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Caroline Zanella ATM 2022/a 1 Úlceração única, com halo eritomatoso. CAPÍTULO 16 - CABEÇA E PESCOÇO CAVIDADE ORAL LESÕES INFLAMATÓRIAS E REATIVAS ÚLCERAS AFTOSAS→ ulcerações na mucosa oral superficial. Ocorrência comum e de etiologia desconhecida. → Muito comuns nas primeiras duas décadas de vida. Geralmente recorrentes e extremamente dolorosas; Associação com disfunções imunológicas → doença celíaca, doença inflamatória intestinal... Pacientes com refluxo gastroesofágico crônico → maior ocorrência de aftas. → epitélio não é preparado para um pH tão baixo quanto o do conteúdo estomacal. Doenças sistêmincas → doença de Hessê (?)→ principal achado é a formação de úlceras aftosas. Uma ou mais lesões simultâneas aparecem na forma de ulcerações superficiais e hiperemiadas, cobertas por um exsudato fino e circundadas por uma estreita zona eritematosa. Costumam ser planas e possuir a base mais clara. Pacientes tabagistas podem possuir lesões maiores. Quando ocorre infecção bacteriana secundária, pode resultar em infiltração por neutrófilos. As lesões possuem regressão espontânea, (7 a 10 dias), Podem persistir por semanas, principalmente em pcts imunocomprometidos. LESÕES FIBROSAS PROLIFERATIVAS FIBROMA Fibroma de irritação ou fibroma traumático → reação da mucosa. Massa nodular localizada na submucosa → é constrituída por tecido conjuntivo fibroso. Ocorre principalmente ao longo da linha de mordedura ou na gengiva. Proliferação fibrosa reacional → trauma repetitivo. Tratamento → excisão cirúrgica completa da lesão. Na foto → nódulo exofítico rosa e liso na mucosa oral. GRANULOMA PIOGÊNICO Lesão benigna → “carne esponjosa” → processo inflamatório crônico → pode se formar tanto na pele quanto na cavidade oral. Lesão inflamatória tipicamente encontrada na gengiva de crianças, adultos jovens e mulheres grávidas. A superfície da lesão é geralmente ulceração, com coloração vemelho-violácea. → região extremamente vascularizada, causando a coloração e sangramentos fáceis. O crescimento pode ser rápido e simula tumor maligno. Hitologicamente → proliferação vascular, com tecido de granulação em organização. Podem regredir, se tornando massas fibrosas densas ou se desenvolver em um fibroma ossificante periférico. Fibroma ossificante → lesão comum → processo reativo não neoplásico. → são lesões nodulares, ulceradas e avermelhadas. Granuloma periférico de células gigantes → lesão incomum de cavidade oral → processo inflamatório reativo → lesão é recoberta 95por mucosa gengival intacta. Tratamento → excisão cirúrgica completa da lesão. Na foto → massa eritematosa, hemorrágica e exofítica, que se origina na mucosa gengival. Caroline Zanella ATM 2022/a 2 LESÕES PRÉ-CANCEROSAS E CANCEROSAS LEUCOPLASIA Placa ou área esbranquiçada que não pode ser raspada Podem ocorrer em qualquer local da cavidade oral → o mais suscetível é mucosa bucal, assoalho da boca, superfície ventral da lingua, do palato e da gengiva. Podem ser solitárias ou múltiplas. Bordas demarcadas de forma precisa. Tendem a ser levemente espessadas e lisas, ou enrugadas e fissuradas. Podem adquirir aparência saliente, como placas corrugadas e verrucosas. No histopatológico → alterações epiteliais → hiperqueratose, com displasias, algumas vezes consideradas carcinomas in situ. Não pode ser caracterizada por forma clínica ou patológiva de qualquer outra doença. 3% da população mundial apresenta esse tipo de lesão. 