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Distócia de Parto

Notas de ginecologia e obstetrícia sobre distocias: define o conceito e o tripé (trajeto, objeto, força), descreve riscos materno‑fetais, explica distocia funcional e suas classificações (hipoatividade primária/secundária, hiperatividade, hipertonia) e discute manejo (amniotomia, ocitocina).

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GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA 
Elaborado por Leandro Moraes 
Distocias 
Esse assunto será o desfecho, já vimos assistência ao parto; modificações no organismo; 
mecanismo que o feto faz para passar pelo trajeto e os sinais e sintomas que a mulher sente 
durante o período de trabalho de parto. Veremos aquele empecilho que impede todo esse 
progresso, que pode dificultar ou impedir o trabalho de parto ou a própria ação do mesmo, e a 
isso chamamos de distocia. 
Dis = dificuldade tocia= parto (dificuldade do parto). 
Então distocia é toda dificuldade ou anormalidade que pode ser encontrada durante o trabalho 
de parto, não apenas relacionado com o feto. 
Estudamos no mecanismo de parto que existe um tripé: 
 Trajeto - Parte óssea e mole: parte óssea é a bacia e parte mole é o útero, vagina e vulva. 
 Objeto – Feto. 
 Força – Útero e a sua função que é fazer a contração acontecer, dilatar o colo e expulsar 
o objeto. 
Em cada um destes parâmetros existem dificuldades que muitas vezes impedem o trabalho do 
parto, então há uma necessidade em identificar e identificando podemos contornar, tentar fazer 
o trabalho de parto com o mínimo de dificuldade e fazer acontecer. Quando não identificamos 
e às vezes forçamos a situação, acaba por levar a alguns riscos para a mãe e para o feto, 
como: infecção; parada de troca sanguínea longa; rotura prematura que ficou exposta a flora 
vaginal; lacerações do assoalho pélvico por algumas manobras que são traumáticas (não só 
física, mas também psicológicas); presença de fístulas quando se faz uma episiotomia muito 
grande e acaba lesando o reto; sofrimento fetal agudo; tocotraumatismo (trauma em membro 
superior, inferior ou na calota craniana); levar o feto a um estresse, hipóxia, por exemplo, e no 
ultimo caso, óbito. Portanto, é muito importante encontrar a anormalidade e tentar contornar, 
algo que não é fácil. 
Começaremos a falar primeiro da DISTOCIA FUNCIONAL que envolve a força contrátil, o 
miométrio, músculo principal que vai impulsionar o objeto passar pelo trajeto. 
A distocia funcional está relacionada à força contrátil que vai impulsionar esse objeto a passar 
pelo trajeto. É neste momento, que em algumas situações, entra a portaria do parto 
humanizado, pelo fato de existir médicos que utilizam de forma indiscriminada os ocitócinos, 
neste caso, deve-se avaliar bem a paciente, o tamanho do feto, a gestação e a presença de 
comorbidades. 
A DISTOCIA FUNCIONAL da contração uterina pode ser classificada em: HIPOATIVIDADE (primária 
ou secundária), HIPERATIVIDADE (com ou sem obstrução) e HIPERTONIA, associada ao caso de 
polissistolia, de superdistenção e de descolamento prematuro de placenta (DPP). (Tabela 1.) 
 
É importante verificar a intensidade e a frequência das contrações para poder identificar a 
anormalidade, por exemplo: numa contração mais longa, quando se aperta muito a cavidade 
uterina, lembrando que lá existe um ser que também tem circulação sanguínea, então já se 
imagina o que pode acontecer, o bebê fica “sem sangue”, levando em alguns casos, para 
hipóxia e esta, se não tomar o devido cuidado, acaba levando para o óbito. Então é preciso 
identificar, ficar atento para essas contrações, não usar de forma indiscriminada a ocitocina. 
DISTOCIA POR HIPOATIVIDADE 
A HIPOATIVIDADE é caracterizada por contrações fracas e deficientes, contrações que não 
atingem o limiar de eficácia, abaixo do padrão de trabalho de parto, frequência diminuída, 
intensidade menor que 25 mmHg. (A contração deve ser duas ou mais com intensidade). 
