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TOXICIDADE do SNC Fabio Mesquita Toxicidade no SNC I) INTRODUÇÃO – Visão Geral: - O sistema nervoso central (SNC) é protegido de efeitos adversos de vários toxicantes potenciais por uma barreira anatômica hematencefálica. - Os neurônios são altamente dependentes do metabolismo aeróbico, porque essa energia é necessária para manter o gradiente iônico próprio. - O neurônio, o axônio, a célula mielinizada ou o sistema de neurotransmissores são alvos típicos de compostos neurotóxicos distintos. - Neuronopatia é a perda irreversível de neurônios induzida por um toxicante, incluindo suas extensões citoplasmáticas, dendritos e axônios e a bainha de mielina do axônio. - Neurotoxicantes que causam axonopatias induzem degeneração axonal e diminuição da mielina ao redor do axônio; contudo, o corpo celular do neurônio permanece intacto. - Numerosas toxinas de ocorrência natural, bem como químicas sintéticas, podem interromper a transmissão de impulsos, bloquear ou acentuar a comunicação trans-sináptica, bloquear a recaptação de neurotransmissores ou interferir nos sistemas de segundo mensageiro I) ANATOMIA FUNCIONAL – Barreira Hemato-Encefálica: O SNC é protegido de efeitos adversos de vários toxicantes potenciais por uma barreira anatômica entre o sangue e o cérebro, ou “barreira hemato-encefálica”. A barreira hemato-encefálica também contém transportadores de xenobióticos que transportam de volta para o sangue alguns xenobióticos que se difundiram através das células endoteliais. Se não for por transporte ativo para dentro do cérebro, a penetração dos toxicantes ou de seus metabólitos no SN é amplamente relacionada a sua solubilidade em lipídeos. Contudo, gânglios autonômicos e espinais, bem como um pequeno número de outros sítios cerebrais, não são protegidos por barreiras tecido-sangue. A barreira hematencefálica não está completamente desenvolvida ao nascimento e ainda menos em crianças prematuras. Isso predispõe as crianças prematuras a lesões cerebrais por toxicantes. Toxicidade no SNC I) ANATOMIA FUNCIONAL: A comunicação intercelular ocorre no SN por meio da sinapse. Neurotransmissores liberados do neurônio atuam como primeiro mensageiro. A ligação do neurotransmissor no receptor pós-sináptico é seguida pela modulação de canais iônicos ou ativação de um sistema de segundo mensageiro, levando a modificações na resposta celular. Vários fármacos e compostos tóxicos interferem no processo de neurotransmissão. Replicação, migração, diferenciação, mielinização e formação de sinapse são os processos básicos que constituem a base do desenvolvimento do SN. Começa no útero e continua até a infância. O SN imaturo é vulnerável especialmente a certos agentes. A substituição insuficiente de células neurais lesadas, a formação lenta da barreira hematencefálica e a falta de enzimas metabólicas importantes podem influenciar a sensibilidade do SN. A exposição ao álcool durante a gravidez pode resultar em anormalidades no feto, incluindo migração neuronal anormal e anormalidades difusas no desenvolvimento dos processos neuronais. O resultado clínico da exposição fetal ao álcool é frequentemente retardo mental, com malformações do cérebro e retardo na mielinização da substância branca. Toxicidade no SNC II) PADRÕES DE LESÃO NEUROTÓXICA: 1) Neuronopatia: Resulta da morte de todo o neurônio. Astrócitos frequentemente proliferam em resposta à perda neuronal, gerando perda neuronal e gliose. 2) Axonopatia: Quando o axônio é o local primário da lesão, ele pode se degenerar, enquanto o neurônio sobrevive sofrendo somente cromatólise com marginação da substância de Nissl e do núcleo para a periferia da célula. 