Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Unidade 2
Ciência e Pesquisa
Aula 1
Os Dilemas do Conhecimento na Atualidade
Os dilemas do conhecimento na atualidade
Os dilemas do
conhecimento na
atualidade
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para
você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a
sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
 
Faça o download do arquivo
Ponto de Partida
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Há alguns anos, nem se podia imaginar que você conseguiria
ter, em um só aparelho, suas músicas preferidas, câmera
fotográfica, aplicativos que dão acesso a bancos e um
telefone com acesso à internet. Graças à tecnologia, isso é
possível. Será que você se lembra como era a vida antes do
smartphone, do tablete e do Wi-Fi? O progresso da
tecnologia sem dúvidas nos trouxe inúmeros avanços,
facilidades e melhorias, mas precisamos olhar também pelo
lado negativo. O desenvolvimento e a ampliação das mídias
sociais, a facilidade de acesso e de compartilhamento de
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/13939c5f-1079-45bd-80f3-4a0f85e950eb/73feb738-8633-5055-b7a0-09a613d437e9.pdf
informações também proporcionou a desinformação e a
disseminação de fake news (notícias falsas).
Para refletirmos sobre conhecimento, informação e
desinformação, vamos pensar na seguinte situação: imagine-
se como um pesquisador científico que foi convidado por um
jornal de grande circulação para falar dos efeitos nocivos
que as fakes news podem causar à sociedade como um
todo. O jornal pede que você formule um roteiro com os
principais meios para reconhecer a falsidade de uma notícia.
Elenque cinco passos a serem seguidos pelos leitores que os
auxiliarão nessa tarefa. Bons estudos!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Você já deve ter ouvido falar em fake news. Elas são notícias
fabricadas que propagam mentiras a respeito de um assunto
em particular ou sobre uma pessoa, em geral, pública. Elas
são extremamente danosas à sociedade e muitas vezes
causam danos irreversíveis, como a queda brusca nas taxas
de vacinação de uma população. Elas podem afetar também
a vida financeira das pessoas, a integridade física e até
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
mesmo o exercício da cidadania. As fakes news devem ser
combatidas com informações contextualizadas e
conhecimento de qualidade; nós sabemos que o
conhecimento científico pode ser muito útil nessa tarefa.
Para isso, precisamos começar compreendendo a diferença
entre informação e conhecimento.
Informação versus conhecimento
Você já deve ter notado que muitas vezes tratamos dados
como sinônimo de informação e informação como sinônimo
de conhecimento, mas essas são associações equivocadas.
Na atualidade, temos acesso a um grande volume de
informação apenas com um clique, na maioria das vezes nas
telas dos nossos smartfones. Antigamente, reis e rainhas
eram privilegiados por possuírem uma, duas ou três
centenas de livros. Ou, se olharmos para a Idade Média, o
conhecimento em grande parte ficava restrito àqueles que
faziam parte do clero (Aranha; Martins, 2003). Hoje em dia,
qualquer pessoa pode ter facilmente essa quantidade de
livros, principalmente em formatos digitais. Com tanta
informação disponível, é comum nós assimilarmos
inteligência com quantidade de informação, mas essa
conexão pode ser bastante enganosa.
Tratar a informação e o conhecimento como sinônimos é
uma crença bastante comum nos nossos tempos. Nós
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
lidamos com dados, informações e conhecimento
diariamente; todavia, muitas vezes os tomamos como
sinônimos, quando cabe saber diferenciá-los. Essas questões
são importantes para pensarmos posteriormente no
desenvolvimento de pesquisas científicas, pois esses três
elementos precisam ser trabalhados para a produção de
pesquisas coerentes e consistentes, embasadas de fato no
conhecimento científico.
Dados podem ser definidos como a matéria-prima da
informação; eles representam significados que,
isoladamente, não transmitem nenhuma mensagem ou
conhecimento. Eles são as unidades a partir das quais as
informações poderão ser elaboradas (Semidão, 2014). Em
uma pesquisa de opinião sobre a qualidade de um produto,
por exemplo, a coleta da opinião de cada pessoa só poderá
produzir alguma informação significativa sobre a satisfação
com o produto depois de ser tratada e agregada às demais.
Os dados isolados não querem dizer nada, não transmitem
informação nenhuma.
As informações, por sua vez, são os dados tratados. A
informação é resultado do processamento dos dados
coletados que interessam ao pesquisador. Ela é o dado
inserido em um contexto, dotado de relevância e propósito
(Semidão, 2014). Como ela possui significado, auxilia o
processo de tomadas de decisão. No exemplo anterior, a
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
informação expressaria os níveis de satisfação das pessoas
entrevistadas com o produto, revelando se a imagem que
elas possuem é positiva ou negativa. Frequentemente,
utilizam-se ferramentas estatísticas como indicadores para
tratar os dados e obter alguma informação que antes não
poderia ser vista.
O conhecimento está além da informação, porque tem tanto
significado como aplicação. O conhecimento envolve nossa
faculdade de abstração, a qual é capaz de produzir novas
ideias a partir das informações que temos em dado
momento. O conhecimento exige que um sujeito seja capaz
de processar as informações, identificando o que é
importante nelas e as direcionando para algum fim. Nesse
sentido, a informação é como se fosse a matéria-prima do
conhecimento. O quadro a seguir sintetiza essas definições
para que possamos compreender melhor:
DADOS INFORMAÇÃO CONHECIMENTO
São elementos
brutos,
decorrentes de
observações ou
coletas
direcionadas.
Conjunto de
fatos objetivos
sobre eventos.
Conjunto de
dados presentes
em um contexto e
carregado de
significados.
Conjunto de
dados que reduza
a incerteza ou que
permita que se
Decorre da
interpretação e
compreensão
dos dados e das
informações.
Inclui reflexão,
síntese e
contexto.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
A menor
partícula que
compõe a
informação.
chegue ao
conhecimento de
algo.
Uma das
partículas que
compõe o
conhecimento.
 
