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ORÇAMENTO Graduação 8 ORÇAMENTO EMPRESARIAL E VISÃO GERENCIAL DO PROCESSO ORÇAMENTÁRIO Nesta unidade veremos como o orçamento constitui uma ferramenta de controle para a organização, minimizando os riscos, favorecendo desse modo a consistência e a confiabilidade das informações para a tomada de decisão. OBJETIVO DA UNIDADE Contribuir para o estudo do orçamento como ferramenta gerencial tanto em relação à quantificação do planejamento estratégico quanto no que se refere ao subsídio para a avaliação de desempenho, integrando o processo de gestão às necessidades do administrador. PLANO DA UNIDADE - O orçamento como ferramenta de gestão financeira. - Análise dos ambientes Externo e Interno. - Definição dos objetivos gerais e específicos. - Definição das políticas organizacionais. U N ID A D E 1 9 O ORÇAMENTO COMO FERRAMENTA DE GESTÃO FINANCEIRA O ambiente empresarial sofre cada vez mais com os acontecimentos ocorridos nos últimos anos. As incertezas dos mercados, a competitividade e a escassez de recursos são verdadeiras inimigas das organizações. E isso faz com que novas alternativas sejam perseguidas a todo instante. Daí a necessidade de elaborar um demonstrativo que evidencie informações de cunho econômico-financeiro com o objetivo de informar aos gestores como é possível encontrar soluções que agreguem melhorias de planejamento e controle dos lucros. Segundo Atkinson et all (2000, p.165), conceituam orçamento como: [...] a expressão quantitativa das entradas e saídas de dinheiro para determinar se seu plano financeiro atingirá as metas organizacionais. E orçamentação é o processo de preparação de orçamentos. Então, o orçamento poderá ser entendido como uma ferramenta de grande importância na condução e no desempenho empresarial. O orçamento também deve ser encarado como fonte importante de informação no processo de tomada de decisão. Quando a empresa opera de forma harmoniosa com seus diversos setores ou departamentos, sabendo exatamente quanto poderá gastar e tendo a expectativa de que a meta de cada unidade de negócio deverá ser cumprida, a eficiência dessa ferramenta é reconhecida no momento em que acontecem as ocorrências causadoras de despesas, e as informações chegam em tempo real facilitando a tomada de decisão. O orçamento é visto como um eliminador de desperdícios e inibidor de gastos desnecessários, em que os recursos passam a ser otimizados dentro de suas reais condições de desenvolvimento das operações. 10 Assim, conclui-se que o orçamento é uma ferramenta de apoio à decisão, fundamental para o desempenho da organização. Segundo PADOVEZE (1997, p.353): O processo de gestão orçamentária, dentro de um planejamento estratégico, envolverá todas as áreas além do comprometimento de todos os envolvidos direta ou indiretamente nos processos. Assim, não apenas o corpo diretivo da organização será responsável pelas atividades, mas todo o planejamento operacional e a programação estratégica fará parte de todo um processo orçamentário e uma sistematização orçamentária. O objetivo principal de uma sistematização orçamentária é o acompanhamento do negócio desde o planejamento até seu controle. Os gestores têm o papel de líderes e serão os responsáveis diretos pelos seus resultados. Qualquer planejamento orçamentário visa atender suas expectativas, sendo que o mais importante nesse momento é a participação de todos aqueles que fazem parte do processo. O orçamento como instrumento gerencial tem o papel de minimizar os custos e otimizar os resultados, preservando a qualidade e o desempenho competitivo. A gestão orçamentária é caracterizada pelo bom desempenho nos resultados operacionais e de controle, dentro de uma filosofia de aperfeiçoamento das ações adotadas no sentido preventivo de eventuais distorções no sistema operacional. Segundo Frezzatti (1999, p.41), “O processo de gestão é composto por 3 fases: Planejamento, execução e controle”. Esta afirmação é enfatizada através da estrutura a seguir: 11 Planejamento Para Sanvicente e Santos (1995, p.16): Planejar é estabelecer com antecedência as ações a serem executadas, estimar os recursos a serem empregados e definir as correspondentes atribuições de responsabilidades em relação a um período futuro determinado, para que sejam alcançados satisfatoriamente os objetivos porventura fixados para uma empresa e suas diversas unidades. O orçamento tem o papel de minimizar os custos e otimizar os resultados, considerando as restrições de recursos impostas pelo cenário econômico. A partir do momento que o orçamento é um componente do processo de gestão, grande parte das decisões da empresa passa a acontecer na fase do planejamento e do orçamento. Esta visão é ratificada por Padoveze (1997, p.353): [...] o orçamento é visto como uma peça fundamental e de grande importância para a tomada de decisão. Dessa forma, não se pode desprezar o sentido da palavra orçar, 12 ou seja, planejar o futuro com base em dados anteriores que proporcionam sustentação de informações precisas e confiáveis no processo organizacional, de modo que qualquer atividade venha refletir no resultado das operações. Controle Segundo Martins (1996, p.323), “controle significa conhecer a realidade, compará-la com o que deveria ser, tomar conhecimento rápido das divergências e suas origens e tomar atitudes para sua correção”. O processo de gestão orçamentária permite a implementação de ações corretivas com tempestividade. Os desafios e responsabilidades para o gerente multiplicam-se no momento em que as informações fluem rapidamente (em tempo real) e são favorecidos pela rapidez e a confiabilidade no processo decisório. A ação de controlar assegura que seja cumprido aquilo que foi determinado. Mesmo assim, é comum que existam diferenças entre o Orçado e o Real. O entendimento das variações se transforma em motivo para que se busque implementação de ações corretivas. A integração das informações sobre a execução orçamentária prevê o acompanhamento em tempo real das ocorrências onde há registro de gastos, não havendo a necessidade de aguardar o fechamento de balancete. Martins (1996, p. 336), afirma que: [...] o orçamento é a grande arma global de controle de uma empresa. Há uma semelhança entre o custo padrão e orçamento, apenas no que tange a forçar o desempenho da produção por ser normalmente fixado com base na suposição de melhoria de aproveitamento dos fatores de produção. E serve também como instrumento psicológico de motivação, sendo que a grande finalidade da sua elaboração é exatamente a definição de metas a atingir. 13 O sucesso da utilização do orçamento como ferramenta de gestão está relacionado à qualidade de sua elaboração. Processo Orçamentário A quem cabe administrar o processo orçamentário? Segundo Atkinson et al (2000: p. 496), diante dessa pergunta: [...] pode-se apontar algumas políticas adotadas pelas organizações. Algumas empresas elegem uma equipe ou um membro da empresa não somente para administrar e supervisionar o orçamento, como também para idealizar e definir as peças orçamentárias. Essas políticas variam de acordo com a administração de cada empresa e geralmente, a equipe designada para trabalhar o orçamento responde a um corpo diretivo e aos integrantes da base operacional. Deve existir uma interação constante entre os administradores da empresa e os órgãos operacionais; isso ocorre geralmente através de reuniões, relatóriose instruções adequadas. É o que se pode classificar como orçamento participativo. É nesse momento crucial, portanto, que a empresa deve repensar todos os seus critérios de administração sem perder o sentido de seu principal objetivo, que é a melhor aplicação e utilização dos recursos financeiros ou não financeiros na engrenagem de integração. Segundo Atkinson et al (2000), orçamento participativo é um método de elaboração de orçamento que envolve um processo de tomada de decisão conjunta, no qual todas as partes concordam em estabelecer as metas orçamentárias. Ao se permitir que os funcionários participem da tomada de decisão, há a oportunidade para o uso de suas informações, particulares ou específicas, e, conjuntamente, fixam suas metas e negociam o nível de seus orçamentos. 14 Sobretudo, entende-se que o orçamento em sua administração geral é responsabilidade de todos e que não há orçamento administrado por um ou outro membro, mais sim por aqueles envolvidos direta ou indiretamente, formando uma equipe de colaboradores ao processo administrativo orçamentário. Segundo a posição de Hernandez (1997, p. 96): [...] o processo de preparação orçamentária representa uma coleta sistemática de planos gerenciais, estabelecidos em vários níveis de uma empresa e relacionamentos entre si, de tal modo que seja formado um programa global para a organização como um todo. Esse programa global será responsável pelo planejamento das metas e também pela sua correta execução. Isso justifica o estudo de análise sobre as vantagens e desvantagens que o sistema integrado exige. O orçamento terá sempre que ser participativo e atuante em todas as atividades operacionais. Sendo que a alta administração deve assegurar a todos os membros da empresa de que o orçamento não foge das atribuições de cada um deles. Os objetivos, relacionando-se com as estratégias da empresa, são responsabilidades de todos e não apenas da equipe administrativa e de supervisão de orçamentos. Para Padoveze (1997, p. 353): [...] todo e qualquer item a ser tratado será com base em dados atuais, isso significa: para tomar decisões futuras é necessário seguir como parâmetro históricos já conhecidos e adotados pela empresa. Não somente isso, mas também o bom senso sobre projeções futuras que a empresa esteja almejando. 15 Ainda de acordo com Padoveze (1997, p.355), [...] pode-se perceber que as ações para a obtenção de resultados cada vez melhores e consistentes, passam por uma triagem dentro dos sistemas de informações e de relatórios gerenciais para o devido planejamento futuro das operações. Essa triagem das informações é verdadeiramente possível de ser atingida através de um planejamento orçamentário flexível, principalmente aquele voltado para o controle na utilização dos recursos que dispõe a empresa para produzir algo dentro de sua estrutura. Outro aspecto a ser considerado na elaboração do orçamento é a necessidade de consumo dos clientes e a absorção dos produtos pelo mercado consumidor. Atualmente, exige-se cada vez mais qualidade e praticidade nos produtos. Os clientes esperam que, em cada linha de produtos novos que o mercado disponibiliza, ocorra algo como: qualidade, modernidade e principalmente com preços reduzidos. Os métodos tradicionais de se elaborar orçamentos não proporcionam uma flexibilidade que permita o acesso às informações para o desenvolvimento de estratégicas que possibilitam uma melhor competitividade e consequentemente sua sobrevivência num cenário de continuidade. A elaboração do orçamento é tarefa de toda a empresa e cada célula orçamentária assumirá o compromisso de atingir suas próprias metas, incorporando aos objetivos gerais da empresa, que devem estar harmonizados com suas metas. O orçamento de forma integrada é um instrumento que permite o acompanhamento e o controle de desempenho de todas as atividades a serem executadas na empresa, assegurando que os desvios possam ser analisados e controlados na sua origem. 16 Além disso, as técnicas administrativas de planejamento e controle chamam a atenção para vários problemas comportamentais. Por exemplo, a resistência declarada de certos indivíduos ou grupo, a falta de compreensão do programa que está sendo adotado, discordância da necessidade de mudanças, etc. O processo orçamentário realiza-se no curto prazo, normalmente em um ano, formando uma direção dos passos que os gestores devem seguir no período determinado para se atingir os objetivos organizacionais. É importante que se faça uma distinção entre planejamento e controle. Dessa forma, é possível examinar separadamente as funções de planejamento orçamentário e do controle orçamentário. A função do planejamento orçamentário não se limita apenas aos objetivos departamentais ou divisionais, mas, principalmente, na coordenação das várias atividades de uma organização para que seus objetivos sejam alcançados. Além de planejar e controlar orçamentos trata da execução orçamentária, mostrando assim a engrenagem que envolve os processos administrativos orçamentários. A capacidade dos gestores de orçamento é algo indispensável na condução de processos de alavancagem de um planejamento efetivo podendo ser encarado de forma sutil e agradável. É obrigação de quem está à frente desse processo trabalhar a maximização da motivação continuada dos indivíduos ou grupos. Esses aspectos poderão ser usados como instrumento de pressão sem que haja o descontentamento por parte daqueles que estão sendo influenciados. Algumas empresas utilizam atingimento de metas como premissas. Por exemplo: participação nos lucros. Além de possibilitar aos gestores e administradores uma melhor atuação, o orçamento focaliza aquilo que melhor representará seus objetivos, eliminando desperdícios, quando no decorrer das ações percebe-se algum tipo de desvio em relação ao planejamento. Traçar de forma eficaz um orçamento que venha contribuir para a evolução do negócio sem que haja excessos ou falta de recursos, 17 é necessário que se faça, antes de mais nada, um trabalho de conscientização de todo o pessoal que se integrará ao processo. Normalmente forma-se uma equipe de profissionais do quadro já existente na empresa, além de pessoas que conheçam bem suas atividades. Também são pessoas de áreas distintas, de modo que cada um contribua para o processo de melhorias que a empresa deseja. Essa é a primeira atitude a ser tomada, traçando metas e prazos para execução. Há outra questão dentro do processo orçamentário que são os aspectos comportamentais. Mesmo ao considerar existência de pessoas envolvidas em todo o processo orçamentário, isso não é garantia de que o processo sairá perfeito, ou seja, dentro daquilo que foi planejado. Os fatores humanos envolvidos no orçamento são de fundamental importância, tanto o empenho e a dedicação, quanto no seu comportamento. Uma vez que cada um interage com o orçamento ao longo de seu ciclo operacional. Há duas fases do comportamento relacionadas ao orçamento, de acordo com Atkinson et al (2000, p. 498): 1. Projetando o Processo Orçamentário Quando se fala em projetar orçamento, é comum que tenhamos alguns fatores que envolvem todo um planejamento. Por exemplo: de onde vêm os dados que os planejadores usam para preparar os orçamentos e apoiar seus planos? Como os orçamentos deveriam ser determinados e quem deveria estar envolvido no processo orçamentário? Os dados que os planejadores usam para a elaboração de orçamentos dependem de que tipo de orçamento será adotado: autoritário,participativo ou consultivo. Se o planejador usar o orçamento autoritário, simplesmente ele conta para seus subordinados como serão seus orçamentos, ou seja, não tem a participação daqueles que executam diretamente as atividades. 18 Para um bom desempenho das funcionalidades do processo orçamentário é necessária a participação de todos aqueles que irão se envolver, embora indiretamente. Ao permitir a participação dos funcionários no processo de tomada de decisão, as oportunidades são igualmente distribuídas para que todos se sintam responsáveis e obrigados a colaborar com o processo. E por último o método de elaboração de orçamento consultivo, no qual os gerentes pedem aos subordinados que discutam suas ideias sobre o orçamento, para sozinho, determinar o orçamento final sem a participação decisória conjunta. 2. Influenciando o Processo de Orçamento Certamente, o processo orçamentário sofre influência de fatores internos e externos, bem como suas atribuições. O orçamento é usado não apenas como instrumento para planejar, coordenar e distribuir recursos, é usado, também, para medir desempenho e influenciar comportamentos. É comum que os gestores de orçamento sejam motivados e influenciados pela participação no cumprimento das metas atingidas. Welsch (1996, p. 36) afirma “que mesmo que o orçamento não fosse o instrumento usado para exercer pressões inadmissíveis, essas pessoas cometeriam os seus erros administrativos de outras maneiras”. Na verdade, existem problemas de comportamento potencialmente significativos em relação a quase todas as técnicas de administração. A capacidade dos gestores de orçamento é algo indispensável na condução de processos de alavancagem de um planejamento efetivo e que pode ser encarado de forma sutil e agradável. Torna- se obrigação de quem está à frente desse processo, trabalhar a maximização da motivação continuada dos indivíduos ou grupos. Esses aspectos poderão ser usados como instrumento de pressão sem que haja o descontentamento por parte daqueles que estão sendo influenciados. 19 O orçamento, como instrumento gerencial, tem a característica de ser dinâmico, ou seja, faz parte das estratégias da empresa, reconhecendo as opções de que ela dispõe e adotando-as na melhoria dos processos. Valoriza-se a ação multifuncional, sempre em busca da aplicabilidade de um orçamento participativo para o bom desempenho da organização. ANÁLISE DOS AMBIENTES EXTERNO E INTERNO Análise do Ambiente Externo FATORES COMPETITIVOS PREÇO DO PRODUTO; PRAZO DE ENTREGA; INOVAÇÃO DO PRODUTO; ATENDIMENTO PÓS-VENDA; QUALIDADE INTRÍNSECA; OUTROS. DIFERENCIAÇÃO: FATORES CRÍTICOS, QUALIFICADORES e MENOS IMPORTANTES. CONCLUSÕES Por que os clientes compram meus produtos? Por que os clientes compram os produtos de meus concorrentes? Qual o meu Fator Competitivo mais importante? Quanto devo melhorá-lo para expandir meu Mercado? 20 Análise do Ambiente Externo – Porter Na medida em que as 5 forças competitivas determinam a rentabilidade média da indústria, os fatores que alteram a perspectiva dessa rentabilidade podem ser entendidas como oportunidades e ameaças que circundam a empresa. Oportunidades: situações atuais e/ou futuras que possibilitem à empresa melhorar sua rentabilidade. Ameaças: situações atuais e/ou futuras que potencialmente podem reduzir a rentabilidade da empresa. As forças competitivas que determinam a intensidade da concorrência na indústria, bem como seu grau de rentabilidade. Evidentemente, que, na formulação da estratégia, deve ser considerado quais destas forças atuaram com maior intensidade, pois diante da estrutura básica é que se podem distinguir os fatores que, em curto prazo, poderão afetar a concorrência e a rentabilidade. CINCO FORÇAS COMPETITIVAS Entrada de novos produtos potenciais. Rivalidades entre as existentes. 21 Ameaça de produtos substitutos. Poder de negociação dos compradores. Poder de negociação dos fornecedores. Ambiente Externo e Interno Análise do Ambiente Interno Pontos fortes: características da empresa, tangíveis ou intangíveis, que permitem alcançar vantagem competitiva sobre seus concorrentes. Pontos fracos: características da empresa, tangíveis ou intangíveis, que dificultam alcançar vantagem competitiva sobre seus concorrentes. OBJETIVOS (Onde queremos chegar?) (O quê?) São resultados quantitativos e qualitativos (essenciais à sobrevivência) que a empresa deverá alcançar em determinado período, como efeito das estratégias eleitas. Devem ser definidos em conjunto com o corpo gerencial. 22 ESTRATÉGIAS (Por onde vamos chegar?) (Como?) Formas através das quais se alcançarão os objetivos da empresa e devem ser concretas e consistentes entre si. PLANOS DE AÇÃO Desdobramento operacional (ações específicas) das estratégias escolhidas, que deverão ser implementadas para atingir os objetivos. Qualquer estratégia só é boa se a execução for boa. Devem ser traduzidos em orçamentos operacionais. Se valer do ambiente competitivo, atuar de maneira clara, com objetivos bem definidos e balizados e posições que possam ser defendidas.1 ESTRATÉGIA É o que a empresa fará para alcançar vantagem competitiva sobre seus concorrentes, considerando os ambientes externo e interno, observando os Princípios e Valores e buscando cumprir a Missão proposta em seu negócio para atingir a Visão de Futuro. DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS Segundo Horngren, Foster e Datar (1997: 125 e 126), os orçamentos: [...] quantificam as expectativas da administração com relação às receitas futuras, fluxo de caixa e posição financeira. Ao mesmo tempo em que sua coordenação é o entrosamento e o balanceamento de todos os fatores de produção ou serviço de todos os departamentos e unidades de negócio, de modo que a companhia possa atingir seus objetivos. Comunicação é tornar esses objetivos compreendidos e aceitos por todos. 1 Michael Porter, Revista Exame, 2/out/1991, p. 84 23 Para eles o sistema orçamentário possibilita, ainda, que através da comunicação clara, sejam conhecidos, por parte dos gestores, as exigências e resultados por eles esperados, permitindo a compreensão e participação de cada um nos objetivos empresariais, motivando o desenvolvimento e implantação de planos de ação voltados à melhoria contínua dos processos, visando a boa administração dos recursos disponíveis. Por sua vez, Passarelli e Bonfim (2003, p. 13), sustentam que o controle orçamentário significa [...] “a utilização de orçamentos e relatórios correspondem, tendo em vista coordenar, controlar e avaliar as operações da empresa, de acordo com objetivos estabelecidos antecipadamente pela sua administração”. Isso quando o orçamento empresarial é tomado como parte de uma estrutura de controle gerencial, que promove a discussão do planejamento da empresa de forma geral, contribuindo no envolvimento de todos os responsáveis, nos objetivos e planos da empresa definido dentro de diretrizes já traçadas, bem como, melhoria na comunicação, coordenação e integração das demais áreas da empresa. O sistema orçamentário pode revisar certos comportamentos do passado da empresa que tenha resultado em desempenhos inferiores aos melhores possíveis, em dadas circunstâncias. Nesses casos, a objetividade na fixação de metas e objetivos e os critérios de avaliação do desempenho devem se pautar porparâmetros que incluam alteração das expectativas. DEFINIÇÃO DAS POLÍTICAS ORGANIZACIONAIS Classificaram as conceituações de políticas organizacionais em duas grandes categorias. Na primeira, encontram-se as definições que consideram as políticas como um processo de influência exercido no ambiente de trabalho e que se correlaciona com o poder. Como exemplo dessa categoria, pode ser apontada a definição de Tushman apud Kacmar 24 & Baron (1999), para quem as políticas organizacionais fazem uso da autoridade e poder para atingir as metas organizacionais, objetivos e outros parâmetros principais da organização. A segunda categoria de definições, de natureza mais restrita, associa as políticas organizacionais aos comportamentos que são estrategicamente emitidos para, a curto ou longo prazo, maximizar tão somente os interesses dos indivíduos. Nessa categoria, enquadra-se, por exemplo, a definição de Mintzberg apud Valle & Witt (2001), que vê as políticas organizacionais como ações que: (a) são inconsistentes com as normas da organização, (b) são utilizadas em interesse próprio e (c) são levadas a cabo sem levar em conta, e até mesmo às expensas, das metas da organização. Também na tentativa de sistematizar as várias conceituações presentes na literatura sobre políticas organizacionais, Vigoda- Gadot e Cohen (2002) enfatizaram que as definições para esse construto podem ser alocadas em duas dimensões principais: comportamento político e percepções de política. O comportamento político associa-se às táticas de influência no trabalho usadas pelos empregados. Assim, Drory e Room (1988) afirmam que o comportamento político envolve a tentativa de influenciar os outros, enfatizando, no entanto, haver uma ampla discordância a respeito dos propósitos, meios e circunstâncias que possibilitam a distinção entre o que é comportamento político e o que é comportamento não-político nas organizações. Ainda de acordo com esses autores, a questão da política organizacional não pode ficar restrita às ações de indivíduos isolados, devendo ser estendida também à ação dos grupos. Já as percepções de política dizem respeito ao grau em que os indivíduos percebem seu ambiente de trabalho como político, em virtude de promover o autointeresse dos demais, sendo assim considerado injusto por aqueles que dele não se beneficiam. Tais percepções subjetivas acerca do comportamento político podem estar distorcidas da realidade objetiva. 