multas. 
 
 
 
OBS.1: Não constitui quebra de sigilo tributário a divulgação de informações relativas a parcelamento e 
moratória: Art. 198, §3º, CTN 
 
Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública 
ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do 
sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada 
pela Lcp nº 104, de 2001) 
§ 1o Excetuam-se do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes: 
§ 3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a: 
III – parcelamento ou moratória. 
 
OBS.2: A União não pode conceder moratória ou parcelamento com prazo superior a 60 meses para as 
contribuições previdenciárias elencadas nos incisos I e II do caput – art. 195, §11 da CF/88 (inserido pela EC 
nº 103/2019) 
 
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da 
lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 11. São vedados a moratória e o parcelamento em prazo 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp104.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp104.htm
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superior a 60 (sessenta) meses e, na form a de lei complementar, a remissão e a anistia das contribuições 
sociais de que tratam a alínea "a" do inciso I e o inciso II do caput. (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 103, de 2019) 
 
 
 
 
 
 
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QUESTÕES PROPOSTAS 
 
1 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de 
Polícia - Edital nº 01 
 
321 Vestuário Ltda., atuante no comércio varejista de roupas, 
sonegou o Imposto Estadual sobre a Circulação de 
Mercadorias (ICMS), omitindo dolosamente do Fisco Estadual 
suas operações comerciais com o fim de evitar o pagamento 
do tributo devido. 
 
Diante desse cenário, o Fisco Estadual, a fim de poder cobrar 
administrativamente tais valores, terá necessariamente de 
realizar 
 
A-um lançamento por declaração. 
B-um lançamento de ofício. 
C-um lançamento por homologação. 
D-uma notificação prévia ao lançamento para 
comparecimento do sujeito passivo perante autoridade fiscal 
estadual. 
E-uma notificação prévia ao lançamento à autoridade policial 
acerca dos indícios de crime de sonegação fiscal. 
 
2 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / 
CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia 
Federal 
 
Considerando os princípios e as normas do direito tributário, 
julgue o item que se segue. 
O parcelamento e a moratória são hipóteses de suspensão da 
exigibilidade do crédito tributário. 
 
Certo 
Errado 
 
3- 2018 - CESPE - Polícia Federal - Delegado de Polícia 
 
Acerca de crédito tributário, competência tributária e Sistema 
Tributário Nacional, julgue o próximo item. 
Depósito judicial do montante integral do crédito tributário é 
causa suspensiva de exigibilidade. 
 
Certo ( ) Errado ( ) 
 
4- 2018 - CESPE - Polícia Federal - Delegado de Polícia 
 
Acerca de crédito tributário, competência tributária e Sistema 
Tributário Nacional, julgue o próximo item. 
 
As isenções tributárias onerosas e concedidas por prazo certo 
geram direito adquirido à sua fruição pelo beneficiário, no 
prazo em que for estipulado, desde que ele cumpra as 
condições previstas na lei. 
 
Certo ( ) Errado ( ) 
 
5- 2018 - UEG - PC-GO - Delegado de Polícia 
 
O lançamento da obrigação tributária, como ato privativo da 
Administração Tributária, constitui o crédito tributário. 
Quanto ao Crédito Tributário e seus consectários, constata-se 
que 
 
a) no lançamento tributário praticado no âmbito de operação 
de fiscalização, a Administração Tributária tem prerrogativa 
de requisição de força policial. 
b) a investigação por crime contra ordem tributária tem como 
pressuposto para atuação da autoridade policial lançamento 
tributário válido. 
c) os crimes contra ordem tributária são todos materiais, na 
medida em que demandam efetiva supressão da arrecadação 
tributária. 
d) entre as causas de extinção do crédito tributário, o 
parcelamento do tributo, quando já instaurada persecução 
penal, constitui causa de extintiva da punibilidade. 
e) a isenção tributária como causa de extinção do crédito 
tributário corresponde à perda do ius puniendi do Estado em 
matéria de crimes contra ordem tributária. 
 
6- 2018 - NUCEPE - PC-PI - Delegado de Polícia 
 
Assinale a alternativa que não contempla hipótese de 
extinção do crédito tributário expressamente prevista no 
Código Tributário Nacional: 
 
a) Remissão; 
b) Compensação; 
 
 
 
 
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c) Isenção; 
d) Dação em pagamento em bens imóveis, na forma e 
condições estabelecidas em lei; 
e) Decisão judicial passada em julgado. 
 
7- 2018 - NUCEPE - PC-PI - Delegado de Polícia 
 
Considerando o previsto no Código Tributário Nacional sobre 
constituição do crédito tributário e sobre a suspensão da 
exigibilidade do crédito tributário, assinale a alternativa 
CORRETA. 
 
a) A suspensão da exigibilidade do crédito tributário tem 
como natural e automática consequência a dispensa do 
cumprimento das obrigações acessórias dependentes da 
obrigação principal cujo crédito esteja suspenso. 
b) A concessão da moratória em caráter individual não gera 
direito adquirido e será revogada de ofício, sempre que se 
apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer 
as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os 
requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito 
acrescido de juros de mora, sendo vedada a imposição de 
penalidade. 
c) O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo 
só pode ser alterado em virtude de impugnação formulada 
pelo próprio sujeito passivo. 
d) Salvo disposição de lei em contrário, quando o valor 
tributário esteja expresso em moeda estrangeira, no 
lançamento far-se-á sua conversão em moeda nacional ao 
câmbio do dia da realização do lançamento. 
e) O lançamento, atividade vinculada e obrigatória, sob pena 
de responsabilidade funcional, é o procedimento 
administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato 
gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria 
tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar 
o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da 
penalidade cabível. 
 
8- 2018 - VUNESP - PC-BA - Delegado de Polícia 
 
Os representantes legais de uma determinada empresa 
tiveram instaurado contra si inquérito policial para apurar a 
suposta prática dos crimes previstos nos artigos 1o , I e II, da 
Lei no 8.137/90, porque teriam omitido da folha de 
pagamento da empresa e de documento de informações 
previstos pela legislação previdenciária, segurados 
empregados e contribuintes individuais, não recolhendo as 
respectivas contribuições previdenciárias no período de 
10/2014 a 1/2017. Houve a realização de lançamento de 
ofício pelos agentes fiscais. Inconformados, os 
representantes legais ajuizaram ação anulatória do 
lançamento tributário, realizando o depósito integral do 
montante exigido pelo Fisco. O depósito do montante integral 
do crédito tributário 
 
a) é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, 
que equivale ao pagamentodo débito, extinguindo a 
punibilidade dos crimes. 
b) é causa de extinção do crédito tributário e, por 
conseguinte, de extinção da punibilidade dos crimes. 
c) é causa de exclusão do crédito tributário, que corresponde 
ao pagamento, extinguindo a punibilidade dos crimes 
tributários. 
d) é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, 
não sendo suficiente para extinguir a punibilidade dos crimes 
tributários, porque não equivale ao pagamento do débito. 
e) é causa de exclusão da exigibilidade do crédito tributário, 
não sendo suficiente para extinguir a punibilidade dos crimes 
tributários, por não produzir os mesmos efeitos da moratória. 
 
9- 2016 - CESPE - PC-PE - Delegado de Polícia 
 
De acordo com as disposições do CTN, é causa de extinção da 
exigibilidade do crédito tributário 
 
a) a consignação em pagamento. 
b) as reclamações e os recursos, nos termos das leis 
reguladoras do processo tributário administrativo. 
c) a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em 
outras espécies de ação judicial. 
d) o parcelamento. 
e) a concessão de medida liminar em mandado de segurança. 
 
 
 
 
 
 
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Respostas9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 1: B 2: C 3:C 4:C 5:A 6:C 7:E 8:D 9:A 
 
 
 
 
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META 4 
 
DIREITO TRIBUTÁRIO: CRÉDITO TRIBUTÁRIO (PARTE II) 
 
3) DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL: 
 
a) Conceito 
 É ato voluntário do sujeito passivo da relação tributária que pretende suspender a exigibilidade do 
crédito tributário, sendo comum na via judicial e raro na administrativa. 
Ressalta-se que o depósito NÃO é pressuposto para a discussão judicial do débito, já que nenhuma 
lesão ou ameaça de lesão pode ser afastada do Judiciário. 
A opção pelo depósito pode se dar até nos casos em que tenha havido a suspensão do crédito 
tributário por outro meio. 
 
b) O depósito pode ser anterior ou posterior à constituição definitiva do crédito tributário: 
• Depósito anterior – impede a exigibilidade do crédito tributário a ser constituído 
• Depósito posterior – suspende a exigibilidade do crédito tributário já constituído 
 
c) Para que haja a suspensão, o depósito: 
• Deve ser integral e em dinheiro (vide súmula 112 STJ), sendo legítimo não o montante tido como 
correto pelo contribuinte depositante, mas o que contempla o importe desejado pelo Fisco. 
• Deve abranger tributo + juros + multas 
 
Súmula 112 – STJ: O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito 
tributário se for integral e em dinheiro 
 
 
 Uma vez realizado o depósito integral, o crédito tributário se suspende por si só, independentemente 
de qualquer decisão judicial. Ou seja: o depósito judicial é uma faculdade do contribuinte, que uma vez 
exercida, tem o condão de acarretar os efeitos previstos pelo artigo 151 do CTN. 
 
d) Ao término da demanda, pode haver duas situações: 
• Contribuinte vitorioso: Levantamento do depósito. 
 
STJ: Sendo vitorioso o contribuinte, é devido o levantamento, NÃO sendo lícito ao 
FISCO apropriar-se de tal depósito a pretexto de existir outras dívidas do 
contribuinte oriundas de outros tributos. 
 
 
 
 
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• Contribuinte perdedor: Conversão do depósito em renda e extinção do crédito tributário. 
 
 Obs.: Se houver a extinção do feito SEM resolução do mérito, o depósito também será 
convertido em renda. EXCETO nos seguintes casos: 
∘ Se o tributo for claramente indevido. Ex: ADI; 
∘ Se a Fazenda Pública litigante NÃO for titular do crédito. 
 
Como o tema foi cobrado (CESPE/2018/PF/Delegado de Polícia Federal): 
Acerca de crédito tributário, competência tributária e Sistema Tributário Nacional, julgue o 
próximo item. Depósito judicial do montante integral do crédito tributário é causa suspensiva 
de exigibilidade. 
Resposta: Correto 
 
 
4) RECLAMAÇÕES E RECURSOS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL: 
 
 É a possibilidade de suspensão do crédito tributário pela via não judicial da litigiosidade. 
 A suspensão da exigibilidade do crédito é efeito automático da defesa tempestiva apresentada no 
procedimento administrativo fiscal. Dessa forma, enquanto perdurar a discussão administrativa, o crédito 
tributário fica suspenso, NÃO sendo possível a propositura de ação de execução fiscal. 
 Ressalta-se que as reclamações e recursos aptos a promover a referida suspensão são aqueles que 
discutem o próprio lançamento tributário, de modo que impugnações a temas estranhos não têm o condão 
de suspender a exigibilidade do crédito. 
 
A reclamação administrativa interposta contra ato de exclusão do contribuinte do 
parcelamento NÃO é capaz de suspender a exigibilidade do crédito tributário, 
sendo inaplicável o disposto no art. 151, III, do CTN. Isso porque as reclamações e 
recursos previstos nesse dispositivo legal são aqueles que discutem o próprio 
lançamento tributário, ou seja, a exigibilidade do crédito tributário. Sendo a 
reclamação proposta contra o ato que exclui o contribuinte do parcelamento, essa 
reclamação está questionando a exclusão em si (e não o lançamento tributário). 
Logo, não suspende a exigibilidade do crédito. STJ. 2ª Turma. REsp 1372368-PR, Rel. 
Min. Humberto Martins, julgado em 5/5/2015 (Info 561). 
 
 ATENÇÃO! Os encargos incidentes sobre o crédito constituído, a exemplo de multas, juros e 
atualizações, NÃO DEIXAM DE CORRER durante o andamento do processo. 
 
 
 
 
 
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Considerações importantes: 
• NÃO exige custas 
• Os recursos e impugnações devem ser relativos ao próprio lançamento tributário 
• A apresentação de defesa administrativa intempestiva NÃO enseja a suspensão da exigibilidade do 
crédito tributário, nem a suspensão da prescrição. 
• Enquanto não exarado provimento fiscal no procedimento administrativo, o sujeito passivo tem 
direito a certidão positiva com efeito de negativa (art. 206, parte final). 
 
OBS.: A MP 1.621-30/97 previu a necessidade do depósito de 30% do montante atualizado da dívida 
como condição ao protocolo do recurso à segunda instância administrativa fiscal (depósito recursal). Em 
2007, o STF reviu posição anterior (acerca da constitucionalidade) e afastou a exigência do depósito recursal, 
pelos seguintes argumentos: 
• Violação ao princípio da isonomia. 
• Violação à garantia do contraditório e da ampla defesa, e, por conseguinte ao devido processo legal. 
• Violação à reserva de lei complementar para disciplinar as normas gerais em matéria tributária. 
• Violação à regra que assegura a todos, independentemente do pagamento de taxas, o direito de 
petição aos poderes públicos em defesa de direitos ou contra a ilegalidade ou abuso de poder. 
 
Súmula Vinculante 21. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento 
prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. 
 
Súmula nº 373 STJ. É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade 
de recurso administrativo. 
 
5) CONCESSÃO DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA E EM OUTRAS AÇÕES JUDICIAIS: 
 
 Para o STJ, a medida liminar em mandado de segurança suspende a exigibilidade do crédito 
tributário, independentemente do depósito do tributo controvertido; se o juiz condiciona a concessão da 
medida liminar à realização do depósito, está, na verdade, indeferindo a medida liminar. 
 
 A liminar independe do prévio exaurimento das vias administrativas: o pleito de medida liminar 
para suspender a exigibilidade de créditos tributários não está condicionado ao exaurimento das instâncias 
administrativas, pois não se trata de exceção ao princípio da inafastabilidade da jurisdição. 
 
 Revogação da liminar: ocasiona a retomadado prazo prescricional 
A revogação de liminar que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário 
ocasiona a retomada do lapso prescricional para o Fisco, desde que inexistente 
 
 
 
 
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qualquer outra medida constante do art. 151 do CTN ou recurso especial / 
extraordinário dotado de efeito suspensivo. STJ. 1ª Seção. EAREsp 407940-RS, Rel. 
Min. Og Fernandes, julgado em 10/5/2017 (Info 605). 
 
Ainda que subsistam os efeitos da antecipação, é VEDADA a expedição de ordem para impedir a 
autoridade fiscal de promover o lançamento tributário, já que o perigo da demora NÃO pode acarretar perigo 
ao FISCO. 
 
OBS.: É importante lembrar que a lei não admite que a exigência de tributos seja objeto de 
um tipo específico de ação judicial: a ação civil pública. 
 
CESPE/2017 - A efetividade de medida liminar para suspender a exigibilidade de créditos tributários está 
condicionada ao exaurimento das instâncias administrativas para a anulação dos autos de infração 
pertinentes, visto que, nessa situação, não cabe ao Poder Judiciário analisar o mérito administrativo. Item 
incorreto. 
 
4. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: 
 
 Embora o artigo 156 verse sobre a extinção do crédito tributário, trata-se, na verdade de dispositivo 
que regula a extinção da própria obrigação tributária. 
 
Art. 156. EXTINGUEM o crédito tributário: 
I - O pagamento; 
II - A compensação; 
III - a transação; 
IV - Remissão; 
V - a prescrição e a decadência; 
VI - A conversão de depósito em renda; 
VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do 
disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; 
VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; 
IX - A decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita 
administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; 
X - A decisão judicial passada em julgado. 
XI – a dação em pagamento em bens Imóveis, na forma e condições estabelecidas 
em lei. 
 
 
 
 
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Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do 
crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado 
o disposto nos artigos 144 e 149. 
 
 
 O rol do art. 156 é taxativo ou exemplificativo? 
R.: Da mesma forma que para os casos de suspensão, o art. 141 do CTN aponta no sentido da 
TAXATIVIDADE da lista. 
 
STF: Passou a entender que os Estados, Municípios e Distrito Federal podem 
estabelecer outros meios NÃO previstos expressamente no CTN de extinção dos 
seus créditos tributários, máxime porque podem conceder remissão, e quem pode 
o mais pode o menos (ADI 2405 MC) 
 
Hipóteses de extinção do crédito tributário: A doutrina subdivide da seguinte forma: 
• Modalidades diretas – não dependem de lei autorizativa do respectivo ente para ocorrer, de modo 
que a previsão no CTN já é suficiente. 
• Modalidades indiretas – O CTN concede aos entes políticos liberdade para implementar hipóteses 
que levem à extinção do crédito tributário, desde que a previsão desses institutos seja feita por meio 
de lei autorizativa. Dependem, portanto, da vontade legislativa do ente tributante. 
• Modalidades processuais – São aquelas que pressupõem um litígio, pois só ocorrem no bojo de um 
processo administrativo ou judicial. 
 
MODALIDADES EXTINTIVAS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 
DIRETAS 
(Independem de lei) 
INDIRETAS 
(Dependem de lei) 
PROCESSUAIS 
• Pagamento 
• Homologação do 
pagamento antecipado 
• Decadência 
• Prescrição 
• Compensação 
• Transação 
• Remissão 
• Dação em pagamento 
de bens imóveis 
• Conversão de depósito 
em renda 
• Consignação em 
pagamento 
• Decisão administrativa 
irreformável 
• Decisão judicial passada 
em julgado 
 
1) PAGAMENTO: 
 
 
 
 
 
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1.1. Pagamento devido 
 É modalidade direta de extinção do crédito tributário, pois dispensa autorização legal. Ou seja: a 
previsão no CTN já é suficiente para regular sua existência. 
 
a) Diferenças do pagamento no direito civil e no direito tributário: 
Art. 157. A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito 
tributário. 
Art. 158. O pagamento de um crédito NÃO importa em presunção de pagamento: 
I - quando parcial, das prestações em que se decomponha; 
II - quando total, de outros créditos referentes ao mesmo ou a outros tributos. 
 
No direito privado, o pagamento da cláusula penal substitui a obrigação descumprida (art. 410, CC). 
No direito tributário, a regra é inversa, de modo que o valor da penalidade é somado ao valor do tributo 
devido. Em outras palavras: a imposição de penalidade NÃO dispensa o pagamento integral do tributo 
devido. 
No Direito tributário, o pagamento parcial de um crédito não importa presunção de pagamento das 
prestações em que se decomponha, diferentemente do que ocorre no âmbito civil. No pagamento total 
também não há presunção em relação a outros créditos referentes ao mesmo ou a outros tributos. 
Não se aplica a presunção civilista segundo a qual se o pagamento for em prestações, o pagamento 
da última presume o pagamento das anteriores. 
 
b) Local e tempo 
 
 As obrigações tributárias são sempre portáveis, de modo que o devedor é quem deve procurar o 
credor para pagar. Ou seja: o crédito tributário deve ser adimplido na repartição competente do domicílio 
do sujeito passivo (essa regra não é absoluta, pois a legislação pode dispor de maneira diversa). 
 Se não houver regra específica, o vencimento do crédito ocorre 30 dias após a data em que se 
considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Isso não se aplica ao lançamento por homologação, 
pois, nesta modalidade de constituição do crédito, o pagamento deve ser feito antecipadamente, não 
havendo que se falar em notificação do lançamento. 
 
Art. 159. Quando a legislação tributária não dispuser a respeito, o pagamento é 
efetuado na repartição competente do domicílio do sujeito passivo. 
Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o 
vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o 
sujeito passivo notificado do lançamento. 
Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação 
do pagamento, nas condições que estabeleça. 
 
 
 
 
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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c) Efeitos da mora em direito tributário: 
 Os efeitos da mora são automáticos (mora ex re), sendo desnecessário ao FISCO tomar qualquer 
providência para constituir o devedor em mora. 
 São consequências da mora: 
∘ Juros de mora 
∘ Penalidades (ex.: multa moratória) 
∘ Medidas de garantia previstas em lei. 
 
Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de 
mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das 
penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas 
nesta Lei ou em lei tributária. 
§ 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa 
de um por cento ao mês. 
§ 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo 
devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. 
 
As legislações têm previsto que os juros de mora incidem somente a partir do primeiro dia do mês 
seguinte a tal data. No que concerne à multa de mora, contudo, a previsão tem sido a incidência a partir do 
dia seguinte d]o vencimento. 
 
Obs.: Procedimento administrativo de consulta e fluência de juros (§2º): A consulta é procedimento 
administrativo de satisfação de dúvidas quanto à legislação tributária, formulada pelo contribuinte ao FISCO.O consulente de boa-fé responde apenas pelo tributo + correção monetária (NÃO se cobram juros moratórios 
ou multa). Em outras palavras: Caso o sujeito passivo tenha protocolado consulta tempestiva e eficaz, não 
será considerado em mora, não lhe aplicando as penalidades descritas acima. 
Não se trata de mais uma hipótese suspensiva de exigibilidade, pois o rol é taxativo. Logo, a consulta 
NÃO suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas apenas impede a fluência de juros e multa enquanto 
pendente a análise. 
 
d) Forma do pagamento 
 Em regra, deve ser feito em dinheiro, mas o art. 162 CTN prevê também em cheque, vale postal, 
processo mecânico ou dação em pagamento. 
 
 Art. 162. O pagamento é efetuado: 
I - em moeda corrente, cheque ou vale postal; 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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II - nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por processo 
mecânico. 
§ 1º A legislação tributária pode determinar as garantias exigidas para o pagamento 
por cheque ou vale postal, desde que não o torne impossível ou mais oneroso que 
o pagamento em moeda corrente. 
§ 2º O crédito pago por cheque somente se considera extinto com o resgate deste 
pelo sacado. 
§ 3º O crédito pagável em estampilha considera-se extinto com a inutilização 
regular daquela, ressalvado o disposto no artigo 150. 
§ 4º A perda ou destruição da estampilha, ou o erro no pagamento por esta 
modalidade, não dão direito a restituição, salvo nos casos expressamente previstos 
na legislação tributária, ou naquelas em que o erro seja imputável à autoridade 
administrativa. 
§ 5º O pagamento em papel selado ou por processo mecânico equipara-se ao 
pagamento em estampilha. 
 
e) Imputação em pagamento: 
 Ocorre quando o mesmo sujeito passivo tem mais de um débito perante o mesmo sujeito ativo, e 
valor insuficiente para pagar todos os débitos. Assim, caberá à autoridade administrativa determinar a 
imputação, obedecidas as regras do art. 163, CTN: 
 
Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo 
sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao 
mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros 
de mora, a AUTORIDADE ADMINISTRATIVA competente para receber o pagamento 
determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em 
que enumeradas: 
I - em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria e em segundo lugar aos 
decorrentes de responsabilidade tributária; 
II - primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos 
impostos; 
III - na ordem crescente dos prazos de prescrição; 
IV - na ordem decrescente dos montantes. 
 
 Critérios: 
 1º - Créditos em que o sujeito passivo está na condição de contribuinte, em detrimento daqueles em 
que o mesmo comparece na condição de responsável; 
 2° - Contribuições de melhoria, taxas e os impostos; 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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SEMANA 22/30 
 
96 
 
 3º - Ordem crescente do prazo de prescrição; 
 4º - Ordem decrescente do montante devido. 
 
1.2. Pagamento indevido e Repetição do indébito: 
 
 Quando um pagamento foi considerado indevido ou maior do que o devido, o contribuinte terá 
direito à restituição, sem qualquer empecilho imposto pelo FISCO, sob pena de configurar o locupletamento 
ilícito. 
 Assim, o direito à restituição: 
∘ Independe de prévio protesto. 
∘ Independe de provas abundantes, sendo suficiente a apresentação da guia de recolhimento. 
∘ Independe do requerimento na via administrativa 
 O particular NÃO está obrigado a postular na via administrativa para, só então, recorrer à via 
judicial 
 STJ: O prazo prescricional para a repetição de indébito NÃO se interrompe ou suspende em 
face de pedido formulado na seara administrativa. 
 
Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à 
restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu 
pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: 
I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido 
em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias 
materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 
II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no 
cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer 
documento relativo ao pagamento; 
III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. 
 
a) Restituição de tributo direto e indireto: 
Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência 
do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido 
o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este 
expressamente autorizado a recebê-la. 
 
 Os tributos indiretos são os que permitem transferência do seu encargo econômico para uma pessoa 
diferente da estabelecida em lei. 
• Para a restituição nos tributos diretos - basta a prova do pagamento indevido. 
• Para os tributos indiretos - a restituição ocorre se demonstradas as seguintes condições: 
 
 
 
 
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∘ Quando o contribuinte de direito comprovar que não transferiu o encargo financeiro do 
tributo; 
∘ Quando o contribuinte de direito estiver expressamente autorizado pelo contribuinte de 
fato a receber a restituição. 
 
b) Restituição de juros e multa: 
Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma 
proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a 
infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. 
Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em 
julgado da decisão definitiva que a determinar. 
 
Súmula 188 do STJ: Os juros moratórios, na repetição do indébito tributário, são 
devidos a partir do trânsito em julgado da sentença. 
 
Súmula 162 do STJ: Na repetição de indébito tributário, a correção monetária 
incide a partir do pagamento indevido. 
 
• Juros de mora: Devidos a partir do trânsito em julgado; 
• Correção Monetária: Devida a partir do pagamento indevido. 
 
c) Prazo para pleitear a restituição: 
 
Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 
5 (cinco) anos, contados: 
 
I - Nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito 
tributário; 
 
 Art. 165, I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou 
maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da 
natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente 
ocorrido; 
 Art. 165, II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da 
alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou 
conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 
 
 
 
 
 
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II - Na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a 
decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha 
reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 
 
 Art. 165, III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão 
condenatória. 
 