 
Quadro 1 | Diferença entre dados, informação e
conhecimento. Fonte: elaborado pela autora.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
As fake news e o dano real à
sociedade
Nos dias de hoje, o termo fake news tem sido adotado como
referência às notícias que divulgam informações falsas ou
manipuladas e que têm dominado as mídias digitais em
escala global. A ciência, embora preserve sua integridade
pelo rigor na aplicação do método científico, não está imune
de seus efeitos. As fake news também podem se perpetuar
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
utilizando de bases supostamente científicas a fim de
convencer o maior número de pessoas. Sua atuação pode
ser vista tanto em reportagens sensacionalistas sobre
assuntos científicos na mídia em geral, que podem ser mal-
intencionadas, quanto por notícias falsas deliberadamente
fabricadas.
As fake news podem provocar sequelas permanentes em
pessoas e afetar um país inteiro, por exemplo, quando
divulgam supostos efeitos negativos das vacinas. Esse
assunto ganhou relevância com a pandemia da covid-19,
quando notícias totalmente falsas e sem comprovação
científica começaram a circular nas redes sociais e nos
aplicativos de trocas de mensagens, desinformando a
população. Algumas podem ser destacadas, como: “a vacina
contra a covid-19 vai modificar o DNA dos seres humanos”,
“a vacina contra a covid-19 tem chip líquido e inteligência
artificial para controle populacional”, “imunizantes contra
covid-19 estão relacionados à transmissão de HIV” “ou
vacinas contra covid-19 criam campo magnético no corpo de
quem é imunizado” (Lorenzetti; Verdum, 2021). Todas essas
notícias foram desmentidas, você pode encontrar os fatos
checados no site da Agência Da Hora (Lorenzetti; Verdum,
2021).
Quando lemos tais afirmações, elas soam como absurdas,planejamento, formulação de políticas, tomada de
decisões e estabelecimento de diretrizes para futuras
investigações mais aprofundadas (Shishito, 2018; Gil, 2002).
Podemos citar quatro características relevantes da pesquisa
descritiva:
1. Descrição de características: ela descreve características
específicas de uma população ou grupo, como
comportamentos, atitudes, opiniões e características
demográficas.
2. Documentação de dados observáveis: uma pesquisa
descritiva documenta e registra informações observáveis
e mensuráveis relacionadas ao objeto de estudo.
3. Identificação de tendências: ela ajuda a identificar
padrões ou tendências que podem estar presentes em
uma população ou grupo.
4. Formulação de hipóteses posteriores: ela pode fornecer
uma base para o desenvolvimento de hipóteses ou
teorias mais precisas que podem ser testadas em
estudos subsequentes.
Pesquisa explicativa
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
A pesquisa explicativa é um tipo de investigação que se
concentra em identificar e explicar as relações de causa e
efeito entre diferentes variáveis. Ela vai além da descrição de
um determinado assunto/fenômeno, buscando explicar por
que e como certos eventos ocorreram. Ao contrário da
pesquisa descritiva, que se concentra na descrição de
características, a pesquisa explicativa tenta fornecer uma
compreensão mais profunda das relações entre variáveis,
muitas vezes testando hipóteses causais. Os pesquisadores
podem conduzir pesquisas explicativas de diferentes
maneiras: experimentos controlados, estudos longitudinais,
estudos de caso comparativos e até mesmo a análise
estatística avançada. Os resultados dessas pesquisas
contribuem para o avanço do conhecimento em uma área
específica, fornecendo maior clareza sobre as relações entre
variáveis e ajudando a estabelecer uma base teórica mais
sólida (Shishito, 2018; Gil, 2002).
Podemos citar quatro características relevantes da pesquisa
explicativa:
1. Identificação de relações de causa e efeito: ela procura
identificar e explicar as relações de causa e efeito entre
diferentes variáveis, ajudando a estabelecer a ligação
entre as variáveis independentes e dependentes.
2. Validação de hipóteses: a pesquisa explicativa muitas
vezes envolve a formulação e teste de hipóteses, com o
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
objetivo de confirmar ou refutar relações causais
postuladas entre variáveis.
3. Compreensão de fatores implícitos: ela busca entender
os fatores implícitos que ligam as variáveis e como esses
mecanismos influenciam os resultados observados.
4. Generalização de resultados: a pesquisa explicativa pode
ajudar na generalização dos resultados para além do
contexto específico do estudo, contribuindo para teorias
e modelos mais abrangentes.
Intrumentos para coleta de
dados
Existem vários instrumentos e técnicas de coleta de dados
que podem ser usados em diferentes tipos de pesquisas;
cada instrumento tem suas próprias vantagens e limitações,
e a escolha do instrumento mais adequado depende dos
objetivos e da natureza da investigação. Ao selecionar um
instrumento de coleta de dados, é importante considerar a
validade, confiabilidade e praticidade do instrumento, bem
como a capacidade de obter as informações possíveis para
responder às perguntas de pesquisa. Vamos analisar o
Quadro 1 a seguir para conhecer alguns desses
instrumentos:
Questionários São formas estruturadas de coleta de dados que
geralmente consistem em uma série de perguntas
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
pré-determinadas, fechadas ou abertas, que podem
ser administradas em formato físico ou digital.
Entrevistas Entrevista estruturada: as perguntas são pré-
determinadas e feitas na mesma ordem para todos
os entrevistados. Elas são padronizadas para
garantir consistência nas respostas e facilitar a
comparação entre os entrevistados.
Entrevista não estruturada (aberta): não há um
roteiro fixo de perguntas. O entrevistador tem mais
liberdade para explorar tópicos de interesse e
permitir que o entrevistado responda de forma mais
aberta. Esse tipo de entrevista é mais flexível e
permite uma análise mais aprofundada dos temas
discutidos.
Entrevista semiestruturada: combina elementos de
entrevistas estruturadas e não estruturadas. O
entrevistador segue um roteiro de perguntas
predefinidas, mas também tem a liberdade de
explorar tópicos adicionais que podem surgir
durante uma entrevista. Isso proporciona um
equilíbrio entre a consistência das perguntas
estruturadas e a flexibilidade para abordar temas
mais complexos.
Observações Observação direta: os pesquisadores observam o
comportamento dos participantes sem intervenção.
Isso pode ser feito de forma participante ou não
participante.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Observação estruturada: os pesquisadores seguem
um protocolo específico e registram o
comportamento observado de acordo com
categorias predefinidas.
Análise de
Documentos
Envolve a coleta e análise de documentos
relevantes, como registros oficiais, relatórios, artigos
acadêmicos, jornais, entre outros, que podem
fornecer informações úteis para a pesquisa.
Testes e
Avaliações
Psicométricas
Testes de personalidade, inteligência, habilidades e
outros tipos de avaliações psicométricas são usados
para coleta de dados em pesquisas psicológicas e
educacionais.
Testes e
Experimentos
Podem ser usados para coleta de dados em um
ambiente controlado, permitindo a manipulação de
variáveis independentes para observar os efeitos
sobre as variáveis dependentes.
Diário de
Campo
Utilizado amplamente na etnografia, é uma
ferramenta na qual os pesquisadores registram
observações, reflexões, notas e eventos relevantes
relacionados ao seu estudo.
Grupos Focais São sessões de discussão em grupo, geralmente
compostas por participantes que reúnem
características semelhantes, com o objetivo de
explorar atitudes, percepções e experiências em
torno de um tópico específico.
Quadro 1 | Instrumentos e técnicas para coleta de dados.
Fonte: elaborado pela autora.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Compreendemos os princípios de uma pesquisa qualitativa,
olhamos para os sujeitos, instrumentos e procedimentos e
entendemos as características da pesquisa exploratória,
descritiva e explicativa. Você se lembra da nossa situação
inicial? Um assistente social de uma escola estadual tem
notado que os professores têm apresentado alto nível de
stress, muitas faltas e têm se queixado de adoecimento. De
que maneira uma pesquisa poderia ser desenvolvida para
levantar os possíveis fatores causadores desses sintomas?  
Inicialmente, poderia ser realizada uma pesquisa
exploratória, buscando estudos que já tenham sido feitos
anteriormente e que relatem possíveis causas de stress,
desânimo, falta de motivação em professores que atuam na
faixa etária da escola em quem ele trabalha. Feito isso,
poderia ser proposta a realização de grupos focais nas
horas-atividades dos professores, de modo que fossem
realizadas discussões nas quais os professores pudessem
expor seu ponto de vista a respeito da rotina escolar e das
questões que os têm afligido. Também podem ser realizadas
entrevistas abertas ou semiestruturadas com os professores,
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
com questões direcionadas a motivação/desmotivação,
stress, cansaço, etc.
Saiba mais
Saiba mais
1. É fundamental compreender a diferença entre a
realização de uma pesquisa qualitativa e uma pesquisa
quantitativa. A partir disso, é possível pensar nos sujeitos
da pesquisa, nos instrumentos para coleta de dados e
nos procedimentos para sua realização. Assim, leia o
Capítulo 8, “Metodologia qualitativa e quantitativa”, de
Marconi e Lakatos (2022) para se aprofundar no assunto.
MARCONI, Marina de Andrade.; LAKATOS, Eva Maria.
Metodologia qualitativa e quantitativa. In: MARCONI,
Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia
científica. 8ª ed. Barueri: Atlas, 2022. p. 295-344.
2. O uso de diferentes técnicas de coleta e análise de
dados, bem como dos métodos de pesquisa, podeser
um forte aliado no momento da condução da pesquisa
científica. Precisamos compreender que em alguns
momentos esses métodos e técnicas podem não ser
compatíveis entre si, mas em outros eles podem e
devem ser utilizados de forma aliada no
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559770670/epubcfi/6/32[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter08]!/4
desenvolvimento das pesquisas. Isso contribui para
maior riqueza no momento da exploração e para o
aprofundamento no tema estudado. Considerando essas
questões, leia o artigo: “Perspectivas metodológicas na
pesquisa sobre o comportamento do consumidor”, de
Tonetto, Brust-Renck e Stein (2013). Os autores mostram
como a pesquisa exploratória, descritiva e experimental
podem ser utilizadas na compreensão do perfil de um
consumidor.
 
 
Referências
Referências
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de.
Metodologias de Pesquisa em ciências: análises quantitativas
e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª
ed. São Paulo: Atlas, 2002.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://www.scielo.br/j/pcp/a/b4YYN9wycwMHNhdMn9dVXsv/#
https://www.scielo.br/j/pcp/a/b4YYN9wycwMHNhdMn9dVXsv/#
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria.
Metodologia científica. 8ª ed. Barueri: Atlas, 2022.
MATTAR, João; RAMOS, Daniela Karine. Metodologia da
pesquisa em educação: abordagens qualitativas,
quantitativas e mistas. São Paulo: Edições 70, 2021.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social:
teoria, método e criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às Ciências
Sociais. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A.,
2018.
Aula 5
Ciência e Pesquisa
Videoaula de Encerramento
Videoaula de Encerramento
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para
você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a
sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
 
Faça o download do arquivo
Ponto de Chegada
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta
unidade, que é “aprender sobre o conhecimento científico e
suas aplicações no mundo real, evidenciando suas
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/13939c5f-1079-45bd-80f3-4a0f85e950eb/4bef9c58-c5f4-5f1e-8ebb-a3e33f47dbb6.pdf
consequências práticas e implicações nas tomadas de
decisão e a partir dessa reflexão, entender as diferentes
perspectivas da pesquisa científica”, você deverá
primeiramente compreender algumas características do
conhecimento científico, entender as diferenças entre as
pesquisas qualitativas e quantitativas e a importância da
leitura para a construção das pesquisas acadêmicas.
Embora a ciência leve em consideração um conjunto de
procedimentos teóricos, experimentais e éticos ao longo de
sua investigação e construção de conhecimento, existem
diversas ferramentas formais que contribuem para sua
melhor objetividade, evitando as armadilhas da linguagem
corriqueira e a subjetividade interpretativa.
O conhecimento científico é uma forma de conhecimento
que se baseia em evidências empíricas e segue um processo
sistemático de investigação, análise e interpretação. Ele se
distingue de outras formas de conhecimento por sua
abordagem objetiva e verificável, que segue métodos
específicos e rigorosos para a obtenção de resultados
confiáveis, sendo fundamental para o avanço do
entendimento humano sobre o mundo. As suas
características, como a falibilidade, a acumulabilidade e a
verificabilidade, também contribuem para que se perceba o
porquê é possível confiar nos conhecimentos produzidos
pela ciência.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Nesse contexto, a leitura é imprescindível para a construção
de pesquisas que sejam baseadas em conhecimentos
confiáveis. Ela é essencial para adquirir uma compreensão
mais aprofundada e abrangente do assunto em estudo.
Permite que os pesquisadores direcionem seus esforços
para áreas que ainda não foram exploradas ou que possam
ser investigadas de maneira mais aprofundada. É por meio
da leitura que os pesquisadores podem estabelecer uma
base teórica sólida para fundamentar suas pesquisas. Isso
ajuda a estruturar o pensamento e a construir um arcabouço
conceitual para a análise dos dados e a interpretação dos
resultados. Em suma, a leitura é um componente essencial
do processo de pesquisa, fornecendo uma base sólida de
conhecimento, estimulando o pensamento crítico e
auxiliando na construção de uma pesquisa robusta e bem
fundamentada.
Quando pensamos em diferentes tipos de pesquisas ou
diferentes abordagens metodológicas precisamos ter claro
que essas diferenças em muitos momentos se
complementam na realização das pesquisas. A pesquisa
qualitativa e a pesquisa quantitativa são dois métodos
distintos de investigação usados no campo científico, cada
um com suas próprias características e aplicabilidades.
Ambos os métodos desempenham papéis importantes na
produção de conhecimento científico; a escolha entre eles
depende dos objetivos específicos da pesquisa, das
perguntas que se pretendem responder e das
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
especificidades do estudo. Muitas vezes, os pesquisadores
optam por combinar esses métodos para obter uma
compreensão mais completa e abrangente das informações
em análise.
Enquanto uma pesquisa qualitativa ajuda a entender a
complexidade e o contexto por trás de uma especificidade,
uma pesquisa quantitativa fornece números e dados
precisos que podem ser analisados estatisticamente. Ao
combinar essas abordagens, os pesquisadores podem obter
uma compreensão mais abrangente e profunda de um
tópico específico. Essa abordagem flexível permite que os
pesquisadores adaptem sua metodologia de acordo com as
necessidades da pesquisa. Em resumo, as pesquisas
qualitativas e quantitativas não são mutuamente
excludentes. Pelo contrário, elas podem ser usadas de forma
complementar para fornecer uma visão mais completa e
aprofundada de um determinado assunto.
Reflita
Em tempos de profunda desinformação como os que vivemos, como o
ceticismo pode nos ajudar a construir um conhecimento verificável e
confiável?
Como a leitura acadêmica nos auxilia na produção de pesquisas
científicas?
É Hora de Praticar!
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
É Hora de Praticar!
Aliar pesquisa qualitativa e quantitativa é algo interessante
na estruturação da pesquisa e na justificativa/argumentação
a respeito dos dados em questão. Acesse o site do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e, na parte dos
indicadores sociais, procure e analise os dados referentes à
escolarização e ao analfabetismo dos últimos anos.
Depois, busque as metas estabelecidas pelo Plano Nacional
de Educação (PNE – Lei nº. 13.005/2014). Atente-se
especificamente para a “Meta 2 – Universalizar o ensino
fundamental de 9 (nove) anos para toda a população de 6
(seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95%
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
(noventa e cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa
na idade recomendada, até o último ano de vigência deste
PNE [2024]”; e para a “Meta 9 – Elevar a taxa de alfabetização
da população com 15 (quinze) anos ou mais para 93,5%
(noventa e três inteiros e cinco décimos por cento) até 2015
e, até o final da vigência deste PNE [2024], erradicar o
analfabetismo absoluto e reduzir em 50% (cinquenta por
cento) a taxa de analfabetismo funcional” (BRASIL, 2014, [s.
p.]).
Após realizar essas duas tarefas, responda aos seguintes
questionamentos:
Como a análise dos dados estatísticos referentes ao
analfabetismo e à escolarização podem contribuir para a
compreensãodas metas propostas no PNE e a verificação do
cumprimento dessas metas? Bons estudos!
 
