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ENFERMAGEM E HIGIENE HOSPITALAR APLICADA 
PROFª RAYANNI TEIXEIRA 
 
EPIDEMIOLOGIA 
 
Definição de Saúde Pública: “Saúde Pública é a ciência e a arte de evitar doenças, prolongar a 
vida e desenvolver a saúde física e mental e a eficiência, através de esforços organizados da 
comunidade para o saneamento do meio ambiente, o controle de infecções na comunidade, a 
organização de serviços médicos e paramédicos para o diagnóstico precoce e o tratamento 
preventivo de doenças, e o aperfeiçoamento da máquina social que irá assegurar a cada indivíduo, 
dentro da comunidade, um padrão de vida adequado à manutenção da saúde”. (WINSLOW, 1976). 
 
Definição de Epidemiologia: “É a ciência que estuda o processo saúde-doença em coletividades 
humanas, analisando a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades, danos à saúde 
e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas específicas de prevenção, controle, ou 
erradicação de doenças, e fornecendo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, 
administração e avaliação das ações de saúde”. (ROUQUAYROL, 1994). 
 
Modelos explicativos em epidemiologia 
Etiologia: Estudos das causas das doenças. 
Conceitos históricos: 
 
O conceito de saúde e as formas de entendê-lo modificaram-se bastante ao longo do 
tempo. Desde a teoria dos miasmas (odores desagradáveis que emanavam dos doentes e mortos) 
até a descoberta dos microorganismos tivemos uma longa jornada. 
Com a descoberta dos microorganismos houve uma grande tendência a explicar todas as 
doenças pelo contato com o microorganismo causador, na época chamado do germe. Essa forma 
de explicar o adoecimento ficou conhecida como modelo unicausal. 
 
Naquele momento eram desprezados outros fatores, como o ambiente, a condição do 
organismo humano, as questões sociais e econômicas. Outros fatores que não o germe não 
tinham importância para o adoecimento. De acordo com as proposições daquela época seria 
suficiente descobrir qual era o germe e como evitar sua transmissão para solucionar todos os 
problemas de prevenção. O advento dos antibióticos, que resolviam os problemas de muitos 
doentes veio a reforçar essa teoria. 
Essa teoria foi aceita por um longo período, porém aos poucos observou-se que ela não 
explicava todas as situações. Em diversas famílias, a presença de um germe transmitido pelo ar 
não causava a doença em todos os que habitavam a mesma moradia e consequentemente 
respiravam o mesmo germe. Outras dúvidas surgiram ao observar que em algumas doenças não 
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PROFª RAYANNI TEIXEIRA 
 
havia um germe determinante. Não havia outros casos próximos, algumas vezes em quilômetros. 
A partir destas observações foram desenvolvidos diversos modelos multicausais para explicar a 
causa das doenças (etiologia). Vejamos alguns exemplos: 
 
a) Rede de causas: Apresentou uma representação da natureza multicausal dos agravos à saúde, 
enfatizando que a doença não é resultado de um fator único como antes pensavam a respeito dos 
germes. 
 
 
 
b) Múltiplas causas – múltiplos efeitos: Nesta visão encontramos uma versão mais elaborada 
da rede de causas, pois se destaca que as mesmas causas podem determinar diversos efeitos 
em diferentes organismos. 
 
 
 
A partir destas proposições surge o conceito da abordagem sistêmica que significa dizer 
que existem múltiplas explicações para o processo saúde-doença, observe a figura abaixo: 
 
ENFERMAGEM E HIGIENE HOSPITALAR APLICADA 
PROFª RAYANNI TEIXEIRA 
 
 
 
 Segundo Roberts, 1978 sistema é “um conjunto de elementos de tal forma relacionados 
que uma mudança de qualquer elemento provoca mudança no estado dos demais 
elementos” e quando envolve seres vivos, costuma ser designado de ecossistema. Este 
conceito tem sido útil como forma de entender e analisar o processo saúde-doença. 
 
