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Distúrbios do Crescimento e da Diferenciação Celular
Para tratar das alterações do desenvolvimento humano, deve-se pensar nos processos de crescimento e de diferenciação, elementos essenciais para a dinâmica de formação do ser. Através da mudança quantitativa (o crescimento)  e qualitativa (diferenciação) das células, obtêm-se as variantes de forma e de função teciduais. Os inúmeros tipos de tecido assim formados, sob um regime de morfostase e homeostase constante, promovem, por assim dizer, a organização e caracterização do indivíduo.
O potencial de crescimento e diferenciação varia de célula para célula. Quanto ao potencial e multiplicação, as células podem ser classificadas em perenes (baixa multiplicação devido à seu alto grau de diferenciação), estáveis (multiplicam-se mais que as perenes, mas possuem baixo índice mitótico se comparada com as lábeis) ou lábeis (alto grau de mitoses). Cada um desses grupos celulares manifestará diferentes aspectos morfológicos diante de agressões.
Quando existem alterações nos processos de crescimento e diferenciação instauram-se os chamados distúrbios de desenvolvimento e crescimento. Estes podem ser divididos em distúrbios congênitos e distúrbios adquiridos. Os distúrbios congênitos estão presentes ao nascimento, enquanto os distúrbios adquiridos desenvolvem-se após o nascimento durante os processos de renovação das populações celulares (a qual também envolve morte, multiplicação e diferenciação). Especificamente para os distúrbios congênitos, existe uma disciplina que se dedica somente a ele (denominada teratologia). Os distúrbios adquiridos, por outro lado, são estudados por várias disciplinas (não que os congênitos também não o sejam), não havendo uma especialização dessa matéria.
As alterações em cada fase de organização do ser - crescimento, desenvolvimento e diferenciação - possuem características peculiares, principalmente em relação ao elemento celular envolvido. Assim, constituem processos distintos de distúrbios, recebendo nomenclaturas específicas, as quais estão listadas em "alterações de desenvolvimento", "alterações de crescimento" e "alterações de diferenciação".
Do ponto de vista replicativo as células podem ser agrupadas em três categorias: lábeis, estáveis e perenes.
Lábeis:têm elevado índice mitótico e se dividem continuamente durante toda a vida do indivíduo para substituir as células destruídas fisiologicamente. Seus principais representantes são as células dos epitélios de revestimento, como as da epiderme, e as células hematopoéticas, que se dividem regularmente para manter a população de células sanguíneas dentro dos níveis fisiológicos.
Estáveis: têm baixo índice mitótico, mas são capazes de proliferar quando estimuladas adequadamente. Pertencem a esta categoria as células parenquimatosas dos órgãos glandulares (fígado, pâncreas etc.), células mesenquimais=> derivado do sist. Conjunto, de sustentação (fibroblastos, células musculares lisas), astrócitos e células endoteliais.
Perenes: não se dividem mais após o nascimento, pois perderam totalmente a capacidade replicativa. O exemplo clássico é dos neurônios, que, uma vez destruídos, não se regeneram mais.
       REGULAÇÃO DO CRESCIMENTO E DIFERENCIAÇÃO
Nos organismos uni ou multicelulares, o crescimento e a diferenciação celular são regulados por mecanismos complexos e integrados, processo no qual participam fatores externos e internos às células. A diferenciação celular é, em última análise, resultado da expressão gênica. Por isso mesmo, está na dependência de fatores múltiplos, muitos ainda desconhecidos, que controlam a ativação e gênicas. O creescimento celular, aqui entendido como multiplicação celular, resulta da ação de numerosos fatores inibidores e estimuladores da divisão celular. Entre esses, estão produtos das próprias células, das células vizinhas ou de células situadas a distância, além de componentes do microambiente extracelular. O balanceamento preciso dessas forças opostas em diferentes momentos funcionais permite a manutenção da população celular em níveis homeostáticos.
	Várias substâncias têm a propriedade de controlar a taxa de divisão celular. As mais importantes são os chamados fatores de crescimento (FC) polipeptídicos, que são produzidos por diferentes células e têm a capacidade de estimular ou de inibir a multiplicação celular. Funcionalmente os FC pertencem a duas categorias.
FC de competência: promovem a competência das células de um ponto a outro do ciclo celular pararesponder a um segundo FC. 
FC de progressão: induzem a síntese de DNA e a multiplicação celular. 
Os FC têm importante papel no crescimento celular durante o período embrionário e na manutenção da população celular normal nos organismos adultos.
CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA
O controle da divisão e da diferenciação celular é feito por um sistema integrado e complexo que mantém a população celular dentro de limites fisiológicos. Alterações nesses sistemas regulatórios resultam em distúrbios ora do crescimento, ora da diferenciação, ora dos dois ao mesmo tempo. Embora uma classificação ideal não exista, apresenta-se abaixo uma maneira prática de abordar os distúrbios do crescimento e diferenciação celular.
Alterações do volume celular
Quando a célula sofre estímulo excessivo, aumentando a síntese de seus constituintes básicos e seu volume, tem-se a hipertrofia (do grego hyper=excesso, além; trophos=nutrição, metabolismo). O aumento do volume é acompanhado por aumento das funções celulares.
	Ao contrário, se sofre agressão que resulta em diminuição da nutrição, do metabolismo e da síntese necessária para a renovação de suas estruturas, a célula fica com volume menor, fenômeno que recebe o nome de hipotrofia (do grego hypo=pouco, sob).
Alteração da taxa de divisão celular
O aumento da taxa de divisão celular acompanhado de diferenciação normal recebe o nome de hiperplasia (do grego plasis=formação). Ao contrário, a diminuição da taxa de proliferação celular é chamada hipoplasia.