Nos casos em que notoriamente a Fazenda Pública é contrária ao pleito que o contribuinte deseje 
formular, é possível ao sujeito passivo ajuizar a ação de repetição de indébito mesmo sem anterior pleito 
administrativo. Nesse caso, surgem duas situações: 
(1) Para submeter a matéria diretamente ao judiciário: O contribuinte possui o prazo de 5 anos, o 
mesmo disponível para formular o pleito administrativamente.115 
5.2. Anistia .................................................................................................................................................................. 117 
6. GARANTIAS E PRIVILÉGIOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO .............................................................................. 118 
6.1. Conceitos iniciais ................................................................................................................................................. 118 
6.2. Garantias ............................................................................................................................................................. 118 
6.3. Privilégios ............................................................................................................................................................ 120 
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 123 
META 5 .......................................................................................................................................................... 125 
DIREITOS HUMANOS: FEDERALIZAÇÃO DOS CRIMES CONTRA OS DIREITOS HUMANOS E OUTROS 
INSTRUMENTOS D EPROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL ............................ 125 
1. FEDERALIZAÇÃO DE CRIMES GRAVES CONTRA OS DIREITOS HUMANOS ................................................. 125 
2. OUTROS INSTRUMENTOS DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NA CONSTITUIÇÃO – OS REMÉDIOS 
CONSTITUCIONAIS. ........................................................................................................................................ 131 
 
 
 
 
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2.1 Habeas corpus ...................................................................................................................................................... 132 
2.2 Habeas data .......................................................................................................................................................... 134 
2.3 Mandado de Injunção .......................................................................................................................................... 135 
2.4 Mandado de segurança ........................................................................................................................................ 136 
2.5 Mandado de segurança coletivo .......................................................................................................................... 137 
2.6 Ação popular ........................................................................................................................................................ 138 
3. POLÍTICA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS E O PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS ..... 139 
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 142 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE TORTURA ........................................................................................... 145 
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 145 
2. CONCEITO .................................................................................................................................................. 147 
3. EQUIPARAÇÃO A CRIME HEDIONDO ......................................................................................................... 148 
3.1 Anistia, graça e indulto: ........................................................................................................................................ 148 
3.2 Livramento condicional: ....................................................................................................................................... 148 
3.3 Progressão de regime: ...................................................................................................................................... 149 
3.4 Regime Inicial de Cumprimento de Pena ............................................................................................................. 149 
4. COMPETÊNCIA PARA PROCESSAMENTO E JULGAMENTO ........................................................................ 152 
5. BEM JURÍDICO PROTEGIDO ....................................................................................................................... 155 
6. DOS CRIMES EM ESPÉCIE ........................................................................................................................... 156 
6.1 Art. 1º, Inciso I ...................................................................................................................................................... 156 
6.2 Art. 1º, Inciso II – Tortura Castigo / Punitiva ........................................................................................................ 160 
6.3 Art. 1º, §1º - Tortura Contra Preso ou Pessoa Submetida à Medida de Segurança ou Tortura Pela Tortura ...... 162 
6.4 Art. 1º, §2º - Tortura por Omissão ....................................................................................................................... 163 
7. TORTURA QUALIFICADA ............................................................................................................................ 166 
8. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA ............................................................................................................... 167 
8. EFEITOS DA CONDENAÇÃO ........................................................................................................................ 168 
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 173 
META 6 – REVISÃO SEMANAL ........................................................................................................................ 178 
Direito Processual Civil: Normas Gerais, Jurisdição, Ação E Competência ................................................................. 178 
Direito Tributário: Crédito Tributário ......................................................................................................................... 179 
Direitos Humanos: Federalização Dos Crimes Contra Os Direitos Humanos E Outros Instrumentos D Eproteção Dos 
Direitos Humanos Na Constituição Federal................................................................................................................ 180 
Legislação Penal Especial: Lei De Tortura ................................................................................................................... 181 
 
 
 
 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA SEMANA 22 
META DATA DIA ASSUNTO 
1 20/06 SEG 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL: Normas Gerais, Jurisdição, Ação e 
Competência 
2 21/06 TER DIREITO PROCESSUAL CIVIL: Tutela de Urgência 
3 22/06 QUA DIREITO TRIBUTÁRIO: Crédito Tributário (Parte I) 
4 23/06 QUI DIREITO TRIBUTÁRIO: Crédito Tributário (Parte II) 
5 24/06 SEX 
DIREITOS HUMANOS: Federalização dos Crimes Contra os Direitos 
Humanos e Outros Instrumentos de Proteção dos Direitos Humanos 
na Constituição Federal 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: Lei de Tortura 
6 25,26/06 SÁB/DOM [REVISÃO SEMANAL] 
 
 
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Equipe DD 
 
 
 
 
 
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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META 1 
 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL: NORMAS GERAIS, JURISDIÇÃO, AÇÃO E COMPETÊNCIA 
 
ARTIGOS CORRELATOS 
 
 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL:(2) Se o contribuinte optar por formular o pleito inicialmente na via administrativa e o mesmo vier a ser 
indeferido: O prazo para buscar, no judiciário, a anulação da decisão administrativa será de apenas 
2 anos (art. 169, CTN). 
 
Art. 169. Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão administrativa que 
denegar a restituição. 
Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo início da ação judicial, 
recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente 
feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada. 
 
RESTITUIÇÃO DE IRRF 
 Segundo o art. 157, I e 158 da CF/88, pertencem aos estados, DF e municípios “o produto da 
arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre 
rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e 
mantiverem”. 
 Assim, nos casos em que os servidores públicos desses entes federados intentam restituição de 
imposto de renda retido pela fonte geradora, a legitimidade passiva da demanda não é da União Federal, 
mas sim dos próprios entes responsáveis pelos descontos – e destinatários finais da verba retida. 
 
 Súmula 447- STJ: Os Estados e o Distrito Federal são partes legítimas na ação de restituição de 
imposto de renda retido na fonte proposta por seus servidores. 
 
 
2) HOMOLOGAÇÃO DO PAGAMENTO ANTECIPADO 
 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
99 
 
 Na sistemática do lançamento por homologação, o pagamento é feito de forma antecipada, antes do 
próprio lançamento. Nesse caso, a extinção do crédito tributário irá se operar no momento da homologação 
– e não no momento do pagamento. 
 
3) CONSIGNAÇÃO DO PAGAMENTO 
 
Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente 
pelo sujeito passivo, nos casos: 
I - de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo 
ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória; 
II - de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas 
sem fundamento legal; 
III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo 
idêntico sobre um mesmo fato gerador. 
§ 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe 
pagar. 
§ 2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a 
importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a 
consignação no todo ou em parte, cobra-se o crédito acrescido de juros de mora, 
sem prejuízo das penalidades cabíveis. 
 
 A ação de consignação em pagamento é o meio processual adequado para que o sujeito passivo 
exerça o seu direito de pagar e obter a quitação do tributo, quando tal providência esteja sendo obstada por 
fato imputável ao credor. 
O consignante deposita o valor que entende devido, e não aquele exigido pelo FISCO. Assim, apenas 
o julgamento pela procedência é causa de extinção do crédito tributário. 
Se a consignação for julgada improcedente em parte, em virtude de o valor consignado ter sido 
considerado insuficiente para a total extinção do crédito, o autor terá que pagar juros e multa sobre a 
diferença entre o valor consignado e o que foi considerado devido ao final. 
 
Obs.: A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar. Assim, a ação de 
consignação de pagamento não é via adequada para discutir a legalidade do tributo devido. 
 
Hipóteses em que o sujeito passivo poderá consignar judicialmente o valor do crédito tributário. 
 
(1) Se o fisco se recusar a receber o pagamento, sob o pretexto de que o sujeito passivo deve recolher 
também quantia atinente a outro tributo ou penalidade, ou deve cumprir determinada obrigação 
acessória. 
 
 
 
 
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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(2) Se o fisco subordinar o seu recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem 
fundamento legal. 
 Trata-se de situação que já encontraria aplicação no inciso I. De fato, se é vedada a 
subordinação do recebimento do pagamento ao cumprimento de obrigações acessórias – 
que, portanto, possuem respaldo legal – com mais razão a proibição se aplica no caso de 
exigências sem lastro na legislação. 
 
(3) Se mais de uma pessoa jurídica de direito público exigir tributo idêntico sobre um mesmo fato 
gerador. (Hipótese mais importante) 
 Ex.: o Estado entende que a atividade exercida pelo contribuinte atrai a incidência do ICMS, 
e o município defende que é um serviço, o que atrairia a incidência do ISSQN. 
 
Consequências da consignação em pagamento: 
• Pedido do sujeito passivo for julgado procedente - o valor consignado é convertido em renda sem 
o acréscimo de juros de mora, pois, nesse caso, a mora é da Fazenda Pública 
• Pedido do sujeito passivo for julgado improcedente - crédito deve ser acrescido dos juros de mora 
e das penalidades cabíveis. Nessa hipótese, a mora pode lhe ser imputada. 
 
4) COMPENSAÇÃO: 
 
Art. 170. A LEI pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja 
estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a 
compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou 
vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 
Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, 
para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, 
cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês 
pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. 
 
 É modalidade extintiva, quando se é credor e devedor ao mesmo tempo => Pressupõe créditos e 
débitos recíprocos. 
 
a) Necessidade de lei autorizativa 
O direito à compensação não é autoaplicável. Ou seja: depende de lei autorizativa e NÃO pode ser 
realizada de ofício pelo contribuinte. Não havendo lei autorizativa, o tributo que tiver sido recolhido em 
excesso deve ser objeto de pedido de restituição (art. 165, CTN). 
 
 
 
 
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A lei ordinária pode restringir o regime da compensação a determinados tributos específicos, mas 
NÃO pode estabelecer condições e restrições que inviabilizem ou inibam a plena e integral compensação. 
 
STJ – A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de 
contas entre os débitos e créditos recíprocos da Fazenda e do contribuinte. (Resp 
1164452) 
 
STJ – Tratando-se de compensação tributária, deve ser considerado o regime 
jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa 
julgada à luz do direito superveniente. (Resp 113.738, recurso repetitivo) 
 
Súmula 461 do STJ: O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório 
ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória 
transitada em julgado. 
 
 
b) Créditos que podem ser compensados: 
• Crédito deve ser líquido, certo e em dinheiro 
• Crédito não pode estar sendo discutido judicialmente 
• Créditos vencidos ou vincendos (a vencer) 
 No entanto, somente pode ser vincendo o valor que a Fazenda Pública deve ao sujeito passivo 
do tributo, jamais o crédito tributário, que deve sempre estar vencido. 
 
CESPE/2018 (Adaptada) - Um contribuinte pretende compensar parcialmente tributo municipal com valores 
reconhecidos como repetição de indébito tributário municipal em sentença declaratória transitada em 
julgado. Nos termos do CTN e à luz da doutrina, essa compensação poderá ocorrer mesmo que o valor devido 
ao particular for vincendo. Item correto. 
 
c) Efeitos da compensação: 
• Função liberatória das obrigações 
• Os juros deixam de fluir 
• Os acessórios extinguem-se com os créditos 
• A prescrição NÃO se consuma• Impede a ocorrência de mora do devedor. 
 
d) Decisão judicial com trânsito em julgado 
 
 
 
 
 
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102 
 
Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto 
de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da 
respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001 
 
De acordo com o art. 170-A do CTN, a compensação só pode ser efetivamente realizada com o 
trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Inclusive, conforme súmula 212 do STJ, a compensação de 
créditos tributários NÃO pode ser deferida por medida liminar cautelar ou antecipatória. 
 
Súmula 212 do STJ: A compensação de créditos tributários não pode ser deferida 
por medida liminar 
 
STJ – É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de 
contestação judicial pelo sujeito passive, antes do trânsito em julgado da respective 
decisão judicial, vedação que se aplica, inclusive, às hipóteses de reconhecida 
inconstitucionalidade do tribute indevidamente recolhido. (Resp 116039, recurso 
repetitivo). 
 
Já caiu em prova e foi considerada CORRETA a seguinte alternativa: É vedada a compensação mediante o 
aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado 
da respectiva decisão judicial. 
 
O STJ sumulou o entendimento relativo à idoneidade do mandado de segurança como meio para a 
declaração de direito a compensação tributária. Temos, portanto, o seguinte: 
• É possível utilizar o mandado de segurança para DECLARAR o direito à compensação tributária; 
• NÃO é possível utilizar o mandado de segurança para CONVALIDAR compensação já realizada pelo 
sujeito passivo. 
 
Súmula 213 do STJ: O mandado de segurança constitui ação adequada para a 
declaração do direito à compensação tributária. 
 
Súmula 460 STJ: É incabível o mandado de segurança para convalidar a 
compensação tributária realizada pelo contribuinte. 
5) TRANSAÇÃO: 
 
Art. 171. A LEI pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e 
passivo da obrigação tributária celebrar transação que, mediante concessões 
mútuas, importe em determinação de litígio e conseqüente extinção de crédito 
tributário. 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp104.htm
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Parágrafo único. A lei indicará a autoridade competente para autorizar a transação 
em cada caso. 
 
 É o negócio jurídico em que as partes, mediante concessões mútuas, extinguem obrigações, 
prevenindo ou terminando litígios. 
 Embora o artigo 156, inciso IV, do Código Tributário Nacional, determine que a transação extingue o 
crédito tributário, é, na verdade, o cumprimento do acordo, que tem o condão de fazê-lo. 
 A transação só pode ser celebrada com base em lei autorizativa. Dessa forma, não há como a 
autoridade administrativa transacionar o crédito tributário sem lei que regulamente o instituto e estabeleça 
critérios objetivos para sua realização. 
 Em Direito Tributário, NÃO existe a transação preventiva! 
 
No âmbito federal, o instituto encontra-se regulamentado pela Lei 13.988/2020. Esse diploma autoriza a 
realização de transação com relação aos créditos cobrados pela União Federal e, nos termos de ato do 
Advogado-Geral da União, com relação aos créditos cobrados pelas autarquias e fundações públicas federais. 
É importante a leitura!!! 
 
6) REMISSÃO: 
 
 É a dispensa gratuita da dívida, feita pelo credor em benefício do devedor. Em outras palavras: é o 
perdão da dívida. 
 Em Direito Tributário, somente pode ser concedida por lei específica, possuindo caráter vinculativo 
e isonômico, de modo que o devedor é obrigado a aceitar a remissão. 
 
Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho 
fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário atendendo: 
I - à situação econômica do sujeito passivo; 
II - ao erro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato; 
III - à diminuta importância do crédito tributário; 
IV - a considerações de equidade em relação com as características pessoais ou 
materiais do caso; 
V - a condições peculiares a determinada região do território da entidade 
tributante. 
Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, 
aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. 
 
 
 
 
 
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CESPE/2018 - Remissão concedida por ente público titular de obrigação tributária a pessoa física ou jurídica 
provoca a suspensão temporária do crédito tributário. Incorreta. Trata-se de hipótese de extinção do crédito 
tributário. 
 
a) Hipóteses de cabimento: 
• Situação econômica do sujeito passivo 
• Ignorância/erro escusáveis quanto à matéria de fato 
• Diminuta importância do crédito tributário 
• Equidade relativa às características pessoais/materiais do caso 
• Condições peculiares das regiões do território da entidade tributante 
 
b) Limites à remissão: O texto constitucional e a Lei de responsabilidade fiscal impõem limites expressos à 
remissão: 
(1) Qualquer remissão relativa a impostos, taxas ou contribuições só poderá ser concedida por lei 
específica, que regule exclusivamente a matéria ou o correspondente tributo ou contribuição. 
Busca-se evitar “contrabandos legislativos”. (art. 150, §6º, CF/88) 
 
(2) A Lei de responsabilidade fiscal (LC 101/2000) impõe ao ente tributante diversas medidas 
restritivas de caráter orçamentário e financeiro para a concessão dos benefícios. 
 
Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária 
da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do 
impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e 
nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo 
menos uma das seguintes condições 
§ 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, 
concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação 
de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, 
e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. 
 
 
c) Revogação da remissão concedida 
Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, 
aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. 
 
Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido 
e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou 
deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os 
 
 
 
 
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requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de 
mora: 
I - com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do 
beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; 
II - sem imposição de penalidade, nos demais casos. 
Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a 
concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição 
do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só 
pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. 
 
 A concessão de remissão em caráter individual não gera direito adquirido e será revogada, de ofício, 
sempre que se apure que o beneficiário não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumpriu 
ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor. No caso de revogação, sempre será cobrado 
o tributo e os juros de mora. 
 Se o benefício foi obtido com dolo ou simulação do beneficiário,ou de terceiro em favor daquele, 
haverá cobrança da penalidade pecuniária. Além disso, o tempo decorrido entre a concessão da remissão e 
sua revogação não será computada pera afeito da prescrição do direito de cobrança do crédito. 
 Se não houve dolo ou simulação, não haverá cobrança de penalidade pecuniária e a revogação só 
pode ocorrer antes de prescrito o direito a cobrança do crédito. 
 
7) DECADÊNCIA: 
 
 Com a ocorrência do fato gerador, nasce a obrigação tributária. Com o lançamento, a obrigação é 
tornada líquida e certa, surgindo o crédito tributário. O prazo para que a administração tributária, por meio 
da autoridade competente, promova o lançamento é decadencial. O prazo para que se ajuíze a ação de 
execução fiscal é prescricional. 
 Logo, operada a decadência, tem-se por extinto o direito de lançar. Verificada a prescrição, tem-se 
impossibilitado o manejo da execução fiscal. 
 O lançamento é o marco que separa, na linha do tempo, a prescrição da decadência: 
• Antes do lançamento - conta-se o prazo decadencial. 
• Quando o lançamento validamente realizado se torna definitivo - não mais se fala em 
decadência, passando a contar-se o prazo prescricional para a propositura da ação de 
execução fiscal. 
 
A decadência é forma de extinção do crédito tributário. Logo, uma vez extinto o direito, NÃO pode 
ele ser reavivado por qualquer sistemática de lançamento ou autolançamento, seja via documento de 
confissão de dívida, declaração de débitos ou outra espécie qualquer. 
Assim, se o fisco efetuar o lançamento de tributos já decaídos, ainda que o sujeito passivo venha a 
 
 
 
 
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reconhecer o débito mediante parcelamento – que geralmente é precedido de um termo de confissão – 
existe direito à restituição do que vier a ser pago. 
 
CESPE/2018 - A decadência é uma hipótese de extinção do crédito tributário que decorre do transcurso do 
tempo máximo previsto para a constituição desse crédito. Item correto. 
 
PRAZOS - REGRAS DA DECADÊNCIA: O prazo decadencial é de 5 anos, mas seu termo inicial varia de acordo 
com as situações fáticas descritas no CTN: 
 
1. Regra Geral: O direito de a fazenda pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, 
contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 
Ex.: ocorrido um fato gerador em qualquer período do ano de 2021, o prazo decadencial inicia-se em 
01.01.2022 e vai até 2026. 
Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se 
após 5 (cinco) anos, contados: 
I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter 
sido efetuado; 
 
2. Regra da antecipação de contagem: O direito de lançar se extingue definitivamente com o decurso do 
prazo de cinco anos, contados da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário 
pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. 
 Ex.: nesse caso, o fisco informa ao sujeito passivo que uma ação fiscal foi iniciada visando apurar a 
ocorrência de fatos geradores e efetivar os lançamentos de eventuais créditos tributários devidos. São 
exemplos desses avisos preparatórios os termos de início de execução fiscal. 
 
Art. 173 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se 
definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que 
tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito 
passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. 
 
3. Anulação do lançamento por vício formal: Nesse caso, o lançamento já foi efetuado. No entanto, por 
ter sido anulado por vício formal (ex.: incompetência da autoridade lançadora), abre-se, novamente, 
mais um período de 5 anos para que o crédito seja constituído por meio de um lançamento substitutivo. 
 
Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se 
após 5 (cinco) anos, contados: 
II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício 
formal, o lançamento anteriormente efetuado. 
 
 
 
 
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4. Lançamento por homologação: 
 O prazo decadencial para o lançamento por homologação começa a contar do dia do fato gerador 
(art. 150, §4º, CTN). 
 Assim, se o contribuinte realizar um pagamento sujeito à homologação, a Fazenda Pública tem o 
prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador, para homologá-lo de forma expressa, ou realizar 
eventual lançamento suplementar de ofício. 
 
Art.150. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar 
da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se 
tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente 
extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 
 
 Há, contudo, exceções a essa regra. Ou seja, hipóteses em que o prazo decadencial para 
homologação NÃO irá ter início com a ocorrência do fato gerador: 
(1) Quando o sujeito passivo agir com dolo/ fraude/ simulação 
(2) Quando não houver pagamento: Ou seja, quando o sujeito passivo não antecipou nenhum valor a 
título de reconhecimento antecipado. Aqui, não há que se falar em homologação, pois não se 
homologa o que não recolheu. 
 
 Em ambos os casos, o prazo decadencial terá início no 1º dia do exercício seguinte a que o tributo 
deveria ter sido lançado, seguindo a regra do art. 173, I! 
 
Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se 
após 5 (cinco) anos, contados: 
I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter 
sido efetuado; 
 
Súmula 555 do STJ: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial 
quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na 
forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo 
o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. 
 
 
* ATENÇÃO: 
Se o tributo foi declarado e não pago, não há que se falar em decadência, pois o crédito tributário estará 
constituído pela própria declaração de débito do contribuinte, sendo possível a imediata inscrição em dívida 
ativa e posterior ajuizamento da ação de execução fiscal. 
 
 
 
 
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Inclusive, conforme entendimento sumulado pelo STJ, se o contribuinte elabora as declarações informando 
débitos não pagos, há a constituição do crédito tributário e não há que se falar em decadência, mas sim em 
prescrição! 
 
Súmula 436 do STJ: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito 
tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. 
 
Assim, na sistemática do lançamento por homologação, se houver a declaração do débito sem o 
correspondente pagamento na data do vencimento, serão verificados os seguintes efeitos: 
- Início da contagem do prazo prescricional; 
- Possibilidade de imediata inscrição do declarante em dívida ativa; 
- Impossibilidade de o declarante gozar dos benefícios da denúncia espontânea. 
- Legitimidade da recusa de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa. 
 
5. Decadência e contribuições para a seguridade social: 
 O art. 45 da Lei 8.212/91 estipula um prazo decadencial de dez anos para a realização do lançamento 
das contribuições para o financiamento da seguridade social. Ocorre que o art. 45 foi declarado formalmente 
inconstitucional pelo STF, ao fundamento de que cabe à LEI COMPLEMENTAR (e não à lei ordinária) dispor 
sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadênciatributária. E editou a súmula vinculante nº 8: 
 
Súmula Vinculante 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do 
Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de 
prescrição e decadência de crédito tributário. 
 
 
8) PRESCRIÇÃO: 
 Opera-se quando a Fazenda Pública não propõe, no prazo legalmente estipulado, a ação de execução 
fiscal para obter a satisfação coativa do crédito tributário. 
 Segundo o art. 174 do CTN, o prazo de prescrição é de cinco anos, iniciando sua contagem da data 
da constituição definitiva do crédito tributário. 
 
Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, 
contados da data da sua constituição definitiva. 
 
Súmula 622-STJ: A notificação do auto de infração faz cessar a contagem da 
decadência para a constituição do crédito tributário; exaurida a instância 
administrativa com o decurso do prazo para a impugnação ou com a notificação de 
 
 
 
 
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seu julgamento definitivo e esgotado o prazo concedido pela Administração para o 
pagamento voluntário, inicia-se o prazo prescricional para a cobrança judicial. 
 
a) Interrupção da prescrição: 
Art. 174 Parágrafo único. A prescrição se interrompe: 
I – Pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; 
I - Pelo protesto judicial; 
III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; 
IV - Por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em 
reconhecimento do débito pelo devedor. 
 
Súmula 625-STJ: O pedido administrativo de compensação ou de restituição não 
interrompe o prazo prescricional para a ação de repetição de indébito tributário de 
que trata o art. 168 do CTN nem o da execução de título judicial contra a Fazenda 
Pública. 
 
STJ: A interrupção retroage à data da propositura da ação (art. 219, §1º, do CPC), 
aplicável em matéria tributária. O despacho de citação interrompe, inclusive em 
relação aos sócios gerentes. 
 
STJ: O parcelamento de ofício da dívida tributária não configura causa interruptiva 
da contagem da prescrição, uma vez que o contribuinte não anuiu. 1ª Seção. REsp 
1.658.517-PA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/11/2018 
(recurso repetitivo) (Info 638). 
 
Sobre o ponto, vale anotar que, apesar da jurisprudência do STJ ter albergado a legalidade do 
protesto extrajudicial, em face da previsão do parágrafo único do art. 1º da Lei 9.942, ele não interrompe a 
prescrição do crédito tributário, posto que o art. 174, II é expresso ao referir-se apenas ao PROTESTO 
JUDICIAL. O tema foi objeto de decisão recente do TRF-2 e noticiado pelo Portal Jota, em artigo que pode ser 
consultado aqui. 
 
b) Suspensão da prescrição: 
 Nos casos de suspensão do prazo prescricional, o prazo fica sem fluir durante o tempo em que durar 
a respectiva causa e, cessada esta, volta ao seu curso apenas pelo que lhe faltava. 
 Para parte da doutrina, o único caso de suspensão do prazo prescricional previsto expressamente no 
CTN é o referente à anulação da moratória, em casos de dolo ou simulação do beneficiado (art. 155, §único). 
No entanto, apesar da omissão do código, a doutrina e a jurisprudência reconhecem outros casos em que o 
prazo prescricional não irá correr: 
 
 
 
 
https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/protesto-de-cda-nao-interrompe-prescricao-tributaria-16082017
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• Hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário: em todos os casos em que a 
exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa, também estará suspenso o respectivo prazo 
prescricional. 
• Anulação, por motivo de dolo ou simulação, de moratória, parcelamento, remissão, isenção e 
anistia concedidos em caráter individual. 
 
OBS.: As causas interruptivas ou suspensivas da prescrição previstas em leis ordinárias não podem ser 
aplicadas em matéria tributária, que exige que a lei complementar estabeleça normas gerais. A única 
exceção, fruto de construção jurisprudencial, é aquela decorrente da suspensão do curso da execução fiscal, 
por um ano quando não localizado o dever ou encontrados os bens que possam lastrear a cobrança forçada. 
(Art. 40, caput e §1º, LEF) 
 
Art. 40 - O Juiz suspenderá o curso da execução, enquanto não for localizado o devedor ou encontrados bens 
sobre os quais possa recair a penhora, e, nesses casos, não correrá o prazo de prescrição. 
§ 1º - Suspenso o curso da execução, será aberta vista dos autos ao representante judicial da Fazenda Pública. 
§ 2º - Decorrido o prazo máximo de 1 (um) ano, sem que seja localizado o devedor ou encontrados bens 
penhoráveis, o Juiz ordenará o arquivamento dos autos. 
§ 3º - Encontrados que sejam, a qualquer tempo, o devedor ou os bens, serão desarquivados os autos para 
prosseguimento da execução. 
§ 4o Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois de ouvida 
a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato. 
 
Súmula 314 do STJ: Em execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, suspende-se o processo por um 
ano, findo o qual se inicia o prazo da prescrição quinquenal intercorrente. 
 
 
Vamos esquematizar? 
PRESCRIÇÃO, DECADÊNCIA E OS 
LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO 
PAGAMENTO EFETUADO PELO 
CONTRIBUINTE 
Após entrega da declaração, em valor suficiente e correto, ocorre a 
homologação tácita, extinguindo o crédito tributário. Não haverá 
prescrição ou decadência. 
 
DEVENDO DECLARAR, DECLARA E 
NÃO PAGA 
NÃO há prescrição, pois não houve constituição do crédito, mas 
apenas decadência 
 
 
 
 
 
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QUANDO NÃO HÁ PAGAMENTO 
AO FISCO DE VALOR 
CORRETAMENTE DECLARADO 
O STF/STJ entendem que a constituição definitiva do crédito 
tributário, para fins de prescrição, ocorrerá no momento da entrega 
da declaração. 
 
- Será dispensável o lançamento pela autoridade fazendária, 
situação que elide a necessidade de constituição formal do débito 
pelo FISCO, NÃO sendo o caso de decadência, mas de prescrição. 
 
- Consequências: 
 Autorização para inscrição em dívida ativa; 
 Fixação do termo a quo da prescrição 
 Inibe a CND 
 Afasta a possibilidade de denúncia espontânea 
QUANDO O CONTRIBUINTE PAGA E 
DECLARA VALOR MENOS DO QUE 
O DEVIDO 
O STJ entende que será necessário proceder à lançamento de ofício, 
nos prazos decadenciais convencionais. 
 
 
 
RESUMO – PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA NOS LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO: 
Deve declarar Declara Paga Correm os prazos de... 
100 100 100 Extinção do CT 
100 Não declara Zero Decadência 
100 100 Zero Prescrição (100) 
100 80 80 Decadência (20) 
100 80 Zero Prescrição (80) + 
Decadência (20) 
 
 
 
 IMPORTANTE: O trânsito em julgado da anulação ou da reforma de acórdão favorável a contribuinte 
marca o início do prazo prescricional para o Fisco cobrar o crédito tributário. 
 
O simples ajuizamento de ação declaratória de inexigibilidade tributária não é 
suficiente para impedir a cobrança judicial do tributo que a Fazenda Pública 
entende devido. A sentença de procedência na ação declaratória de inexigibilidade 
tributária, por si só, também não é suficiente para impedir a cobrança do tributo. 
Por falta de previsão legal, a sentença favorável ao sujeito passivo impugnada por 
 
 
 
 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/7bcd91571fc1119e87d81e1054255e73?categoria=14&subcategoria=209&assunto=811&criterio-pesquisa=e
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apelação da Fazenda Pública não suspende a exigibilidade do crédito tributário. Isso 
porque a apelação, neste caso, é um recurso dotado de efeito suspensivo. Por outro 
lado, se a Fazenda Pública recorre e o Tribunal prolata acórdão confirmando a 
sentença favorável ao contribuinte, esta decisão produz efeitos desde logo, 
infirmando a certeza do correspondente crédito inscrito em dívida ativa e, por 
conseguinte, impedindo o ajuizamento da execução fiscal. Por fim, se o Fisco 
conseguir anular ou reformar esse acórdão do Tribunal de 2ª instância, ele volta a 
ter a possibilidade de cobrar o tributo. Depois de anulado ou reformado o aludido 
acórdão e, não ocorrendo nenhuma causa de suspensão de exigibilidade (art. 151 
do CTN), o Fisco estará autorizado a fazer a cobrança do crédito tributário. Logo, 
com o trânsito em julgado desta decisão que anulou ou reformou o acórdão inicia-
se a contagem da prescrição para o ajuizamento da execução fiscal. STJ. 1ª Turma. 
AREsp 1280342-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 15/10/2019 (Info 660). 
 