 Sistema Epidemiológico - também segundo Naomar e Rouquayrol, é “o conjunto formado 
por agente, suscetível e pelo meio ambiente, dotado de uma organização interna que 
regula as interações determinantes da produção de doença, juntamente com os fatores 
vinculados a cada um dos elementos do sistema”. Os componentes deste sistema a serem 
considerados podem pertencer ao ambiente, ao agente patogênico ou ao suscetível. 
 
 Sistema epidemiológico-social - San Martin chama de “aquele formado pelo ambiente, 
população, economia e cultura”. Para ele a qualidade e dinâmica deste conjunto, incluindo 
o modo e as relações de produção, o tipo de desenvolvimento econômico, velocidade de 
industrialização, as desigualdades socioeconômicas, a concentração de poder, a 
participação comunitária, a responsabilidade individual e coletiva são essenciais na 
determinação do processo saúde-doença. 
 
História natural das doenças 
 
História natural da doença é o nome dado ao conjunto de processos interativos 
compreendendo as inter-relações do agente, do suscetível e do meio ambiente que afetam o 
processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico 
no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, 
até as alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte. 
A história natural da doença, portanto, tem desenvolvimento em dois períodos 
sequenciados: o período epidemiológico e o período patológico. No primeiro, o interesse é dirigido 
para as relações suscetível-ambiente; no segundo, interessam as modificações que se passam no 
organismo vivo. Abrange, portanto, dois domínios interagentes, consecutivos e mutuamente 
exclusivos, que se completam: o meio ambiente, onde ocorrem as pré-condições, e o meio interno, 
lócus da doença, onde se processaria, de forma progressiva, uma série de modificações 
bioquímicas, fisiológicas e histológicas, próprias de uma determinada enfermidade. 
ENFERMAGEM E HIGIENE HOSPITALAR APLICADA 
PROFª RAYANNI TEIXEIRA 
 
Alguns fatores são limítrofes. Situam-se, de forma indefinida, entre os condicionantes pré-
patogênicos e as patologias explícitas. São anteriores aos primeiros transtornos vinculados a uma 
doença específica, sem se confundir com a mesma e, ao mesmo tempo, são intrínsecos ao 
organismo do suscetível. Em uma situação normal, em ausência de estímulos, jamais se 
exteriorizariam como doenças. Em presença destes fatores intrínsecos preexistentes, os estímulos 
patogênicos. Dentre as pré-condições internas, citam-se os fatores hereditários, congênitos ou 
adquiridos em consequência de alterações orgânicas resultantes de doenças anteriores. 
 
a) Período de pré-patogênese: O primeiro período da história natural: é a própria evolução das 
inter-relações dinâmicas, que envolvem, de um lado, os condicionantes sociais e ambientais e, do 
outro, os fatores próprios do suscetível, até que se chegue a uma configuração favorável á 
instalação da doença. É também a descrição desta evolução. Envolve, como já foi referido antes, 
as inter-relações entre os agentes etiológicos da doença, o suscetível e outros fatores ambientais 
que estimulam o desenvolvimento da enfermidade e as condições sócio-econômico-culturais que 
permitem a existência desses fatores. 
 
b) Período de patogênese: A história natural da doença tem seguimento com a sua implantação 
e evolução no homem. É o período da patogênese. Este período se inicia com as primeiras ações 
que os agentes patogênicos exercem sobre o ser afetado. Seguem-se as perturbações 
bioquímicas em nível celular, continuam com as perturbações na forma e na função, evoluindo 
para defeitos permanentes, cronicidade, morte ou cura. 
 
Tríade de Leavell e Clarck: Hospedeiro – meio ambiente – agente etiológico. 
 
