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Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Introdução Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição Introdução 2 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Introdução Olá, cursista! Muitos manipuladores de alimentos desconhecem sua responsabilidade com a saúde e a vida de pessoas. Produzir e distribuir um alimento contaminado pode causar problemas à saúde que vão desde um simples mal-estar até casos mais graves, que podem levar à morte. Portanto, é fundamental que o profissional da área de alimentos procure conhecer as diretrizes que regem as boas práticas exigidas pelas legislações, atualizando-se continuamente de forma a facilitar sua inserção e manuten- ção no mercado de trabalho. Isso, ao mesmo tempo, se torna uma estraté- gia do estabelecimento para permanecer no mercado e a exigência de um consumidor mais esclarecido, que cobra seus direitos de adquirir produtos seguros e de qualidade. Os conteúdos e as atividades deste curso contribuirão para o aprimoramento das suas competências profissionais e o desempenho do seu trabalho, com foco na importância de se conhecer e aplicar a rotina e os procedimentos de boas práticas para obtenção de alimentos seguros, ou seja, seguros à saúde do consumidor. Inicie a sua jornada de estudos no curso boas práticas para serviços de ali- mentação e distribuição! Boa aprendizagem! Apresentação 3 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Introdução As boas práticas tratadas neste curso são o conjunto de regras de higiene e de segurança envolvendo serviços relacionados aos alimentos. Incluem tanto os procedimentos de manipulação como aspectos estruturais das ins- talações, dos serviços de apoio, dos controles de pragas, resíduos e água, entre outros. É importante que você saiba que todos os estabelecimentos de serviços de alimentação e do setor de distribuição devem implantar e manter o Programa de Boas Práticas. Estabelecimentos de serviços de alimentação são locais onde o alimento é manipulado, preparado, armazenado ou exposto à venda, podendo ou não ser consumido no mesmo local. O setor de distribuição de alimentos (atacadista e varejista) comercializa produtos provenientes das indústrias e do campo. Exemplos: mercados, supermercados, distribuidores, açougues, mercearias, hortifrutis, peixarias, restaurantes, lanchonetes, entre outros. Todos os estabelecimentos devem descrever como são realizados os proce- dimentos referentes às condições do estabelecimento no Manual de Boas Práticas. Esse documento deve ser mantido em local de fácil acesso para que toda a equipe de funcionários possa consultar ou entregar à fiscalização, caso seja solicitado. O que são as boas práticas? Saiba Mais! Conheça os roteiros contidos no Manual de Boas Práticas da Anvisa. Para facilitar a elaboração do Manual de Boas Práticas, a Agência Nacional de Vigilância Sani- tária (Anvisa) publicou roteiros contendo a se- quência dos títulos dos assuntos a serem descri- tos pelo estabelecimento. Você pode encontrar esses roteiros disponibilizados na internet, no site da Anvisa: http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/ anvisa/anvisa/home 4 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Introdução Para garantir que os produtos estejam em boas condições higiênico-sanitá- rias e com qualidade para o consumo seguro, no Programa de Boas Práticas, são analisadas todas as condições do estabelecimento, tais como: O Programa e as condições do estabelecimento Condições estruturais e de loca- lização: tipo de superfícies usa- das, móveis, fluxo, ventilação ou exaustão, iluminação, entre ou- tras. Manejo do lixo: coleta de resí- duos e higienização das lixeiras. Condições de higiene, saúde e treinamento dos funcionários. 5 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Introdução Formas de higienização: limpeza e desinfecção. Qualidade da água: garantia da potabilidade. Qualidade das matérias-primas e embalagens: cuidados na se- leção, recebimento e armazena- mento. 6 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Introdução Controle de pragas: controle físi- co e químico. Controle e garantia da qualida- de: cumprimento às normas e realização de análises. Manutenção e calibração de equipamentos: confiabilidade dos instrumentos utilizados. 7 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Introdução Cuidados nas diversas etapas ope- racionais: seleção de fornecedo- res, recebimento e armazenamen- to de mercadorias, entre outros critérios de segurança. Programas de recolhimento de produtos: procedimentos para rastreamento e resgate de produ- tos defeituosos no mercado. 8 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Introdução Alguns itens do Programa de Boas Práticas são considerados de fundamental importância, pois podem eliminar, reduzir ou prevenir contaminantes nos alimentos. Um exemplo são os Procedimentos Operacionais Padroni- zados (POPs). Cada POP deve conter a descrição detalhada das operações, além das for- mas de controle estabelecidas, que são: • descrição do monitoramento da segurança: controles quanto ao que deve ser monitorado, quem deve monitorar, quando realizar o monito- ramento e como deve ser feito; • registros dos monitoramentos utilizando planilhas, check-list, entre ou- tros; • aplicação de ações corretivas no caso de ocorrerem desvios - não con- formidades - nos monitoramentos ou registros; • descrição da verificação efetuada por responsáveis que avaliarão se os procedimentos estão sendo cumpridos de forma efetiva e eficaz ou se devem ser feitas melhorias: o que verificar, quem deve realizar a veri- ficação, quando realizar a verificação e como verificar. Procedimentos Operacionais Padronizados Verifique a seguir os POPs necessários para os serviços de alimentação e para o setor de distribuição. Importante 9 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Introdução POPs para os serviços de alimentação Para os serviços de alimentação, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 216 da Anvisa, de 15 de setembro de 2004, indica ser necessário imple- mentar quatro POPs: 1 Higiene e Saú- de dos Manipula- dores 2 Higienização do Reservatório (de água) 3 Higienização de Instalações, Equipamentos e Móveis 4 Controle Inte- grado de Vetores e Pragas Urba- nas POPs para o setor de distribuição No Programa de Boas Práticas do setor de distribuição, segundo a RDC nº 275 da ANVISA, de 21 de outubro de 2002, devem ser considerados oito POPs: POP 1 Controle da potabilidade da água POP 2 Higiene das instalações, equipamentos e utensílios POP 3 Higiene e saúde dos manipuladores POP 4 Manejo de resíduos POP 5 Manutenção preventiva e calibração de equipamentos POP 6 Controle integrado de vetores e pragas urbanas POP 7 Seleção das matérias-primas, ingredientes e embalagens POP 8 Programa de recolhimento de alimentos 10 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Introdução Agora, reflita sobre as questões a seguir. Você beberia um suco produzido em um estabelecimento que tem proble- mas com a qualidade da água? O que você acha de comprar queijo, quando o equipamento usado para fatiar está visivelmente sujo? 11 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Introdução Você comeria tranquilamente um ali- mento comercializado em um esta- belecimento infestado de baratas e ratos? Ao comprar carne, você confiaria em um estabelecimento que não calibra suas balanças? Como pudemos observar, essas situações são desagradáveis e se referem a estabeleci- mentos que não possuem o Programa de Boas Práticas implementado.Além disso, elas podem comprometer a saúde dos clientes e a credibilidade do estabele- cimento. 12 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Introdução Na introdução deste curso, vimos o que são as boas práticas. Conhecemos também as características e os itens de um Programa de Boas Práticas. Na próxima unidade, estudaremos os perigos relacionados à manipulação dos alimentos e como preveni-los. Abordaremos, ainda, aspectos ligados à saúde, higiene, comportamento e segurança do manipulador. Vamos lá! Re su min do! Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição Perigos e manipulação de alimentos 2 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Para iniciar seus estudos sobre os perigos e manipulação de alimentos, ob- serve as figuras abaixo e identifique os erros em um cenário de manipulação de alimentos. Compare as figuras e tente encontrar os erros na figura B. Talvez você nem tenha conseguido contar quantos erros há na figura B, de- vido às muitas diferenças entre as cenas. Considerando esses dois cenários, numa situação hipotética, se você fosse comprar salgadinhos, no estabelecimento de qual dos manipuladores você iria? Temos certeza de que escolheria o manipulador com a aparência saudável e higiene adequada. Afinal, o manipulador de alimentos pode interferir direta- mente na segurança dos alimentos produzidos e comercializados. Por quê? Porque ele pode levar perigos aos alimentos. Nesta unidade, iremos estudar os perigos relacionados à manipulação dos alimentos e aspectos da saúde e higiene do manipulador. Vamos lá! Situação inicial Figura A Figura B 3 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Saiba Mais! Ambientes estéreis - são ambientes isentos de qualquer tipo de microrganismo ou qualquer for- ma de vida. Placas de Petri - recipiente cilíndrico, achatado, de vidro, metal ou plástico utilizado para a cultura de micróbios. Os contaminantes de alimentos que, se ingeridos, causam doenças ou provocam danos ao consumidor são considerados perigos. Eles são classificados como biológicos, químicos e físicos. Quando trabalhamos com o setor de distribuição, ainda po- demos considerar uma quarta classificação: os perigos para a qualidade. Eles são representados por microrganismos que al- teram cor, sabor, aroma ou textura dos produtos e, apesar de não causarem doença, impedem a comercialização dos produ- tos. Conhecer os perigos e suas principais características fará com que você entenda a importância e a necessidade dos procedi- mentos de boas práticas, facilitando sua aplicação. Perigos biológicos Microrganismos como bactérias, parasitas, vírus e fungos são os maiores responsáveis por Doenças Veiculadas por Ali- mentos (DVA), especialmente porque não vivemos, ou traba- lhamos, em ambientes estéreis. Você pode estar se questionando: • Onde encontramos os microrganismos? • Todos os microrganismos fazem mal à saúde? • Como os microrganismos se multiplicam? • Quais as condições adequadas para os microrganismos? Continue seus estudos para encontrar as respostas. Perigos Formação de bolores (fungos) em frutas. Placas de Petri com colônias de micror- ganismos. 4 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Em nosso corpo Nossa pele e alguns órgãos internos, como intestinos, pos- suem uma quantidade imensa de microrganismos. Os tipos e quantidades dependem do estado de saúde e da higie- ne que mantemos. Um manipulador de alimentos que está com uma verminose (parasito) pode contaminar alimentos por meio dos ovos produzidos pelos vermes e, consequen- temente, adoecer os clientes que comerem as preparações envolvidas. Um manipulador que toma banho antes de iniciar suas atividades diminui, significativamente, a quantidade de bactérias de sua pele, e pode evitar uma maior contaminação dos alimentos que manipula. Pense nisso! Nos utensílios, equipamentos ou superfícies Utensílios, equipamentos e superfícies visualmente limpos podem conter milhares de microrganismos responsáveis por DVA. Por isso, talheres, bacias, cubas, tábuas de corte, equipamentos e bancadas devem estar higienizados adequadamente. No ar Quando tampamos ou protegemos os alimentos, evitamos a conta- minação por microrganismos presentes no ar. Onde encontramos os microrganismos? 5 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Não, nem todos! Por isso, os microrganismos são classificados como deterio- rantes, úteis e patogênicos. Todos os microrganismos fazem mal à saúde? D et er io ra nt es Ú te is Pa to gê ni co s São os microrganis- mos que estragam o alimento, alterando sua coloração, textu- ra, cheiro ou sabor, como o pão ou fruta embolorados ou uma carne esverdeada. São os microrga- nismos usados na produção de deter- minados alimentos, como os lactobacilos, usados na produção de leites fermenta- dos, ou as leveduras, fundamentais para a fermentação de pães e outros alimentos. São os microrga- nismos que causam doenças. Diferente- mente dos micror- ganismos deterio- rantes, o principal problema é que os patogênicos não al- teram os alimentos, ou seja, não há como saber se estão lá ou não! O alimento se apresenta bonito, cheiroso e gostoso. 6 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Além de prevenir a contaminação dos alimentos por microrganismos, temos que utilizar procedimentos que evitem sua multiplicação. Cada microrganis- mo tem uma forma distinta de se multiplicar. As bactérias destacam-se aqui, pois têm a capacidade de se multiplicar nos alimentos rapidamente, quando estão em condições adequadas. Já os parasitos e os vírus não se multiplicam nos alimentos, mas são capazes de causar doenças pela simples presença, independente- mente da quantidade nos alimentos. Quais as condições adequadas para os microrganismos? Para garantir a eliminação e prevenir a multiplicação de microrga- nismos, algumas medidas podem ser tomadas em relação a alguns fatores relacionados aos alimentos e ao ambiente em que o alimen- to está exposto. Como os microrganismos se multiplicam? Bactéria Escherichia coli (Foto: Rocky Mountain Laboratories, NIAID, NIH). 7 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Fator O que favorece os microrganismos O que devemos fazer Temperatura Manter os alimentos em temperatura ambiente (de 30 a 45ºC) favorece a multiplicação de microrganismos. Nes- sa temperatura a multiplicação de bac- térias acontece a cada 20 minutos! Se houver a necessidade de trabalhar em temperatura ambiente, seja rápido! Depois, conserve o ali- mento em refrigeração (até 4ºC) ou acima de 60º C. Cozinhe bem os ali- mentos (acima de 70ºC), pois isso eliminará as formas patogênicas. Oxigênio Alguns microrganismos precisam de oxi- gênio para sobreviver e se multiplicar, como os fungos; já algumas bactérias só conseguem se multiplicar na ausên- cia de oxigênio. Há, ainda, microrganis- mos que sobrevivem na presença ou na ausência de oxigênio. As embalagens dos produtos devem ser observadas. Quando uma indús- tria embala um produto a vácuo, por exemplo, é porque certamente quer prevenir o desenvolvimento de deter- minado tipo de microrganismo. Por- tanto, cabe ao manipulador preservar as embalagens dos alimentos. AcidezBactérias patogênicas se desenvolvem muito bem em alimentos com baixa aci- dez, como carnes, ovos e leite. Os fun- gos, por sua vez, gostam de ambientes ácidos. Cuidado redobrado com carnes, ovos e leite! Por serem alimentos que fa- vorecem o desenvolvimento de bac- térias patogênicas, todo cuidado é pouco. Água Bactérias patogênicas precisam de água livre nos alimentos para se mul- tiplicar. Os fungos precisam de quanti- dades menores de água livre. Mantenha os alimentos tampados e protegidos e não introduza água em alimentos secos (como o leite em pó), especialmente aqueles que têm baixa atividade de água, pois têm a capacidade de absorver a umidade do ambiente e, consequentemente, de aumentar a água livre, favorecendo a multiplicação de microrganismos. Medidas de prevenção contra microrganismos 8 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos As substâncias químicas que podem contaminar os alimentos — como re- síduos de detergentes, pesticidas e aditivos em doses acima dos limites de tolerância, drogas de uso veterinário, micotoxinas — ou aquelas natural- mente presentes em determinados alimentos — como o cianeto, presente na mandioca brava — são chamadas de perigos químicos. Como prevenir a contaminação por perigos químicos? • guarde produtos de limpeza — detergentes e desinfetantes — em local exclusivo, longe de alimentos e descartáveis — copos, guardanapos; • use os produtos de limpeza de forma correta, conforme as instruções dos fabricantes, enxaguando bem as superfícies após o uso, quando esse enxágue for aplicável; • compre frutas, verduras e legumes de fornecedores qualificados, que garantam a aplicação de agroquímicos adequados e de forma correta; • adquira carnes de fornecedores com o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF). Essa medida pode garantir o uso de medicamentos ve- terinários de forma adequada, de maneira que não haja resíduos que possam comprometer a saúde dos consumidores. Perigos químicos Serviço de Inspeção Federal (SIF) - http://www. agricultura.gov.br/portal/page/portal/Internet- MAPA/pagina-inicial/animal/produto-final Saiba Mais! 9 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos * Confira uma matéria da Anvisa sobre contaminação por agro-tóxicos em alimentos – é muito impor-tante essa leitura!Acesse: http://s.anvisa.gov.br/wps/s/ r/5H Atenção! 10 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos É considerado perigo físico qualquer dano à estética ou à saúde do consu- midor causado por fragmento de metal, vidro, plástico, pedra, entre outros. Além desses, ainda há os insetos, pelos e cabelos que, apesar de não cau- sarem danos específicos à saúde, podem causar problemas emocionais aos clientes e, por isso, podem ser também classificados como perigos físicos. Como prevenir os perigos físicos? 1 Utilize toucas ou protetores para os cabelos. 2 Evite o uso de uniformes com botões que possam se soltar. 3 Não use qualquer tipo de adorno (brincos, anéis, pulseiras, colares ou piercings). 4 Abra o vidro de conservas com cuidado para não trincar. 5 Não utilize utensílios de louça ou vidro trincados ou com partes que- bradas. 6 Não utilize utensílios de madeira, como tábuas de corte, fatiadores, colheres, entre outros. 7 Faça a manutenção de equipamentos que possuam parafusos e por- cas. 8 Realize o controle integrado de insetos e pragas evitando o acesso, o abrigo e a disponibilização de alimentos. Perigos físicos 11 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos É importante saber que, caso você esteja com algum sintoma de doença, deve comunicar imediatamente essa condição ao seu superior. Nesse caso, ele poderá orientá-lo na busca de atendimento médico ou afas- tamento da atividade de manipulação, com o objetivo de evitar a contami- nação dos alimentos, bem como a possibilidade de transmissão aos demais membros da equipe. Saúde do manipulador Os sintomas de doença podem ser diarreia, vômi- to, febre, presença de pus na pele, secreções nos ouvidos, olhos ou nariz ou amarelamento da pele (hepatite). O que deve ser feito no caso de um corte superfi- cial? Faça um curativo protegendo o corte. Se o corte ocorreu nas mãos, proteja o curativo com uma luva descartável. Uma outra alternativa é a troca de função: depois de fazer o curativo, o manipu- lador pode exercer uma atividade que não tenha contato direto com os alimentos até que o corte esteja completamente cicatrizado. Saiba Mais! 12 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos * Controles médicos e de saúde do manipulador de alimentos.Por exigência do Ministério do Tra-balho, através da Norma Regulamen-tadora NR-7, as empresas devem providenciar o Programa de Con- trole Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) com o objetivo de avaliar e prevenir a ocorrência de doenças que podem acontecer devido às condições de trabalho, como a exposição a ruídos excessivos, por exemplo. Esse Programa deve ser realizado por um profissional médico especializa- do em Medicina do Trabalho, que in- dicará a realização de exame médico clínico (admissional, periódico, de- missional, de retorno ao trabalho e na mudança da função), emitindo os ASO (Atestados de Saúde Ocu- pacional) e mantendo registros dos mesmos. O médico do trabalho de- termina a necessidade de solici- tar exames médicos complementa- res, de acordo com o exame clínico realizado ou a função exercida. Por exemplo: se, durante o exame clínico, o médico perceber algum sintoma de doença, pode pedir exames laborato- riais que comprovem a suspeita. Já o controle de saúde clínico exigi- do pela Vigilância Sanitária de alguns estados ou municípios tem o objetivo de assegurar que o manipulador de Fique Atento! alimentos não seja portador de doen- ças infecciosas ou parasitárias, a fim de evitar a contaminação dos alimentos. Para tanto, alguns exames podem ser solicitados, como hemograma, coprocul- tura, coproparasitológico, entre outros. Saiba o que envolve cada um desses exames: • Hemograma: exame de sangue que faz o diagnóstico de doenças como anemia, alteração na coagulação sanguínea, infecções bacterianas, virais ou parasitárias, além de indi- car o estado imunológico do indiví- duo. • Coprocultura: exame de cultura de fezes, no qual são pesquisados microrganismos patogênicos, como Salmonella sp e outras que acome- tem os indivíduos e os tornam por- tadores – neste caso, mesmo que não apresentem sintomas, podem contaminar os alimentos. Este exa- me é fundamental para os manipu- ladores de alimentos. • Coproparasitológico: exame de fe- zes que detecta parasitos intesti- nais que deixam o indivíduo fraco, nervoso, com tonturas e podem provocar desmaios. Este exame também é fundamental para mani- puladores de alimentos. 13 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Você certamente concorda que todos os profissionais que trabalham com ali- mentos devem apresentar boas condições de saúde e higiene adequada. Como manipuladores de alimentos, entre tantos cuidados de higiene que devemos adotar, qual aspecto poderia ser considerado o mais importante? Se você pensou “higiene das mãos”, acertou! Higienizá-las é importante para que não sirvam de veículo de contaminação de alimentos. As mãos podem veicular ou transmitir bactérias corporais ou contaminantesde outras superfícies para alimentos, equipamentos, utensí- lios ou bancadas. Higiene do manipulador A capacitação em segurança de alimentos (boas práticas, manipulação higiênica, contaminan- tes alimentares e doenças transmitidas por ali- mentos) é essencial para sabermos como é uma higiene adequada. Nem sempre o bom-senso ou o que entendemos como adequado represen- ta o reflexo dos procedimentos necessários, ou seja, que visam à segurança dos alimentos e que, comprovadamente, evitam a sua contaminação. Saiba Mais! 14 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Onde lavar as mãos? Deve haver pias e facilidades para a lavagem frequente das mãos, em nú- mero suficiente para atender a todos no estabelecimento. A legislação determina que as empresas devem disponibilizar lavatórios de uso exclusivo para a higiene de mãos, em número suficiente e providos de todas as facilidades necessária, como: dispenser com sabão líquido neutro e álcool gel a 70% ou dispenser com sabão líquido bactericida; dispenser com papel toalha não reciclado; instruções visíveis com o procedimento de higiene de mãos; e lixeira com tampa sem acionamento manual. Como lavar as mãos? Aqui começa a profissionalização do manipulador. Para eliminar microrganismos que podem contaminar alimentos e causar doenças, as mãos devem ser higienizadas de acordo com alguns procedi- mentos. 1- Molhar as mãos e antebraços. Onde, como e quando lavar as mãos Dispenser é um equipamento que fornece sabão líquido neutro ou bactericida, por meios mecâ- nicos ou por gravidade, podendo ser adaptado a uma prateleira. Saiba Mais! 15 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos 2- Aplicar o sabão líquido. 3- Ensaboar as mãos e os antebraços por, no mínimo, 20 segundos (ou de acordo com orientação do fabricante do produto). 4- Enxaguar em água corrente. 16 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos 5- Secar as mãos com papel toalha. Caso a torneira não seja automática, fechá-la utilizando também o papel toa- lha. Esse procedimento deve ser reali- zado porque, ao abrir a torneira, a mão está suja e a torneira pode ficar con- taminada. Utilizar o papel toalha para o seu fechamento evita a recontamina- ção das mãos. 17 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Quando lavar as mãos? Tão importante quanto saber higienizar as mãos é realizar essa ação na frequência correta. As mãos devem ser lavadas várias vezes ao dia e em algumas situações específicas, como: antes de iniciar o trabalho ou ma- nipular alimentos; a cada troca de atividade, principalmente quando estiver manipulando alimento cru e for trabalhar com alimento cozido; antes de colocar luvas e após: • retirar as luvas; • utilizar o banheiro; • pegar em dinheiro; • tossir, espirrar, assoar o nariz ou se coçar; • comer ou fumar; • recolher o lixo e outros resíduos; • passar muito tempo em uma mesma atividade. Agora é com você! Aplique seu conhecimento. Veja se a empresa em que você trabalha disponi- biliza cartazes com o procedimento correto de higiene nas pias do setor de produção e dos ba- nheiros. Se ainda não tiver, converse com o seu supervisor a respeito dessa necessidade. 18 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Além da higiene das mãos, o manipulador de alimentos deve garantir ou- tros cuidados que envolvem a higiene pessoal. Veja abaixo alguns exemplos ilustrados: • Mantenha as unhas curtas, limpas e sem esmalte. • Se for homem, faça a barba diariamente. • Não use adornos — colares, pulseiras, brincos, relógio, anéis, piercings, entre outros — que podem soltar peças e contaminar os alimentos. • Mantenha os cabelos protegidos por toucas descartáveis ou redes, ou outro tipo de proteção. Cuidados com a higiene pessoal 19 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos É muito importante que o manipulador de alimentos observe os diversos cuidados neces- sários à higiene pessoal. Veja a seguir outras orientações: • tome banho diariamente e enxugue-se com toalha limpa; • seque bem os pés, a fim de evitar micoses; • não use maquiagem no serviço; • escove os dentes após as refeições; • não utilize perfume. Adquira desodorantes sem perfume ou com perfume suave; • utilize uniforme completo composto por calça, camisa, meias, bota em PVC, touca descartável e avental. Recomenda-se que os uniformes sejam de cores claras e de material resistente, como o algodão. A cor clara é obrigatória para os setores de distribuição de alimentos, assim como a utilização de EPI (Equipamento de Proteção Individual), como luvas de malha de aço ou similar e avental de napa; • mantenha o uniforme bem conservado e limpo. A equipe deve trocar diariamente os uniformes, e cabe a cada funcionário cumprir essa exigência, garantindo bom asseio pessoal para manipular e servir alimentos; • não deixe no uniforme canetas, adornos ou outras peças que possam cair nos alimentos; • utilize aventais adequados para proteger o uniforme - não use panos ou sacos plásticos para essa função. Os aventais de manuseio não devem sair do ambiente de trabalho, o qual se restringe às áreas de recebimento, armazenamento, pré- -preparo, preparo e distribuição. Ao ir ao banheiro, por exemplo, os aventais po- dem ser pendurados em local adequado e recolocados ao voltar a trabalhar. 20 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Certos comportamentos são considerados inadequados durante a manipulação de alimen- tos, pois podem resultar em contaminação. Veja abaixo alguns exemplos ilustrados: Não masque gomas ou palitos nem chupe balas ou coma nas áreas de manipulação de alimentos. Não toque em dinheiro enquanto estiver manipulan- do alimentos. Durante o manuseio de alimentos, esteja atento para outros cuidados que se deve ter quanto ao comportamento: • não fale, tussa, cante, assobie ou espirre sobre os alimentos; • não cuspa; • não experimente alimentos com a mão; • não assoe o nariz, não coloque o dedo no nariz ou nos ouvidos e não mexa no cabelo perto dos alimentos; • não enxugue o suor com as mãos, panos ou qualquer peça da vestimenta; • não fume nas áreas de manipulação ou armazenamento de alimentos; • use apenas utensílios higienizados; • não manipule alimentos quando apresentar sintomas de doenças ou ferimentos profundos; • não transite sem uniforme nas áreas de serviço, nem o utilize fora do local de trabalho. Cuidados com o comportamento 21 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Para garantir a segurança do manipulador de alimentos, existem algumas normas que regulamentam a utilização de vestimenta adequada. Verifique a seguir os itens principais: Utilize um calçado fechado, impermeável e com solado antiderra- pante. Sempre calce meias e mantenha o calçado em boas condi- ções de higiene e conservação. Quando aplicável, as botas de PVC são ótimas opções. Use avental plástico apenas para atividades que envolvam grande quantida- de de água, e evite proximidade com o calor. Se a empresa possuir câmaras de congelamento, ela deve disponibilizar capotes adequados. A NR-6 - Equipamento de Proteção Individual do Ministério do Trabalho traz especificações para casacos, calças, meias e luvas térmicas. Utilize luvas térmicas para pegar panelas, tabuleiros ou outros uten- sílios quentes,em vez de panos, porque ajudam a evitar queimadu- ras. Os panos espalhados pela área de trabalho podem ser veículos de contaminação, além de transmitir uma aparência de ambiente desorganizado. Use luvas de borracha no manejo de lixo, higienização de superfí- cies e utensílios, limpeza de banheiros e manipulação de produtos de limpeza. Durante o trabalho de corte de carnes, utilize luvas de malha de aço. Elas devem ser devidamente higienizadas e, se possível, revesti- das com luvas descartáveis. Após a utilização, devem ser lavadas com detergente, enxaguadas com água corrente e desinfetadas em água fervente por 15 minutos. As luvas de malha de aço devem ser guardadas em local apro- priado, limpo e seco, que pode ser uma caixa plástica com tampa, devidamente etiquetada. Cuidados com a segurança 22 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Uso de luvas descartáveis As luvas descartáveis são indicadas para manipulação de alimentos, porém, melhor do que a utilização de luvas, é o ato de higienizar bem as mãos e utilizar utensílios também higienizados. Caso o estabelecimento prefira o uso de luvas, adote os seguintes cuidados: • lave as mãos antes de calçar as luvas e após retirá-las; • substitua as luvas sempre que uma função for interrompida ou em caso de mudança de tarefa; • não utilize as luvas perto de fontes de calor e nem quando estiverem rasgadas; • você não precisa utilizar luvas para abrir uma geladeira ou uma embalagem, por exemplo. As luvas podem ser recomendadas em casos específicos, tais como: • na manipulação de alimentos prontos que já passaram por cozimento; • na manipulação de verduras e legumes, e em saladas que já foram adequadamente higienizados. 