 IMPORTANTE: Prazo prescricional e tributo declarado inconstitucional 
 
Caso concreto: STF decidiu que determinada contribuição tributária era 
inconstitucional. Não houve modulação dos efeitos. Contribuinte ajuizou ação 
pedindo a repetição do indébito, ou seja, a restituição dos valores pagos. O debate 
envolve o prazo prescricional para essa pretensão. No momento em que o 
contribuinte ajuizou a ação, o entendimento do STJ era no sentido de que o prazo 
prescricional tinha início a partir da data da declaração de inconstitucionalidade da 
exação pelo STF no controle concentrado, ou de resolução do Senado Federal, no 
controle difuso. Ocorre que, durante o curso da ação, o STJ promoveu revisão 
abrupta de sua jurisprudência para considerar que, nos tributos sujeitos a 
lançamento por homologação, o transcurso do prazo prescricional ocorre a partir 
do recolhimento indevido, independentemente da data da decisão do STF ou da 
Resolução do SF (REsp 435.835/SC). Com a aplicação do novo entendimento do STJ, 
o contribuinte – que já estava com a sua ação em curso – teria seu pedido rejeitado 
por força da prescrição. O STF, contudo, não concordou com a aplicação imediata 
do novo entendimento do STJ aos processos em curso. Para o Supremo, isso 
representa retroação da regra de contagem do prazo prescricional às pretensões já 
ajuizadas, em afronta ao princípio da segurança jurídica e aos postulados da 
lealdade, da boa-fé e da confiança legítima, sobre os quais se assenta o próprio 
Estado Democrático de Direito. A modificação na jurisprudência em matéria de 
prescrição não pode retroagir para considerar prescrita pretensão que não o era 
à época do ajuizamento da ação, em respeito ao posicionamento anteriormente 
consolidado. Toda inflexão jurisprudencial que importe restrição a direitos dos 
 
 
 
 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/07bba581a2dd8d098a3be0f683560643?categoria=14&subcategoria=151&criterio-pesquisa=e
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cidadãos deve observar certa regra de transição para produção de seus efeitos, 
levando em consideração os comportamentos então tidos como legítimos, 
porquanto praticados em conformidade com a orientação prevalecente, em 
homenagem aos valores e princípios constitucionais. STF. 2ª Turma. ARE 
951533/ES, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. acórdão o Min. Dias Toffoli, 
julgado em 12/6/2018 (Info 906). 
 
IMPORTANTE: restou superado o posicionamento jurisprudencial que acolhia o termo inicial da 
prescrição na data da constituição do crédito através da notificação do lançamento. À luz da jurisprudência 
atual do STJ, o termo inicial da prescrição com relação a tributos lançados de ofício é a data do VENCIMENTO 
do tributo (AgRg no REsp 1566018/MG - 2015). 
No caso de tributos lançados de ofício (IPTU, IPVA), o lançamento já constitui o crédito e, uma vez 
notificado o devedor a efetuar o pagamento (normalmente através do envio de carnê ou boleto para seu 
domicílio), resta perfectibilizada a relação jurídico-tributária, de modo que, a partir do vencimento o crédito 
já é exigível e já pode ser ajuizada a execução fiscal. Ex.: IPVA de 2018 é lançado em 09/01/18, sendo que o 
contribuinte recebe o boleto em 08/02/18 para pagamento integral até 20/04/18. Nesse caso o lançamento 
de ofício já constituiu o crédito e a notificação perfectibilizou a relação jurídico tributária, de modo que a 
partir do vencimento já é possível ajuizar execução fiscal. Segundo o STJ: 
 
1. A constituição definitiva do crédito tributário, no caso do IPTU, se perfaz pelo 
simples envio do carnê ao endereço do contribuinte, nos termos da Súmula 
397/STJ. Contudo, o termo inicial da prescrição para a sua cobrança é a data do 
vencimento previsto no carnê de pagamento, pois é esse o momento em que 
surge a pretensão executória para a Fazenda Pública. (AgRg no Ag 1.310.091/SP) 
 
9) CONVERSÃO DO DEPÓSITO EM RENDA: 
 
 Caso o sujeito passivo tenha feito depósito do montante integral do tributo para suspender a 
exigibilidade do crédito tributário (art. 151, II), e não tenha obtido sucesso no litígio instaurado, a 
importância depositada será convertida em renda da Fazenda Pública interessada, de forma que o crédito 
tributário respectivo será extinto. 
Também existe a possibilidade de conversão em renda de depósito realizado em sede de ação de 
consignação em pagamento. 
 
10) DECISÃO ADMINISTRATIVA IRREFORMÁVEL OU DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO: 
 
 Se, ao final do litígio, a decisão for pela improcedência do lançamento, o crédito estará 
definitivamente extinto. 
 
 
 
 
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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 Somente extingue o crédito tributário a decisão judicial favorável ao sujeito passivo. 
 
11) DAÇÃO EM PAGAMENTO DE BENS IMÓVEIS: 
 
 A dação em pagamento é a forma de extinção das obrigações em que o credor consente em receber 
do devedor prestação diversa da que lhe é devida. 
 A prestação substitutiva do pagamento em dinheiro somente poderá ser a entrega de um bem 
IMÓVEL, não se admitindo para bens móveis. 
 
5. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 
 
A exclusão é situação em que, mesmo ocorrido o fato gerador e a obrigação tributária, NÃO haverá 
lançamento e, consequentemente, NÃO haverá crédito tributário. Em outras palavras: ainda que haja a 
ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária, a exclusão impede o lançamento do 
crédito tributário e a sua constituição. 
Ressalta-se que a exclusão do crédito tributário NÃO DISPENSA o cumprimento das obrigações 
acessórias dependentes da obrigação principal, cujo crédito seja excluído ou dela consequente. 
 
Art. 175. Excluem o crédito tributário: 
I - a isenção; 
II - a anistia. 
Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das 
obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja 
excluído, ou dela conseqüente. 
 
A isenção e a anistia são normas desonerativas de deveres patrimoniais do contribuinte, atingindo o 
tributo (isenção) ou a multa (anistia). 
 
Regras comuns à isenção e anistia: 
✓ Devem ser estabelecidas por lei (art. 97, CTN); 
✓ Exigem lei específica (art. 150, §6º, CF); 
✓ Interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre ela (art. 111, I, CTN) – NÃO se admitem 
métodos de integração da legislação tributária; 
✓ Mesmo com a exclusão do crédito tributário, NÃO se dispensa o cumprimento das obrigações 
acessórias (art. 175, CTN); 
✓ Caso haja anulação de lei concessiva de isenção, NÃO concedida em caráter geral, haverá a 
exigência de tributo + juros. A multa dependerá do comportamento do beneficiário (art. 179, §2º), 
sendo aplicável aos casos de anistia. 
 
 
 
 
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5.1 Isenção 
 
 Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de 
lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os 
tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. 
Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da 
entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. 
 
É a dispensa legal do pagamento do tributo devido por motivos socioeconômicos da realidade social 
que a avoca, feita por lei específica. 
A isenção contém vigência prospectiva, sendo defeso atingir fato geradores pretéritos, abrangendo 
os fatos geradores posteriores à lei (“a lei da isenção é para frente”). 
O art. 177 assevera que, salvo disposição em sentido contrário, a isenção não é extensível às taxas e 
contribuições de melhoria nem aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Em relação às taxas 
e contribuições de melhoria, tratam-se de tributos contraprestacionais, que se ligam a uma atividade estatal 
específica, de maneira que a regra é a não aplicação de isenção a tais tributos. 
 
Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: 
I - às taxas e às contribuições de melhoria; 
II - aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. 
 
Art. 178 - A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de 
determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer 
tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. 
 
CESPE/2019 - Isenção do crédito tributário estabelecida por determinada lei federal: 
A) Dispensará o cumprimento de obrigações acessórias. 
B) Será extensiva aos tributos que venham a ser criados após a concessão dessa isenção, se tiver sido 
destinada a determinado grupo de pessoas. 
C) Não alcançará as taxas, mas apenas as contribuições de melhoria, caso seja destinada a determinado grupo 
de pessoas. 
D) Não poderá ser restritivamente concedida a uma região do território da entidade tributante. 
E) Poderá ser concedida sob determinadas condições ou por prazo certo. 
GABARITO: LETRA E 
 
Espécies de isenções: 
• Isenções não onerosas: Somente impedem o lançamento e a constituição do crédito tributário, sem 
 
 
 
 
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exigir nada do contribuinte. Podem ser revogadas independentemente de qualquer condição. 
• Isenções onerosas: São aquelas trazem algum ônus como condição para o seu gozo. São onerosas as 
isenções concedidas em função de determinadas condições E por prazo certo. Tratam-se de exceção 
à revogabilidade plena. 
 
Súmula 544 do STF: Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não 
podem ser livremente suprimidas. 
 
CESPE/2019 (Adaptada) - A isenção sujeita a termo, concedida de forma onerosa e que impõe 
investimento ao contribuinte beneficiário, não pode ser livremente suprimida. Item correto. 
 
• Isenção geral (modo objetivo): Quando o benefício atingir a generalidade de sujeitos passivos, sem 
a necessidade de demonstrar o atendimento de nenhum requisito pessoal especial. 
• Isenção individual (modo subjetivo ou pessoal): Quando a lei restringe a isenção a determinadas 
pessoas que preencham requisitos específicos. O gozo da isenção dependerá, nesse caso, de 
requerimento formulado à administração tributária para a comprovação do preenchimento dos 
requisitos exigidos. 
 
* ATENÇÃO: São aplicáveis à isenção concedida em caráter individual as mesmas regras da moratória (art. 
150 CTN): 
o A concessão não gera direito adquirido e será anulada de ofício sempre que se apurar que o 
beneficiário não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições/requisitos exigidos; 
o No caso de anulação será cobrado o tributo + juros de mora; 
o Se o benefício que foi anulado tivesse sido obtido de má-fé, além do tributo + juros de mora, incide 
multa. Além disso, o período não será computado para a prescrição do direito de cobrança do 
crédito; 
o Se não tiver ocorrido má-fé, não haverá cobrança de multa e a anulação só poderá ocorrer antes de 
prescrito o CT. 
 
“Isenção geográfica”: Quando a isenção abrange parte do território da entidade tributante, tendo 
em conta peculiaridades locais (Art. 176, CTN): Só se justifica pela necessidade de equilíbrio de 
desenvolvimento socioeconômico. 
 
STF: NÃO é possível ao poder judiciário estender benefício de isenção fiscal à 
categoria não abrangida, na hipótese de alegação de existência de situação 
discriminatória e ofensa à isonomia. 
 
 
 
 
 
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STJ: A União pode, por lei complementar, instituir isenções de ICMS e ISS incidentes 
sobre exportações de produtos ou serviços. 
 
STF: NÃO configura guerra fiscal a concessão de isenção unilateral de benefícios 
fiscais de ICMS sobre a prestação de serviços públicos de água, energia, telefonia e 
gás a igrejas e templos de qualquer culto. 
 
5.2. Anistia 
 
É o perdão legal das infrações, tendo como consequência a impossibilidade de se lançar as 
respectivas penalidades pecuniárias. O perdão ocorre ANTES do lançamento da multa. 
 A anistia contém vigência retrospectiva, atingindo fatos geradores pretéritos à lei (“ a lei da anistia é 
para trás”); 
 
Art. 180. A anistia abrange EXCLUSIVAMENTE as infrações cometidas 
anteriormente à vigência da lei que a concede, não se aplicando: 
I - aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo 
sem essa qualificação, sejam praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito 
passivo ou por terceiro em benefício daquele; 
II - salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de conluio entre duas ou 
mais pessoas naturais ou jurídicas. 
 
a) Condições para conceder a anistia: 
• Somente pode ser concedida após o cometimento da infração; 
• Somente pode vir antes do lançamento. 
 
b) Hipóteses de vedação à concessão da anistia: 
• Atos qualificados como crime ou contravenção; 
• Atos cometidos com dolo, fraude ou simulação (mesmo sem ser crime ou contravenção); 
• Salvo disposição em contrário, infrações cometidas em conluio entre duas ou mais pessoas naturais 
ou jurídicas. 
 
Art. 181. A anistia pode ser concedida: 
I - em caráter geral; 
II - limitadamente: 
a) às infrações da legislação relativa a determinado tributo; 
 
 
 
 
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b) às infrações punidas com penalidades pecuniárias até determinado montante, 
conjugadas ou não com penalidades de outra natureza; 
c) a determinada região do território da entidade tributante, em função de 
condições a ela peculiares; 
d) sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei que a conceder, 
ou cuja fixação seja atribuída pela mesma lei à autoridade administrativa. 
 
Art. 182. A anistia, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada 
caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com a qual o 
interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos 
requisitos previstos em lei para sua concessão. 
Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, 
aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. 
 
NÃO dispensa o cumprimento das obrigações acessórias; 
O despacho concessivo NÃO gera direito adquirido. Pode ser invalidada através de anulação do ato 
concessivo ou do reconhecimento de sua nulidade, sempre que comprovado que o beneficiado NÃO 
preenchia as condições nem cumpria os requisitos previstos em lei. 
 
6. GARANTIAS E PRIVILÉGIOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 
 
6.1. Conceitos iniciais 
 
• Garantias: São regras que asseguram direitos, facilitam a entrada do Estado no patrimônio particular 
para receber a prestação relativa ao tributo. 
•Privilégios: São regras que põem o crédito tributário em posição de vantagem quanto aos demais. 
 
6.2. Garantias 
 
As garantias previstas no CTN não excluem outras que sejam expressamente previstas em lei. 
 
a) Campo de incidência: 
• Plano Material: Alcançam-se todos os bens e rendas, de qualquer natureza ou origem, incluindo os 
bens gravados com cláusula de inalienabilidade e impenhorabilidade; 
• Plano pessoal: Atinge o devedor principal, o espólio ou a sua massa falida. 
 
Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, que 
sejam previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade 
 
 
 
 
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dos bens e das rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu 
espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de 
inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição do ônus 
ou da cláusula, EXCETUADOS unicamente os bens e rendas que a LEI declare 
absolutamente impenhoráveis. 
 
b) Presunção de fraude na alienação ou oneração de bens ou rendas: 
 
Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou 
seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito 
tributário regularmente inscrito como dívida ativa. 
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido 
reservados, pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida 
inscrita. 
 
São presumidamente fraudulentas as alienações ou onerações de bens ou rendas feitas por credor 
em débito com o fisco, após a inscrição em dívida ativa. 
Paulsen: o termo fixado no caput do art. 185 CTN NÃO impede o reconhecimento de fraude 
decorrente de venda anterior, competindo ao FISCO prova-la, ausente presunção legal. 
A grande diferença entre fraude contra credores de direito privado e a de direito tributário é que 
nesta, desde que a dívida esteja inscrita em dívida ativa, haverá presunção absoluta, NÃO se tendo 
necessidade de provar pela Fazenda Pública. 
A indisponibilidade dos bens limitar-se-á ao valor total exigível, devendo o juiz determinar o imediato 
levantamento do que exceder o limite. 
 
Requisitos para a decretação da indisponibilidade de bens (art. 185-A CTN): 
• Citação do devedor 
• Não apresentação de bens à penhora 
• Frustração de diligências para encontrar bens penhoráveis: 
o Verificação de bens no registro de imóveis 
o Verificação no Departamento de trânsito. 
PAULSEN: Entende que a indisponibilidade de bens e direitos, nos termos do art. 185-A CTN NÃO se 
confunde com a penhora em dinheiro pelo BACEN-JUD (art. 655-A CPC): 
• A penhora em dinheiro pelo BACEN-JUD tem por objeto bem certo e individualizado, sendo medida 
prioritária; 
• Como dinheiro é o bem sobre o qual deve recair preferencialmente a constrição, é desnecessário o 
prévio esgotamento das diligências; 
• A penhora em dinheiro, ainda que pelo BACEN, NÃO se sujeita ao art. 185-A CTN, mas ao 655-A do 
 
 
 
 
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CPC. 
 
Penhora on line: Não se trata de uma nova modalidade, mas de uma autorização legal para que o 
magistrado determine a indisponibilidade de bens e comunique sua decisão fazendo uso da tecnologia da 
informação, com o objetivo de tornar mais célere e eficaz a prestação jurisdicional. A penhora só pode recair 
exclusivamente em valores suficientes para garantir o crédito tributário. 
 
6.3. Privilégios 
 
São os privilégios que o crédito tem em face de créditos de outra natureza. 
 
Art. 186. O crédito tributário prefere a QUALQUER OUTRO, seja qual for sua 
natureza ou o tempo de sua constituição, RESSALVADOS os créditos decorrentes da 
legislação do TRABALHO ou do ACIDENTE DE TRABALHO. 
 
a) Regras aplicáveis ao processo de falência: Na falência, o crédito tributário NÃO prefere (vem depois) aos 
créditos extraconcursais e às importâncias passíveis de restituição. Ademais, no rol do concurso falimentar, 
o crédito tributário igualmente não prefere: 
• Aos créditos trabalhistas até 150 salários mínimos; 
• Aos créditos de acidente de trabalho (qualquer valor); 
• Aos créditos com garantia real, nos limites do bem gravado na falência. 
 
* ATENÇÃO: As contribuições previdenciárias descontadas dos salários dos empregados pela massa falida e 
não repassados à Previdência devem ser restituídos ANTES do pagamento de qualquer crédito, inclusive 
trabalhista, mediante mero pedido de restituição, conforme já decidiu o STJ. 
 
Os créditos tributários relativos a multas não têm a mesma preferência do que os relativos a tributos, 
equiparando-se as demais penas pecuniárias, logo abaixo dos créditos quirografários e tendo preferência 
somente sobre os créditos subordinados. 
Conforme o art. 187 do CTN, a cobrança judicial de crédito tributário é feita por execução fiscal, não 
se sujeitando a habilitação em falência, recuperação judicial, inventário ou arrolamento. No entanto, 
segundo o STJ, a Fazenda Pública pode optar pelo recebimento do seu crédito mediante habilitação na 
falência. No entanto, quando a Administração escolhe um rito, ocorre a renúncia do outro, não se admitindo 
a propositura de execução fiscal E habilitação na falência. 
Entende o STJ que se correr junto uma execução fiscal e um processo de falência, penhorados bens 
na execução fiscal, estes devem ser remetidos ao juízo da falência para que os débitos sejam quitados de 
acordo com a ordem de preferência. 
• Se a penhora é feita em execução fiscal e a decretação da falência é superveniente: o bem continua 
 
 
 
 
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vinculado à administração do juizo das execuções até a liquidação final, não ficando sujeito à 
arrecadação do juizo falimentar; a execução do bem prossegue até a transformação em pecúnia e 
remessa à massa falida; 
• Se a decretação da falência é feita e a penhora em execução fiscal é superveniente: faz-se a penhora 
do bem no rosto dos autos da falência, citando-se o síndico, e não a fazendo diretamente sobre o 
bem da massa. O curso do executivo fiscal continua normalmente até o julgamento final. 
 
b) Regras aplicáveis ao processo de inventário e arrolamento: O art. 189 do CTN prevê que os créditos 
tributários serão pagos preferencialmente a quaisquer créditos habilitados em inventário ou arrolamento, 
ou a outros encargos de monte. 
 
c) Regras Aplicáveis Aos Processos De Liquidação Judicial Ou Voluntária: Segundo o art. 190, serão pagos 
preferencialmente a qualquer outro os créditos tributários vencidos ou vincendos a cargo de pessoa jurídica 
de direito privado em liquidação judicial ou voluntária, exigíveis no decurso da liquidação. 
 
d) Concurso de preferências entre as pessoas jurídicas de direito público: É possível que concorram no 
patrimônio do devedor diferentes pessoas jurídicas de direito público, cada uma com seu crédito tributário, 
caso em que devem seguir a ordem: 
• União e suas autarquias; 
• Estados, DF e territórios e suas autarquias (conjuntamente e pro rata); 
• Municípios e suas autarquias (conjuntamente e pro rata). 
Essa regra do concurso de preferências só se aplica para créditos tributários. Se for um crédito 
tributário do Estado e um não tributário da União, prefere o do Estado. 
 
CONCURSO DE PREFERÊNCIA ENTRE AS FAZENDAS 
- É possível: Súmula 563 STF 
A) Entre União e entidade autárquica Federal: NÃO há rateio – primeiro, créditos da União, em 
seguida da autarquia; 
B) Esferas Estadual e Municipal: Procedência do crédito do ente político diante do autárquico. 
O rateio só incide para entes de mesma classe. 
C) Quando a LEF menciona créditos dos territórios, está aludindo aos créditos da União, 
originário dos territórios,colocando-os ao lado dos créditos estaduais. 
D) Créditos do DF em posição equivalente aos Estados. Se derivados de competência municipal, 
situam-se como se fossem créditos municipais. 
E) A instauração do concurso de preferências depende de estarem submetidos à execução fiscal, 
garantido sobre penhoras no mesmo bem. 
F) Concurso entre Fazendas penhorantes: independe de que fez a primeira penhora: segue o art. 
 
 
 
 
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29 LRF. 
G) Concurso NÃO prospera quando o pagamento já tiver sido realizado ao outro ente. 
H) O bem penhorado sucessivamente deverá ficar sob Administração do juizo que efetivou a 
penhora inicial, podendo transferi-la ao que primeiro estiver em condições de realizar o leilão 
perante o qual serão apresentados os protestos por preferência. 
I) Os protestos por preferência NÃO deslocam a competência para a Justiça Federal. 
 
Referências Bibliográficas: 
Ricardo Alexandre. Direito Tributário Esquematizado. 
Roberval Rocha. Direito Tributário. 
Eduardo Sabbag. Manual de Direito Tributário. 
Leandro Paulsen. Curso de Direito Tributário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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QUESTÕES PROPOSTAS 
 
10- 2016 - CESPE - PC-PE - Delegado de Polícia 
 
No que diz respeito aos institutos da prescrição e da 
decadência, assinale a opção correta. 
 
a) A prescrição e a decadência estão previstas no CTN como 
formas de exclusão do crédito tributário. 
b) O direito de ação para a cobrança do crédito tributário 
decai em cinco anos, contados da data da sua constituição 
definitiva. 
c) O protesto judicial é uma forma de interrupção da 
prescrição. 
d) O direito de a fazenda pública constituir o crédito tributário 
prescreve após cinco anos, contados do primeiro dia do 
exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter 
sido efetuado. 
e) As normas gerais sobre prescrição e decadência na matéria 
tributária devem ser estabelecidas por meio de lei ordinária. 
 
11- 2016 - CESPE - PC-PE - Delegado de Polícia 
 
A repetição do indébito tributário refere-se à possibilidade de 
o contribuinte requerer às autoridades fazendárias a 
devolução de valores pagos indevidamente a título de tributo. 
A respeito desse assunto, assinale a opção correta. 
 
a) Os juros moratórios na repetição do indébito tributário são 
devidos a partir da data do fato gerador. 
b) Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão 
administrativa que denegar a restituição. 
c) Na repetição do indébito tributário, a correção monetária 
incide desde a data do fato gerador. 
d) O direito do sujeito passivo à restituição total ou parcial do 
tributo depende necessariamente de prévio protesto. 
e) O direito de pleitear a restituição extingue-se após dois 
anos do pagamento espontâneo do tributo. 
 
12- 2015 - FUNIVERSA - PC-DF - Delegado de Polícia 
 
Em relação ao crédito tributário, assinale a alternativa 
correta. 
 
a) Tanto a isenção quanto a anistia inserem-se entre os casos 
de exclusão do crédito tributário, dispensando-se, em caso de 
exclusão do crédito tributário por tais meios, o cumprimento 
das obrigações acessórias dependentes da obrigação 
principal cujo crédito seja excluído ou dela consequente. 
b) A anistia e a isenção, ambas formas de exclusão do crédito 
tributário, distinguem-se pela seguinte razão: a primeira 
dispensa o pagamento do tributo devido; a segunda, o 
pagamento da multa. 
c) Pode o legislador estabelecer, por intermédio de lei 
ordinária, normas gerais em matéria de legislação tributária 
no que diz respeito à obrigação, ao lançamento, ao crédito, à 
prescrição e à decadência tributários. 
d) Consoante a doutrina, os tributos classificam-se, quanto à 
repercussão econômica do ônus tributário, em diretos e 
indiretos. Dada essa classificação, só terá direito a restituição, 
pelo pagamento indevido de tributo indireto, o contribuinte 
de direito que comprovar que assumiu o referido encargo ou, 
tendo-o transferido a terceiro, tiver dele a autorização 
expressa para a restituição. 
e) O crédito tributário, constituído pelo lançamento, é 
realizado, de forma privativa, pela autoridade administrativa 
e decorre sempre da obrigação acessória, tendo a mesma 
natureza desta. 
 
13- 2014 - FUNCAB - PC-RO - Delegado de Polícia 
 
Suspende a exigibilidade do crédito tributário: 
 
a) a anistia. 
b) a isenção. 
c) a prescrição. 
d) a remissão. 
e) o parcelamento. 
 
14- 2014 - FUNCAB - PC-RO - Delegado de Polícia 
 
Constitui modalidade de extinção do crédito tributário: 
 
a) a anistia. 
b) a moratória. 
c) o parcelamento. 
d) a isenção. 
 
 
 
 
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e) a transação. 
 
15- 2014 - FUNCAB - PC-RO - Delegado de Polícia 
 
Assinale a alternativa correta. 
 
a) A legislação tributária não pode conceder desconto pela 
antecipação do pagamento. 
b) O parcelamento será concedido na forma e condição 
estabelecidas em decreto. 
c) A imposição de penalidade ilide o pagamento integral do 
crédito tributário. 
d) Quando a legislação tributária não dispuser a respeito, o 
pagamento será efetuado na repartição competente do 
domicílio do sujeito passivo. 
e) É permitida a compensação mediante o aproveitamento de 
tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, 
antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 
 
16- 2013 - CESPE - Polícia Federal - Delegado de Polícia 
 
Se o uso do crédito fictício só for constatado pela autoridade 
tributária após cinco anos da data do fato gerador, o 
lançamento será considerado homologado e o crédito, 
definitivamente extinto. 
 
Certo ( ) Errado ( ) 
 
17- 2009 - CESPE - PC-RN - Delegado de Polícia 
 
Em relação ao Sistema Tributário Nacional e à jurisprudência 
do STF, assinale a opção correta. 
 
a) O ordenamento jurídico brasileiro admite a instituição de 
taxa para o custeio de serviços prestados por órgãos de 
segurança pública, na medida em que tal atividade, por ser 
essencial, pode ser financiada por qualquer espécie de tributo 
existente. 
b) As taxas cobradas em razão exclusivamente dos serviços 
públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de 
lixo ou resíduos provenientes de imóveis são constitucionais, 
no entanto é inconstitucional a cobrança de valores tidos 
como taxa em razão de serviços de conservação e limpeza de 
logradouros e bens públicos. 
c) O STF firmou orientação no sentido de que as custas 
judiciais e os emolumentos concernentes aos serviços 
notariais e registrais não possuem natureza tributária, uma 
vez que não se enquadram em nenhuma das espécies 
tributárias previstas na CF. 
d) As normas relativas à prescrição e à decadência tributárias 
têm natureza de normas específicas de direito tributário, cuja 
disciplina é reservada a lei ordinária, sendo certo que as 
contribuições previdenciárias prescrevem em dez anos, 
contados da data da sua constituição definitiva. 
e) Os cemitérios que consubstanciam extensões de entidades 
de cunho religioso não estão abrangidos pela imunidade 
tributária prevista na CF, uma vez que as normas que tratam 
de renúncia fiscal devem ser interpretadas restritivamente. 
 