 
 
Níveis de Prevenção de Doenças 
 
a) Prevenção primária: evitar que a doença apareça. Consiste na promoção da saúde 
(inespecífica- ex., alimentação saudável) eproteção específica (medidas específicas- ex., 
vacinação). 
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b) Prevenção secundária: evitar que a doença evolua. Consiste no diagnóstico precoce. 
 
c) Prevenção terciária: recuperar o potencial de saúde do organismo. Consiste em reabilitação. 
 
Os atributos dos agentes etiológicos ou biopatógenos, segundo sua relação com o 
hospedeiro. São fundamentais para o entendimento das doenças infecciosas: 
 
 Infectividade: a capacidade de certos organismos (agentes) de penetrar, se desenvolver 
e/ou se multiplicar em um outro (hospedeiro) ocasionando uma infecção. Exemplo: alta 
infectividade do vírus da gripe e a baixa infectividade dos fungos. 
 
 Patogenicidade: capacidade do agente, uma vez instalado, de produzir sintomas e sinais 
(doença). Ex: é alta no vírus do sarampo, onde a maioria dos infectados tem sintomas e 
a patogenicidade é reduzida do vírus da pólio onde poucos ficam doentes. 
 
 Virulência: capacidade do agente de produzir efeitos graves ou fatais, relaciona-se à 
capacidade de produzir toxinas, de se multiplicar etc. Ex: baixa virulência do vírus da gripe 
e do sarampo em relação à alta virulência dos vírus da raiva e do HIV. 
 
 Imunogenicidade: capacidade do agente de, após a infecção, induzir a imunidade no 
hospedeiro. Ex: alta nos vírus da rubéola, do sarampo, da caxumba que imunizam em 
geral por toda a vida, em relação à baixa imunogenicidade do vírus da gripe, da dengue, 
das shiguelas e das salmonelas que só conferem imunidade relativa e temporária. 
 
 Dose infectante: quantidade do agente etiológico necessária para iniciar uma infecção. 
O poder invasivo é a capacidade do agente de se difundir através dos tecidos, órgão e 
sistemas anátomo-fisiológicos do hospedeiros. 
 
 Poder Invasivo: capacidade que tem o parasita de se difundir, através de tecidos, órgãos 
e sistemas anatomofisiológicos do hospedeiro. Há parasitas que se multiplicam em tecidos 
superficiais, como no caso do microsporum canis, agente de Tinea corporis. Há os que se 
multiplicam nos vasos linfáticos e tecidos adjacentes, formando os bubões, como Yersinia 
pestis na peste bubônica. Outros se instalam em órgãos, sendo a tuberculose pulmonar é 
o exemplo clássico. E ainda há os que invadem a corrente sanguínea, produzindo 
septicemia, como o Stafilococus sp. 
 
HOSPEDEIRO: Ser vivo que oferece, em condições naturais, subsistência ou alojamento a 
um agente infeccioso (OPAS 92). 
Pode ser humano ou outro animal (inclusive aves e artrópodes) Hospedeiro primário ou 
definitivo é onde o agente atinge a maturidade ou passa sua fase sexuada; hospedeiro 
intermediário ou secundário é aquele onde o parasita se encontra em forma assexuada ou larvária. 
No modelo sistêmico o Homem pode ser hospedeiro intermediário ou definitivo. Como em todos 
os modelos, também no modelo sistêmico, nas doenças infecciosas são importantes os atributos 
do hospedeiro em sua relação com o agente patogênico: 
 
 Resistência: conjunto de mecanismos do organismo que servem de defesa contra a 
invasão ou multiplicação de agentes infecciosos ou contra efeitos nocivos de seus 
produtos tóxicos e depende da nutrição, da capacidade de reação a estímulos do meio, 
de fatores genéticos, da saúde geral, estresse, ou da imunidade. Resistência Natural é 
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aquela que independe de anticorpos ou de reação específica dos organismos e resulta de 
fatores anatômicos, fisiológicos, e outros intrínsecos do hospedeiro; pode ser genética, 
adquirida, permanente ou temporária. 
 