25 Entre as definições congruentes com tal posição encontra-se a de Ferris e Cols apud Vigoda-Gadot & Cohen (2002), que vinculam as políticas organizacionais às percepções acerca dos comportamentos projetados para maximizar estrategicamente os interesses dos empregados a curto ou longo prazo, os quais costumam ser disfuncionais para as organizações. Entre eles, incluem-se os comportamentos de autosserviço que visam ao alcance dos próprios interesses e, consequentemente, a obtenção de vantagens e benefícios às expensas dos outros. Tais ações costumam ser contrárias à organização ou ao trabalho desenvolvido por outros indivíduos e grupos. De modo semelhante, Poon (2003) considera que as políticas organizacionais são informais e associam-se à percepção dos empregados sobre comportamentos que se distanciam do poder legítimo, ao serem estrategicamente utilizados para maximizar o autointeresse. Consequentemente encontram-se voltados para a promoção de objetivos pessoais e caracterizam-se pela manipulação, difamação, subversão e abuso de poder, sendo, portanto, contrários aos objetivos da organização e aos interesses dos demais indivíduos. Em suma, as políticas organizacionais vêm sendo investigadas de acordo com diferentes perspectivas, manifestando-se por meio de comportamentos que desencadeiam jogos políticos entre indivíduos ou grupos que disputam a primazia dos seus interesses na organização. O objetivo principal é compreender como as políticas organizacionais influenciam diversas outras variáveis no contexto organizacional. LEITURA COMPLEMENTAR ATKINSON, Anthony A. [et al]. Management Accounting (Contabilidade Gerencial). 2ª Ed. São Paulo: Atlas, 2000. 26 FREZATTI, Fábio. Orçamento Empresarial: Planejamento e controle gerencial. São Paulo: Atlas, 1999. PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade Gerencial: Um enfoque em sistema de informação contábil. 2ª Ed. São Paulo: Atlas, 1997. SANVICENTE, Antonio Zoratto, SANTOS, Celso da Costa. Orçamento na administração de empresas: Planejamento e controle. 2ª Ed. São Paulo: Atlas, 1995. É HORA DE SE AVALIAR! Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, presentes no caderno de exercícios! Elas poderão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 27 EXERCÍCIO 1) Ao utilizar o ORÇAMENTO como ferramenta auxiliar da gestão financeira, a empresa busca: a) Elaborar um demonstrativo para encontrar soluções técnicas de produção. b) Eliminar desperdícios e inibir gastos desnecessários. c) Dar mais responsabilidade ao corpo gestor da empresa. d) Maximizar os custos preservando a qualidade. e) Envolver no processo orçamentário apenas os diretamente envolvidos no processo. 2) Sabendo-se que o orçamento tem o papel de otimizar os resultados da empresa, podemos dizer que: a) As decisões acontecem na fase de Controle. b) É no orçamento que se concentram as decisões. c) A fase de planejamento não é fundamental para o resultado das operações. d) Estimar recursos não proporciona resultados satisfatórios. e) Para um bom orçamento basta um bom planejamento. 3) As responsabilidades gerenciais multiplicam-se no momento em que as informações chegam rapidamente. Sobre essa afirmação, podemos dizer que: a) O Controle não garante o cumprimento do que foi determinado. b) Não existe diferença entre o Orçado e o Real. c) É permitida a implementação de ações corretivas. d) São permitidas ações corretivas a qualquer tempo. e) Variações não são motivo para ações corretivas. 28 4) “O Orçamento é a grande arma global de controle de uma empresa”. Portanto: a) Utilizar o orçamento como ferramenta de gestão depende da quantidade de informações fornecidas. b) O orçamento não serve como instrumento psicológico de motivação. c) Não se assemelham o orçamento e o custo padrão, apenas para forçar o desempenho da produção. d) A principal finalidade do orçamento é a definição de metas a atingir. e) A integração das informações não prevê o acompanhamento em tempo real dos gastos. 5) A interação entre os administradores da empresa e os órgãos operacionais deve existir: a) Apenas através de reuniões semanais. b) Através de relatórios quinzenais. c) Através de reuniões, relatórios e instruções. d) Partindo da base operacional para o corpo diretivo. e) Através de um membro designado para intermediar as relações entre diretoria e executivos. 6) O orçamento participativo em uma empresa: a) É um método que envolve uma tomada de decisão conjunta. b) É responsabilidade de todos. c) Permite que os funcionários participem da tomada de decisão. d) Permite que todos os setores da empresa negociem o nível de seus orçamentos. e) Todas as afirmativas estão corretas. 29 7) O processo orçamentário realiza-se no curto prazo, direcionando os passos que os gestores devem seguir. Podemos afirmar entãoque: a) O planejamento orçamentário limita-se apenas aos objetivos departamentais. b) O planejamento orçamentário limita-se aos objetivos divisionais. c) O planejamento orçamentário limita-se a planejar e executar orçamentos. d) O planejamento orçamentário mostra a engrenagem que envolve os processos administrativos orçamentários. e) Todas as afirmativas estão incorretas. 8) Assinale a afirmativa incorreta. a) O processo orçamentário não sofre influência de fatores internos e externos, apenas de suas atribuições. b) Existem problemas de comportamento significativos em quase todas as técnicas de administração. c) A capacidade dos gestores de orçamento é indispensável para o processo de planejamento. d) É obrigação de quem está à frente do processo orçamentário maximizar a motivação dos indivíduos ou grupos. e) O orçamento como ferramenta gerencial faz parte das estratégias da empresa, adotando-as na melhoria dos processos. 9) Qual a importância de se estabelecer com precisão os objetivos da empresa em seu processo orçamentário? __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 30 __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 10) Faça uma análise das classificações das políticas organizacionais em uma empresa. __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ GABARITO 1. B 2. B 3. C 4. D 5. C 6. E 7. D 8. A 31 PREPARAÇÃO E ELABORAÇÃO DE PLANILHAS ORÇAMENTÁRIAS Nesta unidade veremos que o processo de preparação orçamentária representa uma coleta sistemática de planos gerenciais, estabelecidos em vários níveis de uma empresa e relacionamentos entre si, de tal modo que seja formado um programa global para a organização como um todo. PLANO DA DISCIPLINA: - Orçamento de Vendas: das despesas comerciais, dos impostos e abatimentos, dos preços e de quantidade. - Orçamento de MKT: gastos com publicidade e propaganda. - Orçamento de Produção: determinação da necessidade de produção, avaliação da capacidade produtiva e identificação de investimentos. - Orçamento de Compras: análise dos níveis de estoque e provisões para compras. - Orçamento de Mão-de-Obra Direta. - Orçamento dos Custos Indiretos de Fabricação: Gastos na Indústria. - Orçamento de Despesas Administrativas. - Orçamento de Capitais: aplicações e empréstimos. - Orçamento dos Custos dos Produtos Vendidos – CPV. U N ID A D E 2 32 ORÇAMENTO DE VENDAS: DAS DESPESAS COMERCIAIS, DOS IMPOSTOS E ABATIMENTOS, DOS PREÇOS E DE QUANTIDADES. O orçamento de vendas constitui-se na planificação futura das vendas da empresa para determinado período, relacionando em suas projeções os produtos e/ou serviços que serão oferecidos e distribuídos em cada mercado de atuação, indicando a quantidade, o preço unitário e a receita total. Principais componentes: - previsões das vendas; - preço de venda dos produtos; - impostos sobre vendas; - adições e abatimentos sobre vendas. O objetivo fundamental de uma empresa é a satisfação da procura, pelo que os gestores devem permanentemente avaliar e estudar o mercado. Em empresas de maior dimensão esta tarefa é desenvolvida pelo “Marketing”. Funções do departamento: - desenvolver um crescimento de longo prazo e uma estratégia competitiva para o produto; - preparar um plano anual de “marketing” e uma previsão de vendas; - recolher informações contínuas sobre o desempenho dos produtos, novos problemas e oportunidades. 33 A fonte a utilizar é prioritariamente estatística. Numa 1ª fase, recolher informação sobre: - vendas dos últimos anos; - registro de encomendas em carteira; - perspectivas de compras pelos clientes. 2ª Fase – Tratamento da informação, no sentido de estabelecer: - Tendência de longo prazo (ex.: o consumo de eletricidade aumenta em todos os países); - Flutuação de curto prazo (ex.: crise energética provocando recessão em alguns mercados); - Movimentos sazonais (ex.: as vendas aumentam no mês de Dezembro). A tendência de longo prazo e os movimentos sazonais são componentes estáveis. As flutuações de curto prazo, que refletem um determinado ciclo da economia, por vezes com regularidade, são componentes instáveis. 3ª Fase – Previsão ou Prognóstico Recolha de informações e opiniões: - estatísticas de mercado e empresa; - relatórios de vendedores; - sondagens de mercado, etc. 34 Delinear programa de ação com objetivos viáveis a atingir. As empresas têm, em geral, o seu mercado. A previsão deve envolver o seu mercado. Pode também envolver mercado potencial, mas estes elementos não têm a mesma segurança. Fatores que interferem nas projeções de vendas: a) Restrições internas: Capacidade produtiva insuficiente; Estrutura administrativa inadequada; Pessoal não habilitado para o exercício de suas funções; Dificuldades na obtenção de fundo para capital de giro, etc. b) Restrições externas: Evolução política do país; Inflação; Mercado fornecedor de matérias-primas; Mão-de-obra; Concorrentes. Principais fatores: - Política de preços: preço é a expressão do valor de troca que se oferece por alguma coisa que satisfaça uma dada necessidade ou desejo. 35 - Política de produtos: o ciclo de vida dos produtos e a sua determinação são relativos, pois varia de produto para produto, contudo a empresa deverá estar atenta ao projetar as vendas de seus produtos e/ou serviços em seu futuro mercado de atuação, considerando o ciclo de vida de cada um deles. O ciclo de vida completo de um produto é: pré-teste, introdução, crescimento, maturação, saturação, declínio e rejuvenescimento. - Política de distribuição: é nesse momento que são definidos os caminhos que levarão os produtos do fabricante aos consumidores finais. - Política de propaganda: define os produtos prioritários, as campanhas a serem feitas, os veículos a serem utilizados, etc. MÉTODO PARA ESTIMAÇÃO DAS VENDAS I) Métodos baseados no que se diz: a) Levantamento de intenções de compradores. b) Levantamento de opiniões de vendedores. c) Levantamento de opiniões de especialistas. II) Métodos baseados no que se faz: Utilizados quando do lançamento de um novo produto ou de abertura de uma nova região – consiste em trabalhar com um mercado-teste. III) Métodos baseados no que se fez: Através de ferramental estatístico e matemático explica o comportamento das vendas passadas e procura projetar as futuras. 36 Informações oriundas do orçamento de vendas I) Econômicos: a) Receitas Brutas; b) Impostos diretos sobre vendas (IPI, ICMS); c) Despesas com vendas (comissões, propaganda e publicidade, transporte, etc). II) Financeiros: a) Recebimento de vendas; b) Pagamento de impostosdiretos; c) Pagamento de Despesas. O objetivo de vendas pode ser diferente da previsão de vendas, já que o departamento comercial pode não adequar os objetivos à capacidade instalada. Negociar e Renegociar Orçamentos entre os diferentes responsáveis. O Orçamento de Vendas deve distinguir: - vendas de produtos; - vendas de serviços. Relacionado com a natureza material dos bens e imaterial dos serviços. 1ª Fase: - Programa de vendas – com quantidades. - Como se processa a metodologia da sua elaboração: 37 Reunião prévia com a Administração e responsáveis pelo Controle de Gestão nas várias áreas para definir: Número de trabalhadores a admitir ou a dispensar; Aumento da massa salarial em virtude de renegociação ou acordo coletivo de trabalho; Investimentos a efetuar no período; Política de estoques de mercadorias, produtos acabados e matérias- primas e outros. Política de recebimentos e pagamentos Etc. Depois de distribuídos aos vários responsáveis para sua elaboração, que após interligação informática deverão ser adequados aos objetivos da empresa. O tipo de orçamento e programa de vendas dependerá da necessidade de controle. . 38 Exemplo de controle: Jan Fev Março Abril Maio Junho Julho Agosto Set. Out. Nov. Dez. Total Anual 1. Produto A Cliente X .......... Cliente Y.......... Outros ............. Total ............. 2. Produto B Cliente X .......... Cliente Y.......... Outros ............. Total ............. 3. Produto C Cliente X .......... Cliente Y.......... Outros ............. Total ............. 4. ... TOTAL ............. 39 Os preços de venda devem ser já líquidos de descontos comerciais. Os descontos financeiros devem ser evidenciados no Orçamento de Caixa. É elaborado com base no faturamento e será decomposto nos períodos em que será efetuado o controle mês, trimestre, semestre, etc. Tendo em vista a elaboração de Orçamento de Caixa, é conveniente a indicação do Prazo Médio de Recebimento. ORÇAMENTO DE MARKETING É a parte do plano de marketing que mostra receitas, custos e lucros projetados. Os melhores profissionais de marketing são aqueles que trabalham com um orçamento e não têm de ficar pedindo dinheiro a todo o momento. Se você não tem um plano de marketing, provavelmente seja muito arriscado definir um orçamento de marketing. Isso porque o gerente e os profissionais envolvidos não vão ter a mínima ideia para onde devem ir, como devem ir etc. Mas se você tem um plano de marketing, seu gerente e a equipe poderão trabalhar da melhor forma para que os objetivos definidos sejam alcançados. É responsabilidade deles avaliar as opções disponíveis, testar para o seu negócio e investir para que haja um retorno lucrativo. Ter um orçamento também permite que os profissionais trabalhem baseado no longo prazo. Em consequência, olhar as questões estratégicas no futuro torna-se mais fácil, porque o recurso financeiro é disponível e alocado especificamente para os esforços de marketing. Hoje, cada vez mais empresas percebem os benefícios de se ter um orçamento específico para a área de marketing. Há dois anos, 40 apenas 40% das empresas utilizavam essa prática. Hoje, mais de 70% das empresas disponibilizam um orçamento específico. O orçamento do marketing da empresa vai determinar o orçamento publicitário. Vários fatores influenciarão o orçamento: Estratégia empresarial. A estratégia empresarial e a estratégia de marketing nos guiam na elaboração do orçamento da publicidade. Algumas empresas mantêm uma estratégia de líderes em custos, de forma que tratam de posicionar-se como a opção mais barata para os consumidores preocupados com o preço. Algumas lojas gastam pouco em publicidade e se centram nos locais e nas vitrines. Os objetivos empresariais e de marketing. Por exemplo, se o objetivo é crescer muito rápido em um mercado de consumo competitivo com uma marca reconhecida, para alcançar o objetivo, possivelmente será necessário um alto gasto publicitário. Os concorrentes e o gasto publicitário que realizaram. O esforço publicitário pode variar dependendo das ações e das competências. Dependendo de nossa quota de mercado e a dos concorrentes. O produto que vendemos. Dependendo do setor no qual nos encontramos e das características e benefícios que oferecem nosso produto. Alguns setores muito competitivos requerem um alto gasto em publicidade se quisermos desenvolver uma marca. A situação no ciclo de vida do produto. Quer dizer que se trata de um produto em fase de lançamento, crescimento, amadurecimento ou declive. O tipo de publicidade e a quantidade do gasto publicitário são distintos. Por exemplo, o lançamento do produto costuma requerer um maior gasto publicitário para dá-lo a conhecer. 41 Teoricamente o gasto publicitário ideal seria a quantidade que faz máxima a rentabilidade empresarial. Se pudéssemos conhecer os distintos níveis de gastos em publicidade, que vendas lhe correspondem, poderíamos calcular o gasto publicitário idôneo. Mas, na realidade o cálculo do gasto publicitário que faz máxima a rentabilidade empresarial se vê dificultado por: Os efeitos demorados. O consumidor pode ver hoje o anúncio de automóvel e realizar a compra dentro de um ano. É difícil avaliar os efeitos em longo prazo da publicidade sobre as vendas. As múltiplas variáveis que intervêm. É difícil diferenciar o efeito da publicidade do resto das variáveis que influem nas vendas. Ao realizar um anúncio é complicado diferenciar o efeito do anúncio de outras variáveis como o comportamento da força de vendas, a evolução do mercado, as ações dos concorrentes, a atuação dos intermediários. As dificuldades de cálculo. Nem sempre é fácil determinar que vendas correspondem a cada período. Se, por exemplo, os intermediários acumulam produtos em algumas épocas de oferta e os vendem em outro, é complicado analisar o impacto da publicidade sobre as vendas aos consumidores. É, portanto, muito complicado saber que parte de um aumento das vendas é ocasionado por uma campanha de publicidade ou por outros fatores. Para fixar o orçamento publicitário devemos ter em conta alguns princípios: Intensidade. Costuma ser necessário um gasto mínimo. Se descobrirmos a fórmula da juventude eterna, pode ser suficiente um anúncio, se nos crêem, para vender toda a produção. Na maior parte das situações precisa-se de certo número de repetições para que o anúncio seja notado. 42 Concentração. A publicidade costuma requerer certa concentração no tempo e nos meios. É preciso um número mínimo de anúncios concentrados num período de tempo. Coordenação. O orçamento de publicidade deve ser coerente e estar coordenado com o orçamento de marketing da empresa. As diversas partes do orçamento de publicidade devem estar coordenadas entre si. 43 44 ORÇAMENTO DE PRODUÇÃO: DETERMINAÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO, AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE PRODUTIVA E IDENTIFICAÇÃO DE INVESTIMENTOS Orçamento de Produção É o método empregado em projetar as matérias-primas, a mão- de-obra direta e os custos indiretos de fabricação, de acordo com as unidades a serem vendidas e a política de estoques de produtos prontos definida pela empresa. É uma estimativa da quantidade de bens que devem ser fabricados durante o exercício.45 Passos para a Elaboração do Orçamento de Produção 1. Estabelecer políticas relativas aos níveis de estoques. 2. Determinação da quantidade total de cada produto a ser fabricado durante o período. 3. Programar ou distribuir essa produção por períodos. Elaboração do Orçamento de Produção relacionada com o orçamento de Capital - Ampliação de suas instalações - Modernização operacional - Diversificação de produtos/serviços - Implantação de novas unidades de negócio - Relocalização industrial ou comercial Programação da Produção e Políticas de Estoque Produção constante: Menor capacidade produtiva Maior Produtividade Redução dos custos com mão-de-obra 46 (maiores áreas para estocagem) (maiores custos: financeiros, seguro) (riscos de obsolescência física ou técnica) Produção ao nível das vendas Minimização dos investimentos em estoque (Requer uma maior capacidade produtiva) (O nível de emprego de mão-de-obra apresenta oscilações) (Maiores despesas de treinamento e menor produtividade) Produção por Ciclos É utilizado quando o custo de substituição de equipamentos torna proibitivas as alterações frequentes da composição dos produtos fabricados a qualquer momento. Minimização dos custos de substituição dos equipamentos e ajustes (custos de estocagem, riscos de obsolescência) Políticas de Estoque Os estoques estão intimamente ligados à produção e à venda de mercadorias. Níveis ideais de estoques: “Busca o equilíbrio funcional”. São formados por vários tipos de bens: - Matérias-primas, de manutenção, produtos em elaboração, produtos acabados. 47 Vendas /estoques/produção Prazos de obsolescência física e técnica. Tamanho e frequência dos pedidos. Reações do mercado a atrasos nas entregas. Sistema de distribuição. Determinação das quantidades totais a produzir e distribuição por período de tempo PRODUTOS A B C D Quantidade para vendas 5.800 3,000 1,600 7,800 Mais: estoque final produtos acabados 1,450 500 270 1,950 Menos: estoque inicial de produtos acabados 1,700 580 320 2,800 Produção prevista 5,550 2,920 1,550 6,950 Para a composição do orçamento de produção é necessário obter: As previsões de vendas por período; Os níveis de estoques inicial e final; O Mix de produtos a serem elaborados; A capacidade da Mão-de-obra e da estrutura; Capacidade de produção hora/máquina; O tempo disponível para atender à solicitação. 48 FINALIDADE: Define as necessidades de matérias-primas; Visa atender às vendas orçadas e definir os níveis de estoques a serem mantidos; Define a necessidade de mão-de-obra; Concilia: o atendimento ao orçamento de vendas, a otimização dos custos de produção e a minimização dos investimentos em estoques; Uma pré-condição para viabilização das projeções de vendas é a adequação da capacidade produtiva instalada da planta com o nível de saídas previstas. Se a capacidade existente for inadequada, poderão ser avaliadas as seguintes alternativas: introdução de turnos extras de trabalhos, subcontratação de parte da produção ou locação ou aquisição de novos equipamentos. ORÇAMENTO DE COMPRAS: ANÁLISE DOS NÍVEIS DE ESTOQUE E PROVISÕES PARA COMPRAS CONDICIONANTES BÁSICOS Vendas Previstas Variação de Estoques Compras = Vendas + Variação de Estoques Compras = Vendas + Ef – Ei Os passos fundamentais para elaboração do orçamento de compras são: - Estabelecimento das políticas de estoque - Determinação da quantidade a ser comprada - Distribuição das compras por períodos (meses) POLÍTICA DE ESTOCAGEM Para seu estabelecimento devem se considerar os seguintes fatores: 49 - Atendimento das vendas - Perecibilidade das mercadorias - Capacidade de armazenagem - Prazo de entrega pelos fornecedores - Recursos financeiros - Proteção contra atrasos na entrega - Obsolescência das mercadorias - Preços de compra PREPARAÇÃO DO ORÇAMENTO DE COMPRAS - Orçamento de vendas em quantidade: Jan Fev Mar Abr Mai Jun 100 120 140 140 160 140 - Preço de venda orçado: Jan Fev Mar Abr Mai Jun 20,00 20,00 20,00 22,00 22,00 22,00 - Impostos sobre a venda: (-) ICMS s/venda 17,00% (-) PIS s/venda 1,65% (-) COFINS s/venda 7,60% Dados disponíveis (estoques) - Estoque inicial de janeiro: 100 um x R$ 9,99 (custo médio) - Estoque final de junho: 120 um (Quantidade prev. Julho) 50 - Considerando compras trimestrais em Janeiro e Abril, os estoques finais nesses meses serão equivalentes ás vendas dos 3 meses seguintes. Dados disponíveis (compras) - Preço de compra orçado de Janeiro: R$ 10 - Preço de compra orçado de Abril: R$ 11 IPI sobre Compras = 20% (-) ICMS S/ Compras= 7% (-) PIS s/ Compras= 1,65% (-) COFINS s/ Compras= 7,60% RESOLUÇÃO DO EXERCÍCIO Janeiro Vendas (quantidade) 100 EF 400 (-) EI 100 Compras (quantidade) 400 Valor das Compras R$ 4.000,00 IPI sobre Compras R$ 800,00 Valor Bruto R$ 4.800,00 (-) ICMS s/ Compras R$ 280,00 (-) PIS s/ Compras R$ 79,20 (-) COFINS s/ Compras R$ 364,80 VALOR DO CUSTO R$ 4.076,00 Valor das Compras = R$ 10 IPI sobre Compras = 20% (-) ICMS S/ Compras= 7% (-) PIS s/ Compras= 1,65% (-) COFINS s/ Compras= 7,60% 51 APURAÇÃO DO CMV (Custo da Mercadoria Vendida) JANEIRO E. Inicial 100 R$ 9,99 R$ 99,00 (+) COMPRAS 400 R$ 10,19 R$ 4.076,00 Média 500 R$ 5.075,00 10,15 (-) CMV 100 R$ 10,15 R$ 1.015,00 E. Final 400 R$ 10,15 R$ 4.060,00 ORÇAMENTO DE COMPRAS PARA FEVEREIRO Jan Fev Vendas (quantidade) 100 120 EF = Estoque Final 400 280 (-) EI = Estoque Inicial 100 400 FEVEREIRO E. Inicial 400 R$ 10,15 R$ 4.060,00 (-) C M V 120 R$ 10,15 R$ 1.218,00 E. Final 280 R$ 10,15 R$ 2.842,00 DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO ORÇADO JAN Preço de Venda orçado 20,00 Vendas brutas 2.000,00 COFINS s/ venda=7,6% (-) ICMS s/ venda 340,00 ICMS s/ venda = 17% (-) PIS s/ venda 33,00 PIS s/ venda = 1,65% (-) COFINS s/ venda 152,00 Vendas Líquidas 1.475,00 (-) C M V 1.015,00 Lucro Bruto 460,00 52 ORÇAMENTO DE MÃO-DE-OBRA DIRETA: DECISÕES ENTRE CONTRATAR, HORAS-EXTRAS OU TERCEIRIZAR Os custos de mão-de-obra compreendem todas as despesas relacionadas aos indivíduos empregados pela empresa. Os custos de mão-de-obra direta compreendem os salários pagos aos empregados diretamente envolvidos em atividades específicas de produção. Interação com RH -Necessidades de recursos humanos. -Recrutamento. -Treinamento. -Avaliação e especificação de tarefas. -Avaliação de desempenhos. -Negociação com sindicatos. -Administração salarial. Razões Principais -Volume necessário de mão-de-obra direta. -Número de empregados exigidos. -Custo unitário de fabricação de cada produto. -Necessidades de fluxo de caixa. -Permitir o controle do trabalho realizado. Hierarquia de Responsabilidade53 Abordagens • Por número padrão de horas. • Pela relação direta entre o custo de MOD e alguma medida de volume ou nível de atividade. • Pela necessidade de pessoal. MÉTODOS PARA PLANEJAR OS TEMPOS-PADRÃO ESTUDOS DE TEMPOS E MOVIMENTOS -Custo-padrão -Estimativa direta pelo supervisor -Projeções estatísticas por um grupo de assessores ESTIMAR DIRETAMENTE O CUSTO DE MÃO-DE-OBRA DIRETA Por unidade de produção: -Em termos de alguma medida de atividade. Por exemplo, o nº de horas de uso direto de máquinas ou o custo de matéria-prima direta. Necessidade de pessoal As tabelas são construídas por meio de dados históricos, tendo como base as informações da sazonalidade dos produtos. • Contrato Permanente. • Contrato Temporário. A ESCOLHA DA ABORDAGEM SERÁ DE ACORDO COM: • Método de pagamento de salários. • Tipos de processos de produção envolvidos. • Disponibilidade de tempos-padrão de trabalho. • Adequação dos registros de contabilidade de custos relativos à mão-de-obra direta. 