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de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para 
sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. 
O pós-estruturalismo e a desconstrução 
da estrutura formal de pensamento 
baseada na razão 
 
 
Nesta unidade vamos compreender como os movimentos sociais — que abalaram a 
segunda metade do século XX — levaram ao surgimento de um novo olhar sobre a 
forma de construir o pensamento. O modo como se fazia o estudo das coisas, 
especialmente, por meio de metanarrativas, já não atraía mais os pensadores que 
foram enquadrados no movimento teórico denominado pós-estruturalista. Trata-se de 
um movimento, que, a partir dos anos 1960, começa tecer críticas ao estruturalismo, 
como veremos nos estudos desta unidade. 
 
Os pensadores pós-estruturalistas são franceses; contudo, a inspiração para o 
pensamento desses intelectuais baseia-se no trabalho de filósofos alemães, 
especialmente de Friedrich Nietzsche, que se reflete no pensamento de dois filósofos 
relevantes desse movimento: Gilles Deleuze e Michel Foucault. 
 
Em relação ao estruturalismo, veja o que Foucault afirma: 
 
 
“O estruturalismo é, precisamente, uma atividade teórica que existe apenas no interior 
de determinados domínios. É uma certa maneira de analisar as coisas. Portanto, não 
pode haver uma teoria geral do estruturalismo. Apenas se podem indicar obras que 
provocaram modificações importantes em um domínio particular ou simultaneamente 
em vários domínios.” 
(Foucault, 2000, p. 60) 
 
 
Então, o estruturalismo começou a ser criticado em sua forma de apresentar os 
conceitos, de modo que se rejeitou a proposta da metanarrativa, por reunir narrativas 
globais, quando se analisava o ser humano a partir de uma noção homogênea, de 
acordo com uma história contínua e linear. Inicia-se assim uma desaprovação a essa 
forma de compreender a subjetividade, porque, até os anos 1960, a análise estava 
fundamentada em regras metodológicas tidas como imutáveis, ou seja, como uma 
única via de produção do conhecimento. Na verdade, o estruturalismo fazia análise 
metodológica dogmatizada, e isso é incompatível com as teorias pós-estruturalistas, 
como vamos ver em Gilles Deleuze e Michel Foucault, quando eles promovem uma 
revolução na pesquisa. 
 
O pós-estruturalismo resiste em trabalhar contra verdades e oposições estabelecidas. 
É assim que se quebram os paradigmas dentro das ciências humanas e sociais, que, 
a partir dos anos 1970, começam a ser utilizadas em pesquisas. Por não terem a 
definição, a priori, de um método para as pesquisas, é que se desafia os teóricos a 
 
 
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desenvolverem conceitos e propostas de análise fora dos métodos tradicionais, 
colocando-os dentro de um movimento não mais reconhecidos pelo estruturalismo. 
Essa forma teórica trazida pelos pós estruturalistas promove um novo entendimento 
da filosofia e sua proposta de criar conceitos, porque traz para a análise temáticas 
tidas como irrelevantes até então: discriminação em termos de sexo ou gênero, 
inclusões e exclusões com base em raça, classe social, empoderamento etc. 
Nessa linha de pensamento estão filósofos que rompem com as metanarrativas e 
trazem a análise da diferença. Essa é a perspectiva que vamos estudar nesta unidade, 
especialmente a partir das propostas de Michel Foucault e Gilles Deluze, que marcam 
profundamente essas rupturas propondo novas formas de pensar e construir a 
filosofia. 
 
Assim, nesta unidade estudaremos o pós-estruturalismo e a desconstrução da 
estrutura formal de pensamento baseada na razão. Nosso objetivo é compreender a 
teoria de filósofos que resistiram a trabalhar com verdades e oposições estabelecidas 
como métodos de investigação do conhecimento. Por isso, são críticos do 
estruturalismo. São considerados pós-estruturalistas porque quebram os paradigmas 
dentro das ciências humanas e sociais a partir dos anos 1970, e não definem, a 
princípio, um método para as pesquisas, partindo em busca de propostas de análise 
fora dos métodos tradicionais. É justamente isso que os retira do movimento, não mais 
sendo reconhecidos como estruturalistas. 
 
Portanto, nesta unidade, nossos estudos abordarão as propostas do pós-
estruturalismo e sua contribuição teórica para a formação do pensamento ocidental. 
 
 
Objetivo 
 
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
• Refletir e compreender a si mesmo, a sociedade e o mundo que o cerca a fim de 
buscar maior autonomia nos atos de pensar, agir e se comportar. 
 
 
Conteúdo Programático 
 
Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas: 
 
• Tema 1 - A construção do pensamento foucaultiano como marco do 
século XX 
• Tema 2 - A descontinuidade da história, o saber e poder no limite de uma 
época: saber como lugar de atualização de um poder 
• Tema 3 - A descontinuidade da história, o saber e poder no limite de uma 
época: saber como lugar de atualização de um poder 
• Tema 4 - A ruptura com a estrutura formal de pensamento baseada na 
razão e no método rigoroso 
 
 
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Considerando a subjetividade como o lugar onde traçamos a nossa identidade, leia o 
poema a seguir, de Fernando Pessoa: 
 
Não sei quantas almas tenho 
Fernando Pessoa 
 
Não sei quantas almas tenho. 
Cada momento mudei. 
Continuamente me estranho. 
Nunca me vi nem achei. 
De tanto ser, só tenho alma. 
Quem tem alma não tem calma. 
Quem vê é só o que vê, 
Quem sente não é quem é, 
Atento ao que sou e vejo, 
Torno-me eles e não eu. 
Cada meu sonho ou desejo 
É do que nasce e não meu. 
Sou minha própria paisagem, 
Assisto à minha passagem, 
Diverso, móbil e só, 
Não sei sentir-me onde estou. 
Por isso, alheio, vou lendo 
Como páginas, meu ser 
O que segue não prevendo, 
O que passou a esquecer. 
Noto à margem do que li 
O que julguei que senti. 
Releio e digo: “Fui eu?” 
 
Este poema é apropriado para entender a discussão da temática da unidade. A poesia 
de Fernando Pessoa propõe pensar sobre a identidade e subjetividade, por serem 
espaços onde as mudanças removem a nossa vida e nos faz perguntar. É isso que 
vamos discutir nesta unidade. Foucault nos convida, em seus escritos, a questionar 
quem somos: o autor não pretendia escrever nada que não fosse algo para 
compreender ele mesmo. 
 
A nossa subjetividade é o nosso lugar, é onde traçamos a nossa identidade e, por 
isso, ela tem caráter político, uma vez que é a nossa instância de visibilidade social e 
política. Como diz Deleuze, somos feitos de linhas, que são duras, flexíveis e de fuga. 
Portanto, pensar quem somos e como vivemos e uma proposta da filosofia desses 
importantes teóricos que estudaremos nesta unidade. 
 
 
 
 
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verdades. 
 
Apresentaremos as propostas de rupturas com a estrutura formal do pensamento. 
Nosso objetivo é entender a postura dos teóricos da contemporaneidade. Eles não 
aceitam os modelos de construção da subjetividade que vinham sendo propostos até a 
época da modernidade e, por isso, rompem com esse modelo. 
 
Ressaltamos que essa forma de ruptura se inicia com Nietzsche, que foi o filósofo 
inspirador de pensadores como Foucault, Deleuze entre outros pós-modernos. 
Foucault visa entender, em seus estudos, como foi proposta a construção do sujeito. 
Assim, quando se abrem as obras de Foucault, logo deparamo-nos com o que ele 
propõe ao escrever. Segundo ele, não era analisar o fenômeno do poder, nem 
elaborar fundamentos teóricos. Seu objetivo é entender ele mesmo e a construção do 
sujeito. É justamente essa forma de analisar a construção do sujeito que faz do filósofo 
um marco do pensamento e da forma de traçar rupturas com a estrutura baseada na 
razão e no método. 
 
 
 
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Para entender as fases de suas obras nas quais se percebe o percurso que traça seus 
escritos e romper com o modelo tradicional, precisamos analisar o quadro a seguir, 
que explana três domínios bem demarcados de Foucault. 
 
Os três domínios de Foucault 
Primeira fase Segunda fase Terceira fase 
Arqueologia Genealogia Ética-arqueogenealógico 
Ser-Saber: sujeito do 
conhecimento. 
Ser-Poder: sujeito de ações 
sobre os outros. 
Ser-Consigo: sujeito de ação 
sobre si. 
Que posso saber? Que posso fazer? Que sou eu? 
Como? 
Problematiza a formação de 
conhecimento. 
Por que eu? 
Problematiza o surgimento 
de algo 
(relaciona saber e poder). 
Como nós nos tornamos o 
que somos? 
Problematiza a 
subjetividade. 
 
As obras de Foucault em seus três estágios 
A história da loucura - 1961 
Primeira fase Segunda fase Terceira fase 
O nascimento da Ciência 
(1963) 
As palavras e as coisas 
(1966) 
Arqueologia do saber (1969) 
Vigiar e Punir (1975) 
História da sexualidade I – 
O uso dos prazeres (1976) 
História da sexualidade II – 
A vontade de saber (1984) 
História da sexualidade II – 
O cuidado de si (1984) 
 
Então, esses são os percursos de Foucault em busca da construção da subjetivação 
do sujeito e suas estratégias de resistência em correlação com outros poderes. 
 
Uma de suas rupturas é sobre a pretensão da história de fazer uma linha contínua 
traçando o sujeito do saber. Sabemos que Foucault não era um historiador, mas fazia 
crítica à história. 
 
Com a obra Arqueologia do saber, ele estabelece uma teoria em que explana uma 
falsa realidade da continuidade e linearidade histórica. 
 