 
Reflita
Esse é um exemplo de como os dados estatísticos podem ser
utilizados também em análises qualitativas e em questões
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
presentes no nosso cotidiano. Como você pode trazer esses
elementos para enriquecerem os seus trabalhos acadêmicos
e o seu ambiente profissional?
 
Resolução do Estudo de Caso
Os dados coletados pela Pesquisa Nacional de Amostras por
Domício (PNAD) tem por objetivo mostrar a situação
socioeconômica do país por meio de vários indicadores. Os
dados referentes à educação compreendem informações
que abrangem condição de alfabetização, frequência a
creche ou escola, rede e área de ensino, grau de instrução, e
gestão da educação, entre outros aspectos. Por sua vez, o
PNE determina diretrizes, metas e estratégias para a política
nacional educacional por um período de 10 anos. O prazo de
vigência do PNE que teve as Metas 2 e 9 apresentadas
anteriormente era de 2014 a 2024, ano previsto para a
proposta de um novo PNE.
Quando se analisam os dados divulgados pelo IBGE
referentes à escolarização de pessoas de 6 a 14 anos que
frequentam a escola, percebe-se que de 2016 (99,2%) até
2022 (99,4%) o percentual ficou praticamente estagnado.
Isso indica que a Meta 2 do PNE provavelmente não foi
cumprida, visto que se pretendia universalizar o ensino
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
fundamental de 9 (nove) anos para toda a população de 6
(seis) a 14 (quatorze) anos.
Em relação ao analfabetismo, o percentual de pessoas
analfabetas de 15 anos ou mais em 2016 era de 6,7% da
população. Em 2022 esse percentual caiu para 5,6%. A queda
é pequena quando se pensa na Meta 9 do PNE, que é elevar
a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos
ou mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência do
PNE, erradicar o analfabetismo absoluto. O percentual de
2016 indicou que a meta estava caminhando para ser
concretizada, mas acabou estagnando. Considerando que os
dados de 2022 indicaram 94,4% da população alfabetizada, é
possível que não houve o atingimento da meta em 2024.
Esse é um exemplo de como os dados estatísticos podem ser
utilizados também em análises qualitativas e em questões
presentes no nosso cotidiano. Você pode trazer esses
elementos para enriquecer os seus trabalhos acadêmicos e
profissionais.
Assimile
Vamos analisar o esquema a seguir pensando na relação
mútua que existe entre os procedimentos do método
científico, a leitura acadêmica e os diferentes tipos de
pesquisa.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Fonte: elaborada pelo autora.
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena
Pires. Filosofando: introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo:
Moderna, 2003.
BRASIL. Plano Nacional de Educação – Lei n° 13.005/2014.
Mec.gov, 2014. Disponível em: https://pne.mec.gov.br/18-
planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-
educacao-lei-n-13-005-2014. Acesso em: 12 jan. 2024.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª
ed. São Paulo: Atlas, 2002.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria.
Metodologia científica. 8ª ed. Barueri: Atlas, 2022.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICOmas muitas pessoas acreditaram nessas e em outras
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
mentiras, o que fez com que elas deixassem de se vacinar
contra a covid-19. Não somente isso, essa onda de
desinformação levou também a uma queda expressiva na
vacinação infantil do país. O Brasil, que já foi exemplo
mundial de vacinação devido ao Sistema Único de Saúde
(SUS), chegou no ano de 2022 ao menor índice de vacinação
infantil dos últimos 30 anos. A queda generalizada se deu em
vacinas contra a hepatite B, o tétano, a difteria, o sarampo,
caxumba, rubéola e contra a paralisia infantil (Westin, 2022).
No ano de 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-
Americana da Saúde (Opas) o certificado de território livre do
sarampo. Entretanto, entre 2018 e 2021, os casos voltaram a
ser registrados (cerca de 40 mil), com 40 mortes. Em 2019 o
Brasil perdeu o certificado que havia recebido três anos
antes. O sarampo é uma doença grave, não se trata apenas
de pequenas manchas vermelhas que aparecem na pele; ele
pode retardar o crescimento e reduzir a capacidade mental.
Outro problema é a falta de investimento governamental
para conscientização da população sobre a importância de
se vacinar e de levar as crianças. De 2017 a 2021, o governo
federal reduziu de R$ 97 milhões para R$ 33 milhões o valor
investido na publicidade da vacinação (Westin, 2022).
A melhor forma de combater as fake news é pela
informação, mas não basta afirmar a autoridade científica, é
preciso contribuir no sentido de fazer as pessoas
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
entenderem o porquê tais afirmações são falsas. É
necessário levar o conhecimento básico científico até elas;
além disso, é preciso incentivar o pensamento científico para
que se desenvolva o pensamento crítico. Para isso, é preciso
levar a ciência às pessoas de uma maneira acessível, de uma
maneira que seja compreensível a todas as camadas da
população. A ciência acessível permite que as pessoas
conheçam as características dela e, então, percebam o
porquê de ser um conhecimento confiável.
Uma das características do conhecimento científico é a
falibilidade. Isso significa que todo discurso científico é
passível de correção; evita-se, assim, qualquer tipo de
dogmatismo, como a estagnação de uma hipótese científica
e o culto à autoridade. A falibilidade permite que a ciência
progrida com novos dados e evidências, fazendo também
com que as teorias sejam cada vez mais (re)ajustadas à
realidade. Com isso, produz-se um conhecimento
diferenciado em comparação com os outros, mais profundo
e verdadeiro.
A ciência também mantém um aspecto de questionabilidade
ou ceticismo, que significa dúvida metodológica. Ela consiste
na adoção do ceticismo científico, que é o princípio segundo
o qual todas as hipóteses e teorias devem ser questionadas
de forma metódica, responsável e cientificamente orientada.
Isso significa que a ciência não adota um tipo de ceticismo
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
conhecido como radical, o qual advoga por um
questionamento absoluto, irresponsável, descontrolado de
tudo; este tipo de ceticismo é dogmático. A
questionabilidade promovida na ciência é a que submete
alegações e hipóteses razoáveis à crítica de outros cientistas,
promovendo um diálogo construtivo, sadio e útil para o
desenvolvimento da ciência (Corrêa; David, 2020).
O ceticismo científico não deve ser confundido com o
negacionismo da ciência, o qual é a posição que defende a
rejeição completa ou parcial do conhecimento científico. O
negacionismo da ciência está atrelado a posições ideológicas
de seus praticantes, entrando em cena quando a ciência
revela um fato em relação ao qual a pessoa está em
desacordo por alguma razão política, religiosa ou cultural.
Alguns exemplos de negacionismo da ciência incluem a
negação de efetividade das vacinas, a rejeição da
circunferência da Terra ou a depreciação das consequências
das mudanças climáticas, por exemplo (Corrêa; David, 2020).
Outra característica a ser destacada é a acumulabilidade do
conhecimento científico, que é o que justifica seu aspecto de
progresso, justamente porque exemplos de experimentos
malsucedidos são considerados, não apenas para refletir
sobre os desafios metodológicos e epistemológicos da
ciência, mas também para aumentar o rigor necessário para
a realização das pesquisas. Por fim, a verificabilidade da
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
ciência também é importante de ser destacada, que é a ideia
segundo a qual um enunciado, uma hipótese ou uma teoria
deve ser passível de ser colocada à prova, ser verificada.
É possível combater as fake
news?
As características citadas anteriormente são importantes
para que se possa pensar a confiabilidade do conhecimento
e consequentemente combater as fake news que, em muitos
momentos, têm o intuito de colocar em xeque as produções
e os postulados científicos. Há alguns passos básicos para
identificar se uma notícia é falsa. O primeiro deles é verificar
a fonte da informação, o site em que está sendo divulgado e
o autor do conteúdo. Todavia, muitos sites possuem nomes
semelhantes a sites confiáveis, sendo necessário estar
atento à autenticidade daquele endereço.
O segundo passo é verificar a estrutura do texto, pois as fake
news frequentemente apresentam erros de português; eles
mostram que o texto não foi revisado. Também apresentam
um teor sensacionalista e muitas afirmações com
explicações rasas e simplórias dos assuntos. O terceiro passo
é verificar a data de publicação. Muitas vezes notícias antigas
são divulgadas como sendo novas. Além disso, é necessário
ir além do título e do subtítulo. Frequentemente, o conteúdo
contradiz o que se está dizendo no título.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
O quarto passo é checar as afirmações feitas em outros
sites, utilizando mecanismos de pesquisa como Google, por
exemplo. No entanto, lembre-se: nem sempre as primeiras
respostas que aparecem nos mecanismos de busca são de
fato confiáveis; então, é preciso ir além delas. Também é
importante acessar artigos e revistas científicas de referência
para uma determinada área, pois eles divulgam informações
especializadas sobre o assunto em questão. Há ainda
diversos blogs e sites que se preocupam em desmentir as
notícias falsas que estão circulando na web, além de
agências de checagem que fazem esse trabalho de
monitoramento e correção.
Por fim, cabe frisar que, em se tratando de assuntos
complexos, não existem respostas absolutas. É prudente
sempre adotar uma postura questionadora, compatível com
o pensamento científico, a fim de evitar consumir conteúdos
de pessoas que se apresentam como “donos da verdade” e
que pregam conspirações ou pseudociências. Além disso, o
não compartilhamento dessas notícias, mesmo que para
criticá-las, é importante, porque o compartilhamento em si
traz engajamento ao conteúdo e, com frequência, ajuda a
disseminá-las.
 
