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AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FARMACOLOGIA APLICADA I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Carina Mattedi 
 
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CONVERSA INICIAL 
O Sistema Nervoso Autônomo (SNA) é responsável pela regulação de 
funções corporais sem a participação consciente do cérebro, sendo responsável 
por regular as funções neurovegetativas, como os sistemas respiratório, 
cardiovascular, renal, digestório e endócrino. Este sistema é responsável por 
manter a homeostase do organismo a cada momento diante de diferentes 
situações às quais ele é exposto. 
Os principais neurotransmissores autonômicos são acetilcolina (ACh) e 
noradrenalina (NA) ou norepinefrina (NE). 
Os neurônios ganglionares são essencialmente colinérgicos, liberam ACh, 
e a transmissão ganglionar ocorre principalmente por meio de receptores 
nicotínicos da ACh. Neurônios pós-ganglionares do SNA simpático são 
principalmente noradrenérgicos, liberando NA, enquanto neurônios do SNA 
parassimpático são principalmente colinérgicos e atuam sobre receptores 
muscarínicos. 
Esta aula aborda a farmacologia do SNA colinérgico, as principais drogas 
que atuam neste sistema e suas aplicações clínicas. 
TEMA 1 – SÍNTESE E LIBERAÇÃO DE ACETILCOLINA E RECEPTORES 
COLINÉRGICOS 
A ACh é o principal neurotransmissor do sistema nervoso autônomo. Este 
neurotransmissor é liberado pelos neurônios pré-ganglionares simpáticos e 
parassimpáticos, neurônios pós-ganglionares simpáticos que inervam a maioria 
das glândulas sudoríparas e todos os neurônios pós-ganglionares 
parassimpáticos. 
 A síntese desse neurotransmissor ocorre no neurônio pré-sináptico por 
meio de colina e acetil-CoA pela ação da enzima acetiltransferase. A ACh 
sintetizada é então armazenada em vesículas sinápticas. A figura 1 ilustra a 
síntese de ACh. 
 Com a chegada de um potencial de ação, os canais de cálcio dependentes 
de voltagem se abrem, e esse processo favorece a liberação do conteúdo das 
vesículas por exocitose. 
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A ACh é então liberada na fenda sináptica, onde fica disponível para ligação 
com seus receptores muscarínicos e nicotínicos nas células pós-ganglionares, ou 
é metabolizada pela enzima acetilcolinesterase presente na fenda sináptica. 
A ligação da ACh ao seu receptor induz uma resposta fisiológica, como o 
início de um impulso nervoso na fibra pós-ganglionar ou a ativação de enzimas 
específicas mediadas por segundos mensageiros. 
A metabolização desse neurotransmissor ocorre de forma rápida pela ação 
da enzima acetilcolinesterase. A acetilcolinesterase é a enzima responsável pela 
hidrólise e inativação da ACh na fenda sináptica do SNA e do sistema nervoso 
central (SNC), atuando ainda no sistema nervoso somático (SNS). Essa enzima 
pode ser encontrada nas membranas pré e pós-sinápticas e no retículo 
endoplasmático rugoso. Outras classes de colinesterases são chamadas de 
pseudocolinesterases e estão localizadas em diversos órgãos, como cérebro e 
fígado. Um exemplo de pseudocolinesterase é a butirilcolinesterase. 
A acetilcolina, diferentemente de outros neurotransmissores, não sofre 
recaptação. Depois de ser clivada em colina e acetato, a colina pode ser 
recuperada por transporte ativo. Dessa forma, essa molécula pode participar de 
um novo processo de síntese. 
O SNA parassimpático apresenta dois tipos de receptores, os chamados 
receptores colinérgicos, nicotínicos e muscarínicos. Os receptores nicotínicos são 
canais iônicos. Um canal iônico permite a passagem de sinais elétricos 
provenientes de uma fibra motora para uma fibra muscular. Após a ligação da ACh 
liberada na fenda pré-sináptica e sua ligação com o receptor nicotínico, ocorre 
uma mudança na conformação do canal, induzindo sua abertura e permitindo a 
passagem de moléculas de cargas positivas para o interior da célula. 