5 a 25% delas são pré malignas. É sempre um sinal de alerta, pois indica que aquele epitélio pode ter aumentado o número de camadas → indicação de neoplasias, displasias.... ERITROPLASIA Lesão avermelhada, aveludada, da cadeia alveolar superior. → Pode estar erodida. Lesão pode permanecer plana ou apresentar uma leve depressão. Lesão considerada PRÉ-MALIGNA. → lesão que antecede o carcinoma de células escamosas. É menos comum e mais ameaçadora. → o epitélio é atípico e o risco de transformação maligna é alto. No histopatológico → raramente demonstram maturação epidérmica ordenada. 90% revelam displasia acentuada, carcinoma in situ ou carcinoma minimamente invasivo. Pode ser observada intensa reação inflamatória subepitelial, com dilatação vascular → aparência clínica avermelhada Existem formas intermediárias entre leucoplasia e eritroplasia. Nas fotos → a biópsia de ambas as lesões revelou presença de carcinoma in situ. O crescimento das camadas epiteliais ocorre para os tecidos mais internos, dando esse aspecto congesto. Tratamento → excisão cirúrgica, tratamento dentário. CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS 95% dos cânceres de cabeça e pescoço. Sexto tumor maligno mais comum no mundo. Sua patogenia é multifatorial e difere conforme as localidades acometidas. América do norte e Europa → indivíduos de meia idade → abuso crônico de tabaco e álcool. Índia e Ásia → mastigação do quid de betéle (ingredientes como tabaco e cal extinta). Radiação actínica (luz solar) e fumo de cachimbo. Incidência na língua → indivíduos com menos de 40 anos de idade → sem fatores de risco conhecidos → tem aumentado cada vez mais. Portadores de HPV → carcinomas que envolvem a orofaringe → 70% dos que envolvem tonsilas, base da língua e faringe. A taxa de sobrevida em 5 anos do CEC clássico (álcool e tabaco) em estágio inicial é de 80% e cai para 20% quando em estágio avançado. Pacientes com CEC positivo para HPV têm sobrevida maior do que os tumores com HPV negativo O desenvolvimento de tumores primários múltiplos reduz consideravelmente a sobrevida. Cancerização de campo → vários tumores primários individuais se desenvolvem independentemente no trato aerodigestivo → vários anos de exposição crônica da mucosa a agentes carcinogênicos. Ocorrência de novos tumores pode ser devastadora para indivíduos cujas lesões iniciais eram pequenas → o segundo tumor primário é a prinicpal causa de morte. A vacina contra o HPV pode ser esperança para frear a onda de CEC de cabeça e pescoço associada ao HPV. Caroline Zanella ATM 2022/a 3 Biologia molecular do carcinoma de células escamosas. Desenvolvimento desencadeado pelo acúmulo de mutações e alterações epigenéticas que alteram a expressão e função de oncogenes e dos genes supressores de tumores. O caminho de aquisições malignas não possui volta → quando começa, não regride, apenas estadia. Aquisições de características cancerígenas → resistência à morte celular, aumento da proliferação celular, indução de angiogênese, habilidade de invadir e metastizar. Assinatura molecular consistente com cânceres induzidos pelos carcinógenos do tabaco. Envolvimento da via P53. CEC associado ao HPV possui menor número de alterações genéticas. → apresentam hiperexpressão de p16 (inibidor de cinase). Na imagem abaixo → representação idealizada do normal até o carcinoma de células escamosas oral. A representação é idealizada, pois não reflete a história natural da doença em todas as lesões → incidência e cronologia possuem dados limitados Morfologia da lesão Pode surgir em qualquer lugar da região da cabeça e pescoço, desde que essa região seja revestida por epitélio escamoso estratificado. Para o CEC clássico → cavidade oral, lábio inferior, palato mole e gengiva são as regiões mais favoráveis para o aparecimento da lesão. Aparência clínica → demonstra ulcerações e enrijecimento da mucosa oral. → pode possuir, também, aspecto vegetante. Aparência histológica → vários ninhos e ilhas de queratinócitos malignos que invadem o estroma do tecido conjuntivo e o músculo esquelético. No histopatológico, iniciam-se como lesões displásicas que podem ou não evoluir para carcinoma in situ, antes de invadir o estroma do tc conjuntivo adjacente. Estágio inicial →placas firmes e elevadas, de aspecto perolado → áreasirregulares, verrucosas ou rugosas, com espessamento de mucosa → podem ser facilmente confundidas com leucoplasias. A medida que essas lesões aumentam, evoluem para áreas ulceradas ou protusões com bordas endurecidas e irregulares. No histopatológico, iniciam-se como lesões displásicas que podem ou não evoluir para carcinoma in situ, antes de invadir o estroma do tc conjuntivo adjacente. Os carcinomas de células escamosas compreendem desde neoplasias queratinizantes bem diferenciadas a tumores anaplásicos, por vezes sarcomatoides e de crescimento lento ou rápido. Esses tumores tendem a infiltrar-se localmente antes de metastizar para outro lugar. Os locas mais favoráveis para metástases são os linfonodos cervicais. → para metástases à distância, o mais comum é o acometimento de linfonodos mediastinais, pulmões, fígados e ossos. Caroline Zanella ATM 2022/a 4 PATOLOGIAS DE VIAS AÉREAS SUPERIORES NARIZ Doenças inflamatórias → resfriados comuns → origem viral, mas pode ser complicada por infecções bacterianas superimpostas. Tumores primários e doenças inflamatórias destrutivas são muito menos comuns. Inflamações: Rinite infecciosa → adenvírus, ecovírus ou rinovírus → mucosa nasal espessada, edematosa e avermelhada → cavidades nasais estreitas e conchas nasais aumentadas. → pode produzir exsudato mucopurulento ou supurativo. Rinite alérgica → febre do feno → reações de hipersensibilidade imediata tipo I → mediada por IgE→ ocorre edema acentuado de mucosa, enantema, secreção de muco, infiltração leucocitária com proeminência de eosinófilos. Rinite crônica → descamação ou ulceração superficial do epitélio da mudoca e infiltrado de neutrófilos, plasmócitos e linfócitos → podem se estender para os seios da face. PÓLIPOS NASAIS → crises recorrentes de rinite → protusões focais de mucosa → podem atingir 3 a 4 cm de extensão. Localizados tanto na região nasal quanto na região coanal. No exame hitopatológico → mucosa edematosa, com estroma frouxo, abrigando células mucosas císticas ou hiperplásicas, com infiltrado de uma variedade de células inflamatórias (neutrófilos, eosinófilos e plasmócitos). A grende maioria é de origem reacional alérgico. Ausência de infecção bacteriana → revestimento mucoso permanece intacto. Cronicidade → pode alterar e ulcerar o revestimento mucoso. Pólipos múltiplos ou muito grandes → obstrução de via aérea → prejudica drenagem dos seios. Na primeira imagem → campo de menor visualização → masas edematosas revestidas pelo epitélio. Na segunda imagem → infiltrados inflamatórios ricos em eosinófilos. TUMORES DE NARIZ, SEIOS DA FACE E NASOFARINGE. PAPILOMA SINONASAL → Schneideriano. Neoplasia benigna, originada na mucosa respiratória que reveste cavidade nasal e seios paranasais. Lesão pouco frequente que pode ocorrer em vias aéreas superiores e bexiga. Ocorre um abaulamento do loca, contudo a mucosa permanece normal. Exofítica → forma mais comum. → identificação do DNA do HPV tipo 6 e 11 Endofítica → invertido → forma mais importante, biologicamente. → identificação do DNA do HPV tipo 6 e 11 Cilíndrica. Observado em homens adultos, entre 30 e 60 anos. Papiloma Endofítico → neoplasias benignas, localmente agressivas, com