54 BENEFÍCIOS Eficiência na função administrativa de pessoal. Eficiência na função financeira. Maior clareza nos cálculo dos custos. Eficiência no controle e redução dos custos. O orçamento de mão-de-obra direta possibilita o fornecimento de dados para o planejamento da quantidade necessária de mão-de-obra direta, determinando o número de empregados exigidos bem como a estimativa do custo unitário de cada produto. ORÇAMENTO DOS CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO: GASTOS NA INDÚSTRIA Os custos indiretos de fabricação são de responsabilidade dos gerentes dos respectivos departamentos de fabricação. O total do orçamento de custos indiretos depende do comportamento individual dos demais custos e do nível de fabricação. O orçamento dos CIF estima os custos indiretos esperados para o próximo período, distinguindo os custos indiretos em fixos e variáveis. 55 Exemplo: Janeiro Fevereiro Custos Variáveis R$ R$ Material indireto Mão-de-obra indireta Energia Elétrica Manutenção Total Variável Custos Fixos Salários Supervisão Depreciação Taxas e Seguros Manutenção Total - Fixos Total CIF Horas MOD Total Rateio dos CIF Total CIF / Total MOD Os Custos Indiretos de Fabricação abrangem todos os custos fabris que não podem ser classificados como mão-de-obra direta ou matéria-prima, e são incorridos em nível de departamento ou da fábrica como um todo. São os gastos que não podem ser atribuídos a um único departamento e que são alocados a cada departamento por meio dos critérios de rateio do sistema de contabilidade de custos da empresa. Ex.: materiais indiretos (combustíveis, lixas, etc.), mão-de- obra indireta empregada, depreciação e outros. Consiste na projeção dessas despesas por período de tempo e agrupadas por responsabilidade. Os custos de produção podem ser classificados quanto a sua variabilidade em relação à produção, em três categorias: a) custos fixos; b) custos variáveis; c) custos semivariáveis. Medidas de atividade (ou variabilidade) comumente usadas em departamentos diretamente produtivos: • unidades produzidas (no caso de um único produto); • horas de MOD; • horas de uso de máquinas; • matérias-primas consumidas Medidas de atividade (ou variabilidade) comumente usadas em departamentos de serviços: • manutenção e serviços: horas de serviço em consertos; • energia elétrica: número de kilowatts/hora fornecidos; • compra: valor das compras. 56 ALOCAÇÃO DOS CUSTOS INDIRETOS AOS PRODUTOS • Distribuição dos custos indiretos pelos “centros de produção” e pelos “centros de serviços”; • Distribuição da despesa total dos “centros de serviços” aos “centros de produção”; • Distribuição dos custos indiretos acumulados nos “centros de produção” pelas ordens de fabricação. EXEMPLO: Orçamento de Custos Indiretos de Fabricação Unidades a seres produzidas 21.400 Custos Variáveis: Materiais Indiretos ($2,00 p/unid) 42.800,00 Mão-de-obra indireta ($1,50 p/unid) 32.100,00 Outros Custos Variáveis ($1,00 p/unid) 21.400,00 Total dos Custos Variáveis Indiretos 96.300,00 Custos Fixos: Salários da Supervisão 90.000,00 Depreciação da fábrica e dos equipamentos 20.000,00 Outros 5.000,00 Total dos Custos Fixos Indiretos 115.000,00 Total dos Custos Indiretos 211.300,00 (-) Depreciação 20.000,00 Custos Indiretos que geram desembolsos 191.300,00 Tx Custos Indiretos Estimada = custo ind. Anual ÷ produção anual. = 884.850,00 ÷ 91.300,00 = $ 9,69 57 ORÇAMENTO DE DESPESAS ADMINISTRATIVAS As despesas administrativas normalmente possuem natureza fixa. Para sua elaboração, podem ser utilizados custos históricos corrigidos ou novas cotações. Deve ser analisado se a estrutura administrativa da empresa é suficiente para que seja possível a execução dos planos anteriores. O planejamento das despesas não dá ênfase à redução de despesas, mas à melhor utilização dos recursos. O orçamento das despesas deve focalizar sua atenção na relação entre despesas e os benefícios (resultados) delas decorrentes. O controle de custos deve estar associado a: Programas futuros e operações planejadas; Responsabilidades administrativas. A categoria dos custos está relacionada ao nível de atividade como segue: - Custos Fixos - são os itens que mantém constante seu valor, independente das flutuações da produção ou do volume de trabalho realizado. Ex.: impostos prediais, seguros depreciação, salários de supervisores, etc. O Orçamento das Despesas Administrativas relaciona os gastos que serão pagos ou incorridos no plano geral de operações, além de se constituir das várias atividades que beneficiam todas as fases do negócio ou objeto social de uma empresa. Portanto, as despesas administrativas incluem todas as despesas necessárias para a gestão das operações de uma empresa, como relativas ao pessoal burocrático (salários e ordenados, gratificações, férias, 13º salário, previdência social, FGTS), viagens, telefone, material de escritório, depreciação, seguros, taxas, energia elétrica, serviços prestados por terceiros, entre outros. 58 Orçamento das Despesas de Vendas e Administrativas (fixas) Salários 160.000,00 Propaganda 70.000,00 Depreciação de equip. do escritório 5.000,00 Outros 15.000,00 Total 250.000,00 (-) Depreciação 5.000,00 Desp. de Vendas e Administrativas que geram desembolsos. 245.000,00 ORÇAMENTO DE CAPITAIS: APLICAÇÕES E EMPRÉSTIMOS Definição É o sumário de gastos planejados com ativos permanentes privados. Sua elaboração consiste na análise de projetos e tomada de decisão sobre sua viabilidade econômica. Porque investir? - Senso de oportunidade. - Eficiência decrescente. - Necessidades impostas pelo mercado. - Melhora da imagem da empresa junto aos acionistas e investidores em potencial. 59 Pré-requisitos - Disponibilidade de fundos. - A previsão de vendas deve ser a mais precisa possível. Tipos de Projeto - Reposição: Manutenção do Negócio. - Reposição: Redução de Custos. - Expansão de produtos ou mercados existentes. - Expansão em novos produtos ou mercados. - Projetos de segurança ou ambientais. - Outros. Etapas da elaboração do Orçamento de Capital - Determinação do Custo do Projeto. - Estimativa dos Fluxos de Caixa Esperados. - Estimativa do Grau de Risco. - Determinação do Custo de Capitaldo Projeto. - Verificação do Valor Presente dos Fluxos. - Comparação dos Fluxos Esperados com o Custo do Projeto. Regras básicas de decisão na Escolha de Projetos - PayBack simples. - PayBack descontado. - Valor Presente Líquido (VPL). - Índice de Rentabilidade. - Taxa Interna de Retorno (TIR). - Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM). 60 Payback O Payback consiste no tempo necessário para se recuperar determinado investimento. Devem-se fazer investimentos que tem o menor Payback. Payback Simples Vantagens - Facilidade no cálculo. - Utilidade para investimentos de curto prazo. Desvantagens - Não considera o custo de capital. - Não considera os fluxos de caixa após o retorno do investimento. Payback Descontado Vantagens - Indicado para ambientes com risco muito alto. - Utilidade para investimentos de curto e médio prazo. Desvantagens - Não desconta adequadamente os fluxos de caixa. - Não considera os fluxos de caixa após o retorno do investimento. Valor Presente Líquido O valor presente líquido é o valor dos fluxos de caixa esperados descontados trazidos a um data comum ou data base 61 Se VPL > 0 – Investimento Satisfatório Se VPL < 0 – Investimento Insatisfatório Se VPL = 0 – Economicamente Indiferente Valor Presente Líquido Vantagens - Desconta adequadamente os fluxos de caixa. - Considera todos os fluxos de caixa esperados. Desvantagens - Dependente totalmente da taxa de juros do mercado. - É um modelo não muito indicado em ambientes de risco muito alto. Índice de Rentabilidade Consiste na razão entre o valor presente dos fluxos de caixa esperados sobre o custo do projeto Se IR > 1 – Investimento Satisfatório Se IR < 1 – Investimento Insatisfatório Se IR = 1 – Economicamente Indiferente Vantagens - Índice apropriado quando se tem racionamento de capital. Desvantagens - É um índice relativo, podendo, portanto levar a interpretações equivocadas. 62 Taxa Interna de Retorno (TIR) Taxa de juros ou custo de capital que torna o valor presente das entradas de caixa igual ao valor das saídas de caixa. É um número intrínseco ao projeto e não depende de nenhum parâmetro que não os fluxos de caixa esperados desse projeto. Se TIR > 0 – Investimento Satisfatório Se TIR < 0 – Investimento Insatisfatório Se TIR = 0 – Economicamente Indiferente Se TIR > k – Investimento Satisfatório Se TIR < k – Investimento Insatisfatório Se TIR = k – Economicamente Indiferente k – Custo de Capital Vantagens - Não depende de nenhuma taxa de juros. - Melhor referência para análise entre investimentos. Desvantagens - Não é um bom indicador para investimentos não convencionais. - Não leva em conta a duração e o tamanho do projeto. Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM) É um indicador da rentabilidade, porém de forma relativa, diferente da TIR que não leva em conta o custo do projeto e de capital. É a taxa de juros que iguala o valor presente do custo do projeto ao valor futuro das entradas descontadas. Se TIRM > 0 – Investimento Satisfatório Se TIRM < 0 – Investimento Insatisfatório 63 Se TIRM = 0 – Economicamente Indiferente Se TIRM > k – Investimento Satisfatório Se TIRM < k – Investimento Insatisfatório Se TIRM = k – Economicamente Indiferente k – Custo de Capital Vantagens - O Reinvestimento é feito ao custo do capital. - Melhor indicação da rentabilidade relativa. Desvantagens - Não é um bom indicador para investimentos não convencionais. - Não leva em conta a rentabilidade absoluta do projeto. Limitações dos Métodos - Dificuldade na obtenção de dados confiáveis. - Metodologia determinística. - Um único cenário provável. - Não considera o intangível. Regras alternativas de decisão na Escolha de Projetos - Análise Múltipla. - Árvore de Decisão. - Análise de Monte Carlo. - Regra de La Place. - Regra de Hurwicz. 64 Utilidades Posteriores do Orçamento de Capital - Comparação entre o realizado e o previsto. - Análise das variações nas premissas de planejamento. - Melhora nas previsões. - Melhora nas operações. EXEMPLO: Período Presente Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Fluxo de Caixa Preço de Compra (70.000,00) Economia de Mão-de-obra 20.000,00 20.000,00 20.000,00 20.000,00 20.000,00 VALOR Economia de Tinta 2.000,00 2.000,00 2.000,00 2.000,00 2.000,00 PRESENTE Manutenção (1.000,00) (1.000,00) (1.000,00) (1.000,00) (1.000,00) LÍQUIDO Valor Residual 5.000,00 Fluxo de Caixa Total (70.000,00) 21.000,00 21.000,00 21.000,00 21.000,00 26.000,00 Fator de Valor Presente (x) 1,0000 0,8929 0,7972 0,7118 0,6355 0,5674 Total (70.000,00) 18.750,90 16.741,20 14.947,80 13.345,50 14.752,40 537,80 65 Nesta Unidade você aprendeu a importância do Orçamento em seus mais diversos níveis para que a empresa possa formar um programa de planejamento. Na próxima unidade você estudará como utilizar o Orçamento para avaliar e analisar o Demonstrativo de Resultados da empresa. 66 EXERCICIOS ASSINALE A AFIRMATIVA CORRETA. 1) O orçamento de vendas relaciona em suas projeções os produtos e/ou serviços que são oferecidos e distribuídos no mercado, indicando: a) A quantidade, a qualidade e o preço unitário; b) A quantidade, o preço unitário e a despesa total; c) A quantidade, a qualidade e a receita total; d) A quantidade, o preço unitário e a receita total; e) N R A. 2) São funções do departamento de Orçamento de Vendas: a) Desenvolver um crescimento de curto prazo e uma estratégia competitiva para o produto; b) Preparar um plano anual de “Marketing” e uma previsão de vendas; c) Recolher informações sobre o desempenho dos produtos, problemas persistentes e oportunidades; d) Utilizar esporadicamente fontes estatísticas; e) Recolher informações sobre compras nos últimos anos. 3) Assinale a afirmativa incorreta: a) Os preços de venda devem ser líquidos de descontos comerciais; b) O orçamento de vendas deve ser genérico não distinguindo vendas de serviços de vendas de produtos; c) O método baseado “no que se faz” é utilizado quando do lançamento de um novo produto; d) A política de propaganda define os produtos prioritários; e) Os caminhos que levarão os produtos do fabricante ao consumidor são definidos pela política de distribuição. 4) O orçamento de marketing é a parte do plano de marketing que mostra: a) Receitas, despesas e lucros projetados; 67 b) Custos, despesas e lucros projetados; c) Receitas, custos e prejuízos ocorridos; d) Receitas, custos e lucros projetados; e) N R A. 5) A estratégia empresarial e a estratégia de marketing nos guiam na elaboração: a) Do orçamento da publicidade; b) Do orçamento de vendas; c) Do orçamento de capital; d) Do orçamento de marketing; e) Do orçamento de produção. 6) Assinale a afirmativa incorreta: a) O orçamento de produção projeta as matérias-primas, a mão- de-obra direta e os custos diretos de fabricação; b) O orçamento de produção projeta as matérias-primas de acordo com as unidades a serem vendidas; c) O orçamento de produção é o método empregado para projetar a mão-de-obra direta de acordo com a política de estocagem; d) O orçamento de produção é uma estimativa da quantidade de bens que devem ser fabricados durante o exercício.7) São passos fundamentais para a elaboração do orçamento de compras: a) Estabelecimento das políticas de produção; b) Determinação da quantidade de produtos a serem comprados; c) Estabelecimento das políticas de estoque; d) Distribuição das vendas por períodos; e) N R A. 8) São benefícios do orçamento de mão-de-obra direta: a) Eficiência na função administrativa de pessoal; b) Eficiência na função financeira; c) Eficiência no controle dos custos; d) Eficiência na redução de custos; e) Todas as afirmativas estão corretas. 68 Responda as questões a seguir: 9) Quais as principais razões para a execução de um orçamento de MOD? __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 10) Que elementos são considerados nos Custos Indiretos de Fabricação? __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 69 GABARITO: 1) D 2) B 3) B 4) D 5) A 6) A 7) C 8) E 9) Estabelecer a quantidade de mão-de-obra direta necessária através das necessidades de fluxo de caixa, permitindo o controle do trabalho realizado. Com isto, pode decidir entre contratar e terceirizar. 10) São os gastos que não podem ser atribuídos a um único departamento e que são alocados a cada departamento por meio dos critérios de rateio do sistema de contabilidade de custos da empresa. Exemplo: Materiais indiretos, mão-de-obra indireta, depreciação etc. 70 O ORÇAMENTO COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO E ANÁLISE DA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS Nesta Unidade, veremos que a principal avaliação que se busca é obter um resultado que seja compatível com o investimento efetuado na empresa, que é o lucro efetivo obtido no período, apurados preferencialmente num intervalo mensal. PLANO DA UNIDADE Análise de desempenho projetado, confrontado com os objetivos traçados. Análise dos centros de resultados. Controle das variações orçamentárias e análise de desempenho — Plano de Ação. U N ID A D E 3 71 ANÁLISE DE DESEMPENHO PROJETADO, CONFRONTADO COM OS OBJETIVOS TRAÇADOS. O demonstrativo de resultados é a principal ferramenta de gestão financeira que demonstra o desempenho econômico da empresa, ou seja, demonstra se, no período (estabelecido em mês, meses ou ano) que passou, a empresa teve lucro ou prejuízo e qual foi esse valor. Proporciona várias análises comparativas de desempenho em diferentes períodos de atividade, verificando seus resultados operacionais e possibilitando promover ajustes que se façam necessários. É como se este instrumento fosse uma bússola da atividade econômica, indicando em que direção a empresa está indo e fornecendo parâmetros para tomadas de decisões estratégicas e operacionais ou até mesmo informando se o negócio é viável ou não. A partir do resultado apurado faz-se necessário analisar quais foram as origens e o que influenciou neste resultado, o que pode ser gerenciado para buscar melhorias. Por isso saber construir esta analise é o principal elemento para a busca de melhores resultados. Veja a seguir alguns grupos de contas que contribuem para resultados positivos numa apuração de resultados, enquanto que, resultados negativos, naturalmente, são consequências de situações inversas. Grande volume de vendas (aumento e manutenção do volume de vendas); Menor custo com aquisição de mercadorias e matérias-primas (compras planejadas); Melhor relação de custos com o preço de venda, propiciando melhores margens; 72 Menor custo com os encargos tributários (através do planejamento tributário); Baixo custo com a estrutura de custos fixos; Eficiente controle de descontos nas vendas (administrar os descontos concedidos). Não estão aí relacionadas situações que envolvem a carteira de estoques da empresa, da inadimplência, da relação entre os prazos de compras e o de vendas que impactam no fluxo de caixa e dos investimentos. E por que não? Porque tratamos aqui de uma ferramenta que apura os resultados operacionais pelo denominado "regime de competência", ou seja, este demonstrativo não está associado à movimentação do dinheiro — fluxo de caixa —, mas sim, do desempenho operacional que considera as operações de compra / fabricação / venda (para o caso das indústrias), de compra / venda (para o caso do comércio) e de compra / execução / venda (para o caso de prestação de serviços). Significa então que, se desejarmos analisar o desempenho financeiro da empresa, terá que preparar também um demonstrativo de movimentação de caixa, para saber quais foram os montantes de entrada e saída de dinheiro, dentro de um determinado período. Vários são os fatores que contribuem para a obtenção de resultados negativos, todos eles elencados no tema "capital de giro". Esta situação será desenvolvida na Unidade V. Não elaborar um demonstrativo de resultados significa conduzir uma empresa sem direção definida, com tomadas de decisões sem consistência, baseados via de regra, pela deficiência dos saldos de caixa do momento, não possibilitando um único planejamento que seja adequado à capacidade e necessidade da empresa. 73 Análise vertical do demonstrativo de resultados É a avaliação que se faz de todos os valores contidos na apuração de resultados em relação às Vendas Líquidas Totais. Inicia-se a análise com o volume de vendas atingido em um período, determinando-se assim a base para todas as contas. Posteriormente cada item deve ser comparado percentualmente em relação ao volume de vendas do período. Análise horizontal do demonstrativo de resultados É a avaliação que se faz de todos os valores contidos na apuração de resultados de um período, calculando-se os percentuais de crescimento ou de diminuição em relação ao período anterior. Exemplo: no exercício anterior valores do mês de fevereiro em relação a janeiro. Permite a apuração dos resultados operacionais de uma atividade, com base em avaliações de desempenho obtidas durante o mês de análise, denominados de análise pelo "Regime de Competência". Para a elaboração do demonstrativo de apuração de resultado faz-se necessário, o acompanhamento sistemático de valores obtidos através de informações de relatórios específicos, aqui demonstrado através do “quadro de margens sobre vendas”, e também outros que façam parte de seus registros de caixa. 74 O resultado é separado em três partes: A primeira conhecida como Margem de Contribuição ou Lucro Bruto, é obtida, deduzindo-se os custos variáveis das vendas líquidas do período; A segunda parte é o valor que é atribuído como Resultado Operacional que é obtido simplesmente com a dedução dos custos fixos da Margem de Contribuição, que, dependendo do resultado é denominadocomo lucro operacional ou prejuízo operacional; A terceira é o resultado final conhecido como Resultado Líquido que é obtido agregando-se ao lucro operacional o resultado extra-operacional (que não é da atividade principal da empresa) do período, ao final encontramos o lucro líquido ou o prejuízo líquido. A importância do controle de vendas na apuração de resultados Com um controle sistemático das vendas é possível separar-se diariamente os valores a serem recebidos a vista e a prazo e em caso de indústria também o valor do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – que deverá ser deduzido do faturamento bruto para fins de análise, pois este valor não pertencente a empresa, sendo destacado separadamente na nota fiscal. E por que separar as vendas a vista e a prazo? A administração dos recursos financeiros é fundamental na empresa, e através desta informação é possível fazer um planejamento adequado do fluxo de caixa adequando-o às necessidades e capacidades da empresa. A planilha apresentada a seguir, demonstra como devem ser registradas e controladas as vendas de maneira analítica. 75 Analisando as Planilhas: 1. Representam os montantes de vendas realizados pelos diferentes segmentos de geração de receitas na empresa; 2. Representam os montantes de impostos a pagar; 3. Representam os montantes de outros custos variáveis a pagar; 4. Representam as margens de contribuição por venda realizada – aí está a geração de riquezas de uma empresa; 76 5. Representam os valores acumulados de margens de contribuição. Aplica-se esta ferramenta para o registro e acompanhamento diário das vendas, avaliando-se os volumes vendidos e suas respectivas margens de vendas, assim, a cada dia, poder-se-á planejar e corrigir as falhas ou deficiências ocorridas, bem como, potencializar os bons resultados. A importância que a informação tem para as organizações, pode constituir-se, senão o mais importante, pelo menos um dos recursos cuja gestão e aproveitamento estão diretamente relacionados com o alcance dos objetivos empresariais. A informação tem duas finalidades básicas: a primeira seria a de proporcionar conhecimento dos ambientes interno e externo e a segunda, a de proporcionar o conhecimento necessário para atuar nesses ambientes. Esta declaração explica em parte, o porquê de todos os modelos de planejamento estratégico sejam eles estruturados ou não estruturados. Muito embora o processo de desenvolvimento orçamentário não precise, necessariamente de informações anteriores, o acúmulo de informações permite a criação de métodos comparativos, facilitando o alcance das metas. Sendo assim, o monitoramento da empresa através do orçamento passa a representar senão uma garantia, ao menos uma maior chance de sucesso das estratégias. Igualmente, qualquer tentativa de desenvolvimento de um planejamento estratégico que não venha a contemplar um planejamento orçamentário estará diminuindo ou mesmo inviabilizando toda a estratégia da empresa. Toda a ação consciente e racional decorre de uma decisão que, uma vez fundamentada em um conjunto de opções, garante a escolha da melhor opção, que, diga-se de passagem, é feita em função de algum objetivo. Desta forma, a determinação e o conhecimento dos objetivos irão condicionar as decisões que, por sua vez, determinarão a atuação. 