O trabalho de parto, com toda essa configuração, se torna lento. Em algumas situações pega-se 
paciente na fase de latência, tem uma dilatação, mas não tem uma contração eficaz, ela tem 
uma hipoatividade. 
Essa hipoatividade pode ser: 
 Primária: É aquela que sempre foi lenta e ineficaz, desde a entrada com esse padrão. 
 Secundária: Nesta, a paciente tinha contrações eficazes, mas de uma hora para outra ela 
deixa esse padrão, evoluindo para diminuição. 
Quando se tem uma paciente com esse tipo (não sei a qual ele se refere, se primária ou 
secundária), precisa dar uma “engrenada nesse motor”, em alguns casos pode-se fazer a 
amniotomia – romper a bolsa antes da hora, mas não é em todos os casos, por exemplo: 
paciente com 3cm, rompe-se a bolsa, neste caso será Iatrogenia. É naquela paciente com colo 
fino, apagado, bem dilatado, bolsa protusa, então se estourar a bolsa irá facilitar; ou então usar 
um ocitócino, um medicamento uterotônico, é preciso que esse útero comece a contrair. Porém, 
usar com critérios, não é só fazer e ir embora. Então se usa esse método quando se tem 
contrações fracas e ineficientes. É aquela paciente que já foi avaliada, examinada, percebe 
que o trabalho de parto está arrastado, então precisa usar ocitocina, não existe trabalho de 
parto de 24 horas. 
O objetivo de se fazer ocitocina é que o padrão de dilatação seja de 1-2 cm por hora, se caso 
isso não acontecer terá uma incoordenação uterina, nesse caso, a saída é a cesariana. 
 
 
DISTOCIA POR HIPERATIVIDADE 
Na hiperatividade, paciente que tem contrações exacerbadas, uma atrás da outra, uma 
frequência aumentada, 5 contrações em 10 min com a intensidade maior que 50 mmHg, às 
vezes até 60mmHg , podendo romper o útero de tanta força. Em algumas situações, essa 
contração, frequência e duração estão tão aumentados porque se está tentando passar um 
objeto por um trajeto estreito, então pensar em: desproporção céfalo-pélvica, em relação ao 
feto e a pelve feminina, isso quando se trata de obstrução, mas pode haver pacientes que não 
tenha obstrução nenhuma, então falamos em parto taquitóxico, é aquele parto incoordenado 
que está com a frequência e intensidade aumentada, mas não tem obstrução, muitas das vezes 
relacionada com o uso indiscriminado da ocitocina. 
Em se tratando dos partos com hiperatividade, o parto se torna rápido, alguns autores 
descrevem como parto em avalanche, isso pode levar a mulher ter lacerações muito extensas, 
terceiro e quarto grau, e o feto pode ter hemorragia intracraniana. 
A conduta seria: evitar essas complicações, nesse parto taquitóxico dá pra fazer episiotomia, 
fazer esse procedimento em algumas situações pode diminuir a pressão. Naquelas situações em 
que se faz a amniotomia, em que há a diminuição da pressão intra-uterina, pode ajudar. Depois 
do parto acontecido, revisar canal de parto e observar se tem laceração, isso são condutas que 
podem melhorar a situação. 
DISTOCIA POR HIPERTONIA 
Hipertonia não está relacionado em relação à frequência em si, mas com a duração com que o 
útero fica endurecido, o tônus uterino. É aquela paciente que você palpa e tem um útero em 
“lenha”, muito duro. Polissistolia quando relaciona esse tônus com a frequência das contrações, 
ou seja, está duro por 5 ou mais contrações em 10 min, sem tempo para relaxar. 
Hiperestimulação, principal causa, se dá por uso de ocitócinos. Quando se estimula com a 
ocitocina existe um “porém”, quando se trata de distocia funcional de contração, para acelerar 
o trabalho de parto, mas se o feto não estiver preparado para aquele aumento de frequência 
ele pode ter consequências, e uma das alterações que se pode ter é na vitalidade fetal, as 
bradicardias. Uma situação de sofrimento fetal identificada pela cardiotocografia. 
Quando se tem uma taquissistolia, mas sem hiperestimulação, não se tem alteração do BCF, seja 
por uma alteração idiopática, por infecção urinária, mas sem usar citocina. 