O termo “aplasia”(do grego a=ausência) é muito aplicado como sinônimo de hipoplasia, o que é totalmente correto. Assim, fala-se comumente em anemia aplásica, enquanto o mais correto seria anemia hipoplásica.
Alterações da diferenciação celular
Quando as células de um tecido modificam seu estado de diferenciação normal, tem-se a metaplasia (do grego meta=variação, mudança).
Alterações do crescimento e da diferenciação celular
Se há proliferação celular e redução ou ausência de diferenciação, fala-se em displasia (do grego dys=imperfeito, irregular). A proliferação celular autônoma, geralmente acompanhada de alterações da diferenciação, é chamada neoplasia (do grego neo=novo).
Outros distúrbios
Agenesia (do grego gênesis=formação):significa uma anomalia congênita na qual um órgão ou parte dele não se formou. Ex.: agenesia renal, agenesia de um logo pulmonar.
Distrofia: várias doenças degenerativas sistêmicas, genéticas ou não. Ex.: Distrofias musculares.
Ectopia ou heterotopia (do grego ektos=fora; hetero=diferente):presença de um tecido normal em localização anormal. Ex.: parênquima pancreático na parede do estômago.
Hamartias: crescimentos focais, excessivos, de um determinado tecido de um órgão. Ex.: tumores (hamartomas).
Distúrbios do Crescimento e da Diferenciação Celular
Continuação
Hipotrofia
Redução quantitativa dos constituintes e das funções celulares, resultando em diminuição do volume das células e dos órgãos atingidos. O mecanismo básico de aparecimento da hipotrofia é a aredução do anabolismo celular, que resulta em menor renovação dos constituintes das células. 
A hipotrofia pode ser fisiológica ou patológica. A primeira é a que ocorre na senilidade, quando todos os órgãose sistemas do organismo reduzem suas atividades metabólicas.
A hipotrofia patológica decorre de fatores diversos, sendo os mais importantes:
Inanição: deficiência nutricional por qualquer causa;
Desuso: ocorre em órgãos ou tecidos que ficamsem uso por algum tempo.
Compressão: decorre da pressão exercida por uma lesão expansiva, como tumores, cistos, aneurismas etc.;
Obstrução vascular: lesões nos próprios vasos sanguíneos ou em suas adjacências podem reduzir a luz vascular, levar à diminuição do fornecimento de oxigênio e nutrientes e causar hipotrofia do órgão correspondentes.
Tóxicos: resulta do bloqueio de sistemas enzimáticos e redução da produção de energia pelas células. Ex.: hipotrofia dos músculos do antebraço na intoxicação pelo chumbo.
Hormônios: a redução de certos hormônios leva à hipotrofia de células e órgãos-alvo. A deficiência dos hormônios somatotrófico ou tireoidiano causa hipotrofia generalizada; a carência de hormônios que têm alvos específicos leva à hipotrofia localizada (como a das gônadas na deficiência de gonado-trofinas);
Inervação: a perda da estimulação nervosa de certos músculos resulta na sua hipotrofia.
Hipertrofia
Aumento quantitativo dos constituintes e das funções celulares, resultando em aumento volumétrico das células e dos órgãos atingidos. Para que ocorra maior síntese dos elementos celulares, algumas exigências devem ser atendidas: o fornecimento de oxigênio enutrientes deve suprir o aumento das necessidades das células; as células devem ter suas organelas e sistemas enzimáticos íntegros. Por isso, células lesadas(degeneradas) não podem se hipertrofiar. Órgãos ou tecidos cuja atividade depende de estimulação nervosa só podem hipertrofiar se a inervação estiver preservada. O miocárdio desnervado, por exemplo, não se hipertrofia ou hipertrofia pouco.
A hipertrofia é sempre uma forma de adaptação das células e dos órgãos frente à maior exigência de trabalho. Pode ser fisiológica ou patológica. A hipertrofia fisiológica ocorre em certos órgãos e em determinadas fases da vida como fenômenos programados, como por exemplo a hipertrofia da musculatura uterina durante a gravidez.
As hipertrofias patológicas não são programadas e aparecem em conssequência de estímulos variados. As mais freqüentes são:
Hipertrofia do miocárdio: ocorre sobrecarga do coração por mecanismo de barreira (resistência vascular periférica aumentada, estenose valvar) ou de volume (insuficiência valvular, shunt), a parede cardíaca corresponde ao transtorno hemodinâmico sofre hipertrofia, às vezes pronunciada.
Hipertrofia da musculatura esquelética: nos atletas ou indivíduos que trabalham em atividades que exigem grande esforço físico. Em algumas situaçõesa hipertrofia muscular tende a ser generalizada, afetando inclusive, o coração.
Hipertrofia da musculatura lisa da parede de órgãos ocos, na região a montante de um obstáculo. Ex.: obstrução urinária por hiperplasia da bexiga => hipertrofia da musculatura da bexiga.
Hipertrofia dos neurônios: as células nervosas dos motores no hemisfério cerebral não lesado em caso de hemiplegia.
Hipertrofia de hepatócitos: após estimulação por barbitúricos, há hipertrofia dos hepatócitos por aumento do retículo endoplasmático liso.
Apesar do aumento do volume e do peso dos órgãos, a arquitetura básica do órgão se mantém inalterada, mas aumenta o fluxo de sangue e de linfa. É preciso considerar o tipo celular em relação a resposta ao estímulo e que a hipertrofia é um processo reversível; cessado o estímulo, a célula volta ao aspecto normal. Todavia, se o estímulo persistir ou aumentar além da capacidade adaptativa do organismo, dois eventos podem ocorrer:
Multiplicação celular (hiperplasia) se a célula tem capacidade reprodutiva;
Degenerações variadas e até morte celular.

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