23 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Uso de máscaras Embora as pessoas pensem o contrário, a utilização de máscaras durante a manipulação de alimentos não é recomendada como mecanismo de preven- ção da contaminação, especialmente em locais quentes. Depois de 20 ou 30 minutos de uso, a máscara torna-se úmida e permite a passagem de micror- ganismos, além de tornar-se desconfortável e provocar coceira (causando mais contaminação das mãos decorrente do ato de coçar). Máscaras descartáveis são indicadas em situações específicas, como na di- visão dos alimentos em porções para transporte ou ao confeitar ou decorar alimentos e em áreas refrigeradas. Se forem usadas, elas devem ser troca- das, no máximo, a cada 30 minutos, sendo necessário treinar e conscientizar os profissionais quanto ao seu uso correto. * Observe a legislaçãono uso de máscaras. Em alguns mu-nicípios, existe uma resolução que exige o uso de luvas e máscaras du-rante a manipulação de alimentos. Pergunte ao responsável técnico do seu estabelecimento o que reco- menda a legislação do seu municí- pio e o critério do estabelecimento. Fique Atento! 24 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Os visitantes e a contaminação de alimentos Agora que você já sabe como um manipulador de alimentos deve se apresentar e se comportar no trabalho, pense de que modo as pessoas que não fazem parte da equipe de trabalho podem con- tribuir para a contaminação de alimentos. Chamamos essas pessoas de visitantes — fornecedores, consul- tores, fiscais, auditores ou até o pessoal da manutenção. Os visi- tantes devem receber, no mínimo, toucas descartáveis para po- derem entrar em áreas de produção/manipulação de alimentos. Podem também ser fornecidos jalecos descartáveis ou não e, se necessário, botas ou protetores para os pés. Inspetores sanitários, consultores e auditores devem dispor de seu próprio uniforme para realizar as visitas ou inspeções. É importante orientar os visitantes para que não toquem nos ali- mentos ou nas superfícies, não masquem gomas, não mantenham palitos de dentes na boca ou não fumem nas áreas de produção ou armazenamento de alimentos, além de necessitarem lavar as mãos antes de iniciar a visita. Deve-se evitar também que pessoas com ferimentos, gastroen- terites e qualquer outra doença transmissível, ou que represente risco de contaminação, tenham acesso às áreas de produção ou estocagem de alimentos. Importante 25 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Os estabelecimentos precisam capacitar toda a equipe de manipuladores e realizar reciclagens constantes para mantê-los atualizados quanto aos temas higiene e saúde pessoal. Não perca a oportunidade de participar desses treinamentos; afinal a capa- citação é fator determinante para o seu sucesso na implantação das boas práticas. É importante que esses treinamentos sejam registrados em listas de pre- sença ou por meio da entrega de certificados. Lembre-se de manter esse documento bem guardado. A capacitação dos manipuladores pode ocorrer de várias formas: leitura, aula expositiva, recursos audiovisuais (filmes, slides, fotos, internet) e cur- sos a distância. Profissionais especialistas podem ser contratados para ministrar aulas, forne- cedores de produtos de limpeza podem dar palestras ou montar programas internos de capacitação, promover debates, trabalhos de grupos, estudo de casos etc. Qualquer que seja a metodologia a ser usada, o importante é que se aplique na rotina de trabalho o que foi aprendido. É importante que toda a equipe de profissionais seja adequadamente treina- da quanto às boas práticas e à manipulação segura de alimentos, conside- rando que existem muitos critérios específicos. 26 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Formação de equipe de boas práticas nas empre- sas. Há uma tendência crescente de empresas forma- rem uma equipe de boas práticas. Por exemplo: um coordenador das boas práticas, monitores e outras funções, com cada um desempenhando seu papel. O coordenador é responsável pela implementação e pela manutenção do programa de boas práticas e da garantia de que todos os demais membros da equipe recebam treinamento das suas funções. Podem ser escolhidos diversos monitores respon- sáveis por realizar e manter os registros de segu- rança nas diversas etapas do programa de boas práticas, que envolvem: • a temperatura dos produtos no recebimento; • a temperatura das geladeiras, freezers, câ- maras, vitrines, estufas, pistas frias ou quentes; • a temperatura dos alimentos durante a ma- nutenção e a exposição quente e fria; • a temperatura dos tratamentos térmicos e resfriamentos; • a concentração da solução clorada na higieni- zação de frutas, legumes e verduras. Esse é um processo bastante produtivo e que objetiva a garantia da qualidade dos produtos e serviços oferecidos. Saiba Mais! 27 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 1: Perigos e manipulação de alimentos Nesta unidade, identificamos os perigos relacionados à manipulação dos alimentos, de acordo com sua natureza: biológica, química e física. Reco- nhecemos, ainda, as formas de prevenir esses perigos. Por fim, compreendemos os principais aspectos da saúde, higiene, compor- tamento e segurança do manipulador. Na próxima unidade, estudaremos questões relacionadas à manutenção de instalações, equipamentos e utensílios. Vamos lá! Re su min do! Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios 2 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutençãode instalações, equipamentos e utensílios Em uma área adequada, equipamentos em pleno fun- cionamento e utensílios em número suficiente são fundamentais para o desempenho das atividades em serviços de alimentação ou nos vários setores distri- buidores de alimentos. Além disso, a higiene de qualquer superfície é impres- cindível para a garantia da sanidade dos alimentos manipulados ou distribuídos. Nesta unidade, vamos estudar como garantir instalações, equipamentos, móveis e utensílios que nos ajudem nas boas práticas! Inicie o estudo refle- tindo sobre a história de Joana, uma empreendedora do ramo de alimentos. Veja como essa história começa e se envolva até o final! Joana descobriu que tem um grande talento: é uma quituteira de mão cheia! Sua especialidade? Bolinhos de aipim recheados com carne moída. Os bolinhos fazem tanto sucesso na cidade que a produção do- brou desde que ela iniciou as atividades na empresa. Com tanto trabalho, Joana descobriu que o moedor de carne serve também para amassar o aipim da massa e, com isso, eco- nomizou bastante tempo na cozinha. Situação inicial 3 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Mas, agora, Joana está com um problemão: há poucos dias recebeu reclamações de seus clientes, pois alguns bolinhos estavam estragados! Isso mesmo: alguns bolinhos de Joana estavam com cheiro desagradável e gosto ruim. O que você acha que aconteceu? Quando Joana utilizou o moedor de carnes (cruas), acabou contaminando o aipim cozido com bactérias deteriorantes. Al- gumas dessas bactérias aguentam temperaturas mais altas de cocção e, provavelmente, sobreviveram à fritura. Depois da fritura, os bolinhos devem ter ficado em temperatura adequada para o desenvolvimento das bactérias, que deterio- raram os produtos. Você percebeu, por meio da história de Joana, a necessidade de se ter cuidados quanto à higiene dos equipamentos no processo de produção de alimentos. Agora, estude os conceitos e orientações relacionados à manutenção de instalações, equipamentos e utensílios. 4 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Há alguns conceitos muito importantes que você deve conhecer em relação à limpeza, à desinfecção e à higienização. Limpeza: quando limpamos, retiramos as sujidades visíveis. Quando a lim- peza é feita com água e detergente, chamamos essa atividade de lavagem (ou lavação, no caso de alguns estados de nosso imenso país). Desinfecção ou sanificação: é feita para retirar aquilo que não vemos com os olhos — os microrganismos. Higienização: quando utilizamos esse termo, es- tamos nos referindo a duas operações — limpeza e sanificação. Praticamente todas as superfícies de serviços de manipulação e distribuição de alimen- tos devem ser higienizadas. Limpeza, desinfecção e higienização 5 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Precisamos entender que a eficiência da higiene de equipamentos, móveis e utensílios depende de alguns fatores, como o desenho e o material com que eles foram construídos. Os equipamentos e móveis devem ser desenhados e construídos de modo a garantir limpeza, desinfecção e manutenção adequadas. E os materiais que entram em contato direto com os alimentos não podem transmitir nenhum resíduo tóxico. As superfícies devem ser lisas, impermeáveis, com bordas arredon- dadas e soldadas com acabamento sanitário para impedir acúmulo de resíduos. Dobradiças, cantos vivos, parafusos à mostra, rebites, porcas e reentrâncias também devem ser evitados. A seguir, conheça alguns aspectos históricos das práticas de higiene. Higiene de equipamentos, móveis e utensílios 6 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Aspectos históricos das práticas de higiene O conceito de limpeza é recente na história da humanidade. É sabido que as práticas higiênicas (melhor dizendo, a ausência delas) foram responsáveis por muito sofrimento na forma de moléstias e pragas. Curiosamente, as práticas de higiene e limpeza não evoluíram progressiva- mente ao longo da história. Ao menos no que diz respeito aos cuidados com o chamado asseio pessoal, a civilização ocidental sofreu incríveis retrocessos desde os tempos clássicos greco-romanos até o início dos tempos modernos, passando por obscuras eras em que hábitos higiênicos elementares, como o banho ou mesmo a lavagem das mãos, foram banidos ou só podiam ser pra- ticados clandestinamente. Eram considerados vergonhosos ou pecaminosos. Mais curioso ainda é que outras civilizações cultivaram desde tempos re- motos hábitos higiênicos extraordinariamente evoluídos, como os chineses, conforme comprovaram os primeiros ocidentais a travar contato com esse povo no início do segundo milênio da era cristã. Os relatos de Marco Polo chegaram a causar incredulidade não só pelas improváveis riquezas des- critas, como também pelo “estranho asseio” daquele povo, que costumava banhar-se com frequência, além de manter suas casas e palácios sempre limpos e arrumados (BROWN, 2007). Podemos deduzir, embora os relatos de Marco Polo não chegassem a esses detalhes, que, também com relação à alimentação, esse ‘estranho povo’ devesse cultivar hábitos saudáveis, como cuidados higiênicos básicos no preparo e asseio das instalações, equipamentos e utensílios. A longevidade desses “homens de pele amarelada” parece ser uma evidência. Eles atin- giam sete, oito ou mais décadas de vida, enquanto na Europa era raro quem chegasse a cinquenta anos de idade. Apesar disso, a relação entre os bons hábitos higiênicos e a saúde só come- çou a ficar clara para o chamado “mundo civilizado” muitos séculos depois. Mais precisamente a partir do século XIX, graças a estudos e descobertas de grandes homens, como Louis Pasteur. A compreensão dos processos de putrefação, a derrocada da tese da gera- ção espontânea, as descobertas científicas, enfim, deflagraram uma revolu- 7 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios ção comportamental que tomou força nas últimas décadas do século XIX e se consolidou no século XX. Os hábitos de higiene estavam definitivamente incorporados à vida das pessoas nas cidades. No século XX, as populações urbanas cresceram vertiginosamente. Nova realidade, novas necessidades, dentre elas as de produzir e comercializar alimentos em grandes quantidades. As fábricas precisavam criar novos pro- cessos e produtos diferenciados. Diante desse quadro, a limpeza passou a adquirir importância capital. É fácil compreender que alimentos mal preparados ou mal manipulados servidos aos trabalhadores de uma indústria ou um grande estabelecimento comer- cial poderiam trazer graves problemas. Processos de limpeza mais eficazes foram desenvolvidos e, ao mesmo tempo, novos produtos químicos criados para viabilizar a higienização. Surgem os detergentes, os sanificantes, os desincrustantes e os desinfetantes. 8 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Cada produto químico usado na higiene deve vir acompanhado de uma Ficha de Informação e Segurança, com instruções de uso e providências para o caso de má utilização ou eventuais acidentes. As fichas devem ser mantidas em local acessível e indicar: • uso e manipulação seguros; • perigos físicos para a saúde, incêndio e reatividade; • precauções; • equipamentos de Proteção Individual (EPI) a serem utilizados para ma- nipulação do produto; • informaçõesde primeiros socorros; • nome, endereço e telefone do fabricante; • data da elaboração da ficha em questão; • ingredientes perigosos e informações de identidade ou composição. No caso de o fabricante não disponibilizar essas fichas, as informações de segurança deverão ser fornecidas na rotulagem ou em outro meio de comu- nicação. Produtos químicos O responsável pela limpeza não precisa — nem é sua função — ser um expert em formulação de produtos. Essa função é do fabricante e de seus técnicos — inclusive vendedores. Saiba Mais! 9 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Os principais produtos de higiene disponíveis no mercado são: sabões, de- tergentes, sanificantes ou desinfetantes. Sabões Nome genérico de uma classe de compostos que resultam da reação química entre as gorduras (animais ou vegetais) e os álcalis, como a soda cáustica. O sabão era fabricado a partir da lixívia de cinzas, ou seja, das cinzas mis- turadas com água, fervidas juntamente com sebo de animais, produzindo a chamada soda cáustica. Os sebos, por sua vez, são constituídos por gorduras. Dessa fervura resulta uma reação química de neutralização formando, então, os compostos cha- mados genericamente de sabões. A razão de os sabões serem bons agentes de limpeza é o fato de que suas moléculas permitem que a água possa dissolver gorduras. Todos sabem o que ocorre quando tentamos lavar um objeto engordurado usando apenas água pura: por mais que esfreguemos, não retiramos, apenas espalhamos a gordura pela superfície. Esta propriedade dos sabões é conhecida como detergência. Outros produtos sintéticos também a possuem e, cada vez mais, vêm subs- tituindo os sabões. São os detergentes. Detergentes É o nome genérico dado a qualquer produto que apresente a propriedade da detergência, inclusive os sabões. No entanto, esse nome se aplica mais a produtos obtidos de matérias-primas não naturais, que são manipulados para apresentarem poder de detergência superior ao dos sabões obtidos a partir da lixiviação de cinzas. O poder da detergência é a capacidade de desengordurar. Produtos de higiene 10 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Por isso, detergentes são excepcionais removedores de sujidades gorduro- sas, o que os faz indispensáveis na limpeza rotineira dos estabelecimentos industriais ou comerciais que lidam com alimentos. Os fabricantes ou formu- ladores ainda adicionam a seus produtos outros componentes aditivos ca- pazes de melhorar sua capacidade de limpeza, mediante a adição de outras propriedades. Esses aditivos fazem o diferencial entre um produto e outro, tornando-os mais ou menos adequados a usos específicos. Portanto, saber escolher o produto mais adequado às necessidades do seu estabelecimento refletirá em aumento de eficácia e redução de custos, bem como adequação às con- dicionantes de ordem ambiental. É importante, portanto, realizar consultas, comparações, testes e ter con- fiança no fabricante e/ou representantes. Sanificantes ou desinfetantes Os sanificantes, ou desinfetantes, são substâncias químicas que apresen- tam ação bactericida (eliminação de bactérias) ou bacteriostática. Vários são os compostos utilizados para essa finalidade, porém, assim como os detergentes, um pequeno grupo de sanificantes pode atender à maioria das necessidades dos estabelecimentos comerciais, como o cloro e derivados, os quaternários de amônio e o álcool a 70%. A ação bacteriostática impede a multiplicação das bactérias. 11 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Há muitos agentes de higienização disponíveis no mercado. Conheça os princípios ativos dos sanificantes mais usados e as características de alguns produtos utilizados na higienização: Cloro e derivados O cloro é um dos sanificantes de mais largo emprego, sobretudo para uso em equipamentos e ambientes. O cloro na forma gasosa é utilizado em con- dições muito específicas, já que sua manipulação requer cuidados especiais. Na maioria dos casos são usados compostos (sólidos ou líquidos) que pos- suem cloro na composição e que o liberam de forma gradual, diminuindo os riscos para os operadores e melhorando sua performance como sanificante. A concentração recomendada é de 200 a 250 ppm (partes por milhão), o mesmo que uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água. Algumas desvantagens do cloro é o fato de ele ser corrosivo para vários tipos de materiais (enferruja), agressivo aos manipuladores (mesmo nas formas abrandadas) e perder a eficiência com o tempo e a exposição; quando se coloca material com muita matéria orgânica diretamente na solução clorada, o cloro se liga nessa matéria orgânica, formando um composto que, além de dar mau cheiro, é cancerígeno. Por essa razão, devem-se lavar as superfícies antes de colocar de molho na solução clorada. Álcool etílico Sua ação de detergência é muito pequena em comparação aos detergentes convencionais. Como sanificante, o álcool etílico atende a quase todas as necessidades. A concentração recomendada é de 200 ppm. O ideal é que a limpeza seja feita inicialmente com detergente comum e, depois, na fase de desinfecção, seja utilizado o quaternário. Os quaternários são geralmente usados para higienização de lixeiras, áreas de armazenamento de lixo, câmaras frias, açougues e áreas que deixam mau cheiro, porque o produto continua com ação mesmo após o enxágue por Agentes de higienização 12 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios deixar um “filme” residual. Não são agressivos, nem corrosivos. Não per- dem eficiência em presença de matéria orgânica, mas não são tão eficientes quanto o cloro. Outros agentes de higienização A rotina de limpeza de um estabelecimento comercial fica praticamente ga- rantida e completa com a utilização combinada e correta de detergentes e sanificantes. Entretanto, existem vários agentes utilizados para operações específicas. Entre eles, citamos: • Limpadores pesados - Às vezes, a carga de sujidade ou gordura presente requer uma ação mais enérgica do que aquela que um de- tergente comum pode proporcionar. Para esses casos, existem os de- tergentes alcalinos. O uso desses produtos requer, portanto, cuidados especiais dos operadores. Isso significa operadores treinados e com orientação técnica dos fabricantes. • Limpadores ácidos - Geralmente ácidos como o nítrico, fosfórico etc. Esses produtos são utilizados quando existe necessidade de remoção de incrustações, como aquelas que entopem o chuveiro ou a máquina de lavar louças. A limpeza ácida deve ser sempre feita sob rígida ori- entação de técnicos. 13 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios A higienização requer dois procedimentos: a limpeza e a de- sinfecção. A limpeza pode ser precedida de uma pré-lavagem para facilitar a etapa posterior, e pode ser realizada a seco, por exemplo, por aspiração, ou com a utilização de água (lavagem). Depois da lavagem, as superfícies de contato direto com os ali- mentos precisam ser desinfetadas ou sanificadas para reduzir a níveis aceitáveis a carga microbiana. Atenção! Certas bactérias, incluindo algumas que causam doenças, podem formar biofilmes que dificultam o processo de higienização. Elas liberam uma camada viscosa que lhes oferece melhor proteção, chegando a ser mil vezes mais resistentes aos produtos de limpeza comuns. Deve-se seguir uma rotina de limpeza criteriosa para remover essesbiofil- mes e outras sujidades mais resistentes. Processo de higienização São exemplos de biofilmes as limosidades aderi- das em mangueiras de filtros de água, torneiras, canos, entre outros, requerendo uma higienização específica por escovação ou simplesmente sua substituição. Saiba Mais! 14 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios A frequência da higienização das superfícies em contato com alimentos deve ser a seguinte: Depois de cada uso da superfície. Quando trocar de alimento na mesma superfície. Após alguma interrupção do serviço. A cada quatro horas. O período de quatro horas é o tempo necessário para as bactérias se adap- tarem a um novo ambiente. Portanto, devemos realizar a higienização de su- perfícies de uso contínuo como cortador de frios, afiador de facas, tábuas de corte, facas, talheres utilizados para dividir em porções ou servir alimentos. Quando higienizar? 15 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Pré-lavagem O objetivo desta etapa é reduzir a quantidade de resíduos presentes nas superfícies. Pode ser realizada primeiramente por remoção e descarte das partículas residuais e posterior enxágue com água corrente, imersão ou ja- teamento. A pré-lavagem deve preferencialmente ser realizada com água morna, em torno de 40ºC. Se for muito fria, pode solidificar as gorduras e endurecer os açúcares nas superfícies. Por isso, é importante dispor de água morna nos setores de lavagem de materiais. Lavagem Nesta etapa, ocorre a aplicação dos detergentes. A concentração do produto químico, a temperatura da água utilizada, o tempo de contato do produto químico com a superfície a ser lavada e a ação mecânica (força aplicada na superfície a ser lavada) são os quatro fatores que interferem na eficácia da lavagem. Quando algum desses fatores não é eficiente, os outros devem compensar a perda de qualidade. Por exemplo, se a temperatura da água não for suficientemente quente (de 43º a 45ºC), deve-se usar mais ação mecânica ou aumentar o tempo de contato, e aumentar a concentração do produto químico para compensar. Enxágue Após a lavagem com detergentes, as superfícies devem ser enxaguadas para remover os resíduos e o detergente. Quando possível, a água de enxágue deve ser usada em temperatura mais alta para favorecer a eliminação dos microrganismos e facilitar a evaporação da água das superfícies. Como higienizar? 16 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Sanificação — desinfecção Esta etapa é muito importante. A superfície deve estar bem lavada, sem resíduos visíveis, para garantir a melhor eficiência da desinfecção, que retira contaminantes não visíveis a olho nu. Ela pode ser realizada por borrifamen- to ou imersão, em caso de utensílios menores, como tábua de corte, talheres entre outros. O enxágue posterior pode ou não ser necessário, dependendo do tipo de produto utilizado e de sua concentração. Secagem Alguns sanificantes requerem enxágue e outros não. Devemos dar prefe- rência para a secagem natural. No caso de utilização de panos para secar, é preciso ter garantia de que estes não sejam veículos de contaminação. 17 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Aspectos gerais de higiene No processo de manipulação de alimentos, todos os aspectos envolvidos devem ser observados, inclusive a escolha dos utensílios de limpeza, a iden- tificação de materiais etc. Veja a seguir algumas orientações importantes quanto a isso: • o uso de escovas de metal, lã, palha de aço e madeira não é recomen- dado durante a ação mecânica na lavagem dos utensílios para evitar a contaminação dos alimentos. Por exemplo, dê preferência às escovas de cabos plásticos e cerdas de náilon, em vez daquelas com cabos de ma- deira e cerdas de piaçava; • nesses casos, a madeira pode umidificar e apodrecer, favorecendo a con- taminação por fungos, e a piaçava pode soltar pedaços. Recomenda-se, ainda, usar fibras sintéticas ao invés de palhas de aço, lãs ou escovas de metal durante a lavagem. Esses materiais podem desprender o alumínio das superfícies lavadas e contaminar os alimentos que entrarão em con- tato; • as esponjas não devem ser mantidas em recipientes com detergente di- luído. É preferível manter o detergente em embalagem com bico dosador e utilizá-lo direto na esponja; • as embalagens de produtos químicos não devem ser reaproveitadas para outras finalidades. Borrifadores e outros recipientes que contenham pro- dutos químicos devem ser identificados; • a contaminação cruzada entre superfícies ou setores incompatíveis, por exemplo, entre as áreas de produção e banheiros, deve ser evitada. Para isso, pode-se utilizar o recurso de cores diferenciadas para cabos de ro- dos e vassouras, luvas de borracha, panos de limpeza etc; • instalações, equipamentos e utensílios devem ser mantidos limpos e de- sinfetados (se aplicável); • o armazenamento dos utensílios deve ser realizado em local protegido de pragas e contaminação; • produtos com odor nas áreas de manipulação e armazenamento de ali- mentos não devem ser utilizados para evitar a contaminação; 18 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios • a equipe de profissionais deve estar bem capacitada em técnicas de lim- peza e conhecer os riscos de contaminação e como evitá-los. Os res- ponsáveis pela higienização das instalações sanitárias devem utilizar uni- formes apropriados e diferenciados daqueles utilizados na manipulação de alimentos; • todos os produtos de limpeza e desinfecção utilizados devem ser aprova- dos pelo Ministério da Saúde, com registro ou com notificação de isenção de registro; • os produtos químicos devem permanecer devidamente identificados e mantidos em local adequado, de forma a não oferecer riscos de contami- nação. O uso desses produtos deve obedecer às recomendações dadas pelo fabricante; • os estabelecimentos devem ter as descrições dos planos de limpeza, nas quais deve constar: tipo de superfície a ser higienizada, método de higienização (etapas), frequência, responsável pela operação, produtos utilizados (com indicação do princípio ativo e sua concentração), nome comercial do produto, concentração e uso, além de informações como tempo de contato, uso de agentes físicos de apoio e temperatura, entre outros; • os utensílios de higienização (vassouras, rodos, baldes, escovas etc.) de- vem estar disponíveis em local adequado e em bom estado de conser- vação; • é importante monitorar as condições de limpeza, podendo ser utilizado algum registro, como caderno, planilha, lista de verificação, para com- provar a eficiência dos procedimentos de higienização. Existem várias formas para avaliar se uma superfície foi higienizada com eficiência: • avaliação visual; • avaliação de contato, feita por mãos higienizadas ou papel toalha branco; • avaliação do cumprimento das etapas e dos procedimentos prees- tabelecidos; • avaliação de carga microbiológica, realizada através de análises la- boratoriais. 19 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Manutenção preventiva Todos os estabelecimentos devem garantir que seja feita ma- nutenção preventiva e corretiva de seus equipamentos, seja por equipe interna ou empresa contratada. É recomendável criar uma forma de registro que auxilie o controle da manu- tenção preventiva de cada equipamento, como, por exemplo,uma planilha geral ou uma ficha individual afixada no próprio equipamento, ou, ainda, registro em caderno. Além disso, deve-se realizar a calibração de equipamentos como balanças e termômetros, para evitar que desajustes possam interferir na qualidade ou na segurança dos alimentos. A calibração deve ser realizada por empresas credenciadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO). Agora é com você! Aplique seu conhecimento. Veja se a empresa em que você trabalha possui um controle da manutenção preventiva dos equi- pamentos e se as calibrações estão sendo reali- zadas periodicamente por empresas credenciadas pelo INMETRO. 20 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Quanto ao termômetro de medição de alimentos, podemos adquirir um que tenha certificado de calibração e utilizá-lo apenas como padrão para com- paração dos outros termômetros, ou seja, não usá-lo nas medições de roti- na. Essa comparação de temperaturas de termômetros de hastes metálicas pode ser feita usando-se a técnica do ponto de congelamento. Os dados de contato das empresas que fazem a manutenção e a calibração devem permanecer disponíveis em local de fácil acesso para casos de emergência. A manutenção deve ser realizada em horários que não prejudiquem a produção. Quando aplicável, a área que sofrerá a manutenção deve ser isolada e os alimentos e superfícies de contato com os alimentos devem estar protegidos. 21 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Saiba Mais! Técnica do ponto de congelamento Para realizar a comparação de temperaturas de ter- mômetros de hastes metálicas utilizando a técnica do ponto de congelamento, siga este procedimento: • coloque gelo picado e água em um copo gran- de; • coloque a haste do termômetro no copo, sem encostar nas laterais nem no fundo, garan- tindo que a área sensora esteja submersa; • ligue o termômetro e espere trinta segundos. A temperatura deve marcar 0ºC. Caso mar- que outro valor, significa que existe esse erro em graus Celsius, que deve ser descontado das medidas realizadas com o termômetro, a não ser que o termômetro possua a tecla reset ou um mecanismo de ajuste para ze- rar o erro — atenção: uma etiqueta deve ser mantida no equipamento, indicando a data e o erro. É necessário realizar um registro desse procedi- mento em uma planilha para comprovar a realiza- ção da calibração. Quando essa técnica é aplicada em termômetros calibrados e ajustados, espera-se que a tempera- tura encontrada seja 0ºC. Termômetros sem cali- bração e ajuste só podem ser utilizados no caso de desvio de ±2ºC. Acima desses valores, deve-se solicitar a substituição do instrumento ou sua cali- bração em laboratório credenciado. Não é recomendável realizar a calibração pelo ponto de fervura, pois o ponto de ebulição da água sofre alteração de acordo com a altitude do local em relação ao nível do mar, isso porque a cada 168 metros de altitude a água ferve a menos 0,5ºC devido à incidência da pressão atmosférica. 