 
Respostas10 
 
 
10 10:C 11:B 12:D 13:E 14:E 15:D 16:E 17:B 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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META 5 
 
DIREITOS HUMANOS: FEDERALIZAÇÃO DOS CRIMES CONTRA OS DIREITOS HUMANOS E OUTROS 
INSTRUMENTOS D EPROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
 
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA 
CF/88 
⦁ Art. 5º, LXI a LXVII 
⦁ Art. 5º, LXVIII a LXXIII 
⦁ Art. 109, V-A e § 5. ° 
 
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS 
⦁ art. III, XVII, XIX, XXVII da Declaração Universal de Direitos Humanos 
⦁art. 9°, art. 19, §2º do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos 
⦁ art. 7°, 13º, 21 da Convenção Americana de Direitos Humanos 
 
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER! 
CF/88 
⦁ Art. 5º, LXVIII a LXXIII 
⦁ Art. 109, V-A e § 5.º (importantíssimo!!!) 
 
 
1. FEDERALIZAÇÃO DE CRIMES GRAVES CONTRA OS DIREITOS HUMANOS 
 
A federalização dos crimes graves contra os direitos humanos é a uma dança de competência da 
justiça estadual para a justiça federal, mediante incidente de deslocamento de competência suscitado pelo 
Procurador-Geral da República no Superior Tribunal de Justiça. 
É conhecido tecnicamente como Incidente de Deslocamento de Competência (IDC), introduzido no 
ordenamento jurídico brasileiro pela EC 45/2004, e está previsto no art. 109, V-A e § 5. °, da CF/88. 11 
Fundamenta-se, essencialmente, em três pressupostos: 
 
✓ A existência de grave violação a direitos humanos; 
✓ O risco de responsabilização internacional decorrente do descumprimento de obrigações jurídicas 
assumidas em tratados internacionais que o país faz parte; 
✓ A incapacidade das instâncias e autoridades locais em oferecer respostas efetivas. 
 
11 (Oliveira, 2012) 
 
 
 
 
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A primeira vez que se pediu a federalização (incidente de deslocamento de competência) envolveu 
a apuração da morte da Irmã Dorothy Stang, que foi assassinada, com seis tiros, aos 73 anos de idade, no 
dia 12 de fevereiro de 2005, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município 
de Anapu, no Estado do Pará, por ordem de um fazendeiro, em virtude de sua atividade em prol da reforma 
agrária e de melhores condições de vida para o povo paraense. 
No citado caso, o Superior Tribunal de Justiça indeferiu o pedido de deslocamento de competência 
por entender que foi correta a atuação da justiça local, conforme se verifica: 
 
"Constitucional - Penal e processual penal - Homicídio doloso qualificado (vítima 
Irmã Dorothy Stang) - Crime praticado com grave violação aos direitos humanos - 
Incidente de deslocamento de competência - IDC - Inépcia da peça inaugural - 
Norma constitucional de eficácia contida - Preliminares rejeitadas - Violação ao 
princípio do juiz natural e à autonomia da unidade da Federação - Aplicação do 
princípio da proporcionalidade - Risco de descumprimento de tratado internacional 
firmado pelo Brasil sobre a matéria não configurado na hipótese – Indeferimento 
do pedido. 1. Todo homicídio doloso, independentemente da condição pessoal da 
vítima e/ou da repercussão do fato no cenário nacional ou internacional, 
representa grave violação ao maior e mais importante de todos os direitos do ser 
humano, que é o direito à vida, previsto no art. 4.°, n. 1, da Convenção Americana 
sobre Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário por força do Decreto 678, de 
06.11.1992, razão por que não há falar em inépcia da peça inaugural. 2. Dada a 
amplitude e a magnitude da expressão direitos humanos, é verossímil que o 
constituinte derivado tenha optado por não definir o rol dos crimes que passariam 
para a competência da Justiça Federal, sob pena de restringir os casos de incidência 
do dispositivo (CF, art. 109, § 5.° ), afastando-o de sua finalidade precípua, que é 
assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais 
firmados pelo Brasil sobre a matéria, examinando-se cada situação de fato, suas 
circunstâncias e peculiaridades detidamente, motivo pelo qual não há falar em 
norma de eficácia limitada. Ademais, não é próprio de texto constitucional tais 
definições. 3. Aparente incompatibilidade do IDC, criado pela Emenda 
Constitucional 45/2004, com qualquer outro princípio constitucional ou com a 
sistemática processual em vigor deve ser resolvida aplicando-se os princípios da 
proporcionalidade e da razoabilidade. 4. Na espécie, as autoridades estaduais 
encontram-se empenhadas na apuração dos fatos que resultaram na morte da 
missionária norte-americana Dorothy Stang, com o objetivo de punir os 
responsáveis, refletindo a intenção de o Estado do Pará dar resposta eficiente à 
violação do maior e mais importante dos direitos humanos, o que afasta a 
 
 
 
 
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necessidade de deslocamento da competência originária para a Justiça Federal, de 
forma subsidiária, sob pena, inclusive, de dificultar o andamento do processo 
criminal e atrasar o seu desfecho, utilizando-se o instrumento criado pela aludida 
norma em desfavor de seu fim, que é combater a impunidade dos crimes praticados 
com grave violação de direitos humanos. 5. O deslocamento de competência - em 
que a existência de crime praticado com grave violação aos direitos humanos é 
pressuposto de admissibilidade do pedido - deve atender ao princípio da 
proporcionalidade (adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido 
estrito), compreendido na demonstração concreta de risco de descumprimento de 
obrigações decorrentes de tratados internacionais firmados pelo Brasil, resultante 
da inércia, negligência, falta de vontade política ou de condições reais do Estado-
membro, por suas instituições, em proceder à devida persecução penal. No caso, 
não há a cumulatividade de tais requisitos, a justificar que se acolha o incidente. 6. 
Pedido indeferido, sem prejuízo do disposto no art. 1.°, III, da Lei 10.446, de 
08.05.2002" (STJ, IDC l/PA 2005/0029378-4,3.fSeção, j. 07.06.2005, rei. Min. 
Arnaldo Esteves Lima, DJ 10.10.2005, p. 217, RSTJ 198/435). 
 
Em 27 de outubro de 2010, houve a primeira decisão favorável à federalização. Trata-se do caso 
"Manoel Mattos" (IDC 2 -DF - 2009/0121262-6). 
Por maioria de votos, a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu o pedido da 
Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o crime contra o ex-vereador Manoel Mattos fosse 
processado pela Justiça federal. O caso é de responsabilidade da Justiça federal da Paraíba. O advogado 
pernambucano Manoel Bezerra de Mattos Neto foi assassinado em 24.01.2009, no Município de Pitimbu/PB, 
depois de sofrer diversas ameaças e vários atentados, em decorrência, ao que tudo leva a crer, de sua 
persistente e conhecida atuação contra grupos de extermínio que agem impunes há mais de uma década na 
divisa dos Estados da Paraíba e de Pernambuco, entre os Municípios de Pedras de Fogo e Itambé. 
Ficou consignado na decisão que o risco de responsabilização internacional pelo descumprimento 
de obrigações derivadas de tratados internacionais aos quais o Brasil anuiu (dentre eles, vale destacar, a 
Convenção Americana de Direitos Humanos) é bastante considerável, mormente pelo fato de já ter havido 
pronunciamentos da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, com expressa recomendação ao Brasil 
para adoção de medidas cautelares de proteção a pessoas ameaçadas pelo tão propalado grupo de 
extermínio atuante na divisa dos Estados da Paraíba e Pernambuco, as quais, no entanto, ou deixaram de ser 
cumpridas ou não foram efetivas. Além do homicídio de Manoel Mattos, outras três testemunhas da CPI da 
Câmara dos Deputados foram mortas, dentre eles Luiz Tomé da Silva Filho, ex-pistoleiro, que decidiu 
denunciar e testemunhar contra os outros delinquentes. Também Flávio Manoel da Silva, testemunha da CPI 
da Pistolagem e do Narcotráfico da Assembleia Legislativa do Estado a Paraíba, foi assassinado a tiros em 
Pedra de Fogo, Paraíba, quatro dias após ter prestado depoimento à Relatora Especial da ONU sobre 
Execuções Sumárias, Arbitrárias ou Extrajudiciais. 
 
 
 
 
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E, mais recentemente, uma das testemunhas do caso Manoel Mattos, Maximiano Rodrigues Alves, 
sofreu um atentado à bala no município de Itambé, Pernambuco, e escapou por pouco.Há conhecidas 
ameaças de morte contra Promotores e Juízes do Estado da Paraíba, que exercem suas funções no local do 
crime, bem assim contra a família da vítima Manoel Mattos e contra dois Deputados Federais. 
As circunstâncias apontaram para a necessidade de ações estatais firmes e eficientes, as quais, por 
muito tempo, as autoridades locais não foram capazes de adotar, até porque a zona limítrofe potencializa as 
dificuldades de coordenação entre os órgãos dos dois Estados. Mostrou-se, portanto, oportuno e 
conveniente a imediata entrega das investigações e do processamento da ação penal em tela aos órgãos 
federais. 
A ministra Laurita Vaz, relatora, acolheu algumas propostas de alteração do voto para melhor 
definição do alcance do deslocamento. Entre as principais propostas, está a alteração da Seção Judiciária a 
que seria atribuída a competência. Inicialmente, a relatora propôs que a competência se deslocasse para a 
Justiça federal de Pernambuco, mas prevaleceu o entendimento de que o caso deveria ser processado pela 
Justiça federal competente para o local do fato principal, isto é, o homicídio de Manoel Mattos.- Outros casos 
conexos também ficarão a cargo da Justiça federal, mas a Seção não acolheu o pedido da PGR de que outras 
investigações, abstratamente vinculadas, também fossem deslocadas para as instituições federais. 
A relatora também acolheu proposta de modificação para que informações sobre condutas 
irregulares de autoridades locais sejam comunicadas às corregedorias de cada órgão, em vez de serem 
repassadas para os conselhos nacionais do Ministério Público (CNMP) e de Justiça (CNJ). 
Com os ajustes, acompanharam a relatora os ministros Napoleão Maia Filho, Jorge Mussi e Og 
Fernandes e o desembargador convocado Haroldo Rodrigues. Votaram contra o deslocamento os 
desembargadores convocados Celso Limongi e Honildo de Mello Castro. A ministra Maria Thereza de Assis 
Moura presidiu o julgamento, e só votaria em caso de empate. O ministro Gilson Dipp ocupava o cargo de 
corregedor Nacional de justiça à época e não participou do início do julgamento. 
Desse modo, o pedido ministerial foi parcialmente acolhido para deferir o deslocamento de 
competência para a Justiça Federal no Estado da Paraíba da ação penal 022.2009.000.127-8, a ser distribuída 
para o Juízo Federal Criminal com jurisdição no local do fato principal; bem como da investigação de fatos 
diretamente relacionados ao crime em tela. 
 
→ Caso Marielle Franco e Anderson 
A 3ª seção do STJ negou o pedido de federalização das investigações sobre as mortes de Marielle e 
Anderson feito pela então procuradora geral da república Raquel Dodge. 
A procuradora sustentou que passados à época 18 meses do cometimento dos crimes, a polícia do 
Rio ainda não teria dado respostas satisfatórias sobre o crime, o que poderia fazer com que o Brasil fosse 
responsabilizado perante organismos e cortes internacionais de direitos humanos. Raquel também ressaltou 
que milícias teriam influência nas investigações, razão pela qual requereu a transferência da investigação 
sobre o mandante dos assassinatos da esfera estadual para a federal, ficando na esfera estadual o processo 
relativo aos executores já identificados. 
 
 
 
 
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No entanto, o STJ decidiu que a polícia civil do Rio de Janeiro, bem como o Ministério Público estão 
tendo atuação firme na solução do crime, de modo que eventual deslocamento das investigações traria mais 
atraso às investigações. 
 
Os principais destaques do IDC, portanto, são os seguintes: 
 
 a) A legitimidade para propositura é exclusiva do PGR; 
 
b) A competência para decidir o incidente é do STJ, sendo cabível recurso extraordinário ao STF; 
 
c) O IDC pode tratar de matéria cível ou criminal que envolva quaisquer direitos humanos, desde que 
haja grave violação; 
 
d) O deslocamento pode ocorrer na fase pré-processual (inquérito civil ou inquérito policial) ou 
processual; 
 
e) A finalidade é assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados de direitos 
humanos; 
 
f) A competência para julgamento é da Justiça Federal, atuando, portanto, o Ministério Público 
Federal. 
 
Apenar de aceito pelo Superior Tribunal de Justiça, o IDC não escapa das críticas feitas pela doutrina, 
sobretudo no tocante ao pacto federativo. Segundo André de Carvalho Ramos 12: 
 
Porém, em que pese o posicionamento do STJ favorável ao uso do IDC (nas balizas 
vistas acima), houve a propositura de duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade 
perante o STF, a ADI 3.493 e a ADI 3.486 (ambas relatadas outrora pelo Min. 
Menezes Direito e agora pelo Min. Dias Toffoli e ainda em trâmite), promovidas por 
entidades de classe de magistrados, ainda em curso na data da revisão final desta 
obra. Na visão de seus críticos, a federalização das graves violações de direitos 
humanos gera amesquinhamento do pacto federativo, em detrimento ao Poder 
Judiciário Estadual e ainda violação do princípio do juiz natural e do devido 
processo legal. 
 
 
12 (Ramos, 2017) 
 
 
 
 
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Contudo, o federalismo brasileiro não é imutável: ofende as cláusulas pétreas de 
nossa Constituição a emenda que tenda a abolir o pacto federativo, mas não 
emenda que apenas torne coerente o seu desenho. Seria incoerente permitir a 
continuidade da situação anterior: a Constituição de 1988 reconhecia a existência 
de órgãos judiciais internacionais de direitos humanos (vide o art. 7º do Ato das 
Disposições Constitucionais Transitórias), mas tornava missão quase impossível a 
defesa brasileira e a implementação das decisões destes processos internacionais. 
Houve caso em que o Brasil nem defesa apresentou perante a Comissão 
Interamericana de Direitos Humanos, pela dificuldade da União Federal em obter 
informações dos entes federados. No que tange à prevenção, o desenho anterior 
impedia uma ação preventiva que evitasse a responsabilização internacional futura 
do Brasil, uma vez que os atos danosos eram dos entes federados. Assim, a EC n. 
45/2004 apenas aperfeiçoou o desenho do federalismo brasileiro, adaptando-o às 
exigências da proteção internacional de direitos humanos (proteção essa desejada 
pela CF/88). 
 
Além disso, defendemos a inexistência de ofensas ao devido processo legal e juiz 
natural pelo “deslocamento”, uma vez que o próprio texto constitucional original 
convive com tal instituto. De fato, há a previsão de “deslocamento de competência” 
na ocorrência de vício de parcialidade da magistratura: é o caso do art. 102, I, n, da 
CF/88, que permite deslocar ao STF processo no qual juízes de determinado 
tribunal local sejam alegadamente suspeitos. No mesmo diapasão, no caso de 
descumprimento de obrigações internacionais de direitos humanos pelos juízos 
estaduais, pode o STJ julgar procedente o IDC para deslocar o feito para a Justiça 
Federal. Para Ubiratan Cazetta, em excepcional e indispensável estudo sobre o 
IDC, o referido instituto apenas “distribui, por critérios assumidos pelo Texto 
Constitucional, interpretados pelo STJ, a competência entre as justiças comum 
estadual e federal”. Também não merece acolhida a crítica de indefinição da 
expressão “grave violação de direitos humanos”. O uso do conceito 
indeterminado “grave violação de direitos humanos” está sujeito ao crivo do STJ e, 
posteriormente, ao do STF na via do recurso extraordinário. Além do crivo judicial, 
há caso semelhante introduzido pelo Poder Constituinte originário que é a 
autorização de intervenção federal por violação dos “direitos da pessoa humana” 
(art. 34, VII, b, da CF): não se listou quais seriam esses “direitos da pessoa humana” 
e nunca houve ameaça ao federalismo. Com isso, neste momento de valorização 
do Direito Internacional▪ Art. 1º a 12 (Normas fundamentais do processo civil) - Constitucionalização do Processo Civil 
▪ Art. 13 a 15 (Aplicação das normas processuais); 
▪ Art. 16 a 20 (Jurisdição); 
▪ Art. 21 a 25 (Limites da jurisdição nacional) 
▪ Art. 26 a 41 (Da Cooperação Internacional - leitura Dinâmica – baixíssima incidência nas provas) 
▪ Art. 42 a 69 (Competência) - MUITO IMPORTANTE. 
 
1. NORMAS FUNDAMENTAIS DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
Note que os artigos inaugurais do CPC trouxeram diversos princípios já existentes na CF/88. Trata-
se da Constitucionalização do Processo. O Devido Processo Legal funciona como um princípio-base ou 
superprincípio, norteador de todos os demais. A Carta Magna dispõe, em seu art. 5º, LIV, da CF/88 que 
“ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”. Subdivide-se em: 
• Devido processo legal substancial (ou material): Forma de controle de conteúdo das decisões 
(razoabilidade e proporcionalidade), para evitar abusividades; 
• Devido processo legal formal (processual): Diz respeito ao conjunto de garantias processuais 
mínimas. 
 
Vejamos os principais princípios: 
 
a) Motivação das decisões (art. 11 CPC): Dispõe o art. 93, IX, da CF/88 a necessidade de motivação das 
decisões judiciais, a fim de demonstrar a correção e imparcialidade do julgador, além de possibilitar o 
controle da decisão pela coletividade. 
b) Isonomia (art. 7º CPC): Está pautada na ideia de “paridade de armas”, a fim de manter equilibrada a 
disputa judicial entre as partes. No entanto, alguns sujeitos processuais possuem tratamento diferenciado 
no processo, seja pela qualidade de parte ou pela natureza do direito discutido, a exemplo da assistência 
judiciária gratuita. 
 
 
 
 
 
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* ATENÇÃO: Outra hipótese de tratamento diferenciado diz respeito às prerrogativas da Fazenda 
Pública no processo civil, a exemplo do prazo em dobro para se manifestar1, isenção do recolhimento de 
custas, vedação à concessão de liminar em algumas matérias2, justificáveis pelos interesses da coletividade 
e burocracia inerente à atividade estatal. 
 
Necessário destacar ainda que decorre da isonomia a previsão no art. 12 do NCPC, pela qual os juízes 
e os tribunais deverão obedecer à ordem cronológica de conclusão para proferir sentença ou acórdão. 
 
c) Publicidade dos atos processuais (art. 8 e 11): Possibilita o controle do comportamento dos sujeitos 
processuais, com previsão expressa da Constituição. O princípio NÃO é absoluto, pois é possível a limitação 
da publicidade, nas hipóteses de exigência do interesse público. 
 
d) Instrumentalidade das formas: Busca aproveitar o ato viciado, ainda que praticado em desrespeito à 
forma legal, desde que: 
• O ato tenha preenchido a sua finalidade; 
• NÃO haja prejuízo à parte contrária ou ao processo. 
 
e) Razoável duração do processo (art. 4º): Busca preservar a celeridade processual. No entanto, deve haver 
uma harmonização, haja vista que o operador do Direito NÃO pode sacrificar direitos fundamentais das 
partes com o escopo de obter a celeridade processual. 
 
Enunciado 573 do FPPC: (arts. 4º; 8º) A identificação de vício processual após a 
entrada em vigor do CPC de 2015 gera para o juiz o dever de oportunizar a 
regularização do vício, ainda que ele seja anterior. 
 
f) Princípio da boa-fé e lealdade processual (art.5º CPC): A boa-fé é regra de conduta que deve nortear o 
comportamento das partes. Nesse sentido, diante da prática de ato que macule o processo, o NCPC tutela 
mecanismos para coibir a litigância de má-fé, a exemplo: 
 
Art. 142. Convencendo-se, pelas circunstâncias, de que autor e réu se serviram do 
processo para praticar ato simulado ou conseguir fim vedado por lei, o juiz proferirá 
decisão que impeça os objetivos das partes, aplicando, de ofício, as penalidades da 
litigância de má-fé. 
 
 
1 Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito 
público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir 
da intimação pessoal. 
2 Vide Leis nº 8.437/92, 12.016/09. 
 
 
 
 
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Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação 
de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a 
efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático 
equivalente, determinar as medidas necessárias à satisfação do exequente. 
§ 3o O executado incidirá nas penas de litigância de má-fé quando 
injustificadamente descumprir a ordem judicial, sem prejuízo de sua 
responsabilização por crime de desobediência. 
 
Art. 184. O membro da Advocacia Pública será civil e regressivamente responsável 
quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções. 
 
Enunciado 374 do FPPC: (art. 5º) O art. 5º prevê a boa-fé objetiva. 
 
Enunciado 375 do FPPC: (art. 5º) O órgão jurisdicional também deve comportar-se 
de acordo com a boa-fé objetiva. 
 
Enunciado 376 do FPPC: (art. 5º) A vedação do comportamento contraditório 
aplica-se ao órgão jurisdicional. (Grupo: Normas fundamentais) 
 
ATENÇÃO: Duplo grau de jurisdição é princípio explícito na Constituição? O duplo grau de jurisdição prevê 
a possibilidade de reapreciação das decisões judiciais pelos Tribunais Superiores, sobretudo em grau de 
recurso, e NÃO é princípio expresso na Constituição, mas alguns autores entendem ser um desdobramento 
da ampla defesa com todos os meios e recursos a ela inerentes. Embora NÃO conste na CF/88, consta 
expressamente no Pacto São José da Costa Rica. 
 
g) Primazia do julgamento do mérito (arts. 4º, 6º e 488 do NCPC): Dispõe sobre a possibilidade de sanar 
eventuais falhas processuais que não maculem o processo, para buscar o julgamento do mérito, fundado na 
boa-fé objetiva. O acesso à justiça deve conduzir ao resultado útil do processo e sem dilações indevidas. 
Nesse sentido, o art. 4º do NCPC: 
 
Art. 4o As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do 
mérito, incluída a atividade satisfativa. 
 
Como exemplo, é possível citar a concessão de prazo para o recorrente trazer peças eventualmente 
ausentes no recuso, antes de o relator inadmiti-lo por ausência de tais peças: 
 
Art. 932. Incumbe ao relator: 
 
 
 
 
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(..) 
Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o 
prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício ou complementada 
a documentação exigível. 
 
O princípio NÃO é absoluto, pois eventuais falhas que maculem o processo irremediavelmente não 
poderão ser sanadas. 
 
h) Proibição da decisão surpresa (art.9, NCPC): O juiz NÃO pode proferir decisão contra uma das partes sem 
que ela seja previamente ouvida (art. 9º, NCPC), SALVO algumas hipóteses legalmente previstas, a exemplo 
da tutela de urgência. 
 
Observe-se que o que não se pode proferir é decisão contra uma das partes sem que seja ouvida. 
Contudo, é possível que se profira decisão a favor da parte sem que seja ouvida. Seria o caso de 
improcedência liminar, em que o juiz julga de plano, sem provocar a parte contrária. 
 
As exceções do art. 9º tratam de decisões provisórias, ou seja, decisões que podem ser revistas 
posteriormente. Apenas decisões definitivas não podem ser tomadas sem ouvir a outra parte. Logo, 
conclui-se que o rol do art. 9º é exemplificativo, havendo outros exemplos de decisões provisórias 
concedidas sem a oitiva do réu. 
 
i) Princípio da Cooperação: Prevê que todos os sujeitos processuais devem cooperar entre si para 
obter, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6º). Exige-sedos Direitos Humanos pelo STF, devemos aplaudir a 
inovação trazida pelo Poder Constituinte Derivado, que reconheceu a fragilidade 
normativa anteriormente existente, na qual atos de entes federados eram 
 
 
 
 
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apreciados pelas instâncias internacionais de direitos humanos sem que a União, 
em seu papel de representante do Estado Federal, pudesse ter instrumentos para 
implementar as decisões internacionais ou mesmo para prevenir que o Brasil 
fosse condenado internacionalmente. O novo § 5º do art. 109, então, está em 
plena sintonia com os comandos de proteção de direitos humanos da Constituição 
de 1988 e ainda com a visão dada ao instituto da responsabilidade internacional 
dos Estados Federais pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. Pelo que foi 
acima exposto, a reforma constitucional não ofendeu o federalismo: antes permite 
o equilíbrio, por meio de um instrumento processual cuja deliberação está nas 
mãos de tribunal de superposição, o STJ, e ainda assegura que o Estado Federal 
possua mecanismos para o correto cumprimento das obrigações internacionais 
contraídas. 
 
 Confira a dica do Professor Rafael de Lazari sobre IDC: 
 
https://youtu.be/EC63LYh3Z9w 
 
 
2. OUTROS INSTRUMENTOS DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NA CONSTITUIÇÃO – OS REMÉDIOS 
CONSTITUCIONAIS. 
 
Os remédios constitucionais ou garantias constitucionais são mecanismos postos à disposição dos 
indivíduos e dos cidadãos para provocar a atuação das autoridades competentes e do Estado, visando corrigir 
ilegalidades ou abusos de poder em prejuízo de direitos e interesses individuais ou coletivos. 
Abordaremos aqui apenas alguns aspectos dos remédios constitucionais, demonstrando sua 
aplicação na proteção dos direitos humanos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://youtu.be/EC63LYh3Z9w
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2.1 Habeas corpus 
 
O habeas corpus é um remédio constitucional utilizado para a proteção do direito de ir e vir tolhido 
ilegalmente. O art. III da Declaração Universal de Direitos Humanos estabelece: "Toda pessoa tem direito à 
vida, à liberdade e à segurança pessoal. 
O art. 9.° do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos determina: 
 
 " 1. Toda pessoa tem à liberdade e à segurança pessoal. Ninguém poderá ser preso 
ou encarcerado arbitrariamente. Ninguém poderá ser privado de sua liberdade, 
salvo pelos motivos previstos em lei e em conformidade com os procedimentos. 
2. Qualquer pessoa, ao ser presa, deverá ser informada das razões da prisão e 
notificada, sem demora, das acusações formuladas contra ela. 
3. Qualquer pessoa presa ou encarcerada em virtude de infração penal deverá ser 
conduzida, sem demora, à presença do juiz ou de outra autoridade habilitada por 
lei a exercer funções e terá o direito de ser julgada em prazo razoável ou de ser 
posta em liberdade. A prisão preventiva de pessoas que aguardam julgamento não 
deverá constituir a regra geral, mas a soltura poderá estar condicionada a garantias 
que assegurem o comparecimento da pessoa em questão à audiência e a todos os 
atos do processo, se necessário for, para a execução da sentença. 
4. Qualquer pessoa que seja privada de sua liberdade por prisão ou 
encarceramento, terá o direito de recorrer a um tribunal para que este decida sobre 
a legalidade de seu encarceramento e ordene a soltura, caso a prisão tenha sido 
ilegal. 
5. Qualquer pessoa vítima de prisão ou encarceramento ilegal terá direito à 
reparação ". 
 
O art. 7.° da Convenção Americana de Direitos Humanos estabelece: 
 
" 1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoal. 
2. Ninguém pode ser privado de sua liberdade física, salvo pelas causas e nas 
condições previamente fixadas pelas Constituições políticas dos Estados-partes ou 
pelas leis de acordo com elas promulgadas. 
3. Ninguém pode ser submetido a detenção ou encarceramento arbitrários. 
4. Toda pessoa detida ou retida deve ser informada das razões da detenção e 
notificada, sem demora, da acusação ou das acusações formuladas contra ela. 
5. Toda pessoa presa, detida ou retida deve ser conduzida, sem demora, à presença 
de um juiz ou outra autoridade autorizada por lei a exercer funções judiciais e tem 
direito de ser julgada em prazo razoável ou de ser posta em liberdade, sem 
 
 
 
 
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prejuízo de que prossiga o processo. Sua liberdade pode ser condicionada a 
garantias que assegurem o seu comparecimento em juízo. 
6. Toda pessoa privada da liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou tribunal 
competente, a fim de que este decida, sem demora, sobre a legalidade de sua 
prisão ou detenção e ordene sua soltura, se a prisão ou a detenção forem ilegais. 
Nos Estados-partes cujas leis preveem que toda pessoa que se vir ameaçada de ser 
privada de sua liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou tribunal competente, 
a fim de que este decida sobre a legalidade de tal ameaça, tal recurso não pode ser 
restringido nem abolido. O recurso pode ser interposto pela própria pessoa ou por 
outra pessoa. 
7. Ninguém deve ser detido por dívidas. Este princípio não limita os mandados de 
autoridade judiciária competente expedidos em virtude de inadimplemento de 
obrigação alimentar. 
 