 
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Você se lembra da nossa situação inicial? Agora que já
compreendemos a diferença entre informação e
conhecimento, e o papel das mídias sociais na atualidade e
como elas podem impulsionar a disseminação de fake news,
é hora de elaborar um roteiro para o jornal que o contratou,
com alguns passos que ajudem a reconhecer a falsidade de
uma notícia:  
Ir além do título. Muitas vezes os títulos contradizem ou
distorcem o conteúdo publicado.
Verificar a fonte da informação. Existem sites confiáveis
em que a notícia foi publicada?
Verificar a gramática e estrutura lógica do texto. As
notícias falsas frequentemente apresentam erros de
português ou mesmo contradições.
Verificar a data da publicação. Muitas vezes notícias
antigas são republicadas a fim de modificarem alguma
circunstância atual. É comum o uso delas durante as
eleições.
Verificar as informações por meio de pesquisas sobre o
tema e em sites que fazem sistematicamente a
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
verificaçãode notícias falsas, como agências de
checagem de fatos.
Saiba mais
Saiba mais
1. Com tamanha quantidade de informação e
desinformação disponível no nosso cotidiano, você já se
questionou de que maneira a ciência é afetada por essas
questões? É certo que, se as ciências são meios de
produção de verdade no mundo, seu objetivo não é
produzir verdades indiscutíveis, mas conhecimentos de
procedimentos certificados pelas instituições, com
certeza, eficácia e objetividade. É fato também que existe
uma crise em torno da ciência moderna: suas produções
são negadas constantemente por informações que visam
relativizar e enfraquecer as evidências científicas.
Preocupados com isso, pesquisadores começaram a
utilizar as redes sociais para levar a ciência de uma
maneira descomplicada às pessoas. Leia o texto a seguir
para se aprofundar no assunto: “Em reação a
negacionismo, pesquisadores levam ‘ciência
descomplicada’ às redes sociais”, no site da BBC Brasil.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745
2. Nós já compreendemos a importância da realização de
pesquisas para a construção do conhecimento e para a
verificação das fontes utilizadas. A produção do
conhecimento deve ser sempre subsidiada por pesquisas
e verificações sistemáticas. Devemos proceder da
mesma forma com as informações que recebemos no
nosso cotidiano. Em 2022, o Brasil passou talvez pelo
processo eleitoral presidencial mais disputado tanto no
tocante aos presidenciáveis quanto às narrativas
utilizadas. Para analistas e formuladores de políticas
públicas, uma das maiores preocupações em relação às
campanhas eleitorais foi relacionada à elaboração de
estratégias para combater as fake news nas eleições.
Dentre as muitas mentiras divulgadas em torno das
eleições, uma delas girou e ainda gira em torno do uso
das urnas eletrônicas. O seu uso foi adotado a partir do
ano de 1996 e baixou a taxa dos votos inválidos que
chegava a 40% para cerca de 7%. É importante frisar
também que até hoje não se identificou caso de fraude
com o uso das urnas eletrônicas. Para se aprofundar
nesse tema, ouça o episódio “Urna eletrônica: uma
história de inclusão” do podcast “O Assunto”, publicado
em agosto de 2022.
 
 
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Referências
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena
Pires. Filosofando: introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo:
Moderna, 2003.
CORRÊA, Mônica Ferreira; DAVID, Mariano Gazineu. As
diversas faces da dúvida – ceticismo, negacionismo e
confiança nas ciências. Em Construção: arquivos de
epistemologia histórica e estudos de ciência, [S.l.], n. 8, 2020.
Disponível em: https://www.e-
publicacoes.uerj.br/emconstrucao/article/view/54268.
Acesso em: 22 out. 2023.
LORENZETTI, Caroline Schneider; VERDUM, Kelvin. Top 5 Fake
News mais absurdas sobre a vacina. Agência Da Hora, 2021.
Edição: Luciana Carvalho. Disponível em:
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-
hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-
vacina. Acesso em: 22 out. 2023.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://www.e-publicacoes.uerj.br/emconstrucao/article/view/54268
https://www.e-publicacoes.uerj.br/emconstrucao/article/view/54268
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
MONTEIRO, Danielle. Conheça 6 ‘fake news’ sobre as vacinas
contra a Covid-19. Informe ENSP, 22 abr. 2021. 2p.
POPPER, Karl. Lógica da pesquisa científica. São Paulo:
Cultrix, 1975.
SEMIDÃO, Rafael Aparecido Moron. Dados, informação e
conhecimento enquanto elementos de compreensão do
universo conceitual da ciência da informação: contribuições
teóricas. 2014. 198 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de
Ciência da Informação, Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Informação, Universidade Estadual Paulista “Júlio
de Mesquita Filho” (Unesp), Marília, 2014. Disponível em:
https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-
Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram
_me_mar.pdf. Acesso em: 22 out. 2023.
WESTIN, Ricardo. Vacinação infantil despenca no país e
epidemias graves ameaçam voltar. Agência Senado, Brasília,
2022. Disponível em:
https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/
vacinacao-infantil-despenca-no-pais-e-epidemias-graves-
ameacam-voltar. Acesso em: 22 out. 2023.
Aula 2
Pesquisa e Conhecimento
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram_me_mar.pdf
https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram_me_mar.pdf
https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram_me_mar.pdf
https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-infantil-despenca-no-pais-e-epidemias-graves-ameacam-voltar
https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-infantil-despenca-no-pais-e-epidemias-graves-ameacam-voltar
https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-infantil-despenca-no-pais-e-epidemias-graves-ameacam-voltar
Pesquisa e conhecimento
Pesquisa e conhecimento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para
você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a
sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
 
Faça o download do arquivo
Ponto de Partida
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/13939c5f-1079-45bd-80f3-4a0f85e950eb/0c7d05a9-3686-5c77-9faa-3eff42b58e97.pdf
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Vamos adentrar no universo da pesquisa mais
especificamente, trabalhando com o conceito de método
científico. Compreenderemos como a pesquisa é uma aliada
na construção do conhecimento científico e como a leitura
crítica e reflexiva é essencial nesse processo. Para isso,
precisamos pensar nas formas que utilizamos para nos
comunicar, pensando mais especificamente na linguagem
verbal (falada e escrita). De acordo com Aranha e Martins
(2003, p. 33), a linguagem é “um sistema de representações
aceitas por um grupo social, que possibilita a comunicação
entre os integrantes desse mesmo grupo”.
Por que essa definição é importante para nós? Quando
escrevemos uma pesquisa ou um trabalho acadêmico (seja
ele de qualquer natureza: uma resenha, um resumo, um
artigo ou um TCC), precisamos nos preocupar com o tipo de
linguagem que é utilizada para a escrita desse trabalho. Isso
não quer dizer que vamos utilizar palavras rebuscadas que
deixem o texto difícil de ser entendido. Contudo, também
não podemos escrever de uma maneira coloquial, da
maneira como falamos no nosso cotidiano, por exemplo. É
necessário utilizar a norma culta para a escrita, mas sem
“enfeitar” o texto.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Pensando nessas questões, vamos refletir sobre o seguinte:
como deve ser uma leitura acadêmica, fundamental para
escrever? Como a leitura e a escrita acadêmica estão ligadas
e se desenvolvem de maneira conjunta? Vamos nos
aprofundar no assunto para que isso seja possível! Bons
estudos!
 