77 Uma vez que a alta administração tenha decidido acerca dos objetivos a serem atingidos pela organização, é necessário que os gestores iniciem o desenvolvimento do processo orçamentário para que tenham uma direção a ser seguida na busca dos objetivos. Um dos desafios do gestor e o de garantir a compatibilidade entre as decisões táticas e operacionais com as estratégicas, promovendo ações táticas e operacionais que levem a empresa a atingir seus objetivos com eficiência. Assim, a principal função do planejamento orçamentário seria a de coordenar as várias atividades da organização em busca de seu objetivo principal e, não tão somente dos objetivos departamentais ou divisionais. Esta compatibilização entre as decisões táticas e operacionais com as estratégias, somente poderá ser alcançada através da utilização de ferramentas que possam nortear e ao mesmo tempo controlar as atividades empresariais. Dentre estas ferramentas, destaca-se o orçamento estratégico. Trata-se do primeiro momento do planejamento de longo prazo, onde todas as partes envolvidas com o sucesso da organização congregarão os recursos materiais, humanos, financeiros, tecnológicos, mercadológicos e informacionais para o alcance do objetivo central. O orçamento empresarial é uma conseqüência da estratégia da empresa, cujo papel primordial seria o de elucidar, com maior grau de detalhe, os números e valores correspondentes ao orçamento estratégico, através de um conjunto ordenado de quadros relativos a certas datas ou intervalos futuros de tempo que integram e combinam os dados de vendas, produção, compras, estoques, custos, despesas e outros ativos. O orçamento é, portanto, o instrumento mais detalhado da administração que possibilita integrar as quantificações das ações e os resultados de curto prazo da empresa, visando o alcance dos seus objetivos com a máxima eficiência. Sendo também o elo gerencial de ligação entre a atuação da empresa no curto prazo e a 78 sua estratégia; refletindo os primeiros passos da empresa em direção aos seus objetivos de longo prazo. ANÁLISE DOS CENTROS DE RESULTADOS Os Custos Variáveis O que são Custos Variáveis? São aqueles gastos que variam proporcionalmente ao volume de vendas da empresa, isto é, quando aumentam as vendas, aumentam os custos variáveis na mesma proporção e vice-versa. Os principais Custos Variáveis da empresa seguem detalhados a seguir: Valor baixado do estoque quando vendidas, que se conhece geralmente como Custo das Mercadorias Vendidas – CMV ou Custo da Matéria-Prima - CMP; Os impostos de uma maneira geral, nos âmbitos Federal, Estadual e Municipal, incidentes sobre as Vendas de produtos, mercadorias e serviços; As comissões calculadas sobre as vendas e que deverão ser pagas aos representantes e/ou vendedores, etc. A Margem de Contribuição A margem de contribuição encontrada no demonstrativo de resultados é o grande “número mágico” que deve ser administrado regularmente. Ele demonstra qual a sua capacidade de geração de riquezas, pois, é com essa margem sobre as vendas que se administra o lucro do negócio. Margens pequenas podem representar problemas com a precificação dos produtos, então, rever os preços estabelecidos torna-se uma grande prioridade. Porém, se os preços de vendas 79 forem estabelecidos de acordo com os preços do mercado será necessário rever os seguintes fatores: Volumes de vendas muito baixos; Carga tributária superior aos demais concorrentes; Custos de aquisição dos produtos em valores superiores aos praticados pelos concorrentes; Descontos concedidos sem planejamento e controle; Comissões pagas em proporções muito elevadas. Diante de quaisquer destas situações é necessário rever o planejamento, estabelecendo novos parâmetros de volumes negociados e maior diferencial entre os valores de compra e venda, assim, a margem de contribuição eleva-se gerando maior capacidade para suportar os custos fixos e gerar lucros. Certamente este é o primeiro resultado que deve ser administrado em qualquer empresa. Aqui está determinado o sucesso ou o insucesso de um empreendimento! Os Custos Fixos São os gastos regulares que ocorremperiodicamente em uma empresa e que são necessários para o pleno funcionamento administrativo e operacional. A principal característica destes custos é a de não variam proporcionalmente ao volume de vendas, tendendo-se a permanecerem constantes em sua média. Exemplo: salários, encargos sociais, água, luz, telefone, despesas com veículos, despesas com manutenção de imóveis, etc. A obtenção destas informações é possível através da entrada de documentos que são registrados através de controles como o Registro de Caixa, o Controle de Contas a Pagar, a Folha de Pagamentos, etc. 80 Recomendações O Demonstrativo de Resultados apresenta como principais informações, em R$ e % a Margem de Contribuição, os Custos Fixos, o Resultado Operacional e o Resultado Líquido. Com este controle pode-se saber o que aconteceu com a empresa no mês que passou, dando uma idéia do que acontecerá com o fluxo de caixa no futuro próximo. Os custos fixos devem ser rigorosamente acompanhados para que não saiam do controle. Os custos crescem proporcionalmente com o dinheiro disponível, ou seja, quando temos dinheiro relaxamos e passamos a gastar mais, muitas vezes sem necessidade. Com os demonstrativos dos meses anteriores, deve-se verificar se os custos fixos estão aumentando (veja o % sobre o faturamento). Em empresas organizadas, estabelece-se um valor máximo de custos fixos a gastar e controlam-se rigorosamente tais valores. Desta forma, define-se uma meta de custos fixos. Utilize o Demonstrativo de Resultados para calcular as necessidades de aumento de vendas, aumento de margens sobre vendas e diminuição dos custos fixos para melhorar o resultado e obter o lucro desejado. Além disso, o demonstrativo de resultados será fundamental para auxiliar no planejamento financeiro básico, auxiliando a planejar receitas e despesas e depois apurando se o que foi planeja do está sendo conseguido. 81 82 83 Analisando o Demonstrativo 1. Destacar o período de apuração. O intervalo de tempo mínimo deve ser mensal. Aqui distribuídos pelos diferentes segmentos de operação pela empresa, quando isto se aplicar, do contrário, preencher somente a coluna correspondente a sua atividade; 2. Distribuir os valores vendidos de acordo com a sua forma de recebimento; 3. Em se tratando de indústria ou de empresas importadoras cujos produtos sejam tributados e destinem-se a revenda, informar os valores correspondentes ao IPI; 4. Valores de venda líquidos, ou seja, deduzidos o valor correspondente ao IPI; 5. Os custos variáveis I determinam o montante dos custos variáveis – aqueles que se envolvem diretamente com os processos de industrialização, vendas e serviços; 6. A margem de contribuição I refere-se ao resultado depois de remunerado diretamente as vendas realizadas. Este valor percentual servirá para determinar parâmetros de viabilidade do 84 negócio, pontos de equilíbrio, metas e estratégias de vendas, planos de investimentos e diversas outras avaliações estratégicas do negócio; 7. A margem de contribuição II refere-se ao resultado depois de remunerado também a estrutura funcional de produção e outras eventuais variáveis envolvidas na comercialização e produção; 8. Registrar aqui todos os custos fixos existentes para a manutenção operacional e administrativa do negócio; 9. O resultado operacional trata da análise da obtenção de lucro ou prejuízo para a atividade depois de remunerado toda a estrutura operacional; 10. As contas do resultado extra-operacional tratam do registro dos valores ocorridos a título de ingresso ou saída de dinheiro na empresa, porém, tratando-se de recursos que não façam parte a atividade operacional; 11. Trata do resultado líquido depois de acrescentado ou deduzido todos os valores extra-operacionais. Tão importante quanto à elaboração desta ferramenta, realizada de forma criteriosa e precisa é a habilidade em interpretá-la, para que, com base nos indicadores obtidos, estabeleçam-se estratégias para incremento ou reversão aos resultados. Quaisquer que sejam as decisões necessárias de serem tomadas no âmbito da gestão econômica e financeira do negócio, elas devem ser tomadas tão somente mediante análise crítica a esta ferramenta, do contrário, hipóteses para o insucesso serão inevitáveis. 85 CONTROLE DAS VARIAÇÕES ORÇAMENTÁRIAS E ANÁLISE DE DESEMPENHO – PLANO DE AÇÃO Avaliação de desempenho é um procedimento fundamental para as atividades de planejamento, controle de desempenho e de resultados, sendo o orçamento uma das principais técnicas desse processo. No contexto da Gestão Econômica, a avaliação de desempenho é feita com base nos resultados gerados pelas atividades ligadas às áreas de responsabilidade, necessitando de mensuração do desempenho em termos físicos e monetários. Essas informações são evidenciadas pelas variações do orçamento quando esse é decomposto em: originais, corrigidos, ajustados, padrões, real a valores padrão e real a índices padrão. Avaliar é o processo de analisar, julgar ou atribuir um conceito sobre qualquer situação que necessite de uma apreciação. Tal análise é feita em relação a determinadas expectativas preestabelecidas com o objetivo de atingir determinado resultado. No contexto empresarial, o desempenho está ligado ao grau de atendimento de expectativas e sua avaliação torna-se um instrumento capaz de proporcionar sua gestão de maneira eficaz. O desempenho pode assumir diferentes dimensões conforme o objeto ao qual é relacionado, ou seja, pode ser relativo à empresa como um todo, às suas áreas, funções ou cargos, bem como relacionado aos aspectos operacionais, econômicos e/ou financeiros das atividades. Um processo de gestão necessita que o desempenho seja avaliado, afinal esse é um dos requisitos para o exercício do controle. A atividade de controlar tem o objetivo de assegurar que os resultados planejados sejam realizados, por meio da correção do rumo que a empresa está tomando. E isso é feito a partir da avaliação de resultados e de desempenho e da comparação entre os resultados realizados e planejados, sendo que os desvios identificados e suas causas são os objetos de correção. 86 Além disso, o controle no processo de gestão deve ser contínuo e recorrente, avaliando resultados e promovendo ações corretivas. Avaliar um desempenho passa a ser uma forma de tomada de decisões adequadas. O controle deve ser feito nas áreas operacionais e respectivas administrações assim como na empresa em sua totalidade, ou seja, com uma avaliação de desempenho global e analítica. O controle deve envolver quatro etapas: 1ª) previsão dos resultados das decisões em termos de medidas de desempenho; 2ª) reunião das informações relativas ao desempenho real; 3ª) comparação entre o desempenho real e o previsto e 4ª)verificação de quanto uma decisão foi eficiente e correção do procedimento que a produziu. Deve-se destacar, ainda, com relação à avaliação de desempenho, a característica de “ accountability”, que significa necessidade de prestação de contas por parte do gestor responsável, que leva ao cumprimento de metas e objetivos e motiva os avaliados a buscarem melhores desempenhos para a empresa. Deve-se destacar, também, a diferença entre mensuração e avaliação de desempenho. Avaliação de desempenho e mensuração de desempenho são expressões relativas a atividades distintas, que, portanto, não devem ser equiparadas. Na verdade, a avaliação e o controle necessitam que os resultados sejam mensurados e quantificados para que gerembases de comparação com o planejado. 87 A Gestão Econômica O Sistema de Gestão Econômica (GECON) é um modelo conceitual de gestão baseada em resultados econômicos, tendo como um de seus principais processos a formulação de alternativas para apoio à tomada de decisões. Assim, para o GECON, o resultado econômico demonstra, de forma quantitativa, os esforços realizados por uma entidade na busca da eficácia. O GECON é uma ferramenta gerencial de administração por resultados, que busca a otimização dos resultados por meio da melhoria da produtividade e de eficiência operacionais. Diz respeito ao processo de planejamento, execução e controle operacional das atividades e é estruturado com base na missão da empresa, em suas crenças e valores, em sua filosofia administrativa e em um processo de planejamento estratégico que busca a excelência empresarial e a otimização do desempenho econômico da empresa. Os diversos indicadores de eficácia, tais como posição de mercado, inovação, produtividade, rentabilidade, recursos físicos, financeiros etc. são pressupostos para o atingimento da eficácia e não exatamente a eficácia. O modelo de gestão econômica preconiza que a eficácia da empresa é obtida com a obtenção da eficácia em cada transação realizada. Dessa forma, o modelo requer a apuração do resultado econômico no menor nível possível, no caso a transação. Então, a partir de conceitos da teoria econômica, o modelo de gestão econômica tem procurado apurar e atribuir o resultado econômico a transações, atividades e áreas internas da entidade, favorecendo o processo de gestão voltado para a eficácia do negócio, que é refletida nesses resultados. O melhor indicador de eficácia da empresa é o lucro econômico, que sintetiza os demais indicadores físicos e financeiros. Esse lucro 88 não é o contábil, calculado a partir de normas contábeis ou de legislação, mas sim aquele calculado por meio de um sistema de mensuração que de fato possa mostrar o patrimônio econômico da empresa e suas mutações. Para que a empresa consiga alcançar uma correta mensuração do resultado econômico, ela necessita de um modelo. No Brasil, um modelo de mensuração de resultado econômico, o sistema GECON, começou a ser estruturado no final dos anos setenta pelo professor Armando Catelli da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, a partir de suas percepções relativas às necessidades da gestão empresarial e da convicção de que a contabilidade deveria oferecer aos seus usuários informações de maior relevância para a tomada de decisões. A Gestão Econômica é um modelo gerencial para administração por resultados econômicos, que incorpora um conjunto de conhecimentos integrados visando a eficácia empresarial. Esse modelo integra quatro diferentes elementos: modelo de gestão, relativo aos princípios, crenças e valores que orientam e têm impacto sobre as diversas variáveis empresariais, e, especialmente, o processo de tomada de decisões; modelo de decisão, relativo ao processo de tomada de decisões; modelo de mensuração do resultado, relativo ao processo de mensuração física e monetária dos eventos relacionados às decisões planejadas e realizadas; modelo de informação, relativo ao processo de geração de informações gerenciais. Trata-se de um sistema ligado ao processo de planejamento, execução e controle operacional das atividades, com o enfoque na excelência empresarial e na otimização do desempenho econômico 89 da empresa, sempre buscando atender as necessidades informativas dos diversos gestores na tomada de decisão. A avaliação de desempenho no contexto da gestão econômica é feita com base nos resultados gerados pelas atividades ligadas às áreas de responsabilidade dos gestores, necessitando de mensuração do desempenho tanto em termos físicos quanto monetários. Por outro lado, a ineficiência da avaliação tradicional, feita apenas por meio de aspectos físico-operacionais ou de custos para as diversas áreas de responsabilidade, o que não reconhece o esforço individual dos diversos gestores. Além disso, a receita de vendas e, conseqüentemente, os lucros são apenas reconhecidos no momento da venda quando se trata do modelo tradicional, diferentemente do modelo GECON, que não espera o produto ou serviço ser vendido para reconhecer receita. Os conceitos de “avaliação de resultados” e “avaliação de desempenho” são distintos ao se considerar o fato de que nem todas as receitas e custos incorridos em determinada atividade são diretamente relacionados aos produtos ou serviços gerados por ela. Na visão da gestão econômica, o processo de avaliação de desempenho ocorre a partir da comparação entre os resultados econômicos gerados pelas atividades sob responsabilidade dos gestores e os respectivos resultados planejados, permitindo identificar a contribuição desses e de suas áreas nos resultados globais. Já a avaliação de resultados tem como objetivo a avaliação de como os resultados econômicos de produtos e serviços, originados das atividades empresariais, contribuíram para o resultado global da empresa. Assim, a avaliação de resultados implica na confrontação das receitas de produtos e serviços com seus custos variáveis e diretamente identificáveis, resultando na margem de contribuição. Na visão do resultado econômico, a avaliação de desempenho dos gestores é feita para cada evento econômico que ocorre em sua 90 área de responsabilidade, medindo-se receitas e custos, inclusive os indiretos identificáveis Avaliação de Resultado X Avaliação de Desempenho Avaliação de Resultado Avaliação de Desempenho Refere-se a produtos e serviços Refere-se às atividades agrupadas por áreas, segundo a responsabilidade de seus gestores. Imputam-se somente custos variáveis Imputa-se custos variáveis e fixos quando diretamente associados a resultados Comparações entre padrões Comparações entre orçamentos Avalia a eficiência Avalia a eficácia Na avaliação de resultados, o realizado é analisado em relação a padrões preestabelecidos, que são níveis de eficiência ótimos no âmbito das atividades empresariais, e pressupõe-se a análise de rentabilidade de produtos e serviços, sendo, em essência, a avaliação da eficiência. A avaliação de desempenho, por se tratar de uma peça do processo decisório, deve permitir medidas corretivas tempestivas, promovendo a eficácia e não apenas mensurando-a. Por isso é fundamental que o orçamento flexível seja utilizado. O orçamento flexível reflete os custos para uma faixa de atividade, sendo ajustado de acordo com as mudanças no nível de atividade real ou receita e medidas de custos reais. 91 As bases do orçamento flexível foram lançadas no início de 1970, na Alemanha, por Kilger e Plaut, conhecidas como “GrenzPlankostenrechnung” ou GPK. O sistema considerava dois princípios básicos: os centros de responsabilidade com o controle e o cálculo de custo por produto, e a separação entre custos variáveis e fixos por centro. O orçamentos estático é elaborado com base no nível de produção planejado no início do período e o orçamento flexível utiliza custos e receitas orçados com base no nível real de produção no período do orçamento, sendo elaborado no final do período, ou seja, quando a produção real já é conhecida. Horngren, Foster e Datar (1997) criaram um método baseado em cinco etapas para a elaboração do orçamento flexível, considerando que todos os custos em relação ao nível de fabricação são variáveis ou fixos.As etapas são: 1ª) determinação do preço orçado unitário de venda, dos custos variáveis orçados, por unidade, e dos custos fixos orçados; 2ª) determinação da quantidade real de medidas de receitas; 3ª) determinação do orçamento flexível da receita com base na receita unitária orçada e no número real de medidas da receita; 4ª) determinação da quantidade real das medidas de alocação dos custos e 5ª) elaboração do orçamento flexível de custos, baseados nos custos variáveis unitários orçados, custos fixos e quantidade real das medidas de custo. Os conceitos do orçamento flexível na avaliação de desempenho e de resultado, a partir da visão da Gestão Econômica, foram, inicialmente, aplicados por Pereira (1993) e Guerreiro (1996). Os modelos sugeridos por tais autores oferecem o cálculo das variações orçamentárias entre o realizado e o orçado. 92 Nesta unidade você aprendeu que a avaliação de desempenho refere-se às atividades desempenhadas por cada gestor, comparado com os resultados planejados. A avaliação de resultado refere-se aos resultados econômicos gerados pelos produtos e serviços nas atividades da empresa. Aprendeu também que para o sistema de Gestão Econômica, as transações, eventos e atividades não geram somente custos, mas, também, resultados econômicos. O modelo permite identificar quais atividades estão contribuindo ou não para a formação do resultado global da empresa, permitindo que os gestores escolham alternativas de decisão. A avaliação de desempenho e de resultado sob a ótica do GECON é obtida por meio dos conceitos de orçamento flexível/variável e da análise das variações orçamentárias entre o planejado e o realizado. O modelo aplicado consegue segregar, adequadamente, as variações de eficiência (produtividade) e preços. Na próxima unidade você vai estudar como o Orçamento é utilizado para avaliar e analisar o Balanço Patrimonial, o desempenho projetado confrontado com os objetivos traçados e o controle das variações orçamentárias. 93 EXERCICIOS 1). Analise as seguintes afirmativas: I – O DRE proporciona várias análises comparativas de desempenho em diferentes períodos de atividade, verificando seus resultados operacionais e possibilitando promover ajustes que se façam necessários. II – O DRE é considerado uma bússola da atividade econômica. III – O DRE fornece parâmetros para tomada de decisões estratégicas e operacionais. IV – Com base no resultado do DRE deve-se analisar quais foram as origens e o que influenciou o resultado. a) As afirmativas acima: b) Apenas I está correta; c) Apenas II está correta; d) Apenas I e III estão corretas; e) Apenas II e IV estão corretas; f) Todas estão corretas. 2) As contas a seguir NÂO contribuem para os resultados positivos do DRE: a) Menos custos com encargos tributários; b) Maior custo com aquisição de matérias-primas; c) Grande volume de vendas; d) Baixo custo com a estrutura de custos fixos; e) Melhor relação de custos com preço de venda. 94 3) Análise Vertical do DRE é: a) Avaliação de alguns valores contidos na apuração de resultados em relação a vendas líquidas totais; b) Avaliação de todos os valores contidos na apuração de resultados em relação a vendas brutas totais; c) Avaliação de todos os valores contidos na apuração de resultados de um período; d) Avaliação de todos os valores contidos na apuração de resultados em relação às vendas líquidas totais; e) N R A. 4) Que importância tem a “Informação” para a organização? a) É um recurso diretamente relacionado com os objetivos da organização; b) Tem a finalidade de proporcionar conhecimento apenas do ambiente interno da organização; c) Tem a finalidade de proporcionar conhecimento apenas do ambiente externo da organização; d) Permite a criação de métodos comparativos; e) N R A. 5) Assinale a afirmativa incorreta: a) Toda a ação consciente decorre de uma decisão; b) Toda a ação racional decorre de uma decisão; c) Toda a ação consciente e racional é feita em função de algum objetivo; d) A determinação e o conhecimento dos objetivos não condicionam as decisões que determinarão a atuação; 95 e) Decididos os objetivos, é necessário o desenvolvimento do processo orçamentário para se tomar uma direção a ser seguida em busca dos objetivos. 6) Assinale a afirmativa incorreta: a) O orçamento é o instrumento mais detalhado que integra os resultados de longo prazo da empresa; b) O orçamento é o ele gerencial de ligação entre a atuação da empresa no curto prazo e a sua estratégia; c) O orçamento reflete os primeiros passos da empresa em direção aos objetivos de longo prazo; d) O orçamento é o instrumento mais detalhado que possibilita integrar as quantificações das ações e o resultado de curto prazo; e) O orçamento visa o alcance dos objetivos da empresa com a máxima eficiência. 7) Assinale a afirmativa correta: a) A atividade de “controlar” tem o objetivo de assegurar que os resultados planejados sejam realizados; b) Avaliação e controle necessitam de resultados medidos e qualificados para gerarem bases de comparação com o planejado; c) O controle no processo de gestão não necessita ser nem contínuo nem recorrente, evitando assim a correção dos resultados; d) O “controle” deve ser feito apenas nas áreas operacionais e respectivas administrações; e) Todas as afirmativas acima estão corretas. 96 8) A avaliação de desempenho: a) Refere-se a Produtos e Serviços; b) Compara padrões; c) Avalia a eficácia; d) Imputam-se custos variáveis; e) Avalia a eficiência. 9) Por que não se relacionam situações que envolvem a carteira de estoques, da inadimplência, da relação entre prazos de compras e de vendas que impactam no fluxo de caixa e dos investimentos? 10) Qual o objetivo da “avaliação de resultados”? 97 GABARITO: 1) E 2) B 3) D 4) D 5) D 6) A 7) A 8) C 9) Porque trata-se aqui de uma ferramenta que apura os resultados operacionais pelo denominado "regime de competência", ou seja, este demonstrativo não está associado à movimentação do dinheiro – fluxo de caixa – mas sim, do desempenho operacional que considera as operações de compra / fabricação / venda (para o caso das indústrias), de compra / venda (para o caso do comércio) e de compra / execução / venda (para o caso de prestação de serviços). 