Conduta: O que se pode fazer para diminuir essa hipertonia? Decúbito lateral esquerdo diminui a 
pressão dos grandes vasos, melhora a circulação do feto ou aminiotomia, se não acontecer, 
suspensão de ocitócinos e interromper agestação. 
Outro caso que pode levar a uma distocia funcional, e aqui é por superdistensão, gemelaridade 
e polidramnia. Têm-se dois bebês na cavidade uterina e esse útero para tentar expulsar os dois 
aumenta a frequência e a intensidade, porém, chega uma hora que não dá, ele fadiga, 
levando a atonia uterina. Outra coisa é a polidramnia, muito líquido. Em caso descolamento de 
placenta, muito relacionada com paciente com doença hipertensiva na gestação, também 
pode ter essa hipertonia, tônus aumentado, por causa do sangue acumulado, que pode ou não 
ser expulso. Portanto, são duas situações que deve ter atenção em caso de hipertonia e aí 
amniotomia ou aminiocentese, nessa última se fura a barriga para retirada de líquido, essa 
retirada é aos poucos, pois se for em grande quantidade tem grande risco de descolamento. É 
um procedimento que só deve ser feito por pessoas totalmente habilitadas, nenhum médico faz 
amniocentese. 
DISTOCIA POR DILATAÇÃO 
Outra situação é a distocia por dilatação, tem-se a contração, porém, não tem dilatação 
cervical, e o que poderia está relacionada com essa falta de dilatação cervical? – Estenose, 
devido ao colo estar fibrosado. Esses tipos de distocias são dolorosas, pode-se fazer analgesia, 
peridural, fazer amniotomia e em última caso utilizar ou não a ocitocina, pode-se usar também o 
misoprostol em micro doses (5 microgramas). Na literatura, quando situações diagnosticadas, 
medidas terapêuticas tomadas e mesmo assim não houver sucesso [...] (nesse trecho, ele se 
distanciou e falou super baixo, ficou impossível entender, mas pelo contexto, acredito que se 
faça cesariana). 
ANORMALIDADES DO TRAJETO 
Anteriormente falamos de distocia funcional, agora vamos falar sobre a DISTOCIA DO TRAJETO. 
Lembra que o trajeto tem duas partes: óssea e mole. A óssea tem-se distocia relacionada à 
dificuldade no estreito superior, médio e inferior da bacia, relacionando com os diâmetros. De 
partes moles, relaciona-se com alguma anormalidade relacionada com vulva, períneo, vagina e 
colo, um desses fatores obstruindo o trajeto. Relacionada à bacia, pode-se ter distocia 
relacionada à desproporção, lembrar dos quatro tipos de bacia com suas dimensões e 
inclinações, lembrar que existem variações anatômicas da bacia, um sacro alargado, coxis mais 
curtos, ângulo mais estreito. O que se leva em conta são os limites de estreito superior, quando se 
tem um diâmetro antero-posterior menor que 10 cm; quando um diâmetro transverso menor que 
12 cm; estreito médio com isquiático menor que 9,5 cm; estreito inferior que é muito raro e aqui 
se pode fazer a de manobra de McRoberts - afasta-se as pernas e com isso abre o estreito 
inferior (figura 5). Ainda tem a conjugata exitus, se tem facilidades, mas mesmo assim se diâmetro 
bituberoso for menor que 8 não tem condições de passar, fica dificultoso. Então como é que 
vou identificar uma anormalidade da bacia? medir, tocar, sentir o promontório, verificar quanto 
mede a conjugada diagonalis (fig. 1) verificar o ângulo se é muito estreito. Em alguns casos você 
pode utilizar da prova de parto pra definir a situação, com intervalo de 1 hora, resolveu a 
situação, mudou?, não mudou?, cesariana! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A intensão é vencer os estreitos da bacia, ele não vence a altura, continua em - 2 , - 1 de DeLee, 
a tentativa é fazer com que ele desça, posicione a cabeça. 