22 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios * Cuidados com equipa-mentosOs estabelecimentos devem atentar para alguns cuidados específicos com os equipamentos utilizados na conser-vação ou produção de alimentos: • prover de termômetros analógi- cos ou digitais os equipamentos destinados à conservação sob re- frigeração ou congelamento. Ter- mômetros de vidro são proibidos. Outros equipamentos que também necessitem de supervisão de tem- peratura devem ser projetados de forma a permitir o monitoramento; • possuir geradores próprios para manter os equipamentos em fun- cionamento em caso de pane elétri- ca, o que garante qualidade e ino- cuidade dos produtos; • proceder ao degelo dos equipa- mentos de conservação sempre que a camada de gelo formada nas paredes alcançar 2 cm; • alocar os motores de balcões refri- gerados, congeladores etc., sempre que possível, fora das áreas de pro- dução ou exposição, por serem fon- tes de calor. Isso também facilita o acesso da manutenção; • estabelecer grau alimentício para graxas e lubrificantes usados na Fique Atento! manutenção de equipamentos, sempre que houver risco de conta- to com os produtos; • considerar o local onde o equipa- mento será apoiado, de forma a fa- cilitar a limpeza, a manutenção, o controle de pragas e a circulação de ar; • evitar e, de acordo com o caso, im- pedir o uso de materiais putrescí- veis porosos como madeira, vidro, materiais que descasquem e expo- nham os alimentos a metais tóxicos; • utilizar materiais sanitários lisos, impermeáveis, resistentes e de fá- cil limpeza para móveis como me- sas, bancadas, cubas, tanques, pias das áreas de preparo e exposição, mantendo-os em boas condições de conservação; • ter utensílios em número suficiente e apropriados ao tipo de operação. Devem ser mantidos em boas con- dições de conservação e não po- dem transmitir contaminantes aos alimentos. Devem ser resistentes à corrosão e permitir higienização adequada; • realizar o armazenamento dos utensílios em local protegido de pragas e contaminação. 23 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 2: Manutenção de instalações, equipamentos e utensílios Nesta unidade, vimos como garantir instalações, equipamentos, móveis e utensílios que nos ajudem nas boas práticas para serviços de alimentação e distribuição. Compreendemos os conceitos de higiene, desinfecção e higienização. Vimos, ainda, conceitos e orientações relacionados à manutenção e higiene de ins- talações, equipamentos e utensílios. Aprendemos os procedimentos de higienização e reconhecemos os princi- pais agentes para esse processo. Por fim, reconhecemos a importância da manutenção preventiva e calibra- ção de equipamentos. Na próxima unidade, abordaremos questões ligadas à infraestrutura e aos aspectos ambientais. Vamos lá! Re su min do! Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição Aspectos ambientais e infraestrutura 2 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Você já higienizou ou viu alguém higienizando uma caixa d’água? Você sabe qual o procedimento necessário para executar a higienização da caixa d’água? Teste seus conhecimentos ordenando o passo a passo correto dessa higienização. Ordene-os na sequência correta. Na lista abaixo, você encontra os passos para realizar o procedimento de higienização da caixa d’água. ( ) Esvaziar a caixa, aproveitando para higienizar a tubulação, abrindo torneiras e acionando descargas. ( ) Esperar que toda a água do reservatório saia, deixando apenas um palmo de água no fundo do reservatório. ( ) Retirar o lodo do fundo do reservatório, com baldes e pá de plástico, para não danificar as paredes. ( ) Limpar, enxaguando as paredes até eliminar a sujeira completamen- te, evitando escovas de aço, escovões, vassouras e estopa. ( ) Manter úmida a superfície interna do reservatório com a solução de cloro durante duas horas. ( ) Fechar o registro da entrada de água que vem da rua. ( ) Escovar as paredes com escova de fibra vegetal ou fio de plástico macio. ( ) Pulverizar ou enxaguar as paredes do reservatório com uma solução de cloro. ( ) Abrir a entrada de água e encher a caixa novamente,ligando as bom- bas. ( ) Anotar do lado de fora da caixa a data da limpeza. Situação inicial A resposta correta para o exercício de higienização da caixa d´água é: 8, 2, 4, 5, 7, 1, 3, 6, 9 e 10. 3 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Não há como preparar ou distribuir alimentos sem a garantia da potabilidade da água utilizada nas mais diversas operações. A água utilizada deve ser po- tável, transparente, límpida, insípida e inodora, exceto quando é utilizada para combate a incêndios ou em sistemas de refrigeração. No caso de não haver fornecimento de água tratada pelo sistema de abaste- cimento público, as fontes alternativas, como água de poço, carros-pipa, água de rios e outras, também devem ser potáveis. Nas operações que envolvem o uso da água no preparo de bebidas e alimentos, é necessário realizar o controle da potabilidade para evitar da- nos à saúde. Veja, a seguir, alguns procedimentos a serem adotados quando se for usar a água para consu- mo, produção de gelo e vapor. Controle da potabilidade da água Água potável significa sem contaminantes biológi- cos, químicos ou físicos que causem doenças. A garantia da potabilidade pode ser comprovada por análises laboratoriais com a emissão de laudos, na frequência determinada pela legislação perti- nente. O uso das fontes alternativas requer tratamento prévio de desinfecção. Saiba Mais! 4 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais * Reservatórios de água e os procedimentos de higienização.Os reservatórios devem ser edificados ou revestidos de materiais que não comprometam a qualidade da água. Além disso, devem estar livres de ra- chaduras, vazamentos, infiltrações, descascamentos e ser mantidos em adequado estado de higiene e conserva- ção. Para que a água nos reservatórios seja segura, estes devem permanecer devidamente tampados para impe- dir a entrada de resíduos de lavagem, óleos, chuva e animais, entre outros contaminantes. Para garantir a potabilidade da água, os reservatórios devem ser higieni- zados, no mínimo, semestralmente ou sempre que ocorrer qualquer aci- dente que possa contaminar a água, como, por exemplo, inundações. É re- comendável a realização de análise bacteriológica para verificar a eficiên- cia da higienização. As empresas devem guardar os registros de higienizção e os relatórios contendo as condições estruturais dos reservatórios para mostrar às autoridades sanitárias, em caso de fiscalizações. A higienização deve ser realizada pre- ferencialmente por empresa espe- cializada do ramo, de acordo com as Fique Atento! exigências da legislação local. O proce- dimento de higienização deve ser des- crito no Manual de Boas Práticas. Por isso, deve-se solicitar à empresa con- tratada essa informação. Caso o serviço não seja executado por uma empresa terceirizada ou o estabelecimento necessite de informa- ções sobre os procedimentos básicos, pode-se utilizar a seguinte metodolo- gia: 1. Fechar o registro da entrada de água que vem da rua. 2. Esperar que toda a água do reserva- tório saia, guardando-a para ser utili- zada em operações de higiene da em- presa, deixando apenas um palmo de água no fundo do reservatório. 3. Escovar as paredes com escova de fibra vegetal ou fio de plástico macio; nunca use sabão, detergente ou outro produto. 4. Retirar o lodo do fundo do reserva- tório com baldes e pás de plástico para não danificar as paredes. Depois, lim- par enxaguando as paredes até elimi- nar a sujeira completamente, evitando escovas de aço, escovões, vassouras e estopa. A utilização de hidrojateamen- to (máquinas com pressão) pode ser efetuada por pessoas experientes e 5 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais com extremo cuidado para evitar da- nos à impermeabilização das paredes do reservatório. 5. Preparar uma solução contendo 200 ppm de cloro. Essa solução pode ser obtida de duas maneiras: 1º) Adicionar 4 colheres das de sopa (40 mL) de hi- poclorito de sódio a 10% para 20 litros de água (2 baldes de 10 litros); ou 2º) Adicionar um copo americano (200 mL) de água sanitária para 20 litros de água (2 baldes de 10 litros). 6. Pulverizar ou enxaguar as paredes do reservatório com a solução de cloro. 7. Manter úmida a superfície interna do reservatório durante 2 horas. Fazer a solução, se necessário. E, caso haja evaporação do desinfetante em 30 mi- nutos, repetir a operação anterior. 8. Esvaziar a caixa, aproveitando para higienizar a tubulação, abrindo tornei- ras e acionando descargas. 9. Abrir a entrada de água e encher a caixa novamente, ligando as bombas. 10. Anotar do lado de fora da caixa a data da limpeza. 6 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Segurança da água Nas operações que envolvem o uso da água no preparo de bebidas e ali- mentos, é necessário realizar o controle da potabilidade para evitar danos à saúde. Veja, a seguir, alguns procedimentos a serem adotados quando se for usar a água para consumo, produção de gelo e vapor. Água para consumo A água usada para o preparo de sucos e outros alimentos deve ser potável. Desse modo, deve haver um filtro instalado na área de pro- dução, com a troca da unidade filtrante realizada no período correto, de acordo com o fabricante. Independentemente do setor trabalhado, a potabilidade da água é tão importante que deve ser gerenciada através de POP de água. Deve-se manter uma etiqueta no filtro com a indicação da data da última e da próxima troca. * Veja, a seguir, um exemplo de Procedimento Operacional Padrão — POP — para controle de potabilidade de água. Fique Atento! 7 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Logotipo da Empresa PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRONIZADO Controle de Potabilidade da Água Revisão: 00 Em: xx/xx/xxxx POP 1 Página: 1/2 1. Objetivo Garantir que a água utilizada em todo o estabelecimento esteja de acordo com padrões legais vigentes, própria para consumo e para a utilização na preparação dos pro- dutos. 2. Documentos de Referência Portaria de água nº 518 de 25/03/2004 – MS e Resolução RDC 275 de 21/10/2002 - ANVISA. 3. Campo de Aplicação Todo o estabelecimento. 4. Descrição dos Procedimentos A água utilizada é oriunda do abastecimento público. Possui uma cisterna de 150m3 construída em concreto, estando enterrada, e 1 castelo de 50m3 em concreto em nível elevado. Ambos são mantidos totalmente cobertos e protegidos, sem detritos, sem a pre- sença de animais, afastados de sumidouros e fossas, sem rachaduras ou fendas. A avalia- ção destas condições é realizada a cada seis meses quando da realização da higienização dos reservatórios. Existe disponibilidade de água quente corrente na área de lavagem. O aquecimen- to é obtido por resistência elétrica nas duas torneiras do setor. A empresa que realiza a higienização semestral é a Água Limpa Ltda. CNPJ: 00.000.000/0000-00. A potabilidade é atestada por meio da análise microbiológica realizada pelo Labo- ratório Boa Análise Ltda. A responsabilidade pelos laudos é da Dra. Tertúlia Dinasil - CRB n° 9999 / 9ª Região. Elaborado por: Iponaks de Jesus- Gerente de Produção ID 10101010-10 (DETRAN) Aprovado por: Gleidiene Rosa - Diretora ID 15151515-15 (DETRAN) 8 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectosambientais Logotipo da Empresa PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRONIZADO Controle de Potabilidade da Água Revisão: 00 Em: xx/xx/xxxx POP 1 Página: 2/2 As cópias dos documentos referentes à higienização e potabilidade encontram-se anexas a este POP, sendo: • Cópia do certificado de limpeza de reservatório; • Cópia da Ordem de Serviço; • Cópia do Boletim de Medição para a Potabilidade. 5. Monitorização Semestralmente a encarregada administrativa cobra da empresa contratada os do- cumentos que comprovam que a limpeza dos reservatórios foi realizada e que comprovam também que os reservatórios se encontram em boas condições construtivas (Ordem de Serviço e o Certificado). Semestralmente também é cobrado o laudo de análise de potabilidade da água emitido pelo laboratório contratado. As cópias destes documentos são anexadas a este POP, no Manual. 6. Ações Corretivas • Solicitação para o esvaziamento e realização de nova higienização. • Conserto dos reservatórios, tampas e tubulações (de acordo com a avaliação da Ordem de serviço). • Solicitação de novas análises. • Solicitação de novas cópias às empresas. 7. Verificação Semestralmente o gerente do estabelecimento verifica se os documentos (Ordem de Serviço, Certificado e Laudo de Análise) estão na validade e se foram anexados ao Manual de Boas Práticas. Os registros são mantidos por 1 ano. Elaborado por: Iponaks de Jesus- Gerente de Produção ID 10101010-10 (DETRAN) Aprovado por: Gleidiene Rosa - Diretora ID 15151515-15 (DETRAN) 9 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Gelo Pode ser produzido no estabelecimento ou adquirido de terceiros, devendo ser feito a partir de água potável e manipulado e estocado sob condições sanitárias satisfatórias. Devem-se levar em consideração os riscos de contaminação por manipula- ção, ensacamento, armazenamento ou transporte não higiênico por contato direto com o piso ou outras superfícies contaminadas. Os cuidados devem ser os mesmos, independentemente de quem produz o gelo. É recomendável utilizar pegadores com cabo para transferência do gelo, evitando o contato direto com as mãos. O material dos pegadores deve ser inquebrável para evitar contaminação física por lascas. Deverão ser mantidos higienizados e protegidos de contaminação. Vapor O vapor, quando utilizado em contato direto com alimentos, produzido por fornos combinados e caldeiras de cozimento, ou quando utilizado na limpeza de superfícies que têm contato com alimentos, deve ser produzido com água potável, para não ser uma fonte de contaminação. 10 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Para se evitar contaminações na manipulação ou no preparo de alimentos, devem ser adotados alguns cuidados quanto ao destino de resíduos sólidos e líquidos. Veja, a seguir, alguns critérios que devem ser adotados para acon- dicionamento de lixo sólido, recolhimento de lixo dos setores, descarte de resíduos líquidos e higienização das lixeiras. Acondicionamento de lixo sólido O lixo sólido deve ser acondicionado em recipientes próprios para lixo, que devem ser providos de tampa sem acionamento manual (para as áreas de manipulação e armazenamento de alimentos e banheiros). Ainda devem ser de material impermeável, de fácil limpeza e revestidos com saco plástico resistente que impeça a contaminação do ambiente. O número de coletores de lixo deve ser suficiente para conter os resíduos. A sua utilização não deve permitir a contaminação dos produtos, utensílios e equipamentos expostos nas proximidades. Manejo de resíduos 11 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Recolhimento de lixo dos setores O lixo dos setores deve ser transportado até a área de armaze- namento de forma a não contaminar os produtos dos setores e o ambiente. Se o recolhimento não for diário, é recomendável a climatização do local de armazenamento dos resíduos orgânicos. A frequência de retirada do lixo depende do volume gerado em cada área. É importante que as lixeiras não fiquem cheias demais e não causem mau cheiro no local. Mesmo que o volume de lixo seja pequeno, deve ser feito o recolhimento para evitar baratas, moscas e odor desagradável no ambiente. O lixo deve ser arma- zenado em local fechado e isolado das áreas de produção e arma- zenamento de produtos até ser recolhido. O recolhimento de lixo para o destino final (aterro sanitário ou outro) deve ser realizado em veículo com contêiner fechado em horários que não comprometam o fluxo de produção do estabele- cimento. Caso não haja recolhimento urbano público, deve ser feito contrato com empresa especializada do ramo, garantindo o destino dos resíduos com registros comprobatórios. Em algumas localidades, é realizada a coleta seletiva de lixo. Nesse caso, a separação dos materiais deve ser feita previamente em con- têineres identificados — vidro, papel, plástico, metal, lixo orgânico. Importante 12 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Descarte de resíduos líquidos Para os resíduos líquidos, como, por exemplo, óleo queimado, o descarte não pode ser feito em ralos, tanques, vasos sanitários ou no lixo comum. O recolhimento deve ser feito por empresa que garanta não contaminar o ambiente, e o acondicionamento do óleo até a retirada deve ser efetuado em recipiente com tampa e identificação. Deve-se registrar ou documentar cada retirada, conforme exi- gências do órgão ambiental da localidade. O estabelecimento deve buscar alternativas do manejo de seus resíduos de forma a minimizar o impacto ambiental. * Veja, a seguir, um modelo de POP de Manejo de Resíduos. Fique Atento! 13 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Logotipo da Empresa PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRONIZADO Manejo de Resíduos Revisão: 03 Em: xx/xx/xxxx POP 4 Página: 1/3 1. Objetivo Garantir que todos os procedimentos específicos com o lixo e resíduos das opera- ções não ofereçam risco de acesso a pragas. Manter uma boa limpeza do ambiente e dos recipientes utilizados, não comprometendo a segurança dos produtos fabricados. 2. Documentos de Referência Resolução RDC 275 de 21/10/2002 – ANVISA. Portaria 326, de 30/07/1997 – ANVISA – MS. 3. Campo de Aplicação Todo o estabelecimento. 4. Descrição dos Procedimentos O lixo dos setores é removido das áreas pela equipe de apoio que utiliza uniforme diferenciado (camiseta cinza e calça azul) e é levado para containeres com rodízios que permanecem atrás do prédio. Quando estes ficam cheios são levados para o armazena- mento externo de lixo em 9 contêineres maiores (caçambas de 1200 litros) que possuem tampas e ficam localizados próximo ao portão, facilitando assim a retirada dos resíduos. O recolhimento é realizado pela empresa Lixo Certo diariamente às 13 horas. As lixeiras são higienizadas diariamente na área de lavagem, com uso de lavajato. Já os contêineres externos são lavados semanalmente. O procedimento de lavagem das lixeiras e containeres segue as etapas abaixo: 1- Lavagem com detergente neutro, escova e apoio do lavajato; 2- Enxágue com o lavajato; 3- Escorrimento sobre estrados; 4- Volta para o setor para serem colocados sacos próprios. Elaborado por: Iponaks de Jesus- Gerente de Produção ID 10101010-10 (DETRAN) Aprovado por: Gleidiene Rosa - Diretora ID 15151515-15 (DETRAN) 14 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Logotipo da Empresa PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRONIZADO Manejode Resíduos Revisão: 03 Em: xx/xx/xxxx POP 4 Página: 2/3 As caixas de gordura e de esgoto são sifonadas e estão localizadas fora das áreas de produção. O recolhimento dos resíduos destas caixas é realizado sempre que neces- sário pela empresa Desintupidora Tudo Limpo que emite um manifesto (em 4 vias) onde constam as informações sobre os tipos de resíduos sendo recolhidos e os nomes: do gera- dor do resíduo, do transportador e do receptor, de forma a garantir um destino adequado aos resíduos sem prejuízo ao meio ambiente. A cópia do manifesto encontra-se em anexo. 5. Monitorização O Supervisor de Serviços Gerais observa semanalmente as condições de limpeza das lixeiras, contêineres e do local de armazenamento dos resíduos e preenche um check- -list de monitoramento. Para todos os itens que apresentam problemas, são tomadas ações corretivas. 6. Ações Corretivas No caso de ocorrer alguma não conformidade, pode ser necessário tomar alguma das seguintes ações corretivas: • solicitação de que levem as lixeiras para a área externa e higienizem no- vamente; • solicitação de que utilizem outros produtos químicos (detergente ou sanifi- cante), caso o resultado não esteja atendendo o esperado; • solicitação de compra de utensílios para melhor limpeza dos cantos, como escovas específicas, buchas etc; • substituição dos tipos de saco de lixo; • solicitação de limpeza ao redor das lixeiras; • contato com a empresa que recolhe o lixo para solicitações específicas; • compra de novas lixeiras. Elaborado por: Iponaks de Jesus- Gerente de Produção ID 10101010-10 (DETRAN) Aprovado por: Gleidiene Rosa - Diretora ID 15151515-15 (DETRAN) 15 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Logotipo da Empresa PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRONIZADO Manejo de Resíduos Revisão: 03 Em: xx/xx/xxxx POP 4 Página: 3/3 7. Verificação O Responsável Técnico quinzenalmente verifica se o supervisor preencheu os check-lists semanais e se foram tomadas as ações corretivas sempre que tiverem sido encontradas não conformidades. Trimestralmente, o RT verifica se o recolhimento de resíduos da caixa de gordura está sendo realizado e se o manifesto foi preenchido. O RT assina os documentos verificados e são mantidos em pasta própria por 3 meses. Elaborado por: Iponaks de Jesus- Gerente de Produção ID 10101010-10 (DETRAN) Aprovado por: Gleidiene Rosa - Diretora ID 15151515-15 (DETRAN) 16 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Higienização das lixeiras Imediatamente após a coleta dos resíduos, o local e os contêineres devem ser higienizados. A forma de higienização das lixeiras e da área de armazenamento deve estar descrita no Manual de Boas Práticas. Outro detalhe importante é que os responsáveis pelo ma- nejo do lixo utilizem uniforme diferente dos manipuladores, e ainda estejam sempre protegidos com luvas e avental. Tratando-se de empresa de distribuição de alimentos, o manejo de resíduos deve ser gerenciado através de um POP. Agora é com você! Você sabia que as empresas que não são da rede pública e que fazem a coleta de resíduos, sejam eles sólidos, líqui- dos, semilíquidos ou pastosos (encontrados em tanques de caixa de gordura ou de esgoto, lixo orgânico, óleo quei- mado etc.), precisam indicar em um documento chamado “Manifesto de Resíduos” qual o destino a ser dado aos resíduos recolhidos? O destino pode ser fábrica de sabão, empresas de trata- mento de água e esgoto etc. Nesse documento também deve ser feita a descrição da empresa geradora do re- síduo, da empresa transportadora e da empresa receptora do resíduo. Essa é uma exigência legal. Procure saber se o estabelecimento onde você trabalha cumpre essa exigência e se todos os dados necessários são fornecidos. 17 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Controle dos 3 “A” A presença de pragas é indesejável em estabelecimentos de alimentos, pois elas podem trazer diversos problemas: doen- ças, prejuízos pela necessidade de descarte de produtos, recla- mação e perda de clientes, entre outros. Para que o estabelecimento controle os vetores de contami- nação e as pragas urbanas, deve fazer com que os acessos às áreas de trabalho sejam protegidos; além disso, devem-se eli- minar possíveis abrigos ou esconderijos e evitar que alimentos e água fiquem expostos no ambiente. Esse tipo de controle é chamado de Controle dos 3 “A”: acesso, abrigo e alimento. 18 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Procedimentos de Controle dos 3 “A” Acesso (1) Abrigo (2) Alimento (3) • Instalar telas milimétricas em todas as aber- turas (janelas, grelhas, exaustores e abertu- ras de ventilação). • Cuidar para que calhas e forros não sejam pontos de entrada e esconderijo para roedo- res, usando a calafetagem. • Colocar tampos de fechamento nos ralos, que devem ser sifonados para maior garan- tia. • Colocar molas nas portas e ajustá-las aos ba- tentes, colocando barreiras na parte inferior das portas de acesso às áreas externas. • Excluir os animais das áreas de estocagem, preparo, manipulação e venda de alimentos. • Substituir as lâmpadas fluorescentes da área externa próximas às portas de entrada por luz de sódio, para evitar a atração de insetos noturnos. • Quando aplicável, instalar cortinas de ar nas portas de maior movimentação. Podem ser utilizadas cortinas em tiras de PVC na cor âmbar em locais que necessitem isolamento contra insetos. A cor amarela age como um repelente natural. • Vedar frestas, bura- cos, partes quebradas do piso ou azulejos ou qualquer outro local que possa abrigar pragas. • Não guardar equi- pamentos ou utensí- lios fora de uso nem entulhos e madeiras. • Manter todas as instalações lim- pas. Manter restos de comida em embalagens sempre fechadas (1, 2 e 3) Manter o lixo bem fechado, os recipientes limpos e a área de armazenamento bem protegida (2 e 3). Limpar com frequência as caixas de gordura e mantê-las sempre vedadas (1, 2 e 3). 19 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Controle químico ou físico Depois de tomar todas as providências referentes ao controle dos 3 ”A”, o próximo passo é pensar no controle químico ou físico para eliminar os fo- cos de infestação. Pode-se contratar empresa especializada, devidamente registrada e com profissionais técnicos capacitados. Para garantir um controle mais efetivo, sugere-se examinar regularmente as áreas de trabalho para detectar evidências de infestação. É preciso registrar os tipos de pragas encontradas e, onde elas foram encontradas, definir os responsáveis pelo monitoramento e as ações corretivas perti- nentes. Agora é com você! A empresa terceirizada deve apresentar documentação (registros) que comprove a realização do serviço (ordem de serviço), em que constem: E mais: um certificado de garantia do serviço com prazo de validade ou cronograma dos serviços é fundamental. É importante verificar, ainda, se as validades dos docu - mentos referentes ao controle de pragas estão em dia. Agora é com você! Verifique com seu supervisor se o es - tabelecimento segue todas as recomendações descritas neste curso para o controle de pragas. • nomes dos produtos ou armadilhas utilizadas; • formas de aplicação; • medidas a serem tomadas antes, durante e após a aplicação dos produtos químicos; • utensílios e equipamentos; • formas de proteger as pessoas do local de trabalho. 20Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Localização e leiaute As edificações dos serviços de alimentação e estabelecimentos de comércio atacadista e varejista, assim como os demais que trabalham com alimentos, devem estar localizadas em áreas livres de focos insalubres. Foco insalubre é a presença de lixo, objetos em desuso, animais, insetos, água estagnada, roedores e outros que possam contaminar os produtos ali- mentícios, superfícies, utensílios e embalagens. A planta física e as instalações devem ser de construção sólida, e os mate- riais utilizados não podem transmitir nenhum contaminante aos alimentos. Deve-se garantir também o fluxo ordenado do alimento desde o recebi- mento até a exposição para a venda e/ou distribuição. Isso evita o fluxo cru- zado e a possibilidade de recontaminação dos produtos prontos ou tratados. Em um fluxo ordenado, a trajetória é linear, partindo do recebimento, pas- sando pelo armazenamento e, posteriormente, para os setores de pré-pre- paro, preparo e exposição, ou seja, da área “suja” para a área “limpa”. 21 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Leiaute das edificações O leiaute das edificações deve prever a separação física ou funcional das áreas de trabalho de acordo com as características de cada setor, além de separar áreas críticas como banheiros, depósito de resíduos, casa de máqui- nas, entre outros. É indispensável um sistema eficiente de escoamento de águas residuais com proteção contra pragas. As vias de acesso interno devem estar sempre limpas e ter super- fície dura ou pavimentada, adequada ao trânsito sobre rodas. Além disso, os acessos devem ser diretos, não comuns a outros usos, como habitação, por exemplo, e estar livres de objetos em desuso ou estranhos ao ambiente. É fundamental determinar áreas distintas para recebi- mento de mercadorias, de preferência com docas para veículos, no caso de supermercados, estocagem, produ- ção ou manipulação e exposição à venda. Os materiais tóxicos, explosivos e inflamáveis precisam ser mantidos separa- dos das áreas de produção ou manipulação e armazenamento de alimentos. Deve-se prever espaço adequado nas áreas de preparo e manipulação de alimentos, especificamente para a realização da higienização de equipamen- tos e utensílios. Esse espaço poderá estar fisicamente separado ou dentro dessas áreas, desde que não cause a contaminação dos alimentos por res- pingos ou pela proximidade. Equipamentos e utensílios já higienizados devem ser mantidos em locais apropriados e protegidos de contaminação. 22 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Instalações Para evitar a contaminação dos produtos alimentícios, superfícies, utensílios e embalagens, é importante ter cuidado com alguns itens da instalação do prédio, como pisos e ralos, paredes e divisórias, tetos e forros, portas, jane- las, bancadas e estruturas de acesso. Observe algumas orientações para cada um desses itens. Pisos e ralos Os pisos devem ser de material que permita uma fácil e apropriada higie- nização. Devem ser mantidos limpos e em adequado estado de conserva- ção, sem trincas ou buracos. Os pisos devem ser impermeáveis, lisos, com característica antiderrapante, resistentes ao trânsito, drenados com declive em direção aos ralos ou cana- letas. Um sistema de drenagem corretamente dimensionado e projetado evita o acúmulo ou o refluxo de resíduos. Os ralos devem ser sifonados e possuir tampos dotados de sistema de fechamento opcional que impeça a entrada de pragas vindas da tubulação e evite que elas se alojem no interior do ralo. Os ralos também devem impedir a entrada de resíduos sólidos para evitar entupimentos e mau odor no ambiente. A instalação de telas é uma boa alternativa de proteção nos ralos e canaletas. As canaletas devem cumprir as mesmas exigências relativas aos ralos, além de ser inteiramente revestidas com material que as torne lisas, para evitar o acúmulo de resíduos e facilitar a limpeza. Paredes e divisórias O acabamento liso, impermeável e de fácil higienização é o ideal para pare- des e divisórias, que devem ter uma altura adequada a todas as operações e ser preferencialmente de cor clara. Devem ser mantidas em adequado estado de conservação, livres de rachaduras, trincas, infiltrações, bolores e descascamentos. Para a proteção de quinas, podem-se instalar cantoneiras. Não deve haver aberturas que propiciem a entrada ou o abrigo de pragas entre as paredes e os tetos, e entre as paredes e as cantoneiras. 