10) Tem como objetivo avaliação de como os resultados econômicos de produtos e serviços, originados das atividades empresariais, contribuíram para o resultado global da empresa. Leitura complementar: CATELLI, A. (Coord.). Controladoria: uma abordagem da gestão econômica (GECON). 2 ed. São Paulo: Atlas, 2001 LUNKES, R. J. Manual de Orçamento. São Paulo: Atlas, 2003. WELSCH, G.A. Orçamento Empresarial. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1983. 98 O ORÇAMENTO COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO E ANÁLISE DO BALANÇO PATRIMONIAL Nesta Unidade veremos a aplicação de um conjunto de indicadores de análise econômico- financeira de balanços, com base na demonstração de origens e aplicações de recursos, por meio da análise conjunta do balanço patrimonial e da demonstração de resultados. PLANO DA DISCIPLINA: - Análise de desempenho projetado confrontado com os objetivos traçados; - Controle das variações orçamentárias e análise de desempenho – Plano de Ação. U N ID A D E 4 99 ANÁLISE DE DESEMPENHO PROJETADO CONFRONTADO COM OS OBJETIVOS TRAÇADOSA análise das demonstrações contábeis propicia a avaliação do patrimônio da empresa e ampara o processo de tomada de decisões. Como fonte de elaboração de relatórios gerenciais avalia o resultado econômico e financeiro da empresa em um momento estático ou sua evolução, ou não, em diversos períodos, apresentando-se como uma determinante na comparação entre os resultados realizados e os planejados, servindo de suporte para ações que melhorem seu desempenho no futuro. Balanço Patrimonial é um resumo dos recursos e das obrigações de uma empresa aos acionistas e outros investidores, a intervalos regulares, sob a forma de uma demonstração da posição financeira, ou seja, é uma demonstração contábil estática, que informa em um determinado momento, a posição financeira e patrimonial de uma empresa. O Balanço Patrimonial projetado permite a aplicação dos indicadores de gestão que irão, não somente, nortear e registrar a eficácia dos planos adotados para alcance dos objetivos estratégicos como também dar suporte as eventuais correções a serem feitas nas atividades operacionais e mesmo nas ações estratégicas. Modernamente, é possível identificar três grupos de indicadores de gestão que poderão contribuir para o monitoramento das estratégias, que são: Os indicadores tradicionais; Os indicadores de análise avançada e; Os indicadores não-financeiros, relacionados ao Balanced Scorecard. Os indicadores tradicionais de análise de Balanços surgiram e desenvolveram-se dentro do sistema bancário que ainda 100 são os principais usuários. Seu inicio remonta ao final do século XIX, quando os banqueiros americanos passaram a solicitar Balanços para as empresas tomadoras de empréstimos. Tal medida ganhou ampla aceitação quando, em 1895, o Conselho Executivo da Associação dos Bancos no Estado de New York resolveu recomendar aos seus membros que solicitassem aos tomadores de empréstimos declarações escritas e assinadas de seus ativos e passivos. A literatura contábil do começo do século XX menciona a importância de comparações de dados das demonstrações financeiras, porém as idéias eram, via de regra, vagas em relação ao que comparar. Por volta de 1913, surgem índices como: depósitos bancários em relação ao exigível, percentual de contas a receber em relação aos demais itens do ativo, percentual de estoques em relação a vendas anuais. Foi então que Alexander Wall, considerado o pai da análise de balanços, apresentou, em 1919, um modelo de análise de balanços, que feito através de índices, demonstrava a necessidade de considerarem-se outras relações, alem de Ativo Circulante contra Passivo Circulante. Alexander Wall desenvolveu, posteriormente, em parceria com outros autores, formulas matemáticas de avaliação de empresas, ponderando diversos índices de balanço. Em 1925, Stephen Gilman, realizando algumas criticas a análise de coeficientes, propôs que fosse substituída pela construção de índices encadeados que indicassem as variações havidas nos principais itens em relação a um ano-base (iniciando o que se chama análise horizontal). Posteriormente, em 1930, surgiu dentro da empresa Du Pont, de Nemours, um modelo de análise da rentabilidade de empresa que decompunha a taxa de retorno em taxas de margem de lucro e giro dos negócios, chamado análise do ROI (Return on Investment). Assim, em cerca de 40 anos, assentaram-se às bases das técnicas de análise de balanços que no Brasil, ate 1968, era ainda um instrumento pouco utilizado na pratica. Somente a partir de 1970 é que no Brasil, iniciou-se a difusão da utilização dos indicadores. 101 a) Os indicadores de análise avançada das empresas surgiram a partir do trabalho de Michel Fleuriet em 1978, cujos fundamentos se inspiraram nas técnicas de gestão desenvolvidas na França. Os indicadores são obtidos com a reclassificação do balanço patrimonial e, retratam o capital de giro da empresa, a necessidade de capital de giro e o saldo de tesouraria. A partir do resultado dos indicadores, é possível diagnosticar não somente a situação financeira da empresa como também suas tendências. b) Os indicadores não-financeiros, embora tenham sido defendidos por Hendriksen e Van Breda (1996), coube a Kaplan e Norton (1997) o mérito de terem apresentado através do Balanced Scorecard, um conjunto de indicadores que segundo os autores deveriam contemplar as perspectivas financeiras, as perspectivas do cliente, perspectivas internas e perspectivas relacionadas com o aprendizado e o crescimento da organização. A tabela 1 contempla os indicadores propostos pelas três correntes analíticas. 102 Indicadores Medidas e Setores contemplados pelos indicadores Tradicionais Análise Vertical e Horizontal Índices de Rotação Índices de Liquidez Índices de Estrutura Índices de Retorno Índices de Endividamento Avançados Capital Permanente Líquido Necessidade de Capital de Giro Saldo de Tesouraria Balanced Scorecard Perspectiva Financeira Perspectiva do Cliente Perspectiva Interna Perspectiva do Aprendizado e do Crescimento Tabela 1: Grupos de Indicadores de Gestão segundo Silva (1995), Fleuriet et. al (1978) e Kaplan e Norton (1997) 103 Para que se torne relevante à aplicação de indicadores de gestão na melhoria dos processos organizacionais, é necessário que se veja o balanço patrimonial como um relatório que agrupa registros (fatos) oriundos de atos. Desta forma o balanço patrimonial é simplesmente o que Hendriksen & Breda (1999, p.281), declaram ser, “uma fotografia instantânea da empresa, com os ativos de um lado e passivos e patrimônio do outro”. Qualquer tentativa de mudança dos resultados será fruto da tomada de decisão que, ao afetar os saldos de uma conta contábil, estará afetando os indicadores os quais ela se relaciona. Em outras palavras, o PMRE (prazo médio de rotação de estoques) que é calculado a partir das contas de estoques e custo da mercadoria/produto vendido, somente será alterado em função da adoção de práticas gerenciais do tipo: just in time, melhoria em tempo de setup, treinamento, e outros. Isto mostra que os indicadores não se constituem um fim em si mesmo, mas um mecanismo de melhoria e de monitoramento das estratégias. Daí, a relação entre os orçamentos, os indicadores e as estratégias. Pois na medida em que a empresa adota a prática de desenvolvimento orçamentário, ela poderá chegar a um balanço patrimonial projetado, o que possibilitará a verificação das decisões adotadas pela estratégia da empresa, uma vez que ao se usar informações passadas na geração de indicadores, possuem pouca ou nenhuma validade. Sob esta ótica, ao se usar os dados originados pelos demonstrativos projetados, tem-se a oportunidade de se garantir uma maior efetividade da estratégia em face da identificação prévia dos possíveis resultados a serem alcançados com base no orçamento desenvolvido pela empresa. A figura 1 apresenta o que pode ser definido como um processo de engenharia inversa para a gestão dos indicadores, obtidos pelos demonstrativos projetados a partir do processo orçamentário. 104 Figura 1 – Engenharia Inversa na Gestão dos Indicadores A dinâmica apresentada na figura 1 deve ser a essência da gestão dos indicadores, pois a partir deste processo é possível repensar todos os processos existentes na empresa, independentemente se o indicador utilizado é indicador tradicional, avançado ou originário de um balanced scorecard. Assim evidencia-se a importância do desenvolvimento de orçamentos para a gestãodo controle das empresas. Embora o desenvolvimento de orçamentos esteja associado a uma estrutura formal da contabilidade onde se faz necessário: o desenvolvimento de um plano de contas que atenda as relevâncias da gestão; a divisão da empresa por centros de custos, lucros, por atividades ou qualquer outra divisão; 105 a visão de que os demonstrativos contábeis são, em primeiro lugar, ferramentas gerenciais e somente de atenderem as expectativas gerenciais e que a empresa deverá atender as expectativas governamentais; Dentro deste enfoque, com o desenvolvimento dos orçamentos chega-se aos balanços e demonstrativos de resultados projetados que possibilitarão o uso dos indicadores de gestão, permitindo assim, os ajustes necessários para atingir-se aos objetivos propostos. Sendo assim, a controladoria, muito mais do que um “centro nervoso” da empresa passa a ser o centro de controle estratégico da empresa, pois todos os atos administrativos passam a ter uma medida de impacto registrada via orçamentos e por sua vez afetam os indicadores. CONTROLE DAS VARIAÇÃOES ORÇAMENTÁRIAS E ANÁLISE DE DESEMPENHO Os avanços da tecnologia da informação e a globalização estão acirrando a competição das empresas, fazendo com que tenham que se diferenciar dos concorrentes. Dessa forma, a avaliação de desempenho empresarial há muito tempo tem sido considerada como imprescindível para que as organizações se mantenham competitivas: com o aumento da concorrência, as empresas têm sido forçadas a reduzir suas margens de lucro e a fundamentar suas decisões. A análise de desempenho de uma organização é sempre algo passível de muitas discussões e questionamentos sobre quais indicadores utilizar e como consolidá-los. A avaliação patrimonial das empresas tem provocado enormes discussões acadêmicas e profissionais ao longo do tempo. Todos 106 esses fatores têm contribuído para o surgimento de novas abordagens, modelos, ferramentas de avaliação de desempenho, para apoiar as empresas na gestão de seus negócios. A avaliação de desempenho empresarial é um conceito abrangente e, devido a isso, apresenta grande complexidade, principalmente devido às diversas metodologias e abordagens existentes para avaliar o desempenho. Existem dois focos: a avaliação de desempenho para fins internos (gerencial) e a avaliação de desempenho para fins externos. Uma avaliação válida e legítima deve investigar: I - o que vai ser avaliado – ou seja, conhecer o objeto da avaliação, incluindo aqui a sua identidade, a cultura sobre a qual esta identidade é construída, as instâncias que respondem pelo objeto a ser avaliado, resultando nos objetivos a serem perseguidos; II - como proceder à avaliação – ou seja, identificar como cada objetivo será avaliado e quanto cada objetivo contribui para a avaliação do todo, possibilitando a identificação do perfil de desempenho do objeto avaliado; III - como conduzir ao gerenciamento interno – com base na análise das fragilidades e potencialidades identificadas para sugerir ações de aperfeiçoamento - promovendo a alavancagem do desempenho institucional. O enfoque tradicional a indicadores de desempenho nem sempre revela a real situação financeira das empresas. O estudo das dimensões da realidade econômico-financeira das empresas é importante para identificar os riscos e sua dimensão para obter uma melhor análise das empresas por meio de seus demonstrativos contábeis. Analistas financeiros demonstram a preocupação em ampliar os indicadores além do desempenho que permitam o controle 107 gerencial, os que permitem melhor visualização dos riscos econômico-financeiras das empresas. As demonstrações contábeis são os canais de comunicação que a contabilidade, como linguagem dos negócios, utiliza para fornecer dados e informações para diagnosticar o desempenho e a saúde financeira das empresas. A análise das demonstrações contábeis visa oferecer condições para uma avaliação da situação patrimonial da empresa. Proporciona ao usuário melhores condições para a tomada de decisão, sem falar na evidência das causas que determinaram a evolução ou involução apresentada por esta e as tendências futuras. A análise de balanço é uma técnica desenvolvida e aplicada sobre as demonstrações contábeis e permite melhorar a interpretação dos valores absolutos dos itens que compõem a estrutura do patrimônio das entidades. A análise de balanços é o estudo da situação patrimonial da entidade, através da decomposição, comparação e interpretação do conteúdo das demonstrações contábeis, visando obter informações analíticas e precisas sobre a situação geral da empresa. A análise da demonstração das origens e aplicações de recursos, integrando-a ao balanço patrimonial com a demonstração de resultados, permite uma riqueza de indicadores ainda pouco explorados pelos analistas de balanços. Sua integração, num conjunto uniforme de análise, permite extrair indicadores que, de fato, demonstram além do desempenho econômico e financeiro os riscos os quais a empresa pode minimizar quando detectados em tempo. Pelos tradicionais métodos de análise das demonstrações contábeis, por meio dos indicadores de liquidez, estrutura e rentabilidade, em dado momento podem parecer bons para determinada empresa; porém, logo aparecem informações de problemas de ordem financeira ou outros que não foram 108 visualizados até então nos demonstrativos contábeis. Esses indicadores são amplamente utilizados para diagnóstico econômico- financeiro de empresas, para análise de investimentos, para análise e liberação de crédito, entre outras. A aplicação de indicadores extraídos da demonstração das origens e aplicações de recursos, num conjunto integrado de análise com o balanço patrimonial e demonstração de resultados, justifica- se pela necessidade de indicadores que demonstrem os riscos econômico-financeiros das empresas. Configuram-se, assim, como rica informação para tomadores de decisão, investidores e outros usuários da informação. Análise de balanços A análise de balanços é desenvolvida com base nas demonstrações contábeis formuladas pelas empresas e, visam relatar com base nas informações contábeis a posição econômico- financeira, com vistas a apresentar a posição atual, causas de variações e tendências futuras. Os usuários mais importantes da análise de balanços de uma empresa são os fornecedores, clientes, intermediários financeiros, acionistas, concorrentes, governo e seus próprios administradores. Os interessados pela análise de balanços são os acionistas presentes e futuros, credores e administradores. A análise de balanços objetiva extrair informações das demonstrações financeiras para tomada de decisões. Análise econômica Quando uma análise procura determinar aspectos relacionados com estrutura de capitais, bem como resultado das operações além da remuneração dos investidores e seus re-investimentos, estaremos analisando aspectos econômicos das organizações. 109 A análise de balanços pode ser tratada como a arte de saber extrair relações úteis, para o objetivo econômico que tivermos em mente. Neste conceito percebe-se que a análise econômica é relevante para demonstrar os aspectos relacionados com o desempenho econômico da organização como retorno, resultado, entre outros. Análise financeira Para a análise financeira de forma geral, são abordados indicadores operacionais que refletem todas as decisões tomadas com relação ao capital de giro e o equilíbrio financeiro. A análise financeira está voltadapara os problemas de solvência dos compromissos. As empresas têm objetivos importantes, e a análise financeira precisa ter um enfoque holístico, abrangendo a estratégia da empresa, suas decisões de investimento, de financiamento e suas operações. Análise do balanço patrimonial O balanço patrimonial apresenta três partes: ativo, passivo e patrimônio líquido dentro de dois grandes grupos, ou seja, ativo e passivo. O balanço patrimonial apresenta a posição patrimonial e financeira das organizações em dado momento, cuja estrutura se modifica no decorrer das atividades. As informações e tendências possíveis de extrair do balanço patrimonial servem como elemento de partida indispensável para o conhecimento da situação econômica e financeira de uma organização. De acordo com a natureza da informação, cada demonstração acaba tendo um enfoque tradicionalmente reconhecido. O balanço 110 patrimonial é uma peça contábil que transmite de forma geral informações financeiras. Análise da demonstração de resultado do exercício A demonstração de resultado do exercício, num conceito amplo, pode ser entendida como a demonstração que confronta receitas e despesas e que, ao final, informa o resultado desse confronto. A demonstração de resultado do exercício fornece de maneira esquematizada, os resultados auferidos num determinado período. Esses resultados são transferidos para o patrimônio líquido. O lucro/prejuízo é resultante do confronto entre receitas, custos e despesas incorridas e apropriadas no período, segundo regime de competência. Enfim, pelas informações que a demonstração de resultado do exercício apresenta, trata-se essencialmente do fluxo econômico. Análise da demonstração das origens e aplicações de recursos A demonstração das origens e aplicações de recursos – DOAR consiste na comparação de dois balanços consecutivos, os quais identificam as variações ocorridas na estrutura financeira da empresa durante o período considerado. Isso permite melhores critérios para a análise financeira. Quanto menor for o período abrangido entre os balanços, melhores serão as informações obtidas. Essa demonstração procura evidenciar as origens de recursos que aliviam a folga financeira de curto prazo (ou o capital circulante líquido), e as aplicações de recursos que consomem essa folga. Quanto aos objetivos da DOAR é importante entender o seu enfoque que consiste numa peça contábil que indica a política financeira da empresa. 111 A DOAR fornece informações importantes que não constam nas demais demonstrações e, tem por objetivo apresentar, de forma ordenada e resumida, todos os recursos que ingressaram em dado período (origens), bem como a destinação (aplicação) dada a eles. Olinquevitch e Santi Filho ( 2004) apresentam um conjunto de indicadores de análise econômico-financeira de balanços a partir da demonstração das origens e aplicações de recursos (DOAR). O objetivo foi o de integrar os indicadores da referida demonstração num conjunto uniforme de análise juntamente com o balanço patrimonial e a demonstração de resultados e não num enfoque isolado. A demonstração das origens e aplicações de recursos está prevista nos incisos I a IV do art. 188 da Lei das S.A., que reza que a mesma deverá indicar as modificações na posição financeira da companhia. É importante observar que o balanço patrimonial mostra a posição dos bens patrimoniais em dado momento, porém, não mostra a movimentação que pode ter ocorrido de um período para outro. Dessa forma, segundo Matarazzo (2003), a DOAR informa como fluíram os recursos ao longo de um exercício, quais foram obtidos, recursos gerados pela atividade, como foram aplicados desses recursos. Indicadores para a DOAR Para falar de indicadores para a DOAR baseou-se basicamente na obra de Olinquevitch e Santi Filho (2004). Eles tratam desses indicadores de forma integrada num conjunto uniforme de análise, juntamente com o balanço patrimonial e com a Demonstração de Resultado do Exercício. 112 Os indicadores extraídos da DOAR como: indicadores operacionais, de política financeira e o de análise da formação do capital de giro próprio, serão comentados a seguir. No caso dos indicadores operacionais, a finalidade é mostrar um conjunto de parâmetros que integre a DOAR à demonstração de resultados, no sentido de obter informações sobre as condições de operação da empresa. Ou seja: uma abordagem através da DOAR sobre o fluxo de recursos operacionais. Aos indicadores de política financeira, o objetivo é integrar a DOAR ao balanço e à demonstração de resultados, extraindo dessa integração um conjunto de parâmetros que possibilite a análise das principais diretrizes financeiras da empresa. Com a existência de parâmetros que possibilitarão o entendimento de diretrizes financeiras, o gestor terá menos dificuldades para gerir as finanças de sua empresa. Quanto à formação do capital de giro próprio, acredita-se que essa variável contábil-financeira permite uma análise profunda sobre a situação econômica das empresas. Relata-se, a seguir, alguns indicadores para a DOAR. O indicador de grande relevância para a análise de geração de recursos da empresa é o de Potencial de Geração de Caixa, lembrando que este indicador não reflete o fluxo de caixa da empresa. 113 Este indicador está representado no Quadro 1. Instrumento: Potencial de geração de Caixa Fórmula: (Caixa das Operações/Vendas Brutas) Resultado: Percentual, com uma casa decimal Aspecto analisado: Para cada 100 unidades monetárias faturadas pela empresa, quanto elas teriam condições de contribuir com o fluxo de caixa Conclusão: se analisado individualmente (quanto maior, melhor) Quadro 1 – Potencial de geração de caixa Outro indicador muito importante para a análise da capacidade de geração de recursos é o tradicional Índice de Resultado Financeiro. Esse indicador é tradicional na análise das Demonstrações Contábeis. Ele mede a relevância das despesas e/ou receitas financeiras na composição do resultado da empresa, como segue no Quadro 2. Instrumento: Índice de resultado financeiro Fórmula: (Resultado Financeiro Líquido/Vendas Brutas) Resultado: Percentual, com uma casa decimal Aspecto analisado: Para cada 100 unidades monetárias faturadas pela empresa, quanto foi consumido pelos custos financeiros (no caso de despesas) ou quanto foi obtido de receitas (no caso de receitas financeiras) Conclusão: se analisado individualmente, quando receita financeira, quanto maior, melhor; quando despesa financeira, quanto menor, melhor Quadro 2 – Índice de resultado financeiro O indicador denominado de Equilíbrio Financeiro – Fluxo, lembrando que o Equilíbrio Financeiro é calculado com o valor final 114 das Necessidades Líquidas de Capital de Giro (NLCDG). Esse valor, por sua vez, é calculado com o fluxo das NLCDG. Sua configuração está representada no Quadro 3. Instrumento: Equilíbrio financeiro Fórmula: (Fluxo das NLCDG/Vendas Brutas) Resultado: Percentual, com uma casa decimal Aspecto analisado: Para cada 100 unidades monetárias faturadas pela empresa, quanto foi destinado ou obtido no giro dos negócios Conclusão: Deve ser analisado individualmente (quanto menor, melhor) Quadro 3 – Equilíbrio financeiro O indicador a seguir refere-se às aplicações de recursos no Ativo Permanente. Sua configuração está representada no Quadro 4. Instrumento: Investimento no Ativo Permanente Fórmula: (Investimentos no AP/Vendas Brutas) Resultado: Percentual, com uma casa decimalAspecto analisado: Para cada 100 unidades monetárias faturadas pela empresa, quanto foi investido no Ativo Permanente Conclusão: Mede a intensidade dos investimentos da empresa Quadro 4 – Investimento no ativo permanente 115 Esse indicador aborda somente um aspecto da geração de recursos, isto é, a potencialidade operacional da formação de recursos disponíveis durante o período considerado. Não permite uma avaliação das causas, tampouco considera as necessidades financeiras iniciais e finais. Esses quatro indicadores devem ser analisados em conjunto para que se possa ter uma idéia da capacidade de geração de recursos da empresa. O primeiro índice que mostra o potencial de geração de caixa deveria, em princípio, cobrir os outros três indicadores que representam as necessidades de recursos. A seguir segue algumas causas que levam à geração insuficiente de recursos operacionais como: operar com ociosidade; política de preços irreais; impossibilidades de repassar custos aos preços; endividamento de exercícios anteriores; descontrole no crédito, estocagem e compras e expansão acelerada. O indicador grau de fortalecimento do capital de giro próprio tem por objetivo a avaliação do fortalecimento dos recursos próprios da empresa, conforme configuração representada no Quadro 5. Instrumento: Grau de fortalecimento do CDG Fórmula: (Origens das operações – Origens não operacionais – Dividendos) /CDG inicial) Resultado: Percentual, com uma casa decimal Aspecto analisado: Indica a capacidade de fortalecimento do CDG da empresa Conclusão: Quanto maior, melhor Quadro 5 – Grau de fortalecimento do capital de giro próprio 116 Quanto à formulação do indicador relacionado no Quadro 5, o principal objetivo de aferir o fortalecimento do capital de giro próprio tem por pressuposto o fato de que a mais importante fonte de sua expansão são os recursos das operações. O quadro 6 mostra o indicador grau de geração de recursos, que se refere à capacidade de geração de recursos operacionais das vendas. Instrumento: Grau de geração de recursos Fórmula: ((Origens das operações – Origens não operacionais – Dividendos)/Vendas Brutas) Resultado: Percentual, com uma casa decimal Aspecto analisado: Indica a capacidade de fortalecimento da situação econômico-financeira da empresa Conclusão: Quanto maior, melhor Quadro 6 – Grau de geração de recursos Este indicador é muito importante na formulação do potencial de recursos operacionais totais da empresa. Para a análise das dívidas da empresa e sua capacidade de pagamento, dois outros indicadores podem ser extraídos da DOAR. Estes se encontram representados nos Quadros 7 e 8. O quadro 7 mostra o indicador capacidade de amortização do longo prazo, que se refere às dívidas líquidas de longo prazo (variável empresarial resultante da subtração do Realizável a Longo Prazo do Exigível a Longo Prazo). 