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Por Fernanda Martins e Letícia Raquel 
Transcrição de HAM- Trabalho de parto- 23/02- Prof: Zannata 
 
Com o surgimento do ALSO, houve queda da mortalidade materna e neonatal porque 
melhorou a assistência ao parto. 
 
O trabalho de parto nada mais é do que contrações de fibras musculares lisas uterina, que 
vão ocasionar fenômenos químicos e mecânicos no útero e no feto, que vai resumir na 
abertura de 2 diafragmas: o colo uterino (cervivossegmentário) e o diafragma vulvoperineal, 
que é o canal vaginal propriamente dito. 
 
 Por Fernanda Martins e Letícia Raquel 
O diagnóstico não é tão simples. Toda gestante tem dor e sente desconforto. A partir de 
uma determinada idade gestacional, em que aquele útero está distendido, ela tem influência 
na musculatura pélvica e vertebral. Porém, precisa de duas características clínicas para 
dizer que aquela gestante está em trabalho de parto: contrações uterinas rítmicas e 
dilatação de colo uterino. A partir de 6 a 8 semanas antes do trabalho de parto (por volta 
de 30 semanas), toda gestante começa a apresentar dores e contrações, que podem ser 
não ritmadas e indolores, em que ela sente o útero endurecer, porém essas são as 
contrações de treinamento (Braxton Hicks), para preparar o útero para as futuras 
contrações rítmicas e apagamento do colo uterino. Apagamento do colo significa o 
afinamento do colo uterino pela incorporação desse colo pelo corpo do bebê. 
As contrações do trabalho de parto têm uma frequência de pelo menos 2 contrações em 
10 min e duração maior do que 40 seg (em média 60 seg) e tem intensidade acima de 60 
unidades de contração, porém do ponto de vista clínico não dá para medir essa intensidade, 
apenas por cardiotocografia. Tudo isso associado a um colo uterino apagado, com 
dilatação de pelo menos 3 cm ou mais. Tem que ser os dois critérios, se tiver só um, não 
é trabalho de parto e não deve internar, porque, se internar precocemente, as etapas do 
parto serão prolongadas e pode tomar decisões precipitadas que podem interferir até 
mesmo na via de parto dessa gestante e fazer uma cesárea desnecessária. 
 
A gestação, desde a implantação do zigoto, é dividida em 4 fases. Essas não são fases do 
trabalho de parto e sim da gravidez. 
 
 Por Fernanda Martins e Letícia Raquel 
A fase da quiescência vai da concepção (implantação do zigoto) até o início da parturição, 
é uma fase em que o útero não está responsivo a fatores que o estimulem, como hormonais 
(por exemplo: ocitocina), é uma gestante no início da gestação que permanece sem dor. 
Em torno de 6 a 8 semanas antes do trabalho de parto em si, ela começa a apresentar as 
contrações de treinamento, que é a fase de ativação, fase em que o útero começa a ficar 
responsivo a ocitocina, começa a ser preparado para o trabalho de parto, pois favorecem o 
amolecimento de colo e queda de colágeno através de infiltrados inflamatórios, para quando 
as contrações forem efetivas estejam favoráveis à dilatação do colo uterino e inicie o 
trabalho de parto. 
O início do trabalho de parto não tem um cronograma específico, pois é muito 
individualizado. Na fase de estimulação, que é trabalho de parto propriamente dito, pode 
se iniciar a partir de 37 semanas, mas se dá em média nas 40 semanas, aqui as contrações 
se tornam efetivas, com aquelas características de intensidade, frequência e duração. Para 
acompanhar o trabalho de parto precisa saber diagnosticar, conhecer suas etapas e cada 
duração e saber as relações útero-fetais (se esta relação está favorável a um parto normal) 
- é a relação do feto com ele mesmo e com o útero. Se já verifica uma relação útero-fetal 
não favorável, já é um motivo para referenciar para unidade especializada. 
- Atitude: Relação das partes fetais com ele mesmo. O feto tem uma atitude de flexão 
generalizada (flexão da coluna, com concavidade anterior, membros inferiores e superiores 
fletidos e cabeça fletida com queixo tocando o tórax). Ele se mantém assim durante toda a 
gravidez. Pelo exame físico não Dá pra dizer que ele está em flexão generalizada, a não 
ser quando estiver na fase ativa do trabalho de parto, que, através de achados do toque da 
cabeça fetal, consegue dizer que ele está nessa posição. 
- Situação: Relação do maior eixo fetal (crânio-caudal) com o maior eixo uterino (também 
crânio-caudal). Os dois podem estar coincidentes (situação longitudinal), podem estar 
perpendiculares (transverso) ou oblíquo. O mais comum é a situação longitudinal. 
- Apresentação: colo fetal que se apresenta ao extremo superior da bacia. Pode ser 
cefálico ou pélvico. Situação e apresentação podem ser definidos através do exame físico. 
Se no exame físico vê que está em situação longitudinal, mas apresentação pélvica, em 
que não encontra a cabeça fetal no exame físico, não vai mais acompanhar a gestante. A 
mais comum: situação longitudinal, cefálica e fletida, portanto pode acompanhar esse 
trabalho de parto. 
 