A estrutura de um receptor nicotínico é formada por cinco subunidades: 
duas alfa, uma beta, uma gama e uma ômega. Os sítios de ligação da ACh estão 
localizados nas subunidades alfa. Existem dois tipos de receptores nicotínicos, 
conhecidos por NN e NM, localizados nos corpos celulares da fibras pós-
ganglionares do SNA e nas junções neuromusculares, respectivamente. 
São ações nicotínicas: 
 Estimulação dos gânglios simpáticos e parassimpáticos; 
 Estimulação da medula suprarrenal, com liberação de Adrenalina e 
Noradrenalina; 
 Contração do músculo esquelético. 
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Figura 1 – Síntese, armazenamento e degradação de ACh 
 
Crédito: Elias Dahlke. 
Os receptores colinérgicos muscarínicos são receptores acoplados à 
proteína G, e a estrutura consiste em sete segmentos helicoidais transmembrana, 
unidos por pontes peptídicas intra e extracelulares. 
 A resposta tecidual após a ativação desses receptores depende do subtipo 
de receptor e pode envolver diferentes sistemas de segundos mensageiros ou 
sinalizações intracelulares. São inúmeros os mecanismos envolvidos na 
transmissão de um sinal gerado pela ocupação de um receptor colinérgico. 
A ativação de receptores M1, por exemplo, ativa uma proteína Gq, que, por 
sua vez, ativa uma fosfolipase C. Na sequência, ocorre a produção dos segundos 
mensageiros trifosfato de Inositol (IP3) e diacilglicerol (DAG). IP3 induz o aumento 
de cálcio intracelular, que pode alterar a atividade de enzimas ou causar 
hiperpolarização, secreção ou contração. 
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 De forma diferente, a ativação de receptores M2 ativa uma proteína Gi, que 
inibe adenilcilclase e aumenta a condutância de íons potássio, o que induz uma 
resposta de redução da velocidade de contração no coração. 
 Já foram identificados cinco tipos de receptores muscarínicos, M1, M2, M3, 
M4 e M5, que estão distribuídos em diversos órgãos, como glândulas, coração, 
pulmões e SNC. 
São ações muscarínicas: 
 Estimulação de glândulas exócrinas; 
 Estimulação das secreções; 
 Estimulação da contração muscular lisa; 
 Estimulação da musculatura circular da íris e dos músculos da acomodação 
visual; 
 Relaxamento dos esfíncteres; 
 Redução dos batimentos cardíacos. 
TEMA 2 – DROGAS COLINÉRGICAS DE AÇÃO DIRETA 
Drogas colinérgicas são substâncias que imitam as ações do 
neurotransmissor endógeno ACh. Estas moléculas causam ou acentuam os 
efeitos decorrentes da estimulação parassimpática e, por isso, podem ser 
chamadas de parassimpaticomiméticas. 
Essas drogas podem ser classificadas em drogas de ação direta e de ação 
indireta. As drogas de ação direta são chamadas de agonistas colinérgicos ou 
agonistas colinomiméticos e apresentam ação direta sobre os receptores da ACh, 
produzindo uma resposta farmacológica em um órgão efetor. 
Agonistas colinérgicos estimulam o SNA parassimpático ao mimetizarem a 
ação da ACh, principalmente sobre os receptores muscarínicos. Os seus efeitos 
farmacológicos incluem efeitos nicotínicos e muscarínicos periféricos. 
Essas drogas são classificadas de acordo com a origem e composição 
química, sendo divididas em dois grupos: ésteres da colina e alcaloides naturais. 
2.1 Ésteres da colina 
 A classe ésteres da colina inclui a ACh e seus congêneres sintéticos. São 
exemplos de drogas deste grupo: 
 
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 Acetilcolina; 
 Metacolina; 
 Carbacol; 
 Betanecol. 