117 Instrumento: Capacidade de amortização do longo prazo Fórmula: ((Origens das operações – Origens não operacionais – Dividendos – Fluxo da NLCDG)/Longo Prazo) Resultado: Percentual, com uma casa decimal Aspecto analisado: Indica a capacidade de pagamento do Exigível a Longo Prazo Conclusão: Quanto maior, melhor Nota: Somente calcular quando a variável LONGO PRAZO apresentar-se de valor positivo, indicando ser fonte de recursos Quadro 7 – Capacidade de amortização do longo prazo O Quadro 8 mostra o indicador capacidade de recomposição da tesouraria, que indica a capacidade de recomposição da variável empresarial Tesouraria, quando esta se apresentar de valor negativo. Instrumento: Capacidade de Recomposição da Tesouraria Fórmula: ((Origens das operações – Origens não operacionais – dividendos – Fluxo da NLCDG)/Tesouraria) Resultado: Percentual, com uma casa decimal Aspecto analisado: Indica a capacidade de pagamento da Tesouraria Conclusão: Quanto maior, melhor Quadro 8 – Capacidade de recomposição da tesouraria 118 Para falar em tesouraria é importante compreender que fazem parte todos os elementos que não compõem as NLCDG. Pode ser obtido através da fórmula AC-PC-NLCDG ou ainda Demais Contas do AC – Demais Contas do PC. Uma das riquezas da DOAR é a informação que mostra de onde vieram os recursos e onde foram aplicados, podendo-se efetuar uma perfeita análise do desempenho da gestão dos recursos financeiros da organização. A questão de onde vieram os recursos e onde foram aplicados, muitas vezes deixa o gestor ou empresário com dúvidas, por não entender por completo a DOAR na sua essência. Entretanto, para explicitar melhor estas dúvidas, podemos tomar como exemplo uma empresa que, em determinado período, teve um significativo resultado; o recurso entrou, porém, não está no caixa e nem em contas bancárias. O que pode ter ocorrido? Analisa-se a variação de todos os elementos do balanço do inicio do período e final do período em análise na qual é possível detectar que o recurso (resultado) foi aplicado ou em redução de algum passivo ou mesmo no aumento de outro ativo. Muitos empresários, às vezes, questionam onde está parando o dinheiro do lucro da empresa e, não percebem, por exemplo, que a sua conta clientes a prazo está aumentando dia após dia. A grande utilidade do uso da DOAR é a avaliação da liquidez a curto prazo da empresa, ou seja, a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. A DOAR permite uma identificação mais nítida das causas que determinam as mutações na posição financeira a curto prazo, fornecendo uma visão mais ampla da estrutura de equilíbrio financeiro da empresa. 119 Esta Unidade consistiu em identificar e mostrar a aplicação de um conjunto de indicadores econômico-financeiros extraídos da demonstração das origens e aplicações de recursos, por meio da análise conjunta do balanço patrimonial e da demonstração de resultados. Para os indicadores extraídos da demonstração das origens e aplicações de recursos, identificados na unidade, observa-se a perfeita integração entre o balanço patrimonial, demonstração de resultados e a demonstração das origens e aplicações de recursos, em que fica clara a complementaridade das informações. Essa integração ocorre de forma muito especial, uma vez que exige do analista um aprofundamento em torno do equilíbrio financeiro, políticas financeiras de curto prazo, capital de giro, tesouraria além dos aspectos econômicos de geração de recursos. LEITURA COMPLEMENTAR: BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO. Sistema ITR/DFP/IAN. Disponível em: <http://www.bovespa.com.br/Principal.asp>. BRASIL. Lei 6.404/76 Lei das sociedades por ações de 15 de dezembro de 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Leis/L6404compilada.htm. 120 EXERCÍCIOS: 1) Assinale a afirmativa incorreta: A análise das demonstrações contábeis de uma empresa: a) propicia a avaliação do patrimônio da empresa; b) avalia o resultado econômico-financeiro em diversos períodos; c) avalia a evolução da empresa em diversos períodos; d) é determinante na comparação entre os resultados planejados e os realizados; e) serve de suporte para ações que melhorem seu desempenho no futuro. 2) Dentre os indicadores de gestão, quais são utilizados pelo sistema bancário? a) os de análise avançada; b) os tradicionais; c) o de capacidade de amortização; d) os não-financeiros; e) os de análise da capacidade de geração de recursos. 3) O Balanço Patrimonial, para serconsiderado na aplicação de indicadores, é necessário que seja: a) um relatório oriundo de fatos financeiros; b) um relatório oriundo de fatos econômicos; 121 c) um relatório que agrupa atos oriundos de fatos; d) um relatório que agrupa fatos oriundos de atos; e) N R A 4) É calculado a partir das contas de estoque: a) o prazo médio de pagamento; b) o prazo médio de recebimento; c) o prazo médio de rotação de estoques; d) o prazo médio do ponto de equilíbrio; e) o prazo médio das vendas. 5) O desenvolvimento de orçamentos para a gestão do controle de empresas está associado a uma estrutura na qual é necessário: a) a divisão da empresa por centro de custos; b) ter uma medida de impacto registrada via Balanço Patrimonial; c) a visão de que os indicadores são ferramentas gerenciais; d) uma estrutura informal da contabilidade; e) uma visão dos demonstrativos de resultado realizados. Marque as próximas questões com F (falso) ou V (verdadeiro). 6) As demonstrações contábeis visam oferecer condições para uma avaliação da situação patrimonial da empresa. ( ) 122 7) A análise de balanços visa relatar a posição econômico-financeira com finalidade de apresentar as causas de variações e as tendências futuras da empresa. ( ) 8) A demonstração de resultado do exercício fornece, de maneira esquematizada, os resultados da empresa em um determinado período. Esses resultados são transferidos para o patrimônio bruto do balanço patrimonial. ( ) Responda as questões a seguir. 9) Qual a importâncias das informações obtidas do Balanço Patrimonial? ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ 10) Como pode ser avaliada a integração entre o Balanço Patrimonial, demonstração de resultados e a demonstração das origens e aplicações financeiras? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ 123 GABARITO: 1) C 2) B 3) D 4) C 5) A 6) F 7) V 8) F 9) Estas informações servem como elemento de partida indispensável para o conhecimento da situação econômica e financeira de uma organização. De acordo com sua natureza, cada demonstração acaba tendo um enfoque tradicionalmente reconhecido. 10) Essa integração ocorre de maneira muito especial, uma vez que exige do analista um aprofundamento em torno do equilíbrio financeiro, políticas financeiras de curto prazo, capital de giro, tesouraria além dos aspectos econômicos de geração de recursos. 124 O ORÇAMENTO COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO E ANÁLISE DO FLUXO DE CAIXA Nesta unidade veremos a análise do desempenho projetado e o controle das variações orçamentárias utilizadas como ferramentas para o planejamento através do Fluxo de Caixa. PLANO DA DISCIPLINA: - Análise de desempenho projetado confrontado com os objetivos traçados. - Controle das variações orçamentárias e análise de desempenho – Plano de Ação. U N ID A D E 5 125 ANÁLISE DE DEMPENHO PROJETADO CONFRONTADO COM OS OBJETIVOS TRAÇADOS. A gestão de empresas nos nossos dias é bastante complexa e dosada de acentuado grau de instabilidade. Todas as organizações têm que se adaptar às novas condições impostas pela presente conjuntura. Assim, o termo controle passa a ser utilizado de maneira enfática, pois, na verdade, o que se pretende no universo empresarial é garantir que as decisões tomadas realmente irão acontecer. Mais do que simples informativo, o fluxo de caixa é instrumento para análise do desempenho empresarial e para previsão orçamentária. Os empresários têm-se preocupado cada vez mais com as operações de fluxo de caixa, devido a algumas constatações mercadológicas dos últimos anos, a saber: mercado acentuadamente vendedor (oferta maior do que procura); queda das margens de lucro; aumento da defasagem entre os prazos de pagamento e de recebimento; considerável elevação dos índices de inadimplência; e custo financeiro elevado para captação de recursos. Assim, será sempre aconselhável a adoção de cuidados extras com as operações do fluxo de caixa. O Fluxo de Caixa é um instrumento gerencial de extrema importância na tomada da decisão empresarial, tendo como objetivos básicos a coleta e a organização dos dados e a geração de subsídios para análise de desempenho financeiro e para efetuar previsões orçamentárias. 126 Com o manejo do fluxo de caixa, o empresário tem condições de compatibilizar, no tempo, o Contas a Pagar com o Contas a Receber e, conseqüentemente, tomar decisões sobre temas importantes na empresa como: O melhor momento da compra; O melhor momento da venda; Momentos mais “carregados” do Contas a Pagar; e Projetar “Estouros/Sobras” de caixa. Quando se fala em fluxo de caixa, está-se referindo a toda movimentação financeira da empresa num determinado período, analisando-se a composição do Contas a Receber e do Contas a Pagar. É importante ressaltar que o fluxo de caixa reflete as conseqüências e não as causas dos problemas empresariais: por exemplo, a estratégia para resolver o problema da falta de capital de giro deve ter uma visão de longo prazo, em vez de considerar somente o desconto de duplicatas ou o aumento do limite do cheque especial, que tratam especificamente do “curtíssimo” prazo. O juro real atualmente praticado extremamente alto exige, evidentemente, o maior cuidado na análise das fontes de captação de recursos. Em muitos casos, percebe-se que o tratamento dado ao fluxo de caixa não é o mais adequado tecnicamente, pois ele não deve ser considerado apenas como simples informativo. É necessário ter uma visão estratégica de caixa, devendo-se, para tanto, entender o Caixa como Centro de Operações Financeiras. 127 Na realidade, o primeiro passo na tentativa de montar o fluxo de caixa é, sem dúvida, organizar a empresa de maneira que os dados possam ser gerenciados de forma correta. Eis algumas atividade necessárias: Efetuar todos os pagamentos com cheque – Com pagamentos em dinheiro, além de se perder o histórico da operação, cresce o risco. Criar um “Caixinha” para pequenas despesas – Passar para o caixinha no início da semana numerário suficiente para despesas como condução, café etc. e prestar contas no final da semana. Isso é recomendado porque a emissão de cheques de pequeno valor resultará em aumento das despesas bancárias. Criar um Plano de Contas Gerencial - A fim de poder se controlar sobre todas as despesas, inclusive do fundo fixo (caixinha) , agrupando-as de acordo com suas classificações de despesas a saber(fornecedor/pessoal/administ/vendas/imobilizado/financeira/e mpréstimos) . Com isso, se conduzirá os dados necessários para se apurar os custos ,além de possíveis ajustes necessários dentro do orçamento. Gerenciar como se encontra o comportamento dos Tributos – exija do seu contador, um assessoramento mensal dessa parte das despesas , afim de que seja melhor conduzido oficialmente , dentrode um planejamento lógico , evitando desembolsos futuros perante multas e infrações decorrente de uma má administração tributária e fiscal , proveniente dessa falta de orientação do profissional qualificado. 128 Não confundir pessoa física com jurídica – Evitar, sempre que possível, o pagamento de contas da empresa com cheque do sócio e vice-versa, porque tal prática prejudica a visão da empresa como empresa. Deve-se sempre lembrar que a pessoa física um dia se vai, mas a pessoa jurídica tem de perpetuar-se, logo, a empresa só é organizada se o sócio também o for. Pró-labore não é lucro – Existe muita polêmica no mercado, porém, do ponto de vista conceitual, o pró labore é o salário do sócio que trabalha na empresa, enquanto o lucro é a remuneração do capital investido. Para evitar maiores confusões, aconselha-se o gerenciamento diário dessas retiradas ou pró labore, até finalizar seu saldo de salário dentro do mês. Às vezes o próprio empresário não tem noção dessas retiradas no decorrer do mês e se iniciar sabendo controlar essa despesa ( administrativa ) , verá até mesmo quanto possa está comprometendo o capital de giro da empresa e poder até mudar administrando melhor seus gastos . A distribuição de lucros pode ser feita, por exemplo, anualmente, pelo contador ,sem se livrar das conseqüências que terá do imposto de renda da pessoa física. Manter uma política de boas relações com clientes e fornecedores – Numa economia em que saber negociar é fundamental, a realização de contratos virtuais de parceria é mais ainda, ou seja, é importante não cair no lugar-comum, e sim cultivar relacionamentos comerciais diferenciados, que poderão fazer diferença na solução de eventual aperto de caixa. Realizar sempre a conciliação bancária – É importante lembrar que o saldo da empresa não vai bater com o saldo do banco, porque existe um intervalo de tempo entre o recebimento/emissão do cheque e a respectiva operação bancária, daí a necessidade de se fazer diariamente a conciliação bancária. 129 Parceiros financeiros – São muito comuns certas empresas relacionarem-se com um banco apenas. Com certeza, as possibilidades de novas operações ficam bastante limitadas. Aconselha-se, então, que se cultive relacionamento financeiro com, pelo menos, três instituições, devendo uma de elas ser da área pública, estadual ou federal. A indústria financeira e profissionais de contabilidade têm desenvolvido numerosos métodos para descrever o fluxo de caixa. Assim, dependendo da empresa e da técnica utilizada, o fluxo de caixa pode apresentar grandes variações. Denomina-se por fluxo de caixa projetado ao conjunto de ingressos e desembolsos de numerário ao longo de um período projetado, servindo para representação da situação financeira de uma empresa, levando em consideração as fontes de recursos e a forma de aplicação em elementos do ativo. A empresa pode ter lucros fantásticos, e vendas ascendentes, mas, se não tiver um fluxo de caixa adequado, corre o risco de não ter sua continuidade amparada, pois operações que geram direitos a receber de longo prazo, mesmo sendo em valores expressivos, podem não ser adequadas, se a empresa possuir obrigações a curto prazo, que necessitem de capital de giro imediato. A importância do fluxo de caixa também está na abrangência de sua interferência, pois não só a área financeira deve estar comprometida com os resultados de caixa, mas também as demais áreas da empresa. • a área de produção muda os prazos de fabricação dos produtos, por conseqüência promove alterações nas 130 necessidades de caixa; da mesma forma, os custos de produção têm significativos reflexos sobre o caixa; • as decisões de compras devem estar em sintonia com a existência de saldos disponíveis de caixa, ou seja, deve haver preocupação com a sincronização dos fluxos de caixa, avaliando-se a relação entre os prazos obtidos para pagamento das compras com os definidos para recebimento das vendas; • políticas de cobrança mais ágeis e eficientes permitem a disponibilização dos recursos financeiros de uma forma mais rápida, resultando em um importante reforço de caixa; • a área de vendas deve manter um controle mais próximo sobre os prazos concedidos e sobre os hábitos de pagamentos dos clientes, de maneira a não pressionar negativamente o fluxo de caixa, ou seja, as decisões envolvendo vendas devem ser tomadas somente após uma prévia avaliação de suas implicações sobre os resultados de caixa; • a área financeira deve avaliar cuidadosamente o perfil de seu endividamento, de forma que os desembolsos necessários ocorram concomitantemente à geração de caixa da empresa. Além de sua interferência em outras áreas da empresa, o fluxo de caixa gera um processo de administração desse fluxo que define as seguintes atribuições: • controlar os recursos disponíveis em caixa e em contas bancárias; • elaborar a conciliação dos registros bancários; • planejar e executar ações no sentido de suprir as insuficiências de caixa, ou maximizar, no caso das sobras de caixa; • analisar as alternativas de financiamento do capital de giro; 131 • verificar antecipações de recebimentos e pagamentos; • elaborar e analisar a Demonstração do Fluxo de Caixa. Entre as várias finalidades do controle do fluxo de caixa, destacam-se, controlar a atividade financeira, pois a noção de responsabilidade relaciona-se com todas as operações da empresa e, controlar a atividade da empresa, em geral, quando as faltas, não são apenas imputáveis às atividades financeiras; deve-se analisar todo o sistema operacional da empresa. Assim, uma redução no nível de entradas, seja, por redução da venda, ou por atraso na entrega, deve ser analisado para poder manter o nível desejado de caixa. Em muitas empresas existe uma preocupação significativa com a projeção dos valores, mas pouca análise das informações antes de tomar decisões. Algumas abordagens facilitam o processo e podem melhor o entendimento do fluxo de caixa. A análise do fluxo de caixa pode ser separada em três tipos: a) Análise de consistência: preocupa-se com o conteúdo, para ter certeza de que as informações estão todas no modelo e são adequadas. Algumas perguntas devem ser respondidas: - Todos os itens importantes foram considerados? - O nível de atualização das informações usadas é uniforme? - Momentos mais e menos propícios foram considerados? - A ordem de grandeza dos elementos faz sentido? etc. A intenção é assegurar que as informações adequadas foram obtidas e consideradas na projeção. 132 b) Análise comparativa: comparações sumarizadas são importantes para as empresas, por exemplo, como saber se um fluxo de caixa está melhor ou pior? Melhorando ou piorando? Qual a velocidade da mudança? Por isso, é significativa a comparação com o mês anterior, com ano anterior e com o plano de negócios. c) Análise de otimização: pretende alcançar os melhores resultados em termos de geração de caixa, tanto no fluxo operacional, como no fluxo dos acionistas, no fluxo permanente e mesmo no fluxo financeiro. Algumas perguntas devem ser respondidas: - O fluxo operacional utilizado é o mais adequado ou pode ser melhorado com antecipações e postergações de valores? - Alternativas de investimentos mais atrativas podem ser implementadas em termos de taxas de juros? - O que pode ser feito em termos de alongamentos de operações de crédito? - A empresa pode usufruir de melhores condições se alongar o investimento?Assim verifica-se que a análise do fluxo de caixa tem o objetivo de avaliar o desempenho do fluxo de caixa e sua tendência ao longo do tempo, e é de fundamental importância que, ao final do processo, o gestor dos recursos tenha percepção sobre o grau de realidade contido na projeção do fluxo de caixa e que os riscos e oportunidades estejam claros. A empresa comercial, industrial ou qualquer outra empresa, tem vida própria. Compra, vende, forma custo, forma preço, estoca, recebe, entrega, deposita, atende etc. Essas relações indicam vida, 133 caminho, seqüência, crescimento, lucro, prejuízo e são mensuradas através de informações que circulam pela empresa, através do Controle Interno. Sempre e muito mais hoje as organizações necessitam de informações, que são extraídas da empresa por métodos científicos “e a ciência a serviço do homem” A empresa movimenta-se por ações nas áreas econômica, financeira, humana, patrimonial, comercial, marketing, produção etc. O controle interno da empresa registra as informações de suas ações, os papeis de trabalho “que são os documentos” que por onde passam registram dados, que agrupados de forma cientifica geram informes de resultado, da gestão do negocio, que são as analises econômico financeiro. Qualquer empresa, não importa o tamanho, necessita ter consolidado o controle interno e a gestão do negocio, para um perfeito gerenciamento da organização, como organismo vivo. As empresas tentam diferentes estruturas organizacionais por meio de adaptação das atividades, da capacitação dos funcionários, da aquisição de sistemas informatizados de gestão, modificando as políticas de gerenciamento e introduzindo novas tecnologias numa tentativa de melhorar o padrão. Mesmo com todas as inovações implementadas, muitas empresas continuam incapazes de gerenciar, o que provavelmente é por causa de dois fatores: falta dos indicadores de desempenho adequados e a perda de controle do sistema, combinados com a não-análise dos resultados obtidos, seja para os indicadores financeiros, seja para os indicadores não- financeiros. 134 O sistema de medição da organização é uma medida daquilo que a organização considera importante. Ele deve refletir os princípios básicos da organização e identificar como ela está se comportando em relação aos valores de todos os seus interessados. As medições podem ser uma ferramenta eficaz para orientar uma organização se forem usadas corretamente, ele classificou as medições em três categorias: medições de desempenho, melhoria do processo e previsão. A empresa deve ter um padrão (meta) para as medições, referenciando que um padrão fixa o desempenho mínimo aceitável para um indivíduo ou unidade que executa uma atividade; desempenho esse que deve ser medido por meio da definição das áreas na organização. Definir metas significa, segundo Lucena (1992), “especificar padrões de desempenho”. Os padrões de desempenho indicam os resultados finais que se pretendem alcançar, definidos em termos de qualidade, prazo, quantidade e custo. Portanto, as metas são as proporções desejadas dos resultados que serão medidos pelos padrões de desempenho. CONTROLE DAS VARIAÇÕES ORÇAMENTÁRIAS E ANÁLISE DE DESEMPENHO – PLANO DE AÇÃO As empresas devem ter um conjunto de indicadores com a finalidade de medir o resultado conforme as metas propostas e com o prazo estabelecido. Conhecendo-se a política, as diretrizes, a situação atual, a situação futura pretendida (metas) e os caminhos ou as melhores 135 práticas, é fundamental estabelecer um plano de ação onde se definam, claramente, as ações a serem implementadas, o responsável e o prazo para implementação de cada ação, compatíveis com as metas a serem alcançadas. Então, indicadores “são guias que permitem medir a eficácia das ações tomadas, bem como medir os desvios entre o programado e o realizado”. A Fundação Prêmio Nacional da Qualidade, por intermédio do Relatório do Comitê Temático – Planejamento do Sistema de Medição do Desempenho (2002) define indicador como “um dado genérico a que se atribui uma meta e que é trazido, periodicamente, à atenção dos gestores de uma organização”. O processo de gerenciamento do desempenho deve ser feito por meio de três ações básicas: esclarecer responsabilidades, desenvolverem objetivos e indicadores de desempenho; preparar os planos de ação. Esclarecer responsabilidades, significa determinar quem serão os responsáveis pelas diversas tarefas. Os indicadores de desempenho são os meios pelos quais os objetivos serão avaliados, devendo ser mensuráveis, pertinentes e importantes. Os planos de ação viabilizam a realização dos objetivos. O desenvolvimento de objetivos e indicadores de desempenho, para serem significativos, deve ser: - mensuráveis: os indicadores devem apontar para objetivos de desempenho que sejam quantificáveis e tangíveis. Exemplos de indicadores mensuráveis: custos, porcentagens, quantidade de produção. 