O direito de ir e vir, também conhecido por direito de locomoção, é previsto no art. 5. ° da CF/88 em 
diversos dispositivos: 
 
"LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e 
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de 
transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; 
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados 
imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele 
indicada; 
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer 
calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; 
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por 
seu interrogatório policial; 
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária; 
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a 
liberdade provisória, com ou sem fiança; 
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo 
inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do 
depositário infiel." 
 
O art. 5°, LXVIII, da CF/88 estabelece: "Conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se 
achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de 
poder". O endereçamento do habeas corpus deverá ser para a autoridade imediatamente superior à coatora. 
A regulamentação do instituto é prevista nos arts. 647 a 667 do Código de Processo Penal brasileiro. 
 
 
 
 
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2.2 Habeas data 
 
O habeas data é uma garantia constitucional que tem por objetivo proteger a esfera íntima das 
pessoas físicas ou jurídicas, possibilitando a obtenção e a correção de dados e informações constantes de 
arquivos de entidades governamentais ou de caráter público. São exemplos, informações sobre a origem 
racial, ideológica, religiosa, política, filiação partidária ou sindical, orientação sexual, regularidade fiscal, entre 
outros. 
No plano externo, o direito de obter informações está consignado no art. XIX da Declaração Universal 
de Direitos Humanos ("Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a 
liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por 
quaisquer meios e independentemente de fronteiras"),art. 19, § 2.°do Pacto Internacional de Direitos Civis 
e Políticos ("Toda pessoa terá o direito à liberdade de expressão; esse direito incluirá a liberdade de procurar, 
receber e difundir informações e ideias de qualquer natureza, independentemente de considerações de 
fronteiras, verbalmente ou por escrito, de forma impressa ou artística, ou por qualquer meio de sua 
escolha"), art. 13 da Convenção Americana de Direitos Humanos ("1. Toda pessoa tem direito à liberdade de 
pensamento e de expressão. Esse direito compreende a liberdade de buscar, receber e difundir informações 
e ideias de toda natureza, sem consideração de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa 
ou artística, ou por qualquer outro processo de sua escolha. 2. O exercício do direito previsto no inciso 
precedente não pode estar sujeito a censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser 
expressamente fixadas pela lei a ser necessárias para assegurar: a) o respeito aos direitos ou à reputação das 
demais pessoas; ou b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da moral 
públicas".), entre outros instrumentos internacionais. 
O direito de obter informações dos órgãos públicos é previsto no inciso XXXIII do art. 5. ° da CF, onde 
se lê: "Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de 
interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas 
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado ". 
O habeas data está previsto no art. 5°, LXXII, da CF/88, que assim enuncia: 
 
" Conceder-se-á habeas data: 
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do 
impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades 
governamentais ou de caráter público; 
b) para retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, 
judicial ou administrativo". 
 
O habeas data necessita da atuação de advogado. É necessário que seja negada na via administrativa 
o fornecimento das informações do impetrante para ser admitido o "habeas data". 
 
 
 
 
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O Superior Tribunal de Justiça sobre o tema editou a Súmula 2 "Não cabe habeas data (Constituição 
Federal, art. 50, LXXII, a) se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa". 
Nesse sentido também decidiu o Supremo Tribunal Federal: 
 
" Habeas data - Natureza jurídica - Regime do poder visível como pressuposto da 
ordem democrática - Jurisdição constitucional das liberdades - Serviço Nacional de 
Informações (SNI) - Acesso não recusado aos registros estatais-Ausência do 
interesse de agir - Recurso improvido. A Carta Federal, ao proclamar os direitos e 
deveres individuais e coletivos, enunciou preceitos básicos, cuja compreensão é 
essencial à caracterização da ordem democrática como um regime do poder visível. 
O modelo político-jurídico, plasmado na nova ordem constitucional, rejeita o poder 
que oculta e o poder que se oculta. Com essa vedação, pretendeu o constituinte 
tornar efetivamente legítima, em face dos destinatários do poder, a prática das 
instituições do Estado. O habeas data configura remédio jurídico-processual, de 
natureza constitucional, que se destina a garantir, em favor da pessoa interessada, 
o exercício de pretensão jurídica discernível em seu tríplice aspecto: a) direito de 
acesso aos registros; b) direito de retificação dos registros; e c) direito de 
complementação dos registros. Trata-se de relevante instrumento de ativação da 
jurisdição constitucional das liberdades, a qual representa, no plano institucional, 
a mais expressiva reação jurídica do Estado às situações que lesem, efetiva ou 
potencialmente, os direitos fundamentais da pessoa, quaisquer que sejam as 
dimensões em que estes se projetam. O acesso ao habeas data pressupõe, dentre 
outras condições de admissibilidade, a existência do interesse de agir. Ausente o 
interesse legitimador da ação, torna-se inviável o exercício desse remédio 
constitucional. A prova do anterior indeferimento do pedido de informação de 
dados pessoais, ou da omissão em atendê-lo, constitui requisito indispensável para 
que se concretize o interesse de agir no habeas data. Sem que se configure situação 
prévia de pretensão resistida, há carência da ação constitucional do habeas data 
(STF, HD 22/DF, rei. Min. Marco Aurélio, rei. p/acórdão Min. Celso de Mello, j. 
19.09.1991, DJ 01.09.1995). Regulamentação: Lei 9.507/1997. Obs. Certidões: Lei 
9.051/1995. 
 
2.3 Mandado de Injunção 
 
O mandado de injunção é um remédio constitucional utilizado para buscar a regulamentação de uma 
norma constitucional de eficácia limitada ainda não regulamentada. Há o impedimento do exercício de um 
direito em um caso concreto (inconstitucionalidade por omissão). 
 
 
 
 
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O art. 5. °, LXXI, da CF/88 estabelece: "Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de 
norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das 
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania". 
O mandado de injunção, regulamentado pela lei 13.300/16, pode ser utilizado para buscar a 
regulamentação de direitos sociais, inclusive, os que devem ser implementados progressivamente, conforme 
estabelece o art. 26 da Convenção Americana de Direitos Humanos ("Os Estados-Partes comprometem-se a 
adotar providências, tanto no âmbito interno como mediante cooperação internacional, especialmente 
económica e técnica, a fim de conseguir progressivamente a plena efetividade dos direitos que decorrem das 
normas económicas, sociais e sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos 
Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires, na medida dos recursos disponíveis, por via 
legislativa ou por outros meios apropriados"). 
No mesmo sentido, o mandado de injunção servirá para se alcançar o contido no Artigo XXII da 
Declaração Universal de Direitos Humanos ( "Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à 
segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a 
organização e recursos de cada Estado, dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis à sua 
dignidade e ao livre desenvolvimento de sua personalidade "). 
Cumpre destacar que o mandado de injunção poderá ser utilizado para a implementação de direitos 
previstos no Decreto 6.949/2009 (Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência), e que dependem 
de regulamentação posterior, conforme estabelece o seu art. 4.°:" 1. Os Estados-Partes se comprometem a 
assegurar e promover o pleno exercício de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas 
as pessoas com deficiência, sem qualquer tipo de discriminação por causa de sua deficiência. Para tanto, os 
Estados Partes se comprometem a: a) Adotar todas as medidas legislativas, administrativas e de qualquer 
outra natureza, necessárias para a realização dos direitos reconhecidos na presente Convenção; b) Adotar 
todas as medidas necessárias, inclusive legislativas, para modificar ou revogar leis, regulamentos, costumes 
e práticas vigentes, que constituírem discriminação contra pessoas com de deficiência; (...) 
 
2.4 Mandado de segurança 
 
O mandado de segurança está previsto no art. 5º, LXIX, da CF/88, que assim preceitua: 
 
" Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não 
amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela 
ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica 
no exercício de atribuições do Poder Público ". 
 
O Direito líquido e certo é aquele que se apresentamanifesto na sua existência, delimitado na sua 
extensão e apto a ser realizado no momento da impetração. Desse modo, o direito deve vir expresso em 
 
 
 
 
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norma legal e trazer em si todos os requisitos e condições de sua aplicação ao impetrante. Não há prova 
testemunhal e nem pericial. 
O direito de propriedade é considerado direito líquido e certo, não podendo ser violado sem 
justificativa constitucional e legal. O direito de propriedade é previsto no Art. XVII da Declaração Universal 
dos Direitos Humanos (" 1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros. 2. 
Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade ".), bem como no Art. 21 da Convenção Americana 
de Direitos Humanos ("Direito à propriedade privada 1. Toda pessoa tem direito ao uso e gozo dos seus bens. 
A lei pode subordinar esse uso e gozo ao interesse social. 2. Nenhuma pessoa pode ser privada de seus bens, 
salvo mediante o pagamento de indenização justa, por motivo de utilidade pública ou de interesse social e 
nos casos e na forma estabelecidos pela lei ".). 
O endereçamento do mandado de segurança dependerá da autoridade que poderá desfazer o ato 
impugnado. 
 
2.5 Mandado de segurança coletivo 
 
O art. 5. °, LXX, da CF/88 enuncia: 
 
"O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: 
a) partido político com representação no Congresso Nacional; 
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e 
em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus 
membros ou associados". 
 
Trata-se de criação do direito brasileiro e que foi introduzido pela Constituição Federal de 1988. A 
diferença para o mandado de segurança individual está na legitimidade ativa, ou seja, somente os legitimados 
no inciso LXX do art. 5º da CF/88 podem impetrá-lo. 
Saliente-se que devem estar preenchidos os demais requisitos do mandado de segurança individual, 
ou seja, para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o 
responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no 
exercício de atribuições do Poder Público. 
O endereçamento do mandado de segurança coletivo dependerá da autoridade que poderá desfazer 
o ato impugnado. De acordo com o Supremo Tribunal Federal, nos mandados de segurança coletivos 
impetrados por sindicato em defesa de direito subjetivo comum aos integrantes da categoria, não se exige, 
na inicial, a autorização expressa dos sindicalizados (Súmula 629 do STF). É conhecido por legitimidade 
extraordinária ou substituição processual (MS 22.132/RJ, entre outros). 
 
 
 
 
 
 
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2.6 Ação popular 
 
O art. 5. °, LXXIII, da CF/88 estabelece: "Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular 
que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade 
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada 
má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência". 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece a proteção da cultura em seu art. XXVII, 
onde se lê: " 1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir 
as artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios. 2. Toda pessoa tem direito à proteção 
dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual 
seja autor." 
O Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais de 1966 prevê a proteção do meio 
ambiente em seu Art. 12, que assim estabelece: "1. Os Estados-partes no presente Pacto reconhecem o 
direito de toda pessoa de desfrutar o mais elevado nível de saúde física e mental. 2. As medidas que os 
Estados-partes no presente Pacto deverão adotar, com o fim de assegurar o pleno exercício desse direito, 
incluirão as medidas que se façam necessárias para assegurar: a) A diminuição da mortinatalidade e da 
mortalidade infantil, bem como o desenvolvimento são das crianças, b) A melhoria de todos os aspectos de 
higiene do trabalho e do meio ambiente (...)". 
A ação popular tem cabimento em casos como incompetência de quem praticou os atos danosos, 
forma não prescrita em lei, desvio de finalidade, ilegalidade do objeto, entre outros. 
O endereçamento da ação popular dependerá da autoridade que poderá desfazer o ato impugnado. 
Conforme a origem do ato impugnado, é competente para conhecer da ação, processá-la e julgá-la o juiz que, 
de acordo com a organização judiciária de cada Estado, o for para as causas que interessem à União, ao 
Distrito Federal, ao Estado ou ao Município (art. 5. ° da Lei 4.717/1965). 
Destaque-se que, de regra, a ação popular deve ser proposta perante o juízo de primeiro grau, não 
havendo competência originária de Tribunal para conhecê-la. São consideradas exceções a previsão da alínea 
‘n’ do inciso I do art. 102 da CF/88 e as lides nas quais se verifique conflito entre a União e Estado-membro. 
Nesses casos a competência seria do Supremo Tribunal Federal: 
 
"Cabe ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar ação popular em que os 
respectivos autores, com pretensão de resguardar o patrimônio público roraimense, 
postulam a declaração da invalidade da Portaria 820/98, do Ministério da Justiça. 
Também incumbe a esta Casa de Justiça apreciar todos os feitos processuais 
intimamente relacionados com a demarcação da referida reserva indígena " (Rcl. 
2.833, de 2005, e Rcl. 3.331, de 2006 - rel. Min. Carlos Britto). 
 
Cumpre lembrar que nesse caso não há foro privilegiado para os chefes do Poder Executivo ou 
qualquer outra autoridade. É necessária a atuação de advogado. 
 
 
 
 
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Regulamentação: Lei 4.717/1965. 
A ação popular prescreve em cinco anos (art. 21 da Lei 4.717/1965). 
A ação popular e a ação civil pública podem ser utilizadas no controle de constitucionalidade 
incidental, ou seja, desde que a questão constitucional seja aventada como fundamento de outra pretensão, 
que não a mera declaração de inconstitucionalidade da norma. 
Sobre a legitimidade ativa, cumpre destacar a seguinte decisão do Superior Tribunal de Justiça: 
 
"O art. 50, LXXIII, da CF/88 e o art. I0, § 30, da lei 4.717/65 estabelecem que somente 
o cidadão tem legitimidade ativa para propor ação popular. 4. Consideram-se 
cidadãos os brasileiros natos ou naturalizados e os portugueses equiparados no 
pleno exercício dos seus direitos políticos. 5. Tratando-se a legitimidade ativa de 
condição da ação e não representação processual, afasta-se a aplicação dos arts. 13 
e 284 do CPC, não sendo possível permitir que a parte traga aos autos cópia do título 
eleitoral ou documento que a ele corresponda. Correta extinção do feito sem 
julgamento do mérito. 6. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos 
modificativos, para negar provimento ao recurso especial"(STJ, EDcl no REsp 
5382/MG, rei. Min. Eliana Calmon, DJ 30.04.2007, p. 300). 
 
Com relação às pessoas jurídicas, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 365: "Pessoa jurídica 
não tem legitimidade para propor ação popular". 
 
3. POLÍTICA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS E O PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS 
 
A Política Nacional de Direitos Humanos uma política pública voltada à promoção e proteção de 
direitos humanos. Constitui-se de ações voltadas à efetiva promoção e proteção dos direitos humanos 
O desenvolvimento econômico ocorrido durante a ditadura brasileira não foi acompanhado por um 
desenvolvimento social, razão pela qual, na década de 80, período em que se iniciou uma abertura 
democrática,começou-se a questionar o descompasso entre o crescimento econômico e o crescimento 
social, sendo certo que este descompasso estava gerando um aumento exponencial na criminalidade. 
O aumento da criminalidade e da violência no Brasil trouxe consigo um grande aumento da violência 
policial. Isto é, a desigualdade social gera criminalidade e a criminalidade, muitas vezes, traz consigo uma 
repressão policial desordenada e violadora de direitos humanos. 
Com efeito, percebeu-se um risco ao processo de desenvolvimento e consolidação da democracia no 
país, uma vez que muita gente passou a desconfiar que a democracia seja capaz de lidar com a criminalidade. 
Sob o ponto de vista dos antecedentes jurídicos, existem os trabalhos precursores do Senador Severo 
Gomes na elaboração da “Carta de Direitos” do art. 5º, da CR/88 e as iniciativas do ex-ministro da Justiça 
Maurício Corrêa, no governo do presidente Itamar Franco, propondo projetos de lei contra a violência. 
 
 
 
 
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Outro antecedente jurídico decisivo para a criação da Política Nacional de Direitos Humanos é a 
Conferência Mundial de Direitos Humanos realizada, em Viena de 1993, na qual o Brasil teve um papel muito 
atuante por meio da atuação do embaixador Gilberto Sabóia. O Brasil presidiu a comissão de redação da 
conferência, desenvolvendo o trabalho de compilação de ideias a respeito dos direitos humanos. 
Com base nestes antecedentes, a Política Nacional de Direitos Humanos foi materializada no 
governo FHC, sendo integrada como política de governo, propondo um plano de ação: o Programa Nacional 
de Direitos Humanos (PNDH). 
A missão do PNDH é dar visibilidade aos problemas referentes aos direitos humanos no Brasil e, 
simultaneamente, estipular e coordenar os esforços para a superação das dificuldades e implementação de 
direitos. 
Não possui força vinculante, posto que é decreto presidencial editado à luz do art. 84, IV, CRFB/88, 
visando a fiel execução das leis e normas constitucionais, mas serve como orientação para as ações 
governamentais. 
PNDH 1 – Decreto nº 1.904/96: Materializado por meio do Decreto nº 1.904/96, editado pelo 
Presidente FHC. Como fruto de um governo liberal, o PNDH 1 é permeado por ideais de mesma natureza. 
Voltado à garantia de proteção dos direitos civis (direitos de primeira dimensão), com especial foco no 
combate à impunidade e à violência policial. O PNDH1 foi revogado pelo Decreto nº 4.229/02 (que é o 
PNDH2). 
 
É importante ressaltar que os PNDH não convivem. Assim, o PNDH subsequente revoga o PNDH 
anterior. 
 
PNDH 2 – Decreto nº 4.229/02: Ênfase nos direitos sociais em sentido amplo. 
PNDH 3 – Decreto nº 7.037/03: Adotou 06 eixos orientadores e 25 diretrizes, detalhando as diversas 
dimensões dos direitos humanos, como universalizar direitos em um contexto de desigualdades, segurança 
pública, acesso à justiça e combate à violência, direito à memória e à verdade, educação e cultura em direitos 
humanos. São acrescidos direitos de terceira dimensão. 
 
Eixo Orientador I: Interação democrática entre Estado e sociedade civil 
Eixo Orientador II: Desenvolvimento e Direito Humanos. 
Eixo Orientador III: Universalizar direitos em um contexto de desigualdades. 
Eixo Orientador IV: Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência. 
Eixo Orientador V: Educação e Cultura em Direitos Humanos. 
Eixo Orientador VI: Direito à memória e à verdade. 
 
Houve intensa participação da sociedade civil, que é o que diferencia o PNDH 3 dos PNDHs 1 e 2, 
decorrente de uma interação democrática entre Estado e sociedade civil, como instrumento de 
fortalecimento da democracia participativa. 
 
 
 
 
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As metas, prazos e recursos necessários para a implementação do PNDH-3 serão definidos e 
aprovados em Planos de Ação de Direitos Humanos bianuais. O PNDH3 prevê a criação de um Comitê de 
monitoramento e acompanhamento. 
Os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e os órgãos do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e 
do Ministério Público, serão convidados a aderir ao PNDH-3. 
 
Bibliografia 
Almeida, G. A. (2009). Direitos Humanos. São Paulo : Atlas. 
Barroso, L. R. (2001). Princípios da razoabilidade e proporcionalidade. São Paulo: LTr. 
Castilho, R. (2011). Direitos Humanos (coleção sinopses jurídicas). São Paulo : Saraiva. 
Comparato, F. K. (2017). A Afirmação Histórica dos Direitos Humanos. São Paulo: Saraiva. 
Mazzuoli, V. d. (2018). Curso de Direitos Humanos. São Paulo: Método. 
Oliveira, E. d. (2012). Elementos do Direito - Direitos Humanos. São Paulo : Revista dos Tribunais. 
Piovesan, F. (2019). Direitos Humanos e Justiça Internacional. São Paulo : Saraiva. 
Ramos, A. d. (2017). Curso de Direitos Humanos. São Paulo : Saraiva. 
Silva, V. A. (2002). O proporcional e o razoável. São Paulo: Revista dos Tribunais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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QUESTÕES PROPOSTAS 
 
1 – 2018 - TRF - 3ª REGIÃO - Juiz federal 
 
“(...) a União, na qualidade de ente federado com 
personalidade jurídica na esfera internacional, quem tem o 
poder de contrair obrigações jurídicas internacionais em 
matéria de direitos humanos, mediante ratificação de 
tratados. Consequentemente, a sistemática de 
monitoramento e fiscalização de tais obrigações recai na 
pessoa jurídica da União. Deste modo, por coerência, há de 
caber à União a responsabilidade para apurar, processar e 
julgar casos de violação de direitos humanos (...)” (extraído 
do Boletim dos Procuradores da República nº 14, junho 1999). 
Sob esse enfoque, a reforma constitucional de 2004 trouxe 
importante contribuição e pode-se julgar CORRETO que: 
 
a) De acordo com a jurisprudência do STJ, a ocorrência de 
grave violação a direitos humanos ocasiona ipso jure o 
acolhimento do Incidente de Deslocamento de Competência 
(IDC) para a Justiça Federal, suscitado pelo Procurador Geral 
da República. 
b) A primeira federalização de grave violação de direitos 
humanos deu-se no caso do homicídio do defensor de direitos 
humanos Manoel Mattos. 
c) A introdução do IDC pela Emenda Constitucional nº 45, de 
2004, foi relevante por criar o único instrumento que 
possibilita à União cumprir, no plano interno, suas obrigações 
internacionais de defesa dos direitos humanos. 
d) No caso Dorothy Stang, o incidente foi acolhido pelo STJ 
por somar-se à grave violação dos direitos humanos, 
decorrente do assassinato da religiosa, a inércia das 
autoridades estaduais em processar e punir os autores do 
crime. 
 
2 – 2018 – FCC - DPE-AM - Defensor Público 
 
Acerca do Incidente de Deslocamento de Competência, nas 
hipóteses de grave violação de direitos humanos, 
 
a) o Superior Tribunal de Justiça concedeu a primeira 
federalização de grave violação de direitos humanos no caso 
do defensor de direitos humanos Manoel Mattos, 
assassinado após ter denunciado a atuação de grupos de 
extermínio nos Estados de Pernambuco e Paraíba. 
b) o Incidente de Deslocamento de Competência para a 
Justiça Federal somente poderá ser suscitado ante a 
existência prévia de processo judicial em trâmite perante a 
Justiça Estadual. 
c) o primeiro Incidente de Deslocamento de Competência 
suscitado perante o STJ refere-se ao caso envolvendo o 
homicídio de Dorothy Stang, religiosa norte-americana 
naturalizada brasileira, ocorrido no Estado do Pará, tendo o 
mesmo sido julgado improcedente na ocasião sob o 
argumento da inconstitucionalidade do instituto. 
d) segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o 
deslocamento da competência para a Justiça Federal deverá 
ser deferido ante a verificação de situação de grave violação 
aos direitos humanos, dispensando-se a demonstração 
concreta da inércia, negligência,falta de vontade política ou 
de condições reais do Estado-membro, por suas instituições, 
em proceder à devida persecução penal. 
e) cabe ao Procurador-Geral da República e ao Ministro da 
Justiça, com a finalidade de assegurar o cumprimento de 
obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos 
humanos dos quais o Brasil seja parte, suscitar, perante o 
Superior Tribunal de Justiça, incidente de deslocamento de 
competência para a Justiça Federal. 
 
3 – 2017 – CESPE - TRF - 5ª REGIÃO - Juiz federal 
 
A respeito da responsabilidade internacional do Estado e da 
proteção aos direitos humanos, assinale a opção correta. 
 
a) Dada a autonomia do Poder Judiciário, não se admite a 
responsabilidade do Estado por atos judiciais na hipótese de 
não aplicação de tratado internacional invocado pela parte 
em juízo. 
b) Para a configuração da responsabilidade do Estado por atos 
praticados por particulares, é irrelevante a obrigação estatal 
em relação ao direito internacional. 
c) Não se admite a responsabilidade internacional do Estado 
quando seu agente age funcionalmente exorbitando, de 
forma inequívoca, dos poderes previstos no próprio direito 
interno. 
d) Para que ocorra o Incidente de Deslocamento de 
Competência para a Justiça Federal, é obrigatória a 
demonstração inequívoca da total incapacidade das 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
143 
 
instâncias e autoridades locais em oferecer respostas às 
ocorrências de grave violação aos direitos humanos. 
e) Não se admite a responsabilidade do Estado por atos 
legislativos no caso de emenda constitucional contrariar 
tratado internacional. 
 
4 – 2017 – CESPE - DPE-AC - Defensor Público 
 
Acerca dos direitos humanos das pessoas em situação de 
vulnerabilidade, assinale a opção correta. 
 
a) Conforme disposição da OIT, os povos indígenas deverão 
ser consultados sempre que sejam previstas medidas 
legislativas ou administrativas capazes de afetá-los 
diretamente. 
b) Como a prática cultural de rodeios e vaquejadas resguarda 
a segurança e a saúde dos seres humanos, ela não é objeto da 
disciplina dos direitos humanos. 
c) Por ser requisito de funcionamento do estado de direito, a 
proteção da democracia é objeto do direito interno, não se 
relacionando à garantia dos direitos humanos positivados. 
d) Em caso de grave violação de direitos humanos, o 
procurador-geral da República poderá suscitar, perante o STJ, 
deslocamento da justiça federal para o plano estadual. 
e) É vedada a imigrantes que não sejam falantes de língua 
portuguesa a participação em atos de conciliação ou de 
solução alternativa de conflito. 
 
5 – 2017 – FCC - DPE-SC - Defensor Público 
 
A federalização dos crimes contra os direitos humanos é uma 
ferramenta introduzida em nossa Constituição pelo poder 
constituinte reformador. Sobre esta moderna ferramenta, é 
correto afirmar: 
 
a) Para que o incidente seja proposto há a necessidade de 
prévio esgotamento das vias ordinárias. 
b) O incidente de federalização só pode ser manuseado na 
fase processual, após a denúncia. 
c) O caso Manoel Mattos foi federalizado sob o fundamento 
de existência de grave violação a direitos humanos − é o 
primeiro caso do tipo no Brasil. 
d) O incidente de federalização pode ser proposto pelo 
interessado, pelo Procurador Geral da República e por 
qualquer Procurador Geral de Justiça. 
e) O incidente de federalização será processado perante o 
Supremo Tribunal Federal e terá cabimento em caso de grave 
violação de direitos humanos. 
 
6 – 2016 - TRF - 3ª REGIÃO - Juiz federal 
 
Consideradas as assertivas que se seguem, assinale a 
alternativa correta: 
 
I. A Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão da 
Convenção Americana de Direitos Humanos, tem a finalidade 
de julgar casos de violação dos direitos humanos ocorridos 
em países que integram a Organização dos Estados 
Americanos (OEA) e reconheçam a sua competência, como o 
Brasil, que a reconheceu por meio do Decreto Legislativo nº 
89, de 1998, do Senado Federal. 
II. O instituto do deslocamento de competência para a Justiça 
Federal poderá ocorrer, em qualquer fase processual, com 
relação a inquéritos e processos em trâmite na Justiça 
Estadual, com a finalidade de assegurar o cumprimento de 
obrigações decorrentes de tratado internacional de direitos 
humanos do qual o Brasil seja parte, mediante requerimento 
do Procurador-Geral da República perante o Supremo 
Tribunal Federal, nas hipóteses de grave violação de direitos 
humanos. 
III. Compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar, em recurso 
especial, as causas decididas, em única ou última instância, 
pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos 
Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão 
recorrida contrariar tratado ou negar-lhe vigência. 
IV. O Tribunal Penal Internacional, criado pelo Estatuto de 
Roma de 1998 promulgado pelo Decreto nº 4.388, de 
25.9.2002, tem competência para julgar crime de genocídio; 
crimes contra a humanidade; crimes de guerra e crime de 
agressão, todos imprescritíveis, em relação às violações 
praticadas depois da entrada em vigor do Estatuto de Roma. 
 
a) As assertivas I e II estão incorretas. 
b) Somente a assertiva II está incorreta. 
c) Somente a assertiva IV está incorreta. 
d) Todas as assertivas estão corretas. 
 