Alguns autores consideram uma 4° fase: 1 hora pós a dequitação. Cada fase tem suas 
características e sua duração. 
 Por Fernanda Martins e Letícia Raquel 
 
Se estende daquela primeira dilatação de 3 cm e termina com a dilatação completa de 10 
cm, quando no exame não consegue mais identificar o colo do útero, somente a 
apresentação cefálica. 
 
O colo uterino é uma estrutura muscular em forma de um cone e durante as contrações até 
iniciar o trabalho de parto, as fibras musculares vão sendo incorporadas pelo corpo uterino 
até ficar no fundo de saco apenas um orifício do colo uterino, sem fibras musculares e, a 
partir daqui e com as contrações cada vez mais rítmicas e frequentes, as fibras musculares 
são repuxadas e começam a dilatar/abrir. O trabalho de parto é só quando já tem uma 
dilatação e colo totalmente incorporado pelo corpo uterino. Na primigesta, esse 
apagamento ocorre antes da dilatação, na multípara isso ocorre ao mesmo tempo. Para 
diagnóstico de trabalho de parto precisa: colo apagado + dilatação de 3 cm ou mais. 
 Por Fernanda Martins e Letícia Raquel 
 
A dilatação é dividida em fase latente e fase ativa. Uma fase é mais lenta e a outra é mais 
rápida. Na latente, as contrações são eficazes, mas se mantém a uma frequência de 2 
contrações/10min, com duração em torno de 40s ou mais, o que faz com que tenha uma 
menor velocidade de dilatação, com média de 0,35cm/h. É uma dilatação muito lenta, o que 
faz com que essa fase tenha duração maior. 
Estima-se, por exemplo, a Escola Paulista de Medicina ela caracteriza uma fase latente 
prolongada quando essa fase ultrapassa 20h. 
 