 Imunidade: subtipo de resistência, específica, associada à presença de anticorpos que 
possuem ação específica sobre o microorganismo responsável por uma doença infecciosa 
ou sobre suas toxinas (OPS/OMS, 92). 
 
 Suscetibilidade: medida de fragilidade, a possibilidade adoecimento por determinado 
agente, fator de risco ou conjunto de causas. A suscetibilidade de uma espécie ocorre 
quando esta está sujeita a determinada infecção ou doença. Dentro da mesma espécie, 
há indivíduos resistentes e suscetíveis a uma infecção; a suscetibilidade individual é, 
portanto, o estado de qualquer pessoa (ou animal) que não apresenta defesa ou 
resistência contra o agente infeccioso e por essa razão pode adoecer ao entrar em contato 
com este. 
 
Em se falando de doenças infecciosas a suscetibilidade é absoluta, pois o indivíduo é 
susceptível ou não; porém, quando tratamos das não infecciosas podemos falar em grau variável 
de susceptibilidade, isto é, alguns indivíduos podem ficar expostos por muito tempo a um 
determinado fator de risco em altas concentrações e não adoecer enquanto outros em exposições 
com pequenas concentrações e/ou pouco tempo, adoecem. 
 
PORTADORES são os que têm o agente infeccioso, podem transmiti-lo, mas no momento 
não apresentam sintomas. 
 
 Portadores ativos ou já tiveram sintomas ou virão a tê-los. 
 
 Portadores passivos são os que nunca apresentaram ou apresentarão sintomas; estes 
são os mais importantes epidemiologicamente por difundirem o agente etiológico contínua 
ou intermitentemente apesar de passarem desapercebidos. 
 
RESERVATÓRIO de agentes infecciosos (reservatório de bioagentes): é o ser humano ou 
animal, artrópode, planta, solo ou matéria inanimada em que um agente normalmente vive, se 
multiplica ou sobrevive e do qual tem o poder de ser transmitido a um hospedeiro susceptível. 
Classificam-se as doenças segundo seu reservatório como: 
 Antroponose: Infecção cuja transmissão se restringe aos seres humanos. Ex: hanseníase. 
 Antropozoonose: Infecção transmitida ao homem a partir de reservatório animal. Ex: 
Leptospirose. 
 Anfixenoses: onde homens e animais são reservatórios. Ex: leishimaniose. 
 Fitonose: Infecção transmissível ao homem, cujo agente tem os vegetais como 
reservatórios. Ex: Blastomicose. 
 Zooantroponose: Infecção transmitida aos animais a partir de reservatório humano. Ex: 
Amebíase (do homem para o cão). 
 Zoonoses: Infecção ou doença infecciosa transmissível, sob condições naturais, de 
homens a animais, e vice-versa. (São consideradas zoonoses as antropozoonoses, as 
zooantroponoses e as anfixenoses). 
 
Obs.: Os reservatórios humanos incluem os portadores e os doentes (casos clínicos). 
 
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VETORES são seres vivos que veiculam o agente desde o reservatório até o hospedeiro 
potencial. 
 
 Vetores mecânicos: são os transportadores de agentes, geralmente insetos, que os 
carreiam nas patas, probóscides, asas ou trato gastro-intestinal contaminados e onde não 
há multiplicação ou modificação do agente. 
 
 Vetores biológicos: são aqueles em que os agentes desenvolvem algum ciclo vital antes 
de serem disseminados ou inoculados no hospedeiro. 
 
VEÍCULOS são fontes secundárias, intermediárias entre o reservatório e o hospedeiro como 
objetos e materiais (alimentos, água, roupas, instrumentos cirúrgicos, etc.). 
 
Fômites: Objetos de uso pessoal do caso clínico ou portador, que podem estar contaminados e 
transmitir agentes infecciosos, cujo controle é feito por meio da desinfecção. 
 