 
Veja a seguir o trecho destacado de Cavalcante: 
 
 
 
 
 
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“Em Arqueologia do saber, Foucault afirma que seu interesse não é buscar um fio 
condutor ao longo das épocas entre diferentes saberes que possivelmente 
constituiriam continuidades históricas. A sua arqueologia proposta busca enfatizar as 
diferenças, continuidades e descontinuidades nas formações discursivas ao longo da 
História. Não colocando a continuidade em um patamar privilegiado da análise, muito 
menos a descontinuidade que a substituiria, mas compreender os limiares dos 
saberes, sejam eles científicos ou não.” 
 
(Cavalcante, 2021, p. 2) 
 
 
Assim, surge o questionamento de como seria a história, já que não é linear e nem 
contínua. 
 
Vamos lá. 
 
Ao se opor à história linear e contínua, Foucault propõe uma nova história, quando 
se busca o rosto de uma época por meio de um diagnóstico que possa explicar, de 
maneira global, todos os acontecimentos. Segundo ele, somente uma abordagem que 
observa as evoluções e o desenvolvimento consegue percorrer o caminho que 
condiciona uma linha temporal, por meio da qual se explicam os processos que 
acontecem no período, analisado todos aqueles que não fazem parte dessa 
continuidade histórica. 
 
Nesse caso, Foucault está falando da importância do subproduto da história, algo 
que passou como irrelevante na perspectiva da história tradicional. Então, Foucault 
critica a história que desconsidera aspectos que a moveram em dado momento e a 
deslocam como subproduto, colocando-a à margem dos acontecimentos. 
 
Você acha que a história só pode ser narrada por meio dos nomes dos nobres? 
Dos homens e dos reis? 
Só marcam o tempo histórico os acontecimentos gerados por guerras e 
grandes revoluções? 
Onde estão as histórias do cotidiano? 
 
Foucault critica exatamente isso. Ele desacredita da história tradicional, que olhou 
somente para os acontecimentos principais e fez deles uma narrativa global, trazendo 
uma maneira generalizada sobre o que estava acontecendo em dado período 
histórico. É o que vemos quando lemos sobre história geral da humanidade e 
detectamos narrativas que colocam as revoluções como os grandes marcos, uma vez 
que, por meio delas, estão referendadas as construções das linhas e continuidades da 
história. Foucault rompe com essa forma de pensar e afirma que há uma história fora 
dessas revoluções e que nem sempre a continuidade histórica vem marcada por elas. 
Aliás, ele diz que elas até podem ser os lugares de rupturas e não de continuidade. 
 
 
 
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Outra crítica do filósofo está na ideia de um sujeito fundador da história, sendo ele 
parte da evolução que constrói o saber, criando uma consciência de si e tornando-se 
“o dono da história”. Essa forma de pensar, tanto da história como do sujeito, é 
rejeitada por ele. Aliás, ele é extremamente crítico dessa teoria, negando esse tipo de 
sujeito, dizendo que não existe tal ser. Por não creditar na continuidade histórica e 
nem na construção do “sujeito”, ele propõe uma nova história. 
 
A nova história foucaultiana não objetiva a busca de diagnóstico geral. Sua proposta é 
uma história que direciona o olhar para as junções dos acontecimentos dispersos. 
Uma história que não pretenda colocar um ponto central como o grande motor de sua 
construção, pois a história não se conta por ponto centralizado, uma vez que ela está 
dispersa por vários lugares. 
 
A proposta de Foucault é olhar as micro-histórias, por serem elas parte de um 
jogo de lutas, sendo entendidas como acontecimento histórico. 
 
A história não é centrada em estruturas imutáveis e nem com elementos que seriam 
constantes em si mesma. Ela está focada nos acontecimentos e na forma como eles 
emergem, em dados momentos, a partir do jogo de forças que existem nas relações 
de poder, por meio das lutas que existem localmente, especialmente nos jogos de 
resistências. 
 
É em Arqueologia do saber que o filósofo analisa os sistemas discursivos e 
consegue observar a emergência dos conceitos e dos enunciados sobre a loucura, 
pontuando quando esse discurso nasce,qual sua função específica e que tipo de 
relação de poder movimenta. Quando ele afirma que a loucura tem uma história, a 
academia rejeita a ideia, contudo seus estudos comprovaram que todas as coisas que 
existem na sociedade têm história. 
 
Em relação à descontinuidade, Foucault a entende como uma possibilidade prática na 
observação histórica. Descontinuidade e rupturas existem e precisam ser explicadas e, 
em Arqueologia do saber, ele as explica a partir de regras de fugas, descrevendo as 
diferentes relações que existem entre enunciados, sujeitos, objetos e instrumentos. É 
nesses locais que Foucault coloca a noção de descontinuidade, afirmando que não há 
uma história contínua e que a descontinuidade não é um obstáculo, já que o olhar 
histórico não precisa ver na ruptura um obstáculo da análise; pode-se observar a 
ruptura como um elemento a ser explicado a partir das regras históricas da época. 
 
Outra ruptura foucaultiana refere-se à constituição do sujeito. Para ele, o sujeito é uma 
produção das relações externas de poder, citando tipos de formas de objetivação do 
sujeito. Uma delas é constituída pela ciência, que diz como o sujeito é, por meio de 
práticas divisórias, normal-louco, sexualidade saudável-sexualidade pervertida, moral-
imoral etc. Assim, a ciência é uma ferramenta de poder cujo objetivo é dividir a 
objetivação do sujeito. É por isso que Foucault diz que é papel da filosofia impedir que 
a razão ultrapasse os limites daquilo que era uma experiência. A filosofia pode impedir 
os excessos da racionalidade política, pois há uma relação evidente entre 
racionalização e excesso de poder. 
 
 
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Foucault também diz que os sujeitos não são passivos porque estão dentro de uma 
relação de poder, na qual as pessoas se inserem. Isso, porém, não significa que o 
sujeito esteja em relação hierarquizada, que aceite de forma passiva a dominação de 
sua subjetividade: nas relações de poder há revolução e insurreição, como há nos 
movimentos as formas de luta étnica, social ou religiosa, de gênero etc. 
 
Veja como são importantes para Foucault as lutas contra as formas de 
subjetivação. A nossa subjetividade é o lugar de nós mesmos, ou seja, 
são lugares de construção da nossa identidade, pois o sujeito tem um perfil 
de sexualidade, de gênero, de raça — conceitos que compõem o que 
somos. 
 
Porém, quais são as relações de poder que estão, de certa forma, 
tentando oprimir, invisibilizar e silenciar a subjetividade? 
 
Como é que o sujeito resiste a tais dominações? 
 
São essas respostas que importam quando se trata da resistência. Elas 
são a base das revoluções e geram os movimentos que buscam proteger a 
subjetividade identitária. 
 
Assim, não se pode esquecer que os sujeitos são construídos pelas relações de 
poder. Recusar aquilo que “dizem” que somos é assumir a nossa subjetividade. 
Significa não viver segundo aquilo que foi dito sobre a sexualidade, a forma de ser 
homem ou mulher, mesmo que o sujeito seja hermafrodita ou intersexual. 
 
É assim que Foucault rompe com esse tipo de pensamento que determinou a 
construção do sujeito. Segundo ele, temos que promover novas formas de 
subjetividade a partir da recusa desse tipo de individualidade, que nos foi imposta por 
vários séculos. 
 
A contribuição de Foucault, portanto, foi de muita relevância para entender a 
importância das rupturas e descontinuidades, especialmente porque ele não objetivava 
fazer, ou apenas trazer a descontinuidade e as rupturas como elementos substitutivos 
da continuidade histórica. Sua proposta era trazer para análise as micro-histórias 
como percursos do discurso, que podem dar continuidade ou não, e até mesmo ser 
locais de rupturas. 
 
 
 
 
 
 
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Encerramento 
 
 
Como você entende o conceito de poder proposto por 
Foucault? 
 
Foucault entende que o poder não é visto como algo centralizado em uma instituição 
ou órgão oficial, pois certamente perpassa as relações sociais, sendo então 
denominadas micropoderes. Ele investiga como os diferentes dispositivos operam 
sobre os indivíduos, entendendo que o poder se define por onde passa: assim, o 
poder não se situa entre dominador e dominado. Também contesta a ideia de que o 
poder é repressivo, em sua abordagem, nós não estamos de um lado e o poder do 
outro. O poder não nos abate, nem nos cala e não nos impede de sermos. 
 
Como você entende os limites do saber e a 
subjetividade discutidos por Foucault e Deleuze? 
 
Os filósofos Foucault e Deleuze, em suas propostas de estudo, entendem que a 
subjetividade humana está inserida dentro dos limites do saber de cada época. O que 
pensadores como Foucault, Deleuze, entre outros pós-estruturalistas analisam é que 
toda era está delimitada, isto é, em qualquer época a subjetividade e o pensamento 
atual estão condicionados a um contexto específico. Os teóricos já presumem que não 
é possível compreender o limite, porque, se fosse possível compreendê-lo, deixaria de 
ser um limite. 
 
Como você entende o papel da linha dura na 
constituição de identidade e a necessidade de criarmos 
as linhas de fugas para escapar desses espaços 
impostos por ela? 
 
O sujeito é traçado e vive seu cotidiano por meio da linha dura. É nela que está a 
construção da identidade. As linhas duras nos identificam por meio do dicotômico e 
nos inserem em lados, as sensíveis movem os fluxos da linha dura. Na linha de fuga 
podemos sair de algo, por isso é a desterritorialização, que permite fazer uma trilha e 
abrir caminho para uma nova visão da nossa subjetividade. 
 
A linha de fuga é uma desterritorialização. É nesse lugar que podemos sair do 
território fechado e marcado pelas linhas duras, onde os conflitos nos levam a buscar 
um lugar sem organização territorial, é onde o devir nos envolve e possibilita criar, e 
reterritorializar. 
 
 
 
 
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Como você entende a teoria de Foucault sobre a 
subjetividade e quais seriam exemplos que você citaria 
de dominação da subjetividade? 
 