23 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Tetos e forros Acabamento liso, impermeável, lavável e de cor clara: essas são as exigên- cias básicas para tetos e forros. Aberturas para ventilação — se existirem — devem possuir telas com espaçamento de 2 mm e ser removíveis para a limpeza. Goteiras, fungos, trincas, rachaduras ou descascamentos precisam ser eliminados, pois o estado de conservação de tetos e forros é fundamen- tal para a segurança. Portas As superfícies das portas devem ser lisas, de cor clara, de fácil higienização, de material não absorvente, sem falhas de revestimento, ajustadas aos ba- tentes, com fechamento automático. É recomendável a existência de bar- reiras ou mecanismos de proteção contra a entrada de insetos e roedores. Janelas As janelas devem ter superfície lisa, de fácil higienização, ajustadas aos ba- tentes e sem falhas de revestimento. Devem, ainda, possuir proteção contra a entrada de insetos e roedores (telas de malha de 2 mm ou outro sistema). Além disso, é preciso manter as janelas em adequado estado de conserva- ção, com proteção para que os raios solares não incidam nos alimentos e equipamentos. Bancadas As bancadas das áreas de manipulação de alimentos devem ser de material liso, lavável, resistente e impermeável, preferencialmente em inox. Estruturas de acesso Para evitar contaminação, escadas, elevadores de serviço, monta-cargas e estruturas auxiliares devem ser de material apropriado, resistente, liso e im- permeável, sempre mantidos em adequado estado de conservação. 24 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais A estrutura predial usada para a manipulação e/ou distribuição de alimentos deve possuir instalações que evitem a contaminação e garantam a qualidade dos produtos. Veja a seguir algumas orientações relacionadas às instalações elétricas e iluminação, ventilação e exaustão, esgoto sanitário e caixas de gordura, ins- talações sanitárias e vestiários. Instalações elétricas e iluminação As instalações elétricas devem ser embutidas nas paredes. Quando forem externas, precisam ser revestidas por tubulações isolantes e presas a pare- des ou tetos. A iluminação pode ser artificial ou natural, adequada à ativi- dade desenvolvida, sem ofuscamento, reflexos fortes, sombras ou contrastes excessivos. As luminárias devem possuir proteção adequada contra explosão e quedas acidentais nas áreas de manipulação ou onde houver risco de contaminação. Devem ser mantidas em adequado estado de conservação e limpeza. Ventilação e exaustão A ventilação e a circulação de ar devem proporcionar conforto térmico e renovação de ar no ambiente. O mecanismo de ventilação/exaustão pode ser natural ou mecânico, a fim de minimizar a contaminação dos alimentos pelo ar através de aerossóis e gotas de condensação. A boa circulação de ar evita problemas como impregnação de gorduras no teto, nas pinturas e luminárias, bem como minimiza riscos de incêndio. Podem ser instalados sistemas de exaustão dotipo individual ou centralizado (coifa adaptadora, filtro, exaustores, chapéu etc.). O importante é que o am- biente fique livre de fungos, gases, fumaça, poeira, partículas em suspensão e condensação de vapores. Os sistemas de ventilação devem ser projetados e construídos de tal forma que o ar não circule das áreas contaminadas para as limpas. Além disso, o Requisitos da estrutura física 25 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais fluxo de ar de aparelhos ventiladores ou climatizadores não deve incidir di- retamente sobre os alimentos. A manutenção periódica, a limpeza e a troca de filtros dos equipamentos de exaustão e de climatização devem ser registradas conforme determinação da legislação. Por exigência legal, em locais de armazenamento de alimen- tos pode ser necessário realizar o controle da umidade do ar para garantir a qualidade dos alimentos. Esgoto sanitário e caixas de gordura As caixas de esgoto e de gordura não podem ficar dentro das áreas de produção de alimentos. Caso contrário, deverão ser mantidas vedadas. O sistema deve ter escoamento adequado e possuir dimensão compatível com o volume de resíduos. O esgoto precisa ser ligado à rede pública ou previa- mente tratado para ser eliminado de acordo com as recomendações. A limpeza das caixas de gordura deve ser realizada periodicamente para evi- tar entupimentos ou refluxos. Além disso, recomenda-se verificar seu estado de conservação e funcionamento com frequência. O descarte dos resíduos deve atender o disposto em legislação específica. As companhias públicas de água e esgoto recomendam descarte por bombeamento (sucção) com caminhões destinados a esse fim. Outra maneira mais simples é retirar os resíduos de gordura em sacos de lixo e descartá-los em lixo comum. Caixas de passagem são permitidas dentro das áreas de produção, desde que mantidas limpas de acordo com a recomendação das companhias públicas responsáveis. Em geral, são localizadas abaixo dos tanques de lavagem e retêm o excesso de resíduos que sobrecarregariam a caixa de gordura ex- terna. Nessas caixas de gordura, existem cestas coletoras removíveis para possibilitar o descarte dos resíduos no lixo comum. Instalações sanitárias e vestiários As instalações sanitárias e vestiários usados pelos profissionais de serviço devem ter separação por sexo, estar em bom estado de conservação e ser 26 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais suficientes para o número de empregados – no mínimo um vaso sanitário e um chuveiro para cada 20 pessoas do mesmo sexo, no mesmo turno. Não podem ter comunicação direta com as áreas de preparação, manipulação, armazenamento e refeitório. As portas externas precisam ser dotadas de fechamento automático. Os vasos sanitários devem dispor de descarga com bom funcionamento, tampa e assento. As instalações devem apresentar os seguintes itens: • papel higiênico e lixeiras com tampa e sem acionamento manual; • lavatórios para higienização das mãos abastecidos com sabonete líquido, inodoro e antisséptico, ou sabão líquido inodoro e produto antisséptico; • toalha de papel não reciclado ou outro sistema higiênico e seguro para secagem das mãos; • sistema de ventilação natural (janelas com proteção de telas, no caso de a edificação ser a mesma ou próxima das demais áreas) ou sistema mecânico por exaustão forçada; • armários individuais bem conservados; • piso, parede e teto com as mesmas orientações descritas anterior- mente para as demais instalações. Os banheiros utilizados pelo público devem possuir os mesmos requisitos descritos para as instalações sanitárias usadas pelos profissionais, porém o sabão pode ter perfume; não se exigem produtos com ação bacteriostática ou bactericida, nem gel bactericida. Nos estabelecimentos onde não há consumo de alimentos, não se exige ins- talação sanitária para o público. No entanto, é importante consultar a legis- lação da localidade. É recomendável disponibilizar, no mínimo, um lavatório para a lavagem das mãos. 27 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 3: Infraestrutura e aspectos ambientais Nesta unidade, conhecemos os procedimentos de controle da potabilidade da água, entre eles a higienização de reservatórios de água, além de proces- sos que garantem a segurança da água para consumo e produção de gelo e de vapor. Identificamos também critérios e orientações de manejo de resíduos sólidos e líquidos. Por fim, reconhecemos a importância de realizar o controle inte- grado de vetores e pragas urbanas. Na próxima unidade, trataremos das matérias-primas, ingredientes e emba- lagens dos alimentos. Vamos lá! Re su min do! Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição Matérias-primas, ingredientes e embalagens 2 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens Considerando que os consumidores devem ter os seus direitos aten- didos em cumprimento ao Código de Defesa do Consumidor, as em- presas de serviços de alimentação ou distribuição de alimentos de- vem utilizar matérias-primas e ingredientes não perigosos ou nocivos à saúde e que apresentem informações claras sobre a composição, a qualidade, o preço e a quantidade. Portanto, é fundamental realizar uma seleção criteriosa dos fornece- dores, optando por aqueles que já adotem as boas práticas ou outros sistemas que garantam a qualidade e a segurança dos produtos for- necidos. Vamos iniciar o estudo desta unidade refletindo sobre a história de Maria, uma empresária que decidiu fazer negócio com um frigorífico. Acompanhe a história e analise se ela fez um bom negócio! Maria, proprietária de um supermercado, estava feliz, pois havia encontrado um frigorífico com carne a um preço bem baixo para revender. No entanto, o que Maria não sabia é que o frigorífico não era legalizado e, por isso, a carne não era inspecionada pela vigilância sanitária e as condições de higiene eram bem pre- cárias. Situação inicial 3 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens Qual é sua opinião: Maria fez um bom negócio? Para responder à pergunta, você deverá estudar o conteúdo que apresentamos nesta unidade. 4 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens Alguns cuidados a serem tomados em relação aos fornecedores são: 1. Contatar o produtor ou fornecedor solicitando respostas por telefone, e-mail, entre outros, para criar um cadastro detalha- do. Realizar visitas às instalações dos fornecedores, sempre que possível, com o objetivo de verificar as condições existentes e solicitar as adequações mínimas necessárias para garantir o fornecimento de produtos nos níveis de qualidade e segurança requeridos. É fundamental entender que o propósito é amigável e tem o objetivo de estabelecer uma parceria para a relação comercial, e não realizar uma fis- calização. Seleção de fornecedores Saiba Mais! Os requisitos que as indústrias, os processadores e distribuidores de alimentos devem seguir estão presentes na Resolução RDC 275 da Anvisa que disponibiliza uma lista de verificação (check-list) que pode ser utilizada como ferramenta nas visi- tas realizadas. Quando não for possível ir até os fornecedores, podem-se realizar visitas virtuais solicitando o envio de fotos ou filmagens, muitas vezes disponíveis em sites (fábrica, produtor ou distribuidor). Acesse a Resolução RDC 275 da Anvisaneste endereço: http://anvisa.gov.br/legis/ resol/2002/275_02rdc 5 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens 2. Solicitar amostras para testes de uso e análises labora- toriais. Outra alternativa é solicitar laudos de análises dos produtos a serem adquiridos, estabelecendo a frequência para o recebimento desses laudos, em caso de aprovação. No caso de materiais de embalagens que tenham contato direto com alimentos, solicitar documentações que com- provem que os materiais utilizados não são tóxicos e que não há migração de componentes químicos indesejados. Agora é com você! Você sabe dizer se o seu estabelecimento utiliza alguns dos cuidados citados para selecionar os fornecedores? Informe-se a respeito. 6 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens Recebimento de produtos O recebimento de produtos pode ser realizado no ponto comercial ou através de uma central de distribuição, em área protegida de intempéries como sol, chuva, poeira. Os gêneros devem ser inspecionados seguindo critérios preestabelecidos pela legislação e pela própria empresa. Se houver qualquer não conformidade, os produtos de- vem ser devolvidos imediatamente ou separados e iden- tificados para devolução posterior. A equipe de recebimento deve estar devidamente capacitada e a empresa deve dar as condições necessárias para a realização da avaliação. Por exemplo, é necessário adquirir termômetros e disponibilizá-los nos se- tores onde há monitoramentos, orientar a equipe a utilizá-los corretamente, garantir que estejam devidamente calibrados, entre outras iniciativas. 7 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens Procedimentos para recebimento de produtos Para realizar o recebimento adequado de produtos, observe os procedimen- tos que devem ser adotados: • conferir a entrega e o peso, comparando com o pedido e com a nota fiscal; • receber os produtos devidamente embalados e rotulados. É importan- te conhecer a origem do produto, as condições de cultivo ou captura, industrialização, armazenamento e transporte dos insumos utilizados nos produtos, por isso não aceite receber nenhum produto sem a identificação completa e de fornecedores idôneos; • dispor estrados para apoiar as caixas e carrinhos para transporte, evitando colocá-los diretamente no piso; • avaliar as condições dos veículos de entrega: » os compartimentos para transportar alimentos e substâncias estranhas devem ser diferentes para evitar contaminação; » a cabine do condutor deve ser isolada da parte utilizada para transportar alimentos; » no lado esquerdo do veículo devem ser colocadas identificação (“Transporte de alimentos”) e informações como nome, ende- reço e telefone da empresa. Quando for o caso, também deve estar escrito: “Produto Perecível”; » a documentação concedida por autoridade sanitária deve estar disponível; » devem estar em perfeito estado de conservação e higiene, sem evidências da presença de insetos, roedores e pássaros. Não devem ter vazamentos, umidade e odores que possam compro- meter os alimentos transportados; 8 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens » devem ser revestidos de material liso, resistente, impermeável, atóxico e lavável; » havendo equipamento de refrigeração, devem garantir o trans- porte em temperatura adequada e portar o equipamento para controle da temperatura. A carga deve ser organizada visando sempre uma boa distribuição de frio. Observação: para conhe- cer mais sobre exigências no transporte de alimentos, consulte as legislações pertinentes ao seu estado. • avaliar a apresentação pessoal dos entregadores, que deverão estar com uniforme adequado e limpo; • reduzir ao máximo o tempo de espera sem refrigeração para alimen- tos resfriados e congelados. Levar para armazenamento primeiro os alimentos refrigerados, depois os congelados e, por último, os de tem- peratura ambiente, no caso de haver entrega simultânea; • proibir o acesso de caixas de papelão nos espaços de preparação de alimentos, devendo ser previamente descartadas. Os conteú- dos devem ser transferidos para caixas plásticas limpas e nunca colocados no piso sem que haja estrado ou carrinho. As informa- ções de origem devem ser mantidas nos produtos para garantir a rastreabilidade. Por exemplo, pode-se recortar a parte da caixa de papelão que contém as informações do produto (nome do produ- to, produtor, data de fabricação, data de validade etc.) e colocá-la acondicionada em uma caixa plástica junto ao produto. Outra alterna- tiva seria transcrever as informações para uma etiqueta; • conferir as datas de validade e fabricação e as demais informa- ções de rotulagem: nome, composição do produto, lote, núme- ro de registro no órgão oficial (quando for o caso), CNPJ, endere- ço do produtor e/ou fracionador e/ou importador, condições de armazenamento e quantidade, e as informações que permitam identi- ficar a origem do produto. No caso de produtos importados, é obriga- tória a presença de etiqueta com informações pertinentes ao produto 9 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens em língua portuguesa. Não aceite receber nenhum produto sem a identificação completa e de fornecedores idôneos; • verificar as condições sensoriais do produto: cor, odor, aparência, tex- tura; • observar as condições das embalagens dos produtos, que deverão estar: limpas e íntegras, isto é, sem danos, aberturas indesejáveis, amassamento, ferrugem, sujidades, umidade anormal, emboloramen- to, vestígios de insetos etc. Verificar, também, se as embalagens estão protegidas de contaminação pelo ambiente ou pela forma de trans- porte, como poeira, derramamentos, contaminação cruzada etc; • adquirir as embalagens descartáveis após comprovação de que não transmitam contaminantes aos alimentos. É importante ter a informa- ção de como as embalagens podem ser utilizadas, pois existem al- guns materiais que não podem ser colocados no freezer e outros que não podem ser usados no micro-ondas, por exemplo. As embalagens devem ser recebidas bem acondicionadas para garantir que não te- nham sido contaminadas desde a origem; • medir as temperaturas dos produtos no recebimento, conferindo com a recomendação do fornecedor que consta nos rótulos. No caso de congelados, por exemplo, estes deverão estar “duros como pedra” e sem sinais de descongelamento. 10 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens A etapa de armazenamento é muito importante, pois pode interferir na qua- lidade dos produtos, caso não sejam cumpridos os critérios de segurança em cada tipo de armazenamento: a seco, refrigerado e congelado. Para o armazenamento de produtos alimentícios, os critérios de segurança operacionais gerais são: • separar produtos impróprios para o consumo, ou colocá-los em local específico para que seja realizada a troca, mantendo-os identificados; • não armazenar produtos vencidos; • dispor os produtos obedecendo à data de validade. Os produtos com validade mais próxima devem ser posicionados de forma a serem utili- zados em primeiro lugar, ou seja, o sistema PVPS (Primeiro que Vence é o Primeiro que Sai) ou PEPS (Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai) para os FLV (Frutas, Legumes e Verduras), por exemplo; • manter empilhadeiras, carros elétricos e plataformas móveis em bom estado de conservação e limpeza. Armazenamento 11 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens Os depósitos devem estar sempre limpos e secos, possibilitando que os pro- dutos se mantenham secos para evitar perdas e contaminação. Outras recomendações envolvem as condições de luz, umidade e tempera- tura, e arrumação dos produtos. Armazenamento a seco * Mesmo que estejam bem lavadas, as embalagens de produtos de limpeza nunca devem ser reaprovei-tadas para armazenar outro produto, seja ele alimentício ou químico, porque podem acontecer acidentes e contami- nações. Por exemplo: se você armazenar um produto à base de cloro em uma gar- rafa de refrigerante, alguém poderá ingeri-lo por engano; se você colocar soda cáustica em um frasco de álcool 70%, alguém poderá borrifar esse pro- duto altamente tóxico em uma superfí- cie que entrará em contato direto com alimentos. Atenção! 12 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens Critérios para armazenamento a seco Os critérios que devem ser adotados no processo de armazenamento a seco de produtos são os seguintes: • as condições de luz solar, umidade e temperatura não devem prejudicar a validade estabelecida pelos produtores. A luz solar não deve incidir diretamente sobre os produtos estocados, pois pode causar alterações indesejáveis. Se a umidade re- lativa do ar estiver entre 50% e 60%, os produtos terão melhores condições de estocagem. A temperatura ambiente máxima ideal é de 26ºC; • a arrumação dos produtos nas prateleiras ou sobre estrados deve possibilitar boa circulação do ar e facilidade para a higiene do local. Portanto, é recomendado respeitar algumas distâncias: a) dos pisos: 20 cm; b) dos estrados para as paredes: no mínimo 30 cm (para possibilitar a circulação de ar e o acesso em caso de necessidade (como para operações de controle de pragas e higiene); c) do forro ou teto: 60 cm; • a presença de tubulações de água e esgoto nos depósitos deve ser evitada, assim como a presença de ralos. Caso haja ralos, estes deverão ser mantidos com tampos de fechamento ou com telas milimétricas; • as portas dos depósitos devem possuir molas ou ser mantidas fechadas; • os produtos químicos e de limpeza devem ser armazenados separadamente dos alimentos e dos descartáveis. O ideal é que a empresa possua uma área completa- mente separada para os produtos de limpeza, mas se a quantidade não justificar, ou se não houver outra forma, pode-se providenciar um armário fechado para a guarda exclusiva desses produtos; • os produtos devem permanecer alinhados, respeitando-se o empilhamento recomendado pelo fabricante/produtor; • os materiais descartáveis devem ser mantidos em locais específicos e em suas embalagens primárias até o momento do uso, para evitar contaminação. 13 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens Armazenamento sob refrigeração Para que os alimentos sob refrigeração sejam armazenados e mantidos na temperatura adequada, alguns critérios devem ser obedecidos: • Todo equipamento de refrigeração deve possuir termômetro pró- prio. • A rede de refrigeração deve ser adequada ao volume e aos di- ferentes tipos de produtos. Nesse caso, para o armazenamento, deve-se considerar o alimento que necessitar de menor tempe- ratura (em geral entre 0 e 5ºC), e devem ser realizados monito- ramento e registro, preferencialmente de maneira automática. • O equipamento de refrigeração deve ser organizado. Todos os gêneros devem ser identificados adequadamente. • Quando houver armazenamento simultâneo de produtos diferen- tes, deve-se ter um sistema de arrumação para evitar a conta- minação cruzada. Nas prateleiras superiores, ficam os produtos prontos para consumo; os crus ficam nas prateleiras mais baixas, devidamente separados entre si; nas prateleiras do meio, ficam os semiprontos. • Todo produto manipulado deve ter identificação, que pode ser feita com etiqueta que contenha o nome do produto e as da- tas de manipulação e de validade, de acordo com a RDC nº 216 da Anvisa (http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2004/ rdc/216_04rdc.htm). Em produtos industrializados, é importan- te manter a rastreabilidade. Após sua abertura, também devem exibir etiqueta contendo nome do produto, data da manipulação ou abertura, data da validade, fabricante, data de fabricação, lote. Como alternativa, a empresa pode usar somente os três primeiros itens e manter o rótulo de origem junto ao produto. 14 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens • De acordo com a RDC nº 216/Anvisa, o prazo de validade de produtos preparados é de até 5 dias, se a temperatura de manutenção for de até 4ºC. Portanto, se o refrigerador estiver em temperatura mais alta o prazo deve ser reduzido. • Não estocar alimentos sob condensadores e evaporadores. • Não desligar os equipamentos de refrigeração para economizar ener- gia. Essa prática, além de prejudicar muito os alimentos armazenados, dá uma falsa impressão de economia. Quando todos os equipamentos são religados há uma sobrecarga de energia, o que eleva o consumo de energia e desgasta os equipamentos. As temperaturas dos equipamentos de conservação a frio, como refrigerado- res, câmaras ou freezers devem ser monitoradas diariamente e, caso não es- tejam dentro dos limites estabelecidos, devem ser tomadas ações corretivas. Os critérios a serem obedecidos no armazenamento de alimentos congela- dos são os seguintes: 1 - A temperatura ideal não deve ser superior a -18ºC. 2 - Não recongelar alimentos descongelados. 3 - Descongelar os equipamentos regularmente, mas fazer as transferên- cias dos alimentos para outro equipamento antes de iniciar o processo. 4 - Caso seja necessário utilizar o mesmo equipamento para armazenar diferentes tipos de alimentos, mantê-los embalados, separados e identi- ficados. 5 - Se o equipamento de frio não apresentar temperatura segura, deve- -se fazer sua manutenção e identificar as causas do problema. É possível que haja falhas de regulagem no termostato, dano nas borrachas ou no sistema de fechamento das portas, ou ainda o equipamento pode estar cheio demais. 15 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens Termômetros de alimentos O uso de termômetro é fundamental para o monitoramento dos critérios de segurança estabelecidos, do recebimento de matérias-primas à distribuição dos alimentos. Observe, a seguir, alguns critérios a serem adotados na esco- lha e na utilização de um termômetro de alimentos. 1 – Escolhendo o termômetro Solicite ao seu supervisor que lhe forneça um termômetro de alimentos com as seguintes características: termômetro de perfuração, com haste metálica de aço inoxidável e pontiaguda, utilizado para medir a temperatura interna dos alimentos (em geral o centro geométrico). Deve ter a capacidade de medir faixas suficientes de temperatura. Em geral, nas cozinhas utilizam- -se termômetros que medem de -50ºC a +150ºC. Existem termômetros de infravermelho que são utilizados pelos restau- rantes, porém esses não medem a temperatura interna dos alimentos, só medem a temperatura superficial e não há necessidade de contato entre o termômetro e a superfície. A leitura é feita pelo sistema de mira. Servem também para avaliar a temperatura de pistas frias, geladeiras e freezers ins- tantaneamente. Os números aparecem no visor do aparelho. Medem tempe- raturas entre -30ºC e 200ºC. Existem também termômetros que podem ser instalados em equipamentos como geladeiras e freezers. Nesse caso, o fabricante pode orientar como fazer a instalação. Em geral, o cabo sensor fica no interior do equipamentoe o visor fica no exterior, facilitando a verificação das temperaturas. Como alternativa, pode-se adquirir termômetros mais acessíveis, que medem de -30ºC a + 30ºC, com ganchos para serem pendurados no interior dos equi- pamentos. Atenção: é importante saber que não se devem utilizar termômetros de vidro ou mercúrio nas cozinhas devido ao perigo de contaminação dos ali- mentos por partículas de vidro ou pelo mercúrio, em caso de quebra. 16 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens 2 – Utilizando um termômetro A verificação das temperaturas nos diferentes alimentos deve ser feita da seguinte forma: • para alimentos fora da embalagem (carnes, aves e peixes) – inserir o termômetro na parte mais espessa (em geral o centro); • para alimentos embalados (refrigerados) – colocar a haste do termô- metro entre duas embalagens sem perfurá-las; • para líquidos refrigerados em frascos ou embalagens longa vida (io- gurte, creme de leite fresco) – colocar a haste do termômetro no interior do produto sem tocar as paredes e o fundo da embalagem (é necessário abrir uma das embalagens para realizar a medição). Observação: a haste do termômetro deve ser higienizada, antes e após o uso, com álcool 70% e o auxílio de papel descartável. 3 – Calibração dos termômetros Lembre que se devem calibrar os termômetros pelo menos uma vez ao ano, conforme detalhado no conteúdo geral de Boas Práticas, no item “Manuten- ção preventiva e calibração de equipamentos”. 17 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 4: Matérias-primas, ingredientes e embalagens Nesta unidade, vimos que as empresas de serviços de alimentação e dis- tribuição de alimentos devem utilizar matérias-primas e ingredientes não perigosos ou nocivos à saúde. Compreendemos que, para isso, é importante realizar uma seleção criteriosa dos fornecedores, optando por aqueles que já adotem sistemas para garan- tir a qualidade e a segurança dos produtos fornecidos. Pudemos reconhecer que cuidados devem ser tomados na seleção dos fornecedores. Além disso, identificamos critérios de segurança operacionais a serem adotados no rece- bimento e armazenamento de produtos. Na próxima unidade, veremos os critérios de segurança em serviços de ali- mentação e distribuição em diferentes estabelecimentos, com base nas exi- gências higiênico-sanitárias descritas pela ANVISA. Re su min do! Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição Critérios de segurança para serviços de alimentação e distribuição: restaurantes, lanchonetes, bares e similares. 2 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Desde 2004, a RDC nº 216/Anvisa (http://www.anvisa.gov.br/legis/re- sol/2004/rdc/216_04rdc.htm) descreve as exigências higiênico-sanitárias de empresas de serviços de alimentação. Com base em suas determinações, vamos descrever os critérios adotados nas várias etapas operacionais das empresas que podem compor esse universo ̶ restaurantes, lanchonetes, bares e similares. Após seguir os critérios das etapas operacionais já estudadas – seleção de fornecedores, recebimento e armazenamento de mercadorias –, é neces- sário verificar outros procedimentos a serem realizados na elaboração de preparações que podem ocorrer nos estabelecimentos em questão. No fluxograma de produção de alimentos de um típico serviço de alimen- tação, estão as etapas específicas de processo, que são: descongelamento, dessalgue, manipulação, armazenamento de produtos pré-preparados, hi- gienização de hortifrútis, cocção, manipulação, resfriamento, reaquecimen- to, manutenção quente ou manutenção fria e distribuição. A seguir, vamos caracterizar cada uma dessas etapas. Lembre-se dos critérios de segurança necessários para compra, recebimento e armazenamento de matérias-primas, insumos e embalagens, estudados na unidade anterior, e aplique-os. 3 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Fluxograma de produção – serviços de alimentação Armazenamento de produtos pré-preparados Recebimento de insumos Armazenamento de insumos Descongelamento Dessalgue Manipulação Higienização de hortifrútis Cocção Manipulação Resfriamento Reaquecimento Manutenção Distribuição 4 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Descongelamento O descongelamento deve ser conduzido de forma que a superfície do ali- mento não alcance temperatura superior a 5ºC em qualquer dos métodos escolhidos. Os métodos mais empregados são sob refrigeração (o mais seguro) ou no micro-ondas (para preparo imediato). Alguns produtos congelados podem ser cozidos ou fritos sem passar pelo descongelamento, como batatas pré-fritas e hambúrgueres, entre outros. Dessalgue O dessalgue pode ser realizado de uma das seguintes formas: • por fervura (se o alimento for preparado em seguida); • em água fria (máximo 21ºC), com trocas de quatro em quatro horas; • em água sob refrigeração (método mais seguro). Manipulação No caso de matérias-primas e ingredientes industrializados, as embalagens devem ser lavadas antes de sua abertura e as peças abertas devem ser mantidas protegidas com sacos plásticos ou filmes, ou ainda em recipientes limpos e identificados com as informações pertinentes. Nome do produto, data de abertura e data de validade. Além da etiqueta, é recomendável manter a embalagem de origem ou o rótulo de origem para garantir a rastreabilidade, em caso de necessidade. 