 
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Ler, pesquisar e escrever são elementos que estão
intimamente ligados não somente na vida acadêmica, mas
também no desenvolvimento de nossa vida profissional e de
nossas relações pessoais. Se não nos atualizamos em relação
aos últimos acontecimentos, por exemplo, fica difícil manter
um diálogo com amigos, ou se não nos aprofundamos em
assuntos que temos em comum para desenvolver o diálogo.
A leitura é forte aliada nesse processo: ela amplia nossa
visão de mundo e nosso repertório a respeito dos mais
DisciplinaPENSAMENTO CIENTÍFICO
diversos assuntos, e pode também despertar nossa
curiosidade para o desenvolvimento de uma pesquisa
O que é pesquisa?
Conseguimos perceber a ciência em todos os lugares que
nos cercam; hoje, ela é um dos elementos mais básicos em
todos os aparatos tecnológicos, como no celular, na
televisão, no computador, nos dispositivos de GPS, etc. No
entanto, todos esses aparatos tecnológicos não surgiram do
nada. Essas tecnologias são produtos de investigações
científicas mais elementares, que exigem a adoção de um
método para avaliar o nível de verdade das hipóteses e das
teorias. Esse é o método científico. O conhecimento científico
é produzido a partir das mais diversas pesquisas e verificado
por meio do método científico.
O termo “pesquisar” é muito comum atualmente; de certa
forma, todos sabemos o que significa. Diante de qualquer
tipo de dúvida que tenhamos, podemos, com nossos
smartfones, acessar a internet e pesquisar: restaurantes,
hotéis, dicas de séries, filmes, viagens, etc. Obtemos
respostas praticamente instantâneas diante das nossas
dúvidas. Essa pesquisa é a que fazemos com base no senso
comum, sem nenhum rigor científico; pesquisar é buscar
mais informações sobre algo, visando estabelecer critérios
para melhores escolhas (Minayo, 2007).
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Por outro lado, do ponto de vista científico, a pesquisa tem
um sentido mais amplo e aprofundado: ela é um
procedimento organizado, racional e sistemático para
construir conhecimentos. Isso significa que é necessário
buscar dados e informações a fim de interpretá-los, para que
se possa compreender o objeto de estudo e, então, chegar
ao conhecimento científico. Assim, parte-se do método
científico, composto por etapas que visam chegar a
respostas para os problemas e, assim, construir o
conhecimento. O método científico deve ser visto como um
conjunto de procedimentos teóricos, experimentais e,
principalmente, éticos, que têm o objetivo de fornecer a
melhor explicação da realidade (Baptista; Campos, 2016).
Mesmo o método científico sendo único e universal, deve ser
visto como um conjunto de procedimentos amplos que
mudam conforme o tempo e se ajustam a cada campo do
conhecimento em particular. Existem diversos tipos de
pesquisas científicas que norteiam a ciência, cada qual com
sua importância e aplicação para o estudo de um problema
específico. A pluralidade de investigações permite a extração
de um conhecimento mais amplo sobre a realidade
mediante uso de método científico. Por exemplo: o modo
como os biólogos investigam microrganismos não envolve o
emprego das mesmas técnicas de investigação utilizadas
pelos sociólogos para estudar comportamentos sociais ou
crises econômicas. Veja a seguir um esquema que ilustra o
método científico:
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Figura 1 | Exemplo de etapas do método científico. Fonte:
elaborada pela autora.
A pesquisa e a construção do
conhecimento científico
A utilização do método científico não deve se restringir a
situações controladas em laboratórios, pois a ciência não se
reduz a isso. Ela está presente também no nosso dia a dia e
nos auxilia na análise e percepção da nossa realidade
concreta. A ciência é uma forma de conhecimento que busca
explicar os fenômenos por meio da demonstração, da
evidência e da prova; por isso, ela difere das demais formas
de conhecimento. Para tanto, utiliza o método científico
como garantia de que suas conclusões sejam o mais próximo
da verdade possível. Isso pode ser aplicado a qualquer área
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
do saber e em muitas situações profissionais (Severino,
2013).
Dessa forma, podemos entender que a pesquisa é a forma
de construir conhecimentos científicos. Por meio dela e do
método científico, busca-se a resposta para diferentes
situações observadas na realidade objetiva e que se
constituem como um problema. Na tentativa de responder
às indagações, de resolver o problema, é que se constrói o
conhecimento que, orientado pelo método, se constitui no
conhecimento cientificamente aceito.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
Leitura para quê?
Você foi uma criança que gostava de ler, ou achava sempre
desinteressante toda vez que um professor pedia para que
você fizesse uma leitura mais longa? Você já havia se
questionado o quanto a leitura é importante no nosso
cotidiano? A leitura não é somente uma decodificação de
símbolos, ou aquela que fazemos apenas “passando os
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
olhos” pelo texto. Uma leitura aprofundada, crítica, reflexiva,
nos leva de fato ao entendimento do texto e à reflexão sobre
nossas próprias práticas. Essa leitura é fundamental no
ambiente acadêmico e no nosso ambiente profissional, para
que sejamos sujeitos ativos nesses contextos. É ela que
permite a ampliação do nosso conhecimento e a
compreensão da realidade em que estamos inseridos.
A leitura, seja ela de qualquer tipo e com qualquer finalidade
(para informação, para entretenimento), traz inúmeros
benefícios a quem a pratica. Ela enriquece o vocabulário,
pois o leitor pode encontrar palavras que antes não conhecia
e precisar buscar seus significados; assim, amplia o
conhecimento da língua. Melhora a redação, já que, a partir
do momento em que se entra em contato com outras
formas de escrita, é possível apreender como articular as
palavras de maneira diferente do habitual;
consequentemente, ela desperta a inteligência. Aperfeiçoa a
cultura, uma vez que permite a ampliação da visão de
mundo do leitor e da compreensão de inúmeros aspectos
que estejam sendo trabalhados no texto (Chaves, 2012).
O ato de estudar deve ser compreendido como a forma pela
qual o indivíduo enfrenta o desafio de compreender a
realidade, conhecendo as características dos fenômenos que
a compõem. A leitura é o exercício da capacidade de formar
nossa própria visão e explicação sobre os problemas que
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
enfrentamos. Para isso, algumas exigências são feitas ao
leitor, para que essa atividade seja efetivamente um
processo de leitura do mundo; uma delas é o
desenvolvimento da capacidade crítica que decorre do
estudo (Luckesi, 1998).
A leitura não é, portanto, uma atividade passiva. Ao
contrário, é uma atividade complexa, que inclusive pode ser
constituída por elementos; e quanto melhor dominados,
maior proveito o leitor obterá. Precisamos recordar que a
sociedade atual, em função da simplificação nas maneiras de
veicular as informações, tornou muitos conteúdos de tal
forma objetivos que nem sempre requerem grandes
esforços para serem compreendidos. Outro aspecto também
presente é a rapidez com que as informações são
transformadas e substituídas. As informações obtidas dessa
forma são também meios de compreender a realidade.
Entretanto, para que seja possível compreender e se tenha
condições de questionar a qualidade e a forma como isso
acontece, são necessárias leituras mais profundas, que
levem ao entendimento das coisas e por meio de processos
nem sempre tão acelerados. Portanto, considerando a
importância do estudo para se obter condições de analisar
criticamente a realidade e desenvolver conhecimentos
aprofundados sobre ela, é preciso a leitura de textos que
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
apresentem um conhecimento aprofundado em relação ao
tema em questão.
A leitura crítica e reflexiva
É comum encontrarmos, no ambiente da Universidade,
acadêmicos que não gostam de ler; contudo, esse domínio
tem se mostrado cada vez mais indispensável nas nossas
vidas. Além disso, ler e interpretar os fatos cotidianos são
aspectos relacionados, e aqueles que dominam a leitura
conseguem agir com maior autonomia frente aos desafios
do cotidiano. Precisamos, portanto, ser sujeitos ativos diante
dos textos com os quais nos deparamos, interagir com o
texto, superar a mera memorização e alcançar a
compreensão que permite elucidar a realidade.
Para ser um sujeito ativo frente ao texto, é necessário
desenvolver uma capacidade de analisar crítica e
reflexivamente o texto estudado, para quese chegue ao que
Marconi e Lakatos (2024) chamam de leitura interpretativa.
Segundo os autores, isso é um processo, um aprendizado
que não se manifestará nas primeiras leituras; contudo, com
o exercício e a persistência, essa capacidade será
desenvolvida. Precisamos ter claro que todo começo é difícil;
o processo de leitura e escrita acadêmica requerem prática e
persistência (Baptista; Campos, 2016).
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Ler bem é uma condição fundamental para a leitura e para a
escrita com qualidade. Essas questões perpassam também a
elaboração de pesquisas pois não é possível investigar ou
escrever sobre um tema/assunto que não se tem
conhecimento. Existem diversos aspectos que estão
relacionados ao processo de leitura e escrita. Pensar nas
diferentes fases da leitura é uma ferramenta útil para nos
tornarmos proficientes em diferentes gêneros textuais.
Quando pensamos na leitura no âmbito acadêmico,
podemos elencar quatro etapas específicas:
Leitura de
reconhecimento e
pré-leitura
Corresponde ao levantamento das fontes
bibliográficas que contenham dados ou
informações que poderão ser aproveitadas.
Leitura seletiva Implica na seleção do material que será utilizado
em conformidade com as necessidades do
estudo. Ainda não se trata de uma leitura
exaustiva e minuciosa, apenas para verificar se
os dados apresentados fornecem informações
sobre o assunto que será estudado.
Leitura crítica ou
reflexiva
Etapa que corresponde ao estudo dos textos
levando à compreensão da mensagem do autor.
Esse estudo passa por fases: visão global do
texto e análise das partes para chegar a uma
síntese integradora.
Leitura
interpretativa
É a fase em que se decide se o texto estudado
tem condições de ser aproveitado ou não para a
situação apresentada. A interpretação requer ter
uma posição própria a respeito das ideias
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
apresentadas pelo autor, estabelecer um
“diálogo” com o autor, ler o que está nas
entrelinhas.
Quadro 1 | Etapas da leitura acadêmica. Fonte: adaptado de
Marconi e Lakatos (2024, p. 22).
A leitura é essencial para a realização das pesquisas. Assim
como no caso da leitura, fazer pesquisa também é uma
questão de treino. É indispensável a leitura de textos
científicos para a elaboração de pesquisas. No começo, pode
parecer uma tarefa quase impossível, pois geralmente esses
textos são escritos em uma linguagem mais objetiva,
acompanhados de dados e tabelas complicados de serem
entendidos. Parece um clichê, mas é a partir da prática que
vamos conseguir driblar esses problemas; com o treino
vamos nos aperfeiçoando e chegamos ao entendimento e
escrita necessários em um ambiente acadêmico e
profissional. (Baptista; Campos, 2016).
Assim, buscar transformar o que parece uma obrigação em
algo prazeroso é uma importante estratégia para
conseguirmos realizar com maior facilidade tanto a leitura
quanto a escrita e a pesquisa. “Aproveite a chance de
aprender a fazer ciência, mesmo que você não pretenda
seguir carreira como pesquisador. [...] Você pode aprender a
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
se apaixonar também por pesquisa” (Baptista; Campos,
2016, p. 12).
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
É hora de retomarmos a nossa tarefa inicial. Trabalhamos o
conceito de pesquisa sob a ótica do senso comum e sob a
ótica da ciência, e compreendemos como o método científico
nos auxilia na construção do conhecimento científico.
Aprendemos a importância da leitura contextualizada para a
construção do conhecimento e para a realização de
pesquisas. Nós percebemos que essa leitura acadêmica tem
algumas características específicas, algumas etapas que
precisam ser observadas para que ela seja de fato eficaz.
Nossa tarefa é identificar essas etapas:  
Pré-leitura: fase inicial, em que se identifica se existem
textos disponíveis sobre o problema de pesquisa.
Leitura seletiva: seleção das informações de interesse
para a escrita da pesquisa.
Leitura crítica ou reflexiva: estudo, reflexão,
entendimento do significado do texto. É a fase da leitura
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
preocupada em entender o que o autor defende no
texto. Busca-se a compreensão dos termos e conceitos
utilizados pelo autor.
Leitura interpretativa: fase em que se procura saber o
que o autor realmente afirma, correlacionar as
afirmações do autor com os problemas para os quais se
busca solução.
Lembre-se de que a leitura e a escrita são processos
interligados, um não acontece sem outro. Assim, nesta
unidade, você pôde entender que a leitura acadêmica
consequentemente o levará a uma boa escrita.
Saiba mais
Saiba mais
1. A leitura é essencial para o nosso desenvolvimento; ela
amplia nossa visão de mundo sobre o assunto em
questão, além de ampliar nosso vocabulário e melhorar
nossa capacidade de escrita. Para se aprofundar no
assunto, leia o texto: “Estratégias de leitura, análise e
interpretação de textos na universidade: da
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf
http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf
decodificação à leitura crítica”, de Urbano Cavalcante
Filho.
2. Quando se investiga a realidade, é possível recorrer a
diferentes meios, técnicas e estratégias para que se
encontrem as respostas esperadas. Embora o método
científico tenha definido um caminho que permite uma
certa semelhança no percurso a ser seguido, cada área
do conhecimento tem suas especificidades na realização
das pesquisas e na construção do conhecimento.
Nós precisamos compreender que o método científico
não é restrito à aplicação em pesquisas experimentais
ou laboratoriais; ele pode e deve ser utilizado para
pensarmos e intervirmos na realidade das mais diversas
maneiras. Pensando nisso, para perceber como obras
literárias de ficção também podem ser utilizadas de
maneira prática na nossa realidade e como base para a
realização de pesquisas acadêmicas, leia o artigo: “As
várias dimensões na trilogia Jogos Vorazes: uma
aplicação prática para o ensino médio”, de Maria Luzia
Silva Marian e Sandra Aparecida Pires Franco.
 