Essas drogas apresentam na sua estrutura química uma amônia 
quaternária, o que confere baixa lipossolubilidade. A figura 2 apresenta a estrutura 
química da ACh. O parâmetrolipossolubilidade tem uma influência importante no 
processo de absorção. Drogas lipossolúveis atravessam facilmente as barreiras 
biológicas e são facilmente absorvidas. Os ésteres da colina apresentam carga 
elétrica, são altamente hidrofílicos, são fracamente absorvidos e não atingem o 
SNC. 
Figura 2 – Estrutura da ACh 
 
Fonte: Mattedi, 2021, com base em Golan, 2012. 
Ainda com relação à farmacocinética, são drogas que sofrem hidrólise no 
trato gastrointestinal (TGI) pela ação da acetilcolinesterase, sendo a ação dessa 
enzima maior sobre a ACh, atuando de maneira mais resistente sobre as outras 
drogas desse grupo. 
O carbacol e o betanecol apresentam maior resistência à hidrólise em 
função da presença de um grupamento químico chamado carbamoil em suas 
moléculas. A figura 3 indica essa estrutura em comparação com um análogo do 
grupo. Esta resistência à ação da enzima aumenta a duração de ação dessas 
drogas. O carbacol apresenta ainda ação nicotínica aumentada em relação às 
outras drogas desse grupo e não pode ser usado de modo sistêmico. Seu uso é 
restrito ao tratamento local na oftalmologia para indução de miose e redução da 
pressão intraocular. 
O betanecol apresenta efeitos muscarínicos que se assemelham aos do 
carbacol, atuando mais especificamente sobre o TGI e bexiga. Produz pouca ação 
sobre o sistema cardiovascular. É utilizado principalmente para o tratamento da 
retenção urinária pós-operatória ou de origem neurológica. 
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As drogas desse grupo ainda variam de acordo com a ação sobre os 
receptores colinérgicos. A ACh atua de maneira similar sobre receptores 
nicotínicos e muscarínicos. Metacolina e betanecol são menos ativos para 
receptores nicotínicos. 
Figura 3 – Estrutura do carbacol 
 
Fonte: Mattedi, 2021, com base em Golan, 2012. 
De uma forma geral, os agonistas de ação direta apresentam pouca 
especificidade nas suas ações e, em função disso, a utilidade clínica dessas 
drogas é limitada. Em função da multiplicidade de ações, que implica em diversos 
efeitos no organismo, a própria ACh não tem aplicação terapêutica. Além disso, a 
estimulação parassimpática em vários órgãos induz uma série de efeitos 
adversos, o que justifica o reduzido uso clínico. 
Os efeitos farmacológicos da ACh são curtos em função da rápida 
metabolização pela acetilcolinesterase. No sistema cardiovascular, causa 
vasodilatação e redução da resistência periférica, o que resulta em redução da 
pressão arterial. No sistema respiratório, produz bronco constrição e aumento da 
secreção. A ACh aumenta o tônus da musculatura do TGI, induz redução da 
capacidade da bexiga e miose local e estimula secreções glandulares. 
2.2 Alcaloides naturais 
 O segundo grupo de agonistas colinérgicos corresponde aos alcaloides de 
origem natural e podem ser representados pelas drogas: 
 Muscarina; 
 Pilocarpina; 
 Nicotina. 
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A pilocarpina e a nicotina são drogas mais bem absorvidas, sendo esta 
última ainda absorvida pela pele. A distribuição dessas drogas é ampla e a 
excreção ocorre principalmente pela via renal. 
A pilocarpina é o alcaloide presente no jaborandi (Pilocarpus jaborandi) e 
seus efeitos são qualitativamente similares aos da ACh, sobressaindo-se os 
efeitos sobre as glândulas sudoríparas, salivares e gástricas. A pilocarpina possui 
ações menos intensas sobre o sistema cardiovascular e é capaz de atravessar a 
barreira hematoencefálica, ativando regiões como o córtex cerebral. Tem uso 
clínico como agente antiglaucomatoso, sendo encontrada em colírios, em 
diferentes concentrações. 