3) Mielinopatias: Resultam da desregulação da mielina ou da lesão seletiva das células mielinizadas. Para prevenir a interferência entre axônios adjacentes, as células mielinizadas rapidamente dividem-se e cobrem o axônio desnudo; 4) Bloqueio na Neurotransmissão: Alguns compostos não conduzem a morte celular, mas exercem seus efeitos tóxicos por interromper os processos de neurotransmissão, seja por bloqueio da excitação ou por excessiva estimulação. Toxicidade no SNC III) RESPOSTAS FISIOPATOLÓGICAS: MANIFESTAÇÕES FUNCIONAIS DE NEUROTOXICIDADE Toxicidade no SNC A avaliação funcional utiliza baterias de testes funcionais como meio para screening de compostos potencialmente neurotóxicos. Um grupo de testes comportamentais é normalmente realizado para avaliar uma variedade de funções neurológicas. Existem dois níveis distintos de testes funcionais a neurotoxicantes: primeira série, em que os testes podem ser usados para identificar a presença de uma substância neurotóxica, e segunda série, que envolve a caracterização dos efeitos do composto nas funções motoras, sensoriais, autonômicas e cognitivas. A segunda série é fundamental para a validação dos testes comportamentais, porque as alterações de comportamento são correlacionadas com a identificação fisiológica, bioquímica e patológica da lesão neurotóxica. Em última instância, os neurotoxicantes identificados por métodos comportamentais são avaliados em nível celular e molecular para fornecer uma compreensão dos eventos no SN que causam a disfunção neurológica detectada por testes observacionais. IV) MECANISMOS DE NEUROTOXICIDADE: Toxicidade no SNC Compostos neurotóxicos distintos têm, em geral, um dos quatro alvos: o neurônio, o axônio, a célula mielinizada ou o sistema neurotransmissor. A) Neuronopatias: Certos toxicantes são específicos para neurônios, resultando em sua lesão ou morte. A perda de neurônios é irreversível e inclui a degeneração de todas as suas extensões citoplasmáticas, dendritos, axônios e da bainha de mielina do axônio. Cada condição tóxica é o resultado de um toxicante celular que tem uma predileção por neurônios. A lesão inicial do neurônio é seguida por apoptose ou necrose, levando a diminuição permanente de neurônios. Esses agentes tendem a ser difusos em sua ação, embora possam mostrar alguma seletividade no grau de lesão às diferentes subpopulações neuronais. Toxicidade no SNC Toxicidade no SNC IV) MECANISMOS DE NEUROTOXICIDADE: Toxicidade no SNC A) Neuronopatias: A expressão desses eventos celulares é frequentemente uma encefalopatia difusa, com disfunções globais. 1) Doxorrubicina: A doxorrubicina (adriamicina) lesa neurônios no SNP, especificamente aqueles dos gânglios da raiz dorsal e gânglios autonômicos, por intercalar com o DNA e interferir na transcrição. A vulnerabilidade dos neurônios sensórios e autonômicos parece refletir sua falta de proteção pela barreira hemato-encefálica nos gânglios. 2) Metilmercúrio: Os neurônios mais sensíveis aos efeitos tóxicos do metilmercúrio são aqueles que residem nos gânglios da raiz dorsal, talvez mais uma vez refletindo a vulnerabilidade dos neurônios não protegidos pela barreira hemato-encefálica. A exposição ao metilmercúrio prejudica a glicólise, a biossíntese de ácidos nucleicos, a respiração aeróbica, a síntese de proteínas e a liberação de neurotransmissores. Além disso, existem evidências de aumento do dano oxidativo e alteração da homeostase de cálcio. A exposição ao metilmercúrio provoca dano neuronal disperso e encefalopatia difusa subsequente. 3)Toxicidade por dopamina, 6-hidroxidopamina e catecolaminas: A oxidação de catecolaminas pela monoaminoxidase (MAO) forma H2O2, um conhecido metabólito citotóxico. A autoxidação decatecolaminas catalizada por íons metálicos, especialmente dopamina, resulta na produção de quinonas, derivadas de catecolaminas, bem como ânions superóxidos. A 6-hidroxidopamina produz simpatectomia química nos nervos periféricos após administração sistêmica. A oxidação desse análogo das catecolaminas ocasiona a produção de espécies reativas de oxigênio com destruição seletiva da inervação simpática. As fibras simpáticas degeneradas levam a um tônus parassimpático descompensado, diminuindo a frequência cardíaca e aumentando a motilidade do sistema digestório. IV) MECANISMOS DE NEUROTOXICIDADE: Toxicidade no SNC Compostos neurotóxicos distintos têm, em geral, um dos quatro alvos: o neurônio, o axônio, a célula mielinizada ou o sis- tema neurotransmissor. B) Axonopatias: Os distúrbios neurotóxicos denominados axonopatias são aqueles nos quais o sítio primário de toxicidade é o próprio axônio. O