5 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança * Orientação sobre o tempo de exposição de alimen-tos. O tempo de exposição de alimentos perecíveis em temperatura ambiente deve ser de, no máximo, 30 minutos para cada lote em manipulação. Então, não tire da geladeira mais quantida- de do que o necessário para trabalhar nesse tempo. Caso o ambiente esteja climatizado com temperaturas entre 12ºC e 18ºC, o tempo de manipulação não deve exce- der duas horas. Atenção! A higiene é também fundamental para garantir a segurança dos alimentos manipulados. Portanto, verifique se as superfícies do ambiente e em contato com os alimentos foram lavadas e desinfetadas antes do uso. 6 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Armazenamento de produtos pré-preparados Os produtos pré-preparados, caso não sejam finalizados imediatamente após o pré-preparo, devem ser armazenados sob refrigeração ou congelamento, para que as bactérias não proliferem nos alimentos. A temperatura de refrigeração ideal vai até 5ºC e, no caso de congelamento, a temperatura deve ser de -18ºC, como já vimos. Os prazos de validade dos produtos pré-preparados ou dos retirados de suas embalagens originais devem ser definidos pelo estabelecimento, quando não houver indicação do fabricante. Para auxiliar a etiquetagem dos produtos, podem ser elaboradas tabelas com os prazos definidos. Não há legislação para os prazos de validade de produtos congelados, mas a Portaria CVS-6, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, estabelece um prazo máximo de três meses, desde que o alimento esteja a temperaturas de -18ºC ou menos. No caso dos alimentos conservados sob refrigeração, quando não há indi- cação do fabricante, pode-se adotar os critérios da RDC nº 216/Anvisa para alimentos prontos ao consumo, que estabelece um prazo máximo de cinco dias, desde que o armazenamento seja feito à temperatura máxima de 4ºC. 7 Boas Práticaspara Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Higienização de hortifrútis Frutas, legumes e verduras que serão consumidos crus devem ser higienizados, ou seja, lavados e sa- nificados. A lavagem deve ser feita em água corrente e tem por finalidade retirar terra, sujeiras, parasitas e insetos. A sanificação elimina ou reduz bactérias e outros mi- crorganismos a níveis aceitáveis. Deve ser realizada com solução clorada ou outros produtos existentes no mercado, como os que são à base de peróxidos. Os produtos devem ficar em imersão por 15 minutos na solução clorada com concentração entre 100 ppm e 200 ppm e, depois, enxaguados, conforme a orientação dos fabricantes dos produtos utilizados. Caso seja utilizada água sanitária, utiliza-se uma colher de sopa para cada litro de água, correspondendo a 200 ppm. A água sanitária pode ser utilizada desde que haja essa indicação no rótulo da embalagem e notificação ou registro no Ministério da Saúde. Nem toda água sanitária é apropriada para alimentos, pois muitas possuem hidróxido de sódio, além do hipoclorito de sódio e água, em sua composição. 8 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança A pré-lavagem de hortifrútis deve ser feita em água potável e em local apro- priado. Para o preparo desses gêneros, deve ser realizada a higienização completa, que compreende: Não necessitam de desinfecção: • frutas cujas cascas não são consumidas, tais como: laranja, mexerica, banana e outras, exceto as que serão utilizadas para suco; • frutas, legumes e verduras que irão sofrer ação do calor, desde que a temperatura no interior atinja no mínimo 70ºC; • quando aplicável, os alimentos consumidos crus devem ser subme- tidos ao processo de higienização a fim de reduzir a contaminação superficial; 1) Retirar o talo, no caso de fo- lhosos. 2) Lavagem criteriosa com água potável (folha a folha ou um a um). 3) Desinfecção: imersão em solu- ção clorada (100 a 200 ppm) por 15 minutos. 4) Enxaguar sob água corrente, com auxílio de escorredor. 9 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança • os produtos utilizados na higienização dos alimentos devem estar re- gularizados no órgão competente do Ministério da Saúde e ser aplica- dos de forma a evitar resíduos no alimento preparado. Atenção: se as frutas forem higienizadas e cortadas com antecedência, devem ser mantidas sob refrigeração ou congelamento devidamente iden- tificadas em potes ou cubas. Utilizar utensílios (pegadores) higienizados, trocando-os a cada quatro horas. Sucos e refrescos devem ser mantidos em equipamentos previamente lavados e sanificados. 10 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Cocção A temperatura usada nos produtos assados, cozidos, grelhados ou fritos deve ultrapassar 70ºC em todas as partes para garantir a segurança para o consumo. Cuide para que a temperatura do óleo de fritura não ultrapasse 180ºC e para que não haja forma- ção de fumaças escuras e nem de espuma. A cada utilização, é importante realizar uma filtração do óleo para retirada dos resíduos. É importante também lavar a panela ou fritadeira, pois ficam resíduos aderidos nas paredes. O óleo deve ser trocado com frequência, considerando as condições em que estiver e a saturação. Farinhas são exemplos de resíduos facilmente encontrados em óleo de fritu- ra, que fazem a temperatura do óleo superaquecer, queimando e formando as fumaças negras. Saiba Mais! Você sabe o que é saturação do óleo? A estrutura química do óleo é bastante longa, mas, se for superaquecida, ela se quebra, formando pequenos radicais chamados radicais livres. Esse processo é chamado de saturação do óleo. Além de prejudicar a saúde, os radicais livres são can- cerígenos. Você pode verificar o nível de saturação do óleo utilizando produtos específicos à venda no mer- cado. 11 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Manipulação Após a higiene de frutas, legumes e verduras, ou o tratamento térmico de alimentos, muitas são as tarefas que requerem a manipulação dos alimen- tos, como a montagem de saladas e sanduíches, o preparo de um suco, o porcionamento, ou envase, de alimentos para cubas de servimento, entre outras. No preparo das saladas e pastas, é mais seguro realizar as misturas com os ingredientes previamente refrigerados. Portanto, coloque tudo na geladeira com bastante antecedência. Vai ser muito mais seguro. Tratando-se de alimentos perecíveis, deve-se respeitar o tempo de expo- sição em temperatura ambiente. O tratamento térmico elimina as formas vegetativas de microrganismos patogênicos que antes poderiam estar nos alimentos in natura. Portanto, para evitar uma recontaminação do alimento, a etapa de envase deve ser feita de forma criteriosa. * Outros cuidados a serem tomados durante a fase de manipula-ção. Os produtos devem ser protegidos uti-lizando-se filmes plásticos, tampas ou outras formas alternativas. Fique Atento! Os utensílios devem ser trocados com frequência, em geral a cada quatro ho- ras, para evitar a multiplicação bacte- riana. Além disso, devem ter cabos lon- gos para evitar que entrem em contato com o conteúdo, evitando a contamina- ção. Lembre-se! A higiene das superfícies e das mãos também é fundamental na etapa de manipulação. 12 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Resfriamento Após o tratamento térmico, algumas preparações servidas frias ou que não serão consumidas no mesmo turno devem ser resfriadas para que possam ser consumidas com segurança. A forma adequada de se realizar o resfriamento é pelo método forçado, utilizando um resfriador (blast-chiller), câmara ou freezer, banho de gelo ou banho por redução de porções com refrigeração ou congelamento posterior. O importante é que o critério de segurança seja cumprido de acordo com o estabelecido pela legislação. Saiba Mais! Procedimento de resfriamento Coloque os produtos para resfriar antes de atingir 60ºC. Em menos de duas horas, eles devem alcan- çar 10ºC. Nessa temperatura, podem ser cobertos, etiquetados e levados para a manutenção fria ou congelamento. É fundamental o uso de um ter- mômetro de alimentos para realizar esse controle. 13 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Reaquecimento Alimentos que serão servidos quentes e que foram resfriados, ou que apre- sentarem temperaturas inferiores a 60ºC, devem ser reaquecidos a 70ºC no centro geométrico (a parte central da porção do alimento). Manutenção quente ou manutenção fria As etapas de manutenção são aquelas que preservam alimentos já prontos para consumo, mas que acontecem antes da exposição para o consumidor. Os produtos a serem comercializados quentes devem ser mantidos em temperatura superior a 60ºC por até seis horas, para a venda ou o consumo. A manutenção da temperatura pode ser realizada em balcões térmicos, banho-maria, rechauds, vitrines térmicas e similares. 14 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Distribuição Na etapa de distribuição, os alimentos saem da manutenção e vão para a exposição junto aos clientes. No sistema de distribuição à la carte ou self- -service (balcões de autosserviço), os produtos quentes devem ser mantidos acima de 60ºC por até seis horas (descontando-se o tempo que permanece- ram na manutenção). Os produtos frios devem permanecer abaixo de 10ºC por até duas horas (ou de acordo com as legislações locais). Outro cuidadoimportante na etapa de distribuição diz respeito às barreiras de proteção, que devem impedir a contaminação dos alimentos pelos próprios clientes. Alguns produtos servidos quentes esfriam com grande rapi- dez, como, por exemplo, farofa, empadas, salgados fritos e assados, pão de queijo, etc. A garantia da segurança para esses produtos também pode ser obtida pelo controle do tempo de exposição, desde que comprovadamente seguro. De acordo com a norma ABNT NBR 15635:2008, o tempo de exposição para esse tipo de produto é de até três horas (ou de acordo com as legislações) em locais específicos, descontando-se o tempo que o alimento permanece na manutenção quente, antes da exposição. Os estabelecimentos devem definir e validar seus prazos de segurança de acordo com cada produto e necessidade específica. Porém, vale lembrar que quanto menor o tempo de exposição, maior a segurança do alimento. 15 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança * No serviço self-service, em cada produto, deve ser colocado um talher para evitar contaminação cruzada, respeitando-se também a tro-ca ou lavagem do utensílio a cada qua-tro horas. Um cuidado especial deve ser dado a alimentos comercializados em “quen- tinhas” ou “marmitas”, preparadas, muitas vezes, pelos próprios clientes. Fique Atento! Recomenda-se colocar nessas em- balagens uma etiqueta com prazo de validade e formas seguras de arma- zenamento, instruindo o consumidor quanto aos cuidados com a segurança dos alimentos. Algumas empresas optam por infor- mar apenas que o consumo do alimen- to deve ser realizado de imediato. Saiba Mais! Outra forma de distribuição é o transporte. Há hoje uma grande tendência para serviços de delivery (entrega) de alimentos. Os cuidados essenciais de- vem ser mantidos para se evitar a contaminação do alimento e a manutenção em temperaturas ina- -dequadas. Alimentos transportados podem ser contaminados em baús de motos que transportam outros produtos, não alimentícios, ou que não pas- sam por higienização frequente. Muitas vezes, não há como monitorar a tempera- tura dos alimentos quando chegam a seu destino, mas o tempo entre a saída da empresa e a chegada até o cliente deve ser o menor possível. As cozinhas industriais que realizam o transpor- te de alimentos devem possuir recursos humanos e meios adequados, como caixas térmicas, para monitoramento da temperatura dos alimentos na saída e na chegada ao cliente, além do tempo. 16 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Neste segmento, conhecemos os critérios de segurança que devem ser ado- tados por restaurantes, lanchonetes, bares e afins em serviços de alimen- tação e distribuição, com base nas exigências higiênico-sanitárias descritas pela ANVISA. Identificamos os principais cuidados relacionados aos fornecedores, ao ar- mazenamento de produtos pré-preparados, à higienização de hortifrútis, à cocção, manipulação, resfriamento e reaquecimento de alimentos. Por fim, vimos algumas orientações relacionadas à distribuição de alimentos.Re su min do! Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição Critérios de segurança para serviços de alimentação e distribuição: rotisserias, delicatéssens e lojas de conveniência 2 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança As rotisserias e similares comercializam pratos prontos para o con- sumo, em geral, com preço inferior aos encontrados em restau- rantes, atraindo o consumidor ávido por praticidade, economia e tempo. Muitos mercados também estão optando por ofertar produtos pron- tos aos consumidores em espaços diferenciados, tais como cafés, docerias, lanchonetes, pizzarias, serviços de café da manhã e ou- tras especialidades. Esses estabelecimentos ou setores necessitam de instalações físi- cas específicas, assim como ocorre nas cozinhas de restaurantes. Devem, ainda, conhecer as exigências legais, inclusive no que se refere aos cuidados de manipulação para garantir a segurança dos alimentos. Para estabelecimentos de rotisserias e similares, a legislação é diferente daquela que rege os supermercados, distribuidores e indústrias. As exigên- cias são ditadas pela RDC nº 216, de 15 de setembro de 2004, da ANVISA (Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/alimentos/bps.htm). Considerando que esses espaços estejam alocados dentro de supermerca- dos e similares, é fundamental planejar e estruturar as áreas de trabalho, baseando-se nas exigências das Boas Práticas, principalmente nos aspectos estruturais e de procedimentos, seguindo o que foi estudado nas unidades anteriores. Após seguir os critérios das etapas operacionais já estudadas – seleção de fornecedores, recebimento e armazenamento de mercadorias ̶, é necessário verificar outros procedimentos a serem realizados na elaboração de prepara- ções que podem ocorrer nos estabelecimentos em questão. No fluxograma de produção de alimentos de um típico serviço de rotis- seria, estão as etapas específicas de processo, que são: descongelamento, dessalgue, manipulação, armazenamento de produtos pré-preparados, hi- gienização de hortifrútis, cocção, manipulação, resfriamento, reaquecimen- to, manutenção quente ou manutenção fria e exposição à venda. A seguir, vamos caracterizar cada uma dessas etapas. 3 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Fluxograma de produção – serviços de alimentação Armazenamento de produtos pré-preparados Recebimento de insumos Armazenamento de insumos Descongelamento Dessalgue Manipulação Higienização de hortifrútis Cocção Manipulação Resfriamento Reaquecimento Manutenção Exposição à venda 4 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Descongelamento O descongelamento deve ser conduzido de forma que a superfície do ali- mento não alcance temperatura superior a 5ºC em qualquer dos métodos escolhidos. Os métodos mais empregados são sob refrigeração (o mais seguro) ou no micro-ondas (para preparo imediato). Alguns produtos congelados podem ser cozidos ou fritos sem passar pelo descongelamento, como batatas pré-fritas e hambúrgueres, entre outros. Dessalgue O dessalgue pode ser realizado de uma das seguintes formas: • por fervura (se o alimento for preparado em seguida); • em água fria (máximo 21ºC), com trocas de quatro em quatro horas; • em água sob refrigeração (método mais seguro). Manipulação No caso de matérias-primas e ingredientes industrializados, as embalagens devem ser lavadas antes de sua abertura e as peças abertas devem ser mantidas protegidas com sacos plásticos ou filmes, ou ainda em recipientes limpos e identificados com as informações pertinentes. Nome do produto, data de abertura e data de validade. Além da etiqueta, é recomendável manter a embalagem de origem ou o rótulo de origem para garantir a rastreabilidade, em caso de necessidade. 5 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança * Orientação sobre o tempo de exposição de alimen-tos. O tempo de exposição de alimentos perecíveis em temperatura ambiente deve ser de, no máximo, 30 minutos para cada lote em manipulação. Então, não tire da geladeira mais quantida- de do que o necessário para trabalhar nesse tempo. Caso o ambiente esteja climatizado com temperaturas entre 12ºC e 18ºC, o tempo de manipulação não deve exce- der duas horas. Fique Atento! A higiene é também fundamental para garantir a segurança dos alimentosmanipulados. Portanto, verifique se as superfícies do ambiente e em contato com os alimentos foram lavadas e desinfetadas antes do uso. 6 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Armazenamento de produtos pré-preparados Os produtos pré-preparados, caso não sejam finalizados imediatamente após o pré-preparo, devem ser armazenados sob refrigeração ou congelamento, para que as bactérias não proliferem nos alimentos. A temperatura de refrigeração ideal vai até 5ºC e, no caso de congelamento, a temperatura deve ser de -18ºC, como já vimos. Os prazos de validade dos produtos pré-preparados ou dos retirados de suas embalagens originais devem ser definidos pelo estabelecimento, quando não houver indicação do fabricante. Para auxiliar a etiquetagem dos produtos, podem ser elaboradas tabelas com os prazos definidos. Não há legislação para os prazos de validade de produtos congelados, mas a Portaria CVS-6, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, estabelece um prazo máximo de três meses, desde que o alimento esteja a temperaturas de -18ºC ou menos. No caso dos alimentos conservados sob refrigeração, quando não há indi- cação do fabricante, pode-se adotar os critérios da RDC nº 216/Anvisa para alimentos prontos ao consumo, que estabelece um prazo máximo de cinco dias, desde que o armazenamento seja feito à temperatura máxima de 4ºC. 7 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Higienização de hortifrútis Frutas, legumes e verduras que serão consumidos crus devem ser higienizados, ou seja, lavados e sa- nificados. A lavagem deve ser feita em água corrente e tem por finalidade retirar terra, sujeiras, parasitas e insetos. A sanificação elimina ou reduz bactérias e outros mi- crorganismos a níveis aceitáveis. Deve ser realizada com solução clorada ou outros produtos existentes no mercado, como os que são à base de peróxidos. Os produtos devem ficar em imersão por 15 minutos na solução clorada com concentração entre 100 ppm e 200 ppm e, depois, enxaguados, conforme a orientação dos fabricantes dos produtos utilizados. Caso seja utilizada água sanitária, utiliza-se uma colher de sopa para cada litro de água, correspondendo a 200 ppm. A água sanitária pode ser utilizada desde que haja essa indicação no rótulo da embalagem e notificação ou registro no Ministério da Saúde. Nem toda água sanitária é apropriada para alimentos, pois muitas possuem hidróxido de sódio, além do hipoclorito de sódio e água, em sua composição. 8 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança A pré-lavagem de hortifrútis deve ser feita em água potável e em local apro- priado. Para o preparo desses gêneros, deve ser realizada a higienização completa, que compreende: Não necessitam de desinfecção: • frutas cujas cascas não são consumidas, tais como: laranja, mexerica, banana e outras, exceto as que serão utilizadas para suco; • frutas, legumes e verduras que irão sofrer ação do calor, desde que a temperatura no interior atinja no mínimo 70ºC; • quando aplicável, os alimentos consumidos crus devem ser subme- tidos ao processo de higienização a fim de reduzir a contaminação superficial; 1) Retirar o talo, no caso de fo- lhosos. 2) Lavagem criteriosa com água potável (folha a folha ou um a um). 3) Desinfecção: imersão em solu- ção clorada (100 a 200 ppm) por 15 minutos. 4) Enxaguar sob água corrente, com auxílio de escorredor. 9 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança • os produtos utilizados na higienização dos alimentos devem estar re- gularizados no órgão competente do Ministério da Saúde e ser aplica- dos de forma a evitar resíduos no alimento preparado. Atenção: se as frutas forem higienizadas e cortadas com antecedência, devem ser mantidas sob refrigeração ou congelamento devidamente iden- tificadas em potes ou cubas. Utilizar utensílios (pegadores) higienizados, trocando-os a cada quatro horas. Sucos e refrescos devem ser mantidos em equipamentos previamente lavados e sanificados. 10 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Cocção A temperatura usada nos produtos assados, cozidos, grelhados ou fritos deve ultrapassar 70ºC em todas as partes para garantir a segurança para o consumo. Cuide para que a temperatura do óleo de fritura não ultrapasse 180ºC e para que não haja forma- ção de fumaças escuras e nem de espuma. A cada utilização, é importante realizar uma filtração do óleo para retirada dos resíduos. É importante também lavar a panela ou fritadeira, pois ficam resíduos aderidos nas paredes. O óleo deve ser trocado com frequência, considerando as condições em que estiver e a saturação. Farinhas são exemplos de resíduos facilmente encontrados em óleo de fritu- ra, que fazem a temperatura do óleo superaquecer, queimando e formando as fumaças negras. Saiba Mais! Você sabe o que é saturação do óleo? A estrutura química do óleo é bastante longa, mas, se for superaquecida, ela se quebra, formando pequenos radicais chamados radicais livres. Esse processo é chamado de saturação do óleo. Além de prejudicar a saúde, os radicais livres são can- cerígenos. Você pode verificar o nível de saturação do óleo utilizando produtos específicos à venda no mer- cado. 11 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Manipulação Após a higiene de frutas, legumes e verduras, ou o tratamento térmico de alimentos, muitas são as tarefas que requerem a manipulação dos alimen- tos, como a montagem de saladas e sanduíches, o preparo de um suco, o porcionamento, ou envase, de alimentos para cubas de servimento, entre outras. No preparo das saladas e pastas, é mais seguro realizar as misturas com os ingredientes previamente refrigerados. Portanto, coloque tudo na geladeira com bastante antecedência. Vai ser muito mais seguro. Tratando-se de alimentos perecíveis, deve-se respeitar o tempo de expo- sição em temperatura ambiente. O tratamento térmico elimina as formas vegetativas de microrganismos patogênicos que antes poderiam estar nos alimentos in natura. Portanto, para evitar uma recontaminação do alimento, a etapa de envase deve ser feita de forma criteriosa. * Outros cuidados a serem tomados durante a fase de manipula-ção. Os produtos devem ser protegidos uti-lizando-se filmes plásticos, tampas ou outras formas alternativas. Fique Atento! Os utensílios devem ser trocados com frequência, em geral a cada quatro ho- ras, para evitar a multiplicação bacte- riana. Além disso, devem ter cabos lon- gos para evitar que entrem em contato com o conteúdo, evitando a contamina- ção. Lembre-se! A higiene das superfícies e das mãos também é fundamental na etapa de manipulação. 12 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Resfriamento Após o tratamento térmico, algumas preparações servidas frias ou que não serão consumidas no mesmo turno devem ser resfriadas para que possam ser consumidas com segurança. A forma adequada de se realizar o resfriamento é pelo método forçado, utilizando um resfriador (blast-chiller), câmara ou freezer, banho de gelo ou banho por redução de porções com refrigeração ou congelamento posterior. O importante é que o critério de segurança seja cumprido de acordo com o estabelecido pela legislação. Saiba Mais! Procedimento de resfriamento Coloque os produtos para resfriar antes de atingir 60ºC. Em menos de duas horas, eles devem alcan- çar 10ºC. Nessa temperatura, podem ser cobertos, etiquetados e levados paraa manutenção fria ou congelamento. É fundamental o uso de um ter- mômetro de alimentos para realizar esse controle. 13 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Reaquecimento Alimentos que serão servidos quentes e que foram resfriados, ou que apre- sentarem temperaturas inferiores a 60ºC, devem ser reaquecidos a 70ºC no centro geométrico (a parte central da porção do alimento). Manutenção quente ou manutenção fria As etapas de manutenção são aquelas que preservam alimentos já prontos para consumo, mas que acontecem antes da exposição para o consumidor. Os produtos a serem comercializados quentes devem ser mantidos em temperatura superior a 60ºC por até seis horas, para a venda ou o consumo. A manutenção da temperatura pode ser realizada em balcões térmicos, banho-maria, rechauds, vitrines térmicas e similares. 14 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Exposição à venda Nesta etapa operacional, devem ser observados alguns itens: A iluminação não deve ser fonte de riscos de contaminação física por quebra ou estilhaços. Deve ser adequada para não aquecer os produtos nem alterar sua aparência ou cor. Na exposição à venda, não é recomendável colocar orna- mentos sobre os produtos, para evitar a contaminação. As embalagens que acondicionam os produtos devem estar íntegras, ou seja, sem qualquer dano que possa comprometer a qualidade. Observação: as embalagens previamente selecionadas devem ser manti- das protegidas e separadas, e fabricadas em materiais atóxicos, compatíveis com o produto, com facilidade no sistema de fechamento e abertura, entre outros. Informações de etiqueta e rótulo de embalagens Os produtos prontos podem ser expostos à venda em equi- pamentos térmicos (frios ou quentes), de acordo com a forma de comercialização (a granel ou embalados), devida- mente identificados. De acordo com a solicitação do cliente, os produtos podem ser porcionados, embalados, pesados e precificados. As in- formações da etiqueta variam de acordo com o tipo de ser- viço (serviços a quilo, produtos de lanchonete, frios, entre outros. No caso de um produto pronto industrializado que será aberto e exposto para venda a granel, é importante manter a embalagem ou o rótulo de origem para garantir a rastreabilidade ou repassar as informações para uma etiqueta. 15 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança No rótulo de origem, encontram-se algumas informações exigidas por lei: lista de ingredientes, origem (indústria brasileira, por exemplo), conteúdo/ peso líquido, informação nutricional, presença ou ausência de glúten, dados do fabricante (endereço, CNPJ, número de registro ̶ Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura, IBAMA, de acordo com o produto e quando apli- cável ̶, selo de inspeção do Ministério da Agricultura ̶ quando for produto de origem animal ̶, informações de conservação, informações para atendimento ao consumidor e o código de barras. Informações para uma etiqueta: Nome do produto, data de abertura e data de validade. Além da etiqueta, é recomendável manter a embalagem de origem ou o rótulo de origem para garantir a rastreabilidade, em caso de necessidade. Temperatura e tempo de exposição dos alimentos Na exposição para a venda, os produtos quentes devem ser mantidos acima de 60ºC por até seis horas (descontando-se o tempo que permaneceram na manutenção). Os produtos frios devem permanecer abaixo de 10ºC por até duas horas ou de acordo com as legislações locais. Alguns produtos servidos quentes esfriam com grande rapidez, como, por exemplo, farofa, empadas, salgados fritos e assados, pão de queijo, entre outros. A garantia da segurança para esses produtos também pode ser ob- tida pelo controle do tempo de exposição, desde que comprovadamente seguro. De acordo com a norma ABNT NBR 15635:2008, o tempo de exposição para esse tipo de produto é de até três horas (ou de acordo com as legislações) em locais específicos, descontando-se o tempo que o alimento permanece na manutenção quente, antes da exposição. Os estabelecimentos devem definir e validar seus prazos de segurança de acordo com cada produto e necessidade específica. Lembre-se! Quanto me- nor o tempo de exposição, maior a segurança do alimento. 16 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança * Outras orientações rela-cionadas à distribuição de alimentos.Em cada produto, deve ser colocado um talher para evitar contaminação cruzada, respeitando-se também a tro- ca ou lavagem do utensílio a cada qua- tro horas. Fique Atento! Um cuidado especial deve ser dado a alimentos comercializados em quenti- nhas ou marmitas, preparadas, muitas vezes, pelos próprios clientes. Reco- menda-se colocar nessas embalagens uma etiqueta com prazo de validade e formas seguras de armazenamento, instruindo o consumidor quanto aos cuidados com a segurança dos alimen- tos. Algumas empresas optam por informar apenas que o consumo do alimento deve ser realizado de modo imediato. 17 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Re su min do! Neste segmento, conhecemos os critérios de segurança que devem ser ado- tados por rotisserias, delicatéssens e lojas de conveniência em serviços de alimentação e distribuição, com base nas exigências higiênico-sanitárias descritas pela ANVISA. Identificamos os principais cuidados relacionados ao descongelamento, des- salgue e manipulação de alimentos, ao armazenamento de produtos pré- -preparados e à higienização de hortifrútis. Por fim, vimos algumas orientações relacionadas à cocção, resfriamento, reaquecimento, manutenção e exposição de alimentos. Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição Critérios de segurança para serviços de alimentação e distribuição: mercearias 2 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança As quitandas, mercearias ou vendas são pequenas lojas tradicionais que vendem produtos de grande consumo, sobretudo alimentos, podendo complementar a oferta com produtos de higiene, bebidas e objetos de uso doméstico. Em geral, os tipos de alimentos vendidos nesse segmento necessitam de precauções mais básicas, pois, em sua maioria, são produtos de prate- leira, como cereais, açúcar, sal e enlatados. Quase sempre são produtos com longo tempo de validade e que não requerem grandes cuidados no manejo, exceto no caso daqueles esta- belecimentos que comercializam hortifrutigranjeiros, frios e laticínios. Para os produtos secos, os cuidados necessários referem-se à garantia da integridade da embalagem, proteção contra umidade, calor excessivo, con- trole de pragas e controle de validade. Assim, se você trabalha em quitandas ou mercearias, fique atento para as boas práticas específicas do setor. No fluxograma de produção de alimentos de uma típica mercearia, estão as etapas específicas de processo, que são: recebimento de insumos, armazenamento de insumos e exposição à venda. Na unidade 4, abordamos os critérios para recebimento e armazenamento de insumos. Agora, vamos caracterizar somente os procedimentos de segu- rança na exposição à venda. 3 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Recebimento de insumos Armazenamento de insumos Exposição à venda Fluxograma de produção – Mercearias 4 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurançaA exposição à venda pode comprometer a segurança e a qualidade dos produtos. Para que isso não ocorra, há alguns cuidados que devem ser to- mados: • as prateleiras e gôndolas de exposição dos produtos devem obedecer a um leiaute que facilite o acesso dos clientes. Os produtos alimen- tícios devem ser afastados dos produtos de higiene e de limpeza ou de produtos tóxicos; • os produtos expostos à venda devem estar identificados e mantidos sobre estrados, prateleiras ou gôndolas, e protegidos de possíveis contaminações químicas e físicas. De acordo com o caso, devem es- tar protegidos também de contaminação biológica; • a iluminação não deve ser fonte de riscos de contaminação física por quebra ou estilhaços. Deve ser adequada para não aquecer os produ- tos nem alterar sua aparência ou cor; • na exposição à venda não é recomendável colocar ornamentos sobre os produtos, para evitar a contaminação; • nos nichos de exposição (gôndolas, vitrines, displays, entre outros), os diferentes grupos de alimentos devem ser separados para evitar contaminação cruzada. Exposição à venda 5 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Vejamos mais alguns procedimentos que devem ser adotados para evitar que a exposição à venda comprometa a segurança e a qualidade dos produtos: • a validade dos produtos expostos deve ser supervisionada constante- mente, e os produtos vencidos segregados ou descartados de imedia- to. É proibido o reaproveitamento dos produtos vencidos ou a reemba- lagem para prolongar a validade; • produtos a granel, como farinhas, grãos, cereais, temperos, biscoitos, entre outros, devem ser identificados com os dados de origem (nome do produto, nome do fornecedor, data da fabricação, data de validade, lote, ingredientes (quando aplicável), informação nutricional e outros dados da empresa produtora ou distribuidora. Existem balanças que imprimem nas etiquetas informações específicas para a comercializa- ção do produto). Os produtos devem ser acondicionados em recipien- tes adequados, tampados, de material lavável, afastados do piso e da parede, contendo pegadores laváveis para cada produto; • produtos alimentícios embalados precisam contar com as in- formações nutricionais na rotulagem, exceto: sal, bebidas alcoólicas, água, vinagre, especiarias, chá, mate, café (sem adição de outros ingredientes), frutas, verduras, legumes, carnes refrigeradas e congeladas, alimentos porcionados no ponto de venda e pratos prontos para o consumo; • é importante que o estabelecimento garanta que as balanças utilizadas estejam calibradas. Atenção: a calibração é realizada uma vez por ano por empresas contratadas e credenciadas pelo Inmetro; • produtos avariados que tenham a sua qualidade comprometida (latas amassadas, estufadas, enferrujadas) ou com prazo de validade vencido não devem ser reaproveitados. Separá-los e identificá-los de acordo com o destino (troca ou descarte). 6 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Vejamos as orientações finais em relação à exposição à venda: • o sistema PVPS (Primeiro que vence é o primeiro que sai) também precisa ser aplicado nos produtos expostos, para que não haja perdas e não sejam colocados produtos vencidos à venda. Por isso, é funda- mental manter supervisão constante nessa etapa do processo; • não é exigida a declaração da validade para frutas e hortaliças frescas, vinhos, bebidas alcoólicas com teor maior que 10% de álcool, vinagre, açúcar, sal, balas, gomas de mascar e similares; • a temperatura de exposição dos produtos expostos à venda deve estar de acordo com a orientação do fabricante, considerando a temperatura do produto que exige maior rigor; • a capacidade dos equipamentos expositores a frio deve ser respeitada, para que produtos não fiquem fora da faixa de temperatura recomen- dada. As saídas de ar não devem ser bloqueadas, e as temperaturas devem ser monitoradas constantemente; • as embalagens que acondicionam os produtos devem estar íntegras, sem qualquer dano que possa comprometer a qualidade; • produtos deixados nos caixas ou próximos à área de check-out devem ser avaliados e só voltar ao ponto de venda se suas características sen- soriais estiverem inalteradas. 7 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Fique alerta para alguns procedimentos proibidos, segundo o Có- digo de Defesa do Consumidor, quanto aos produtos em exposição à venda: • produtos reetiquetados (uma etiqueta colocada sobre outra); • produtos com validade rasurada; • alimentos sem rastreabilidade, ou seja, sem informação de origem; • produtos com características deterioradas; • reaproveitamento de qualquer embalagem com rótulo de origem contendo outro produto acondicionado. Importante 8 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Você já deve ter visto, em propagandas na TV e jor- nais, empresas de automóveis pedindo para que pro- prietários de determinado modelo de veículo entrem em contato para solucionar um problema específico de fabricação. Isso se chama recall ou recolhimento de produto. O recall é uma solicitação do fabricante de devolução de um lote ou de uma linha inteira de um produto, que geralmente ocorre devido a problemas relativos à segurança do produto. Os estabelecimentos de alimentos também devem dispor de um procedi- mento rápido e eficiente de recolhimento de produtos defeituosos no mer- cado, com o objetivo de proteger e preservar a vida, a saúde, a integridade e a segurança do consumidor, bem como evitar prejuízos materiais e morais dos consumidores. Portanto, se você trabalha com atacado ou varejo de produtos alimentícios, deve planejar o auxílio às indústrias no caso de necessidade de recolhimen- to de produtos. Um programa de recolhimento também é necessário para casos de fabricação centralizada de certos produtos, como os de pada- ria – algumas redes optam por fabricar produtos em uma única unidade e distribuí-los às demais lojas. Um programa de recolhimentos deve conter, inicialmente, um bom regis- tro de distribuição. Em caso de necessidade de recolhimento, a primeira providência é verificar para onde os lotes envolvidos foram distribuídos e a segunda, providenciar o recolhimento. Sugerem-se, portanto, registros que contenham os dados completos dos produtos e pontos de recebimento, as- sim como as informações para o contato imediato com os responsáveis pela recepção dos alimentos. Programa de recolhimento para o setor de distribuição de alimentos 9 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança No Brasil, o recall está previsto no Código de Defe- sa do Consumidor, Lei nº 8.078/90. Veja o que o CDC aponta no artigo 10, § 1º. “Artigo 10 – O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocivi- dade ou periculosidade à saúde ou segurança. §1º – O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua introdução no mercado de consumo, tiver conhecimento da periculosidade que apresentem deverá comunicar o fato ime- diatamente às autoridades competentes e aos con- sumidores, mediante anúncios publicitários”. Saiba Mais! 10 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Todos os produtos devem ser codificados por lotes e identificados para pos- sibilitar o rastreamento, cujo objetivo é permitir o resgate do histórico do produto e de seu processo de produção ao longo da cadeia produtiva de alimentos. Quando houver uma situação em que seja necessária a realização do recall, as empresasdevem comunicar ao fornecedor a retirada de todas as unidades dos produtos expostos à venda. Os produtos recolhidos devem ser devidamente identificados, mantidos sepa- rados até o destino final, quer seja a destruição, o retorno ao fornecedor para reprocessamento ou o uso para outras finalidades. Alguns procedimentos durante o recall * Os gastos com o recolhi-mento cabem ao responsável pelo pro-duto, que deverá realizar registros in-dicando, no mínimo, o seguinte: nome do produto, marca, número do lote ou data de fabricação e validade, quanti- dade produzida, quantidade recolhida, locais de distribuição, motivo do reco- lhimento, destino final do produto e a pessoa responsável pela operação. Vale ressaltar que, em algumas situa- ções, deverá ser realizada uma comu- nicação à autoridade sanitária e ao público sobre a necessidade de reco- lhimento. Fique Atento! 11 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Re su min do! Neste segmento, identificamos os cuidados e procedimentos de segurança que devem ser adotados por mercearias, quitandas ou vendas na exposição à venda de produtos alimentícios. Compreendemos, ainda, como deve ser a atuação do setor de atacado ou varejo de alimentos junto à indústria no caso de recolhimento de produtos. Por fim, conhecemos a legislação que prevê o recall no Brasil e algumas orientações a serem seguidas na realização desse procedimento. Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição Critérios de segurança para serviços de alimentação e distribuição: açougues e casas de carnes 2 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança É cada vez mais comum a presença de açougues em mercados de todos os portes. Por trabalharem exclusivamente com produtos perecíveis, alguns re- quisitos especiais são necessários na sua estrutura, além das boas práticas a serem seguidas nas etapas específicas de processo. Além dos requisitos já estudados na unidade 2 - Manutenção de Instalações, Equipamentos e Utensílios, alguns requisitos necessários na estrutura de açougues e casas de carnes são os seguintes: • o tamanho mínimo que um açougue pode ter é de 20 m², com frente de loja igual ou maior que 4 m. As paredes de- vem ser impermeabilizadas até o teto, ou seja, podem ser revestidas com cerâmica azulejada ou outro material similar que as torne laváveis, sendo proibida a utilização da cor vermelha e seus matizes (o mesmo para o piso e teto); A proibição da cor vermelha tem como objetivo evitar mascarar colora- ções indevidas dos produtos cárneos, fazendo a carne parecer que está em boas condições. Também é proibida a utilização de lâmpadas ou su- perfícies que possam interferir na coloração original dos produtos cár- neos, mascarando problemas ou melhorando falsamente seu aspecto. • é recomendável separar as bancadas, placas de corte, facas e outros utensílios para cada grupo de produtos, por exemplo, carnes cruas e aves cruas. Essa separação é recomendada porque as aves cruas podem contaminar outros produtos e as superfícies de contato com a bactéria Salmonella sp. No caso de não ser possível, deve haver garantia da lavagem das superfícies de contato entre as manipu- lações desses diferentes produtos; A bactéria Salmonella sp, no frango, é eliminada com cozimento efetivo. Porém, se ela contaminar uma carne que será consumida mal passada, cau- sará sintomas como diarreia, febre e vômito após 12 a 72 horas do consumo. Em caso de uso contínuo, as superfícies devem ser higienizadas a cada qua- tro horas (placas de corte, serra-fitas, facas, afiadores, moedores, balanças, entre outros). 3 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança • é importante que o abastecimento de água corrente seja suficiente. A tubulação deve ser eficiente e mantida em boas condições para o deságue na rede de esgoto. Nos locais em que não houver rede de esgoto, é importante solicitar orientação ao órgão técnico competen- te para encontrar a alternativa mais adequada; • deve-se considerar também que haja equipamentos de refrigeração em número suficiente para evitar a contaminação cruzada entre os diferentes tipos de produtos, além de possibilitar o descongelamento correto dos produtos sob refrigeração. Confira no fluxograma as fases típicas de produção em açougues e casas de carnes, que são: recebimento, armazenamento, descongelamento, manipu- lação e desossa, armazenamento de sebos e ossos, embalamento, rotula- gem, armazenamento e exposição à venda. A seguir, vamos caracterizar os procedimentos de cada uma dessas etapas. 4 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Fluxograma de produção – Açougues e casa de carnes Recebimento Armazenamento Descongelamento Manipulação/desossa Embalamento Rotulagem Armazenamento Exposição à venda Armazenamento de sebos e ossos 5 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Além dos critérios já estudados, devem ser adotados alguns cuidados espe- cíficos: Os produtos devem ser adquiridos de frigoríficos legal- mente habilitados, com registro no órgão de inspeção oficial, nunca clandestinos, para garantir que não haja contaminação oriunda de animais doentes, da presen- ça de resíduos de drogas veterinárias ou de proce- dimentos inadequados durante o abate. Os produtos devem apresentar o selo do serviço de inspeção. Esse selo pode ser federal, estadual ou municipal: • SIF – que permite comercialização em todos os estados da federação; • SIE – que permite comercialização no estado do frigorífico; • SIM – que permite comercialização apenas no município de origem. Os veículos de transporte devem apresentar-se em boas condições de fun- cionamento, devidamente revestidos e limpos, e com a documentação de inspeção sanitária em dia. Podem ser isotérmicos ou ter sistema de manu- tenção a frio para garantir a manutenção da temperatura segura. Verifique as temperaturas recomendadas para o transporte de carnes e pro- dutos cárneos. No recebimento, os produtos devem ser avaliados quanto às suas caracte- rísticas sensoriais. Não devem apresentar sinais de alterações, como escu- recimentos, manchas esverdeadas ou outras colorações não características, Recebimento PRODUTO TEMPERATURA Carne bovina resfriada 0 a 7ºC Carne de aves e suínos resfriada 0 a 4ºC Carne de bovinos, aves e suínos congelada -18 a -23ºC, com tolerância até -12ºC Produtos cárneos embutidos 0 a 7ºC Produtos cárneos salgados Ambiente 6 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança odor alterado, entre outros. Para grandes cargas, a avaliação pode ser feita por amostragem. As carnes refrigeradas devem vir embaladas em sacos de polietileno, de preferência sob vácuo, devidamente etiquetadas e acondicionadas em caixas de papelão. No caso de carcaças, deve-se lembrar de buscar os carimbos no coxão, lombo, ponta de agulha e paleta. Devem estar envoltas em sacos plásticos, etiquetadas e protegidas de contaminações durante o transporte. 7 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Armazenamento Os produtos podem permanecer em suas caixas de origem, nos estabelecimentos de distribuição, quando os equipamentos de armazenamento forem específi- cos para produtos fechados. Se, nas câmaras frigoríficas, for utilizado o sistema de “pendura”, os tendais deverão ser, preferencialmente, de aço inoxidável e instalados em altura que não per-mita o contato das carnes com o piso. Descongelamento Para se descongelar com segurança, o melhor método é colocar o produto sob refrigeração, pois durante o descongelamento, em nenhum momento, os produtos estarão em temperatura de risco. Os produtos congelados devem ser retirados das embalagens cartonadas para que estas não se molhem quando do descongelamento na refrigeração, pois caixas de papelão molhadas se tornam fonte de fungos. Os produtos devem ser mantidos em suas embalagens primárias (por exemplo, sacos) e acondicionados de forma a evitar o derrame de sangue. Os produtos devem ser mantidos com todas as informações de origem para garantir a rastrea- bilidade. Saiba Mais! Orientação sobre como descongelar com segu- rança. Retire os produtos do congelamento com antece- dência suficiente para garantir que a temperatura final seja de -1 a 4ºC. Isso pode levar até dois ou três dias, portanto, planeje com antecedência, porque o descongelamento em temperatura ambi- ente é proibido. 8 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Manipulação e desossa Os produtos refrigerados devem ser manipulados em no máximo 30 minutos em temperatura ambiente, ou por até duas horas, caso o ambiente seja cli- matizado (de 15ºC a 18ºC). Portanto, retire da refrigeração apenas a quan- tidade exata para o trabalho, de acordo com o seu ambiente. Para a elaboração e a comercialização de produtos embalados à base de carnes (como carne moída, bife rolê e à milanesa, almôndega, charque, salsichas, linguiças, entre outros, preparados no local), o esta- belecimento deve obter a licença do órgão respon- sável (DIPOA – Departamento de Inspeção de Pro- dutos de Origem Animal – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para habilitar a empresa a industrializar esses produtos, de forma a utilizar o carimbo de inspeção (Serviço de Inspeção). A carne só deve ser moída na presença do consumidor ou com antecedência restrita, de acordo com o estabelecido na Portaria nº 33 do Ministério da Agricultura de 17 de julho de 2002. É mais seguro para os consumidores e lojistas comerciantes que a desos- sa seja realizada na origem (matadouro). Dessa forma, diminui-se o risco de contaminação, aumenta-se a vida de prateleira do produto (em relação aos deteriorantes), padronizam-se os cortes, reduzem-se os subprodutos do abate (ossos, gordura, aparas, entre outros), ocupa-se menos espaço no armazenamento e no transporte. 9 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Embalamento As embalagens que acondicionam os produtos devem estar íntegras, sem qualquer dano que possa comprometer a qualidade. As embalagens devem ser atóxicas e permitidas pe- los órgãos fiscalizadores. É proibido o uso de jornais, papéis usados ou revistas para embrulhar os produtos cárneos. Podem ser utilizadas embalagens como sacos plásti- cos, isopor, filmes plásticos ou outros materiais ade- quados. Também podem ser utilizados dry-locs, que são saquinhos colocados no fundo da embalagem que servem para absorver os líquidos da carne e evitar que eles se derramem. 10 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Rotulagem Depois de embalados, os produtos são pesados e etiquetados. Os cuidados fundamentais dessa etapa são: • as balanças devem estar calibradas e apresentar lacre ou etiqueta que comprovem a realização desse serviço. Essa é a garantia para o consu- midor de que a balança está pesando corretamente; • independentemente da forma como os estabelecimentos rotulam os produtos, as informações que constam na etiqueta devem ser as mes- mas; • o estabelecimento deve indicar a origem dos produtos (sobretudo os SIF, SIE ou SIM), a identificação do registro do estabelecimento forne- cedor (que pode estar no próprio carimbo da embalagem). Em caso de produtos fracionados, deverá retransmitir essa informação; • nos estabelecimentos varejistas, os produtos devem ser pesados e pre- cificados depois de embalados. Nas Portarias do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, há informações específicas sobre as exigências para carnes transporta- das e comercializadas. Portaria nº 304, de 22/04/96, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Portaria nº 90, de 15 de julho de 1996. Caso você queira saber mais, consulte essas portarias em sites de busca. Exigências para carnes transportadas e comercializadas: Nome do produto, fornecedor, data (do porcionamento), validade, peso, tara (da balança), pre- ço por quilo, código de barras, preço total, ingredientes (quando aplicável), tabela nutricional, in- formação sobre presença ou ausência de glúten, manipulado e embalado por (nome, ende- reço, CNPJ e inscrição do estabelecimento). Para produtos cárneos, ainda constam as seguintes informações: registro no Ministério da Agricultura, sexo do animal, descrição do produto (exemplo: carne resfriada de bovino sem osso). No caso de pro- dutos importados, devem constar também o país de origem do produto e o nome, endereço, CNPJ e inscrição do importador. 11 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Armazenamento refrigerado Os produtos preparados (cortes) devem ficar sob refrigeração, até 4ºC, de- vidamente protegidos e identificados, aguardando o abastecimento por até seis horas, quando não forem levados de imediato para exposição à venda. Exposição à venda Vejamos as recomendações para exposição à venda: • os produtos cárneos expostos à venda devem ser protegi- dos do contato direto com o consumidor e de contamina- ção química e física; • os produtos devem ser retirados de exposição antes do prazo de validade expirar, de acordo com os critérios do estabelecimento; • dependendo do local de exposição, após o fechamento da loja, os produtos devem ser armazenados em equipamen- tos de refrigeração segura; • ao retornarem da exposição, a arrumação dos produtos na câmara deve seguir critérios que garantam o sistema PVPS (Primeiro que vence primeiro que sai); • o recongelamento de produtos descongelados é proibido; • os produtos expostos devem estar devidamente identifi- cados de acordo com o tipo de produto e os critérios já mencionados; • produtos cárneos e dinheiro não podem ser manipulados pela mesma pessoa; 12 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança • gôndolas ou vitrines de exposição à venda devem possuir termômetro que possibilite a visualização pelo consumidor e a temperatura não deve ser superior a 5ºC (para refrigerados) e -18ºC (para congelados); • a capacidade dos equipamentos expositores a frio deve ser respeitada para que produtos não fiquem fora da faixa de temperatura recomen- dada; • as saídas de ar não devem ser bloqueadas e as temperaturas devem ser monitoradas constantemente; • o estabelecimento deve garantir que as balanças utilizadas estejam calibradas. A calibração é realizada uma vez por ano por empresas contratadas e credenciadas pelo Inmetro; • produtos deixados nos caixas ou próximos à área de check-out devem ser avaliados e só voltar ao ponto de venda se suas características sen- soriais estiverem inalteradas. * Atenção aos procedimentos proibidos pelo Código de Defesa do Consumidor quanto aos produtos em exposição à venda:• produtos reetiquetados (uma eti- queta colocada sobre outra); • produtos com validade rasurada; • alimentos sem rastreabilidade, ou seja, sem informação de ori- gem; • produtos com características de- terioradas; • reaproveitamento de qualquer embalagem com rótulo de origem contendo outro produto acondi- cionado. Fique Atento!13 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Você já deve ter visto, em propagandas na TV e jor- nais, empresas de automóveis pedindo para que pro- prietários de determinado modelo de veículo entrem em contato para solucionar um problema específico de fabricação. Isso se chama recall ou recolhimento de produto. O recall é uma solicitação do fabricante de devolução de um lote ou de uma linha inteira de um produto, que geralmente ocorre devido a problemas relativos à segurança do produto. Os estabelecimentos de alimentos também devem dispor de um procedi- mento rápido e eficiente de recolhimento de produtos defeituosos no mer- cado, com o objetivo de proteger e preservar a vida, a saúde, a integridade e a segurança do consumidor, bem como evitar prejuízos materiais e morais dos consumidores. Portanto, se você trabalha com atacado ou varejo de produtos alimentícios, deve planejar o auxílio às indústrias no caso de necessidade de recolhimen- to de produtos. Um programa de recolhimento também é necessário para casos de fabricação centralizada de certos produtos, como os de pada- ria – algumas redes optam por fabricar produtos em uma única unidade e distribuí-los às demais lojas. Um programa de recolhimentos deve conter, inicialmente, um bom regis- tro de distribuição. Em caso de necessidade de recolhimento, a primeira providência é verificar para onde os lotes envolvidos foram distribuídos e a segunda, providenciar o recolhimento. Sugerem-se, portanto, registros que contenham os dados completos dos produtos e pontos de recebimento, as- sim como as informações para o contato imediato com os responsáveis pela recepção dos alimentos. Programa de recolhimento para o setor de distribuição de alimentos 14 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança No Brasil, o recall está previsto no Código de Defe- sa do Consumidor, Lei nº 8.078/90. Veja o que o CDC aponta no artigo 10, § 1º. “Artigo 10 – O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocivi- dade ou periculosidade à saúde ou segurança. §1º – O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua introdução no mercado de consumo, tiver conhecimento da periculosidade que apresentem deverá comunicar o fato ime- diatamente às autoridades competentes e aos con- sumidores, mediante anúncios publicitários”. Saiba Mais! 15 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Todos os produtos devem ser codificados por lotes e identificados para pos- sibilitar o rastreamento, cujo objetivo é permitir o resgate do histórico do produto e de seu processo de produção ao longo da cadeia produtiva de alimentos. Quando houver uma situação em que seja necessária a realização do recall, as empresas devem comunicar ao fornecedor a retirada de todas as unidades dos produtos expostos à venda. Os produtos recolhidos devem ser devidamente identificados, mantidos sepa- rados até o destino final, quer seja a destruição, o retorno ao fornecedor para reprocessamento ou o uso para outras finalidades. Alguns procedimentos durante o recall * Os gastos com o recolhi-mento cabem ao responsável pelo pro-duto, que deverá realizar registros in-dicando, no mínimo, o seguinte: nome do produto, marca, número do lote ou data de fabricação e validade, quanti- dade produzida, quantidade recolhida, locais de distribuição, motivo do reco- lhimento, destino final do produto e a pessoa responsável pela operação. Vale ressaltar que, em algumas situa- ções, deverá ser realizada uma comu- nicação à autoridade sanitária e ao público sobre a necessidade de reco- lhimento. Fique Atento! 16 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Re su min do! Neste segmento, identificamos os cuidados e procedimentos de segurança que devem ser adotados por açougues e casas de carnes em todas as fases de seu fluxograma de produção: do recebimento até a exposição do alimen- to à venda. Compreendemos, ainda, como deve ser a atuação do setor de atacado ou varejo de alimentos junto à indústria no caso de recolhimento de produtos. Por fim, conhecemos a legislação que prevê o recall no Brasil e algumas orientações a serem seguidas na realização desse procedimento. Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição Critérios de segurança para serviços de alimentação e distribuição: frios, laticínios, salgados e defumados 2 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança O setor de frios e laticínios comercializa diversos produtos no sistema de autosserviço ou no balcão de atendimento. Estão incluídos nessa classe de produtos os frios e laticínios fatiados e embalados com antecedência no próprio estabelecimento ou expostos à venda nas embalagens de origem dos fornecedores ou, ainda, os que são cortados na hora, de acordo com a preferência do consumidor. No setor de salgados e defumados, os produtos são oferecidos aos consu- midores em bancadas ou gôndolas, a granel ou já fracionados e embalados a vácuo ou não. Os produtos mais comuns são: carne seca, jerked beef, carnes de suínos salgadas (lombo, costela, orelha, rabo, barriga), bacon, bacalhau. Alguns exemplos de produtos do setor de frios e laticínios são: queijos, iogurtes e leites fermentados, coalhada, manteiga, creme de leite fresco, margarina, musses, flans e outras sobremesas, salsichas, linguiças e outros embutidos, frios de suínos, bovinos e aves, entre outros. Para compra a granel: azeitonas, cogumelos, picles, passas, doces em cal- da, doces para corte, como goiabadas e marmeladas, gordura hidrogenada, margarinas etc. Dentre os frios estão incluídos: Os embutidos: triturados e envasados em tripas naturais ou artificiais, com pré-cozimento ou não. Ex.: linguiça. Os produtos curados crus: recebem ingredientes para acentuar a cor, o sabor, a consistência e outros aspectos. Ex.: presunto cru. Os curados cozidos: recebem insumos de cura para dar gosto e cor pró- prios, sendo posteriormente cozidos. Ex.: presunto cozido, salsicha etc. Os emulsionados: finamente moídos, transformados em pasta de proteína com a mistura de água e gordura, embutidos em tripas naturais ou artificiais e cozidos no vapor. Ex.: mortadela. 3 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Maturados crus: produtos que são maturados naturalmente e desidrata- dos, com controle do processo. Ex.: salames e copa. Queijos: denominação dos produtos, fermen- tados ou não, obtidos pela coagulação do leite – integral, padronizado ou desnatado – segui- do de dessoragem. Os queijos são classificados de acordo com a consistência, o teor de gordura e outros fato- res. Veja as classificações dos queijos: Consistência - Teor de água • Mole: minas, requeijão, cammembert, friburguinho, petit-suisse. • Semiduro: moleson, raclette, gouda, prato. • Duro: gruyère, emmental, provolone. • Extraduro: parmesão, sbrinz. Gordura - Teor de energia e consistência • Gordo: acima de 40%. • Meio gordo: entre 25 e 40%. • Magro: entre 15 e 25%. • Desnatado: menor que 15%. Matéria-prima - Influência no gosto e alteração de cor • Leite ou soro de leite de: vaca, cabra, ovelha, búfala. • Mistura de produtos: vegetais e animais. Aspecto externo • Com casca seca: emmental (suíço), parmesão. • Com casca lavada: moleson, raclette, gruyère, port-salut. • Com mofo branco: cammembert, friburguinho. • Sem casca: mozarela, prato. • Pastoso:petit-suisse, boursin, requeijão. 