Na DISTOCIA DE PARTES MOLES existem várias coisas que podem estar obstruindo o canal, no 
colo, por exemplo, pode-se ter um câncer de colo uterino, mioma, pólipo. Na vagina pode-se ter 
condiloma. Quando é que as lesões causadas pelo HPV são obstáculos para o parto? Quando a 
massa ocluir o canal, lesões causadas por HPV só são indicação absoluta quando oclui o canal. 
Na vulva tem-se estenose, condiloma, já na vagina podem-se ter septos que podem ser 
seccionados se houver a possibilidade. No colo pode haver uma hipertrofia, estenose ou até 
mesmo estar edemaciado, e lembrar dos tumores pélvicos, tudo isso serve como obstáculo para 
o parto, quando se tem isso, cesariana! Então, nem sempre o parto vaginal acontece porque o 
menino é grande. 
Mas quando envolve o feto, o objeto, na maioria das vezes é um feto com peso acima de 4 kg e 
pode-se ter essa estimativa pela USG, então se pede as medidas do feto e põe em um soft, 
nesse caso se tem uma estimativa de peso. Lembrar que se pode ter uma definição de distocia 
quando se tem a medida da altura uterina acima do percentil 95 e quando se está medindo a 
mãe (neste trecho ficou confuso, acredito que seja da seguinte forma: nas medidas 
antropométricas da grávida, mães que estejam no percentil acima de 95 podem desenvolver 
bebês macrossômicos, dificultando o trajeto) ademais, edema de membros inferiores, edema 
suprapúbico ou polo cefálico móvel, bebê muito grande que não insinua, nestes casos tem-se 
distocia relacionada ao trajeto, desta forma a conduta é cesariana. Outra coisa que se inclui é 
apresentação e posição fetal, qual é a variedade de posição? São 8, pode-se ter 8 formas. 
Existem formas que são mais comuns, por exemplo: OEA, a melhor situação é a longitudinal, a 
transversa não é para parto, não tem possibilidade, é absoluta para cirurgia. 
 Existe uma situação que acontece com o feto que é a distocia de ombro, muito comum, nesse 
caso se conduz esse feto de outra forma, com manobras específicas. Então se tem 
anormalidades da situação e apresentação, exemplos: córmica e pélvica, nesta última, o bebê, 
às vezes, já está nascendo, então não precisa se desesperar, deixa nascer, até porque existem 
manobras para parto pélvico. Em alguns casos, para tentar modificar a posição do feto, fazia a 
mudança de posição, isso não se faz porque em muitos casos pode haver descolamento de 
placenta. 
As apresentações que não são fletidas, o normal é descer com a cabeça fletida, mas alguns 
não fletem, graduando de 1° - 4° grau de face, frente ou costas. Nestes casos tem as condutas 
que são manobras e uso de fórceps, para quem gosta. Se a mãe chega em trabalho de parto e 
já se observa algum membro do bebê fora, uma perna ou braço, é cirurgia! O bebê pode 
perder esse membro por isquemia, não se pode retornar a parte que está fora para dentro da 
mãe, pelo fato de contaminação e tocotraumatismo. Cabeça derradeira pode-se usar fórceps, 
pra quem sabe usar. Outra situação em que o feto faz parte da obstrução do parto é quando 
está em apresentação composta (membro em frente ao polo cefálico) são posições fetais 
anômalas e que não é compatível com o parto vaginal, às vezes, acontece o parto quando por 
exemplo: mãe com bacia grande e feto pequeno. Existem situações como: anomalias, que 
podem dificultar o trabalho de parto: gastrosquisis e onfalocele, outra situação é a circular de 
cordão. O que se discute muito é a distocia de ombro, a cabeça passou, mas o diâmetro 
biacromial não passa pelo estreito, então tem o risco de trauma fetal, laceração, mas existem 
manobras para facilitar a saída do feto, uma delas é fraturar a clavícula, cridotomia. Outra coisa 
é não tracionar a cabeça, qualquer dia ela pode vir na mão ou lesionar o plexo. O que se 
aprende é a manobra de “cima pra baixo”, ampliar a episiotomia e realizar manobras 
específicas. Em último caso, já se fez todas as manobra, mas não adiantou, quebra-se a 
clavícula. 
“É melhor um feto vivo com fratura de clavícula a um feto morto com clavícula integra”

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