ocorrência no nariz e nos seios paranasais. O crescimento do epitélio escamoso ocorre como uma invaginação para o estroma subjacente. Alta taxa de recorrência. Pode ocorrer invasão da órbita ou da abóbada craniana. Ocorre transformação maligna em cerca de 10% dos casos. CARCINOMA DE NASOFARINGE Distribuição anatômica distinta → próxima a tecido linfóide e associação com vírus EBV. Pode assumir 3 padrões : 1. CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS QUERATINIZANTES, 2. CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS NÃO QUERATINIZANTES e 3. CARCINOMA INDIFERENCIADO (abundante infiltrado linfocítico não neoplásico → linfoepitelioma). Caroline Zanella ATM 2022/a 5 A variante indiferenciada é composta por células epiteliais grandes, com núcleos vesiculares ovalados ou arredondados, nucléolos proeminentes e bordas celulares indistintas → arranjo sincicial; Presença de linfócitos T. Imagem 01 → espessamento da região nasofaríngea (seta) e linfonodo cervical aumentado (seta dupla). Imagem 02 → agrupamento sincicial do epitélio, envolvido por linfócitos. LESÕES LARÍNGEAS Os distúrbios mais comuns são inflamatórios. Tumores são incomuns, mas são suscetíveis à ressecção. → perda de voz natural. Câncer de corda vocal → tabagista pesado, com dor, sangramento, alterações significativas da voz → encaminhamento urgente para otorrino. Laringite → pode ocorrer como manifestação de agressão alérgica, viral, bacteriana ou química Intensa exposição a toxinas ambientais (tabaco) Refluxo gastro-esofágico Infecções sistêmicas (tuberculose e difteria). Nódulos reativos (pólipos ou de pregas vocais) → desenvolvimento em tabagistas pesados ou em indivíduos que impõem grandes esforços às pregas vocais (nódulos de cantor → geralmente bilaterais). São tipicamente cobertos por epitélio escamoso, que pode se tornar cerótico, hiperplásico ou displásico Ocorrem nas cordas vocais verdadeiras. Alteram as características da voz, causando rouquidão progressiva Quase nunca dão origem a cânceres. Papiloma escamoso → neoplasias benignas, geralmente localizadas nas pregas vocais verdadeiras. Formam proliferações macias, semelhantes a uma framboesa e são raramente maiores que 1cm de diâmetro. São constituídos por múltiplas projeções delgadas, digitiformes, sustentadas por eixos fibromusculares centrais e revestidas por epitélio escamoso estratificado. Quando em bordas livres de pregas vocais, o trauma pode levar à ulceração → hemoptise. Papilomas múltiplos recorrente → Possuem associação com o HPV tipo 6 e 11. Podem sofrer regressão espontânea, principalmente na puberdade. CARCINOMA DE LARINGE Carcinoma de células escamosas. Homens fumantes crônicos → 6a década de vida. → manifestação como rouquidão persistente, difagia e disfonia. Macroscopicamente → alterações epiteliais que variam de espessamentos focais esbranquiçados ou avermelhados, muitas vezes verrucosos, até lesões verrucosas, irregulares ou ulceradas. Volumosa lesão, ulcerada e vegetante, envolvendo pregas vocais e seio piriforme. → quase sempre associadas ao tabagismo. Morfologia → cerca de 95% são tumores de células escamosas típicos. → geralmente se desenvolve nas pregas vocais (pode ocorrer acima ou abaixo delas, em epiglote, ou seios píriformes) Se iniciam como lesões in situ → mais tarde assumem aparência de placas enrugadas, Caroline Zanella ATM 2022/a 6 Agrupamento de células tumorais, separadas por septações (Zellballen) com capilares. acizentadas e peroladas e por fim, aparecem como lesões ulceradas ou vegetantes. Células gigantes, com mitoses bizarras. Presença de hiperplasia de células escamosas em mucosa adjacente. Prognóstico → depende do estadiamento clínico. Tratamento → técnicas com preservação do órgão = cirurgia a laser, microcirurgia e radioterapia → quimioterapia combinada com radioterapia em estágios mais avançados. PESCOÇO PARANGLIOMA OU TUMOR DE CORPO CAROTÍDEO. Agrupamento de células neuroendócrinas associadas aos sistemas nervosos simpático e parassimpático → neoplasias podem ser observadas em várias regiões do corpo. Localização mais comum → medula adrenal. → muda o nome. 70% dos extra-adrenais ocorrem na região de cabeça e pescoço. Patogenia não é totalmente conhecida. → Ocorre mutação em genes decodificadores de proteínas que participam na fosforilação oxidativa mitocondrial. → alteração do metabolismo celular. Incidência maior em pessoas que vivem em altitudes elevadas. Paragânglios paravertebrais → conexões simpáticas → cromafins-positivos =coloração que detecta catecolaminas. Paragângliosde grandes vasos da cabeça e pescoço → cadeia aortico-pulmonar ou corpos carotídeos → raramente liberam catecolaminas. MORFOLOGIA tumor de corpo carotídeo. Raramente excede 6cm de diâmetro. Surge próximo a bifurcação da carótida comum. Ninhos de células principais ovais ou arredondadas → zellballen. → circundadas por septos vasculares delicados. Células tumorais com citoplasma abundante, eosinofílico, claros ou granulares e com núcleos uniformes. Na maioria das vezes, há pouco pleomorfismo e mitoses são escassas. Coloração com marcadores neuroendócrinos. Presença de rede de sustentação de células fusiformes, positivas pra proteína S-100. GLÂNDULAS SALIVARES MUCOCELE Lesão mais comum de glândulas salivares. → representante não-neoplásico. Bloqueio ou ruptura de um ducto de glândula salivar. → vazamento de saliva para o estroma de tc conjuntivo adjacente. A parede do cisto é epitelizada e contém uma grande quantidade de líquido ou de muco. Frequentemente encontradas em lábio inferior e são resultantes de trauma. Ocorrem em todas as idades → mais comuns em crianças, adultos jovens e idosos. Clínica → tumefações flutuantes do lábio inferior, com coloração azulada translúcida. → variação no tamanho da lesão. Histologicamente → pseudocistos revestidos por tecido de granulação ou tecido conj. Fibroso. → o espaço cístico é preenchido por mucina e células inflamatórias (macrófagos). → na foto = cavidade mucinosa. É necessária excisão completa do cisto e do lóbulo de glândula salivar. Excisão incompleta leva à recorrência. Caroline Zanella ATM 2022/a 7 TUMORES DE GLÂNDULAS SALIVARES ADENOMA PLEOMÓRFICO Tumores benignos → mistura de células ductais (epiteliais) e mioepiteliais → diferenciação epitelial e mesenquimal. Chamas de tumores mistos, devido a diversidade hitopatológica. 60% dos tumores de glândulas parótidas. Apresenta elementos epiteliais dispersos, com proporções variáveis de tecido cartilaginoso, hialino, mixóide e até mesmo ósseo. Maior risco de ocorrência com exposição à radiação. Elementos neoplásicos originam-se nas células de reserva ductal ou mioepteliais. Grande No de casos relacionados a rearranjo cromossômico → gene PLAG1. MORFOLOGIA Massas arredondadas, bem demarcadas, raramente excedendo 6 cm. Normalmente encapsulados, porém essa cápsula não é 100% contínua → não totalmente desenvolvida, particularmente no palato. Crescimento expansivo produz protusões na glândula adjacente → recorrências de tumor. Superfície de corte branco-acizentada, com áreas mixóides e translúcidas azuladas, de material condróide (cartilagem). Histologicamente → heterogeneidade → elementos tipicamente dispersos, formando ilhas de cartilagem e raramente focos de ossos. → pode haver cordões ou lençóis de células