O filósofo deslocou a forma de pensar a subjetividade, afirmando que o sujeito é uma 
produção das relações externas de poder. Para ele, a nossa subjetividade é o lugar de 
nós mesmos, ou seja, são lugares de construção da nossa identidade, pois o sujeito 
tem um perfil de sexualidade, de gênero, de raça — conceitos que compõem o que 
somos. 
 
Assim, não se pode esquecer que os sujeitos são construídos pelas relações de 
poder. Recusar aquilo que “dizem” que somos é assumir a nossa subjetividade; 
significa não viver segundo aquilo que foi dito sobre as formas de ser o que se é. 
É assim que Foucault rompe com esse tipo de pensamento que determinou a 
construção do sujeito. Segundo ele, temos que promover novas formas de 
subjetividadea partir da recusa desse tipo de individualidade, que nos foi imposta por 
vários séculos. 
 
 
 
Resumo da Unidade 
 
Na Unidade 4 estudamos os movimentos sociais que abalaram a segunda metade 
do século XX ao estabelecer um novo olhar sobre a construção do pensamento. A 
forma como se construíam os estudos, até então, especialmente por meio das 
metanarrativas, já não atrai mais os pensadores que foram enquadrados no 
movimento teórico denominado pós-estruturalista. 
 
Essa forma teórica, trazida pelos pós-estruturalistas, promove um novo 
entendimento da filosofia e sua proposta de criar conceitos, porque traz para a 
análise temáticas e conceitos tidos como irrelevantes, tais como: discriminação em 
termos de sexo ou gênero, inclusões e exclusões com base em raça, classe social, 
empoderamento etc. 
 
Nesse movimento teórico, Deleuze e Foucault tiveram grande influência da filosofia 
de Nietzsche, do final do século XIX. Vimos que a teoria do poder em Foucault foi 
desenvolvida na segunda fase de seus estudos, no método genealógico. Também 
entendemos que os escritos de Foucault passaram por três estágios: o 
arqueológico, quando teorizou o “ser-saber”, o genealógico, quando pesquisou o 
“ser-poder” e, na terceira fase, se voltou para a ética, com a proposta de entender a 
subjetividade. 
 
Na obra Genealogia do poder, vimos os diferentes dispositivos que operam sobre 
os indivíduos. O poder se define por onde passa. Foucault entende o poder como 
uma rede, uma malha que ultrapassa todo o corpo social, tecendo as relações de 
 
 
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poder, fazendo com que os corpos circulem e se encontrem. Ele entende que o 
poder está mais para batalha do que para dominação, pois não há quem possua o 
poder, o que existe são relações de poder, nas quais as pessoas se inserem. 
 
No estudo sobre limites e descontinuidade do conhecimento da história, vimos as 
propostas do pós-estruturalismo e como os pensadores desse movimento 
entenderam essas questões. O que pensadores como Foucault, Deleuze, entre 
outros pós-estruturalistas analisam é que toda era está delimitada, isto é, em 
qualquer época a subjetividade e o pensamento atual estão dentro do limite. 
 
Foucault rompe com a forma de pensar a história. Afirma que há uma história fora 
de revoluções e que nem sempre a continuidade histórica vem marcada por elas. 
Aliás, ele diz que elas até podem ser lugares de rupturas e não de continuidade. 
 
Afirma que não há um sujeito fundador da história, sendo este parte da evolução 
que constrói o saber, criando uma consciência de si e tornando-se o dono da 
história. Essa forma de pensar, tanto a história como o sujeito, é rejeitada por ele. 
 
Assim, finalizamos nosso estudo. A expectativa é que tenha sido muito útil ao seu 
entendimento sobre a construção do pensamento. 
 
 
 
Referências da Unidade 
 
 
• ALVIM, D. M. Foucault e Deleuze – Deserções, micropolíticas, 
resistências. 2011. Tese (Doutorado em Filosofia) – Faculdade de Filosofia, 
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2011. 
• CASALI, J. P.; GONÇALVES, J. P. Pós-estruturalismo: algumas considerações 
sobre esse movimento do pensamento. Revista Espaço de Diálogo e 
Desconexão - REDD. v.10, n. 2, 2018. 
• CAVALCANTE, R. M. L. As rupturas epistemológicas nas ciências da vida 
segundo a arqueologia de Michel Foucault. Kínesis, v. XIII, n. 35, dezembro 
2021, p. 298-315. 
• CARVALHO, J. D. Gilles Deleuze e Guimarães Rosa: uma conexão entre 
filosofia e literatura: o devir, o duplo e a metamorfose. AISTHE, n. 7, 2011. 
• DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil platôs. São Paulo: Editora 34, 1995-1997. 5 
vols. 
• DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia 2. São 
Paulo: Editora 34, 2012. v. 3. 
• FOUCAULT, M. Segurança, território, população. São Paulo: Martins Fontes, 
2008. 
• FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense 
Universitária, 2008. 
• FOUCAULT, M. Microfísica do poder. 11. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1979. 
https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/11561/1/Davis%20Moreira%20Alvim.pdf
https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/11561/1/Davis%20Moreira%20Alvim.pdf
https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/12748
https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/12748
https://revistas.ufrj.br/index.php/Aisthe/article/view/286/306
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de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para 
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• FOUCAULT, M. A hermenêutica do sujeito. São Paulo: WWF, 2010. 
• FOUCAULT, M. História da sexualidade – A vontade de saber. Rio de 
Janeiro, Graal, 1987. v. 1. 
• FOUCAULT, M. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências 
humanas. 9. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. 
• FOUCAULT, M. Genealogia da ética, subjetividade e sexualidade. Rio de 
Janeiro: Forense Universitária, 2014b. (Ditos e escritos v. IX) 
• FOUCAULT, M. Do governo dos vivos. São Paulo: Martins Fontes, 2014c. 
• FOUCAULT, M. A coragem da verdade – O governo de si e dos outros. São 
Paulo: Martins Fontes, 2011b. v. II. 
• FOUCAULT, M. Filosofia, diagnóstico do presente e verdade. Rio de 
Janeiro: Forense Universitária, 2014a. (Ditos e Escritos v. X.) 
• FOUCAULT, M. Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 2010d. 
• FOUCAULT, M. Arte, Epistemologia, Filosofia e História da Medicina. Rio 
de Janeiro: Forense Universitária, 2011. (Ditos e escritos v. VII.) 
• FOUCAULT, M. O governo de si e dos outros. São Paulo: Martins Fontes, 
2010. 
• FOUCAULT, M. Estratégia, Poder-Saber. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense 
Universitária, 2010b. (Ditos e escritos v. IV) 
• FONSECA, G. Do caos ao devir-conhecimento: como um conceito 
deleuziano pode ajudar no estudo de funções. II Encontro Deleuze e 
educação matemática. Instituto Federal Sul-Rio-Grandense, Porto Alegre, RS, 
11 e 12 de novembro de 2021. 
• GONÇALVES, D. L. C. Da obediência à liberdade: a Filosofia como um modo 
de vida em Michel Foucault. 2017. 442 p. Tese (Doutorado em Filosofia) - 
Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências 
Humanas, Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Florianópolis, 2017. 
• GUIMARÃES, I. V.; RIBEIRO, V. Notas para pensar o sujeito: geografia 
humanista com Deleuze e Guattari. Revista da Abordagem Gestáltica, v. 22, 
n.2, Goiânia, dez. 2016. 
• KRAHEI, I. B.; MATOS, S. R. da L. Devir-Mulher como diferença. V CINFE – 
Congresso Internacional de Filosofia e Educação, Caxias do Sul, RS, 2011. 
• PETERS, M. Pós-estruturalismo e filosofia da diferença. Belo Horizonte: 
Autêntica, 2000. 
• PINHEIRO, H. S. P. Linhas de fuga na filosofia e na ciência: para além de 
margens e fronteiras disciplinares. PRISMA - Revista de Filosofia, [s. l.], v. 
3, n. 2, p. 45 – 62, 2022. 
• MACIEL JR., A. Resistência e prática de si em Foucault. Trivium – Estudos 
Interdisciplinares, v. 6. n. 1, Rio de Janeiro, jan./jun. 2014. 
• RAGO, M. O efeito-Foucault na historiografia brasileira. Tempo Social – 
Revista de Sociologia. USP, S. Paulo, 7(1-2): 67-82, outubro de 1995. 
• SANTOS, A. I. dos. Pós-estruturalismo e Pós-modernismo: diferenças, 
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[S.l.], v. 19, n. 37, 2023. 
• VEYNE, P. Foucault, o pensamento e a pessoa. Lisboa: texto e Gráfica 
2008. 
https://www.ufrgs.br/ii-encontro-deleuze/wp-content/uploads/2021/10/09_Resumo_Graziela_Fonseca.pdf
https://www.ufrgs.br/ii-encontro-deleuze/wp-content/uploads/2021/10/09_Resumo_Graziela_Fonseca.pdf
https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672016000200007#:~:text=As%20linhas%20de%20segmentaridade%20dura,%2C%20orienta%C3%A7%C3%A3o%20sexual%2C%20estado%20civil
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https://periodicos.ufam.edu.br/index.php/prisma/article/view/9901
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https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/7331
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• ZOURABICHVILI, F. O vocabulário de Deleuze. Tradução de André Telles. 
Campinas: IFCH - Unicamp, 2004. 
 
 
Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos 
abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências 
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino 
publicado na página inicial da disciplina.reprodução ou distribuição (incluindo o upload para 
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Tema 1 
A construção do pensamento foucaultiano como 
marco do século XX 
 
 
Como você entende o conceito de poder proposto por 
Foucault? 
 
Neste tema abordaremos o pensamento de Foucault, filósofo de genialidade 
intelectual, responsável por construir teorias conceituais que abalaram a segunda 
metade do século XX. 
 
Os estudos de Foucault continuam sendo considerados de alta relevância na 
atualidade como contribuição para o embasamento de teorias acerca de questões que, 
até então, vinham sendo deixadas de lado, como diferença, relações de poder na 
sexualidade, questões sobre as etnias, loucura, morte, doença etc. 
 