136 - pertinentes: os indicadores devem servir como ligação entre áreas específicas de responsabilidades e os objetivos individuais de desempenho. Eles devem mostrar o papel esperado das áreas críticas de desempenho. - importantes: os indicadores devem ser desenvolvidos para as atividades que têm impacto relevante nos resultados. Com o estabelecimento de objetivos de desempenho define-se uma direção clara e uma comunicação coerente sobre os níveis esperados a alcançar pela organização. Existem muitas ferramentas para realizar a avaliação de desempenho, deve ser lembrado que técnicas diferentes conduzem, quase sempre, a uma mensuração muito específica. Para melhor compreensão do significado dos indicadores econômicos e financeiros, visando estabelecer melhor explanação sobre os referidos índices, divide-se os índices econômico- financeiros em quatro grupos: “liquidez, atividade, endividamento e estrutura, rentabilidade e análise de ações”, tal como: - Liquidez atividade: mede a capacidade de pagamento de uma empresa; - Endividamento e estrutura: auferem a posição das fontes passivas de recursos de uma empresa. - Rentabilidade: visa avaliar os resultados auferidos por uma empresa. - Análise de ações: objetiva avaliar os reflexos do desempenho da empresa sobre suas ações. 137 A análise por meio de índices financeiros é usada para comparar o desempenho e a situação de uma empresa com outras empresas, ou consigo mesma ao longo do tempo. Além dos cálculos dos índices financeiros, o mais importante é a interpretação dos valores desses índices. Para responder questões como se os valores dos índices estão altos ou baixos, se são bons ou ruins, é necessário ter uma base de comparação. Classificam-se essas comparações de duas maneiras: análise “cross-sectional” e análise “série-temporal” definindo-as da seguinte forma: a primeira é a comparação de índices financeiros de diferentes empresas em um mesmo instante. A análise série- temporal é a avaliação do desempenho financeiro da empresa ao longo do tempo, utilizando a análise financeira baseada em índices. Contudo, não se descarta uma combinação das duas formas de análise. Desta forma, conclui-se que a utilização de indicadores (índices) em análises organizacionais, facilitam a interpretação dos resultados e conseqüentemente favorece o processo de tomada de decisões, principalmente quando os indicadores são pertencentes à perspectiva financeira da empresa. A abordagem de Matarazzo Este autor concentra-seno sistema tradicional de análise empresarial, ou seja, utiliza a análise das demonstrações contábeis como forma de identificar os resultados das diversas decisões financeiras tomadas. 138 Matarazzo (1998) faz uma panorâmica histórica sobre as análises em empresas utilizando técnicas tradicionais como a Análise de Balanços. Esta técnica surgiu dentro do Sistema Bancário Americano em 1895, mais precisamente no Conselho Executivo da Associação dos Bancos no Estado de New York. A técnica foi evoluindo e desta evolução, ocorreu em 1931, por intermédio da empresa Dun & Bradstreet, a elaboração e divulgação de índices – padrão para diversos ramos de atividades, nos Estados Unidos. Assim, a técnica empírica de extração de índices de balanços ganhou embasamento científico e teve sua utilidade comprovada. No Brasil, até 1968, a Análise de Balanços era ainda um instrumento pouco utilizado na prática. Foi criada nesse ano, a Serasa S/A, empresa que passou a operar como central de Análise de Balanços de bancos comerciais. Como a Análise de Balanços é uma técnica que utiliza dados financeiros e detém-se exclusivamente no passado da empresa, segundo Matarazzo (1998) “o pensamento dominante é de que analisando-se o passado, se poderá inferir como será o futuro, supondo-se que o comportamento da empresa no futuro seja igual àquele do passado”. A Lei das S/A – Lei 6.404/76, determina quatro demonstrações financeiras: Balanço Patrimonial, Demonstração de Resultado do Exercício, Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. 139 Muitas empresas usam métodos com dados contábeis, outras empresas desprezam completamente os dados contábeis e utilizam os dados gerenciais. Há uma distinção básica entre a avaliação financeira e a avaliação econômica da organização. Matarazzo (1998) afirma que “os índices são divididos em índices que evidenciam aspectos da situação financeira e índices que evidenciam aspectos da situação econômica”. Matarazzo propõe um método em que se utilizam os dados da empresa para se determinar certos índices. Estes índices seriam mais adequados para interpretar a parte contábil do que simplesmente publicar demonstrações, através de números puros. Desta forma, na metodologia de Matarazzo (1998) os índices indicam uma determinada situação econômica ou financeira de uma empresa, de acordo com o padrão de referência, com posterior interpretação (análise). Os índices propostos por Matarazzo (1998) utilizam, como já foi mencionado, as informações contábeis, valendo lembrar que a composição das contas descritas nas fórmulas, em sua grande maioria são oriundas do próprio plano de contas e demonstrações financeiras da empresa, ou seja, de controles, tais como: movimento de caixa, contas a pagar, contas a receber, Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados. 140 Matarazzo (1998) define três tipos básicos de avaliações de um índice: a) pelo significado intrínseco; b) pela comparação ao longo de vários exercícios; c) pela comparação com índices de outras empresas – índices padrão”. O significado intrínseco é o valor real dos resultados alcançados pelos índices definidos, ou seja, se utilizarmos o índice de liquidez corrente, e este apresentar o valor 1,5 (hum vírgula cinco), sabe-se que para cada real de dívida há R$ 1,50 (hum real e cinqüenta centavos) para quitá-la existindo uma folga de 50% como margem de segurança. A comparação ao longo de vários exercícios é o resultado dos índices de períodos anteriores comparados com os índices atuais da empresa. Exemplificando: se no exercício de 2001 o índice de liquidez seca foi de 1,20 (hum vírgula vinte) e no exercício de 2002 foi de 1,30 (hum vírgula trinta) significa que a liquidez da empresa melhorou, pois no caso do índice de liquidez seca, quanto maior o valor melhor para a empresa, ou seja, em 2002 a empresa obteve mais recursos para saldar seus compromissos a pagar. A comparação por meio dos índices-padrão é a verificação dos resultados da empresa comparados com os índices de outra empresa do mesmo ramo. 141 A utilização dos índices deve ser realizada por comparação, conforme cita Matarazzo (1998) “a comparação dos índices de uma empresa com os valores observados nos anos anteriores revela-se bastante útil por mostrar tendências seguidas pela empresa”. A avaliação de um índice e a sua conceituação só deve ser feita por meio da comparação com os padrões. Com base no estudo de uma série histórica de índices - padrão pode ser analisado a evolução de endividamento das empresas, da rentabilidade, da liquidez e de qualquer outro indicador que for necessário. Esta série histórica é definida para empresas do mesmo ramo e com separação por porte de empresas: pequenas, médias e grandes. Por intermédio deste método, os diversos ramos de atividade podem ser comparados entre si, bem como a um conjunto que abranja todos os ramos, podendo comparar o desempenho da indústria, comércio e serviços entre si. A Abordagem de Helfert Helfert (2000) afirma que qualquer negócio, grande ou pequeno, pode ser descrito como um sistema de relações financeiras e de movimentos de caixa, acionado por decisões administrativas. Esta afirmação, obteve mais importância a partir dos anos 90, em decorrência da emergente globalização, e em função dos acionistas começarem a entender que a geração de valor seria um desafio crítico de desempenho. Este autor ainda afirma, que a avaliação por meio de demonstrações financeiras baseada em dados passados, torna difícil a previsão do futuro por intermédio do histórico passado, porém não descartando o desempenho passado como sinalizador para o futuro.Todavia, em sua abordagem, Helfert não propõe uma visão diferente, bem como não sugere a criação de índices. 142 Qualquer índice específico só é útil em relação ao ponto de vista considerado e aos objetivos específicos da análise. Sendo que um índice pode se tornar um padrão para comparação, não representando um critério absoluto, eles são mais úteis quando usados em combinações. Então, diante da utilidade de qualquer índice, o analista pode transformar uma série de índices em uma explanação dinâmica, destacando-se os elementos que são as ferramentas mais importantes utilizadas pela administração para influir sobre o desempenho operacional. A abordagem de Anthony e Govindarajan Esses autores referenciam em relação ao sistema de avaliação de desempenho a abordagem tradicional que as empresas utilizam, sob o ponto de vista financeiro e através da tabela de avaliação balanceada que combina informações de natureza financeira com outros tipos de informações. Anthony e Govindarajan (2002) concentram suas definições na comparação do desempenho real com as metas do orçamento, o que contradiz executivos competentes que adotam filosofia de aperfeiçoamento contínuo, ou seja, não consideram que o orçamento aponte para melhor desempenho. Eles afirmam que a maioria das empresas faz uma análise mensal das diferenças entre receitas e despesas reais orçadas para cada unidade e para a empresa como um todo. As diferenças entre o real e o orçado facilitam a análise mais pormenorizada que pode identificar causas das variações. 143 Para obtenção de maior clareza sobre os padrões de avaliação é necessário obter parâmetros de avaliações. Estes padrões foram definidos por Anthony e Govindarajan (2002) em três tipos: 1) padrões pré-determinadosou orçamentos, 2) padrões históricos e 3) padrões externos”. Eles afirmam que os padrões pré-determinados ou orçamentos utilizam o sistema de previsão e o que foi realizado, o previsto deve ser atingido. Os padrões históricos são os resultados atingidos pela organização de acordo com o histórico em determinado período, devendo a empresa ficar sempre com evolução positiva nos períodos analisados. Para os padrões externos os autores definem como sendo uma comparação dos índices obtidos pela empresa com índices de outras empresas do mesmo porte e do mesmo ramo. Para os parâmetros de avaliação de desempenho, na concepção de Anthony e Govindarajan (2002), a classificação é: parâmetros financeiros e não financeiros. Neste contexto, descreve-se a seguir as concepções/filosofias referentes aos parâmetros/sistemas de avaliação e análise destes autores. As avaliações mencionadas são chamadas de sistemas de avaliação de desempenho (“Performance Measurement Systems” – PMS) que, segundo Anthony e Govindarajan (2002), têm o objetivo de: “controlar a obediência à estratégia adotada”. 144 A avaliação do desempenho sob o ponto de vista financeiro, considera a definição dos parâmetros da avaliação financeira como sendo o lucro e a receita (vendas). A avaliação concentra-se na comparação do desempenho real com as metas do orçamento, por meio das variações ocorridas no período em análise. Na concepção de Anthony e Govindarajan (2001) os relatórios gerenciais são preparados mensal ou trimestralmente e os relatórios desempenho econômico são preparados em intervalos irregulares, geralmente em períodos de muitos anos (de dois anos acima). Revelam ainda, que os relatórios econômicos são instrumentos de diagnóstico, indicando se a estratégia foi adequada. Assim, deve-se ter em mente que as organizações podem possuir relatórios para a análise do desempenho, sendo que a diferença entre os dois tipos de relatórios é baseado no fato de “os relatórios econômicos se concentrarem na previsão da lucratividade futura, e não na lucratividade atual ou passada” (Anthony e Govindarajan, 2001). Além da avaliação financeira, os autores afirmam que deve ser dada atenção à adoção de parâmetros não financeiros, com menção especial à tabela de avaliação balanceada. Estes parâmetros podem ser divididos em parâmetros de resultados e parâmetros causais (que envolvem todas as áreas da organização), parâmetros financeiros e parâmetros não financeiros, parâmetros internos e parâmetros externos. A alta administração deve definir os parâmetros adequados para a empresa. 145 A abordagem de Kaplan e Norton Na década de 80, em Harvard, o Professor Robert S. Kaplan e o consultor David P. Norton propuseram uma nova abordagem para resolver problemas de mensuração nas organizações. Os autores constataram que os indicadores financeiros, isoladamente, se mostravam incapazes de medir as atividades criadoras de valor, relacionadas com os ativos intangíveis como habilidades, competências e motivação dos funcionários, processos, tecnologias da informação, inovação em produtos e serviços, relacionamento com os clientes e outras. Surge então o “Balanced Scorecard” (BSC) – Cartão de Desempenho Equilibrado, instrumento que propõe o acompanhamento dos objetivos estratégicos da organização. Conforme já foi abordado, existem vários métodos de medida do desempenho, todos eles incorporando medidas financeiras. Os autores Kaplan e Norton (1997) afirmam que o “Balanced Scorecard” possui medidas financeiras e medidas não financeiras. Todavia, as medidas financeiras são uma das abordagens preconizadas por estes autores. Kaplan & Norton (1997) afirmam que o “Balanced Scorecard” preserva as medidas financeiras tradicionais. Assim, pode-se afirmar que o “Balanced Scorecard” é um novo instrumento que integra as medidas, conceituado da seguinte forma por Kaplan & Norton (1997): “o Balanced Scorecard traduz missão e estratégia em objetivos e medidas, organizadas em pelo menos quatro perspectivas diferentes: a financeira, a do cliente, a dos processos internos e a do aprendizado e crescimento”. 146 As quatro perspectivas imprescindíveis são: - Perspectiva financeira - medidas financeiras sintetizam as conseqüências econômicas, indicando se a estratégia (implementação e execução) está melhorando os resultados. As medidas financeiras mais comuns são: receita operacional, retorno sobre o capital e valor econômico agregado, todas relacionadas com à lucratividade. - Perspectiva do cliente - permite a identificação dos resultados referentes aos segmentos alvos, por meio de medidas, tais como: satisfação dos clientes, aquisição de novos clientes, lucratividade, entre outros. - Perspectivas dos processos internos - são as medidas dos processos internos que terão maior impacto na satisfação do cliente e no êxito dos objetivos financeiros da empresa. Ou seja, ações de valor capazes de atrair e reter clientes e que os acionistas têm retornos financeiros. - Perspectiva do aprendizado e crescimento - esta perspectiva provêm de três fontes: pessoas, sistemas e procedimentos. Kaplan e Norton (1997) ainda sintetizam o “Balanced Scorecard” como o que “traduz a visão e as estratégias em objetivos e medidas, através de um conjunto equilibrado de perspectivas”. Pode-se então concluir que todas as abordagens realizadas nesta Unidade enfatizam um modelo de medição, seja utilizando o sistema tradicional de medir somente os resultados financeiros ou 147 com a utilização de um modelo que meça e avalie de forma equilibrada outros resultados do processo de uma organização. As organizações necessitam medir seus resultados, de uma outra maneira, para facilitar o processo de tomada de decisões e melhorar o planejamento. Nessa Unidade você aprendeu a importância do Fluxo de Caixa como instrumento de avaliação e controle das organizações. Viu também a utilização dessa importante ferramenta para análise do desempenho das empresas. LEITURA COMPLEMENTAR: FUNDAÇÃO PARA O PRÊMIO NACIONAL DA QUALIDADE. Relatório do comitê temático: planejamento do sistema de medição do desempenho. 2 ed. São Paulo, 2002. 97 p. ______. Critérios de excelência: o estado da arte da gestão para a excelência do desempenho. São Paulo, 2003. KAPLAN, Robert S.; NORTON, David P. A estratégia em ação – Balanced Scorecard; tradução de Luiz Euclydes T. e Frazão Filho. 15.ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. 344 p .______. Organização orientada para a estratégia – como as empresas que adotam o Balanced Scorecard prosperam no novo ambiente de negócios. 5.ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000. 411p. 148 EXERCÍCIOS: 1) Assinale a afirmativa incorreta: É preocupação cada vez mais constante por parte dos empresários as operações de Fluxo de Caixa, devido a algumas constatações mercadológicas, a saber: a) mercado acentuadamente vendedor ( procura maior que oferta) b) aumento da defasagem entre prazos de pagamento e recebimento c) queda das margens de lucro d) elevação dos índices de inadimplência e) custo financeiro elevado para captação de recursos. 2) Assinale se a afirmativa a seguir é Falsa (F) ou Verdadeira (V). O Fluxo de Caixa reflete as conseqüências e as causas dos problemas empresariais como a estratégia para resolver o problema de falta de capital de giro. ( ) 3) Assinale a opção incorreta. O primeiro passo para montar um Fluxo de Caixaé organizar a empresa de maneira que os dados possam ser gerenciados de maneira correta. Para tanto se deve: a) Não confundir pessoa física com jurídica; b) Criar um Plano de Contas gerencial; 149 c) Fazer todos os pagamentos em dinheiro; d) Exigir assessoramento do contador com relação aos Tributos; e) Controlar a retirada de Pró-labore. 4) Assinale se a afirmativa a seguir é Falsa (F) ou Verdadeira (V). “Denomina-se por Fluxo de Caixa Projetado ao conjunto de ingressos e desembolsos de numerário ao longo de um período projetado, servindo para representação da situação financeira de uma empresa, levando em consideração as fontes de recursos e a forma de aplicação em elementos do ativo”. ( ) 5) A análise do Fluxo de Caixa tem por objetivo: a) Avaliar a tendência do Fluxo ao longo do tempo; b) O controle externo da empresa; c) Consolidar o controle externo e a gestão do negócio; d) Controlar a atividade da empresa quando as faltas são imputáveis; e) Manter um controle mais próximo sobre os prazos concedidos. 6) Assinale se a afirmativa a seguir é Falsa (F) ou Verdadeira (V). “ Para melhor compreensão do significado dos indicadores econômicos e financeiros, visando estabelecer melhor explanação sobre os referidos índices, divide-se os índices econômico- financeiros em três grupos: mensuráveis, pertinentes e importantes.” ( ) 150 7) Para se por em prática o processo de gerenciamento do desempenho em uma empresa, se deve: a) Apontar objetivos de desempenho que sejam qualificáveis e tangíveis; b) Preparar os Planos de Ação; c) Medir a posição das fontes ativas de recursos da empresa; d) Desenvolver indicadores para as atividades que não alcançam impacto relevante nos resultados; e) Todas as afirmativas estão corretas. 8) Análise “cross-sectional” é a comparação de índices financeiros de diferentes empresas em um mesmo instante e análise “série- temporal” é a avaliação do desempenho financeiro da empresa ao longo do tempo. Falso ( ) ou Verdadeiro ( ) 9) Qual o enfoque de Matarazzo para a análise de desempenho? ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ 151 10) Qual a proposta do Balance Scorecard para a avaliação de desempenho? ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ GABARITO: 1) A 2) F 3) C 4) V 5) A 6) F 7) B 8) V 9) Ele concentra-se no sistema tradicional de análise empresarial, utilizando a análise das demonstrações contábeis como forma de identificar os resultados das diversas decisões financeiras tomadas. Segundo ele o pensamento dominante é de que analisando-se o passado, se poderá inferir como será o futuro, supondo-se que o comportamento da empresa no futuro seja igual ao do passado. 10) O Balance Scorecard é o instrumento que propõe o acompanhamento dos objetivos estratégicos da empresa, 152 preservando as medidas financeiras tradicionais e traduzindo missão e estratégia em medidas e objetivos, organizados em quatro perspectivas diferentes: financeira, do cliente, dos processos internos e do aprendizado 153 PARTICULARIDADES DAS EMPRESAS NÃO INDUSTRIAIS Nesta Unidade veremos as particularidades das empresas comerciais, suas diferenças das industriais e as características das empresas prestadoras de serviços. PLANO DA DISCIPLINA: - As empresas comerciais - As empresas prestadoras de serviços com ou sem fins lucrativos U N ID A D E 6 154 AS EMPRESAS COMERCIAIS Os economistas envidam esforços, nem sempre com muito êxito, para definir o que é uma empresa, tendo em vista tanto a evolução nos processos de produção e comercialização, como dos diversos tipos de empresas existentes. A partir da ótica econômica, o conceito de empresa é apresentado sob várias perspectivas. A empresa pode ser definida como uma unidade decisória de negócios que, organizada, controla a produção de bens e serviços. A empresa pode ser vista como uma organização de produção, na qual se combinam os preços dos diversos fatores da produção, trazidos por agentes distintos dos proprietários da empresa, com o fito de vender bens ou serviços no mercado para obter, pela diferença entre os dois preços (o de revenda e o de venda), o maior ganho monetário possível. A empresa é um dos regimes de produzir onde alguém (o empresário), por via contratual, utiliza os fatores de produção sob sua responsabilidade (risco) a fim de obter uma determinada utilidade, vender essa utilidade no mercado e tirar, na diferença entre o custo de produção e o preço de venda, o maior proveito possível. Sob o ponto de vista jurídico, a empresa é uma atividade econômica organizada e exercida profissionalmente pelo empresário através de um estabelecimento. 155 Segundo o entendimento econômico, as empresas surgiram com a Revolução Industrial no século XVIII, mas que, a partir da ótica do Direito, existe um consenso geral de que as empresas surgiram com o advento do Código Comercial francês, datado de 1807. Empresa Comercial As empresas comerciais são aquelas legalmente constituídas, visando ao comércio de mercadorias com o objetivo de auferir lucro e considera-se como empresa toda atividade econômica com fim lucrativo. Classificação de Empresas As empresas podem ser classificadas pelo seu porte como pequena, média e grande, segundo critérios quantitativos ou qualitativos. Utilizamos o método quantitativo, por ser o mais difundido dentre as várias instituições nacionais, particulares ou estatais, como o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), o Ministério do trabalho (MT) e a Secretaria da Receita Federal (SRF). A seguir são apresentados, através dos Quadros 1, 2 e 3, os métodos quantitativos comumente utilizados na classificação das empresas: 156 Quadro 1: Classificação das empresas segundo o SEBRAE Porte Número de Funcionários Microempresa 01 a 09 Empresa de pequeno porte 10 a 49 Empresa de médio porte 50 a 99 Empresa de grande porte Acima de 100 Fonte: SEBRAE-MG. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br>. Quadro 2: Classificação das empresas segundo o Ministério do Trabalho Porte Número de Funcionários Microempresa 0 a 19 Pequena empresa 20 a 100 Média empresa 101 a 500 Grande empresa Acima de 501 Fonte: RAIS – MT Diferenças entre as empresas de pequeno porte e as de grande porteNo Quadro 3 são apresentadas algumas diferenças entre as empresas de pequeno porte e as empresas de grande porte. 157 Quadro 3: Características que diferenciam as empresas de pequeno porte e grande porte. Características Pequenas Empresas Grandes Empresas Planejamento Informal Formal Adaptabilidade Grande Pequena Capacidade de utilizar especialistas Grande Pequena Capacidade profissional Pequena Grande Poder de Decisão Centralizado Descentralizado Capital Concentrado Pulverizado Estrutura Informal Formal Constituição Jurídica Limitada S.A. Idade Média Pequena Grande Níveis Hierárquicos Poucos Muitos Número de Funcionários Pequeno Grande Recursos Financeiros Escassos Abundantes Sistemas de informação Simples, informais e poucos confiáveis Complexos, formais, confiáveis Acesso ao mercado de capitais Inacessível Acessível Facilidade para obter credito Pequena Grande Pequenas Empresas As pequenas empresas têm desempenhado papel importante na economia nacional, segundo o Serviço de Apoio às Micro e Pequena Empresas (SEBRAE), sendo responsáveis por 59% dos empregos gerados no Brasil. São essas empresas, em todo mundo, que alavancam o progresso e que, mais do que nunca, no contexto atual da economia globalizada, oferecem empregos à população. 