A muscarina foi utilizada para a caracterização dos receptores 
muscarínicos. Esta droga não exerce efeitos sobre os receptores nicotínicos e 
está presente em algumas espécies de fungos. É bem absorvida pelo TGI e 
apresenta potência maior do que a ACh, atravessa a barreira hematoencefálica, 
provocando excitação cortical cerebral. A muscarina não sofre ação da 
acetilcolinesterase, possuindo ação prolongada, e uma intoxicação com esta 
droga pode ser tratada com atropina. 
A nicotina é o alcaloide natural presente no tabaco e uma droga conhecida 
por causar dependência. Atua diretamente sobre o SNA, estimulando neurônios 
pós-ganglionares, da mesma forma que a ACh, não estimulando diretamente os 
órgãos efetuadores autonômicos. 
A nicotina atua sobre os sistemas simpático e parassimpático 
simultaneamente, agindo sobre os receptores nicotínicos. Em níveis baixos, esta 
droga estimula o SNA simpático, induzindo uma sensação de força e euforia. Em 
níveis mais altos, ocorre um bloqueio simpático, favorecendo a atuação do 
sistema parassimpático e gerando uma sensação agradável de bem-estar. 
O uso contínuo da nicotina leva a uma situação de desconforto quando as 
doses são suspensas e, em casos mais graves, pode caracterizar uma crise de 
abstinência, com sintomas característicos, como irritação e insônia. 
A nicotina penetra bem pelas membranas e pele intacta. É utilizada 
terapeuticamente em protocolos de interrupção de fumantes sobre a forma de 
goma ou adesivo cutâneo. 
 
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TEMA 3 – DROGAS COLINÉRGICAS DE AÇÃO INDIRETA 
As drogas colinérgicas de ação indireta também são chamadas de 
agonistas indiretos e atuam inibindo a hidrólise a ACh pela ação da 
acetilcolinesterase. Como resultado dessa inibição, há um prolongamento da vida 
da ACh nas fendas pré-sinápticas e maior estimulação do sistema nervoso 
parassimpático. 
A acetilcolinesterase é uma enzima que especificamente hidrolisa a ACh, 
formando acetato e colina. Este processo implica no término da ação do 
neurotransmissor. A enzima é encontrada na fenda sináptica e seus inibidores 
(fármacos anticolinesterásicos ou inibidores da colinesterase) promovem ações 
colinérgicas indiretamente, pois previnem a degradação da ACh. 
O que ocorre, então? A ação dessa enzima implica acúmulo de ACh na fenda 
sináptica, com indução de respostas em todos os receptores colinérgicos do SNA, 
bem como nas junções neuromusculares (JNMs). A inibição da enzima nas JNMs 
resulta em paralisia da musculatura esquelética, mas esses efeitos são pouco 
observados nas doses terapêuticas usuais. 
As drogas colinérgicas de ação indireta podem ser classificadas em 
reversíveis e irreversíveis. Como são drogas que têm uma ação indireta, os efeitos 
são condicionados à presença de ACh endógena. 
3.1 Anticolinesterásicos reversíveis 
Os anticolinesterásicos reversíveis são drogas que inativam 
temporariamente a acetilcolinesterase, formando associações não covalentes com 
a enzima ou ligações covalentes que são facilmente hidrolisadas. Representantes 
deste grupo são as drogas: 
 Edrofônio; 
 Tacrina; 
 Neostigmina; 
 Fisostigmina. 
 A ação dessas drogas pode durar desde alguns minutos até algumas horas. 
A fisostigmina é facilmente absorvida, enquanto o edrofônio e neostigmina 
apresentam mais dificuldades em atravessar as barreiras biológicas, em função da 
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presença de uma amônia quaternária na sua estrutura. A figura 4 mostra as 
estruturas químicas dessas substâncias. 
O metabolismo dessas drogas ocorre principalmente no fígado, por enzimas 
microssomais hepáticas, podendo, ainda, serem excretadas de forma inalterada na 
urina. 
Figura 4 – Estrutura dos anticolinesterásicos reversíveis 
 
Fonte: Mattedi, 2021, com base em Golan, 2012. 