Ainda assim, não era pretensão do filósofo criar teoria em seus escritos. Ele próprio 
deixa claro que escrevia para entender as questões atuais sobre o sujeito e sobre ele 
mesmo. 
 
Sobre isso, destacamos a seguinte citação: 
 
 
“Meu problema era de fazer eu mesmo, e de convidar os outros a fazerem comigo, 
através de um conteúdo histórico determinado, uma experiência do que somos, do que 
é não apenas nosso passado, mas também nosso presente, uma experiência de 
nossa modernidade de tal forma que saíssemos transformados.” 
 
(Foucault, 2010c, p. 292) 
 
 
Foucault elabora suas teorias objetivando causar transformação, que está destinada, 
em primeiro lugar, a ele mesmo. Por certo, vem desse lugar de transformação pessoal 
seu entendimento sobre o objetivo da Filosofia — para ele uma prática de vida. Por 
isso, afirma serem seus escritos locais de experiências: 
 
 
“Uma experiência é qualquer coisa de que se sai transformado.” 
 
(2010c, p. 290) 
 
 
Os estudos de Foucault exerceram grande impacto sobre as ciências humanas, de 
modo que mesmo após quarenta anos de sua morte, suas ideias seguem 
 
 
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consideradas revolucionárias por trazerem inovação ao campo da investigação 
acadêmica, pois, depois dele, não se pode pensar o sujeito da forma como se pensava 
anteriormente. 
 
Ele foi um crítico do cientificismo e academicismo do pensamento francês, que era 
dominante. Suas críticas promoveram renovação direta no campo de investigação de 
disciplinas como: Psicologia, Psiquiatria, História, Direito, Arquitetura, Filosofia, 
Sociologia, Educação, entre muitas outras. Foucault trouxe para a discussão temas 
que, até então, não eram discutidos. O mundo acadêmico teve que se curvar diante da 
intelectualidade de um teórico, que começou a marcar a desconstrução do que era tido 
como respostas às questões da humanidade já em sua primeira obra, A história da 
loucura na idade clássica, publicada em 1961. 
 
A filosofia de Nietzsche, do final do século XIX, foi uma influência importante para os 
pensamentos de Foucault. Por certo, a base para a compreensão de sua reflexão 
sobre a loucura veio do pensamento desse teórico alemão, que também causou 
revolução na construção do saber. Como vimos anteriormente, Nietzsche é crítico do 
modelo dualista de Platão, que era a base do pensamento até o século XVIII. De fato, 
foi ele quem iniciou uma severa crítica à produção de conhecimento que permite 
escapar do platonismo e de sua metafísica. Para ele, a metafisica platônica, que 
endossava a produção do pensamento até sua época, nada mais era do que niilismo, 
isto é, com valor nenhum. 
 
Foucault iniciou sua escavação na história, isto é: foi em busca de estudos nas etapas 
da história, o que chamou de método arqueológico. 
 
Nota 
A arqueologia escava as antigas civilizações, isso é, busca nos sítios deixados pelas 
antigas civilizações registros que descrevam como eram constituídas as sociedades 
em cada etapa que os sítios, em suas camadas, podem revelar. 
 
Por meio de métodos, seus estudos se dividem em três fases, conforme apresentamos 
a seguir: 
 
• Primeira fase 
 
Utiliza o método Arqueológico, por meio do qual faz algo como uma escavação 
na história, isto é, busca encontrar como era o Ser-Saber nas etapas da história 
da civilização humana, em especial, o que a história registrou sobre como era o 
SER e o Saber. 
 
Sua intenção era encontrar o ser do conhecimento, mediado pela questão do que 
o ser pudesse saber e de como seria a formação desse conhecimento. Sua obra 
relevante dessa fase foi a Arqueologia do saber, de 1969. 
 
 
 
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1ª Fase Arqueológica → O que é o saber? 
 
• Segunda fase 
 
Na segunda fase, utiliza o método da Genealogia, com o qual vai em busca da 
questão do poder. É sua nova perspectiva de pesquisa: a busca pelo 
entendimento das relações que se estabelecem entre poder e saber. Com ela, 
vai construindo sua teoria sobre o poder, que revoluciona os meios 
acadêmicos. 
 
Seu foco está no Ser-Poder: ele quer entender o Sujeito de ações sobre os 
outros e a pergunta problematizada reside em: o que posso fazer? 
 
Ele problematiza o surgimento de algo que relaciona saber e poder. Sua obra 
mais importante nesse período é Vigiar e Punir, de 1975, que causou tanto 
impacto que fez com que Foucault ficasse conhecido no mundo. 
 
2ª Fase Genealógica → 
O que é o poder? 
 
Saber é poder 
 
No método genealógico, Foucault começa sua teoria onde afirma que o poder 
sempre se estabelece de modo relacionado ao saber. Não existe poder sem 
saber e nem saber sem poder. 
 
A genealogia, dessa forma, tem um empreendimento específico: libertar os 
saberes históricos para que tenham capacidade de lutar contra a coerção de 
um discurso teórico unitário, formal e científico que enquadra e formata as 
multiplicidades. É assim que vemos um intelectual genial discutindo questões 
que vão revolucionar o campo das ciências sociais, porque o eixo de seus 
discursos tem o mesmo fio condutor: a constituição do sujeito. Como ele 
mesmo afirma, era a criação de “uma história dos diferentes modos pelos 
quais, em nossa cultura, os seres humanos se tornaram sujeitos” (Foucault, 
2010, p. 231). 
 
3ª. Fase Ética - 
Arqueogenealógico 
→ 
Ser-Consigo: 
 
Sujeito de ação sobre si 
 
• Terceira fase 
 
 
 
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Na terceira fase seu foco traz para seu discurso a questão da ética, que 
direciona seus estudos, se volta para saber quem somos, o que podemos ser e 
como nos tornamos o que somos. É importante ver que ele está trazendo para 
seus escritos a problematização da subjetividade. 
 
Suas obras desse período são a História da sexualidade II, cuja temática é a 
vontade de saber e História da sexualidade II, cuja temática é o cuidado de 
si — ambas de 1984. 
 
 
Na fase foucaultiana do método da genealogia, Foucault trabalha com o resgate do 
pensamento, pois, para ele, é precisodiscutir não só o conceito, mas a historicidade e 
a ideia do conceito. Veja que ele não aceita as metanarrativas e nem o macrodiscurso, 
de modo que começa a relacionar as estruturas do microespaço. 
 
Foucault rejeita as metanarrativas, pois em seu entendimento, elas têm a pretensão de 
formar uma narrativa global sobre os diversos aspectos da sociedade. 
 
Da mesma forma, o filósofo não aceita a análise de situação do macrodiscurso por ser 
amplo e não levar em conta o foco no micro. Assim, para Foucault, nem as 
metanarrativas e nem o macrodiscurso são capazes de entender as relações de saber 
poder, e é por isso que seus estudos se voltam para os microespaços: por serem 
locais onde se pode observar os detalhes e os padrões de interação e relação que se 
estabelece entre o saber e o poder e a construção do sujeito. 
 
Um exemplo disso é sua teoria sobre as relações de poder que se estabelecem nos 
pequenos espaços, nos quais o sujeito exerce poder e este é, igualmente, exercido 
sobre o sujeito. 
 
Em seus estudos, Foucault utiliza, com recorrência, o termo dispositivo. Em sua 
tentativa de não ser rotulado, o filósofo procurou criar ou dar novos significados a 
termos por meio dos quais criava sua filosofia. 
 
Assim, com o termo dispositivo ele diz que há o dito e o não dito. 
 
Sobre a ideia de dispositivo, destacamos o trecho a seguir: 
 
 
“[...] um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, 
organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, 
enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e 
o não dito são os elementos do dispositivo. O dispositivo é a rede que se pode tecer 
entre estes elementos.” 
 
(Foucault, 2000, p. 244) 
 
 
 
 
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O termo “dispositivo” foi muito usado em seus textos depois da obra Arqueologia do 
Saber, no ano de 1969. Sua nova perspectiva de pesquisa se voltava para a questão 
do saber em relação ao poder, iniciando, assim, sua fase influenciada pelo método 
genealógico e é dentro do estudo dessa fase que ele vai usar o conceito de 
dispositivo. 
 
Foucault usava o termo episteme, mas o substitui pelo termo dispositivo, porque 
entende que é com este termo que pode fazer análise das práticas discursivas e viu 
que o uso da episteme não teria como fazer a análise das práticas não discursivas. 
Portanto, ele entende que tanto a episteme quanto o dispositivo são práticas, mas com 
a episteme a prática é apenas discursiva, já o dispositivo inclui tanto as discursivas 
como as não discursivas. 
 
O que Foucault pretende com o uso do conceito de dispositivo é fazer 
uma análise homogênea, isto é, entender como está organizado o que e 
como os seres humanos fazem as coisas; como organizam o saber e 
como se fundem as relações de domínios sobre. Ele faz uma análise do 
poder e das relações que se estabelecem com os outros; analisa a ética, 
que são as relações que as pessoas estabelecem consigo mesmas e com 
os outros, bem como todos os fatores que movem na sociedade. 
 
Em resumo, podemos dizer que no dispositivo estão todas as coisas ditas, mas 
também as não ditas. Assim, o dispositivo é essa rede na qual estão todos os 
elementos que regem as relações sociais de poder e de saber, estando sempre 
inscrito no jogo de poder e, ao mesmo tempo, sempre ligado aos limites do saber. Os 
saberes são o dito — o que as pessoas são e enunciam como saber —, enquanto o 
não dito é o que está implícito, é aquilo que está na moral dos indivíduos, que faz 
parte da subjetividade humana. Contudo, o ser humano, muitas vezes, nem sabe que 
o não dito está sempre envolvido em suas atividades. 
 