 
Referências
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf
https://www.researchgate.net/publication/301917049_As_Varias_Dimensoes_na_Trilogia_Jogos_Vorazes_Uma_Aplicacao_Pratica_para_o_Ensino_Medio
https://www.researchgate.net/publication/301917049_As_Varias_Dimensoes_na_Trilogia_Jogos_Vorazes_Uma_Aplicacao_Pratica_para_o_Ensino_Medio
https://www.researchgate.net/publication/301917049_As_Varias_Dimensoes_na_Trilogia_Jogos_Vorazes_Uma_Aplicacao_Pratica_para_o_Ensino_Medio
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena
Pires. Filosofando: introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo:
Moderna, 2003.
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de.
Metodologias de Pesquisa em ciências: análises quantitativas
e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016.
CHAVES, Marco Antonio. Projeto de pesquisa: guia prático
para monografia. 5ª ed. Rio de Janeiro: Wak, 2012.
LUCKESI, Cipriano Carlos; et al. Fazer universidade: uma
proposta metodológica. 10ª ed. São Paulo: Cortez, 1998.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria.
Metodologia do trabalho científico: projetos de pesquisa,
pesquisa bibliográfica, teses de doutorado, dissertações de
mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo:
Atlas, 2024.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social:
teoria, método e criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho
científico. São Paulo: Cortez, 2013.
Aula 3
Pesquisas Quantitativas
Pesquisas quantitativas
Pesquisas quantitativas
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para
você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a
sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
 