A fase ativa ela vai começar com 5 ou 6cm, então pra ela dilatar de 3 até 6cm pode demorar 
até 20 horas e isso está normal contando que o feto esteja bem, contando que a ausculta 
esteja normal, então a gente já tem muitos diagnósticos de fases latentes prolongadas 
(aquela gestante que foi internada que passa 3/4h com uma dilatação de 3cm, você pode 
até fazer o diagnóstico correto passando 3, 4, 5 ou 6h com 3cm. Qual é o relatório que a 
gente faz? Trabalho de parto prolongado. Usa que critério? Não chegou ainda no limite 
dessas fases. Já tem outros autores que, por exemplo, o Rezende, que considera que a 
fase latente pode durar até 20h e que após 24h (um dia) ele considera um trabalho de parto 
prolongado. 
No nosso meio, o que é mais aceito? É que essa fase ela dure em média nas primíparas 
(em torno de 14h – 12 a 14h) e nas multíparas (em torno de 10h).E eu vou considerar uma 
etapa nas latentes prolongadas quando chegar em 20h e eu não tenho uma passagem 
dessa fase latente para a fase ativa. 
 Por Fernanda Martins e Letícia Raquel 
O médico generalista não é obrigado a saber o que está ocorrendo, ele não é obrigado a 
corrigir, tem mecanismos para corrigir isso. Ele é obrigado a identificar. 
Internar de maneira correta – fazer diagnóstico de trabalho de parto – saber que está na 
fase latente – 20h no trabalho de parto – tem alguma coisa acontecendo. Então, o médico 
tem que enviar para alguém corrigir (critério de transferência dessa gestante). 
Agora quando esse colo uterino ultrapassa 5 ou 6 cm, tudo muda, o padrão de contrações 
(eram 2 contrações em 10 minutos), passa pra 3 ou pra 4, a intensidade aumenta e a 
duração também aumenta se era 40/60s, agora vai para 50/60/90s cada contração, isso faz 
com que essa dilatação aumente a sua velocidade ela passa de 0,35cm/h para 1,5cm/h, às 
vezes até 2cm/h. Isso faz com que o trabalho de parto evolua de maneira mais rápida. 
Aqui é diferente, eu tenho uma fase ativa com menor duração do que a fase latente, aqui 
eu já tenho, por exemplo, uma primípara que entra nessa fase ativa para completar essa 
dilatação em torno de 6h e a multípara em torno de 4h. 
Cada exame que eu fizer eu tenho que ter uma dilatação maior que o exame anterior. Se 
não vai haver uma parada secundária da dilatação. 
Esse padrão de contração vai sempre aumentar. 
 
Quando está em 5 a 6 contrações a cada 10 minutos é porque já tem uma dilatação 
completa, já tem um colo que já está completamente dilatado, consequentemente já passa 
para a fase de expulsão. Vai da dilatação completa até a saída do feto. 
Aqui eu não tenho mais colo do útero bloqueando a descida desse feto, o feto ele está livre 
para descer com a efetividade das contrações cada vez maior, vai empurrar esse feto 
ladeira abaixo. 
Esse período expulsivo é muito curto também vai durar em média 2h na primípara e 1h na 
multípara, se ela não estiver sob analgesia e a maioria não estará. 
Os planos de De Lee relacionam o posicionamento do ponto mais baixo do polo cefálico 
fetal em relação às espinhas isquiáticas maternas, configurando a altura da 
apresentação do feto. 
 Por Fernanda Martins e Letícia Raquel 
Eu não me preocupe com a apresentação enquanto tiver colo, se tem colo é apresentação 
alta, não me preocupo com isso. Aqui não, como já tem um período expulsivo, eu não tenho 
mais colo, cada exame que eu for fazer, eu tenho que ter o feto mais baixo. 
Aqui eu faço o exame a cada 30 minutos, ausculta a cada 15 minutos, então se eu tenho 
um feto que dilatou por completo que está no plano 0 das espinhas isquiáticas por exemplo, 
o meu exame daqui há meia hora tem quem está mais baixo e até 1/2h tem que está 
descendo. 
 
 
Saída da placenta é o fim do trabalho de parto. 
O prof leu o mecanismo. 
Tipos: 
- Central (Baudelocque-Shultze): Deslocamento central vai acumular o sangue na região 
posterior do útero e só vai sangrar após a saída da placenta; 
- Marginal (Baudelocque- Duncan): Deslocamento periférico, primeira sangra para depois 
descolar. 
 Por Fernanda Martins e Letícia Raquel 
Por que a placenta descola? Pelo mecanismo de involução uterina. A área de contato vai 
diminuindo entre a placenta e o útero. É um mecanismo passivo. Eu devo intervir o mínimo 
possível. Posso fazer massagem uterina (vamos falar na aula sobre hemorragia). 
 
O Prof leu o slide.

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