Foucault foi questionado por não trazer suas ideias dentro da exigência do rigor 
científico, pois era sua característica a recusa de seguir um método específico ou 
abrigar-se sob estruturas sólidas de pensamento. Sobre isso, destacamos a citação a 
seguir: 
 
 
“Não me pergunte quem eu sou e não me peça para permanecer o mesmo: é uma 
moral do estado civil; ela rege nossos papéis. Que ela nos deixe livres quando se trata 
de escrever.” 
 
(Foucault, 1987a, p. 20) 
 
 
 
 
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A produção de Foucault é muito vasta, de modo que vamos entender apenas algumas 
ideias a partir da última metade do século XX, com as quais ele revoluciona e marca 
fortemente o pensamento filosófico. Para produzir suas teorias como marco divisório 
do pensamento, uma das ideias que ele nos deixou como legado foi a sua concepção 
de filosofia. 
 
 
Destacamos, a seguir, um trecho em que Foucault apresenta sua definição de filosofia: 
 
 
“O que é a filosofia senão um modo de refletir, não tanto sobre aquilo que é verdadeiro 
e aquilo que é falso, mas sobre a nossa relação com a verdade?... Não há nenhuma 
filosofia soberana, é verdade, mas há uma filosofia ou, melhor, há filosofia em 
atividade. A filosofia é o movimento pelo qual nos libertamos — com esforços, 
hesitações, sonhos e ilusões — daquilo que passa por verdadeiro, a fim de buscar 
outras regras do jogo. A filosofia é o deslocamento e a transformação das molduras de 
pensamento, a modificação dos valores estabelecidos, e todo o trabalho que se faz 
para pensar diferentemente, para fazer diversamente, para tornar-se outro do que se 
é.” 
 
(Foucault, 2004, p. 67) 
 
 
Para ele, a filosofia é lugar de praticar a vida; um lugar de liberdade por ser lugar de 
reflexão, tanto do que é verdadeiro como do que é falso. 
 
A forma como ele entende a filosofia é interessante, porque a vê como algo voltado 
para o entendimento da vida. Por meio dela fazemos reflexão, arma muito potente 
para reconstruir nossas subjetividades. 
 
Podemos refletir na busca de interpretar os fenômenos históricos sociais que estão 
diante dos nossos olhos, mas que só conseguimos ver por meio da reflexão. Como ele 
afirma, trata-se da transformação da moldura de pensamento. Por isso, Foucault 
coloca a filosofia como função terapêutica, pois ela proporciona leituras reflexivas que 
nos transformam “para tornar-se outro do que se é”. (Foucault, 2004, p. 67) 
 
Vindo de um genial filósofo como Foucault, a forma de pensar a filosofia é realmente 
bela. 
 
Para ele, filosofia é um modo de vida, é um lugar em que a busca pelo conhecimento 
se dá mediante a prática. É praticando o filosofar que vamos alargar a nossa visão, em 
especial sobre o que é familiar para criar lugares em busca da nossa transformação. 
 
 
 
 
Subjetivação do sujeito 
 
 
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Outra situação trazida por Foucault, que revoluciona a ciência humanas e sociais, é 
sua teoria sobre o sujeito. 
 
Quando interagimos com as obras de Foucault podemos ler, praticamente em todas 
elas, sua própria fala no sentidode que seus escritos estavam voltados para sua 
transformação pessoal — ideia que vem de sua concepção da filosofia. 
 
Podemos ver que ele não só transformou a si mesmo, como escreveu de forma tão 
marcante que causou impacto em todos que entraram em contato com seus conceitos 
e suas teorias. Em relação à sua conceituação de sujeito, ele afirma que não há um 
sujeito. Aliás, há um sujeito que, para ele, foi construído por uma história, em algum 
tempo e dentro de uma fôrma, com base no que se pensava, nessa época e lugar 
sobre o que é o sujeito. 
 
Para ele, tudo que está conceituado tem uma historicidade, de modo que fez a 
genealogia do sujeito moderno, ou seja, de nós mesmos, para saber como somos, de 
onde viemos e de onde vêm as práticas que nos constituem. Foi essa discussão sobre 
o sujeito que causou impacto nos estudos acadêmicos. 
 
Sobre seu objetivo de investigação durante anos de estudos, destacamos a seguinte 
citação: 
 
 
“[...] não foi analisar o fenômeno do poder, nem elaborar os fundamentos de tal 
análise. Meu objetivo, ao contrário, foi criar uma história dos diferentes modos pelos 
quais, em nossa cultura, os seres humanos tornaram-se sujeitos.” 
 
(Foucault, 1995, p. 231) 
 
 
Seres humanos tornaram-se sujeito. 
 
Foucault foi um dos principais teóricos dedicados a trazer luz sobre a forma como os 
seres humanos se tornaram sujeito, debruçando-se sobre os estudos da subjetivação 
deste. Vemos isso em seus escritos, por meio dos quais ele insiste em dizer que esse 
foi o grande objetivo de suas investigações. No entanto, suas descobertas sobre as 
relações de poder e saber e tantos outros conceitos deixados como legados em suas 
pesquisas, estavam voltados para entender como se tornar sujeito. Assim, o sujeito 
foucaultiano torna-se o eixo principal de seu percurso histórico-filosófico. 
 
Foucault vê que a construção do sujeito está atrelada à cultura, ou seja, como sujeitos 
de práticas sobre as quais se recebe a influência dos outros sobre si, por meio da 
dominação e sujeição que podem vir por meio da força da ideologia e da tradição. 
Assim, também são sujeitos de práticas de si mesmo, por meio da subjetivação. 
 
 
 
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O sujeito pode ser entendido como eixo central de suas investigações, 
contudo ele não elabora uma teoria sobre ele; sua teoria analítica está 
centrada nos diversos modos de subjetivação do sujeito, uma 
subjetivação construída por meio dos processos e práticas materiais e 
históricas. Tornamo-nos aquilo que somos por meio da combinação de 
práticas de sujeição e subjetivação atravessadas por saberes e apoiadas 
em poder. 
 
O filósofo criou uma polêmica em torno da compreensão de sujeito que era colocado 
como objeto do conhecimento. Em sua proposta teórica, ele não acredita na 
construção do sujeito por entender que este é constituído a partir de relações de 
diferenciação: sujeito louco-normal; ético-delinquente, “através de um certo número de 
práticas, que eram os jogos de verdade, práticas de poder etc.” (Foucault, 2004, p. 
274). Portanto, notamos que ele mesmo diz em suas obras que não há um sujeito 
soberano, fundador, uma forma universal que poderíamos encontrar em todos os 
lugares. Logo, ele é cético e hostil em relação a essa concepção. Por isso, propõe que 
o sujeito se constitua a partir de práticas de sujeição ou, de maneira mais autônoma, 
de práticas de liberação, de liberdade. 
 
Para Foucault, a história do sujeito é constituída por uma história dos modos de 
subjetivação. O sujeito se tornou sujeito por meio das práticas de sua constituição, de 
seus modos de objetivação, a partir de uma relação específica de saber e poder, 
relações essas que se transformaram historicamente, produzindo diversos modos de 
ser. 
 
Em resumo, apreendemos, a partir de seus estudos, que o sujeito é uma produção das 
relações de poder externas, citando formas de subjetivação e objetivação do sujeito. 
Por isso, há aquela vinculada aos saberes, que está na ciência, por meio da 
linguística, retórica e discursos — dizem o que é o sujeito. Ele aponta também a 
subjetivação que divide o sujeito em contraposição a outros, tais como: enfermo-
saudável, louco-são, criminoso-normal. E ele traz o modo de subjetivação por meio da 
sexualidade e das práticas de si. 
 
Foucault fala sobre as lutas contra as formas de subjetivação. 
 
A nossa subjetividade é o nosso lugar, é por meio dela que traçamos a nossa 
identidade, por isso a subjetividade tem caráter político, uma vez que é a nossa 
instância de visibilidade social e política. No corpo está registrada a forma como nos 
portamos, que evidencia quem somos, como vivemos etc. Assim, o corpo faz parte da 
nossa subjetividade, que, por ter um caráter político, deve recusar as formas de 
dominação apenas pelo viés da racionalidade e da construção histórica. Só assim 
abrimos espaços de liberdade e recusamos subjetividades impostas, sejam elas de 
cunho político, científico ou filosófico. 
 
 
 
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É preciso “reivindicar-se a si mesmo”, fazer valer os seus direitos, os direitos que se 
têm sobre si próprio, sobre o eu que se acha atualmente carregado de dívidas e 
obrigações das quais deve livrar-se, ou a que está escravizado. Há, pois que liberar-
se, desobrigar-se (Foucault, 2010). 
 
Relações de poder 
 
Outro conceito impactante do legado filosófico de Foucault foi a forma de entender as 
relações de poder. 
 
Observação 
Como falamos no início da unidade, a teoria do poder em Foucault foi desenvolvida na 
segunda fase de seus estudos, no método genealógico. São os três percursos de seus 
estudos, conhecidos como os três estágios de suas teorias. 
 
Na obra, Genealogia do poder, ele investiga como os diferentes dispositivos operam 
sobre os indivíduos, entendendo que o poder se define por onde passa. 
 
Pois é, Foucault irritou a pesquisa, especialmente aquela que vinha atrelada aos 
conceitos marxistas sobre poder como dominação e história como linha 
contínua. 
 
Para Foucault, o poder não está, apenas, entre dominador e dominado, nas relações 
capitalistas de produção: ele contesta a ideia de que o poder é repressivo, pois 
entende que o poder não o é. Segundo sua abordagem, nós não estamos de um lado 
e o poder do outro. O poder não nos abate, nem nos cala e não nos impede de 
sermos. 
 
Assim, inverte-se o conceito estabelecido, até então, sobre o poder, pois Foucault 
coloca o sujeito no meio da situação, isto é, no meio das relações sociais de poder, e 
afirma que todo sujeito vive as relações de poder-saber — o indivíduo tem uma 
margem de liberdade para trabalhar sua autoconstituição. 
 