7 – 2014 – FCC - DPE-RS - Defensor Público 
 
Na disciplina constitucional brasileira sobre o Incidente de 
Deslocamento de Competência, também conhecido como 
 
 
 
 
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
SEMANA 22/30 
 
144 
 
Incidente de “federalização dos crimes contra os direitos 
humanos”, há previsão expressa de que 
 
a) apenas o Procurador-Geral da República é legitimado para 
a propositura do incidente. 
b) somente é admitido o incidente durante o curso do 
inquérito policial. 
c) o incidente pode ser proposto em toda e qualquer hipótese 
de violação de direitos humanos. 
d) a competência para o julgamento do incidente é do 
Supremo Tribunal Federal. 
e) no julgamento do incidente não deve ser considerado o 
risco de responsabilização internacional do estado brasileiro. 
 
8 – 2013 – CESPE - DPE-DF - Defensor Público 
 
Considerando as disposições constitucionais relativas aos 
direitos humanos e aos tratados que versam sobre o tema, 
julgue os itens subsequentes. 
 
O procurador-geral da República poderá, ouvido o Conselho 
Nacional do Ministério Público, suscitar, perante o STF, 
incidente de deslocamento de competência para a justiça 
federal quando julgar que o processo envolve grave violação 
de direitos humanos e exige o cumprimento de obrigações 
decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos 
dos quais o Brasil seja parte. 
 
Certo / Errado 
 
9 – 2007 – CESPE – DPU - Defensor Público 
 
Julgue os itens subseqüentes. 
 
Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o 
Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar 
cumprimento de obrigações decorrentes de tratados 
internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja 
parte, poderá suscitar, perante o STJ, em qualquer fase do 
inquérito ou processo, incidente de deslocamento de 
competência para a justiça federal. 
Certo / Errado 
 
 
 
Respostas13 
 
 
 
 
 
13 1:B 2:A 3:D 4:A 5:C 6:A 7:A 8:E 9:C 
 
 
 
 
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LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE TORTURA 
 
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA 
⦁ Lei 9.455/97 inteira 
⦁ O Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos e 
Degradantes, de 1984. 
⦁ Convenção lnteramericana para Prevenir e Punir a Tortura, de 1985. 
⦁ Art. 5, III, Convenção Americana sobre Direitos Humanos 
⦁ Art. 5°, XLIII, CF/88 
⦁ Art.5º, XLIX, CF/88 
⦁Art. 112, V a VIII, LEP 
⦁ Art. 109, IV, CF/88 
⦁ Art. 144, § 1°, I, CF/88 
⦁ Art. 13, §2º, CP 
⦁ Art. 92, §único, CP 
⦁ Art.121 §2º, III, CP 
⦁ Art. 136, CP 
⦁ Art. 13 da Lei de Abuso de Autoridade 
 
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER! 
 
⦁ Lei 9.455/97 – é imprescindível a leitura completa da lei 
⦁ Art. 5°, XLIII, CF/88 
⦁ Art. 144, § 1°, I, CF/88 
⦁ Art. 112, V a VIII, LEP 
⦁ Art. 136, CP 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 Após a segunda grande guerra nasce um movimento de repudio à tortura, com a aprovação de vários 
tratados e convenções internacionais. 
 A Declaração Universal dos Direitos do Homem, proclamada pela Assembleia Geral das Nações 
Unidas, em 10 de dezembro de 1948, consagrou, em seu artigo V, o princípio básico de que ninguém será 
submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. 
 Além disso, o Brasil foi signatário de dois tratados internacionais, por meio dos quais se obrigou a 
reprimir os crimes de tortura, quais sejam: 
 
 
 
 
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1) O Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos e Degradantes, 
de 1984. 
2) Convenção lnteramericana para Prevenir e Punir a Tortura, de 1985. 
 A Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, 
adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1984, assinada pelo Brasil em 
1985 e ratificada em 1989, determinou, em seu art. 2º, que “cada Estado-Parte tomará medidas eficazes de 
caráter legislativo, administrativo, judicial ou de outra natureza, a fim de impedir a prática de atos de 
tortura em qualquer território sob sua jurisdição”. Além disso, em seu art. 4º, enfatizou que “cada Estado-
Parte assegurará que todos os atos de tortura sejam considerados crime segundo a sua legislação penal”. 
 No mesmo sentido, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, conhecida como Pacto de 
São José da Costa Rica, de 1969. 
 No entanto, apesar de o Brasil ratificar tratados e convenções, foi somente com o advento da CF/88 
que a vedação à tortura foi consagrada como direito fundamental do cidadão: Art. 5º, inciso III - ninguém 
será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. 
 Há, ainda, fundamento constitucional para a criminalização da tortura: a Constituição Federal, em 
seu art. 5º, XLIII, determinou que a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a 
prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes 
hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem. 
 
Art. 5º inciso - III - ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano 
ou degradante 
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a 
prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e 
os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os 
executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem. 
 
 A Lei de Tortura, por sua vez, somente veio em 1997 para atender ao mandado de criminalização, 
sendo certo que, antes disso, a tortura era punida como crime comum, pois não tinha nenhum tipo penal 
específico. Veja: 
 
Lembrando: Mandados de criminalização ou mandados constitucionais de criminalização são ordens 
emitidas pela CF ao legislador ordinário, no sentido da criminalização de determinados comportamentos. O 
legislador estaria obrigado. Não há discricionariedade. Eles podem ser expressos (ex.: art. 5º, XLII a prática 
do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei) ou 
tácitos (a ordem é retirada da harmonia, do espírito de todo o texto da CF. Ex.: combate à corrupção no poder 
público – citado no caso do mensalão). 
 
 
 
 
 
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ANTES DE 1997 DEPOIS DE 1997 
A tortura era punida como crime comum, isto 
é homicídio, lesão corporal, maus tratos, 
constrangimento ilegal, etc. 
Criou-se a lei própria para tipificar e punir o 
crime de tortura (lei 9.455/97). 
Somente o ECA, no seu art.233, punia a 
tortura contra criança e adolescente. 
Cuidado! Esta lei revogou o artigo 233 do 
ECA. 
 
2. CONCEITO 
 
 A própria lei da tortura não traz a definição. Apenas diz: constitui crime de tortura (...). Podemos 
encontrar a definição no art. 1º da Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, 
Desumanos e Degradantes, que dispõe: 
 
Art. 1º. Para os fins da presente Convenção, o termo "tortura" designa qualquer ato 
pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos 
intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de uma terceira pessoa, 
informações ou confissões; de castigá-la por ato cometido; de intimidar ou coagir 
esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação 
de qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimento são infligidos por um 
funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas, ou por sua 
instigação, ou com o seu consentimento ou aquiescência. Não se considerará como 
tortura as dores ou sofrimentos consequências unicamente de sanções legítimas, 
ou que sejam inerentes a tais sanções ou delas decorram." 
 
Obs.: Natureza do delito – CRIME PRÓPRIO x CRIME COMUM: 
• Direito Internacional: a Convenção contra a tortura e outros tratamentos ou penais cruéis, 
desumanas ou degradantes (Convenção é de 1984) rotulou o delito de tortura como delito próprio, 
praticado por funcionário público ou qualquer pessoa no exercício da função pública. 
• Direito brasileiro: No Brasil, a lei 9.455/97, em regra, não exige qualidade ou condição especial do 
agente. Ou seja, no Brasil, em regra, o crime é comum. Exatamente por isso que parte da doutrina 
denomina o crime de tortura como sendo crime de jabuticaba (por existir somente no Brasil). 
STF + STJ: o crime de tortura pode ser crime comum, não exige do sujeito ativo a qualidade de agente 
público. 
 
Obs.: existe doutrina, (Alberto Silva Franco) lecionando que o legislador nacional não poderia ter destoado 
do legislador internacional, defendendo que o crime de tortura tem que ser um crime próprio. 
 
 
 
 
 
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Já caiu em prova e foi considerada CORRETA a seguinte assertiva: O crime de tortura é crime comum, 
podendo ser praticado por qualquer pessoa, não sendo próprio de agente público, circunstância esta que, 
acaso demonstrada, determinará a incidência de aumento da pena. 
 
3. EQUIPARAÇÃO A CRIME HEDIONDO 
 
 Tanto a CRFB/88 no art. 5°, XLIII, quanto a lei de crimes hediondos no art. 2º, caput equipararam o 
delito de tortura a crimes hediondos, dando-lhes o mesmo tratamento penal e processual penal. 
 Note-se que a tortura não é considerada crime hediondo (tipo de assertiva que pega muita gente) 
pois não figura no rol do art. 1 º da lei 8072/90, mas apenas EQUIPARADA ou assemelhada a hediondos. 
Em razão disso, a tortura submete-se a regras específicas, próprias dos crimes hediondos. Vamos relembrá-
las? 
 
 CUIDADO! A tortura por omissão não é crime equiparado a hediondo, como 
veremos adiante!!! 
 
3.1 Anistia, graça e indulto: 
 
• CF/88: veda a concessão de graça, anistia. 
• Lei de Hediondos: veda a concessão de graça, anistia e indulto. 
• Lei de Tortura: veda a concessão de graça e anistia. Não menciona o indulto 
 
§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. 
 
Cabe indulto para o crime de tortura? 
R.: O STJ já pacificou o entendimento de que não cabe também o indulto apesar de não possuir vedação 
expressa. 
 
3.2 Livramento condicional: 
 
Exige o cumprimentode mais de 2/3 da pena, sendo vedada a concessão de livramento condicional ao 
reincidente específico. 
 
 V – Cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime 
hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico 
de pessoas e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes 
dessa natureza. 
 
 
 
 
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3.3 Progressão de regime: 
 
 40% da pena - se o apenado for condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, se for 
primário; 
 50% da pena - se o apenado for condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com 
resultado morte, se for primário, VEDADO O LIVRAMENTO CONDICIONAL; 
 60% da pena - se o apenado for reincidente na prática de crime hediondo ou equiparado; 
 70% da pena - se o apenado for reincidente em crime hediondo ou equiparado com resultado 
morte, VEDADO O LIVRAMENTO CONDICIONAL 
 
Lembrando que a tortura por omissão não é considerada crime hediondo e se submete a progressão de 
regime diversa! 
 
3.4 Regime Inicial de Cumprimento de Pena 
 
§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o 
cumprimento da pena em regime fechado. 
 
 O § 7º dispõe que o condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º (omissão 
perante a tortura), iniciará o cumprimento da pena em regime fechado. 
 Entretanto, tendo em vista que o STF entende que o regime inicial fechado é inconstitucional por 
violar o princípio constitucional da individualização da pena, para a doutrina majoritária, é evidente que 
essa interpretação também deve ser aplicada aos crimes equiparados a hediondo, a exemplo da tortura. 
 Logo, a despeito do disposto no art. 1 º, § 7°, da Lei nº 9.455/97, também não é obrigatório que o 
condenado por crime de tortura inicie o cumprimento da pena no regime prisional fechado. 
 
Inf. 540, STJ – HC 286.925: “não é obrigatório que o condenado por crime de 
tortura inicie o cumprimento da pena em regime inicialmente fechado”. 
 
DIREITO PENAL. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA NO CRIME DE 
TORTURA. 
Não é obrigatório que o condenado por crime de tortura inicie o cumprimento da 
pena no regime prisional fechado. Dispõe o art. 1º, § 7º, da Lei 9.455/1997 - lei que 
define os crimes de tortura e dá outras providências - que "O condenado por crime 
previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em 
regime fechado". Entretanto, cumpre ressaltar que o Plenário do STF, ao julgar o 
 
 
 
 
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HC 111.840-ES (DJe 17.12.2013), afastou a obrigatoriedade do regime inicial 
fechado para os condenados por crimes hediondos e equiparados, devendo-se 
observar, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena, o disposto no 
art. 33 c/c o art. 59, ambos do CP. Assim, por ser equiparado a crime hediondo, nos 
termos do art. 2º, caput e § 1º, da Lei 8.072/1990, é evidente que essa 
interpretação também deve ser aplicada ao crime de tortura, sendo o caso de se 
desconsiderar a regra disposta no art. 1º, § 7º, da Lei 9.455/1997, que possui a 
mesma disposição da norma declarada inconstitucional. Cabe esclarecer que, ao 
adotar essa posição, não se está a violar a Súmula Vinculante n.º 10, do STF, que 
assim dispõe: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de 
órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a 
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua 
incidência, no todo ou em parte". De fato, o entendimento adotado vai ao encontro 
daquele proferido pelo Plenário do STF, tornando-se desnecessário submeter tal 
questão ao Órgão Especial desta Corte, nos termos do art. 481, parágrafo único, do 
CPC: "Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão 
especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento 
destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão". Portanto, 
seguindo a orientação adotada pela Suprema Corte, deve-se utilizar, para a fixação 
do regime inicial de cumprimento de pena, o disposto no art. 33 c/c o art. 59, ambos 
do CP e as Súmulas 440 do STJ e 719 do STF. Confiram-se, a propósito, os 
mencionados verbetes sumulares: "Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado 
o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da 
sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito." (Súmula 440 do 
STJ) e "A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada 
permitir exige motivação idônea." (Súmula 719 do STF). Precedente citado: REsp 
1.299.787-PR, Quinta Turma, DJe 3/2/2014. HC 286.925-RR, Rel. Min. Laurita Vaz, 
julgado em 13/5/2014 
 
No entanto, apesar desse entendimento, mesmo após a decisão proferida pelo Plenário do STF no 
julgamento do HC 111.840/ES, a lª Turma do Supremo vem entendendo que o condenado por crime de 
tortura deve iniciar o cumprimento da pena em regime fechado, nos termos do disposto no § 7° do art. 1° 
da Lei 9.455/1997. Para o Supremo, em consonância com a Constituição Federal, a Lei n. 9.455/97 teria feito 
uma opção válida, ao prever que, considerada a gravidade do crime de tortura, a execução da pena, ainda 
que fixada no mínimo legal, deveria ser cumprida inicialmente em regime fechado, sem prejuízo de posterior 
progressão. 
 
 
 
 
 
http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&valor=HC%20286925
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CUIDADO COM INF. 789, STF (2015): CRIME DE TORTURA E REGIME INICIAL DE 
CUMPRIMENTO DA PENA. O condenado por crime de tortura iniciará o 
cumprimento da pena em regime fechado, nos termos do disposto no § 7º do art. 
1º da Lei 9.455/1997 - Lei de Tortura. Com base nessa orientação, a Primeira Turma 
denegou pedido formulado em “habeas corpus”, no qual se pretendia o 
reconhecimento de constrangimento ilegal consubstanciado na fixação, em 
sentença penal transitada em julgado, do cumprimento das penas impostas aos 
pacientes em regime inicialmente fechado. (...) O Ministro Marco Aurélio (relator) 
denegou a ordem. Considerou que, no caso, a dosimetria e o regime inicial de 
cumprimento das penas fixadas atenderiam aos ditames legais. Asseverou não 
caber articular com a Lei de Crimes Hediondos, pois a regência específica (Lei 
9.455/1997) prevê expressamente que o condenado por crime de tortura iniciará o 
cumprimento da pena em regime fechado, o que não se confundiria com a 
imposição de regime de cumprimento da pena integralmente fechado. Assinalou 
que o legislador ordinário, em consonância com a CF/1988, teria feito uma opção 
válida, ao prever que, considerada a gravidade do crime de tortura, a execução da 
pena, ainda que fixada no mínimo legal, deveria ser cumprida inicialmente em 
regime fechado, sem prejuízo de posterior progressão. Os Ministros Roberto 
Barroso e Rosa Weber acompanharam o relator, com a ressalva de seus 
entendimentos pessoais no sentido do não conhecimento do “writ”. O Ministro Luiz 
Fux, não obstante entender que o presente “habeas corpus” faria as vezes de 
revisão criminal, ante o trânsito em julgado da decisão impugnada, acompanhou o 
relator. HC 123316/SE, rel. Min. Marco Aurélio, 9.6.2015. (HC-123316) 
 
Atenção! Para fins de prova adote que não é obrigatório que o condenado por crime de tortura inicie o 
cumprimento da pena no regime prisional fechado! 
 
Pergunta-se: O crime de tortura é imprescritível? 
R.: NÃO! Por mais grave que seja o delito, no Brasil a prescrição é regra, havendo na CF/88 apenas duas 
hipóteses de imprescritibilidade: 
(1) Racismo – Artigo 5º, XLII da CF. 
(2) Ação de Grupos Armados contra a ordem constitucionale o Estado democrático – Artigo 5º, XLIV da 
CF. 
 
Caiu em prova 2021! O crime de tortura é imprescritível e insuscetível de graça ou anistia. (item 
incorreto) Tortura prescreve! 
 
 
 
 
 
 
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Aprofundando o tema: 
Em Tratados Internacionais a tortura é imprescritível. Ante esta antinomia entre a nossa Constituição e alguns 
Tratados, três são as correntes que apresentam uma solução à incompatibilidade. Vejamos: 
1ª corrente: Se a CF/88 etiquetou a Tortura como delito prescritível, mesmo sendo considerada 
imprescritível nos tratados internacionais, deve prevalecer a nossa Carta Maior. Para provas objetivas, deve-
se responder nesse sentido: o delito de tortura é prescritível.Numa prova subjetiva, no entanto, é bom o 
candidato demonstrar conhecimento sobre as demais correntes. 
 
2ª corrente: No conflito entre a CF/88 e os Tratados de Direitos Humanos (não importando o quórum de 
ratificação), deve prevalecer a norma mais favorável à dignidade da pessoa humana (Princípio pro homine). 
Para os constitucionalistas, esse princípio “pro homine” estaria positivado na nossa Constituição no teor do 
art.4º, II da CF: Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos 
seguintes princípios: II - prevalência dos direitos humanos. Esta corrente trabalha no sentido de a tortura 
ser imprescritível. 
 
3ª corrente: A imprescritibilidade trazida pelos Tratados Internacionais de Direitos Humanos é incompatível 
com o direito penal moderno e com o Estado Democrático de Direito. No direito penal é perigoso 
eternizarmos o direito de punir do Estado 
 
Obs.: STJ, no informativo número 523, decidiu que as ações de indenização por danos morais decorrentes de 
atos de tortura ocorridos durante o Regime Militar de exceção são imprescritíveis. Não se aplica o prazo 
prescricional de 5 anos previsto no art. 1º do Decreto 20.910/1932. Não confundir com o crime de tortura. 
As ações de indenização por danos morais que são imprescritíveis. 
 
4. COMPETÊNCIA PARA PROCESSAMENTO E JULGAMENTO 
 
A competência será da justiça comum, em regra da justiça comum estadual, exceto se a prática do 
delito causar violação a algum bem, interesse ou serviço da União, suas entidades autárquicas e empresas 
públicas, na forma do art. 109 IV da Constituição de 88. 
 
Art. 109 IV - Os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de 
bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas 
públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar 
e da Justiça Eleitoral; 
 
Fique atento à jurisprudência sobre o tema: 
 
 
 
 
 
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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Inf. 549, STJ: o STJ decidiu que o crime de tortura praticado contra brasileiro no 
exterior: trata-se de hipótese de extraterritorialidade incondicionada (como 
estudaremos adiante). No Brasil, a competência para julgar será da Justiça 
Estadual. O fato de o crime de tortura, praticado contra brasileiros, ter ocorrido 
no exterior, não torna, por si só, a Justiça Federal competente para processar e 
julgar os agentes estrangeiros. Isso porque a situação não se enquadra, a princípio, 
em nenhuma das hipóteses do art. 109 da CF/88. 
 
Inf. 436, STJ: determinou a competência da Justiça Federal sob o argumento de que 
como o local onde ocorreu a tortura era sujeito a administração pública federal 
houve violação a interesse federal. 
 
COMPETÊNCIA. TORTURA. PM. PF. 
In casu, o indiciado foi preso em flagrante pela suposta prática de crime de roubo 
e, em depoimento, alegou ter sido torturado para que confessasse os fatos a ele 
imputados. Feito o exame de corpo de delito, comprovaram-se as lesões corporais 
supostamente praticadas por policiais militares na dependência de delegacia da 
Polícia Federal. Esses fatos denotariam indícios de crime de tortura. Noticiam os 
autos que, no momento do recebimento da notícia do suposto delito de roubo, os 
policiais militares estavam em diligência de apoio a policiais federais. Daí o juizado 
especial criminal, ao acolher parecer do MP estadual, remeteu os autos à Justiça 
Federal de Subseção Judiciária. Por sua vez, o juízo federal de vara única, ao receber 
os autos, suscitou o conflito de competência ao considerar que os policiais federais 
não participaram do suposto ato de tortura. Para o Min. Relator, com base na 
doutrina, o crime de tortura é comum, porém se firma a competência conforme o 
lugar em que for cometido. Assim, se o suspeito é, em tese, torturado em uma 
delegacia da Polícia Federal, deve a Justiça Federal apurar o débito. Destaca, ainda, 
que a Lei n. 9.455/1997 tipifica também a conduta omissiva daqueles que possuem 
o dever de evitar a conduta criminosa (art. 1º, I, a, § 2º, da citada lei). Quanto à 
materialidade e autoria do suposto crime de tortura, embora não haja, nos autos, 
informações de que os policiais federais teriam participado ativamente do crime de 
tortura, os fatos, em tese, foram praticados no interior de delegacia da Polícia 
Federal, o que, segundo o Min. Relator, atrai a competência da Justiça Federal nos 
termos do art. 109, IV, da CF/1988. Nesse contexto, a Seção conheceu do conflito 
para declarar competente o juízo federal suscitante. CC 102.714-GO, Rel. Min. 
Jorge Mussi, julgado em 26/5/2010. 
 
 
 
 
 
http://www.stj.gov.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&valor=CC%20102714
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DELEGADO DE POLÍCIA – TURMA 7 
 
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*ATENÇÃO – Antes, a tortura cometida por militar ou era competência da justiça 
estadual, ou da justiça federal. Nunca da justiça militar, porque tortura não é crime 
militar. Entretanto, com as alterações promovidas pela Lei 13.491/2017, esse 
entendimento está ultrapassado. Conforme esclareceu Aury Lopes Jr14: 
“Antes, o artigo 9º, II do CPM assim dispunha:I I. os crimes previstos neste Código, 
embora também o sejam com igual definição na lei penal comum, quando 
praticados: (...).Com essa redação, o legislador determinava que a Justiça Militar 
julgaria os militares (nas situações de atividade ou interesse militar definidos nas 
alíneas “a” a “f”) pela prática dos crimes previstos no CPM, "embora também o 
sejam com igual definição na lei penal comum". Com isso, estavam afastados da 
competência da Justiça Militar os crimes previstos em leis penais especiais e, 
portanto, não contemplados no CPM. Eram os clássicos exemplos dos crimes de 
abuso de autoridade, tortura, associação para o tráfico, organização criminosa etc., 
todos crimes não previstos no CPM, mas apenas em leis penais extravagantes e que 
eram julgados na Justiça comum. Se houvesse conexão entre um crime militar e 
outro previsto em lei especial, haveria uma cisão: o crime militar seria julgado pela 
Justiça castrense, e o crime não previsto no CPM seria julgado na Justiça comum 
(estadual ou federal, conforme o caso). Agora, a nova redação do inciso II é muito 
mais ampla: II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal, 
quando praticados. 
Significa dizer que a Justiça Militar (federal ou estadual) agora poderá julgar os 
crimes previstos no CPM e na legislação penal (comum e especial/extravagante). 
Dessa forma, há uma ampliação significativa da competência das Justiças militares 
estaduais e federal, que passarão a julgar crimes não previstos no CPM, tais como 
os anteriormente citados.” 
 
Obs.: Atribuição investigatória: 
 
 Quando o crime de tortura for de competência da Justiça Federal, a atribuição para a realização das 
investigações será da Polícia Federal. Afinal, de acordo com o art. 144, § 1°, I, primeira parte, da Constituição 
Federal, à Polícia Federal incumbe a apuração de infrações penais contra a ordem política e socialou em 
detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas. 
Ademais, de acordo com o art. 144, § 1°, IV, da Carta Magna, cabe à Polícia Federal exercer, com 
exclusividade, as funções de polícia judiciária da União. 
 
14 Trecho retirado do Site CONJUR: https://www.conjur.com.br/2017-out-20/limite-penal-lei-134912017-fez-retirar-
militares-tribunal-juri. 
 
 
 
 
https://www.conjur.com.br/2017-out-20/limite-penal-lei-134912017-fez-retirar-militares-tribunal-juri
https://www.conjur.com.br/2017-out-20/limite-penal-lei-134912017-fez-retirar-militares-tribunal-juri
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 Quando o crime de tortura for da competência da Justiça Estadual, as investigações deverão ser 
presididas, em regra, pela Polícia Civil. No entanto, por força da própria Constituição Federal, também é 
possível a atuação da Polícia Federal. 
 Deveras, de acordo com o art. 144, § 1°, I, in fine, da Constituição Federal, à Polícia Federal também 
incumbe a apuração de infrações penais cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija 
repressão uniforme, segundo se dispuser em lei (Lei nº 10.446/02). 
 
Art. 1o Na forma do inciso I do § 1o do art. 144 da Constituição, quando houver 
repercussão interestadual ou internacional que exija repressão uniforme, poderá o 
Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça, sem prejuízo da 
responsabilidade dos órgãos de segurança pública arrolados no art. 144 da 
Constituição Federal, em especial das Polícias Militares e Civis dos Estados, 
proceder à investigação, dentre outras, das seguintes infrações penais: 
 
III – relativas à violação a direitos humanos, que a República Federativa do Brasil se 
comprometeu a reprimir em decorrência de tratados internacionais de que seja 
parte. 
 
5. BEM JURÍDICO PROTEGIDO 
 
O bem jurídico protegido pelo presente diploma é de extrema violência, defendendo a dignidade da 
pessoa humana, a integridade física e psíquica do indivíduo. 
 
Aprofundando o tema... 
O que é teoria do cenário da bomba relógio (ticking bombs cenario)? 
A teoria do cenário da bomba relógio é uma vertente do Direito Penal máximo que levanta a problemática 
sobre a possibilidade ou não de se torturar um determinado indivíduo em razão de um “estado de 
necessidade coletivo”, dando ensejo à exclusão da ilicitude da conduta. 
O ticking bombs cenario tem aceitação nos EUA que tenta implementar “medidas contra terroristas”. No 
entanto, conforme ressaltado acima, nem a Convenção das Nações Unidas, nem a Convenção Interamericana 
contra a Tortura admitem a inovação de circunstâncias excepcionais, tais como ameaça ou estado de guerra, 
instabilidade política interna ou qualquer outra emergência publica, como justificação de tortura. Portanto, 
diante do atual estágio de proteção internacional de direitos humanos, a ticking bombs cenario 
caracterizaria um ato ilícito e contrário aos direitos humanos resguardados, seja pela ordem internacional, 
seja pela ordem interna. 
Nas palavras do professor Renato Brasileito: “Sem embargo dos argumentos suscitados pela teoria do cenário 
da bomba-relógio, é dominante o entendimento no sentido de que a proibição da tortura funciona como 
um direito absoluto, não comportando relativizações de qualquer natureza . É nesse sentido, aliás, o 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm#144§1I
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm#art144
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm#art144
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disposto no art. 2.2 da Convenção Contra a Tortura (Dec. 40/81): "Em nenhum caso poderão invocar-se 
circunstâncias excepcionais tais como ameaça ou estado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer 
outra emergência pública como justificação para tortura ". 
 