158 As pequenas e médias empresas revestem-se de uma enorme importância quantitativa para a economia brasileira, pois constituem a regra, enquanto as grandes empresas representam as exceções. As pequenas e médias empresas desempenham também um relevante papel nos planos econômicos e sociais, estabelecendo a base de uma economia descentralizada, e, embora não haja um consenso estabelecido em relação ao conceito de pequenas e médias empresas, constata-se que, independentemente do parâmetro adotado, a participação de tais empresas tem se situado ao redor de 90% do total dos estabelecimentos existentes em quase todos os países do mundo. Pode-se assim concluir que as pequenas empresas são de importância fundamental para a economia de qualquer país, tornando-se imprescindível que se preparem para enfrentar os desafios impostos por uma economia globalizada, preparando seus gestores para tomarem decisões tempestivas e assertivas, subsidiados por relatórios confiáveis, a fim de responderem aos desafios de um mercado em que a concorrência tende a se mostrar cada dia mais acirrada. Diferenças entre as empresas comerciais e as industriais As empresas comerciais atuam no setor terciário, como intermediárias entre o produtor e o consumidor, por meio da compra de mercadorias para revenda. As empresas industriais atuam no setor secundário, utilizando fatores de produção, porém, elaborando, através de processos diversos, um produto diferente do original, para posterior comercialização. 159 Empresas Comerciais Podem ser caracterizadas como empresas comerciais, aquelas que: a) adquirem produtos acabados junto às indústrias e outros fornecedores com a finalidade de revendê-los; b) não arcam com custos de transformação; c) o único custo existente é o custo da mercadoria vendida; d) não necessitam de investimentos no ativo imobilizado com o propósito de adquirir máquinas e equipamentos destinados ao processo de transformação de matérias-primas em produtos acabados; e) a apuração dos custos é bem mais simples do que nas indústrias, pois não envolvem custos de transformação; f) os recursos que predominam em seu capital de giro, via de regra, são as aplicações em clientes; e, g) não possuem estoques de matérias-primas e produtos semi- elaborados. Empresas Industriais Podem ser caracterizadas como empresas industriais aquelas empresas que: a) adquirem matérias-primas com a finalidade de transformá-las em produtos semiindustrializados ou acabados; b) arcam com os custos de transformação; 160 c) normalmente necessitam fazer investimentos no ativo imobilizado com a finalidade de adquirir máquinas, equipamentos e tecnologia, a fim de fazer face aos processos de transformação; d) a apuração dos custos é bem mais complexa do que nas empresas comerciais, tendo em vista os custos diretos e, principalmente, os indiretos; e, e) normalmente possuem três tipos de estoques: matérias-primas, produtos em elaboração e produtos acabados. Importância do conhecimento de custos para as empresas O conhecimento e o controle dos custos na empresa proporcionam respostas para várias indagações dentre as quais: - a empresa está obtendo lucro ou prejuízo na comercialização de suas mercadorias? De quanto? - pode reduzir o preço de venda das mercadorias comercializadas a fim de torná-las mais competitivas? Reduzir em quanto? - dentre as mercadorias que são comercializadas, quais deverão ter suas vendas incentivadas? - quanto que a empresa deverá vender para suprir suas necessidades de retorno sobre os investimentos - qual é a necessidade de lucro? Um dos principais desafios dos dirigentes das empresas comerciais é estabelecer uma prática de apuração e análise de custos que seja confiável e que proporcione ao negócio o retorno sobre os investimentos realizados. 161 Inúmeras empresas comerciais desconhecem sua estrutura de custos e determinam seus preços de venda com base em modelos desenvolvidos por outras empresas correlatas ou na orientação dos fornecedores. Determinar o preço de venda torna-se tarefa extremamente importante e constitui-se uma das peças fundamentais do planejamento empresarial, pois proporcionará rentabilidade, competitividade, crescimento e retorno do capital investido. O custo de aquisição constitui a base da formação do preço de venda para o comércio, sendo considerado o aspecto mais importante do custo total da mercadoria, que acrescido a este, deverá ser considerado os impostos, as comissões e as despesas fixas da organização. Um custeio eficaz permite, através de registros analíticos de custos de aquisição acrescidos das despesas indiretas com as mercadorias, determinarem o custo real das mercadorias vendidas. As empresas prestadoras de serviços com ou sem fins lucrativos A prestação de serviços é entendida como a realização de trabalho oferecido ou contratado por terceiros (comunidade ou empresa), incluindo assessorias, consultorias e cooperação interinstitucional. A prestação de serviços se caracteriza pela intangibilidade, inseparabilidade (produzido e utilizado ao mesmo tempo) e não resulta na posse de um bem. Quando a prestação de serviço for oferecida como curso ou projeto de extensão, ela é registrada como tal (cursos e projetos). Diferente da atividade de produção ou fabricação, serviço é a atividade econômica da qual não resulta um produto tangível. Como 162 exemplo pode citar a atividade de transporte e atividade exercida pelos profissionais liberais. A locação ou prestação de serviços é o contrato em que uma das partes (prestador) se obriga para com a outra (tomador) a fornecer-lhe a prestação de uma atividade, mediante remuneração. Prestação de serviços é toda espécie de atividade ou trabalho lícito, material ou imaterial, contratada mediante retribuição (CC, art. 594), excluída as relações de emprego e outros serviços regulados por legislação específica. Excluídos os serviços regulados pela legislação trabalhista, código do consumidor ou outras leis especiais, todas as demais prestações de serviços serão reguladas pelo código civil. A prestação de serviços é hoje umarealidade na economia. A gestão moderna de empresas preconiza a concentração de esforços na atividade principal de uma empresa. Para isso, a empresa precisa buscar em outras empresas soluções para etapas de seu processo produtivo ou para atividades secundárias, como limpeza e publicidade, por exemplo. Na prestação de serviços, um contrato estabelecido entre duas partes dispõe que um prestador de serviços executará uma atividade a um tomador de serviços, sendo remunerado para isso. Essa prestação é de alguma atividade lícita, podendo ser material ou imaterial. Não está incluída na chamada prestação de serviço as relações de emprego, regidas por uma legislação própria. Os contratos de prestação de serviço são regidos pelo código civil. Hoje em dia, existem inúmeras empresas especializadas na prestação de serviços. As mais comumente encontradas são aquelas que prestam serviços gerais, como limpeza, manutenção, serviços 163 de recepção e atendimento ou transporte, por exemplo. Esses serviços, apesar de serem fundamentais para o funcionamento e operação de uma empresa, via de regra não estão diretamente relacionados à atividade fim de uma empresa, sendo mais facilmente terceirizados. Outros serviços também têm grande demanda pelos contratos de prestação, via terceirização. Incluem-se aí atividades de treinamento, pesquisa e suporte de recursos humanos e consultorias de diversos tipos. Existem ainda setores ou etapas de produção que podem ser terceirizados através do contrato de prestadores de serviço. Em todos esses casos, é importante que a prestação de serviços fique bem caracterizada e não se confunda com a relação trabalhista. Essa atividade econômica proporciona, atualmente, ocupação para uma parcela cada vez maior da população mundial. Com isso, a estrutura industrial da sociedade vem mudando aceleradamente nas ultimas décadas. Um terço da população rural já está no setor de serviços e, nas áreas urbanas, esse índice ultrapassa 50%. As implicações da mudança de uma economia suportada pela produção industrial para uma economia baseada na prestação de serviços são surpreendentes. Ganha destaque, nesse novo cenário, a ênfase em qualidade que, embora seja importante no setor industrial, é ainda mais relevante no setor de serviços, fazendo com que surja, assim, a necessidade de as empresas desenvolverem um entendimento apurado sobre qualidade na prestação de serviços, buscando alcançar a satisfação dos clientes, conscientes de que assim procedendo terão possibilidades maiores de obterem bons resultados no curto e no longo prazo. 164 Direcionar a empresa para a satisfação do cliente, significa entender a qualidade do ponto de vista do cliente. Portanto, devem- se conhecer os valores que contam mais para ele em relação ao produto oferecido. Os valores mais importantes para o cliente, aqueles que proporcionam maior satisfação, serão elementos orientadores da estratégia da empresa, tanto para atuar no ambiente externo, como para organizar sua estrutura interna. Nos serviços de saúde, cliente e mercado têm peculiaridades. Sendo assim, é necessário questionar se, dada estas particularidades, as leis de mercado são suficientes para garantir a qualidade dos serviços de saúde e se a questão da qualidade se dá da mesma forma que na indústria ou em outros serviços. A palavra "SERVIÇO" tem significados diversos. Os dicionários Aulete (1964) e Holanda (1995), registram variadas acepções desse substantivo masculino que merecem ser transcritas. Segundo eles, um serviço pode ser: Ato ou efeito de servir; Exercício de cargos ou funções obrigatórias; duração desse exercício; desempenho de qualquer trabalho, emprego ou comissão; duração desse desempenho; celebração de atos religiosos; estado de quem serve por salário; serventia; obséquio ou favor; percentagem de uma conta de hotel ou restaurante, destinada à gratificação ao pessoal; modo de servir; conjunto de peças de louça, prata ou outro material, que servem para um jantar, um chá, etc.; aparelho; as iguarias que se servem numa recepção ou reunião, entre outras. Na realidade, tudo é serviço. Tanto quanto bens ou mercadorias, os serviços são produtos ofertados no sentido de satisfazer necessidades do mercado. Mesmo a empresa, seja ela de que tipo for, é um serviço criado especificamente para satisfazer a uma determinada necessidade do cliente. 165 Os serviços estão presentes na vida do homem desde os primórdios da vida social, mas foram precisos milênios para que homens públicos, economistas, administradores e a sociedade em geral passassem a reconhecer razoavelmente a importância dos serviços. Para Kotler (1994:541), serviço é "qualquer ato ou desempenho que uma parte pode oferecer a outra e que seja essencialmente intangível e não resulta na propriedade de nada. Sua produção pode ou não estar vinculada ao produto físico." Os serviços possuem algumas características básicas - intangibilidade, heterogeneidade, inseparabilidade e perecibilidade - que permitem melhor compreendê-los e que devem ser levados em consideração pelas empresas, ao elaborarem suas estratégias de atuação no mercado (Kotler,1994:541). · Intangibilidade: os serviços são essencialmente performances e "não podem ser vistos, provados, sentidos, ouvidos ou cheirados antes de serem comprados" (Kotler,1994:541). O grande desafio do prestador de serviço é administrar a evidência para tornar tangível o intangível. É por causa da intangibilidade dos serviços que as empresas encontram dificuldades de entender como os consumidores percebem seus serviços e avaliam a qualidade dos mesmos. · Heterogeneidade: os serviços têm características de heterogeneidade porque o seu desempenho sofre influência tanto de aspectos técnicos (conhecimentos, habilidades e suporte material), quanto emocionais (condições e características psicológicas), pelo lado do prestador de serviço. Assim, considerando os serviços altamente variáveis, uma vez que dependem de quem os executa e de onde são prestados, Kotler (1994:542), aconselha três atitudes para as empresas solucionarem este problema: 1- Investir em seleção e treinamento de pessoal na prestação de bons serviços 166 2 - Padronizar o processo de prestação de serviços por toda a organização 3 - Monitorar a satisfação do consumidor através do sistema de sugestões, reclamações e comparação de compra, possibilitando que os serviços fracos sejam detectados e corrigidos. Inseparabilidade: outra característica peculiar dos serviços, em relação aos produtos físicos, é a inseparabilidade, isto é, os serviços são inseparáveis de quem os executa ou fornece, de tal forma que o prestador do serviço faz parte do próprio serviço. Esta característica, associada ao fato de que os serviços são produzidos e consumidos ao mesmo tempo faz com que, nos serviços em que o cliente esteja presente, haja uma interação entre cliente e prestador de serviços, de modo que o cliente também passa a fazer parte do serviço e, conseqüentemente, a interferir em sua qualidade. Perecibilidade: a última das quatro características marcantes dos serviços, é a perecibilidade. Os serviços são perecíveis, porque não podem ser estocados para venda ou uso posterior. Isto pode representar um sério problema para a empresa prestadora quando a demanda é flutuante, como acontece nas empresas que lidam com serviços de demanda cíclica, sazonal ou irregular. Se montam uma estrutura capaz de suportar os picos da demanda, naturalmente terão capacidade ociosa (e custos mais elevados)nos momentos em que a demanda estiver mais baixa. Se, por outro lado, decidem montar uma estrutura para atender ao mínimo necessário, prestarão serviços precários quando a demanda estiver mais elevada. Assim, ao montarem sua estrutura, devem levar em consideração as flutuações e adotar estratégias flexíveis e adequadas para enfrentar cada situação. Competitividade na prestação de serviço Inúmeras empresas de prestação de serviços estão sob a forte pressão da concorrência e precisam elevar o grau de produtividade para garantirem a sua participação no mercado e expandir suas 167 ações. Muitas delas têm buscado o aumento da sua produtividade pela industrialização do serviço, acrescentando equipamentos e padronizando a produção. Essas empresas devem adotar uma atividade de manufatura para produzir serviços com alta produtividade. De acordo com esse princípio, podem-se relacionar os elementos básicos da competitividade , no que se refere a uma linha de manufatura: qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade e custo. Assim, pode-se afirmar que na prestação de serviços é possível distinguir entre aspectos internos e externos de cada elemento básico da competitividade e que o desempenho de cada um deles contribui para o desempenho externo da operação inteira - o desempenho que o consumidor vê. Os aspectos externos do desempenho podem ser focados separadamente, porém, os aspectos internos do desempenho são relacionados de forma mais íntima e complexa. A implicação disso é que não se trata de saber quais objetivos internos de desempenho são mais importantes, mas de que maneira eles contribuem para o desempenho como um todo e, principalmente, como cada um deles pode ser aperfeiçoado para elevar a competitividade. Qualidade em serviço A norma ISO 8402 (ABNT, 1990) define qualidade como "a totalidade das peculiaridades e das características de um produto ou serviço relacionado com sua capacidade de satisfazer necessidades declaradas ou implícitas”. Esta abordagem, embora aceitável, não incorpora muita das últimas interpretações de qualidade, cujo conceito tem mudado muito nos últimos dez anos e ainda mais durante os últimos dois anos. Uma década atrás era dada ênfase aos produtos, ou seja, qualidade significava a capacidade de um produto estar em conformidade com as especificações. Ou, então, qualidade como adequação ao uso (Cerqueira Neto, 1992:17), uma definição que 168 atendia a um ponto de vista mercadológico e estava centrada no usuário. Mais tarde, a definição começou a incorporar elementos do cliente e a qualidade passou a ser definida como a previsão e a superação das suas expectativas. Nos últimos anos, o conceito tem evoluído, até reconhecer a importância de satisfazer muitos detentores de participação numa organização, incluindo a comunidade, os fornecedores, os acionistas, os empregados e a gerência. Atualmente, qualidade abrange elementos tão diferenciados como a melhoria de vida no trabalho, a promoção da diversificação de funções, melhoria nas condições ambientais, facilitação do comércio e realce da competitividade. Entretanto, o conceito de "qualidade", embora pareça ser facilmente entendido, é de difícil definição, como ressalta Garvin (1992:67), que identifica cinco abordagens básicas para definir o que vem a ser qualidade: qualidade transcendental: qualidade baseada no produto; qualidade baseada no usuário; qualidade baseada na produção; qualidade baseada no valor. Para abordagem transcendental, a qualidade se constituiria na excelência inata, uma característica absoluta, passível de ser apreendida, porém, não de ser definida. A abordagem baseada no produto decorre da visão econômica, que estabelece qualidade como precisamente definida e medida, matematicamente definida em função dos atributos que o produto possui ou das suas características inerentes. Quando a definição da qualidade passa a ser abordada do ponto de vista do usuário, ela pode ser entendida como a capacidade de promover a satisfação de uma necessidade, de forma adequada às preferências do consumidor, o que significa estar adequada ao uso. 169 Na abordagem baseada na produção, a qualidade tem seu foco ao lado da oferta, em conformidade com as exigências ou grau em que o produto está de acordo com o projeto ou especificações. Finalmente, na abordagem da qualidade centrada no valor, os custos e os preços adquirem relevo e "um produto de qualidade é aquele que provê desempenho ou conformidade a um preço ou custo aceitável". No que concerne aos serviços, o conceito de qualidade se torna ainda mais complexo, pois não pode ser medido por meio de aspectos objetivos, como acontece nos casos dos bens físicos, pois a qualidade de serviço tem natureza mais aberta e fugidia, dada as características de intangibilidade e demais características que compõem a singularidade dos serviços. Nesse caso, a medida mais adequada é a percepção da qualidade por parte do cliente. A qualidade percebida pelo consumidor é o julgamento a respeito da excelência geral ou superioridade do fornecedor. E uma forma de atitude relacionada, mas não equivalente à satisfação e que resulta da comparação das expectativas com as percepções de desempenho efetivo. Assim, o que os clientes fazem é, em resumo, comparar o serviço que recebem com o serviço que, segundo suas expectativas, deveriam receber. O julgamento da qualidade resultará do grau e da direção do afastamento (ou discrepância) entre as expectativas e o que efetivamente foi recebido do fornecedor. Assim, se um cliente julga ter recebido um serviço cuja qualidade supera às suas expectativas, ele considera ter recebido uma prestação de qualidade superior e se sente inclinado a utilizá-lo novamente, ou recorrer à empresa que o prestou. Desse modo, é importante que a empresa se preocupe constantemente com a qualidade do serviço que presta, medindo-o por meio da percepção dos clientes. 170 Considerando-se as diversas abordagens que se pode fazer do processo de qualidade, a visão dos gerentes quanto à qualidade de um produto ou serviço pode apresentar significativa discrepância da visão dos consumidores, tornado-se relevante dispor de instrumentos que quantifiquem e analisem a qualidade real e a qualidade percebida. Satisfação do cliente Para uma empresa prestadora de serviços ser bem sucedida, é necessário que ela saiba atender e, talvez, exceder às expectativas do cliente. Deve definir as expectativas do ponto de vista do cliente - e não do ponto de vista da própria empresa, ou seja, do ponto de vista de um funcionário, do gerente ou do presidente. Para fazer a avaliação das expectativas do cliente, a empresa deve levar em consideração as bases culturais vigentes na sociedade, as estruturas sociais predominantes, as condições competitivas existentes no mercado, a situação econômica do país e os aspectos legais e regulatórios que regem aquela atividade econômica. Apesar da importância óbvia de a empresa conhecer as expectativas de seus clientes, essa situação é de difícil aplicação na prática, pois ela mistura conceitos subjetivos e objetivos, emocionais e racionais, que podem estar relacionados, porém, são distintos. Todavia, alguns serviços não são de avaliação imediata ou apresentam dificuldades para serem avaliados, mesmo depois de recebidos. O consumidor tem mais dificuldade de avaliar um serviço do que um produto. A percepção da qualidade do serviço resulta da comparação que o consumidor faz entre as suas expectativas a respeito do serviçoe o serviço recebido de fato. 171 A importância e a prática de se medir a satisfação do cliente Cliente satisfeito é cliente feliz. Manter clientes satisfeitos não basta, ou seja, não se mantêm clientes apenas satisfeitos. É preciso encantá-los, ou melhor, surpreendê-los. O cliente busca sempre um melhor valor, porém, quando está muito satisfeito, não trocará de prestador de serviços. Eles compram da empresa que acreditam que lhes oferece o mais alto valor de consumo. Eles são maximizadores de valor, dentro dos limites de sua capacidade de pesquisar, do seu nível de conhecimento, mobilidade e renda. Eles estabelecem suas expectativas de valor e agem em função delas, comparando assim o valor real que recebem ao consumir um produto ao valor esperado (o que afeta seu nível de satisfação e seu comportamento de recompra). Mensurar a satisfação dos clientes com a qualidade dos serviços que eles recebem apresenta inúmeros benefícios: (1) uma percepção mais positiva dos clientes quanto à empresa provedora de serviços; (2) disponibilização de informações precisas e atualizadas das necessidades dos clientes; (3) incremento da confiança desenvolvida nas transações entre cliente e provedor de serviço, em função de uma maior proximidade entre as partes e (4) o estabelecimento de relações de lealdade. Uma satisfação cumulativa com a qualidade dos serviços recebidos por parte do cliente pode ser um indicador seguro e fundamental do desempenho atual e futura de uma empresa. Nessa Unidade você viu as particularidades das empresas não industriais, as diferenças entre essas e as dedicadas ao comercio e à prestação de serviços. 172 EXERCÍCIOS 1) Exercícios: Assinale F (Falso) ou V (Verdadeiro) para as assertivas abaixo. 1. Empresa é uma organização onde se combinam preços dos fatores da produção com a finalidade de vender bens ou serviços com o maior ganho monetário possível e proporcionar cada vez mais empregos para a população. ( ) 2. As empresas são classificadas pelo seu porte como pequena, média e grande pelos critérios quantitativos ou qualitativos, sendo este último o mais difundido entre as principais instituições nacionais. ( ) 3. As pequenas empresas alavancam o progresso mundial e são as que mais oferecem empregos à população. ( ) 4. As empresas comerciais são aquelas que necessitam de investimentos em ativo imobilizado com a finalidade de obtenção de maiores lucros. ( ) 5. É desafiador para os dirigentes das empresas comerciais estabelecer uma prática de apuração e análise de custos confiável e que proporcione retorno sobre os investimentos realizados. ( ) 6. Prestação de serviços é a realização de trabalho oferecido ou contratado por terceiros, excluindo-se daí as assessorias e consultorias empresariais. ( ) 7. Todas as prestações de serviço são reguladas pelo Código Civil, inclusive aquelas particularmente regulamentadas pela legislação trabalhista, código do consumidor e demais leis especiais. ( ) 8. Serviço é todo ato ou desempenho que uma parte pode oferecer a outra e que é essencialmente intangível e não resulta na propriedade de nada.( ) 173 9) Que atitudes devem ter as empresas prestadoras de serviços para garantir sua participação no mercado? ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ 10) Como as empresas prestadoras de serviços podem solucionar os problemas da heterogeneidade dos serviços? ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ GABARITO: 1) F 2) F 3) V 4) F 5) V 6) F 7) F 8) V Elevar o grau de produtividade buscando o aumento da produtividade pela industrialização do serviço, acrescentando equipamentos e padronizando a produção. Investindo em seleção e treinamento de pessoal, padronizando o processo de prestação de serviço e monitorando a satisfação do consumidor. 174