Portanto, todas as pessoas têm o micropoder: o lugar onde estamos é onde o 
exercemos e a partir dele é que se estabelece o seu lugar, faz acontecer as coisas 
que afirmam a sua subjetividade. É com o micropoder que podemos definir quem 
somos, definir nossos gostos, nossos desejos, produzir, inclusive, a relação que temos 
com nós mesmos. 
Como o poder age? 
 
Em sua teoria, Foucault diz que o poder não é visto como algo centralizado em uma 
instituição ou órgão oficial, pois certamente perpassa as relaçõesquestionado é complicado, a não ser que haja disposição de mudar, mas, quando 
o filósofo rompe com a forma de pensar sobre o sujeito, a subjetividade, o saber e o 
poder, causa irritação no meio acadêmico, especialmente na área de sociais e 
humanas, porque muitas delas são mediadas pela ideia marxista de poder. Em sua 
filosofia, a proposta é: o passado tem que apontar para o presente. Logo, o foco do 
olhar precisa estar no aqui e tornar visível o que é visível dentro dos limites da nossa 
realidade. Sobre isso, destacamos a seguir uma citação de Veyne (2008): 
 
 
 
 
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“As consequências são pesadas: não podemos já decretar qual é a verdadeira via da 
humanidade, o sentido da sua história, e precisamos nos habituar à ideia de que as 
nossas caras convicções de hoje não serão as de amanhã. Temos de renunciar às 
verdades gerais e definitivas; a metafísica, a antropologia filosófica ou a filosofia moral 
e política são outras tantas vãs especulações. O absoluto não está ao nosso alcance, 
pelo menos por enquanto.” 
 
(Veyne, 2008, p. 40) 
 
 
Os teóricos pós-estruturalistas estavam buscando alargar o conhecimento, pois não 
lhes interessava ver o que é senso comum, o que já está estabelecido. Ao contrário, 
eles buscam o ponto frágil, a respeito do qual se possa fazer a ruptura a fim de 
expandir o conhecimento. O problema que ele traz para discussão é posto nas 
análises históricas, uma vez que é difícil entender quais caminhos vão estabelecer as 
continuidades. 
 
Sobre isso, destacamos a seguinte citação: 
 
 
“Ora, na história das ideias, do pensamento e das ciências, a mesma mutação 
provocou um efeito inverso: dissociou a longa série constituída pelo progresso da 
consciência, ou a teleologia da razão, ou a evolução do pensamento humano; pôs em 
questão, novamente, os temas da convergência e da realização; colocou em dúvida as 
possibilidades da totalização. Ela ocasionou a individualização de séries diferentes, 
que se justapõem, se sucedem, se sobrepõem, se entrecruzam, sem que se possa 
reduzi-las a um esquema linear.” 
 
(Foucault, 2008, p. 15) 
 
 
A noção de descontinuidade assume lugar importante nas disciplinas históricas e, 
conforme afirma o filósofo, “A descontinuidade era o estigma da dispersão temporal 
que o historiador se encarregava de suprimir da história” (Foucault, 2008, p. 15). Ele é 
categórico ao afirmar que não há uma história global e, por isso, o limite não é tratado 
pelos pós-estruturalistas como cognoscível, como passível de ser compreendido. 
 
Os teóricos já presumem que não é possível compreender o limite, porque, se 
fosse possível compreendê-lo, deixaria de ser um limite. 
 
A sugestão é entender o limite como função de irrupção e mudança. O rompimento 
provoca alguma mudança, o que permite o surgimento de outros conhecimentos e 
ampliação do limite em cada época civilizatória. 
 
Teorias como as de Foucault são relevantes porque tratam de temas que permitem 
expandir os limites de questões que, até então, eram consideradas subprodutos na 
 
 
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história, irrelevantes para a ciência. Ele se dispôs a contestar verdades e opiniões já 
estabelecidas, em uma tarefa crítica de dizer que o sujeito não existe, que é uma 
construção política; o poder não existe, somente se efetiva em uma relação de saber. 
Portanto, ele coloca no âmbito acadêmico um novo olhar sobre a subjetividade e 
obriga a se pensar sobre questões como: poder, classe, gênero, etnia, sexualidade 
etc. 
 
Foucault se dispôs a trabalhar sempre às margens e irritou a comunidade 
acadêmica ao obrigá-la a olhar o presente e expandir o conhecimento. 
Obrigou-a a pensar diferente, a olhar para questões marginalizadas, sobre 
homossexualidade, prisão, loucura, sexualidade, feminismo, patriarcado, 
entre tantos que serão levados para dentro do mundo acadêmico. 
 
A seguir, destacamos a seguinte citação da autora Margareth Rago: 
 
 
“O desconcerto provocado por Foucault veio por vários lados. Este filósofo irreverente, 
que aliás nem era historiador, cometera outro sacrilégio, outra irreverência, ao ir 
buscar no final do século 18, onde todos celebravam a conquista da liberdade e dos 
ideais democráticos durante a Revolução Francesa, nada menos do que a invenção 
da prisão e das modernas tecnologias da dominação. Enquanto todos os olhares 
convergiam para a centralidade da temática da Revolução, Foucault deslocava o foco 
para as margens e detonava com a exposição dos avessos. A prisão nascia, assim, 
não de um progresso em nossa humanização, ao deixarmos a barbárie do suplício, 
mas muito pelo contrário, como resultado de uma sofisticação nas formas da 
dominação e do exercício da violência.” 
 
(Rago,1995, p. 2) 
 
 
Assim, Foucault se torna um marco nas questões de ruptura e continuidades! 
 
 
 
 
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Tema 3 
A descontinuidade da história, o saber e poder 
no limite de uma época: saber como lugar de 
atualização de um poder 
 
 
Como você entende o papel da linha dura na 
constituição de identidade e a necessidade de criarmos 
as linhas de fugas para escapar desses espaços 
impostos por ela? 
 
Com esta temática vamos traçar as propostas de resistência trazidas pelos estudos de 
Foucault e Deleuze. Nosso objetivo é entender como essas duas propostas apontam 
caminhos ao ser humano em enfretamentos e construções da subjetividade humana. 
 
Somos seres que existimos em conexões. É importante destacar que filósofos como 
Deleuze e Guattari, bem como Foucault, são teóricos que propõem novos conceitos 
para o fazer ciência e produzir novas abordagens sobre temas da atualidade. 
 
Sobre a proposta dos estudos de Deleuze e Guattari, destacamos a citação a seguir: 
 
 
“[...] somos feitos de linhas. Não queremos apenas falar de linhas de escrita; 
estas se conjugam com outras linhas, linhas de vida, linhas de sorte ou de 
infortúnio, linhas que criam a variação da própria linha de escrita, linhas que 
estão entre as linhas escritas.” 
 
(Deleuze; Guattari, 2012, p. 72) 
 
 
Uma das temáticas discutidas por eles é a subjetividade. Isto é, quem somos e como 
estamos conectados no ambiente em que nos situamos. 
 
Você já pensou sobre quem você é e como lida com a sua subjetividade? 
Quais são as forças que lhe movem? 
Como você como cria sua fuga? 
 
Estamos diante de teóricos que trazem novos conceitos. 
 
Como entender o que Deleuze quer dizer com a linha de fuga? 
 
 
 
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Partimos do entendimento de que somos seres que vivemos em conexão. Nossa vida 
gira em torno das coisas cotidianas que nos conectam, como trabalho e estudo, e 
movemos nossa vida de casa para os lugares e por onde andamos, ou seja, estamos 
em constantes conexões que seguem um fluxo em movimento. 
 
Por isso Deleuze diz que, ao longo da nossa existência no mundo, vivemos em planos 
com funcionamentos distintos, que sustentam as nossas diferentes relações com nós 
mesmos e com a sociedade. Um dos meios de fazer resistência, reinventar e criar 
espaços reside no conceito de linha de fuga discutido pela teoria de Gilles Deleuze e 
Guattari. Trata-se de um conceito utilizado na obra Mil platôs, de 1980. 
 
Nota 
A obra foi escrita em cinco volumes e o conceito de linha de fuga está no volume 
dois. 
 
Para definir o conceito de linha de fuga, Deleuze usa em primeiro lugar a imagem de 
um rizoma. 
 
Em botânica, rizoma é o caule subterrâneo de uma árvore, sendo sua 
potência capaz de fazê-la brotar, sustentando toda a parte superior da 
planta ao longo de toda sua existência, renovando seus brotos, que se 
ramificam e produzem frutos. Na imagem apresentada, podemos observar 
um exemplo de rizoma. 
 
 
Fonte: Kenraiz/Wikimédia (2025). 
 
A partir da analogia do rizoma, Deleuze cria o conceito de linha de fuga: se a nossa 
vida é vivida em conexão, há necessidade de lugares que sustentem a nossa 
existência nesse processo, que é contínuo. 
 
Então, vamos entender o que são as nossas linhas de resistência. 
 
 
 
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Podemos ver, na citação a seguir, que Deleuze propõe que pessoas, grupos e 
sociedades são constituídos pelas linhas duras (ou molares), flexíveis (ou maleáveis 
ou moleculares) e de fuga. 
 
 
“[...] as coisas e as pessoas são compostas por linhas muito diversas, e que não 
sabem, necessariamente, em que linhas estão, nem onde fazer passar a linha que 
estão em vias de traçar; em uma palavra: há toda uma geografia nas pessoas, com 
linhas duras, linhas flexíveis, linhas de fuga etc.” 
 
(Deleuze, 2004, p. 21) 
 
 
Linhas duras ou molares 
 
Todos vivemos no traçado da linha dura em nosso cotidiano, pois é nelas que está a 
nossa identidade, por elas somos compostos. Trata-se, portanto, das linhas da nossa 
identidade, que contêm os elementos constitutivos da nossa subjetividade, tais como: 
classe social, raça, orientação sexual, estado civil. 
 