axônio degenera e, com ele, a mielina que está ao seu redor. Ocorre uma “transecção química” do axônio em algum ponto ao longo de seu comprimento, a qual degenera o axônio distal. Quando ocorre no SNP, axônios periféricos podem se regenerar, enquanto no SNC não. A relevância clínica da disparidade entre o SNC e o SNP é que uma recuperação parcial a total pode ocorrer após a degeneração axonal no SNP, enquanto o mesmo evento é irreversível no SNC. OBS.: Com os axônios danificados na altura mais distal dos processos axonais, sensibilidade e força motora de mãos e pés são as primeiras prejudicadas, resultando em uma neuropatia em “luvas e meias”. Com o tempo e a continuidade da lesão, o déficit progride envolvendo as áreas proximais do corpo e os longos axônios da medula espinal. Toxicidade no SNC Toxicidade no SNC Toxicidade no SNC 1) Hidrocarbonetos: Seres humanos desenvolvem uma axonopatia sensório-motora distal quando expostos a altas concentrações de um alcano simples, o n-hexano, dia após dia em ambientes de trabalho ou após repetida inalação intencional de colas contendo hexano. A w-1 oxidação de n-hexano resulta no final em g-dicetona, 2,5- hexanodiona (HD), a qual reage com grupos aminos terminais em todos os tecidos para formar pirróis que derivatizam e formam ligações cruzadas com neurofilamentos, promovendo edemas axonais preenchidos de neurofilamentos. Ocorre o surgimento de uma neuropatia periférica clínica. 2) Dissulfeto de carbono: A exposição significativa de humanos a CS2 causa uma axonopatia distal patologicamente idêntica àquela causada pelo hexano. Ocorre a ligação cruzada covalente de neurofilamentos, e o CS2 é, por si só, o toxicante final. Também pode levar a alterações no humor e sinais de doença encefalopática difusa. Sintomatologia inicial em forma de “luva e meia” . 3) Acrilamida: A acrilamida é um monômero vinílico amplamente utilizado em purificação de água, manufatura de papel, mineração e impermeabilização. É também muito usado em laboratórios de bioquímica, e está presente em muitos alimentos preparados a altas temperaturas. Repetidas dosagens resultam em axonopatias mais proximais. Essas mudanças são causadas pelo acúmulo de neurofilamentos nos nervos terminais. Foi observado recentemente que a degeneração dos nervos terminais ocorre antes do desenvolvimento de axonopatia, sugerindo que essa degeneração é a lesão primária. 4) Compostos organofosforados: Utilizados como praguicidas e aditivos em plásticos e produtos derivados de petróleo, inibem a acetilcolinesterase e levam a um excesso de atividade colinérgica. Contudo, o tri-orto-cresil fosfato (TOCP) causa grave axonopatia sem induzir intoxicação colinérgica. IV) MECANISMOS DE NEUROTOXICIDADE: B) Axonopatias: Toxicidade no SNC 5) Piridinationas: A zinco piridinationa tem propriedades antibacterianas e antifúngicas e é um componente de xampus que são efetivos no tratamento de seborreia e caspa. Somente a parte da piridinationa é absorvida após a ingestão; sendo a maioria do zinco eliminada nas fezes. A piridinationa parece interferir no sistema de transporte axonal rápido, prejudicar a recuperação das vesículas rapidamente transportadas e retardar o transpor- te retrógrado de vesículas. A alteração do sistema de transporte axonal rápido provavelmente contribui para o acúmulo de estruturas tubulares e vesiculares no axônio distal. Como esses materiais se acumulam em uma região do axônio, as estruras acumuladas degeneram-no em suas regiões mais distais. Os primeiros sinais são força de preensão diminuída e alterações do axônio terminal, levando a neuropatia periférica. IV) MECANISMOS DE NEUROTOXICIDADE: B) Axonopatias: Toxicidade no SNC IV) MECANISMOS DE NEUROTOXICIDADE: C) Mielinopatias: A mielina fornece isolamento elétrico de processos neuronais, e sua ausência provoca diminuição e alteração da condução de impulsos entre os processos adjacentes. A exposição a toxicantes pode resultar em separação entre as camadas de mielina, denominada edema intramielínico, ou perda seletiva de mielina, denominada desmielinização. A remielinização no SNC ocorre apenas de forma limitada após a desmielinização. 