A fisostigmina pode ser utilizada clinicamente no tratamento de atonia de 
bexiga e intestino, pois atua aumentando a motilidade desses órgãos. Ometabólito 
da fisostigmina é capaz de potencializar a atividade colinérgica em todo o 
organismo, podendo ser utilizada no tratamento de intoxicação por drogas 
anticolinérgicas, como a atropina. Em doses elevadas, a fisostigmina pode causar 
convulsões, redução da pressão arterial e bradicardia. 
O edrofônio é uma droga de ação mais curta, sendo rapidamente absorvido 
e eliminado pelo sistema renal. É usado no diagnóstico de miastenia grave, uma 
doença autoimune caracterizada pela presença de anticorpos contra o receptor 
nicotínico nas JNMs. A ação desses anticorpos resulta na diminuição do número de 
receptores funcionais para a ACh nas placas motoras do músculo esquelético. 
A neostigmina atua de forma similar à fisostigmina. No entanto, sua estrutura 
mais polar implica baixa absorção pelo TGI e SNC. Tem uma duração de ação 
intermediaria, em geral de 30 minutos a duas horas. 
 
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O uso clínico da neostigmina é para estimular a bexiga e o TGI, podendo, 
ainda, ser usada no tratamento da miastenia grave e como antagonista dos 
bloqueadores musculares competitivos. Por causar uma estimulação colinérgica 
generalizada, os efeitos adversos incluem redução da pressão arterial, salivação, 
náusea, dor abdominal e rubor. 
A tacrina foi o primeiro anticolinesterásico utilizado como adjuvante no 
tratamento da doença de Alzheimer. Pacientes nesta condição apresentam uma 
deficiência de neurônios colinérgicos no SNC e essa informação instigou os 
farmacologistas no desenvolvimento de fármacos que pudessem contribuir no 
tratamento. 
A tacrina, um anticolinesterásico reversível de ação mais prolongada, foi 
inicialmente aprovada para o tratamento paliativo das formas mais leves e 
moderadas do Alzheimer. No entanto, foi substituída por outros fármacos em 
função da sua hepatotoxicidade. É importante ainda considerar que esses fármacos 
podem retardar o avanço da doença, mas não evitam a progressão. 
3.2 Anticolinesterásicos irreversíveis 
Os anticolinesterásicos irreversíveis correspondem aos inseticidas 
organofosforados e gases químicos desenvolvidos para guerras como armas 
químicas. 
São chamados de irreversíveis, pois não recuperam a enzima. A ligação que 
ocorre é covalente e há a formação de uma enzima fosforilada, que não pode ser 
regenerada por hidrólise. O resultado é um aumento de longa duração nos níveis 
de ACh em todos os locais onde ela é liberada. Muitas dessas drogas são 
extremamente tóxicas. Entre os organofosforados estão o paration; o isofluorato e 
o ecotiofato. 
Os agrotóxicos são compostos por substâncias químicas ou produtos 
biológicos que são desenvolvidos para matar ou dificultar o crescimento de pragas. 
Agindo sobre processos vitais, eles também afetam a saúde humana, podendo 
apresentar efeitos agudos ou crônicos. 
Os efeitos dos inseticidas organofosforados podem durar semanas e até 
meses. São drogas que apresentam alta lipossolubilidade, o que favorece o 
processo de absorção pelo TGI, mucosas e pulmões. A metabolização ocorre no 
plasma ou pelo sistema microssomal hepático e a excreção é predominantemente 
renal nas 24 primeiras horas. 
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Os inibidores da colinesterase produzem efeitos muscarínicos semelhantes 
aos induzidos pelos agonistas colinérgicos de ação direta, uma vez que apenas 
estimulam uma maior reposta parassimpática, mantendo uma maior concentração 
de ACh. Podem, ainda, estimular os receptores nicotínicos de forma indireta nos 
gânglios, induzindo vasodilatação. 
Algumas ações centrais dessas drogas são confusão, ataxia, convulsões e 
problemas respiratórios. 
O ecotiofato se liga covalentemente à colinesterase por meio do seu grupo 
fosfato, inativando a enzima de tal forma que o restabelecimento da sua atividade 
necessita da síntese de novas moléculas. Após a modificação covalente da enzima, 
ocorre a liberação de um de seus grupos etila. Este processo é conhecido como 
“envelhecimento” e torna impossível a reativação enzimática por agentes como a 
pralidoxima, que são usados para quebrar a ligação entre o fármaco e a enzima. 
