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Fenomenologia 1º movimento filosófico + importante do séc. XX: reúne muitas vertentes em torno de um núcleo comum (método fenomenológico). Fenomenologia atitude de reflexão do fenômeno que se mostra para nós, na relação que estabelecemos com os outros, no mundo. Etimologia - FENÔMENO: Aquilo que se mostra, que aparece a nós. Aparece a nós primeiramente pelos sentidos. LOGIA: Capacidade de Refletir, um discurso esclarecedor. Fenomenologia -> phaenomenon simplesmente aquilo que se mostra. A palavra (relação humana com aquilo que aparece, consolidando que tudo o que nos fazemos tem haver com o que aparece – relação com o mundo). Fenomenologia tarefa de desvendar os fenômenos implícitos nas relações intencionais que o homem vive no seu cotidiano com os outros. Fenomenologia tem por tarefa, sempre partir das possibilidades para compreender o que simplesmente se releva à partir das nossas vivencias intencionais. Fenomenologia procura enfocar o fenômeno, o que se manifesta em seus modos de aparecer, olhando-o em sua totalidade, de maneira direta, sem a intervenção de conceitos prévios que o definam e sem basear-se em um quadro teórico prévio que enquadre as explicações sobre o visto. Husserl fenomenologia como um método de investigação que tem o propósito de apreender o fenômeno, aparição das coisas à consciência, de maneira rigorosa. Perscrutar essa aparição no sentido de captar a sua essência (aquilo que o objeto é em si mesmo), isto é, “ir ao encontro das coisas em si mesmas”. Análise compreensiva da consciência uma vez que todas as vivências (Erlebnis) do mundo se dão na e pela consciência. Principio de intencionalidade toda consciência é consciência de alguma coisa, ou seja, que toda consciência é intencional. Objeto só pode ser definido em sua relação à consciência, ele é sempre objeto-para-um-sujeito. Intenção o conteúdo significativo de alguma coisa. Intuição é o preenchimento duma intenção. Evidência é a consciência da intuição, diretamente relacionada ao grau de preenchimento da intenção. hylé seria a “matéria subjetiva” que compõe uma percepção qualquer. Dados hiléticos dados constituídos pelos conteúdos sensíveis, que compreendem, além das sensações denominadas externas, também os sentimentos, impulsos, etc. Husserl não considera dados hiléticos como sendo intencionais - seria apenas a “matéria” sobre a qual a consciência se dá. Redução fenomenológica (epoché) suspensão momentânea da “atitude natural” com a qual nós nos relacionamos com as coisas do mundo - deixar provisoriamente de lado todos os preconceitos, teorias, definições que utilizamos para conferir sentido às coisas. Redução psicológica juízos relativos ao mundo que nos circunda são postos fora de circuito - trata-se apenas de uma suspensão momentânea do juízo em relação às mesmas. Redução transcendental levaria o investigador a um estágio de “consciência pura” - vivências perdem inteiramente o seu caráter psicológico e existencial para conservarem apenas a relação pura do sujeito plenamente purificado ao objecto enquanto consciente. Redução transcendental provoca atitude fenomenológica. Suspensão da atitude natural diante do mundo: apreender na consciência as coisas no sentido de captá-las como elas são em si mesmas. Transcendente percepção cotidiana e habitual que temos das coisas do mundo - mundo exterior à consciência. Transcendental percepção que a consciência tem de si mesma – mundo interior à consciência. Noema aspecto objetivo da vivência - mundo transcendente tal qual ele nos é dado. Noese aspecto subjetivo da vivência, constituído por todos os atos de compreensão que visam a apreender o objeto, tais como perceber, lembrar, imaginar. Variação Eidética diversas variações possíveis de perfil que o objeto deve ser submetido na epoché a fim de se apreender a essência desse mesmo objeto, isto é, aquilo que permanece inalterado no mesmo. Na variação eidética Husserl estabelece uma distinção entre