Faça o download do arquivo
Ponto de Partida
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Assim como existem diferentes tipos de conhecimento,
existem diferentestipos de pesquisas que podem ser
realizadas. E assim como não colocamos os conhecimentos
em uma perspectiva de hierarquia, não o fazemos com as
pesquisas. A pesquisa é atividade básica da ciência na sua
indagação e construção da realidade. É a pesquisa que
alimenta a atividade de ensino e a atualiza frente à realidade
do mundo. Portanto, embora seja uma prática teórica, a
pesquisa vincula pensamento e ação. Vamos falar das
pesquisas quantitativas, pensar nos seus diferentes tipos e
nos procedimentos para a realização dessas pesquisas.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/13939c5f-1079-45bd-80f3-4a0f85e950eb/4fdad86a-ebbd-57e7-a66d-56b2b5c14d97.pdf
Imagine a seguinte situação: sua equipe de trabalho está
iniciando um projeto para pesquisar a inserção das mulheres
no mercado de trabalho contemporâneo, com o objetivo de
mapear sua situação, suas condições de vida e de trabalho
na cidade de Campinas (SP). A ideia é mapear a situação
atual e poder contribuir com a ampliação de um olhar para
as questões de gênero, pensando em possíveis medidas
para diminuir as desigualdades existentes no mercado de
trabalho. 
1. Que tipo de pesquisa poderia ser realizado? 
2. De que maneira os dados poderiam ser coletados? 
3. Como seria possível selecionar uma amostra
representativa dessa população? 
Bons estudos!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Quando pensamos na elaboração de uma pesquisa de
cunho científico, precisamos tomar como base para essa
construção um conhecimento que seja organizado,
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
sistemático, objetivo e que busque relação entre os
fenômenos que estão sendo estudados. Este conhecimento
é o científico. Assim, a ciência segue o método científico na
construção de seus pressupostos e na realização das
pesquisas. Da mesma maneira que existe uma diferenciação
entre as ciências naturais e as ciências humanas, também
ocorrem diferenças significativas na maneira de conduzir as
pesquisas científicas, “em decorrência da diversidade de
perspectivas epistemológicas que se podem adotar e de
enfoques diferenciados que se podem assumir no trato com
os objetos pesquisados e eventuais aspectos que se queira
destacar” (Severino, 2013, p. 103).
A pesquisa quantitativa
As pesquisas de caráter quantitativo trabalham com
métodos voltados para o entendimento objetivo dos fatos,
com o universo das representações numéricas, descrevendo
e relacionando os fenômenos. As pesquisas pautadas no
método quantitativo utilizam os fundamentos da
matemática e da estatística para a sua formulação, mas isso
não quer dizer que elas não possam ser realizadas no
âmbito das ciências humanas e sociais. Basta pensarmos nos
pressupostos teóricos e metodológicos da teoria Positivista
para compreendermos que a realização de uma pesquisa
quantitativa não é exclusiva das ciências exatas e biológicas
(Shishito, 2018).
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
A realização de toda pesquisa científica implica na
determinação de um objeto de pesquisa. A partir do objeto
de pesquisa, elabora-se a pergunta da pesquisa (o que se
pretende saber com aquela pesquisa). Também é necessário
coletar os dados de maneira adequada (Baptista; Campos,
2016). Para analisar esse objeto de pesquisa, o pesquisador
precisa de um método bem delimitado. Um método de
pesquisa tem em si a perspectiva teórica que o define, ou
seja, teoria e método revelam a visão de mundo do
pesquisador e o orientam sobre o que fazer diante de um
problema de pesquisa (Shishito, 2018).
Assim, a realização de uma pesquisa tem diferentes camadas
e diversos aspectos que precisam ser atendidos para que ela
se encaixe no que se espera de uma pesquisa de cunho
científico. Portanto, as pesquisas denominadas como
quantitativas são as que se fundamentam em padrões que
focam o controle científico e a objetividade no
desenvolvimento da pesquisa. São desenvolvidas a partir de
testes ou procedimentos que permitam a comprovação e a
validade dos resultados encontrados (Baptista; Campos,
2016; Shishito, 2018).
Uma pesquisa quantitativa pode ser realizada de diferentes
maneiras; existem diferentes tipos que podem ser
classificados como quantitativos: pesquisa de levantamento,
correlacional e experimental, dentre outras. Cada tipo de
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
pesquisa conta com sujeitos, instrumentos utilizados para a
coleta dos dados e procedimentos para a realização. Todos
esses elementos precisam estar bem determinados e
relacionados de forma coerente para que o pesquisador
consiga executar com êxito a pesquisa, e para que o leitor
chegue ao entendimento do caminho trilhado no
desenvolvimento e compreenda os resultados (Baptista;
Campos, 2016).
Siga em Frente...
Siga em Frente...
Tipos de pesquisas quantitativas
Ao elencarmos diferentes tipos de pesquisa, não
pretendemos afirmar que um é melhor ou mais eficiente que
o outro; apenas listamos alguns exemplos para que seja
possível a compreensão de como o pesquisador deve
conduzir a pesquisa. Além da perspectiva teórica, que
mostra ao leitor como o pesquisador enxerga o mundo, é
necessário também compreender qual método melhor se
adapta àquilo que está sendo pesquisado e, então, pensar
nos sujeitos, instrumentos, coleta de dados etc.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Pesquisa de levantamento ou survey
A maneira como os dados serão coletados e analisados
depende do problema da pesquisa e dos objetivos. De
acordo com Baptista e Campos (2016, p. 106), “alguns
autores denominam as pesquisas que apresentam esse
delineamento como pesquisas descritivas”. Os autores ainda
ressaltam que alguns pesquisadores diferenciam o
levantamento do survey, considerando que este último é
mais criterioso quanto à amostragem. Tomaremos
levantamento e survey como sinônimos, assim como
Baptista e Campos (2016).
Mas, afinal, o que é uma pesquisa de levantamento/survey?!
Você se lembra das pesquisas de intenção de voto em
período eleitoral? E os censos geográficos realizados pelos
governos? No ano de 2022, com dois anos de atraso, foi
realizado o censo demográfico do Brasil, o qual indicou que a
população brasileira chegou a 2.062.512 habitantes, um
aumento de 6,5% em comparação ao censo demográfico
realizado em 2010 (IBGE, 2023). Essas pesquisas são
pesquisas de levantamento, que têm seus dados coletados
com amostras (no caso das pesquisas eleitorais) ou com a
população toda (no caso do censo demográfico). As
pesquisas de levantamento, por meio da interrogação direta
de seus participantes, obtêm os dados que vão compor as
análises.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
As pesquisas de levantamento são as que mais atendem
a partidos políticos, organizações educacionais,
comerciais e instituições públicas e privadas, por
identificarem comportamentos e atitudes. Os dados são
informados diretamente pelas próprias pessoas, que
respondem a solicitações do pesquisador, e costumam
ser obtidos por meio de um instrumento de pesquisa,
habitualmente um questionário (Baptista; Campos, 2016,
p. 106).
Os levantamentos têm o objetivo de descrever, explicar e/ou
relacionar os fenômenos que são coletados com a amostra
por meio das variáveis. A amostra representa uma parte da
população que será estudada, pois, em muitos casos, seria
impossível coletar os dados com toda a população, devido ao
seu tamanho. A amostragem se deve também à redução de
custos e à otimização do tempo para realização da pesquisa.
Assim, a amostra deve representar a população que está
sendo estudada: a escolha dos participantes não deve ser
enviesada; ou seja, o pesquisador não deve interferir nessa
escolha (Baptista; Campos, 2016).
Após a obtenção dos resultados, é possível admitir que eles
podem ser ampliados a toda aquela população em questão,
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
visto que são analisados estatisticamente e é aplicada a eles
uma margem de erro. Como exemplo, podemos pensar no
período eleitoral, em que são realizadas muitas pesquisas de
levantamento para verificar a intenção de voto dos eleitoresem relação aos candidatos. A população diz respeito a todos
os eleitores; a amostra é referente às pessoas consultadas; e
o método de pesquisa utilizado é o levantamento (Gil, 2002;
Baptista; Campos, 2016).
As variáveis são as informações que serão coletadas para a
pesquisa, por exemplo: idade, gênero, escolaridade,
motivação, medir atitudes, quantidade de água durante a
chuva, etc. A determinação dos dados que serão coletados,
dos sujeitos (quantos serão, faixa etária, escolaridade,
gênero, localização geográfica) que participarão da pesquisa
ou dos fenômenos analisados depende do problema da
pesquisa e dos objetivos que se pretende atingir. Por isso,
não podemos perder de vista que todos os elementos da
pesquisa estão interligados e precisam conversar entre si.
Os instrumentos utilizados podem ser questionários (por
telefone, pessoalmente, enviados de maneira eletrônica),
entrevistas (estruturadas, semiestruturadas, abertas) ou
observação. Nas pesquisas quantitativas, os questionários
são mais adaptáveis, devido à facilidade de utilizar diferentes
perguntas com diferentes possibilidades de respostas para a
obtenção das respostas pretendidas, e à facilidade na
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
aplicação e no envio. Por outro lado, é possível que haja uma
baixa taxa de retorno quando o pesquisador não está
presente no momento da aplicação, quando o prazo para
devolução é muito longo ou ainda quando a presença do
pesquisador de alguma forma intimide o participante
(Shishito, 2018).
Por fim, é necessário pensar também nos procedimentos da
pesquisa. No caso de pesquisas com seres humanos, é
necessária a assinatura de um termo de consentimento livre
e esclarecido pelos participantes, ou pelos responsáveis
destes, quando forem menores de idade. A amostra e os
instrumentos devem estar selecionados; é preciso acordar
previamente dia e horário com o local da coleta dos dados;
também é essencial fornecer a previsão do tempo que será
necessário para a coleta. Ou seja, é necessário pensar no
cenário de realização da coleta dos dados para que ela
aconteça da maneira mais eficiente possível.
Pesquisa experimental
Quando se trata de uma pesquisa experimental, é bastante
comum logo pensarmos em um laboratório repleto de tubos
de ensaio, microscópios, beckers, pepitas, buretas, entre
outros instrumentos indispensáveis para a realização de
uma pesquisa. O que precisamos compreender é que a
pesquisa experimental também pode ser realizada no nosso
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
cotidiano. O objetivo desse tipo de pesquisa é buscar
relações de causa e efeito entre os fenômenos que estão
sendo analisados por meio da manipulação das variáveis,
normalmente quando eles são colocados em condições
ideais. Esse tipo de pesquisa parte da condição básica de
três situações para a sua realização: manipulação das
variáveis, controle delas e randomização dos grupos
(Baptista; Campos, 2016).
Vamos tratar a seguir da manipulação e do controle das
variáveis. Quando falamos de randomização dos grupos,
estamos nos referindo ao processo de seleção do
participante da pesquisa ou daquilo que está sendo
analisado. Assim, todos os sujeitos têm a mesma
probabilidade de serem sorteados para formar a amostra
que vai participar do experimento ou para compor o grupo
controle. Nesse sentido, as pesquisas são conduzidas de
maneira que seja possível o pesquisador agir; ou seja, ele
manipula a variável e altera as condições em que ela se
encontra e observa as consequências dessa ação. Dessa
forma, para saber se houve ou não uma mudança, é
necessário que se pense em grupos experimentais e grupos
controle no desenvolvimento da pesquisa, para que possa
haver a comparação entre aqueles que foram expostos à
mudança e os que não foram (Mattar; Ramos, 2021).
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Diante do exposto, percebemos alguns conceitos que
precisam ser compreendidos para que seja possível
apreender como uma pesquisa experimental é desenvolvida.
Precisamos pensar nos conceitos de: grupo controle, grupo
experimental, variável dependente e variável independente
(experimental). O Quadro 1 a seguir possibilita a visualização
mais clara dos conceitos e suas definições:
Grupo Experimental São os sujeitos que vão participar do
experimento/teste.
Grupo Controle São os sujeitos que vão servir como base de
comparação em relação aos que participam do
experimento/teste.
Variável
Independente
(experimental)
É a variável que o pesquisador pode manipular
no experimento.
Variável Dependente É a variável na qual o pesquisador vai avaliar
as mudanças.
Quadro 1 | Conceitos referentes à pesquisa experimental.
Fonte: elaborado pela autora.
Para a condução dar seguimento à pesquisa, é necessário
pensar nos sujeitos, nos instrumentos e nos procedimentos.
Em relação aos sujeitos, o pesquisador precisa ter clareza em
relação ao que ele deseja saber, para então pensar nos
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
critérios de inclusão e de exclusão dos participantes.
Normalmente é necessário que seja feito um recorte,
definindo-se faixa etária, gênero e escolaridade, para que
seja possível maior delimitação desses sujeitos. Assim, pode-
se chegar a uma amostra mais próxima daquilo que se
considera ideal (Baptista; Campos, 2016).
Vamos pensar em um exemplo: você está investigando
saúde mental e suicídio. Estudos anteriores apontam que os
caso de suicídio são maiores entre homens (78%) com idade
entre 15 e 29 anos de idade do que entre mulheres (22%).
Quais serão os critérios de inclusão na pesquisa? Ser do
gênero masculino, ter idade entre 15 e 29 anos, qualquer
grau de escolaridade, renda de zero a cinco salários
mínimos. Perceba que você está afunilando os critérios para
que o participante possa fazer parte da amostra. Isso é
importante para os critérios de comparação que serão
utilizados no grupo controle e no grupo experimental.
Também é necessário haver uma preocupação com os
instrumentos que serão utilizados, para que eles realmente
meçam/avaliem aquilo que você está se propondo a fazer na
pesquisa. A depender do que será feito, podem ser utilizados
questionários, entrevistas ou outros tipos de testes. Por fim,
os procedimentos da pesquisa precisam ser considerados.
De que forma os dados serão coletados, quem fará a coleta,
vai ser em grupo ou individualmente, quanto tempo levará a
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
coleta? Todos esses critérios devem ser observados
cuidadosamente, para que a amostra seja o mais
homogênea possível, garantindo assim a lisura e a
confiabilidade da pesquisa (Baptista; Campos, 2016; Mattar;
Ramos, 2021).
Pesquisa correlacional
A pesquisa correlacional é amplamente utilizada na
Psicologia e nas Ciência Sociais de uma forma geral,
considerando que o objetivo desse tipo de pesquisa é avaliar
a relação entre as diferentes variáveis coletadas para o
estudo e buscar associações com as teorias. Por exemplo:
qual a relação entre a motivação para aprender dos alunos e
o ano escolar em que estão matriculados? Existe a relação
entre o abuso de álcool e a escolaridade das pessoas?
Também é possível avaliar diferenças entre as variáveis do
grupo em questão: homens jovens apresentam maior índice
de depressão do que homens idosos?
Esse tipo de pesquisa é mais flexível que a pesquisa
experimental, pois não utiliza grupo controle, apresenta
baixo controle sobre as variáveis que estão sendo
investigadas e não realiza pré-testes e pós-testes com as
amostras. As correlações são medidas estatísticas, por
exemplo: o teste t de Student e a análise de variância
(ANOVA). Essas análises são as mais utilizadas na
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
comparação de grupos para investigar possíveis diferenças
entre eles, são realizadas por programas como o Statistical
Package for Social Sciences (SPSS) (Baptista; Campos, 2016).
A lógica dos dois testes é equivalente: eles consideram o
total da amostra, o desvio padrão e a diferença de médias
entre os grupos.
Em relação aos sujeitos da pesquisa, aos instrumentos
utilizados para a coleta dedados e aos procedimentos para a
realização, eles são semelhantes ao que é realizado nas
pesquisas de levantamento. O que não se pode esquecer é o
problema da pesquisa (a pergunta que se deseja responder)
e os objetivos, para que esses elementos sejam
estabelecidos de maneira a possibilitar a melhor condução e
obtenção da resposta esperada.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Chegou o momento de retomarmos a nossa situação inicial.
Compreendemos o que é uma pesquisa quantitativa e quais
seus princípios; entendemos as características da pesquisa
de levantamento ou survey, da pesquisa experimental e da
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
pesquisa correlacional. Sua equipe de trabalho está
investigando a inserção das mulheres no mercado de
trabalho contemporâneo na cidade de Campinas (SP). Os
questionamentos iniciais são:
1. Que tipo de pesquisa poderia ser realizado?
2. De que maneira os dados poderiam ser coletados?
3. Como você poderia selecionar uma amostra
representativa dessa população?
Vamos às possíveis respostas:
1. Seria possível realizar uma pesquisa de levantamento,
pois elas visam descrever, explicar e/ou relacionar os
fenômenos que são coletados com a amostra por meio
das variáveis.
2. Os dados podem ser coletados por meio de
questionários ou entrevistas que podem ser realizadas
pessoalmente ou por telefone, sempre observando as
questões éticas envolvidas na coleta de dados.
3. É necessário buscar estudos prévios que contenham o
perfil daquela população para que se faça esse recorte; a
amostra precisa ter as mesmas características da
população para que ela possa ser considerada
representativa.
Saiba mais
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Saiba mais
1. Muito se fala sobre as diferenças entre as pesquisas
quantitativas e qualitativas. É necessário compreender as
diferenças entre elas e as características de cada uma.
Apesar de ser exemplo de uma área em específico, o
estudo de caso pode ser utilizado para qualquer área do
conhecimento. Saiba mais sobre o assunto lendo o artigo
a seguir: GÜNTHER, Hartmut. Pesquisa qualitativa versus
pesquisa quantitativa: é esta a questão? Psicologia:
Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 22, n. 2, p. 201-210, ago.
2006.
2. A lógica da pesquisa quantitativa faz com que as técnicas
e ferramentas deste método se tornem grandes aliados
da pesquisa social. Os estudos quantitativos são
descritos geralmente a partir de variáveis. Elas
representam um conjunto de características
independentes de uma população, as quais tenham
relevância e/ou importância à pesquisa proposta; por
exemplo: gênero e idade. As variáveis correspondem a
características que apresentam variações. O Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta
dados que abrangem população, trabalho, educação,
saúde, habitação, rendimento, despesa e consumo, etc.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
Para se aprofundar a respeito desses dados, utilize o site
IBGE e procure dados referentes à região que você
reside e busque fazer uma comparação com os índices
nacionais.
 