Consideram-se linhas duras ou molares: 
 
• Identidade racial. 
• Classe social. 
• Orientação sexual. 
 
Às vezes, convivemos com situações complexas permeadas pelas linhas duras, que 
estão tão introjetadas que nem identificamos nosso direito de contestá-las. 
 
Citamos como exemplo a forma como as mulheres foram tratadas até o século XX, 
sendo fixadas no ambiente privado, sem direito a trabalho, sem direito ao voto, à 
profissionalização e a estudo, por causa do androcentrismo patriarcal, que estabelecia 
as máximas: “coisa de mulher” e “coisa de homem”. 
 
Podemos entender que as linhas duras são estabelecidas por uma dualidade social, 
na qual estão as construções da nossa identidade, nossa forma de ser e viver em 
relação às exigências que se colocam sobre nós e que somos obrigados a cumprir. 
 
Sobre isso, destacamos a seguinte citação, de Guimarães e Ribeiro (2016, p. 3): 
 
 
“As linhas de segmentaridade dura são as linhas das identidades, onde estão contidos 
os grandes elementos de constituição (dominante-hegemônica) de uma pessoa: 
classe social, raça, orientação sexual, estado civil. Os grandes binarismos irredutíveis 
estão presentes nesta linha endurecida, feita de segmentos bem determinados.” 
 
 
 
 
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Como você pode perceber, as linhas duras nos estratificam. São responsáveis pelas 
divisões que temos na sociedade, que definem se somos normal-patológico, rico-
pobre, homem-mulher, culto-inculto, trabalhador-desempregado entre tantas outras. 
Portanto, estamos falando das linhas de controle, de normatização de enquadramento. 
A partir de seus atravessamentos, elas buscam manter a ordem e evitar o que é 
considerado inadequado em/para determinado contexto social. 
 
Portanto, a linha dura promove a organização dual dos segmentos, se assemelha às 
normas estatais, pois reproduz segmentos por meio de oposições e faz os centros 
ressoarem, estendendo um espaço homogêneo, embora divisível, por todos os lados 
(Alvim, 2011, p. 40). 
 
Veja o texto de Deleuze e Guattari para entender um pouco mais sobre as linhas 
duras: 
 
 
“[...] existe aí, como em cada um de nós, uma linha de segmentaridade dura em que 
tudo parece contável e previsto, o início e o fim de um segmento, a passagem de um 
segmento a outro. Nossa vida é feita assim: não apenas os grandes conjuntos molares 
(Estados, instituições, classes), mas as pessoas como elementos de um conjunto, os 
sentimentos como relacionamentos entre pessoas são segmentarizados, de um modo 
que não é feito para perturbar nem para dispersar, mas ao contrário para garantir e 
controlar a identidade de cada instância, incluindo-se aí a identidade pessoal.” 
 
(Deleuze; Guattari, 1980/2012, p. 73) 
 
 
Linhas flexíveis, maleáveis ou moleculares 
 
Enquanto as linhas duras constituem a nossa identidade, é nas linhas flexíveis que 
não estamos mais em segmentos localizáveis. Isto é, nos constituem por segmentos 
menos localizáveis, são “partículas que escapam dessas classes, desses sexos, 
dessas pessoas” (Deleuze; Guattari, 2012, p. 74). 
 
As linhas flexíveis se revelam em funcionamento mais heterogêneo e molecular, ou 
seja, estão inseridas em locais bem pequenos, em microespaços, na organização na 
qual estamos inseridos. São linhas que se vinculam à força, aos lugares em que se 
pode criar e produzir. A organização dessas linhas não tem diferença, uma vez que a 
potência é conquistada nos encontros, nos agenciamentos em busca de algo 
inusitado. Portanto, estamos inseridos em relações marcadas por linhas duras, que se 
definem família, escola, trabalho etc. Também temos as linhas flexíveis que auxiliam 
na produção de caminhos de fuga, que nos permitem inventar novas formas de ser e 
de viver. 
 
Esses segmentos passam como fluxo entre as grandes categorias, sem se fixar nos 
grandes elementos identificadores, que estão na linha dura. Na segmentaridade 
maleável correm fluxos com potencialidade de mudança. É uma linha de constituição 
 
 
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de mudança da pessoa, ainda que ela volte a endurecer, desembocando novamente 
na segmentaridade dura ou molar (Guimarães; Ribeiro, 2016, p. 4). 
 
É nas linhas flexíveis que se movem os fluxos das linhas duras, por isso 
são os lugares desterritorializados. Podemos dizer que as linhas 
molecularessão brechas nas quais podemos colocar uma cunha, porque 
nelas estão potências que barram a segmentação. Entre a linha dura e a 
de fuga está a flexível como espaço de ruptura, que possibilita a produção 
e a criação do novo. 
 
Linhas de fuga 
 
Leia a citação a seguir: 
 
 
“Linhas de fuga — não será isso o mais difícil? Certos grupos, certas pessoas 
não as têm e não as terão jamais.” 
 
(Deleuze; Guattari em Mil Platôs, v. 3, p. 83) 
 
 
Se as linhas duras nos identificam por meio do dicotômico e nos inserem em lados, as 
sensíveis movem os fluxos da linha dura. 
 
Como deve ter percebido, a linha dura está sempre conosco. Então, como viver a linha 
de fuga? 
 
A seguir, destacamos um trecho de Deleuze e Guattari sobre a linha de 
fuga: 
 
Quanto à linha de fuga, não seria esta inteiramente pessoal, maneira pela 
qual um indivíduo foge, por conta própria, foge às “suas 
responsabilidades”, foge do mundo, se refugia no deserto, ou ainda na 
arte... etc. 
 
Falsa impressão. [...] as linhas de fuga [...] não consistem nunca em fugir 
do mundo, mas antes em fazê-lo fugir, como se estoura um cano, e não há 
sistema social que não fuja/escape por todas as extremidades, mesmo se 
seus segmentos não parem de se endurecer para vedar as linhas de fuga. 
 
Não há nada mais ativo do que uma linha de fuga no animal e no homem. 
E até mesmo a história é forçada a passar por isso, mais do que por 
“cortes significantes”. 
 
 
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A cada momento, o que foge em uma sociedade? É nas linhas de fuga que 
se inventam armas novas para opô-las às armas pesadas do Estado, e 
“pode ser que eu fuja, mas ao longo da minha fuga, busco uma arma” 
(Deleuze; Guattari, 1980/2012, p. 85-86). 
 
Apesar do nome, linha de fuga, não se trata de fuga real. 
 
Segundo François Zourabichvili (2004), a linha de fuga é um conceito que define a 
orientação prática da filosofia de Deleuze. Para o autor, pode ser observada a dupla 
igualdade a seguir: linha = fuga, fugir = fazer fugir. 
 
Na linha de fuga se obriga a sair de algo, por isso é a desterritorialização, permitindo 
fazer uma trilha e abrir caminho para uma nova visão da nossa subjetividade. Por 
certo é um lugar de perigo, porque lida com incertezas. A fuga não tem definição ou 
planejamento, pois só faz fugir, abrindo uma cunha em uma brecha, fazendo uma 
rachadura em uma subjetividade amarrada pela linha dura, que são impostas pela 
cultura e tradição dentro da sociedade. 
 
Nota 
Os artistas, que muitas vezes lançam mão do suicídio, são mencionados por Deleuze 
e Guattari, porque dizem que, neles, as linhas de fuga irrompem de forma muito 
intensa, levando a uma desterritorialização que não permite refazer um território 
habitável e que volta a ser submetido ao controle das linhas duras. 
 
Portanto, em Deleuze, a linha de fuga é uma desterritorialização. É nesse lugar que 
podemos sair do território fechado e marcado pelas linhas duras, quando os conflitos 
nos levam a buscar um lugar sem organização territorial, mas que possibilite fazer 
uma síntese do conflito, pois, mesmo que seja o local do nosso caos, é um caótico que 
nos permite produzir. É quando o devir nos envolve e possibilita criar, e reterritorializar. 
 
 
Adaptado de: https://www.scielo.br. 
https://www.scielo.br/j/cm/a/KnpxtZDvcJP6mLgqZbnLhSG/?lang=pt
 
 
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É na obra Mil platôs que ele fala que a desterritorialização é como um movimento por 
meio do qual se deixa o território. Assim, para ele, a linha de fuga está no movimento 
da desterritorialização, que significa sair do mundo em que a linha dura nos obriga a 
estar. Por isso, uma forma de fuga se dá por meio da arte ou da mística. 
 
Podemos entender que, no conceito de Deleuze, fugir é fazer fugir, o que significa que 
o ato de fugir não significa sair da situação, ir fisicamente embora; na verdade, fugir 
implica obrigatoriamente uma transformação, nem que seja uma pequena mudança, 
que não estava necessariamente programada. Segundo Zourabichvili (2004), a fuga é 
uma criação de novos espaços-tempos, de agenciamentos institucionais inéditos; em 
todo caso, o problema está na fuga, no percurso de um processo desejante, não na 
transformação cujo resultado só valerá, por sua vez, por suas linhas de fuga. 
 
É na heterogeneidade e na multiplicidade desses elementos e relações que podemos 
nos conectar a quaisquer outros pontos e traçar novas linhas de conexões — 
lembrando a ideia de rizoma, que prescinde da ideia de centros de comando dessas 
relações, desses fluxos. É mais uma inteligência arbórea de um sistema que se 
comunica. 
 
Você deve ter percebido que as linhas duras, flexíveis e de fuga sempre vão se 
misturar. Com isso em mente, estamos em seu território, abrimos brechas, 
desterritorializamos, fugimos e constituímos novamente os territórios, mantendo 
sempre um lugar geográfico em nossa vida. 
 
Para Deleuze e Guattari, não é uma estrutura, nem um significante que define um 
sujeito, mas o sujeito é, ele próprio, resultado do nível mais endurecido dessa 
relação entre as linhas que não param de se cruzar. 
 