As ações do ecotiofato incluem estimulação colinérgica generalizada, 
paralisia da função motora e convulsões. O ecotiofato provoca miose, com uso 
clínico para o tratamento do glaucoma, e tem uso terapêutico para isso. É pouco 
utilizado em função dos efeitos adversos associados. 
A intoxicação por drogas anticolinesterásicas ocorre em função do uso de 
doses excessivas ou da exposição a quantidades tóxicas de organofosforados. Os 
sintomas de intoxicação podem ser muscarínicos, nicotínicos e centrais e variam 
desde cefaleia, visão borrada e salivação até taquicardia, queda da pressão arterial, 
colapso respiratório e morte. 
TEMA 4 – DROGAS ANTICOLINÉRGICAS 
Antagonista colinérgico é um termo geral para os fármacos que se ligam 
aos colinoceptores muscarínicos ou nicotínicos e previnem os efeitos da ACh ou 
de outros agonistas colinérgicos. 
Os fármacos deste grupo apresentam maior aplicação clínica, 
especialmente os inibidores de receptores muscarínicos. Por essa razão, são 
também conhecidos por fármacos antimuscarínicos ou parassimpaticolíticos. O 
termo “anticolinérgicos” não é o mais apropriado para este grupo, embora seja 
muito utilizado por diferentes autores. 
Os antagonistas da ACh podem ser: 
 
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 Drogas antimuscarínicas; 
 Bloqueadores ganglionares; 
 Bloqueadores neuromusculares. 
Os antimuscarínicos interrompem os efeitos de uma inervação 
parassimpática, deixando as ações da estimulação simpática sem oposição. Os 
bloqueadores ganglionares atuam nos gânglios e ligam-se preferencialmente aos 
receptores nicotínicos nos gânglios simpáticos e parassimpáticos. Os 
bloqueadores neuromusculares são drogas que interferem com a transmissão dos 
impulsos eferentes aos músculos esqueléticos, sendo empregados como 
adjuvantes para indução de relaxamento durante anestesia. 
Ao bloquear os receptores muscarínicos, os fármacos antimuscarínicos 
causam inibição das funções ligadas à ativação desses receptores. Podem, ainda, 
bloquear os poucos neurônios simpáticos colinérgicos. Apresentam pouca ação 
sobre as JNMs ou gânglios autonômicos, uma vez que não atuam sobre 
receptores nicotínicos. 
A atropina é um dos principais representantes desse grupo. É uma amina 
terciaria da beladona com alta afinidade pelos receptores muscarínicos. Essa 
droga atua central e perifericamente, competindo com a ACh pelo seu receptor e 
impedindo a sua ligação. 
Nos olhos, a atropina causa midríase persistente e cicloplegia, que é a 
incapacidade de focar a visão para perto. No TGI, pode ser usada como 
antiespasmódico. No sistema cardiovascular, atua de forma dose dependente, em 
que baixas doses reduzem a frequência cardíaca, enquanto doses mais altas 
aumentam. Ao bloquear receptores muscarínicos nas glândulas, a atropina produz 
xerostomia. Tem uso clínico para tratamento de intoxicação por organofosforados. 
A escopolamina produz efeitos periféricos similares aos da atropina. 
Contudo, essa droga tem maior ação no SNC, bem como duração de ação mais 
longa. É um dos fármacos anticinetóticos mais eficazes e pode induzir sedação. 
O uso terapêutico é limitado à prevenção da cinetose e de náuseas e emeses pós-
cirúrgicas. 
 
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TEMA 5 – JUNÇÃO NEUROMUSCULAR 
Junção neuromuscular (JNM) é uma estrutura localizada na junção de um 
axônio motor e fibras musculares esqueléticas, local em que ocorrem sinapses. O 
terminal pré-sináptico contémvárias zonas ativas. A membrana pós-sináptica é 
chamada de placa motora terminal, apresenta dobras na superfície e alta 
quantidade de receptores nicotínicos. 