o objeto percebido e o noema: "o noema é distinto do próprio objeto, que é a coisa. A coisa que se apresenta à minha consciência não tem a sua existência negada. Husserl defende que a atual percepção que temos de um objeto só se sustenta ante a possibilidade dos diversos perfis sob os quais esse objeto pode ser apreendido. Fenômeno entende-se aquilo que se denuncia a si próprio - aquilo cuja realidade é precisamente a aparência. Heidegger a compreensão do ser é, ao mesmo tempo uma determinação do ser do homem. O homem é a porta de acesso ao ser. Heidegger aplica o método fenomenológico: parte do homem de fato, deixa que ele se manifeste tal qual é, e procura compreender, sua manifestação. Dasein é o ser-aí, ser de possibilidades, ser para a morte. Dasein nunca é algo já feito, permanece sempre em construção, pois é projeto para o seu futuro. Ele é um ser que busca planejar, pois sabe que não está pronto. Está sempre inacabado e diante de inúmeras possibilidades. Essência do dasein reside em sua existência. Para falar do ser reserva-lhe o termo existência. Existir - ex-sistere - sustentado fora, ser humano é apoiado fora -> no mundo; alguém que está sempre transbordando, é alguém que existe em relação com o mundo, eu escolho através das coisas/das pessoas. Existir é estar sempre fora no mundo, eclodindo como lugar onde os entes se manifestam. Entes não dasein denominados subsistentes. Temporalidade O homem é um existente porque está essencialmente ligado ao tempo. Isso faz com que ele se encontre sempre além de si mesmo, nas possibilidades futuras – o homem é passado, presente e futuro. Temporalidade tem a função de unir a essência com a existência. Estar em jogo o ser do ente que somos está em risco constante. Heidegger essência da existência como ter-de-ser – aquilo que eu sou só pode ser descrito quando eu estou sendo – ter-de-ser é respondido sendo, existindo. Tríplice abertura três modos concomitantes de ser-aberto. 1-Encontrar-se abertura originária do mundo (sentimentos ou afetos), 1º desvelar dos entes no mundo, caráter de dejeção, factualidade da entrega à responsabilidade. 2-Entender modo de lida, comportamento, coisas descobertas no mundo e que depois são teorizadas. 3-Discurso (rede) interpretar é o desenvolvimento do entendimento de algo já tido como algo, entendimento é possibilidade de ocupação. Sentido é existenciário do dasein e não propriedade das coisas. Ter sentido significa que meu ser e dos entes que encontramos são apropriados no entendimento. É o sentido que é articulado na interpretação: caráter hermenêutico do ser – entender e revelar o significado de algo. Dasein se encontra com os outros dasein a partir da preocupação (cuidado), e se encontra com os demais entes na ocupação. Três modos de preocupação indiferente, substitutiva e antecipativa-libertadora. Preocupação indiferente não há preocupação pelo quem do outro. Preocupação substitutiva assume o lugar do outro na tarefa que ocupa, entregando-lhe pronta, desobrigando-o (ex. mãe faz lição do filho pq demora muito). Preocupação antecipativa-libertadora ajuda o outro a obter transparência e se tornar livre para a preocupação. A-gente é abertura compartilhada de mundo, determina previamente os significados do que vem de encontro ao dasein – a tradição é preservada pelo a-gente. Ser mortal a morte não completa a existência, mas a subtrai por completo, a antecipação dessa morte indica ao dasein sua insubstituidade, o morrer não é de fora, ele é imanente ao existir, é preciso angustiar-se pela morte. Medo algo no interior do mundo que me é ameaçador (fora). Angústia ameaça que vem da condição do ser aí (dentro). Angustia é experiência, não se expressa em palavras – permite visão clara do dasein que vive encoberto no a-gente. O nada não é oposto de ser, ser e nada se copertencem – em todo o ser que eu sou, posso não ser. Sorge condição – modo de ser temporal, é o existenciário que indica o modo temporal da existência (passado, presente e futuro).