4 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Aspecto interno • Com olhaduras de fermentação: tipos suíços, tilsit, raclette, moleson. • Sem olhaduras ou poucas de origem mecânica: minas, prato, moza- rela. • Com mofo azul ou verde: gorgonzola, roquefort. • Com ingredientes: ervas, frutas, condimentos. Tecnologia • Tipo de coagulação: coalho, lático ou misto. • Tratamento térmico: massa crua, semicozida ou cozida. Tipo de massa • Massa obtida pelo coalho: ação das enzimas do coalho (minas, gruyè- re, mozarela etc.). • Massa obtida por fermentação ácida: a precipitação do leite é obtida pela fermentação ácida do leite (quark). • Massa extraída do soro: a precipitação da massa é obtida pela aplica- ção do calor e por adição de solução ácida (ricota). • Massa obtida por fusão: ação do calor com sais fundantes (requeijão, fondue etc.). 5 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança As etapas operacionais do setor de frios, laticínios, salgados e defumados incluem: recebimento, armazenamento, pesagem, fatiamento ou fraciona- mento, embalagem e rotulagem e exposição à venda. Nem todos os pro- dutos passam por essas etapas. Por exemplo, há diferenças nos processos de venda por autosserviço e a granel (produtos porcionados e vendidos no balcão de atendimento). Confira o fluxograma de processamento do setor de frios, laticínios, salgados e defumados. Etapas operacionais do setor de frios, laticínios, salgados e defumados 6 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Fluxograma de produção – Frios, laticínios, salgados e defumados Recebimento Armazenamento Pesagem Exposição à venda Fatiamento/ fracionamento Embalamento e rotulagem Exposição à venda 7 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Recebimento As características sensoriais devem ser conferidas. Por exemplo, observe com atenção: • a aparência de molhado nos salgados e defumados, pois isso pode indicar fraude (ressalga); • a presença de manchas vermelhas, conhecidas como vermelhão do charque, que são bactérias que, além de causar manchas no produto, provocam também rancidez; • a possibilidade de presença de larvas e bolores na superfície. Armazenamento Mantenha os produtos salgados e defumados em local seco e fresco, já que eles não devem ser expostos à luz solar nem à ventilação forçada. Os defu- mados podem ser pendurados em ganchos. Devem ser realizadas rotações frequentes nos defumados e salgados. Pesagem Os produtos devem ser pesados e precificados antes de ser expostos à ven- da. Exposição à venda Os produtos que serão comercializados nas embalagens originais (da in- dústria), pesados e precificados devem ser colocados nos expositores com temperatura controlada ou não, de acordo com orientação do fornecedor e cumprindo a arrumação segundo o sistema PVPS (primeiro que vence pri- meiro que sai). 8 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Fatiamento ou fracionamento No caso de produtos refrigerados, o tempo de manipulação em relação à temperatura do local é de até 30 minutos em temperatura ambiente ou até duas horas, se for área climatizada entre 12 e 18ºC. Após a manipulação, os produtos devem voltar à refrigeração, sendo protegidos por filmes plásticos e dispondo de identificação. É importante lavar as embalagens antes da abertura dos produtos para corte ou fracionamento. Os equipamentos (fatiadores, balcões refrigerados, vitrines, entre outros) e utensílios (placas de corte, facas, bancadas, caixas plásticas, peneiras, pegadores, entre outros) devem sempre ser lavados e sanificados, em geral, a cada quatro horas ou sempre que necessário. É recomendável que o es- tabelecimento possua pelo menos dois fatiadores: um para queijos e outro para frios, para evitar contaminação entre eles. Após serem fatiados, os produtos podem ser levados para a exposição à venda, embalagem ou rotulagem e precificação. Embalamento e rotulagem As embalagens devem ficar protegidas em local apropriado, para que não sejam contaminadas por perigos físicos, químicos e biológicos. De acordo com o pedido do cliente, os produtos são cortados, pesados e embalados em sacos plásticos, bandejas ou outras embalagens apropriadas, e precificados. Os produtos fatiados ou fracionados a serem vendidos em balcão de au- tosserviço são embalados em materiais como: bandejas de isopor, potes plásticos, sacos fechados a vácuo, entre outros, sendo depois pesados e precificados. Esses produtos devem receber informações na etiqueta, de forma a cumprir as exigências da Lei de Defesa do Consumidor. 9 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Os estabelecimentos rotulam os produtos de forma diferente uns dos outros, mas, em geral, as informações que constam na etiqueta são as seguintes: Para produtos cárneos, ainda constam as seguintes informações: registro no Ministério da Agricultura, sexo do animal, descrição do produto (ex.: carne resfriada de bovino sem osso). No caso de produtos importados, deve constar também o país de origem do produto e o nome, endereço, CNPJ e inscrição do importador. Nos rótulos dos produtos industrializados, encontram-se descritas as seguin- tes informações: • lista de ingredientes; • origem (indústria brasileira, etc.); • conteúdo líquido ou peso líquido; • informação nutricional; • presença ou ausência de glúten; • dados do fabricante (endereço, CNPJ, número de registro - Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura, IBAMA, de acordo com o produto e quando aplicável); • selo de inspeção do Ministério da Agricultura (quando for produto de origem animal); • informações de conservação; • informações para atendimento ao consumidor e o código de barras. 1. nome do produto; 9. preço total; 2. fornecedor; 10. ingredientes (quando aplicável); 3. data do porcionamento; 11. tabela nutricional; 4. validade; 12. informação sobre presença ou ausência de glúten; 5. peso; 13. manipulado e embalado por nome, endereço, CNPJ; 6. tara da balança; 14. inscrição do estabelecimento. 7. preço por quilo; 8. código de barras; 10 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Os produtos embalados devem ser mantidos em bandejas com a proteção do filme plástico ou mantidos bem fechados em outras embalagens descar- táveis. Verifique se estão devidamente etiquetados e dentro do prazo de validade. Deve-se evitar a contaminação por proximidade entre os diferentes produtos mantidos nas vitrines, por exemplo: salmoura de queijo minas com queijos curados ou frios fatiados. É importante saber que a venda de aparas de frios e laticínios misturados é proibida, por exemplo, para uso em pizzas. A mistura acelera o processo de alteração pela multiplicação bacteriana. Mantenha ligados os equipamentos de refrigeração e de congelamento – in- cluindo balcões, vitrines e gôndolas – mesmo após o fechamento do esta- belecimento, para evitar que os alimentos sejam expostos à temperatura de risco por tempo prolongado e tenham sua qualidade prejudicada. Todos devem cuidar para a retirada dos produtos com a validade por vencer, e dos que não estejam em boas condições de comercialização. Verifique se a iluminação do setor não prejudica a qualidade dos produtos pelo aquecimento. A iluminação também não deve conferir colorações que mascarem as reais condições dos produtos. Caso você identifique algum desses problemas, comunique ao seu supervisor. Devem ser utilizados pegadoresespecíficos para cada produto. Se as mãos forem usadas, calce luvas, mas tenha o cuidado de lavá-las previamente. A higiene das superfícies deve ser rigorosa. Mantenha supervisão constante no balcão, na balança, nas facas, placas de corte, entre outros. Os produtos salgados e defumados vendidos a granel são expostos em bal- cões revestidos com azulejos, mármore ou inox. Os balcões devem ser man- tidos em temperatura ambiente e ter inclinação adequada e drenos para escoamento. Você deve saber que não é permitida a realização de ressalga nos estabelecimentos, pois isso é considerado fraude. Exposição à venda 11 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Mantenha as peças bem arejadas, cumpra o PEPS (Primeiro que entra, pri- meiro que sai) e proteja os produtos de moscas. Normalmente, utilizam-se filós para cobrir esse tipo de produtos para evitar contato com moscas e outros insetos voadores. Os estabelecimentos que desejarem produzir carnes salgadas, linguiças e outros devem buscar obter a licença do órgão responsável (DIPOA – Depar- tamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal – Ministério da Agri- cultura e Abastecimento), para habilitar a empresa a industrializar esses produtos, de forma a utilizar o carimbo de inspeção (Serviço de Inspeção). Os produtos devem ser identificados com as informações defi- nidas pelos próprios produtores de origem, além da colocação das informações do estabelecimento referentes à pesagem e à precificação. Após serem embalados, pesados e precificados, os produtos a serem expostos nas dependências de autosserviços devem ser mantidos em balcões próprios, podendo ser em temperatura ambiente (para salgados e defumados que não requerem refri- geração), pelo tempo indicado pelo fabricante, ou em balcões refrigerados ou estantes refrigeradas por até 4ºC por no má- ximo cinco dias, segundo a RDC 216, de 15/09/04, da Anvisa. Atenção aos procedimentos proibidos pelo Código de Defesa do Consumidor quanto aos produtos em exposição à venda: • produtos reetiquetados (uma etiqueta colocada sobre outra); • produtos com validade rasurada; • alimentos sem rastreabilidade, ou seja, sem informação de origem; • produtos com características deterioradas; • reaproveitamento de qualquer embalagem com rótulo de origem con- tendo outro produto acondicionado. 12 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Você já deve ter visto, em propagandas na TV e jor- nais, empresas de automóveis pedindo para que pro- prietários de determinado modelo de veículo entrem em contato para solucionar um problema específico de fabricação. Isso se chama recall ou recolhimento de produto. O recall é uma solicitação do fabricante de devolução de um lote ou de uma linha inteira de um produto, que geralmente ocorre devido a problemas relativos à segurança do produto. Os estabelecimentos de alimentos também devem dispor de um procedi- mento rápido e eficiente de recolhimento de produtos defeituosos no mer- cado, com o objetivo de proteger e preservar a vida, a saúde, a integridade e a segurança do consumidor, bem como evitar prejuízos materiais e morais dos consumidores. Portanto, se você trabalha com atacado ou varejo de produtos alimentícios, deve planejar o auxílio às indústrias no caso de necessidade de recolhimen- to de produtos. Um programa de recolhimento também é necessário para casos de fabricação centralizada de certos produtos, como os de pada- ria – algumas redes optam por fabricar produtos em uma única unidade e distribuí-los às demais lojas. Um programa de recolhimentos deve conter, inicialmente, um bom regis- tro de distribuição. Em caso de necessidade de recolhimento, a primeira providência é verificar para onde os lotes envolvidos foram distribuídos e a segunda, providenciar o recolhimento. Sugerem-se, portanto, registros que contenham os dados completos dos produtos e pontos de recebimento, as- sim como as informações para o contato imediato com os responsáveis pela recepção dos alimentos. Programa de recolhimento para o setor de distribuição de alimentos 13 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança No Brasil, o recall está previsto no Código de Defe- sa do Consumidor, Lei nº 8.078/90. Veja o que o CDC aponta no artigo 10, § 1º. “Artigo 10 – O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocivi- dade ou periculosidade à saúde ou segurança. §1º – O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua introdução no mercado de consumo, tiver conhecimento da periculosidade que apresentem deverá comunicar o fato ime- diatamente às autoridades competentes e aos con- sumidores, mediante anúncios publicitários”. Saiba Mais! 14 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Todos os produtos devem ser codificados por lotes e identificados para pos- sibilitar o rastreamento, cujo objetivo é permitir o resgate do histórico do produto e de seu processo de produção ao longo da cadeia produtiva de alimentos. Quando houver uma situação em que seja necessária a realização do recall, as empresas devem comunicar ao fornecedor a retirada de todas as unidades dos produtos expostos à venda. Os produtos recolhidos devem ser devidamente identificados, mantidos sepa- rados até o destino final, quer seja a destruição, o retorno ao fornecedor para reprocessamento ou o uso para outras finalidades. Alguns procedimentos durante o recall * Os gastos com o recolhi-mento cabem ao responsável pelo pro-duto, que deverá realizar registros in-dicando, no mínimo, o seguinte: nome do produto, marca, número do lote ou data de fabricação e validade, quanti- dade produzida, quantidade recolhida, locais de distribuição, motivo do reco- lhimento, destino final do produto e a pessoa responsável pela operação. Vale ressaltar que, em algumas situa- ções, deverá ser realizada uma comu- nicação à autoridade sanitária e ao público sobre a necessidade de reco- lhimento. Fique Atento! 15 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Re su min do! Neste segmento, identificamos os cuidados e procedimentos de segurança que devem ser adotados pelo setor de frios e laticínios em todas suas etapas operacionais. Vimos que, no entanto, nem todos os produtos passam por todas essas etapas. Compreendemos, ainda, como deve ser a atuação do setor de atacado ou varejo de alimentos junto à indústria no caso de recolhimento de produtos. Por fim, conhecemos a legislação que prevê o recall no Brasil e algumas orientações a serem seguidas na realização desse procedimento. Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição Critérios de segurança para serviços de alimentação e distribuição: peixarias 2 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Os pescados são considerados alimentos de alto valor nutritivo e, consequentemente, um dos mais perecí- veis e susceptíveis de deterioração por microrganis- mos e enzimas (catalisadores de reações químicas) presentes nos tecidos e vísceras dos peixes. Os critérios de controle em estabelecimentos de pes- cado devem ser extremamente rigorosos, apresentan- do alguns requisitos de estrutura e higiene especí- ficos do setor que devem ser cumpridos. Estrutura As peixarias devem possuir área mínima de 20 m². A largura não deve ser in- ferior a 3 m, exceto nos mercados e supermercados, em que a área total não pode ser inferiora 15 m². É importante que haja disponibilidade de água corrente em quantidade suficiente e facilidades para lavagem das mãos, do pescado e das superfícies em geral. Os balcões podem ser de aço inox ou alvenaria, revestidos com azulejos de cor clara ou outro material liso e impermeável, desprovido de molduras. As pias das áreas de produção devem possuir uma peneira para a retenção dos resíduos, evitando entupimentos. Devem ser instaladas barreiras físicas para evitar a presença de moscas e outros vetores. Higiene de ambientes, móveis e utensílios As instalações e superfícies devem ser higienizadas diariamente com deter- gente neutro, enxaguadas e depois sanificadas com solução clorada a 200 ppm, no mínimo; se for usada água sanitária, isso corresponde a uma colher de sopa para cada litro de água. Os utensílios em peixarias (facas, espátulas, pegadores, escamadores, martelo, fuzil, pedra de amolar, réguas, caixas plásticas e divisórias - sepa- radores dos produtos nas ilhas) devem ser mantidos em boas condições de higiene. Lembre-se: a frequência de higienização deve ser a cada quatro horas (para os utensílios de uso contínuo) ou de acordo com a necessidade. 3 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Os manipuladores devem utilizar uniformes completos e EPI (equipamentos de proteção individual) como avental, botas e luvas (as luvas podem ser de borracha para processos de limpeza, ou de inox ou nitrílicas para evitar cor- tes nas mãos. Atenção: lembre-se de ter luvas distintas para a manipulação dos pescados e para a higienização das superfícies). Além disso, fique atento aos critérios estabelecidos nos processos de produ- ção de uma peixaria, conforme o fluxograma geral que inclui as seguintes etapas: recebimento, pesagem, primeira lavagem, armazenamento, segun- da lavagem, manipulação/evisceração, armazenamento, embalamento ou rotulagem e exposição à venda. A seguir, vamos caracterizar cada uma das etapas do setor em questão. 4 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Fluxograma de produção – Peixarias Recebimento Pesagem 1ª Lavagem 2ª Lavagem Armazenamento Manipulação / evisceração Armazenamento Embalagem / rotulagem Exposição à venda 5 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Recebimento Como vimos na unidade 4, a seleção dos fornecedores é fundamental para garantir a comercialização de produtos que não causem problemas à saúde do consumidor. Deve-se conhecer a origem dos pescados em relação ao local de captura, às formas de acondicionamento nos barcos, ao cumpri- mento da cadeia fria, à evisceração e às condições de higiene aplicadas até o recebimento. Deve-se assegurar que o local de captura é de água limpa, longe de fontes de contaminação , como esgotos e de algas tóxicas. Os barcos de pesca devem permitir o acondicionamento dos pescados sem que haja contaminação por óleos e graxas de motor, amassamento do pro- duto, exposição inadequada, entre outros problemas. Os peixes frescos, apesar de não possuírem data de validade quando adqui- ridos em mercados de peixes, têm garantia de origem, porque são entre- postos e devidamente fiscalizados por órgãos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Mesmo assim, deve haver rigor na ava- liação das características do pescado na hora da compra e do recebimento. Os veículos devem possuir dispositivos de segurança que impeçam o derra- me de resíduos líquidos em vias públicas durante o transporte. Os pescados frescos devem ser recebidos acondicionados em monoblocos plásticos, com duas camadas de gelo, garantindo as temperaturas de segurança e os cui- dados na prevenção da contaminação. A temperatura deve ser de 0ºC a 2ºC para os refrigerados e menor que -12ºC para os congelados. As caixas não devem ficar em contato direto com o piso, e deve-se cuidar para que não haja contaminação química (graxa e diesel) e física (lascas de madeiras e plásticos). 6 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Ostras, mexilhões, siris, caranguejos, lagostas e similares po- dem ser recebidos vivos, mas devem ser avaliadas as condi- ções específicas de cada tipo de pescado. A temperatura de recebimento deve estar de acordo com a es- pécie, mas em geral até 7ºC, para que continuem vivos. Durante o recebimento, é importante verificar o cumprimen- to das exigências descritas na Lei nº 9605, de 12/02/08, do Ibama, que dispõe sobre sanções penais e administrativas de- rivadas de condutas que podem prejudicar o meio ambiente, como tamanho mínimo do pescado e temporada permitida para pesca e captura de peixes, crustáceos e moluscos. Para os peixes de cativeiro, deve-se verificar a presença de carimbo na nota fiscal que autoriza a sua comercialização e uma etiqueta individual. Características sensoriais de pescados Ao receber peixes, crustáceos e moluscos vivos atente para as seguintes características: Peixes • carne: firme, consistência elástica, firmemente presa à espinha. Quan- do se desprega com facilidade indica deterioração; • olhos: córneas transparentes, pupilas negras, brilhantes e salientes, ocupando completamente as órbitas. Não podem estar fundos porque indica deterioração; • guelras: róseas ou vermelhas, úmidas e brilhantes; • escamas: brilhantes, bem aderentes à pele e nadadeiras apresentan- do resistência aos movimentos provocados; 7 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança • vísceras: íntegras, perfeitamente diferenciadas; • ventre: roliço, firme, não deixando impressão duradoura à pressão dos dedos; • ânus: fechado; • superfície do corpo: deve ter relativo brilho metálico; • carne: cor própria da espécie; • odor: característico, lembrando o das plantas marinhas. Crustáceos • corpo: curvo, não deixando escapar facilmente as pernas e o cefalotórax; • carapaça: transparente, deixando visualizar a coloração dos múscu- los, aderente ao corpo e libertando-se sem aderência muscular quan- do forçada; • olhos: de cor negra e bem destacados; • cor: rosada ou acinzentada, de acordo com a espécie, não devendo apresentar qualquer pigmentação estranha; • odor: próprio e suave (recusar os com cheiro de amônia). 8 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Moluscos bivalvos (ostras, mariscos, mexilhões, vieiras) • carne: úmida, bem aderente à concha, esponjosa, gelatinosa e elás- tica; • valvas: fechadas e com retenção de água incolor e límpida nas con- chas. As conchas abertas indicam que estão mortos e não devem ser comercializados. • cor: cinzenta, clara nas ostras, amarelada nos mexilhões e mariscos; • odor: agradável e pronunciado. Nota: alguns desses produtos são comercializados já cozidos e devi- damente embalados. Moluscos cefalópodes (polvo, lula) • pele: lisa e úmida; • olhos: vivos e salientes nas órbitas; • carne: consistente e elástica; • cor: branco-rosada, acinzentada, com ausência de coloração estranha à espécie, especialmente a vermelha; • odor: próprio. Obs.: a bolsa de tinta da lula deve estar inteira. Se o polvo estiver sem brilho e muito mole, não está em boas condições para consumo. 9 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Pesagem Após o recebimento, os pescados devem ser transferidos para as caixas plásticas próprias do estabelecimento e pesados sem o gelo, de forma rápi- da, para não elevar a temperatura. Primeira lavagem Após a pesagem, os pescados devem ser lavadosem água, de preferência refrigerada e clorada entre 5 ppm e 10 ppm (uma colher de sopa de água sanitária para cada 20 litros de água). Armazenamento Após a lavagem, os pescados devem ser refrigerados em equipamentos de 0ºC a 1ºC ou em caixas com gelo na proporção adequada (1,5 kg de gelo para 1 kg de peixe, sendo a primeira e a última camada de gelo e as demais intercaladas com pescado). As cai- xas devem ser separadas por espécies, e a arrumação deve garantir o respeito ao PEPS (Primeiro que entra é o primeiro que deve sair). É recomendável a identificação dos lotes com a data de recebimento para que possa se cumprir a regra do PEPS. Segunda lavagem Antes da manipulação, os pescados refrigerados podem ser lavados, co- locando-se água gelada no próprio monobloco, agitando e descartando a água. Repita a operação mais uma vez. Dessa forma, se reduz a chance de deterioração dos produtos. 10 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Para os produtos vivos, não é necessário que a água seja refrigerada nessa lavagem. Manipulação ou evisceração Esta etapa consiste no corte, na evisceração, na filetagem ou no posteamen- to. Deve-se criar um mecanismo de organização dos produtos manipulados para que os pescados mais velhos sejam usados primeiro. O tempo de manipulação não deve exceder 30 minutos em temperatura ambiente e duas horas em sala climatizada. Não é permitido o preparo de conservas ou outros produtos nesse setor. Em algumas localidades, a legislação só permite o corte em filé e postas no momento da compra. Portanto, informe-se como é o procedimento legal na sua cidade. Armazenamento Os produtos manipulados devem ser acondicionados em recipientes higieni- zados e mantidos cobertos com filme plástico para evitar oxidação e resseca- mento, pois filés e postas não podem ter contato direto com o gelo. Devem ser armazenados sob refrigeração por até 24 horas. É recomendável a utilização de etiqueta com três informações: nome, data de manipulação e validade, para garantir o respeito ao PEPS (Primeiro que entra é o primeiro que deve sair). Embalagem e Rotulagem Os pescados podem ser embalados em sacos transparentes do tipo cristal, não reciclados, ou ser colocados em bandejas de isopor cobertas com filme plástico. Para evitar vazamentos, pode-se utilizar dry-locs, que são saqui- nhos absorventes, colocados no fundo da embalagem para evitar o derra- mamento de líquidos. Após a embalagem, os produtos devem ser pesados e etiquetados, com as informações do distribuidor, peso e preço. 11 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança A exposição pode ser feita em balcões de aço inox ou alvenaria, revestidos com azulejos, preferencialmente de cor clara ou outro material similar, liso e impermeá- vel. Os produtos devem ser identificados com o tipo, o preço por quilo e a origem. O balcão deve ser forrado com gelo até o nível dese- jado. O gelo em escamas deve ser colocado com água para dar liga. A frente do balcão deve ficar 10 cm mais baixa que o fundo e deve, de preferência, possuir um dreno. A Vigilância Sanitária de alguns municípios exige que os balcões de exposi- ção sejam fechados, de maneira a preservar melhor as condições de baixa temperatura. Para que permaneçam frescos, os produtos expostos devem receber gelo salpicado com frequência (a cada 10 minutos, em média), exceto os filés e as postas. Deve-se respeitar uma ordem padrão na arrumação dos produtos no balcão, para que a reposição seja realizada respeitando-se o PEPS. Todos devem conhe- cer esse critério para evitar perdas ou comercialização de produtos impróprios. Para peixes frescos e inteiros, a exposição deve ser feita de modo que me- tade de um peixe seja coberto pelo peixe seguinte, para que o contato com o gelo ocorra em todos os produtos. Os olhos dos peixes devem ficar à vista do consumidor, para que ele possa confirmar que o produto está fresco. É recomendada a retirada de peixes frescos e inteiros do balcão de venda após dois dias de exposição. Antes de serem recolocados na exposição, a qualidade deve ser reavaliada. A cada final de turno, os pescados devem ser armazenados sob refrigeração, com identificação para auxiliar o cumprimen- to do PEPS (Primeiro que entra é o primeiro que deve sair). Exposição à venda 12 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Para filés e postas, crustáceos e moluscos, deve ser colocado um plástico ou filme PVC sobre o gelo, para que as peças não fiquem em contato direto com o mesmo. A exposição deve ser ordenada dispondo os filés e postas de peixes de forma que a metade de uma peça seja coberta pela seguinte, exatamente como foi explicado para os peixes fres- cos e inteiros. Não se deve sobrepor mais que duas camadas, para evitar deformação e aumento de temperatura. O mesmo procedimento deve ser realizado com crustáceos e moluscos. É recomendada a retirada do balcão, para a venda, até 24 horas após a data de exposição para filés e postas de pescados e 48 horas para moluscos e crustáceos. A cada final de turno, os moluscos e crustáceos devem ser ar- mazenados sob refrigeração. O pescado escolhido pelo consumidor deve ser manipulado de acordo com o pedido e, depois, embalado em saco plástico. Recomenda-se colocar em outro saco plástico contendo gelo para a melhor conservação do produto. Gelo A alta perecibilidade dos pescados tem explicação em diversos aspectos ca- racterísticos das espécies, como a composição química, a camada de muco que recobre os pescados e que forma a mucina, a presença de guelras, o grande volume intestinal, o rápido rigor mortis. Por essa razão, é fundamen- tal realizar a refrigeração rápida por gelo artificial (podendo ser em blocos, britado e em escamas), por água refrigerada e por equipamentos. O gelo em escamas, por ser mais leve e sem pontas, prejudica menos a tex- tura dos pescados do que o gelo britado. Alguns produtos químicos, inclusive antibióticos com função bacterici- da, são adicionados ao gelo para aumentar sua ação de conservação. Verifique se a utilização desses antibióticos no gelo é permitida na sua cidade. 13 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança O gelo deve manter o produto entre 0ºC e 2ºC para retardar a atividade en- zimática e de microrganismos. Já a água fria, banha os pescados removendo muco, sujidades e sangue. A proporção de gelo e pescado varia entre 1/4 e 1/1, de acordo com a fase produtiva, sendo importante mais gelo no início do processo. No transporte, os peixes são refrigerados por salmouras refrigeradas, gelo seco, refrigeração mecânica ou bolsas com salmoura refrigerada (pode ser água do mar). Para longos trajetos, se introduz CO2 (gás carbônico) no ca- minhão isotérmico. Os estabelecimentos comerciais devem adquirir gelo de boa procedência. O gelo deve ser fabricado com água potável e embalado em sacos plásticos incolores e transparentes, com a identificação da origem e do tipo. O veí- culo de transporte deve ser isotérmico, com boas condições estruturais e de higiene; o manejo de transporte e a entrega devem ser realizados com procedimentos adequados e supervisionados pelo comprador. Esse controle tem o objetivo de corrigir falhas como: colocar as caixas na rua diretamente no chão e depois no caminhão; pisar nos sacos de gelo ou diretamente no gelo, ao serem transferidos; utilizar inadequadamente a pá. Os estabelecimentos devem dar preferência a comprar gelo de empresas que tenham as boas práticas implementadas. Por isso, é importante visitar as fábricas que fornecem o gelo. Caso o gelo seja de fabricação própria, é importante garantiras boas con- dições das máquinas, com a troca das unidades filtrantes de acordo com o prazo estabelecido e realizar análises microbiológicas a cada semestre, cum- prindo os cuidados descritos no respectivo POP. O gelo produzido deve ser armazenado em depósitos isolados, sem conta- minações biológicas ou físicas. Deve ainda cumprir o manejo higiênico na retirada e no transporte. 