 
Referências
Referências
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de.
Metodologias de Pesquisa em ciências: análises quantitativas
e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª
ed. São Paulo: Atlas, 2002.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE.
Censo Demográfico 2022: população e domicílios, primeiros
resultados. Rio de Janeiro, 2023. Disponível em:
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102011.pd
f. Acesso em: 25 out. 2023.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria.
Metodologia do trabalho científico: projetos de pesquisa,
pesquisa bibliográfica, teses de doutorado, dissertações de
mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo:
Atlas, 2024.
MATTAR, João; RAMOS, Daniela Karine. Metodologia da
pesquisa em educação: abordagens qualitativas,
quantitativas e mistas. São Paulo: Edições 70, 2021.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social:
teoria, método e criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho
científico. São Paulo: Cortez, 2013.
SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às Ciências
Sociais. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A.,
2018.
SILVA, Airton Marques da. Metodologia da pesquisa. 2ª ed.
Fortaleza: EDUECE, 2015.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102011.pdf
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102011.pdf
Aula 4
Pesquisas Qualitativas
Pesquisas qualitativas
Pesquisas qualitativas
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para
você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a
sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
 
Faça o download do arquivo
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/13939c5f-1079-45bd-80f3-4a0f85e950eb/54da9a05-9965-5f91-9946-e3188f64d9fd.pdf
Ponto de Partida
Ponto de Partida
Olá, estudante!
A contemporaneidade é sem dúvida um fenômeno ímpar na
construção da nossa história. Conseguimos vivenciar
inúmeros avanços que acontecem de uma forma muito
rápida como o tecnológico, mas também olhamos para
questões que caminham a passos muito lentos, como a
transformação da estrutura desigual da nossa sociedade.
Fato é que essas transformações, sejam positivas ou
negativas, têm impacto direto nas nossas vidas e
principalmente na nossa saúde mental. Inúmeros estudos
são realizados nesse sentido, a fim de identificar possíveis
razões para o adoecimento da população em diversos
setores.
Pensando nisso, vamos trabalhar a partir do olhar da
pesquisa qualitativa para pensar em uma situação
hipotética, mas que acontece em muitos ambientes de
trabalho. Imagine um assistente social de uma escola
municipal que atende alunos do 6º ano do ensino
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
fundamental até o 3º ano do ensino médio. O trabalho dele é
predominantemente com os alunos, mas ele tem notado que
os professores têm apresentado alto nível de stress, muitas
faltas e têm se queixado de adoecimento. De que maneira
uma pesquisa poderia ser desenvolvida para levantar os
possíveis fatores causadores desses sintomas? Bons
estudos!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Uma busca que parece ser constante nos diferentes
períodos da história da humanidade é a que se faz pela
verdade, a busca por respostas ao questionamento sobre o
mundo e a existência humana. Questionar, buscar saber é
algo intrínseco ao ser humano, é próprio dos indivíduos, pois
o saber nos dá segurança em relação à realidade que nos
cerca. Apesar disso, os métodos utilizados para se tentar
chegar a essa verdade foram se alterando ao longo do
tempo e ainda hoje se modificam acompanhando a dinâmica
que é própria da ciência. Dessa maneira, diferentes
caminhos foram construídos na busca por essas respostas e
diferentes objetos de estudo também se fizeram pertinentes
nesse percurso (Baptista; Campos, 2016).
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Sabemos que existem diversos tipos de pesquisas científicas,
cada qual com seus objetivos, particularidades e,
principalmente, objetos de estudos. A diversidade da
pesquisa científica permite estudar diversos problemas, da
origem do Universo ao comportamento humano; também
permite estudar um mesmo problema sob diferentes
perspectivas metodológicas, com o objetivo de enriquecer o
conhecimento científico, proporcionando uma visão de
mundo mais ampla e consistente com as evidências
científicas.
 A escolha também pelo objeto de estudo e pelo método
está diretamente relacionada com a forma como o ser
humano compreende o mundo. Perante este, devemos
nos perguntar em que nos fundamentamos para
responder às seguintes questões:o que é e o que não é
realidade? (Questão ontológica). Quais caminhos
escolhemos para chegar à compreensão dessa realidade?
(Questão epistemológica). Qual é a concepção que temos
de ser humano? Como concebemos a sociedade? Qual é a
ética subjacente na nossa forma de conceber o mundo?
Que tipos de ações imprimimos no mundo de acordo com
nossa concepção? Essas ações promovem mudanças,
transformações, ou somente colaboram para a
manutenção do status quo? Todas essas questões estão
implicadas nos pressupostos de todas as teorias. A
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
escolha por uma teoria em detrimento de outra nos
mostra não só a forma como concebemos o mundo,
como também qual é o nosso posicionamento político
perante este, principalmente quando se trata de teorias
das Ciências Sociais e Humanas. (Baptista; Campos, 2016,
p. 244).
Precisamos ter claro que a ciência não se constitui apenas da
coleta e análise dos dados, eles precisam ser articulados à
realidade e sustentados por uma teoria. Cada tipo de
pesquisa tem sua importância dentro da ciência, focando no
objeto de maneiras diferentes. Vamos conhecer o olhar das
pesquisas qualitativas para o desenvolvimento de pesquisas
científicas.
Pesquisa qualitativa
A pesquisa qualitativa é aplicada quando não há necessidade
de empregar ferramentas estatísticas. No entanto, não é isso
que a define; dados estatísticos podem ser utilizados no
desenvolvimento de pesquisas qualitativas. As duas formas
de fazer pesquisa, qualitativa e quantitativa, não são opostas
e não se sobrepõe, elas podem se complementar. Os dados
estatísticos podem ser usados para dar sustentação a uma
argumentação ou a alguma análise feita em determinada
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
área, por exemplo. Feita essa observação, vamos definir a
pesquisa qualitativa e falar de maneira mais específica da
pesquisa exploratória, explicativa e descritiva.
Na perspectiva qualitativa, considera-se a relação entre a
realidade e o sujeito em questão. O que isso significa? Existe
um vínculo entre as questões objetivas e a subjetividade do
sujeito objeto da pesquisa que, na maioria das vezes, não é
traduzido em números. Dessa maneira, os princípios básicos
são a interpretação dos fenômenos e a atribuição de
significados, sendo o pesquisador um instrumento chave
nesse processo (Gil, 2002).
Dessa forma, o objetivo da pesquisa qualitativa é a
compreensão dos fenômenos de maneira aprofundada,
fazendo a sua exploração e a sua descrição a partir de
diferentes perspectivas. É necessário também buscar
entender os significados e interpretações que os
participantes dão aos fenômenos em questão. Olhando para
a pesquisa qualitativa e quantitativa de maneira a compará-
las, o “enfoque quantitativo se volta para a descrição,
previsão e explicação, bem como para dados mensuráveis
ou observáveis, enquanto o enfoque qualitativo se atém na
exploração, descrição e entendimento do problema”
(Marconi; Lakatos, 2022, p. 295).
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
A pesquisa qualitativa é um método de investigação utilizado
em diversas áreas, como Ciências Sociais, Psicologia,
Antropologia, Educação, Saúde, entre outras. Ela se
concentra na compreensão aprofundada e na interpretação
dos significados e das características implícitas a
determinadas características sociais ou humanas. Se
preocupa em compreender a complexidade e a riqueza de
experiências individuais e contextos sociais, sendo
frequentemente utilizada para explorar questões
multifacetadas, compreender a dinâmica social, investigar
processos culturais e capturar perspectivas subjetivas.
A abordagem envolve uma coleta de dados descritivos e
normalmente, são utilizados como instrumentos entrevistas,
observações participantes, análise de documentos e outros
materiais que podem fornecer uma compreensão profunda
de um determinado tema ou problema de pesquisa. Os
dados encontrados são frequentemente analisados por meio
de métodos interpretativos, como análise de conteúdo,
análise temática e análise de narrativas, a fim de identificar
padrões e tendências subentendidas (Marconi; Lakatos,
2022; Mattar; Ramos, 2021).
Os procedimentos da pesquisa (como, quando, onde, em
quanto tempo) vão depender dos instrumentos utilizados e
dos sujeitos que vão compor a amostra da pesquisa. A
amostragem (ou seja, os sujeitos que participam da
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
pesquisa) é intencional; os participantes são selecionados
com base em critérios específicos que são relevantes para o
tópico da pesquisa (Marconi; Lakatos, 2022; Mattar; Ramos,
2021).
A pesquisa qualitativa é valiosa para explorar diferentes
questões que estão presentes na nossa realidade de
maneira explícita ou implícita. Ela nos auxilia a entender as
motivações e a importância das pessoas em situações
determinadas, a desenvolver teorias e a construir uma
compreensão mais profunda de especificidades sociais e
humanas. Ela complementa a pesquisa quantitativa, que
fornece informações numéricas e estatísticas, permitindo
uma visão mais completa e rica de um tópico de pesquisa.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
Tipos de abordagem qualitativa
Nós vimos que a pesquisa qualitativa busca se aprofundar
sobre as formas de apreensão e compreensão do mundo
social a partir de seus significados, das relações e
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
representações humanas e sua intencionalidade. Precisamos
agora entender que, assim como existem diversas
perspectivas teóricas buscando compreender e explicar a
realidade, também existem diferentes formas de realizar a
pesquisa por meio de métodos e técnicas que sejam
adequados aos objetivos da pesquisa. Vamos falar sobre as
pesquisas: exploratória, descritiva e explicativa (Shishito,
2018).
Pesquisa exploratória
A pesquisa exploratória é um tipo de investigação inicial que
visa explorar um tema ou problema pouco conhecido, para
familiarizar o pesquisador com esse tema ou para formular
hipóteses mais precisas. Ela pode ser utilizada no início de
um estudo, quando há poucas informações disponíveis
sobre o assunto de interesse, ou quando se deseja adquirir
uma compreensão inicial antes de se realizar uma pesquisa
mais detalhada. Assim, a pesquisa exploratória é conduzida
de maneira flexível e aberta; ela pode ser feita a partir de
pesquisa bibliográfica ou estudos de caso (Shishito, 2018).
Podemos elencar quatro características relevantes da
pesquisa exploratória:
1. Familiarização com o tema: a pesquisa exploratória ajuda
os pesquisadores a se familiarizarem com um tema ou
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
problema pouco conhecido, a fim de compreender sua
complexidade e nuances.
2. Identificação de questões relevantes: ela ajuda a
identificar questões e problemas importantes que
merecem uma investigação mais aprofundada.
3. Formulação de hipóteses iniciais: uma pesquisa
exploratória pode ajudar na formulação de hipóteses
preliminares ou teorias que podem ser testadas em
estudos posteriores.
4. Geração de ideias para estudos futuros: ela pode gerar
insights importantes que podem orientar o
desenvolvimento de estudos mais detalhados no futuro.
Pesquisa descritiva
A pesquisa descritiva é um tipo de estudo que visa descrever
características de um grupo ou fenômeno estudado e
permite também estabelecer a relação entre eles. Ela se
concentra em fornecer uma representação precisa de fatos e
características observáveis, sem manipulação das variações
ou tentativa de estabelecer relações de causa e efeito. Uma
pesquisa descritiva é frequentemente usada para responder
perguntas sobre quem, o quê, onde, quando e como algo
acontece. Os dados podem ser coletados por meio de
questionários, observações estruturadas, entrevistas ou
análise de dados secundários. Os resultados de uma
pesquisa descritiva ajudam a oferecer uma compreensão
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
mais profunda das características e padrões associados
àquilo que está sendo estudado. Eles fornecem uma visão
geral de uma população ou situação e podem ser úteis para
fins de

Mais conteúdos dessa disciplina