Quanto ao processo de adoecimento e seus períodos: 
 
 Período de Incubação é o intervalo de tempo que decorre desde a penetração do agente 
etiológico no hospedeiro (indivíduo já está infectado), até o aparecimento dos sinais e 
sintomas da doença, variando de acordo com a doença considerada. 
 
 Período de Transmissibilidade é aquele em que o indivíduo é capaz de transmitir a doença 
quer esteja ou não com sintomas. 
 
 Período prodrômico é o período que abrange o intervalo entre os primeiros sintomas da 
doença e o início dos sinais ou sintomas que lhe são característicos e,portanto, com os 
quais o diagnóstico clínico pode ser estabelecido. Pródromos são os sintomas indicativos 
do início de uma doença. 
 
ENDEMIA 
 
É a ocorrência de determinada doença que acomete sistematicamente populações em 
espaços característicos e determinados, no decorrer de um longo período, (temporalmente 
ilimitada), e que mantém uma de incidência relativamente constante, permitindo variações cíclicas 
e sazonais. 
 
EPIDEMIA 
 
É a ocorrência em uma comunidade ou região de casos de natureza semelhante, 
claramente excessiva em relação ao esperado. O conceito operativo usado na epidemiologia é: 
uma alteração, espacial e cronologicamente delimitada, do estado de saúde-doença de uma 
população, caracterizada por uma elevação inesperada e descontrolada dos coeficientes de 
incidência de determinada doença, ultrapassando valores do limiar epidêmico preestabelecido 
para aquela circunstância e doença. 
 
PANDEMIA 
 
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PROFª RAYANNI TEIXEIRA 
 
Caracterizada por uma ocorrência epidêmica com larga distribuição geográfica, atingindo 
mais de um país ou de um continente. Um exemplo típico deste evento é a epidemia de AIDS que 
atinge todos os continentes. 
 
SURTO 
 
É a ocorrência de dois ou mais casos epidemiologicamente relacionados – Alguns autores 
denominam surto epidêmico, ou surto, a ocorrência de uma doença ou fenômeno restrita a um 
espaço extremamente delimitado: colégio, quartel, creches, grupos reunidos em uma festa, um 
quarteirão, uma favela, um bairro etc. 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
A Lei Orgânica da Saúde conceitua Vigilância Epidemiológica (VE) como um “conjunto de 
ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos 
fatores determinantes e condicionantes da saúde individual ou coletiva, com a finalidade de 
recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos”. 
Os propósito principal da vigilância epidemiológica é fornecer orientação técnica 
permanente para os que têm a responsabilidade de decidir sobre a execução de ações de controle 
de doenças e agravos. 
 
MEDIDAS GERAIS DE PROFILAXIA E CONTROLE 
 
a) Imunidade de rebanho ou imunidade coletiva: é a resistência de um grupo ou população à 
introdução e disseminação de um agente infeccioso. Essa resistência é baseada na elevada 
proporção de indivíduos imunes entre os membros desse grupo ou população e na uniforme 
distribuição desses indivíduos imunes. 
 
b) Isolamento: segregação de um caso clínico do convívio das outras pessoas durante o período 
de transmissibilidade, a fim de evitar que os suscetíveis sejam infectados. Em certos casos, o 
isolamento pode ser domiciliar ou hospitalar; em geral, é preferível este último, por ser mais 
eficiente. • Profilaxia: conjunto de medidas que têm por finalidade prevenir ou atenuar as doenças, 
suas complicações e consequências. 
 
c) Quarentena: isolamento de indivíduos ou animais sadios pelo período máximo de incubação 
da doença, contado a partir da data do último contato com um caso clínico ou portador, ou da data 
em que esse comunicante sadio abandonou o local em que se encontrava a fonte de infecção. Na 
prática, a quarentena é aplicada no caso das doenças quarentenárias. 
d) Quimioprofilaxia: administração de uma droga, inclusive antibióticos, para prevenir uma 
infecção ou a progressão de uma infecção com manifestações da doença. 
 