1) Hexaclorofeno: O hexaclorofeno, ou metileno 2,2’-metilenebis (3,4,6-triclorofenol), causou neurotoxicidade quando recém-nascidos foram banhados com o composto para evitar infecções cutâneas estafilocócicas. Após a absorção cutânea desse composto hidrofóbico, o hexaclorofeno penetra no SN e provoca edema intramielínico, o que leva à formação de vacúolos criando uma “espongiose” do cérebro. O hexaclorofeno causa edema intramie- línico que leva a desmielinização segmental. O edema cerebral provoca aumento da pressão intracraniana, degeneração axonal e degeneração de fotorreceptores na retina. O sintomas da exposição são fraqueza generali- zada, confusão e convulsões. Pode ocorrer progressão, incluindo coma e morte. 2) Telúrio: A neurotoxicidade do telúrio em ratos jovens altera a síntese de lipídeos da mielina nas células de Schwann devido a várias anormalidades lipídicas. Como ocorrem alterações bioquímicas, os lipídeos acumulam-se nas células de Schwann, que, por fim, perdem sua capacidade de manter a mielina no SNP. 3) Chumbo: A exposição ao chumbo em animais provoca neuropatia periférica com proeminente desmilelinização segmental. Em crianças pequenas, a exposição massiva aguda ao chumbo resulta em edema cerebral grave, talvez em virtude dos danos nas células endoteliais. Crianças absorvem chumbo mais facilmente, e as muito jovens não têm a proteção da barreira hematencefálica. Em adultos, a intoxicação crônica resulta em neuropatia periférica, gastrite, dor abdominal com cólicas e anemia; o depósito em locais específicos leva à criação de linhas de chumbo nas gengivas e nas epífises dos ossos longos em crianças (Linhas de Burton). O chumbo retarda a condução nervosa nos nervos periféricos de seres humanos. A base da encefalopatia por chumbo é desconhecida, embora tenha sido mostrado um efeito sobre a estrutura e fluidez da membrana de mielina. Toxicidade no SNC IV) MECANISMOS DE NEUROTOXICIDADE: Toxicidade no SNC IV) MECANISMOS DE NEUROTOXICIDADE: D) Associada à Neurotransmissão: Numerosas toxinas e substâncias químicas sintéticas interagem na comunicação intercelular via processo de neurotransmissão. Esse grupo de compostos pode interromper a transmissão de impulsos, bloquear ou acentuar a comunicação sináptica, bloquear a recaptação de neurotransmissores ou interferir nos sistemas de segundo mensageiro. Como os alvos para esses toxicantesestão localizados por todo o corpo, as respostas não são localizadas; no entanto, são estereotipadas, em que cada membro de uma classe tende a ter efeitos biológicos similares. Em termos de toxicidade, a curto prazo, a maioria dos efeitos adversos desses toxicantes pode ser vista como interações que são facilmente reversíveis. No entanto, a longo prazo, estão associados a discinesia tardia irreversível (“caretas”). 1) Nicotina: A nicotina exerce seu efeito por se ligar a uma subunidade do receptor colinérgico nicotínico. O ato de fumar “doses farmacológicas” de nicotina aumentam os batimentos cardíacos, elevam a pressão arterial e contraem os vasos sanguíneos da pele como resultado da estimulação ganglionar do SN simpático. O rápido aumento dos níveis circulantes de nicotina após superdosagem aguda leva à estimulação excessiva do receptor nicotínico, um processo que é seguido rapidamente pela paralisia ganglionar. Náuseas, frequência cardíaca acelerada e sudorese iniciais são logo seguidas por desaceleração acentuada da frequência cardíaca com falha na pressão sanguínea. Sonolência e confusão podem ocorrer, seguidas de coma. Se resultar em morte, esta geralmente é o resultado da paralisia dos músculos da respiração. A exposição de longa duração a baixos níveis é a mais comum. As complicações dos fumantes incluem doenças cardiovasculares, câncer e doença pulmonar crônica. A exposição crônica à nicotina tem efeitos sobre o desenvolvimento fetal. Com a diminuição do peso ao nascer, os transtornos de déficit de atenção são os mais comuns em crianças cujas mães fumavam durante a gestação. Toxicidade no SNC IV) MECANISMOS DE NEUROTOXICIDADE: D) Associada à Neurotransmissão: Numerosas toxinas e substâncias químicas sintéticas interagem na comunicação intercelular