A ACh liberada pelas vesículas da membrana pré-sináptica induz um 
aumento na permeabilidade da membrana pós-sináptica, por meio do influxo de 
íons sódio ou potássio. A despolarização de membrana mediada pela ACh é 
chamada de potencial de placa terminal ou PPT. O PPT se dissemina para as 
partes adjacentes da fibra, e quando sua amplitude atinge o limiar de excitação, 
inicia-se um potencial de ação, que se propaga para o restante da fibra e 
desencadeia uma contração muscular. 
Os fármacos são capazes de bloquear a transmissão neuromuscular, os 
quais agem na região pré-sináptica, inibindo a síntese e liberação de ACh, ou na 
região pós-sináptica, que é o local de ação de grande parte das drogas dessa 
classe com indicação clínica. 
Essas drogas com ação pós-sináptica são estruturalmente parecidas com a 
ACh e atuam como antagonistas tipo não despolarizantes ou como agonistas tipo 
despolarizantes nos receptores da placa motora da JNM. 
As drogas com ação pós-sináptica têm maior importância clínica, sendo o 
curare o primeiro fármaco conhecido capaz de bloquear a JNM. Ele era utilizado 
durante a caça com objetivo de paralisar a presa. Trata-se de uma preparação com 
muitos elementos, incluindo venenos de plantas e animais. A mistura era fervida 
em água e depois evaporada até formar uma pasta escura e espessa. A potência 
do veneno era então testada contando o número de saltos que um sapo daria 
depois de ser flechado. 
Entre os fármacos não despolarizantes podemos citar pancurônio, 
vecurônio, rocurônio, atracúrio e o cisatracúrio. Eles bloqueiam competitivamente a 
ACh nos receptores nicotínicos. Esses fármacos impedem a despolarização da 
membrana da célula muscular e inibem a contração muscular. São drogas 
empregadas como estratégia para diminuir a duração do bloqueio neuromuscular 
durante a anestesia. 
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São administrados por via intravenosa ou intramuscular, não sendo eficazes 
por via oral. Esses fármacos possuem duas ou mais aminas quaternárias na sua 
estrutura, que dificultam a absorção. 
Entre os efeitos adversos podemos citar redução da pressão arterial, 
liberação de histamina, taquicardia e depressão respiratória. As drogas 
bloqueadores despolarizantes atuam por despolarização da membrana plasmática 
da fibra muscular, de forma semelhante à ACh. São mais resistentes à degradação 
pela acetilcolinesterase, e, por isso, a despolarização das fibras musculares é mais 
persistente. Um representante desse grupo é o suxametônio ou succinilcolina, que 
lentamente se difunde para a placa terminal e persiste por tempo suficiente para 
provocar perda da excitabilidade elétrica. 
O mecanismo envolve inicialmente a abertura de canais de sódio associados 
ao receptor nicotínico, resultando na despolarização do receptor e induzindo as 
chamadas fasciculações, que são contrações musculares transitórias. A 
despolarização contínua origina uma repolarização gradual quando o canal de 
sódio se fecha. Em função disso, ocorre resistência à despolarização e paralisia. 
A duração de ação da succinilcolina irá depender da sua difusão na placa 
motora e hidrólise pela colinesterase plasmática. A deficiência dessa enzima pode 
levar o paciente a um quadro de paralisia prolongada. 
A succinilcolina é administrada por via endovenosa, tem curta duração de 
ação, pois é distribuída e hidrolisada rapidamente. Seu efeito desaparece 
rapidamente após ser descontinuada. É utilizada para intubação endotraqueal 
durante indução da anestesia e para tratamento de choque eletroconvulsivo. Entre 
os efeitos adversos dessa droga estão: hiperpotassemia, bradicardia, aumento da 
pressão intraocular, paralisia prolongada e hipertermia maligna. 
 
 
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REFERÊNCIAS 
GOLAN, D. E. et al. Princípios de Farmacologia. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2012. 
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. Porto 
Alegre: ArtMed, 2017. 
WHALEN, K. Farmacologia ilustrada. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. 
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