e) Tratamento profilático: tratamento de um caso clínico ou de um portador com a finalidade de 
reduzir o período de transmissibilidade 
 
LISTA NACIONAL DE DOENÇAS E AGRAVOS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA PORTARIA 
Nº PORTARIA No-204, DE 17 DE FEVEREIRO DE 2016 
 
Define a Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de 
saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional, nos termos 
do anexo, e dá outras providências. 
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PROFª RAYANNI TEIXEIRA 
 
Art. 2º Para fins de notificação compulsória de importância nacional, serão considerados 
os seguintes conceitos: 
I - agravo: qualquer dano à integridade física ou mental do indivíduo, provocado por 
circunstâncias nocivas, tais como acidentes, intoxicações por substâncias químicas, abuso de 
drogas ou lesões decorrentes de violências interpessoais, como agressões e maus tratos, e lesão 
autoprovocada; 
II - autoridades de saúde: o Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde dos Estados, 
Distrito Federal e Municípios, responsáveis pela vigilância em saúde em cada esfera de gestão do 
Sistema Único de Saúde (SUS); 
III - doença: enfermidade ou estado clínico, independente de origem ou fonte, que 
represente ou possa representar um dano significativo para os seres humanos; 
IV - epizootia: doença ou morte de animal ou de grupo de animais que possa apresentar 
riscos à saúde pública; 
V - evento de saúde pública (ESP): situação que pode constituir potencial ameaça à 
saúde pública, como a ocorrência de surto ou epidemia, doença ou agravo de causa 
desconhecida, alteração no padrão clínico-epidemiológico das doenças conhecidas, considerando 
o potencial de disseminação, a magnitude, a gravidade, a severidade, a transcendência e a 
vulnerabilidade, bem como epizootias ou agravos decorrentes de desastres ou acidentes; 
VI - notificação compulsória: comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada 
pelos médicos, profissionais de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos 
ou privados, sobre a ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde 
pública, descritos no anexo, podendo ser imediata ou semanal; 
VII - notificação compulsória imediata (NCI): notificação compulsória realizada em até 
24 (vinte e quatro) horas, a partir do conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou evento de 
saúde pública, pelo meio de comunicação mais rápido disponível; 
VIII - notificação compulsória semanal (NCS): notificação compulsória realizada em até 
7 (sete) dias, a partir do conhecimento da ocorrência de doença ou agravo; 
IX - notificação compulsória negativa: comunicação semanal realizada pelo 
responsável pelo estabelecimento de saúde à autoridade de saúde, informando que na semana 
epidemiológica não foi identificado nenhuma doença, agravo ou evento de saúde pública constante 
da Lista de Notificação Compulsória; e 
X - vigilância sentinela: modelo de vigilância realizada a partir de estabelecimento de 
saúde estratégico para a vigilância de morbidade, mortalidade ou agentes etiológicos de interesse 
para a saúde pública, com participação facultativa, segundo norma técnica específica estabelecida 
pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS). 
 
 
 
INDICADORES DE SAÚDE 
 
Em termos gerais, os indicadores são medidas-síntese que contêm informação relevante 
sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do desempenho do 
sistema de saúde. Vistos em conjunto, devem refletir a situação sanitária de uma população e 
servir para a vigilância das condições de saúde. Os indicadores mais utilizados em epidemiologia 
podem ser divididos em 2 grandes grupos: indicadores de mortalidade e de frequência. 
A mortalidade é um dos mais importantes indicadores de saúde. Devemos entendê-la não 
apenas como o final do processo vital, mas também, para grande parte dos casos, como uma falha 
completa do sistema de saúde (falha na prevenção e na assistência em todos os momentos ao 
longo da vida do indivíduo). Portanto, medir a mortalidade é medir, genericamente, a emergência 
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em saúde pública. Há três tipos principais de Indicadores de Mortalidade: Taxas, Proporções, 
Letalidade. 
 