A resistência se dá justamente na construção de linhas de fuga que representam 
essas estratificações, no sentido de que elas rompem com os limites do que foi 
previamente estabelecido, enquanto estratificação são linhas de ruptura, movimentos 
que permitem mudanças bruscas na nossa existência e muitas vezes imperceptíveis 
porque não conseguem ser codificadas pelas linhas duras e nem pelas linhas 
maleáveis. 
 
Linha de fuga é uma ruptura que permite a experimentação do devir 
daquilo que está conectado ao acontecimento do tempo, do agora. Ainda 
que seja algo momentâneo, passageiro, são lindas, muito ativas e 
precisam ser inventadas/criadas por nós. Elas não estão dadas, mas é o 
nosso exercício encontrar o fluxo do acontecimento para gerar as linhas de 
fuga da nossa existência. É o nosso processo de subjetivação. 
 
Então, Deluze e Guattari trazem, a partir da filosofia da diferença, a importância de 
pensar nossas vidas como território atravessado por linhas duras, flexíveis e de fuga, e 
 
 
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eles trazem também a questão da resistência a partir de linhas de fuga, a partir da 
conexão do acontecimento a partir da imanência, o que nos possibilita romper com um 
território fechado e se abrir para outros modos de vida. 
 
Devir 
 
Devir é uma força, uma realidade na qual está a própria consistência do real. É 
potência não humana. 
 
Ressaltamos que Deleuze entende que a vida humana é somente uma potência da 
vida no humano. Ele entende a vida como impessoal, por isso não se trata de uma 
propriedade que pertence a uma pessoa, sendo somente algo que é imanente a ela. 
Nas palavras de Carvalho (2011, p. 28), “a imanência deuma vida é sua 
impessoalidade e a vida pessoal com suas determinações particulares decorre dessa 
vida impessoal”. 
 
Se a vida é uma potência da vida no ser humano, então o devir é essa potência, a 
força, uma eclosão que perpassa a vida. Um devir é um lugar de tornar-se, é o que 
vai além do humano. O devir é a força, ou a potência, que liberta a vida para ser algo 
não humano, é ritmo em constante movimento. Então, se compreendemos que na 
linha da fuga criamos uma forma de nos separar do que somos para a condução de 
uma nova criação, no devir vivemos em ritmo de movimento, uma vez que nada é 
definitivo. 
 
O poder da resistência em Foucault 
 
Foucault é um teórico que teve sua sequência de estudos analisando a subjetivação 
do sujeito e sua constituição por meio do poder e do saber. 
 
Deleuze também aborda em seus estudos o poder de resistir. 
 
Leia a citação a seguir: 
 
 
“Os focos de resistência disseminam se com mais ou menos densidade no tempo e no 
espaço, às vezes provocando o levante de grupos ou indivíduos de maneira definitiva, 
inflamando certos pontos de corpos certos momentos da vida, certos tipos de 
comportamento.” 
 
(Foucault, 1987, p. 88) 
 
 
Por meio de seus escritos entendemos que a resistência é uma atividade da força, que 
é retirada das estratégias efetuadas que ocorrem por meio das relações de forças do 
campo do poder. Se há uma força estabelecida de um lado e as atividades 
estratégicas de outro, elas vão permitir a relação com outras forças contrárias àquelas 
do lado do poder. 
 
 
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Segundo Maciel Jr., resistir é o oposto de reagir. Quando reagimos, damos a resposta 
àquilo que o poder quer de nós; mas, quando resistimos, criamos possibilidades de 
existência a partir de composições de forças inéditas. Resistir é, neste aspecto, 
sinônimo de criar (Maciel Jr., 2014). 
 
Se as forças se definem segundo o poder de como afetar e ser afetado, resistir é a 
capacidade que a força tem de entrar em relações não calculadas pelas estratégias 
que vigoram no campo político. 
 
A capacidade que a vida tem de resistir a um poder que quer geri-la é 
inseparável da possibilidade de composição e de mudança que ela pode 
alcançar. 
 
Quanto às formas de resistência propostas por Foucault, podemos perceber que seu 
interesse, expresso em todas as suas obras, é entender como se deu a construção do 
sujeito no percurso da história. 
 
Sobre isso, destacamos a citação a seguir: 
 
 
“Atualmente, quando se faz história — história das ideias, do conhecimento ou 
simplesmente história — atemo-nos a esse sujeito de conhecimento e da 
representação, como ponto de origem a partir do qual são possíveis o conhecimento e 
a verdade aparecem. Seria interessante que tentássemos ver como se produz, através 
da história, a constituição de um sujeito que não está dado de antemão, que não é 
aquilo a partir do que a verdade se dá na história, mas de um sujeito que se constituiu 
no interior mesmo desta e que, a cada instante, é fundado e refundado por ela.” 
 
(Foucault, 1986b, p. 16) 
 
 
A professora Margareth Rago (1995), estudiosa do pensamento de Foucault, diz que 
ele respondia aos seus críticos, para os quais havia dado demasiada ênfase aos 
modos da sujeição na constituição dos sujeitos deixando-os aprisionados, sem 
possibilidade de ação e, fundamentalmente, de resistência e mudança. Segundo a 
autora, o filósofo voltava-se para o sujeito, apontando para as possibilidades de 
construção de novas formas de subjetivação. 
 
Segundo Alvim (2011), as resistências estão diretamente ligadas às rupturas na 
produção filosófica de Foucault, segundo a qual Saber, Poder e Subjetivação estão 
diretamente ligados ao presente e a três tipos de lutas, que ele diz ser: no primeiro 
caso, luta contra os saberes, quando se inserem os discursos que enunciam a 
verdade sobre o sujeito, que pode ser uma religião, uma etnia, uma teoria, uma 
tendência política etc. Nesse caso, é o que Foucault traz na obra Arqueologia do 
saber. No segundo caso, Alvim traz a oposição contra as formas de poder e, nessa 
oposição, se separam os indivíduos entre si e sua produção. É quando Foucault traz 
 
 
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em sua obra Genealogia do poder e o investiga. A terceira forma é a luta contra os 
dispositivos que interpretam e controlam as relações dos indivíduos consigo 
mesmos. 
 
A seguir, destacamos duas citações de Alvim (2011): 
 
 
“Os três tipos de luta não se separam mecanicamente, porém prevalecem em certos 
momentos históricos.” 
 
(Alvim, 2011, p. 76) 
 
 
 
 
“A investigação dos dispositivos de poder no passado se tornou importante para 
Foucault justamente porque as lutas do presente não se colocam, apenas, contra uma 
instituição ou classe específica, mas contra determinadas ‘técnicas de poder’. Ou, 
melhor ainda, são lutas contra todos os poderes atuantes que querem tomar posse ou 
controle da formação dos sujeitos (que querem formar nossa consciência e até mesmo 
nosso autoconhecimento).” 
 
(Alvim, 2011, p. 73) 
 
 
É importante destacar que, na proposta de entender o papel da filosofia ao trazer um 
conceito, não se tem mais interesse em dizer o que é para se voltar ao sujeito que 
resiste. 
 
Então, as perguntas são: quem resiste? Ou qual é a resistência? Em que lugares se 
passa a resistência? 
 
Se o foco está no sujeito que resiste e em qual é a resistência e com que instrumento 
ela é constituída, então não pode faltar a ideia que se estabelece entre as relações de 
força. 
 
Ressaltamos que, para o filósofo, as resistências são sempre mutáveis, nunca 
estáticas, porque precisam estar sempre em movimento e se reconstituindo, uma vez 
que os poderes nunca são os mesmos, pois eles se atualizam constantemente. 
 
 
 
 
 
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de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para 
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Tema 4 
A ruptura com a estrutura formal de pensamento 
baseada na razão e no método rigoroso 
 
 
Como você entende a teoria de Foucault sobre a 
subjetividade e quais seriam exemplos que você citaria 
de dominação da subjetividade? 
 
Nesta unidade estamos estudando pensamentos de teóricos que propuseram rupturas 
com a forma tradicional de produção de pensamento, que dominavam os meios 
acadêmicos até o século XX. 
 
 
“Em Foucault, encontra-se uma defesa declarada da História, ao longo de sua obra, 
uma tentativa de oferecer-lhe saídas, uma proposta de autonomização, visando 
libertá-la de um determinado conceito de História que implica procedimentos 
envelhecidos e cristalizadores, presos às ideias de continuidade, necessidade e 
totalidade e à figura do sujeito fundador.” 
 
(Rago, 2002, p. 2) 
 
 
Neste tema trazemos as propostas de rupturas, agora voltadas para a compreensão 
de que não se pode mais ter a razão e o método rigoroso como base da construçãol.], v. 19, n. 37, 2023. 
• VEYNE, P. Foucault, o pensamento e a pessoa. Lisboa: texto e Gráfica 
2008. 
https://www.ufrgs.br/ii-encontro-deleuze/wp-content/uploads/2021/10/09_Resumo_Graziela_Fonseca.pdf
https://www.ufrgs.br/ii-encontro-deleuze/wp-content/uploads/2021/10/09_Resumo_Graziela_Fonseca.pdf
https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672016000200007#:~:text=As%20linhas%20de%20segmentaridade%20dura,%2C%20orienta%C3%A7%C3%A3o%20sexual%2C%20estado%20civil
https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672016000200007#:~:text=As%20linhas%20de%20segmentaridade%20dura,%2C%20orienta%C3%A7%C3%A3o%20sexual%2C%20estado%20civil
https://periodicos.ufam.edu.br/index.php/prisma/article/view/9901
https://periodicos.ufam.edu.br/index.php/prisma/article/view/9901
https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/7331
https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/7331
 
 
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• ZOURABICHVILI, F. O vocabulário de Deleuze. Tradução de André Telles. 
Campinas: IFCH - Unicamp, 2004. 
 
 
Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos 
abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências 
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino 
publicado na página inicial da disciplina.

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