14 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Você já deve ter visto, em propagandas na TV e jor- nais, empresas de automóveis pedindo para que pro- prietários de determinado modelo de veículo entrem em contato para solucionar um problema específico de fabricação. Isso se chama recall ou recolhimento de produto. O recall é uma solicitação do fabricante de devolução de um lote ou de uma linha inteira de um produto, que geralmente ocorre devido a problemas relativos à segurança do produto. Os estabelecimentos de alimentos também devem dispor de um procedi- mento rápido e eficiente de recolhimento de produtos defeituosos no mer- cado, com o objetivo de proteger e preservar a vida, a saúde, a integridade e a segurança do consumidor, bem como evitar prejuízos materiais e morais dos consumidores. Portanto, se você trabalha com atacado ou varejo de produtos alimentícios, deve planejar o auxílio às indústrias no caso de necessidade de recolhimen- to de produtos. Um programa de recolhimento também é necessário para casos de fabricação centralizada de certos produtos, como os de pada- ria – algumas redes optam por fabricar produtos em uma única unidade e distribuí-los às demais lojas. Um programa de recolhimentos deve conter, inicialmente, um bom regis- tro de distribuição. Em caso de necessidade de recolhimento, a primeira providência é verificar para onde os lotes envolvidos foram distribuídos e a segunda, providenciar o recolhimento. Sugerem-se, portanto, registros que contenham os dados completos dos produtos e pontos de recebimento, as- sim como as informações para o contato imediato com os responsáveis pela recepção dos alimentos. Programa de recolhimento para o setor de distribuição de alimentos 15 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança No Brasil, o recall está previsto no Código de Defe- sa do Consumidor, Lei nº 8.078/90. Veja o que o CDC aponta no artigo 10, § 1º. “Artigo 10 – O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocivi- dade ou periculosidade à saúde ou segurança. §1º – O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua introdução no mercado de consumo, tiver conhecimento da periculosidade que apresentem deverá comunicar o fato ime- diatamente às autoridades competentes e aos con- sumidores, mediante anúncios publicitários”. Saiba Mais! 16 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Todos os produtos devem ser codificados por lotes e identificados para pos- sibilitar o rastreamento, cujo objetivo é permitir o resgate do histórico do produto e de seu processo de produção ao longo da cadeia produtiva de alimentos. Quando houver uma situação em que seja necessária a realização do recall, as empresas devem comunicar ao fornecedor a retirada de todas as unidades dos produtos expostos à venda. Os produtos recolhidos devem ser devidamente identificados, mantidos sepa- rados até o destino final, quer seja a destruição, o retorno ao fornecedor para reprocessamento ou o uso para outras finalidades. Alguns procedimentos durante o recall * Os gastos com o recolhi-mento cabem ao responsável pelo pro-duto, que deverá realizar registros in-dicando, no mínimo, o seguinte: nome do produto, marca, número do lote ou data de fabricação e validade, quanti- dade produzida, quantidade recolhida, locais de distribuição, motivo do reco- lhimento, destino final do produto e a pessoa responsável pela operação. Vale ressaltar que, em algumas situa- ções, deverá ser realizada uma comu- nicação à autoridade sanitária e ao público sobre a necessidade de reco- lhimento. Fique Atento! 17 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Re su min do! Neste segmento, conhecemos cuidados e procedimentos de segurança que devem ser estabelecidos nos processos de produção de uma peixaria. Vimos que os critérios de controle nesses estabelecimentos devem ser extrema- mente rigorosos, com requisitos específicos em relação à estrutura e higiene. Compreendemos, ainda, como deve ser a atuação do setor de atacado ou varejo de alimentos junto à indústria no caso de recolhimento de produtos. Por fim, conhecemos a legislação que prevê o recall no Brasil e algumas orientações a serem seguidas na realização desse procedimento. Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição Critérios de segurança para serviços de alimentação e distribuição: padarias e confeitarias 2 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança A função das padarias, a princípio, é o preparo de pães, bolos e massas. O pão apresenta baixo risco de contaminação em função da atividade aquosa reduzida — afinal, as bactérias só se multiplicam se houver água livre disponível no produto. No entanto, com o aumento da variedade de pães com recheios e coberturas, houve a necessidade de se criar critérios mais seguros para o processo de fabricação. Hoje, as padarias fazem parte de vários setores da cadeia produtiva de alimentos. Podem ser indústrias, minimercados, lanchonetes, lojas de con- veniência e até restaurantes, demandando grande variedade de profissio- nais com conhecimentos técnicos específicos. As padarias devem, então, estruturar as edificações, instalações e os equipamentos em função da sua produção. Já as confeitarias são responsáveis pela produção de inúmeros produtos, doces e salgados, com ou sem recheio. Diferentemente dos produtos secos da panificação, os alimentos produzidos por confeitarias podem oferecer nutrientes, atividade de água e pH adequados para proliferação de diversos microrganismos. Portanto, se você trabalha no setor de padaria e confeita- ria, fique atento para os procedimentos de boas práticas descritos a seguir. 3 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Requisitos de boas práticas - setor de alimentação Para enfrentar a concorrência e acompanhar a evolução do setor de alimen- tação, as padarias buscaram inovar implantando as boas práticas para pro- porcionar aos clientes maior confiança quanto à segurança dos alimentos. E, assim como ocorre em alguns setores, há critérios referentes à estrutura física, aos equipamentos e à higiene muito específicos para o setor de pada- ria e confeitaria, além dos requisitos operacionais. Veja, a seguir, o detalha- mento desses critérios. Lembre-se de seguir os demais critérios de boas práticas já abordados nos módulos anteriores, pois são comuns a todos os setores de alimentos e ali- mentação. Estrutura física As padarias e confeitarias necessitam de uma área entre 60 m² e 100 m². A manipulação ocupa, em geral, 50% desse espaço e, além da comercialização, é importante prever a recepção de mercadorias, que deve ficar próxima ao estoque para criar um fluxo de trabalho linear. A farinha de trigo, muito usada nesses dois tipos de estabelecimentos, requer condições específicas de armazenamento. Ela pode entrar em combustão espontânea por ser 14 vezes mais explosiva que o carvão. Por isso, a área de armazenamento deve serarejada, possuir paredes duplas, estrados ou paletes para o apoio dos fardos de farinha, que não podem ultrapassar pilhas de dez. É importante evitar que produtos inflamáveis permaneçam próximos aos sacos de farinha. Extintores de incêndio devem ficar estrategicamente alocados. Equipamentos Os equipamentos variam de acordo com o tipo de produção. São masseiras, cilindros (para sovar massas), fornos, batedeiras, modeladoras, divisoras, assadeiras, câmaras de fermentação, balanças, balcões refrigerados, siste- ma de refrigeração de água, entre outros. 4 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança É importante garantir uma rigorosa manutenção dos equi- pamentos. Deve-se verificar constantemente se não há vaza- mentos ou necessidade de reposição de óleo, observar a ten- são de correias, a lubrificação dos rolamentos e engrenagens, a manutenção da graxa (de grau alimentício, para não contami- nar os alimentos) nos graxeiros e outras peças que necessitem manutenção, limpeza ou substituição. Para saber qual a periodicidade de manutenção, verifique qual a recomen- dação do próprio fabricante. Os equipamentos de medição, como termômetros, balanças e dosadores, devem ser calibrados. Os utensílios utilizados em padarias e confeitarias devem ser de materiais de fácil limpeza, sempre mantidos em bom estado de conservação. A periodicidade varia em função do equipamento, e as empresas responsá- veis pela calibração devem ser credenciadas no Inmetro e manter os regis- tros armazenados. Em relação aos móveis, o inox é o material preferencial para mesas de preparo, balcões, prateleiras, estantes, entre outros. O granito ainda é reco- mendável para confeitarias por ter uma superfície mais fria e boa condutivi- dade térmica, favorecendo a abertura de massas e manuseio de chocolate. Entretanto, um cuidado essencial ao uso do granito é a sua substituição sempre que a superfície apresentar porosidade. Higiene Nas áreas de manipulação com farinha, a limpeza deve ser feita a seco, por aspiração. Se a farinha não for bem retirada antes de uma lavagem com água, formará uma “cola” que entrará pelos ralos ou canaletas, entupindo- -os e, com a fermentação, irá causar mau cheiro, o que é indesejável. Nas padarias, não se deve varrer a seco, pois isso pode formar uma névoa de fa- rinha e poeira, podendo transmitir esporos de bolores e bacilos aos produtos expostos, além de causar perda de produtos ou problemas gastrintestinais 5 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança após o consumo desses produtos contaminados. Portanto, a forma mais adequada seria a limpeza por aspiração. Já nas confeitarias, a higienização (lavagem e desinfecção) deve ser realizada com água em abundância e com cuidado redobrado, uma vez que são utilizados ingredientes como açúcar e chocolate, que atraem baratas, moscas, formigas e roedores. Os procedimentos para higienização de instalações, equipamentos e utensí- lios de confeitaria devem seguir os critérios já descritos no conteúdo geral de boas práticas, mas alguns equipamentos e utensílios específicos devem seguir procedimentos também específicos. Procedimentos para higienização de instalações, equipamentos e utensílios de confeitaria Em geral, os equipamentos de padarias, como divisoras, modeladoras, masseiras e cilindros, devem ser limpos da seguinte maneira: • limpar o sistema de lâmina (se houver); • retirar resíduos de massa; • limpar superfícies com tecido sintético umedecido; • finalizar com uma fina camada de óleo vegetal (que evita a oxidação do material). Atenção: não devem ser utilizados detergentes para evitar resíduos quími- cos. Já tabuleiros e fornos devem ser limpos com detergentes alcalinos para remover gorduras carbonizadas. Deve-se enxaguar bem. As câmaras de fermentação precisam ser limpas com detergente neutro, retirando-se com espátula os resíduos aderidos. Remover o detergente com pano umedecido, pulverizando com solução clorada a 200 ppm ou solução de quaternário de amônia a 200 ppm. 6 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Os utensílios, em geral, devem ser lavados e sanificados (higienizados). No caso de sacos de confeiteiro, os resíduos devem ser removidos com água morna, de preferência. Depois, lavar com detergente neutro e enxaguar com água corrente. Se fo- rem de material sintético, após o enxágue deve-se desinfetar com solução clorada a 200 ppm, enxaguar em água corrente e deixar secar naturalmente em local sem riscos de recontaminação. Se o material for de pano, após o enxágue pode-se secar em forno morno desligado. Depois de higienizados, os sacos de confeiteiro devem ser guardados protegidos de contaminação, mantidos sob refrigeração, envolvi- dos em filme plástico ou saco plástico. 7 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Etapas de produção no setor de padaria Agora que você já identificou as boas práticas referentes à estrutura física, equipamentos e higiene, específicas para o setor de padaria e confeitaria, vamos detalhar os procedimentos a serem realizados nas etapas de produ- ção em uma padaria. Confira o fluxograma para visualizar as etapas, que são: seleção de fornece- dores, recebimento e armazenamento de mercadorias ou matérias-primas, pesagem ou medição, mistura, divisão, moldagem, descanso ou fermen- tação, tratamento térmico, desmoldagem ou esfriamento, embalagem ou rotulagem e distribuição. Considerando que já abordamos os critérios das três primeiras etapas, va- mos verificar a seguir os demais procedimentos. 8 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Fluxograma de produção - padarias Escolha de fornecedores Recebimento de matérias-primas Armazenamento de matérias-primas Pesagem/Medição Mistura Divisão Moldagem Descanso/Fermentação Tratamento térmico Desmoldagem/Esfriamento Embalagem/Rotulagem Distribuição Distribuição Mistura Cocção Adição de recheio e cobertura Massa Recheio e cobertura Pesagem/Medição 9 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Pesagem ou medição Etapa na qual todos os ingredientes são medidos ou pesados. É importante que os ingredientes secos, como farinha e açúcar, sejam peneirados para a retirada de insetos ou materiais estranhos. Mistura Pode ser feita em batelada, ou seja, misturando todos os ingredientes de uma só vez, exceto o sal, que é adicionado no final da mistura, pois interfere no tempo de desenvolvimento da massa. Na masseira em funcionamento, vai se formando uma massa pegajosa que gradativamente fica mais elástica e se desprende das paredes. A temperatura deve permanecer entre 24ºC e 28ºC. Caso seja necessária a regulagem da temperatura, pode-se utilizar água gelada. As condições de temperatura e umidade ideais para a fermentação são 27º C e 75% de umidade relativa. O controle da umidade é fundamental, pois, se baixar de 70%, a superfície pode secar, formando uma crosta que retarda a fermentação e deixa o produto irregular. Divisão É a etapa em que a massa é porcionada. Aqui, os cuidados referem-se espe- cialmente à higiene do local, de equipamentos e utensílios. Moldagem A massa dividida, após descansar ou não, é modelada de acordo com o ta- manho das peças e o tipo de pão. É importante que o corte no pão moldado seja realizado por utensílios apropriados, com cabos longos, e não por lâmi- nas de barbear, como era comumente realizado no passado, para evitar que as lâminas contaminem as massas. É nessa etapa que se adiciona o recheio. 10 Boas Práticaspara Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Descanso ou fermentação A massa modelada é levada a um ambiente apropriado, com temperatura entre 30ºC e 35°C e umidade relativa de 75% a 80%. São as chamadas “câmaras de descanso”, nas quais a massa permanecerá por cerca de 55 a 65 minutos. Nessa etapa, ocorre um fenômeno que pode ser considerado o mais importan- te de todo o processo de panificação: a fermentação. Temperaturas inferiores às recomendadas podem retardar o processo fer- mentativo, enquanto as superiores reduzem a capacidade de retenção de gases. O descanso é importante para permitir que a massa readquira volume adequado, em função da perda de gases durante a fase de moldagem. Isso influenciará diretamente a qualidade da textura e das células do miolo do produto final. Tratamento térmico As peças são assadas em forno preaquecido. Para peças pequenas, a tempe- ratura deve permanecer em torno de 240ºC, mas, de acordo com o tamanho das peças, pode ser necessário regular a temperatura de 180ºC a 300ºC. Temperaturas muito altas para peças pequenas poderiam ocasionar a for- mação rápida de crosta rígida, impedindo a expansão do pão. A crosta do pão é formada porque a água da superfície da massa evapora, secando-a rapidamente. O tempo de forneamento varia de acordo com o tipo de equipamento, tama- nho e peso das peças e características do produto. No tratamento térmico, ocorre a chamada Reação de Maillard entre os ami- noácidos e os açúcares (carboidratos), que produz as melanoidinas, que dão a cor e o aspecto característicos dos alimentos assados. Durante o trata- mento térmico, a fermentação continua, porém, ao alcançar 60ºC, ocorre a desnaturação térmica do fermento, cessando o aumento do volume do pão. 11 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança O fermento é um agregado de microrganismos (Saccharomyces cerevisae) que atacam os açúcares presentes na massa, transformando-os em dióxido de carbono (CO2) e que, durate o descanso da massa, fazem com que esta dobre de volume. Além dessas transformações químicas ocorrem mudanças nas características físicas da massa. Nessa fase ocorre a transição da mistura de vários ingre- dientes. Essas mudanças ocorem em relação à consistência, à temperatura, à umidade e à cor. Em relação à consistência ocorre o amolecimento da massa, ficando mais elástica e plástica. Quanto à temperatura, ocorre a liberação de calor, com aumento de cerca de 4ºC em dez horas de descanso, por exemplo. Na fer- mentação, ocorre perda de água e, por isso, a umidade deve ser controlada. A coloração da massa torna-se mais clara e brilhosa devido ao desenvolvi- mento do glúten. A influência da água na fermentação A água é extremamente importante nas padarias por ser utilizada como in- grediente, e a sua dureza pode interferir na fermentação. A água pode ser considerada dura quando possui grande quantidade de sais minerais. Para que o processo de fermentação ocorra da melhor forma, o ideal é que a água tenha uma proporção de sais de cálcio e magnésio entre 50 ppm e 100 ppm. Para saber o grau de dureza da água do seu estabelecimento, é importante solicitar que seja feita essa avaliação química da água. A água também necessita ter um pH mais ácido, pois se o pH for alcalino pode neutralizar os ácidos formados durante a fermentação, não permanecendo com o pH adequado para a atividade enzimática. Para resolver essa questão, pode-se adicionar ácido acético ou lático ou fosfato monocálcico até obter a acidez desejada. Caso não se queira acidificar a água, a alternativa é utilizar leveduras com maior tolerância à alcalinidade. Fermentação do pão 12 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Desmoldagem ou esfriamento Após o tratamento térmico, os pães devem ser retirados das formas com rapidez para evitar condensação e umidade do produto. Devem ser coloca- dos em superfícies limpas e que permitam arejamento. É importante que a equipe higienize as mãos antes da realização dessa tarefa. No caso do pão francês, eles devem ser transferidos para cestos e levados para a comercia- lização ainda quentes. Os pães devem ser esfriados em temperatura ambiente por um período de até três horas para, então, serem embalados. É importante proteger os produtos de moscas e outros insetos. A utilização de filós pode ser uma boa medida, desde que não fiquem em contato direto com os produtos. Deve-se evitar embalar os pães ainda quentes ou mornos, pois isso causaria condensação dentro da embalagem e posterior proliferação de fungos. Também se deve evitar o esfriamento muito lento, para que não ocorra a desintegração do miolo, causando odor desagradável de decomposição de- vido à germinação de esporos de Bacillus subtilis e aumento da viscosidade da massa (ropness). Embalagem ou rotulagem Os pães frios são embalados, por exemplo, com sacos de polipropileno ou polietileno e etiquetados com todas as informações adequadas. Nome do produto, dados do fabricante (nome e CNPJ), lista de ingredientes (do maior para o menor em concentração), aviso sobre se contém glúten ou não, informação nutricional, número de unidades ou peso líquido, validade, cuidados no armazenamento. 13 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Distribuição Pode ser feita em cestas, para o caso de produtos comercializados a granel, ou em prateleiras para os produtos embalados. A higiene na estocagem é fundamental para evitar, sobretudo, a contaminação por esporos de fungos presentes no solo, no ar e nas farinhas. Entretanto, esses esporos germina- rão apenas se os níveis de umidade estiverem elevados. 14 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança As principais etapas de produção em uma confeitaria incluem: seleção de fornecedores, recebimento e armazenamento de mercadorias ou matérias- -primas, pré-preparo, mistura, tratamento térmico, esfriamento, desenfor- magem, montagem ou decoração, embalagem ou rotulagem e distribuição. Confira o fluxograma e verifique a relação entre os processos. Considerando que já abordamos os critérios das três primeiras etapas, va- mos verificar a seguir os demais procedimentos. Etapas de produção no setor de confeitaria * Fique alerta para alguns procedimentos proibidos, segundo o Código de Defesa do Consumidor, quanto aos produtos em exposição à venda: • produtos reetiquetados (uma eti- queta colocada sobre outra); • produtos com validade rasurada; • alimentos sem rastreabilidade, ou seja, sem informação de ori- gem; • produtos com características de- terioradas; • reaproveitamento de qualquer embalagem com rótulo de origem contendo outro produto acon- dicionado. Fique Atento! 15 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Fluxograma de produção - confeitaria Escolha de fornecedores Recebimento de matérias-primas Armazenamento de matérias-primas Pré-preparo Mistura Tratamento térmico Esfriamento Desenformagem Montagem/Decoração Embalagem/Rotulagem Distribuição Pré-preparo Mistura Tratamento térmico Esfriamento Massa Recheio e cobertura 16 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Pré-preparo A etapa de pré-preparo de massas inclui a pesagem e a medição dos in- gredientes. Em relação a coberturas e recheios, essa etapa inclui pesagem, medição de ingredientes, peneiramento, higienização de frutas, descasque e corte de frutas usadas em coberturas. Nas preparações em que os ovos não forem submetidos a tratamentostér- micos, deve-se utilizar ovos pasteurizados, como no preparo de musses, tiramisu, torta alemã e outros. Mistura Essa etapa inclui a mistura dos ingredientes e a colocação em formas ou outros recipientes. Para os recheios e coberturas, a atenção com a higiene é fundamental, principalmente se não houver tratamento térmico envolvido no preparo posterior (por exemplo, chantilly, produtos industrializados, como doces em calda e em massa. Tratamento térmico As massas são assadas para obter textura, aspecto e coloração adequados. Algumas coberturas e recheios também necessitam de tratamento térmi- co. Em geral, como atingem temperaturas muito altas, acima dos critérios mínimos de segurança, o monitoramento é realizado pelas características sensoriais. Esfriamento Após o tratamento térmico, ocorre o esfriamento em temperatura ambiente para dar continuidade ao processo. Deve-se cuidar para que não haja con- taminação pelo ambiente, por exemplo, por poeira, farinha, insetos, entre outros. De acordo com o tipo de recheio e cobertura, pode ser necessário realizar resfriamento de forma forçada. Alguns produtos podem ser armazenados sob refrigeração, devendo-se cumprir o critério de temperatura de até 5ºC. É importante que o estabelecimento defina seus prazos de validade de acordo com a temperatura de armazenamento. 17 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Saiba Mais! HIGIENIZAÇÃO DE FRUTAS Todas as frutas que serão consumidas cruas de- vem ser higienizadas, ou seja, lavadas e sanifica- das. A lavagem deve ser feita em água corrente e tem por finalidade retirar terra, sujeiras, parasitas e insetos, sendo que a sanificação elimina ou reduz bactérias e outros microrganismos a níveis acei- táveis. A sanificação deve ser realizada com solução clo- rada ou outros produtos existentes no mercado, como os que são à base de peróxidos. Os produtos devem ficar em imersão por 15 minutos em solução clorada com concentração entre 100 ppm e 200 ppm. Nos casos de uso de água sanitária, utiliza-se uma colher de sopa para cada litro de água, cor- respondendo a 200 ppm. A água sanitária pode ser utilizada para a sanifi- cação de alimentos, desde que haja essa indicação em sua rotulagem, com notificação ou registro no Ministério da Saúde também descrito no rótulo. Nem toda água sanitária é apropriada para alimen- tos, pois muitas possuem hidróxido de sódio, além do hipoclorito de sódio e água, em sua composição. Se as frutas forem higienizadas e cortadas com an- tecedência, devem ser mantidas sob refrigeração ou congelamento e devidamente identificadas em potes ou cubas. 18 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Desenformagem As massas, após esfriamento, são desenformadas, podendo ou não ser ar- mazenadas sob refrigeração para serem depois montadas ou decoradas. Ao retirar as massas das formas, deve-se cuidar da higiene das superfícies e das mãos. Montagem e decoração Nessa etapa, são imprescindíveis os cuidados com higiene pessoal, ambien- tal e dos equipamentos e utensílios. É recomendável que seja uma área re- frigerada e separada das demais. Caso a manipulação se dê em temperatura ambiente, é recomendável que não ultrapasse 30 minutos. Pesagem, embalagem e rotulagem Os produtos podem ser comercializados por peso ou unidade. No caso de serem pesados, as balanças devem estar calibradas e higienizadas. A mani- pulação deve ocorrer respeitando-se os cuidados com a higiene. A emba- lagem e a rotulagem podem ocorrer antes ou após a exposição na etapa de distribuição. Produtos de confeitaria embalados, por exemplo, com sacos de polipropileno ou polietileno, que serão expostos e comercializados em gôndolas, devem ser etiquetados com todas as informações necessárias. As embalagens devem ser mantidas preferencialmente em armários ou pra- teleiras, protegidas de contaminantes e pragas e separadas de alimentos e produtos de limpeza. Nome do produto, dados do fabricante (nome e CNPJ), lista de ingredientes (do maior para o menor em concentração), aviso sobre se contém glúten ou não, informação nutricional, número de unidades ou peso líquido, validade, cuidados no armazenamento. 19 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Distribuição Alguns produtos permanecem expostos em balcões refrigerados ou vitrines frias ou ainda sob congelamento, embalados ou não. No caso de a embala- gem ser realizada posteriormente à exposição, devem ser seguidos os mes- mos cuidados supracitados no que se refere à atenção com a proteção das embalagens e à manipulação higiênica. 20 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Você já deve ter visto, em propagandas na TV e jor- nais, empresas de automóveis pedindo para que pro- prietários de determinado modelo de veículo entrem em contato para solucionar um problema específico de fabricação. Isso se chama recall ou recolhimento de produto. O recall é uma solicitação do fabricante de devolução de um lote ou de uma linha inteira de um produto, que geralmente ocorre devido a problemas relativos à segurança do produto. Os estabelecimentos de alimentos também devem dispor de um procedi- mento rápido e eficiente de recolhimento de produtos defeituosos no mer- cado, com o objetivo de proteger e preservar a vida, a saúde, a integridade e a segurança do consumidor, bem como evitar prejuízos materiais e morais dos consumidores. Portanto, se você trabalha com atacado ou varejo de produtos alimentícios, deve planejar o auxílio às indústrias no caso de necessidade de recolhimen- to de produtos. Um programa de recolhimento também é necessário para casos de fabricação centralizada de certos produtos, como os de pada- ria – algumas redes optam por fabricar produtos em uma única unidade e distribuí-los às demais lojas. Um programa de recolhimentos deve conter, inicialmente, um bom regis- tro de distribuição. Em caso de necessidade de recolhimento, a primeira providência é verificar para onde os lotes envolvidos foram distribuídos e a segunda, providenciar o recolhimento. Sugerem-se, portanto, registros que contenham os dados completos dos produtos e pontos de recebimento, as- sim como as informações para o contato imediato com os responsáveis pela recepção dos alimentos. Programa de recolhimento para o setor de distribuição de alimentos 21 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança No Brasil, o recall está previsto no Código de Defe- sa do Consumidor, Lei nº 8.078/90. Veja o que o CDC aponta no artigo 10, § 1º. “Artigo 10 – O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocivi- dade ou periculosidade à saúde ou segurança. §1º – O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua introdução no mercado de consumo, tiver conhecimento da periculosidade que apresentem deverá comunicar o fato ime- diatamente às autoridades competentes e aos con- sumidores, mediante anúncios publicitários”. Saiba Mais! 22 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Todos os produtos devem ser codificados por lotes e identificados para pos- sibilitar o rastreamento, cujo objetivo é permitir o resgate do histórico do produto e de seu processo de produção ao longo da cadeia produtiva de alimentos. Quando houver uma situação em que seja necessária a realização do recall, as empresas devem comunicar ao fornecedor a retirada de todas as unidades dos produtos expostos à venda. Os produtos recolhidos devem ser devidamente identificados,mantidos sepa- rados até o destino final, quer seja a destruição, o retorno ao fornecedor para reprocessamento ou o uso para outras finalidades. Alguns procedimentos durante o recall * Os gastos com o recolhi-mento cabem ao responsável pelo pro-duto, que deverá realizar registros in-dicando, no mínimo, o seguinte: nome do produto, marca, número do lote ou data de fabricação e validade, quanti- dade produzida, quantidade recolhida, locais de distribuição, motivo do reco- lhimento, destino final do produto e a pessoa responsável pela operação. Vale ressaltar que, em algumas situa- ções, deverá ser realizada uma comu- nicação à autoridade sanitária e ao público sobre a necessidade de reco- lhimento. Fique Atento! 23 Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Distribuição / Unidade 5: Critérios de segurança Re su min do! Neste segmento, vimos que padarias e confeitarias estão implantando as boas práticas a fim de proporcionar a seus clientes confiança em relação à segurança dos alimentos. Conhecemos, além dos requisitos operacionais, di- ferentes critérios referentes à estrutura física, aos equipamentos e à higiene, todos muito específicos desse setor. Compreendemos, ainda, como deve ser a atuação do setor de atacado ou varejo de alimentos junto à indústria no caso de recolhimento de produtos. Por fim, conhecemos a legislação que prevê o recall no Brasil e algumas orientações a serem seguidas na realização desse procedimento. BoasPraticasintroducao_26_12_12 BoasPraticas1_04_01_13 BoasPraticas2_04_01_13 BoasPraticas3_26_12_12 BoasPraticas4_26-12-12 BoasPraticas5_segmento1 BoasPraticas5_segmento2 BoasPraticas5_segmento3 BoasPraticas5_segmento4 BoasPraticas5_segmento5 BoasPraticas5_segmento6 BoasPraticas5_segmento7