MEDIDAS E COEFICIENTES MAIS UTILIZADOS EM SAÚDE PÚBLICA 
 
 Coeficiente deMortalidade Geral – CMG: 
Número total de óbitos, no período x 1.000 (10³) 
População total, na metade do período 
 Coeficiente de Mortalidade por Sexo: 
Número de óbitos de um dado sexo, no período__ x 1.000 (10³). 
População do mesmo sexo, na metade do período. 
 Coeficiente de Mortalidade por Idade – CMI: 
Número de óbitos de um grupo etário, no período x 100mil 
População do mesmo grupo etário, na metade do período. 
 Coeficiente de Mortalidade por Causa - CMC: 
N° de óbitos por determinada causa (ou grupo causas), no período x100 mil (105). 
População na metade do período. 
 Coeficiente de Mortalidade Materna - CMM: 
Nº de óbitos p/ causas ligadas à gravidez, parto, puerpério, no período x1000 (10³). 
Número de nascidos vivos, no período. 
 Coeficiente de Mortalidade Infantil – CMI: 
Nº de óbitos de crianças menores de um ano de idade, no período x 1.000 (10³). 
Número de nascidos vivos, no período. 
 Coeficiente de Mortalidade Infantil Precoce (ou Neonatal) - CMIP: 
N° de óbitos crianças nas primeiras quatro semanas de vida, no período x 1.000 (10³). 
Número de nascidos vivos, no período. 
 Coeficiente de Mortalidade Neonatal Precoce: 
Número de óbitos de crianças na primeira semana de vida, no período x 1.000 (10³). 
Número de nascidos vivos, no período. 
 Coeficiente de Mortalidade Neonatal Tardia: 
Número de óbitos de crianças, na 2ª, ª e 4ª semana de vida, no período x 1.000 (10³). 
Número de nascidos vivos, no período. 
 Coeficiente de Mortalidade Infantil Tardia (ou Pós-Neonatal) - CMIP: 
Número de óbitos de crianças de 28 dias até 1 ano de idade, no período x 1.000 (10³). 
Número de nascidos vivos, no período. 
 Coeficiente de Mortalidade Perinatal: 
Número de óbitos fetais (com 22 semanas ou mais de gestação), acrescido do número de óbitos 
na primeira semana de vida, no período x 1.000 (10³) 
Número de nascidos vivos e de natimortos, no período. 
 Coeficiente de Natimortalidade: 
Número de natimortos, no período x 1.000 (10³). 
Número de nascidos vivos e de natimortos, no período. 
 Mortalidade Proporcional por causas: 
Número de óbitos por determinada causa (ou grupo de causas), no período x 100. 
Todos os óbitos, no período. 
 Mortalidade Proporcional de menores de um ano: 
Número de óbitos de crianças menores de um ano, no período x 100. 
Todos os óbitos, no período. 
 Mortalidade Proporcional de 50 anos ou mais: 
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Número de óbitos de maiores de 50 anos, no período x 100. 
Todos os óbitos, no período. 
 Coeficiente de Letalidade (ou Fatalidade): 
Número de óbitos por determinada doença x 100. 
Número de casos da mesma doença. 
 Razão de Mortalidade Proporcional (RMP) ou Indicador de Swaroop-Uemura ou RMP: 
Nº de óbitos em > de 50 anos, em um dado local e período x 100. 
Nº total de óbitos no mesmo local e período. 
 Coeficiente de Incidência: 
Nº casos novos da doença /local/período x 10 n. 
População do mesmo local e período. 
 Coeficiente de Prevalência: 
Nº casos existentes (novos + ant.) /local/momento/período x 10 n. 
População do mesmo local e período. 
 Taxa de ataque: 
Nº de casos da doença em um dado local e período x 100. 
População exposta ao risco.

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