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INVESTIGAÇÃO DO PODER TAMPÃO Físico-Química Experimental Profª. Célia Alunas: Ariane Silva Amaral Bruno Costa Nascimento João Henrique Lins Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2018. INTRODUÇÃO Um tampão é uma solução em que ao adicionar pequenas quantidades de ácido ou base, o pH do meio se mantém. Esta solução é geralmente formada por um ácido fraco e um sal de sua base conjugada, como ácido acético e acetato de sódio (tampão acético) ou uma base fraca e o sal de seu ácido conjugado, como hidróxido de amônio e cloreto de amônio (tampão amoniacal). No caso do experimento relatado neste documento foram utilizados Na2HPO4 e KH2PO4 e as reações de adições de pequenas quantidades de base e ácido ao tampão: H2PO4- + OH- ⇆ HPO42- + H2O HPO4- + H3O+ ⇆ H2PO4- + H2O Com adição de íons hidroxila e hidrônio na solução não varia o pH, já que estes são consumidos pelos ácido ou base do sistema. O pH é mantido por conta do equilíbrio que há entre o ácido e a base no meio aquoso: H2PO4- ⇆ HPO42- + H+, dessa forma o ácido ou base gerados promovem um novo equilíbrio ao sistema. O pH da solução pode ser obtido pela equação de Henderson-Hasselbalch: Desta forma o pH depende apenas das concentrações de ácido e base utilizadas no preparo da solução e o valor de pKa da reação de equilíbrio, e com isto pode-se preparar uma solução tampão no pH desejado. Esta é uma função destas soluções em que se armazenam compostos que precisam estar em um meio que sofra pequenas variações de pH. Outra forma de determinar o pH de uma solução é experimentalmente, utilizando um pHmetro, aparelho que utiliza um eletrodo que é imerso na solução sob agitação e verifica o pH. Com esta técnica, é possível obter as concentrações de base e ácido necessárias para a formulação de uma solução tampão em seu mais alto poder tamponante, onde o pH do meio resiste mais facilmente à adição de outras bases e ácidos. A variação do pH de um tampão em relação a mudança das concentrações de um de seus constituintes obedece uma equação polinomial do 3º grau que graficamente tem uma forma semelhante à uma letra S. Aplicando-se a derivada desta equação obtém-se uma equação polinomial do 2º grau, ou seja, uma parábola. Porém esta parábola, apresenta valores negativos, assim são utilizados os valores absolutos de 𝝏(pH)/𝝏[ácido ou base], uma vez que na prática não existem valores abaixo de zero para o pH. Para se determinar o valor do pH em que a solução possui o seu máximo poder tamponante faz-se um cálculo do valor mínimo do gráfico pela expressão Vmín = -Δ/4a, ou seja, neste ponto tem-se a menor variação de pH ao se alterar as concentrações dos constituintes da solução. OBJETIVO Verificar experimentalmente se o poder tamponante da mistura Na2HPO4 e KH2PO4 é máximo quando [ácido] = [sal]. RESULTADOS E DISCUSSÃO A capacidade tamponante é uma indicação da quantidade de ácido ou base que pode ser adicionada antes do tampão perder sua habilidade de resistir à mudança de pH. Ela depende também da quantidade total do ácido conjugado e da base disponíveis. As segunda e terceira ionizações do ácido fosfórico (H3PO4) são fracas, permitindo assim seu uso em sistema tampão. Utilizou-se um pHmetro para medir sucessivas soluções com diferentes concentrações de HPO42- e de H2PO4-, para que assim investigue-se o poder de tamponamento. Tabela 1. Dados obtidos experimentalmente. Amostra pH Cb (M) -(𝝏pH/𝝏Cb) 1 4,04 0,05 266,07 2 5,22 0,048 228,34 3 5,67 0,045 177,60 4 6,19 0,04 108,63 5 6,52 0,035 59,16 6 6,66 0,03 29,19 7 6,87 0,025 18,73 8 7,17 0,02 27,76 9 7,39 0,015 56,30 10 7,70 0,01 104,34 11 8,10 0,005 171,88 12 9,47 0 258,92 Gráfico 1. pH x Concentração de ácido Pode-se observar que o gráfico resultante apresentou característica de uma equação de terceiro grau, assemelhando-se a um “S”, mas também que a zona de tamponamento é justamente quando as concentrações dos dois intermediários são bem próximas. É notado que quando as concentrações se tornam próximas, o pH varia pouco comparado aos extremos. No meio do gráfico, ou seja, quando as concentrações de base e ácido são iguais, a curva apresenta uma mudança de concavidade que pode ser verificada ao derivar, em relação a concentração de B, a equação obtida. A partir do gráfico seguinte, ao derivar a equação obtida anteriormente, nota-se que existe um mínimo, este ponto significa a variação de pH à mudança de quantidade de B é zero e também confirma a mudança de concavidade verificada no gráfico anterior. Neste caso, tomam-se valores absolutos já que não há valores negativos para pH, então representa o poder tampão máximo, que é aproximadamente quando há quantidades iguais de ácido e base conjugados. Gráfico 2. -(𝝏pH/𝝏Cb) x Concentração de ácido CONCLUSÃO Para efetuar corretamente a escolha de um tampão que vai ser utilizado em determinado processo, precisa-se ter ideia não somente do pH do tampão, mas do quanto se deve adicionar deste tampão para que ele possa atuar efetivamente dentro da sua capacidade tamponante. Além disso, é necessário saber quais as concentrações totais de cada espécie presente dentro da solução tampão, já que estas quantidades é que garantirão ou não, a realização do processo em um pH desejado e controlado. REFERÊNCIAS Roteiro da prática de Verificação experimental da Lei de Lambert-Beer. Físico-química experimental-UFRJ.