6. DOS CRIMES EM ESPÉCIE 
 
6.1 Art. 1º, Inciso I 
 
Art. 1º Constitui crime de tortura: 
I - Constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe 
sofrimento físico ou mental: 
a) Com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira 
pessoa; 
b) Para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; 
c) Em razão de discriminação racial ou religiosa 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
 
 Percebe-se que tal dispositivo descreve vários crimes ligados à prática da tortura, cada um com 
características próprias. Note que o inciso I contém três figuras caracterizadoras do crime de tortura. São três 
espécies delituosas sob o mesmo nomen juris, sendo, portanto, necessária a adoção de outras designações 
para diferenciá-las (tortura-prova, tortura para a prática de crime e tortura discriminatória). 
 Por outro lado, quanto aos meios de execução, sujeitos ativo e passivo, consumação, tentativa e ação 
penal, as regras são as mesmas para todas elas, que, dessa forma, se diferenciam apenas no que se refere 
ao elemento subjetivo especial (motivação) do agente torturador. 
 
 Sujeito ativo: É crime comum, pode ser cometido por qualquer pessoa. No entanto, se o sujeito ativo for 
agente público, a pena é aumentada de 1/6 a 1/3, conforme o art. 1°, parágrafo 4°, I: 
 
Art. 1°, § 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço: 
I - se o crime é cometido por agente público; 
 
 Sujeito passivo: crime comum. A vítima da tortura pode ser qualquer pessoa, tendo em vista que o legislador 
se referiu a “alguém” no inciso I. No entanto, se a vítima for gestante, idoso (maior de 60 anos), portador 
de deficiência física ou mental, criança, ou adolescente, a pena é aumentada de 1/6 a 1/3. 
 
 
 
 
 
 
 
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ATENÇÃO! A figura em análise difere da modalidade de abuso de autoridade: Art. 13. Constranger o preso 
ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a: 
I - exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública; 
II - submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado em lei; 
III - produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro: 
No crime de tortura, a finalidade do agente é provocar sofrimento físico ou mental na vítima. 
 
Art. 1°, § 4º - Aumenta-se a pena de um sexto até um terço: 
II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência (física 
ou mental), adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos; 
 
ATENÇÃO - A lei fala em criança e adolescente. Portanto, revoga um dispositivo do ECA: esse art., que era 
o 233 do ECA, tipificava o crime de tortura contra criança e adolescente. Portanto, crime de tortura contra 
criança e adolescente está tipificado na lei de tortura e não no ECA. 
 
Atente-se à jurisprudência sobre o tema: 
No caso de crime de tortura perpetrado contra criança em que há prevalência de relações 
domésticas e de coabitação, não configura bis in idem a aplicação conjunta da causa de 
aumento de pena prevista no art. 1º, § 4º, II, da Lei nº 9.455/1997 (Lei de Tortura) e da 
agravante genérica estatuída no art. 61, II, "f", do Código Penal. STJ. 6ª Turma. HC 362634-
RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 16/8/2016 (Info 589). 
 
 Núcleos verbais: são os mesmos núcleos para as três alíneas: 
✓ Constranger – Obrigar alguém a fazer algo que não queira, forçar, tolher a liberdade de 
alguém anulando sua vontade. 
✓ Violência – Constrangimento físico ou agressão física. 
✓ Grave ameaça – Promessa de mal injusto ou intimidação. 
 
Obs.: Princípio da especialidade - O inciso 1 do art. 1º da lei ora estudada é especial em relação ao delito 
de constrangimento ilegal, previsto no art. 146 do Código Penal. A especialidade reside no dolo do agente, 
uma vez que a sua pretensão é obter davítima ou de terceira pessoa informação, declaração ou confissão; 
obrigar a vítima a praticar um crime ou discriminá-la em razão de raça ou religião. 
 
a) Tortura prova/confissão/persecutória: 
 
 
 
 
 
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Art. 1º constitui crime de tortura: I - constranger alguém com emprego de violência 
ou grave ameaça, causando- lhe sofrimento físico ou mental: a) com o fim de obter 
informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa; 
 
 Quando a intenção do sujeito, ao torturar a vítima, é obter alguma informação, declaração ou 
confissão desta ou de terceira. Pouco importa a natureza da informação visada (pode ser criminal, civil, 
comercial...). 
 Ex.1: Policial que tortura suspeito para confessar o crime; 
Ex.2: Credor que tortura o devedor para confessar a dívida. 
 
1. Dolo específico: com o fim de obter declaração, informação ou confissão da vítima. 
2. Momento consumativo: crime formal - não se consuma com a obtenção da declaração, informação ou 
confissão, mas sim com o constrangimento causador de sofrimento a vítima. 
3. Crime plurissubsistente: admite tentativa! 
Obs.: Embora não seja necessária a obtenção da informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira 
pessoa, para a consumação do delito, é certo que, uma vez obtidas, constituirão provas obtidas por meio 
ilícito, vedadas na forma do art. 5º, LVI da CRFB/88, e deverão ser desentranhadas dos autos do processo ou 
do inquérito policial 
 
Já caiu em prova e foi considerada CORRETA a seguinte assertiva: Pratica crime de tortura a autoridade 
policial que constrange alguém, mediante emprego de grave ameaça e causando-lhe sofrimento mental, com 
o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa. 
 
b) Tortura Crime: 
 
Art. 1º Constitui crime de tortura: I - constranger alguém com emprego de violência 
ou grave ameaça, causando- lhe sofrimento físico ou mental: b) para provocar ação 
ou omissão de natureza criminosa; 
 
 O constrangimento operado para a realização de ação ou omissão de natureza criminosa é 
doutrinariamente denominado de “tortura crime”. 
 
4. Dolo específico: Para provocar a ação ou omissão de natureza criminosa. 
5. Ex.: Agente mediante choque elétrico tortura a vítima para “denunciar” caluniosamente terceiro 
inocente (“notitia criminis”). 
6. Crime formal: consumando-se com o sofrimento físico e mental da vítima, sendo prescindível a 
realização do crime 
 
 
 
 
 
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7. De acordo com a doutrina majoritária, só haverá o crime de tortura se o infrator coagir a vítima a cometer 
crime. Se ele coagir a vítima a cometer contravenção penal, não se aplica esse dispositivo. Nesse caso se 
aplica o CP (constrangimento ilegal, tentativa de homicídio...). Isso porque o tipo penal diz “para provocar 
ação ou omissão de natureza criminosa”. 
 
Já caiu em prova e foi considerada correta a seguinte assertiva: A denominada tortura para a prática de 
crime ocorre quando o agente usa de violência ou grave ameaça para obrigar a vítima a realizar ação ou 
omissão de natureza criminosa. Assim, essa forma de tortura não abrange a provocação de ação 
contravencional 
 
8. Responsabilização do coagido e do torturador: 
TORTURADO TORTURADOR 
O torturado não responde pelo crime 
eventualmente praticado, isto porque há 
coação moral irresistível, a qual exclui a 
culpabilidade. 
O torturador responde pela tortura em 
concurso com o crime eventualmente 
praticado pelo torturado. 
Obs.: Este concurso é material. E nesta 
hipótese ele irá responder na condição de 
autor mediato. 
 
Ex.: Um preso mais “antigo” tortura psicologicamente um preso novato para que ele mate um outro preso. 
Não suportando mais a tortura psicológica, o novato mata o terceiro preso. O preso perigoso vai responder 
pela tortura contra o preso novato (aqui ele responde como autor direto) + o homicídio praticado pelo 
preso novato (aqui ele responde como autor mediato). O preso novato vai estar protegido pela excludente 
de culpabilidade da coação moral irresistível. 
c) Tortura Discriminação ou Preconceito 
 
Art. 1º Constitui crime de tortura: I - constranger alguém com emprego de violência 
ou grave ameaça, causando- lhe sofrimento físico ou mental: c) em razão de 
discriminação racial ou religiosa; 
 
 O constrangimento realizado em razão de discriminação racial ou religiosa considera-se como 
“tortura preconceito”. 
 A discriminação deve ser em razão da raça ou da religião. Não houve abrangência, sob pena de 
analogia in malam partem: 
✓ Da discriminação sexual – homofobia 
✓ Da discriminação econômica 
✓ Da discriminação social. 
 
 
 
 
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Ao contrário do que ocorre com os dispositivos anteriores, na letra c o agente não tortura a vítima esperando 
dela alguma conduta. Tortura apenas por preconceito à sua raça ou religião. 
• Tentativa: É possível, quando o agente emprega a violência ou grave ameaça, sem conseguir 
provocar sofrimento à vítima. 
• Consumação: Trata-se de crime formal, que se consuma com o sofrimento físico ou mental causado 
à vítima. 
• Dependendo da forma de agir do torturador, poderá também incorrer no crime de racismo do art. 
20 da Lei n. 7.716/89. 
 
INCISO I, LETRA A INCISO I, LETRA B INCISO I, LETRA C 
O torturador quer algo da 
vítima (declaração, 
informação) 
O torturador quer um 
comportamento da vítima 
(quer que o torturado 
pratique crime). 
O torturador não quer um 
comportamento da vítima. 
Tortura apenas por 
preconceito a sua raça ou 
religião 
 
6.2 Art. 1º, Inciso II – Tortura Castigo / Punitiva 
 
II - - Submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de 
violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de 
aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
 
Aqui temos o que a doutrina conceitua como “tortura castigo”, nessa modalidade de tortura, a 
violência ou grave ameaça são empregadas como forma de castigar a vítima, ou aplicar medida de caráter 
preventivo. 
Trata-se de: 
• Crime próprio: exige-se que o agente ativo tenha relação de guarda, poder ou autoridade em relação 
à vítima, o sujeito passivo também exige propriedade, vez que se trata do tutelado pela relação de 
guarda, poder ou autoridade. 
 “guarda”: está ligada a vigilância permanente que um indivíduo detém sobre o outro; 
 “poder: está ligada ao exercício de uma função pública; 
 “autoridade”: está ligada às relações privadas. 
 
A prática do delito de tortura-castigo (vingativa ou intimidatória), previsto no art. 
1º, II, da Lei nº 9.455/97, é crime próprio 
 
 
 
 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/7bb7a62681a8a0f94ab424b06d172ca3?categoria=11&subcategoria=124&assunto=747
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/7bb7a62681a8a0f94ab424b06d172ca3?categoria=11&subcategoria=124&assunto=747
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Somente pode ser agente ativo do crime de tortura-castigo (art. 1º, II, da Lei nº 
9.455/97) aquele que detiver outra pessoa sob sua guarda, poder ou autoridade 
(crime próprio). STJ. 6ª Turma. REsp 1738264-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 
julgado em 23/08/2018 (Info 633). 
 
Lembrando que se o sujeito ativo for agente público haverá aumento de pena e se a vítima for idoso 
(acima de 60), gestante, criança, adolescente ou deficiente também existirá aumento de pena. 
 
Ex.: De acordo com o STJ, o policial militar que auxilia a polícia civil na contenção de rebelião em 
estabelecimento prisional, durante a operação, detém legitimamente, guarda, poder e autoridadede forma efetiva que cada ator 
envolvido no processo desempenhe suas funções de modo técnico, racional e responsável, não podendo 
existir submissão entre os sujeitos processuais (Policentrismo Processual). Antes do CPC/15, para parte da 
doutrina, já podia ser extraído cláusula geral do devido processo legal, bem como do princípio do 
contraditório. 
Sobre o tema: 
 
Observação importante que merece ser feita é que a cooperação prevista no 
dispositivo em comento deve ser praticada por todos os sujeitos do processo. Não 
se trata, portanto, de envolvimento apenas entre as partes (autor e réu), mas 
também de eventuais terceiros intervenientes (em qualquer uma das diversas 
modalidades de intervenção de terceiros), do próprio magistrado, de auxiliares da 
Justiça e, evidentemente, do próprio Ministério Público quando atue na qualidade 
de fiscal da ordem jurídica. 
(BUENO, Celso Scarpinella. Novo Código de Processo Civil Anotado. São Paulo: 
Editora Saraiva. pág. 45). 
 
 
 
 
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APROFUNDAMENTO: Democratização do processo – Processo Dialógico 
A ideia de cooperação é uma tentativa de democratização do processo, a fim de se estabelecer um 
processo dialógico. Ou seja, estabelecer um modelo cooperativo de processo. Para Daniel Mitidiero, trata-
se de um modelo paritário na condução do processo e assimétrico no momento da decisão (Daniel 
Mitidiero). 
Obs: é ausência de destaque de qualquer sujeito. 
 
➢ Importante lembrar os deveres de cooperação entre o juiz e as partes (são 4): 
▪ Dever de esclarecimento (esclarecimento dúvidas): deve tirar as dúvidas sobre os fatos e 
sobre o próprio direito. 
▪ Dever de consulta (oitiva prévia das partes): o juiz não deve decidir sem antes ouvir as partes. 
▪ Dever de prevenção (advertência): o juiz deve advertir a parte quando verificar que o seu 
comportamento não é adequado. Da mesma forma, as partes devem advertir o juiz no caso 
de algum engano. 
▪ Dever de auxílio (ajuda na busca do mérito): O juiz deve ajudar a parte nas suas deficiências. 
Assim, o Estado colabora para que a parte obtenha uma decisão de mérito. 
 
➢ Principais reflexos do princípio da cooperação no NCPC: 
▪ Art. 191 (calendário processual); 
▪ Art. 357 (saneamento compartilhado); 
▪ Arts. 378 e 379 (dever da parte de colaborar com a instrução probatória, preservado o direito 
de não produzir prova contra si mesmo). 
 
j) Contraditório (arts. 9º e 10 do NCPC): As partes devem ser devidamente comunicadas de todos os atos 
processuais, para que possam se manifestar em juízo, acaso desejem. Importante saber os três pilares do 
princípio: 
 Conhecer (arts. 236 e 275 do CPC): A parte deve saber o que está acontecendo através da citação, 
intimação; 
 Participar (art. 9º do CPC): A parte deve poder manifestar-se no processo, a fim de provar suas 
alegações. 
 Influir (arts. 10 e 486 § 1º do CPC): O juiz deve apreciar as alegações das partes, só assim o 
contraditório estará efetivado. 
 
ATENÇÃO: Em algumas hipóteses, o contraditório pode ser diferido, a exemplo do que ocorre nas 
tutelas de urgência, situações de extrema urgência, nas quais a decisão judicial precede informação e 
possibilidade de reação da parte adversa. Um exemplo para ilustrar diz respeito à concessão de tutela 
antecipada para cobertura de planos de saúde. 
 
 
 
 
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k-) Princípio da ação/ da Inafastabilidade da jurisdição ou do controle judicial/ do acesso à justiça (art. 3º 
NCPC e art. 5º, XXXV da CF) 
Aqui, é importante lembramos que a CF prevê duas exceções a esse princípio: 
 
Art. 142 (...) § 2º Não caberá habeas corpus em relação a punições disciplinares 
militares. 
 
Art. 217, § 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às 
competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, 
regulada em lei. 
 
Entretanto, é importante estar atento a outras exceções reconhecidas pelos Tribunais Superiores: 
 
O STF decidiu que, em regra, o segurado/dependente somente pode propor a ação 
pleiteando a concessão do benefício previdenciário se anteriormente formulou 
requerimento administrativo junto ao INSS e este foi negado. 
Para que proponha a ação pleiteando a concessão do benefício previdenciário, é 
preciso que, antes, tenha ocorrido uma das três situações abaixo: 
1) O interessado requereu administrativamente o benefício, mas este foi negado 
pelo INSS (total ou parcialmente); 
2) O interessado requereu administrativamente o benefício, mas o INSS não deu 
uma decisão em um prazo máximo de 45 dias; 
3) O interessado não requereu administrativamente o benefício, mas é notório que, 
sobre esse tema, o INSS tem posição contrária ao pedido feito pelo segurado. 
STF. Plenário. RE 631240/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/8/2014 
(repercussão geral) (Info 756). 
 
Lembrem que o STF já declarou a constitucionalidade das vedações à concessão de liminares contra 
o Poder Público previstas nas Leis 9.494/97 e 8.437/92, entendendo inexistir ofensa ao princípio da 
inafastabilidade do controle judicial (ADC 4, Julgada em 01/10/2008). Ressalte-se que com o novo CPC, o 
tema encontra-se tratado expressamente no art. 1.059, razão pela qual Didier defende que o art. 1º da Lei 
9.494/97 foi implicitamente revogado. 
 
Art. 1.059. À tutela provisória requerida contra a Fazenda Pública aplica-se o 
disposto nos arts. 1º a 4º da Lei nº 8.437, de 30 de junho de 1992, e no art. 7º, § 2º, 
da Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009. 
 
 
 
 
 
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Sobre o tema, é importante destacar a redação do § 2º do art. 7º da Lei nº 12.016/2009, que sempre 
é cobrada nas provas de concurso. Segundo a Lei do MS, não será concedida medida LIMINAR que tenha por 
objeto (pedido) a: 
 
• Compensação de créditos tributários; 
• Entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior; 
• Reclassificação ou equiparação de servidores públicos; e 
• Concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer 
natureza. 
 
Já caiu em prova!!! A possibilidade de concessão, pelo juiz da causa, de tutela antecipatória do mérito, 
inaudita altera parte, em razão de requerimento formulado nesse sentido pela parte autora em sua petição 
inicial, está diretamente relacionada ao princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional. 
 
O princípio da inafastabilidade do controle judicial abrange todas as tutelas necessárias para 
amparar, de forma efetiva, o direito da parte. 
 
COMO CAIU – DPE- AP 
 
Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. Esse é o princípio da 
a-) inclusão obrigatória, decorrente da dignidade humana e do mínimo existencial, tratando-se de princípio 
constitucional e, simultaneamente, infraconstitucional do processo civil. 
 
b-) vedação a tribunais de exceção ou do juiz natural, tratando-se apenas de princípio constitucional do 
processo civil. 
 
c-) legalidade ou obrigatoriedade da jurisdição, tratando-se apenas de princípio infraconstitucional do 
processo civil. 
 
d-) reparação integral do prejuízo, tratando-se de princípio constitucional e também infraconstitucional do 
processo civil. 
 
e-) inafastabilidade ou obrigatoriedade da jurisdição e é, a um só tempo, princípio constitucional e 
infraconstitucional do processo civil.3 
 
 
3 Alternativa E (art. 3) 
 
 
 
 
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2. DA JURISDIÇÃO E DA AÇÃO 
 
2.1 Jurisdição 
 
2.1.1 Conceito 
 
 A jurisdição pode ser compreendida como o PODER-DEVER Estatal de APLICAR O DIREITO objetivo 
ao caso concreto, para resolver com DEFINITIVIDADE uma situação de crise jurídica e gerar a PACIFICAÇÃO 
SOCIAL.sobre os 
detentos, respondendo pelo art.1º, II da lei 9455/97. (HC 50.095/MG) 
 
• Quanto ao sofrimento físico e mental, exige-se que esse seja “intenso”, uma vez que as relações de 
autoridade preveem em certo grau algum quantum de “sofrimento”. 
• Consumação: crime formal - no momento em que o constrangimento gera na vítima intenso 
sofrimento físico ou mental. 
• Tentativa: crime plurissubsistente - Admite-se a tentativa. 
 
• Exige-se especial fim de agir: deve agir com o intuito de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter 
preventivo, sobre pena de atipicidade da conduta. 
 
ATENÇÃO! Qual a diferença entre a tortura castigo e o crime de maus tratos, previsto no art. 136 
do código penal? 
 
Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda 
ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-
a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho 
excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina. 
 
O elemento subjetivo! Na tortura castigo, há no agente ativo um ânimo de “fazer padecer”, 
enquanto que o dolo do delito de maus tratos é um dolo de abandono, que não necessariamente pretende 
causar intenso sofrimento físico ao agente passivo, mas apenas privá-lo de meios adequados, quer pela 
ausência de educação, ensino, alimentação, ou sujeitando-o a trabalho excessivo e inadequado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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TORTURA CASTIGO DELITO DE MAUS TRATOS 
Intenso sofrimento físico ou mental. Sofrimento físico ou mental (não tem a 
elementar intenso). 
Castigo pessoal ou medida de caráter 
preventivo. 
Para fim de educação, ensino, tratamento 
ou custódia. 
 A intenção é torturar, provocar sofrimento 
desproporcional para castigar a vítima ou 
evitar a realização de alguma conduta. 
Crime de dano. 
Competência Justiça Comum 
 A intenção é educar, mas o agente acaba 
extrapolando nos meios de correção 
empregados. 
Crime de perigo. 
 
Competência JECRIM 
 
Já caiu e foi considerada ERRADA a seguinte assertiva: O artigo que tipifica o crime de maus-tratos previsto 
no Código Penal foi tacitamente revogado pela Lei da Tortura, visto que o excesso nos meios de correção ou 
disciplina passou a caracterizar a prática de tortura, porquanto também é causa de intenso sofrimento físico 
ou mental. 
 
6.3 Art. 1º, §1º - Tortura Contra Preso ou Pessoa Submetida à Medida de Segurança ou Tortura Pela Tortura 
 
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de 
segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não 
previsto em lei ou não resultante de medida legal. 
 
Inicialmente, perceba que há clara violação ao art.5º, XLIX da CF - é assegurado aos presos o respeito 
à integridade física e moral; 
Considerações sobre o crime: 
• Sujeito ativo: crime comum 
• Sujeito passivo: crime próprio – pessoa presa ou sujeita a medida de segurança. 
Pessoa presa – abrange as seguintes espécies de prisão: 
✓ Preso provisório ou definitivo, 
✓ Jovens infratores apreendidos, internados ou em estado de semi-liberdade. 
✓ Preso civil (devedor de alimentos) – o tipo penal não diferencia. 
 
• Conduta: submeter pessoa presa, ou, sujeita à medida de segurança, a sofrimento físico ou mental 
por intermédio da pratica de ato não previsto em lei, ou, não resultante de medida legal. 
 
 
 
 
 
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• Meio executório: não se limita à prática de violência ou grave ameaça. Basta a prática de um ato 
não previsto em lei ou não resultante de medida legal que importe sofrimento físico ou mental. 
 
• Ex.: comete o crime quem adota medidas não previstas na Lei de Execuções Penais ou em outras leis 
similares, como cela escura, solitária, aplicação de choques, sessões de “pau-de-arara” etc. 
• Ex.: Juiz ou autoridade que submete jovem infrator para cumprir medida de internação em 
estabelecimento prisional. 
• Ex.: comete o crime quem coloca preso em regime disciplinar diferenciado sem prévia determinação 
judicial. Nesse caso, o ato está previsto em lei, mas é executado ilegalmente. Atenção, pois RDD 
não é tortura. Colocar em RDD sem determinação legal, causando sofrimento físico ou mental, que 
é. 
 
• Elemento subjetivo: apenas dolo genérico de causar sofrimento físico e mental! Não há dolo 
específico aqui! Ou seja: Tortura sem finalidade especial (tortura por tortura) 
• Momento consumativo: com a submissão da vítima a sofrimento físico ou mental, mediante a 
prática de ato ilegal. Admite-se a tentativa! 
• Tentativa: CRIME PLURISSUBSISTENTE - Admite-se a tentativa. 
 
6.4 Art. 1º, §2º - Tortura por Omissão 
 
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-
las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos. 
 
No parágrafo segundo, podemos ver o que a doutrina conceitua como sendo “tortura omissão”. 
Ocorrendo quando o agente deixa de realizar um fazer a qual estava obrigado. O agente, que deveria evitar 
ou apurar a prática dos delitos descritos, não o faz. 
 Percebam que a pena para quem se omite diante da tortura é menor. Nos crimes anteriores era de 
2 a 8 anos, enquanto neste é de 1 a 4 anos. 
 Além de caber o SURSIS processual (suspensão condicional do processo), entende-se que esse crime 
de omissão perante a tortura do parágrafo 2º não é equiparado a hediondo. 
 O agente pode se omitir de duas formas: 
1) Omitir no dever de evitar a tortura: omissão imprópria 
2) Omitir no dever de apurar a tortura: omissão própria 
 
1) Omitir no dever de evitar a tortura: o agente deixa de agir no sentido de evitar (impedir ou tolher a 
ocorrência) que a tortura seja praticada. 
 
 
 
 
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• Essa primeira parte do §2º trata da omissão imprópria, que é a circunstância em que o agente tinha 
o dever de evitar a tortura. 
• Nessa situação, trabalha-se com a figura do garantidor (art. 13, §2º do Código Penal). A lei penal 
exige a conjugação de duas situações: 
 
(1) Dever de agir: incumbe a quem tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância, de 
outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado, ou com seu comportamento 
anterior, criou o risco da ocorrência do resultado; 
(2) Poder agir: não se pode obrigar ninguém a agir sem que tenha a possibilidade pessoal de fazê-lo. 
 
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para 
evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: 
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância 
 
Desse modo, o sujeito ativo dessa modalidade de tortura é o garantidor, ou seja, a pessoa que possui 
o dever de evitar o resultado. A depender do caso concreto, o garantidor pode responder de forma dolosa 
ou culposa. 
Nas palavras do professor Renato Brasileiro (2020): 
 
“Nesse caso, o agente responde pelo resultado não por tê-lo causado, mas por não 
ter evitado sua ocorrência, estando juridicamente obrigado a fazê-lo, pois, nesse 
caso, o não impedimento, quando possível, equivale, para o Direito Penal, a causar 
o resultado”. 
 
 Exemplo: Delegado percebendo que seus agentes estão levando preso para a sala escura para ser 
torturado, não faz nada! 
Exemplo: João, ora comandante da polícia militar, percebe que soldados preparam-se para torturar 
um preso. João, ainda que ciente dos fatos, nada faz para evitar. Nesse exemplo, João responderá nos moldes 
do art. 1º, §2º (tortura omissão) e os soldados, por sua vez, respondem pela tortura por ação. 
 
• Crítica doutrinária: A doutrina faz duras críticas ao tratamento legal dado à tortura omissão na hipótese 
de se omitir no dever de evitar a tortura, defendendo queO poder jurisdicional é o que permite o exercício da função jurisdicional e se materializa por meio da 
atividade jurisdicional. 
 
2.1.2 Equivalentes Jurisdicionais 
 
São formas alternativas de solução de conflitos. 
 
a) Autotutela: É o sacrifício integral do interesse de uma das partes envolvidas em função do exercício da 
força pela parte vencedora. Não é admitida de forma ampla e irrestrita, salvo nas hipóteses legalmente 
previstas. Ex: Legítima defesa e desforço imediato no esbulho. 
 
Atenção: É possível, no entanto, rever a autotutela pelo Poder Judiciário, ante o princípio da 
inafastabilidade da jurisdição. 
 
b) Autocomposição: Está fundada no sacrifício integral ou parcial do interesse das partes, mediante vontade 
unilateral ou bilateral dos sujeitos. São espécies: 
• Transação: Há sacrifício recíproco de interesses; 
• Renúncia: O titular de pretenso direito abdica; 
• Submissão: O sujeito se submete à pretensão contrária, ainda que fosse legítima a sua resistência. 
No tocante à transação, necessário destacar a mediação e conciliação: 
• Conciliação: Um terceiro oferece soluções fundadas no sacrifício recíproco dos interesses das 
partes; 
• Mediação: O terceiro NÃO faz propostas, mas possibilita um diálogo entre as partes, a fim de que 
elas resolvam o conflito entre si. 
 
c) Arbitragem: As partes escolhem um terceiro de sua confiança, responsável pela solução do conflito, e a 
decisão desse terceiro será impositiva. Pode ser realizada de duas formas: 
• Cláusula compromissória: É uma convenção entre as partes que estabelece que eventuais conflitos 
futuros serão dirimidos pela arbitragem; 
 
 
 
 
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• Compromisso arbitral: É convenção de arbitragem para solucionar conflito que já existe, ainda que 
não exista cláusula compromissória prévia. 
 
 ATENÇÃO: Admite-se a arbitragem na Administração Pública. 
 
A SENTENÇA ARBITRAL É DE CUNHO JURISDICIONAL? 
 