mioepiteliais. A, Visão microscópica, apresentando um tumor bem demarcado com parênquima da glândula salivar normal adjacente. B, Visão macroscópica mostrando as células epiteliais e mioepiteliais dentro do material da matriz condroide. Na maioria dos casos → não há atividade mitótica, nem displasia epitelial. Aspectos clínicos → massas bem delimitadas, móveis e indolores, de crescimento lento → em parótida, áreas submandibulares ou cavidade oral. Quando transformado em câncer, toma forma de adenocarcinoma ou carcinoma indiferenciado. → malignidade altamente infiltrativa Estão entre os mais agressivos entre os tumores malignos das glândulas salivares, com taxas de mortalidade de 30% a 50% em 5 anos. TUMOR DE WARTHIN→ Cistadenoma papilar linfomatoso. → lesão cística epitelial Segunda neoplasia mais comum das glândulas salivares Neoplasia benigna, com taxa de recorrência de 2% pós ressecção. Desenvolvimento exclusivo na glândula parótida. Ocorrência mais comum no sexo masculino, entre 50 e 70 anos. → tabagistas apresentam 8x maior chance de desenvolver esse tumor. 10% são multifocais e 10% bilaterais. MORFOLOGIA: Massas encapsuladas, com forma arredondada, de 2 a 5 cm. → facilmente palpáveis. Superfície cinza-clara, salpicada por espaços císticos estreitos ou semelhantes a fendas, → secreção mucinosa ou serosa. Aparência glandular se deve à presença de numerosas mitocôndrias. Caroline Zanella ATM 2022/a 8 Células secretoras dispersas na camada de células colunares → secreção dentro das luzes dilatadas. Focos de metaplasia escamosa. GRANDES ORGANIZAÇÕES LINFÓIDES. Imagem 01 → elementos linfóides e epiteliais → presença de centro germinativo folicular embaixo do epitélio. Imagem 02 → espaços císticos que separam os lóbulos do epitélio neoplásico, consistindo em uma camada dupla de células epiteliais eosinofílicas sobre um estroma linfóide reativo. CARCINOMA MUCOEPIDERMOIDE Forma mais comum de tumor maligno primário das glândulas salivares. Representa cerca de 15% de todos os tumores de glândulas salivares. → 60 a 75% destes ocorrem nas parótidas. Misturas variáveis de células escamosas, células secretoras de muco e células intermediárias. Associado a translocação cromossômica que gera um gene fusionado →MECT1 e MAML2. MORFOLOGIA: Podem chegar a 8cm de diâmetro. Não apresentam cápsula bem definida e possuem margens infiltrativas. São pálidos, branco-acizentados, contém cistos pequenos preenchidos por mucina. Padrão histológico → cordões, lençóis ou formações císticas de células escamosas, mucinosas ou intermediárias (figura). Células tumorais podem ter aparência regular e benigna → podem parecer altamente anaplásicas e malígnas. São subclassificados em baixo, intermediário e alto grau. Curso clínico e prognóstico dependem do grau da neoplasia →taxa de sobrevida de pcts com tumores de alto grau é de 50% em 5 anos. CARCINOMA ADENÓIDE CÍSTICO. Tumor relativamente incomum→ 50% dos casos é encontrado em glândulas salivares menores. → podem surgir em glândulas salivares maiores (parótidas e submandibulares). Lesões pequenas, mal encapsuladas, infiltrativas e de coloração róseo-acizentada. → crescimento lento, com tendência a invadir espaços perineurais. Possuem alta recidiva. → cerca de 50% se disseminam para locais a distância. Histologicamente → células pequenas com núcleo compacto, hipercromático e citoplasma escasso. → tendem a estar dispostas em padrão tubular, sólido ou cribiforme. O espaço entre as células são preenchidos por material hialino → excesso de membrana basal. Imagem 01 → células tumorais com padrão cribiforme englobando secreções. Imagem 02 → invasão perineural por células tumorais.