via processo de neurotransmissão. Esse grupo de compostos pode interromper a transmissão de impulsos, bloquear ou acentuar a comunicação sináptica, bloquear a recaptação de neurotransmissores ou interferir nos sistemas de segundo mensageiro. Como os alvos para esses toxicantes estão localizados por todo o corpo, as respostas não são localizadas; no entanto, são estereotipadas, em que cada membro de uma classe tende a ter efeitos biológicos similares. Em termos de toxicidade, a curto prazo, a maioria dos efeitos adversos desses toxicantes pode ser vista como interações que são facilmente reversíveis. No entanto, a longo prazo, estão associados a discinesia tardia irreversível (“caretas”). 2) Cocaína e anfetaminas: As propriedades euforizantes e aditivas da cocaína são derivadas do aumento da neurotransmissão dopaminérgica, por bloquear o transportador de recaptação da dopamina (DAT). A toxicidade aguda devida a ingestão excessiva ou superdosagem pode resultar em morte súbita. Mulheres que usam cocaína durante a gestação têm mais abortos e hemorragias placentárias (abruptas) do que mulheres que não usam a droga. OBS.: Além dos efeitos deletérios sobre o crescimento e desenvolvimento fetal, o abuso de cocaína está associado com risco aumentado de doença cerebrovascular, deficiências na perfusão sanguínea e atrofia cerebral em adultos, além de alterações neurodegenerativas. As anfetaminas exercem seus efeitos no SNC alterando a neurotransmissão catecolaminérgica competindo pela captação, via transportadores de membrana plasmática, e interrompendo o armazenamento vesicular de dopamina. As anfetaminas estão associadas com risco aumentado de desenvolvimento e crescimento fetal anormal, maior risco de doenças cerebrovasculares e problemas psiquiátricos e neurológicos em usuários crônicos. Toxicidade no SNC IV) MECANISMOS DE NEUROTOXICIDADE: D) Associada à Neurotransmissão: Numerosas toxinas e substâncias químicas sintéticas interagem na comunicação intercelular via processo de neurotransmissão. Esse grupo de compostos pode interromper a transmissão de impulsos, bloquear ou acentuar a comunicação sináptica, bloquear a recaptação de neurotransmissores ou interferir nos sistemas de segundo mensageiro. Como os alvos para esses toxicantes estão localizados por todo o corpo, as respostas não são localizadas; no entanto, são estereotipadas, em que cada membro de uma classe tende a ter efeitos biológicos similares. Em termos de toxicidade, a curto prazo, a maioria dos efeitos adversos desses toxicantes pode ser vista como interações que são facilmente reversíveis. No entanto, a longo prazo, estão associados a discinesia tardia irreversível (“caretas”). 3) Aminoácidos Excitatórios: O glutamato é o principal neurotransmissor excitatório do cérebro, e seus efeitos são mediados por muitos subtipos de receptores, denominados receptores de aminoácidos excitatórios (RAAEs). Os dois principais subtipos de receptores glutamatérgicos são aqueles ligados diretamente a canais iônicos (ionotrópicos) e aqueles acoplados a proteínas G (metabotrópicos). Os receptores ionotrópicos podem ainda ser subdivididos por seus ligantes específicos cainato, quisqualato, ácido a-amino-3-hidroxi-5-metilisoxazol-4-propiônico (AMPA) e N-metil-D-aspartato (NMDA). A entrada de glutamato no SNC é regulada pela barreira hematencefálica, e o glutamato exerce seus efeitos nos órgãos circunventriculares do cérebro nos quais a barreira hematencefálica é menos desenvolvida. Dentro desse sítio de acesso limitado, o glutamato danifica os neurônios, aparentemente por abrir canais iônicos dependentes de glutamato, levando a edema neuronal e morte celular neuronal. A única condição humana conhecida e relacionada é a “síndrome do restaurante chinês”, em que o consumo de grandes quantidades de glutamato monossódico como tempero pode levar a uma sensação de queimação no rosto, no pescoço e no peito. A toxicidade do glutamato pode ser bloqueada por certos antagonistas glutamatérgicos, e o conceito de que a toxicidade de aminoácidos excitatórios pode estar relacionada a condições como hipoxia, epilepsia e doenças neurodegenerativas tem emergido.