Embora a MAIORIA da doutrina entenda ser a arbitragem equivalente jurisdicional, há corrente 
MINORITÁRIA que entende ser a arbitragem verdadeira espécie de jurisdição, com base nos seguintes 
fundamentos: 
1) É manifestação da autonomia da vontade e a opção por árbitro implica renúncia à jurisdição; 
2) A jurisdição só pode ser exercida por pessoa previamente investida na autoridade de juiz; 
3) A decisão que resolve a arbitragem é atualmente sentença arbitral; 
4) A sentença arbitral torna-se imutável e indiscutível, fazendo coisa julgada material. 
 
APROFUNDAMENTO: JUSTIÇA MULTIPORTAS 
 
- Conciliação, mediação e arbitragem 
A conciliação, mediação e arbitragem eram tradicionalmente chamadas de métodos alternativos de 
solução dos conflitos. Com o advento do CPC/2015, contudo, a doutrina afirma que elas não devem mais 
ser consideradas uma “alternativa”, como se fosse acessório a algo principal (ou oficial). 
Segundo a concepção atual, a conciliação, a mediação e a arbitragem integram, em conjunto com a 
jurisdição, um novo modelo que é chamado de “Justiça Multiportas”. 
- Conceito 
A ideia geral da Justiça Multiportas é, portanto, a de que a atividade jurisdicional estatal não é a única nem 
a principal opção das partes para colocarem fim ao litígio, existindo outras possibilidades de pacificação 
social. Assim, para cada tipo de litígio existe uma forma mais adequada de solução. A jurisdição estatal é 
apenas mais uma dessas opções. 
Como o CPC/2015 prevê expressamente a possibilidade da arbitragem (art. 3, §1º) e a obrigatoriedade, 
como regra geral, de ser designada audiência de mediação ou conciliação (art. 334, caput), vários 
doutrinadores afirmam que o novo Código teria adotado o modelo ou sistema multiportas de solução de 
litígios (multi-door system). 
Vejamos como Leonardo Cunha, com seu costumeiro brilhantismo, explica o tema: “Costumam-se chamar 
de ‘meios alternativos de resolução de conflitos’ a mediação, a conciliação e a arbitragem (Alternative 
Dispute Resolution - ADR). 
Estudos mais recentes demonstram que tais meios não seriam ‘alternativos’: mas sim integrados, 
formando um modelo de sistema de justiça multiportas. Para cada tipo de controvérsia, seria adequada 
uma forma de solução, de modo que há casos em que a melhor solução há de ser obtida pela mediação, 
 
 
 
 
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enquanto outros, pela conciliação, outros, pela arbitragem e, finalmente, os que se resolveriam pela 
decisão do juiz estatal. 
Há casos, então, em que o meio alternativo é que seria o da justiça estatal. A expressão multiportas decorre 
de uma metáfora: seria como se houvesse, no átrio do fórum, várias portas; a depender do problema 
apresentado, as partes seriam encaminhadas para a porta da mediação, ou da conciliação, ou da 
arbitragem, ou da própria justiça estatal. 
O direito brasileiro, a partir da Resolução nº 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça e com o Código de 
Processo Civil de 2015, caminha para a construção de um processo civil e sistema de justiça multiportas, 
com cada caso sendo indicado para o método ou técnica mais adequada para a solução do conflito. O 
Judiciário deixa de ser um lugar de julgamento apenas para ser um local de resolução de disputas. Trata-
se de uma importante mudança paradigmática. Não basta que o caso seja julgado; é preciso que seja 
conferida uma solução adequada que faça com que as partes saiam satisfeitas com o resultado.” (CUNHA, 
Leonardo Carneiro da. A Fazenda Pública em Juízo. 13ª ed., Rio de Janeiro: Forense, p. 637). 
- Vantagens 
Marco Aurélio Peixoto e Renata Peixoto, citando a lição de Rafael Alves de Almeida, Tânia Almeida e 
Mariana Hernandez Crespo apontam as vantagens do sistema multiportas: 
a) o cidadão assumiria o protagonismo da solução de seu problema, com maior comprometimento e 
responsabilização acerca dos resultados; 
b) estimulo à autocomposição; 
c) maior eficiência do Poder Judiciário, porquanto caberia à solução jurisdicional apenas os casos mais 
complexos, quando inviável a solução por outros meios ou quando as partes assim o desejassem; 
d) transparência, ante o conhecimento prévio pelas partes acerca dos procedimentos disponíveis para a 
solução do conflito. (PEIXOTO, Marco Aurélio Ventura; PEIXOTO, Renata Cortez Vieira. Fazenda Pública e 
Execução. Salvador: Juspodivm, 2018, p. 118). 
 
- Origem da expressão 
A origem dessa expressão “Justiça Multiportas” remonta os estudos do Professor Frank Sander, da 
Faculdade de Direito de Harvard, que mencionava, já em 1976, a necessidade de existir um Tribunal 
Multiportas, ou “centro abrangente de justiça”. 
 
2.1.3 Características principais da jurisdição 
 
a) Substitutividade: O Estado substitui a vontade das partes pela vontade da lei no caso concreto, a 
fim de promover a pacificação social. 
 
b) Lide: Segundo Carnelutti, é o conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida. 
 
c) Inércia: O movimento inicial da jurisdição é condicionada à provocação do interessado. 
 
 
 
 
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 Note que a inércia diz respeito ao início do processo, pois uma vez provocada pelo interessado com a 
propositura da demanda, a jurisdição já não será mais inerte, aplicando-se a regra do IMPULSO OFICIAL. Há 
algumas exceções à inércia, com a possibilidade de atuação de ofício do magistrado, a exemplo da fase de 
cumprimento de sentença e do Incidente de desconsideração de personalidade jurídica (não inicia de ofício – 
exige provocação da parte)”. 
 
No CPC 1973, o art. 989 permitia que o juiz desse início ao processo de inventário. Esse dispositivo 
costumava ser utilizado como exemplo de regra excetuadora da regra geral. Sucede que o CPC-2015 não 
tem enunciado semelhante; assim, não há mais essa exceção em nosso processo civil (oinventário no Novo 
CPC não existe mais nessa hipótese - também deve ser provocado pela parte). 
 
d) Definitividade ou imutabilidade: 
As decisões jurisdicionais tendem à imutabilidade, não podendo mais ser discutidas. O objetivo 
é o de evitar a eternização dos conflitos, como consequência da segurança jurídica. 
 
ATENÇÃO: Embora a definitividade seja característica da jurisdição, apenas decisões de mérito 
transitadas em julgado são imutáveis. As decisões sobre jurisdição voluntária, por exemplo, não fazem 
coisa julgada. 
 
e) Imperatividade: a decisão proferida pelo Estado é imperativa e de observância compulsória. 
 
2.1.4 Princípios da jurisdição 
 
a) Investidura: A jurisdição só pode ser exercida por quem dela se encontre 
legitimamente investido. Assim, atos processuais praticados por quem não é investido legitimamente são 
considerados inexistentes, e inclusive caracterizam crime tipificado no código penal. No Brasil, admitem-
se duas formas: concurso público (art. 91, I, da CF) e através do quinto constitucional (art. 94 da CF). 
 
b) Territorialidade ou aderência: O juiz devidamente investido de jurisdição só pode exercê-la 
dentro do território nacional, como consequência da limitação da soberania do Estado brasileiro ao seu 
próprio território. 
 
c) Indelegabilidade: A atividade jurisdicional não pode ser delegada. Ressalta-se que a carta 
precatória constitui delegação de competência, já que é expedida justamente porque o juízo deprecante 
não possui competência para realizar aquele ato. 
 
ATENÇÃO: HÁ EXCEÇÃO À INDELEGABILIDADE? 
 
 
 
 
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Embora seja a regra, é possível excepcionar a indelegabilidade em algumas hipóteses: 
1- Na expedição de carta de ordem pelo Tribunal; 
2- Na delegação da função executiva dos julgados dos Tribunais aos juízes de primeiro grau. Nessa 
hipótese, a delegação NÃO é completa, porque atinge somente os atos materiais de execução, e o Tribunal 
mantêm-se como o único órgão competente para proferir decisões que digam respeito ao mérito da 
execução. 
 
d) Inafastabilidade: Art.5º, XXXV, da CF/88 preleciona que o Estado não pode negar decisão, uma vez 
provocado (Non liquet). O aludido princípio pode ser entendido em algumas acepções: 
 
Relação entre jurisdição e solução administrativa de conflitos 
 
Não há obrigatoriedade de provocação prévia da Administração para, só então buscar o judiciário. Exceção: 
 - Justiça Desportiva (art. 217, §1º, CF/88): Exige-se o exaurimento prévio do processo administrativo na 
Justiça Desportiva; 
- Habeas Data: Só é cabível se houver recusa das informações pela autoridade administrativa. 
- Acesso à ordem jurídica justa: 
Acesso ao processo, com o mínimo possível de obstáculos; 
Acesso dos necessitados econômicos, a exemplo da assistência judiciária gratuita; 
Tutela jurisdicional coletiva, em especial a Lei de Ação Civil Pública e o Código de Defesa do Consumidor 
(“Molecularização dos conflitos”); 
 
e) Juiz Natural: Ninguém será processado senão pela autoridade competente (art. 5º, LIII, da CF/88). 
 
2.1.5 Jurisdição contenciosa e voluntária 
 
A jurisdição contenciosa pode ser compreendida como a jurisdição propriamente dita, pois se trata 
da atuação da vontade concreta da lei. Já a jurisdição voluntária ou integrativa é conceituada como a 
administração pública de interesses privados para integrar e fiscalizar a vontade das partes. 
 
Jurisdição Contenciosa Jurisdição Voluntária 
Objetiva a composição de litígios Objetiva a integração da vontade, para torná-
la apta a produzir efeitos 
Há lide Ausência de lide, porque as vontades são 
convergentes 
Existem partes Existem interessados 
A decisão faz coisa julgada material e formal A decisão faz coisa julgada apenas formal 
 
 
 
 
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O juiz segue estrita legalidade O juiz pode decidir com base em juízo de 
equidade. 
Há os efeitos da revelia Não há os efeitos da revelia 
Princípio do dispositivo Princípio do inquisitivo: 
- O juiz pode dar início de ofício a algumas 
demandas de jurisdição voluntária; 
- Maiores poderes instrutórios para o juiz, que 
pode produzir provas mesmo contra a vontade 
das partes; 
- O juiz pode decidir contra a vontade de 
ambas as partes; 
 
2.2 Ação 
 
2.2.1 Conceito 
 
Pode se conceituar ação, de forma simples, como o direito de provocar a tutela jurisdicional do 
estado. E, também, como a forma pela qual o cidadão exerce o seu direito preexistente de acesso à justiça. 
No entanto, o conceito preciso de ação dependerá da teoria adotada. 
 
2.2.2 Teorias da Ação 
 
I. Teoria civilista (clássica ou imanentista) – Savigny: O Direito material e o direito de ação se 
confundem, de modo que NÃO existe direito de ação sem existir o direito material. O direito de ação seria 
mero procedimento. 
 
II. Teoria concretista – Adolf Wach: O direito de ação corresponderia ao direito a uma sentença 
favorável. O direito de ação é independente do direito material, mas só possui o direito de ação quem 
possui o direito material. 
Wach desenvolveu suas ideias a partir das ações declaratórias. 
 
III. Teoria abstrata - Degenkolb (Alemanha), Plosz (Hungria) e Alfredo Rocco (Itália): Ação é vista 
como direito público, subjetivo e abstrato a um pronunciamento do estado-juiz, por uma sentença favorável 
ou não. Mantem a autonomia do direito de ação, mas NÃO se confunde com o direito material. 
NÃO existiria nenhuma condição para exercer o direito de ação. 
 
III. Teoria eclética – Liebman: 
 
 
 
 
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O direito de ação seria autônomo e independente do direito material, mas não seria universal e 
incondicionado. Só seria considerado seu titular o autor que, em concreto, tem direito a um julgamento de 
mérito, o que só ocorrerá se preenchidas as chamadas condições da ação. 
A ação seria, portanto, direito a julgamento de mérito. 
Para Liebman, o direito de ação é visto como o direito de ter uma sentença de mérito, no caso do 
preenchimento das condições da ação. 
 
IV. Teoria da Asserção (della prospettazione): Intermediária entre a teoria abstrata e a eclética. Prevê que 
as condições da ação devem ser analisadas com os elementos fornecidos pelo próprio autor. 
 A ausência de uma das condições da ação passa a ser matéria de mérito, fazendo coisa julgada 
material (condições analisadas ANTES de produzir as provas). 
 Interessa na aferição das condições da ação a mera alegação do autor. 
 
2.2.3 Elementos da Ação 
 
Identificam a ação 
✓ PARTES: Relaciona-se com os sujeitos. Abrangência: 
 Teoria Restritiva (Chiovenda): parte é quem pede e contra quem se pede a tutela 
jurisdicional. 
 Teoria Ampliativa (Liebman): partes são todos os sujeitos que participam do processo 
exercendo ônus, faculdades, direitos, deveres e se colocando em estado de sujeição. Assim, 
partes são todos aqueles que se submetem a situações/posições jurídicas. 
 
Formas de adquirir a qualidade de parte: 
 Ingresso na demanda; 
 Citação; 
 De forma voluntária. Ex: Assistente; 
 Sucessão processual. 
 
✓ PEDIDO: Relaciona-se com o objeto. Deve ser certo e determinado. 
Requisitos para a cumulação de pedido: 
 Mesmo réu; 
 Pedidos compatíveis; 
 Mesmo juiz competente 
 Identidade procedimental. 
 
Espécies de Cumulação: 
• Própria: 
 
 
 
 
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o Simples: O resultado de um pedido NÃO interfere nos demais; 
o Sucessiva: Há relação de prejudicialidade. 
• Imprópria: 
o Subsidiária: pede que, em não acolhendo um pedido, acolha o outro; 
o Alternativa: pede que se acolha um pedido ou outro. 
 
✓ CAUSA DE PEDIR: Relaciona-se com o fato. 
Teorias sobre acausa de pedir: 
 
• Teoria da individuação: A causa de pedir é composta apenas pelo fundamento jurídico do pedido; 
• Teoria da substanciação (ou substancialização): A causa de pedir é composta pelo fato jurídico + 
relação jurídica. (Adotada pelo NCPC, artigo 319). 
 
2.2.4 Requisitos de admissibilidade do processo 
 
(Pelo CPC/73 seriam as condições da ação) 
 
I. Legitimidade: É pertinência subjetiva da lide; 
 
II. Interesse de agir: Subdivide-se em: 
• Necessidade: quando a intervenção do Poder Judiciário for indispensável para a obtenção do bem 
da vida pretendido. 
• Utilidade: a tutela pretendida deve ser apta a gerar uma efetiva melhora na situação fática do 
autor. 
• Adequação: o pedido do autor deve ser apto a resolver o conflito de interesses descrito pelo autor. 
 
ATENÇÃO: 
No CPC/2015, nenhum dos artigos que fala de legitimidade e interesse fala em condições da ação. 
Então, acabou a “categoria” de condições da ação? 
2 correntes: 
1. Continua existindo – o CPC não usou o nome “condições da ação” porque não precisou usar. Mas 
legitimidade e interesse continuam a ser condições da ação. 
Parece ser a majoritária – Alexandre Câmara, Daniel Assumpção... 
2. Houve “silêncio eloquente” – quando os arts. não disseram mais “condições da ação”, não 
quiseram mais falar em condições da ação. 
Didier, Leonardo Carneiro da Cunha, Daniel Macedo, Fabrício Bastos, Alexandre Flecha 
 
 
 
 
 
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2.2.5 Pressupostos Processuais 
 
São requisitos mínimos para que a relação processual se desenvolva regularmente. Subdividem-se 
em: 
a) Subjetivos: 
• Investidura: Exige que o julgador possua poder jurisdicional, o qual é conferido pelo Estado. É 
pressuposto de existência. 
• Imparcialidade: Necessidade de que o julgador seja um terceiro neutro na relação jurídica 
processuais. Pressuposto de validade. 
• Competência: Gera a nulidade de pleno direito dos atos decisórios, sendo pressuposto processual 
de validade. 
 
ATENÇÃO: A competência relativa, segundo parte da doutrina, não pode ser considerada como 
pressuposto processual subjetivo, pois pode ser convalidada. 
 
1. Capacidade de ser parte: Capacidade do sujeito de gozo e exercício de direitos e obrigações. É 
pressuposto processual de existência. 
2. Capacidade de estar em juízo: É a capacidade processual, tendo os incapazes representação ou 
assistência no processo. É pressuposto de validade. 
3. Capacidade postulatória diferencia-se das demais por exigir a presença de advogado habilitado 
pela OAB. É pressuposto de validade do processo. 
 
b) Objetivos: 
 
EXTRÍNSECOS: Referentes a fatos estranhos ao processo que não podem se verificar para que o processo 
seja considerado válido. São pressupostos de validade: 
1. Coisa julgada material; 
2. Litispendência; 
3. Perempção; 
4. Convenção de arbitragem; 
5. Transação. 
 
INTRÍNSECOS 
1. Demanda: É pressuposto de existência. 
2. Petição inicial apta: É pressuposto de validade. 
3. Citação válida: É pressuposto de validade. 
4. Regularidade Formal: É pressuposto de validade. 
 
 
 
 
 
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➢ Preclusão: É a perda de uma faculdade processual. 
Espécies: 
1. Temporal: Impossibilidade de praticar o ato, por não ter sido praticado no prazo previsto em lei; 
2. Lógica: Impossibilidade de praticar um ato, pois o ato processual anterior, produzido pela mesma 
parte, é incompatível com o novo ato. 
3. Consumativa: Impossibilidade de se repetir ou complementar ato processual já praticado 
validamente. 
 
EXISTE PRECLUSÃO PRO JUDICATO? 
A preclusão pro judicato se atrela ao prazo para a prática de atos processuais pelo juiz. 
1- Preclusão temporal: Não existe, pois os prazos são impróprios. 
2- Preclusão consumativa ou lógica: É possível falar em preclusão. 
 
3. COMPETÊNCIA 
 
Pessoal, aqui o foco é ler e reler a letra da lei (decoreba) 
 
3.1 Generalidades 
 
A jurisdição é una (manifestação do poder estatal). Entretanto, é exercida por órgãos distintos, 
distribuídos conforme suas atribuições. 
A competência é o poder de exercer a jurisdição nos limites estabelecidos por lei, é a medida da 
jurisdição. 
Obedecidos os limites estabelecidos pela CF/88, a competência é determinada pelas normas 
previstas no CPC, em legislação especial, pelas normas de organização judiciária e, ainda, no que couber, 
pelas constituições dos Estados (art. 44). 
Não há vácuo de competência: sempre haverá um juízo competente para processar e julgar 
determinada demanda. 
Além das competências enumeradas na Constituição, o STF admite a existência de competências 
implícitas (implied power). Ex.: embora não esteja previsto expressamente, cabe ao STF julgar os embargos 
de declaração opostos contra suas decisões. 
Regra da KOMPETENZ KOMPETENZ: todo juízo tem competência para julgar sua própria 
competência. 
Pela regra da PERPETUATIO JURISDICTIONIS a competência, fixada pelo registro ou pela 
distribuição da petição inicial (e não mais no momento do despacho da inicial ou da distribuição), 
perpetua-se até a prolação da decisão, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito 
ocorridas posteriormente. 
O final do art. 43 traz duas exceções à perpetuatio: 
 
 
 
 
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a) Supressão de órgão judiciário; ou 
b) Alteração de competência absoluta. 
Obs: O desmembramento da comarca só implicará a redistribuição da causa se alterar competência absoluta, 
inclusive competência territorial absoluta. 
 
3.2 Critérios Determinativos Da Competência 
 
O critério é denominado objetivo quando toma por base as características da demanda para a fixação 
da competência, isto é, a distribuição da competência se dá com base nos elementos da ação (partes, pedido 
e causa de pedir). 
Será funcional quando o critério básico para determinação da competência relacionar-se com o 
conjunto de atribuições que as leis conferem aos diversos órgãos judiciários que vão atuar no processo. 
Funcional: função 
Diz-se territorial quando o critério levar em conta a divisão do poder jurisdicional em razão de foros 
ou circunscrições judiciárias em que está dividido o país. 
 
➢ CRITÉRIO OBJETIVO 
 
A) Em razão da PESSOA – Ocorre quando a parte litigante possui vários órgãos competentes para 
análise daquele tipo de caso. Exemplo: quando envolve a Fazenda Pública, o processo é julgado na Vara 
da Fazendo Pública, independente das outras opções. 
B) Em razão da MATÉRIA – É necessário analisar qual a natureza jurídica daquela matéria em 
controvérsia. Exemplo: Divórcios, onde a Vara de Família é competente. 
C) Em razão do VALOR DA CAUSA – Há determinados casos em que a competência é definida de 
acordo com o valor da causa em julgamento. Exemplo: Juizado Especial que julga ações de até 40 salários 
mínimos. 
 
➢ CRITÉRIO FUNCIONAL 
 
O critério funcional de competência vai determinar qual órgão é competente de acordo com a 
função que ele desempenha dentro da estrutura do Poder Judiciário. 
A) Horizontal – Quando ela ocorre entre órgãos do mesmo nível hierárquico, mas com 
atribuições diferentes. 
B) Vertical – Muda de acordo com as instâncias. Ou seja, 1º instância, 2º instância e 3ª instância. 
 
➢ CRITÉRIO TERRITORIAL 
 
 
 
 
 
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Visa determinar qual é o local em que aquela demanda deve ser proposta. Tem previsão a partir do 
artigo 46 do Novo CPC. Veja: 
 
REGRA GERAL 
 
Regra Geral – Direito pessoal ou real sobre bens MÓVEIS, será proposto a demanda no domicílio do 
réu (art. 46). 
 
A) RÉU com + 1 Domicílio – O autor pode escolher qual dos domicílios vai propor aquele caso. 
 
B) RÉU em local Incerto ou Desconhecido– O autor pode optar por demandá-lo onde o réu for 
encontrado ou no domicílio do Autor. 
C) Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil – No foro de domicílio do autor, e, 
se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer for. Obs.: deve-se observar o 
previsto no artigo 23. 
D) Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios – No foro de qualquer deles, à 
escolha do autor. 
E) Execução Fiscal – No foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for 
encontrado. 
 
EXCEÇÕES À REGRA GERAL 
 
a) Ações fundadas em direito real sobre IMÓVEIS (ART. 47) – É competente o foro de situação da coisa. O 
autor também pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre 
direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova. 
 
b) HERANÇA (ART. 48) – O foro de domicílio do autor da herança, ainda que o óbito tenha ocorrido no 
estrangeiro. Não possuía domicílio certo, é competente: 
 
I – o foro de situação dos bens imóveis; 
II – havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes; 
III – não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio. 
 
c) RÉU INCAPAZ (ART. 50) - Foro de domicílio de seu representante ou assistente. 
 
d) União como Autora ou Assistente (ART. 51) – No foro de domicílio do autor. 
 
Caso a União seja ré, o foro competente é o de ocorrência do ato ou fato que originou a 
 
 
 
 
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demanda, no de situação da coisa ou no Distrito Federal. 
 
e) Estado o DF como Autor ou Assistente (ART. 52) – No foro de domicílio do réu. 
 
Caso o Estado ou DF sejam réus: (i)no foro de domicílio do autor, (ii) no de ocorrência do ato ou fato 
que originou a demanda, (iii) no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado. 
 
f) Divórcio, Anulação de Casamento, Reconhecimento ou Dissolução de União Estável (ART. 53): 
a) de domicílio do guardião de filho incapaz; 
b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; 
c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal; 
d) de domicílio da vítima de violência doméstica e familiar, nos termos da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 
2006 (Lei Maria da Penha); (Incluída pela Lei nº 13.894, de 2019) 
 
Dica de leitura: 
http://genjuridico.com.br/2019/11/13/lei-13894-2019-competencia-juizados/ 
https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2019/10/30/lei-13-89419-altera-lei-maria-da-
penha-para-dispor-sobre-assistencia-judiciaria-para-divorcio-separacao-anulacao-de-casamento-ou-
dissolucao-de-uniao-estavel/ 
 
g) Ação de Alimentos (ART. 53, II) – A competência é do domicílio ou residência do alimentando (quem 
recebe). 
 
h) Do Lugar (ART. 53, III) 
 
a) onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica; 
b) onde se acha agência ou sucursal, quanto às obrigações que a pessoa jurídica contraiu; 
c) onde exerce suas atividades, para a ação em que for ré sociedade ou associação sem 
personalidade jurídica; 
d) onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se lhe exigir o cumprimento; 
e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo estatuto; 
f) da sede da serventia notarial ou de registro, para a ação de reparação de dano por ato 
praticado em razão do ofício; 
g) Do lugar do ato ou fato para a ação (ART. 53, IV) 
h) de reparação de dano; 
i) em que for réu administrador ou gestor de negócios alheios. 
j) Para ação de reparação de dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos e 
aeronaves (ART. 53, V) - Domicílio do Autor ou Local do Fato. 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13894.htm#art2
http://genjuridico.com.br/2019/11/13/lei-13894-2019-competencia-juizados/
https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2019/10/30/lei-13-89419-altera-lei-maria-da-penha-para-dispor-sobre-assistencia-judiciaria-para-divorcio-separacao-anulacao-de-casamento-ou-dissolucao-de-uniao-estavel/
https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2019/10/30/lei-13-89419-altera-lei-maria-da-penha-para-dispor-sobre-assistencia-judiciaria-para-divorcio-separacao-anulacao-de-casamento-ou-dissolucao-de-uniao-estavel/
https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2019/10/30/lei-13-89419-altera-lei-maria-da-penha-para-dispor-sobre-assistencia-judiciaria-para-divorcio-separacao-anulacao-de-casamento-ou-dissolucao-de-uniao-estavel/
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3.3. Competência Concorrente – Novo CPC 
 
O Brasil tem competência concorrente com outros países nos casos dos artigos art. 21 e 22 Novo 
CPC4. 
Assim, as duas ações correrão ao mesmo tempo. A ação brasileira não vai ser extinta em razão da 
litispendência. 
Não há litispendência, conforme artigo 24 CPC. Para o nosso ordenamento, vai valer a ação que 
primeiro transitar em julgado. 
A sentença estrangeira ainda deve ser homologada por autoridade brasileira competente, no caso, o 
STJ e, não caber mais recursos para só então ser considerada como “transitado em julgado” em nosso país e 
aí surtir efeitos. 
 
3.4 -Competência Exclusiva – Novo CPC 
 
O poder jurisdicional brasileiro tem competência exclusiva (é excluída a autoridade judiciária de 
qualquer outro país) nos termos do artigo 23 e 25 do Novo CPC.5 
ATENÇÃO: não podemos incluir as hipóteses do artigo 23 dentro do artigo 25. Ou seja, não pode ter 
um contrato internacional que seja de competência de um juízo estrangeiro a análise sobre uma questão 
envolvendo um imóvel situado no Brasil. 
A delimitação da competência exclusiva não pode ser objeto de deliberação internacional. 
Nesse ponto, percebemos que o CPC disciplina acerca da competência através de uma norma 
processual e diz qual órgão judiciário deve julgar aquele caso. 
 
4 Artigo 21/22 
I - O réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; (considera-se domiciliada no 
Brasil a pessoa jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal.) 
II – No Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; 
III- O fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil. 
IV– Ações de alimentos, quando: 
a)o credor tiver domicílio ou residência no Brasil; 
b)o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou obtenção de 
benefícios econômicos; 
V – Ações decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou residência no Brasil; 
VI- Ações em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional. 
5 Artigo 23 
I – Conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; 
II – Em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e ao inventário e à 
partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio 
fora do território nacional; 
III– Em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de bens situados no Brasil, 
ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional. 
 
 
 
 
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Por isso, não há uma colisão entre o que dispõe o artigo 10, da lei de Introdução das Normas do 
Direito Brasileiro, pois esta lei faz referência aplicação das normas de direito material. 
Como isso caiu em prova? 
 
Banca: CESPE - Órgão: TJ-PR (TJ-PR - Juiz Substituto) em 2019: 
 
De acordo com o Código de Processo Civil, no que concerne ao julgamento de ação reivindicatória 
da propriedade de bem imóvel localizado em território

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